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O Xô das Velhas Este jornal dá direito a ir ao teatro este fim de semana, em Serpa

Brito Camacho Nasceu em Aljustrel há 150 anos um dos maiores vultos da I República

págs. 16/17

SEXTA-FEIRA, 10 FEVEREIRO 2012 | Diretor: Paulo Barriga Ano LXXX, N.º 1555 (II Série) | Preço: € 0,90

Dos municípios com tradição no Entrudo apenas Castro Verde segue diretiva governamental

Câmaras do Baixo Alentejo dão tolerância de ponto no Carnaval pág. 7

Os dias difíceis de Paco Bandeira

Sete dos 12 centros Novas Oportunidades encerraram ou estão em vias de fechar as portas em definitivo. E os restantes cinco existentes no distrito de Beja apenas conseguem persistir precariamente até agosto. Um “ato persecutório” que trouxe o grupo parlamentar do PS para a rua. pág. 9

Já foi o herói romântico da “ternura dos 40”. Já foi o grande embaixador da música ligeira alentejana. Hoje, Paco Bandeira, ao fim de quatro décadas de carreira, está a braços com a justiça, acusado de violência doméstica. Entrevista exclusiva ao “DA”. pág. 13

JOSÉ SERRANO

Centros Novas Oportunidades encerram

Esta foi, por certo, uma das primeiras fotografias dos milhares de fotos de família que se fizeram junto ao paredão da albufeira de Alqueva. Foi captada a 8 de fevereiro de 2002. No preciso dia em que António Guterres encerrava oficialmente as comportas da barragem. Passados 10 anos, a realidade agrícola do Alentejo mudou. É um facto. Mas o sonho do desenvolvimento continua por cumprir. Pág. 6

S. Amador sobrevive nas margens do Ardila Tem apenas 411 habitantes. Menos de meio milhar. A barreira que o Governo quer impor para extinguir freguesias. Mas a menos populosa aldeia do concelho de Moura nem quer ouvir falar em tal. Por agora, o seu principal problema é a falta de chuva. Que lhe seca o rio. A sua fonte de vida. págs. 4/5

Alqueva 2002-2012: o sonho que não se tornou realidade


Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

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Editorial

Vice-versa As bases aéreas de Beja e Monte Real “têm poucas hipóteses de vir a ser selecionadas [como alternativa à Portela], já que a acessibilidade é um critério valorativo”. Segundo o secretário de Estado dos Transportes “Montijo e Sintra” estão em melhor posição para serem escolhidas. Sérgio Monteiro, secretário de Estado dos Transportes, “Expresso”, de 4 fevereiro de 2012

Descante Paulo Barriga

“O aeroporto de Beja está a ser equacionado como alternativa para receber companhias low cost”.

É

a cantar que a gente se entente. É a cantar que espantamos tantas vezes os nossos males. É a cantar que nos conhecemos e nos damos a conhecer. Que nos identificamos e que nos identificam. Em toda a parte. É a cantar que nascemos, que nos batizam, que casamos, que celebramos todos os ritos da nossa existência. Da nossa experiência. Coletivamente. Seja de roda dos grunhidos de um porco, seja na soleira de uma igreja, seja defronte de um bom lume, seja com a barriga encostada a um balcão de mármore sarapintado de nódoas de vinho. É a cantar que nos juntamos nas alegrias, nas penas, nas festas, nas tristezas. É a cantar, a nossa vida toda. O cantar está em nós, como nenhuma outra expressão está. O cantar está para nós, como está a cal para as paredes de um monte. Entranhada. Em camadas e camadas de pele branca. Tantas camadas ardidas pelo sol que da grande maioria já não guardamos memória. Nem delas, das caiadelas, nem da própria caiadeira. E é por isso mesmo que o cantar nos torna tão particularmente diferentes perante os outros. E é por isso mesmo que é importante salvaguardar da voracidade da unificação global a nossa maneira de cantar. Que tem nos grupos corais os seus principais guardiões. Mas que vai muito para além deles, dos corais, e dos seus repertórios mais ou menos folclorizados. Quando se pretende candidatar o cante alentejano a património imaterial da Unesco não é apenas do cante que estamos a falar: é deste tal povo que canta, no seu todo. Neste momento há grandes clivagens quanto à importância e, principalmente, quanto à oportunidade desta candidatura. Notam-se birras e ciumeiras entre os intervenientes mais ativos e os atores supostamente excluídos. Mas o que se nota, de facto, é que o cantar, a nossa maneira de cantar, pode estar a perder uma oportunidade única. Que é como quem diz: o cante, a nossa mais identificativa expressão cultural, pode estar a perder uma oportunidade única. Que é como quem diz: nós todos poderemos est estar a perder uma oportunidade opo única. Ou O será que nem mes mesmo a cantar a gen gente se consegue entender? en

Resposta do Ministério da Economia a uma pergunta do deputado do PCP João Ramos, a 3 de janeiro.

Fotonotícia

Fevereiro de 2002, dia 8. Adérito Serrão, o homem forte da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva, discursa momentos antes de passar para as mãos de António Guterres, primeiro-ministro quase de abalada, um comando que permitiu encerrar as comportas da barragem de Alqueva. Lá em baixo o Guadiana persistia ainda a breve linha de água que, passados dois invernos, se transformaria no maior lago artificial da Europa. O princípio do sonho anunciado – e sistematicamente adiado – para o Alentejo. Para o desenvolvimento de toda a região. Quer ao nível agrícola, quer ao nível hidroelétrico, quer ao nível turístico. Passados 10 anos, o regadio integral de Alqueva ainda está por cumprir, principalmente nas zonas de melhor acolhimento: os barros de Beja; grande parte dos investimentos turísticos nunca passaram do papel; as aldeias ribeirinhas continuam o seu lento processo de desertificação e o que parece restar ainda com assinalável fôlego é a componente energética. É inevitável tornar a inaugurar Alqueva. PB Foto de José Serrano

Voz do povo O que acha do aumento do preço dos bilhetes das urbanas de Beja?

Inquérito de Ângela Costa

Mariana Jaca, 79 anos, reformada

António Oliveira, 79 anos, reformado

Alice Bravo, 64 anos, funcionária pública

Sofia Militão, 14 anos, estudante

Eu tenho passe. Não sei se já aumentou. No princípio deste mês ainda comprei ao mesmo preço. Agora só vou saber se aumentou no fim do mês. O meu passe custa 18 euros e dá para os quatro circuitos. Uso muito as urbanas e se o preço aumentar não sei se terei dinheiro para isso, mas faz-me muita falta. Já me custa andar e com estas lonjuras…

Não tenho conhecimento dos aumentos. Eu pago 18 euros por mês, tenho passe, e este mês paguei o que costumo pagar. Se o bilhete normal aumentou não sei, mas 80 por cento das pessoas que usam as urbanas têm passe. São os alunos da escola e os idosos. Eu utilizo muito as urbanas, dão-me muito jeito.

Este mês ainda não foram aumentados e provavelmente já não vão ser. Eu uso um cartão de bilhetes recarregáveis, mas se este mês ainda não aumentaram os passes, os cartões também não vão aumentar. Se aumentar é para o mês que vem e vamos ver que aumento vai ser. Se forem cinco cêntimos… olha… é mais cinco que abalam. Eu uso muito as urbanas porque sou do Penedo Gordo e as urbanas também dão para lá.

Eu não tenho passe de urbanas, só tenho da Rodoviária mas desse não pago nada porque é da escola. Para a urbana preciso de outro. Do cartão da urbana pago mais ou menos 10 euros mas também só utilizo três dias por semana e não sei ainda nada sobre aumento de preços.


Semana passada SERPA HOMEM ARMADO ASSALTA DEPENDÊNCIA BANCÁRIA EM FICALHO Um homem armado assaltou uma dependência bancária do grupo Crédito Agrícola em Vila Verde de Ficalho, no concelho de Serpa, e roubou o dinheiro que estava nas caixas, disse à Lusa fonte da GNR. O assalto ocorreu às 10 horas, quando o homem, “de cara destapada”, entrou no balcão, ameaçou os funcionários, com “uma caçadeira de canos serrados”, e roubou o dinheiro que estava nas caixas, explicou o oficial de relações públicas do Comando Territorial de Beja da GNR, tenente-coronel José Candeias. Após o assalto, que “foi rapidíssimo”, o homem fugiu, disse.

QUINTA-FEIRA, DIA 2 ALJUSTREL PJ DETÉM DOIS HOMENS E UMA MULHER SUSPEITOS DE ROUBO Dois homens e uma mulher, com idades entre os 20 e os 29 anos, foram detidos pela Polícia Judiciária por suspeitas da autoria de um roubo que envolveu armas de fogo, a 13 de janeiro, no concelho de Aljustrel. Em comunicado, a PJ refere que a identificação dos suspeitos e a detenção dos mesmos foram efetuadas por elementos da Diretoria do Sul, em colaboração com a GNR de Aljustrel. A força policial relata que o crime de roubo de que são suspeitos os dois homens, de 20 e 29 anos, e a mulher, de 22 anos, remonta a 13 de janeiro, pelas 22 e 30 horas, em Montes Velhos. “Enquanto a arguida aguardava no exterior de um café ao volante de um automóvel, os arguidos encapuzados, munidos de uma espingarda caçadeira com canos serrados e de uma catana, entraram naquele e, após efetuaram dois tiros, apoderaram-se de 120 euros”, pode ler-se no comunicado. Na operação que levou, agora, à detenção dos três presumíveis suspeitos, realça a PJ, foram “recuperadas as armas utilizadas no assalto, sete cartuchos e um gorro passa-montanhas”.

SEXTA-FEIRA, DIA 3 OURIQUE GNR DETEVE DOIS HOMENS FUGIDOS DA PRISÃO DE LEIRIA A GNR deteve em Ourique dois homens que se tinham evadido do Estabelecimento Prisional de Leiria, e que estavam na posse de um veículo furtado no Algarve, disse fonte da força de segurança. A mesma fonte adiantou à Lusa que os homens, de 21 e 24 anos, foram detidos cerca das 18 horas, não tendo sido indicada a data em que se evadiram da prisão.”Tudo indica que os detidos vinham do Algarve”, indicou a fonte da força de segurança, acrescentando que a GNR está a investigar se foram praticados outros crimes pelos dois homens, durante o período em que estiveram evadidos do estabelecimento prisional.

SÁBADO-FEIRA, DIA 4 AZINHEIRA DE BARROS NOVO CENTRO DE ATIVIDADES ESCOTISTAS ARRANCA As obras de construção do novo Centro de Atividades da AEP – Associação de Escoteiros de Portugal em Azinheira de Barros, concelho de Grândola, arrancaram oficialmente. O centro nasce “da reconversão do antigo campo de futebol de Azinheira dos Barros, numa área aproximada de 10 000 metros quadrados e terá capacidade instalada para receber, em simultâneo, cerca de 300 escoteiros”. No espaço “irá nascer uma grande área de acampamento e atividades, uma sede de apoio e casas de banho e balneários”. Foi ainda assinado o acordo de comodato entre a Junta de Freguesia de Azinheira dos Barros e a AEP, cedendo o uso daquele espaço por 75 anos e um acordo de cooperação que, entre coisas, “envolverá os escoteiros em atividades de apoio à comunidade como pintura de edifícios públicos, criação de percursos pedestres, construção de uma quinta pedagógica ou ainda limpeza de espaços de uso público”.

3 perguntas a Teresa Chaves

Presidente da Caritas Diocesana de Beja

O protocolo exige uma poltrona para o senhor bispo

Em que medida é que as novas instalações da Caritas Diocesana de Beja, inauguradas recentemente, vão permitir melhorar os serviços prestados pela instituição?

A Caritas Diocesana de Beja tem uma nova sede. Bonita. E funcional. Capaz de acolher os muitos carenciados que cada vez mais ali acorrem. Anote bem, senhor ministro.

As novas instalações têm mais gabinetes e estão melhor equipados pelo que iremos ter melhores condições de trabalho. A nova sede tem uma grande sala de formação, gabinetes para o voluntariado, terapias familiares, um ciberespaço, gabinetes de apoio técnico às respostas sociais existentes, para além de uma infraestrutura para uma comunidade de inserção com capacidade para 24 camas. Temos também a perspetiva de criar um centro de dia com capacidade para 15 utentes.

Se não nos atendem daqui a pouco invadimos a câmara E foi o que aconteceu na manhã da passada sexta-feira, quando uma manifestação organizada pelas juntas de freguesia do concelho decidiu ir ao interior da autarquia pedir o seu dinheirinho.

Quantas pessoas/famílias são apoiadas atualmente no refeitório social da Caritas e através da entrega de géneros alimentares e quais os seus perfis?

O atendimento social abrangeu 920 pessoas, tendo sido distribuídos géneros do Banco Alimentar a 667 pessoas. Em relação ao Programa Comunitário de Apoio Alimentar, foram distribuídos géneros a 2 392 pessoas. Foram 105 as pessoas que frequentaram ao longo do ano o nosso refeitório social, sendo que dois terços levam as refeições para casa e um terço as tomam na instituição. O apoio económico através do Fundo de Emergência Social abrangeu 905 pessoas. Para além do perfil de pessoas que habitualmente solicitam apoio em géneros à Caritas, verificamos que há um número crescente de pessoas com perfil de classe média que solicitam apoio principalmente por não estarem a conseguir fazer face a compromissos assumidos com prestações de casa e que estão com carências alimentares.

Não é uma fila de racionamento dos tempos da Guerra São dezenas de elementos de corais do Alentejo que esta semana participaram, em Serpa, nas filmagens de um vídeo promocional para a candidatura do cante a Património da Humanidade.

Como antevê os tempos mais próximos, tendo em conta o agravamento das condições económicas das famílias?

Os tempos mais próximos irão ser difíceis. Será importante reforçar as parcerias, rentabilizar recursos e dar muito apoio psicológico às famílias. É tempo de darmos as mãos, fortalecer as relações de proximidade, apoiar o voluntariado e ser muito criativo para dar melhor resposta com menos recursos. Acima de tudo não podemos desanimar, pois já passámos por períodos muito difíceis e conseguimos ultrapassá-los. É necessário, no entanto, adotar novos estilos de vida e repartir com quem menos tem. E pensar que melhores dias virão, e que apesar das dificuldades pode ser uma oportunidade para fortalecermos os laços de fraternidade e de mútua ajuda. NP

Não me lembro se já li este livro da Matilde Rosa Araújo Estas meninas estão a participar numa visita guiada à belíssima exposição “O Destino das Fadas”, que está na Biblioteca de Beja, em homenagem à diva da literatura infantil. RUI EUGÉNIO

QUARTA-FEIRA, DIA 1

Rede social

Lá estão eles outra vez aos pulos na pista de dança São já um clássico da noite bejense, estas etapas revivalistas que, de quando em vez, ocorrem no renovado espaço Os Infantes. Música dos anos 70, 80 e 90 que os miúdos de 2010 também apreciam.

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❝ Santo Amador

“Claro que não há ninguém que esteja a favor. A escola e a junta são o que mantém cá as pessoas e são a maior ligação da terra ao exterior. Se acabarem, não há mais nada. É como se nos cercassem. É um crime e não é só deste governo – todos têm caminhado para aí”. José Coelho

Santo Amador tem 411 habitantes mas cultiva uma vida cultural intensa

Poucos com a energia de muitos à beira do Ardila

E

ncaixada entre o rio Ardila e a ribeira de Toutalga, Santo Amador, a freguesia menos populosa do concelho de Moura, tem no elemento água o seu cartão de visita mas nem isso a defende dos efeitos da míngua de chuva deste inverno. Na praça D. Maria Gertrudes Pires, nome de uma antiga professora da terra, o repicar roufenho do sino eletrónico da igreja setecentista e o bate-bico das cegonhas brancas lá no alto juntam-se ao burburinho dos homens. Executam uma afinada récita matinal, enquanto o sol se eleva aquecendo os bancos públicos, que convidam a permanecer. Uma bênção que tem o seu reverso, sobretudo quando a última dádiva dos céus de que há memória, “foi uma coisita tão fraca que nem deu em nada”, comenta António Marques Félix, de 74 anos, que recebe mais “outro dia de sol” com apreensão. “Sabe bem mas estraga-se tudo. As pastagens estão todas secas. Olhe lá para aqueles outeiros além, não há um pelo de erva para os bichinhos comerem, é só a poder de comida de mão e torna-se muito dispendioso”, aponta. O estado de seca meteorológica, já decretado oficialmente, preocupa mas a verdade é que não provoca grandes prejuízos a quem também não fez grandes investimentos, como é o caso destes homens, quase todos reformados. Antigo trabalhador rural e emigrante em França, António Félix mantém um “bocadinho de quintal” para “semear umas farturas”, que é o mesmo que dizer umas leiras de alfaces, couves, espinafres, batatas, cebola ou alho para consumo próprio. À falta de chuva, usa o poço para a rega e vai levando assim a sua produção caseira, orgulhosamente “sem químicas”. O costume de manter um “quintalinho”, lembrança do campo dentro de casa, é partilhado por grande parte dos atuais 411 habitantes de Santo Amador, como confirma Vítor Coelho Rosa, também na casa dos 70, “velho” e com o corpo “cheio de operações”, admite a sorrir. Já fez de tudo

Em Santo Amador, cada dia de sol que amanhece é acolhido com apreensão na praça junto à igreja, onde tudo se discute. A seca ameaça a pequena agricultura local, e o Governo o seu estatuto de freguesia, por estar aquém dos 500 habitantes requeridos na reforma da administração local. O que lhe vale é o vizinho Ardila, antiga fonte de sustento e agora espaço sobretudo de lazer, para pescarias e festejos. E a juventude, pouca, mas com muita vontade de trabalhar para dignificar a memória e as gentes desta aldeia à beira rio. Texto Carla Ferreira Fotos José Serrano

Seca No largo da Igreja, o dia de sol é acolhido com apreensão: “Sabe bem mas estraga-se tudo”, comenta António Félix

– de agricultor a padeiro, de tratorista a boleiro – e condói-se com a situação dos outros, “esses pobres que têm as searas semeadas e fizeram despesas”. Da praça D. Maria Gertrudes Pires avistam-se os cabeços em volta. De braço erguido, Vítor Rosa vai mapeando a paisagem: “Essas terras que são mais frescas, vão-se aguentando. Se chovesse, ainda tinham emenda. Agora, quem semeou searas aqui para este lado da aldeia, que é terra mais brava, já não apanha nada”. Nem as pastagens se escapam e quem tem gado – Vítor Rosa identifica pelo menos três proprietários

nos campos que se estendem por detrás da igreja – já se vê obrigado a “dar palha às vacas”. José Coelho, de 65 anos, outro antigo emigrante, com três décadas passadas na Suíça, teme igualmente pelo “ano terrível” que vai ser para os “muitos” pequenos agricultores da zona. Mas receia ainda mais pela ameaça de extinção de serviços públicos na freguesia. Como a escola, cujos alunos não chegam às duas dezenas, ou a junta de freguesia, que não cumpre o mínimo de 500 habitantes exigidos para as áreas rurais no Livro Verde da Reforma da Administração

Local. O povo está contra, em uníssono, como se ouve ali nos bancos da praça ou se vê logo à entrada da localidade, escarrapachado numa faixa negra: “Em luta! Freguesia sempre”. E há dias até foi a caminho da capital, para entregar ao ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares as suas propostas de alteração ao documento governamental. Setenta pessoas ao todo, dos mais novos aos mais velhos. “Claro que não há ninguém que esteja a favor. A escola e a junta são o que mantém cá as pessoas e são a maior ligação da terra ao exterior. Se acabarem, não há mais nada. É como

se nos cercassem. É um crime e não é só deste governo – todos têm caminhado para aí”, desabafa José Coelho, secundado pelos colegas do passeio matinal, António e Vítor. “Isto são quase tudo velhos. E a junta faz muito jeito porque quando precisamos de um papel, vamos lá e a presidente assina. Se não, temos que ir a Safara ou a Moura, esta malta velha que não tem transporte e só a viver das reformas, fraquinhas”, reitera o primeiro. E onde anda a gente nova de Santo Amador? São poucos, já se sabe, mas parece que têm a energia de muitos. Pelo menos é o que nos conta Mariete Guerreiro, professora reformada que ensinou as primeiras letras a muitos deles, entre o quais João Ramos, atualmente deputado do PCP pelo círculo de Beja e presidente da Adasa – Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental de Santo Amador, de que Mariete é membro, com “muita honra”. Fundada em 1996, entre outras ações, constituiu um grupo coral feminino e pôs em marcha o Núcleo Museológico do Rio, onde hoje se exibem as imagens, os instrumentos, as técnicas de pesca e até o típico barco de tábuas que atestam a ligação ancestral e profícua da comunidade com este afluente do Guadiana. “Aqui a população, de um modo geral, é idosa. Mas temos aí uma geração, entre os 30 e os 40 anos, que gosta muito da sua terra e que tem feito muito por ela”, orgulha-se, enquanto nos guia pelas margens do Ardila, a apenas dois quilómetros da aldeia, outrora também uma fonte de rendimento, que complementava a agricultura, mas hoje sobretudo de “lazer”, confirma. Uma carrinha atravessa o chamado “porto”, ponto de ligação entre margens, perfeitamente transitável com o caudal diminuído. Mais à frente, avista-se uma garça assustadiça e um dos vários moinhos onde outrora se transformava trigo em farinha. Um conhecido cumprimenta e passa, equipado para uma tarde de entretida pescaria.


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Helena Romana Presidente da Junta de Freguesia de Santo Amador

A freguesia de Santo Amador corre o risco de ser extinta. Como têm lidado, o povo e o executivo da junta, com essa possibilidade?

Com determinação. Desde que o documento foi tornado público, temo-nos manifestado contra, sobretudo a cumprirem-se os pressupostos para as freguesias rurais. Muito ao contrário do que o documento diz pretender, não se promove a coesão territorial e sim muito mais ainda as assimetrias existentes entre interior e litoral; é o culminar de um processo que se vem arrastando de despovoamento do interior de Portugal. Temos participado em várias ações comuns e desenvolvido as nossas próprias ações. Entre outras, aprovámos um documento conjunto entre a Junta e a Assembleia de Freguesia, com as nossas propostas de alteração ao Documento Verde da Reforma da Administração Local e, com a população muito motivada, criou-se um grupo de trabalho cuja primeira ação foi colocar bandeiras e faixas nas entradas da freguesia e promoveu-se uma ida a Lisboa para entrega do documento aprovado ao ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares. Este grupo continua a preparar mais atividades, sendo a próxima uma assembleia popular para troca de impressões, informação e recolha de opiniões da restante população.

Um museu para melhor conhecer o rio Nassa, guelrito, tesmalho, tarrafa ou barra. Eis alguns dos instrumentos de pesca expostos e documentados no Núcleo do Rio do Museu de Santo Amador, espaço que pretende “abordar a interação que tem existido entre o Ardila e o homem desde há muitos anos” e que se apresenta numa “lógica de contemplação e de apreciação demorada, como se estivéssemos sentados à beira-rio”, refere o catálogo da exposição permanente. A unidade, dinamizada pela Adasa – Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental de Santo Amador, oferece ainda ao visitante um exemplar dos típicos barcos de tábuas que “bogavam” no Ardila, apresentando-lhe um dos seus mais destacados construtores, mestre António Angélico, que em Santo Amador ganhou fama de “grande pescador”.

Que evolução demográfica se verificou, de acordo com os resultados provisórios do Censos 2011?

Perdemos população, como tem vindo a acontecer desde a década de 80. Neste momento somos 411 residentes. Santo Amador é uma freguesia à beira rio. Que papel desempenha hoje o Ardila no quotidiano dos santamadorenses?

O rio continua a ter grande influência na vida dos santoamadorenses, embora algumas das suas valências dos meus tempos de infância se tenham perdido. A máquina de lavar veio alterar os ritmos semanais de todas as famílias e também contribuem para a mudança os invernos menos chuvosos e alguma poluição que se faz sentir com maior intensidade quando o caudal do rio é reduzido. Embora a vida de todos continue a passar pelo rio. A pesca continua a ser praticada, não enquanto sustento mas como desporto; pela proximidade entre a aldeia e o rio – cerca de dois quilómetros pela via principal – fazem-se caminhadas e passeios e, ao longo do ano, a mata do rio continua a ser local para pândegas e almoçaradas. Agora, o grande momento do rio é a romaria da Páscoa. Atualmente qual o principal destino profissional dos santamadorenses em idade ativa?

Santo Amador continua a ter como principal atividade a agricultura, embora, com as políticas comunitárias que promoveram um retrocesso no setor, haja excesso de mão de obra. Não porque as pessoas tenham permanecido todas por cá, o que se pode constatar pelo Censos, mas porque cada vez menos há alternativas de trabalho.

Festival cultural Ervançum em julho Santo Amador cultiva uma dinâmica cultural inusitada para uma terra que não chega ao meio milhar de habitantes. Além das comemorações do 25 de Abril, Dia de Mulher, São Martinho (com magusto comunitário) e do concerto de Natal, só para referir as iniciativas da responsabilidade da Junta de Freguesia, há ainda o festival cultural Ervançum, em julho, mais recente e “abrangente culturalmente”. Nele se mostram as “músicas e danças doutros locais”, de Portugal e do mundo, associadas ao Festival Gastronómico do Grão-de-bico, que é um dos símbolos da freguesia, e às ervas aromáticas, que dão nome ao festival. Uma novidade que já conquistou os santoamadorenses, mesmo os mais conservadores, e que espera também atrair forasteiros.

Em agosto honra-se o padroeiro A Casa do Povo de Santo Amador é a mais antiga das associações da terra, tendo como núcleos o respetivo grupo coral e o Grupo de Pesca Desportiva. A seu cargo estão eventos como o Encontro de Grupos Corais, o Cante dos Reis e a “boneca das comadres”, pelo Carnaval. Na vida associativa de Santo Amador merece também destaque a comissão de festas, que renova os seus membros a cada ano na tarefa de dinamizar as festas tradicionais, nomeadamente aquela que celebra o santo padroeiro, no primeiro fim de semana de agosto. Quatro a cinco dias de espetáculos musicais, bailes, vacadas, largadas e arruadas que culminam como a procissão solene.


Conservatórios e escolas de música em apuros

Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

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Atual

Os conservatórios e escolas de música do Alentejo atravessam dificuldades financeiras. Os responsáveis alegam que o problema deve-se à aplicação do novo sistema de financiamento dos conservatórios e escolas de música, decidido pelo anterior governo PS. De acordo com José Filipe Guerreiro, presidente do

Conservatório Regional do Alentejo (CRBA), “se as regras de financiamento se mantiverem, o prejuízo vai ser maior neste ano letivo e a consequência final será o encerramento”. O CRBA tem tido dificuldades em pagar salários, não tendo ainda pago o mês de janeiro aos 52 funcionários.

Homens da terra temem paragem em Alqueva Os agricultores do Baixo Alentejo reúnem-se, hoje, sexta-feira, pelas 11 horas, no auditório da Expobeja. A indefinição das obras de Alqueva e a recente proposta da reprogramação financeira do Proder, a qual retira 130 milhões de euros até aqui destinados à construção da rega de Alqueva, são as principais matérias em discussão. Os agricultores consideram que “ficam apenas disponíveis cerca de 97 milhões de euros para Alqueva, o que representa cerca de metade do valor necessário para a conclusão das obras”. Os homens da terra temem que “esta paragem prive da água de Alqueva todos os investimentos já realizados” e que “inviabilize todos os projetos de investimentos a realizar”. O objetivo da reunião é encontrar estratégias e modos de atuação.

António Guterres encerrou as comportas da barragem há precisamente 10 anos

Alqueva: o sonho que está por cumprir A 8 de fevereiro de 2002, o então primeiro-ministro António Guterres, ladeado, entre outros, pelo seu delfim José Sócrates, carregou no comando que fez encerrar as comportas da barragem de Alqueva. Desde então, o Guadiana começou a ficar retido numa gigantesca parede de betão que prometia desenvolvimento a todos os níveis. Mas passada uma década sobre a abertura oficial de Alqueva, a realidade mostra-se bem diferente. O projeto de ragadio não está nem vai ser concluído até 2013, como agendado, deixando de fora as melhores terras de rega: os barros de Beja. As povoações ribeirinhas continuam a despovoar-se a cada dia que passa. E a desilusão instalou-se. Textos CJ, PB e Lusa Fotos José Serrano

D

ez anos depois das comportas de Alqueva terem fechado – e de todos os balanços positivos que se podem fazer em torno do regadio e das novas culturas – nas aldeias ribeirinhas o ambiente que se vive é de frustração. Foram muitas as expectativas em Luz, Estrela, Amieira, Alqueva. Mas por todo o lado o ar que se respira é de deceção. Há quem fale em logro. Esperava-se um surto de desenvolvimento que não aconteceu. Nem na agricultura, nem no turismo. Os mais novos não têm emprego. As escolas fecham e as aldeias despovoam-se. Joaquim Romão é o porta-voz dessa deceção. Presidente da Junta de Freguesia de Alqueva, a aldeia que deu o nome à barragem, tem a água ali a dois passos, mas o desenvolvimento da freguesia continua longe como sempre. “Isto se se desenvolver será daqui por uns anos, mas por enquanto não temos esperanças nenhumas”, diz ao “Diário do Alentejo”, acrescentando que “as pessoas estão muitas desiludidas porque achavam que o projeto de Alqueva vinha trazer uma outra luz, mas por enquanto isto está completamente parado”. A aldeia está muito bem arranjada, mas falta gente. Nos últimos 10 anos perdeu habitantes, o fardim de infância fechou, a escola também, o centro de dia está em risco de fechar, não há médico de família, há um médico que vem apenas um dia por

semana. Hotéis e centros turísticos nem vê-los. Nem sequer o parque de merendas prometido pela EDIA está acabado. “Quando as obras da Central da EDP acabarem, o que está previsto até ao mês de agosto, Alqueva vai ficar mesmo no zero, fica parada. Essas obras é que têm dado algum movimento à terra. Temos aí terrenos para venda, as pessoas vêm, mas abalam e não compram”, diz Joaquim Romão. Já vai longe o tempo das grandes romarias de fim de semana. “Logo de princípio vinham aqui excursões de todo o País. No ano passado já só passaram por cá 52 autocarros para ver a barragem. Este ano, embora ainda esteja no princípio, ainda só vieram três. Cada vez há menos visitantes”, diz o presidente da junta reafirmando que, ele próprio, é um dos “mais desiludidos” com a falta de desenvolvimento que a barragem trouxe à freguesia de Alqueva, hoje com pouco mais de 300 habitantes. PCP diz que Alqueva não está ao serviço do Alentejo O PCP acusou esta semana os go-

vernos PS, PSD e CDS-PP de não terem sabido ou querido estabelecer as estratégias e garantir os financiamentos “essenciais” para colocar o projeto Alqueva “ao serviço” do Alentejo e do País. “Os sucessivos governos não têm sabido, ou não têm querido, estabelecer as estratégias e garantir os financiamentos essenciais para colocar o projeto ao serviço do

desenvolvimento da região e do País”, disse o deputado do PCP João Ramos, numa conferência de imprensa realiza na segunda-feira em Beja. Segundo o deputado eleito por Beja, “quase 40 anos” após o “início das obras” preliminares, o projeto “não criou as dinâmicas suficientes para inverter as tendências de desemprego e de despovoamento, que ameaçam a região”. Por outro lado, “as incertezas em torno do Alqueva são, infelizmente, recorrentes, como insistente foi a luta dos alentejanos em defesa” do projeto, lamentou. “Falta um plano estratégico” para Alqueva, disse o deputado, referindo que há agricultores que fizeram investimentos “tendo em conta” a água do Alqueva e “um determinado calendário do projeto” e, agora, estão “na mais total incerteza” e com os investimentos “em risco”. Há “uma submissão do projeto Alqueva a outros interesses, que não sejam os de desenvolvimento da região”, disse, referindo que seria necessário “perceber” que “interesses estiveram por detrás” do calendário das obras. “Os grandes agricultores monopolizaram o acesso à água” do Alqueva e em detrimento dos pequenos agricultores, disse. A antecipação da conclusão do projeto do Alqueva para 2013, decidida pelo anterior Governo PS, “não correspondia inteiramente à verdade”, porque “estava a ser suprimida uma parte do projeto inicial”, acusou. Na anterior legislatura, “o PSD e o CDS tinham soluções para tudo e agora”, que estão no Governo, “têm a possibilidade de as pôr em prática e isso não tem acontecido”, acusou. Produtores de milho reclamam O presidente da Associação Nacional de Produtores de Milho (Anpromis), Luís Vasconcellos e Souza, alertou esta semana que o Alqueva está desaproveitado e que Portugal podia

reduzir substancialmente o défice nacional de cereais se usasse melhor o regadio. “Não faz sentido desaproveitar 70 a 80 mil hectares do Alqueva que estão preparados para o regadio e que poderiam produzir um milhão e 150 mil toneladas de milho por ano. Podíamos atingir o equilíbrio no que toca a cereais”, disse Luís Vasconcellos e Souza à Lusa, na véspera da abertura do VIII Congresso Nacional do Milho, que dará destaque a este tema. O presidente da Anpromis salientou que “pôr água à porta das pessoas não resolve o problema”, esclarecendo que falta dinheiro para investir e uma mudança de mentalidade. “A maioria [dos terrenos] são pequenas e médias propriedades que pertencem a agricultores já com uma certa idade e que, apesar de terem água à porta, não têm nem crédito, nem experiência e têm aversão aos riscos”, adiantou. Para Luíz Vasconcellos e Souza, o milho seria uma boa “cultura de lançamento para a adaptação ao regadio, já que não é complicada e está muito bem adaptada a Portugal”. Profunda transformação Já a Empresa de

Desenvolvimento do Alqueva (EDIA) emitiu esta semana uma nota realçando o décimo aniversário do encerramento das comportas, “marcando o início da profunda transformação que o Alentejo está a viver”. Segundo os responsáveis por esta empresa, Alqueva é uma realidade em “crescimento” e em “franca ascensão”. A albufeira regou, em 2011, para cima de 30 mil hectares de terrenos agrícolas, existem 52 mil hectares equipados, a diversificação das culturas é uma realidade e o abastecimento público de água é uma realidade para 200 mil pessoas, de 12 concelhos alentejanos. “Os campos do Alentejo”, prossegue a nota, “são hoje o melhor testemunho. Eles falam por Alqueva”.


À exceção de Castro Verde

Carnaval com tolerância de ponto O Governo decidiu que não vai haver tolerância de ponto para os funcionários públicos na terça-feira de Carnaval, 19 anos depois de Cavaco Silva ter tomado idêntica decisão. O primeiro-ministro Passos Coelho diz que “ninguém perceberia que se pensasse em dar tolerância de ponto, numa altura em que se põe fim a feriados”. As câmaras alegam que há investimentos feitos e que o Carnaval é já uma tradição em muitos municípios. No Baixo Alentejo, pelo menos ainda este ano, Carnaval rima com tolerância de ponto. Texto Carlos Júlio Ilustração Susa Monteiro

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odas as câmaras municipais do Baixo Alentejo, em que a tradição do Entrudo se mantém em desfiles e corsos alegóricos, vão dar tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval. Apenas em Castro Verde, que há uma dezena de anos realiza o Entrudanças, embora com características particulares, a câmara vai estar de portas abertas. O presidente da autarquia, Francisco Duarte (CDU), em declarações ao “Diário do Alentejo”, refere que “embora discorde da decisão de não haver tolerância de ponto”, a Câmara de Castro Verde tem como “orientação habitual” seguir as indicações do Governo relativamente a estas situações. “Não apenas agora, mas desde sempre. E a irresponsabilidade de não dar tolerância de ponto é do Governo”, O autarca salienta ainda que “o ponto alto do Entrudanças é na segunda-feira à noite” e que o facto dos funcionários municipais trabalharem

na terça-feira não vai afetar muito a participação. “Afeta alguma coisa, mas não põe em causa essas atividades”. Para Francisco Duarte, embora seguindo a opção governamental, “é ridículo e não passa de mais uma fantochada o argumento de que esta medida se destina a aumentar a produção”. Diferente é a opção da esmagadora maioria das câmaras que tem investido nos festejos de Carnaval. Francisco Orelha (PS) confirma ao “Diário do Alentejo” que a Câmara de Cuba vai conceder tolerância aos seus trabalhadores e acusa o primeiro-ministro de ter “informado tardiamente o País, ainda por cima face a uma pergunta de um jornalista”, e de ter “falta de conhecimento da realidade do País”. Francisco Orelha salienta que as câmaras municipais organizam “muitos corsos carnavalescos, com uma programação feita a tempos e horas, com contratos firmados e não é de um dia para o outro que se podem desvincular deles”. Relativamente ao Carnaval de Cuba, “já está afirmado, temos investimentos feitos e já há uma tradição”, considera o autarca, referindo que, pelo que sabe, a maioria das câmaras da região, seja do distrito de Beja, seja do de Évora, “vão dar tolerância de ponto”. Também o concelho de Almodôvar tem investido nos últimos anos no cartaz turístico do Carnaval. A câmara tem dinamizado várias iniciativas, dando projeção ao concelho e atraindo visitantes. O presidente da autarquia, António Sebastião (PSD), decidiu, por isso, conceder tolerância de ponto aos trabalhadores do município na terça-feira de Carnaval, à revelia do Governo. Ao “Diário do Alentejo” António Sebastião diz que, embora compreendendo “a atitude do

A Câmara de Alcácer informou que o habitual desfile de Carnaval pelas ruas da cidade vai ter lugar este ano no sábado, dia 18, “devido à não concessão de tolerância de ponto” na terça-feira “por parte do Governo”. O circuito, contudo, acrescenta o município, não vai sofrer alterações face aos anos anteriores, estando a concentração marcada para a praça Pedro Nunes, a partir das 15 horas. O tema do Carnaval 2012 em Alcácer do Sal é a ‘Selva’.

Governo e o simbolismo que esta medida pode significar para os mercados de que o País está empenhado e a trabalhar”, o anúncio desta medida devia “ter sido tomado mais cedo”, uma vez que “há contratos feitos e situações que têm que ser acauteladas”. O autarca de Almodôvar vai mais além e salienta que têm que ser levados em linha de conta “fatores como a autoestima e a motivação” e não apenas “os sacrifícios”. “Embora sabendo que estes tempos são difíceis, que há que fazer sacrifícios, há mais coisas para além da crise, há todo um software que é necessário aplicar e não é frustrando as expectativas que as coisas se resolvem”, diz António Sebastião. O Carnaval de Sines é um dos mais antigos do País e dos que mais prestígio possuem. Todos os anos dezenas de carros alegóricos saem à rua, de domingo a terça-feira de Carnaval. Contactada pelo “Diário do Alentejo” a câmara confirma que também este ano haverá tolerância de ponto. Segundo a autarquia (liderada por uma lista de independentes), “esta decisão justifica-se pela importância do Carnaval para Sines, um dos mais conceituados do País e uma festa popular PUB

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Carnaval de Alcácer do Sal passa para sábado

profundamente enraizada na memória coletiva”. “Além disso é uma festa organizada com base no trabalho voluntário de uma população que durante meses se empenha e dedica à sua construção, desde os aspetos relacionados com a conceção dos carros alegóricos, trajes e adereços, até aos aspetos mais complexos relacionados com a logística inerente a um desfile desta dimensão”, refere em comunicado o município presidido por Manuel Coelho, acrescentando que o Carnaval “é também um evento de relevante interesse para a promoção turística do concelho e com reflexos positivos na dinamização da economia local e das pequenas empresas, que a câmara considera importante, particularmente no contexto económico atual”. Também a Vidigueira, onde o Carnaval tem tido algum significado nos últimos anos, decidiu dar tolerância de ponto na terça-feira. O presidente da autarquia, Manuel Narra (CDU), diz que há investimentos feitos nos corsos carnavalescos e a câmara espera o retorno destes investimentos. O autarca acrescenta que a decisão não poderia ser outra depois de uma medida tomada pelo Governo “em cima da hora e em cima do joelho”.


Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

JOSÉ FERROLHO

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Miguel Góis Travou no cimo das escadarias da câmara uma invasão não autorizada

Manifestação à porta da Câmara de Beja

Juntas continuam sem dinheiro Autarcas e trabalhadores de juntas de freguesia de Beja manifestaram-se na sexta-feira, dia 3, para exigir o pagamento de verbas relativas à delegação de competências, que o executivo PS da câmara alega não poder pagar, devido ao chumbo do orçamento.

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manifestação, em frente da Câmara de Beja, juntou cerca de 80 pessoas, entre eleitos e trabalhadores de nove juntas de freguesia do concelho, todas da CDU, que empunharam cartazes e entoaram palavras de ordem. “A população merece consideração”, “Não sejas caloteiro, paga o dinheiro” e “Pulido escuta, as freguesias estão em luta” foram alguns dos “recados” dos manifestantes. O protesto, decidido numa deliberação aprovada por 14 das 18 juntas de freguesia do concelho – 11 CDU, duas PS e uma PSD –, serviu para exigir que a autarquia pague as verbas de janeiro relativas aos protocolos de delegação de competências. A deliberação, que já foi entregue ao presidente do município, tinha sido aprovada numa reunião há cerca de duas semanas, após a autarquia ter informado que “não pode efetuar pagamentos às freguesias” porque o orçamento municipal para este ano foi reprovado pela Assembleia Municipal. Se a câmara não pagar as verbas, estão “em causa” os salários de trabalhadores e o cumprimento dos serviços inerentes às competências delegadas, alertou o presidente a Junta de Freguesia de Cabeça Gorda (CDU) e delegado distrital de Beja da

Associação Nacional de Freguesias, Álvaro Nobre. Segundo o autarca, se as verbas não forem pagas “nos próximos dias”, então “não vai haver condições” para as juntas continuarem a cumprir as competências delegadas e os trabalhadores, que “deixarão de receber o salário”, e as populações serão “prejudicados”. As juntas contestam a posição do câmara, baseando-se num parecer da Associação Nacional de Municípios Portugueses, segundo o qual, até à aprovação do orçamento para este ano, é “admissível continuar a proceder a transferências de verbas para as freguesias decorrentes de competências delegadas nos moldes do orçamento de 2011”. Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Beja, Pulido Valente, considerou a manifestação “uma iniciativa político-partidária da CDU” e que “não se justifica”, porque já “esclareceu” o assunto, quando reuniu com alguns dos presidentes de junta há cerca de duas semanas. Segundo o autarca, devido ao chumbo do orçamento camarário para este ano, os protocolos de delegação de competências, entre a autarquia e as juntas de freguesia, “caíram e não estão em vigor”. Por isso, a câmara “está proibida, por lei, de subsidiar as juntas de freguesia” e o executivo está “à procura de uma forma legal de poder pagar às juntas os serviços que prestam” ao município, explicou. “Em princípio, a solução será encontrada” e “durante este mês” a autarquia irá “atualizar os pagamentos às juntas”, nomeadamente as verbas de janeiro”, disse.


A CAP – Agricultores de Portugal, em colaboração com as organizações de agricultores da região, promove na próxima terça-feira, dia 14, pelas 10 horas, no auditório da Escola Superior Agrária de Beja, uma sessão de esclarecimento aos agricultores. Durante o

Mário Simões confrontado com “situações absurdas” O deputado do PSD eleito pelo círculo de Beja, que iniciou esta semana um roteiro social com visitas a instituições de solidariedade social no distrito de Beja, diz que foi confrontado com uma “situação absurda” e que “revela bem a importância de que se reveste” o referido roteiro. Em comunicado de imprensa, Mário Simões adianta que “o Centro Social do Bairro da Esperança

encontro, subordinado ao tema “A PAC pós 2013”, serão apresentadas “propostas de reforma da Política Agrícola Comum” e abordados “os aspetos mais relevantes no âmbito do desenvolvimento rural, ajudas diretas e Organização Mundial de Comércio (OCM) única”.

apresentou uma candidatura ao programa Pares que foi aprovada, contudo, a instituição não viu materializada a sua aplicação pelo facto das instalações não serem propriedade da instituição” e que foi informado por elementos da direção do centro “que o problema se arrasta nos serviços técnicos da autarquia há já vários anos”. O deputado afirma que “não podem subsistir razões plausíveis quando se protela uma decisão importante para

Centros estão a ser avisados por email para fecharem

PS contra o encerramento das Novas Oportunidades O PS considera um “erro” e um “ato persecutório” o encerramento dos Centros Novas Oportunidades que o Governo está a levar a cabo. Esta semana os deputados do PS estiveram reunidos com representantes dos centros em todas as capitais de distrito e vão amanhã fazer um balanço final destes contactos num encontro em Torres Vedras. Texto Carlos Júlio

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o final da reunião realizada em Beja, na Biblioteca Municipal, com representantes de sete centros, o deputado Pita Ameixa disse que “dos 12 centros existentes no distrito apenas cinco subsistem precariamente até agosto e sete encerraram ou estão a encerrar”. Pita Ameixa disse existir “uma grande preocupação” com a política que o Governo está a seguir quanto à Rede de Novas Oportunidades e “estranhar” a suspensão de financiamento, quando o Governo se comprometara a “avaliar o funcionamento destes centros”. “Porém, antes dessa avaliação e dos seus resultados, o mesmo governo tomou decisões de indeferir a

continuidade de muitos desses centros e de manter um funcionamento precário, apenas até agosto próximo, quanto aos restantes”, refere, em comunicado, o deputado socialista, acrescentando que “tal atitude mostra-se processualmente incorreta e não fundamentada, incompreensível, e altamente lesiva dos interesses dos formandos, alguns com o seu processo a meio, das instituições que contrataram de boa-fé com o Estado e dos profissionais que para estas vêm trabalhando”. Em Évora esteve o líder parlamentar do PS e deputado pelo círculo, Carlos Zorrinho, que acusou o Governo de não estar a fazer “avaliação nenhuma”, denunciando o facto de “mais de metade” destes centros ter sido avisada “por email” de que deve encerrar até ao dia 14. Reunido na Fundação Alentejo com diversos alunos e professores das Novas Oportunidades Carlos Zorrinho acrescentou que “mais de metade dos centros estão a ser avisados por email, o que é também uma enorme falta de respeito, de que têm que encerrar o seu funcionamento até 14 de fevereiro e que, depois, receberão os fundamentos”, o que mostra “uma atitude

errada e persecutória” do Governo em relação a estes centros, porque o executivo PSD/CDS-PP “primeiro encerra e entrava” e, só depois, “enviará os fundamentos”. “Tudo isto mostra que não está a ser feita avaliação nenhuma. A avaliação permitiria identificar algumas coisas menos boas e corrigi-las”, mas, ao contrário, “o que está a ser feito é a destruição de um sistema”, acrescentou o líder parlamentar socialista dizendo que “na cidade de Évora não fica nenhum centro a funcionar”. Carlos Zorrinho lembrou aos jornalistas que “1,2 milhões de portugueses” inscreveram-se neste sistema de validação de competências – considerado pela Comissão Europeia como “uma rede modelo, só comparável às redes da Finlândia, Noruega, França e Holanda” – tendo “mais de 400 mil” obtido a respetiva certificação. “Agora está a ser asfixiada, destruída, desmontada, de uma forma incompreensível, por parte do Governo, dando um sinal à sociedade portuguesa de que a aposta no conhecimento não é a aposta que temos de fazer para sermos competitivos”, concluiu o líder da bancada parlamentar socialista.

Região afetada com redução na rede de centros

Novas oportunidades sem financiamento

A

Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQ) anunciou que a nível nacional vão ser mantidos apenas 70 por cento dos Centros Novas Oportunidades (CNO). Na região, embora ainda não seja conhecida uma lista oficial, a medida afeta o financiamento de alguns destes centros, que não viram as suas candidaturas, para abranger o período de janeiro e agosto de 2012, aprovadas. “Perante o sobredimensionamento atual da rede, a escassez de recursos financeiros disponíveis e as necessidades

de financiamento de outras medidas, nomeadamente com vista à promoção de níveis mais elevados de empregabilidade, o Governo decidiu proceder a uma redução do número de Centros Novas Oportunidades financiados. Assim, num esforço financeiro mesmo assim considerável, este concurso garantirá neste período transitório o funcionamento de cerca de 70 por cento dos atuais centros”, refere a ANQ em comunicado. O CNO da Esdime – Agência de Desenvolvimento Local no Alentejo do Sudoeste foi um dos que recebeu, via

correio electrónico, a informação de indeferimento da candidatura de financiamento para 2012. De acordo com a Esdime, “não são ainda conhecidos os fundamentos da resolução”. “Esperamos receber essa informação a qualquer momento, até para que possamos perceber esta resolução”, adiantou David Marques, presidente da Esdime, que frisou que “foi com surpresa e indignação” que a agência de desenvolvimento “recebeu o email”, até porque “representa um desrespeito por uma organização, por um historial e por um território”.

09 Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

CAP debate Política Agrícola Comum

a vida de uma comunidade social exemplar e com provas dadas no concreto durante tanto tempo” e critica “o comportamento de vários executivos da Câmara de Beja por terem contribuído para dificultar ainda mais a já difícil situação do centro”. “Só se pode exigir que o problema seja resolvido com carácter de urgência, bastando para tal vontade política da autarquia bejense em doar todo o património” onde a instituição está instalada, diz.

Câmara de Ferreira indignada com o futuro do Centro Novas Oportunidades A Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo recebeu “com profunda indignação” a notícia de que o Centro de Novas Oportunidades – Casa do Saber +, em Ferreira do Alentejo, “não tem financiamento assegurado para o ano de 2012, correndo o risco de fechar as portas”. Em comunicado de imprensa, a autarquia lembra que a Casa do Saber + “foi um dos primeiros centros a abrir as portas em Portugal, no ano 2000” e lamenta “profundamente esta decisão”, solidarizando-se com a Esdime, a entidade que gere o projeto.

Encerramento de CNOS preocupa Câmara de Aljustrel A Câmara Municipal de Aljustrel diz que é com “enorme preocupação” que “vem acompanhando o desmantelamento da rede nacional de Centros Novas Oportunidades, da responsabilidade da Agência Nacional para a Qualificação, numa clara manifestação de incompreensão face à importância central da qualificação para o crescimento económico e para a promoção da coesão social do País, evidências que estão amplamente demonstradas e reconhecidas por várias organizações nacionais e internacionais”. Em comunicado de imprensa, a autarquia refere que “depois de concretizada a suspensão do CNO do Centro de Formação Profissional de Aljustrel, em dezembro de 2011, estrutura que contribuiu para a qualificação de muitas centenas de adultos, nos últimos anos, no concelho de Aljustrel, incluindo várias dezenas de trabalhadores do município no âmbito do seu plano de formação interna” foi agora surpreendida “com a não aprovação de financiamento para o CNO da Esdime – Agência para o Desenvolvimento Local no Alentejo Sudoeste, estrutura que estando localizada no concelho vizinho de Ferreira do Alentejo poderia suprir o vazio deixado”. PUB


ADPM quer levar 20 produtores a feira na Alemanha

A Associação de Defesa do Património de Mértola (ADPM) revelou que está a organizar a participação de cerca de 20 produtores inseridos na estratégia Provere na BioFach – Feira de Agricultura Biológica, que vai decorrer em Nuremberga, na Alemanha, entre os dias 15 e 19 deste mês. “Os produtores terão

Atores locais não reconhecem papel do Politécnico de Beja O papel do IPBeja na região “carece de reconhecimento pelos atores locais, nomeadamente autarquias, instituições públicas e empresas, considerando os alunos que a direção do instituto deve produzir mais trabalho prático nesta área, servindo-se dos

Turismo do Alentejo oferece descontos em ano de crise A oferta da terceira noite de alojamento, refeições gratuitas para crianças e descontos em lojas de artesanato e parques temáticos são algumas das vantagens da campanha “O Alentejo dá-lhe tudo”, lançada na semana passada pelo Turismo do Alentejo. “Perante um ano difícil e particularmente sensível para o setor do turismo, devido à quebra da massa salarial dos portugueses, estávamos conscientes de que tínhamos que dinamizar o mercado interno”, realçou o presidente da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo, Ceia da Silva. A nova campanha de promoção interna “O Alentejo dá-lhe tudo” foi apresentada na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, na presença da secretária de Estado do Turismo, Cecília Meireles. Considerando que se trata de “um projeto piloto em Portugal”, o responsável referiu que, numa altura que se fala tanto de parcerias público-privadas, esta campanha surge da “conjugação de esforços” do Turismo do Alentejo e de um conjunto de 377 empresas da região. “Interagimos com os agentes económicos e acabamos por reestruturar toda a nossa campanha promocional para conceber uma campanha dinâmica, agressiva e suscetível de conquistar o mercado português”, que representa três quartos dos turistas da região, justificou Ceia da Silva. O presidente do Turismo do Alentejo explicou que o conceito que dá nome à campanha passa por tentar conquistar os portugueses através das “emoções, da tranquilidade, da natureza, dos monumentos e da excelente gastronomia” que a região pode dar. “Mas o Alentejo também dá vantagens”, nomeadamente para os turistas que reservem três noites de alojamento na região, porque “só pagam duas e refeições grátis para crianças até aos oito anos”. PUB

oportunidade de participar no maior certame internacional dedicado à agricultura biológica”, quer através de um stand próprio, com uma “variada gama de produtos”, quer através do estabelecimento de contactos com potenciais compradores internacionais.

excelentes meios que a instituição oferece, nas áreas da engenharia, da agronomia e do trabalho social com as comunidades, permitindo também desta forma aos jovens um contacto mais próximo e antecipado com o mercado de trabalho”. Esta é uma das conclusões resultantes do encontro realizado entre a Juventude Socialista do Baixo Alentejo e

as associações de estudantes do IPB, no âmbito da campanha “Pensamos por nós, agimos pelo Baixo Alentejo”. Em nota de imprensa os jovens socialistas adiantam ainda que “os cortes no financiamento do IPB obrigam ao encerramento das escolas mais cedo do que o habitual, criando sérios problemas ao trabalho dos alunos da instituição”.

Politécnico e universidade juntam-se na investigação e na formação

Beja e Cabo Verde cooperam O Instituto Politécnico de Beja (IPB) e a Universidade de Cabo Verde vão cooperar para desenvolverem atividades em parceria, sobretudo nas áreas de investigação, formação e intercâmbio de informações, estudantes, professores e investigadores.

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cooperação irá desenvolver-se com base num protocolo já assinado e que vai definir as “matérias de interesse comum” entre as duas instituições públicas de ensino superior e as “bases gerais” da parceria, nomeadamente nos domínios técnico, científico e pedagógico, explicou à Lusa o presidente do IPB, Vito Carioca. Trata-se de um protocolo de cooperação “muito importante e ousado” e está inserido na “aposta de internacionalização” do IPB, que, este ano, quer “virar-se” para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), disse. A cooperação é “uma aposta e uma preocupação permanente” do IPB, que “valoriza” as relações estabelecidas com parceiros da União Europeia, mas também quer “intensificar” relações com países de língua portuguesa, sublinhou. O protocolo com a Universidade de Cabo Verde, “a única instituição de ensino superior público” daquele país africano e que tem um “elevado know-how”, é “um exemplo” daquela vontade, sublinhou. Segundo Vito Carioca, o IPB vai identificar as “matérias de interesse comum” entre as duas instituições e delinear um projeto de programa de trabalho, que será discutido

INSTITUTO POLITÉCNICO DE BEJA/JOÃO DOMINGOS

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Instituto Politécnico de Beja Aposta na internacionalização e na cooperação com países da CPLP

com a Universidade de Cabo Verde. Posteriormente será delineado um programa final de trabalho, cujas ações deverão arrancar no terreno a partir de setembro deste ano, ou seja, no início do ano letivo de 2012/2013, previu. Através da cooperação, prevista durar dois anos, adiantou Vito Carioca, o IPB e a Universidade de Cabo Verde querem promover atividades em parceria, como as de investigação e de transferência de tecnologia. Programas de formação em conjunto, intercâmbio de informações científicas e

tecnológicas, estudantes, professores, investigadores e pessoal técnico e dirigente, participação mútua em conferências e colóquios e troca de material de ensino e de publicações são outras ações previstas. O protocolo inclui ainda programas de mobilidade de estudantes e de estudo em conjunto, sendo que estes deverão implicar protocolos adicionais e prever um sistema académico de reconhecimento mútuo e validação, que terá que ser aprovado pelas autoridades académicas das duas instituições.


A 4.ª edição da Geração Depositrão, da ERP – Associação Gestora de Resíduos, conta com a participação de 19 escolas de Beja na recolha de REEE (resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos) e pilhas usadas. Este número representa 3,11 por cento do universo de escolas inscritas nesta edição. A Geração Depositrão, que é realizada em parceria com o Programa Eco-Escolas,

Centro Escolar Vipasca de Aljustrel avança Foi inaugurada ontem, quinta-feira, na Escola Dr. Manuel de Brito Camacho, em Aljustrel, o refeitório do pré-escolar e 1.º ciclo do Agrupamento Vertical de Escolas e lançada a primeira pedra do Centro Escolar Vipasca. A criação deste equipamento, adianta a câmara municipal local, “vai

envolve mais de 600 escolas e mais de 290 000 alunos em todo o País, “em torno da sensibilização dos jovens em idade escolar para a importância da recolha dos REEE e de pilhas e acumuladores, bem como para as boas práticas ambientais”. Além da vertente da recolha, a Geração Depositrão possui também uma componente criativa, lançando desafios sobre este tema.

melhorar a qualidade do ensino e garantir a oferta de refeições com qualidade e proximidade, implementando, em toda a sua extensão, o princípio de ‘escola a tempo inteiro’”. Ainda de acordo com a autarquia, “com a criação e implementação do centro escolar” pretende-se “reforçar e qualificar a oferta educativa do ensino do pré-escolar e 1.º ciclo

do ensino básico, na perspetiva de centro escolar, dotado de espaços escolares multifuncionais caracterizados por índices de qualidade funcional e conforto”. O Centro Escolar Vipasca, com um investimento de 1,5 milhões de euros com garantias de cofinanciamento do Programa InAlentejo, irá funcionar junto à EB Brito Camacho.

Mértola regista o maior número de idosos solitários

22 por cento da população alentejana vive só Em Portugal, cerca de um milhão e duzentos mil idosos vivem sozinhos ou na companhia de outro idoso. No Alentejo, 22 por cento da população com mais de 65 anos encontra-se nesta situação. O concelho de Mértola está no topo da tabela.

N

a sequência da vaga de notícias de mortes de idosos que viviam sozinhos, o Instituto Nacional de Estatística (INE) disponibilizou os dados do Censos 2011 referente a pessoas com mais de 65 anos que vivem sós ou apenas acompanhados por outra pessoa nas mesmas circunstâncias. A poPUB

pulação idosa, no conjunto do território nacional, ultrapassa os dois milhões – um aumento de 19 por cento na última década –, e cerca de 400 mil habitam sozinhos. O concelho de Mértola, no universo nacional, é o décimo com maior percentagem de pessoas idosas nestas circunstâncias: em 3 114 alojamentos familiares ocupados, 644 são-no, exclusivamente, por um idoso com mais de 65 anos, representando 20,7 por cento. Alcoutim, no Algarve, é onde a cifra atinge a maior percentagem, com 24,8 por cento. Gavião, no distrito de Portalegre, atinge os 21,4 por cento. Em Nisa e Sousel,

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Escolas de Beja participam na Geração Depositrão

também no mesmo distrito alentejo, a percentagem ronda os 20 pontos. No Alentejo vive cerca de 7,2 do total da população do País, mas o número aumenta em relação aos idosos, com a cifra a atingir os 9,2 por cento. A maioria da população idosa encontra-se no Norte de Portugal (31,4 por cento), mas, ao contrário da nossa região, esta percentagem é inferior à da população residente (34,9 por cento). Para além do Alentejo, apenas no Centro do País a percentagem de idosos (25,9 por cento) é mais elevada do que a população residente (22 por cento). AF

Câmara de Beja inaugura loja social Entre (e) Ajude É inaugurada na próxima quarta-feira, dia 15, na loja n.º 8, do Mercado Municipal de Beja, a loja social Entre (e) Ajude. O projeto, que foi delineado pela Câmara Municipal de Beja, através do Gabinete de Desenvolvimento Social, da Rede Social do Concelho de Beja e da Fundação São Barnabé, procura “dar resposta a necessidades essenciais e prioritárias das famílias mais vulneráveis, através da reversão das vendas em ‘causas sociais’, anualmente definidas pela parceria técnica, e fundamentadas no diagnóstico social e na realidade local”. A concretização do projeto, adianta a autarquia, “só é possível através do envolvimento efetivo de entidades locais (públicas e privadas) e parceiras da Rede Social, que mediante a concessão de donativos em dinheiro ou em espécie contribuam para atenuar as debilidades da população mais fragilizada”.


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Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

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❝ Entrevista

13 Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

Ainda hoje faço tudo para merecer o estatuto que me foi atribuído, popular e formalmente. Claro que não esqueço que o Alentejo tem muitos excelentes embaixadores, dos quais eu sou apenas um”.

Cantor atravessa um dos momentos menos celebrados dos seus 40 anos de carreira

Os dias agitados de Paco Bandeira “Eu nasci no Alentejo, à beira do Guadiana”. Assim começa um dos mais conhecidos temas de Paco Bandeira, o cantor de Elvas que ao longo de 40 anos de carreira não deixou de ostentar orgulhosamente as suas raízes. Em conversa com o “Diário do Alentejo”, o músico falou sobre os seus começos, fez o balanço do seu percurso profissional e pronunciou-se sobre os problemas judiciais que enfrenta.

Começou a cantar profissionalmente há 40 anos. Valeu a pena?

Obviamente que sim, sem a música eu não era quem sou – com muito gosto.

Significa orgulho. Ainda hoje faço tudo para merecer o estatuto que me foi atribuído, popular e formalmente. Claro que não esqueço que o Alentejo tem muitos excelentes embaixadores, dos quais eu sou apenas um.

Texto Alberto Franco

Veio o 25 de Abril e o Paco Bandeira é um dos músicos que traz a revolução para os palcos, através das suas canções. Já tinha participado no combate político antes de 1974?

Se a música popular não trouxer povo lá dentro é uma fraude. Mesmo sabendo que quem se põe ao lado de quem trabalha contra quem nada faz acaba sozinho, optei, e ainda bem, à minha maneira, por retratar os santos da minha terra, que são os que fazem o milagre de transformar a terra em pão, em carne, em vinho, em casas, etc. etc. Antes do 25 de Abril o meu combate foi no MDP/CDE e no PS.

Aos 14 anos começou a cantar em Espanha com o grupo Cuban Boys. Como surgiu esta oportunidade e quem eram os Cuban Boys?

Trabalhou como músico num paquete que fazia cruzeiros. Como foi essa experiência?

Ainda hoje os cruzeiros têm animação. Há muitos músicos que trabalham e eu também preenchi essa parte da carreira. O serviço militar em Angola, em tempos de guerra colonial, marcou-o?

Obviamente, e muito. Pelas amizades que fiz e ainda perduram positivamente. Por outro lado fui confrontado com realidades que me moldaram, e em muito, a personalidade filosófica e socialmente. Aprende-se mais num dia de combate pela vida do que em 10 anos de paleio. Quando foi desmobilizado trabalhou com a

Cantou poetas alentejanos como Antunes da Silva, Manuel da Fonseca, Eduardo Olímpio e outros. Como recorda os que já desapareceram?

Para mim ainda não desapareceu nenhum e penso que esses são daqueles que não desaparecem nunca. Aprendi com eles tudo o que penso que sei. DR

Comecei em Elvas com um conjunto de baile – Os Cinco do Alentejo –, foi a partir daí e por ter ido tocar a Badajoz que os músicos espanhóis me convidaram para vários grupos e orquestras. Os Cuban Boys eram um grupo internacional, vindo de Cuba, com o cantor António Machín e o maestro Armando Oréfiche, dois geniais cubanos que montaram uma orquestra com músicos de vários países, para que pudessem atuar nos países de onde esses músicos fossem oriundos. Isto porque ao tempo havia uma lei no país vizinho, e em Portugal também, que não permitia que uma orquestra estrangeira atuasse em Espanha sem que fosse contratada uma orquestra nacional com o mesmo número de músicos. Foi nessa condição que tive a sorte de atuar com o Armando Oréfiche e através dele conhecer pessoalmente o grande escritor Jorge Luís Borges.

Quase toda a música popular portuguesa é fado, o que muda é o ritmo e a roupa, ou seja, a instrumentação. A Hermínia foi mais do que uma grande amiga.

DR

Durante muito tempo foi uma espécie de embaixador musical do Alentejo. O que significa para si ser alentejano?

fadista Hermínia Silva, na casa de fados que esta possuía. Alguma vez foi tentado pelo fado?

Há 30 ou 40 anos produzia-se em Portugal música ligeira de qualidade. Havia um naipe de grandes intérpretes, bons letristas e compositores. Hoje a canção ligeira é dominada pelo género “pimba”. O que aconteceu?

Isso acontece apenas para justificar o negócio da música estrangeira. Está envolvido num processo judicial por alegados maus tratos e o seu nome é citado em alguma imprensa de forma pouco abonatória. Contrapõe dizendo que há uma “perseguição” ou uma “cabala” contra si. Se é verdade, a que se deve?

Isso é obra da chafurda social que caracteriza a parte “pimba” do jornalismo de pocilga. Há um processo que terá uma sentença em breve e depois falamos. Essa situação pode afetar a sua carreira?

A minha carreira não é cumprida de joelhos!


Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

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Os espetáculos andrajosos, os desfiles pindéricos de terça-feira de Carnaval, do norte ao sul do País, do centro às ilhas, devem manter-se, custe o que custar. Por uma razão simples. São a imagem perfeita, verdadeira deste pequeno e triste Portugal. António Ribeiro Ferreira, “i”, 6 de fevereiro de 2011

Opinião

A “Casa dos Segredos” da maçonaria Bruno Ferreira Humorista

P

or estes dias, quando o empregado da cafetaria da Assembleia passa pelas bancadas parlamentares a distribuir chá e café aos deputados, sempre que algum destes o solicita chamando “Psst! Garçon!”, é comum a maioria dos membros da Assembleia olhar na sua direção. É que é bastante fácil o ouvido humano confundir garçon com maçon. E ambos vão de avental. Prova este dado que, nos dias que correm, a única neblina de secretismo que se abate sobre os corredores da Assembleia diz respeito não a saber que deputados pertencem a que organização secreta, mas quais os que não pertencem a nenhuma. Em relação aos do PSD e PS já se sabe que maioritariamente estão com a maçonaria. E percebe-se porquê. É gente habituada ao governo, a tratar da sua vidinha, e portanto com poder de compra para ir às “lojas” fora da época de saldos. No seio do CDS os deputados dividem-se entre os que também querem ir às compras e aqueles que se ficam pela Opus Dei, outra organização com contornos secretos, mas esta ligada à missão evangelizadora da igreja. Aliás, perante a polémica do alastrar maçónico em São Bento, Paulo Portas fez questão de frisar que essa não era a sua praia, uma vez que estudou no Colégio dos Jesuítas. O ministro não esclareceu, no entanto, qual a praia que frequenta. Muitos apostam na praia do CDS, na Costa da Caparica, mas há também quem sustente Cá para mim o ser a praia do Meco. que é secreto Excetuam-se os deputados sempre foi de comunistas que estão proibidos de pertencerem a associações desconfiar. Caso contrário fazia-se secretas desde 1935. Creio que à luz do dia. Senão a diretiva serviu justamente para eliminar uma redundânveja-se o caso dos cia histórica porque para secreIrmãos Metralha: tismo o próprio PCP já se basta sempre que esta a si próprio. Mas o que separa, afinal, a irmandade planeia “Casa dos Segredos” desta orum novo assalto à ganização secreta? Ambos têm caixa forte do Tio um olho-que-tudo-vê. A priPatinhas fá-lo em meira conta com um acervo de casa, de portas e putos desconhecidos, com projanelas fechadas. fissões que vão desde padeiros a pastores. A outra tem os Ora se os maçons barbaças mais responsáveis do são tipos que País, integra líderes políticos e concorrem para CEO de grandes empresas, e é uma sociedade uma sociedade reservada que mais justa, por admite todo o homem de bons que raio se juntam costumes que cultive os princípios da liberdade, igualdade e às escondidas? fraternidade, que tenha boa ínÉ que assim levantam sobre si a dole, respeite a família, possua um espírito filantrópico e properniciosa suspeita cure a constante evolução das de andarem a fazer suas virtudes. Isto é, que tenha malandrices. a folha limpa e uma imagem

Concedo, até, que o mal possa não estar na filosofia que presidiu à criação das Novas Oportunidades, mas no facilitismo de que se revestem, por vezes, ao certificar experiências de vida relatadas com erros ortográficos e gramaticais de palmatória não tolerados no simples exame da 4.ª classe do antigo ensino primário. Rui Baptista, “Público”, 7 de fevereiro de 2011

A lei das limitações dos mandatos foi aprovada para renovar o pessoal político autárquico. É uma medida de combate à corrupção, tráfico de influências e clientelismo (…). Permitir que um presidente de câmara abrangido pela lei transite para a câmara do lado é permitir que a respetiva “carteira de clientes” transite com ele. Editorial do “Diário de Notícias”, 7 de fevereiro de 2011

esfregada com Tide. Foi, pois, com elevado espírito filantrópico que um exdirigente dos serviços secretos, pertencente à loja Mozart 49 (a mesma do líder da bancada do PSD), passou, alegadamente, informações a uma empresa privada para a qual depois foi trabalhar. Pelo caminho terá o ex-espião, alegadamente, violado registos telefónicos de um jornalista e realizado alguns subornos. Mas todas estas práticas sempre no estrito âmbito da fraternidade. Por mero acaso da fraternidade entre os irmãos da sua loja, que o bem comum tem mais gente que faça por ele. Cá para mim o que é secreto sempre foi de desconfiar. Caso contrário fazia-se à luz do dia. Senão veja-se o caso dos Irmãos Metralha: sempre que esta irmandade planeia um novo assalto à caixa forte do Tio Patinhas fá-lo em casa, de portas e janelas fechadas. Ora se os maçons são tipos que concorrem para uma sociedade mais justa, por que raio se juntam às escondidas? É que assim levantam sobre si a perniciosa suspeita de andarem a fazer malandrices. Para terminar, fica uma nota para o leitor melómano. Se estiver à procura de um piano Steinway ou de um violino Stradivarius e se, ao pesquisar na Internet, deparar com a Loja Mozart 49, tenha cuidado. É possível que esta não seja a loja que procura. Mas se ainda assim quiser experimentar, não leve batuta. Vá de avental.

As muralhas da minha vida Ana Paula Figueira Docente do ensino superior

T

odos temos muralhas que guardam as nossas vidas. Estas podem ser fortes ou fracas, profundas ou superficiais, visíveis ou dissimuladas. Surgem e renovam-se ao longo da nossa vida e, quando se juntam, num dado momento, delimitam um espaço – o espaço individual em que cada um de nós se move – aquele que foi por elas conquistado e que nos é oferecido na esperança de que o consigamos aumentar. Assim, as muralhas às quais me refiro não são castradoras mas antes protectoras e desafiadoras, na medida em que nos ensinam a melhor forma de as conseguir ultrapassar, dando origem a novos espaços a partir de partes do espaço anterior. Criam-se assim novas vidas e novas muralhas neste ciclo contínuo que é a Vida. A minha primeira muralha desmoronou-se, de um só ataque fulminante, tinha eu pouco mais de 20 anos. Foi demolidor e irrecuperável! A brecha que daí resultou ainda hoje existe. A minha segunda muralha foi sendo tenazmente corroída durante muito tempo e veio a cair passados mais duas dezenas de anos: o embate foi tão grande quanto o enorme e pouco estético “buraco” que abriu! Apesar de, durante esses longos anos, haver acrescentado mais espaço àquele que recebi inicialmente, com estas duas baixas, o meu espaço individual ficou mais exposto e indefeso, restando apenas a alternativa lógica de, também ele (ou eu), começar a construir a “sua” (uma nova) muralha. Percebi que este é um trabalho árduo, difícil e constante, impossível de dar como concluído! Ontem, mais uma das minhas muralhas desabou… completamente carcomida, fruto de um longo e persistente ataque vil e silencioso, que não permitiu qualquer adversário*. Hoje olho para o meu espaço de já tão di-

ferente contextura e reparo que nele sobressai uma muralha; ainda não é a maior em altitude, mas é decerto a mais promissora: é aquela que eu estou a construir, cujos alicerces assentam numa composição de “dado” e “conquistado”, à qual procuro acrescentar, todos os dias, um tijolo maciço fabricado com a argila das minhas experiências e ambições e cozido no forno dos meus valores. E percebo também que hoje eu já sou uma das muralhas da vida de outras pessoas. Por mim e por eles, espero conseguir ser tão sólida e resistente quanto possível pois, a partir de agora, sou eu que estou na linha da frente! *À memória da minha tia Eugénia falecida no dia 29 de Janeiro de 2012. Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico

Um mau acordo João Machado Economista

O

acordo de concertação social que foi assinado entre os parceiros sociais denota os tiques de malvadez em relação às pessoas que trabalham e que contribuem para o desenvolvimento do País. Como podemos evoluir enquanto sociedade se estamos a retroceder em termos civilizacionais e a jogar o estado social para um vazio sem paralelo, abrindo a porta a tudo o que é privado? Não sou daqueles que pensam que o privado é mau, pelo contrário, entendo que as instituições e empresas privadas têm um papel fundamental na sociedade, contudo é altamente reprovável o papel dos nossos atuais governantes em termos da degradação de tudo o que é público, colocando neste setor o ónus daquilo que é mau na sociedade portuguesa. Ouvimos o slogan do PS em que “as pessoas estão primeiro” e eu pergunto onde? Vemos os membros do Governo com a bandeira de Portugal na lapela dos seus fatos e até poderíamos pensar que eles estão a pugnar por um Portugal melhor? E se calhar até o fazem, mas para quem? Para eles próprios e para as suas empresas ou gabinetes de advogados dos quais fazem parte e é assim que “evoluímos” nesta sociedade cada vez mais perfeita. Se Portugal já era um país triste, hoje é um país extremamente deprimido e sem sensibilidade social para perceber os reais problemas da economia, no seu mais ínfimo nível. Recuperar a economia é antes de mais recuperar o poder de compra das famílias e não as utilizar como armas de arremesso para jogos político-partidários desprovidos de sentido. Sou um cidadão português indignado com o meu país, porque sinto que existem cada vez mais injustiças, baseadas em acordos irrealisticamente negociados. Não é possível continuar neste marasmo. Enquanto cidadãos devemos ter a capacidade de reagir, ou então mereceremos tudo aquilo que nos está e irá ainda acontecer. O caminho faz-se caminhando mas deveremos saber dar o primeiro passo na direção correta.


Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

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Há 50 anos Uma terra divorciada dos “problemas do espírito”

A

generalidade dos bejenses não participa nas actividades artísticas e culturais promovidas na sua cidade? A terra está divorciada dos “problemas do espírito”, em particular da música? Ora aí está uma velha questão que já era debatida há meio século nas páginas do “Diário do Alentejo”. Como por exemplo acontecia na edição de 8 de fevereiro de 1962, com honras de Nota do Dia, intitulada “A ‘Pró Arte’ é uma lição”. O anónimo editorialista criticava severamente os bejenses pela indiferença face ao trabalho da antepassada do Conservatório Regional do Baixo Alentejo: “Numa terra de vinte mil habitantes mas de divórcio assente, desde há muito, com os problemas do espírito, os oito anos de actividade da delegação local do ‘Pró Arte’ são empresa de assinalar pelo seu significado intrínseco e pela notória lição de persistência no culto da arte dos sons que dela ressume. Temos acompanhado alguma coisa de perto a áspera caminhada do grupo heróico de batalhadores da causa e somos testemunhas de muitos dos obstáculos que a malevolência de uns e a indiferença de outros têm semeado na continuidade desta obra de divulgação musical, única no meio citadino. Quase mensalmente são oferecidos, ao reduzido número de associados, saraus e concertos que implicam a vinda a Beja de artistas da maior reputação no plano musical do País. Não discutimos aqui (e podíamos discuti-lo) se o método – de concertos sem notas explicativas, sem palestras sobre os seus mais famosos compositores e executantes instrumentais – será o mais produtivo, o mais eficiente. Não discutimos, apontamos apenas uma realidade consoladora no paupérrimo ambiente cultural da cidade. No plano moral, as ideias e as coisas só morrem quando nos esquecemos delas. A ‘Pró Arte’, apesar de todas as vicissitudes, não morrerá, estamos certos, enquanto dela se não alhear (nós bem sabemos o ror de sacrifícios e de incompreensões, dr. Henriques Pinheiro!) a estóica meia dúzia de ‘boas-vontades’ que, ao leme da ideia, a explanaram há oito anos e, pelos tempos, têm vindo a garantir-lhe uma magnífica realidade. A cidade volta-lhe as costas, quando a ‘Pró Arte’ se impôs já pela sua utilidade espiritual e pelo seu mérito associativo. É doloroso relembrar aqui que o público bejense não corresponde, nem ao de leve, aos esforços empregados. É doloroso, mas é urgente.” Carlos Lopes Pereira

Iconografia pacense Um arco triunfal romano entre as ruas dos Infantes e do Touro?

N

ão é novidade esta abordagem ao património arqueológico romano da vetusta Pax Julia1. No artigo anterior destacámos a singularidade do grande capitel adossado compósito/coríntio, descoberto, em 1982, n’ “Os Infantes”, na rua dos Infantes n.º 16. Comparámo-lo ao capitel compósito de coluna, pilastra e meia coluna, da porta romana de Adriano (séc. II), na cidade de Éfeso, Turquia, desenho que agora reproduzimos para que se possa compreender melhor a tentativa de reconstituição que apresentamos de um provável arco de triunfo que estaria situado no extremo nascente do fórum de Pax Julia. O contexto arqueológico em que nos baseamos é composto pelos elementos arquitetónicos romanos encontrados entre as ruas dos Infantes (1), do Touro n.º15 (2 e 3) e da Torrinha (4), da abside de São João (5) e das portas medievais de Aljustrel (6). Não há espaço suficiente para reproduzir neste artigo as fotos ou desenhos de todos os achados, mas vamos recordá-los numa breve descrição com a ajuda da planta parcial da cidade. Do centro da planta, em 1, é proveniente o grande capitel adossado compósito/coríntio, constituído por dois blocos sobrepostos, datável segundo Alarcão (1986, 82)2 e Antonieta Ribeiro (1999, 145-160)3 do final do século I ou início do II, realçando o professor a relação estilística e até temporal com o Arco de Triunfo de Tito, em Roma, também do final do século I, embora venha a atribuir a um templo ou a uma basílica a utilização dos capiteis compósitos, conforme a sua dimensão. Portanto, em 1, além do grande capitel, encontrou-se um outro de coluna com a altura de 60 centímetros, da ordem coríntia, com folhas lisas (exposto ao lado do balcão do ex-café-concerto “Os Infantes”), datado do final do século III (RIBEIRO, 1999, 181-185), enquanto na sala “subterrânea”, onde foram descobertos, subsistem o troço de um fuste liso com cerca de 85 centímetros de diâmetro e estruturas de opus quadratum aparentemente in situ; em 2, na rua do Touro, recolheram-se, em agosto de 2005, próximo dos números de polícia 15 e 13, um capitel de folhas lisas coríntio, semelhante ao d’ “Os Infantes” e uma cabeça de touro muito bem cinzelada (salvaguardadas no castelo), semelhante às duas que se encontravam embutidas na abside da igreja de São João Batista (5), atualmente expostas no Museu Regional; em 3, na rua do Touro, e em 6, nas portas medievais de Aljustrel, encontraram-se os outros dois grandes capitéis compósitos de coluna, também expostos no museu regional e, por último, em 4, no início da parte superior da já desaparecida rua da Torrinha, dois grandes fragmentos de cornija, de trabalho plástico semelhante ao dos capitéis compósitos. Julgamos que, além da evidente relação de proximidade entre os achados – o mais distante, encontrado às portas de Aljustrel, é o capitel compósito menos bem conservado, adaptado a grande pia (devem-no ter levado a rebolar, desde o extremo do fórum até ao local da sua última aplicação) – há também uma afinidade plástica na sua elaboração. Igualmente, a toponímia do touro e os achados respetivos – cabeças de touro (incluindo as que estavam na abside da igreja, orientada para a rua do Touro, aparentemente uma das vias principais, o Decumanos, da cidade romana), capitel coríntio de folhas lisas e o capitel compósito – revelam um contexto arqueológico de grande importância já denunciado pelo pároco de São João Batista, Pedro Pires Nolasco, em meados do século XVIII, quando afirmava que só na sua freguesia havia tantas coisas antigas, como as colunas do arco de cruzeiro da igreja, as cabeças de touro, fustes, etc. Dada a relação contextual que propomos para estes espécimes

arqueológicos, há que acertar a datação dos capitéis coríntios de folhas lisas, associados às cabeças de touro, às cornijas e aos capitéis compósitos e compósito/coríntio, para o final do século I da nossa era, cronologia do grandioso monumento romano a que provavelmente pertenciam. A título de curiosidade e, pelo menos, para que se recorde, nestes dias de grande afã arqueológico4, em Beja, localizamos na planta parcial, em baixo, à direita das portas romanas de Vipasca (antiga rua do Buraco, do Muro Baixo e atual dr. Brito Camacho), umas estruturas romanas, formadas por grandes blocos almofadados sobrepostos, que nos parecem ser os pés direitos de outra porta pacense5. 1 Desde 1983 foram vários os artigos que publicámos sobre achados arqueológicos e tentativas de reconstituição arquitetónica de Pax Julia, nomeadamente na rubrica “Iconografia Pacense”, in “Diário do Alentejo” de 15 de janeiro de 1983; 22, 29 setembro e 13 de outubro de 1995; 30 de junho e 7 de julho de 2006; 17 de julho de 2009, entre dezenas de outros, consultáveis através do banco de dados da Biblioteca Municipal de Beja José Saramago. 2 ALARCÃO, Jorge de –“Arquitetura romana”, in História da Arte em Portugal, Lisboa: Publicações Alfa, 1986. Vol.1, p.82. 3 RIBEIRO, Maria Antonieta Brandão S. – “Capitéis romanos de Beja”, Beja: CMB, 1999. 4 Decorre o colóquio “Beja/Imagens da cidade antiga”, entre 9 e 10 de fevereiro de 2012. 5 “Porta romana inédita em Beja” in “Diário do Alentejo”, 27 de outubro de 2006.

Leonel Borrela


Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

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Efeméride Familiar, amigo e admirador recordam o mais ilustre aljustrelense

Brito Camacho nasceu há 150 anos Aljustrel homenageia, a partir de domingo, o mais ilustre filho da terra: Brito Camacho. Familiar, amigo e admirador traçam o perfil e recordam o homem que esteve ao serviço da nação, mas que nunca esqueceu o seu torrão natal: Aljustrel, e consequentemente o Alentejo. Texto Bruna Soares

M

anuel Brito Camacho nasceu há 150 anos, no concelho de Aljustrel. Foi médico, político, escritor, publicista, entre tantas outras facetas, e marcou a história moderna do Alentejo, mas também do País, uma vez que esteve ao serviço da nação, como deputado, ministro do fomento e alto-comissário da República em Moçambique. A sua terra natal não o esqueceu e durante este ano vai evocar a efeméride, homenageando o filho que nunca renegou as suas origens rústicas. As comemorações começam no dia 12, data de batismo de Brito Camacho. Mas quem foi este homem, que para muitos, ainda hoje, é considerado como o mais ilustre aljustrelense? Francisco Colaço, seu admirador confesso e patrício, que tem dedicado grande parte do seu tempo ao estudo desta figura, garante que “traçar um perfil fiel de uma personalidade tão multifacetada e complexa como foi este genuíno filho da terra transtagana, para quem não foi seu contemporâneo, constitui tarefa delicada”. Ainda assim, tendo por base testemunhos de um variado número de personalidades, correligionários e adversários políticos, e através da leitura da sua obra literária, arrisca e afirma: “É um alentejano genuíno de caráter inflexível como um chaparro do Cabeço das Mesas [contíguo ao monte das Mesas, onde nasceu, na freguesia de Rio de Moinhos]. Homem de inteligência

agudíssima e de invejável cultura; conversador de viva e espontânea graça e ironia mordaz; orador clarividente e defensor sincero das suas convicções; indefetível republicano, livre-pensador e patriota, mas respeitador dos seus adversários políticos”. Maria Antónia Quadros Costa, sobrinha-neta de Brito Camacho, é uma das únicas pessoas vivas que conviveu com este cidadão aljustrelense, embora tivesse tenra idade – seis anos. Sentada numa poltrona confortável, junto à lareira de sua casa, em Montes Velhos, confessa: “Lembro-me perfeitamente de ir a Lisboa e de passear com o meu tio de elétrico”, recordando também “o seu jeito desalinhado”, a sua “pouca preocupação com a imagem”. “Era uma pessoa afável, séria, honesta, frontal e inteligente”, garante. A admiração e os valores do tio Camacho foram-lhe transmitidos “pelos pais”, tantas vezes cúmplices do familiar. Em Aljustrel são muitos os locais que ainda hoje se encontram associados a Brito Camacho, designadamente a ermida de Nossa Senhora do Castelo, local obrigatório de visita e recolhimento do político, quando se deslocava a Aljustrel. Maria Antónia, no entanto, conta: “Era ateu, mas não recusava ir à igreja, nomeadamente para ser padrinho de alguém. Podemos dizer que era um ateu tolerante”. Francisco Colaço completa: “Era, sobretudo, anticlerical e naturalista convicto, mas tolerante com a fé e amigo de visitar a sua madrinha de batismo, Nossa Senhora do Castelo”.

“Quando o dr. Brito Camacho vinha a Aljustrel tínhamos a obrigação de ir cumprimentar o padrinho da mãe e lembro-me de o ver sentado à mesa na casa de jantar e de nós chegarmos e o beijarmos”.


Republicano ab ovo [desde o ovo], ainda estudante do liceu, já propagandeava o meu credo político, que me parecia tão inatacável como as verdades demonstradas”. Brito Camacho, prefácio de “Questões Nacionais”

JOSÉ FERROLHO

Nelson Brito, presidente da Câmara Municipal de Aljustrel

“Um povo sem memória é um povo sem futuro” O que representa Brito Camacho para o concelho?

Manuel de Brito Camacho foi, é, pelo seu legado enquanto político, escritor, jornalista e médico militar, um dos mais brilhantes filhos de Aljustrel. É também, possivelmente, o mais importante político com berço no Alentejo, pelo que se trata, não apenas de uma figura local, mas de uma personalidade de âmbito regional e nacional com enorme significado para o concelho de Aljustrel.

Como é que Aljustrel vai comemorar os 150 anos do nascimento desta figura?

Temos previsto um programa diverso e abrangente, à imagem de Brito Camacho. No próximo dia 12, dia em que se comemoram os 150 anos de nascimento deste ilustre Aljustrelense, iremos realizar uma caminhada que ligará o largo Brito Camacho, em Aljustrel, ao Monte das Mesas, na freguesia de Rio de Moinhos, onde nasceu Brito Camacho. Às 15 e 30 horas promoveremos

JOSÉ SERRANO

Outro dos locais que se encontra, inevitavelmente, associado a esta figura é a moradia, adquirida pelo seu irmão, Joaquim de Brito Camacho, no início do século XX, no largo que hoje tem o nome de Dr. Manuel de Brito Camacho, e onde o seu amigo Aquilino Ribeiro pernoitou numa das suas estadias. Era para aqui que corria, sempre que podia, José Duarte Albino, que também teve o privilégio de conviver com o homem, que sempre lhe transmitiu “afeto”. “O meu avô [Manuel Joaquim Brando, também ilustre médico aljustrelense] formou-se em medicina na mesma época do dr. Brito Camacho e era o médico da sua família. Acontece ainda que o meu avô convidou o dr. Brito Camacho para ser padrinho de casamento da minha mãe. Existia já, nessa altura, uma grande amizade”, acrescentando: “Vivíamos muito perto e eu e os meus irmãos íamos muito à casa da família Brito Camacho. Tratavam-nos muito bem e as crianças quando são bem tratadas sabem para onde devem correr. Recordo-me que havia sempre muitos bolos, doces. Houve sempre uma grande amizade entre as duas famílias. As primeiras fotografias que temos foram tiradas nessa casa”. E acrescenta: “Nós já íamos para lá voluntariamente, mas quando o dr. Brito Camacho vinha a Aljustrel tínhamos a obrigação de ir cumprimentar o padrinho da mãe e lembro-me de o ver sentado à mesa na casa de jantar e de nós chegarmos e o beijarmos”. A última recordação de José Duarte Albino acontece, precisamente, com o anúncio da morte de Manuel Brito Camacho. “Tinha sete anos, mas recordo-me perfeitamente desse acontecimento, até porque foi mais ou menos na mesma altura que o meu avô morreu [Manuel Joaquim Brando faleceu 10 dias depois]”. José Duarte Albino, por sinal, é o atual presidente da Caixa de Crédito Agrícola de Aljustrel e Almodôvar, e também aqui é encontrada uma ligação a Brito Camacho, uma vez que, enquanto ministro do fomento, instituiu por decreto o Crédito Agrícola. O Centro Republicano de Instrução e Recreio Aljustrelense, fundado em 1907, onde o célebre político visitava e confraternizava com os amigos, ainda hoje é local de encontro e de partilha e numa das suas paredes, como não poderia deixar de ser, figura, entre outras personalidades, a fotografia daquele que também é considerado “o fundador dos centros republicanos”. Brito Camacho foi também fundador do Partido Unionista, do diário republicano “A Lucta” e autor de mais de três dezenas de volumes. Para Francisco Colaço, “a sua terra natal viu o seu nome e as suas gentes profusamente perpassados através da sua primorosa obra literária, prestando-lhe deste modo o escritor memorialista uma vibrante e imorredoura homenagem”. Agora é a vez de os aljustrelenses lhe prestarem homenagem, e essa começa já no domingo.

Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

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Brito Camacho e que procurarão engrandecer ainda mais esta personalidade de enorme importância para Aljustrel e, porque não assumi-lo, para o nosso país. Existe a necessidade de dar a conhecer mais este ilustre homem de Aljustrel?

uma sessão solene de homenagem nos paços do concelho, com entrega de medalhas comemorativas do centenário da República. Para encerrar o dia de aniversário, promoveremos um concerto com o grupo de metais da Sociedade Musical de Instrução e Recreio Aljustrelense. No dia seguinte, 13, os CTT irão lançar, com participação do município de Aljustrel, uma “marca do dia” alusiva a Manuel de Brito Camacho. Ao longo do ano irão desenvolver-se ainda várias atividades e iniciativas que terão a firma de

Claro que sim, porque um povo sem memória é um povo sem futuro. Infelizmente não é com muita frequência que surgem políticos, cidadãos, pessoas com a dimensão de Brito Camacho. Por isso nós procuramos honrar aqueles que contribuíram para o bem comum e para levar mais longe o nome da nossa terra. É nessa memória que se deve cimentar a construção das novas gerações de aljustrelenses, olhando para os exemplos e feitos daqueles que se destacaram nas suas áreas de intervenção. Brito Camacho, apesar de ser também um cidadão do mundo, é o exemplo maior desse amor às origens que nós queremos estimular e preservar. Bruna Soares


Eleições no Clube Desportivo de Beja

Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

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O Clube Desportivo de Beja reúne no próximo dia 24, pelas 21 e 30 horas, uma assembleia geral extraordinária para a eleição dos corpos sociais para o biénio 2012/2014. O clube está a ser gerido por uma comissão administrativa, cujos elementos devem integrar a lista que será submetida a sufrágio dos sócios.

Futebol juvenil Campeonato Nacional de Juniores Série D (22.ª jornada): BM Almada-Estoril, 1-0; Olhanense-Atlético, 2-3; Oeiras-U.Montemor, 6-1; Imortal-Despertar, 1-5; Lusitano -Internacional, 1-1; Desportivo Portugal-Farense, 4-4. Classificação final: 1.º Estoril, 48 pontos. 2.º Internacional, 44. 3.º Olhanense, 44. 4.º BM Almada, 44. 5.º Atlético, 43. 6.º Oeiras, 41. 7.º Farense, 24. 8.º Lusitano, 23. 9.º Desportivo Portugal, 22. 10.º Despertar, 17. 11.º Imortal, 17. 12.º União de Montemor, 7. O Despertar desceu aos regionais.

Desporto

Campeonato Nacional de Iniciados Série F (22.ª jornada): Imortal-V. Setúbal, 1-5; Juventude-Barreirense, 1-3; Lusitano VRSA-Louletano, 4-3; Odeáxere-Olhanense, 1-2; Lusitano-Despertar, 1-1; Castrense-Lagos,2-2. Classificação final: 1.º V.Setúbal, 48 pontos. 2.º Olhanense, 45. 3.º Odeáxere, 39. 4.º Barreirense, 36. 5.º Imortal, 35. 6.º Louletano, 34. 7.º Despertar, 30. 8.º Lusitano VRSA, 29. 9.º Lagos, 23. 10.º Lusitano, 20. 11.º Castrense, 19. 12.º Juventude, 8. O Castrense desceu aos regionais e o Despertar mantem-se no patamar nacional.

Clube da Cidade de Salúquia tem que jogar 12 finais

Mafra joga em Moura O Mafra vai a Moura vingar o empate que cedeu no seu terreno no jogo da primeira volta. É preciso cerrar fileiras e ganhar. Esta é uma das batalhas pela manutenção. Texto Firmino Paixão

O

Moura recebe no domingo a formação do Mafra, naquele que é o terceiro jogo que disputa sob orientação do técnico Joaquim Mendes, que chegou à cidade como último trunfo para que a equipa assegure a manutenção. Numa lógica de regularidade, os jogos em casa são para ganhar, e é esse o único resultado

que interessa, porque a equipa já desperdiçou pontos em demasia no seu reduto. Depois, as questões factuais, o Mafra tem mais 11 pontos e está seis lugares acima do Moura, números que deixam antever dificuldades. Mas em outubro de 2011, ia o campeonato na quarta jornada, o Moura empatou a uma bola no terreno deste mesmo adversário de domingo. Na última jornada regressou do Carregado com a pesada derrota de 3/0, descendo um lugar na tabela porque o Juventude de Évora venceu o derby com o Vendas Novas e deixou o seu lugar abaixo da linha de água para os mourenses. Estamos a 12 jornadas do fim do campeonato e Joaquim Mendes, reconheça-se, que é

técnico habituado a estas exigências, tem pela frente outras tantas finais para livrar a equipa da descida de divisão, sobretudo numa altura tão sensível como a que se aproxima, em face da anunciada reestruturação que a Federação Portuguesa de Futebol vai operar nestes campeonatos. Num olhar sobre as outras formações alentejanas, as dificuldades do Juventude e do Reguengos são comuns às do Moura. Os eborenses jogam no domingo nas Caldas da Rainha, o Reguengos vai ao terreno do Tourizense. O Estrela de Vendas Novas recebe o Pinhalnovense já no próximo domingo, numa partida que não será fácil de gerir.

Primeira fase só tem mais cinco jornadas

Já não chega só pontuar

O

campeonato entrou numa fase tão decisiva que os empates sabem a pouco, faltam poucas jornadas e os pontos são necessários como “pão para a boca”. A próxima jornada do Nacional da 3.ª Divisão assinala o regresso a casa das formações do distrito, depois de compromissos em terrenos adversários, mas com resultados nem por isso totalmente adversos. O Mineiro Aljustrelense joga em casa com a formação dos Pescadores, com a qual está empatado em pontos (na 1.ª volta o Mineiro perdeu 3/2 na Costa da Caparica) pelo que, para se afastar deste adversário direto na luta pelos objetivos da temporada, só interessa ganhar e

tanto melhor por mais do que um golo de diferença. Curiosamente a equipa do concelho de Almada tem menos cinco golos marcados que o Aljustrel, mas também tem cinco sofridos. É jogo para ganhar, utilizando o capital de confiança trazido de Montemor-o-Novo onde, no último domingo, a equipa conseguiu empatar a duas bolas, não deixando que os unionistas se distanciassem mais do que os atuais três pontos que levam de vantagem e no degrau acima dos tricolores de Aljustrel. O Despertar joga em casa com o Esperança de Lagos. Os algarvios estão na terceira posição, não lhes interessa deixar pontos em Beja, mas é de todo provável que

os despertarianos, mantendo o ascendente que nas últimas jornadas tem sido notório, lutem abnegadamente para chegar à sua primeira vitória no campeonato, objetivo que lhes resta nestas cinco jornadas que faltam cumprir até ao termo da primeira fase da prova, porque a manutenção só por milagre seria conseguida. O Despertar pontuou em três dos últimos cinco jogos e nos restantes perdeu por uma bola a zero, tendo melhorado francamente os índices relativamente ao primeiro terço da época. Não será fácil ganhar ao Lagos no domingo, mas seria um tónico importante para o resto da prova que tem por cumprir. FP

Nacional 2.ª Divisão 18.ª jornada

Nacional 3.ª Divisão 17.ª Jornada

Distrital 1.ª Divisão 16.ª jornada

Fátima-Oriental .................................................................. 1-0 Mafra-Caldas ........................................................................3-3 Juv. Évora-E. Vendas Novas ............................................. 1-0 Pinhalnovense-1.º Dezembro ......................................... 1-0 Louletano-Tourizense ........................................................0-1 At. Reguengos-Torreense .................................................2-2 Monsanto-Sertanense ...................................................... 0-0 Carregado-Moura .............................................................. 3-0

Pescadores-Sesimbra .........................................................2-3 Fabril-Esp.Lagos ..................................................................0-1 Messinense-Redondense ................................................ 2-0 Quarteirense-Despertar ................................................... 1-0 U.Montemor-Aljustrelense ...............................................2-2 Farense-Lagoa .................................................................... 0-0

S.Marcos-Desp.Beja ........................................................... 1-0 Guadiana-Panoias...............................................................0-1 FC Serpa-Ferreirense ..........................................................1-3 Aldenovense-Sp.Cuba ...................................................... 3-0 Vasco da Gama-Castrense ................................................1-3 Milfontes-Rosairense .........................................................2-1 Almodôvar-Odemirense .................................................. 0-0

Torreense Carregado Oriental Fátima Pinhalnovense Mafra E. Vendas Novas Louletano Sertanense 1.º Dezembro Juventude Évora Moura Tourizense Monsanto At. Reguengos Caldas

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18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18

10 10 10 9 10 7 8 7 7 6 6 5 4 3 3 2

6 5 3 5 1 8 4 5 4 4 2 3 6 8 6 4

2 3 5 4 7 3 6 6 7 8 10 10 8 7 9 12

32-14 36-20 33-13 24-17 27-22 20-12 26-17 17-18 22-21 15-14 18-27 16-37 15-25 14-24 17-30 11-32

36 35 33 32 31 29 28 26 25 22 20 18 18 17 15 10

Farense Quarteirense Esp.Lagos Fabril U.Montemor Messinense Sesimbra Pescadores Aljustrelense Lagoa Redondense Despertar

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17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17

12 10 9 9 8 8 6 6 6 5 4 0

5 1 3 1 3 3 6 4 4 4 1 3

0 6 5 7 6 6 5 7 7 8 12 14

37-11 22-18 29-19 27-23 20-17 20-18 21-21 21-21 25-28 11-17 14-24 5-35

41 31 30 28 27 27 24 22 22 19 13 3

Próxima jornada (12/2/2012): Moura-Mafra, Caldas-Juven-

Próxima jornada (12/2/2012): Messinense-Fabril, Redon-

tude Évora, Estrela Vendas Novas-Pinhalnovense, 1.º Dezembro-Fátima, Oriental-Louletano, Tourizense-At. Reguengos, Torreense-Monsanto, Sertanense-Carregado.

dense-Farense, Sesimbra-Quarteirense, Aljustrelense-Pescadores, Lagoa-U.Montemor, Despertar-Esp.Lagos.

Castrense Milfontes Ferreirense FC Serpa Panoias Aldenovense Rosairense Vasco da Gama Odemirense Almodôvar S.Marcos Desp.Beja Guadiana Sp.Cuba

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16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16

13 12 9 8 8 8 7 7 6 5 4 4 3 2

3 1 3 4 3 0 3 1 2 4 3 3 1 1

0 3 4 4 5 8 6 8 8 7 9 9 12 13

39-6 34-14 30-22 23-16 20-21 22-17 21-22 34-23 20-23 26-27 16-38 18-23 17-45 15-38

42 37 30 28 27 24 24 22 20 19 15 15 10 7

Próxima jornada (12/02/2012): Desp.Beja-Aldenovense, Ferreirense-S.Marcos, Odemirense-FC Serpa, Panoias-Vasco da Gama, Castrense-Milfontes, Rosairense-Almodôvar, Sp.Cuba -Guadiana.

Campeonato Distrital de Juniores (10.ª jornada): Amarelejense-Aljustrelense, 0-1; Odemirense-Vasco da Gama, 2-1; Almodôvar-São Domingos, 2-1; Castrense-Desportivo de Beja, 4-0; Moura-Piense, 3-2. Líder: Moura, 25 pontos. Próxima jornada (11/2): Vasco da Gama-Amarelejense; Aljustrelense-Moura; São Domingos-Odemirense; Desportivo de Beja-Almodôvar; Piense-Castrense. Campeonato Distrital de Juvenis (5.ª jornada): Sporting de Cuba-Desportivo de Beja, 2-3; Moura-Aljustrelense, 5-1; Despertar-Aldenovense, 5-0; Boavista-Castrense, 0-1. Líder: Despertar, 15 pontos. Próxima jornada (12/2): Desportivo de Beja-Castrense, Aljustrelense-Sporting de Cuba; Aldenovense-Moura; Despertar-Boavista. Campeonato Distrital de Iniciados (14.ª jornada): Almodôvar-Milfontes, 2-1; Despertar-Negrilhos, 6-1; Desportivo de Beja-Guadiana, 8-1; Odemirense-Moura, 4-0; Amarelejense-Ferreirense, 4-2; Serpa-Bairro da Conceição, 3-1. Líder: Desportivo de Beja, 37 pontos. Próxima jornada (12/2): Milfontes-Despertar; Negrilhos-Desportivo de Beja; Guadiana-Odemirense; Moura-Amarelejense; Ferreirense-Serpa; Bairro da Conceição-Ourique. Campeonato Distrital de Infantis – Série A (18.ª jornada): Beringelense-Operário, 7-1; Sporting Beja-Bairro da Conceição, 4-2; Despertar A-Alvito, 11-1; Vasco da Gama-Ferreirense, 9-2. Líder: Despertar A, 39 pontos. Próxima jornada (11/2): Operário-Sporting Beja; Bº Conceição-Despertar A; Alvito-Vasco da Gama. Série B (14.ª jornada): São Domingos-Barrancos, 0-14; Guadiana-Despertar B, 2-2; Serpa-Aldenovense, 1-2; Moura-Santo Aleixo, 5-5. Líder: Moura, 35 pontos. Próxima jornada (11/2): Santo Aleixo-São Domingos; Barrancos-Guadiana; Despertar B-Serpa; Piense-Moura. Série C (14.ª jornada): Almodôvar-Renascente, 13-0; Aljustrelense-Boavista, 5-0; Milfontes-Operário, 5-3; Ourique-Castrense, 2-6; Líder: Rio de Moinhos, 33 pontos. Próxima jornada (11/2): Castrense-Almodôvar; Renascente-Aljustrelense; Boavista-Milfontes; Odemirense-Ourique. Campeonato Distrital de Benjamins (14.ª jornada) – Série A: Sporting de Cuba-Alvito, 9-5; Vasco da Gama-Despertar A, 0-3; Figueirense-Sporting Beja, 1-13; Ferreirense-Benfica Beja, 10-1. Líder: Ferreirense, 36 pontos. Próxima jornada (11/2):BenficaBeja-SportingdeCuba;Alvito-Vasco da Gama; Despertar A-Figueirense; Beringelense-Ferreirense. Série B: Bairro da Conceição-Moura, 4-0; Serpa-Guadiana, 2-2; Desportivo de Beja-Piense, 4-1; Despertar B-Amarelejense, 19-1. Líder: Despertar B, 39 pontos. Próxima jornada (11/2): Amarelejense-Bairro da Conceição; Moura-Serpa; Guadiana-Desportivo de Beja; Aldenovense-Despertar B. Série C: Odemirense-Aljustrelense, 1-5; Almodôvar-Ourique, 8-0; Castrense-Rosairense, 13-0; Milfontes-Renascente, 6-5. Líder: Renascente, 31 pontos. Próxima jornada (11/2): Renascente-Odemirense; Aljustrelense-Almodôvar; Ourique-Castrense; Panóias-Milfontes. Campeonato Distrital de Futebol Feminino (10.ªjornada):BenficaCastroVerde-Odemirense (adiado para 14/4); Benfica Almodôvar-Serpa (adiado para 11/2); Aljustrelense-Ourique, 3-1. Líder: Aljustrelense, 25 pontos. Próxima jornada (25/2): Benfica Almodôvar-Benfica Castro Verde; Aljustrelense-Serpa; Ourique-Odemirense. Campeonato Distrital de Futsal (9.ª jornada): Alcoforado-IPBeja, 3-2; Almodovarense-AS Beja, 14-1; Vila Ruiva-Sporting Moura, 1-5; VNSBento-Alfundão, 6-5. Líder: VNSBento, 19 pontos. Próxima jornada (10/2): IPBeja-Vila Ruiva; Almodovarense-Alcoforado; Sporting Moura-VNSBento; Alfundão-ASBeja.


Disputa-se amanhã, sábado, em Campo Maior, o Campeonato do Alentejo de Corta Mato, competição que reúne atletas das três associações alentejanas e que será organizado pela estrutura de Portalegre. As provas decorrem entre as 15 e as 18 horas e disputam-se nos terrenos anexos ao Quartel da GNR de Campo Maior.

TAÇA FUNDAÇÃO INATEL Agenda (11/12 fevereiro) – Série A (14.ª jornada): Campo Redondo-Longueira; Malavado-Cercalense; Bemposta-Cavaleiro. Série B (13.ª jornada): Colense-Nave Redonda; Luzianes-Amoreiras Gare; Garvão-Relíquias; Pereirense-Santaclarense. Série C (13.ª jornada): Jungeiros-Figueirense;

Beringelense-Mombeja; São Matias-Faro do Alentejo; Penedo Gordo-Santa Vitória. Série D (13.ª jornada): Salvadense-Neves; Serpense-Quintos; Brinches-Ficalho; Sobral d’Adiça-Louredense. Série E (13.ª jordana): Almodovarense-Santa Clara Nova; Aldeia dos Fernandes-Albernoense; Sete-Alcariense; Trindade-Sanjoanense.

Uma jornada multifacetada

o regresso dos campeonatos distritais, após as emoções da Taça, temos esse jogo grande no Estádio Municipal 25 de Abril, em Castro Verde, em que o líder vai receber o Milfontes, atual segundo classificado e a cinco pontos de distância do Castrense. Não há jogos iguais, o da Cabeça Gorda é passado. Durante a semana a equipa foi preparada para outro objetivo e, sejamos francos, a motivação da partida com o Milfontes é a oportunidade de aumentar a distância de cinco para oito pontos, afinal uma razão mais do que suficiente para os jogadores de Francisco Fernandes se entregarem de alma e coração. Porque se assim for muita coisa começa a ficar definida. Claro que, o que é bom para o Castrense não é para a competitividade do campeonato, porque para isso seria desejável que Fernando Candeias conseguisse a aproximação do Praia de Milfontes, já que não se veem outras equipas com cabedal para lutarem pelo título. Mas a jornada 17 tem muito que se lhe diga. Um derby no Rosário entre a equipa local e o Almodôvar. A deslocação do Vasco da Gama a Panoias onde encontrará piso de terra batida e uma equipa motivada. O mesmo se dirá do Odemirense com o Serpa, ferido com a derrota

FIRMINO PAIXÃO

N

Milfontes ataca o líder

Distrital Castrense recebe o Milfontes e pode aumentar a vantagem

que lhe impôs o Ferreirense na sua própria casa. O regresso de Carlos Simão, agora à frente do Aldenovense, ao Complexo Desportivo Fernando Mamede (campo sintético n.º 1) onde encontrará o Desportivo com o novo técnico Hugo Rolim. O Ferreirense tem jogo de baixo risco e, finalmente, a reedição da partida que na época passada decidiu o título da 2.ª Divisão, entre o Cuba

e o Guadiana, ambos aflitos no fundo da tabela classificativa. Uma jornada de diversificado interesse, cujos jogos recordamos: Sporting de Cuba-Guadiana; Panoias-Vasco da Gama; Castrense-Milfontes; Rosairense-Almodôvar; Odemirense-Serpa; Ferreirense-São Marcos; Desportivo de BejaAldenovense. Firmino Paixão

Ferrobico eliminou o Castrense

A tradição ainda é o que era

A

derrota do Castrense, líder destacada da 1.ª Divisão da AFBeja no recinto do Cabeça Gorda, de escalão secundário, e vulgarmente conhecido pelo Ferrobico, reavivou a memória do já longínquo dia 4 de janeiro de 1981, em que a turma alentejana fez um brilharete na Taça de Portugal afastando, entre outras equipas, o Penafiel, à época treinado por António Oliveira. Já lá vão 31 anos desde que a equipa alentejana então treinada por António Dionísio “Macarrão” assinou uma

excelente prestação na prova. Agora fez sair o Castrense da Taça Distrito de Beja. Depois, porque o jogo no José Agostinho de Matos se realizou no dia 4, fica a ideia de que o algarismo é talismã para o Ferrobico. O que é certo é que dos três objetivos do Castrense (Campeonato, Taça e Super Taça) um já lhe escapou. Nos restantes jogos da prova cumpriram-se os desígnios de ganharem os mais fortes. Os resultados completos da eliminatória foram: Serpa-Messejanense, 3-2; Panoias-

-Milfontes, 0-2; Rosairense-Amarelejense, 2-0; Odemirense-Sporting de Cuba, 4-0; Aldenovense-Saboia, 3-0; Cabeça Gorda-Castrense, 2-2 (4-3 gp); Vasco da Gama-Ferreirense, 4-2; Bairro da Conceição -Almodôvar, 1-3. Para os quartos-de-final vão passar as equipas do Serpa, Milfontes, Rosairense, Odemirense, Aldenovense, Vasco da Gama e Almodôvar, todas da 1.ª Divisão da A.F.Beja, a quem se junta, então, o Cabeça Gorda, equipa heroína desta segunda eliminatória. FP

Primeiro lugar de novo em discussão

Cabeça Gorda joga em Pias

O

Estádio 1.º de Maio, em Pias, vai receber amanhã à tarde mais um jogo importante para a decisão do campeonato, desta vez com a visita do Ferrobico, o atual líder. Separados por dois pontos com vantagem para a turma de Cabeça Gorda, que comanda a prova, jogam amanhã em Pias dois dos principais

candidatos ao título da 2.ª Divisão Distrital e à subida de divisão. O Amarelejense e o Bairro da Conceição, que jogam em casa com adversários que não são fáceis, vão estar com o pensamento no 1.º de Maio. O Renascente, outra das equipas que integra o sexteto de concorrentes que ainda aspira a um lugar ao sol, tem jogo fácil no seu

campo, frente ao Barrancos, e o Saboia, que fecha esse leque, desloca-se a Montes Velhos para medir forças com o Negrilhos. Jogos da 15.ª jornada: Amarelejense-Messejanense; Bairro da Conceição-Vale Vargo; Ourique-Sanluizense; Renascente-Barrancos; Piense-Cabeça Gorda; Negrilhos-Saboia. FP

Hoje palpito eu...

O

Chico Zé iniciou a atividade de futebolista aos 15 anos, na sua terra natal, Vidigueira, vila com a qual ainda hoje, com 72 anos, mantém uma permanente assiduidade e inigualável cumplicidade. Manteve-se com o emblema de Vasco da Gama ao peito até à temporada de 1953/54 e, pela via dos compromissos militares da época, aportou em Angola em 1961, tendo mostrado os seus dotes de exímio esquerdino no Vila Clotilde, emblema que representou durante duas épocas desportivas. De regresso ao Alentejo foi contratado pelo Juventude de Época, onde cumpriu algumas épocas no Nacional da 2.ª Divisão. A vida familiar e opções de natureza profissional levaram-no para Beja, onde rapidamente vestiu a camisola do Desportivo, clube que defendeu durante inúmeras épocas, alternando presenças na 2.ª e 3.ª divisões, mas sempre ligado aos melhores momentos deste clube. Terminou a carreira com a camisola do Despertar na época 1972/73. Era um extremo esquerdo à maneira dos compêndios, um futebol fino, colado à linha, de onde ensaiava os cruzamentos para o “coração da área”. Ainda hoje adepto incondicional do seu Vasco da Gama, é frequente vê-lo nos estádios, mas a sua ligação ao movimento associativo é colorido com a dedicação que tem aos Bombeiros de Beja.

(1) SPORTING DE CUBA /GUADIANA São duas equipas que residem nos últimos lugares do campeonato. O fator casa será determinante no triunfo do Cuba. (2) PANOIAS/VASCO DA GAMA Acredito na capacidade do Vasco da Gama para ganhar em Panoias. Amor clubista? Talvez... (1) CASTRENSE/MILFONTES O Castrense não se deixará surpreender em casa pela equipa que mais lhe ameaça a liderança. (1) ROSAIRENSE/ALMODÔVAR É um derby. O Rosairense está a fazer um campeonato muito regular e, apoiado pelo seu público, será capaz de vencer o vizinho. (2) ODEMIRENSE/SERPA O Odemirense joga em casa mas tem alternado bons e maus resultados. O Serpa tem uma boa equipa e está motivado. (1) FERREIRENSE/SÃO MARCOS Vitória natural da equipa da casa que está bem melhor apetrechada que o adversário. (2) DESPORTIVO DE BEJA/AL DENOVENSE O técnico do Aldenovense conhece os pontos fracos do Desportivo e virá a Beja com o pensamento em aproveitar essa nuance para vencer a partida.

19 Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

Corta-mato do Alentejo amanhã em Campo Maior


Moura Volei Clube no Nacional

Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

20

Está definido o calendário da 2.ª fase do Campeonato Nacional de Voleibol da 3.ª Divisão, zona Sul, que deve arrancar no próximo dia 18. O Moura recebe o Académico de Penafirme, desloca-se à Marinha Grande e volta a jogar em casa com o Atlético de Albufeira.

Tomba gigantes José Saúde

Ciclismo – Benfica de Almodôvar já rola na planície A equipa de ciclismo da Casa do Benfica de Almodôvar já rola nas estradas da planície, preparando a época desportiva que se avizinha e com a qual pretende dar continuidade ao excelente trabalho efetuado

na temporada anterior, onde se cotaram como a melhor equipa no escalão de masters. A formação almodovarense, preparada para disputar todas as provas do calendário nacional da categoria e algumas no país vizinho, é constituída por seis corredores de estrada: Bruno

Sousa, João Portela, Celso Pereira, Henrique Janota, Rui Rodrigues e Vítor Faria e mais dois atletas de BTT, António Madeira e José Valadas. A equipa técnica é constituída por Francisco Camacho e Tiago Camacho. O diretor desportivo é Henrique Revés.

Cerca de 150 atletas em prova

Papacinza e Ana Guerreiro são campeões de corta-mato

C

arlos Papacinza, do Clube Natureza de Alvito, e Ana Guerreiro, do Núcleo Desportivo e Cultural de Odemira, venceram as provas principais do Campeonato Distrital de Corta-Mato, por escalão, que reuniu em Beja 140 atletas de 12 clubes. Papacinza e Ana Guerreiro estão, seguramente, entre os melhores atletas da região nesta especialidade pelo que o seu triunfo em Beja só confirma essa qualidade. Em termos coletivos, o Clube Natureza de Alvito arrecadou todos os títulos masculinos (infantis, juvenis, seniores e veteranos). No setor feminino, o Futebol Clube Castrense venceu em infantis, o Entradense ganhou em iniciados e a Juventude Desportiva das Neves chamou a si a vitória em juvenis. Nos outros escalões não houve registos coletivos porque nenhum clube apresentou, pelos menos, três atletas. A escassez de atletas a concorrer no setor feminino começa a ser um dado preocupante

sobretudo porque existem três ou quatro bons valores (por exemplo, do Núcleo Desportivo e Cultural de Odemira) cuja evolução pode ser prejudicada pela falta de competitividade. Em termos individuais os melhores registos foram os seguintes: femininos – benjamins A: 1.º Lara Silva (Messejana); benjamins B: 1.º Jessica Cortes (Portel); infantis: 1.º Ana Braga (BejaAC); iniciados: 1.º Jessica Gonçalves (Entradense); juvenis: 1.º Sara Inácio (JDNeves); juniores: 1.º Ana Catarina Dias (Odemira); seniores: 1.º Ana Guerreiro (Odemira). Masculinos – benjamins A: 1.º Ro dri go Martins (Messejana); benja mins B: 1.º Mário Batalha (Messejana); infantis: 1.º João Santos (Alvito); iniciados: 1.º João Silva (Messejana); juvenis: 1.º Miguel Lacerda (BejaAC); juniores: João Caeiro (Alvito); veteranos: António Horta (Alvito); seniores: 1.º Carlos Papacinza (Alvito). Clube Natureza de Alvito Carlos Papacinza venceu corta-mato em Beja

Firmino Paixão

Triatlo Técnico Jovem

Diogo Luz campeão, Felipe Silva vice

D

iogo Luz (Juventude Desportiva das Neves) e Felipe Silva (Bairro da Conceição) brilharam nas finais nacionais de Triatlo Técnico Jovem disputadas na nave de Alpiarça com a participação de todas as seleções nacionais, exceto a da Madeira. O juvenil Diogo Luz (JDNeves)

sagrou-se campeão nacional de Triatlo Técnico Jovem e bateu o recorde distrital da especialidade, com um registo de 2 133 pontos para as provas de 60 metros barreiras, altura e peso cinco quilogramas. Na mesma competição, Felipe Silva, iniciado de primeiro ano do CCDBairro da Conceição,

foi vice campeão nacional no Triatlo Opcional, cumprindo as provas de 60, peso quatro quilogramas e comprimento, com um total de 1 841 pontos. A seleção da Associação de Atletismo de Beja integrou também outros atletas: Rosário Silva, juvenil do Messejana (16.º lugar/729

pontos); Gonçalo Ferreira, iniciado do BNSC (11.º/1417); Mariana Sousa, iniciada do Entradense (19.º/780); e Isabel Braz, iniciada do Beja Atlético Clube (7.º/1521). Coletivamente a AABeja classificou-se em 11.º lugar, com 8 421, à frente das representações de Évora e Portalegre. Firmino Paixão

Circuito José Afonso, em Grândola

Sérgio Silva e Prokopchupka na frente

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érgio Silva, do Maratona, e Jelena Prokopchupka (Letónia) foram os grandes vencedores do 10.º Grande Prémio de Atletismo de Grândola

Circuito José Afonso, organizado pela junta de freguesia da Vila Morena e que contou com a presença de 754 atletas, 694 dos quais conseguiram concluir o

percurso 8 800 metros. No pódio masculino, além de Sérgio Silva, esteve o seu colega de equipa Sérgio Dias e o letão Valery Zholnerovich. No setor feminino,

atrás de Prokopchupka, medalha de bronze dos mundiais de meia maratona em 2002, chegaram Raquel Trabuco (Clube Elvense de Natação) e Vera Nunes (Benfica).

A tradição é, ainda, um valor doutrinal que teima em trazer à ribalta um dos clubes que marcou gerações de desportistas no distrito de Beja: o popular Ferrobico. Nos anais da história da competição chamada Taça o Clube Recreativo e Desportivo da Cabeça Gorda, fundado em 22 de março de 1976, é, inquestionavelmente, um emblema cravado de feitos desportivos quando no púlpito do seu historial colocamos no seu passado ilustres factos que trouxeram ao vivo acontecimentos reais que fizeram do Ferrobico uma agremiação quase inigualável, diria. É verdade que em tempos mais recuados o Ferrobico já tinha deixado a sua marca no então campeonato distrital da FNAT, agora Inatel, sendo a sua continuidade na AFBeja um dado adquirido. Na época de 1978/79 o emblema da Cabeça Gorda sagrou-se pela primeira vez campeão distrital, seguindo-se a sua estreia no nacional da III Divisão. Uma estreia que ficou marcada pela brilhante carreira na Taça de Portugal, onde a equipa alentejana eliminou o Penafiel que militava na I Divisão Nacional, sendo o treinador do conjunto duriense António Oliveira. Recorde-se, com justiça, que o Ferrobico deu eco na imprensa nacional desportiva o que motivou que a freguesia de Cabeça Gorda fosse efetivamente reconhecida. Falava-se amiúde do feito dos rapazes alentejanos. Portugal tecia conceções sobre a pequena aldeia localizada nas proximidades de Beja, a população rejubilava, os jogadores embeveciam-se e o staff do clube investia no futuro. Recordo que o resultado com o Penafiel foi 1-0, sendo o autor do golo Pepe e que o jogo foi disputado no estádio Flávio Santos, em Beja. Seguiu-se uma viagem no tempo sempre na ribalta e uma vitória que culminou no fim de semana com a eliminação do Castrense (I Distrital e líder) num jogo no qual não imperou a lei do mais forte, apenas o simples facto que o Ferrobico (2.ª Divisão) permanece na senda como o tomba gigantes.


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A Associação de Voleibol do Alentejo vai realizar três encontros interescolares de gira volei. O primeiro decorreu ontem, quinta-feira, na Escola Secundária de Castro Verde. As ações seguintes realizam-se no Agrupamento de Escolas de Mértola (19/3) e no Agrupamento de Escolas de Almodôvar (21/3). O encontro regional terá lugar em Mértola no dia 3 de maio e o Encontro Nacional de Centros Gira Volei está marcado para 2 e 3 de junho em Castelo de Vide.

Hóquei em patins Castrense e Mineiro jogam em casa Cumpre-se amanhã a 13.ª Jornada do Nacional da 3.ª Divisão de Hóquei em Patins, com as duas equipas do distrito a atuarem em casa. O Aljustrelense recebe o Seixal e o Castrense terá como visitante o Hóquei de Santiago

do Cacém. O Hóquei de Grândola, líder da prova, viaja para Sintra onde defronta Os Lobinhos e o Estremoz visita a Juventude Salesiana. Poucas alterações em termos classificativos depois de uma ronda em que o Hóquei de Grândola bateu o Salesiana (5/2), o Aljustrelense empatou em Azeitão

(4/4) e o Castrense perdeu (4/2) no recinto dos Lisbonense. Na 2.ª Divisão Nacional o Hóquei Vasco da Gama, de Sines, joga amanhã no Pavilhão do Sporting de Tomar depois de no último sábado, em casa, ter derrotado o Nafarros (4/2). A equipa sineense ocupa um modesto 12.º lugar na tabela.

Em nome da reestruturação do futebol

A 3.ª Divisão tem fim à vista Um novo modelo de organização para o futebol amador está em discussão nos organismos associativos nacionais. Inclui o fim da 3.ª Divisão Nacional, o incremento do futsal e a reestruturação da Taça de Portugal.

“A medida de maior impacto será a extinção da 3.ª Divisão Nacional. Como as associações vinham pedindo a reestruturação dos campeonatos nacionais e distritais, a FPF apresentou uma proposta em que a época 2012/2013 será de transição e a partir de 2013 já não existirá 3.ª divisão”.

porque já surgiram mais duas, uma segunda da AFCoimbra e outra da AFAveiro”: “Nós estamos a analisar as várias propostas, sabendo que o documento da federação vai mais ao encontro daquilo que eram as expectativas de algumas associações, na medida em que as séries serão formadas atendendo à proximidade das equipas”. E Ramalho acentuou ainda: “Uma das lutas das associações é que a subida de divisão não dependa de um jogo ou dois, porque, às vezes, um clube aposta, faz um campeonato fantástico e depois, nas últimas jornadas, tem um azar e deita tudo a perder”. E prosseguiu: “Esta será a solução que iremos apoiar, sabendo que as promoções não serão decididas apenas num jogo em campo neutro mas, por exemplo, em duas mãos no campo dos respetivos intervenientes”. O novo modelo preconiza que na época de transição os clubes que se mantiverem na 3.ª Divisão passam automaticamente à segunda e os que descerem passam para os distritais. O campeão de cada uma das associações, no futuro, subirá sempre à 2.ª Divisão. Ramalho revelou ainda que “numa primeira fase, e para atenuar o impacto financeiro, os clubes pagarão as inscrições num valor semelhante ao que pagam atualmente nos distritais”. Outra das coisas que se conseguiu foi que um clube que seja campeão distrital e não queira subir não será penalizado, sendo que a associação indicará outro representante, garantindo sempre uma equipa na 2.ª Divisão”. “Tudo leva a crer que apareçam outras propostas, nós já fizemos sentir junto da FPF que gostávamos do modelo apresentado, mas reservamos ainda a nossa posição, porque pode surgir outra proposta melhor e até ao final da semana decidiremos”, concluiu o presidente da AFBeja.

VASCO SANTANA (SCMALJUSTRELENSE)

Morais na AFBeja

“Esta reestruturação teria que partir por uma melhor repartição dos benefícios, direitos e deveres por todos os clubes. Os clubes amadores deveriam ser discriminados positivamente. Toda a estrutura do futebol profissional é concebida sem ter em conta uma realidade de profundo desinvestimento nos campeonatos amadores. O problema deveria ser colocado de forma inversa. Após uma reestruturação financeira é que se poderia concluir se deveria existir uma redução de equipas. A FPF deveria equacionar a redução das taxas de jogo e de inscrição de jogadores numa altura tão delicada. Deveria existir uma forma de apoiar mais as equipas amadoras que têm como principal objetivo formar jogadores e permitir a prática do futebol. Manteremos sempre a ambição de alcançar as melhores classificações e de participar nos campeonatos nacionais”.

rlindo Morais é o novo coordenador do gabinete técnico da Associação de Futebol de Beja, adiantou o presidente José Luís Ramalho. “Num primeiro momento Morais ficará até junho, depois haverá um concurso nacional para preencher o lugar, mas esta nomeação foi apenas para dar já resposta às competições que se aproximam, porque em março vamos receber um torneio nacional de futsal sub/20, teremos também um torneio de futebol feminino sub/17, em que participaremos com a nossa seleção distrital, e vamos preparar o Torneio Lopes da Silva, que este ano será em Ponta Delgada”, adiantou o responsável. Recorde-se que uma das medidas do novo executivo da FPF foi assegurar o pagamento dos coordenadores técnicos distritais.

Texto e foto Firmino Paixão

A

Federação Portuguesa de Futebol (FPF) está a discutir com as 22 associações regionais da modalidade uma proposta de ampla reestruturação de vários setores, técnicos, competitivos e de logística, em que a maior novidade será a extinção do atual Campeonato Nacional da 3.ª Divisão e a reformulação da 2.ª Divisão que terá nova designação e outro enquadramento. O quadro competitivo, a partir da época 2013/14, terá apenas provas distritais e uma competição única com séries de âmbito regional, cuja nomenclatura ainda não se conhece. A temporada 2012/13 será de transição para o novo figurino e a última em que se disputa o campeonato onde atualmente pontificam o Despertar e o Aljustrelense. José Luís Ramalho, presidente da Associação de Futebol de Beja, explicou este complexo processo: “A medida de maior impacto será a extinção da 3.ª Divisão Nacional. Como as associações vinham pedindo a reestruturação dos campeonatos nacionais e distritais, a FPF apresentou uma proposta em que a época 2012/2013 será de transição e a partir de 2013 já não existirá 3.ª divisão, mantendo-se apenas a segunda”. O dirigente revelou ainda que “a proposta da FPF, neste momento, já não é única,

MARIANO BAIÃO (DESPERTAR SPORTING CLUBE)

“Não sei se será positivo, teremos que ver a forma como o campeonato da 2.ª Divisão será disputado, concretamente a série onde as equipas do distrito de Beja ficarão inseridas. Se forem mais de seis, se calhar, haverá redução nas deslocações, mas para reduzir as despesas dos clubes não é por aí que se vai. Foi uma surpresa grande para mim ver que nos fica mais barato ir jogar ao Algarve ou à zona de Lisboa do que em casa. Pagamos a exorbitância de 605 euros para a equipa de arbitragem, mais 140 para policiamento, quando temos 30 ou 40 pessoas no campo. As remodelações são sempre um pau de dois bicos, facilita-se aqui mas dificulta-se ali e se a taxa de arbitragem aumentar não vamos beneficiar de nada com o novo modelo e ainda teremos mais despesas”.

A

Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

Encontros interescolares gira volei

Andebol Zona Azul em Oeiras A Zona Azul joga amanhã, sábado, pelas 18 horas, no Pavilhão Paz e Amizade, em Loures, cumprindo a 18.ª jornada do Campeonato Nacional de Andebol da 3.ª Divisão, prova em que mantém a liderança isolada, com seis pontos de vantagem para a equipa do Boa Hora, mas com mais um jogo que os lisboetas, numa altura em que faltam quatro jornadas para o termo desta fase preliminar da prova e o calendário da equipa bejense é algo favorável. No último sábado jogou em casa com o Redondo e venceu por 30/22. O Andebol Clube de Sines que, há oito dias, conseguiu um excelente empate em Lagos, recebe amanhã a formação do Torrense. Os infantis da Zona Azul deslocam-se amanhã a Ponte Sor para cumprirem a primeira jornada do Campeonato Nacional de Infantis Masculinos, competição que, para além destas duas equipas alentejanas, conta ainda com o Inijovem, de Nisa, com o Évora Andebol Clube e com o Núcleo de Andebol do Redondo.

Serpa joga com o Sporting A segunda fase do Campeonato Nacional da 1.ª Divisão de Iniciados Masculinos inicia-se na tarde de amanhã e a equipa do Centro de Cultura Popular de Serpa desloca-se ao Pavilhão do Inatel, em Lisboa, para defrontar a equipa do Sporting Clube de Portugal. O jogo terá início às 14 e 30 horas. Será mais um jogo difícil para os jovens alentejanos.

Basquetebol BBC recebe o Ferragudo O Beja Basket Clube recebe no próximo domingo, pelas 17 horas, no Pavilhão Municipal, a equipa da Associação Desportiva de Ferragudo, em jogo relativo à 11.ª jornada do Nacional da 2.ª Divisão de Basquetebol. Uma partida extraordinariamente importante para os bejenses, dado que repartem o segundo lugar com esta formação algarvia, pelo que a equipa que vencer se isolará na perseguição ao líder Salesianos de Évora. Na jornada anterior, o BBC perdeu em Reguengos de Monsaraz (79/72) e deixou escapar uma grande oportunidade para se aproximar dos eborenses, de quem estão apenas a quatro pontos.


saúde

Sexta-feira, 10 FEVEREIRO 2012 Nº 1555 (II Série)

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Análises Clínicas

Medicina dentária ▼

Psicologia

Dr.ª Heloisa Alves Proença Médica Dentista

Cirurgia Vascular

HELENA MANSO

Directora Clínica da novaclinica

Laboratório de Análises Clínicas de Beja, Lda. Dr. Fernando H. Fernandes Dr. Armindo Miguel R. Gonçalves Horários das 8 às 18 horas; Acordo com beneficiários da Previdência/ARS; ADSE; SAMS; CGD; MIN. JUSTIÇA; GNR; ADM; PSP; Multicare; Advance Care; Médis FAZEM-SE DOMICÍLIOS Rua de Mértola, 86, 1º Rua Sousa Porto, 35-B Telefs. 284324157/ 284325175 Fax 284326470 7800 BEJA

Cardiologia

RUI MIGUEL CONDUTO Cardiologista - Assistente de Cardiologia do Hospital SAMS CONSULTAS 5ªs feiras CARDIOLUXOR Clínica Cardiológica Av. República, 101, 2ºA-C-D Edifício Luxor, 1050-190 Lisboa Tel. 217993338 www.cardioluxor.com Sábados R. Heróis de Dadrá, nº 5 Telef. 284/327175 – BEJA MARCAÇÕES das 17 às 19.30 horas pelo tel. 284322973 ou tm. 914874486

MARIA JOSÉ BENTO SOUSA e LUÍS MOURA DUARTE

Cardiologistas Especialistas pela Ordem dos Médicos e pelo Hospital de Santa Marta Assistentes de Cardiologia no Hospital de Beja Consultas em Beja Policlínica de S. Paulo Rua Cidade de S. Paulo, 29 Marcações: telef. 284328023 - BEJA

Assistente graduado de Ginecologia e Obstetrícia

ALI IBRAHIM Ginecologia Obstetrícia Assistente Hospitalar Consultas segundas, quartas, quintas e sextas Marcações pelo tel. 284323028

Rua Manuel Antó António de Brito n.º n.º 6 – 1.º 1.º frente. 78007800-522 Beja tel. 284 328 100 / fax. 284 328 106

CLÍNICA MÉDICA ISABEL REINA, LDA.

Obstetrícia, Ginecologia, Ecografia

Obesidade

DR. A. FIGUEIREDO LUZ Médico Especialista pela Ordem dos Médicos e Ministério de Saúde

Chefe de Serviço de Oftalmologia do Hospital de Beja

CONSULTAS DE OBESIDADE

Consultas de 2ª a 6ª

Rua Capitão João Francisco

Generalista

de Sousa, 56-A – Sala 8

Técnica de Prótese Dentária Vários Acordos

Fisioterapia

(Diplomada pela Escola Superior de Medicina Dentária de Lisboa)

Centro de Fisioterapia S. João Batista

Rua General Morais Sarmento. nº 18, r/chão Telef. 284326841 7800-064 BEJA

CLÍNICA MÉDICA DENTÁRIA

JOSÉ BELARMINO, LDA. Rua Bernardo Santareno, nº 10 Telef. 284326965 BEJA

DR. JOSÉ BELARMINO Clínica Geral e Medicina Familiar (Fac. C.M. Lisboa) Implantologia Oral e Prótese sobre Implantes (Universidade de San Pablo-Céu, Madrid)

CONSULTAS EM BEJA 2ª, 4ª e 5ª feira das 14 às 20 horas

Fisiatria Dr. Carlos Machado Psicologia Educacional Elsa Silvestre Psicologia Clínica M. Carmo Gonçalves Tratamentos de Fisioterapia Classes de Mobilidade Classes para Incontinência Urinária Reeducação dos Músculos do Pavimento Pélvico Reabilitação Pós Mastectomia

Neurologia

Dermatologia

Estomatologista (OM) Ortodontia

Assistente graduado de ginecologia e obstetrícia ULSB/Hospital José Joaquim Fernandes Consultas e ecografia 2ªs, 4ªs, 5ªs e 6ªs feiras, a partir das 14 e 30 horas Marcações pelo tel. 284311790 Rua do Canal, nº 4 - 1º trás 7800-483 BEJA

Estomatologia Cirurgia Maxilo-facial ▼

Medicina dentária ▼

Consultório Centro Médico de Beja Largo D. Nuno Álvares Pereira, 13 – BEJA Tel. 284312230

MÉDICO DENTISTA

Marcações pelo telefone 284321693 ou no local Rua António Sardinha, 3 1º G 7800 BEJA

DRA. TERESA ESTANISLAU CORREIA Marcação de consultas de dermatologia:

Neurologista do Hospital dos Capuchos, Lisboa

Luís Payne Pereira

HORÁRIO: Das 11 às 12.30 horas e das 14 às 18 horas pelo tel. 218481447 (Lisboa) ou Em Beja no dia das consultas às quartas-feiras Pelo tel. 284329134, depois das 14.30 horas na Rua Manuel António de Brito, nº 4 – 1º frente 7800-544 Beja (Edifício do Instituto do Coração, Frente ao Continente) Clínica Geral

Médico Dentista

HELIODORO SANGUESSUGA DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO

Ex-Chefe Serviço Hospital Pulido Valente Consultas às 5ªs feiras

Rua Tenente Valadim, 44

FERNANDO AREAL

CLINIPAX Rua Zeca Afonso, nº 6 1º B - BEJA

Urgências Prótese fixa e removível Estética dentária Cirurgia oral/ Implantologia Aparelhos fixos e removíveis VÁRIOS ACORDOS Consultas :de segunda a sexta-feira, das 9 e 30 às 19 horas

MÉDICO Consultor de Psiquiatria

Rua de Mértola, nº 43 – 1º esq.

Consultório

Marcações: tel. 284 32 25 03

Dr. José Loff

MARCAÇÕES pelos telfs.284322387/919911232

Psiquiatria

Sidónio de Souza

Praça Diogo Fernandes, nº11 – 2º Tel. 284329975

a partir das 15 horas

7800-073 BEJA

DOENÇAS PULMONARES ALERGOLOGIA

GASPAR CANO

Consultas em Beja Clínica do Jardim

Clínica Dentária

às 3ªs e 4ªs feiras,

Rua Capitão João

Tel. 284 321 304 Tm. 925651190

Francisco Sousa 56-A

7800-475 BEJA

1º esqº 7800-451 BEJA

MÉDICO ESPECIALISTA EM CLÍNICA GERAL/ MEDICINA FAMILIAR Marcações a partir das 14 horas Tel. 284322503 Clinipax Rua Zeca Afonso, nº 6-1º B – BEJA

Urologia

AURÉLIO SILVA UROLOGISTA

Hospital de Beja Doenças de Rins e Vias Urinárias Consultas às 6ªs feiras na Policlínica de S. Paulo Rua Cidade S. Paulo, 29 Marcações pelo telef. 284328023

BEJA

Tel. 284320749

Otorrinolaringologia ▼ Terapia da Fala

Urologia

DR. MAURO FREITAS VALE

DRª CAROLINA ARAÚJO

Marcações pelo 284322446; Fax 284326341 R. 25 de Abril, 11 cave esq. – 7800 BEJA

Pneumologia

Fisioterapia

Consultas de Neurologia

JORGE ARAÚJO

Rua do Canal, nº 4 7800 BEJA

CONSULTAS

DR. JAIME LENCASTRE

Marcações pelo tm. 919788155

Marcações pelo telef. 284325059

Évora CDI – Praça Dr. Rosado da Fonseca, 8, Urb. Horta dos Telhais, 7000 Évora Tel. 266749740

Acordos com A.D.S.E., ACS-PT, CGD, Medis, Advance Care, Multicare, Seguros Minis. da Justiça, A.D.M.F.A., S.A.M.S.

EM BERINGEL Telef 284998261 6ª e sábado das 14 às 20 horas

Acordos com: ACS, CTT, EDP, CGD, SAMS.

CONSULTÓRIOS: Beja Praça António Raposo Tavares, 12, 7800-426 BEJA Tel. 284 313 270

DR. J. S. GALHOZ

FRANCISCO FINO CORREIA

Ouvidos,Nariz, Garganta

MÉDICO UROLOGISTA RINS E VIAS URINÁRIAS

Exames da audição

Prótese/Ortodontia CONSULTAS 2ªs, 3ªs e 5ªs feiras Rua Zeca Afonso, nº 16 F Tel. 284325833

JOÃO HROTKO Especialista pela Ordem dos Médicos

Convenções com PT-ACS

FERNANDA FAUSTINO

Rua António Sardinha, 25r/c dtº Beja

Médico oftalmologista

CIRURGIA VASCULAR TRATAMENTO DE VARIZES

Exclusividade em Ortodontia (Aparelhos) Master em Dental Science (Áustria) Investigadora Cientifica - Kanagawa Dental School – Japão Investigadora no Centro de Medicina Forense (Portugal)

Ginecologia/Obstetrícia

FAUSTO BARATA

Oftalmologia

Marcações de 2.ª a 6.ª feira a partir das 14 horas Rua Capitão João Francisco de Sousa, n.º 20 7800-451 BEJA Tel. 284324690

Consultas a partir das 14 horas Praça Diogo Fernandes, 23 - 1º F (Jardim do Bacalhau) Telef. 284322527 BEJA

TERAPEUTA DA FALA

CATARINA CHARRUA Consultas e domicílios de 2ª feira a sábado Tm: 967959568


saúde PSICOLOGIA ANA CARACÓIS SANTOS – Educação emocional; – Psicoterapia de apoio; – Problemas comportamentais; – Dificuldades de integração escolar; – Orientação vocacional; – Métodos e hábitos de estudo GIP – Gabinete de Intervenção Psicológica Rua Almirante Cândido Reis, 13, 7800-445 BEJA Tel. 284321592

Clínica Médico-Dentária de S. FRANCISCO, LDA. Gerência de Fernanda Faustino Acordos: SAMS, ADMG, PSP, A.D.M.E., Portugal Telecom e Advancecare Rua General Morais Sarmento, nº 18, r/chão; TEL. 284327260 7800-064 BEJA

_______________________________________ Manuel Matias – Isabel Lima – Miguel Oliveira e Castro – Jaime Cruz Maurício Ecografia | Eco-Doppler Cor | Radiologia Digital Mamografia Digital | TAC | Uro-TC | Dental Scan Densitometria Óssea Nova valência: Colonoscopia Virtual Acordos: ADSE; PT-ACS; CGD; Medis, Multicare; SAMS; SAMS-quadros; Allianz; WDA; Humana; Mondial Assistance. Graça Santos Janeiro: Ecografia Obstétrica Marcações: Telefone: 284 313 330; Fax: 284 313 339; Web: www.crb.pt Rua Afonso de Albuquerque, 7 r/c – 7800-442 Beja e-mail: cardiologiabeja@mail.telepac.pt

CENTRO DE IMAGIOLOGIA DO BAIXO ALENTEJO ECOGRAFIA – Geral, Endocavitária, Osteoarticular, Ecodoppler TAC – Corpo, Neuroradiologia, Osteoarticular, Dentalscan Mamografia e Ecografia Mamária Ortopantomografia Electrocardiograma com relatório António Lopes – Aurora Alves – Helena Martelo – Montes Palma – Maria João Hrotko – Médicos Radiologistas – Convenções: ADSE, ACS-PT, SAD-GNR, CGD, MEDIS, SSMJ, SADPSP, SAMS, SAMS QUADROS, ADMS, MULTICARE, ADVANCE CARE

Horário: de 2ª a 6ª feira, das 8 às 19 horas e aos sábados, das 8 às 13 horas Av. Fialho de Almeida, nº 2 7800 BEJA Telef. 284318490 Tms. 924378886 ou 915529387

Dr. Sidónio de Souza – Pneumologia/Alergologia/ Desabituação tabágica – H. Pulido Valente Dr. Fernando Pimentel – Reumatologia – Medicina Desportiva – Instituto Português de Reumatologia de Lisboa Dr.ª Verónica Túbal – Nutricionismo – H. de Beja Dr.ª Sandra Martins – Terapia da Fala – H. de Beja Dr. Francisco Barrocas – Psicologia Clínica/Terapia Familiar – Membro Efectivo da Soc. Port. Terapia Familiar e da Assoc. Port. Terapias Comportamental e Cognitiva (Lisboa) – Assistente Principal – Centro Hospitalar do Baixo Alentejo. Dr. Rogério Guerreiro – Medicina preventiva – Tratamento inovador para deixar de fumar Dr. Gaspar Cano – Clínica Geral/ Medicina Familiar Dr.ª Nídia Amorim – Psicomotricidade/Educação Especial e Reabilitação (dificuldades específicas de aprendizagem/dislexias) Dr. Sérgio Barroso – Oncologia – H. de Beja Drª Margarida Loureiro – Endocrinologia/Diabetes/ Obesidade – Instituto Português de Oncologia de Lisboa Dr. Francisco Fino Correia – Urologia – Rins e Vias Urinárias – H. Beja Dr. Daniel Barrocas – Médico Interno de Psiquiatria – Hospital de Santa Maria Dr. Carlos Monteverde – Chefe de Serviço de Medicina Interna, doenças de estômago, fígado, rins, endoscopia digestiva. Dr.ª Ana Cristina Duarte – Pneumologia/ Alergologia Respiratória/Apneia do Sono – Assistente Hospitalar Graduada – Consultora de Pneumologia no Hospital de Beja Dr.ª Isabel Martins – Chefe de Serviço de Psiquiatria de Infância e Adolescência/Terapeuta familiar – Centro Hospitalar do Baixo Alentejo Dr.ª Paula Rodrigues – Psicologia Clínica – Hospital de Beja Dr.ª Luísa Guerreiro – Ginecologia/Obstetrícia Dr.ª Ana Montalvão – Hematologia Clínica / Doenças do Sangue – Assistente Hospitalar – Hospital de Beja Dr.ª Ana Cristina Charraz – Psicologia Clínica – Hospital de Beja Dr. Diogo Matos – Dermatologia. Médico interno do Hospital Garcia da Orta. Dr.ª Joana Freitas – Cavitação, Lipoaspiração não invasiva,indolor e não invasivo, acção imediata, redução do tecido adiposo e redução da celulite Dr.ª Ana Margarida Soares – Terapia da Fala - Habilitação/Reabilitação da linguagem e fala. Perturbação da leitura e escrita específica e não específica. Voz/Fluência. Dr.ª Maria João Dores – Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação/Psicomotricidade. Perturbações do Desenvolvimento; Educação Especial; Reabilitação; Gerontomotricidade. Enfermeira Maria José Espanhol – Enfermeira especialista em saúde materna/Cuidados de enfermagem na clínica e ao domicílio/Preparação pré e pós parto/amamentação e cuidados ao recémnascido/Imagem corporal da mãe – H. de Beja Marcações diárias pelos tels. 284 322 503 Fax 284 322 503 Tm. 91 7716528 Rua Zeca Afonso, nº 6, 1º B, 7800-522 Beja clinipax@netvisao.pt

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Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012


institucional diversos necrologia

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Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

Diário do Alentejo nº 1555 de 10/02/2012 Única Publicação

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Joaquim Pateiro Ramalho Bexiga Esposa, filhos, noras, irmãos, cunhados e sobrinhos cumprem o doloroso dever de participar o falecimento do seu ente querido ocorrido no dia 03/02/2012, e na impossibilidade de o fazer individualmente vêm por este meio agradecer a todas as pessoas que o acompanharam à sua última morada ou que de qualquer forma manifestaram o seu pesar.

Diário do Alentejo nº 1555 de 10/02/2012 Única Publicação

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CENTRO SOCIAL DOS MONTES ALTOS

Para meio expediente, 2/3 vezes por semana, preferência pessoa de meia idade, livre, que possa eventualmente viajar com senhora.

CONVOCATÓRIA Em conformidade com a alínea b) do artigo 29 dos estatutos, convoco os associados do Centro Social dos Montes Altos, a reunirem em Assembleia-geral ordinária, no dia 24 de Março de 2012, pelas 14:00 horas, na sede da Instituição, a qual terá a seguinte ordem de trabalhos: 1. Apreciação, discussão e votação do balanço de contas e relatório da direcção e parecer do conselho fiscal, referentes ao ano de 2011. 2. Diversos. Informações: Não comparecendo o número legal de sócios efectuarse-á a Assembleia pelas 15:00 horas com qualquer número de sócios. O Presidente da Assembleia-geral Manuel Esperança Diogo Martins

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necrologia diversos Serpa PARTICIPAÇÃO E AGRADECIMENTO

Serpa PARTICIPAÇÃO E AGRADECIMENTO

Bento José Rebocho Veiga

João Joaquim Mestre

Faleceu a 04.02.2012 É com pesar que participamos o falecimento do Sr. Bento José Rebocho Veiga, de 74 anos, natural de Serpa, casado com a Sra. D. Maria de Lurdes Ramos. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no dia 06.02/2012 pelas 11.00 horas, da Casa Mortuária de Serpa para o cemitério local. Apresentamos à família as cordiais condolências.

Faleceu a 01.02.2012 É com pesar que participamos o falecimento do Sr. João Joaquim Mestre, de 87 anos, natural de Pedrogão, casado com a Sra. D. Sabina Rosa Carapinha. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no dia 02.02/2012 pelas 15.30 horas, da Casa Mortuária de Serpa para o cemitério de Pedrogão. Apresentamos à família as cordiais condolências.

25

Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

Vila Nova de S. Bento

Vila Nova de S. Bento

Vila Nova de S. Bento

Vila Nova de S. Bento

Fa l e c e u a E x m a . S r a . Catarina Madeira Pires Correia de 76 anos viúva, natural de Aldeia Nova de S. Bento. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 06 de Fevereiro da casa mortuária de Vila Nova de S. Bento para o cemitério local. À família enlutada apresentamos as nossas cordiais condolências.

Faleceu a Exma. Sra. Maria Alice Esteves Louro de 89 anos viúva, natural de Aldeia Nova de S. Bento. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 07 Fevereiro da casa mortuária de Vila Nova de S. Bento para o cemitério local. À família enlutada apresentamos as nossas cordiais condolências.

Faleceu o Exmo. Sr. Manuel António Ferreira Machado de 40 anos solteiro, natural de Aldeia Nova de S. Bento. O funeral, a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 02 de Fevereiro da casa mortuária de Vila Nova de S. Bento para o cemitério local. À família enlutada apresentamos as nossas cordiais condolências.

Faleceu o Exmo. Sr. António Pepe Estradas de 68 anos, casado com Fernanda Pinela Santa Bárbara, natural de Aldeia Nova de S. Bento. O funeral, a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 07 de Fevereiro da casa mortuária de Vila Nova de S. Bento para o cemitério local. À família enlutada apresentamos as nossas cordiais condolências.

AGÊNCIA FUNERÁRIA BARRADAS, LDA. Rua do Outeiro nº 21 | Vila Nova de S. Bento | Telm: 967026828 | 967026517

AGÊNCIA FUNERÁRIA SERPENSE, LDA Gerência: António Coelho Tm. 963 085 442 | Tel. 284 549 315 | Rua das Cruzes, 14-A | 7830-344 SERPA

Rua da Cadeia Velha, 16-22 - 7800-143 BEJA Telefone: 284311300 * Telefax: 284311309 www.funerariapax-julia.pt E-mail: geral@funerariapax-julia.pt Funerais – Cremações – Trasladações - Exumações – Artigos Religiosos

Selmes

Oriola

PARTICIPAÇÃO

PARTICIPAÇÃO

Rosa Maria Pereira Serra

Maria da Assunção da Silva Tendeiro

Nasceu 25.09.1964 Faleceu 02.02.2012

Nasceu 10.09.1932 Faleceu 03.02.2012

Faleceu o Exma. Sra. Rosa Maria Pereira Serra, natural de Selmes, Solteira. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 4, da casa mortuária de Selmes para o cemitério local. À família enlutada apresentamos as nossas condolências.

Faleceu o Exma. Sra. Maria d a A s s u n ç ã o d a S i lva Tendeiro, natural de Sines. Casada com o Exmo. Sr. António José. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 4, da igreja paroquial de Oriola para o cemitério local. À família enlutada apresenta as nossas condolências.

BEJA

BEJA

CABEÇA GORDA

VILA VERDE DE FICALHO

†. Faleceu o Exmo. Sr. JOSÉ

†. Faleceu o Exmo. Sr.

†. Faleceu a Exma. Sra. D.

†. Faleceu a Exma. Sra. D.

CLAUDINO VIEIRA ALVES, de 85 anos, natural de Salvador - Beja, casado com a Exma. Sra. D. Silvina de Freitas. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 6, das Casas Mortuárias de Beja, para o cemitério desta cidade.

ANTÓNIO JACINTO CORREIA GRAÇA, de 56 anos, natural de Santiago Maior - Beja, casado com a Exma. Sra. D. Mariana Pereira Nogueira Acabado Correia Graça. O funeral a cargo desta Agência realizouse no passado dia 8, das Casas Mortuárias de Beja, para o cemitério desta cidade.

MARIA DE LURDES FRANCISCA SOBRAL, de 82 anos, natural de Sines, casada com o Exmo. Sr. Manuel Joaquim Pardal. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 8, da Casa Mortuária de Cabeça Gorda, para o cemitério local.

JERÓNIMA GUERREIRO GREGÓRIO, de 92 anos, natural de Corte do Pinto Mértola, viúva. O funeral a cargo desta Agência realizouse no passado dia 8, da Casa Mortuária de Vila Verde de Ficalho, para o cemitério local.

BEJA

BEJA

NOSSA SENHORA DAS NEVES

AGÊNCIA FUNERÁRIA ESPÍRITO SANTO, LDA. Rua Das Graciosas, 7 \ 7960-444 Vila de Frades/Vidigueira Tm.963044570 – Tel. 284441108

Beja PARTICIPAÇÃO E AGRADECIMENTO

MISSA

†. Faleceu a Exma. Sra. D.

†. Faleceu o Exmo. Sr. JOSÉ

JOAQUINA LÚCIA GONÇALVES DUARTE MOURA, de 88 anos, natural de Vila de Frades - Vidigueira, viúva. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 8, das Casas Mortuárias de Beja, para o cemitério desta cidade.

LEANDRO JACINTO, de 88 anos, natural de Santana de Cambas - Mértola, viúvo. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 8, das Casas Mortuárias de Beja, para o cemitério desta cidade.

Consulte esta secção em www.funerariapax-julia.pt

Mariana das Dores Abreu Francisca Antónia do Rosário Faleceu em 01/02/2010 2º Ano de Eterna Saudade

Mãe Faz dois anos que me deixaste mas continuas viva na minha lembrança. Sei que sempre nos ajudarás pois: “Morrer é só não ser visto”.A tua família nunca te esquecerá.

1º Ano de Eterna Saudade

Filhos, netos e restante família participam a todas as pessoas de suas relações e amizade que será celebrada missa pelo eterno descanso da sua ente querida no dia 10/02/2012, sexta-feira, às 19.00 horas na Igreja do Salvador em Beja, agradecendo desde já a todos os que comparecerem no piedoso acto.

†. Faleceu o Exmo. Sr. MANUEL FRANCISCO CORREIA RIBEIRO, de 64 anos, natural de Nossa Senhora das Neves - Beja, solteiro. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 9, da Casa Mortuária de Nossa Senhora das Neves, para o cemitério local.

Às famílias enlutadas apresentamos as nossas mais sinceras condolências.

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DESLOCAÇÕES POR TODO O PAÍS


26 Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

A História de uma Flor, que explica o 25 de Abril aos mais novos, demonstra que, mesmo enquanto criadora, Matilde Rosa Araújo não esqueceu os acontecimentos da sua época e os novos contornos políticos e sociais que estavam a desenhar-se no seu país. Um pretexto para se falar, sem mais demoras, de um bonito cravo vermelho, ou, num registo mais complexo, sobre o que é isso afinal da liberdade.

Crianças

Biblioteca de Beja é a primeira a acolher exposição de homenagem a Matilde Rosa Araújo

Um mundo de bonecas e flores A exposição “O Destino das Fadas”, patente em Beja até ao dia 25, propõe re-

P

or diversas vezes visitou a Biblioteca Municipal de Beja, quer para o encontro Palavras Andarilhas, quer para apresentar livros ou participar em atividades para o público infantil. Os seus textos sempre foram também matéria-prima incontornável dos projetos que o setor infantojuvenil da biblioteca bejense foi lançando ao longo dos anos. “Esta casa tem uma relação afetiva muito grande com a Matilde Rosa Araújo”, reconhece Paula Martins, uma das “guias” da exposição “O Destino das Fadas”, que cumpriu no último sábado, 4, a segunda das quatro sessões para pais e filhos previstas. A próxima será dia 18, pelas 15 horas. Patente na cave da biblioteca desde meados de janeiro, a mostra concebida pela Sociedade Portuguesa de Autores, para assinalar os 90 anos do nascimento da escritora falecida em julho de 2010, marca em Beja a sua primeira paragem fora da capital. E não será por acaso. Em Beja, o percurso pelos painéis informativos, que vão assinalando marcos importantes da vida e obra da escritora, é também uma viagem ao mundo mais íntimo desta mulher-menina que se definiu como alguém que sempre preservou a “infância no coração e tanta memória com ela encontrada”. Pequenos rituais e prazeres cultivados pela autora são ali reproduzidos como se de facto o público fosse recebido em sua casa. Os bombons à entrada, para acolher as visitas, as bonecas de que tanto gostava, as flores, o serviço de chá em louça chinesa. “Nós falamos muito na Matilde como se fosse nossa amiga. Conhecemo-la tão bem”, diz Luzia do Rosário, outra das anfitriãs,

cordar alguns marcos importantes da vida e obra da escritora Matilde Rosa Araújo, falecida recentemente. Mas é sobretudo uma viagem ao mundo mais íntimo desta mulher-menina que se definiu como alguém que sempre preservou a “infância no coração e tanta memória com ela encontrada”. Texto Carla Ferreira Fotos José Ferrolho

introduzindo-nos no seu universo literário pela porta de O Palhaço Verde, a primeira das atividades propostas, com leitura e espaço para desenho. “Uma das grandes paixões dela era o circo, que é também uma das grandes paixões das crianças”, acrescenta. Segue-se O Livro da Tila, o seu primeiro título de literatura para crianças, publicado em 1957 e escrito nas viagens de comboio entre Lisboa e Portalegre, onde lecionava. Daqui reproduz-se em voz alta um diálogo enternecedor entre uma mãe e uma filha ou uma conversa entre cinco meninas que se encontram na rua. Sobre a formosura dos traços das suas bonecas ou a beleza, maior ainda, da que não se tem e só se imagina. Partindo desta edição desenhada por crianças, o que muito tem espantado os visitantes mais novos, porque “se identificam muito com as imagens”, continua Paula Martins, aborda-se o papel dos ilustradores na obra de Matilde Rosa Araújo, com destaque para Maria Keil, aquela que a acompanhou por mais tempo, mas também para Manuela Bacelar, Gémeo Luís ou João Fazenda. Sócia fundadora do comité português da Unicef e do Instituto de Apoio à Criança, Matilde Rosa Araújo preocupou-se

desde muito cedo com as condições de vida daqueles para quem escrevia preferencialmente. Livro emblemático dessa temática é Os Direitos das Crianças, parte integrante do périplo de “O Destino das Fadas”, assim como A História de uma Flor, que explica o 25 de Abril aos mais novos, demonstrando que, mesmo enquanto criadora, Matilde Rosa Araújo não esqueceu os acontecimentos da sua época e os novos contornos políticos e sociais que estavam a desenhar-se no seu país. Um pretexto para se falar, sem mais demoras, de um bonito cravo vermelho, ou, num registo mais complexo, sobre o que é isso afinal da liberdade. Tudo depende da idade das audiências. Pelo caminho, há ainda tempo para conhecer as várias edições estrangeiras que a obra da autora foi conhecendo ou de cumprir o “ritual da hora do chá”, em chávenas de miniatura e embalados pela rima de “A história tontinha”: “Balbina vestida de seda fina/Pega no bule azul da China/E deita de repente o chá quente/Na chávena azul da China/De sua prima Carolina…”. “Os miúdos riem, adoram, sentados aos colos dos pais”, comenta Luzia do Rosário, encerrando mais um livro que conhece bem.

Aproximamo-nos de As Fadas Verdes, que valeu à autora o prémio Gulbenkian para o melhor livro para a infância publicado no biénio 1994-95. Uma obra muito centrada no tema da preservação da natureza, que aborda com candura o drama dos incêndios em trechos como este: “Que o silêncio verde da floresta não saiba nunca o silêncio verde das cinzas”. “Este condão que ela tinha com as crianças, o modo doce de cativá-las com as palavras, e a sua própria figura, aquela voz, o cabelo branco, aqueles olhos, faziam dela quase uma fada personificada”, lembra Luzia do Rosário. O périplo prossegue por entre livros e poemas para cantar, visitando alguns dos cerca de 40 títulos que escreveu, até desembocar nesse “espaço zen”, como um dos visitantes o descreveu, que é o Parque dos Poetas. Um jardim idílico onde moram os grandes poemas das múltiplas vozes da lusofonia e onde, justamente, também Matilde Rosa Araújo está representada. Aqui termina a aventura, com quatro textos de embalo, entre eles “Amor”, um diálogo brevíssimo entre mãe e filha que condensa toda a ternura do universo de Matilde Rosa Araújo: “Mãe, o sol é redondo, é?/ É, meu amor/ Mãe, então tu és redonda também?/ Não, meu amor/ Oh…”. “O Destino das Fadas” pode ser visitada pelo público em geral (de segunda a sábado, entre as 17 e 30 e as 19 e 30 horas) e por grupos escolares. A última sessão para pais e filhos, especial, está agendada para o próximo dia 25, contando com a participação do Instituto Piaget.


Se tens uma personagem preferida é este ano que tens de te mascarar. A Biblioteca Municipal de Almodôvar está a promover um concurso de máscaras de Carnaval, com base nos livros e nas suas personagens. Inspira-te numa e constrói a tua máscara. Mais informação em www.biblioblog-almodovar.blogspot.com

A páginas tantas... O que vês dessa janela? é mais um livro da dupla Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso a que a página Vitória te habituou, mas também com a assinatura do Museu da Luz. Mas afinal que janela é esta? É a janela que, do Museu da Luz, enquadra o olhar sobre a paisagem alentejana, onde há quase 10 anos se podia avistar a pequena aldeia de Luz, desaparecida sob as águas da barragem do Alqueva. O que vês dessa janela? fala-nos dos sentimentos dessa gente que um dia fez parte dessa comunidade, mas na voz de uma árvore. Um livro a descobrir e essencialmente um museu a visitar.

Dica da semana

Ilustração de Clare Owen

Propomos-te um desafio, seja qual for a tua janela, desenha o que ela enquadra e já agora envia-nos.

Quase a chegar ao Carnaval, em que a criatividade é um ingrediente fundamental, deixamos-te aqui algumas ideias de fácil execução e com materiais que facilmente encontras em casa, como cartão, papel, tesoura, cola e tintas.

27 D Diário do Alentejo 110 fevereiro 2012

Brincar ao Carnaval com a tua personagem preferida


28 Diário do Alentejo 3 Fevereiro 2012

O Dufy é um cachorro que foi encontrado abandonado numa obra, faminto e muito assustado. Devido à má nutrição ficou com raquitismo e por isso ficará de porte médio. Ele pode ter uma vida normal, precisa apenas de uma família e de muito carinho. Venham conhecê-lo ao Cantinho dos Animais de Beja.. Contactos: 962432844; sofiagoncalves.769@hotmail.com

Castelo de Vide na Idade Média José Augusto Oliveira Colibri; PVP 15 euros; 194 págs.

Boa vida Comer Lombo de porco com castanhas Ingredientes Para 5 a 6 pessoas 1,2 kg. de lombo de porco; 400 gr. de castanhas; 1 kg. de batatinhas; 100 gr. de banha; 1 folha de louro; 5 dentes de alho; 5 colheres de sopa de massa de pimentão; 1 litro de vinho branco; q.b. de sal e pimenta; 1 ramo de salsa; 1 ramo de coentros. Confeção: Corte o lombo em quadrados com mais ou menos três centímetros de lado. Prepare uma marinada com os alhos às rodelas, o vinho, a massa de pimentão, o louro, um pouco de sal, pimenta, a banha e a salsa. Deixe ficar o lombo nesta marinada durante 24 horas. Ponha tudo num tacho e deixe cozer lentamente. Entretanto coza as batatinhas com pele e descasque. Coza as castanhas e retire a casca e a pele. Junte ao lombo as batatas e as castanhas. Deixe cozer mais um pouco e retifique os temperos. Sirva num tacho de barro, polvilhado com coentros picados. Bom apetite… NOTAS: Cuidado com o sal, visto a massa de pimentão ser um pouco salgada. Pode utilizar castanhas congeladas.

Letras Castelo de Vide na Idade Média

Filatelia Os 40 anos dos Dadores de Sangue de Beja com selo e carimbo

O

40.º aniversário da Associação Humanitária dos Dadores de Sangue de Beja (Ahdsb), que ocorre a 18 deste mês, é assinalado filatelicamente com uma exposição e a emissão de um selo e de um carimbo, que serão postos em circulação no dia do aniversário, num posto de correio que funcionará das 10 às 12 horas na sede da associação, na rua Pablo Neruda, n.º 13. Para além do selo e do carimbo, também foi editado um sobrescrito especial, dois postais ilustrados para a realização de postais máximos, ambos de tripla concordância e um pin. Qualquer um destes produtos poderá ser disponibilizado a todos os interessados que o peçam atempadamente, pois qualquer um deles tem uma emissão bastante reduzida. O grupo filatélico da Ahdsb foi criado no final de 1994. Foi ele que esteve na origem do bilhete-postal que os Correios de Portugal puseram em circulação no dia 27 de março de 1995, para comemorar o Dia Nacional do Dador de Sangue. Para assinalar esta ocasião, os responsáveis da associação também realizaram a sua primeira exposição de filatelia, tendo mantido desde então e, com grande regularidade, esta atividade. Das coleções expostas destacamos uma de cartofilia (postais ilustrados) que reúne algumas dezenas de postais todos eles alusivos à dádiva de sangue. Álbum especial assinala os 10 0 anos do selo Ceres Os 100 anos do selo Ceres (14/02/2012) vão

António Nobre Chefe executivo de cozinha – Hotéis M’AR De AR, Évora

ser assinalados com a edição de um álbum especial de apenas 25 exemplares. Esta interessante obra foi criteriosamente coordenada e revista pelo grande especialista do selo Ceres, engenheiro Miranda da Mota. Devido à mais que provável grande procura que vai ter, os interessados na sua aquisição terão toda a conveniência em não atrasar o seu pedido, devendo fazer a sua encomenda para editorial@filoceano.com ou para os telefones 232 100 135/968 659 686. Geada de Sousa

A

ânsia de expansão e conquista de terra aos mouros apoiou-se, no que ao sul do Tejo respeita, na ação da pequena nobreza e na das ordens religiosas militares. As do Hospital e do Templo foram determinantes nesta região e, com uma nobreza que visou ascender de estatuto, repartiram terras e influência num Além Tejo pouco povoado e difícil de manter sobre o poder dos cristãos. A génese de Castelo de Vide é seguramente mais antiga mas o livro de José Augusto Oliveira inventaria os dados da história da povoação norte-alentejana durante a Idade Média. Foi então terra de um senhor Martim de Vide, antes de passar a ser senhorio de D. Afonso, irmão de D. Dinis, e de sofrer com os vários ensaios feitos posteriormente para que esta ou aquela entidade, da Coroa ou da Igreja, tomasse conta do local Se já então do outro lado da fronteira – desenhada pela geografia – não vinham bons ventos e muito menos bons casamentos cristãos, o facto é que a economia local dependia fortemente das transações com Castela, fossem elas legais ou por via do contrabando. Oliveira relata como era o quotidiano no burgo, que terá tido desde logo a sua judiaria – pouco mais do que uma rua – e respetiva sinagoga. Mas aprofunda também quais eram e como se desenvolviam as atividades económicas aí existentes, sendo que a pecuária era a mais importante e a agrícola era regulada de modo que os proprietários não eram livres de cultivar sem respeitar pousios e afolhamentos. Não obstante as guerras cíclicas, Castelo de Vide cresceu social e economicamente tornandose uma das mais importantes povoações do extremo norte alentejano. Esta edição conjunta da câmara local e da Colibri assenta-lhe a história medieval sistematizando informação fundamental para um arquivo da memória do Alentejo. Maria do Carmo Piçarra

Petiscos Migas, para que vos quero

A

s migas são as inseparáveis companheiras da açorda. Tem por base as mesmas matérias-primas – com exceção dos coentros –, são um prato de pobres mas comida de todos, mesmo que ricos, e, para os que daqui são naturais, uma constante indispensável nas invernias. Também, à semelhança da açorda, têm uma base fixa imprescindível mas são-lhe permitidas inúmeras variantes, tanto naquilo que as acompanha como no que a mais se lhes junta. Comecemos então pelo princípio. Tome-se pão de trigo, feito com farinha menos branca e fintado com fermento não industrial, massa da amassadura anterior a que chamamos isco; devidamente amassado; cozido em forno que foi exposto a paredes interiores aquecidas por combustão viva. Até pode ser de lenha mas não é indispensável, a não ser para os turistas ou para os “técnicos especialistas” de Lisboa. “Engenheiros” e afins. Cortado que seja em pequenos troços é demolhado em água por algumas horas. Entretanto fritam-se em gordura – já lá iremos – alguns dentes de alho, com casca. Quando estiverem bem fritos junta-se-lhe o pão devidamente escorrido e com uma colher de pau vai-se dando voltas e amaciando-o continuamente. Verte-se-lhe, ou não, mais uma pinga de água, depende como se pretende que as migas fiquem, mais ou menos moles. Quando despegarem bem, estão prontas. Isto são migas. O que é que varia? Em primeiro lugar a gordura. Basicamente pode ser o pingo da carne de porco frita, a qual, neste caso, deverá ser temperada com um pouco de pimentão que lhe dá o tom avermelhado característico ou só azeite ou então banha. Basicamente – mas a regra número um é não haver regras salvo para a origem primordial, atrás anunciada – as migas feitas com gordura animal comem-se com carne de porco, as que são feitas com azeite comem-se com peixe ou sozinhas. O peixe é normalmente frito, salvo se forem sardinhas, às vezes assadas. Neste caso, do peixe, podem e devem levar poejos. As migas sem outro acompanhamento comiam-se ao pequeno-almoço acompanhadas de café com leite, o “caféi com lete” da minha infância. Há também migas de batatas e de espargos bravos mas falaremos delas mais tarde, são arremedos, pelo aspeto, de verdadeiras migas. Podem também as migas ter vários nomes: à pastora, de assobio, canhas, gatas, à alentejana e mais alguns. É uma guerra gira porque não tem mortos nem feridos, mesmo assim recuso a minha participação. Toda esta conversa vem a propósito da matança do porco. No próprio dia tiram-se algumas carnes como seja o entrecosto, os lombinhos, as burras e mais outras carnes magras que se grelham na brasa, com sal e um golpe generoso de limão. Comem-se com migas bastante moles, de azeite, alho avondo, muitos poejos e bem quentes. Acho que carne de porco com migas de pingo é gordura a mais, mesmo com laranja, resulta enjoativo. Mas também já acho há quase 60 anos, é uma opinião com posto. É muito “achar”. António Almodôvar


O mundo do vinho em 10 artigos Número 1: O gosto do vinho

O

conhecimento e prova de um vinho tem cinco chaves fundamentais: o “terroir” (ou o terrunho), a vinificação, a visão, o aroma e o sabor do vinho. Sobre a chave do “terroir” devemos perceber o resultado da aliança entre o solo, a planta, o clima e as práticas culturais de um determinado local e das suas gentes. A chave da vinificação é a compreensão dos princípios e do modo de elaboração das várias tipologias de vinhos, nas três cores: branco, rosé e tinto, abordando também os processos de conservação e envelhecimento. Quanto à chave do aspeto visual de um vinho é importante perceber a formação da cor na uva e na origem do vinho, acompanhando a sua evolução ao longo do envelhecimento. A chave do conhecimento do aroma é a perceção das grandes famílias aromáticas que concorrem para o nariz de um vinho, bem como o exercício prático regular sobre aromas que derivam da própria uva: os primários; dos aromas dominantes que derivam do processo de transformação do sumo da uva em vinho, ditos fermentativos ou secundários; e dos aromas terciários ou de evolução, provenientes das alterações químicas e bio-químicas durante o estágio e envelhecimento do vinho.

Por favor não desista do vinho se, ao contrário de algum dos seus eloquentes companheiros de prova, não conseguir aperceber-se de um aroma a morango ou a baunilha. Pense no aroma do vinho como um perfume; cada um tem o seu gosto; uns preferem perfumes intensos, outros gostam de aromas quentes; há quem prefira notas frescas e suaves. Tal como um perfume, o aroma do vinho é uma porta de entrada que desejamos abrir, ou não. Mas o segredo do vinho revela-se na nossa boca; enamoro-me com o vinho no nariz mas é através do seu gosto ou sabor que decido se me casarei com ele. Devemos reconhecer os gostos fundamentais – doce, amargo, ácido (o salgado não é essencial para o vinho) e, ainda, as sensações tácteis de causticidade, provocada pelo álcool, e de textura rugosa e corpo, essencialmente provocadas pelos taninos. Qualquer vinho merece, de cada provador, um posicionamento dentro de um triângulo imaginário formado pelo vértice da frescura (da acidez, como no sumo de limão), da doçura (do açúcar e do álcool) e da estrutura, conferida pelos taninos e outros elementos presentes na parte sólida da uva – a película – cujo impacto amargo e texturado sentimos quando comemos diospiros, nozes ou castanhas. Prove vinho diariamente e com moderação: garanto-lhe que, a partir de agora, o conhecimento que me separa de qualquer leitor se mede, quase exclusivamente, em número de vinhos provados, ou seja, em pontinhos dentro do triângulo essencial de que lhe falei. Aníbal Coutinho

Diário do Alentejo 3 Fevereiro 2012

29

Vinho de Calendário Já se encontra on line e de acesso gratui to o novo guia “Copo & A lma, 319 Melhores V inhos para 2 012 ”. Só tem de entrar em www.w-anibal. com e conferir. No A lentejo des tacou-se o vinho tinto regional alentejano E sporão, Peti t Verdot de 2 0 0 8 .

Vinho Diário Um dos vinhos que mais me impressionou na recente prova cega que deu origem ao meu “Guia Popular de V inhos”, edição 2 012 , já nas livrarias e nos supermercados, foi o branco DOC A lentejo Montes Claros, Reser va de 2 010 . Compra segura em qualquer prateleira.

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Próximos espetáculos a 10 e 11 de fevereiro, pelas 21 e 30 horas, no Cineteatro Municipal de Serpa.

Os primeiros cinco leitores que apresentarem esta edição do “Diário do Alentejo” junto da bilheteira recebem entradas duplas.


Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

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Teatro de revista hoje no Pax Julia

Hoje é noite de revista à portuguesa no Pax Julia Teatro Municipal. Otávio de Matos, encenador e também protagonista, leva à cena, a partir das 21 e 30 horas, a produção “Não há euros p’ra ninguém”, também interpretada por Natalina José, Isabel Damatta, Paulo Oliveira, os jovens Ana Roque e Diogo Cruz, e pela popular fadista Anita Guerreiro. A encenação baseia-se em algumas das principais rábulas criadas para este género teatral entre os anos 80 e 90, apimentadas com “a situação de falta de dinheiro e de diferenças sociais com que toda a população se debate no dia a dia”, tão verdade hoje como há 30 anos atrás.

Fim de semana

Máscaras africanas em exposição na rua do Touro

Museu Jorge Vieira reabre amanhã “com novidades”

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epois de um período de encerramento para obras de manutenção e tratamento museológico da coleção de escultura e desenho, o Museu Jorge Vieira reabre amanhã ao público, pelas 16 horas, “renovado e com novidades”, refere a Câmara de Beja em nota de imprensa. Além da exposição permanente, que passa a ocupar o piso superior do n.º 33 da rua do Touro e onde é possível ver parte do espólio legado em vida por aquele que foi um dos grandes nomes da arte moderna portuguesa do século XX, será inaugurada no piso inferior uma exposição de máscaras africanas da sua coleção privada. Dá-se assim início, segundo a autarquia, “a um novo ciclo de exposições temporárias que garantam e promovam a divulgação da vida e obra de Jorge Vieira e outros nomes da arte contemporânea”.

Pioneiro nos registos do abstracionismo e do surrealismo, Jorge Vieira é, entre muitas outras obras de referências, autor do Monumento ao Prisioneiro Político, que atualmente se ergue, por fim, no local por si eleito, no largo D. Nuno Álvares Pereira, junto à Pousada de São Francisco. A peça resulta de uma maqueta com a qual o escultor se candidata ao Concurso Internacional de Escultura, promovido pelo Institute of Arts de Londres, em 1953, posteriormente materializada por proposta da Câmara de Beja, em 1993. Ocupou primeiramente uma das rotundas de entrada na cidade até que, em 2004, no âmbito do Programa Polis, é trasladada para o Jardim do Bacalhau, onde permaneceu até há bem pouco tempo. Em Beja, dentro e fora de portas, não há como escapar ao traço deste “escultor das grandes ruturas”.

“O Xô das Velhas” reposto em Serpa sob o olhar de 35 idosos A companhia de teatro Baal 17 e o Al-MaSRAH Teatro vão repor no Cineteatro Municipal Serpa, entre hoje e amanhã, sábado, pelas 21 e 30 horas, a produção “O Xô das Velhas”. Uma peça que coloca em palco Berta, Zulmira, Branca, Otília, Maria Joana e Alzira, um “gang” inusitado com idades entre os 67 e os 87 anos e tão lento no passo quanto destemido nas palavras. “Querem ser chamadas de velhas e preparam-se para enxotar a tragédia da vida real e atacar com a comédia real da vida”, revela a sinopse. A propósito da reposição, cerca de 35 idosos das academias sénior de Serpa e Aljustrel juntam-se ainda hoje, a partir das 15 horas, para explorar temáticas como a solidão, o preconceito ou a esperança, nomeadamente através de um ateliê de teatro participativo. O encontro é uma das atividades previstas no âmbito da iniciativa “(Des)envolvimento cultural para o envelhecimento ativo”, apostada na promoção do contato intergeracional.

Serão de flamenco em Santo André

Bíblia e Natureza juntas em exposição multimédia

O programa Cextas de Cultura propõe para a noite de hoje, sexta-feira, em Vila Nova de Santo André, um espetáculo de flamenco no auditório da Escola Padre António de Macedo. Protagoniza o serão o Vasco Hernández Grupo, uma formação de flamenco dirigida pelo compositor e guitarrista basco que lhe dá o nome e que se faz acompanhar por Vanesa Lledó (cante e palmas) e João Balão (tabla e udú). O desfile de alegrias, bulerias, tangos, fandangos e rumbas inicia-se pelas 22 horas.

A palavra de Cristo e a ecologia reúnem-se na exposição multimédia e interativa “Igreja Verde, Palavra Viva, Planeta Azul”, que pode ser visitada em Beja, na Casa da Cultura, até à próxima quarta-feira, 15. A mostra integra o projeto “Eklogia”, uma organização da Sociedade Bíblica e da associação “A Rocha”, com o apoio da Câmara Municipal de Beja e o envolvimento de várias igrejas cristãs da cidade. Complementam-na uma série de iniciativas de animação bíblica e cultural e de educação ambiental. Entre elas, destacam-se um debate na Biblioteca Municipal sobre os dois livros de Deus – a Bíblia e a Natureza – hoje, sexta-feira, pelas 21 horas; e um concerto agendado para amanhã, sábado, pelas 21 e 30 horas, na Sociedade Capricho Bejense, com a atuação do Coro do Carmo, entre outros.

Fanfarra Alfares atuam hoje nos Infantes Os Fanfarra Alfares, projeto de “raiz eminentemente popular e satírica” nascido em Beja, são os primeiros convidados da programação de fevereiro do espaço Os Infantes. Sobem hoje ao palanque, para um concerto agendado para as 22 horas, José Emídio (voz e viola), João Frade (acordeão), Adriano Alves (baixo elétrico) e Leonardo Tomich (bateria). O repertório é o do seu disco de estreia, chamado “Promessas Absolutas” e editado pela Ocarina.


O impensável aconteceu: a página da Não confirmo, nem desminto chegou aos 100 seguidores no facebook, prova irrefutável de que algo estranho se passa com a humanidade. Seja como for, queremos agradecer a todos os fãs da página, deixando claro que não nos responsabilizamos por eventuais danos psicológicos que a mesma possa causar. Agora, rumo aos 200!! E fica aqui a promessa: se chegarmos a esse número mítico, prometemos percorrer a barragem do Roxo a nado, no dia 30 deste mês, mesmo com temperaturas negativas, envergando um fato de banho da Pequena Sereia.

31 Diário do Alentejo 10 fevereiro 2012

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facebook.com/naoconfirmonemdesminto

Angolanos podem comprar Conservatório Regional do Baixo Alentejo e rebatizá-lo de Conservatório Raul Indipwo O funcionamento do Conservatório Regional do Baixo Alentejo está a ser afetado pelo estrangulamento financeiro. Consta que a escola já não tem dinheiro para comprar claves de sol e as folhas já só trazem pautas musicais com quatro linhas em vez das habituais cinco. Contudo, investidores angolanos estão a olhar para o CRBA como (mais uma) oportunidade de negócio em Portugal e equacionam comprá-lo e torná-lo num grande centro de cultura angolana. Segundo apurámos, os investidores pretendem rebatizá-lo de Conservatório Raul Indipwo. O ballet será substituído por kizomba e kuduro e o clube de jazz dará lugar ao clube Bonga. Destaque ainda para as novas cadeiras de Introdução à Percussão do Uíge e Técnicas de Fagote Duo Ouro Negro.

Extinção do tribunal de Sines deve-se a lentidão: ainda está pendente processo que decide se Vasco da Gama nasceu em Sines ou em Vidigueira

Jimmy Carter liderou delegação internacional para observar eleições no Nerbe O ato eleitoral no Nerbe, que chegou a ser descrito no “Diário do Alentejo” como um confronto entre gerações, decorreu ontem. De um lado tivemos a candidatura de Luís Serrano, que integrou empresários envolvidos na construção do castelo de Beja; e do outro a candidatura de Filipe Pombeiro, que integrou empresários envolvidos em “projetos contemporâneos e outras cenas bué da radicais”. Apesar de não ter sido conhecido a tempo da edição deste jornal o atual vencedor de tão explosivas eleições, um passarinho contou à Não confirmo, nem desminto que este acontecimento não passou despercebido à comunidade internacional: também os mercados financeiros têm estado em pulgas para saber qual o desfecho das eleições. Especialistas dizem que é isso ou os mercados podem estar a chocar

uma gripe tramada, nada que um chá de camomila não resolva. Nesse sentido, Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos, terá sido enviado para liderar uma delegação internacional encarregada de observar as eleições do Nerbe e evitar conflitos e situações menos claras. Depois de acompanhar as eleições no Egito (parecidas com as do Nerbe, mas com menos porrada), Carter terá estado em Beja a falar com os representantes de outras candidaturas frustradas: a candidatura da Geração Parva – liderada pelo presidente do clube de fãs da Deolinda de Trigaches; a candidatura da Geração Man, com’é qu’eu invisto? – encabeçada por uma jovem empreendedora, com mestrado e doutoramento, mas sem dinheiro para mandar cantar um cego; e a Bejenses de Quarta Geração.

O novo mapa judiciário está a deixar alguns autarcas da região com os cabelos em pé. Destaque para o caso de Sines: segundo investigação conjunta Não confirmo, nem desminto/Famashow, o encerramento do tribunal da localidade costeira deve-se à lentidão de vários processos, com destaque para aquele que envolve Vasco da Gama. O processo, instaurado no início do século XVI, procurava descortinar se Vasco da Gama teria nascido em Sines ou em Vidigueira, e, segundo apurámos, Paula Teixeira da Cruz terá ficado estupefacta ao aceder ao mesmo, pois ainda estava escrito em pergaminho e tinha nódoas de um caril que o navegador tinha trazido da Índia numa marmita. Consta nos autos que Vasco da Gama seria de Sines, “pois era menino para arranjar uma faneca em menos de 15 segundos com os olhos fechados…”, e teria a alcunha de “o rouxinol de Calecute”, tal o seu talento para o cante alentejano. O documento é tão antigo, mas a qualidade do material é tão boa, que o próprio Al Berto o terá utilizado, na altura em que ali viveu, para rascunhar alguns poemas, como é o caso do exemplar inédito que reproduzimos em seguida: “Sines, de toda a costa a mais bela/ nas falésias esculpidas a fel/ das sombras projetadas em tela/ Sines, terra que manda cá um smell”.

Inquérito O que tem feito para se proteger do frio? ANGELINA FRENTE FRIA, 26 ANOS Pessoa que passa o inverno constipada pois recusa-se a receber a vacina da gripe que acredita ser uma conspiração comunista

CESINANDO ANTÁRTIDA, 63 ANOS Reformado e colecionador de relógios de sol

VALENTINA URSO POLAR, 84 ANOS Fã de pão com melão e pirómana involuntária

Só preciso de uma mantinha, um chocolate quente e ler um daqueles livros que mudam a vida, como O segredo ou Como Plantar Nespereiras no Pólo Norte. Também me tenho protegido contra a praga de jornalistas que anda a perguntar aos transeuntes se têm frio. Nãããããooo, que ideia!! Só estamos vestidos com quatro pares de luvas e temos uma estalactite no queixo porque nos apetece…

Frio? Mas qual frio? Isso é tudo psicológico, como a fome ou o herpes labial. O que eles querem é que a gente pense que está frio para esturrarmos tudo em inutilidades como camisolas de lã ou aquecedores a óleo. Têm frio, bebam um bagaço que isso passa. O bagaço cura tudo, no Ultramar curei uma micose e uma ferida provocada por estilhaços de uma granada. Queriam-me dar 27 pontos. Vinte e sete pontos? O quê? Tenho cara de equipa de futebol do fundo da tabela?

Faço o que posso: ligo o aquecedor, mas gasto muita luz, e depois cortam-ma; uso a salamandra, mas como paguei a luz, não tenho muito dinheiro para lenha, fico sem salamandra. Assim utilizei o último fósforo que tinha para puxar fogo a uma casa abandonada. Sei que é um bocadinho radical, mas tenho má circulação nas pernas e tenho de as aquecer. A vizinhança adorou a minha ideia: aproveitámos para assar umas linguiças e tudo.


Nº 1555 (II Série) | 10 fevereiro 2012

FUNDADO A 1/6/1932 POR CARLOS DAS DORES MARQUES E MANUEL ANTÓNIO ENGANA PROPRIEDADE DA AMBAAL – ASSOCIAÇÃO DE MUNICÍPIOS DO BAIXO ALENTEJO E ALENTEJO LITORAL Presidente do Conselho Directivo José Maria Pós-de-Mina | PRACETA RAINHA D. LEONOR, 1, 7800-431 BEJA | Publicidade e assinaturas TEL 284 310 164 FAX 284 240 881 comercial@diariodoalentejo.pt Direcção e redacção TEL 284 310 165 FAX 284 240 881 jornal@diariodoalentejo.pt | Assinaturas País € 28,62 (anual) € 19,08 (semestral) Estrangeiro € 30,32 (anual) € 20,21 (semestral) Director Paulo Barriga (CP2092) | Redacção Bruna Soares (CP 8083), Carla Ferreira (CP4010), Nélia Pedrosa (CP3586), Ângela Costa (estagiária) Fotografia José Ferrolho, José Serrano | Cartoons e Ilustração Luca, Paulo Monteiro, Susa Monteiro | Colaboradores da Redacção Alberto Franco, Aníbal Fernandes, Carlos Júlio, Firmino Paixão, Marco Monteiro Cândido | Provedor do Leitor João Mário Caldeira | Colunistas Aníbal Coutinho, António Almodôvar, António Branco, António Nobre, Carlos Lopes Pereira, Constantino Piçarra, Francisco Pratas, Geada de Sousa, José Saúde, Rute Reimão | Opinião Ana Paula Figueira, Bruno Ferreira, Cristina Taquelim, Daniel Mantinhas, Filipe Pombeiro, Francisco Marques, João Machado, João Madeira, José Manuel Basso, Luís Afonso, Luís Covas Lima, Luís Pedro Nunes, Manuel António do Rosário, Marcos Aguiar, Maria Graça Carvalho, Martinho Marques, Nuno Figueiredo Publicidade e assinaturas Ana Neves | Paginação Antónia Bernardo, Aurora Correia, Cláudia Serafim | DTP/Informática Miguel Medalha Projecto Gráfico Alémtudo, Design e Comunicação (alemtudo@sapo.pt) Depósito Legal Nº 29 738/89 | Nº de Registo do título 100 585 | ISSN 1646-9232 Nº de Pessoa Colectiva 501 144 587 Tiragem semanal 6000 Exemplares Impressão Grafedisport, SA – Queluz de Baixo | Distribuição VASP

RIbanho

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O frio vai continuar a atingir a região e hoje, sexta-feira, as temperaturas vão oscilar entre -1º e os 13º. Amanhã, sábado, prevê-se céu pouco nublado e no domingo o sol deverá brilhar.

Rui Mateus estreia-se com livro de histórias curtas e surreais

E

m Espanha, Grouchy, general de Napoleão, concede a um dos condenados o desejo de um último cigarro: “Infelizmente só havia Ventil”. Uma jornalista no psicólogo, esquecida de si; uma tripulação de marinheiros portugueses obrigada a regressar ao reino, depois de ter conhecido o “paraíso” povoado de “ninfas amorenadas”; o primeiro e mal fadado dia da perceptora das meninas de Velásquez. São 94 micronarrativas soltas que Rui Mateus oferece ao leitor em Fúteis Madrigais, o seu primeiro livro, dado à estampa pela Chiado Editora. “Histórias sobre nada”, moldadas pela reverência ao surrealista Mário-Henrique Leiria e escritas pela calada da noite. Neste seu primeiro livro, Fúteis Madrigais, estão reunidas 94 micronarrativas tocando os mais variados temas, personagens, tempos e lugares. Há algo a unir estes “madrigais”, além do seu autor?

O que une estes madrigais é somente o surrealismo que é comum a todas as histórias. Tive sempre a esmerada preocupação em pôr de parte a racionalidade, e deixar que as emoções primárias, ou simplesmente ideias esquisitas, fossem primordiais na escrita destes contos. No fundo são histórias sobre nada, no seu substrato. Apenas surreais. O que mais o desafia neste registo da microficção?

O mais difícil foi mesmo não entrar no universo daquele que, na minha opinião, PUB

JOSÉ SERRANO

“Histórias sobre nada” escritas pela calada da noite

Rui Mateus,

32 anos, natural de Beja Cresceu nos “subúrbios de Lisboa” e por lá se foi “deixando ficar”, diz. É professor de Língua Portuguesa desde 2003, dividindo o seu tempo livre entre o piano, a escrita, e “uma quase notável carreira” no teatro amador. É nas “noites de whisky duplo”, como lhes chama, que recebe a inspiração para a escrita de “curtos devaneios e histórias soltas” que reuniu e batizou, neste seu primeiro livro, com o título de Fúteis Madrigais.

foi o grande mestre do surrealismo literário em Portugal. Daquele que foi sempre a minha referência desde que me conheço como leitor compulsivo e aspirante a escritor. Neste sentido posso dizer que tive muito trabalho para não plagiar o Mário-Henrique Leiria. Tenho a certeza de que os Fúteis Madrigais jamais veriam a luz do dia se, na adolescência, não tivesse descoberto o surrealismo literário pela pluma deste génio. Se ainda fosse vivo oferecia-lhe um livro, isso de certeza absoluta.

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Colóquio “Beja – Imagens da Cidade” decorre até hoje Decorre, até hoje, sexta-feira, o colóquio “Beja – Imagens da Cidade”. A iniciativa tem lugar no auditório da Biblioteca Municipal de Beja e conta com a organização do Centro de Estudos Arqueológicos das universidades de Coimbra e Porto e do Campo Arqueológico de Mértola. O colóquio conta ainda com o apoio da Câmara Municipal de Beja e da Fundação para a Ciência e Tecnologia. De acordo com a organização, “pretende dar-se, e tendo como mote os recentes trabalhos arqueológicos dirigidos pela professora Conceição Lopes no forum, uma imagem da cidade antiga e das transformações que ela sofreu entre a época romana e o final do mundo islâmico”. Participam no encontro historiadores e arqueólogos de universidades, centros de investigação e museus de Portugal, Espanha e França. Está ainda prevista a realização de uma visita às escavações arqueológicas do forum. A entrada no colóquio é livre e não carece de inscrição prévia.

Em alguma destas histórias sentiu vontade de ir mais longe, evoluindo para um conto ou uma ficção de maior fôlego?

Ourique recebe Feira do Porco Alentejano em março

Não, nunca. A essência deste livro é que muito seja lido em poucas palavras, e num só fôlego, como se espera de quaisquer fúteis madrigais. Todas estas histórias começam de rompante e terminam poucas linhas abaixo, quase tão depressa como começaram.

A Feira do Porco Alentejano 2012 – VI Jornadas Gastronómicas Sabores do Porco Alentejano já tem data marcada para os dias 23, 24 e 25 de março, em Ourique. Numa parceria entre a Câmara Municipal de Ourique e a Associação de Criadores de Porco Alentejano, o evento deste ano “centra a sua estratégia na promoção internacional do porco de raça alentejana, nomeadamente com a realização de um encontro ibérico que reunirá em Ourique dirigentes e produtores ibéricos”, esclarece a organização. A iniciativa “visa dar maior abrangência à estratégia de afirmação de Ourique, capital do porco alentejano, junto de mercados fundamentais para a dinamização económica e social do setor”. Na edição deste ano será ainda criada uma nova área coberta de 300 metros quadrados destinada a expositores de pão e pastelaria tradicional. Como tema central do evento “a organização decidiu distinguir as tradições regionais através do lema ‘Conduto, pão e cante’”.

Dá a este livro o subtítulo de “Devaneios do whisky duplo”. Assume-se, de facto, como um escritor noturno?

Sim, sempre, escrevo sempre à noite. Só a noite me pode inspirar, jamais o cheiro a torradas ao pequeno-almoço. No entanto, evito o estereótipo de escritor que só consegue criar sob o efeito de uma enorme bebedeira, até porque é raro isso acontecer. Não as bebedeiras, naturalmente, mas a escrita sob efeito do whisky duplo. Carla Ferreira

Diario do Alentejo  

Ediçao N. 1555