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António Freitas: Um marceneiro que veio do frio pág. 13 SEXTA-FEIRA, 6 JUNHO 2014 | Diretor: Paulo Barriga Ano LXXXIII, N.o 1676 (II Série) | Preço: € 0,90

Presidente da EDIA confirmou ao “DA” o interesse de várias empresas internacionais

Investimentos em Alqueva podem ascender aos 400 milhões nos próximos anos JOSÉ FERROLHO

pág. 9

Tribunal Administrativo e Fiscal pode sair de Beja

Feira da Saúde na aldeia amiga dos idosos: Baleizão

pág. 8

pág. 12

“Tais Quais” estreia em Serpa no Encontro de Culturas pág. 11

Histórias de quem sobreviveu às três invasões do FMI

O que têm em comum os anos de 1977, 1983 e 2011? A perda de independência financeira e económica do País face ao FMI, a palavra austeridade e a sombra da dívida pública. O que têm em comum Leonel Cameirinha, António Chícharo, Francisco Carvoeiras e Adelino Mira? São quatro dos poucos empresários bejenses que conseguiram sobreviver aos três planos de assistência externa. págs. 4/6 PUB


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Editorial Fermoso Paulo Barriga

Vice-versa A Comissão Política Concelhia do PS de Serpa defende um congresso extraordinário eletivo “de forma a ultrapassar a atual situação de disputa da liderança do partido” e para “gerar a estabilidade política necessária para combater as medidas de extrema austeridade que estão a destruir a estrutura económica e social do País”. Paulo Pisco, Comissão Concelhia do PS de Serpa

A

ntónio José Seguro conseguiu um feito assinalável na história dos regimes democráticos ocidentais: ganhou uma valente derrota. Embora o partido que lidera, o PS, tenha saído com mais votos e mandatos das últimas eleições para o Parlamento Europeu, como, aliás, já tinha acontecido nas Autárquicas de setembro, o seu pescoço foi assim mesmo parar ao cepo. “Ganhou por poucos”, dizem os seus delatores mais ferinos, nomeadamente António Costa, que gostaria de vir a ser primeiro-ministro num putativo governo socialista. “Ganhar por poucos” é coisa de moços pequenos. Num jogo de homens feitos, seja a sueca, os matraquilhos ou a malha, ganhar é ganhar e ponto final. A quem não agradaria um e apenas um golito do Cristiano na final do Mundial? Sem sofrermos nenhum? Mas no PS, esse colosso do paradoxo político, não são essas as regras do jogo, pelo menos no que diz respeito ao conseguimento da vitória. Fermoso mas não seguro, o atual líder do PS, depois de acossado com a ideia de um congresso partidário eletivo, decidiu avançar para a fonte com um pote de ideias frescas à cabeça: eleições primárias na escolha do candidato socialista a primeiro-ministro, onde até os “meros simpatizantes” podem participar; redução do número de deputados da República dos atuais 230 para 180 e, dando graça à sua fermosura, estabelecer círculos uninominais na eleição para o Parlamento. E com tão lindas ideias, Seguro até o mundo espanta. Estas duas últimas fantasias, no seu conjunto, e para o Alentejo seriam uma verdadeira catástrofe em termos de representatividade parlamentar. A redução do número de deputados, estratégia populisticamente simbólica, na razão das proporcionalidades, deixar-nos-ia não com a atual tanga curta, mas apenas com uma folha de parra a tapar as nossas partes na Assembleia da República. E os círculos uninominais acabariam com as veleidades dessa corja que são os grupúsculos políticos, esses mesmos onde agora as pessoas, “ingratamente”, quiseram depositar o seu voto de descontentamento para com o Governo. Em vez de verdura, são muitos os tanganhos e os espinhos no caminho da fonte, principalmente para quem ainda não se deu conta que vai descalço e já não segura.

António José Seguro “deu mostras de fidelidade aos valores do PS” e “apesar de ter recebido um partido comprometido com os compromissos do memorando de entendimento com a troika, soube envolver todos os socialistas na consecução de novas bases programáticas adaptadas às necessidades do País”. Luís Pita Ameixa, deputado do PS

Fotonotícia Reviver o passado em Beja Durante três dias a cidade de Beja regressou ao passado. Mais concretamente ao período romano e à antiga Pax Julia, nome da cidade naquela época. O centro da transformação temporal foi a praça de República. Quem por lá passou durante o fim de semana pôde encontrar inúmeras recriações históricas, cortejos, lutas de gladiadores, espetáculos de falcoaria, venda de escravos, saltimbancos, mercados romanos e muito mais. Os figurantes, vestidos a rigor, misturaram-se com os muitos visitantes do Festival Beja Romana. Fazendo coexistir num mesmo local e tempo hábitos e tradições, separados por 20 séculos de história. José Serrano Foto de Câmara Municipal de Beja

Voz do povo Que significado tem para si o Dia de Portugal?

Inquérito de José Serrano

Francisco Drago 25 anos, estudante

Carlos Gradiz 60 anos, aposentado

José Pereira 56 anos, bancário

Maria da Nazaré Educadora de infância

É um dos feriados mais importantes que temos. É o dia do nosso país. Penso que temos de ser patriotas. Somos um povo com séculos de história. É importante que esse facto seja comemorado. Já fomos um dos países mais importantes do mundo. Esse orgulho deve ser mantido. Gostava que o Presidente da República, no seu discurso, dissesse que íamos voltar ao escudo.

O 10 de junho é um símbolo que vem de tempos passados. Para mim não representa nada. Os portugueses respeitam muito a figura de Camões e o seu contributo para a cultura nacional. Mas estão demasiado ocupados com os problemas que têm para se interessarem com essas comemorações. Em relação ao discurso do Presidente o que eu mais gostava era que ele estivesse calado.

É o dia da raça, de Camões, das comunidades portuguesas. Um dia histórico que preserva a memória de Camões, do que ele representa para os portugueses. Continua a fazer todo o sentido que esta data seja comemorada. Gostava que no seu discurso o Presidente anunciasse que o Governo se ia embora ou que repunha os valores dos salários. A quem tem trabalhado uma vida inteira.

Representa um bocadinho a identidade dos portugueses. Mas nos tempos que correm é cada vez mais complicado estarmos ligados a esse tipo de comemorações. Continua a fazer sentido que seja comemorado. Porque se não, qualquer dia, tiram-nos os feriados todos. Gostava que nesse dia o Presidente colocasse o seu lugar à disposição. De alguém mais novo.


Rede social CERCIBEJA

Semana passada QUINTA-FEIRA, DIA 29 DE MAIO BEJA EXPLOSÃO DE BOTIJA DE GÁS PROVOCA FERIMENTOS GRAVES NUM HOMEM

Duas pessoas ficaram desalojadas em Vila Verde de Ficalho, no concelho de Serpa, devido a um incêndio na sua casa, na madrugada de domingo. De acordo com o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Beja, ficaram desalojados uma mulher de 79 anos e um homem de 53 anos. O incêndio, que deixou a casa totalmente destruída, ocorreu às 00 e 36 horas, tendo as chamas sido consideradas extintas às 01 e 39 horas. A mesma fonte indicou que uma das vítimas foi transportada para o hospital de Serpa por inalação de fumos e a outra foi realojada durante a madrugada em casa de familiares. Para a ocorrência foram mobilizados 14 operacionais, apoiados por cinco viaturas, da corporação de bombeiros de Serpa.

SEGUNDA-FEIRA, DIA 2 DE JUNHO VIDIGUEIRA DEPUTADO MÁRIO SIMÕES RETOMA ROTEIRO SOCIAL O deputado do PSD eleito pelo círculo de Beja retomou na segunda-feira o Roteiro Social. O périplo que Mário Simões pretende fazer pelo distrito de Beja teve início no concelho de Vidigueira, com visitas à Associação de Beneficência de Selmes e Alcaria e à Fundação Domingos Simão Pulido. Este é o terceiro roteiro social realizado por Mário Simões desde que assumiu funções como deputado e pretende “dar continuidade ao trabalho de proximidade que tem pautado o seu mandato”.

SEGUNDA-FEIRA BEJA REUNIÕES PREPARAM REDES DE PERCURSOS DE NATUREZA A Turismo do Alentejo e Ribatejo deu início a um conjunto de reuniões, nas duas regiões, no âmbito da operacionalização das Redes de Percursos de Natureza. Os primeiros encontros decorreram na segunda-feira, em Beja e em Alcácer do Sal, seguindo-se Santarém, na quinta-feira, e Évora, na sexta-feira. As sessões de trabalho servem para preparar uma rede que se pretende implementar no território, dividida em quatro segmentos: percursos/itinerários pedestres, percursos de observação de aves, percursos/rotas de cicloturismo e percursos BTT. A criação das Redes de Percursos de Natureza, além da montagem de itinerários, visa a comunicação dos mesmos e a sua entrega a operadores turísticos para serem comercializados.

Esta obra vem permitir acrescentar valor à prestação do serviço de acolhimento em termos de recursos físicos, em diversos aspectos, designadamente no planeamento, acompanhamento, avaliação e monitorização das actividades. Vem facilitar a concretização dos objectivos na prestação de melhores cuidados pessoais, quer ao nível da saúde e bem-estar, quer ao nível da identificação dos indicadores, que avaliam o nível de satisfação das necessidades dos utentes/clientes. Para além disso, vem proporcionar aos profissionais melhores condições de trabalho e dinâmicas organizacionais, de modo a promover o ajustamento das suas funções aos serviços prestados aos clientes. Importa acrescentar que para além dos ganhos em qualidade, também permitiu acolher mais 10 residentes, que de acordo com as regras de priorização de ocupação de vagas estavam em situação de grande urgência de intervenção.

A Cercibeja – Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Beja inaugurou, na presença do secretário de Estado da Solidariedade, o segundo edifício do Lar Residencial “Vidas Coloridas”. Um espaço que acolhe atualmente 20 jovens adultos. CM SANTIAGO DO CACÉM

Em que medida é que a obra de requalificação e ampliação do lar residencial da Cercicoa em Almodôvar, inaugurada recentemente, vai permitir melhorar os serviços prestados pela instituição?

Cercibeja inaugurou Vidas Coloridas II

Santiagro visitada por “30 mil visitantes” “Muito positivo”. É este o balanço da XXVII Santiagro, que decorreu em Santiago do Cacém. Segundo a câmara, passaram pelo recinto, nos três dias, cerca de 30 mil visitantes, “numa das melhores edições dos últimos anos”. Boss AC, The Gift e Berg animaram as noites. CM VIDIGUEIRA

SERPA INCÊNDIO EM HABITAÇÃO DEIXA DUAS PESSOAS DESALOJADAS

Presidente da Cercicoa – Cooperativa de Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas

Quantos clientes tem atualmente a Cercicoa e que outras valências integra, para além do lar-residencial?

A Cercicoa tem actualmente em funcionamento oito valências que no seu conjunto apoiam cerca de 250 pessoas dos concelhos de Castro Verde, Ourique, Almodôvar, Odemira e Mértola. A intervenção é abrangente e cobre todas as faixas etárias e começa logo através da intervenção precoce na infância e prossegue através do CRI (centro de recursos para a inclusão), formação profissional, fórum ocupacional para a saúde mental, centro de recursos para o emprego, residência autónoma e lar residencial.

“À Roda do Pão” na vila de Vidigueira “Venha aprender a fazer pão à moda das nossas avós” foi o desafio lançado pela Câmara de Vidigueira. E foram muitos, miúdos e graúdos, os que meteram “as mãos na massa”. Num reencontro com as tradições que deram nome à vila: “Terras de pão, gentes de paz”. ADPM

DOMINGO, DIA 1 DE JUNHO

3 perguntas a António Matias

Tendo em consideração o atual contexto socioeconómico, que dificuldades têm sentido na gestão da cooperativa?

As tendências sociopolíticas de racionamento e rentabilização de recursos na nossa área de intervenção têm exigências e desafios de permanente melhoria, o que para nós é um grande incentivo. Não significa, porém, que se consigam atingir objetivos sem meios, particularmente financeiros. Mas em termos de gestão, no que diz respeito à implementação de modelos que promovam uma constante auto avaliação e procura da melhoria contínua, exige-se uma cada vez maior profissionalização dos quadros dirigentes deste tipo de organizações. No que à Cercicoa diz respeito, a nossa capacidade de resposta está inteiramente ligada à grande qualidade e empenho dos nossos colaboradores, à criatividade e dedicação da equipa técnica e coordenações, e sobretudo à responsabilidade social das autarquias da nossa área de abrangência, bem como ao Centro Distrital de Segurança Social, que têm sido um suporte permanente à adequação das respostas às necessidades das populações. Nélia Pedrosa

II Festival de Chás e Ervas do Mundo Os chás e as ervas do mundo voltaram a estar em destaque em mais um festival promovido pela Associação de Defesa do Património de Mértola e onde não faltaram atividades dirigidas às crianças, workshops, venda de produtos, bailes e degustações de chás e tisanas. CM FERREIRA DO ALENTEJO

A explosão de uma botija de gás numa habitação em Beja, na rua da Casa Pia, ao início da noite de quinta-feira, provocou ferimentos graves num homem de 60 anos, disse à Lusa fonte dos bombeiros. Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Beja adiantou que o homem, que vive sozinho, foi transportado para o hospital de Beja em estado considerado “muito grave”. Segundo fonte hospitalar, a vítima foi posteriormente transferida para o hospital de São José, em Lisboa. O alerta, segundo o CDOS, foi recebido às 20 e 08 horas, tendo a explosão provocado também danos na habitação. Para o local foram mobilizados seis operacionais dos Bombeiros Voluntários de Beja e uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER), com a respetiva tripulação. No local esteve também a PSP.

Feira do Talego e do Avental em Ferreira do Alentejo Ferreira do Alentejo recebeu a IV edição da Feira do Talego e do Avental. Um evento organizado pela União das Freguesias de Ferreira do Alentejo e Canhestros que pretende destacar estas duas peças culturais ligadas aos costumes e tradições do concelho.

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“As coisas ainda não estavam completamente recuperadas das últimas crises que vivemos e voltaram a estragar tudo. E vamos ter, agora, consequências muito graves com tudo isto. Nem tão cedo vamos ter uma vida harmoniosa. Tarda em aparecer a recuperação”. Leonel Cameirinha

Tema de capa

Leonel Cameirinha

António Chícharo

As três vindas do FMI e da troika, contadas por quatro empresários de Beja

Os anos da austeridade Segundo semestre de 1977. Foi por esta altura que aconteceu a primeira visita do Fundo

V

amos à primeira vinda do FMI, à de 1977. Um anúncio, publicado no “Diário do Alentejo”, anunciava: “L.A. Cameirinha, LDA. Tractores David Drown. Ceifeiras, debulhadoras, arbos. Máquinas sobejamente conhecidas e largamente comprovadas pela lavoura alentejana. Assistência técnica assegurada. Visite a nossa exposição no Terreiro dos Valentes em Beja”. O anúncio dizia respeito ao negócio de Leonel Cameirinha, comendador e conhecido empresário da região, com mais de seis décadas de atividade comercial. “Em 1977 já tinha praticamente tudo. Tinha muitas marcas de automóveis, muitas máquinas agrícolas e vendia bem”. É assim que começa a conversa. Acontece que os anos 70, em sua opinião, ficaram mais marcados pela Crise do Petróleo e pela Revolução de Abril, do que propriamente pelo FMI. “Estes acontecimentos é que marcaram muito, marcaram mais, na altura, do que a chegada do FMI”,

Monetário Internacional (FMI) ao País. Regressaria depois, em 1983, também no segundo semestre. Mais recentemente, em 2011, foi a vez da troika. Três resgates financeiros. Cerca de trinta e sete anos depois do primeiro, 31 anos após o segundo e agora com o fim formal da terceira assistência financeira, assinalada no passado dia 17, quatro empresários de Beja, Leonel Cameirinha, António Chícharo, Francisco Carvoeiras e Adelino Mira, regressam ao passado, para falarem do presente e até do futuro. Texto Bruna Soares Fotos José Ferrolho

diz Leonel Cameirinha. Até porque, a Crise do Petróleo, a subida dos preços e o déficie comercial, obrigatoriamente disse respeito a um homem ligado ao setor automóvel e, como não poderia deixar de ser, influenciou também aos acontecimentos que se seguiram. A Crise do Petróleo, na verdade, desencadeou uma nova etapa na economia mundial e as notícias publicadas na época comprovam-no. A 12 de

janeiro de 1974, por exemplo, a manchete do “Diário do Alentejo” era: “Petróleo: Companhias acusadas de manobras para manter a crise”. E o FMI? Numa crónica de opinião publicada também no “Diário do Alentejo”, a 18 de novembro de 1976, assinada por Q. de S. V. e intitulada de “Austeridade”, eram dados os primeiros sinais. “As condições em que se processa presentemente a vida dos povos, torna claro para

governantes e governados que é necessário enveredar por um caminho diferente, adoptando um sistema de autêntica austeridade”, podia ler-se. Mais tarde, mas ainda em 1976, numa outra notícia de primeira página, começa-se finalmente a falar do FMI. “Empréstimos a Portugal – EUA somam e seguem”, era o título da notícia publicada a 27 de novembro, que relatava: “Anuncia um jornal nova-iorquino que uma proposta

dos Estados Unidos para a concessão de um avultado empréstimo a Portugal, faz surgir um novo conceito nos empréstimos financeiros internacionais de auxílio: que o Fundo Monetário Internacional administra um fundo de cerca de 1, 5 biliões de dólares, fornecidos por nações doadoras”. M a s , s e g u ndo L e one l Cameirinha, “a primeira visita do FMI, ainda assim, e embora se tenha sentido, foi de todas as que se seguiram a que passou mais despercebida”. António Chícharo, empresário bejense, também já estava no ativo por esta altura, e também ligado ao ramo automóvel. A empresa foi fundada em 1938, pela mão do seu pai, mas foi só a 24 de abril de 1974 que se formou a sociedade José Cândido Chícharo e Filho, LDA, tal como ainda hoje é conhecida. “O princípio dos anos 70 coincidiu com a grande divulgação do setor automóvel e, neste sentido, para

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“A grande diferença é o tempo. As crises no passado duravam dois, três anos e agora perduram. Antes da vinda da troika já andávamos aqui baralhados com a crise. Já andamos com isto há uns oito anos e as empresas são como as pessoas, têm uma determinada capacidade de resistência”. António Chícharo

Francisco Carvoeiras

a nossa firma foi uma altura fácil. Na altura vendíamos muitos veículos, as pessoas compravam muito. Mas recordo-me, perfeitamente, da chegada do FMI, que se juntou também à Crise do Petróleo e, claro, verificámos logo uma baixa considerável. Tenho um mapa onde tenho registado a número de viaturas vendidas em cada ano e é, por isso, fácil identificar as diferentes crises que atravessámos. Em 1976, vendemos 103 viaturas, mas, em 1977, vendemos 55 e, em 1978, vendemos 33”. Pela mesma altura estava também em atividade, em Beja, a Samid, livraria e papelaria, pela mão de Francisco Carvoeiras, que atualmente já não existe. Entretanto, Francisco Carvoeiras foi “obrigado”, tal como conta, a mudar de negócio. Teve uma sala de jogos e, atualmente, dedica-se à venda de revistas, jornais, livros, embora em menor quantidade, jogos da sorte, tabaco, entre outros. Nunca deixou, porém, de ser comerciante. “Gostava muito de livros e na altura senti que Beja precisava de uma livraria a sério. Antes do 25 de Abril vendia livros que mais ninguém vendia. Era a melhor livraria do sul do País, segundo os editores, o que me orgulhava muito. Tinha milhares de livros, após o 25 de Abril houve uma procura imensa de livros, havia uma PUB

Adelino Mira

“Estava ainda embalado pela Revolução de 1974 e andava pouco preocupado com contas. Houve uma ligeira quebra, mas tinha um negócio diversificado e, apesar de tudo, havia mais gente a fazer compras” Francisco Carvoeiras

avidez de procura, de cultura que não existia antes. Acontece que, de um momento para o outro, o preço do livro aumentou brutalmente e apareceram também em cena outras entidades que começaram a vender livros porta-a-porta. Tinha uma livraria, onde vinham cá autores, como Manuel da Fonseca, Urbano Tavares Rodrigues, José Gomes Ferreira, entre tantos outros. Entre 1973 e 1987 cheguei a ter a livraria Samid sede e a livraria Samid filial, mas as coisas, infelizmente,

começaram a correr mal”. Em 1977 Francisco Carvoeiras confessa que não sentiu muito a vinda do FMI. “Estava ainda embalado pela Revolução de 1974 e andava pouco preocupado com contas. Houve uma ligeira quebra, mas tinha um negócio diversificado e, apesar de tudo, havia mais gente a fazer compras. As pessoas tinham mais dinheiro, havia muita gente em movimento. Não senti verdadeiramente a vinda do FMI, as pessoas falavam, mas toda a gente pensava que estavam cá por um bom motivo, a sua estadia dissipou-se com uma onda de otimisto, por virem ajudar Portugal, o que veio a comprovar-se que não era assim”. Dois anos antes da chegada do FMI instalou-se, em Beja, a Burda e Modas Mira. Adelino Mira abriu atividade comercial e até hoje mantém a loja aberta, em pleno centro histórico, nas portas de Mértola. “Não nos apercebemos bem do FMI, nessa altura havia movimento e negócio. Acompanhávamos as alterações económicas no País, acompanhávamos as ideias, mas não estávamos à espera de virem a dar resultados. O 25 de Abril trouxe poder de compra e o negócio corria bem, não fazia, por isso, caso do FMI”. E explica: “As vendas eram belíssimas. Quando me estabeleci pensei de fazer 10 contos

“Tivemos de começar a tomar medidas de precaução (...). Com a experiência e os anos começámos a tomar consciência das medidas que estavam a ser tomadas no nosso país” Adelino Mira

por dia, só que tive a surpresa de fazer 100 contos por dia. Fiquei maravilhado e com boas esperanças para o futuro”. Acompanhou a evolução dos prontos-a-vestir, das confeções e a sua loja chegou, inclusive, a ser considera “a campeã do sul”, garante. Começou apenas com um funcionário, mas nos anos 80 o cenário mudou e tinha mais de 20. Mas também nos anos 80, mais propriamente, em 83, regressou o FMI e se a primeira vinda aconteceu durante o governo

liderado por Mário Soares, a segunda deu-se já com o governo do Bloco Central. “Em 1983 as coisas ainda corriam mais ou menos, mas daí para frente começou a notar-se um maior equilíbrio e tivemos de começar a tomar medidas de precaução, nomeadamente nas compras e nos encargos. Com a experiência e os anos começámos a tomar consciência das medidas que estavam a ser tomadas no nosso país”, conta Adelino Mira. Foi, assim, no final de 1983, que se começou a sentir a austeridade, pois, tal como aconteceu em 1977, o FMI só chegou no segundo semestre. A 16 de dezembro desse ano a manchete do “Diário do Alentejo” era: “Comércio vai ter Natal mais pobre”. “As atividades comerciais – sobretudo o pequeno comércio – recebe indirecta mas inevitavelmente o impacto da subtração aos trabalhadores de 28 por cento do seu subsídio de Natal”, lia-se. Francisco Carvoeiras era, na altura, ainda proprietário da Samid e, à primeira pergunta do inquérito do “DA”, publicada nessa edição, “Há diferenças no volume de vendas deste Natal em relação ao do ano passado?”, respondia: “Suponho que vai haver menos vendas”. À segunda pergunta, “Quais as origens dessa diferença?”, considerava: “Devido


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a toda esta crise, ao facto de as pessoas terem sido atingidas pelo celebérrimo decreto”. Agora, atrás do balcão do seu negócio, recorda esses tempos e diz: “Em 1983 as coisas já começaram a notar-se. Aí já agudizou mais, as pessoas estavam muito mais apreensivas. Acontece que, nessa altura, ainda existia uma classe média com poder de compra, o que disfarçava também um pouco a situação. Mas o impacto foi muito maior do que em 1977”. No mesmo inquérito do “DA” foi também entrevistado, na altura, Leonel Cameirinha que, quando questionado relativamente às diferenças de vendas em relação ao ano transato, disse: “Se formos fazer as contas ao ano creio não haver muitas diferenças. Todavia, o volume de negócios baixou a partir de Agosto. No ramo automóvel houve uma descida. Se fosse falar só por mim, quase que diria que essa descida é insignificante. As coisas têm corrido razoavelmente pelo que me diz respeito, por outro lado têm corrido muito mal para outros”. E como causa apontava: “Há a salientar que este foi um mau ano agrícola o que explica a quebra na venda de máquinas. Há que ter também em conta os preços a que as coisas estão…”. “Na década de 80 tínhamos 350 funcionários. Tínhamos casa em Beja, Évora, Grândola, Odemira, Santiago do Cacém e tínhamos agentes em todas as localidades principais do Alentejo. Tínhamos uma grande força em todo o Alentejo. Erámos, penso, os maiores contribuintes para o Fisco, para as Finanças”, recorda. Só mais tarde haveria de se dedicar à hotelaria e a outros ramos de atividade. “Sentiu-se a vinda do FMI, mas não muito, a quebra de vendas verificou-se por pouco tempo”, diz Leonel Cameirinha. E António Chícharo reforça a ideia socorrendose dos números da sua empresa: “Em 1983, vendemos 127 viaturas,

em 1984, vendemos 104, mas durou pouco tempo, porque, em 1986, já vendemos 228”. Há, porém, uma data mais recente, 2011, que marca a entrada da troika novamente em Portugal. E várias notícias, publicadas no “DA”, davam contam da crise, da chegada da ajuda externa, e, entre outros títulos, destaque para: “Crise empurra trabalhadores para os sindicatos” e “Lojas sociais contra a crise”. Mas antes já tinha chegado a notícia da extinção dos governos civis e já se tinha anunciado o encerramento das ligações diretas de comboio entre Beja e Lisboa. Na primeira página outra notícia: “36 por cento dos desempregados da região de Beja são jovens”. E outras: “Municípios com menos dinheiro”, “Freguesias ao fundo”, “Obras paradas na A26”. Qual é, então, a diferença de atual crise para as outras? “A grande diferença é o tempo. As crises no passado duravam dois, três anos e agora perduram. Antes da vinda da troika já andávamos aqui baralhados com a crise. Já andamos com isto há uns oito anos e as empresas são como as pessoas, têm uma determinada capacidade de resistência”, diz António Chícharo. E acrescenta: “A recuperação do poder de compra das pessoas vai levar muito mais tempo, não vai ser como nas outras vezes. A saída da troika pode ser uma desilusão. Os nossos problemas não estão resolvidos, a nosso défice continua monstruoso, o desemprego tem um número horrendo, as dívidas continuam, não vejo, por isso, uma saída auspiciosa para os próximos tempos”. Leonel Cameirinha, por sua vez, confessa: “Baixou a venda de gasolina, a venda de automóveis, a venda de quartos. Isto tem que levar uma volta qualquer e é capaz de ser esta a altura para tal acontecer”. E recorda: “Tive épocas em que vendi 2 000 automóveis novos e 1 000 usados, em Évora e Beja. Nenhuma marca venderá agora 80 ou 100 automóveis por ano em Beja”.

“As coisas ainda não estavam completamente recuperadas das últimas crises que vivemos e voltaram a estragar tudo. E vamos ter, agora, consequências muito graves com tudo isto. Nem tão cedo vamos ter uma vida harmoniosa. Tarda em aparecer a recuperação”, diz o comendador. E a saída da troika? “A troika é um negócio mal feito, como todos os outros foram”, conclui. Atrás do balcão da sua loja continua Adelino Mira, à espera que os clientes, esses, entrem porta adentro. “Estamos mesmo no fundo, está muito difícil para o comércio, para todos. Atualmente, só tenho quatro empregados e isso dá-me tristeza. Esta era uma casa cheia de movimento. Não vejo as coisas a sorrir. Com a chegada da troika, em 2011, chegou o susto, o medo explanado nas televisões, na imprensa, nos políticos. Deu-se o corte nas regalias que as pessoas tinham e isso refletiu-se logo”. E prossegue: “Tenho orgulho, queria manter esta loja, ter de tomar uma decisão de fechar ou trespassar magoa. O mal é as pessoas não terem dinheiro e depois ainda há a concorrência das grandes superfícies comerciais, com as quais é impossível competir. O pequeno comércio não consegue sobreviver a tudo isto”. Num outro balcão da cidade, na casa Açor, por sua vez, está Francisco Carvoeiras. “Estamos a viver um desastre completo. O comércio está de rastos. Vão sobrevivendo as pequenas lojas familiares, poucos ou nenhuns empregados existem. Desde 2011 que não se conhecem melhorias. Este ano, por exemplo, vou pagar o dobro do IRS e vendendo menos, o que é completamente absurdo. Não vejo nenhum futuro e daí a minha mágoa. Eu não me importava mesmos nada de pagar impostos se visse um rumo, um rumo para o meu país, mas, neste momento, não vejo”. Em Beja, na opinião Francisco Carvoeiras, “o comércio tem, sem dúvida, um futuro muito sombrio. Já fecharam muitas casas e tantas outras vão fechar”. Depois de duas vindas do FMI e outra da troika, para Francisco Carvoeiras, “há tempo suficiente para as pessoas, finalmente, perceberem do que se trata, embora muitas ainda não queiram entender. Há muita gente que evita falar disso, que prefere ainda falar do futebol, de outros assuntos, que não isso. Mas acho que finalmente se começou a perceber o que é a troika, o que significa a sua vinda ao País, e já não era sem tempo, até porque desta vez não passou e não passa despercebida”. Os anos da austeridade.


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O “Diário do Alentejo” está a socorrer-se das suas próprias páginas para recordar os momentos que precederam e que se seguiram ao 25 de Abril de 1974. Sem qualquer intuito científico, histórico ou sociológico, pretendemos apenas dar a conhecer aos nossos leitores a forma como um pequeno diário de província olhava para a região, para o País e para o mundo há precisamente 40 anos. E uma das grandes conclusões que podemos retirar desta revisitação é que por vezes, afinal, a história repete-se.

Diário de uma Revolução (10) Paulo Barriga

A Casa Pia, os professores e o guarda-chuva do fascismo

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facto de a vida política, económica, social e cultural estar a acontecer a cada minuto que se seguiu ao 25 de Abril, não quer dizer exatamente “tudo”. Nem “todos”. Nem em “todo o lado”. Aos primeiros dias de junho de 1974, decorridas sessões eletivas em quase todos os concelhos do distrito, acontecidas variadíssimas mudanças ao nível das instituições, sucedidos saneamentos, manifestações, comícios, greves e um sem-fim de comunicados e de tomadas de posição, os partidos políticos ainda não se tinham instalado propriamente em Beja, nem nas demais capitais de concelho. O que não quer dizer que simpatizantes e novos militantes das diferentes forças não se desdobrassem, no terreno, em contactos, iniciativas populares e reivindicações. Mas em termos de instalação, por esta altura, apenas o Partido Comunista Português tinha estabelecido um “centro de trabalho”, na rua Ancha, em Beja. Edifício inicialmente partilhado com o pró-sindicato dos trabalhadores agrícolas. Numa região fortemente polarizada à esquerda, nestes dias, o que se estranhava, como referia o “Diário do Alentejo” na sua edição de 5 de junho de 1974 é “que o Partido Socialista ainda não tenha dado sinal público de si, em Beja, onde se sabe contar com muitos simpatizantes”. Um sinal que o “DA” questionou e que, em resposta, a comissão organizativa do PS no distrito de Beja, respondeu, marcando para as 18 horas, do dia 13, numa camioneta estrategicamente posicionada frente à bancada central do estádio municipal, uma sessão de esclarecimento. Comício que contou com a presença de Fernando e Eugénio Silva, ambos apoiantes locais, e dos líderes nacionais Maria Barroso, Ramos da Costa, Manuel Serra e Tito de Morais. Equipa, aliás, que já tinha participado em iguais sessões em Castro Verde, Serpa e Moura. Refere o repórter do “Diário do Alentejo” presente na iniciativa que “o Partido Socialista pode orgulhar-se desta jornada de Beja”. É de referir, prossegue o jornalista, “não apenas a presença de alguns milhares de pessoas como o entusiasmo, sem um arredar pé, demonstrados com a maior exuberância, foram notas salientes da adesão aos princípios programáticos expostos”. Por entre vivas ao PS e a Mário

Soares, foi o discurso de Manuel Serra que mais terá incendiado os presentes. É que Serra fora um dos principais obreiros do célebre ataque ao quartel de Beja, na madrugada de 1 de janeiro de 1962. Manuel Serra “recordou essa gorada tentativa de derrubar o regime fascista, evocando, com viva emoção, os dois camaradas abatidos então e cujos restos mortais repousam no cemitério de Beja”. Também a 13 de junho, num dia em que o “Diário do Alentejo” não foi publicado, “por inesperadas dificuldades resultantes de uma questão de salários entre os empregados” tipográficos, o Partido Popular Democrático fazia descer pela primeira vez ao Baixo Alentejo uma “forte” comitiva. A “sessão de divulgação doutrinária” do PPD decorreu no ginásio da Escola Industrial e Comercial “perante numerosa assistência”. António Melo Loureiro, da comissão executiva de Beja, presidiu à es de trabalhos mesa ond também esonde tiver Francisco tiveram Pin Balsemão, Pinto Joaq Joaquim Trindade, m ia Melo A mél Ga Garrido e José Au Augusto Delgado. A figura de pe do comício, peso Pin Balsemão, Pinto qu viria a ser que pr primeiro-ministro “descobriu” tro, qu o “povo beque je jense” tinha “p “profundas trad dições libera Já Joaquim rais”. T Trindade, foi m eloquente mais a referir que o ao P não era o PPD “ “guarda-chuva d das pessoas comprometidas com o regime fascista”. Bom, mas se neste tempo de mudança já poucos havia que, pelo menos à s

claras, quisessem andar sob o “guarda-chuva” do regime fascista, outros não conseguiam escapar às enraizadas bátegas desse tempo. Era o caso dos alunos da Casa Pia de Beja. Que, a sete de junho escreviam uma longa carta ao diretor do “Diário do Alentejo” denunciando em público aquilo que o próprio público sempre soube e pouco ou nada fez para alterar: a situação de abandono e os maus-tratos que estes pupilos sofriam às mãos daquela instituição, nomeadamente dos seus “vigilantes”. A carta, que os subscritores diziam ser um brito de liberdade, é pungente e suficientemente elucidativa: “Somos 52 alunos; levantamo-nos demasiadamente cedo; ingerimos uma alimentação fraquíssima; seguidamente somos atirados para os quintais-cadeias como se nada fôssemos (…) as nossas idades vão dos sete aos 19 anos; contudo é de lamentar que nós, crianças com estas idades, sejamos espancados por este método monstruoso de castigo, adotado pelos ‘vigilantes’. É batendo que se dá educação?” A pergunta fica no ar, vibrando, como as varas de marmeleiro. Mas num tempo não tão distante quanto isso era assim. Assim mesmo. E não se pense que se tratava de uma mera questão formativa dos professores e educadores. Era uma questão cultural que, em algumas almas, ainda hoje prevalece. Até porque os problemas de hoje dos professores, a precaridade laboral e a contratação temporariamente definitiva, já se arrasta há anos. Há tantos anos que o “Diário do Alentejo” de 6 de junho de 1974 fazia publicar um comunicado de uma escola de Oliveira do Bairro, com sintomas idênticos a todas as escolas da região e do País: “Dentro de dois meses irão ser lançados no desemprego, despedidos sem qualquer justa causa e sem direito a férias, dezenas de professores ‘provisórios’, pomposa designação que o regime fascista aos sub-empregados do ensino, vítimas de todo o género de legais injustiças, cuja mão-de-obra barata foi explorada durante dez meses para ultimamente serem lançados no desemprego sem a certeza de voltarem a ter emprego no ano letivo seguinte”. Ler os jornais da altura, em muitos aspetos, dá-nos a sensação que o tempo parou em Portugal durante 40 anos. Mas todas essas semelhanças com a atualidade irão por certo ser motivo para futuros episódios do “Diário de uma Revolução”.


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Câmara de Moura quer recuperar Torre do Relógio de Amareleja

Atual

A Câmara de Moura anunciou esta semana que manifestou à Comissão Fabriqueira da Igreja Paroquial de Amareleja a intenção de proceder à reabilitação da Torre do Relógio naquela vila. Segundo o município, num contacto recente, o bispo de Beja, António Vitalino Dantas, expressou ao presidente da autarquia a abertura da diocese para o avanço de um projeto de recuperação compatível com o edifício.

Álcool, depressão e suicídio em análise na cidade de Serpa Cumpre-se hoje, sexta-feira, o segundo dia do 3.º Congresso da Associação Psiquiátrica Alentejana (APA), que está a decorrer no Cineteatro de Serpa e que reúne especialistas de renome na área da Psiquiatria, “para analisar as causas que levam ao suicídio, nomeadamente o alcoolismo e a depressão, que tem particular incidência nesta região do País”.

SPZS está a promover ações de “combate e denúncia”

Sindicato contra eventual fecho de 94 escolas no Alentejo e no Algarve O Sindicato dos Professores da Zona Sul (SPZS) contestou esta semana o eventual fecho de 94 escolas básicas no Alentejo e no Algarve, considerando ser uma medida “economicista” que contribuirá para desertificar o interior do País.

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Governo PSD/CDS-PP pretende fechar mais escolas do 1.º ciclo do ensino básico com menos de 21 alunos no próximo ano letivo, o que poderá significar o fecho de “94” escolas na área abrangida pelo SPZS, ou seja, nos distritos de Beja, Évora, Faro e Portalegre, disse à Lusa o presidente do sindicato, Manuel Nobre. Segundo Manuel Nobre, através da medida, que é “economicista” e “não tem em conta o desenvolvimento do interior do País, questões pedagógicas e o impacto para as comunidades afetadas”, no próximo ano letivo poderão fechar 35 escolas no distrito de Beja, 37

no de Évora, seis no de Faro e 16 no de Portalegre. Através da medida, o Governo PSD/ /CDS-PP “irá continuar a contribuir para a desertificação do interior do País, retirando as crianças do seu ambiente natural, quebrando laços familiares de grande importância para o seu equilíbrio emocional, obrigando a alterações de horários e a deslocações desnecessárias, não respeitando as cartas educativas”, considera o SPZS, afeto à Fenprof. Segundo Manuel Nobre, o SPZS começou na segunda-feira a realizar ações de “combate e denúncia” das “políticas de destruição e empobrecimento da escola pública” para tentar “inverter” o fecho de escolas do 1.º ciclo do Ensino Básico com menos de 21 alunos. As ações, que incluem, sobretudo, reuniões com comunidades escolares, pessoal docente e não docente, pais e encarregados de educação e autarquias, pretendem “levar o Governo a recuar” na

intenção de fechar escolas do 1.º ciclo do ensino básico com menos de 21 alunos, explicou. As ações arrancaram com uma reunião com a população e pais e encarregados de educação de alunos da Escola do 1.º ciclo do ensino básico de Rio de Moinhos, no concelho de Aljustrel, uma das que poderá fechar no próximo ano letivo. Segundo o SPZS, desde 2002, quando arrancou o programa de reorganização da rede escolar do 1.º ciclo do ensino básico, já fecharam “mais de 6 000 escolas”, sendo que 2 500 fecharam logo no primeiro ano do Governo PS liderado por José Sócrates. A reorganização da rede escolar teve o “grande impulso” entre 2005 e 2009, com a ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, do Governo PS de José Sócrates, que determinou o fecho das escolas com menos de 10 alunos, lembra o SPZS, referindo que em 2010 a decisão de fecho foi alargada às escolas com menos de 21 alunos.

Socialistas preocupados com possível deslocalização

Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja pode transitar para Portel

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deputado do Partido Socialista eleito pelo círculo de Beja, Luís Pita Ameixa, questionou esta semana a ministra da Justiça sobre a possibilidade de o Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja (TAF) poder “vir a ser retirado da cidade”. No requerimento enviado, o parlamentar refere que “a informação que atualmente circula é a de que, face à necessidade de implementar a reforma judiciária da lei 62/2013, do chamado mapa judiciário, relativo aos tribunais cíveis e criminais, para a qual serão necessários mais espaços físicos na cidade, estaria em preparação a ocupação do edifício agora afeto ao TAF para tais fins, o que implicaria a retirada deste da cidade” e a sua deslocalização “para o distrito de Évora, nomeadamente para a vila de Portel”. Segundo o deputado, tal medida teria “sérios inconvenientes para os utentes da

justiça administrativa e tributária, pois seria abdicar da sua localização atual numa cidade, central, servida de vias de comunicação e transportes, e com qualificada oferta de serviços, nomeadamente no âmbito da hotelaria e restauração”. Para os magistrados e funcionários, “tal ocorrência seria também inconveniente, já que todos passariam para uma situação de deslocalização face às suas residências”, acrescenta. Pita Ameixa considera ainda que “a localização do TAF em Beja constitui um elemento de valorização do papel da cidade e um polo de atração de pessoas e atividade com importância económica e social” e entende que a sua retirada da capital do Baixo Alentejo “seria também manifestamente contraditório com a fundamentação usada pelo Governo para o desenho do novo mapa judiciário, o qual baseia as comarcas nas capitais de distrito, justamente

com o argumento da sua centralidade e acessibilidade”. Os vereadores do PS na Câmara de Beja decidiram, entretanto, questionar o executivo CDU sobre as diligências feitas para evitar a saída do TAF para Portel. Os vereadores “querem saber o que é que se está a passar e se o presidente João Rocha já fez alguma coisa para que esta ameaça não se venha a concretizar, evitando que Beja, capital do Baixo Alentejo, perca mais um importante serviço público de importância vital para a vida dos cidadãos”, adiantam, em comunicado de imprensa, lembrando que “no anterior mandato, quando esta intenção do atual governo foi anunciada, o executivo do PS conseguiu da ministra da Justiça a garantia de que tal não viria a acontecer, tendo, para o efeito, enviado à câmara municipal compromisso escrito nesse sentido”.


A cerimónia de hastear da primeira Bandeira Azul 2014, em praias fluviais, terá lugar hoje, sexta-feira, na praia fluvial da Tapada Grande, na Mina de São Domingos, anunciou a Câmara de Mértola. De acordo com a autarquia, este é o terceiro ano consecutivo que a praia recebe o galardão “que distingue o esforço de diversas entidades em tornar possível a coexistência do desenvolvimento local a par do respeito pelo ambiente”. O programa deste ano inclui atividades lúdicas e de animação com temática ambiental, dirigidas a crianças de escolas do concelho.

Milfontes recebe Feira Nacional de Turismo Desportivo e de Natureza Atividades turísticas e de desporto de aventura, gastronomia, artesanato e música vão marcar a Feira Nacional de Turismo Desportivo e de Natureza, este fim de semana, 7 e 8, em Vila Nova de Milfontes (Odemira). A feira, com entradas gratuitas, vai decorrer ao ar livre, junto

ao estuário do Mira, onde irão estar dezenas de expositores e decorrer as atividades turísticas e de desporto de aventura, como batismos de mergulho no rio, aulas de surf, canoagem, passeios de barco, yoga na praia e BTT, refere a Câmara de Odemira, a promotora. Segundo a autarquia, a feira pretende “valorizar as potencialidades” do concelho de Odemira para o

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Hastear da Bandeira Azul na Mina de São Domingos

turismo desportivo e de natureza, “promovendo todo o leque de oferta turística deste tipo de produto, a par da oferta de alojamento, restauração e animação turística”. A feira pretende também valorizar a identidade e os valores culturais da região, dando visibilidade à música tradicional, ao artesanato, à gastronomia e aos produtos regionais.

Papoila, luzerna e beterraba na linha da frente

“Acredito que, nos próximos anos, o investimento em projetos agrícolas no Alqueva possam atingir os 400 milhões de euros”, afirmou José Pedro Salema, presidente da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva (EDIA), em Lisboa, durante um seminário sobre “Investir no potencial agrícola do Alqueva”, realizado no Museu do Oriente, no início da semana passada. Ao “Diário do Alentejo” confirmou que a região tem sido visitada por vários grupos económicos de topo da área agroindustrial interessados em avaliar as condições proporcionadas pela água do Alqueva.

FILIPA FIGUEIREDO

Investidores de todo o mundo procuram Alqueva

Texto Aníbal Fernandes

Papoilas Os grandes produtores de heroína mundiais estão de olho no Alqueva

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Apesar de ainda não estar posta de lado a opção por Coruche, tudo leva a crer que os custos de transporte da matéria-prima para o Ribatejo, aconselharão à construção de uma nova unidade junto às áreas de produção. Em 2008, a DAI deixou de produzir açúcar a partir de beterraba quando a cota atribuída a Portugal pela Política Agrícola Comum (PAC) para essa cultura deixou de ser “interessante”. A alternativa foi reconverter a fábrica para laborar a partir de cana sacarina, uma matéria-prima importada de África e da América do Sul. Na conversa com o “DA” José Salema, sempre referindo que o segredo é a alma do negócio, não deixou de dizer que, nos

o seminário realizado, em Lisboa, o responsável da EDIA revelou que a empresa DAI – Sociedade de Desenvolvimento Agroindustrial estaria a “equacionar” regressar à produção de açúcar a partir de beterraba, o que implicaria a construção de uma nova fábrica, num investimento avaliado em cerca 75 milhões de euros, ou a reconversão da existente em Coruche. A administração da empresa já terá em seu poder os estudos de mercado que garantem a viabilidade da produção de açúcar a partir de beterraba e centra-se agora na avaliação do melhor local para a instalação da nova fábrica, que deverá começar a operar em 2017 e que poderá criar cerca de 150 empregos diretos. PUB

últimos tempos, a curiosidade dos grandes grupos da área agroindustrial tem sido evidente e os contatos com a EDIA se têm multiplicado. A título de exemplo referiu dois interessados na produção de luzerna, um de África e outro do Médio-Oriente, mas que não quis nomear. A estes dois há ainda que somar a Agrolex, empresa do Cartaxo que produz alimentos compostos para animais, que, segundo o “Público” revelou na terça-feira, firmou um acordo no valor de 20 milhões de euros com a National Agricultural Development Company (Nadec), um empresa saudita detida em 20 por cento pelo estado do Golfo Pérsico, para o fornecimento de sete mil toneladas de luzerna já no próximo ano.

Rodrigo Ryder, diretor comercial da Agrolex, contado pelo “Diário do Alentejo”, confirmou a notícia avançada pelo “Público”, mas não adiantou mais pormenores “por estarem a decorrer negociações” com os parceiros árabes. No entanto, o “DA” sabe que caso o negócio avance está prevista a construção de uma fábrica para a transformação desta planta de alto rendimento, também conhecida por alfafa (que em árabe quer dizer “o melhor alimento”). Este ano, para cumprir o contrato, a Agrolex terá de importar a luzerna de Espanha, mas a intenção é produzi-la em Portugal – Ribatejo e Alentejo -, para o que são necessários cerca de 1 500 hectares que os sauditas estão dispostos a comprar. O negócio inclui ainda a venda de maquinaria agrícola produzida em Portugal. Papoilas para heroína Entretanto, em dezembro de 2013, a Câmara Municipal de Beja assinou um protocolo de cooperação com a empresa farmacêutica escocesa MacFarlan Smith com vista a “estabelecer as condições para o estabelecimento de uma unidade de fabrico, processamento e transformação de produtos derivados da papoila para a indústria farmacêutica”. O “Diário do Alentejo” sabe, no entanto, que recentemente o município de Beja foi contatado com vista à instalação de uma outra unidade fabril para a transformação da papoila em heroína para uso medicinal, pelo maior produtor mundial do setor.


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Odemira arrecada medalha no Campeonato Nacional das Profissões

A Escola Profissional de Odemira alcançou uma medalha de bronze no Campeonato Nacional das Profissões – Skills Portugal 2014 que se realizou, este ano, na cidade do Porto. A medalha foi atribuída à aluna Cristina Miranda, na profissão de restauração na vertente de mesa e bar. A competição, que durou quatro dias, contou com a participação de cerca de 400 jovens, entre os 17 e os 25

SOS Cuba Repara A Câmara de Cuba lançou o SOS Cuba Repara, que visa “disponibilizar meios para minorar a degradação da qualidade de vida” da população idosa e, consequentemente, “promover o bem-estar e a melhoria das condições habitacionais”. O serviço prestado “abrange, fundamentalmente, as áreas da carpintaria, serviços de pedreiro serralharia, eletricidade,

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canalização, isolamentos/impermeabilização e serviços diversos”, esclarece a autarquia. Podem candidatar-se “todos os cidadãos residentes no concelho, desde que, cumulativamente, preencham os seguintes requisitos: residam e estejam recenseados numa das juntas de freguesia há, pelo menos, um ano; estejam em situação de carência económica, em que o rendimento obtido do indivíduo

e/ou agregado familiar, depois de deduzidas as despesas mensais, seja igual ou inferior ao resultado obtido pela soma dos valores de referência com os valores das despesas mensais de habitação pelos elementos presentes; e numa situação de exceção, também cidadãos que não estejam em situação de carência económica, mas que vivam em situação de exclusão social”.

InAlentejo aprovou 15 novos projetos ao abrigo do regulamento específico

Ana Paula Figueira apresentou novo livro Será que amanhã ainda me amas?, a última obra de Ana Paula Figueira, com ilustrações de Sónia Oliveira e editada pela Coisas de Ler, foi apresentada na última quarta-feira, em Lisboa. A apresentação esteve a cargo de Maria de Jesus Barroso Soares, presidente da Fundação Prodignitate – Fundação de Direitos Humanos, que chancelou a obra. Será que amanhã ainda me amas? é o primeiro livro de uma coleção de quatro, ilustrados pela Sónia Oliveira, e dirigidos especialmente ao segmento 7-9/10 anos. Cada um dos livros aborda um tema diferente – o divórcio, a violência doméstica, o luto e a vivência com pais com doenças mentais – “desenvolvido na ótica da criança e considerado atualmente de enorme importância por variadas organizações com responsabilidade ao nível do crescimento, educação e proteção das crianças”, adianta a autora. A coleção tem como objetivo “familiarizar a criança com o potencial problema, relatando-o mas procurando desdramatizá-lo e, especialmente, mostrar-lhe o caminho da solução”.

anos, distribuídos por 46 profissões, que colocaram em prática os seus conhecimentos, domínio de técnicas e de ferramentas para o exercício de cada profissão a concurso. Destaque ainda para a aluna Carolina Reis, do 3.º ano do curso profissional de Informática de Gestão que, em competição com alunos de nível superior, conseguiu um honroso 4.º lugar na área das tecnologias da informática.

Mais de 10 milhões de euros para “património cultural” A Autoridade de Gestão do programa operacional InAlentejo aprovou 15 novos projetos na área do património cultural, num investimento global de 15,6 milhões de euros, com 10,1 milhões de euros de comparticipação comunitária.

O

s projetos foram aprovados ao abrigo do Regulamento Específico “Património Cultural” e abrangem toda a área territorial do Alentejo, explicou a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento

Regional (CCDR) do Alentejo. Os investimentos, segundo a mesma entidade, abarcam o património material e imaterial, incluindo iniciativas de animação sociocultural. O objetivo destas iniciativas, explica a CCDR Alentejo, assenta na melhoria das condições de salvaguarda, de valorização e de animação do património cultural da região, numa perspetiva de “transmissão para o futuro dos bens culturais”. “O património cultural constitui uma forte aposta do InAlentejo no apoio às diversas entidades que promovam a

melhoria, salvaguarda e valorização” destes bens a nível regional, quer os que têm dimensão material, quer os que possuem uma vertente imaterial, frisou a CCDR. Os 15 novos projetos aprovados pelo InAlentejo na área do património cultural, respeitantes a “uma grande diversidade de beneficiários”, contemplam um investimento total associado de 15,6 milhões de euros. A este montante corresponde uma comparticipação financeira comunitária de 10,1 milhões de euros, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (Feder), referiu a CCDR.


Vinte e uma exposições, com autores de 23 países (do Brasil ao Quénia, passando pelo México ou pela Finlândia), podem ser apreciadas até próximo dia 15, no âmbito do X Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, que abriu portas no passado sábado. Para além da Casa da Cultura, o núcleo principal do festival, as mostras estão patentes no castelo – Casa do Governador, Conservatório Regional do Baixo Alentejo, Museu Jorge Vieira – Casa da Artes, Museu Regional de Beja

Terras Sem Sombra promove estreia nacional de “The Viola in my Life”, de Morton Feldman A igreja Matriz do Santíssimo Salvador, em Sines, acolhe amanhã, sábado, pelas 21 e 30 horas, o sexto concerto da 10.ª edição do Festival Terras Sem Sombras, que dá a conhecer “um programa extraordinário,

(Convento da Conceição, Igreja de Santo Amaro e Núcleo Expositivo da Rua dos Infantes) e no Instituto Politécnico de Beja. O festival propõe ainda uma programação paralela, sendo de destacar, este fim de semana, dias 7 e 8, a realização, no espaço exterior da Casa da Cultura, o Encontro Urban Sketchers. Entre os dias 9 e 14, das 10 às 17 horas, será ainda possível fazer uma visita guiada na Casa da Cultura, mediante marcação. A festa de encerramento do festival está agendada para as 20 horas, do dia 15.

raramente ouvido em Portugal”, adianta o Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, a entidade promotora. “Espaço, Ritmo, Tempo: Feldman versus Bach” será o mote para a estreia, em Portugal, das obras “The Viola in my Life (I-III)”, de Morton Feldman (1926-1987), complementada por três motetos para coro

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X Festival de BD prossegue em Beja com dezenas de exposições

– “Jesu, meine Freude”, “Sei Lob und Preis mit Ehren” e “Lobet den Herrn, alle Heiden” – de Johann Sebastian Bach (1685-1750). A interpretação estará a cargo de Sond’Ar-te Electric Ensemble, Coro Terras Sem Sombra e do violetista norte-americano Jonathan Brown, com direção artística de Filipa Palhares.

Certame decorre entre hoje, sexta-feira, e dia 10

Os concer tos da fadista Mafalda Arnauth e dos Clã e a estreia do novo projeto musical “Tais Quais” marcam a edição deste ano do Encontro de Culturas de Serpa, que arranca hoje, sexta-feira, numa organização da câmara municipal local.

RITA CARMO

Música portuguesa anima Encontro de Culturas de Serpa

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11.ª edição do encontro vai decorrer na praça da República, onde se realizam os espetáculos da principal programação musical, sempre a partir das 22 horas, e no castelo, que recebe os concertos da programação “fora de horas”, sempre a partir da meia-noite, e um espetáculo de cante alentejano. A principal programação musical arranca hoje com um espetáculo criado no âmbito da enrede – Rede Internacional de Municípios pela Cultura, que reúne parcerias culturais de vários

Tais Quais Novo projeto junta cante alentejano e humor

municípios portugueses e estrangeiros, seguindo-se os concertos de Mafalda Arnauth (amanhã, sábado) e dos Clã (domingo, 8). Na segunda-feira, dia 9, o novo projeto “Tais Quais”, que reúne os músicos e cantores portugueses Tim, Vitorino, Jorge Palma, João Gil, Celina da Piedade e Paulo

Ribeiro e o contador de histórias e humorista Jorge Serafim, para “divulgar algumas das canções mais emblemáticas da música popular do Alentejo”, estreia-se no Encontro de Culturas de Serpa com o espetáculo “Na venda do Isaías”. De acordo com a autarquia, através do projeto, aquele grupo de

músicos e cantores e Jorge Serafim “encontram-se” na “Venda do Isaías”, “o local de partida e chegada de muitas histórias e anedotas com o ´terrível` sentido de humor” que se conhece entre os alentejanos, para todos juntos cantarem “à alentejana”. A programação musical “fora de horas” inclui os concertos da banda cubana Cubason en Clave (hoje), do músico galego Kepa Junkera (amanhã, 7), do grupo português Galandum Galundaina (domingo, 8) e da cantora brasileira Maíra Baldaia e da portuguesa Cláudia Estrela (segunda-feira, 9). A fechar o encontro, na terça-feira, 10, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, no âmbito da principal programação, irá decorrer, às 21 horas, no castelo, o tradicional espetáculo “Dia do Cante”, com atuação de vários grupos corais alentejanos para valorizar o cante PUB

Projeto-piloto foi apresentado em Espanha no Fórum Ibero-Americano de Educação e Cultura

Alentejo leva projeto de manuais escolares eletrónicos de Cuba e Vila Viçosa a fórum ibero-americano

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s Ser v iços do A lentejo da Direção Gera l de Estabelecimentos Escolares apresentaram esta semana, em Espanha, um projeto-piloto de manuais eletrónicos, durante o Fórum Ibero-Americano de Educação e Cultura na Era Digital. O encont ro rea l i z ou-se em Santiago de Compostela e o projeto está a ser adotado nas turmas de 7.º ano do Agrupamento de Escolas de Cuba e do 10.º ano do ensino profissional no Agrupamento de Escolas de Vila Viçosa. “Procura testar uma solução de utilização do manual escolar eletrónico na sala de aula”, explicou o ministério, acrescentando que o

projeto irá decorrer em todo o 3.º ciclo na escola de Cuba e no ensino secundário profissional em Vila Viçosa, com as turmas que o iniciaram este ano. De acordo com o Ministério da Educação, a lógica subjacente a este projeto é que a integração de tablets na vida escolar dos alunos deve ser feita através da sua utilização “principalmente enquanto um dispositivo mediador dos manuais escolares digitais, tendo por isso como principal função apoiar os conteúdos a serem trabalhados e não uma função primária de entretenimento”. Com o projeto Maneele – Manuais Escolares Eletrónicos, pretende-se “introduzir uma dimensão mais

dinâmica e interativa no manual escolar, reduzir o peso a transportar pelo aluno para a escola e melhorar a interação professor/aluno”, bem como adaptar o processo de ensino e de aprendizagem às caraterísticas de cada aluno. O Fórum Ibero-Americano de Educação e Cultura na Era Digital foi organizado em colaboração com a Xunta da Galicia e a Casa da América. O evento teve como objetivo “reunir os esforços e as visões dos diferentes países latino-americanos para promover a educação e formação particularmente na área dos recursos digitais na sala de aula”, afirmou o ministério em comunicado.

alentejano, o “ex-libris cultural” do Alentejo e candidato a Património Imaterial da Humanidade. Antes do espetáculo, será exibido, às 18 horas, no Cineteatro Municipal de Serpa, o documentário “Alentejo, Alentejo”, de Sérgio Tréfaut, que recebeu o Prémio Allianz – Digimaster para Melhor Longa-metragem Portuguesa e o Prémio TAP para Documentário de Longa-metragem Portuguesa na edição deste ano do IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema Independente. O Encontro de Culturas de Serpa, que inclui ainda animação, tertúlias e exposições, pretende promover “a cultura enquanto fator de desenvolvimento e de união entre os povos” e divulgar as práticas culturais de Serpa e de outras regiões portuguesas e de países com os quais o município tem laços de cooperação, como Brasil, Espanha e Cuba.


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Alunos de Aljustrel vencem concurso Euroescolas

Próximo destino: Estrasburgo

Certame promovido pela Ulsba em Baleizão

Feira da Saúde na “Aldeia Amiga das Pessoas Idosas”

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uarte Banza e Mariana Costa. Estes são os alunos da Escola Secundária de Aljustrel que vão levar a vila alentejana rumo a Estrasburgo (França). A hipótese de participarem no projeto Euroescolas, cujo objetivo é familiarizar os jovens com o funcionamento das instituições europeias e oferecer-lhes uma tribuna onde possam exprimir as suas opiniões, foi proposta por um professor que já tinha participado em anos anteriores. Passadas as fases distrital e nacional, o destino agora é “lá fora”. Ao “Diário do Alentejo” confessam o orgulho que sentiram quando o nome da sua escola ecoou na Assembleia da República. Como foi feita a escolha do vosso trabalho?

M – A nossa turma produziu um trabalho escrito sobre o tema “Crise Demográfica – Emigração, Natalidade e Envelhecimento”, para ser apresentado a um júri na fase distrital. Decidimos fazer essa apresentação em forma de teatro. Como foi a experiência na sessão nacional?

D – Foi uma experiência bastante enriquecedora. Crescemos enquanto pessoas ao integrar este projeto pois tivemos o privilégio de conhecer a Assembleia da República, de interagir com alguns deputados e de conhecer pessoas de diferentes pontos do nosso país. Como acham que vai correr a semana em Estrasburgo?

M – Da nossa escola vão 24 alunos e dois professores. Achamos que vai ser uma semana ótima com grandes experiências. Ainda não temos um programa de atividades planeado, mas, no entanto, sabemos que vamos pelo menos um dia ao Parlamento Europeu apresentar o nosso trabalho a outros jovens de 27 países da Europa. Como foi o apoio dos vossos colegas e professores?

D – O apoio dos nossos colegas foi muito importante para nós, pois sem eles não teríamos conseguido ter força suficiente para realizar o projeto. Os professores também deram um grande apoio, pois, para além de sugerirem e darem ideias sobre o projeto, também dispensaram algumas aulas para nós podermos ensaiar. Gonçalo Farinho PUB

Uma aula de ginástica intergeracional, pelas 10 horas de hoje, sexta-feira, marca o início da 1.ª edição da Feira da Saúde que a Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, através da sua Unidade de Saúde Familiar – Alfa – Beja, promove até amanhã, sábado, na aldeia de Baleizão, no recinto da Casa do Povo.

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feira, que é realizada no âmbito do projeto de intervenção comunitária “Baleizão – Aldeia Amiga das Pessoas Idosas”, criado em 2010, tem como principal objetivo “a promoção da saúde e da qualidade de vida e a prevenção da doença, através de determinantes como a atividade física, a alimentação saudável, a interação social e a partilha de momentos de lazer entre crianças e idosos”, esclarece, em declarações ao “Diário do Alentejo”, Luís Rosa, enfermeiro especialista e gestor do projeto. Os destaques para este primeiro dia de certame, que conta com a presença de mais de 300 crianças e 10 instituições que dinamizarão o espaço, vão ainda para um vasto conjunto de atividades, como teatro, música, jogos tradicionais, histórias e desporto, sempre tendo como tema principal a saúde. Amanhã, sábado, terá lugar, pelas

11 horas, a inauguração da pedovia, uma infraestrutura considerada “necessária e importante”, que “permitirá que toda a população possa praticar a marcha nas melhores condições”. O programa para o restante dia, reserva, entre outras propostas, sessões de informação sobre a diabetes, momentos musicais, ginástica e uma demonstração cinotécnica com a participação da Guarda Nacional Republicana. O projeto Baleizão – Aldeia Amiga das Pessoas Idosas nasceu “da ambição de colocar em prática junto da população de Baleizão atividades de promoção da saúde e bem-estar que contrariassem a tristeza, isolamento social e imobilidade diagnosticadas”, explica Luís Rosa, também mestre em enfermagem comunitária, frisando que “não foi um projeto imposto mas sim construído com a população e entidades envolvendo-os nas tomadas de decisão”. De acordo com o responsável, este é um projeto que também se distingue “por ir ao encontro dos utentes cujo índice metabólico é mais elevado, convidandoos a participar nas atividades”. Ao longo destes quatro anos de implementação do projeto “foram muitas as atividades desenvolvidas”, nomeadamente “consultas de risco metabólico, exercício físico, atividades culturais intergeracionais,

construção de um ginásio e equipamento de ginástica, boletim informativo, grupo de voluntariado, ateliês e a construção de uma pedovia com cerca de um quilómetro de extensão”. Em 2013 o projeto, que tem como inspiração o “Guia Global das Cidades Amigas das Pessoas Idosas”, foi distinguido com o prémio Missão Sorriso, no valor de 25 mil euros, montante “que permitiu servir de rampa de lançamento para a concretização dos objetivos e principalmente da pedovia”, adianta Luís Rosa, salientando que a infraestrutura contou ainda com o apoio da Junta de Freguesia de Baleizão e da Câmara de Beja “com a compra dos restantes materiais e de mão-deobra”. A Feira da Saúde é o culminar desta primeira fase do projeto, “a mostra daquilo que se fez e que se faz em Baleizão, embora para mim o mais importante seja o envolvimento que aconteceu até à feira, relatos como: ‘Não tenho tempo para estar doente’ reflete isso mesmo, criar objetivos de vida, realização pessoal, partilha”, conclui o gestor do projeto. A Feira da Saúde de Baleizão conta com a colaboração da Unidade de Cuidados na Comunidade de Beja, Câmara de Beja e junta de freguesia e casa do povo de Baleizão. NP


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Para se ser um mestre artesão “tem de se gostar muito do que se faz. Ter o gosto de entregar ao cliente um trabalho como deve de ser”. Dominar a manufatura e não deixar “a maquinaria moderna adulterar a arte. Eu faço tudo manualmente”.

Profissões É dos poucos mestres marceneiros restauradores que existem em Beja. E com certeza o mais antigo. Para ele a arte vem da paixão com que se olha e trabalha o ofício. “Quando se gosta do que se faz queremos sempre aprender mais. Eu, com 76 anos, tenho ainda muito a aprender. Ai daquele que diz que já aprendeu tudo”. Texto e Foto José Serrano

António Freitas é um dos mais antigos artesãos de Beja

A arte do restauro mobiliário

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as traseiras da Sé de Beja fica a travessa da Condessa. É um beco com casas baixas de um lado, e do outro, algumas oficinas e armazéns. Da pequena rua fechada ao fundo quase que se consegue tocar a igreja e as muralhas do castelo. É lá que fica a marcenaria do mestre António Freitas, também amigavelmente conhecido entre os que lhe são mais próximos como “o galego”. “Às vezes a malta amiga trata-me por esta alcunha. Porque eu nasci no Norte, em Aboim, no distrito de Braga. Mas gosto do Alentejo até dizer chega”, explica, com um sorriso. A necessidade de ganhar a vida trouxe a família de mestre António desde o Minho até ao Alentejo. “Éramos uma família de moleiros. O meu tio, o meu pai. Já o meu avô era moleiro. Trabalhavam em moinhos de água num afluente do rio Minho. Mas nos anos 40 vieram trabalhar para Brinches. Para a campanha do azeite. Viemos todos, tinha eu nove anos e a terceira classe incompleta”. Depois disso a família fixou residência em Beja, na rua da Padaria, no bairro do Pelame. “Éramos pobrezinhos. Vivi numa barraquinha de madeira com os meus pais e os meus dois irmãos, até quase aos 20 anos”. Para ajudar a família, debilitada com a doença pulmonar do pai, António Freitas trabalhava nas tarefas agrícolas da região. “Aos 10 anos fiz a época da monda ao lado da minha mãe”. Entretanto concluiu a quarta classe. “Era para ter continuado os estudos.

Sempre fui um bom aluno. Mas não havia dinheiro para isso”. Depois de um período empregado numa loja de fazendas, chegou aos 15 anos ao ofício de marceneiro. “Comecei como polidor de móveis. Foi o início da profissão. Daí até hoje nunca mais parei”. Sempre ligado ao trabalho da madeira, esteve em várias casas do ramo até chegar à oficina António Cardoso Júnior. “Éramos cinco operários. Foi lá, com o mestre Diogo Pau Real, que aprendi as várias técnicas da profissão. Hoje compram-se as mobílias já prontas mas antigamente não era assim. Vinham do Norte completamente em branco, em bruto. E aqui é que eram afinadas, preparadas por nós. Só depois é que eram postas à venda. E foi aí que eu comecei a ganhar o gosto pelo restauro. Fiz outras coisas durante a minha vida profissional, mas nunca perdi esta paixão”. Para se ser um mestre artesão “tem de se gostar muito do que se faz. Ter o gosto de entregar ao cliente um trabalho como deve de ser”, garante. Dominar a manufatura e não deixar “a maquinaria moderna adulterar a arte. Eu faço tudo manualmente”. Garlopas, plainas, rebaixadores, graminhos, formões, goivas e raspadores são alguns dos inúmeros utensílios que podemos encontrar em cima da bancada de madeira com torno que constitui o centro da oficina com aromas a madeiras e vernizes. Utilizados para esculpir e moldar a madeira,

“Ultimamente tem-se assistido à venda de peças em leilão, de mobiliário da Renascença, por uma ninharia. Por necessidade. É de um homem jogar as mãos à cabeça”. funcionam através da perspicácia apurada do olhar e do trabalho de braços. “Era assim que trabalhavam os grandes mestres marceneiros que Beja teve. O meu mestre e os mestres André, Manuel e João Amado, que tinham oficina na rua do Touro e davam os bons dias nesta arte”. Pelas mãos experientes já lhes passaram incontáveis peças de mobiliário que restaurou, muitas delas centenárias. Hoje em dia é cada vez mais seletivo nos trabalhos que aceita. “Nesta idade já recuso muitos trabalhos. Mas há clientes com quem tenho uma relação de amizade e aos quais, enquanto puder, não consigo dizer que não. Porque me têm auxiliado muito. Há quem diga que esta arte dá para fazer fortuna. A mim

nunca isso me aconteceu”. Quem procura os préstimos de mestre António fá-lo sobretudo pela ligação afetiva que os une às peças a precisar de restauro. O que não quer dizer que não tenham valor comercial e histórico. Tal como o antigo oratório que o mestre está neste momento a restaurar: “Chegou-me cá com um aspeto que ninguém dava cinco tostões por ele. Agora já começa a ficar com a cara lavada. Quando o terminar, não há de ter problemas durante a próxima eternidade. Se for estimado e não apanhar sol. Que é o grande inimigo dos acabamentos”. Em relação à passagem dos segredos e ao futuro da profissão é-lhe difícil prognosticar. “Gostava muito de ensinar a minha arte. Mas até agora ainda não tive essa possibilidade. Nunca ainda ninguém me apareceu aqui a propor-me isso. No futuro do meu ofício eu acredito. Mas para que a profissão consiga subsistir tem de haver clientes. Ora a classe média deu um trambolhão enorme, está no chão. E era esta gente que punha o mercado a funcionar. Que de vez em quando comprava uma peça nova de mobiliário ou mandava restaurar outra mais antiga. Agora quem faz isso é só uma minoria com dinheiro. Ultimamente tem-se assistido à venda de peças em leilão, de mobiliário da Renascença, por uma ninharia. Por necessidade. É de um homem jogar as mãos à cabeça”.


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A admiração e receio causados pelos resultados eleitorais do último dia 25 de maio (…) não constitui surpresa, pelo contrário, afirma aquilo que venho a alertar desde o princípio da campanha para as passadas eleições Autárquicas. A abstenção deixou de ser um risco para se constituir um perigo, diria, um elevado perigo para a democracia. Francisco Canudo Sena, “A Planície”, 1 de junho de 2014

Opinião

Beja a ferro e fogo José Barriga Médico

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aros amigos, Como o prometido é devido, aqui está a segunda parte da minha crónica. Obviamente que não obtive qualquer resposta à primeira, pois é difícil aos visados contradizerem as verdades. Apenas alguns iluminados acusaram-me de querer ter protagonismo; se me conhecessem, saberiam que não necessito de mais protagonismo, para além daquele que me é reconhecido. Aqueles que sempre viveram à sombra do poder, dos partidos, autarquias, associações ou coletividades, que em nome do povo se servem a si próprios e aos seus interesses, esses sim, necessitam de protagonismo para se manterem na crista da onda; muitos deles, não têm competência ou capacidade profissional, pouco sabem fazer em prol do bem comum e que na realidade, vivem à custa desse mesmo povo. Vem-me à memória o exemplo da Cooperativa Proletário Alentejano, supervisionada e comandada pelo Partido Comunista ou pelos seus “agentes”, com uma gestão catastrófica que levou à sua falência. O que fizeram os seus dirigentes? Administraram ruinosamente os bens e dinheiros dos sócios, patrocinando sobretudo associações próximas do Partido Comunista, nomeadamente a Rádio Voz da Planície, a qual recebeu milhares de euros em publicidade à custas dos sócios. Não se ouviu uma palavra na comunicação social sobre a responsabilização dos dirigentes/gestores da cooperativa. Pergunto-me, qual a posição dos sindicatos afetos à CGTP/comunistas quanto a toda esta situação que levou ao despedimento dos trabalhadores? Ao que parece, chegaram ao ponto de não darem qualquer apoio aos trabalhadores, os quais tiveram de recorrer a advogados particulares para se defenderem. Será que o apoio jurídico e sindical, por parte dos sindicatos afetos ao Partido Comunista, é recusado aos trabalhadores das empresas próximas ou ligadas ao PCP/CDU? Todavia, esses mesmos sindicatos estão sempre na primeira linha quando qualquer outra empresa está em dificuldades, próxima da falência ou da insolvência. Os empresários chegam a ser rotulados de ladrões e bandidos, mesmo que fiquem sem possibilidade de se sustentarem, ao contrário dos dirigentes da Cooperativa Proletário Alentejano, os quais continuam alegres e contentes, como se nada se tivesse passado... A gozar dos rendimentos. Naturalmente, quem ficou mal foram os sócios, sem o dinheiro investido e os trabalhadores, sem trabalho, despedidos. Que confiança e que credibilidade sindical podem ter quando aplicam dois pesos e duas medidas? Nesta época que vivemos, com violentos ataques às conquistas de Abril e à democracia, o movimento sindical está cada vez mais enfraquecido, em grande parte devido a estas atitudes. Não basta pedir menos horas de trabalho e mais ordenados. É preciso ser-se justo, coerente e ter em conta a situação económica e financeira real das empresas. Quem não o fizer, quem não for imparcial, não defende as empresas e muito menos os trabalhadores, mas sim acelera as falências e provoca o inevitável aumento do desemprego. Precisamos de um sindicalismo forte mas consciente, livre do jugo dos partidos, particularmente do PCP/CDU, defendendo verdadeiramente os trabalhadores e não os utilizando como escudo do partido. Há outro assunto muito grave que não pode mais ser escondido, o despedimento do vereador José Velez por parte do Politécnico de Beja. Ser despedido sem o devido aviso prévio, passar por cima dos direitos laborais é de grande gravidade. Apresentar-se ao serviço num dia e ser despedido no próprio dia, um docente com mais de 24 anos ao serviço da Escola Superior Agrária, onde exerceu diversos cargos de dirigente, até como presidente da Escola Superior Agrária, é inqualificável e imoral. Trata-se, indiscutivelmente de

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Já sabíamos que a Câmara de Beja, no final do ano passado, tinha assinado um protocolo com vista à instalação no concelho de uma unidade fabril de transformação de ópio medicinal. Sabe-se agora que já existe outra multinacional interessada no mesmo ramo e que também há interesses em torno do fabrico de açúcar de beterraba e de rações a partir da luzerna. São os primeiros avanços na diversificação agroindustrial em ALQUEVA. PB

O projeto de uma Europa de paz, de tolerância e de solidariedade, que surgiu a partir da chamada Comunidade Europeia do Carvão e do Aço e se foi consolidando no projeto social do pós-guerra, sofreu, nas últimas eleições europeias, um grande revés. (…) O euroceticismo em vez de ser canalizado para a reconstrução da Europa está a ser usado para a sua destruição. Maria do Céu Pires, “Brados do Alentejo”, 29 de maio de 2014

um ato de má-fé, do presidente do politécnico e de toda a sua direção. É uma situação absolutamente inadmissível, revelando fortes indícios de perseguição pessoal, profissional e política, impensável nos dias de hoje! Nos remotos tempos da ditadura Marcelista em que vivi, esta situação não era tolerada e o presidente do politécnico seria demitido de imediato! Há quem na presidência e na gestão do politécnico pense que voltámos ao antigamente (até antes do Marcelismo), agora o presidente, com as suas raízes humildes e conhecendo-o como eu o conheço, comportar-se desta maneira, deixa-me profundamente desiludido... A não ser que esteja a ser coagido ou chantageado, o que torna o assunto ainda mais grave. Assim, exige-se: – Uma tomada de posição imediata e firme do Conselho Geral do Politécnico e do seu presidente, caso contrário serão cúmplices e coniventes com a situação. – Uma imediata tomada de posição dos presidentes da federação distrital e da concelhia de Beja e do deputado eleito por Beja pelo Partido Socialista, pois trata-se de um saneamento profissional e político, feito a um vereador eleito pelo Partido Socialista. – Tomada de posição da própria câmara municipal, pois trata-se de um atual vereador municipal, embora agora na oposição. Pergunto-me, o que teria acontecido se o vereador Velez fosse eleito pela CDU, quantos comunicados, quantos protestos, quantas manifestações já teriam sido feitas à porta do politécnico? Provavelmente, o presidente do IPBeja já se tinha demitido ou já teria sido demitido! Tudo isto só demonstra e realça a situação muito preocupante que se vive em Beja, onde o seu politécnico e a sua presidência denotam grandes irresponsabilidade e fraqueza, as quais impossibilitam que seja encontrado, com êxito, o rumo certo e tão necessário para o IPBeja. Vale a pena perguntar ainda: – Quantos alunos tinha e quantos alunos tem o IPBeja, desde que esta presidência tomou posse? – Quantos processos (dezenas?) estão em tribunal por despedimento de funcionários/professores do IPBeja, por não serem respeitadas as leis laborais? – Quando se alega falta de meios financeiros para justificar a dispensa de docentes, então porque se promovem diversos professores, incluindo o próprio presidente do IPBeja? Que ética? Qual a moralidade? – Qual o grau de exagero das ligações do IPBeja a instituições estrangeiras, com inúmeras viagens e outros custos associados pagos aos elementos participantes — desde a Europa à América do Sul, de África aos Estados Unidos...? – Qual a razão de tão fraca ligação, de quase desprezo, às instituições locais, algumas delas fundamentais no desenvolvimento da Região e do próprio IPBeja, nomeadamente a EDIA e o Nerbe, entre outras? Enfim, há uma manifesta falta de capacidade de captar e validar cursos de comprovado interesse para o IPBeja e para toda a região. Realço a área agrícola. A ligação ao regadio, à EDIA, às indústrias agropecuárias e alimentares, às associações de produtores.. .Tudo muito fraco e insípido. Estranhamente, surge a notícia da criação de uma escola profissional ligada àagricultura, da responsabilidade de uma Associação de agricultores, a ACOS. Em meu entender, esta realidade, prejudicial ao IPBeja, só pode ser justificada pela incapacidade do IPBeja e dos seus responsáveis. Há alguns dias, ouvi na rádio um alto dirigente do IPBeja dizer, com pompa e circunstância, que o Facebook do IPBeja tinha muitas visualizações, como se isso fosse determinante e contribuísse para a vinda de mais alunos... Infelizmente a realidade é bem outra. Ao invés, não ouvi qualquer preocupação quanto a novos projetos ou candidaturas estruturantes, essenciais para o futuro do IPBeja (excetuando as novas e megalómanas instalações da Estig, tão exageradas quanto fonte de despesa). Ao que parece, desde 2008, apenas foi apresentada pelo IPBeja uma candidatura digna de registo ao QREN. Não serão estas candidaturas, estes projetos, bem mais importantes?

Face a tudo o que foi dito e ao estado em que se encontra o IPBeja, a atitude mais sensata do Conselho Geral do Politécnico e do presidente do referido conselho geral, será a de pedirem a demissão do presidente do IPBeja e de todo o seu staf dirigente. Um abraço, até breve.

O Peregrino Secreto Beja Santos Jurísta

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m 1989 é derrubado o Muro de Berlim, a Cortina de Ferro perdeu todo o sentido. O pensamento político ocidental teve que parar e refletir, desde os serviços secretos até ao funcionamento da NATO. Um mundo ficava para trás, múltiplas atividades perderam nexo. Uma delas, a espionagem, que tem uma corrente literária muitíssimo apreciada, via-se obrigada a repensar os objetivos e a ponderar o passado. É neste contexto que em 1991, o sumo-sacerdote da literatura baseada na espionagem, John le Carré, escreve uma obra-prima que reflete a espionagem e a vida dos espiões entre o pós guerra e a queda do muro: O Peregrino Secreto, por John le Carré, Publicações Dom Quixote, 2012. Ned, um agente leal e honesto do período da Guerra Fria, que fez parte dos serviços secretos britânicos durante toda a vida, tem a incumbência, no final da sua carreira, de formar uma nova geração de espiões. Na viagem de fim de curso, é arrastado para uma viagem sentimental através da sua própria vida, desde o recrutamento à iminente aposentação. O produto final é uma assombrosa série de episódios numa paleta de tons em que se pode registar a tragicomédia. O peregrino secreto é o fio condutor de todas essas histórias situadas entre o máximo de crispação até ao final desta titânica luta ideológica. George Smiley, por ventura o mais famoso personagem de John le Carré, é orador convidado deste jantar para abordar as questões que galvanizaram as vivências de todos os agentes secretos. No termo do jantar, Smiley diz à assistência que aquele mundo de que estivera a falar estava extinto, e descreve o ambiente: “O fulgor da fogueira a esmorecer iluminava a biblioteca almofadada, doirando-lhe as estantes com clareiras de poeirentos livros de viagens e aventuras, o velho e estalado couro das suas poltronas e as fotografias desbotadas dos seus desaparecidos batalhões de oficiais fardados com bengalas; e finalmente os nossos rostos sortidos, voltados para Smiley no seu trono de honra. Quatro gerações do serviço recostavam-se ao longo da sala, mas a voz serena de Smiley e a névoa do fumo de charuto parecia unir-nos numa única família”. E com a mesma expressão dramática, a mesma expressividade com que fora contando histórias, sentenciou: “Acabou-se, eu também acabei. Está na altura de correrem o pano sobre o homem da Guerra Fria de ontem”. E à guisa de despedida: “Nunca dei um chavo pelas ideologias, a menos que fossem loucas ou perversas, nunca considerei as instituições dignas dos seus papéis, ou as políticas como muito mais que desculpas para a ausência de sentimentos. É com o homem, e não com as massas, que a nossa profissão tem que ver. Foi o homem que acabou com a Guerra Fria, caso não tenham reparado. Não foi o armamento, nem a tecnologia, nem os exércitos ou as campanhas. Foi apenas o homem. Nem sequer o homem ocidental, por acaso, mas o nosso inimigo jurado de Leste, que saiu para a rua, deu o corpo às balas e aos cassetetes e disse: estamos fartos”. Não podia haver despedida mais nostálgica e pungente da Guerra Fria que a exposta nesta obra-prima em que le Carré não poupa críticas ao pensamento ocidental. E como diz George Smiley: “A espionagem é eterna. Mesmo que os governos pudessem passar sem ela, nunca passariam”.


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15 É evidente que a 1.ª Feira da Saúde, que a Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo vai levar a efeito entre hoje e amanhã em Baleizão, é resultante de um vasto trabalho de equipa. Nem de outra forma poderia ser. Mas a sua concretização, ao abrigo de um projeto mais antigo e vasto denominado “Aldeia Amiga das Pessoas Idosas”, em muito se deve à visão e persistência de uma só pessoa: o enfermeiro LUÍS ROSA. PB

Não há fome que não dê em fartura. O AGENDAMENTO CULTURAL em Beja, e em toda a região, tem de passar por uma profunda reavaliação e recalendarização. No último fim de semana, por exemplo, avançaram em simultâneo dois festivais em Beja organizados pela própria autarquia: BD e Beja Romana. Este fim de semana, para além da BD, está anunciado um festival de rock pesado e uma festa da M80. Havia necessidade? PB

Diário do Alentejo 6 junho 2014

CM BEJA

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As recentes eleições europeias deixaram vários resquícios de mal-estar na democracia portuguesa. Curiosamente, uns perderam por muitos e outros ganharam por poucos! Contudo, para o Partido Socialista o resultado foi aquilo a que já chamaram uma vitória de Pirro! Carlos d’Almeida, “Diário do Sul”, 4 de junho de 2014

Medidas estranhas, o n.º do calçado e… grãos de cevada

Cartas ao diretor Manholas José Luís Pereira Aljustrel

aliada às carências e à esperança e fé de lhes sair o tal chouriço, até crianças entram na onda. Vivemos na barca do inferno, no covil dos lobos e na pobreza sem rumo. Cuidado com o ladrão que te quer fazer barão.

Hugo Carrasco Aluno de Doutoramento em Matemática na Universidade de Évora

Cada vez mais vivemos numa sociedade global mas … confusa! Vou comprar um par de sapatos e aparece 7 pés! Estou a ver um jogo de futebol americano e dizem que uma equipa ganhou 20 jardas! Vejo um filme e dizem que duas cidades distam 70 milhas … Ora bem … na realidade os britânicos e americanos utilizam um sistema de medição sem ligações convenientes ou previsíveis entre as unidades: 1 pé = 12 polegadas, 1 jarda = 3 pés, 1 milha = 5280 pés. Que contas são estas? Na verdade estas unidades surgiram em histórias hilariantes e tradições rocambolescas. Já reparou por certo que as fitas métricas têm duas escalas … a nossa, em centímetros, e outra mais larga, em polegadas. Ora uma polegada (inch) são 2,54 cm. A sua origem leva-nos à idade média onde os romanos mediam com o próprio polegar. Assim é o tamanho de um polegar, medido na base da unha, o que num adulto é ± 2,54 cm. Encontramos as polegadas no tamanho dos monitores … uns são de 17, outros de 19 na diagonal. Também é utilizada em aros nos pneus de bicicletas e de carros. Depois temos o pé (feet) ± 30 cm. Muitos acreditam que é o tamanho de um pé humano, nomeadamente a medida do pé do rei Henrique I de Inglaterra que tinha um pé de 30,48cm. Acontece que o comprimento médio de um pé europeu é perto ± 24cm (9,4 pol.). Também se justifica que a medida refere-se não ao pé nu, mas calçado. Tem a sua lógica pois quando se faziam medições as pessoas não andavam descalças. Passamos para a jarda (yard) que são 3 pés ou 36 polegadas, ± 91cm. Esta medida é utilizada no futebol americano e tem uma história muito curiosa. Conta-se que o mesmo rei Henrique I estabeleceu a medida da jarda, avaliando a distância entre a ponta do seu polegar e a ponta do nariz. Isto não lembra a ninguém. Já viu se ele tivesse o nariz maior … teríamos agora de lidar com menos jardas … Finalmente temos a milha terrestre (mile) ± 1609 metros. A palavra provém do latim, mille passus. Era usada para calcular distâncias no Império Romano e representava,

como o nome diz, 1000 passos dados pelos centuriões. Uma vez mais estas medidas não eram precisas, pois 1000 passos de duas pessoas, com pouca diferença na passada, originariam uma grande diferença no final. Como curiosidade sabia que 1 polegada é também o comprimento de 3 grãos secos e alinhados de cevada. O rei Eduardo I de Inglaterra padronizou em 1305 a numeração dos sapatos. Os grãos de cevada colocados em linha reta serviam para medir o comprimento dos pés. A ideia foi bem aceite e os sapateiros ingleses passaram a fabricar sapatos tomando como base o grão de cevada. Se repararem os tamanhos ingleses mudam de terço em terço. Após o 8 vem o 8⅓, o 8⅔ e finalmente o 9. Isto porque são precisos três grãos de cevada para completar uma polegada. O conhecido físico Edward Teller comentou com humor estas imprecisões com unidades de medida. Dizia ele que … “No tempo de Noé os carpinteiros tinham uma medida chamada cóvado. Era o comprimento do braço entre a ponta do dedo do meio e o cotovelo. Ora como trabalhavam ao mesmo tempo muitos carpinteiros, foi de facto um milagre pôr a arca de Noé a flutuar”. É por vezes difícil entender a motivação para estudar matemática ou perceber quando se deve utilizar determinado resultado e, por isso, questionamos a aplicabilidade da matemática. São estes exemplos mirabolantes e hilariantes que nos fazem pensar na importância da matemática, na necessidade de uniformizar medidas, na procura de simplificar as coisas. Se eu fosse o rei Henrique de certeza que uma jarda era hoje bem mais pequena … mas se não fosse o rei Eduardo hoje não conseguiria comprar uns ténis pela Internet … isto dos grãos de cevada até foi uma boa ideia. Na história da Cinderela, o príncipe tinha de experimentar o sapatinho em todas as donzelas que estavam no baile. Mas … se mandasse os seus súbditos medir o tamanho dos pés das senhoras com grãos de cevada, poderia saber quem era a dona do sapatinho de cristal e não estragar o seu precioso troféu. Se o príncipe percebesse de matemática, teria encontrado facilmente a sua princesa.

Eu, a arder de curiosidade, só posso mesmo conversar com os meus botões, imaginando quem seria a(s) sábia(s) os iluminados, dessa ideia pelintragem, dessa fraude que, são as chamadas telefónicas com valor acrescentado. Tenho a certeza que não é arriscado afirmar que em termos de verdade o produto foi calculado milimetricamente, régua e esquadro e à lupa, para entrar pelos lares de milhares de portugueses transformando-os em situação de maior crise. Eis o embuste a criar um reino de facilidade, ilusão e engano. Esta vergonha sem nome que as Tv’s dia e noite, em nome da sua ganância ou ao serviço da sua ambição andam a espingardar em todas as direções com os maiores dos desplantes, falsidade e baixeza no apelo às ligações para o 760 e tal coiso. Senhores administradores, senhores diretores das Tv’s no vosso principesco reino não olham, ou não querem olhar, a miséria que encontramos em cada esquina, o estado lastimoso em que se encontra o povo. Ou será que a carência e fragilidade das pessoas é o mesmo ideal para as espoliar? Quem chamou a si como missão de vida vandalizar a vida dos pobres, quer cumprir essa missão mesmo nas circunstâncias mais improváveis. É obrigação, urgente e necessária acalmar os vossos propagandistas dos recados, mestre da manipulação, provocadores da desgraça, baixeza e falsidade. Dizem eles, os vendedores de banha de cobra ou de serpente, na sua plumagem de galo, todos satisfeitos consigo mesmos, numa propaganda mirabolante, temos para lhes dar, oferecer. Dar? Oferecer? Só se for o chouriço por troca pelo porco com carne do mesmo alguidar. Com a maior safadeza, sem um pingo de vergonha, num badalar enfadonho até à exaustão, eis esta grande mentira, a monstruosa aldrabice. Haja Deus e vergonha também. A RTP preenche todos os dias nos seus programas a opulência dos grandes manjares. No estado lastimoso em que se encontra o povo é absolutamente vergonhoso, é uma imensa provocação. Quanto aos vossos yes man seria de bom recomendar a estes manholas para serem menos agressivos no apelo às chamadas com valor acrescentado. Ui! Estes yes man são mesmo um tédio. Juro que não quero embirrar, nem mesmo parecer que embirro, mas estes e outros são mandantes da paróquia desde há muito e, não se sabe quando acaba andam com uma febre esquisita na caça aos míseros euros deste povo. O prezado leitor pode dizer que só telefona quem quer. Pois pois, a coação psicológica

O bode expiatório da crise Rui Xavier Beja

Chegados ao fim do programa cautelar, ou seja um empréstimo financeiro levado a cabo pela troika, para o nosso País “à beira-mar plantado” não entrar basicamente em bancarrota, cabe observar o que ocorreu nestes três anos. A função pública, foi agredida por todas as formas, a saber: os funcionários ficaram em “congelação” para efeitos de progressões, porque as promoções já tinham sido delapidadas pelo anterior (des) governo. Os trabalhadores do estado viram diminuir os seus salários numa percentagem escandalosa (IRS, sobretaxa, duodécimos de natal, Adse), para além de terem que trabalhar mais horas, nestes termos basicamente de forma “gratuita”, não esquecendo os institutos jurídicos da mobilidade, e dos “acordos” de revogação. Os serviços públicos viram reduzidas a eficácia e eficiência dos mesmos, a título de exemplo cito a saúde, e a educação. E finalmente, não podemos esquecer quem trabalhou uma vida inteira, para receber uma pensão modesta (grande maioria dos reformados), que têm visto as suas reformas coartadas de forma infame, quem pensava que já tinha contribuído o suficiente para o País, e agora iria ter alguma tranquilidade na sua vida, chega a conclusão que com os gastos fixos, medicação, rendas, ou empréstimos para compra de habitação, não sobra nada ou melhor dizendo, acaba por não “chegar para as encomendas”, de facto o nosso governo tem uma consciência social apurada. Concluindo, chegados ao pós-troika (saída em junho do corrente ano), temos os seguintes números: desemprego 18,5 por cento (um milhão de desempregados), quebra do investimento de 28 por cento, quebra no consumo privado a rondar os 7 por cento, derrapagem no PIB de 5,8 por cento, em risco de pobreza e exclusão social 25,3 por cento (2,7 milhões de pessoas, segundo o inquérito do EU-SILC European Union Statistics on Income and Living Conditions). O futuro não é animador, mas o “homem sonha a obra nasce”, espero que os portugueses já tenham chegado à conclusão do que nós todos temos de fazer para alterar o estado a que chegamos, exercendo os nossos direitos cívicos, para de facto ocorrer uma restruturação do poder político e das suas instituições democráticas, que estas se aproximem mais dos cidadãos e respondam aos seus anseios, às suas dúvidas, às suas vidas, como afirmava Aristóteles (filósofo grego 384-348 a.c).


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Diário do Alentejo 6 junho 2014

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Paulo Barriga

JOSÉ FERROLHO

Há muito que o “Diário do Alentejo” deixou de ser um jornal exclusivamente impresso em papel. Os tempos que correm, o reposicionamento dos leitores noutras plataformas, os novos métodos de sociabilização e de troca de informação, “obrigam-nos” a procurar novos caminhos no universo da Internet. É todo um mundo de oportunidades para os meios de comunicação tradicionais que se parece abrir. Mas para já, esse processo de transferência de públicos, de velocidade informativa, de interação não passa disso mesmo: de uma ilusão. Pelo menos no que respeita à salvaguarda dos direitos autorais e, acima de tudo, da rendibilização dos conteúdos produzidos. O que leva a uma verdadeira encruzilhada. Há quem vaticine, aliás, o fim dos jornais em papel num espaço de tempo não muito longo. E a hegemonia planetária dos suportes eletrónicos. No tempo presente, com as mutações técnicas e tecnológicas que acontecem a cada instante, não nos parece que tal venha a acontecer. Os jornais, e principalmente os jornais de vizinhança, como o “Diário do Alentejo”, vão sobreviver, acredito, pela exclusividade das matérias retratadas, pelos seus protagonistas e, principalmente, pelo afeto e pela proximidade. É pela diferença, pelo arrojo e pela criatividade que os jornais em papel sobreviverão na aldeia eletrónica global. Mas isso não implica um confronto firme entre o físico e o virtual. Antes pelo contrário. As redes sociais, por exemplo, são uma belíssima ferramentas de trabalho para os jornalistas. Não só são geradoras de informação útil, como permitem outros suportes mediáticos, como ainda se constituem como belíssimos meios de divulgação das matérias jornalísticas tradicionais. Por isso mesmo, o “Diário do Alentejo”, há cerca de três anos a esta parte, sem nunca descurar a sua edição de sexta-feira, tem feito um apreciável investimento humano nas novas plataformas. Primeiro, criámos um “sítio-mãe”, para onde concorre toda a informação. Em simultâneo avançámos para uma televisão on line, a DA-TV, em articulação com uma página no YouTube e um canal no MEO. O valiosíssimo arquivo fotográfico do “DA”, inicialmente, lançou-nos com grande pujança no Facebook, que hoje é a segunda página mais seguida entre toda a imprensa regional portuguesa, com mais de 40 mil fãs. Ao Facebook acrescentámos um blogue de fotografia e duas contas paralelas: uma no Twitter e outra no Instagram. E é movendo as peças em toda esta parafernália de possibilidades mediáticas que julgamos estar a defender o futuro do “Diário do Alentejo” na sua existência de papel. Por essa razão hoje trazemos ao jornal fotografias que circulam e que são um sucesso de audiências na Internet. Complicado? Não tanto quanto a vida que hoje as pessoas levam.

FRIEDER BAUER

A segunda vida dos jornais em papel


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17 Diário do Alentejo 6 junho 2014

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JOSÉ FERROLHO JOSÉ SERRANO

JOSÉ FERROLHO

FRIEDER BAUER

JOSÉ SERRANO

JOSÉ FERROLHO

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Futebol do Inatel

Diário do Alentejo 6 junho 2014

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As duas equipas do distrito de Beja que participaram na primeira jornada da Fase Nacional da Taça Fundação Inatel em futebol de 11, Penedo Gordo e Luzianes Gare, foram já eliminadas após as derrotas caseiras sofridas nesta primeira ronda. O Penedo Gordo perdeu 4-3 e o Luzianes foi derrotado por 1-0.

Nacional de Futebol de Praia

O Clube Desportivo Praia de Milfontes disputará pelo segundo ano consecutivo o Campeonato Nacional de Futebol de Praia. A 1.ª jornada disputa-se amanhã com um jogo entre o Charneca da Caparica e o Milfontes. Armacenenses, Sesimbra, Alfarim e Vitória de Setúbal são os restantes clubes da Zona Sul.

LISTA DE LAUREADOS Campeões distritais: 1.ª Divisão – Aljustrelense. 2.ª Divisão – Saboia. Futsal – Almodovarense. Seniores feminino – Castrense. Juvenis – Despertar. Iniciados – Moura. Infantis – Despertar.

Desporto

XXII Gala dos Campeões da Associação de Futebol decorre hoje em Beja

E os campeões são... A Associação de Futebol de Beja distingue esta noite todos os clubes que ao longo da época conquistaram títulos distritais, a par de outros agentes que, individualmente, se destacaram pelo mérito da sua prestação.

Taças de disciplina: 1.ª Divisão – Aljustrelense. 2.ª Divisão – Saboia. Futsal – Almodovarense. Seniores femininos – Odemirense. Juvenis – Almodôvar. Iniciados – Aldenovense. Infantis – Ourique.

Texto e foto Firmino Paixão

C

om a finalidade de distinguir os melhores agentes desportivos da época 2013/2014 que agora chegou ao fim, a Associação de Futebol de Beja promove esta noite, no Beja Parque Hotel, a sua XXII Gala dos Campeões. Sem nomeações subjetivas, sem eleições discutíveis, esta noite subirão ao palco todos os que, em diversas áreas, revelaram, efetivamente, mais e maiores competências no palco privilegiado que é o campo de futebol. Numa época marcada pela não realização de um campeonato na importante categoria de juniores, a estreia das equipas “bê” validou a organização do campeonato da 2.ª Divisão, que coroou o sucesso de dois emblemas do litoral alentejano, Saboia e Renascente. A modalidade de futsal está em crescimento, o campeonato teve um número recorde de equipas e a tendência é crescente. Ao nível do futebol de formação destacaram-se os emblemas do costume, Despertar e Moura, clubes que estão entre os que melhor trabalham neste patamar desportivo. A época consagrou o Aljustrelense como campeão dos campeões, com regresso às

Taças e supertaças: Taça Distrito de Beja seniores – Piense. Taça Distrito de Beja Futsal – Ferreirense. Taça Distrito de Beja seniores femininos – Castrense. Taça de Honra 2.ª Divisão – Despertar. Taça Armando Nascimento (juvenis) – Despertar. Taça Melo Garrido (iniciados) – Moura. Taça Dr. Covas Lima (infantis) – Ferreirense. Supertaça seniores – Aljustrelense. Supertaça Futsal – Ferreirense. Supertaça seniores femininos – Castrense

Gala Taças para os melhores da época desportiva 2013/2014

provas nacionais, estreando-se no Campeonato Nacional de Seniores, onde o Moura Atlético Clube se conseguiu manter, o que não aconteceu ao Desportivo de Almodôvar. A seleção de valores que veste a camisola do Castrense fez a tripleta em femininos, mas mantém-se em aberto o futuro deste campeonato, face à ausência de competitividade. No plano individual, destacando alguns, sobressaem os 25 golos apontados por Adão Silva (Aljustrelense), quase um por jornada, os 21 apontados por Marono (Amarelejense)

ou os 25 da jogadora Lara Cunha (Castrense). Fábio Reis (Aljustrelense), o guardião dos campeões, sofreu apenas oito golos em 26 jornadas e o “futsalista” Flávio Pereira (Alcoforado) marcou 32 golos. Novidade nesta edição da Gala dos Campeões será a atribuição dos diplomas de sócio de mérito da Associação de Futebol de Beja aprovados em assembleia geral de 19 de maio último e que são os treinadores Francisco Fernandes, Francisco Agatão e Pedro Caixinha e os dirigentes Fernando Cabecinha (Milfontes) e José Romão (Negrilhos).

Prémios individuais: Melhores marcadores: Nacional de Seniores – Fábio Marques (Moura). 1.ª Divisão Distrital – Adão Silva (Aljustrelense). 2.ª Divisão Distrital – Joaquim Marono – Amarelejense. Futsal – Flávio Pereira (Alcoforado). Futebol feminino – Lara Cunha (Castrense). Guarda-redes menos batido: Campeonato Nacional de seniores – Igor Landim (Moura). 1.ª Divisão Distrital – Fábio Reis (Aljustrelense). 2.ª Divisão Distrital – João Pereira (Saboia). Futsal – Miguel Romão (Alcoforado). Seniores femininos – Ana Feliciano (Castrense). Arbitragem: Categoria C3A (promoção) – Tiago Cordeiro. Categoria C3B (ascensão) – Pedro Crujo. Categoria C3A futsal – Joel Guerreiro. Categoria C3C – João Pereira. Categoria C4A – Marco Guerreiro. Categoria C4B –Joel Salvador. Categoria C4C – António Marques. Categoria C2J jovem – Gonçalo Ramos. Categoria Estagiário 1.º ano futsal – Valter Lourenço. Observador Categoria obs. C2 Distrital – Jorge Fontes

AFAlgarve venceu V Torneio Interassociações sub/14 em Vidigueira

Prestação muito modesta A seleção sub/14 da Associação de Futebol do Algarve venceu a sua congénere de Évora na final do V Torneio de Futebol Interassociações sub/14 e conquistou o 1.º lugar. A equipa bejense ficou na última posição. Texto e foto Firmino Paixão

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quarto e último lugar no torneio configura um teste negativo para o conjunto bejense, mas, no final da competição, o treinador Arlindo Morais relativizou essa realidade afirmando: “O teste pode ser positivo se pudermos tirar daqui algumas ilações que os miúdos terão que entender rapidamente”. E lembrou: “Estamos num novo processo de treino e estes torneios servem exatamente para podermos alinhavar as nossas ideias, estruturarmos melhor a equipa e para os jogadores perceberem que estão noutra dimensão competitiva”. Perdendo com equipas que são potenciais

4.º lugar Equipa de Beja classificou-se no último lugar do torneio

adversários no Torneio Nacional Lopes da Silva, que se disputará entre os próximos dias 22 e 28, a qualidade desta seleção esteve aquém da competitividade revelada pela

equipa do ano assado que se classificou no 5.º lugar no Lopes da Silva, mas Arlindo Morais lembrou: “Cada geração é uma geração, estes miúdos têm qualidade, mas dificilmente

encontraremos um lote semelhante aos que encontrámos e com quem tivemos a sorte de trabalhar no ano passado, mas tentaremos melhorar as suas capacidades e superar as atuais dificuldades”. A equipa passará ainda por outras etapas formativas, dias 7 e 8 no Torneio de Quarteira, no dia 10 no Torneio de Olhão e o treinador assegurou: “Os jogadores sabem que esta não é a seleção final, para o próximo torneio poderemos convocar outros, tentamos diversificar a representação de clubes mas o que nos move é termos jogadores com qualidade e potenciá-los melhorando as nossas performances enquanto seleção”. Esta quinta edição do Interassociações foi organizada pela AFBeja com o apoio do município de Vidigueira. Resultados – Eliminatórias: Algarve-Portalegre, 3-2; Beja-Évora, 0-3; 3.º e 4.º lugares: Beja-Portalegre, 0-3; Final: Algarve-Évora, 2-2 (7-5 após grandes penalidades). Classificação: 1.º Algarve. 2.º Évora. 3.º Portalegre. 4.º Beja.


Realiza-se no próximo domingo, no Estádio Municipal de Aljustrel, a sexta edição do Torneio de Futebol Juvenil Município de Aljustrel, organização conjunta da câmara e do Mineiro Aljustrelense. A prova disputa-se nas categorias de petizes, traquinas, benjamins e infantis com a participação de 14 clubes.

Zona Azul recebe o Oriental A Zona Azul e o Oriental disputam na tarde de amanhã, sábado, no Pavilhão de Santa Maria, em Beja, pelas 18 horas, a 14.ª e última ronda do Nacional da 3.ª Divisão (fase de subida). Na ronda anterior os bejenses venceram em Olhão por 37/33 e mantiveram o 3.º lugar na tabela, posição perseguida pelos orientalistas que procurarão vencer em Beja.

Ferreirense conquistou Supertaça

O Sporting Clube Ferreirense (vencedor da Taça Distrito de Beja) conquistou a Supertaça na modalidade de futsal, derrotando a Sociedade Almodovarense (campeã distrital) por 5-1 em jogo realizado no Pavilhão Armindo Peneque, em Aljustrel.

19 Diário do Alentejo 6 junho 2014

6.º Torneio do Município de Aljustrel

BTT Rota da Água O Velo Clube Os Leões, de Ferreira do Alentejo, promove no próximo domingo o 8.º BTT Rota da Água, certame que terá percursos de 25, 45 e 70 (andamento livre) com prémios para os três melhores classificados de cada escalão masculino e feminino. A concentração será junto à Capela do Calvário e a partida será às 9 horas.

Município de Beja atribuiu medalha mérito desportivo a Pedro Caixinha

Um embaixador no México Pedro Caixinha “é um homem de garra que se impôs pelo mérito e qualidade nas funções que desempenha. A sua terra, Beja, é, através do seu elevado exemplo e contributo, mais conhecida pelo mundo fora”. Texto e fotos Firmino Paixão

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edro Miguel Faria Caixinha nasceu na cidade de Beja em 15 de novembro de 1970 e é na qualidade de treinador de futebol que tem transportado o nome desta cidade a várias partes do mundo, justificando a distinção do município de Beja com a medalha de mérito desportivo. L ic e nc i a do e m D e s p or to p e l a Universidade de Vila Real de Trás-os-Montes, Pedro iniciou a sua carreira de futebolista no Portimonense, de onde saiu para o Desportivo de Beja. Em 1999 iniciou, em Beja, uma promissora carreira de treinador que o levou ao Vasco da Gama de Vidigueira, de onde saiu para assistente técnico do Sporting, começando em Alvalade um percurso de seis anos como adjunto de José Peseiro, que o levou também à seleção da Arábia Saudita, ao Panathinaikos (Grécia), ao Rapid Bucareste (Roménia) e ao Al-Hilal (Arábia Saudita). Regressado a Portugal,

Medalhado Mérito Desportivo atribuído pelo município de Beja a Pedro Caixinha

assumiu-se como treinador principal no União de Leiria, mais tarde no Nacional da Madeira e, desde 2012, nos mexicanos do Santos Laguna. Mas Pedro Caixinha teve, em paralelo

com o futebol e tal como o progenitor João Caixinha, uma carreira de forcado nos Amadores de Montemor. Foi na praça José Varela Crujo, na sua terra natal, com 20 anos de idade, que pela primeira se fardou

de forcado, dando início a uma carreira curta, mas muito preenchida de momentos de glória. Pedro confessou os sentimentos que o invadiram no momento da distinção: “Senti gratidão e orgulho, mas também muita emoção, emoção no sentido de na minha curta carreira já receber esta distinção da cidade que me viu nascer e crescer, isso é algo que nos emociona e que nos dá também mais responsabilidade para procurarmos cada vez mais fazer as coisas da melhor maneira possível”. O homenageado lembrou ainda: “Beja está sempre presente, eu sou um alentejano de gema, nunca neguei isso desde que saí de casa, por exemplo, para estudar Vila Real. Em muitas brigas valeu-me a forma como defendia o nome do Alentejo e é isso que transporto sempre comigo, essa garra, essa determinação de querer vencer e que a nossa cidade também saia vencedora”. A concluir, Pedro revelou que vai permanecer no México: “O Santos Laguna é um clube fantástico em termos da organização que fomos encontrar, e da sua filosofia, dos princípios e das condições de trabalho, temos uma relação espetacular com todas as pessoas e estamos satisfeitos, e quando existe satisfação é para continuar”.

Petizes e traquinas encerraram a temporada desportiva em Beja

Um dia de sonhos largos A Associação de Futebol de Beja promoveu o mega encontro de petizes e traquinas para encerramento da época desportiva, certame que contou com oito dos 14 clubes inicialmente previstos.

V

estiam camisolas do Ferreirense, do Serpa, do Alvorada e do Despertar, do Moura e do Bairro da Conceição, do Amarelejense e do Castrense, uma mancha multicolorida de miúdos que, em comum, tinham a alegria e o entusiamo por esta oportunidade de darem vida aos seus sonhos de poderem ser os “Messis” e os “Ronaldos” por um dia. Uns mais capazes que outros, todos eles com o desejo de crescerem à imagem dos seus ídolos. Oito clubes, 12 equipas, centenas de prometedores futebolistas, povoaram os dois espaços sintéticos do Complexo Desportivo Municipal de Beja no frenesim de mostrarem as suas aptidões para o jogo e ajudarem as suas equipas a triunfar. Pedro Xavier, vice-presidente da AFBeja,

Talentos A idade em que os jovens querem ser os “Ronaldos”

confirmou que “este evento é o compromisso que existia com os clubes para realização de um mega encontro de petizes e traquinas para concluir a época desportiva. O objetivo era que estivessem todos os clubes

mas alguns não conseguiram transporte e não compareceram. Estão oito clubes, mas faltaram aqui pelo menos outros seis”. Ao longo da época, lembrou o dirigente: “Tivemos sempre duas séries em atividade,

de quinze em quinze dias realizaram-se encontros organizados por cada um dos clubes que se inscreveu nestas categorias”. E assegurou: “Vamos manter este figurino, sempre através de encontros, o jogo formal terá que surgir o mais tarde possível, para que os jovens cheguem aos escalões de juvenis e juniores sem estarem cansados do jogo formal”. Uma atividade que pode servir de barómetro que avalie a disponibilidade dos clubes para a formação, concordou Pedro Xavier: “É realmente o ponto de partida para o processo formativo e todos os clubes que optem por esta via seguramente que, no futuro, irão ter frutos deste investimento”. Contudo, a avaliação global é positiva: “Naturalmente que sim, vamos crescer, vamos melhorar e aperfeiçoar estes modelos competitivos, porque o objetivo é crescermos e termos mais atletas, esse é o objetivo a nível nacional e nós, aqui ao nosso nível, também queremos trabalhar nesse sentido”. FP


Brisas do Atlântico 2014

Diário do Alentejo 6 junho 2014

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28.ª Escalada do Mendro

O município de Odemira promove no próximo dia 10 mais uma edição do evento multidisciplinar Brisas do Atlântico, iniciativa que conta anualmente com cerca de um milhar de participantes nas disciplinas de atletismo, pedestrianismo, BTT, cicloturismo e patinagem de velocidade. O atleta paraolímpico Jorge Pina abrilhanta esta edição.

BTT em Pias Um passeio guiado com a extensão de 20 quilómetros e duas provas de 45 e 75 quilómetros integram o menu competitivo do evento BTT em Pias marcado para a manhã do próximo domingo, com início às 9 horas.

Realiza-se neste domingo, pelas 10 horas, a 28.ª Escalada do Mendro, corrida com a extensão de 11 quilómetros entre a vila de Vidigueira e o Alto da Serra do Mendro. Em paralelo realiza-se uma caminhada (9 e 30 horas) e um conjunto de provas de atletismo para os escalões de formação. A organização pertence ao município de Vidigueira.

Pesca Desportiva em Milfontes O 1.º Open de Pesca Embarcada do Sudoeste Alentejano realiza-se amanhã, pelas 6 horas, no Portinho do Canal, em Vila Nova de Milfontes. O evento integra o programa da Feira Nacional do Turismo e Ambiente e de Natureza.

Fabril venceu XVIII Torneio Cidade de Beja em hóquei em patins

Uma época com avaliação positiva O Torneio Cidade de Beja em hóquei em patins sub/13, que levou ao pavilhão João Magalhães as equipas do Fabril, Sesimbra, Roller Lagos e CP Beja, foi um evento que antecipa o fecho da época desportiva. Texto e foto Firmino Paixão

V

ítor Luzia, presidente do Clube de Patinagem de Beja, afirmou: “Foi uma temporada difícil, mas contámos com a preciosa ajuda dos pais dos atletas, competimos nos escalões mais jovens nas provas da Associação de Patinagem do Alentejo e na Associação de Lisboa, o que, ao nível de competitividade, lhes permitiu fazerem mais jogos e terem uma evolução diferente. Foi uma época muito difícil, mas julgo que foi frutuosa para estes escalões mais jovens”. Quanto à manutenção da equipa sénior que disputa o Nacional da 3.ª Divisão, Luzia diz: “A ideia da direção do clube é que se mantenha, mas ainda

temos que conversar com toda a estrutura, treinadores e jogadores, para avaliarmos a possibilidade de mantermos a equipa em competição”. O dirigente acrescentou ainda: “Na patinagem artística ainda estamos a meio da época, tivemos recentemente os campeonatos regionais e vamos ter atletas presentes nos nacionais. Temos mais atletas, a avaliação é boa e esperemos que continue com esse crescimento”. A organização do tradicional Memorial João Magalhães deverá ocorrer no próximo dia 28, e sobre esse evento o presidente do clube recordou: “É um enorme prazer organizá-lo, lembrando um homem que era o rosto do hóquei em patins em Beja, é sempre gratificante, por isso vamos manter o memorial na forma como tem sido feito, tentaremos criar algumas novidades, dentro do moldes habituais, mas a ideia é integrar um pouco mais, e de uma forma simpática, o hóquei e a patinagem. Acima de tudo, será a festa

3.º lugar Equipa sub/13 do Clube de Patinagem de Beja

anual do Clube de Patinagem de Beja”. No intervalo dos jogos disputou-se um jogo da Taça AP Lisboa em benjamins entre o CP Beja e o Sporting de Torres, que

os visitantes venceram folgadamente (1/17). Resultados – Eliminatórias: C P B e j a- GD Fa br i l , 3 - 4 ; Sesimbra-Roller Lagos, 1-4.

Apuramento 3.º e 4.º lugares: CP Beja-Sesimbra, 3-2. Final: Fabril-Roller Lagos, 9-7.Classificação: 1.º GD Fabril. 2.º Roller Lagos. 3.º CP Beja. 4.º GD Sesimbra.

Francisco Fernandes despede-se amanhã do futebol na sua terra natal

Na hora da despedida... O futebol teve o justo encanto para Francisco Fernandes. Jogou em vários clubes da primeira linha do desporto nacional. Treinou e conquistou inúmeros títulos para os maiores clubes da região alentejana.

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Despedida Francisco Fernandes despede-se amanhã do futebol enquanto treinador

etribuiu ao futebol tudo que dele recebeu em termos de prestígio e boas vivências. Agora, aos 54 anos, Francisco Fernandes decidiu retirar-se e escolheu como palco da sua despedida o Campo José Agostinho de Matos, em Cabeça Gorda, sua terra natal, emblema que, por ironia do destino, nunca representou. Amanhã, sábado, a partir das 11 horas, a equipa do Ferróbico defrontará uma seleção de

jogadores que ao longo da sua carreira foram treinados por Francisco Fernandes, conjunto que ele próprio orientará. O resto da jornada será de convívio, de recordações de golos perdidos e de lances bem desenhados, tendo sempre como pano de fundo o tributo ao desportista íntegro, antigo internacional sub/19 que iniciou a sua carreira numa equipa de iniciados do Desportivo de Beja. O atleta prosseguiu a sua carreira na Zona Azul, camisola com que jogou na 1.ª divisão, antes de voltar ao Desportivo. O resto da sua carreira de jogador teve como percurso o Vitória de Setúbal, o Vasco da Gama de Sines, União da Madeira, Nacional da Madeira, Olhanense e União Sport Clube de Santiago

do Cacém. Pelo caminho ficaram vários títulos distritais, nacionais e diversas subidas de divisão. Como treinador estreou-se no Odemirense (título e subida à 3.ª Divisão), continuou no Ferreirense (título, Taça Distrito e subida à 3.ª divisão), Moura (outra vez título Taça Distrito e subida de divisão), Aljustrelense (título distrital e subida à 3.ª divisão, campeão nacional da 3.ª divisão e subida à 2.ª divisão), Vasco da Gama de Sines (subida à 3.ª e 2.ª divisões nacionais), Desportivo de Beja e Castrense (título distrital e Supertaça, subida à 3.ª divisão). Na hora da despedida, as emoções do futebol têm outro encanto. Que a festa seja bonita “Chico”, pelo menos, quanto merecida é.


Pedro Caixinha José Saúde

Centena e meia de congressistas debateram em Beja atividade física e desporto

Um debate enriquecedor Termina hoje, na cidade de Beja, o 3.º Congresso Ibérico de Atividade Física e Desporto, iniciativa do sub-departamento de Desporto da Escola Superior de Edução, do Instituto Politécnico de Beja. Texto e foto Firmino Paixão

O

certame, que reuniu centena e meia de congressistas dos dois países ibéricos, tem debatido, desde a última terça-feira, a “Atividade física e o desporto nos diversos contextos de ação”. Foram quatro dias de intenso debate, em painéis que passaram pela iniciação desportiva, pelo desporto para pessoas com deficiência,

a promoção de estilos de vida ativos, os novos desafios e oportunidades da atividade física e o desporto e a saúde. O último painel do congresso decorre esta manhã, versando, especificamente, o treino desportivo, com uma primeira apresentação de Paulo Paixão (docente da Escola Superior de Educação de Beja), e o tema “O efeito diferenciado do status do jogo nas sequências de passe das equipas de futebol de alto nível”. Os docentes Martin Diaz, Juan Torres e José Tierra, das universidades de Huelva e Granada, apresentarão o “Estudo de la estructura formal de la defensa en voleibol: Creación de uma herramienta ad doc para el análisis del juego”. O treinador João Vargas, cubense que

integra o departamento de formação do Sporting Clube de Portugal, abordará a “Organização e gestão de processos de treino e competição: A teoria que suporta a prática”. O painel encerra com uma apresentação de Óscar Tojo, adjunto do treinador Pedro Caixinha, no clube Santos Laguna, do México, que traz ao debate “A utilização de tecnologias no controlo do treino”. Antes da cerimónia de encerramento, marcada para as 18 e 30 horas, e como foi corrente ao longo destes quatro dias de trabalhos, realiza-se um último workshop sobre suporte básico de vida com a participação do médico José Luís Barriga e do enfermeiro Joaquim Brissos, da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo.

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Largo D. Nuno Álvares Pereira, 12 7800-018 Beja Tel. (+351) 284 327 602 Fax (+351) 284 327 604 Email geral@hospedariadonamaria.pt www.hospedariadonamaria.pt wwww.facebook.com/hospedariadonamaria

A afabilidade, amigável, que mantenho pelo menino que vi crescer e fazer-se homem, conduz-me a uma implícita narrativa desportiva, enaltecendo, com nobreza, o bejense Pedro Miguel Faria Caixinha. O seu passado como jogador foi mediano, todavia, o seu estrelato no futebol surgiria, mais tarde, numa vertente que o torna, hoje, como um dos excecionais treinadores portugueses. Pedro Caixinha, homem humilde, comeu, quiçá, o pão que o diabo amassou, sendo a sua formação como técnico uma dádiva e, sobretudo, uma recompensa pela sua irreversível afeição a uma causa pela qual sempre batalhou. Como guarda-redes defendeu as cores do Desportivo de Beja, Ferreirense e Portimonense. Academicamente licenciou-se na área desportiva, pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, fazendo, à posteriori, passagens por grandes clubes mundiais. Em Glasgow, na Associação Escocesa de Futebol, colheu distintas informações que o fi zeram rumar ao Manchester United, Real Madrid, Atlético de Madrid, Toulouse FC e Bristol City, donde adquiriu profícuos conhecimentos em curtos estágios. Fernando Santos, então treinador do Sporting, chamou-o para a sua estrutura técnica e José Peseiro, treinador dos leões de Alvalade, incorporou-o na equipa técnica. Como adjunto de Peseiro, Pedro Caixinha conheceu a realidade de outras agremiações futebolísticas. AlHilal, Panathinaikos, Rapid de Bucuresti e a seleção da Arábia Saudita, são exemplos esclarecedores. Antes desta irrepreensível viagem, só possível aos verdadeiros dotados, Pedro Caixinha, treinou as camadas jovens do Desportivo de Beja e a equipa sénior do Vasco da Gama de Vidigueira. Um dia, o técnico bejense, libertou-se do contexto de adjunto e no União de Leiria, escalão principal do futebol português, estreou-se como treinador supremo, passando pelo Nacional da Madeira e assumindo, em 2012, o comando técnico do Santos Languna, México. Aos 43 anos, Pedro Caixinha, foi, justamente, um dos homenageados pela Câmara Municipal de Beja com a medalha de Mérito Desportivo, no pretérito dia 29 de maio. Parabéns, Pedro!

Diário do Alentejo 6 junho 2014

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saúde

22 Diário do Alentejo 6 junho 2014

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Consultas :de segunda a sexta-feira, das 9 e 30 às 19 horas Rua de Mértola, nº 43 – 1º esq. Tel. 284 321 304 Tm. 925651190

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Marcações pelo telefone 284321693 ou no local

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Horários das 8 às 18 horas; Acordo com beneficiários da Previdência/ARS; ADSE; SAMS; CGD; MIN. JUSTIÇA; GNR; ADM; PSP; Multicare; Advance Care; Médis FAZEM-SE DOMICÍLIOS Rua de Mértola, 86, 1º Rua Sousa Porto, 35-B Telefs. 284324157/ 284325175 Fax 284326470 7800 BEJA

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CENTRO DE IMAGIOLOGIA DO BAIXO ALENTEJO TOMOGRAFIA COMPUTORIZADA (TAC) ECOGRAFIA MAMOGRAFIA ECO DOPPLER RADIOLOGIA DENTÁRIA Médicos Radiologistas António Lopes / Aurora Alves Helena Martelo / Montes Palma Médica Neuroradiologista Alda Jacinto Médica Angiologista Helena Manso Convenções:

ULSBA (SNS) ADSE, ACS-PT, SAD-GNR, CGD, MEDIS, SSMJ, SAD-PSP, SAMS, SAMS QUADROS, ADMS, MULTICARE, ADVANCE CARE Marcações: Tel. 284318490 Tms. 960284030 ou 915529387 Horário: de 2ª a 6ª feira, das 8 às 19 horas e aos sábados, das 8 às 13 horas Av. Fialho de Almeida, nº 2 7800 BEJA

Dr. Sidónio de Souza – Pneumologia/Alergologia/ Desabituação tabágica – H. Pulido Valente Dr. Fernando Pimentel – Reumatologia – Medicina Desportiva – Instituto Português de Reumatologia de Lisboa Dr.ª Verónica Túbal – Nutricionismo – H. de Beja Dr.ª Sandra Martins – Terapia da Fala – H. de Beja Dr. Francisco Barrocas – Psicologia Clínica/Terapia Familiar – Centro Hospitalar do Baixo Alentejo. Dr. Rogério Guerreiro – Medicina preventiva – Tratamento inovador para deixar de fumar Dr. Gaspar Cano – Clínica Geral/ Medicina Familiar Dr.ª Nídia Amorim – Psicomotricidade/Educação Especial e Reabilitação Dr. Sérgio Barroso – Especialista em Oncologia – H. de Beja Drª Margarida Loureiro – Endocrinologia/Diabetes/ Obesidade – Instituto Português de Oncologia de Lisboa Dr. Francisco Fino Correia – Urologia – Rins e Vias Urinárias – H. Beja Dr. Daniel Barrocas – Psiquiatria – Hospital de Évora Dr.ª Lucília Bravo – Psiquiatria H.Beja , Centro Hospi-talar de Lisboa (H.Júlio de Matos). Dr. Carlos Monteverde – Medicina Interna, doenças de estômago, fígado, rins, endoscopia digestiva. Dr.ª Ana Cristina Duarte – Pneumologia/Alergologia Respiratória/Apneia do Sono Dr.ª Isabel Santos – Psiquiatria de Infância e Adolescência/ Terapeuta familiar – Centro Hospitalar do Baixo Alentejo Dr.ª Paula Rodrigues – Psicologia Clínica – Hospital de Beja Dr.ª Luísa Guerreiro – Ginecologia/Obstetrícia Dr. Luís Mestre – Senologia (doenças da mama) – Hospital da Cuf – Infante Santo Dr. Jorge Araújo – Ecografias Obstétricas Dr.ª Ana Montalvão – Hematologia Clínica /Doenças do Sangue – Hospital de Beja Dr.ª Ana Cristina Charraz – Psicologia Clínica – Hospital de Beja Dr. Diogo Matos – Dermatologia – Hospital Garcia da Orta. Dr.ª Madalena Espinho – Psicologia da Educação/ Orientação Vocacional Dr.ª Ana Margarida Soares – Terapia da Fala Dr.º Ricardo Lopes – Consulta de Gastrenterologia e Proctologia - Endoscopia e Colonoscopia Dr.ª Joana Leal – MedicinaTradicional Chinesa/Acupunctura e Tuina. Enfermeira Maria José Espanhol – Enfermeira especialista em saúde materna/Cuidados de enfermagem na clínica e ao domicílio/Preparação pré e pós parto/amamentação e cuidados ao recém-nascido/Imagem corporal da mãe – H. de Beja Marcações diárias pelos tels. 284 322 503 Tm. 91 7716528 | Tm. 916203481 Rua Zeca Afonso, nº 6, 1º B, 7800-522 Beja Clinipaxmail@gmail.com www.clinipax.pt

23 Diário do Alentejo 6 junho 2014

Clínica Médico-Dentária de S. FRANCISCO, LDA. Gerência de Fernanda Faustino Acordos: SAMS, ADMG, PSP, A.D.M.E., Portugal Telecom e Advancecare Rua General Morais Sarmento, nº 18, r/chão; TEL. 284327260 7800-064 BEJA


necrologia diversos

24 Diário do Alentejo 6 junho 2014

Vila de Frades AGRADECIMENTO

Vidigueira AGRADECIMENTO

Francisco António Oliveira Carrujo

Maria Teresa Nifrário Nasceu a 19.01.1926 Faleceu a 29.05.2014

Nasceu a 20.02.1925 Faleceu a 01.06.2014 Sua família, na impossibilidade de o fazer pessoalmente, agradece por este meio a todas as pessoas que o acompanharam à sua última morada ou que de outro modo manifestaram o seu pesar.

Sua família, na impossibilidade de o fazer pessoalmente, agradece por este meio a todas as pessoas que a acompanharam à sua última morada ou que de outro modo manifestaram o seu pesar.

AGÊNCIA FUNERÁRIA ESPÍRITO SANTO, LDA.

AGÊNCIA FUNERÁRIA ESPÍRITO SANTO, LDA.

Tm.963044570 – Tel. 284441108 | Rua Das Graciosas, 7 | 7960-444 Vila de Frades/Vidigueira

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Serpa PARTICIPAÇÃO E AGRADECIMENTO

Serpa PARTICIPAÇÃO E AGRADECIMENTO

Francisco António Palma de Oliveira

Ana Elisa Camacho

Nasceu a 28/11/1938 Faleceu a 28/05/2014 Esposa, filho, irmão, sobrinhos e restante família cumprem o doloroso dever de participar o falecimento do seu ente querido e na impossibilidade de o fazerem individualmente vêm por este meio agradecer a todas as pessoas que o acompanharam à sua última morada ou que de outra forma manifestaram o seu pesar.

Nasceu a 12/06/1933 Faleceu a 29/05/2014 Filho, netas, irmãos, sobrinhos e restante família cumprem o doloroso dever de participar o falecimento da sua ente querida e na impossibilidade de o fazerem individualmente vêm por este meio agradecer a todas as pessoas que a acompanharam à sua última morada ou que de outra forma manifestaram o seu pesar.

AGÊNCIA FUNERÁRIA SERPENSE, LDA Gerência: António Coelho Tm. 963 085 442 – Tel. 284 549 315 | Rua das Cruzes, 14-A – 7830-344 SERPA

Beja – Algodor AGRADECIMENTO E MISSA 30.º DIA

Serpa MISSA

Vidigueira MISSA

José Domingues Branco

Joaquim da Graça Leandro

MISSA

José Elias Leandro 6.º Mês de Eterna saudade

1.º Ano de Eterna Saudade Sua esposa e mãe, filhos e irmãos, neta e sobrinha, nora e cunhada, participam a todas as pessoas de suas relações e amizade que será celebrada missa pelo eterno descanso dos seus entes queridos (pai e filho) no dia 13-06-2014, sexta-feira, às 18 horas, na igreja de Salvador, em Serpa, agradecendo desde já a todos os que se dignarem a comparecer.

Mário Rui Vieira Guerreiro 16/06/2006 Partiste cedo demais Jamais te esqueceremos O amor é mais forte que a morte E o nosso amor por ti será eterno Descansa em paz A família informa que será celebrada missa pelo eterno descanso do seu ente querido, no dia 16/06/2014, segunda-feira, pelas 18 horas, na igreja da Misericórdia, em Vidigueira, agradecendo desde já a todos os que se dignarem assistir ao piedoso ato.

Faleceu em 11/05/2014 Sua esposa, filhos e restante família vêm por este meio agradecer a todas as pessoas que o acompanharam à sua última morada ou que de outra forma manifestaram o seu pesar e participam que se realiza missa no dia 11/06/2014, às 18 e 30 horas, na igreja do Carmo, em Beja, e no dia 13/06/2014, às 19 horas, na igreja de Algodor. Agradecem também a todas as pessoas que nelas compareçam.

D. Emília Correia Pereira 1.º Ano de Eterna Saudade Seu esposo par ticipa a todas as pessoas de suas relações e amizade que será celebrada missa pelo eter no descanso da sua ente querida no dia 11 de j u n h o, q u a r ta - fe i ra , p e las 19 horas, na igreja do Salvador, em Beja.


necrologia institucional diversos Diário do Alentejo n.º 1676 de 06/06/6014 Única Publicação

25 Diário do Alentejo 6 junho 2014

Diário do Alentejo n.º 1676 de 06/06/2014 Única Publicação

JUSTIFICAÇÃO

CORO DE CÂMARA DE BEJA

Cartório Notarial de Beja, Rua Conde da Boavista, n° 20 Notária: Lic Mariana Raquel Tareco Zorrinho Vieira Lima

ASSEMBLEIA GERAL CONVOCATÓRIA Ao abrigo da alínea a) do artº 4º dos Estatutos, convoco a Assembleia Geral dos associados do Coro de Câmara de Beja, para se reunir em sessão ordinária e em 1ª convocatória no próximo dia 16 de Junho, pelas 20 horas, na Sala de Ensaios, sita na ex-Escola Alemã, com a seguinte ORDEM DE TRABALHOS: 1. Assuntos de interesse para a Colectividade . 2. Plano de Actividades para 2014 3. Discussão e votação do Relatório e Contas de 2013 Se, à hora indicada, não existir «quorum», a Assembleia reunirá 1 hora mais tarde, com qualquer número de presentes. Beja e Sede Social, 01 de Junho de 2014. O Presidente da Mesa da Assembleia Geral Pedro Camilo de Araújo Lima de Vasconcelos

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Certifico narrativamente, para efeito de publicação que, neste cartório e no livro de notas para escrituras diversas número 106-A, de folhas 12 a folhas 15, se encontra exarada uma escritura de justificação notarial, outorgada hoje, na qual Matilde da Cruz Romeira dos Reis, NIF 123265657, natural da freguesia e concelho de Mértola, casada com José Pedro Morais dos Reis, sob o regime da comunhão de adquiridos, residente no lugar de Corvos, freguesia e concelho de Mértola; Rui Manuel Romeira, divorciado, NIF 118081870, natural da freguesia e concelho de Mértola, residente na Rua Professor Joaquim Vicente França, número 98, terceiro andar esquerdo, em Verderena, concelho do Barreiro e Fabrício Porfírio da Encarnação Romeira, NIF 118.469.932, natural da freguesia e concelho de Mértola, casado com Francisca Ramos Afonso Romeira, sob o regime da comunhão de adquiridos, residente na Praceta Quinta da Vinha, lote 3, quarto andar, esquerdo, Cruz de Pau, Amora, Seixal, se declararam com exclusão de outrem, donos e legítimas possuidores do seguinte imóvel: Prédio urbano, sito em Corvos, na freguesia e concelho de Mértola, destinado a habitação, composto por dois compartimentos, com a superfície coberta de trinta e quatro metros quadrados, a confrontar pelo Norte, Sul e Poente com via pública e pelo Nascente com Filipe José; inscrito na matriz respetiva, em nome de José dos Santos Romeira e de Manuel da Assunção Romeira sob o artigo 1005; 1- O mencionado prédio está descrito na Conservatória do Registo Predial de Mértola sob o número quatro mil cento e oitenta e dois de vinte e quatro de julho de dois mil e doze, com a aquisição aí registada a favor da Fazenda Nacional pela inscrição resultante da apresentação um de vinte e um de julho de mil novecentos e trinta e nove. 2- Que o referido prédio foi por eles adquirido por sucessão na posse exercida por Felismina Maria da Cruz e João d’Assunção Romeira, casados sob o regime da comunhão geral de bens, já falecidos, com última residência habitual em Corvos, concelho de Mértola, os quais deixaram como únicos herdeiros seus filhos Matilde da Cruz Romeira dos Reis, Rui Manuel Romeira e Fabrício Porfírio da Encarnação Romeira. 3- Os referidos João d’Assunção Romeira e mulher Felismina Maria da Cruz entraram na posse do citado prédio em data que a primeira outorgante e seus constituintes não podem precisar, no ano de mil novecentos e quarenta e sete, por doação verbal e não titulada, feita pelos irmão e cunhada de João d’ Assunção Romeira, respetivamente José dos Santos Romeira e mulher Maria José Guerreiro, já falecidos. 4- Desde essa altura e durante mais de sessenta anos, João d’ Assunção Romeira e mulher Felismina Maria da Cruz usaram e fruíram do identificado prédio, como seus únicos donos e legítimos proprietários, dele fazendo a sua residência. 5. O que fizeram ininterruptamente, à vista e conhecimento de toda a gente, sem oposição de ninguém, na convicção de exercerem direito de propriedade, sendo por isso uma posse pacífica, contínua e pública, tendo estes adquirido o prédio por usucapião. Que por sua vez os referidos José dos Santos Romeira e mulher Maria José Guerreiro, tinham adquirido o prédio por arrematação ao Estado em três de fevereiro de mil novecentos e quarenta e sete, conforme termo de arrematação número cento e sete do ano de mil novecentos e quarenta e sete. Que esta posse, em nome próprio, pacífica, contínua e pública, conduziu à aquisição do imóvel por usucapião, que incovam, justificando o seu direito de propriedade para efeitos de registo, dado que essa aquisição não pode ser comprovada por qualquer outro título formal extrajudicial. Está conforme o original na parte a que me reporto. Beja, vinte e um de maio de dois mil e catorze. A Notária Mariana Raquel Tareco Zorrinho Vieira Lima

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MINISTÉRIO DO AMBIENTE, ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO E ENERGIA DIREÇÃO GERAL DE ENERGIA E GEOLOGIA EMPRESA MUNICIPAL DE ÁGUA E SANEAMENTO DE BEJA, E.M.

ANÚNCIO ALIENAÇÃO DE VIATURAS Para os devidos efeitos torna-se público que a Empresa Municipal de Água e Saneamento de Beja, E.M., pretende alienar por venda do seu património a seguinte viatura:

O valor base de venda é o que consta da tabela acima referida, tem IVA incluído à taxa legal em vigor. Mais se torna público que podem ser entregues na sede da referida Empresa, sita na Rua Conde da Boavista, nº.16 -7800 Beja, propostas de compra, em carta fechada, no prazo de oito dias úteis a contar do primeiro dia útil após a publicação deste aviso no jornal. O veículo encontra-se exposto no Parque Operacional da EMAS, E.M., para visita, em dias úteis, entre as 7h30m às 19 horas. Empresa Municipal de Água e Saneamento de Beja, E.M., aos 21 de maio de 2014. O Director Executivo Francisco Caixinha

AVISO Faz-se público, nos termos e para efeitos do n.º 1 do artigo 6° do Decreto-Lei n.º 88/90 de 16 de março e do n.º 1 do art.º 1.º do Decreto-Lei n.º 181/70, de 28 de abril, que EDM – Empresa de Desenvolvimento Mineiro, S.A., requereu a atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de depósitos minerais de cobre, chumbo, zinco, ouro, prata e outros minerais metálicos, numa área “São Pedro das Cabeças, localizada nos concelhos de Aljustrel, Castro Verde e Ourique, distrito de Beja, delimitada pela poligonal cujos vértices se indicam seguidamente, em coordenadas no sistema (European Terrestrial Reference System 1989) PT-TM06/ETRS89: Área total do pedido: 133,070 km2

Convidam-se todos os interessados a apresentar reclamações, ou a manifestarem preferência, nos termos do n.º 4 do art.º 13.° do Decreto-Lei 90/90, de 16 de março, por escrito com o devido fundamento, no prazo de 30 dias a contar da data da publicação do presente. O pedido está patente para consulta, dentro das horas de expediente, na Direção de Serviços de Minas e Pedreiras da Direção-Geral de Energia e Geologia, sita na Avª 5 de Outubro, 87-5.º Andar, 1069-039 LISBOA, entidade para quem devem ser remetidas as reclamações. O presente aviso e planta de localização estão também disponíveis na página eletrónica desta Direção-Geral. 16 de maio de 2014. O Diretor-Geral, Pedro Henriques Gomes Cabral


Novas colheitas Monte Mayor Branco e Solista Verdelho ideais para refrescar os dias de verão

Diário do Alentejo 6 junho 2014

26

A Adega Mayor acaba de lançar no mercado as novas colheitas Monte Mayor Branco e Solista Verdelho 2013. Dois vinhos excelentes prontos a saborear a cada copo neste verão. O Monte Mayor Branco 2013 e o Solista Verdelho 2013 prometem dar uma nova frescura aos dias mais quentes deste verão. De salientar que estes e outros vinhos da adega encontram-se na loja on line http://loja.adegamayor.pt, nas lojas da especialidade e nas lojas Delta Q, pelo valor de 7,28 e 8,49 euros respetivamente.

Empresas

Chefe Pedro Mendes volta a inovar e surpreender no Alentejo Depois de um arriscado menu de degustação com conservas de peixe, o chefe Pedro Mendes voltar a inovar e a surpreender no Alentejo. É a vez das algas marinhas subirem à ribalta da mesa do Narcissus Fernandesli, o restaurante do Alentejo Marmòris Hotel & Spa. Um ingrediente improvável que vai reinar em cinco pratos de um menu onde acrescem duas sobremesas, sendo que o mesmo encontrar-se-á disponível apenas nos meses de junho e julho e mediante pré-reserva de 24 horas com um valor de 65 euros, que inclui vinhos da seleção do chefe. Como entradas Pedro Mendes sugere uromakis e futomakis variados e ostra do Algarve numa gelatina fresca de alface do mar. Os pratos principais são dois: fritos de lulas do Algarve e canelones de espada preto com kombu. Passando às sobremesas, a oferta é a dobrar com uma pré-sobremesa surpresa e um Marmòris: chocolate em três texturas com farelo de avelã. De referir que este é o segundo dos quatro menus de degustação temáticos de 2014.

Taip Ta pa de de piillãão o: “U “Umaa ttéc éccni n ccaa an ncceessttrral ral utilililiz ut izzad da na n a co on nsttru ruçã çã o d dee par ared edes es e murro mu os, s, ap prreessen nttaa uma ma bel elez eza natu natu na tura raall ra ím ímpa mpaar e um m exc xcel eleen nttee deessem empe empe pe n nh ho func fu ncio i on naal al aq aqua qua uand uand ndo o reesult sulttad su ado fi f nal” naal” l.

Construção com base na técnica de taipa de pilão aumentará capacidade produtiva da adega

Herdade do Esporão constrói nova adega Localizada em pleno Alentejo, em Reguengos de Monsaraz, a herdade do Esporão, uma empresa familiar, está neste momento a construir uma nova adega de lagares com base na técnica da taipa de pilão. Publirreportagem Sandra Sanches

A

herdade do Esporão, uma referência nacional e internacional na produção de vinhos e azeites que marcam pela diferença, carateriza-se pela sua forte aposta na inovação, assim como pela excelência da qualidade dos seus produtos. Recentemente avançou com mais uma inovação: a edificação de uma adega de lagares com a particularidade de as paredes serem construídas segundo a técnica ancestral da taipa de pilão. Uma técnica utilizada na construção de paredes e muros que resulta em várias vantagens para esta nova adega, nomeadamente na estabilização das condições térmicas no interior da adega, bem como a estabilização dos vinhos de topo de gama e a criação de condições para o estágio dos mesmos e na manutenção de uma temperatura interior regular ao longo do ano, sem que seja necessário recorrer à climatização artificial, para não falar da poupança na fatura energética. Uma estrutura resistente e durável permitirá ainda que a adega respire,

facilitando assim a criação de melhores condições climatéricas no interior da mesma. Filipe Caetano, diretor de marketing do Esporão, adianta que “a construção desta nova adega surge da necessidade de dispor de um espaço para produção de vinhos Premium com condições climatéricas singulares e de baixo custo económico, utilizando matéria-prima abundante na região como o caso da terra e da argila”. Mas este projeto não tem apenas como objetivo a preservação das condições climatéricas dos vinhos da herdade. O projeto assenta ainda na recuperação de técnicas produtivas tradicionais como a pisa a pé e a produção de vinho em talha. Porque a missão do Esporão também se traduz na preservação, riqueza e complexidade do meio envolvente e da região, a opção por esta técnica que está em desuso parece ser bastante importante para a herdade, pelo que Filipe Caetano refere ser importante “passá-la às gerações futuras com um legado único”. Sem dúvida que a aposta desta nova adega, cuja área ronda os 515 metros quadrados, aumentará a sua capacidade produtiva, mas para o diretor de marketing este não é um objetivo prioritário, mas sim “produzir vinhos de elevada qualidade”. Com uma gama alargada de vinhos que percorre todos os segmentos

de mercado, desde os vinhos Alandra, gama de entrada, até vinhos Premium, como Torre Esporão Private Selection e Esporão Reserva, assim como os azeites da herdade, o consumidor final é, sem dúvida, aquele que procura a qualidade e os sabores típicos da região do Alentejo. A adega estará concluída já na próxima vindima (agosto e setembro) e durante a fase de produção a herdade pretende envolver a comunidade local, com foco nas escolas e grupos que integrem jovens com a missão de transmitir a riqueza cultural da região e as técnicas seculares que estão a desaparecer por falta de continuidade. E falando em inovação, esta parece ser uma das características que marca pela diferença no Esporão. Recentemente foi lançado no mercado uma novidade: as novas colheitas de brancos e tintos do Esporão Reserva e Esporão Private Selection, que apresentam rótulos exclusivos com a assinatura do artista plástico português Alberto Carneiro, uma edição exclusiva que mereceu a melhor atenção em 2013 no mercado angolano. No mercado também já se encontram disponíveis dois novos vinhos produzidos na propriedade do Esporão na região do Douro, a quinta dos Murças, que dá continuidade ao projeto dos vinhos Assobio.

Vinhos da Ervideira distinguidos em Portugal e no Brasil O produtor vitivinícola alentejano Ervideira, situado no concelho de Évora, divulgou esta semana que dois dos seus vinhos conquistaram distinções, num concurso realizado no Brasil e numa mostra em Portugal. O Conde D’Ervideira Private Selection Tinto integrou a lista dos “Top Five – Vinhos Tintos do Velho Mundo” na Expovinis, no Brasil, enquanto o Vinha D’Ervideira Rosé 2013 venceu uma medalha de prata na VI Grande Mostra de Vinhos Nacionais, que decorreu em Albufeira. “Estes dois vinhos são representativos do que a Ervideira faz de melhor” e “a participação nestas feiras e concursos permite-nos uma maior visibilidade, tanto no mercado nacional como no mercado internacional”, referiu o diretor executivo da Ervideira, Duarte Leal da Costa.

Turismo do Alentejo certifica 11 restaurantes da região A Entidade Regional de Turismo do Alentejo certificou mais 11 restaurantes da região com o selo do projeto Alentejo Bom Gosto. O projeto, que visa valorizar o receituário e os produtos do Alentejo e garantir a qualidade do serviço e da informação sobre os produtos endógenos aos turistas, consolidando o produto turístico gastronomia e vinhos, já sinalizou 21 restaurantes. Para a certificação foram avaliadas a confeção de receitas alentejanas, a utilização de ingredientes endógenos, a decoração, o serviço e a carta de vinhos. A Turismo do Alentejo considera “a certificação dos restaurantes e o projeto onde esta se insere uma garantia de qualidade e uma importante alavanca promocional para os agentes do sector”.

Empresas de Ferreira desenvolvem programa local de responsabilidade social Realizou-se no passado dia 29 de maio, na herdade do Vale da Rosa, a cerimónia de assinatura de vários protocolos de responsabilidade social promovidos exclusivamente pelo tecido empresarial do concelho de Ferreira do Alentejo. O projeto, que visa responder a três necessidades identificadas na região: boas práticas de envelhecimento ativo, um banco de ajudas técnicas e um projeto que visa a prevenção da toxicodependência, tem a duração de um ano, um custo de 15 000 mil euros cada e será financiado na íntegra pelo tecido empresarial do concelho. Segundo António Silvestre, administrador da herdade Vale da Rosa, o desenvolvimento deste projeto “é uma prova concreta que o tecido empresarial de Ferreira do Alentejo está a exercer a sua responsabilidade social no concelho”.


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A Biblioteca Municipal de Mértola promove mais um Sábado em Família amanhã, 7, às 16 e 30 horas, com uma sessão de contos com Luzia do Rosário. A iniciativa pretende juntar pais e filhos em atividades de promoção de leitura.

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Sábado em família na Biblioteca Municipal de Mértola

Pais Porque o tempo já pede um gelado, por que não fazer em casa com iogurtes? Podem ainda adicionar fruta.

Passo a passo Já todos experimentámos fazer pompons com uma ou mais cores, mas hoje, e durante algumas semanas, vamos ensinar-te a criar novos e divertidos personagens. O leão toma conta desta semana.

À solta Volta e meia vemos a criançada com umas tatuagens tipo autocolante, por isso resolvemos trazer para a tua página o projeto ink’d que pertence a um coletivo de artistas que se chama Urban Graphic e também não são tatuagens permanentes.

A páginas tantas... Hoje sinto-me… Espacila, Único, Audaz, Baralhado, Curioso… Cada dia é uma aventura emocional. Ao longo deste abecedário dos sentimentos, acompanhamos a nossa personagem e o que ela vai sentindo, letra a letra, de A a Z. As ilustrações de Madalena Moniz, pintadas a aguarela e a tinta-da-china, associam-se às emoções descritas, captando a sua complexidade e poesia.

Começas por enrolar as cores que correspondem ao nariz, neste caso o rosa, preto e, por cima do preto, o branco. De seguida vamos começar a enrolar a cor amarela que corresponde à cabeça do nosso leão. Quanto mais lã tiver mais fofo fica o teu pompom. Não te esqueças de juntar umas voltas de lã preta que serão os olhos. Por último, e apesar de parecer complicado, não é. Os lápis ou canetas vão funcionar como se fossem uma rodela exterior e é o que depois de cortar dará lugar à juba. A primeira impressão pode não ser das melhores. Parece mesmo que o teu leão acabou de acordar e está todo despenteado. E é isso mesmo com a ajuda da tesoura vais ter de aparar melhor os fios para que ele fique bem para a fotografia.


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Letras Álvaro Cunhal – O homem e o mito

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Boa vida Comer Lombo de porco assado no forno Ingredientes para 4 pessoas: 1 kg. de lombo de porco; 4 cebolas médias; 4 dentes de alho; 100 gr. de banha de porco; 1 dl. de azeite; 4 dl. de vinho branco; 1 folha de louro; 1 colher de chá com colorau; q.b. de sal grosso. Confecção: Numa taça coloque alho picado, sal, vinho branco, azeite e a banha derretida. Envolva tudo e barre o lombo. Deixe repousar durante três horas no frigorífico. Num tabuleiro de ir ao forno, coloque cebolas cortadas em meias luas grossas e a folha de louro. Por cima coloque o lombo de porco, a marinada e polvilhe com o colorau. Leve ao forno a 160ºC durante mais ou menos 1 hora e 15 minutos regando com um pouco de água, se necessário. Acompanhe com uma salada temperada a seu gosto e bom apetite…

Toiros Santiago do Cacém: Rouxinol soma e segue

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ntegrada na Santiagro, realizou-se no passado domingo, 1, uma corrida de toiros em Santiago do Cacém, com a presença dos cavaleiros Luís Rouxinol, Tito Semedo e Sónia Matias, com as pegas a ficarem a cargo dos amadores de Moura, Cascais e Beja.

Ter Luís Rouxinol a abrir praça é sinónimo de espetáculo garantido desde o primeiro minuto, e já começam a faltar palavras para qualificar o momento que Rouxinol atravessa na sua carreira.

António Nobre Chefe executivo de cozinha – Hotéis M’AR De AR, Évora

Lidou-se um curro de Ascensão Vaz, cómodo e colaborador, à exceção do terceiro da ordem, a pedir mais contas aos seus opositores. Ter Luís Rouxinol a abrir praça é sinónimo de espetáculo garantido desde o

primeiro minuto, e já começam a faltar palavras para qualificar o momento que Rouxinol atravessa na sua carreira. Melhor no primeiro, com uma lide muito a seu estilo, variada e a chegar ao público. A segunda lide voltou a ser de êxito para o cavaleiro de Pegões, o grande triunfador desta tarde. Tito Semedo teve duas atuações corretas, mas melhor a primeira. Pena, por vezes, o cavaleiro de Santana da Serra pecar no momento da colocação da ferragem. Isso notou-se com o cavalo de seu ferro, o “Vereador”, um extraordinário cavalo de toureio, que vai dar que falar, a dobra-se bem com o toiro, praticamente cara a cara, mas depois a faltar algo mais… Sónia Matias teve pela frente o maior toiro da tarde, o terceiro da ordem, mas Sónia não se atemorizou e com a galhardia que lhe é característica deu a volta por cima e terminou em bom plano. No que fechou a tarde, Sónia optou por uma lide mais pautada, a dar vantagens ao oponente e a conseguir outra boa prestação. Nas pegas a tarde foi praticamente tranquila, com os grupos a darem oportunidades aos forcados menos rodados, assim, pelo Real Grupo de Moura, foram eleitos para bater as palmas aos toiros os forcados Rui Branquinho, à segunda, e Gonçalo Guerreiro, à primeira. Por Cascais, foram eleitos Paulo Loução, a reaparecer após lesão, e Rui Trindade, ambos sem problemas à primeira tentativa. Por Beja, o já experiente Guilherme Santos foi para a cara do tal terceiro da tarde e consumou à segunda tentativa. Fechou praça o jovem Francisco Patanita, numa estreia em praça, e que consumou à primeira tentativa. Perante meia casa preenchida, a corrida foi dirigida pelo delegado técnico tauromáquico João Cantinho, assessorado pelo médico veterinário Feliciano Reis. Vitor Morais Besugo

um país em que as biografias não são um género privilegiado, que Álvaro Cunhal, antigo dirigente do PCP, seja uma das figuras mais biografadas é significativo. Se a biografia em três volumes (os primeiros dos quais publicados ainda em vida de Cunhal e alvo de crítica por ele) de Pacheco Pereira foi precursora e se impôs pelo estudo que denota (e também pelas análises críticas do autor), mais recentemente aquela escrita por Adelino Cunha (Álvaro Cunhal: Retrato Pessoal e Íntimo, 2010) inovou revelando o político na sua intimidade. Poder-se-ia pensar que com estas e outras biografias existentes estaria esgotado o interesse por outra obra neste registo. Porém, tal como o fez com a série televisiva “Maior que o pensamento”, sobre a vida e obra de José Afonso, o jornalista e escritor Joaquim Vieira mostra que não, que quando julgamos que já foi tudo dito e mostrado, uma investigação rigorosa e aprofundada é capaz de revelar novas perspetivas. É isso e ainda mais que sucede com esta biografia, desde logo com o interesse adicional de tratar-se de uma biografia (profusamente) ilustrada com fotos da vida de Cunhal, na sua esfera pública, sobretudo, mas também na esfera privada. O resto é feito pela escrita, clara e f luída, de Vieira, mas também pelo seu conhecimento profundo da história do século XX em Portugal. Vieira, que desde há décadas trabalha com alguns dos investigadores portugueses mais empenhados e qualificados para estudar a história contemporânea – Irene Pimentel, Prémio Pessoa 2007, é uma das colaboradoras em projetos de Vieira como o documentário “Salazar e Franco: irmãos ibéricos” – não será hoje (como Joaquim Furtado revelou ser com a realização de “A guerra” ou Diana Andringa com as suas reportagens e documentários) um investigador com um contributo fundamental para combater o tal “medo de existir” português diagnosticado por José Gil? Creio que sim. Esta biografia de Cunhal, que olha o homem e procura analisar criticamente a sua estatura mítica, comprova-o e faz desta uma obra de referência. Maria do Carmo Piçarra

Joaquim Vieira Objetiva 336 págs. 22,90 euros


Filatelia Carimbos numéricos em novo catálogo

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m edição do Clube Filatélico de Portugal (CFP), acaba de ser publicado o Catálogo dos Carimbos Numéricos Volantes cujo autor, Joaquim Cortes, é um dos grandes colecionadores deste tipo de marcas postais. Apesar de não serem muitos os colecionadores deste tipo de carimbos, esta é uma obra cuja falta se fazia notar. Para a elaboração de um estudo mais aprofundado sobre este tema, os marcofilistas careciam de apoio bibliográfico, pois a bibliografia existente é pouca para quem quiser aprofundar o estudo. Dá-se assim uma achega para menorizar este óbice. O carimbo numérico é o vulgar carimbo dos correios, no qual o nome da localidade foi substituído por um número. O carácter temporário deste tipo de carimbos, geralmente com um uso muito limitado no tempo, com todo o cortejo de dificuldades atrás de si, para os conseguir, é, talvez, o principal motivo pelo qual o seu colecionismo não é dos mais apelativos. O seu próprio nome, “volante”, dá-nos a ideia da sua temporalidade volátil; mesmo muito volátil, pois a sua utilização muitas vezes demora escassas horas, muitas vezes apenas duas ou três. A divulgação do seu uso, quer ao público em geral, quer aos filatelistas, devido à própria finalidade do carimbo, é inexistente. A sua utilização deve-se unicamente à necessidade momentânea de substituir, devido aos mais variados motivos, uma das vulgares marcas do dia de qualquer estação de correio. Esta substituição é sempre temporária e acontece ou pelo seu extravio, ou pela sua inutilização ou ainda pela necessidade de “encabeçar” uma marca já muito desgastada pelo seu uso intensivo, o que a torna de difícil leitura. Para além da sua normal utilização numa estação de correio, este tipo de carimbos também foi muito usado em PUB

postos temporários de correio, que funcionaram junto dos mais diversos eventos, quer filatélicos, quer de qualquer outra natureza, nomeadamente feiras e congressos.

O seu colecionismo é pois extremamente difícil, pois é impossível prever que determinado carimbo vai ser usado em determinado tempo e lugar e os correios também nunca informam que ele esteve em uso neste ou naquele lugar, nesta ou naquela data. A única exceção poderá acontecer aquando da realização de eventos filatélicos junto dos quais se prevê que irá funcionar um posto temporário de correio e, mesmo aqui, cabe ao marcofilista (o colecionador de marcas postais) indagar junto das comissões organizadoras das exposições se está prevista, ou não, a utilização de uma marca de dia deste tipo. O estudo destas marcas postais, ao longo do tempo, tem interessado alguns dos nossos investigadores em história postal, nomeadamente A. Guedes de Magalhães, George Pearson, Isabel Viera, Armando Teixeira e Sá Machado. Este último autor editou, há mais de 30 anos, um catálogo para o estudo deste tipo de carimbos e que já vai na sua 5.ª edição. Como é natural, com um uso tão longo no tempo e no espaço, há imensas variedades tanto no esqueleto como no tipo de letra de cada uma das marcas. Quanto ao esqueleto, todos estes autores criaram vários tipos e subtipos. Não foi esta a opção do autor do presente trabalho. Joaquim Cortes optou por criar um tipo para cada uma das 22 variedades (tipos) que identificou. Quanto ao diâmetro, o autor chama a atenção, dizendo que uma diferença de alguns mícrons pode ficar a dever-se ao facto de o carimbo estar ou não bem “batido” e também à limpeza da sua “cabeça”. Diz Joaquim Cortes que “há rumores” da utilização deste tipo de carimbos em ambulâncias ferroviárias, porém, o autor, não conhece nenhuma correspondência que inequivocamente esteja nesta situação. Pelo contrário, há registos do seu uso em auto ambulâncias (rodoviárias) e rulotes CTT, estas últimas habitualmente colocadas em locais de grande afluência turística. Está pois de parabéns o seu autor, um mertolense de nascimento e também investigador de história postal (principalmente) do seu concelho. O catálogo é um suplemento do n.º 443 da revista do CFP e foi distribuído gratuitamente aos seus associados. Geada de Sousa

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“Mary Poppins” no Centro de Artes de Sines

Integrado na 15.ª Mostra Internacional de Teatro de Santo André, promovida pela Ajagato – Associação Juvenil Amigos do Gato, o Centro de Artes de Sines recebe no domingo, 8, pelas 22 horas, “Mary Poppins – A Mulher que Salvou o Mundo”, pelo Teatro do Elétrico (Lisboa). A peça é inspirada na história da percetora Mary Poppins e conta com texto e encenação de Ricardo

Fim de semana

Neves-Neves, num registo “nonsense”. O espetáculo será antecedido, às 21 e 30 horas, no exterior do Centro de Artes, por uma atuação musical pela Escola das Artes. A mostra internacional, que se prolonga até ao dia 29, apresenta nesta edição, segundo os promotores, “o programa mais ambicioso de sempre, o mais extenso e com o maior número de espetáculos de todas as edições”.

“Pijama para 6” no Pax Julia A peça de teatro revista “Pijama para 6” sobe hoje e amanhã, dias 6 e 7, ao palco do Pax Julia Teatro Municipal, em Beja. A peça conta com as interpretações de Tozé Martinho, Rita Guedes, Daniel Garcia, Carlos Areia, Rosa Soares e Patrícia Candoso. A peça é uma co-produção Aplaude Sucesso/município de Beja.

Na Casa da Cultura, em Beja

Santa Maria Summer Fest arranca hoje

“Fazer falar o silêncio…” na galeria da EDIA

Poeta lança livro de poemas inspirados na sua vida

“Fazer falar o silêncio… Fotografia, lixo e memória” é o título da exposição/instalação da autoria do fotógrafo António Carrapato e do escultor João Sotero que está patente ao público, desde ontem, na galeria da EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva, em Beja, numa organização da referia empresa, em parceria com o Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Évora. A EDIA adianta que “em 2012 foram entregues no Arquivo Fotográfico da Câmara de Évora dois sacos com fotografias retirados do lixo numa das ruas da cidade”. As fotografias, “que se encontravam em mau estado de conservação, eram imagens anónimas, apenas com algumas referências, como o nome do estúdio fotográfico, algumas datas e comentários inscritos no verso, pelo que dificilmente poderiam contar uma história”. No entanto, para o Arquivo Fotográfico, “era importante recuperar o prestígio das memórias abandonadas” e “alertar para a importância de pequenas coleções fotográficas, que contam histórias de vida de homens e mulheres anónimos, cujas estórias permitem recuperar a História de uma comunidade”. António Carrapato “(re)fotografou as fotografias recuperadas do lixo em novos contextos” e João Sotero “redefiniu-lhes um novo significado através de instalações desenvolvidas a partir de objetos recuperados igualmente no lixo”. A mostra pode ser visitada até ao dia 1 de agosto.

O livro Poemas inspirados na minha vida, da autoria da poeta popular Maria D’Assunção Fortunato Ganhão, é apresentado amanhã, sábado, às 17 horas, na Biblioteca Municipal de Aljustrel, no âmbito da iniciativa “Encontro com a escrita”. Segundo a autarquia, ao longo dos anos, a poeta, natural e a residir na vila, escreveu poemas, “retalhos da sua vida”, que agora compilou no livro, em homenagem ao marido Ricardo Gertrudes Ganhão, que foi o primeiro presidente da Assembleia Municipal de Aljustrel e que faleceu recentemente.

“Ervas da Baronia” em 10 restaurantes do concelho de Alvito Açorda de beldroegas com queijo de cabra, feijão com beldroegas e pataniscas de bacalhau, puré de beldroegas com peixe frito ou cação frito com arroz de açafrão e beldroegas são algumas das iguarias que 10 restaurantes de Alvito e Vila Nova da Baronia vão apresentar entre hoje, sexta-feira, e dia 10, no âmbito de mais uma edição das “Ervas da Baronia”. O evento, da responsabilidade da Câmara Municipal de Alvito, pretende “levar a natureza à mesa das pessoas e apresentar-lhes paladares pujantes e verdadeiros. Produtos que nascem nos campos e, por isso, muito saudáveis e repletos de sabor”, adianta a autarquia.

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xtreme Noise Terror, Filii Nigrantium Infernalium e Rompeprop são apenas alguns nomes que entre hoje, sexta-feira, e domingo, dia 8, vão passar pela quinta edição do Santa Maria Summer Fest (SMSF), que vai decorrer no espaço exterior da Casa da Cultura, em Beja, numa organização da associação juvenil Culturmais. Para esta edição, a organização apostou “num cartaz verdadeiramente de peso, quer em termos sonoros, quer qualitativos e também na quantidade”. Ao todo são 36 bandas, 10 delas internacionais, como “a mítica banda de grind/punk/crust Extreme Noise Terror, do Reino Unido, e os grinders Rompeprop, da Holanda, bandas que nos respetivos géneros musicais são das mais importantes em termos mundiais”, esclarece Vítor Paixão, o presidente da associação, adiantando que para além destas “há a destacar” uma série de bandas nacionais, como “Filii Nigrantium Infernalium, Quartet Of Woah, 31 ou Switchtense”. Tendo em conta “a verdadeira essência do SMSF” e que passa “pela promoção e lançamento de novos projetos, com primazia pelos locais”, nesta edição haverá um palco secundário, com entrada livre, onde durante as tardes dos três dias “tocarão entre três a quatro bandas, havendo também sets de Dj”. Outra novidade em relação às edições anteriores é que as entradas passam a ser pagas, destinando-se o montante angariado para a Culturmais, “por forma a pagar o festival”, bem como para apoiar a Cruz Vermelha Portuguesa, “eventualmente mediante a aquisição de material que lhes faça falta na sua missão, mantendo assim o cariz social do evento”. Na segunda-feira, dia 9, haverá ainda “um concerto especial” com Dolentia, no bar Os Infantes. O Santa Maria Summer Fest conta com o apoio das juntas de freguesia da cidade, câmara municipal e privados, “sem o qual seria impossível levar por diante esta enorme missão”, adianta Vítor Paixão. “Em suma, 36 bandas, dois palcos, entradas com preço anticrise, campismo gratuito, sendo esperadas mais do que 600 pessoas por dia, irão proporcionar ganhos financeiros para a cidade, nomeadamente ao nível da restauração e hotelaria, tal como ficou definitivamente comprovado na última edição”, conclui o presidente da Culturmais.


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I Festival Beja Romana-Pax Julia – Serviço das Finanças de Beja sorteou quadriga da Audi a quem pediu fatura em sestércios. Manchas de crude detetadas ao largo da costa de Grândola afinal podem ser resíduos de Lili Caneças – socialite foi vista a banhar-se naquelas águas e especialistas afirmam que terá começado a desintegrar-se. facebook.com/naoconfirmonemdesminto

PS Beja lamenta não ter sido convidado para o Rock in Rio Foi um PS Beja muito abatido aquele que enviou um comunicado para a nossa delegação em Trigaches: depois da mágoa por não ter sido convidado para a sessão solene de atribuição de medalhas municipais do passado dia 29 de maio, o partido não calou a sua revolta por não ter sido convidado para um evento de idêntico relevo – o Rock in Rio. “Uma vergonha!”, é o título do comunicado, escrito com o sangue de António José Seguro. “A senhora dona Roberta Medina deve ter muitos amigos com aquele feitiozinho! É para nós incompreensível que o PS tenha sido privado de poder ver os Rolling Stones. É público e notório que o PS aprecia muito os reformados e os Stones não são exceção. Aliás, na sede do PS de Beja está o primeiro álbum dos Stones gravado em osso de dinossauro e autografado por todos os membros da banda em sânscrito! Além disso, o PS de Beja anuncia que aprecia muito os Rolling Stones, especialmente a capacidade do senhor Mick Jagger cantar a segurar no microfone e num andarilho em simultâneo – e é a esta gente que o Governo quer cortar pensões! Exigimos um pedido de desculpa do Rock in Rio ao PS de Beja, um partido que tudo fez para que o Justin Timberlake fizesse um dueto com a Tonicha! Um partido que adoraria ter visto a senhora dona Ivete Sangalo cantar a ‘Mala de cartão’ da Linda de Suza! Um partido que nunca viu os Xutos tocar ao vivo. Nunca! Exceto na Ovibeja. E nas festas da cidade. E no velhinho estádio Flávio dos Santos. E nos Infantes. E pronto, no Pax Julia, mas tirando isso, nunca os viu! Não há direito! Quando o António Cos… Seguro chegar ao Governo, vão ver como elas doem! O Galamba faz-vos uma espera!”

Rei de Espanha abdica a favor do rei do Carnaval de Sines É uma das notícias que marca a atualidade e a “Não confirmo, nem desminto” está a acompanhar os últimos desenvolvimentos graças ao contributo do nosso enviado especial à Isla Mág… a Madrid… é isso… – refira-se que o repórter teve de ser escoltado pela Guardia Civil ao passar pelo Rosal de la Frontera após ter sido aliciado por Emílio, o célebre comerciante daquela povoação, que lhe queria vender à força toda uma esfregona, um pacote de gomas e a liderança do PS. Mas voltando ao que é importante, foi com surpresa que o mundo assistiu à abdicação do trono de D. Juan Carlos, o que causou estranheza noutros monarcas, como foi o caso da rainha de Inglaterra, do rei da Holanda, do rei dos Frangos de Moscavide, do Nuno da Câmara Pereira e de Nico Gaitán, rei das assistências no campeonato português. O único monarca que ficou genuinamente satisfeito com esta decisão foi o rei Babar que publicou no seu Instagram a imagem que acompanha esta notícia, com o título “Esta é pelo meu primo no Botswana, bitch!”. Vários órgãos de comunicação social dizem que o filho de Juan Carlos, D. Felipe, será o sucessor, mas ainda nada está garantido. Segundo apurámos, o ainda rei de Espanha prefere abdicar a favor do rei do Carnaval de Sines em troca da possibilidade de poder caçar elefantes no Badoca Park. Ao que parece, o monarca espanhol pretende entreter-se durante a reforma, sendo que outro dos seus afazeres será investigar por que é que os filhos de D. Duarte são louros quando o pai é moreno.

Última hora! Fecho de edição! Esta são as últimas notícias que nos chegara m através de pombo- correio vindo diretamente da nossa delegaç ão na Amareleja: Depois de metro de Lisboa, comboi o Beja-Lisboa sem travões de emergência: CP espera que passage iros colo-

quem pés fora da carruagem para ajudar a parar a composição. Na próxima edição da Beja Romana, a Câmara de Beja exige a recriaçã o das lutas de gladiadores e equaciona soltar leões na sede do PS. Nas últimas Eleições Europeias houve um voto do PPM em… Baleizão. Maias estivera m a rever as profecia s e afirmam que, à luz deste acontecimento, o mundo pode mesmo acabar em breve.

Inquérito “A Não confirmo, nem desminto” regressa após um mês de ausência. Admita, já tinha saudadinhas nossas, não tinha?

JORGE JESUS, 59 ANOS Treinador de futebol que acha que o Raul Meireles é o Zangief do Street Fighter

Saudadinhas, não sei! Aliás, esse Saudadinhas nunca o vi jogar. Agora, o que eu sei é que não sou nenhum Eça de Queiróz, pertanto julguem-me como aquilo que eu sou que é um treinador de futebol, ou mesmo uma Margarida Rebelo Pinto. E para mim essa tal página do Semanário do Alentejo se não me entrevistou não é jornal que eu comprasse. Por exemplos, se esse Presidiário do Alentejo estivesse atento já sabia que eu fui convidado para treinar o Milan, o Sporting, o Arrentela, o Ferrobico e os pombos dos Asas de Beja. Pertanto, perfiro ficar no Benfica a ir para o estrangeiro lá fora. Aliás, já dizia o poeta: “Lá fora está-se pior! Está-se, está-se! Estáááááá-se!”.

TEOTÓNIO LEOCÁDIO, 145 ANOS Assinante do “Diário do Alentejo” desde que o tempo em que ainda era impresso por Gutenberg

Saudadinhas? Credo! Essa página foi a pior coisa que aconteceu à imprensa escrita desde que o António José Saraiva decidiu deixar a arquitetura para se dedicar ao jornalismo. O que é que vem aí? Fez uma pausa porquê? Para renovar o stock de piadolas sobre a praia de Quintos? Para copiar com mais calma o que escrevem outros jornais satíricos como o “Correio da Manhã” e o “Notícias de Beja”? Esse senhor Cataluna devia ter mais respeito por quem escreve para o jornal e pelos seus leitores. Deve ser homem para ganhar meia sandes de torresmos por edição! Muita página de necrologia tem esse menino de ler para chegar aos calcanhares aqui do Teotónio!

RIVELINO CÓDIGO PENAL, 82 ANOS Juiz do Tribunal Constitucional e pastor nos tempos livres

De acordo com o acórdão do Tribunal, essa página violou de forma sistemática a constituição, quando escreveu textos que conseguiam ter menos piada que o Orçamento do Estado para este ano. Não evidenciavam humor, nem sequer ao nível de uma Marina Mota no Parque Mayer. Por isso, este tribunal exige que o autor desta página escreva as edições que ficaram em atraso, com retroativos, e sob a supervisão de uma autoridade no humor como o Marques Mendes ou o Jerónimo de Sousa quando dança. O não cumprimento destas deliberações constituem um delito grave que pode conduzir à prisão ou, pior ainda, a escrever textos para o “Você na TV”.


Nº 1676 (II Série) | 6 junho 2014

9 771646 923008

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nada mais havendo a acrescentar... Medo O medo, esse animal irracional e desgovernado, acorda-o a meio da noite com o ruído áspero dos seus cascos duros de ansiedade, invade-lhe o quarto, rasga-lhe o sono, pega fogo ao escuro e ao silêncio dos lençóis suados de angústia e deita-se a seus pés como um cão sem açaime. As unhas afiadas do desassossego começam a arranhar o pensamento, animam as preocupações e arrancam a pústula de uma ferida interior que não cicatriza. Vira-se para o outro lado. Tenta iludir o temor, respira fundo, ajeita a almofada, limpa o suor, engole o coração que já está à boca. As paredes encolhem, as mantas arrefecem, o teto desce, o breu é uma

mão na boca, já não há ar em lado nenhum. O quarto de cama é um túmulo que a noite abre a horas mortas. Acende a luz da mesa de cabeceira e abre os olhos. De relance, vê os medos a rastejarem para debaixo da cama como cobras feitas de sombra. Por ali ficarão à espreita que as pálpebras das lâmpadas se voltem a fechar. A luz acalma-o. Respira melhor. Não treme tanto. Em cima da cómoda, viradas para ele como santos protetores, as fotografias dos familiares dão-lhe um pouco de quietude. Levanta-se, acende as luzes todas, inventa um sol dentro de casa. São três da manhã e os nervos fazem um chá de camomila. Vítor Encarnação

quadro de honra Mercedes Guerreiro, natural de Aljustrel, 53 anos Licenciou-se em jornalismo, em Bruxelas, e iniciou a sua carreira profissional na primeira rádio portuguesa da Bélgica, na Rádio Tentativa. Regressou a Portugal, esteve em agências de comunicações e foi pioneira no gabinete de comunicação e relações públicas da Assistência Médica Internacional (AMI), desempenhando as funções de diretora-adjunta. Estabeleceu-se em Aljustrel, desde o princípio da criação do Gabinete de Comunicação e Relações Públicas da câmara municipal, onde ainda hoje se mantém.

Livro publicado em Portugal e na Bélgica

A história da canção da liberdade

G

rândola, Vila Morena – A canção da liberdade foi escrito a duas mãos, por Mercedes Guerreiro e Jean Lamaître, jornalista, escritor e professor, em Bruxelas. Não é, assim, de estranhar que tenha sido publicado em português e em francês. “Faltava um livro só dedicado a esta música”, considera Mercedes Guerreiro. Tal como a música pretende-se que este livro ultrapasse fronteiras?

Este livro nasceu de uma revolta muito forte, que surgiu quando, no dia 2 de março de 2013, um milhão de portugueses saíram à rua para manifestar a sua indignação contra as medidas de austeridade e no final cantaram a “Grândola, Vila Morena”, mas no dia seguinte, nos media internacionais, não houve uma palavra, nem uma linha escrita sobre o que aconteceu em Portugal. Isto só revelou uma certa desinformação e um alinhamento sobre um “pensamento único”. Estas medidas desenfreadas de austeridade são portuguesas, mas estão a atingir toda a Europa. Para sair desta austeridade, que é acompanhada sempre PUB

por recuos ao nível da liberdade e dos direitos fundamentais, precisamos da solidariedade de todos os povos. Neste livro tentamos explicar de onde vem a força motriz desta canção, que está a ganhar cada vez mais força lá fora, e que se está a tornar num hino internacional contra a austeridade. Faltava um livro só dedicado a esta música?

Penso que sim. Verificámos que as pessoas cantavam a canção, mas que não conheciam a sua história. E, curiosamente, o que levou à sua escolha pelos militares, o que se passou nos dias e horas que antecederam à sua passagem no programa “Limite” da Rádio Renascença, apesar da censura e dos perigos que todos tiveram de contornar. Nada disso tinha ainda sido escrito. Tivemos de investigar, de entrevistar grande parte dos intervenientes e verificar factos e opiniões contraditórios para encontrar a verdade. Este livro surge no ano em que se comemoram 40 anos do 25 de Abril. Foi intencional?

O livro conta a história da canção, integrada no seu contexto histórico, mas não é sobre o 25 de Abril, nem sobre a vida de José Afonso. Quando começámos a trabalhar no livro não nos apercebemos que 2014 coincidiria com os 40 anos do 25 de Abril e os 50 anos do poema da canção. Não foi intencional. Surgiu da nossa revolta e indignação. E 40 anos depois o que representa esta canção?

Quando, a 15 de fevereiro de 2013, o primeiro-ministro foi interrompido na Assembleia da República, por um grupo de cidadãos que cantaram a “Grândola, Vila Morena”, isso foi filmado e acendeu o rastilho nas redes sociais. A canção, que já era conhecida, adquiriu uma nova juventude. Ela tem uma força, uma beleza e uma atualidade extraordinária, pois transporta os valores que Zeca Afonso tanto defendia: liberdade, igualdade, fraternidade. Está a tornar-se não só num hino internacional contra a austeridade, mas também num símbolo de união entre os povos e de liberdade. Bruna Soares

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Hoje, sexta-feira, o céu poderá apresentar períodos de muito nublado. A temperatura deverá oscilar entre os 14 e os 28 graus centígrados. Amanhã, sábado, o sol deverá brilhar e no domingo também não são esperadas nuvens.

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Jardim Público de Beja recebe Eco-festival na Planície O Jardim Público de Beja recebe até domingo, dia 8, o Eco-festival na Planície, uma organização do grupo Eco-Comunidades da Planície, em colaboração com várias entidades, e que tem como lema “Cuidar da terra, cuidar das pessoas”. O programa propõe um vasto conjunto de iniciativas, entre oficinas de hortas sustentáveis, recolha de sementes e leites vegetais, ateliês com madeiras recicláveis e de flores de papel, palestras, concertos com os Nazca Music e Yemadas, aulas de zumba e yoga para crianças e adultos, meditação e contos. Durante o fim de semana haverá ainda um “mercadinho” com produtos artesanais, arte e produtos vegetais e sessões de massagens. No Eco-festival estarão também presentes vários projetos, nomeadamente Arruaça, Courelas do Monte, Tamera, Myfarm, Círculo de Sementes, Reco, Oxigénio e Monte da Luz.

Vila de Frades inaugura Centro de Leitura Fialho de Almeida A Junta de Freguesia de Vila de Frades, no concelho de Vidigueira, inaugura na próxima terça-feira, dia 10, pelas 18 e 30 horas, o Centro de Leitura Fialho de Almeida. O espaço irá funcionar na antiga prisão da vila, na praça 25 de Abril. De acordo com a autarquia, o projeto, que foi candidatado a fundos comunitários (Proder), “visa dotar a freguesia de Vila de Frades de um espaço com várias vertentes”, sendo que “no primeiro compartimento irão estar instalados alguns computadores de acesso público e gratuito à Internet, assim como um espaço infantil, nomeadamente destinado aos hábitos de leitura infanto-juvenil”, e no exterior, na praça das Laranjeiras, “serão instaladas algumas mesas destinadas não só à leitura, mas também à utilização de computadores com sistema de ligação de wireless”. No segundo espaço interior funcionará o centro de leitura, “onde os utilizadores poderão consultar, ou levar de empréstimo, todo o tipo de livros de escritores nacionais e estrangeiros”. Nesse mesmo espaço “haverá também uma estante destinada essencialmente às obras de Fialho de Almeida e outras obras de escritores locais ou de referência, obras estas que só poderão ser consultadas no local”.


Edição N.º 1676