Revue cultive n° 16

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REVUE CULTIVE - ISSN 2571-564X

n°017 | Année 04 |décembre 2021

EM BOM LUGAR POÉ TI CO Revue Cultive - Genève

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ARTPLUS N° 3 REVERENCIANDO A MULHER BRASILEIRA

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Cultive Revue littéraire et culturel

Esta é a ultima edição da revista Cultive no ano de 2021, nela relatamos as atividades realizadas pela Cultive no ano de 2021 com destaque para o Natal e fechamos homenageando a data com poemas e textos de bons votos. O leitor irá encontrar toda a matéria sobre os temas, os convidados e os palestrantes do Congrés Cultive International de la Femme, que aconteceu do dia 26 ao 28 de novembro 2021 sob a organização do Institut Cultive Suisse Brésil. Você poderá rever alguns temas abordados nos painéis do congresso. O Institut Cultive Suisse Brésil prêmiou com o grande prêmio «Prix Valkyrie» 16 mulheres que se destacam ativamente nos diversos setores da sociedade contribuindo ou criando projetos científicos, educacionais, literários, culturais e esportivos agindo ativamente em ações sociais.

minação e o combate que mantiveram durante suas trajetórias para alcançar seus objetivos. São mulheres que superaram situações difíceis, outras que seguiram o destino traçado pela família, mas todas buscando independência e realizando seus sonhos. A Revue Cultive não limita suas páginas apenas aos membros cultive. Todos os autores, autoras, artistas e amantes da cultura que desejam apresentar suas obras culturais e trabalhos artísticos nas páginas das próximas edições dessa revista, procurem as regras no site da editora ou no final das páginas dessa edição. Ficaremos felizes em publicar seu trabalho após análise e aprovação editorial.

A revista também traz poesias contos e crônicas, pesquisa cientifica, textos jornalísticos, assim como uma exposição de arte que dão uma pequena amostra do que os protagonistas da cultura brasileira podem produzir. No final dessa edição você encontra um catálogo literário indicando as obras de vários autores lusófonos. As escritoras e artistas entrevistadas no programa As Valkyries, apresentado no canal Cultive, estão aqui. São entrevistas detalhadas completando as informações sobre a carreira e os trabalhos dessas escritoras e artistas engajadas com a cultura. Elas colocam em pauta as suas vidas, expõem a deter-

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SOMÁRIO 06 |Valquiria Imperiano 2022 O ANO DO RENASCER 08 | Cultive Natal Em Bom Lugar 11 | Natal no Núcleo Cultive de Feira de Santana

12 | HOMENAGEADAS 12 14 17 25 27 29 32 34 37 38 41 44 49 52 54 56 59

| Maria José Esmeraldo Rolim |Hélia Alice dos Santo | Dilercy Adler | Chris Herrmann | Maria da Paz | Rita Queiroz | Maria das Graças Brito | Colinete Holanda Soares | Elluciana Iris | Leci Queiroz | Gabriela Lopes | Adriana Sugino | Neusa Bernado Coelho | Sue Ann Siemens | Fabiana Machado Mendes | Maria Inês Botelho | Rosangela Matos

CONGRÉS CULTIVE INTERNATIONAL CULTUREL DE LA FEMME 63 | Rosangela Morais Magalhães 64 | Matilde Corrone Slaibi conti 71 | Lúcia Aeberhardt 74 | Rita Potyguara A ASSOCIAÇÃO RENASCER DOS POVOS INDÍGENAS POTIGUARA 76 | Valquiria Imperiano CANTO DO CLAMOR NATAL DO SERTÃO

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81 | Daiana Quelle VOZ E COR: A LITEARTURA ESCRITA POR MULHERES NEGRAS 84 | Sofia Tonoli Maniezzo Zani MEMÓRIA E VIOLÊNCIA NOS AUTOS DE DEFLORAMENTO 85 | Norma Suely Pereira ASPECTOS DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NA AMÉRICA PORTUGUESA. 87 | Vanessa Martins Do Monte MEMÓRIA E VIOLÊNCIA NOS AUTOS DO DEFLORAMENTO 88 | Jaide Siqueira DEPRESSÃO, ORIGEM, PREVENÇÃO E TRATAMENTO 89 | Eugênia de Azevedo Neves$ O FEMININO NA CONTEMPORANEIDADE: “UM TETO TODO SEU” AINDA AMEAÇADO 92 |Fabiane Maria Pereira TRATAMENTO DA ACNE / DA DESCOBERTA DO CÂNCER À CURA. 93 | Solaine Meneguello Bim O IMPACTO DA EMENDA CONSTITUCIONAL NA APOSENTADORIA. 98 | Paulo Bretas PERSPECTIVA ECONÔMICA PARA AS MULHERES EM TEMPOS DE CRISE. 102 | Evandro Barbosa DIVÓRCIO E GUARDA COMPARTILHADA 105 | Shellah Avellar MULHER, NA PALMA DA MÃO 111 | Joelma Estela Queiroz

78| Algemira Mendes A LITERATURA MOÇAMBICANA ESCRITA POR MULHERES

112 | Lilia Maria Machado Souza CECÍLIA MEIRELES: PROTAGONISMO EM UNIVERSO MASCULINO

79 | Laurentino Gomes O PAPEL DA MULHER NO BRASIL, O MAIOR TERRITÓRIO ESCRAVISTA DA AMÉRICA

114 | Grasiela Estanislaua Konescki Führ DESAFIOS E ENFRENTAMENTOS DE UMA VIDA QUE LIDA COM O CÂNCER

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118 | Leni Zilioto MULHERES DESBRAVADORAS DE MATO GROSSO MULHERES NA EDUCAÇÃO E NA ESCRITA 121 | Maurienne Caminha Johansson FESTA NO CORAÇÃO 122 | Rosa Marta Gerber Resgastando seu autopoder nas frequências da Luz-Amor

143 | Liduina Vidal de Almeida 146 | Eliana Machado 150 | Maria Eugênia Porto Ribeiro da Silva 153 | Ana Rosenrot 156 | Lisieux Beviláqua 158 | Lenita Stark 161 | Rhany Costa 163 | Elaína Cristina Araújo de Maria 165 | Giuliana Conceição Almeida e Silva

126 | Carla Ramos Na Alkimia do ser, todos nós, na Saúde em rumo à sáude com Vida Sustentável 128 | Maryah da Penha da Sylva A técnica da Nasa, a cromoisometria científica produz tônus mmuscular sem fadiga e sem sari do lugar

LITERATURA

ARTE

130 | Maria José Negrão O QUE É O NATAL?

173 176 179 198 190 199 201 203 205 206 207 206 210

133 | Norma Brito POETA, O ARTESÃO DA PALAVRA. 134 | Avani Peixe RENDA RENASCENÇA 136 | Nagesia Diniz HOJE É DEZEMBRO 137 | Izabel Hesne Marum A coragem de Jacinto

| Avani Peixe | Lu Imperianno | Maria Nazaré Cavalcanti | Rita Guedes | Valquiria Imperiano | JU PEREIRA | Gabriela LLopes | Manoel Osdemi | Karmem Pires | Christiane Couve de Murville | ROSALVA SANTOS | IZABEL PECORONE | Zezé Negrão

138 | Padre Ernane EFEITOS DE SEUS ABRAÇOS 139 | Luiz Carlos Amorim SOMOS UM PAÍS SEM EDUCAÇÃO O GÊNERO “NEUTRO” OU A “NEUTRALIZAÇÃO” DE GÊNERO

ENTREVISTAS AS VALKYRIES 141 | Amélia Costa

212 |Catálogo Catálogo Literário Revue Cultive - Genève

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dia competirem com a quantidade de mortos. Entramos no segundo semestre de 2021. O bicho deu uma pausa na América do Sul e do Norte. Enquanto isso, aqui na Europa a população descontraia-se com o sol do verão. A vida voltou quase ao normal. Entramos em dezembro. Os números de infectados começam a subir na Alemanha e na Áustria, uma nova variante atravessa as fronteiras da Europa e festejamos o Natal novamente com limites e a pulga atrás da orelha. Acompanhamos as notícias alarmantes, os hospitais estão abarrotados novamente. A pressão recomeça. Faltam três dias para o Feliz Ano Novo de 2022 e as notícias são agravantes novamente, os hospitais estão lotados, falta teste Covid 19, as pessoas não se entendem quanto a vacina, quanto às ordens governamentais, que ameaçam fechar tudo novamente. Quase todos os membros da minha família em Genebra tiveram a covid 19, talvez por serem jovens e saudáveis ou vacinados a doença se manifestou sem gravidade, uma ou outra internação dos não vacinados. Não saímos do telefone preocupados, pedindo informações e no fundo o medo nos cerca. Sentimos que o bicho nos espreita e dobramos os cuidados, enfiamo-nos dentro de casa evitamos contatos e aglomeração.

2022 o ano do renascer Valquiria Imperiano

Os dias correm tranquilos entre a chuva, o frio e o cuidado ao sair de casa em Genebra. .

Em Recife, Marisa cantou através da Colly, que usa canto e interpretação cénica. Todos mascarados, 2021 está terminando e levando com ele desejos distantes uns dos outros. Aplausos das senhoras, emitidos de que essa pandemia iria terminar no fi- idosas, cadeirantes, sorridentes, cansadas, alegres nal do ano de 2020. Muitos desejos não cumpridos. e tristes. Todas sentadas em volta da mesa. Uma tarde de chá para animar os ânimos cansados de Estávamos assustados em 2020 com o novo vírus serem um peso. Um peso para a sociedade que não covid 19 e cumprimos muitas regras de prevenção quer mais arcar com as despesas. contra a Covid. Entramos em 2021 esperançosos que a onda iria passar logo, que tudo voltaria ao O último chá da tarde, talvez. normal e assistimos pelos canais de comunicação ondas de informações com números de vítimas su- Em breve, as pessoas idosas serão distribuídas pela bindo todo dia. Mortes e contágios crescendo dia- cidade, devolvidas às famílias como fardos que ninriamente. Uma pandemia que ninguém consegue guém quer. São mulheres e homens abandonados, prever a maneira certa para combater. Em cada São pessoas que geraram filhos, deram suas vidas, continente a vaga de contaminação variou de acor- suas horas de juventude, suas noites mal dormidas, do com a estação do ano, o vírus circulou incon- seu sangue ao parir os rebentos. Estão com seus olhos miúdos, molhados pelas lágrimas e cobertos trolável brincando com as estatísticas. pela catarata, esperando a hora do despejo. Serão Na Itália, na Espanha e na França ele fez a festa em remanejadas. Talvez algumas partam antes para o 2020. Em 2021, foi a vez dos EUA, do Brasil e da Ín- repouso eterno. E as que ficam irão, cabisbaixa, se6

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rem plantadas em outro jardim de velhos. Não são consultadas, não lhes perguntam sobre o seu querer, afinal não têm querer, não podem querer, seu querer é o querer de quem os dirige. É quase um atrevimento querer na sua idade, na sua condição, na sua pobreza.

que pode acontecer o contrário do desejo expressado. O vírus pode nos ouvir e preparar o nosso destino contrariamente ao sonhado. Mas tenho que ser afirmativa e categórica, e carregar os meus votos afirmativos com a energia poderosa de positividade.

Eu preciso encontrar essa energia dentro de mim e escrever num papel, com grandes letras, e colar no meu espelho: “2022 será o ano em que os governos vão se voltar para o seu povo necessitado e criar programas de melhoria social; irão também investir na ecologia, criando pontos de coleta de lixo com separativos e usinas de incineração de detritos; irão criar programas de informação ecológica; irão aplicar programa de educação criando escolas no recantos mais longínquos do país; irão criar programa de estímulo ao trabalho ligado à preservação; vão preservar as reservas naturais e manter um sério controle fiscal nas zonas florestais; irão criar hospitais e postos de atendimento, tudo com um rígido controle sanitário. O ano de 2022 será o ano da cura, o ano em que você, covid19, vai se fechar dentro da sua casa para se proteger do nosso ataque, os humanos. Nossa vida irá voltar à vida normal, retornaremos às viagens, aos reencontros com as nossas famílias sem medo da aproximação. Será o ano da “Pandemia humana 22” Onde anda a consciência? Onde anda a responsa- e você, covid, vai ter que se fechar numa bolha de bilidade com o próximo, com as pessoas carentes? plástico escuro para se esconder dos nossos ataques”. Parece que atualmente essa não é uma responsa- E embaixo dessa afirmação escreverei bem visível bilidade dos administradores, afinal eles são voto para que a covid leia todas as letras: “você está morquase perdido. Velho pode morrer antes das próxi- ta dona covid, iremos exterminá-la!” mas eleições! Mas tenho que escrever também para meus amiVelhos sem casa para passar seus dias, crianças na gos e para você leitoralgo pessoal que você possa rua, águas invadindo casas e ameaçando centenas gerenciar e concretizar: meus sinceros votos de um de vidas, pessoas passando fome, a pandemia que 2022 com muito trabalho, criatividade sucesso e renão dá descanso. Tudo parece tão desesperador e conhecimento em todo trabalho realizado. triste. Toca de novo a Ave Maria, ouço o canto de Bach A Ave Maria soa, enquanto assimilo essa contabi- em silencio apreciando a melodia que é uma prece lidade, enquanto alinhavo as misérias que me che- e reflito, talvez ela esteja a dizer por traz do canto: gam. “acalme-se, todos sofremos de uma forma ou de outra. O importante é fazermos nossa parte mesmo que Estamos entrando em 2022, e preciso preparar seja pequena, e acreditar. A fé remove montanhas.” meus votos de um Feliz Ano Novo. Adio a escrita todos os dias, estou prudente com as palavras. É, a mensagem alivia, temos que pensar assim para não entristecer e desesperar. É bem verdade que é preciso afirmar coisas boas para que a nossa realidade seja fundada nessas afirmações. Hoje, temo expressar desejos, porque até o sentimento do desejo nos leva a possibilidade de A sociedade não tem coração, não sofre. Velho não é seu problema. O problema da sociedade é resolver a contabilidade, distribuir e acabar com os custos, cada velho é um custo. Cada velho distribuído é um custo a menos. É preciso zerar o déficit, desabrigar os velhos, zerar a casa dos custos e dos velhos, e fechar as portas antes do Natal para não parecer um presente envenenado de um velho vestido de preto e com cara de demônio. O velhinho de barba branca virá trazendo palavras macias, doces e de muita esperança através da boca de quem se abstém de cooperar com os necessitados. O chefe que comanda e aprova as decisões precisa distribuir a carga de maneira discreta, da maneira mais prazerosa para se contaminar com a culpa. Afinal o ano novo está chegando e como desejar feliz ano novo quando se promoveu um infeliz ano novo para um grupo de pessoas?

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Cultive Natal de Bom Lugar

As inscrições para receber os presentes e as sextas básicas iniciaram-se no início de dezembro, sem regras, nem condições, todos os moradores, independente da religião, de partidarismo, de cor ou de gênero pode se inscrever. . O Centro Cultural Cultive, um centro criado pelo Institut Cultive em Bom Lugar, realizou o Natal Solidário na comunidade Maranhense. Essa campanha Natalina que era realizada desde 2016 em Camurupim na Paraíba, foi realizada esse ano de 2021 na comunidade de Bom Lugar, em Imperatriz no Maranhão. O projeto havia parado em 2019. A presidente do ICSB impossibilitada de se locomover da Suíça para o Brasil, e a falta de uma pessoa que pudesse colocar em prática o projeto na localidade paraíbana, impediram a presidente do Institut Cultive de realizar o tradicional projeto Campanha da Fellicidade. Com a criação do Centro Cultural Cultive aliado à Biblioteca Incentiva de Bom Lugare tendo o Padre Ernane na dirição do projeto, que concordou em dirigir a organização local, possibilitou à presidente do ISCB de dirigir a organização geral do projeto diretamente da Suíça. O projeto, organizado por Valquiria Imperiano, 8

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presidente do Instituto Cultive Suisse Brasil, distribuiu brinquedos 184 crianças da comunidade e 31 sextas básicas às famílias carentes. O Padre Ernane, da Paróquia Mãe de Deus de Bom Lugar, designado por Valquiria Imepriano, dirigiu as compras dos brinquedos e das cestas básicas. As mulheres da Associação ABEELHA colaboraram


embrulhando os presentes, distribuindo os lanches, ajudando na distribuição dos presentes, na montagem das sextas básicas e na organização geral do evento.

Para agradecer aos doadores, o Institut Cultive entregou aos apoiadores do projeto o Título de Benfeitor Benemérito do Centro Cultural Cultive e da Paráquia Mãe de Deus. A todos os colaboradores os agradecimentos do ICSB E da Paróquia Mãe de Padre Ernane vestiu-se de Papai Noel e entregou a Deus. cada criança um presente de Natal. Valquiria, por não poder comparecer ao evento, acompanhou a entrega dos presentes pela internet e ficou satisfeita com o resultado.

Foi comovente ver tantas crianças e famíllias emocionadas ao receberem seu primeiro presente de Natal. A campanha teve a ajuda de algumas pessoas que fizeram doações e graças a essas doações foi possível realizar esse feito.

É preciso pensar nos desmunidos. Oferecer uma simples lembrança pode mudar o olhar de uma criança em relação ao mundo que a cerca. Plantar esperança é um dever de todos nós. Devemos sair dos chavões e das críticas e realizar, nós mesmos, o que está necessitando de ação, só assim poderemos criar um mundo melhor e menos violento. Revue Cultive - Genève

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Natal no Núcleo Cultive de Feira de Santana No dia 18 de dezembro os membros do Núcleo de Feira de Santana José Ângelo Leite Pinto -Jaide Santana de Siqueira -Antonio Josman Lima de Brito -Neuza de Brito -Débora Araújo Leal -Liacélia Pires Leal-João Martins - Maria das Graças Cordeiro dos Santos- Raymundo Santos - Raymundo Luiz De Oliveira Lopes - Neide de Almeida Cruz - Carmen Lúcia de Oliveira Pires -Alberico - Maria José Negrão dos Santos e os convidados Lélia Vitor Fernande sde Oliveira, Céliah Zainn, João Gabriel Negrão dos Santos, Eliezer Ferreira dos Santos, Célia Martins de Freitas reuniram-se para celebrar o Natal. Os membros receberam diplomas de Mérito Cultural por seu envolvimento nos projetos culturais do Núcleo de Feira de Santana.

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Quem é Maria José Esmeraldo Rolim ? Ela nasceu em Floriano – Piauí, Estado do Nordeste do Brasil. Criou com anuência da família o projeto que transformou a casa familiar no Centro Cultural Cristino Castro, onde funcionam os cursos do PRONATEC (informática, teatro, dança) e com finalidade gerar de renda para artes. No Centro Cristino Castro funciona o Prodart, uma cooperativa de artesanato. O Centro, também, abriga o Museu Zezé Castro e a biblioteca da Costa e Silva, com um acervo de cinco mil livros. Maria José Esmeraldo Rolim é professora na rede pública de Fortaleza. Ela estudou fora do país, fez mestrado e doutorado em Educação. Preocupada com a posiçñao do jovem ela dirigiu suas sobre a violência simbólica e o bullying. Essa pesquisa que gerou um livro que foi publicado em português e espanhol e chegou em vários países. O reconhecimento do seu trabalho foi feito pela Assembleia Legislativa de Fortaleza, que llhe conferiu votos de louvor pela sua pesquisa.

de Fortaleza a oportunidade de participar de eventos envolvendo a cultura e a literatura. Ela faz parte de Academias de Letras em Fortaleza, Ala Feminina da Casa Juvenal Galeno, Academia ACLA de Maranguape, UBE do Rio de Janeiro, Divine Academia de Paris. Membro Internacional da Cultive. Recebeu prêmio da Academia de Letras do Brasil/Humanitária, título de Doutora em Causas Humanísticas Internacionais-PHI, e membro da Literarte. Prêmio Cidade da Prefeitura de São Pedro da Aldeia_RJ. Possui 23 publicações conjuntas e 3 solos. A violência dos laços familiares aos bancos escolares foi o livro que foi mais destacado pela crítica como relevante para a Educação. Prêmios: Madre Teresa de Calcutá- Itabira, MG. Evita Perón – Buenos Aires, Academia de Letras y Artes- EMBAJADOR DE LA PAZ-Argentina. ABL-Conab-Conselho Nacional das Academias de Letras do Brasil- Filósofa Imortal.Brasília.Prêmio Cidade de Literatura. Prefeitura Municipal de São Pedro da Aldeia-RJ.

A sua escrita saiu da esquisa acadêmica e engendrou em seguida os caminhos da literatura. Atualmente ela escreve poesia, contos e crônicas que foram publicados em várias coletâneas nacionais e internacionais. E esse ano ela Publélicou o seu primeiro livro innfantil abordando o tema do vírus, proteção do meio ambiente e respeito com o próximo. O livro foi editado pela editora Cultive e está sendo muito bem recebido pelas escolas públicas e pelo público infantil. Ao abraçar a escrita literária Maria José foi convidada para assumir academias em Fortaleza e em outros estados do Brasi. O seu engajamento com a literatura cresceu a tal ponto que ela passou a colabroar e incentivar e apoiar a produção de eventos literários no meio dos escritores e dos alunos, oferecendo aos jovens estudos a oportunidade de interagir com escritores e com os movimentos culturais. Seu engajamento cultural rendeu-lhe assim, prêmios e homengans no Brasil e no exterior.

ISBN 978-2-940661-03-9

9 782940 661039

Maria José é uma defenrsora dos direitos da criança e da mullher. Ela não mede esforços para oferecer aos jovens estudanntes da rede de ensino público Revue Cultive - Genève

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HÉLIA ALICE DOS SANTOS, desde muito

cedo, ainda menina, ajudava nas atividades domésticas, nos domingos à tarde, normalmente, com uma ou duas colegas, brincava de piquenique nos arredores da casa da família. Seu pai, que trabalhava como pescador de embarcação industrial, voltou pra casa para se tratar de um câncer. Tinham animais, entre eles, vacas leiteiras, sua mãe trabalhava como atendente de enfermagem, no entanto, precisou dar atenção a seu pai, que vivia muito mais no hospital do que em casa. Apesar de muito jovem, junto com seu irmão, que tinha apenas um ano e meio a mais, assumiram os cuidados dos dois irmãos mais novos (quatro e cinco anos de idade). Além disso, cuidavam dos animais, pegavam ração (capim) nos morros, tiravam o leite das vacas e o colocavam em litros de vidro e o destinavam para o armazém da comunidade. Paralelamente, assumiu os trabalhos de sua mãe e, com apenas doze anos 14

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Clic no afiche para acessar o painel de idade, já aplicava injeção intravenosa e muscular nas pessoas da comunidade. Após dois anos, teve uma estafa. Toda família passou a morar mais próximo do hospital onde seu pai mais ficava. Com 14 anos, passou a trabalhar como balconista numa loja de tecido e depois numa revendedora de peças de veículos. Nos finais de semana, saía de porta em porta para vender as roupas que sua mãe costurava. Quando completara 16 anos de idade, seu pai faleceu. Continuava a necessidade de trabalhar para colaborar no sustento familiar. Com 18 anos, casou-se, voltou a morar na sua terra natal, as condições de vida não permitiram que Hélia continuasse seus estudos. Ainda que somente com oitava série do ensino fundamental, conseguiu uma vaga para lecionar. Encantou-se com a profissão de professora, voltou a estudar... Seguiu do magistério até o mestrado. O que a levou ser professora do âmbito infantil ao superior. Com 20 anos, teve a primeira filha - JANAÍNA - depois de quatro anos, no término de outra gestação, sua filha sofre acidente, passou para o plano espiritual. A dor tomou conta do seu ser... Dois dias depois, nasceu seu segundo filho - JESSÉ - após um ano e meio, outro menino THIAGO - ao passar de oito anos, mais uma menina - ESTER. Teve o privilégio de ser professora dos três filhos, sua relação com eles sempre foi baseada no amor, respeito e muita parceria.

pias e movimentos que a fizessem mais feliz. Fazem quase 10 anos que seu esposo foi acometido por um AVC, está numa cadeira de rodas, também perdeu a fala. Continua dando suporte a ele.

Como educadora, sempre gostou da arte, dos detalhes que incrementassem os ambientes, assim se movimentava na sua casa, na escola, na comunidade... foi extremamente dedicada, o entusiasmo impulsionava o ecoar de seus projetos, ultrapassava os muros da escola e banhava a comunidade. O maior exemplo foi o projeto Pró-CREP (Criar, Reciclar, Educar e Preservar), quando na década de 90 foi trabalhar na Escola Reunida Prof. Olga Cerino (multisseriada, apenas ela de professora e uma merendeira), no bairro da Guarda do Embaú – Palhoça – SC. Na época, o referido bairro era abarrotado de lixo, pois a coleta dos resíduos, até mesmo a convencional, era deficiente. A escola, por sua vez, em condições precárias tanto na estrutura física quanto pedagógica. Encontrou nos resíduos a oportunidade de transformar essa realidade num novo cenário. Primeiro, a mobilização com as pessoas da comunidade escolar e local, logo iniciaram o processo de coleta dos resíduos que eram lançados em terrenos baldios e fundos de quintais. Passou a observar as embalagens e transformá-las em materiais didáticos e decorativos. Os recursos provenientes da comercialização dos resíduos tamA relação conjugal foi um pouco conturbada, seu bém eram empregados em benfeitorias na escola. esposo tinha a dependência do álcool, não admitia, No ano de 1997, recebe diretamente do presidente muito menos aceitava tratamento. Para melhor li- da república, Fernando Henrique Cardoso, o “Prêdar com a situação, ela mesma participava de tera- mio Incentivo à Educação Fundamental”. A partir Revue Cultive - Genève

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de então, foi designada a expandir o projeto para toda a região sul do município (13 bairros). Por estímulos externos, no ano 2000 foi candidata a vereadora, ficou como primeira suplente, assumiu a Câmara, sofreu retaliações... Um ano de paralisação do projeto. Inconformada com a situação, mobiliza outras pessoas. Reinicia as lutas... Diante de alguns desafios, tornaram o projeto em Associação

cuperação, ex- presidiários, imigrantes haitianos, mulheres chefes de famílias e desprovidas de oportunidades. Se trata de uma inclusão transformadora.

Destaque para a educação socioambiental, no Galpão, nas escolas e de casa em casa. Parcerias, voluntariados e intercâmbios com entidades públicas, privadas e acadêmicas. Possui cadastrados Pró-CREP, legalmente instituída, reconhecida 21 profissionais voluntários, como: Engenheiros, pedagogas, nutricionista, chefe de cozinha, publicomo de Utilidade Pública Municipal e Estadual. Ao perceber que suas ações fora da política par- citário, jornalista, bióloga, terapeuta, dentre outros. tidária teria mais sentido para a sociedade, publica Contam com veículos próprios para a coleta dos uma carta aberta à população e se desliga da polí- recicláveis e do óleo de fritura. tica. Continua voluntariamente atuante na Associação fomentando o fortalecimento de práticas educativas de preservação do meio ambiente e inclusão social. Hélia tem sua essência voltada para semear o bem, conectar pessoas, cuidar dos espaços, tomada de atitudes e perseverança naquilo em que acredita. Tem como objetivo promover o desenvolvimento sustentável por meio do amor, da inclusão social e das trocas dos saberes.

A Pró-CREP propicia inserção produtiva e social através da coleta, triagem e enfardamento dos recicláveis. Com um novo olhar sobre os materiais coletados e triados, passou a recuperar, reciclar e a reaproveitar dando vida nova com arte e beleza, a roupas e resíduos cerâmicos e vidros que viraram mosaicos, por exemplo. O que dá origem ao brechó Consumo Consciente, Sebo, Loja do Cacareco (brinquedos e utilitários domésticos), coleta e transformação do óleo de cozinha em sabão. Recentemente, nova parceria com a UNISUL – Universidade do Sul de SC, com projeto de estufa hidropônica e compostagem. 54 pessoas que viviam em situação de vulnerabilidade social e econômica hoje possuem trabalho e renda na Pró-CREP. São 50 toneladas de resíduos/mês que deixam de ir para um aterro sanitário. O mais belo de tudo é a inclusão social de dependentes químicos em re16

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D i l e rc y A d l e r u m a Va l k y r i e d o M a ra n h ã o

Homenageada pelo Institut Cultive Suisse Brésil, a escritora Dilercy Adler recebu o Prêmio Valkyrie dia 28 de novembro 2021 das mãos da presidente do ICSB, Valquiria Guillemin Imperiano. Dilercy Aragão Adler é uma poeta contemporânea das mais combativa e empática, no que toca a busca do empoderamento do ser humano, através do conhecimento profícuo em Educação, em Psicologia , em Literatura e nas Artes, de um modo geral. A poeta, escritora e conferencista nasceu em São Vicente Férrer, Maranhão, em 1950. É Psicóloga. Doutora em Ciências Pedagógicas - Cuba (revalidação na UnB-Brasilia); Mestre em Educação pela Universidade Federal do Maranhão-UFMA; Especialização em Metodologia da Pesquisa em PsicoRevue Cultive - Genève

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TEXTO VOZES DE MULHERES OITOCENTISTAS DO NORDESTE BRASILEIRO: histórias de resistência de Firmina, Laura Rosa e Alba Valdez Em primeiro lugar, quero parabenizar os organizadores do “Congrès Cultive International Culture de la Femme”, na pessoa da Presidente da Cultive, Valquíria Imperiano, por esta iluminada iniciativa e, ao mesmo tempo, agradecer o gentil convite que tenho a honra de atender. Quero ainda dizer da minha alegria em estar nesta mesa com Algemira Mendes, Eugênia de Azevedo Neves, Kalil Guimarães, Matilde Conti e Rita Queiroz, mulheres que usam as suas vozes, principalmente por meio da literatura, para dar força e vigor a outras tantas mulheres. logia e Especialização em Sociologia pela Universidade Federal do Maranhão-UFMA. É aposentada pela Universidade Federal do Maranhão-UFMA. É membro do Banco de Avaliadores do Sinaes - BASIS/INEP/MEC.

Como nordestina, escolhi este tema, o qual muito me honra, por ser mulher e por entendê-lo como de extrema pertinência, se almejamos a existência de uma sociedade justa e igualitária, onde todos tenham os mesmos direitos, direitos de toda ordem.

Ela é uma defensora cultural ativa, presente e batalhadora. Há mais de 12 anos ela se dedica a criar projetos culturais no Maranhão, proporcionando assim o intercâmbio entre a intelectualidade do Maranhão com o resto do Brasil e outros países. Dilercy é esrtudiosa de Firmina do Reis. Através dela Firmina dos Reis ultrapassou as fronteiras do Maranhão e vem sendo estudada e louvada pelos esurtdiosos de literatura.

Quanto à minha comunicação, propriamente dita, “Vozes de mulheres oitocentistas do Nordeste brasileiro: histórias de resistência de Firmina, Laura Rosa e Alba Valdez” trata de provas vivas, do enfrentamento do subjugo masculino, de algumas mulheres do Nordeste brasileiro, que fizeram a diferença no século XIX e que fazem eco até os dias atuais.

Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar A seu trabalho sobre Maria Firminina, além de eu venho lá do sertão trazer a tona o trabalho da grande escritora bra- eu venho lá do sertão sileira, uma discussão sobre a posição feminina na eu venho lá do sertão literatura. Dilercy além de professora é também e posso não lhe agradar poeta publicada e reconhecida internacionalmente. aprendi a dizer não ver a morte sem chorar e a morte o destino tudo e a morte o destino tudo estava fora do lugar eu vivo para consertar... Música “Disparada” de Geraldo Pedrosa de Araújo Dias (Geraldo Vandré) João Pessoa PB Como é do conhecimento geral, o Brasil é um país continental e o seu território com 8.516.000 quilômetros quadrados abrange cinco regiões: 18

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Firmina dos Reis, maranhense, chegou a usar dois criptônimos antes de usar o próprio nome: “Uma Maranhense” e as iniciais “M.F.R.”; Laura Rosa, também maranhense, utilizava o pseudônimo de “Violeta do Campo” e Maria Rodrigues Peixe, cearense, assinava como “Alba Valdez”. Por certo, a produção feminina do fim do século XIX e início do século XX se Norte, Nordeste, Centro-oeste Sul e Sudeste. A apresenta menos expressiva que a masculina, mas região Nordeste é a que apresenta maior quantidade de Estados, totalizando 09: Maranhão, Piauí, isso, podemos inferir, se deve principalmente às Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambu- condições objetivas das sociedades em que viviam co, Alagoas, Sergipe e Bahia. O Nordeste é a segun- essas mulheres e não pela falta de vocação ou de da região mais populosa do país e a segunda em desejo de terem seus trabalhos conhecidos e (re) extensão territorial, além de ser a região que possui conhecidos. Essas sociedades eram profundamente a maior costa litorânea, com paisagens paradisía- marcadas pela supremacia do homem, pautada em valores do modelo eurocêntrico, masculino, caucacas. siano e aristocrático. Foi na região nordestina que ocorreu o início da colonização europeia no Brasil, visto que os portugueses desembarcaram, a primeira vez, na cidade de Porto Seguro, na Bahia. Igualmente na Bahia, na cidade de Salvador, em 29 de março de 1549, foi fundada a primeira capital para abrigar o Governo-Geral. O Nordeste, além disso, se apresentou como centro financeiro do Brasil, até meados do século XVIII. Devido à variedade geográfica natural e à pluralidade de heranças de povos com matrizes indígena, africana e europeia, em especial a portuguesa, é que os nordestinos expressam ricas manifestações artísticas, que resultam, entre outras questões, em manifestações folclóricas, de artesanato, gastronomia, festividades e vestuário.

Convém esclarecer que, apesar dessas condições exacerbadamente proibitivas, elas impediram, menos do que se imagina, a presença da mulher no âmbito literário. Essa assertiva é comprovada hoje, devido ao desenvolvimento de vários projetos de resgate de escritoras brasileiras do passado, os quais, operacionalizados, principalmente a partir da segunda metade do século passado, reúnem valiosas descobertas, tais como diários, cartas, testamentos e jornais do período.

Os jornais e revistas oitocentistas desempenhavam papel de fundamental importância no cenário político e cultural dessa época, exercendo influência sobre a opinião pública e o meio intelectual. Nesse âmbito, a atividade literária encontrou nesses meios de comunicação espaços de difusão No tocante à literatura nordestina, essa região e discussão. Raros eram os periódicos oitocentisconcedeu e concede ainda grandes contribuições tas que não reservavam um lugar em suas páginas para o cenário literário e artístico-cultural brasilei- para os assuntos literários. Estes divulgavam texro, colocando em evidência grandes nomes, tanto tos de ficção, poemas, contos, romances, seriados, crítica literária, ensaios, resenhas. Destarte, se caem quantidade como em qualidade. racterizavam pela simbiose entre jornalismo e liteNo específico à escrita feminina no Brasil, é consta- ratura, que levou à incorporação de características tado que, no fim do século XIX e começo do sé- literárias ao gênero especificamente jornalístico, a culo XX, raramente a mulher apresentava denodo exemplo, dos editoriais, artigos de fundo, reporem colocar o próprio nome em suas obras. Maria tagens, entre outros. Revue Cultive - Genève

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A missão desses jornais e revistas permite aos pesquisadores de hoje, que se dedicam à investigação da trajetória literária no Brasil, terem na imprensa oitocentista um rico acervo de fontes primárias, para o desenvolvimento dessa tarefa. Convém lembrar que nem todos os romances mais anunciados em 1857 e 1858 são conhecidos do público em geral, na atualidade. Alguns deles, elogiados e recomendados por críticos que gozavam de prestígio na época, sendo por isso de grandes sucessos no século XIX, ficaram totalmente esquecidos posteriormente e,consequentemente, excluídos do cânone literário. Apesar do cancelamento da expressão feminina, muitas conseguiram burlar, e mesmo tendo sido excluídas do cânone literário, deixaram marcas inapagáveis que nas últimas décadas, como já referido, progressivamente vêm sendo recuperadas. Constância Duarte (2018) cita a experiência de um grupo de pesquisadores, sob a coordenação da professora Zahidé de Lupinacci Muzart, intitulado “Sonho projeto”. Esse projeto foi desenvolvido nas décadas de 1980 e 1990 com o objetivo precípuo de resgatar escritoras brasileiras do passado, inclusive por região, coletando os casos das nordestinas. A professora Mozart afirma que o apagamento de escritoras do século XIX é sobretudo político, pois acentuadamente as mais atuantes, as feministas, não tiveram inserção do seu nome e obra no cânone literário brasileiro. Nessa perspectiva, afirma que o projeto de resgate é antes de tudo um projeto feminista, um projeto político. Desses trabalhos arrolei mais de cem nomes de escritoras em situação de apagamento, entre as quais, aquelas resgatadas com sucesso, outras em processo de ressurgimento mais avançado, outras ainda cujos processos necessitam ser aprofundados como objeto de estudo.

Esse estudo analisa a trajetória educacional das professoras: Laura Rosa (1894-1976), Rosa Castro (1891-1976), Zoé Cerveira (1894-1957) e Zuleide Fernandes Bogéa (1897-1984), egressas da Escola Normal do Maranhão, criada em 1890 (MOTTA, 2003). Em decorrência dessa Tese, a Profa. Dra. Diomar Motta criou, em 15 de fevereiro de 2002, o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação, Mulheres e Relações de Gênero (GEMGe). O GEMGe é um veículo de intervenção epistemológica, por meio da produção e disseminação de conhecimentos a respeito de questões de gênero, mulheres, visões de feminismos, dentre outros aspectos relacionados à memória da exclusão, e estabelece relação com a Linha de Pesquisa “Instituições Escolares, Saberes e Práticas Educativas do Programa de Pós-Graduação em Educação (Mestrado) da Universidade Federal do Maranhão e, também, articulação com o Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas sobre Mulher, Cidadania e Relações de Gênero (NIEPEM), afiliado à Rede Feminista Norte e Nordeste de Estudos e Pesquisas sobre Mulher e Relações de Gênero (REDOR). O Programa de Pós-Graduação em Educação (Mestrado), desde 2003, por meio do GEMGe, com apoio do NIEPEM, afiliado à REDOR, vem promovendo na Universidade Federal do Maranhão o Encontro Maranhense sobre Educação, Mulheres e Relações de Gênero no Cotidiano Escolar (EMEMCE) e o Simpósio Maranhense de Pesquisadoras (es) sobre Mulher, Relações de Gênero e Educação (SIMPERGEN).

A partir de 2008, ano de realização do II EMEMCE e II SIMPERGEN, teve início a outorga da Medalha do Mérito “Professora Laura Rosa”, em reconheciNo âmbito da Universidade Federal do Maran- mento às mulheres professoras, por suas atuações hão-UFMA, mais especificamente do Curso de no magistério e na constituição da história das Doutorado em Educação, professoras e professores mulheres, sobretudo na política educacional matambém vêm se alinhando ao trabalho de des- ranhense.Ou seja, são mulheres homenageando construção do silenciamento secular da mulher. mulheres com uma comenda instituída para homenagear uma ilustre mulher professora poeta.... a Um trabalho que elegeu a relevância da “Mulher Violeta do Campo, Laura Rosa ... Professora” foi a Tese de Doutorado da Profa. Diomar Motta, “As mulheres Professoras na Política Leopoldo Gil Dulcio Vaz, Membro Fundador e Educacional no Maranhão”, defendida no ano 2000 Efetivo da Academia Ludovicense de Letras-ALL, e publicada em 2003, pela EDUFMA, em São Luís. desenvolve um projeto "Em busca de escritoras ma20

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ranhenses” desde 2017, coletando dados de escritoras do Estado, principalmente em jornais antigos. Nesses quatro anos já conseguiu arrolar cerca de 80 escritoras, dentre as quais, aproximadamente, 10% encontravam-se esquecidas. Já publicou artigos sobre algumas dessas mulheres.

No caso de Maria Firmina, a primeira romancista brasileira, ao mesmo tempo que Horácio de Almeida, paraibano, em 1962, comprou um lote de livros usados e entre os quais estava o romance “Úrsula” da escritora Maria Firmina, em São Luís, José Nascimento Morais Filho, em 1973, pesquisando textos natalinos de autores maranhenses para sua obra Louvo todas as iniciativas de regaste e salvaguarda “Esperando a Missa do Galo”, na Biblioteca Pública dos nomes ilustres da nossa terra, assim como os “Benedito Leite”, se deparou com vários textos da de todo o Brasil, em especial, os das muitas mul- escritora em jornais literários. Ele cita em seu livro heres silenciadas ao longo da história. “Maria Firmina: fragmentos de uma vida” (1975), alguns desses jornais: Federalista, Pacotilha, Diário Neste estudo trago como exemplo as imortais Ma- do Maranhão, A Revista Maranhense, O País, O ria Firmina dos Reis, Laura Rosa e Maria Rodri- Domingo, Porto Livre, O Jardim dos Maranhenses, gues Peixe. Semanário Maranhense, Eco da Juventude, Almanaque de Lembranças Brasileira, A Verdadeira NO ÁLBUM DE UMA AMIGA Marmota, Publicador Maranhense e A Imprensa. Maria Firmina dos Reis D'amiga a existência tão triste, e cansada, De dor tão eivada, não queiras provar; Se a custo um sorriso desliza aparente, Que máguas não sente, que busca ocultar!?... Os crus dissabores que eu sofro são tantos, São tantos os prantos, que vivo a chorar, É tanta a agonia, tão lenta e sentida, Que rouba-me a vida, sem nunca acabar. D'amiga a existência Não queiras provar, Há nelas tais dores, Que podem matar. O pranto é ventura, Que almejo gozar; A dor é tão funda, Que estanca o chorar. Se intento um sorriso, Que duro penar! Que chagas não sinto No peito sangrar!... Não queiras a vida Que eu sofro - levar, Resume tais dores Que podem matar. E eu as sofro todas, e nem sei Como posso existir! Vaga sombra entre os vivos, - mal podendo Meus pesares sentir. Talvez assim Deus queira o meu viver Tão cheio de amargura. P'ra que não ame a vida, e não me aterre A fria sepultura.

Maria Firmina dos Reis nasceu no dia 11 de março de 1822, no bairro de São Pantaleão, nas imediações da igreja do mesmo nome, em São Luís do Maranhão. Segundo a certidão de batismo, filha natural de Leonor Felipa, “molata” forra, que foi escrava do comendador Caetano José Teixeira. Foram seus padrinhos o tenente de milícias João Nogueira de Souza e Nossa Senhora dos Remédios, com base nos documentos da Câmara Eclesiástica Episcopal, disponível atualmente no Arquivo Público do Estado do Maranhão-APEM. Como filha natural não tem registrado o nome do pai, no entanto, no seu atestado de óbito consta que é filha de João Pedro Esteves. Embora tenha nascido em São Luís, viveu grande parte da sua vida em Guimarães onde produziu toda a sua obra e, ademais, assumiu a Cadeira de Primeiras Letras do Sexo Feminino da Vila de Guimarães, para qual foi nomeada, por ter sido aprovada em concurso público, com esse fim. Também na área da educação, segundo Morais Filho, fundou em 1880 a primeira escola mista em Maçaricó, Vila de Guimarães no Maranhão. Maria Firmina é indubitavelmente grande intelectual e artista de múltiplos talentos, além de apresentar engajamento político em todas as suas atividades e trabalhos, em prol de uma sociedade mais fraterna e justa. Entre as suas obras: “Úrsula”, a mais relevante obra literária (1859); escreveu o romance de temática indianista, “Gupeva” (1861, este ano completa 160 anos de publicação); conto antiescravista, intitulado “A escrava” (1887); “Cantos à beiRevue Cultive - Genève

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ra-mar”, poemas (1871, este ano completa 150 anos de publicação). Participou da “Antologia Poética Parnaso Maranhense”, coleção de poesias, editada por Flávio Reimar e Antônio Marques Rodrigues (1861). Além do mais, é autora de charadas, incursionou pelo mundo da música compondo letras e melodias entre as quais: “Auto de bumba-meu-boi” (letra e música); “Valsa” (letra e música); “Hino à Mocidade” (letra e música); “Hino à Liberdade dos Escravos” (letra e música); “Rosinha”, valsa (letra e música); Pastor Estrela do Oriente (letra e música) e Canto de Recordação “à Praia de Cumã” (letra e música).

a Academia Ludovicense de Letras-ALL, Casa de Maria Firmina dos Reis, o Instituto Histórico e Geográfico de Guimarães-HGG, que a tem também como patrona, procuram consolidar o trabalho de Nascimento Morais Filho e, mais recentemente, a Academia João-lisboense de Letras-AJL, também Casa de Maria Firmina dos Reis. Convém lembrar que Maria Firmina, dos 95 pródigos anos que viveu neste plano físico, conviveu 66 anos com a escravidão, tendo falecido em 11 de novembro de 1917, na cidade de Guimarães, no Maranhão.

Vejo como uma denúncia velada acerca do subju- Em continuação, faz-se mister falar um pouco go da mulher e a escrita feminina que Firmina no da grandiosidade da Mulher Professora, Poeta, Prólogo do Romance Úrsula, quando expressa: Contista, Laura Rosa, a Violeta do Campo, outra maranhense, também escritora e professora como [...] mesquinho e humilde livro é este que vos apre- Maria Firmina. sento, leitor. Sei que passará entre o indiferentismo glacial de uns e o riso mofador de outros, e ainda ESQUELETO DA FOLHA assim o dou a lume. Laura Rosa, a Violeta do Campo. Não é a vaidade de adquirir nome que me cega, nem Vede, senhor, apodreceu na lama o amor próprio de autor. Sei que pouco vale este ro- Eu a vi há muito tempo entre a folhagem mance, porque escrito por uma mulher, e mulher Antes do vento lhe agitar a rama brasileira, de educação acanhada e sem o trato e E do regato, sacudi-la à margem. conversação dos homens ilustrados, que aconse- De virente e de verde tinha fama lham, que discutem e que corrigem, com uma ins- Da folha mais famosa da ramagem trução misérrima, apenas conhecendo a língua de Desceu nas águas e resta da viagem seus pais, e pouco lida, o seu cabedal intelectual é O labirinto capilar da tinta. quase nulo (REIS,1988, p.10) (grifos meus). Ninguém pode fazer igual verdade José Nascimento Morais Filho declara que, ape- Nem filigrama mais perfeito e lindo sar de ter sido bem recepcionada pela crítica, com Nem presente melhor pode ser dado. palavras de entusiasmo e estímulo, Maria Firmina foi vítima posteriormente de uma amnésia coleti- Guardai, Senhor, guardai este esqueleto va, ficando totalmente esquecidos o seu nome e a Todo cuidado! É uma folha ainda sua obra, mas, como a Fênix ressurgiu também das Onde escrevo de leve este soneto. cinzas. Laura Rosa, segundo Jomar Moraes, “Uma rosa Costumo dizer que Morais Filho, como um Sanko- que era violeta”, nasceu em 1º de outubro de 1884 fa, pássaro africano de duas cabeças, uma voltada em São Luís do Maranhão e faleceu aos 92 anos, para o passado e outra para o futuro, que segundo em 14 de novembro de 1976 em Caxias-Maranhão. a filosofia africana significa a volta ao passado para Filha de Cecília da Conceição Rosa e de pai não ressignificar o presente, dedicou-se incansavel- declarado. Laura foi criada por padrinhos, que lhe mente para dar novo significado à Maria Firmina proporcionaram uma boa educação. como mulher, escritora e professora, dando a ela o lugar que lhe é devido na historiografia literária Formou-se professora normalista em 12 de janeifeminina no Maranhão e no Brasil. ro de 1910, pela Escola Normal do Estado do Maranhão e no dia 18 do mesmo mês foi nomeada Hoje mais estudiosos se agregam a essa missão, e professora de um distrito do município de Caxias. 22

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ANHENSE [1] Por fim, a terceira escritora, tão importante quanto as anteriores, é Maria Rodrigues Peixe, pseudônimo Alba Valdez. NO MUCURIPE (Alba Valdez, História Literária do Ceará, 1951) O Mucuripe é uma visão Marinha, Fala ao senhor nas folhas dos coqueirais; Nas horas que proclama os jangadeiros Olham do mar, a plácida igrejinha.

Ademais, foi a primeira mulher a ingressar na Aca- Se a tarde vem, a multidão se apinha demia Maranhense de Letras, eleita em 03 de abril Nessa rude alegria dos peixinhos; dler é uma poeta das maisN combativa de 1943 comocontemporânea Membro Fundador da Cadeira º O sol golfejaesangue nos outeiros, Beijando ado enseada, a vaga borbolenha. 26, Patroneada por Antônio do Lobo, quehumano, foi seu pro- através a busca do empoderamento ser fessor. em Psicologia , em Literatura e nas Artes, em Educação, Olhos no Azul, ao som d’ Ave Maria Na Academia Caxiense de Letras, fundada no dia Uma velhinha no portal sentada, Reza contrita e o neto acarecia... 1º de junho do anoem de 1962, RosaFérrer, é Patro- Maranhão, e conferencista nasceu São Laura Vicente na da Cadeira Nº 12, no Instituto Histórico e Geooutora em Ciências Pedagógicas - Cuba (revalidação no pranto morejada, gráfico de Caxias, fundado em 12 de dezembro de Na retina, na Retrata o filho que partira um dia, m Educação pela Universidade Federal do Maranhão2003, é Patrona da Cadeira Nº 10, e, em São Luís, E em vão pergunta o mar pela jangada. na recém-fundada da Academia Ludovicense o em Metodologia Pesquisa emde LePsicologia e tras-ALL é Patrona da Federal Cadeira N ºdo 25.Maranhão-UFMA. É ologia pela Universidade Filha de João Rodrigues Peixe e de Isabel Alves Roersidade Acho Federal do Maranhão-UFMA. É membro do nasceu em São Francisco de Urubupertinente ilustrar a situação da mulher do drigues Peixe, o Sinaes seu - BASIS/INEP/MEC. tempo, por meio de um pequeno excerto do retama, atual Itapajé no Ceará, em 12 de dezembro seu Discurso de Posse, na Academia Maranhense de 1874, e faleceu em 05 de fevereiro de 1962, no Rio de Janeiro. de Letras, em 17 de abril de 1943:

YANA:

s

“Manda a justiça que vos diga, em primeiro lugar, Diplomou-se pela Escola Normal do Ceará, dedique me trouxeram para esta casa de sábios ilustres cando-se ao Magistério, ao Jornalismo e aos Esas mãos amigas de Corrêa de Araújo e Nascimen- tudos Literários. Ela produziu diversos textos em periódicos, revistas e almanaques. Uma forte cato de Moraes com a benevolência de seus pares. Coletânea Poética da racterística de suas obras consistia no engajamento Trouxeram-me, porque, de mim mesma, nunca Sociedade de Cultura em embates pelos direitos da mulher. Colaborou Poematizando o imaginei suficientes os meus versos, Latina para merecido Estado do com vários jornais e revista aos quais fornecia tramento de tão honrosas credenciais”. Cotidiano ou Pegadas Maranhão -LATINIDADE balhos, contos e crônicas altamente apreciados. I (1998) do Imaginário (1997) E continua: “Eis-me, portanto, aqui, Senhores, a Dentre as publicações em periódicos de seu tempo, Arte assim Despida ( 1999)ser citados: Revista da Academia Cearenprimeira mulher que aqui entra, porque o podem quiseram os homens ilustrados desta agremiação, se de Letras; Revista do Ceará (1905); Panóplia guardas fiéis de nossas tradições literárias” (Revista (1914); Diário do Ceará, 1917-1919; Correio do Ceará, 1921-1922; A Tribuna (1922); A Razão da AML, 1998, p. 15). (1919); Unitário (1955); O Nordeste (1927); Jornal Gêneses Livro (2000); do Commercio (1930); Diário do Recife (1935); Coletânea AtéIV certo ponto dirige palavras elogiosas Poética para os da Iris de Porto Alegre (1920). de Cultura acadêmicos, a mim me parecem, Seme...ando dezenquanto anos para si,Sociedade Latina do Estado do apequenadas. 2000palavras cinquenta vezes Feminista declarada, entre as lutas em defesa dos Maranhãodois mil Human(as) LATINIDADE III (2002) Firmina também coloca algo semelhante no Prólo- direitos das mulheres, defendeu o voto feminino idade(s)-2001 e a igualdade entre os sexos. Criou a “Liga Femigo do seu romance Úrsula. Revue Cultive - Genève

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nista Cearense”, a Academia Feminina de Letras, ocupando a Cadeira Nº 16 que tinha como patrona Francisca Clotilde, integrou-se ao Instituto do Ceará (Histórico Geográfico e Antropológico). Foi ainda a primeira mulher a ingressar na Academia Cearense de Letras em 1922, assumindo a Cadeira Nº 8, que tinha Álvaro Martins, e posteriormente na mesma Academia ocupou a Cadeira de Nº 22, patroneada por Justiniano de Serpa.

fácil a extinção de um condicionamento tão enraizado e hegemônico. No entanto, é incontestável que essa quebra está sendo feita, os grilhões como os de toda e qualquer escravidão estão sendo quebrados, paradigmas superando exclusão... numa viagem sem volta! REFERÊNCIAS DUARTE, Constância. Escritoras nordestinas do Século XIX: resgate e história. Revista dos Programas de Pós-Graduação do Instituto de Letras da UFBA- Estudos Linguísticos e Literários, 2018.

Demonstro a seguir duas, dentre as várias evidências das situações vividas pelas mulheres na sociedade oitocentista, com a respectiva prova de resistência em Alba Valdez: FANGUEIRO, Maria do Sameiro. Alba Valdez. Biblioteca A primeira diz respeito ao discurso proferido, por ela, na sessão do Quinquagenário do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico) ao expressar: “A mulher é um ser fraco, propalam. Pois, da própria fraqueza, construirei a força necessária para comunicar as minhas emoções. (VALDEZ, 1937). E a segunda, concerne ao diálogo que manteve com o seu pai, quando ele tomou conhecimento de que ela colaborava com a imprensa de Fortaleza, dez anos depois. Essa pequena mostra do diálogo retrata, em parte, os valores da sociedade de então: - Minha filha, você escreve em jornal? - Sim meu pai. - Ganha alguma coisa com isso? - Não. - Você imagina que faz boa coisa? Pensa que não vai ter de desgosto? - Já tenho experimentado aborrecimentos. - Pois eu não a proíbo. Espero, apenas, que não se arrependa um dia. Isso posto, podemos concluir que essas três mulheres oitocentistas são nomes importantes na história da literatura e da educação brasileira e, apesar do subjugo masculino vigente na sociedade, foram obstinadas, no sentido de lutar pelo rompimento da opressão e se firmaram como autoras de vasta obra, o que a nós reafirma a necessidade de colocá-las como grandes escritoras representantes da cultura e educação brasileiras. Por fim, reafirmo que urge persistir no trabalho de desconstrução do silenciamento secular das vozes femininas, mesmo reconhecendo que não é tarefa 24

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Nacional Digital: Periódicos e Literatura. Disponível em: https://bndigital.bn.gov.br/dossies/periodicos-literatura/personagens-periodicos-literatura/alba-valdez/. Acesso em: 20 de julho de 2020. MOTTA, Diomar das Graças. As mulheres professoras na política educacional no Maranhão. São Luís: EDUFMA, 2003. MUZART, Zahidé. (Org.) Escritoras brasileiras do século XIX: antologia. Florianópolis: Editora Mulheres, v. 2, 2004. MORAIS FILHO, José Nascimento. MARIA FIRMINA FRAGMENTOS DE UMA VIDA. São Luiz: COCSN, 1975. REIS, Maria Firmina. (Organizadores: Adler Dilercy; Gomes Osvaldo). Cantos à beira-mar. 1ª edição atualizada conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em vigor. São Luís: Academia Ludovicense de Letras, 2017 VASCONCELOS, Anna Heloisa de. Ipomeias: mulheres do século XIX na imprensa cearense. Monografia. Universidade Federal do Ceará, Instituto de Cultura e Arte – ICA, Curso de Comunicação Social – Jornalismo, Fortaleza, 2018.


Chris Herrmann também participou do últmo Corngrés Cultive International Culturel de la Femme tanto como moderadora quanto debatendo um tema no painel mulher imigrante. Chris Herrmann aumenta a sua lista de premiação com o Grand Prix Littéraire de la Femme na categoria romance.

Chris Herrmann tem várias qualidades, Dentre as suas qualidades as mais relevantes para que o Isntitut Cultive Suisse Brésil a designe para o Grande prêmio internacional Valkyrie 2021 são a sua dedicação à cultura, a defesa da mullher e o trabalho de incentivo literário feminino; dedicação, apoio e colaboração aos eventos culturais e solidários organizados pela Cultive. Junta-se a esses engajamentos realiozado por ela uma enorme lista de trabalhos, voluntários na área cultural que são enumerados detalhadamentes na sua biografia.

Chris Herrmann é escritora (poeta/haicaísta/romancista/contista) musicista, musicoterapeuta, designer e ativista sociocultural. No Brasil estudou Literatura e Música. Na Alemanha pós-graduou-se em Musikgeragogik, especializando-se em musicoterapia junto a pacientes de Alzheimer. Chirs nasceu no Brasil, no Rio de Janeiro e viveu por 25 anos na Alemanha. Recentemente, retornou ao Brasil. Apesar da dupla nacionalidade, sempre se dedicou às artes e à cultura brasileira, divulgando-as, defendendo-as e praticando-as com paixão. Revue Cultive - Genève

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pela Associação dos Embaixadores de Turismo do Rio de Janeiro, tendo como uma das juradas a bailarina e atriz Ana Botafogo.

Ela é uma das pioneiras em utilizar as redes sociais criando grupos, blogues e comunidades com o objetivo de descobrir, fomentar e valorizar novos autores brasileiros dando-lhes maior visibilidade e autoconfiança. Criou e realizou concursos literários, entrevistas, antologias (impressas e digitais) gratuitas e vários programas midiáticos criativos desde 2005. Fez parceria com o Congresso Brasileiro de Poesia por dois anos seguidos (2006 e 2007), lançando cinco novas antologias e destacando dezenas de novas autoras e autores brasileiros que, em sua grande maioria, nunca haviam antes publicado. Do seu trabalho de motivação literária aos novos ela guarda a vitoria em saber que quase todas e todos autores já têm um ou mais livros solo publicado. Ela fez parcerias de sucesso com a escritora e novelista Leila Míccolis no portal Blocos Online. Em 2006, teve sua comunidade ‘Orkultural‘ (ligada à sua coluna homônima em Blocos Online) destacada pelo Portal do Governo do Estado de São Paulo entre as oito melhores comunidades do (antigo) Orkut, na categoria Cultura e Conteúdo Midiático. Desde então, vem realizando muitas novas parcerias e nos últimos anos tem se dedicado principalmente à causa da mulher, dentro e fora das artes. Em fevereiro de 2020 criou a Revista SerMulherArte, com um conteúdo criado de forma totalmente voluntária e colaborativa, agregando mulheres incríveis de diversos campos das artes, principalmente da literatura brasileira, e divulgando seus trabalhos também fora do Brasil. Por conta disso, Chris Herrmann e sua Revista receberam no ano de 2020 duas premiações e uma Comenda da Braslider por suas contribuições à cultura brasileira. No mesmo ano, foi agraciada com o prêmio Yedda Maria Teixeira na categoria Mídia Digital 26

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Como escritora publicou doze livros nos gêneros poesia contemporânea, haicai, romance, contos e literatura infantil. É uma das articuladoras do movimento feminista Mulherio das Letras e administra três grupos, entre eles, o que ela mesma criou para dar destaque às novas poetas: Mulherio das Letras na Lua, criado em 2020 e inserido em diferentes programas culturais de sucesso, inclusive em parceria com a Editora Infinita em Portugal. Participa e atua em diversas entidades e academias internacionais, entre elas a Focus Brasil NY, o Institut Cultive Suisse Brésil e o projeto Chá da Vida. Estes dois últimos com forte caráter cultural e humanitário. Na música fez parcerias com Byafra, Paulo Ciranda, Claudio Mendes, entre outros. Algumas de suas músicas e poemas têm servido de estudo em Língua Portuguesa na Universidade Pablo de Olavide em Sevilha, na Espanha, pela professora Giselle Menezes Mendes. No Brasil, a atriz e professora Patricia Rita vem trabalhando este ano com seus alunos os poemas de Chris Herrmann para performances de teatro através de uma oficina apoiada pela Lei Aldir Blanc em Santo André, SP. Agora que retornou ao Brasil, pretende dar continuidade a seus projetos, bem como criar novos, sempre em consenso com seus objetivos culturais e humanitários, com destaque à causa das Mulheres.


Sou Maria da Paz Azevêdo Silva, nascida aos 17/09/1956, em Recife-PE, casada, mãe de dois filhos e avó de três netos. De origem humilde, cresci em um ambiente de muitas tribulações, mas resolvi transformá-las em aprendizado. Sou filha de uma mãe guerreira e até hoje tento dar continuidade ao seu legado. Ela me ensinou a cuidar dos meus irmãos e a fazer o BEM sem olhar a quem. Revue Cultive - Genève

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Em minha caminhada aprendi a amar os animais e me tornei defensora e empresária do seguimento. Em 1985 cursei relações públicas na Escola Superior de Relações Públicas do Estado, mas acabei migrando para a área de Pedagogia, na Faculdade de Filosofia do Recife, da Universidade Federal de Pernambuco, pois desejava alfabetizar as crianças carentes do meu bairro. Precisei me afastar da sala de aula para ajudar meu esposo na empresa. Me dediquei a trabalhar e cuidar da família, das crianças carentes e dos animais. As crianças eu ajudava tirando-as das ruas, dos sinais e levando-as para a escola. Em relação aos animais ajudei a mudar a cultura de que gato é para pegar rato, levando o conhecimento de que são criados por Deus, pois precisam e merecem ser protegidos dignamente através da POSSE RESPONSÁVEL. Em 2003, decidi cursar Administração devido à grande necessidade de me qualificar para melhor gerenciar nossa empresa. Conheci o Hospital do Câncer em 1991 ao levar meu pai para uma consulta diante do diagnóstico de metástase e que ele teria no máximo dois meses de vida. Ao ver aquela realidade eu fiz um juramento e pedido a Deus. Pedi para voltar ao hospital não como paciente nem acompanhando um, mas para ajudar a mudar aquele cenário de tanta dor e sofrimento que meus olhos viram. Então, me tornei doadora e passei a ser conhecida como a “tia dos ovos de codorna” pela pediatria. Aos poucos me envolvi até que um paciente terminal da pediatria me fez engajar definitivamente no trabalho voluntário, então me oficializei voluntária da Rede Feminina Estadual de Combate ao Câncer de Pernambuco (RFECCPE). Minha vida se dividiu em duas fazes: antes e após ser voluntária. A gratidão expressa nos olhos dos pacientes e o sorriso e após cada ação me ensinaram que não é trabalho é MISSÃO e que vemos o Cristo no leito de dor. Hoje ainda à frente da Rede no meu terceiro mandato de dois anos estou presidente e vejo que ainda temos muito a fazer e que todos os projetos, ações e inaugurações só foram possíveis porque não sou eu, SOMOS NÓS, e nosso objetivo é fazer do HCP – HCP VIDA. No HCP nós voluntários não cuidamos da doença, cuidamos das pessoas, portanto nosso lema é EU POSSO FAZER MELHOR QUE ISSO!

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RITA QUEIROZ

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tudos do Manuscrito, a partir dos quais focou sua pesquisa em autos de defloramento, documentos que tratam do desvirginamento de jovens menores de 21 anos, na primeira década do século XX, na Bahia. Esse trabalho de de pesquisa é de grande importância para trazer à tona a situação de opressão que vivia a mulher até a o século passado. Esse grande trabalho permite que Rita apresente os resultados de sua investigação em congressos, seminários, simpósios, encontros, no Brasil e no exterior, defendendo assim os direitos das mulheres. Em novembro 2021, Rita Queiroz participou do Congrés Cultive Internacionnal Cultural de la femme.

Ela também foi a grande vencedora do concurso Grand Prix com o seu trabalho de pesquisa e foi coroadoa com o prêmio Grand Prix Femme Littéraire 2021 Por seu engajemento nas diversas áreas culturais e de pesquisa científica, Rita Queiroz está sendo honorificada pelo Institut Cultive Suisse Brésil com a honraria Valkyries 2021. Rita Queiroz é natural de Salvador, Bahia, nascida aos 22 dias do mês de agosto. Graduada em Letras Vernáculas e Mestre em Letras pela Universidade Federal da Bahia, Doutora em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo, Pós-doutora em Estudos de Linguagem pela Universidade do Estado da Bahia, professora e pesquisadora da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA). Como professora universitária e pesquisadora, criou os grupos Edição de Textos e Núcleo de Es30

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Outros projetos acerca de documentação manuscrita e impressa foram implantados na universidade onde atua. Dentre aqueles, destaca-se o estudo filológico acerca da produção literária de autores baianos, como Pedro Kilkerry, Afrânio Peixoto, Antonio Brasileiro. Também pode ser elencado aqui o projeto sobre o estudo do léxico referente à obra do escritor Jorge Amado, no qual tratou também da condição feminina, analisando personagens enigmáticas como Tereza Batista (na obra homônima), Ester e as prostitutas (na obra Terras do sem fim). Assim, estudantes do curso de Letras foram integrados como bolsistas de iniciação científica, participando ativamente com publicações em periódicos e anais de eventos. A pesquisa também teve inserção no ensino médio, através de alunos que se integraram aos projetos. Através da docência e da pesquisa, vem ao longo de mais de 20 anos incentivando e promovendo alunas e alunos para a prática docente e investigativa. Com isso, hoje, ex-alunas e ex-alunos atuam como professoras e professores, levando a pesquisa tanto para o ensino superior quanto para o ensino médio. Nesse sentido, há uma extensão da sua prática docente. Os frutos desse trabalho se reverberam através dos inúmeros artigos e capítulos de livros publicados, além de obras organizadas em que constam a produção docente e discente, bem como os eventos que organizou. Recebeu homenagens das turmas de formandos, sendo paraninfa, patronesse, amiga da turma e professora homenageada, por diversas vezes. Em 2021 foi homenageada no X Seminário de Estudos Filológicos, evento que ajudou a criar juntamente com as amigas e colegas Maria da Concei-


ção Reis Teixeira e Rosa Borges. Neste evento, sua carreira de professora e pesquisadora foi agraciada por colegas e ex alunos e ex alunas. Quanto à literatura, desde 2015 lidera o grupo Confraria Poética Feminina, no qual muitas autoras têm lançado seus textos ao mundo, seja por meio das coletâneas, seja por seus livros individuais. Essa rede se intensifica constantemente, haja vista a inclusão de novas autoras. Com a Confraria Poética Feminina já organizou 4 coletâneas. Além da Confraria, participa de outros coletivos que incentivam a escrita feminina, como: “Mulherio das Letras”, “Mulheres Maravilhosas”, “Enluaradas” e “Coletivo de autoras de literatura infanto-juvenil da Bahia-CALIIB”.

is desta leonina, amante do verso que a faz inteira. Assim, as dores se fizeram palavras e as cicatrizes, risos. Construindo, reconstruindo e se deslocando em espaços possíveis e imaginários, espera sempre tocar outras almas com sua poesia e sua docência. Rita utiliza o seu tempo dividindo-se entre as atividades culturais que apoia, seus escritos, sua mãe que necessita de cuidados, a universidade e o apoio às instituições que participa. Sempre muito dedicada e comprometida com os seus engajamentos e é sempre uma figura disputada por todos. Ela motiva colegas, incentivando alunos, amigos e pessoas que dela se acerca a também a escreverm, a publicarem suas obras e a participarem do movimento cultural atual.

Desde 2015 vem se dedicando à escrita literária, tendo publicado 6 livros de poemas e 1 de contos para o público adulto e 7 livros infantojuvenis, além de ser coautora em mais de 150 coletâneas. Através da personagem que encarna, a palhaça Risoleta, tem visitado creches, orfanatos, lar de idosos, a fim de contar histórias e divertir o público. Assim, promove o bem-estar de pessoas que se encontram confinadas por algum motivo, seja por abandono de familiares, seja por problemas de saúde. Além disso, faz doações de alimentos, materiais de higiene e livros. Em 2021 foi integrada como Embaixadora ao Ser Mulher Projecto Solidário, de Portugal, liderado pela ativista Lídia Moura, o qual vem desenvolvendo ações para captação de recursos com a publicação de coletâneas e venda de produtos doados para serem destinados a hospitais que tratam do câncer de mama. É Embaixadora Internacional da Paz pelo projeto World Literary Forum for Peace and Human Rights. Em 2021 foi agraciada com o Prêmio Destaques Literários pela Focus Brasil New York e Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB) na categoria Poesia. Atualmente vive seu melhor papel, sendo cuidadora de sua mãe, a qual tem Alzheimer. Tímida na infância e na adolescência, vem desde sempre ressignificando sua vida através da palavra. Vida e verbo, visceralmente, tingem o/s papel/ Revue Cultive - Genève

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Maria das Graças Brito nascida em João pessoa, Paraiba, onde reside. Formada como professora, profissão que atuou por 6 anos. Cursou a faculdade de medicina na UFPB e em 1975 formou-se médica. Exercendo essa profissão ate o ano 2000. Hoje aposentada trabalha como voluntaria na Rede Feminina de Combate ao Cancer, sendo a atual presidente da Instituição. Sempre abraçou as causas relacionadas com a carência na saúde .

1- Quais os valores transmitidos pela família? Tendo nascida de uma familia classe media baixa, sempre assisti a luta pela sobrevivência dos meus pais, muito trabalhadores que nos ensinaram o valor dos estudos e da educação. 2- Os sonhos da adolescente se conretizaram? Comecei a trabalhar muito cedo como professora, ainda aos 14 anos. Tnha sonhos de ser engenheira, mas minha mãe dizia que não era profissão para mulher! Fiz o curso de professora, mas ao concluir queria estudar mais, e não queria ser professora, foi aí que resolvi estudar muitoooo e fazer vestibular para medicina. Fiz toda a faculdade e ao mesmo tempo trabalhava como professora, foi duro ! Concluido o curso, casei e fomos morar no sul do 32

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Brasil, onde tivemos 3 filhos e vivemos por 11 anos. america latina. Na paraíba conta com 230 voluntaRetornamos à terra natal e seguimos como médi- rios. Pretendo seguir levando esse projeto de apoio cos. aos carentes na saúde. Seguir em frente...com essa causa 3- O que mudou o rumo da vida? Aos 47 fui diagnosticada com um câncer de colo O que é necessario para melhorar o mundo? de útero, foi um choque porque há 23 anos atrás O mundo precisa que as pessoas se conscientizem a medicina era outra, mas como foi detectado no de seu papel junto aos outros, ninguém cresce com início fiz a cirurgia e estava resolvido, mas 10 após miséria ao seu redor ! O ser humano é capaz de anos aparece uma metastase pulmonar, aí o baque grandes mudanças, precisamos tocar no coração foi maior, mas novamente resolvido, a vida segue das pessoas para entenderem que sózinhos não e 7 anos depois outra metastase no perineo, nova fazemos nada, a relação dos homens, uns com os cirurgia... e a vida continua seguindo... bem. outros e com a natureza será a salvação da humanidade. Vamos fazer valer nossa missão aqui na terra, 4- Hoje me sinto guerreira, vitoriosa e essas pas- ninguém está aqui a passeio, todos nós temos algo sagens não têm como não nos fazer crescer como a acrescentar . ser humano ! O homem como fruto de onde vive, necessita preComo você Entreou para a rede de combate ao servar seu espaço e cuidar para gerações futuras. câncer da Paraíba. Vivemos em interação constante uns com os outros e todos com a natureza . 10- Ao me aposentar como médica, tinha oportunidade de continuar trabalhando, mas estava pre- Mensagem: parada para servir como voluntaria, queria meu Temos um compromisso com o que temos e gantempo preenchido de outra forma, colocar a mão hamos, da mesma forma que recebemos, temos o na massa mesmo! Me organizei para fazer meus compromisso de partilharmos. «A quem muito é hobbys, costurar, pintar, tocar ....mas hoje o tempo dado, um dia será cobrado!» Essa relação direta já não dá. com o universo precisa ser paga. 5- Como pessoa, com a idade e as pedras no caminho, vamos amadurecendo e mostrando a nossa missão aqui na terra . 6-Felizmente as coisa fluiram tão naturalmente, costumo dizer que Deus prepara seus filhos na hora certa. 7- Nos momentos difíceis quem a apoiou? Sempre contei com o apoio incondicional do meu companheiro, sempre embarcamos juntos em todos os nossos sonhos. 8- É melhor dar ou receber? Dar é bem melhor do que receber, a satisfação pessoal da doação, volta em dobro ! e quando contamos com uma rede solidaria e comprometida nada é mais gratificante. 9-O que pretende fazer na sua viada? A Rede Feminina de Combate ao Cancer, criada em 1946 é uma rede solidária que atua dentro dos Hospitais do câncer, que existe em todos os estados brasileiros, e é a maior entidade de voluntariado da Revue Cultive - Genève

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sangra, mas não se intimida, continua a segurar os chiffres usando de artimanhas, reflexão, bom humor, misturando lágrimas com sorrisos. Dobrta o touro deixa-o na arena cansado de se dcebater e Colly é uma mullher que não da raia, nem chora sai a procura dos objetivos, de fazer algo de proveio leite derramado. Nas horas de atribulação ela toso, dedicando-se à família, aos necessitados e às pega o touro, segurar-o pelas chiffres enquanto suas orações. é um trabalho de determinação e fé, e ele espernneia, é claro que ela se fere, se machuca, autoconfiança. Essa atitude não é sinal de desdém, Colinete Holanda Soares Nome artístico: Colly Holanda Nasci em Natal/RN - Brasil

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mas um sinal de coragem e muita segurança em si Mamãe despachou o artista e foi na loja em frente mesma. ao foto... E dois empregados estavam na porta. Ela furiosa de raiva perguntou: Com muito humor e pé no chão ela nos conta como foi a menina, a adolescente e a mulher Co- - Quem foi dizer ao homem que subiu para reclalinete Holanda. mar dizendo que eu costumo cuspir e jogar feijão na cabeça das pessoas? Fui muito feliz na minha infância: brincava muito, escutava muitas histórias infantis... Acreditava em Os homens baixaram cabeça e ficaram calados... Papai Noel... Tinha medo do Papa figo. Ela: Na adolescência sempre feliz... espirituosa... Gos- - Seja homem... Sustente o que digam... tava de fazer amizade... Estudava e trabalhava em casa... Entrou na loja e foi reclamar ao dono da loja que disse: Éramos 7, eu era muito gaiata, gostava de fazer os outros sorrirem... Apanhava sempre... Saia para - Dona Guiomar, sua filha loirinha é um diabinho, fazer um mandado da minha mãe que era fotógra- cospe na cabeça de quem passa e tem um saquinho fa e morando no centro da cidade, ia comprar um de feijão que vai jogando e se esconde... filme para ela colocar na máquina, atravessava a ponte correndo e na volta dava um pulinho na loja Ela ubiu fula da vida e me chamou na varanda pra Viana Leal para brincar de subir e descer na escada que todos vissem e me deu uma tremenda surra... rolante... Minha mãe “ficava por conta” e quando a Até que uma vizinha veio em meu socorro e ela pafreguesia saia... Levava uma surra. No outro dia... rou de me bater... Era muito rigorosa na educação Ia na varanda de casa no primeiro andar e cuspia e sempre dizia.. . Vá estudar pra ser gente.. Depois na cabeça de algumas pessoas e me escondia. Joga- minha raiva passava e voltava a brincar... va caroço de feijão em quem passava. Até que um dia o homem subiu e eu corri lá pra dentro, minha Até os catorze anos brincava de bonecas... E aos mãe estava atendendo um artista famoso que es- dezessete anos fui trabalhar de Caixa em uma tava escolhendo suas fotos, o homem dirigiu-se a loja na cidade contrato a vontade de minha mãe... miha mãe e disse: Mas... Fui... Depois em um Banco... Onde era recepcionista, conferente de assinatura e as vezes aju- Muito bonito o que a senhora fez! Mamãe respon- dava aos caixas... Saí para casar... Era noiva... Dedeu: o que foi meu senhor? Ele mostrou a babeça e pois com banhos corridos... Faltando uma semana disse: a senhora acaba de cuspir em mim. para o casamento, resolvi adiar pois o noivo foi com a família morar em Goiânia... E eu não queria - Ela: Eu? Meu senhor estou aqui trabalhando, cus- deixar minha mãe e irmãs... Ele foi... E uma amiga pi lá na sua cabeça não... me chamou para trabalhar na SUDENE... E resolvi depois de concluir o curso de Tec. Em ContabiliO artista interferiu e disse: dade... Fazer o vestibular e estudar na Faculdade... - de forma alguma ela saiu daqui deste lugar...

Dois anos depois renovei o noivado e ele veio reatar o noivado... Disse: dentro de duas semanas vamos - Que nada ela é acostumada a cuspir na cabeça do casar sem convidados, só a família e vamos embopovo e jogar caroços de feijão, mais pessoas que o ra. Tá bem, respondi. Vou pedir demissão e vê se empregado da linha daqui de frente disse que é o consigo transferência para a SUDECO... E transcostume dela! ferência da faculdade que estou no segundo ano. Mulher minha, nem trabalha, nem estuda! Disse Mamãe disse: mentiroso! Ô menina... Trás uma ele. Falei: disseste bem... Não vou ser sua mulher... balde d'água para eu jogar nesse homem... Eu corri Acabou-se de vez o noivado de seis anos. com o balde na mão e o homem desceu as escadas quase voando... Continuei estudando... E minhas amigas todas Revue Cultive - Genève

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se casando. Com 33 anos era considerada coroa. Balzaquiana. E fiz uma simpatia para arranjar um marido. Queria ter uma família. Minhas irmãs já casadas e eu nada!

do histórias... Aos 70 anos publiquei meu primeiro livro. E passei a gostar mais de mim... Viver bem... Ajudando a quem precisa... Passei a dá assistência a Casa do Amor... Abrigo de Idosas. Promovia chás beneficente... Por uns seis anos. Fiz novas amiUma amiga me chamou para ir na casa do advoga- zades. Meu maior objetivo já tinha alcançado: vê os do dela que ela estava querendo se separar e estava filhos formados, empregados, casados... E vieram interessada nele. Dia 8 de dezembro... Me apresen- os netos... Missão cumprida... Seguir em frente. tou e logo ele contou sua vida... Chamou seus quatro filhos e me apresentou. Minha estrada bifurcou em alguns momentos da minha vida: Quando meu marido colocou dois Fui embora descansar um pouco para mais tarde pares de chifres em mim... Descobri... Pensei em fazer uma simpatia no dia de Nossa Senhora da me separar... Depois pensei: Não vou dá esse gosConceição, falei. Leva umas flores e vai no mar... tinho a essa sujeita... Peguei em flagrante... Fui pra Oferece a Iemanjá que é a mesma Nossa Senho- casa... E disse pra ele: você tem 15 minutos para ra e faz o pedido... Reza um Pai nosso... E vem de chegar em casa... Coloquei os filhos pra dormir... costas... Pois ele disse eu vou com você... E min- E desci para o gabinete dele... Quando ele chegou ha amiga disse vamos e a noite, 20:00 horas, ele foi foi se ajoelhando, chorando e dizendo: minha em nossa casa me pegar junto com a amiga e uma mulher você vai levar o que mais amo nessa vida! irmã... Peguei as flores do jardim e fomos para, Meus filhos! Eu olhei pra ele e respondi: Quem lhe Olinda no bar a beira mar chamado Zé Pequeno... disse isso? Sabe qual o seu castigo? Ele: Hã? Vou Conversamos e todos... Quando deu 22:00 horas continuar com você assim mesmo.. Você tem 15 eu disse... Vou fazer minha simpatia... Ele foi co- dias pra deixar essa Mulher! ... Coloquei detetive... migo no carro apanhar as flores. Fui na beira da E passei a me cuidar mais... Fui para o cabeleireiro... praia e a onda cobriu meus pés... Joguei as flores Comprei sapato e roupa nova... E passei a sair com e pedi... Um marido... Uma família... E comecei a meus filhos e grupo de oração, jogos.. Viagens... E rezar alto Pai nosso que estais... E vindo de costas. só comunicava que estava saindo.... Uma pessoas segurando meus ombros... Vamos por aqui... Você já conseguiu... Dai voltamos para nos- Mudei me dando mais atenção. Como dizia sa mesa e falei para minha amiga... Ela disse: pode minha mãe... Ficando absoluta... Sem guardar ranficar com ele.. pois o signo dele não combina com cor... Sempre sorrindo. o meu e a camisa dele é «boco moco», de bouclè... Então eu disse então: eu estou muito necessitada... Encontrei coragem lembrando dos conselhos da E também contra a vontade de minha mãe aceitei minha mãe e finquei em objectivos para o meu fue quatro meses depois o Reitor da Universidade turo. Faria tudo novamente. celebrou uma missa por nossa União... Que durou 43 anos. Onde resultou mais dois filhos comigo... Agradeço primeiramente a Deus, a minha família, Criando os filhos... Trabalhando... Educando... Até filhos e as amizades que são várias. que além de cuidar da administração da casa... E ter me formado... Me juntei aos grupos de oração.. Tenho projetos de Editar mais alguns livros infanleitura... jogos... viagens. tis, encontrar patrocínio para meu projeto circuito da poesia. Me aposentei cedo... Fui educar meus dois filhos... Acompanhando nas escolas... Cursos... Etc... Se formaram, casaram e continuei no meu grupo de leitura... Com colegas do trabalho e depois no sindicato... Sempre fazendo acrósticos... Contando anedotas... Sorrindo... O marido não gostava de sair... Saia eu... Viajava.. Chamava... Ele não ia... Eu ia no meu grupo... Me divertia... E o tempo passando... Entrei na UBE, Sarau de Melchíades... E fui me inspirando... Escrevendo... Declamando... Contan36

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Eluciana Iris Almeida Cardoso Natural de Campo Belo - MG, Reside em Belo Horizonte – MG. Escritora, poeta, nutricionista, Bacharel em Direito, professora, palestrante. Recebeu o título de Doutora Honoris Causa em Dietoterapia e Nutrição Clínica 2020. Vice Presidente da Academia Mineira de Belas Artes; Delegue da Associação Cultive Internacional de Genebra/ Suíça em Belo Horizonte e região; membro da Academia Luminescense Francesa e da Academia Núcleo de Letras Y artes de Buenos Aires. Autora do livro Comidas Afetivas & Poesias Combinação Perfeita, participação em diversas antologias de poesias e histórias infantis nacionais e internacionais. Atuou como Colunista do Jornal ClarínBrasil. Idealizadora e organizadora do Chá & Poesias com Elas, canal do YouTube e Instagram: Eluciana Iris. Atuou na linha de frente da enfermaria Covid 19 - hospital Público em Belo Horizonte, no ano de 2020/2021.

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A sua biblioteca era a de uma vizinha que a emprestava os livros para que ela pudesse ler. Isso era palavra viva para adoçar o sabor do conhecimento. Ela caminhava com Machado de Assis e José de Alencar e Rachel de Queiroz. O cultivo da literatura, artes e solidariedade deve ao contexto familiar, Leci Queiroz, Nasceu no Nordeste do Brasil aos dramas da Igreja e as músicas que cantava em na cidade de Fortaleza- CE. família. Lá o sol é como uma bola de ouro brilhanndo intensamente junto ao mar imenso que traz calma e serenidade. Na infância, brincou muito nas dunas das praias do Ceará. Muito cedo aprendeu muito a gostar de livros, mesmo que não tivesse dinheiro para comprá-los, pois era pobre, sendo de uma família com 13 irmãos. Seus pais foram imigrantes do sertão. 38

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A sua casa sempre foi um espaço de acolhimento. A Família acolhia aflitos, carentes, pobres e necessitados. Até hoje a música e uma boa prosa à mesa fazem parte dos encontros familiares. Faz trabalhos de escrita terapêutica onde escreve de forma livre e solta liberta para expressar o portal da criatividade e da Inspiração.


? Como uma mulher, vivendo nos dias atuais, ella tem apreendido muito com o meio ambiente. Decidiu colocar placas de energia solar para proveitar o sol do nordeste e contribuir para a natureza e o bolso também. Ela cultiva frutas, flores e plantas medicinais. Tem uma pequena criação de patos e galinhas tendo uma relação de integração com meio ambiente e o ser humano. Isso tem-lhe ajudado no seu equilíbrio emocional. Na infância foi criada em uma casa grande, com muitos irmãos e irmãs tendo a liberdade de brincar ao ar livre, mesmo com dificuldade financeira mas nunca passram fome, sempre tinham em casa uma vaca ou duas que produzia leite, galinhas que vinham do interior, que os ajudava muito. Teve uma infância feliz, pois recebia muito amor por parte dos seus pais. Na sua adolescência participava da igreja, fazia dramatização que despertou o desejo pelas artes e pela leitura, tinha sempre a biblioteca Ela é formada em Economia Doméstica na univer- de uma vizinha à disposição, que lhe permitia ler sidade Federal do Ceará, Nutrição na Univerdade bons livros, e a quem tem grande gratidão. Quem Estadual do Ceará com Especialização em Saúde ler, gosta de escrever, diz. Pública pela Universidade Federal de Ribeirão Preto, Especialização em Teologia no Regent Colle- Viajava muito, participou de um grupo ABU (aliange- Univesidade de British Colúmbia, Vancouver – ça Bíblica Universitária), onde teve a oportunidade Canadá.- Trabalhou como nutricionista no Fundo de criar vínculos e boas amizades. formou-se em Cristão para Crianças na recuperação de crianças economia doméstica e nutrição. Não é casada, nem desnutridas que foi parte da implantação do Pro- tem filhos, mas teve bons relacionamentos. Como jeto Prossica que lida com desenvolvimento social artista participou de artes dramáticas e sempre gosde crianças e adolescentes na periferia de Fortaleza. tou de escrever, de tocar piano, tenta tecer pequeLeci Queiroz mora em Caucaia, Ceará - Brasil; é nas artes através do crochê nutricionista, professora e escritora. Exerce ativi- . dades com escrita terapêutica e como facilitadora Refletindo sobre a minha caminhada de vida, vejo da escrita terapêutica, realiza palestras na área de como a educação, princípios de vida que foram enfa,mília vínculos e espiritualidade. Já fez parte do sinados pelos meus pais foram fundamentais para coral sinal verde do Detran do Ceará. Hoje partici- ser uma mulher realizada, afirma. Desde muito pa de eventos literários. Estudou em escola pública, cedo, trabalhou como professora particular para tendo que pedir livros empresados, pois não tinha ajudar na manutenção da família e nos estudos, vicondições de comprá-los. Muito cedo trabalhou sitadora social e como nutricionista. Todas as suas como visitadora social numa entidade estrangeira experiências profissionais foram de grande valor que trabalhava com famílias carentes. Essa expe- para a sua formação e maturidade nos dias de hoje. riência foi motivadora para ter um novo olhar para Destaca que: Justiça social. Muito cedo contribuiu na implanta- «Venci desafios como mulher, assumindo cheção de um projeto social na periferia de Fortaleza fia num serviço de nutrição lidando com 22 funque funciona ate hoje. Ela tem apoiado projetos de cionários do sexo masculino. Lidando diariamente desnvolvimento social e cultural tanto no Brasil com 480 comensais. Pude ensinar na Universidade como na Africa Guine-Bissau. Um projeto fica na Vale do Acaraú num período em que houve o inperiferia de Fortaleza, conhecido como Prossica. centivo para uma maior democratização do ensino, Publicou dois livros publicados. «A mesa está pos- e isso foi um tijolo a mais na construção da minha identidade e ser quem eu sou hoje.» ta», «Vivências a mesa, memórias da vida». Leci soube ao longo da VIDA cultivar virtudes e vínculos afetivos que lhe conferem a liberdade e a autoridade para falar sobre alimentos e nutrição como meio para construção de amores degustados no coração. Ela pode orientar sobre um menu saudável, mas sua visão de nutrição é que os relacionamentos deveriam ser o prato principal, e os alimentos as guarnições.

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Você mudou como pessoa? Em que você mudou? E o que a fez mudar? perguntei, a resposta foi: «mudei sim. Era tímida, tendo um perfil mais calada. Na escola fui escolhida para fazer homenagens a professores e fui criando coragem de falar e me colocar diante de decisões. Fazer parte de associações ajudou a melhorar os meus relacionamentos sociais e aumentou a minha auto-estima. Desde muito cedo ouvi falar do amor de Deus através de Jesus de Nazaré, e aprender sobre seu caráter me ajudou a mudar a vida, e a ter uma espiritualidade saudável. Isso foi um grande passo para uma melhor percepção do mundo como todo. Abri os meus olhos para viver a partilha do Amor, pão e vida.» A força para mudar a sua timidez foi aceitando ser mais participativa em atividades sociais, acreditando mais na sua capacidade criativa, e assim descobrir o seu potencial como mulher capaz de ensinar e aprender foi a força que fez mudar a sua timidez. Ela aprendendo com seus limites e potenciais e descobriuque era capaz de exercer liderança .

Ela, igualmente, apoia um projeto na Àfrica com apoio na escola de Belém que atende crianças e adolescentes, oferecendo educação e cultura. Como nutricionista realiza um curso sobre aproveitamento dos alimentos para uma alimentação mais nutritiva. Seus projetos futuros: ministrar 2 cursos de escrita terapêutica na área de contos e cartas; escrever o seu terceiro livro falando um pouco da experiência da partilha de vida durante a pandemia. "Tecendo vidas em dias difíceis”; voltar a viajar dando palestras e divulgando seus livros. A ESCRITORA Ela tem a escrita na sua vida como uma tarapia. Essa tem sido uma forma de se comunicar com o mundo, ter aprendizado e partilhar sobre o cotidiano da vida.

Uma boa escrita acontece quando lemos bons livros, principalmente livros clássicos. Uma boa escrita acontece com boas leituras e experiências de Teve um momento de bifurcação na minha vida, vida e percepção da integração do ser humano e o quando surgiu a oportunidade de ir morar fora do meio ambiente.. Brasil. Tirou licença do trabalho como nutricionista do Detran de Fortaleza e fui estudar no Ca- Precisamos conquistar nosso espaço como mulher nadá em Vancouver onde passou 2 anos. Foi uma e mostrar a importância delas como pacificadoras, experiência maravilhosa, mas não tão fácil pois era orientadoras e profissionais. estrangeira, mulher, viajando só e estudando em outra língua,sentindo choque cultural e longe dos Deixo sua mensagem final. meus familiares onde os vínculos sempre foram Tenho como primicia algo do sábio Salomão: muito fortes. Porém foi uma lição de vida, e pode «Tudo que vier às mãos para fazer, faze-o conforme identificar outras culturas e histórias de vida e teve as tuas forças, pois um dia na sepultura não fareoportunidade de fazer novas amizades e aprender mos mais nada. Agir enquanto temos tempo....» a viver em terra estranha. Leci tem uma grande gratidão ao meu irmão Gidel, (em Memória) que abriu caminhos para sua vida profissional como nutricionista, ele também contribuiu financeiramente para seus estudos e dos outros irmãos. O apoio é um suporte que ajuda na mudança de vida e fortalece o outro no momento da tomada de decisão. Crê que não mudaria nada na sua história que foi de muita luta e desafios que foram vencidos gradativamente. Atualmente ela trabalha num projeto em Fortaleza, o Prossica, esse projeto oferece trabalho com arte, esporte, alimentação e escolaridade como meio de atender crianças e adolescentes que vivem no meio da violência, no Prossica tem biblioteca, curso de desenho e grafite. 40

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“Somente a educação tem o poder de jogar luz nos caminhos humanos. É um tesouro que ninguém lhe tira, e sendo dividido, ele só multiplica.” Gabriela Lope O Instituto Cultive Suisse Brésil designa Gabriela Lopes para o lauréat Prix Valkyrie 2021 pelo seu trabalho junto aos jovens do Brasil. Moçambique e Angola. Gabriela Lopes é Dra. Honoris Causa em Comunicação Social pela Organização Mundial dos Defensores dos Direitos Humanos; Dra. Honoris Causa em Intercâmbio Cultural Brasil-África; Pós graduanda em Direitos Humanos; Direito Constitucional; Crimes Cibernéticos pela INTERVALE-MG; Bacharela em Direitos Humanos com ênfase em ciências sociais pela OMDDH. Bacharela em Direito pela Faculdade UNIPAC, Campus Revue Cultive - Genève

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de Teófilo Otoni. Presidente do Instituto AMMAR MINAS. Membro da diretoria de supervisão pedagógica da OMDDH. Embaixadora Imortal da Paz da OMDDH; Gabriela tem particiação ativa na divulgação da cultura e é mentora de projetos de leitura e escrita e organizadou 2 coletâneas artísticas entre Brasil, Angola e Moçambique; recentemente conduziu o projeto «Conte um conto». Sua carreira literária levou-a a ser membro da Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes - Acadêmica Nacional de Grande Honra/ Imortalidade acadêmica: Cadeira nº55 -Patrono Luiz Gonzaga (Cidade Niterói-RJ). Membro da Cultive Art Littérature et Solidarite de Genebra. Membro da Academia internacional de Literatura Brasileira da FOCUS BRASIL NEW YORK; Membro correspondente da Academia de Letras Teófilo Otoni. Colunista no Jornal Cultural Rol; Escritora e autora de 5 livros literários, participou de 3 livros acadêmicos com capítulos em forma de artigos científicos.

ram um bate- papo da experiência e comentaram sobre os aprendizados adquiridos. O material produzido será unido e formará um livro de autoria dos meninos. A obra receberá o seguinte título: “Conte um conto: sobre histórias e sonhos.” O livro será publicado no início do ano de 2022. Segundo a Gabriela, a experiência foi única e muito valiosa. Todos ficaram empolgados com suas criações e com a ideia de serem protagonistas de

PROJETO “CONTE UM CONTO” DO SISTE- um livro literário. Seus contos falam de sonhos, MA SOCIOEDUCATIVO DE GOVERNADOR esperanças, reflexões de situações vividas, arrepenVALADARES/MG dimentos e finais felizes. O que deixou evidente o poder da escrita no processo de formação, orgaO Sistema Socioeducativo de Governador Vala- nização pessoal e emocional, cooperando para o dares/MG desenvolveu o projeto “Conte um conto”, desenvolvimento humano. Alguns deles relataram o qual contou com a escritora Gabriela Lopes dos que contaram para suas Santos no processo de mentorias aos adolescentes lá presentes. Foram selecionados 10 adolescentes para participar da proposta, os quais receberam ao longo dos dias os ensinamentos sobre os aspectos técnicas, semânticos e criativos para a produção dos contos. Foram assistidos e orientados em todo o processo de criação, até o fechamento de cada texto. Cada adolescente produziu de 2 a 3 contos. Cada jovem recebeu nesta terça-feira, dia 07-12- 2021, os certificados de participação sobre a mentoria. Foi realizado no último encontro uma roda de conversa com a equipe técnica da Unidade, onde eles fize42

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O Natal em 2021

Onde ações predominem sobre discursos.

Gabriela Lopes

Que a data seja de irmandade, Que se reduza vitrines e consumos. Que se aumente o altruísmo. Os milênios da humanidade ainda não geraram evolução?

Falar com o coração é o dialeto da poesia. Sentimos intensamente E, assim, o papel recebe cascatas poéticas. O Natal também é poesia. Nele cabe o mundo. Em uma só consumação, em um só nascimento. Eis o Cristo vindo ao mundo. O sentimento deste Natal é de esperança em dias melhores. De novos amanhãs para cada nação. A fé esteve presente em anos anteriores mas neste Natal há motivos especiais.

Que o Cristo seja refletido em atos sólidos e sinceros de amor. Com a humanidade sedenta por afagos, neste tempo, festejar é ter quem abraçar É emanar luz e tocar o máximo de pessoas. É saber que fortuna é a saúde e a vida. É contagiar ao seu redor positivamente com sua curta passagem no mundo. Embora breve e complexa, é uma grande dádiva.

O mundo parou no último ano. Muitas vidas foram ceifadas. Uma doença nos paralisou. Todos frágeis e vulneráveis. Experimentamos céus e infernos. Natal é tempo de reflexões mas que elas não fiquem somente nessa data. A humanidade passa por turbulências que exigem responsabilização coletiva.

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Adriana Sugino

ADRIANA SUGINO JAPÃO

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Presidente do IIECInternational Institute of Education 01 and Cuture.

Homenageada no Congrés Cultive International Culturel de la Femme


A identidade dos migrantes e imigrantes descendentes de japoneses no Japão.

A RELAÇÃO MIGRATÓRIA ENTRE BRASIL E JAPÃO TEM SUA ORIGEM NO INÍCIO DO SÉCULO XX, FATO DESENCADEADO A PARTIR DE UM ACORDO FIRMADO ENTRE OS DOIS PAÍSES. ATUALMENTE, O BRASIL POSSUI A MAIOR POPULAÇÃO JAPONESA FORA DO JAPÃO DO MUNDO, SÃO PELO MENOS 1,5 MILHÃO DE PESSOAS.

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O acordo concretizado entre Brasil e Japão foi favorável aos dois países, o primeiro precisava de mão-de-obra para a produção do café e o segundo devido à falta de trabalho e pobreza que se estabelecia em algumas localidades do país.

O perfil dos brasileiros ou dakasseguis presentes no Japão é de pessoas com relativo grau de instrução escolar ou acadêmico, no entanto, são encaminhados por meio de agências ao trabalho em indústrias que produzem automóveis e eletrônicos, esses executam elevadas jornadas de trabalho recebendo salários baixos em relação ao custo de vida japonês.

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Segundo a ministra Luiza Lopes da Silva, diretora do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior do Itamaraty, sem o domínio completo da língua, acabam sendo identificados facilmente pelos japoneses e tratados como estrangeiros mesmo sendo cidadãos do país.

Segunda geração de descendentes Embarcaram para o Japão nos anos 1987 à 2000. Terceira geração de descendentes Embarcaram para o Japão nos anos 2000 até os dias de hoje.

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Quarta geração de descendentes já, nasceram no Japão. Atualmente os jovens brasileiros, tem a nacionalidade brasileira, mas não falam português, não conhecem a nossa cultura, não tem interesse em conhecer o Brasil e seus familiares que ainda residem no Brasil.( pouca excessões ).

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Antonieta de Barros -

A boa formação intelectual de educadora facilitou transpor barreiras impostas às mulheres e à liber((1901-1952) Memorial Antonieta de Barros) dade de imprensa. Na década de 1920, criou e dirigiu alguns jornais, e por mais de 20 anos (entre Por: Neusa Bernardo Coelho 1929 e 1951), com o pseudônimo de ‘Maria da Ilha’. Antonieta de Barros, Professora, jornalista e escri- Antonieta escreveu crônicas sobre educação, direitora, natural de Florianópolis/SC Nasceu em 11 de tos das mulheres, preconceito, vida política, relijunho de 1901, filha de ex-escravos, órfã de pai, foi giosa e social, em diversos jornais de Florianópolis criada por sua mãe Catarina de Barros, que desem- e de SC. penhava a função de lavadeira na casa da família Ramos, importantes políticos de SC. Por influên- Em 1934, no primeiro sufrágio popular em que as cia dessa família foi alfabetizada aos cinco anos de mulheres votaram, Antonieta elegeu-se Deputada idade na Escola Lauro Muller. Aos 20 anos, for- Estadual e Constituinte em 1935, pelo Partido Limou-se na Escola Normal Catarinense, atual Insti- beral Catarinense (PLC). A luta pela emancipação tuto Estadual de Educação, concretizando o sonho feminina foi ganhando impulso em todo o país e Antonieta tornou-se a primeira Negra brasileira a de ser professora. assumir um mandato popular. Seu lema: Educação Ativista da emancipação feminina, Antonieta de para todos, valorização da cultura negra e emanBarros, travou uma histórica luta para transpor cipação feminina. Salienta-se que até essa data as as barreiras racial, de gênero e de classe, tornan- mulheres, negros, pobres e analfabetos não tinham do-se exceção num reduto branco e masculino. Foi direito ao voto no processo sufragista brasileiro. a primeira secretária da Liga do Magistério, lutou Antonieta destacou-se a primeira mulher a presipelos direitos das professoras, pois estas não po- dir uma Assembleia Legislativa em 1937, porém, diam casar em nome da boa reputação. Também com instauração do Estado Novo e fechamento do participou do Centro Catarinense de Letras, fun- Congresso Nacional e de Assembleias Estaduais, dado em 4 de janeiro de 1925, instituição literária Antonieta perde os direitos políticos, o Jornal que acolhia intelectuais negros e das camadas po- República onde ela publicava crônicas, também encerrou. Com a redemocratização do Brasil em pulares ligados às letras e à política catarinense. Antonieta de Barros foi a Primeira Deputada 1945, a ilustre catarinense foi reeleita no pleito de Constituinte e Deputada Estadual na Assembleia 1947. Legislativa de SC e Primeira Mulher Negra a exercer um mandato popular no país, época em que as oligarquias se revezavam no poder. Destacou-se pela coragem de expressar suas ideias num contexto histórico que não permitia às mulheres a livre expressão.

Nessa fase, Antonieta publica a obra: ‘Farrapos de Ideias’, uma coletânea de crônicas escritas para os jornais de Florianópolis. A verba arrecadada com a venda do livro é doada para construção de uma escola chamada de ‘Preventório’, (hoje Educandário SC) destinado às crianças filhas de pais portadores Além de jornalista, escritora e política, a professo- de hanseníase. (internados na então Colônia Santa ra lecionou Português e Literatura no conceituado Teresa/São José.). Colégio Coração de Jesus e Dias Velho, neste, nomeada Diretora. Em todas as suas atuações defen- Na segunda legislatura de Antonieta destacam-se: deu educação de qualidade para todos, acreditava A reestruturação da escola profissional feminina, que o ensino libertaria as pessoas da marginali- o concurso para cargos no magistério e concessão zação social e seria um meio de ascensão para as de bolsas de estudo para alunos carentes. É de sua mulheres. Com esse intento, em maio de 1922, aos autoria o projeto que cria o ‘Dia do Professor em 21 anos, inaugura o ‘Curso Particular de Alfabeti- SC’, comemorado em 15 de outubro de cada ano zação Antonieta de Barros’, dirigido por ela até a e o ‘Feriado Escolar’ pela Lei nº 145, de 12 de oumorte. O Curso destinava-se a preparar alunos ao tubro de 1948, homologada pelo governador José exame de admissão para ingresso no curso Ginasial Boabaid. do Instituto de Educação e da Escola Politécnica, também tinha finalidade de alfabetizar crianças e Antonieta, faleceu em 28 de março de 1952 aos 50 anos de idade, por complicações de diabete. Está adultos carentes. 50

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sepultada no Cemitério São Francisco de Assis em Florianópolis. Mesmo esquecida nos livros de história do país, a luta de Antonieta em defesa das mulheres, negros e pobres, continua. Pois, ainda hoje, a mulher é minoria representativa em cargos políticos no Brasil. Essa invisibilidade da mulher na política, segundo Antonieta, era fruto de questões culturais como o machismo presente na sociedade. Mais de cem anos se passaram, continuam vigentes no século XXI, a desigualdade, o preconceito e a violência contra a mulher. Infelizmente! A ilustre cidadã nomeia ruas, avenidas, estabelecimentos públicos e foi tema de samba enredo de carnaval da Ilha. Na Assembleia Legislativa dá nome a Medalha concedida às mulheres com relevantes serviços prestados em defesa da mulher catarinense. Fontes consultadas: http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/68-antonieta_de_barros https://pt.wikipedia.org/wiki/Antonieta_de_Barros https://twitter.com/folha/status/1329514786405683201

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Sue Ann Siemens recebeu a honraria Prix Valkyrie 2021, um prêmio designado pelo Institut Cultive Suisse Brésil, pelo seu trabalho na pesquisa da vacina Vacina Oxford /AstraZenica. Sue Ann Siemens é professora em Oxford e criadora do primeiro mestrado em Vacinologia do mundo, na Universidade de Siena, na Itália. A médica carioca Sue Ann Costa tem vasta experiência 52

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em estudos de vacinas, mas enfrentou seu maior desafio quando foi chamada, em maio de 2020, para ser a investigadora chefe dos testes clínicos no Brasil do imunizante de Oxford/AstraZeneca.

Clemens, entre outras atividades, participa do comitê científico de mais dois imunizantes na fase 3 dos testes, o alemão da CureVac e o chinês da Clover. Ela está voltando aos voluntários da Oxford/ AstraZeneca para avaliar a potencialização da resAssessora sênior da Fundação Bill e Melinda Gates posta imunológica com uma terceira dose. e chefe do comitê científico do seu Instituto Médico, Clemens estudou Medicina na Universidade Sue Ann é a pesquisadora principal do estudo que Souza Marques, no Rio, fez residência na Filadélfia, avalia a aplicação de uma terceira dose em pessoas nos EUA, mestrado na UFF, em Niterói, e doutora- que completaram há seis meses o ciclo da vacinado na Unifesp, em São Paulo. Só agora, em outubro, ção completa com a CoronaVac. Clemens participa ela conseguirá voltar à Itália, onde morava antes da também do comitê científico de mais dois imunipandemia. Mas, antecipa, ficará apenas dois meses zantes na fase 3 dos testes. e retornará para o Brasil. O trabalho da pesquisadora brasileir tem sido reChefe do Comitê Científico da Fundação Bill e Me- cooonhecido no mundo todo e já lhe conferiu linda Gates, e coordenou os testes do imunizante vârios prêmios nacionais e internacionais. da AstraZeneca/Oxford no Brasil. Atualmente, realiza estudos sobre a aplicação das doses de reforço Ela foi agraciada com a ordem do Império Britâcontra o coronavírus. nico, no grau de Comendadora, prêmio recebido diretsmente das mãos da Rainha Elizabeth II A médica também faz parte dos grupos de estudos responsáveis pelo Covax, o consórcio internacional E para realtarue o trabalho que ela realizou, Anne criado pela Organização Mundial de Saúde para Escreveu o Livro história de uma vacina, um reaaquisição e distribuição de vacinas aos países mais lato da cientista brasileira que liderou os testes da pobres. Sue Ann está lançando o livro História de Vacina Oxford /AstraZenica. uma Vacina, onde relata os desafios enfrentados para trazer os primeiros testes clínicos da vacina para o Brasil. Convidada por Andrew Pollard, de Oxford, Clemens obteve financiamento do Instituto D’Or e da Fundação Lemann e, em quatro meses, ela e os colaboradores brasileiros organizaram seis centros para conduzir os testes e recrutaram 10.416 voluntários. Sue Ann a coordenou, em 2005, um projeto que inscreveu mais de 60 mil participantes dos testes da vacina contra o rotavírus na América Latina em seis meses. A pandemia aumentou as dificuldades para continuar executando a tarefa. Ela teve que treinar muita gente e adaptar os centros em tempo recorde para atender aos critérios de distanciamento e higiene Precisando se deslocar, com a pandemia a dificuldade de conseguir voos e realizar o trabalho programado assim como co nseguir equipamentos de proteção e agulhas foram problemas que enfrentou. Revue Cultive - Genève

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Fabiana Machado Mendes, natural de Irecê-Bahia/Brasil, é advogada, formada em Direito pelo Centro Universitário Nobre (UNIFAN), em 2012. Pós-Graduada em Filosofia Contemporânea pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Pós-Graduada em Direito da Mulher pelo Centro Universitário UNIDOMBOSCO (UniDBSCO). Membro da Academia de Cultura da Bahia - ACB. Foi a 1° colocada no Concurso de Artigos, realizado durante o Evento Novas Teses das Ciências Criminais - Ano XI & X, no Encontro Baiano de Direito Penal, em outubro de 2013, com o tema “A Caixa de Pandora: perfil genético no âmbito da investigação criminal à luz do princípio do Nemo Tenetur se Detegere”. Ideóloga do Projeto Versos de Mulher (@versosdemulher), uma organização de mulheres que apoia meninas e mulheres em situação de violência doméstica e familiar, com atendimentos que são gratuitos para as mulheres que estão na condição de vulneráveis sociais. Também são realizados saraus beneficentes e o projeto conta com uma linha de roupa própria da marca Versos de Mulher, a qual ajuda a sustentar as atividades do projeto. Ideóloga do Projeto Histórias Brilhantes (@historiasbrilhantes), que é uma ação social que visa renovar a esperança nos corações das pessoas através da difusão de histórias e experiências de vidas alheias. O projeto Histórias Brilhantes publica entrevistas de pessoas que superaram grandes desafios da vida, a fim de servir de exemplo para outras pessoas que estão atravessando sérios e difíceis problemas, pois acredita que é necessário espalhar motivação às pessoas para que elas transponham as barreiras e alcancem os seus sonhos. Fabiana

possui o encanto e a beleza da arte poética inoculados em suas veias. Desde sua juventude, escreve ensaios poéticos, influenciada pelo movimento social, filosófico e político. Contudo, foi a partir da amizade e incentivo da amiga Solange Durães, escritora e poeta baiana, que eclodiu a vontade de escrever e publicar poesias. Possui vários textos, artigos e poesias publicados pela imprensa local.

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MARIA INÊS BOTELHO foi Homenageada pelo Institut Cultive Suisse Brésil no Congrés International Culturel de la Femme com a distinção Prix Walkyrie 2021. 56

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e realizações de instituições das quais participa no jornal Agora e no site portalagora.com . Publica, inclusive, nas redes sociais de instituições que participa. É detentora de inúmeros cargos exercidos em estruturas hierárquicas de diversas instituições plurais, quer a nível de Estado do Paraná, do município de Mandaguari, do Brasil e internacional. Atuou na área política partidária em cargos que envolvem as esferas públicas administrativa e legislativa no município de Mandaguari (PR-BR) e com representatividade em partidos políticos a níveis municipal, estadual e nacional. Maria Inês Botelho ganhadora do do Grand Prix 2021na categoria Antologia é a mais imortal da Academia de Letras do Brasil Seccional Rio Grande do Sul Maria Inês Botelho é natural de Santa Cruz do Rio Pardo (SP-BR). É filha de Jovino Botelho de Souza e Alice Botelho. Nasceu em 05 de outubro de 1948. Tem formação superior: curso de Pedagogia com habilitação em Supervisão Escolar e pós-graduações na área da Educação. Atuou na Educação Básica, na Educação Especial e no Ensino Superior. Exerceu inúmeros cargos nas áreas da docência, administrativa e de técnico em Educação em Mandaguari, Maringá e Curitiba (PR-BR). Atuou, e ainda atua, em diversos outros cargos envolvendo a área literária, com presença em academias de Letras e instituições congêneres no Brasil, em Portugal e na Suiça. Atua em eventos que estabelece, ou como convidada, como governadora distrital, presidente, coordenadora, moderadora, palestrante e participante nas áreas da Educação, Cultura, Administração Pública, Clube de Serviço e outras instituições. Envolve-se, dentre outros, em seminários, mesa redonda, simpósios, fóruns, jornadas de estudo, conferências, convenções, a níveis nacional e internacional. Já ministrou cursos em diversos municípios do Estado do Paraná e em outros Estados da Federação (BR) no decorrer das décadas de 1980, 1990, 2000, 2010, 2020 a ... . Atua através de diversas instituições e área de atuação profissional, em serviços voluntários, educacional e cultural proporcionados por instituições públicas e privadas, em diversos Estados da Federação (BR), abrangendo as décadas de 1970, 1980, 1990, 2000, 2010, 2020 a ... . Atua também em instituições que tratam de trabalhos voluntários, assistencialistas. Responde por encaminhamentos de projetos diversificados na comunidade mandaguariense e por publicações de artigos, informações

Nos trabalhos desenvolvidos valorizou a equidade no social, no humano, no cultural, no educacional, em organismos públicos e privados, e pelas participações diversas recebeu inúmeras homenagens, prêmios, destaques, reconhecimentos, moção de aplausos, comendas, troféus, certificados, diplomas, placas, medalhas, por serviços prestados e representatividade de governos, a níveis nacional e internacional desde o recinto escolar de diferentes níveis a prefeituras, câmaras de vereadores, assembleias legislativas, clubes de serviço, e instituições de diferentes construções legais. Detém autoria de livro sobre o Elismo e participações em vinte e três coletâneas e três antologias , agenda poética, revistas diversas, a níveis nacional e internacional. Há seis coletâneas e uma antologia no prelo. Tem alguns prefácios e considerações inseridos em obras de autores brasileiros e perfaz revisões de obras, textos, poemas, crônicas, artigos Coordenou, fez a apresentação, a revisão e teve contribuição efetiva para a publicação do livro “Sonhos de um Poeta”, do jovem autor Dercílio Santana Júnior. Apresenta apoiamentos individuais e coletivos, expressivos, a proposições de projetos, coletando ações exitosas, tais como: Plataforma de Assistência a Pacientes com Cãncer/PAPCAM – Maringá (PR-BR) a assistencialismos efetivados através dos Rotary Clubs de Mandaguari e Mandaguari-Família, Rotaract Club de Mandaguari-Família e do Distrito Rotário 4630. Sob a chancela da Federação Internacional Elos da Comunidade Lusíada e Elos Clube de Mandaguari atua em projetos diversos, tendo parcerias com o Rotary Club de Mandaguari, Rotary Club de Mandaguari-Família, Rotaract Club de MandaguaRevue Cultive - Genève

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ri-Família, Prefeitura Municipal de Mandaguari (PR-BR), Câmara Municipal de Mandaguari (PRBR), Secretaria Municipal de Educação de Mandaguari, Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer de Mandaguari, Biblioteca Cidadã Helena Frujuelli de Moura, Espaço Cultural São Francisco de Assis, Escolas da Rede Municipal de Ensino, Escolas e Colégios da Rede Estadual de Ensino, Rádio Atual Guairacá, Rádio “Agora FM”, jornal “Agora”, site portalagora, jornal A “Gazeta Regional”, site mandaguarionline e outras Instituições da Sociedade Civil Organizada, em todos os anos que esteve a atuar como profissional e/ou atuando no voluntariado.

anos) quando Prefeita Municipal de Mandaguari (PR-BR). Por toda atuação em mais de cinquenta anos de atividade acumula aprendizados que dão a sua vida, individual e no trato coletivo, “sabor” de bem estar e dever humano sendo cumprido.

Em representação do Rotary Club de Mandaguari-Família na Associação de Apoio ao Hospital Geral de Mandaguari (PR-BR) esteve como 1ª Secretária, de forma voluntária, buscando meios financeiros e outras ações para manter o hospital em atividade, que atendia pacientes de Mandaguari e região, bem como acompanhando pacientes inseridos no projeto Catarata/Resgate da Visão – parceria entre o Rotary Club de Mandaguari-Família/ Secretaria Municipal de Saúde de Mandaguari (PRBR)/Rotary Club Imigrantes – Curitiba (PR-BR)/ Hospital de Clínicas–UFPR/Curitiba (PR-BR).

Comemorá-lo com muita luz, alegria e felicidade é encontrar Jesus na manjedoura repleto de mensagens de paz, humildade e união entre os povos.

Maria Inês Botelho Mandaguari (PR-BR), 08 de novembro de 2021

NATAL! 2021

Trazer o sentido real deste Natal é apoiar o que está descalço e o que tem comida à mesa, pois a presença do Menino Deus é a mesma dentro de cada um que o acolhe. Aconselhar-se no viver em sintonia com o amor é abraçar este Natal com a esperança de que o mundo ouvirá o seu clamor: não às bombas e sim à congregação dos homens entre si.

Coloque o Natal por entre os elos da fraternidade universal e defina-se por ser feliz ao tomar o irmão Está em atividade junto a pessoas portadoras de pelas mãos, crescendo em sentimento pelo próxideficiência a mais de quarenta anos, tendo atuado mo. como professora, vice-presidente e presidente da APAE de Mandaguari, e, hoje, é membro do seu Seja abençoado tornando o outro feliz. Conselho Consultivo. Assim, Natal de amor e realização de sonhos traz o dar-se ao envolver o Jesus Menino em seus braços, Manteve atividades assistenciais e culturais junto é realizar o encontro da Terra com o Firmamento a membros do Léo Club de Mandaguari (PR-BR) Divino deixando as estrelas luzirem e se encontrarem na manjedoura do Bem Maior: a vida plena. como apoiadora. Ser Natal é ter vida integrada e dignificada no enEsteve presente realizando jogos locais e regionais calço dos passos de Jesus, Maria e José. do Mandaguari Esporte Clube/MEC, recebendo Feliz Natal! Medalha da Federação Paranaense de Futebol (61 Maria Inês Botelho

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Rosângela Almeida

Matos

Teixeira

de

Mulher de 64 anos, nascida em Itaquara no interior da Bahia, numa família de seis irmãos, casada, mãe de 4 filhos (todos casados e formados), sete netos, residente em Salvador Bahia. Graduada em Enfermagem pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (1987). Atuei como enfermeira nas áreas de emergência, centro cirúrgico e UTI no maior hosRevue Cultive - Genève

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do Gerula. Buenos Aires. Curso Básico em Cristaloterapia - Portal Desperta Luz – Paranaguá. Cursos Básicos em: Reflexologia Podal, Aromaterapia, Feng Shui Massoterapia, Introdução a Ioga, Cromoterapia e Arteterapia - Prime Cursos do Brasil. Autora dos projetos audiovisuais A Loucura nossa de Cada Dia e Quantos de Mim Sou Eu. Participa de várias entrevistas em canais conhecidos de televisão, abordando temas relacionados à Psicanálise. Membro atuante do Centro Espírita Deus Cristo e Caridade, participando de atividades presenciais e pital público da Bahia por quase 20 anos. Forma- contribuições financeiras. Doadora do programa ção em psicanálise pelo Círculo Psicanalítico da Médicos sem fronteiras e Actionaid. ColaboradoBahia (2000) e Instituto Brasileiro de Psicanálise do ra da ONE. Atendimentos de Psicanálise Gratuitos Brasil. Atuo em consultório de Psicanálise há mais online durante a pandemia. de 20 anos, atendendo pacientes do Brasil e do exterior. Mestra em Psicanálise pela Universidad Ar- Instagram - @rosangelamta gentina Jonh F. Kennedy – Argentina, aprovada na Facebook – Rosângela Matos Teixeira defesa da tese com título sobressaliente por unani- Email – rosangelamta@yahoo.com.br midade. Tese transformada em livro. Conferencista e Palestrante Internacional. XI Jornada Internacional de Investigación en Psicoanalisis – Expositora. XII Jornada Internacional de Investigación en Psicoanalisis - Expositora – Argentina. Supervisora de Analistas. Mentora de Estudantes de Psicanálise. Terapeuta Quântica – ABRATH – São Paulo Terapeuta Holística – Portal Prosperidade São Paulo. Autora do livro Diário de Uma Analista: A Psicanálise que Ninguém te Conta. Editora Scortecci. São Paulo. Autora do livro Psicoanálisis Aplicado como Tratamiento de los Nuevos Síntomas (no prelo) na Editora Letra Viva em Buenos Aires Co autora do livro «Passou e Agora?» Editora Literare Book. São Paulo MBA em Gestão de pessoas, lideranças, carreiras e coaching - PUCRS - Rio Grande do Sul. Tema do trabalho de conclusão: Segurança Para Errar Gera Lucro. Aprovada com nota 9,8. Especialização em Teoria da Psicanálise de Orientação Lacaniana, pela Escola Bahiana de Medicina. Especialização em Administração Hospitalar pela Faculdade São Camilo - São Paulo. Especialização em teoria da Psicanálise pela SOHESP. Salvador. Numeróloga Cabalística - Associação Brasileira de Numerologia Cabalística - São Paulo. Humanoterapeuta - Espaço Humanidade - São Paulo. Formação Ho Oponopono – Joe Vitale e Dr Hew Len – Curso online. Formação em Ho Oponopono – Carmem Mendes - São Paulo. Formação em Radiestesia e Radiônica na Prática - Espaço Humanidade - São Paulo. Formação em Radiestesia com Padre Ricar60

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Abaixo os links das palestras. Basta célicar no link que você será dirigido à palestra no youtube. como a publicação de Laurentino Gomes que fez um passeio pela história até chegar no ponto da sua palestra : o papel da mulher no Brasil, o maior terrtório Território escravista da América.

CONGRÉS CULTIVE INTERNATIONAL CULTUREL DE LA FEMME Porfessoras e professores, doutoras em linguística, filólogos, psicológos, psicanálise, economia, direito, escritores, historiadores, nutricionistas, esteticistas, cabeleireira, maquidaora esses foram os professionais que trouxeram ao Congrés Cultive Internnational Cultural de la Femme seus conhecimentos, temas de pesquisa e de publicações. Durente 3 dias foram apresentados 30 painéis : Rede de Combate ao Câncer, Direito, Mulheres históricas; Fantasia, Questões indígnas, Violência contra a mulher; Inclusão da mulher; O maior terrtório Território escravista da América; Mulher imigrante; Mulher na educação e na escrita; Grand prix; Trantando o emocional; A cor da pele; Combate ao Câncer; Felicidade e Nutrição, Bien Être; Pré- lançamento da Antologia As ValkyriesMulher Valkyrie - Ecologia, Opressão, subjugo e Resistência; Mulher Atual; Ciência; Ecologia; Empreeendorismo; Econômia; Beleza Feminina; Noite da premiação Prêmio Valkyrie; Noite de Cencerramento. Foram 60 participantes do mais alto nível que animaram e trouxeram muito conhecimento para os ouvintes do congresso. O Institut Cultive Suisse Brésil cumpriu a missão proposta, de levar ao ar e pela internet temas relevantes a situação feminina no Brasil e no mundo. O ICSB trasnmmite um grande agradecimento aos participantes que acompanharam gratuitamente o congresso durante 3 dias pela canal Cultive no youtube. Revue Cultive - Genève

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constantemente trazendo-me mudanças comportamentais embora que modestas ou tímidas que se forem multiplicadas, terá um grande impacto global.

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Cultivando no quintal integrando o humano à natureza O mundo é a nossa casa. Então qualquer parte do planeta que cuidamos é nosso quintal, jardim e responsabilidade. A ideia do cultivando no quintal – Integração do humano à natureza, consiste em simplesmente respeitar aos nossos ancestrais e procurar ter uma visão sistêmica futurística de sobrevivência das futuras gerações. A maneira mais altruística de vivermos hoje é celebrar o hoje de maneira menos ostensiva e menos ostentativa e isto vale para tudo: trabalho, família, lazer, etc. O mundo perdeu o equilíbrio entre o ser e ter, devemos repensar a sobrevivência humana neste planeta e sobretudo que o planeta sobreviva a intensa exploração então, recaímos ao princípio da sustentabilidade. Sobre sustentabilidade,as bases que fundamentaram o seu conceito surgiu em 1972, na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, na famosa Conferência de Estocolmo, que foi a primeira conferência sobre meio ambiente realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU). E, conceitualmente significa utilizar e preservar realizando um resumo da ideia central. Mas como isto é possível? Eis a pergunta que eu também realizo

Então se pensarmos no cultivo literal dos espaços particulares ou públicos, os quintais, vamos aumentar os impactos positivos para o planeta, ou seja, diminuiremos o poder de destruição que estamos causando diariamente sem consciência. Imaginemos por exemplo, poder colher frutas nas árvores que são plantadas em passeios ou praças e estas servirem para alimentação direta dos habitantes locais, além do impacto econômico, têm-se um impacto sobre estilo e qualidade de vida além da sensação direta que se preservando aquela vida, a árvore, estamos preservando também a nossa vida. Então por este exemplo citado, temos a permacultura que nada mais é do que a cultura permanente. A ética é o centro da sustentabilidade e permanência, a grande pergunta é: estamos dispostos a isso? Vivemos num sistema capitalista e como romper ou minimizar a dependência do capital no cotidiano? Sim é possível, não acredito que seja nulo pois na verdade nunca foi, sempre exploramos, trocamos ou negociamos nossa sobrevivência de alguma forma. O mundo novamente passa por uma grande revolução, a meu ver, desta vez trata-se da ética e respeito à vida e sobretudo à diversidade do meio ambiente. A integração homem natureza através do cultivo em seu quintal gera impactos também na construção de habilidades sócio emocionais, haja visto compreender que com a mãe natureza não existe o imediatismo das tecnologias, sobretudo a da informação. E que é possível vivermos em harmonia conosco e que o conceito de felicidade tão reforçada pelo o consumismo de bens que muitas vezes não necessitamos, pode ter uma “felicidade substituta” e inclusive mais duradoura como a contemplação da existência de vida real além da exaustiva cobrança da perfeição das telas recheadas de fake vidas. Revue Cultive - Genève

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Matilde Carone Slaibi Conti

nasceu em Visconde do Rio Branco, Minas Gerais. Filha de Nagib Slaibi, comerciante, fazendeiro, químico industrial e Helena Carone Slaibi, professora. Cirurgiã Dentista pela Universidade Federal Juiz de Fora. Possui Pós-Graduação em Saúde Coletiva pela Escola de Saúde Pública. Advogada militante, formada em Direito pela Universidade Cândido Mendes. Pós Graduada em Direito Civil e Processo Civil. É Doutora e Pós Doutora em Ciências Jurídicas e Sociais. Professora Titular de Direito da Universidade Salgado de Oliveira, Universo. Professora Titular de Mediação, Conciliação, Arbitragem da Universidade Salgado de Oliveira. Professora dos Cursos de Pós-Graduação da Universidade Estácio de Sá, Universidade Salgado de Oliveira. Professora Conferencista da Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro e da Escola de Magistratura Federal. Membro titular do Institutos dos Advogados Brasileiros, IAB. Criou o Núcleo da Paz. Solução de Controvérsias. Membro Titular do Pen Clube do Brasil. Psicanalista pela Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil. Possui Pós Graduação em Psicossomática, pela Universidade Federal Fluminense. Traba-lhou como Psicanalista voluntária, no Ambulatório Nossa Senhora Auxiliadora, pertencente à Mitra Diocesana, atendendo a população carente, por 15 anos. Possui Bacharelado e Licenciatura Plena em História. Formada em Letras, Licenciatura em Português Literatura, Universo. Possui Pós-Graduação em Revisão de Texto pela Universidade Cândido Mendes. Formanda em Teologia, pela Unicesumar. Frequentou o Phaternon, Centro de Artes e Cultu-

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ra. Formada em Arteterapia, pela Aarj. Possui Pós Graduação em Artes Plásticas, pela Universidade La Salle. Fez exposição em vários países, tais como: Itália, Portugal, Líbano, Egito, Chile e Argentina. É Presidente do Cenáculo Fluminense de História e Letras. Governadora do Elos Internacional, para o Distrito 8, Rio de Janeiro. É Vice- Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Niterói. Membro Titular da Academia Fluminense de Letras. Membro titular da Academia Riobranquense de Letras Advogada associada da Mediati. Câmara de Mediação e Solução de Conflitos.Niterói. Presidente da ABROL do estado do Rio de Janeiro e membro titular da ABROL, nacional. Foi a primeira mulher rotariana a se tornar presidente de um Rotary, Rotary Leste, no Distrito 4750. Foi eleita, novamente, Presidente do Rotary Niterói, 2018/2019, nas festividades de seus 90 anos. Recebeu o Prêmio, Ana Astrachan, em Odotontologia Legal, em nível nacional. Foi considerada a Escritora do Ano, pela OAB-Niterói, em 2015. Foi eleita a Intelectual do Ano, no ano de 2016. Homenagens recebidas: Medalha Legislativa Municipal de Mérito, José Cândido de Carvalho, em reconhecimento pela participação no engrandecimento sócio cultural da cidade; Moção de Congratulações da Câmara Municipal de Niterói, por auxiliar de forma concreta os legítimos interesses das comunidades carentes; Moção de Congratulações da Câmara Municipal de Niterói, pelos programas de melhoria de vida de toda a comunidade; Menção Presidencial do Rotary International, Medalha de Ouro.


O texto de Olympe de Gouges foi recusado pela AsLIVROS PUBLICADOS sembleia, e ela foi condenada à morte por traição. Porém a ideia de igualdade de direitos e deveres já Ética e Direito na Manipulação do Genoma Huma- estava semeada e iria se espalhar pelo mundo todo. no; Outros apontam a publicação, no final do sécuBiodireito; lo XVIII, do livro, A Reivindicação dos Direitos Coroados, Puri e Botocudos, Estudos sobre Índios da Mulher, da inglesa Mary Wollstonecraft na da Zona da Mata de Minas Gerais; Convenção de Seneca Falls, em 1848 nos Estados Da Pedofilia; Unidos, como sendo o marco zero, dessas vozes feEstudos Jurídicos e Psicanalíticos do Perverso mininas. Sexual; Helena. Memórias; Nesta data foi realizada em Seneca Falls, no estaDo Direito Odontológico; do norte-americano de Nova Iorque, a primeira Em nome do Pai. Epopeia da Imigração Libanesa; convenção feminista da história. Discursos; Oficina de Textos. Como resultado, as participantes lançaram, A DeSolidão. claration of Sentiments, isto é, Declaração de SenA História do Rotary Niterói; timentos, escrita pela ativista Elizabeth Cady StanOpúsculos variados. ton, e assinada por 68 mulheres e 32 homens. Artigos diversos sobre Direito, Psicanálise Odontologia, História e Língua Portuguesa. O texto baseia-se na Declaração da Independência, assinada na Filadélfia, sendo este o documento que marca a fundação do país, traçando um paralelo entre as lutas dos fundadores americanos e as lutas das mulheres, no século XIX. Há quem defenda, que as vozes femininas que clamaram por igualdade e liberdade nasceram na Entre outras coisas, defende o direito à educação, Idade Média. e a igualdade perante à Lei e ao Direito ao Voto, o que naquele momento histórico, não foi alcançado. Há também aqueles que definem a Revolução Embora não haja consenso, sobre quando e onde Francesa, de 1799 e seus ideais, como o início da tudo começou, é seguro afirmar que a busca por luta feminista. igualdade se articulou como movimento organizado a partir da Revolução Industrial, fins do século Contudo a Revolução Francesa não deu às mul- XVIII e início do XIX. heres o status de cidadãs. Na realidade foi com o advento das fábricas que as Em 1793, quando o sufrágio masculino foi aprova- mulheres passaram a constituir uma importante do, houve a exclusão das mulheres, ou seja, elas não força de trabalho, explorada principalmente, por tiveram direito ao voto e estavam à margem da vida ser muito mais barata, que a força masculina, tendo pública e política na França. baixos salários e duras cargas horárias.

VOZES FEMININAS

Embora seja precoce falar em feminismo na Revo- As mulheres virtuosas, caberia parir e preparar a lução Francesa, já é possível vislumbrar um anseio futura geração de cidadãos, pois esse era a ideia da por igualdade de direitos. mãe republicana, em contraponto às mulheres perigosas, ou seja, as militantes que se opunham a um O principal registro disso é a Declaração do Direi- governo constituído. tos da Mulher e da Cidadã, redigida pela militante Olympe de Gouges em 1791, em resposta à Decla- O primeiro país do mundo a permitir que as mulração dos Direitos do Homem e do Cidadão, do- heres votassem foi a Nova Zelândia, e o pioneiriscumento elaborado em setembro de 1789, culmi- mo neozelandês se deve, em grande parte, a Kate nante da Revolução. Sheppard, uma importante líder política local e fundadora da organização, Woman’s Christian Revue Cultive - Genève

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Temperation Union.

do Estado Novo de 1937 a 1945. Em seu governo, houve uma série de medidas que centralizaram o Um dos episódios da história do feminismo mais poder, entre elas a dissolvição do Congresso Nadisseminados na cultura popular, na verdade nun- cional e dos legislativos estaduais e municipais. Asca aconteceu de fato: a queima de sutiãs nos Es- sim como ocorreu em grande parte dos países do tados Unidos em 1968. Houve, sim, um protesto Ocidente, no Brasil também a esquerda cresceu e organizado por um grupo chamado, New York Ra- se organizou. dical Women, N.Y.R.W, em Atlantic City, durante o concurso de Miss América, em 7 de setembro de O sistema literário foi afetado pela instabilidade 1968, mas nenhuma peça chegou a ser queimada. política, pelas medidas antidemocráticas e represNaquele dia, cerca de 400 manifestantes se reuni- soras da Era Vargas, mas também se beneficiou da ram na calçada em frente ao Centro de Conven- atmosfera de intenso debate sobre a realidade brações, onde acontecia o concurso, para protestar sileira. contra os padrões de beleza e o machismo. Contudo a censura e a propaganda do governo esNo centro do protesto, havia uma hipotética lata de tavam sempre presentes na indústria editorial, na lixo da liberdade, onde elas teriam jogado produ- imprensa, no rádio e mesmo no material didático, tos de limpeza, cílios postiços, peruca, maquiagens, principalmente com a criação do Departamento de sapatos de salto, cintas-ligas e sutiãs. Embora tenha Imprensa e Propaganda, o DIP, criado com o Estacorrido o boato, que atearam fogo nos sutiãs, isso do Novo. Apesar do autoritarismo e da repressão, jamais ocorreu. Não é verdade esse fato. porém, foram tempos de consagração da cultura popular, com a popularização do samba e do carAs ativistas que protestaram em Atlantic City, em naval, a difusão do rádio e o sucesso de suas estre7 de setembro de 1968, queriam aproveitar a re- las. percussão do Miss América na mídia, para atrair atenção à causa feminista, mas também tinham A crônica, revitalizada por escritores de grande diversas críticas ao concursos em si, tais como: jul- expressividade, também viveu período de grande gavam mulheres de acordo com padrões de beleza consagração junto ao público. ridículos, ou seja, impossíveis de serem atingidos; transformavam as mulheres em objeto, portanto A Segunda Fase do Modernismo foi caracterizada, esse concurso era nocivo a todas; era hipócrita pelo no campo da poesia, pelo amadurecimento e pela duplo padrão de inocência, versus beleza versus ampliação das conquistas dos primeiros moderluxúria, o que elas chamavam de fetiche Madonna. nistas. Assim, nos anos de 1930 a 1945 a poesia se Esse evento era racista, pois nunca havido tido uma consolida e alarga seus horizontes temáticos. Miss América negra; apoiavam a Guerra do Vietnã ao enviar a vencedora do concurso ao Vietnã, para No plano temático, a abordagem do cotidiano entreter as tropas; então, para as meninas, o sonho continua sendo explorada, mas os poetas se volde se tornar Missa América seria equivalente à de tam também para problemas sociais e históricos, se tornar presidente, dos Estados Unidos para os além de manifestarem inquietações existenciais e meninos. religiosas, que ampliaram as proposições da fase anterior. Por que as meninas não podiam sonhar em ser presidente também? Neste cenário aparece uma figura, entre as figuras Na verdade o mundo estava em ebulição, onde aca- mais prolíficas da literatura brasileira, Cecília Meiba por explodir a Primeira Guerra Mundial, com reles. todas as suas nefastas consequências. Professora primária, poeta e uma das primeiras Na arte literária, no Brasil, a historiografia, tem vozes femininas de grande expressão na literatura como marco inicial da Segunda Fase do Moder- brasileira, Cecília ganhou vários prêmios por seus nismo o ano em que Getúlio Vargas subiu ao po- livros. Fortemente influenciados pelo Simbolismo, der, iniciando um período que ficaria conhecido seus poemas são marcados pela musicalidade e imcomo, a Era Vargas, e que compreende a ditadura pressões sensoriais. 66

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é um exemplo. Ainda é importante lembrar que “Eu canto porque o instante existe e a minha vida são temas constantemente retratados em seus poeestá completa. mas sobre a morte, o amor, o eterno e o efêmero, pois a morte se faz presente muito cedo na vida da Não sou alegre nem sou triste: sou poeta”. autora. Assim, é perceptível o quanto a vida pesEla nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de novembro soal se insere na obra literária de Cecília Meireles. de 1901, três meses após a morte do pai e três anos antes do falecimento da mãe. A geração de 1930, representada pela poesia, procurou dar segmento ao que propunham os primeiSeus primeiros versos apareceram na adolescência ros modernistas, sobretudo quanto à liberdade e aos 18 anos, quando já era professora, publicou formal. Contudo, mesclaram ambas as formas: seu primeiro livro, Espectros, com poesias no estilo versos brancos e livres aliados às formas conservaparnasiano. Só foi lançar outras obras literária em doras, tradicionais, ligadas à métrica, e sonoridade 1922, ano em que se casou com o artista plástico de rimas. Fernando Correia Dias. Teve três filhas com ele, até o suicídio do marido, em 1935. Assim, deparamo-nos com uma Cecília que, mesmo vivendo em meio à efervescência de 1922, proNo ano da morte de Fernando Correia Dias, Cecília curou seguir um caminho pessoal, optando não publicou uma de suas obras mais marcantes: Ro- por um estilo engessado e único, mas pela habimanceiros da Inconfidência. lidade que teve em mesclar a liberdade formal em consonância com o equilíbrio clássico. Daí a razão Essa coletânea de poemas revisita a história de Mi- de sua marca registrada: versos de 5, 7 ou 8 sílabas nas Gerais, do período da escravidão, busca pelo poéticas, bem como os versos brancos e os de rioutro, até chegar na visão dos derrotados na In- mas toantes, em que somente as vogais das últimas confidência Mineira, em uma obra que fortalece os palavras de cada verso rimam entre si, como podeinconfidentes como símbolos de uma identidade mos observar em dos poemas dela, intitulado, As nacional. meninas. Seu segundo marido foi Heitor Vinícius da Silveira Arabela abria a janela Grilo, professor e engenheiro agrônomo. Carolina abria a cortina E Maria olhava e sorria: Cecília Meireles foi bastante influenciada pela “Bom dia!” corrente espiritualista da qual participou Murilo Mendes, corrente divulgada pelos intelectuais ca- Arabela foi sempre a mais bela. riocas que se agruparam em torno da revista Festa, Carolina a mais sábia menina. de tendência simbolista. É a principal voz feminina E Maria apenas sorria: da poesia brasileira e uma das vozes feminina mais “Bom dia!” puras de expressão portuguesa de todos os tempos. Sua obra poética é caracterizada pela reflexão Pensaremos em cada menina filosófica, a musicalidade dos versos, a atmosfera que vivia naquela janela, fluida e etérea; entre seus temas mais caros está a uma que se chamava Arabela, transitoriedade das coisas, a efemeridade da vida, a outra que se chamava Carolina. fugacidade do tempo. Mas a nossa profunda saudade Cecília Meireles é tradicionalmente classificada é Maria, Maria, Maria, como uma autora modernista, mais especifica- que dizia com voz de amizade: mente da 2ª fase do movimento, mas sua obra apre- “Bom dia!” senta influências simbolistas, românticas e parnasianas. Ao logo da carreira literária, Cecília Meireles deÉ possível perceber a musicalidade nos seus escri- dicou-se, além da poesia, a ensaios, crônicas e tratos. A escritos utiliza técnicas literárias tradicionais dução de obras estrangeiras. Por conta da tradução para compor seus versos, a estruturação do soneto do livro Poemas de Israel, recebeu o Prêmio Jabuti, Revue Cultive - Genève

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em 1963. No ano seguinte, publica Solombra, uma produção sua também, e foi agraciada novamente com o mais tradicional prêmio literário do Brasil, isto é, o Prêmio Jabuti. No mesmo ano de 1964, publicou, Ou Isto ou Aquilo, sua última obra em vida. Isso porque, vitimada por um câncer no estomago, faleceu em novembro de 1964, dois dias após fazer 63 anos. Seu legado, porém continuou, pois mais de uma dezena de obras inéditas foram publicadas postumamente. Muitas produções foram traduzidas para outros idiomas. Além disso, seu trabalho pela educação sempre é lembrado. Embora tenha se apresentado à literatura com um livro em métricas parnasiana, suas obras também tiveram influencias do simbolismo e do romantismo, sendo ela classificada como um dos nomes da segunda Geração de Modernista. O apreço pela música insere em seus poemas uma musicalidade, em meio a temas que cercaram a vida da escritora, desde o início da sua vida, como também a morte, o amor e as relações do eterno com o efêmero. Matilde Carone Salibi Conti

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ENTREVISTA

1-Atividade cultural que exercer, se exerce? Sou nascida de uma familia tradicionalmente cultural e ativa, exatamente por este motivo eu gosto sempre de citar que meu conhecimento com a riqueza e a diversidade cultural brasileira, e com as artes vem desde o ventre da minha mãe. Estudei teatro e trabalhei muito na área, essa experiência me ajudou aqui na Europa, e hoje, além de ser arte terapeuta, eu utilizo muito a contação de história para crianças (principalmente as que estão relacionadas ao folclore brasileiro), a pintura, a dança, a literatura. Gosto muito da cultura popular e erudita sem esquecer minhas raizes africanas e amerindio.

2-Sua relação com o meio ambiente, com o homem? Eu e o Universo somos um. Assim sendo, ta, embaixadora da paz pelo Ciclo Universal da Paz um depende do outro para sobreviver e viver em França & Suíça, CEO do Madalena’s. Sou Brasileira harmonia, em equilibrio.Acredito que deve exisde São Paulo, naturalizada Suíça. Ela vive na Suíça tir respeito e reverência à Gaia, nossa mãe Terra. há 35 residente na cidade de Biel-Bienne . No meu ponto de vista cada ser humano é único

Lúcia Aeberhardt é escritora, arte terapeu-

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como um diamente, uns tem seu brilho próprio e outros necessitam ser lapidados.Exatamente por este motivo todos devem ser tratados com respeito, tolerância e empatia. 3-Fale da infância, da adolescência, da mulher esposa e mãe, da mulher artista ou mulher esportiva, da sua ideologia e objetivos. Falar de todos os ciclos de minha vida em uma entrevista não haverá espaço, pois tudo que sou e me tornei, já serviu de inspiração para diversos livros, um curta metragem, como também inspiração para diversas pessoas. Resumindo, eu sou uma mulher feliz e realizada, pois assim decidi. Minha ideologia é “ Salvar uma vida é salvar uma nação” e meus objetivos é que todos vivam realizados e em união. Talvéz seja uma grande utopia, mas eu prefiro sonhar com isso.

mo serve para as associações culturais, colaboro com diversas. Você colabora ou participa de associações culturais? Você criou alguma associação, ou empresa fale dela. Criamos o Madalena’s Suíça –Brasil, que atualmente completa a maior idade, 21 anos.

11-O que deseja alcançar ainda? Seus projetos? O que desejo alcançar com meus projetos é a união dos brasileiros no exterior. Que cada, um tome conciência de que ninguém é concorrente de ninguém, cada um tem sua missão e seu papel a protagonizar na Terra. . 13-Qual é a importância de escrever ou fazer arte? Escrever, Pintar, cantar, dançar, fotografar, são formas de manifestações artisticas (existem outras formas), que são de grande importância para co4-Você mudou como pessoa? Em que você mu- municar ao exterior o que temos no interior. Eu por dou? O que a fez mudar? Sim, Claro! Mudei para exemplo , tenho utilizado diversas formas da arte melhor! No meu ponto de vista acredito que somos como instrumento de combate contra a violência seres humanos em constante evolução, creio que doméstica, discriminação, racismo, homofobia, devemos admitir nossas limitações e corrigi-las. abuso sexual, etc.. Repito : Somos criaturas em processo evolutivo e haverá sempre algo em nós que possa ser melho- 14-É mais fácil o reconhecimento da arte e do artisrado. A minha grande mudança foi amar a mim ta (artes plásticas e/ou literatura) no exterior. Em mesma, cuidar da minha menina interior e me va- 2012 eu tive o prazer de participar do I Encontro lorizar como pessoa. O que me fez mudar foi os Regional (da Europa) dos Escritores da Diáspora espelhos que o universo colocou em minha frente. Brasileira, organizado pelo departamento de porSimples assim.... tuguês da Queen Mary University of London e o Focus Brasil e esse foi um dos temas abordados, 6-Onde e como encontrou força ou coragem para realmente é mais fácil o reconhecimento quando tal mudança, para conquistar seus objetivos? Faria estamos no exterior. tudo outra vez? Eu sou uma mulher espiritualizada, tudo que eu 15 - Mensagem final. tenho e sou não vem de mim, é dom de Deus, da natureza e do Universo! Então a ELEs seja toda a O tempo é a coisa mais preciosa que temos aqui glória ! Se no livro da vida estiver escrito “bis”, que na Terra. Utilize-o para fazer o bem. {Lúcia Aebeseja feita a vontade de Deus ! rhardt do livro UMA MULHER FELIZ} 7-Em que momento da sua vida a sua estrada biA escrita de Lúcia furcou e como você fez sua escolha e para onde ela te levou? LUZ AMADA - Lúcia Aeberhardt Foi na minha sétima tentativa de suicídio que minha estrada bifurcou, eu não escolhei. Tudo já É tempo de mudança. estava escrito, tudo já estava programado para que Tempo de jogar fora sentimentos e ressentimeneu me tornasse este ser maravilhoso que hoje sou. tos tolos. Fazer limpeza no coração na mente e na alma. Seguir um novo rumo, uma nova meta , uma 9-Quais as causas e projetos culturais e/ou sociais nova direção.Escolher o que nos faz feliz, nos dá que você defende ou apoia? prazer, prósperidade, harmonia, paz e compreenNossa !!! Diversos!!! Citar somente uns e esquecer ção. É tempo de manifestar à "Luz Amada" em nosoutros vai me trazer um certo desconforto, o mes- sa vida, nosso corpo, nossa alma, nosso ser. É tem72

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po de brilhar e crescer. CHEGOU A HORA DE SER FELIZ Lúcia Aeberhardt

Aqueles que tem olhos vejam, aqueles que têm ouvidos ouçam. Eis que é chegada a hora de ser feliz. {Lúcia Aeberhardt}

SOBRE MADALENA’S Existem pessoas amargas, negativas, sem luz e sem vida. Que no mundo vivem brigando com coisas, MADALENA’S SUÍÇA-BRASIL é uma organização pessoas, consigo mesmas, insatisfeitas, frustadas e não governamental que atua há mais de 20 anos na perdidas. Suíça e no Brasil. Dor, miséria, carência e autodestruição, para tudo isso existe solução. Chegou a sua hora de ser feliz! Sinto-me feliz e desejo que você venha comigo pelos caminhos iluminados, onde teremos um encontro com a sabedoria, humildade, empatia, paz e a resposta para solucionar os problemas do mundo inteiro “AMOR A SI MESMO E, LOGO APÓS, AMAR QUEM ESTIVER PRÓXIMO DE NÓS”. Todavia, andamos pelo mundo olhando sem ver, ouvindo sem ouvir e muitas vezes carregamos chagas na alma que impedem nossa felicidade. Então agora é chegada a hora de olhar para dentro de si e cultivar o otimismo, amadurecer e ser feliz. Fantástico e maravilhoso é descobrir que hoje temos um dia de festa. É bom saber que agora aqui, neste momento, vai acontecer algo de agradável, pois chegou a sua hora de ser feliz. Cante, vibre de amor sem limites, perdoe sem medos e sem ilusões.

Ela promove e participa de conferencias, palestras e debates com o objetivo de informar e executar a prevenção contra a exploração sexual de menores, o tráfico de seres humanos, a violência doméstica , suicídio e toda forma de discriminação. Seus objetivos na Suíça: Defender os direitos humanos das vítimas brasileiras de exploração sexual, tráfico de pessoas, violência doméstica e trabalho forçado. Trabalhamos em estreita colaboração e estabelecemos vínculos com as autoridades oficiais e as organizações existentes no território suíço. Também promovemos e apresentamos a cultura brasileira através da música, filmes, literatura, dança, etc. No âmbito dos projetos realizados, vários programas e ações foram realizados em toda a Suíça. Nossos objetivos no Brasil: Informar, alertar e fazer prevenção diretamente nas escolas com crianças e jovens brasileiros. E conscientizar pais e professores da real existência da exploração sexual de menores, tráfico de seres humanos, violência doméstica e trabalho forçado.

Abra os olhos da alma e veja que a vida é passageira….porém ela é cheia de beleza, harmonia, paz, luz, abundância, força e bem-estar. Chegou a hora de ser feliz e compreender que a fonte do saber, e a essência da vida, estão dentro de você. Sei, sinto e percebo que a verdadeira felicidade é real e possível.Por isso cada um tem a chave em sua mão, e o momento de abrir uma nova porta e entrar no caminho para ser feliz é agora. Abra seu coração e determine “EU SOU FELIZ”. Sinto-me muito feliz, afinal acabo de descobrir que fui criado para transbordar felicidades, cantar, pular, dançar, sorrir e viver.

www.luciaameliamadalenas.com Instagram: @madalenassuicabrasil

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Associação A Associação Renascer dos Povos Indígenas Potiguara, Tabajara, Gavião e Tubiba Tapuia da Vila Nova E Girita. Nasceu em 2013 partindo da necessidade de ter uma instituição formal que representasse as duas aldeias indígenas que são Vila Nova e Girita situadas na periferia da cidade de monsenhor Tabosa Ceará. A Associação carrega esse nome por residir nessas duas aldeias famílias indígenas dos quatros povos acima citados. Existem atualmente 108 sócios que vem lutando para o desenvolvimento do nosso povo, e por melhores condições de vida. Há grupo de mulheres indígenas que desenvolvem trabalho com artesanatos feitos de sementes, palhas, penas, miçangas, fios, linhas, saias, crochê, fuxico, bordado, pinturas em tecidos. Outras ainda reaproveitam óleos de frituras para produzir sabão caseiro, reciclando alguns materiais de plásticos que são as latinhas de manteigas, para colocar o sabão ainda morno.

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transmissão dos conhecimentos tradicionais, entre outros, para o fortalecimento da comunidade. Rita Potyguara Monsenhor Tabosa Ceará, 07 de Novembro de 2021 Museu Indígena Alto do Bode O Museu Indígena Alto do Bode está situado na aldeia Vila Nova, com sede provisória na Rua Airton Jorge Teixeira, Bairro Alto da Boa Vista, região periférica de Monsenhor Tabosa CE. O museu existe desde 2018 nasceu da ideologia de registrar as histórias das familias da comunidade através dos objetos que são doados pelas pessoas que residem no bairro e a que deu origem o nome da Rua Alto do Bode.

Desse modo a associação contribui com a compra de alguns materiais necessários para ajudar na produção desses artefatos. O sabão é vendido para os membros da aldeia com valor mais acessível, até porque o óleo vem da própria aldeia e tem esse retorno de forma mais barato.

A idealizadora da criação desse ponto de memoria foi Rita Potyguara porque sabia da importancia desse para os membros da aldeia, e para as gerações futuras, em conversa com as familias que aprovaram a criação desse projeto em 2018, três mulheres se empenharam a visitar as residencias para receber as doações dos simbolos, e conhecer um pouco da historia de cada objeto. No local é feito o registro do artefato e exposto em um lugar do acervo. Desde então as pessoas procuram o museu para fazer os donativos.

Vale lembrar que a presidente da associação é mulher, que representa com carinho os anseios dos sócios, buscando sempre da melhor forma buscar politicas publicas tais como: projeto, palestra com as mulheres, oficinas, rodas de conversas para a

Hoje no espaço vários objetos que simbolizam as vivências das pessoas que viveram e as que ainda permanecem vivas. Objetos da agricultura, armadilhas, reservatórios de transportar água, canecas feitas de madeira e pneus, objetos de couro, madei-

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ra, palhas, livros, fotografias, adornos indigenas etc. Esses registros servirão de fontes históricas para as futuras gerações que não tiveram a oportunidade de conviver e conhecer a história de seus antepassados mais que terão a oportunidade de se utilizar desses objetos para reforçar suas identidade e cultura a que pertencem. O Museu funciona como fonte de pesquisa, recebe visitas de pessoas da cidade e outras comunidades, os alunos indigenas visitam para conhecer as peças, suas historias e entender a importancia desse ponto de cultura para o fortalecimento dos povos indígenas. Rita Potyguara 03-03-2020

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Sobre a palma espinhenta, o algodão encena a neve Pedaços de papel de cigarro brilham SOB a luz do sol A árvore de natal ! O monumento do cristianismo! Ali no meio do sertão O cacto espinhento embeleza o jardim da casinha E por sua aparência Poderia até ser o presépio O casebre que abrigou a manjedoura

CANTO DO CLAMOR - Valquiria Imperiano E do encanto nasceu o canto E do canto nasceu o clamor O clamor de amor O clamor de paz O clamor de felicidade E tudo virou votos Por dias felizes Para afogar a dor Para ajudar a renascer a esperança no amor Mesmo que por vezes tudo pareça tão triste Tão enganoso Tão sem porvir Tão vazio de sentimentos Tão vazio de sinceridade Tão cheio de egoísmo Tão cheio de pequenas mentiras Tão cheio de mentiras medonhas Mas tudo cabe na mesma taça A taça que clamamos misericórdia Na qual molhamos o pão Enquanto cantamos e clamamos perdão. NATAL DO SERTÃO Valquiria Imperiano Um sino toca! Minha terra não tem pinheiros Tem cactos, tem espinheiro No meio do sertão que serve de sombra para viajantes e tropeiros Também serve de árvore para festejar o natal Harmonioso com a história Onde a pobreza foi a marca da vitória 76

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A janela abre-se! Sobre o parapeito três crianças remelentas Debruçam-se esperançosas Olham o telhado sem chaminé Aguardam pacientes o pouso da carroça e do burro fazendo a vez de rena e trenó trazendo desejados presentes Ficaram aguardando um tempão O tempo passou muito lento E mesmo tendo tanto tempo O Velho papai Noel Achou muito quente o tempo Viraram adultos os remelentos Papai Noel nunca veio! Ele não conhece o endereço do sertão Ou não aguentou o calor E voltou lá pra Finlândia Onde tem gelo, pinheiro e neve Um sino toca! Passou o Natal! No próximo ano quem sabe neva no sertão O Natal terá pinheiro E um treno cheio de presentes... A esperança das crianças pobres! É a ultima que morre!


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da África, a poligamia é um direito conferido ao homem como meio de mostrar sua virilidade e, tema: A literatura moçambicana escrita acima de tudo, o poder, porque é bom ser patriarca por mulheres e domi­nar: “A poligamia dá privilégios. Ter mordomia é coisa boa: uma mulher para a cozinha, oupor Algemira Mendes tra para lavar os pés, uma para passear, outra para passar a noite”, a poligamia não é substituir uma Paulina Chiziane nasceu em 04 de junho de 1955, mulher por outra, e sim possuir mais uma. (Ibid, em Manjacaze, uma vila moçambicana. Na juven- 92-93). tude, atuou na Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), durante a Guerra de Independên- No continente africano, a poligamia é adotada por cia, e só publicou seu primeiro romance — Balada alguns países, como por exemplo, nas sociedades de amor ao vento — em 1990. mais tradicionais da África subsaariana, que é Seu livro mais famoso é Niketche: uma história de poligamia. Essa narrativa apresenta as principais características literárias das obras da autora, como a prevalência da voz feminina. Além disso, é possível perceber que a escritora usa seus romances para fazer crítica de costumes e destacar a diversidade cultural de seu povo. Após a independência, teve início uma guerra civil. Paulina Chiziane, então, tornou-se voluntária na Cruz Vermelha durante o conflito, e sua atuação política não cessou após o fim da guerra, em 1992. A autora passou a fazer parte do Núcleo das Associações Femininas da Zambézia (Nafeza), organização não governamental criada em 1997, na cidade de Quelimane. Nessa época, já tinha publicado seu primeiro romance — Balada de amor ao vento —, em 1990, mas seu sucesso como escritora chegou em 2002, com a publicação do livro Niketche: uma história de poligamia. Por essa obra, ela ganhou o Prêmio José Craveirinha, da Associação dos Escritores Moçambicanos. Conforme nos mostra a autora, em alguns lugares 78

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composta por 47 países, dentre os quais destacamos o sul de Moçambique.

A escritora Paulina Chiziane, com grande sensibilidade, matiza a tessitura de sua narrativa a partir da recuperação de histórias orais ligadas às questões de raça e gênero. A leitura de seu romance poderá propiciar ao leitor momentos de lirismo, reflexão política, cultural e social acerca da nação moçambicana. Por toda a narrativa a questão da identidade feminina, da subjetividade da mulher moçambicana, é problematizada através do drama existencial, vivido pelas personagens. Rami, sua protagonista indaga não só sobre as condições da mulher na sociedade moçambicana, mas também da mulher africana. O romance ultrapassa todos os limites impostos, através dos conflitos familiares, dos aspectos sociais, dos conflitos existenciais retratados nos variados espaços percorri­dos, tanto no sul como no norte de Moçambique. Esse romance é inovador no sentido de questionar a conduta acerca da poligamia.


Laurentino Gomes foi o convidado especial no congresso Cultive Intrernacional da Mulher onde abordou o tema: O PAPEL DA MULHER NO BRASIL, O MAIOR TERRITÓRIO ESCRAVISTA DA AMÉRICA. O painel teve Paulo Bretas, Algemira mendes, Amélia Costa e Rita Queiroz como interlocutores.

auge do tráfico negreiro no Atlântico, motivado pela descoberta das minas de ouro e diamantes em território brasileiro e pela disseminação, em outras regiões da América, do cultivo de cana-de-açúcar, arroz, tabaco, algodão e outras lavouras e atividades de uso intensivo de mão-de-obra africana escravizada. É também um período marcado por importantes rupturas e transformações ocorridas no universo dos brancos, como a independência Laurino é um estudioso da escravatura paranaense dos Estados Unidos, a Conjuração Mineira, a Rede Maringá e sete vezes ganhador do Prêmio Jabu- volução Francesa, a Revolução Industrial e o nasciti de Literatura, Laurentino Gomes é autor dos li- mento do abolicionismo na Inglaterra. vros 1808, sobre a fuga da corte portuguesa de dom João para o Rio de Janeiro (eleito Melhor Ensaio Laurentino Gomes explica que há uma importante de 2008 pela Academia Brasileira de Letras); 1822, mudança na geografia do primeiro para o segundo sobre a Independência do Brasil; e 1889, sobre a volume: “O livro anterior teve seu foco principal na Proclamação da República, além de O caminho do África, pelo simples motivo de que, para estudar a peregrino, em coautoria com Osmar Luduvico da escravidão, é preciso sempre começar pela África. Silva – todos publicados pela Globo Livros. Ele é Este volume tem como cenário o Brasil, que se tortitular da cadeira de número dezoito da Academia naria no século XVIII o maior território escravista Paranaense de Letras. do hemisfério ocidental. No espaço de apenas cem anos, mais de dois milhões de homens e mulheres O segundo volume da trilogia de Laurentino escravizados chegaram aos portos brasileiros. ToGomes é dedicado à história da escravidão no Bra- das as atividades do Brasil colonial dependiam do sil. Sequência do primeiro livro, apresentado na sangue e do sofrimento de negros cativos. Entre Bienal do Rio de Janeiro de 2019, a obra é edita- outros aspectos, procuro descrever a violência e da pela Globo Livros. Escravidão - Da corrida do as formas de trabalho no cativeiro, a família escraouro em Minas Gerais até a chegada da corte de va, as irmandades e práticas religiosas, o papel das Dom João ao Brasil concentra-se no século XVIII, mulheres, as fugas, revoltas e formação de quilomRevue Cultive - Genève

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bos e outras formas de resistência contra o regime volume de Escravidão segue o estilo do livro anteescravista”. rior, caracterizado por um texto jornalístico fluido de leitura acessível, e reúne na forma de ensaios as Durante o século XVIII, a busca por ouro e pedras observações e conclusões do autor ao longo de mais preciosas, acompanhada pelo uso cada vez mais de seis anos de pesquisas. Nesse período, Laurenintenso de escravidão, fez com que o território tino Gomes debruçou-se sobre a vasta bibliografia brasileiro praticamente dobrasse de tamanho. já existente sobre o assunto e visitou centros de esComeçavam também ali alguns fenômenos que tudos, bibliotecas, museus e lugares históricos. O marcariam profundamente a face do escravismo trabalho de reportagem incluiu viagens por doze brasileiro. A escravidão urbana, de serviços, di- países em três continentes. Para este volume, entre ferente daquela observada nas antigas lavouras outros locais, o autor esteve em quilombos nos esde cana-de-açúcar na região Nordeste, deu maior tados da Paraíba, Alagoas, Minas Gerais e São Paumobilidade aos cativos, acelerou os processos de lo; antigos engenhos de cana-de-açúcar da região alforria, ofereceu oportunidades às mulheres e ge- Nordeste; terreiros de candomblé no Recôncavo rou uma nova cultura em que hábitos de origem Baiano; as cidades históricas do ciclo do ouro e africana se misturaram a outros, de raiz europeia diamante em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso; ou indígena. “São esses alguns dos ingredientes as fazendas dos barões do café no Vale do Paraíba; principais na construção da grande, bela e sofrida e o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, maior enÁfrica que hoje temos no coração do Brasil”, afirma treposto de comércio de escravos no século XIX. Laurentino. Com mais de 500 páginas e 31 capítulos ricamente ilustrados com imagens, mapas e tabelas, o segundo

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Cor e voz: a literatura escrita por mulheres negras

Daianna Quelle da Silva Santos da Silva Doutoranda em Estudos Linguísticos - UEFS

Conceição é um dos nomesEvaristo mais importantes da literatura Nascida na é um contemporânea. dos nomes mais imporPERIFERIA de Belo Horizonte, filha tantes da literatura contempode lavadeira e a segunda de uma rânea.deNascida na PERIFERIA família nove irmãos, Conceição Evaristo a primeira filha pessoa de BelofoiHorizonte, dedalafamília a se formar na FACULDADE, vadeira e a segunda de uma fano curso de Letras. Além da mília deela nove irmãos, ConceiGraduação, também fez Mestrado ção Evaristoem foi a primeira e DOUTORADO Literatura. Desde a infância, a ESCRITA parte pessoa da família jáa fazia se formar da sua vida, sendo inspirada pela mãe na FACULDADE, no curso de a escrever em seu diário contando os Letras. da COMUNIDADE Graduação, ela fatos queAlém vivia na nasceu. e DOUTORADO em Literatambém onde fez Mestrado

do país

Carolina Maria de Jesus foi uma escritora, compositora e poetisa brasileira, mais de conhecida Carolina Maria Jesus por seu livro Quarto uma escritora, compositora e poetisa de foiDespejo: Diário de uma Favelabrasileira, mais conhecida por seu livro Quarto da, publicado em 1960. Carolina de de Despejo: Diário de uma Favelada, publicado Jesus dasdeprimeiras escritoem foi 1960.uma Carolina Jesus foi uma das negras do Brasil e é rasprimeiras negras escritoras do Brasil e é considerada considerada das mais importantes uma das maisuma importantes escritoras escritoras do país

tura. Desde a infância, a ESCRITA já fazia parte da sua vida, sendo inspirada pela mãe a escrever em seu diário contando os fatos que vivia na COMUNIDADE onde nasceu. Seus textos trazem sua “ escrevivência ”. Discute temas como racismo, discriminação de gênero e classe, entre tantos outros problemas da nossa sociedade. Ela já ganhou diversos PRÊMIOS, entre eles o JABUTI, em 2015. Em 2018 se candidatou à uma vaga na ACADEMIA Brasileira de Letras (ABL) e, apesar do forte apelo popular para que ela se tornasse a PRIMEIRA mulher negra da ABL, ganhou apenas um voto. Em 2019 foi homenageada como Personalidade LITERÁRIA do Ano no Prêmio Jabuti. Como mulher negra que vem da periferia, Conceição Evaristo critica a meritocracia, por ser uma tentativa de destruir a necessidade das ações AFIRRevue Cultive - Genève

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Prémio Banco Capital (2010)

MATIVAS. Apesar de se sentir muito feliz por suas conquistas, ela sempre questiona o porquê da grande maioria das mulheres NEGRAS também não conseguirem.

melhor livro de poesia no Prêmio APCA 2017 para mulheres no Brasil e nos PALOP, com recorte em Dia Bonito pra Chover (Editora Malê, 2017). gênero, raça e sexualidades.

Tese de doutorado - POEMAS MALUNGOS – CÂNTICOS IRMÃOS (Augostinho Neto)

Vozes-mulheres A voz de minha bisavó ecoou criança nos porões do navio. ecoou lamentos de uma infância perdida. A voz de minha avó ecoou obediência aos brancos-donos de tudo. A voz de minha mãe ecoou baixinho revolta no fundo das cozinhas alheias debaixo das trouxas roupagens sujas dos brancos pelo caminho empoeirado rumo à favela. A minha voz ainda ecoa versos perplexos com rimas de sangue e fome. A voz de minha filha recolhe todas as nossas vozes recolhe em si as vozes mudas caladas engasgadas nas gargantas. A voz de minha filha recolhe em si a fala e o ato. O ontem – o hoje – o agora. Na voz de minha filha se fará ouvir a ressonância o eco da vida-liberdade. Lívia Natália é Mestre (2005) e DouLívia Natália é Mestre (2005) e Doutora (2008) em Teorias e Crítica Literatura e da tora (2008) em daTeorias eCultura Crítica da pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Literatura e éda Cultura Atualmente Professora Adjunta pela do setor Universide Teoria da Literatura da UFBA, onde coordena os dadegrupos Federal daDerivas Bahia (UFBA). de pesquisa da Subjetividade na AtualEscrita Contemporânea, no qual pesquisa mente é Professora Adjunta setor literatura contemporânea escrita em Blogues,do e Corpus Dissidente: Poéticas da Subalternidade de Teoria da Literatura da UFBA, em escritas e estéticas da diferença, no qual se a estudar a Literatura Negra escrita por onde coordena osdedica grupos de pesquisa Derivas da mulheres no Brasil e nos PALOP, com recorte em gênero, raça e sexualidades. Subjetividade na Escrita Contemporânea, no qual pesquisa literatura contemporânea escrita em Blogues, e Corpus Dissidente: Poéticas da Subalternidade em escritas e estéticas da diferença, no qual se dedica a estudar a Literatura Negra escrita por 82

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Prémio Banco Capital (2010) melhor livro de poesia no Prêmio APCA 2017 para Dia Bonito pra Chover (Editor - 2011

Vozes literárias afrodiaspóricas e femininas do recôncavo baiano (2019) E ENTÃO FALAMOS NÓS: VOZES LITERÁRIAS AFRODIASPÓRICAS E FEMININAS DO RECÔNCAVO BAIANO (2019)

Em 2018

Os dias derramana vestígios que não se apagam, marcas incorrigíveis. Minha pele condenada se veste de mariposa e sorri como borboleta (Outros eus, Kalanngo, 2013)

Devemos nos perguntar: quantos talentos o Brasil perde todos os dias por causa do racismo? A situação é ainda mais grave para mulheres negras, que são muitas vezes destinadas ao subemprego: quantas físicas, biólogas, juízas, sociólogas etc. estamos perdendo? Políticas que obrigam as empresas a pensar e criar ações antirracistas poderiam reverter esse quadro. Fonte: https://aquinavaranda.com.br/2021/01/31/9- topicos-trechos-do-livro-pequeno-manual- antirracista/

Dados do Censo 2010 mostram que as mulheres negras são as que menos se casam e, entre as com


mais de cinquenta anos, elas são maioria na categoria “celibato definitivo”, ou seja, que nunca viveram com um cônjuge. {13} Obviamente não pretendo sugerir com quem as pessoas devem se relacionar. A questão é revelar os processos históricos que fazem com que as mulheres negras, sobretudo as retintas, sejam sistematicamente preteridas, como se não fossem dignas de serem amadas. É preciso questionar padrões estéticos que desumanizam as mulheres negras.

Fonte: https://aquinavaranda.com.br/2021/01/31/9- topicos-trechos-do-livro-pequeno-manual- antirracista/

Atura ou surta Meu black está na rua Daquele jeito armado Livre e pro alto Exibindo a beleza que seu olhar rejeita Na boca que cala E na boca que fala Mas que cabelo é esse? O que está na minha cabeça? É o meu, meu bem! Crespo Lindo 4C

Segundo dados da Anistia Internacional, a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil, o que evidencia que está em curso o genocídio da população negra, sobretudo jovens. [...] Como já afirmou a socióloga Denise Ferreira da Silva, o assassinato dos jovens negros deveria criar uma crise E divando na sua cara Com todo prazer. ética na sociedade brasileira. No entanto, não há revolta com tanto sangue derramado, enquanto há Jacquinha Nogueira. enorme comoção na mídia quando a violência tira Respondeu Jesus: « ‘Ame o Senhor, o seu Deus de a vida de uma pessoa branca. Fonte: https://aquinavaranda.com.br/2021/01/31/9- topicos-trechos-do-livro-pequeno-manual- antirracista/ todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’.Este é o primeiro e maior manJacqueline Nogueira Cerqueira reside em Sapeaçu damento.E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o (BA) desde que nasceu, é poeta e escritora, assina seu próximo como a si mesmo’. (Mateus 22:37-39) pelo pseudônimo Jacquinha Nogueira. Graduada 4C em LetrasMEUVernáculas – UNEB, Filmes sobre o tema Atura ou surta 2013, é professora e pesquisadora ou surta literária; Atura é especialista em Cultura Atura ou surta e Literatura pela Barão de Mauá black está na rua (2015) Meu e em Literatura Contempo- Jacqueline Nogueira Cerqueira reside em Daquele jeito armado rânea pela LivreBarão e pro alto de Mauá (2015); Sapeaçu (BA) desde que nasceu, é poeta e Exibindo a beleza que seu olhar rejeita Mestra em Educação pela UFBA; escritora, assina pelo pseudônimo organizadora do SarauNaSapeaçu, boca que cala desde 2014, e na boca que fala desenvolve nas escolas Eonde leciona o Projeto “A Jacquinha Nogueira. Graduada em Letras Mas que cabelo é esse? Poesia Vive”, desde 2013. Em 2020 esteve na FLI- Vernáculas – UNEB, 2013, é professora e PELÔ

pesquisadora literária; é especialista em Cultura e Literatura pela Barão de Mauá (2015) e em Literatura Contemporânea pela Barão de Mauá (2015); Mestra em Educação pela UFBA; organizadora do Sarau Sapeaçu, desde 2014, e desenvolve nas escolas onde leciona o Projeto “A Poesia Vive”, desde 2013. Em 2020 esteve na FLIPELÔ

MEU 4C Atura ou surta Atura ou surta Revue Cultive - Genève

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Memória e violência nos autos de defloramento

Sofia Tonoli Maniezzo Zani

Mestranda, USP, graduação em Letras Universidade de São Paulo; Projeto M.A.P. (Mulheres na América Portuguesa); Programa de Pós-Graduação em Filologia do Português – USP. «Os papéis propriamente históricos das mulheres podem ser captados nas tensões, mediações, nas relações propriamente sociais que integram mulheres, história, processo sociais, e podem ser resgatados das entrelinhas, das fissuras e do implícito nos documentos escritos. Isso requer uma leitura paciente, um desvendar criterioso de informações omissas ou muito esparsas, casuais, esquecidas do contexto ou da intencionalidade formal dos documentos.» DIAS, 1995, pg. 50 Auto de defloramento Estudo filológico Leitura ; Decifração; Transcrição na íntegra; Análise paleográfica e codicológica Análise Levantamento de termos indicadores de violência E c rga semântica Deflorar X Estuprar

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AHU. Conselho Ultramarino. Brasil, Baía. Cx 45, doc. 3969. fonntes de pesquisa: Documentos públicos e privados (testamentos, inventários, autos de posse, escrituras, requerimentos, petições, atestados, relatórios, entre outros) referentes à América portuguesa, escritos e conservados no Brasil ou fora daqui. RECOLHIMENTOS FEMININOS: ASPECTOS DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NA AMÉRICA PORTUGUESA. Norma Suely Pereira PPGLinC/UFBA Grupo de Estudos Escrita e Práticas Culturais – GEEPCult/UFBA Filologia e estudo de práticas socioculturais • A Filologia é uma ciência que estuda o texto como produto da cultura, do tempo e do espaço, observando língua e suas mudanças em textos escritos e orais, de variadas tipologias. • Dialoga com a História, para melhor compreender as práticas culturais e os processos de mudança e conservação das línguas, esclarecendo aspectos e sentidos já em desuso, referências históricas e os mais diversas aspectos do pensamento do homem ao longo do tempo. • Grupo de Estudos Escrita e práticas culturais – GEEPCult/UFBA • Objetivos da pesquisa: • Ampliar o conhecimento acerca dos aspectos históricos e culturais do período. • Refletir sobre os perfis e papéis sociais das mulheres em diferentes contextos. Requerimento de Izabel Rodrigues 1733. Fonte:

Prática de enclausuramento feminino Na sociedade patriarcal era prática comum manter as mulheres em conventos e recolhimentos; Convento do Desterro, fundado em 1677, em Salvador. Motivações diversas: devoção, educação, preparação para o matrimônio, punição. Privilégios para a admissão nas instituições religiosas: o perfil da família, o dote, a arte da música (PEREIRA, 2019). Fonte: IBGE. Disponível em: https://biblioteca.ibge. gov. br/bibliotecacatalogo.html?id=432154&view=detalhes

Perfil social das recolhidas Requerimento do cavaleiro professo na Ordem de Cristo, Raimundo Maciel Soares ao rei [D. José] ... [ant. 1753] Jovens brancas, donzelas, pertencentes à famílias de prestígio social, mulheres casadas, viúvas nobres e jovens pobres e órfãs, além de mulheres transgressoras, chamadas à época de decaídas. Fonte: AHU. Conselho Ultramarino. Brasil, Baía. Cx. 117, doc. 9141 (1).

Perfil das recolhidas Diz Raimundo Maciel Soares cavalleiro professo/ na ordem de christo, e proprietario do officio de sallador da Alfandega da / cidade da Bahia, que levado do amor de Deus, deseja dar prencipio na mesma Ci-/ dade afundação de huã Irmida com seu recolhimenRevue Cultive - Genève

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to debaxo da proteção, e Invo-/cação de São Raymundo Nonato, e Santa Maria Madalena para mossas brancas ch[ris]-/tans velhas, que havendo errado o caminho da verdade, contritas e arrependidas/ de todo o coração se convertão a Deus Nosso Senhor, e Requerimento do cavaleiro professo na Ordem de Cristo, Raimundo Maciel Soares ao rei [D. José] ... [ant. 1753], f. 1r, L. quiserem viver em Santos, e pios e- [...] 2-8. Fonte: AHU. Conselho Ultramarino. Brasil, Baía. Cx. 117, doc. 9141 (1).

• A leitura dos documentos revela aspectos importantes do passado colonial. • Os documentos até então selecionados registram memórias da cultura patriarcal e teocêntrica de uma elite colonial que cometeu toda forma de atrocidades contra os mais fragilizados como os escravizados, os povos nativos e as mulheres. • Esses comportamentos estão na base das práticas violentas que, infelizmente, ainda assombram as mulheres na nossa sociedade.

Alguns aspectos da violência Violência psicológica: • Perfil recomendado de recato e contrição; • Silenciamento da voz e das escolhas; • Exclusão social e discriminação para ingresso nas instituições;

Referências BARROS, L. A. Curso Básico de Terminologia. São Paulo: EDUSP, 2004. PEREIRA, Norma S. da Silva. Recolhimentos femininos na Bahia colonial: interfaces entre Filologia e História cultural. In: TEIXEIRA, Maria da Conceição Reis; QUEIROZ, Rita de Cássia Ribeiro. (org.). Língua, cultura e sociedade: abordagens filológica, lexicais e discursivas. Salvador: EDUNEB, 2019. REQUERIMENTO de Izabel Rodrigues 1733. Fonte: AHU. Conselho Ultramarino. Brasil, Baía. Cx 45, doc. 3969. REQUERIMENTO do cavaleiro professo na Ordem de Cristo, Raimundo Maciel Soares ao rei [D. José] ... [ant. 1753], AHU. Conselho Ultramarino. Brasil, Baía. Cx. 117, doc. 9141 (1). SOUZA, Rose Mary Souza de; QUERINO, Carla Carolina F.G.; PEREIRA, Norma Suely da Silva. Aspectos da reclusão de mulheres em conventos na Bahia no século XIX. ABRALIN EM CENA, Feira de Santana, 2018, no prelo.

Violência patrimonial. • À mulher, em geral, não era permitido gerir os próprios bens. Violência física: • Cerceamento da liberdade: recolhimentos compulsórios, às vezes perpétuos; • Maus-tratos; • Doenças. Condições precárias e insalubres em ambientes de abrigo coletivo: Lesões da sífilis. Relatório médico. Fonte: AHU. Conselho Ultramarino. Brasil, Bahía. 1804, cx. 231, doc. 15943.

Má disposiçaõ celtica – (mal céltico, moléstia céltica) – doença sexualmente transmissível, atualmente denominada Sífilis. Patologia causada pelo Treponema pallidum, transmitida pelo contato entre mucosas, transfusão de sangue ou no contato sexual (BARROS, 2004, p. 125). Affirmo, que Dona L. F. do Nascimento e Oliveira / mulher de M. J. Froes, é de temperamento debil, e muito /sencivel: tem tido varias molestias, nascidas desta disposiçaõ,/como saõ dores de estomago, eoutras, fastio, febres, humas vezes/ suppreçoens mençaes, outras metrorrhagias, ou fluxos sanguíneos/ eviciados, nascidas estas taõbem da má disposiçaõ Celtica, que tem [...] [grifos nossos]. (SOUZA, QUERINO, PEREIRA, 2018, no prelo) Palavras finais • Os estudos filológicos em suas diversas interfaces têm possibilitado ampliar a compreensão sobre as práticas culturais vivenciadas pela sociedade na América portuguesa.

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A abordagem utilizada pelo Projeto M.A.P. baseiase nos campos da filologia, da linguística histórica e das humanidades digitais. Fidedignidade documental Opções editoriais com vistas a um público vasto e também especializado. Registro genuíno das palavras de mulheres comuns.

PROFa VANESSA MARTINS DO MONTE (USP) TEMA: MEMÓRIA E VIOLÊNCIA NOS AUTOS DO DEFLORAMENTO

Apresentou no CCICF o trabalho de pesquisa: Os registros da violência contra a mulher no Catálogo do Projeto M.A.P.

O projeto objetiva construir um catálogo de documentos de mulheres da América Portuguesa. A designação ‘documentos de mulheres’ abrange tanto os manuscritos redigidos ou ditados por uma mulher quanto aqueles que trazem seu discurso relatado. Sistematizar e visibilizar um conjunto documental de fontes relevantes, Público amplo e especializado, Ineditismo de parte considerável das fontes. O material para estudos filológicos e para os estudos da história da língua, da história social, da história da escrita e da leitura, e da história das mulheres no Brasil e nas Américas. Revue Cultive - Genève

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JAIDE SIQUEIRA

psicanalista em Feira de Santana participou do Congràs Cultive International Culturel de la Femme com o tema : Depressão, origem , prevenção e tratamento.

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por Eugênia de Azevedo Neves Tema: O feminino na contemporaneidade: “Um teto todo seu «ainda ameaçado» Ansiamos todos por nossa morada, um canto, um lar. Virgínia Woolf, lá atrás, na década de 1920, reivindicava por um teto, um espaço, por um lugar no qual a mulher pudesse produzir literatura, trabalhar sem fronteiras demarcadas, sair do mutismo, e morar na alegria do existir como ser humano em seus diversos potenciais, em especial, em seu potencial criativo. No livro “Um teto todo seu” (1929), de sua autoria, predizia “uma mulher precisa ter dinheiro”, necessita de “um ambiente de liberdade pessoal que lhe permita exprimir-se sem sujeição. Naqueles tempos, a inglesa divagava ao pensar como resultaria um texto de “uma mulher se ela escrevesse como uma mulher”, pois ao gênero feminino sobravam, até então, penas, castigos, pecados, todos destinados a ela. Ela que desejava ir além de ser posse de um outro alguém, que se dizia senhor do que lhe pertencia, seu corpo, seu pensar e seu pretenso imaginar.

colocou em pauta o suicídio que se propaga em inimaginável escala no século XXI, chegando a se tornar um problema de saúde pública. “Viver uma vida livre na Londres do século XVI significaria para uma mulher poeta e autora de peças de teatro um estresse e um dilema que poderiam matá-la.” Michel Foucault, em sua aula inaugural no Collège de France, “A ordem do discurso” (1970), assevera que o discurso que circula é o discurso do desejo e do poder, por sua vez sustentado pelas instituições que garantem o fluxo da ideologia que lhe serve de base. “O discurso é uma violência às coisas”. E, no poder do discurso, restou atravessada a “fantasia” da inferioridade feminina, violência que avançou na subjetividade de todos nós, sentença condenatória proferida no caldeirão cultural que perdurou por milênios.

Ela tocou e desmascarou assuntos de larga incidência ainda nos dias de hoje, como as dificuldades da A cultura nada mais é do que um pacto de supressão expressão do livre pensamento feminino, o lugar e de desejos em prol do bem maior da sociedade, seo papel da mulher na sociedade e, ao pôr fim à sua gundo se extrai do texto “Mal-estar da civilização” própria vida em um lago, submersa entre as pedras, (1930), já que, para Freud, há que se controlar o Revue Cultive - Genève

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homem em sua individualidade, replicando o pensamento hobbesiano, segundo o qual “o homem sem lei é o lobo de si mesmo”. Ocorre que algumas categorias vivenciam um aprisionamento maior de suas pulsões em favor de outras classes sociais e, dentre elas, encontramos as mulheres, encaixadas em um papel de vozes destituídas, roubadas. A psicanálise reconhece a força do simbólico, de modo a naturalizar situações que nada tem de naturais. Lacan nos disse que a primeira interação que temos, antes mesmo da intersubjetividade, é com o “Grande Outro, com a Cultura que nos assujeita. E, parafraseando-o, quando nos diz que é “o inconsciente é um capítulo censurado da nossa história”, assevero que o feminino é, sem dúvida, um capítulo censurado da história da humanidade. Difícil foi encontrá-lo pelos dados da cultura, até mesmo para Freud, que, após quase 40 anos de estudos, desistiu de lhe desvelar, deixando o tema relegado à ciência, às próprias mulheres e aos poetas. Hoje vive-se um processo de intenso resgate do feminino, vindo à tona maravilhosas e fantásticas mulheres. Maud Mannoni, psicanalista francesa, lembra Virgínia Woolf destacando, em 1968, na obra “Elas não sabem o que dizem”, que a sua “veemência em afirmar a existência de dois sexos, quando a psicanálise fala apenas de uma única libido, a fálica, só se equipara à sua luta para que as mulheres deixem de servir de espelho aos homens. ” Com o tempo, que não cessa de nos interpelar, o feminino, quase em silêncio, em sussurros, de forma tímida, escreveu letras no espaço da beleza, seu único lugar de palavra. “Belas, cultas, não!” Neste espaço de beleza, foi construindo sua casa, colocando seu teto e sua fala foi sendo dita, ouvida, propagada, semeada, e já não se cala mais. E eis que, sobretudo na hipermodernidade, o verbo chegou ao feminino, pronunciado em um grito, “porque há o direito ao grito”, conforme Clarice Lispector, e, hoje, ocupa a canção, sonetos, falando em poesia, em prosa, sobre o que ficou soterrado, em uma transgressão sem volta. Hoje, há que se falar de Medéia, Antígona, Ofélia, Jocasta, fora das amarras de um complexo histórico, elas mesmas falando por elas, já abrigadas em seus tetos.

dade, a irmã de Shakespeare, idealizada por Virginia Woolf como de igual talento, já estivesse entre os grandes, com direito a ser detentora de várias moradas, fossem elas profissional, pessoal, social e literária. Sim, estamos em um momento de transição e consciência de uma carência", assenta Edgar Morin. Mas, no deslumbre do cume, muitos tetos despontam ameaçados, ao tempo em que outros decaem, eliminados pela força do poder, templo fraterno da raiva. “A raiva é de alguma forma o usual, o espirito auxiliar do poder?,”, pergunta Woolf. E a questão que nos cabe: qual a maior falta do feminino hoje? Talvez um espaço de paz, pois, em seu ambiente íntimo, a mulher continua sendo abolida pela força bruta da violência em suas relações domésticas, em uma morada, inicialmente pensada amor. O feminicídio assume proporções assustadoras, revelando a mesma face daquela velha tirania histórica. Masculino e feminino devem andar juntos, somos todos, todas. “Um certo casamento dos opostos deve ser consumado; é preciso haver liberdade, é preciso haver paz”, protestava a escritora ainda no século 20. E, hoje, ano 21 do século 21, o feminino aflito, submetido a pulsão freudiana dita de morte, na agressividade constitutiva do ser humano manejada por mãos masculinas, pede por uma mudança nas palavras: que as mulheres possam sentar-se à margem de um rio vivo de águas mansas. O sangue não pode ser o seu “gran finale, seguido de silêncio e chuva caindo”, como anotava a brasileira Clarice Lispector, ao decidir o destino da personagem “Macabéa”, no romance “A Hora da Estrela”, de 1985.

Juntos como humanos, em um mesmo abrigo, em um mesmo teto, sem o temor da agonia e da queda, próprios do paço das clássicas tragédias. A resistência é uma cena escrita e deverá ser reescrita na literatura até que a palavra feminina deixe de ser golpeada, até que deixe como rastros horror e angústia. Até que a casa se sustente em harmonia, até que seja morada de todas nós. Até que a morte Não me parece equivocado afiançar que, na atuali- não nos separe. 90

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(Fabí Morena) Cantora compositora, e organizadora de eventos. Esteticista facial, artesã. Trabalhou como cantora com: Os Karetas, Banda Labaredas, Orquestra , Orquestra Olimpia, Orquestra Continental (Clube Das Pás), Orquestra Brasilnambuco, Orquestra Fernando BorgeS, entre outras. Gravou um Cd de forró “Em Cantos“ com participação de Israel Filho e Almir Rouche no estúdio Jaboticana produções. Participaçôes musicais com Reginaldo Rossi, Israel Filho onde fez produções artísticas no estúdio Jaboticana, Genival Lacerda e João Lacerda como Back vocal, Josildo Sá, Forrozaga como produtora artística e Back vocal, Cícero Alves RCC como produtora artística e Back vocal , cantora da banda Radiola 80, entre outroFoi indicada ao Prêmio da Música de Pernambuco. Tem um projeto denominado “Ave Maria em seu Lar e itinerante. Dá depoimento sobre uma a sua hsitória de superação de um câncer de ovário com metástase no fígado, para que sirva de exemplo para quem não acredita na cura e para abrir os olhos, principalmente das mulheres, para se cuidar e se for o caso ir atrás de uma segunda opinião. No Congrés Cutlive Intenational Culturel de la Femme ela apresentou o tema: tratamento da acne e da descoberta do câncer à cura.

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QUEM SOU EU? Solaine Meneguello Bim - Advogada - Sócia Proprietária Meneguello & Bim Advocacia - Advogada do Serviço Nac. Aprend. Industrial – SENAI-SP de 1988/2020 - Especialista em: - Direito Processual - Direito do Trabalho - Direito Previdenciário - Rotariana – Distrito 4563 - Facebook solaine Meneguello Bim - Instagram - solainebimadvogada

O Impacto da Emenda Constitucional 103/19 na Aposentadoria Qual a melhor opção para a sua aposentadoria?

Solaine Meneguello Bim é Natural de

São Paulo – São Paulo – Brasil, advogada, Sócia Proprietária do Escritório de advocacia “Meneguello & Bim Advocacia”, advogada na empresa SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI – Departamento Regional de São Paulo, desde 1988 a 2020; Acadêmico Universidade Mogi das Cruzes – UMC – Pós Graduação Lato Sensu - Direito Processual – Universidade Paulista – UNIP; Pós Graduação; Lato Sensu – Direito do Trabalho – Escola Superior de Advocacia - ESA; Pós Graduação Lato Sensu – Direito e Gestão das Entidades dos Serviços Sociais Autônomos – Instituto Brasiliense de Direito Público – IDP (Brasília; Pós Graduação Lato Sensu - Direito Previdenciário – Faculdade Legale

ÍNDICE DE REFERÊNCIA

Associada ao Rotary Club de São Paulo Vila Carrão – Distrito 4563, atualmente Governadora Assistente do Grupo 3. Conferencista no Congrés Cultive International Culturel de la Femme no painle de Direito apresentando o tema: O impacto da Emenda Constitucional na Aposentadoria.

TÓPICOS A SEREM ABORDADOS • Emenda Constitucional 103/19 • Seguridade Social • Previdência Social e Planos de Benefício • Resumo das alterações na Aposentadoria • Aposentadorias programáveis • Antes x Depois da Emenda • Planejamento Previdenciário Revue Cultive - Genève

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SEGURO

EMENDA CONSTITUCIONAL 103/19

Seguro Desemprego

QUAL CONSEQUÊNCIA E JUSTIFICATIVA PARA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA? • Lei 8.213/91 • Emendas à Constituição de 1988 • Perdas de direitos pelos trabalhadores

Segurados: Os tipos e quem são eles

• Requisitos para a concessão de benefícios se tornam mais difíceis de serem alcançados • Justificativa para aprovação da EC nº 103/19

Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer (Mahatma Gandhi)

SEGURADO OBRIGATÓRIO

São todos os trabalhadores urbanos e rurais que exercem

APOSENTADORIAS

Incapacidade Permanente

Tempo de Contribuição

atividade remunerada, de forma eventual ou efetiva com ou sem vínculo empregatício.

Empregado

Segurado Especial

Empregado doméstico

trabalhador avulso

contribuinte individual

SEGURADO FACULTATIVO

Idade

Especial

Não exerce atividade que determine filiação, mas contribui voluntariamente, podendo se filiar nessa condição pessoas com mais de 16 anos de idade que opta, mediante contribuição, mesmo sem trabalho remunerado, por filiar-se à previdência

SALÁRIOS

social.

Dona de casa

Maternidade

membro do conselho tutelar

Família

(a quem necessitar)

Previdência Social

(SUS)

(a quem contribuir) INSS

A Previdência Social e os Planos de Benefício

MULHER

HOMEM

70% do salário de benefício aos 25 anos de serviço, mais 6% deste para cada ano novo completo de atividade

70% do salário de benefício aos 30 anos de serviço, mais 6% deste para cada ano novo completo de atividade

100% do salário de benefício aos 30 anos de serviço

100% (cem por cento) do salário-debenefício aos 35 (trinta e cinco) anos de serviço.

Aposentadoria por Tempo de Contribuição Após EC nº 103

AUXÍLIOS

Incapacidade Temporária

Acidente

Reclusão

Pensão por morte 94

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Brasileiro residente no exterior

Aposentadoria por Tempo de Contribuição Antes da EC nº 103

SEGURIDADE SOCIAL

Saúde

Estudante

Resumo das Alterações

SEGURIDADE SOCIAL

Assistência Social

Estagiário ou bolsista

PENSÃO Revogou Tudo

INTEGRAL E PROPORCIONAL - Art. 201, § 7º CF Aposentadoria Programada


Aposentadoria por idade após a EC nº 103

Regra de Transição Regra de Transição - Tabelas Progressivas Idade mínima para aposentadoria (antes não existia)

Regra de Transição da Aposentadoria por idade

aposentadoria do professor

Regra Definitiva - Aposentadoria Programada

IDADE 55 anos mulher

65 anos para homem

trabalhadora rural anos mulher

62 anos mulher, observado tempo mínimo de contribuição

60 anos homem trabalhador rural

Aposentadorias programáveis

Aposentadoria por Idade

Aposentadoria por Tempo de Contribuição

Aposentadoria de Pessoa com Deficiência

Aposentadoria do Professor

HOMENS (idade mínima)

Ano

MULHERES (idade mínima)

2019

65

60

2020

65

60,5

2021

65

61

2022

65

61,5

65

62

2023

APOSENTADORIA PROGRAMADA

Aposentadoria Especial

art. 201. § 7º CF REGRA GERAL Sexo

Idade

Tempo de contribuição

Homens

65 anos

20 anos

Mulheres

62 anos

15 anos

PROFESSOR

Aposentadoria por idade antes da EC nº 103/19

Sexo

Idade

Tempo de contribuição

Homens

65 anos

25 anos

Mulheres

57 anos

25 anos

REGRA DE CÁLCULO Sexo Homens Mulheres

Salário de Benefício Média de todos os salários (100%) de contribuição de jul/94 em diante

RMI Após o cálculo da média, o valor será calculado com base em uma alíquota de 60% da referida média, com acréscimo de 2% para cada ano de contribuição que exceda os 20 anos de tempo de contribuição, se homem ou 15 anos se mulher

Regra de Transição 5 – Aposentadoria por idade (Art. 18, da EC 103/2019):

Carência 180 meses

REGRA GERAL Idade

Tempo de contribuição

Carência (segundo o Ofício SEI Circular nº 064/2019/DIRBEN/INSS)

Homens

65 anos

15 anos

180

Mulheres

60 anos

15 anos

180

Sexo

Renda Mensal

70% do Salário de Benefício + 1% a cada grupo de 12 contribuições

Regra de Transição 5 – Aposentadoria por idade (Art. 18, da EC 103/2019):

Idade

+

Carência

REGRA DE CÁLCULO Sexo

Salário de Benefício

RMI

Homens

IDADE Mulheres

60 anos mulher

65 anos para homem

Após o cálculo da média, o valor será calculado Média de todos os salários (100%) com base em uma alíquota de 60% da referida de contribuição de jul/94 em média, com acréscimo de 2% para cada ano de diante contribuição que exceda os 20 anos de tempo de contribuição, se homem ou 15 anos se mulher

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Regra de Transição

Quem é Professor para fins Previdenciários

REGRA DE TRANSIÇÃO

Pontos Art. 15

Regra de Transição

Idade Mínima

Pedágio 50%

Pedágio 100%

Art. 16

Art. 17

Art. 20

Regra de Pontos

Ano 2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025 2026 2027 2028 2029 2030 2031 2032 2033

HOMEN MULHERE S S (pontos) (pontos) 96 86 97 87 98 88 99 89 100 90 101 91 102 92 103 93 104 94 105 95 105 96 105 97 105 98 105 99 105 100

Regra de Transição

Regra da Idade Mínima

Acréscimo de 6 meses a cada ano (a partir de 01.01.020 PROFESSOR

DATA

Regra Pedágio 50%

Até 31/12/19 A partir de 01/01/20 01/01/21 01/01/22 01/01/23 01/01/24 01/01/25 01/01/26 01/01/27 01/01/28 01/01/29 01/01/30 01/01/31

PROFESSORA

TC Mínima

Idade

TC Mínima

Idade

30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30 30

56,5 57 57,5 58 58,5 59 59,5 60 60 60 60 60 60

25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25

51 51,5 52 52,5 53 53,5 54 54,5 55 55,5 56 56,5 57

Valor do Benefício

Valor Art. 188-N, § 3º Decreto 3048/99

60% da média de 100% dos salários de contribuição, a contar de julho/94 + 2% que exceder o mínimo cexigido

Regra Pedágio 100% Regra de Pontos do Professor Acréscimo de 1 Ponto a cada ano (a partir de 01.01.020 PROFESSOR

PROFESSORA

DATA TC Mínima

Aposentadoria do Professor

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Até 31/12/19 A partir de 01/01/20 01/01/21 01/01/22 01/01/23 01/01/24 01/01/25 01/01/26 01/01/27 01/01/28 01/01/29 01/01/30

30

Idade

Fórmul TC Mínima Idade Fórmula a 91 25 81

30

92

25

82

30 30 30 30 30 30 30 30 30 30

93 94 95 96 97 98 99 100

25 25 25 25 25 25 25 25 25 25

83 84 85 86 87 88 89 90 91 92


Valor do Benefício

Valor Art. 188-N, § 3º Decreto 3048/99

60% da média de 100% dos salários de contribuição, a contar de julho/94 + 2% que exceder o mínimo exigido

Regra do Pedágio de 100%do Professor Art. 16, §2º - EC 103/16

Regra de Transição, Requisitos: Homem •55 anos de idade; •30 anos de tempo de contribuição; •pagar umpedágio de 1 00% sobre o tempo que faltava para alcançar 30 anos de contribuição quando a Reforma entrou emvigor (1 3/1 1 /201 9); •para professores da rede pública: de seu tempo de contribuição, 20 anos devemser de serviço público e 5 anos no cargo emque se deseja dar a aposentadoria. Mulher •52 anos de idade; •25 anos de tempo de contribuição; •pagar umpedágio de 1 00% sobre o tempo que faltava para alcançar 25 anos de contribuição quando a Reforma entrou emvigor (1 3/1 1 /201 9); •para professoras da rede pública: de seu tempo de contribuição, 20 anos devemser de serviço público e 5 anos no cargo emque se deseja dar a aposentadoria.

Valor do Benefício

Valor

100% da média de 100% dos SC

Art. 188-O, § 2º Decreto 3048/99

salário de benefício definido na forma prevista no art. 32

Conversão do Tempo Comum em Tempo de Deficiência ou Vice-Versa

A NOVA APOSENTADORIA OS PROFESSORES - REGRA PERMANENTE Art. 201§8º

Conversão do Grau de Deficiência de leve para Grave A NOVA APOSENTADORIA OS PROFESSORES - REGRA TRANSITÓRIA Art. 19, II – EC 103

:

Planejamento Previdenciário Aposentadoria do Deficiente

Garantia Planejamento Previdenciário

Conceito de Deficiente Legislação Quem identifica a deficiência

EC 103

do recebimento do melhor benefício

•altera regras de Direito Administrativo e dos Regimes Próprios de Previdência Social; modifica o sistema de custeio e financiamento da Seguridade Social, assim como as regras para obtenção das aposentadorias no RGPS

CONCLUSÕES Impacto da Emenda Constitucional 103

O rei que possuir a justiça não precisa de coragem (Aristóteles)

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Paulo Bretas

PERSPECTIVA ECONÔMICA PARA AS MULHERES EM TEMPOS DE CRISE. Economista Paulo Bretas Economista Valquíria Assis

Por que a inflação acelerou ? Primeiro: Se refere ao peso das commodities na estrutura produtiva, ao qual se deve agregar o elevado coeficiente importado em segmentos industriais.

Segundo: diz respeito à recente desvalorização do O Brasil entrou na atual crise sanitária em 2020,sem real, ou seja, dólar nas alturas. romper com a longa trajetória de estagnação econômica iniciada em 2015. Terceiro: o papel das expectativas e da inércia na disseminação da inflação ou na transmissão dos Muito ao contrário, “entramos na crise em crise”. choques de oferta e como o Banco Central lida com As dificuldades em grande parte dos setores ecoelas. nômicos, assim como dos trabalhadores expostos, não somente ao elevado desemprego, mas a cresTaxa de Desemprego cente desorganização do mercado, eram enormes antes da pandemia da COVID-19. O desemprego elevado no Brasil é explicado principalmente por um período prolongado de baixo CONJUNTURA ECONÔMICA crescimento e por problemas estruturais históricos da economia brasileira, como baixa produtividade. PIB caiu 4,1% em 2020, sob os efeitos da pandemia A recuperação do mercado de trabalho tem sido de coronavírus. freada nos últimos meses pela deterioração das Segundo a Focus, a média das previsões dos agentes expectativas, sobretudo em relação à inflação e ao financeiros para o Produto Interno Bruto (PIB) crescimento do Produto 2021 caiu de 4,88%, há uma semana, para 4,80% 98

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8,6 milhões, a ocupação feminina diminuiu 5,7 milhões e mais 504 mil mulheres passaram a ser desempregadas, segundo os dados da PNADC. Fonte: Dieese/ 2020

As mulheres são fortemente afetadas pela deterioração do mercado de trabalho em 2020.

Os impactos de uma crise nunca são neutros em termos de gênero, e com o COVID-19 não é diferente, as mulheres sofreram mais os impactos da pandemia do que os homens. O que veremos a seguir. Os efeitos sobre as mulheres no mercado de trabalho A crise econômica-sanitária teve entre seus principais efeitos o aumento da precarização do trabalho das mulheres, visível a partir dos indicadores tradicionais (subocupação e desocupação), mas também pelos movimentos observados fora da força de trabalho, destacando-se dois deles: A saída das mulheres da força de trabalho e sua entrada na força de trabalho potencial, associada ao aumento do grupo indisponível; A saída da força de trabalho e sua inclusão na população que esta fora da força de trabalho ampliando em função, em grande parte, da renda emergencial. Parcela expressiva de mulheres perdeu sua ocupação no período da pandemia e muitas nem buscaram uma nova inserção. Entre o 3º trimestre de 2019 e 2020, o contingente de mulheres fora da força de trabalho aumentou

Essa crise sanitária, econômica e social reforçou a distância salarial entre homens e mulheres, em 2020, elas seguiram ganhando menos, mesmo quando ocupavam cargos de gerência ou direção, para elas a hora paga foi de R$ 32,35 e para eles, de R$ 45,83 ou com a mesma escolaridade: elas ganhavam em média R$ 3.910 e eles, R$ 4.910.

Fonte: Dieese/ 2020 Revue Cultive - Genève

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As trabalhadoras domésticas sentiram o forte efeito da pandemia em suas ocupações, uma vez que 1,6 milhões mulheres perderam seus trabalhos, sendo que 400 mil tinham carteira assinada e 1,2 milhões não tinham vínculo formal de trabalho. Essa crise sanitária, econômica e social reforçou a distância salarial entre homens e mulheres, em 2020, elas seguiram ganhando menos, mesmo quando ocupavam cargos de gerência ou direção, para elas a hora paga foi de R$ 32,35 e para eles, de R$ 45,83 ou com a mesma escolaridade: elas ganhavam em média R$ 3.910 e eles, R$ 4.910.

A crise de 2020 se reflete nos indicadores de mercado de trabalho de forma bastante intensa e atípica mesmo na comparação com o período da crise anterior em 2016.

A taxa de desemprego das mulheres negras e não negras cresceu 3,2% e 2,9% respectivamente, sendo Parcela expressiva de mulheres perdeu sua ocupaque a das mulheres negras atingiu a alarmante taxa ção no período da pandemia e muitas nem buscade 19,8%. ram uma nova inserção. Os resultados para este contingente de mulheres negras e mais pobres refletiram um agravamento da situação de pobreza e de exclusão social.

Para o grupo de mulheres, com maior escolaridade, que foram realizar seu trabalho em casa, entre 2019 e 2020,o rendimento médio por hora aumentou: entre as negras passou de R$ 10,95 para R$ 11,55 e entre as não negras, de R$ 18,15 para R$ 20,79 100

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De acordo com a PNAD (2020), Entre o 1º e o 2º trimestre de 2020, 8,9 milhões de homens e mulheres saíram da força de trabalho – perderam empregos ou deixaram de procurar colocação por acreditarem não ser possível conseguir vaga no mercado de trabalho. Desse total, 6,4 milhões eram negros ou negras e 2,5 milhões, ou seja, 40,4%, eram mulheres, 31%, homens.

Foi possível demonstrar como as desigu8aldades têm gênero e cor uma vez que negros sempre estão em desvantagem social em relação aos brancos e mulheres negras são as mais prejudicadas. Tais constatações extrapolam a crise econômico-sanitária produzida pela Covid-19 e devem ser vistas em suas variantes históricas e culturais do Brasil, um dos países mais desiguais do mundo.

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Divórcio e Guarda compartilhada O Instituto da guarda é disciplinado no Código Civil LEI nº 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002, na parte do Direito de Família

universo cultural analisado ou das circunstâncias, as coisas podem não ser diferentes. Basta verificar que, em alguns países árabes, os meninos que completam 7 anos de idade por regra são afastados da mãe, passando a ser tutelados pelo pai, ao menos no que diz respeito a aspectos cruciais de educação social e religiosa. Já em nossa cultura, apesar do ponto de referência da infância serem mesmo Ao longo da história, o Direito de Família passou as mães, o que está no centro do sistema judicial por significativas mudanças legislativas, e a figura é outra coisa: o melhor interesse da criança. Não da afetividade entre os membros familiares se tor- é nada fácil retirar a mãe do convívio do menor, nou essencial. Dentre todas essas mudanças, está o mas é algo possível, e que depende basicamente da instituto da guarda compartilhada. existência de um elemento que demonstre risco ao menor. Portanto, a resposta depende da análise Hoje, em regra, a guarda compartilhada deve ser das circunstâncias. Se o menor estiver em risco, aplicada mesmo que haja discordância entre os acende-se uma luz vermelha no painel de controle pais .É a via mais hábil para resguardar o direito do Sistema Judicial. de convivência saudável entre os filhos e seus genitores. Mãe desempregada pode perder a guarda do filho? Situações de perdas da guarda da genitora: Esta é uma questão corriqueira, pois além das diA guarda dos filhos tende a ficar com a mãe, mas ficuldades naturais da situação de desemprego, é preciso cautela. Todos nós tomamos por favas há ainda o stress de dúvida de ser arrancada do contadas que as crianças devem ser criadas junto às convívio com o filho. Mas fique calma. Se o ÚNImães. Não se trata de uma imposição legal, mas da CO motivo de seus temores é um hipotético pedicombinação de instinto materno e usos e costumes. do de guarda por razões financeiras - seja porque Contudo, é preciso alertar que, dependendo do você perdeu o emprego ou porque o pai da criança Atualmente, é preferível usar-se o termo “convivência familiar” do que propriamente guarda compartilhada. Isso por um motivo simples: é mais apropriado para demonstrar o direito fundamental de crianças e adolescentes de terem suas relações familiares preservadas.

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ganha bem mais do que você – as chances de que você fique sem seu filho serão baixas. Veja o que diz o artigo 23 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): Art. 23. A falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou a suspensão do poder familiar. § 1o Não existindo outro motivo que por si só autorize a decretação da medida, a criança ou o adolescente será mantido em sua família de origem, a qual deverá obrigatoriamente ser incluída em serviços e programas oficiais de proteção, apoio e promoção.

que é, tem plena consciência de tudo aquilo que pode significar risco potencial aos seus filhos. De qualquer forma, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) nos apresente essa lista aberta de obrigações, conforme se observa de seu texto: Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais.

Parágrafo único. A mãe e o pai, ou os responsáveis, têm direitos iguais e deveres e responsabilidades compartilhados no cuidado e na educação da Os riscos à criança a que me refiro nos parágrafos criança, devendo ser resguardado o direito de anteriores não são aqueles causados pela diferença transmissão familiar de suas crenças e culturas, de condições financeiras entre pai e mãe do menor, assegurados os direitos da criança estabelecidos pois para isso há remédio: a ação de alimentos. nesta Lei. Essa providência virá para equilibrar a situação, pois fará com que ele venha a ter que colaborar A violência doméstica infantil e maus tratos efetivamente ou aumentar sua contribuição para o enfrentamento das despesas geradas pela criança. São aspectos extremamente importantes nessas Portanto, se a ameaça do pai só tem a ver com din- considerações, e por razões óbvias. Mesmo que a heiro, ele estará dando um tiro no pé. barbárie seja praticada por outra pessoa - pelo novo companheiro ou companheira, por exemplo – isso Quando se fala em risco à criança, a situação é de não afastará a responsabilidade de quem tem o deoutra natureza: olha-se para o AMBIENTE ao qual ver de zelar pelo bem estar do menor, e, portanto, o menor está exposto. Se há situações que vinculem o fato será considerado nos estudos sociais e psia mãe - ou outros que convivem na mesma casa, cológicos. O resultado poderá ser a perda da guarcomo parentes ou novo companheiro - com dro- da. Não é preciso que o genitor ou genitora seja o gas, álcool, prostituição, abuso, ou qualquer situa- agente da agressão, bastando que falhe ao dever de ção que possa colocar a criança em risco (seja físi- evitar situações de risco. Lembre-se: ser conivente co, moral ou psicológico), você estará diante de um com uma situação inaceitável a torna cúmplice do quadro de risco potencial à sua guarda. Aquilo que ato, se não na esfera criminal, certamente na famivocê faz em sua vida pessoal poderá ter reflexos na liar. vida da criança, e isso será fatalmente considerado pelo juiz da causa. Em caso de ajuizamento de ação judicial para disputa da guarda, esses detalhes serão analisados em Negligência infantil e abandono de incapaz estudo psicossocial - um trabalho conjunto da área de psicologia com a assistente social do juízo, para Outro ponto evidente é como você trata seus filhos. que se tenha uma ideia da realidade da criação ofeSe você é uma boa mãe, no sentido de prover as recida à criança. necessidades de afeto e cuidados, não há o que temer. Mas se há negligência, haverá risco à guarda. Nessa avaliação serão considerados também a esMe refiro à falta de afeto e atenção com cuidados trutura familiar e qualidade de relacionamento hade saúde (não levar ao médico quando necessário), vido entre pais e filhos, tudo de modo a oferecer de educação (deixar de atender às solicitações da ao Juízo um panorama completo da criança em escola, deixar de matricular o filho em idade es- família. colar), higiene, alimentação, rotina, ou mesmo coisas mais graves, como uso de violência contra Alienação Parental a criança, terror psicológico (violência psicológica infantil) ou exposição à violência sexual. Essa lista Outro aspecto importantíssimo é a chamada alienão se encerra em si mesma, e você, como boa mãe nação parental. O assunto é muito vasto e não preRevue Cultive - Genève

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tendo esgotar a questão em um parágrafo, mas é preciso saber que se trata de uma campanha levada a cabo por um dos pais contra o outro, que tem como instrumento a criança. Normalmente essas atitudes se materializam como uma constante reprovação das atitudes do outro genitor e concomitante fortalecimento de sua própria imagem, causando uma reação psicológica de exclusão ou rejeição do outro genitor. Mas o mais comum é que haja uma sabotagem que inviabilize constantemente a convivência com o filho, frustrando as visitas ou mesmo excluindo o contato. Trata-se de algo que se tem mostrado muito difícil de conseguir em juízo, mas uma vez provado pode acarretar a perda da guarda. Portanto, muito cuidado, pois muitas pessoas realizam a alienação parental sem ao menos perceberem que agem dessa forma. Mães que entregaram o filho ao pai

situação que, em juízo, poderá levar no máximo à guarda compartilhada (como explicado acima) ou regulamentação de visitas paternas, mas não a sua exclusão do convívio Portanto, para responder a questão crucial desse artigo (quando a mãe pode perder a guarda do filho?) é preciso também usar o seu conhecimento sobre a personalidade do pai da criança. É muito normal que homens usem os filhos como instrumento de barganha para conseguir algo que querem – uma vantagem econômica, na maioria dos casos – e que, no frigir dos ovos, não tenham qualquer intenção real de obter a guarda unilateral. Eles simplesmente não querem tal responsabilidade. Contudo, há também casos de homens que realmente querem obter a guarda para si, mesmo com todas as dificuldades que isso lhes oferece. São aqueles que foram além do papel comum de provedores (que é o que deles se espera em uma sociedade conservadora e machista) para abraçar tarefas normais da criação, com todos as dores e prazeres que isso ocasiona.

Finalmente, é preciso alertar as mães que não estão convivendo com a criança (seja porque passaram os cuidados aos avós, ao pai ou mesmo a outros membros da rede de apoio) que será sempre mais difícil recuperar a guarda, já que isso levaria à total alteração na rotina do menor, o que não é algo desejável. Saber em qual desses perfis psicológicos se encaixa o pai da criança é algo que poderá ajudá-la a quali] Portanto, o afastamento voluntário – mesmo que ficar a ameaça como algo real ou blefe. saibamos que a vida às vezes não oferece outra alternativa – é também um fator que pesa na hora de Enfim educar uma criança é difícil, reeducar missão da mais alta e elevada complexidade. uma decisão judicial. 1Federal. (Redação dada pela Lei Complementar Se nada disso acontecer, estaremos falando de uma nº 132, de 2009).

Para assistir o painel com a Lúcia clic no afiche

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Processos Comunicacionais-(profissão que exerço até hoje). Organiza O SARAU ITINERANTE SENSORIANDO O QUE HÁ DE BOM, por Casas de Cultura, Bares, Livrarias e Restaurantes com temática pertiSHELLAH AVELLAR AUTORA DO LIVRO: nente a datas marcantes da História do Brasil, com MULHER, NA PALMA DA MÃO- Uma eventuali- o Projeto DIÁLOGOS IMPROVÁVEIS entre perdade que permanece aberta. Sobrevivente e seden- sonagens polêmicos para provocar reflexões.Bem ta. Está na estrada e quer continuar aprendendo. como Subjetivo situações tais como Depressão/ Jornalista, Arquiteta, Graduada em Ciências Exa- Suicídio e Resiliência, convidando atores para intas e Pós-Graduada em Gestão de Processos Co- terpretar as personagens e personalidades para tromunicacionais. Premiada nacional e internacional- car idéias sobre o tema. mente, cria, desenvolve e executa projetos Especiais de Comunicação, Cultura, Arte e Responsabilidade Shellah é totalmente ECO. Acha que «as relações Social, o que a revela muito pouco. Escreve contos, humanas são o nosso mais precioso legado. Tratar crônicas, resenhas e poemas concretos, para o Por- as pessoas com gentileza e preservar o meio-amtal Jornalirismo, Jornal GGN, blog do Menalton biente, é nossa obrigação primordial. Respeitar Braff, Revista Germina de Literatura & Arte, Re- Os Povos originários guardiões do Planeta Terra é vista Insight, blog da Editora Limiar, Influxo-TV imprescindível.» Segue o link de uma LIVE que fiz e Cadernos de Cultura. Textos publicados em an- durante a pandemia sobre O DESCOBRIMENTO tologias das editoras: Scortecci, Beco dos Poetas, DO BRASIL, pelo olhar de uma indiazinha e seu Jornalirismo, FURB, CNNE e Chiado. Mulher, na amigo macaquinho. palma da mão é seu primeiro voo solo. https://sensorion2.webnode.com Na Infância foi tranquila até 1964, quando foi desencadeado o Golpe Militar e se seguiram os Shellah Avellar é do Rio de Janeiro BRASIL .Re- anos de chumbo, por 20 anos. Afetou muito nosside em São Paulo/ capital, há 40 anos. Jornalista, so país e várias famílias foram flageladas por conta escritora e Gestora De Projetos Especiais de Co- dos idealistas que quiseram manter a Democracia. municação Cultura e Arte. É arquiteta e Graduada Muitas dores e sequelas. Adolescência permeada em Ciências Exatas e Pós -Graduada em Gestão de de Projetos culturais, Festivais de Música tanto Revue Cultive - Genève

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municipais quanto estaduais apesar da Censura. Um casamento que durou apenas um ano e meio, que embora fosse consensual foi prematuro, por conta da morte de seu pai em um acidente de automóvel. Por carência apresou o casamento. Um relacionamento extemporâneo gerou a sua mais preciosa relíquia, sua filha AYIOSHA, hoje com 27 anos. Criou-a sozinha, mas, hoje, tenho também um relacionamento amistoso com o pai dela, que constituiu outra família. Sou ARTISTA. Definitivamente. Tenho de assumir isto. Embora não tenha sobrevivido da arte, ela permeia sua vida pessoal, profissional e espiritual. O que está prestes a mudar. Assim acredita. Sua ideologia é tentar ser a melhor versão de si mesma. Perdoando-se os tropeços e sempre pronta para recomeçar. Deseja levar seus projetos especiais adiante e sobreviver deles, até porque nenhum deles é somente para si. São todos voltados às preocupações com o Planeta e a conscientização da humanidade e focados na diversidade e no exercício dos direitos humanos. Cultive entrevista Shella 1- Que caminhos percorreu, até chegar na mulher que é hoje? UAU! Longa história. Muitos percalços. Erros. Acertos. Retomadas de erros. Tropeços. Muita Luta. Mas, tem valido a pena. Os altos e baixos fazem “parte do show da vida”. Como enfrentar os desafios...A importância em manter o ânimo pronto. Às vezes despencando. Se arrastando. Outras, correndo. Outras exultando. Não é assim para todas e todos nós?

outras pessoas que vão entrando em nossa vida e nos surpreendendo. Isto é magnífico e não perco a oportunidade de encontrar outras pessoas e abrir novos caminhos para caminharmos juntas. Portanto, sou hoje, uma Mulher em evolução, mas consciente de suas potencialidades e limitações. 2-Você mudou como pessoa? Em que você mudou? O que a fez mudar? Acho que apesar da gente mudar, sempre a essência vai gritar a cada momento, quem somos nós de verdade. E não há verniz que disfarce isto. Mudei em atitudes. Em me respeitar mais e me fazer respeitar. Impor alguns limites e me desvencilhar suavemente de quem já não quer caminhar junto. Já fiz isto destemperadamente e me arrependi. Mas, não somos perfeitos e cometemos muitos equívocos. Hoje me abro e falo sinceramente como me sinto... em relação a qualquer assunto. Mas foi um exercício espinhoso, chegar até aqui. O silenciamento imposto pela Ditadura, afetou muito minha família e, claro, isto perpassou todas as nossas relações. Foi um caminho meu pessoal de busca que me levou a me reinventar, procurando ajuda especializada e acolhimento para me reconhecer como protagonista sem os respingos dolorosos e pronta para ser ouvida e respeitada. Posso dizer que 50 anos após o Golpe militar, sou uma outra pessoa. Uma pessoa melhor para mim e para os outros. 3-Onde e como encontrou força ou coragem para tal mudança, para conquistar seus objetivos? Faria tudo outra vez? Faria tudo outra vez. Sempre tive apoio emocional de meu pai até meus 18 anos, o que me preparou muito para a vida. Escorpiano de boa cepa, um homem a frente de seu tempo, se foi muito cedo, mas, parece que sabia que precisava me passar os princípios dos alicerces de enfrentamento das dificuldades com uma certa galhardia, ou melhor com savoir-faire. E, sempre , lembro-me de todos os pormenores de nossas longas conversas. As minhas tomadas de decisão, sempre foram assertivas e ele dizia: Vai lá! Faça acontecer! Depois a gente conversa sobre o que deu certo ou deu errado ou não cumpriu as expectativas, etc e tal. Perguntava se precisava de ajuda. Eu dizia que já tinha decidido. Só estava comunicando. (risos)

A Pandemia foi o desafio maior de nos manter vivos, sóbrios e esperançosos apesar da partida de tantas pessoas queridas, por conta do descaso e da ignorância em lidar com a contaminação. E, embora, vacinados, ainda não descobrimos a cura e vários focos estão se reacendendo por aí afora. A mulher madura, que em mim habita, não deixa a criança envelhecer. Mas, tem consciência de que são outros tempos. Por incrível que pareça, mais férteis, com a certeza de saber com quem real- 4-Em que momento da sua vida a sua estrada bimente podemos contar nas horas espinhosas e isto furcou e como você fez sua escolha e para onde ela não tem preço. E estar aberta para outras relações, te levou? 106

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Quando decidi deixar para trás , minha trajetória em Barra do Piraí e no Rio de Janeiro e partir pra São Paulo, deixando uma carreira de arquiteta, de professora (ainda que com um abaixo assinado de professores e alunos do IENSM), um cargo executivo de confiança na Prefeitura Municipal (Secretária Especial de Parques e Jardins e Defesa do Meio-Ambiente),sob os protestos do Prefeito que veio a São Paulo, tentar me dissuadir da idéia, um legado de realizações de projetos culturais bem-sucedidos na cidade e nas redondezas, tais como Grupos de Teatro, Expressão Corporal e Festivais de Música e Exposições de Arte e outros eventos e protestos ligados ao Meio-Ambiente. Mas, primeiro fui para NY estudar Artes Visuais, que é o que sempre queria fazer, arte em movimento. Entre outras coisas, desde que tenha movimento. (risos) 5- Alguém em particular lhe deu a mão? Sempre haverá alguém para dar a mão pra gente e vice-versa. Mas, sempre digo, que uma vez que sua decisão está tomada, o apoio aparece. 6-Qual é a importância de RECEBER apoio? Imprescindível. Não somos ninguém sozinhos. Nenhum ser humano é uma ilha. Podemos ter disciplina em fazer as coisas à nossa maneira. Mas, precisamos estar atentos a outros pontos de vista, outros olhares e outras perspectivas para podermos crescer. Se achar que temos todas as respostas, e, em algum momento a gente passa por isto, e tropeça bastante. A gente aprende errando. E, principalmente, deixando de ser o REI ou Rainha da COCADA.

9-Quais as causas e projetos culturais e/ou sociais que você defende ou apoia? Você colabora ou participa de associações culturais? Você criou alguma associação ou empresa? Todas as que focam no bem estar do ser humano e melhores condições de vida para todos contra injustiças sociais, preconceitos de qualquer gênero, número e grau e depredações do meio-ambiente. Apoio várias instituições. Mas, não me filio, porque gosto de caminhar livre. Tenho uma empresa SENSORION SPECIAL PROJECTS ( https://sensorion2webnode.com) que é calcada em minha experiência profissional ao longo dos anos. 10-O que deseja alcançar ainda? Seus projetos? Tudo que eu puder realizar com lucidez e assertividade. A pandemia me permitiu(ou me exigiu?) resgatar meus projetos engavetados e isto não tem preço. MULHER, NA PALMA DA MÃO é um deles. O livro que estou pré-lançando aqui no Congresso de LA FEMME. Minha relação com os homens sempre foram melhores do que com as mulheres. O livro foi uma forma de eu vê-las com outros olhos, sem julgar e respeitando a trajetória de cada uma com suas escolhas.Me redimir e redimi-las.

11-Qual a mulher na história que você se assemelha? Hipátia de Alexandria, no pensamento filosófico, na Matemática, nas atitudes, na relação com o pai. Tres mulheres artistas Hilma AF klint , Georgiana Houghton e Emma KUNZ,(que conheci recentemente através de uma amiga espanhola Martyna Herrera) na forma como lidam com a arte metafísica e a Natureza. Com Frida Kahlo, na intensidade. Na sede de vi7-O que mudaria na sua história? ver. Na sensibilidade artística, na força, mas não Difícil dizer. Mas, gostaria de ter dado para minha nas atitudes. filha a oportunidade de ter um pai partícipe como o meu. Mas, depois, penso, que eu faço este papel. 12-Quais seus projetos futuros? E tive a sorte de escolher um casal de amigos que- Os projetos futuros já estão em andamento. Tres ridos, que foram excelentes padrinhos de batismo livros de história infanto-juvenil e pocket-encenapara ela, em especial nas tarefas e eventos da escola ções sendo criadas, voltadas para conscientização nos períodos que exigiam a referência masculina, da preservação da água, do planeta e do respeito firme a atenciosa. aos povos originários. Em busca de patrocínio, apoio e gente que queira fazer acontecer o mais 8-Você considera que a sua vida foi fácil? breve possível. Porque já se faz tarde e urgente. A Não foi. Não é. Nem jamais será. Entretanto tem hora é agora. sido bem temperada com amigos e amigas e pessoas maravilhosas que tenho adquirido na minha A ESCRITORA E/OU ARTISTA vida. Sempre surpreendente. 13-Que tipo arte você realiza? Cite suas obras. Revue Cultive - Genève

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Apresente as capas dos seus livros. Hoje posso dizer que sou escritora e artista plástica. Porque me propus a realizar o exercício de escrever. Que é árduo e disciplinado.Embora pareça fácil discorrer sobre um determinado assunto, é preciso se planejar, ler muito e estar atento aos detalhes antes de se derramar nas páginas. E, ainda que seja o primeiro livro voo solo a ser lançado, e não participar das baladas e dos movimentos literários como autora, me considero uma artista da pena.Tenho prazer em levar meus textos para os que estão ávidos de conhecimento e sequer ainda sabem, por conta de uma vida sofrida atrás da sobrevivência, deixaram a poesia para mais tarde.

redespertar a resiliência. Premiado entre 7 de 2500 projetos da IPA-International Association For Children Rights to play2002 CAMPANHA DE COMUNICAÇÃO INTEGRADA QUEBRE O SILÊNCIO :VOTO POPULAR PELA Revista ABOUT -Direcionada a sensibilização de mulheres, classe Econômica DE,( de 25 a 35 anos) contamindas pelos próprios maridos pelo virus HIV.

Campanha de Rejuvenescimento de marca PHILIPS EXPRESSION :direcionada a Jovens de Classe Econômica AA(15 a 25 anos) Escrevo crônicas, resenhas, contos, poemas concre- Prêmios :Marketing Best ; Festival Brasileiro de tos e matérias para vários Portais Eletrônicos. Ten- Promoção e embalagem ;Colunista ;Meio&Mensaho um blog (http://blog.sensorion.com.br) onde gem ,vez por outra, utilizo como depósito de desabafos e de lá replico alguns textos. Outros portais e outros 31-Qual é a importância de escrever ou fazer arte? blogs me apoiam a divulgar de vez em quando estes A importância de produzir arte em todas as suas vômitos literários. Mas, navego bem entre a pintura manifestações, requer “peito de remador”. É vital e a literatura. Cada uma a seu tempo. Participei de para o artista e para o consumista da arte. Porque várias antologias e coletâneas nas editoras:Scortec- criar harmonia e beleza através da sensibilidade e ci -Palavras Abraçadas ; Jornalirismo -O Mundo do pensamento abstrato nos exige ação constante, é mais bonito pelo Olho da Poesia-projeto do Jor- olhar atento para tudo e todos.Se fazer perceber nalista Guilherme Azevedo; FURB –(tema:Lenda através da maior ou menor intensidade sobre as urbana) Filósofos da Marginal (conto premiado moléculas que aprisionam seu espírito criativo. entre os 10 melhores entre 790 escritores do Brasil e exterior) ; Beco dos Poetas :Prefácio de Contos 31-¨Receita para uma boa escrita ou da produção Marginais (autor Germano Gonçalves) e Projetos artística? de Literatura Urbana Marginal; CNNE: poema Acho que ser verdadeiro com seus fantasmas e reconcreto REFUGIADOS ; Chiado : Tema LIBER- denções. A produção artística é variada e não deve DADE , com o TEXTO LIVRE. ser julgada. Cada qual interpreta o que precisa naquele momento e o faz viajar e retomar seus son29-Você já foi premiada? hos...ou não(risos) Meu primeiro prêmio de literatura foi infantil aos 10 anos. Meu professor de português me inscre- 32-Receita para quem aparecer no mercado da liveu, sem eu saber, uma redação minha da escola e teratura? ganhei um livro. Os mercados produzem a ilusão de que nossas necessidades são ilimitadas.De que somos consumisMinha tela ESPELHOS DE SOLIDÃO recebeu tas obsessivos, antes de sermos amigos, parentes, menção honrosa no SALÃO dos 455 anos de São cidadãos, seres socisis,produtores,criadores e artisPaulo. tas.E que vai satisfazer estes anseios ad infinitum. Mas a vida não é só consumismo,nem luxúria iliSou Ambassador for Peace pela Universal Peace mitada de satisfação auto-indulgente. Somos seres Federation pelo meu trabalho de promover a Paz sociais que não devem ser aprisionados pelos seus através das tintas pela Pintura Metafísica e o Amor artefatos, seduzidos pelos desígnios do capital, enque Move as estrelas. redados nos ardis dos especuladores ou nos planos daqueles que procuram acumular lucros, expandir Projeto TREE OF LIFE : práticas corporais ee res- mercadorias e reduzir nossa vida, destruindo ,propiratórias auto-geridas.Método que concebi para porcionalmente ,a própria fonte de nosso bem -es108

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tar, que é fazer arte e sobreviver condignamente de seu ofício. 33-Você acha importante se posicionar e apresentar seus trabalhos no exterior? Sim. Acho que que o olhar estrangeiro sobre nossas obras traz uma perspectiva inusitada que desvenda traços que passam despercebidos para nós, quando estamos em nossa zona de conforto. Consumir arte e seus produtos é um luxo,a que os países em desenvolvimento deixam a desejar. Portanto facilita bastante,ter obras expostas e apresentadas a nações que já tem o hábito de apreciar naturalmente a arte de qualquer viés. 34-Quais os caminhos para o autor se lançar fora do Brasil? Talvez ter contatos com curadores de grandes galerias e de associações de artistas ou grupos que discutem arte.Intercâmbio De ideias e escolas.E ,sobretudo, sororidade.Evitar a concorrência e compartilhar saberes, estilos e culturas como um chamamento coletivo de redenção do belo.

umbilical. E os homens o chacra cardíaco. Equilibrar este fluxo é gerir a paz, ou seja, uma hierarquia entrelaçada. livro de Shella : MULHER, NA PALMA DA MÃO. São histórias de mulheres de minha família, de meu entorno. Algumas desconhecidas. Outras que não me conhecem. Outras que admiro e referências. Através de poemas concretos, histórias e matérias, tenta provocar reflexões trazendo para o universo afetivo da mulher suas lembranças de infância, suas inseguranças, questionamentos e o olhar do outro sobre nossos corpos. Quanda fala de MULHER, estou me referindo ao Feminino, ao YIN e o YANG, que é inerente à natureza humana em homens e mulheres. Este resgate, não poderá ser feito somente pelas mulheres. Mas, todos juntos de todos os gêneros, tentando desesperadamente redespertar a fantasia, a gentileza e a ternura.

MENSAGEM PARA OS HOMENS E MULHERES DO 35-É mais fácil o reconhecimento da arte e do ar- PLANETA TERRA. tista (artes plásticas e/ou literatura) no exterior. Se você mora em outro país, qual o caminho das pe- De Saltos Altos.sandálias Rasteiras.ou Pés Descaldras? ços. Não saberia dizer. Diria que o mercado ainda é Sabor De Mel Ou De Arsênico Na Boca E Na Alma. bastante elitista. Embora tenha se popularizado Malícia E Inocência. através dos tempos, ainda há um longo caminho Elas Resistem. a percorrer. As tecnologias de celulares e compu- Mantêm Pulsante A Sociedade. tadores influenciaram tanto as pessoas, banalizan- A Mulher Tem Uma Métrica Mágica. do os relacionamentos e deixando sentimentos de Pormenores Privilegiados lado. Cada Uma Tem Sua Poética. Feliz De Quem A Decifra. Percorrer de novo o caminho da sensibilidade tem E Finge Não Fazê - Lo. de passar pela telinha de um gadget. Para Preservar A Obra Prima. O resgate da emoção é urgente.É preciso retomar o A Matriz Da Vida. olho no olho. Talvez a arte nos mostre o caminho de volta. “Venham! Venham! 36-É importante falar da mulher e de tudo que gira em torno dela? Seja Quem For. Viajantes, Devotos, Artistas E Importantíssimo. Necessário e URGENTE! Passou Amantes Da Vida. Não Importa. da hora. A ECOEMPATIA seria o nome de resgate Esta Não É Uma Caravana Do Desespero. Venham, do feminino. Isto é diferente de a mulher conquis- Mesmo Que Tenham Quebrado Suas Promessas tar os lugares que até hoje foram ocupados pelos Consigo Mesmos, Mil Vezes. Venham, Ainda Asmachos. É trazer a competência com sensibilidade, sim. “ para as organizações e para os relacionamentos de Rumi um modo geral a gerar compartilhamento na sociedade. As mulheres tendem a reprimir o chacra Revue Cultive - Genève

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-Poemas de Shellah Avellar – MULHER -Shellah Avellar – Blog Sensorion Mulher-Lua Mulher-Sol Mulher Que Sangra Mulher Que Amanhece Mulher Que Chora Mulher Que Anoitece Um Estranho Jeito De Ser Pera E Poema E Semente De Vidas Sujeita A Abusos Por Ser Violão Ou Por Ser Mulher Somente Obra-Prima Em Constante Construção ..

shellAHAvellar (@metaphysicalpainting) • Fotos e vídeos do Instagram Facebook.com/metaphysicalpainting Pintura Metafísica E O Amor Que Move As Estrelas (facebook.com) https://treeoflife7.webnode.com TREE of LIFE (facebook.com) https://sensorion2.webnode.com https://sensorion2.webnode.com Facebook Live https://www.facebook.com/oarkeiro/

Viagem ao cosmo feminino.

Shellah Avellar

De saltos altos. Sandálias rasteiras. Ou pés descalços. Sabor de mel ou de arsênico na boca e na alma. Malícia e inocência. Elas resistem. Mantêm pulsante a sociedade. A mulher tem uma métrica mágica. Pormenores privilegiados. Cada uma tem sua poética. E é preciso encontrá-la. Feliz de quem a decifra. E finge não fazê-lo. Para preservar a obra-prima. A matriz da vida. Shellah Avellar

https://sensorion2.webnode.com http://blog.sensorion.com.br

Shellah Avellar

Uma eventualidade que permanece aberta. Sobrevivente e sedenta. Está na estrada e quer continuar aprendendo. Jornalista, arquiteta, graduada em ciências exatas e pós-graduada em gestão de processos comunicacionais. Premiada nacional e internacionalmente, cria, desenvolve e executa projetos especiais de comunicação, cultura, arte e responsabilidade social, o que a revela muito pouco. Escreve contos, crônicas, resenhas e poemas concretos para o portal Jornalirismo, jornal GGN, blog do Menalton Braff, Revista Germina de literatura & arte, Revista Insight, blog da Editora Limiar, Influxo-Tv e cadernos de cultura. Tem textos publicados em antologias das Editoras: Scortecci, Beco dos Poetas, Jornalirismo, FURB, CNNE e Chiado. Mulher na palma da mão é seu primeiro voo solo.

MULHER, NA PALMA DA MÃO

Heroínas ou vilãs. Alquimistas de caçarolas. Alarido de máscaras e estilistas. Suspiros contidos. Farfalhar de saias e bater de asas. Burguesas ou libertinas. Revolucionárias ou passivas. Borrasca ou calmaria. Chuva fria e sol escaldante. Ferida e bálsamo. Dia após dia. Primavera após inverno. Verão depois outono. Vai-se indo embora. Escorrendo pelos cremes. Ou se esvaindo em sangue. Lutando como feras para defender suas crias. Ou se enlanguescendo, num átimo de amor perdido no tempo.

Para assistir o painel com a Lúcia clic no afiche 110

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Utilizando-se de poéticas reflexivas e resgatando a história de pessoas únicas, Shellah Avellar nos leva a um mergulho profundo no cosmo feminino. Aponta muitas descobertas e nos carrega ao seio familiar, tecendo a vida da avó materna, de sua mãe , de sua filha e de outras mulheres próximas ou inspiradoras. Nos preâmbulos femininos, a jornada retrocede à aurora da humanidade, época de parceria, sem desigualdades sexuais. Em Alexandria, a autora identifica a primeira matemática mulher Hipátia, “casada com a verdade” desde que nasceu, lá pelos anos 350 DC, apenas para que não esqueçamos das tantas mulheres geniais que os anais ocultam. E nos leva ao princípio do século XX para legitimar a verdadeira face do Dia Internacional das Mulheres. Trazendo-nos para tempos atuais, mas nem tanto para direitos femininos, relembra a recente Lei Maria da Penha e sua homenageada. Entre as suas viagens por estas páginas, Shellah fotografa a hiper realidade da metrópole, ocupada demais para perceber a beleza de suas meninas e mulheres nas praças e calçadas. Pinta e borda a dor de tantas cenas comoventes e repetitivas. E, abraçada a essas dores, busca respostas para enfrentar as armadilhas do deus mercado. A escrita é um dos campos da batalha universal da multifacetada Shellah. Certa de que a caminhada é o resultado, convidou-nos às suas andanças, transversando por campos poéticos e históricos, alagados de sensibilidade. E colocou, na palma de nossas mãos, almas femininas que iluminam nossos passos através dos tempos , quer estejamos de saltos altos, sandálias rasteiras ou pés descalços. Outros calçados também são bem-vindos. Railda Herrero, jornalista e editora e autora do livro: O Neoliberalismo Ou o Mecanismo para Fabricar Pobres Entre Pobres-Editora Pedex . Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos, 2005 pelo Programa da Rádio Netherlands: Vozes Indígenas no Brasil e 2007, Vozes dos Negros.


Para assistir o painel com a Lúcia clic no afiche

Joelma Estela Queiroz, natural de Salvador-BA é Pedagoga(UFBA) e Psicopedagoga. Especialista em Alfabetização, Psicomotricidade e Educação Inclusiva. Atua como Coordenadora Pedagógica na rede particular de ensino e como professora da Rede Municipal de Salvador .Poeta com participação em várias antologias poéticas e Escritora com publicação de quatro livros infantis: Cadê minha

gatinha, O Renascer da Floresta , Dudu e o espelho da bisa e Bia liga-desliga. Contadora de histórias no Jó conta e encanta no Youtube. Membro da Academia Internacional *Mulheres das Letras* e da AILB ( Academia Internacional de Literatura Brasileira).Instagram @joelmaestelaqueiroz.

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LILIA MARIA MACHADO SOUZA Poetisa, contista, cronista, com vários livros publicados. Integra diversas entidades culturais. Está presidente da Academia Paranaense da Poesia. É membro do Conselho Editorial da Sarau das Letras Ltda.

CECÍLIA MEIRELES: PROTAGONISMO EM UNIVERSO MASCULINO por Lilia Souza, escritora.

ceno, [1983?], p. 42).

Em 1922 casou-se com o artista plástico português Fernando Correia Dias, com quem teve três MaNascida Cecília Benevides de Carvalho Meirelles, rias: Elvira, Mathilde e Fernanda. Ele suicidou-se brasileira, da cidade do Rio de Janeiro – RJ, em 7 em 1935. Em 1940 Cecília casou-se com o profesde novembro de 1901, era filha de Carlos Alber- sor Heitor Grillo – que também a deixou viúva. to de Carvalho Meirelles (filho de português) e de Mathilde Benevides, de origem açoriana. No Rio Cecília, já em tenra infância, conviveu com a sofaleceu, em 9 de novembro de 1964. lidão e o silêncio, fazendo-se contemplativa e adquirindo a certeza da transitoriedade e efemeriAo terminar o curso primário, foi de Olavo Bilac dade de tudo – o que fundamentava sua vida, se– então inspetor do colégio – que recebeu, por seu gundo palavras da autora. (citado por Damasceno, desempenho escolar, medalha de ouro com nome [1983?], p. 41). Enfim, uma criança que cresceu em gravado. solidão, introspectiva e contemplativa, no início do século passado – quando era maior o abismo entre Em 1917, concluiu o curso de professora primária os universos feminino e masculino. Época em que e iniciou sua vida profissional dedicada à educação. as decisões ligadas ao mundo eram tomadas por Estudou canto, violão, violino, desenho. (Trans- homens. A projeção nas artes era concedida ao hocrito por Damasceno, de entrevista concedida por mem. Cecília, em 1955, em MEIRELES, 198[3]. p. 46.). Estudou várias línguas, culturas e literaturas. Pois foi nesse universo por homens regido, que Cecília Meireles conseguiu estabelecer seu espaço Observemos que Cecília Meireles, desde antes de na educação, no jornalismo, na tradução, no rechegar ao mundo, teve a vida marcada pela morte: conhecimento em outros países como estudiosa de os três irmãos que tivera, morreram antes que a várias áreas, como conferencista, como escritora, menina nascesse. 3 meses antes de seu nascimento, como poeta valoroso – o mais conhecido nome morreu-lhe o pai; e a mãe, quando ela quase com- brasileiro na poesia, em Portugal. Deixou milhares pletava 3 anos. Foi criada pela única sobrevivente de crônicas publicadas em jornais (sobre educação, da família, a avó materna Jacinta Garcia Benevides, viagens e assuntos vários). açoriana que lhe ensinava parlendas e cantava ro- Aos 16 anos publicou seu primeiro livro, Espectros. mances – com a ajuda da pajem Pedrina, que lhe Entre 1919 e 1927, esteve ligada ao grupo de escricontava histórias de nosso folclore. (Citou Damas- tores católicos que “defendia a renovação de nos112

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sas letras na base do equilíbrio e do pensamento filosófico.” (Citado por Damasceno, [1983?], p. 9). Em 1922, foi apresentada à esfera literária, quando eclode a Semana de Arte Moderna. Angariou reconhecimento e admiração de escritores e críticos, por seu relevante trabalho poético, consagrando-se como um dos maiores poetas brasileiros – não simplesmente uma voz feminina na poesia, mas um dos grandes. Foi muito bem aceita no meio literário – de predominância masculina. E não se pense que foi só de flores o seu caminho. Sua dedicação à educação e aos livros era, sim, reconhecida. Em 1934 (cita Zagury, 2001, vol. I. p. IXIII) Cecília foi designada pela Secretaria de Educação da Prefeitura do Distrito Federal para dirigir um Centro Infantil – que veio a ser instalado no Pavilhão Mourisco, e que deveria oferecer às crianças variadas atividades educativas e recreativas; a decoração ficou por conta do marido artista plástico. Ali, Cecília instalou a primeira biblioteca infantil do país! Pensemos na importância de tal realização. Contudo, tal projeção pode ser incômoda – bem se sabe –; intrigas políticas surgiram, e tal espaço teve fechadas suas portas, por conter obras perigosas à educação dos pequenos; a grande evidência foi As aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain. Podemos imaginar o abalo sofrido por tal situação. O fato trouxe grande e negativa repercussão no Brasil e nos Estados Unidos, contribuindo para um período de perseguições e grandes reveses. O ciclo de dificuldades se agravou com o suicídio do marido, com tempos de dívidas e o peso da subsistência das filhas. $

fesa de inovações e melhorias, expressando-se em crônicas, artigos, teses; assim como escrevendo livros didáticos. Como jornalista, trabalhou no Departamento de Imprensa e Propaganda, cuidou de uma revista, deixou milhares de contribuições (crônicas e artigos), sobre assuntos vários, em jornais e revistas. Em sua trajetória literária, além do grande, rico e reconhecido trabalho poético e publicação de vários livros, escreveu também prosa poética, teatro, artigos, ensaios, conferências, livros didáticos, livros infanto-juvenis. Fez inúmeras traduções e foi traduzida para vários idiomas. Com vastas pesquisas sobre folclore, organizou exposição de folclore, participando de congresso da área. Ministrou palestras, conferências e cursos em vários estados brasileiros e em diversos países (a convite). Meu viva à Cecília Meireles! Além de poeta maior, uma mulher competente e idealista, com coragem para abrir e trilhar sua estrada, e ser protagonista de sua vida, e criar uma nova realidade por meio da literatura. Manter-se viva, mesmo depois de partir. Lilia encerrou sua apresenntação com um curto poema Vaga música (MEIRELES, 2001, v.I, p. 333):

Epigrama - Cecílias Meireles A serviço da Vida fui, a serviço da Vida vim; só meu sofrimento me instrui, quando me recordo de mim.

A Universidade do então Distrito Federal, a nomeou professora de Literatura Luso-brasileira, (Mas toda mágoa se dilui: depois de Técnica e Crítica Literária, e Cecília des- permanece a Vida sem fim. dobrava-se entre a docência universitária e o jorna- Referências Darcy. Poesia do sensível e do imaginário. In: MEIRELES, Cecília. Cecília Meireles: lismo (publica em diversos veículos, cuida de uma DAMASCENO, flor de poemas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira S.A., [1983?]. p. 9-40. DAMASCENO, Darcy. Notícia biográfica. In: MEIRELES, Cecília. Cecília Meireles: flor de poemas. revista) (citado por Zagury, 2001, vol. I. p. Ixiv). Rio de Janeiro: Nova Fronteira S.A., [1983?]. p. 41-47. Eliane. Notícia biográfica. In: MEIRELES, Cecília. Poesia completa: Cecília Meireles. Rio de Em 1940 casou-se com Heitor Grillo, professor que ZAGURY, Janeiro: Nova Fronteira, 2001. v. I, p. lxi – lxvi. MEIRELES, Cecília. Epigrama. In: MEIRELES, Cecília. Poesia completa: Cecília Meireles. Rio de Jaconhecera em um programa de entrevistas. Teve, neiro: Nova Fronteira, 2001. v. I, p.333. então, período de dedicação maior à literatura. Mas o que quero destacar é a competência e a força dessa grande mulher, para conseguir protagonismo em várias áreas de atuação, em um meio em que o homem reinava. Como educadora, Cecília ergueu sua voz em deRevue Cultive - Genève

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DESAFIOS E ENFRENTAMENTOS DE UMA VIDA QUE LIDA COM O CÂNCER: Abordagem voltada para pacientes, familiares, profissionais de saúde e voluntários em ação. Autora: Grasiela Estanislaua Konescki Führ Psicóloga (CRP 12/01372), escritora e poetisa. Graduada em Psicologia, Mestre em Administração, Especialista em Neuropsicologia, Especialista em Gestão Hospitalar, Especialista em Gestão de Recursos Humanos, MBA em Coaching. Com experiência de atuação em contexto hospitalar oncológico do SUS em Psicologia Clínica, Psicologia Hospitalar e Psicologia Organizacional e do Trabalho.

cados e repercussões psicoemocionais marcantes. Percebe-se, atualmente o crescente número de Em vista disso, enfrentar os desafios da doença pessoas diagnosticadas com doença oncológi- oncológica não é tarefa fácil nem para o paciente, ca e em virtude desta realidade, faz-se necessária nem para familiares ou profissionais que lidam na uma reflexão sobre o seu significado e represen- assistência. Sendo uma doença que causa temor, é tação social. A prevenção e o combate ao câncer relevante uma autopercepção sobre o que se pensa requerem, além de extensos e aprofundados estu- sobre o câncer e como a pessoa se sente ao lidar dos científicos, a sensibilização das pessoas para a com este contexto, seja o próprio paciente, seja facompreensão de fatores que podem colaborar no miliares, amigos, profissionais de saúde ou pessoas voluntárias que atuam neste contexto. diagnóstico precoce. Sabe-se que o câncer é uma doença assustadora O câncer é uma doença crônica que ocasiona intene sua representação social é carregada de signifi- sos transtornos, dor e sofrimento para o paciente 114

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e sua família, tendo acometido grande número de indivíduos de diversas idades, sendo que por ser ativa, progressiva e alarmante, podendo causar a morte, gera sentimentos de medo, insegurança e não aceitação (SANTOS, LATTARO e ALMEIDA, 2011).

ansiedade, sentimentos de tristeza e angústia, medos, incertezas, revolta, entre outros. A doença oncológica pode acarretar, inclusive, consequências inclusive em questões de sociabilidade.

Carvalho (2008) aponta que pela dificuldade da doença em si e pelo estigma ainda presente, passar Em relação às emoções do paciente sobre o dia- pelo processo de doença pode consistir em privagnóstico de doença oncológica, Paulo (2004) expõe ção da sociabilidade rotineira segregação, interque pacientes, quase sem exceções, apresentam-se rupção do percurso normal de vida para os doentes em choque ao se defrontarem com o diagnóstico e familiares. de câncer, sendo que existem pessoas que entram em pânico. Diante da realidade na conjuntura biopsicossocial do paciente, este pode se deparar com imensas Ao receber o diagnóstico de doença oncológica, dificuldades para enfrentar, tais como alterações a pessoa se depara com uma série de incertezas, na rotina diária em razão do tratamento, maior dúvidas, temores e precisa se preparar para uma dependência de assistência de terceiros, modifimudança na rotina em função da nova realidade cação de hábitos, mudança da imagem corporal, que se apresenta, incluindo uma série de exames afastamento social, entre outros (AMAR, RAPOe tratamentos como, por exemplo, cirurgia, qui- PORT, FRANZI, BISORDI & LENON, 2002; COSmioterapia ou radioterapia, entre outros. Para lidar TA NETO, ARAUJO & CURADO, 2000; NUCCI, com tal situação, necessita de uma rede apoio de 2003, CITADOS POR SANTANA, ZANIN E MAfamiliares e amigos. Porém, familiares próximos, NIGLIA, 2008). principalmente os cuidadores, também são acometidos pelo impacto da doença em seu contexto Enfermos em fase avançada da doença procuram biopsicossocial. aliviar e controlar a dor e outros sintomas; desejam ter controle sobre a própria vida, não ter prolongaDemanda-se uma compreensão do impacto da do seu sofrimento, não ser fardo para familiares, doença no paciente e sua família, precisando-se le- aumentar laços com pessoas significativas e possuir var em conta a situação emocional, socioeconômi- dignidade no fim de ser viver; e, esperam não ser ca e cultural, pois é nesta conjuntura que emerge a abandonados pelo seu médico (KOVÁCS, 2010). enfermidade e é nesta estrutura sociofamiliar que Pessoas que lidam diariamente com o contexto onvão enfrentar a condição da doença (CARVALHO, cológico, como familiares, profissionais de saúde 2008). e até mesmo voluntários, precisam entender suas emoções e buscar uma autopercepção para lidar Defrontar-se com a doença oncológica é lidar com com as pressões relacionadas ao contexto. Alguns agentes estressores, sobrecarga emocional e sofri- aspectos relevantes a serem destacados é como busmento humano. O quadro clínico oncológico e car recursos internos para lidar com o sofrimento todas as suas consequências pode influenciar as do paciente em função da dor física, da angústia emoções, gerando ansiedade, tristeza, medos e até e das sequelas da doença. O autocuidado e o aumesmo sintomas de estresse pós-traumático para o toconhecimento se fazem necessários para evitar paciente. Podem ocorrer mudanças no estilo vida, esgotamento físico e/ou mental, ou seja, exaustão. nas rotinas pessoais diárias, na área profissional do Assim, prevenir o estresse, a síndrome de Burnout paciente, nos aspectos sociais e econômicos. e a fadiga por compaixão, através de uma busca Dentre alguns aspectos psicossociais e dificuldades pela qualidade de vida em suas várias dimensões, enfrentados pelo paciente oncológico, além de torna-se um fator fundamental para suportar os todo o contexto de doença e tratamentos, englo- desafios deste tipo de cenário. bam-se também aspectos psicológicos e sociais do ser humano na sua relação consigo mesmo e com o Em vista disso, considera-se necessária a reflexão mundo que o cerca. sobre que sentimentos e emoções estão presentes Os pacientes oncológicos precisam lidar com uma nos cuidados durante a assistência ao paciente onsérie de agentes estressores causadores de emoções, cológico. Neste sentido, incluem-se profissionais Revue Cultive - Genève

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de saúde, família, outros cuidadores e acompanhantes e até mesmo pessoas que pertencem a grupo de voluntários. Isto porque a autorregulação das emoções para aliviar a carga psíquica e a tensão psicoemocional são necessárias para a prevenção e o manejo do estresse e de outras possíveis consequências psicoemocionais decorrentes do enfrentamento do câncer..

padrões de relacionamento, comunicação e resolução de dificuldades problemáticos; inexistência ou insuficiência de suporte formal e informal; outras crises na família concomitante com a doença; carência de recursos econômicos e sociais, assistência médica de pouca qualidade e problema na comunicação com equipe médica; doenças estigmatizantes e escassez de assistência.

O paciente oncológico necessita de uma organizada rede de apoio social e forte suporte emocional para enfrentar os desafios inerentes ao contexto em que se encontra, pois a ausência pode trazer consequências. Leeuw e cols. (2000) citados por Santana, Zanin e Maniglia (2008) constataram que o apoio emocional ineficiente, a escassez da rede social e o enfrentamento direcionado para evitar o problema são preditivos de sintomas depressivos durante o tratamento oncológico.

Ressalta-se a influência de alguns aspectos que são substanciais no enfrentamento da doença. Sobre isso, Carvalho (2008) coloca que não se pode desconsiderar os fatores sociais, econômicos e culturais existentes na questão do câncer, pois, muitas vezes, o estilo de vida individual e familiar não condizem com uma livre escolha do paciente e sua família.

Vale ressaltar que para o manejo mais adequado de um contexto oncológico é importante que familiares se organizem, tirem suas dúvidas em relação ao diagnóstico, tratamento e prognóstico, busquem relações saudáveis numa estrutura familiar estável e sólida que propicie o suporte adequado ao paciente. Uma boa comunicação com a equipe de saúde favorece um melhor manejo da situação. É fundamental identificar a realidade do paciente e de sua família, ou seja, a organização familiar, a qualidade das interações, os limites de entendimento da situação, a função da pessoa enferma na família, as repercussões nas atividades de trabalho dos potenciais cuidadores, as condições de habitação e de renda familiar (CARVALHO, 2008). Isto porque a doença pode abalar a estrutura biopsicossocial e econômica tanto do doente quanto de seus familiares. Ao enfrentar a doença, existem aspectos facilitadores e outros dificultadores pela família. Franco (2008) menciona que entre os facilitadores estão uma estrutura familiar flexível que possibilite o reajustamento de papéis; uma boa comunicação entre a família e a equipe de saúde; o entendimento dos sintomas e das fases da doença; o envolvimento nas fases, a fim de conseguir um senso de controle, o apoio informal e formal à disposição.

Martins (1991) citado por Silva (2009) apresenta observações sobre aspectos na atividade do médico que pode ser extensiva a outras ocupações envolvidas com áreas de enfermagem, assistência psicológica, assistência social e reabilitação física, em que certos componentes podem se converter em fatores de risco para saúde mental do profissional, como contato íntimo e constante com a dor, com o sofrimento e com a perspectiva da morte; lidar com a intimidade da constituição física e das emoções; atender com pacientes difíceis; enfrentar as incertezas e as limitações do saber científico. Cada profissional possui uma forma peculiar de lidar com situações de sofrimento e da perspectiva da morte e mesmo cada um tendo um jeito de enfrentar as exigências do cuidado a pacientes oncológicos, em alguma ocasião essa vivência assistencial pode causar impacto psicológico e emocional (SALIMENA, et. al, 2013). Ao falar sobre o profissional de saúde em contato com o sofrimento nas suas diversas dimensões, Kovács (2010) aborda sobre os conflitos relacionados a como se posicionar diante da dor, sobre a elaboração de perdas de pacientes, sendo que é mais sofrido quando morrem aqueles com que estabeleceu vínculos mais forte e o convívio com dor, perda e morte acarreta ao profissional a vivência de sua fragilidade, vulnerabilidade, temores e incertezas.

Além disso, Franco (2008) explica que os fatores É relevante acrescentar os argumentos de Paulo que complicam são o enfrentamento da doença são (2004) mencionando que tudo leva a acreditar que 116

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onde existe uma relação sólida de amor e carinho, VA, A. do C. P. C.; MELO, M. C. S. C. de. Estratégias de enfrentausadas por enfermeiros ao cuidar de pacientes oncológicos. o sofrimento do paciente é menor e com suporte mento Rev. Enferm. UFMS, 2013, Jan/abr, 3(1), p. 08-16. Disponível em: afetivo, a vitória sobre o sofrimento é mais sólida e https://periodicos.ufsm.br/reufsm/article/view/6638. Acesso em: tudo se torna mais descomplicado para o paciente. 23 nov. 2021 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CARVALHO, C. da S. U. de. A necessária atenção à família do paciente oncológico. Revista Brasileira de Cancerologia. 2008, 54(1), p. 87-96. Disponível em: https://rbc.inca.gov.br/site/arquivos/n_54/ v01/pdf/revisao_7_pag_97a102.pdf. Acesso em 23 nov. 2021. FRANCO, M. H. P. A família em Psico-oncologia. In: Carvalho, V. A. de; et al. Temas em Psico-oncologia. São Paulo: Summus, 2008, p. 358-361. KOVÁCS, M. J. Sofrimento da equipe de saúde no contexto hospitalar: cuidando do cuidador profissional. O Mundo da Saúde, São Paulo, 2010, 34(4), p. 420-429. Disponível em: http://www.saocamilo-sp.br/pdf/mundo_saude/79/420.pdf. Acesso em: 23 nov. 2021. PAULO, M. C. Câncer: o lado invisível da doença. 2. ed. rev. Florianópolis: Insular, 2004. SALIMENA, A. M. de O.; TEIXEIRA, S. de R.; AMORIM, T. V.; PAI-

SANTANA, J. J. R. A. de; ZANIN, C. R.; MANIGLIA, J. V. Pacientes com câncer: enfrentamento, rede social e apoio social. Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, SP, Paideia, 2008, 18(40), p. 371-384. Disponível em: www.scielo.br/paideia, https://www.scielo. br/j/paideia/a/xpY5WpRPHYCBbWVPQyZYPVf/?lang=pt. Acesso em: 23 nov. 2021. SANTOS, D. B. A.; LATTARO, R. C.; ALMEIDA, D. A. Cuidados paliativos em enfermagem ao paciente oncológico terminal: revisão de literatura. Revista de Iniciação Científica da Libertas. São Sebastião do Paraíso, v. 1, n.1, p. 72-84, dez. 2011. Disponível em: http:// www.libertas.edu.br/revistas/index.php/riclibertas/article/view/14. Acesso em: 23 nov. 2021.

SILVA, L. C. da. O sofrimento psicológico dos profissionais de saúde na atenção ao paciente de câncer. Psicol. Am. Lat., México, n. 16, jun. 2009. Disponível em: <http://pepsic. bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1870-35 0X2009000100007&lng=pt&nrm=iso> . Acesso em: 23 nov. 2021.

Para assistir o painel com a Lúcia clic no afiche

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LENI ZILIOTO 20 ANOS DE LITERATURA MULHERES HISTÓRICAS MULHERES DESBRAVADORAS DE MATO GROSSO Há mulheres históricas que marcaram na política, na educação, na ciência, na música, na literatura, no exército, nas tecnologias. Enfim, em todas as áreas. Temos a atuação da mulher na construção da história da sociedade humana comprovada pelas pesquisas realizadas nas últimas décadas sobre “mulheres históricas”. Dizemos “nas últimas décadas” porque, até então, não havia sido registrada na mesma proporção dos registros da atuação masculina. Ao mesmo tempo, avançamos, conquistamos espaços importantes e que estamos ampliando para nossas filhas, netas, bisnetas. Na condição de escritora, eu optei por registrar histórias de mulheres que marcaram a história pelo seu dia a dia. Escrevi os livros O BRILHO DE ESTRELAS IMORTAIS, Volume 1 e Volume 2, entrevistando noventa e quatro mulheres desbravadores do norte de Mato Grosso, região considerada atual118

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mente o point do agronegócio. Trinta e duas mulheres da cidade de Nova Mutum e sessenta e duas da cidade de Sinop, Mato Grosso. A saga de cada jornada de mulheres que seguiram com seus companheiros desbravadores é uma leitura obrigatória, para homens e para mulheres, a fim de compreenderem a essência feminina, manifestada entre risos, lágrimas, soluços e olhares distantes. O conteúdo dessas entrevistas e a vivência do clima emocional que envolveu cada conversa, significou para mim mais do que cursar um pós doutorado. Cada mulher falou e eu registrei a criança, a menina-moça, a esposa, a mãe, a profissional, a empreendedora, a resiliente, ... a mulher que está em cada uma. As mulheres que lerem essas histórias, se identificarão, se reconhecerão. Os homens? Quem sabe compreendam que a mulher é um “’SER HUMANO’, FEMINIO”, e essa literatura contribua para a diminuição da violência contra a mulher, seja ela física, moral, psicológica, econômica, enfim, qualquer forma de violência. São mulheres migrantes, carregadas de muito, em suas essências e conceitos. Carregadas de migração, de desbravamento, de empreendedorismo, de desenvolvimento, de religiosidade, de espiritualidade. Chegaram ao norte de Mato Grosso, no meio da mata virgem, entre os anos 70 e 80, e hoje vislumbram a cidade com quase 200 mil habitantes. Essa pujança tem as lagrimas, o riso, o suor, o soluço, a esperança, o olhar perdido, a coragem, de cada uma dessas “mulheres históricas.

jos, ambições e trajetórias. Cada depoimento aqui apresentado é a tradução dos anos de trabalho de mulheres que desafiaram seus tempos, fazendo valer suas vontades em épocas em que a voz de seus pais e maridos prevalecia. Essas sinopenses, cheias de coragem e força, transformam suas palavras em inspiração e encaminhamentos às futuras gerações, e provam que qualquer dificuldade é superada quando a vontade de vencer é maior que o medo dos desafios e o amor é maior que tudo. “O Brilho de Estrelas Imortais” traz uma contribuição fundamental tanto para a história de Sinop como para os estudos sobre mulheres e as relações de gênero no país, importante nesse momento histórico crucial, de riscos e retrocessos dos direitos e equidade de gênero conquistados nas últimas décadas. Pela profundidade, complexidade e importância do texto desses dois livros, eu escrevi meu primeiro livro infantil, UMA MENINA, UMA FLORESTA E UM MANEQUIM, e meu primeiro livro de ficção, SAGA DE GIGANTES, inspirados em O BRILHO DE ESTRELAS IMORTAIS. Esses livros e todas as minhas obras podem ser encontrados em ebook na Amazon e impressos podem fazer pedidos através do site www.lenizilioto. com.br MULHERES NA EDUCAÇÃO E NA ESCRITA TEMA: Literatura infantil - livro Pirulito Rodapé

A literatura infantil é caracterizada por uma linguagem simples, por textos curtos e por estímulos visuais como as cores e as imagens. Todos esses eleUm trecho do prefácio do Volume 2, escrito por mentos estão presentes no livro PIRULITO RODAAna Maria Goldani, Doutora em Sociologia, Pro- PÉ, da autora Leni Zilioto e ilustrado por Adriana fessora na UNICAMP, Campinas/São Paulo; Pro- Cofcewicz, e que foi traduzido para cinco idiomas: fessora na Universidade da Califórnia Los Angeles A versão em português foi lançada em fevereiro de (UCLA); Professora na Princenton University, em 2021 e apresentada no Salão do Livro de Genebra, New Jersey, Estados Unidos: em maio de 2021. No Congresso Cultive da Cultura da Mulher, foi lançada a versão em francês, com Na literatura e no dia a dia, a mulher passou a a participação de outras escritoras e de Valquiria refletir e questionar seu papel dentro da socie- Imperiano, que leu uma parte do texto na versão dade, dentro de suas casas e de seus casamentos. em francês. A produção literária a mãos femininas a partir do século XX, teve o papel de desestabilizar a legiti- Para os idiomas espanhol, alemão, italiano e inglês, midade tradicional da mulher, que era de “se não faremos novo evento de lançamento, mas todos esanjo do lar”, “impura” e “imoral”. Reestrutura-se, tão disponíveis em e-book e para pedidos de livro com a contribuição da literatura de autoria femini- impresso no site www.lenizilioto.com.br na, a própria identidade da mulher, em seus deseRevue Cultive - Genève

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Escritora Leni Zilioto Ilustradora: Adriana Cofcewicz Para a escritora Leni Zilioto, participar do certame GRAND PRIX FEMME LITTÉRAIRE foi uma honra, ao lado de grandes nomes da literatura nacional e internacional. O concurso, organizado pelo Institut Cultive Suisse Brésil, fez parte do Congrés Cultive International Culturel de la Femme, do 26 ao 28 de novembro de 2021. O anúncio dos finalistas ocorreu dia 28 de novembro e cumpriu seu propósito, de valorizar a mulher escritora brasileira e outras nacionalidades. Leni diz que se sente engrandecida em sua carreira literária ao estar entre as finalistas, na categoria biográfico, com o livro EU NÃO ACEITO SER MAIS OU MENOS, uma obra que trata de empreendedorismo e motivação a quem deseja uma carreira de sucesso. Esse e outros livros da autora podem ser encontrados no site www.lenizilioto.com.br PARTICIPAÇÃO NA ANTOLOGIA VALQUIRYES Leni Chiarello Ziliotto é gaúcha residindo em Mato Grosso, com título de cidadã matogrossense. É bióloga, escritora, e produtora cultural, com 19 obras publicadas e mais de 40 participações em coletâneas nacionais e internacionais. Recebeu títulos e troféus e é membro de Academias, Federações e Associações Literárias. Em suas obras predomina o poema e escreve também ficção, fantasia infantojuvenil e biográficos. Organiza obras, coordena projetos de audiovisual e é curadora para exposições e eventos. Leni Zilioto é gaúcha residindo em Mato Grosso, com título de cidadã matogrossense. É bióloga, escritora, e produtora cultural, com 19 obras publicadas e mais de 40 participações em coletâneas nacionais e internacionais. Recebeu ítulos e troféus e é membro de Academias, Federações e Associações Literárias. Em suas obras predomina o poema e escreve também ficção, fantasia infantojuvenil e biográficos. Organiza obras, coordena projetos de audiovisual e é curadora para exposições e eventos. Assina suas obras com o nome Leni Zilioto e pode ser conhecida em mais dados no site www.lenizilito.com.br Para assistir o painel com a Lúcia clic no afiche 120

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FESTA NO CORAÇÃO (2021) Ed. ZMF/RJ Livro infantil de Maurienne Caminha Johansson Ilustrado por David Queiroz

Em FESTA NO CORAÇÃO a autora valoriza as dimensões simbólicas da escrita, da linguagem sonoro musical e de seus signos, poética e ludicamente. Convida a criança a enveredar-se no mundo especial dos sabores e da música, como forma de prazer e gratidão. Suscita também com sutileza certa denúncia do contraste: o de uma pandemia paralela, invisível e não reconhecida, que é a fome de comida e de afeto dos milhões de crianças no mundo.

Nestes tempos de pandemia e de tristezas, para onde foram nossas festas, encontros e aventuras? Criança, jovem, adulto ou idoso, todo coração é afetado.

A temática estimula a reflexão para com os valores da criatividade, da paciência, da morte e da vida, do reconhecimento do divino e do respeito pelas diversas culturas e povos - de forma sutil e natural para interagir com a criança ou jovem leitor, numa Onde está teu amor, ali está teu coração! dinâmica viva e concreta, sob uma pandemia de Este livro, na perspectiva infantojuvenil e pelo ol- agora ou... outras. As emoções, como a saudade, har de uma criança, traz para você a temática da por exemplo, têm sempre sua compensação neste esperança, da alegria e da gratidão nas pequenas mundo de sons, cores e sabores. coisas de uma rotina, aberta no espírito a trocar de lugar com a sua rotina, criança, jovem, ou adulto. É Tanto você pode ler sozinho, e com amigos, joveno amor pela humanidade em foco. É a valorização zinho (a), como vocês - pais ou professores - podem do tempo presente no dinamismo que a vida exige. vivificar esta mensagem num trabalho pedagógico É o convite à decodificação dos símbolos para um especial na sala de aula (local ou on-line) ou fora sentido a construir-se na leitura. dela, na sala, na cozinha, no quintal ou no quarto. A sinestesia, presença de todos os sentidos no corpo, estão presentes no contexto textual poético, por meio das rimas, das onomatopeias, dos elementos físicos, geográficos e socioculturais do conto, figurativa e ludicamente, ao tempo em que temas transversais são focalizados discretamente, tais como – meio ambiente, saúde, tecnologia, multiculturalismo, ética, cidadania e vida familiar, direitos da criança e do adolescente e valorização do idoso. O título do livro sintetiza a esperança por algo muito alegre no íntimo de cada pessoa. Diz sobre a essência das ocorrências positivas do espírito que se concretizam nas celebrações, nas comemorações, por mais diminutas e simples que sejam, nas boas expectativas dos encontros esperados – algo universal, atemporal, porque se realiza em ciclos, e ocorre no homem, desde bebê até à velhice.

As páginas que tratam da poética dos alimentos ou a dos sons musicais podem ser dirigidas até - como sendo um livrinho dentro do outro - para crianças pequeninas também, o que amplia a faixa etária de recepção dos leitores infantis. A nossa responsabilidade pelo tempo presente e a essência da criança dentro de nós é algo muito bem lembrado nesta história, para nos animar no viver. É com a sua própria leitura, contudo, que a vida pulará do texto. Clic no afiche

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Desde criança, algo em mim sempre me levava a tentar entender as situações vivenciadas de dor, tristeza, solidão, abandono, rejeição, etc. Esses sentimentos me impulsionaram a procurar dentro de mim mesma o que não encontrava fora. Sempre fui mais introspectiva e amava ler tudo o que chegava em minhas mãos, principalmente os livros que me transportavam para um mundo mais amoroso, solidário, alegre e “colorido” como a própria mãe natureza, que nos presenteia tão abundantemente.

é uma frequência energética da Nova Era, que venho canalizando desde 2002 e que tem como propósito preparar e calibrar cada ser para atuar com auto-consciência e auto-responsabilidade através de seu Mestre Interno, seu Divino Ser, seu EU SOU. Conhecendo e assumindo a LUZ de Deus-Pai e o AMOR de Deus-Mãe em si mesmo (que vibra no coração de cada ser), teremos a união dessas duas plenas energias, que resultará em uma terceira frequência, Deus-Filho representado pelo tracinho ( - ), o Filho Divino, nosso Mestre Interno, aquele que somos em essência e tudo o que podemos manifestar nesse plano: a obra, a criação, o fruto... o propósito de nossa alma, nossa missão de vida, nossos dons divinos. No sentido mais pleno deste termo: Luz = sabedoria divina; Amor = nutrimento divino e, representado pelo tracinho ( - ) = nossa co-criação divina, a união, a ponte, o elo entre Luz e Amor.

Fui crescendo e, na busca de mim mesma e de me curar das dores de minha alma, gradativamente fui acessando o que denomino “as três ferramentas da Luz-Amor”, que passo a apresentar. Espero que ressoe em seu coração e promova o resgate de seu próprio poder pessoal, no sentido holístico, em sua totalidade, como SER multidimensional que todos somos. Resumidamente, há necessidade de renascer em Luz-Amor também se refere às nossas Vestes Sagraplenitude com a Sabedoria do Coração! Luz-Amor das de Luz-Amor, que consistem nas 3 ferramentas 122

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de poder-proteção-cura, que todo ser humano tem desde o ventre materno (antes de nascer): o Casulo das 7 Cores® (outro termo que canalizei), a Chama Trina e a Chama Violeta, que vibram em cada ser humano desde seu nascimento. Veja nessa imagem do livro “Reiki Luz-Amor Para Crianças”, de minha autoria, lançado em 2017. Nos tempos atuais, mais do que nunca, é necessário proporcionar que cada pessoa tenha condições de entrar em contato com seu próprio poder interno através do repasse dessas informações básicas e acessíveis a todos (pois já estão em cada um), por serem herdeiros da Energia de Luz-Amor Divinos, tendo como finalidade, promover o reequilíbrio do organismo e a harmonização, fortalecendo o sistema imunológico e energético além de proporcionar proteções energéticas multidimensionais. Cada existência é uma jornada na autocura e o mundo é um reflexo da cura que cada um de nós veio realizar. Cada pessoa em sua vida é um reflexo da sua própria cura. O mundo simplesmente reflete a energia do coletivo, um reflexo da cura que está ainda para ser feita. E a energia que você reconhece é aquela que está para ser curada dentro de você. Um é o espelho do outro no auto-aprendizado, auto-transformação e auto-curas. A cada experiência e interação vividas, lembre-se de que esta é uma jornada de autocura, de nossa jornada à integridade, à divindade e à reconexão com nossa Fonte primordial, que é pura Luz-Amor. CASULO DAS 7 CORES Toda pessoa tem em seus 7 Chakras (centros de

energia, roda, vórtices ao longo da coluna vertebral) e 7 Corpos Energéticos principais (por fora do corpo físico), as 7 cores do arco-íris, seguindo a mesma sequência de cores (como na figura acima), ficando a cor violeta por fora. Podemos e devemos ativar, conscientemente e

por nosso desejo, criando um casulo de altíssima vibração de luz nas 7 cores, que atuará com todo o seu alcance cromoterapêutico multidimensional, melhorando a frequência energética de nossas células, órgãos e glândulas. Há necessidade de se nutrir pensamentos e sentimentos positivos para manter e elevar esse canal energético vital saudável. Se nutrirmos pensamentos e sentimentos densos e negativos, como raiva, ódio, tristeza, insegurança, medo, etc, vamos enfraquecer esse campo vibracional que temos, criando “buracos e rompimento áurico”, causando perdas de energia, resultando em desarmonias, desequilíbrios, baixa imunidade e “doenças”. CHAMA TRINA A Chama Trina é um “cálice sagrado” que temos no

Chakra do Coração, vinculado à Glândula Timo, o qual contém um átomo cuja estrutura é diferente do resto do nosso corpo. Esse átomo diferenciado materializa-se no momento da concepção, ou seja, no momento da fecundação do óvulo. Nesse momento forma-se a célula inicial que irá multiplicar-se dando vida a um novo ser. Nesse processo, quando o embrião está em formação, esse átomo portador da Chama Trina é ancorado dentro da estrutura celular que virá a ser o coração. A Chama Trina é o nosso “ponto” de contato com a Fonte Universal que Tudo É (o Criador Universal, Deus Pai-Mãe). Ela permite conectarmos nossas vidas físicas, tridimensionais, com os planos mais sutis de existência, além de efetuarmos o controle energético dos nossos Chakras. Por seu intermédio podemos garantir e manter nossa saúde física, mental e espiritual. A Chama Trina age como suporte da vida no plano material e também é uma das mais poderosas ferramentas para nossa ascensão. É composta por três chamas, raios ou cores: • A sua esquerda a Chama Rosa, que é a maRevue Cultive - Genève

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nifestação do Amor Universal, da Mãe Divina. • Ao centro a Chama Dourada, da Sabedoria Espiritual sobre o plano material ou Chama do Filho Divino, que somos nós em nossa essência primordial. • A sua direita a Chama Azul, que é a expressão do Poder Criativo Divino vindo da nossa amada presença EU SOU, nosso Pai Divino.

diosa frequência que temos em nosso ser para podermos ascensionar mais rapidamente. É uma chama de altíssima vibração, através da qual podemos mudar a nossa estrutura atômica, nossos átomos. Quando temos sentimentos, pensamentos ou atitudes negativos, nossos átomos são contaminados com essa energia densa e desestruturados. A Chama Violeta, literalmente, tem o poder de consumir os resíduos que ficam entre os átomos do nosso ser. É como colocá-los de molho em uma solução química que, camada por camada, dissolve a sujeira que se tem acumulado por milhares de anos. À medida que a substância impura que bloqueia o fluxo da energia do átomo é dissolvida, por intermédio da ação da Chama Violeta, ocorre a purificação e a restauração da pureza original dos átomos. Livres dos resíduos, os elétrons em nossas células começam a girar mais rapidamente, elevando nossos níveis de energia e nossa vibração espiritual. Esta ação acontece em um campo não físico, chamado de dimensão metafísica da matéria.

Expandindo essa Chama no coração, estaremos sem dúvida a expandir as qualidades divinas na nossa vida, vivenciando-as plenamente. A Chama é pequenina na maioria dos seres. Não passa de uns poucos milímetros, um centímetro de altura. Mas, ao expandi-la, podemos torná-la tão grande quanto a nossa própria altura. Quando a Chama atinge a plena estatura (nos envolvendo da cabeça aos pés), o amor manifesta-se incondicionalmente em todas as criaturas, a vontade divina faz-se cumprir integralmente na nossa vida e no nosso mundo, e a sabedoria interna guia-nos pela vida. Então somos abençoados, iluminados como Filhos de Deus Pai-Mãe, realmente empossados como tal no nosso É recomendado que se ative a Chama Violeta pelo mundo e na vida. menos pela manhã, ao acordar e à noite, ao ir dormir. E durante o dia, sempre que sentir-se pesaPara ativá-la basta respirar profundamente com do, cansado, angustiado ou estar num ambiente ou situação que lhe cause as mesmas sensações. Se seguirmos essas instruções, estaremos nos purificando gradativamente e nos livrando do que nós próprios criamos em inúmeras encarnações anteriores e atual. Nessas situações, visualize a si mesmo e a outra pessoa (ou pessoas) com quem estás em atrito, desarmonia ou desacordo, envoltas numa purificadora fogueira de Chama Violeta e afirme por três vezes, silenciosa ou em voz alta: “Misericórdia Divina, Misericórdia Divina, Miseconsciência na Chama Trina e, ao soltar o ar, que- ricórdia Divina.” rer que ela cresça dentro de teu centro cardíaco, te preenchendo por inteiro. Faça essa respiração A luz violeta tem o poder de transmutar e limpar consciente por três vezes, sempre imaginando a tudo em nós e a nossa volta, tornando luz e amor. Chama crescer e te envolver por completo nessas Devemos usar essa poderosíssima Chama, princitrês luzes radiantes, da cabeça aos pés. palmente pelo fato dela vibrar por três vezes em nosso campo energético multidimensional: CHAMA VIOLETA • no 7º Chakra (alto da cabeça, na coroa), • no 7º Corpo Sutil e “Eu sou responsável pela minha vida”. Essa com- • na união do Pai (azul) e da Mãe (rosa) em preensão é absolutamente necessária para que o nossa Chama Trina. desenvolvimento pessoal e a mudança interna ocorram de fato, pois precisamos reassumir o nos- Isso não é acaso, é poder divino pessoal que o so poder pessoal em nossas mãos. Somente assim Criador nos presenteou para estarmos nessa diacessamos as mudanças necessárias. mensão existencial e momento planetário atual, A Chama Violeta é a transmutadora e misericor- munidos desses recursos internos de altíssimo po124

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der-proteção-cura. Entende-se o termo “cura”, no sentido holístico multidimensional proporcionado pela transmutação: o que estiver denso (negativo) se transforma em luz (positivo), o que já estiver vibrando em luz será elevado oitavas acima (ficando mais elevado). Sugiro experimentar fazer essa ativação de limpeza energética durante o teu banho (de preferência no chuveiro), enquanto estás limpando teu corpo, dizendo mentalmente ou em voz alta, com o teu coração: “Chama Violeta atue em mim na potência de mil sóis, em todos os meus chakras e corpos, através de meu Divino Ser, multidimensionalmente, limpando, transmutando, curando, dissociando e encaminhando tudo o que não vibra em Luz e Amor para tratamento definitivamente”. Enquanto vás falando, imagine que essa Chama Violeta está te preenchendo por dentro e por fora, como uma fogueira de luz violeta.

Amor que és, diariamente. Brilhe a tua luz e vibre no amor, através da sabedoria de teu sagrado coração!... Vamos fazer a diferença em nossas vidas e contribuir, positivamente, para que esse mundo seja o melhor para todos os seres! Vamos usar nosso poder pessoal para co-criarmos a Nova Terra, agora! Vamos juntos renascer nas frequências da LuzAmor que somos em essência e manifestar uma vida mais plena, dentro e fora de nós mesmos, em nossas famílias, trabalhos, relacionamentos e relações com os demais seres e com o nosso amado planeta Terra.

Seja essa Luz-Amor. Lembre-se de cuidar de você, honrando seu corpo em sua plenitude multidimensional. Continue a abraçar e construir sua luz de dentro para fora, aprendendo como manter isto no teu dia a dia, nas pequenas coisas, reservando um tempo de qualidade para se conectar, recarregar e Caso não te sintas conectado com essa forma que nutrir-se com tua Divina Presença EU SOU! estou sugerindo, podes fazer com as orações de tua fé: o Pai Nosso, ou Ave Maria, ou Santo Anjo (ou ROSA MARTA GERBER outra de tua preferência) e peça aos Seres de Luz e Psicóloga, educadora, terapeuta holística quântica Amor (são todos os Seres que trabalham pelo bem integrativa, Master Reiki, escritora, palestrante; fada humanidade, independente de religião, crença, cilitadora de cursos, vivências e workshops. Canafilosofia), que façam uma grande limpeza energéti- lizadora das frequências da Luz-Amor® desde 2002. ca em você, na sua casa e em todos que vivem nela, Idealizadora e colaboradora do Projeto Luz-Amor® limpando todas as dimensões em que se apresen- para a Nova Era, desenvolvendo Ações Sociais e tam, levando para tratamento junto à Fonte, tudo Educativas através de vivências da Luz-Amor® e o que está negativado, que não estiver vibrando na cursos de Reiki Intuitivo Luz-Amor® presenciais e Luz e no Amor, de acordo com a Misericórdia Di- online (no PORTAL LUZ-AMOR® - canal públivina e as Leis Divinas e Universais. co criado no aplicativo Telegram). Autora do livro REIKI LUZ-AMOR PARA CRIANÇAS. Missão: Agora que conheces a respeito dessas três sagradas «Reconectar cada Ser ao seu Divino Ser nas freferramentas de poder-proteção-cura que estão a quências da Luz-Amor». tua disposição, em teu próprio corpo, te convido a te resplandecer nas tuas Vestes do Ser de Luz-

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Em “Alkimia do Ser”, todos nós, na “Saúde com Vida”em rumo à “Saúde com Vida Sustentável” Carla Ramos

Uma vez perguntaram a Buda: O que mais o surpreende na humanidade? E Buda respondeu... “Os homens que perdem a Saúde para juntar o Dinheiro. E perdem o Dinheiro para recuperar a mesma Saúde da qual perderam. ” 126

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Quem sou eu? Carla Ramos – Mestre em Reiki e Teoria Literária, Psicóloga especialista em MKT e PP. Ser Humano de natureza ígnea intuitiva Auxilio do Sol – o Alkimista da criação Leão Áries – corajoso ascendente - desbravador Lua em Aquário - vive em busca novas respostas à antigos desafios tanto individuais e coletivo. Insatisfação –Busca ao Novo- suprir essências Romper a redoma – conhecer a nova abordagem. Residência em Psicologia Hospitalar. HC/ UFPR Infectologia Infantil e Adulta – HIV e AIDS O olhar de Quiron frente à realidade da AIDS Menina salvando as estrelas do mar Busca de aprender como aprendiz em vida Ensinar como Mestre em Reiki: a vivência do Amor Incondicional em Saúde com VidaS” Primeiro encontro : Minha Missão de Vida


MINHA MISSÃO DE VIDA Morte de uma pacientinha – infecto HC Pedido de coração na janela gradeada “Amado Deus, como posso contribuir com minha parcela ao Grande Todo para que as pessoas não precisem chegar à um estado tão degenerativo de doença, mas aprendam a fazer a manutenção de sua própria saúde? Mostre- me o meu caminho, Pai Celeste”

“ Saúde com Vida” traz Bons negócios para você” (parceria com Centro de Shiatsu Tereza Sanchi, Atma Veda, Atma Vegan...) ALKIMIA DO SER

Pandemia Mundial : “Que os antigos ensinamentos milenares podem vir a contribuir com a saúde nessa epoca mundial” Canal Cultive TV Web- youtube Sala de Bem Estar “Saúde com Vida” entrevista teOS SONHOS ACONTECEM QUANDO... rapeutas integrativos para nos ensinar “porque se Pedido de coração e não de pequeno Ego. espera a doença para se pensar em saúde?” Alerta Entrevista– “A Roda das Deusas: em rumo à essên- à todos nós! cia do sagrado feminino” (em 2005) Se Você é alguém que faz a diferença em “Saúde Convite para apresentar o programa inteiro Sonho: “Saúde com Vida”: Porque esperar a doença com Vida Sustentável” entre em contato: saudepara se pensar em Saúde?” comvidas@gmail.com Práticas preventivas em manutenção energética da saúde integral diariamente. SEJA BEM VINDO: “ALKIMISTA DO AGORA!” E PORQUE ESPERAR A DOENÇA PARA SE O que mais o surpreende na humanidade?Buda continua respondendo... PENSAR NA SAÚDE 2006 – “Saúde com Vida” – Canal 20 Net 2007 – TV São José – Clinica Home Care “Saúde com Vida leva os profissionais de saúde até ao conforto do seu lar para você estar sempre em dia com sua Saúde!” (parceria exclusiva para entrevistar a clinica) 2008 – TV Mocinha – Balneário Camboriú

Por pensarem ansiosamente no futuro o esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no Presente e nem no Futuro. Vivem como se nunca fossem Morrer E Morrem como se nunca tivessem vivido

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Dra Maryah da Penha da Sylva 1° Cromacientista do Brasil desde 1970 / Inventora criou FOTOCROMATERAPIA TÓPICA / CROMAMASSOTERAPIA LOCALIZADA/ CROMAISOMETRIA - TÉCNICA da NASA Celebrada na ALERJ/ CELEBRAÇÃO BODAS de OURO 2020 /33 anos no Hospital Central da Polícia Militar RJ, Placa de Prata de BARBEIRA/ ESTETICISTA INTEGRAL/ Profissional INTERFUNCIONAL de REABILITAÇÃO FÍSICA/Ações Sociais Lions Clube Internacional/ Mac Donald /Ação Global/ Ação da Cidadania / Fundação Irmã Dulce Hospital do Oeste Bahia/ Ceará CEPD/ Solicitou 4 Leis Sancionadas da CROMATERAPIA dia 7 de dezembro (seu natalício)/ Autora Cartilha Nacional Sauna Muyto Mays de Cuidados Pessoais Masculino aprovada 2008 DF/ Única Terapeuta Condecorada com a honraria do Diploma e a Medalha Tiradentes em 2018 ALERJ / Indicada em ZURIQUE ao PRÊMIO NOBEL das 1000 MULHERES SOLIDÁRIAS.

etárias, cada pessoa com sua própria resistência. Esclarecer como manter a boa forma, modelando os próprios músculos sem precisar movimentar as articulações, sem sair do lugar, sentando numa cadeira de ferro ou madeira firme, de pé ou deitando, usufruindo todos os benefícios e efeitos a cada semana, através das próprias contrações localizadas, preservar a saúde geral de modo correto o Consultoria da Especialidade de CROMAFILAXIA segmento corporal onde for necessário, melhorantem a finalidade para redução de estresse físico, fa- do o resultado da silhueta, a sua resistência física e diga, FÍSICA, MENTAL e EMOCIONALSe tiver a saúde íntima, fortalecendo o corpo sem riscos e uma roupa vermelha íntima ou na indumentária, sem dores com a própria vontade, com a percepção vista se de energia positiva VERMELHA que repõe das reações localizadas em cada etapa das realizao Campo Eletromagnético Fisiobioquantico redu- ções. zindo o desgaste geral. Observação: QUEM tem hipertensão não poderá se trajar com camisa nem A estimulação muscular servirá para melhorar a blusa na cor vermelha enquanto o sol estiver ex- auto-estima pessoal, manter a disposição geral, posto. Sob a iluminação artificial é possível a utili- promovendo harmonia orgânica funcional corporal e da silhueta feminina e masculina sem dores. zação sem riscos... Os “EXERCÍCIOS CROMAISOMÉTRICOS LOCALIZADOS” é uma TÉCNICA DA NASA, possiOBJETIVIDADE: 3Oferecer orientações das contrações musculares bilitando até controlar: a depressão, as dificuldades como na NASA, estimulando no tônus mantendo a digestivas, a constipação intestinal, a hipertensão, a silhueta corporal harmoniosa em todas as faixas obesidade, o diabetes, a anorexia, a bulimia, a fla128

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cidez por emagrecimentos, em período de fadiga ou de astenia ou nas convalescenças pós cirurgias e enfermidades. Incluindo os cadeirantes, bengalistas e para pessoas sem problemas de saúde. Nas pessoas da 3a idade enfraquecidas por alimentação deficiente em ferro, essa Técnica restaura a musculatura desde junto ao osso para fora do corpo evitando a OSTEOPOROSE.

2) Distribuição de mapas do corpo humano do SISTEMA MUSCULAR estimulando aos presentes uma maior atenção com o seu próprio corpo, oportunizando conhecer as localizações dos seus músculos e região para fortalecer com os EXERCÍCIOS CROMAISOMÉTRICOS LOCALIZADOS.

3) Demonstrações da metodologia de como realizar a auto-preservação da tonicidade dos seus músOPÇÕES DE VANGUARDAS: culos em cada região flácida ou com pouca força. O tônus muscular é estimulado por contrações di- Em acordo com a necessidade pessoal, aplicando a rigidas, e sem nenhum movimento articular, Pode sua própria resistência no local que quer modelar ser conjugado com as exposições aos reflexos lumi- ou fortalecer voluntáriamente. nosos de luzes coloridas das lâmpadas ou da luminosidade solar com as cores do vestuário, visando 4) Explicações para orientação de exercícios locaativar a manutenção da musculatura corporal, be- lizados para a preservação da força motriz muscuneficiando todas as pessoas que as utilizarem com lar, em exercícios específicos para manutenção da os efeitos específicos pela capacidade orgânica da saúde sexual de ambos os sexos. Biofotossensibilidade Tissular Cromática, captada 5) Exercitações serão acompanhadas pela Profispela pele de todo o corpo em exposição direcio- sional Dra. Maryáh da Penhã da Sylva, a 1a e única nada. Docente que ministra essa capacitação e atendimentos orientados disponível para todos. METODOLOGIA INFORMATIVA EM PALES- 6) Respostas para perguntas feitas por escrito pelo TRA COM APRESENTAÇÕES DE SLIDES: público participante nas Palestras dela. 7) Orienta1) Distribuição de pranchas do corpo humano no ções para consumir proteína e ferro na alimentação aspecto ósseo, para as observações das suas inser- funcional para manter a saúde. ções musculares nas articulações, para saber manter a saúde articular e corporal íntegra. ENRIJEÇA OS SEUS MÚSCULOS SEM FADIGA, MODELE SUA SILHUETA E SEJA SEU PRÓPRIO “PERSONAL TRAINING”.

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os princípios culturais dentro de um propósito saudável .

Maria José Pery Negrão dos Santos D’ Piemonte do Paraguaçu (Zezé Negrão) é a grande vencedora do Grand Prix

Como ser humano temos que preservar o meio ambiente defendendo a sua fauna e flora. Atualmente adquiriu às margens do rio Paraguaçu umas terras e está com um projeto para fazer parcerias com pessoas que tenham os mesmos propósitos, plantando arvores frutíferas nativas para melhor povoamento e dos animais que estão ficando extintos na região por falta de alimentação.

Temos que SER as criaturas elaboradas pelo Criador na visão do existir e administrar essa pasFemme Littéraire na categoria publicação infantil sagem com as sinfonias da maestria entre a naturerealizado pela Edition Cultive em parceria com o za da servidão nas horas precisas. Institut Cultive. Esse prêmio destaca as mulheres escritoras. O concurso foi realizado no mês de no- Sobre a infância, só falaremos as melhores referênvembro 2021, possibilitando obras publicadas por cias uma vez que a mente incorpórea projeta aquioutras autores de de participarem da competição. lo que absorvemos para a nossa própria existência. Teve uma infância como todas as crianças de família Maria José Negrão é natural da cidade de Itabe- simples interioranas, livres nas brincadeiras, onde raba BA , atualmente mora na cidade de Feira de cantarolavam ao vento sob as gotículas das chuvas, Santana há 33 anos, bancária aposentada. Mantém dividindo espaços entre as tanajuras e os cururus as atividades socioculturais em algumas Entidades em épocas das trovoadas , sem falar o que faziam e Academias de Letras e Artes a nível nacional e para acalentar por alguns momentos a dor do nosinternacional. No momento colabora com Institut so próximo , brincávamos de bicicletas, tomávaCultive Art Littérature et Solidarité na qualidade de mos banho de rio, andava a cantarolar nas relvas às Déléguer Titular do Núcleo Cultive Feira de San- vezes escondidas da família com a nossa turma da tana BA Genebra/ Suíça e Embaixadora em várias vizinhança. A adolescência foi em uma época do Confederações e Academias a nível nacional e in- grito de liberdade, com expressões no vestir , no faternacional. lar, no escrever, as lindas canções estavam aflorando nos corações de uma juventude saudável . Pois Nas causas culturais e sociais defende a condu- bem cedo começou a trabalhar conseguido adquiri ção das palestras socioeducativas com determi- tudo aquilo que uma jovem humilde sonhava, nados tópicos apresentando os seus escritos como sem deixar de ajudar o próximo sem alarde do que fonte de auto ajuda contribuindo diretamente com era feito, como pessoa física não gosto de alarde! 130

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serviços deles; enfim a vida é regida pelos irmãos Sobre o lado profissional, Zezé foi a primeira nos dando as mãos. Temos casos de pessoas que mulher bancária a ser gerente geral no recôncavo contribuíram diretamente para as nossas escaladas baiano em uma Instituição Financeira da Amé- nos sucessos das nossas vidas com as Bênçãos de rica latina e nesta mesma Instituição chegou a se Deus. Todos os seres humanos precisam abaixo aposentar. Casou-se com o seu trabalho, com a li- de Deus, de pessoas em devido momento com as teratura e a arte, porém Deus com a sua Sabedoria mãos estendidas para suprir as necessidades do deu-lhe a oportunidade de Ser mãe de um lindo momento, sejam elas material ou espiritual . Na bebê o qual foi passado todos os ensinamentos do minha vida, várias pessoas já estenderam as mãos respeito ao nosso Deus todo Poderoso , olhar o ser nos quesitos de apoio emocional. humano com amor e dedicação, hoje ele é um Doutor respeitado por todos que o cercam. Para Na minha história eu não mudaria o rumo que que possamos ser bem-sucedidas (os) em alguns houve em minha vida, uma vez que olho e vejo tópicos é preciso acreditar que você possui uma como fui tão abençoada na passagem dessa exisforça Superior que lhe rege (Fé em nosso Deus, tência e sigo esperançosa que consigamos chegar o Criador dos Céus e da Terra) e determinação nos último momento da minha passagem, na Paz, disseus propósitos. Porque não existe vitórias sem ba- tribuindo saúde e alegria na expectativa de encontalhas: encontraremos vários desafios na vida em trar a redenção na eternidade. que nos são apresentadas, e é preciso superá-las. Claro que a cada dia nos lapidamos em certas Gosto mais de servir do que ser servida; acredito visões, porque ao passar do tempo aquilo que você que as bênçãos multiplicam quando nos desprenpensava que era o errado, é o certo e o que era o demos de algo que tanto precisamos para ver o certo é o errado, temos que seguir as mudanças do nosso próximo feliz em determinada necessidade. tempo sem perder os nossos valores. Isso é quando as pessoas querem reconhecer que a felicidade não está nos bens materiais, claro que é Houve mudanças em minha visão de hoje para preciso para a nossa sobrevivência, mas uma boa a do passado em alguns seguimentos, sim: atual- amizade que eleva a sua uto estima você fica mais mente tenho um olhar mais cauteloso, mais ama- produtiva em saber que você existe como ser no oldurecido! A ingenuidade da juventude às vezes nos har daqueles que tem uma visão diferenciada. impulsionou para decisões repentinas. Nossas vidas são elaboradas de projetos e precisaEm nossas vidas haverá sempre as bifurcações ,e é mos colocar em pauta na hora exata para alcanpor isso que temos o livre arbítrio , como se falou çarmos o que almejamos. Agora mesmo, isso que anteriormente; na juventude o agir é impulsionado estamos fazendo é um seu projeto dando ênfase por decisões momentâneas. Já o amadurecimento aos projetos de várias vidas; levar uma proposta quando adultos, experientes de casos anteriores , o socioeducativa aos demais que gostam do melhor agir nos coloca em uma melhor posição de escol- conteúdo humano. Para mim, ajudar ao próximo has. A melhor forma de mudar uma visão de algo já é normal em minha existência! Temos particique você desconhece, é ler. pesquisar e se conectar pações na vida do nosso próximo com esmero, às com Deus para dar-lhe sabedoria em certas estra- vezes as pessoas pensam que ajudar é só dar dintégias com situações inesperadas na prova do exis- heiro, mas não: uma palavra de amor em determitir. Uma coisa fundamental é a convivência com nado momento não tem preço. pessoas que tenham a mesma capacidade racional, emotiva e pluralista que produzem a vibração que As nossas vidas são regidas de projetos. Deus quané preciso. Nada de contaminar a essência do seu do colocou o sopro existencial, conectou a criatura próximo, a melhor solução de viver em paz é o ao Criador, Ele nos deixou belas oportunidades em silêncio em certas situações. nossas caminhadas, porém em virtude da ignorância humana deparamos com situações adquiridas Claro que crescemos com o apoio de algumas pes- por nós ou por outras pessoas contaminadas pela soas: até mesmo o nosso alimento, só adquirimos esfera negativista. É só abrirmos as portas do nosso porque os agricultores cultivam, mesmo que ten- templo sagrado que se farão presentes os seus prohamos o dinheiro para comprar precisamos dos pósitos existencialistas. Revue Cultive - Genève

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Apoiamos vários projetos culturais no Brasil e na Europa, participando dos movimentos apresentados na esfera das minhas condições do SER, do EXISTIR e CONTRIBUIR para que possamos fazer um mundo melhor.

O QUE É O NATAL? - Maria José Negrão

É algo extraordinário em sabermos que o único mediador para recuperar o ser humano da morte eterna seria o próprio Deus em forma humana. Por conseguinte, foi através de uma natureza perfeita e integral de verdadeiro homem que nasceu o verdadeiro Deus. Tendo em Si a perfeição suprema e a humanidade com excelência. Um Ser foi, é e será por nós. O NATAL não é tão somente o NATAL: é a data do nascimento de Jesus, o Cristo. Independente de essa data de 25 de dezembro ser exatamente a de Sua chegada entre nós, é o dia de unirmos os nossos ideais, confraternizarmos os nossos perdões. Além disso, devemos sempre, saudar os (as) amigos(as) e os familiares com palavras de amor, abraços e até mesmo presentes. Este é o momento de estarmos irmanados no Amor Divino, em comunhão de alegria e gratidão.

Interessante é quando falamos em Natal, vem logo à nossa mente, presentes, árvore do pinheiro, louvores, presépios, confraternizações com os amigos e familiares. Porém, o fundamento do dia de Natal na verdade, é o nascimento de uma nova vida que, simbolicamente e historicamente, foi direcionada para o nosso Salvador. Justo é festejarmos o seu nascimento que representa o nosso renascer em conjunto com várias pessoas (o nosso próximo), independentemente de elas serem de nossa família Acredite, o Natal existe em cada um de nós, quer de sangue. estejamos em lares menos abastados ou naqueles de mais condições. Contudo, se não estivermos Certas vezes, fico a pensar: -Ora, se Jesus Cristo foi crucificado na Páscoa e com os corações repletos dos princípios Cristãos alguns povos comemoravam e comemoram tal não estaremos completos. evento no mês de março ou abril, então, segundo a história, quando tudo isso aconteceu, Jesus esta- Por tudo isso, creio em Deus Pai todo Poderoso va com 33 anos e seis meses. Fazendo as contas que o sentido do Natal é esse: a comunhão do amor em escala decrescente do Sacrifício até seis meses entre os seres formados pelo Supremo com a máxiantes, podemos deduzir que Ele não nasceu em ma perfeição vibracional emanada do seu grandioso coração. dezembro e, sim, em outubro. Segundo a história, Ele possuía um temperamento forte, era dedicado, tinha coração grandioso. Não sendo petulante, tenho cá minhas dúvidas: será que o nascimento d’Ele não foi em 25 de outubro? Tem muita a ver com as suas manifestações e decisões sobre os seus propósitos quando viveu entre nós em natureza humana. Assim sendo, por suposições minhas, acredito que somos do mesmo decanato. Conforme as Escrituras, Ele era o próprio Deus, que no princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus e Ele também era homem porque o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,1,14). Isso nos diz que a humildade foi assumida pela Majestade, a fraqueza pela Força, e a mortalidade pela Imortalidade. 132

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Essa é a minha reflexão para este Natal. Que cada um celebre em Paz e com muito Amor.


NORMA BEZERRA DE BRITO cronista e contista, com algumas incursões na poesia é a grande vencedora do concurso Grand Prix Femme Littéraire na categoria conto com a obra MInhas bonecas tristes. “uma única coisa é necessário: a solidão; a grande solidão interior”. O silêncio. POETA, O ARTESÃO DA PALAVRA.

Termino parabenizando a todos os poetas do gruNo garimpo das letras, o poeta extrai sonhos, be- po, esses grandes artífices da palavra, e formulando lezas, espantos; sofre a dor do mundo cantando o duas perguntas: 1- o que teria sido de nós /nesses verbo. Faz do dia a dia uma celebração da vida. No dias sombrios da pandemia/ se não fossem os/as mergulho interior, ele/ela transfigura matéria bru- poetas? 2- o que seria da vida sem os/as poetas? ta em sentimento profundo. Adélia Prado diz: “se você avista uma pedra e a vê pedra, então necessita esperar que seu olhar a veja como uma rosa”. Essa transmutação do real para o imaginário é o exercício constante do vate, que o faz com o que emerge da alma, do âmago do seu ser. Quanto a isso, Cecília Meireles afirma: a vida, a vida, a vida só é possível reinventada. Uma das molas propulsoras da vida é a poesia. Com sentimento intenso e habilidade de dispor as palavras com ritmo, sonoridade, metáforas, imagismo, entrelinhas, o não dito, o poeta transmuda o real, tantas vezes sofrido, em alegria para os leitores. A palavra é o abraço universal. Ela nos permite viajar, alçar voos inalcansáveis. Os amantes da poesia experimentam um encantamento e exercitam o gosto por essa arte, tão envolvente, degustando cada verso, cada ritmo, cada silêncio. Para Rilke, Revue Cultive - Genève

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Renda Renascença A Renda Renascença é um Bordado trabalhado com expressiva arte e com as mais belas demonstrações de amor e habilidade manual das artesãs do Nordeste Brasileiro, onde a liberdade da artista se revela no bordar dos pontos, nas cores e desenhos que são feitos com linha e uma fita, conhecida por lacê, tudo bem trabalhado com o requinte da imaginação criativa. O feitio da renda já indicava, no sucesso da produção, o futuro que tanto se esperava, onde pudessem ajudar na educação dos filhos e da família, proporcionando-lhes mais segurança e o conforto necessário para sobreviverem. O trabalho se expandiu, resultante da conquista diária, elevando a auto estimada e a autonomia, atraindo cada vez mais rendeiras que se formavam em grupos que se dedicavam cada vez mais na criação de novas ideias. Com efeito, surgiam novas possiblidades com relação a outros tipos de bordados feitos em linho. Com essa consciência, passaram a ser assíduas na produção da renda e a divulga-la através das vendas em feiras livres, atraindo compradores que vinham de outras regiões, contribuindo para que que a arte da renda se expandisse. Como resultado, cruzaram 134

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mares e oceanos e foi, com certeza, a grande chance de iniciar uma bela história de desenvolvimento artístico e cultural naquele pequeno povoado que, pelas graças de Deus, nasceu entre serras e campos verdejantes, de cachoeiras cantantes, de manhãs frias e de sol brilhante, onde as quatro estações do ano até hoje são intensamente vividas na sua plenitude. Nesse contexto de positividade tão frequente, havia em todos uma energia compartilhada. Na verdade, era como se fosse uma só família, apenas separados por paredes ou muros que não eram de ideologia, crenças, tão pouco de pedra. De pedra, só a formação rochosa na geografia daquela terra amada que inspirou muitos poetas e violeiros nas feiras dos sábados a tocarem as suas violas, formando parceria nas trocas de versos e rimas, com temas que diziam respeito a cultura da região, aos aplausos de um público cativo. As lembranças são tantas e tão intensas que por vezes se tem a impressão de vive-las no presente. Ah, tempo! Tempo incerto, diz-me porque tu corres ...corres tanto, tão de repente?

E a viola da alma toca o poema: Rendeiras da minha terra É de sol a sol de folhas ao vento de primavera a verão de outono a inverno das alegrias que acalmam das tristezas passageiras de frutas belas vermelhas


Bordado a arte e ações de ual das iro, onde evela no cores e m linha e cê, tudo uinte da da renda rodução, va, onde ação dos ionandoconforto m.

ltante da a auto atraindo que se que se

RENDEIRAS DA MINHA TERRA a sua inspiração primeira e como num passo de mágica fazem surgirem em buquês belas flores de laranjeira. O destino dessas flores na renda bordada vem com muita história a contar cada uma em seu lugar perfumando as passarelas e os mais distintos caminhos na arte da renda brilhar. Avani Peixe.

Com essa consciência, passaram a

ser assíduas na produção da renda e a divulga-la através vendas em colorindodas a natureza feiras livres, atraindo com as florescompradores da parreira que vinham de outras regiões, contribuindo de folhas secas caídas para que aque a arte da renda se nova vida que chega expandisse.de Como resultado, pássaros voandocruzaram e mares e oceanoscantando e foi, com certeza, a grande chance de da iniciar cantiga ribeirauma bela

da paz promessa querida a ausência da certeza de solos secos rachantes de rios secantes vida da rendeira fé na vida, no trabalho o sucesso pleiteando E a natureza Por capricho põe dote a real beleza há calmaria reinante na lua cheia que chega à minguante derradeira de céu limpo e estrelado e de céu azul nublado de manhãs alumiadas projetadando com leveza às mãos das eximias rendeiras riscando com delicadeza no papel manteiga

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lliteratura HOJE É DEZEMBRO Dinheiro, esqueça Esperança, aconteça Zebra, nem pensar Euforia, aumentar Meiguice, triplicar Bondade, espalhar Risos, partilhar O Salvador, adorar. Que «amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo» seja vivido com força e cumplicidade. Que papai noel nos surpreenda trazendo vacinas ao invés de brinquedos. Que façamos um firme propósito de nada pedir ao menino Deus, prometendo- lhe apenas doar um pouco de nós aos carentes de pão, amor e dignidade. Que vivamos DEZembro como igreja: um só corpo e muitos membros. Paz e bênçãos Feliz Natal Nagesia Diniz 01 12 2021

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A coragem de Jacinto Autora: Izabel Lembro-me a primeira vez que vi um disco voador. Muitos amigos diziam que eu era doida, que tinha imaginação fértil ou mesmo uma velha escritora... Mas, vi várias vezes, essas naves incríveis, brilhantes, e as vezes, tentando se comunicar comigo.

Que inveja da coragem de Jacinto! Hoje, na era espacial, trabalha na NASA, investigando os discos voadores que bailam no céu. Um brasileiro fazendo parte das futuras viagens para Marte e quiçá para outras galáxias!. Só de ver Jacinto, um caipira que lia livros do lixo, fazendo parte dessa nova era galáctica.

Felizmente, tem um Jacinto brasileiro, que enche meu coração de orgulho... Um exemplo para seres como eu. Imagina só, fazer parte da nova era, a era Jacinto, irmão de Jairo e eu nascemos em Nova Eu- dos discos voadores, a era da futura morada dos ropa, nossa cidade natal, pequena vila, fundada aos seres humanos em Marte! imigrantes, vindos do pós-guerra de 1938. Jairo cuidava do gado, e Jacinto procurava livros na lixeira de Seu Bruce, imigrante italiano, doido de pedra, que lia seus livros e depois jogava no lixo, dizendo que brasileiro era burro, imbecil, ignorante, e que não precisava ler. Eu era adolescente e não entendia muito aquilo. A gente estudava em um grupo escolar, no qual eu não gostava nem um pouco de participar. Eu, Jairo e a molecada jogávamos pião na rua esburacada, enquanto Jacinto lia e estudava sem parar. O tempo passou... Jairo continuou semianalfabeto, enquanto a gente comentava a coragem de Jacinto, estudando e conseguindo se formar na difícil faculdade do ITA, em São José dos Campos, que forma futuros Engenheiros Espaciais. Revue Cultive - Genève

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Você é fruto da mais perfeita essência, Que o tempo levou embora, Só ficou a saudade estampada em minha memória. Para onde você foi, jamais vou esquecer, Lembro-me naquela sala bem pertinho de você... Eu olhava e dizia: Jamais vou esquecer àquele grande dia em que eu me afastei de você.

EFEITOS DE SEUS ABRAÇOS Lembrei-me de abrir a janela do tempo Mergulhar no vazio de minha alma Sinto-me sem vida, sem aconchego Sem o calor dos teus (a)braços Nas noites obscuras, posso ver o escuro do meu quarto Sei que o tempo não vai voltar... Olhar em teus olhos Poder te abraçar Não, mais! O frio me atormenta e o teu nome passo a chamar Bem sei que próximo de mim nunca mais vai estar Na velocidade do relógio, você partiu a me deixar. Sinto falta de você, minha mãe! Nunca mais poder te abraçar É saudade sem fim! Ah, se o tempo voltasse... Em teus braços eu iria debruçar... Pediria a Deus pra fazer o tempo parar. 138

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Os dias vão passando, as noites chegando... A dor do peito cada vez aumentando, Nunca mais vou poder lhe dizer: --“Mamãe, eu te amo! Hoje eu sei do que é feita a dor... Jamais vou esquecer daquele seu cobertor que me curava do frio de não ter mais o seu amor. (Padre Ernane) Bom Lugar (MA), agosto 2021.


– exemplo: “ile”, “le” (outra vez: que absurdo, nunca vi nada disso). O GÊNERO “NEUTRO” OU A “NEUTRALIZAÇÃO” DE GÊNERO Escritor, editor e revisor – Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, que completa 41 anos em 2021. Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br Tenho visto algumas matérias sobre a “neutralização” do gênero na língua portuguesa, no Brasil, algumas contra e algumas a favor. Digo no Brasil, porque em Portugal não vejo isto. O que também não tenho visto é alguém usar essa novidade, nem em jornais, nem em revistas, nem na televisão, nem na internet, nem ao vivo e a cores. Tá certo que tenho mais de sessenta anos, mas tenho muitos jovens nas minhas páginas em redes sociais, pois sou professor e escritor. Importante frisar que leio meia dúzia de grandes jornais brasileiros todos os dias. Mas vamos ver primeiro o que é o “gênero neutro”, que alguns insistem que são de emprego corrente, atualmente: “uso de feminino marcado no caso de substantivos comuns de dois gêneros – exemplo: “ a presidenta” – pergunto: vai ser “a estudante”, também?; emprego de formas femininas e masculinas, sobretudo em vocativos, em vez do uso genérico do masculino – exemplo: alunos e alunas, ao invés de Alunos!; inclusão de novas marcas no final de nomes e adjetivos, como “x” e “@” – exemplos: “amigx, amig@” (que coisa absurda, não? Isso não é linguística, nem gramática: o símbolo @ nem ao menos é uma letra); ampliação da função de marcas já existentes, como a terminação “e” – exemplo: “amigue”; e alteração na base de pronomes e artigos

De novo: não vi, ainda, em lugar nenhum esses disparates como “amigx”, “amig@”, “ile”, “nile”, “dile”, “aquile”, etc. Essa não é uma questão linguística, pois essas novidades não são de uso comum, não são de uso geral, pelo contrário, é de uso bem restrito. Línguística é o estudo da língua como ela é falada, mas o presente caso da “neutralização” de gênero está se constituindo mais em uma imposição, por que não é de uso geral. Para que querer fazer mudanças na língua – mudanças que não são relevantes, nem inteligentes, nem necessárias – numa época tão difícil, quando precisamos priorizar a educação, que está falida em nosso país? Tivemos dois anos sem aula nas nossas escolas, infelizmente, devido à pandemia, a educação já vem sendo sucateada de há muito tempo, o abandono do ensino no Brasil é flagrante, então por que querer fazer mudanças, bagunçando ainda mais o sistema linguístico? Não temos obrigação de saber a preferência sexual de cada um e nem todas as pessoas homo querem ser identificadas, porque o que fazem na vida privada é direito de cada um, não interessa a mais ninguém. E se não soubermos isso, como usar as “neutralidades”? Então o tratamento para as pessoas do “terceiro” gênero é uma questão de educação, de novo, para não esquecer. E de respeito. Precisamos tratar com respeito todas as pessoas, para merecermos que sejamos tratados com respeito também. Se nos tratarmos com respeito, não é preciso inventar palavras novas para identificar o “gênero” de uns e de outros. Precisamos parar de dar destaque a debates sobre assuntos que não são prioridade geral e dar imRevue Cultive - Genève

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portância a temas prementes, como o resgate da educação no Brasil. E quando falo educação estou falando de ensino, conforme reza o dicionário português. Ensino, coisa tão menosprezada em nosso país. Há que se estruturar o ensino para que tenhamos um povo que possa escolher o que realmente é prioridade e assimilar, se for o caso, uma nova atualização na língua, desde que linguisticamente amparada, é claro. Porque a mudança que querem fazer parecer necessária é uma imposição arbitrária e descabida, beirando o ridículo. Respeito quem acha que ela é necessária, mas respeito também a grande maioria do povo brasileiro que nem sabe do que se trata. Que as mudanças sejam usadas entre as pessoas que querem usá-las, tudo bem. Se o uso se generalizar, o que duvido muito, quem sabe será o caso de voltar a discutir a sua inclusão?

Todo ano é a mesma coisa: com quase três meses de férias escolares, o Estado deveria providenciar, nesse espaço de tempo, para que fossem feitas obras de reforma em várias escolas públicas. Mas não é o que acontece. As aulas iniciam e as escolas continuam, muitas delas, em mau estado. O que será das crianças que precisam estudar? Vão entulhar dezenas de estudantes em pequenas e precárias salas, piorando ainda mais a qualidade do ensino que já vem sendo sucateado pelo poder público, em nível nacional, há tanto tempo?

Como disse a apresentadora, com esse tratamento à educação, como não esperar a escalada de terrorismo que vem se instalando pelo mundo? E o descaso não é só com a educação. É com a saúde, com a segurança, com tudo. Não temos policiais **************************** nas ruas. Não há policiais suficientes e os que exisSOMOS UM PAÍS SEM EDUCAÇÃO tem estão prestando serviço em gabinetes de rePor Luiz Carlos Amorim partições públicas, para políticos, na maior parte das vezes. No que diz respeito à saúde, as pessoas Ainda antes da pandemia, uma apresentadora de continuam esperando, esperando e esperando para telejornal, ao chamar mais uma das tantas matérias serem atendidas. Morrendo à espera. Sem médicos, sobre o abandono das escolas, por parte do Esta- sem enfermeiros, sem equipamentos, sem remédo, disse uma coisa muito importante, para a qual dios, etc. E morrendo de covid, também, além de venho chamando a atenção faz um bom tempo: se tantas outras doenças que ficaram esquecidas dunão tivermos escolas em condições de receber os rante a pandemia. estudantes, se não tivermos professores bem pagos e um conteúdo curricular minimamente apropria- Senhores administradores da coisa pública, em todo, não podemos esperar que tenhamos cidadãos dos os níveis, está na hora de dizerem a que vieram. educados, esclarecidos, produtivos e honestos. Está na hora de trabalharem, de fazer o seu trabalho. Pagamos muito aos senhores “políticos” para Com a violência, o banditismo e o tráfico de drogas eles apenas se apoderarem de recursos públicos e se intensificando cada vez mais, a apresentadora legislarem em causa própria. E quanto a nós, ciresponsabilizou o abandono da educação pela for- dadãos e eleitores, está na hora de cobrarmos promação de terroristas e bandidos. E esse abandono é vidências, de tomarmos providências. Já é hora de visível para quem quiser ver, conforme a televisão e se fazer alguma coisa. Já está mais do que na hora. os jornais vem mostrando: escolas estaduais inter- A corrupção e o abandono, o descaso com a coisa ditadas por absoluta falta de condições de receber pública e com o povo, finalmente estão conseguinalunos e professores, caindo aos pedaços, literal- do falir o Brasil. mente. E nos últimos dois anos, ainda tivemos a pandemia, para complicar a situação ainda mais. Com a chegada da covid 19, o abandono foi institucionalizado, não havia mais motivo para disfarçar. Isto tudo,sem falar que o INEP, organizador do Enem, certame que está se transformando no novo vestibular para ingresso a cursos superiores, foi esvaziado, com mais de trinta demissões, por interferência do desgoverno no concurso. O presidente diz agora, o "Enem está com a cara do governo". Do desgoverno, ele quer dizer. 140

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ENTREVISTA Quem é você? 1- Seu nome, cidade e origem. Onde reside? Sua profissão? Meu nome é Amélia Costa resido na Alemanha, sou oriunda do Brasil, nascida no Rio de Janeiro. Tenho formação de Professora em Educação Pré Escolar, espicializada em Educação para criança de 0-3 andos de idade, 3- Sua relação com o meio ambiente, com o homem? Com meio ambiente me relaciono muito bem, sou cuidadosa com o meio ambiente, e partilho que devemos fazer algo JÁ para conscientizar mais. Com o ser humano a coisa complica, pois no nós pessoas, há sempre a divergência de pensamento e diversidade no ser, nunca irá uma concordância total, e é o que nos impele a transformar, e mesmo no mal fazer o bem vencer. 4- Fale da infância, da adolescência, da mulher esposa e mãe, da mulher artista ou mulher esportiva, da sua ideologia e objetivos. Falar di si próprio é bastante difícil, pois por mais honesta que uma pessoa que ser, sempre faltará um pouco de autocrítica. Mas vamos lá minha infância foi boa e comum, minha adolecência foi bastante normal tudo e todos eram contra mim, relbedia pura. Amava ginástica e já escrevia. Casei 3 vezes, se vier uma próxima não sei se irei estar preparada, não digo nunca, mas sempre talvez. Amo meus filhos e sempre acho que poderia ter feito melhor. A

arte me acompanha há décadas, já fiz diversas coisas na área artística, pois sou impulsiva e gosto de experimentar sempre, e a usar para realizar minha ideologia, pois este é um momento de ideiais diversos e necessários e o melhor arama de luta é a ARTE. Não gosto de esporte, prático por que preciso, mas adoro caminhar, principlamente em bosques. 5- Que caminhos percorreu, até chegar na mulher que é hoje? Aos 60 anos, devo confessar que a estrada caminhada foi longa, e quero ter pela frente a mesma quantidade anos de caminhadas e descobertas. Não só abracei, mas também recolhi e armazenei pedras, ensinamentos assim como vitórias. 6- Você mudou como pessoa? Em que você mudou? O que a fez mudar? Certamente, depois de tantas experiências a mudança acontece. Mudei principalmente na relação com a minha pessoa. As mudanças aconteceram radativamente, logo nas primpeiras tenativas de sair do ninho, e foram se intensificado a medida que as vivência positivas e negativas se intensificaram. 7- Onde e como encontrou força ou coragem para tal mudança, para conquistar seus objetivos? Faria tudo outra vez? Alguns passos que dei foram após a retirada do câncer de mama, deparar coma morte não foi somente Revue Cultive - Genève

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vencer um obstáculo, porém encontrar âmago da 16- Quais seus projetos futuros. minha força. Próximo projeto é escrever séries, ideias não faltam, algumas já estão no papel. 8- Em que momento da sua vida a sua estrada bifurcou e como você fez sua escolha e para onde ela 17- Deixe sua mensagem final. te levou? Respirar é vida, a use de forma que benéfica, pois Na minha estrada sempre teve bifurcações, nunca há um motivo pelo qual você ainda respira, faça o houve uma linha reta, estou esperando as próximas seu melhor. que ão de vir. 18- Se você imigrou, quais os motivos que a le9- Alguém em particular lhe deu a mão? varam a sair do Brasil? A não ser minha mãe, use as pedras para poder Em meu coração eu não migrei, é fato atual o mosempre me reerguer, creio que soube como usá-las mento onde estou, pois sou parte da natureza e o bem. planeta terra e meu habitat. Nasci no Brasil e Alemanha me adotou, me deram um ambiente para 10- Qual é a importância de RECEBER apoio? que florecer e frutificar como ser humano. Ajuda a conquistar mais rápido as metas propostas. 19- Quantos anos mora fora do Brasil? 11- O que mudaria na sua história? Lá se foram 26 anos. Seria com certeza um escritora/contista de estória famosa, e poderia viver de minhas criações, seria a 20- Pretende voltar? glória. Quando for á hora, se tiver que ser. 12- Você considera que a sua vida foi fácil? Nem pra nascer, mas não me queixo, pois minha tragetória me fortaleceu.

21- Conseguiu se estabelecer e integrar no país que escolheu? Como disse ele me escolheu, não era para ficar. Sim me sinto integrada trabalho e vivo e foi onde 13- Quais as causas e projetos culturais e/ou sociais a sementinha da criação desabrochou e está sendo que você defende ou apoia? Você colabora ou par- cultivada. ticipa de associações culturais? Você criou alguma associação, ou empresa fale dela. 23- Conte um pouco dessa mudança de vida? Causas sociais são pra mim de grande importância, Trasnformação e aprendizagem total, e mudou principalmente a discriminação, racismo, qualquer muito minha vida, pois vejo mundo com outros tipo de intolerância. Participo – delegada estadual olhos. – de uma Associação de mulheres na Alemanha de grande repercussão européia. Criar uma associa- 24- O que você conseguiu alcançar mudando de ção voltada para uma das minhas idelogia, é uma país? vontade que ainda não pude realizar, mas não per- Exercer meu grande amor a arte. co a esperança. 25- O que é mais difícil para se estabelecer em um 14- O que deseja alcançar ainda? Seus projetos? novo país? Ver um dos meus livros se tornarem filme. Próxi- Normalmente a lígua e a diferença cultural. mo projeto é escrever séries, ideias não faltam, algumas já estão no papel. 26- Que conselhos você daria a uma mulher que deseja imigrar ou a um homem? 15- Qual a mulher na história que você se assemel- Que se prepare bem e esteja relamente preparado/a ha? para as mudanças, mesmo as mais radicais. A mim mesma, pois sou partes de mulheres responsáveis por eu estar neste mundo, e tenho 27- Tem diferença entre a adaptação feminina e parte de mulheres que conheci ao longo de minha masculina no país estrangeiro? história de vida. Não sei dizer, pois sómposso falar de minha experiência como mulher, e nem posso igualar as de ou142

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ENTREVISTA é cearense e mora em Fortaleza – Ce. Ela é filha de João Vidal Neto e Julieta do Bomfim Vidal. Ambos cearenses e que vieram do interior para a capital tentar dias melhores. Seu nome é resultado de uma promessa feita antes do seu nascimento. Sua mãe era gêmea com a Júlia, que estava muito doente, desenganada mesmo pela medicina. Então ela pediu para a mãe de Liduina fazer uma promessa para Santa Liduina. A cura aconteceu e ela deu o nome de Liduina a sua filha. Seus pais eram humildes, ele dono de um pequeno comércio. Foi consenso na família, que os filhos deveriam estudar e superando todas as dificuldades conseguiram formar os filhos. Ela estudou em escola publica até o final do Ensino Fundamental. No Ensino Médio , como não havia escola publica acessível, sua mãe conseguiu uma bolsa de estudos numa escola católica -O Colégio Redentorista.

ma escola que estudou no ensino médio. A filosofia da escola reforçou o seu olhar sobre a igualdade de oportunidades que todos os cidadãos devem ter. Em 1997 participou de um encontro da Escolas Católicas. Lá apresentou alguns jogos elaborados por ela mesma que facilitavam a aprendizagem dos conceitos da Matemática. Por conta dessa apresentação foi convidada pela Sra. Maria Amélia Leite para ir lecionar a disciplina de Metodologia da Matemática para os professores da etnia Tremembé. Eles estavam se preparando para ter uma escola diferenciada que favorecesse a aprendizagem a partir das suas vivências e da sua identidade.

Liduina concluiu o ensino médio e cursou Pedagogia Magistério na Universidade Estadual do Ceará.

Participou de outras oportunidades de ensino e aprendizagem com os povos indígenas no Ceara, quando a Seduc-Ce organizou a formação de Magistério Indígena. Entrevista com Liduina

Liduina Vidal de Almeida

Em janeiro e depois em março de 1998 , ela e dois filhos menores passaramm vários dias na aldeia Tremembé em Almofala e Varjota, localidades de Itarema – Ce. A experiência foi riquíssima. Ela sempre diz: «aprendi mais do que ensinei».

Enquanto Universitária trabalhou no MOBRAL. Movimento Brasileiro de Alfabetização. Essa experiência deu subsídios que a formaram como professora com um olhar para educação popular. 1- Você é uma guerreira? Logo que se formou começou a lecionar na mes- Sim. Chegar até aqui com desafios, lutas, derrotas, risos e lágrimas, fazem parte da trajetória de toda Revue Cultive - Genève

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mulher que enfrenta as nuances do patriarcado. 2- Como define a vida?? A vida é um mar. As rosas e ou os espinhos aparecem durante a travessia. As vezes temos um grande navio pra transpor as ondas e avançar. Outras tantas, temos frágeis jangadas ou talvez apenas nosso corpos para continuarmos navegando . O importante é seguirmos.

6- Qual o caminho para ser um escritor? Qual receita para escrever um livro? O caminho é árduo e gratificante ao mesmo tempo. O inicio é mais difícil, porém é imprescindível iniciar. Escrever, ter disciplina, estudar, ter humildade e persistência.

7- Qual o caminho para ser um poeta? 3- Você mudou como pessoa? Em que você mu- Deixar a alma ser escrita e ser acessada através das dou? O que a fez mudar? palavras. Mudei sim. E continuo mudando. Da menina protegida e amparada, fui me transformando na A obra mulher, depois na mãe, e agora com a maturidade em avó e principalmente amante de mim. Minha 8- Que tipo de arte você realiza? Cite suas obras. estrada se bifurcou quando aconteceu o oficio de Apresente as capas dos seus livros. ser professora. Usando as palavras de Raul Seixas “ Escrevo a vida e tudo que ela apresenta. Prefiro ser essa metamorfose ambulante”. O apren- O Livro: O Muro e o Jardim – Categoria 3- Litedizado se faz presente a cada instante. ratura Infantil. Paic Prosa e Poesia do Governo do Estado do Ceará. 2018 4- Onde e como encontrou força ou coragem para O Livro: A pajé o Poty e os primos – Literatura Intal mudança, para conquistar seus objetivos? Faria fanto Juvenil. Mais Paic Mais Literatura do Govertudo outra vez? no do Estado do Ceará. -2019 “Navegar é preciso. Viver não é preciso”. Como já disse anteriormente, na travessia da vida vamos en- A Escrita de Liduina contrando maneiras de chegar aos portos que nos Lunática aparecem no horizonte. Faria tudo outra vez! Depois de toda essa experiência na tribo de tremenbé o que você fez? Fiz pós graduação em Metodologias do Ensino Fundamental e Médio. Pela Universidade Vale do Acaraú -2002 e Informática Educativa pela Universidade Federal do Ceará- 2005. A segunda pós graduação me possibilitou conhecer a filosofia do Software Livre e participar como palestrante, de eventos como Latinoware (Conferência latino Americana de Software Livre – 2009 - 2011 em Foz do Iguaçu, e do FISL ( Fórum Internacional de Software Livre em 2012 – em Curitiba. Esse aprendizado propôs que surgisse o blog de atividade www. atividadesnotuxpaint.wordpress.com. Minha trajetória na educação me conduziu para diversos lugares, professora, coordenadora, formadora de professores e a partir de 2018, escritora.

Lua nova Me escondo dos meus medos. Lua crescente Pulsa em mim a vontade de viver Lua cheia Transborda a certeza de seguir em frente Lua minguante Reduz a desesperança Tudo recomeça Reserve um poema para você ler ou uma mensagem. Para ouvir palestra com a Liduina clic no afiche

5- O que desejar alcançar ainda? Seus projetos? Escrever livros, ensinar e aprender com as questões indígenas, Organizar um centro de conversa para mulheres e pessoas que estão a margem da sociedade. Para assistir o painel com a Lúcia clic no afiche 144

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tras mulheres, visões e caminhos nunca são iguais.

37- Você irá participar do Congrés Cultive International Culturel Feminin (congresso Cultive Inter28- Como começar uma atividade no país que você nacional Cultural da Mulher) em novembro? Que mora? tema você vai ou gostaria de abordar? Só quando for o caso, pois o país que me adotou é A mulher preta em todas as suas facetas, tragetória, muito exigente, seria um prazer. opressão, força. É um tema com muitos caminhos a serem explorados. 29- O que seria necessário para ajudar um imigrante, há diferença entre a mulher e o homem 38- Prepare um poema curto (10 linhas) ou 1 texto imigrante? curto. Há necessidade de saber qual seria a meta desta Respirar é vida, a use de forma que benéfica, pois migração, só então haveria como ajudar. há um motivo pelo qual você ainda respira, faça o seu melhor. 30- Que tipo arte você realiza? Cite suas obras. Apresente as capas dos seus livros. POESIA Sou uma pessoa guiada por minhas inspirações, -------------------------------------------------------pois sou da opinião a arte não pode ser uma pessoa, Reflita! Será que fazes jus ao seu ser divino que hamas sim usar um ser humano para se manifestar. bita em você? Tenho uma fábula e um romance historico publi- Será mesmo que fazes jus a benção, graça da vida a cado, e muitos genêros engavetados, e alguns em ti presenteada? processo de revisão. Quando se rasteja pelo peso de tua subimissão as imposições e crenças que sabes injustas? 31- Você já foi premiada? E segues ignorando, se esquivndo, se acomodando, Nunca participei de concurso, tenho meus mo- por achar que assim viver é bem mais fácil? tivos. Liberte-se desta sociedade medíocre e amoral, sem escrúpulos e limites, que te venda os olhos, 32- Qual é a importância de escrever ou fazer arte? Te fazendo seguir sem pudor, destruindo, opriminEscrever é uma das formas que a arte se expressa. do, pregando o mal incutido no nome do bem. Se tronou meu elixir. Te aniquilando como humano, destruindo teu caráter, a dádiva a te presenteada. 33- Receita para quem aparecer no mercado da li- Não te deixe iludir com palavras, nem que maniputeratura? lem teus atos para a prática da crueldade. Nunca desista, principalmente ser trouxer na pele a Não, não, não deixe que escravize sua alma! Rebecor preta e for brasileira/o. le-se, liberte-se! Se entregue ao verdadeiro princípio divino do bem! Não permita que te eliminem 34- Você importante se posicionar e apresentar como gente, e vires um nada! seus trabalhos no exterior? Se imponha, faça valer o seu eu, teu ser. Lute pelo Pra mim é de uma grande importância, há chance certo consciente, seguindo overdadeiro bem! de ter um reconheciemnto é sem dúvida maior, principlamente os países citados, pois são mais tolerantes. 35- Você está participando da Antologia As Valkyries Visitam o Brasil? Sim, e está sendo uma prezer, uma grande oportunidade de mostrar a outros países meu talento através de minhas obras. 36- É importante falar da mulher e de tudo que gira em torno dela? Muitíssimo, precisamos ampliar o espaço para poder conquistar o que nos é negado. Para assistir o painel com a Lúcia clic no afiche Revue Cultive - Genève

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ENTREVISTA 1- Seu nome, cidade e origem. Meu nome é Eliana Machado. Sou brasileira nascida em São Paulo, capital. Vivo no sul da França, em Nice. Sou poeta, escritora, tradutora, editora, pintora e professora. Sou professora de Espanhol e, quando não estou trabalhando, leio, reflito, escrevo e às vezes pinto. 2-Quais as causas que você defende? Em primeiro lugar, a nossa casa, o planeta Terra e, em segundo lugar, trabalho para que as pessoas se conscientizem de que os animais, os seres invisíveis aos nossos olhos também têm o direito de viver em liberdade, paz e harmonia na Terra. Há espaço para todos, bastando que respeitemos o espaço deles. E, por último, por meio do que escrevo, tento atrair a atenção das pessoas sobre nossas origens e sobre o fato de que não estamos sós neste universo. 3- Sua relação com o meio ambiente, com o homem? Metaforicamente, minha relação com o meio ambiente é como a do bebê em formação no ventre da mãe. É ele quem precisa da placenta; não o contrário. É ela que o nutre; sem ela o bebê não sobrevive. Enquanto estivermos na Terra, dependeremos dela. Minha relação com o ser humano é mais complexa. Passei muitos anos me perguntando por 146

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que certas pessoas agiam da maneira como agiam, sem interesse algum em evoluir, em mudar sua conduta, pessoas com um comportamento psíquico imutável. Então, entendi que há várias humanidades, algumas desempenhando unicamente o papel para o qual foram criadas e outras que, como eu, querem trabalhar na construção de um mundo melhor, pessoas com a mente aberta, em fusão com o meio ambiente e que fazem regularmente um trabalho de reflexão sobre seus atos, para se tornarem seres humanos melhores e viverem de maneira mais positiva, aportando sua contribuição para a elevação imaterial. 4-Ser ou não ser, ter ou ser? Penso que nesta vida só estamos; nada é definitivo, tudo é passageiro. 5-Fale da infância, da adolescência, da mu-lher esposa e mãe, da mulher artista, da sua ideologia e objetivos. Minha infância foi a de uma menina bastante solitária, que só pensava nos estudos. Comecei a trabalhar aos 13 anos de idade. Eu era a melhor aluna do colégio, por isso as vizinhas traziam seus filhos para que eu lhes desse aulas de recuperação em Matemática, Inglês, Português... A seriedade e o afinco com os quais eu encarava os estudos me fizeram ser chacota de certas alunas do colégio. Sofri intimidações na escola, o que hoje seria considerado bullying. Uma tal de Cristina tinha a mania de me puxar pelos cabelos na saída da escola. Um garoto me chamava de “formosura”, talvez por causa das espinhas que apareciam no meu rosto. O fato é que fiquei conhecida como tal. Lembro-me de uma tarde em que uma horda de colegiais me escoltou até minha casa, entre risos e palavras pouco amistosas. Tudo isso porque eu tirava notas altas e não me “misturava” com os bagunceiros da escola. Eu fui uma menina super-recatada.


6-Que caminhos percorreu, até chegar na mulher que é hoje? A denominação de “mulher” me incomoda de certa maneira porque me vejo apenas como um ser. Acho que devo ter vivido várias vidas e possivelmente por isso me identifico com o espírito, que não faz essa distinção. 7-Você sempre foi como é hoje? O que mudou? Felizmente não, mudei bastante e acho que isso faz parte do percurso de cada um. Aprendi com certa dificuldade a aceitar a ajuda de outras pessoas (sempre quis fazer tudo sozinha). Hoje adoro trabalhar em grupo, se for com as pessoas certas, é claro, todas vibrando na mesma frequência. Ainda tenho alguma dificuldade em aceitar presentes. Sinto-me incomodada e nunca sei como reagir. O que não mudou em mim foi meu amor pelos animais, e pelo planeta. Esse só cresceu.

classe média baixa e, quando fiz 18 anos, comecei a trabalhar com carteira registrada, das 8 h às 18 h e fazia faculdade à noite. Meu sonho de viver no exterior ficou guardado em uma parte do meu cérebro até que um dia, já à beira do divórcio, em junho de 1992, recebi uma bolsa de estudos de seis meses do Instituto de Cooperação Ibero-americano (ICI), de Madrid. Então, programei a vida assim: dia 15 de outubro, Dia dos Professores, às 21 horas, peço o divórcio. Sabia que teria 6 meses para reordenar a minha vida. E recomeçar do zero. E assim o fiz. Fui viver na casa de uma senhora que alugava quartos para estudantes. A janela do diminuto quarto não dava para o exterior e eu não tinha o direito de cozinhar. Emagreci bastante, mas aprendi muito naqueles seis meses. Conheci um francês: amor à primeira vista. Ele estava no fim de um relacionamento, então no momento oportuno vim para a França e recomeçamos as nossas vidas.

8-Você é uma guerreira? Com certeza. E às vezes até me esqueço de que devo deixar espaço para o direito de chorar quando não me sinto bem, deixar o meu lado frágil aflorar.

11- Você mudou como pessoa? Em que você mudou? O que a fez mudar? Os anos me fizeram mudar, as experiências vividas, a mudança de país, as leituras e descobertas que fiz.

9-A vida foi difícil ou sempre foi um mar de rosas? Minha vida nunca foi um mar de rosas, até porque não combinaria com a minha personalidade nem teria me ensinado tudo o que sei hoje. Tampouco posso dizer que foi difícil. Sou uma pessoa lúcida e franca; se tivesse nascido em outro país menos favorecido, em um país que não reconhece a igualdade de direitos entre o homem e a mulher, aí, sim, teria sido difícil. Assim também, se tivesse nascido com alguma forma de deficiência física, teria sido mais difícil. Penso que sempre devemos agradecer pelo que temos. Costumo dizer que somos felizes, porém ainda não sabemos disso. E o objetivo na vida é este, ter a consciência de que tudo poderia ser menos agradável e valorizar o que temos no instante presente.

12- Onde e como encontrou força ou coragem para tal mudança, para conquistar seus objetivos? Faria tudo outra vez? O imigrante é uma pessoa corajosa, senão não abandonaria o “conforto” do seu país. Claro é que às vezes não há outra solução, porque ele foge da guerra, da miséria, da perseguição. Quanto a mim, tudo o que eu queria era vivenciar outra cultura, não pensava nas consequências. Porque como disse em uma entrevista em Boston, não pensava naquilo que se perde quando se ganha.

10- Em que momento da sua vida a sua estrada bifurcou e como você fez a escolha e para onde ela te levou? Como você chegou até à Europa e o que a trouxe até? Quando eu tinha 15 anos, tinha planos de uma vez adulta ir para os Estados Unidos, cujo idioma adoro. Na época, meus tios estavam na Alemanha estudando medicina, e eu comecei a aprender alemão. Tinha esperança de poder ir estudar lá mais tarde, mas não foi possível. Nasci em uma família de

13- Alguém em particular lhe deu a mão? Poucas mãos foram estendidas ao longo do caminho. Talvez por eu não tê-las visto, não sei. Sou, sim, agradecida ao meu marido, Bruno, que me ajudou e ajuda muito. Há duas pessoas mais a quem eu gostaria de agradecer particularmente. A primeira é Valérie Lermite, que confiou em mim e me chamou para trabalhar como tradutora português-francês em uma editora prestigiosa aqui na França. E a segunda pessoa, que foi peça-chave no meu processo de vitória contra a depressão, José Antonio Mazzotti, um amigo poeta, que me ensinou muito sobre poesia. Ambas as pessoas chegaram à minha vida no momento certeiro. Revue Cultive - Genève

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14-Qual é a importância de RECEBER apoio? Fundamental. O apoio funciona como um aminoácido essencial, do tipo triptofano, que potencializa a sua energia para fazer algo. Lembremos que vivemos todos conectados ao mesmo sistema, ainda que em estratos distintos. A energia que você dispensa ao estender a mão ativará o plano em que você vibra e melhorará o seu habitat pessoal. 15- O que mudaria na sua história? Como ainda não sabemos se podemos mudar o passado sem riscos para o futuro, não mudaria nada. Tudo o que posso fazer está por vir. E, sabendo isso, devo fazê-lo da melhor maneira que me for possível.

eu fui assaltada quando estava na porta da casa de um amigo conversando, puseram-me uma arma na cabeça e levaram meu carro; o irmão da minha amiga foi assassinado quando sacava dinheiro do caixa... Desde então, a insegurança só tem aumentado, tomando conta das ruas. 20- Como ajudar os Brasileiros no país em que você mora? Como fazem outras comunidades de estrangeiros, com informação. Tudo o que poderia facilitar sua inserção no país, como, por exemplo, onde se dirigir para tirar os documentos, como evitar certos obstáculos, como encontrar um trabalho, etc.

21- Você tem contato com a comunidade brasileira 16- Por que você participa de movimentos cultu- no país de morada? rais? Tenho contato com pessoas que chegaram à França Porque entendi que uma só andorinha não faz mais ou menos na mesma data que eu. Outros já verão. Devemos participar de movimentos cultu- voltaram para o Brasil. rais e intercambiar com os pares. Tenho conhecido pessoas interessantes nos últimos anos e aprendi- 22- Que tipo de arte você realiza? Cite suas obras. do muito com elas. Espero ter podido aportar-lhes também algo de positivo. Entre prosa e poesia, possuo 8 títulos, escritos em 4 idiomas e publicados em vários países: Bra17- Você é estudiosa de uma mulher guerreira. sil, Estados Unidos, Itália, França, México e Peru. Qual a mulher na história que você se assemelha? Minha obra é bastante variada, porém o fil rouge Nunca havia parado para pensar nisso. Na minha é o respeito por toda forma de vida. Neste sentihistória pessoal há muitos exemplos: minha mãe, do, posso dizer que não tive o prazer de conhecer algumas tias, grandes batalhadoras e desbravado- o célebre poeta Paul Withman, mas como ele proras. curo a união com a natureza, como ele, gosto de observá-la, observar os animais, principalmente os 18- O que deseja alcançar ainda? Seus projetos? insetos. E é dela que recebo grande parte da minha Tenho poucos livros de ficção escritos e publicados. inspiração quando escrevo poesia. Nem comecei a dizer tudo ao que vim. Meu desejo é poder escrevê-los todos e atingir pelo menos Quanto à prosa, tenho predileção pelas histórias 30% da população mundial. E, nesse meio tempo, fantásticas. O primeiro tomo da minha saga de ver a minha saga de ficção científica que começou ficção científica Brasil: aventura interior, põe em com Brasil: aventura interior ser adaptada para o cena um encontro entre adolescentes e um extracinema. Fica aqui a chamada para os diretores de terrestre. Este romance recebeu em 2017 o prêmio cinema. de melhor romance Talentos Helvéticos Brasileiros . III (Suíça). Entre outros prêmios que recebi, des19 - Por que as pessoas imigram? tacam-se, em 2016, o Prêmio Excelência Literária Tenho vários amigos e parentes no Brasil que bus- da União Hispanomundial de Escritores (UHE) e cam emigrar para fugir da falta de segurança, da em 2014, o prêmio de Melhor Autor Estrangeiro criminalidade que cresce a cada dia e se torna cada da União Internacional da Imprensa Francófona vez mais violenta. Quando vivia no Brasil, meu (UPF) de Mônaco. pai foi esfaqueado na perna durante um assalto na empresa onde trabalhava; meu sogro foi roubado Poesia: Blanco en el blanco (Brasil, Scortecci, 2010), e sequestrado; minha prima, irmã e eu fomos alvo Locus brasilis (Peru, Ed. Mesa Redonda, 2012, de bandidos quando estávamos em um merca- prólogo de Raúl Zurita), Succès Intimes (França, di-nho (quiseram levar minha irmã como refém); Les Éditions des Trois Rivages, 2014), Hommage 148

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poétique à César Vallejo/Homenaje poético a CéCARNE E TAL sar Vallejo (França, Les Éditions des Trois Rivages, 2015), À queima-roupa (Brasil, RG Editores, 2016), Hoje é dia de alegria prólogo de Carlos Garrido Chalén. A vida vai decolar Um Rei vamos coroar Prosa: Siete cuentos brasileños/Seven Brazilian No carnaval da folia short tales, (USA, Ovejita de Papel, 2015; Sete Queimemos a nostalgia. contos brasileiros (Brasil, Scortecci, 2016); Brasil: Dou-te a chave da cidade aventura interior (Brasil, Scortecci, 2016, Peru, Prova da minha amizade Ed. Mesa Redonda, 2017; Los Elegidos (Espanha, Entre e sai quando queiras Terra Ignota, 2021). Dicionário: Dictionnaire fran- Escolhendo as brincadeiras çais-espagnol de l’hôtellerie-restauration, (França, Em total legalidade. Les Éditions des Trois Rivages, 402 p., 2020. Sobrevoas o espaço MENSAGEM FINAL. Vendo a Terra pequenina Brilhante de purpurina Eu gostaria de lhe agradecer pela entrevista. Falar Imaginas um compasso da minha trajetória é como tomar uma hora em A seguir, outro pedaço uma sessão de terapia ou de massagem: recorda Surge então a partitura porque somos o que somos e estamos onde esta- Do círculo a quadratura mos; cada escolha que você faz hoje determinará Nasce uma obra poética quem você será amanhã e como estará. Para alguns, algo hermética Para outros, sinecura. Alguns trabalhos literários on-line: Em Youtube : Contos fantásticos que põem em cena animais e extra-terrestres Áudio-conto em português: SOBROSSO https://www.youtube.com/watch?v=UbOg-ZcpNKU&t=96s Áudio-conto em português: NEPHILA MACULATA https:// www.youtube.com/watch?v=-6WmwCHZCKU Áudio-conto em português e com tema do folclore brasileiro: CURUPIRA https://www.youtube.com/watch?v=2PbUPN8KdYU Áudio-conto em francês: REX, LE POISSON SAURIEN https://www.youtube.com/watch?v=Blj-N8ionvA Áudio-conto em espanhol: PRISMA https://www.youtube. com/watch?v=MytDLJJ_IWc Em Youtube : Poema animado : CIRANDA, CIRANDINHA https://www.youtube.com/watch?v=RUKJEDQtPxY

Pouco importa quanto dure O reinado extrovertido Haverá muito ruído Para quem se aventure Para aquele que procure Esquecer-se da rotina Com orquestra e serpentina Tudo consta no menu Onde o melhor está cru Nesta festa libertina. AUTOR: ELIANA MACHADO

Contacto com a autora : meugema@hotmail.com Facebook : Escritora Eliana Machado Página web: https://www.machadoeliana.com.br/home-1 Outras fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Eliana_Machado

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ENTREVISTA Sou Maria Eugênia Porto Ribeiro da Silvapseudônimo -

Mary Jane.

1- Onde reside? Sua profissão?C Minha cidade de origem é Ervália- Zona da Mata Mineira. Resido há 29 anos na cidade Belo Horizonte/MG. Sou Assistente Social. Possuo curso superior em Serviço Social- PUC/MG. Pós- Graduação Lato Senso- Instrumentalidade E TécnicasOperativas em Serviço Social- PUC/MG- “cursando”. Sou concursada e ocupo o cargo de Analista de Políticas Públicas na PBH- Prefeitura de Belo Horizonte, no Cras Graça Sabóia - Morro das Pedras- Regional Oeste. 2- Atividade cultural que exercer, se exerce? Sou poetisa, escritora, Membro Correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni- ALTO. Autora do Livro "Caminhos do Amor"- Lançado em novembro de 2019. Poetisa selecionada para compor diversas Antologias Poéticas Nacionais e Internacionais( Valkyries é a primeira). A minha história com a poesia começou com “a porteira”, de quando eu morava na área rural da cidade de Ervália- Zona da Mata mineira em um local chamado Lagoa Preta. E ainda quando criança subia na porteira e declamava poesia. Porém devido à falta de um olhar acolhedor para com a minha poesia abandonei meu sonho e desci da porteira e somente na idade adulta tive condições de retomá-lo. Assim, tendo como anseio o propósito de divulgar meu universo poético, criei no ano de 2017 a página Mary Jane para escrever e 150

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falar sobre o AMOR. WWW.facebook.com/escritoramaryjane atualmente com a marca de 22.000 seguidores. O lema da página é: O nosso coração pede AMOR & POESIA- Desejo Amor & Poesia em nossas vidas todos os dias. Tenho uma página de poesia no Instagram @marypoesia e um canal no youtube- Mary Jane- coração pede poesia. 3- Sua relação com o meio ambiente, com o homem? Tenho grande respeito e admiração pela natureza. Mantenho uma ligação muito intensa com a natureza. Passei minha infância no campo. E aprendi muito cedo a importância de cuidar e preservar o meio ambiente. Cotidianamente converso com minhas plantas, tenho diversas flores no meu jardim, uma árvore linda no meu quintal que eu abraço todos os dias. Considero a natureza divina, minha fonte de inspiração, energia e amor. 4- Fale da infância, da adolescência, da mu-lher esposa e mãe, da mulher artista ou mulher esportiva, da sua ideologia e objetivos. Passei minha infância na área rural. Minha rotina era alegre e divertida. Brincava com meus irmãos, subia em árvores frutíferas, imaginava estar dirigindo quando subia no pé de coité, fazia um longo trajeto a pé até a escola todos os dias, subia na porteira e declamava poesia. Na adolescência, nessa época já havia me mudado para a cidade para estudar. Ingressei na Escola Estadual Professor David Procópio. Gostava de ir à Biblioteca Pública para fazer leituras e saborear o espaço. A nossa diversão era fazer a coreografia do grupo musical “Menudo” muito famoso na época e jogar queimada com a garotada da rua. Me casei muito jovem, com 21 anos, e me mudei para a cidade de Belo Horizonte, da união com Fábio tive dois filhos- Renato de 28 anos e Ana Carolina de 20 anos. E somente na


idade adulta, após me formar, criar meus filhos tive condições de retomar o sonho da escrita, da poesia. Pois na infância eu subia na porteira e declamava poesia, e por falta de incentivo, de um olhar acolhedor, desci da porteira e abandonei meu sonho. Sempre priorizei cuidar-me de forma integral, corpo, mente e espírito. Procuro manter uma rotina de atividade física regularmente, aprecio muito fazer caminhada ao ar livre. Tenho como princípio de vida o respeito ao próximo. Ao abordar as pessoas sempre reflito como eu gostaria de ser tratada, procuro exercer a empatia. Prezo pelo uso consciente das palavras. Pois tenho ciência que uma palavra, uma frase dita de forma equivocada poderá ferir profundamente outro ser humano. 5- Que caminhos percorreu, até chegar na mulher que é hoje? Percorri um longo, árduo, instigante e saboroso caminho. Percorri com força, garra, coragem e perseverança. Sai da roça, da área rural, da porteira com o objetivo de trilhar meu destino, lutar por meus objetivos e realizar meus sonhos, e por fim, construir minha história. Somos seres em constante transformação. Com o passar dos anos, vamos adquirindo mais experiência, vamos amadurecendo. Aprendemos a dar valor ao que realmente é importante. E vamos deixando de lado sentimentos, lugares, pessoas, condutas, crenças. Todo um aparato que por muitas vezes passamos a vida acreditando ser vital para nossa sobrevivência. O tempo e o amadurecimento trazem leveza para nossa vida. Vamos nos livrando de fardos e obrigações que não fazem mais sentido. Passei por diversas situações que naturalmente possibilitaram minha mudança. E sou grata por cada experiência vivenciada. 7- Onde e como encontrou força ou coragem para conquistar seus objetivos? Faria tudo outra vez? Encontrei forças em Deus- Nosso Poeta MaiorTenho uma ligação muito forte com o criador, com toda luz e proteção que emanam do seu amor. Nunca pensei em desistir de nada. As vezes recuo para ganhar fôlego e depois avanço e recomeço tudo de novo. Digo sempre para as pessoas do meu convívio a seguinte afirmação: Não desisto nunca! Enquanto eu respirar, vou lutar bravamente! Sem me importar se irei ganhar ou perder, somente vou lutar. Faria com certeza, tudo de novo. Trilharia os

mesmos caminhos, enfrentaria todos os obstáculos, pois, toda lágrima, todo suor, derramados valeram a pena. E possibilitaram que eu me tornasse a mulher que sou hoje. 8- Em que momento da sua vida a sua estrada bifurcou e como você fez sua escolha e para onde ela te levou? No momento em que me casei, e depois veio a maternidade. Esses momentos modificaram tudo em minha existência. Fiz a minha escolha baseada no sentimento mais sublime do universo - O Amor. A minha escolha me levou a conviver com Fábiomeu companheiro há 34 anos. E ao privilégio de ser escolhida para ser a mãe do Renato e da Ana Carolina que são “presentes de Deus” em minha vida. 9- Alguém em particular lhe deu a mão? Algumas pessoas, as quais tenho gratidão. Mas a mão forte que sempre me sustentou foi a mão de Deus. 10- Qual é a importância de RECEBER apoio? O apoio, a mão estendida, o colo amigo, o abraço afetuoso são importantíssimos para nos confortar e acolher no decorrer da existência terrena. 11- O que mudaria na sua história? Se pudesse, com certeza, mudaria muitas passagens e experiências que por falta de maturidade me machucaram. Mas procuro sempre no perdão a busca da cura e reconciliação com minhas memórias, afetos e trocas. 12- Você considera que a sua vida foi fácil? De forma alguma. Foi muito difícil, foi uma luta constante. Mas a luta para todos. Fato é, que enquanto estivermos nesse planeta enfrentaremos lutas cotidianamente. 13- Quais as causas e projetos culturais e/ou sociais que você defende ou apoia? Você colabora ou participa de associações culturais? Você criou alguma associação? Embora eu considere como sendo de grande relevância, ainda não participo ativamente de nenhum um projeto social. Na minha profissão como Assistente Social, na minha prática diária atendo diversos públicos que são considerados prioritários. E esse recorte me possibilita ver o quão é urgente que nossas ações não se restrinjam somente ao Revue Cultive - Genève

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universo institucional. Que existe uma imensidão de seres humanos clamando por cuidado, ajuda e proteção. Sendo assim, tenho alguns anseios guardados em meu coração, que pretendo, no momento oportuno, colocá-los em prática. Sempre pensei muito em um trabalho voluntário voltado para o público idoso envolvendo arte, música, poesia e os cuidados com a saúde em geral. Venho namorando essa proposta e com o passar do tempo amadurecendo essa ideia. 14- O que deseja alcançar ainda? Seus projetos? Pretendo continuar me dedicando ao universo poético nas minhas mídias sociais. Continuar a participar de Antologias Nacionais e Internacionais. Trabalhar na divulgação do meu Livro- Caminhos do Amor lançado em 2019. Participar de sarau online e presencial, escrever um novo livro, participar de projetos diversos afetos à poesia. Representar com alegria e compromisso ético os títulos e honrarias que a poesia me presenteou nos últimos anos. Para tal destaco: Minha participação na IX Antologia As Valkyries Visitam o Brasil, com meu poema: Mulher. Minha escolha pela AltoAcademia de Letras de Teófilo Otoni em 2018, para ocupar a posição de membro correspondente na nobre Academia. Culminando em minha participação pelo segundo ano consecutivo dos certames promovidos pela ALTO. Sendo premida no ano de 2020 com a Menção Honrosa com a crônica- Teatro de Amor no V Prêmio Gonzaga de Carvalho. E com meu Artigo- Pretérito de emoções na Revista Café com Letras com a temática- Futuro, presente, pretérito.

Odete. Por sua garra e coragem frente às lutas que enfrentou e ainda enfrenta no decorrer de seus 94 anos em sua admirável trajetória de vida. Ressaltar o meu apreço por minha filha- Ana Carolina, pela leveza e ousadia para conduzir seu destino, e por fim, à todas as mulheres da minha família, das gerações passadas e as atuais. Com certeza, carrego com orgulho, um pouco de cada uma em minha essência, conduta e ação. 16- Quais seus projetos futuros. Priorizar a educação na busca pelo conhecimento de forma continuada. Aperfeiçoar minha escrita, ampliar minha inserção nos ambientes afetos à poesia. Divulgar para o mundo inteiro os lemas da minha página: “Desejo amor & poesia em nossas vidas todos os dias” e “o nosso coração pedi amor & poesia”. Continuar a me amar e cuidar. E estar sempre acompanhada da minha poesia, dos meus livros, da natureza, da minha família, dos meus amores, e acima de tudo, permanecer conectada à vontade do soberano Deus para minha vida.

17- Deixe sua mensagem final. Considero que viver é a aventura mais saborosa que um ser humano pode experenciar. Nesse curto intervalo de tempo entre o nascimento e a partida não temos espaço para roteiros elaborados e rascunhos. A cena é real e instigante. Somos autores de nossa vida, protagonistas de nossa história. Devemos confiar todos os dias na providência divina para a concretização de todos os nossos planos e projetos. Acredito muito no poder edificante do perdão. Vejo-o como uma decisão que nos dará uma nova chance para o recomeço. Busco nos moEm 2021, alcancei o 5º lugar com meu conto- Dança mentos adversos o conforto do abraço como um dos Sentidos- Batida Poética do Coreo 9/19 no VI bálsamo para prosseguir. Desejo de coração que a Prêmio Gonzaga de Carvalho. Recebi o prêmio de esperança nos acene a cada amanhecer. Que a poeDestaque Literário de 2021- promovido pela Edito- sia faça festa e folia em nosso viver. ra Mágico de OZ. Como também a minha posse na FEBLACA – Federação Brasileira dos Acadêmicos A menina que sonhava das Ciências, Letras e Artes. Na posição de Acadêmica Nacional de Grande Honra, cadeira nº 97, Pa- A menina que sonhava, trona Eva Vilma. E o título Honorífico de Defensor Acordava de madrugada, Perpétuo do Patrimônio Histórico e Cultural Bra- Cantarolava uma canção de amor E imaginava ser você poesia. sileiro. 15- Qual a mulher na história que você se assemelha? Tenho admiração pela vida e obra da poetisa e contista brasileira Cora Coralina. Contudo, não poderia deixar de registrar mais uma vez, minha profunda admiração por minha amada mãe, 152

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A menina que sonhava, No sonho, Encantou-se por você, E ao encontrá-lo de verdade, Sonhou pra valer!


ENTREVISTA Meu nome é ANA ROSENROT, resido em Jacareí, estado de São Paulo, sou escritora, cineasta, pesquisadora, ativista cultural e editora. 2- Atividade cultural que exercer, se exerce? Sou criadora e editora da Revista LiteraLivre, cineasta independente, pesquisadora de cinema e autora de 6 livros.

me ensinou muito. Como viver de arte no Brasil é (praticamente) impossível, entre os estudos eu comecei a trabalhar como professora de datilografia. A partir do teatro foi que me interessei por cinema e percebi como todas as artes andam juntas, apesar de infelizmente existir um enorme preconceito dentro da própria arte. Comecei a pesquisar cinema e o desejo de escrever voltou com tudo. Oficialmente, eu trabalhava com coordenação e tesouraria de campanhas políticas, onde comecei também a criar vídeos institucionais; em paralelo, retomei a carreira literária ganhando alguns concursos e participando de antologias. Como a maioria dos escritores iniciantes, recebi muitos “nãos”, fui enganada por editoras, carreguei incansavelmente livros debaixo de braço, tentando vendê-los num país “quase” sem leitores, participei de projetos coletivos de pseudo-acadêmicos onde era considerada “jovem demais” ou “progressista demais”…tudo isso numa época anterior à internet.

3- Sua relação com o meio ambiente, com o homem? De respeito, admiração e cuidado. Se cada um de nós assumir seu papel como ser humano, como habitante do planeta e fizer a sua parte, em todos os sentidos, tornaremos nosso mundo um lugar melQuando a internet se popularizou, consegui moshor para se viver. trar meu trabalho de várias formas e para um públi4- Fale da infância, da adolescência, da mulher es- co bem maior…Pude exibir meus curtas em festiposa e mãe, da mulher artista ou mulher esportiva, vais do mundo todo, ganhar prêmios de cinema e literatura e o mais importante: assinar uma coluna da sua ideologia e objetivos. Fui uma criança saudável e sedenta de saber. Gos- numa revista internacional, a revista Suíça “Varal tava de brincar com plantas e insetos. Aprendi a do Brasil”. A coluna, que se chamava CULTíssimo, escrever aos 5 anos de idade, copiando páginas de é especializada em cinema e universo cult e além jornal e lia tudo o que aparecia, mesmo não conse- de alcançar leitores do mundo todo, participou de guindo entender todas as palavras, mas eu absorvia uma exposição de 20 dias no Consulado Brasileiro as letras com paixão e já arriscava alguns poemas em Genebra (Suíça), com a edição sobre a atriz e rudimentares. Aos 8 anos, ganhei meu primeiro inventora do wi-fi “Hedy Lamarr”, durante o evenconcurso literário, com o poema “Noite Enluarada”. to “Dia da Mulher no Consulado” em 2016. Depois, já na adolescência, o sonho de me tornar escritora não me abandonava, apesar de não rece- Desde então, venho participando de vários projeber apoio da família, eu não desistia e participava tos nacionais e internacionais. de todo tipo de seleção (gastei uma fortuna com selos). O retorno era mínimo, então, acabei desis- Hoje, minha arte é basicamente dedicada ao Atitindo e voltando minha atenção para o teatro, que vismo Cultural e ao Cinema, e em 2016, quando a revista Varal do Brasil encerrou suas atividades, reRevue Cultive - Genève

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solvi criar uma revista digital nos mesmos moldes do Varal, totalmente voltada para a divulgação de autores publicados ou não, valorizando a Literatura e a Língua Portuguesa e dando espaço e oportunidades iguais a escritores do mundo todo. A experiência com a revista tem sido incrivelmente gratificante, devido à repercussão na comunidade literária e do carinho demonstrado por autores e leitores. Além da revista, publiquei seis livros; realizando meu sonho de infância.

minha jornada. Começo com uma professora especial, a dona Jussara, que me incentivou a continuar escrevendo e a nunca desistir da arte literária, mesmo com a falta de apoio e oportunidade. Meus grandes amigos Tarcísio e Renato, que fizeram a diferença na minha vida, com seus ensinamentos e o apoio incondicional. Também não poderia esquecer do Carlos Monteoliva, um ser humano incrível e espiritual, que sempre me incentivou e da queridíssima Jacqueline Aisenman, amiga e “madrinha”, que me proporcionou um espaço em sua 5- Que caminhos percorreu, até chegar na mulher revista, a Varal do Brasil e me ensinou muito como que é hoje? escritora e ser humano. Percorri o caminho da persistência. Acreditei em meus objetivos e reuni coragem para seguir em 10- Qual é a importância de RECEBER apoio? frente. Receber apoio é essencial. Ninguém evolui sozinho. Sem apoio ficamos perdidos e sem esperança. 6- Você mudou como pessoa? Em que você mu- Nos momentos mais difíceis e decisivos, aqueles dou? O que a fez mudar? que nos apoiam fazem a diferença, abrindo portas, Todos mudamos de alguma forma. O aprendizado oferecendo pontos de vista importantes e nos ine as experiências pessoais, trazem evolução e en- centivando a continuar. tendimento. Minha maior mudança foi ser capaz de me integrar melhor ao mundo e estar aberta aos 11- O que mudaria na sua história? desafios que surgiram. Pouca coisa. Acho que somente tentaria procrastinar menos e ser mais pragmática. Acredito que as 7- Onde e como encontrou força ou coragem para decisões que tomamos, boas ou más, fazem parte tal mudança, para conquistar seus objetivos? Faria do nosso desenvolvimento como ser humano e são tudo outra vez? essenciais para a vida. Em meus instintos, na sensibilidade que desenvolvi ao longo da vida, em Deus e nos amigos que 12- Você considera que a sua vida foi fácil? sempre me incentivaram. Faria tudo outra vez, De forma alguma. Tive dificuldades de todos os com certeza! tipos. Enfrentei preconceitos, injustiças, precisei lutar muito para vencer os desafios que a vida me 8- Em que momento da sua vida a sua estrada bi- apresentou, mas, passo a passo, fui superando os furcou e como você fez sua escolha e para onde ela obstáculos e hoje tento me manter alerta, pois, te levou? nunca sabemos quando as adversidades surgirão. As estradas da minha vida sempre foram bifurcadas, portanto, é difícil definir um momento de 13- Quais as causas e projetos culturais e/ou sociais virada. Gosto de destacar dois momentos impor- que você defende ou apoia? tantes: quando, depois de ter desistido da literatura, Participo do “Mulherio das Letras”, das academias: soube de um concurso literário, resolvi participar e “A.I.L. Academia Independente de Letras(PE)” e ganhei o 1ª lugar. Depois disso, voltei contudo e já A.V.L.P.L. – Academia Virtual de Língua Portuestou no 6º livro. E quando decidi, sem ter ideia de guesa e Literatura; dos coletivos MALDOHORpôr onde começar e se daria certo, criar a Revista ROR, site Corvo Literário, dos Poetas Del Mondo LiteraLivre, que já está completando 5 anos. Essas e do blog Concursos Literários. Em 2016, criei a simples escolhas modificaram minha vida comple- Revista LiteraLivre, um projeto cultural que tem tamente e me firmaram no caminho da literatura. como missão a inclusão de autores, sem custos e Me sinto muito feliz com minhas escolhas e espero preconceitos, ao meio literário. encontrar ainda muitas surpresas pelo caminho. 14- O que deseja alcançar ainda? Seus projetos? 9- Alguém em particular lhe deu a mão? Desejo continuar publicando meus trabalhos, proPessoas maravilhosas foram muito importantes em duzir novos filmes e seguir com a Revista Litera154

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livre.

33- Qual é a importância de escrever ou fazer arte? Para mim, é algo vital, não conseguiria viver sem a 15- Qual a mulher na história que você se assemelha? arte, pois, ela é minha profissão e paixão. A escrita, Com todas e com nenhuma. Cada mulher é única. por exemplo, é minha forma mais sincera de exSomos parte de suas lutas e alegrias. pressão, ela me define. 16- Quais seus projetos futuros. Pretendo lançar o segundo volume do meu livro “Cinema e Cult”, um livro de poemas sombrios e me dedicar, cada vez mais, ao Ativismo Cultural. A ESCRITORA 31- Que tipo arte você realiza? Cite suas obras. Trabalho como cineasta e escritora. Como cineasta, já realizei vários curtas, na maioria experimentais e trashs, entre eles: “Samantha”,“A Paralisia do Sono”, “A Marca do Diabo”, “O Duende”, “Misterios Obscuros” e “Subliminar”. Participei também, como produtora, assistente de direção e diretora de arte de dois longas-metragens: “Steve Cicco – Missão Popoviski” e “Exorcistas Carinhosos”. Como escritora, tenho 6 livros publicados, são eles: - “Cinema e Cult – Vol, 1”(2018) - “Três Momentos – Contos Espíritas” - (2019) - “O Primeiro Baile e Outros Contos”(2019) - “Terrores Históricos” (2020) - “Inesquecível” (2021) -”Fotografias” (2021) 32- Você já foi premiada? Sim. Como cineasta recebi 7 estatuetas do “Prêmio Cineclube Jacareí – Troféu Corvo de Gesso” (2013,14,15,17 e 18) e o 1° lugar na “Mostra Espantomania 2019”, categoria longa-metragem nacional - Exorcistas Carinhosos (produção). Na literatura, além de diversas menções honrosas, gostaria de destacar os seguintes prêmios; Troféu Jacaré 2019 – 2 º Lugar – Categoria Crônica; 4º Lugar no Concurso de Textos Anônimos da Flal - Festival de Literatura e Artes Literárias" 2019; 3º – Lugar no “6º Concurso de Contos e Poesias com Temática Espírita - Prêmio Jorge T. Rizzini” - 2014 - Categoria contos.; 1º Lugar no “5º Concurso de Contos e Poesias com Temática Espírita - Prêmio Jorge T. Rizzini” - 2013 - Categoria contos; 1º Lugar no Concurso de Poesia Mães – realizada pelo Grupo Varal do Brasil - 2013; 1º - Lugar no “4º Concurso de Contos e Poesias com Temática Espírita Prêmio Jorge T. Rizzini” - 2012 - Categoria contos.; Troféu Jacaré 2012 – 2 º Lugar – Categoria Contos; Troféu Jacaré 2010 – 2 º Lugar – Categoria Contos

34- Receita para uma boa escrita ou da produção artística? Acredito que não exista uma receita exata, é preciso muita coragem para lutar e demonstrar sua criatividade, vontade de aprender e empreender, força para continuar e principalmente, paciência para conquistar. 35- Receita para quem aparecer no mercado da literatura? Persistência e coerência. Para se destacar, é preciso produzir um trabalho de qualidade, independente de modismos. Também é preciso ter cuidado para não criar um marketing agressivo, que afastará o leitor. 36- Mensagem final. Não importa que seus sonhos pareçam bobos ou fúteis, se os recursos forem pequenos, se a sua família não te apoia e se tudo é difícil, lute por eles! Estude, aprenda, evolua e conquiste o seu espaço. Acredite em si mesmo e nunca desista. O não você já tem. Palavras escrevo palavras soltas, que escorrem como borrões de tinta, manchando o piso com sentimentos vagos… aos poucos elas vão tomando a sala, colorindo tudo do chão ao teto, até vazarem pela janela e ganharem o mundo, num denso e desafiador arco-íris; palavras também merecem voar.

Aqueles que amamos em minhas memórias ele sorri, despertando milhões de lembranças perdidas, sua voz, me conduzindo ao mundo dos sonhos, ecoa vívida em minha mente, suas canções de ninar, hoje são melodias de saudade… aqueles que amamos, nunca se vão de verdade!

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Lisieux Beviláqua é de Fortaleza, capital do Ceará - no Nordeste do Brasil. Ela é professora estadual titular concursada (portanto, funcionária pública), formada em Letras com especialização, mestrado e doutorado em literatura. Também sou atriz com registro DRT e escritora participante de algumas academias e movimentos literários. Entrevista 1- Sua relação com o meio ambiente, com o homem? Assim como as causas sociais, minha defesa ao meio ambiente e aos direitos humanos é feita através do fazer a minha parte. Procuro ajudar quem está próximo dentro das minhas possibilidades. Procuro não desperdiçar água, energia, cuido das plantas do meu jardim. Se cada um fizesse ao menos a sua parte, teríamos uma melhoria enorme no mundo.

da sua ideologia e objetivos. Nasci numa família muito católica, pai ex-seminarista e mãe ex-noviça. Estudei todo meu ensino fundamental em colégio religioso. Era a princípio uma criança calma, que gostava de ficar nos cantos lendo. Aprendi a ler com 4 anos e antes minha mãe sempre me presenteou com livros e lia para mim. Na adolescência comecei a me rebelar, pular janela do quarto para ir escondida para as festinhas. Com 19 anos saí de casa, fui morar com um grupo de teatro, perdi a virgindade e conheci o amor da minha juventude. Fiz muitos poemas para ele. Com 22 estava me sentindo insatisfeita, tinha um trabalho estável, fazia faculdade e era noiva. Joguei tudo para cima, fui embora com uma turma de teatro para São Paulo. Depois de três anos, mais uma vez insatisfeita com o que tinha lá, mudei para o Rio de Janeiro. No Rio, conheci fazendo animação de festa, meu ex-marido. Montamos juntos uma empresa, Tatibitati Animações. Tive meu filho em 1992. Depois, me separei. Tivemos vários problemas após a separação, mas o pior foi a briga judicial pela guarda do meu filho. Meu filho é o maior amor da minha vida e eu sempre quis ser mãe. Ele é um homem justo, honesto, educado, inteligente e lindo (sem corujice, rsrsrs)

2- Ser ou não ser, ter ou ser? Ser é o essencial, procurar a cada dia melhorar a versão de si mesma, se conhecer, se reinventar, rever conceitos, pois o mundo vive em constante 4- Que caminhos percorreu, até chegar na mulher mutação. Mas, sempre cuidar de não agredir suas que é hoje? origens. Muitos caminhos, mudei de casa várias vezes, mudei de Estados e Cidades, algumas vezes, morei Por outro lado, como vivemos num mundo mate- em grupo, com uma amiga, sozinha, com namorial, o ter também se faz muitas vezes necessário, rado, com marido, com filho. Frequentei muitas para que os outros nos respeitem. religiões, militei em partidos políticos, estudei diferentes ideologias e filosofias. Me jogar no mundo 3- Fale da infância, da adolescência, da mulher es- foi moldando quem sou hoje. posa e mãe, da mulher artista ou mulher esportiva, 156

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Eu era mais impaciente com as pessoas, queria manos uns com os outros. tudo para ontem. Acredito que a vida me ensinou a ser mais tolerante. 12- O que mudaria na sua história? Nada, eu acredito que devemos olhar sempre para 5- Você é uma guerreira? a frente. Não há como mudar nada, só fazer novos Por tudo que passei, com certeza, sou guerreira. capítulos da história. Mas, à vida não me deu outra opção. 13- Que tipo de arte você realiza?Cite suas obras. 6- A vida foi fácil? Apresente as capas dos seus livros. Nunca. Sempre me senti tendo que abrir meus Já trabalhei com Artes Cênicas nos anos 80/90. próprios caminhos. Mas, não gosto de me vitimi- Desde 2018, tenho me reencontrado na escrita, atizar. vidade que já exercia desde adolescente, mas sem expor ao público. Ainda não fiz publicações de li7- Você colabora ou participa de associações cultu- vros autorais, mas tenho 4 projetos que pretendo rais? colocar para frente nos próximos anos. Meus traDe Academias Literárias e movimentos culturais balhos têm sido apresentados em antologias naciona minha cidade. nais e internacionais. 8-Em que momento da sua vida a sua estrada bifurcou e como você fez a escolha e para onde ela te levou? Com 20 anos, eu era bancária, funcionária pública, noiva, com apartamento, carro, fazendo faculdade de economia. De repente, algumas coisas começaram a dar erradas, eu me sentia extremamente infeliz. Joguei tudo para cima e fui tentar a vida em outro Estado. Fui trabalhar com arte, casei, tive um filho, era autônoma.

14- Mensagem final. Metaforicamente, diria que escrever é transpor o sangue que corre nas veias para o interior da caneta e sangra através da tinta para o papel.

Anos mais tarde com mais de 40 anos, separei, voltei a morar no meu Estado, voltei a estudar, dei outra virada.

Poema

Escrever é um exercício constante do coração e da mente. É brincar com as palavras como um artesão. É mergulhar no sentido das frases, encontrando para a vida uma razão.

PURA QUÍMICA

9 - Onde e como encontrou força ou coragem para tal mudança, para conquistar seus objetivos? Faria tudo outra vez? Acredito que minha força vem da minha fé em Deus. Sempre seguro na mão Dele nos momentos de aflição. E coragem aprendi com minha mãe, um exemplo de guerreira. Faria sim, tudo de novo, a gente tem que se arrepender do que não fez. Como Edith Piaf eu digo: Je ne regrette rien. 10- Alguém em particular lhe deu a mão? Tenho uma amiga de infância que é a pessoa que mais me dá a mão nos momentos difíceis. Mas, no geral, aprendi a contar comigo mesma.E Deus, claro. 11- Qual é a importância de RECEBER apoio? Receber e dar apoio são atos que nos fazem seguir em frente nos momentos difíceis, sendo mais huRevue Cultive - Genève

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Lenita Stark,

Grossa/PR/Brasil.

brasileira, mora em Ponta

Minha infância foi negada por uma violência doméstica. Feminicídio. Meu pai assassinou minha mãe quando eu tinha 3 anos, e minha irmã 6 anos. Fomos criadas pelos nossos avós maternos. Eles já tinham bastante idade, eram analfabetos e já haviam criado 15 filhos; desses, poucos sobreviveram devido às moléstias da época, que não foram poucas: febre amarela, gripe espanhola, entre outras. Minha mãe era uma linda mulher, fina, educada e inteligente. Era professora, a única filha dos meus avós que estudou. Ela era muito querida por seus alunos, amigos e conhecidos. Eu não fiquei com lembranças dela, pois eu era muito criança. A minha irmã, como tinha mais idade, descrevia para mim como era nossa mãe e, desse modo, construí a memória não gravada, mapeei um território vivido, embora esquecido. Depois da trágica tarde em que nossa mãe partiu, começou nossa “outra vida”: de muita ausência, dores e falta de afeto! As carências afetivas eram tantas que qualquer brincadeira que nos fizesse sorrir era uma felicidade imensa - invadia nossa alma fragilizada. Minha avó era muito amorosa e atenciosa conosco, porém, nosso avô era enérgico com a nossa educação, tratava-nos conforme os costumes que educara seus filhos. A época era outra, outra geração, mas ele não acompanhou a evolução do tempo. Autoritário e severo - assim, ele transmitia os ensinamentos para uma boa conduta, a metodologia funcionava através do medo e 158

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da intimidação. Por qualquer indisciplina nossa, apanhávamos muito. Os castigos eram frequentes. No período fora da escola, nossa alegria era as brincadeiras de roda com as amigas da vizinhança, sempre no quintal da casa. Nosso avô não nos deixava sair para longe. Nossas cantigas de roda eram cantos de esperança. Passeios eram só com nossos avós. A igreja era uma atividade quase diária - terços, catequeses e missas aos domingos. O padre era autoridade máxima da família. Vivemos uma infância de total incomunicabilidade - nada podíamos ler. Não tínhamos livros, apenas gibis e fotonovelas que emprestávamos das amiguinhas, sempre às escondidas. E quando meu avô encontrava, rasgava e jogava fora, dizia que eram coisas do demônio - ele não sabia ler e aquelas figuras que via eram muito estranhas: Zorro, Mandrake, Irmãos Metralhas e outras figuras de histórias em quadrinhos da época. E as fotonovelas tinham fotos de cenas de beijos… aquilo era obsceno, para ele era pornografia da época. Nossas leituras eram apenas os livros didáticos, a bíblia, o catecismo e as cartas recebidas dos parentes distantes. Naquela época, o conceito de livro didático era outro, não havia dinâmica nas leituras. Apenas a cartilha era ilustrada. Não tínhamos televisão, nenhuma fonte informativa: escrita, falada ou figurada. Havia um Rádio Semp na nossa casa, porém, não tínhamos permissão para ligar, pois poderíamos “rebentar” a correia do “aparelho”- dizia meu avô. Assim nós crescemos, num “mundo quintal’. Nossa


interação era com as plantas, animais e com nossos caquinhos de louças das brincadeiras de casinha. Vivíamos isoladas e sem nenhum conhecimento literário ou informativo sobre o mundo lá de fora. Comparo nosso cenário de infância com o famoso mito da caverna do filósofo Platão: éramos felizes porque não tínhamos conhecimento de outro mundo; para nós, todas as crianças viviam daquela maneira, divertindo-se com “sombras”... sem regalias e com castigos frequentes. Nossas asas eram podadas antes de alçarmos voos rasantes... Minha irmã tinha um pouco de lembranças da nossa vida com os pais, então, às vezes, ela se rebelava, e o castigo vinha em dose dupla, eu apanhava também pela revolta dela.

marido afetuoso e amigo, estava faltando os filhos - essa foi a parte mais difícil para conseguir. Eu não engravidava. Já tínhamos uma situação financeira boa, faltava o personagem mais importante, o principal vestígio de uma história de vida. Estava ainda sem luz o meu universo familiar - a ausência ainda persistia. Depois de muito tratamento, o grande dia chegou. Nosso primogênito estava a caminho. Logo mais viria seu irmão. Foi gratificante demais a concretização desse sonho, muito maior que uma defesa de doutorado, ou qualquer outra formação. Foram dez anos de trabalho e tentativas de ter filhos.

Fui uma supermãe, procurei dar o meu melhor em Depois que entramos no período da adolescência, tudo para o bem estar de minha família. Claro, ganhamos a liberdade da tutela do meu avô. Tudo que pequei por excessos, sempre pecamos quando o que ele fez para nós foi pensando no nosso bem. tentamos nos superar. Os filhos cresceram, se forNão pôde transmitir ensinamentos para a nossa maram, casaram, meu marido e eu nos aposentaformação intelectual, todavia, nos transmitiu va- mos, porém, continuamos trabalhando. Eu sempre lores que permanecem conosco até hoje. tive anseios por atividades artísticas; artes plásticas e escrita poética, mas esses anseios todos ficaram A adolescência não mudou muito. “A liberdade é para um momento de ociosidade, que não aconteapenas uma ilusão”. Em qualquer fase da vida, a fal- ceu, então, mesmo em um meio turbulento me fiz ta da mãe compromete toda a estrutura emocional artista e poeta. de uma pessoa. Nessa idade, também sofri muito por falta do amparo da família, estudos compro- Realizei mais de 4 dezenas de exposições coletivas metidos com idas e vindas - um dia na casa de uma e 12 mostras individuais. Conquistei vários prêtia, noutro dia na casa de outro parente - e assim mios e, entre eles, o de artista do ano em 2017, em fiquei adulta com uma grande determinação: dese- minha cidade. Na escrita, participei em dezenas de java ter uma família, ser esposa, mãe, e uma “dona edições coletivas. Publicação de um livro autobiode casa” excepcional. Queria muito ser e ter tudo o gráfico, “Tibúrcia”, memórias de infância - Texto e que tiraram de mim quando criança: uma família, Contexto Editora, 2019 um lar edificado com afeto amor e muito respeito. Meu desejo era protagonizar a reconstrução de Minhas referências mudaram muito com o passar uma história interrompida. Nada mais tinha tanto dos anos - passei a enxergar o dia de amanhã com valor para mim... mais certeza, mais confiança. Gratidão à minha família, amigos e a Deus pelas bênçãos recebidas. Encontrei a pessoa que estava destinada para juntos construirmos essa linda história familiar de amor. Não mudaria nada na minha história, acredito que Eu trabalhava durante o dia e estudava à noite, o o caminho que percorri foi uma grande maratotempo era escasso demais. Casamos. Então, nada na de aprendizado, consciência e conquistas. As mais me conteve e fui à luta como uma atleta pre- dores me fortaleceram, as ausências me fizeram parada para a grande vitória! Eu e ele fundamos confiante, a falta de afeto fez meu coração bondouma empresa, e trabalhamos muito, dedicação to- so e caridoso com meu próximo. Nada foi em vão, tal. Muitas vezes nem hora para almoço tínhamos. tudo teve um propósito, as lesões foram escrituras Foram anos de trabalhos imensuravelmente cansa- para o meu futuro, hoje eu as leio e decifro cada tivos, portanto, a vitória alcançamos! página da minha história de vida. Carrego em mim a criança que fui. Minha avozinha, é minha fonte O meu sonho estava começando a se realizar, já era inspiradora! uma empresária, e uma “dona de casa”. Tinha um Revue Cultive - Genève

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Participo de movimentos culturais para me sentir integrada socialmente - transmitir meus sentimentos e conhecimentos através da minha narrativa artística literária. Na pintura, compartilho minha poética sobre patrimônios locais e estudos sobre a arte do retrato.

fissuras daquele tempo; dogmas, e forçadas cartilhas de catequese. Os percalços e dificuldades da minha infância, hoje, são temáticas poéticas, uma análise retrospectiva, contextualizando conceitos da época.

A carência de literatura na minha infância, desperNão tenho desejos em alcançar objetivos maiores. tou-me o interesse em escrever e ler obras nacioEstou vivendo momentos atenuantes, dividindo nais, e estrangeiras. Hoje, sou uma apaixonada por meu tempo com casa e trabalho, literatura e pin- literatura, desbravo o mundo através das palavras. tura. Na minha idade já é excesso. Quero apenas dar uma pequena contribuição para a humanidade. “Ao confirmar sua maturidade estética, Lenita Deixar algumas pegadas por estes caminhos per- Stark, recicla suas experiências visuais, pondo em corridos. discussão as aparências das conjecturas intimistas das questões morais. A exposição apresenta-se na Meus projetos hoje? escrever poéticas sobre senti- ideia de Portraits realistas. A preocupação é com mentos humanos. Tenho metas para alcançar um a relação entre homem e o mundo, onde a obra se bom número de edições coletivas e um projeto de põe em evidencia o caráter de personalidades em livro solo, sobre artes. seus preceitos valorativos. Uma arte que se reflete através de sua personalidade, em sua própria exisCreio que para o alcance e a realização de um tência, cujo objetivo é atingir a perfeição, senão sonho, precisamos sonhar, acreditar no sonho e da beleza, do propósito social e do prazer do fazer planejar. A ação é fundamental. O caminho para ser um escritor(a), inicialmente é ter uma boa história para contar. Tenho minhas convicções de que histórias reais são mais atraentes que as ficcionais. Muitas vezes nos abrigamos numa história, nos identificamos com o autor, com suas angústias e dores. A receita para escrever um livro, é acreditar totalmente no roteiro da escrita, um cuidado especial com palavras e expressões, Eu, por exemplo, quando começo uma leitura e já nas páginas iniciais leio termos esdrúxulos, desisto da leitura. Participo de uma comunidade literária e, neste ano, recebi três livros com escrita dessa maneira. Acredito que os livros têm o sentido de nos transformar - trazer conhecimento e refúgio. Se ao lermos uma história e ficamos agoniados, a leitura não contribui em nada. Para ser poeta é necessário parar um pouco... olhar para o céu, ver a luz do sol, ouvir os pássaros, sentir a brisa da manhã, passear pelo jardim, observar as flores… ah, um olhar especial para nosso semelhante e lembrar do criador de tudo isso. Assim nasce um poeta! Minha obra - transito entre o desenho pintura e poesia. Permeio em meu passado, marcada pelas 160

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Rhany Costa, nasceu em Manaus/Amazo-

nas/Brasil, filha de Lizete Wanderley da Costa e carinhosamente adotada pelo avô João Marques da Costa. Casada com Rodolfo Braga e mãe de Nathalie Braga. Escritora de contos e matérias sobre seu Estado, graduada em Administração e Economia, foi empresária do ramo da moda e da gastronomia. Ama fotografar lugares lindos e inusitados.

QUEM é VOCÊ? 1- Seu nome, cidade e origem. Onde reside? Sua profissão? Sou Rhany Costa, de Manaus-Amazonas, Brasil. Formada em Adm de empresas e atualmente trabalhando com paisagismo. 2- Atividade cultural que exercer, se exerce? Gosto de escrever 3- Sua relação com o meio ambiente, com o homem? O homem é formado por vários pilares, entre eles o social, cultural e o divino. Quando falamos divino, nos reportamos ao que vem de Deus e o meio ambiente, a natureza entrelaça-se conosco, desde o ar que respiramos ate a beleza da fauna e flora que contemplamos todos os dias.

lhoso. Poder brincar interagindo com rios, florestas e a pacata vida interiorana foi primordial para desenvolver uma personalidade empática e ter uma adolescência, ja na capital ,de forma tranquila, cheia de sonhos, mas sem conturbações. Entrei na faculdade aos 16 anos, aos 17 ja era estagiaria em um banco e aos 18 junto a minha mãe nos tornávamos empresarias do ramos de perfumaria e cosmético através de O Boticário, e moda, o que perdurou por 30 anos. Nesse interim, casei, me tornei mae de uma menina muito esperada, melhor experiencia que ser mãe, se existe, desconheço. Alem de todo o amor envolvido, a maternagem é um laboratório de emoções, é um aprendizado diário, é simplesmente maravilhoso. Atualmente, me dedico a fazer projetos de jardins, em especial os verticais e a escrever, o que sempre foi uma paixão.

4- Fale da infância, da adolescência, da mulher es- 5- Que caminhos percorreu, até chegar na mulher posa e mãe, da mulher artista ou mulher esportiva, que é hoje? da sua ideologia e objetivos. Fui construindo através de erros e acertos um caminho que ainda esta longe do que eu busco, mas Como mulher, sou uma pessoa multifacetada, onde que vem me fortalecendo e me impulsionando a todos os papeis são exercidos num balé diário . nunca parar e sempre me reinventar. Tive uma infância vivida em parte, no interior do Amazonas, o que me permitiu uma liberdade e 6- Você mudou como pessoa? Em que você muexercício da criatividade nas brincadeiras maravi- dou? O que a fez mudar? Revue Cultive - Genève

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Sou muito feliz em poder mudar, em aprender todos os dias, precisamos jamais esquecer que o a aprendizado inicia-se no nascimento e na terra finda-se com a morte e ‘é o aprendizado que nos permite a mudança. Mudança é vital para termos uma vida saudável. 7- Onde e como encontrou força ou coragem para tal mudança, para conquistar seus objetivos? Faria tudo outra vez? Fui criada por uma mãe forte e preparada para ser forte, na minha casa o lema era “a vida só é dura para quem é mole”. Repetiria os mesmos caminhos fazendo alguns ajustes.

gria, oxigênio , beleza e Amazonia a vida das pessoas através dos jardins. 15- Qual a mulher na história que você se assemelha? Sou guerreira, e como toda mulher trago dentro de mim fragmentos de todas as mulheres. 16- Quais seus projetos futuros. Evoluir com jardins, viajar pelo mundo descobrindo especies e jardins diferentes. Evoluir espiritualmente.

17- Deixe sua mensagem final. Gostaria de agradecer essa oportunidade e desejar a 8- Em que momento da sua vida a sua estrada bi- todas as pessoas e em especial a todas as mulheres, furcou e como você fez sua escolha e para onde ela que tenham sempre muitos sonhos, que todos os te levou? dias deem um passo para torna-los realidade. Uma Um momento desafiador foi abandonar o meu tra- vida sem sonhos é uma vida vazia. Nunca deixem balho de 30 anos e começar uma nova experiencia de ter fé, é ela que nos impulsiona para cima e para na gastronomia, no ramo de pizza. a vida sempre. 9- Alguém em particular lhe deu a mão? A ESCRITORA E/OU ARTISTA Sempre tive anjos na minha vida, minha mãe, meu tio, meu marido, minha filha. A família sempre foi 18- Que tipo arte você realiza? Cite suas obras. e será um porto seguro. Apresente as capas dos seus livros. 10- Qual é a importância de RECEBER apoio? Gosto de escrever. Escrevo contos, matérias sobre Te mostra quão somos seres interdependentes, meu Estado. Sonho em escrever um livro. como somos seres sociais. Como precisamos dar e receber do próximo. 19- Qual é a importância de escrever ou fazer arte? A arte muda a vida. Escrever para mim é a melhor 11- O que mudaria na sua história? forma de compartilhar emoções. Nada, talvez alguns ajustes que na juventude somos mais impetuosos e com a experiencia percebemos 20- Receita para uma boa escrita ou da produção que as vezes é necessário repensar e refazer. artística? Além de Ler e praticar a escrita, colocar o coração 12- Você considera que a sua vida foi fácil? Diga- na ponta da caneta ou no teclado. mos que foi facilitada, mas nunca fácil. 21 Receita para quem aparecer no mercado da li13- Quais as causas e projetos culturais e/ou sociais teratura? que você defende ou apoia? Você colabora ou par- Ainda não tenho essa receita, mas estou estudando. ticipa de associações culturais? Você criou alguma associação, ou empresa fale dela. 22- Você importante se posicionar e apresentar Gostaria muito de me engajar mais em causas so- seus trabalhos no exterior? Acho muito bacana ciais, no momento estou em busca. Nos 30 anos essa interação com outras culturas. que trabalhei com O Boticário, ajudei uma instituição de proteção a natureza. 23- Quais os caminhos para o autor se lançar fora do Brasil? 14- O que deseja alcançar ainda? Seus projetos? Com a globalização esse processo ficou um pouGostaria de finalizar um livro, evoluir no paisagis- co mais facilitado porem ainda é árduo o caminho, mo, fazer muitos telhados verdes, levar mais ale- contudo como observamos, fora a arte é muito va162

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Elaína Cristina Araújo de Maria, reside em Santo Antônio de Jesus, Bahia. É natural de Campina Grande, Paraíba.

crita. É agridoce, tem uma escrita marcante e gosta de enaltecer todas as figuras femininas. O objetivo é fomentar a leitura e escrita de mais mulheres e humanizar mais com as palavras.

1-Elaíne na adolescência, mulher, esposa, e artista, sua ideologia e objetivos. Na infância tínhamos uma menina arteira, que fazia as maiores travessuras e uma rabiscadora de paredes. A menininha sempre objetivava deixar a sua marca em paredes alheias. Na adolescência tínhamos uma garota que era uma leitora voraz, a maior frequentadora da biblioteca da escola e que competia nos concursos de redação escolares. Nesse período, o objetivo era escrever muitos livros e ser uma imortal da Academia de Letras.

2-Que caminhos percorreu, até chegar na Elaíne de hoje? A menina que desenhava suas histórias nas paredes de casa entendeu que por meio dos rabiscos chegaria as letras. Dessa maneira começou sozinha a decifrar os códigos da linguagem. Casou-se cedo e na lida do dia a dia deixou os seus escritos engavetados. Divorciou-se e resolveu retornar aos estudos. Então, escrevia pouca literatura. Deixava a sua alma nos textos acadêmicos, mas ninguém percebia. Tinha tanta vergonha, tanto medo do que A mulher, esposa e mãe são personas diferentes. A escrevia. Porém, o destino fez uma folha de rabisco mulher só deseja ter paz e almeja escrever tendo cair ao chão e uma pessoa incrível disse que eram o mar bem próximo da janela. A esposa, esta não muito bons. Então, pela primeira vez publicou os existe mais. Foi fagocitada depois de vinte anos escritos e depois disso não parou mais de dar vida de um relacionamento abusivo e tóxico. A mãe as palavras. de Verônica e Júlia é uma apaixonada pelas filhas. Gosta de cuidar, organizar tudo, assistir séries 3- As mudanças mais marcantes? e desenhos ao lado das filhas comendo pipoca, e Não. A maturidade trouxe mais força, resiliência e de viajar. O objetivo desta mãe é proporcionar o discernimento. melhor lar para as suas meninas. A mulher artista reside nas madrugadas, é aquela que é apaixonada 4- Você é uma guerreira? pela vida, que adora o silêncio da casa para escre- Sim. Porque não tenho medo das adversidades e ver. É uma persona completamente diferente na es- sempre tento sozinha solucionar os problemas. Revue Cultive - Genève

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5- A vida foi fácil, sempre foi um mar de rosas? Não. Tive uma vida difícil, sofrida. Mas não carrego os espinhos que encontrei pelo caminho. Prefiro presentear as pessoas com rosas. Quem sabe o mundo fica mais bonito e perfumado, né?

Ser observador e criativo, pois um poema não é só um conjunto de palavras, que rimam ou não, um poema é permeado de significado, de pensamentos, de sentimentos de seu autor.

6- Em que momento da sua vida a sua estrada bifurcou e como você fez a escolha e para onde ela te levou? A estrada bifurcou a partir do nascimento de minha filha caçula e do divórcio. Percebi que existia uma mulher engavetada que queria viver, escrever. Foi aí que escolhi me lançar de cabeça no mar das letras, da literatura.

A paz

7- Você mudou como pessoa? Em que você mudou? O que a fez mudar? Sim. No meu jeito de ser e nos relacionamentos. Era muito imatura, submissa e sempre deixava a vontade de todos ficar em primeiro lugar. O divórcio me fez mudar. Entendi que tenho que ser prioridade e fazer o que me deixa feliz. 8- Onde e como encontrou força ou coragem para tal mudança, para conquistar seus objetivos? Faria tudo outra vez? Encontrei forças em minha fé e nas minhas filhas. Faria tudo outra vez sim. Porque não posso culpabilizar o eu de antes com o eu de hoje. São épocas diferentes e pessoas diferentes. 10- O que mudaria na sua história? Acho que não mudaria nada. Porque sou um pedacinho de cada acontecimento, de cada boa ou má lembrança. E daí vem o ser humano que hoje sou. 11- O que desejar alcançar ainda? Seus projetos? Uma estabilidade financeira para poder viver apenas dos meus escritos e participar de mais eventos culturais. Escrever mais livros, estudar outras temáticas, desenvolver projetos e construir produtos pedagógicos. 12- Como alcançar e realizar um sonho? Através de muita dedicação, persistência, foco e trabalho. 13- Qual o caminho para ser um escritor? Estudar várias temáticas, ter disponibilidade e humildade para aprender, e escrever muito. 14- Qual o caminho para ser um poeta? 164

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Ao mensurar as horas, o senhor Tempo observou que a paz não voava mais. Ela apenas caminhava entre o silêncio dos pedestres, faminta por um alimento que nutrisse a alma. Direitos usurpados e uma paz faminta, ficou a refletir o senhor Tempo, esquecendo-se de contar as horas. Elaína Cristina Araújo de Maria (http://www.minicontos.com.br/)


ENTREVISTA 1-

Seu nome, cidade e origem.

Meu nome é Giuliana

Conceição Almei-

da e Silva. Sou natural de São Paulo, SP e res-

sudo em Santo Antônio de Jesus, BA

2- Fale da infância, da adolescência, da mulher esposa, da mulher artista, da sua ideologia e objetivos. A minha infância foi marcada pela liberdade. Brincadeiras nas ruas, construção de brinquedos, banhos de rios e muitas histórias orais em noite de lua cheia. Era uma criança que adorava criar e ser livre. Características que até hoje trago comigo. A minha adolescência foi marcada por muitas leituras. O meu ponto de partida foi à série Vaga Lume, depois continuei lendo, discutindo e compartilhando as histórias com minhas colegas, sentada no passeio da minha casa. A mulher esposa e mãe é aquele ser coruja: protege, zela e cuida de todos. Adora cozinhar para a família, ler histórias para os filhos e também contar e ouvir muitos “causos”. É uma mulher ativa fica atenta a tudo que está em sua volta. A mulher artista, é o ser livre e criat ivo que existe em mim. Na escrita procuro romper as fronteiras e viajar por meio das palavras, nela também encontro abrigo e consolo. A minha ideologia está presente em minha escrita, almejo um mundo mais equânime, justo e amoroso. Anseio continuar me expressando por meio da es-

crita e por meio dela e do meu trabalho como professora auxiliar as pessoas a serem melhores. 3- Que caminhos percorreu, até chegar na mulher que é hoje? O percurso caminho foi longo e intenso, fiz algumas pausas necessárias e segui em frente. A adolescente que escrevia poemas estudou o Curso Técnico de Magistério e descobriu a paixão pela docência. Depois cursou Letras e continuou trabalhando e seguindo em frente com os estudos, porém os escritos ficaram guardados no coração. Essa pausa, deu-se para nutrir o desejo de formar uma família que foi, e é vivida com muita intensidade. Essa pausa foi mister para o retorno de mulher escritora com uma visão mais ampliada de si e do outro. 4- Você sempre foi como é hoje? Não. A maturidade e a vivência e a convivência com a diversidade me fez ampliar meus horizontes e te um olhar mais sensível. 5- Você é uma guerreira? Desde que nasci. Sou uma eterna inconformada e luto honestamente e com muita garra para conquistar os meus objetivos. Um não para mim é um pequena pausa para que eu possa respirar e seguir lutando. 6- A vida foi fácil, sempre foi um mar de rosas? Viver é um desafio. Pisei em vários espinhos. Mas, sou grata por cada machucado, pois me ensinou a ser alguém melhor e mais resiliente e esperançosa. Revue Cultive - Genève

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Não guardei as tristezas, prefiro olhar a beleza da Seguir o caminho da observação e da sensibilidade. rosa. 16- Qual receita para escrever um livro? Olhar sensível e atento a si e ao outro como fonte 7- Em que momento da sua vida a sua estrada bi- de inspiração. Dedicação e disciplina, além de mofurcou e como você fez a escolha e para onde ela te mentos para si. O lazer enriquece o potencial crialevou? tivo do escritor. Aos dezessete anos. Quando fui aprovada no vestibular de Letras. Apaixonei-me ainda mais pela lite- 17- Qual o caminho para ser um poeta? ratura e enverede-me na docência, minha melhor Deixar a sensibilidade fluir e aliar a criatividade ao escolha. processo escrita. 8- Você mudou como pessoa? Em que você mudou? O que a fez mudar? A minha vida foi uma verdadeira metamorfose. A menina tímida tornou-se falante. A coragem, o amor pela vida e a força de vontade ampliaram. Passei a observar a mim e ao outro, resultado das vivências e experiências vividas. 9- Onde e como encontrou força ou coragem para tal mudança, para conquistar seus objetivos? Faria tudo outra vez? A coragem é algo presente em mim. Faz parte de minha essência. Quando tudo fica difícil, olho para o meu interior e me fortaleço. Certamente fatia tudo do mesmo jeito, pois hoje sou o resultado dessas experiências e gosto muito da mulher que me tornei. 10- Alguém em particular a agradecer? Aos meus pais. Foram e são as minhas melhores referências. 11- O que mudaria na sua história? Não mudaria nada. Tenho vivências incríveis que ajudaram na criação da pessoa que sou hoje. 12- Por que você participa de movimentos culturais? Para me manter conectada a outros artistas, aprendendo e compartilhando com eles. 13- O que desejar alcançar ainda? Seus projetos? Continuar criando e educando os meus filhos, seguir estudando e aprendendo com as vivências e convivências. Pretendo continuar escrevendo. 14- Como alcançar e realizar um sonho? Com disciplina, determinação e persistência. Sem esquecer o olhar atento e amoroso. 15- Qual o caminho para ser um escritor? 166

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18- Que tipo de arte você realiza? Cite suas obras. Apresente as capas dos seus livros. Realizo a arte da escrita. Participo de antologias, escrevendo poemas, poetrix, minicontos e aldravias.

POEMA Ser

olhar atento as batidas do coração essência exalada.

Fluir liberdade de consciência pensamentos a brotar criatividade materializada.


Antologia As Valkyries visitam o Brasil 83 Autores prosa e poesia

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Avani Peixe

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Exposition Avani é bacherel em direito e professora de língua espanhola brasileira, mas é na arte e na poesia que ela libera suas emoções e a sua sensibilidade. Avani é membro Internacional Cultive. Pintura acrílica.

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LU IMPERIANO mãe, artista, designer, poeta

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LU IMPERIANO

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MARIA NAZARÉ CAVALCANTI mãe, avó, artista

Maria Nazaré Cavalcanti Entre as muitas exposições em que participou ela cita algumas mais importqantes na sua carreira: no Palacio da Justiça em Portugal, em Mares e Estrela Guia; sob a curadoria de Ângela Oliveira, Barcelona Calle de Bruc Artéria Bem, Viana, em Licchtensten Vadur Saal e Paris no Carrossel du Louvre em Outubro de 2018. . Nazaré é uma mulher ativa que procura cercar-se da família, de amigos e de colegas da mesma paixão: a arte. consciente que a união faz a força ela estimula, agrupa e divide com outros artistas as suas conquistas, espaços em que expõe e coopera em organizações de eventos artistícos.

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Maria Nazaré Cavalcanti

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Maria Nazaré Cavalcanti

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Maria Nazaré Cavalcanti

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Maria Nazaré Cavalcanti

Nasceu Recife – PE, mas reside na Europa desde a década de 70, após o casamento com um português. Artplus - o que é fazer arte e como fazer arte ? A arte é vida, é algo visceral e pulsante, é como o ar que se respira. A arte criou um universo paralelo onde os sonhos se tornam alcançáveis. São momentos ricos em sentimentos de paz e plenitude.

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A aceitação de um artista dentro de um conceito universal é dinâmica, com variáveis desde os limites da liberdade de expressão e a pouca valorização até o acesso ao entretenimento e à cultura. Os meus interesses na arte, foram sofrendo mutações ao longo do tempo e de forma intuitiva.


Maria Nazaré Cavalcanti

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Maria Nazaré Cavalcanti

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Maria Nazaré Cavalcanti

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Rita Guedes

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Rita Guedes

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VALQUIRIA

IMPERIANO 190

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Valquiria Imperiano Pintura

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Valquiria Imperiano Pintura

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Valquiria Imperiano Pintura

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Valquiria Imperiano

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Valquiria Imperiano Pintura

L’Hindu

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ABERTA AS INSCRIÇÕES PARA A REVUE ARTPLUS N°3

REVUE ARTPLUS Revista Artplus é um magazine cultural impresso em língua portuguesa e francesa, com registro na Biblioteca Nacional Suíça, com ISSN Suíço. ARTPLUS é um portal de valorização da cultura brasileira e Suíça e Europeia. ARTPLUS é referenciada no site da Cultive, no facebook, no publish on line, no blog Cultive. A Revue ARTPLUS é uma revista anual distribuída na Europa e no Brasil (museus, galerias, salões de literatura e de arte, salão do livro de Genebra, feiras, bibliotecas, associações, hotéis, consultório médico, escolas, universidades etc) ela alcança também os EUA, Angola e América Latina. Os participantes da Revista ARTPLUS aparecem automaticamente na Revista Cultive Online que é publicada 4 vezes por ano em língua. INFORMAÇÕES

https://editioncultive.com/

1- REVUE ARTPLUS – capa e miolo coloridos Miolo - papel couché semi mate -130gr Capa – papel couché semi mate com película - 250gr 2- FORMATOS DA REVUE ARTPLUS - 21x29 cm 3- CONTEÚDO REPORTAGEM OU TEXTO: em duas colunas ilustrada com fotos1 ( página tipo A;B;C;D no gabarito anexo ) 4- TRADUÇÃO : por conta da edição da Revue Artplus 5- VALORES Modelos nos gabaritos A, B; C; D 1 página - 250 euros ou 1125 reais O contraente recebe - 6 revistas por página contratada *Membros Cultive recebem 10 revistas por página.

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Modelo no gabarito página E (1/8 de página) – 50 euros ou 230 reais cada espaço (o contraente não recebe nenhum exemplar) Revue Cultive - Genève Modelos nos gabaritos F


JU PEREIRA

FOTOGRAFIA

Natureza morta

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DeIstacando-se

PONTO DE VISTA VI 200

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Gabriela Lopes

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Gabriela Lopes

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Dunas do Mangue da Mata-Fome Bitupitá-CE - Brasil 80cm x 60cm Técnica: Óleo sobre tel 2015

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Manoel Osdemi

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Karmem Pires Artiste peintre Acrylique sur toile Dedicando-se às Artes Plásticas e Poesias. Membro das Academias de Letras e Artes de Feira de Santana, Academia de Cultura da Bahia, Academia Internacional de Letras Artes e Ciências da Argentina com sede em Buenos Aires, Academia Superior Di Crescita Personale Italia.Arte Terapeuta /nome artístico “KARMEN PIRES”

Karmen Pires Jesus Acrílica Sobre Tela 1.30 X 1.20

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Christiane Couve de Murville

O Pequeno Príncipe visita São Paulo

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ROSALVA SANTOS

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IZABEL PECORONE Artiste peintre Peinture acrylique

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IZABEL PECORONE


Zezé Negrão

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ZEZÉ NEGRÃO

MARIA QUITERIA

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ZEZÉ NEGRÃO

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Catálogo Literário Ler à bom e libera a imaginação, dê um livro de presente de Natal Seja um apoiador da nossa literatura!

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ALEXANDRE SANTOS, ex presidente da União Brasileira de Escritores (UBE) e coordenador nacional da Câmara Brasileira de Desenvolvimento Cultural, é o curador geral da FLIPO, editor do semanário ‘A voz do Escritor’ e apresentado do programa ‘Arte Agora’.

BALTIMORE O romance fala sobre um golpe de Estado articulado na cidade norte-americana de Baltimore para interferir na política interna do Brasil. língua: Português versão papel

ÁRCHIAS Romance que trata da possibilidade de redenção da humanidade e eventual transformação do mundo dos homens na terra de Deus. língua: Português versão papel

O LIVRO DOS LIVROS Romance que trata da velha luta do bem contra o mal. Se desenrola no entorno da tentativa de controle da humanidade a partir da criação de uma nova religião. língua: Português versão papel

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com o autor pelo email e veja a disponibilidade do livro. E-mail: alexandresantos@br.inter.net 214

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AMAURI HOLANDA DE SOUZA

Amauri Holanda de Souza. Bacharel em Direito. Psicopedagogo Clínico e Institucional. Neuropsicopedagogo. Pós graduado em Direito Processual Penal. Teólogo. Missionário. Capelão Internacional. Escritor. Atuou como Conselheiro Titular do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente do Estado do Ceará Nasceu em Quixadá/Ce - Escreve com o coração. Fala de coisas da vida e de sua visão de mundo. Quando se trata de escrever sempre vem coisas que tocam os sentimentos das pessoas.

DISPONÍVEL: 2 EXEMPLARES DE CADA TÍTULOVERSÃO PAPEL

ESQUEÇA-ME: O livro traz o talento de muitos dos autores brasileiros, na modalidade poema. É uma Antologia que traz muitos temas interessantes.

ÂMAGO POÉTICO: Antologia envolvendo autores brasileiros, com ênfase poético e conteúdos diversificados

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo email e veja a disponibilidade: email: amauri.holanda.souza@gmail.com

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Educação Anapuena Havena é empresária e escritora cearense. Autora dos romances de época Encantos do Café e Descobrindo a Nobreza do Amor, e do livro infantil O príncipe que não sabia Brincar. É a idealizadora do Café Patriota; espaço cultural de incentivo à leitura, propagação do conhecimento e valorização da História e Cultura brasileira.

DISPONÍVEL: 20 EXEMPLARES- VERSÃO PAPEL ENCANTOS DO CAFÉ é um romance de época composto por fortes elementos da história do Brasil, contextualizado no importante período denominado Ciclo do café.

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo email e veja a disponibilidade: E-mail: anapuena@hotmail.com

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CELSO CORRÊA DE FREITAS

Criador da estrutura poética denominada OVERTRIP Participações em Feiras de livros e Festivais e eventos Literários no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Dois Córregos, São Paulo e Praia Grande-SP. Premiações literárias no Rio de Janeiro, São Paulo, Praia Grande-SP e Porto Alegre. Representações como Delegado cultural de Praia Grande-SP em São Paulo e Brasília

DISPONÍVEL: 40 EXEMPLARES - VERSÃO PAPEL VERTRIP - O livro conta a história do nascimento do Overtrip em 2011, e tem os Poemas, meus, criador dessa estrutura e dos demais Poetas brasileiros que ao longo deste tempo de 2011 até hoje, foram aderindo ao Overtrip por verem nele uma nova estrutura poética com conteúdo.

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo email e veja a disponibilidade: email: celso.correadefreitas@gmail.com

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CHRISTIANE COUVE DE MURVILLE - Autora da trilogia A CAVERNA CRISTALINA, da série ATÉ QUANDO e do A VIDA COMO ELA É. Faz as ilustrações de seus livros e é doutora em Psicologia Clínica pela USP.

DISPONÍVEL 10 EXEMPLARES -VERSÃO PAPEL O PEQUENO PRÍNCIPE VISITA SÃO PAULO - Coletânea de ilustrações que mostra o Pequeno Príncipe passeando por locais bem conhecidos da capital paulista. Encontramos um Pequeno Príncipe universal; loiro, moreno, ruivo, cadeirante, cego, criança, adulto... Uma frase explicativa acompanha cada imagem.

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo email e veja a disponibilidade do livro escolhido. E-mail: ccmurville@gmail.com 218

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CHRIS HERRMANN

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo email e veja a disponibilidade do livro escolhido. www.christinaherrmann.com/p/books.html Revue Cultive - Genève

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Débora Leal Feira de Santana

Sou Pós Doutora em Docência Universitária pelo IUNIR-AR; Doutora em Educação pela - UNINTER- PY; Doutora Honoris Causa em Ciências Humanas pela EBWU- Universidade acreditada pela ANVISA, UNESCO e EBWU - Estados Unidos. Pesquisadora Emérita da Université Libre des Sciences de L’Homme de Paris.

Todas as obras de Debora são em língua portuguesa e publicados em papel CADA TíTULO TEM 2 LIVROS DISPONÍVEIS - VERSÃO PAPEL FORMAÇÃO DOCENTE UM CAMINHO PARA A INCLUSÃO é de natureza qualitativa e objetiva compreender a importância da formação docente no contexto de escolarização de educandos com deficiência. Demonstra o descortinar da educação especial no cenário educacional brasileiro.

VIVÊNCIAS PERMEIAM A HOSPITALIZAÇÃO INFANTIL - A FAMILIA COMO FONTE INESGITÁVEL tem como foco destacar a importância de compreender como os familiares podem reagir em uma unidade hospitalar e como é o acolhimento das crianças internadas.

PENSANDO A EDUCAÇÃO SEXUAL DE DISCENTES CADEIRANTES demonstra a importância do uso das tecnologias da informação e da comunicação no ensino de História como forma de expansão e conexão entre passado, presente e futuro.

DESENHO ENTRE LUZES BECOS traz como objeto de pesquisa e análise os desenhos produzidos pelos internos de uma comunidade socioeducativa de Feira de Santana, o mesmo é fruto de experiências acadêmicas.

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo email e veja a disponibilidade do livro escolhido. E-mail: debora@uefs.br 220 220 Revue Revue Cultive Cultive - Genève - Genève


VERSÃO PAPEL

AS MARCAS DA LIBERDADE discorre sobre a Irmandade da Boa Morte, trazendo como foco a relação desta no Ensino local da Cidade de Cachoeira-BA.

NAVEGAR É PRECISO - destaca os principais traços da Herança Cultural Africana, que permanecem vivos no cenário cultural baiano.

A ARTE DE AVALIAR NOVOS POSSIVEIS A AVALIAÇÃO MEDIADORA EM FOCO busca refletir sobre a Avaliação da aprendizagem no cenário educacional a qual se constitui um dos grandes motivos das discussões para o desvelamento das ideias do processo de ensino e aprendizagem.

ENTRE O REAL E O VIRTUAL REFLEXOS DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA livro tem como objetivo entender os motivos pelos quais a modalidade de Ensino à Distância é vista de maneira desafiadora nas instituições brasileiras

A HISTÓRIA A UM CLIQUE demonstra a importância do uso das tecnologias da informação e da comunicação no ensino de História como forma de expansão e conexão entre passado, presente e futuro.

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo email e veja a disponibilidade do livro escolhido. E-mail: debora@uefs.br

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ELISA AUGUSTA DE ANDRADE FARINA

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Editora Cultive divulgando os autores brasileiros na Europa e no mundo

Publicações Traduções Diagramação Revisão Divulgação Isbn suíço Registro bilioteca Nacional Suíça Romance Contos Poesias Livros de Arte Livros Infantis Albuns personalizados Publicações comemorativas Revue Artplus Orientação aos novos escritores Revue Cultive Orçamentos sem compromisso contato: edicaocultive@gmail.com

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JOSMAN LIMA -

Psicólogo, Artista Plástico e Fotógrafo por hobby. Autor dos livros: Pintando a Vida, Cúmplices do Amor - Romance e As Aventuras de Bolota e Quinzinho, Literatura Infantil. Membro da Academia de Letras e Artes de Feira de Santana, da Academia de Cultura da Bahia, da Academia de Ciências, Letras e Artes da Argentina.

20 LIVROS DISPONÍVEIS -VERSÃO PAPEL PINTANDO A VIDA conta a história de Arthur; um jovem de classe média que depois de um acidente de carro ficou paraplégico. Trata-se de um drama vivido por milhões de cidadãos do mundo todo e nos ensina a repensar sobre o deficiente físico e a acessibilidade em todos os contextos.

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com o autor pelo email e veja a disponibilidade do livro. E-mail: josmanlima@live.com Revue Cultive - Genève

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HUPOMONE VILANOVA

Nascido em Vitória de Santo Antão - Pernambuco Formado em Licenciatura em Letras pela FAINTVISA – Vitória de Santo Antão – Pernambuco. Cursou Música pela Universidade de Federal de Pernambuco – UFPE. Músico flautista Cursou de Licenciatura em História pela Universidade Federal de Sergipe - Aracaju Sergipe. Membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão – Pernambuco. Membro do Instituto Histórico de Jaboatão dos Guararapes – Pernambuco. Membro da Academia Vitoriense de Letras Artes e Ciência. Vitória de Santo Antão Pernambuco.

10 LIVROS DISPONÍVEIS -VERSÃO PAPEL REFLEXÕES HUPOMÔNICAS CHÁ DA VIDA. Hupomone Vilanova. Reflexões que nos fazem compreender as situações da vida, nossas atitudes, nossos relacionamentos nossos desafios e medos e como podemos vencer tudo isso.

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo email e veja a disponibilidade do livro escolhido. E-mail: chadavidahupomone@gmail.com 226

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IVANILDE MORAIS DE GUSMÃO

Ivanilde Morais de Gusmão professora, advogada, ensaísta, contista e poeta. Estudiosa de Karl Marx e da Literatura. Membro de várias Academias. Livros de ensaios e de poesias em português/francês/ inglês; Participação em várias coletâneas; Recebeu Prêmio Literário de poesia, e de ensaios.

50 exemplares disponíveis PAI Forma poética do livro. Na escuridão, o amanhã do escritor Rogério Pereira, a autora Ivanilde Morais de Gusmão expõe o conflito na relação Pai & Filho buscando na palavra o sentimento que atormenta o protagonista.

TO N E

M

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ÇA N A

150 exemplares disponível TEMPO PARTIDO 2020 - RESGATANDO SENTIMENTOS DE HUMANIDADE Coletânea sobre o sentimento da dor num período de reclusão em tempo de pandemia. Registro histórico para às futuras gerações. Um livro atual com 121 participantes. Esse livro é um documento histórico. Os depoimento dos parentes que receberam o exemplar a que tinha direito é algo fantástico!!! 50 exemplares disponível

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo email e veja a disponibilidade: E-mail: morais.ivanilde@gmail.com Revue Cultive - Genève

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IRLANA JANE MENAS

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10 exemplares disponíveis UM CAMINHO PARA MARX: reflexão sobre a obra deste grande filósofo e sua importância na compreensão e Transformação do Mundo Humano.

50 exemplares disponíveis SER SOCIAL Trabalho e Mercadoria: Estudo sobre o processo de humanização do homem produzindo seu mundo com o trabalho e sua transformação em mercadoria.

50 exemplares disponíveis MARXIANO & DESVELANDO a autora, a partir da concepção materialista da História, expõe o enigma da Sociedade, Política e Estado mostrarndo como funciona essas Instituições

10 exemplares disponíveis COMPREENDER O MÉTODO DIALÉTICO: reflexão sobre processo de investigação e exposição dos estudos marxianos da realidade social.

50 exemplares disponível SÚPLICA AO SOL ... ERA OUTONO Antologia em Prosa e Verso sobre o homem e sua humanização numa Sociedade em crise.

TOQUE Livro de categorias marxianas em forma de Aldravia para compreender o processo histórico do homem.

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LECI QUEIROZ

Funcionaria pública aposentada do Detran como nutricionista. Professora na área de nutrição na Universidade Vale do Acaraú. Trabalhou na implantação de projeto de nutrição no Nordeste e na Guiné-Bissau África. É presidente da Associação Mãos que Compartilham ligado ao desenvolvimento social em Cacine na Guiné-Bissau.

Esse livro narra histórias de memórias de VIVÊNCIAS À MESA, onde cheiros e sabores trazem à tona histórias da vida. Tem as receitas dos alimentos aqui narrados!!

O LIVRO A MESA ESTÁ POSTA discorre sobre escolhas e vínculos construídos a partir da Mesa. A nossa primeira mesa é o útero ou Vida!!!

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo email e veja a disponibilidade do livro escolhido. E-mail: maria-leci@uol.com.br 230230Revue Cultive - Genève Revue Cultive - Genève


LILIA SOUZA

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Bibliodiversidade: Leni Zilioto prova que ser escritor vai muito além do estilo literário Exemplo para muitos autores brasileiros, escritora gaúcha especialista em Educação Ambiental explora diversos gêneros da literatura para conhecer leitores do Brasil e do mundo Natural de Guaporé, Rio Grande do Sul, Leni Zilioto, publicou obras em pelo menos seis idiomas. A bióloga e pedagoga é autora de 19 livros e reúne mais de 40 participações em coletâneas nacionais e internacionais. Motivada pelos contos clássicos nos anos iniciais da escola, Leni lembra de ter afirmado aos oito anos que seria escritora. Em 2001 publicou seu

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primeiro livro, um garimpo de todos os poemas que escreveu desde os 12 anos. Os outros gêneros literários afloraram quando migrou para o Mato Grosso, onde surgiram obras biográficas e ficção. Leni Chiarello Ziliotto é seu nome completo, assinado as obras e divulgando seu trabalho nas redes sociais com nome Leni Zilioto. É membro de Academias e Federações literárias, incluindo o Institut Cultive Brésil Suisse, sendo Délégue (como escreve?) para o estado de Mato Grosso.


News

Confira alguns dos lançamentos de Leni Zilioto INFANTIL

Pirulito Rodapé é palhaço de circo. Faz pirueta, conta piada, coisa que um palhaço faz. Faz a gente rir! Leni Zilioto é a escritora que está lançando o livro Pirulito Rodapé em 6 idiomas.

quem lê. Tem história, tem joguinho, tem desenho para pintar e folha em branco para desenhar. Tem amor, tem carinho e muita gargalhada para dar! Pirulito é doce, é palhaço, é brinquedo de papel. É uma historinha gostosa para aproveitar com os pequenos e trazer a eles o rico universo da literatura e a alegria própria do palhaço de circo. O enredo retrata um pouco de nossa trajetória como educadores e artistas e tem o poder de nos transformar em pessoas melhores. Está traduzido para 5 idiomas: inglês, francês, italiano, espanhol e alemão. Uma floresta, uma menina e um manequim: inspirada na saga de mulheres que migraram para o centro-oeste brasileiro nos anos 70, maioria oriunda das regiões sul e sudeste, a fim de colonizar o norte mato-grossense, a escritora Leni Zilioto escreveu o 1º volume de uma série de 5 livros que descreve e descreverá fatos e emoções desse processo social humano, em uma linguagem infanto-juvenil. Uma floresta, uma menina e um manequim – Volume 1, que já está em sua 3ª edição, foi também traduzido para o inglês. É uma leitura infanto-juvenil bem consistente, carregada de vida e detalhes da infância dos anos 50 e 60, por isso pode ser apreciada também por adultos.

Pirulito Rodapé nasceu na infância de Leni Zilioto e ficou dormindo até acordar nas págias de Leni mulher adulta e saudosa dos palhaços que animavam os circos da sua época. Em Pirulito Rodapé ela ressalta. Ela leva as crianças de uma escola na figura da professora. E o nome Pirulito é uma alegoria ao doce, ao sabor prefirido das crianças, muita simbologia está dentro da história Pirulito Rodapé, o doce, o circo, o passeio pelo parque, relembro atitudes educacionais importantes para as crianças, a liberdade vigada, a obediência das regras, a reflexão sobre ser criança e a valorização da profissão do palhaço. O livro também um ponto de instrução levando as criançaw a brincarem de esESPIRITUALIDADE E AUTOAJUDA crever e pensar, e refletir. O livro está sendo vendido em 2 idiomas: portugês, francês; e em breve saíra nos idiomas inglês, alemão, italiano e espanhol. O livro Pirulito Rodapé está sendo lançado em português na semana literária do Sebrae. Pirulito Rodapé: é uma história para divertir e interagir, que traz magia para quem escuta e para

Nossa Senhora Mãe da Juventude: Tudo o que transcende o humano, tem um início e não terá fim. Assim foi e assim será a devoção à NOSSA SENHORA MÃE DA JUVENTUDE. Uma devoção iniciada pela inspiração de Padre Osmar Burulli com o propósito de contribuir na Evangelização da juventude através da parceira dos pais e dos sacerdotes para conduzir os jovens ao eternamente jovem Jesus. Em um ensaio de jornalismo, a escritora Leni Zilioto ousou, nessa obra, narrar a criação e os primeiros passo da devoção, com sua linguagem simples e que bem comunica o que quer

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comunicar. POESIA

As cores e os amores: evidencia as propostas do respeito ao corpo físico – uma virtude acessível – e da ascensão espiritual – um caminho que exige encontros muitas vezes indesejados, especialmente com questões de amor e ódio. As pessoas que almejam a vitória sobre si mesmas buscam a luz através do tempo e abandonam, gradativa e sabiamente, a sombra das paixões. Sabores ao sol: As formas, as cores, azul e mistério. O que nos reservará o futuro? Quais serão os Sabores ao Sol? A observação e a crítica emergem, quando denuncia o modus vivendi do mundo que a rodeia na sua complexidade inconsequente. O silêncio perturbador grita ao desvelar a eloquência da ausência da palavra. Já a singularidade do amor veio ser por ela reinventada, na romântica definição de unicidade, anulando a existência do outro. Poemas fluentes, impressionáveis, plurais e, ao mesmo, singulares, apreensíveis de um modo de ser e de dizer. Carolinas: a saga de desbravamento é permanente. Migrantes vieram ao Brasil da antiga Europa. Os sulistas migraram para o centro-oeste e norte do Brasil. A escritora Leni Zilioto também, no ano de 2011, migrou do Rio Grande do Sul para se estabelecer em Mato Grosso. Os desafios desse movimento são diferentes para cada um. Para Leni foram intensos, e, escritora que é, registrou. Sentimentos, emoções, conflitos, em prosa e poemas.

BIOGRAFIA

Eu não aceito ser mais ou menos: a obra premiada traz a história de um empresário de sucesso que irá inspirar a todos. Ao ler o livro, o leitor trilhará com ele o caminho que o levou ao sucesso pessoal e profissional, sempre em busca de ser o melhor no que faz. A perseverança, a dedicação e o foco são alguns bons ingredientes para essa jornada! ROMANCE

A Saga de Gigantes: o clima era de festa. Natal e fim de ano provocam movimentos intensos, até mesmo em pequenos locais. A sede da agrovila fechava às 17 horas da sexta-feira e abria às 8 horas da segunda-feira, quando se poderia verificar recados recebidos pelo rádio amador. A avenida principal era pó vermelho e rebuliço de pessoas. Mateo não resistiu. Desabou em choro nos braços da mãe que carinhosamente lhe afagou os cabelos e sussurrou para o universo acolher: “Até breve, meu amor. Ficaremos bem”. Contatos e onde encontrar os livros +55 66 9.9966-2765 linktr.ee/lenizilioto www.lenizilioto.com.br lenizilioto@gmail.com @lenizilioto lenichiarello.ziliotto @branccamaria lenichiarello.blogspot.com Leni Zilioto

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LÚCIA SOUSA Coorganizadora da obra é membro Inten-

cional, Délégue e Jornalista correspondente em Recife-PE, da Cultive - Genebra -Suíça. Membro da diretoria da União Brasileira de Escritores-UBE-Tesoureira Geral. Integra a diretoria da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil-AJEB/PE, Secretária.

ANTOLOGIA CARRERO COM 70 Trata-se de uma homenagem escrita em prosa, verso e crônica por vários escritores brasileiros, muitos consagrados pela crítica literária. São ex-alunos e amigos do escritor pernambucano Raimundo Carrero, que possui mais de vinte obras publicadas traduzidas em vários idiomas. Raimundo Carrero é membro ilustre da Academia Pernambucana de Letras-APL.

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo email e veja a disponibilidade do livro escolhido. E-mail: lucia.1001@hotmail.com

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Maurienne Caminha Johansson

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MARIA JOSÉ ESMERALDO ROLIM

Maria José Esmeraldo Rolim nasceu em Floriano – Piauí, Estado do Nordeste do Brasil. Maria José Esmeraldo Rolim fez mestrado e doutorado em Educação no Uruguai. Sua escrita focaliza o tema das suas pesquisas : a violência simbólica e o bullying que finalizou em uma edição traduzida para o espanhol e teve uma ampla aceitação dos educadores e em seguida publicou A violência dos laços familiares aos bancos escolares, livro destacado pela crítica, como relevante para a Educação; Possui 23 publicações conjuntas e 3 solos. Maria se lança na litartura juvenil com o livro «O mundo dos animais», O reconhecimento de seu trabalho foi feito pela Assembleia Legislativa de Fortaleza, da qual recebeu votos de louvor pela pesquisa efetuada.

O MUNDO DOS ANIMAIS No mundo dos bichos, os animais têm um rei que os explora, tem o vírus que isola todo mundo. Mas tudo acaba bem com a descoberta de uma vacina. Um livro para ciranças e adultos. Editado pela Cultive Língua: Português Francês

Lançamento

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a editora para adquirir seu exemplar. E-mail: edicaocultive@gmail.com R$ 70,00 a unidade INCLUIDO A POSTAGEM NO BRASIL

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Maria Inês Botelho é membro de diversas acade-

mias localizadas no Brasil, em Portugal e na Suíça. Tem livro, coletâneas e antologias publicados.

6 LIVROS DISPONÍVEIS - VERSÃO PAPEL A coletânea EXCLUSIVOStem participação de escritores de vários estados brasileiros escolhidos pela coordenadora Pérola Bensabath. Faço parte e sinto-me muito honrada. Realça desde o tema "Amor" à vivências em diversas ocorrências

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora e veja a disponibilidade. E-mail: mariainesbotelho2@hotmail.com

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Neusa Bernado Coelho, poetisa, historiadora. Natural de Palhoça SC. Membro de várias Academias; Embaixadora Imortal da Paz; Autora e coautora de obras literárias nacionais e internacionais.

20 EXEMPLARES DISPONÍVEL-VERSÃO PA-

PEL ZILDA ARNS, médica pediatra e sanitarista. Fundadora da Pastoral da Criança nacional e internacional. Morreu em missão no terremoto do Haiti, 2010. Em processo de beatificação.

20 EXEMPLARES DISPONÍVEL-VERSÃO PAPEL

A FADINHA MARICELA foi a primeira publicação das gêmeas Elisa e Sofia. É um conto em defesa da preservação da natureza e reflete a importância da água. Publicaram o primeiro livro aos 9 anos de idade.

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo email e veja a disponibilidade: E-mail:farmaciadobetinho@yahoo.com.br

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NORMA BEZERRA DE BRITO

é professora universitária de Português e Inglês aposentada. É contista, cronista e poeta. Cearense, residente em Brasília, participou de mais de 30 antologias, é membro de quatro Academias Literárias e é deleguée da Cultive em Brasília.

10 LIVROS DISPONÍVEIS -VERSÃO PAPEL

A VIDA NÃO É ENSAIO - livro de contos

e crônicas apresenta escutas e olhares em direção a situações do dia-a-dia, criativamente ampliadas pela imaginação do autor configuradas em uma escrita versátil.

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo email e veja a disponibilidade do livro escolhido. E-mail: normabbrito@yahoo.com.br 240

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PAULO ROBERTO PAIXÃO BRETAS

Mineiro de Belo Horizonte, 62 anos. Professor associado da Fundação Dom Cabral e de História Econômica, Economia Brasileira Contemporânea e Desenvolvimento Socioeconômico do Centro Universitário UMA, em Belo Horizonte. Se dedica à literatura tendo três livros de poesias haicai publicados.

LANÇAMENTO Meditções: Uma brisa soprou e mudou a minha vida O LIVRO SERÁ LANÇADO EM ABRIl/2020 - FAÇA A SUA RESERVA

to n e m ça n La

DISPONÍVEL: 20 EXEMPLARES -VERSÃO PAPEL O DOCE LIVRO DOS BEIJOS POÉTICOS - trata do cotidiano e dos pensamentos do autor ao interpretá-lo por meio de haikais que nos levam à reflexão sobre a vida e a sociedade.

Um belíssimo livro ilustrado contendo 100 haikais bilíngue: português/francês versão papel

COMO COMPRAR

Língua: Português versão papel Para adquirir o livro entre em contato

com o autor pelo email e veja a disponibilidade do livro. E-mail: paulo.roberto.bretas@gmail.com

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PIETRO COSTA:

Nascido em Brasília-DF. Autor de 4 livros. Co-autor de mais de 30 coletâneas. Membro de Academias Literárias no Brasil e exterior. Detentor de diversos títulos, comendas e honrarias.

DISPONÍVEL:10 EXEMPLARES DE CADA TÍTULO -VERSÃO PAPEL

JURAS DE POESIA ETERNA

COMO COMPRAR

língua: Português versão papel

com o autor pelo email e veja a disponibilidade do livro. E-mail: pietro_costa22@hotmail.com

O amor em suas múltiplas nuances, declarado e exaltado, na beleza sutil da poesia. Para adquirir o livro entre em contato

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Institut Cultive Suisse BrésilArt-Littérature et Solidarité Genebra

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RITA QUEIROZ

GRIMALDA: A LAGARTIXA EMPODERADA Neste livro, a autora Rita Queiroz usa a metáfora da lagartixa para falar sobre empoderamento feminino para o público infantojuvenil. Grimalda é uma personagem que mostra as diversas faces do ser feminino: espevitada, vaidosa, altruísta, estudiosa, feminista, empoderada, sem abrir mão das atividades que exerce, sejam estas as domésticas, como cozinhar e lavar, bem como aquelas relacionadas com o mundo profissional e as dedicadas ao labor social. Escrito em português, inglês e espanhol, também é uma ferramenta que pode auxiliar professores de línguas estrangeiras que atuam com as séries iniciais. Conheça a Grimalda e se encante por essa lagartixa empoderada! Uma publicação da Editora Historinhas pra Contar.

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo ritaqueirozpoesiando.loja2.com.br 244

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ROSANGELA MATOS

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo email e veja a disponibilidade do livro escolhido.

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VALQUIRIA IMPERIANO

Escritora, Artista plastica presidente da Cultive Publicação: Espelho meu Espelho - poesia, Navegando em Ondas - poesia, Le livre des petits Mots – poesias e pensamentos, Cofre aberto – poesia, O rosa e o Azul- contos e crônicas, Southend on the sea - livro de arte, O jardim da consciência. Redatora da Revue Cultive e Artplus.

Cofre Aberto é o segundo livro de poesia de Valquiria Imperiano. O cofre do coração, o cofre do espírito. Os poemas sairam da gaveta e foram registrados nas páginas desse livro

Navegando em Ondas Altas Um livro que oferece ao leitor a impressão de estar sobre as ondas dos sentimentos. Os poemas são a expressão dos sentimentos. O amor, a paixão, as impressões retiradas da natureza.

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SOURIR E LEOLEÃO Valquiria Imperiano Livro infantil a partir de 1 ano língua: português/francês versão papel

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ERA UMA VEZ UM ANJO Antologia Cultive reúne autores e poetas escrevendo sobre anjos língua: português versão papel

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SUPERAÇÃO E SOBREVIVÊNCIA Antologia Cultive reúne textos em prosa e poesia de 23 autores. Nesse livro os autores conta histórias de superação.

A EFEMERIDADE DA VIDA Escritos de 53 autores em torno da efemeridade da vida: amor, felicidade, esperança, morte, alegria tristeza, fé, milagre, perdas e ganhos, saudade. Belos poemas, contos e crônicas.

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo email e veja a disponibilidade do livro escolhido. E-mail: edicaocultive@gmail.com 248

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Zezé Negrão - Diplomada em Magistério pelo Colégio Estadual de Itaberaba BA, Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Nacional/MG, Doutoranda em Psicanalise junto a SPOCB em Feira de Santana BA, Terapeuta Holística junto a Associação Integrativa Bio Psíquica da Bahia com extensão a Universidade Estadual da Bahia (UNEB). Bancária aposentada, Escritora, Artista Plástica e Pesquisadora

DISPONÍVEL: 20 EXEMPLARES - VERSÃO PAPEL

É um livro infantojuvenil bilíngue portugues e inglês ganhador de 4 prêmios a nível internacional. Houve vários lançamentos no Brasil e Europa. A menina que falava com o beija-flor é um conto que enobre a vivência da criança junto aos mais idoso da família e o envolvimento com a natureza, especialmente com o pássaro beija-flor.

COMO COMPRAR Para adquirir o livro entre em contato com a autora pelo email e veja a disponibilidade: E-mail: zeze_maria10@yahoo.com.br

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VEM Aí ARTPLUS N° 3 2022 inscreva-se Revista bilingue - português/francês Texto word em língua portuguêsa E-mail: revueartplus@gmail.com

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SEJA ESTRELA NA REVISTA CULTIVE Divulgue sua atividade artística e literária nas 4 edições da Revista Cultive.

Impressum Editeur - Edtions Cultive 12 Rue deu Pré-Jérôme 1205 - Genève Téléphone: +41 79 616 37 93 Site web: www.editioncultive.com E-mail: edicaocultive@gmail.com

O Membro Escritor da Revista Cultive pode puRedacteur en chef - Valquiria Guillemin blicar suas atividades nas seções: Lançamentos de livros, ( 1 página: textos + fotos) Eventos ( 1 página: texto + fotos) Literatura( textos literários até 4 páginas + fotos)

Designer : Valquiria Guillemin Photographe: Marc Guillemin, Ernane dos Santos, photos de direitos livres.

O Membro Artista da Revista Cultive pode pu- Copyright Editions Cultive blicar suas atividades nas seções: Evento de Arte - 1página: textos + fotos Exposição - (até páginas: texto+ fotos) Textos: Biografia, crítica de arte - (textos + fotos) O membro recebe o link e o pdf por e-mail gratuitamente. Entre em contato e peça a ficha de insrição. Informações: www.cultive-org.com

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