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ANO LXXXII – N.º 1670 (II Série)

Diretor: PAULO BARRIGA

Sexta-feira, 25 de abril de 2014

Redação: Praceta Rainha D. Leonor, – Beja 1 ● Telefone: 284 310 165 ● Impressão: Empresa Gráfica Funchalense, SA ● www.diariodoalentejo.pt ● Preço: € 0,90

FORÇAS ARMADAS DERRUBAM GOVERNO DE MARCELLO CAETANO REGRESSO AO PASSADO ra assim, com esta imagem, que há 40 anos o “Diário do Alentejo” aparecia aos seus leitores. O processo de impressão em offset já era conhecido mas ainda não tinha chegado ao Alentejo e os computadores eram máquinas dignas apenas dos filmes de ficção científica. O “DA”, então dirigido por Melo Garrido, era composto e impresso a chumbo nas Indústrias Gráficas Carlos Marques. Nunca na história universal da imprensa, como nestes últimos 40 anos, aconteceram tantos e tão significativos avanços técnicos e tecnológicos. Nesta edição comemorativa do 25 de Abril de 1974, não quisemos deixar de homenagear uma classe profissional, os tipógrafos, que por aqueles dias eram a verdadeira alma dos jornais e, inclusivamente, a sua efetiva massa crítica. Por isso mesmo, decidimos oferecer aos nossos leitores, nestas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, uma primeira página composta “ao jeito” de 1974, certos que a sua fiel reprodução seria impossível. Em fac-simile destacável, publicamos a edição do dia 26 de abril de 1974. Que, para lá de ser a primeira que não passou pelo lápis azul da Censura, é aquela onde a revolução chega, de facto, a Beja.

Foi com esta manchete que há precisamente 40 anos o “Diário do Alentejo” deu conta aos seus leitores do golpe militar, seguido de revolução popular, que estalara em Lisboa na madrugada do dia 25 de abril de 1974. (Continua nas págs. 4/5)

As lixeiras a céu aberto eram um dos grandes problemas de saúde pública no Alentejo há 40 anos, em parte responsáveis pelo surto de cólera que se abateu sobre a região na década de 1970. Hoje, fomos ver como se processa a recolha, a seleção e o negócio do lixo. (Págs. 8/9)

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OVIBEJA ABRE PORTAS NA PRÓXIMA QUARTA

Há 140 anos que existe biblioteca em Beja. Em abril de 1974, os livros para consulta pública estavam depositados nas instalações do antigo Colégio do Sagrado Coração de Jesus, na praça da República. Mas apenas há 21 anos a esta parte, já nas atuais instalações, é que a casa dos livros de Beja se transformou numa “biblioteca sem sono”. (págs. 20/21)

Há exatamente 40 anos, por iniciativa dos governadores civis de Beja, Évora e Portalegre, com o alto patrocínio do Presidente da República, o almirante Américo Thomaz, estava programada a realização em Beja da Primeira Grande Feira do Alentejo. O certame esteve aprazado para maio de 1974, mas as incidências de Abril na política nacional, regional e local fizeram cair por terra a iniciativa. Foi necessário esperar até à extinta Feira de Maio de 1984, que decorreu entre

20 e 22, para se realizar a primeira “exposição de ovinos” promovida pela então Associação de Criadores de Ovinos do Sul. Foi o passo inicial para o surgimento da Ovibeja, a grande feira do Alentejo, que este ano celebra a sua 31.ª edição, sob o lema “Terra Fértil” e com uma mostra de inovação agrícola e agrobusiness. Um rebanho de ovelhas campaniças atravessa a cidade, recuperando a velha tradição da transumância de ovinos. (Continua na pág. 13)


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Editorial Vinte e zinco Paulo Barriga

Vice-versa “O Partido Socialista tem neste momento uma grande responsabilidade histórica. Ou vai com as forças progressistas, com as forças da Esquerda, com as forças da Revolução, e ainda está a tempo de ir, e então pode haver o tal bloco social e político, que permite encaminhar a Revolução para uma grande maioria do nosso povo, ou então continua a sua aliança com a Direita”. Álvaro Cunhal, líder do PCP, RTP, no debate histórico de 6 de novembro de 1975

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ste título inventou-o o escritor moçambicano Mia Couto para um breve romance sobre os abanões que uma pequena cidade ultramarina sofreu com o abalo revolucionário que se fez sentir na longínqua Lisboa. Um ano e pouco mais tarde, Moçambique também teve o seu 25. O de junho de 1975, data em que obteve a independência face ao Portugal colonialista. A esta distância, com lunetas graduadas há 40 anos, é muito fácil identificar um sem-fim de incongruências, de precipitações, de erros no processo de descolonização da África lusófona. Mas talvez não seja de todo esquisito relembrar que uma das motivações, talvez a maior delas, que mobilizou os capitães para o golpe militar de Abril de 1974 foi precisamente o agravar dos conflitos africanos, o desnorte eufórico nas políticas ultramarinas, o pesado esforço de guerra, pago, no fundamental, com sangue. Sim, a descolonização está pejada de equívocos e de tropeções. Mas como poderia ter sido de outra forma? Num Portugal em transe? Abafado por 48 anos de ditadura, enlutado pela guerra, silenciado pela censura, atemorizado pela polícia política, isolado pela comunidade internacional? Vinte e zinco. Um pequeno trocadilho com uma carga simbólica monumental. O “zinco” tem a ver com os telhados das cabanas da aldeia onde decorre a história, com a pobreza, com um tempo presente que se deseja ardentemente passado. É a metáfora perfeita para embrulhar o 25 de Abril português, o dia primeiro da liberdade, do sonho coletivo de um povo, da reconstrução de uma nação. O dia primeiro da democracia. Inicialmente com os militares na rua. E quase em simultâneo com o povo a tomar conta da revolução. Sem saber muito bem como usar essa ferramenta inaugural da democracia que é a liberdade de expressão, a liberdade de manifestação, a liberdade de opinião, o direito total à palavra. E com ela, com a palavra bem aberta, exigir os restantes direitos que se não rimam deveriam rimar com dignidade humana: a saúde, o trabalho, a justiça, a habitação, a educação, o pão. A democracia, porque advém do coletivo, é o mais perfeito, embora o mais frágil sistema político que o Homem alguma vez conseguiu inventar. É um edifício em permanente construção e, como em qualquer obra, sempre sujeito a melhoramentos e também a atrasos e a derrapagens, mais ou menos orquestradas pelos empreiteiros. Como agora veementemente acontece em Portugal. E nós, que ainda somos os donos do prédio, vamos permitir que estes pedreiros manhosos terminem o telhado com folhas de zinco?

“O sr. dr. Cunhal diz-me: o Partido Socialista tem que escolher entre o bloco revolucionário ou o bloco da reação. Ora, o Partido Socialista já escolheu o seu campo desde sempre. O Partido Socialista é um partido de Esquerda. Quer instaurar em Portugal uma sociedade socialista, portanto uma sociedade sem classes, mas em liberdade”. Mário Soares, líder do PS, RTP, no debate histórico de 6 de novembro de 1975

Fotonotícia Espírito de Abril sempre! A Distrital de Beja do PSD, na madrugada de 24 para 25, publica um outdoor alusivo ao 25 de Abril sem nunca mencionar a data em concreto, “uma vez que ia dando noutra ditadura, de esquerda. O que importa é preservar o espírito de Abril”. As palavras são de Mário Simões. O presidente da distrital laranja e deputado da nação diz mesmo que “o 25 de Abril não é propriedade de ninguém, nem de nenhuma corrente ideológica. É de todos. E trouxe-nos a liberdade de exprimirmos as nossas ideias e opiniões”. O cartaz alude ainda à saída da troika de Portugal o que, para Simões, “representa o fim de uma ditadura económica imposta pelos mercados, pelo que é necessário assinalar mais este retomar da nossa soberania”. PB Foto PSD Beja

Voz do povo Onde estava no dia 25 de abril de 1974?

Joaquim Costa 64 anos, pintor de construção civil

Estava em Beringel. Há um ano que tinha vindo da tropa. Nesse dia saí de casa sem saber de coisa nenhuma. Fui-me pôr à espera do transporte do meu patrão. Para irmos para Sines onde estávamos a trabalhar. Quando ele chegou disse-me que tinha havido um golpe de Estado. Já não fomos. Senti uma alegria enorme. Aquilo dantes era uma escravidão. Uma desgraça autêntica.

Inquérito de José Serrano

António Roque 80 anos, cozinheiro

Aurélia Santinho 74 anos, doméstica

Maria Joaquina Pardal 69 anos, ex-funcionária pública

A trabalhar como cozinheiro na base alemã de Beja. Dei conta da Revolução através do Rádio Clube Português. Soube então que as Forças Armadas tinham resolvido o assunto. Os alemães diziam: se isto for um golpe comunista vamo-nos embora. Quando perceberam que não era, ficaram contentes. Foi um dia formidável. Senti uma alegria enorme. Finalmente a ditadura tinha acabado.

Em Vila Nova da Baronia. O meu marido era ferroviário e morávamos na estação. Foi ele que me veio a casa dizer o que se estava a passar. Disse-me que tinha acabado a opressão. Que já tínhamos liberdade de falar. Que as nossas vidas iam melhorar. Nesse dia comprámos uma televisão. Foi por ela que vimos a Revolução. As pessoas na rua, os militares com cravos vermelhos.

Num monte para lá da Salvada. A fazer queijo de cabra e de ovelha. Com o meu marido que Deus tem. Soubemos por um senhor que foi lá vender mercearia. Que havia uma Revolução em Lisboa. Ficámos de boca aberta. De madrugada, quando me levantei, já tinha ouvido na rádio umas músicas esquisitas. Mas não desconfiei de nada. Passámos depois o resto do dia colados à telefonia.


Rede social DR

Semana passada QUINTA-FEIRA, DIA 17 FERREIRA UM DOS SORTEIOS DA FATURA DA SORTE PREMIOU CONTRIBUINTE FERREIRENSE

Uma mulher morreu na sequência do despiste de uma viatura ligeira de passageiros na Estrada Nacional 122, no concelho de Mértola, tendo o acidente provocado ainda um ferido leve, revelaram os bombeiros. O sinistro aconteceu junto da localidade de Espírito Santo, envolvendo uma viatura na qual seguiam “mãe, a vítima mortal, e filho, o ferido leve”, revelou o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Beja. “A senhora que morreu tem entre 50 e 60 anos”, acrescentou à Lusa o comandante dos Bombeiros de Mértola, André Soares. O ferido ligeiro foi transportado para o Hospital de Beja, enquanto a vítima mortal foi levada para os serviços de Medicina Legal existentes na mesma unidade hospitalar. Para o local do acidente foram mobilizados cinco bombeiros da corporação de Mértola, apoiados por duas viaturas, bem como a Viatura Médica de Emergência e Reanimação de Beja, a ambulância de Suporte Imediato de Vida de Castro Verde e elementos da GNR.

SINES ABERTAS CANDIDATURAS PARA APOIOS AO ASSOCIATIVISMO A Câmara de Sines anunciou que, até final deste mês, estão abertas as candidaturas ao Programa Municipal de Apoio ao Associativismo para 2014. Com este período de candidaturas, explicou o município, o objetivo passa por “normalizar o mais depressa possível os procedimentos de atribuição de apoios” ao movimento associativo, nas áreas da cultura, ação social, juventude, proteção civil e desporto. As candidaturas de cada entidade devem ser acompanhadas pelo Plano de Atividades e Orçamento para 2014 e pela Conta de Gerência e Relatório de Atividades do ano 2013, com as respetivas atas de aprovação.

TERÇA-FEIRA, DIA 22 MOURA ACIDENTE CAUSA TRÊS FERIDOS GRAVES Três pessoas ficaram feridas com gravidade na sequência de um despiste rodoviário em Moura, disse à Lusa fonte da Guarda Nacional Republicana. “O acidente ocorreu pelas 00 e 45 horas, na estrada nacional 258, ao quilómetro 43 em Moura, causando três feridos graves”, detalhou a mesma fonte da GNR. As vítimas foram transportadas para o hospital de Beja.

QUARTA-FEIRA, DIA 23 BEJA DETIDOS DOIS HOMENS NA OPERAÇÃO PÁSCOA EM SEGURANÇA O Comando Distrital de Beja da PSP, no âmbito da Operação “Páscoa em Segurança 2014”, que envolveu todas as suas subunidades existentes nas cidades de Beja e Moura, procedeu à detenção, em Beja, “de um homem de 53 anos de idade por condução sob o efeito do álcool” e “de um homem de 48 anos por posse ilegal de um arma de fogo, três munições de calibre 6,35mm e duas armas brancas, tudo alvo de apreensão”, anunciou. A força de segurança registou ainda “19 infrações diversas ao Código da Estrada e sua legislação complementar”. Durante a operação foram fiscalizados 307 veículos automóveis, tendo 168 dos seus condutores sido submetidos ao teste do alcoolemia.

A Campanha “Dar+” já era realizada pela Junta de Freguesia de Santo Agostinho, da qual eu era presidente. Temos consciência do momento difícil que vivemos, das situações de carência que muitas famílias estão a passar e fazemos o que podemos para minimizar essas situações de imensa dificuldade. São nossos parceiros os comerciantes de Moura, supermercados e mercearias, e o Grupo de Jovens da Paróquia de Moura. Temos algumas dezenas de famílias sinalizadas pelos nossos serviços e são elas as destinatárias do nosso apoio em alimentos.

Sérgio Godinho 40 anos depois de “Liberdade”. Um concerto comemorativo e retrospetivo dos “40 anos do Portugal democrático”, em Beja. O Pax Julia Teatro Municipal rendeu-se mais uma vez ao cantor. DR

Em que contexto surgiu a campanha “Dar +” realizada recentemente em Moura?

Sérgio Godinho cantou “Liberdade” em Beja

“A Terra Mexe” a mexer com Castro Verde A Primavera no Campo Branco já arrancou, mas antes procedeu-se à instalação do projeto “A Terra Mexe”, da autoria do coletivo de artistas e artesão de Castro Verde. Intervenções inspiradas na liberdade, a propósito dos 40 anos de Abril. DR

MÉRTOLA MULHER MORRE EM DESPISTE DE AUTOMÓVEL

Presidente da União de Freguesias de Moura e Santo Amador

Qual é o balanço que faz da campanha e quantas famílias/pessoas beneficiaram dos alimentos recolhidos?

Os mourenses são generosos por natureza e mesmo em tempo de dificuldades têm canalizado a sua generosidade para a nossa campanha contribuindo com a quantidade suficiente para reunirmos 50 cabazes, que representam o mesmo número de famílias. Os agregados são selecionados em função dos rendimentos. As famílias com rendimentos mais baixos são as beneficiárias dos apoios da união de freguesias. E o número crescente de famílias em situação crítica obriga-nos a fazer uma seleção cada vez mais apertada dos beneficiários.

Comemorações da Páscoa em Mértola No fim de semana passado assinalou-se a Páscoa e as comemorações religiosas saíram à rua em Mértola. O povo, em procissão, percorreu as várias artérias da vila. No andor o Senhor dos Passos, ou não fosse esta a festa em sua honra. DR

SEGUNDA-FEIRA, DIA 21

3 perguntas a Álvaro Azedo Alegria

Está prevista a realização de outras campanhas dentro do género, a pensar nas famílias mais carenciadas?

A União de Freguesias de Moura e Santo Amador tem já em curso uma medida destinada aos reformados e pensionistas com menores recursos. Chama-se Freguesia Porta-a-Porta e visa prestar serviços gratuitos na área das pequenas reparações (carpintaria, pequena construção civil, serviços de eletricista e canalizador) nas residências deste público-alvo e de pessoas com deficiência, até ao montante máximo de mil euros por beneficiário. Os beneficiários desta medida têm de ser pessoas cujo rendimento mensal seja inferior ao IAS (Indexante de Apoios Sociais). De igual forma, os pensionistas e fregueses com deficiência estão isentados das taxas administrativas da união de freguesias. Nélia Pedrosa

Hortaliças no jardim de Ferreira do Alentejo O projeto “Horta pedagógica” foi ao jardim público de Ferreira do Alentejo. O I Mercadinho de Primavera mostrou a colheita, mas promoveu também ações de sensibilização para os mais novos para que percebam todo o processo de produção. DR

Um dos dois primeiros sorteios da Fatura da Sorte realizados na quinta-feira, 17, está domiciliado no concelho de Ferreira do Alentejo. O outro, no concelho da Amadora. O sorteio, cuja transmissão foi feita pela RTP, premiou com dois carros de alta cilindrada os contribuintes possuidores dos cupões com os números 181 018 471 e 54 435 987. Para o dia 24 estavam agendados mais dois sorteios. Nestes concursos são considerados os cupões relativos às faturas emitidas em janeiro, ao todo 207 321 890 cupões. Nos restantes meses do ano haverá sorteios regulares todas as quintas-feiras, sendo distribuído um carro por sorteio. Quanto aos sorteios extraordinários, vão atribuir-se três automóveis a 26 de junho e outros três em dezembro, em dia ainda por determinar. Nestas duas semanas, serão cumulativamente realizados os sorteios regulares. Com este sorteio, o Estado quer incentivar os portugueses a pedirem faturas com número de contribuinte.

Livro Andarilho com sala cheia em Aljustrel No âmbito das comemorações do Dia Mundial do Livro, a Biblioteca Municipal de Aljustrel apresentou o projeto executado por alunos dos diversos ciclos de ensino. O Livro Andarilho e os seus caminhos contou com sala cheia na sua apresentação.

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Concertos com Amor Electro, Os Azeitonas, Tiago Bettencourt, Pedro Abrunhosa, Deolinda, Janita Salomé, Vitorino e Galandum Galundaina, bandas filarmónicas e cante alentejano são algumas das propostas musicais que marcam as comemorações do 40.º aniversário do 25 de Abril no Baixo Alentejo, onde não faltarão também os tradicionais espetáculos de fogo-de-artifício.

25 de Abril Alcácer do Sal A banda portuguesa Os Azeitonas, autora de êxitos como “Anda comigo ver os aviões” ou “Quem és tu miúda”, vai atuar em Alcácer do Sal, na noite de quinta-feira, 24, no âmbito das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril. O concerto está agendado para o largo Luís de Camões e, segundo o vocalista do grupo, Marlon, citado pelo município de Alcácer do Sal, o público vai poder recordar “quase toda a discografia” da banda. Além desta proposta musical, as comemorações do 25 de Abril em Alcácer do Sal, nessa noite, incluem um espetáculo multimédia com fogo-de-artifício, seguido de animação musical a cargo de um DJ.

Aljustrel O grande destaque das comemorações na Vila Mineira vai para a noite do dia 24, véspera do 25 de Abril, com o espetáculo musical David Antunes & The Midnight Band, Wanda Stuart, CC & Diana Monteiro, que será seguido de um espetáculo pirotécnico e de robótica e raios laser. No dia 25 terá lugar a habitual sessão da Assembleia Municipal de Aljustrel evocativa do 25 de Abril, a homenagem aos combatentes da Guerra Colonial e o espetáculo musical “40 anos d’Abril”, na praça da Resistência, e que inclui atuações de Nova Aurora A cantar Abril, do Grupo Coral Os Cigarras e do Grupo de Cantares Feminino de Aljustrel.

Almodôvar Um espetáculo do Quarteto Balluta e uma homenagem a todos os presidentes da Câmara, da Assembleia Municipal e das juntas de freguesia de Almodôvar vão marcar as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril. Os festejos arrancam na quinta-feira, 24, às 21 e 30 horas, na praça da República, com o espetáculo “Cantar Abril”, do Quarteto Balluta, seguindo-se, à meia-noite, PUB

fogo-de-artifício na entrada sul da vila. Na sexta-feira, 25, a partir das 10 horas, na Câmara de Almodôvar, terá lugar uma sessão solene e a homenagem aos autarcas, a qual inclui a inauguração de um memorial que tem inscrito o nome de todos os presidentes da Câmara, da Assembleia Municipal e das juntas de freguesia eleitos desde as primeiras eleições autárquicas. Através da homenagem, explica a câmara, pretende-se “valorizar o papel imprescindível do poder local democrático” e o “importante contributo” que os autarcas “deram e continuam a dar para o desenvolvimento e a afirmação do concelho”. animação para as crianças.

Alvito Os festejos de Abril em Alvito reservam para quinta-feira, 24, a partir das 10 horas, a Caminhada pela Saúde, Liberdade e Igualdade, que junta comunidade local e escolar. À noite, na praça da República, atua a banda Venham Mais Cinco. No dia 25 haverá arruadas nas duas freguesias com a participação da Banda Filarmónica dos Bombeiros Voluntários, distribuição de cravos e almoços-convívio com animação musical a cargo de Edgar Baleizão e Jorge Nunes, seguindo-se a atuação dos grupos corais do concelho. No dia 26, a partir das 19 horas, na biblioteca municipal, José Soeiro apresentará o seu livro Reforma Agrária – A Revolução no Alentejo.

Barrancos Um “baile da liberdade” com a orquestra espanhola Iberotropical, no Quintalão das Festas, a partir das 23 horas, é a proposta da Câmara de Barrancos para a noite de quinta-feira, dia 24. Segue-se, pela meianoite, um espetáculo de fogo de artifício. Na sexta-feira, 25, pelas 8 horas, haverá uma alvorada pelas principais ruas da vila com a Banda Filarmónica Fim de Século de Barrancos e, pelas 10 horas, na praça da Liberdade, uma “corrida da liberdade” e pinturas e

Beja As principais iniciativas das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril na cidade de Beja arrancam às 21 e 30 horas de quinta-feira, véspera do 25 de Abril, na praça da República, com a atuação da Banda Filarmónica Capricho Bejense, seguindo-se, a partir das 22 horas, o espetáculo “Coletivo Beja”, que reúne em palco as bandas Adiafa, A Moda Mãe, Cantigas do Baú, Caracol Blues, Os Bubedanas, Tanho Paris e Virgem Suta e os artistas Fernando Pardal, Paulo Colaço e Paulo Ribeiro. Após o espetáculo, haverá fogo-de-artifício, à meia-noite, seguindo-se o DJ set de Senhor Comendador & Sua Sobrinha. Na sexta-feira, 25, o Desfile da Liberdade irá percorrer várias ruas da cidade, entre o largo do Lidador, onde começará às 10 horas, e o extinto Governo Civil, onde terminará às 12 horas, hora a que irá decorrer, no salão nobre do edifício, uma sessão solene evocativa dos 40 anos da Revolução dos Cravos. A partir das 15 e 30 horas, haverá uma tarde desportiva e cultural no Jardim Público, com várias atividades, como ginástica, patinagem, ténis, futsal feminino, andebol, teatro, atuações de tunas académicas e do Grupo Coral do Lidador. As comemorações são promovidas por uma comissão organizadora composta pela Câmara e

pela Assembleia Municipal de Beja e pelas juntas de freguesia da cidade e contam com o apoio de associações desportivas e culturais e outras entidades do concelho.

de Abril Sempre”, de Vitorino, um dos mais influentes músicos da música portuguesa dos últimos 40 anos, a partir das 21 e 30 horas, no largo da Bica.

Castro Verde

Ferreira do Alentejo

O espetáculo evocativo da Revolução, agendado para as 21 e 30 horas de quinta-feira, 24, no Cineteatro Municipal de Castro Verde, conta com as atuações de Janita Salomé, Galandum Galundaina e os Ganhões de Castro Verde. Pelas 23 e 40 horas, haverá uma arruada com a banda da SRF 1.º de Janeiro e um espetáculo de pirotecnia. O programa de sexta-feira, 25, reserva, entre outras propostas, uma Assembleia Municipal extraordinária evocativa dos 40 anos do 25 de Abril, no fórum municipal, pelas 10 horas, e diversas atividades para crianças e torneios, no parque da Liberdade, a partir das 9 e 30 horas. No fórum municipal estará ainda patente ao público a exposição “25 de abril em Cartaz”, que resulta de uma colaboração entre o Museu Nacional da Imprensa e a Câmara Municipal de Castro Verde. São apresentados 35 cartazes alusivos ao 25 de Abril, de autores como Vieira da Silva, João Abel Manta e Vespeira, entre muitos outros. No mesmo espaço poderá ainda ser apreciado um conjunto de 80 fotografias da autoria do fotógrafo português Armindo Cardoso, que “nos encaminha pelo Portugal convulso de 1975-1980”, numa mostra intitulada “Os olhos da memória”.

O destaque em Ferreira do Alentejo vai para o espetáculo musical “Tributo ao 25 de Abril”, na noite do dia 24, a partir das 22 horas, no Parque de Exposições e Feiras, seguindo-se, à meia-noite, o espetáculo piromusical “Abril – 40 anos depois”. Na sexta-feira serão inauguradas as exposições “Estranhos familiares”, de Hugo Lucas, na Galeria de Arte Capela de Santo António, e “Revolusam”, do cartunista Sam, na sala de exposições temporárias do Museu Municipal. A mostra é cedida pelo Museu Nacional da Imprensa do Porto. Pelas 16 horas, no pavilhão de desportos, terá lugar a cerimónia de homenagem de mérito municipal e, pelas 21 horas, subirá ao palco do Centro Cultural Manuel da Fonseca a peça de teatro “25 de Abril – Passado e presente”, pelo grupo de teatro amador Ritété.

Cuba

Grândola

As principais comemorações em Cuba vão decorrer no largo da Bica e arrancam na quinta-feira, 24, a partir das 21 horas, com atuações de alunos do pré-escolar e do 1.º ciclo do Ensino Básico, de grupos corais e da banda filarmónica de Cuba, seguindo-se, às 23 e 30 horas, o espetáculo do grupo Oppoente e, à meia-noite, fogo-de-artifício. Na sexta-feira, dia 25 de abril, o destaque vai para o espetáculo “25

Grândola recebe na noite de quinta-feira, 24, com início às 22 e 15 horas, no Parque de Feiras e Exposições, um espetáculo musical com orquestra e coro dirigidos pelo conhecido maestro Rui Massena, espetáculo esse que será transmitido em direto na RTP1. No concerto “25 de abril 40 anos”, que juntará em palco cerca de 150 músicos, serão interpretadas algumas das canções mais emblemáticas


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da Revolução de Abril pelos artistas Agir, Carlão, D8, Inês Soares, Marta Ren, Pedro Almendra, Pedro Quaresma, Raquel Tavares, RPM e Vicente Palma. O concerto terminará pouco depois da meia-noite com um espetáculo de fogo de artifício. A banda musical de jovens grandolenses Danger Line e o DJ Josef dão continuidade à festa. Para dia 25 estão reservadas as sessões solenes comemorativas da Revolução de Abril assim como uma festa popular, no jardim 1.º de Maio, a partir das 15 horas, com a atuação de vários grupos corais e ranchos folclóricos.

sobre 25 de Abril” e o espetáculo musical “Canções de Abril”. Pela meianoite terá lugar um desfile de grupos corais e movimento associativo ao som de “Grândola, Vila Morena”, que será seguido de lançamento de foguetes. Destaque ainda para a reunião extraordinária da Câmara de Moura evocativa dos 40 anos do 25 de Abril, na sala de sessões dos paços de concelho, na sexta-feira, pelas 19 e 30 horas, e para o espetáculo “40 anos de Abril”, com Samuel, na praça Sacadura Cabral, no dia 26, pelas 21 e 30 horas.

Mértola O espetáculo musical “José Afonso pela mão de Emanuel Andrade, ao piano, voz de Pedro Gil com o Ensemble de Cordas e Sopros” vai marcar as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril em Mértola. O espetáculo vai decorrer a partir das 22 horas de quinta-feira, dia 24, no Cineteatro Marques Duque. As comemorações incluem também várias atividades lúdicas e desportivas na sexta-feira, dia 25 de Abril, nas várias sedes das freguesias do concelho de Mértola.

Moura A “Passadeira de Abril”, uma obra artística feita por 700 adultos e crianças e composta por 12 mil cravos de papel feitos com 19 mil folhas de jornal, vai ser apresentada na quinta--feira em Moura. A obra foi criada na Ludoteca Municipal de Moura nas últimas semanas e vai ser apresentada às 21 horas, na praça Sacadura Cabral, no âmbito das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril. A passadeira foi criada sob a orientação das educadoras da ludoteca por alunos do pré-escolar, dos 1.º, 2.º e 3.º ciclos do ensino básico, do ensino estruturado e especializado, da Escola Profissional, da Universidade Sénior e da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental de Moura. Segue-se, também na praça, a apresentação de “Quadros ao vivo PUB

Revolução, os festejos passam pela sessão solene na Assembleia Municipal de Odemira, pela atribuição de duas medalhas de mérito na biblioteca municipal ao Sporting Clube Santaclarense e, a título póstumo, ao médico Joaquim Duarte Silva, e pelo “habitual” festival de folclore, no Cerro do Peguinho. Para sábado, 26, estão programadas várias atividades culturais, como um encontro de grupos corais, no Jardim Sousa Prado, a apresentação do livro e da exposição O Município de Odemira na Revolução de Abril (1975/1976), de Constantino Piçarra, na biblioteca municipal, e concertos com bandas rock locais, no largo Brito Pais. A noite fica marcada pela apresentação do espetáculo “Os Pássaros”, na zona do tribunal, com a participação de vários grupos artísticos do concelho, envolvendo mais de 100 pessoas. A celebração dos 40 anos da Revolução dos Cravos encerra, no dia 27, com o espetáculo “As Portas que Abril Abriu”, no Cineteatro Camacho Costa, uma produção de um jardim infantil local que conta com a participação do artista João Afonso.

Ourique Odemira Os concertos noturnos de Tiago Bettencourt, Pedro Abrunhosa e Deolinda são a aposta do município de Odemira nas comemorações dos 40 anos da Revolução dos Cravos. Na noite de 24, Tiago Bettencourt, que iniciou a sua carreira com os Toranja, inaugura o palco ao ar livre no largo Brito Pais, antecedendo o simbólico ato de hastear da bandeira, nos paços do concelho, “à meia-noite em ponto”. A festa prossegue com o “habitual espetáculo piromusical”, na zona ribeirinha da vila alentejana, e dá depois lugar a mais um concerto, “noite fora”, protagonizado por Pedro Abrunhosa e a sua banda, os Comité Caviar. Os Deolinda animam a noite de 25 no largo Brito Pais, mas antes é promovido um recital de tributo ao falecido músico José Afonso, “O Canto da Utopia”, por Eduardo Barroso, no Cineteatro Camacho Costa. Durante o dia da

O programa do 25 de Abril em Ourique reserva para quinta-feira, 24, às 14 e 30 horas, as comemorações dos quatro anos da biblioteca municipal, onde, às 21 e 30 horas, será lançado o livro O Nome das Ruas – Toponímia da Freguesia de Ourique, da autoria de Henrique Figueira e Vítor Encarnação e com fotografias de Valter Bento. Com edição da Associação ORIK, o lançamento da obra conta com os apoios da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal de Ourique. Na sexta-feira, dia 25 de Abril, às 21 e 30 horas, será apresentado, no Cineteatro Sousa Telles, o espetáculo de revista “E Porque Não Emigras?”, com entradas gratuitas.

Santiago do Cacém Um espetáculo com a banda Amor Electro é a proposta da Câmara de Santigo do Cacém para a noite de

quinta-feira, véspera do 25 de Abril. O concerto comemorativo dos 40 anos da Revolução dos Cravos terá lugar no Parque Verde Quinta do Chafariz.

Serpa O Cineteatro Municipal de Serpa recebe na quinta-feira, véspera do 25 de Abril, a partir das 21 e 30 horas, um espetáculo comemorativo dos 40 anos da Revolução, que prevê a entrega de cravos, a intervenção alusiva à data pelo executivo da Câmara de Serpa, as atuações do Grupo Coral Os Ceifeiros de Serpa e do Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa e um concerto pela Banda da Sociedade Filarmónica de Serpa. Seguir-se-á, à meia-noite, o lançamento de morteiros do Alto da Forca, uma arruada pela Banda da Sociedade Filarmónica de Serpa e um espetáculo piro-musical. Na sexta-feira, 25, pelas 10 horas, haverá um torneio da malha no campo da malha (Espelho de Água), com almoço convívio para os participantes, e, pelas 18 horas, a praça da República receberá uma aula de ginástica aberta à população.

Sines João Afonso, sobrinho de José Afonso, e Rogério Pires juntam-se no palco do auditório do Centro de Artes de Sines, no dia 24, às 22 horas, para apresentarem o seu projeto “Buganvília”, um espetáculo intimista de vozes e guitarras que terá a participação de um grupo coral da cidade. Na noite seguinte, pela meia-noite, os Skip & Die, liderados pela sul-africana Cata. Pirata e pelo holandês Jori Collignon, animam o largo Poeta Bocage, junto ao castelo, naquela que será a sua segunda atuação em Sines, após

terem encerrado o Festival Músicas do Mundo no ano passado. Uma hora e meia antes, o projeto Maquinistas, formado por 14 músicos, incluindo professores e alunos da Escola das Artes do Alentejo Litoral, com sede em Sines, dá o pontapé de saída para uma noite musical ao ar livre. O serão, organizado pela Associação Pro Artes, prossegue às 2 horas, com o DJ Set Gran_Van & Emylis. O espetáculo de homenagem a João Villaret, pelo Teatro da Comuna, marca também as comemorações da Revolução dos Cravos em Sines, estando agendado para as 22 horas do dia 25, no auditório do Centro de Artes. As cerimónias protocolares arrancam às 10 horas do dia 25, com o hastear da bandeira nos paços do concelho, seguindose a sessão solene extraordinária da Assembleia Municipal de Sines, no Centro de Artes. No início da sessão, pelas 10 e 30 horas, será projetado o documentário “Do Silêncio à Liberdade! O 25 de Abril em Sines”, produzido pelo município.

Vidigueira A Assembleia Municipal de Vidigueira reúne-se extraordinariamente na sexta-feira, 25, pelas 10 horas, no salão do Centro Multifacetado de Novas Tecnologias numa sessão solene comemorativa dos 40 anos do 25 de Abril. Na cerimónia, para além das intervenções dos presidentes da Assembleia e Câmara Municipal e dos representantes dos partidos políticos, terá lugar a atuação do grupo de cante alentejano da Escola de Música da Câmara Municipal de Vidigueira e do Grupo Coral Os Vindimadores de Vidigueira. No dia anterior, 24, pelas 21 e 30 horas, a praça Vasco da Gama recebe o espetáculo comemorativo dos 40 anos do 25 de abril, com o Grupo Explosive Dancer’s – GAMA, Escola de Música da CMV, Grupo Coral Os Vindimadores e Banda Filarmónica dos Bombeiros Voluntários de Vidigueira. Segue-se uma ceia convívio e, pela meia-noite, o lançamento de 40 morteiros comemorativos dos 40 anos de Abril.


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O “Diário do Alentejo” está a socorrer-se das suas próprias páginas para recordar os momentos que precederam e que se seguiram ao 25 de Abril de 1974. Sem qualquer intuito científico, histórico ou sociológico, pretendemos apenas dar a conhecer aos nossos leitores a forma como um pequeno diário de província olhava para a região, para o País e para o mundo há precisamente 40 anos. E uma das grandes conclusões que podemos retirar desta revisitação é que por vezes, afinal, a história repete-se.

Diário de uma Revolução (4) Paulo Barriga

Crónica de uma Revolução não anunciada Em memória de Gabriel García Márquez, jornalista e escritor

T

odo e qualquer jornal diário, por mais perspicaz e atuante que seja o seu corpo redatorial, é sempre uma imagem fabricada e falível da atualidade. O melhor jornal de hoje será sempre o jornal de amanhã. E essa fatalidade tem apenas a ver com a questão da antecipação da agenda do dia. Os jornais são feitos de um dia para o outro, esperando sempre que o dia seguinte encaixe que nem uma luva nas previsões do dia de hoje. Os jornais, principalmente os diários, são uma sucessão de erros, de omissões, de esquecimentos. O bom jornal é aquele que tem a capacidade de errar menos. Vem a conversa a propósito da edição do “Diário do Alentejo” do dia 25 de abril de 1974. Que é, talvez, aquela que mais é requisitada nos arquivos e aquela que, certamente, mais deverá dececionar os investigadores e os curiosos. Porque, como é espectável, a edição do “DA” do dia 25 de abril de 1974 não oferece ao leitor o que se passou em Beja e no Alentejo nessa quinta-feira de há 40 anos, mas antes aquilo que foi dado a ler às pessoas nesse dia primeiro do resto da vida democrática portuguesa. Para todos os efeitos, o jornal do dia 25 de abril foi o último sobre o qual a comissão de censura teve a oportunidade de jogar o lápis azul.. Ou talvez não. É que, para além dee ser diário, “verdadeiramente”, o m “DA” de então era vespertino. Um jornal da tarde, como tantos outross r. que nesse tempo se faziam publicar. E essa periodicidade deixa antever a ve ansiedade e a inquietação que deve o, ter tomado o diretor da publicação, oMelo Garrido, quando já tinha cova nhecimento que “algo” se passava liem Lisboa, mas cujo risco de publicação noticiosa era ainda elevado. na Mesmo assim, na última página desta edição, na rúbrica “Notícias em ado poucas linhas”, o jornalista, isolado iliinformativamente sobre golpe miliboa tar que estava em marcha em Lisboa ão a nessa manhã, dava para publicação osta seguinte notícia, confusa e composta

à pressa, a julgar pela construção frásica: “Movimentos militares que ao princípio da madrugada se registaram no País e na perspetiva de graves acontecimentos, não nos é possível fornecer o nosso habitual resumo noticioso do País, que normalmente nos enviam os nossos colaboradores em Lisboa”. E este foi o único pronúncio nas páginas do “Diário do Alentejo” de uma Revolução que era esperada, como já documentámos, mas que não se fez anunciar. A 25 de abril de 1974, o principal jornal do Alentejo preocupava-se com a escalada dos preços das matérias-primas nos mercados internacionais

e, em especial, com o aumento do preço do papel. Em manchete, voltava à cena o habitual espetáculo da falta de água no Alentejo, desta feita noticiando a regularização do abastecimento público em Sousel. As duas fotografias de capa e, sobretudo, as legendas que as acompanham dão-nos uma visão bastante lúcida e clarividente sobre o Portugal de então, entre a ilusão do desenvolvimento sempre adiado e o atraso cultural face ao chamado “mundo livre”. Numa das fotonotícias dáse conta da instalação da “primeira plataforma de prospeção de petróleo nas águas territoriais portuguesas”. Facto que poderá

muito bem ter estado na origem na rábula cómica “há petróleo no Beato”. Na outra, narra-se com espanto e alguma modernidade o facto de, na Alemanha, “senhoras de diferentes idades” participarem em provas de corta-mato. Quanto ao resto, tudo normal. José Dias Cara Nova Júnior presidia à última reunião do executivo municipal de Beja; a 27 de abril noticiava-se um baile da rosa em Mombeja; o senhor engenheiro Luís Passanha passava a presidir ao Grémio da Lavoura de Ferreira do Alentejo; um leitor queixava-se da péssima qualidade dos arruamentos da aldeia de Corte do Pinto, na igreja do Salvador decorria uma palestra sobre “a mulher como mãe e esposa” e o Café Restaurante Avenida, de Alcácer do Sal, avisava que tinha adjudicado o serviço de restauração da I Grande Feira do Alentejo, que não haveria de se realizar me Beja, no mês de maio seguinte. A revolução propriamente dita veio nas páginas do jornal de amanhã, dia 26 de abril de 1974. Porque o melhor jornal é sempre o jornal de amanhã. Por isso mesmo, hoje, oferecemos aos nossos leitores a edição facsimilada desse jornal. Uma vez que a revolução que encheu de cravos os canos das espingardas apenas chegou aos jornais do Alentejo no dia seguinte. Mas esses são tiros para os próximos episódios do “Diário de uma Revolução”. As mais significantes primeiras páginas do “Diário do Alentejo” publicadas em Abril de 1974 estão em exibição na galeria de exposições temporárias do Museu Regional de Beja, na rua dos Infantes, até 22 de maio.


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mil é o número aproximado de toneladas de lixo indiferenciado que, anualmente, são depositadas no Aterro Sanitário da Resialentejo, provenientes de oito município do distrito: Almodôvar, Barrancos, Beja, Castro Verde, Mértola, Moura, Ourique e Serpa.

Tema de capa

O ciclo dos resíduos até à retoma na área do distrito de Beja

Quanto vale o nosso lixo? Mesmo longe da vista e do nosso olfato, o lixo de que nos libertamos todos

É

humano. Não gostamos de lixo. Os despojos dos nossos dias não são assunto que nos interesse. Libertamo-nos do que já não nos serve e esquecemos. Mas isso não significa que aquilo que empurramos para longe da vista e do nariz deixa de ter existência física. Continua a ter, sim, parece que por muitíssimos anos, e há quem se ocupe disso por nós. Estamos na Herdade do Montinho, na freguesia de Santa Clara do Louredo, Beja, mais concretamente no Parque Ambiental da Resialentejo, a empresa intermunicipal a quem cabe o tratamento e a valorização dos resíduos sólidos urbanos do Baixo Alentejo. São cerca de 143 hectares, paredes meias com o IP2, onde diariamente é depositado o lixo de perto de 96 mil habitantes, mais concretamente o que é produzido pelos munícipes dos concelhos de Almodôvar, Barrancos, Beja, Castro Verde, Mértola, Moura, Ourique e Serpa. O resultado é a montanha que vemos ao longe, onde se acomodam anualmente cerca de 40 mil toneladas de detritos indiferenciados. É o chamado Aterro Sanitário, puro e duro, visitado por bandos de cegonhas na fase em que os resíduos ainda são visíveis, como agora, pelas 10 da manhã. Vê-las daqui, à cata de matéria comestível, com as penas brancas manchadas de sujidade, é o ruir da imagem romântica que temos desta ave aparentemente solitária e contemplativa, que é uma presença constante na paisagem alentejana, em torres, sinos de igrejas, postes de eletricidade, chaminés. Porém, têm o seu papel de primeira triagem, num setor onde a mão humana não entra. Só as máquinas, que procedem ao espalhamento após a descarga dos resíduos – vindos das quatro estações de transferência do sistema, em Barrancos, Castro Verde, Mértola e Serpa – à compactação e, por fim, à cobertura com terras. “Às vezes olho para ali e penso que há países no mundo onde, em vez de cegonhas, são as pessoas que fazem este papel”, comenta Susana Ramalho, diretora executiva da Resialentejo, apontando para esta montanha “controlada”, que nada tem a ver com

os dias continua a ter existência física. E valor. Que, em alguns casos, não é pouco. O “Diário do Alentejo” foi ao Parque Ambiental da Resialentejo perceber que destino têm os detritos produzidos pelos perto de 96 mil habitantes dos concelhos de Almodôvar, Barrancos, Beja, Castro Verde, Mértola, Moura, Ourique e Serpa. E que papel temos nós, cidadãos, a montante, na “sustentabilidade” do chamado Sistema de Tratamento e Valorização de Resíduos Sólidos Urbanos do Baixo Alentejo. Texto Carla Ferreira Fotos José Ferrolho

os “lixões” a céu aberto das grandes cidades da América do Sul, por exemplo. O enchimento processa-se pela exploração de células e é feito de forma gradual, organizada e metódica, até se atingir a cota prevista para o encerramento. E as águas lixiviantes, altamente poluentes, que resultam da degradação da matéria-orgânica por ação da chuva, também recebem tratamento dentro do recinto, antes de serem descarregadas na

linha de água mais próxima. Como em qualquer outro aterro sanitário, o lixo não desaparece por passe de mágica – vai-se decompondo num processo monitorizado. “O aterro é constituído por três células, sendo que estamos neste momento na fase do último enchimento. À taxa de deposição que tem vindo a verificar-se nos últimos anos, prevê-se que tenha o seu fim de vida no ano de 2020, o que

significa que vai ser necessário construir uma outra célula para deposição de lixo indiferenciado”, informa Susana Ramalho, explicando de que forma é que o cidadão comum pode ter um papel fundamental no adiamento desta nova infraestrutura, com um custo previsto de quatro milhões de euros. Aliás, basta olhar para o monte de resíduos e concluir que há ali algo a destoar – a mancha branca feita de sacos de plástico. “Estes resíduos ficam aqui e vão-se decompondo, um processo que seria mais rápido se o material que aqui está fosse apenas orgânico. Infelizmente nós temos ainda uma grande percentagem de materiais recicláveis entre o lixo indiferenciado, porque não existe ainda a tal sensibilização que gostaríamos que houvesse”, lamenta a responsável. Mas, ainda assim, a percentagem de recicláveis tem vindo a diminuir, assim como, de uma forma geral, o lixo produzido. O fenómeno, não sendo nada de drástico, tem sido, no entanto, percetível, “a partir dos finais de 2012”, observa Susana Ramalho, que, a olho nu, avança como explicação “a menor disponibilidade de dinheiro que as famílias têm”. O que poderá estar na origem, não só de uma redução da quantidade de alimentos consumidos, como do volume de produtos embalados que as famílias trazem para casa, já que os alimentos vendidos a granel nos hipermercados, tendem, nos dias que correm, a ser mais baratos. “Se, numa situação normal, a pessoa nem sequer olhava, trazia o embalado, porque até é mais bonitinho, hoje em dia essa questão está a influenciar o consumo e reflete-se na menor quantidade de lixo a chegar ao aterro todos os dias, quer seja de indiferenciados, quer seja de recicláveis”, concretiza Susana Ramalho. O Natal e a Ovibeja são, por seu turno, picos de produção de lixo na região, entre as embalagens de brinquedos e os rastos da passagem de milhares de visitantes pelo Parque de Feiras e Exposições da cidade. O que parece menos óbvio é um terceiro pico de produção, no verão, época de férias e alimentação mais leve, mas que o consumo de

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refrigerantes e afins parece compensar. E é para o reino das embalagens que agora seguimos, avisados de que é a “zona, em toda a instalação, que vale dinheiro”, comenta a diretora executiva. Estamos no Centro de Triagem, um pavilhão que tem no seu centro uma mancha indistinta de plásticos que, lentamente, numa viatura empilhadora, um operador vai empurrando na direção do tapete transportador. Lá de cima, da chamada cabine de triagem, chega um barulho ensurdecedor, que reverbera pelo recinto. São as embalagens metálicas a embater com estrondo no separador eletromagnético, instalado sobre o tapete de triagem, a que se junta um aparelho de rádio a ecoar reggaeton no volume máximo. Só assim, em aparente ambiente de festa, se consegue suportar esta atividade “altamente rotineira, stressante e que leva a um grande desgaste físico e a doenças profissionais, nos pulsos por exemplo, devido aos gestos repetitivos”, explica a responsável. Os trabalhadores usam luvas, máscaras e uma farda própria, que é lavada nas próprias instalações. E de todos os que estão ao serviço do Parque Ambiental, estes, os do Centro de Triagem, e os do Aterro, são os que recebem o subsídio de risco máximo, “pelo facto de estarem tão expostos. Porque isto é lixo. Vale dinheiro mas é lixo”, justifica. E olhando para o aspeto sujo da passadeira, onde os operadores, atentos, vão identificando os vários tipos de embalagens e encaminhando-as para o respetivo silo (são sete ao todo e estão por debaixo da plataforma da cabine), damo-nos conta de que lixo é mesmo lixo. E que aos ecopontos amarelos chegam coisas tão absurdas como vidro, pão, cebolas, batatas podres, bonecas, lanternas e até autorrádios. “Costuma-se dizer que, em caso de dúvida, o melhor é colocar no ecoponto amarelo porque é o único que é triado. Conseguimos aqui identificar o que é que pode ainda ir para o aterro. E, de facto, aparece aqui muito lixo indiferenciado, mas o pior que pode acontecer é aparecer lixo doméstico. Quanto maior for a eficácia aqui, quanto mais pura for a carga, maior será o rendimento”, descreve Susana Ramalho. Unidade de Tratamento Mecânico e Biológico a funcionar em 2015 A separação em silos tem

o seu propósito. Os materiais, que são vendidos em maioria à Sociedade Ponto Verde (há outros retomadores para materiais específicos, como por exemplo os resíduos da PUB

agricultura), têm valores diferentes, sendo o lote mais caro o das embalagens de plástico, entre sacos e película de embalamento, garrafas e garrafões, cuja contrapartida é de 732 euros por tonelada. Seguem-se as embalagens compósitas, como é o caso dos pacotes de leite, a 693 euros a tonelada, e, a uma distância considerável, o papel/cartão, pago a 122 euros (fração embalagem) e a 94, 70 euros (fração não embalagem). Saliente-se aqui que o papel, colocado nos ecopontos azuis, não sofre qualquer tipo de triagem – entra diretamente para a prensa e é enfardado. O vidro, por seu turno, está no final da lista de valores, com uma retoma de apenas 35 euros por tonelada. “Já tenho ouvido pessoas que dizem ‘eu não separo, para dar trabalho aos funcionários do Parque Ambiental’”, mas esta crença baseia-se na ignorância, faz notar a responsável. “As pessoas pensam que existe aqui uma Unidade de Tratamento Mecânico e Biológico, que é o que vamos ter no futuro”. Trata-se de um projeto que tem como parceiros a Associação de Municípios do Alentejo Central (Amcal) e a Gesamb – Gestão Ambiental e de Resíduos (Évora), e cuja construção estará terminada

A separação em silos tem o seu propósito. Os materiais, que são vendidos em maioria à Sociedade Ponto Verde, têm valores diferentes, sendo o lote mais caro o das embalagens de plástico, entre sacos e película de embalamento, garrafas e garrafões, cuja contrapartida é de 732 euros por tonelada.

previsivelmente em dezembro deste ano, esperando-se que a nova unidade esteja a funcionar, “em velocidade de cruzeiro “, entre abril e maio de 2015. O investimento é grande, de 5, 7 milhões de euros (entre construção civil e equipamentos), mas promete uma redução de lixo deposto em aterro na ordem das 14 900 toneladas por ano. “O objetivo é separar tudo o que é matéria orgânica, para fazer composto, e separar ainda todos os recicláveis que vêm no lixo indiferenciado. Com certeza que nós vamos reduzir a quantidade de deposição em aterro, pelo facto de tirarmos grande parte”, acredita Susana Ramalho. E com isso, o Parque Ambiental está também a ir ao encontro do Plano Nacional de Gestão de Resíduos, que recomenda um desvio gradual do lixo, até ao uso dos aterros, quase exclusivamente, para deposição dos rejeitados, ou seja, os materiais sem qualquer valor. “É um processo menos manual, mas não está prevista uma diminuição do número de trabalhadores”, 51 ao todo, entre os do Parque Ambiental e os das estações de transferência e ecocentros espalhados pelo distrito, garante a diretora, já que o papel e o vidro continuarão a ser tratados à parte. “É um processo muito mais apurado, a separação é muito mais eficiente, e, por outro lado, há a valorização do produto matéria orgânica, que neste momento vai para aterro e a única coisa que faz é decompor-se e produzir água lixiviada”, enumera a diretora. A mensagem é clara. Mesmo depois de sair das nossas casas em direção aos moloks e ecopontos, o lixo não deixa de ser responsabilidade de quem o produz. Muita da “sustentabilidade” desta empresa intermunicipal, a quem cabe fazer funcionar o Sistema de Tratamento e Valorização de Resíduos Sólidos Urbanos do Baixo Alentejo, tem por base o “comportamento dos munícipes”, avisa Susana Ramalho. Ou seja, “quanto maior for a separação, maior é a quantidade de resíduos recicláveis e maior é o encaixe financeiro que a Resialentejo tem a partir daí. E quanto menor for a quantidade de recicláveis que vai para o lixo indiferenciado, melhor funcionará também a Unidade de Tratamento Mecânico e Biológico. Porque este projeto tem também a mais-valia da produção do composto, um composto orgânico, cuja qualidade depende também do que lá aparecer”, conclui. Sem contar que a dita montanha, onde param as cegonhas, também vai parar de crescer.


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Atual Carlos Valente é candidato a deputado europeu Carlos Valente, militante do PSD no distrito de Beja, que atualmente desempenha o cargo de presidente do Conselho Estratégico da Distrital do PSD Beja e foi candidato à Câmara Municipal de Moura nas últimas eleições Autárquicas, integra a lista de candidatos a deputados ao Parlamento Europeu apresentada pela coligação do PSD/CDS-PP. Os diretores de campanha distrital são Herlânder Mira (PSD) e Joana Cortes Figueira (CDS-PP). As eleições europeias estão marcadas para o dia 25 de maio.

Juventude Socialista cria secção em Castro Verde A Juventude Socialista criou uma secção em Castro Verde com o objetivo “de defender um projeto de transformação social no concelho e na região, assente nos valores da igualdade, da solidariedade e da liberdade.” A criação da JS – Castro Verde concretizou-se no sábado, 19, com a realização de uma assembleia geral de militantes que elegeu o secretariado concelhio, cujo coordenador é Tiago Mestre Mamede. O novo líder da Juventude Socialista de Castro Verde tem 24 anos e é licenciado em Relações Internacionais pela Universidade de Évora, onde frequenta atualmente o mestrado em Relações Internacionais e Estudos Europeus.

Reforma judiciária afunila litígios no Tribunal

Processos duplicam em Beja A reforma judiciária “era necessária, mas foi feita um bocadinho à pressa”, diz Pinela Fernandes, presidente da delegação distrital da Ordem dos Advogados. Na Comarca de Beja, “as questões logísticas, os recursos humanos”, e a previsível “duplicação” dos processos, podem criar “sérias dificuldades” ao normal funcionamento da Justiça, avisa Carlos Gomes, secretário do Tribunal de Beja. Texto Aníbal Fernandes Foto José Serrano

O

s até agora tribunais locais passam a designar-se “instância local”, integrados no Tribunal da Comarca de Beja. À exceção do de Mértola, que foi convertido em secção de proximidade, todos os outros podem ser secções de competência genérica, ou desdobrar-se em competência cível e crime, em qualquer dos casos, apenas quando o valor for inferior a 50 mil euros, e cinco anos de pena, respetivamente. O impedimento de que os processos civis e criminais com valores ou penas superiores sejam resolvidos nas instâncias locais, e a instalação em Beja do Tribunal de Família e Menores – que obriga a que todos os processos desta área também sejam avaliados em Beja –, vai criar uma sobrecarga

de trabalho para a qual a futura instância central não está preparada. Segundo Carlos Gomes, secretário do Tribunal de Beja, o volume de trabalho pode “duplicar”, o que levará a instituição a “sentir sérias dificuldades” para implementar a reforma judiciária. Em declarações ao “Diário do Alentejo, este agente judicial revelou que “ainda não se sabe quantos magistrados e oficiais de justiça” estarão a trabalhar em Beja no dia 1 de setembro. O Conselho Superior de Magistratura (CSM), numa nota divulgada no seu site, recomendou aos magistrados para que evitem marcar julgamentos para depois de 31 de agosto. Segundo explicou a juíza Albertina Pedroso ao jornal “Público”, como ainda não se sabe “onde é que os juízes ficarão colocados, é preferível adiar as marcações de novos julgamentos”. Em Beja acresce que as instalações dificilmente suportarão muito mais gente. Segundo José Pinela Fernandes, presidente da delegação distrital da Ordem dos Advogados, “houve falta de visão estratégica” quando se decidiu avançar para obras de remodelação no Tribunal de Beja. Na altura defendeu junto da ministra da Justiça a concentração dos vários tribunais espalhados pela cidade no antigo edifício do Banco de Portugal, nas Portas de Mértola. Paula Teixeira da Cunha foi sensível aos

argumentos apresentados, nomeadamente à poupança nas rendas que isso significaria, mas, até à data, não tomou qualquer decisão sobre o assunto. Lembre-se que na capital do Baixo Alentejo existem a funcionar o Tribunal do Trabalho, nas antigas instalações do Governo Civil; o Tribunal Administrativo e Fiscal, na rua de Angola; o Tribunal Judicial, no jardim Engenheiro Duarte Pacheco; para além das conservatórias e notariado, na praça do Ultramar. Segundo José Pinela Fernandes, a dispersão dos vários serviços judiciários são, em si mesmo, um obstáculo à atividade célere dos agentes judiciais. O jurista diz que a reforma “tinha de ser feita para resolver problemas de morosidade, confiança e para bem da economia”. No entanto, segundo Pinela Fernandes, “foi feita um bocadinho à pressa”, o que torna “quase impossível” a entrada em funcionamento do novo regime a 1 de setembro. O Tribunal de Odemira, até agora ligado ao litoral, vai voltar a ficar dependente da Comarca de Beja. Mértola, o único tribunal do distrito convertido em “secção de proximidade” vai, apesar de tudo, beneficiar de uma exceção prevista na lei por “questões de distância em tempo e quilómetros” e realizar julgamentos, ato vedado aos outros 26 tribunais desqualificados um pouco por todo o País.

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O livro Reforma Agrária – A Revolução no Alentejo, da autoria do antigo deputado do PCP José Soeiro, vai ser apresentado no sábado, a partir das 16 horas, na Biblioteca Municipal de Cuba. O livro, lançado em 2013 e que tem vindo a ser apresentado em vários locais, descreve o processo da Reforma Agrária e também o de Contra-Reforma no distrito de Beja, entre 1974 e 1977. Militante do PCP, José Soeiro, eleito deputado pelo círculo de Beja, em 1983, 1995, 2005 e 2009, foi trabalhador agrícola, fundador e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas do Distrito de Beja e impulsionador do processo e da luta em defesa da Reforma Agrária.

“Vaivém Oceanário” promove ações de educação ambiental em Moura O “Vaivém Oceanário” está estacionado, até domingo, no castelo de Moura, para promover ações de educação ambiental, umas destinadas a alunos e outras ao público em geral. Na quinta-feira, 24, de manhã e de tarde, o camião do Oceanário de Lisboa, que

se transforma em palco e sala de exposições, vai promover ações para alunos das escolas do concelho de Moura. A partir das 17 e 30 horas, terá lugar um workshop para professores e educadores. Na sexta-feira e no sábado, de manhã e à tarde, e no domingo, de manhã, as ações serão abertas ao público em geral e com entradas livres.

JOSÉ FERROLHO

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Operação da responsabilidade do GPS Tour

Voos Paris/Beja têm início na segunda-feira, dia 28 O aeroporto de Beja recebe na próxima segunda-feira, dia 28, pelas 10 e 15 horas, a primeira rotação oriunda do mercado francês. voo, que tem como aeroporto de partida o aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, e uma passagem por Nantes, é o primeiro de vários que tem como destino final o Alentejo, refere, em comunidade de imprensa enviado ao “Diário do Alentejo”, a Agência de Promoção Turística do Alentejo.

O

Conforme foi anunciado em outubro do ano passado, a operação é da responsabilidade do GPS Tour, operador turístico líder no mercado francês para Portugal. De acordo com estimativas avançadas pelo operador, “esta ação deverá representar 40 mil ‘roomnights’ adicionais”. A operação, que já teve o seu início, com voos para Lisboa, no passado dia 13, “tem como base um contrato firmado entre a GPS Tour e a PRO BTP, fundo de proteção social dos trabalhados da construção civil, que representa

mais de três milhões de lares franceses”, adianta a nota de imprensa. A iniciativa “contou com o apoio e empenho” da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, assim como do Turismo de Portugal e da ANA – Aeroportos de Portugal. Segundo a ANA, em três anos de vida, o aeroporto de Beja realizou, através de sete companhias aéreas, 245 movimentos de aeronaves, sendo a “maioria” de operações charter não regulares, que transportaram cerca de 93 por cento dos 6 624 passageiros.

CDU de Beja assinala 25 de Abril com jantar

Mértola homenageia combatentes da Guerra

Núcleo de Beja da EAPN promove seminário

No âmbito das comemorações do 40.º Aniversário da Revolução dos Cravos, a Coligação Democrática Unitária (CDU) promove na sexta-feira, dia 25, pelas 20 horas, no refeitório do Liceu Diogo Gouveia, em Beja, um jantar comemorativo. A iniciativa, aberta a todos os interessados, contará com a presença de João Ramos, membro da Dorbe e deputado do PCP na Assembleia da República, assim como com a participação de eleitos e ativistas da CDU.

A Câmara Municipal de Mértola homenageia na quinta-feira, dia 24, pelas 18 e 30 horas, junto do monumento do Jardim dos Combatentes, os antigos combatentes na Guerra Colonial naturais do concelho. A cerimónia conta com as intervenções dos presidentes da Câmara e Assembleia Municipal e de um antigo combatente. Na ocasião será celebrado um serviço religioso, com deposição de coroas de flores e a atuação do coro “Mértola tem Melodia”.

O Núcleo Distrital de Beja da EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza promove, no dia 30, no auditório dos Serviços Comuns do Instituto Politécnico de Beja, um seminário ibérico dedicado ao tema “Respostas inovadoras inclusivas em tempos de crise”. A iniciativa pretende “dar a conhecer as linhas gerais de orientação para um conhecimento recíproco das formas como se pode combater a pobreza”, assim como aprofundar as novas necessidades emergentes do apoio ao investimento.

11 Diário do Alentejo 25 abril 2014

José Soeiro apresenta em Cuba livro sobre a Reforma Agrária


Diário do Alentejo 25 abril 2014

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Beja recebe 1.º Encontro da Lista de Variedades Recomendadas para Trigos de Qualidade

A herdade de Almocreva, em Beja, recebe no próximo dia 30, entre as 9 e 30 e as 13 horas, o 1.º Encontro da Lista de Variedades Recomendadas para Trigos de Qualidade, organizado pelo Iniav – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, Anpoc – Associação Nacional de Produtores de Cereais, Oleaginosas e Proteaginosas, Instituto Politécnico de Beja, Ceres, Germen e Cerealis. O encontro pretende “dar a conhecer esta iniciativa pioneira nos trigos de qualidade em Portugal”, diz a organização, adiantando que “a investigação, a produção e a indústria vão anualmente realizar ensaios de campo e analisar diversos parâmetros agronómicos e de qualidade com o objetivo de elaborar uma lista de variedades recomendadas para trigos moles e duros de qualidade no sentido de identificar as variedades que melhor servem os interesses de todos os agentes”.

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Produtores de milho e sorgo presentes na Ovibeja

Regadio é “fundamental para termos uma agricultura competitiva” A Anpromis – Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo considera que o tema central da 31.ª edição da Ovibeja, “Terra Fértil – Mostra de Inovação Agrícola e Agrobusiness”, “não poderia ser mais pertinente uma vez que o Alqueva trouxe para Portugal e, em particular, para a região, uma nova realidade baseada na inovação agrícola e no agronegócio”. “O regadio é um passo fundamental para termos uma agricultura competitiva em Portugal”, acrescenta Luís Vasconcellos e Souza, o presidente da associação que representa cerca de 75 000 produtores de milho, em comunicado enviado ao “Diário do Alentejo”.

P

ara a Anpromis, que vai mais uma vez marcar presença no certame, a Ovibeja “constitui um espaço privilegiado para apoiar as novas áreas de regadio e dar a conhecer o elevado grau de profissionalismo de alguns dos agricultores da região que, suportados pelas novas tecnologias e por uma notória aposta na formação e no aprofundando dos seus conhecimentos, têm atingido elevados níveis de competitividade por hectare”. Luís

Vasconcellos e Souza, que desde sempre encarou o regadio “como a base de uma agricultura competitiva” não deixa de evidenciar o papel do Alqueva para o crescimento de culturas como a do milho. “Com uma ocupação, em 2013, da área de regadio na ordem dos 18 por centro, o milho apresenta-se como a segunda maior cultura na região do Alqueva, tendo apresentado um crescimento de 66 por cento na última cam-

panha agrícola. Trata-se de uma cultura que tem vindo a conquistar o reconhecimento dos mais variados decisores da política agrícola nacional”, acrescenta. Com “a cultura do milho a ganhar espaço na região”, os produtores de milho acreditam que o novo quadro comunitário de apoio “trará para a região o incentivo que esta necessita para continuar a crescer e a acompanhar os investimentos que vão surgindo com as novas áreas de regadio”. A Anpromis é, desde a sua criação, em 1988, membro da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), e, desde 1998, membro da Confederação Europeia dos Produtores de Milho (CEPM). A Ovibeja decorrerá no Parque de Feitas e Exposições entre os dias 30 de abril e 4 de maio.

Exposição do fotógrafo Ricardo Guerreiro

“Vaca Garvonesa” mostra-se na Ovibeja

A

Herdade da Mata, a Câmara de Ourique e a Associação de Agricultores do Campo Branco apresentam, no decorrer da Ovibeja, a exposição “Vaca Garvonesa”, da autoria do fotógrafo Ricardo Guerreiro. A mostra, que estará patente no Parque de Feiras e Exposições de Beja entre os dias 30 de abril e 4 de maio, pretende promover raça bovina garvonesa e o Baixo Alentejo, “dando a conhecer este símbolo identitário e cultural da região”. Ao longo de 26 imagens, “algumas delas re-

alizadas no âmbito de um trabalho para a ‘National Geographic Portugal’, temos um vislumbre do íntimo destes animais que outrora moldaram o Alentejo puxando charruas e carretas, bem como das paisagens e alguns animais selvagens que coabitam estes campos”, explicam os promotores. Ricardo Guerreiro nasceu no Funchal em 1977 mas cresceu em Almada, onde vive atualmente. Com origens familiares no concelho de Ourique, as longas temporadas no

Alentejo trouxeram um contacto próximo do mundo natural. Fotógrafo freelancer, encontra na natureza o seu motivo de trabalho. As suas imagens têm sido publicadas em livros e revistas da especialidade como a “National Geographic Portugal”. É autor do livro Almada Natureza Revelada, uma viagem sobre o património natural em ambiente urbano, e coautor dos filmes de história natural “Arrábida – da Serra ao Mar” e “Almada – Entre o Rio e o Mar”.


João Ferreira, candidato da CDU às próximas Europeias, esteve, na terça-feira passada, em Beja, onde enalteceu o trabalho dos deputados eleitos pela CDU no Parlamento Europeu, acreditando, assim, no reforço “dos comunistas nas próximas eleições”. O eurodeputado, contudo, defendeu um novo rumo “para Portugal”, mas também para a Europa, até porque o atual modelo, em sua opinião, “agrava as desigualdades”. João Ferreira afirmou mesmo que “o País deve preparar-se para a saída do euro”, uma vez que “a moeda única não promoveu o crescimento económico, a queda do desemprego e a convergência com as economias mais desenvolvidas”.

Departamento de formação profissional da AABA tem novas instalações O departamento de formação profissional da AABA – Associação de Agricultores do Baixo Alentejo está a funcionar, desde a semana passada, em instalações independentes, situadas no largo de São João, n.º 21, em Beja (junto ao cineteatro Pax Julia). A descentralização das instalações,

explica a AABA, “vem na sequência da política da direção que consiste numa forte aposta na formação profissional como ferramenta potenciadora do desenvolvimento da agricultura e, também, devido à grande afluência de interessados que o departamento tem tido, o que tornava as antigas instalações muito exíguas”. Todos os outros departamentos continuam a funcionar nas antigas

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João Ferreira, candidato da CDU às Europeias, em Beja

instalações. A AABA tem abertas inscrições para as ações de formação financiada de aplicação de produtos fitofarmacêuticos, segurança, higiene e saúde no trabalho agrícola e proteção de ruminantes e equinos em transporte de curta duração. Continuam também abertas as inscrições para a formação de jovens agricultores, fruto da parceria com a CAP –Agricultores de Portugal.

Polémica em torno de “manifestação artística” com ovelhas

Assunção Cristas inaugura Ovibeja Tem início, na próxima quarta-feira, 30, a edição 31 da Ovibeja. A feira abre portas às 11 da manhã e é oficialmente inaugurada pelas 15 horas, numa sessão de abertura que contará com a presença da ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, e do secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, Carlos Moedas. A poucos dias do início do certame, a polémica está instalada em torno de um “protesto de ovelhas,” que irá decorrer na feira, onde os animais vivos serão transformados em “obras de arte” com o objetivo de sensibilizar para a perda de 20 mil ovelhas por ano no Alentejo. Texto Gonçalo Farinho

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sta é uma iniciativa levada a cabo por alunos do curso de Artes Visuais e Multimédia da Universidade de Évora que, entretanto já se desvinculou da iniciativa. Sobre o assunto, Luísa Castro e Brito revela: “A organização está consciente que este protesto de ovelhas iria ser causador de alguma polémica, principalmente por parte daqueles públicos mais urbanos e mais distantes daquilo que é a realidade da vida do campo, mas mesmo assim considerámos a iniciativa uma oportunidade única. A Ovibeja é também um espaço de debate político e muitos têm sido os assuntos que têm seguido em frente com debates iniciados na Ovibeja. Não é uma feira de pessoas ‘bem comportadas’, nunca foi. E foi talvez esta irreverência que a levou até onde chegou.” À margem da polémica, pelas 14 e 30

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horas de quarta-feira, tem lugar a transumância de ovinos, uma ação inédita na Ovibeja, organizada pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja e pela ACOS. A jornada terá início com um percurso pelas ruas da cidade de Beja, seguindo-se a entrada dos animais no recinto da feira e a consequente bênção do gado. A noite do primeiro dia ficará marcada pela atuação de Gabriel o Pensador (22 e 30 horas) e dos Dj’s Antena 3 – Nuno Calado e António Freitas (24 horas). À mesma hora tem lugar a garraiada.

A 1 de maio, feriado, Dia do Trabalhador, a noite será dedicada à cidade com as atuações de Tango Paris (22 e 30 horas), dos Aurora (23 horas) e do Dj N-To-The-N (24 horas). A 31.ª edição da feira terá como tema principal a Terra Fértil. Para tal estará presente, todos os dias, no pavilhão Sabor Alentejo, a exposição temática e interativa “Terra Fértil – Mostra de Inovação Agrícola e Agribusiness”. Como explica Luísa Castro e Brito, “esta exposição foi pensada de acordo com as atividades que se desenvolvem decorrentes desta nova

dinâmica da agricultura e nos renovados interesses que há agora no mundo rural. A agricultura está na ordem do dia, e achámos que esta seria uma boa forma de mostrar alguns projetos inovadores.” Esta será uma mostra temática dedicada à inovação e tecnologia na agricultura, no agroalimentar e nas agroindústrias. Trata-se de um showroom de apresentação e demonstração de inovações agrícolas através de projetos divididos em cinco categorias. A exposição ocupará uma área na qual os projetos serão apresentados com recurso a meios multimédia.


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Sérgio Tréfaut apresenta documentário “Alentejo, Alentejo”

O documentário “Alentejo, Alentejo”, do realizador Sérgio Tréfaut, tem antestreia agendada para quinta-feira, dia 24, às 22 horas, no Indie Lisboa, no cinema São Jorge, sala Manoel de Oliveira. O documentário conta com as participações dos grupos Camponeses de Pias, Cantadores de Aldeia Nova de São Bento, da Casa do Povo de Serpa, Os Ceifeiros de Cuba, do Sindicato Mineiros de Aljustrel, Papoilas do Corvo, Coro Feminino Cantares de Alcáçovas, os Rouxinóis da Damaia e Os Bubedanas. O documentário é financiado pela Câmara Municipal de Serpa e cofinanciado pela RTP e Fundação Calouste Gulbenkian.

José Baguinho expõe no Museu Municipal de Vidigueira “Filhos das nuvens – A última colónia” é o nome da exposição de fotografia da autoria de José Baguinho que está patente ao público até ao dia 4 de maio no Museu Municipal de Vidigueira. José Baguinho, natural de Alcáçovas mas a residir em

Beja, é membro do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC). As fotografias que integram a exposição foram tiradas durante uma visita de solidariedade organizada pelo CPPC aos acampamentos de refugiados saharauís na zona de Tindouf (deserto do Sahara, Argélia), na Páscoa de 2009.

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Fotógrafo da agência Lusa conquista principal galardão

Mário Cruz vence Prémio Estação Imagem|Mora O fotógrafo Mário Cruz, da agência Lusa, conquistou o principal galardão do Prémio de Fotojornalismo Estação Imagem|Mora, com uma reportagem sobre um centro de reabilitação que promove a integração social de pessoas com cegueira recente.

O

trabalho vencedor aborda o Centro de Reabilitação Nossa Senhora dos Anjos, integrado na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que promove a reabilitação de cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a partir dos 16 anos, com cegueira ou baixa-visão adquiridas. O objetivo é contribuir para a integração social dos pacientes, ao dotá-los de novas competências que lhes permitam readquirir as autonomias perdidas. “Os pacientes vivem juntos durante um período de três meses e os seus dias são preenchidos com diversas tarefas, sempre acompanhadas por um forte apoio psicológico, com o intuito de melhorar a sua independência social”, pode ler-se no resumo da reportagem, intitulada “Cegueira Recente”. Os vencedores do Prémio de Fotojornalismo Estação Imagem|Mora,

que integra, além do galardão principal, sete categorias temáticas, foram divulgados no sábado, numa cerimónia em Mora. Dedicado exclusivamente à reportagem, o concurso é promovido pela Associação Estação Imagem, com sede naquela vila, e pela câmara municipal local. Nesta 5.ª edição da iniciativa, que tem caráter anual, estiveram a concurso 386 reportagens, da autoria de cerca de 140 fotógrafos. No que toca às categorias temáticas, Pedro Armestre venceu na de Notícias, com a reportagem “On the Fire”, acerca dos fogos florestais na Galiza (Espanha), em 2013. Mário Cruz, com “Cheias no Reguengo do Alviela”, e Monica Ferreirós, com “Accidente de Tren”, foram os 2.º e 3.º classificados, respetivamente, em Notícias. Em Vida Quotidiana, o júri premiou duas reportagens de um mesmo fotógrafo, Rodrigo Cabrita, atribuindo o 1.º lugar a “Aprender a Sobreviver” e o 2.º a “Semana de Praia para Idosos”. O fotógrafo José Ferreira, graças ao trabalho “Body Language”, foi o único premiado na categoria de Artes

e Espetáculos, enquanto em Assuntos Contemporâneos o vencedor foi Bruno Simões Castanheira, com “Portugal, a Antidemocracia do Empobrecimento”, seguindo-se Tommaso Rada, com “Os Últimos”. Em Série de Retratos, o júri premiou apenas Artur Machado, com “Os Manifestantes”, escolhendo dois galardoados para a categoria de Ambiente: Sérgio Rolando (“Paisagem Multiplicada”) e Agata Xavier (“Inventário), nos 1.º e 2.º lugares, respetivamente. O 1.º classificado em Desporto foi Bruno Simões Castanheira (“Capeia Arraiana”), tendo o 2.º lugar sido atribuído a Octávio Passos (“Havai da Europa”). Bolsa Estação/Imagem Além de todas es-

tas reportagens, foi ainda atribuída a Bolsa Estação Imagem 2014 a Hermano Noronha, que vai desenvolver o projeto fotográfico “Presente”, para documentar o estado atual da memória sobre a Guerra do Ultramar no concelho de Mora. Este ano, o júri do concurso foi presidido por Paolo Pellegrin, da agência Magnum, autor de vários livros e um dos fotojornalistas mais premiados a nível mundial.


Inaugurada na quarta-feira, dia 23, continua patente ao público na Casa do Governador, no Castelo de Beja, a exposição de arte contemporânea intitulada “Oito artistas noutro lugar”. A mostra, que pode ser visitada até ao dia 23 de maio, integra trabalhos de Ana Bezelga, Ana Pais Oliveira, Catarina Santos, Daniela Nunes, João Louro, Mariana Baldaia, Teresa Canto Noronha e Vítor Caos.

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Casa do Governador, em Beja, recebe “Oito artistas noutro lugar”

Parque infantil de Moura reabre a 8 de junho O parque infantil do jardim Dr. Santiago, na cidade de Moura, reabre no próximo dia 8 de junho. A Câmara Municipal de Moura “foi forçada a encerrar provisoriamente o parque infantil, em novembro do ano passado, por motivos de segurança, os quais estão entretanto a ser resolvidos”, esclarece a autarquia.

Jornal “O Leme”, de Vila Nova de Santo André, promove prémio

Concurso jornalístico para estudantes Um jornal de Vila Nova de Santo André está a promover um concurso para comemorar 30 anos de existência, no qual podem participar estudantes do ensino secundário com trabalhos jornalísticos, escritos e fotográficos, sobre a costa alentejana.

A

prova, da responsabilidade do jornal “O Leme”, com sede em Vila Nova de Santo André, no concelho de Santiago do Cacém, faz parte de um conjunto de iniciativas que o periódico quinzenal prepara para “envolver a comunidade em geral” na celebração. O concurso é dirigido a todos os alunos PUB

do ensino secundário, que são desafiados a “vestir a camisola de jornalista e/ou fotojornalista”, divulgou hoje a publicação. Os trabalhos devem incidir sobre temas relativos à costa alentejana, que abrange os concelhos de Alcácer do Sal, Grândola, Odemira, Santiago do Cacém e Sines, explicou a organização. “A cobertura de um acontecimento atual, uma reportagem histórica, um retrato de uma personalidade ou uma entrevista” são algumas das propostas do jornal alentejano. De acordo com o regulamento da primeira edição do concurso “Jovem Repórter”, cada participante pode apresentar a concurso

um trabalho em cada uma das duas categorias, escrita ou de fotorreportagem. As propostas que conciliam texto e fotografia serão valorizadas e, para tal, é possível concorrer em equipas de duas pessoas, um redator e um fotojornalista. A receção de trabalhos decorre até ao dia 31 de maio e os resultados serão divulgados no jornal “O Leme” de 5 de julho. Os vencedores, três em cada categoria, têm direito a alguns prémios, incluindo a publicação dos trabalhos, “numa edição especial em data a definir”. Os prémios serão entregues numa festa promovida pela publicação, em Vila Nova de Santo André, prevista para 4 de julho.

Olinda Gil publica Sudoeste O livro Sudoeste, da autoria de Olinda Gil, foi lançado esta semana pela nova chancela da Porto Editora, a Coolbooks, criada com o objetivo de dar a conhecer novos autores de língua portuguesa e editando, em exclusivo, em suporte digital. O catálogo da Coolbooks “será construído a partir de um trabalho cuidado de seleção e edição, distinguindo-se assim claramente das meras plataformas de autoedição, e apresentar-se-á generalista e englobando diferentes géneros que se enquadram na literatura de ficção e de nãoficção”, explicam os responsáveis. Olinda P. Gil, de 31 anos, natural de Beja, mas a residir há muito em Aljustrel, lançou em novembro de 2013 um conjunto de micronarrativas intitulado Contos Breves, uma edição de autor que marcou a sua estreia a solo. Em Sudoeste, Olinda Gil apresenta “três histórias distintas, como que variações de um mesmo tema”. “Em todas elas está presente o mesmo ambiente marítimo, um envolvimento amoroso, uma personagem com ‘o chamamento do mundo’. Todas as histórias se passam na mesma casa”.


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Vim para aprender coisas que se passaram há muito tempo. Aprendi e agora não me quero ir embora. Vou cantar até morrer”. José Pires, 11 anos

Cante

“Cante nas Escolas” é um projeto da câmara municipal

Há 306 crianças a cantar em Serpa

“C

ante nas Escolas”. Este é o nome do projeto implementado pela Câmara Municipal de Serpa em várias escolas dos agrupamentos n.º 1 e 2 de Serpa desde 2009. E os resultados não poderiam ser melhores. O projeto já chegou, na sua totalidade, a centenas de alunos do primeiro e segundo ciclos de escolas de oito localidades do concelho de Serpa. Atualmente são 306 as crianças que estão a aprender a cantar à alentejana. Maria Isabel Estevens, professora, uma das principais impulsionadoras deste projeto e atual vereadora da educação da Câmara Municipal de Serpa, revela os principais objetivos de fazer chegar o cante alentejano aos mais novos: “Houve uma necessidade por parte da Câmara Municipal de Serpa de auscultar as escolas sobre a mais-valia da implementação deste projeto nos estabelecimentos de ensino, uma vez que as crianças estavam mais distantes das suas tradições. Na altura foi bastante acarinhado pelos professores e iniciou-se, como projeto-piloto, no terceiro período do ano letivo 2008/2009.” Para a vereadora da Câmara Municipal de Serpa, a salvaguarda do cante é um dos pilares deste projeto: “Porque é que as crianças se tornavam homens e os homens começavam a cantar? Porque as crianças acompanhavam os pais. Ouviam muito o cante nas reuniões de família, em situações de festas e de convívios. A partir do momento em que a sociedade muda, mudam também essas vivências. E por isso as crianças deixaram de sentir a necessidade de estar junto do cante”. Para Maria Isabel Estevens, o “Cante nas Escolas” serve para dar a conhecer esta tradição aos mais novos: “Quando [o cante] é introduzido nas escolas não é como uma aula, mas sim como algo que se eleva e se dá a conhecer às crianças através da música, da sonoridade, das letras e que os faz desenvolver. Ao conhecer-se decide-se o que se quer, seja cantar ou simplesmente ouvir. E esse conhecimento interior é a melhor forma de preservar a memória, e ao longo dos tempos, aquilo que são as tradições que vão

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O clima de expetativa em torno da candidatura do cante alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade é muito. E muito é também o trabalho de preservação e de salvaguarda que tem sido feito nos últimos anos em torno da mais popular manifestação cultural do Alentejo. Os mais novos são a esperança de quem toda a vida cantou. Mas estará o futuro do cante verdadeiramente garantido? Texto Gonçalo Farinho Fotos José Ferrolho

seguindo gerações.” “O principal objetivo deste projeto é o conhecimento e o sentimento, porque quem conhece canta, e quem canta vibra com sentimento”, revela a professora com alguma emoção. No segundo intervalo da manhã de uma quinta-feira de aulas, o pátio da Escola EB 2,3 Abade Correia da Serra, em Serpa, está repleto de alunos do primeiro ao quarto ano. Quando a campainha toca, os mais velhos comentam entre si, com uma alegria notória: “Está na hora de cantar”. Nem parece um dia de aulas. Na sala, colocam-se em três filas e recebem os jornalistas do “Diário do Alentejo” com a interpretação de quatro modas, todas elas acompanhadas de acordeão, que vai sendo tocado pelo ensaiador da turma, o professor Armando Torrão. Armando Torrão foi professor de educação musical, trabalha atualmente na Câmara Municipal de Serpa e é um dos ensaiadores do projeto “Cante nas Escolas”. Ensaiador de 101 alunos, divididos entre Serpa, Brinches e Pias, ensaia também este grupo de 24 alunos, com idades compreendidas entre os nove e os 11 anos e revela quais os principais valores transmitidos: “Em primeiro lugar despertam-se as sensibilidades, não só destes meninos, mas também das pessoas mais velhas, através deles. O efeito poderá não ser imediato, mas a médio ou longo prazo estas crianças poderão futuramente ingressar nos grupos corais. Se tomarmos como exemplo o Grupo Coral da Casa de Serpa, os elementos mais novos que la estão agora foram todos meus alunos do segundo ciclo.” Para o ensaiador deste grupo, o projeto “Cante nas Escolas” vai ao encontro da candidatura do cante a património Cultural Imaterial da Humanidade, na medida em que “se está a caminhar para a salvaguarda do cante, e este é um dos pontos-chave da candidatura”. Quanto à escolha das modas a transmitir aos jovens, o professor explica que “em primeiro lugar são procuradas modas que não sejam de um estilo recitativo. “Escolho sempre modas em ritmo binário e ternário, que são modas mais alegres e entra mais facilmente nos


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ouvidos das crianças”. “Aqui todos gostam de cantar?” – pergunta o ensaiador aos alunos, que em uníssono respondem: “Sim!”. Cristina Trindade, professora destes alunos há quatro anos, já acompanhou várias turmas onde o projeto “Cante nas Escolas” esteve implementado. “Já tive várias turmas neste projeto e vale a pena. Cada aluno adquire bastantes conhecimentos. Todas as letras foram aprendidas de cor, sem saberem ler ou escrever. Além dos conhecimentos e da cultura que lhes é transmitida, podem, a partir daqui, aprender português, estudo do meio, educação musical, tudo.” Esta atividade não se reflete apenas dentro da sala de aula, fora das quatro paredes várias são as atividades onde estas crianças mostram, com orgulho, aquilo que vão aprendendo: “Eles cantam em festas de Natal ou de fim-deano, nos intervalos das aulas, nas visitas de estudo. Cantam por gosto”, explica a professora. Passam poucos minutos da hora do almoço. De barriga cheia e (quase) vestidos a rigor, espera-nos um grupo de crianças do segundo ciclo do Agrupamento de Escolas n.º2 de Serpa – Escola EB 2,3 de Vila Nova de São Bento. É tarde de ensaio para os antigos alunos do projeto “Cante nas Escolas”, que agora têm um grupo coral juvenil só seu. Destacam-se de todos os outros alunos da escola pelos seus trajes, vestes e acessórios que consigo carregam, cheios de orgulho, e que os fazem pertencer “a sério” a um grupo coral. Pedro Mestre, ensaiador do grupo, chega à escola. Os alunos vão a correr em sua direção para verificarem se estão bem vestidos e assim dar início à atuação musical. Aos poucos, um a um, com a ajuda do professor, vão sendo dados os últimos pormenores. Aperta-se um lenço, veste-se um capote e decidemse as músicas para a atuação. A escola para. Alunos de todas as idades, professores e funcionários dividem-se em dois corredores para assistir ao espetáculo. Na rua, junto à fachada da escola, o Grupo Coral Juvenil de Vila Nova de São Bento canta e encanta. A atuação acaba e os aplausos não chegam para mostrar a reação do público. Segue-se mais um ensaio. Chegados à sala de aula, ainda excitados pela atuação que terminou há minutos, os alunos estão eufóricos. No entanto, e como “não há tempo a perder” são reveladas as modas que vão ser

“O principal objetivo deste projeto é o conhecimento e o sentimento, porque quem conhece canta, e quem canta vibra com sentimento”. Maria Isabel Estevens

ensaiadas. Para este ensaio o professor brindou os alunos com a “Ceifeira” e “É lindo na primavera”. Depois de escolhidas as modas, é feita a escolha do solista. Aqui cabe ao professor escolher vários alunos para cantarem sozinhos a primeira quadra das modas. Daqui para a frente as músicas são cantadas, em coro e em solo, sempre com a ajuda do professor que, nos tempos certos, mostra como os alunos devem colocar a voz. Ensaiador do projeto “Cante nas Escolas” desde o início, Pedro Mestre revela que “antigamente este tipo de arte passava-se de pais para filhos ou de avós para netos, e hoje são poucas as coisas que se aprendem com os avós. De certa forma é na escola que se aprende tudo, e o cante começou a ocupar aí um lugar que tantas outras tradições e costumes deveriam ocupar também.”. “Aquilo que pretendemos com este projeto não é tornar todos os alunos cantadores, mas sim sensibilizá-los para tudo aquilo que está ligado ao cante: o Alentejo.” Para o professor aquilo que é mais importante é o facto de que “estes alunos estão neste projeto de livre e espontânea vontade. Isto é não mais que o fruto que colhemos do primeiro projeto [Cante nas Escolas] ”. “Aqui o cante está à flor da pele. E isso nota-se até nestas crianças a quem já não lhes é desconhecido um rancho coral, um chapéu e nem nada daquilo que eles envergam neste uniforme que adotámos para este grupo. Estamos a lutar pelo futuro do cante.” Em tom de apelo o ensaiador afirma que “é importante que aqueles que cantam abordem estas crianças, porque para além da escola muito há a fazer para a salvaguarda do cante.” Beatriz Batista, 10 anos, foi a única menina que quis dar a sua opinião sobre o cante alentejano, embora muito nervosa, como confessava entre dentes,

ao professor. “O meu pai e o meu mano cantam num grupo coral e disseram para eu entrar neste projeto. Estamos sempre a aprender músicas novas, mas a que eu mais gosto chama-se ‘Sou pastorinho’ porque é bonita e gosto muito de a ouvir e cantar.” Fora da escola a Beatriz ocupa parte do seu tempo a cantar no monte com o pai e o irmão. Também Ricardo Coelho, 11 anos, foi aconselhado a entrar para este grupo coral pelo seu pai e avô. O seu objetivo é “aprender mais modas e continuar a cantar.” Para Ricardo, este mundo não é novo. Canta no Grupo Coral Os Cantadores de Vila Nova de São Bento e revela que a sua moda preferida chama-se “O Meu Chapéu” e foi feita de propósito para este grupo coral. A principal diferença que Ricardo nota nas atuações de um grupo para o outro é “o som das vozes”. Kyle Abreu, 11 anos, nasceu no Brasil mas nem isso o afastou desta tradição. Foi impulsionado pelo tio a continuar a cantar à alentejana e, sem saber explicar porquê, afirma que “Ao Romper da Bela Aurora” é a sua moda preferida. Tem como objetivo entrar no grupo coral do seu tio. Tal como os seus colegas, também Bruno Camilo, 11 anos, entrou para o grupo a pedido de familiares, o avô e o tio. Confessa que tem aprendido “modas novas e os valores do cante” e que a sua moda preferida é a mesma do colega Kyle. Bruno Pires, 13 anos, mostra que é um alentejano de gema através do seu sotaque. “Tenho uma família que canta, e eu desde sempre quis aprender, por isso entrei para este grupo. Já aprendi muitas modas novas e também aquilo que se fazia antigamente, como nas idas à ceifa, em que se juntava um grupo de amigos e cantava-se.” José Pires, 11 anos, castiço. De chapéu na cabeça e sem largar o bordão que carrega desde o início da tarde diz sem vergonha: “O que me fez entrar para este grupo foi a paixão que tenho pelo cante. A minha família é uma família de cante e isso motiva-me”. Canta no Rancho Coral e Etnográfico de Vila Nova de São Bento e em casa, com o pai e a mãe. “Vim para aprender coisas que se passaram há muito tempo. Aprendi e agora não me quero ir embora.” Quando questionado até quando vai cantar, José respondeu com emoção: “Até morrer”. Reportagem em vídeo: www.youtube.com/diariodoalentejotv


Alguns acharão que é preocupante que 62 por cento dos portugueses achem hoje que Portugal está mais pobre que no tempo do salazarismo. Mas talvez não seja tão mau quanto isso, pois as democracias sofrem tanto com as crises económicas como as ditaduras e a sua associação ao crescimento eterno é uma ilusão. A grande diferença é que há mais gente a saber. António Costa Pinto, “Diário de Notícias”, 22 de abril de 2014

Opinião Bê a bá ao futuro! Ana Paula Figueira Docente do ensino superior

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illiam Hogarth, em 1736, faz um comentário negativo às universidades ao retratar na gravura “Scholars Listening to a L ec t u re” u m professor com os respetivos alunos entediados na sua aula em Jesus College, na Universidade de Oxford. Este problema já não era “novo”: em 1350, Laurentius de Voltolina assinou “Henricus de Allemania vor seinen Schülern” que retrata Henrique da Alemanha a dar uma aula na Universidade de Bolonha e que também não é abonatória para a universidade - o professor está num púlpito e os alunos têm posturas que revelam desinteresse. Poderiam estes quadros retratar uma sala de aula dos dias de hoje? Estarão os professores a transmitir apenas os saberes estabelecidos assegurando, através da didática, exclusivamente a reprodução, sem contribuir verdadeiramente para a formação e desenvolvimento da inteligência? Será que os professores têm atualmente condições de trabalho que lhes permita concentrarem-se na orientação e na relação com os alunos contribuindo para que a atitude de resposta destes últimos seja mais ativa e menos passiva? Será que os alunos têm a noção de que a aprendizagem implica vontade de aprender, uma responsabilidade que deve estar, cada vez mais, do seu lado? São apenas algumas perguntas a propósito de um tema que carece de muito mais espaço para ser tratado do que aquele que aqui disponho. Esclareço que, neste contexto, parto do princípio que o termo “universidade” é entendido como sinónimo em Portugal de “ensino superior”, com a sua perspetiva dual: universidades e politécnicos. Resumidamente diria que também as universidades/politécnicos estão a passar um período de crise, interna e externa: os saberes estão mais fragmentados o que coloca em causa as delimitações clássicas dos diferentes campos científicos – o desaparecimento de determinadas disciplinas dá espaço ao surgimento de áreas híbridas e de novos territórios do saber; as faculdades/escolas vivem um processo de “divisão” através da criação de departamentos, de centros de investigação… Esta crise, que ousaria chamar de crise de saberes, revela também uma crise das próprias instituições: o crescimento das áreas disciplinares determina o aumento dos conflitos entre elas dado as fronteiras serem cada vez mais ténues; questiona-se a ideia ou a missão das universidades/politécnicos, instituições que se devem dedicar tendencialmente à investigação científica ou ao ensino e à docência, tendo o saber como um fim em si mesmo, na formação global dos alunos ou colocando-o ao serviço da sua formação profissional, ou seja, preparando-os para o exercício de uma profissão. Esta discussão ultrapassa naturalmente a vertente de estruturação e organização interna da instituição, e envolve-se com os interesses da sociedade e do Estado. E vice-versa. Como se percebe, esta polémica não é de agora: os temas fulcrais mantêm-se, alterando-se as perspetivas e as metodologias de análise, assim como as envolventes social, económica e política da época. A experiência de cerca de

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O PODER LOCAL democrático é, por certo, a maior das conquistas do 25 de Abril de 1974. Quase tudo mudou nas estruturas sociais e políticas portuguesas nestes últimos 40 anos. Mas se há mudança visível e inabalável é na melhoria da qualidade de vida das pessoas, promovida pelas políticas de proximidade através do poder autárquico. E por isso não há município que hoje não preste homenagem à memória. Para que ela não seja curta. PB

Neste tempo, vida do blog, fui candidato duas vezes nas listas do PS à Câmara de Odemira e ganhámos, fui candidato à federação do Baixo Alentejo do PS e perdi, fui candidato à concelhia de Odemira do PS e ganhei. É verdade que ganhei mais do que perdi mas ainda no outro dia o “Diário do Alentejo” me designava, à falta de melhor, como o “candidato derrotado às eleições da Federação do PS do Baixo Alentejo”. Pode dizer-se com graça, como Heitor que viveu no tempo de Aquiles, que eu vivi, politicamente, no tempo do Pedro do Carmo e do Luís Ameixa. É curioso que a disputa (com o Pedro) e o convívio e a partilha (com o Luís) foram experiências muito boas que me ajudaram muito a crescer como pessoa e como político. Hélder Guerreiro, alentejodebaixo.blogspot.pt, 18 de abril de 2014

PEDRO EMANUEL SANTOS

Diário do Alentejo 25 abril 2014

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20 anos como docente do ensino superior permite-me manifestar alguma inquietação relativamente ao cenário atual: instituiu-se, por regra, que o docente de ensino superior deve ter um horário de, pelo menos, 360h de lecionação, independentemente da idade e do tempo de serviço acumulado; é o número de horas que lhe é atribuído para a docência que salvaguarda o seu “emprego”, ou seja, pode ser uma sumidade numa qualquer área mas se não tiver horas para lecionar corre o risco de ser dispensado; aos professores são exigidas cada vez mais tarefas administrativas que consomem uma infinidade de tempo; as avaliações de desempenho privilegiam uma quantidade de itens cuja correspondência implica tempo disponível e dinheiro do seu bolso para pagar as formações… Por fim, e quanto aos alunos, lamento verificar que, no geral, chegam-nos cada vez menos bem preparados, com uma formação muito pouco eclética e com dificuldades ao nível da abstração. Não posso deixar de concordar com António Dias de Figueiredo, quando afirma que “estamos a construir o século XXI com visões sobre a educação que são do século XIX: Vivemos na era industrial porque temos uma visão neoliberal da educação. Achamos que a educação é melhor se for uniformizada, o que é uma contradição com o mundo em que vivemos, em que só aqueles que se diferenciam é que arranjam emprego. (…) Os alunos estão a ser produzidos industrialmente e a transformar-se em funcionários. Não têm autonomia”. Mais: lastimo veementemente que as entidades responsáveis pela gestão destas instituições defendam e ponham em prática uma visão economicista e racional do ensino. Só assim -se compreendem determinadas decisões. Os tempos estão difíceis? Pois estão, para todos! Agora “quem não quer ser lobo, não lhe vista a pele”! Cabe a quem está à frente das instituições de ensino (superior) a responsabilidade de influenciar e de contribuir para a “refundação” do ensino o que, a meu ver, passa por uma clarificação dos tipos de ensino a ser ministrado e do perfil do professor, por uma alteração das práticas pedagógicas, da escolha dos cursos a disponibilizar e dos respetivos currículos, assim como do trabalho dos professores. A sociedade, o mercado de trabalho e os estudantes mudaram…Quando mudará a escola?

Pura ilusão Luís Covas Lima Bancário

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xpetativas, promessas, tempo de esperança, desejos, desejos de uma retoma há muito anunciada mas que tarda em aparecer. O anúncio tão proclamado pelos governantes tem sido feito até à exaustão. Portugal, qual “barriga de aluguer”, foi intervencionado pela troika num programa de ajustamento onde o resultado do ensaio deixou muito a desejar. Ainda que se vá falando no ténue crescimento económico e no aumento das exportações, os sinais que nos são dados a ver, são escassos face às medidas impostas ao longo dos anos e que penalizaram de sobremaneira a população e as empresas deste País. No que respeita às pessoas, a dificuldade no acesso a direitos fundamentais como a educação, saúde e justiça, os cortes nos salários, as reduções de pensões, o aumento de impostos e consequentes desemprego e fragilidade, são manchas nefastas de um quadro demasiado restritivo que não olhou a meios para alcançar os fins, como se tratasse da chave determinante para o equilíbrio das finanças públicas. O desequilíbrio foi tal, que a classe média foi engolida. Agora, temos uns com mais e a generalidade com menos. Os pratos da balança desvirtuaram a promessa de um governo que em sede eleitoral apregoou justeza nas suas convicções. A inversão nas medidas adotadas para a receita e para a despesa é conhecida. Agora, e de novo, são os reformados que mais uma vez se insurgem por direito próprio. Depois das reduções de pensões (não esquecendo a Contribuição Extraordinária de Solidariedade, vulgo CES), supostamente com cariz temporário a que têm sido sujeitos, o guião da Reforma do Estado será implacável. Depender o valor das pensões da evolução demográfica e económica é golpe de asa. Os pensionistas passarão a contribuir em definitivo para o défice do sistema de pensões. Dizem, que justificado pela sustentabilidade e equidade necessárias à reforma do sistema… Temporário é algo que perdura no curto ou no médio prazo, definitivo é algo que perdurará no longo prazo, para todo o sempre. Forma hábil de fazer e de transformar, em suma, de negar a razão da existência do ser. A quebra de confiança e de lealdade com um povo tão massacrado que, facilmente se resigna e pouco resiste, é o mote para um Governo que antes de promover qualquer discussão em sede de referendo, na Assembleia da República ou até em Conselho de Ministros, a negoceia previamente com uma Europa de interesses maiores onde não cabemos. A aclamada livre circulação de pessoas e bens e a integração na moeda única, a prosperidade e o desenvolvimento foram o fruto apetecido mas ao mesmo tempo o fruto proibido. Uma Europa que chama todos, mas nem todos quer, é pródiga na diferenciação e estratificação dos povos, cínica no trato e egoísta na distribuição da riqueza. Segrega e impõe divisões para diferentes campeonatos. Na cauda da tabela, onde estamos inseridos por culpa própria, compromete-se a cada dia que passa, o ensino, o Serviço Nacional de Saúde, a justiça, o emprego, o crescimento, a liberdade e a democracia, referências e valores fundamentais da Revolução dos Cravos. O cenário que hoje vislumbramos, depois de hipotecadas várias gerações, desde os mais novos aos mais velhos, cada vez mais carenciados e mais necessitados, é arrepiante. Seja em casa, na rua ou em qualquer lugar. É esta a herança que nos foi confiada por governantes nunca responsabilizados pela sua governação. Da ilusão à desilusão foi um instante, da desilusão à ilusão serão décadas ou gerações. Desejos? Pura ilusão!


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Há 50 anos “Abril em Portugal” em 1964

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á precisamente meio século, a 10 anos da Revolução dos Cravos, o que escrevia o “Diário do Alentejo”? No formato e aspeto gráfico, a edição do vespertino bejense de 25 de abril de 1964, um sábado, não era muito diferente de outras desse período: tinha quatro grandes páginas, sem fotografias, as notícias e os artigos de opinião vinham na primeira, as outras três eram preenchidas com anúncios, sobretudo, e pequenas informações para facilitar a paginação. A Nota do Dia era dedicada aos graves problemas económicos do Hospital de Évora, em risco de ter que encerrar alguns serviços. Havia as habituais “Notícias de ontem e de hoje”, do País e do estrangeiro. O chefe do Estado recebera dois estudantes de Porto Santo laureados com o Prémio Almirante Américo Tomás. O governador-geral de Moçambique, almirante Sarmento Rodrigues, chegara a Lisboa. O embaixador da Suécia em Lisboa partira para uma visita ao Ultramar. Os novos dirigentes do Sindicato Nacional dos Jornalistas haviam tomado posse. Do estrangeiro: o presidente da República da Argélia, Ahmed Ben Bella, deslocara-se a Moscovo, em “visita amistosa” e esperava-se “maior assistência soviética” ao jovem estado norte-africano. O Tanganica e Zanzibar formaram uma união, a Tanzânia, e o primeiro presidente escolhido era Julius Nyerere. O artigo de maior destaque, a uma coluna de alto a baixo, descrevia uma sessão do “Julgamento dos implicados no assalto ao RI3”, que decorria no Tribunal Plenário da Boa-Hora, em Lisboa. O texto explicava que se tratava do processo “relacionado com a tentativa revolucionária ocorrida em Beja, na madrugada de 1 de Janeiro de 1962”. Havia 86 arguidos, entre os quais o capitão Varela Gomes, que tinha comandado o ataque ao quartel do Regimento de Infantaria 3, em Beja. Eram defendidos por 36 advogados, entre os quais Mário Soares e Sousa Tavares. Nessas páginas do “Diário do Alentejo” de há 50 anos estava ainda longe o 25 de Abril de 1974. “Visado pela Comissão de Censura” do salazarismo, o jornal, claro, não fazia referências à ditadura fascista – para além da notícia do julgamento dos democratas que tentaram derrubá-la – nem à guerra colonial que já se travava em Angola e na Guiné e que, a partir de setembro desse ano, se estenderia também a Moçambique. Mas, curiosamente, a edição de 25 de abril de 1964 publicava uma pequena notícia intitulada “O ‘Abril em Portugal’ em Montemor-o-Novo”. Assim: “Deslocam-se amanhã a Montemor-o-Novo, a fim de assistirem a uma corrida de touros, cerca de 600 turistas estrangeiros, integrados no programa do ‘Abril em Portugal’ e que seguirão de Évora”. Como se percebe, “Abril em Portugal” era, nessa altura, uma campanha organizada pela propaganda salazarista destinada a promover o turismo em Portugal. O outro Abril, o dos cravos e da revolução, ainda demoraria uma década… Carlos Lopes Pereira

Diário do Alentejo 25 abril 2014

19 Os “defensores” dos animais andam muito preocupados com uma iniciativa que a ACOS/Ovibeja está a promover para realçar o facto de o mundo rural tradicional e, nomeadamente, a criação de gado em extensivo estar em declínio. A ideia passa por marcar OVELHAS com tintas próprias para o efeito, em forma de protesto pelo desaparecimento anual de 20 mil ovinos. A ideia é boa, alguns dos protestos, nem por isso. PB

O “Diário do Alentejo” traça hoje um roteiro pelas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril no Baixo Alentejo. São imensas e variadas e muito dignas as homenagens, todas elas, que por estes dias são prestadas pelos municípios às conquistas de Abril. Mas não podemos deixar de relembrar o 25 de Abril em ODEMIRA, uma data que, desde há quatro décadas a esta parte, se transformou num verdadeiro culto à liberdade. PB

Se é verdade que sem a restituição da liberdade ao povo, pela ação determinada dos jovens Capitães de Abril, não haveria Reforma Agrária, não é menos verdade que, sem a Reforma Agrária, levada a cabo pela ação revolucionária dos trabalhadores agrícolas do Alentejo e Ribatejo, o 25 de Abril de 1974 não teria sido Revolução. José Soeiro, “Revista Alentejo”, abril de 2014

Cartas ao diretor 25 de Abril – 40 anos José Fernando Batista Aljustrel

Faz agora 40 anos que um movimento militar derrubou a ditadura do Estado Novo e criou as condições para o restabelecimento da democracia em Portugal. A democratização do País que deveria ter sido feita 10 anos antes de 74, apareceu como sol radiante em Portugal. Das boas intenções daquela hora esperou-se um País mais equilibrado. Já não era sem tempo. Éramos um povo pobre. Um país sem estruturas, sem comércio, sem futuro. Hoje podemos escolher quem nos governa e eleger o presidente da República. Foi-nos permitido sonhar que a educação haveria de mudar o País. E realmente mudou. Os jovens, muitos com cursos superiores, emigram de avião, a mando do governo. Quatro décadas depois o declínio demográfico é alarmante. A taxa de fecundidade é das mais baixas do mundo. Só em Lisboa, 5 por cento dos sem-abrigo têm cursos superiores. A maioria dos portugueses vivem momentos de angústia e não vislumbra horizontes de esperança quanto ao futuro. Foram as políticas que democraticamente couberam aos civis e foram estes que não se mostrarem à altura de governar convenientemente o País. Esqueceram-se que era preciso uma metodologia de economia baseada em princípios de desenvolvimento. O dinheiro, que chegou em “paletes”, desapareceu na voragem do despesismo e das tropelias partidárias em nome dos votos indispensáveis. Desbaratou-se de toda a forma e feitio, e o estremecimento económico arruinou completamente a classe média. Pudera; a política nas mãos de grupos do dinheiro só podia dar nisto – as classes sociais de menos rendimentos altamente penalizadas e a sofrer na pele a ganância dos poderosos. E agora? Como vamos recuperar, crescer e pagar a dívida exigida pelos nossos “amigos”? Mas alguém, a não ser Passos Coelho e os “seus muchachos”, saberá como? O nosso destino está ameaçado pela perversidade política e o milagre económico anunciado é uma utopia. Mesmo que Passos Coelho se ajoelhe perante a senhora Merkel. Quarenta anos depois da revolução dos cravos, até as comemorações do 25 de Abril parecem comprometidas. Quando for feita a história dos últimos 40 anos talvez sejam ditas as verdades que hoje e desde há anos se vêm calando. 25 de Abril, sempre!!!...

Os Capitães de Abril e o poder democrático Rui Xavier Beja

Ao pensar em democracia, ou seja, na capacidade de viver em liberdade, exercendo os nossos direitos, liberdades e garantias, e respeitando os demais, recordo-me de imediato, do Capitão Salgueiro Maia, o rosto mais visível da Revolução dos Cravos, o nosso 25 de Abril. Mas o 25 de Abril de 1974, que nos livrou da tirania, do isolamento, do silêncio, da fome, para além de “acabar” com os carrascos da PIDE, foi levado a cabo por outros oficiais das nossas Forças armadas, entre os quais, cito: Lopes Pires, Sanches Osório, Otelo Saraiva de Carvalho, Garcia dos Santos, Vítor Crespo, Salgueiro Maia, Melo Antunes, Eurico Corvado, José Manuel Costa Neves, José Inácio Costa Martins, Carlos Alberto Idães Fabião, Vasco Correia Lourenço. No próximo dia 25 de Abril, celebra-se o 40.º aniversário da revolução “pacífica”, assim designada por alguns historiadores, mas o certo é que se não tivesse participado na mesma um alentejano com “A” grande (Salgueiro Maia, natural de Castelo de Vide), não sei se estaríamos a comemorar a data em voga. Há uns dias, um comentador de um canal dos média portugueses dizia não só com algum humor, mas com a convicção máxima, que se a grande parte dos políticos, peço desculpa pela expressão “os tivessem no sítio” como Salgueiro Maia, não teríamos chegado ao Estado em que estamos. Após este comentário, rapidamente me recordei da frase histórica proferida por Salgueiro Maia, na madrugada do 25 de Abril de 1974, na parada da Escola Prática de Cavalaria em Santarém, cito:” Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!”. Parece que os ensinamentos do capitão se mantêm bem atuais, atendendo ”ao estado a que chegamos”. Olhando para as cerimónias oficiais da Revolução do 25 de Abril, que irão decorrer no parlamento (Assembleia da República), nas quais os Capitães de Abril através da sua associação, solicitaram discursar como condição da sua participação, condição perfeitamente justa e adequada, para quem a levou a cabo, e à qual, a sra. presidente da Assembleia da República, através da comunicação social e não pelos meios formais

adequados, respondeu, imagine-se: “o problema é deles”, só posso lamentar o estado a que a nossa democracia chegou. Para concluir, cabe-me realçar a coragem dos Capitães de Abril para restituir ao seu povo a liberdade e a felicidade perdidas. Tal como dizia Péricles (495/492 a.c. - 429 a.c.): “O segredo da felicidade está na liberdade e o segredo da liberdade está na coragem”, princípios estes que a revolução nós mostrou. Viva o 25 de Abril, viva a liberdade.

25 de Abril sempre! José da Silva Aljustrel

Já passaram quatro décadas desde que se deu a Revolução dos Cravos, no dia 25 de Abril de 1974, Os que viveram antes desse acontecimento sabem bem dar o valor o que representa essa data histórica. E esses são os que têm mais dificuldade em compreender o rumo que a Revolução dos Cravos tomou, sobretudo a partir do golpe militar a 25 de novembro de 1975. Como muitos milhares, e mesmo milhões de portugueses, sei dar o valor ao que representou o regime de Salazar e Caetano. A falta de liberdade, a perseguição, a censura, as prisões, as torturas, a injustiça social, a falta de respeito pelo ser humano, tudo isso era “o pão nosso de cada dia”, uma prática constante do regime fascista. Os comunistas e muitos democratas antifascistas que estiveram sempre na primeira linha de combate, foram os mais sacrificados, tendo muitos pago a sua resistência com o sacrifício da própria vida. Para os que sobreviveram ao odiento regime, bem podem dar por bem empregue toda essa dedicação à luta, um contributo que deram pela queda do regime e pela liberdade das gerações vindouras. A Revolução de Abril não apareceu por decreto votado na Assembleia Nacional, antes culminou por muitas ações de luta desenvolvidas ao longo do auto chamado período do Estado Novo. O 25 de Abril foi obra de militares patriotas, dos trabalhadores e do povo em geral. (...) Como estamos no mês da Revolução dos Cravos, digamos ainda uma palavra sobre o presidente da República. Pasme-se como mente ao povo português e o que faz a favor deste governo desastroso: diz que a economia está a melhorar. Dá-me vontade de dizer que ao menos respeite a sua condição de professor universitário na área da economia. Acredito e tenho esperança que o povo português não se esqueça da Revolução dos Cravos e continue a lutar para se fazer outro 25 de Abril. Viva esta data gloriosa e tudo o que de bom trouxe a Portugal e aos portugueses. 25 de Abril sempre!


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Sentimo-nos aqui bastante bem. Beja sem a biblioteca era uma cidade totalmente diferente. Muitas vezes comento com os meus amigos que antes prefiro a cidade de Beja tendo esta biblioteca, do que Beja tendo um porto de mar”. Marcelino Prata

Reportagem

Dia Mundial do Livro assinalou-se na quarta-feira, dia 23

Uma biblioteca sem sono há 140 anos

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ento e quarenta. É esta a soma dos anos da Biblioteca Municipal de Beja. A conta que dá a idade que se assinala este ano, a 21 de junho. 2014 – 1874 = 140. Ei-los, os números. Vamos às letras. “A Biblioteca Municipal de Beja, talvez a mais antiga instituição cultural da cidade de Beja, insere-se no conjunto de bibliotecas de leitura pública que surgiram um pouco por todo o País, como consequência do movimento de renovação das mentalidades, que se seguiu às Guerras Liberais”, pode ler-se no Roteiro da Biblioteca Municipal de Beja, que conta com organização e textos de Joaquim Figueira Mestre, ou não fosse ele também figura incontornável da história da biblioteca, tendo sido seu diretor. Prossegue o escrito informando: “Quase todas essas bibliotecas foram criadas com base nos acervos documentais provenientes das livrarias dos conventos e colégios religiosos, que, a pouco e pouco, se foram extinguindo em virtude da aplicação da lei de 28 de maio de 1834”. A biblioteca de Beja beneficiou ainda, segundo conta o texto organizado por Joaquim Figueira Mestre, “para além do fundo documental proveniente dessas instituições, de algumas ofertas do Curso Eclesiástico e da Biblioteca Pública de Lisboa”. De salientar que as ofertas e as doações particulares também contribuíram para completar o seu fundo antigo. PUB

É este ano que a Biblioteca Municipal de Beja José Saramago completa 140 anos ao serviço da comunidade. Passou por diversos locais da cidade, foi aumentando o seu acervo e estabeleceu-se há 21 anos no atual edifício onde funciona. Mas alargou a sua atividade às freguesias do concelho, instalando-se em polos e, onde não os há, chega uma carrinha. A bordo segue a “Biblioteca Andarilha”, um programa de leitura em meio rural. Mas há mais. Ou não fosse esta a casa que promove as diferentes “leituras”. Texto Bruna Soares Fotos José Serrano

Mas onde esteve então instalada a biblioteca até ter chegado ao atual edifício, que se ergueu no âmbito da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas e que foi pomposamente inaugurado no dia 30 de abril de 1993? “No Colégio dos Jesuítas, onde, no século XVIII, havia funcionado uma academia criada por D. Frei Manuel do Cenáculo, assim como o seu museu e biblioteca particular”. Acontece que, devido a um contencioso entre o vigário da diocese e a câmara, a biblioteca mudou de instalações e foi ocupar um edifício camarário no largo de Santa Maria. Depois, em 1923, “procedeu-se à sua

transferência para as arcadas e dependências anexas do Convento de Nossa Senhora da Conceição” e, de acordo ainda com a recolha de Figueira Mestre, “devido à exiguidade do espaço foi obrigada a mudar-se para o atual edifício das Finanças. Todavia o seu destino de andarilha, ainda a fez conhecer o edifício do antigo Colégio do Sagrado Coração de Jesus e, de 1975 a 1992, as instalações do Arquivo Distrital de Beja”. Foi já em 1987 que a Câmara Municipal de Beja e o ex-Instituto Português do Livro e da Leitura (IPLL) estabeleceram “um contrato-programa com vista à criação de uma

nova biblioteca”. O seu objetivo, desde os tempos mais antigos, continua a ser a promoção do livro e da leitura. Mas há mais. Promover o acesso à informação, a sua difusão e apropriação em qualquer suporte, junto dos utilizadores internos e externos da biblioteca; divulgar e facilitar o uso das novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC); democratizar o acesso à informação, à cultura, ao conhecimento e ao lazer, entre outros. “Quando a biblioteca mudou para este edifício, onde está atualmente, representou uma mudança substancial naquilo que é a sua imagem junto da comunidade. O projeto já tinha começado a ser construído, mas quando se mudou para este espaço assumiu-se uma nova filosofia. A biblioteca ‘velha’ era uma biblioteca fechada, que só tinha uma sala de consulta, e aqui instalou-se uma biblioteca aberta com espaços amplos. Um edifício enorme; ninguém compreendia como é que um edifício deste tamanho podia ser uma biblioteca. Aqui instalou-se um novo modelo”, começa por explicar Paula Santos, bibliotecária municipal. Um novo modelo de biblioteca, inserido na rede de leitura pública. Uma biblioteca de livre acesso e com espaços com diversos tipos de documentos (livros, jornais, CD, filmes). Uma biblioteca com um espaço para o público infantil, com espaço para conferências, para colóquios,


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com um espaço de acesso a documentos audiovisuais, entre tantos outros. “Quando a biblioteca se mudou para este edifício, fruto da nova leitura deste espaço, que levava a que as pessoas se apropriassem dos serviços prestados pela biblioteca de uma outra forma, começou a desenvolver-se outro tipo de trabalho mais incisivo. Continuámos a ter uma oferta dirigida ao público escolar, mas aumentámos em muito o trabalho dirigido ao público em geral”, recorda Paula Santos. E rapidamente acrescenta: “Começámos a fazer um trabalho de dinamização cultural da cidade. No fundo, na altura, era o único espaço cultural da cidade. Para aqui confluíram todas as atenções, todas as expetativas e todo o trabalho fabuloso que foi feito desde a primeira hora, com um entendimento desta biblioteca muito diferente de tudo o que havia no resto do País. Na altura muitas entidades culturais vinham ver a biblioteca de Beja, atualmente ainda acontece, mas, felizmente, já podem também visitar outras no País”. A Biblioteca Municipal de Beja passou a ser o grande largo da comunidade, ou não fosse mesmo esta a sua missão, e, de acordo com bibliotecária municipal, “continua a ser uma referência e as pessoas da cidade apercebem-se disso, principalmente quando saem de Beja. Quando conhecem outras realidades. Aí verificam que, de facto, têm algo de muito especial. É uma referência nacional, mas também internacional”. Mas a Biblioteca Municipal de Beja José Saramago desde os anos 90 que extravasou as fronteiras da cidade e se estendeu ao concelho, com a inauguração de diversos polos em freguesias, e, desde 2009, que o programa de leitura em meio rural, através da “Biblioteca Andarilha”, percorre também várias localidades. Um longo trabalho virado para a comunidade. Comunidade, esta, que, ano após ano, continua a reconhecer o trabalho desenvolvido pela biblioteca municipal. António Luís, bejense, não tem dúvidas: “É um espaço de cultura fantástico”. E mais, garante, não precisa de dizer. Encerrando-se em palavras. Já João Lascas, leitor frequente da biblioteca municipal de Beja, por sua vez, reforça: “Uma biblioteca tem de ter uma função didática. Quando os meus filhos eram pequenos vinham muito para aqui e quando os meus netos vêm a Beja é aqui que se entretêm. A biblioteca faz muita falta à cidade, até porque em termos de cultura representa muito, mesmo muito”. João Lascas ocupa-se a ler os jornais. Folheia os que mais gosta e, quase sempre, da parte da manhã. “É mais sossegado, não há tanta gente PUB

“Quisemos desafiar esta comunidade para além daquilo que ela esperava que fosse uma biblioteca. Se não tivéssemos feito isso não seríamos a biblioteca de Beja, seríamos uma outra coisa qualquer. Nós somos uma biblioteca sem sono, porque refletimos diariamente sobre aquilo que estamos a fazer”. Paula Santos

a querer os jornais. À tarde é pior. Ocupa-me o tempo, uma parte do meu dia é passado aqui”. Mas são muitos mais os que ocupam os diferentes espaços da biblioteca (setor dos adultos, setor infantil, bebeteca, setor multimédia e internet, setor audiovisual, setor dos periódicos, centro do livro infantil, auditório, cafetaria, cave dos encantos). Isabel Rosa, frequentadora do espaço, deambula pelo edifício e desfaz-se em elogios à “sua” biblioteca. “Incentiva as pessoas a ler. Incentiva à descoberta das tecnologias. A cidade sem a biblioteca seria uma cidade sem vida”, atira, sem meias palavras. Já para responder ao que representa para si, as palavras não saem com tanta facilidade, porque, como diz, significa “muito”. Ainda assim atreve-se: “A biblioteca é um local muito aprazível que revela cultura e entretenimento. Recorro à biblioteca frequentemente. Representa o lugar onde vou sempre que tenho necessidade de estar mais só, de me encontrar, de ler. Assim que posso venho para cá”. Quem também recorre à biblioteca sempre que consegue, assim a agricultura lhe permita, é Marcelino Prata, leitor. “A biblioteca é um polo muito importante na cidade. Aqui encontra-se um momento de lazer muito importante e com acesso a toda a informação. A nós, residentes aqui na cidade, proporciona um bem-estar a todos os níveis”. E conclui: “Sentimo-nos

aqui bastante bem. Beja sem a biblioteca era uma cidade totalmente diferente. Muitas vezes comento com os meus amigos que antes prefiro a cidade de Beja tendo esta biblioteca, do que Beja tendo um porto de mar”. A biblioteca de Beja, porém, serviu também de modelo a muitas outras e deu, inclusive, apoio aos projetos de desenvolvimento de muitas bibliotecas na região, atendendo, claro, à realidade local de cada concelho. Mas Paula Santos não tem dúvidas: “Foi determinante no sucesso, ou insucesso, quer nas bibliotecas aqui da região, quer do País, o compromisso político das autarquias. As autarquias que entenderam que bastava abrir a porta e que não interessava quem estava lá dentro, que bastava abrir sem técnicos especializados, que bastava aquela ideia da bibliotecária de carrapito que manda calar toda a gente e que só tem de tomar conta dos livros, não tiveram muito sucesso, pois nos sítios em que as bibliotecas tinham esta bagagem cultural não poderiam ter. Aqui, em Beja, isso nunca aconteceu. Aqui conjugou-se o compromisso político, a expertise técnica e a visão que deve ter uma biblioteca numa comunidade”. A Biblioteca José Saramago tem, atualmente, cerca de 15 mil leitores inscritos. E este número deve-se ao facto de, no ano de 2009, terem sido eliminadas as fichas de inscrição dos

leitores que desde 2000 não utilizaram o serviço de empréstimo domiciliário nem qualquer outro serviço da biblioteca. “Muita gente refere-se a esta biblioteca como uma biblioteca de excelência, não só pelos serviços que presta, mas pela dinâmica cultural e pela presença que tem na comunidade. As pessoas continuam a apropriar-se deste espaço”, garante a bibliotecária. A formação de leitores foi sempre um das missões a cumprir e se foi na biblioteca “velha” que se começou o trabalho de promoção da leitura e do livro com atividades direcionadas para as crianças, na atual biblioteca esse foi, precisamente, um dos pontos de honra de continuidade. Existem, assim, diversas atividades direcionadas para pais e filhos, onde de destaca o Clube dos Papa livros. Mas são muitas mais e existem verdadeiros momentos de celebração, onde sobressaem, inevitavelmente, as Palavras Andarilhas, a Leitura Furiosa e as comemorações do Dia Mundial do Livro. A formação das competências leitoras sempre preocupou, assim, a equipa que está à frente dos destinos da biblioteca e levou, inclusive, os técnicos a saírem do espaço físico. “A grande viragem que fizemos no nosso trabalho deu-se a partir de 2009. A partir do momento em que começámos a trabalhar com não leitores. Estamos a trabalhar com a Caritas, com os sem-abrigo, com a comunidade terapêutica, com os idosos das diversas freguesias rurais. Começámos a trabalhar com não leitores, porque verificámos que todo o trabalho que vínhamos a fazer e que era sustentado abrangia basicamente a expetativa que as pessoas tinham e que nós tínhamos em relação à biblioteca, que são as pessoas que naturalmente leem, e uma biblioteca não poderia ficar-se por aí”, afirma Paula Santos. “Numa cidade acordada, uma biblioteca sem sono”. É este o lema da biblioteca municipal. A frase é da autoria de Figueira Mestre. “Era um visionário e juntou-se com outras pessoas que conseguiram concretizar e juntar, a essa sua visão, muitas outras componentes, que entretanto foram definindo o que é esta biblioteca na comunidade bejense”. Pode dizer-se então que esta é uma biblioteca com 140 anos, mais acordada há 21? “Sem dúvida”, responde, sem hesitar, a bibliotecária municipal. “Quisemos desafiar esta comunidade para além daquilo que ela esperava que fosse uma biblioteca. Se não tivéssemos feito isso não seríamos a biblioteca de Beja, seríamos uma outra coisa qualquer. Nós somos uma biblioteca sem sono, porque refletimos diariamente sobre aquilo que estamos a fazer”.


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…a mina da Juliana mostra porém ter sido primitivamente explorada n’uma ephoca em que o estanho da região alentejana já era aproveitado (…) pois no interior d’ella e em muita profundidade foram encontrados alguns machados e uns escopos de bronze…”. Estácio da Veiga

Aldeia

José Filipe Murteira Professor

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m 1891, o arqueólogo algarvio Estácio da Veiga, escrevia que “…a mina da Juliana mostra porém ter sido primitivamente explorada n’uma ephoca em que o estanho da região alentejana já era aproveitado (…) pois no interior d’ella e em muita profundidade foram encontrados alguns machados e uns escopos de bronze…”. Por isso, afirmava “…a mina da Juliana deve ser portanto considerada como estação da idade do bronze” (Antiguidades Monumentaes do Algarve, vol. IV, págs 210 e 211). Estas afirmações eram acompanhadas por desenhos das peças, efetuados pelo próprio. Algumas décadas depois, outro arqueólogo, Abel Viana deu-nos a conhecer um vasto conjunto de cistas (sepulturas formadas por quatro lajes em pedra, cobertas por uma outra, maior e mais grossa, por vezes com imagens gravadas) da Idade do Bronze final (cerca do século X a.C, ou seja, há mais ou menos 3000 anos). Segundo ele e Fernando Nunes Ribeiro, seu companheiro nessas deambulações, “essas sepulturas são(...) muitos abundantes no sul do País, mas é precisamente no concelho de Beja (...) muito principalmente na zona ocidental (freguesias de Ervidel, Santa Vitória e Mombeja) que estas sepulturas abundam e que, por outro lado, espólios mais notáveis têm fornecido.” (Arquivo de Beja, vol. XIII, 1956, pág. 157). Por este motivo, Abel Viana várias vezes se deslocou a locais da freguesia de Santa Vitória, chamado para ver sepulturas, encontradas durante os trabalhos agrícolas, como aconteceu em janeiro de 1943, no Monte do Ulmo, ou em dezembro de 1949, no Monte da Corte d’Azinha (ambos entre essa aldeia e a Mina da Juliana). Para além das lajes gravadas (a mais conhecida é a chamada “estela da Pedreirinha”), são de destacar os vasos do tipo “cerâmica de Santa Vitória” que, tal como a estela, se encontram no Museu Regional de Beja (coleção Fernando Nunes Ribeiro). A existência deste grande conjunto de vestígios da Idade do Bronze, não significava, no entanto, para estes dois arqueólogos, a exploração mineira a que Estácio da Veiga se refere: “… nada permite concluir em prol da relacionação destas cistas com

as minas de cobre” (ibidem). Esta tese tem vindo, ao longo dos anos, a ser contrariada e, fruto de trabalhos realizados mais recentemente, é possível estabelecer essa relação : “A forte capacidade de atração desta região para a fixação das comunidades da Idade do Bronze dever-se-á à existência de uma combinação de diferentes tipos de recursos básicos proporcionados pelos solos de elevada capacidade agrícola e também pela facilidade de acesso a zonas mineiras [onde se inclui, naturalmente, a Mina da Juliana]” (C.Bottaini, M.Serra e E. Porfírio, Metais da Idade do Bronze do Museu de Beja – http:// www.academia.edu/3782859). Em relação à época romana, não há muitos elementos que nos falem da exploração mineira na Mina da Juliana, mas o mais natural é que tal tenha acontecido, dado que esse local se integra na Faixa Piritosa Ibérica e que se conhece a presença desse povo na Mina de São Domingos ou em Aljustrel, tendo-nos, neste último caso, deixado as famosas Tábuas de Bronze de Vipasca. Num estudo de Maria da Luz Oliveira (Copper Ores and Settlements in the South of Portugal – http://www.academia.edu/2387747), é citado o “Catálogo Descritivo da Secção de Minas da Exposição Industrial Portuguesa de 1888”, onde, entre outras, se refere a Mina da Juliana (designada como Cova Redonda) como sendo uma das exploradas pelos romanos no distrito de Beja. A mesma autora refere ainda que, quando em 1872 se deu início à exploração JOSÉ SERRANO

Mina da Juliana – uma história de resistência 1.ª parte: A história

mineira, esta tem lugar “onde os romanos deixam traços da sua passagem” (pág. 6). Sobre o período romano, citemos ainda uma hipótese de Maria da Conceição Lopes. Em nota de rodapé na sua obra “A cidade romana de Beja”, esta investigadora sugere que “… a via [de Pax Iulia a Vipasca] poderia passar um pouco a sul de Ervidel e Santa Vitória, indo pela Mina da Juliana” (pág. 82). Como a própria afirma, sobre esta via “nada sabemos”, referindo também a hipótese de Jorge Alarcão, que faz passar essa estrada por Santa Vitória. De resto, para além desta referência, esta obra, que é a dissertação de doutoramento da autora, no final de 2000, não inclui qualquer indicação sobre a exploração mineira na Mina da Juliana, nem a aponta na Carta Geral dos Sítios Arqueológicos que integra o livro (ainda que a menção à passagem da estrada nesse local possa pressupor essa exploração). É na segunda metade do século XIX que, fruto da Regeneração e do Fontismo, se vai dar um incremento nos transportes e na industrialização do País. Verifica-se, então, aquilo a que se designa por “febre mineira”, com a atribuição de milhares de concessões por todo o território, incluindo, naturalmente, Beja (em 1865 estavam registadas 461 minas neste distrito). Assim, através duma publicação de 1963, da Direção Geral de Minas e Serviços Geológicos, intitulada “Minas concedidas no continente desde agosto

de 1836 a dezembro de 1962”, sabemos que, entre 1865 e 1924 foram concedidas 28 licenças para exploração de minas no concelho de Beja, das quais onze na freguesia de Santa Vitória, igual número em Albernoa, quatro nas Neves e duas na Trindade, sendo a grande maioria de manganês. Em Santa Vitória apenas duas eram de cobre, a já citada Cova Redonda (Juliana), concessionada em 1872 e a Juliana n.º 1, em 1910. Nesta freguesia a última concessão, da Pedra Furada, deu-se em 1924.

A

concessão de licenças para a exploração d a s m i na s , não significou, no enta nto, u m sig ni f icativo acréscimo do operariado mineiro no concelho de Beja. No Anuário Estatístico de Portugal, de 1885, citado na obra de João Carlos Garcia A navegação no Baixo Guadiana durante o ciclo do minério”(1996), havia apenas 113 mineiros, dos quais 57 homens, 24 mulheres e (típico da época) 32 menores. Nada que se compare com os 390 mineiros de Barrancos ou os 2855 de Mértola, neste último caso fruto da grande expansão da Mina de São Domingos (pág. 157)


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É

nesta altura que surge um nome, de que se irá falar na aldeia da Mina da Juliana até ao encerramento da sua última mina. Trata-se de “Alonso Gomes, filho de um emigrado espanhol, que a partir de muitos e complicados negócios no setor mineiro terminará abastado proprietário urbano e latifundiário, armador e empresário, comerciante em vários ramos” (ibidem, pág. 154). Para além de minas no concelho de Mértola (onde residia), como a da Cruz do Peso (Alcaria), concedida em 1883, possuía ainda muitas outras concessões, em Castro Verde (Ferragudo), Aljustrel (Serra dos Feitais), Beja (Herdade do Vilar) ou mesmo em Gondomar, no norte do País. Com vista ao transporte do minério, iniciou, em 1870, uma ligação, pelo Guadiana, entre Mértola e Vila Real de Santo António que, face ao sucesso que teve, deu origem a uma carreira regular de mercadorias e passageiros entre essas duas localidades. Mais tarde, por solicitação do governo, iniciou “…um serviço de navegação regular, entre Lisboa e portos no Algarve, com escala em Sines…” criando a uma companhia de navegação, proprietária de oito navios, todos eles batizados de “Gomes”, que viria a terminar em 1905, após o falecimento do seu fundador, um ano antes (http://naviosenavegadores.blogspot.pt/, 24 março 2008). Data do início do século XX a fundação da povoação que iria albergar os mineiros e as suas famílias. A designação Mina da Juliana teve a ver com o facto de estar localizada na herdade com o mesmo nome, que também deu, como vimos, nome a algumas das minas também aí situadas. Vista de cima, o seu núcleo central bem poderia ser um bairro mineiro de Aljustrel ou de São Domingos, tal o rigor geométrico com que as suas casas foram construídas (foto de Mariano Martins, em 2009). A exploração mineira terminou quase totalmente nas duas primeiras décadas do século XX. Só uma das minas, a do Vilar, situada na outra margem da ribeira dos Louriçais, propriedade da firma Alonso Gomes, Herdeiros, sobreviveu até 1964. Com o seu encerramento, alguns dos mineiros foram ainda trabalhar para uma das poucas minas de manganês que sobrevivia na vizinha freguesia de Albernoa, muitos seguiram para outras partes do País e do estrangeiro. A resistência dos habitantes da Mina da Juliana será objeto da segunda parte deste trabalho, a publicar na próxima semana.


Campeonato Distrital do Inatel

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Meias-finais (primeira mão): Penedo Gordo-Santaclarense, 2-0; Vale d’Oca-Luzianes Gare, 0-0. Os jogos da segunda mão, Santaclarense-Penedo Gordo e Luzianes Gare -Vale d’Oca, realizam-se no próximo domingo, às 16 horas.

Agenda desportiva Nacional de juniores Manutenção 2.ª Divisão 12.ª jornada 26/4 16 horas Despertar-Pinhalnovense

Distrital de iniciados 2.ª Fase – 5.ª jornada (27/4) Aljustrelense-Serpa Moura-Almodôvar

Nacional de iniciados Manutenção – 12.ª jornada 25/4 – 11 horas Despertar-Esp.Lagos

Distrital de futsal 24.ª Jornada (30/4) VN São Bento-IP Beja

Distrital de juvenis 2.ª Fase – 5.ª jornada (27/4) Castrense-Odemirense Despertar-CD Beja

Desporto

Liga de benjamins 9.ª Jornada (26/4) B.º da Conceição-Alvorada Boavista-Sanluizense Renascente-CDBeja A Ferreirense-Vas.Gama Aldenovense-Alvito Serpa-Moura a NS Beja-Cab.Gorda Moura-Aljustrelense Piense-Ourique Almodôvar-Milfontes Sp. Cuba-Ferreira A Odemira-Despertar A

Supertaça feminina Final – (26/4 - Cuba) Serpa-Castrense

Aljustrelense vai a Cuba festejar o título dentro das quatro linhas

O campeão na “nau” de Colón

O

Campeonato Distrital da 1.ª Divisão entra na reta final. No domingo joga-se a antepenúltima jornada e, estando o título decidido e (quase) sentenciadas as despromoções, nada mais resta deste campeonato. A única decisão que está por tomar será a confirmação da mais do que provável despromoção do Aldenovense. A equipa está a nove pontos da primeira equipa acima da linha de água, o São Marcos, mas, no confronto entre ambos, tem vantagem de golos. Ambos ganharam os jogos em casa, o Aldenovense por 5-1, o São Marcos por 1-0. O Aldenovense joga em Pias no domingo, recebe o Vasco da Gama e vai à Cabeça Gorda. O São Marcos recebe o Odemirense, joga em Serpa e recebe o Milfontes. A decisão fica tomada logo que o São Marcos pontue, senão, vai-se adiando até ao último apito. No domingo joga-se a 24. ª jornada, de onde se destaca a presença do novo campeão em terras de Cristóvão Colón, em cuja “nau” exibirá o título que já celebrou fora do retângulo de jogo. 24.ª Jornada: Mi lfontes-Ser pa; São Ma rcos-Odemirense; Sporting Cuba-Odemirense; Piense-Aldenovense; Vasco Gama-Guadiana; Cabeça Gorda- C a st ren se ; Ba i r ro d a C onc eiç ão -Rosa i ren se. Classificação: 1.º Aljustrelense, 63 pontos. 2.º Vasco da Gama, 51. 3.º Odemirense, 50. 4.º Castrense, 48. 5.º Milfontes, 44. 6.º Serpa, 35. 7.º Piense, 33. 8.º Cabeça Gorda, 31. 9.º Sporting Cuba, 28. 10.º Rosairense, 28. 11.º Guadiana, 22. 12.º São Marcos, 16. 13.º Bairro da Conceição, sete. 14.º Aldenovense, sete. FP PUB

Equipa O Moura Atlético Clube joga amanhã à tarde na Cova da Piedade

Moura disputa amanhã na Cova Piedade o 5.º jogo da era Bruno Ribeiro

Um Ribeiro intransponível... O treinador Bruno Ribeiro está à frente do Moura desde finais de março. Já disputou cinco jogos, ganhou três e empatou dois. Amanhã terá novo teste na Cova da Piedade, mas a manutenção está quase assegurada. Texto e foto Firmino Paixão

O

segundo lugar e os 32 pontos conquistados pelo Moura Atlético Clube ainda não são garante matemático da manutenção quando faltam apenas quatro jornadas para o final desta segunda fase do Campeonato Nacional de Seniores, mas a “lebre está quase corrida”. As equipas estão muito perto umas das outras, sete escassos pontos separam o líder (União de Montemor) da

última equipa em estado de relativa tranquilidade (Louletano), e as certezas são apenas as despromoções já confirmadas do Esperança de Lagos e do Almodôvar. No primeiro lugar da série (posição almejada pelo técnico mourense Bruno Ribeiro) está o União de Montemor, com mais dois pontos que o Moura (mas os montemorenses ainda terão que jogar em Moura), e o Cova da Piedade, próximo adversário dos sul alentejanos (na tarde de amanhã, por antecipação), é o terceiro, a seis pontos do topo e menos quatro que o Moura. O Barreirense é a equipa que está com “a corda na goela” face à ameaça de ter que disputar uma liguilha de manutenção. Na jornada anterior destacou-se a

goleada do Moura à formação do Barreiro, com um inesperado 5-1 conseguido nos primeiros 45 minutos, e o empate sem golos entre o Almodôvar e o Cova da Piedade, paliativo para os almodovarense que serviu para afastar os lisboetas do Moura. Resultados (9.ª jornada): Esperança Lagos-U.Montemor, 0-1; Almodôvar-Cova Piedade, 0-0; Moura-Barreirense, 5-1; Quarteirense-Louletano, 1-1. Classificação: 1.º U. Montemor, 34 pontos. 2.º Moura, 32. 3.º Cova Piedade, 28. 4.º Quarteirense, 27. 5.º Louletano, 27. 6.º Barreirense, 23. 7.º Esperança Lagos, 14. 8.º Almodôvar, oito. Próxima jornada (27/4): U. Montemor-Almodôvar; Barreirense-Quarteirense; Louletano-Esperança Lagos; Cova Piedade-Moura (26/4).

O calendário das equipas pode ser determinante nas decisões do título

Uma jornada decisiva...

A

conjugação de resultados desta primeira jornada da segunda volta pode ajudar a definir posições importantes na luta das equipas pela promoção ao escalão principal do futebol sul alentejano. O Saboia lidera a classificação, com vantagem de um ponto sobre o Despertar, mas tem uma deslocação muito difícil ao reduto do Renascente. É grande a rivalidade entre os dois vizinhos, fator que na

primeira volta resultou numa igualdade sem golos. Mas seja qual for o resultado final da contenda, importa recordar que nesta segunda volta ambos terão que jogar duas vezes fora de casa. O Despertar, que na tarde de amanhã jogará em Beja com o Amarelejense, tem calendário teoricamente mais favorável, porquanto disputará ainda um segundo jogo em casa com o Renascente. Quanto ao Amarelejense, de quem

se espera que possa ainda dar um ar da sua graça nesta ponta final da prova, e mesmo sem entrar nas contas da subida poderá influenciar a decisão, tirando pontos a qualquer das outras três equipas. Jogos da 4.ª jornada: Despertar-Amarelejense (2-0 1.ª volta); Renascente-Saboia (0-0 1.ª volta). Classificação: 1.º Saboia, sete pontos. 2.º Despertar, seis. 3.º Renascente, quatro. 4.º Amarelejense, zero. FP


A corrida “Wings for live world run”, evento inovador no mundo da corrida que procura despertar as pessoas para a cura das lesões da espinal medula, vai realizar-se no próximo dia 4 de maio, simultaneamente em 40 localizações diferentes de cinco continentes e, em Portugal, a escolha recaiu num percurso entre a praia da Comporta (Grândola) e Vila Nova de Milfontes.

BTT Pelos Trilhos do Pisão O Clube de BTT Sempre’Abrir, de Trigaches, realiza no próximo dia 4 de maio a sexta edição da Maratona BTT Pelos Trilhos do Pisão, com percursos de 20 (livre e guiado), 45 e 70 quilómetros. As inscrições são limitadas a 200 participantes.

Ciclismo no Torrão

Disputa-se na sexta-feira, 25, o 19.º Grande Prémio de Ciclismo do Torrão (Alcácer do Sal), prova em linha com a extensão de 78,7 quilómetros, organizada pela Associação de Ciclismo de Setúbal para a categoria de Master’s Open. Os ciclistas partem às 15 horas, passam por Casa Branca, Barrosinha, Alcácer do Sal e regressam a Torrão, com chegada prevista para as 17 horas, com meta no largo Bernardino Ribeiro.

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Corrida mundial “Asas para a vida”

BTT Rota das Águias A 1.ª maratona de BTT Rota das Águias, que está inserida na Taça Concelhia de BTT (Odemira), realiza-se em Boavista de Pinheiros no próximo dia 1 de maio, pelas 9 horas, com percursos de 45 (meia-maratona) e 70 quilómetros (maratona).

Rui Guerreiro, 39 anos, treinador do Milfontes, fez o raio x da equipa

Uma das boas equipas em prova O Clube Desportivo Praia de Milfontes ainda quer ganhar o máximo de pontos nas três últimas jornadas do Campeonato Distrital da 1.ª Divisão e melhorar o atual quinto lugar que ocupa na tabela classificativa.

que ainda temos para disputar até ao final do campeonato.

Texto e foto Firmino Paixão

Mas o Aljustrelense fez um bom campeonato, não deu muitas hipóteses às outras equipas e nós, particularmente, tivemos alguns contratempos ao nível de lesões e castigos, e alguns jogos menos conseguidos, ou onde tivemos queixas das arbitragens. Todos erramos e eles também terão o direito de errar, mas creio que o nosso objetivo era mesmo andar lá por cima, não era a subida de divisão. Obviamente que se nos deixassem subir não enjeitaríamos a oportunidade, mas a meta nunca foi essa, era apenas andar nos lugares cimeiros da tabela.

R

ui Guerreiro, o treinador do Milfontes, ainda não se habituou à condição de não poder estar dentro das quatro linhas, a desenhar os lances e a marcar o futebol da equipa. Está satisfeito com a primeira experiência como técnico de uma equipa que entra em campo para ganhar todos os jogos, e confessa apetência para dar continuidade ao projeto na próxima temporada. No balanço da época destaca a coincidência temporal de lesões e castigos, fatores determinantes para que a equipa não tivesse dado mais luta no topo da tabela. Está satisfeito com a prestação do Milfontes ao longo desta temporada?

Ponderados os contratempos que tivemos, a equipa acabou por realizar um bom campeonato. Obviamente que gostamos mais de ganhar tudo, mas nem sempre é possível. No entanto, olhando para aquilo que eram os objetivos do clube, entrarmos em todos os jogos com ambição de ganhar, penso que essa postura foi conseguida e temos sido uma das boas equipas deste campeonato. Os objetivos estão conseguidos, mas nós somos ambiciosos, queremos sempre mais e melhor. O 5.º lugar que atualmente ocupam está acima ou abaixo das expectativas iniciais?

Estamos ainda dentro do que eram as nossas expectativas, no entanto, ainda temos três jogos e podemos subir mais um bocadinho na tabela classificativa. É isso que nos moverá nos jogos PUB

Na época passada o Milfontes esteve muito perto de chegar ao título distrital. Era de esperar que este ano andassem mais lá por cima?

Os três clubes vindos da 3.ª Divisão estavam bem apetrechados e complicaram as contas no topo da tabela?

Essas equipas vieram com outro andamento e estou convencido que isso poderá ter feito um pouco a diferença. São equipas fortes, com objetivos muito concretos e virados para a subida de divisão. A nossa meta passava por disputarmos todos os jogos com uma boa atitude competitiva. A derrota que sofreram em casa com o Castrense foi um dos momentos negativos do vosso percurso?

Esse jogo com o Castrense veio numa altura em que nós estávamos a subir de rendimento e talvez tenhamos ficado um pouco fragilizados com esse resultado. Contudo, demos sempre tudo pelo Milfontes e é isso que se exige sempre de todos nós. Terão ainda dois jogos em casa, com o Serpa e o Rosairense, e um em São Marcos da Ataboeira.

Pontuar o máximo para atingir o pódio, é isso?

O nosso objetivo, quando entramos em qualquer campo, é lutarmos pela vitória, será essa a atitude que teremos nesses três jogos. Teoricamente, alguns dos adversários são mais acessíveis, mas no futebol não se ganha antecipadamente, temos que demonstrar, dentro do campo, que somos ios. Será isso que melhores que os adversários. tentaremos fazer. O Aljustrelense mereceu u o título de campeão?

Naturalmente que sim, foi a equipa mais regular, andou sempre na utura e um frente, tem uma boa estrutura plantel muito forte, é um justo vencedor do campeonato. O Milfontes também tem m um lote de jogadores de grande qualidade… dade…

Sim, temos um bom plantel. tel. Naturalmente que, em sempre probleao longo da época, surgem mas com lesões, castigos e abaixamentos de forma. Curiosamente, alguns desses uase em sifatores conjugaram-se quase ou-nos um multâneo e isso prejudicou-nos mento copouco ao nível no rendimento emos um letivo. Mas na verdade temos bom plantel. Foi a sua primeira experiênriência como treinador ao nível dos seniores. Tem valido a pena percorrer este caminho?

Tem sido gratifie. cante, é sempre diferente. Gostamos sempre mais dee jogar, como é evidente, e eu ainda ícil quando sou jogador. É sempre difícil

deixamos de estar em campo, quando deixamos de dar o nosso contributo dentro das quatro linhas, mas este percurso tem sido uma boa experiência e, por isso, tem valido a pena. Vai continuar na próxima época, com este plantel, eventualmente reforçado, e a lutar pelo título?

Apetece-me continuar, pelo menos, da minha parte, não existem motivos para quebrar este vínculo e não dar continuidade ao trabalho, com a forte ambição de lutar pela vitória em todos os jogos. É essa a promessa que posso deixar.


Kayak polo em Beja

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As Piscinas Municipais de Beja recebem este fim de semana uma etapa do Campeonato Nacional de Kayak Polo, nas categorias de sub/16, absolutos e veteranos, masculinos e femininos. Trata-se de uma organização da Federação Portuguesa de Canoagem, com apoio da Associação Pagaia Sul e do município de Beja, onde competirão as melhores equipas nacionais da modalidade.

Supertaça Feminina em Cuba A final da Supertaça de Seniores Femininos, em futebol de 7, disputa-se na tarde de sábado (15 e 30 horas), no Estádio dr. Augusto de Amado de Aguilar, na vila de Cuba, entre as equipas do Futebol Clube de Serpa e do Futebol Clube Castrense.

Orientação em BTT no Litoral Alentejano

Os Campeonatos Nacionais de Orientação em BTT disputam-se, entre sexta-feira, 25, e domingo, 27, nos concelhos de Grândola e Santiago Cacém. Na sexta-feira decorre a prova de distância longa em Santa Margarida da Serra (14 horas), no sábado, às 10 e 15 horas, disputam-se as provas de estafetas e sprint, em Santiago do Cacém, e, no domingo, na Apaulinha (Grândola), realiza-se a prova de distância média.

Zona Azul em Lagoa A equipa de Seniores da Zona Azul (Beja) desloca-se no sábado, 26, a Lagoa para disputar a partida referente à 8.ª jornada do Campeonato Nacional da 3.ª Divisão de Andebol, fase de promoção sul. O jogo realiza-se no Pavilhão Municipal Jacinto Correia, pelas 19 horas.

António Calatróia promete jogar ao ataque em Santa Clara-a-Velha

“Vamos à procura da vitória” A Associação Cultural e Desportiva do Penedo Gordo nasceu um ano depois da Revolução de Abril. Após um tempo de inatividade, e a caminho de quatro décadas de existência, persegue o título do Inatel. Texto e foto Firmino Paixão

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ACD do Penedo Gordo está a viver um tempo novo. Reuniu um plantel com alguns jogadores, prematuramente retirados do futebol federado, e está nas meias-finais do Campeonato Distrital do Inatel. Após uma primeira fase competitivamente irrepreensível, a equipa treinada por António Calatróia venceu o Santaclarense por 2-0, e, se conservar a vantagem no jogo de amanhã, em Santa Clara-a-Velha, estará na final. O técnico assume: “Vamos manter este nível exibicional e tentar ganhar o jogo. Eu não sei defender nem jogar para o empate, jogaremos o jogo pelo jogo e espero ser

Atletas ACD Penedo Gordo tem um plantel cheio de “estrelas” do futebol distrital

feliz”. O objetivo é o título e o treinador assegura: “A primeira etapa de qualificação para

a final foi bem-sucedida, agora temos mais 80 minutos até à final, o adversário é forte,

joga futebol bonito, é uma equipa muito consistente no meio campo e ataca bem, mas nós vamos à procura da vitória”. Com um plantel recheado de valiosas pérolas, o treinador diz: “Não são bem estrelas, são miúdos que gostam de futebol, e que defendem as cores da sua terra. Têm as suas profissões, não vivem do dinheiro do futebol, vivem com orgulho pela sua terra e é por isso que eu também continuo com este projeto. Pensamos dar-lhe continuidade, talvez seja possível trazer mais quatro ou cinco jogadores deste nível e isso ainda reforça mais a nossa ambição”. Calatróia assume: “Temos feito coisas bonitas, a curto prazo teremos uma equipa ainda mais forte, não só ao nível do plantel, mas uma retaguarda de apoio que nos ajude neste percurso”, porque, lembra o técnico na hora de enumerar os apoios: “Temos aqui grandes jogadores, mas é preciso alguém meter o pão no forno, sozinho não posso, precisamos de mais gente à nossa volta”

Santaclarense perdeu em Penedo Gordo e quer passar à final do Inatel

“Queremos estar na final” O Sporting Clube Santaclarense, coletividade fundada em 15 de agosto de 1920, em Santa Clara-a-Velha, é um dos polos de associativismo desportivo mais antigo do concelho de Odemira e do distrito de Beja. Texto e foto Firmino Paixão

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ilial n.º 97 do Sporting Clube de Portugal tem no seu palmarés uma passagem pela 3.ª Divisão Nacional, duas presenças na 1.ª Divisão e várias participações no segundo escalão, além de um título de Campeão Distrital do Inatel, feito que, nesta época, pretende repetir. Está a disputar as meias-finais do campeonato, na primeira mão perdeu no recinto do Penedo Gordo por 2-0, resultado que pretende corrigir no seu reduto. A promessa é do treinador José Alberto Gonçalves: “Em nossa casa a equipa joga mais, somos ainda mais fortes, estou convencido que com outra atitude, PUB

Jogo O Sporting Clube Santaclarense é um dos clubes mais antigos do distrito de Beja

jogando ao ataque, vamos conseguir dar a volta a esta desvantagem. Estou convencido

disso, tenho plena confiança nos meus jogadores para que jogando em casa consigamos

a qualificação para a final do campeonato”. A derrota em Penedo Gordo terá sido um mero acidente: “Hoje a sorte não esteve do nosso lado, também nos faltaram alguns jogadores com que habitualmente contamos, mas está tudo em aberto para a segunda mão”. O objetivo é claro: “Queremos estar na final e vencer este campeonato”. O plantel é formado por atletas algarvios que já atuaram em campeonatos distritais daquela região: “A nossa equipa tem muita qualidade e estamos numa meia-final a duas mãos, ainda temos o jogo em nossa casa para mostrarmos o nosso valor”. O prestígio e a tradição do Santaclarense esses permanecem incólumes: “O clube merece estar noutro patamar, por exemplo, a disputar campeonatos federados, no entanto, a direção entendeu que devíamos participar neste Campeonato do Inatel. Mas está a ser equacionada a eventual participação no Distrital da AF Beja”, anunciou o treinador do clube.


José Saúde

Pódio Casa do Benfica em Alcochete (1.ª classificada)

Segundo lugar Clube Desportivo de Beja (2.ª classificada)

Bronze “4 ao Cubo” Ass.Desp.Olhão (3.ª classificada)

Competição Internacional Sport Clube (Évora) (4.ª classificada)

Internacional Carolina Silva (Castrense) foi reforço na equipa bejense

Uma festa à Benfica... A Casa do Benfica em Alcochete venceu a primeira edição da Páscoa Futsal Cup disputado na categoria de juniores femininos. O evento foi promovido pelo Clube Desportivo de Beja, o finalista vencido. Texto e fotos Firmino Paixão

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romover a modalidade e dar competitividade às jovens que participam neste projeto foram os objetivos da competição, que a organização, pela voz de Luís Pardal, considerou bem-sucedida: “O balanço final é positivo, tivemos sempre uma boa moldura humana a assistir aos jogos, as equipas que vieram de fora também ficaram satisfeitas. Depois, as nossas miúdas estão num processo de evolução em que têm muito a aprender, mas melhorámos muito relativamente ao último evento que tínhamos organizado pelo Natal. Por tudo isto, pensamos que valeu a pena”. Com os objetivos alcançados, as miúdas do futsal bejense até conseguiram a sua primeira vitória: “Matámos o borreguinho, em tempo de Páscoa”, disse Luís Pardal, assegurando: “Foi um fator de motivação para as miúdas, que vão subindo, degrau a degrau, num processo normal de formação”. No horizonte está ainda a criação de uma escola de futsal para aos mais jovens, que possa dar sustentabilidade ao futsal do Desportivo de Beja uma vez que a atual realidade “são estas 12 miúdas e outras que estão PUB

a aparecer”. “A jogadora mais jovem que aqui tivemos tem nove anos, mas já temos duas equipas formadas, em dois escalões diferentes, infantis e iniciadas”, referiu o coordenador da modalidade. Mas a presença das bejenses na final teve a cumplicidade de duas jogadoras do Futebol Clube Castrense, as campeãs Jéssica e Carolina Silva (esta internacional sub/17). Luís Pardal justificou essas presenças: “Falei com o técnico do Castrense, a quem agradeço a disponibilidade para nos ceder estas duas jogadoras. Quem sabe se num futuro próximo elas não poderão integrar este grupo”. E anunciou: “Seria importante porque o nosso objetivo é participarmos num campeonato no próximo ano, não sei onde, porque em Beja não existe. Se tivermos que ir competir para Évora ou para o Algarve, iremos. Vamos para onde nos quiserem aceitar”. Para já, e numa altura em que o Desportivo de Beja atravessa graves problemas estruturais, o mérito deste projeto de futsal acaba por dar maior visibilidade ao histórico emblema bejense. O dirigente disse mesmo que “esse é objetivo principal”: “Nasci aqui e devo muito a este clube, portanto, é no Desportivo de Beja que quero continuar este projeto do futsal. O clube está quase a fazer 100 anos, e quando os fizer temos que estar fortes no futebol, no futsal e, quem sabe, se não surgirão outras modalidades”. Carolina Silva, a internacional do

Castrense, confessou: “Já tinha praticado futsal noutras ocasiões, gosto da modalidade e, por isso, aceitei o convite do Desportivo de Beja, apenas para vir participar neste torneio”. A atleta revelou: “Já tinha visto esta equipa jogar e acho que tem alguma qualidade”. Quanto ao futuro próximo, acabará a época a disputar a Supertaça de Seniores Femininos, e promete: “Vamos dar o nosso melhor para conquistarmos a supertaça, aliás, o meu pensamento e a da nossa equipa é sempre o mesmo, ganhar”. Mas o regresso à “equipa das quinas” também está equacionado: “Gostava de voltar à seleção, vou trabalhar para isso”. E outros planos para o futuro”? “Gostava de jogar futebol de 11, não sabemos se no próximo ano haverá campeonato distrital, por isso terei que pensar no meu futuro”, concluiu o reforço do Futsal do Desportivo de Beja que deixou o perfume do seu futebol no Pavilhão João Magalhães, em Beja, onde a competição decorreu. Resultados Eliminatórias: Desportivo Beja-Internacional Évora, 1-3; Casa Benfica Alcochete-Quatro ao Cubo Olhão, 4-2. Apuramento do 3.º e 4.º lugares: Internacional-Quatro ao Cubo Olhão, 3-2. Final: Desportivo de Beja-Casa Benfica Alcochete, 0-5. Classificação: 1.º Casa Benfica Alcochete. 2.º Desportivo Beja. 3.º Internacional SC Évora. 4.º Quatro ao Cubo AD Olhão.

Debitei, em tempos, neste espaço, uma narrativa sobre os chamados “Tigres da rotunda”. Um pelotão de ciclistas amadores que aos fins de semana rolam pelas estradas das redondezas de Beja. “Matam” o tempo a pedalar, envolvem-se em brincadeiras, testam as suas capacidades físicas, ou a robustez das suas bicicletas, sofrem, esporadicamente, quedas, fogem do companheiro que parou à beira da estrada por razões fisiológicas, discutem as aventuras protagonizadas pelos ousados que não cumpriram a regra do fair play, outros levam as máquinas fotográficas para recolherem imagens inolvidáveis, enfim, um rol de rotinas que se cruzam e que deixam antever uma genuína camaradagem destes velocipedistas já entradotes na idade. Nas manhãs domingueiras é usual a concentração da rapaziada junto a uma das rotundas de Beja, circular que indica as direções de Lisboa, Évora, Serpa e Mértola, sendo comum o serpenteado do grupo multicolor que faz as delícias dos ciclistas em movimento e de gentes que admiram a coragem daqueles ilustres aventureiros. Confesso que admiro a audácia dos “Tigres da rotunda”. Homens que se atrevem em desafiar os quilómetros a percorrer e as agruras impostas pelo rigor do tempo que, por vezes, se apresenta madrasto. Aclama-se, pois, respeito pelo amadorismo reconhecido, bem como o seu verdadeiro empenho pelo binómio homem/bicicleta. Existem razões factuais que nos permitem vaguear pela atividade dos “Tigres da rotunda”, deixando a certeza que outros grupos existem no distrito de Beja que trilham caminhos idênticos. Na pretérita sexta-feira santa os bejenses, num pelotão que contou com rapaziada de Santa Vitória, Baleizão, Beringel, Trigaches e Cuba, participaram numa iniciativa levada a efeito pela Organização Cuba Aventura e partiu rumo a Monte Gordo. Registe-se que a confraternização contou, na linha de partida, com cerca de 60 temerários, sendo que a caravana engrossaria ao longo do percurso. Bem-haja a voluntariedade destes memoráveis desportistas amadores!

Diário do Alentejo 25 abril 2014

“Tigres da rotunda”

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saúde

28 Diário do Alentejo 25 abril 2014

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CENTRO DE IMAGIOLOGIA DO BAIXO ALENTEJO TOMOGRAFIA COMPUTORIZADA (TAC) ECOGRAFIA MAMOGRAFIA ECO DOPPLER RADIOLOGIA DENTÁRIA Médicos Radiologistas António Lopes / Aurora Alves Helena Martelo / Montes Palma Médica Neuroradiologista Alda Jacinto Médica Angiologista Helena Manso Convenções:

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Dr. Sidónio de Souza – Pneumologia/Alergologia/ Desabituação tabágica – H. Pulido Valente Dr. Fernando Pimentel – Reumatologia – Medicina Desportiva – Instituto Português de Reumatologia de Lisboa Dr.ª Verónica Túbal – Nutricionismo – H. de Beja Dr.ª Sandra Martins – Terapia da Fala – H. de Beja Dr. Francisco Barrocas – Psicologia Clínica/Terapia Familiar – Centro Hospitalar do Baixo Alentejo. Dr. Rogério Guerreiro – Medicina preventiva – Tratamento inovador para deixar de fumar Dr. Gaspar Cano – Clínica Geral/ Medicina Familiar Dr.ª Nídia Amorim – Psicomotricidade/Educação Especial e Reabilitação Dr. Sérgio Barroso – Especialista em Oncologia – H. de Beja Drª Margarida Loureiro – Endocrinologia/Diabetes/ Obesidade – Instituto Português de Oncologia de Lisboa Dr. Francisco Fino Correia – Urologia – Rins e Vias Urinárias – H. Beja Dr. Daniel Barrocas – Psiquiatria – Hospital de Évora Dr.ª Lucília Bravo – Psiquiatria H.Beja , Centro Hospi-talar de Lisboa (H.Júlio de Matos). Dr. Carlos Monteverde – Medicina Interna, doenças de estômago, fígado, rins, endoscopia digestiva. Dr.ª Ana Cristina Duarte – Pneumologia/Alergologia Respiratória/Apneia do Sono Dr.ª Isabel Santos – Psiquiatria de Infância e Adolescência/ Terapeuta familiar – Centro Hospitalar do Baixo Alentejo Dr.ª Paula Rodrigues – Psicologia Clínica – Hospital de Beja Dr.ª Luísa Guerreiro – Ginecologia/Obstetrícia Dr. Luís Mestre – Senologia (doenças da mama) – Hospital da Cuf – Infante Santo Dr. Jorge Araújo – Ecografias Obstétricas Dr.ª Ana Montalvão – Hematologia Clínica /Doenças do Sangue – Hospital de Beja Dr.ª Ana Cristina Charraz – Psicologia Clínica – Hospital de Beja Dr. Diogo Matos – Dermatologia – Hospital Garcia da Orta. Dr.ª Madalena Espinho – Psicologia da Educação/ Orientação Vocacional Dr.ª Ana Margarida Soares – Terapia da Fala Dr.º Ricardo Lopes – Consulta de Gastrenterologia e Proctologia - Endoscopia e Colonoscopia Dr.ª Joana Leal – MedicinaTradicional Chinesa/Acupunctura e Tuina. Enfermeira Maria José Espanhol – Enfermeira especialista em saúde materna/Cuidados de enfermagem na clínica e ao domicílio/Preparação pré e pós parto/amamentação e cuidados ao recém-nascido/Imagem corporal da mãe – H. de Beja Marcações diárias pelos tels. 284 322 503 Tm. 91 7716528 | Tm. 916203481 Rua Zeca Afonso, nº 6, 1º B, 7800-522 Beja Clinipaxmail@gmail.com www.clinipax.pt

29 Diário do Alentejo 25 abril 2014

Clínica Médico-Dentária de S. FRANCISCO, LDA. Gerência de Fernanda Faustino Acordos: SAMS, ADMG, PSP, A.D.M.E., Portugal Telecom e Advancecare Rua General Morais Sarmento, nº 18, r/chão; TEL. 284327260 7800-064 BEJA


necrologia

30 Diário do Alentejo 25 abril 2014

Baleizão

Adolfo António Bexiga 28/04/2014 9.º Ano de Eterna Saudade

Esposa, filhos, noras, netos e bisnetos recordam com profunda e eterna saudade o oitavo ano de ausência do seu ente querido.

MISSA

Vidigueira PARTICIPAÇÃO E AGRADECIMENTO

Maria Adelaide Lopes Valente

António Francisco Prego Ramalho

7.º Ano de Eterna Saudade

Nasceu a 04/12/1940 Faleceu a 20/04/2014

Sua família participa a todas as pessoas de suas relações e amizade que será celebrada missa pelo eterno descanso da sua ente querida no dia 01/05/2014, quintafeira, pelas 18 e 30 horas, na igreja do Carmo, em Beja, agradecendo desde já a todos os que comparecerem no piedoso ato.

Esposa, filhas, genro, netos, irmão, cunhada, sobrinhos e restante família cumprem o doloroso dever de participar o falecimento do seu ente querido e, na impossibilidade de o fazerem individualmente, vêm por este meio agradecer a todas as pessoas que o acompanharam à sua última morada ou que de outra forma manifestaram o seu pesar.

Associação Humanitária dos Dadores de Sangue de Beja

Dê SANGUE dê VIDA


institucional diversos Diårio do Alentejo n.º 1670 de 25/04/2014 Única Publicação

31 DiĂĄrio do Alentejo 25 abril 2014

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Sito na Rua Dr. Coelho de Carvalho, número Um B, em Faro, a cargo da Notåria CRISTINA MARIA DA CUNHA SILVA GOMES Nos termos do art° 100, do n° 1 do Código do Notariado na redacção que lhe foi dada pelo Dec-Lei 207/95 de 14 de Agosto, faço saber que no dia sete de Abril de dois mil e catorze, de folhas cinquenta e seis a folhas cinquenta e oito do Livro de Notas para Escrituras Diversas número Cento e Setenta e Dois - G, deste Cartório, foi lavrada uma escritura de justificação na qual: MARIA DE JESUS SEQUEIRA MESTRE, natural da freguesia de São Pedro de Solis, concelho de MÊrtola e marido, FRANCISCO AUGUSTO MESTRE, natural da freguesia de Santa Cruz, concelho de Almodôvar, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, residentes na Praça JosÊ Afonso, Lote 9, 30 Esq° B, Faro, contribuintes números 148380271 e 148380280. JOSÉ DO NASCIMENTO SEQUEIRA, natural da dita freguesia de São Pedro de Sólis, e mulher, MARIA DA PIEDADE DAS DORES MORENO SEQUEIRA, natural da freguesia e concelho de Almodôvar, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, residentes em Monte Guedelhas, Almodôvar, contribuintes números 137478593 e 113404603 - DECLARAM que são donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, do prÊdio rústico sito em Courela do Gatão, união das freguesias de São Miguel do Pinheiro, São Pedro de Sólis e São Sebastião dos Carros, concelho de MÊrtola, com a årea sete vírgula cento e sessenta e dois mil e quinhentos hectares, composto de terra de cultura, confrontando pelo norte com JosÊ António Lúcio e Manuel Gago, pelo sul e nascente com JosÊ António Lúcio e pelo poente com Maria de Jesus, inscrito na matriz de S. Pedro de Sólis (Extinta), em nome de Francisco António Maio, sob o artigo 29 Secção C, com o valor patrimonial tributåvel de 65,11₏, a que atribuem igual valor. Que o referido prÊdio não se encontra descrito na Conservatória do Registo Predial de MÊrtola. Que os justificantes adquiriram o dito prÊdio, por compra meramente verbal, feita a Francisco António Maio e mulher Maria do Rosårio, jå falecidos, residentes que foram em São Pedro de Sólis, MÊrtola, em data imprecisa do ano de mil novecentos e oitenta e quatro (sendo os justificantes à data jå casados), negócio que nunca foi reduzido a escritura pública; Que desde aquela data, com o conhecimento de toda a gente e sem oposição de ninguÊm, sempre têm vindo a usufruir do mencionado prÊdio, como coisa própria, autónoma e exclusiva, dele retirando as utilidades normais de que Ê susceptível, sendo reconhecidos como seus donos por toda a gente, fazendo-o de boa fÊ, por ignorarem lesar direito alheio, suportando os encargos fiscais e da sua administração, praticando os poderes de facto inerentes ao direito de propriedade plena, na convicção de serem eles, com exclusão de outrÊm, os donos do mencionado prÊdio. Que a referida posse foi exercida à vista de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, sem qualquer espÊcie de violência e ininterruptamente. Que deste modo, eles justificantes, estão hå mais de vinte anos posse do referido prÊdio, que adquiriram por usucapião, o direito de propriedade plena sobre o mesmo, mas dadas as características da referida causa de aquisição, estão impedidos de a comprovar pelos meios extrajudiciais normais. Cartório Notarial de Faro, aos sete de Abril de dois mil e catorze.

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Diårio do Alentejo n.º 1670 de 25/04/2014 Única Publicação

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Diårio do Alentejo n.º 1670 de 25/04/2014 Única Publicação

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institucional diversos

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Diário do Alentejo n.º 1670 de 25/04/2014 Única Publicação

ASSOCIAÇÃO DE BENEFICÊNCIA DE PEDRÓGÃO DO ALENTEJO – ABPA

EDITAL Assembleia Geral Extraordinária

CONVOCATÓRIA (Assembleia Geral Extraordinária – 31.05.2014) Ato Eleitoral De acordo com a deliberação da AG de 15 de Março 2014 e no cumprimento do disposto no artigo 9º dos estatutos, convoco todos os associados no pleno gozo dos seus direitos, para uma Assembleia Geral extraordinária a realizar no dia 31 de Maio de 2014, (Sábado) às 10 horas nas instalações da Associação de Beneficência de Pedrógão do Alentejo – ABPA com a seguinte Ordem de Trabalhos: ELEIÇÃO DOS ORGÃOS SOCIAIS TRIÉNIO 2014-2017 Toda a documentação, (estatutos, lista de associados e regulamentos), necessária ao ato eleitoral, constituição de listas/propostas de candidaturas, podem ser consultadas nos serviços administrativos da ABPA. De acordo com o nº 9 do artigo 9º dos estatutos as listas deverão ser dirigidas ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral com pelo menos três semanas de antecedência em relação à data de realização da Assembleia Geral eleitoral e divulgadas pela Mesa da Assembleia Geral através de edital afixado na sede da Associação. As listas deverão ser entregues até ao dia 9 de Maio 2014. Pedrógão do Alentejo, 19 de Abril de 2014. O Presidente da Mesa da Assembleia Geral josé mâncio rosa soeiro

Diário do Alentejo n.º 1670 de 25/04/2014 Única Publicação

ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE SERPA

EDITAL

Diário do Alentejo n.º 1670 de 25/04/2014 Única Publicação

ASSOCIAÇÃO HUMANITÁRIA DE BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE OURIQUE

CONVOCATÓRIA

VENDE-SE MORADIA C/ 4 SUITES (centro da cidade) Tlm: 917 202 481 E LOJA +- 90 M2 (junto escola secundaria) Tlm: 917 202 481 (ACEITA-SE EVENTUAL PERMUTA)

Nos termos do Secção III, art. 40, n.º 3 Alínea a) dos Estatutos desta Associação, convoco todos os sócios em pleno gozo dos seus direitos, para uma Assembleia Geral extraordinária, a realizar no Auditório do Centro de Convívio da Câmara Municipal de Ourique, no dia 05 de Maio de 2014 (Segunda-Feira), pelas 20 e 30 horas, com a seguinte ordem de trabalhos: Apreciação e votação da Conta de Gerência do ano de 2013. Para participar na Assembleia Geral, considera-se em pleno gozo dos seus direitos todos os sócios efectivos que não tiverem mais de doze (12) quotas em atraso de pagamento, art.º 34 n.º 2 dos estatutos. Nos termos do Art. 42 n.º 1 dos estatutos, se à hora marcada a Assembleia-geral não estiver composta pela maioria dos sócios, a mesma funcionará trinta (30) minutos depois com qualquer número. A Conta de Gerência apresentada pela Direcção, encontra-se na Secretaria da Associação, podendo ser consultada por qualquer associado no pleno gozo dos seus direitos. Ourique, 21 de Abril de 2014. O Presidente da Mesa da Assembleia Geral José Manuel Ramos Mestre

SARA DE GUADALUPE ABRAÇOS ROMÃO, PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE SERPA TORNA PÚBLICO: de acordo com o estipulado no n.º 3 do artigo 49º da Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro e artigos 16.º e 38.º do Regimento da Assembleia Municipal de Serpa, que no próximo dia 28 de abril de 2014, pelas 18:00 Horas, na Sala de Sessões do edifício da Autarquia, realizar-se-á uma sessão ordinária deste Órgão Deliberativo, cuja ordem de trabalhos é a seguinte: 1. PERÍODO DE “ANTES DA ORDEM DO DIA” 1.1 Apreciação e votação da ata n.º 1/2014 1.2. Resumo do Expediente 1.3. Intervenção dos membros da Assembleia Municipal 2. PERÍODO DE “ORDEM DO DIA” 2.1.Relatório da Atividade Municipal (artigo 25.º n.º 2 alínea c) e art.º 35.º n.º 1 alínea y) e n.º 4 da Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro) – Relatório n.º 2/2014 2.2.Conta Gerência relativa ao ano financeiro de 2013 2.3.Relatório Anual de Atividades de 2013 da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Serpa 2.4.Águas Públicas do Alentejo, S.A –Adução a Moura (1ª fase) –Pedido de reconhecimento de

interesse público municipal 2.5.Procedimento concursal para admissão de um dirigente intermédio de 2º grau para a Divisão de Administração, Finanças, Recursos Humanos e Assessoria Jurídica - Designação de júri 2.6.Protocolos de delegação de competências entre a Câmara Municipal de Serpa e as Juntas de Freguesia 2.7.Apelo em defesa da escola pública –pedido de subscrição 3. PERÍODO DE “INTERVENÇÃO DO PÚBLICO” E, para constar, se publica o presente edital e outros de igual teor, que vão ser afixados nos locais públicos do costume. Serpa, 17 de abril de 2014. A Presidente da Assembleia Municipal Sara de Guadalupe Abraços Romão


Segundo o estudo Setores Portugal, publicado pela “Informa D&B”, as exportações do setor do vinho em Portugal cresceram quatro por cento em 2013 face ao ano anterior. Mais de 60 por cento das exportações totais correspondem a vinhos com DOP, nomeadamente o vinho do Porto com uma participação sobre o valor total de cerca de 45 por cento. Relativamente aos países de destino, 55 por cento das vendas no exterior destinam-se à União Europeia, destacando-se França e Reino Unido como os principais mercados.

Empresas

Vinhos do Alentejo promovem formação sobre vinhos a guias turísticos A CVRA – Comissão Vitivinícola Regional Alentejana promoveu a primeira ação de formação dirigida a guias intérpretes e aos profissionais de atendimento nos postos de turismo da região Alentejo. Intitulada “À Conquista dos Vinhos do Alentejo”, esta primeira ação contou com a participação de 18 guias turísticos e foi realizada nas instalações da Rota dos Vinhos do Alentejo, em Évora. Incluída no plano de atividades da CVRA para o ano de 2014, esta formação tem como objetivo estender-se durante todo o ano, formando cerca de 150 guias turísticos nacionais para que estes possam divulgar e incentivar o interesse, o conhecimento e o consumo de vinhos do Alentejo.

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Ervideira lança nova colheita do Invisível

Primeira empresa a instalar-se no Ninho de Empresas de Ferreira do Alentejo

SOS Casa e Jardim comemorou primeiro aniversário Instalou-se no Ninho de Empresas de Ferreira do Alentejo em 2013 e já comemorou o seu primeiro aniversário. Prestadora de serviços nas mais diversas áreas, a empresa atingiu todas as expetativas. Publirreportagem Sandra Sanches

U

m negócio viável que nasceu pelas mãos de Raul Alcobia, a SOS Casa e Jardim presta serviços na área da remodelação, reparação e manutenção de casas e jardins e foi a primeira empresa a instalar-se no Ninho de Empresas de Ferreira do Alentejo. Com apenas três funcionários permanentes afetos ao serviço, a empresa conta ainda com uma oficina de serralharia civil com sede em Figueira dos Cavaleiros. A larga experiência de Raul Alcobia, responsável pelo espaço, outrora empresário na área da serralharia civil, parece ter sido a alavanca para que não tivesse hesitado em reunir numa só empresa vários serviços que respondessem de forma eficaz e complementar às necessidades das populações. Os serviços da SOS Casa e Jardim são vastos: da comercialização e instalação de portões automáticos e portas rápidas industriais a pequenas obras de

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Exportações do setor do vinho cresceram quatro por cento em 2013

manutenção e restauro, manutenção de herdades e quintas, do fabrico de peças na área da serralharia civil e artística a trabalhos em inox, serviços de carpintaria, canalização, eletricidade e limpezas domésticas, sem esquecer a colocação de calçadas. A SOS Casa e Jardim distingue-se por ser uma empresa multifacetada dada a variedade de serviços que disponibiliza ao cliente. Mas, segundo Raul Alcobia, a empresa nasce acima de tudo para facilitar a vida das pessoas. Seja na parte de casa ou no jardim, a empresa responde a todo o tipo de trabalho. Especializada em multisserviços ao domicílio, e com uma equipa altamente especializada e competente, o principal objetivo da empresa é satisfazer os seus clientes, proporcionando-lhes um serviço de alta qualidade. O cliente, sejam empresas, seja população em geral, beneficia ainda de um horário permanente que é praticado pela SOS Casa. Pelo facto de ser uma das primeiras empresas locais a instalar-se no ninho, a SOS Casa teve a oportunidade de trabalhar em coworking com diversas empresas, quer físicas quer virtuais, também já lá instaladas. Criada durante o período de instabilidade económica, a SOS Casa e Jardim praticou desde logo preços competitivos

de forma a penetrar no mercado e, apesar dos tempos difíceis, Rita Pereira, gerente do espaço, refere: “Temos vindo a crescer no mercado”. Atualmente prestam serviço no concelho de Ferreira do Alentejo e na zona de Beja. No entanto, dada a afluência na solicitação dos trabalhos sobretudo na área de restauro e criação de espaços verdes, jardins em herdades e quintas, a empresa também se faz valer de uma vasta gama de produtos que comercializa de marcas mundialmente conhecidas. Futuramente pretende abranger outros concelhos. Um projeto “inovador”, “aliciante”, aliado às condições que o Ninho de Empresas de Ferreira do Alentejo oferece, foi, sem dúvida, uma mais-valia para a SOS Casa e Jardim. Para já Rita Pereira refere que o percurso traçado até à data tem sido “bastante positivo”, adiantando que “as pessoas gostam muito do nosso trabalho e isso é bastante importante para nós”. A empresa espera, num futuro próximo, aumentar o número de profissionais que compõem a equipa, bem como dar resposta a um público mais vasto. A prioridade neste momento concentra-se apenas em oferecer uma boa relação qualidade/preço ao consumidor.

A Ervideira, produtor vitícola do Alentejo, já tornou visível a colheita da sua marca Invisível, aquele que é conhecido como o único vinho branco feito a partir de uvas tintas, segundo uma tecnologia de frio. De salientar que o lançamento de todas as novas colheitas deste vinho foram feitas a 1 de abril, por ser o dia das mentiras e de se tratar de um vinho branco a partir de uvas tintas. Esta é a quinta colheita que o Invisível lança no mercado. A produção, que em 2009 se estimava em 13 mil garrafas por ano, atualmente alargou-se para as 55 mil. Disponível nas principais garrafeiras de Portugal, este produto tem a assinatura do enólogo Nelson Rolo.

Esporão alarga gama Quinta dos Murças com lançamento de Assobio Branco e Rosé 2013 Da propriedade do Esporão na região do Douro – Quinta dos Murças –, nascem dois novos vinhos que dão continuidade ao projeto Assobio Branco 2013 e Assobio Rosé 2013. Este lançamento surge na sequência da aposta do Esporão na região do Douro, onde contava já com duas referências nos vinhos tintos, Assobio Tinto e Quinta dos Murças Reserva, para além dos vinhos do Porto, Quinta dos Murças Tawny 10 anos e Quinta dos Murças Vintage 2011. O alargamento da gama Assobio, que deve o seu nome às vinhas de maior altitude da propriedade, vem comprovar a versatilidade e potencial da Quinta dos Murças na produção de vinhos de excelente qualidade e caráter.

Dois vinhos da CAAR eleitos como “Vinhos do Ano” O grupo Metro, de origem alemã e terceiro maior grupo mundial em distribuição, elegeu dois vinhos produzidos pela Casa Agrícola Alexandre Relvas (CAAR) como “Vinhos do Ano”. As escolhas, que recaíram sobre os vinhos Insólito (tinto 2012 e branco 2013), têm origem no projeto MCCI Wine of the Year 2014, do grupo alemão Metro, representado em Portugal pelas lojas Makro. Para a CAAR, estas duas nomeações vão permitir que o vinho Insólito consiga uma forte projeção internacional através da presença nas 750 lojas do grupo durante o ano de 2014. No mercado internacional a aposta passa por consolidar a presença nos mercados onde já está presente, alargando a distribuição aos Estados Unidos da América e a Inglaterra e chegando a novos mercados africanos e asiáticos.


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Gabinete de Apoio à Juventude de Vidigueira organiza viagem ao Rock in Rio

O Gabinete de Apoio à Juventude de Vidigueira vai organizar uma viagem ao festival de música Rock in Rio no dia 25 de maio, ao Parque da Belavista, em Lisboa, uma iniciativa que está inserida no plano anual de atividades para os jovens do concelho. O lançamento da iniciativa irá decorrer na próxima sexta-feira, 26, pelas 16 horas, no Centro Multifacetado de Novas Tecnologias. “Para além do caráter cultural, esta atividade tem uma vertente social, pois 50 por cento do valor dos bilhetes irá contribuir para o Banco Local de Voluntariado de Apoio Social de Vidigueira”, esclarece a câmara municipal. As inscrições serão limitadas aos 120 bilhetes disponíveis para jovens, com idades entre os 18 e os 35 anos.

À solta Propomos-te uma experiência e para isso vais precisar de um cravo branco e de corantes alimentares. Divide o caule em dois e mergulha cada uma das partes num copo com corantes diferentes. Vais ver que o cravo vai beber as duas cores, alterando a sua cor original.

A páginas tantas...

Passo a passo Em vésperas de comemorarmos o Dia da Liberdade fica uma sugestão para também poderes ter um cravo sem teres a necessidade de comprar um, e para isso basta seguires os diferentes passos.

O livro, publicado inicialmente em 2001, foi novamente reeditado no final de 2013, igualmente com a chancela da Editorial Caminho numa edição comemorativa dos 15 anos da atribuição do Prémio Nobel de Literatura a José Saramago. O autor começa por dizer que não sabe escrever para os mais pequenos, mas tem uma ideia para uma história, mesmo com palavras difíceis (mas não muito), e não resiste: desata a contá-la. Era uma vez um menino que vivia aventuras que o levavam a percorrer muitos caminhos, a seguir um rio, a saltitar entre as árvores, a atravessar o mundo todo. Um dia descobriu uma flor já murcha, prestes a morrer, e é então que decide salvá-la e fazer dela a maior do mundo. E assim foi... Mesmo em cima da sua mesa-de-cabeceira estava, num grande vaso, a flor que vira no dia anterior. Mas não parecia a mesma flor. Era bonita, com fortes e bonitas cores. O rapaz estava feliz. Esta, sim, era a maior flor do mundo. Não em tamanho, mas sim em amizade.


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Letras O conde negro – Glória, revolução, traição e o verdadeiro Conde de Monte Cristo

Boa vida

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Comer Borrego assado no forno com mostarda e batatinhas Ingredientes para 4 pessoas: 1,5 kg. de borrego; 6 dentes de alho; q.b. de sal grosso; 1 colher de sopa bem cheia de mostarda; q.b. de pimenta branca; q.b. de pimentão-doce; 1 molho pequeno de salsa; 1 folha de louro; 2 dl. de azeite; 0,5 l. de vinho branco alentejano; 1 kg. de batatinhas; q.b. de salada de agrião. Confeção: Corte em pedaços o borrego e lave em água corrente. Tempere com sal, pimenta, azeite, alhos picados, folha de louro, mostarda e pimentão-doce. Deixe ficar de um dia para o outro no frigorífico. Descasque as batatinhas, coloque-as num pirex temperadas com sal e azeite e polvilhe com um pouco de pimentão-doce. Leve o borrego ao forno num tabuleiro a 170º e regue com o vinho branco. Ao mesmo tempo coloque o pirex com as batatinhas tapadas com folha de alumínio e quando estas estiverem assadas retire-as. Entretanto o borrego vai assando e acrescente um pouco de água e a salsa. Retifique os temperos. Acompanhe com as batatinhas assadas e a salada de agrião. Bom apetite…

António Nobre Chefe executivo de cozinha – Hotéis M’AR De AR, Évora

Toiros Tauromaquia em destaque na 31.ª Ovibeja

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oaquim Bastinhas, que se encontra lesionado, mas ainda assim marcou presença em Alvalade do Sado, para assistir a este festival, foi substituído no cartel por Tito Semedo, que teve pela frente o melhor novilho da tarde, um Lampreia nobre e voluntarioso que proporcionou ao cavaleiro de Santana da Serra uma lide a gosto, ritmada e com a preocupação de preparar e rematar as sortes. Terminou a atuação com um violino junto à porta dos sustos. A tauromaquia volta a marcar forte presença durante a próxima Ovibeja. Para além dos tradicionais festejos taurinos, como são as garraiadas à alentejana, que decorrem nas noiPara além dos tes de 30 de abril e 2 e 3 de tradicionais maio, e sempre à meia noite, a tradição açorefestejos taurinos, também ana volta a estar representada com a 6.ª Largada à Corda que como são as se realiza na avenida Miguel garraiadas à Fernandes, no dia 1 de maio pelas 10 e 30 horas. alentejana, O ponto alto tauromáquico acontecerá na centenátambém a ria praça de toiros “José Varela tradição açoreana Crujo” no dia 3 de maio, sábado, pelas 17 horas, com a revolta a estar alização da Grande Corrida de Toiros Ovibeja, com a presença representada dos cavaleiros João Moura, com a 6.ª Largada Luís Rouxinol e Tito Semedo, e as pegas a cargo dos Forcados à Corda. Amadores de Cascais, comandados por Joel Zambujeira, e de Beja, comandados por José Maria Charraz. Lidam-se seis imponentes toiros da ganadaria Varela Crujo, Herds. A cultura taurina também estará em debate nesta Ovibeja com o colóquio “Touros em Portugal”, promovido pelo Círculo Taurino do Alentejo, e que conta com a participação como oradores de Luís Miguel da Veiga, Manuel Pires de Lima, Francisco Varela Crujo e Vasco Abreu. Este colóquio está agendado para as 17 horas do dia 2 de maio, no auditório da ACOS. Vítor Morais Besugo

rémio Pulitzer, em 2012, na categoria biografia, O conde negro é uma investigação sobre a história do pai de Alexandre Dumas, Thomas-Alexandre Dumas, feita pelo jornalista e historiador americano Tom Reiss. O Dumas mestiço, cuja vida e aventuras inspiraram os romances O conde de Monte Cristo e Os três mosqueteiros, era filho de um marquês arruinado, que foi para o Haiti tentar refazer a fortuna com o negócio do café, e de uma escrava negra. Após o regresso do marquês à Europa, ThomasAlexandre – que chegou a ser vendido como escravo – alistou-se no exército francês onde rapidamente se notabilizou, como espadachim, pela sua bravura e pelo pensamento estratégico. A França de então, inspirada pelos valores de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução, dotou-se de uma legislação menos racista e o general Dumas teve amplo reconhecimento público. Porém, a sua notoriedade granjeou-lhe a rivalidade de Napoleão, o qual, com a sua baixa estatura, não era olhado como gostaria durante as campanhas militares em que Dumas participava a seu lado. Dumas, consta, era belo e muito alto. No Egito, terá sido tomado como o próprio Napoleão que ficou desagradado com isso. Quando Napoleão se tornou imperador, a França retomou as suas leis racistas e esclavagistas. O general Dumas, cuja saúde se debilitou nos dois anos em que foi feito prisioneiro de guerra, em Nápoles, viuse também desprovido de recursos tendo ambas as circunstâncias apressado a sua morte. Uma década foi o tempo que demorou a pesquisa feita por Reiss para a escrita desta biografia. Nela, a história do homem é integrada na história da Revolução Francesa, da Revolução Haitiana e da ascensão de Napoleão como imperador de França. Escrita com vivacidade e ritmo, O conde negro é uma obra que cruza magnificamente o registo biográfico com o histórico fazendo redescobrir a história dos Dumas e também do racismo que serviu de inspiração à escrita de alguns dos romances mais populares de sempre. Maria do Carmo Piçarra

Tom Reiss Texto Editora 464 páginas 24,90 euros


Filatelia O 25 de Abril em novos selos

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40.º aniversário da Revolução de 25 de Abril de 1974 foi motivo de mais uma emissão de selos dedicados ao acontecimento político maior da segunda metade do século XX. Esta é já a quinta vez que o acontecimento é festejado com emissão de selos; as vezes anteriores foram-no no 1.º, 10º, 20.º e 30.º aniversário. A emissão teve o seu 1.º dia de circulação no passado dia 14 e é composta de dois selos e um bloco, respetivamente com as franquias de N20g (1.º escalão nacional), I20g (1.º escalão internacional) e 3€. Os selos são do Atelier B2 e mostram-nos os militares e o povo numa simbiose perfeita. O cravo vermelho, como não poderia deixar de ser, está presente em todos os selos. O cravo é também um dos elementos do carimbo de 1.º dia de circulação. Com o título 25 de Abril – 40 anos depois, os correios também editaram um livro, cuja tiragem é apenas de 3 700 exemplares, todos eles numerados e autenticados pelo autor, António Costa Pinto, e contém os selos e o bloco da emissão e tem o preço de 39€. Em 1979, pelo seu 5.º aniversário, o 25 de Abril foi assinalado com a emissão de dois bilhetes-postais cuja ilustração foi feita por dois alunos do Liceu Nacional de Leiria; foram eles Isabel Faustino Antunes, de 13 anos, e Dionísio Ferrador da Ponte, também com 13 anos. Para obliteração desses postais foram emitidos carimbos especiais em Lisboa, Coimbra, Porto, Funchal e Ponta Delgada. A Revolução dos Cravos é uma das datas mais

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assinaladas na filatelia portuguesa, pois são vários os agrupamentos filatélicos que a escolhem para a realização dos seus eventos filatélicos. Beja também não foge à regra, pois já foi celebrada por sete vezes. A primeira vez que tal aconteceu foi por ocasião do seu 12.º aniversário. Realizou-se, então, na Casa da Cultura de Beja,

uma mostra de colecionismo que mostrou aos visitantes 20 produtos diferentes. Seguiu-se, no ano seguinte, uma mostra de filatelia que teve honras de emissão de um carimbo comemorativo que reproduzia a Janela Manuelina da rua dos Mercadores (rua das Lojas). Em 1991, pelo 17.º aniversário, a ocasião foi aproveitada para a realização da Exposição Filatélica Inter-regional, um dos maiores certames filatélicos já realizados em Beja. Leonel Borrela desenhou dois carimbos que muito dizem à cidade, ambos dedicados a Mariana Alcoforado. O carimbo do dia 25 de Abril mostra-nos a grade da Janela de Mértola (em primeiro plano), por onde Mariana Alcoforado via o seu amado cavaleiro francês, tendo por fundo a torre sineira do Convento de Nossa Senhora da Conceição. O outro carimbo (dia do encerramento da exposição) mostra-nos a ilustre freira portuguesa escrevendo uma das suas célebres cartas. A data volta a ser celebrada em 2008. O sobreiro ilustra o carimbo emitido para a ocasião. Em 2009 a data é aproveitada para a celebração dos 550 anos do Convento da Conceição de Beja. Nesse dia teve o seu 1.º dia de circulação o bilhete-postal emitido para celebrar o aniversário do convento. Leonel Borrela foi o autor da fotografia que serviu de base à confeção do bilhete-postal e também foi o autor do desenho do carimbo especial que foi usado nesse dia. No ano passado a ocasião voltou a ser aproveitada para a realização de uma mostra de colecionismo, onde foram apresentados duas dezenas de diferentes produtos. Todas estas exposições foram realizadas pelo Núcleo de Colecionismo do Centro Cultural e Desportivo do Hospital de Beja. Por fim, é de assinalar a realização, em 2010, pela Universidade Sénior de Beja, de uma pequena exposição de filatelia, que teve lugar na Casa da Cultura. Geada de Sousa

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Igreja da Misericórdia de Odemira recebe mostra de artes plásticas

A exposição de artes plásticas “A Liberdade e os 40 anos do 25 abril”, que reúne obras de Thomas Wimmer, Gonçalo Condeixa e Otto Taufkirch, vai ser inaugurada no domingo, dia 27, pelas 17 horas, na igreja da Misericórdia, em Odemira. Esta é uma iniciativa da Sopa dos Artistas – Associação Local de Artistas Plásticos e do Município de Odemira, inserida nas comemorações do 25 de Abril. Serão apresentadas obras de Thomas Wimmer (escultura e desenho), Gonçalo

Fim de semana The Hilliard Ensemble termina 40 anos de carreira em Santiago do Cacém No ano em que celebra o 40.º aniversário, o grupo inglês The Hilliard Ensemble, “considerado o mais notável do seu género ao nível internacional”, despede-se “de uma brilhantíssima carreira musical”, no sábado, dia 26, na igreja Matriz de Santiago do Cacém, num espetáculo com início agendado paras as 21 e 30 horas. “Vozes que brotam do Céu: entre o romântico e o maneirismo” é o mote que ilustra o concerto, o terceiro da 10.ª edição do Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo Terras Sem Sombra, sendo o ensemble composto por David James (contratenor), Rogers Covey-Crump (tenor), Steven Harrold (tenor) e Gordon Jones (barítono). Pensado especificamente para o Alentejo, “região aberta, desde os inícios da nacionalidade, à influência dos países atlânticos”, o programa contempla “uma seleção de monodias e polifonias muito antigas, provindas de dois quadrantes geográficos essenciais da era medieval: o território franco e as não menos influentes Ilhas Britânicas, detentoras de uma tradição cultural muito forte”, explica o Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, a entidade responsável pelo festival. O concerto prossegue “com um grupo de obras ilustrativas dos géneros musicais cultivados na catedral de Notre Dame, de Paris, centro religioso e artístico de primeira importância, a partir de finais do século XII”. Na manhã do dia seguinte, terá lugar uma iniciativa de voluntariado destinada “a

Condeixa (desenho, pintura e escultura) e Otto Taufkirch (pintura e desenho), numa homenagem dos artistas à liberdade e democracia conquistadas em Abril de 1974. A Sopa dos Artistas apresenta ainda o filme do Simpósio Internacional de Escultura de 2012, que aconteceu em Odemira, realizado por Jaromir Wimmer. Após a inauguração da mostra, será servida a já famosa sopa confecionada pelos próprios artistas, no largo Miguel Bombarda, junto à igreja da Misericórdia.

“Ficalho Artes” na antiga biblioteca de Vidigueira Inaugurada na quarta-feira, 23, continua patente ao público, na antiga biblioteca de Vidigueira, a exposição coletiva de pintura e escultura “Ficalho Artes”, com a participação dos artistas António Bento Acabado, Leandro Sidoncha, Bento Sargento e António Réu. A mostra pode ser visitada de terça-feira a sábado, das 10 às 12 horas e das 14 às 17 horas.

explorar e ajudar a defender o potencial ecoturístico do litoral português”. O palco privilegiado será a Reserva Natural das Lagoas de Santo André e Sancha, “uma área protegida com elevado potencial ecoturístico”.

António Lains Galamba apresenta Sebastião Toupeira Sebastião Toupeira, a mais recente obra de António Lains Galamba dirigida ao público infantil, vai ser apresentado no próximo sábado, dia 26, pelas 15 e 30 horas, no Espaço Museológico Central de Compressores, em Aljustrel. Com ilustrações de Roberto Chichorro, “as últimas que este conceituado artista faz para livros infantis”, o livro conta aos mais novos “a história recente do País e a resistência dos mineiros ao fascismo português”, esclarece o autor. A acompanhar esta apresentação, que estará a cargo de Paula Lampreia e Manuel

Nobre, será inaugurada, no mesmo espaço, uma exposição contendo as 13 ilustrações que dão vida às páginas de Sebastião Toupeira. “É uma excelente oportunidade para admirarem a obra deste artista plástico que, sublinhe-se, escolheu um trabalho sobre Aljustrel para colocar um ponto final na sua carreira enquanto ilustrador de livros infantis”, realça António Lains Galamba.

Ferreira do Alentejo expõe “Estranhos familiares” de Hugo Lucas Uma exposição de ilustrações do artista plástico Hugo Lucas, sobre “o universo ambivalente das relações distantes com familiares e das relações de familiaridade com estranhos”, pode ser apreciada a partir de sexta-feira em Ferreira do Alentejo. A exposição “Estranhos Familiares”, com ilustrações desenhadas a tinta sobre papel, em garrafas de vinho ou em cadeiras tradicionais alentejanas, vai ser inaugurada às 18 horas de sexta-feira e estará patente ao público até 26 de maio, na Galeria de Arte Capela de Santo António. A exposição vai integrar ainda uma peça de arte urbana que Hugo Lucas, natural de Ferreira do Alentejo, irá pintar, após a inauguração da mostra, numa das paredes exteriores do Centro Cultural Manuel da Fonseca e terá como ponto de partida o texto “Um serão ao fresco”, de Maria Ana Ameixa, que retrata o ritual das vizinhas à conversa à porta de casa.

Certame decorre entre os dias 25 e 27

Vila Museu recebe Feira do Mel, Queijo e Pão

A

Vila Museu recebe entre os dias 25 e 27 mais uma edição da Feira do Mel, Queijo e Pão, um certame promovido pela Câmara Municipal de Mértola que pretende mostrar “o que de melhor se produz no concelho”. Para além “dos produtos tradicionais de elevada qualidade” como o pão, o mel, o queijo, os enchidos e os vi-

nhos de Mértola, a feira apresenta um programa recheado de música, sendo de destacar as atuações de Paulo Colaço, com o seu mais recente projeto de viola campaniça “Por um par de meias solas” (dia 25, 18 horas), Grupo de Vozes d’Alqueva (dia 25, 21 e 30 horas), Grupo de Concertinas do Vale do Tejo (dia 26, 17 horas), Grupo de Música Tradicional Terra Bela (dia 26, 19 e 30 horas),

Nikita (dia 26, 22 horas), acordeonista José Gonçalves (dia 27, 12 horas) e Grupo Coral Instrumental Campos do Alentejo (dia 27, 17 horas). Para o último dia de certame, o programa reserva ainda um encontro de grupos corais, organizado pelo Grupo Coral Guadiana de Mértola, com início agendado para as 15 horas.


39 Diário do Alentejo 25 abril 2014

Terroristas portugueses da Al-Qaeda festejam título do Benfica nas ruas de Islamabad. Audi sorteado pelo fisco vem para Ferreira do Alentejo – viatura será equipada com suspensão reforçada para poder circular nas estradas na região.

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Reescalonamento de voos entre Beja e a capital francesa é mais um indício de que a maternidade do hospital de Beja pode fechar, pois os bebés passam a vir de Paris O povo costum a dizer que, quando se fecha uma porta, abre-se uma janela. A notícia de que os voos charter entre o aeroporto de Beja e o aeroporto Linda de Suza em Paris afinal vão mesmo avançar, é mais um raio de esperança para o futuro da infraestrutura aeroportuária e para o ex-primeiro-ministro José Sócrates que passa a poder vir a Portugal com mais frequência dar nas orelhas de José Rodrigues dos Santos. Mas a verdade é que esta novidade também foi encarado com alguma desconfiança pelos responsáveis region ais, ainda mais quando se fala da possibilidade do encerramento da maternidade do hospital de Beja. Segundo apurámos, o Ministério da Saúde está a equacionar um sistema em que os bebés alentejanos serão trazidos por cegonhas de Paris que virão comodamente sentadas na primeira classe dos voos charter, bebendo champanhe Moët & Chandon e comendo amendoins com mel de Corte Gafo. Para além da maternidade, o Governo quer encerrar as unidades de cardiologia, oftalmologia, psiquiatria, a morgue, as urgências, a pediatria, a unidade de AVC, as máquinas que vendem sandes e bolos de 2013 e os médicos espanhóis que falam como o Vasco Lourinho.

Na versão alentejana do filme “Noé”, a embarcação encalha no Pulo do Lobo e a GNR, ao tomar conta da ocorrência, descobre que Noé é que andava a roubar pombos em Beja Mais uma vez Hollywood está atenta à atualidade regional e prepara-se para produzir uma adaptação do filme “Noé” especialmente destinada ao público alentejano. Nesta nova obra, dirigida por Sá Leão, com argumento de Quentin Tarantino, Noé aproveita-se de uma embarcação e da conhecida alegoria bíblica para levar uma vida dupla: por um lado, salva as espécies animais de um dilúvio provocado pela explosão da barragem de Odivelas; por outro, usa a embarcação para traficar vinho novo para Marrocos e transportar os pombos furtados recentemente em Beja. A ação desenrola-se no Vale do Guadiana, quando a Arca de Noé encalha no Pulo do Lobo, e lanchas da GNR chegam ao local para tomar conta da ocorrência. A guarda descobre que Noé tinha um grau de álcool no sangue superior ao permitido pela lei e que os pneus do eixo traseiro da arca estavam completamente carecas. Um dos guardas apercebe-se de um pombo que esvoaça, abre uma escotilha, e encontra dezenas de pombos presos com fita adesiva e com o bico tapado com algodão. O resto do filme é uma trepidante cena de ação entre Noé e as autoridades portugueses, que decorre entre Mértola e Alcoutim. Críticos de cinema afirmam que o filme é uma mistura entre o “Miami vice” e “Os dez mandamentos”. O papel de Noé será interpretado por Eunice Muñoz e o dos pombos por Nicolau Breyner.

Benfica vence campeonato: águia Vitória sofre esgotamento nervoso com festejos e é substituída por milhafre do bejense Paixão O passado fim de semana ficou marcado pela conquista do campeonato nacional pelo Benfica. Jorge Jesus não esteve presente no jogo da consagração, mas aproveitou o castigo para ir retocar as madeixas californianas. Depois de, na época passada, ter perdido o campeonato a uma jornada do fim, os benfiquistas saíram à rua e festejaram mais do que os americanos quando ganharam a Segunda Guerra Mundial ou quando o João Gobern sabe que é dia de cozido de grão na Taberna do Cesário, em Porto Peles. A cidade de Beja não foi exceção e mais de seis pessoas festejaram na rotunda junto à gare. Todavia, o elevado preço dos combustíveis fez com que algumas viaturas só conseguissem fazer metade da rotunda a festejar e na outra metade tiveram de chamar o reboque por falta de gasolina. Por outro lado, a chuvada que caiu em Beja fez com que adeptos festejassem de barco de remos ou mesmo de cacilheiro. Houve ainda benfiquistas mais desatentos que foram levados pela enxurrada de água e acabaram a celebrar na Salvada. Mas a noite do passado domingo ficou marcada por um evento especial que muito alegrou os adeptos do clube da região: o milhafre do benfiquista e bejense Paixão foi contratado pelo clube encarnado, assinando um vínculo de quatro anos com mais um de opção, para substituir a águia espanhola Vitória que, ao que parece, sofreu uma lesão na face posterior da coxa direita e um esgotamento nervoso. Foi a própria Vitória que nos explicou o porquê desta desistência: “Pues mira, la verdade es que ¡estoy agotada! Eu nem a comer turrón de Alicante e sangria Don Simón me consigo aguentar nas canetas com tanta fiesta, pá! O pior foi quando o Manuel Vilarinho bebeu um copo a mais e pensava que eu era um frango à Guia e não me largou toda la noche!”, afirmou. Por outro lado, o milhafre bejense disse, em comunicado, “ser um orgulho regressar ao Benfica” e que ia fazer tudo para ajudar o clube, desde sobrevoar o estádio a ensinar o Jorge g Jesus a falar pportuguês. g

Inquérito O que foi para si o 25 de Abril?

VASCO LOURENÇO, 72 ANOS Capitão de Abril

Para mim o 25 de Abril foi a melhor coisa que aconteceu em Portugal. Do que depender de mim, fazia-se outro 25 de Abril, mas desta vez tenho de ir deitado na chaimite que os bicos de papagaio dão cabo de mim. Podia ser que com um novo 25 de Abril me deixassem falar na AR, ou melhor ainda, no Fórum TSF…

OTELO SARAIVA DE CARVALHO, 77 ANOS Capitão de Abril e amigo da Julie Sargent

O 25 de Abril foi muito importante, mas se soubesse o que sei hoje tinha feito as coisas de maneira diferente: hoje teria implementando uma república muçulmana em Portugal, só para instaurar a poligamia. Eu sou bígamo e não me chega. Duas mulheres mal me conseguem dar conta de passar as camisas a ferro e puxar lustro à chaimite.

TATIANA LERDA, 17 ANOS Jovem que afirma ter inventado a expressão “fabulástico”

Isso do 25 de Abril foi o quê? Ah, aquela cena em que os militares saíram de Santarém rumo a Lisboa, passaram pelo Campera e foram ao McDonald’s? E depois derrubaram o Governo e não sei quê? Isso é bué seca e assim… O nosso professor de História tentou explicar-nos essa matéria e tivemos de o jogar pela janela. Ainda se o Marcelo Caetano fosse um lobisomem e o general Spínola fosse um vampiro sexy, a coisa era mais fixe e assim…


Nº 1670 (II Série) | 25 abril 2014

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nada mais havendo a acrescentar... Quatro perspetivas banais de liberdade ouvidas ao acaso Sou livre porque tenho um carro topo de gama e um telemóvel de última geração. Sinto-me livre porque os meus filhos andam na escola privada e faço férias onde só vão os que têm carros topo de gama. Sinto-me liberto com o meu perfume exótico, o meu cartão de crédito e a minha roupa de marca. Sou livre porque tenho saúde e todos os meus têm saúde. Sinto-me livre porque tenho televisão com quatro canais, vejo telenovelas e concursos e choro com a desgraça dos outros. Sinto-me liberto porque mato um porquinho no inverno, tenho hortelã e salsa no quintal e compro a roupa toda nos saldos. Sou

livre porque digo ao meu amor que ela é um lago grande e eu um peixe feliz. Sinto-me livre porque faço de conta que um poema é um céu de papel e eu uma ave pequena, de asas tenras, à procura do mecanismo do vento. Sinto-me liberto porque quando estou triste abalo com os pássaros vagabundos. Sou livre porque questiono e me assomo para lá do corpo das coisas, espreito para debaixo das certezas, por detrás das verdades, faço frente ao medo. Sinto-me livre porque sei partir sem olhar para trás, tenho a espinha direita e o ânimo é o meu tapete voador. Sinto-me liberto porque ninguém me põe as patas em cima.Vítor Encarnação

quadro de honra Licenciada em Educação de Infância, exerce funções em Aljustrel desde 1986. Foi vice-presidente da direção executiva do Agrupamento de Escolas de Aljustrel. Desde 1991 que desenvolve projetos inovadores na área das tecnologias, tendo realizado várias candidaturas a financiamentos no âmbito dos quadros comunitários a fim de obter equipamentos informáticos e a sua constante atualização. Foi pioneira, no Alentejo, na utilização do computador em sala de aula com alunos do pré-escolar.

Professora de Aljustrel vence prémio europeu

“Experiência única e inesquecível”

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Foi uma das vencedoras dos prémios europeus eTwinning, na categoria especial Prémio de Língua Espanhola, com o projeto “Conoces este cuento?”. O que é que a levou a participar e em que consiste o projeto galardoado?

O que me levou a participar foi o interesse que sempre tive por projetos inovadores, principalmente quando envolvem tecnologias de informação e comunicação. Desde 2005, ano em fiz o meu registo no eTwinning, já participei e desenvolvi vários projetos ao longo destes nove anos, conseguindo vários selos de qualidade nacionais e europeus, tendo dois deles obtido menção honrosa a nível nacional. Neste projeto em concreto, tive a sorte de encontrar dois parceiros que desenvolveram comigo um trabalho colaborativo no verdadeiro sentido da palavra, tanto entre professores como entre alunos. O mesmo consistiu em trabalhar PUB

lendas e histórias tradicionais de cada país, em que tudo foi previamente combinado entre todos e onde cada grupo desenvolveu a sua parte para um resultado comum (áudio e vídeo contos com desenhos, vozes e arranjos musicais envolvendo todos os alunos). Estiveram envolvidas três turmas, num total de 60 alunos com idades e anos de escolaridade bastante díspares (pré-escolar, 3.º e 6º. anos). As dificuldades iniciais sentidas relacionaram-se com a língua que tivemos de aprender e com a diferença de idades dos alunos. No entanto estas diferenças depressa foram ultrapassadas porque os alunos envolveram-se com muito entusiasmo no projeto e os mais pequenos divertiram-se imenso a dramatizar as histórias, a cantar e a dançar em espanhol tendo sido muito acarinhados pelos mais velhos tal como revelam as suas palavras aquando da avaliação do final do projeto: “Y a los niños y niñas portugueses queremos deciros que lo hemos pasado muy bien con vosotros, habéis trabajado muy bien, pronunciais muy bien en el cuento de Calabaza y nos han gustado mucho vuestros vídeos del teatro, la plastilina, y los dibujos que eran superchulos, nos han quedado unos cuentos estupendos. Cuando nos dijo el profe que teníais 4 años pensábamos que sería muy díficil

As previsões para sexta-feira, 25, apontam para céu com períodos de muito nublado. As temperaturas andarão entre os oito e os 17 graus centígrados. No sábado e domingo o céu deverá passar a pouco nublado.

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Miguel Araújo atua em Castro

Guilhermina Brotas, 55 anos, natural de Coruche

uilhermina Brotas venceu recentemente o prémio europeu eTwinning, na categoria especial Prémio de Língua Espanhola, com o projeto “Conoces este cuento?”. O mesmo que já tinha sido distinguido no ano passado na vertente nacional. Um reconhecimento que define como “uma experiência única e inesquecível”.

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pero ha sido divertido y fácil”. Este projeto vai ter continuidade de certa forma através de um outro, que está a ser desenvolvido com os mesmos professores e com alguns dos alunos mas também com outros que entraram de novo, uma vez que alguns dos antigos alunos mudaram de ciclo ou de escola. Que comentário lhe merece esta distinção?

É muito gratificante vermos o nosso trabalho reconhecido a um nível tão elevado. É uma experiência única e inesquecível e que, de certa forma, me motiva a continuar sempre com empenho, dedicação e profissionalismo. Quais são, no seu entender, os principais benefícios do projeto educativo eTwinnig?

Os alunos e professores têm a possibilidade de trabalhar as áreas de conteúdo da mesma forma mas com objetivos diferentes, pois, para além de adquirirem conhecimento, divulgam e partilham esse conhecimento com colegas de outras escolas e de outros países alargando assim os seus horizontes e conhecimentos enquanto cidadãos europeus, pois absorvem outras culturas com as suas semelhanças e diferenças. Nélia Pedrosa

Miguel Araújo, considerado um dos artistas mais completos da nova geração da música portuguesa, vai estar em Castro Verde no sábado, dia 26, pelas 21 e 30 horas, no cineteatro municipal, no âmbito da 24.ª edição do programa cultural Primavera no Campo Branco. O cantor, músico e compositor deu-se a conhecer nos Azeitonas. Em 2011 estreou-se a solo com “Cinco dias e meio”, álbum que reúne os singles “Os Maridos das Outras”, “Fizz Limão” e “Capitão Fantástico”. Em Castro Verde irá apresentar temas do seu mais recente trabalho, “Crónicas da Cidade Grande”, onde se inclui o single de estreia “Balada Astral” e que conta com as participações dos músicos António Zambujo, Marcelo Camelo e Inês Viterbo.

Moura recebe Congresso do Azeite O primeiro Congresso Nacional do Azeite – Azeite do Alentejo vai decorrer a 9 de maio, na cidade de Moura, para promover o estudo e o debate em torno do setor oleícola. O congresso, organizado pelo Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo e pela Câmara de Moura, vai reunir agentes e profissionais ligados ao azeite em três painéis temáticos e dedicados às políticas de qualidade, económicas e comerciais do setor.

Os Moços da Aldêa apresentam-se na Casa do Povo de Cabeça Gorda Depois de mais de quatro meses de ensaios, e após uma breve aparição no Silarca Festival do Cogumelo, o grupo coral Os Moços da Aldêa, ensaiado por Paulo Ribeiro, apresenta-se publicamente no domingo, 27, a partir das 21 horas, na Casa do Povo de Cabeça Gorda. O grupo, nascido em janeiro naquela freguesia do concelho de Beja, será apadrinhado pelo Grupo Coral de Cabeça Gorda e terá como convidado o Grupo Coral de Salvada, num espetáculo que pretende ser “uma homenagem ao cante alentejano, ao 113.º aniversário da freguesia de Cabeça Gorda e aos 40 anos da Revolução dos Cravos”. Os Moços da Aldêa nasceram “para dar corpo a uma aspiração sentida por parte de alguns jovens da freguesia de forma a contribuir para o rejuvenescimento do cante, bem como à elevação desta freguesia e do próprio cante alentejano junto da nossa comunidade e concelho”, explicam os responsáveis.


Edição N.º 1670  

Diário do Alentejo

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