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n°005| année 02 | 2018

REVUE CULTIVE - ISSN-2571-564X

FECC Caravana C u l t u r a l Cultive Quem planta colhe! leva Cultive autores no Salão a 5 cidades do Nordeste do livro em agosto de Genebra plantou e os autores colheram os frutos

cultura

FECCAN um festival onde os autores são as estrelas da Borborema

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Cultive N° 5 junho 2018

Academias

LITERATURA

65 | .Auto Edição 239 | .Como fazer Sucesso 155 | Livraria Cultive

EVENTOS LITERÁRIOS 12 34 37 56 58 59 61

47 49 51 53 54 62

| Luiz Gonzaga Rodrigues | Wills Leal | Carlos Augusto Romero | Analice de Caldas Barros | .José Leal Ramos | AJEB

| Salão de Livro de Genebra | FECC | FECCAN | FECCJP | FECCRN | FECCCRA | .FECCFO

ESCRITORES 68 | Adão Agostinho…… 69 | Adnaldo Guimarães Adriana Quezado 70 | Ademir Souza Arlete de Jesus Melo 71 | Adriane Salt Li 72 | Aldirene Máximo 73 | Andrieli dos Santos 74 | Aberto Arecchi 75 | Alexis Gotera 76 | Alexandre Santos 78 | Ana Paula Barbosa 79 | Ana Cavalheiro 80 | Arlinda Lamego 81..|..Arnaud Mattoso 82 | Atalas Hutton 84 | Bruni Felix 85 | Bah Bee Paiva 87 | Cassia Cassitas 88 | Carolina Butler 89 | .Caroline Cristina P. Souza Carolini Cardozo Assmann 90 | Carlos Almeida 91 | Celia Oliveira 93 | Cinara Filgueira Ma ciel 94 | .Christiane DE Murville 2 | CULTIVE

95 | Célio de Souza 96 | Claude Bloc 98 | Dhiogo J. Caetano 99 | Diógenes cArvalho vEras 100| .Dulce Couto 102| Edmilson Maranhão 103 | Edson Amaro de Souza 104 | Edson Almeida Coimbra 105 | Eloah Westohalen Naschenweng 106 | Else dorotéa Lopes 108 | Evandro Alves Maciel 109 | Evandro Nunes da Silva 111 | .Fábio Pexe 112 | .Fábio Daflon 113 | Fernando Antonio Fonseca 114 | Flavio Orsi de Camargo 115 | .Franciso Ferreira 116 | Francisco Evandro de Oliveira 120 | Gabriella de Jesus Moreira 121 | Gabriel CAssar

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122 | Gilda Maria de oliveira Freitas 123 | Glaucia Brum Carlos 124 | .Gladiston de Souza Coelho 127 | Helder Paraná do Couto 129 | .Izabel Furini 131 | Ivanilde Morais Gusmão 132 | Ivone da Fonseca 133 | Izabel Hesne Marum 135 | Jacqueline Collodo Gomes Julia Lemos 136 | JackMichel 137 | Jober Rocha 138| João Wilson Carvalho 139 | .João Murty 140 | Josiney Ribeiro. 143 | José Carlos Moutinho 144 | José Carlos de Arruda. 146 | Josué Silva de Araújo 147 | José Carlos Tavares 148 | Julie Veiga11 . 151 | .Ketely Temper Almela 161 | Luiz Henrique Mignone Viana 162 | .Luis Amorim 163 | Luis Rocha Neto 167 | Marcelo Gomes Jorge Feres 168 | Maria Delboni 169 | .Marcus Polidori 170 | Maria Tereza Marins Freire. 171 | Maroel Bispo 172 | Márcia Pavanello Pires 173 | Maíra Luciana F. de Souza. 174 | Maria Carolina 175 | Maurício da Silva Régis 176 | Marcelo Rocha. 177 | Campanha Um dia de Felicidadde 181 | Manoel Guilherme de Freitas 182 | Michel de Lima Canova 183 | .Maria Tereza Penna 184 | Maria vera Mateus Roque. 188 | Neyde Montingelli 190 | Olavo S. Berquó 193 | Paula Laranjo 194 | Paulo Bretas . 196 | Paulo Luís Ferreira. 198 | Paulo Francisco Bastos Von Bruck 200 | Renata da Silva de Barcellos 201 | .Rita Guedes 203 | Rogério dos Santos Ferreira Gonçalves 205 | Rodrigues Paz 4 | CULTIVE

207 | Rosangela Maluf 208 | Rosimeire Leal da Motta Piredda 211 | .Sandra Maciel Barreto 212 | .Sanjo Muchanga 213 | Sideny Machado Sonia Nogueira 214 | Séergio Ricardo de Carvalho 215 | .Samuel da Costa 217 | Tánia Diniz. 218 | Teresa Azevedo Teresa almeida Pinto 219 | Tereza Custódio 220 | Thauane Cristina Ferreira 221 | Tiago Silva 223 | ùmero 225 | .Valda Fogaça 226 | .Valdivia S. Beauchamp 227 | Valquiria Impriano 230 | Vera Regina da Silva de Barcellos 235 | .Vinicius Bandera 237 | .Wilson Duarte 238 | Wagner Nyhyhwh

Arte

243 | Eventos de junho

Exposição 255 | Dani Silveira. . 256 | Denise Saboia 257 | Consuli 260 | Luciana Imperiano . 261 | Mauro kersul. 262 | Marcia Prata 266 | Marla 270 | .Nazaré Cavalcanti 271 | Rosangela Vig 272 | Sabrina Sibila 274 | Silvaney Vasconcelus 277 | Valeria MacKnight 278 | Valquiria Imperiano

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Equipe de trabalho CULTIVE Valquiria Guillemin Presidente Brasileira Mentora do projeto Cultive

Luciana Imperiano Bodner Diretora Operacional Brasileira Co-fundadora da Cultive

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ASSOCIATION CULTIVE - Club International d’Art, Littérature et Solidarité

tions de l’Assemblée Générale, du Comité et des Commissions. 2.Il/elle représente l’Association à l’extérieur. Article 8 - Les Membres 1. Seuls les membres actifs ont voix délibérative à l’assemblée générale. 2. Sont membres de l’association les membres actifs et les membres souscripteurs. Article 9 - L’Assemblée Général

«ASSOCIATION CULTIVE - Club International d’Art, Littérature et Solidarité –» est une association culturel sans but lucratif aux termes des articles 60 et suivants du code civil suisse.

1. L’Assemblée Générale ordinaire se tient une fois par an. 2. L’A.G. est valablement constituée quel que soit le nombre de membre présent. 3. Les décisions de l’assemblée générale sont prises à la majorité des membres présents.. 4. L’assemblée générale extraordinaire peut être convoquée si elle est demandée par un minimum d’un tiers des membres de Cultive. 5. L’assemblée générale est convoquée par le comité avec un préavis de deux semaines.

Article 2- Buts

Article 10- Compétences de l’A.G.

Cultive est une association a but culturel qui par le biais d’activités diverses (expositions, concerts, spectacles, fêtes, dédicaces, repas, soirée literaires, etc.), cherche à être un lieu passerelle entre des artistes et toutes gens différents. Culltive a pour but de développer un cadre favorable à promotion culturel, à la rencontre et à la solidarité.

L’Assemblée Générale a les compétences suivantes: 1. Prendre les décisions relatives à l’organisation de l’Association. 2. Election du comité. 3. Election du président. 4. Création de commissions spécialisées. 5. Election du trésorier. 6. Approbation des comptes annuels. 7. Modification des statuts. 8. Exclusion d’un membre. 9. Dissolution de l’Association

Estatut Article 1 - Denomination

Article 3 - Siège 1.Le siège de l’association est à Genève. Son adresse est: 12 Rue du Pré Jérôme – 1205 Plainpalais - Genève. 2.La durée de l’association est illimitée. Article 4 -Les organes de l’Associatina sont :

Article 11 – Responsabilité La fortune et les revenus de l’association répondent exclusivement de ses obligations. La responsabilité personnelle des membres est exclue.

1.L’Assemblée Générale 2. Le comité

Article 12 – Dissolution

Article 5 – Ressources 1.Les ressources de l’association sont les dons, les subsides ainsi que le résultat de ses activités.

1. La dissolution de l’association ne peut être décidée qu’à la majorité des deux tiers des membres. 2. En cas de dissolution de l’association, ses actifs seront versés sous forme de don à une autre association dont les buts sont similaires. ********************************************************************************************

Article 6 – Le Comité 1. Le comité ( le/la president(e), le/la trésorier(e), le/la secrétaire) est formé obligatoirement de trois membres pour une durée de deux ans reconductible et renouvelable. Article 7 – Le Président 1. Le Président(e) convoque et anime le Comité. Il/elle fixe l’ordre du jour d’après les proposi8 | CULTIVE

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Cultive Art Littérature et Solidarité CULTIVE é uma associação que visa divulgar e apoiar a arte e a literatura lusófona, assim como, apoiar e organizar eventos que levem a cultura e ajuda às comunidades carentes.

Comité da Cultive é formado por:

Presidente: Valquria Guillemin Imperiano Secretaria: Elisia Conceição Tesoureiro: Rubson de Abreu Imperiano Coordenadores: Luciana Imperiano Laura MárciaI.dos Santos Claude Bloc Rita Guedes A CULTIVE – Art Littérature et Solidarité tem como objetivo divulgar a cultura. Seu trabalho consiste em apoiar e elevar o nome dos escritores e artistas brasileiros e lusófonos na Europa e no Brasil promovendo vernissages, amostras, assim como, exposição de obras literárias e obras plásticas em Genebra, Portugal e Itália, reforçando o entrosamento entre artistas e literatos para que possamos, com a união, tornarmo-nos uma força. A CULTIVE promove eventos culturais: exposições de arte, salão de livros, vernissages, encontros literários, tardes de autógrafos. Além de difundir os autores e artistas, fornece orientação sobre as atividades literárias, organiza e divulga o Jornal Cultive de Literatura e organiza campanhas filantrópicas . A CULTIVE não recebe subvenções e precisa que os participantes contribuam nos eventos nos quais participam. Além de mim, 10 | CULTIVE

Valquiria Imperiano, temos outros componentes a apoiar a CULTIVE. Acreditamos que a união faz a força, basta que cada um possa dar um pouco de si mesmo.

Outras propostas da Cultive

Divulgar e distribuir a Revista Cultive gratuitamente via internet;; Distribuir livros em bibliotecas públicas e livrarias em países da Europa e do Brasil que forem visitados pela Cultive; Expor e distribuir livros em associações sem fins lucrativos; Expor livros na vitrine da CULTIVE em Genebra; Realizar e apresentar concursos Literários;

A REVISTA CULTIVE A REVISTA CULTIVE é uma das atividades da Associação CULTIVE que pretende agregar e divulgar escritores e pessoas interessadas pela cultura, bem como, artistas que queiram divulgar seus trabalhos no Brasil e no mundo, colaborando dessa maneira para que a cultura seja abordada por pessoas de todas as áreas sociais. A revista é dirigida aos interessados em publicar suas obras, e a quem quer ter acesso à leitura. gratuitamente. Para cada edição será proposto um tema e os autores podem enviar seus textos por e-mail, seja texto infantil, literatura para adulto, seja textos históricos, pesquisas, críticas, fotos, pinturas, arte, etc . CULTIVE é uma REVISTA eclética, porém reservamo-nos o direito de não aceitar textos de cunho político, religioso e/ou pornográfico.

A CULTIVE não é um veículo de propaganda eleitoral, nem ideológico.

Um nova maneira de apresentar as obras..

Solidariedade Um dos objetivos da Cultive, é também, oferecer aos mais necessitados alegria e esperança, organizando campanhas em lugares desfavorecidos, investindo principalmente na criança, levando o prazer, o saber e a cultura. A Cultive nas suas campanhas leva: brinquedos, workshops, livros sem descartar também o alimento do corpo, ferramentas de trabalho. Esse trabalho é realizado graças às doações dos amigos do projeto, anualmente.

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Cultive no 32° Salão do Livro de Genebra

Stand Cultive no 32° Salão do Livro de Genebra

Tudo o que foi feito pela Cultive até a presente data, ultrapassa a esperança da boa realização. O trabalho da Cultive de realizar a divulgar da Cultura brasileira na Europa e no Brasil está seguindo caminhos reais, bem conduzidos e sólidos A equipe Cultive através do seu trabalho esmerado e responsável realizou esse ano mais uma vez o Salão do livro de Genebra . Os autores do Brasil presentes no Stand da Cultive apresentaram suas obras, realizaram conferência, conversaram com o público, contataram editoras, bibliotecas, associações culturais organizadores de feiras, livrarias e clubes culturais, tudo resultado do trabalho coordenado pela Cultive. Os resultados desse último salão foram muito positivos. Graças ao contato direto entre os escritores e o público, o leitor pode conhecer a forma de trabalho e o estilo de cata autor, despertando, assim, muito interesse sobre a literatura brasileira. Uma grande movimento aconteceu no stand Cultive, a curiosidade em conhecer o nosso trabalho foi intenso e interativo o que resultou na venda de muita obras expostas e em consequência os autores retornaram praticamente de malas vazias. A Cultive está muito realizada com os resultados positivos e o sucesso de cada autor presente no Stand Cultive. Nós fizemos nossa parte e o escritores fizeram a deles e todos ganhamos, a Cultive encerrou o salão com a certeza de ter realizado um bom trabalho e os autores felizes em ter suas obras vendidas e divulgadas na Europa. A semente da literatura brasileira está semeando nas terras da Europa. Resta-nos continuar esse trabalho de formiguinha. Em 2019 estamos com novas ideias, aproveitem e venham trabalhar conosco. Nós da Cultive agradecemos a confiança, Valquiria Imperiano, Luciana Imperiano, www.cultive-org.com

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Literatura das Brasileiras faz sucesso em Genebra

O grupo de autores Cultive: Victoria Valente, Ana Cavalheiro, Luciana Imperiano, Rita Guedes Edna Barbosa, Christiane De Murville, Valquiria Imperiano, Susan Kleebank( Consul do Brasil), Maria José Negrão, Claude Bloc, Domingos Cupa, Joana Vieira.

Autores vindos do Brasil trouxeram variadas obras para Genebra, histórias infantis, romances, poesia, contos, gramáticas, ensaios, história e filosofia foram os conteúdos dos livros expostos, causando grande interesse no público presente. Todas as obras apresentadas são o exemplo de um trabalho de qualidade e valioso que essas representantes brasileiros trouxeram para Genebra, provando que os Brasil é berço de muitos valores. Parabéns a todos esses heróis da cultura que não mediram esforço e sacrificaram-se fianceiramente para fazer uma bela imagem do nosso país. Batalhadores e dedicados, os autores entregaram-se ao trabalho de mostrar suas obras durante cinco dias de muita agitação. A Cultive foi a mediadora que proporcionou aos autores interação com o publico e a pubicidade dos seu trabalhos. O resultou desse trabalho ultrapassou a espectativa . A harmonia, a amizade e o companhaireismo, foram dos pontos positivos que proporcionaram o sucesso dessa empreitada e nos da a certeza que valeu a pena o esforço. Mais de 350 livros vendidos no Stand da Cultive prova que o trabalho realizado foi positivo e repetiremos em 2019 o incansável trabalho de divulgar os autores e suas obras. Valquiria Imperiano, Stephan Bodner, Luciana Imperiano, Claude Bloc, Elisia Conceição 14 | CULTIVE

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Ana Cavalheiro

Ana Cavalheiro lançou o seu livro de poesia «todas as flores da minha vida» Crianças são sempre bem vindas.

Autores presentes no Salão do Livro de Genebra no Stand da Cultive 16 | CULTIVE

Ana Cavalheiro é douradense da Vila Sao Pedro. Viveu muitos anos fora do Brasil. Estudou arquitetura, especializou-se em Tropentechnologie na Alemanha. É escritora e amante das artes.

«Gosto de descobrir coisas invisiveis Pensar coisas impensáveis Viajar pelo universo Ser sequestrada por espíritos bons dormir segura no meu lar“

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Christiane De Murville

Claude Bloc

Do Crato para Genebra, assim foi o caminho de Claude Bloc. Claude veio apresentar seus livros no 32° Salão do livro de Genebra e participar do lançamento das Antologias Songe d’une nuit e Antologia Coragem.

fundou sua familia. Claude num gesto de amor e saudosismo enviou um texto do seu pai «Saudades Sertanejas», um belissímo relato sobre a sua chegada e o tempo em que viveu no interior do Ceará.

Claude também recebu o prêmio de 2° lugar pelo seu texto Adormecer, texto em prosa que está publicado na Antologia Coragem.

Durante o Salão Claude apresentou a historia de vida desse guerreiro e representou o Instituto cultural do Crato apresentando o livros publicados por essa instituição.

Claude é filha de Hubert Bloc, um francês que veio para o Brasil depois da 2° guerra mundial, e instalou-se em Crato onde 18 | CULTIVE

Escritora de origem francesa vivendo em São Paulo. Trouxe para o salão do livro as obras A trilogia A Caverna Cristalina volume I Uma aventura no tempo versão português e francês volume II O dasafio do labirinto português e francês volume III Capturados no Tempo português e francês Até Quando ? * La vie comme elle est *A vida como elaé Christiane também fez uma conferência no Lyceum Clube de Genebra onde ela apresentou a chapada da Diamantina. Christiane é uma daquelas pessoas determinada. Ela decidiu e veio pro 32° Salão do Livro de Genebra com a Cultive trazendo duas malas repletas de livros, seus romances em português e francês que giram em torno dos mistério da Chapada uns, outro que aborda as consequências de escolhas de vida e mais outro que leva o leitor a colocar-se na posição do personagem que procura encontrar-se e comprender os porquês do seu condicionamento pessoal.

Postada com seus livros em mãos Christiane falou e apresentou cada um dos

seus romances ao passantes que paravam e ouviam, conseguindo despertar o interesse do público pelos seus romances misteriosos, num trabalho de corpo à corpo incansável. A Cultive proporcionou os meios e Christiane sua determinaçãoo resultado foi o sucesso de vendas das suas obras. Que esperamos continue a crescer. O mistério nos intriga e Christiane usa-o nos s eus livros que no fundo são um estudo do que vai há além da imaginação. A Consul Geral do Brasil Susan Kleebank entregando o certificado de Honra ao mérito à Christiane ganho no II Concurso Cultive de Literatura. C CULTIVE | 19


Domingos Cupa

Vindo de Angola para paresentar seu primeiro livro de poesia «Além

vras».

das pala-

Domingos esteve no 32° Salão do livro de Genebra contactando o público e recitando seus poemas, incansável, presente e agradecido. E foi indo além das palavras que Domingos venceu os obstáculos, que tentaram impedí-lo de desembrarcar em Genebra, para mostrar sua arte. Domingos é uma pessoa carismática cuja gentileza está escondida nos seus textos, nas palavras dos poemas que falam de vida, de amor, de sentimentos, da sua alma. Questionando-se, analisando e confessando, Domingos, como diz o título do livro, vai além das palvras e nós, os leitores, perguntamos: o que vai além das palavras? É preciso ler seus poemas e descobrir, e entrar em seu mundo poético, e procurar decifrar ou respondar suas interrogações, que podem ser, também, as do próprio leitor.

Nós da Cultive estamos felizes por possibilitar a mais um autor realizar seu sonho.

Além das palavras um pequeno livro com grandes pensamentos poéticos.

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Joana Vieira

Professora de Portugês, mora em Manaus, numa viagem rápida de apenas quatro dias Joana veio para o lançamento da Antologia Songe d’une Nuit no 32° Salão do Livro de Genebra. Para sua grande surpresa, durante o anuncio do resultado do II Concurso Cultive, Joana recebeu a notícia de ter sido a vencedora do II Concurso Cultive de literatura tema: «Sonho de uma noite» com o texto Amor de Indio. O seu talento foi reconhecido. Joana recebeu o troféu Cultive e o certificado do 1° lugar no II Concurso Cultive das mãos da Consul Geral do Brasil em Genebra Susan Kleebank. A Cultive parabeniza Joana Vieira e convida a todos a ler a Antologia Songe d’une nuit e descobrir os maravilhosos textos que falam de amor.

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Leca Araújo

Lançou seu livro As marias nas versões portugués e francês. As Marias é um livro que conta a historia de como nasceu as suas obras intituladas com o mesmo nome. Um livro que leva o leitor a realizar desenhos baseados nas obras. Leca proporciona um trabalho interativo e criativo. O leitor pode seguir os exemplos que ilustarm o livro, assim como partir para a criação segundo sua imaginação.

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Luciana Imperiano

Artísta nata, ela emerge também literatura, seus textos estão publicados na I Antologia Cultive, na Antologia Coragem e na Antologia Il est temps de réveil. A Lucina é uma observadora do comportamento do homem e da natureza, com sagacidade e muita sensibilidade ela, às vezes, escreve poesias que analisam a vida e o sentimento do homem. Suas poesias são fortes indagadoras, quase sempre desvendando o lado escondido do homem, ela debulha a alma do ser com sensibilidade, interpreta as ações comparando o bem e o mal, outra vezes sempre exaltando os valores morais. Sua poesia é moderna despreocuda com a rima, ela centraliza sua criação no tema. Seus textos em prosa, contam passagens corriqueiras desvendando o que há por trás das ações do adulto, das crianças, dos animais ou da natureza.

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Rita Guedes é da Crato no Ceará, simples, sincera e generosa Rita é também escritora, seu romance Sobre as ondas, é um relato emotivo e cheio de otimismo sobra a vida dos retirantes do sertão. Ela narra, com toda a sua maneira sincera e generosa de ver a vida, as dificuldades da protagonista pobre dos sertão determinada a vencer os obstáculos que a impede de alcançar seus objetivos, de sair da condição miserável e passar a ter uma vida descente. Sobre as Ondas é uma historia autruísta cuja mensagem serve de exemplo àqueles que desmoronam diante das dificuldades. Rita veio para o Salão do Livro de Genebra não só para apresentar seu livro Sobre as Ondas, mas também para o lançamento das Antologias Cultive nas quais participa: Antologia

Maria José Negrão ( Zezé Negrão) Veio lá da Bahia mostrar sua arte em Genebra. No stand Cultive . ela veio para o lançamento da Antologia Songe d’une Nuit, que enriqueceu com a linda lenda O lobisomen da madrugada, uma historia rica e cheia de imaginação. O conto relata a historia de um jovem que transforma-se em lobo, recurso utilizado como saida para encontrar-se com a sua amada, mas a historia tem muito mais e quem estiver curioso vai encontrar a lenda na Antologia Songe d’une nuit. O texto mereceu medalha de honra dos jurados do II concurso Cultive de literatura.

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Coragem,( português); Antologia Il est temps de Réveil (francês); Antologia Songe d’une nuit(francês e português) cujo texto Une nuit de Rêve- Uma noite de Sonho recebeu prêmio de honra mérito indicado pelo jurado do II Concurso Literário Cultive. Rita cebeu o prêmio das mãos da consul Geral do Brasil Susan Kleebank. A Cultive também ressalta e parabeniza outra habilidade de Rita, sua veia musical, Rita alegrou-nos durante o salão cantando serestas brasileiras.

Momentos de saudades e fraternidade. Obrigada Rita, a Cultive agradece.

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Susan Kleebank consul Geral do Brasil em Genebra

Uma visita de apoio ao stand Cultive foi a resposta ao convite feito pela Cultive à Exma Consul Geral do Brasil em Genebra. No dia 24 de abril a Consul esteve no Stand cultive para nos prestigiar. O contato e a atenção que a Consul consagrou a todos os autores no Stand -Cultive foi muito apreciado e deixou os autores muito valorizados. A Consul reconheceu e agradeceu o esforço de cada participante que trouxe e honrou o nome do Brasil nas terras Suíças. Na ocasião A Consul Susan Kleebank falou-nos 26 | CULTIVE

Biblioteca do Consulado do Brasil em Genebra Os autores que estiveram na Cultive fizeram doações de livros de suas autorias para a biblioteca do Consulado Geral do Brasil em Genebra.

do projeto da biblioteca no consulado, os autores presentes e ausentes, então, cooperaram doando livros de suas autorias para o projeto da crriaçao da biblioteca no consulado. A Consul Susan Kleebank realizou a entrega dos diplomas e troféu Cultive aos vencedores do Concurso Cultive e os certificados de participação nas Antologias Cultive e no Salão do Livro de Genebra. Após a entrega de prêmios a Cultive ofereceu uma coquetel comemorativo. C CULTIVE | 27


Valquiria Imperiano

Nasceu em João Pessoa, Paraíba – Brasil. Naturalizada Suíça onde mora, desde 1997. É artista plástica e escritora. Exposições na Europa e no Brasil. Formada em Letras na Universidade de Mandaguari Paraná, fez aperfeiçoamento de redação e estruturação da língua portuguesa e reingressou na faculdade de letras francês na UFSC. Cursou francês em Genebra. É artista plástica - exposições na Europa e no Brasil. Lecionou língua portuguesa para estrangeiro e revisora de textos. Criadora a Associação Cultive em Genebra. Livros publicados: LIVRO DE ARTE SOUHTEND-ON-SEA EXHEBITION – arte; ESPELHO MEU ESPELHO – poesia; COFRE ABERTO – poesia; E A VINGANÇA DOS DEUSES- contos, O ROSA E O AZUL contos, AIMEZ LES ANIMAUX DU BRÉSIL infantil, NAVEGANDO EM ONDAS ALTAS poesia.

Victoria Valente Ela é brasileira residente em Luxembourg e autora do lindo romance

«Sayonara

meu amor» ( que eu recomendo àqueles que gostam de romance de amor)

Vi c t or i a foi apresentada ao público Suíço pela Cultive no 32° Salão do livro de Genebra. Imediatamente o seu livro chamou a atenção do público que procurava «historia romântica em português» frase ouvida por varios compradores que me abordaram. Alegre, desprendida, Victoria nos animou com suas músicas, contando trechos do seu romance e sempre acompanhada e recebendo o poio do seu marido Nicolas que gentilmente nos ajudou nos momentos de correria. 28 | CULTIVE

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Apoiadores da Cultive a quem a Cultive agradece e faz uma justa homenagem.

Dauá Puri vindo para o lançamento

da Antologia Conto por Conto orgainzada por Angle Mota. A Cultive recebeu-o no stand e Dauá Puri aproveitou para fazer uma manifestação em defesa do Indio brasileiro .

Luciana Imperiano

A grande designer que levou a termo todo o trabalho da Cultive, a criadora de todo o material de marketing e da organização das Antologias, da apresentação da Cultive durante o Salão, além de suporte na organização das atividades. Sem ela toda a logística da Cultive teria sido difícil de ser colocada em ação. Luciana executa seu trabalho direto da Alemanha, são horas de trabalho interativo para que tudo seja de boa qualidade.

Stephan Bodner

Camereman alemão. Stephan trabalhou durante 5 dias registrando os acontecimento fazendo entrevistas com os autores e o público, ajuda um trabalho esmerado e precioso para os arquivos da Cultive.

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Niuva Barbosa

companhia e apoio incansável durante os cinco dias do Salão . Niuva ceio do Ceará em companhia das escritores Rita Guedes e Claude Bloc.

Nicolas Lentz

Veio de Luxembourg acompanhando sua esposa a escritora Victoria Valente, entrou na onda e ficou apoiando, ajudando voluntariamente a registrar imagens e videos, e outras pequenas tarefas que surgiram

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Susan Kleebank - Consul

Geral do Brasil em Genebra com sua gentileza compareceu ao Stand. O apoio que os escritores esperavam. Susan entregou os certificados e os premios de participação no Salão do livro de Genebra e os prêmios do II Concurso Cultive e participou do aperitivo apos a entrega dos prêmios.

Elisia Conceição

Secrataria da Cultive e conselheira jurídica Presença, prestação e apoio e confança Elisia sempre pronta a nos ajudar, colocou sua casa à disposição para hospedagem. Ela foi presença diaria e constante, apoiando as apresentações, acompanhando e guiando autores durante a feira do livro.

Marc Guillemin é fotógrafo

profissional em Genebra, com especialidade em fotos jornalísticas e artísticas. Pela qualidade de suas fotos Marc é continuamente convidado para fazer cobertura em varias empresas de Genebra, organizações internacionais, assim como para o Estado de Genebra, eventos publicos e privados. Marc também veio registrar os acontecimentos Cultive e durante 5 cinco dias foi o ftógrafo oficial da Cultive. Momentos inesquecíveis ocorridos no stand Cultive foram registrados, um trabalho de qualidade e profissional. As fotos podem ser vistas no site -Cultive. 32 | CULTIVE

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O QUE é A FECC ?-

FESTIVAL CULTURAL CULTIVE Em se cultivando tudo dá É um evento que visita cidades do Brasil levando arte e literatura e profissionais ligados à formação cultural.

27 ao 30 de setembro 2108

Esse ano estamos no nordeste visitando 5 cidades e começando com a FECCAN em Alagoa Nova, na Paraiba, dias 24,25,26 de agosto depois partindo em caravana para João Pessoa (dias 27,28,29 na Academia Paraibana de Letras), Natal (dias 30 no IFRN), Crato (no 01,02, 03 no ICC), terminando em Fortaleza dias 04,05,06. A participação é gratuita ( cada participante é convidado apenas a doar no mínimo 20 livros para a inauguração da biblioteca de Alagoa Nova). Para marcar o evento estamos organizando uma antologia( Receitas e Historias para Sonhar e ser feliz) com o objetivo de patrocinar a campanha filantropica "um dia de felicidade" em Camurupim que será realizada no 17,18,19 de agosto na Paraíba. Antologia Receitas e Histórias para Sonhar e ser Feliz será lançada em todas as cidades por onde passarmos e no salão do livro de Genebra 2019. Valquiria Imperiano e Luciana Imperiano Bodner são as organizadoras gerais do projeto, Laura Imperiano e Luis Carlos dos Santos coordenadores em Alagoa Nova(24,25,26/08), Damião Ramos Cavalcanti presidente da APL -João pessoa (27,28,29/08); Tereza Custodio em Natal(30,31/08); Claude Bloc em Crato ( 01,02,03/08); Rita Guedes e Socorro Cavalcantiti em Fortaleza( 04,05,06/08) Colaboração: Devanil Neri Costa- secretaria de educação de AlagoaNova, Kezya Marques cantora soprano de Fortaleza, Apoio da prefeitura de Alagoa Nova, prefeito JoséAquino de Uchôa; do rotary club de crato; Heitor Feitosa presidente do ICC de Crato ; IFRN de Natal. As inscrições para o salão do livro e de arte e para a participação da caravana estão abertas. Você pode participar em todas as cidades ou apenas em uma delas. Contato: cultive@bluewin.ch ou com as organizadoras mencionadas acima

w.ww.cultive-org.ch 34 | CULTIVE

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Festival Cultural Cultive de Alagoa Nova F

Em se cultivando tudo dá!

cidade de Alagoa hida para lançar de « 1a FECCAN CULTIVE ALA-

A CULTIVE - Club International de Genève – Association Litératture Art et Solidarité, foi fundada para promover a cultura e com esse propósito criou o Festival Cultural Cultive (FECC), projeto que visa promover diversas atividades culturais destinadas aos professores, alunos do ensino básico e médio das escolas públicas e privadas e ao público geral oferecendo-lhes assim, a oportunidade de expandir e diversificar a vivência cultural. Estruturada a FECC, a Nova na Paraíba foi a escolo projeto recebendo o nome ( 1° FESTIVAL CULTURAL GOA NOVA ) » .

A importância do TIVAL CULTUNOVA justifica-se cação que prioriza a autonomia, aufazer coletivo e o

projeto da 1a FECCAN - FESRAL CULTIVE ALAGOA na emergência de uma eduo estudo livre, a criatividade, toestima, a democracia, o sentido de estar junto.

A Cultive como incentivadora cultural aposta no ineditismo do evento, levando um evento cultural para uma cidade que não é a capital, visto que apenas as grandes metrópoles são privilegiadas com eventos abrangendo a arte e principalmente a literatura. Ficando assim, as cidades afastadas dos grandes centros, longe dos acontecimentos culturais. O contato entre alunos, escritores e artistas pode abrir-lhes o in36 | CULTIVE

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Cultive -evento

centivo para o mundo das possibilidades reais quebrando, assim, o muro invisível que separa o público dos literatos e dos artistas.

Alagoa Nova acolhe a 1aa FECCAN-

Festical Cultural Cultive

Condição de participação no evento FECCAN:

- doação de 20 livros para a biblioteca do Colégio Violeta de Souza e a - participação na Antologia Receitas e historias para sonhar e ser Feliz. Os doadores de livros que confirmarem até o dia 30 de julho terão seus nomes numa placa da biblioteca como benemérito, todos os participantes recebem certificado de participação, os apoiadores e homenageados recebem troféu. O evento conta com o apoio da Prefeitura Municipal e da Secretaria de Educão de Alagoa Nova e do Colégio Violeta Costa de Souza de Alagoa Nova www.cultive-org.ch

A história da fundação da cidade é cheia de controvérsias. Alagoa Nova surgiu da doação de 9 léguas pertencentes aos índios Bultrins, que em 1717 foram doadas aos portugueses Capitães Francisco Falcão Marçal de Miranda, seu irmão Bartolomeu Francisco de Miranda e Simão Ferreira Constantino. O municipio originou-se de uma sesmaria concedida pelo Governador Francisco Xavier de Miranda em fevereiro de 1763 ao Alferes José de Abreu Tranca, que residia na comarca de Pombal. As terras concedidas localizavam-se no Olho D»Água da Prata até o limite da Aldeia Velha. Sabe-se que Alagoa Nova era um povoado que no começo do século XIX pertencia ao território da Vila Nova da Rainha, atual Campina Grande. A formação da cidade começou de um aglomerado de casas, nas proximidades de uma lagoa

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conhecida como Lagoa dos Patricios, hoje denominado Parque da Lagoa Manoel Pereira. Desmembrou-se definitivamente de Campina Grande em 1.904. Em 1938 teve seu nome substituído por Laranjeiras. Em 1943 o decreto 520 de 30 de dezembro restituiu a antiga denominação «Alagoa Nova». Em 1850, Alagoa Nova foi elevada a Vila, em 05 de setembro pela lei provincial nº 10 . Através da lei nº 215 de 10 de setembro de 1904 desmembrou-se definitivamente de Campina Grande, mas a comemoração da emancipação política ainda hoje é celebrada no dia 05 de setembro, data da criação da Vila. Alagoa Nova é uma cidade com muitas atividades culturais, atividades orgaizadas pelos moradores e pela prefeitura municipal. Há anualmente eventos culturais patrocinados pela secretaria de Ação Social (secretaria Norma Sueli), festa junina, exposições de trabalhos artesanais, semana da literatura, além de incentivarem a cultura com o programa Mais Educação( arte,reforço escolar, música e dança), Pro jovem incentivando os jovens à prática do esporte. A FECCAN uma iniciativa da Cultive, sob a presidencia de Valquiria Imperiano, será realizada em Alagoa Nova, no estado da Paraiba em agosto de 2018. O Festival Cultural Cultive levará atividades artísticas, literárias que fará movimentar a população ávida de conhecimento e informações.

no realiza a 1a FECCAN com o apoio da Prefeitura Municipal de Alagoa Nova, da secretaria de Educação e da bibliotecaria Laura Imperiano. Participantes, colabores, organizadores, apoiadores e o público farão o sucesso da FECCAN.

ORGANIZADORES DA FECCAN

VALQUIRIA IMPERIANO Escritora, artista plástica, presidente do International Club Cultive - Association Art Littératura et solidarité Idealizadora e diretora da FECCAN

LUCIANA IMPERIANO Designer da Cultive - responsável do designer do evento.

LAURA IMPERIANO Bibliotecária e coordenadora da Cultive e da FECCAN em Alagoa Nova

O programa inclui, além de palestras, inauguração da biblioteca pública, worshops, exposição de livros, represtação e contação de histórias, lançamento de livros, show, exposição de arte, pate papo com os escritores. Escritores, artistas e academias de todo o país e da Europa estarão presentes nesse evento que abrirá as portas para outros no futuro.

LUIS CARLOS Diretor do Colégio Violeta da Costa, professor na Universidade Estadual da Paraíba, coordenador da FECCAN em Alagoa Nova

A presidente da CULTIVE, Valquiria Imperia40 | CULTIVE

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Apoio

CONFERENCISTAS FECCAN ALEXANDRE SANTOS

JOSé AQUINO DE UCHOA - PREFEITO DE ALOGA NOVA

Engenheiro Presidente UBE -PE Escritor Idealizador da Flip

Damião Ramos Cavalcanti Escritor, presidente da Academia Paraibana de Letras

DUVANIL NERIS COSTA - SECRTARIA DA EDUCAçÃO

Maria Delboni escritora, professora, escreveu a nova Gramática

Rita Guedes Escritora professora aposentada

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Luis Dos Santos historiador, diretor do Colégio Violeta da Costa

Valquiria Imperiano escritora, artista plástica, professora presidente da Cultive

Joana vieira professora de língua portuguesa, escritora

Tereza Penna artista plástica e poeta

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Anilda Ferreira cordelista

Arlinda Lamego escritora. médica

Festival Cultural de Alagoa Nova programação

Damião Cavalcanti Wills Leal Valquiria Imperiano

Salão do livro Avilma escritor

Socorro Cavalcanti professora escritora vice presidente da Alace

Exposição de Arte lançamento de livros Mesa Redonda palestrantes: Alexandre Santos Bruno Gaudêncio

01 - Seligkeit; D433 - Franz Schubert 02 - Du Bist de Ruh; D776 - Franz Schubert 03 - Uirapuru - Waldemar Henrique 04 - Cantares - Ronaldo Miranda 05 - Ave Maria - Guilio Caccini 06 -O Mio Babbino Caro -Giuseppe Verdi

Victoria Valente romancista

Recital Lírico Cassia Cassitas romancista

Claude Bloc professora escritora

Presença da Cantora Soprano KEZYA MARQUES programa:

*Recital de Abertura:* 44 | CULTIVE

atividades contação de história recital poético Oficina Premiação Jantar de Gala Cordel

*Recital de Encerramento:* 01 - An Die Musik: D547 - Franz Schubert 02 - Auf Dem Wasser zu Singen; D774 Franz Schubert 03 - Fiz da Vida uma Canção - Waldemar Henrique 04 - Ouve o Silêncio - Claudio Santoro 05 - Porgi Amor - Amadeus Mozart 06 - L’amour est un Oiseau Rebelle (Habarena) - Georges Bizet C CULTIVE | 45


ALAGOA NOVA NA PARAÍBA BERÇO DE SETE IMORTAIS Grandes nomes da literatura brasileira sairam de uma terra à 43 km de Campina Grande e 160 km João Pessoa. Alagoa Nova uma cidade tem uma população de 19.681 habitantes de acordo com o último censo. Sua densidade demográfica é de 160.98 habitantes por kilometro quadrado. A região era primitivamente habitada pelos índios bultrins, da nação cariri. Foi fundado um aldeamento, a Aldeia Velha, posteriormente chamado de Bultrin. Com a promulgação do Diretório dos Índios, em 1760 as terras indígenas do aldeamento extinto foram invadidas por fazendeiros, gerando uma conflito com os indígenas, que resistiram à invasão. Os índios foram vencidos. Muitos foram escravizados. Remanescentes destes indígenas foram viver na missão do Pilar. Os portugueses estabeleceram então fazendas na região, que foram os núcleos de novos povoados. A miscigenação se fez e a população cresceu. A origem não faz o homem, não lhe forma a sensibilidade, nem a inteligência. Alagoa Nova orgulha-se de ser o berço de sete personalidades marcantes e de grande inteligência que elevaram o nome da cidade e foram imortalizados na Academia Paraibana de Letras,

Imortais de Alagoa Nova Luiza Gonzaga Rodrigues Wills Leal Manuel Tavares Cavalcanti Analice de Caldas Barros José Leal Ramos Carlos Augusto Romero Eudes Barros

Luiz Gonzaga Rodrigues

Nascido em 21 de junho de 1933, em Alagoa Nova, Luiz Gonzaga Rodrigues dedica cerca de 50 anos à prática diária do jornalismo. Ele já passou pelos principais jornais da Paraíba e exerceu diversas funções dentro das redações. Ele deleita os paraibanos com suas crônicas desde 1970, sendo que milita na imprensa há 58 anos, onde iniciou suas atividades como revisor. Fez seus primeiros estudos em Campina Grande. Não terminou o antigo ensino ginasial, mas se fez letrado com muito leitura. Como ele próprio diz: «Ler era o que eu gostava de fazer. Li muito a partir dos 15 anos: todos os principais clássicos brasileiros. Foi o que me deu toda essa visão que eu tenho. Os livros foram a minha universidade.» Em sua carreira de escritor, o paraibano escreveu vários livros. Além de ter ocupado os mais importantes cargos em jornais paraibanos, o autodidata Gonzaga Rodrigues é um proeminente jornalista de todos os tempos na Paraíba e membro da Academia Paraibana de Letras. Numa militância diuturna desde 1951, mudou as concepções do jornalismo do Estado que, diante da fecunda percepção deste extraordinário profissional, se enquadrou nas novas diretrizes impostas pela contemporaneidade.» Luís Gonzaga Rodrigues é uma legenda no jornalismo paraibano. E isso foi lembrado por todos os que o saudaram na bela solenidade de outorga do título de Doutor Honoris Causa da UFPB -Retrato de Vida Nesse livro, que foi lançado na Academia Paraibana de Letras, o escritor Gonzaga Rodrigues faz uma homenageia seu pai. A obra também reúne algumas crônicas que foram escritas em diferentes períodos de sua carreira. -Café Alvear A obra, escrita em 2003, relembra as conversas políticas e culturais das décadas de 60 a 70, no Ponto dos Cem Réis, no Centro de João Pessoa. No local, era de costume os pessoenses dedicarem tempo aos assuntos que dominavam o cenário político da época.

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Wills Leal

Wills Leal ;Nasceu no dia 18 de setembro de 1936, em Alagoa Nova, Paraíba. Filho do senhor Antonio Leal Ramos e de D. Ana Meira Leal Ramos (D. Nenên). Aprendeu as primeiras letras em casa, com o seu pai, prosseguindo no Grupo Escolar Estadual de Alagoa Nova, onde concluiu o curso primário. Vindo à capital do estado a fim de complementar os estudos, matriculou-se no Lyceu Paraibano e em seguida, na Academia de Comércio Epitácio Pessoa. Mais tarde graduou-se em Filosofia, na Faculdade de Filosofia de João Pessoa, FAFI e, posteriormente, bacharelou-se em Línguas Neolatinas, na UFPB, especializando-se em Língua e Literatura Francesa. Wills Leal é poliglota, professor, escritor e jornalista. Incentivado pelo tio, José Leal Ramos, considerado o Decano da Imprensa Paraibana, ingressou na imprensa, iniciando a carreira como revisor do Jornal O Norte, ascendendo neste mesmo jornal, a condição de colunista e articulista, mantendo atualmente uma página dedicada ao turismo, atuando nesta área como presidente da Associação Brasileira de Jornalista e Escritores de Turismo (ABRAJET) Professor aposentado do Estado, já tendo lecionado Língua e Literatura Francesa no Conservatório Antenor Navarro e na Escola de Formação de Professores. Nestas últimas duas décadas, desenvolveu atividades relacionadas ao turismo, exercendo o cargo de Diretor de Eventos e Operações, junto a Empresa Paraibana de Turismo – EMPETUR. Sempre ligado às atividades jornalísticas e de turismo, teve a oportunidade de viajar muito, conhecendo quase todos os países do mundo. Du e até no exterior. rante três anos foi promotor, na Paraíba, do Concurso Miss Paraíba, com reconhecimento nacional. Nos anos sessenta, liderou um grupo de amigos, fundando o Clube dos Solteiros, instalado na Boate Maravilha, na praia de tambaú, sendo hoje, conhecido como “o último dos solteiros” daquele grupo. Atuou na imprensa como crítico cinematográfico, divulgando os seus trabal48 | CULTIVE

Manuel Tavares Cavalcanti

hos nos jornais da cidade, em revistas especializadas. Ingressou na Academia Paraibana de Letras, em 29 de maio de 1992, recepcionado pelo acadêmico José Octávio de Arruda Mello. BIBLIOGRAFIA RABALHOS PUBLICADOS: Nordeste no Cinema; Cinema e Província; Aventura do Amor Atonal; Verbo e Imagem; Discursos cinematográficos dos paraibanos, João Pessoa: A União, 1992; Memorial da Festa das Neves, João Pessoa: JB, 1995; No tempo do lança-perfume, João Pessoa: A União, 1996; A saga de um grande clube, João Pessoa, JB, 1997; Iate nos seus 25 anos, João Pessoa, JB, 1997; Era feliz e não sabia, João Pessoa: Arpoador, 2000; O real e virtual no turismo da Paraíba, João Pessoa: A União, 2001

dep. fed. PB 1909-1911 e 1921-1929. Manuel Tavares Cavalcanti nasceu na cidade de Alagoa Nova (PB) no dia 16 de agosto de 1881, filho de João Tavares de Melo Cavalcanti e de Maria das Neves Pereira de Araújo Tavares Cavalcanti. Formou-se na Faculdade de Direito do Recife em dezembro de 1901 e passou a advogar em seu estado natal. Em 1904 foi nomeado professor da Escola Normal da Paraíba e do Liceu Paraibano e, em 1906, delegado fiscal do governo junto ao Colégio Diocesano. Em 1907 foi eleito deputado estadual na Paraíba e, em 1909, deputado federal. Ocupou uma cadeira na Câmara dos Deputados, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, até o ano de 1911 e durante esse mandato fez parte da Comissão de Instrução Pública. No governo de Francisco Camilo de Holanda na Paraíba (1916-1920), foi nomeado chefe de polícia do estado. Em 1921 voltou a ser eleito deputado federal. Foi reeleito nos pleitos de 1924 e 1927, exercendo o mandato até dezembro de 1929. Em 1930 concorreu a uma vaga no Senado Federal na chapa da Aliança Liberal, que tinha como candidato a presidente da República o gaúcho Getúlio Vargas e a vice o presidente da Paraíba João Pessoa, seu aliado político. Apesar de eleito, não tomou posse, pois não teve seu diploma reconhecido pela Comissão de Verificação de Poderes. Em seu lugar, foi diplomado José Gaudêncio de Queiroz. Foi também diretor de Instrução Pública e chefe de polícia na Paraíba, sócio fundador do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano e membro Academia Paraibana de Letras. No Rio de Janeiro, exerceu os cargos de escrivão do juízo de menores, primeiro inventariante judicial e professor de direito romano na Universidade Católica. Como jornalista, colaborou nos periódicos A União, A Notícia, O Combate, O Norte e Revista Era Nova, todos da Paraíba, e ainda na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 1º de abril de 1950.

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vistas da APL; Todos os seus trabalhos encontram-se na Biblioteca da Academia Paraibana de Letras.

Carlos Augusto Romero Carlos Augusto Romero. nasceu na cidade de Alagoa Nova, Estado da Paraíba, em 10 de junho de 1924; filho de José Augusto Romero e D. Pia de Luna Freire; Casado em primeiras núpcias com a senhora Carmem Coeli e em segundas núpcias com Alaurinda Padilha. Do primeiro matrimônio nasceram os filhos Carlos Augusto Romero,professor de Física da Universidade Federal da Paraíba e Germano Gouveia Romero, arquiteto e professor de música. Com quatro anos de idade, Carlos Romero veio morar na capital paraibana, iniciando seus estudos de humanidades no tradicional Lyceu ParaibanoConvocado pelo Exército, em 1942, durante a 2ª Guerra Mundial, esteve na iminência de seguir para os campos de batalha na Itália; em conseqüência, viu-se compelido a suspender os estudos, só retornando à vida normal a partir de 1945. Retomou os estudos, graduando-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal de Alagoas, posteriormente, fez curso de Especialização, na UFPB em vários ramos de Direito. Possui, ainda, os cursos de Especialização em Relações Públicas e Curso sobre Segurança Nacional em Desenvolvimento, da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG). Através de concurso público, foi nomeado Juiz de Direito, tendo exercido, anteriormente, o cargo de Juiz Substituto da Comarca de Santa Rita e Promotor Público da Comarca de Areia; também, por concurso público, ingressou no Magistério Superior, na UFPB Pertenceu à Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra; foi membro do Conselho Estadual de Cultura; exerceu a Subchefia da Casa Civil do Governador Pedro Gondim, tendo, na oportunidade, coordenado as comemorações alusivas ao centenário de nascimento do Presidente Epitácio Pessoa; pertenceu à Sociedade de Cultura Musical, tendo sido um dos fundadores da Orquestra Sinfônica da Paraíba; manteve programas de música erudita na Rádio Tabajara, da qual foi presidente e, por vários anos, crítico musical. É membro da OAB-PB. Ingressou no jornalismo, escrevendo no tradicional Jornal A UNIÃO, desde o ano de 1945; por algum tempo dirigiu o Correio das Artes, suplemento semanal deste jornal, onde escreve diariamente uma coluna intitulada Notas do entardecer e, às segundas-feiras, escreve uma página literária denominada Letras. Seu gênero predileto é a crônica BIBLIOGRAFIA Seu primeiro livro publicado foi A dança do tempo, que é uma coletânea de crônicas que trata do cotidiano da vida familiar, tendo a sua primeira esposa, Carmem, a sua inspiração maior. Esse livro teve larga repercussão e foi assunto de tese na Universidade Federal de Campina Grande, o professor José Mário da Silva, orientador da tese e PHD em Letras, fez um honroso elogio num ensaio intitulado O olhar mágico do pássaro mar, que foi publicado no Jornal a UNIÃO, em setembro de 2001. A outra face de Beethoven; O milagre de Anchieta; A falência e sua evolução no Direito Brasileiro; O papa e a mulher nua; Um médico entre dois mundos (Discurso de posse na APL); Discurso de recepção à acadêmica Mariana Soares, na APL; entre outros. Escreveu uma peça teatral O bom assaltante elogiada pelo teatrólogo Raimundo Nonato Batist; Colaborador nas Re50 | CULTIVE

Sim, estou me referindo ao meu irmão e quase pai, Eudes Barros. Irmão mais velho do primeiro matrimônio, pois minha mãe casou-se duas vezes. Somos filhos de Alagoa Nova, cidade que Eudes qualificou com muita razão de “sítio público de mangueiras” Mas vamos ao poeta, ao historiador, ao jornalista, ao escritor. Deixou dois livros de poemas, ”Fontes e Paús” e “Cânticos da Terra Jovem”. Ainda criança, numa manhã de inverno, ele viu um pingo d’água caindo de uma planta e gritou chamando a mãe. Quando esta chegou, ele foi logo dizendo, no seu entusiasmo de 4 anos: “olhe uma lágrima do céu caindo daquela árvore”. Era a sua primeira manifestação lírica. A mãe não quis acreditar no que via. E eis que sai seu primeiro livro de poesia para surpresa de muitos. Mas depois, o poeta já maduro, publica “Cânticos da Terra Jovem”, em que se encontra o poema que se tornou famoso a ponto de ser declamado na BBC de Londres. Trata-se de “Jesus Brasileiro”. E dizem que Eudes escreveu o famoso poema para amenizar a ira do Arcebispo Dom Adauto, que não gostou de um artigo em que ele cometera o “pecado” de qualificar a santa comunhão de “antropofagia mística”. Eudes foi jornalista a vida toda. Jornalista polêmico. Fundou um jornal denominado “A Rua”, que ficava na Rua Duque de Caxias. O jornal era quase todo feito por ele. Não usava a máquina de escrever, mas a pena. Não chegou a conhecer o computador... E foi neste jornal que ele escreveu por muito tempo. Temperamento polêmico, o que fez arranjar alguns inimigos, Eudes também foi um grande lírico. E n’A União, ele manteve, por muito tempo uma coluna que assinava com o pseudômino “Til”. Causaram sucesso os seus livros de história, inclusive o romance “Dezessete” e Eles sonharam com a liberdade. Eudes Barros é hoje patrono de uma cadeira no nosso Instituto Histórico, Ele foi um solteirão inveterado. Mas, um dia, pensou em pedir a mão de uma moça da sociedade. E meu pai, homem sério, meio constrangido, foi ser o intermediário desse pedido. O noivado não durou um mês... E terminou a vida solteiro. Seu ídolo foi o jornalista Carlos Lacerda. Ambos se correspondiam. Manteve ligeira polêmica com o historiador e imortal da nossa Academia, José Octávio, cujo tema era o marxismo. Parece que este levou a melhor. Eudes Barros viveu o resto de sua vida no Rio de Janeiro. Era colaborador efetivo do nosso Instituto Histórico. Certa vez, chegou para mim, e disse: “vou levar você ao Recife. Você precisa conhecer uma uma grande metrópole”. Eu era menino ainda. Fui, e fiquei encantado com a cidade, principalmente com os seus bondes. Mas voltando ao seu “Jesus Brasileiro”, trata-se um poema que mereceria estar nas nossas escolas primarias. Um poema que termina dizendo que “Jesus, aqui, não morreu numa cruz de madeira, e sim numa cruz de estrelas”.

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BARROS Analice de Caldas – (* 30.11.1891, Alagoa Nova-PB – + 15.02.1945, Lagoa Seca-MG). Filha de Manoel Paulino Correia de Barros e Ana Salvina de Caldas Barros. Inteligente, logo cedo se destacou no aprendizado das primeiras letras. Concluído o curso primário, transferiu-se para João Pessoa em busca de melhores trunfos, onde se matriculou na Escola Normal Oficial do Estado, recebendo o diploma de professora em 1911, aos 20 anos de idade. Sua primeira função pública foi como professora de primeiras letras na fazenda experimental de Espírito Santo. Contudo, sua maior paixão foi o ensino profissional onde, em 1923, aos 32 anos de idade, é aprovada em concur52 | CULTIVE

so de âmbito nacional, a nível federal, para a cadeira de Português, nível médio, no então Liceu Industrial, antiga Escola de Aprendizes Artífices. Analice Caldas também lecionou em outras escolas, deu aulas na Academia de Comercio Epitácio Pessoa entre os anos de 1930 e 1940, ensinando taquigrafia, entre outras disciplinas, por pouco tempo, também exerceu a função de taquigrafa na Assembléia Legislativa. Como professora, fez parte da primeira diretoria da sociedade dos professores primários. Em 1930, participou ativamente das manifestações em prol da Aliança Liberal, idealizando a chamada Campanha dos Mil Reis Liberal, onde todos os paraibanos eram conclamados a ajudar o Governo do Estado para adquirir munição destinada a sustentar a luta de Princesa. Analice Caldas também não se deixou prender-se somente ao magistério, indo buscar na literatura outros pendores para seu espírito. Cultora das letras colaborou em revista e jornais de nossa cidade, numa linguagem sutil e interessante. No ano de 1921, iniciou a colaboração nas edições iniciais de O Educador, órgão de divulgação dos professores primários; em 1922, em O Progresso, de Alagoa Nova, ao lado de Eudes Barros e João Guimarães, editado por comemoração ao centenário da Independência e em Paraíba Agrícola, fundado por Diógenes Caldas. No ano de 1923, escrevia para a revista Era Nova onde tinha uma coluna chamada “Álbum de Mlle”, continha depoimentos de personalidades dos meios culturais, artísticos, políticos e sociais do Estado. Nessa mesma época, Analice participou da Folha, publicada em Alagoa Nova, onde divulgou as idéias feministas ao lado de Marieta Bezerra, Flaviana Costa, Elisa Cunha, e Jane Ribeiro. Ainda como jornalista, colaborou em jornais e revistas da Paraíba e de outros Estados, a exemplo das revistas, Ilustração, Flor de Liz, com artigos e poesias e nos jornais A União e A Imprensa, onde a Associação Paraibana pelo Progresso Feminino manteve a “Página Feminina” até 1939, uma coluna quinzenal de divulgação das idéias da APPF. Além desses, colaborou nos jornais O Jornal do Comercio e no Aprendiz, órgão de publicação oficial da Escola Industrial de João Pessoa.

Em 1933, juntou-se ao grupo idealista juntamente com Albertina Correia Lima, Lylia Guedes entre outras e fundam a Associação Paraibana Pelo Progresso Feminino que exerce uma incontestável liderança em prol da emancipação da mulher. Em 1936 foi admitida como sócia efetiva do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP). Proferia freqüentemente palestras em associações culturais e clubes de serviço, como o Rotary Club da Paraíba, o IHGP. Sabemos que ela deixou pelo menos um estudo inédito, impedida de publicar em virtude do trágico acidente que lhe tirou a vida, quando voltava do Rio de Janeiro. Nessa viagem, trazia consigo os originais desse livro que tencionava editar sobre a genealogia de sua família, cujas pesquisas haviam sido realizadas no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro. Na verdade, ela buscava novos dados para ultimar uma pesquisa sobre a sua terra natal, intitulado Apontamentos para a História da antiga vila de Alagoa Nova. Trabalho esse, apresentado por duas horas em forma de conferência no instituto Histórico e Geográfico, em 9 de julho de 1939, na posse da advogada Lylia Guedes. Ao falecer em 1945, aos 54 anos de idade, Analice ainda fazia parte do quadro de professores dessa Escola Industrial, deixando um legado de mais trinta anos de experiência como educadora. Boa parte desse tempo foi dedicado ao ensino profissional, numa demonstração de que não se cansava em exercer a profissão que lhe elevou o espírito e a projetou no seio da sociedade letrada de sua época. Sua memória é lembrada, em projeto de lei que de 1948, apresentado pelo vereador Mário Antônio da Gama e Melo, denominado Profa Analice Caldas, a uma das ruas da cidade de João Pessoa. Na homenagem de sua cidade natal, seu nome foi dado a Biblioteca Municipal, poucos depois de sua morte. Na capital, é lembrada no frontispício de um grupo escolar, homenagem da Secretaria Educação, na época que seu primo, o Cônego Eurivaldo Tavares Caldas, era secretário de educação de João Pessoa. C CULTIVE | 53


José Leal Ramos

(São João do Cariri, 16 de julho de 1891 - João Pessoa, 25 de outubro de 1976), foi um dos mais destacados jornalistas paraibanos do século passado, que durante mais de sessenta anos fez da impressa sua tribuna, onde opinou sobre os mais diversos assuntos, cabendo-lhe em função de seus méritos, o título de «Patriarca da Imprensa Paraibana». Além de jornalista, destacou-se como escritor, historiador e genealogista, publicando obras que enriqueceram a historgrafia paraibana. Biografia[editar | editar código-fonte] José Leal nasceu na fazenda Ponta da Serra, no município de São João do Cariri. Era filho de Antônio Claudino dos Santos Leal e de Inácia Leal Ramos, tinha dois irmãos Ana e Antônio Leal Ramos. Descendia de dois troncos genealógicos: os Santos Leal, da cidade de Areia; e os Costa Ramos, de São João do Cariri famílias que estão pontilhadas de ilustres personalidades paraibanas. Sua infância decorreu entre o campo e a cidade. Na fazenda Ponta da Serra, que pertencia a seu bisavô o Major Domingos da Costa Ramos, José Leal viveu sua meninice cujas peripécias e lembranças são contadas em seu livro «Reencontro da Vida». José Leal aprendeu a ler sozinho, estando por si só já alfabetizado quando frequentou o curso primário. Seu primeiro emprego foi como auxiliar de serviços da arrecadação de impostos na mesa de rendas da cidade de Lagoa Grande. Desde cedo, ainda adolescente, já editava jornais manuscritos, na sua cidade natal. Publicou o primeiro trabalho na imprensa da Capital em 1915, uma crítica ao prefeito de Alagoa Grande, obtendo boa recepção entre os prefeitos da região e, a partir daí, não lhe faltou mais convites para escrever em jornais. Em 1927, já era correspondente, em Alagoa Nova, dos jornais ‘A União’, de João 54 | CULTIVE

Pessoa, e A Noite, do Rio de Janeiro; em 1930, atuou nos jornais O Liberal e o Jornal do Norte, sob a direção de Café Filho; ainda em Alagoa Nova, fundou o semanário O Momento. Veio para a capital do Estado para integrar a equipe de A União como redator, e logo ascendeu ao posto de Secretário, substituindo, mais tarde, Samuel Duarte na direção do órgão, em 1932. Em 1934, passou a dirigir O Norte, jornal que não resistiu à chegada do Estado Novo. Em João Pessoa, além de escrever nos jornais A União e O Norte, ainda fundou o quinzenário Ilustração e Gazeta do Povo, este em parceria com o escritor Ascendino Leite, e a Revista Gong, todos com duração efêmera; colaborava em todos os jornais do Estado, ora como redator, articulista ou editorialista. Escreveu no Correio da Manhã, A Imprensa e Tribuna do Povo. Recebeu os títulos honoríficos de Cidadão Benemérito de João Pessoa, concedido pela Câmara Municipal de João Pessoa, e de Cidadão Benemérito da Paraíba, concedido pela Assembleia Legislativa. Homem simples, bem humorado, sem apego a riquezas materias, avesso a futilidades, adepto ao Regime Político Democrático e do Sistema Parlamentarista, amante do jornalismo e da literatura, defensor intransigente da liberdade de impressa e dos Direitos Humanos, era suas principais características. Durante algum tempo teve militância política, e nesse período foi fundador e presidente do Partido Socialista Brasileiro, na Paraíba, fundador ao lado do ministro José Américo de Almeida do Partido Libertador, na Paraíba. Fundador também da primeira escola e da primeira biblioteca pública de São João do Cariri, foi sócio fundador da Associação Paraibana e do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica, era sócio benemérito do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários da Paraíba; sócio correspondente do Colóquio Cultural Luso-Asiático Goa-Índia; e sócio da Legião Brasileira de Ex-Combatentes e do Círculo Folclórico Luso-Brasileiro (Rio), além de ter sido membro do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba.

Eu d e s Barros

Irmão mais velho do primeiro matrimônio. Filho de Alagoa Nova, cidade que Eudes qualificou com muita razão de “sítio público de mangueiras”. O poeta, o historiador, o jornalista, o escritor deixou dois livros de poemas, ”Fontes e Paús” e “Cânticos da Terra Jovem”. Ainda criança, numa manhã de inverno, ele viu um pingo d'água caindo de uma planta e gritou chamando a mãe. Quando esta chegou, ele foi logo dizendo, no seu entusiasmo de 4 anos: “olhe uma lágrima do céu caindo daquela árvore”. Era a sua primeira manifestação lírica. O poeta já maduro, publica “Cânticos da Terra Jovem”, em que se encontra o poema que se tornou famoso a ponto de ser declamado na BBC de Londres. Trata-se de “Jesus Brasileiro”. E dizem que Eudes escreveu o famoso poema para amenizar a ira do Arcebispo Dom Adauto, que não gostou de um artigo em que ele cometera o “pecado” de qualificar a santa comunhão de “antropofagia mística”. Eudes foi um jornalista polêmico. Fundou um jornal denominado “A Rua”, que ficava na Rua Duque de Caxias. O jornal era quase todo feito

por ele. Não usava a máquina de escrever, mas a pena. Não chegou a conhecer o computador... Foi neste jornal que ele escreveu por muito tempo. Temperamento polêmico, o que fez arranjar alguns inimigos, Eudes também foi um grande lírico. E n'A União, ele manteve, por muito tempo uma coluna que assinava com o pseudômino “Til”. Causaram sucesso os seus livros de história, inclusive o romance “Dezessete” e Eles sonharam com a liberdade. Eudes Barros é hoje patrono de uma cadeira no nosso Instituto Histórico, Ele foi um solteirão inveterado. Mas, um dia, pensou em pedir a mão de uma moça da sociedade.. O noivado não durou um mês... E terminou a vida solteiro. Seu ídolo foi o jornalista Carlos Lacerda. Ambos se correspondiam. Manteve ligeira polêmica com o historiador e imortal da nossa Academia, José Octávio, cujo tema era o marxismo. Parece que este levou a melhor. Eudes Barros viveu o resto de sua vida no Rio de Janeiro. C CULTIVE | 55


O candidato a associado efetivo ou membro da academia deverá requerer inscrição ao Presidente da Academia, curriculum vitae; relação de obras e trabalhos artísticos, culturais e científicos produzidos. Concluído o prazo para inscrições e organizados os processos a elas correspondentes, o Conselho Diretor deferirá ou denegará cada inscrição

Maria Mercedes Ribeiro Pessoa Cavalcanti -08 Osvaldo Trigueiro do Valle - 05 Otávio Augusto Sitônio Pinto - 30 Severino Ramalho Leite - 07 Sérgio Martinho Aquino de Castro Pinto - 39 Wills Leal - 32

presidente da APL ACADEMIA PARAIBANA DE LETRAS Sobre a PL

Imortais da APL Aberlado Jurema Filho - 12 Alexandre Costa de Luna Freire - 16 Ângela Bezerra de Castro - 31 Antonio de Souza Sobrinho - 26 Astenio Cesar Fernandes - 25 Carlos Antônio Aranha de Macedo - 29 Carlos Augusto Romero - 27 Damião Ramos Cavalcanti - 33 Eilzo Nogueira Matos - 03 Elizabeth Figueiredo Agra Marinheiro - 20 Evaldo Gonçalves de Queiroz - 24 Flávio Roberto Tavares de Melo - 14 Flávio Sátiro Fernandes - 21 Francisco de Sales Gaudêncio - 18 Francisco Pereira da Silva Júnior - 15 Guilherme Gomes da Silveira d’ Ávila Lins -19 Hildeberto Barbosa Filho - 06 Humberto Cavalcanti Mello - 34 Itapuan Bôtto Targino - 36 Jomar Morais Souto - 22 José Jackson de Carneiro Carvalho - 11 José Loureiro Lopes - 04 José Mário da Silva Branco - 35 José Neumanne Pinto- 01 José Octávio de Arruda Mello - 10 Juarez Farias (Antonio) - 26 Luiz Gonzaga Rodrigues - 37 Luiz Nunes Alves - 38 Manuel Batista de Medeiros - 09 Marcos Augusto Trindade - 28 Marcos Cavalcanti de Albuquerque - 17 Maria das Graças Madruga Paiva Santiago 13 Maria de Fátima Moraes Bezerra Cavalcanti23 Maria do Socorro Silva de Aragão- 02 56 | CULTIVE

Damião Ramos Cavalcanti

PERFIL

O FESTIVAL CULTURAL CULTIVE CHEGA EM JOÃO PESSOA João Pessoa é a 2a cidade por onde a FECC vai passar. Nos dias 27, 28 e 29 de agosto a caravana da FECC fará lançamentos de livros, recital poético, palestras e passeio. O grupo de escritores será recebido na Academia Paraibana de Letras sob a presidencia de Damião Ramos Cavalcanti.

Damião Ramos Cavalcanti, nascido na cidade de Pilar - PB, terra do escritor e romancista José Lins do Rego. Passou parte da sua infância em Itabaiana, quando, com seus 11 anos, foi estudar na cidade de João Pessoa, onde reside até hoje é cidadão itabaianense, título outorgado pela Câmara Municipal daquela cidade. Em 1966, viajou à Itália, onde, em Roma, realizou seus estudos de graduação e pós-graduação em Filosofia; em Paris, posgraduou-se em Sociologia da Educação pela Sorbonne, de 1978 a 1983. Professor da Universidade Federal da Paraíba, desde 1973, onde prestou uma larga folha de serviço como docente e dirigente. Participou da criação da UEPB em Guarabira, da UNIPÊ e da FESP em João Pessoa. Hoje, dedica-se a escrever seus livros, como membro da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB; da Academia Paraibana de Letras - APL, da qual é seu atual Presidente; da União Brasileira de Escritores – UBE; da Academia Paraibana de Cinema - APC; da Associação Paraibana de Imprensa - API e da Academia Paraibana de Filosofia - APF e atual Presidente da Fundação Casa de José Américo - FCJA. É advogado, escritor, poeta e cronista.

Academia Paraibana de Letras ( APL) é uma associação cultural, fundada em 14 de setembro de 1941, com sede e foro na cidade de João Pessoa, Capital do Estado da Paraíba. A ACADEMIA compreende 40 (quarenta) cadeiras permanentes. Inicialmente, a APL contou com 11 cadeiras, depois aumentado para 30. Em 1959, com a reforma dos estatutos criaram-se mais 10, fixando-se, oficialmente, em 40. Os patronos foram escolhidos, entre os nomes mais representativos das nossa intelectualidade. São eles: Augusto dos Anjos, Arruda

Câmara, Albino Meira, Adolpho Cirne, Alcides Bezerra, Aristides Lobo, Arthur Achiles, Afonso Campos, Antonio Gomes, Cardoso Vieira, Cordeiro Sênior, Coelho Lisboa, Diogo Velho, Eliseu Cézar, Eugênio Toscano, Francisco Antônio Carneiro da Cunha, Gama e Melo, Irineu Joffily, Irineu Pinto, Joaquim da Silva, Maximiano Machado, Maciel Pinheiro, Neves Júnior, Pedro Américo, Perillo Doliveira, Pe. Inácio Rolim, Pe. Azevedo, Pe. Lindolfo Correia, Rodrigues de Carvalho, Santos Estanislau, Epitácio Pessoa, Carlos Dias Fernandes, Castro Pinto, Pereira da Silva, Raul Machado, Tavares Cavalcanti, Allyrio Wanderley, Américo Falcão, José Lins do Rego, Mello Leitão

Entre o trigésimo e o sexagésimo dias seguintes à morte de um MEMBRO DA ACADEMIA, o Presidente da entidade, mediante edital, declarará a vaga, e abrirá, pelo prazo de sessenta dias, as inscrições para a sucessão. C CULTIVE | 57


A Caravana Cultural Cultive

fará passagem nos dias 01,02,03 de setembro. Sob a curadoria de Claude Bloc e com o apoio do ICC ( Instituto Cultural do Cariri) que estará recepcionando a caravana. Um grande programa envolvendo os autores e as artes qiue visitarão a cidade. Além do ICC contamos também com o apoio da URCA ( universidade regional CAririToda a organização dos 3 dias de conferência. O evento Cultive no Crato está sendo coordenado por Claude Bloc ( coordenadora da Comissão de Interatividade Cultural do ICC), Membro do Rotary International e representante da Cultive no Crato.

A caravana Cultive continua seu trabalho de divulgação da arte e da Literatura Brasileira pelo Nordeste, após João Pessoa segue para o Rio Grande do Norte. A representante da Cultive em Natal, Tereza Custódio, está organizando nossa passagem em Natal nos dias 30 e 31 de agosto.

O Instituto O evento acontece no IFRN ( Instituto Federal do Rio Grande do Norte). Presença do: jornalista e escritor Antonio Nahur,

Uma programação rica vai marcar o projeto em Natal. No sarau autores vindo do Ceará , Manaus . Minas Gerais, Genebra, Paraíba.

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presidente da Academia Norte Rio Grandense de LetrasProfessor Diogenes da Cunha Lima.

O ICC é presidente por Heitor F. Macêdo

Cultural do Cariri - ICC

O ICC, sob a presidencia de Heitor macedo, é uma sociedade civil com sede na cidade do Crato fundada em 4 de outubro de 1953, e tem por finalidade o estudo das Ciências, Letras e Artes em geral e, especialmente da Historia e Geografia Politica do Cariri. O ICC promove varias ações, entre elas destacam-se: o acervo de documentos e registros históricos que tem com a finalidade de conservar e salvaguardar a história local; a publicação de uma revista periódica desde o ano de 1953, a revista Itaytera;nconservação ambiental, tendo como norte o Projeto Sol-

dadinho-do-Araripe, incluindo um centro de visitantes e viveiro de mudas para restauração florestal; e um memorial sobre o cangaço e varias outras ações promovidas pelos seus sócios. Foram criadas 40 cadeiras no instituto, a serem preenchidas, com defesa de trabalho sobre os seus patronos, em solenidades públicas da entidade. São destinadas 20 cadeiras à seção de Letras, 5 à de Ciências, 5 à de folclore e 10 à de Artes.

Apoio Rotary Clube International do Crato apoio à FECCCRA

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O Festival Cultural de Fortaleza acontece do dia 04 ao 06 de setembro. O grupo de Autores segue de Crato para Fortaleza.

relativamente baixas no inverno, embora elevadas no verão, ao contrário de outras áreas do Nordeste.

Sobre o Crato

A escritora Rita Guedes é a representante da Cultive em Fortaleza e quem dirije a logístíca na cidade, com muita garra e disposição, Rita é a mão forte que está correndo atrás do necessário para que a logística sejaperfeita e a quem a Cutlive só tem a agradecer. A bela cidade de Fortaleza nos recebe e contamos com o apoio da Academia Cearense de Letras ( ACL), da Associação de Jornalistas e Escritores do Ceará (AJEB), da Academia de Letras e Artes do Ceará( ALACE).

Esse evento é a continuação do projeto realizado pela Cultive no Nordeste. O projeto reune profissionais da educação, das letras, das artes, da música e da literatura. Debates, conferências, trocas de informação laçamentos de obras. Muita novidade literária será apresentada. Organizando esse evento a Cultive proporciona aos autores e artistas a possibilidade de falarem dos seus trabalhos e apresentarem-se ao público, que por sua vez, terão a oportunidade de conhecerem os autores e suas. Como todos os projetos da Associação Cultive este será mais um sucesso, por que

é um município brasileiro do interior do estado do Ceará. A cidade situa-se no Cariri cearense, conhecido por muitos como o «Oásis do Sertão» pelas características climáticas mais úmidas e favoráveis à agropecuária. Faz divisa com o estado de Pernambuco, constituindo também um entroncamento rodoviário que a interliga ao Piauí, Paraíba e Pernambuco, além da capital do Ceará, Fortaleza. Localiza-se no sopé da Chapada do Araripe no extremo-sul do estado e na Microrregião do Cariri, integrante da Região Metropolitana do Cariri e, em 2016, tinha quase 130 mil habitantes.[6] Por ser localizado no sopé da Chapada do Araripe, suas temperaturas são 60 | CULTIVE

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Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil A AJEB dos muitos louvores.

No período colonial, a mulher era propriedade, assim como os escravos, antes, do pai que arranjava o casamento da filha, como se fosse uma transação comercial. Ao Elianva Alves de Oliveira casar, era propriedade do marido, devendo ser uma boa dona de casa, procriadora e mãe, sendo-lhe dispensável conhecimento e cultura, para que a mesma em nada contestasse a condição de submissão em que vivia. Vivia em uma sociedade paternalista, preconceituosa e discriminatória, mas o mundo se transformou e com ele as relações entre homens e mulheres, a luta por novos caminhos foram alcançados e podemos afirmar que o sexo nada frágil, deve ser parte no mundo, e integrante da sociedade. E assim, aconteceu. Uma das grandes conquistas femininas da história do Brasil é o direito de votar, até 1932 era prerrogativa apenas dada aos homens. Destaca-se nessa conquista Carlota Queiroz, a primeira Parlamentar eleita em 1935. Igualmente, a criação da lei do divórcio, representou para muitas mulheres “a liberdade, sua carta de alforria”, passando a ser livre para reescreverem sua história, poder ser senhoras 62 | CULTIVE

de seus destinos. Embora siga enfrentando muitas dificuldades no ingresso ao mundo do trabalho, uma vez que, além da qualificação técnica, ainda pontuam e exigem um padrão de beleza trazida nos anúncios de emprego como “Boa aparência”, é possível vislumbrar avanços na legislação ao criar aportes legais de proteção e incentivo ao trabalho da mulher. Apesar dessa problemática enfrentada pelas mulheres, hoje após uma revolução, embora silenciosa, somos visíveis nas faculdades, em cursos diversos em nível de graduação, especialização, doutorado e pós-doutorado, tem lá, a predominância do sexo feminino, que muitas vezes são maioria, em meio a toda carga de trabalho e deveres, são sempre as mais assíduas, pontuais e disciplinadas para o estudo. Hoje, a mulher é presença no meio universitário, escolhe sua profissão, decide casar ter filhos ou não, candidatar-se ao que desejar. Tudo isso, fruto de um sonho de outrora, a conquista árdua traz bem estar em nosso dia a dia e não há como imaginar um mundo sem as mulheres. É nesse cenário novo, conquistado pelas nobres mulheres brasileiras, apaixonadas pela literatura que traçamos a trajetória institucional no diálogo da palavra que ocorre em diversas esferas e momentos Brasil a fora que surge a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil - AJEB. Partindo do percurso do universo de mulheres na literatura brasileira, traço um ponto menor para encontrar e apresentar uma associação formada por jornalistas e escritoras

que em seus ensaios, romances e poemas, expõem a sensibilidade feminina na “perenidade do pensamento pela palavra”. Falo da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil-AJEB. Instituição que nasceu do desejo de algumas mulheres em proteger nossa língua materna, assim como partilhar experiências literárias sob a inspiração de nossos escritos compilados aqui no Ceará na coletânea, “Policromias” partindo para a X edição. A sua história tem início após a reunião de oito mulheres compondo a primeira diretoria da AJEB, sediada na cidade de Curitiba que trilharam um brilhante mandato sendo elas, sócias fundadoras, presidida por Hellê Vellozo Fernandes, nos idos de 19701974. No decorrer desse mandato, as ajebianas fizeram contatos e visitas aos demais Estados do Brasil, para divulgar e expandir o quadro de novas associadas, fundando diversas filiais. Em 1974, essas filiais foram extintas e em seu lugar vem uma associação brasileira autônoma de jornalistas e escritoras em nosso país. É uma associação sem fins lucrativos, fundada em 08 de abril de 1970. Mantém Coordenadorias em vários estados do Brasil com a mesma finalidade: estimular a união de jornalistas e escritoras de todo o Brasil, cujo lema é: “A perenidade do pensamento pela palavra.» A atual presidente nacional é Maria Odila Menezes de Souza. O Ceará já participou da vida nacional ajebiano, onde duas delas, já presidiram os destinos da instituição: Cândida Maria Santiago Galeno e, Giselda Medeiros. E é nesse convívio irmanado na fraternidade que vimos surgir as melhores ideias, para vivenciar e disseminar a cultura literária cearense e nacional. Certamente, as futuras gerações, herdeiras desse mundo, em muito agradecerá o zelo pela história escrita e rescrita das mulheres. Elinalva

33° Salão do Livro de Genebra do 01 ao 05 de maio de 2019 Lançamento de livros Concurso Literário Anotlogia Cultive Presença de autores Confraternização Venda de livros

inscrições: cultive@bluewin.ch C CULTIVE | 63


Dinorá Couto Cançado: Agente cultural em: literatura; gestão, pesquisa e capacitação;

produção cultural. Autora de vários projetos literários, como a Mostra «50 projetos mapeados em Brasília, capital das leituras». Publicou livros: Revolucionando Bibliotecas, Revelando Autores em Braille e cinco títulos infantis.

Contato: dinoracouto@gmail.com

Bibliotecas Públicas do Distrito Federal recebem o projeto “A arte de ler e criar” Pelo Fundo de Apoio à Cultura, órgão de fomento aos artistas da Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal/Brasil, a agente cultural e escritora Dinorá Couto Cançado desenvolve projetos de incentivo à leituras e, dessa vez, 10 das 26 bibliotecas públicas do DF serão contempladas. Com Maria das Graças Pimentel à frente da gerência das Bibliotecas Públicas, na Secretaria de Cultura, o índice de bibliotecas inovadoras cresce a cada dia, com o número de frequentadores aumentando significativamente e atividades culturais que atraem a comunidade. São 26 bibliotecas, situadas em quase todas as regiões administrativas do DF. Quase todas ministraram curso de auxiliar de bibliotecas com atendimento semanal à toda a comunidade, destacando-se no público atendido nessas bibliotecas os estudantes que se preparam para o vestibular e concursos públicos. A Biblioteca Pública de Águas Claras, inaugurada em 2009, teve uma frequência de, aproximadamente, 8.000 usuários, em 2017. A Biblioteca Pública do Itapoã, 64 | CULTIVE

inaugurada em 2010, destaca-se pelo espaço infantil e atividades culturais envolvendo a comunidade. A Biblioteca Pública do Recanto das Emas funciona em prédio próprio e em local de fácil acesso. A Biblioteca Pública do Riacho Fundo I, inaugurada em 1996, funciona em prédio na região central da cidade. Oferece telecentro comunitário para inclusão digital. A Biblioteca Pública de Samambaia, inaugurada em 1989, possui um acervo das várias áreas do conhecimento e está em fase de crescimento. Inaugurada em 1988, a Biblioteca Pública de Sobradinho I está instalada no Centro Cultural da cidade e funciona ao lado da Galeria Van Gogh. Possui serviço de Internet, telecentro comunitário para acesso às tecnologias da informação e atividades culturais com exposições e vernissages. A Biblioteca Pública de Sobradinho II foi inaugurada em 2010 e funciona em prédio próprio, possui telecentro comunitário e serviço de Internet. A inauguração da Biblioteca Pública de Santa Maria Norte ocorreu em 1995 e funciona em edificação própria. A Biblioteca Pública da Cidade Estrutural foi inaugurada em 2015 e funciona no Centro de Múltiplas Funções. Possui espaço de leitura infantil, telecentro comunitário e serviço de Internet. A Biblioteca Pública da Vicente Pires foi inaugurada em 2015 e funciona no mesmo espaço da Administração Regional. Atividades culturais como teatro e contação de histórias são oferecidas a comunidade. Além das oficinas cujo foco é a arte de ler e criar, todas as dez bibliotecas participarão da 12ª edição do Fórum Brasília, capital das leituras, previsto para ocorrer em 15/5/18, além de lançamentos da obra infantil “E eu sou isto, vovó? Uma abordagem lúdica de cidadania que ilustra e exemplifica o projeto em ação “A arte de ler e criar”.

A AUTO EDIÇÃO ValquriaImperiano Não apenas escrever é o trabalho d o e s c r i t o r . Publicar um livro hoje não é difícil. Existem muitas possibilidades que facilitam ao escritor lançar-se na auto-edição, que é a maneira mais fácil, rápida e sem a burocracia da análise imposta pelas editoras renomadas. Hoje, nós, escritores, vivemos um momento em que a informática nos auxilia com programas tais como: o Word, programas de paginação, programas para a realização de capas, e-books etc.... Para isso o escritor precisa de tempo e dinheiro para investir nos programas mais sofisticados. Mas há, também, no mercado pessoas que fazem essa parte do trabalho por um preço razoável, é só procurar na internet. Encontra-se todo tipo de free lancer nas mais diversas áreas da literatura. Escrever ocupa muito tempo. E todo esse processo de montagem de um livro requer tempo e savoir-faire. O processo de elaboração de um livro sempre esteve aos cuidados das editoras. Com a nova fórmula da auto-edição surgiu um mercado em expansão que facilita a publicação de manuscritos sem precisar recor-

rer às editoras. Em decorrência dessa facilidade o número de escritor multiplicou-se. Porém escrever e publicar não nos coloca na lista de escritor, nem nas livrarias, é preciso continuar a fazer o trabalho de marketing, tal o feito pelas editoras. Se quisermos que a nossa escrita seja apreciada (não abordo a qualidade da escrita), conhecida e venha morar nas prateleiras das bibliotecas e nas mesas de cabeceiras dos leitores é preciso que um trabalho de marketing seja feito por trás da edição. E cabe ao auto escritor investir nos meios de comunicação e marketing a fim de que seu nome venha a receber o honorável título de escritor reconhecido. A internet veio facilitar essa divulgação, para tanto o escritor precisa usar desse recurso fazendo, ele mesmo, o trabalho de divulgação do seu trabalho, criando blogs, páginas em redes sociais, mala direta, participando de encontros, antologias, seminários, feiras e salões. Isso tudo requer um investimento que, para os famosos, são patrocinados pela editora que publica seus livros e este recebe o investimento sobre a venda dos livros. Motivo pelo qual é tão difícil ter seu livro aceito por uma editora. Na auto edição o autor é que deve fazer esse trabalho e ficando, assim, com o lucro das vendas dos seus livros. Lançar-se na auto-edição é um trabalho de tartaruga, mas não podemos esquecer que a tartaruga também deixa rastros, por isso a importância do trabalho contínuo e persistente. Mesmo que não haja vendas, o nome do escritor fica gravado e com persistência e paciência poderá deixar sua marca no mercado da literatura, sem esquecer de salientar que a pluma precisa causar impacto no leitor; então escreva, reescreva, reescreva, releia, modifique até sintir que seu texto está pronto, porém, para não cair no narcisismo, dê seu manuscrito à outras pessoas para que o leia antes de tomar a decisão de publicá-lo. Se seu amigo leu até o fim já é um sinal promissor, se der desculpas de que não teve tempo ou sei lá o quê, ou você deu para um inimigo das letras, ou seu texto é ruim. Para eliminar o primeiro caso dê seu texto para quem gosta de ler e aguarde o resultado. Apesar da facilidade da auto edição C CULTIVE | 65


surgiram no mercado muitas “editoras” que oferecem seu trabalho. Porém é preciso estar atento para esse tipo de serviço. O escritor pode cair em muitas armadilhas que o levará a perder dinheiro e esperança. Essas pseudo-editoras estão no mercado aproveitando-se da auto estima do escritor que quer ver seu livro publicado e que nada conhece sobre o mundo da edição. Essas editoras nada mais fazem do que pegar o manuscrito contratar uma gráfica, um revisor, um “capista”, um diagramador enviar seu livro para ser publicado muitas vezes em gráficas longe do seu endereço e aí você tem a surpresa de ter que assumir um serviço postal caríssimo. Todo esse processo de elaboração de um livro é terceirizado e fica tudo embutido no preço final do livro, mais o lucro da editora que serviu de intermediário na transação. No seu livro constará apenas o nome da editora no lugar de “auto editor”. Sem esquecer de salientar que a referida editora não faz nenhum trabalho para o lançamento do seu livro, nem para divulgá-lo ( às vezes anuncia no site da editora mas isso não quer dizer que será visto, nem vendido) e quando propõe um lançamento você tem que entrar com um valor muito alto o que encarece seu livro e torna-o invendável! Em seguida vem os aborrecimentos e as frustrações. Já passei por isso, hoje seleciono com atenção com quem trabalho, seja editora, seja gráfica ou diagramadores, revisores e “capistas” que, também, podem receber o pagamento e nunca mais devolver o trabalho terminado. Portanto ao contratar o serviço de uma editora, investigue e pergunte e leia bem o contrato que está assinando. Se você for bom na informática você pode fazer uma boa parte do trabalho. Apenas recorra a um revisor ou alguém que possa fazer a correção do seu texto, mesmo que você seja excelente em gramática, sempre passa erros, pois quando escrevemos o cérebro muitas vezes ler correto o que está errado. É um serviço que vale a pena, mas é preciso ter certeza que o professional é bom no que faz e sério. Participe o máximo possível dos encontros literários, dos salões, debates, 66 | CULTIVE

encontros, fale do seu trabalho, abra a curiosidade sobre o seu texto; o contato escritor-leitor sempre dá um bom resultado. Valquiria ra, artista plástica, ção Cultive – Art té em Genebra. e

Imperiano, escritocriadora da AssociaLittérature et Solidarida Revista ARTPLUS.

33° Salão do Livro de Genebra do 01 ao 05 de maio de 2019 Lançamento de livros Concurso Literário Anotlogia Cultive Presença de autores Confraternização Venda de livros inscrições: cultive@bluewin.ch

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ADNALDO GUI- ADRIANA QUEZADO MARÃES DE AZEVEDO. ADÃO AGOSTINHO DIA DE S.VALENTIM ZINA Ninguém dirá coisas como eu Nascido a 22 de Março de 1983 em luanda, No bairro petrangol distrito do sambizanga (Ngola Kiluanje) , Filho de Agostinho Zina e de Josefa Maximiano. Estudante universitário, do curso, de Contabilidade e Gestão. Adão Zina , É o autor do livro O SENTIMENTO NA ESCRITA, o seu primeiro livro de poesias, Editado e publicado pela Editora do Carmo. É membro do Movimento Lev ‘Arte, a onde tem participado em diversos encontros, re-

tratando assuntos ligados à literatura. arte música, teatro. O gosto pela escrita, e

o descobrimento da veia poética, Adão Zina desenvolve-o ouvindo declamações e recitais, assim como ler diversas obras de vários escritores de poetas nacionais e internacionais. Em torno de ideias, e reflexões, surge o envolvimento profundo no mundo da literatura destacando-se propriamente na escrita. A paixão pela música é um dos grandes veículos incentivadores na composição e criação de textos. Desta forma, adquiriu o dom de expressar sentimentos em folha de papel descrevendo tudo que lhe rodeia, transformando-as em poesias e contos.

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Com simplicidade igual a de um Romeu Escolhi você como pessoa certa Tua imagem em mim como Julieta Noites de chama acesa Meu ser igual a Cesar Só tu me completas Quero te sempre minha Cleópatra Feliz dia de S. Valentim Comemoremos como Adão e Eva Nosso amor não tem fim Só a força do amor nos leva Neste dia, eu e tu no mesmo navio Defendendo tempestade e frio Nosso quarto Titanic o navio Como Jack e rosa, juntinhos com frio.

SER MULHER... Vou rabiscar um poema Enquanto esfria o café, Em versos eu vou dizer O que é ser mulher, Ser mulher é ter nobreza, É na dúvida ter certeza, É sofrer sem perder a fé. Ser mulher é ter confiança Em si, na luta e na vida, É continuar insistindo Mesmo na causa perdida, É ter sonhos cancelados Em prol de entes amados, É sempre encontrar saída. Ser mulher é hospedar Dentro de si o perdão, É continuar amando, Mesmo na desilusão, É colher flor no deserto, É achar o momento certo Para tomar decisão.

ÁGUA E SEUS ESTADOS A sobrevivência humana. Natural, gelada, fria. Também em forma de gelo para esfriar o calor e «aquecer» a bebida. A vapor para aquecer o vento. Tudo para o prazer e sobrevivência humanas. No laboratório, um homem anfíbio está sendo mantido em cativeiro. Elisa, uma zeladora muda apaixona-se pela vítima. Os vilões confiam que ela não pode denunciar a experiência à autoridade, por causa de sua deficiência. Não pode falar. Mas pode escrever. Escutar também. Eles não contavam com estes detalhes, por sinais muitos importantes. O vizinho, amigo, entra na história para ajudar o amor. O trio será feliz? Ficarão ilesos da equipe do mal? Façam uma nova Forma da Água para as vidas humanas, vegetais e animais. Sejam sempre abençoados! Adriana Quezado

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ADEMIR SOUZA de Bom

Jesus do Itabapoana RJ. Cantando ou tocando, ou dançando. Na cozinha a anfitriã caprichava no pastelzinho e na batida de limão, vários quitutes e aperitivos. Ali já começava a despertar meu dom para a música a arte e a poesia, mas aos (12) doze anos de idade vi essa trajetória ser interrompida, minha mãe ...

ARLETE DE JESUS MELO, de São

ADRIANE SALTLI

Luís do Maranhão. Despertou interesse pela poesia ainda adolescência.Participação em trabalhos da editora do Carmo.

DEIXA EU FICAR.

HOJE A fina flor Se, encontrou na esquina Assuntos fluíram Assuntos normais Hoje A fina flor Se, encontrou na esquina Falou se de amor Calmaria e vendavais Aqui Ou em outro lugar A fina flor ponteia Num boteco Num solar Ao luar Sorvendo a bebida Entoando canções Liberando emoções Hoje...

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Peço-te que me deixes Apenas ficar... amar-te-ei eternamente ! Me perder nos campos Vastos do teu coração, Deixa eu ficar aqui contigo ! Mesmo que o sol esteja escondido... Faça de de mim parte sua! E o cantar de um menestrel À sua lua... Ou talvez intensos ramos, que se entrelaçam... e formam apenas um! Exprimindo o glamour de uma venerável paixão... Beija minha boca! Me deixa louco... Desejo sentir o sabor aveludado dos teus doces lábios! Fixa seu olhar ao meu até penetrar meu íntimo, Quero, necessito... De sua essência em mim! Prenda-me em seus braços. Não importa os espinhos, Quando teu amor se faz vivo, dentro de mim... E o nosso desejo cresce... E o meu amor por ti Floresce, enaltece entres os jardins límpidos Do nosso bem querer! E a cada orvalho, Sol, e chuvas... Ventos e tempestades ! Sinto que tu, meu amor Despertas a vida! Que finca em meu ser, Aos primeiros raios.. Do meu amanhecer! Por isso te peço... Que em ti deixes eu ficar.

A escritora cujo pseudônimo é Adriane Saltli, é MC em Genética Molecular, professora aposentada da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Teve seu primeiro livro “O Preço de um Engano” lançado e editado pela Amazon.com. Participou de diversas Antologias (Sem Fronteiras pelo Mundo, Literarte, Illuminare, e outras) e é membro de várias instituições literárias : REBRA( Rede de Escritoras Brasileiras) AJEB ( Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil) ALALS ( Académie de Lettres et Arts Luso-Suisse), entre outras.

ILUSÃO Desci as escadas e entrei na sala principal da minha casa. Que surpresa! Que cheiro encantador: Dama da Noite, Jasmim, Rosas !? Senti-me envolvida e enlevada. Comecei a cheirar minhas flores dentro e fora da residência! Nada. Sai pelo portão para ver se vinha de fora, mas no caminho já outros cheiros de comidas me enjoaram. Voltei e novamente aquele odor suave e intenso. De onde vinha já não mais me importava. Eu precisava só dele. Teria algum significado espiritual ? Fingi que sim. Recostei-me na poltrona, fechei meus olhos e mergulhei num universo empírico, sem comprovação científica. Então, me deixei experimentar uma nuvem de amor a me cobrir : senti o sorriso dos ausentes; saudades dos distantes; senti o amor que nunca me deixou !

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ALDIRENE MÁXIMO

Nasceu em SP. É graduada em letras e pós-graduada em psicopedagogia, ambas pela Uninove. Narradora de Histórias pelo Senac, escreve poesias desde os 12 anos. É autora dos livros: “Eu acredito no Amor!” e “Metáforas”, ambos pela Editora Scortecci

ANDRIELI DOS SANTOS, Estudante, escritora e blogueira. Blog: escre-vidas.blogspot.com.br/ https://www.instagram.com/andrieli_ds/ https://www.facebook.com/BlogEscreVidas/

VENTA-NIA

LÁGRIMAS Se nunca chorei na sua frente Foi porque sabia Que a tristeza que eu sentia Tornou-se sua dor. Não queria te fazer sofrer Chorar, só lágrimas de Amor! Amor vivido e sentido Escondido no espinho da Flor. É intenso o que sinto Ferido foi, meu coração Mas, na escuridão da noite, Encontrei a Luz, a direção. Você cicatrizou cada ferida Com lágrimas, as fechou Hoje posso caminhar segura Meu coração se acalmou.

Os versos soltos em sua voz Desataram meus nós A canção aqui ouvida, É a que enfeita a minha vida! Lágrimas? Só se for de Amor!

O corredor ecoava desabitado, o vento zunia da janela maior para a menor e vice-versa, não havia mais vidros, as janelas estavam nuas e cruas, o casarão era antigo, abandonado talvez. Empurrei um pouco mais a porta, mas mesmo assim a luz não entrava de fora para dentro, passei a mão ao lado da porta na tentativa de encontrar alguma tomada, mas apenas senti algo gelado, dei um grito enquanto arrancava-a rapidamente a mão coberta de teia de arranha, passei a mão na perna da calça para limpá-la e apelei para a luz do celular. Entrei no casarão. Por mais que tentasse iluminar a luz não ia muito longe, parecia haver algo que a impedia. Já estava no meio do longo corredor quando a bateria misteriosamente acabou. Fiquei meio perdido, as poucas coisas que via começaram a rodear em minha volta, o vento passava mais forte, parecia engolir um choro de criança. Meditei o porquê de estar ali, minha avó era maluca, só podia, mas afinal, não eram todos os humanos que falavam com antepassados, talvez o maluco fosse eu. Pensei em voltar, mas a escuridão me impedia. De repente sinto um aroma diferente, outra luz de celular entra pela mesma porta que eu anteriormente. A luz bateu em mim e uma voz encantadora cortou a escuridão: Oh, que susto. Olhei e percebi que era Clara, aquela garota miúda de olhos azuis que encontrava no corredor do Colégio. De repente ela já estava do outro lado. Eu ia falar alguma coisa e não falei, ela também não disse nada, a chuva engrossava cada vez mais. Resolvi sair dali a qualquer custo. Fui andando sem rumo, sem entender direito o que estava fazendo, não demorou muito e eu já estava do lado de fora do casarão. O sol brilhava fortemente, o calor era insuportável e o chão estava rachando de seco. Dei alguns passos até que se apossava de mim a certeza de que isso não era nem o início das consequências por ter contato com as ideias opacas da minha avó, ou seriam minhas afinal?

Não soltarei a sua mão Ela trouxe-me as respostas... Você escreveu comigo Um poema a cada encontro. 72 | CULTIVE

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ALBERTO ARECCHI e-mail: alberto.arecchi@libero.it Site: www.liutprand.it ITÁLIA

EQUADOR - MARÉ BAIXA A vaga anda salpicando. A maré está caindo. No meio da noite, a maré alta gerou burburinhos, como trovões repetidos, na mata de palmeiras e mangueirais. Agora, no entanto, a água vai baixando, calma se aposenta e deixa atrás de si faixas de areia, piscinas de água salobra, caranguejos frenéticos correndo aqui e ali, abas coladas às rochas e amêijoas pequenas, que se retiram tímidas na areia que seca. O recife aparece como uma crista branca, além de uma faixa de mar verde como a esmeralda, brilhando como os olhos de uma menina. O vento cruzado transporta pequenas ondas brilhantes, paralelas à praia. Na parte inferior do horizonte, o céu é índigo intenso, mais escuro que o verde do mar. Farrapos de nuvens brancas se perseguem em um céu claro. Uma nuvem cobre o sol que já se tornava rapidamente quente, o vento esfria e as primeiras gotas de chuva caem. O horizonte é nebuloso, o farfalhar das folhas mais forte é prelúdio de um aguaceiro de chuva. A chuva vem em explosões sucessivas. Eu gosto de ficar na praia para me molhar. Um casal de pássaros cantando na árvore atrás de mim. Então, tão rapidamente como tinha chegado, a chuva para e o sol retorna. Começa mais um dia nesta terra que parece ter impassível ao longo dos séculos. Gerações de pescadores, marinheiros, piratas, mercadores de escravos e comerciantes de especiarias vieram e se foram nesta praia, já pisaram nestas areias antes de mim. As velas deles, afiadas como barbatanas de tubarões, já navegaram neste mar. Onde está agora a música insistente de suas harpas, onde o cheiro suave do incenso e da mirra? Em poucos anos, aqui, apenas o turismo e o lixo.

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ALEXIS GOTERA

Venezuelano / Norte Americano EMAIL – alexisgotera@hotmail.com

AGRADECENDO A BALA O grito «Soltar a arma», o sopro avermelhado de uma arma, o som da pólvora e o cheiro de sua própria morte, aconteceu em uma sequência vertiginosa. Após várias sinapses em seu cérebro, o cálculo atingiu a bala em seu olho esquerdo. Seu corpo tinha zombado diante de outras balas, mas sentiu que ele estava falando sério agora. Ele desejou poder se mover mais rápido do que a bala, mas apenas um órgão o agradou, seu cérebro com sua velocidade misteriosa e infinita. Aguardando o impacto, as flores no vestido da esposa o lembraram do jardim de sua avó. Ele gostava especialmente de caminhar entre as rosas, várias cores, cheiros doces, borboletas e alguma festa de néctar de colibris, despertando o apetite que saciava com mangas e goiabas que o esperavam nas árvores, adornadas com raios do sol. Outros raios do mesmo sol entravam agora nas janelas do prédio, desenhando figuras geométricas nos pisos e paredes, iluminando alguns policiais e obscurecendo os outros, em torno do detector de metais dos tribunais. As características desses rostos o lembraram de amores felizes. Os olhos azuis se assemelhavam aos de seu melhor amigo falecido. Ele desejou que ele estivesse lá para ajudá-lo a se acalmar o momento ruim, não sentir tanto medo ou rir junto com pessoas sérias e poderosas. Os cabelos crespos do policial negro se pareciam com o professor que podia ler os pensamentos perturbados de seus alunos em rostos e palavras. A gravidez de Nancy era sua leitura mais famosa. Ele ensinou Biologia e sentiu pela primeira vez não odiado por todos. Conseguiu uma lágrima única e tímida. O sangue manchando o chão e o vestido dessa mãe produziram um caos total em seu cérebro. Ele tentou voltar alguns segundos para parar o dedo apertando o gatilho. Ele desistiu Alguns meses para parar de maltratar sua esposa e filhos. Ele desistiu Mais alguns anos e mudar seu medo pela coragem. Ele desistiu Voltar ainda mais e evitar nascer. Ele desistiu e decidiu agradecer a bala.

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ALEXANDRE SANTOS ministrará palestra na FECCAN – tema: A nova Geração e a Cultura. Nascido e educado no Recife graduado em engenharia civil pela UFPE, cumpriu os cursos de especialização em Transportes Urbanos e Trânsito na UFCE e de mestrado em Engenharia da Produção e em Gestão Pública para o Desenvolvimento do Nordeste na UFPE. Iniciou a atividade profissional no Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em Brasília, tendo, em seguida, se transferido para a prefeitura do Recife, onde exerceu diversos cargos, inclusive a secretaria-adjunta de Transportes e Obras. Foi condecorado pela Ordem do Mérito Capibaribe, no grau de Comendador, pela Prefeitura da Cidade do Recife, pela Prefeitura do Paulista com a comenda ‘Padre João Ribeiro’, pelo Clube de Engenharia de Pernambuco com a comenda da Ordem do Mérito Manoel Antônio de Moraes Rego, pelo Gabinete Português de Leitura de Pernambuco com a Medalha de Bronze Comemorativa do Sesquicentenário, pela União Brasileira de Escritores com a inclusão na Ordem do Mérito Literário Jorge de Albuquerque Coelho e pelo Colégio de Ingenieros de Venezuela com a insígnia de Sócio de Honra. Atualmente, integra a equipe que supervisiona a elaboração dos estudos de concepção para a gestão Manejo de águas pluviais e drenagem urbana do Recife. Alexandre preside a Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural, a UBE (União Brasileira dos Escritores), a Associação Brasileira dos Engenheiros Escritores e o Clube de Engenharia de Pernambuco. É membro Academia de Artes e Letras do Nordeste, onde já exerceu a presidência Além de engenheiro da EMLURB (Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife), Alexandre é editor-geral do informativo ‘A Voz do Escritor’, semanário das Edições Moinho, e membro do Conselho de Desenvolvimento Urbano do Recife, do Conselho Editorial da Revista Algomais, do Conselho Consultivo da Revista Nova Águia (Lisboa, Portugal), do Consel76 | CULTIVE

ho Editorial da Revista Archiépelago (Cidade do México, México), do Conselho Editorial das Edições Moinho. É curador geral de encontros importantes como a Festa Literária Internacional do Ipojuca (FLIPO), Congresso Mundial de Engenheiros Escritores e Encontro Pernambucano de Escritores. Como escritor, Alexandre Santos participou de diversas antologias e, entre outros, publicou os seguintes artigos e livros: A Economia de Comunhão como estratégia para o desenvolvimento local, A face oculta do mercado; A inevitável primavera; A inflação desmistificada; A propriedade dos meios naturais de produção; Bastidores & Camarins, Curso básico de Administração de Materiais, Curso básico de Matemática Financeira, Curso básico de Matemática Financeira, Economia & Poder, Fortalecimento da Economia de Base Local; G’Dausbbah, Maldição e Fé, Manual de administração de pequenas empresas; O ato de produção; O attaché, O desenvolvimento integrado dos campos, O direito ao trabalho remunerado, O dossiê de Gustaff, O fim do ciclo liberal, O moinho (publicado em Cuba, pelo Editorial Arte y Literatura, sob o título ‘El molino’), Os conceitos de economia, Raízes, Solidarismo: O Brasil para todos, Subsidiarieda

ALÉM DE TALENTO, OS ARTISTAS PRECISAM TER CORAGEM Alexandre Santos Todos sabem que os artistas são a voz do Povo. Esta afirmação inconteste tem repercussões importantes, pois, se, como diz o velho provérbio (nunca desmentido), a voz do Povo é a Voz de Deus, então os artistas são legítimos porta-vozes Daquele que dá origem, causa e objetivo às coisas, às pessoas e à própria vida. Aliás, a condição de dar ‘voz ao Povo’ (e, assim, nos termos do provérbio popular, dar ‘voz

à Deus’, tornando pública a Sua vontade) tem muitas implicações objetivas e subjetivas, explicando parte das alegrias e, em contraponto, [explicando] também, [parte] das angústias experimentadas pelos escritores (e, claro, pelos artistas das demais linguagens). De fato, ao descrever o mundo e expressar sentimentos e sonhos com padrões estéticos segundo o estilo e o talento carregados dentro de si por desígnio do Criador, ao tempo que alegram a vida (e se alegrarem com isto), os artistas despertam amores, saberes, quereres e vontades, estimulando, direta ou indiretamente, sentimentos e comportamentos que empurram a Humanidade para patamares superiores de convívio, levando-a ao desenvolvimento. Na ponta inversamente recíproca, como espécie de contrapartida compensatória, [os artistas] despertam sentimentos negativos como frustrações, aversões, dúvidas, questionamentos, medos e rancores, cujas consequências não são muito diferentes, pois (contrariando expectativas e confirmando que, ao lado da ciência e da tecnologia, qualquer que seja ela, a arte é elemento estratégico do desenvolvimento) tal como sua correspondente positiva antípoda, os sentimentos e comportamentos ditos ‘negativos’, talvez por precipitarem crises e, assim, promoverem mudanças, também estimulam o desenvolvimento e, igualmente, empurram a Humanidade para patamares superiores de convívio. Assim, toda arte tem certo potencial subversivo e revolucionário, inclusive aquelas ditas ‘bem comportadas’, pois, à despeito de muitos teimarem em aceitar, independentemente da vontade do autor, [as artes, todas elas] despertam sentimentos naturalmente associados ao desejo de mudança. Esta é a razão de os artistas, de modo geral, e os escritores, de modo específico, imporem tanto medo aos status quo e aos governantes, especialmente àqueles que têm algo a esconder. Não é outro o porquê de a arte e os artistas estarem sempre na alça de mira dos poderosos, os quais, como prevenção ou vingança, os atacam e os perseguem com graus variados de malefício, desde os diversos tipos de censura até, mesmo, as afrontas físicas.

Os ataques aos artistas ocorrem de diversas formas. Algumas vezes, como na fábula da formiga e da cigarra, eles [os artistas] são satanizados com falsas acusaçōes de preguiça e malandragem. Às vezes, [os artistas] são perseguidos através da limitação dos incentivos culturais, em processos seletivos viciados que, via de regra, sufocam artistas independentes e libertários, dando preferência aos submissos e subservientes. Às vezes, os truculentos censuram abertamente a arte, ceifando a criatividade como se fosse possível parar o tempo ou tapar o sol com peneira. As vezes, os perseguidores privam os artistas da liberdade e, mesmo, da vida, como se a sensibilidade e o talento fossem crimes. De toda forma, os truculentos sempre tentam cercear a atividade artística, admitindo-a apenas como entretenimento. Por outro lado, como evoca sentimentos favoráveis ou desfavoráveis conforme a posição e índole dos afetados, a arte estabelece um tipo de interlocução contraditória, pois, ao tempo que consagra o artista, dá origem às suas alegrias e, também, às suas angústias. Nesta perspectiva, as alegrias e angústias dos artistas têm um pouco de matéria comum, permitindo-nos acreditar que, em certa medida, aplausos e vaias possuem algum parentesco, em substância presente apenas naqueles que se expõem ao público e, claro, ausente naqueles que se resguardam da opinião pública. Assim, independentemente da área em que exerça o seu talento e criatividade, o artista desperta reações no público e nos poderosos. Ele [o artista] pode não saber a priori se vai arrancar palmas ou vaias, entusiasmo ou indiferença, mas, certamente, sempre saberá que vai despertar alguma reação da plateia, incluindo a aversão dos descontentes e a ira dos poderosos. Deste modo, além de sensibilidade e talento, os artistas precisam, mais do que quaisquer outros, ter coragem, muita coragem, para exercer a sua arte, pois são alvos naturais de todos aqueles que abominam o desenvolvimento e ojerizam tudo que possa levar a ele. (*) Alexandre Santos é presidente da União Brasileira de Escritores (UBE). C CULTIVE | 77


ANA PAULA BARBOSA

JUIN Era Junho. O calor da noite contrastava com a frescura das tuas mãos. Embrulhei— me nelas, aconchegando—as ao meu peito enquanto falavas de Piaf, de Aznavour, de Brel. Escutava-te como da primeira vez, de olhos mergulhados nos teus, a eternizar o momento - como se fosse novo. Tantas outras noites, deliciada, ouvia as tuas recordações de afetos e saudades. Saboreava-te como um manjar épico, rainha fosse de qualquer civilização esquecida. Acariciar essas mãos com as minhas era um ritual ancestral, que partilhamos há muitas vidas. Desses braços fiz almofada, cama, pedestal, oráculo de mil sóis. Entrega partilhada. Quando o sol pintou as paredes do quarto, murmurei ao teu ouvido: « … ne me quitte pas. »

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A Caravana Cultural vai passar participe

Ana Cavalheiro é douradense

da Vila Sao Pedro.Viveu muitos anos fora do Brasil. Estudou arquitetura, especializou se em Tropentechnologie na Alemanha.É escritora e amante das artes.

«Gosto de descobrir coisas invisíveis Pensar coisas impensáveis Viajar pelo universo Ser sequestrada por espíritos bons Dormir segura no meu lar»

Platon

(para você com amor) Eu penso que o Rei é feliz. Que fez tudo certo. Que faz tudo certo. Dos erros vividos, transformou-os em pérolas, trazendo-lhe riquezas. Da simplicidade fez fortuna. Da bondade fez-se merecedor. Da retidão, um senhor de respeito. Nada nele trai humanidade aos meus olhos Aceita os acoites em silêncio. Eu o reverencio Idolatro Não há nada maior Ele é um deus, o maior, o inalcançável. (é impossível pensar que...) Seu silêncio é sua resposta indiferente à dor alheia Seus feitos sao táticas pensadas. Sua bondade referencia seu insaciável interesse. Sua retidão é um blefe. Eu ficaria surpresa se de repente Ele se transformasse num homem comum Se mostrasse frio Sem compaixão E me surpreenderia mais ainda em saber que ele, me ama.

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ARLINDA LAMEGO

, esccritora e médica participou da Antologia Cultive cujo poema foi premiado EM 2° LUGAR no concurso Cultive de Literatura. Arlinda é uma das palestrantes na FECCAN com o tema: BULLYING. ARLINDA Nasceu em Recife, capital do Estado de Pernambuco, no Nordeste do Brasil. Atualmente vive em São Paulo capital, mas viveu em Manaus e no Rio de Janeiro. Adepta às artes, pintei quadros a óleo, tapeçaria, gastronomia e artesanatos, desenhar letras. Arte é criatividade. Cinema e teatro foram meus companheiros.

Recife / Pernambuco / Brasil E-mail pessoal arnaudmattoso@hotmail.com

CASA DE VÓ

DEFESA Meu coração dividido, Separou, de parte a parte, Teceu sua vida com arte. E assim, ficou protegido, Em só querer perfeição. Pensou a vida mais bela. Ingênuo, criou cancela. E só encontrou ilusão. Entre o amar e o servir, Anestesiou-se, criou solidão. Desperdiço assim o existir... Não quis qualquer emoção. Ah...Quanta quimera Em tudo, a desilusão. Lutou como sua fera Contra essa imperfeição. Ficou preso nessa malha Sem se mexer ou mudar. Descobriu sua grande falha De não aprender a amar. Em seu viver impensado, Na defesa de ser feliz, Descobriu, já tão cansado De tudo que vê e se diz Viu semente em ventania, Sentiu frio, quis ser deus. Tarde demais, reconhecia. Que o mundo nem se mexeu. Arlinda Lamego

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ARNAUD MATTOSO

Na sala da casa com quintal, de verduras e frutas plantadas na terra; e do jardim de flores e pássaros, a criança brinca sentada no chão com os brinquedos espalhados ao redor. Nos domingos de manhãs chuvosas, nas férias de julho, a segurança da casa da avó é a lembrança terna guardada em memórias de adulto. O amanhecer cercado de tias-avós com os seus mimos e cavilações aos filhos de pais separados é como presente desembrulhado em noite de natal. O café da manhã de mesa farta e pessoas compunham o cenário oposto à rotina do dia a dia em casa de mãe sisuda e regrada de carinhos, mas pronta aos castigos dos deslizes infantis. A criança aguarda as férias do meio de ano com ansiedade para passar curtos trinta dias longe da rotina incessante da escola e das obrigações caseiras impostas em casa materna. Já se vai longe o verão prolongado de dezembro e janeiro, na praia em casa alugada para veraneios inesquecíveis. Os intervalos das visitas à casa da avó demoram, enquanto as férias voam. Quando se dá conta é o último dia e apenas o fato de, no dia seguinte, ter que voltar ao campo de batalha onde mora, angustia o coração da criança carente de carinhos e atenções. O último dia deve se prolongar estático no tempo, como uma ordem de Mandrake, ou nunca deixar de existir para que a fábula do dia eterno seja realidade. Quem sabe pedir às fadas madrinhas. Afinal, as fadas existem para atender crianças necessitadas de afeto. Mas a

noite passou e o dia seguinte chega. Com ele, o entardecer. A hora de ser levado pelo pai à casa da mãe. A bolsa de viagem arrumada pela avó com os olhos em lágrimas, em meio às despedidas de beijos e abraços apertados e infinitos. A criança deixa para trás bolos batidos em manteiga, açúcar, afeto e doce de leite, tudo posto em bacia para ser lambida por dedos ágeis. Deixa para trás a pilha de gibis Walt Disney e as estórias contadas antes de dormir. Cena irreal em seus dias e noites reais. A Casa de Vó é um sonho infantil que a realidade do adulto invoca em memórias como um tempo feliz que nunca passou.

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ATLAS HUTTON,

nascido em 1993, brasileiro nato ainda que do mundo, escreve desde tenra idade, e resolveu se dedicar a escrita quando se encontrou na ficção fantástica. Autor do único livro, Cavaleiro de Espadas, que pode ser lido de maneira usual e de trás para frente, lançou recentemente uma coletânea de poemas que pode ser encontrada sob título de Karma Sutra. atlashutton@gmail.com Brasil – Itabaiana – Sergipe – Brasileiro

EFEITOS COLATERAIS DO “CORAR”

Deposto do meu, por direito, posto, Fiquei sem vanguarda, só em te olhar, Disposto a arriscar minha coordenação motora, Fundo-me a insanidade terrena, Face aberta à vermelhidão, e esqueço quais-

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quer objetivos. E a distância se perfaz entre nós, Mas longe do teu domínio, o pensamento atormenta; E já estou mentalmente em você. Digam os bobos da corte, pois sorriem como oficio, Que meu sorriso é válido entre seus argumentos, Transtornando meu estado normal, Pois só em falar já me arranca a respiração.

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BRUNO FELIX PODA Era uma roseira diferente: Seus espinhos brotavam para dentro Ninguém os via Ninguém os tocava Ninguém os sabia E a roseira, na tentativa de gritar Abria rosas indescritíveis Em noites de lua, sonhava podas Todas bem rente ao chão Mas ninguém a podava Abriram espaço em seu jardim Para que todos a contemplassem Conheceu a solidão Seus espinhos cresciam A dilaceravam por dentro A cada nova estação E ela gritava dezenas de rosas Uma lágrima em cada botão Quando afagavam seu caule liso Ela se contorcia de dor Sentia os espinhos cravando Queixava-se abrindo outra flor Um dia, os espinhos já grandes Formaram nódulos pelo seu corpo Uma espécie de tumor Cansada, não abriu flores Podaram-na rente ao chão E ela conheceu um pouco Daquilo que é não ter dor Quis mostrar uma folha ao sol Mas a coragem faltou Recusou a água Recusou o adubo Rejeitou a terra A mesma terra que a criou Ali desapareceu E todo o jardim se abriu em flor 84 | CULTIVE

BAH BEE PAIVA SÍNDROME DE TWIGGY Fiquei observando enquanto ela fumava debruçada na janela. Meu apartamento tedioso parecia melhor com ela por lá. Linda: as unhas pintadas de vermelho e os cílios postiços que sempre estavam lá quando ela acordava, mesmo quando não estava maquiada. Nunca conseguia vê-la tirando ou colocando-os, mas eles estavam sempre lá. «Me fazem sentir como Twiggy», ela dizia. Eu sabia que eram postiços porque ela comprava estojos e mais estojos daquilo. A franja que ela mesma cortava, sobrava um pouco de um lado, quase imperceptível, mas eu notava. Ela tinha fascínio por Janis Joplin, gostava de usar mocassins, beber cerveja preta no café da manhã e vestia os mesmos jeans desde que a conheci. Eu queria pedir sua mão em casamento, dizer que estava tudo bem pegar um dia e meio de estrada para encontrar os pais dela e contar que eu queria marcar a data pro mês seguinte. Quando usava um vestido cor pêssego com botões nas mangas eu quase não podia reconhecê-la. Ela se sentava com as pernas cruzadas bebendo café e me perguntava se ficava parecida com as mulheres da novela das seis. Era insano e hilário, mas no fundo eu amava. Ela tinha uma urgência em se apossar de outras peles, talvez porque a dela ardia, quase como as artes de Poly Nor, e eu podia senti-la tentar invadir a minha quando estava por cima. Ela me fazia querer um pouco mais de segurança, de grana, um apartamento maior onde a luz do sol batesse, e quem sabe um bebê, um gato, e passeios aos domingos. Eu tinha medo que as poucos ela fosse arrumando um jeito de se posicionar na sacada e um dia descobrisse que podia voar, para outro bairro, para outra cidade, para outro país, para outra vida, porque eu sabia que a que eu tinha a oferecer não bastava. Às vezes eu queria trancar a porta, mas como não podia, esperava apenas que ela resolvesse se arrastar para cama de novo. - Você está distante hoje - ela me arrancou do transe. - Só estava pensando em buscar mais uma cerveja.

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CASSIA CASSITAS CASSIA fará uma palestra na FECCAN no dia 25 de agosto com tema: DIFICIL É DIFERENTE DE IMPOSSIVEL . Na ocasião Cassia apresentará suas obras O menino que pedalava, Fortuna a Saga da riqueza; Domingo, o Jogo uma filosofia para se viver. Ela se formou em Informática, antes de Steve Jobs lançar seu primeiro Mac. Teve uma bem-sucedida carreira em grandes empresas no Brasil e no exterior. Com a vida estabilizada, decidiu voltar para os bancos acadêmicos e estudar Filosofia. E, então, mergulhou no universo da literatura e transformou-se em escritora de sucesso nacional e internacional. A paranaense Cassia Cassitas, 50 anos, mãe de dois filhos, acaba de lançar seu terceiro livro, O Menino que Pedalava, e lançar os holofotes para os atletas paraolímpicos. O segredo de seu sucesso? Não existe. Quem lê seus livros, extremamente bem preparados, tanto em português, quanto em inglês, percebe que são fruto de muita pesquisa e muita dedicação. Quem a conhece pessoalmente, constata de uma vez por todas que literatura pode e deve ser produzida com planejamento, estratégia e marketing. O Menino que Pedalava aborda a inclusão em discussões que ultrapassam fronteiras, idades, raças, gêneros e classes sociais. A obra de ficção com muito da realidade, traz reflexões sobre os paratletas, mas, com muita sensibilidade, levanta questões sobre o impacto dos Jogos Olímpicos de 2016 para o Rio de Janeiro e para o Brasil. O livro foi lançado, no ano passado, em inglês, com o título Riding. E, só em março deste ano, em português.

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CAROLINA BUTLER Faxina do dia Hoje acordei com vontade de faxinar a casa. Comecei pelas gavetas. Limpei todas as mágoas que estavam engavetadas, fazia tempo. Fui para os quartos, arranquei fora todo o apego às roupas e calçados em desuso; estendi a cama com uma suave colcha de retalhos, recortados dos momentos mais felizes da minha vida. Na sala, liguei a mangueira para lavar qualquer decepção que tenha se assentado lá, durante a vida; e no sofá ao lado, enfeitei com amor, para relembrar as vezes em que eu e o meu pai rimos alto, por ali, assistindo o Chaves. Nos banheiros a limpeza foi profunda, esfreguei bem, para limpar cada lágrima que já chorei ali, sozinha, em dias de profunda solidão e amargor, depois, espalhei bom ar, com cheiro de saudade e de esperança. Os corredores foram fáceis, porque neles havia apenas vestígios, limpei com um detergente da marca Decisão, e, para finalizar, ornamentei-o com mudas de criatividade. 88 | CULTIVE

Chegou a vez da cozinha. Ali foi bem complicado. Limpei tudo com muita delicadeza, para não danificar nenhuma das boas lembranças que enfeitam aquele espaço. A mesa está cheia de diálogos, cuidei para não os amassar. A mobília guarda tantas histórias. A cristaleira... ah, a cristaleira... Está abarrotada de sonhos, de viagens, de momentos singulares, por isso precisei soprar suavemente, apenas para arrancar algum pozinho que tenha ficado de algum cristalzinho que, acidentalmente se quebrou, mas que, sem dúvida, emendei todos os pedaços, e ainda coloquei de molho no leite, para não ficar marcas. O fogão nem sei como descrever. Todos os aromas e sabores dos cafés, almoços e jantares com os amigos, com a família e, especialmente, com o meu par estão ali, por toda parte, em meio à manteiga das frituras. Afinal, quem nunca fritou o humor de vez em quando? Quem nunca fritou a decepção? Quem nunca fritou as ideias, pensando como seria o amanhã? Demorei, porque as peças foram, delicadamente, separadas, limpadas e recolocadas no lugar. Tudo limpo. Faxina completa. Estendi as boas-vindas no varal, para que amanhã comece tudo outra vez.

CAROLINE CRISTINA CAROLINI CARDOZO PINTO SOUZA ASSMANN lineparis@hotmail.com Brasileira

Estudante de Audiovisual, lançou o seu primeiro romance em 2017 Seis Meses, participou da Bienal do Rio e da Feira do livro de Porto Alegre. Em 2018 será lançado o seu segundo livro Ben. Canoas - RG Email: caroliniassmann@yahoo.com.br

ENCONTROS DO PRAZER

VERGONHOSO EQUÍVOCO POLICIAL Jeremias caminhava normalmente Em direção ao geral cotidiano. De súbito, alguém gritou «delinquente!» Rebateu, alegou ser algum engano. Todavia, o golpearam d’um modo insano: Murro atrás de murro com cicatrizes, Tratamento severo, desumano. Isso por causa das suas negras raízes. Em sua face, disparos em deslizes Vergonhoso equívoco policial, Avessas autoridades, uma crise Paga por Jeremias, cheque fatal. Lagrimam seus filhos e esposa tão logo, Na censura de tais crimes, me jogo.

A sensação de estar satisfeita e apaixonada é a melhor do mundo, mesmo que você tenha o visto apenas por uma tarde. Meu dia estava insuportável e em apenas segundos tudo mudou, estava no meu carro, parei no sinal, olhei para o lado e o avistei parado ao lado no seu carro, nossos olhos se encontraram, um arrepio tomou conta de todo meu corpo, ele sorriu, eu não resisti, o sinal abre, eu acelero e saio na frente, ele me segue, acelero mais, uma corrente de adrenalina corre por todo o meu corpo, ele acelera e continua me seguindo, um sorriso perverso toma conta do meu rosto. Pego o controle do portão de casa e abro e automaticamente a garagem também abre, paro o carro e em segundos ele para na calçada, desço do carro, ele faz o mesmo e se aproxima muito rápido, assim que ele entra, me agarra, não o interrompo, apenas aperto o botão para a porta da garagem fechar, escuridão toma conta de tudo, só sinto suas mãos tomando conta de mim, sem pensar, me jogo, transamos ali mesmo, nunca fui tão louca, era exatamente o que eu estava precisando para o meu dia. Não trocamos uma palavra, apenas gemidos, após ele terminar, ele se afasta, apenas aperto o botão da garagem que abre uma fresta e ele sai. Sento no chão, suspiro, ele se foi e me deixou ali satisfeita e apaixonada.

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C A R L O S ALMEIDA N. Lisboa (1960) mas as raízes familiares e culturais estão sedeadas em Santa Cruz da Trapa (S. Pedro do Sul); vivo em Viseu, onde exerço a profissão de professor de História e dirigente associativo/animador cultural na Ass. Gicav, que ajudei a fundar. Possuo obras artísticas em várias colecções particulares, no país e no estrangeiro, vários livros editados (Poesia e Prosa).

PENEDIAS a aurora desce sobre os prados e as giestas assobiam os ventos tresmalhados estendem-se as cobras vadias ao sol as sombras escondem-se algures os mochos já não tecem mau presságio soltam-se as borboletas do arco-íris no pó da terra sangrenta espreguiça-se a pele abandonada gotas de orvalho crescem como lágrimas arrependidas do olhar de um rosto esquecido

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Celia Oliveira Nasceu em Sobral-Ceará em 1947, filha de Antônio Gomes de Oliveira e Raimunda Torquato Oliveira, é bacharel em Direito pela UFC, especialista em Direito do Consumidor pela Unifor; Ministrou aulas de Direito e Legislação no Liceu do Ceará e na Escola Normal Justiniano de Serpa; Foi professora de Direito do Consumidor no Curso para Comunidades da FIC; Foi Assessora Jurídia da Secretaria de Administração de Fortaleza; Foi auditora Fiscal Trabalho do MTE; Escreveu seu primeiro livro de crônicas O Melhor Tempo em 2013, em 2014, escreveu seu primeiro livro de poesias na Quietude da Noite e em 2016 lançou seu segundo livro de poesias intitulado Recôndito das Pérolas, em 2017 escreveu um opúsculo de Adaptação das Fábulas de ESOPO. É autora de artigos publicados no site da Associação Portuguesa de Direitos do Consumidor, Sociedade Científica. Membro da Academia de Letras e Artes de Fortaleza (ALAF), da Academia Feminina de Letras do Ceará (AFELCE), do Conselho Internacional Dos Acadêmicos De Ciências, Letras E Artes (CONITER), da Academia de Letras Juvenal Galeno(ALJUG); da Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil (AJEB) da Associação Cearense de Escritores Cearenses(ACE);da Academia de Letras dos Municípios de Ceará(ALMECE). Na ALMECE ocupa a cadeira de nº 50, representando o município de Sobral Ceará, tendo como patrono o Prof. Teodoro. É Coautora da Coletânea Literária-Integração Cultural Interestadual Fortaleza- CE – Mossoró-RN em 2016; Da Antologia” Poesias sem Fronteiras” em 2016 e 2017; Da Coletânea Literária “A Arte de Ser mulher- Poesia Feminina”2016; da Antologia Sete Pecados Capitais em prova e versos em 2016 e Os Dez Mandamentos em 2017; da Antologia Mulheres& Letras-Um Binômio Notável; da Antologia Longevidade Poética em 2018.

Profusão dos Sonhos Nesse noite fria Aninham-se as aves Nas velhas árvores, Impera um silêncio de mosteiros. Refugiam-se as cotovias Nas fendas das pedras das serras Vento brando das várzeas Suave brisa do rio acaricia. Deito-me em meu leito aconchegante Absorta nos meus pensamentos, Qual abelha que abunda mel Adormeço na profusão dos sonhos Ao sabor do céu cravejado de estrelas. No persuasivo desejo de sonhar contigo Em nosso ninho ataviado de almofadas de linho, Numa divina fusão de amantes Sob um dossel de flores Acariciantes...

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CELIA OLIVEIRA O VELHO BAÚ Lembro-me do velho baú no canto de um quarto no final do corredor daquela casa, onde passei toda minha primeira infância... Pertencia aos meus antepassados... Sempre tive grande curiosidade de saber o que continha no interior daquele baú, tão bem conservado, bem trancado com fechadura dourada, com a chave anexada ao chaveiro principal da casa e coberto com uma manta de xadrez para evitar seu desgaste. Eu idealizava, na minha fértil imaginação de criança, que ali era guardado um tesouro e que só as pessoas mais idosas podiam vê-lo escondido no baú da casa. Certo dia, em que minha curiosidade se encontrava mais aguçada, já na minha adolescência, resolvi esconder-me por trás de um armário, exatamente na hora em que alguém abria o baú. Eu queria saber o que de tão importante havia ali dentro e por que aquele cuidado tão exacerbado na hora em que estivesse com sua tampa levantada. A tampa, por dentro, era azul cor do céu e repleta de estrelas douradas... Um céu embauzado? Perdi meu tempo. Não vi nada... Mas ouvi vozes que falavam aos meus ouvidos: “Aqui nesse baú encontram-se guardados segredos de um tempo passado; lembranças de uma paixão vivenciada, cartas de amor amarradas com fita de veludo escarlate, camisola do dia de rendas e bordados se desfazendo em pedaços, um lenço com marca de batom encarnado, uma carta de baralho, talvez a carta que na manga ficava; um álbum de retratos amarelados, um frasco vazio de perfume madeirado, pétalas de rosas secas, um jarro de cristal trincado, um colar de pérolas quebrado, fronhas de seda ainda manchadas pelas lágrimas de olhos gotejantes de 92 | CULTIVE

tanta felicidade...” Quando a voz sumiu, concluí que no baú eram guardados segredos inimagináveis, coisas para sempre lembradas... relíquias de um passado sacramentado, uma história de amor que o tempo perpetuara... Depois daquele dia satisfiz minha curiosidade...

33° Salão do Livro de Genebra do 01 ao 05 de maio de 2019 Lançamento de livros Concurso Literário Anotlogia Cultive Presença de autores Confraternização Venda de livros inscrições: cultive@bluewin.ch

CINARA FILGUEIRA MACIEL (Cinara Maciel) Mossoró- é Mestre em Ciências da Educação, Especialista em Ciências da Educação e em Gestão de Pessoas, Graduada em Turismo (Bacharel em Turismo/Turismóloga), Guia de Turismo regional devidamente cadastrada no Ministério do Turismo.

MEMORIAL DA RESISTÊNCIA O memorial da resistência é um museu brasileiro a céu aberto localizado no interior do estado do Rio Grande do Norte no município de Mossoró, inaugurado no dia 04 de junho de 2008 em homenagem aos mossoroenses que resistiram ao ataque do cangaceiro Lampião e seu bando. Esses mossoroenses foram denominados de Heróis da Resistência porque em 1927, o cangaceiro Lampião influenciado pelo ambicioso cangaceiro Massilon Leite Benevides, resolve invadir a cidade de Mossoró, devido ao seu progresso e poder econômico. Eles visavam atacar as instalações do Banco do Brasil, a indústria, o comércio e as residências. Lampião, homem ousado, corajoso e valente, enviou uma carta ao prefeito, Rodolfo Fernandes, exigindo 400 contos de reis, e a sua resposta foi embrulhada com uma bala para o então comandante das caatingas, dizendo que ele fosse pessoalmente contar o dinheiro. Com isso Lampião e seus cabras partem da Serra de Luiz Gomes, no Rio Grande do Norte, em direção à cidade de Mossoró, numa viagem que durou três dias. Nesta demora, que levou para se deslocar de uma cidade para outra, houve tempo suficiente para o prefeito de Mossoró tomar a iniciativa de mandar guarnecer a cidade, providenciando reforços do interior e da capital.

O Memorial mostra os aspectos econômicos, sociais e culturais do município na época de 1927 e destaca diferentes temas e aspectos do Cangaço, mediante uma exposição de grandes painéis. No módulo 1 “Cangaço” – retrata a história desse movimento com destaque a Lampião e seu bando. No Modulo 2 “A Batalha” – trata de aspectos da resistência dos mossoroenses ao bando de Lampião, com seus personagens e suas histórias. No módulo 3 “A cidade” - mostra a evolução de Mossoró, com seus fatos históricos, por exemplo temas como a libertação dos escravos, cinco anos antes da assinatura da Lei Áurea, o primeiro voto feminino da América Latina, dentre outros. A obra já é considerada um marco na cultura de Mossoró e tem como objetivo resgatar a história da cidade.

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CHRISTIANE DE MURVILLE Graduada, mestre e doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo, com especialização em psicodrama e orientação profissional, Christiane Isabelle Couve de Murville dedicou a sua carreira ao atendimento psicológico individual e grupal de crianças, jovens e adultos, oferecendo oficinas de teatro espontâneo em contextos variados. Também é bacharel em Ciência da Computação pela USP e sua dissertação de mestrado foi publicada pela editora Casa do Psicólogo. Morou sempre no Brasil, apesar da dupla nacionalidade, brasileira e francesa. Publicou a trilogia “A Caverna Cristalina” e a novela “A vida como ela é”, no Brasil e na França, além de livros e artigos acadêmicos. Tem experiência artística em escultura, desenho, pintura e cerâmica e faz as ilustrações de seus livros. www.cavernacristalina.com.br

A GUERRA DAS BONECAS Bia tinha uma Susi e Bel uma Barbie. As duas irmãs sempre brincavam juntas, inventando diversos cenários para suas filhas. O sofá transformava-se em tobogã para as bonecas e a penteadeira em Igreja, onde a Barbie casava-se com o Ken. Depois, era a vez de Susi casar-se no jardim, com as flores no papel de convidados da festa. Não havia problema em compartilhar o único galã disponível. Tudo corria bem, até o dia em que as meninas resolveram brincar de cabeleireiro. Bia cortou o cabelo da Barbie da irmã, que, muito brava, rabiscou uma maquilagem horrível na Susi. Mas Bia revidou e quebrou o braço da Barbie, fazendo Bel entortar os pés da Susi. E ninguém mais queria brincar de servir, só de ser madame importante, dar ordens e mandar em tudo. Os tempos de paz e tranquilidade haviam terminado. Agora era guerra. As irmãs não se falavam mais e o quarto foi divido em territórios. O mundo perdeu a magia. As flores não eram mais convidadas em festas, a penteadeira deixou de ser palco de casamentos e o sofá passou a ser um simples assento. Logo, Papai Noel também não existia. Foi chegando o Natal e as meninas sonhavam com bonecas novas. Mas a mãe logo esclareceu que meninas que não se comportam como princesas não ganham presente de Natal. Bel e Bia entreolharam-se preocupadas, antevendo o futuro terrível que as esperava: continuar no mundo da Barbie e da Susi estragadas, da guerra e dos territórios, com cada uma achando-se melhor e mais boazinha do que a outra. 94 | CULTIVE

Passados mais alguns dias, as irmãs voltaram a brincar juntas e, com o tempo, nem se incomodavam mais de as bonecas estarem meio destrambelhadas e se assumiam papel de bruxa ou de fada. As flores, a penteadeira e o sofá recobraram vida e, na manhã do Natal, cada menina encontrou uma surpresa ao lado de sua cama. Papai Noel tinha passado! Com muito cuidado, Bel e Bia pegaram seus presentes e, ao abri-los, seus olhos brilharam. Tinham se transformado em princesas. A era dourada havia voltado!

Clélio Souza

CONTROVÉRSIA I Lá de fora o céu chora Daqui de dentro d'ocê chovo. II Chuveiro ligado, rádio chiando teto cheirando choco tudo é temporal comigo hoje. III Fico nuvem arrasto olhos dias e noites não me aguento mais e chovo: oh raios!

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ESTRANGEIRA Estranho isso, mas voltar a Fortaleza desta vez foi diferente. Embora tenha aqui vivido meus primeiros momentos, desta vez a cidade me pareceu "estrangeira"... Ou seria eu a estrangeira?

CLAUDE BLOC É a mão que está estruturando o evento FECCCR em Crato ela é a Curadora da FECCCR e representa a Cultive no CARIRI. Claude é escritora e professora. Os laços com a Cultive se estreitaram durante o 32° Salão do livro de Genebra onde participou trazendo seus livros e particpando do Lançamento de duas Antologias Cultive nas quais participou: Songe d’une Nuit e Coragem. Claude foi premiada, seu texto ficou em 2° lugar no II Concurso Cultive de Literatura.

Mergulhar de volta no Cariri, cercar-me de rostos amigos, respirar o clima e a simplicidade do lugar... tudo isso fez a diferença... Voltei à minha alma quase rural, e a vida citadina ou cosmopolitana saiu-me pelos poros e hoje me sufoca de certa forma pela sua pressa e pela sua grandeza...

Meu pensamento trilha o espaço azul e volta à chapada como se, de repente, eu estivesse com sede ou com fome, ou como se eu estivesse extirpada do meu lugar.

Volto logo para Crato, claro, mas esse pouco tempo aqui já é o suficiente para sanar as saudades de cá, da capital... É isso, então. Fiz minha escolha. Quero estar no meu (re)canto embebida de uma amiga constante: a minha PAZ.

Claude Bloc

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DHIOGO J. CAETANO Uruana/Go

DIÓGENES CARVALHO VERAS DESAMOR

ONDE NADA É ETERNO Perder o medo da vida me fez transcender a hipocrisia. Quantos se escondem por trás das redes sociais; mandar uma mensagem inbox também pode “matar” uma pessoa. Agradeço as palavras que tinham por objetivo ultrajar, mas não me ofenderam, ensinando-me a ser um indivíduo melhor. Não estou namorando, não tenho filhos, moro com os meus pais, sou vegetariano, ganho o necessário para a manutenção da minha vida... sou Feliz e isso é o que verdadeiramente importa! Tem mais alguma pergunta? O casamento do supérfluo com o ego tem levado os homens para os porões da dor e da miséria humana. Por que eu não gostaria de mulher? Independentemente de qualquer opinião, biologicamente e psicologicamente sou homem. Vestir-me de mulher não altera o meu caráter, a minha dignidade e a coerência das minhas ações. Tenho orgulho de me comparar com Jorge Lafond (Vera Verão), Clodovil Hernandes, Marco Nanini, Paulo Gustavo... sou Humano! Vida, obrigado pela oportunidade. Universo, minha eterna gratidão pelo acolhimento. Deus faz de mim um canal de auxílio para o próximo. Criaturas de todas as galáxias, o meu eterno amor. Ser feliz é o meu objetivo, amar é a minha missão.

Venham, estrelas! Aliviem o meu tormento, massageando de luz a minha dor. Iluminem esse vão passatempo, o de sofrer desafortunado amor. Muitos são os meus lamentos e tantos os meus miramentos que nem sequer mais sustento os meus olhos no firmamento. Venham, estrelas! Sanem essa loucura de desejar o que não posso ter e me deem qualquer candura que só os teus raios podem conceder. Demasiados são os segundos, largos os meus choros profundos, tão tristes e rotundos como não há mais nesse mundo. Venham, estrelas! Reflitam a minha queixa e sequem o meu pranto, que nem sequer me deixa querer a quem amo tanto!

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DULCE COUTO é brasileira da

cidade de Bom Despacho, MG. Artista plástica é também ilustradora, professora, arte terapeuta e escritora. Possui poemas e contos premiados e livros publicados no campo da arte, educação, cultura e inclusão social.

Amoras Verdes folhas sacodem ao vento Guarda nos galhos um doce alento Amoras rubras de finíssimo sabor Tingem os lábios com sua doce cor. Deixa marcas em quem as pegam Marcas maiores se as carregam Manchas nas pontas dos dedos Pintam tudo sem o menor medo Quando pisadas ou amassadas Tingem de rubro toda calçada Manchas em forma de mapas Território de muitas pegadas Assim são as doces amoras Deixam sempre uma memória Carimbam com a cor do agora O momento de minha história. 100 | CULTIVE

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EDMILSON MARANHÃO

Edson Amaro de Souza

escritor, professor, agricultor Maranhão livro: Que prosa é essa?

CORDEL PARA OS PREFEITOS DO CERRADO O Cerrado por soja jaz cercado E de bois que a Europa vai comprar: Seu vasto território recortado Por fazendas tão vastas quanto o mar Condenando os retalhos ao ilhar. Onde fará seu ninho a mãe tucano Vendo os ipês cortados ano a ano? Onde descansará o suriri Se não puder jantar um bom pequi Nos dez pés de martelo alagoano?

A leitura é o conhecimento do ensinamento A leitura faz bem para a mente e é a fonte de conhecimento. É o princípio básico do ensinamento. Ler é essencial para a vida, é noção básica de tudo, é a visão ampla do mundo. Quem ler conhece e sabe como é a vida e sabe distinguir um pouco de tudo ; quem não ler por que não quer está sendo passivo e omisso com seu próprio ego e estilo de vida pois quem não sabe ler e nem escrever é cego surdo e mudo, é um morto vivo dentro de sua realidade. Muitas pessoas que não sabem ler e nem escrever culpam-se por não ter a chance de estudar e aprender alguma coisa na vida e por serem analfabetos. É muito triste ! Ler abre a visão para o mundo, por isso ir à escola só para aprender a lição e ter uma formação para uma capacitação de vida não é bom. Ir à escola é estudar de verdade, para aprender a ler e interpretar o que está lendo. A leitura desenvolve a capacidade física e mental do ser humano. Quem ler e se dedica tem vocação, determinação e amor aos estudos. À leitura é a supremacia de tudo, é a vivencia do aprendizado. Por isso quem pratica a leitura é uma pessoa alfabetizada, bem informada, atualizada e conectada. Nunca é tarde para aprender a ler e nem para escrever. Quando tudo se consegue basta ter fé e esperança. A leitura é a base para o conhecimento.

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Quem quiser realmente preservar Esse bioma sempre ameaçado Terá que à juventude confiar A biodiversidade do Cerrado E por dez mil escolas espalhar Com lições de um biólogo decano Mais de trinta mil mudas ano a ano De babaçu, pau-ferro, guariroba, Mangaba, ingá, ipê, pororoca Nos dez pés de martelo alagoano. Plantando a juventude em seus quintais Moradias onde pouse o bem-te-vi, Não somente nos parques nacionais Se verá voar livre o suriri E a garrincha fará seu ninho em paz. Aos prefeitos novatos deste ano Que para a ecologia buscam plano Eu faço a sugestão deste cordel Que não lhes pesará mais que o papel Nos dez pés de martelo alagoano.

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EDSON ALMEIDA COIMBRA

ELOAH WESTPHALEN NASCHENWENG

LADRÃO É O QUE NÃO FALTA POR AQUI Jornal da Manhã. Primeiros dez minutos: Milhares de brasileiros, das classes pobres, média e até alta, em todo território nacional furtam energia elétrica diariamente com ligações clandestinas, saqueando vinte e dois milhões de reais por ano aos usuários honestos que pagam a conta cerca de dezessete por cento mais cara Médica de Novo Hamburgo aplicava vacina de ar contra febre amarela cobrando até quinhentos reais por dose. Deficientes físicos com direito a ingresso grátis para si mesmos e mais um acompanhante, tornam-se cambistas nas portas dos estádios e vendem os ingressos recebidos gratuitamente. Engraçado que estes, citados no telejornal viram manchetes de minuto e uma hora depois caem no esquecimento. Os únicos expostos à execração pública por lesar a nação são os que roubam grandes valores, como se houvesse um teto para não ser considerado corrupto e ladrão. Alguém duvida que a maioria dos gritos, das revoltas e dos xingamentos contra esses empresários e políticos são na realidade inveja e raiva dos acusadores por não poderem estar lá porque se estivessem fariam a mesma coisa? Não quero com isso defender quem quer que seja. Quem rouba é ladrão e tem que ir pra cadeia. Quando os portugueses chegaram aqui e resolveram tomar as terras para a coroa, povoaram os espaços tupiniquins com uma civilização de ladrões, presidiários, assassinos e toda escória do que havia de pior na terrinha. Será que quinhentos anos não foram suficientes para limpar um pouco essa herança genética? Empresários corruptos, políticos e toda a corja de ladrões do alto escalão do país não vieram de outro planeta, não são ETs, nasceram aqui e saíram do seio dessa sociedade em que todos nós vivemos. Foram crianças como todos nós, receberam educação e foram à escola. Que tipo de formação moral e ética receberam que por tão sensível queda diante de qualquer interesse egoico em detrimento dos valores verdadeiros que norteiam a caminhada do homem honrado e digno? Que tal pensar um pouco e dividir essa culpa dando a cada um o seu quinhão de responsabilidade?

Inquietude Caminhei junto as minhas fantasias alinhavando nas feridas as cores que se desfaziam, iludidas pelo querer. Algemada, ao receio do abismo que sentía, perdida, ergui meu olhar para o infinito à espera da trégua desejada e da destemida força almejada. Procurei sentir a vida, perseguir e mergulhar na claridade que se apaga e, na feiura do olhar, deixei escapar os devaneios mitigada pela sombra que acolhe a alma. Detenho-me, sei que anoitece em mim. Penetro na solidão ajustando-me a realidade que entrevejo, nitidamente, na simplicidade da vida que é minha. Deito- me então no vazio, escudada pelo amor que atravessa o peito, e ouço a voz da razão, transbordada de quereres. Há tanto a fazer e tão pouco a esperar! Eloah Westphalen Naschenweng (in, Canto Solo)

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ELSE DOROTÉA LOPES É professora, contadora de histórias, graduada em Pedagogia e pós-graduada em Literatura Brasileira. É Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Alto Rio das Velhas - MG. Coordena o Núcleo de Atividades Literárias do Centro Cultural de Nova Lima. Participa de mais de cinquenta antologias. Publicou os livros «Aves Brasileiras de A a Z” e “Plantas Ornamentais de A a Z”.

O Natal de um recuperando Ronan estava preso havia muito tempo. Era véspera de Natal e ele recebeu a permissão para passar o Natal fora do presídio, com a sua família. Que família? Sua mãe havia falecido. E os irmãos? Não gostavam dele e nem ele gostava dos irmãos. O pai? Ele não conhecia. Ele não era filho do marido de sua mãe. Ele foi criado na Creche de Dona Maria da Luz, pois nem os irmãos nem o mari106 | CULTIVE

do de sua mãe queriam que ele morasse com eles na mesma casa. Natal era uma data da qual ele não tinha boas lembranças. Na creche, véspera de Natal, as outras crianças iam passar com a família. Ele esperava, esperava, mas a sua família não vinha buscá-lo. Ele ganhava presentes, mas carinho... Só Marta, uma das faxineiras, tinha carinho com ele. Mas não podia levá-lo para a casa, pois ela não tinha casa, morava com duas amigas. E para ele era uma agonia. Já na rua, Ronan pensou o que iria fazer neste Natal. Já tinha decidido antes mesmo de sair do presídio: iria entrar em alguma casa para roubar. Quando chega o Natal as pessoas ficam distraídas. Saem para comemorar o Natal com os parentes e deixam a casa à vontade para os ladrões. Já tinha escolhido a casa. Era a casa verde que fica na esquina de uma avenida: três pavimentos, garagem no porão, residência e terraço. Tinha cerca elétrica, mas bem em frente havia uma árvore enorme, cujos galhos iam até o terraço. Ia ser moleza! Já tinha todas as informações. Lá morava uma professora aposentada. Morava sozinha e, segundo informações dos vizinhos, era rica. Deveria sair e passar a noite de Natal com parentes.

Era tarde do dia vinte e quatro. Ronan resolver passar nessa avenida, enquanto estava claro para observar a árvore onde pretendia subir. De longe viu que as janelas estavam fechadas. Pensou: “Se não tiver ninguém na rua, vou invadir a casa é agora.” Quando chegou perto ouviu um burburinho, vozes de crianças no porão da casa. Parecia estar acontecendo uma festa na garagem. Melhor, pois se fizesse barulho, ninguém ouviria. Subiu na árvore. Foi até um galho e dali foi fácil pular para o terraço. Desceu as escadas e chegou até uma porta. Estava fechada. Havia uma janela, com um pequeno empurrão, conseguiu abri-la. Era baixa e ele pulou. Entrou na copa. Não achou nada interessante. Tinha uma mesa e um guarda-louça com umas velharias. Foi para a sala. A televisão era daquelas antigas, de vinte e nove polegadas, pesadona. Ao lado da televisão tinha porta retratos e alguns troféus. Nada de valor. Nada de ouro que poderia render algum dinheiro. Abriu as portas da estante. O que tinha lá? Livros, só livros. “Realmente aqui não tem nada de valor, nenhuma riqueza” pensou. Foi para o quarto. Além da cama, um armário de oito portas ocupava toda a parede. Aqui sim! Aqui deve estar escondida a riqueza da professora. As portas nem estavam trancadas. Abriu uma das portas. Livros, muitos livros. Abriu outra, livros. Outra porta, livros. No maleiro? Livros também. Em todo o armário... Só tinha livros. Entrou em outro quarto. Uma cama de solteiro e um guarda-roupa pequeno. Nele só havia roupas. E poucas. Tirou todas, colocou em cima da cama. Olhou bolsos, não tinha nada. E roupas de mulher não interessavam para ele. Nem tinha para quem dar. Foi até outro quarto. Tinha também um grande armário. Abriu todas as portas. Olhou o maleiro. Só livros. Será que a riqueza daquela professora era apenas livros? Estava pensativo, sem saber o que fazer, sem saber o que roubar, quando entra no quarto a professora com uma sacola na mão e não ficou assustada que o viu. Foi ele quem se assustou. Nem teve forças para falar a frase que tantas vezes falara para as pessoas na rua:

“É um assalto”. Ela parecia estar esperando por ele. Entregou-lhe a sacola e disse: - Como você demorou! Vista a roupa rápido! As crianças estão ansiosas e eu preciso levá-las de volta para a creche antes que escureça. Ronan recebeu a sacola. Dentro tinha uma roupa vermelha. Era uma fantasia de Papai Noel. Ele nem tirou a sua roupa, vestiu por cima. Colocou a peruca, a barba e se olhou no espelho do corredor. Nem se reconheceu. A professora entregou-lhe um saco vermelho cheio de brinquedos e disse: - Acompanhe-me. Eles desceram as escadas. Quando ele apareceu, as crianças bateram palmas e correram ao seu encontro. Ele começou a tirar os brinquedos do saco e entregar: bolas, carrinhos, aviõezinhos, bonecas, panelinhas... Todos em pacotes de plástico com os nomes das crianças. Ele ia pegando os saquinhos, lendo os nomes e entregando para as crianças. Depois que terminou, a professora deu-lhe um tabuleiro com cachorro quente e caixinhas de sucos para que ele distribuísse. Já estava suando e ainda teve de tirar fotos com as crianças. Ainda bem que a fantasia o deixava irreconhecível. A professora disse a ele que fosse com ela levar as crianças de volta para a creche. Ele saiu pelas ruas, rodeado de crianças. Quando chegou lá, todo o passado voltou à sua memória. A Creche era a mesma de sua infância e a velha professora era aquela jovem professora que ia semanalmente contar histórias para as crianças. E essa lembrança o deixou imensamente feliz. Ele pensou: “Quando criança, eu não tive Natais felizes. Nesse Natal eu estou imensamente feliz, pois fiz muitas crianças felizes”. Else Dorotéa Lopes

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EVANDRO ALVES MACIEL Email.: kairos_h3@hotmail.com Vila Anglo. São Paulo. SP. Brasileira

FÊMEO Fechados meus olhos afinal depois que tanta luz os teve atravessado, a cegueira era inevitável. Era tanto espírito, tanta alma num corpo morto que transbordava algo e algo transbordava. Eu me sentia como se me sentir fosse a contradição máxima entre querer e poder. E me queria, então, dançarino, mas me podia apenas homem. Eu me sentia como se me sentir fosse a condição máxima entre morrer e viver. e me podia, então, vivo, embora me quisessem morto. Houve a franja houve o risco o teu riacho belo e comprido que me aguou os olhos cheios de luz. 108 | CULTIVE

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Numa árvore bem ao lado onde cantava o passarinho, dois filhotes pipiando alto, com fome dentro do ninho. Mas de repente essa mata foi tomada de alvoroço... Um tiro estrugiu no vazio, ferindo um frágil pescoço!

EVANDRO NUNES DA SILVA evandronunesbb@gmail.com São Luís (MA) BRASIL

O ÚLTIMO CANTO DO PASSARINHO No crepúsculo matutino, numa manhã ainda morna... Um casal de passarinho ao raiar do dia acorda.

O casal de passarinho, só um deles que voou. O outro caiu no chão, pois um tiro o pegou. Foi o macho quem voou, com uma asa quebrada; não chegou a ir tão longe, caiu a metros da amada. No ninho os dois filhotes já com o destino traçado. Era morrer de fome logo, então ser logo devorado. Findou-se a melodia do sabiá que cantava perto de seu ninho. Mas aquele caçador se achava, um herói matador de passarinho!

Agora os dois num galho, muitas folhas orvalhadas, gorjeando em hino festivo nas árvores perfumadas.

O covarde caçador se achava um forte, só porque matava passarinho, e deixava morrendo à míngua, muitos órfãos no seu ninho!

Mas que tamanha alegria quando a mata acordava. Passarinhos pelos ares, muito inseto que zoava.

E o covarde caçador se achava, um herói matador de passarinho!

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F 110 | CULTIVE

Conflito de Gerações Todos os dias nos relacionamos com pessoas de diferentes faixas etárias, seja no trabalho ou em nossa vida particular. Pessoas das famosas geração X (1960/70) e geração Y (1980/90) por exemplo, além de, claro, gerações mais velhas ou mais novas, como a geração Z (1992/2010). Comum também é o conflito destas gerações. Motivos óbvios não faltam, pois cresceram, estudaram e conviveram com diferentes tipos de informações, políticas e economias, além da própria criação em si. Este conflito fica mais aparente em se tratando de um ambiente competitivo como o do trabalho. Na hora do lazer, do convívio simples, estamos sujeitos a desavenças também, mas é quando envolve negócios, leia-se dinheiro/ poder, que o bicho pega. Jovens cheios de ideias, aptos por desafios, sem medo de arriscar e ansiosos de um lado, contra uma geração X por exemplo, conservadores, pragmáticos e que geralmente estão em posição de gerência, devido a sua bagagem. Cada qual com um ideal de vida, um valor diferente. Enquanto uns trabalham para poder consumir imediatamente o que desejam, sendo que no mundo de hoje ter é status, outros são mais pragmáticos, preferem a segurança do investimento, desde que tenham as contas pagas. Isso causa um impasse. Os mais novos acham

que são boicotados, que causam medo devido a sua formação atual e mais recente, enquanto os mais velhos, geralmente com salários mais altos e responsabilidades muitas vezes maiores, como filhos na faculdade por exemplo, têm a insegurança de serem descartados em troca de profissionais sem experiências e inconsequentes. Fato é que, se pensarmos bem, isto é bom para todo mundo. As empresas dependem justamente disso, desta diferença, desde que haja qualidade e honestidade de todos os profissionais. É o que as fazem crescer. Os novos trazem pensamentos diferentes, que nunca ninguém até então se importou ou pesquisou. Atitudes e comportamentos novos, trazendo o feedback na hora, sendo que eles próprios são os consumidores atuais. Os mais velhos, somam com a qualidade e responsabilidade administrativa, de uma geração que teve que romper barreiras e construir algo de valor, num país onde a inflação, por exemplo, não permitia o imediatismo.

FÁBIO PEXE, piracicabano,

brasileiro, publicitário, escritor por paixão, colunista e colaborador de diversos textos para jornais, revistas e magazines, do Rio de Janeiro ao Mato Grosso do Sul.

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FÁBIO DAFLON

MAR RASO Tudo que me torna raso me alegra como um mar que dá pé, tudo que me deixa mudo abre meus olhos e observo, às vezes sinto medo outras vezes saio e mudo do local onde há perigo para me defender do mundo estúpido, outras vezes, ainda, o mutismo que é o idiota ou é pânico mesmo, que, quando saio, mudez me torna outra pessoa; tudo que me põe de luto me faz não lutar contra a tristeza, não luto com algo tão profundo, que traz ao mar raso, mais constante, a dor em forma de sentimento a se expressar melhor do que como dor apenas, súbita em forma de oceano em fúria de mar convulso, que me rasgaria o peito como se rasgasse quilha, 112 | CULTIVE

tudo que me faz profundo é o acerto da manobra que traz navio à mar raso onde não importa o naufrágio. Onde o navio não chega, por causa do seu calado, mas o corpo alcança a praia para homem inacabado, sobrevivente de si mesmo, com muito ainda a fazer-se, com mais ainda a fazer.

FERNANDO ANTÔNIO FONSECA Brasileiro. Desde adolescente que me interessei pela atividade literária. Lí os clássicos da literatura nacional e universal. Escrevia e lia contos e poesias com certa frequência.Aos “17” anos ganhei uma menção honrosa em um concurso de contos da Academia Municipalista de Letras de Belo Horizonte. Iniciei meus estudos tecno-profissionais aos “20” anos, na Faculdade de Engenharia da “UFMG”,o que me afastou temporariamente da literatura. Trabalhei alguns anos em minha profissão (Engenharia Química), e abandonei o trabalho por transtornos de saúde. Há uns quatro anos, passei a escrever novamente e publiquei em 2013 um livro de poesias chamado “LUZES EM MONÒLOGO”, por uma pequena editora de Portugal, em co-participação. Em 2016 publiquei meu segundo livro de poesias denominado “IMPERFEITA DESARMONIA”, pela Scortecci Editora. Já publiquei poemas em sites, blogs, antologias, revista digital, e jornal. Tenho um livro de poesias inédito, o qual pretendo publicar em breve. -E-MAIL: ferantfon@ig.com.br

“DAY- BY- DAY” - Todas as tardes me sento diante do meu notebook para escrever versos e raciocinar - Todas as tardes me lembro dos fatos em evidência nas páginas do jornal que vasculhei - Todas as tardes me preparo para a guerra mas na verdade espero um escape para a paz - Todas as tardes duzentas flechas perfuram meu corpo sem matar-me inteiramente - Todas as tardes ouço músicas de sofrência enquanto trabalho meus textos - Todas as tardes resisto em denunciar uma armadilha que se insinua para mim - Todas as tardes tomo duas xícaras de café enquanto invento palavras e situações - Todas as tardes persisto em ser original e a poesia me cai bem como um blazer - Todas as tardes resolvo fazer uma pausa e olhar o tempo lá fora - Todas as tardes atiro uma âncora para me fixar na superfície da sanidade - Todas as tardes termino meus afazeres com cara de adiados prazeres C CULTIVE | 113


FLAVIO ORSI DE CAMARGO

Peão da alma

Nascido em Vacaria, estado do Rio Grande do Sul, Brasil no ano de 1950. Engenheiro Agrônomo. Membro do Grupo de Poetas de Florianópolis onde tem suas poesias publicadas na Revista Ventos do Sul e na Antologia Sintetizando a vida.

Vem peão da alma. Se achegue vivente. Encilhe um chimarrão de versos que aqueça a mente, ainda na madrugada.

Espinhel de Lembranças

Fique atento, peão, para que a cambona não ferva derramando água no brasedo. Para tanto, coloque dentro, palavras de esperança e alento

Laços de embira afundam pedras negras nas águas do Telha, quebrando o silêncio do remanso, formando borbulhas e levando consigo um espinhel de lembranças embaladas com goles de canha com mel. Aqui neste anzol vai um riso fácil de primavera. Neste outro, o gosto do primeiro beijo. Ali perto daquele galho, o brilho do sol. Mais adiante brincadeiras numa chuva de verão. Uma a uma vão as lembranças pescar quimeras, ou quem sabe buscar com Yara, rainha das águas serenas, alivio, pras penas do pescador.

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Agora sorva, peão, lembranças boas e reminiscências recolutas até que ronquem. Depois as liberte para que rondem, coxilhas e canhadas, e do capão de mato tragam cernes de coronilha atiçando as chamas do fogo da existência. Flávio Orsi de Camargo

Francisco Ferreira Vida e Destino: Angustias de Efemeridade Teias e tramas aglomeram-se em minha cara pelo firme traço do buril do tempo, tanto mais se encurtam e esmaecem as linhas de minha mão. A cigana, cega e louca, tateia nas trevas apagada luminária nas mãos a errar a escrita no roteiro de minha sina. O barro do chão matéria pútrida de que fui feito trinca-se, esfacela e se expande deixando vazar o sopro divino a outra parte que me compõe. Na debilidade progressiva dos sentidos quanto mais moucos meus ouvidos mais próximo o silvo da gadanha do ceifeiro. Tão pretensioso dizer-se vivo, se se morre, a cada segundo, milênios de ausência!

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Francisco Evandro de Oliveira Prof de Matemática com Pós-Graduação

A PALAVRA NA ERA DA IMAGEM Desde os tempos mais remotos, a palavra é sem sombra de dúvida, a maior e melhor forma dos povos se comunicarem, entretanto, nos dias atuais, em face da imensa facilidade de riqueza tecnológica existente, a palavra, bem como as diferentes formas de imagens caminham lado a lado como forma de expressar pensamentos e ações. As imagens dizem tudo e substituem qualquer palavra e elas servem de comprovação para elucidar qualquer espécie de crime e podem ser utilizadas nos tribunais como defesa ou como acusação em qualquer processo. No entanto, quem tem o dom da palavra pode reunir milhões a sua volta e fazê-los caminhar pelas ações dos seus pensamentos, como por exemplo: o Nazismo e o Fascismo, que só obtiveram sucesso, devido ao grande poder de persuasão que os seus líderes tinham. Eles faziam de suas falas a principal arma que cativaram e arrastaram milhões de pessoas para a derrocada e destruição. Embora as imagens sejam quase sempre: fortes, fracas, belas, enigmáticas, encantadoras e às vezes, cruciais; no entanto, a palavra sempre cativa, faz a pessoa pensar ou refletir sobre o que se ver ou o que podemos ouvir sem nos prejudicar. 116 | CULTIVE

Imagens e palavras são formas poderosas do ser humano expressar o pensamento e no momento atual, a globalização faz cada dia as pessoas criarem novas invenções que levam as civilizações a se aprofundarem em busca de novas tecnologias, ela faz aproximar os comércios e indústrias internacionais, e logicamente reduziu as distâncias entre as Nações, através de possantes aeronaves ou a utilização de meios de comunicações que cujas mensagens atravessam o mundo em frações de segundos e com utilização da tecnologia que proporcionou o surgimento da internet fez o Mundo está on line. E o homem, ser mais inteligente do Planeta Terra, busca sempre uma forma de caminhar em largos passos e escala ao encontro de novos ideais que tornará sua fonte de felicidade. Isso faz abrilhantar um caminho que a tríade anda e cresce paralelamente. O homem, as imagens e as palavras. O homem racional cresce no sentido de se aperfeiçoar, estando evoluindo a cada dia buscando inúmeras formas de ser feliz e por causa disso, novas palavras surgem face ás guerras que eclodem no cotidiano das civilizações e as sinergias existentes entre vencedores e vencidos fazem surgir novas palavras as quais são incorporadas aos respectivos dicionários dos países em estado beligerante, como por exemplo, as palavras de uso corriqueiro da internet, (deletar, print e outras centenas delas) são palavras que já se encorparam ao linguajar de nosso povo. Ao mesmo tempo, as imagens tam-

bém têm seu espaço em constante mutação e no momento atual, é uma riqueza inigualável! Porque elas estão em todas as partes e em todos os lugares. Nos livros, nos cinemas, nos teatros e principalmente nas televisões diariamente e são as imagens expostas que nos alegram e nos agridem de acordo com as ações que elas exprimem. Elas têm praticamente o mesmo peso e fazem o mesmo efeito. Como por exemplo, uma simples foto colocada em primeira página de um jornal de grande circulação pode causar um efeito muito forte na população. As imagens que são expostas como propaganda à beira das principais estradas ou nas paredes dos bares e restaurantes; ou simplesmente em qualquer lugar. Sabemos que algumas delas são tipo de propagandas sub-luminares e que fazem as pessoas ficarem com elas em seus pensamentos e, como consequência, compram o produto, mesmo sem estarem dele necessitado. As imagens, assim como as palavras nos fazem chorar, sorrir, nos entristecer e nos alegrar; como por exemplo: um filme de tragédia pode deixar uma platéia a ter depressão, haja vista “Titanic” e outros do mesmo estilo que fizeram milhões de telespectadores ficarem com lágrimas nos olhos devido as fortes imagens retratadas do sinistro. A era da imagem é forte e tende a sobrepujar as palavras, contudo devemos refletir que as palavras são pontos principais de comunicação do ser humano e ele aprende desde a tenra infância e sendo ela seu instrumento principal de comunicação é um fato notório que pro mais que as imagens tenham poder, jamais irão torna-se ou suplantar as palavras porque, estando o ser humano em constante estado de evolução, haverá o momento que outras formas de comunicação superarão as imagens. No entanto, nós humanos, que somos os seres mais inteligentes, estaremos sempre a utilizar as palavras como nossa principal fonte de comunicação em qualquer época de nossa existência. As palavras, a bem da verdade, são códigos que previamente explicitados aos seus

significados e quando reunidos formam palavras, frases e orações e no momento atual podemos perceber a avalanche de livros que formam escritos nos nossos presídios, os quais muitos críticos consideram como sendo os maiores autores de nossa literatura atual e os conteúdos neles escritos que são verdadeiras denúncias, porém em termos de códigos, não são mais que palavras e aí temos novamente o poder da palavra escrita como forma de denunciar uma situação existencial e a lógica narrativa dos manuscritos são as vivências próximas á escrita, algo que quase não se verifica no mundo fora das grades. No atual momento que a violência é uma das maiores preocupações de nossa sociedade, as denúncias através das palavras sejam elas escritas, faladas ou televisada torna cada vez maior o poder de seu uso, seja para fins benéficos ou maléficos para sociedade. As imagens arrastam multidões porque seu efeito é imediato motivado pelo bombardeio das retinas que influenciam o cérebro. Se considerarmos que bom senso é um fator de bonança e que deve ser partilhado para o bem social comum, então devemos usar tanto as palavras quanto às imagens equitativamente a fim de que não haja o predomínio de um prol da outra. Palavras e imagens têm o seu devido e forte valor e somente nós saberemos o momento certo de utilizá-las na melhor forma possível e devemos também tirar

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GABRIEL CASSAR Gabriella de Jesus Moreira

cassar.gabriel@gmail.com https://www.facebook.com/gabrielcassar92/ Brasileiro

E-mail: glldjmoreira@gmail.com http://bit.ly/wattpadgjmoreira88 Rio de Janeiro – Brasil Brasileira

Ele era forte. Não forte a ponto de parecer um monstro, mas, certamente, seu tipo físico chamava a atenção. Gostava de acordar um pouco mais cedo, tomar aquele banho demorado, escolher entre as camisas branca ou salmão, apertadíssimas, passar perfume, colocar um pouco de gel no curto cabelo castanho escuro e ir para o metrô. Dentro do vagão, ele fazia muito sucesso. Por vezes, gostava de colocar seus óculos escuros de marca só para poder reparar melhor nas mulheres olhando para ele. Escolhia sempre ficar em pé, para que o campo de visão sobre o seu corpo ficasse maior. Os braços malhados alternavam-se nas barras de ferro, e as mangas curtas facilitavam todo o processo de exibicionismo. Certo dia, avistou uma mulher. Usava um óculos de grau de armação escura, vestia-se com roupas sociais, tinha os cabelos negros lisos escorridos e estava lendo um livro bem grosso. Era a primeira vez em que sentira vontade de tentar algo a mais, de ultrapassar a barreira do flerte descompromissado, de arriscar um “oi” ou algum tipo de elogio garboso. Hesitou e resolveu esperar pelo dia seguinte. Religiosamente, buscou o mesmo vagão, o mesmo banco, chegando na plataforma exatamente no mesmo horário. Era uma jogada arriscada, já que existem pessoas que pegam metrô todo dia e outras que só aparecem de vez em quando. Por sorte, lá estava ela, mais bonita ainda do que antes. Mais uma vez, impassível em sua leitura, fez pouco caso do rapaz, que se alongava e se espreguiçava a cada quinze minutos, tentando chamar a atenção da moça. Confesso que os dias que se passaram foram um tanto quanto melancólicos. Ele tentou de tudo, mudando de perfume, roupa, posição, cabelo… Mas nada parecia suficiente para a mulher mudar o foco. Algumas semanas depois, teve uma brilhante ideia: a conquistaria pelo intelecto.

UM SONHO, POR FAVOR! Gabriella de Jesus Moreira Vivianne viu «sweet crepes» no cardápio, crepe doce para uma conversa

amarga. Irônico. — Vamos ao que interessa, senhor Medeiros. — Quer um café? — Não gosto, devia saber. — Por que esse tom? — Resolvi não ser mais a família feliz. — Nós somos sim. — Não, pai. Eu não sou. José pediu o expresso e um sonho de creme. Vivianne, chocolate quente e, infelizmente, concordou na sobremesa. Não era uma aproximação. Era apenas um sonho! —Sempre fomos parceiros — o homem tentou pegar a mão da filha, mas ela a colocou sobre o próprio colo —, o que houve? — Quer mesmo que diga? — Sim. — Quando sua carreira se tornou mais importante, tudo ficou uma merda! — Filha, estão olhando. — Dane-se! — Sua mãe entendeu. — Com licença, seus pedidos. Os dois degustaram a sobremesa da mesma forma: cobertura, recheio e, enfim, massa. — Volta pra casa, é o seu lar. — Na Alê tá ótimo. — Me deixa pagar uma faculdade então, você fica se matando de trabalhar. E o sonho de ser jornalista? — Será pelo meu esforço. Não preciso de você. O gosto do doce foi substituído pelo amargo, refletiu ao vê-la sair do local. — Ei — a atendente olhou —, um sonho, por favor! 120 | CULTIVE

PRÓXIMA ESTAÇÃO

Não que fosse burro, tinha sido um bom aluno no colégio e era formado em administração por uma faculdade média para a boa, embora tivesse abandonado as leituras de romances e outras vertentes literárias em função de papers e demais relatórios de consultoria. Não é exatamente um crime, há de se convir. Chegou na Livraria da Travessa, a de Ipanema mesmo, e conversou com três dos atendentes. Escolheu aqueles com cabelo e barba grisalhos, mais magros e com cara de sabedoria. Por fim, com R$200,00 no bolso, optou por gastar metade em uma exemplar de Anna Karenina, de Tolstói. “Ela vai pirar!”, pensou o mancebo. No dia seguinte, segunda-feira, a moça ficou em pé. Metrô em horário de pico, sabe como é… Por pura sorte, acabou que ambos ficaram próximos, frente à frente, perto da porta de passagem de um vagão para o outro. Era o modelo antigo. Confiante, o rapaz abriu a mochila e sacou seu calhamaço russo. No processo, acabou se desequilibrando, mas conseguiu voltar ao normal sem maiores vexames. Nervoso, fingiu abrir a obra numa página marcada e, ajeitando os óculos de grau, emprestados pelo seu digníssimo avô, tratou de começar a “leitura”. Por cima das lentes, enxergava bem e reparava na moça, mas quando abaixava os olhos, era um mar de embaçamento. “Ensaio sobre a cegueira”, pensou baixo, rindo e orgulhando-se de sua primeira piada literária em anos de vida. Pela primeira vez em todas as suas tentativas, no entanto, a estratégia parecia funcionar: a moça não desgrudava os olhos do rapaz, alternando a visão entre o livro e seu rosto. A propósito, era a primeira vez que ela não estava lendo nada no trajeto. Provavelmente, havia esquecido o livro em casa ou estava com preguiça do trabalho que daria para ler em pé no metrô lotado. Confiante, o rapaz aproximava-se cada vez mais, certo de que o plano havia dado tão certo que ele nem precisaria falar nada: ela que puxaria o assunto. Na estação Cinelândia, uma antes de descer, o contato tão aguardado finalmente aconteceu. Nervoso, suando, como se fosse a primeira vez que conversava com uma mulher na vida, esperou até o último segundo, até ela falar: - Com licença, mas acho que seu livro está de cabeça para baixo. O rapaz enrubesceu, agradeceu o aviso e desceu na Carioca. A partir daquele dia, só iria para o trabalho de carro. C CULTIVE | 121


GILDA MARIA DE OLIVEIRA FREITAS, é

piauiense, mas reside em Fortaleza desde 1979. Estreou na Literatura em 2013, com o romance “Simplesmente Mayo”. Em 2015 veio o seu segundo livro, poesia, “Quando a alma se espanta”, e por último um (Monólogo) Hálito, em 21 de novembro 2017.

TUDO ACONTECE

Denuncio a chuva que não quer parar... ela não para, não para... Escondo-me na mortalha do espectro e sinto um cheiro novo de ar É tão dramático a dúvida misturada aos sentimentos confusos de um largo silêncio Cada minuto me amedronta fora da minha compreensão Fascina-me, confunde-me, tenta-me... numa total insensatez Numa manhã de sol o brilho ofusca os meus olhos... então eu grito que algo se quebrou dentro de mim...

EU TE TOMO

Foi quase de verdade... ouvi o meu silêncio falar junto ’a mim Senti-me como um caracol solto ao vento Escondida de ti mesma tu me provocas... Ah, perverso delírio! enroscada numa incisiva malícia Uma vida oculta, fantástica, em águas marulno mistério que te esconde. hentas e um passado vivo revisitado, Eu sonho fremindo em taças de desejos acorrentam-me em sombras velozes para fazer durar essa eternidade. O medo do lento apagamento me domina... já Desenho a tua imagem sombreada não sei o que é real e o que é sonhado úmida de flor, volúvel e sofrida na tua afoiTudo é uma suada exaustão teza Uma poesia estrangula almas num silêncio sem lavando teus cabelos pressa em movimentos lentos e obscenos. Cultivo o medo dentro de mim em triste afago Misturo-me em ti... Não consigo vencer o incontrolável e degusto gota a gota... esse orgasmo virginal. Uma poeira seca e fina, loucamente se diverte Nesse desespero de fêmea quando a madrugada desperta tu não te revelas a mim Isso me deixa numa fragilidade viva e desafinaCerro a porta de uma total embriaguez e da entrego-me a um desamparo fatal Sobrevivo para fugir, não para guerrear, como desta tua sensualidade louca se fosse eu a predestinada sem nenhuma maldade. O que escrevo agora está em mim, escrito por Contestar-me... milhares de vidas, que viveram e ainda vivem tomar-me o fôlego... adormecer... em mim, contagiando minha carne numa livre e não despertar em ti. prisão Sufocado volto a começar Minhas artérias fragmentam-se, meu sangue é por um tropel de desejos. intensamente negro como uma música assassiE tu segues sendo essa imagem na, guardada na minha escassez de paz interior louca e santa Queima-me uma náusea refinada... com fome rica de abstratos temores de palavras que não cabem dentro de mim. Agora a chuva cai aos cântaros e deixa as árvores em estranha nudez Gilda Freitas 122 | CULTIVE

SORVETE DE BAUNILHA

Por que eu! Estou mancando, né? Não sei… Quer ou não? Não pareceu muito convencido. Ainda assim pulou o muro da casa isolada, enquanto o mandante, por uma fresta, o observou avançar quintal adentro. Embora mínima, a brecha lhe permitiu ver o momento em que, pouco antes de alcançar o freezer de sorvete ligado na varanda, o invasor foi agarrado por um sujeito de rosto não visto e levado para dentro da casa. Quando a porta foi fechada com estrondo, o observador deu as costas ao portão, à casa, à rua e correu veloz para a estrada principal. Coração enlouquecido. Olhos arregalados. Interrompeu a corrida no instante em que avistou um carro escuro parado no acostamento, a alguns metros do cruzamento entre estrada

e ferrovia. Resfolegava, mesmo andando devagar. Cabisbaixo. Mãos ansiosas. À esquerda, veículos desfilavam em ambas as direções, inconscientes de sua presença ali, no meio do nada. Apreensivo, o menino parou longe do carro. Observou-o. De repente, o vidro automático começou a descer e o coração do garoto disparou, assim como seus pés. Passou ao lado da janela como flecha, arrancou o pacote oferecido e, logo, atravessava a linha férrea. Sem olhar para trás, sem dar chance ao azar. Só encontrou calma nas proximidades do terreno baldio, onde contava aos garotos sobre os sorvetes na casa isolada. Sentou numa pedra e, então, abriu o pacote com dois picolés. Não havia som mais agradável que o da abertura da embalagem dos picolés que ganhava toda semana. Pena ser sempre de baunilha. Se pudesse, escolheria chocolate com cobertura de brigadeiro e creme por dentro. Mesmo assim sorriu, ao morder o primeiro pedaço. Hora de voltar para casa. Caso se atrase, a mãe o deixará de castigo, o que seria péssimo, pois, no dia seguinte, deveria começar a busca no bairro vizinho. Ficava cada vez mais difícil conseguir novos meninos perto de casa. Enfim, ergueu-se. Antes de deixar o terreno, lançou um último olhar ao solo perto da pedra. Mesmo que sutil, a testa franziu para o monte de palitos e embalagens de picolé de baunilha. Glaucia Brum Carlos

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GLÁDISTON DE SOUZA COELHO SER POETA Sonho-me um poeta, mexo com as palavras Como a quem uma casa ergue na memória Teço cada estrofe em forma de história Do porão ao sótão vou subindo escadas. De cada som seja surdo ou sonoro De cada eco, que explode em estampidos De cada tom vibram timbres coloridos De cada traço, um círculo contorno. O que antes fora signo incerto Forjo cada linha, mesclo-as com arte Agora caos que rege a força do universo.

Vou compondo prosa em forma de soneto

33° Salão do Livro de Genebra do 01 ao 05 de maio de 2019 Lançamento de livros Concurso Literário Anotlogia Cultive Presença de autores Confraternização Venda de livros

inscrições: cultive@bluewin.ch

Brinco com as ideias, torno-as um verso No final percebo a vida que há no texto.

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HELDER PARANÁ DO COUTTO. TENHA SEMPRE ESPERANÇA ! Quando menos se espera O inusitado abalroa-nos. Não se sabe bem como nem porque… Chega-nos inexplicavelmente! Para além das nossas expectativas Ou para aquém Ou mesmo para quem não espera, Chega. Como chega o banal e o expectável, Por isto esperamos. Esperamos para que? Não sabemos nem onde Não sabemos nem quando Não sabemos bem como, Menos ainda sabemos porque Porém sabe-se que virá Porque sempre vem, inesperadamente. E como vem, esperamos. E é esta a profissão de fé: Ter esperança !

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O CAÇADOR E O ANJO vEra uma vez um jovem Anjo que duvidava da existência dos homens. Ele observava uma forma de carne, ossos, sangue, pele, cabelos, uma forma material. Essa forma se movia, alimentava-se e descansava, mas ainda assim o Anjo duvidava de que fosse um homem. O Anjo sabia que os homens são espírito e material e, que ele tinha uma missão: cuidar de um deles. Porém, questionava se a forma rude que enxergava era mesmo um ser humano. O homem chamado Estevão, só acreditava no mundo material e ria quando alguém lhe dizia que existiam anjos. Um dia ele foi caçar numa floresta e, correndo sobre o mato úmido atrás de um veado, bateu contra o tronco de uma árvore morta que estava caída no chão. A arma escorregou de suas mãos e um forte estrondo, como o rugido de um leão, agitou a floresta. Rapidamente os pássaros revoaram e animais pequenos voltaram a suas tocas. Ao cair no chão a espingarda disparou e o caçador foi ferido.

tanto, havia perdido muito sangue e desmaiou. Acordou num quarto simples da casa de um lenhador, que por acaso passara por onde ele se encontrava na floresta e, ao vê-lo ferido, decidiu a ajudá-lo. Desde esse dia o caçador se fez amigo do Anjo, e o Anjo se fez amigo do homem. O humano sentiu-se tão feliz com seu companheiro celeste que deixou de matar outras criaturas. Agora, sua maior diversão era observar os seres da natureza: ondinas e gnomos, silfos e salamandras. Mostrou também seu mundo a seu amigo: casas e fábricas, lojas e clubes, cinemas, teatros e shoppings, mas o ser celeste preferia as florestas, as montanhas, os mares, o barulho dos ventos, das ondas e dos pássaros. O homem e o Anjo sempre permaneciam juntos, e os sensitivos que por acaso os viam, detinham-se perplexos a observá-los: ambos caminhavam juntos, tão serenamente que ninguém sabia se o homem era guiado pelo Anjo ou se o Anjo era guiado pelo homem.

Estevão, lá deitado, vendo o sangue escorrendo de seu peito, olhou para o céu a fim de pedir socorro e, num raio de sol que penetrava entre as folhas da copa das árvores, divisou a imagem de um anjo com suas asas brancas. O Anjo, por sua vez, ao ver o homem clamando por Deus, percebeu seu espírito. Ambos se olharam com curiosidade e, em seguida, passaram a se examinar mutuamente. – Você é um Anjo? – Então os anjos existem! – disse o homem, admirado. – Você é um homem? – Então os homens existem! – exclamou o Anjo. Ambos deram-se as mãos. Estevão, no en-

Isabel Furini

é poeta, escritora e palestrante. Publicou 35 livros. Realiza leitura crítica de livros. Seus poemas foram premiados no Brasil, na Espanha e em Portugal. É Consulesa da Academia Poética Brasileira, e membro da Academia de Letras do Brasil/ Paraná. C CULTIVE | 129


Isabel Furini

é poeta, escritora, educadora e palestrante. Autora do livro de poesia «Os Corvos de Van Gogh». Seus poemas foram premiados no Brasil, na Espanha e em Portugual. É membro da Academia de Letras do Brasil e presidente da Academia Virtual Internacional de Poesia, Arte e Filosofia. Coeditora da Revista Carlos Zemek de Arte e Cultura. Alguns de seus poemas foram gravados em espanhol e em português e estão no Youtube.

PALAVRAS DE ARTISTAS E DE DIARISTAS Era uma reunião como tantas outras. Mulheres falando, homens grudados aos copos de cerveja e crianças correndo. Numa dessas conversas escutei alguém comentar: “Somos um grupo de artistas plásticas que nos reunimos uma vez na semana, e algumas também escrevem poesia”. Gostei da ideia, fiz várias perguntas e a idosa respondeu com entusiasmo. - Pintam pior do que macacos - disse o marido dela rindo. Ele é um piadista, esclareceu a mulher. Na terça-feira fui até o atelier. Subi a escada e no primeiro andar vi várias portas fechadas. Qual seria? Perguntei a um rapaz que caminhava pelo corredor com uma carta na mão. - Não conheço artistas plásticas neste prédio, respondeu. - Elas se reúnem só uma vez na semana. - Ah! Você disse artistas? Artistas! Hahaha. É um grupo de velhas gagás. É na última porta, do lado direito. Caminhei até o final do corredor, bati à porta e abriram, lá estavam as idosas. Desculpem, lá estavam as artistas plásticas. Nesse momento a frase do marido da Teresa, “pintam pior do que macacos”, não me pareceu uma piada, pareceu-me um simples comentário. E a declamação de poemas... Céus! Melhor nem 130 | CULTIVE

ODE AO TEMPO... O mundo está diferente e o tempo é inexorável...!

Parece estar fora do mundo. Pensa sempre que está atrasada, que passou da hora, que pode dizer o que quiser. Não tem mais censura...! Afinal, foi tão censurada.

No espelho observa que, das rugas que disfarça, sai a forma pura de um nariz perdido na idade, e na boca, outrora atrativa, há sempre um sorriso matreiro. falar. Olhei para a professora de pintura, tinha um sorriso de bonomia no rosto, como quem diz: fazer o quê? A professora disse que o importante na terceira idade é fazer algo para manter-se ativo, para manter-se jovem. Elas não eram artistas, mas se sentiam artistas. Eu acho interessante as pessoas praticar alguma arte. Mas penso que um pouco de humildade daria brilho a esses quadros, porque é muita pretensão falar “somos um grupo de artistas plásticas que se reúne uma vez na semana”, seria melhor dizer: somos um grupo de interessadas em arte, ou de aprendizes, ou de alunas de arte. Porque “artista”, essa palavra para mim (talvez seja só para mim) tem uma conotação de certo grau de domínio de alguma das artes, e os trabalhos eram de aprendizes. Essa é minha opinião. Mas como disse minha diarista “opinião é como bunda, cada um tem a sua”.

Quando se tem oitenta anos Nada mais tem importância...; A não ser as coisas verdadeiramente importantes..., Atinge-se um ponto em que o que foi não importa. É como se começasse um novo início, Quem sabe..., uma nova raça. É preciso compreender esse momento. Onde tudo é lento, ritmado, cadenciado...

É apenas Ivanilde Morais de Gusmão uma velha qualquer, tem apenas uma certeza: Não é simplesmente uma miragem, que os outros olham de relance. É o futuro. Mas este futuro é cada momento.

Isto é mais que uma explicação, uma reflexão É quase um pedido de desculpa... A si mesma, e a sua história.

IVANILDE MORAIS GUSMÃO Professora, advogada, ensaísta, contista, poeta. Estudiosa do Filósofo Karl Marx e da Literatura. Publicou os livros de ensaios: Sobre o Programa de Gotha, Karl Marx (2005); Dignidade na Morte (2009); Rememorando e Resgatando a História da Floresta (coautoria); Um Caminho para Marx (2011); Para Compreender o Método Dialético (2013); de poesia: No Redemoinho da Vida a Luz Aflora em Mim (2015); Dans le Tourbillon de la Vie la Lumière Affleure en Moi (2015); Entre o Silêncio e a Solidão (português/inglês) (2016); No Cotidiano da Vida a Poesia vai Construindo o Humano (português/francês (2016) e Nas Veredas da Vida Com Ternura Vai Resgatando o Humano (2017).

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IZABEL HESNE MARUM

IVONE DA FONSECA

é natural de Nova Europa, interior de São Paulo. Mora atualmente em Florianópolis. Dedica-se a escrever histórias infantis, coletâneas, contos e crônicas. Seus livros infantis publicados são: «A Luna da Lua», «A bruxinha que virou sereia» e «Cotinha a Galinha Dengosa». No prelo: «O boi de mamão (verde)».

FILHA Quando você chegou, eu já estava aqui. Preparei a casa, a mesa, o banho e a cama. Tudo seu era novidade, eu e você éramos novidade. Sua voz era um movimento estranho naquele palco, Espaço para dois? Não! Tudo era seu! Sua urgência se tornou a minha urgência. Você recolhia os minutos e os transformava em séculos, de apreensão ou de delírio. Parei tudo para começar, e recomeçar, e de novo, e de novo, e de novo, até as cores do dia se esgotar e permear o negro. Tua vontade era real. Aniquilar teu desconforto era prazer, teu prazer era meu êxtase! Brincadeiras para confortar, um jogo de pode e deve... Dormir? Não! Se acordada ficava, observava arfar teu peito, Sincronizadas, aguardava o teu inspirar! Incontadas vezes. Só o tempo acalmaria meu coração, e eu não aprenderia. Como infinitos pareceram os dias antes de tua chegada e agora desejo que sejam infindos os dias de te ver.

O abandono das noites no tempo Lembra o quarto vazio que você deixou Joguei flores no meu colchão Meu corpo por um segundo, vi junto do seu Meu homem se foi... Meu corpo lembra seu cheiro Por tanto tempo encarnado em você Peço o sinal dos ventos... Tempo para ir embora, cobrir meus olhos, meu corpo... Enterrar você em meu cérebro

ESFERA

P

Meu homem se foi e fiquei com as pétalas das rosas, que também já se foram...

ertenço a uma esfera de coisas Que não consigo enganar

Todas as vezes quando choro Chamo as estrelas para me guiar... Uma fumaça cobre meus olhos Saindo da escuridão, dos poemas que escrevo...

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JACQUELINE COLLODO GOMES natural de Campinas/SP. Escrevo textos e poemas desde a minha adolescência. Atualmente, publico meus escritos no Facebook e Instagram «Oceanos em Pétalas»: @oceanosempetalas Conheci a Revista Cultive através do blog «Concursos Literários»

QUANDO AS NOITES SE CALAM Quando as noites se calam e os dias também reproduzem o seu silêncio, eu me pergunto onde estou e para onde foram as partes de mim que parecem ter feito uma viagem tão longa, sem um aviso ou recado depositado sobre o alpendre e nenhuma orientação de para onde eu deva seguir. Eu quase posso ouvir o sussurro das estrelas calmas confortadas pelo sustento da sua existência, quando se angustiam lágrimas nos meus lagares internos, como o destilado solitário e isolado em seu estado de apuro. Meus versos estão diferentes. Mas o sentir em mim ainda se incomoda, muito!

JULIA LEMOS poetisa pernambucana que lançou recentemente o seu novo livro de poesias, com inspiração nos sóis de Recife/ PE: A Exposição dos Sóis - Editora Penalux.

OS GIRASSÓIS Pela manhã, logo ao abrir da janela, digo sim, (minha busca é interminável). Ao final da tarde, os girassóis volvem tão incandescentes rostos como jamais se vira até então.

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JOBER ROCHA E-Mail: rochajober4@gmail.com : Brasileira - Niterói Estado do Rio de Janeiro Brasil

O CUSTO BRASIL Jober Rocha

JackMichel é um grupo literário composto por duas irmãs escritoras: Jaqueline e

Micheline Ramos. Elas nasceram em Belém – PA (Brasil). Escrevem ficção, poesia, romance, fábula e conto de fadas. Participam de varias associações literárias, participaram de Salões literárias no Brasil e na Europa. Jackmichel trabalharam ativamente escrevendo para jornais, revistas e antologias. Obras: Arco-Jesus-Íris (Chiado Editora), LSD Lua, 1 Anjo MacDermot, Sorvete de Pizza Mentolado x Torpedo Tomate, Ovo (Drago Editorial) e Papatiparapapá (Editora Illuminare),

A MENININHA FLOR A história que o Mago Cheiroso irá, agora contar, fala de um certo perfume que, às vezes, invade o ar! II

Foi numa tarde de dezembro que aquele aroma apareceu perfumando um imenso nariz que, por acaso, era o meu. III

Eu fiquei enfeitiçado com aquele cheiro invulgar e, passei a procurá-lo, por todo lugar! IV

Corri florestas, vales e colinas... até que, um dia, achei uma bonina pequenina e sorridente, com uma cara de menina.

E desde aquele dia, possa ir por onde for, eu nunca mais esquecerei aquele cheiro de flor! VI

Após ouvirem esta história digam-me, caros leitores: “Vocês, gostam de flores?”.

Tendo acordado tarde naquele dia eu tinha mil coisas a fazer antes de ir ao cabeleireiro e à manicure: teria de passar na Receita Federal, no Plano de Saúde e no Departamento de Trânsito. O primeiro problema começou logo na Receita Federal, quando indaguei sobre a restituição do Imposto de renda que havia pago na fonte. Ao consultarem meu número do CPF, informaram: - CPF inexistente! O funcionário perguntou: - A senhora se recadastrou no ano passado? Trouxe atestado de vida? Cópia das certidões de nascimento e casamento, dos avós maternos e paternos? Sai dali fula da vida. Pensava comigo: - Este é o tal do Custo Brasil. Aqui nada funciona! Da Receita, passei na agência do Plano de Saúde, para pegar a autorização da cirurgia que solicitara há mais de quinze dias. Lá chegando, ouvi do funcionário: - Nenhum pedido com este nome deu entrada aqui. Sua matrícula também não confere! Indignada, dirigi-me à sede do Departamento de Trânsito - DETRAN, pensando em cancelar meu plano de saúde e mudar-me do país. Em lá chegando, pretendia pagar uma multa cujas duas notificações - com o mesmo número, mas com valores diferentes - eu recebera dias atrás e que, ademais, referiam-se a uma mesma ocorrência com o meu carro, porém, em logradouros diferentes da cidade e na mesma hora. Ao consultar pelo Registro Nacional de Veículos – RENAVAM apareceu na tela: RENAVAM Inexistente. Desanimada, desiludida, com raiva do mundo, retornei para casa. Pensava, durante a volta: - Perdi o dia todo e não resolvi nada! Porque fui nascer logo aqui? – exclamei em voz alta. Chegando ao apartamento, toquei a campainha duas vezes. Meu marido havia ficado com o nosso filho pequeno, pois estava desempregado há um mês e ainda não obtivera outro emprego. Ao abrir a porta, olhando-me acintosamente nos olhos, ele disse: - Minha mulher não está! O que a senhora deseja? Meu filho pequeno, saindo detrás das pernas dele, olhou-me lá de baixo e, virando-se para o pai, perguntou: - Pai, o que essa mulher feia e má quer com a gente?

V

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João Wilson Carvalho

fez uma pequena parada e fixou nele um olhar interrogativo. Ele teve certeza: ela também o amava, sempre o amou... Mas, que sabia dela? Um casamento desastrado que a transformou numa mulher amarga e insensível... E ele, que tão rapidamente se acomodou... Mas o sinal se abriu e o encanto se desfez. Era tarde demais. Era um mundo onde tudo passava rápido demais: os carros, as pessoas, os amores, as oportunidades, a vida... O som das buzinas foi suficiente para que ela apertasse o passo para então sumir na multidão, deixando-o lá, pensativo, tentando explicar pra si mesmo como conseguiu perder o amor que poderia ter dado sentido a sua vida.

Macapá. Estado: Amapá. . Brasil wilsoncarvalho@unifap.br

PASSOU TÃO RÁPIDO... Ele parou no sinal vermelho enfadado e triste, depois de mais um dia de trabalho igual a todos os outros de sua vida. Não tinha pressa porque em casa o esperava uma esposa enfadada e triste. Um leve sorriso assomou seus lábios quando reconheceu quem adentrava a faixa de pedestres para atravessar a avenida. Passaria bem a sua frente. Ela ainda era uma mulher bonita, apesar dos anos. Os lábios finos e o ar aristocrático resistiam às rugas. O porte altaneiro que chegou a intimidá-lo tantos anos atrás ainda era o mesmo, embora o azul de seus olhos estivesse agora algo esmaecido. Seus olhares se encontraram em um átimo e permaneceram assim, presos um no outro, enquanto ela caminhava. Toda uma vida passou em sua mente: Ah! Como poderia ter sido lindo! Viu a mesma coisa nos olhos dela. É, mas as coisas não foram assim. Ela era rica, noiva de um bem sucedido empresário, e queria fazer doutorado... Ele era só um estudante, morava em uma república, e queria conhecer o mundo... Quando ela alcançou o centro da pista, 138 | CULTIVE

V Antologia Cultive inscrições abertas

“JOÃO MURTY”, participou

em várias coletâneas de contos e poesia, tem poemas premiados e 10 obras literárias publicadas (5 poesia; 1 contos; 4 romance). Email: joao.murti@gmail.com

ADAMASTOR Zaidi Hammel recostou as costas na amurada do barco, trazendo à colação os acontecimentos galopantes que a levara a sair da Síria. O seu marido Beni Douala fora assassinado, viu-se sozinha com o seu filho Nabil. Deu o corpo e dinheiro para conseguir lugar no barco que os colocaria em Itália. Tudo fizera para que Nabil crescesse longe da guerra, mas a ironia do destino riu-se-lhe na cara. Poucos dias antes da partida, um estilhaço de morteiro acabara com a vida do pequeno Naibil. Zaidi suspirou, o barco apinhado de gente, há muito deveria ter chegado ao destino. O tempo ia passando, a angústia juntava-se ao cheiro da morte. Esmaecida, Zaidi liberta o pensamento, balbuciando: - «Eu, Zaidi Hammel, mulher, mãe, poetisa, declamo ao mundo este poema que exalta o desespero dos filhos da Síria». Mas a voz de Zaidi não ecoa, num espasmo de liberdade a sua alma sonhadora acabara a luta e partira. O barco foi encontrado a 60 milhas da costa italiana, a guarda costeira procedeu à recolha dos corpos. Entre eles figurava Zaidi, tinha na mão uma folha amarrotada com um grito de desespero expresso nas linhas de um poema: Adamastor. Quem és tu adamastor dos meus sonhos, Que teimas em lançar corpos naufragados, Em vagas de desespero, para este mundo?

Esse teu riso jucundo, de esgares medonhos, São ecos do choro de migrantes angustiados, Rostos salgados, à deriva no mar furibundo. Proféticas máscaras, apocalíptica premonição! Quem viu os ventos das ameaças prescritas, No sopro das bombas nos invernos violentos? Quem sentiu o calor da guerra na gestação Dos frios cinzentos das primaveras malditas? Máscaras de horror, presságios agoirentos. Crianças tombadas, anjos de asas caídas! Na própria tristeza das almas devassadas, Duas lágrimas escorridas caíram estarrecidas. Brilham de dor, sobre causas desvanecidas. Diáfano pecado, testemunhas derramadas, Dos corpos prostrados, das vidas perdidas. Utópicas máscaras! Sois trevas e desilusão, Silêncio que conjuga o verbo com maestria, Culto da demagogia, monstro da escuridão. Deixa-me! Adamastor das máscaras e da ilusão, Leva a idolatria do discurso que oculta a egolatria. Sinto-me tão só, na indiferença da multidão. C CULTIVE | 139


JOSINEY RIBEIRO

KEROUAC E EU Em 1969, eu ainda estava na França. Terminava meu doutorado quando meu advogado nos Estados Unidos me ligou avisando sobre a última audiência do divórcio. Por conta disso e de outras notícias chegavam até mim do outro lado do Atlântico, estava um tanto ansioso quanto a voltar para a América. Acabei precipitando um pouco as coisas na universidade, mesmo sabendo que iria ficar pouco tempo fora. Em cinco dias, acreditava que conseguiria resolver tudo que precisava e ainda visitar Jeremy, meu filho de 16 anos que há muito não via. Embora nos correspondêssemos com bastante frequência, a saudade era sempre maior e Jeremy foi mais do uma excelente justificativa para viajar naquele momento. Nos Estados Unidos, nada parecia ter mudado muito. Talvez a única diferença desde 1967 fosse a relativa facilidade com que se encontram jovens cabeludos em cada esquina. Um desses hippies inclusive chegou a me entregar margaridas assim que saí do aeroporto. E Jeremy estava lá, sorridente e igualmente cabeludo como mais um deles. Depois de abraçá-lo com toda força, não perdi a piada: “Você virou negro branco, é?”. A princípio, Jeremy estranhou a expressão que usei, então expliquei que era uma velha expressão dos meus tempos de universitário, ironizando ainda a minha própria idade. – Falando em tempos de universidade, você deve ter conhecido o escritor Jack Kerouac, não? – disse Jeremy, subitamente interessado. Respondi que sim, e que ele mesmo sabia disso porque eu já chegara a mencionar 140 | CULTIVE

isso tempos atrás, no que Jeremy ficou calado por alguns instantes, pensativo. Enquanto eu desenferrujava dirigindo o carro dele, senti um clima diferente entre nós. Sem mais delongas, perguntei o porquê de mencionar Kerouac naquela hora. – Bem, pai, é que ele morreu mês passado – despejou finalmente Jeremy – espero que não fique muito triste com isso. Vocês foram grandes amigos? Naquele momento foi minha vez de emudecer, estarrecido com aquela notícia. Apesar de fazer mais de vinte anos que não via Jack, confesso que fiquei perturbado ao saber do seu falecimento. Por fim, retruquei que Jack Kerouac e eu fomos de fato amigos, de uma certa forma. Jeremy então abriu o porta-luvas e puxou um jornal com a primeira página estampando a foto de Jack. “Você está bem, pai?”, inquietou-se Jeremy, enquanto nos despedíamos na frente do hotel. Não consegui mentir para ele. Disse que estava realmente um pouco triste, talvez mais decepcionado. Jack e eu tínhamos quase a mesma idade quando ele morreu. Entretanto, procurei ser forte e subi um tanto apressado para meu quarto. “Às vezes o tempo consegue ser mais cruel que a vida”, ponderei comigo mesmo, enquanto tentava organizar não só minha bagagem como minhas ideias. Joguei-me na cama esperando que as milhares de coisas que passavam naquele momento pela minha cabeça parassem de repente. No fundo, já lamentava não ter estado presente no enterro de Jack. Imaginava que Bill, Allen e Huncke com toda a certeza deviam estar lá, segurando a alça do caixão. Depois de três cigarros consecutivos, decidi ligar para Jeremy, esperando que ainda

estivesse acordado. – Pai? – respondeu ele, surpreso. – Oi, Jeremy. Desculpe ligar essa hora, mas precisava falar com você... Você tem alguma coisa programada para amanhã? – Não, até que não. Está precisando de alguma coisa? – Na verdade, estou sim. Você lembra onde Jack Kerouac foi enterrado? No dia seguinte, Jeremy já estava no meu hotel me esperando para viajarmos até Lowell. Partimos às oito da manhã depois de abastecer o carro. Preferi que Jeremy fosse conduzindo daquela vez, já que minha mente ainda estava dispersa demais para prestar atenção no trânsito. – Posso perguntar uma coisa, pai? – disse ele sério, quando Boston já ficava para trás. – Claro, filho. Diga lá, o que é? – Por que você decidiu viajar até Lowell de carro? De avião não seria mais rápido? – questionou Jeremy, como se escolhesse as palavras certas. – Tem razão, filho. Cheguei mesmo a pensar nisso, mas acho que devo isso a Jack. – Hum... Mas então se vocês eram tão amigos, por que você nunca mais o viu? Aquela pergunta era uma chave para acessar lembranças quase apagadas. E antes que Jeremy continuasse a me perguntar coisas que dificilmente eu conseguiria responder, decidi lhe contar finalmente como eu havia conhecido Jack Kerouac, pois a viagem seria longa... “O Mago do Ozone Park era como costumava ser chamado pelos amigos de Nova Iorque porque morava em cima de uma floricultura. Mas acho que a impressão mais viva que eu guardo de Jack é de seu jeito de falar engraçado. Embora ele nunca soubesse disso, sua voz conseguia contrastar com sua aparência de dândi moderno. Sua presença era realmente cativante para os amigos e até para aqueles que não eram tão próximos como eu. Para as mulheres, ele era o próprio charme em pessoa, a despeito da timidez arraigada. Jack era assim: simples, culto e sensível... Não um sensível no sentido de delicado, mas

sim como alguém que possuía uma abertura para conhecer a verdadeira natureza das coisas... E isso ficou ainda mais evidente quando conheceu Neal Cassady, a própria personificação da malandragem americana. Conheci Jack Kerouac na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, onde ainda fazíamos o mesmo curso. Lembro que não demoramos muito a ficar mais próximos por conta de nosso apetite pela literatura, sobretudo europeia. Mas Jack já tinha sua própria turma, um pessoal meio esquisito que costumava frequentar bastante o Greenwich Village. Em plenos anos quarenta, o lugar efervescia e era um verdadeiro ponto de encontro de figuras no mínimo curiosas e no máximo grotescas como Allen Ginsberg, Bill Burroughs e Herbert Huncke. Mas foi somente em 1946 que vim a conhecê-los um pouco melhor. Eu tinha ido à casa de Jack deixar uns livros quando o vi saindo apressado. Às vezes penso que não foi puro acaso pegá-lo ainda em casa, sem saber que naquela noite ele me apresentaria finalmente os amigos ‘delinquentes’ de que tanto se orgulhava. Não cabe aqui relembrar tanto desse encontro, mas sobretudo da conversa que tive com Jack depois do encontro. Lembro que vínhamos caminhando até a sua casa, ainda entornando algumas cervejas. Embora Jack não fosse tão fraco quando bebia naquela época, acho que ele devia estar mais zonzo do que eu, que já estava na quarta latinha. De fato, ele já estava bem animado e eloquente. – Mas e aí, o que achou deles? Umas figuras, né? – soltou rápido Jack, entre uma golada e outra. – É, são mesmo – retruquei eu, reticente. – Cara, você ainda não viu nada. Espere até conhecer o cowboy. – O tal Neal Cassady? – Lógico! Quem mais seria! – Olha, Jack, se for mais um junkie, estou fora. Esses caras não querem nada com a vida. Acham que tudo se resume à poesia e drogas. Faça-me o favor, né! – Ora, Charlie, você não devia ser tão careta assim. Todos estudam e tem ideias brilC CULTIVE | 141


hantes. Além do mais, não somos simplesmente junkies, somos escritores. – Escritores? Certo, e alguém já publicou algum livro para que eu possa comprar? – ironizei sem pensar muito. – Está agindo feito um babaca, sabia? – Jack parou de repente, encarando-me com terrível estranheza – Afinal, quem você pensa que é? Deus? Alguma porra de crítico? – Está bem, me desculpe! Não quis menosprezar ninguém – sentei-me na beira da calçada sobre um poste, um pouco exausto – Só não tenho certeza se ideias brilhantes podem realmente levar a lugares brilhantes. – Pois saiba que eu estou mesmo pensando em viajar – Jack parecia um malabarista brincando com a própria sombra – Talvez esse ano ainda, estou com uns planos aí. Um amigo meu da Costa Oeste me convidou para passar uns dias na casa dele... Talvez Neal vá junto... Talvez até mesmo você pudesse me acompanhar nessa... – Você sabe que não posso – baixei a cabeça, esperando que Jack logo compreendesse minha posição – Nesse momento, é quase impossível. Meus pais andam muito de olho em mim e isso não é bom. Por que viajar agora, em pleno semestre? – Esse é o seu problema. Acabei de descobrir. – Como assim? – Você permite muito que seus pais fiquem de olho em você. – Bem, não posso ignorá-los o tempo todo. – Mas poderia ignorá-los por um dia, talvez uma semana, um mês... – O que está querendo dizer, Jack? Que eu devo dar as costas para eles por um simples capricho? Logo para eles, que me ajudaram tanto e... – Aí é que está, meu caro! Você é dependente demais! Deveria tentar se virar sozinho por algum tempo. – Oh sim, claro! É tão fácil! – exalteime de súbito – É esse Neal Cassady que por acaso anda colocando essas ideias na sua cabeça? Sim, porque agora que você está só com sua mãe... 142 | CULTIVE

– Porra, quem disse que isso tem a ver com meu pai? – Jack quebrou sua garrafa de cerveja na rua, ameaçando partir para cima de mim – Por Deus, meu pai está morto! Ele morreu há sete meses, cara, e eu não pude fazer nada! – Eu não queria tocar nesse assunto, Jack, mas será que você está não querendo, em vez de viajar, fugir da realidade? – aproximeime dele, tentando me mostrar solidário. – Você não entende, Charlie – Jack coçou a cabeça, meio perdido nas palavras – Toda viagem acaba sendo uma espécie de fuga que você mesmo realiza sem querer. Uma fuga inconsciente onde você se vê forçado a abandonar seu antigo eu em nome de um novo, ansioso por novas experiências. Isso é viver, cara! Isso é querer mais dessa vida. Algo além de só trabalhar para viver, de só estudar para trabalhar para viver. Será mesmo que você nunca sentiu vontade de cair fora às vezes? Pode acreditar, sempre, mas sempre mesmo vai existir uma estrada esperando por você em algum lugar. É como um amor, uma amante que deseja com todo o seu coração ter você a todo custo. Será que você nunca sentiu mesmo algo parecido com isso, cara? – Jack... Acho que é melhor a gente ir para sua casa – levantei-me da calçada, olhando para o relógio – São quase quatro da manhã... Vamos nessa, Errol Flynn? Jack ficou calado por alguns segundos. Seus olhos exprimiam uma compaixão quase assustadora. Cheguei a encará-lo, como talvez desejasse em tom de desafio, porém logo desisti e saí caminhando devagar com as mãos no bolso. Confesso que cheguei a pensar que Jack fosse querer ficar ali, para trás me olhando sem parar. Mas de súbito ele se pôs ao meu lado. Fiquei realmente contente e achei que aquela noite iria terminar bem. – É, vamos nessa... – Jack pôs um dos braços sobre meu ombro – Mas por que me chamou de Errol Flynn, hein? O cara é australiano e eu sou um autêntico filho do Velho Mundo. – Claro. Além do mais, ele não tem esses olhos azuis que fazem os homens morrerem de inveja e as mulheres de tesão.

– Pois então! O que você acha de a gente curtir um pouco do velho Dexter Gordon antes de dormir? Cara, eu preciso mostrar a você um disco que o Neal me emprestou, é do caralho. E tem também um outro, do Sinatra, que o Herbert me emprestou. Você se lembra dele, não é? – Sim, claro que lembro... Será que ainda tem alguma cerveja em casa?” Quando terminei de contar essa história, Jeremy e eu já havíamos chegado finalmente a Lowell, após poucas paradas e poucas perguntas na estrada. Embora eu tenha ouvido alguma coisa sobre a carreira de Jack Kerouac como escritor, nossos caminhos nunca mais voltaram a se cruzar. Nunca cheguei a ler On the Road, talvez por falta de tempo ou mesmo de interesse... Quem sabe? Mas naquele momento, em frente ao túmulo de Jack, sentia parte de um dever cumprido. Restava apenas ler o livro do qual eu poderia ter feito parte caso tivesse aceitado o tal “desafio”. “Jeremy, você já leu On the Road?”, perguntei eu meio bobo enquanto saíamos do pequeno cemitério da cidade. “Claro, pai, e você não?”

Festival Cultural Cultive do 24/08 ao 06/09 caravana por 5 cidades participe www.cultive-org.com

JOSÉ CARLOS MOUTINHO UMA CRIANÇA LOIRA Era um a criança linda, como todas as crianças o são mas aquela era especial, de olhos azuis, cabelos loiros parecia um anjo, aqueles dos postais. Olhava a montra cheia de brinquedos, que cintilava com tantas luzinhas, e, dos seus lindos olhos escorriam gotinhas de tristeza, pois sabia que só tinha direito a olhar, mas não a obter qualquer daqueles brinquedos. Tiritava, seria de emoção, talvez fosse de frio, pois a roupa, ou melhor os trapos que vestia eram parcos e em frangalhos. De dentro da loja, pelas mãos dos pais, saíam crianças em eufórica alegria, carregando embrulhos, embalados em papel ilustrado com alegorias de Natal. A criança linda, loira, de olhos azuis, olhava-os sorrindo-lhes, talvez com a esperança de receber em troca um sorriso também. Mas não, nem um sorriso, nem tampouco um olá, pelo contrário, recebeu um empurrão daqueles que tiveram a sorte de terem nascido em outro lugar, em outra família. Mas estamos no Natal e o que importa é comprar o que o dinheiro permite, porque Natal é gastar, quando deveria ser de solidariedade. Mas isso de solidariedade é coisa de somenos importância. Que culpa têm as crianças de que os pais tenham possibilidade de lhes oferecer prendas natalícias? E que culpa tem aquela criança linda, loira de olhos azuis, de não ter nada? Oh mundo cruel e desigual. Natal é de alegria, mas também de muita tristeza.

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JOSÉ CARLOS DE ARRUDA E-mail: professorjcarruda@gmail.com José Carlos de Arruda, natural do Rio de Janeiro – Brasil, 60 anos, é professor de português e literatura, graduado em Letras. É poeta, cronista e contista.

ALUSION À LA FEMINITÉ Essence femme de ce qui est divin, missionnaire du bonheur. Femme aussi douce que le lin fin, Une présence qui rend la ville entière heureuse. Compagnon, ami et honnête. Une eau qui tue la soif de celui qui l’a. Il y en a une qui pour les yeux est une fête, Quand vous ne maltraitez pas, faites bien. Théorème féminin non utilisé en mathématiques, mais utilisé et acclamé dans les calculs de la vie. Excellent quand il est affectueux, terrible lorsqu’il est apathique. Toujours nécessaire jamais supprimé. Femme un puits de souvenirs sans fin, le sang circule dans les veines, les vaisseaux et les capillaires, si fort qu’il change même les cœurs. La femme qui est bonne n’a jamais la même chose. La femme est le complément manquant pour fournir les énergies. C’est le calcium de l’os, la vitamine de la grippe, l’analgésique dans la douleur. Parfois, ça agace, mais ça donne de la joie. Aussi doux qu’une fleur. Il est né, il a grandi, il a mûri et il est arrivé. Juste le bon moment, le jour exact, la nuit joyeuse. Il a vu l’homme, lui a donné sa main et soit il a aimé. Dommage que c’était si bref. La femme rassemble les vertus, le manque et les peines, Illusion, joie et tristesse. Station minérale, source d’eau Et il a encore de la beauté, du zèle et de la subtilité. Une femme si belle qu’elle est précieuse, Mais en ces termes parlés Ce sera toujours une rareté. Par conséquent, il devra être aimé.

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FOLHA Sou folha tua... Me rabisca, me risca, me escreve. Usa teus dedos como se bocas tivessem, como se verbalizassem a tua toda mudez. Arranca a timidez de teus passos e me risca novos traços na harmonia de teu vocabulário.

guardando os sedimentos - tuas partes e o todo de ti. Encaixa a tua voz na verborragia dantes contida no querer teu... tácito, e sempre assaz. Estou cá, à tua espera, acompanhada de minha ansiedade - gritada de me haver envolvido e de haver envolvido a maioridade do meu amor o meu amor inteiro.

Não te guardes de mim. Não te escondas. Sê tu a tinta, líquida e quente, sem subterfúgios, que vai habitar os meus lados. Eu, folha e minha brancura esperando a tua transparência repousar. Sê o timoneiro dessas linhas em que quero navegar E morrer... E renascer... E viver! Desperta! Desperta-te em mim! Me despertes para ti! Permitas que apenas as tuas palavras sobre mim caiam e que mil significados eu te tenha. Que te caibas, e não interrompas o quedar, pois que te serei depósito de versos, te lendo linhas, entrelinhas...

Festival Cultural Cultive do Crato do 01 ao 03 de setembro participe www.cultive-org.com C CULTIVE | 145


JOSUÉ

SILVA DE ARAÚJO CARCOMIDO

Minha existência tem sido amarga Não sei por quê, não sei dizer, explicar Amarras prendem-me, me atingem a mente Quão grande e maldita esta sina São cruéis grilhões, afiadas navalhas A querer destruir-me, talvez matar-me Há descidas ao abismo, há subidas aos céus A manhã nublada, o mundo está cinzento Eu sonolento, preguiçoso Desatento Ando por tortuosa estrada Não venta, vejo um galo, ele canta, sobre o muro Olho, vejo: o céu está pacífico Por nuvens está embelezado Recordo os tempos já idos Mortos As vozes foram sepultadas Virá daqui a pouco a tarde, ficarei lerdo Taciturno Porque não te verei, Mary, querida, minha prezada, amada Contemplarei aquela casa marrom, velha, antiga, estranha Onde mora uma mulher, de negros cabelos Compridos De sala escura, apavorante, e um antigo sofá, desgastado Me vem animar um pouco de lirismo Nas manhãs renasço, forte, pujante, vencedor Há momentos singelos, a casa marrom trazme fervor As aves voam, e entristeço: meu coração está fraco Pulsa lento Horror! O telhado paira sobre mim, ameaçador - me olham as cegas vidraças Levanto, na rua os carros, árvores, as portas, 146 | CULTIVE

crianças, as aves somem Meus pés, minhas mãos, me sinto um desprezado, pobre incoerente Meu corredor é alta solidão, meus olhos caem de sono, um sol nascente Penso nela, a amada Mary, minha eminente donzela Não a vejo, e sobre mim virá indesejável angústia Será que me deixou, sumiu, desprezou meu carinho Agora vou tomar meu café, acabrunhado e sozinho Peço-te, donzela, pelo eterno Deus, seja-me piedosa Não me abandones, necessito de teus carinhos Teu sorriso é tão vital, belo, uma alegria, aleluia!! Sou apaixonado por tua car Carcomido Minha existência tem sido amarga Não sei por quê, não sei dizer, explicar Amarras prendem-me, me atingem a mente Quão grande e maldita esta sina São cruéis grilhões, afiadas navalhas A querer destruir-me, talvez matar-me Há descidas ao abismo, há subidas aos céus A manhã nublada, o mundo está cinzent o Eu sonolento, preguiçoso Desatento Ando por tortuosa estrada Não venta, vejo um galo, ele canta, sobre o muro Olho, vejo: o céu está pacífico Por nuvens está embelezado Recordo os tempos já idos Mortos As vozes foram sepultadas Virá daqui a pouco a tarde, ficarei lerdo Taciturno Porque não te verei, Mary, querida, minha prezada, amada Contemplarei aquela casa marrom, velha, antiga, estranha Onde mora uma mulher, de negros cabelos Compridos De sala escura, apavorante, e um antigo sofá, desgastado

Me vem animar um pouco de lirismo Nas manhãs renasço, forte, pujante, vencedor Há momentos singelos, a casa marrom trazme fervor As aves voam, e entristeço: meu coração está fraco Pulsa lento Horror! O telhado paira sobre mim, ameaçador - me olham as cegas vidraças Levanto, na rua os carros, árvores, as portas, crianças, as aves somem Meus pés, minhas mãos, me sinto um desprezado, pobre incoerente Meu corredor é alta solidão, meus olhos caem de sono, um sol nascente Penso nela, a amada Mary, minha eminente donzela Não a vejo, e sobre mim virá indesejável angústia Será que me deixou, sumiu, desprezou meu carinho Agora vou tomar meu café, acabrunhado e sozinho Peço-te, donzela, pelo eterno Deus, seja-me piedosa Não me abandones, necessito de teus carinhos Teu sorriso é tão vital, belo, uma alegria, aleluia!! Sou apaixonado por tua carne, tua cintura, braços Deus te fez uma deusa terrena És amena, serena Adoro ver teus seios – eles balançam Me encantam, como as águas do riacho Como as flores, ao sol Pareces as folhas das árvores, quando amanhece Apeguei-me a ti. Ah! este meu sentimento infantil Leviano, vulnerável, insosso, medroso, carcomido Quão eu queria teu amor, tuas mãos, teus ombros Para mim, apenas para mim Este egoísta, pecador, insano Pobre, famigerado sonhador Um louco varrido Sem tratamento.

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JOSÉ CARLOS TAVARES -

- E-mail: jose-carlos1408@bol.com.br www.facebook.com/zecarlinho Cândido Mota - Estado: São Paulo Brasileira

“AMANHÔ

***** Mais um lindo dia que amanhece! O Sol vê a gente sorrindo E a gente sempre se esquece, Se esquece... E não agradece A grande importância da Vida. ***** Assim a nossa vida continua... Eu quase na minha, você quase na sua E a gente se persegue; Segue... segue se matando, se traindo, Se roubando, se fingindo. Segue se devorando, se mentindo, Se enganando; se prostituindo. Se corrompendo, se destruindo. ***** E a gente vai vivendo, vai indo; Indo sem se notar, sem se ver. O dia... Ah! O dia ainda continua lindo! O sol ainda brilha sorrindo E a gente nem pôde perceber... ***** Perceber e refletir se a gente ainda teria, Teria um Amanhã... Um novo dia; Nesta nossa vida tão atribulada E a gente nem parou para notar Se Deus ainda consegue se agradar Ou se amanhã a vida da gente seria, Seria apenas... Apenas o Nada. C CULTIVE | 147


JULLIE VEIGA

Email: jullieveiga@gmail.com https://www.facebook.com/eutepoetizei

TRATADO DE AMOR Eis que são todos inúteis os meus esforços para compor um tratado de nós. Se me és, puramente, quem o sou e se também eu te sou o tratado haveria de ser sobre um único ser, um nós singular. Mas se há tantos plurais nos Wseres de nós, como abreviarmo-nos em única pessoa de verbo? Como contermo-nos e definir singular o que nos representa? Ainda confunde-me a cabeça todo o palavrar que uso para escrever tratados, mas se é de amor e se é de mim e ti que falo haverá de haver um recurso que me ajude e que entre os ensaios eu seja assertiva. Quando do chamamento — duma convenção extraordinária — atribuirei os méritos de sermos pertença única, inédita, urgente, necessária. Assim, cumpra-se! Cumpramos! Imaterialmente... Eu, tratado de ti. E tu, de mim.

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AS TODAS DE MIM – Eu, meus eus, os fragmentos, os mosaicos e as partes imiscíveis. O que é surpresa, o que choca, o que fica, o que vai e se perde. E me perco. E me carrego em descobertas preservando o que já sei. Eu, pesada e tão leve. Meus avessos, as confusões, as confissões, alegrias, tristezas. Vicissitudes. Verossimilhanças. E as tantas outras coisas que nem te direi, pois que também sou silêncio. Sendo, sempre... as todas muitas de mim, desde que vastas. C CULTIVE | 149


K 150 | CULTIVE

SERÁ QUE É FÁCIL SER EU? Prezados sonhadores, às vezes nos questionamos e nos perguntamos se é fácil sermos nós mesmos na sociedade, nos ambientes em que temos contato, sabemos que não é nada fácil ser, ser humano no mundo, no universo, mas não podemos perder as esperanças de transformar os defeitos que existem em nós em futuras qualidades. Será que é mais fácil não ser eu do que eu? Em milhares de momentos deparamos com questionamentos do «gênero», mas trazemos sempre uma bagagem em nossas personalidades, mas não podemos rotular os seres humanos, os anthropos. Rotular-nos é também impor que sejamos o «produto» que existe no código para nos identificar. Será que seria fácil sermos produtos do que seres humanos, produtos são feitos de «substâncias e códigos», seríamos «vistos» como prateleiras «carregadas» de quantidade, porém faltante de qualidade, somos assim nós seres humanos, muitas das vezes nos falta qualidade para saber lidar com as nossas próprias «bagagens» de vida, avivamentos, «malas» que às vezes nem pertence as «roupas», “trajes momentos” existentes adentro delas e de cada ser. Falta-nos sermos menos produtos e mais «prateleiras» para guardarmos «coisas» melhores e de qualidade dentro de cada um de nós, em principio em nossos corações e nítidas vezes em nossas estradas nos tornamos «produtos» de pouco valor e barato para um mundo que precisa de «prateleiras», pois de «produtos humanos» ele já está esgotado.

Minibiografia da literata

KETELY TEMPER ALMELA nasceu em 19 de Abril de A autora

1995 e vive no interior de São Paulo, em São José do Rio Preto. Ingressou-se em Pedagogia na FACMIL no ano de 2013. Escritora, blogueira e pedagoga que pode acompanhá-la em algumas redes autorais: esoponovagao.blogspot. com / osoprodelufada.blogspot.com.

Fim

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do 01 ao 05 de maio de 2019 na Cultive estará no 33° Salão do Löivro e da Imprensa deGenebra trazendo autores de varias partes do mundo. Com um espaço exclusivo para os escritores Cultive apresentarem suas obras, darem autógrafos, palestras, contação de hisotória, discussão sobre livros e muitas atividades serão proporcionado pela Cultive.

do

1 ao 5 de maio de 2019 no

33° Salão do livro de Genebra Maio 2019

AB ER TA S

Sobre o 33° Salão do livro e da Imprensa de Genebra 2019

Cultive

VI ANTOLOGIA CULTIVE.

IN

A Antologia Cultive serálançada no dia 03 de abril na 33ª Edição do Salão do Livro de Genebra que se realizará do 01 ao 05 de maio de 2019 em Genebra, na Suíça.

SC

O III Concurso Literário de Língua Portuguesa Cultive selecionará obras que serão publicadas na

RI çÕ ES

Prêmio Cultive de Literatura 2019

informações e inscrições :

152 | CULTIVE

imperianov@gmail.com C CULTIVE | 153


L

Livraria Cultive www.cultive-org.com

RIDING CASSIA CASSITAS CONTO

DOMINGO O JOGO UMA FILOSOFIA PARA SE VIVER CASSIA CASSITAS

ÁRCHIAS ALEXANDRE SANTOS ROMANCE

MADIÇÃO E FÉ ALEXANDRE SANTOS ROMANCE

ROMANCE

VIVENDO A PATERNIDADE DE DEUS CRiS GOULART

TODAS AS FLORES DA MINHA VIDA ANA CAVALHEIRO

G’DAUSBBAH ALEXANDRE SANTOS POESIA

UM LIVRO DE CONTOS ALEXANDRE SANTOS CONTO

POESIA 154 | CULTIVE

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RITA GUEDES SOBRE AS ONDAS

O AMOR TIAGO SILVA

ROMANCE

ESPELHO MEU ESPELHO VA L Q U I R I A IMPERIANO POEISA ILUSTRADA

UM PARA

CAMINHO A FELICIDADE

IVANILDE MORAIS DE GUSMÃO ENSAIO

AU QUOTIDIEN DE LA VIE LA POèSIE CONSTRUIT L’HUMAIN IVANILDE MORAIS DE GUSMÃO POèSIE

NO COTIADNO DA VIDA A POESIA VAI COSNTRUINDO O HUMANO IVANILDE MORAIS DE GUSMÃO

ENTRE O SILÉNCIO E A SOLIDÃO IVANILDE MORAIS DE GUSMÃO POESIA

VALQUIRIA IMPERIANO CONTO

NAVEGANDO EM ONDAS ALTAS

SOUTHEND ON -THE-SEA

VALQUIRIA IMPERIANO

VALQUIRIA IMPERIANO

POSEIA

LIVRO DE ARTE

LE LIVRE DES PETITS MOTS VALQUIRIA IMPERIANO POESIA, CONTOS

POESIA

O ROSA E O AZUL

COFRE ABERTO VALQUIRIA IMPERIANO POESIA

AdÃO ZINA O SENTIMENTO DA ESCRITA POESIA

SAYONARA MEU AMOR VICTORIA VALENTE ROMANCE

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DOS GANHADORES DE ALMAS

A FORçA INFINITA DO FADO

VALDA FOGAÇA

IGOR LOPES BIOGRAFIA DE MARIA ALCINA

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CEM CULPAS TEREZA PENNA POESIA

O DOCE LIVRO DOS BEIJOS POéTICOS PAULO BRETAS HAIKAI

LIVRARIA INFANTIL WWW.CULTIVE-ORG.CH

AIMEZ LES ANIMAUX DU BRéSIL

RATO Zé

MARIA DELBONI MARIA DELBONI EXPLORANDO O PORTUGUÊS

NAS ASAS DO TEMPO

Antologia Culive V Receitas e histórias para sonhar e ser feliz

EDNA BARBOSA DE SOUZA

O BOI DE MAMÃO VERDE Eloah Westphalen Canto Solo

Antologia Culive II Receitas e histórias para sonhar e ser feliz

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Antologia Culive III Receitas e histórias para sonhar e ser feliz

IZABEL HESNE MARUM

PAPATIPARAPAPá Antologia Culive IV Receitas e histórias para sonhar e ser feliz

EDNA BARBOSA

BLENDA BORTOLINI

BIROSCA

MARIA DELBONI

TEMPO DE ARRANJOS

VALQUIRIA IMPERIANO

JACKMICHEL

BIROSCA E JAQUEIRA

A

EDNA BARBOSA DE SOUZA

CALANGO TANGO EDNA BARBOSA DE SOUZA

TEREZA CUSTÓDIO A VIDA COLORIDA DE VITÓRIA

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Elinalva Oliveira

Tereza Custódio O Bálsamo

LUIZ HENRIQUE MIGNONE VIANA nasceu em Mimoso do

Sul (ES) no ano de 1945,dedicando-se à área da escrita há uma década, tendo publicado algumas dezenas de livros com crônicas, poesias e ficção, os quais estão contidos no site https://www. recantodasletras.com.br/autor.php?id=2455 , Sob o pseudônimo LHMignone, foi vencedor do concurso Corujão das Letras 2016 JULIA LEMOS

RIO DE MINHA VIDA

A EXPOSIÇÃO DOS SÓIS

Rio, por que ris e segues cantando, indiferente, Entre pedras, flores, seguindo o rumo de teu leito, Por que não te quedas sequer por um instante E te lanças em quedas, cachoeiras, vezes dolente, Da fonte rumo ao mar, nuvem, chuva, ciclo perfeito? Christiane De Murville A caverna Cristalina volume I

Christiane De Murville A caverna Cristalina volume II

Christiane De Murville A vida como ela é

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Christiane De Murville A caverna Cristalina volume III

Rio, por que cantas em corredeira, se ouves o pranto Que jorra de minh´alma triste e se funde a tuas águas, Por que, rio, diga-me por que mais que eu me encante, Não mais se ouve de meu peito a voz do suave canto, Por que dele não lavas e levas contigo estas mágoas? Rio, oh rio de minha vida, que é, a cada momento, assim, Fonte, curso, remanso, cachoeira, mar, nuvem, chuva, Em todas tuas fases, infinitas faces, porém sempre rio, Como eu, em busca de mim mesmo, sem início, sem fim, Levado pela corrente da vida, ora límpida ora turva.

Christiane De Murville A vida como ela é

Rio, rio de minha vida, rio de mim mesmo, somente rio, Ora ouço tua voz cantante e cesso meu infindo pranto, Mergulho em tuas águas, me reencontro, menino vadio, enlevado com tanto encanto, canto contigo da vida o canto, Sou fonte, oceano, chuva, sou rio. Não mais choro... só, rio!

Christiane De Murville La vie comme elle est

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LUÍS AMORIM O CAMINHO

«O caminho encontra-se no voluntariado» pareceu-nos ser frase última do emotivo discurso mas que pertença anterior de vírgula na forma de pausa apenas o filantropo permitiu até à seguinte conclusão no «Vamos de agora em diante tratar da sua execução na melhor eficiente cooperação». Assim ficou mais descansada tarefa nossa de oficial narrador em papel com ilustração adequada para posterior oferta em divulgação perante toda a imprensa que certamente iria estar presente no acto

seguinte. Por enquanto toda ela ainda tomava muitos pensativos cafés sobre o que viria no imediato expectante. «Algo de muito importante aí virá» foi sentença repetida um pouco pela sala de imprensa, pensamos que nem sempre com todas aquelas palavras na ordem que apresentámos mas, obviamente sem outras inspiradas alterações. O caderninho que cada qual orgulhosamente ostentava, parecendo-nos que serviria de colectiva imagem, já ia caminhando no acrescento dos caracteres, talvez os primeiros. Naturalmente que tínhamos posição de escrita e observação privilegiada, 162 | CULTIVE

lá dentro onde filantropo terminava mas com prudente controlo sobre a imprensa do lado exterior, aguardando com mais café no alongamento da espera. O filantropo olhou na direcção nossa, narrador eu mais ilustrador nos retoques finais e só quando lhe demos sinal de estar tudo devidamente concluído é que ele proferiu o «Agradeço a vossa presença». Todos descolaram das cadeiras, à excepção do filantropo levantado no recente discurso acto e, quais aspirantes à tão urgente filantropia, trataram de rubricar assinatura para que o contrato se tornasse válido. Maior envolvência de suas empresas no continente africano com ajuda humanitária e presença de voluntários

no terreno iria ser tema para nós ao caminho em breve com o enfrentar de imprensa. Mas para antecipação de cenário, o documento final enfim devidamente ilustrado, iria ser distribuído enquanto faríamos nós uma breve pausa.

LUIZ ROCHA NETO

Doutor em Ciências e Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Antigo «fellow» no Institute of Social Studies, Haia, e no Centre d’Études Industrielles, Geneva. Deu seminários no Japão, China, Bangladesh, e México. Ex- Reitor da Universidade Pan Amazônica.

O SANTO E O NOBEL

E o Presidente da União Internacional de Estudantes, um jovem que chefiava a Delegação Soviética e presidia o congresso, pergunta ao Há uma frase emblemática de João Paulo jovem sacerdote: II: «Jovens, não tenhais medo de ser Santos»... _ «Podemos fazer a abertura do nosso e como essa frase se adequa magistralmente à congresso no salão da igreja?» personalidade dele! Muito jovem ainda, Ka «Mas claro! Não só a abertura, mas todo rol Jozef Wojtyla já se dedicava à catequese e o congresso!» ao diálogo sobre as palavras de Jesus, tanto nos Essa simpática solidariedade foi fortemplos como nos teatros, aumentando assim o talecendo na medida que os dois jovens avannúmero dos que o escutavam. Sem medo algum çavam em idade, sabedoria, e em fraternidade. de ser santo, divulgava Cristo nas reuniões inteO nome do jovem padre era Karol Wojtyla, e lectuais, e também nas reunião esportivas. Nas o nome do Presidente do Congresso de Estufestas litúrgicas, e também nas festas cívicas. dantes era Mikhail Gorbachev. Eleito Papa, multiplicou por um milhão o seu O estudante foi Nobel da Paz, e o sacerdestemor em ser Santo. Aproximou os seus fieis dote um Santo, que tive a ventura e privilégio de de outros fieis, que igualmente transcendiam a representar o Istituto Ítalo-Latinoamericano na banalidade da Viva, e buscavam a Bondade. O cerimônia de início do seu glorioso Pontificado encontro com os Luteranos e Anglicanos foi emblemático, levando o diálogo para o campo fraterno do qual estávamos distanciados por séculos. Com os Ortodoxos manteve o mesmo diálogo cordial de quando os Patriarcas o saudaram no início do seu pontificado. Com o seguidores do Islã e com os Judeus inaugurou um diálogo criativo, sob a égide do Deus Único. Mais além ainda foi a sua ausência de medo em ser Santo: Passou a dialogar com as Igrejas Orientais. Igual ao Wojtyla, muitos Católicos da Ásia não tiveram medo de serem santos: O Japão com quase uma dezena de Santos Mártires, a Coréia com quase igual número, o Vietnã com os seus cento e dezessete Santos. Mas a paz na Europa foi o seu ato de maior coragem. E esse ato começou após a II Guerra, quando o Congresso Internacional de Estudantes se reuniu na Cracóvia. Meio a tanta destruição, ficara incólume o salão da Matriz. C CULTIVE | 163


LUIZ ROCHA NETO

Doutor em Ciências e Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Antigo «fellow» no Institute of Social Studies, na Haia, e no Centre d’Études Industrielles, em Geneva. Lecionou seminários em universidades do Japão, China, Bangladesh, e México. É antigo Reitor da Universidade Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e antigo Reitor da Universidade Pan Amazônica. Publicou «Algumas crônicas de amor e dois contos desesperados», homenagem a Neruda, de quem foi amigo. Publicou ainda «Cérebros de Chumbo», um libelo contra o Fascismo. «A turma da Máquina do Tempo», livro infantil premiado, e «Trinca de magos: Cidadania através do Teatro». É Comendador da Ordem de Damião Apóstolo dos Leprosos. Pan Amazônica.

UMA LUZ SOBRE O SOFRIMENTO HUMANO No Século XIX, os veleiros procuravam se afastar da Ilha de Molokai, no Havai, tida como maldita. No Século XX os Católicos, quando passam por ela fazem uma oração de júbilo. Qual a razão de tão genial mudança? Seguindo os ditames de saúde da época, o Rei do Havai resolveu concentrar em Molokai os hansenianos. O arquipélago do Havai era antes saudável, mas com a visita de estrangeiros passou a padecer de muitos males. Entre eles o mal que a própria Bíblia chora pelos que o levam, aconselhando a esses infelizes que gritem «Somos Impuros» aos que se aproximam. A Bondade chegou ao Havai em 1863, na pessoa de Josef de Veuster, que se ordenaria como Padre Damião, da Ordem dos Sagrados Corações. O jovem Belga, estudante em Louvain, assistira uma palestra de um Bispo, enfatizando a necessidade de

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um padre entre os leprosos de Molokai. E o futuro São Damião compreendeu que ele era o escolhido por Deus. A missão de Damião em Molokai transcendia em muito a função religiosa. Ele se empenhava em auxiliar as famílias dos leprosos em trabalhos de construção, dava assistência psicológica aos inconformados, partilhava sofrimentos e alegrias. Sua bondade chegou ao conhecimento do Rei Kalakaua, que chegou a visitar a ilha e condecorar Damião. No Brasil também a lei determinava o isolamento: No antigo Estado do Rio de Janeiro ele era feito na Colônia Tavares de Macedo, em Venda das Pedras. Quando alguém pensa passar por uma provação, deve peregrinar até lá. Na hora da tocante «A Paz de Cristo» pode ser que o seu irmão ou irmã em Cristo não tenha as mãos. A missão Católica de Venda das Pedras foi durante muito tempo realizada pelo genial Frei Daniel, Franciscano nascido na Polônia, contemporâneo o Padre Woytila. Já como Papa, foi João Paulo II que beatificou Damião, de quem Daniel era devoto. Damião em tudo era iluminado: Desde os eloquentes sermões na língua Kanako até no extenuante trabalho de construir caixões e cavar sepulturas. Dava graças da Deus quando se sentia cansado, desempenhando a nobre função de Apóstolo dos Leprosos. A terrível doença também tomou a saúde de Damião, mas nem de longe conseguiu apagar o seu entusiasmo solidário, até que entregou sua alma a Deus, em 1889. A capela que Damião construiu, com a ajuda dos leprosos de Molokai é hoje um lugar de peregrinação. Quando a obra da singela, e muito bonita capela estava pronta, ele costumava dizer aos seus paroquianos: «Vocês construíram uma linda igreja na nossa ilha, mas é muito importante que façam uma igreja dentro dos seus corações. E não é essa uma mensagem para todos nós?

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MARCELO GOMES JORGE FERES

SÓ-CORRO Sou só e acompanhado, estou só e dissecado, só, mente e corpo, são matéria, em bolo, mas o espírito livre, que só-corre, vive só, vive-secado, e não é matéria nem bolo, e corro só, só-corro. O que é, é só, separado, senão deixa de ser , o ser, que só é, mesmo em comunhão, pois comungar é relacionar, só ligar, o só ser à imensidão, que só é em relação, a mim que corro, só-corro. Chamar consciência, ao sentir-se só, que perdura na vida, que individualiza, e só-sobrar, sempre, a vida ainda, que eterniza o que vive, sub specie aeternitatis, a essência e a existência, comungam e estão só, em cada um, que vive ainda, que só quer ar, viver e respirar, só persistir, só-ar, retumbar na existência, que corre, só-ar, a essência que não morre, mas existem duas vidas, a que não morre e a que corre, e corro, só-corro. Sou só e acompanhado, companheiro soterrado, enterrado, sócio da terra, só-cio, e continuo lívido e dissecado, e persisto, só-brio, e corro, só-corro, e quero ar, só-ar, e penso na paz, aquecida e confortável, só-lar, e corro e corro, só-corro. E não adianta negar, só-negar, a solidão, pois mesmo o amor só dói, a dor, de quem quer consumir ou sumir, o amor acompanha, mas não alcança, a essência que dele corre, como a sombra, que sempre acompanha, que corre e corro, só-corro. Ser só é conforme o sentimento, egoísmo ciumento?, é conforme nosso posicionamento, segundo algo hermético, não é descrédito, mas antecipada comunhão, que já sabe, que já conhece, a posição inalcançável, inelutável, que é contradição, o mais insólito e o mais sólito, solito, o dar as mãos, de sob a aparência do eterno, o terno, eterno só, que também socorre, pois a contradição é esta, eterno ser só, e terno só ser, e também eu dou as mãos, solícito, e rio solito, e gosto de correr, socorrer, e corro, só-corro para mim, sim, eu, sob a aparência do é-terno, não fujo de mim, que rio e me socorro.

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O TU E O VOCÊ

MARIA DELBONI Maria Delboni é das uma palestrante na FECCAN com o tema: Falar e Escrever: Similitudes. Maria continua apresentando seu trabalho na Caravana Cultural Cultive da FECC. 1)Formação Superior Universidade Federal de Minas Gerais -Belo Horizonte Faculdade: Letras Curso: Inglês- Português y Literaturas Registro : MEC “L”45060 Curso de especialização em Língua InglesaPREPS. Universidade Católica de Minas Gerais. Doutora em Ciencias da Educação Universidade de Rosário – UNR Argentina Registro de profissão -Professor Belo Horizonte Minas Gerais. SEMINARIOS Y CURSOS Periodista –a gramática do Português –Brazilian Journal - Boston-Massachuttes, USA. Curso de Instrutor para a Saúde – Escola de Saúde de Minas Gerais MG. Brasil. Inglês técnico- Escola Nacional do comércioSENAC- Belo Horizonte, Minas Gerais Brasil. Participação em projeto de educação de adultos – Brasília- Distrito federal Brasil. Participação em projeto de redação para o secundário- Belo Horizonte –Minas Gerais.Brasil Participação em projeto de construção e aplicação de provas para Escolas de reciclagem delixo, Belo Horizonte,Minas Gerais, Brasil..

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Qualquer aluno de uma escola brasileira de segundo grau já pas- sou pela experiência de ler Machado de Assis, José de Alencar e ou- tros tantos românticos, realistas e modernistas, que escreviam aque- las “águas com açúcar”, ou algo picante, como “O Cortiço, de Aluísio de Azevedo”; ou “Tieta do agreste”, de Jorge Amado. Uma coisa que fazia diferença e caracterizava cada estilo era o uso da linguagem. En- quanto os nossos românticos se preocupavam em escrever gramati- calmente correto, preocupando-se com o uso correto dos pronomes com a conjugação verbal, em uma linguagem bonita, limpa e clás-sica; os realistas começaram a colocar na boca de seus personagens as gírias, os modismos que foram tomando corpo, num crescendo, até a pornografia do modernismo. Tudo isso em prol da comunicação. Na boca do caboclo do Nordeste deve estar o palavreado do Nordeste; na boca de uma mulher da favela o linguajar chulo encontradiço na favela. Literatura é literatura – ficção, e minha crítica deve passar ao largo. A minha preocupação é o Português. Este Português, o elemento vivo que é transmitido de gerações a gerações, que cresce e se modifica e deve ser preservado. Para isso é preciso que estejamos atentos às normas, às regras. Machado em uma de suas cartas a um amigo disse: “...devemos nos preocupar menos com a gramática; começar a frase com o pronome oblíquo, misturar o tu com você, o que importa é a comunicação.” Se o objetivo é comunicar, tudo bem. Mas ele mesmo não deixava de se preocupar com as regras e continuava sendo um purista da língua. Outro dia escutei a propaganda, na televisão, do medicamento – Melhoral: “Pra você fi- car legal, toma melhoral”. O verbo “toma” está na forma imperativa. O imperativo do verbo tomar é: toma tu, tome você. Neste caso, a propaganda deveria ser: “Pra você ficar legal, tome Melhoral”. O imperativo afirmativo é retirado do presente do indicativo sem o“s”, tu tomas – toma tu, vós tomais – tomai vós; e do presente do subjun- tivo “que eu tome, que tu tomes, que ele tome” – logo, tome você. Como língua é automatismo, as pessoas vão ter como certo a forma “toma”, que é a errada, e gravar esse erro repetindo-o sempre.

MARCUS POLIDORI

brasileiro. e-mail : marcuspolidori@outlook.com https://www.wattpad.com/user/MarcusPolidori

TURNÊ PELA PALETA DE CORES DESCONHECIDAS Pedra, brisa, tempo, silêncio. E campo, e serra, e mar, e nuvem, e formas invisíveis. Antiga azaleia admirada avaliando a água. Aquelas brincadeiras, elas são casualmente lisérgicas. Nós viemos de Santa Helena e Bom Jesus. Nós viemos da terra do faraó que ouvia blues. Quem nós somos? A Musa das Musas está comigo. Quando chegamos aqui? O que faremos aqui? Como? Não é uma viagem orquestrada, é derramada de um impulso. Impulso criador escondido no meu nome. Porque a sanidade matou o fato, e a esperança é um trato que se come frio. Eu... enjoar de você? Fogo na Babilônia! Meu desejo é maior do que a Amazônia, tal como invocações vermelhas no horizonte furioso

da paixão, gorte & fostoso, e suave como um tornado monstruoso, queimando com intensidade, queimando com obsessão, em busca de novidade e nostalgia, de surpresa e saudade. Enquanto isso, nós vemos a poesia descabelada, doida, dançando dentro do dormitório durante o dia. Ó irmãos e irmãs do Velho Vento! Ó crianças da Floresta da Alquimia! No final será a Musa, e a Musa estará com o Poeta, e a Musa será o Poeta. Tudo será feito por ela; e nada do que tem sido feito, será feito sem ela. Nela estarão as belas cores, e as cores serão a última epifania. Eu tive uma paralisia do sono, a matéria da qual é composta a nova geração.

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MARIA

TEREZA FREIRE

MARINS

PLANEJAMENTO E DIMENSÃO SOCIAL Do ponto de vista social, planejamento e organização podem ser vistos como sinônimos. Um bom planejamento, capaz de alinhar as necessidades identificadas e analisar o mercado, permite a uma organização desenvolver-se junto à comunidade em que atua e também junto aos funcionários que a mantem, pois também influencia os aspectos da rotina social da organização. Viver em sociedade implica estabelecer vínculos primários e secundários suficientes para que o ambiente se fortaleça e propicie o desenvolvimento de indivíduos e organizações. A organização desses vínculos pode até ser simples, em um nível elementar, entretanto, segue em um crescendo, até que atinja níveis sofisticadíssimos de planejamento. Por meio de tais vínculos é que se instituem a ordem, a confiança e a certeza de habitar em um mundo livre e não hostil, tranquilo, e não ameaçador, competitivo, mas não desleal. Quanto mais intensos forem estes vínculos tanto maior se desenvolverão o potencial das pessoas, as oportunidades que se oferecerão a elas e o valor atribuído às iniciativas que viabilizem suas condições. O aspecto social não pode ser negligenciado quando uma empresa prepara seu planejamento, pois é no plano social que o planejamento será executado. Toda empresa existe pela razão que a estabelece e se baseia na vivência, na capacidade e nos recursos daqueles que a criaram. Teoricamente, no conjunto de seus valores habitam as crenças e as relações interpessoais que a constituem, e, tecnicamente, uma organização vive do que apregoa sua missão e do que se constitui sua visão.

MAROEL BISPO Poeta e escritor - Feira de Santana-BA Graduando em Psicologia pela Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS Aluno de Iniciação Científica do Núcleo de Estudos e Pesquisas na Infância e Adolescência NNEPA/UEFS

POESIA EU RENASÇO Das cinzas vertidas dos prédios em chamas, Eu renasço. Das torres altaneiras que juntas caíram, Eu renasço. Sempre nascerei de novo, após Cada soluço. Após cada pausa, e diante até dos destroços. Sim. Eu renasço. Até mesmo dos tombos que a Vida me der. Dos ocasos vindouros que a Exisitência trouxer. Eu ressurgo, como fênix, E não desapareço, jamais, jamais. (Maroel Bispo – Feira de Santana-BA, Brasil) ] Redes sociais: https://www.facebook.com/maroelbispo http://revistainversos.blogspot.com.br/

Um planejamento bem sucedido implica, necessariamente, um ambiente socialmente saudável em que a cultura organizacional seja, ao mesmo tempo, respeitada e preservada e não uma coisa ou outra.

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UM DIA VERDE

MÁRCIA PAVANELLO PIRES,

nasceu em 17/12/1982 em Presidente Getúlio, S.C., onde vive com seu marido Maicon e seus filhos Cauã e Felipe. Em uma tarde ensolarada, Sofi se- Formada em Design-Moda e Letras. Márcia já publicou gurou seu pequeno filho nos braços. Ele alguns romances, entre eles: Abismo Sangrento, O Pecado era lindo, com uma pele branca e cabelos Não Mora ao Lado e Sangue e Sedução. loiros encaracolados. No auge dos seus três anos, Douglas adorava brincar no ribeirão ao lado da sua casa, aliás, a família toda aproveitava as férias naquele paraíso. Quando Sofi soltou devagar seu filho na água, ele ficou muito alegre. Batia com as mãos na água, esparramando-a para todos os lados. Sofi se alegrava em vê-lo tão contente. Rapidamente Douglas desequilibrou-se, escorregando e caindo dentro do ribeirão. Começou a bater seus pequenos bracinhos em sinal de desespero. Sofi, que estava uns poucos passos atrás dele, rapidamente o segurou, tirando-o da água e observou se algo grave havia acontecido com seu filho. Douglas chorou um pouco, mas foi apenas um grande susto. Logo, ele quis sair da água, estava com medo e se aninhou nos braços de sua mãe. Ela, por sua vez, segurou-o com toda a fora que tinha, abraçando-o com vontade. Lágrimas saíram dos seus olhos, enquanto ela pensava como é fácil acontecer uma tragédia e frustrou-se por não ter conseguido segurá-lo antes. Mas sentir seus bracinhos ao seu redor, fez com que ela percebesse o quão forte ele era, e ao mesmo tempo tão frágil. Ela soube naquele momento, que Sofi, sendo abraçada por seu marido, toda atenção com seu filho seria pouco, e olhou para seu pequeno filho dormindo em que ficaria ainda mais atenta em situações sua cama, e pediu com todas as suas forças assim. para Deus protegê-lo, pois ele era o seu bem Os dois voltaram para dentro de mais valioso. E naquele momento, Douglas casa, e puderam curtir o amor que hadeu um sorriso e ela soube que estava tudo via entre eles. Sofi contou o acontecido bem. ao marido, que afirmou que ela não teve culpa, e que acidentes assim acontecem a todo momento.

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MAÍRA LUCIANA F. DE SOUZA E-mail: mairaluciana5@gmail.com.

Maíra Luciana F. de Souza | Brasileira

Site: www.prazerleonina.wordpress.com : Brasil, Distrito Federal,

Brasileira

E-mail: mairaluciana5@gmail.com. Site: www.prazerleonina.wordpress.com

Modernidade Exclusiva A modernidade Perdeu as rédeas Para propriedade E no compasso dos detentores Quem não tem é refém Pobres desapropriados Que infortúnio indesejado Filhos ilegítimos da posse Fadados às impossibilidades Pois sem a qualidade “ter” As opções se reduzem a ser Mas não ser por si mesmo Pertencer a alguém, sim Alienados de si A modernidade Destituídos de possibilidades Perdeu as rédeas Aos não proprietários Para propriedade Só resta sobreviver Vagando e “vivendo” E no compasso dos detentores Quem não tem é refém Estando longe de ser Pobres desapropriados Que infortúnio indesejado Maíra Luciana Filhos ilegítimos da posse Fadados às impossibilidades Pois sem a qualidade “ter” As opções se reduzem a ser Mas não ser por si mesmo Pertencer a alguém, sim Alienados de si Destituídos de possibilidades Aos não proprietários Só resta sobreviver Vagando e “vivendo” Estando longe de ser

Modernidade Exclusiva

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MARIA CAROLINA mariaacarolinaf@gmail.com https://www.instagram.com/mariacfernandes/ Pouso Alegre – MG Brasil

PROCESSO DE FLORAÇÃO Encontro rouco entre grafite e papel silenciosa sintonia de velhos amantes. Primeira palavra é brotamento do toque: ponta do lápis afaga bruta folha. Enlace que acende ciranda. Palavra sozinha não gira em roda em espiral. Tímidos brotos despontam tímidos brotos se desenrolam no branco infinito palavras siamesas arrastam as suas irmãs antes escondidas no imaginário da folha sulfite. Tropeçam em letras desgarradas Em vírgulas eriçadas e de mãos dadas vão aprendendo a dança. Organizando o baile. Coreografia original. Cadenciada quadrilha dos versos soltos inquietos ansiosos pelo rebento de uma estrofe pelo floreio de uma rima pelo pólen de uma despudorada poesia. A composição fica pronta e as palavras distraídas no compasso continuam bailando.

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MAURÍCIO DA SILVA RÉGIS Brasileiro E-mail: regisefraim@hotmail.com

SOB A NOITE QUE ME DISTRAI Do vulto cinza, Pela janela envidraçada. E eu quietinho, De muito prosa comigo, Mesmo caladinho a sós. Fugi da algazarra, De onde chilreia a cigarra; Quão escandalosa e vivaz. Enquanto não finda o verão, Ainda se ascende tão quente, O todo mormaço de borda fervente. Não tenho as nuvens Sobre a minha cabeça inerte. Às vezes, metafisicamente, Há-se de ter o nó Entrelaçado no ínterim Neurótico: fanfarrice que ecoa! Lanço-me no vocábulo imundo, De palavreado sujo! Em cuja distração provoca o riso. Gargalhadas sem graça, Palhaços engravatados, De afilado nariz, À que se estranha o picadeiro.

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MARCELO ROCHA

Prof. Adjunto IV da Universidade Federal do Pampa - Campus São Borja.Integrante do Grupo de Pesquisa em História da Mídia (GPHM) Unipampa/CNPq. Integrante do Projeto de Extensão em Cinema: Sessão Pipoquinha (Unipampa)

realização e a satisfação de quem havia conseguido todos os seus objetivos na empresa. Uma trajetória de sucessos e méritos. Um funcionário exemplar. O homem-modelo.

UM DIA DE FELICIDADE

OBJETO QUASE Depois de uma década de muito esforço, sem atrasos ou faltas, José Francisco conseguiu obter um desconto de 20% em seu salário. Comovido, recebeu, também, a notícia de que seu regime de trabalho seria, doravante, ininterrupto. Finalmente, não precisaria mais esperar horas no ponto de ônibus até chegar em sua casa, na zona leste de Porto Alegre. Economizaria passagens, morando no escritório. “Eram reformas que precisavam ser feitas”, ponderou o representante do bom gestor. “Deus lhe pague”, respondeu José Francisco. No ano seguinte, José perdeu as férias - que não lhe faziam falta mesmo (“ele nunca tinha para onde ir”) - e o décimo terceiro salário (“para quê? O ano tinha só doze meses”). Ele agradeceu, timidamente, ao porta-voz da empresa. Em época de crise, José era grato por ter um bom emprego. Dez anos depois, Zé mal conseguiu esconder a emoção diante da homenagem que a direção lhe fazia: trocaram seu salário por uma saborosa ração granulada. Ele não precisaria mais ir ao supermercado. Pensou que alcançara, enfim, o seu auge. Zé sentia-se, finalmente, livre, bem mais leve, magro e ainda com saúde, como o personagem do Victor Giudice. Seguiu, então, trabalhando, orgulhoso de si. Cinco anos mais tarde, Z era o suporte de folhas de rascunho do escritório. Sentado ao lado da impressora, objeto imóvel, as folhas descartadas eram jogadas em seu colo. Mas se alguém, algum dia, olhasse com atenção, era possível ver no fundo dos olhos fixos de Z a 176 | CULTIVE

Campanha

Camurupim – Aldeia indígena na Paraíba

Festival Cultural Cultive do Crato do 01 ao 03 de setembro

No mês de agosto do 17 ao 19 a Cultive estará na aldeia para realizar a campanha Um dia da Felicidade. Um projeto que se realiza anualmenten na aldeia. O projeto de 2017 levou atelier de arte, de cozinha. As crianças receberam brinquedos, livros, lápis de cor. A Cultive encomendou um barco de madeira para a comunidade. O barco servirá para que os pescadores que não possuem barco trabalharem na pesca . Esse ano o projeto levará brinquedos e oficinas de artezanato utilizando os materiais locais, o objetivo é de ansinar as pessoas utilizarem o material local para fabricar produtos, unindo criatividade à economia. Atelier de contação de historia e produção de texto. Uma biblioteca publica será criada no vilarejo. Como outro meio economico a Cultive enviou 1 máquina de costura para montar um atelier de costura.Teremos a participação de Tereza Penna e Edna Barbosa na realização desse trabalho. Em João Pessoa Graça Vasconcelus está nos ajudando a angariar livros para montar a bilioteca pública de Camurupim. Não é possível abarcar o mundo com as pernas, mas se cada um de nós fizermos o mínimo por uma pequena comunidade, esse mínimo será muito.

cultive@bluewin.ch

participe www.cultive-org.com C CULTIVE | 177


Campanha da Felicidade

O trabalho da Cultive realizado em 2017, atelier de desenho e criatividade, Mais de 50 crianças participaram do atelier

brinquedo para uma criança brincar exercicio de imaginação, criatividade, fortalecimento do esperíto, auto confiança, sentimento de amor

Distribuição de brinquedos

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Basta um dia de felicidade para alimentar a esperança do resto de uma vida!

Campanha da Felicidade livros brinquedos oficinas Em Camurupim

Coopere! contato: cultive@bluewin.ch

MANOEL GUILHERME DE FREITAS Rio Grande do Norte.

BRASIL TEM COR Da falta de vergonha, de valores, logo sabores, que incluam a massa... Da pele, que veste o branco, principalmente, oriundo da elite, por que para esta classe o afro, pardo, nordestino, índio restam, apenas, a chibata, bem como a pólvora, a segregação racial, o fim, a cinza, a desilusão, o nada... O país tem a COR dos indecentes e dos incoerentes. Eles planejam, usurpam, apossam do poder legitimado, além de ferirem a democracia institucionalizada. Eis os déspotas dos direitos sociais, que estes, últimos, estão sendo violados, extinguidos, assim como um «passo de mágica» por uma corja sem ética, princípios, nada! É uma penumbra, intensa, que está nos atingindo com sentimentos do “eu”, a ponto de atingir o coração, a aura, além dos valores patriarcais. E nesse celeiro ninguém faz nada... Nada que possa evitar as balas perdidas, as mortes prematuras, bem como o abuso de autoridade, as formações de milícia, pois se acaso a denunciar

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pagará com a vida... Não importa o tom, já que mesmo Marielle sendo constituinte, pagou como a vida. Imaginem, VOCÊS, o resto da massa como sair desta emboscada, isto é, a violência macabra? O resto da MASSA, paga o preço de ser menosprezado, discriminado, violentado, atacado na sua alma, nos seus princípios, valores, até o coração não escapa? Não há consenso, respeito, ou seja, juramento em que faça este regime um afago se for interesse da massa? O lema: é condena só de um lado da Lava Jato, por que os interesses são cartas marcadas, por isso seguem a cartilha combinada: por ianques, Globo, justiça e políticos covardes? Neste cenário, corta tudo rápido: DEMOCRACIA, direitos trabalhistas, empresas estatais, o Pré-Sal, a Petrobrás. Isto é, entrega o Brasil conforme já foi combinado, planejado, agora, é só executar o golpe por já. A COR está sendo infiltrada, institucionalizada pelos poderes locais arraigados, Afinal, pouca coisa poderá ser mudada haja vista o povo se calar, sem alarmar, agredir com protestos pelo contrário este silencia mesmo diante do abismo, que ora lhe vai atacar! Eis a COR da impunidade!

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MICHAEL DE LIMA CANOVA

Amor ao Leo

Jucelino dos Anjos.

E-mail: paimae.ama1@gmail.com . Brasil. Brasileiro.

HOJE É DIA DE CHORAR Hoje é dia de chorar De exercitar a liberdade De pagar por ela, de buscá-la, de não encontrá-la. De continuar buscando-a Hoje é dia de sair Correr sem destino Correr, correr e parar. Sim. Parar e olhar para o céu Hoje é dia de chorar, de sorrir de amar e de chorar um pouco mais. Joelhados choremos. Derramemos nossa humanidade como sementes no chão. Plantemos vidas plenas Regemos as lágrimas com mais lágrimas. Choremos, oremos, rezemos e cantemos. Depois choremos e rasguemos nossas vestes. Rasguemos as indumentárias que nos prendem. Cada lágrima é um grilhão a menos. Eles estão dentro de nós, fora de nós. Hoje é dia de chorar e depois sorrir. Choremos um tanto mais, depois nos calemos. Gemamos e solucemos. Lentamente a chuva vai parando de gotejar. Levantemos e voltemos para o labirinto de nosso interior. Hoje é dia de chorar. Michael de L. Canova. 182 | CULTIVE

Menos é Mais Precisar menos ter do que ser. Precisar menos pedir que doar. Precisar menos falar que ouvir. Precisar menos atuar que sentir. Precisar rejeitar menos que aceitar. Precisar Menos cada vez mais Precisar somente do necessário. Do alimento e da beleza... Da expressão da música e da imagem. Em sintonia com a natureza e o universo. Amar mais que ser amado.

Eu estou indo para um lugar onde ele não me encontre Peço asilo ao coração. Porém, meu coração não bate mais ao Leo. Não bate como nos primórdios da minha gestação. Não bate como dentro do peito, mais. Por aonde eu vá, o pensamento me percebe... Ele, o Pensamento é o Grande Irmão que a tudo vê e tudo sabe. Está a nossa espreita e ao nosso encalço em todos os lugares e impregnou nossa essência de princípios e valores. Valores tão sem valores que fezem da virtude algo volúvel e capaz de mudar nossos genes e, de nos transformar em mutantes. Dizem que o sobrevivente é algo que pode se adaptar a qualquer situação ou circunstância. O pensamento é o aliado da sobrevivência. Fará o possível e o impossível para mantê-la. Para registrá-la e certificá-la. Será capaz dos "maiores" atos de justiça e praticará com justiça os “piores” julgamentos para manter a sobrevivência, independente da integridade do Ser. Cumprirá com honra a máxima: O Fim Justifica os Meios. Tudo pela continuidade da vida. E o advento não é o Ovo. É o Pensamento! O grande conceito para a existência é: Penso... Logo existo! O Nascedouro do Ego, das ideias e doutrinas. O começo da condenação e da crença. Creio no ser. Aquele que é. Não naquele que foi ou será. Se foi, já não é. Se será, é porque já não é mais, ou nunca foi. A diferença entre o foi e o será neste caso é a palavra mais, no Inverso seria menos... O Ser é o referencial inicial. O Ser é. O Ser está onde não importa as virtudes, somente o existir é vital. É o abandono de Satisfação. Onde o Ego não está.

MARIA TEREZA PENNA Comunicação – Criação e Coordenação de Projetos para Arte Sustentável – Mídias digitais - Artista plástica, Escritora, Poeta, Blogueira, Publicitária, Programadora Visual, Belas Artes na Escola Guignard, Exposições de Desenhos e Pinturas – Publicitária – Poeta, artista plástica (frequentou a Escola Guignard / UEMG)) - exposições de pintura), Publicitária, escritora : Cem Culpas (participação no Salão de Genebra 2017), designer gráfica e multimídia, produtora cultural, gestora de meio ambiente. Mora entre Belo Horizonte e o distrito de Ravena Sabará Tereza estará na FECCAN sua proposta é aplicar oficina criativa com jovens, crianças e adultos

É o princípio e o fim. Não há lugar para o meio. Talvez a meiose explique. O "Olho de Deus" contenha a força do inteiro. Antes do nascer de uma estrela, da Fecundação que só pode ser sabida e reconhecida no momento da Meiose. É onde as forças estão unidas em princípio, e separadas pelo fim. Fim de outro começo. Outro que já não é o mesmo. A única certeza é que já foi e que não será outro inteiro. E o Ser anseia sua outra metade. Busca perene e eterna à procura do Perfeito, do Acabado e do Concluído. O Repleto da Abundância e da Satisfação. Onde o pensamento não cabe e sim o Amor. O Ágape ou o Antes de...

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MARIA VERA MATEUS ROQUE nasceu em Agosto no Fundão. Desde tenra idade sempre demonstrou o seu gosto por histórias e pela escrita. Desde a publicação do seu 1º livro, já promoveu mais de 30 palestras de Poesia em escolas e associações para crianças, jovens e adultos, em algumas delas, encenando papéis teatrais. Denomina-se como sendo uma arquiteta das palavras.

AMOR Se eu fosse pintor pintava o Mundo de amor, não caberia numa tela branca nem preta, pois o amor não tem forma, não cheira a tinta fresca. Prescindiria de pincéis, as minhas próprias mãos se enamorariam da moldura por um dia, um ano, um mês, tanto tempo quanto tempo infinito de existência. Abro ao meio o arco iris, esparzindo as setes cores, que brotam do seu interior como infindáveis raízes. Nutro luz resplandecente que penetra no peito serrado de prazer. Transporto ambiguamente a doce reflexão no meu sentir, peço ao universo que deguste as lágrimas do mundo, sôfregas de amor. Sofrer, por amar demais por querer demais, alimentando uma nuvem de amargura que transporta desprazer gélido de humano tecido. Se o Mundo falasse seria certamente espelho sem rosto onde o seu brilho mergulha no nirvana consumido pelo torso, num estralejo de ternura. O planeta anseia amor, amor por mim por ti e ao próximo, entrega-te nas suas mãos com consciência… O amor não destrói, apenas constrói a alma unindo as peças como um puzzle em busca da enormidade, onde o sentido de rotação não engana, e se enlaça no prazer, de saborear todas as suas caricias. Essa loucura desperta, o mais belo júbilo do sentido coronário, perfazendo-o justificando toda a existência. Há medida que abres as mãos ao mundo, deixas para trás uma rosa sob a escuridão mais cálida. Jamais existirá no seu interior dia ou noite, longe ou perto, vida ou morte. Apenas momentos com pedaços de letras, que sustentam a sexta arte. Notas musicais poéticas, que deslizam consoante o som avultado de dedos rugados pela conjuntura livre da feição, como se consigo falasse. A contígua paixão no caminho perene toca os sentimentos mais profanos do homem. Esta pena, que de tanto ser gasta de tinta, pede-me que termine. Observa agora de soslaio meio desconfiada, segurando o cavalete, que por fim adormeceu. O mundo é uma peça de teatro verídico de cor, nós apenas os atores do seu conhecimento.

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a d e o r v i L o d o ã S al a s n e r p Im 9 1 0 2 a r b e n de Ge o i a m e d 5 0 o a 1 0 do reserve seu lugar cultive@bluewin.ch

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Atividades Cultive ANTOLOGIA CULTIVE Receitas e Historias para Sonhar e ser Feliz lançamento na FECCAN em agosto FECCAN (Festival Cultural Alagaoa Nova do 24 ao 26 de agosto2018)

Caravana Cultural do 24/ ao 06/09 Alagoa Nova- João Pessoa- NatalMossoró-Crato-Fortaleza agosto 2018 Salon des Petits Editeurs ( novembro)

Salon du Livre de Genève abril 2019 Salon de Luxembourg Março 2019 CONCURSO DE LITERATURA CULTIVE 2019 2019

N

Livraria on line Cultive.: 186 | CULTIVE

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NEYD MONTINGELLI nasceu em Curitiba é casada e tem 4 filhas. Formação em Psicologia, Nutrição e Laticínios. Tem 24 livros solo e participa em 103 coletâneas. Foi premiada em concursos de contos e poesias. Membro de entidades literárias no Brasil e no exterior. Recebeu o prêmio Literarte 2017 pelo conjunto da obra.

Amigos para sempre Neyd Montingelli Não sou exigente, Quero apenas estar com você. A todo instante. Sentir o calor do seu corpo, Seus braços me envolvendo. Agrado em forma de afago, Na comida simples, Na água fresca. Dormir ao seu lado, Ou apenas perto. Poder correr ao você chegar, Mesmo que a chuva fria Molhe meu corpo quente. Demonstrar minha alegria Lambendo seu rosto, Sujando sua roupa, Ofertar meu carinho, Amando, Esse amor canino, Que tenho para lhe dar. Até que a minha morte nos separe.

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OLAVO S. BERQUÓ

O MENINO, O VELHO E O MAR De pés descalços na areia encharcada, eles olhavam a vastidão imponente que se abria a sua frente. − É de um poder infinito... - Murmurou o velho, com os olhos voltados para muito além de onde realmente podia ver. − Quem? - Quis saber o menino, inquieto, na ponta dos pés que se afundavam na areia fina. Por alguns instantes não houve qualquer resposta. O velho parecia perdido na imensidão do mar. Era como se as ondas de um repuxo em desalinho o tivessem tragado e arrastado para bem longe. Traiçoeiras, aquelas moças. Ondas. Tião estava tão absorvido pela magia do lugar e do momento que, por instantes, tinha se esquecido do menino. Ele quase estava menino. A brisa suave e fria de final de tarde arrepiava sua pele enrugada, mas, como a compensar desculpando-se pelo pequeno desconforto, trazia o cheiro de maresia de que Tião sempre gostara. O mar lembrava, o vento lembrava, e as ondas em reverência de boas vidas, vinham lamber-lhe os pés. Bons momentos. Pensou no menino, mas não recordava como tinham chegado até ali. O esquecimento era um companheiro cada vez mais presente nos últimos tempos. O velho de longos anos não tinha certeza se isto era bom ou não. Indecisão, velha acompanhante que se mostrava a cada dia mais íntima e mais próxima e que 190 | CULTIVE

deixava seus pensamentos trôpegos, como trôpego era o seu andar. Tião agora podia ver a expressão alegre do garoto. Quase sentia aquela alegria... Que saudades. − Eu queria ir até o outro lado! - Disparou o menino, apontando para a linha que celebrava o encontro eterno entre céu e mar. Era uma visão bela. O tom avermelhado do final de tarde, que ia se despedindo aos poucos, parecia se lamentar chorando um choro fino, como fina era a chuva da linha do horizonte.

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A exclamação vivaz do menino arrancou um leve sorriso no canto dos lábios murchos de Tião. Quem não quer? - Pensou, mas não disse. Ou melhor, quem um dia não quis? Ponderou, levantando o olhar para acompanhar melhor o sentimento do pequeno companheiro. Ficaram ali por um bom tempo, lado a lado, bem juntinhos, quietos. O menino via aventuras, novas terras, desafios. O velho via o cansaço, a impossibilidade, a prisão de sua fragilidade. Naqueles breves instantes eles viveram a mesma coisa: sonhos. O pequeno sonhava o futuro, o velho sonhava o passado. Tião percebia no brilho dos olhos do garoto algo que conheceu, mas que não conseguia mais sentir. Lutou consigo mesmo, com sua memória. Foram momentos breves de uma luta triste. Tião suplicava a si mesmo por alguns segundos da sensação de menino. Tinha esquecido. O garoto se fora... Não voltaria mais... Talvez em sonho. Somente eles, os sonhos, eram capazes de afastar a solidão do velho do mar. Era um aperto forte num peito ôco. Era uma dor tão profunda, vazia e gelada, como se fosse o abismo mais escuro do oceano a sua frente. O velho Tião estava cansado. Ainda gostava do mar, mas preferia o sonho. Mas o sonho não é um mar. E, vencido, ele só queria cerrar os olhos pela última vez e viver num mar... De sonhos.

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PARTISTE Tudo pára… Já não tenho compromissos. Já não tenho a reunião. Tudo o que fazia sentido, agora já é em vão… A vida passa a correr e eu não a vejo passar, mas ouço os sinos tocar e fico a contemplar…

PAULA LARANJO

é natural de Leça da Palmeira – Matosinhos. Licenciada em Engenharia Agronómica, pela Universidade do Algarve. Possuo Pós Graduação em Sistemas HACCP, pelo Instituto Egas Moniz. Exerce atividade profissional na Direção Regional de Agricultura do Algarve onde trabalha na Direção de Serviços de Controlo. Reside em Faro desde 1989. É membro da Associação Portuguesa de Poetas (APP). Publicações: livro de poesia “Reflexos” em 2014 e “Essência da Alma” em 2015, Participou de várias Antologias

Partiste…

HÁ SEMPRE Há sempre o outro lado. Aquele que nos faz sorrir. Aquele que nos faz sentir. Aquele que nos transporta para além do infinito. Há sempre o outro lado. Aquele Que nos faz sonhar. Aquele Que nos faz levitar. Aquele Que nos bate à porta E temos de deixar entrar.

Paula Laranjo in “Essência da Alma”

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PAULO BRETAS poeta mineiro

HAIKAIS SOBRE A MORTE No fim do mundo. Entre nada e ninguém. Só se via a morte. Senti a morte. Passando por favelas. Leva os jovens negros. Morto de fome. Abre o lixo na rua. Loucura viva. Um dia desses.

Era dia dos mortos. Tombam os corpos.

Paz derradeira. Vem abraçar seus filhos. Vidas sofridas!

D. Eudózia nunca gostou muito de seu nome de batismo e logo bem cedo na vida, na tenra idade, adotou este apelido de Santinha. Santinha se tornou sinônimo de mulher trabalhadeira. Mulher de fibra. O forte de Santinha era a culinária e os belos crochés. Suas peças eram verdadeiras preciosidades, disputadas pelas noivas antes de se casar. Nenhuma deixava de ter uma colcha de cama de casal feita por D. Santinha. Na culinária então nem se fala. Até a comida mais simples tinha sabor especial. Seu feijão com arroz, tudo feito com muito alho e cebola, atiçavam o paladar até dos mais exigentes comensáis. As carnes de panela, as galinhadas com bastante sabor de ervas colhidas no quintal e açafrão enxiam as bocas de água e os olhos de alegria. Ela, mulher forte e trabalhadeira, sempre sofreu com as traições do marido. Homem bonito e poderoso, mas chegado a se aventurar com muitas outras mulheres. Até que um dia o diabo passava pela Terra e decide propor um pacto para D. Santinha.

D. Eudózia nunca gostou muito de seu nome de batismo e logo bem cedo na vida, na tenra idade, adotou este apelido de Santinha. Santinha se tornou sinônimo de mulher trabalhadeira. Mulher de fibra. O forte de Santinha era a culinária e os belos crochés. Suas peças eram verdadeiras preciosidades, disputadas pelas noivas antes de se casar. Nenhuma deixava de ter uma colcha de cama de casal feita por D. Santinha. Na culinária então nem se fala. Até a comida mais simples tinha sabor especial. Seu feijão com arroz, tudo feito com muito alho e cebola, atiçavam o paladar até dos mais exigentes comensáis. As carnes de panela, as galinhadas com bastante sabor de ervas colhidas no quintal e açafrão enxiam as bocas de água e os olhos de alegria. Ela, mulher forte e trabalhadeira, sempre sofreu com as traições do marido. Homem bonito e poderoso, mas chegado a se aventurar com muitas outras mulheres. Até que um dia o diabo passava pela Terra e decide propor um pacto para D. Santinha. E aí começa nossa história...

E aí começa nossa história...

A santa rezou. Pediu a deus compaixão. Morreu de tédio. A morte trás dor. Do amor vem a vida. Sono, me leve! Chega a primavera. Trás o dia dos mortos. E flores vivas. 194 | CULTIVE

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PAULO LUÍS FERREIRA Brasileiro

SÃO BERMRDO DO CAMPO – SP. BRASIL

O Crime O remorso é o maior delator de um crime. Faz dias que eu não me alimento e não durmo. O remorso dói como uma ferida aberta a sangrar pelos móveis, pelo teclado do computador, de onde escrevo agora. Pelas pernas, encharcando as meias de sangue. Eu fico olhando as paredes que eram brancas, vendo imagens que correm de lado a outro. Quando deparo com manchas de escarlate seiva desenhando a cara dela. Caminhando de cabeça para baixo pelo teto. A boca aberta. A língua, ora serpenteando, ora estirada, tesa, apontando para mim, acusando-me. Falando coisas terríveis dentro do meu ouvido. Eu mando que cale a boca, mas ela não cala. Estou com a boca seca, o peito mole, doendo. Difícil é engolir a noite, mastigá-la e sentir seu gosto amargo. Ouvir a campainha tocando sem parar. A angústia fazendo do desespero uma faca silenciosa cortando as fatias do medo e saber que serei a próxima vítima de mim mesmo.

33° Salão do Livro de Genebra do 01 ao 05 de maio de 2019 Lançamento de livros Concurso Literário Anotlogia Cultive Presença de autores Confraternização Venda de livros

inscrições: cultive@bluewin.ch 196 | CULTIVE

Cultive no 33°Salão do Livro de Genebra representa autores, expõe obras de

artistas.

DO 01 AO 05 MAIO 2019

do 01 ao 05 de MAIO 2019 C CULTIVE | 197


PAULO FRANCISCO BASTOS VON BRUCK LACERDA

e-mail: paulo@advbl.com.br FACE: Momentos Paulistanos

ORGASMO TERÁRIO

LI-

Na emoção da vida leve, me apraz criar um verso. A qualquer hora me assalta incontida inspiração. vou ao papel sem demora e cumpro logo a missão, pois, solene sacerdócio é versejar, me confesso. Essa volúpia, me bota a versejar, incessante. Tira a paz, revolve a mente, é instigante e cativa, Sem perdão, me rouba o sono, tal sensação proativa ... brota a semente do verso em terreno verdejante. Que faço eu, se envolvido nessa luta me encontro? Deixo fluir a emoção a me transmudar em poesia, que alivia o coração e me preenche de alegria. Exaurido, finalmente, esse ímpeto fugaz, repousa a mente em sossego, é deleite e exaustão; pois o verso que criei me alimenta o coração. Paulo von Bruck Lacerda 198 | CULTIVE

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RENATA DA SILVA DE BARCELLLOS

é pós-doutora em Língua Portuguesa pela UFRJ. Professora de Língua Portuguesa do CEJLL/ NAVE, do CECA e de Comunicação e expressão e Oficina I e II da UNICARIOCA. É associada do CIFEFIL e membro da ALAF e da ALAP. É coautora de Antologias dentre elas da Gramática contextualizada (2016), autora do Itens de análise linguística no novo ENEM e no Saerjinho.

A Cultive teve a honra em tê-la entre os participantes da Antologia Cultive lançada no SALÃO DO LIVRO DE GENEBRA em 2017 Renata participa da II Antologia Cultive que será lançada no Salão do livro de Genebra em 2018.

rarmos. Quero-te tanto!!! Mas não neste instante! Ainda não és livre!!! Não me és permitido!!! Amar-te é ideal na imaginação! Não paro te pensar em ti um só instante. Preciso aprender a lidar E aplacar esta fúria que é de te amar!!! Renata Barcellos Quero-te tanto !!! Hoje, depois de te conhecer, Fico a lembrar o teu jeito de ser Fico a esperar a tua mensagem Fico louca para te encontrar E não mais para de fitar-te E perder-me no seu olhar!!!

Quero-te tanto !!! Renata Barcellos Quero-te tanto !!! Hoje, depois de te conhecer, Fico a lembrar o teu jeito de ser Fico a esperar a tua mensagem Fico louca para te encontrar E não mais para de fitar-te E perder-me no seu olhar!!! Quero-te tanto !!! Por enquanto só em sonhos É um misto de ardor e temor Nos sonhos, almejo-te ardentemente Sonho em nos encontramos! Nas esquinas da vida Quero-te como nunca quis ninguém! Em nos entrelaçarmos e nunca mais nos sepa200 | CULTIVE

Quero-te tanto !!! Por enquanto só em sonhos É um misto de ardor e temor Nos sonhos, almejo-te ardentemente Sonho em nos encontramos! Nas esquinas da vida Quero-te como nunca quis ninguém! Em nos entrelaçarmos e nunca mais nos separarmos. Quero-te tanto!!! Mas não neste instante! Ainda não és livre!!! Não me és permitido!!! Amar-te é ideal na imaginação! Não paro te pensar em ti um só instante. Preciso aprender a lidar E aplacar esta fúria que é de te amar!!!

RITA GUEDES Nasceu em Crato- CE, filha de José Guedes de Sena e Juracimira Lopes Guedes, é graduada em Letras ( Bacharelado), pela Faculdade de Filosofia de Crato-Ce, atualmente URCA. Professora aposentada, Artista Plástica, Escritora e Poeta. É membro da AFELCE-Academia Feminina de Letras do Ceará, ocupa a Cadeira Nº17. Sócia efetiva da AJEB-Associação dos Jornalistas e Escritores do Brasil, (1ª Tesoureira). Da ACE-Associação Cearense de Escritores, Membro efetivo correspondente da Academia de Letras Brasil/Suíça. Cad.152. Membro efetivo do Cercle des Écrivains Luso-Suisse de Genéve, e membro efetivo da Society Europe of Phine Arts. Participação em coletâneas pelo Brasil e no Exterior. Vários trabalhos publicados e prêmios emconcursos literários. Rita esteve

no Salão do livro de Genebra e recebeu a medalha de Honra ao mérito no concurso Cultive de Literatura. Rita é a representante da Cultive em Fortaleza e a coordenadora da FECCFO( Festival Cultural Cultive de Fortaleza)

Vida em Sociedade

Engastada ao sopé do Araripe, ergue-se do solo firme e altaneira, minha cidade natal.

Crato, princesa da Terra de Iracema. Notável por seus feitos históricos, sempre foi destaque em vários aspectos: Físico, cívico e cultural, haja vista, na época já existia a Faculdade de Filosofia do Crato, a única do Sul do Ceará, na década de 60. Nasci e cresci saboreando o néctar da cidade, usufruindo de sua cultura e acompanhando o seu desenvolvimento. Por sua formação étnica, suas belezas naturais, suas tradicionais famílias e por ser uma terra rica e hospitaleira, recebeu os títulos de Cidade da Cultura e Princesa do Cariri. Com vida social ativa, Crato destacou-se pelos mais diversos eventos socioculturais. Eram frequentes as reuniões do Rotary e Lions Club e tradicionais festas de debutantes, ocasião em que as jovens de 15 anos, eram apresentadas oficialmente à Sociedade Cratense. Mais precisamente na década de 60, atingiu seu apogeu, com os anos dourados. Orquestras famosas vinham abrilhantar esses momentos e sobre o comando de seus exímios maestros, os salões do Crato Tênis Clube, abriam suas portas para receber os seus associados com muito glamour. Além do lazer nos foi dada a oportunidade de crescermos moral e espiritualmente. Contávamos com consideráveis números de escolas renomadas. Nessa época o civismo era bem cultivado. O amor à pátria era incentivado desde o período do Grupo Escolar. Eram comuns, as festas para a escolha de Misses, Mini Misses, Garota das Férias, Rainha do Algodão, Rainha dos Estudantes. Contávamos ainda com a AABB- Associação Atlética Banco do Brasil, outro clube de lazer. Aos domingos, agradáveis matinais ou vesperais e as diversões eram realmente, frequentes. Uma juventude privilegiada. Ano de 1966. O amanhecer aos meus olhos, nunca pareceu tão exuberante. O sol penetrando pela fresta da janela do meu quarto, parecia querer anunciar a importância daquele dia para mim. Levantei-me eufórica. Aquele seria um dia especial e a noite de gala. Teria que ficar tão radiante quanto àqueles raios dourados de sol. Chegara o grande dia! Ser apresentada oficialmente à Sociedade Cratense, não era C CULTIVE | 201


uma tarefa fácil. Além de uma preparação com meses de antecedência, grande era o corre-corre à procura do melhor tecido, melhor costureira, e tudo mais necessário para o êxito daquela tão esperada noite. Importante também, todo um traquejo, aparato, muito bom gosto e um poder aquisitivo relativamente alto. Aquela era a noite idealizada por toda jovem. A realização de um sonho. A noite da valsa, cortinas se abriam para ela entrar a passos lentos na passarela, elegantemente vestida, despertando a atenção de todos com sua extraordinária beleza. Tudo muito caprichado! A ansiedade aumentava à proporção que as horas passavam. Na verdade, queria que o tempo passasse rápido para que o tão esperado momento chegasse. Ah! Doces sonhos de primavera! Apenas duas horas nos separava do momento de sairmos em direção ao Crato Tênis Clube. A festa teria início às 22 horas. Papai, impecável em seu terno preto, aguardava o momento para irmos. Mamãe e minha irmã, elegantemente, belas! E eu? Ah! Eu aguardava o meu vestido de nylon japonês, todo bordado com grandes e belas flores em fio prateado, destacando sua transparência sobre o tecido liso em seda que servia de forro, comprado em loja grã-fina de São Paulo. Resolveu mamãe mandar a passadeira desamassar uma parte do vestido. Lucíola era competente, engomava roupas muito bem e nunca durante todos esses anos trabalhando lá pra casa, causara nenhum prejuízo. Enquanto isso, eu esperava ansiosa. De repente, ouvi um grito assustador, corri de encontro a mamãe que aflita segurava nas mãos o vestido com um enorme buraco, sem saber o que fazer, enquanto Lucíola, chorava desesperada. Também aos prantos, presenciei aquela cena e por alguns momentos vi desmoronar por terra todos os meus sonhos para aquela noite. Como sanar tal situação sem perder a classe? Calma mamãe, disse eu respirando fundo e tentando minimizar a situação. Está em cima da hora filha, que faremos? Você vai perder a sua festa? Empenhamo-nos com tanto amor! 202 | CULTIVE

Enquanto isso, mesmo entre lágrimas, pensei numa solução. Na realidade queria ir a essa festa de qualquer maneira. Desde os oito anos de idade eu desenvolvi habilidades natas como: Pintar, bordar e costurar. Mãe nós vamos a essa festa. Pegue aquele retalho de tecido que sobrou do meu vestido. Uma luz no fim do túnel! Que vais fazer filha? Traga mãe, logo. Tesoura agulha e linha branca também! Quanta aflição meu Deus! Mas, Tu me deste esse dom e tudo na vida há uma razão de ser. Meditei eu! Rapidamente recortei a flor e apliquei sobre o buraco causado pelo ferro quente. Para sorte minha, foi exatamente do tamanho da flor. Aproximadamente, com as ramagens, media uns vinte centímetros. Finalmente, conclui o trabalho que ficou perfeito! Agora teria que retocar toda maquiagem que borrara com as lágrimas. E assim, com esperança renovada, fomos à festa do meu debute. Ao som de Ivanildo e seu Conjunto e a suave voz de Ayla Maria, a vida social se descortinou para mim. Chegamos a tempo. Sempre há atrasos nesses grandes eventos! Envolta nos braços do meu saudoso pai, dançamos a valsa inesquecível: Danúbio Azul! Nessa noite dancei como nunca! A felicidade estava impregnada em minha alma, e de tempo em tempo, vinha à minha mente, aquele momento do vestido queimado, que quase jogou por terra toda a minha felicidade. Vida em sociedade é muito importante e proveitosa, quando sabemos usufruir das coisas úteis que ela nos oferece. Importante citar, que esse acontecimento em minha vida, serviu para uma reflexão mais profunda sobre o mundo, a vida em si, e em sociedade. Sabermos discernir o que nos é favorável nessa existência se faz necessário. De repente, o excesso de vaidade pode deixar por terra todos nossos planos. Uma fatalidade, uma noite em sociedade e um final feliz!

ROGÉRIO DOS SANTOS FERREIRA GONÇALVES, brasileiro, advogado, for-

mado pela Pontifícia Universidade Católica/ SP em 1986. Especialista em Direito Empresarial pela Universidade Presbiteriana Mackenzie/1988, em Direito Tributário pelo Centro de Estudos e Extensão Universitária. Professor universitário nas Faculdades Horizontes e Anglo Latino em São Paulo/SP e Fernão Dias em Osasco/SP. Membro do Instituto Brasileiro de Direito Tributário. Romance policial “ORANIA” onde preconceito, história e a África do Sul são retratados. .

PAIAGUÁS. VERDADEIROS PIRACICABANOS.

Vivemos os idos de 1760. Paiaguás habitavam um pequeno aldeamento, feridos de morte em função de sua postura, admitindo alguns poucos posseiros como vizinhos. A união da etnia já não exista na tribo. Os Paiaguás se dividiram, selando uma jornada. Eram poucos agora e Ypané escutava os antepassados, por sonho e visões, o quão tristes estavam face ao que foram. Na margem do Rio Piracicaba, distantes pouco mais de 90 km da foz, estavam os resistentes. Lá, um grande índio curioso, buscava de seu avô, um conhecimento de quem era ele, sua origem, de onde vinha. Ypané escolheu o dia perfeito, uma manhã de outono chuvosa, talvez castigo divino por aceitar os brancos que ontem, foram invasores e inimigos. A oca onde ele estava com seu avô, Mubua M’Boi, Filho do Deus Serpente, acolhia com carinho seus modestos e singelos moradores.

Meu neto, Ypané. A nossa verdade precisa ser repetida e conhecida. Fico feliz que tenha procurado o saber de suas veias. Saiba que o que irei contar, não pertence somente às minhas memórias. A força do grupo está no fortalecimento de nossa cultura. Somos povo forte, muito mais no passado e precisamos viver da glória e tradição. Conhecer, relatar e fazer com que, um dia, mesmo um estrangeiro, saiba o que fizemos e a razão porque lutamos. Nascemos água, lá na margem do rio. Somos água. Paiaguá é povo nascido do peixe Pacu que fertilizado, lançou nas correntes dos rios os óvulos de nossa raça. Nascemos. Assim como nossos irmãos Guaicurus que nasceram do Gavião Cara-Cará, que sobrevoa e domina a terra e dos quais somos vertente. Contam os velhos, que ouviram dos mais velhos como chegamos nestas terras e porque adoramos e dominamos a água. Viemos de terra distante, terra longínqua, onde nossos ancestrais demoraram muitas luas no volumoso e amplo rio salgado antes de chegar. A canoa nossa amiga, é e foi presente deles. Com bravura dominaram o azul imenso chegando por terras que não sabiam tamanho. Vieram do outro lado de Gaia, conhecedores de correntes e marés. M`bayas são nossa raiz. Muito antes dos castelhanos e da chegada do homem português. Naquele tempo a travessia foi feita em canoas similares às nossas, maiores na verdade. Dominavam a arte do fogo e esculpiam no Timbó, sulcando ao centro, transformando pau em objeto de transporte. Por isso, temos esta ciência e dominamos tanto a água. As grandes que fazemos para 20/30 pessoas, de guerra. As pequenas de 7/8 ocupantes, de pesca. Eles passaram por muita terra e tempo desconhecido. Dividiram-se em grupos seja por desavença seja por conquista na terra nova. — Verdade Ypané. Na origem fomos um só corpo. Os M’Bayas, dividiram quando aqui chegaram, perdendo um pouco de sua força. O grupo que nos criou, optou por viver em margem de rio, em região pantaneira, lugar que a água invade a terra e depois devolve fertilizada. O curso de água doce que adotamos era o rio Paraguai. Sempre demoramos pouco em terra C CULTIVE | 203


firme, nosso lar foi sempre a água. Deixamos ao irmão de sangue Guaicuru a terra sagrada. Na água nos defendemos e temos inúmeras glórias refutando o invasor branco. Nossa técnica inigualável de usar a canoa em movimento transversal, quase submergindo, transformando o fundo duro de nosso transporte em escudo contra o pau de fogo do homem branco. Conseguíamos lançar flechas e lanças mais rápido que eles, três vezes mais, no recarregar de suas armas pessoais. Nosso povo é guerreiro pelo que acredita. Vemos o invasor como ameaça de nossa existência. Triste saber que estávamos corretos. Procuramos proteger o objeto amarelo reluzente que os brancos tanto procuravam, em função da destruição que praticam. O homem branco desbrava a mata com violência e sem respeito. Chamam a nós e aos irmãos de pele, de “selvagens”. Defendemos o lugar que só nos acolhe e dá sentido. Eles se servem. Nunca demos perdão. Nossos deuses são de luta. Há entre nós o lema: nunca deixe um irmão para trás. Nunca fizemos isso e jamais o faremos. Jure por esta palavra meu neto. Jure por nossos e por toda a verdade daqueles que se foram. Viver é dar valor ao que nos mantém e serve. A floresta e o rio que a mantém viva, deve ser a seiva da planta pela existência. — Avô amado. Esta promessa é compromisso. Venho além de requerer o saber, falar do homem branco português de nome Antonio Correa Barbosa que veio em sigilo me procurar. Sabe que perdi meu pai jovem, seu filho, nas andanças de nossa tribo pelos lados da fronteira tupi. A tarefa de conduzir nossa gente agora é minha. Sei que de onde vem um, virão vários. Em nossas lutas, bravos que fomos, sempre que destruíamos as monções do inimigo, outras tantas se formavam. Maiores e mais fortes. Vejo-me na dúvida, grande alma. Ou o ouço e firmo fileiras com ele, ou refuto conhecedor de uma tragédia anunciada. — O líder não faz nada fácil. É julgado por quem só vê o imediato. Meus braços falam pela repulsa e pela morte do branco destruidor. Fomos aliados dos castelhanos contra os portugueses. Recebemos traição, escravagismo e submissão. O português é igual. Os pa204 | CULTIVE

jés dos brancos disseminam língua doce e céu dourado, mas, forçam nosso povo e nossos irmãos em trabalhos de destruição da nossa cultura. Neto meu. Dura a sua batalha. Não serei eu quem lhe conferirá resposta. Vai à água de onde viemos. Evoca o deus de nossa proteção. Pede a ele luz em decisão. Dessa forma agiu Ypané. Usando o cocar de respeito, nas margens do Piracicaba, clamou por clarividência. Naquele instante, fruto da chuva abundante que insistia em cair, jorrou do alto de uma encosta uma bela cachoeira que lá não havia. E, no cair da água ao rio, misturou a terra do fundo com sua limpidez. Ypané entendeu. Recebeu ao português. Este trouxe presentes. Ypané percebeu que recebia em sua casa a víbora da demolição. Paiaguás e portugueses viveram em relativa harmonia. Até que em 01 de agosto de 1767, com pompa e galhardia, Ypané assistiu a entrada e fundação do que outrora fora somente sua aldeia, um povoamento que os anos iriam dar o nome de Piracicaba. O povoador seguira as ordens do império português. De Ypané e dos seus pouco ou nada conhecemos. A história é cruel aos vencidos e dominados. Mesmo aos que se curvam sem se quebrar. A aldeia de Ypané foi ponto de apoio para as embarcações vindas do Tietê e que protegiam o Forte de Iguatemi na fronteira com o Paraguai. Os Paiaguás foram lanceiros de infinita ajuda ao Brasil na Guerra do Império, membro da Tríplice Aliança contra Solano Lopes. Talvez Ypané tenha tombado por lá. Guiando a soldadesca pelos rios dos Pampas. Ypané é glória caipira, entendendo esta pelo espírito simples que norteia os que vivem da terra. Paiguás estão extintos. Pelas doenças dos brancos. Ou pelos brancos doentes.

RODRIGUES PAZ

O ESPELHO Posso ouvir, ainda que de muito longe, um fio de palavras flutuarem pelo meu cérebro, como a sentenciar-me a vida, ou seja: minha morte. Uma voz em tom forte e precisa sentencia: - Enfarte fulminante! Acho que se eu não tivesse morrido, agora sim o teria com o peso destas palavras, as quais certamente serão exibidas com letras claras e garrafais em meu atestado de óbito. Alguma coisa de bom agora sim me resta, o descanso, não sei se na eternidade, mas é para onde espero que eu vá. O corpo pouco importa, mas o espírito, este sim, deve de ter um merecido descanso, já que a carne sofreu tanto nesta vida de muitos dissabores e, este enfarte veio com uma agressão a quem a vida não deveria de ser tão cruel. Sinto-me neste momento, ainda mais arrasada, humilhada, imóvel entre meia-dúzias de flores murchas nesta urna de quinta, se é que posso definir assim; ou a que alguns preferem dizer categoricamente: «caixão de misericórdia». Assim é que vejo, o valor que tive! Noto quatro velas a queimar iluminando não sei o quê: meus caminhos? Acho que não. Observo, porém, duas beatas com as faces cobertas de um véu preto rendado, trazendo nas mãos um terço surrado, e posso decifrar entre seus lábios que já rezaram dezenas de Ave-Maria e Pai-Nosso, com uma disposição e certeza de que podem trazer alívio e salvação às almas que partiram desta para outra. Só agora é que me dou conta e percebo então, que vejo; por um fio dos meus olhos

meio entreabertos, vejo quase tudo ao meu redor. Sinto também que posso realmente ouvir, meio que de longe, mas com um pouco de esforço, ouço até a freada brusca do ônibus, e os latidos dos cães vira-latas lá fora: uma grande descoberta! Acho que somente quando se está morto é que conseguimos parar para pensar na vida, se é que morto tem o privilégio de pensar; não é tão difícil! Lembro-me de quando eu era mocinha vaidosa, nunca repeti as mesmas roupas, gostava de laços nos cabelos feitos de fitas largas, variando sempre suas cores. Depois de um tempo casada, o marido foi embora, deixando-me a pelejar com os meninos ainda muito pequenos. Andava distâncias, para lavar roupas em casas de famílias, e quase no anoitecer chegava em casa trazendo um doce qualquer para cada um, depois levava todos para dormir, contando histórias dos tempos dos avós, para, no outro dia, recomeçar a labuta. Com os filhos já criados, foram cada um buscar seus sonhos, cada qual para um lado, sem darem mais notícias. Não quiseram mais saber das histórias do lobo mau que come criancinhas, nem de Joãozinho e Maria que são levados por uma bruxa malvada e outras tantas: fizeram como o pai. Ouço pessoas chegando e reverenciando, à minha frente, o sinal da cruz, com olhos de curiosidades ao se aproximarem do esquife. Alguns rostos conhecidos em suas impiedosas reverências. Passo a me lembrar, porém, do dito popular usado pelos antigos: «quem de novo não morre, de velho não escapa», principalmente quando se tem quase noventa anos. Logo pela manhã os meninos chegaram com seus bebês. Nem um fio de remorso em seus semblantes, nem máscara de tristeza, nem lágrimas, nem nada. Na passagem da sala para o quarto, havia um grande espelho a refletir tudo que se passava lá dentro e, foi nele que recorri quando percebi a pressa da família a recolher objetos de valor, roupas de cama que nunca foram usadas, os cristais há anos intocados na cristaleira, jóias, e tudo que havia de valor, eram C CULTIVE | 205


distribuídos entre eles: o espelho me dava o perfeito reflexo do que estava acontecendo no quarto, com a porta semiaberta: «os urubus sentiram o cheiro da carniça». Alguém por fim observa: - A morta está de olhos abertos! Movimento de espanto nas pessoas. Os agentes funerários chegam, se aproximam, e com os dedos unem minhas pálpebras. - Vamos ter que apressar o enterro! Agora nada vejo, apenas sinto uma sensação de indiferença a percorrer meu cérebro, que definitivamente, desliga deste mundo. O caixão é fechado, e agora sim tenho a convicção de que morri, morri para o mundo, para todos, mas certa de que já estava morta há muito tempo. Depois do enterro as famílias não se cabiam mais em si de tanta pressa, novamente cada um para um lado, para nunca mais voltar. Já levaram tudo que queriam! E é por essas e outras que fico pensando: -»Morre o cavalo, para o bem do urubu».

ROSANGELA MALUF Rô Maluf, brasileira e- mail: rosangela.maluf55@gmail.com sites: www.paralerepnsar.com.br/romaluf

www.recantodasletras.com.br/autores/romaluf

Nova Petrópolis – Rio Grande do Sul

Antologia Cultive

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lançamentos em agosto 2018 na FECCAN Alagoa Nova, João Pessoa Natal Crato Fortaleza Salon des Petits Editeurs 2019 Salão do livro de Genebra Salão de Luxembourg

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PEQUENOS CONTOS – GRACILIANA Quando Graciliana se casou não houve quem não duvidasse daquilo tudo... Ainda que pobretona e sem muito saber, era moça bonita, cheia de vida, graciosa, com sua saia rodada, a andar descalça pela ruelas da vila. E foi numa dessas ruelas que seu Tenório a viu e foi tomado por puro encantamento. Aquele velhote, fedido e desengonçado era dono de uma imensa plantação de laranjas e, a despeito de sua boa reputação e gorda conta bancária (na cidade vizinha), era, mesmo assim, uma pessoa desagradável, sempre sujo, engordurado, com aquele inseparável cigarro a lhe envolver numa nuvem malcheirosa. Aparentava muito mais do que os 60 anos que dizia ter. O verdadeiro motivo daquela união, nunca se soube, mas conheceram-se, noivaram e se casaram em menos de seis meses. Graciliana não falava sobre o casório com ninguém. Começou a andar bem vestida, sapatos no pé,

usava batom e prendia os cabelos. Aos domingos, depois da missa, passeava com o marido, de braços dados, sem ares de tristeza mas sem nenhum sorriso de alegria. Os meses se passaram e algum tempo depois , nasceu Baltazar. Um dia chegou na cidade um moço... Queria ver umas terras, comprar um laranjal. Tinha parentes na capital que já produziam suco de frutas. Gostou quando viu aquela mulher andando altiva, balançando a bunda. Tudo foi rápido demais: não houve compra de terras, não teve mais casamento, nem pai nem mãe nem marido. Não houve casa montada, nem roupa na costureira, nem conta no armazém, nem samambaias na varanda, nem avencas sobre a mesa de jantar; nem roupas quarando ao sol. Não houve missa nem festa, não teve braços dados nem passeio, não houve mais senhora, nem conta na venda. Ficaram o sabonete na pia e o laço de fita. Um par de chinelos, debaixo da cama, uma medalha de São Judas Tadeu no casaquinho do filho! Sobrou, dia e noite, o choro do pequeno Tazinho chamando «mamãe»!

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ROSIMEIRE LEAL DA MOTTA PIREDDA

ESCULPINDO UMA POESIA Dois artistas se uniram para criar uma obra de arte. Utilizaram materiais belos e perenes. Inspiraram-se na ternura mais profunda que sentiam um pelo outro! Escreveram uma história de amor e a perpetuaram com seus sangues! Linguagem humana retratando um momento vivido a dois. Expressão de um sentimento especial! A matéria-prima dos poetas é a paixão que os torna um! Poder criativo delineando uma arte poética, despertando a sensibilidade do belo. Um ser inicia seu processo de crescimento: desenvolvimento do feto gerado no útero. Após nove meses, o conjunto de obras em verso, tomou forma, abriu os olhos e chorou de emoção! Era uma poesia viva, esculpida em relevo total. Lirismo em toda sua extensão! Fruto da união de um homem e de uma mulher que se amaram e eternizaram este afeto. Um filho: visão emocional do estado da alma. Porém, ali há também, a assinatura de Deus.

Festival Cultural Cultive de Alagoa Nova do 23 ao 26 Participe Salão do Livro FECCAN Salão de Arte www.cultive-org.com contato: cultive@bluewin.ch

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SANDRA MACIEL BARRETO

Sandra Ferrari Radich nasceu no Rio de janeiro em 04/03/1961, tem três filhos e dois netos, educadora, autora e poeta. Ama a vida e tudo que ela representa.

ENQUANTO ISSO... A VIDA PASSA... A vida não espera, não tem hora, não jogue o tempo fora, Sendo que está em suas próprias mãos o aqui e agora Não fique fincada no mesmo lugar, vá! Corra atrás! Não tem tempo certo pra nada, não olhe para trás.

PALAVRAS Não preciso mais de palavras Quero esquecer o que sinto Acendo a lareira Queimo as memórias Faço dos meus livros Uma bela fogueira E jogo ao mar As cinzas das palavras Todas acima inventadas

Tem que acompanhar, é sempre tempo de acordar. Não caia no medo para não perecer, faça acontecer, Não chore o leite derramado é coisa de derrotado Empenhe-se, faça ouvir a sua voz, pague pra ver, Olhe-se no espelho, não se perca de vista, insista! Use a mente, seja valente. Perde-se tudo num segundo, Resista até o final, suspirar fundo não engará o mundo, Nem você, nem as perdas e nem as dores, sinto muito... Aprenda a usar o que tem, transforme em novas cores. Liberte-se do preconceito, lute pra que seja refeito, Diga e Repita queremos respeito, pois é nosso direito. A vida é a nossa maior conquista, por ela, jamais desista. Enquanto isso... a vida passa...

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Antes de ser depois quero semear o futuro no presente momento que escrevo o que não devo para ser lido no momento certo...

SANJO MUCHANGA, nascido aos 4 de Março de 1986

em Moçambique, província de Maputo, Funcionário Público, Poeta e Escritor. Participou em Antologias de Solar de Poetas, Som de Poetas, Palavras de Veludos, ALPAS, Colectânea Horizonte, Colectâneas Leveza da Alma, o Mundo dos Sonhadores, Espaço de Poeta, revista Cultive, Entrementes e Soletras. Distinguido duas vezes pela Solar de Poetas e reconhecido com mérito pela Solar dos Poetas e Espaço de Poeta Jorge Guedes, certificado pela Sociedade Mundial de Poetas pela participação na colectânea Leveza da Alma, pelos Poetas que Amam e Choram e duas vezes pela Academia Virtual de Letras e Artes e Cultura. Vencedor em 1º lugardo Concurso de Conto de Casino VegasMaster e Vencedor de 3º lugar no Concurso Literário da Casa de Cultura Brasil e Portugal de São Paulo, um dos 10 vencedores do Concurso de Poesia ICMA/CCFM, vencedor duas vezes em 3º lugar no concurso mensal de Apogeu Poético da AVL. É Presidente e Membro criador do Movimento Literário Ensaísta Kamubukuane . 212 | CULTIVE

Despedidas sempre acontecem por varias razões mas agora digo até ao próximo ano quando Deus permitir aos que acreditam nele... e até amanha aos vermos o sol juntinhos. Feliz ano novo aos que verão e boas saídas aos que sairão e entradas aos que entrarão.

SIDNEY MACHADO queria compor uma letra na qual as imagens surgissem desse olhar fugidio de patrícia e seu prazer a dois onde as palavras viessem corriqueiras a seu dono temporário e que as luzes da ponte, nessa noite nublada, não fossem apenas pontos de silêncio e angústia e de caras fechadas.

SONIA NOGUEIRA

Sanjo Muchanga

OS

LOUCOS DA TECNOLOGIA

A tecnologia tomou espaço assustador. Quase toda a população sofre do vício dos teclados, quer no celular, computador, notebook, tablete, ou similares viciosos. As mentes estão doentes, e muitas pessoas, precisam de tratamento psicológico ou freio dos pais e responsáveis. Estes, no entanto, sofrem também do mesmo mal, embora afirmem o contrário. Todos os dias nós nos deparamos com pessoas dialogando só, pelas calçadas, com discussão,

agredindo, marcando encontro, nestes termos: não ligue para mim, não suporto ouvir sua voz... - Eu mando sim... - Este mês ainda não enviei porque meu salário também atrasou. Esquece-me, você me irrita. Quando olho para trás o moço gesticula, afobado, caminha sozinho na calçada. Onde está o celular? No bolso, ou na bolsa e um fio em direção ao ouvido. Outra vez, no ônibus, a moça proibia a mãe, com veemência, para não deixar o moço entrar, para ver o filho, em alto e bom tom, que, nem o barulho do motor impedia. Ele é pai sim..., mas não sustenta o filho, eu não fiz filho só, então não tem o direito de vê-lo. Canalha, irresponsável. O celular na bolsa. Parecia uma louca falando sozinho. Noutra situação a mãe empurrava o filho, pequeno ainda, pela cabeça, devido à vista e as mãos estarem ocupadas com um aparelho. O menino tropeçava, a mãe brava agredia, mas não arrancava o aparelho do menino. Faltava pulso forte, educação, equilíbrio. Nas calçadas ouvimos os mais secretos segredos, a mulher sorridente afirmava: estou chegando amor... estou aqui na Avenida Santos Dumont. Mas estava na Rua Azevedo Bolão. A mentira agora tem pernas longas. Por esta e outras razões criaram o rastreador. Esse sim afirma: ela está aqui neste local, moço, podes crer. Há acidentes no trânsito, sigilo nas mãos dos ladrões, mensagens não autorizadas, intimidades reveladas, escutas proibidas, montagens de fotos e tudo mais que a mente criativa do homem possa apresentar com genialidade, e que abasteça seu bolso, com o avançado sistema tecnológico. Outro dia filmaram em um restaurante, um grupo de amigos, na mesma mesa, se comunicando pelo celular. Parecia que estavam sozinhos no deserto do eu comigo. A mãe ao levar os filhos para jantar em restaurante, sentiu-se solitária e decidiu ir embora. - Os jovens sentiram a gravidade da situação, a falta do aconchego, do diálogo. Fecharam os aparelhos e carinhosamente abraçaram a genitora ordenando sua permanência no local. Bizarro até. C CULTIVE | 213


SÉRGIO RICARDO DE CARVALHO sergiocarvalhobean@gmail.com www.recantodasletras.com.br Brasileiro

GLOBALIZAÇÃO DO AMOR Amar na ausência, como se presente fosse, Como se tão perto estivesse, Globalização do amor. Corações planejam a presença, Dia a dia, raras, mas de tanto valor. Encontros que de tão intensos, Marcam, fortalecem, por pouco não enlouquecem, Tantos desejos, Tão pouco tempo, mas há tempo para aqueles que amam? O tempo para, o momento o eterniza, Cada toque, uma mensagem de amor, Transformada em teclas que destilam saudades, Cada olhar, que penetra a alma, Transforma-se em fotos de desejos distantes, Mas que sabem irão se realizar. Amar a distância, Possível amar? Presença cobrada, saudades dobrada, A cada encontro, retorna-se ao nada, Procura- se então a pessoa amada Paixão aumentada, solidão vem , toma conta de nós, Olhares se cruzam em telas, imagens, brotando saudades dos toques suaves, De beijos tão quentes, De nossa forma de amar. Que telas não permitem, mas o amor insiste, A esperança fortalece, De novo o coração aquece, Reencontro...ah!, este sim me enlouquece!

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NA SAMUEL DA COSTA poeta de Itajai

AFRICANIDADE DO SER... Sou eu mesma! E mais ninguém… Na africanidade do ser...

Para Débora Caroline

Com a graça de Deus, Sigo sendo feliz! Com a vida que tenho. Com muita força e muita coragem... Com os meus cabelos trançados... Meu sorriso perolado. Sendo eu mesma! E mais ninguém. Sou eu mesma! E mais ninguém… Na minha africanidade de ser... Um continente empoderado! Nunca vencido... Nem tão pouco derrotado. Estou feliz com os muitos amigos... Que tenho. Sendo eu mesma, E mais ninguém. Dou graças ao meu bom Deus... E a todos os meus Orixás. Pela vida que levo. Sendo eu mesmo... E mais ninguém. Anda pelas ruas tortuosas... Da vida! Honrando os meus antepassados! Com muita hombridade. Sendo eu mesma... E mais ninguém. Ando alegre pela vida... Com a cabeça erguida. Feliz com o que sou! Sendo eu mesma... E mais ninguém. Samuel da Costa é poeta em Itajaí C CULTIVE | 215


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TÂNIA DINIZ

Graduada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais. Poeta, contista, haicaísta, editora, promotora cultural, professora de idiomas, palestrante, oficineira , editora-idealizadora do mural poético. Em 1998 foi secretária, tradutora e intérprete na I Bienal Internacional de Poesia de BH a convite da Secretaria de Cultura de MG. Em 2008 organizou, com sucesso, a mostra itinerante I Mostra Mineira de Haicai Mulheres Emergentes, na Galeria e pilastras da Rodoviária - centro de BH. A exposição circulou por inúmeros espaços culturais de BH e interior. Livros de contos: O Mágico de Nós, Rituais, Mulher EmBalada, Bashô em Nós (co-autoria/ , Relato de Viagem à Marmelad, Flor do Quiabo, Série Preciosa. contatos: www.mulheresemergentes.com / concursodelendasme@gmail.com

Luas Na lua nova de recurvo brilho a paixão renovas No meu céu de cio crescente a chama alteia E serpente e sereia me encontro vindo: lua cheia E quando, bacante, mesmo minguante, me prendes a cintura na quadratura de cada mês, a cada vez, desvendas com arte a sanguínea face de minha lua escarlate. ~~~~~~~~~~~​

Requinte​

Sentia-se inspirado esta noite. Aprontou-se com apuro. O espelho ​​devolveu-lhe a imagem perfeita em black-tie. Com um sorriso sensual, passou ​​a mão pelos cabelos e, cantarolando, desceu as escadarias. O imenso salão do castelo estava primorosamente arranjado, com flores e velas entre fugazes cortinas e espessos tapetes. A grande mesa ao centro, ​​bem preparada. Deixou a rubra taça sobre o aparador. Um gole lhe bastava.

Sentou-se no único lugar, a ele destinado, bem em frente à imensa salva de ​​​prata ao centro da mesa. E, ajeitando o guardanapo de linho branco, com elegante gesto, destampou-a. Delicioso aroma flamejou-lhe as narinas. Maravilhou-se com o refinamento ​​do cardápio. Entre perfeitas cerejas, cachos de uva, alguns dourados pêssegos afundados em ninhos de fios de ovos e salpicados fígados de pombos, estava a mais delicada iguaria que já lhe fora servida: esplêndida mulher jazia em repouso, apenas coberta a pele de marfim por seus cabelos ​​de ébano. Educadamente, secou os lábios de vinho e iniciou o ritual do banquete. Com sábias mãos, percorreu o macio corpo, sentindo que seu calor atingia, assim, quase a elevada temperatura desejável. Envolveu os seios com mãos ​​ conhecedoras. Não resistiu, fugiu a todas as regras de etiqueta: provou-os ​​com leves mordidas. E como a carnuda boca o tentasse também, lambeu-a e ​​explorou-a por dentro. Ao discreto pigarrear do mordomo que entrava, caiu em si. E, de faces coradas pelo deslize, ou talvez, pelo apetite, com finos gestos, tomou dos ​​talheres de prata. Abriu-lhe delicadamente o peito e devorou-lhe o coração, com tanta elegância, que sequer um pingo de sangue lhe comprometeu a bem aparada barba azul. C CULTIVE | 217


Teresa Azevedo

Teresa Almeida Pinto

ENTRE REMINISCÊNCIAS E ESPECTROS Regozijo-me ao contemplar, nas mansões da memória, a presença de “espectros” iluminados, daqueles que amei e se foram desta vida, mas que jamais deixarão a sede de todo meu amor enquanto eu for viva. Observem! Regozijo-me, não me assombro, porque eles me reconfortam pelos benditos rastros em mim deixados. Não me assombro pois ainda que se tenham ido, daqui os amo com a mesma força e vitalidade como o faria se vivos fossem. Sinto que nos dias em que juntos vivemos tantas alegrias, aliamo-nos para suportar angústias e superar derrotas, sustentamo-nos para lutar contra os inimigos e tudo o mais... São José Pedros, Maria Madalenas, Josefinas, Lias, Emílios, Tanas, Anas, Yvis, Jorges, e tantos outros tios, tias, avós, sogra, amigos caríssimos. Vejo-os correndo entre nuvens, mulheres que flutuam dançantes, homens que dançam elegantes e, entre vestidos róseos esvoaçantes e fraques engomados, caminham eles por aqui e acolá, sorrindo e falando suas boas falas de outrora nos meus momentos “de agora”. Falas que me são conselhos, que me lembram alegrias. Alegrias das quais me recordo, recordo, recordo e recordo. Apenas recordo... Não são espectros, não me assombram. São doces reminiscências e vivas lembranças. Oh! Evocações minhas! Ainda que não vejam, não sintam, não falem, nem ouçam! Ainda que durmam até o dia do juízo... A Deus, aos meus pais, amado, filhos e a vocês dedico minhas conquistas.

A

DESPROPORÇÃO DO SILÊNCIO

Sonhei que acordava; o mundo a explodir em silêncio - Deus está em silêncio desde o holocausto - A UNICEF toca Lá em primeira oitava; as meninas gritam estupradas no silêncio de África - Um sussurro da Rússia e 350mil morrem na Síria; o silêncio dos inocentes - ganhou 5 Óscares - O Papa pede um minuto de silêncio, ás armas com silenciador, na América - A paz está em silêncio - A corrupção enriquece em silêncio - Os surdos e os cegos estão em silêncio O mundo está cego&surdo Eu corro para o fim do sonho, chego cansada ao poema a tempo de partilhar o absurdo - fazer like no conteúdo e acabar com o som do silêncio

Tereza Custódio

representando a Cultive em Natal Tereza está coordeando o evento FECCRN em Natal. Tereza nasceu em Senador Pompeu-CE/ Brasil, em 1952. Professora ap osentada do IFRN. Romancista, cordelista e trovadora. Graduada em Letras pela UFRN. Especialista em Artes Cênicas e Línguas Estrangeiras (Inglês – UFRN e Espanhol – Navarra/Espanha). Seu primeiro romance, O Bálsamo, foi publicado em 2016, pela Editora Chiado, de Portugal. A obra foi premiada pela União Brasileira de E s cr itores – UBE/RJ. Em 2018, publicou A Vida Colorida de Vitória, livro infantil bilíngue (Inglês/Português), e um livro em cordel sobre a Herança da Diáspora Africana. O segundo romance está em andamento. Membro da UBE/RN, SPVA/ RN e A.C.I.M.A/ Itália.

O BÁLSAM

Lara Castro fica órfã de mãe aos cinco anos de idade. A partir daí, começa sua luta incansável na tentativa de se adaptar aos novos modelos familiares. Nessa caminhada cheia de atropelos, desamparo, bullying e abandono emocional, ela vai relatando suas vivências. Aos quarenta anos, ao cuidar da avó materna, Lara resgata a família, recuperando um sentimento de pertencimento desse clã perdido na poeira da vida. Demite-se de um trabalho estafante, e adentra em um novo campo profissional como “Cuidadora de Idosos”. Seus horizontes se alargam e Lara passa a ver os aspectos frágeis e vulneráveis do ser humano. Depara-se com os desafios da contemporaneidade, as dificuldades nas relações geracionais e a necessidade de paciência, compaixão e resiliência. No Solar Geriátrico Reviver, pessoas idosas quebram paradigmas e estereótipos, se permitindo novas histórias de amor, o que facilita o processo de cura e redescoberta daquele coração petrificado. Aos poucos, Lara vai recuperando a capacidade de superação das vitimizações e danos psicológicos que vivenciou e começa a acreditar num bálsamo milagroso capaz de curar as feridas do corpo e da alma.

Sinopse do romance O BÁLSAMO - Tereza Custódio www.chiadoeditora.com/livraria/o-balsamo

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O seu amor é o meu ar

THAUANE CRISTIANE FERREIRA

As flores rasgam o meu coração As canções doces me trazem emoção... O seu sorriso quebra qualquer maldição O seu olhar me deixa na perdição.

Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. e-mail: thauanecristiane@hotmail.com Belo Horizonte - Minas Gerais -Brasil. Brasileira

A SUTILEZA PRESENTE NO INTERIOR Os costumes da vida no interior é coisa para se guardar no coração: cafezinho da vovó, vovô tocando o gado. Quem chama para o almoço é o Loro, para o jantar também! As companhias, vai muito além dos pássaros, do vento, e do mover nas nuvens no céu, vem da televisão. Que como se diz vovô: «é uma distração né?!». Sim! A tecnologia não chega tão rápido ao interior, mas, mesmo quando chega, eles já criaram seus próprios hábitos. Viver em contato com a natureza ou apenas visitá-la, é (RE)carregar energias, é extrair a magnitude de ser humilde. Observo as tradições recheadas de Cultura em meio aos costumes daquela região, que lindo observar, e ao mesmo tempo, que triste... Ao me lembrar que atitudes tão sutis, vem se perdendo... Um simples aperto de mão naquela região simboliza mais que um comprimento - uma atitude de afeto, de apreço, de respeito!-. Mas ora, na cidade ouvimos frequentemente : «Bom Dia», ou até mesmo «Oi», mas, as vezes, nem isso. Venho aprendendo que, essas ‘’coisinhas’’ pequenas (mas de tamanha relevância [para alguns]), fazem tanta diferença, que podem mudar o dia de outra pessoa... Há quem não goste do contato com a natureza, claro, por diversos motivos, mas, não se preocupe (para a nossa alegria), as ma220 | CULTIVE

Toque sua lira... O céu vai gostar Quando olho para as estrelas... Sei que sempre irei amá-la...

gias da vida estão sempre presentes, em todos os lugares... Corra, agarre, usufrua. Além de nos agregar tanto, não pagamos por elas, são naturais, e o melhor: é nelas, que encontramos os pequenos encaixes para o quebra-cabeça da alma. Que tal começar a apreciar (mais) o pôr do sol; o frescor da chuva após um dia abafado; sentir um abraço apertado; e se inspirar no vovô e deixar as tecnologias para quando de fato, estiver precisando, e atentar-se para a presença, sentir o toque, um sorriso, um piscar de olhos. Por fim, encante-se com o seu interior, presente (por completo) onde você estiver, aí sim - viva!-.

TIAGO SILVA

poeta, tem seus poemas publicados pela editora Kelps, em Goiânia, seu primeiro livro se chama Amor, um dos poetas mais lido de sua região. Nasceu na cidade de Inhumas, Goiás, no dia 29 de outubro de 1989, nunca teve pai, mas tem o amor de sua mãe, sua avó e seu irmão. C CULTIVE | 221


U 222 | CULTIVE

ÚMERO CARD’OSSO : brasileiro

http://editoratrevo.com.br/produto/manual-dos-desajustadosumero-cardosso/ Vila Adyanna -São José dos Campos

Touch-screenlatria Não sai do celular. Por não sair dele, não sai do quarto. Por não sair do quarto, não vive. Por não viver, está morrendo! Úmero Card’Osso

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VALDA FOGAÇA A PARABOLA DO LENHADOR Havia na caatinga castigada minguada de arbusto um robusto Juazeiro que se destacava dentre a vegetação de pequenos portes. O arbusto era o rei daquele pedaço de chão desprovido de abundancia. Sucedeu que naquele torrão morava um lenhador que em sua vida inteira não havia feito outra coisa senão cortar árvores, pois este era o seu ofício. Estava ele certa vez executando seu trabalho quando passou um retirante que fugia da seca, ao passar por ele o retirante cumprimentou-o, tirando o chapéu em forma de respeito, em seguida perguntou-lhe: não dói o coração ficar aí cortando esses arbustos, o pouco que ainda restou dessa estiagem temerosa? Por que não vem comigo e vamos em busca de recursos em outras terra e quando a chuva chegar você volta, e aí a caatinga estará renovada; não sabemos quanto tempo durará essa estiagem... O lenhador olhou sob a aba do chapéu e falou quase grunhindo com o seu interlocutor: segue teu caminho! Cá fico eu. Em terra estranha nada me pertence... O tempo passou e nada de chuva. O que se via era só desolação, os animais silvestres também tangido pela seca e a vegetação torrada. Aos poucos, na caatinga que antes era cinzenta, só se via vermelhidão. Já não havendo mais na caatinga o que ceifar, o lenhador lança um olhar febril para aquela árvore que até então, por decisão sua tinha sido preservado mesmo tomado por um desejo incontrolável de servir-se de pelo menos de alguns galhos ( não se sabe por que o lenhador poupou o Juazeiro até então, talvez porque ele era o único a lhe dá sombra fresca

nas horas mais escaldantes do dia). Sem norte, o pobre homem agarrara-se àquele torrão de onde tirava a sua sobrevivência. Sua vida não diferia muito dos viventes (lagartixas e calango...) que ainda restava naquela terra hostil. Todo dia ele precisava lenhar para acender a fogueira que de modo providencial socorria-lhe da friagem da noite. Entretanto não havia para o pobre homem outro jeito, a não ser pegar alguns galhos e algumas tiras de cascas da árvore rei e lançá-las ao sol ardente para secá-las para quando a noite chegasse ter lenha para sua fogueira. Assim fez todos os dias, até que um dia o tal lenhador deu-se conta de que o Juazeiro, outrora ao seu dispor, havia desaparecido e dele não restava nem mesmo as cinzas, que havia sido levada pelo vento. Então, ele lembrou-se do que lhe dissera o retirante e arrependeu-se por não ter ouvido seu conselho. Vendo que não havia de onde tirar lenha ele queimou, então, o cabo do seu machado, lasquinha por lasquinha, suficiente para aquecer-lhe apenas as mãos, mas o cabo de sua ferramenta também findou. Então, o homem viu-se a vagar sob o sol temeroso, arrastando-se pela terra estéril durante o dia e durante a noite enrolando-se no próprio corpo sob o *céu estrelado*, não demorou e seus dias, também, findaram. *(ele estava sob as estrela) A moral da história implica dois fatores: a)não convém desprezar os bons conselhos, pois, estes nos trazem lições preciosas. b)cuidar de nossas matas, preservar o meio ambiente e nossas fontes naturais para que a mãe terra não se torne estéril um dia.

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VALDIVIA S. BEAUCHAMP, nasceu em Recife e reside a

vários anos em Nova Iorque. Tem mestrados em Literatura Medieval Espanhola, e Literatura Hispânica e Brasileira. Foi professora de língua Portuguesa e Espanhola nas universidades de Purdue e New York University (USA). Bacharelado em jornalismo pela UNICEB ( Brasil). Foi correspondente internacional para Rede TUPI de TV, Manchete e Radiobras, no Congresso Nacional- Brasília. Autora de vários livros e trabalhos acadêmicos, participou de projetos educacionais e editoriais e de diversas antologias www.euro-americanwomenwriters.com A PRESENÇA DE INTELECTUAIS BRASILEIROS NA EUROPA E sempre bom relembrar, já dizia Suassuna. Quando no Brasil Imperial, na segunda metade do século XIX, no reinado de Dom Pedro II, o teatro Alla Scala de Milão encenou a ópera «Il Guarani», do compositor brasileiro Antônio Carlos Gomes, pela primeira vez, a obra de um autor não italiano, abalaria o procenio daquele templo da Arte, tornandose um sucesso imediato. Paralelamente foram iniciadas as imigrações europeias para o Brasil, a cargo do governo imperial brasileiro. A amálgama de idiomas e costumes no século XX, daria ensejos a viagens e incursões de brasileiros, no sentido das pátrias de seus antepassados, talvez, um chamamento do DNA do»inconsciente coletivo» do povo,, traduzidos na admiração pela Arte e Cultura. Na Espanha, o diplomata João Cabral de Melo Neto,, humanista e minucioso observador das letras, recebia a comenda da ORDEM MILITAR DE SANT’LAGO DA ESPANHA ( criada em 1175, ordem honorífica Portuguesa). O Pre-Modernista João Guimarães Rosa, que em 1967 se apossou da cadeira No 2 226 | CULTIVE

da Academia Brasileira de ,Letras, também de formação médica, já escrevia assim em Cordisburgo: « As pessoas não morrem, ficam encantadas». Todavia bem maior foi seu legado, Guimarães Rosa conseguia universalizar mensagenzinhas, formas de pensar do sertanejo, sendo sua missão mais importante quando Cônsul para o Brasil em Hamburgo. Facilitou a retirada de judeus e comunistas, que se encontravam debaixo do jugo do Fuher, para o Brasil. O paisagista Roberto Burle Marx, estudou na Art Academy in Berlin, e se valeu de seus estudos para transformar seus desenhos de jardins pelo mundo afora. Na Europa, ele aprendeu no Jardim Botânico de Dahlem, o potencial das plantas tropicais exóticas. Estimulado, descobriu 13 espécies de plantas nativas entre o Brasil, Ásia e na América Latina. Não poderia deixar de lado Júlia da Silva Bruhns, mãe do escritor Thomás Mann, que apesar de não ter sido uma intelectual, imigrou para Alemanha com 12 anos, e consegui lançar o seu filho mais conhecido no mundo literário. Mann é considerado um EXLLITERATUR, ou seja um escritor que faz literatura de seu país em oposição ao regime, no caso, o Nazismo. Mann, produziu muito na Suíça e Estados Unidos onde viveu. Entendemos que em seu livro «Buddenbrooks», ao projetar sua família, foi o maior reconhecimento de sua mae. Mas a saudade, primazia da língua portuguesa, estava sempre presente no coracao dessas grandes figuras brasileiras, todos esses regressaram à pátria.

VALQUIRIA IMPERIANO

Girassóis coloridos Os girassóis apontam a esperança Plantam uma suave lembrança lembrando-nos com suas cores vibrantes que a paisagem é joia brilhante Os girassóis enfeitam a vida Parecem cantar bela cantiga Seus grãos alimentam a barriga Rica flor do sol preferida Os girassóis nascem amarelos Mas por um velho decreto Inspiram alucinados pintores

Nasceu em João Pessoa - Brasil. Diplomada em Letras. Professora de língua portuguesa em escolas públicas e privadas no Brasil, lecionou português para estrangeiro em Genebra. É artista plástica. Publicações solo : Souhtend-on-sea Exhibition, Cofre Aberto, Espelho meu Espelho e A vingança dos Deuses, Navegando em Ondas Altas, O rosa e o Azul e co-autora em mais de 40 Antologias. Presidente da Associação CULTIVE Art, littérature e solidarité e da RVISTA CULTIVE, criou e organiza o projeto “Um dia de felicidade” (campanha para as carentes do Brasil). Organizadora da FECCAN ( Festival Cultural Cultive Alagoa Nova) Criadora e diretora da REVISTA IMPRESSA ARTPLUS. Orgainzadora do Evento Cultive no SALÃO DO LIVRO DE GENEBRA e Idealizadora e organizadora da

um grande evento que percorre cinco cidades do Nordeste com muitas atividades culturais envolvendo, escritores, artistas, universidades, intitutos culturais, academias de letras, artistas e músicos Site: www.arts-imperiano.com www.cultive-org.com

As tintas nas telas são flores azuis, vermelhas, amarelas que dançam com o louco sol

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Valquiria Imperiano O quê é quê é? Vou falar de algo estranho De uma criatura inventada Que tem só dois braços longos E duas pernas elásticas Não para nunca de mexer Uma criatura incansável Que não para de fazer... Lava roupa, Banheiro, prato, Piso, Panela, Passa, enxuga, Leva e traz filhos da escola Compra, costura, cozinha, ensina, Tapa buracos nas paredes, Borda, vende, arruma e cura

Nem de entrada Nem de saída, Fica a vida a lhe dever Horas de noite mal dormidas Isso tudo ela faz! E ainda muito mais... Cuida de visita, família e marido É coisa que não caba mais! Que máquina é essa incansável? Duvido que seja uma pessoa normal! Mais parece um robô! Feita de aço e coisa e tal Mas sabemos de quem falo! Dizem frágil Pequena e fraca Mas sua força é a colossal Ela se chama mulher Marias da terra Mulheres Marias Mães, mulheres Merecem amor Mais que um só dia

Filma, fotografa, remenda, borda, Dirige, conserta, limpa Embeleza, serve, ampara, Poetiza, escreve, tecla, anuncia, Anima e no palco representa Canta, dança, pesca e caça, Pinta e borda todo dia Carrega criança por nove meses Na barriga esticada Mesmo que tenha uma renca pendurada Acalma bebê que chora e berra Nina e fabrica leite doce e quente Acorda a noite preocupada Garantindo a segurança das crias A criatura não marca ponto 228 | CULTIVE

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VERA REGINA DA SILVA DE BARCELLOS Denomina-se Vera de Barcellos nome profissional cultural. Nasceu em Florianópolis, capital de Santa Catarina, em 17 de fevereiro de 1948.

Campanha da felicidade

Dos sete aos quatorzes anos iniciou seus estudos de pianos. Em 1996 começou a participar de entidades literárias em Santa Catarina. Editou em 1997 duas obras literárias “ Na luz ... a dor da saudade tua (poesias e poemas em segunda edição) e Cores poéticas em teu coração (quarta edição) e um DVD poético que acompanha suas apresentações literária e artística. Em março de 2005 lançou a obra infantil “ A ratinha orgulhosa e a solidariedade” em BH-MG, como coautora e em 2012, apresentou o lançamento do Kit cultural comemorando os 150 anos de João da Cruz e Sousa, constando de uma obra literária simbolista, um álbum CDs com 10 músicas de sua execução e composição e um álbum de partitura, plenário Ulisses Guimarães em Brasília- Distrito \Federal. Noventa e uma (91) coletâneas e antologias. Colabora com sessenta e cinco jornais, revistas e boletins nas Academias de Letras em que pertence.

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e p i c arti

cola bore C CULTIVE | 231


Marcação na Paraíba é uma aldeia com mais de 10 mil índios Potiguar. Graças à doações de pessoas que acreditam no pro-

Um dia de felicidade Cidade de Marcação – Aldeia indígena na Paraíba

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jeto da CULTIVE podemos oferecer informação, lazer, alimento, « ensinamos a pescar » . No próximo ano tem mais.

Barco doado pela Cultive à comunidade de Camurupim. O barco será usado pelas pescadoras e catadoras de mariscos.

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Projeto Um dia de felicidade

Cultivando Solidariedade

Cultive

Arte Literatura Cuide das crianças Ajude seus velhos

Não esqueça dos amigos

Ame-se muito para ter amor para dar! Consciência ! 234 | CULTIVE

VINICIUS BANDERA

Pós-doutorado em História Social

(USP). Doutorado em Sociologia (UFRJ. Mestrado em Ciência Política (UNICAMP). Pós-graduação (Lato Sensu) em Filosofia Contemporânea (UERJ). Pósgraduação (Lato Sensu) em Sociologia Urbana (UERJ). Pós-graduação (Lato Sensu) em Política Internacional (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo). Bacharel em Ciências Sociais (UFF). Bacharel em História (UFF). 1.4 Literatura: Autor dos livros Ordenação social no Brasil. Liberalismo, cientificismo e “menores abandonados e delinquentes” (Editora UFRJ, 2015); Mulheres da vida (Multifoco, 2015); Náufragos da fé (Laço Editorial, 2014); A genealogia em Foucault. Do poder soberano ao poder panóptico (NEA Edições, 2016

O L H A R E S CONSTRANGIDOS O imenso salão. Da rua, do outro lado, era possível divisá-lo. O apertar do coração. Uma escada rolante dava para o andar de cima. Antes, tinha a recepção. Ele entrou. Por favor, aqui!, pediu a moça. Ao olhar para cima, sentiu-se ainda mais diminuído no seio daquela imensidão. Pensou estar sendo observado por olhos invisíveis e eletrônicos que deveriam estar por entre as diversas luminárias embutidas no teto. Pode ir! Como? Pode ir!, repetiu a moça, enquanto uma mulher, jovem e atraente, cujo perfume denunciou sua presença, parou atrás de si. Era a próxima. Documento!, pediu-lhe a recepcionista, como fizera a si havia não mais que três minutos. Ele olhou novamente para cima, na tentação de novamente sentir a sua imensa pequenez. Pensou nas formigas que via quando pequeno, que lhes interceptava o caminho com o dedo indicador e as fazia subir por ele, uma ou outra, pelo prazer de sentir-se tão imenso quanto superior. A moça teve que sair detrás dele, contornando-o, para encostar seu ventre no balcão da recepção e, abrindo sua bolsa pequena, pegar uma bolsa menor, daquelas que têm um zíper, e dela retirar um documento de

identidade. Ele a fixou intensamente, enquanto guardava o seu documento de identidade dentro de uma carteira puída, que colocou no bolso detrás da calça. Os óculos escuros pareciam servir de pretexto para ela disfarçar o seu ar misterioso, com os quais, pelo contrário, acentuava. Queria vê-la por detrás dos óculos, pensou. Era bem diferente da moça da recepção, que logo lhe lançou um olhar inquisitivo, sem nenhum mistério, como a dizer-lhe novamente que podia ir. Ir para onde?, perguntou-se, flagrando-se em uma nova investida sobre os óculos escuros daquela cuja alma parecia chamar-lhe, mas ela não, porquanto voltou-lhe um olhar tão ou mais inquisitório do que o da moça da recepção. Olhou para cima novamente, não porque assim o desejasse, mas para fugir dos olhos que lhe diziam que não lhes olhasse.

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WILSON DUARTE

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WAGNER NYHYHWH A DITADURA DA ESTÉTICA Quis criar Algo bonito E complexo Quis voar Para o limbo Desconexo Mas não pude crer que o mundo resumisse-se a tão limitadas possibilidades de manifestações neuro-linguísticas E a corte apavora o reinado O profeta esqueceu o ditado É isso Ponto Cabô Vá O preço da laranja subiu de novo Puta que pariu, como posso ter uma alimentação saudável assim? Voltei Porque esqueci Isso não é poesia clássica Isso não é poesia concreta Isso não é poesia pós-moderna O preço da carne também subiu tá de brincadeira sim posso virar um vegetariano mas sou carnívoro como posso contrariar minha natureza sou um animal instintivo pseudo-racional sou um predador. Um frágil predador. Isso não é poesia Isso não é Isso sou eu Vai se acostumando Porque você vai aprender a me amar Vai aprender Sim é metricamente medonho Geometricamente torto Estilisticamente patético ritmo não Mas você vai aprender a gostar Vai aprender

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Como fazer sucesso no mundo da

Arte.

Valéria Mac Knight - The Vienna Workshop

Gallery.

O que você acha do meu trabalho? Evite fazer perguntas desse tipo, pois primeiramente – você está se dirigindo a um profissional. Um marchard não pode responder tal questão como um amigo faria e muitas vezes uma crítica poderia causar mais danos do que benefícios. A pergunta vem fora de um contexto. Não se pode avaliar nada sem contextualizar a obra. Por isso, veja minhas sugestões ao longo deste artigo. Na Europa e em vários países uma resposta a essa pergunta é comercializada, tratada como uma “consultoria” (há vários exemplos online). Existe um termo no mundo corporativo que se chama: “Elevator Pitch“ (a oportunidade de ser escutado sobre o seu projeto é de alguns minutos, o tempo em que você está no elevador com quem você quer trabalhar ou impressionar).

Como construir um trabalho estruturado? É recomendável que os artistas construam um trabalho estruturado, assim as respostas positivas virão. É você quem deve dizer o que o seu trabalho visa, com assertividade, elegância e intensidade. Pesquise, leia muito, participe de discussões, veja a definição de conceitos, períodos e estilos, história da arte não faz mal a ninguém. Visite museus (mesmo que virtuais) estude, experimente novos materiais e técnicas. Faça cursos (mesmo online). Participe de

competições. Escolha temas – que te motivem a criar, mas que tragam uma mensagem significativa para o mundo atual – e com os quais você possa construir uma série de trabalhos. Faça um projeto. Planeje uma série para suas obras – que tenham uma unidade entre elas, um fio condutor que as permeie, mas que ao mesmo tempo apresente uma individualidade em cada uma. Há que se ter uma história para contar! Isso enriquece muitíssimo a trajetória de um artista e possibilita poder realizar uma exposição individual. Dou como um exemplo atual, a exposição “As Marias” da artista Leca Araújo, com quem tive o prazer de trabalhar. Uma de suas telas vai morar aqui em Viena – essa venda foi mais do que o apelo estético: foi todo o contexto de estar vindo da Bienal de Florença, das telas retratarem mulheres com estórias de superação, usando um conceito de arte PRO-VITA incorporando materiais reciclados (upcycled) apresentando coerência com o tema de cada criação. Cabe ao galerista transmitir a cultura, valorizando a criação de vocês, descrevendo as técnicas eleitas pelo artista, em um ambiente à altura, bem iluminado e bem localizado.

A Importância do trabalho de equipe Transmita da melhor forma possível as especificidades do seu trabalho. O seu representante comercial fará isso em várias línguas estrangeiras – às vezes na galeria, às vezes em feiras de arte. O curador e as galerias complementam o trabalho do artista. É um trabalho de equipe. Sem a obra não fazemos nosso trabalho e podemos otimizar o trabalho que o artista não conseguiria fazer sozinho pelo menos no início de sua carreira. RELEITURAS Se você pode fazer belas releituras – avance até ESCREVER o seu traço, encontrar-se no seu próprio tom. Você quer passar sua vida sendo comparado ou confundido com outro artista? Enquanto você pode muito mais, porque só você pode ser você! C CULTIVE | 239


Uma criação artística é muito mais do que apenas a parte estética. Tenha em mente que não basta colocar os sentimentos na tela. Isso pode ser decorativo, mas o mundo das artes é duro.

Quebrando Paradigmas Os artistas, cujos nomes estão escritos na história, tem uma coisa em comum: a quebra de um paradigma. O que é um paradigma? É uma norma, um padrão. E veja que combinação maravilhosa que a arte proporciona, ela praticamente exige que o artista contemporâneo conheça os estilos passados, mas com o desafio de criar conceitos novos, apresentados inovadoramente! Caso você consiga ver as normas a serem quebradas e puder desenvolver um trabalho original – então temos um potencial intenso para conseguir sucesso. Por isso, procure definir a sua identidade artística. Mais do que tintas e telas, a arte é poderosa se soubermos articular inteligentemente diversos elementos seus e do seu curador e galeria. Desenhar e pintar muita gente faz. Mas, que temas escolheu, que materiais? Por que razão os usa? Qual é o SEU diferencial? Dê o seu recado – mostre que sabe o que está fazendo. É você que deve provar o seu valor. Tenha na ponta da língua, o seu discurso: O meu estilo é arte X, trabalho com materiais assim e assado, participei de tal exposição ou estou participando de uma série de exposições com a temática TAL e gostaria de saber QUAIS as condições para poder enviar o meu material para você “.

Organize o seu material para apresentar-se! Antes de disparar aos quatro ventos o seu material, analise qual o curador ou o galerista que está pedindo por obras. Você viu algum chamado - CALL FOR ARTISTS? Ou você decidiu que quer enviar a imagem do seu trabalho 240 | CULTIVE

para alguém? Veja as oportunidades que estão, recrutando – a maioria das galerias no exterior não recebe artistas novos assim do nada. É aí que está a importância de ter um curador para representá-lo e o seu histórico (que exposições você já participou - observe que há uma hierarquia: feiras de arte, uma bienal tem mais peso do que uma exposição em um lugar desconhecido) –na maioria dos eventos mais prestigiados há uma seleção. Nem pagando você entra. Use estratégia. Às vezes você vai precisar participar de eventos para ser aceito em outros vindouros. As galerias também são selecionadas para participar de eventos como Vienna Contemporary - com base no currículo dos artistas que representamos para podermos participar enquanto galeria. Em muitos desses eventos é pouco provável que um artista exponha solo – só por meio de curadores e galerias. B2B. Não ignore o poder que um curador pode ter para ajudá-lo, às vezes até mais do que o galerista. Principalmente no começo de sua carreira. O seu curador muitas vezes está te ajudando mais do que você pensa. Pois está abrindo caminhos que você nem sabia que existiam. Valéria Mac Knight –Há 10 anos trabalhando como executiva de marketing internacional e International Development Manager. Há 5 anos, organizando e participando de eventos internacionais de arte na Europa, representando inicialmente o artista contemporâneo austríaco Maximilian Seeböck. Busca maneiras INOVADORAS de representar o artista para que seja visto, conhecido e apreciado, tudo isso com muita criatividade na @ The Vienna Workshop Gallery. ELa é também psicóloga, professora de inglês e tradutora de textos acadêmicos. Fala fluentemente o inglês, francês e alemão, concluiu o mestrado em Teoria da Literatura na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). http://www.posciencialit.letras.ufrj.br/images/ Posciencialit/td/2007/18-valeriamacknight_teia. pdf Na proxima Ediçao da Cultive Valéria escreve sobre: «como abordar uma galeria», «como optimizar o investimento». C CULTIVE | 241


ARTE 242 | CULTIVE

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Exposição « La grande forêt »

organisado pelo Consulado Geral do Brasil em Genebra du 23 juin – 2 septembre 2018

Conservatoire et Jardin botaniques de la Ville de Genève, Chemin de l’Impératrice 1, 1292 Pregny-Chambésy

Entrée gratuite le 23/06, samedi à 17h Conservatoire et Jardin Botanique 244 | CULTIVE Chemin de L’imperatrice,1, 1292 -Chambésy,Genève

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Salão de ARTE FECCAN 24, 25, 26 de agosto 2018 Em Alagoa Nova Exposição Local: Forum ARTISTAS Tereza Penna Valquiria Imperiano Marcia Prata Artistas locais

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Exposição As Marias de Leca Araújo . Leca apresenta a coleção As Marias que representam mulheres do mundo e do Brasil. Silenciosamente suspensas nas paredes da Onu contantdo suas histórias através de simblos marcantes e representativos. Telas coloridas e uma instalação que Leca, com muita arte e criatividade, realizou e encantou o público. E para completar a tarde artística, músicas brasileiras cantadas pelo coral sinfônico Jovens de Goias. Harmonia, beleza, cor e criatividade continua nas Nações Unidas até o dia 28 de junho de 2018. Um exposição magnífica que vale a pena visitar.

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RAFAEL STEVENS

nascido na França, filho de brasileira com françês, passou sua primeira em infancia no Brasil. Aos 12 anos foi morar na $frança onde estudou. Desde criança tem paixão pelo cinema e pela literatura o que o levou a entrar na faculdade de arte em Marseille. Aos 24 anos Rafael correu o mundo registrando imagens. Já fez atelier com grandes fotógrafos franceses e agora está preparando uma exposição no Cantini Museu de Arte MOderna de Marseille. Rafael cresceu e amadureceu e dirigiu sua criação, antes voltada aos monstros e às imagens de terror, para a condição humana. Do seu olhar analítico e senso de observação crítico nasce imagens de extrema sensibilidade e beleza, imagens que denunciam as diferenças sociais e a relação homem/sociedade

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o ã ç o i ã s ç o i s p o x s E xp Plu us E rt tPl AAr 252 | CULTIVE

Agenda de exposição outubro sexta feira dia 19 ao 26 Coletiva

novembro terça feira 20 ao 28 Art Angela C CULTIVE | 253


Salão de Arte FECCAN Além de obras literárias a FECCAN está realizando o Salão de Arte FECCAN em Alagoa Nova do 24 ao 26 de agosto. A exposição reune obras de artistas de todo o Brasil. Os artistas podem expor telas de até 100 cm e esculturas de até 1m.

Dani Silveira

Dalvani Oliveira da Silveira, natural Candib-Ba. Trás em sua alma a inquietude e a ânsia pelo novo, a música tocada pelo pai em uma acordeon enchia sua alma, as cores e as formas na natureza enchia-lhe os olhos. Como funcionária pública prestes a aposentar, viu na arte a maneira de preencher a nova fase. Participou de alguns workshops de pintura e prosseguiu estudando, (em revistas, livros de arte, internet) descobrindo e se encontrando. Focada e apaixonada pela figura humana, porem pinta com a mesma dedicação flores, frutos e paisagens, buscando sempre a observação da natureza real para tentar retratar o mais original.

As inscrições estão abertas até o dia 30 de julho. Os artistas podem comparecer ou enviar as obras para Alagoa Nova. Artistas interessados em dirigir atelier de pintura são bem vindos. Interessados entrar em contato pelo e-mail : cultive@bluewin.ch site: www.cultive-org.ch

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Denise Saboia

Minha obra criada para a exposição em Lisboa -Portugal, faz um alerta ao desmatamento e suas consequências , ressalta uma beleza morta ressecada e artificial do que antes era viva. As cores monocromáticas dramatizam a ausência da seiva e do verde. O ouro representa a jóia que se deve preservar. No tríptico « Não mate a mata» (1m de largura por 60 cm de altura,) a técnica mista é disposta em assemblage, com medida individual de 30X60 cm numa sobreposição de diversos materiais : madeiras de demolição reaproveitadas, acrílico, ferro, fotografia e cerâmica esmaltada com vidrados e ouro.

Liomar ferreira

Consuli

, nome artístico co. Nasceu e vive até hoje na cidade de Nova Iguaçu RJ.

CONSULI, 45 anos, funcionário públi-

Dom Quixote 59,3x 79,3cm acrílico sobre tela 256 | CULTIVE

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Liomar Consuli

Ferreira

Primeira exposição na casa da moeda do Brasil onde teve todos os seus trabalhos vendidos. Consuli utiliza diversas técnicas e estilos diferentes, Predominando o Cubismo e o Abstracionismo. Gosta de observar a natureza, transformando e dando sua visão artística. Inspira-se nos grandes mestres do passado mas, sua paixão são os artistas brasileiros: Tarsila do Amaral, Cândido Portinari e Manasses. Exposições: Áustria, Suíça, Portugal. Liechteinstein. Carrancas 80x80 cm acrilico sobre tela

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Desde sua infância despertou seu interesse pela arte. Em setembro de 2005 lançou-se na pintura ativamente, mesmo sem nunca ter passado por uma escola de arte. Autodidata, trabalhou com afinco desenvolvendo diferentes técnicas e em menos de três meses de pintura, já realizava sua primeira exposição na CASA DA MOEDA DO BRASIL onde teve todos seus trabalhos vendidos. Sua técnica preferida é AST, pinta em vários estilos, mas prefere o Abstracionismo e o Cubismo, suas inspirações vem do cotidiano. Hoje, com apenas 12 anos de trabalho, possui mais de duzentas obras vendidas no Brasil e Europa.

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Luciana

Imperiano

Mauro Kersul Artista, autodidata de São João Del Rei, MG - Brasil onde vive e trabalha, atuando nas áreas de artes plásticas, com pinturas e esculturas. O artista tem uma de suas obras no catálogo editado pelo Carrossel Du Louvre, em 2016, e foi convidado pela ONU para exposição EARTH 2016, em Nova York. Em 2017, expôs seu trabalho em Viena, Cascais, Porto, Barcelona, Lisboa, Miami, Londres, São Paulo, Buzios etc. No momento esta partipando de 2 exposições em Miami e preparando para participar de exposição em Buenos Aires. Suas obras fazem parte do acervo de galerias do EUA, Espanha, Áustria. É artista selecionado pela Artnatic Brasil e Artnatic Internacional. “Mauro é um artista único e vem recebendo elogios de galeristas, público, colecionadores, marchands e críticos culturais em diversas exposições aqui e no exterior”

FLOR DA VIDA“A Flor da Vida” é um símbolo s e creto criado pela inscrição de 13 círculos. Este é o nome moderno dado à uma fgura geométrica composta de vários círculos de igual diâmetro, sobrepostos de maneira padronizada, formando uma estrutura semelhante à uma for composta, em seu núcleo, por seis pétalas simétricas.O centro de cada círculo está posicionado exatamente sobre a circunferência dos seis círcu-los que o cercam.Os círculos formam uma teia harmoniosa dentro da qual emergem fguras geométricas sa-gradas ( sólidos platônicos) para muitas tradições espirituais antigas. Os sólidos platôni-cos correspondem a 5 poliedros (cubo, tetraedro, octaedro, dodecaedro e icosaedro) que sintetizam todas as formas e que representam em si, respectivamente, os 5 elementos da natureza (terra, fogo, ar, água e éter). Este ensinamento, herdado por Platão dos antigos egíp-cios, era ensinado em sua Academia, como o princípio básico da manifestação das formas.Muitos consideram a Flor da Vida como um dos mais importantes símbolos da geome-tria sagrada, pois dentro dela estariam codifcadas as formas fundamentais que consti-tuem aquilo que conhecemos como tempo e espaço. Estas formas seriam as estruturas co-nhecidas como a Semente da Vida, o Ovo da Vida, o Fruto da Vida e a Árvore da Vida. Ao contemplarmos a Flor da Vida, vemos que sua forma básica é igual ao modelo estru-tural do foco de neve, a água cristalizada.O código da Flor da Vida contém toda a sabedoria similar ao código genético contido em nosso DNAO símbolo da Flor da Vida já foi encontrado em diferentes civilizações da história, como no Templo de Osíris em Abydos no Egito e em antigos artefatos presentes em Israel, Monte Sinai, Japão, China, Índia, Espanha, entre outros. 260 | CULTIVE

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Marcia Prata

Marcia Prata

Frida

Monalisa

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Marcia Prata

Venus

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MarLa

Teve suas obras em exposições individuais no Brasil e participou de exposições coletivas nacionais e internacionais em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, Miami-EUA, Itália-Firenza, França-Paris na Expo Shopping do Carroussel Du Louvre, Porto-Portugal, Barcelona-Espanha, Vaduz-Principado de Liechtenstein,

Obras que deixam fluir lirismo, emoções e sensações... Expressando seu céu interno por meio da pintura e poesia. A introspecção e o enlevo alimentam seu processo de criação o que lhe permite imprimir uma linguagem pictórica muito singular e verdadeira.

“​Compreendo​ ​que​ ​a​ ​arte​ ​é​ ​um​ ​aspecto​ ​especialíssimo​ ​do​ ​meu​ ​ser. Percebo uma poderosa vertente a deixar fluir meu lirismo, a cristalizar minha emoções e sensações... expressando meu céu interno por meio da pintura e poesia. É minha​​fonte​​de​​ inspiração​ ​manifestando-se​ ​com​ ​integridade.»

Haras e Araras acrílico sobre tela 150cmx 80 cm

Mel & Romance acrílico sobre tela 60cm x 80cm

Jardim das Águas em Giverny. Técnica: Acrílico sobre tela 120cm x80cm

Namastê. Técnica: Acrílico sobre tela Dimensões: 1m50cmx80cm 266 | CULTIVE

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Nazaré Cavalcanti de

Recife, residindo há anos em Portugal. Blusas, saias pintadas e almofadas. ntes de vir, exposições no Sport Club do Recife, Palácio da Justiça futuras exposiçoes em Barcelona e Paris.

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R osan gela Vig Dos desenhos infantis, o traço se desenvolveu. Aperfeiçoou os castelos, paisagens, utilizando grafite, lápis de cor e tinta. Veneza, feita com lápis de cor, obra premiada em 1994. Seu trabalho afastou-se do figurativo, para a geometria, o imaginário e para a obra com conteúdo filosófico e profundo. o imaginário passando pelo surreal, ricos em contraste de cores, leveza e alegria

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Sabrina Sibila 272 | CULTIVE

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Silv aney Vasc once lus “Costumo pintar obedecendo o desejo do meu coração, pinto aquilo que clama a minha alma e o meu espírito.”

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The Vienna Workshop Gallery Gallery

Valeria Mac Knight

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Valquiria Imperiano

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l’androgène de l’Inde Acrylique , feuille de l’or sur toile 80x100

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Valquiria Imperiano Benjamin óleo sobre tela e folha de ouro

Sous les traces de Van Gogh acrílico e óleo sobre tela 50x35

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Próxima edição da REVUE CULTIVE : Participação limitada (enviem seus trabalhos e sugestões pelo e-mail cultive@bluewin.ch Para manter um padrão literário de qualidade limitamos os textos. Serão selecionados os vinte melhores textos que participarão do próximo número.

CULTI revue

Criação por V I Guillemin Data da criação novembro/2016 Colaboradores diversos escritores, artistas plásticos, fotógrafos © CADA AUTOR DETÉM OS DIREITOS AUTORAIS SOBRE OS TEXTOS PUBLICADOS NESTE JORNAL © V. Guillemin detém os direitos autorais deste jornal Os textos são de autoria e responsabilidade do autor. capa : Luciana Imperiano Bodner © V Guillemin Revisão parcial do autor Revisão geral: V I Guilemin Diagramação: Luciana I Guillemin Editor executivo: Luciana Imperiano Editor chefe: Luciana Imperiano Imagens: ©Marc Guillemin Distribuição gratuita por meios virtuais Tema desta Ediçãi: Festival Cultural FECCAN Magazine Cultive ISSN 25 71-564X Site: https://www.cultive-org.com/ Revista: https://issuu.com/cultive Email: cultive@bluewin.ch Telefone: 0041 79 616 37 93 Rue du pré- Jérôme 12 Plainpalais 1205 Genève - Suisse

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III Antologia Cultive lançamento no 33° Salão do livro de Genebra do 1 ao 5 de maio 2019

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Cultive junho 2018  

Revue Cultive Cultivando cultura e informação. Salão do livro de Genebra2018. Eventos no Brasil, autores de vários países, poesias, crónicas...

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