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Saime agiliza entrega de passaportes em Portugal Os venezuelanos residentes em diferentes países deram início ao levantamento dos seus passaportes -P5

Edição n°746 • Ano 19 • dEpósito LEgAL: 199901dF222 • Bs.s. 2

Sexta-feira 31 de Agosto de 2018

Correio de Venezuela

@correiodvzla

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PORTUGAL

VENEZUELA

Conselheiros Madeirenses apresentaram preocupações

Situação na Venezuela preocupa o governo português -P4

No encontro anual, presidido pelo Secretário Regional de Educação, estiveram presentes 12 Conselheiros de África do Sul, Austrália, Brasil, Europa, Reino Unido, Venezuela e as Casas da Madeira de Coimbra e dos Açores. O conselho pediu celeridade no reconhecimento das licenciaturas e expressou preocupação devido aos preços praticados pela TAP. P14

CULTURA

Amizade impõe-se no Festival de Folclore Um total de seis grupos estiveram presentes na XXXI edição do Festival de Folclore Português da Venezuela, espalhando a nossa cultura portuguesa. P18 PUB

Comerciantes reinventam a sua fórmula de negócio-P7

Consulado de Portugal em Caracas trabalha na sua máxima capacidade Aberto procedimento concursal para admitir quatro novos funcionários, dois para Caracas e dois para Valencia Embora trabalhem na sua capacidade máxima e a equipa esteja comprometida com as suas funções, os recursos humanos e técnicos são insuficientes para responder à de-

manda das pessoas. Estão a ser tomadas medidas para agilizar o atendimento, sendo que uma dessas medidas é aumentar o número de trabalhadores. Em setembro chega para liderar a

equipa de trabalho o novo Cônsul Geral de Portugal na capital venezuelana, Licínio Albino Curvaceira Bingre do Amaral, proveniente do posto consular em Zurich. P4

Arquivo do CORREIO disponível na Madeira -P7

PTP pede equivalência de títulos-P8 DESPORTO

Ronaldo quer “ganhar a Liga dos Campeões com a Juve” Cristiano Ronaldo afirmou que quer ganhar a Liga dos Campeões com a ‘Juve’ e reafirmou que a sua transferência foi “uma decisão fácil”. P22


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2 | DESTAQUES FRASES DE LA SEMANA José Luís Carneiro

SEC PORTUGAL

“Acompanhamos com preocupação os acontecimentos e medidas que foram implementadas nos últimos dias pelas autoridades da Venezuela, que sempre expressam grande admiração pelos empresários e comerciantes portugueses, destacando a forma como os portugueses contribuíram para a vida deste país”.

FOTO FLASH

CIFRAS DE LA SEMANA

2,3%

Foi o crescimento da economia portuguesa no segundo trimestre de 2018, acima da média europeia.

Raquel Coelho

DEPUTADA MADEIRA

23.526,4

“Há jovens venezuelanos com qualificações impedidas de exercer sua profissão porque os seus diplomas não são válidos em Portugal, no entanto, os graus das universidades espanholas, britânicas, americanas são facilmente reconhecidos. No nosso país, porque a discriminação? “

ALBUM CORREIO

Milhões de euros arrecadados pelo estado português em impostos até julho, 1.159,6 milhões mais do que no ano passado.

14,3%

Aumentou o excedente da Segurança Social em julho, mais 148 milhões de euros, totalizando 1.185,1 milhões de euros

MERECIDO DIREITO. Recentemente, o “Servicio Administrativo de Iden-

tificación, Migración y Extranjería” da Venezuela (Saime) anunciou que facilitará a emissão de passaportes em consulados venezuelanos localizados em diferentes partes do mundo. Neste sentido, um total de 93 malas diplomáticas com passaportes e extensões de prazo serão enviadas ao estrangeiro nos próximos dias, para serem distribuídas entre os venezuelanos que estão a viver fora do país. No caso de Portugal, neste primeiro envio serão distribuídos 333 passaportes e 44 extensões.

CARTAS DO LEITOR

Foto que faz “crescer água na boca”.

Rif.: J-40058840-5

Esta semana a foto da nossa secção «Álbum Correio” foi tirada no Mercado de Quinta Crespo, especificamente na “Casa del Bacalao”. Embora a imagem tenha sido tirada há alguns anos, vale a pena lembrar que era ali, no Centro de Caracas, um dos lugares onde conseguíamos tudo o relacionado com a nossa gastronomia.

www.correiodevenezuela.com

Saudades da mina ilha

Reconhecer títulos

Sempre que o verão se aproxima não posso deixar de sentir saudades da minha amada e sempre bela ilha da Madeira. É incrível o que sinto cada vez que vejo fotografias do Funchal: aquela linda cidade em que nasci e da qual emigrei junto com os meus país à procura de uma vida melhor. Entristece-me enormemente que, devido à situação económica na Venezuela, não possa viajar para passar alguns dias de verão no arquipélago, para me reencontrar com as pessoas que amo e me enchem de coragem para seguir em frente. Quando falo com os meus amigos que moram lá, contam-me que há muitos venezuelanos, ou melhor, luso-venezuelanos, que têm emigrado e que graças a Deus contam com muitos apoios do governo de Miguel Albuquerque. Isso faz com que eu sinta muito mais orgulhoso do lugar de onde venho, pois finalmente sinto que nos é dado o lugar que merecemos, depois de tantos anos de bem-estar. Viva a Madeira!

É com imenso prazer que escrevo com a intenção de lhes propor, através do vosso jornal, amplamente conhecido não só em Portugal, mas noutras partes do mundo, pedir aos nossos governos que reconheçam os títulos universitários e académicos dos nossos filhos e netos, que agora emigram para a Madeira e outras partes do nosso amado Portugal, fugindo da Venezuela, devido à situação atual. Que os nossos governantes tenham um tratamento especial, reconhecendo os valores universitários aos nossos lusodescendentes, como alguns países da América: Peru, Argentina, Equador, Colômbia ou Brasil. E aqui devemos referir o bem que nos fez a Venezuela, depois das guerras na Europa e das dificuldades. A Venezuela estava aberta à emigração europeia. Agora, dadas as circunstâncias, cabe-nos a nós reverter a situação para assim demonstrar a nossa gratidão aos nossos compatriotas.

Diretor Aleixo Vieira Gerente: Sergio Ferreira Soares Endereço: Av. Veracruz. Edif. La Hacienda. Piso 5, ofic. 35F. Las Mercedes, Caracas. Telefones: (0212) 9932026 / 9571 E-mail: editorial@correiodevenezuela.com

Abril dos Ramos

José Aurélio Silva Figueira

Chefe de redação Sergio Ferreira |Jornalistas Oscar Sayago, Ommyra Moreno, Antonio Da Silva, Delia Meneses, Jean Carlos Abreu, Gisell De Sousa |Correspondentes Edgar Barreto (Falcón), José Manuel De Oliveira (Falcón), Carlos Balaguera (Carabobo), Trinidad Macedo (Lara), Silvia Gonçalves (Bolívar), Mariana Santos (Nueva Esparta), Luis Canha (Mérida), Carlos Marques (Mérida), Antonio Dos Santos (Zulia) |Colaborações Catanho Fernandes, Sónia Gonçalves, Cristina Da Silva Bettencourt, Arelys Gonçalves, Antonio López Villegas, Isabel Idárraga, Serafim Marques, António Delgado, Daniel Bastos, Ana Cristina Monteiro |Paginação Franklin Lares |Fotografia Agostinho Perregil |Administração Jesús Quijada, M. Liliana Batista |Distribuição Luis Alvarado, Carlos A. Perregil R. |Tiragem 15.000 exemplares |Fontes de Informação Lusa, Diário de Notícias, DN Madeira e publicações em língua portuguesa.


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Associação de Supermercados reuniu-se com funcionários do governo venezuelano Devido à implementação do novo cone monetário, diferentes personalidades reuniram-se para chegar a um acordo face as novas medidas económicas OSCAR SAYAGO Na quarta-feira 22 de agosto, vários funcionários do governo reuniram-se com representantes da “Gran Misión Abastecimiento Soberano (GMAS)” e também com a “Asociación Nacional de Supermercados y Autoservicios (ANSA)”, com o objetivo de encontrar uma saída económica sustentável para ambas as partes. Neste dia, entre os porta-vozes do governo estavam presentes, Tarek El Aissami, vice-presidente do Setor da Economia, o ministro do Poder Popular para a Defesa, Vladimir Padrino López, o representante da Alimentação, Luis Medina, da Agricultura Produtiva e Terras, Wilmar Castro Soteldo. A Vice-Presidente, Delcy Rodriguez, por outro lado, deu uma declaração mais esclarecedora sobre o objetivo da reunião, que é garantir um preço consoante o sistema de preços, e que nenhum comerciante possa vender um produto acima do estabelecido. “Haverá anúncios importantes para o nosso povo. Um sistema de preços que respeite as regras, um ordenado que permita um poder aquisitivo suficiente para que o nosso povo possa adquirir os bens e serviços necessários para

uma vida digna, para a felicidade social”, disse Rodriguez. Por outro lado, Rodriguez informou que desde a passada quarta-feira, dia 22 de agosto, e no dia domingo realizou-se em todas as praças Bolívar o Censo Nacional de Transporte, com o objetivo de pro-

teger a população no âmbito dos hidrocarbonetos, conforme relatado pelo jornal “ Últimas Noticias”. A vice-presidente afirma que “A gasolina continuará a ser o mais barato do mundo, mas para os venezuelanos e venezuelanas, não para as máfias de contraban-

Acusações de especulação no comércio na Venezuela preocupam Governo português O Governo português está “a acompanhar com grande preocupação” os procedimentos sancionatórios contra três redes de supermercados de portugueses na Venezuela por alegada especulação na fixação de preços, após a reconversão monetária, em vigor desde a passada segunda-feira. O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, sublinhou hoje que o Governo, a embaixada de Portugal em Caracas, os consulados e o delegado da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) acompanham “com preocupação estas diligências e até alguma diligência que, inclusivamente, coloca em causa a própria segurança dos investidores portugueses na Venezuela”. “Acompanhamos com preocupação os desenvolvimentos que têm sido postos em prática por parte das autoridades venezuelanas, que sempre nos manifestaram um apreço muito grande pelos empresários e comerciantes e pelo modo como os

portugueses contribuíram para a vida deste país”, referiu, acrescentando que a situação está a ser acompanhada “em detalhe, ao pormenor”. Depois de um comunicado da Superintendência para a Defesa dos Direitos Socioeconómicos (Sundde) a revelar denúncias telefónicas sobre irregularidades que motivaram fiscalização às redes dos supermercados portugueses, José Luís Car-

neiro referiu que estão a ser contactadas dezenas de estabelecimentos de portugueses na Venezuela. A ação do Governo português, que tem já conhecimento de que os supermercados de portugueses baixaram os preços para os valores de venda ao público que se registavam em abril, tem como objetivo “verificarse como pode afetar” a reconversão monetária na Venezuela, que eliminou cinco zeros ao bolívar forte, que substituiu pelo bolívar soberano. O membro do Governo assinalou que “os empresários portugueses estão numa fase de adaptação, numa fase de ajustamento das suas estruturas económicas, empresariais e comerciais” no âmbito das “importantes reformas em curso do ponto de vista económico e monetário” na Venezuela. “Os empresários portugueses estão também numa fase de adaptação a estas alterações que foram determinadas pelo Governo [da Venezuela] e que fazem par de um conjunto de medidas económicas, que

distas que sustentam a oligarquia da Colômbia”. Aguarda-se ainda as próximas declarações, visto que ainda persiste a incerteza para o povo venezuelano, sobre se será possível obter gasolina a preço normal embora não possuam o “Carnet de la Patria”.

desejamos venham a contribuir para que a Venezuela consiga sair deste clima de crise económica e social”, disse. Referindo que “os portugueses na Venezuela constituem uma parte muito relevante da vida comercial, económica e empresarial do país”, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas vincou que a reforma num país com uma comunidade grande de portugueses “exige também tempo para que as instituições se adaptem e para que as empresas sejam capazes de se ajustar a estas circunstâncias”. José Luís Carneiro manifestou o desejo de que Venezuela tenha “em consideração essa mesma relação histórica, económica, comercial e cultural” dos portugueses na Venezuela. “É isso que desejamos que aconteça nas semanas que agora seguem a estas mudanças de grande significado na estrutura monetária, económica e comercial da Venezuela, que, naturalmente, são medidas adoptadas com o objectivo de dar um impulso à economia do país, mas que, naturalmente, esse impulso à economia do país deve respeitar aqueles que são os direitos fundamentais daqueles que fizeram da Venezuela o seu país de investimento de vida”, concluiu o governante.


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Consulado de Portugal em Caracas recebe cerca de 600 pessoas por dia Governo português aumenta o número de funcionários consulares com o objetivo de agilizar o serviço Delia Meneses

PPreços solidários para Venezuela fixados pelo Estado português

Na 2da avenida de Campo Alegre, em Chacao, tornou-se um cenário diário ver as pessoas a fazer fila na Documento Preço Portugal Bs. Fortes Bs. Soberano calçada, frente ao Consulado GePassaporte 65 Euros 61.000 BsF. 0.61 Bs.S. ral de Portugal em Caracas. O peCartão de Cidadão 18 Euros 26.000 BsF. 0,26 Bs.S. ríodo de férias escolares é um fator que tem incidido na afluência Procurações S/I 40.000 BsF. 0,40 Bs.S. de cidadãos portugueses nesta seNacionalidade S/I 278.000 BsF. 2,78 Bs.S. de consular. A maioria das pessoas que vai para tratar da documentação ou pedir informação res. Atualmente são 16, mas foi ho de 2018 deixamos de receber 1,3 partilham as mesmas preocu- aberto um procedimento concur- milhões de receitas consulares da pações: um ambiente marcado sal para admitir quatro novos fun- Venezuela”, pelo que um passapela instabilidade económica que cionários consulares, dois para a porte custa 50 cêntimos e um Carse reflete nos elevados níveis de sede de Caracas e dois para a de tão do Cidadão 18 cêntimos. O processo de reconversão moinflação, escassez de alimentos e Valencia. Adicionalmente o Comedicamentos, dificuldades para rreio constatou a incorporação de netária que entrou em vigor no repor mercadoria, instabilidade um novo funcionário, enviado pe- passado dia 20 de agosto em Venela Direção-Geral dos Serviços zuela gerou confusão entre as pespolítica e falta de oportunidades. “Já toda a minha família foi em- Consulares, que está a disponibili- soas durante os primeiros dias. bora, só estou a faltar eu. Estão à zar o seu serviço temporariamen- Contudo, os preços dos processos minha espera, mas penso que isto te, na área do registo civil o que consulares mantêm-se, apenas tem permitido agilizar este ti- são apresentados com base no noainda vai demorar. Tenho de po de procedimentos. vo cone monetário, o que implica a registar o meu casamento e devo corrigir o noNelio Sousa agrade- eliminação cinco zeros. ce a eliminação das me da minha sogra, o Atualmente, o Consulado de marcações, o que, na Portugal em Caracas tem um funprocesso para o reprocedimentos por gistar demora cerca sua opinião, atra- cionário do Instituto Luís de Casemana produz o sava o processo e po- mões e dois conselheiros sociais, de seis meses” diz Consulado Geral de deria resultar em que avaliam os casos de famílias Elisa Ferreira, que Portugal em Caracas gestão inadequada carenciadas ou população mais esperou uma hora na ou corrupção da parte idosa que solicita ao estado portufila até chegar a sua vez dos funcionários. “Agora guês ajuda financeira, social ou de entrar no local. Nos últimos meses, o consulado de todos aqueles que chegam até apoio para regressar ao seu Portugal em Caracas recebe cerca são atendidos, embora a espera país de origem. O trabalho de amde 600 pessoas por dia e produz seja longa. Eu vim para renovar o bos conselheiros tem sido de grancerca de 430 documentos por dia, meu Cartão do Cidadão, fiz uma de ajuda para a sede consular de o equivalente a 2.150 procedimen- fila na parte de fora durante mais Caracas, uma vez que têm ido visitos por semana. de 45 minutos, e quando chegou a tar as prisões com o objetivo de faEmbora trabalhem na sua ca- minha vez o segurança informou zer o seguimento dos cidadãos pacidade máxima e a equipa este- que não havia nenhum terminal portugueses detidos e também faja comprometida com as suas multibanco. Tive de ir embora, zer atendimento nos casos de funções, os recursos humanos e porque embora o preço dos proce- emergências médicas. Carneiro explicou que entre técnicos são insuficientes para dimentos sejam muito baixos, 2017 e março de 2018 houve 5.828 responder à demanda das pes- não tinha dinheiro em notas”. soas. Às vezes têm de lidar com Na sua recente visita à Venezue- pedidos de nacionalidade por parfalhas no sistema devido a que- la, José Luís Carneiro, Secretário te dos luso-venezuelanos e atualbras no serviço de Internet e até de Estado das Comunidades Por- mente há 900 pedidos em atraso mesmo cortes de energia, o que tuguesas, recordou que o Governo nos consulados de Caracas e Vaatrasa os processos e causa trans- Português decidiu manter a tabe- lencia. Em julho de 2017 entraram la de taxas e emolumentos consu- em vigor as alterações ao Regulatornos nas pessoas. Estão a ser tomadas medidas lares “, o que significa que em 2016 mento da Nacionalidade que perpara agilizar o atendimento, sen- e 2017 o Estado Português deixou mite a atribuição a netos de resido que uma dessas medidas é au- de receber 8 milhões e 200 mil eu- dentes portugueses no estrangeimentar o número de trabalhado- ros de taxas e entre janeiro e jun- ro, o que poderia também incidir

2150

Novas autoridades chegam em setembro O Consulado de Portugal em Caracas iniciou funções no ano 1942. A sua primeira sede esteve localizada em Bello Monte, passando depois para a zona de La Floresta e finalmente estabelecendo a sua sede atual na segunda avenida de Campo Alegre. A entidade apoia-se no trabalho dos consulados existentes em Margarita, Barcelona, Puerto Ordaz e Los Teques. Em setembro chega para liderar a equipa de trabalho o novo Cônsul Geral de Portugal na capital venezuelana, Licínio Albino Curvaceira Bingre do Amaral, proveniente do posto consular em Zurich. Também desempenhou funções como assessor diplomático no Ministério de Economia e Emprego em Lisboa e esteve em Kiev e Bruxelas. Desde março de 2017, quando foi notificada a transferência de Luis Albuquerque Veloso para os serviços internos do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa, ocuparam o cargo dois cônsules provisórios: Paulo Ferreira Carlos Chaves procedente da Embaixada de Portugal em Nova Deli esteve na sede consular durante um mês aproxima-

damente. Depois chegou María Leonor Jordán Penalva Esteves, que tinha sido conselheira na Embaixada de Portugal em Bucareste. Atualmente María da Graca Andrade Pereira de Sousa é a chanceler do Consulado, que foi nomeada para este cargo no dia 5 de setembro de 1995. Esta funcionária, muito apreciada pela comunidade, está próxima a fazer 42 anos de serviço, sendo testemunha de como nos últimos tempos as demandas das pessoas têm-se duplicado. Durante estas quatro décadas, Andrade tem assistido a todas as mudanças que têm tido lugar na sede consular e tem vindo a acompanhar a comunidade em momentos importantes como o da Tragédia de Vargas, onde o apoio dos funcionários foi de grande ajuda para os portugueses afetados, também nos períodos de instabilidade política, greves, protestas que têm tido lugar na Venezuela. O Correio tem sido testemunho da presença ativa da chanceler nos diferentes eventos e iniciativas da comunidade portuguesa durante a ausência justificada dos chefes diplomáticos.

no aumento do número de procedimentos nos serviços consulares da Venezuela. Anteriormente, a nacionalidade era concedida apenas de pais para filhos. A renovação do passaporte, do Cartão do Cidadão, registo civil são alguns dos procedimentos mais solicitados. Também são muitas as pessoas que se dirigem ao posto consular em Caracas para obter informações sobre opções de estudo em Portugal ou planos do governo português para o re-

torno dos cidadãos ao seu país. “Mas a maioria das pessoas que vêm são luso-venezuelanos que estão à procura de outras alternativas de vida. Os seus pais, muitos com negócios no país, têm uma vontade forte porque têm vivido muitas crises nas últimas décadas e estão esperançosos de que a situação possa mudar para melhor”, disse uma pessoa que foi buscar o seu passaporte, mas foi informada de que o mesmo ainda não tinha chegado.


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Saime agiliza processo e entrega 333 passaportes venezuelanos em Portugal Longas filas de pessoas surgem diariamente na sede principal do organismo na Avenida Baralt para tentar resolver diversos problemas

proibição que impedia um venezuelano menor de idade residente no estrangeiro de realizar procedimentos perante o Saime caso este não tivesse cartão do cidadão aos nove anos. “Estamos a trabalhar na criação de um novo site eficiente em ótimas condições com o objetivo de que a pessoa possa obter atenção imediata da parte do sistema. A ideia é descentralizar as nossas operações, devolvendo à pessoa a confiança, a lealdade, a honestidade de que pode ir a qualquer escritório para tratar do seu passaporte para ser entregue de forma imediata”, disse Delia Meneses Vizcaino, que reconheceu que há pessoas que passaram mais de um ano à espera do Os venezuelanos que estão há mais de um seu documento de viagem. ano à espera do seu documento de viagem Durante a gestão de Juan Carlos Dugarte, têm todas as suas esperanças sobre os re- o Saime acolheu mais de 300 casos de cocentes anúncios feitos por Gustavo Vizcai- rrupção e cobrança em dólares de passaporte, bem como atrasos na gestão e no, que assumiu a direção geral do procedimentos de documentos de “Servicio Administrativo de Identificación, Migración y Extranjeidentidade. Esses funcionários ría (Saime)” no dia 15 de junho. foram colocados à disposição O funcionário disse que está a do Ministério Público. embaixadas e coordenar com a Casa da MoReverol apontou para a exisconsulados iniciaram a tência de um email denunciaaeda o material necessário padistribuição de lamafia@gmail.com que será ra a emissão de novos passapassaportes portes, visto que até ao mocontrolado diretamente pelo mento a falta de material tem seu gabinete para se informar sido o principal argumento para sobre os atos de corrupção que podem ocorrer no organismo. explicar os atrasos. O Saime anunciou, adicionalmente, que As longas filas de pessoas surgem diariamente na sede principal do Saime na Aveni- facilitará a emissão dos passaportes com os da Baralt para tentar resolver vários pro- consulados de Venezuela localizados em blemas: passaportes express que não têm diferentes partes do mundo. Vizcaino disse sido entregues, problemas com impressões que 93 malas diplomáticas com passapordigitais ou assinaturas, levam as pessoas a tes e extensões de prazo foram enviadas papernoitar, inclusive a noite toda, no exterior ra os venezuelanos que estão no exterior, um processo que se tem transformado num da instituição. Esta aproximação com o público para ouvir e tentar resolver os seus pedidos surgiu depois de o Ministro para Relações Interiores, Justiça e Paz, Nestor Reverol fazer um pedido às pessoas para expressarem as suas necessidades e assim otimizar o serviço. Funcionários do Saime e alguns clientes concordam que, nas últimas três semanas, tem sido mais rápido o processo de gestão do passaporte ou da extensão do prazo, assim como a posterior entrega, que em alguns casos tem ocorrido em menos de uma semana. Têm sido tomadas algumas decisões para tentar agilizar o atendimento; entre elas abrir os escritórios do Saime aos sábados entre as 8:00 a.m. e as 3:00 p.m. Isto tem permitido fazer a entrega de 38 mil passaportes dos mais de 91 mil que estavam prontos e que não tinham sido levantados pelos requerentes. Agora, as pessoas também podem proceder ao pagamento dos procedimentos através de cartões de débito com o objetivo de agilizar os pedidos de documentos. Vizcaino anunciou que foi eliminada a

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drama para aqueles que emigraram. Os venezuelanos residentes em diferentes países deram início ao levantamento dos seus passaportes em 32 embaixadas e consulados onde a Venezuela tem representação. No caso de Portugal, no total, serão entregues 333 passaportes e 44 extensões de prazo. O envio e distribuição inclui os seguintes países: Espanha, com 1142 passaportes e 188 extensões, os Estados Unidos 1013 passaportes, 470 extensões; Chile 949 passaportes 492 extensões; Panamá 443 passaportes, 329 extensões; França 328 passaportes, 159 extensões; Itália 270 passaportes, 183 extensões; México 268 passaportes, 176 extensões; Colômbia 146 passaportes; Alemanha 146 passaportes.

O Saime está a considerar prolongar a duração da extensão do passaporte venezuelano para cinco anos, um dos procedimentos com mais pedidos na instituição. Esta medida deve ser aprovada pela “Asamblea Nacional Constituyente”. Atualmente, a extensão do prazo permite às pessoas utilizar o seu documento por um período adicional de dois anos. O diretor do Saime acrescentou que irá propor estender a validade do passaporte para 10 anos e adicionalmente serão avaliados os custos dos documentos. “Um passaporte custa 9,68 BsS mas ao estado custalhe cerca de 16 dólares”, disse Vizcaino, que considera que as tarifas devem estar consoante a economia atual. Esta entidade reativou na passada sextafeira a sua plataforma te atendimento telefónico 0800-Saime (0800 7246300) para dar uma resposta mais eficiente ao público. Até à data o centro de atendimento tem vindo a dar resposta a mais de 1.800 casos. Conta com 29 operadores, de um total de 72 postos que cumprem a função de receber, classificar e dar resposta aos cidadãos. Desde abril, Rosana está a aguardar a aprovação das impressões digitais de seu pai, “mas no escritório onde eu fiz o processo só dizem para eu esperar”. A verificação das impressões digitais (alguma novidade ao nível das impressões digitais) é uma razão frequente para atrasar a entrega de passaportes. “Se cairmos no fluxo alterno dizem-nos que não aprovamos o check-up. Devemos apresentar ao Saime uma série de suportes dactiloscópicos. Dizem que devemos ter paciência, mas passam messes sem que o problema fique resolvido. Há muitas denúncias de pessoas cujos processos ficam parados no fluxo alterno”, disse uma pessoa que pediu um atendimento mais diligente e eficaz dos funcionários do Saime.


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Cidadãos permanecem expectantes após entrada em vigor do novo cone monetário Comerciantes portugueses afirmam que é necessário ter acalculadora na mão para evitar erros JEAN CARLOS DE ABREU

No passado dia 20 de agosto, foi implementada na Venezuela uma reconversão monetária, na qual o governo eliminou cinco zeros ao “bolívar fuerte” para o transformar em “bolívar soberano” e a chamada “guerra económica” que há no país. No entanto, a medida foi confusa e há muitos cidadãos que estão desorientados com a nova denominação monetária. Alguns asseguraram que a medida económica não irá resolver a crise de todo, porque medidas mais profundas devem ser tomadas para superar a crise. “É um desastre que a nota antiga esteja a circular juntamente com a nova. Isso gera ainda mais confusão entre os cidadãos, especial- CONFUSÃO NA CIDADANIA mente em pessoas idosas, que são Agustin Almeida, responsável nuas mais afetadas”, disse Arminda ma padaria em Caracas, disse que Gonçalves, encarregada de uma a redução dos números e o arredondamento, segundo as norfrutaria em Caracas. mativas estabelecidas peEsta portuguesa afirlo Banco Central da Vemou que ainda é difícil nezuela (BCV), traz entender os valores. confusão. «É necessário ter a milhões de dólares “O BCV publicou os calculadora na mão investiu o governo para regulamentos e como para evitar erros e paa elaboração de será realizado o arrera que os clientes sainovas notas dondamento, no enbam quanto devem tanto, é um pouco compagar por um produto. plicado. Talvez seja por Estamos na expetativa do causa da falta de hábito e pela que poderá ocorrer com a questão económica com essa moe- rapidez com que está a ser aplicada. Oxalá melhore a crise económi- do. Não houve uma campanha para que as pessoas se adaptassem às ca”, acrescentou. O deputado lusodescendente à novas notas”, disse. Considerou de nada servirá a Assembleia Nacional (AN), Manuel Teixeira, disse em exclusivo implementação da nova moeda, se ao Correio que a eliminação dos não for resolvida em profundidacinco zeros “que não devia de ter de a grave crise no país. “Pode funsido cinco mais sim seis, não resol- cionar durante um tempo, mas se ve nada o assunto hiperinflacioná- não forem tomadas medidas profundas, de nada terá servido a merio, mas sim agiliza as transações”. Disse que o governo “toma esta dida. Neste momento há muita decisão porque as plataformas confusão, mas com o contacto frebancárias não estão adaptadas a quente com as novas notas, supongrandes quantidades de números”, ho, nos vamos adaptar ”. São necessários 6.500 milhões mas enfatizou que sim permitirá a de peças para que todos os venesimplificação das operações. “Não reduz em absoluto o assun- zuelanos possam lidar com o dinto hiperinflacionário (...) Isto é um heiro. “O cone monetário é uma investimento de 300 milhões de despesa para o país porque se esta dólares para a elaboração de novas hiperinflação não é atacada com notas”, acrescentou o deputado. medidas fiscais ficará esquecido e

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na Páscoa do próximo ano essas notas não vão servir”, disse o deputado Teixeira. “Este governo não é sério, pensamos que tudo pode acontecer. A quantidade de notas que há na rua não é suficiente para as pessoas fazerem as suas transações”, manifestou. Da mesma forma, disse que “o governo não quer acabar de assumir a responsabilidade por medo a que isso gere impacto na sociedade”. ANÚNCIO DA RECONVERSÃO O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou no passado mês de julho que a partir do dia 20 de agosto de 2018 entraria em circulação o novo cone monetário ancorado na criptomoeda “El Petro”. “Vamos resolver e vamos estabilizar a nossa economia com o lançamento do novo cone monetário. Acabaram-se as máfias com a ancoragem do nosso bolívar soberano com El Petro, vamos restituir o poder adquisitivo do venezuelano”, expressou. Disse ainda que tem “confiança e certeza” de que o plano económico proposto melhorará a economia do país. “A Venezuela precisa de continuar a fazer grandes esforços para construir um novo modelo económico, diversificado, produtivo e tecnológico”, acrescentou.

Banco de portugueses foi o primeiro operacional na reconversão da moeda da Venezuela O Banco Plaza, propriedade de portugueses radicados em Caracas, foi o primeiro banco a estar operacional, na Venezuela, após a reconversão monetária em que o bolívar forte perdeu cinco zeros para dar origem ao bolívar soberano. “Terminámos com sucesso o processo de reconversão. Podes aceder (à página web) e verificar as tuas contas (...) o grande trabalho da equipa humana do Banco Plaza tornou possível este sucesso”, anunciou o banco na sua conta do Twitter. Por outro lado, numa outra mensagem, o banco explica que “tem os serviços 100% (operacionais) em linha, após reconversão monetária”. Fundado a 9 de março de 1989, por empresários naturais da Madeira, como banco comercial, em novembro de 2012 foi autorizado pela Superintendência de Bancos e Outras Instituições Financeiras (Sudeban), a funcionar como “banco universal”. O Banco Plaza conta com 40 agências e escritórios em território venezuelano e em 2017 foi distinguido pela publicação “Global Banking & Finance Review” como o banco privado de mais rápido crescimento na Venezuela. Segundo a revista venezuelana Banca & Negócios, o Banco Plaza terminou 2017 como o terceiro banco venezuelano, com “maior rentabilidade sobre o património, mostrando um índice de 220,5%”.

Governo venezuelano aumenta valor da cotação de moeda estrangeira O Banco Central da Venezuela (BCV) aumentou o valor da cotação para as remessas que os venezuelanos recebem desde o estrangeiro de 2,9 milhões para 4,001 milhões de bolívares para cada dólar americano. Na prática, o aumento do valor pago pelas remessas recebidas representa uma desvalorização de 27,6% do bolívar, a moeda venezuelana. Devido a este aumento, uma das três casas de câmbio autorizadas a trocar divisas actualizou imediatamente a cotação, esperando-se que as outras duas, a Western Union e a Moneygram, também o façam, segundo as autoridades. Na Venezuela vigora, desde 2003, um sistema de controlo cambial que impede a livre obtenção local de moeda estrangeira, situação que obriga os venezuelanos a recorrrem às autoridades para obterem autorização para aceder a divisas, um processo que nem sempre é satisfatório. Em alternativa, alguns venezuelanos optam por acudir ao mercado negro, onde a moeda norte-americana tinha uma cotação de 4,31 milhões de bolívares e o euro 4,91 milhões de bolívares.


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Comerciantes reinventam-se para evitar a crise Locais emblemáticos do centro da cidade tiveram que se transformar e mudar de área para sobreviver Delia Meneses

No quadro da crise económica, tudo aquilo que permita sobreviver e sustentar-se por mais um dia é válido. Tem sido assim entendido por muitos comerciantes que fazem os possíveis para se adaptar e manter as portas dos seus negócios abertas. Aquilo que era um shawarma na esquina de Platanal na avenida Urdaneta tornou-se numa espécie de mercearia que reúne frutos secos, legumes, frutas, bolachas, conservas, queijos. “São produtos mais fáceis de adquirir e que têm mais saída. As pessoas compram uma alface ou algumas batatas e com isso desenrascamse. O shawarma passou a valer mais de 5 milhões, nem todo a gente tem a possibilidade de pagar isso por um almoço “, diz Antonio Rey. Alfredo de Sousa transformou um restaurante self-service numa loja de conveniência, um comércio pedonal com produtos variados e onde é possível fazer

uma compra rápida. Oferecem alimentares, lojas de roupa que comida para cães, champô, mas- se transformaram em venda de sa, conservas, charcutaria, mas cosméticos ou em charcutarias também empanadas e almoços e padarias que hoje são uma espécie de minimercado. “As cirpara levar. “Em 2015, as vendas caíram cunstâncias atuais são incentivos para pequenas inomês após mês, mas em vações que fazem a di2016 a queda foi drástica. As receitas não ferença”, explica Víctor Maldonado, dipermitiam pagar as retor executivo da despesas operaciofoi o ano no qual as nais do aluguer e vendas caíram, segundo Câmara de Comércio de Caracas. dos salários, pelo alguns proprietários de No restaurante que decidimos fenegócios char e nos reinventar. da Noelia Bonfiglio A chegada de um terceisão vendidas emparo sócio permitiu-nos fanadas com farinha de zer uma remodelação. Como trigo e em vez de pizzas e emmuitos locais tivemos que nos panada galega oferecem cremes transformar para sobreviver”, de legumes. “Tivemos que reduzir e mudar a oferta nos meexplicou De Sousa. Tal como este, outros locais nus. Nós costumávamos ter do centro de Caracas têm vindo quatro funcionários e agora é a mutar para novos mercados. um negócio familiar. “ Os comércios tiveram que por Estão os restaurantes que têm introduzido salas de jogos, far- em prática a sua capacidade de remácias com menor oferta de siliência e experimentação com medicamentos e produtos de produtos que têm mais saída. higiene pessoal que enchem as Aquilo que costumava ser uma suas prateleiras com produtos loja de roupa desde 2002, em 2017

2015

mudou para confeitaria, com alimentos não perecíveis e produtos de higiene pessoal. “Esta foi a maneira que encontramos de continuar a trabalhar, agora ninguém compra roupas. Aqui os preços são altos porque a maioria dos produtos são importados, mas consegue-se quase tudo”, disse David Shaak. Atualmente os negócios de tradição europeia são cada vez menos na Candelaria. Aqueles que ainda existem tentam sobreviver numa zona onde a vida noturna desapareceu vítima da insegurança e da crise económica. Na esquina da Ferrenquín funcionou durante 26 anos a tasca El Barco de Colón, um ponto de referência na área. Os proprietários, nativos de Portugal, tiveram que mudar completamente o conceito e hoje vendem produtos de confeitaria, biscoitos, frutos secos, condimentos, plásticos, cartão. “Com o aumento das invasões e a expropriação do Sambil Candelaria, a área ficou muito afetada.

Manter um restaurante como este, com música ao vivo, era praticamente impossível. Os preços dispararam e o consumo foi reduzido ao mínimo. Às 6:00 p.m. as ruas estão desoladas. Agora vendemos um pouco de tudo, quase todas as pessoas que entram levam alguma coisa “, explica Gabriel Gonçalves. De Ferrenquín a Tracabordo, El Pibe, outro restaurante emblemático da zona, tem as suas portas fechadas. “O proprietário vendeu e agora estão a reformá-lo”, comenta um vizinho e aponta, na calçada enfrente, a conhecida Tasca del Real Madrid que fechou há sete anos. “Hoje só fica a fachada como lembrança”, diz ele. Manuel Fernandez, comerciante de origem espanhola, proprietário de uma loja de roupa de crianças, viu a maioria dos seus clientes da comunidade portuguesa abandonar a paróquia para deixar o país. Também os seus conterrâneos, que sente, já não são a maioria na zona.

nar, composta por funcionários e investigadores do CEHA e de outras instituições locais, nacionais e internacionais que estejam empenhados nas mesmas missões e objetivos. Ainda, pretende afirmar-se nas tecnologias da informação,

fazendo com que o suporte digital e as plataformas digitais sejam os meios privilegiados de investigação e divulgação dos saberes. Como tal, a aposta para a criação de bases de dados temáticas para acesso local o via Internet é o caminho.

Centro de Estudos de História do Atlântico recebe arquivo do CORREIO da Venezuela Sónia Gonçalves

O Centro de Estudos de História do Atlântico (CEHA) vai receber na próxima semana arquivo histórico do CORREIO da Venezuela. O centro foi criado em 1985, sendo tutelado pela Secretaria Regional do Turismo e Cultura. É uma instituição de investigação científica que tem por objetivo principal coordenar a investigação e promover a divulgação da história das Ilhas Atlânticas. O historiador Alberto Vieira é o presidente do CEHA, que funciona na Rua das Mercês, nº. 8, Funchal. Como nos dá conta o site do

CEHA foi criado em 1985 e atualmente é presidido pelo historiador Alberto Vieira centro (https://ceha.madeira.gov. pt), em 1986, ficou estabelecido o plano editorial do CEHA, com uma incidência temática obrigatória sobre a História das Ilhas Atlânticas e, em especial, a Madeira. As iniciativas da instituição têm como ponto de partida histórias insulares, que se desenvolvem em conferências, colóquios, projetos de investigação e publicação de textos inéditos. O principal impulsionador do

projeto foi o antigo secretário regional do Turismo e Cultura, João Carlos Abreu, ficando a instalação a cargo do investigador e historiador Alberto Vieira. Quanto à sua missão, o CEHA aposta na investigação e divulgação do conhecimento científico no domínio das Ciências Sociais e Humanas, com especial relevo para as ilhas atlânticas. Prevê a criação de uma equipa de trabalho coesa e interdiscipli-


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8 | VENEZUELA Quase 5 mil emigrantes na Venezuela já regressaram à Madeira O Governo Regional da Madeira estima que 4.500 emigrantes na Venezuela regressaram à região desde 2016, ano em que a instabilidade socioeconómica e política se agravou naquele país. Executivo da Madeira prevê que o fluxo prossiga no decurso deste ano. “Estamos conscientes que o fluxo pode continuar com este ritmo e, acima de tudo, enquanto não se vislumbrarem melhorias do ponto de vista económico e social no país de origem”, disse à Agência Lusa o secretário regional da Educação, Jorge Carvalho, que tutela o Centro das Comunidades Madeirenses e Migrações. Atualmente, 2.300 emigrantes regressados da Venezuela, onde residem cerca de 300 mil madeirenses (três gerações), estão inscritos no Serviço Regional de Saúde e 2.000 no Instituto de Emprego, ao passo que 670 crianças e jovens frequentam as escolas da região. Por outro lado, cerca de 180 agregados familiares estão inscritos no Instituto de Habitação e 574 beneficiam de apoios sociais. “Estes são os dados concretos e objetivos”, disse Jorge Carvalho, sublinhando que muitos emigrantes enfrentam também dificuldades ao nível da língua e das equivalências para ingresso no ensino superior e reconhecimento de habilitações.

Nacionalidade portuguesa para 5800 lusodescendentes na Venezuela num ano José Luís Carneiro calcula que nos últimos dois anos tenham saído da Venezuela cerca de 10 mil portugueses CORREIO/LUSA

PTP quer os cursos dos emigrantes venezuelanos reconhecidos em Portugal Raquel Coelho deu uma conferência de imprensa, na Assembleia Legislativa da Madeira, para apelar ao Governo Regional e da República o reconhecimento dos cursos superiores dos luso-descendentes que regressaram da Venezuela. A deputada do PTP, diz ter recebido inúmeras queixas de emigrantes que regressaram à Região com licenciaturas e que não conseguem exercer a sua profissão porque não lhes são concedidas as equivalências. E por isso, têm mais dificuldade em ser absorvidos pelo mercado de trabalho. “Existem jovens venezuelanos com habilitações impedidos de exercer a sua profissão, porque as suas licenciaturas não são válidas em Portugal, no entanto, as licenciaturas das universidades espanholas, inglesas, americanas, são reconhecidas com toda a facilidade no nosso país, qual a razão desta descriminação ?” perguntou a deputada trabalhista em tom crítico. A deputada do PTP, explicou que se as entidades públicas tivessem elaborado e aplicado um plano de contingência para os emigrantes venezuelanos, atempadamente, a transição poderia ser mais pacifica, principalmente, em situações que apenas estão dependentes da desburocratização de determinados processos como é o caso das equivalências dos cursos universitários.

de imigração venezuelana ou uma vaga de emigração de lusodescenEm apenas pouco mais de um ano, dentes. E ressalvou que os númeentre Janeiro de 2017 e Março de ros “são relativos” uma vez que os 2018, o Governo de Portugal conce- cidadãos vêm a Portugal em “dedeu a nacionalidade portuguesa a terminados períodos, nomeada5800 lusodescendentes. mente à Madeira, e depois regresO número é superior aos 5500 ci- sam” porque têm a sua vida profisdadãos lusodescendentes vesional e familiar naquele país. nezuelanos que regressaDepois de a crise polítiram à Madeira e ao Conca e económica se ter tinente. Em 2016, 4125 acentuado na Venedescendentes de porzuela, o Governo criou milhões de euros tugueses na Venezueem meados de 2017 perdeu em receitas la adquiriram a naum pacote para retiPortugal só em cionalidade porturar obstáculos e acelemetade do ano guesa. Os dados foram rar a atribuição de na2018 fornecidos pelo gabinecionalidade portuguesa te do secretário de Estado a lusodescendentes na Vedas Comunidades, José Luís nezuela, acrescentou José Carneiro. Luís Carneiro, que já visitou aqueO gabinete das Comunidades le país quatro vezes. calcula que, nos últimos dois anos, Os ministérios dos Negócios Estenham saído da Venezuela em di- trangeiros e da Justiça decidiram recção a Portugal, Espanha e paí- enviar em Julho dois funcionários ses vizinhos como Brasil e Colôm- do Instituto de Registos e Notariabia cerca de 10 mil portugueses e do, que estarão durante dois melusodescendentes, isto tendo em ses nos postos consulares. Estão a conta dados que são do conheci- ser ainda reforçados os consulamento dos postos consulares, dis- dos de Caracas, Valência e da emse José Luís Carneiro. baixada com mais pessoal. O secretário de Estado descarO Governo decidiu também não tou a ideia de que existe uma vaga aumentar os emolumentos consu-

1,3

lares “para facilitar a obtenção de documentação”. Isto traduziu-se numa perda de receita superior a 8 milhões de euros desde 2016 – só em metade de 2018, a perda de receita rondou os 1,3 milhões de euros, informou o gabinete. Na Venezuela há cerca de meio milhão de portugueses, representando até agora a segunda maior comunidade portuguesa na América Latina, depois do Brasil. Foi sobretudo da Madeira que a maioria dos portugueses emigrou – e é à Madeira que muitos estão a regressar, sozinhos ou com familiares. Por seu lado, o coordenador do Centro das Comunidades Madeirenses e Migrações, Sancho Gonçalves Gomes, diz que só em meados de Setembro é que terão dados mais actuais sobre o número de portugueses ou lusodescendentes venezuelanos que regressaram à Madeira. “Nessa altura começamos a contabilizar inscrições de alunos, inscrições em centros de saúde e nos centros de emprego”, afirmou ao jornal PÚBLICO. Em finais de Janeiro, havia cerca de mil ex-emigrantes inscritos no Instituto de Emprego da Madeira.


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AN procura ativar “de forma informal” o grupo de amizade Venezuela-Portugal Deputado Manuel Teixeira abordará o assunto com o Embaixador luso JEAN CARLOS DE ABREU

O deputado lusodescendente à Assembleia Nacional (AN) da Venezuela, Manuel Teixeira, disse que tentarão ativar “de forma informal” o grupo de amizade Venezuela-Portugal. Nesse sentido, indicou em exclusivo para o Correio que numa próxima reunião com o embaixador de Portugal na Venezuela, Carlos Nuno Almeida de Sousa Amaro, abordará o assunto, com o objetivo de promover alguns encontros. “Não foi ativado porque o embaixador anterior não o fez. Quando chegou o embaixador Amaro, ele teve uma aproximação de preocupação com os parlamentares que estavam na lista”, acrescentou. Explicou que o grupo parlamentar não foi formalizado “porque entendo que a Cancillería de Venezuela pediu aos embaixadores que não fechassem os grupos de amizade enquanto não estivessem os deputados do PSUV. Nós abrimos-lhes as portas, mas como estamos em desacato, não enviaram os parlamentares para não abrir os grupos “. O deputado lusodescendente comen-

“Temos tido reuniões privadas sempre à procura de informações com os ‘connacionales’ que estão no país. Sempre houve uma boa comunicação com o embaixador”, acrescentou.

tou que o embaixador luso “desde que está aqui, tem estado muito preocupado com a questão da Assembleia Nacional e pela questão da comunidade portuguesa na Venezuela.”

ÊXODO DE LUSODESCENDENTES O também membro do diretivo do Comité Permanente da Democracia e Direitos Humanos da União Interparlamentar observou que dentro do êxodo dos venezuelanos do país devido à crise há lusodescendentes. Precisou que “o êxodo de venezuelanos oscila entre 3.000.000 e 4.000.000 de pessoas, o que significa 15% da população”, destacou ao tempo que disse que deverá haver uma reforma nas leis no futuro, porque os venezuelanos deverão ter representantes em outros, dada a grande migração. Manifestou, sobre a comunidade portuguesa no país, que “sempre têm havido reuniões com os seus membros. Apesar de tudo, o português é venezuelano, o português que está nesta terra é venezuelano e se (a situação do país) afeta os interesses dessa comunidade, afeta a Venezuela, porque criou raízes, esta é a sua pátria”.

Segundo grupo de portugueses receberá empréstimos bancários após saques de 2017 em Carabobo JEAN CARLOS DE ABREU

Fátima Ponte, vice-presidente da Câmara de Comércio, Indústria, Turismo e Produtos Afins da Venezuela (Cavenport) do estado Carabobo, informou que um segundo grupo de comerciantes portugueses que foram vítimas dos saques em 2017, estão a receber empréstimos para recuperar os seus negócios. “A situação não é fácil, mas apesar de tudo temos trabalhado muito, porque mexemo-nos pela questão dos saques para ajudar os comerciantes, reunimonos com representantes do governo nacional e regional”, assegurou. Explicou que houve um primeiro grupo de lusos que recebeu empréstimos dos bancos do “Tesoro”, “Venezuela” e “Bicentenario” e salientou que estas mesmas entidades já estão a disponibilizar ajudas económicas ao segundo grupo que estava pendente. Assegurou que o presidente da Câmara de Comércio Luso Venezuelana, Thiago Da Silva, juntamente com a direção, têm vindo a “trabalhar arduamente, conseguimos ter o apoio do governador da entidade, Rafael Lacava, para que os bancos do estado abrissem as portas aos comerciantes “, disse.

Conselheiros na América do Sul pedem subsídio para ajudar mais portugueses JEAN CARLOS DE ABREU

A coordenadora dos conselheiros das comunidades portuguesas secção Venezuela, Fátima Ponte, informou que juntamente com os seus homólogos da América do Sul têm apresentado uma série de propostas ao Governo Português para continuar a chegar até aos lusos que estão espalhados no continente sul-americano. Indicou igualmente que os problemas que tem a Venezuela não são os mesmos que os do Brasil e “mais neste momento de dificuldade”. Os conselheiros têm como objetivo o ASIC e o ASEC, ajudar toda a comunidade que pudermos, assessoramos as pessoas”. “Estamos a tentar ver como podemos ajudar a comunidade. Gostávamos que fosse mais rápido (o governo Português), mas continuamos, enviamos os casos,

fazemos o possível, mas o governo é quem decide “, explicou. APOIO ECONÓMICO DESDE PORTUGAL Afirmou que lhes é difícil chegar aos lusos que se encontram em diferentes pontos do país, uma vez que a inflação na Venezuela “nos está a matar”, visto que os conselheiros pagam as suas próprias despesas e não recebem nenhum tipo de ajuda económica de Portugal. Explicou que isso não acontece apenas com os conselheiros na Venezuela, mas também no resto do mundo. “Estamos a lutar para conseguir um subsídio, informamos o Secretário de Estado, enviamos cartas e levamos o assunto ao Conselho Permanente.” Ponte destacou que ainda estão a trabalhar, mantêm o contacto com os portugueses espalhados nos diferentes estados da

Venezuela. “Estou contente pelo trabalho que temos vindo a desenvolver, a comunidade estava a precisar de informação. Estamos a fazer com que nos oiçam”, afirmou. Pediu que o governo português tivesse “muita mais comunicação” com os conselheiros e que os representantes diplomáticos da nação na Venezuela se integrassem mais.

REPATRIAÇÃO DE CIDADÃOS PORTUGUESES A conselheira disse ainda estar preocupada com o fenómeno do êxodo migratório na Venezuela, visto que os portugueses e lusodescendentes não escapam a essa realidade. Apontou também para o facto de cerca de 700 lusos terem pedido voltar ao país ibérico, dada a grave crise pela qual está a passar a Venezuela. “Tentamos ajudar, ver como podemos fazer

para voltarem. No entanto, há muitas pessoas que não têm um projeto de vida uma vez que sai”. Ponte recomendou fazer um balanço a aqueles que querem sair do país, analisar o que farão e conhecer quais são as suas habilidades. “Portugal tem os braços abertos para os seus cidadãos. O governo português vai estender a mão na medida das suas possibilidades “, destacou.


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Instituto Camões oferece bolsas para formação em Portugal As candidaturas devem ser apresentadas apenas no país de origem e com as autoridades locais correspondentes. Ommyra Moreno Suárez

15 anos de trabalho pela comunidade portuguesa A Academia da Espetada Mãe desfrutou de uma festa de aniversário Oscar Sayago

A Academia da Espetada Maracay ou melhor conhecida como Mãe, com sede no estado Aragua, comemorou 15 anos de trabalho e tradições, no passado sábado 11 de agosto. Durante uma noite, os amigos e a migas da academia reuniram-se para celebrar mais um ano de trabalho pela comunidade portuguesa na Venezuela. Seguindo o espírito de devoção e altruísmo que caracteriza a academia, no passado sábado, um grande número de amigas reuniram-se às 7:00pm nos espaços da Casa Portuguesa do Estado Aragua, na Tasca Os Navegantes, para celebrar oficialmente o seu aniversário com um tradicional jantar ao estilo português. “Sim, já são quinze anos de amizade, apoio, muitas anedotas, memórias para contar, de fazer e criar; oportunidade para celebrar a vida e partilhar o dom da distração, para oxigenar e desfrutar o nosso aniversário “, comunica oficialmente a academia. Por outro lado, Cecilia Ascenção, elemento da Academia Espetada Guayana, aproveitou a oportunidade e estendeu a sua mensagem à instituição. “Feliz aniversário amigas, que continuem com o bom trabalho e mais importante ainda que continuem a contar muitos mais anos de vida. Em nome da Academia Espetada Guayana, parabéns e que continue a amizade”. Continuar apesar dos obstáculos Recentemente, a academia tem tido dificuldades para promover os seus tradicionais encontros. No que vai deste mês não têm conseguido realizar nenhuma atividade, e da mesma forma no mês de junho, não foi possível realizar nenhuma reunião. Uma vez que não foi possível fazer atividades, porque há pouca afluência de pessoas com disponibilidade para contribuir com as dinâmicas, a academia não tem conseguido fazer qualquer doação nos últimos meses. A presidente, Ana María Abreu, disse que isto acontece porque há muitas pessoas que estão fora do país há muito tempo. Além disso, essas pessoas representam uma grande percentagem de amigas e contribuintes que sempre apoiaram as atividades.

O Instituto Camões anunciou o seu programa de bolsas para formação em Portugal a nível universitário e politécnico. A iniciativa destina-se a estudantes nacionais e residentes de países com os quais Portugal tem relações de cooperação bilateral, e que pretendem aceder e entrar numa instituição de ensino superior portuguesa. As candidaturas devem ser apresentadas apenas no país de origem e junto das autoridades locais correspondentes, que são responsáveis, em conjunto com as Embaixadas de Portugal, de divulgar o número de bolsas disponíveis, bem como a documentação e prazos de entrega para a solicitar. Neste sentido, o Camões só terá em consideração aquelas candidaturas recebidas através dos canais institucionais. As bolsas de estudo ao nível de licenciatura serão válidas por um ano académico, renovável por um período de igual duração até um limite de dois anos de curso. As bolsas de pósgraduação têm duração correspon-

dente a todo o curso e só podem ser renovadas por motivos de entrega e defesa de tese. Por sua vez, as bolsas de doutoramento são válidas por um ano renovável em períodos iguais, até um máximo de duas renovações, que pode ter uma extensão especial de seis meses por razões de entrega e defesa de tese. Os interessados poderão obter mais informações através do site: http://www.instituto-camoes.pt.

Para além disponibilizar bolsas de estudo para o ensino universitário e politécnico, no âmbito da cooperação, é também prestado apoio relacionado com a formação jurídica, em articulação com a Direção-Geral de Política de Justiça; a formação militar, em conjunto com o Ministério da Defesa; e formação policial, disponível através do Instituto Superior de Ciências Policiais.

da Língua Portuguesa na Venezuela, Rainer Sousa, e pelo Cônsul de Portugal em Lara, Acacio Pedro Ferreira. O certificado recebido pelos alunos é reconhecido pelo Instituto de Cooperação da Língua Portuguesa de Camões. Embora alguns cursos de português já tenham começado na Venezuela, importa referir que o Centro Luso Larense já abriu uma nova edição das aulas de línguas para os

níveis 1 e 2, tanto para adultos como para jovens, de segunda a sexta-feira e fins de semana. Ao longo do ano letivo, os professores de língua portuguesa viram o desenvolvimento do mesmo como muito gratificante, uma vez que anualmente é aberto um novo curso e mais pessoas participam nas aulas, tendo um contacto mais próximo com a cultura portuguesa.

Estudantes portugueses em Lara receberam os seus certificados Oscar Sayago

Na passada sexta-feira, dia 17 de agosto, os alunos do estado Lara receberam os seus certificados do primeiro nível de português. Nesta ocasião, formaram-se os alunos do Centro Luso Larense, o Centro Atlântico da Madeira e a “Universidad Centroccidental Lisandro Alvarado”. Neste dia, todos os alunos reuniram-se nas instalações do Centro Atlântico da Madeira para receber os seus certificados. De notar que o instrutor que os acompanhou durante todo o percurso foi o Prof. Norberto Masiel, que com muita dedicação ensinou os alunos durante vários meses. Nesta turma formaram-se um total de 66 alunos, e o ato comemorativo foi presidido pelo Coordenador do Ensino


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LEGADO: MANUEL DA SILVA

O vendedor de gelados que escreveu parte da história de Mérida Faleceu o fundador e proprietário da Geladaria Coromoto, quem levou esse negócio a fazer parte dos Récord Guinness DELIA MENESES CARLOS MARQUES

Parte da história de Mérida sumiu com Manuel Da Silva Oliveira, que morreu no passado dia 31 de julho aos 88 anos devido a causas naturais. Jocosamente muitos referiamse a ele como o verdadeiro “papá dos gelados”, um trabalhador incansável e lutador por Mérida, fundador e proprietário da geladaria dos mil sabores (A Geladaria Coromoto). O governador do estado Mérida, Ramón Guevara, informou Da Silva irá receber a Ordem Mariano Picón Salas em primeira classe, reconhecimento que é atribuído a cidadãos ilustres, pelo indubitável contributo turístico que deu à entidade, apesar de não ter indicado se esta homenagem seria feita durante o seu funeral. Os deliciosos gelados entraram no Record Guinness em 1991 graças às suas incomuns e numerosas combinações e a geladaria ficou registada como a única com mais sabores no mundo e mais extravagantes. Naquele tempo tinha 368 variedades e em 1996 revalidou o título ao disponibilizar 591 sabores, que mais tarde se transformaram em 860 misturas. O famoso lugar é um local turístico emblemático para os originais nomes dos gelados e a infinidade de gostos no paladar. Neste negócio, ícone cultural da cidade de Mérida, uma das misturas preferidas é “El pabellón”, também a de “caraota” e até outro chamado “Miss venezuela”. Pense na combinação mais rara para

um gelado e nesta geladaria a vai encontrar: camarão com molho de alho, sardinha, cebola e tripas, são alguns exemplos de sabores extremamente inesperados. Aqueles que chegavam ao estabelecimento alegando que não podiam comer gelado por causa da dor de garganta, Don Manuel, com suas habilidades de comerciante, resolvia a situação com um gelado de gengibre. O CORREIO teve a honra de ser incluído na lista dos mil e um sabores. Cerejas vermelhas, verdes, pêssego e vinho do Porto são os ingredientes que Manuel escolheu para o semanário. Don Manolo, como muitos carinhosamente o chamavam, promoveu o turismo e catapultou a geladaria para um dos primeiros lugares que devia visitar qualquer pessoa que chegasse a “Los Andes” e desfrutar dos seus mil sabores no município Libertador dessa cidade. Um destino para os amantes de gelado e para almas mais corajosas. O vendedor de gelados esteve entre a diatribe política quando em dezembro 2014 foi dito que tinha fechado devido à escassez de leite, sendo que o Ministério do Turismo respondeu emitindo um comunicado esclarecendo que o encerramento deveu-se à temporada de férias do mês de dezembro, época que o dono aproveitava para viajar para a sua terra natal Portugal. Embora tenha nascido em 27 de outubro de 1930 na freguesia de Souto da Feira, Santa Maria da Feira, Aveiro, aqueles que o conheceram consideravam-no mais um “merideño” dessa nobre e bela cidade. Emigrou para a Venezue-

la em 1953, chegando primeiro a Caracas onde trabalhou em pequenos restaurantes e cafés. Na capital conheceu a sua esposa Anastasia Pereira, de Mérida, com quem teve três filhos. E em 1968 ele decidiu fixar residência em Mérida, onde alugou um pequeno café. Como o negócio não estava a correr bem, um elemento da família da sua esposa incentivou-o a comprar uma geladaria e que se dedicasse a vender gelados. Assim o fez, adquiriu vários produtos que lhe tinham sido recomendados e um dia arriscou e experimentou fazer o seu primeiro gelado com sabor pouco comum, o sabor de abacate. Embora no início tivesse dúvidas em vendê-lo, foi um grande sucesso. Em 1981, inaugura a Geladaria Coromoto, que chamou assim pela sua grande devoção à padroeira da Venezuela. A partir daí, a sua imaginação e criatividade não pararam. “Eu não sabia nada sobre gelados, foi tudo aos poucos, ideias que foram surgindo”, disse em entrevista ao Correio em 2015. Sabores a milho, cachorro-quente, esparguete com queijo, arroz com frango, salmão, abóbora, RCTV, lua-de-mel, “malta”, são algumas das combinações. Da Silva Oliveira foi visitado por pessoas de todo o planeta, muitos jornais e revistas de países como Itália, Alemanha, Portugal, Rússia, Espanha, Suíça, Estados Unidos. Foi reconhecido pelo governo venezuelano, câmaras de comércio e muitas empresas privadas, por ser um emblemático local turístico e ponto de encontro para centenas de pessoas. No dia 29 de janeiro de 2000 foi condecorado como o Feirense do Ano numa iniciativa da associação civil Amigos das Terras de Santa Maria da Feira, no Centro Português de Caracas. Embora as suas receitas fossem guardadas cautelosamente, quando chegou a sua criação número 300 decidiu partilhá-las com sua filha Ermelinda da Silva e com os seus funcionários. Criações que depois chegaram a Faro (Algarve), onde abriu uma geladaria com seu filho mais velho, que também leva o nome da padroeira da Venezuela. Nas últimas duas décadas o genro de Manuel tem sido o encarregado do negócio, que encerrou temporariamente em 2017 devido às complicações para adquirir leite e açúcar, mas que reabriu as suas portas, ultrapassando as dificuldades, para o deleite dos palatos locais e estrangeiros, refletiu a Agência EFE.


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Equivalências, transportes aéreos, falências bancarias e representação legislativa, continuam a preocupar o Governo e os Conselheiros O Conselho da Diáspora Madeirense também pede celeridade no reconhecimento das licenciaturas da com o “repovoamento” feito por lusodescendentes que queiram retornar com Na última semana realizou se no Funchal, o vasto leque de competências úteis ao desConselho da Diáspora Madeirense, o órgão envolvimento regional e que, da mesma consultivo do Governo Regional, que tem maneira, que sejam encontrados um concomo objetivo principal fazer o acompan- junto de incentivos, ou pelo menos que sehamento permanente das questões relacio- jam minimizadas as resistências adminisnadas com as comunidades madeirenses trativas nesse sentido. espalhadas pelo mundo. Os Conselheiros reforçaram a ideia de No encontro anual, presidido pelo Secre- que as comunidades Madeirenses espalhatário Regional de Educação, estiveram pre- das pelo mundo devem ser centrais no plasentes 12 Conselheiros, representando as no das celebrações dos 600 anos do descoComunidades da África do Sul, Austrália, brimento do Porto Santo e da Madeira e, Brasil, Europa, Reino Unido, Veneneste sentido, os mesmos comprozuela e algumas Casas da Madeira meteram-se a ter um papel ativo do Continente e dos Açores. Pela na divulgação dos programas e Venezuela, marcou presença o dinamização de ações de enConselheiro José Aleixo Vieira. volvimento nas comunidades O Fórum Madeira Entre outras reivindicações madeirenses espalhadas no Global 2019 ficou foi solicitada celeridade no remundo, assim como nos seus marcado para o dia conhecimento das licenciaturespetivos ambientes de 24 de julho ras e nesse sentido o Secretário acolhimento. Regional da Educação, Jorge CarO conselho dedica especial valho, referiu que o Governo Regioatenção aos postos consulares Pornal e o da República têm procurado sentugueses no mundo relativamente aos sibilizar as universidades para oferecer es- serviços disponibilizados aos utentes e repecial atenção e algum cuidado relativa- conhece o trabalho do Ministério dos Negómente a esta matéria. cios Estrangeiros pela especial atenção que O Conselho saudou as associações que tem tido com os consulados gerais de Porem Portugal e na Venezuela continuam a tugal na Venezuela, saúda e endereça votos apoiar os emigrantes Portugueses no mun- de bom trabalho aos novos cônsules gerais do, bem como aqueles que regressam a sua de Caracas e Londres. terra de origem. As falências do BES e do BANIF também A situação do défice demográfico atual preocupam os Conselheiros, que defende Portugal nas suas regiões, e inclusiva- dem uma solução o quanto antes. O consemente da Europa dos últimos 50 anos, lho apela ao governo regional que contitambém foi um dos temas abordados com nue a defender os lesados pela Banca nagrande relevância no evento: o conselho cional bem como defender os interesses considera que esta crise pode ser minora- daqueles que investiram em soluções fiCORREIO DA VENEZUELA

2019

nanceiras do centro internacional de negócios da Madeira. Os transportes aéreos são também uma preocupação devido aos preços praticados pela TAP. O conselho censura a companhia aérea de bandeira portuguesa por não ter restabelecido frequência direta entre Lisboa e Joanesburgo, demitindo-se da sua responsabilidade em sede de desígnio nacional, abandonando a imensa comunidade madeirense que ali reside, bem como pelos elevados preços cobrados pela companhia aérea nas rotas Lisboa-Caracas e vice-versa. O conselho considera fundamental a participação política dos madeirenses que residem fora da região, nomeadamente através da participação nas eleições legislativas regionais e da possibilidade de criação de círculos que permitam a eleição de deputados

pela Diáspora. Entende ainda que é importante desburocratizar o processo de voto para os residentes fora da região. O Governo e o conselho manifestaram mais uma vez que que sendo um órgão consultivo de aconselhamento às autoridades regionais, deve ser prerrogativa do presidente do Governo a designação dos seus membros (contrariamente à figura dos conselheiros do governo central que são eleitos no seio das suas respetivas comunidades). O Fórum Madeira Global 2019 ficou marcado para o dia 24 de julho seguido, nos dias 25, 26 e 27 de julho pelo Encontro de Investidores da Diáspora Portuguesa; uma iniciativa Da Secretaria De Estado Das Comunidades Portuguesas que, nesta ocasião, será organizada pela região autónoma da Madeira.


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Mais de 140 trabalhadores saíram do Novo Banco no 1.º semestre Mais de 140 trabalhadores saíram do Novo Banco no primeiro semestre deste ano e até julho foram fechadas 66 agências bancárias, segundo os resultados semestrais do banco divulgados. No final de junho, o Novo Banco (o banco que resultou da resolução do BES, em 2014) tinha 5.340 funcionários, menos 148 do que em dezembro do ano passado. Destes, a maior parte estão na atividade em Portugal, 5.017, tendo sido aí que houve a maior redução, de 139 pessoas. Já na atividade internacional, o banco detido pela Lone Star tinha 323 trabalhadores, menos nove do que em dezembro passado. Quanto a agências, o Novo Banco fechou no primeiro semestre (até junho) 30 balcões. Já em julho fechou mais 36 agências, pelo que no final de julho tinha 382 balcões em Portugal. Já somando a operação nacional e internacional, o Novo Banco tinha 407 balcões em julho.

PORTUGAL | 15

Número de desempregados registados cai 20,6% em Julho e renova mínimo de 16 anos O número de desempregados registados nos centros de emprego baixou 20,6% em Julho face ao mesmo período de 2017 para 330.587, renovando mínimos dos últimos 16 anos, segundo dados divulgados. De acordo com dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), o total de desempregados registados em julho no país foi inferior ao do mesmo mês de 2017, havendo menos 85,7 mil inscrições, o equivalente a uma descida de 20,6%. A mesma tendência registouse em termos mensais, com o número de desempregados inscritos a baixar 0,5%, o equivalente a menos 1,8 mil registos. A contribuir para a redução, em termos homólogos, está a diminuição dos homens desempregados (-43.362), dos adultos com idade igual ou superior a 25

Número de subsídios por doença aumentou 17% no mês passado O número de ‘baixas’ por doença aumentou quase 17% em julho face ao mesmo mês do ano passado, ou seja, registaram-se mais 20.002 subsídios do que há um ano, revelam as estatísticas mensais da Segurança Social. Os dados oficiais divulgados na segunda-feira mostram que em julho foram atribuídos 138.176 subsídios por doença, um aumento de 16,9% em termos homólogos. Do total de subsídios por doença, 82.893 foram atribuídos a mulheres e 55.283 a homens, representando respetivamente 60% e 40% dos beneficiários. Face a junho de 2018, registouse um aumento de 9,2% no total de beneficiários do subsídio por doença, sendo de 8,6% nas mulheres e de 10,1% nos homens. Quanto aos beneficiários de prestações de desemprego, o número foi de 168.291 em julho,

uma redução de 11% comparando com o mesmo mês do ano passado, ou seja, menos 20.778 subsídios. Porém, registou-se uma subida de 0,4% face a junho. O subsídio de desemprego foi atribuído a 135.396 pessoas em julho, menos 15.606 que em igual período de 2017, mas relativamente a junho de 2018, verificou-se uma subida de 0,8%. O número de beneficiários do subsídio social de desemprego inicial foi de 6.248 e o subsequente chegou a 22.149 pessoas, ambos com descidas homólogas e em cadeia. A medida extraordinária de apoio aos desempregados de longa duração abrangeu 5.387 pessoas em julho, um acréscimo de 1,1% face ao mês anterior (mais 58 indivíduos) e, comparando com julho de 2017, a medida integrou mais 2.238 desempregados.

anos (-72.340), dos inscritos há um ano ou mais (-51.175), dos que procuravam um novo emprego (-73.500) e ainda dos que têm o ensino básico (-19.916) e o ensino secundário (-18.750), de acordo com o IEFP. Acresce que o número de jovens desempregados em julho (31,1 mil) equivalia ao número mais baixo em pelo menos qua-

se 30 anos, enquanto o dos desempregados de longa duração (160,5 mil) representava o mais baixo desde o início de 2009. Ainda neste mês, verificaramse 497.211 pedidos de emprego (menos 16,2% em termos homólogos) e 20.006 ofertas de emprego (menos 17,8% relativamente ao mesmo mês de 2017), adiantam os dados do IEFP.

Governo diz que já foram pagos 66 milhões de euros aos agricultores lesados em 2017 O Ministério da Agricultura (MAFDR) desmentiu o Movimento Associativo de Apoio às Vítimas de Midões quanto às ajudas aos agricultores lesados pelos incêndios de 2017, informando que os apoios pagos rondam os 66 milhões de euros. “O Ministério da Agricultura desmente categoricamente o teor do comunicado” do MAAVIM, “no que às medidas de apoio aos agricultores afetados pelos incêndios do ano passado diz respeito, e repudia a atitude demagógica deste movimento”, refere o gabinete do ministro Luís Capoulas Santos. O MAFDR salienta que “a lista nominal e os montantes recebidos individualmente estão disponíveis” na página da internet do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas. O MAAVIM pediu a intervenção do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerando que persiste a falta de respostas do Governo para as famílias afetadas pelos fogos de 2017.

Governo destaca “evolução sustentada” na queda do desemprego mas quer mais O Governo considerou que os dados que reflectem uma redução do desemprego e uma melhoria no emprego representam uma “evolução sustentada” do mercado de trabalho, mas assegurou “reforçar” a aposta na estratégia. Reagindo aos dados divulgados, de que o número de desempregados registados nos centros de emprego baixou 20,6% em julho face ao mesmo período de 2017 para 330.587, renovando mínimos dos últimos 16 anos, o secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita, salienta, em comunicado, que esta “é uma evolução sustentada e é a tradução visível de uma estratégia política”. “Esta é uma tendência que se tem vindo a consolidar em termos da evolução da economia e do mercado de trabalho porque desde o início da legislatura foram já criados mais de 300 mil postos de trabalho em todos os setores com algum dinamismo salarial já observado”, vinca o governante, sublinhando que “o desemprego tem diminuído à custa da criação de emprego”.

Ainda assim, “enquanto houver pessoas desempregadas, vamos reforçar a nossa prioridade que demos desde o princípio ao emprego, em particular aos grupos mais expostos a esse fenómeno”, assegura Miguel Cabrita. De acordo com dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), o total de desempregados registados em julho no país foi inferior ao do mesmo mês de 2017, havendo menos 85,7 mil inscrições, o equivalente a uma descida de 20,6%. A mesma tendência registou-se

em termos mensais, com o número de desempregados inscritos a baixar 0,5%, o equivalente a menos 1,8 mil registos. A contribuir para a redução, em termos homólogos, está a diminuição dos homens desempregados (-43.362), dos adultos com idade igual ou superior a 25 anos (-72.340), dos inscritos há um ano ou mais (-51.175), dos que procuravam um novo emprego (-73.500) e ainda dos que têm o ensino básico (-19.916) e o ensino secundário (-18.750), de acordo com o IEFP.


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“A melhor fiesta luso-venezuelana” As receitas servirão para aquisição de medicamentos que posteriormente serão enviados a Venezuela VICTOR HUGO / DN MADEIRA Marysol, Kimberly, Alejandro e Eddy formavam dois casais lusovenezuelanos de muitos que ontem não quiseram perder a oportunidade de estar naquela que consideram ser a “melhor fiesta luso-venezuelana”, um evento que o DIÁRIO, em parceria com o município da Ribeira Brava, promove há 9 anos. Apesar do corpo estar presente, o coração acelera e as lágrimas escorrem rosto abaixo quando recordam a vida que tinham em Caracas. A profunda insegurança, a falta de comida e a precariedade social foram motivos mais que suficientes Pingo Doce que tem na Região. “Não tínhamos muito família cá, para aviar malas. Eram todos licenciados. Conta- felizmente não pagamos casa”, bilistas e advogados. Não eram ri- confessa Alejandro que na primeira semana de trabalho levou cos, sublinham, mas viviam um pacote de iogurtes pabem. Tinham uma vida ra casa. Aos primeiros desafogada, faziam fépassos, disse ao filho rias todos os anos em mais novo: “Olha o destinos de eleição, num bom ano popoderia passar de que eu te trouxe”, exclamou. “Papá, é padiam “ir de comum formaton de ra mim? Sim, filho! E pras” até Miami. Os um para dois posso comer todos ou filhos estavam matrié um por semana?”, reculados em boas escodias corda o curto diálogo que las na capital que Nicolas manteve com o menino ilusMaduro continua a “delapitrando as dificuldades que pasdar”, criticam. “Tudo isso acabou”, pelo menos sava na Venezuela. A escassez de alimentos foi é o que diz a consciência, não obstante as ‘resmas’ de “fé” e de “espe- uma das muitas agruras que viverança” que têm, dois termos pre- ram em solo venezuelano. “Por sentes na esmagadora maioria mais que quiséssemos ficar, tíndos que visitaram a 9.ª edição da hamos de pensar no futuro dos Festa Luso Venezuelana que tem nossos filhos e da família. Não pona gastronomia e na solidariedade díamos arriscar”, confidencia já a batida e a selecção musical de um cariz ímpar e indissociável. Actualmente, um deles está em- Mosquito Rumbero saía das colupregado numa das muitas lojas do nas instaladas no palco da pro-

2019

menade ribeira-bravense que a partir das 18 horas foi cada vez mais enchendo até ficar repleta. Animação e gastronomía Lá como cá recorda-se que ‘tristezas não pagam dívidas’ e, de facto, os emigrantes latinos têm a alegria como característica do seu ADN. ‘Zumbaram’, bailaram, cantaram, com destaque para o duo internacional convidado, 2Chamos que actuaram pela primeira vez na Madeira. Além deste duo subiram ainda ao palco os Mariachi México Madeira, Triova Voices e ainda Juan Gonzalez instrutor de zumba. De resto, as barraquinhas de comida típica venezuelana fizeram as delícias dos que desceram até à frente-mar. Solidariedade Carlos Perneta da direcção de Marketing do DIÁRIO realçou o papel solidário que a EDN tem vindo a ter em parceria com a Câmara Municipal da Ribeira Brava no fomen-

to deste género de eventos, recordando as iniciativas através do ‘Chapéu Solidário’ que possibilitaram a angariação de fundos para diversas causas sociais. Desta vez o director comercial lembrou que as receitas servirão para aquisição de medicamentos que posteriormente serão enviados para quem necessite na Venezuela.

A edição de 2019 está sendo pensada, contudo o evento não pode deixar de ser pensado sem a colaboração da autarquia: “Queremos passar de um formato de um para dois dias, um alargamento que permitirá uma maior dinamização do comércio. Mas, para já, é prematuro estarmos a desenhar como será”, concluiu.


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CULTURA | 17

Duas gerações de Lusovenezolanas sorriem nas Payasitas Nifu Nifa DELIA MENESES

Quem não se lembra delas? Canções como “Alibombo”, “Sana, sana”, “regálame tu foto”, “kikiki Cococo” permaneceram gravadas na memória de milhões de crianças e causaram furor no público infantil mesmo sem existirem os telemóveis, as redes sociais ou os iPod. Em meados dos anos oitenta, Las Payasitas Nifu Nifa chegaram para demonstrar que as mulheres são especialistas em maquiagem e peruca e para destronar os homens na arte do entretenimento infantil. Encontraram uma fórmula imbatível: uma palhacinha que unia as crianças com a doçura e carisma da mãe. Desde a sua primeira aparição há 34 anos, os valores da “portugalidade” têm estado presentes graças a Fátima Vieira, que dá vida à palhacinha de cabelo amarelo e mais tarde por Carla Vieira, que foi recrutada mais jovem, e praticamente cresceu com o grupo como a palhacinha querida de peruca vermelha. Andrea Matos, por sua vez, faz parte desta nova geração de Nifu Nifa, mais uma lusodescendente que deixou a sua marca no grupo e que se esforça em fazer música para crianças em tempos de reggaeton. “Eu cresci com elas e em criança era a sua fã, agora sou uma palhacinha e ensino ao meu afilhado a nossa música”, diz Matos, uma jornalista de 24 anos que soube do casting, participou e já tem mais de um ano no grupo. “É uma honra estar aqui, cada ensaio é uma aprendizagem constante, da maquiagem até a coreografia. Em cada apresentação sabemos o que vamos fazer: divertirmonos e fazer as crianças felizes”. O pai de Andrea é natural da Camacha, a mãe do Monte e a jovem tem estado duas vezes na ilha da Madeira. A palhacinha que usa uma peruca verde que condiz com os seus olhos, assegura que vir de uma família de origem portuguesa ajudou-a a cultivar os valores da união da família e da partilha, que são fundamentais para desempenhar o seu papel no mundo do entretenimento infantil”. Des-

Fátima Vieira

de pequena ensinaram-me a ser boa pessoa, estar atenta ao próximo. Somos uma família numerosa com muitos primos e aprendi a ser sensível com os pequenos, a cuidar e brincar com eles. AI que tem 3 anos ensino-lhe que sim há música para crianças e que nem tudo é reggaeton”. Com 46 anos e dois filhos de 12 e 10 anos, Fátima Vieira é uma das palhacinhas fundadoras. Por um tempo, para exercer sua carreira como advogada, distanciou-se do grupo ao qual regressou logo após o reencontro do grupo que teve lugar no final de 2014. Deixou claro que as Nifu Nifa não só estão vigentes, mas que sorriem aos novos tempos. Uma amostra de que continuam a cativar corações, não só das crianças, mas também os dos adultos que cresceram com a sua música, são as onze apresentações que tiveram no Dia da Criança”. Estamos cheias de atividades, “piñatas” todas as semanas, espetáculos públicos. No passado fim de semana cantamos na Praça Alfredo Sadel em Las Mercedes, e nos dias 1 e 2 de setembro no Centro Comercial Expreso em Baruta”. Para Fátima, cujo pai é natural de Aveiro, as raízes lusitanas permitiram-lhe crescer valorizando a importância da família, destacando o valor dos avós. São esses ensinamentos que ficam reproduzidos nas canções do grupo e aqueles

O famoso grupo ainda está empenhado em fazer música para crianças com o seu estilo particular

Carla Vieira

Andrea Matos

que ela incute nos seus filhos. Eles ficaram surpreendidos quando souberam que sua mãe era uma Nifu Nifa. Depois do primeiro impacto, agora ajudam ao estarem atentos para não deixar nada atrás quando tem uma apresentação, mas não deixam de ficar com ciúmes quando uma criança mostra muito carinho à palhacinha de cabelo amarelo. “Os tempos mudaram e também o estilo e o ritmo das nossas composições, mas aquilo que se mantém é a mística e o desejo de que a criança se divirta preservando sua inocência, com letras que estão de acordo com a sua idade.” Para Carla Vieira, que também é mãe de dois meninos com idades entre 8 e 3 anos, a sua passagem pelo grupo permitiu-lhe descobrir a importância de cuidar das crianças e das suas necessidades, de não os enganar e de os tratar com respeito e interesse pelas suas ideias. A artista deixou o palco para se dedicar a Rodrigo e Arturo, mas resgata do seu tempo de palhacinha as aprendizagens adquiridas e o crescimento do ponto de vista humano e profissional. Reconhece o mérito de Gianna Lodi, psicóloga educacional da Escola Bolívar y Garibaldi de Caracas, que criou o conceito que mais tarde estabeleceu um padrão no mundo da ani-

mação infantil”. Cada canção tinha um objetivo a trabalhar e uma razão pensada. O objetivo foi refletir a visão a partir do mundo das crianças, que elas pudessem seguir as músicas e imitá-las, esse foi parte do sucesso das Nifu Nifa, além de ter os melhores ‘arreglistas’ e compositores da época “, entre os quais Rudy La Scala, Hugo Blanco, Alejandro Salas, Ricardo Hernández. Hoje, na opinião de Carla, continuam a faltar artistas infantis que façam boa música para este tipo de público; daí o sucesso que mantêm umas palhacinhas que hoje renascem e se beneficiam do impacto e feedback que permitem as redes sociais. “O valioso é que elas têm conseguido manter a sua essência: a maneira de se aproximar das crianças com respeito, de se envolverem com toda a família durante as festas, assim como as letras infantis pensadas para que a criança não perca a sua ingenuidade”, afirma quem fez parte das Nifu Nifa durante dez anos. “Sempre tínhamos muito cuidado em manter a magia e o véu do mistério, de não revelar quem eram as meninas por trás da peruca e da maquiagem”. E assim continua a ser até hoje. Para as seguir mais de perto está a sua conta do Instagram @PayasitasNifuNifaVzla.


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18 | CULTURA

RECOMENDAÇÕES DE MODA

Primeiro lugar Agrupacion Folklórica Amizade da Casa Portuguesa de Maracay, estado de Aragua

Segundo lugar Rancho Folklórico Costumbres y Tradiciones de Portugal de San Juan de Los Morros, estado de Guárico

Tendências de Verão

Amizade triunfa no XXXI Festival de Folclore Português CARLOS A. BALAGUERA

Mais uma vez o Grupo Folclórico Amizade da Casa Portuguesa do estado Aragua conquistou o título do Festival de Folclore Português da Venezuela, que teve lugar no passado fim de semana no Centro Social Madeirense de Valencia, estado Carabobo. Um total de seis grupos que conseguiram reunir os seus elementos, para além de financiamento, estiveram presentes na XXXI edição do evento, espalhando a nossa cultura portuguesa. Dani Barradas, Presidente do Centro Social Madeirense, deu as boas-vindas a todos os grupos, congratulando-os por estarem presentes e desejando-lhes todo o sucesso. Em seguida, realizou-se o tradicional desfile de Madrinhas, cuja vencedora foi Maite Pinto, membro do Rancho Folclórico de San Juan de los Morros. Mais tarde foi a vez dos grupos: Grupo Folclórico Centro Sócio Cultural Virgem de Fátima de Guatire, com 32 integrantes e música ao vivo; Grupo Folclórico Cantinhos da Madeira de Los Teques, com 25 integrantes e música de base; Rancho Fol-

clórico Saudades da Casa Portuguesa de Valencia, com 28 integrantes e música de base; Grupo Internacional Luso do Centro Marítimo Turumo, com 30 membros e música ao vivo; Grupo Folclórico Amizade da Casa Portuguesa de Aragua, com 30 integrantes e música ao vivo; Rancho Folclórico Costumes e Tradições de Portugal de San Juan de los Morros, com 12 integrantes e música de base. O júri foi composto por Emanuel De Jesus, Néstor Pereira, Leonarda Gacedo Pireira, Duarte Macedo, Nelson Quinta, Silvia Rodrigues, José Guido Pereira, David Botero, Carolina Martins, Lucia de Pereira, Nivaldo da Silva. O Grupo do Centro Socio Cultural Virgem de Fátima de Guatire, estado Miranda, ganhou o prémio de melhor fotografia. Na categoria de Traje típico o primeiro lugar foi para Amizade, seguido pelo grupo de San Juan de los Morros e o grupo Saudades. Em relação à música, o primeiro foi pa-

ra as mãos do Centro Sócio Cultural Virgem de Fátima, seguido de Amizade e o Grupo Internacional Luso do Centro Marítimo de Venezuela. Finalmente foi entregue a categoria de Melhor Grupo Folclórico, recebido pelo Grupo Folclórico Amizade da Casa Portuguesa de Aragua, enquanto o segundo e terceiro lugar foram atribuídos ao Rancho Folclórico Costumes e Tradições de San Juan de los Morros e ao Centro Sócio Cultural Virgem de Fátima de Guatire, respetivamente.

Estamos no meio do verão e várias tendências tomaram conta das ruas em todos os cantos do mundo. Na Venezuela, um país tropical com mais verão do que inverno, essas tendências poderão começar a ser vistas nos próximos meses. A seguir um resumo das mais relevantes. Ninho de abelha: Um dos tecidos mais populares neste verão é o ninho de abelha, que está presente em diferentes looks de verão, seja em vestidos, blusas ou saias. Uma tendência em auge na moda primavera verão de 2018 que evoca memórias das roupas de verão da nossa infância. Macacão: Estas peças são elegantes, versáteis e com um toque chique e sofisticado. Um bom exemplo disso é o macacão preto e florido, ou simplesmente brancos e muito tropicais. Cor branca: é perfeita para combater as altas temperaturas tornando-se protagonista na moda feminina de verão. Muitos foram os designers que incluíram roupas brancas na passarela. Se quiser seguir as tendências da moda verão 2018 não poderá faltar no seu guarda-roupa uma saia branca. Combina com tudo. Flores: Uma das tendências da moda primavera verão em vestidos, mas também na maioria das roupas, são as flores. Este padrão torna-se popular nas roupas de verão e são muitos os designers que iluminam suas coleções com desenhos florais.

RECOMENDAÇÕES DE ARTE PAUSA Local: Centro de Arte los Galpones Artista: Rosario Lezama

Forma (Apariencia) Local: Centro de Arte los Galpones Artistas: Muestra Colectiva

Superficies Alteradas Local: Cerquone Projects Artista: Yoshi

Libre como la Liebre Terceiro lugar Grupo Centro Socio Cultural Vírgen de Fátima

Grupo Folklorico Organizador: Centro Social Madeirense

Local: Museo Afroamericano Artista: Francisco Pinto


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CULTURA | 19 RECOMENDAÇÕES MÚSICA

VENEZUELA

“Um pouco de folclore, amigos e boas recordações”

“Contigo” / Omar Acedo “Pecar contigo” / Aran One “Te declaro culpable” / 4k “Tapita Borra” / Sixto Rein

O Grupo Folclórico Lusitano de Valencia mantém a “portugalidade” viva e regressa às instalações da Casa Portuguesa Venezuelana

PORTUGAL

OSCAR SAYAGO

Quando falamos de Portugal, existem diferentes sentimentos e recordações que vêm à memória, visto que existem muitas influências históricas que o tornam um país muito rico culturalmente. Mas, acima de tudo, há sempre um elemento específico que nos une a todos, esse elemento é o folclore. O Grupo Folclore Lusitano de Valencia, cuja fundação ocorreu

no dia 23 de junho de 1974, tem sido uma referência. Pelo seu compromisso com a comunidade, deram origem a um clube onde pudessem preservar as tradições e as divulgar: o Lar Lusitano de Valencia. Este grupo folclórico reúne-se novamente, desde a sua criação há 44 anos. No domingo 5 de agosto, velhos amigos reencontraram-se para recordar novamente aquela paixão que os une. Tudo foi vivido na Casa Portu-

guesa Venezuelana de Valencia, desde as horas da tarde e com a presença de 72 pessoas. “As pessoas vieram de Portuguesa, Maracay, mas a maioria delas está em Valencia. A ideia é continuar a trabalhar, já que é o nosso legado para as gerações futuras”, afirmou a conselheira Fátima de Pontes, integrante do grupo. Como uma forma de tributo decidiram lançar todas as músicas num único CD, “Amigos por Siempre-Reencuentro 2018”.

“Si mes da tu amor” / Chucho y Omar Acedo

FONTE: Record Report

“Leave A Light On” / Tom

sábados e domingos 5:00pm

A Pedra Obscura Local: Trasnocho Cultural Horário: Sexta-feira 7:30pm, sábados e domingos 7:00pm

“Mafiosa” / Lartiste Feat.

5:00pm

“Solo” / Clean Bandit “X” / Nicky Jam & J Balvin “Quem Me Dera” / Mariza FONTE: Shazam Portugal

CINE

Ana no Trópico Local: Trasnocho Cultural Horário: Sexta-feira 5:00pm, sábados e domingos 4:00pm

LIVROS

VENEZUELA

VENEZUELA

Quem Matou os Puppets? Direção: Brian Henson Elenco: Melissa McCarthy,

“Las recetas de @Sascha Fitness” / Sascha Barbosa “Las aventuras de Juan Planchard” / Jonathan Jakubowicz “Nada que perder. Me decia Consuelo” / Carlos Saul Rodriguez “El angel que no merecia morir” / Carmelo Di Fazio

Elizabeth Banks, Maya Rudolph

FONTE: TecniCiencia

Demónio de Meia-noite Direção: Travis Zariwny Elenco: Gabrielle Haugh, Lin

PORTUGAL

Shaye, Robert Englund

“Ficamos parados da noite para o dia. Convoquei os integrantes e decidimos participar do festival em Valencia para nos despedir”, contou Macedo destacando que durante muitos anos eles mostraram as tradições folclóricas de Portugal num canto da Venezuela.

Os Ombros de América Local: Centro Cultural Chacao Horário: Sexta-feira 7:00pm,

Caroliina

JEAN CARLOS DE ABREU

tão apenas doze. Disse que em janeiro deste ano convocaram os integrantes do grupo para iniciar as atividades, mas “devido à situação” em que a nação está, assim como a partida de alguns membros para outros países, pois decidiram parar as atividades.

VENEZUELA

Modo Avião Local: Centro Cultural B.O.D Horário: Sábados e domingos

Walker

Rancho Costumes e Tradições de Portugal cessou funções O Rancho Folclórico Costumes e Tradições de Portugal cessou as suas funções após quase dez anos de promoção das tradições portuguesas no estado Guárico, devido à grave situação que a Venezuela atravessa. O diretor e presidente do grupo, José Duarte Macedo disse que a sua última apresentação foi no XXXI Festival de Folclore Português, realizado no Centro Social Madeirense, no estado Carabobo, no dia 28 de julho. “Em breve vou sair do país devido à situação, não temos quem fique responsável pelo grupo. Não é um adeus, mas sim um até logo”, disse ao mesmo tempo que destacou que de 48 pessoas, entre dançarinos e músicos, que começaram, hoje es-

TEATRO

Filho do Sal Direção: Andrés Eduardo Rodríguez y Luis Alejandro Rodríguez Elenco: María Alejandra Jiménez, Terry Goitía, Anibal Grunn, José Torres

“Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes” / Augusto Cury “A Arte Subtil de Saber Dizer que se F*da” / Mark Manson “O Líder Sem Título” / Robin Sharma “Como Fazer Amigos e Influenciar as Pessoas” / Dale Carnegie FONTE: FNAC


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20 | OPINIÃO Espaço Jurídiço

ANA CRISTINA MONTEIRO

Realmente existe um apoio especial para os portugueses vindos da Venezuela?? Esta é a pergunta que maioritariamente recebemos dos portugueses que chegam a Madeira, como dos que já residem cá. Mas a resposta é negativa, pois não há apoios diferenciados para os venezuelanos, nem para os portugueses que regressem da Venezuela. Os apoios que foram garantidos pelo Governo da República e Regional, são em igualdade de circunstâncias, dependentes das condições próprias e constitutivas dos apoios sociais, já existentes para todos os portugueses, e são apoios sociais tanto aos portugueses residentes em Portugal e na Madeira, como os portugueses que hoje regressam da Venezuela. Principalmente, estaremos a falar das prestações sociais, relativas ao rendimento social de inserção; a pensão social de velhice; do complemento solidário para idosos com mais de 66 anos e 4 meses de residência em Portugal; ao abono de família para crianças e jovens; quer também quanto as ofertas de emprego, formação e qualificação profissionais, e, quer na adjudicação de habitações sociais.

Por tanto, não há algum apoio social diferenciado ou especial para os venezuelanos ou portugueses que hoje regressam a Madeira. Entre os apoios sociais garantidos pela Segurança Social, está, como já fora referido, o rendimento social de inserção, destinado a proteger as pessoas que se encontrem em situação de pobreza extrema e, do qual me permito fazer uma breve referência informativa, tomando como base a informação contida no site da Segurança Social, que poderão livremente consultar. Este apoio corresponde a uma prestação em dinheiro para assegurar a satisfação das necessidades mínimas, requerida através de formulário para o efeito, próprio da Segurança Social, a quem tenha residência legal em Portugal, esteja numa situação de pobreza extrema, tenha a disponibilidade para o trabalho, para a formação ou para outras formas de inserção que se revelem adequadas e, não tenha, o requerente, rendimentos mensais iguais ou superiores a 186,68€. Para o efeito, e salvo outros que possam ser

Espaço Legacis ANTONIO DELGADO

Quer registar um prédio em seu nome? Saiba como pode tornar-se dono de um imóvel através da usucapião A usucapião é uma figura jurídica que facilita processos legítimos de registos de propriedade que, por várias razões, não se encontram legalizadas. São muitos os casos de pessoas que não conseguem registar os seus terrenos, casas ou que querem vendê-los mas não sabem qual o artigo ou descrição predial. Ou aqueles casos de pessoas que compraram verbalmente determinado prédio e nunca fizeram escritura nem regularizaram a situação. Mas o tempo vai passando e, no pior dos cenários, existe um sério risco de alguém se apropriar ilegitimamente desses bens. Para estas situações, a Lei portuguesa permite a posse por usucapião. No fundo, esta traduz-se na possibilidade de alguém que há mais de 15 anos, por exemplo, tenha resolvido começar a limpar e cultivar um terreno que a todos parecia abandonado e que hoje se possa tornar o seu legítimo dono.

Vamos deixar um exemplo prático deste processo imaginando a seguinte situação: O Senhor Joaquim, da aldeia de Monsaraz, começa a tratar de um terreno abandonado, limpa-o, cultiva-o e cuida dele como se o terreno fosse seu. Faz isto de boa-fé desde o ano de 2000 e vai quase todos os dias ao terreno onde até já construiu uns anexos para os animais. Nunca ninguém se opôs ou veio dizer que aquele terreno não era do Senhor Joaquim. Aos olhos das pessoas da aldeia que conhecem o Senhor Joaquim e o costumam ver no terreno, ele é o dono desta propriedade. Hoje, depois de mais de 18 anos de uso ininterrupto do terreno, o Sr. Joaquim estará em condições de registar este terreno em seu nome. Como poderá fazê-lo? Em primeiro lugar, deverá levar uma planta do terreno com a área e as confrontações às Finanças para pedir a sua inscrição na matriz. Depois, vai à Conservatória do Registo Predial pedir uma “certidão negativa”, ou seja, o documento que comprova que o terreno não está registado. Por último, dirige-se a um

requeridos pela Segurança Social, o requerente deverá juntar uma série de documentos, entre estes: O documento de identificação válido da pessoa que faz o pedido e dos restantes membros do agregado familiar ou fotocópias do documento comprovativo da sua residência legal em Portugal; número de identificação fiscal, também chamado número de contribuinte; recibos de remunerações efetivamente auferidas no mês anterior ou, nos 3 meses anteriores, no caso de que os rendimentos sejam regulares ou variáveis; declaração de IRS relativa ao ano civil anterior ao do requerimento, salvo nos casos em que esteja dispensado da apresentação da mesma; recibos de renda; documentos comprovativos do valor dos créditos depositados em contas bancárias e dos valores mobiliários admitidos à negociação em mercado regulamentado, bem como, os extratos bancários.

Notário para a celebração da escritura de justificação notarial, devendo levar 3 testemunhas que irão comprovar a relação do Sr. Joaquim com aquele terreno. A escritura será publicada num jornal de expansão nacional ou local e, se ao fim de 30 dias contados após a publicação, ninguém reclamar, o Sr. Joaquim pode considerarse dono do terreno. Demos aqui este exemplo, mas a aquisição de um determinado bem por usucapião é um processo também muito usado em situações em que não é possível provar com documentos a posse de determinada propriedade. Por exemplo, em casos de heranças em que não se fez no devido tempo a escritura de habilitação de herdeiros, a usucapião torna-se uma forma expedita dos herdeiros legalizarem a posse. Mas existem casos em que a posse por usucapião pode ser levada a cabo de forma ilegal, por má-fé. São aqueles em que alguém se aproveita da ausência ou desconhecimento do dono para avançar e começar a utilizar o imóvel. Depois é só esperar ver os anos passar para se tornar o seu legítimo proprietário. Em conclusão, a usucapião é um mecanismo jurídico muito prático e importante para ajudar a resolver determinadas situações baseadas na boa-fé dos possuidores. Artigo da Autoria de ANTÓNIO DELGADO, Advogado e Managing Partner dos escritórios LEGACIS-GLOBAL LAW OFFICE (www.legacis.eu) e membro Fundador da plataforma DIÁSPORA LEGAL NETWORK, a Rede de Juristas da Diáspora (www.diasporanetwork.pt)

Palavras Literárias DANIEL BASTOS

A Peregrinação do Migrante e do Refugiado em Fátima Nos passados dias 12 e 13 de agosto realizouse, mais uma vez, a tradicional Peregrinação do Migrante e do Refugiado em Fátima, um dos mais importantes santuários marianos do mundo, e um dos mais emblemáticos locais de peregrinação cristã e devoção católica em todo o mundo. A jornada de fé e devoção, que assinala a quarta Aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos, marcou o arranque da Semana Nacional das Migrações, congregando na Cova da Iria, migrantes de várias partes do mundo. Este ano, o tema da 46.ª Semana Nacional das Migrações promovida pela Obra Católica Portuguesa das Migrações, da Conferência Episcopal Portuguesa, centrou-se na frase basilar “Cada forasteiro é ocasião de encontro – Migrantes e refugiados no caminho para Cristo”. Na esteira da mensagem e da ação que o Papa Francisco tem dedicado aos migrantes e refugiados, e no reiterado pedido do chefe da Igreja Católica à comunidade internacional e aos fiéis para não abandonarem os migrantes e refugiados. A opção por esta temática atual e premente, que a comunidade internacional parece incapaz de resolver, foi modelarmente elucidada por D. António Vitalino, vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana: “Perante o drama dos refugiados, que fogem à guerra, à fome, à seca e à pobreza, muitos morrendo pelos caminhos perigosos, vítimas de máfias sem escrúpulos, como cristãos e seres humanos não podemos ficar insensíveis a tudo isto”. Ainda na conferência de imprensa que antecedeu as cerimónias, o Cardeal D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, vincou o “drama humanitário da transmigração epocal de povos que se dirigem à Europa, vindos do Médio-Oriente e de África”. Caraterizando as vagas crescentes destes refugiados e migrantes que todos os dias tentam entrar no Velho Continente, como “um exército de pobres que aqui chega, após dois anos de viagem pelo norte de África. Não estão em causa os números, mas pessoas concretas, com uma história, uma cultura, uma família, sentimentos, dramas e aspirações”. Neste sentido, é de enaltecer a defesa reiterada do respeito e dignidade dos migrantes e refugiados que a Igreja Católica tem sustentado no mundo atual, assim como o seu papel de coesão e identidade que ao longo dos anos tem desempenhado no seio das comunidades portuguesas.

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MISCELÂNEA | 21

CURIOSIDADES

Sabia que os gatos podem sofrer de anorexia? A alimentação em gatos é um fator fundamental para o seu desenvolvimento, quando estes ficam doentes, um indicio é que eles deixam de comer, a tal ponto que 95% das doenças que apresentam são devido a um certo grau de anorexia, informação recolhida pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da UNAM. A especialista Tamara Iturbe, ressaltou que os gatos não atingem diretamente à anorexia; inicialmente comem pouco e cada vez o fazem menos, até não comerem mesmo nada. Se estão dois ou três dias sem se alimentarem, é necessário ir ao veterinário. Entre as principais causas da anorexia em gatos estão: anemia, tumores, gengivite, dentes em mau estado e infeções respiratórias. Esta última é produzida pela secreção nasal severa que se espalha à volta das suas narinas e, por tanto, não se alimentam porque

não sentem o cheiro da comida. Quando os gatos param de comer por um período prolongado de tempo, podem surgir problemas como a lipodosis do fígado, que é semelhante à anorexia.

É por esta razão que os alimentos devem ter uma textura ao seu gosto e muito condimentada e apetecível. “Embora os veterinários não saibam o que causou a falta de apetite, é necessário alimentá-los através de sondas para evitar complicações”, disse a especialista.

ECOLOGIA

Brookesia micra é consideradoo réptil mais pequeno do mundo Foi descoberto em 2012 e teve lugar durante uma investigação nas terras africanas da ilha de Madagáscar, localizada na zona norte. Embora a ilha seja bastante pequena, caracteriza-se pela sua ampla fauna e pela sua enorme quantidade de riqueza, também vista no filme “Madagáscar”.

Os investigadores chegaram à hipótese do surgimento desta pequena criatura e acreditam que se trata de um caso extremo de nanismo insular, como resultado de uma adaptação à área em que vive. Acredita-se que este raro evento seja um processo evolutivo natural que os animais sofrem. O estudo completo da Brookesia micra foi realizado por um grupo de investigadores, cientistas e biólogos da Alemanha e dos EUA, publicado pelo “Journal Plos One” há algum tempo. Devido às suas características, assim como sua capacidade de camuflagem, a Brookesia foi descoberta durante a noite, quando dorme e permanece imóvel nas folhas e galhos das árvores, algo que não acontece durante o dia. O Brookesia vive a norte de Madagáscar e não mede nem 30 mm de comprimento. Geralmente tem cor castanha com tons de verde e durante a noite dorme e permanece imóvel nas folhas e galhos das árvores, isso não é feito durante o dia.

SAÚDE

Dicas para evitar acidentes domésticos nas crianças A Dra. Pilar Camacho, do Hospital Quirónsalud Sagrado Corazón de Sevilha, publicou uma lista de passos que podem ser seguidos para evitar acidentes domésticos em casa, já que até 80% dos acidentes infantis ocorrem em casa. A mortalidade infantil devido a acidentes domésticos estima-se, segundo dados da União Europeia, em 8,1 óbitos por 100.000 habitantes. A doutora afirma que a cozinha é um campo minado para crianças, estando a cozinhar ou não. Referese a que este local em particular uma vez que o espaço é partilhado com facas, tesouras, frigideiras e panelas no fogo, sem contar com os produtos que podem ser tóxicos. Por essa razão, a cozinha deve ser mantida com uma ordem específica, por outras palavras, cada objeto deve estar longe do alcance das crianças, pois é muito difícil ter uma criança longe da cozinha. Outra dica a ter em consideração, se tens vários filhos ou tens em casa crianças de várias idades, é que a mistura de brinquedos pode ser

prejudicial para os mais pequenos. “É necessário sensibilizar os mais velhos, pedindo-lhes que separem os seus brinquedos e não os deixem por perto dos mais pequenos. Os jogos dos menores de 6 anos deviam de ser presenciados por um adulto, tanto em casa como no exterior”, recomenda a Dra. Camacho. A chave para a segurança das crianças mais novas é saber onde estão as ameaças e saber como as evitar e desta forma poder agir a tempo.

SEGREDOS DE COZINHA

Pudim de Leite Ingredientes: —1 copo grande (2 dl) de ovos ; a mesma medida de açúcar e a mesma medida de leite ; —1 colher de sopa de sumo de limão

Confecção: Com um pouco de açúcar retirado à porção total e o sumo de limão faz-se um caramelo com que se barra uma forma de pudim.

Bate-se o açúcar com os ovos. Junta-se o leite frio e deita-se o preparado na forma. Tapa-se e leva-se a cozer em banhomaria durante 1 hora a hora e meia. Desenforma-se depois de frio. Na panela de pressão o pudim coze durante 30 minutos. Antigamente punham-se cinzas quentes sobre a tampa da forma para evitar a criação de gotas de vapor que muitas vezes provocam bolhas no pudim depois de cozido.


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22 | DESPORTO

Federações internacional e europeia elogiam organização portuguesa “Toda a gente fica feliz quando vem competir a Portugal” A Federação Internacional de Canoagem (ICF) e a Associação Europeia de Canoagem (ECA) colocaram os Mundiais realizados em Montemor-o-Velho ao nível do melhor que a modalidade já fez na sua história. “Já tínhamos a experiência da boa organização da federação nos Mundiais sub-23 e júnior. Tínhamos a tranquilidade de sabermos que íamos organizar um bom evento. Fazemos um balanço muito positivo. Uma equipa profissional que proporcionou um campeonato de altíssimo nível”, elogiou Jose Perurena, presidente da ICF. O dirigente afirmou que Montemoro-Velho é “um diamante que se deve saber polir”, aconselhando a autarquia a potenciar a publicidade internacional que esta organização teve. “Muitas equipas poderiam vir cá treinar no inverno. O município devia aproveitar isso, pois tem uma pista muito boa”, frisou, recordando o exemplo do construtor Nelo, que tem dois campos de treino em Portugal utilizados por centenas de atletas. O espanhol lembrou a preocupação do vento lateral - foi instalada na pista uma tela de um quilómetro para mino-

Braga vence e junta-se a Sporting, Benfica e Feirense na liderança da I Liga

rar o problema - congratulando-se pelo facto de as condições meteorológicas terem ajudado a regatas justas. Já o presidente da ECA, Albert Woods, destacou, em declarações à Lusa, “mais uma excelente organização portuguesa, no patamar mais elevado do que se tem feito na canoagem internacional”. “O que faz a diferença? A atenção aos detalhes. Ninguém espera nada e, como que por magia, está tudo muito bem feito. Uma federação pequena,

mas com uma fantástica equipa. Toda a gente fica feliz quando vem competir a Portugal”, garantiu. A federação tem o desafio de promover também os Mundiais de maratonas, entre 6 e 9 de Setembro, na Vila de Prado, em Vila Verde, empreitada que não preocupa o inglês. “Depois da qualidade demonstrada em Montemor-oVelho, estou certo de que com metade dos competidores parecerá fácil voltarem a ser muito bem-sucedidos. Vai correr tudo excelente, como aqui”.

O Feirense desperdiçou a oportunidade de ser líder isolado da I Liga de futebol, ao empatar 1-1 na receção ao Boavista, na terceira jornada da prova, permitindo ao Sporting de Braga ficar com a posição. Os ‘fogaceiros’, que ainda não tinham consentido qualquer golo à entrada para a ronda três, viram os ‘axadrezados’ adiantarem-se no marcador ainda na primeira parte por Falcone, aos 44 minutos, na conversão de uma grande penalidade. A resposta saiu dos pés do avançado da casa Edinho, aos 60, e numa altura em que os boavisteiros atuavam já com menos um jogador, devido à expulsão, aos 54, de Idris. Quanto aos bracarenses, e depois de terem desiludido na última ronda, empataram no reduto do Santa Clara, após terem estado a vencer ao intervalo por 3-0, conseguiram regressar às vitórias no Municipal de Braga, mas precisaram de inverter o resultado diante do Desportivo das Aves. Os avenses colocaram-se em vantagem através de Defendi, à passagem do minuto 52, porém a reação dos jogadores de Abel Ferreira não tardou, com dois antigos jogadores do Sporting a operarem a reviravolta: Wilson Eduardo, aos 60, e João Palhinha, aos 64. Dyego Sousa viria a fechar a contagem e somar o seu quarto golo na competição, aos 78.

Ronaldo quer “ganhar a Liga dos Campeões com a Juve”

Marcos Freitas conquista prata no Open da República Checa Marcos Freitas conquistou a medalha de prata na prova de Singulares do Open da República Checa, competição do Circuito Mundial que decorreu em Olomouc, ao perder na final por 2-4 (13-11, 6-11, 8-11, 11-7, 11-8, 11-6) com o chinês Peifeng Zheng. O olímpico português começou a perder, conseguiu recuperar para 2-1, mas foi derrotado nos três parciais seguintes. Até chegar à final, Marcos Freitas

(n.º 16 do ranking mundial) venceu o japonês Tomokazu Harimoto (n.º6) por 4-3, o austríaco Daniel Habesohn (n.º 53 por 4-1, o japonês Maharu Yoshimura (n.º 27) por 4-0 e o também nipónico Yuki Hirano (n.º 152) por 4-0. O resultado alcançado por Marcos Freitas abre boas perspectivas para o Campeonato da Europa individual que vai decorrer em Alicante (Espanha), de 18 a 23 de setembro.

O português Cristiano Ronaldo afirmou que quer “ganhar a Liga dos Campeões com a ‘Juve’”, numa entrevista difundida pela DAZN, a nova plataforma de ‘streaming’ que vai transmitir alguns jogos do campeonato italiano de futebol. O avançado que trocou o Real Madrid pela Juventus, por 100 milhões euros, acrescentou que se vai “concentrar [em ganhar a Liga], com os companheiros de equipa, sem que seja uma obsessão” e dando um passo de cada vez. “Depois veremos o que acontece, se é este ano, no próximo ou no seguinte”, acrescentou. O capitão da seleção portuguesa de futebol voltou a manifestar-se feliz com a mudança para Turim e com a qualidade da equipa, dias depois da estreia no campeonato ita-

liano, com uma vitória sobre o Chievo, por 3-2, em Verona. “Fiquei surpreendido de maneira positiva. Treinamos de forma dura, duas vezes por dia. Adoro os métodos de treino, a mentalidade. É muito, muito profissional”, disse o Bola de Ouro a propósito das primeiras semanas de trabalho no clube que se sagrou campeão de Itália nas

últimas sete épocas. Sobre a sua transferência, depois de se ter tornado o melhor marcador da história do Real Madrid ao longo dos nove anos que passou em Espanha, Ronaldo reafirmou que foi “uma decisão fácil”. “O que fiz no Real Madrid foi incrível. Ganhei tudo e fiz muitos amigos lá, são como família. Mas a ‘Juve’ mostrou que me queria mais do que qualquer outro. Deram-me uma oportunidade e eu fiquei muito feliz. Vou tentar fazer história também neste clube”, afirmou o goleador luso. A DAZN, que faz parte do grupo Perform, adquiriu os direitos de transmissão em Itália de três jogos da Serie A em cada jornada, em exclusivo e em ‘streaming’. Os restantes sete jogos são difundidos pela cadeia Sky.


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Extalento do “Madeira Club” vai jogar com os “Mineros” OSCAR SAYAGO

Os “Mineros de Guayana” contrataram o guarda-redes Edgar Pérez até dezembro deste ano. O objetivo desta nova assinatura é preencher a lacuna deixada por Luis Romero, que foi à procura de uma nova oportunidade no “Monagas SC”. Pérez com 31 anos de idade é um veterano na Primeira Divisão porque já passou pelas fileiras do “Deportivo Lara” em 2016, também jogou na “Union Lara FC”, “Trujillanos FC”, “Centro Ítalo”, “Deportivo Anzoátegui”, “Lara FC”, “Yaracuyanos FC”, “Llaneros EF” e “Madeira Club Lara”. Pérez vem de jogar com o “Chicó FC de Guayana”, equipa que chegou à final do torneio de apertura da Segunda Divisão. Por outro lado, o jogador do meio campo Pedro Valdés jogará como empréstimo com o “Deportivo Anzoátegui”. O Diretor Técnico do conjunto negro e azul, Juan Domingo Tolisano afirmou que está próximo o regresso do jogador do Panamá Miguel Camargo, com ele são duas novas aquisições para a equipa. Tolisano enfatizou o trabalho de Pérez, sendo uma boa aquisição para aperfeiçoar o trabalho de Mario Santilli.

DESPORTO | 23 Jhonder Cádiz não conseguiu vencer o Sporting

Atletas do Centro Português participaram no Campeonato Estadual de Águas Abertas

OSCAR SAYAGO / COM “EFE”

Desportistas do clube luso participaram na competição com a equipa de Natação Master Evolution OSCAR SAYAGO

No passado sábado, 11 de agosto, teve lugar na Bahía de Cata, estado Aragua, o esperado evento dos nadadores nacionais. O “Campeonato Estadal de Aguas Abiertas “ que contou com a participação de 200 nadadores de 23 clubes e instituições, nisto inclue-se a equipa de natação Master Evolução, que dispõe de atletas do Centro Português, Casa d’Italia Maracay, Venezuela Centro Italiano de Caracas e Hogar Hispano Maracay. Ao longo do dia os nadadores dos diferentes clubes mostraram um elevado nível desportivo, a maioria dos participantes era de Aragua, Bolívar, Carabobo, Cojedes, Distrito Capital, Guárico e Miranda. Os competidores participaram nas categorias de 1km, 3km e 5km, além das classes terem variado desde Under-10 até Master. A equipa Na-

tação Master Evolution demonstrou a sua habilidade levando para casa 13 medalhas (11 de ouro, 1 de prata e 1 de bronze). Entre os participantes estava Luis Alejandro Forero, de 33 anos, que conquistou a medalha de ouro no módulo de 3 quilómetros. Forero teve uma mar-

ca excelente, fazendo um tempo de volta de 49: 54.01 tendo superado todas as expectativas de todo o Master da categoria B, a medalha de prata cruzou a linha de chegada com um tempo de 1 hora 01 minutos e 7 segundos e o bronze chegou a ter um tempo de 1: 09: 26.73.

O Sporting de Lisboa somou mais uma vitória depois de derrotar o Vitória de Setúbal no passado sábado, 18 de agosto. A vitória dos Leões ocorreu graças à atuação de Nani, que marcou dois golos pela equipa, somando assim duas vitórias e permanecendo no topo da tabela da classificação. No dia do jogo, Nani, que regressou esta época ao Sporting depois da sua participação no Valencia e Lazio, demorou apenas 9 minutos em colocar a sua equipa na frente. Os dois golos do extremo português permitiram ao Sporting de Portugal somar três pontos no jogo em casa frente ao Vitória de Setúbal 2-1, e empatar com o Benfica no topo da tabela. A derrota deixa o Vitória de Setúbal sem fôlego, onde a participação de Jhonder Cadiz, apesar de persistente, não foi suficiente contra os imponentes leões. Cadiz atualmente joga como atacante e é titular, sexto com três pontos, visto ter ganho o seu primeiro jogo. O jogador tem tido uma ampla participação em equipas portuguesas, passando pelo CF União, CD Nacional e Moreirense FC, para estar atualmente com o Vitória.

Leonardo Jardím revelou as novas aquisições para o Mónaco

Representantes de equipas lusas convocados para enfrentar a Colômbia e o Panamá

OSCAR SAYAGO

OSCAR SAYAGO Para o próximo mês de setembro, a “Vinotinto” enfrentará um novo desafio internacional. Nesta ocasião, a “Federación Venezolana de Fútbol (FVF)” publicou uma lista que inclui 24 jogadores que irão enfrentar as seleções da Colômbia e Panamá, ex-participantes da Copa do Mundo 2018. Estes encontros terão lugar na sextafeira, dia 7 de setembro, e na terça-feira, dia 11 de setembro, na cidade de Miami, nos Estados Unidos. Estes jogos fazem parte do início da preparação para a próxima Copa América Brasil 2019, e também para a qualificação ao Mundial Qatar 2022. Na lista há 21 jogadores que jogam no exterior e 3 no futebol venezuelano. Mas destes 24 jogadores existem dois que participaram com grandes equipas portuguesas da Primeira Divisão: Yordan Osorio no Vitória de Guimarães e Jhon Murillo em C.D Tondela.  Osorio chegou ao Vitória em julho do

No último sábado, 4 de agosto, o Mónaco teve uma vitória esmagadora contra o PSG e, com quatro golos dos seus jogadores, conseguiu superar a equipa francesa. Neste jogo destacou-se Angel Di Maria pelos seus golos nos minutos 33 e 92, Christopher Nkunku (40) e Timothy Weah (67). Neste jogo está planificado usar o jogador colombiano, Falcão, para ganhar uma vantagem no controlo da bola, mas Jardim desistiu alguns dias antes. “Falcão vai perder-se no jogo deste sábado. Ele só participou em quatro sessões de treino na pré-temporada. Não vamos arriscar para que o magoem. Temos muitos jogos em agosto”, disse Jardim. Esta vitória serviu para reafirmar o objetivo da equipa, que sabe muito bem o que fazer que é parar a supremacia do PSG na França. Para isso, o grupo liderado por Leonardo Jardim investiu 150 milhões de euros em reforços, entre os quais se

destacaram tanto jogadores europeus como latino-americanos. O Mónaco não ficou para trás no mercado de verão e contratou 10 novos jogadores: o russo Aleksandr Golovin (30 milhões), Geubbels (20 milhões), Aholou (14 milhões), Pelé (10 milhões), Barreca (10 milhões), Pierre -Gabriel (6.000.000), Grandsir (3.000.000), Panzo (3.000.000), Diop (livre) e Isidor (livre).

ano passado e, ao longo do mês, tem vindo a demonstrar grande talento. Yordan Osorio tem participado em diferentes equipas de futebol profissional. No futebol nacional participou com o “Zamora FC”, no qual jogou vários jogos. Por outro lado, jogou com o Tondela de Portugal, com um contrato que uniu o jogador com a equipa lusa por um período de quatro anos.


Edição n° 746 • Ano 19 • dEpósito LEgAL: 199901dF222 • Bs.s. 2

Sexta-feira 31 de agosto de 2018

Correio de Venezuela

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“ENBUENASMANOS”

“Eu vendia arepas a noite toda” José Teixeira da Silva, que todos conhecem como “Fino Fino”, tem 47 anos na esquina Dolores em Quinta Crespo DELIA MENESES

As paredes forradas de cerâmica, a velha máquina de café, as cadeiras giratórias, uma pia do lado de fora do banheiro. Tudo naquele pequeno restaurante na esquina Dolores, em Quinta Crespo, remete a tempos passados. Aquele que chega e pergunta pelo Sr. José Teixeira da Silva receberá um longo silêncio em resposta. Durante décadas, amigos, clientes e conhecidos batizaram-no como “fino fino”, uma expressão do dicionário venezuelano que este madeirense adotou como sua. “Fino, fino”, foi, e continua a ser, a sua forma de responder a quase qualquer pergunta, uma forma de deixar em evidência o seu otimismo e alegria, de confirmar que está tudo bem, apesar das dificuldades Desde que chegou a Venezuela, há 52 anos, nunca mais voltou à sua terra natal Ponta do Sol. No entanto, José mantém o sotaque português, também a simplicidade e aquela característica tão comum entre os lusitanos: evita falar de política. A sua esposa, María Nunez, deixou a Serra da Água nos anos 70, fugindo da fome e do trabalho forçado. “Naquela época não havia água ou luz, não voltei desde que saí.” “Fino, fino” começou como empregado num pequeno restaurante localizado na esquina de San Francisco, na Avenida Universidad, em frente ao Parlamento, despachando cafés e empanadas. Uma vida de trabalho, sempre com a esperança de ser recompensado por uma clientela que mais tarde seria fiel. E conseguiu. —Como era Caracas quando chegou? —Cheguei no dia 19 de janeiro de 1967, havia muitos poucos edifícios. Nesse ano, em julho, ocorreu o terramoto que atingiu Caracas e o Litoral.

—Qual é a maior aprendizagem que esse trabalho lhe deixou? —Neste pequeno restaurante na esquina Dolores tenho 47 anos. Aqui aprendi a ser otimista. A ter boa cara apesar do mau tempo. —Quais são as dificuldades que tem que enfrentar? —A insegurança tem alterado as minhas rotinas. Agora todos os dias parecem feriado, as ruas estão solitárias. Não há ambiente de trabalho. —O que mudou ao longo do tempo? —Muito. Este estabelecimento não fechava. Eu vendia arepas a noite toda. Havia muito movimento aqui, muitas pessoas circulavam por causa da proximidade com o Mercado de Quinta Crespo. Depois, a partir da década de 80 começamos a fechar às 2 da manhã, depois à meia-noite, depois às 9 da noite e agora às 3 horas da tarde estou a fechar as portas. —Como vê o futuro? —Toda a minha família saiu, isto é um indicativo de que algo não está bem. Tenho 30 parentes que foram embora para o Chile, 9 para a Madeira, 4 para o Panamá, 2 para a Argentina e 2 para o Equador. Ainda estão comigo duas filhas e três netos. —O melhor que a Venezuela tem? —O bom humor do seu povo —E o que devemos mudar? —Tem-se perdido o respeito e as boas maneiras —Que lembranças tem da sua terra de origem? —Aquilo que mais recordo é a casa onde nasci e onde cresci na Ponta do Sol.

—Do que é que mais gosta no seu trabalho? —Servir aos meus clientes, conversar e fazer amigos

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