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Vitória, vitória, conta a tua história. A página 27 do “DA” pertence às crianças

Francisco Sobral pág. 13

DR

O fadista fa bejense tem novo disco: “Estado de Alma” “Est

SEXTA-FEIRA, 17 FEVEREIRO 2012 | Diretor: Paulo Barriga Ano LXXX, N.º 1556 (II Série) | Preço: € 0,90

Diretor afirma que o espólio do museu é mais valioso que a coleção Berardo

Museu Regional de Beja em risco de encerrar por falta de verbas págs. 12, 14 e editorial

Beja de luto

Cortejos de Carnaval nas ruas do Alentejo

Os últimos resistentes da aldeia de Trindade

Cuba, Vidigueira, Almodôvar, Entradas, Amareleja ou Sines são já referências da folia em tempos de Entrudo. O Baixo Alentejo continua a dar tolerância de ponto no Carnaval, contra a vontade do Governo. pág. 7

Já não chegam aos 300, os habitantes de Trindade, freguesia do concelho de Beja. São os resistentes de um êxodo continuado que tem levado os jovens para a cidade e para outras paragens mais longínquas. págs. 4/5

Grande manifestação de pesar do povo de Beja por ocasião do funeral das três vítimas do macabro assassinato da rua de Moçambique. Na mesma altura que começava a ser ouvido no Tribunal de Beja o autor confesso do triplo homicídio, por volta das 14 horas de quarta-feira, iam a enterrar no cemitério da cidade as vítimas do inexplicável crime. págs. 16/17

Agricultores movem processo contra o Estado Por incumprimento da conclusão do regadio de Alqueva em 2013, como estava previsto, a Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo admitiu avançar com uma ação judicial contra o Estado. pág. 6


Vice-versa

Editorial

António Sebastião, presidente da mesa da assembleia-geral da ADB e presidente da Câmara de Almodôvar, diz que “os milhares de visitantes que o museu traz” são uma fonte de receitas importante para a cidade, mas nem por isso para o resto do distrito: “São os outros municípios que estão a financiar o Museu de Beja”.

Ecce Homo Paulo Barriga

“Nos termos da lei”, o município [Beja] não pode “assumir compromissos financeiros que ultrapassem as suas receitas”. O presidente da Câmara de Beja defende que o museu deve passar, no futuro, para a alçada da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (Cimbal), porque legalmente “não poderá passar para a alçada de uma câmara”.

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ntes de lavar as mãos e de O entregar aos seus próprios, Pôncio Pilatos terá recebido Jesus com as palavras: “eis o homem”. O tipo de quem se fala. Desnudado. Humilhado. Acorrentado. Esfacelado por uma coroa de espinhos: “eis o homem”. Uma simples expressão de circunstância que o Evangelho, segundo São João, perpetuou. E que a própria Igreja se habituou, desde os seus primórdios, a atribuir às representações artísticas em que o Nazareno aparece em pleno flagelo: “eis o homem”. No Museu Regional de Beja existe um dos mais intrigantes e misteriosamente belos Ecce Homo que a Humanidade pode contemplar. Trata-se de um retrato a óleo, sobre tábua, da escola primitiva portuguesa. Uma representação em estilo gótico onde Cristo aparece sob um imaculado manto branco que lhe cobre a cabeça até aos olhos, mas que Lhe desnuda o torso. As mãos, cruzadas à frente, estão atadas pela mesma corda que Lhe circunda o pescoço. É uma obra, arrepiante, esta. Onde a tranquila harmonia do traço se confunde com o gritante sofrimento do Retratado, misteriosamente. Mas este é apenas um dos muitos tesouros que a coleção de pintura do museu guarda. Como tesouros incomparáveis existem nas demais coleções que o telhado do convento de Nossa Senhora da Conceição ainda vai abrigando. O Museu Regional de Beja tem um acervo ímpar e riquíssimo. Que pertence a todos nós. E que está em vias de ser encerrado por incumprimento orçamental por parte da Câmara de Beja. O museu é propriedade da Assembleia Distrital, mas está em Beja. Todas as autarquias do distrito devem contribuir para sua preservação e valorização. Mas deve caber ao município bejense o grosso da sua sustentação. O museu é um orgulho para a cidade e não um peso. E aquele que hoje ousar lavar dali as mãos, como em tempos o fez o administrador romano de Jerusalém, ficará igualmente para a história da infâmia. Mas, ao contrário de Pilatos, na ocasião certa, serão as pessoas a apontar e a exclama exclamar: “eis o homem”…

DR

Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

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Fotonotícia Benvinda. Lembram-se dela? Está velhinha e internada num lar bejense. Tem 84 anos. A grande maioria deles passados a animar a persistentemente triste cidade de Beja. Nasceu na aldeia de Salvada, em 1928. Mas cedo veio para a capital de distrito e, desde logo, começou a pregar partidas de Carnaval. O seu forte. A sua paixão estampada na alegria dos outros. Benvinda Paulino é uma das mais emblemáticas e saudosas figuras da cidade. E por esta altura, por ocasião do Entrudo, Beja parava para reconhecer qual o disfarce que Benvinda havia desencantado. Nesta foto de arquivo escolheu ser atriz de cinema. Delirantemente provocante. Numa época de profunda depressão, não apenas económica, temos saudades da Benvinda. Sentimos a sua falta.A falta das suas partidas. Das suas personagens de fazer rir. Da sua cidadania e liberdade. PB

Voz do povo Concorda com a não tolerância de ponto no Carnaval? Vai festejar na mesma?

Inquérito de Ângela Costa

Lígia Batista, 18 anos, estudante

Maria Baião, 68 anos, reformada

Manuel Rita, 25 anos, desempregado

Amílcar Pardal, 53 anos, funcionário público

O Carnaval é uma época como o Natal e a passagem de ano e se dão tolerância para essas comemorações acho que também deviam dar para o Carnaval. Eu comemoro todos os anos e este ano também vou comemorar. Como não tenho aulas até quarta-feira vou comemorar o Carnaval na terça. Mas a minha mãe, por exemplo, vai trabalhar.

Não concordo que não haja tolerância de ponto porque é um dia que toda a gente gosta de festejar e mesmo por causa das diversões e desfiles que se realizam. Se não houver tolerância de ponto não há atividades. Eu não vou comemorar porque na minha aldeia não fazem nada dessas coisas e em princípio não vou ver a lado nenhum.

Não concordo. Assim as pessoas não se podem divertir, para além de que não há festejos em Beja e a cidade já está como está. A não tolerância de ponto vai fazer morrer ainda mais a cidade. Em princípio vou ver o desfile de Cuba, é onde tenho ido sempre.

O Estado está a portar-se mal, devia dar tolerância de ponto para todos. Há já muito dinheiro gasto e investido. Eu trabalho numa escola mas tenho que ir trabalhar apesar de as aulas só começarem na quinta-feira. Por isso só vou comemorar o Carnaval no fim de semana e em Cuba, que é mais perto.


Semana passada QUINTA-FEIRA, DIA 9 SERPA PRISÃO PREVENTIVA PARA SUSPEITO DO ASSALTO AO BALCÃO DO CRÉDITO AGRÍCOLA O Tribunal de Serpa decretou a prisão preventiva do homem, de 55 anos, suspeito de ter assaltado o balcão do grupo Crédito Agrícola em Vila Verde de Ficalho (Serpa). O suspeito está indiciado pelo crime de roubo com recurso a arma de fogo. Segundo o oficial de relações públicas do Comando Territorial de Beja da GNR, tenente-coronel José Candeias, o homem, de nacionalidade espanhola, é “o principal suspeito” do assalto ao balcão do Crédito Agrícola em Vila Verde de Ficalho, que ocorreu no dia 1. O homem é “bastante cadastrado” e já tinha sido condenado a pena de prisão por vários crimes de assalto à mão armada e por um crime de homicídio cometidos em Espanha, onde, após ter cumprido quase 30 anos de prisão, estava “em liberdade condicional”, contou. O suspeito foi detido após a PJ e a GNR, numa operação conjunta, terem intercetado na Estrada Nacional 260, perto de Baleizão, Beja, a viatura onde seguia.

DOMINGO, DIA 12 BEJA CENTRO DE RECUPERAÇÃO DE SANTO ANDRÉ DEVOLVE QUATRO GRIFOS À NATUREZA A Quercus libertou quatro exemplares de grifo (gyps fulvus), uma das espécies de abutres existentes no País. A libertação teve lugar numa área a sul do concelho de Beja junto à ribeira de Terges e Cobres. Os quatro animais estiveram em recuperação no Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Santo André, um dos três centros de recuperação de fauna selvagem geridos pela Quercus, cerca de quatro meses. As aves foram encontradas debilitadas por falta de alimento, entre os concelhos de Odemira e Grândola. O vale do Guadiana, onde as aves foram libertadas, é, segundo a Quercus, uma área de ocorrência regular desta espécie e foi local de nidificação até há algumas dezenas de anos.

QUARTA-FEIRA, DIA 12 MÉRTOLA MERTURIS COM NOVAS INSTALAÇÕES A Merturis – Empresa Municipal de Turismo de Mértola tem novas instalações, situadas na rua Dr. Afonso Costa em Mértola n.º 47, divulgou a câmara municipal. “O crescendo da sua atividade, a par do reforço da sua equipa de trabalho ditou a necessidade de um espaço mais amplo, de maior visibilidade e proximidade ao público”, esclarece a autarquia. Nas novas instalações funciona, para além do espaço administrativo e técnico da empresa, um pequeno núcleo de mostra e venda de merchandising local.

TERÇA-FEIRA, DIA 14 ALENTEJO REGIÃO REGISTA EM 2011 O MELHOR ANO TURÍSTICO DE SEMPRE Segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2011 o número de dormidas registadas nas unidades de alojamento do Alentejo foi de 1,241 milhões contra as 1,173 milhões registadas em 2010, divulgou a Turismo do Alentejo, ERT. Com esta subida de 5,9 por cento, “o destino regista assim o melhor ano turístico de sempre – depois dos bons resultados já alcançados nos dois anos anteriores – e apresenta o segundo melhor desempenho do continente, logo a seguir ao Algarve”, adianta a estrutura. “Estes números vêm comprovar a eficácia do trabalho continuado e concertado dos parceiros públicos e privados que, apesar das adversidades já sentidas em 2011, uniram esforços para continuar a conquistar os mercados e alavancar o crescimento turístico da região”, afirmou Ceia da Silva, presidente da Turismo do Alentejo. No que respeita aos proveitos, o Alentejo foi a única região nacional com um desempenho positivo.

Rede social 3 perguntas a Filipe Pombeiro Presidente do Nerbe/Aebal

A introdução de novos serviços é um dos projetos desta nova direção do Nerbe. Que serviços serão desenvolvidos?

A aposta tem sido na formação. Pretendemos dar continuidade a este trabalho, mas há todo um conjunto de serviços que queremos prestar aos associados. Desde logo na consultoria. Na área jurídica, com apoio jurídico aos associados. Na área da gestão, desde o aconselhamento em processos de financiamento, reestruturações, ou outras. Queremos que os associados recorram ao Nerbe e que através do seu departamento técnico tenham respostas prontas e conclusivas. Esta mudança tem de ser sentida desde o primeiro dia. Queremos projetar a região e por isso elegeremos feiras e eventos em que participaremos, reunindo vários associados, reduzindo por isso custos e aproveitando sinergias.

Agora sim, isto está com muito melhor aspeto A Casa das Artes – Museu Jorge Vieira reabriu no passado dia 11, após obras de melhoramento no edifício da rua do Touro, em Beja. Trata-se de um dos espaços imperdíveis da cidade.

Mas afinal onde fica o café Luiz da Rocha? Francisco Louçã, e também Ana Drago, visitaram no dia 13 várias escolas de Beja. E almoçaram com professores e apoiantes locais do Bloco de Esquerda no Luiz da Rocha.

E como será feita a aproximação do Nerbe aos associados, outro dos pontos centrais da sua candidatura?

Será feita a dois níveis: o primeiro, na abertura das infraestruturas do Nerbe aos seus associados, já que as instalações de que dispõe, como o auditório, as salas de reunião, os pavilhões, etc., deverão servir para potenciar os negócios dos associados, em condições bastante mais favoráveis do que as atuais. O segundo, indo ao seu encontro através de reuniões periódicas nos vários concelhos onde temos associados, tendo como vantagem termos uma direção dispersa geograficamente que funcionará como um elo de ligação entre as empresas dos concelhos mais distantes e a própria associação.

Vamos lá para dentro que isto promete aquecer Agricultores do Baixo Alentejo reuniram-se na passada sexta-feira, no auditório da ExpoBeja, para exigir a conclusão de Alqueva e processar o Estado pelo atraso das obras.

Que outros projetos pretendem implementar?

O mandato é por três anos e dependerá dos orçamentos anuais, bem como do número de associados que conseguirmos angariar e da antecipação da concretização de várias medidas que temos em mente. Consideramos fundamental a organização de seminários e colóquios no Nerbe, em assuntos primordiais nesta fase que atravessamos, como novas fontes de financiamento para as empresas, empreendorismo, entre outros. É também necessário rever os projetos em curso, como o ninho de empresas que está muito aquém das suas capacidades, sendo que deverá funcionar como uma verdadeira incubadora de novos negócios. Temos um outro projeto, que chamamos de Projeto Rede, que pretende dar a conhecer os associados, uns aos outros, os seus produtos e serviços, para que entre eles se desenvolvam oportunidades de negócio. NP

Pois é, assim não vamos a lado nenhum A Câmara de Beja ficou isolada na votação do orçamento da Assembleia Distrital de Beja, não aceitando o montante das comparticipações que lhe foram atribuídas. Nada a fazer?

É como lhes digo: isto já lá não vai só com conversa Vários agentes culturais do distrito reuniram-se na passada semana, n’Os Infantes, para discutir o “Manifesto em Defesa da Cultura”. Não há dinheiro, não há palhaços...

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Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

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❝ Trindade

“Antigamente a rapaziada nova entrouxava-se e brincava, mas agora já não há família para isso e os velhos já não podem brincar como antigamente. Estamos aqui ao sol e quando tivermos frio vamos para casa e pronto”. António Sousa

Carnaval já não é o que era, mas ainda há bailarico

Trindade foge para a cidade Trindade sofre do mesmo mal que muitas freguesias do Alentejo: a fuga de população para a cidade. Já foram mais. Hoje, segundo o último Censos, apenas 276 pessoas resistem na povoação. Na terra são muitos os temas de conversa, que vão desde a política ao Carnaval, que já não tem a força de outros tempos, mas que ainda faz rodopiar os habitantes num bailarico de máscaras, ou caraças, como lhe chamam os homens da terra. Texto Bruna Soares Fotos José Ferrolho

Largo Manuel da Fonseca Homens, acompanhados pelos seus fiéis companheiros, ao sol atrás da igreja

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Seara de Vento, cumprimenta quem está, assoma-se à esquina e segue caminho. A manhã acordou fria. Os termómetros, pelas 10 e 30 horas, marcam pouco mais de quatro graus e o tempo não está para prosas. As mulheres, muitas delas integralmente vestidas de preto, entram e saem da única mercearia da terra. Lá dentro espera-as Mariana Dionísio, que toma conta do estabelecimento comercial há 20 anos. Atrás do balcão, rodeada de prateleiras, atende quem chega. Este é o local onde se põe a conversa em dia, onde se mata o tempo e também onde se convive, trocando as voltas ao marasmo e, por vezes, à solidão, até porque aqui está mais quentinho. “Em dia de pão juntam-se aqui todas as velhotas”, conta, entre sorrisos, a merceeira. E explica: “A malta nova vai comprar a Beja. As pessoas de meia-idade aproveitam para passear e fazer as compras na cidade. As pessoas reformadas são as minhas clientes”. A crise, a tão famosa crise, aqui também se faz sentir. “As vendas estão muito más. Nota-se bastante”, garante Mariana. Quem parece não estar a sentir a atual conjetura é Isabel Machado, cliente, vizinha e companheira de tantas horas do simples prazer de jogar conversa fora. “A crise ainda não chegou aqui à Trindade”, assegura, enquanto se apoia na ombreira da porta, que assenta na parede adornada pela tão característica barra azul, ou não fosse esta uma terra

vida em Trindade, no concelho de Beja, numa manhã marcada pelas rajadas de vento, que evidenciam ainda mais o tempo frio, parece passar-se atrás da igreja. Sítio onde não corre a aragem e onde o sol dá calor às faces dos homens que observam a obra que decorre numa das ruas da pequena povoação. O silêncio, por vezes, é quebrado pelas máquinas que insistem em arrancar o alcatrão e pelo ladrar dos cães, que se vão juntando. Uns atrás dos outros. Os homens, de poucas palavras, enfiam as mãos nos bolsos ou apoiam-nas nos cajados. António, de barrete enfiado, passa a vassoura pelo pavimento, mas lixo nem vê-lo. “Varro as ruas, rego. Faço o que calha”, conta o homem que esteve emigrado, mas que casou e constituiu família e até comprou uma casinha em Trindade, apesar de garantir: “Estão aí muitas casas fechadas, mas pedem muito dinheiro por elas e as pessoas vão abalando”. Por momentos encosta o carrinho de varredura e argumenta: “O problema desta terra é a falta de gente. As pessoas têm-se ido embora para a cidade e para as outras aldeias”. O futuro, porém, é coisa que não o assusta. “Isto está mau em todo o lado”, considera. Quem passa no largo, que herdou o nome do escritor Manuel da Fonseca, que se inspirou na tragédia ocorrida no Cantinho da Ribeira (1932), lugar da freguesia, para o seu romance

enraizada em pleno coração do Alentejo. A mercearia vai-se compondo de mulheres, que se encostam ao balcão. Da arca sai um pacote de ervilhas. No balcão repousam duas garrafas de água e o barulho da caixa registadora confunde-se com os risos de quem fala pelos cotovelos, ora de uma coisa, ora de outra. O Governo não escapa à conversa da venda. Isabel Machado afirma: “Quando vierem as eleições sai de lá”. Maria Lucília, outra das mulheres presentes, responde: “Deves pensar que o Passos Coelho [primeiro-ministro] sai de lá a fugir. Quando andam a fazer campanha é tudo muito bonito e fazem tudo muito bem, mas depois chegam lá e não fazem nada”. Mas, na verdade, a estas mulheres interessa-lhes mais a política local do que a nacional e a atenção, essa, até porque ainda é um acontecimento recente, recai na iniciativa da Câmara Municipal de Beja “Semana aberta nas freguesias rurais do concelho”, que tem como objetivo uma aproximação mais efetiva do executivo e dos serviços aos munícipes. Trindade foi a primeira freguesia a ser contemplada. “Foi uma semana bonita. Foi muito engraçado. Houve ginástica. Pelo menos foi uma semana diferente”, diz Maria Lucília. Isabel, de braços cruzados, acena positivamente com a cabeça. “As pessoas deram a conhecer as suas dificuldades. Acho bem que venham cá para saberem os problemas que existem na terra”, completa Maria. Isabel, por sua vez, retorque: “É preciso é que se repita mais vezes”. Até porque,

como diz Mariana Dionísio, “deu animação à terra”. E animação é algo de que estas gentes gostam. “Não tarda está aí o baile de Carnaval”, conta Maria. E embora o Carnaval, por estas paragens, já não tenha a força de antigamente, há sempre espaço para um pé de dança. “Esta terra, para mim, quando eu bailava e cantava, ainda era mais bonita”, recorda Isabel. “Havia muita gente e a Trindade era muito diferente do que é agora. Havia bailes, festas. O Carnaval era bonito. Desfilávamos pelas ruas e cantávamos e dançávamos”, conta Maria Lucília, que hoje já não se mascara. Mas nem sempre foi assim: “Como era mulher vestia-me sempre de homem”. Os homens continuam ao sol. Continuam no largo a ver quem passa. António Sousa não se senta, prefere estar de pé e conta: “Agora já ninguém põe caraças na cara”. “Há poucos jovens. Há mais é velhos. Mas nem sempre foi assim”, recorda com saudades. “Antigamente a rapaziada nova entrouxava-se e brincava, mas agora já não há família para isso e os velhos já não podem brincar como antigamente. Estamos aqui ao sol e quando tivermos frio vamos para casa e pronto”. A manhã continua fria, mas os guardiões do largo, acompanhados pelos seus fiéis companheiros, continuam de pedra e cal, tal como as paredes da igreja a que se encostam. Reportagem vídeo em www.diariodoalentejo.pt


Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

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Ricardo Romão Presidente da Junta de Freguesia de Trindade

Quais são as principais dificuldades de Trindade?

O Alentejo esteve sempre em crise. Nesta região os ordenados sempre foram fracos e o pessoal aprendeu a gerir o pouco dinheiro que tem. A nossa maior dificuldade é a perda de população. Temos perdido muita gente. Nos últimos 20 anos perdemos mais de 150 pessoas. De acordo com o último Censos temos 276 habitantes.

Festas da Trindade em setembro

Acha que é possível travar a saída de pessoas?

É complicado. Se o Plano Diretor Municipal tivesse sido aprovado há 20 anos, possivelmente não teríamos perdido tanta população. Mas Trindade não tem por onde crescer?

Tem por onde crescer, mas o maior problema da Trindade são as habitações. Na década de 40 todas as habitações que existiam na aldeia foram partidas. As famílias eram numerosas e como não tinham casa dividiam-nas. De uma casa faziam-se duas ou três. Neste momento encontramos na aldeia casas com três metros de largura e 20 de comprimento.

No princípio do mês de setembro, todos os anos, realizam-se as festas em honra de Nossa Senhora dos Remédios. As Festas da Trindade, como são popularmente conhecidas, são, sobretudo, um ponto de encontro, onde locais e forasteiros convivem e brindam às tradições da freguesia. Esta é também uma oportunidade para os filhos da terra dispersos pela diáspora regressarem à localidade. Não falta animação, cante alentejano, bailes, entre muitas outras atividades, que marcam a vida cultural da freguesia.

Esta é uma terra essencialmente agrícola. As pessoas continuam a virar-se para a terra?

Neste momento já não se viram tanto, embora ainda tenhamos muitas casas agrícolas na freguesia, destacando-se também a vinicultura e a olivicultura. Mas o pessoal fugiu todo para a cidade. Não existia trabalho há 20 anos atrás. A agricultura foi perdendo o ritmo que tinha e o pessoal foi fugindo. E no que diz respeito às infraestruturas?

A nossa bandeira é a nossa terra. Não tínhamos nada na nossa freguesia. Criámos um posto médico, um parque desportivo, arruamentos à volta da aldeia, entre outros. Temos trabalhado para a nossa freguesia e podemos dizer que hoje temos condições que se calhar muitas vilas não têm. Temos uns balneários, que ainda hoje talvez sejam considerados os melhores do concelho. Temos a sede da junta de freguesia que faz inveja a muitas freguesias do concelho. Temos criado todas as condições para estarmos bem na nossa freguesia. E o que acha da iniciativa camarária Semana Aberta que passou aqui pela Trindade?

Inaugurámos essa iniciativa e foi muito positivo. Preparámos a semana anteriormente com os técnicos da autarquia e a câmara instalou-se aqui na sede da freguesia. Tivemos cá o executivo, os técnicos da autarquia e os gabinetes reuniram-se com a população. Foi muito engraçado. Não se fez tudo aquilo que quereríamos fazer, até porque temos umas grandes obras em curso que são da responsabilidade exclusiva da freguesia, mas sabemos como estamos todos de recursos financeiros. Fez-se uma série de iniciativas e, no conjunto, julgo que foi importante para a freguesia.

Herdade da Mingorra é uma referência na freguesia A herdade da Mingorra, situada em Trindade, é uma referência para a freguesia. Propriedade de Henrique Uva, é aqui que alguns habitantes da terra encontram o seu sustento. É nestes solos que se ergue uma das mais antigas culturas vitícolas da região, que alia a modernidade e funcionalidade as mais antigas tradições. Os vinhos aqui produzidos, de acordo com a herdade da Mingorra, “têm sido alvo da unanimidade dos críticos no que toca à qualidade” e as vendas, tanto a nível nacional como nos mercados de exportação, “têm vindo a aumentar”. O futuro, por estas paragens, parece ser encarado com otimismo.

Cantinho da Ribeira inspira Manuel da Fonseca O Cantinho da Ribeira, na freguesia de Trindade, serviu de inspiração a Manuel da Fonseca, escritor alentejano, no seu romance Seara de Vento, que se baseia na tragédia que ocorreu no monte, protagonizada por um trabalhador rural acusado do roubo de cereais a um agrário. A obra, dentro da estética neorrealista, deixa perpassar o sentimento da morte, mas sobretudo a realidade social da região. Seara de Vento é um testemunho do tempo da repressão, da fome, da falta de direitos nos campos da região.


Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

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Protocolo entre IPBeja e Gabinete Nacional de Segurança

O Instituto Politécnico de Beja e Gabinete Nacional de Segurança assinaram ontem, quinta-feira, em Beja, um protocolo que tem por objetivo “fixar um quadro de cooperação institucional amplo e efetivo entre o Instituto Politécnico de Beja e o Gabinete Nacional de Segurança (GNS)”. Ambas as entidades comprometem-se, conjuntamente a

“assumir uma relação como parceiros preferenciais e privilegiados em todas as suas iniciativas que possam ser do interesse e benefício comuns”. O Gabinete Nacional de Segurança tem por missão garantir a segurança da informação classificada no âmbito nacional e das organizações internacionais de que Portugal é parte.

Atual

Castro e Brito Presidente da Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo (Faaba)

O presidente da Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo (Faaba), Manuel Castro e Brito diz que “há graves prejuízos” decorrentes da decisão de adiar a conclusão do projeto de Alqueva, “porque houve muitos investimentos” em “milhares de hectares” de culturas de regadio, como olival, pomares e milho, que “já estão no campo à espera da água em 2013”.

“É mentira” que o regadio não esteja a ser aproveitado

Por incumprimento da conclusão de Alqueva em 2013

Agricultores processam Estado

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Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo (Faaba) admitiu no final da semana passada avançar com uma ação judicial contra o Estado por incumprimento da promessa de conclusão do projeto Alqueva em 2013, o que irá prejudicar agricultores. A hipótese da ação judicial foi apresentada e discutida em Beja, numa reunião que juntou cerca de 100 agricultores do Baixo Alentejo para definirem formas de atuação contra o eventual desvio de verbas comunitárias afetas ao Alqueva e a “indefinição” à volta da conclusão do projeto. “Iremos agora, já, tratar da situação da possibilidade da ação judicial contra o Estado e fundamentar bem o prejuízo que o País tem em não ter uma grande área de regadio”, disse o presidente da Faaba, Castro e Brito, aos jornalistas, no final da reunião. O anterior governo PS antecipou a conclusão do projeto Alqueva para 2013, depois de inicialmente prevista para 2025 e revista para 2015. Entretanto, a ministra da Agricultura do novo governo PSD/CDS-PP, Assunção Cristas, já disse que “não é possível” concluir o projeto em 2013, mas prometeu “grande empenho” para o terminar “tão cedo quanto possível”, “desejavelmente até final de 2015”, mas “depende das condições de financiamento do Estado”. Segundo Castro e Brito, “há graves prejuízos” decorrentes da decisão de adiar a conclusão do projeto, “porque houve muitos investimentos” em “milhares de hectares” de culturas de regadio, como olival, pomares e milho, que “já estão no campo à espera da água do Alqueva em 2013”. Em declarações aos jornalistas, o autor da proposta, o presidente da União de

Cooperativas Agrícolas do Sul (Ucasul), Luís Mira Coroa, disse que a eventual ação judicial contra o Estado poderá ser interposta “nos tribunais portugueses ou até no tribunal europeu”. Através da eventual ação judicial, os agricultores não querem “indeminizações ou protagonismos”, mas sim que “seja reposto o que estava previsto”, ou seja, a conclusão do projeto Alqueva e “a água nas explorações” em 2013, “conforme o Governo [PS] prometeu e vendeu a ideia a portugueses e estrangeiros”, explicou. De acordo com Luís Mira Coroa, a eventual ação judicial pode enquadrar-se na Lei n.º 67/2007, que define o regime da responsabilidade civil extracontratual do Estado e demais entidades públicas. Segundo a lei, disse, “os titulares de órgãos públicos e os decisores poderão ser processados judicialmente” por danos decorrentes do exercício da função administrativa e que incidam sobre uma pessoa ou um grupo de pessoas. A conclusão do Alqueva em 2013 “é uma decisão que estava tomada” e que “o Estado andou a vender” aos agricultores em Portugal e no estrangeiro e, “depois de trazer para cá pessoas e de levar uma boa parte dos que cá estavam a investir, acaba por não vir a água” no prazo previsto, sublinhou. Por isso, frisou, a conclusão do Alqueva em 2013 “é uma responsabilidade que não está definida num contrato, mas é uma responsabilidade do Estado”, que “fez reclame” da decisão e “induziu pessoas a virem” para a região fazer investimentos. Linha de crédito para a seca A Federação

das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo pediu entretanto ao Governo para “verificar” os efeitos da

seca nos campos da região e tomar medidas, como a criação de uma linha de crédito para os agricultores. “Temos toda a razão em pedir [ao Governo] para verificar o que se passa com a seca”, que “está a ganhar contornos muito alarmantes” nos campos agrícolas do Baixo Alentejo, e, depois, “tomar atitudes”, disse o presidente da Faaba, Castro e Brito. Castro e Brito referiu que o executivo, para minimizar os eventuais efeitos da seca, podia criar uma linha de crédito para os agricultores e antecipar o pagamento de ajudas relativas a este ano. A seca está a “afetar” as culturas de sequeiro e a pecuária, já que há agricultores que “estão sem pastagens e sem dinheiro para comprar rações para dar de comer ao gado”, explicou. A situação é “grave” e as preocupações dos agricultores com a seca são “terríveis”, sobretudo porque “não há crédito nos bancos”, disse. José da Luz, presidente da Associação de Agricultores do Campo Branco, que engloba os concelhos de Almodôvar, Aljustrel, Ourique e Castro Verde, disse que a situação nos campos da região “tem vindo a complicar-se” devido à seca. Num ano em que “se semeou muito mais do que em qualquer outro” e devido à falta de chuva, frisou, “as primeiras sementeiras” da região “estão com grandes problemas” e as pastagens, necessárias para alimentar o gado, “praticamente não existem”. “Esperamos que haja alguma preocupação do Governo em relação à situação de seca”, disse José da Luz, alertando que, “se não chover” em breve, poderá começar a ouvir-se o “tocar a finados” (anúncio da morte) nos campos da região do Campo Branco.

Os agricultores decidiram acionar judicialmente o Estado por não cumprir com a data de 2013 para concluir o regadio. Com que fundamentos?

Há graves prejuízos. Houve grande investimento em culturas que já estão no campo à espera da água de Alqueva em 2013. A água não vai chegar nessa altura, como a ministra já disse. E essas culturas precisam urgentemente de água. São milhares e milhares de hectares de regadio, de olivais, pomares, milho, etc., que não têm água para serem regados porque a obra de Alqueva não está concluída. Para além desta ação judicial estão previstas outras ações?

Esta foi a primeira reunião para aferir a sensibilidade das pessoas e daqui saiu a proposta de fazermos mais reuniões e mais alargadas, com mais agricultores. Agora vamos tratar da ação judicial contra o Estado que aqui foi decidida e fundamentar bem o prejuízo que o País tem em não ter uma grande área de regadio que produza alimentos, evitando a importação. A ministra da Agricultura alega que o regadio de Alqueva que já está concluído está subaproveitado. Confirma?

Isso é mentira. O sucesso do regadio de Alqueva é de nível mundial. Num curto espaço de tempo, dos 50 mil hectares regados por Alqueva metade já está a produzir. E é preciso ver que só em março do ano passado é que foram disponibilizados aos agricultores 27 mil hectares deste total. Era bom que a ministra viesse ver no terreno, com os agricultores, a realidade que aqui está. E sobre a seca. A situação é já problemática para os agricultores?

As preocupações são terríveis ainda mais quando não há crédito no banco, com as dificuldades que todas as empresas estão a passar. Os agricultores também são empresas, umas mais pequenas, outras maiores, por isso vamos tentar que haja um acordo pelo menos para a criação de uma linha de crédito para as empresas agrícolas, que correm muito mais riscos do que qualquer outra empresa, e o risco do tempo é um deles. A consequência da seca é a fome. Do gado e das pessoas. Carlos Júlio


Carnaval no litoral alentejano

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ei do Carnaval na região, com tradições enraizadas desde 1926, Sines já inaugurou as festividades no início do mês. Hoje, sexta-feira, cumpre-se a 21.ª edição do Carnaval dos Pequeninos, em que participam 2 000 crianças dos estabelecimentos de ensino do concelho, e amanhã, sábado, dá-se a chegada dos Reis do Carnaval, com animação musical pelas ruas da cidade. Durante a tarde, realiza-se o Carnaval Sénior, com um baile de máscaras e prémios para as melhores fantasias e, a partir das 23 horas, atuam os DJ Carnaval Party, no Espaço Tenda, local que acolhe os já tra-

DJ Frederico Barata e Grouse, o acordeonista Eliseu Brás e a brasileira Edna Pimenta e a Banda Bambaiana são os animadores de serviço no Parque de Feiras e Exposições. Em Santiago do Cacém, os festejos pertencem às escolas e jardins de infância das várias freguesias, que desfilam ao longo da manhã de hoje, envolvendo cerca de 1 800 crianças. E em Alcácer do Sal estão previstos dois corsos: amanhã, sábado, na sede do concelho; e no domingo, 19, na vila de Torrão, ambos pelas 15 horas. No total, serão cerca de 1 400 participantes e 20 carros alegóricos.

Tolerância de ponto para celebrar a folia

Parceria com PédeXumbo

Carnaval de Cuba a Sines

Entrudo em Entradas é “festival de inverno”

Mesmo sem a tolerância de ponto oficial para brincar ao Carnaval, os festejos na região não perderam o brilho e a criatividade. Uns mais enraizados nas tradições nacionais, outros mais contaminados pelo “calor” brasileiro, os programas sucedem-se ao longo do fim de semana e até à “terça-feira gorda”. De Cuba a Sines.

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dicionais bailes carnavalescos (domingo, segunda e terça-feira). Centenas de figurantes, grupos foliões, carros alegóricos e grupos de samba é o que se espera do desfile no centro da cidade, no domingo, 19, na segunda (corso noturno) e na terça-feira. A atriz Marta Andrino (a Verónica da saga “Morangos com Açúcar”, da TVI) e o apresentador da RTP Sérgio Mateus são os convidados especiais da edição. Também Grândola preparou noites de festa, no sábado, 18, e na segunda-feira, 20, sob o lema “Porque o nosso Carnaval não passa na televisão venham ter connosco ao pavilhão”. Os

ntes do Dia C, de Carnaval, já na próxima terça-feira, 21, a vila de Cuba tem preparado um fim de semana de “aquecimento”, intitulado a propósito Time4Fun. Organizados pelo Grupo4Fun, com o apoio do município local, os quatro dias de festa, a começar já hoje, sexta-feira, num recinto improvisado junto ao Parque de Feiras, prometem um espetáculo de tributo a Daniela Mercury, por Edna Pimenta, a atuação do DJ oficial da Playboy Portugal, do músico David Antunes (programa “5 pra meia noite”, da RTP) e dos DJ Bregueiros (Porto Canal), isto para além da atribuição de prémios para os melhores mascarados em todas as noites do evento. Na terça-feira, 21, sairá à rua mais um corso carnavalesco, uma “aposta” da Câmara de Cuba que já leva mais de uma década e que este ano terá como tema “O concelho de Cuba”, no ano que se assinalam os 230 anos da elevação a concelho, por alvará régio de D. Maria I, e os 500 anos de atribuição dos forais manuelinos às freguesias de Vila Alva e Vila Ruiva. Centenas de figurantes, carros alegóricos, bailarinas em pinturas corporais, sambistas e muitos foliões espontâneos vão desfilar pelas artérias mais emblemáticas da vila, num

cordão humano que desembocará no Monumento ao Cante. Ao lado, na vizinha Vidigueira, a população vai desfilar já no próximo domingo, 19, pelas 15 horas, entre o Pavilhão de Desportos e o largo 5 de Outubro, mostrando a criatividade de vários grupos organizados (freguesias, escolas, associações, clubes) e de outros foliões que se mascaram por conta própria. No final, está prevista uma matiné dançante com Manuel António e, no dia seguinte, um baile de máscaras com o grupo Sem Limite, no pavilhão Vasco da Gama. Hoje e amanhã, sábado, são também organizadas uma Noite Pimba e uma Noite Carnavalesca, ambas no pavilhão Vasco da Gama. No distrito de Beja, Almodôvar, Amareleja e Entradas também brincam ao Carnaval com programas variados. Cumprindo o percurso habitual, entre a praça da República e a rua da Malpica, o corso carnavalesco de Almodôvar arranca pelas 15 horas de terça-feira, 21, contando com a animação musical dos Comparsa La Movida e de Vânio Show e com a contribuição de vários participantes, em cargos alegóricos e a pé. Seguindo uma vertente mais tradicional, Amareleja, no concelho de Moura, reabilita a herança das “danças” ou “estudantinas”, manifestações de teatro de rua com versos críticos cantados, mimados e dançados ao som de um acordeão por grupos de jovens, semelhantes às “murga” espanholas. O evento, agendado para as 15 horas de terça-feira, 21, na praça da República, é uma organização da junta de freguesia local, que o reconhece como “acontecimento único no nosso país”. CF

Francisco Leirão O sapateiro de Cuba que, todos os anos, se transforma num dos principais foliões da vila

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uem por estes dias de Carnaval passar por Entradas, no concelho de Castro Verde, apercebe-se de um movimento diferente nas ruas: há mais gente nova, vestida de uma forma colorida, falando, para além do português, línguas como o espanhol, o francês ou mesmo o inglês. E se se ouvir em fundo música tradicional e houver grupos a darem o seu “pezinho de dança” não há que errar – deu “de caras” com o Entrudanças, um “festival de inverno” dedicado aos festejos de Carnaval, mas sobretudo às músicas e às danças tradicionais. E há nove anos que é assim. Fruto de uma colaboração entre a Câmara Municipal de Castro Verde, a Junta de Freguesia de Entradas e a associação PédeXumbo, o Entrudanças (que teve a sua primeira edição em Évora há 10 anos), mudou-se de “armas e bagagens” para o Campo Branco e vai decorrer entre amanhã, dia 18, e a próxima terça-feira, dia 21, embora parte do trabalho já tenha começado há mais tempo, sobretudo com diversas escolas do concelho. Mas, afinal, de que entidade se trata quando falamos da associação PédeXumbo? Marta Guerreiro é uma das responsáveis pela associação e diz que a PédeXumbo “intervém sobretudo em torno de duas áreas: a música e a dança tradicional”. Com sede em Évora, a associação tem três funcionários administrativos e diversos colaboradores e assume-se como uma associação de âmbito nacional, aberta a todos os que se queiram associar mediante o pagamento de uma quota. Tem também parceiros diversos. Em Évora mantém a funcionar o Espaço Celeiros onde têm lugar vários cursos de música e de dança tradicionais, durante todo o ano. Garante

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também diversos horários nas AEC (atividades extracurriculares) em várias escolas e tem tido também um forte relacionamento com um leque vasto de artistas alentejanos, entre os quais, por exemplo, Pedro Mestre e a sua viola campaniça. Para além do Entrudanças, a grande imagem de marca da PédeXumbo é o Andanças que depois de se ter realizado num primeiro ano em Évora, se transferiu para São Pedro do Sul e este ano vai ter como palco C elor ico d a Beira, juntando muitos milhares de pessoas. “É um festival de verão, enquanto que o Entrudanças é um festival de inverno, quando quase não há mais nenhum, e por isso atrai também muitos amantes do movimento da folk music, seja portugueses, seja estrangeiros” diz Marta Guerreiro, acrescentando que “o projeto foi criado para alargar mais o espaço das danças tradicionais, através de uma grande interligação com a comunidade”. Uma das grandes apostas da PédeXumbo prende-se com a necessidade de descentralizar a arte e a cultura e Entradas oferece tudo isso. “É uma terra de pequena dimensão, onde conseguimos ter um contacto direto com a população. Muitas das pessoas que cá vêm são oriundas das cidades e vêm à procura desta calma”, refere Marta Guerreiro. Salientando os “bons resultados obtidos com a cooperação” com as entidades locais, Marta Guerreiro sublinha que o projeto deste Entrudanças, que tem como tema as “Partidas e brincadeiras de Carnaval”, é “muito forte”, contando com “bailes com os Tribal Jaze, Celina da Piedade e Aqui Há Baille” e com as “habituais” oficinas que este ano vão ser dedicadas “às danças do Alentejo, do Carnaval e de Cabo Verde”. Carlos Júlio


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Nova varredora mecânica em Beja

A Câmara de Beja investiu cerca de 116 mil euros na compra de uma nova varredora mecânica, que será “um importante complemento” para a limpeza diária das ruas da cidade efetuada pelos funcionários da autarquia. A nova varredora, que é compacta, tem uma capacidade de quatro metros cúbicos e “adapta-se facilmente às vias de circulação da cidade”.

André Ventura Fundador do projeto Beja Diversidades

“A homofobia reinante no Alentejo é uma espécie de ‘direito cultural aquirido’” O Parlamento vai debater a adoção por casais homossexuais no próximo dia 24, por iniciativa do Bloco de Esquerda. Na sua opinião qual vai ser o resultado?

É certamente um passo difícil, necessário e justo. O BE neste caso, como nas questões ditas fraturantes, tem sido sempre profeta. Não podemos deixar de lhes estar agradecidos por isso. Nele vislumbramos muitas luzes de modernidade. Entretanto, este é um momento raro em que as esquerdas podiam tentar unificar posições. Não devia ser exercício de recolha de votos em clientelas eleitorais, tentando recuperar-se à custa disto numa altura em que o BE precisa de aumentar votos, devido a erros, alguns graves, que cometeu na legislatura e campanha eleitoral anterior. Esperemos que não! Sabemos que pela mão de Isabel Moreira, deputada independente do PS, vai ser apresentada, embora mais tarde, uma lei no mesmo sentido, talvez mais moderada. Provavelmente por isso os bloquistas estão a acelerar o processo. Podiam esperar para conjugar esforços para facilitar a passagem da lei, face a uma maioria de direita na AR, e num momento em que a opinião pública se encontra muito mais preocupada com outros direitos que estamos a ver perder. De qualquer modo é um disparate que os casais do mesmo sexo não possam adotar, quando muitas vezes já são pais, padrastos, de casamentos anteriores, ou não lhes seja permitido adotar a título individual. Em grande parte da Europa e nos EUA, mesmo antes dos casamentos, esta questão já está resolvida há muitos anos, até porque havia muitos órfãos. Estamos a nadar no preconceito puro. A Beja Diversidades foi fundada no verão de 2011 com o objetivo de “trabalhar no apoio à juventude lésbica, gay, bissexual ou transgénera (LGBT) e na mudança das mentalidades em relação às questões da orientação sexual e identidade de género, contra a violência doméstica e a homofobia”. Qual o balanço que faz deste meio ano de atividade?

A maior dificuldade é no âmbito cultural. A homofobia reinante no Alentejo é uma espécie de “direito cultural adquirido” contra o qual é difícil lutar, mas temos de lutar. Queremos ajudar a fazer as mudanças de mentalidade, e esta é também uma delas, para mudar o País e o tornar mais moderno e aberto. Temos de o fazer com todos, héteros e homos. Ninguém é dispensável. A discriminação, todas as discriminações, tem muitos custos sociais, psicológicos e económicos, ou seja, vão parar ao PIB, para além de serem um grave desrespeito pelos Direitos Humanos dos cidadãos. A Câmara Municipal de Beja tem-nos dado uma mão, e agradecemos, mas claro, não é suficiente se outros organismos da região se fecharem nos preconceitos ou só virem o seu trabalho na verticalidade dos seus projetos e não na transversalidade como se deve trabalhar hoje e em rede. Instituto politécnico, escolas, hospital, PSP, GNR, tribunais, governo civil, órgãos de informação, partidos, sindicatos, organizações não-governamentais, associações recreativas, juntas de freguesia, IPSS, associações e grupos informais, voluntários individuais, héteros ou homos, e os jovens são todos interpelados e convocados para esta luta pela mudança de parâmetros das nossas vidas, não só as dos gay, sendo que também estamos solidários com as outras lutas que travam. Quais os projetos da Beja Diversidades a curto/médio prazo?

Temos planeado para o ano 2012 prosseguir a defesa dos direitos humanos das minorias sexuais, a defesa da paridade de género e a luta contra a violência homofóbica e doméstica. Ao longo do ano pretendemos ainda organizar festas LGBT em Beja, participar na Semana da Prevenção da Associação Chão dos Meninos (ACM), organizar uma sessão de cinema, seguido de debate integrada na referida semana, ações de sensibilização junto dos alunos do Politécnico de Beja, um encontro de verão em parceria com a rede ex aequo para reflexão sobre um tema LGBT, um acampamento, um ciclo de cinema LGBT, distribuições de preservativos em ações de sensibilização e palestras por nós organizadas ou para que sejamos convidados, integração e colaboração com associações de seropositivos e redes sociais. E ainda a promoção de um encontro com entidades semelhantes em Espanha para encontrar formas de trabalho em conjunto, intervenção junto dos mass media, colóquios e palestras sobre temáticas concernentes com o nosso objeto social, e alargar parcerias com associações, organizações nãogovernamentais, IPSS do distrito, do País e dos Palop – Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Nélia Pedrosa


A melhor oferta turística do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral vai estar representada, de 8 a 10 de junho, na Feira de Turismo do concelho de Odemira, que vai decorrer em Vila Nova de Milfontes. “Este é o grande evento de promoção turística do Baixo Alentejo e do Alentejo Litoral, que pretende reafirmar Vila Nova de Milfontes como o ‘cartão de visita’ da região”, realça

Patronato angaria tampas de plástico e caricas para equipar lar O Patronato de Santo António, em Beja, está a promover uma campanha para angariar tampas de plástico e caricas, que servirão para a instituição poder adquirir equipamento para o lar de idosos que está a

a Câmara de Odemira, que promove o certame, em conjunto com outras entidades e empresários do setor. Mostra de serviços de alojamento, animação turística, artesãos a trabalhar ao vivo, espetáculos musicais, animação de rua com teatro e cinema ao ar livre, jogos tradicionais, desporto e gastronomia são algumas das atrações do evento.

construir. Os interessados em contribuir para a campanha da instituição de solidariedade social deverão entregar as tampas e caricas que conseguirem recolher no Patronato de Santo António, na Cooperativa Proletário Alentejano ou nos Bombeiros Voluntários de Beja. Segundo a direção da

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Feira de Turismo em Vila Nova de Milfontes

instituição, o patronato já conseguiu angariar 4 250 quilogramas de tampas e caricas, mas precisa de juntar um total de 400 toneladas para conseguir adquirir equipamento necessário para o futuro lar de idosos D.José do Patrocínio Dias.

Foram investidos cinco milhões de euros

Matadouro do Litoral já labora O Matadouro do Litoral Alentejano, no concelho de Odemira, fruto de um investimento de cerca de cinco milhões de euros, já iniciou a primeira fase de laboração, revelou o município, acionista da sociedade gestora.

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matadouro “iniciou a primeira fase de laboração da unidade industrial, com os testes de linha”, efetuando “um abate experimental de animais”, adianta a Câmara Municipal de Odemira. Situado em Fornalhas Velhas, na freguesia de Vale de Santiago, no interior daquele concelho, o matadouro é uma aspiração antiga, com mais de uma década, de produtores de gado da zona. O equipamento, que resulta de um investimento que ronda os cinco milhões de euros e prevê a criação de cerca de 20 postos de trabalho, está equipado com três linhas de abate. A capacidade de abate, por hora, é de 15 bovinos, 100 leitões e 90 porcos, borregos ou cabritos, explica a autarquia. “Para rentabilizar a unidade e melhorar a qualidade do produto, o matadouro está equipado com a mais moderna tecnologia, como a mecanização de todas as linhas, a insensibilização por CO2, o escaldão vertical ou o túnel de arrefecimento rápido de carcaças”, pode ainda ler-se no comunicado. O início de testes, segundo o mesmo acionista, “é um momento decisivo para o matadouro, não só por constituir o início de atividade da unidade industrial de abate, mas pelo culminar da dedicação e esforço das entidades envolvidas, que muito investiram e acreditaram” no projeto.

Localizada “no seio da produção pecuária” dos concelhos de Odemira, Ourique e Santiago do Cacém, a unidade vai ter um “papel determinante” na região, já que vai permitir “completar a fileira da carne no território, desde a produção até à venda ao consumidor”, reforça a entidade gestora. “O matadouro permitirá fixar na região um conjunto de mais-valias, uma vez que a diferenciação da qualidade dos produtos ganha, com o início de laboração do matadouro, um vetor fundamental de desenvolvimento”, acrescentam os promotores.

“Para rentabilizar a unidade e melhorar a qualidade do produto, o matadouro está equipado com a mais moderna tecnologia, como a mecanização de todas as linhas” PUB

Estudo internacional revela

Site dos vinhos do Alentejo é o que tem mais visitantes

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Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) revelou que a sua página da Internet é “o site português dedicado a uma região vitivinícola” nacional “com o maior número de visitas contabilizadas”. A CVRA acrescenta que esta é a conclusão de um estudo internacional, baseado em dados do alexa.com, um site norte-americano que informa sobre o tráfego de mais de 30 milhões de páginas da Internet, em mais de 125 países do mundo. No que respeita à classificação das

páginas das associações e entidades portuguesas ligadas ao vinho e à vinha, os vinhos do Alentejo ocupam o segundo lugar do ranking, sendo apenas ultrapassados pelo site da ViniPortugal. A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana foi criada em 1989 e é um organismo de direito privado e utilidade pública que certifica os vinhos DOC Alentejo e os vinhos Regional Alentejano, sendo responsável pela promoção nacional e em determinados mercados internacionais dos “néctares” da região.

De acordo com o município de Odemira, a escassez de unidades de abate na região, os preços competitivos e a centralização do matadouro face à produção “são indicadores que apontam para uma boa adesão dos produtores e uma clara rentabilização económica do investimento”. A sociedade do matadouro foi criada, no final de 2003, por produtores pecuários e entidades ligadas ao setor, com o envolvimento também da Câmara de Odemira e de uma entidade bancária, que detêm mais de 90 por cento do capital social.


Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

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Vidigueira cria banco de manuais escolares

Decorre até ao próximo dia 26, em Vidigueira, o período de inscrições para o banco municipal de manuais escolares, destinado a alunos do 1.º, 2.º e 3.º ciclo do ensino básico, para o ano letivo 2012/2013. O objetivo desta iniciativa, esclarece a câmara municipal, é “proporcionar a todos os pais e encarregados de

Câmara de Ourique lança concurso de fotografia Fotógrafos amadores e profissionais, portugueses e estrangeiros, podem participar num concurso de fotografia lançado pela Câmara de Ourique e no âmbito da edição deste ano da Feira do Porco

Câmara de Beja implementa nova técnica contabilística A Câmara de Beja começou a implementar uma técnica contabilística que vai permitir “uma maior racionalização e controlo” dos custos associados a todas as atividades e prestações de serviços internas e externas do município. PUB

Alentejano. O tema do concurso é “Conduto, Pão e Cante” e cada concorrente poderá apresentar até um máximo de cinco fotografias a concurso e que deverá enviar em formato digital (CD-ROM) para a Câmara de Ourique até ao dia 9 de março. O regulamento do

concurso está disponível no sítio de Internet da câmara. As fotografias a concurso serão expostas na Feira do Porco Alentejano e os três vencedores receberão prémios em dinheiro, que variam entre os 50 e os 150 euros.

Biblioteca de Cuba aproxima-se dos munícipes

Câmara da Moura solidária com Novas Oportunidades Numa tomada de posição aprovada por unanimidade, a Câmara de Moura solidarizou-se com docentes e formandos do Centro Novas Oportunidades (CNO) da Escola Secundária, “esperando que a intenção de indeferimento da candidatura seja objeto de reavaliação por parte da Agência Nacional para a Qualificação (ANQ) e que a reativação do CNO seja uma realidade”. Em comunicado, a autarquia diz que a decisão mostra que a “ANQ desconhece a importância da qualificação para o crescimento económico e para a promoção da coesão social do País, ignora a relevância local e regional do CNO da Escola Secundária de Moura e o seu contributo para o aperfeiçoamento da educação e formação de adultos na Margem Esquerda do Guadiana, assim como as características deprimidas do território onde intervém”. Na tomada de posição afirma ainda que “os adultos inscritos no CNO, esperando as respostas adequadas, neste momento, já sentem o desânimo e a desconfiança”, que “quatro técnicos com contrato de trabalho em funções públicas a termo resolutivo certo até 31 de dezembro de 2013 vão passar ao estado de desempregados, uma vez que não pertencem aos quadros da escola” e que “os professores/formadores envolvidos nesta iniciativa, regressando à sua função letiva, poderão provocar a saída de outros docentes colocados na escola”.

educação uma forma fácil e gratuita de conseguirem disponibilizar aos seus filhos os manuais escolares indispensáveis à sua formação escolar”. Perdem o direito à atribuição dos mesmos “os alunos que não efetuarem a entrega dos manuais escolares que lhes tenham sido entregues no ano letivo anterior”, adianta a autarquia.

Livros ao domicílio A Biblioteca Municipal de Cuba está a aproximar-se dos munícipes, através de uma série de serviços recém-criados, de onde se destaca a biblioteca nas freguesias e o livro ao domicílio. Tudo para aproximar as pessoas. Texto Marco Monteiro Cândido Foto José Ferrolho

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aro do Alentejo, Cuba. São quatro e meia da tarde e no centro cultural da terra o cinema está prestes a começar. As crianças estão sentadas e irrequietas nos seus lugares. O dia de escola já acabou e a excitação com a projeção de um filme é mais que muita. Após um compasso de espera, a sala fica às escuras. Só o foco de luz proveniente do projetor ilumina os pequenos rostos entusiasmados. “Olha, olha”, diz uma criança ao ver um estrumpfe, agora smurfe, boneco azul a voar, montado em cima de um pássaro branco. O filme já começou. A exibição do filme no primeiro andar do Centro Cultural de Faro do Alentejo e o conjunto de livros exposto no andar térreo do mesmo edifício prontos a serem requisitados fazem parte dos novos serviços que a Biblioteca Municipal de Cuba tem em vigor desde 26 de janeiro último. A lógica é a de proporcionar uma maior acessibilidade aos serviços da biblioteca, descentralizando algumas atividades, que anteriormente apenas aconteciam em Cuba, pelas freguesias. Paralelamente a esta aproximação geográfica, uma vez por mês em cada freguesia, a nova dinâmica da biblioteca de Cuba pretende proporcionar uma maior

Livros fora da biblioteca As freguesias rurais de Cuba estão agora mais próximas da leitura

acessibilidade a “munícipes que tenham algumas limitações em termos de mobilidade”, conforme refere a vereadora da autarquia de Cuba, Teresa Calado. “Nesse sentido, criámos o serviço do livro ao domicílio em que fazemos a entrega e a recolha dos livros a essas pessoas que tenham algumas limitações em termos de mobilidade permanente ou temporária”. Na lógica do novo serviço de livros ao domicílio, mais do que a biblioteca fazer o levantamento dos munícipes com limitações de mobilidade, terão que ser estes a entrar em contacto com os serviços. “O munícipe tem que estar inscrito na biblioteca e, nesse sentido, contacta os serviços que se poderão deslocar à sua casa. A partir daí, tudo é tratado por nós. A pessoa tem, a partir de casa, acesso ao catálogo on line com as obras disponíveis e

temos depois uma equipa que fará periodicamente a entrega e recolha das obras na casa desses munícipes”. Paralelamente, a Biblioteca Municipal criou uma série de novos serviços, como os áudio-livros, onde é possível “transformar qualquer obra presente na biblioteca em áudio-livro, ou o catálogo on line, “com qualquer munícipe a poder aceder, desde que esteja inscrito na biblioteca, a tudo o que está disponível em termos de espólio”. Fazendo lembrar as antigas bibliotecas itinerantes instaladas em carrinhas que levavam os livros aos largos das terras, este novo serviço, apesar das devidas diferenças, tenta aproximar as pessoas, como sublinha Teresa Calado. Porque, apesar da lógica atual de centralização, “o importante é descentralizar e ir até às pessoas, sendo uma questão que faz todo o sentido”.


11 Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

O colóquio “Beja – Imagens da cidade antiga”, que decorreu na semana passada em Beja, numa organização do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto/Campo Arqueológico de Mértola, com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia e da Câmara de Beja, “constituiu um momento importante para debater a história da cidade à luz dos trabalhos que têm vindo a ser feitos”, referiu Conceição Lopes, coordenadora do referido centro. Para o outono, adianta a investigadora, também em conjunto com a câmara, está prevista a organização de um colóquio internacional sobre recintos forenses.

JOSÉ FERROLHO

Especialistas de renome debatem recintos forenses

Achados dos períodos pré-romano e romano integrados no edifício sustentável O projeto do edifício sustentável prevê que a fachada do edifício pré-romano, “que será devidamente restaurada e solidificada; a estrutura central do templo do tempo de Tibério, aquela que está no exterior do edifício [que albergava os serviços técnicos]; e um tanque que foi removido aquando da construção do reservatório da água” fiquem visíveis. Quanto ao segundo templo romano, Conceição Lopes diz que “ainda não é possível saber”.

Identificado novo edifício na praça da República

Dois templos romanos em Beja

A

arqueóloga Conceição Lopes, responsável pelas escavações arqueológicas a decorrer junto da praça da República, revelou ao “Diário do Alentejo” que foi possível identificar um outro grande edifício do período romano, “de tempo anterior ao templo rodeado com um tanque” descoberto em 2008. “Muito provavelmente, este edifício, com cerca de 21 metros de comprimento e 14,5 metros de largura, datará do século I a.C. e será um templo de um primeiro programa urbanístico de que foi dotada a cidade de Pax Iulia. Associado a este edifício, que em período PUB

ainda não definido, mas ainda em época romana, integrou uma cisterna, existem vestígios evidentes das argamassas que serviam de assentamento das lajes do pavimento de uma praça”. Segundo a professora da Universidade de Coimbra e coordenadora do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto, “temos, assim, na praça da República, indícios evidentes de um projeto de planeamento da cidade no início do último quartel do século I a. C., planeamento este que integra um outro grande edifício anterior ao período

Escavações Equipa “aguarda condições” para prosseguir trabalhos no logradouro do conservatório

romano, portanto, pertença das populações que habitavam Beja antes da chegada dos romanos”. “O interessante disto é que mostra que os três edifícios [o pré-romano, o templo do tempo de Tibério e o edifício romano anterior ao templo] convivem num mesmo espaço. Os novos edifícios romanos foram integrados nos existentes”, diz a investigadora. Conceição Lopes acrescenta “que são ainda muito evidentes os vestígios da ocupação do espaço em época islâmica e do tempo do duque de Beja D. Manuel”, sendo que “nestes períodos as estruturas

romanas foram usadas para instalar habitações”. A arqueóloga aguarda agora “condições para se voltar ao logradouro do Conservatório do Baixo Alentejo para terminar os trabalhos de arqueologia aí iniciados”. Neste momento dois arqueólogos que integram a sua equipa estão no terreno a fazer o acompanhamento das obras do edifício sustentável da Câmara Municipal de Beja, que está a ser edificado junto à praça da República e que albergará os serviços técnicos municipais, e a “registar tudo o que vai aparecendo”. NP


Cláudio Torres defende Museu Regional

Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

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É preciso “juntar as forças de todos os bejenses” para que o Museu Regional não encerre, disse Cláudio Torres à Rádio Voz da Planície. O presidente do Campo Arqueológico de Mértola incentivou os bejenses “à luta pela manutenção” do museu.

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Santiago Macias e o futuro do Museu

O arqueólogo e vereador da Câmara de Moura diz que é “insólito” que, numa altura em que em Beja se estuda “o forum do templo romano da cidade, se admita a inviabilidade” do museu. Para o autor do artigo que se publica na página 10, encontrar a solução para o problema “é uma questão de sensibilidade, de imaginação, da capacidade política e de cultura”.

É o número de visitantes estrangeiros que em 2011 visitaram o Museu Regional de Beja, tendo, grande parte deles, vindo de propósito a Beja para esse efeito. O site da instituição é consultado em todo o mundo e contam-se por milhares os contactos e os mails recebidos.

Assembleia Distrital aprova orçamento com voto contra de Beja

O museu que ninguém quer À segunda o orçamento da Assembleia Distrital de Beja (ADB) foi aprovado, mas a Câmara Municipal de Beja votou contra. Pulido Valente diz que “não há nada na lei que obrigue” o município de que é presidente a pagar aquilo que foi decidido. António Sebastião, presidente da mesa da assembleia geral da ADB, afirma, por seu lado, “que há vários anos que a repartição é feita desta forma” e que, para além disso, a autarquia bejense foi “a mais beneficiada” nos cortes efetuados. Texto Aníbal Fernandes Ilustração Paulo Monteiro

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egundo António Sebastião, nesta versão do orçamento da ADB, as despesas foram reduzidas aos “mínimos” indispensáveis para garantir o funcionamento do Museu Regional de Beja e da Assembleia Distrital. O presidente da Câmara de Almodôvar – que é também presidente da mesa da Assembleia Distrital de Beja – diz que a recusa da Câmara de Beja em aprovar o documento “não é justa” já que “o museu é um património que, sendo regional, é acima de tudo da cidade”. Para o autarca almodavorense, “os milhares de visitantes qque o museu traz” são uma fonte de importante receitas imp portante para a cidade, mas nem m por isso para o resto do distrito: “São os municípios outros municíp p ios que estão a financiar o museu de Beja”, afirma. Pulido Valente admite que no mandato anterior aceitou a forma fo orma de repartição habitual, mas agora, “nos termos daa lei”, o município não pode “assumir compromissos financeiros que ultrapassem as suas receitas”.

Para o edil de Beja, o argumento de que o museu está na cidade não é suficiente para a Câmara de Beja assumir a parte de leão do orçamento, e defende que este equipamento deve passar, no futuro, para a alçada da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (Cimbal), até porque legalmente “não poderá passar para a alçada de uma câmara”. A forma certa, para Pulido Valente, seria fazer a distribuição das despesas com base nas verbas que os municípios recebem do Fundo de Equilíbrio Financeiro (FEF), e aí o executivo bejense estaria na disposição de “dobrar” a sua pparte. Opinião contrária tem António Sebastião, que defende que o equipamento deve ser, no futuro, gerido pela Câmara

Municipal de Beja, “com todos os custos e benefícios que isso traga para a cidade”. O presidente da mesa da assembleia-geral da ADB acrescenta ainda que a Câmara de Beja “foi a mais beneficiada” nos cortes do orçamento, tendo passado de uma comparticipação de 60 por cento para 48 por cento, e lembra que em mandatos anteriores a regra era de 60 por cento para o município da cidade e os restantes 40 distribuídos pelos restantes concelhos, incluindo a capital do distrito. Pulido Valente acha que há formas de ir buscar mais receitas, nomeadamente passando a cobrar rendas a instituições que ocupam edifícios propriedade da ADB. “Aprovar um orçamento que não vai ser cumprido é que não vai resolver nada”, diz o presidente da Câmara de Beja, que não vê que possam existir problemas financeiros a curto prazo “se as transferências dos municípios e o plano de pagamentos das dívidas em atraso” forem cumpridos pelas várias câmaras municipais. p não “O museu n ão pode fechar”, afirma Pulido Valente, mas para isso é preciso fad Patri r mónio, da lar com a Direção Geral do Património, ado da Cultura, para “arSecretaria de Esta Estado ranjar forma de o manter a funcionar”. Manuel Narra, presidente da Câmara de Vidigueira, em declarações à Rádio Pax, criticou o voto contra de Pulido Valente e lamentou a “insensibilidade atroz” dos presidentes de município que não marcaram presença na reunião, optando por se fazerem representar, quando estava em discussão a questão dos salários em atraso na Assembleia Distrital.

José Carlos Oliveira Diretor do Museu Regional de Beja

“Museu de Beja vale mais que coleção Berardo” Na sequência da aprovoção do orçamento e plano da Assembleia Distrital de Beja para 2012, como vê o futuro do Museu Regional de Beja, no imediato?

Vejo tudo isto com grande apreensão. O orçamento e o plano da Assembleia Distrital de Beja foi aprovado, mas estranho a recusa da Câmara de Beja em pagar a sua parte. O funcionamento do museu e até, em última instância, a sua abertura pode estar em causa. A situação que agora se vive – e que é resultado da situação financeira que vem do ano anterior –, nomeadamente com muitas dívidas a fornecedores, já punha em risco o funcionamento, tendo, inclusive, sido cancelados alguns serviços de out-sourcing, como, por exemplo, a limpeza. Como vê o futuro do museu?

O Museu Regional de Beja é o principal monumento da cidade. É onde repousa a memória identitária da população de Beja e um dos principais museus do País, onde se encontram coleções museológicas únicas, como, por exemplo, a de pintura flamenca, parte da obra de frei Manuel do Cenáculo ou a mais completa coleção bibliográfica alcoforiana. Joaquim Oliveira Caetano, do Museu Nacional de Arte Antiga, diz que o acervo do Museu de Beja é mais valioso do que a coleção Berardo. Se, por absurdo, fosse vendido, renderia muito mais do que o espólio do empresário madeirense exposto no Centro Cultural de Belém (CCB), e que custa ao Estado milhões de euros só para o ter emprestado. Mais de 80 por cento do material do Museu Regional de Beja é proveniente do concelho e da cidade de Beja. As referências aos duques de Beja e a Mariana Alcoforado são únicas no País e repousam neste monumento. Acresce que o museu foi fundado em 1896 como museu muncipal, e até funcionava no rés do chão da antiga câmara. Só transitou para o convento da Conceição em 1917. Por estes motivos, na minha opinião, este museu deveria ser municipal. No entanto, o museu vinha trabalhando, até há dois anos atrás, com os vários concelhos e nos últimos tempos temos tido grande apoio de todas as autarquias do distrito, nomeadamente em obras de manutenção do espaço, porventura reconhecendo o apoio que o museu sempre dispensou a todos os municípios. Como está a situação dos salários e qual é o clima que se vive entre os funcionários?

O clima é de incerteza e insegurança, o que afeta o desempenho dos cerca de 10 funcionários. Passaram o Natal sem salário, tendo apenas recebido parte do subsídio a 23 de dezembro. O salário de dezembro foi pago a meio de janeiro e o de janeiro só há poucos dias, já em fevereiro. AF


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❝ Perfil

O alentejano tem uma vocação natural para o fado como tem para o cante. Ambos saem cá de dentro, exigem sentimento da parte de quem os interpreta e isso os alentejanos têm”.

Francisco Sobral lança novo disco

Com o fado na alma O fadista bejense Francisco Sobral acaba de lançar um novo disco. Chama-se “Estado de Alma”, é o seu segundo trabalho discográfico e põe fim a um afastamento das gravações motivado por vários anos de atividade no teatro. “Este ‘Estado de Alma’ é uma coisa muito bonita, porque nele gravei exatamente o que queria gravar, que é o que tenho dentro da alma”, confessa Francisco Sobral ao “Diário do Alentejo”. Texto Alberto Franco

Nascido em Beja, há 47 anos, começou a cantar por brincadeira, “em festas de amigos e nos jantares do Grupo de Forcados de Beja”. Influenciado pelo estilo de Nuno da Câmara Pereira, “um artista que fez com que muita gente nova começasse a gostar de fado”, foi-se apercebendo aos poucos que queria ser profissional “e aí as coisas tornaram-se mais sérias”.

DR

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as 12 composições do seu novo trabalho, o artista chama a atenção para três. “Gosto muito do primeiro tema do disco, que se chama ‘Ausente’, com letra de Jorge Fernando e música de Custódio Castelo. Fala-nos do Alentejo, da necessidade que muitas vezes existe de partir e por isso tem muito a ver comigo. Há o fado ‘Rosa de Amargura’, que tem letra de José Luís Gordo (alentejano como eu) e música do fado Santa Luzia. Temos a rumba ‘Ceifeira de Pele Tisnada’, com versos de Domingos Xavier e música de João Núncio, que mistura fado e flamenco e conta com a participação de dois amigos espanhóis. Depois há músicas que me acompanham há alguns anos, como o fado ‘Loucuras, não’, que eu gostava imenso de gravar”. Entre o primeiro e o segundo disco houve um intervalo de 10 anos, durante os quais Francisco Sobral fez teatro. “Pela mão de Filipe La Féria trabalhei no musical ‘Amália’, no qual fazia o papel de Alfredo Marceneiro, durante quase seis anos. Depois entrei na ‘Canção de Lisboa’, que significou mais quatro anos de trabalho, e no espetáculo ‘Fado! Esse malandro vadio…’. Isto fez com que não tivesse disponibilidade para gravar, mas por outro lado permitiu-me amadurecer, pensar bem no que gostaria de fazer e escolher os temas com total liberdade. ‘Estado de Alma’ é um disco que me satisfaz muito, pois nele gravei o que me apeteceu”. O convite de Filipe La Féria para participar nas suas produções surgiu quando Francisco Sobral cantava na Pousada dos Loios, em Évora, onde foi fadista residente durante alguns anos. Nascido em Beja, há 47 anos, começou a cantar por brincadeira, “em festas de amigos e nos jantares do Grupo de Forcados de Beja”, do qual fez parte. Influenciado pelo estilo de Nuno da Câmara Pereira, “um artista que fez com que muita gente nova começasse a gostar de fado”, foi-se apercebendo aos poucos que queria ser profissional “e aí as coisas tornaram-se mais sérias”: “Passei a atuar de

forma semiprofissional numa casa de fados que existia em Beja, O Arco, e no bar O Forcado, em Serpa. Depois passei a atuar na Pousada dos Loios, até que apareceu a proposta do Filipe La Féria, que me fez ir para Lisboa”. Hoje em dia, Francisco Sobral vive exclusivamente do fado, “o que não é muito fácil e comporta sacrifícios.” Além de Francisco Sobral, há muitos outros alentejanos a cantar fado ou de alguma forma relacionados com este género musical. Citem-se os nomes de Ana Sofia Varela, António Zambujo, José Luís Gordo e António Chaínho. Como explicar

o gosto dos naturais de uma região rural por uma canção de raízes urbanas? “Penso que antes de ser rural ou urbano o canto é uma questão de sensibilidade. O alentejano tem uma vocação natural para o fado como tem para o cante. Ambos saem cá de dentro, exigem sentimento da parte de quem os interpreta e isso os alentejanos têm. Cantar sem sentir o que se canta é o que mesmo que fazer uma açorda sem alho, não sabe a nada…”. Apesar desta ligação, existem poucas casas de fado no Alentejo. “Há uma ou duas em Évora. Mas mesmo assim o Alentejo adora o fado. No dia 7 de janeiro estive e em Beja, a cantar no teatro Pax Juli Julia, e tinha a casa cheia. Talvez seja uma qquestão comercial e as pessoas não gostem muito de arriscar”. O reconhecimento reconhecim do fado como Património Imaterial Imate da Humanidade representa para Francisco Fran Sobral “um galardão há muito merecido”: mer “Já podia gozar desse reconhecime reconhecimento há mais tempo, tal como o tango e o fflamenco. Mesmo assim é importante. Talv Talvez certas pessoas comecem a olhar para o fado com outros olhos e deixem de o ver apenas como uma expressão do pa passado. O fado é um género antigo, pertence à nossa história e nes nesta, como em tudo, há coisas más, má mas também muita coisa boa”. boa Segun Segundo Francisco Sobral, o fado tem te futuro garantido na pessoa dos jovens que hoje o cantam cantam, alguns dos quais muito bem. As mudanças geracionais traze trazem inovações, mas “o tradici dicional vai sempre manterse, pporque as pessoas não pode dem esquecer-se das suas ra raízes. Podemos adicionar à guitarra portuguesa e à vviola um contrabaixo, um ppiano, uma percussão, mas o tradicional não será abandonado. Desde que se mantenha a génese, tudo o que melhorar é bem-vindo”, diz. Nos próximos tempos, Francisco Sobral vai dedicar-se aos espetáculos de apresentação do n novo disco. Está também a colaborar na montagem de uma nova casa de fados lisbo lisboeta, no Hotel Turim Suíço Atlântic Atlântico, na rua da Glória. “Vai chamar-se Passos Pa do Fado, tem inauguração prevista para meados deste mês e estarei lá a ca cantar diariamente”.


Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

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A prioridade é criar um novo modelo de município. A grande prioridade das câmaras tem de deixar de ser o licenciamento para ser o negócio. O município deve virar-se para a economia municipal. Deve ser criada uma nova câmara com regras da administração adaptadas a esse modelo. Rogério Gomes, presidente do Instituto do Território, ao “Público”, 13 de fevereiro de 2012.

Opinião

O futuro do museu de Beja

Santiago Macias Investigador da Universidade de Coimbra e membro da direção do Campo Arqueológico de Mértola

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á questões que não podem ser sujeitas a discussão. Nem podem estar dependentes de estratégias políticas pessoais ou de exercícios táticos. E é o que está a acontecer. Objetivamente falando, o Museu Regional de Beja corre o risco de fechar. Porquê? Porque a Câmara Municipal de Beja, que assegura 60 por cento das verbas de funcionamento do museu (os restantes 40 por cento são repartidos pelas outras câmaras da Assembleia Distrital), votou contra o orçamento proposto, “que responsabiliza a Câmara de Beja por encargos muito acima das suas capacidades de tesouraria”, segundo Jorge Pulido Valente, presidente da Câmara de Beja. O edil de Almodôvar, António Sebastião, que preside à Assembleia Distrital de Beja, suspeita que o município bejense possa deixar de fazer as transferências. Ou seja, sem capacidade de pagar aos seus funcionários e com salários em atraso (os vencimentos têm sido pagos fora de tempo), o Museu de Beja tem o futuro ameaçado. É insólito que no momento em que se dão passos significativos na identificação e estudo do templo do forum romano da cidade, se admita a inviabilidade de um museu que tem à sua guarda, entre muitas outras peças, uma das principais coleções portuguesas da chamada arte visigótica. Encontrar soluções para o Museu de Beja é uma questão de sensibilidade, de imaginação, da capacidade política e de cultura. Apenas e só. Os tópicos em torno deste tema, que já enunciei algures, podem resumir-se da seguinte forma: Primeiro, não é admissível que se possa pensar no encerramento, por falta de perspetivas futuras (que têm de ser criadas), de um dos principais museus do Sul, sendo essencial que se defina, de uma vez por todas, qual a entidade de tutela do museu. Muito sinceramente, só vejo nesse papel a Câmara Municipal de Beja. Diretamente ou indiretamente. É também crucial que a atual direção do museu e os funcionários do museu se pronunciem e apresentem caminhos futuros para a instituição. Em segundo lugar, não é admissível que a cidade se alheie de uma das suas mais emblemáticas instituições e deixe que ela definhe, sem poder cumprir a sua função, tal como não se pode admitir que os poderes públicos olhem para um museu (e logo este, cheio de carga simbólica e possuidor de uma notável coleção) como se encara um setor dispensável de um qualquer organigrama. O Museu Regional tem um problema de financiamento grave? Tem. Mas ai de nós se cedermos à tentação, hoje tão em voga, de começar a encerrar tudo o que apresenta problemas de financiamento. Pouco ficaria de pé no nosso país. O problema não é de agora. A lógica instrumental da cultura também não. O financiamento das atividades culturais – mesmo antes do turismo cultural ser moda – sempre foi um martírio. Concluia Diogo Bernardes, no século XVI: (…) de Mecenas tantos temos Como de brancos tem a Etiópia...

Infelizmente, muito boa gente, incluindo políticos, ainda não percebeu que não há juízes de esquerda e de direita, mas, simplesmente, juízes e mercenários. E estes são sempre os piores inimigos da credibilidade da justiça. Marinho e Pinto, “Jornal de Notícias”, 13 de fevereiro de 2012

Há 50 anos A propaganda de Beja e a pretensão de Vila Azedo

José Carlos Albino Messejana

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“Nota do Dia” da edição de 16 de fevereiro de 1962 do “Diário do Alentejo”, expondo “Uma pretensão de Vila Azedo”: “Situada nas circunvizinhanças da freguesia das Neves, portanto a reduzido número de quilómetros desta cidade, Vila Azedo é uma curiosa povoação que nos últimos anos tem experimentado um agradável surto de progresso. Luta, no entanto, pela realização de vários melhoramentos, sem os quais não poderá progredir como desejaria. Entre essas aspirações figura uma de que um grupo de nossos leitores, ali residentes, agora nos dá conta. Diz-nos um trecho da sua carta: ‘Esta povoação, com cerca de 100 fogos e mais de 400 habitantes, merecia já uma mala de correio, que também serviria uma área muito grande de montes dispersos onde vivem numerosos casais’. A sugestão acrescenta que o correio poderia ser transportado no caminho de ferro, pelas automotoras que ali têm paragens diárias. À consideração da AdministraçãoGeral dos Correios, Telégrafos e Telefones retransmitimos esta solicitação.” Na mesma edição, na secção “Varandim da Cidade”, um escrito assinado por Melo Garrido: “A propaganda de Beja não tem merecido nem os necessários cuidados nem a indispensável continuidade. Faz-se, por vezes, quando surge um fácil ou cómodo ensejo e depois esquece-se, como se não fosse um factor a considerar a seio na obra de valorização da cidade. Por isso mesmo ela é esquecida ou injustamente apreciada nas outras regiões do País e, especialmente, no estrangeiro. Pouco se fala de Beja e quando se fala não é, por via da regra, com grandes louvores, em consequência do pouco conhecimento que continua a existir em relação aos seus motivos de interesse ou mesmo de beleza. Não há que pretender ignorar ou esconder esta triste realidade. É-nos, assim, extremamente agradável registar uma notícia que nos chega agora: amanhã e no sábado seguinte, das 16 às 16,30, o Rádio Clube Português (Miramar) transmitirá um programa dedicado a Beja. Ignoramos os pormenores desta iniciativa. Mas mesmo que o seu objectivo não seja o de essencialmente fazer propaganda de Beja não há dúvida que a servirá de forma muito útil. Por isso queremos dar-lhe especial registo.” Carlos Lopes Pereira

Em 400 anos pouco ou nada mudou.

Balanços & perspetivas precisam-se! Perante a gravidade e complexidade da situação que o País vive, que nos coloca a todos numa estreita encruzilhada, é indispensável, para vislumbrarmos um caminho de futuro sustentável, que todos os responsáveis políticos, económicos, territoriais, sociais e culturais realizem uma avaliação rigorosa e desapaixonada sobre as suas posturas, deliberações e intervenções nos últimos 30 anos. Ao invés de análises e balanços globais, centrados nos “outros mais visíveis”, do que precisamos é que cada um, organização, pessoa ou instituição, avalie o seu papel ao longo destas três décadas, identificando as suas responsabilidades no que de positivo e negativo foi acontecendo. Não se “sacudindo a água do capote”, poder-se-á, de baixo para cima, atingir um balanço sério global que a todos se refira e interpele. Este desafio é, principalmente, dirigido aos partidos políticos e organizações da sociedade civil mais relevantes, considerando as diversas lideranças ao longo destes tempos. Penso que ninguém acredita em identificações das más “heranças dos passados” em que, quem as faz, nunca admite as suas próprias responsabilidades nos erros ou desvios verificados. Direi que uma lógica de autocrítica de cada um poderá gerar uma “autocrítica global”. Será que há lucidez e coragem para percorrer este caminho? Espero e desejo que sim!

Em quem votar? Francisco Barbosa Velho Münster – Alemanha

Realmente é espantoso as “lutas” partidárias dos dois que absorvem a percentagem maior dos votos de quem se disponibiliza votar. Os que não votam, 50 por cento do povo eleitor, se votassem, votariam em qual? Se a tendência fosse como os que deixam lá o boletim, o baile seria igual! Quer dizer: seria sempre um dos dois que ao longo dos últimos 34 anos tem estado no poder que também iria para lá. Se o povo manda, tudo bem! No entanto, o bizarro da situação são os eleitores não tentarem uma outra alternativa porque sofrem as consequências do novo governo não fazer melhor que o anterior. Será que a demagogia de qualquer um deles tem por finalidade consolidar o sistema único? Será que uma grande maioria da comunicação social e alguns dispersos agentes que estão ao servico deles sabem fazer bem o trabalhinho? Se assim é o povo não sabe ver que “a crise e o capitalismo e os seus limites”. Vejam o exemplo de como a União Europeia passou de uma construção dita democrata a uma construção oligárquica. Será que o sistema único que estão a estruturar só dá em guerras e degradação do nível de vida das massas? Vejamos: Jugoslávia mais Kosovo, Afeganistão, Iraque, Somália, Líbano, Geórgia, Líbia, o agravamento do drama palestino...! Será que o povo não vê que governante que não aceite os ideais dos barões do capital é intitulado de déspota e outros adjetivos pejorativos? Seja o Castro, Hugo Chaves, Kim Jong-il, Putin, o do Irão, etc. Não será essencialíssimo o povo meditar sobre o que fizeram no Chile na década de 70, destruindo um político, Salvador Allende, e um regime eleito democraticamente. O que esperamos nós portugueses? Será que os 50 por cento dos frustrados e desiludidos são a chave da mudança que Portugal necessita? Pensará o povo que a “crise” chegou onde está sem conhecimento prévio dos donos do dinheiro? Não, não foi tão linear como se pensa: a estratégia foi montada para sensibilizar as massas a um consumo desenfreado para proporcionar eles encherem os cofres (como o fizeram) e agora, na propagandeada “solidariedade”, continuam tal tubarões a aglutinarem o peixe miúdo. Com saudações alentejanas.


Efeméride 19 de fevereiro de 1975

Iconografia pacense O misterioso fecho de abóbada do “Hospital Velho”

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o período medieval cristão a arte atravessou diferentes expressões plásticas e foi utilizada de modo diverso, consoante a finalidade. Num tempo em que muito poucos sabiam ler, a linguagem da arte, especialmente da escultura e da pintura, era compreendida por todos. As mensagens de Cristo, dos apóstolos, dos santos e dos doutores da Igreja estavam representadas de maneira entendível nos principais lugares de convergência de então: em igrejas, ermidas, conventos e noutras obras pias. Já o temos dito, em relação a estudos semelhantes sobre a iconografia do medievalismo que, na atualidade, qualquer um de nós, mesmo com um conhecimento razoável dos meandros históricos, revela quase sempre enorme dificuldade na compreensão de certas composições figurativas. Porque somos herdeiros da mentalidade científica que nos últimos 300 anos descurou paulatinamente o significado da simbólica cristã inerente às obras dos períodos românico e gótico, não viria mal ao mundo se continuássemos a ignorar, por uma questão de comodidade ou de total desinteresse, o misterioso fecho de abóbada da antiga enfermaria do Hospital Grande de Nossa Senhora da Piedade, fundado por D. Manuel, ainda enquanto duque de Beja, no ano de 1490, cronologia que, segundo a tradição e alguns pormenores construtivos aparentemente mais antigos, pode recuar a 1469, ao primeiro ducado de seu pai, o infante D. Fernando. Nestas lidas, a curiosidade de quem pesquisa é mais forte e, se não é hoje que decifra o enigma, será amanhã. Quantas vezes ao passarmos pelo mesmo sítio, olhando para as mesmas coisas, não as vemos, como se ficássemos cegos pela repetição. O melhor é deixar passar o tempo, esse conselheiro que ao cobrar-nos em idade, nos paga em sabedoria. Até podemos errar no desfecho, mas devido ao seu teor metafórico, já foi salutar chegar aqui. O Homem debate-se desde a sua génese entre o bem e o mal, criando

ao longo da sua evolução meios que lhe facultam bem-estar e segurança, mesmo em situações de extrema gravidade. Num tempo em que as doenças não se curavam como hoje, nem sequer as mais simples, e em que os casos psíquicos eram rotulados de possessões demoníacas, a cura maioritariamente aceite e praticada com fé, envolvia a purificação física, mediante água benta, e espiritual, invocando pelas orações a intervenção divina. Cremos que esta leitura é fundamental para desvendar o significado do fecho de abóbada figurativo, situado no 4.º tramo da nave adossada à muralha na enfermaria gótica do “Hospital Velho”, designação por que é mais conhecido no aro de Beja. Adiante. Ora, o fecho de mármore acinzentado, de Trigaches/São Brissos, material de que são feitas quase todas as obras de cantaria da cidade, com um diâmetro máximo de 30 centímetros, exibe em baixo-relevo duas figuras frontais com seus atributos. Do lado esquerdo, pequena e mais avançada, vê-se uma criança praticamente nua, com a cabeça algo transfigurada nos traços essenciais, pernas pequenas, movimentadas (estrebuchando? e também com um certo ar de feto ou de recém-nascida), acorrentada pelo pescoço e presa a uma estaca que um homem barbado, à direita, bem maior e mais recuado, segura com firmeza, ostentando na mão direita, atrás da cabeça da criança, o que parece ser o cabo de uma arma branca, cuja lâmina quase não se vê. Um gancho de ferro, colocado posteriormente no centro, afetando a leitura da dita lâmina proporcionaria uma melhor visibilidade do fecho e iluminação deste tramo da enfermaria. Alguns dos outros fechos do hospital têm decoração geométrica, vegetalista e heráldica, mas também os há, sacralizando as diferentes áreas do edifício, com o simbolismo da cruz, seja crucifixo com pedestal ou a simples cruz da ordem de Cristo, além de um vaso com a dupla simbologia de uma árvore cujos ramos e folhas caem como se fossem um chorão, uma palmeira ou a água em repuxo da fonte, portanto utilizado como fonte da vida e árvore da vida, motivos recorrentes noutros monumentos de Beja. Para finalizar este rol de fechos, sem os esgotar, pois merecem melhor inventário, destacamos mais um com cinco pombas, no género do da abobada estrelada, oitavada, da sala regral da entrada do antigo convento de São Francisco (atual pousada) e um outro presumivelmente com a imagem da lua cheia, como símbolo da noite, do silêncio e do recato que a instituição hospitalar exigia. Ainda tentámos procurar,

sem sucesso, noutros edifícios portugueses e até estrangeiros, um fecho figurativo semelhante ao de Beja, pois não acreditamos que seja único, embora seja bastante invulgar. Já vimos a representação do mistério, portanto, já só falta conhecer o que julgamos ser o seu significado. Quando colocamos um crucifixo na nossa casa estamos a repetir, porque temos fé em Deus, um gesto ancestral ligado à proteção do lar, da família, ao afastamento do mal, da doença; se um crucifixo não é suficiente, ainda nos valemos de um elenco de santos para as ocasiões mais propícias. Evocamo-los para nosso auxílio e se os representarmos parecem mais intensos e eficazes, o benefício melhora. É esta a diferença substancial entre o fecho do “milagre de São Bartolomeu”, assim o qualificamos, e todos os outros. O santo, apóstolo de Cristo, aparece-nos no ato de aprisionar o demónio, causa de todos os males. A figuração da criança estará relacionada com a roupagem de inocência de que se reveste o mal para nos enganar, manigância que não resulta com São Bartolomeu, exorcista muito venerado na região de Lamego, onde não conhecemos uma representação igual. Uma vez por ano, no dia 24 de agosto, o santo solta o diabo por uma hora, não só para descarregar tensões como para recordar aos fiéis tresmalhados os cuidados que devem ter. O santo teria viajado até à Índia, mas foi na Arménia que viu o seu fim, depois de esfolado vivo (daqui a arma branca como símbolo do seu martírio) e decapitado, próximo do mar Cáspio, no século I. Antes expulsara o diabo do corpo de uma filha do rei Polímio, acorrentando de seguida o demónio. A crença de exorcista e o seu dia de celebração, quando “o diabo anda à solta”, leva milhares de pessoas a São Bartolomeu do Mar, em Esposende, com o intuito de evitar a gaguez, epilepsia, mau-olhado e outras maleitas das crianças. Camilo Castelo Branco, nas Noites de Lamego (1908, 165), refere as “dezenas de criaturas obsessas”, principalmente mulheres possuídas pelo diabo, cujos familiares procuravam na aldeia de Caves, a cura para os seus males, com a intervenção de uma grande imagem de pedra do santo. Voltando ao fecho da antiga enfermaria de Beja, meditamos no modo como a arte tinha o poder de interceder na cura das pessoas e como ainda hoje sentimos a importância desse tempo a dizer-nos que a arte não é só obra estética, nem tão pouco tem que ser bela, nem agradável… Leonel Borrela

Resolução do Conselho de Ministros ao abrigo da qual o Estado intervém na exploração agrícola Donas Marias

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o seguimento da manifestação de 3 de fevereiro 1975, em Beja, onde os assalariados rurais do distrito exigem “a adoção de medidas antilatifundistas e antimonopolistas, isto é de medidas de limitação com vista à liquidação do poder dos grandes agrários capitalistas [sem as quais] não seria possível resolver os grandes problemas do desemprego e da sabotagem económica e iniciar o caminho da realização duma verdadeira reforma agrária”(1), o 3.º Governo Provisório, através da Secretaria de Estado da Agricultura, decide intervir, ao abrigo do Decreto-lei n.º 660/74, na exploração agrícola Donas Marias, freguesia de Santo Aleixo da Restauração, concelho de Moura. Esta segunda intervenção do Estado numa exploração agrícola do distrito de Beja, à semelhança do que já tinha acontecido no Monte do Outeiro, decorre do não pagamento de salários aos trabalhadores distribuídos e da prática de atos destinados a descapitalizar a empresa como forma de melhor explicar a impossibilidade de garantir emprego. Dia 11 de dezembro de 1974, em resultado da fiscalização feita à exploração Donas Marias que incluía as herdades Aldeia Testudos, Donas Marias, Corujeiras e Alpendres, a comissão concelhia de colocação de pessoal de Moura decide aí colocar 45 trabalhadores na situação de eventuais (35 homens e 10 mulheres)(2). Francisco Gonçalves da Cruz, o rendeiro de todas estas herdades, contesta a distribuição de trabalhadores junto da comissão distrital que confirma a decisão da comissão concelhia(3). No dia 27 de janeiro, como o rendeiro se preparava para fazer sair da herdade dos Alpendres parte do rebanho de ovelhas que aí tinha, os trabalhadores impedem-no de concretizar tal intenção, justificando a sua atitude com a falta de pagamento de salários. Perante a determinação dos assalariados rurais o rendeiro recua nos seus propósitos de vender o gado e, por documento datado de 31 de janeiro, aceita as determinações da Direção Geral dos Serviços Pecuários sobre a gestão do rebanho(4). É o facto de Francisco Gonçalves da Cruz se manter irredutível no não pagamento dos salários aos trabalhadores distribuídos alegando que, sendo rendeiro, tal responsabilidade competia aos proprietários das herdades que obrigará o Governo a intervir na exploração, nomeando como gestor do Estado o regente agrícola Manuel António Morgado Leão(5). (1) – Cf. “Declaração de Beja”, “Diário de Lisboa” de 7/2/75. (2) – Cf. Relatório da comissão concelhia de Moura, 11/12/74 – Proc.º 221 – Arquivo do Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas (STA) do distrito de Beja. (3) – Cf. Ata n.º 10 da comissão distrital, 16/12/74 – Arquivo do STA do distrito de Beja. (4) – Cf. Relatório da Secretaria de Estado da Agricultura, delegação de Beja, 31/1/75 – Arquivo do STA do distrito de Beja. (5) – Cf. Resolução do Conselho de Ministros publicada no DG, I Série, de 3/3/75.

Constantino Piçarra

15 Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

A depressão e o medo apoderaram-se dos portugueses. Os cidadãos, fartos de promessas eleitorais não cumpridas, estão hoje mais vulneráveis a propostas totalitárias de consequências imprevisíveis para o regime democrático”. Paulo Morais, “Correio da Manhã”, 14 de fevereiro de 2012


Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

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Na capa

Ninguém lhe sobreviveu

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esta cidade ninguém escapou à fúria tresloucada de um indivíduo que, a golpes de catana, chacinou a mulher, a filha e a neta, no número 15 da rua de Moçambique. Todos morremos um pouco com elas, às mãos criminosas dele. Em Beja não há memória de um atentado tão hediondo, macabramente premeditado e cruel como este. Por estes dias a consternação é geral. A indignação é geral. A raiva é geral. Tal como geral é o ruído ensurdecedor que a história produz ao ser relatada. Uma e outra vez. De boca em boca. Na televisão. Nos jornais. Sempre acrescentada muito para lá daquilo que é possível imaginar. Daquilo que é possível… Nas escolas de jornalismo ensinam que a realidade costuma sempre superar a ficção. É verdade isso, hoje, agora mesmo, aqui, no crime de Beja. Duas páginas em branco. Até ao último minuto desta edição. Duas páginas em branco e talvez assim devessem ter permanecido. Em branco. Imaculadas como qualquer criança de quatro anos o é. Como é que poderíamos

abordar o horrendo caso da rua de Moçambique sem criar mais ruído? Sem golpear ainda mais, com as nossas palavras, os corpos já de si amplamente esfacelados? Pensámos entrevistar especialistas forenses, psiquiatras, espertos na matéria que nos explicassem a inexplicável “anatomia” do crime. Tentar perceber as motivações do assassino. Mas sabíamos, por antecipação, que tal esforço apenas nos traria o desconforto de perceber que o homem, o bicho humano, consegue ser a mais selvagem das feras à superfície da terra. Desistimos. E porque não tornar a escutar pela enésima vez os familiares, os vizinhos, a polícia, os bombeiros, a escola? Porque não? Porque também nós não lhe sobrevivemos. Porque também parte de nós, a parte mais pura, foi a enterrar na tarde da passada quarta-feira. Num cortejo de repulsa. Dentro de uma breve caixa de madeira alva. E porque é impossível, de tão perto, relatar uma história cujo único protagonista é aquele que não teve dignidade para não lhe chegar ao fim. Uma história demasiadamente infame para escapar às garras do sensacionalismo

jornalístico. Desistimos. Não que o sensacionalismo seja, em si, um mal horrendo. Pelo contrário. Uma notícia que gera sensações, que mexe com os sentimentos dos leitores, é, por definição, uma boa notícia. A questão não está nas sensações, está naquilo que as motiva. O crime de Beja, o estranho caso da rua de Moçambique, representa o pior dos motivos. Para gerar sensações. E para se ser jornalista. Pelo que decidimos preencher estas nossas duas páginas tardias com o mínimo essencial. Que ainda assim é tanto. Antes de conhecermos os desenvolvimentos do caso, acompanhámos os acontecimentos, quase ao minuto, na nossa página do Facebook. E daí retirámos os depoimentos de alguns dos nossos seguidores. Apresentamos uma cronologia dos factos e uma fotorreportagem que termina à porta do cemitério de Beja, no exato momento em que um criminoso desprezível começava a ser ouvido no tribunal. Do outro lado da cidade. Injustamente do outro lado da vida. Paulo Barriga


17 Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

Cronologia DURANTE A SEMANA PASSADA – O namorado de Cátia, que vive em Lisboa, tenta, reiteradamente, contactá-la por telefone, mas não obtém resposta. – A funcionária da loja de lingerie Mini Meia é informada por Francisco Esperança de que a família irá passar uns dias a Lisboa. – Francisco Esperança foi visto em Lisboa pelo namorado de Cátia.

Reações

SEGUNDA, 13 FEVEREIRO – O namorado de Cátia contacta a PSP de Beja e queixa-se de há vários dias não saber do seu paradeiro.

Os momentos mais importantes do acontecimento que sobressaltou Beja esta semana: o triplo homicídio da rua de Moçambique. Desde a detenção do autor do bárbaro crime até à sua entrada no Tribunal de Beja, passando pelo comovente funeral das vítimas.

– 17 e 30 horas: A PSP de Beja cerca a moradia da Rua de Moçambique, onde Francisco Esperança se encontra barricado. Ouvem-se disparos e a PSP de Beja toma posições antes de chegar o Grupo de Operações Especiais. – 19 e 40 horas: A PSP consegue fazer sair da habitação o presumível assassino, que é detido e levado para os calabouços da polícia, em Beja. Várias ambulâncias do INEM estão no local, mas as autoridades não confirmam a existência de vítimas. – 20 e 30 horas: O comandante da PSP de Beja, Viola Silva, confirma a existência de três vítimas mortais, familiares do alegado assassino: a mulher, de 53 anos; a filha de 28; e a neta, de 4 anos. Os corpos são evacuados para o Hospital de Beja. TERÇA, 14 FEVEREIRO – Segundo a PSP, o triplo homicídio terá ocorrido há uma semana. O suspeito também matou os animais domésticos: um cão e um gato. – As autópsias aos corpos das vítimas do triplo homicídio foram realizadas durante a tarde no Gabinete Médico-Legal da cidade. – O suspeito aguarda ser presente ao Ministério Público para primeiro interrogatório judicial e aplicação de medidas de coação. QUARTA, 15 FEVEREIRO – 13 horas: Mais de uma centena de pessoas aguardava junto ao tribunal a chegada do suspeito de triplo homicídio, o que viria a acontecer perto das 14 horas. – 14 horas: Tem início no cemitério de Beja o funeral das três vítimas mortais. – 17 horas: Suspeito de triplo homicídio fica em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Beja.

Devia haver pena de morte para estes monstros. Maria Baião Devia ser dada oportunidade à população de fazer a JUSTIÇA!!! Carina Conduto Não entendo porque ainda dizem SUSPEITO! Puxem-lhe fogo. Sonia Chapita Ferreira Doentes mentais não referenciados há-os em toda a parte, muito por culpa da família, que por medo e por respeitos humanos injustificáveis não revela os sinais que eles foram dando ao longo da sua vida, nas suas atitudes, modo de viver e de falar, reações, etc. Este drama deve ser um ALERTA para todos, mas a meu ver agora o melhor é SILENCIAR, respeitando quem sofre e deixando o culpado entregue APENAS às autoridades: é o único interesse que se lhe pode dispensar. Maria Fernanda Rocha O mal tenta-nos a cada esquina, acreditemos na justiça e não nos mostremos iguais a esse sujeito. Não há nada que possamos fazer para o punir e o juízo não será feito por nós. Tudo o que podemos fazer é respeitar as almas das três pessoas inocentes, não com ódio mas com amor e recordação de todos quantos lhes eram próximos. Esse animal pagará pelo que fez, deixou de existir enquanto ser humano, as almas das vítimas estarão sempre no nosso coração. A justiça dos homens jamais poderia castigar este homem, não se permitam a ter sentimentos de ódio que nunca tiveram até agora, não se deixem corromper por causa das bestas que nos cercam. Paz às vítimas enquanto nos esperam a todos ao lado do nosso Pai. Jorge Alex É incrível como há pessoas capazes de tamanha monstruosidade. Lídia Pinto


Campeonato Distrital de Futsal adiado

Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

18

Face à realização do Torneio Inter Associações de Futsal/Sub20 Zona Sul, que decorrerá em Évora nos dias 2 a 4 de março, a Associação de Futebol de Beja decidiu adiar a 11.ª jornada do Campeonato Distrital de Futsal para os dias 16 e 17 de março.

Desporto

Futebol juvenil

Seleção feminina no Alentejo A Seleção Nacional Feminina Sub-19, orientada pelo técnico José Paisana, vai estar em março no Baixo Alentejo para disputar dois jogos de preparação com a sua congénere do País de Gales. O primeiro jogo terá lugar no Estádio Municipal 25 de Abril, em Castro Verde, no dia 13 de março, pelas 15 horas. O segundo disputa-se no Complexo Desportivo Fernando Mamede, em Beja, no dia 15, às 11 horas.

Mais uma derrota em casa

Moura está em apuros A equipa do Moura sofreu mais uma derrota em casa e está a mergulhar, perigosamente, na zona de despromoção. Atrás de si duas equipas pontuaram. Texto Firmino Paixão

A

posição do Moura Atlético Clube na tabela da zona Sul da 2.ª Divisão Nacional começa a ser preocupante. No domingo vai jogar na Sertã com um adversário mais cotado e que está quatro posições acima dos alentejanos, com mais oito pontos. Não será fácil trazer de lá pontos, impossível também não

será, mas começam a escassear as oportunidades para a equipa somar pontos e regressar a uma zona de maior tranquilidade. A inesperada derrota caseira, diante do Mafra, pode ter deixado mossas na moral do plantel, que, afinal, não tem assim tanta qualidade como prometia e já queimou duas equipas técnicas (Piçarra e Ventura) antes da chegada de Joaquim Mendes, de quem se pensava que pudesse mudar o rumo dos acontecimentos. No sentido inverso do Moura está o Juventude de Évora, que emergiu na linha de água com um empate no terreno do Caldas e prepara-se agora para receber o Mafra. O

Reguengos, ainda dentro da zona de despromoção, pontuou no terreno do Tourizense e ganhou, por certo, mais moral para receber no próximo domingo a difícil formação do Oriental. O Vendas Novas, também em dificuldades, perdeu em casa com o Pinhalnovense e desceu para o oitavo posto, ainda que seja a melhor representação do Alentejo na tabela. No domingo jogará no recinto do Fátima, onde não se esperam milagres de vulto. Esperemos então pelo desfecho da viagem dos mourenses à Beira Interior para nova avaliação das possibilidades de sucesso desta equipa que merecia manter-se na 2.ª Divisão Nacional.

Mineiro goleou Pescadores

Pontuar em Quarteira não é fácil

O

Mineiro Aljustrelense joga no domingo em Quarteira, recinto do terceiro classificado, ao mesmo tempo que o Despertar visita o Fabril, que é o quarto da tabela. Esta é já uma altura em que as equipas que ocupam posições tranquilas na primeira metade da tabela procuram apenas pontuar, amealhando o maior número de pontos para transportarem (metade) para a segunda fase da prova. É nessa posição que está o Quarteirense, próximo adversário do Aljustrelense. Os algarvios estão no 2.º posto, com raras hipóteses de chegar ao topo, mas dificultarão ao máximo a tarefa dos mineiros, para quem um ponto que fosse, trazido do Algarve, seria ouro sobre azul. Na jornada anterior golearam os Pescadores, ganharam pontos noutros campos (Messines e

Lagos) e ficaram a escassos três pontos da zona de manutenção automática. Esperemos então que Eduardo Rodrigues monte uma estratégia bem-sucedida para o jogo de Quarteira. Em Beja o Despertar perdeu com o Esperança de Lagos por três bolas a zero. Nada a dizer da derrota. Foi mais uma a somar a tantas outras que esta equipa tem no currículo. Mas a expressão do marcador é que foi demasiado pesada em relação ao passado recente da equipa, que há muitos jogos não permitia que os adversários dilatassem os resultados desta forma. No domingo viaja para o Barreiro onde defrontará o Fabril, quarto classificado da série F, que, apesar do eventual apoio que a diáspora alentejana ali possa oferecer aos bejenses, não deixará de apostar na vitória. Firmino Paixão

Despertar Mais uma derrota no campeonato

Nacional 2.ª Divisão 19.ª jornada

Nacional 3.ª Divisão 18.ª jornada

Distrital 1.ª Divisão 17.ª jornada

Moura-Mafra ....................................................................... 0-2 Caldas-Juventude Évora ................................................... 0-0 E. Vendas Novas-Pinhalnovense .................................... 0-2 1.º Dezembro-Fátima .........................................................2-3 Oriental-Louletano .............................................................0-1 Tourizense-At. Reguengos ...............................................1-1 Torreense-Monsanto..........................................................2-1 Sertanense-Carregado ......................................................1-1

Messinense-Fabril ...............................................................1-1 Despertar-Esp.Lagos ......................................................... 0-3 Lagoa-U.Montemor........................................................... 0-0 Redondense-Farense ........................................................ 0-2 Sesimbra-Quarteirense .................................................... 2-0 Aljustrelense-Pescadores .................................................4-1

Ferreirense-S.Marcos .........................................................2-2 Sp.Cuba-Guadiana ..............................................................0-1 Odemirense-FCSerpa.........................................................4-1 Desp.Beja-Aldenovense ................................................... 0-2 Panoias-Vasco da Gama.....................................................1-2 Castrense-Milfontes .......................................................... 0-0 Rosairense-Almodôvar ......................................................1-3

Torreense Carregado Fátima Pinhalnovense Oriental Mafra Louletano E. Vendas Novas Sertanense 1.º Dezembro Juventude Évora Tourizense Moura Monsanto At. Reguengos Caldas

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19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19

11 10 10 11 10 8 8 8 7 6 6 4 5 3 3 2

6 6 5 1 3 8 5 4 5 4 3 7 3 8 7 5

2 3 4 7 6 3 6 7 7 9 10 8 11 8 9 12

34-15 37-21 27-19 29-22 33-14 22-12 18-18 26-19 23-22 17-17 18-27 16-26 16-39 15-26 18-31 11-32

39 36 35 34 33 32 29 28 26 22 21 19 18 17 16 11

Próxima jornada (19/2/2012): Juventude Évora-Mafra, Pinhalnovense-Caldas, Fátima-Estrela Vendas Novas, Louletano-1.º Dezembro, At. Reguengos-Oriental, Monsanto-Tourizense, Carregado-Torreense, Sertanense-Moura.

Farense Esp.Lagos Quarteirense Fabril U.Montemor Messinense Sesimbra Aljustrelense Pescadores Lagoa Redondense Despertar

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18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18

13 10 10 9 8 8 7 7 6 5 4 0

5 3 1 2 4 4 6 4 4 5 1 3

0 5 7 7 6 6 5 7 8 8 13 15

39-11 32-19 22-20 28-24 20-17 21-19 23-21 29-29 22-25 11-17 14-26 5-38

44 33 31 29 28 28 27 25 22 20 13 3

Próxima jornada (19/2 /2012): Farense - Messinense, U.Montemor-Redondense, Esp.Lagos-Sesimbra, Quarteirense-Aljustrelense, Pescadores-Lagoa, Fabril-Despertar.

Castrense Milfontes Ferreirense FCSerpa Panoias Aldenovense Vasco da Gama Rosairense Odemirense Almodôvar S.Marcos Desp.Beja Guadiana Sp.Cuba

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17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17

13 12 9 8 8 9 8 7 7 6 4 4 4 2

4 2 4 4 3 0 1 3 2 4 4 3 1 1

0 3 4 5 6 8 8 7 8 7 9 10 12 14

39-6 34-14 32-24 24-20 21-23 24-17 36-24 22-25 24-24 29-28 18-40 18-25 18-45 15-39

43 38 31 28 27 27 25 24 23 22 16 15 13 7

Próxima jornada (19/2/2012): Desp.Beja-Sp.Cuba, Aldenovense-Ferreirense, S.Marcos-Odemirense, Milfontes-Panoias, Almodôvar-Castrense, FCSerpa-Rosairense, Vasco da Gama -Guadiana.

Campeonato Distrital de Juniores (11.ª jornada): Vasco da Gama-Amarelejense, 6-0; Aljustrelense-Moura, 2-3; São Domingos-Odemirense, 0-2; Desportivo de Beja-Almodôvar, 4-1; Piense-Castrense, 0-3. Classificação: 1.º Moura, 31 pontos. 2.º Castrense, 25. 3.º Desportivo Beja, 24. 4.º Odemirense, 24. 5.º São Domingos, 14. 6.º Aljustrelense, 13. 7.º Piense, 12. 8.º Almodôvar, 9. 9.º Vasco da Gama, 6. 10.º Amarelejense, 2. Próxima jornada (25/2): Amarelejense-São Domingos; Aljustrelense-Vasco da Gama; Odemirense-Desportivo de Beja; Almodôvar-Piense; Castrense-Moura. Campeonato Distrital de Juvenis (6.ª jornada): Desportivo de Beja-Castrense, 6-2; Aljustrelense-Sporting de Cuba, 1-0; Aldenovense-Moura, 2-1; Despertar-Boavista, 14-1. Classificação: 1.º Despertar, 18 pontos. 2.º Moura, 15. 3.º Desportivo de Beja, 12. 4.º Aldenovense, 12. 5.º Castrense, 6. 6.º Aljustrelense, 6. 7.º Boavista, 3. 8.º Sporting Cuba, 0. Próxima jornada (19/2): Boavista-Desportivo de Beja; Castrense-Aljustrelense; Sporting de Cuba-Aldenovense; Moura-Despertar. Campeonato Distrital de Iniciados (15.ª jornada): Milfontes-Despertar, 1-2; Negrilhos-Desportivo de Beja, 0-6; Guadiana-Odemirense, 1-5; Moura-Amarelejense, 4-1; Ferreirense-Serpa, 0-2; Bairro da Conceição-Ourique, 6-1. 1.º Desportivo de Beja, 40 pontos. 2.º Odemirense, 39. 3.º Moura, 30. 4.º Serpa, 30. 5.º Despertar, 24. 6.º Amarelejense, 20. 7.º Almodôvar, 18. 8.º Milfontes, 14. 9.º Guadiana, 14. 10.º Ferreirense, 10. 11.º Bairro da Conceição, 9. 12.º Ourique, 6. 13.º Negrilhos, 5. Próxima jornada (19/2): Despertar-Almodôvar; Desportivo de Beja-Milfontes; Odemirense-Negrilhos; Amarelejense-Guadiana; Serpa-Moura; Ourique-Ferreirense. Campeonato Distrital de Infantis – Série A (19.ª jornada): Operário-Sporting Beja, 1-13; Bairro da Conceição-Despertar A, 2-15; Alvito-Vasco da Gama, 0-0. Líder: Despertar, 42 pontos. Próxima jornada (25/2): Beringelense-Spor ting de Cuba; Despertar A-Operário; Vasco da Gama-Bairro da Conceição. Série B (15.ª jornada): Santo Aleixo-São Domingos, 14-0; Barrancos-Guadiana, 0-2; Despertar B-Serpa, 4-1; Piense-Moura, 2-4. Líder: Moura, 38 pontos. Próxima jornada (25/2): São Domingos-Piense; Guadiana-Santo Aleixo; Serpa-Barrancos; Aldenovense-Despertar B. Série C (15.ª jornada): Castrense-Almodôvar, 5-4; Renascente-Aljustrelense, 0-5; Boavista-Milfontes, 2-1; Odemirense-Ourique, 13-0. Líder: Rio de Moinhos, 33 pontos. Próxima jornada (25/2): Almodôvar-Ode mirense; Aljustrelense-Castrense; Milfontes-Renascente; Operário-Renascente. Campeonato Distrital de Benjamins (15.ª jornada): Série A: Benfica de Beja-Sporting de Cuba, 2-9; Alvito-Vasco da Gama, 4-1; Despertar A-Figueirense, 11-1; Beringelense-Ferreirense, 2-8. Líder: Ferreirense, 39 pontos. Próxima jornada (25/2): Sporting de CubaBeringelense; Vasco da Gama-Benfica de Beja; Figueirense-Allvito; Sporting de Beja-Despertar A. Série B: Amarelejense-Bairro da Conceição, 1-3; Moura-Serpa, 2-2; Guadiana-Desportivo de Beja, 3-3; Aldenovense-Despertar B, 1-6. Líder: Despertar, 42 pontos. Próxima jornada (25/2): Bairro da Conceição-A lde noven se ; S er pa-A ma relejen se ; Desportivo de Beja-Moura; Piense-Guadiana. Série C: Renascente-Odemirense, 5-2; Aljustrelense-Almodôvar, 1-0; Ourique-Castrense, 1-11; Panoias-Milfontes, 0-12. Líder: Renascente de São Teotónio, 34 pontos. Próxima jornada (25/2): Odemirense-Panoias; Almodôvar-Renascente; Castrense-Aljustrelense; Rosairense-Ourique. Taça Distrito de Beja Seniores Femininos (jogo em atraso da 3.ª jornada): Benfica Castro Verde-Odemirense, 4-2. Líder: Benfica Castro Verde, nove pontos. Próxima jornada (3/3): Serpa-Benfica Almodôvar; Odemirense-Aljustrelense; Benfica Castro Verde-Ourique. Campeonato Distrital de Futebol Feminino (jogo em atraso da 10.ª jornada): Benfica Almodôvar-Serpa,0-10. Líder: Aljustrelense, 25 pontos. Próxima jornada (25/2): Benfica Almodôvar-Benfica Castro Verde; Aljustrelense-Serpa; Ourique-Odemirense. Campeonato Distrital de Futsal (10.ª jornada): Almodovarense-Alcoforado, 1-3; Sporting de Moura-VNSBento, 5-6; Alfundão-A.Surdos Beja, 6-1; IPBeja-Vila Ruiva, 3-1. Classificação: 1.º VNSBento, 22 pontos. 2.º IP Beja, 19. 3.º Almodovarense, 18. 4.º Sporting de Moura, 17. 5.º Alcoforado, 17. 6.º Alfundão, 16. 7.º Vila Ruiva, 6. 8.º A.Surdos Beja, 0. Próxima jornada (2/3): VNSBento-IP Beja; Vila Ruiva-Almodovarense; ASBeja-Alcoforado; Alfundão-Sporting Moura.


Os jogos da 3.ª eliminatória já são conhecidos, tendo o sorteio caprichado em deixar o Cabeça Gorda a jogar de novo em casa e na realização de um derby na Margem Esquerda e outro no litoral alentejano: Aldenovense-Serpa; Vasco da Gama-Rosairense; Milfontes-Odemirense; Cabeça Gorda-Almodôvar. Os jogos realizam-se no dia 11 de março.

Hoje palpito eu... João Francisco da Graça Madeira

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João é mais uma das boas recordações do clã Madeira (João, Vítor, Rui, Honório e Joaquim). Começou a sua carreira desportiva aos oito anos no Desportivo de Beja, na equipa do “tio Firmino” que, à época, jogava atrás de uma baliza. Com a mesma camisola cumpriu o percurso formativo em iniciados, juvenis e juniores, tendo conseguido o seu primeiro título de campeão regional da zona Sul. Nessa qualidade foram defrontar o Benfica onde alinhavam, entre outros, Nené e Humberto Coelho. Já como sénior ajudou o Desportivo a atingir a 2.ª Divisão Nacional. Passou então para o Despertar, equipa com a qual fez o trajeto dos regionais até à 3.ª Divisão Nacional. Fora de portas jogou pelo Desportivo de Tête, em Moçambique, e chegou a treinar no Textáfrica, numa altura em que o mister era o seu irmão “Nói”. De regresso à terra Natal, foi duas vezes campeão do Inatel, pelo Bairro da Conceição e, como treinador, orientou o Alvorada de Ervidel e o Santa Vitória. Hoje, com 62 anos, está sem atividade desportiva.

Aldenovense Equipa de Carlos Simão foi a Beja vencer o Desportivo com relativa facilidade

Líder joga em Almodôvar

Castrense tem nove finais O Castrense tem cinco pontos de vantagem para gerir em nove jornadas. Conseguiu empatar com o Milfontes mas no domingo tem já o Almodôvar à perna. Texto e foto Firmino Paixão

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não vai ser fácil. Como fáceis não serão todos os jogos em que o comandante vai estar até ao final da temporada. O jogo de Almodôvar é quase um derby, tal a proximidade entre as duas vilas. Depois, os almodovarense estão super motivados com o triunfo conseguido no Rosário – esse sim, foi um derby concelhio –, e o Castrense deve ter sofrido al-

gum desgaste na partida com o Milfontes, que terminou com os pontos divididos e sem qualquer golo para cada um dos contendores. No final mantiveram-se os cinco pontos de diferença entre o líder e o segundo classificado. O Milfontes vai jogar em casa com o Panoias, é favorito, mas cuidado. O Ferreirense viaja para Vila Nova de São Bento, depois de surpreendido pelo empate caseiro ante o São Marcos. O Serpa joga em casa com o Rosairense na ressaca da goleada trazida de Odemira. O Vasco da Gama está em movimento ascendente na tabela. Venceu em Panoias e recebe o Guadiana. O Odemirense sobe até São Marcos, onde encontrará piso difícil e uma equipa moralizada.

Desportivo e Cuba, dois aflitos, juntam-se em Beja para discutirem os três pontos que tanta falta fazem a ambos. Mas o jogo da jornada é mesmo o que se realiza no Municipal de Almodôvar entre a equipa local e o líder da prova. Na jornada da última semana, fica o registo para as quatro vitórias fora de casa (meia surpresa em Cuba), dois empates (surpresa em Ferreira do Alentejo) e o triunfo folgado do Odemirense num jogo em que se marcaram quatro dos 18 golos de uma ronda em que cinco equipas ficaram em branco, entes elas as mais realizadoras do campeonato, o Milfontes e o Castrense.

Cabeça Gorda goleado em Pias

O Piense regressou à liderança

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Piense goleou o Cabeça Gorda e regressou ao comando do Campeonato Distrital da 2.ª Divisão. Uma derrota tão pesada como a que o Ferrobico sofreu em Pias talvez não fosse o desfecho mais aguardado, mas que a turma de Pias não desperdiçaria o momento para recuperar o primeiro lugar isso era de todo previsível. Piense e Cabeça Gorda, os dois grandes candidatos ao título e à subida de divisão, estão agora separados por um ponto, mas este quadro pode alterar-se já na próxima jornada. A prova sofre nova interrupção esta

semana e regressa no final de fevereiro, com uma difícil deslocação do Piense a Saboia. O Cabeça Gorda tem um jogo em casa, que também não é fácil, com o conjunto de São Teotónio. Da jornada anterior fica ainda o registo da vitória do Bairro da Conceição sobre o Vale de Vargo e a goleada sofrida pelo Messejanense em Amareleja. O Renascente ganhou com facilidade ao Barrancos e o Saboia cumpriu em Montes Velhos, tal como o Ourique no seu terreno frente ao Sanluizense. Uma jornada com muitos golos. Resultados da 15.ª jornada: Amarelejense-Messejanense, 5-1; Bairro da Conceição-

-Vale de Vargo, 4-2; Ourique-Sanluizense, 2-0; Renascente-Barrancos, 3-0; Piense-Cabeça Gorda, 4-0; Negrilhos-Saboia, 1-4. Classificação: 1.º Piense, 31 pontos. 2.º Cabeça Gorda, 30. 3.º Amarelejense, 27. 4.º Bairro da Conceição, 27. 5.º Renascente, 26. 7.º Saboia, 25. 7.º Ourique, 21. 8.º Messejanense, 17. 9.º Alvorada, 14. 10.º Vale de Vargo, 14. 11.º Sanluizense, 13. 12.º Barrancos, 6. 13.º Negrilhos, 4. Próxima jornada (25/2): Messejanense-Alvorada; Vale de Vargo-Amarelejense; Sa n luizense-Ba irro da Conceição; Barrancos-Ourique; Cabeça Gorda-Renascente; Saboia-Piense.

(1) VASCO DA GAMA/GUADIANA O Guadiana é uma equipa que não parece capaz de contrariar o favoritismo do adversário. (1) MILFONTES/PANOIAS O Milfontes é claramente favorito, tem bons valores, joga em casa e procura manter a boa classificação que ocupa. (2) ALMODÔVAR/CASTRENSE O Castrense é o favorito, está forte e motivado, o suficiente para vencer no terreno do vizinho Almodôvar. (1) SERPA/ROSAIRENSE Ambos estão a fazer um campeonato interessante. Mas o Serpa é sempre favorito. (X) SÃO MARCOS/ODEMIRENSE O Odemirense tem melhores argumentos que o adversário, mas o São Marcos no seu campo é uma equipa difícil de ultrapassar. (X) ALDENOVENSE/FERREIRENSE Um jogo interessante entre duas formações com muito valor. Mas o Aldenovense não vai deixar escapar os três pontos. (1) DESPORTIVO DE BEJA/SPORTING DE CUBA São duas equipas com dificuldades para sair dos preocupantes lugares que ocupam na tabela. O fator casa será decisivo na vitória dos bejenses.

19 Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

Taça Distrito de Beja em março


Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

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Columbofilia: treinos de velocidade no sábado

Realiza-se amanhã, sábado, o primeiro de três treinos que antecedem a campanha columbófila de 2012 no distrito de Beja. A solta da zona Centro Leste realiza-se em Elvas (115 quilómetros) e para a zona Sul a solta será em Amareleja (95 quilómetros). Serão ambos treinos de velocidade.

A máquina do tempo José Saúde

Jogos Concelhios de Castro Verde Tem início no próximo mês de março, prolongando-se até junho, a edição 2012 dos Jogos Concelhios de Castro Verde, certame que procura sensibilizar a população para os benefícios da prática desportiva e cultural. Serão dinamizadas cerca de 30 modalidades. As inscrições estão abertas no Fórum Municipal.

Nacional da 3.ª Divisão O objetivo é lutar pelo quinto lugar e deixar uma boa imagem do Hockey Club de Santiago

Hockey Club de Santiago é um projeto com cinco anos

Um longo caminho a percorrer Construir uma boa imagem e andar nos lugares da frente do campeonato, sem objetivos de subir de divisão, ao mesmo tempo que fortalece os escalões de formação. Texto e foto Frimino Paixão

O

Hockey Club de Santiago foi fundado em maio de 2007 a partir da extinta secção de hóquei em patins do União Sport Clube de Santiago do Cacém. Os primeiros tempos foram dedicados à sustentabilidade do clube e os resultados desportivos, sobretudo ao nível da equipa sénior, nem sempre corresponderam aos desejos dos responsáveis. Decorridos cinco anos sobre o início do projeto, o clube já evolui de forma mais qualitativa e tem uma retaguarda de formação capaz de assegurar o futuro. Gonçalo Silva, técnico da equipa principal do clube, que disputa o Nacional da 3.ª Divisão, assegura que o objetivo é lutar pelo quinto lugar e deixar uma boa imagem do Hockey Club de Santiago.

clube. Este ano as coisas têm corrido de maneira mais favorável e os resultados têm sido mais positivos, mas isso deve-se ao grande esforço dos jogadores e à boa direção que nós temos, que nos tem proporcionado tudo de forma a que a época possa correr melhor e que os nossos objetivos de lutarmos pelo melhor lugar possível na tabela possam ser alcançados. O Santiago, nos últimos anos, tem andado nos últimos lugares, este ano estamos a fazer um campeonato diferente e vamos ver onde podemos chegar. O sexto lugar que ocupam condiz com essa ambição ou pretendem melhor?

Temos como objetivo chegar ao quinto lugar, penso que existem três ou quatro equipas que estão a lutar pela subida de divisão e até ao quarto lugar será difícil, mas penso que o quinto posto seria um grande prémio para estes jogadores, temos hipóteses para isso, sabemos que o campeonato é difícil, mas continuamos a lutar para atingirmos essa meta, que seria um bom prémio para a nossa equipa. Como caracteriza o plantel?

Como tem corrido a época ao Hockey Club de Santiago?

Melhor do que nos últimos anos do

O meu plantel tem bons executantes, tem jogadores jovens e alguns mais experientes, contratações importantes

que fizemos e isso tem-se revelado fundamental na estratégia da equipa. Aquilo que nos distingue das outras equipas acaba por ser o facto de o nosso plantel não conseguir treinar junto, devido ao facto de termos jogadores de Lisboa, temos outros a estudar na mesma cidade e outros ainda a trabalhar por turnos na zona de Sines e Santiago. Isso é complicado, mas o plantel é forte, não temos ambição de subir de divisão, pretendemos sim dar uma outra imagem ao Hockey Club de Santiago, uma vez que ao nível da formação estamos muito bem e era preciso ter um equipa sénior forte e ambiciosa, é isso que estamos a fazer esta época com naturalidade, sem querermos pensar em maiores voos. O clube está a trabalhar bem na formação?

Sim, temos uma equipa de juvenis muito boa, que vai agora para o campeonato nacional, fomos vice-campeões regionais, ficámos atrás do Beja. Ao nível de formação temos ainda iniciados, infantis, escolares e temos mais 30 a 40 miúdos na patinagem. Temos o futuro assegurado, mas não podemos adormecer “à sombra da bananeira” e temos que dar ao plantel sénior a maior qualidade possível,

fazendo sair anualmente alguns atletas da formação. Neste momento estamos com três juniores, é fundamental para nós que esses atletas sejam integrados no plantel sénior e é sempre essa continuidade que queremos ter ao longo dos anos, sempre com jogadores novos a integrarem o plantel dos mais velhos. Este trabalho do clube tem o reconhecimento da comunidade de Santiago do Cacém?

Felizmente, este ano, temos tido melhores casas. Parece-me que as pessoas estão a ficar mais identificadas com o nosso projeto. Também existe muito trabalho da parte da direção e dos jogadores em obtermos os melhores resultados e aproximarmos os nossos parceiros ao nível da publicidade e marketing, para que possamos ter mais visibilidade e mais apoio. Neste momento somos um clube com objetivos bem vincados e com alguma dimensão no concelho de Santiago e isso acaba por ser favorável, faz com que as pessoas vejam os jogos, tanto dos miúdos como dos seniores. É fundamental para nós e estamos felizes por isso, mas continuamos à procura de mais e ainda temos pela frente um longo caminho a percorrer.

Reflito sobre a máquina do tempo quando testamos a evolução do desporto no distrito de Beja. Aprecio a audácia de autores de textos que nos conduzem, hoje, a percorrer um caminho onde cruzamos épocas e nos deparamos, paulatinamente, com um progresso das modalidades desportivas. Releio, com alguma frequência, prosas do saudoso Melo Garrido, jornalista e diretor do “Diário do Alentejo”, que me incute uma ânsia em saber pormenores sobre o mundo do desporto por estas bandas alentejanas. Bebendo do seu saber, o mundo legado pelo antigo jornalista é deveras enriquecedor, sendo a sua arte uma obra que teima em preencher, e avolumar, a minha montra de conhecimentos. A história faz-se com factos e protagonistas. Lugares que outrora foram palcos de ilustres acontecimentos desportivos são agora notáveis obras onde se fixaram novas necessidades. Revejo, por exemplo, o antigo campo do Liceu, em Beja. As tardes em que o espaço era exímio para acolher uma multidão de adeptos de futebol exausta para aplaudir o emblema do seu coração. Recordo, mais tarde, nos princípios dos anos 60, esse velho anfiteatro repleto de jovens que se entregavam à prática desportiva ao serviço da então Mocidade Portuguesa. Tardes levadas ao rubro, sendo que a juventude se dispersava pela sua modalidade preferida. Em atletismo, lembro-me daqueles duelos entre o Leal e o Horta nos 100 metros. Eram velocistas. Acrescento as corridas de fundo onde Fernando Mamede, campeão mundial na distância dos 10 000 metros em Helsínquia ao serviço do Sporting, despoletou para uma modalidade onde se afirmou como um verdadeiro campeão. Lembro, também, que foi naquele local que Veiga Trigo, antigo árbitro internacional de futebol, foi descoberto a apitar jogos interturmas pelo saudoso Armando Nascimento. Histórias infinitas de um espaço que é, agora, preenchido por infraestruturas onde se debita saber. Aprendizagem. Na sua génese (espaço) consumem-se exequíveis histórias que a máquina do tempo jamais apagará.


A secção de atividades gímnicas da Zona Azul, de Beja, esteve presente no Campeonato Distrital de Trampolins de Évora e Beja, competição organizada pela Associação de Ginástica de Setúbal, mas disputada em Reguengos de Monsaraz. A Zona Azul levou nove dos seus ginastas nas categorias de infantis, iniciados e seniores. A representação bejense

Oito títulos de corta-mato para Beja Os atletas do distrito de Beja conquistaram seis dos 12 títulos individuais em disputa nos XV Campeonatos do Alentejo de Corta Mato realizados em Campo Maior, com a participação recorde de 376 atletas das três associações alentejanas. As associações de Évora (três) e Portalegre (três) repartiram equitativamente os restantes seis títulos.

integrou os ginastas Margarida Morais, Margarida Coelho, Marta Silva, Carolina Almeida, Max Supelnic, Mariana Baião, Beatriz Gonçalves, Manuel Gomes e Rita Caixinha. Os ginastas bejenses conseguiram meritórias classificações (15 primeiros lugares, seis segundos, três terceiros e três quartos) nas categorias de mini trampolim e duplo mini trampolim.

Coletivamente a representação portalegrense, organizadora bemsucedida desta importante reunião atlética, chamou a si cinco dos 10 títulos possíveis, e os restantes foram divididos entre Évora (três) e Beja (dois). Os atletas sul alentejanos que conquistaram o título de campeões do Alentejo foram os seguintes: benjamins femininos – Lara Silva (Messejana); infantis femininos – Ana Braga (BejaAC);

iniciados femininos – Ana Capeta (Messejana); juvenis femininos – Sara Inácio (JDNeves); juniores femininos: Ana Dias (NDCOdemira); veteranos masculinos – António Horta (CNAlvito). Veteranos femininos: Carla Cristina (CNAlvito). Por equipas os títulos viajaram com o Futebol Clube Castrense (infantis femininos) e com a Juventude Desportiva das Neves (juvenis femininos).

Beja Basket Clube está em 2.º lugar

A crise também limita a ambição O Beja Basket Clube está a rubricar uma excelente temporada no Campeonato Nacional da 2.ª Divisão. Depois de ganharam aos Salesianos, venceram o Ferragudo.

das nossas perspetivas irmos a uma segunda fase, mas tudo pode acontecer. Podem existir patrocinadores que venham mais tarde e que nos permitam reavaliar os objetivos. Os custos envolvidos neste ano de grandes dificuldades financeiras leva as federações e as associações a irem aos clubes buscar as verbas para fazerem face a esses constrangimentos. E para clubes como o nosso, no segundo ano de fundação, com baixos orçamentos, é difícil entrar nesses voos.

Texto e foto Frimino Paixão

N

os tempos de austeridade que correm também no desporto a ambição tem que ser proporcional aos recursos. É assim, também, no Beja Basket Clube (BBC), apesar da época muito regular que a equipa sénior está a fazer no Nacional da 2.ª Divisão. Depois de ter ganho, em Évora, aos Salesianos, o BBC venceu o Ferragudo no domingo e isolou-se (tendo em conta o número de jogos das equipas) no segundo lugar da zona Sul. E o primeiro está ali tão perto! Mas Luís Caramba, técnico da formação principal do BBC, diz que os objetivos têm que ser medidos em função do orçamentos. O BBC está a crescer, a consolidar a sua base de formação e a modalidade está enraizada em Beja, assume este histórico dinamizador do basquetebol bejense. Um campeonato acima das vossas expectativas?

O balanço até ao momento é positivo. As nossas expectativas não são, nem de perto nem de longe, comparadas às da época passada, porque a nível financeiro as coisas estão cada vez mais difíceis e os objetivos têm que estar de acordo com os orçamentos. Mas estamos a fazer um campeonato até melhor do que aquilo que estávamos à espera, e isso tem muito a ver com a qualidade dos jogadores que temos, não são muitos, mas os que temos são bastante bons. Venceram no pavilhão dos Salesianos. Um resultado surpreendente que reacendeu a luta pelo primeiro lugar?

Os Salesianos são os nossos maiores rivais e são simultaneamente candidatos a outros voos. Têm outro tipo de orçamento, nada comparado com o nosso.

Têm vindo novos jogadores para o basquetebol?

“Estamos a fazer um campeonato até melhor do que aquilo que estávamos à espera, e isso tem muito a ver com a qualidade dos jogadores que temos, não são muitos, mas os que temos são bastante bons”. Luís Caramba

É sempre um derby alentejano em que tudo pode acontecer. Em Beja ganharam eles, em Évora nós fomos mais felizes e vencemos com muito mérito, e isso aproximou mais as equipas nos primeiros lugares. O que esperam da segunda metade do campeonato?

Nós começámos a segunda volta com a vitória em Évora. Mas sabemos, por exemplo, que o Ferragudo se reforçou muito bem, tem uma grande equipa. Nós entramos em todos os jogos para ganhar, damos sempre o nosso melhor e honramos a camisola, só que por vezes não conseguimos fazer frente a

equipas com um poderio diferente do nosso. Mas ganharam ao Ferragudo, isolaram-se no 2.º lugar e o primeiro já está ali muito perto...

Sim, ficamos isolados no segundo lugar, mas o Atlético de Reguengos também está a fazer uma boa segunda volta. Começou muito forte, nós temos o caminho aberto para consolidarmos o segundo lugar, mas ainda há muito jogo para fazer. O BBC tem como meta estar na segunda fase do campeonato?

Os nossos objetivos foram colocados tendo em conta o orçamento, por isso, não está dentro

21 Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

Ginastas da Zona Azul brilharam em Reguengos

A fácil mobilização neste momento só existe no futebol. Aí sim, existe facilidade no recrutamento de novos atletas. No basquetebol não é que seja difícil, mas é complicado fazer com que os miúdos tenham disponibilidade para treinar depois de um dia inteiro de escola, que os pais os libertem durante esse tempo e depois também tem alguns custos o que, neste momento, as pessoas sempre evitam. Temos cerca de 60 atletas, já foram mais, mas tem havido um decréscimo enorme ao nível da associação e o nosso clube não tem sido exceção. Mas existe o suficiente para não deixar morrer a modalidade em Beja?

Dificilmente morrerá, há muita gente ainda que gosta de basquetebol e que não o deixará morrer. Eu sou um deles, os outros seniores também e, por certo, não deixarão que isso aconteça. O Luís Caramba é um histórico do basquetebol bejense, esteve ligado ao Despertar, pergunto-lhe se valeu a pena ter fundado o BBC.

Sim, vale sempre a pena. O projeto do Despertar estava muito vincado em Beja, tinha cerca de 20 anos e foi pena. Este é um novo projeto, mas o que interessa é que a modalidade continue. Aqui começámos tudo de novo, foi diferente, começámos muito pequeninos, mas estamos a crescer todos os dias.

Hóquei Beja e Santiago no Nacional de Juvenis O Clube de Patinagem de Beja (campeão regional) e o Hóquey Club de Santiago (vice-campeão) são as duas equipas alentejanas que vão disputar o Campeonato Nacional de Juvenis, cuja primeira jornada está marcada para o próximo dia 25. Os outros clubes que integram a zona Sul D são Benfica, Stuart de Carvalhais, Seixal e Sesimbra. O calendário da ronda inaugural é o seguinte: Seixal-HC Santiago; S.Carvalhais-Benfica e CPBeja-GDSesimbra.

Sines e Beja no Nacional de Iniciados O Hóquei Clube Vasco da Gama de Sines (campeão regional), o Clube de Patinagem de Beja e o Estremoz são os três clubes do Alentejo que vão disputar o Campeonato Nacional de Iniciados. A zona Sul D enquadra ainda as formações do Cascais, Paço d’Arcos e o Benfica. A prova inicia-se no dia 26 com os jogos Cascais-Estremoz; Paço d’Arcos-Benfica e HC Vasco da Gama-CP Beja.

Castrense joga em Grândola O Hóquei Clube de Grândola e o Castrense jogam amanhã, sábado, no Pavilhão Municipal José Afonso, na Vila Morena, a partida relativa à 14.ª jornada do Nacional da 3.ª Divisão de Hóquei em Patins. Uma partida em que o líder da prova é francamente favorito, apesar de ter vindo de Sintra na última jornada com um inesperado empate a três bolas. O Aljustrelense tem compromisso igualmente difícil no recinto do Clube de Patinagem Lisbonense. Na jornada anterior o Castrense foi batido em casa pelo Santiago (1/5) e o Aljustrelense empatou no seu pavilhão com o Seixal (5/5). O Grândola lidera com 34 pontos, o Santiago subiu ao sexto posto (14), o Aljustrelense é o décimo (oito) e o Castrense fecha a pauta dos pontos com apenas dois.Na 2.ª Divisão Nacional o Hóquei Vasco da Gama, de Sines, tem o segundo jogo consecutivo fora de casa, no recinto do H.C.Sintra, depois de ter perdido em Tomar (8/3).

Andebol Zona Azul empatou em Loures Um empate em Loures (28/28) foi o saldo da Zona Azul na 18.ª jornada do Nacional da 3.ª Divisão, permitindo a aproximação do Boa Hora e do Torrense (venceu em Sines por 36/11), formações que passaram vitoriosas por esta jornada. A equipa bejense mantém o primeiro lugar, com 48 pontos, mais cinco que o Boa Hora e mais sete que o Torrense, mas a equipa bejense tem mais um jogo que os adversários. O campeonato reata-se no próximo dia 25, com a Zona Azul a regressar ao Pavilhão de Santa Maria, na cidade de Beja, para defrontar o Náutico do Guadiana, de Vila Real de Santo António.


saúde

Sexta-feira, 17 FEVEREIRO 2012 Nº 1556 (II Série)

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Análises Clínicas

Medicina dentária ▼

Psicologia

Dr.ª Heloisa Alves Proença Médica Dentista

Dr. Fernando H. Fernandes Dr. Armindo Miguel R. Gonçalves Horários das 8 às 18 horas; Acordo com beneficiários da Previdência/ARS; ADSE; SAMS; CGD; MIN. JUSTIÇA; GNR; ADM; PSP; Multicare; Advance Care; Médis FAZEM-SE DOMICÍLIOS Rua de Mértola, 86, 1º Rua Sousa Porto, 35-B Telefs. 284324157/ 284325175 Fax 284326470 7800 BEJA

Cardiologia

RUI MIGUEL CONDUTO Cardiologista - Assistente de Cardiologia do Hospital SAMS CONSULTAS 5ªs feiras CARDIOLUXOR Clínica Cardiológica Av. República, 101, 2ºA-C-D Edifício Luxor, 1050-190 Lisboa Tel. 217993338 www.cardioluxor.com Sábados R. Heróis de Dadrá, nº 5 Telef. 284/327175 – BEJA MARCAÇÕES das 17 às 19.30 horas pelo tel. 284322973 ou tm. 914874486

MARIA JOSÉ BENTO SOUSA e LUÍS MOURA DUARTE

Cardiologistas Especialistas pela Ordem dos Médicos e pelo Hospital de Santa Marta Assistentes de Cardiologia no Hospital de Beja Consultas em Beja Policlínica de S. Paulo Rua Cidade de S. Paulo, 29 Marcações: telef. 284328023 - BEJA

Exclusividade em Ortodontia (Aparelhos) Master em Dental Science (Áustria) Investigadora Cientifica - Kanagawa Dental School – Japão Investigadora no Centro de Medicina Forense (Portugal)

Assistente graduado de Ginecologia e Obstetrícia

ALI IBRAHIM Ginecologia Obstetrícia Assistente Hospitalar Consultas segundas, quartas, quintas e sextas Marcações pelo tel. 284323028

Técnica de Prótese Dentária Fisioterapia

(Diplomada pela Escola Superior de Medicina Dentária de Lisboa)

CLÍNICA MÉDICA ISABEL REINA, LDA.

Obstetrícia, Ginecologia, Ecografia

Centro de Fisioterapia S. João Batista

Rua General Morais Sarmento. nº 18, r/chão Telef. 284326841 7800-064 BEJA

CLÍNICA MÉDICA DENTÁRIA

JOSÉ BELARMINO, LDA. Rua Bernardo Santareno, nº 10 Telef. 284326965 BEJA

DR. JOSÉ BELARMINO Clínica Geral e Medicina Familiar (Fac. C.M. Lisboa) Implantologia Oral e Prótese sobre Implantes (Universidade de San Pablo-Céu, Madrid)

CONSULTAS EM BEJA 2ª, 4ª e 5ª feira das 14 às 20 horas EM BERINGEL Telef 284998261 6ª e sábado das 14 às 20 horas DR. JAIME LENCASTRE Estomatologista (OM) Ortodontia

JORGE ARAÚJO Assistente graduado de ginecologia e obstetrícia ULSB/Hospital José Joaquim Fernandes Consultas e ecografia 2ªs, 4ªs, 5ªs e 6ªs feiras, a partir das 14 e 30 horas Marcações pelo tel. 284311790 Rua do Canal, nº 4 - 1º trás 7800-483 BEJA

Estomatologia Cirurgia Maxilo-facial ▼

Neurologia

Fisiatria Dr. Carlos Machado Psicologia Educacional Elsa Silvestre Psicologia Clínica M. Carmo Gonçalves Tratamentos de Fisioterapia Classes de Mobilidade Classes para Incontinência Urinária Reeducação dos Músculos do Pavimento Pélvico Reabilitação Pós Mastectomia

MÉDICO DENTISTA

Marcações pelo telefone 284321693 ou no local Rua António Sardinha, 3 1º G 7800 BEJA

Consultas de 2ª a 6ª

Rua Capitão João Francisco de Sousa, 56-A – Sala 8

Acordos com: ACS, CTT, EDP, CGD, SAMS.

Marcações pelo tm. 919788155

Marcações pelo telef. 284325059

Dermatologia

Fisioterapia

Consultas às 5ªs feiras Marcações: tel. 284 32 25 03 CLINIPAX Rua Zeca Afonso, nº 6 1º B - BEJA

Luís Payne Pereira

Oftalmologista pelo Instituto Dr. Gama Pinto – Lisboa ▼

Assistente graduada do serviço de oftalmologia do Hospital José Joaquim Fernandes – Beja

MÉDICO Consultor de Psiquiatria

Marcações de consultas de 2ª a 6ª feira, entre as 15 e as 18 horas Rua Dr. Aresta Branco, nº 47 7800-310 BEJA Tel. 284326728 Tm. 969320100

Consultório Rua Capitão João Francisco Sousa 56-A 1º esqº 7800-451 BEJA Tel. 284320749

HORÁRIO: Das 11 às 12.30 horas e das 14 às 18 horas pelo tel. 218481447 (Lisboa) ou Em Beja no dia das consultas às quartas-feiras Pelo tel. 284329134, depois das 14.30 horas na Rua Manuel António de Brito, nº 4 – 1º frente 7800-544 Beja (Edifício do Instituto do Coração, Frente ao Continente) Clínica Geral

GASPAR CANO

Urgências Prótese fixa e removível Estética dentária Cirurgia oral/ Implantologia Aparelhos fixos e removíveis VÁRIOS ACORDOS Consultas :de segunda a sexta-feira, das 9 e 30 às 19 horas Rua de Mértola, nº 43 – 1º esq. Tel. 284 321 304 Tm. 925651190 7800-475 BEJA

MÉDICO ESPECIALISTA EM CLÍNICA GERAL/ MEDICINA FAMILIAR Marcações a partir das 14 horas Tel. 284322503 Clinipax Rua Zeca Afonso, nº 6-1º B – BEJA

Urologia

UROLOGISTA

Hospital de Beja Doenças de Rins e Vias Urinárias Consultas às 6ªs feiras na Policlínica de S. Paulo Rua Cidade S. Paulo, 29 Marcações pelo telef. 284328023

BEJA Otorrinolaringologia ▼

DR. J. S. GALHOZ

FRANCISCO FINO CORREIA

Ouvidos,Nariz, Garganta

MÉDICO UROLOGISTA RINS E VIAS URINÁRIAS

Exames da audição

Marcações de 2.ª a 6.ª feira a partir das 14 horas Rua Capitão João Francisco de Sousa, n.º 20 7800-451 BEJA Tel. 284324690

AURÉLIO SILVA

Terapia da Fala ▼

Médico Dentista

Clínica Dentária

CÉLIA CAVACO

DRA. TERESA ESTANISLAU CORREIA Marcação de consultas de dermatologia:

Praça Diogo Fernandes, nº11 – 2º Tel. 284329975

Rua do Canal, nº 4 7800 BEJA

Dr. José Loff Oftalmologia

Médico Especialista pela Ordem dos Médicos e Ministério de Saúde Generalista

NERVOSO CONSULTAS às 3ªs e 4ªs feiras, a partir das 15 horas MARCAÇÕES pelos telfs.284322387/919911232 Rua Tenente Valadim, 44 7800-073 BEJA

DR. A. FIGUEIREDO LUZ

CONSULTAS DE OBESIDADE

Consultas em Beja Clínica do Jardim

DO SISTEMA

Chefe de Serviço de Oftalmologia do Hospital de Beja

DOENÇAS

Prótese/Ortodontia CONSULTAS 2ªs, 3ªs e 5ªs feiras Rua Zeca Afonso, nº 16 F Tel. 284325833

Especialista pela Ordem dos Médicos

Medicina dentária ▼

HELIODORO SANGUESSUGA

Obesidade

Médico oftalmologista

Consultório Centro Médico de Beja Largo D. Nuno Álvares Pereira, 13 – BEJA Tel. 284312230

Urologia

DR. MAURO FREITAS VALE

JOÃO HROTKO

Neurologista do Hospital dos Capuchos, Lisboa

Ex-Chefe Serviço Hospital Pulido Valente

FERNANDO AREAL

DRª CAROLINA ARAÚJO

DOENÇAS PULMONARES ALERGOLOGIA Sidónio de Souza

Psiquiatria

Oftalmologia

Consultas de Neurologia

Acordos com A.D.S.E., ACS-PT, CGD, Medis, Advance Care, Multicare, Seguros Minis. da Justiça, A.D.M.F.A., S.A.M.S. Marcações pelo 284322446; Fax 284326341 R. 25 de Abril, 11 cave esq. – 7800 BEJA

Pneumologia

Rua António Sardinha, 25r/c dtº Beja

CONSULTÓRIOS: Beja Praça António Raposo Tavares, 12, 7800-426 BEJA Tel. 284 313 270 Évora CDI – Praça Dr. Rosado da Fonseca, 8, Urb. Horta dos Telhais, 7000 Évora Tel. 266749740

FERNANDA FAUSTINO

Ginecologia/Obstetrícia

FAUSTO BARATA

Convenções com PT-ACS

Rua Manuel Antó António de Brito n.º n.º 6 – 1.º 1.º frente. 78007800-522 Beja tel. 284 328 100 / fax. 284 328 106

Vários Acordos

HELENA MANSO CIRURGIA VASCULAR TRATAMENTO DE VARIZES

Directora Clínica da novaclinica

Laboratório de Análises Clínicas de Beja, Lda.

Cirurgia Vascular

Consultas a partir das 14 horas Praça Diogo Fernandes, 23 - 1º F (Jardim do Bacalhau) Telef. 284322527 BEJA

TERAPEUTA DA FALA

CATARINA CHARRUA Consultas e domicílios de 2ª feira a sábado Tm: 967959568


saúde

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Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

PSICOLOGIA ANA CARACÓIS SANTOS – Educação emocional; – Psicoterapia de apoio; – Problemas comportamentais; – Dificuldades de integração escolar; – Orientação vocacional; – Métodos e hábitos de estudo GIP – Gabinete de Intervenção Psicológica Rua Almirante Cândido Reis, 13, 7800-445 BEJA Tel. 284321592

Clínica Médico-Dentária de S. FRANCISCO, LDA. Gerência de Fernanda Faustino Acordos: SAMS, ADMG, PSP, A.D.M.E., Portugal Telecom e Advancecare Rua General Morais Sarmento, nº 18, r/chão; TEL. 284327260 7800-064 BEJA

_______________________________________ Manuel Matias – Isabel Lima – Miguel Oliveira e Castro – Jaime Cruz Maurício Ecografia | Eco-Doppler Cor | Radiologia Digital Mamografia Digital | TAC | Uro-TC | Dental Scan Densitometria Óssea Nova valência: Colonoscopia Virtual Acordos: ADSE; PT-ACS; CGD; Medis, Multicare; SAMS; SAMS-quadros; Allianz; WDA; Humana; Mondial Assistance. Graça Santos Janeiro: Ecografia Obstétrica Marcações: Telefone: 284 313 330; Fax: 284 313 339; Web: www.crb.pt Rua Afonso de Albuquerque, 7 r/c – 7800-442 Beja e-mail: cardiologiabeja@mail.telepac.pt

CENTRO DE IMAGIOLOGIA DO BAIXO ALENTEJO ECOGRAFIA – Geral, Endocavitária, Osteoarticular, Ecodoppler TAC – Corpo, Neuroradiologia, Osteoarticular, Dentalscan Mamografia e Ecografia Mamária Ortopantomografia Electrocardiograma com relatório António Lopes – Aurora Alves – Helena Martelo – Montes Palma – Maria João Hrotko – Médicos Radiologistas –

Dr. Sidónio de Souza – Pneumologia/Alergologia/ Desabituação tabágica – H. Pulido Valente Dr. Fernando Pimentel – Reumatologia – Medicina Desportiva – Instituto Português de Reumatologia de Lisboa Dr.ª Verónica Túbal – Nutricionismo – H. de Beja Dr.ª Sandra Martins – Terapia da Fala – H. de Beja Dr. Francisco Barrocas – Psicologia Clínica/Terapia Familiar – Membro Efectivo da Soc. Port. Terapia Familiar e da Assoc. Port. Terapias Comportamental e Cognitiva (Lisboa) – Assistente Principal – Centro Hospitalar do Baixo Alentejo. Dr. Rogério Guerreiro – Medicina preventiva – Tratamento inovador para deixar de fumar Dr. Gaspar Cano – Clínica Geral/ Medicina Familiar Dr.ª Nídia Amorim – Psicomotricidade/Educação Especial e Reabilitação (dificuldades específicas de aprendizagem/dislexias) Dr. Sérgio Barroso – Oncologia – H. de Beja Drª Margarida Loureiro – Endocrinologia/ Diabetes/Obesidade – Instituto Português de Oncologia de Lisboa Dr. Francisco Fino Correia – Urologia – Rins e Vias Urinárias – H. Beja Dr. Daniel Barrocas – Médico Interno de Psiquiatria – Hospital de Santa Maria Dr. Carlos Monteverde – Chefe de Serviço de Medicina Interna, doenças de estômago, fígado, rins, endoscopia digestiva. Dr.ª Ana Cristina Duarte – Pneumologia/ Alergologia Respiratória/Apneia do Sono – Assistente Hospitalar Graduada – Consultora de Pneumologia no Hospital de Beja Dr.ª Isabel Martins – Chefe de Serviço de Psiquiatria de Infância e Adolescência/Terapeuta familiar – Centro Hospitalar do Baixo Alentejo Dr.ª Paula Rodrigues – Psicologia Clínica – Hospital de Beja Dr.ª Luísa Guerreiro – Ginecologia/Obstetrícia Dr.ª Ana Montalvão – Hematologia Clínica / Doenças do Sangue – Assistente Hospitalar – Hospital de Beja Dr.ª Ana Cristina Charraz – Psicologia Clínica – Hospital de Beja Dr. Diogo Matos – Dermatologia. Médico interno do Hospital Garcia da Orta. Dr.ª Joana Freitas – Cavitação, Lipoaspiração não invasiva,indolor e não invasivo, acção imediata, redução do tecido adiposo e redução da celulite Dr.ª Ana Margarida Soares – Terapia da Fala - Habilitação/Reabilitação da linguagem e fala. Perturbação da leitura e escrita específica e não específica. Voz/Fluência. Dr.ª Maria João Dores – Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação/Psicomotricidade. Perturbações do Desenvolvimento; Educação Especial; Reabilitação; Gerontomotricidade. Enfermeira Maria José Espanhol – Enfermeira especialista em saúde materna/Cuidados de enfermagem na clínica e ao domicílio/Preparação pré e pós parto/amamentação e cuidados ao recémnascido/Imagem corporal da mãe – H. de Beja Marcações diárias pelos tels. 284 322 503 Fax 284 322 503 Tm. 91 7716528 Rua Zeca Afonso, nº 6, 1º B, 7800-522 Beja clinipax@netvisao.pt Terapia da Fala

Convenções: ADSE, ACS-PT, SAD-GNR, CGD, MEDIS, SSMJ, SADPSP, SAMS, SAMS QUADROS, ADMS, MULTICARE, ADVANCE CARE

Horário: de 2ª a 6ª feira, das 8 às 19 horas e aos sábados, das 8 às 13 horas

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Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012 Diário do Alentejo nº 1556 de 17/02/2012 Única Publicação

CARTÓRIO NOTARIAL PRIVADO DE SINES A cargo da Notária Maria Leonor Domingues Garrett e Castro CERTIFICO, para efeitos de publicação, que foi lavrada no dia treze de Janeiro de dois mil e doze, neste Cartório Notarial sito na Rua 1° de Maio, 16, em Sines, iniciada a folhas sessenta e dois do Livro de Notas para Escrituras Diversas número “Quinze – A” , uma escritura de justificação na qual: MANUEL DE JESUS DOMINGOS e mulher, MARCELINA MARIA DA CONCEIÇÃO CATARINO DOMINGOS, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, residentes na Ribeira da Azenha, Caixa Postal 616, em Vila Nova de Milfontes, contribuintes 140139877 e 211546623; justificaram a posse e o direito de propriedade dos seguintes imóveis: Prédio rústico denominado “Monte Novo do Barreiro das Fontainhas” sito na freguesia de Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira, com a área de três mil novecentos e quarenta metros quadrados, compõe-se de cultura arvense e confronta a norte com Silvério Gonçalves Pereira, a sul com João Paulo Cardoso Rosa e Jorge Manuel Amador, a nascente com Manuel Jesus Domingos e a poente com Bráz Jesus Domingos, inscrito na respectiva matriz cadastral sob parte do artigo 32 da Secção B, no qual está implantado um prédio urbano, composto de casas de rés-do-chão com quatro compartimentos para habitação, uma cozinha, uma casa de banho, um escritório, dois halls, com a área coberta de cento e dez metros quadrados, inscrito na respectiva matriz predial urbana sob o artigo 4916, pelo que o prédio adquiriu a natureza de prédio misto; Prédio rústico denominado “Monte Novo do Barreiro das Fontainhas” sito na freguesia de Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira, com a área de quatro mil cento e trinta metros quadrados, compõe-se de cultura arvense, confronta a norte com Silvério Gonçalves Pereira, a sul com João Paulo Cardoso Rosa e Jorge Manuel Amador, a nascente com caminho público e a poente com Manuel Jesus Domingos, inscrito na respectiva matriz cadastral sob parte do artigo 32 da Secção B; BRAZ DE JESUS DOMINGOS casado com Maria Catarina Pereira Domingos sob o regime da comunhão de adquiridos, residente na Ribeira da Azenha, Caixa Postal 662, em Vila Nova de Milfontes, contribuinte 168574551, justificou a posse e o direito de propriedade do seguinte imóvel: Prédio rústico, denominado “Monte Novo do Barreiro das Fontainhas”, sito na freguesia de Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira com a área de três mil seiscentos e sessenta metros quadrados, compõe-se de cultura arvense e confronta a norte com Silvério Gonçalves Pereira, a sul com Domingas Jesus Domingos Santos/ Marisa Alexandrina Catarino Domingos/ Edgar M.C. Domingos, a nascente com Manuel Jesus Domingos e a poente com José Manuel Mateus, inscrito na respectiva matriz cadastral sob parte do artigo 32 da Secção B, no qual está implantado um prédio urbano, composto de casas de rés-do-chão com quatro compartimentos para habitação, uma cozinha, uma casa de banho, e uma despensa, com a área coberta de noventa e dois metros quadrados, inscrito na respectiva matriz predial urbana sob o artigo 5096, pelo que o prédio adquiriu a natureza de prédio misto; JOSÉ MANUEL MATEUS e mulher, CRISTINA MARIA SILVA PALMINHA MATEUS, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, residentes no Bairro da Mena, número 12, em Cereal do Alentejo, contribuintes 164550321 e 170523420, justificaram a posse e o direito de propriedade do seguinte imóvel: Prédio rústico, denominado “Monte Novo do Barreiro das Fontainhas”, sito na freguesia de Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira com a área de três mil seiscentos e sessenta e cinco metros quadrados, compõe-se de cultura arvense e confronta a norte com Silvério Gonçalves Pereira, a sul com Marisa Alexandrina C. Domingos/Edgar Manuel C.Domingos/Eliseu Jesus Domingos e Cesaltina Jesus Domingos, a nascente com Braz Jesus Domingos e a poente com José Manuel Mateus, inscrito na respectiva matriz cadastral sob parte do artigo 32 da Secção B; Prédio rústico denominado “Monte Novo do Barreiro das Fontainhas” sito na freguesia de Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira, com a área de três mil novecentos e sessenta e cinco metros quadrados e confronta a norte com Silvério Gonçalves Pereira, a sul com Cesaltina Jesus Domingos/José António Domingos Dias, a nascente com José Manuel Mateus e a poente com Caminho Público, inscrito na respectiva matriz cadastral sob parte do artigo 32 da Secção B, no qual está implantado um prédio urbano, composto de casas de résdo-chão com três compartimentos para habitação, uma cozinha, uma casa de banho, um hall, com a área coberta de setenta e seis metros quadrados, inscrito na respectiva matriz predial urbana sob o artigo 4915, pelo que o prédio adquiriu a natureza de prédio misto; JOSÉ ANTÓNIO DOMINGOS DIAS, solteiro, maior, residente na Ribeira da Azenha, Caixa Postal 614, em Vila Nova de Milfontes, contribuinte 178734675 justificou a posse e o direito de propriedade do seguinte imóvel:

Prédio rústico denominado “Monte Novo do Barreiro das Fontainhas” sito na freguesia de Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira, com a área de três mil seiscentos e sessenta metros quadrados, compõe-se de cultura arvense e confronta a norte com José Manuel Mateus, Sul com Herdeiros de Manuel António, Nascente com Cesaltina Jesus Domingos e Poente com caminho público, inscrito na respectiva matriz cadastral sob parte do artigo 32 da Secção B. CESALTINA DE JESUS DOMINGOS, viúva, residente na Ribeira da Azenha, Caixa Postal 614, em Vila Nova de Milfontes, contribuinte 178734683; ROBERTO DIOGO DOMINGOS DIAS, solteiro, maior, residente em Valas, Apartado 1241, em Zambujeira do Mar, contribuinte 225870363; ABÍLIO DOMINGOS DIAS, solteiro, maior, residente na Ribeira da Azenha, Caixa Postal 614, em Vila Nova de Milfontes, contribuinte 134271785; JOSÉ ANTÓNIO DOMINGOS DIAS, solteiro, maior, residente na Ribeira da Azenha, Caixa Postal 614, em Vila Nova de Milfontes, contribuinte 178734675, e MARIA LÚCIA DOMINGOS DIAS, solteira, maior, residente na Ribeira da Azenha, Caixa Postal 614, em Vila Nova de Milfontes, contribuinte 195357469, justificaram a posse e o direito de propriedade, em comum e sem determinação de parte ou direito, do seguinte imóvel: Prédio misto, denominado “Monte Novo do Barreiro das Fontainhas”, sito na freguesia de Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira, com a área de dois mil seiscentos e setenta metros quadrados, compõe-se de cultura arvense e de casa de rés-do-chão para habitação com sessenta e seis metros quadrados, e confronta a norte com José Manuel Mateus, a sul com Herdeiros de Manuel António, a nascente com Eliseu de Jesus Domingos e a poente com José António Domingos Dias, inscrito nas respectivas matrizes cadastral sob parte do artigo 32 da Secção B, e predial urbana sob o artigo 457. ELISEU DE JESUS DOMINGOS, solteiro, maior, residente na Ribeira da Azenha, Caixa Postal 614, em Vila Nova de Milfontes, contribuinte 134867009, justificou a posse e o direito de propriedade do seguinte imóvel: Prédio rústico denominado ‘Monte Novo do Barreiro das Fontainhas” sito na freguesia de Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira, com a área de três mil oitocentos e vinte metros quadrados e confronta a norte com José Manuel Mateus, a sul com Herdeiros de Manuel António, a nascente com Marisa Alexandrina Catarino Domingos/Edgar Manuel Catarino Domingos e a poente com Cesaltina de Jesus Domingos, inscrito na respectiva matriz cadastral sob parte do artigo 32 da Secção B; MARISA ALEXANDRINA CATARINO DOMINGOS, solteira, maior, residente na Rua do Urzal, número 5, Folgarosa, Maxial, em Torres Vedras, contribuinte 214230171, e EDGAR MANUEL CATARINO DOMINGOS, solteiro, maior, residente na Ribeira da Azenha, Caixa Postal 616, em Vila Nova de Milfontes, contribuinte 214230163, justificaram a posse e o direito de propriedade, em comum e partes iguais, do seguinte imóvel: Prédio rústico denominado “Monte Novo do Barreiro das Fontainhas” sito na freguesia de Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira, com a área de três mil e oitocentos metros quadrados, e confronta a norte com José Manuel Mateus/Braz Jesus Domingos, a sul com Herdeiros de Manuel António, a nascente com Domingas Jesus Domingos Santos e a poente com Eliseu de Jesus Domingos, inscrito na respectiva matriz cadastral sob parte do artigo 32 da Secção B. DOMINGAS JESUS DOMINGOS SANTOS e marido MANUEL CARLOS SANTOS, casados sob o regime da comunhão geral de bens, residentes na Ribeira da Azenha, Caixa Postal 642, em Vila Nova de Milfontes, contribuintes 109262425 e 114954739, justificaram a posse e o direito de propriedade do seguinte imóvel: Prédio rústico denominado “Monte Novo do Barreiro das Fontainhas” sito na freguesia de Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira, com a área de três mil setecentos e oitenta metros quadrados, e confronta a norte com Braz Jesus Domingos/ Manuel Jesus domingos, a sul com Herdeiros Manuel António, a nascente com Jorge Manuel Amador e a poente com Marisa Alexandrina Catarino Domingos/Edgar Manuel Catarino Domingos, inscrito na respectiva matriz cadastral sob parte do artigo 32 da Secção B; e JOÃO PAULO CARDOSO ROSA e mulher SUSANA MARIA GARCIA DOMINGOS, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, residentes na Rua Amália Rodrigues, Urbanização Colina do Tejo, Lote A6, rés-do-chão direito, Forte da Casa, em Vila Franca de Xira, contribuintes 186889186 e 198063954, justificaram a posse e o direito de propriedade do seguinte imóvel: Prédio rústico denominado “Monte Novo do Barreiro das Fontainhas” sito na freguesia de Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira, com a área de quatro mil cento e setenta metros quadrados, e confronta a norte com Manuel Jesus Domingos, a sul com Herdeiros Manuel António, a nascente com Caminho Público e a poente com Jorge Manuel Amador, inscrito na respectiva matriz cadastral sob parte do artigo 32 da Secção B. Todos os prédios supra identificados são a desanexar do descrito na Conservatória do Registo Predial de Odemira sob o número mil duzentos e trinta e seis da freguesia de S. Luís. Está conforme, nada havendo na parte omitida além ou contrário ao que se certifica. Sines, 16 de Janeiro de 2012. A Notária Maria Leonor Domingues Garrett e Castro

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Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

ALUGA-SE V2 EM VIDIGUEIRA

Diário do Alentejo nº 1556 de 17/02/2012 Única Publicação

Transacção no âmbito do processo n.º 583/11.0

1.º Juízo do Tribunal Judicial de Beja CÂMARA MUNICIPAL DE CUBA

EDITAL Francisco António Orelha, Presidente da Câmara Municipal de Cuba, nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 91º da Lei nº 169/99, de 18 de Setembro, com as alterações introduzidas pela Lei nº 5-A/2002, de 11 de Setembro, torna público que, se encontra aberto Concurso Público para Arrendamento Comercial do Estabelecimento de Restauração/Bebidas denominado “Adega do Arrufa”, sito na Travessa das Francas, 3, em Cuba. 1. OBJECTO DO CONCURSO PÚBLICO: O concurso tem por objecto o arrendamento comercial do estabelecimento de restauração/bebidas denominado “Adega do Arrufa”, sito na Travessa das Francas, 3, em Cuba, cujas obrigações especificas constam do caderno de encargos. 2. VALOR BASE: O valor base de licitação deste arrendamento comercial é de € 300/mês. Ao valor referido acresce o IVA à taxa legal em vigor. 3. TIPO DE ACTIVIDADE A EXERCER: O estabelecimento objecto do presente concurso destina-se a restauração/bebidas. 4. PRAZO DO ARRENDAMENTO: O arrendamento comercial objecto do presente concurso é feito pelo prazo de 2 anos, sendo automaticamente renovado no seu termo por períodos sucessivos de 1 ano até ao máximo de 10 anos, salvo oposição à renovação por qualquer das partes. 5. ADMISSÃO DE CONCORRENTES: Podem ser concorrentes pessoas singulares ou colectivas de reconhecida competência, solvibilidade e idoneidade, que cumpram as seguintes condições, sob pena de exclusão: a) Não serem devedores de impostos ao Estado português; b) Não serem devedores de contribuições para a Segurança Social, devidamente comprovada por certidão emitida pelo Instituto da Segurança Social, I.P.; c) Não serem devedores ao Município de Cuba. 6. PRAZO DE APRESENTAÇÃO DAS PROPOSTAS: O prazo para apresentação das propostas é até às 17 horas do 10º dia (dias contínuos) contado da data de publicação deste Edital, sob pena de exclusão. 7. ACTO PÚBLICO: O acto público de abertura de propostas tem lugar no dia útil imediatamente subsequente ao termo do prazo fixado para a sua apresentação, perante o Júri designado para o efeito, no Salão Nobre do edifício dos Paços do Concelho, sito na Rua Serpa Pinto, 84, em Cuba, pelas 10h30. Ao acto público pode assistir qualquer interessado, mas nele apenas podem intervir os concorrentes e/ou os seus representantes, estes últimos desde que devidamente credenciados. 8. CRITÉRIO DE ADJUDICAÇÃO O critério de adjudicação é o da proposta economicamente mais vantajosa, atendendo aos seguintes factores, por ordem decrescente de importância: a) Valor mensal proposto (60%); b) Mérito da proposta (40%). A forma de ponderação destes factores encontra-se fixada no programa de concurso. 9. CONSULTA E FORNECIMENTO DO PROCESSO DE CONCURSO: As peças que integram o procedimento - o programa do procedimento e caderno de encargos - encontram-se disponíveis para consulta na Divisão de Administração Geral da Câmara Municipal de Cuba, sita na Rua Serpa Pinto, 84, 7940-172, em Cuba, das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30, desde o dia da publicação do presente Edital até ao termo do prazo fixado para a apresentação das propostas. O programa do procedimento e o caderno de encargos encontram-se ainda patentes na página de Internet da Câmara Municipal de Cuba – www.cm-cuba.pt, onde podem ser consultados e copiados gratuitamente. Em alternativa, os interessados podem adquirir no serviço indicado no 1º parágrafo deste número, cópia das peças do procedimento, mediante o pagamento do respectivo custo, que é de € 1,80 + IVA. 10. PRAZO DE MANUTENÇÃO DAS PROPOSTAS: Os concorrentes obrigam-se a manter as suas propostas pelo prazo de 66 dias. Em caso de desistência antes do decurso deste prazo, fica o concorrente obrigado a pagar 50% do valor da sua proposta e fica impedido de poder concorrer a outros procedimentos abertos pelo Município durante o período de 2 anos. Paços do Município, aos 17 de fevereiro de 2012. O Presidente da Câmara, Francisco António Orelha

Toda renovada,

Nas notícias da rádio Pax do dia 09/06/2008 e na página dessa rádio (www.radiopax.pt), foi divulgada uma notícia na qual o réu Joaquim António Casaca da Costa imputava ao autor uma tentativa de denegrir a imagem da associação de Atletismo de Beja junto da Federação respectiva, bem como a intenção de conseguir que não se realizassem os campeonatos nacionais de Atletismo da 3.ª divisão, nessa cidade. Essa notícia espalhou-se via internet, e tem provocado ao autor desgosto, bem como põe em causa o seu bom-nome pessoal e profissional, como técnico superior da Autarquia de Beja. O Réu Joaquim Costa já foi responsabilizado no âmbito de processo penal no qual foi decretado a suspensão provisória do processo mediante o pagamento da quantia de 300 € aos Bombeiros Voluntários de Beja. Em sede de responsabilidade civil acordaram agora as partes que: a) O réu Joaquim António Casaca da Costa apresenta um pedido de desculpas formal ao autor Hugo Miguel Picado Sioga, reconhecendo não ter motivos para ter proferido as afirmações acima mencionadas e lamentando os prejuízos que com as mesmas causou. b) Esse pedido de desculpas com a redacção fixada por acordo na audiência de discussão e julgamento será publicado em cerca de um quarto de página do jornal Diário do Alentejo. Para ressarcimento de parte dos prejuízos causados ao Autor e pagamento de publicação agora acordada o réu pagou de imediato àquele a quantia de € 600 – Seiscentos Euros. O pagamento das custas eventualmente em dívida será a cargo do réu Joaquim António Casaca da Costa.

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Diário do Alentejo 17 fevereiro 2012

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Manuel Inácio Gonçalves

Maria Clara Parreira Sota

Aureliano Rebocho Picareta

Faleceu a 08.02.2012

Faleceu a 10.02.2012

Faleceu a 12.02.2012

É com pesar que participamos o falecimento do Sr. Manuel Inácio Gonçalves, de 80 anos, natural de Almodôvar, casado com a Sra. D. Maria Alice Palma Victorino. O funeral a cargo desta Agência realizouse no dia 09/02/2012 pelas 11.00 horas, da Casa Mortuária de Serpa para o cemitério local. Apresentamos à família as cordiais condolências.

É com pesar que participamos o falecimento da Sra. D. Maria Clara Parreira Sota, de 72 anos, natural de Serpa, casada com o Sr. António dos Reis Afonso. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no dia 11/02/2012 pelas 16.30 horas, da Casa Mortuária de Serpa para o cemitério local. Apresentamos à família as cordiais condolências.

É com pesar que participamos o falecimento do Sr. Aureliano Rebocho Picareta, de 71 anos, natural de Serpa, viúvo. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no dia 12/02/2012 pelas 11.00 horas, da Casa Mortuária de Serpa para o cemitério local. Apresentamos à família as cordiais condolências.

Funerais – Cremações – Trasladações - Exumações – Artigos Religiosos

BALEIZÃO

†. Faleceu a Exma. Sra. D. VERÍSSIMA DA GRAÇA LOPES, de 90 anos, natural de Baleizão - Beja, viúva. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 10, da Casa Mortuária de Baleizão, para o cemitério local.

NOSSA SENHORA DAS NEVES

BEJA

BEJA

†. Faleceu a Exma. Sra. D. TERESA ROSA, de 83 anos, natural de Santa Maria - Beja, viúva. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 11, das Casas Mortuárias de Beja, para o cemitério desta cidade.

†. Faleceu a Exma. Sra. D.

ALBERNÔA / ENTRADAS

BEJA

MARIA DA CONCEIÇÃO PEREIRA RODRIGUES, de 81 anos, natural de Canas de Santa Maria - Tondela, viúva. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 12, da Igreja Evangélica de Beja, para o cemitério desta cidade.

AGÊNCIA FUNERÁRIA SERPENSE, LDA Gerência: António Coelho Tm. 963 085 442 | Tel. 284 549 315 | Rua das Cruzes, 14-A | 7830-344 SERPA

MISSA DO 30º DIA †. Faleceu o Exmo. Sr. JOSÉ JOAQUIM SANTOS MARTELO, de 53 anos, natural de Santiago Maior Beja, casado com a Exma. Sra. D. Maria Rosa Esperança de Matos Martelo. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 14, da Casa Mortuária de Nossa Senhora das Neves, para o cemitério local.

†. Faleceu o Exmo. Sr. ANTÓNIO GUERREIRO SANTIAGO, de 83 anos, natural de Entradas - Castro Verde, casado com a Exma. Sra. D. Alzira Bárbara Viriato Silva. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 14, da Casa Mortuária de Entradas, para o cemitério local.

†. Faleceu o Exmo. Sr. JOSÉ LUIS MEDINAS, de 89 anos, natural de Reguengos de Monsaraz, casado com a Exma. Sra. D. Emília Fernandes Teixeira Medinas. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 16, da Igreja Paroquial do Carmo para o cemitério de Beja.

Às famílias enlutadas apresentamos as nossas mais sinceras condolências. Consulte esta secção em www.funerariapax-julia.pt

Vila Nova de S. Bento

Vila Verde de Ficalho

Alcaria da Serra PARTICIPAÇÃO

MISSA

CAMPAS E JAZIGOS DECOR AÇÃO

Lúcia Proença Carvalhinho Ramos 1º Mês de Eterna Saudade

Engrácia do Carmo Aurélio Paixão Velhuco 6º Mês de Eterna Saudade

Filha, netos e bisnetos participam a todas as pessoas de suas relações e amizade que será celebrada missa pelo eterno descanso da sua ente querida no dia 18/02/2012, sábado, pelas 19.00 horas na Igreja do Salvador em Beja, agradecendo desde já a todos os que comparecerem ao acto religioso.

Filhos e restante família participam a todas as pessoas que será celebrada missa pela sua ente querida no dia 20/02/2012, segunda-feira, pelas 18h30m na Igreja da Sé em Beja, agradecendo desde já a todos os que comparecerem.

CONSTRUÇÃO CIVIL “DESDE 1800” Rua de Lisboa, 35 / 37 – Beja | Estrada do Bairro da Esperança Lote 2 Beja (novo) Telef. 284 323 996 – Tm.914525342

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DESLOCAÇÕES POR TODO O PAÍS

Diário do Alentejo nº 1556 de 17/02/2012 Única Publicação

Fa l e c e u a E x m a . S r a . Mariana Augusta do Nascimento Pina de 72 anos casada com José Joaquim Mourata Orelha, natural de salvador, Beja. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 08 de Fevereiro da casa mortuária de Vila Nova de S. Bento para o cemitério local. À família enlutada apresentamos as nossas cordiais condolências.

Faleceu a Exma. Sra. Maria da Conceição da Cruz Batista Graça de 93 anos viúva, natural de Aldeia Nova de S. Bento. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 10 Fevereiro da casa mortuária de Vila Verde de Ficalho para o cemitério local. À família enlutada apresentamos as nossas cordiais condolências.

AGÊNCIA FUNERÁRIA BARRADAS, LDA. Rua do Outeiro nº 21 Vila Nova de S. Bento Telm: 967026828 - 967026517

Santa Casa da Misericórdia de Vila Alva Francisco Luís Trindade Galvão Nasceu 10.03.1928 Faleceu 11.02.2012

Faleceu o Exmo. Sr. Francisco Luís Trindade Galvão, Viúvo. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 12, da casa mortuária de Alcaria da Serra para o cemitério local. À família enlutada apresentamos as nossas condolências.

AGÊNCIA FUNERÁRIA ESPÍRITO SANTO, LDA. Rua Das Graciosas, 7 \ 7960-444 Vila de Frades/ Vidigueira Tm.963044570 Tel. 284441108

CONVOCATÓRIA Convocam-se todos os membros da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Vila Alva, para uma Assembleia Geral Ordinária, a realizar no próximo dia 23 de Março, pelas 20 horas, no edifício do Centro Cultural de Vila Alva, com a seguinte ordem de trabalhos: Período antes da ordem do dia: 1. Apresentação e discussão do Relatório e Contas do ano 2011 seguido de votação; 2. Pedido de autorização para venda de imóveis da Santa Casa da Misericórdia de Vila Alva, seguido de votação; 3. Outros assuntos do interesse da Misericórdia. Se à hora marcada não estiverem presentes mais de metade dos irmãos, a Assembleia reunirá meia hora depois, em segunda convocatória desde que estejam presentes pelo menos um quarto dos irmãos. Vila Alva, 9 de Fevereiro de 2012. O Presidente da Mesa da Assembleia Geral Izalindo João Corchado Marques


A Câmara Municipal de Santiago do Cacém tem patente no Museu Municipal, até 30 de março, uma exposição que conta com o trabalho desenvolvido nos últimos dois anos com crianças do 1.º ciclo no âmbito do ateliê “Ruídos Pintados, a Magia dos Sentidos”.

A páginas tantas ... Oinc! A História do Príncipe-Porco é um livro que foge à partida ao tradicional livro infantil, porque neste caso as ilustrações, se podemos chamar assim, já existiam. São um conjunto de seis gravuras da pintora Paula Rego, em que a escritora Isabel Minhós Martins recria um conto popular recolhido por um escritor italiano, no século XVI. Uma história de quem nasceu na pele de um porco, claro, mas que para o deixar de ser tem de encontrar o verdadeiro amor. Um porco sujo, mimado, mas cheio de humor.

Dica da semana Apesar do dia dos namorados já ter passado não deixa de ser uma boa ideia, até porque podes usar formas sem ser de corações e é uma ótima maneira de reaproveitares os pedacinhos dos teus lápis de cera. Parte pedaços pequeninos, leva-os ao forno dentro de formas a 230ºC cerca de 15 minutos.

Já com muita vontade que as árvores se encham de folhas fica aqui uma ideia simples e colorida.

27 D Diário do Alentejo 117 fevereiro 2012

Exposição de trabalhos de crianças dos seis aos 10 anos em Santiago


28 Diário do Alentejo 17 Fevereiro 2012

O Floro é um cão adulto muito meigo e dócil com as pessoas e cães. Apesar de ser pointer não tem atributos para ser bom caçador mas sim um excelente cão de companhia, um amigo de toda a família. Quando chegou ao Cantinho a sua saúde estava muito débil, mas está quase recuperado e em breve poderá receber vacinas e ser adotado. Venham conhecê-lo ao Cantinho dos Animais de Beja. Contactos: 962432844; sofiagoncalves.769@hotmail.com

Jazz Thibault Falk 4tet

Boa vida

“Sur Le Fil”

T

Comer Sopa da panela Ingredientes Para 6 a 8 pessoas 1 galinha ou frango do campo; 1 chispe; 200 gr. de presunto inteiro; 50 0 g r. de touci n ho entremeado; 1 kg. de pescoço de borrego; 1 l i ng u iça de porco alentejano; 1 chouriço de sangue de porco alentejano; 2 cebolas médias; 4 dentes de alho; q.b. de ramos de salsa; q.b. de ramos de hortelã; q.b. de sal grosso; 1 pão alentejano do dia anterior. Confeção: Depois de lavadas as carnes, tempere a galinha, o chispe, o toucinho e o pescoço de borrego com sal. Reserve no frigorífico até ao dia seguinte. Numa panela com água ponha as carnes e os enchidos a cozer em água fria. Quando começar a criar espuma por cima retire-a com uma escumadeira e coloque as cebolas aos quartos, os alhos picados e os ramos de salsa e hortelã. Retifique os temperos. Vá retirando as carnes para uma travessa à medida que vão cozendo. Entretanto corte fatias de pão e coloque-as numa terrina com os ramos de hortelã. Regue com o caldo bem quente e sirva com as carnes. Bom apetite… Nota: se preferir também pode cozer batatas no caldo para acompanhar.

António Nobre Chefe executivo de cozinha – Hotéis M’AR De AR, Évora

Petiscos Desta vez são mesmo petiscos

V

amos dar um último toque no porco. Também dele se fazem petiscos e tantos e tão variados que estaríamos aqui até que chovesse de novo, só a falar nisso. Podemos escolher iscas, miolos e orelha. Vamos a eles. Quando eu era moço novo andava pelas tabernas de Beja a ouvir cantar e, um pouco mais velho, a beber um copinho de vinho e comer uma tapa. O vinho era intragável mas havia petiscos memoráveis. As iscas vinham em pequenos pratos, com duas tirinhas de pão ao lado e meia dúzia de azeitonas. Quando tinham a referência “com elas” vinha também um pequeno prato de batatas cozidas afatiadas e em vez do clássico palito encostava-se aos pratinhos um pequeno garfo de ferro com cabo de madeira ou osso. O segredo era o corte, muito finas e mediamente fritas, a pedido, em azeite porque a banha estava invariavelmente rançosa. Muito alho, louro e fritura em frigideira, negra do sarro que a forrava e de limpeza, obviamente, mais do que se suspeita. Não fazia mal. Um pouco do fígado era desfeito para dar espessura ao molho e disfarçar o que tinha sobrado do anterior. Eram verdadeiramente deliciosas. O vinho podia ser cortado com um pouco de pirolito, gasosa cuja tampa era um arraiol (um berlinde para quem não é de cá) que se empurrava com o indicador e que abria num forte esguicho de gás. Outro bom petisco era a orelha do animal, assada. Mas em nada se parecia com estas insalubres saladinhas que se veem hoje atrás dos vidros das montras frigoríficas, com aspeto higiénico mas sabor a mercurocromo. A orelha, depois de muito bem arranjada, era escaldada durante largos minutos com água fervente, depois era muito bem assada em fogareiro de brasas, espevitadas por um abano de buinho, desse dos barrancos. Era temperada com azeite, sal, alho e coentros pisados. Aqui sim, vinham os palitos. Finalmente os miolos. Este é o melhor petisco que conheço para acompanhar com uma bebida. Caviar? Pois sim, experimentem estes miolos. Os miolos são escaldados com água a ferver, bem escaldados e com muito sal. São tiradas todas as peles, tendões e membranas, a “dura mater” para os especialistas. Agora vem o segredo: depois de completamente arrefecidos vão ao congelador, mas por pouco tempo, de forma a endurecerem mas não congelarem. São retirados e cortados com faca afiada e molhada em água tépida, com a grossura de um centímetro. Voltam ao congelador. São de novo retirados e passados por gema de ovo e pão ralado. Voltam ao congelador. Finalmente, pouco tempo depois, são bem fritos em azeite quente. São comidos mornos, com um toque de pimenta preta e limão acabado de cortar, muito limão. Como petisco, com água-pé, tinto, branco, champanhe ou cerveja gelada, há melhor? É possível. Eu não conheço. António Almodôvar

hibault Falk é um pianista francês (n. 1972, Le Puy-en-Valey, perto de Lyon) praticamente, para não dizer totalmente, desconhecido entre nós, embora já se tenha apresentado em terras lusas. Breves palavras de apresentação parecem ter, pois, algum cabimento. Começa pelo piano e, como tantos outros, pela música clássica, diplomando-se pelo Conservatório de Saint-Étienne. Depois cursa Economia e envolve-se na organização de festivais de jazz como o “Jazz à Vienne”. Quis então que aquilo que fora até aí um mero hobby passasse a profissão. Em 1997 decide rumar a Berlim, para estudar jazz na Academia de Música. Multiplicam-se as colaborações, de entre as quais avulta a com Carlos Bica. Depois de um hiato para outros projetos, em 2007 e 2008, com passagens por Lausanne e pelo Dubai, regressou a Berlim, voltando a centrar-se nos seus projetos pessoais. “Sur Le Fil” é o segundo disco com o seu quarteto, depois de “Pour la Chambre d’Aga” (Intuition, 2006), para os quais compôs e arranjou todo o material. O seu quarteto é uma joint-venture multinacional, completandose presentemente com o saxofonista norte-americano Josh Yellon, o contrabaixista dinamarquês Andreas Lang e o baterista polaco Marcin Lonak. Tecnicamente dotado – e acompanhado por músicos competentes –, buscou inspiração na vivência da capital germânica para construir um programa que se enquadra totalmente no cânone do jazz que se convencionou chamar mainstream, em evidente contracorrente com a fervilhante atividade berlinense no que ao jazz mais aventuroso e à nova música improvisada diz respeito. Parecendo preferir limitar-se às coordenadas que definem o seu perímetro de conforto, Falk denota uma clara preferência pelos tempos médios (a peça-título, “Shawnee”, “Ufo an der Spree”, “J´ai Rien Vu de Tout Cela”), de recorte plácido, mas que raramente conseguem produzir uma chispa que seja. Retoma procedimentos gastos para servir um jazz brando e acessível, que não coloca grandes desafios a quem o escuta, permitindo que alguma sensaboria acabe inevitavelmente por se instalar. António Branco

Thibault Falk 4tet – “Sur Le Fil” Thibault Falk (piano), Josh Yellon (saxofones tenor e soprano), Andreas Lang (contrabaixo) e Marcin Lonak (bateria). Editora: Unit Records Ano: 2011


Letras Uma fazenda em África

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Filatelia História do correio em Vianna do Minho em novo estudo

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História do Correio em Vianna do Minho é o título de um novo livro que trata em profundidade o tema em questão. Esta obra faz parte do Tomo 45 dos “Cadernos Vianenses” editados pela Câmara Municipal de Viana do Castelo e tem como autor o investigador postal engenheiro José Manuel Miranda da Mota. No prâmbulo que antecede o estudo, diz o autor, que na sua base está uma conferência que proferiu em 2008, e que tinha como título “Correspondência do século XIX que passou pelo correio de Viana antes da criação da União Postal Universal”, e que integrou o programa da exposição nacional e inter-regional que naquele ano se realizou em Viana do Castelo.

Ao longo das suas páginas, e em três capítulos, Miranda da Mota fala-nos das “Origens do correio em Portugal”, de “O correio em Viana/Viana do Minho/Viana do Castelo” e da “Correspondência que passou pelo correio de Viana e marcas postais usadas nesse período”. Com texto e iconografia riquíssima tanto do ponto de vista histórico como do filatélico, reproduz 33 cartas circuladas no período em estudo e reproduz, no seu tamanho real e em duas páginas, as 20 marcas pré-adesivas que hoje são conhecidas. Estas marcas postais foram retocadas pelo que se apresentam bem mais perfeitas que as do catálogo de marcas postais pré-adesivas de Portugal (Afinsa 1989). O autor estudou e registou, também, os vários carimbos circulares de data completa usados no período em questão. Alguns deles, muito idênticos entre si, eram por vezes confundidos como uma só marca postal. Este autor tem produzido muitos trabalhos na área da investigação postal, alguns dos quais são verdadeiras bíblias na área de que tratam.

ernambuco, 1848. A comunidade portuguesa é alvo da inveja e de ataques violentos pelos locais. Benedita, uma jovem que ficou orfã num ataque noturno a sua casa, casa-se, sem amor, com o comerciante José Leite. O amor virá depois, é o que o senso comum diz mas o coração bem pode esperar. Entretanto, de Lisboa, aguarda-se o apoio para um novo desenvolvimento da aventura colonial portuguesa. Após séculos em que a regra é a da razia populacional de Angola – com a escravização dos africanos que vão satisfazer a necessidade de mão de obra nas roças do Brasil – chegou o momento de demandar terra africana. A riqueza em ouro e diamantes da colónia portuguesa é então desconhecida e as doenças que ceifam vidas e envelhecem colonos em poucos anos são uma ameaça que uma cenUma fazenda tena e meia de colonos decidem enem África João Pedro Marques frentar, liderados pelo empreendePorto Editora dor Bernardino Figueiredo. Após um PVP 16,60 euros estudo sobre a geografia e clima angolanos Moçamedes (atual Namibe) afirma-se como o local para o desenvolvimento de uma nova colónia agrícola. O autor do romance Uma fazenda em África – o segundo romance histórico de João Pedro Marques – é especialista em história colonial. Apoiado no seu trabalho de investigação desenhou uma intriga em que a violência nas relações entre nativos e colonos – mas também entre os homens e a protagonista – são a pedra de toque. A pretexto deste livro, é inevitável a evocação de Equador, o êxito que catapultou Miguel Sousa Tavares como escritor de ficção. Maria do Carmo Piçarra

Geada de Sousa

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Os dias difíceis de Paco Bandeira

a tico da “ternur Já foi o herói român ador da grande embaix dos 40”. Já foi o ana. Hoje, Paco música ligeira alentejquatro década s de de , acuBandei ra, ao fim braços com a justiça ista carreira, está a Entrev ica. ia domést sado de violênc pág. 13 exclusiva ao “DA”.

certo, uma das Esta foi, por fias dos milhares primeiras fotogra que se fizeram de fotos de família da albufeira o junto ao paredã captada a 8 de de Alqueva. Foi 2002. No preciso fevereiro de es António Guterr dia em que te as comcialmen ofi encerrava em. Passados portas da barrag agrícola do de 10 anos, a realida . É um facto. mudou o Alentej to desenvolvimen Mas o sonho do ir. Pág. 6 continua por cumpr

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habitantes. Menos impor Tem apenas 411 que o Governo quer milhar. A barreira ias. Mas a menos nem para extinguir fregues concelho de Moura populosa aldeia do tal. Por agora, o seu quer ouvir falar em a falta de chuva. Que lhe aé principal problem de vida. págs. 4/5 fonte seca o rio. A sua

JOSÉ SERRANO

Novas Oportu Sete dos 12 centros em vias de fechar as encerraram ou estão E os restantes cinco portas em definitivo. de Beja apenas conexistentes no distrito amente até agosto. r precari seguem persisti o grupo tório” que trouxe 9 Um “ato persecu PS para a rua. pág. parlamentar do

um jornal para toda a região

012: Alqueva 2002-2o nã e qu o sonho ade se tornou realid

Onde estiver, quando quiseral

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Diário do Alentejo 17 Fevereiro 2012

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“Fevereiro Horrível” na Casa da Cultura

Dando continuidade ao “Fevereiro Horrível”, mês do terror na Casa da Cultura de Beja, exibe-se hoje, pelas 22 horas, na Bedeteca de Beja (1.º andar, ala esquerda), o filme “Planeta Terror”, de Robert Rodriguez. De acordo com a organização, uma “obra alucinante e excessiva” na qual

Fim de semana

o realizador presta tributo aos filmes de zombies, “com muito sangue à mistura”. No mesmo espaço mantém-se até ao próximo dia 25 uma feira do livro temática, com sugestões de leitura que falam por si: de Bram Stocker a Edgar Allan Poe, de Lovecraft a Stephen King.

A Girafa Maria lançado amanhã em Beja Amanhã, sábado, pelas 16 horas, o setor infantil da Biblioteca Municipal de Beja acolhe o lançamento do livro A Girafa Maria, uma edição da TuttiRév (coleção Coisas de Criança), ilustrada por Carla Rondão. A autora, Alexandra Graça, é uma educadora de infância bejense.

“Pets”, pela Companhia Olga Roriz Teatro Fórum de Moura com estreia n’Os Infantes Escrita por Abdelkader Allouda, encenada por Jorge Feliciano e produzida pelo Teatro Fórum de Moura, a peça “O esqueleto do cozinheiro Akli”, que teve estreia ontem, quinta-feira, no palco de Os Infantes, volta a estar em cena hoje, através de duas sessões: às 14 e 30 horas, para o público escolar, e pelas 22 horas, para o público em geral. Trata-se de uma das histórias que compõem Os Generosos, de Abdelkader Allouda, o principal dinamizador da revolução do teatro argelino após a independência, e conta a história de um cozinheiro que decide doar o seu esqueleto para, após a sua morte, ser usado nas aulas de Ciências Naturais na escola onde trabalha. Menuar, o porteiro da escola e melhor amigo de Akli, torna-se fiel depositário das ossadas, até o dia em que se tornam necessárias para ensinar anatomia aos alunos. Mas, explica a companhia, “essa aula não será apenas sobre ossos, mas antes uma lição de generosidade humana e sobre a importância de todos participarem no ato educativo”. A produção representou Portugal/Moçambique no I Festival de Teatro Lusófono de Teresina, no Brasil, naquela que foi a primeira participação internacional da companhia de Moura.

Nós, “domesticados e selvagens”

A

Companhia Olga Roriz está novamente de regresso ao Pax Julia Teatro Municipal para um espetáculo que terá lugar amanhã, sábado, a partir das 21 e 30 horas. Com estreia recente, em outubro último, no Teatro Camões, em Lisboa, a coreografia “Pets” debruça-se sobre as facetas “domesticadas e selvagens” dos seres humanos num espetáculo onde se propõe “observar o inatingível”. Um universo onde cabem “o privado e o público”, “o quotidiano, a rotina e os hábitos”, o “silêncio e a solidão”, mas também “as pequenas palavras”, “a procura dos nomes”, “as presas e as surpresas”, “o jogo de poderes”, “a sedução” e “o desejo”, revela a sinopse.

A direção e os figurinos são da própria Olga Roriz, uma das mais prestigiadas coreógrafas nacionais, assim como a seleção musical, com João Raposo, onde constam nomes como Arvo Part, Bebe, Bonobo, Carlos Gardel, Caverna, Eleni Karaindrou, Gotan Project, Joan Jeanrenaud, Jonny Greenwood, Pink Martini, The Chemical Brothers e Wax Poetic. Interpretam “Pets” os bailarinos Catarina Câmara, Maria Cerveira, Marta Lobato Faria, Bruno Alexandre e Pedro Santiago Cal. “Homens e mulheres afeiçoados por si próprios. Auto domesticados. Selvagens”, como conclui a criadora.


Sá Pinto é o novo treinador do Sporting, depois da saída de Domingos Paciência. O único currículo de Sá Pinto foi ter sido adjunto de Pedro Caixinha, treinador do Nacional da Madeira e natural de Beja. Neste momento, Caixinha tem importância no futebol nacional, havendo quem considere que as equipas que treinou no Desportivo de Beja há mais de 10 anos estariam em condições de derrotar este Sporting. Esta notícia faz cair por terra a teoria de que Angela Merkel teria influenciado o despedimento de Domingos e sugerido Sá Pinto porque este tem um ar “mais germânico a fazer lembrar um major da Força Aérea Alemã em Beja nos anos 80”.

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Turismo do Alentejo vai aproveitar BTL para apresentar a campanha “All entejo” A próxima edição da Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) terá como destino convidado o Alentejo. Trata-se de uma oportunidade dourada para dar a conhecer a região num certame muito importante. Ao que apurámos, será apresentada a campanha “All entejo”, baseada na já extinta campanha “Allgarve”. O objetivo é apresentar um Alentejo diferente e vibrante. Para o efeito, será realizado um desfile do Carnaval de Cuba em Lisboa, como nos referiu Laércio Duda Gonzaga, coreógrafo brasileiro responsável pelo Carnaval daquele concelho: “A gentji vai fazerrrr um grandji sspectáculo em Lissboua, com um desfili do Carrenavau dji Cuba, o Carrenavau maisss porrtuguêiss dji Porreetugau!! Até o presidentchi Orelha vai entrá como o Auberto João na Madéira, para djimonstrar que esstamosss todosss nessa e levamos o Carrenavau muito a sério! Vai serrr como djizia o Futri: vai vir charters dji chinesis para verrrr o Carrenavau da gentji!!” Para além disto, será realizada uma ação de divulgação da região, com elementos mais tradicionais, estando previsto o lançamento de balões de ar quente com a forma de popias e sericaia.

o Nerbe d g n ti ra a ix a b ’s y d ” Ato eleitoral: Mool” para “Principiante do Monopólio e: presaria m e ro u do hemisfério nort a s s o in D “ ade da população e et m d im ed ra r de rio en te re an rp

na resultados que su como noticiámos ções no Nerbe com de três votos. Tal ei el em a, pois de chegar ag ad nt De ss va o. pa a a id ar an um al sem os, criou rrano com ám Se ur ís ap Lu o de nd Realizaram-se, na a gu eu se , nc esença levar de volta ao Filipe Pombeiro ve ções, mas a sua pr ou um táxi para o ei el am as ch ar no rv rra a candidatura de se Se ob ís de tratava do Avô onde Lu ficou encarregado -se para o Nerbe, is acreditou que se iu po , rig di ria eg no al ica ção, Jimmy Carter de er u am lo e Pombeiro rejubi ja, o ex-presidente tinha fugido, e Filip ao aeroporto de Be e qu a sauro emav ns pe de ha, de on do Nerbe de “Dinos g tin ra o ou ix ba lar da Cruz Vermel oody’s agência foi dos, e a agência M riente”. Quando a ca pe er ex m in os e . ar vo as liz ig no bi nt to ta Ca é mui expresuiu es davia, não conseg “o novo presidente spondendo com as e to re l, a qu ra ei ar to id er ei id sa el es ns o u co at r to Este opólio”, po o, a Moody’s refu rincipiante do Mon e revela paternalism qu ão cis presarial” para “P de a um r o facto de esta se e apareçam, pá!”. confrontada com s velhos” e “cresçam ai m s lo pe ito pe sões: “res

Museu Regional de Beja aplica acordo ortográfico pois já não tem dinheiro para comprar consoantes A decisão de Vasco Graça Moura (escritor, poeta, tradutor, comentador, mulher a dias e presidente do CCB) de revogar a utilização do novo Acordo Ortográfico no Centro Cultural de Belém, está a galvanizar os defensores da antiga norma que exigem a revogação do novo acordo. Outras instituições culturais equacionam fazer o mesmo, à exceção do Museu Regional de Beja: “Não temos dinheiro para nada. Gerimos isto como um concorrente da Roda da Sorte: oferecem-nos umas consoantes e de vez em quando compramos umas vogais, e mais nada. Nos folhetos novos que fizemos, poupámos para cima de quatro euros já que deixámos de ter ‘colecções’ e ‘actividades’ e passámos a ter ‘coleções’ e ‘atividades’. Também Mariana Alcoforado passou a ser designada por ‘Mary Al’, para apelar ao público mais jovem e poupar uma data de carateres”.

Inquérito Vai festejar o Carnaval? RODEIA MACHADO, 63 ANOS Presidente dos Bombeiros de Beja e pessoa que se vai mascarar de candidato a presidente da Câmara de Beja para ir treinando

MIGUEL GÓIS, 32 ANOS Vereador da Câmara de Beja e pessoa que veste um número abaixo do que devia

HUGO SERPENTINA E XAVIER BOMBINHA DE MAU CHEIRO, AMBOS COM 44 ANOS Foliões que gostam de se vestir de mulheres

É óbvio que vou festejar para demonstrar que se Beja não tem um Carnaval decente é por culpa do senhor presidente da câmara. O senhor Pulido Valente ainda não percebeu que Beja devia seguir a sua grande tradição de Carnaval que nunca teve e retomar os grandes desfiles que nunca realizou. Assim somos ultrapassados pelo Carnaval de Cuba ou de São João dos Caldeireiros. Chiça, que o homem tira-me do sério! Pronto, vou meter o comprimido debaixo da língua.

É claro que sim! A autarquia concede tolerância de ponto, tolerance of point, e, apesar de Beja não estar na linha da frente, front line, do Carnaval, por falta de dinheiro, falte of guite, vamos apostar num grande Carnaval para o ano que vem: com desfiles, samba, música, animação e mulheres bonitas, naked bitches. E magrinhas, não daquelas com as banhitas de fora, with the toucinhe on the outside.

Festejaremos como fazemos todos os anos. Já comprámos as meias de rede, as lantejoulas, uma saia que parece um cinto e um top dos ciganos. E arranjámos uma maquilhadora profissional: no ano passado estávamos tão bêbados que a nossa maquilhagem parecia reboco que tinha sido aplicado por um pedreiro invisual. Nós levamos isto muito a sério. Só é pena o frio, ainda não nos refizemos da pneumonia do ano passado.


Nº 1556 (II Série) | 17 fevereiro 2012

FUNDADO A 1/6/1932 POR CARLOS DAS DORES MARQUES E MANUEL ANTÓNIO ENGANA PROPRIEDADE DA AMBAAL – ASSOCIAÇÃO DE MUNICÍPIOS DO BAIXO ALENTEJO E ALENTEJO LITORAL Presidente do Conselho Directivo José Maria Pós-de-Mina | PRACETA RAINHA D. LEONOR, 1, 7800-431 BEJA | Publicidade e assinaturas TEL 284 310 164 FAX 284 240 881 comercial@diariodoalentejo.pt Direcção e redacção TEL 284 310 165 FAX 284 240 881 jornal@diariodoalentejo.pt | Assinaturas País € 28,62 (anual) € 19,08 (semestral) Estrangeiro € 30,32 (anual) € 20,21 (semestral) Director Paulo Barriga (CP2092) | Redacção Bruna Soares (CP 8083), Carla Ferreira (CP4010), Nélia Pedrosa (CP3586), Ângela Costa (estagiária) Fotografia José Ferrolho, José Serrano | Cartoons e Ilustração Luca, Paulo Monteiro, Susa Monteiro | Colaboradores da Redacção Alberto Franco, Aníbal Fernandes, Carlos Júlio, Firmino Paixão, Marco Monteiro Cândido | Provedor do Leitor João Mário Caldeira | Colunistas Aníbal Coutinho, António Almodôvar, António Branco, António Nobre, Carlos Lopes Pereira, Constantino Piçarra, Francisco Pratas, Geada de Sousa, José Saúde, Rute Reimão | Opinião Ana Paula Figueira, Bruno Ferreira, Cristina Taquelim, Daniel Mantinhas, Filipe Pombeiro, Francisco Marques, João Machado, João Madeira, José Manuel Basso, Luís Afonso, Luís Covas Lima, Luís Pedro Nunes, Manuel António do Rosário, Marcos Aguiar, Maria Graça Carvalho, Martinho Marques, Nuno Figueiredo Publicidade e assinaturas Ana Neves | Paginação Antónia Bernardo, Aurora Correia, Cláudia Serafim | DTP/Informática Miguel Medalha Projecto Gráfico Alémtudo, Design e Comunicação (alemtudo@sapo.pt) Depósito Legal Nº 29 738/89 | Nº de Registo do título 100 585 | ISSN 1646-9232 Nº de Pessoa Colectiva 501 144 587 Tiragem semanal 6000 Exemplares Impressão Grafedisport, SA – Queluz de Baixo | Distribuição VASP

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Hoje, sexta-feira, espera-se céu pouco nublado e vento fraco. A temperatura vai oscilar entre os quatro e os 14 graus centígrados. Amanhã, sábado, não são esperadas nuvens e no domingo o sol deverá brilhar em toda a região.

Geógrafo reflete sobre a metamorfose da paisagem alentejana

Mundo rural em transformação

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geógrafo Álvaro Domingues esteve esta semana em Évora, a convite da associação cultural Coleção B, para falar, no âmbito dos Ciclos de São Vicente, sobre a profunda transformação em que se encontra o território alentejano e a extemporaneidade do adjetivo “rural” com que frequentemente é descrito. Sob o título provocatório “A paisagem era verde, veio uma cabra e comeu-a”, o especialista em urbanismo e paisagem refletiu sobre o que designa de “desruralização”, tema que vem observando de máquina fotográfica ao ombro. Como descreveria este processo de “desruralização” de que, segundo afirma, o território alentejano está a ser alvo?

Com o conceito de “desruralização” pretende-se perceber o que é que significa exatamente a metamorfose da ruralidade. Enquanto adjetivo, rural significava a ocorrência de duas particularidades em simultâneo: a agricultura enquanto suporte da economia; e a cultura enquanto referência tradicional ou camponesa baseada em especificidades locais, fechada sobre si, avessa à modernidade, etc. Ora, se hoje olharmos para o Alentejo constatamos que a maior parte dos recursos económicos provem de salários e rendimentos ou pensões fora do setor agropecuário ou florestal (emprego nos serviços, poupanças e remessas da emigração, pensões de velhice, reformas, etc.). E, quanto à cultura, vivemos todos bastante expostos à cultura genérica veiculada pelos meios de comunicação, como a televisão ou a net, misturando outras referências mais ou menos “cultivadas”, locais, globais, profissionais, etc. Quando assim é, faz sentido adjetivar a sociedade, a cultura ou a paisagem de “rural”? É que as próprias explorações PUB

agrícolas competitivas (sejam de agricultura intensiva, sejam de agricultura biológica) são geridas por empresários e culturas tecnoempresariais e não por “rurais”. Quais são as perdas a lamentar e, pelo contrário, as oportunidades que se vislumbram neste processo?

Álvaro Domingues, 52 anos, natural de Melgaço

Geógrafo, professor e investigador na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, tem-se dedicado às áreas científicas de geografia urbana, urbanismo e paisagem. Publicou há dois anos A Rua da Estrada, o primeiro livro de uma trilogia que pretende terminar, em 2013, com uma nova viagem, a que já deu o nome de Volta a Portugal. Entre um e outro, surge Vida no Campo, um volume já concluído que, neste momento, procura os primeiros 500 subscritores para uma pré-encomenda que garantirá uma edição física em março.

Se alguém pensar nas misérias, injustiças e privações da “velha” agricultura portuguesa, não percebo o que é que se lamenta. Provavelmente o olhar estético para a paisagem lamenta mais a perda de determinados traços visuais do que a perda dos “jardineiros dessa paisagem” que eram os trabalhadores mal pagos e a viver com muitas dificuldades. As oportunidades estão exatamente na polifuncionalidade do rural que se vai inventando: para turismo, para residência secundária, para a preservação de qualidades e recursos biofísicos, para a produção energética (Amareleja), para a produção de bens distintos (os produtos DOC), para as culturas intensivas (vinho, azeite, gado), etc. Fale-me deste projeto de trilogia que começou em A Rua da Estrada.

É investigação científica misturada com ensaio, fotografia e divulgação. A Rua da Estrada é sobre a urbanização fora da cidade (algo raro no Alentejo e muito abundante no Algarve ou no Noroeste, por razões distintas); Vida no Campo é sobre as paisagens transgénicas que resultam do processo de desruralização. Ambos são para superar esta ideia de que vivemos no caos algures entre o sentimento de perda da cidade enquanto Centro Histórico, e do campo enquanto Aldeia Típica. Carla Ferreira

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Festival Músicas do Mundo de Sines revela primeiros artistas de 2012 A cantora maliana Oumou Sangaré, o tocador de banjo norte-americano Béla Fleck e o trompetista sul-africano Hugh Masekela vão estar em julho no Festival Músicas do Mundo de Sines (FMM), anunciou a organização. O festival FMM de Sines, que entra na 14.ª edição, está marcado de 19 a 21 e de 26 a 28 de julho, coincidindo com dois fins de semana de concertos, grande parte deles no castelo da cidade. Os três primeiros nomes anunciados pela autarquia de Sines representam um regresso e duas estreias. O regresso é da cantora maliana Oumou Sangaré, que atuou em Sines em 2001, elogiada pela imprensa ocidental pelo compromisso entre a tradição da ancestral música do Mali com a modernidade. Empresária e embaixadora da ONU para a Agricultura e Alimentação, Sangaré é também uma das grandes vozes ativas no Mali pelos direitos das mulheres e contra a excisão feminina. Em Sines, Sangaré terá a seu lado Béla Fleck, o premiado músico (com 14 Grammy) que escolheu o banjo como instrumento de aproximação cultural entre Estados Unidos e África. Nascido em Nova Iorque, “já aventurou o banjo em composições que vão do bluegrass à pop instrumental, ao jazz e à música clássica”, refere a organização do FMM. A parceria entre os dois surgiu em 2005, quando Béla Fleck decidiu viajar para África e trabalhar, costa a costa, com músicos locais em torno do banjo, tendo resultado na edição de um documentário e em vários álbuns. O terceiro nome anunciado é o do trompetista sul-africano Hugh Masekela, que soma mais de 50 anos de carreira. “Na sua música cruzam-se, entre outras, as tradições africanas e afroamericanas, sendo especialmente marcantes no seu som o jazz bebop, o afrobeat e o funk”, elogia a organização do FMM. “Bring him back home”, um dos êxitos, ficou associado a Nelson Mandela, quando este foi libertado da prisão depois do Apartheid. Considerado pela revista “Songlines” um dos melhores festivais internacionais de 2011, o FMM de Sines teve nesse ano nomes como Congrotronics vs Rockers, Blitz the Ambassador, Cheik Lô, Mário Lúcio e Sly & Robbie.

Ediçao Nº. 1556  

Diario do Alentejo

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