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SEXTA-FEIRA, 16 MAIO 2014 | Diretor: Paulo Barriga Ano LXXXII, N.o 1673 (II Série) | Preço: € 0,90

Notícias recentes dão conta da “deslocalização” das tropas americanas estacionadas em Sevilha

Pentágono desmente transferência de marines para a Base Aérea de Beja JOSÉ FERROLHO

pág. 10

Mais de 100 anos de lucidez

Bombeiros de Beja celebram 125 anos de existência pág. 11

Um “retrato impressionista” sobre o Alentejo Entrevista a Sérgio Tréfaut págs. 6/8

“Jardim-escola”: O ensino privado chegou há 60 anos Reportagem nas págs. 16/17

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António Varudo, Maria Lopes Fialho, Deolinda Agostinho e Bárbara têm 100 ou mais anos de vida. Uns nasceram no final da Monarquia, outros na euforia dos primeiros anos da República. Mas todos há tempo suficiente para testemunharem as extremas mudanças que aconteceram em Portugal e no mundo ao longo do último século. Um verdadeiro ensaio sobre a lucidez e sobre a memória. págs. 4/5


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Editorial Americanos

Vice-versa “Não encontro razões para a extinção de uma empresa municipal [InovoBeja] que tem feito um bom trabalho. Há três jovens em risco de desemprego”. Jorge Pulido Valente, vereador da oposição na Câmara Municipal de Beja, in Rádio Pax

Paulo Barriga

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ão há fumo sem fogo. Segundo os especialistas este é, muito certamente, um dos provérbios mais antigos e mais conhecidos em todas as sete partidas do globo. Um ditado universalista que se aplica que nem uma luva à base militar de Beja, também ela uma “cidadã” do mundo. Mais que não seja pelas notícias que, a espaços, dão conta da sua utilização por tropas daqui e dali. A base foi criada por portaria, em 1964, para responder aos acordos bilaterais entre Portugal e a República Federal da Alemanha. Mas as suas infraestruturas apenas foram concluídas em 1968. Os alemães chegaram dois anos depois mas acabaram por se retirar em 1973. Tendo regressado em 1979, com uma esquadra de aviões Alpha-Jet, debaixo de um acordo que terminaria em 1993. Em termos de economia local, foi o período mais eufórico e florescente que por cá alguma vez se viu e viveu. A abalada dos alemães coincide, por outro lado, com o início de uma depressão coletiva, social, económica, emocional, que se arrasta até hoje e que parece não ter fim à vista. Ao bom jeito do espírito messiânico lusitano, Beja ficou órfã e envolta num nevoeiro sebastiânico. Cerrado e infindável. Pelo que todos os vultos que se enxerguem ao fundo da pista, logo são confundidos com o retorno do salvador. Foi assim há dois anos quando a silhueta da força área da Coreia do Sul tremeluziu sobre a planície. Foi assim no final do ano passado quando a salvação dos aflitos parecia vir montada em aviões militares do Canadá. Está hoje a ser assim com os contornos pouco definidos da vinda para Beja das tropas norte-americanas que estão estacionadas na base sevilhana de Móron de la Frontera. Notícia já desmentida pelo Pentágono. Mas como não há fumo sem fogo. Ou melhor, como nem tudo é o que parece ser, cá ficamos mergulhados nesta espécie de esperança muito nossa. Ainda que os únicos americanos que se vislumbram na neblina sejam os hambúrguers do McDonald’s .

“A InovoBeja fechou o ano de 2013 com um passivo de 40 mil euros. É muito mais tranquilo o encerramento da empresa neste momento do que daqui a um ano, quando as finanças vierem decretar o encerramento da mesma. Se os trabalhadores forem afastados a responsabilidade é do executivo anterior”. Manuel Oliveira, vereador na Câmara Municipal de Beja, in Rádio Pax

Fotonotícia

Festa das Maias A cidade de Beja celebrou o campo e a primavera no último sábado. Ao fim de vários anos sem saírem à rua, pelas mãos da Associação de Defesa do Património de Beja, várias meninas vestiram-se de branco e ornaram-se de flores campestres para dar continuidade a uma das tradições mais antigas da capital do Baixo Alentejo: a Festa das Maias. Um louvor às boas colheitas que fez convergir centenas de pessoas às Portas de Mértola, numa festa que prosseguiu durante toda a tarde com jogos tradicionais, teatro e música, no jardim público da cidade. Para o ano, promete a organização, vai continuar a pedir-se “um tostãozinho para as Maias”. PB Foto de José Ferrolho

Voz do povo Que Portugal vamos ter após a saída da troika?

Inquérito de José Serrano

Manuel Guerreiro 63 anos, guarda reformado

Odete Palma 79 anos, reformada

Eduardo Godinho 63 anos, advogado

Eu espero bem que o País melhore. Acredito que isso irá acontecer, sim. Que aumente o bem-estar de todos os cidadãos. Porque temos sido muito prejudicados com a troika. Nem percebo o que esteve cá a fazer. Tudo o que nos trouxe foi mau. Não nos ajudou em nada. Espero agora que o governo, seja ele qual for, diminua os impostos. Que o povo português não aguenta mais.

Vejo as coisas de uma maneira tal que não faço a mínima ideia. Não sei se é melhor, se não. Tenho ouvido tantos disparates na televisão. Que temos que sair do Euro, que temos que sair daqui e de acolá, que já não entendo nada. Gostava que a saída trouxesse benefícios. Que os jovens conseguissem arranjar emprego. Metade está desempregada. Gostava. Mas não acredito.

Portugal não tem capacidade para, sozinho, conseguir resolver a situação. Temos de ter a colaboração e a solidariedade da Europa. É por isso que ela existe. Se tal não acontecer é todo o projeto comum que está em causa. A forma como se tentou resolver a situação não foi acertada. Não se pode resolver em dois anos aquilo que se andou a desfazer em tanto tempo.

Maria Eduarda Custódio 67 anos, ex-funcionária administrativa

Vai ficar como está. Melhorias visíveis só provavelmente daqui a 10 anos. Não vaticino que seja mais cedo. O desemprego jovem, que é o que mais me preocupa, ainda vai percorrer um longo caminho até que se resolva. As pessoas vão ter de continuar a emigrar para terem melhores condições de vida. Futuros risonhos só daqui a 20 anos. Quando os meus netos forem uns homens.


Rede social CM MOURA

Semana passada SEGUNDA-FEIRA, DIA 12 ODEMIRA SEIS PRAIAS COM BANDEIRA AZUL

TERÇA-FEIRA, DIA 13 ALENTEJO AGÊNCIA REGIONAL PROMOVE JANTAR NA EMBAIXADA DE PORTUGAL EM FRANÇA A Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo promoveu um jantar na Embaixada de Portugal em Paris. A iniciativa visou não só destacar a gastronomia alentejana como a oferta de luxo na região, dando a conhecer este segmento junto de importantes operadores turísticos franceses e jornalistas especializados em Turismo. As iguarias ficaram a cargo do chefe Miguel Laffan, do L’And Vineyards, não faltando o gaspacho, a açorda, o peixe ou o porco de raça alentejana, acompanhados por um selecção de vinhos do L’And Vineyards. Recorde-se que recentemente o chefe Miguel Laffan recebeu a primeira estrela Michelin para o Alentejo. Para Vítor Silva, presidente da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, “esta é uma acção cirúgica de promoção do destino num segmento mais exclusivo e para turistas mais exigentes, um produto em que o Alentejo se tem cada vez mais especializado”.

SANTIAGO DO CACÉM HOSPITAL RECEBE EQUIPAMENTO DE OFTALMOLOGIA A Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (Ulsla), que integra um hospital em Santiago do Cacém, recebeu da Administração Regional de Saúde do Alentejo um equipamento de Tomografia de Coerência Ótica (OCT), no valor de cerca de 100 mil euros, divulgou a unidade. Segundo a Ulsla, o OCT é o único exame capaz de ver, detalhadamente e em três dimensões, a retina e o nervo ótico, proporcionando um exame muito mais específico das respetivas superfícies. Trata-se da mais recente tecnologia para diagnóstico de um grande número de patologias oftalmológicas. O OCT gera imagens altamente precisas das estruturas internas do olho e deteta variações mínimas da retina e do nervo ótico, sendo fundamental para o diagnóstico precoce e controle de progressão das doenças oculares, como retinopatia proliferativa, degenerescência macular e alteração do nervo ótico.

A horta solar surge no âmbito de uma candidatura à 11.ª edição do Prémio da Fundação Ilídio Pinho, com o tema para este ano “Ciência e tecnologia para a rentabilização dos recursos naturais”. O prémio visa motivar os alunos de todos os ciclos de ensino para a aprendizagem das ciências e para a escolha de áreas tecnológicas. Foi neste contexto que a Lógica, EMSA, foi convidada a integrar a parceria, com base no trabalho que tem vindo a desenvolver fruto da aposta na demonstração da cultura científica e tecnológica. Qual foi o contributo da Lógica, EMSA, no processo de implementação da horta solar?

Para o projeto da horta solar, a Lógica, EMSA, contribuiu com a dinamização de atividades do Projeto Experimenta Energia, a partir da sensibilização para a energia e experimentação dos protótipos para exploração da energia solar. No âmbito do laboratório fotovoltaico com forte componente de investigação no setor das energias renováveis, forneceu todo o apoio técnico, a construção e instalação do sistema de rega, bem como a cedência do painel solar que irá alimentar a bomba solar. E o que é que se pretende com a mesma? Que tipo de atividades estão previstas?

Pretende-se com a horta a exploração da germinação das sementes e todo o seu ciclo de desenvolvimento, acrescentando a tecnologia, permitindo a exploração de novos conceitos científicos, com base na parceria com entidades locais. A manutenção da própria horta estará a cargo da comunidade escolar do Centro Infantil. Relativamente às atividades, além da intervenção dos alunos e a sua responsabilização, é intenção do Centro Infantil convidar outras escolas para a divulgação de todo o projeto tendo em conta o elevado potencial demonstrativo. Consideramos que este projeto é uma enorme valia e, neste sentido, pode ser complementado com diversas soluções técnicas, como a automatização do sistema de rega, o enchimento automático do depósito com a água da rede, a acumulação de energia para a rega noturna a partir da energia vinda do painel solar, possibilitando a contínua formação das crianças em torno da ciência e demonstração do potencial da energia solar, no concelho de Moura. A Lógica, EMSA, defende que a educação assente na demonstração da cultura científica e tecnológica das novas gerações contribuirá de forma decisiva para o futuro da sustentabilidade. Nélia Pedrosa

No quadro da tradicional Feira de Maio, Moura recebeu mais uma edição da Olivomoura – Feira Nacional de Olivicultura e o III Salão de Caça e Pesca. Com o objetivo de divulgar um dos produtos de excelência do concelho, o azeite, e as atividades de caça e pesca. CM OURIQUE

Em que contexto surge a horta solar inaugurada na terça-feira no Centro Infantil Nossa Senhora do Carmo, em Moura?

Olivomoura divulga potencial olivícola

Raça bovina garvonesa em destaque na Feira de Garvão Mostras de gado e produtos agroalimentares, um encontro de criadores de raça bovina garvonesa, artesanato, gastronomia e espetáculos musicais marcaram a edição deste ano da Feira de Garvão, que também foi palco do programa da TVI “Somos Portugal”. CM GRÂNDOLA

Professores da Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual de Campinas (Brasil) visitaram o porto de Sines, numa ação articulada com a Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal, foi divulgado. Sendo a comitiva constituída por professores de Ciências da Computação e de Gestão, a visita incidiu nas soluções de suporte ao negócio portuário e na gestão da informação nos navios e na intermodalidade. Além do Centro de Sistemas e HelpDesk, onde puderam verificar os sistemas informáticos em funcionamento, a comitiva visitou os diversos terminais portuários, com particular importância para a operação de contentores. Neste aspeto, o tratamento administrativo dos navios megacarriers de última geração e a articulação com os transportes terrestres, camião e comboio, mereceu especial destaque, tendo em conta a comparação com os procedimentos do porto localizado mais perto daquela universidade, o Porto de Santos, no Brasil. O porto de Santos é o maior porto do Brasil e é o que mais contentores movimenta com Sines, na América do Sul.

Administrador executivo da Lógica, Sociedade Gestora do Parque Tecnológico de Moura

Viagem pela vida e obra de Zeca Afonso “José Afonso, Andarilho, Poeta e Cantor”, assim se chama a exposição que foi inaugurada em Grândola, no edifício dos antigos paços do concelho, e que propõe uma viagem pelas diversas dimensões da vida e obra daquele cantor de intervenção. DR

SINES VISITA DE DOCENTES DA UNIVERSIDADE DE CAMPINAS

3 perguntas a Hélder Pancadas

São Matias apoia Grupo de Jovens Shemá Os habitantes de São Matias, Beja, com o apoio da junta de freguesia e da casa do povo, ofereceram um almoço ao Grupo de Jovens Shemá de Beja, que seguia em peregrinação para Fátima. O grupo nasceu no seio da Fraternidade dos Irmãozinhos de S. Francisco de Assis. CM BEJA

Seis praias do litoral de Odemira voltam a hastear este ano a Bandeira Azul, atribuída pela Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), informou o município. As praias das Franquia, Farol (ambas em Vila Nova de Milfontes), Furnas, Almograve (ambas na freguesia de Longueira/ /Almograve), Carvalhal e Zambujeira do Mar (freguesia de S. Teotónio) vão hastear de novo a Bandeira Azul. Segundo a autarquia, o símbolo Bandeira Azul vem juntar-se ao título de “Praias Maravilhas de Portugal”, conquistado em 2012 pelas praias das Furnas/Vila Nova de Milfontes e Zambujeira do Mar.

Mês do Cante em Beja O Centro Social do Lidador recebeu Clara Palma, no âmbito do Mês do Cante, uma iniciativa inserida no plano de atividades da Câmara de Beja e que visa “reconhecer o cante enquanto expressão cultural e tradicional”. No dia 17 aguardam-se outros convidados musicais.

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A minha comida era a dança. A dança para mim tinha um valor muito grande. Dançava muito bem. Era muito levezinho e dançava que era o fim do mundo. Ainda me parece que estou a dançar”. António Varudo

Tema de capa

António Varudo, 104 anos

Deolinda Agostinho, 100 anos

Quatro vidas, quatro histórias centenárias

Cem ou mais anos de lucidez

H

á uma rua estreita, ao pé do tribunal de Beja, coberta por calçada que leva até uma casa de barras cinzas e alta. E depois de uma porta vermelha escancarada há um corredor, que uma vez percorrido desemboca num sala de jantar, que liga a uma outra de estar. É aqui, numa poltrona, de frente para a televisão apagada, e de costas para a janela, que está António Varudo. Tem as pernas trocadas, cobertas por umas calças azuis, e uma delas balança num movimento ritmado. Uma das mãos, num ritmo mais acelerado, coça um dos braços, descoberto por uma manga de camisola arregaçada, e depois o outro, tudo por culpa de uma maldita comichão que chegou pela manhã. “Sou eu que tenho 100 anos e mais quatro. Nota-se?”. António Varudo, nascido em Messejana, a 17 de fevereiro de 1910, e a residir em Beja há anos, apresenta-se. Passa a mão, de pele clara, uma e outra vez pela cara também de tez alva. “Está a ver? Não tenho verrugas”. “Rugas, pai”, dispara imediatamente Adriana, a filha que tem por companhia. “Pronto, não tenho verrugas nem rugas. Tenho a pele limpinha e é isso que importa. Não quero PUB

Cem ou mais anos de lucidez. Um século ou mais de vida, que se mistura com a história do País, do Mundo. A vida depois dos três dígitos alcançados na tabela numérica da idade. As memórias e o presente de quatro cidadãos centenários da região. E o futuro logo se verá. António Varudo, Maria Lopes Fialho, Deolinda Agostinho e Bárbara têm 100 ou mais anos. Texto Bruna Soares Fotos José Ferrolho

parecer bonito, quero só parecer como sou”, justifica-se ao enxergar a objetiva da máquina fotográfica apontada em sua direção. “Ora diga lá o que quer saber? O segredo para viver tanto? Pois, nunca bebi, nem nunca fumei e sempre dancei muito”. Pergunta e responde. A audição por vezes já lhe falha e habituou-se a pegar no assunto. Silêncio. Mas alguma vez pensou de viver por tanto tempo? “Nunca pensei, nem deixei de pensar”. Fim de conversa. Novamente o silêncio. Como se a idade, a tal de 100 anos e mais quatro, também lhe tivesse ensinado a demorar-se apenas nas conversas que lhe interessam. “A minha comida era a dança. A dança para

mim tinha um valor muito grande. Dançava muito bem. Era muito levezinho e dançava que era o fim do mundo. Ainda me parece que estou a dançar”. “Mais uma fotografia? Olhe que estou farto de fotografias. Agora fecho os olhos”, ironiza e deixa safar um sorriso, para imediatamente voltar à cara séria. Nasceu ainda antes da implantação da República. Casou, teve cinco filhos, tem oito netos e tem 10 bisnetos. Foi sapateiro e depois esteve à frente dos destinos de um café na cidade. “Vim à sorte e fiz bem em vir para cá. Se não tivesse vindo, nunca tinha uma casa como esta. Uma casa impecável, arranjadinha, bonita,

onde posso receber todos os fregueses”. A linguagem típica, própria de tantos anos a servir clientes, fosse nos sapatos ou atrás do balcão, está-lhe entranhada. A televisão continua desligada, mas António Varudo fixa o olhar nela, como se desejasse que ela se acendesse e explica esta vontade. “É com o que me entretenho. A vista já não me deixa ler, as pernas já não me deixam sair por aí, só na cadeirinha e acompanhado. Antes pegava no meu livrinho, abria uma página e lia a história”. O livrinho, porém, ainda o tem como companhia. As páginas estão amarelas e a capa, de tantas vezes manuseada, denuncia o uso que lhe foi dado. Uma vez aberto enxergam-se as frases tantas vezes lidas por António Varudo e que contam uma aventura de Os Cinco. “Ia nas minhas pernas ao café, também já não vou. Estou aqui com a minha filha, e estou muito bem. Há muitos que têm de estar no lar. Aqui está tudo bem. Mas era grande dançarino, poças”. Uma rua larga e alcatroada leva a um edifício alto, um bloco grande que se estende praticamente ao longo de toda a rua. A porta está fechada, por questões de segurança. Quem entra primeiro passa pela receção e só depois pode


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seguir o corredor, subir as escadas ou viajar no elevador. Numa das salas de estar do Centro Paroquial e Social do Salvador está sentada Maria Lopes Fialho, mais conhecida por “Menina Bia”. Nas pernas repousa-lhe um xaile de malha e nas mãos segura um relógio e uns óculos. Ao seu lado tantos outros colegas, uns acordados, tantos outros de olhos fechados, mas nenhum com a sua idade. 108 anos feitos a 29 de novembro de 2013. Nasceu em Marmelar, no concelho de Vidigueira, em 1905, e como qualquer centenária a sua história mistura-se com a do País, e até com a do Mundo. Foi em 1905, por exemplo, que Einstein anunciou a Teoria da Relatividade. O sorriso rasgado brota-lhe imediatamente na face, quando percebe que a visita é para si. “Muito obrigada por terem vindo ver e ouvir esta velhota com uma idade já muito avançada. Graças a Deus tenho esta idade porque Deus nosso Senhor ma tem dado. Eu nunca pensei de viver tanto, pensava que chegava a uma certa idade e que morria e pronto. Tenho tido algumas doenças, podia ter morrido delas, mas não calhou, não morri. Sou uma velhinha desta idade, mas não estou parva. É, assim, da melhor maneira que aqui estou”. A costura foi a sua grande paixão. “Fui sempre muito trabalhadeira. Pode perguntar a toda a gente que toda a gente lhe diz. Com toda a franqueza, pode perguntar. Fui costureira de fatos de homem. Foi um alfaiate que me ensinou e trabalhei até que pude, agora a vista é que já não me ajuda. Cheguei a ir a um médico já idoso para me curar e ele disse para ir fazendo o que podia”. Aos 108 anos orgulha-se da sua existência e, sobretudo, de ao longo dos tempos não ter colecionado desavenças com ninguém. “Pode perguntar a toda a gente quem é Bia Lopes de Marmelar. Com franqueza. Sempre tratei toda a gente bem, o melhor possível. Sem zangas com ninguém e isso é o melhor que a gente pode ter com esta idade, não é verdade?”. A memória muitas vezes já lhe falha e a vista e o ouvido também. “Dava-me tantos anos? Uma velhinha com uma idade tão avançada?”. Pergunta e desfaz-se em gargalhadas. Insiste em mostrar o quarto a que chama de casa. Pega no cajado e segue corredor adentro. “Fazem o favor de entrar, sintam-se à vontade. É esta a minha casa. Está a ver, tudo arranjadinho, tudo limpinho? Podem ver o que quiserem, está tudo feitinho”. Abre uma e outra gaveta, para que dúvidas não persistam. E aponta para uma fotografia a preto e branco, que repousa em cima de um bordado por si costurado. “É o meu marido. Já morreu”. Não no mesmo edifício, mas num outro que PUB

Maria Lopes Fialho, 108 anos

Bárbara, 104 anos

a este tem ligação, encontra-se, numa das salas de convívio, povoada por tantos, Deolinda Agostinho. 100 anos feitos e a caminho dos 101. Nasceu a 15 de junho de 1914, precisamente no ano em que começou a I Guerra Mundial. Sentada numa poltrona castanha, de camisola azul forte envergada, entusiasma-se mal vê chegar o filho. “Meu filhinho bom”, diz uma e outra vez e bate palmas de tanta alegria. “Está tudo bem, está tudo bem. Estou aqui bem no lar”, apressa-se a dizer, para despreocupar os que a visitam. Mulher do campo, não é de admirar que lhe tenha dedicado praticamente toda a vida e, portanto, não é de estranhar que se entusiasme quando dele se fala. “Muito trabalho, trabalhei muito, na monda”, diz. O que mais a aflige, por estes dias, é a falta de audição. Tenta, uma e outra vez, responder ao que lhe perguntam. As conversas têm de lhe ser transmitidas próximas do ouvido e tem vezes que, por mais que tente, as maleitas do corpo não a deixam verbalizar o que quer, não porque não perceba, não porque não saiba, não porque não se lembre, simplesmente porque pouco ou nada ouve. Ainda assim esforça-se. “Está tudo bem,

tudo bem. Estou bem. São só mocinhas boas que aqui estão”. Repete na ânsia, mais uma vez, de descansar a família. O cabelo branco e curto está rigorosamente puxado para trás, mas Deolinda Agostinho puxa-o mais uma vez. Cruza as mãos e pergunta: “A horta?”. “Sachava muito na horta, apanhava as ervas”, diz, deixando safar um sorriso largo. Contempla a família e finta, assim, a falta de ouvido, para que as conversas, essas, não sejam muitas. “Oh, quando apanhava favas. Gostava de ir ainda a horta, mas estou aqui bem”, diz. E rapidamente acrescenta: “Já semearam as favinhas?”. “Tenho 100 anos, 100 aninhos. Só já tenho um filho, o outro morreu. E tenho netos”, conta, com a lucidez das tristezas e das alegrias de uma vida centenária. Segundo o último Censos, em 2011, existiam no País 1526 pessoas com 100 ou mais anos. Na altura, 1526 mulheres e 273 homens. 82 por cento de mulheres e apenas 18 por cento de homens. Destas pessoas, 644 viviam em lugares com menos de 2000 habitantes e havia ainda 29 pessoas desta faixa etária no grupo designado de “população isolada, embarcada e corpo diplomático”.

Deolinda Agostinho, na altura, ainda não contava para estas estatísticas. Em casa, em Rio de Moinhos, no concelho de Aljustrel, num pátio largo e com vista para a planície, até onde a vista alcança, numa cadeira riscada e colorida, a contrastar com a sua roupa preta, está Bárbara. É este o único nome que a identifica nos documentos oficiais. 104 anos. Nasceu a 28 de fevereiro de 1910. “Estava ali na sala, mas já estava aborrecida e vim sentar-me aqui fora para ver o campo”. “No outro tempo a gente não pensava em nada. Vivi a vida toda debaixo do trabalho. Cheguei a esta idade e agora aqui estou, até que Deus queira. Mas sinto-me bem, a vista é que já está mais ruim. Tenho umas dores pequeninas, mas nada de especial. Não ando aí todos os dias caminho do doutor, passam-se anos e não vou ao doutor. Uma pomadinha aqui, uns comprimidinhos poucos ali. Já toda a gente se queixa com dores e é por isso é que estou mais contente. Com esta idade só tenho estas dores, já não é mau”, conta, enquanto retira o lenço preto que lhe cobre o cabelo branco. O luto, esse, ninguém lho tira. Viu a morte do marido, dos filhos. Vive com uma filha e à hora de almoço sobe a rua agarrada ao filho para ir à sua casa almoçar. “Aí ando para trás e para diante”. “Sou a rainha aqui de Rio de Moinhos, sou a mais velha da aldeia”. Gosta de recordar, sobretudo, a mocidade. “Era bonita. Lembro-me dos vestidos que tinha, do feitio, e lembro-me de estrear um azul muito lindo. Mesmo sendo pobre fui muito bem criada”. Recorda-se também da chegada da eletricidade à aldeia e da novidade que foi a televisão. “Passavam filmes muito bonitos. Sempre gostei de ver filmes. Gostava muito de um que era a ‘Escrava Isaura’”. Mãe de cinco filhos, também ajudou a criar alguns dos netos. Tem bisnetos e trinetos. Lisboa foi o sítio mais longe a que se recorda de ir. Teve para ir à França ver a família, mas nunca conseguiu passar a fronteira, por causa da falta de bilhete de identidade. “Sempre houve uma confusão qualquer com isso que não sei explicar”. Só a certidão de nascimento e os cartões de contribuinte e de segurança social atestam, assim, a sua existência. “Sei os nomes dos netos, que para mim é tudo igual, netos, bisnetos e trinetos, e só não sei mais que alguns são da França”, conta com orgulho, mas ainda assim arrisca: “Fabien, Julien, Vincent”. “Gostava de viver mais um bocadinho. Eu gosto muito de viver”.


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Entrevista No ano em que a Unesco se pronuncia so- setembro, acaba de ser considerado o melhor os campos de extermínio nazis e está a preparar bre a elevação do cante a Património Cultural filme nacional do Festival IndieLisboa. Uma dis- a adaptação para cinema do livro Seara de Vento, Imaterial da Humanidade, o realizador Sérgio tinção que o realizador considera ter sido atri- de Manuel da Fonseca. Um regresso aos campos Tréfaut oferece ao público um “retrato impres- buída a todos os cantadores e que é mais uma do sul de Portugal, através de “um dos romansionista” sobre a mais emblemática expres- prova da vitalidade do cante na era da música ces que fala de forma mais contundente dos misão cultural alentejana. “Alentejo, Alentejo”, pimba e do telelixo. Neste momento, Tréfau tos e dos valores ancestrais do Alentejo”. que apenas estreia nas salas de cinema em está a terminar a montagem de um filme sobre

Entrevista Paulo Barriga

Filme “Alentejo, Alentejo”, de Sérgio Tréfaut, vence Festival IndieLisboa

Uma “viagem sensorial” pelas veredas do cante O documentário “Alentejo, Alentejo” acaba de ser considerado a melhor longa-metragem nacional da última edição do Festival IndieLisboa. Como reage a esta distinção?

Na cerimónia de encerramento do IndieLisboa disse que este era um prémio para todos os cantores, grupos e intérpretes que participam no filme e um prémio para o cante alentejano. Sinto-me feliz não apenas pela decisão do júri, mas porque o público que assistiu às sessões reagiu de forma muito calorosa. Espero que o filme permita divulgar melhor o cante e levá-lo a novos públicos, dentro e fora de Portugal. Como surgiu a ideia de rodar um filme que, na essência, parte do PUB

cante para revelar outros “contornos” mais profundos da cultura alentejana?

O desafio foi lançado pela Câmara Municipal de Serpa, que o financiou quase integralmente, e pela Casa do Cante. No entanto, deram-me total liberdade criativa. Pediram-me apenas que tentasse ser abrangente do ponto de vista geográfico. Ou seja, pediram-me, por exemplo, para não centrar o filme apenas num grupo. Mas, na verdade, a ideia de cobrir toda a geografia do cante alentejano e da sua diáspora, os cerca de 150 grupos, era utópica. Tinha de fazer algumas escolhas, para que alguns falassem por todos. Tentei construir um retrato impressionista, uma viagem sensorial, afetiva, humana. Algo que pudesse ficar dentro das


pessoas. Na verdade, eu detesto números, dados, factos. Quem quiser saber dados e números, que leia um livro de história, de sociologia, ou vá à Internet à procura de informação. Neste sentido, este retrato-viagem é apenas fiel ao meu sentimento do objeto. É um sentimento subjetivo. Mas, como diz um dos adolescentes que fala no filme, o Luís Soares, dos Bubedanas, quando se exprime aquilo que se sente, é muito possível que outras pessoas venham a sentir o mesmo.

A açorda de alho é quase uma bandeira do Alentejo, da sua história, da sua antiga pobreza. É um traço cultural tão forte como o cante que identifica a região.

Ao contrário do que possa parecer, este é um filme muito virado para fora, para o espetador…

Por outro lado, houve a preocupação de oferecer pistas ao espetador. Não é por acaso que a primeira pessoa a falar no documentário é o senhor Bento Vistas, numa taberna de Pias, o “Pica Chouriço”, onde explica, com as suas palavras, como nasceu o cante e o que lhe aconteceu entretanto, nomeadamente o desaparecimento dos cantos de trabalho com a mecanização da agricultura. Também não é por acaso que a segunda cena importante do filme é uma vinda de um grupo a Lisboa, onde se assiste à tentativa de segregação e esmagamento das culturas tradicionais pelo poder dominante: hipermercados, programas de variedade na televisão, música pimba. Penso que é uma cena fundamental, que nos coloca, enquanto espetadores, imediatamente do lado de quem merece ser respeitado e que também mostra “quem é quem” num jogo marcado por tantos discursos hipócritas. Sendo este um filme documental, cuja matéria-prima são “pessoas de verdade”, sentiu alguma dificuldade na execução do guião? Ou o resultado do trabalho é um somatório de momentos não encenados?

Todos os documentários são construídos. Nada surge por acaso. Há sempre uma escolha do que é que se filma e como se filma: enquadramento, movimento, luz, forma de captar o som. Há sempre objetivos por trás da câmara. Neste filme PUB

há uma mistura de sequências ditas observacionais, de sequências com testemunhos pessoais e de sequências expressamente encenadas para a câmara. Por outro lado, a montagem não é um “somatório”. É a construção de uma linha narrativa, mais ou menos subtil, onde se dá a descobrir realidades de uma forma que nunca é arbitrária... Por exemplo: não é por acaso que Os Bubedanas, um grupo de rapazes entre os 17 e os 19 anos, cheio de vitalidade, fecham o filme. Ninguém precisa de explicações para entender o sentido disto. Foi planeado como tal e resultou. Teria sido um filme completamente diferente se terminasse com a moda “Solidão”, que tanto amo, cantada no cemitério de Peroguarda, sobre a campa de Michel Giacometti.

Existiam, então, objetivos precisos.

Eu tinha alguns objetivos ao construir esta linha narrativa: dar a conhecer o cante para quem não o conhece, dar a sentir o Alentejo, mostrar que no Alentejo quase toda a gente canta, desmistificar a questão do masculino/feminino (as mulheres sempre cantaram, mas maioritariamente separadas dos homens), desvalorizar o folclorismo (foi o Estado Novo que valorizou as fardas quase à altura do próprio canto), dar a sentir a realidade popular religiosa do Alentejo (muitas vezes a religiosidade popular é desvalorizada por um discurso ideológico “de esquerda”). Só não inseri os cantos ao Menino e aos Reis porque seria necessário outro filme para isso.

Como é que os intervenientes reagiram à presença de uma equipa de filmar na sua esfera de intimidade?

Todos os intervenientes sabiam que estávamos a trabalhar por uma causa comum, pela causa do cante, que é a causa de quem participa no filme. A primeira regra básica no trabalho de realização de documentário é saber conquistar a confiança das pessoas que queremos filmar. Normalmente há preliminares, conversas prévias, para que as pessoas se sintam confortáveis. É preciso que, de certa forma, nos exponhamos, digamos quem somos e o que pretendemos, para poder pedir que os outros se exponham. Um dos fios condutores do documentário é a açorda de alho. Por que razão juntou de forma tão

persistente aquele que é considerado o prato fundamental da dieta mediterrânica ao cante alentejano?

A açorda de alho é quase uma bandeira do Alentejo, da sua história, da sua antiga pobreza. É um traço cultural tão forte como o cante que identifica a região. Os alentejanos trazem consigo a açorda quando saem do Alentejo, tal como trazem o cante. Além disso, antes de filmar em cozinhas, eu tinha tentado fazer algumas pessoas falarem em outras situações, mas não tinha atingido bons resultados. Incapacidades e falhas de realização. Muitas vezes a conversa ficava contaminada pelo formato de entrevista e pelo discurso televisivo. Mas nos filmes, como na

Há sempre um sentimento amargo daquilo que não foi possível entrar na montagem final de um documentário. E um sentimento de dívida para com as pessoas que se filmou.

07 Diário do Alentejo 16 maio 2014

Tentei construir um retrato impressionista, uma viagem sensorial, afetiva, humana. Algo que pudesse ficar dentro das pessoas. (...) Neste sentido, este retratoviagem é apenas fiel ao meu sentimento do objeto.

vida, aprende-se errando. Foi depois disso que me surgiu a ideia de pôr os cantores a cozinhar antes de os fazer falar... Acaba sendo um light motiv do filme. Vemos muitas formas diferentes de se fazer açorda... um saber que vai passando de geração em geração, tal como o cante, e no qual se introduzem variações regionais e pessoais. E a verdade é que a mesa remete para o espaço da intimidade e penso que resulta não apenas do ponto de vista formal, estrutural, mas do ponto de vista da maneira de estar das personagens. Sei que é uma pergunta de resposta difícil, mas aconteceu algum momento durante as filmagens que guarde particularmente? Há alguma história curiosa que lhe ocorra realçar?

Não sou um contador de histórias nesse sentido. Aquilo que mais frequentemente me vem à memória ou me atormenta são encontros com personagens e algumas cenas de que gosto muito, mas que por razões de estrutura não puderam entrar no filme. Uma conversa com a Edviges e a cena do tanque em Baleizão, as pedrinhas de Arronches, o presépio vivo da Trindade, várias cenas com o grupo dos chapéus de Vila Nova, sequências filmadas nos arredores de Lisboa, uma sequência lindíssima no forno do Joaquim Chouriço, em Serpa, outras sequências com escolas. Há sempre um sentimento amargo daquilo que não foi possível entrar na montagem final de um documentário. E um sentimento de dívida para com as pessoas que se filmou. Muitas vezes, são dezenas senão centenas de horas filmadas para um resultado de hora e meia. Felizmente, neste caso, poderei colocar muitas cenas não utilizadas no site do filme, www.alentejoalentejo. com, atualmente em construção. O seu pai, o escritor e jornalista Miguel Urbano Rodrigues, foi criado no Alentejo, em Moura. Esses “laços de sangue” com esta região e com esta cultura foram importantes para levar a cabo esta produção?

Creio que o meu pai sente-se mais


alentejano do que se sente português e sempre se esforçou para que eu entendesse ou sentisse o Alentejo. Aos 12 anos, ele mandou-me passar uma semana na Amieira, em casa de trabalhadores do campo, para que eu aprendesse algo sobre a vida e sobre a sua terra natal. Foi uma experiência muito forte. Eu tinha crescido em São Paulo, no Brasil, numa classe social privilegiada, entre universitários e jornalistas. Acabava de viver um ano em Paris. Nesse momento, estar uma semana numa aldeia do Alentejo foi como visitar outro planeta. Descobri o que era ir trabalhar de madrugada para o campo, ter uma casa de banho recentemente construída fora de casa, comer açorda de alho todos os dias. Sinto-me muito agradecido pelo carinho e pelo cuidado com que fui tratado na Amieira. Ainda me lembro bem da Amélia e do Chico Bento. Mas, estranhamente, é através da minha mãe, francesa, que eu tenho uma relação afetiva mais forte com o Alentejo. Era ela quem gostava de entrar nas tabernas e chorava sempre que ouvia os grupos de alentejanos cantar em coro. O que sentiu depois de ver a versão final do filme, nomeadamente na plateia do Cinema São Jorge?

Foi para mim muito importante que os alentejanos se sentissem retratados e se emocionassem com o filme, que o “aprovassem”,

DANIEL ROCHA “PÚBLICO”

Diário do Alentejo 16 maio 2014

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Não conheço os detalhes do dossier apresentado à Unesco, mas creio que o cante Alentejano é obviamente património cultural imaterial.

independentemente das regiões de origem. Foi o que aconteceu nessas primeiras apresentações. Senti alívio e um sentimento de dever cumprido para com as pessoas que estimo e de quem gosto. Depois deste “mergulho nas águas profundas” da principal expressão da cultura alentejana, que apreciação faz sobre a vitalidade do cante?

Tanto quanto sei, o cante está muito vivo, com mais de 150 grupos no ativo. É impressionante ver que, de entre tantas formas de música popular repertoriadas em Portugal por Michel Giacometti e Lopes Graça, nos anos 50-60, quase todas têm vindo a desaparecer, destruídas pelo império do pimba, dos vários tipos de big-brother e do telelixo. No entanto, o cante sobrevive. Como é que esse fenómeno acontece?

do cante alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade. Acha que esta iniciativa está destinada a ter sucesso?

Não conheço os detalhes do dossier apresentado à Unesco, mas creio que o cante Alentejano é obviamente património cultural imaterial. Até deve corresponder mais aos critérios gerais da Unesco do que por exemplo o Fado, na medida em que a sua prática nada tem de profissionalizado ou de comercial.

O apoio dos municípios e das juntas de freguesia tem ajudado à vitalidade do cante, nomeadamente com apoio aos grupos não profissionais, com a promoção de espetáculos e com o ensino do cante nas escolas primárias. Pelo meu lado, acho que uma defesa mais empenhada do conceito de “taberna” como local de encontro, de convívio e de improviso, sem folclore, é o próximo passo fundamental desta forma de luta. Mas trata-se de uma luta dura, simultaneamente contra a ASAE e contra os seguidores da modernização feita sob o modo da fotocópia desbotada.

Depois do IndieLisboa, quais são as próximas paragens do filme “Alentejo, Alentejo”?

Está nas mãos da Unesco apreciar, até ao final do ano, a candidatura

Estou a terminar a montagem de um filme que trata dos campos de

O filme terá algumas apresentações especiais muito pontuais no Alentejo, primeiro em Serpa, que o financiou, e em algumas outras capitais de concelho. Mas a estreia do filme em escala nacional nas salas de cinema só terá lugar em setembro. A exibição televisiva deverá ocorrer logo depois que o filme saia de cartaz e o mesmo relativamente à venda em DVD. E o Sérgio Tréfaut, que novos projetos tem em curso?

extermínio nazi durante a Segunda Guerra mundial. A maior parte das pessoas tem apenas a ideia dos campos de concentração romantizada por histórias heroicas ou pelo relato da chegada dos aliados que libertaram os sobreviventes. Mas houve campos de extermínio total, como Treblinka, onde foram gazeados mais de um milhão de judeus. Eram fábricas de matar pessoas. Durante dois anos chegaram todos os dias a Treblinka comboios com mais de dez mil judeus que eram imediatamente exterminados. Homens, mulheres, velhos e crianças. Também estou a iniciar a preparação de uma longa-metragem de ficção, que é uma fiel adaptação do livro Seara de Vento, de Manuel da Fonseca. Um regresso ao Alentejo…

O Seara de Vento é um dos romances que fala de forma mais contundente dos mitos e dos valores ancestrais do Alentejo. A rodagem terá lugar no próximo inverno, no Baixo Alentejo. Ainda não definimos exatamente onde. Dependerá um pouco dos apoios locais que gostaríamos de conseguir. Espero poder contar com o apoio do poder local, como já aconteceu em anteriores projetos. Mas, ate hoje, nenhuma empresa alentejana acedeu em ser patrocinadora dos meus projetos. E tentei várias vezes... Será que o Seara de Vento poderá vir a ser o primeiro?

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09 Diário do Alentejo 16 maio 2014

O “Diário do Alentejo” está a socorrer-se das suas próprias páginas para recordar os momentos que precederam e que se seguiram ao 25 de Abril de 1974. Sem qualquer intuito científico, histórico ou sociológico, pretendemos apenas dar a conhecer aos nossos leitores a forma como um pequeno diário de província olhava para a região, para o País e para o mundo há precisamente 40 anos. E uma das grandes conclusões que podemos retirar desta revisitação é que por vezes, afinal, a história repete-se.

Diário de uma Revolução (7) Paulo Barriga

O primeiro dia do resto da vida das autarquias

N

ão é fácil. Não é fácil hoje e muito menos fácil seria há 40 anos atrás, em plena euforia revolucionária, manter o equilíbrio, a isenção e o pluralismo necessários à boa saúde de um jornal. Não é fácil, mas o “Diário do Alentejo”, então dirigido por Melo Garrido, soube conservar essas virtudes, apesar das várias pressões que a espaços vão sendo assinaladas nas suas páginas. Nunca, como nos dias que se seguiram ao 25 de Abril de 1974, este jornal conseguiu ser tão imune às influências externas. Isto sem nunca deixar de celebrar e de evidenciar os novos rumos que Portugal agora se propunha trilhar. O recorte de jornal que em baixo destacamos, um desesperado artigo de um assinante afeto ao regime deposto, publicado a 14 de maio, é apenas um entre muitos outros bons exemplos do pluralismo que estava associado à linha editorial do jornal. Isto sem obstar a que o próprio diretor, no dia seguinte, pudesse dedicar a sua “Nota do dia” ao “Ar da liberdade”, para relembrar aos seus leitores como era “admirável sabermos que fomos reintegrados, alfim, na nossa condição de homens livres e responsáveis?!”. A semana do 13 de maio, que em 1974 calhou a uma segunda-feira, exigia, de facto, muita serenidade e muita “responsabilidade”. A 14 de maio, com base nas Leis n.ºs 2 e 3, eram extintas a Assembleia Nacional e a “velha” Câmara Constituinte. No dia seguinte, 15, António de Spínola, que era “natural do concelho alentejano de Estremoz”, como relembra o “DA”, era nomeado presidente da República pela Junta de Salvação Nacional. Ao longo desse mesmo dia, e também no seguinte, era empossado o I Governo Provisório, liderado por Adelino da Palma Carlos, com Mário Soares na pasta dos Negócios Estrangeiros e Sá Carneiro e Álvaro Cunhal nomeados ministros sem pasta. Em termos de restruturação do aparelho de Estado, foi a semana mais louca e alucinante da história recente de Portugal. E essa metamorfose institucional não deixou de acontecer igualmente ao nível das câmaras municipais. Segundo manchete do “Diário do Alentejo” de 13 de maio de 1974, foi por proposta do então governador civil do distrito de Beja e delegado distrital das Forças Armadas, coronel Romão Loureiro, que em reunião nacional dos

governadores civis em exercício, “foi resolvido que sejam demitidos os presidentes, vice-presidentes e vereadores de todas as câmaras municipais do País”. Estes “corpos administrativos” passavam agora a ser dirigidos provisoriamente “por comissões eleitas, segundo os princípios democráticos, em comícios promovidos pelas comissões concelhias do Movimento Democrático Português”. O que, para Melo Garrido, “confirma um firme propósito de redemocratização do País”. Sendo que os concelhos do Baixo Alentejo mais “firmes” ou lestos nesta matéria foram os de Aljustrel e de Almodôvar que, logo a 13 de maio, um dia após a decisão de criar comissões administrativas municipais, realizaram as respetivas assembleias eleitorais populares.

O repórter do “Diário do Alentejo em Aljustrel referia mesmo que o exemplo da eleição ocorrida naquela vila poderia “ser adotada por todos os outros concelhos”. E assim se passou em Aljustrel: “A população de todas as freguesias foi convocada para uma reunião no campo de futebol do Sport Mineiro Aljustrelense, tendo a comissão concelhia do Movimento Democrático distribuído listas com 12 nomes propostos mas com a indicação de que estes poderiam ser substituídos por outros, se cada eleitor assim entendesse. Apenas foi permitida a votação a pessoas, de ambos os sexos, com idade mínima de 21 anos”. O escrutínio ditou a eleição do professor António Alexandre Raposo, mais tarde diretor do “Diário do Alentejo”, como presidente da Comissão Administrativa de Aljustrel. Nota

de fim de reportagem: “O presidente que se demitiu, o regente agrícola Matos Brás, teve um voto”. Já em Almodôvar, “num comício popular que reuniu cerca de duas mil pessoas, representando todas as freguesias do concelho, e que se realizou no largo fronteiro à sede da Casa do Povo, foi eleita, por aclamação” a comissão administrativa presidida pelo solicitador Carlos Dinis Morgadinho Gago. A posse das comissões administrativas de Aljustrel e Almodôvar decorreu nesse mesmo dia, 13 de maio, no Governo Civil de Beja. “Acompanharam os novos dirigentes camarários centenas de pessoas dos referidos concelhos, predominando elementos das classes rurais”. Durante a tarde do dia 14 de maio, o coronel Romão Loureiro, deu igualmente posse às comissões administrativas dos municípios de Castro Verde (Francisco Colaço Alegre), Cuba (José de Mira Abrantes), Ferreira do Alentejo (Francisco Palma Lopes), Moura (Armando Lopes Manso), Serpa (Joaquim Acabado Janeiro) e Vidigueira (Carlos Goes). Ao invés do que acontecerá no dia anterior, os presidentes depostos, com exceção do de Castro Verde, não compareceram à cerimónia. A Câmara de Beja foi uma das últimas a apresentar a demissão ao delegado da Junta de Salvação Nacional. O “Diário do Alentejo”, em “nota do dia”, estranhava que em alguns autarcas, “não muitos, tivesse morado a veleidade de admitirem que um telegrama de «Estamos com a Junta de Salvação Nacional», seria suficiente para lhes assegurar a continuidade nas funções. Não foi bem esse o caso, mas isso são saneamentos para os próximos episódios do “Diário de uma Revolução”. As mais significantes primeiras páginas do “Diário do Alentejo” publicadas em abril de 1974 estão em exibição na galeria de exposições temporárias do Museu Regional de Beja, na rua dos Infantes, até 22 de maio.


Diário do Alentejo 16 maio 2014

JOSÉ FERROLHO

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Atual A possibilidade da Base Aérea de Beja vir a acolher a Força de Intervenção Rápida (FIR) americana, até agora estacionada em Morón, na Andaluzia, foi esta semana noticiada por vários órgãos de comunicação nacionais. Notícias negadas pelo Pentágono. No entanto, ninguém desmentiu – ou confirmou – a visita a Beja de uma delegação militar americana, em finais do ano passado. Texto Aníbal Fernandes

Delegação militar dos Estados Unidos visitou a cidade no final do ano

Pentágono desmente instalação de base americana em Beja

“B

eja pode ser a melhor solução para os marines na Europa”. Esta é a convicção de um alto comando militar da Força Aérea Portuguesa (FAP), no entanto, este operacional ouvido pelo “Diário do Alentejo”, não confirma que estejam a decorrer iniciativas que a curto prazo se possam traduzir na mudança da FIR dos EUA para o território nacional. A fonte contatada pelo “DA” considera que a zona de Beja e do litoral alentejano apresenta “todas as características necessárias para o treino de uma força militar de elite” como esta. “Tem uma pista e uma meteorologia excelente” e no litoral “os 50 quilómetros de costa para sul de Sines,

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são os ideais para treinar desembarques”, explica. No entanto, num comunicado citado pela agência espanhola de notícias EFE, a porta-voz do Pentágono para a Europa, Eileen Lainez, negou que os EUA tivessem “planos para mudar a localização das forças dos EUA de Morón, em Espanha, para Beja, esclarecendo que isso não impedia que continuassem “a trabalhar com Portugal no desenvolvimento de oportunidades de treino bilaterais, entre os quais os que acontecem agora”, que incluem manobras de pelotões da Força de Resposta Rápida de Morón e membros do Corpo de Fuzileiros Navais de Portugal. Nos Açores a notícia foi mal recebida pelo município da Praia

da Vitória, onde está localizada a Base das Lages, e pelo Governo Regional. Em comunicado, a autarquia confessa que “vê com preocupação este episódio porque o mesmo indicia que, nas negociações diplomáticas em curso, estão a ser equacionadas soluções que, a médio-prazo, podem desvalorizar a base das Lajes e justificar a diminuição do efetivo militar norte-americano, com impacto significativo na economia e sociedade locais”. Também Vasco Cordeiro, presidente do Governo Regional dos Açores, numa carta enviada ao primeiro-ministro Passos Coelho, exigiu esclarecimentos “sobre a existência ou não desses contactos, e a ligação que podem ter com as tomadas de posição do

Governo português sobre a base das Lajes”. O presidente do executivo açoriano pergunta ainda ao Governo português se “entende que é possível conceder facilidades aos EUA noutras infraestruturas militares em qualquer ponto do território nacional enquanto não estiver devidamente resolvida a situação da base das Lajes”. De facto, segundo informações recolhidas pelo “Diário do Alentejo” nos Açores, um estudo recente efetuado pelas autoridades portuguesas revela que as famílias americanas, só em alojamento, deixam na economia local cerca de 275 mil euros por mês, valor que tenderá a baixar drasticamente se os americanos reduzirem a sua atividade na Ilha Terceira.

O que está em cima da mesa é a possibilidade do contingente americano nos Açores deixar de prestar serviço durante 24 horas, passando a operar apenas das 10 horas às 18 horas. Isso implica desde logo uma redução dos atuais 650 operacionais, mais famílias, para 160, sem famílias. Paralelamente os civis portugueses que trabalham na dependência das forças americanas também passarão de 800 para metade. No entanto, há a ressalvar que a FAP continuará a operar durante todo o dia e toda a noite, para cumprir, controlar e coordenar as ações de busca e salvamento nas áreas de responsabilidade atribuídas aos Comando da Zona Aérea dos Açores.


Diário do Alentejo 16 maio 2014

JOSÉ SERRANO

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Época do incêndios começou ontem, dia 15

Distrito tem mais meios para combater fogos O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios prevê que na fase mais problemática, de junho a agosto, estejam disponíveis no distrito de Beja 57 equipas integrando 278 operacionais, apoiados por 79 veículos e um helicóptero sediado em Ourique. O ministro da Administração Interna garantiu, esta semana, que Portugal está preparado para a época de incêndios e o major Vítor Cabrita, responsável pelo Comando Distrital de Operações de Socorros de Beja (CDOS), confirma que houve um reforço de meios na região.

A

quilo que mais preocupa Miguel Macedo, ministro da Administração Interna, é o número anormal de ignições registadas no ano passado, “com dias em que se atingiram as quatro centenas”. Daí resulta a prioridade apontada pelo responsável governamental, que passa pela redução dos focos de incêndio. No distrito de Beja, esse trabalho de

casa foi realizado ao longo do ano pelas equipas de sapadores municipais que levaram a cabo operações de limpeza das matas e abertura de caminhos, sob a supervisão do CDOS. Paralelamente, este organismo promoveu ações de formação de combate a incêndios com duas centenas e meia de operacionais das corporações de bombeiros voluntários, das equipas de sapadores municipais e elementos do Regimento de Infantaria n.º 3. Na primeira fase, que se iniciou ontem, quinta-feira, e durante 15 dias, o distrito vai contar com um grupo de combate a incêndios, apoiado por quatro viaturas, dois autotanques de abastecimento de água e um carro de comando, no total de 26 homens. No início de junho juntar-se-ão a este grupo equipas da GNR, PSP, Sapadores Florestais e grupos de cinco homens em todas as corporações de bombeiros voluntários, para além de seis equipas de apoio logístico. Também entrarão em ação equipas de vigilância nos parques

nacionais do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e do Vale do Guadiana, bem como quatro torres de vigia sob a responsabilidade da GNR. Na dependência da Proteção Civil, participam na operação 28 “canarinhos” que se fazem deslocar em cinco veículos todo-o-terreno. Em julho entrará em ação o helicóptero sediado em Ourique, e com um raio útil de 40 quilómetros. Para além deste meio aéreo de intervenção rápida, mais quatro aeronaves deste tipo podem, e devem, dar apoio ao combate a incêndios no distrito, mas estão sediadas em Cachopo e Monchique, no Algarve, em Grândola e em Évora. Para além dos meios aéreos, surgirá ainda o reforço de mais duas equipas de combate a incêndio, totalizando então 17, e o mesmo número de grupos de apoio logístico. Do fim de agosto até ao meio de outubro assistir-se-á à redução dos meios e efetivos para 24 equipas, 172 operacionais e 56 veículos. AF

125 anos de bombeiros em Beja

A

Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Beja comemorou 125 anos de existência no passado dia 12, mas as atividades que assinalam a data vão ter lugar amanhã e depois. No sábado, durante a manhã, será inaugurada no quartel uma exposição comemorativa e serão entregues os diplomas aos sócios com 25 e 50 anos. Às 15 horas, nos Moinhos de Santa Iria, terá lugar um simulacro de incêndio e outras operações dos bombeiros, a que se seguirá um passeio pela cidade para revisitar locais onde aconteceram incêndios que ficaram na memória de todos. Esta iniciativa conta com o apoio da Câmara Municipal de Beja e da Associação de Divulgação do Património. No regresso ao quartel haverá uma demonstração da

utilização da escada magirus, seguida de um beberete. No domingo, por volta da 8 e 30 horas, no cemitério, será inaugurado um memorial de homenagem aos voluntários falecidos, após o que se seguirá um desfile até ao quartel, onde serão recebidos os representantes da câmara e do Governo presentes nas cerimónias. Na altura serão entregues pelo secretário de Estado da Administração Interna seis rádios Siresp a outras tantas corporações de bombeiros dos distritos de Faro, Évora e Beja. Seguir-se-á uma sessão solene, onde será apresentada uma revista comemorativa dos 125 anos dos BVB. As comemorações terminarão com um almoço de confraternização do Parque de Feira e Exposições. AF


Diário do Alentejo 16 maio 2014

JOSÉ FERROLHO

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A

Em abril de 2015

Alentejo associa-se às comemorações

Segunda edição das Conferências de Aljustrel

Dia Internacional dos Museus

segunda edição das Conferências de Aljustrel terá lugar nos dias 3 e 4 de abril de 2015, voltando a “acolher o debate sobre os desafios da cidadania, da inovação e do território”. Promovida pela Câmara de Aljustrel, com o apoio da Esdime – Agência para o Desenvolvimento Local do Alentejo Sudoeste, a iniciativa “vai assumir um lugar de destaque na construção de um compromisso com o desenvolvimento e com o futuro, que pretende afirmar os territórios do interior no debate político e científico”, afirma a organização, em comunicado de imprensa. Na mesma nota, a autarquia refere que a primeira edição, realizada nos passados dias 4 e 5 de abril e que contou com a presença de PUB

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“mais de 200 pessoas”, foi uma “aposta ganha”. “Com um painel de duas dezenas de oradores constata-se que a aposta de iniciar a aplicação do Plano de Ação 2014/25, fruto do processo da Agenda 21 Local, com uma abertura ao exterior, através da mobilização de diversos agentes que refletem e combatem situações idênticas às do concelho de Aljustrel, foi coroada de êxito”, adianta a câmara, acrescentado que “foram várias e ricas as ideias e pistas de atuação proporcionadas pelas intervenções e debates decorrentes. Passaram pela análise das crises demográficas e territorial e do desenho de políticas públicas, face aos desafios do desenvolvimento, e chegaram ao olhar particular sobre caminhos e pistas já trilhados na inovação territorial”.

N

o âmbito das comemorações do Dia Internacional dos Museus, que se assinala domingo, 18, o Museu Jorge Vieira, em Beja, recebe amanhã, sábado, pelas 21 e 30 horas, a conferência “Esculturas: da mão pata o espaço público. Jorge Vieira e Francisco Brennand”, pela escultora Virgínia Fróis. O programa Noite dos Museus, da responsabilidade da câmara, propõe ainda, entre as 22 e as 23 e 30 horas, visitas guiadas ao Núcleo Museológico da Rua do Sembrano. Na Casa do Governador, no castelo, poderá ainda ser visitada, entre as 22 e as 24 horas, a exposição “Oito artistas noutro lugar”. No domingo, 18, o Núcleo Museológico da Rua do Sembrano promove, entre as 10 e as 12 horas, atividades lúdicas para crianças dos seis aos 12 anos, nomeadamente jogos, puzzles e um peddy paper. “Vamos fazer um colar de contas” é a proposta do Museu Jorge Vieira para os mais pequenos (entre as 14 e as 17 e 30 horas). O Museu Municipal de Vidigueira, por sua vez, assinala o Dia Internacional dos Museus, no domingo, 18, com visitas guiadas sobre o tema. Para além da visita ao próprio museu, o programa prevê também a visita à coleção da villa romana de São Cucufate e Museu Casa do Arco – Vila de Frades, pelas 15 horas. As inscrições (limitadas a 27 lugares), deverão ser feitas até hoje, sexta-feira, no Museu Municipal de Vidigueira. A participação é gratuita. O Museu Municipal de Aljustrel promove até domingo a iniciativa “Semana dos Museus”, que inclui atividades gratuitas para comemorar o Dia Internacional dos Museus e levar o público a “(re)descobrir” o espaço museológico. O programa para hoje, sexta-feira, reserva a iniciativa “Chás e Bolinhos”, em que Isabel Costa Rosa vai conversar sobre as propriedades das ervas aromáticas e medicinais e, na noite de sábado para domingo, crianças dos seis aos 13 anos vão poder participar em atividades lúdicas, assistir à projeção de filmes e dormir nas instalações do museu. No domingo o museu vai estar aberto ao público das 10 às 12 e 30 horas e das 14 às 17 horas e convida o público a realizar uma “viagem no tempo”, através de artefactos usados pelos vários povos que se estabeleceram em Aljustrel, desde os períodos mais remotos até à atualidade, num cruzamento de gentes e culturas que resultou na “realidade que hoje é Aljustrel”. Em Serpa, as comemorações, levadas a cabo pela câmara municipal, terão lugar no Museu Etnográfico. Segundo a autarquia, a abordagem ao tema selecionado pelo Conselho Internacional dos Museus para 2014 – “Museus: as coleções criam conexões”, será efetuada através de um programa que articula as coleções do Museu Etnográfico, as tradições populares e os recursos naturais de Serpa com os

trabalhos desenvolvidos no âmbito do projeto “Jovens Criadores”, promovido pelo Musibéria, que se inspiram nessas valências. O Museu Etnográfico abrirá as suas postas ao público pela noite dentro e será palco para a apresentação de criações e performances por arte de artistas oriundos de diversos países. “Deste modo reforça-se o papel dos museus como entidades vivas e dinâmicas, que possibilitam a criação de vínculos entre os visitantes, as gerações e as distintas culturas”, conclui a câmara. A escola de música Mértola tem Melodia junta-se ao Museu de Mértola para celebrar o Dia Internacional dos Museus, no domingo, com aulas abertas de piano e guitarra clássica, nos núcleos museológicos de Arte Sacra e Islâmico. O núcleo museológico de Arte Sacra recebe os alunos de piano e o núcleo Islâmico os de guitarra. As aulas começam às 10 horas e os alunos de outros instrumentos desfilarão por ambos os espaços. A entrada em todos os núcleos do Museu de Mértola é gratuita. Já em Alcácer do Sal o Dia Internacional dos Museus vai ser assinalado no domingo com um espetáculo musical, uma exposição e com o funcionamento prolongado e visitas guiadas gratuitas a espaços museológicos do concelho. O Museu Etnográfico do Torrão (MET) recebe amanhã, sábado, a partir das 16 horas, uma exposição subordinada ao tema “O Torrão de Joaquim Roupa – tributo à sua obra” e um concerto de Maria Mirra Covers, a partir das 21 e 30 horas. No domingo, o MET vai estar aberto ao público com horário alargado, à semelhança do que vai ocorrer na cripta arqueológica e estações arqueológicas da zona adjacente do castelo de Alcácer do Sal. E o Museu de Sines vai ser a instituição convidada pelo Museu Nacional de Arqueologia no Dia Internacional dos Museus, com as duas entidades a organizarem uma exposição sobre frei Manuel do Cenáculo, que é inaugurada no domingo, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. Precursor da arqueologia em Portugal, escritor, historiador, pedagogo, colecionador, frei Manuel do Cenáculo foi uma das figuras mais brilhantes do Iluminismo português e fundou o primeiro museu público português, o Museu Sisenando Cenaculano Pacense, em 1791, em Beja. “Do seu dinamismo nasceram instituições como a Biblioteca Pública de Évora e coleções de arte e arqueologia que estiveram na base dos museus de Beja e Évora”, acrescentou a Câmara de Sines, concelho que foi o refúgio de escrita de frei Manuel do Cenáculo. A exposição é acompanhada por um roteiro pelas memórias físicas de frei Manuel Cenáculo em Lisboa e no Alentejo, elaborado pelo Museu de Sines.


António Zambujo encerra Programa Cultural Primavera no Campo Branco

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Semana Académica de Beja arranca no dia 20 As quatro associações de estudantes do IPBeja – da Escola Superior Agrária, Escola Superior de Educação, Escola de Tecnologias e Gestão e Escola Superior de Saúde –, promovem, entre os dias 20 e 25, a Semana Académica/Bênção das Pastas 2014, “uma iniciativa que pretende comemorar a conclusão de um nível de ensino,

assim como manter vivo o espírito académico, proporcionando aos estudantes e a comunidade em geral, alteração da rotina, através momentos de convívio e diversão”. O arranque da Semana Académica, que terá lugar no pavilhão multiusos do Parque de Feiras e Exposições, será feito ao som das tunas, seguindo-se a atuação do Dj Mello. Na quarta-feira, 21, subirá ao palco Ricardo Glória,

Diário do Alentejo 16 maio 2014

O Programa Cultural Primavera no Campo Branco, que decorre desde 17 de abril numa organização da Câmara Municipal de Castro Verde, encerra no domingo, 18, com o músico António Zambujo. O concerto terá lugar no cineteatro municipal, a partir das 21 e 30 horas. Os bilhetes já estão esgotados.

Ruben Baião/com banda e Dj Frederico Barata. O programa reserva ainda as atuações de Flow, HMB e dos Dj Ezzra e Dj Diego Miranda (dia 22), dos Bubedanas, Tiago Bento, dupla Rafa&Beltran e dos Dj Garfield, Dj Nardo e Dj Pak (dia 23) e do Duo Sensações, Quim Barreiros, Mastiksoul e a dupla Bass Bastards (dia 24). A cerimónia da bênção das pastas terá lugar no dia 24.

João Estevão e José Serra

X Festival de BD de Beja

Alunos da D. Manuel I vencem concurso EDP

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oão Estevão e José Serra, alunos do 12.º ano do curso profissional de manutenção industrial da Escola Secundária D. Manuel I, em Beja, venceram o concurso “FabLab Challenge, edição 2014”, promovido pela EDP. O projeto vencedor, desenvolvido sob orientação dos professores Jaime Touças e Joaquim Filipe, consistiu na produção de um rastreador solar (seguidor do sol) totalmente autónomo. A apresentação do projeto perante o júri do concurso teve lugar na semana passada no Museu da Eletricidade (Central Tejo), em Lisboa. O estabelecimento de ensino esclarece,

em comunidade de imprensa, que em dezembro último “os alunos elaboraram a memória descritiva, contemplando os requisitos definidos pelo júri do concurso” e “uma vez que a EDP possui um laboratório destinado à produção de componentes através da utilização de tecnologias inovadoras, nomeadamente impressoras 3d, algumas das peças que integraram o projeto foram produzidas no laboratório FabLab [abreviatura de Fabrication Laboratory], da EDP”. O concurso desenvolveu-se de forma faseada, constituído por várias etapas, todas seletivas, nomeadamente a apresentação

da memória descritiva, a construção do protótipo e a apresentação perante um júri com presença de todas as escolas selecionadas. No final, a EDP selecionou os seis melhores projetos a nível nacional, tendo os alunos João Estevão e José Serra conseguido o 1.º lugar. A classificação “teve em consideração a adequação do tema proposto, o carácter inovador, a funcionalidade, bem como o interesse do ponto de vista económico para a EDP”. O prémio a atribuir aos dois alunos vencedores consiste num estágio profissional numa das empresas do grupo EDP.

Mais de uma centena de autores de 23 países, entre consagrados e novos talentos, marcam presença no X Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, que arranca no dia 31 deste mês, prolongando-se até ao dia 15 de junho. O festival, que tem inauguração marcada para as 14 e 30 horas na Casa da Cultura, integra 21 exposições, com autores de 23 países (do Brasil ao Quénia, passando pelo México ou pela Finlândia), e uma programação paralela “muito variada, abrangendo todos os gostos e idades”, nomeadamente a apresentação de projetos, conversas, lançamento de livros, sessões de autógrafos, sessões de desenho ao vivo e workshops, entre outros. Para além da Casa da Cultura, o núcleo principal do festival, as exposições poderão ser apreciadas no Castelo – Casa do Governador, Conservatório Regional do Baixo Alentejo, Museu Jorge Vieira – Casa da Artes, Museu Regional de Beja (Convento da Conceição, Igreja de Santo Amaro e Núcleo Expositivo da Rua dos Infantes) e no Instituto Politécnico de Beja. O Mercado do Livro voltará ser um dos pontos fortes do festival.

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II Encontro Ibérico

II Encontro Ibérico de Plantas Aromáticas e Medicinais PAM – Uma alternativa sustentável para os territórios rurais? 28 de maio de 2014, auditório do NERBE – Beja PROGRAMA 09.00h Sessão de Abertura Presidente da Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral – NERBE / AEBAL Filipe Pombeiro Presidente da Câmara Municipal de Beja João Rocha Presidente da Associação de Defesa do Património de Mértola - ADPM Jorge Revez

Aromáticas e Medicinais (EIPAMs)

09.45h Painel I - Perspetivas atuais Moderador: José Costa Gomes – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva O presente da Fileira das PAM no Alentejo, questões e desafios Cristina Caro - ADPM O presente da Fileira das PAM em Espanha Jaume Riera – Riera-Villagrasa SL Pausa para chá Plantas Aromáticas e Medicinais, uma abordagem económica à produção primária Maria do Socorro Rosário Gabinete de Planeamento e Politicas - Ministério de Agricultura e Mar Debate 12.00h Sessão de Posters 13.00h Almoço

BEJA

(Auditório do NERBE)

28 de Maio 2014

14.00h Painel II - Analisar estratégias para garantir o futuro Moderador: Vítor Barros – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P. Quinta das Lavandas Teresa Tomé Centro de Excelência para a Valorização dos Recursos Mediterrânicos Marta Cortegano Taüll Orgànic, Cosméticos de alta montanha Juan Domingues Organic Herbs Trading Company Mike Brook 15.30h Painel III - Reflexões futuras para a competitividade da fileira das PAM Moderador: Manuel Candeias (Eng.º Agrónomo) Pedro Reis (Eng.º Agrónomo) Fernando Oliveira Baptista (Eng.º Agrónomo) Filipe Pombeiro (Economista) Peter Brull (Consultor Internacional) Debate

facebook.com/adpmmertola PROMOTOR

COLABORAÇÃO

CO-FINANCIAMENTO

17.30h Sessão de encerramento Diretor do Gabinete de Planeamento e Politicas Eduardo Diniz Diretor Regional de Agricultura do Alentejo Francisco Murteira Vogal Executivo do INALENTEJO Antonio Costa da Silva Inscrições: festivalchaservas@adpm.pt / 286610000 As inscrições são gratuitas.


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A Associação Humanitária dos BOMBEIROS Voluntários de Beja comemora 125 anos de existência. Uma efeméride que será assinalada ao longo do ano com diferentes iniciativas mas que, no domingo, tem o seu momento alto com a visita do secretário de Estado da Administração Interna. Todos os elogios e todos os apoios que lhes dermos, aos bombeiros, serão sempre poucos para pagar o seu heroísmo. PB

O apoio a empresas situadas apenas nas regiões mais frágeis de Portugal contribui para uma melhoria da concorrência dessas com as do litoral, estimula a competitividade destas últimas, e ajudar à criação de um País mais coeso e competitivo. José Páscoa, “Jornal do Fundão”, 8 de maio de 2014

Ser português não é, somente, uma nacionalidade: é um rude e dificultoso ofício, cujo exercício deixa os seus praticantes depauperados e atormentados. Tudo aquilo que constituía o edifício moral da sociedade foi depredado pela mentira, pelo embuste e pela malevolência. Baptista-Bastos, “Diário de Notícias”, 14 de maio de 2014

Opinião PEDRO EMANUEL SANTOS

Diário do Alentejo 16 maio 2014

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União cooperativa do Baixo Alentejo José Carlos Albino Consultor

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Da minha janela vê-se o mar Ana Paula Figueira Docente do ensino superior

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resci no interior do Alentejo. Naquela casa. Sentia-me uma felizarda por isso: eu tinha o privilégio de ser, talvez, a única pessoa na cidade que tinha um quarto onde, da sua janela, se podia ver o mar. O mar que sempre me fascinou. Os outros não acreditavam. Estando o mar tão, mas tão longe, como era possível alguém avistá-lo dali? Até mesmo a minha mãe que se esforçava sempre muito para compreender todas as minhas opiniões e afirmações, não conseguia vislumbrar o azul que se via a partir da minha janela. Mas, quanto a mim, bastava abrir as portas da janela do meu quarto, por entre chaminés e telhados, e lá estava aquela mancha tão azul, de um azul transparente e brilhante…O mar! E foi assim durante anos e anos a fio. Até que houve uma manhã em que, em vez da habitual mancha azul, brilhante e transparente, vi uma outra… cinza escura. Fechei e abri vezes sem conta a janela. Fechei e abri os olhos também muitas vezes. O que teria acontecido? Será que estava a ver mal? O que teria determinado aquela mudança de um dia para o outro? Não consegui entender! Estava habituada a ver o azul… A possibilidade de ver dali aquele azul era o elemento que me ligava especialmente àquela casa! O azul, a casa e eu. O cinza escuro que agora se impusera veio pôr em causa a minha certeza, a minha convicção. Afinal o que é real e o que é aparente? Acabei por me afastar daquela cidade e daquela casa. Fui viver para Lisboa. Determinou a vida que voltasse cerca de vinte anos depois, já com marido e filhos, para nela habitar. Juntos, fomos visitar a casa pela primeira vez. Abri a porta e deixei que os miúdos corressem pelos corredores para se ambientarem. Enquanto eu e o Martim verificávamos o que precisava ser arranjado ou adaptado, o meu filho de 9 anos desceu a escada e chegou ofegante perto de nós: «O quarto lá de cima, o que fica ao fundo do corredor, vai ser o meu. Acreditam que da janela daquele quarto consigo ver Lisboa?» Sorri. Percebi que somente o fenómeno da transformação ou da mudança consegue, ao mesmo tempo, estar presente e regular o universo das coisas e o universo da imaginação. Da janela daquele quarto vê-se o mundo!

omeço pela identificação do território objeto duma “u nião cooperativa”, o Baixo Alentejo. Penso que a esmagadora maioria dos atores e agentes nestes territórios, não tem dúvidas que só faz sentido afirmar o Baixo Alentejo da costa atlântica até à raia espanhola, tal como era reconhecido na antiga província e, ainda hoje, pela Igreja Católica. De facto, esta a dimensão para entendermos e perspetivarmos o Baixo Alentejo, como sub-região, da grande região do Alentejo (1), pois ela dará escala quer ao litoral, como ao interior/margem esquerda, tal como dará ao sul e norte do distrito de Beja. E quanto às freguesias fronteiras entre litoral e interior, não faz sentido que sejam planeadas em contextos e programas diferenciados, pois são naturalmente territórios contíguos com as mesmíssimas características socioeconómicas. Mas, a batuta dos “poderes estatísticos e político-administrativos”, ordenou do alto da sua cátedral que ao Baixo Alentejo real correspondessem duas NUT 3, autónomas, criando o “Alentejo Litoral”, deixando de fora o concelho de Odemira, aquele com a maior costa marítima da região; curiosidades. É certo que a esta batuta, aproveitaram as disputas de protagonismos e centralidades entre as cidades dos dois territórios. Seja como for, esta divisão existe no país oficial-institucional, pelo que não será de pensar qualquer mudança nos tempos mais próximos (década), a não ser que venha a acontecer, um dia, uma real reforma político administrativa do País. Neste quadro, há que encontrar caminhos e soluções que minimizem as divisões e potenciem as uniões destas duas realidades institucionais, o que pressupõe fazê-lo de baixo para cima e envolvendo a sociedade civil organizada, dando-lhe legitimidade social e institucional. Consideramos que partindo das duas comunidades intermunicipais do “Baixo Alentejo” e “Alentejo Litoral”, há que forjar o máximo de convergência programática e com medidas e instrumentos de políticas comuns, pelo que será expectável que as CIM encontrem as convergências e complementaridades que os seus projetos de Planos de Intervenção 2014-20 contêm, identificando uma agenda comum para gerar o máximo

de ação integrada das suas intervenções, fomentando o desenvolvimento territorial do Baixo Alentejo. Contudo, tal como antes referimos, é imprescindível que esta unidade na ação conte com a participação ativa das diversas organizações territoriais da região, sendo de saudar que sejam estas a incentivarem as próprias CIM. Falamos das associações empresariais e agrícolas, das associações de desenvolvimento local, das instituições de ensino, dos secretariados das IPSS, das organizações culturais e desportivas e dos partidos políticos, que poderão evoluir para formas de cooperação permanentes, com vista a intervenções conjuntas, que unam as “forças vivas” do litoral à raia e do sul ao norte da região. É pois a esta cooperação efetiva e permanente ente municípios, por vias das suas comunidades, e a sociedade civil organizada, que batizamos de “União Cooperativa do Baixo Alentejo”(2.), enquanto lema mobilizador e desafiante que vá guiando os passos que gradualmente sejam dados em conjunto, e não como projeção de qualquer fórmula organizativa pré-determinada. Seguindo o princípio, “o caminho, faz-se caminhando”, considero que esta perspetiva pragmática e partindo da base para o topo, será um caminho que de imediato poderá gerar boas soluções e permitirá, na base da avaliação das iniciativas realizadas, encontrar as melhores fórmulas institucionais para uma intervenção conjunta de todo o Baixo Alentejo. Por último, afirmar que, como não podia deixar de ser, este caminho deve ser trilhado em conjugação com as instituições e programas da região Alentejo, reforçando escala e gerando sinergias entre os muitos comuns desafios do Alentejo todo. Neste processo de construção das mais adequadas e eficientes linhas de intervenção para o desenvolvimento sustentável do Alentejo, a “União Cooperativa do Baixo Alentejo” melhor permitirá uma interlocução política em defesa dos seus específicos desafios, conjugando-os com todas as sub-regiões, e ampliando e agilizando a voz do Alentejo junto dos poderes centrais. Eis, um contributo à vossa consideração! (1.) “REGIÃO – Grande extensão de território, dotado de características que o distinguem dos demais.” ( Dic. Houaiss ).Deixo de fora a questão da “Região Político-Administrativa”, muito me lembrando da intoxicação verificada aquando do dito Referendo, e relevo a dimensão sócio - económica e cultural, usando as expressões Região ou sub-Região, conforme o contexto territorial a que aludimos. (2.) Esta ideia vem em linha com posições públicas desde os idos anos 90 do Século passado e, particularmente, com o Artigo recentemente publicado no “Jornal Rádio PAX/Ovibeja”, intitulado - “Das Conferências de Aljustrel aos Desafios do “Alentejo 2020””. Sobre estas, sublinho a inspiração em João Ferrão, quando defende “uma Inovação Societal, enquanto ação coletiva, com decisão em conjunto, e inovação transformadora das sociedades e economia”.


Por ocasião do fecho desta edição do “Diário do Alentejo” decorria, em Castro Verde, a fase distrital do CONCURSO NACIONAL DE LEITURA. Nesta altura ainda não eram conhecidos os nomes dos alunos que melhor interpretaram e leram os livros de Afonso Cruz e de Manuel da Fonseca. Mas uma coisa é certa: todos saem vencedores quando o objeto de uma prova é a promoção do livro, da literatura e da leitura. PB

Há 50 anos Balanças automáticas e as vestes das freiras

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regresso de Florbela à terramãe…”, a abrir o jornal de 16 de maio de 1964, anunciava a trasladação, no dia seguinte, dos restos mortais da poetisa alentejana Florbela Espanca para Vila Viçosa, “deixando-os à sombra tutelar da sua terra”. O julgamento em Lisboa dos “implicados no assalto ao Regimento de Infantaria 3” em Beja continuava a merecer honras de primeira página, mas o artigo, embora destacado, apenas citava alguns nomes dos implicados na “intentona revolucionária de 1 de Janeiro de 1962” e referia questões processuais. De resto, a edição de há meio século do “Diário do Alentejo” publicava várias pequenas notícias. Dava conta das comemorações do 75.º aniversário da Associação dos Bombeiros Voluntários de Beja; do 7.º sarau de música da delegação bejense do “Pró-Arte”, com a participação dos “distintos artistas Madalena Van Zeller, ao piano, e Pedro Pinheiro, declamador”; da récita anual, no Pax-Júlia, dos alunos do Jardim Infantil Nossa Senhora da Conceição; e das obras de reparação da Sé de Beja, com uma verba autorizada pelo “sr. ministro das Obras Públicas”. O vespertino assinalava “uma pequena nota de progresso na nossa cidade”, com a recente colocação, nas Portas de Mértola e na rua Gomes Palma, de balanças automáticas, “a exemplo do que podemos ver nas principais cidades do País”. A uma coluna, havia a habitual informação sobre “Militares mortos no Ultramar” (três em combate, em Moçambique, e um por doença, em Angola); a notícia sobre “Uma exposição de gado bovino alentejano” em Santiago do Cacém; e uma informação sobre “um facto que tem causado a maior admiração” – no Monte da Negrita, na freguesia de Santo Aleixo da Restauração, concelho de Moura, “uma porca deu à luz oito javalis”. Uma transcrição de um publicação não referida contava que o cardeal Leon-Joseph Suenens, arcebispo de Malines-Bruxelas, de visita a Nova Jersey e Nova York, nos Estados Unidos, defendera a mudança de vestes e hábitos das freiras. “É urgente que as freiras modifiquem a sua maneira de vestir e os seus hábitos, a fim de se colocarem mais a par do mundo moderno e dizerem, abertamente, aquilo que, de consciência, sentem”, afirmara o cardeal belga falando a cerca de dois mil religiosos. E propusera às freiras: “Devem comportar-se como inspiradoras da mulher moderna, participar na vida do mundo actual. Os vossos vestidos são a moda de outra época, pelo que devem transportar-se à moda da época actual”… Carlos Lopes Pereira

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Este fim de semana assinala-se a Noite Europeia dos Museus e o Dia Internacional dos Museus. Um pouco por toda a região, estas datas são festejadas com diferentes iniciativas e, antes de mais, com a abertura das portas dos nossos museus em horas pouco habituais. Uma data que não pode deixar de ser lembrada pela situação delicada em que se encontra o MUSEU de Beja, ainda com futuro incerto. PB

15 Diário do Alentejo 16 maio 2014

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Na sequência da inércia do Governo e de outras entidades face ao abandono das obras da autoestrada do Baixo Alentejo (A26) apresentámos (…) uma “ação administrativa comum” contra o Estado, na expetativa que o Tribunal nos volte a dar razão (como aconteceu em julho do ano passado) e que toda esta situação de desrespeito para com as pessoas e a nossa terra possa terminar de uma vez por todas. Aníbal Reis Costa, “Jornal de Ferreira”, maio de 2014

Cartas ao diretor Cidadania Temos de acreditar! Hugo Fernandez Beja

Em democracia pode alguém escolher não ser cidadão? Faz sentido abdicar da capacidade de escolher os governantes como forma de protesto contra a governação? É razoável prescindir de um direito tão fundamental como o do voto e abster-se do dever de participar na vida coletiva, isto é, na vida de todos e de cada um de nós? Podemo-nos dar ao luxo de prescindir do exercício da liberdade de opinião relativamente àqueles que, mal ou bem (e quer queiramos, quer não) nos vão representar? Não nos chegam a dúzia de partidos que, cobrindo todo o espetro político e tendo as mais variadas características e motivações (desde a abordagem transversal dos catch-all parties aos mais focados single-issue parties) têm vindo a concorrer aos sufrágios da democracia portuguesa? Não nos chegam? Ainda temos a possibilidade de optar pelo voto em branco (para os mais indecisos ou revoltados) ou, para os mais idiossincráticos, pelo voto nulo. Não será isto suficiente? A abstenção é prescindir de dar opinião, é pura desistência. É condição servil, acomodada à tranquilidade despudorada da ignorância ou da desfaçatez. Na sua aparente passividade – mas incomensurável soberba – os abstencionistas são preciosos amparos dos poderes instituídos e implacáveis algozes dos seus compatriotas. Pela desgraça que promove, a recusa da cidadania é tão perigosa como a ideia de que o poder é adquirir a possibilidade de fazer o que se entende sem ter que prestar contas a ninguém, quebrando compromissos e faltando às promessas feitas. Ambas corroem a sociedade e ostracizam os cidadãos, destruindo de forma inapelável qualquer veleidade democrática ou qualquer princípio básico de salus populi e de preservação do bem comum. Pactua-se com o arbítrio e a injustiça, aceitando-se cobardemente todos os desmandos dos mais poderosos a coberto de afirmações falaciosas como “os políticos são todos iguais” ou “a minha política é o trabalho”. Alguém quererá regressar aos tempos da castração das consciências e do imprimatur (“publique-se”) censório? Queremos abdicar de ser gente? É que, como Max Weber disse sabiamente um dia, “neutro é quem já se decidiu pelo mais forte”.

José Silva Aljustrel

Em altura de eleições, os falsos democratas utilizam como estratégia a propaganda enganosa de que não vale a pena votar no Partido Comunista Português e dizem que este partido nunca irá ganhar as eleições. E assim criam a ideia daquilo a que chamam “o voto útil”. Querem fazer crer que o “o voto útil” é naqueles partidos que já estiveram no governo variadíssimas vezes, ou seja, aqueles partidos que têm oprimido o povo português nos últimos 40 anos. Querem o “voto útil” para o tornar inútil e assim continuar tudo na mesma ou ainda pior. Querem o “voto útil” para acabar com as conquistas de Abril e devolver o poder político e económico ao grande capital. Demagogicamente, dizem que o Partido Comunista Português é importante para estar nas oposições, dadas as suas características. Os que pensam de modo diverso ou estão enganados ou não querem reconhecer os factos por interesses inconfessáveis, não querem reconhecer que os comunistas estão conscientes do seu papel e que são pessoas responsáveis. Senão vejamos: tanto na Assembleia da República como no Parlamento Europeu, qual foi o partido que apresentou mais propostas para se sair da situação em que o País se encontra? Em todos os setores vivos da sociedade, os comunistas destacam-se nas lutas que se travam nas fábricas, nos campos, nos serviços, na indústria, na agricultura, em tudo o que faz parte da vida real. Com outros democratas, os comunistas têm demonstrado a sua capacidade no Poder Local, nas políticas para melhorar as condições de vida das populações, com obra que a todos orgulha. Tudo isto ser ve para af irmar que o PCP é fundamental na luta por uma alternativa patriótica e de esquerda na sociedade portuguesa. É óbvio que o PS poderia ter um papel importante nesta ação, só que não se pode estar bem com “Deus e o Diabo” ao mesmo tempo; não pode defender hoje, em teoria, uma posição, e amanhã, na prática, fazer o contrário daquilo que defendem um dia antes.

É necessário unificar esforços e acreditar que este governo pode ser derrotado sem esperar por eleições, ou melhor, antecipando as eleições.

Seguro Hugo Silva Carulo Beja

Constitui obrigação legal de qualquer proprietário de veículo automóvel transferir para entidade legalmente autorizada (seguradora) a responsabilidade pela reparação de danos corporais ou materiais causados a terceiros por um veículo terrestre a motor para cuja condução seja necessário um título específico. Todavia, a contratualização de seguro, bem como qualquer outra contratualização, tem que obedecer ao princípio da liberdade contratual, que se desdobra, entre outros aspetos, na possibilidade de as partes contratarem ou não contratarem, como melhor lhes aprouver. Não menos importante, é o direito que o tomador de seguro tem, em caso de necessitar, mandar reparar a sua viatura automóvel onde lhe convier, e não onde as companhias de seguros ou os seus funcionários entendem ou pressionam para. Pois o desconhecimento de causa não é nem nunca foi bom conselheiro. Por outro lado, mesmo que o tomador do seguro entenda reparar o veículo em oficina diferente daquela que convém à companhia de seguros, e verificando-se a imobilização do veículo sinistrado, o lesado tem direito a um veículo de substituição de características semelhantes a partir da data em que a empresa de seguros assuma a responsabilidade exclusiva pelo ressarcimento dos danos resultantes do acidente, ou seja, quando haja ordem de reparação. Contudo, alerto todos os tomadores de seguros para o conteúdo de letras minúsculas nos contratos – se assim lhe poderemos chamar – que as companhias de seguros lhes apresentam e que posteriormente subscrevem. Indigno-me com os lóbis, os compadrios, as jogatinas que enriquecem alguns e condenam muitos. Perguntar-me-ão como se poderá combater essa promiscuidade? Questionando quem afirma; protestando no livro de reclamações. O rei astro quando nasce deve ser de todos e não de alguns. Todos temos direito ao trabalho.


16 Diário do Alentejo 16 maio 2014

O Jardim Infantil Nossa Senhora da Conceição é o que se chama uma escola com paralelismo pedagógico, o que significa que cumpre os programas oficiais ditados pelo Ministério da Educação, apenas com uma curta margem de manobra para introduzir um “cunho próprio”. Atualmente, atende 150 crianças e dá trabalho a 21 colaboradores permanentes.

Reportagem

Jardim Infantil Nossa Senhora da Conceição foi pioneiro em Beja

“Jardim-escola” já é sexagenário Foi a primeira instituição particular de ensino infantil a surgir na capi-

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ofia, António e Isidro chegam à hora marcada para o intervalo das quatro horas da tarde. São 15 minutos de recreio, o suficiente para se aperceberem que o tempo passou e provocou mudanças no espaço onde aprenderam a ler e a contar. Não só está mais amplo, mercê de obras recentes, como tudo parece ter encolhido de tamanho – dos corredores às salas de aulas, dos baloiços aos escorregas. “Antes era tudo grande, e tudo escuro. A casa de banho que agora vejo renovada, onde íamos tratar do sangue no nariz, para mim era um sítio comprido e escuro”, observa, fascinada, Sofia Ramôa, 47 anos, hoje engenheira agrónoma e mãe de quatro filhos. Em passo lento, os três antigos alunos do Jardim Infantil Nossa Senhora da Conceição, em Beja, vão reconhecendo os cantos à casa, enquanto a vozearia nos corredores baixa aos poucos de tom, com o toque para a entrada. E cada objeto, sala, recanto, é um convite a uma viagem no tempo. António Nunes Ribeiro, que já conta 59 anos e também se fez engenheiro agrónomo, recorda as récitas no Pax Julia, para as quais os alunos se preparavam com “empenho” ao longo de todo o ano. Ou aquele episódio em que o senhor inspetor de Lisboa “enxovalhou” o seu brio de bom aluno. “Perguntou-me quais eram os sons que a letra E podia ter nas palavras. E eu disse todos, mas ele continuava a dizer que faltava um. É que pelo facto de ser alentejano eu não conseguia descobrir o som do E em ‘tenha paciência’, pronunciado à lisboeta – para mim não existia. Fiquei muito ofendido”, conta, com um sorriso. Já Isidro Féria, que cumpre meio século de vida e que acabou por formar-se em Gestão e Economia, é assaltado por um flash das “salas com o quadro negro, o crucifixo, os mapas espalhados pelas paredes onde frequentemente tínhamos que identificar onde nascia e desaguava um rio e onde eram as estações e apeadeiros”. Por seu turno, ao olhar para o velho piano que ainda se conserva na sala da direção, Sofia vê a sua antiga professora de música, a “senhora dona Ernestina”, sentada a dedilhar as teclas e toda a sua antiga turma a cantar em uníssono. E o retrato da fundadora, a preto e branco, que decora a parede, do lado oposto ao do crucifixo, traz à tona a memórias daquela senhora distinta, de cabelo todo branco e apanhado atrás em monho, que de vez em quando fazia uma visita à sala de aula. Uma “figura de referência”, perante quem “toda a turma se levantava”, lembra. A história do velho “jardim-escola” ou “colégio”, como em Beja é conhecido, começa aqui. Com Felisbela Santos Parrinha, há 60 anos atrás, pelo menos a contar da data da sua

tal de distrito. Faz este mês 60 anos e nasceu por iniciativa de Felisbela Santos Parrinha, professora, mãe, “senhora dos sete ofícios” e benemérita vinda de uma família ligada à educação. Hoje o Jardim Infantil Nossa Senhora da Conceição é uma sociedade por quotas, dirigida por quatro mulheres, que têm entre mãos a difícil tarefa de gerir um colégio privado, entre as sucessivas exigências do Estado e os orçamentos cada vez mais apertados das famílias. Uma escola que veio inicialmente responder às expetativas da “classe média/alta” bejense, mas que com o tempo foi abrindo o leque social. E que recusa o rótulo de “elitista”, embora não desista de “primar pela qualidade”. Texto Carla Ferreira Fotos José Serrano

Direção Margarida Mira, Francisca Matos, Almerinda Assunção e Maria dos Anjos Correia

Antigos alunos Sofia Ramôa, Isidro Féria e António Nunes Ribeiro

inauguração, em maio de 1954. Hoje aquela que foi a primeira instituição particular de ensino infantil a surgir na capital de distrito é uma sociedade por quotas, dirigida por quatro mulheres que há muito colaboram com o estabelecimento e que muito se orgulham de ser sucessoras de Felisbela Santos Parrinha neste seu projeto educativo, inovador para a época. Margarida Mira, hoje com 82 anos, era uma jovem educadora quando chegou a Beja, em 1957, vinda de um estágio em Lisboa. Alentejana, mas de Évora, veio substituir uma colega que preferiu uma carreira como hospedeira, na TAP, numa altura em que Beja, vista desde a capital do império, “era como se fosse África”, nota. “Era difícil captar pessoas para cá ficar, por isso a dona Felisbela dava-nos condições belíssimas, inclusivamente alojamento dentro da própria escola. Eu não conhecia o Baixo Alentejo, nem a ideia me pareceu aliciante, mas era a minha primeira oportunidade de ganhar um salário”, recorda. Cinquenta e sete anos passados, mantém-se nesta casa que tem sido, diz, “a minha vida”, e garante que não se arrepende da decisão. E sobre a fundadora, lembra uma “mulher lutadora, uma pessoa de muito valor”, que tinha um sonho e conseguiu cumpri-lo. “ ‘Deus quer, o homem sonha e a obra nasce – foi o que ela fez”, sublinha, citando Fernando Pessoa. Além de mãe e professora, Felisbela Santos Parrinha vinha de uma família bejense muito ligada ao ensino. Uma irmã sua dirigia o Colégio do Sagrado Coração de Jesus, que em tempos funcionou na praça da República dedicando-se ao ensino secundário, e o próprio coronel Sousa Tavares, fundador, em 1884, de uma creche para órfãos e filhos de pais carenciados, hoje Centro Infantil Coronel Sousa Tavares, era seu parente, informa a educadora. Consta também, comentam as quatro sócias, que a benemérita era “senhora dos sete ofícios” e que foi com as suas habilidades que ajudou a reunir o dinheiro necessário para a compra do terreno, onde se ergue hoje o n.º 9 da rua Afonso de Albuquerque. “Conseguiu comprar o terreno, penso que por 350 escudos, a vender bordados. Depois, o senhor Pinto Caeiro, dono de uma grande empresa de construção civil em Beja, foi quem lhe fez o projeto e a obra, permitindo que a senhora lhe fosse pagando conforme pudesse, sempre com dinheiros próprios”, concretiza Almerinda Assunção, também educadora. Inspirada originalmente no método de ensino do pedagogo João de Deus, e sem subsídios do Estado até 1993, a instituição veio responder, pelo menos até ao 25 de Abril, às expetativas das famílias da “classe média alta”


Diário do Alentejo 16 maio 2014

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bejense. Justamente, os que se podiam dar ao luxo de pagar por um ensino que, mesmo regendo-se pelos planos oficiais, oferecia um leque bem mais vasto de estímulos desde tenra idade: uma língua estrangeira, música e educação física, ministrados ambos por professores habilitados, e também ballet. “Nos primeiros tempos, era a primeira costureira do Teatro Nacional de São Carlos que vinha fazer os fatos das meninas do ballet nas festas de final de ano”, sublinha Francisca Matos, outra das diretoras, além de psicóloga educacional da instituição. “E vinham professoras de Lisboa ensinar ballet, quer às mais novas, aqui, quer às raparigas mais velhas do Colégio do Sagrado Coração de Jesus, na praça. Lembro-me que chegou a vir cá a bailarina Vera Varela Cid”, acrescenta Margarida Mira, orgulhosa. A “clientela” abastada do colégio bejense fez também com que o estabelecimento se ressentisse dos tempos atribulados que se seguiram à Revolução de Abril. “A população escolar baixou muito nessa altura. Eu assisti a isso, tinha um segundo ano nessa altura e saíram muitos miúdos porque os pais foram perseguidos. Lembro-me de uma miúda contar, chocadíssima, como tinham ido buscar o pai a casa às tantas da manhã”. Maria dos Anjos Correia, natural de Alcaria Ruiva, fez o chamado magistério primário em Beja mas aprendeu verdadeiramente a arte de ensinar já no Jardim Infantil Nossa Senhora da Conceição, a partir de 1961, com os “professores Pinheiro”, o casal que tinha na altura a seu cargo os quatro anos do antigo ensino primário. E também ela viveu na própria instituição. “Por cima desta sala [da direção] eram os nossos quartos, que hoje são salas de aulas”, explica. Sendo certo que, com a melhoria das condições de vida das famílias no pós 25 de Abril, se abriu uma maior variedade de estratos sociais a frequentar a escola, também é verdade que o estabelecimento nunca deixou de ser encarado como “elitista” pela generalidade da comunidade bejense. Um rótulo que as quatro diretoras recusam com determinação. “Uma das nossas principais preocupações aqui dentro é que temos que primar pela qualidade. Não se consegue atingir a excelência mas temos que primar pela qualidade. Nós empenhamo-nos e lutamos para conseguir isso. Mas elitismo? Não.”, argumenta Almerinda Assunção. E Maria dos Anjos Correia complementa: “Temos aqui miúdos de vários níveis PUB

sociais. Muitas das crianças não são da classe média/alta. Procuram outras instituições que estão mais vocacionadas para crianças com problemas financeiros, mas muitas vezes, porque não têm aí vaga, é aqui que vêm parar e nós acabamos por lhes fazer desconto na mensalidade”. O Jardim Infantil Nossa Senhora da Conceição é o que se chama uma escola com paralelismo pedagógico, o que significa que cumpre os programas oficiais ditados pelo Ministério da Educação, apenas com uma curta margem de manobra para introduzir um “cunho próprio”. Atualmente, atende 150 crianças, entre creche (uma sala), pré-escolar (três salas) e primeiro ciclo (quatro salas), e dá trabalho a 21 colaboradores permanentes, entre pessoal docente e não docente, fora os nove professores em regime de avença. Do Estado, recebe subsídios do Ministério da Educação, através de dois tipos de contratos: um contrato-programa, que abrange uma sala do pré-escolar, cujo montante se divide indiferenciadamente pelos respetivos alunos; e um contrato de desenvolvimento, que abrange 37 das 96 crianças inscritas no 1.º ciclo. Este último, sublinha Francisca Matos, “é uma ajuda para os pais poderem ter os seus filhos no ensino particular, porque é um direito que assiste às pessoas, poder escolher entre o ensino público e o ensino particular. Há essa possibilidade atendendo ao rendimento do familiar”. Quanto à creche, que atende 17 meninos, trata-se de uma valência que, por lei, depende do Ministério da Segurança Social, mas isso não se traduz em qualquer tipo de

“E vinham professoras de Lisboa ensinar ballet, quer às mais novas, aqui, quer às raparigas mais velhas do Colégio do Sagrado Coração de Jesus, na praça. Lembro-me que chegou a vir cá a bailarina Vera Varela Cid”, acrescenta Margarida Mira, orgulhosa. subsídios por parte da tutela. “Fizemos uma exposição, precisamente por considerarmos que seria uma injustiça para as pessoas com mais dificuldades, mas não obtivemos qualquer resposta da Segurança Social de Beja”, lamenta Maria dos Anjos Correia. Gerir um colégio privado, todas concordam, não é pera doce. As “exigências”, ao nível das instalações e do material, “são cada vez maiores”, enumera Almerinda Assunção, lembrando as recentes obras de ampliação, para cumprir “os dois metros quadrados por criança” que a legislação exige. E também que ter “pessoal especializado”, docente e não docente, como também é de lei, tem os seus custos associados. “Os ordenados são altos, os encargos são muitos e nós não podemos aumentar

as mensalidades de acordo com o volume de encargos que temos, se não também não cativamos alunos. Tem que haver aqui uma gestão muito equilibrada”. Novas valências poderão atenuar esta ginástica financeira, como o aluguer de uma sala para festas de aniversário, destaca ainda a educadora. Mas os 60 anos passados e festejados no mês que corre já deram bons frutos. “Daqui saíram médicos, veterinários, professores, jornalistas, músicos, arquitetos, pessoas que trabalham na alta finança de Londres. Enfim, de tudo um pouco”, enaltece Francisca Matos, lembrando que não terá sido por acaso que as escolas públicas da cidade “se batiam um bocadinho para ficarem com os nossos meninos que saíam da quarta classe”. Um tal “nível de exigência” que até hoje não se apagou das memórias dos nossos três antigos alunos de regresso à infância. Além dos “bons amigos, das visitas de estudo a Lisboa e dos folhados que aqui se faziam”, rememora, nostálgica, Sofia Ramôa não pode deixar de destacar “as belíssimas bases que o colégio nos deu”. “Havia exigência e aprendia-se; havia prémios e também castigos, ou seja, quem prevaricava sofria as consequências, sem grandes clamores, coisa que hoje é impensável”, regista, por seu turno, António Nunes Ribeiro. E foi por causa da “cultura de mérito” que se alimentava na instituição, através, por exemplo, “dos quadros de honra e dos de mau comportamento”, e ainda do espírito “inovador para a época”, que Isidro Féria ali inscreveu os seus dois filhos, hoje a frequentar outros níveis de ensino. “De certa forma influenciou-me na vocação que vim a encontrar, porque era uma escola de excelência, de rigor – alguns dos valores que eu procuro aplicar no dia a dia”, confessa. Registe-se que a sua turma, a de 1969-1974, ainda se encontra com alguma regularidade, para manter vivas as memórias do colégio bejense, ainda que a maioria tenha seguido o ensino superior e estabelecido vida em cidades como Lisboa ou Coimbra. O grupo reuniu-se recentemente para assinalar os 40 anos do estatuto de “antigos alunos”, voltou a encontrar-se na última edição da Ovibeja, e mantém uma página na rede social Facebook, “para nos mantermos próximos e mais ou menos a par da vida uns dos outros”. Lá onde está, a fundadora, Felisbela Santos Parrinha, não poderá sentir-se senão orgulhosa.


Diário do Alentejo 16 maio 2014

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Desporto

Jogo Rui Pepe Avançado do Aljustrelense em luta com os defesas do Vasco da Gama

Aljustrelense vence na despedida do Distritalão 2013/14

Quem com ferros mata... O Distritalão chegou ao fim. Há muito que as decisões estavam tomadas, restava, apenas, saber se o campeão Aljustrelense seria capaz de derrotar o seu vice, o Vasco da Gama, o que até aqui não acontecera. Texto e foto Firmino Paixão

E

tal como a turma de Vidigueira fizera no jogo da primeira volta, que venceu no Municipal de Aljustrel, por uma bola a zero, também o Mineiro foi ao reduto deste concorrente ganhar, mas com folga mais

dilatada. A outra partida que mobilizava atenções foi a que se realizou no 1.º de Maio, em Pias, onde a turma local recebeu o Odemirense, uma espécie de antestreia da final da Taça Distrito de Beja. Não o terá sido, difícil pode-

ria ser, porque uma final é sempre diferente dum jogo entre duas equipas com posições já definidas. Depois, também, porque ambos terão escondido do seu antagonista as melhores opções que reservaram para a partida de amanhã. Resultados da 26.ª jornada: São Marcos-Milfontes, 2-2; Sporting Cuba-Serpa, 0-0; Piense-Odemirense, 3-2; Vasco da Gama-Aljustrelense, 2-4; Cabeça Gorda-Aldenovense, 3-0; Bairro da Conceição-Guadiana, 1-2; Rosairense-Castrense, 2-2.

Final da Taça do Distrito amanhã à tarde em Beja

A festa do futebol distrital O Complexo Desportivo Fernando Mamede recebe na tarde de amanhã a final da Taça Distrito de Beja, entre as formações do Piense, atual detentor do troféu, e o Odemirense. Um dia de festa no futebol regional.

PIENSE–ODEMIRENSE Complexo Desportivo Fernando Mamede 17/maio/2014 – 17 Horas

Texto e foto Firmino Paixão

S

e é que isso pode ser relevante, estaremos em presença de duas equipas que terminaram o respetivo campeonato com uma distância de 17 pontos entre si e separados por quatro degraus da tabela. O Piense fechou a prova no sétimo posto e o Odemirense acabou no terceiro lugar do pódio, mas importa sublinhar que nesta época, em nenhum dos dois jogos que disputaram, a turma melhor posicionada foi capaz de superar o adversário. Empataram a duas bolas em Odemira e o Piense venceu em casa por três a dois. Os dois treinadores revelaram ideias semelhantes, conquistar o troféu. João Daniel, que rendeu José Manuel Rações na turma da Margem Esquerda, quer assinar a sua primeira grande conquista como treinador e a segunda taça consecutiva para o clube. Do outro lado, o consagrado Nuno Luz diz mesmo que os seus jogadores merecem este “caneco”. O que se espera é que a partida, que não encerra a época, porque fica em falta a Supertaça, seja um verdadeiro hino ao futebol, um dia de festa para os adeptos, que, estamos certos, formarão uma excelente moldura humana. De uma forma um tanto premonitória, porque nos antecipamos à sua nomeação, diremos que o juiz da partida pode ser Tiago Cordeiro, o Árbitro do Ano. Mas é uma ideia de risco.

Árbitro (provável) Tiago Cordeiro, auxiliado por Filipe Aurélio e Hugo Simão. Pedro Crujo (4.º Árbitro)

João Daniel

Nuno Luz

treinador do Piense

treinador do Odemirense

“O objetivo era chegar à final, se não conseguíssemos não a poderíamos discutir. Foi um trajeto difícil, derrotámos duas equipas nada fáceis, que estavam na frente do campeonato. Obviamente que quando se chega a uma final o objetivo é ganhar”.

“A taça é o nosso principal objetivo. Queremos conquistá-la para darmos essa alegria aos nossos adeptos e para que os nossos jogadores possam ganhar ‘um caneco’, eles têm sido fantásticos e merecem-no por tudo o que têm feito por este clube”.

Equipas prováveis Telmo Soares Fábio Xavier Paulo Pardal Bruno Amaro Eduardo Estrela Alex Domingos Malagueta Rudi Bruno Ventura Outras opções: David Pica, Filipe Rogado, Daniel Batista, Marta, Rui, Flávio, André Covas.

Rosalino Perika Jonny André Ribeiro Carino Élio Benedito Miguel Super Tanor Malick Cissé Alexandre Outras opções: Edgar, Will, Gui, Dany, Alex, Diogo e João.


(13.ª jornada): Almodôvar-Louletano, 0-2; Lagos-Moura, 0-2; Montemor-Quarteirense, 1-1. Cova Piedade-Barreirense, 2-1. Classificação: 1.º Moura, 41 pontos. 2.º Montemor, 36. 3.º Louletano, 34. 4.º Quarteirense, 32. 5.º Cova Piedade, 31. 6.º Barreirense, 27. 7.º Lagos, 15. 8.º Almodôvar, 10. Próxima jornada (24/5): Louletano-Cova Piedade; Quarteirense-Lagos; Barreirense-Montemor e Moura-Almodôvar (17/5).

Campeonato Distrital da 2.ª Divisão

(2.ª Fase, 6.ª jornada): Despertar-Renascente, 1-2. Amarelejense-Saboia, 1-1. Classificação final: 1.º Saboia, 12 pontos. 2.º Renascente, oito. 3.º Despertar, oito. 4.º Amarelejense, três. O Saboia sagrou-se campeão distrital da 2.ª Divisão. Promovidos ao escalão principal para a época 2014/15: Saboia e Renascente.

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Campeonato Nacional de Seniores

Aljustrelense deve reiterar a confiança no treinador Vítor Rodrigues

Uma escolha de risco? Um campeão... O Sport Clube Mineiro Aljustrelense concluiu o Campeonato Distrital da 1.ª Divisão da AF Beja com 24 vitórias e duas derrotas, 89 golos marcados e nove sofridos e 15 pontos de avanço sobre o segundo classificado.

connosco na bancada mas depois acaba o jogo vão para suas casas ou vão trabalhar para o Mineiro, enquanto na maioria dos clubes as pessoas só aparecem nos bons momentos, estes não, estão presentes sempre que é necessário trabalhar em prol do clube.

Texto e foto Firmino Paixão

Sentiu a intensidade com que os adeptos vivem o clube?

O

timoneiro do experiente e categorizado plantel foi Vítor Rodrigues, 33 anos, uma “escolha de risco” dos dirigentes do clube, como o próprio se caracteriza. Não terá sido uma época perfeita (falharam a Taça Distrito) mas é certamente um percurso memorável para este jovem que ainda não dá como certa a sua continuidade no clube, embora a vontade seja comum às duas partes. O técnico admite a necessidade de reforçar o plantel e confessa ter interiorizado o espírito mineiro. Será treinador do Mineiro na próxima época desportiva?

Temos conversado sobre isso, em definitivo ainda não o posso dizer, mas direi que está tudo muito bem encaminhado, porque ambas as partes querem, por isso, à partida, o casamento irá manter-se. Estou contente com o meu trabalho e, principalmente, muito satisfeito com o trabalho dos jogadores. É um clube onde não nos falta nada e isso facilita muito a minha tarefa de organização. Os jogadores têm um caráter de conquistadores, até ao último jogo do campeonato mostraram sempre muito crer e, fundamentalmente, uma grande vontade de ganhar. O clube tem uma organização que faz com que as coisas aconteçam com naturalidade…

Sem dúvida, dou-lhe um exemplo: há diretores que eu não conheço mas quando é para trabalhar aparecem, semana a semana estão PUB

Sinto-me muito acarinhado. Os meus familiares vêm aos jogos e são muito bem recebidos pelas pessoas. Isso aumenta a minha responsabilidade em proporcionar-lhes alegrias porque é fantástico. Os momentos que temos vivido nesta época têm sido muito gratificantes, vou guardá-los para sempre no meu coração. Que ideias tem para a próxima época, às vezes é preciso inovar, ser criativo?

para a responsabilidade de, em conjunto com o Moura, representarmos o distrito de Beja no Campeonato Nacional de Seniores. Ficou a ideia de que este foi um campeonato memorável para o Mineiro e também para o Vítor Rodrigues?

Todos sabemoss que eu fui uma escolha de risco da direção do Mineiro, estou ciente disso, mas iz por ter ido ao encontro daestou muito feliz reção me pediu. Foi muito quilo que a direção ampeão num clube destes, bom ter sido campeão nde o povo sai à rua, obnuma terra onde amais o irei esquecer no viamente que jamais resto da minhaa vida. A Taça Distrito o de Beja era outra das metas, mas esse objetivo caiu em Odemira?

Como disse, a minha continuidade ainda não está completamente definida. Mas tenho feito o trabalho de casa, se as coisas se proporcionarem, já estamos a trabalhar na observação de jogadores e na reorganização da equipa técnica com uma definição diferente do que tem existido até aqui. As exigências serão diferentes, embora este campeonato tenha sido muito forte. Somos fortes, mas estaremos perante um campeonato nacional, no entanto, tenho a certeza que o clube, eu e os atletas estamos preparados para responder positivamente.

Era uma das metas assumidas no início da época, mas não conseguimos, o Odemirense, nesse jogo, foi mais forte do que nós e está, merecidamente, na final. Resta-nos ir ver a final e festejar, porque sta para a nossa associação é um jogo de festa ararmo-nos para tentar e depois prepararmo-nos taça. vencer a Supertaça.

Terá que refrescar o plantel? Há atletas com uma idade mais avançada?

O meu pai foii aqui NR e militar da GNR hedeu-me a conheco cer um pouco da vivência de Aljustrel, mas só nte estando presente no dia a dia,, e inho sentindo o carinho

Precisa de uma reorganização, porque há posições onde estamos mais carentes, ou onde temos que nos reforçar, mas não avalio isso pela idade, porque os jogadores mais antigos do plantel trabalham 90 minutos com uma intensidade invulgar. Teremos que nos reforçar, que nos reorganizar para estarmos preparados

Em Roma sê ê romano, na Vila Mineira sê mineiro. Interiorizou esse se espírito operário?

das pessoas, é que sabemos o que é a vila de Aljustrel e o seu “espírito mineiro”. Estou num clube onde sempre ambicionei estar. Estive muitas vezes em Aljustrel como adepto, mas hoje orgulho-me de me ter sentado na cadeira onde se sentaram João Caçoila, Francisco Fernandes e Carlos Simão. Congratulo-me por isso, acho que estive à altura da exex pectativa das pessoas. A minha ambição agora é continuar a ser competente e corresponder ao que esperam de mim num grande clube e com um historial como tem o Aljustrelense.


Diário do Alentejo 16 maio 2014

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Corrida Os atletas partiram do RI 3 com destino ao Parque da Cidade de Beja

Regimento de Infantaria n.º 3 (Beja) abre a porta a grande evento desportivo

Uma distinta corrida do Celso Celso Graciano, o atleta e músico do Beja Atlético Clube, venceu a Corrida do Dia da Unidade, prova desportiva inserida nas comemorações do 208.º aniversário do Regimento de Infantaria n.º 3 de Beja. Texto e foto Firmino Paixão

U

ma caminhada e uma corrida com a extensão de oito quilómetros mobilizaram cerca de uma centena de atletas populares e federados (juniores, seniores e veteranos) num evento que, entre o Quartel de Beja e o Parque da Cidade, abraçou as ruas da capital do Baixo Alentejo. “Uma tentativa de dar a conhecer um pouco mais o Regimento, fazendo

também uma intrusão com a população de Beja”, explicou o tenente coronel Joaquim Branquinho, 2.º comandante da unidade, acrescentando: “Esta prova só foi possível face à estreita colaboração do município de Beja com a GNR, a PSP, a AA Beja e o Ginásio Fit & Company”. O oficial historiou que “em parceria com todas estas entidades e procurando uma relação mais próxima com a cidade”, organizaram “um percurso de BTT, depois um concerto com a Orquestra Ligeira do Exército e esta prova de atletismo e caminhada. Terminaremos na sexta-feira com as comemorações do Dia da Unidade nas instalações do Regimento”. O militar lembrou a recente colaboração do Regimento com a sociedade civil, nomeadamente com as escolas e com

o Centro de Paralisia Cerebral de Beja, acolhidos, temporariamente, naquela unidade, para referir que “as barreiras, se existiam, estão quebradas há muito tempo, porque o RI 3 tem prestado sempre uma colaboração efetiva e muito estreita a toda a população”. Quanto à prova desportiva, “a ideia é aumentar a participação, com maior divulgação e sempre em estreita colaboração com as entidades que referi. Temos ideia de, nos próximos anos, organizar um grande evento desportivo na cidade de Beja”, disse. O tenente coronel Branquinho, 14.º da geral na prova de atletismo, concluiu dizendo: “Tentei dar o exemplo, fazer o meu melhor e ter uma ‘Conduta brava e em tudo distinta’, que é o lema do Regimento”.

Jogos Municipais de Serpa proporcionam 25 diferentes modalidades

Um forte apoio ao associativismo Os Jogos Municipais 2014 no concelho de Serpa vão envolver, até ao dia 28 de junho, mais de uma dezena de agentes desportivos na prática e incremento de 25 modalidade desportivas para todas as idades.

A

organização tem a chancela do município de Serpa, juntas de freguesia do concelho e movimento associativo, com o apoio dos agrupamentos de escolas n.º 1 e 2 e da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural. A vereadora Isabel Estevens presidiu à abertura dos jogos e lembrou que: “Desde que em 2010 reativámos os jogos municipais estes têm vindo gradualmente a crescer e esse crescimento tem sido em participação dos munícipes, mas também na colaboração do movimento associativo, com as juntas de freguesia e a câmara municipal por trás, como grande suporte”. A responsável pelo pelouro do Desporto disse ainda: “Estes jogos têm objetivos muito próprios, quando falamos da crescente apetência para a prática desportiva e para a vida saudável as evidências estão aqui, e elas vão desde os mais pequeninos até aos mais velhos.

Abertura Desfile dos jogos municipais animou centro histórico da cidade de Serpa

A autarca sublinhou ainda a importância do programa Gente em Movimento, que leva oportunidades de prática desportiva às freguesias, e lembrou que “as juntas de freguesia são polos importantíssimos para sensibilizar, motivar e apoiar, com transportes e outros incentivos, junto das gentes que eles tão bem conhecem, e isso é que faz a grande diferença”. A esta boa resposta do movimento associativo está associado o retorno do

município em políticas de apoio e incentivo: “Quando o município de Serpa se refere ao apoio ao movimento associativo, refere-o não só na questão financeira, porque há outras formas de apoio, o apoio de proximidade, o incentivo, e não será por acaso que os clubes aumentaram nos últimos anos, é, com certeza, por esta forma muito forte de apoiar e incentivar aquilo em que acreditamos”, concluiu Isabel Estevens. FP


José Saúde

Reza a lenda que em terras da antiquíssima princesa Salúquia, filha de Abu-Hassan, governadora da cidade chamada então Al-Manijah, tendo o seu fim, segundo a história, sido dramático, a cultura desportiva na urbe da Margem Esquerda do rio Guadiana, perpetuou-se por eras contemporâneas, sendo que nos princípios da década de 1940, Leonardo Mendonça, tesoureiro do Banco de Portugal, em Moura, à frente de uma irreverente juventude que sonhava com o mundo do futebol, fundaram o Moura Atlético Clube (MAC). O MAC apresentou-se para o povo como um sublime emblema onde os aplausos se cruzam num tempo de inolvidáveis triunfos. No velhinho campo de futebol Maria Vitória, já vedado às agruras de um imperecível passado, imortalizaram-se excelentes tardes de glórias, perfilando-se “craques” que honestamente defenderam as cores do seu Atlético. Os “amarelos”, como são reconhecidos no meio urbano local, subscreveram infindáveis painéis de aplausos, mercê de sucessivos títulos que paulatinamente fizeram, e fazem, do MAC um clube que ostenta a firme razão em honrar as suas velhas tradições. Em simultâneo, existem linhagens de dirigentes que assumiram uma conduta privilegiada em dotar a plebe com memoráveis infraestruturas desportivas que fazem do MAC um emblema a reter no presente e no futuro. Elevemos, em particular, o seu novo estádio, propriedade exclusiva da agremiação mourense, e destaquemos todo o sublime trabalho que diariamente ali se processa. Com a verificada manutenção no Campeonato Nacional de Seniores, é tempo de enaltecermos o grupo de trabalho, os seus dirigentes, e o público que entusiasticamente aplaude a equipa, bem como o seu treinador Bruno Ribeiro, antigo jogador do Vitória de Setúbal, sublinhando, efusivamente, que o MAC é, indiscutivelmente, um clube no púlpito das comoções alentejanas. Para o MAC ficam os justos aplausos e a esperança de uma futura época pautada com novos sucessos.

Equipa O Renascente de São Teotónio conseguiu a promoção ao escalão principal

Grupo Desportivo Renascente de São Teotónio promovido à 1.ª Divisão

Um golo épico à mister... Carlos Piteira, treinador e jogador do Renascente de São Teotónio, marcou aos 93 minutos de jogo o golo que derrotou o Despertar e carimbou o acesso da sua equipa à 1.ª Divisão Distrital da AF Beja. Texto e foto Firmino Paixão

U

m golo que o desportista natural de Cuba e radicado em Aljustrel festejou efusivamente. E não era para mais. “Disse aos meus jogadores que os campeões nunca se escondem e no momento certo as coisas vão resolver-se e foi assim que aconteceu. Em Amareleja também marcámos aos 94 minutos, e hoje outra vez quando já não havia volta

a dar”, revelou o treinador. Historiando o percurso de uma época em que o Renascente teve que treinar e jogar muitos meses em Odemira enquanto o seu campo recebeu um piso sintético, Piteira recordou: “Num clube com a dimensão do Renascente, onde não existiam hábitos de treino, foi difícil criarmos uma mística forte, estávamos ao sabor do espaço que nos era cedido pelo Odemirense, às vezes atrás de uma baliza”, por isso, sustentou: “Foi uma época dura, a minha família foi um grande pilar, porque compreendeu e sacrificou-se com as minhas ausências, mas hoje estou orgulhoso daquilo que fizemos, sei que estes miúdos têm muita margem de progressão”. O treinador lembrou também:

“Quando as pessoas diziam que tínhamos feito uma equipa para subir de divisão, não sabiam a realidade do clube”. Quanto aos objetivos da época disse: “O pensamento inicial era chegarmos à segunda fase e o mais longe possível na Taça Distrito, mas perdemos na meia-final com o Odemirense em grandes penalidades. Na segunda fase tivemos que ser ambiciosos, eram quatro equipas muito idênticas, todas podiam ter subido”. A concluir, Piteira revelou: “Tenho vontade de continuar, não posso faltar ao respeito a esta gente, pelo carinho com que nos rodeiam, merecemos estar na 1.ª divisão, agora o objetivo principal será criar uma equipa que nos garanta melhores condições para o futuro”.

Piscina de Ferreira do Alentejo na rota do kayak polo nacional

A tradição da Taça de Portugal PUB

O Clube Fluvial de Coimbra conquistou a Taça de Portugal de Kayak Polo disputada na Piscina Municipal de Ferreira do Alentejo com a participação de 12 equipas nacionais.

A

final da Taça de Portugal de Kayak Polo foi disputada entre equipas do Fluvial de Coimbra e do Paço d’Arcos (B), com o triunfo dos conimbricenses (1-0) a valer-lhes a conquista da Taça de Portugal, após dois dias de competição (34 jogos) entre as 12 equipas (oito clubes) presentes na piscina de Ferreira do Alentejo, cujo município apoiou esta organização da Federação Portuguesa de Canoagem e do movimento associativo Ferreira Ativa. A Associação Pagaia Sul, de Beja, conseguiu o último lugar do pódio, a equipa local (Ferreira Ativa) terminou no décimo posto. José Diogo Branco, presidente da Ferreira Ativa, lembrou: “Ao longo dos últimos seis anos temos promovido em Ferreira do Alentejo um evento de kayak polo, nomeadamente, e há três anos consecutivos

Ferreira do Alentejo Piscina municipal acolheu Taça de Portugal em kayak polo

organizamos a Taça de Portugal”. E sublinhou: “É uma organização muito apreciada pelas estruturas da federação, pelas condições que o município disponibiliza e pela organização que nós oferecemos, e todas as equipas gostam de vir a Ferreira do Alentejo, um sentimento partilhado pelos dirigentes da federação, cujo presidente, Vítor Félix, nos honrou com a sua presença”. O dirigente referiu ainda: “Este ano nós não temos estado a competir de uma forma tão regular como no passado, temos

dificuldade em juntar regularmente a equipa, mas conseguimos manter o espírito de união e é isso que importa, porque o fundamental é mantermos esta amizade entre todos nós. E foi por isso que conseguimos reunir esta equipa que participou na Taça de Portugal”. Classificação: 1.º CF Coimbra. 2.º Paço d’ Arcos B. 3.º Pagaia Sul. 4.º CC Amora A. 5.º Paço d’Arcos A. 6.º Alhandra B. 7.º CC Setúbal, A. 8.º CN Fão. 9.º CC Setúbal B. 10.º Ferreira Ativa. 11.º CC Amora B. 12.º Alhandra A. FP

Diário do Alentejo 16 maio 2014

Aplausos

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saúde

22 Diário do Alentejo 16 maio 2014

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TERESA ESTANISLAU CORREIA MÉDICA DERMATOLOGISTA Consultas às 4ª feiras tarde e sábado MARCAÇÃO DE CONSULTAS: Diariamente, dias úteis: Tel: 218481447 Lisboa 4ª feiras: 14h30 – 19h Tel: 284329134 Beja e.mail: clinidermatecorreia@ gmail.com Rua Manuel António de Brito nº 4 1ºFte 7800- 544 - BEJA (Edifício do Instituto do Coração, frente ao Continente)

Clínica Dentária

Dr. José Loff

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Pediatra Consultas no Centro Médico de Beja

Urgências Prótese fixa e removível Estética dentária Cirurgia oral/Implantologia Aparelhos fixos e removíveis VÁRIOS ACORDOS

Largo D. Nuno Álvares Pereira n.º 13 BEJA Marcações pelo telefone 284312230

Consultas :de segunda a sextafeira, das 9 e 30 às 19 horas Rua de Mértola, nº 43 – 1º esq. Tel. 284 321 304 Tm. 925651190 7800-475 BEJA

MARCAÇÕES E CONSULTAS às 3ªs feiras, a partir das 15 horas pelos Telfs.284322387/919911232 Rua Tenente Valadim, 44 7800-073 BEJA ▼

Hospital de Beja Doenças de Rins e Vias Urinárias

Otorrinolaringologia

Consultas às 6ªs feiras na Policlínica de S. Paulo Rua Cidade S. Paulo, 29 Marcações pelo telef. 284328023 BEJA

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Marcações de 2.ª a 6.ª feira a partir das 14 horas

Marcações pelo telefone 284321693 ou no local

Rua Capitão João Francisco de Sousa, n.º 20 7800-451 BEJA Tel. 284324690

DR. J. S. GALHOZ

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Otorrinolaringologista Ouvidos,Nariz, Garganta

Exames da audição

Marcações de 2.ª a 6.ª feira a partir das 14 horas

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Fax 284326341

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Tratamentos de Fisioterapia Classes de Mobilidade Classes para Incontinência Urinária Reeducação do Pavimento Pélvico Reabilitação Pós Mastectomia Hidroterapia/Classes no meio aquático

Oftalmologia

Telef. 284322527 BEJA

Tel. 284324690 Rua Capitão João Francisco de Sousa, n.º 20 7800-451 BEJA


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CENTRO DE IMAGIOLOGIA DO BAIXO ALENTEJO TOMOGRAFIA COMPUTORIZADA (TAC) ECOGRAFIA MAMOGRAFIA ECO DOPPLER RADIOLOGIA DENTÁRIA Médicos Radiologistas António Lopes / Aurora Alves Helena Martelo / Montes Palma Médica Neuroradiologista Alda Jacinto Médica Angiologista Helena Manso Convenções:

ULSBA (SNS) ADSE, ACS-PT, SAD-GNR, CGD, MEDIS, SSMJ, SAD-PSP, SAMS, SAMS QUADROS, ADMS, MULTICARE, ADVANCE CARE Marcações: Tel. 284318490 Tms. 960284030 ou 915529387 Horário: de 2ª a 6ª feira, das 8 às 19 horas e aos sábados, das 8 às 13 horas Av. Fialho de Almeida, nº 2 7800 BEJA

Dr. Sidónio de Souza – Pneumologia/Alergologia/ Desabituação tabágica – H. Pulido Valente Dr. Fernando Pimentel – Reumatologia – Medicina Desportiva – Instituto Português de Reumatologia de Lisboa Dr.ª Verónica Túbal – Nutricionismo – H. de Beja Dr.ª Sandra Martins – Terapia da Fala – H. de Beja Dr. Francisco Barrocas – Psicologia Clínica/Terapia Familiar – Centro Hospitalar do Baixo Alentejo. Dr. Rogério Guerreiro – Medicina preventiva – Tratamento inovador para deixar de fumar Dr. Gaspar Cano – Clínica Geral/ Medicina Familiar Dr.ª Nídia Amorim – Psicomotricidade/Educação Especial e Reabilitação Dr. Sérgio Barroso – Especialista em Oncologia – H. de Beja Drª Margarida Loureiro – Endocrinologia/Diabetes/ Obesidade – Instituto Português de Oncologia de Lisboa Dr. Francisco Fino Correia – Urologia – Rins e Vias Urinárias – H. Beja Dr. Daniel Barrocas – Psiquiatria – Hospital de Évora Dr.ª Lucília Bravo – Psiquiatria H.Beja , Centro Hospi-talar de Lisboa (H.Júlio de Matos). Dr. Carlos Monteverde – Medicina Interna, doenças de estômago, fígado, rins, endoscopia digestiva. Dr.ª Ana Cristina Duarte – Pneumologia/Alergologia Respiratória/Apneia do Sono Dr.ª Isabel Santos – Psiquiatria de Infância e Adolescência/ Terapeuta familiar – Centro Hospitalar do Baixo Alentejo Dr.ª Paula Rodrigues – Psicologia Clínica – Hospital de Beja Dr.ª Luísa Guerreiro – Ginecologia/Obstetrícia Dr. Luís Mestre – Senologia (doenças da mama) – Hospital da Cuf – Infante Santo Dr. Jorge Araújo – Ecografias Obstétricas Dr.ª Ana Montalvão – Hematologia Clínica /Doenças do Sangue – Hospital de Beja Dr.ª Ana Cristina Charraz – Psicologia Clínica – Hospital de Beja Dr. Diogo Matos – Dermatologia – Hospital Garcia da Orta. Dr.ª Madalena Espinho – Psicologia da Educação/ Orientação Vocacional Dr.ª Ana Margarida Soares – Terapia da Fala Dr.º Ricardo Lopes – Consulta de Gastrenterologia e Proctologia - Endoscopia e Colonoscopia Dr.ª Joana Leal – MedicinaTradicional Chinesa/Acupunctura e Tuina. Enfermeira Maria José Espanhol – Enfermeira especialista em saúde materna/Cuidados de enfermagem na clínica e ao domicílio/Preparação pré e pós parto/amamentação e cuidados ao recém-nascido/Imagem corporal da mãe – H. de Beja Marcações diárias pelos tels. 284 322 503 Tm. 91 7716528 | Tm. 916203481 Rua Zeca Afonso, nº 6, 1º B, 7800-522 Beja Clinipaxmail@gmail.com www.clinipax.pt

23 Diário do Alentejo 16 maio 2014

Clínica Médico-Dentária de S. FRANCISCO, LDA. Gerência de Fernanda Faustino Acordos: SAMS, ADMG, PSP, A.D.M.E., Portugal Telecom e Advancecare Rua General Morais Sarmento, nº 18, r/chão; TEL. 284327260 7800-064 BEJA


necrologia

24 Diário do Alentejo 16 maio 2014

Beja/Messejana AGRADECIMENTO E MISSA 30.º DIA

Eva Silva Guerreiro César Faleceu em 22/04/2014 A família agradece por este meio a todas as pessoas que estiveram presentes no seu funeral ou que de outro modo demonstraram o seu pesar, e participa que será celebrada missa pelo seu eterno descanso no dia 22/05/2014, quinta-feira, às 18 e 30 horas, na igreja da Sé, em Beja. Expressam desde já o seu reconhecimento a quem compareça ao ato religioso.

PARTICIPAÇÃO E AGRADECIMENTO

Santa Iria PARTICIPAÇÃO E AGRADECIMENTO

Serpa PARTICIPAÇÃO E AGRADECIMENTO

Brinches PARTICIPAÇÃO E AGRADECIMENTO

Nossa Senhora das Neves MISSA

Maria Catarina Jorge

Manuel José Pires

José Francisco Duarte

Jorge Manuel Correia Caixinha

Nasceu a 30/11/1925 Faleceu a 07/05/2014 Filhos, netos, irmãos, sobrinhos e restante família cumprem o doloroso dever de participar o falecimento da sua ente querida e na impossibilidade de o fazerem individualmente vêm por este meio agradecer a todas as pessoas que a acompanharam à sua última morada ou que de outra forma manifestaram o seu pesar.

Nasceu a 22/09/1925 Faleceu a 11/05/2014 Esposa, filho, netas, sobrinhos e restante família cumprem o doloroso dever de participar o falecimento do seu ente querido e na impossibilidade de o fazerem individualmente vêm por este meio agradecer a todas as pessoas que o acompanharam à sua última morada ou que de outra forma manifestaram o seu pesar.

Nasceu a 30/11/1928 Faleceu a 12/05/2014 Filhas, netos, irmã, sobrinhos e restante família cumprem o doloroso dever de participar o falecimento do seu ente querido e na impossibilidade de o fazerem individualmente vêm por este meio agradecer a todas as pessoas que o acompanharam à sua última morada ou que de outra forma manifestaram o seu pesar.

AGÊNCIA FUNERÁRIA SERPENSE, LDA Gerência: António Coelho Tm. 963 085 442 – Tel. 284 549 315 | Rua das Cruzes, 14-A – 7830-344 SERPA

1.º Ano de Eterna Saudade Sua esposa, filhas, netos, genros e restante família participam a todas as pessoas de suas relações e amizade que será celebrada missa pelo eterno descanso do seu ente querido no dia 18/05/2014, domingo, às 11 e 30 horas, na igreja de Nossa Senhora das Neves. Agradecem desde já a todos os que comparecerem ao ato de recordação.

Mariana Agostinho dos Reis Seus filhos, nora, genro, netos e bisnetos, vêem por este meio cumprir o piedoso dever de participar o seu falecimento, ocorrido no passado dia 09, e na impossibilidade de o fazer pessoalmente, agradecer muito reconhecidamente a todos quantos a acompanharam á sua última morada, estiveram presentes neste momento tão difícil ou que de qualquer modo lhes manifestaram o seu pesar. Agradecem também com profundo reconhecimento todo o esforço, empenho e dedicação, que muitas vezes ultrapassou o seu grande profissionalismo, quer dos médicos, quer de todo o pessoal de enfermagem e auxiliares do 3.º Piso do Hospital José Joaquim Fernandes-Beja.


necrologia institucional diversos Vidigueira AGRADECIMENTO

Neves

Diário do Alentejo n.º 1673 de 16/05/2014 Única Publicação

Diário do Alentejo n.º 1673 de 16/05/2014 Única Publicação

CIMAL – COMUNIDADE INTERMUNICIPAL DO ALENTEJO LITORAL

NERBE/AEBAL – ASSOCIAÇÃO EMPRESARIAL DO BAIXO ALENTEJO E LITORAL

EDITAL N.° 8/2014 Maria José Maruta Missa do 4.º Aniversário de Falecimento A sua filha participa a todas as pessoas de suas relações e amizade que no próximo dia 21, quarta-feira, pelas 18 e 30 horas, será rezada missa na Sé de Beja pelo eterno descanso da sua ente querida, agradecendose desde já a todos os que se dignarem assistir à celebração.

Gertrudes Maria Oleiro Maltez Nasceu 01.09.1922 Faleceu 13.05.2014 Sua família na impossibilidade de o fazer pessoalmente agradece por este meio a todas as pessoas que a acompanharam à sua última morada ou de outro modo manifestaram o seu pesar.

AGÊNCIA FUNERÁRIA ESPÍRITO SANTO, LDA.

Tm.963044570 – Tel. 284441108 | Rua Das Graciosas, 7 | 7960-444 Vila de Frades/Vidigueira

Cândido Matos Gago, Presidente da Mesa da Assembleia Intermunicipal da CIMAL – Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral faz saber, nos termos do n.° 1 do artigo 76.° da Lei 73/2013 de 3 de setembro, que em reunião de 28 de abril de 2014, foi aprovado o Relatório e Contas de 2013. Os documentos em causa podem ser consultados nos Serviços Administrativos e Financeiros das 09:00h às 17:00h, de segunda a sexta-feira, nos dias úteis. Para constar, se publica o presente que vai ser afixado nos lugares públicos do costume. Grândola, 29 de abril de 2014. O Presidente da Mesa da Assembleia Intermunicipal, Cândido Matos Gago Diário do Alentejo n.º 1673 de 16/05/2014 Única Publicação

MINISTÉRIO DO AMBIENTE, ORDEMAMENTO DO TERRITÓRIO E ENERGIA

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A Presidente da Assembleia Geral Ana Paula lnácio

EDITAL

O Presidente da Mesa da Assembleia Intermunicipal, Aníbal Sousa Reis Coelho da Costa

3 kms de Beja, 2 hectares, 80 m2 de

Convocam-se os associados do NERBE/AEBAL – Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral, para a reunião em epígrafe: Dia: 27 de Maio de 2014 Hora: 16:30 Horas Local: Rua Cidade S. Paulo – Beja (sede) Ordem de Trabalhos: 1. Apreciar e votar o Relatório, Balanço e Contas do Exercício de 2013 2. Apreciar e votar o Parecer do Conselho Fiscal. Não estando presentes mais de metade dos sócios com direito a voto, a Assembleia Geral Extraordinária reunirá em segunda convocatória, trinta minutos depois da hora marcada para a primeira, com qualquer número de sócios. Beja, 9 de Maio de 2014.

Diário do Alentejo n.º 1673 de 16/05/2014 Única Publicação

Grândola, 4 de abril de 2014.

A

Assembleia Geral Ordinária do NERBE/AEBAL – Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral

AMAGRA – ASSOCIAÇÃO DE MUNICÍPIOS ALENTEJANOS PARA A GESTÃO REGIONAL DO AMBIENTE

Aníbal Sousa Reis Coelho da Costa, Presidente da Mesa da Assembleia Intermunicipal da AMAGRA – Associação de Municípios Alentejanos para a Gestão Regional do Ambiente, faz saber, nos termos do n.° 1 do artigo 76.º da Lei 73/2013 de 3 de setembro, que em reunião de 28 de março de 2014, foi aprovado o Relatório e Contas de 2013. Os documentos em causa podem ser consultados nos Serviços Administrativos e Financeiros das 09:00h às 17:00h, de segunda a sexta-feira, nos dias úteis. Para constar, se publica o presente que vai ser afixado nos lugares públicos do costume.

VENDO MONTE

25 Diário do Alentejo 16 maio 2014

Apartamento com A/C, dispõe de 1 quarto de casal, 1 beliche, 1 sofá cama, cozinha equipada com máquina lavar loiça, roupa, micro-ondas, frigorífico e TV. Boa localização, a 150m da praia e a 50m do mercado municipal. Local sossegado. Bom preço.

DIREÇÃO GERAL DE ENERGIA E GEOLOGIA

AVISO Faz-se público, nos termos e para efeitos do n° 1 do artigo 6° do Decreto-Lei n° 88/90, de 16 de março e do n° 1 do art° 1° do DecretoLei n° 181/70, de 28 de abril, que Maepa -Empreendimentos Mineiros e Participações, Lda., requereu a atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de depósitos minerais de cobre, chumbo, zinco, ouro, prata e outros minerais metálicos, numa área “Odivelas”, localizada nos concelhos de Alcácer do Sal e Grândola, distrito de Setúbal e Ferreira do Alentejo, distrito de Beja, delimitada pela poligonal cujos vértices se indicam seguidamente, em coordenadas no sistema (European Terrestrial Reference System 1989) PT—TMO6/ETRS89: Área total do pedido: 338,296 km2 VÉRTICE X (m) Y (m) 1 – 12652,865 – 169710,458 2 – 17592,245 – 172699,085 3 – 14596,952 – 164199,529 4 – 17199,470 – 157970,026 5 – 22060,060 – 155024,214 6 – 28019,785 – 146158,890 7 – 14143,281 – 146053,452 8 296,246 – 163022,531 9 967,746 – 166448,534 Convidam-se todos os interessados a apresentar reclamações, ou a manifestarem preferência, nos termos do n° 4 do art° 13° do Decreto-Lei 90/90, de 16 de março, por escrito com o devido fundamento, no prazo de 30 dias a contar da data da publicação do presente. O pedido está patente para consulta, dentro das horas de expediente, na Direção de Serviços de Minas e Pedreiras da Direção-Geral de Energia e Geologia, sita na Ava 5 de Outubro, 87, 5°.Andar, 1069-039 LISBOA, entidade para quem devem ser remetidas as reclamações. O presente aviso e planta de localização estão também disponíveis na página eletrónica desta Direção-Geral. Direção-Geral de Energia e Geologia, em 30 de abril de 2014. O diretor geral Pedro Henriques Gomes Cabral

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Diário do Alentejo 16 maio 2014

26

Bebé Vida esclarece dúvidas de futuros papás

É já no próximo dia 22, pelas 18 horas, na Biblioteca Municipal de Beja, que a Bebé Vida promove um workshop para todos os futuros papás e mamãs. Com os temas “cordão umbilical, uma alternativa terapêutica e sinais de parto: quando recorrer à maternidade?”, o evento proporcionará ainda aos futuros papás a possibilidade de se habilitarem a ganhar um curso de preparação para o parto no valor de 100 euros e uma mochila de maternidade. Os participantes podem ainda usufruir de condições especiais na adesão ao serviço de criopreservação Bebé Vida. A entrada é gratuita mediante inscrição prévia através do email mamas.sem.duvidas@bebevida.com ou dos telefone 212 744 021 ou 918 258 113, indicando nome, contacto, localidade e data prevista para o parto.

Formação em Ferreira do Alentejo A Câmara de Ferreira do Alentejo, em parceria com a Futurbrain, promove várias formações, cursos e workshops que decorrerão no Ninho de Empresas. Durante este mês decorrerá a formação em segurança alimentar – Haccp, que será destinado a profissionais do setor alimentar, e de junho até setembro iniciará o curso Preparação para Exame de Admissão à OTOC, cujo plano curricular dividir-se-á em quatro módulos e possibilidade de pagamento em quatro prestações. Para as respetivas inscrições ou informações basta contatar o Ninho de Empresas através do número 284 739 702. Um desconto de 10 por cento está contemplado para quem levar um amigo.

Empresas

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Diário do Alentejo n.º 1673 de 16/05/2014 Única Publicação

COOPERATIVA AGRÍCOLA DE BEJA E BRINCHES, C.R.L.

1.ª e 2.ª CONVOCATÓRIA De harmonia com o preceituado no art. 33 n.° 2 dos nossos Estatutos, convoco os Senhores Cooperadores para assistir à reunião da Assembleia Geral Ordinária desta Cooperativa, que deverá realizar-se na sua sede, na Rua Mira Fernandes, 2 em Beja, pelas 14H00 do dia 26 de Maio de 2014. Não se encontrando presentes o número de Cooperadores indicado no art. 36 n.° 1, fica desde já marcada a 2.ª convocatória para a reunião que se efetuará uma hora depois (15 horas), no mesmo local, funcionando com qualquer número de Cooperadores ou seus representantes, com a seguinte ordem de trabalhos: 1° - Apresentação, discussão e votação do Relatório e Contas da Direção referente ao exercício de 2013. 2° - Deliberar sobre o relatório consolidado de gestão e as contas consolidadas respeitantes ao exercício de 2013. 3° - Deliberação sobre a constituição de uma Organização de Produtores de Azeite, de acordo com a legislação em vigor. 4° - Outros assuntos de interesse. A documentação respeitante ao Relatório e Contas da Direção, do exercício de 2013 poderá ser consultada na sede da Cooperativa pelos Senhores Cooperadores ou enviada a quem o solicitar. Beja, 09 de Maio de 2014. O Presidente da Mesa da Assembleia Geral Dr. Luís Carlos Ferreira de Mira Coroa

Diário do Alentejo n.º 1673 de 16/05/2014 Única Publicação

UCASUL – UNIÃO DE COOPERATIVAS AGRÍCOLAS, U.C.R.L.

CONVOCATÓRIA De acordo com o preceituado no n.° 2 do art°. 23 dos estatutos que nos regem, convoco as Cooperativas associadas para uma Assembleia Geral ordinária, a realizar na sede social em Beja, pelas 11H30 horas do dia 26 de Maio de 2014, com a seguinte ordem de trabalhos: 1°- Apresentação, discussão e votação do Relatório e Contas da Direcção referente ao exercício de 2013. 2° - Outros assuntos de interesse. Não se encontrando presentes o número de Cooperadores indicado no art. 26 n.°1, fica desde já marcada a 2.ª convocatória para a reunião que se efectuará meia hora depois (12H00), no mesmo local, funcionando com qualquer número de Cooperativas aderentes. Beja, 09 de Maio de 2014. O Presidente da Mesa da Assembleia Geral Dr. Dinis de Pago Torres Poupinha

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Empresa prepara-se para lançar novos produtos

Queijaria Charrua: o sabor de três gerações Joaquim e Rafael Charrua, irmãos e responsáveis pela Queijaria Charrua, produzem cerca de 1 500 quilos de queijo mensalmente. Fabricados à mão, de forma tradicional como há duas gerações atrás, a receita até parece ser bem simples. Publirreportagem Sandra Sanches

E

sta pequena indústria familiar, com sede na vila de Entradas, no concelho de Castro Verde, é, sem dúvida, um exemplo de sucesso. Uma queijaria que já vai na terceira geração de queijeiros. Joaquim e Rafael Charrua herdaram dos avós paternos o gosto pelo ofício. Ofício esse que também passou pelos pais. Os dois jovens dizem “tentar manter a qualidade há mais de 50 anos”. Nesta casa todos os dias se fazem queijos de ovelha curado, requeijão e almece e prima-se, acima de tudo, pelo rigor e cuidado de todo o produto ali fabricado. O dia começa cedo na queijaria Charrua. Às seis da manhã Joaquim e Rafael chegam com o leite vindo de Serpa, que compram

as explorações, e perto das nove da manhã são apenas necessárias mais dois pares de mãos para produzirem o queijo de ovelha e o requeijão.Um processo que resulta de uma aprendizagem de vida: “O leite de ovelha é fabricado com leite cru, não sofrendo qualquer tratamento térmico e de ingredientes, apenas leva leite, sal e cardo”. Um processo demorado, pois “obedece a uma cura mínima de 30 dias”. Joaquim e Rafael referem não existir qualquer segredo para o sucesso desta receita. Das gerações anteriores apenas alteraram da receita a quantidade do sal e do cardo. Porque o pai “fazia a medida com a mão e as nossas mãos nunca levavam a mesma quantidade, optámos por medir e pesar o que o nosso pai levava na mão e assim encontrámos a percentagem ideal”. Sendo da opinião de que não existem segredos e que cada produtor tem o seu tempero, o sucesso parece apenas surgir de muito trabalho, dedicação e esforço. A produção atinge atualmente os 1 500 quilos de queijo por mês e os preços praticados são os mais ajustados à realidade atual. Grande parte da produção é absorvida pelo mercado tradicional, mas também tem

grande expressão nos vários eventos realizados a sul do País, mais especificamente nos dedicados à gastronomia. Marcar presença em eventos e feiras é para os dois irmãos uma das estratégias utilizadas. Ao darem a conhecer o seu produto, a conquista do cliente não é tarefa difícil, dizem. Basta provar o queijo que ali se produz. Este é um setor que requer algum investimento e também parece ser muito exigente. Atualmente ter uma queijaria licenciada é condição exigida por lei para produzir e vender queijos quer aos consumidores quer na própria unidade. Entre as 9 e as 17 horas, a queijaria abre as suas portas ao público. E para quem não conhece o espaço, poderá simplesmente optar por fazer uma visita virtual através do Facebook Queijaria Charrua Charrua ou até mesmo contactar a empresa através dos números: 969 685 409 ou 969 465 053. Porque qualidade “tem um nome: Queijaria Charrua” e o objetivo principal destes empresários é “manter a qualidade e o mercado” que têm, a inovação no setor não ficou esquecida. No próximo mês, a queijaria lançará no mercado um novo produto: queijo de cabra fresco e curado.


Inaugurada na quarta-feira, 14, continua patente ao público no Teatro Municipal Pax Julia, a exposição “Crianças Caritas”, promovida pela Caritas Diocesana de Beja. A mostra, que poderá ser visitada até ao dia 18, tem como objetivo dar conhecer o projeto de acolhimento de crianças austríacas durante a II Guerra Mundial promovido pela Caritas Portuguesa. “Através de imagens, de breves comentários e explicações escritas, descreve-se assim o abnegado auxílio de Portugal, trazendo à memória o

generoso acolhimento de 5 500 crianças austríacas”, esclarece a Caritas, adiantando que a exposição é uma iniciativa do embaixador da Áustria, “como gesto simbólico de agradecimento pela generosidade dos portugueses”. Paralelamente está a ser lançada na Áustria e em Portugal uma campanha de angariação de donativos, destinada a apoiar crianças de famílias portuguesas carenciadas, em prol do projeto “Prioridade às Crianças”, do qual a Caritas Diocesana de Beja é parceira.

À solta Depois de sugerirmos este livro só podíamos arranjar ideias para os pais fazerem no quintal ou até numa varanda. Toca a aproveitar.

A páginas tantas... De quem será esta pegada? O que faz aqui esta minhoca? Será um sapo ou uma rã? Como se chama esta árvore? Mesmo que moremos numa grande cidade, existe sempre natureza lá fora: nuvens e estrelas, árvores e flores, rochas e praias, aves, répteis ou mamíferos. O que esperamos então? Saltemos do sofá e iniciemos a exploração! Criado com a colaboração de uma equipa de especialistas portugueses, este livro pretende despertar a curiosidade sobre a fauna, a flora e outros aspetos do mundo natural que podem ser observados em Portugal. Inclui também propostas de atividades e muitas ilustrações, para ajudar toda a família a ganhar balanço, sair de casa e descobrir – ou simplesmente contemplar – todo o mundo incrível que existe Lá fora. Da editora Planeta Tangerina, com a assinatura de Maria Ana Peixe Dias, Inês Teixeira do Rosário e Bernardo Carvalho. Fica a sugestão para fazeres uma recolha ou através de fotografia ou de desenho das espécies de flores, insectos, pedras e de outras coisas de que te fores lembrando.

Pais Porque aqui vale brincar com o prato da comida e já são muitas as lojas que comercializam estes pratos. Existe versão para meninas e meninos e a criatidade é toda deles.

27 Diário do Alentejo 16 maio 2014

Pax Julia acolhe exposição “Crianças Caritas”


Diário do Alentejo 16 maio 2014

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Letras A exposição

Boa vida Comer Camarão frito em azeite, alho e hortelã da ribeira Ingredientes: 1 kg. de ca ma rão pequeno, 10 dentes de alho, 2 dl. de azeite, q.b. de picante, q.b. de sal grosso, 1 molho pequeno de hortelã da ribeira. Confeção: Deixe descongelar o camarão e retire a casca. Tempere com sal. Leve uma frigideira ao lume com azeite, alhos laminados e os camaroes. Frite-os e junte um pouco de picante a seu gosto. Quando estiverem quase fritos junte a hortelã da ribeira picada. Bom apetite... Nota: Acompanhe com pão torrado barrado com manteiga de ovelha ou cabra.

António Nobre Chefe executivo de cozinha – Hotéis M’AR De AR, Évora

Jazz Ricardo Pinheiro “Song Form”

O

país jazzístico tem-se revelado – em especial na última década e meia – particularmente pródigo em guitarristas de estirpe. Ricardo Pinheiro, conhecido sobretudo pela sua atividade na esfera académica como pedagogo, musicólogo e investigador, tem acabado por secundarizar, por via de toda esta atividade multidimensional, aquilo que inegavelmente também é: um instrumentista e compositor de primeira água. Dando sequência às boas indicações deixadas na estreia com “Open Letter” (2010), na catalã Fresh Sound New Talent, Pinheiro prossegue em “Song Form” o caminho de afirmação de uma personalidade musical madura, não apenas enquanto guitarrista tecnicamente dotado, mas em especial enquanto compositor e arranjador, de novo assinando a autoria da totalidade do material (exceto duas das letras). É um facto que Pinheiro continua a garimpar território seguro, partilhando um universo de soluções com músicos nacionais de formação análoga. No essencial, o músico não abdica das premissas que já o haviam norteado na estreia: com uma escrita rigorosa e estrutuRicardo Pinheiro rada, aposta aqui no formato de – “Song Form” Ricardo Pinheiro “canção”, o que desde logo é de(guitarras, efeitos, nunciado no título do disco. O loops), Matt Renzi seu guitarrismo permanece só(saxofone tenor, brio e equilibrado, conseguindo clarinete lituano), Jon combinar um abrangente conIrabagon (saxofone alto), Mário Laginha junto de registos, espelho de (piano), Joana Machado uma multiplicidade de influ(voz), Demian Cabaud ências audíveis nas várias com(contrabaixo), Miguel posições, que vão desde a traAmado (baixo elétrico), dição jazzística (trave mestra), Alexandre Frazão (bateria), Vicky Marques mas também do rock progres(bateria, darbuka e sivo e de uma certa pop sofistiudu) e Pedro Pestana cada. Para lograr os seus propó(programações). sitos, reúne uma assembleia de Editora: TOAP/OJM notáveis músicos, alguns dos Ano: 2013 quais repetentes: nos saxofones estão Matt Renzi (tenor) e Jon Irabagon (alto), ao piano sentou-se Mário Laginha, no contrabaixo está Demian Cabaud e no baixo elétrico Miguel Amado. Alexandre Frazão e Vicky Marques tocam bateria e, no caso deste último, também darbuka e udu. Transversalmente, as vocalizações (com e sem palavras) de Joana Machado impregnam de forma sensível o resultado global. Como ponto alto do disco saliente-se a beleza sentida de “Choro para Sassetti”, tributo ao malogrado pianista, com Laginha, como sempre, melodicamente cristalino. É de novo o pianista que em “Solidão” introduz um belo diálogo entre guitarra e voz. As percussões de Vicky Marques conferem um sabor étnico a “Heliotropic” que evolui ritmicamente de forma vertiginosa, adornada por subtis efeitos eletrónicos. Já “Dirt” evoca um hard-rock contaminado pelo progressivo. A elegância formal de peças como “The One In Wait” e “Bad Actress”, a par da melodia reconfortante de “dezembro”, também são merecedoras de nota. Um disco bastante satisfatório, que certamente só teria a ganhar se lhe fossem adicionados alguns graus de liberdade suplementares, que potenciassem a vertente de improvisador de um músico de horizontes largos. António Branco

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ano é o de 1958. Bruxelas recebe a primeira exposição internacional pós II Guerra Mundial – que visa divulgar a diversidade cultural mundial apostando nisso para promover um melhor entendimento durante a Guerra Fria então vigente – alinhando pavilhões de todo o mundo em torno do Atomium, concebido e construído para o efeito. Para os ingleses o convite é perturbante: como definir a britishness e revelar o caráter inovador britânico quando se trata de um país conhecido por ser amante da tradição e conservador e numa época em uma antiga colónia, os EUA, disputa com a URSS a corrida espacial e o avanço nas descobertas mais notáveis relativamente à energia nuclear? Thomas Foley, modesto funcionário dos Serviços de Informação, é enviado para, durante seis meses, supervisionar o funcionamento do pub que deverá complementar a modernidade arquitetónica do pavilhão britânico. Tradição e modernidade são assim articulados, de modo complementar. Recente pai de família, à chegada à capital belga, o jovem suburbano –redimido por umas parecenças com Cary Grant e Dick Bogarde – impressiona-se com a beleza de uma hospedeira da feira, Anneke, e com a modernidade do Atomium. Os meses seguintes são vividos numa miragem de possibilidades amorosas, encantamento modernista e extrapolação do papel, amador, que desempenha numa atmosfera de espionagem internacional. Jonathan Coe usa a ironia subtil para recriar uma certa ingenuidade e a atmosfera social e política da época e A exposição é uma leitura perfeita para este verão. Maria do Carmo Piçarra

Jonathan Coe Dom Quixote 312 pág.s 18,90 euros

Forcados de Beja foram o melhor grupo em Garvão

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praça de toiros Dr. António Semedo, em Garvão, abriu as suas portas para receber a tradicional corrida de toiros integrada na Feira de Maio. As bancadas registaram três quartos da lotação preenchida, numa corrida dirigida por João Cantinho, assessorado pelo médico veterinário Feliciano Reis. Do vizinho Monte Velho viajou um curro de toiros com ferro Brito Paes, sérios, com apresentação e a cumprir na generalidade. Melhor o quarto da ordem, lidado por Luís Rouxinol, com muita nobreza e sempre pronto a investir, o que levou a que após a sua lide os ganadeiros fossem justamente chamados à praça. Luís Rouxinol veio a Garvão rubricar duas agradáveis atuações. Se na primeira o toiro lhe dificultou a vida, e Rouxinol teve que andar mais laborioso que artista, no segundo passou-se o contrário, com o cavaleiro de Pegões a deixar o seu perfume, com sortes variadas e bem preparadas. Terminou a sua atuação com o tradicional par a duas mãos por insistência do conclave. Tito Semedo, na praça que leva o nome de seu pai, vem sempre disposto a arriscar tudo, assim, foi esperar o “Brito Paes” à porta dos sustos, aguentando as primeiras investidas do toiro com muita emoção, depois numa lide em crescendo, terminou com nota positiva. No seu segundo, rubricou uma lide diversificada, em que os momentos altos foram os “quiebros” bem marcados que transmitem emoção às bancadas. “Mia” Brito Paes no primeiro toiro andou a gosto, com sortes bem desenhadas, a saber escolher bem os terrenos de lide, e a terminar com dois ferros de palmo que chegaram às bancadas. No seu segundo, e já com a noite a aproximar-se, pelas três horas que a corrida levava, “Mia” andou esforçado, mudou várias vezes o toiro de terreno para conseguir alguns bons ferros. No final recusou-se a dar volta! Na forcadagem, os “Brito Paes” não perdoaram os erros e quando os forcados da cara estavam bem, eram nas terceiras ajudas que falhava uma “mãozinha”, pois, junto às tábuas, estes toiros “batiam”. Por Cascais foram solistas Dário Silva à quarta e a sesgo e Bruno Cantinho à primeira com eficácia. Pelos Académicos de Elvas, Paulo Barradas Maurício, após uma enorme primeira tentativa, foi dobrado na quarta por Afonso Bulhão Martins que consumou assim à quinta tentativa. O segundo dos Académicos foi pegado por António Machado, após uma valorosa primeira tentativa, em que o toiro foge ao grupo e o forcado a tentar lá fica, mas as ajudas tardaram, consumou então à segunda já a sesgo pela falta de investida do toiro que “rachou” após um violento embate em tábuas provocado por um bandarilheiro. O grupo de Beja teve João Fialho na cara do seu primeiro, que concretizou à terceira tentativa, após duas em que o toiro saía com ímpeto para o forcado. A última pega foi consumada por José Miguel Falcão ao primeiro intento, onde forcado da cara e ajudas fizeram tudo como mandam as lições e assim justamente, por tudo o que se passou nesta tarde, receberam o troféu para melhor grupo em praça, neste dia 10 de maio, em Garvão. Vítor Morais Besugo


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Filatelia Os Bombeiros de Beja emitem um selo

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125.º aniversário da fundação da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Beja foi assinalado com a emissão de um selo personalizado, que teve o seu primeiro dia de circulação no dia do seu aniversário, na passada segunda-feira, dia 12 de maio. Foi também editado um sobrescrito comemorativo para a aposição do selo e os Amigos dos Bombeiros de Beja editaram um postal ilustrado que permite a realização de um postal máximo (PM). A fotografia do postal é de L. Grilo da Silva. Para os menos informados em matérias filatélicas fica a informação de que um PM é uma peça filatélica formada por três elementos distintos: um vulgar postal ilustrado, um selo colado no seu rosto e um carimbo aplicado sobre o selo e o postal, todos eles em consonância com o assunto e o lugar. No caso presente tanto o selo como o postal reproduzem a “viatura GMC de combate a incêndios – 1929” que entrou ao serviço da corporação bejense em 24 de março de 1930. O carimbo utilizado é a vulgar “marca de dia” que está em uso na loja de Correios de Beja, havendo pois, não uma concordância de assunto, mas sim uma concordância de lugar, pois a viatura retratada no selo e no postal está em Beja. Um dos seus antigos diretores também fez uma edição numerada de 30 sobrescritos, que foram todos circulados através das duas lojas de Correio de Beja, a loja Central e a loja Pax Júlia. Por a data do aniversário ser um dia de semana e, por conseguinte dia pouco propício para a comemorações oficiais, estas só terão lugar amanhã e domingo, através da realização de várias atividades. Dentro destas, é de destacar a realização de uma exposição e da edição de uma revista que farão uma retrospetiva do que foi a ação destes Homens valorosos nos

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últimos 125 anos, sempre dispostos a sacrificar o seu conforto pessoal em prol de toda a comunidade. Esta não é a primeira referência filatélica dos Bombeiros de Beja, pois a sede da corporação já foi palco de duas exposições de filatelia. A primeira festejava o primeiro século de vida da corporação e teve lugar de 6 a 12 de maio de 1989. A segunda assinalava o seu 109.º aniversário e deveria tido lugar de 12 a 17 de maio de 1998, porém, um infausto acontecimento – a morte em serviço de um dos seus valorosos soldados – obrigou ao seu adiamento, tendo vindo a realizar-se um mês depois, de 15 a 20 de junho.

Para a primeira exposição foi confecionado um carimbo comemorativo que foi usado no dia do aniversário e que reproduzia o projeto que ganhou o concurso de ideias, promovido por um grupo de cidadãos de Beja, para a construção do monumento ao Bombeiro Voluntário Alentejano. Foi Leonel Borrela o autor vencedor do concurso. Apesar de se ter realizado a cerimónia de colocação da primeira pedra, na praceta do Ultramar, presidida pelo general Carlos Azeredo, que foi comandante da Região Militar do Norte e chefe da Casa Militar do Presidente da República, Dr. Mário Soares, e de se ter feito uma subscrição pública para a angariação de fundos que viabilizassem a sua construção, o monumento nunca chegou a ser erigido. Para a segunda exposição os correios também confecionaram um carimbo que, apesar de não se ter realizado a exposição, foi usado na data prevista, dia 12 de maio, dia do aniversário na Estação de Correios de Beja. Reproduzia a viatura agora representada em selos e que é a mais antiga da corporação. Geada de Sousa


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O espaço Os Infantes, em Beja, acolhe amanhã, sábado, pelas 22 e 30 horas, o músico cabo-verdiano Jon Luz. Nascido em 1975 na ilha de São Vicente, o músico “trabalha sobre as tradições da morna e da coladeira, com influências da música portuguesa e da pop”. Como intérprete, “participou em formações ou discos de Tito Paris, Uxía, Sara Tavares, Vitorino e António Zambujo, entre outros”. Como compositor, criou temas para artistas como Nancy Vieira, Rosa Mestre e até Cesária Évora, “cuja canção ‘Emigue Ingrote’(incluído em ‘Mãe Carinhosa’, o último disco da diva) é uma composição de Jon. Também como compositor, tem trabalhos para cinema e dança contemporânea”.

Fim de semana

“Nos ares do Alentejo” por Álvaro Barriga “Nos ares do Alentejo”, uma exposição de fotografia da autoria de Álvaro Barriga, está patente ao público, até ao dia 31, na Loja Já do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), em Beja.

titulo Sem tituloSombra em Castro Verde Terras inauguradas amanhã, NoSão âmbito do Festival Terras Sem Sombra – 10.º Festival Casa Cultura de Castro Verde recebe desábado, Música na Sacra doda Baixo Alentejo, Beja, assábado, exposições amanhã, pelas“Direção 21 e 30 horas, na Basílica Real de Prohibida”, Barriga, Nossa Senhorade daÁlvaro Conceição, um concerto com ensemble I e “Imagens Perdidas”,à de Pedro “Metáforas do Infinito: Turchini, subordinado temática Os autores são dois dos Séculos XI-XX”. Sob a A Barrocas. Espiritualidade nas Polifonias fotógrafos bejenses, apaixonados direção musical de António Floro, o agrupamento formado pela sua região, que mostramespecializados na interpretação por cantores e instrumentistas de imagens “ XVII e XVIII, que vem danestas músicacoleções napolitana dos séculos valorizando a descoberta de compositores desconhecidos, apresenta um concerto intitulado “Theatrum Sacrum: Obras-primas do Barroco Napolitano”, “onde a originalidade dos programas e a adesão a uma prática do desempenho barroco faz de I Turchini uma das vanguardas da cena musical italiana e europeia”, refere o Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, a entidade promotora. O evento conta ainda com o apoio da Câmara de Castro Verde e com a colaboração da Paróquia de Castro Verde.

“Pezinhos da dança” para pais e filhos na Biblioteca de Beja “Pezinhos de dança” é o nome da oficina de dança para pais e filhos que terá lugar amanhã, sábado, na Biblioteca Municipal de Beja, com sessões às 16 horas (dos três aos cinco anos) e às 17 horas (dos zero aos 12 meses). Ministrada por Alexandra Garça, a oficina pretende, “através do universo da dança, promover a experimentação e partilha de experiências entre pais e filhos, trocando as práticas rotineiras por exercícios de estimulação motora, sensorial e da criatividade”.

Vidigueira expõe “Na luz ou essa sombra”

Novo trabalho vai ser gravado em Serpa

A galeria do Museu Municipal de Vidigueira tem patente ao público, até ao dia 15 de junho, a exposição temporária “Na luz ou essa sombra”, com fotografias de Nuno Guerreiro Dias, poesia de Sandra Guerreiro Dias e gravura de Dominika Gorecka. Trata-se de uma exposição de fotografia, gravura e poesia, em que, segundo o município, o “fim dos tempos e a mudança dos ciclos históricos na sua relação com os elementos paisagísticos e humanos são abordados de forma documental e artística”.

António Chainho apresenta inéditos no Musibéria

Pedro Lucas e Manuel Fúria atuam nas Oficinas, em Aljustrel Manuel Fúria e os Náufragos atuam hoje, sexta-feira, nas Oficinas de Formação e Animação Cultural, em Aljustrel. Neste espetáculo musical, com início agendado para as 22 horas, o grupo apresenta as canções do disco de 2013, “Manuel Fúria Contempla Os Lírios Do Campo”. A primeira parte do concerto será assegurada por Pedro Lucas (ex- Lucas Borra Bora e Os Velhos), que apresentará o seu novo disco “Casa Das Águas Livres”.

Fotografias de Alexandre Simões no Atelier Margarida de Araújo O Atelier Galeria Margarida de Araújo, em Serpa, recebe até ao dia 7 de junho a exposição de fotografia intitulada “O que era real nesse dia”, de Alexandre Simões. A mostra pode ser visitada de quarta a sábado, das 14 às 20 horas, e de quinta a sábado, das 21 às 23 horas.

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ntónio Chainho, acompanhado por Ciro Bertini, Tiago Oliveira e Ana Vieira na voz, sobe hoje, sexta-feira, pelas 21 e 30 horas, ao palco do auditório do Musibéria – Centro Internacional de Música e Danças no Mundo Ibérico, em Serpa, num concerto em que se ouvirão “pela primeira vez alguns dos temas inéditos” que farão parte do novo trabalho de originais do mestre da guitarra portuguesa que será editado em novembro. O novo trabalho, que visa assinalar os 50 anos de carreira de António Chainho que se cumprem no próximo ano, deverá começar a ser gravado nos estúdios Musibéria ainda durante este mês. Nascido em São Francisco da Serra, Santiago do Cacém, António Chainho “cedo se enamorou da guitarra e com ela por companheira fez todo o seu percurso de vida”. Como acompanhante, a solo ou com inúmeros convidados, percorreu

os palcos do mundo divulgando a guitarra portuguesa, que, no seu entender, representa bem mais do que o instrumento que acompanha a voz do fado: “Durante muitos anos, a guitarra portuguesa esteve subjugada ao fado. Foi necessário libertá-la e acho que consegui”. António Chainho foi o primeiro a levar a cabo projetos de fusão entre o fado e outros tipos musicais. E foi também quem alertou o então presidente da Câmara de Lisboa, Krus Abecassis, “para a necessidade de se criar uma escola de guitarra portuguesa, lançando assim os alicerces para o que é hoje o Museu do Fado”. Criou também em Santiago do Cacém, e depois em Grândola, a sua Escola de Guitarra Portuguesa Mestre António Chainho. Ainda no campo da divulgação do seu instrumento de eleição, esteve presente em workshops no Japão, Índia, EUA e Brasil.

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Espaço Os Infantes recebe Jon Luz


Nº 1673 (II Série) | 16 maio 2014

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nada mais havendo a acrescentar... Água e hortelã Por vezes as portas da nossa infância abandonada abrem-se por acaso. Por termos olvidado detalhes da madrugada da nossa existência, até parece que a idade que avança há de ter irremediavelmente esquecido os deleites da meninice. Mas não. Há uma memória enxertada num qualquer sítio da nossa vida que só está adormecida e que acorda ao menor pressentimento. E de surpresa surgem formas de redescobrir esse tempo distante. A tarde está quente e todo o verde plantado na terra tem uma sede de três dias. Abro a torneira e a água enche as veias da mangueira. Aperto a boca da água e rego o limoeiro, as flores, os tomateiros, mato o

pó do chão e molho uma osga que foge. Aproximo-me das leiras de salsa e coentros. Lavo-lhes a sequidão e dou-lhes lustro. E de repente, quando a água cai sobre a hortelã, no preciso momento em que o cheiro desse encontro me chega ao olfato, as portas da minha infância abrem-se de par em par. E o meu avô renasce, tira água do poço com um caldeirão e ensina-me a fazer os regos com uma enxada para conduzir a água horta fora. Os pássaros cantam que os figos estão maduros e eu tenho dez anos. O meu avô põeme um ramo de hortelã atrás da orelha e eu ponho água nos olhos que têm toda a sede de uma vida. Vítor Encarnação

quadro de honra Entrou na Faculdade de Direito de Lisboa em outubro de 1968. Em abril do ano seguinte foi obrigado a iniciar o curso de oficiais milicianos, tendo partido mobilizado para Moçambique em maio de 1970. Acabou por licenciar-se em Direito em julho de 1976. Inscrito como advogado desde novembro de 1978, exerceu até dezembro de 2012. Tem mais de uma vintena de obras publicadas, entre romances, contos e ensaios. Tem um romance concluído, Memórias de Jorge Pena, e está a trabalhar num extenso ensaio.

Sérgio de Sousa escreve ensaio sobre autora alentejana

A obra de Joseia Matos Mira

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Em que contexto surge o ensaio Joseia Matos Mira – Obra Literária, publicado recentemente pela Anáfora?

Nos 15 anos da publicação do primeiro romance de Joseia Matos Mira, O Cavaleiro e a Serpente, 1998, a Junta de Freguesia Baleizão apôs uma lápide com o seu nome na casa onde nasceu, na rua da Fonte, donde em menina via as mulheres que “iam pelo luar, de bilha à cabeça, vestidas de negro as mais velhas, de chita florida as mais moças, pelo luar iam, até à fonte, como moiras encantadas, escutar o cântico da água no vácuo das bilhas. Eram assim as mulheres de Baleizão.” Na mesma ocasião a Biblioteca de Beja promoveu uma conversa, em torno do último romance de Joseia Matos Mira, 2012, O Fronteiro do Sul, “o grande Gonçalo Mendes”, que também em menina a escritora olhara, no jardim de Beja, “num painel de azulejo azul e branco a batalhar com denodo. E tinha noventa e cinco anos!” Joseia PUB

Matos Mira pediu-me, para o evento na biblioteca, uma intervenção em que abordasse a sua obra literária; nada menos do que seis romances, três livros de contos e dois de poemas. Antes apresentara o seu romance, O Templo dos Deuses Insanos, 2010, e publicara uma apreciação de Joana Campeoa, 2009. Agora o convite era para tarefa maior. Lisonjeado com a solicitação, encetei a incumbência, censurando-me por não me ater às minhas capacidades, mas empolgado pelo valor da Obra, que mais consciencializava ser grande. Assim, elaborei os “Apontamentos para um estudo” e a palestra, que proferi, em novembro de 2013, na Biblioteca Municipal de José Saramago. Depois, pelo livro, responde a editora.

As previsões para hoje, sexta-feira, apontam para céu pouco nublado, com temperaturas entre os 16 e os 29 graus centígrados. No sábado e domingo o céu deverá apresentar-se limpo.

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Baal 17 estreia “Ruína”, com texto e encenação de Carlos Santiago

Sérgio de Sousa, 66 anos, natural de Lisboa

oseia Matos Mira pediu-lhe uma intervenção em que abordasse a sua obra literária. Sérgio de Sousa, que já apresentara o seu romance O Templo dos Deuses Insanos e publicara uma apreciação de Joana Campeoa, aceitou “a incumbência”. Em dois meses coligiu os “Apontamentos para um estudo”, recentemente publicados pela Anáfora.

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contra camponeses com consciência política e coragem; mulheres violentadas, sucumbindo, e mulheres rebeladas, fortes e heroicas”. Uma especial atenção à dignidade das mulheres: “Mourejavam nos campos do romper ao pôr de Sol. De regresso a casa, varriam, lavavam, preparavam a açorda onde boiavam os coentros e mal luzia o olhinho de azeite, assoavam o ranho aos filhos e, engolidas duas sopas, enfiavam-nos bem cedo na cama,..., para que o sono lhes enganasse a fome.” E no entanto a mulher era “surrada pelo trabalho, pelo homem, pela vida.” Um ideário: “o que uns homens fazem de mal, os outros não terão de eternamente o suportar; há que mudar; hão-de encontrar-se maneiras de o conseguir!”

Como descreve a obra de Joseia Matos Mira e o que é que retira deste extenso e profundo estudo comparativo, uma vez que quando iniciou o processo desconhecia ainda uma parte do seu acervo?

Tem mais de uma vintena de obras publicadas, entre romances, contos e ensaios. Em que registo se sente mais à vontade e que projetos tem atualmente em mãos?

A obra de Joseia Matos Mira, enraizada num espaço real, transparece quanto esse comporta de universal. Ressuma o Alentejo, “sempre como imenso campo de luta de contrários: a abundância das colheitas e a fome de quantos suaram para a sua obtenção; explorados e exploradores; calor de derruir e frio de inteiriçar; lavradores prepotentes, a Guarda sabuja e torcionária

Nos contos as ideias ressaltam-me da vida, remoo-as, e quando os materializo, encontro-os quase inteiros na cabeça. Em parte subscreveria esta frase de W.G. Sebal: “O meu meio de expressão é a prosa, não o romance.” Tenho um romance concluído, Memórias de Jorge Pena, e estou a trabalhar num extenso ensaio, Roteiro de Leituras. Nélia Pedrosa

A Baal17 – Companhia de Teatro estreia na próxima quinta-feira, dia 22, pelas 21 e 30 horas, na Vila Mariana/Horta do Chó, em Serpa, o espetáculo “Ruína”, com texto, encenação e música do galego Carlos Santiago. “Na transgressão de géneros como o teatro de costumes, o absurdo e a ficção científica, ‘Ruína’ é uma alegoria sobre a crise e a procura de novas energias num mundo esgotado”, esclarece a companhia. A peça, que é a 36.ª produção da Baal17, está inserida no projeto “Sensibilização” da Lógica EM SA e cofinanciado pelo InAlentejo, com a parceria das câmaras de Serpa, Moura e Barrancos. “Ruína” subirá novamente ao palco nos dias 23 e 24, pelas 21 e 30 horas.

Pax Julia recebe Encontro de Coros de Beja O Pax Julia Teatro Municipal recebe amanhã, sábado, pelas 21 e 30 horas, o XXVI Encontro de Coros de Beja. O evento contará com as atuações do Grupo Coral de Silves, Coro Vox Maris, de Cascais, Grupo Coral de Viatodos e Coro de Câmara de Beja, o grupo anfitrião.

Mês do Cante em Beja No âmbito do Mês do Cante, iniciativa promovida pelo Centro Social do Lidador, o auditório do Instituto Politécnico de Beja recebe amanhã, sábado, a partir das 14 e 30 horas, o Grupo Sociedade incrível Almadense, o Grupo Coral do Centro Social do Lidador, o Coro Universidade Sénior e a Tuna Universitária de Beja. Na segunda-feira, dia 19, atuarão no Centro Social do Lidador, pelas 16 e 30 horas, o Grupo Coral As Rosinhas de Santa Clara do Louredo e o Grupo Coral do Centro Social do Lidador. Na terça-feira, 20, no mesmo espaço, mas pelas 14 e 30 horas, será a vez dos Mocinhos em Cante e do Grupo Coral do Centro Social do Lidador. A organização do Mês do Cante conta com a colaboração do Centro Paroquial e Social do Salvador e do Instituto Politécnico de Beja e integra-se no projeto do plano de estágios dos alunos do referido estabelecimento de ensino.

Edição N.º 1673  

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