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Médicos luso-venezuelanos apoiam compatriotas -P5

EDIÇÃO N° 741 • ANO 19 • DEPÓSITO LEGAL: 199901DF222 • BS. 50.000

Sexta-feira 27 de Julho de 2018

Correio de Venezuela

@correiodvzla

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COMUNIDADE República garante transferência de verbas para a Madeira -P3

PORTUGAL

Governo Regional mantém proximidade com madeirenses -P4

Fórum Madeira Global reúne-se no final do mês

CULTURA

Embaixada e consulados reforçam meios no terreno Tudo pronto para o Festival de Folclore Português O evento esperado por toda a comunidade lusa realiza-se no próximo domingo dia 29 de julho nas instalações do Centro Social Madeirense, em Valencia, estado de Carabobo. Está já confirmada a participação de seis grupos nesta nova edição. P16-18 PUB

José Luís Carneiro fez uma visita de quatro dias à Venezuela, onde manteve reuniões em Valência, Maracay e Caracas Portugal envia para Venezuela mais cinco funcionários que vão prestar serviço na representação diplomática na capi-

tal e nos consulados de Caracas de Valência. Em menos de um ano mais de 6.500 portugueses regularizaram a sua situação

“O Português é uma língua com presente e futuro” O presidente do Instituto Camões manifestou-se satisfeito e surpreendido com a evolução do Ensino da Língua Portuguesa na Venezuela. Luís Faro Ramos

reafirmou que o Português é o único idioma global com presente e futuro na atual conjuntura político-social da América Latina. P5

Representantes de diversos países da Diáspora estarão neste final de mês na ilha da Madeira, em mais uma reunião do Fórum Global, para debater e encontrar soluções que possam minimizar os problemas que hoje afetam a vasta comunidade de madeirenses que vive pelo mundo. P15

DESPORTO

legal e os pedidos de nacionalidade, entre outros serviços, têm aumentado exponencialmente. P3

Dany Alves está de regresso ao Marítimo O futebolista internacional português, nascido em Venezuela, mas que começou a sua carreira no Marítimo da Madeira, está de volta ao maior clube das ilhas. P22


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2 | DESTAQUES FRASE DA SEMANA

CIFRAS DA SEMANA

5.828

foi o número de pedidos de nacionalidade feitos por luso-venezuelanos entre 2017 e março de 2018

ALBUM CORREIO

LUÍS FARO RAMOS

1.3

milhões de euros deixou de receber Portugal entre janeiro e junho de 2018 de receitas da Venezuela

PRESIDENTE DO INSTITUTO CAMOES

“Tive uma boa sensação durante esta visita e isto comprova que o investimento do Instituto Camões no ensino e na promoção do português na Venezuela valeu a pena. Fiquei muito satisfeito ao ver com meus próprios olhos o que me diziam que estava a acontecer”

PEDRO GONÇALVES

CÔNSUL HONORÁRIO DE PORTUGAL EM LOS TEQUES

FOTOFLASH

“Há alguns lusodescendentes que procuram melhores destinos noutros países, mas a maioria está aqui com os seus pais e ainda estão comprometidos com o esforço e a dedicação”

Regressar a casa. Decorriam os anos do glorioso Marítimo da Venezuela: os fãs enchiam os estádios e os mais pequenos pareciam tornar-se grandes estrelas do futebol. Precisamente entre aqueles jovens havia um que, enquanto juntava as bolas que saiam do campo, traçava na sua cabeça o plano para conseguir alcançar o objetivo de se tornar um dos maiores jogadores do desporto-rei. Falamos de Danny Alves, o menino que na imagem aparece parado ao lado do guarda-redes. Rapidamente, o Marítimo pôs os olhos nele e o resto já é história: depois de jogar no clube verde-rubro, fez uma carreira de sucesso no Sporting, Dynamo e Zenit, tornando-se o primeiro lusodescendente a usar a camisa portuguesa no Mundial de Futebol. Agora o luso-venezuelano carregará com orgulho as cores que o levaram a todo o mundo.

JOSÉ LUÍS FERREIRA PRESIDENTE ACADEMIA DO BACALHAU CARACAS

“Tenham fé e esperança. O pessimismo atrai negativismo. Se pensarmos em coisas boas, tudo vai correr bem. Não vamos deixar as nossas instituições de lado”

CARTAS DO LEITOR

Rif.: J-40058840-5

Diplomacia de altura. Costuma-se dizer que em tempos de dificuldade é que vemos quem são os verdadeiros amigos. Nas últimas semanas, acompanhamos as visitas à Venezuela por parte do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, e do Secretário de Educação da Madeira, Jorge Carvalho. Embora seja verdade que as autoridades têm marcado presença constantemente nos últimos tempos, não podemos deixar de avaliar positivamente as visitas recentes, pois demonstram o crescente interesse pela situação em que se encontram os portugueses em todo o país latino-americano. Representantes do Governo de Portugal e da Madeira têm saído da sua zona de conforto, e não apenas visitar a cidade de Caracas, mas também fazer uma turné pelas diferentes cidades da Venezuela, que é, certamente, o que lhes permite ter uma visão muito mais ampla da realidade dos luso-venezuelanos. Parte deste trabalho deve-se à visão do atual embaixador de Portugal na Venezuela, Carlos Nuno Almeida de Sousa Amaro, que desde a sua chegada no país tem trabalhado incansavelmente para Portugalidade, mantendo contactos permanentes com representantes da comunidade no país e informando as autoridades portuguesas do que se vive nesses locais. Trabalho em equipa que só pode ser destacado e apreciado.

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Orgulhosos do nosso CP

A Caracas bonita…

Amigos do CORREIO: É com orgulho que escrevo esta carta para destacar mais uma vez as conquistas do nosso Centro Portugués de Caracas. Como já é habitual, a nossa instituição continua a trabalhar duro para se destacar nas iniciativas mais variadas que têm algum tipo de representação: esta semana testemunhou o triunfo da nossa equipa de futebol de salão no Torneio Gatorade Futsal 7, entre mais de 60 equipas de alto nível. Não menos importante foi a vitória no Festival de Teatro Interclubes 2018, em que o nosso LusoScena não só trouxe o primeiro lugar na competição, mas também outros reconhecimentos para seus atores, iluminação e direção. Para além das nossas belas instalações e o poder económico de algumas pessoas da nossa massa associativa devem ser este tipo de conquistas, grandes ou pequenas, que devem orientar a caminhada da nossa casa. Os que pertencem à família Centro Portugués devem entender que o que nos faz grandes não é o dinheiro ou os nossos grandes eventos, mas a nossa capacidade de trabalhar em conjunto para alcançar objetivos comuns. Vamos incutir esses valores nos nossos filhos. Maria Angela Da Silva Gomes

Nas últimas semanas, os ‘Caraqueños’ temos assistido a numerosas iniciativas de recuperação de espaços públicos em várias áreas da capital venezuelana. Fiquei impressionada com o número de pessoas que estão na limpeza das ruas, raspagem e pintura das paredes, levantamento e colocação de novas calçadas. Embora seja verdade que estas iniciativas são as que menos os governos devem promover entre as suas funções, também é verdade que às vezes eles esquecem completamente esses programas. Enquanto resolvem grandes problemas da vida cotidiana, eles ajudam a que desenrolemos as nossas vidas num ambiente melhor. Já existem muitos problemas que enfrentamos todos os dias: por que todos nós devemos reconhecer o trabalho e juntarmo-nos em qualquer iniciativa que procura salvar o nosso património: pode ser mesmo da autarquia Libertador, de Baruta ou uma ONG que promove estas recuperações. São dignas de serem apoiadas! É hora de deixar de lado as diferenças e unir-nos para viver o nosso objetivo de recuperar o que é nosso juntos e construir uma melhor Venezuela, com progresso, paz e união, dando o devido valor ao negócio. Lucinda Praceres

Diretor Aleixo Vieira Gerente: Sergio Ferreira Soares Endereço: Av. Veracruz. Edif. La Hacienda. Piso 5, ofic. 35F. Las Mercedes, Caracas. Telefones: (0212) 9932026 / 9571 E-mail: editorial@correiodevenezuela.com

Chefe de redação Sergio Ferreira |Jornalistas Oscar Sayago, Ommyra Moreno, Jean Carlos Abreu, Delia Meneses, Antonio Da Silva |Correspondentes Edgar Barreto (Falcón), José Manuel De Oliveira (Falcón), Carlos Balaguera (Carabobo), Trinidad Macedo (Lara), Silvia Gonçalves (Bolívar), Mariana Santos (Nueva Esparta), Luis Canha (Mérida), Carlos Marques (Mérida), Antonio Dos Santos (Zulia) |Colaborações Catanho Fernandes, Sónia Gonçalves, Cristina Da Silba Bettencourt, Arelys Gonçalves, Antonio López Villegas, Isabel Idárraga, Serafim Marques, António Delgado, Daniel Bastos, Ana Cristina Monteiro |Paginação Franklin Lares |Fotografia Agostinho Perregil |Administração Jesús Quijada, M. Liliana Batista |Distribuição Luis Alvarado, Carlos A. Perregil R. |Tiragem 15.000 exemplares |Fontes de Informação Lusa, Diário de Notícias, DN Madeira, Portuguese News Network e outras publicações.


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Governo garante verbas de apoio a emigrantes na Venezuela que se fixam na Madeira O Governo assume a transferência de verbas como “um compromisso vinculativo e rigoroso que será cumprido” AGÊNCIA LUSA

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas garantiu que o Governo vai cumprir com a verba prometida ao Governo Regional da Madeira para apoio aos emigrantes portugueses que regressam da Venezuela, devido à instabilidade económica e social. José Luís Carneiro salientou que o Governo assume a transferência de verbas como “um compromisso vinculativo e rigoroso que será cumprido” e sublinhou “a cooperação inexcedível entre as cinco secretarias regionais da Madeira e 10 secretarias de Estado do Governo da República”. Em reacção à observação realizada pelo presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, de que não foram ainda transferidas as verbas de apoio, o secretário de Estado reiterou que o Governo “estaria, estava, está e continuará a ser solidário com os portugueses que decidam regressar ao seu país de origem”. O membro do Governo afirmou que o Orçamento de Estado (OE) para este ano consagra uma verba “que pode ir até 1,5 milhões de euros para prestações eventuais para famílias carenciadas” que deixam Venezuela, para retornarem a Portugal. José Luís Carneiro lembrou a reunião entre Secretaria Regional da Saúde e o Governo, realizada em 9 de Maio, na qual, sublin-

hou, “foi reiterada a disponibilidade inscrita em sede de OE para atribuir subsídios eventuais às famílias carenciadas na Venezuela”. “O que foi afirmado é que o Governo da República apoiaria até ao limite de um milhão de euros despesas que fossem comprovadas e como efeito dos cidadãos portugueses na Venezuela, num trabalho conjunto da Secretaria Estado da Saúde com a Secretaria Regional da Saúde”, disse o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, à margem da visita ao Centro de Atendimento Consular para Espanha, em Lisboa, juntamente com a secretária de Estado da Modernização Administrativa, Graça Fonseca. O governante explicou que “o compromisso do Governo em relação a essa matéria, como foi sublinhado, mantém-se”, mas notou que “primeiro é preciso fazer a demonstração do impacto” na Madeira. “Há uma responsabilidade que é dos serviços regionais da Madeira, ou seja, têm de transmitir às autoridades nacionais aqueles que são os impactos efectivos e concretos em resultado da deslocação de cidadãos portugueses com origem na Venezuela. Validados que estejam esses números, o Governo da República transferirá, ou reforçará no caso da Segurança Social, os apoios previstos”, assegurou. Sem prazos definidos, José Luís Carneiro

Regresso de luso-venezuelanos contribuiu para aumento de 10,0% na população estrangeira residente na RAM

notou que, “no caso da saúde, pode levar a que a transferência possa não ocorrer em 2018, seja validada este ano para efeitos de transferência em princípios de 2019, comprovado o respectivo impacto na estrutura de saúde da Madeira”. O secretário de Estado assinalou ainda que “houve um aumento nas transferências sociais de 2015 até final de 2016 na ordem de 27%”.

Os dados fornecidos pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) indicam que, a 31 de Dezembro de 2017, a população estrangeira residente na Região Autónoma da Madeira (RAM) totalizava 6 720 pessoas (mais 10,0% que em 2016), distribuídas entre detentoras de títulos de residência (6 692) e de vistos de longa duração (28). Os nacionais da Venezuela (14,4%), Reino Unido (14,2%), Brasil (12,1%), e Alemanha (7,0%) continuam a representar as principais comunidades estrangeiras a residirem na Região. A nacionalidade venezuelana voltou a apresentar em 2017 um assinalável incremento (+38,0%) no número de estrangeiros detentores de títulos de residência a residir na Região (703 em 2016 e 970 em 2017).

Miguel Albuquerque espera verbas do Estado para apoiar emigrantes “criollos” O presidente do Governo Regional da Madeira disse que o este executivo ainda não recebeu a verba prometida pelo Governo da República para apoio aos emigrantes que regressam da Venezuela devido à instabilidade socioeconómica vivida no país. “Houve uma reunião [em janeiro] com o secretário de Estado [das Comunidades Portuguesas], José Luís Carneiro, uma pessoa que eu conheço e que costuma cumprir a sua palavra e, com certeza, que parte dessa verba vai vir”, afirmou Miguel Albuquerque, vincando, no entanto, que o milhão de euros prometido “ainda não veio”. O presidente do Governo Regional falava na paróquia do Piquinho, em Machico, na zona leste da Madeira, à margem de uma cerimónia religio-

sa de homenagem aos 30 anos sacerdotais do padre Alexandre Mendonça, capelão da Missão Católica Portuguesa em Caracas. “Faço fé, porque em questões destas, de cariz humanitário, o mínimo que se exige de um Governo é que cumpra”, disse, sublinhando que “as coisas estão mais ou menos definidas” e que, enquanto a transferência de verbas não ocorre, o executivo madeirense “vai adiantando” os apoios aos emigrantes, “porque é isso que temos que fazer”. As autoridades regionais estimam que mais de 4.000 emigrantes da Venezuela já regressaram ao arquipélago desde 2017, sendo que o apoio governamental incide sobretudo ao nível da educação, saúde e habitação.


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Portugal acolherá emigrantes que desejem regressar da Venezuela Receita consular que é cobrada no país vai ser usada pelos postos diplomáticos les que o queiram fazer”, disse. Portugal acompanha com partiO governo recomendou, no encular atenção a situação dos por- tanto, que os portugueses que tugueses que vivem na Venezue- desejem regressar contactem as la e está na disposição de câmaras municipais das loapoiar os emigrantes calidades onde pretenque desejem regresdem residir. sar, disse hoje à Lusa “Em jeito de bao secretário de Estalanço eu queria condo das Comunidasiderar esta visita pedidos de des Portuguesas. como muito positinacionalidade “Portugal tem os va, porque permitiu entre 2017 e braços abertos aos ‘in loco’ averiguar as março de 2018 que querem regressar condições de trabalho ao nosso país, à Madeira dos serviços consulares, e ao continente. Dentro em avaliar as condições de opebreve vamos anunciar, nos pos- ração do nosso movimento assotos consulares e na embaixada, ciativo e ainda os termos em que a as oportunidades de emprego língua portuguesa está a ser mique há em Portugal, para aque- nistrada nas escolas e nas univerAGÊNCIA LUSA

5.828

sidades venezuelanas”, disse. Com relação às questões diagnosticadas, disse foram tomadas decisões muito relevantes, como o envio uma missão de serviço público que durante 60 dias estará concentrada no despacho dos pedidos de nacionalidade. Nesse sentido precisou que entre 2017 e 31 de março de 2018 foram deferidos 5.828 pedidos de nacionalidade a luso-venezuelanos e que neste momento há 900 pedidos em atraso nos consulados de Caracas e Valência. Por outro lado, vai ser aberto “o procedimento de concurso público

para a admissão de cinco novos funcionários consulares. Dois para o Consulado de Caracas, dois para o de Valência e um para a Embaixada de Portugal em Caracas”. “Foi possível atribuir apoios financeiros, na ordem dos 60 mil dólares a instituições do movimento associativo, que cuidam do apoio solidário a idosos e que também cuidam do apoio no domínio médico, da saúde e alimentar”, disse. “Gostaria de sinalizar os passos relevantes que se deram na identificação também de cidadãos que carecem de apoio social para ido-

sos e emigrantes carenciados”, frisou, após uma reunião com beneficiários do apoio de Lisboa. Durante a visita José Luís Carneiro insistiu que o Governo português decidiu manter a tabela de taxas e emolumentos consulares, “o que significa que em 2016 e 2017, o Estado português deixou de arrecadar 8 milhões e 200 mil euros de taxas consulares e entre janeiro e junho de 2018 deixamos de arrecadar 1,3 milhões de receita consular da Venezuela” pelo que “um passaporte custa cerca de 50 cêntimos, um cartão de cidadão 18 cêntimos”.

temos entre 4 a 4,5 mil madeirenses e lusodescendentes na Região, sendo que muitos destes possuem habitação própria. Estes são de diferentes faixas etárias: cerca de 600 crianças e jovens, 2.000 de idade mais avançada e ainda uma faixa mais avançada que procura investir num negócio rentável. Há ainda os que procuram emprego e até conseguem arranjar. Para todos, há apoios do Governo Regional, mediante diversos canais que

têm vindo a ser desenvolvidos. Nós, pela nossa parte, vamos apoiando o setor da Educação com ensino, apoio social, habitação, emprego e iniciativas de empreendedorismo. Tentamos sempre responder a cada caso isoladamente. —¿Que mensagem deixa à comunidade madeirense no pa+is? Deixo uma mensagem de esperança e otimismo. Acreditem que este país fantástico vai melhorar.

ENTREVISTA / JORGE CARVALHO

“Acreditem que este país fantástico vai melhorar” SERGIO FERREIRA SOARES

Proximidade e sensibilidade. São estas as palavras que melhor definem a postura do Secretário Regional da Educação, Jorge Carvalho, durante a sua primeira visita à Venezuela, durante a qual teve contactos com empresários, líderes associativos e a comunidade lusa que reside no país. O interesse demonstrado em conhecer os problemas de cidadania em cada um dos locais que visitou foi apenas um pequeno sinal do seguimento feito pelo Governo da Madeira à situação vivida na nação latinoamericana. Em entrevista ao CORREIO, Carvalho fez um balanço dos seus três dias no país, enviando uma mensagem de esperança à comunidade.

—¿Que balanço faz da visita que fez ao país? —O balanço é positivo. Em primeiro lugar, porque é sempre bom e importante estar junto da nossa comunidade. Também foi positivo encontrar, apesar das dificuldades e contingências, uma comunidade consistente, uma comunidade resiliente e com muita esperança. Basicamente, a mensagem que trazemos é uma mensagem de esperança, uma mensagem de atenção, pois o Governo Regional da Madeira está atento e disponível para apoiar as suas comunidades. Entendemos que a comunidade quer viver tempos melhores, de prosperidade e sucesso. —Que apoios traz em nome do Governo Regional? —Fizemos um total de dez mil eu-

ros de donativos, que pretendem apoiar essencialmente instituições que têm uma responsabilidade social muito grande: a Academia do Bacalhau de Caracas, o Lar Padre Joaquim Ferreira, Geriátrico Luso Venezolano de Maracay e o Santuário Virgem de Fátima de Carrizal. São instituições que têm tentado ajudar os portugueses e os lusodescendentes que precisam de apoio, pelo que temos este gesto de apoio à gestão que têm vindo a desenvolver. —Qual é a situação atual dos cidadãos que regressaram à ilha? —Temos recebido, de braços abertos, muitos cidadãos venezuelanos. Alguns regressaram logo para a Venezuela ou foram para outros destinos. Contudo, há um número importante em flutuação:


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VENEZUELA | 5 Médicos lusodescendentes criam rede na Venezuela para portugueses em cinco regiões do país AGÊNCIA LUSA

Presidente do Instituto Camões visitou a Venezuela Luís Faro Ramos mostrou-se surpreendido pelo crescente interesse na língua portuguesa SERGIO FERREIRA SOARES

O presidente do Instituto Camões, Luís Faro Ramos, visitou a Venezuela com o objetivo de realizar uma série de encontros que lhe permitirão verificar o crescimento da língua portuguesa no país. Durante a sua visita, o representante da entidade máxima da língua portuguesa em Portugal esteve presente nas cidades de Maracay, Valencia e Caracas, mostrando-se orgulhoso pelos progressos realizados nos últimos anos. “Saber que a língua tem uma procura crescente é muito gratificante. Saber que os descendentes de portugueses têm demonstrado novamente interesse pelas aulas de português e pela sua aprendizagem é uma fonte de satisfação. Tive a oportunidade de visitar a Universidade de Carabobo com a qual assinei um protocolo de ensino de português à distância para formação de professores. Com o Upel, já temos um protocolo assinado para a formação de professores portugueses. A escola de San Agustín é uma instituição particular onde a língua também é muito popular. Aqui, no Centro Português, estive com alunos e professores, verificando o grande interesse que existe. Outro dado importante é que a partir de setembro as autoridades venezuelanas começarão com seis turnos de 150 pessoas que aprenderão português na educação pública venezuelana. Ou seja, existem instituições venezuelanas interessadas, a nível universitário e como de colégios. Tanto ao nível de quem ensina como de quem aprende, acredito que há uma dinâmica muito boa na Venezuela”, declarou ao CORREIO. Apesar dos avanços, o presidente do Instituto apontou algumas dificuldades. “A primeira é a falta de manuais, perante a qual o Instituto Camões tem-se esforçado para enviar materiais. O segundo é a falta de professores, que estão tentando su-

perar através da formação de professores aqui na Venezuela, que poderão depois dar aulas aos lusodescendentes e falantes de espanhol que queiram aprender português como língua estrangeira”, observou o dirigente. Quanto às abordagens feitas por Lidel e Porto Editora à Venezuela, Luís Faro Ramos explicou que ambas as editoras são aliadas do Instituto Camões. “Ao mesmo tempo que praticam a sua atividade empresarial, ajudam o instituto e as instituições portuguesas na promoção da nossa língua. Eu sei que eles deram muitos recursos aos países da diáspora onde há muita procura por portugueses. É por isso que eu acho que eles mantêm o interesse de acompanhar esta comunidade, dadas as suas proporções e relevância”, explicou. “Tive uma boa sensação durante esta visita e isto comprova que o investimento do Instituto Camões no ensino e na promoção do português na Venezuela valeu a pena. Fiquei muito satisfeito ao ver com meus próprios olhos o que me diziam que estava a acontecer, mas uma pessoa fica com a noção exata quando vê no terreno. No Colegio San Agustín, senti-me muito orgulhoso ao ouvir os jovens dizerem que acreditam no português como língua do presente e do futuro. Por isso, eu estou muito satisfeito com a minha primeira visita”, argumentou o diplomata. Acrescentou ainda uma mensagem para a comunidade: “Continuem a apostar e a aprender uma língua que é global, a mais falada em quinto lugar no mundo, a terceira no Facebook mais utilizada e a primeira no hemisfério sul. Vale a pena por motivos de cultura, comunicação e família, mas também por razões de futuro como língua da economia e eficiência das organizações internacionais. Uma linguagem global que cada vez mais será uma língua mais viva e espalhada pelo mundo”.

“Tive uma boa sensação durante esta visita”

A Associação de Médicos Luso-venezuelanos, Assomeluve, vai pôr em marcha uma rede médica portuguesa centrada em atender as necessidades prioritárias de saúde dos compatriotas. O projeto, que conta com o apoio do Governo português, da Embaixada de Portugal na Venezuela e dos consulados locais, pretende ainda encontrar soluções para a crise, num país onde faltam frequentemente medicamentos e bens alimentares de primeira necessidade. “A nossa missão é estabelecer as necessidades prioritárias dos portugueses na Venezuela, e prestar atenção médica geral e especializada”, explicou à Agência Lusa a porta-voz da Assomeluve. Clara Maria Dias de Oliveira, gastrenterologista, precisou que o projeto, que arranca a 23 de julho, foi o resultado de um “estudo muito minucioso” e que vai começar em cinco regiões da Venezuela, no

Distrito Capital (Caracas, Miranda e Vargas) e nos estados de Lara, Bolívar, Carabobo e Anzoátegui. “Temos conhecimento de que há muitos casos de portugueses em necessidade extrema e que o projeto vai ter um impacto muito importante na saúde deles”, explicou, sublinhando que além dos consulados a própria comunidade lusa vai ser de ajuda no sentido de facilitar o acesso dos compatriotas à rede médica lusovenezuelana. Por outro lado, o embaixador de Portugal em Caracas, Carlos de Sousa Amaro, explicou à Agência Lusa que está dado “o primeiro passo” para começar a atender, em breve, “a comunidade portuguesa mais carenciada em termos de apoio na área da saúde”. Segundo o diplomata essa atenção “é muito importante porque há pessoas que pura e simplesmente não se podem dirigir aos hospitais; que precisam de ser ajudadas, que padecem de várias doenças e que precisam de acompanhamento”.

Portugal pede Venezuela “respeito pelas regras básicas da economia” O ministro dos Negócios Estrangeiros português pediu ao enviado especial da Venezuela o respeito pelas regras básicas da economia, designadamente da “pequena economia, que é essencial à vida quotidiana dos venezuelanos, é absolutamente essencial para que haja qualquer relacionamento possível com Portugal”. A posição do Governo português foi transmitida por Augusto Santos Silva ao enviado especial para as relações com a União Europeia (UE), designado pelo Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, num encontro que decorreu em Lisboa, adiantou o ministro aos deputados da comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas. “Nós continuamos a insistir que a comunidade portuguesa residente na Venezuela tem funções absolutamente essenciais na distribuição e pequeno comércio e não pode ser vítima de imposições administrativas de preços ou de

violações grosseiras da lei e dos contratos, que impedem o funcionamento de qualquer economia organizada”, referiu Santos Silva. O Governo português entende que a situação económica e social continua “a degradar-se” na Venezuela e que, “havendo alguns sinais do ponto de vista político, eles são muito insuficientes”, disse. A UE “tem um relacionamento com a Venezuela que está para lá dos ciclos políticos internos ao universo latino-americano”.


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Conselheiros concentram-se no trabalho social: “ajudar os portugueses mais necessitados” Representantes da comunidade expressaram satisfação pelo que fazem, embora estejam “limitados” JEAN CARLOS DE ABREU

“Ajudar os portugueses mais necessitados” tem sido o slogan dos seis conselheiros das Comunidades Portuguesas, na Venezuela, que trabalham arduamente pelos lusos que estão fora das suas terras. Certamente, não é um trabalho fácil, uma vez que estas pessoas que são representantes do governo português noutras fronteiras não recebem ajuda monetária, pois fazem tudo com recursos próprios. No entanto, eles expressaram satisfação pelo que fazem, embora estejam “frequentemente limitados”, seja por causa da situação atual na Venezuela ou por causa de outros fatores, como a insegurança. “As pessoas às vezes acreditam que isso é mais fácil do que parece, acham que se tem um poder de ação mas não é assim, os conselheiros são um órgão de consulta do governo português”, disse Fernando Campos, conselheiro das Comunidades Portuguesas, seção Venezuela. Afirmou que durante quase três anos no cargo, “muitas vezes o trabalho é difícil, pois o trabalho que desenvolvemos é por conta própria, nós nos financiamos, não recebemos ajuda financeira de Portugal, é muito difícil chegar perto de todas as áreas onde estão os portugueses”. Comentou que muitas das ajudas que o governo de Portugal envia aos seus cidadãos

resulta de trabalho desenvolvido pelos conselheiros. “Um homem que teve problemas com a bateria no seu marca-passo (aparelho para regular batimentos cardíacos), recebeu apoio. Trouxe a bateria e foi operado na Venezuela”, lembrou a título de exemplo. “Queremos levar a ajuda a mais pessoas, mas é limitada”, disse, enquanto instava os lusos que estão no país a abordar os consulados em Caracas e Valencia. “Não perca a

esperança, o governo português não pode resolver todos os problemas, mas nos apoiam nas coisas de extrema necessidade”, assegurou. Campos criticou o facto de muitos portugueses com capacidade económica para resolver as suas situações “tentam procurar um apoio que não precisam realmente. Isso acaba por prejudicar as pessoas realmente necessitadas”.

ABRIR MAIS CONSULADOS HONORÁRIOS O conselheiro para a região centro-oeste da Venezuela, Leonel Moniz, disse que fizeram grandes progressos na área: “Fátima Ponte e eu fomos os primeiros conselheiros escolhidos pela comunidade”, afirmou. Como comenta, os dois propuseram a criação de consulados honorários em localidades onde a comunidade portuguesa está concentrada, pois muitas vezes é difícil para os funcionários conseguirem mudarse para estes locais. Acrescentou que têm sido disseminadores de informações que são de interesse para a comunidade e comentou que abriram redes sociais para serem multiplicadores dos dados. As pilhagens que tiveram lugar em 2017, no estado de Carabobo, afetaram muitos portugueses. Nesse sentido, os conselheiros daquela cidade eram atendidos pelo chanceler venezuelano na época, para expor o ocorrido. “Uma semana depois da reunião, tivemos encontros novamente no Consulado de Portugal em Valência com o diretor da entidade Cicpc, que é descendente, e os funcionários, que atenderam os empresários portugueses que ficaram com os seus estabelecimentos rebentados”, recordou. Moniz sublinhou que “conseguimos que o governo português intercedesse com o seu homólogo venezuelano para fossem concedidos créditos através de três entidades bancárias estatais”.

PEDRO GONCALVES:

“A comunidade precisa de estar mais unidade do que nunca” OSCAR SAYAGO

Atualmente reside na Venezuela uma grande diáspora de portugueses, todos assentados em diferentes regiões do país, e à semelhança da restante população crioula, sofre com o dia a dia que acomete o país. A lista de inconvenientes que pode acometer uma pessoa no seu dia normal de trabalho é enorme. Medicamentos, alimentos, falta de dinheiro e decadência nos transportes públicos são alguns dos problemas sofridos pela comunidade. Entre as regiões da Venezuela, há uma em particular que é caracterizada como sendo a área povoada mais alta do estado de Mi-

randa, e de certo modo só seu nome se destaca pelo seu caráter montanhoso em oposição a outras regiões. Falamos dos Altos Mirandinos. Nos últimos anos, esta região do país tem sofrido muito no setor comercial e industrial, já que possui um grande número de estabelecimentos comerciais. Por este motivo, o CORREIO falou com Pedro Gonçalves, Cônsul Honorário de Portugal em Los Teques, para saber mais sobre a atual situação naquela região. Nessa ocasião, Gonçalves falou especificamente sobre a situação atual das empresas e da comunidade portuguesa, embora a maioria das dificuldades não sejam diferentes das que assolam o restante país.

Por um lado, o cônsul deixou em evidência a grande contribuição que a indústria da região fez em todo o país ao longo dos anos. “Em matéria industrial, há vários eixos na parte do metal, no plástico e no setor têxtil que cobrem o comércio a nível nacional. Temos uma economia diversificada em diferentes planos”, explicou Por outro lado, Gonçalves explica que a região dos Altos Mirandinos possui uma forte vertente comercial no setor agrícola. Uma das regiões mais populares para a agricultura é San José de los Altos, pois possui diferentes campos de agricultores, e a maior parte do que é produzido vai para locais diferentes, como o Mercado de Co-

che e o Mercado da Quinta Crespo. Também na região tem um dos maiores números de matadouros, para promover a pecuária. Mas, por outro lado, as padarias não escapam à realidade de todo o país, pois a procura por matérias-primas para fabricar os seus produtos se torna cada vez mais cara. No que diz respeito às dificuldades enfrentadas pela comunidade luso-venezuelana, entre as princi-

pais está a falta de bens, que é o mesmo problema que se vive ao nível nacional. “Contudo, apesar das dificuldades, a comunidade continua com esperança e fé, e ainda apostam no país. Há alguns lusodescendentes que procuram melhores destinos noutros países, mas a maioria está aqui com os seus pais e ainda estão comprometidos com o esforço e a dedicação”, disse Gonçalves.


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Fusão musical celebrou Dia da Madeira O Centro Português viveu um concerto inesquecível, no qual Iliana Gonçalves misturou fado, música crioula e jazz numa apresentação magistral organizada pela Comissão Dia da Madeira OSCAR SAYAGO

Lar de Los Anaucos acolhe 60 idosos Só em Caracas, nos últimos tempos, dos 80 lares existentes apenas 10 sobrevivem. O Lar Padre Joaquim Ferreira acolhe 60 idosos. Uns pagam a diária, alguns uma parte, outros nada, porque não podem. Só com muito engenho e dedicação é possível manter a instituição a funcionar. Agustín da Silva ficou viúvo há 30 anos. Há vários meses no hospital Domingo Luciani, em Caracas, já estava recuperado. Tinha de sair, mas não tinha para onde ir. A solução foi recolher este madeirense, de 75 anos, no lar. Uma instituição que fica à saída da capital venezuelana, em direcção a Maracay. Quando lá chegamos, Agustín, acabado de entrar, estava no meio de um corte de cabelo. É apenas um dos muitos afazeres diários do lar que tem o nome de um sacerdote português que viveu em Caracas. Um padre que esteve nos momentos de festa, como aniversários, casamentos e baptizados, mas também nas dificuldades. Nesta parte inspirou várias iniciativas de solidariedade. Dar o nome ao lar foi uma forma de reconhecer esse trabalho. Manter as portas abertas do lar só é possível com a ajuda e dedicação de muitos, de uma forma directa ou indirecta. A instituição tem capacidade para acolher uma centena de pessoas. Há ainda lugares, mas não há meios. Os voluntários e pessoas ligadas à instituição estão no limite. Cinco Irmãs da congregação ‘Marta e Maria’ com sede na Guatemala dão uma ajuda preciosa. Marilu de Andrade, desde muito nova é voluntária, aprendeu com a mãe, a filha já está integrada no denominado grupo das netas. Não perde o sorriso, apesar de todas as agruras da vida. A família, proprietária de várias padarias, viu quase todas encerradas nos últimos tempos devido à crise - uma delas foi expropriada. Marilu, a secretária da direcção, é quem nos faz a visita guiada ao lar que, como explica “é um filho da Sociedade de Beneficência das Damas Portuguesas”. Para sublinhar o esforço e a dedicação necessários à manutenção do projecto, recorda que dos 80 lares existentes em Caracas, 70 já encerraram.

A Comissão Dia da Madeira realizou uma atividade especial para comemorar o aniversário da autonomia da ilha. O evento decorreu no Centro Português, começando com a colocação de uma oferenda floral aos bustos de Simón Bolívar e Luís Vaz de Camões, bem como uma missa oficiada pelo Padre Alexandre Mendonça. Na parte da tarde teve lugar um concerto da luso-descendente Iliana Gonçalves intitulado “Uma cançao, uma saudade”. “A nossa associação está celebrando 30 anos de trabalho e queremos agradecer a todos vocês por sua presença. Esta tarde vamos desfrutar de uma das vozes mais tradicionais do fado. Iliana Gonçalves é luso-descendente da ilha da Madeira e hoje nos traz uma apresentação especial”, disse Paulo de Sousa, presidente da Comissão do Dia da Madeira. Por outro lado, devido ao 60º aniversário do CP, o seu presidente Rafael Gomes também deu algumas palavras à comunidade madeirense. “Neste dia quero felicitar cada um dos madeirenses do país por sua tenacidade e dedicação. Devemos continuar trabalhando dessa maneira para continuar formando um país melhor e uma grande sociedade”. Este ano, o reconhecimento especial ao

Madeirense do Ano foi para Cremilda Andrade, que tem trabalhado com dedicação e esforço em favor de diferentes instituições, além de apoiar todas as atividades culturais da Comissão. Por outro lado, o Embaixador Carlos Nuno Almeida de Sousa Amaro discursou sobre as novas melhorias que Portugal tem para a Venezuela. O representante português foi aplaudido devido à tenacidade dos seus esforços para apoiar os luso-venezuelanos. Ao final dos discursos, Iliana Gonçalves se

aproximou do palco para iniciar o ato. Suas primeiras canções foram de origem venezuelana, como a famosa canção “Un Polo Margariteño”. Com quatro, maracas, bandolim, percussão, baixo e violão o público disfrutou de uma fusão de emoções. Em seguida, a cantante passou ao fado, interpretando temas com uma fusão para mostrar um ritmo não tão convencional. Para terminar o concerto, Gonçalves cantou uma canção final de Simón Díaz, intitulada “Qué vale más”.

de Vargas. Como primeiro político português a visitar a zona devastada, Albuquerque diz ter sido “testemunha do esforço colossal”, referindo-se ao empenho do agora homenageado “em ajudar as famílias devastadas pela tragédia”. Porque a actualidade continua também a ser marcada pelas “circunstâncias difíceis” que a comunidade tem vindo a enfrentar, o presidente do Governo disse que “não podia deixar de estar presente” nesta homenagem que é também o reconhecimento do “trabalho importantíssimo” desenvolvido por Alexandre Mendonça, mais ainda ao re-

conhecer que “é importante estarmos nos momentos difíceis”. Lembrou a recente visita à Venezuela do secretário da Educação, Jorge Carvalho, para reiterar que o Governo Regional vai não só “continuar a trabalhar e a visitar as nossas comunidades”, mas também apoiar “dentro das nossas possibilidades”. Apontou o esforço de cooperação no sentido de facilitar a documentação, tendo em conta os problemas de equivalência, determinantes não só para aqueles que procuram inserir-se no mercado de trabalho, mas também para quem continua no ensino.

Padre Alexandre Mendonça foi homenageado pelos 30 anos de sacerdócio ORLANDO DRUMOND / DN MADEIRA

Alexandre Mendonça, o padre madeirense que há meio século emigrou para a Venezuela, onde soma já três décadas de sacerdócio “continua hoje a ser um bastião da portugalidade e da fé junto da nossa comunidade”, elogiou Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional. À chegada à paróquia do Piquinho (Caramachão), em Machico, onde decorreu a missa de acção de graças que celebrou os 30 anos de sacerdócio de Alexandre Mendonça, o chefe do executivo madeirense confessou ter “admiração extraordinária” pelo trabalho que o padre madeirense “fez e continua a fazer na Venezuela”. Lembrou o “papel determinante e importantíssimo” que o sacerdote teve aquando da tragédia


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Ajuda ao Santuário chega ao fim de uma década Jorge Carvalho honra promessa de Jardim e doa 5 mil euros ao projecto comunitário de Los Teques RICARDO DUARTE FREITAS

Há 10 anos foi lançada a primeira pedra para a construção da réplica do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Los Teques, na Venezuela, um projecto que a imensa comunidade madeirense e lusodescendente radicada naquela localidade serrana do estado de Miranda pretende inaugurar em Maio do próximo ano, mesmo conhecendo as adversidades impostas pela convulsão económica e financeira que eleva o custo de vida diariamente no país. Ninguém sabe ao certo quanto já foi investido o santuário, tal é a os-

cilação exponencial das taxas cambiais do bolívar, mas acredita-se que o valor já terá ultrapassado os 10 milhões de dólares. A comunidade emigrante de Los Teques não esconde alguma amargura pelo facto de o Estado Português nunca ter contribuído com um cêntimo para a construção da réplica do santuário da Cova de Santa Iria em solo venezuelano. Agostinho Gonçalves, administrador do santuário, revela que o governo venezuelano, na altura dirigido por Hugo Chavez, doou, há 5 anos, 23,6 milhões de bolívares. Hoje não é mais do que cinco vezes o salário mínimo mas na altura

deu para comprar o relógio, o campanário, o sino e parte da construção. Paulo da Silva, coordenador da construção, lembra que o ex-presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, prometeu ajuda financeira numa visita à comunidade, realizada em 2008, no lançamento da primeira pedra do santuário. O ex-governante pediu para que lhe apresentassem o projecto no Funchal, o que chegou a acontecer, mas a Região entrou em falência técnica, a ‘troika’ tomou conta da administração pública e as prioridades, na óptica da despesa, passaram a ser outras.

Unicasa apoia crianças com cancro com “Gotas de Ayuda”

o intuito de lhes proporcionar momentos diferentes. É por isso que este dia de Cinema com Propósito parece tão favorável». Mais de 50 crianças e pais da fundação participaram na exibição de um filme. «Gostaria de agradecer a parceria que permitiu dar às crianças esta manhã de entretenimento tão espetacular. Aqui eles passam um momento inesquecível, que se não

fosse pelo apoio dessas duas empresas seria impossível», disse Diana Bello, membro do Conselho de Administração da Fundação Amigos da Criança com Cancro. Cines Unidos deu ainda um donativo de 24.000.000 bolívares, como contribuição para o principal programa de captação de recursos da Fundação Amigos da Criança com Cancro.

arraial, arrancando aplausos do público que o ouvia atentamente. A entrega de um cheque de 5000 euros é uma ajuda preciosa num momento em que a economia venezuelana sofre os efeitos diários da hiperinflação. O governante madeirense agradeceu a hospitalidade, confessou que se sentia em casa e deixou uma palavra de esperança: “as adversidades são passageiras, ainda vamos voltar a ter dias prósperos e de sucesso neste país”. Aos emigrantes que pretendam voltar deixou um conselho: “estejam o mais bem documentados possível para que a integração seja tão célere quanto possível”.

Casa Portuguesa de Aragua continua a manter tradições vivas OSCAR SAYAGO

OSCAR SAYAGO/COM INFORMAÇÃO DE “ÚLTIMAS NOTICIAS”

Neste novo dia da campanha “Gotas de Ayuda”, a Unicasa, com a colaboração da Cines Unidos, volta a apoiar a Fundação Amigos da Criança com Cancro. Nesta ocasião, a atividade “Cinema com Propósito” foi realizada novamente, sendo uma forma de cooperação voluntária de ambas as instituições, demonstrando um trabalho de altruísmo no sábado, 23 de junho. Carlos Rivas, Gerente de Responsabilidade Social da Unicasa, disse: «Estamos muito felizes porque hoje estamos a fazer mais uma ação de voluntariado em parceria com a Cines Unidos. Esta aliança consiste em dar o melhor de nós mesmos. Esta significa trazer um pequeno amigo com cancro ao cinema e, com os nossos voluntários, oferecemoslhes uma manhã diferente, com

A promessa acabou por ser honrada no último domingo, Dia da Região Autónoma da Madeira e precisamente 10 anos depois. A ajuda chegou pelas mãos do secretário regional de Educação. “Queria deixar, em nome do presidente do Governo Regional da Madeira, um pequeno donativo para a construção deste fantástico santuário que se procura erguer em Los Teques e que é uma referência daquilo que dignifica o nosso país e que é também uma homenagem muito significativa a Nossa Senhora de Fátima de que muitos emigrantes são devotos”, transmitiu Jorge Carvalho, sob o palco do

A Casa Portuguesa do Estado Aragua, localizada em Turmero, Estado Aragua, é um dos clubes portugueses mais importantes do país e ao longo dos anos teve entre os seus principais objetivos difundir os costumes e tradições da comunidade portuguesa em toda a região. Desde a gastronomia, até ao folclore e festividades em geral, a portugalidade ganhou espaço no estado Aragua. Mas, mesmo assim, o seu trabalho árduo foi prejudicado pela forte situação económica e pelo alto número de portugueses que buscaram outras oportunidades de vida fora do país. O atual presidente, David Alcaría, comenta um pouco sobre como o dia-a-dia do clube é vivido, e como tem conseguido manter a promoção das tradições. “O clube está bem, mas não estamos livres da situação económica que todos os clubes devem enfren-

tar hoje, mas temos uma comunidade de sócios dispostos a trabalhar e que tem demonstrado o seu carinho por esta instituição. Mas, com tudo o que está a acontecer, não nos podemos dar ao luxo de baixar a guarda”, disse Alcaría. De momento, o clube tem conseguido manter-se com várias atividades culturais, que também geraram um rendimento adicional, tem sido útil para continuar com as tradições na Venezuela. Por outro lado, o clube não tem qualquer apoio do governo português ou de algum organismo do governo, mas estão determinados em continuar a realizar atividades culturais, mesmo que sejam um pouco caras, uma vez que é para o usufruto da comunidade. A Casa Portuguesa de Aragua possui atualmente 2.200 sócios ativos que estão registados, e em termos de membros da família pode-se calcular que cerca de 10.000 pessoas visitam o clube.


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Academias do Bacalhau continuam a trabalhar em prol da comunidade Instituições de beneficência continuam a apostar no crescimento do país e no desenvolvimento da diáspora luso-venezuelana OSCAR SAYAGO

Comissão de Damas do Centro Português com novas atividades Delegação do clube luso tem novas iniciativas para os mais pequeninos OSCAR SAYAGO

A Comissão de Damas pertencente à Associação Portuguesa do Centro Civil, localizada em Macaracuay, Caracas, tem planificada uma nova atividade para as crianças do clube, para que possam aproveitar ao máximo as férias. Esta iniciativa consiste em um plano de férias, onde as crianças podem fazer diferentes atividades dinâmicas e recreativas. O “Plano Vacacional Carcajadas” retorna ao CP, que começa na próxima segunda-feira, dia 30 de julho, nas instalações do clube, a partir das 9h00 e até às 17:00, para crianças dos 4 aos 14 anos. Conta com uma equipa treinada, com muitas surpresas e será feita a habitual fogueira noturna e acampamento. Este plano de férias aceita crianças a tempo inteiro e convidados dos sócios. Para mais informações, pode entrar em contacto com o centro através do número 0412 7417141 e, assim, formalizar a inscrição. NOVOS DESCOBRIMENTOS A Comissão de Damas realizou no dia 12 de julho uma atividade diferente, denominada Novos Descobrimentos. Consistiu em apresentar as últimas decobertas científicas na relíquia da Virgem de Coromoto. Essas descobertas foram feitas por uma equipa de restauro, mas uma das coisas que mais chamou a atenção foi que, na primeira etapa da reforma, a imagem foi contemplada durante 3 a 7 semanas. Mas a cada dia que passou, a relíquia começou a se restaurar, completando as partes que faltavam e mostrando novas descobertas todas as vezes que era analisada microscopicamente. María García de Fleury é licenciada em Sociologia e em Educação com especialização em Pedagogia Religiosa e História, assim como Educadora da Fé. Também é professora há mais de vinte e cinco anos de formação religiosa. Professora Universitária das disciplinas de: Princípios, História e Crítica das Religiões, Antropologia, Doutrina Social da Igreja e História da Cultura. Ainda, faz diversas conferências, escreve em diferentes jornais nacionais e é membro da Sociedade Internacional Santo Tomás de Aquino e do Comité Académico do Centro de Investigações do Conhecimento Económico (Cedice), assim como responsável pelo programa católico diário de TV: “Misterios y Milagros” que passa em Marte TV.

As diversas Academias do Bacalhau na Venezuela têm trabalhado arduamente para continuar a dar apoio aos mais necessitados. Entre tertúlias, almoços e vários eventos de caridade contribuem para apoiar centros geriátricos, casas e pessoas específicas com suplementos médicos e alimentos. A situação no país não é favorável para as instituições, pois a cada dia a comida aumenta e é impossível controlar a taxa de câmbio. Por outro lado, muitas pessoas tiveram que optar por procurar outros países para criar raízes, sobretudo para proporcionar melhor qualidade de vida aos seus faniliares. Mesmo assim, os dirigentes optam por continuar a trabalhar para construir uma grande comunidade. A Academia do Bacalhau de Valencia realizou um novo encontro para arrecadar fundos para diversas instituições. Os compadres e comadres participaram em mais um encontro no domingo, dia 22 de julho, às 13h00, na Tasca Heróis do Mar do Centro Social Madeirense. Na oportunidade, aceitaramse transferências e foram habilitados pontos de venda para facilitar o pagamento dos presentes, sendo que o custo para cada pessoa foi de 6.000.000 bolívares. No último domingo, 24 de junho, a instituição realizou um outro encontro, para fechar o mês. E em julho a academia organizou duas iniciativas de angariação, a primeira foi de 30.000.000 bolívares e a segunda, destinada a um

membro da comunidade que sofre de cancro, foi de 40 milhões. De referir que os compadres ofereceram um arroz com frango para um lar da zona de Valencia. A Academia do Bacalhau de Valencia realizou o seu primeiro encontro a 2 de junho de 2003, no Restaurante Club Campestre Mañongo. Das histórias da academia, destaca-se a do Sr. Bras de Jesus dos Santos, que participou no Congresso Mundial realizado no Estoril, em 2004, e aprovou o pedido de oficialização da academia, quando esta tinha apenas um ano de existência. A Academia de Bacalhau dos Alto Mirandinos realiza um novo encontro para fechar o mês de julho em grande. Na próxima terça-feira, 31 de julho, realizase uma nova tertúlia que tem lugar no

Centro Comercial la Colina e para a qual todos os compadres e comadres são convidados, sendo que o principal intuito é continuar a arrecadar fundos para apoiar a comunidade. O atual presidente, Celestino Dos Santos, disse que a afluência de pessoas às tertúlias diminuiu para cerca de 40 a 50 compadres. Destacou também que este não é um motivo para continuar a trabalhar para o país. “Como academia do bacalhau, se parássemos de fazer as reuniões, estaríamos dando as costas aos nossos compatriotas. Não podemos sequer pôr esta hipótese, apostamos neste país e vamos continuar a organizar iniciativas». A academia foi criada em 2012 por um grupo de portugueses de diferentes localidades dos Altos Mirandinos.

“Com a inflação é muito difícil manter o lar” A Academia do Bacalhau de Caracas continua a realizar as suas reuniões mensais para angariar fundos que permitam manter o lar de Los Anaucos SERGIO FERREIRA SOARES

Não é segredo para ninguém que, com a inflação que se vive na Venezuela, é cada vez mais difícil manter uma estrutura grande como o Lar Padre Joaquim Ferreira, localizado em Los Anaucos, estado de Miranda. No entanto, existem muitas instituições que trabalham até à exaustão para angariar fundos que permitam oferecer qualidade de vida aos idosos portugueses que residem no espaço. Uma dessas instituições é, sem dúvida, a Academia de Bacalhau de Caracas, que desde a criação do lar tem sido a mão direita dos avós e dos seus fami-

liares. Em entrevista ao CORREIO, o presidente da instituição, José Luis Ferreira, explicou que a academia continua ativa, apesar das circunstâncias. “Mantemos as nossas atividades, só que não as realizamos à noite como antes devido à situação do país e à insegurança. Todos os meses fazemos atividades, sejam almoços familiares ou domingos em família. Se não divulgarmos os nossos encontros, é por uma questão de segurança, porque queremos proteger os nossos compadres e colaboradores”, afirmou Ferreira, acrescentando que 90% dos fundos angariados vão para o Lar Padre Joaquim Ferreira.

“Com a inflação é muito difícil manter o lar. É por isso que continuamos comprometidos com a nossa causa, a fim de lhes dar a qualidade de vida que eles merecem. A percentagem restante dos recursos é para alguns medicamentos, terapias, cirurgias e outros casos específicos onde possamos intervir. Por exemplo, se surgir um funeral de uma pessoa ou algumas sessões de quimioterapia de alguém que não tenha recursos suficientes. Podemos colaborar, mas não damos dinheiro à pessoa, mas à instituição diretamente”, explicou-nos o líder associativo. “A mensagem para a comunidade é simples: tenham fé e esperança”, concluiu.


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Compadres permanecem de luto pela morte de Bras Dos Santos Os sócios da Academia do Bacalhau de Valencia transmitem as suas condolências aos familiares do ex-presidente, que deixou uma marca inesquecível na história da academia OSCAR SAYAGO

Os compadres e as comadres da Academia do Bacalhau de Valencia estão de luto pela infeliz morte do ex-presidente Bras de Jesus Dos Santos. É importante referir que a saúde do ex-presidente estava fragilizada, e até há aproximadamente dois anos não participava nos encontros da academia com a mesma regularidade. Depois de muita luta, morreu em paz na sua casa às 7:30am. Dos Santos era natural da Ilha da Madeira e, como muitos cidadãos do arquipélago, emigrou para a Venezuela para deixar a sua marca com muito trabalho e espalhar todas as tradições da sua terra natal. Desde o início da academia foi um membro proativo, tendo participado no primeiro encontro, e continuou a frequentar todas as atividades e doações para apoiar a comunidade portuguesa. Por outro lado, foi peça fundamental para a academia, já que foi o promotor e responsável pela Academia do Bacalhau de Valencia, reconhecida mundialmente. Atualmente, a Academia de Valencia é vista como uma das instituições mais jovens do mundo e foi oficializada com o número quarenta e cinco. Devido ao seu grande apoio e perseverança, a Academia do Bacalhau teve um grande

Ernesto de Sales: um exemplo para toda a comunidade Faleceu no Panamá ex-presidente da Casa Portuguesa do estado Aragua OSCAR SAYAGO

crescimento na comunidade. Dos Santos viveu e formou-se no Arco da Calheta, uma acolhedora freguesia portuguesa do concelho da Calheta. Foi educado pelos seus pais Francisco e Georgina Dos Santos, e foi um pai admirado pelos seus filhos Blas, Betty e Braulio, além de ser um avô que deu muito mimo aos seus três netos, María, Tiago e Juan Vicente.

“Da Academia do Bacalhau de Valencia, transmitimos as nossas condolências a toda a família e desejamos que continuem a lutar com fortaleza, tal como o pai lutou. São momentos difíceis, mas é necessário ter força, os meus sentimentos a todos aqueles que estavam próximos dele”, disse Mario Papel, presidente da Academia do Bacalhau de Valencia.

versidade de Carabobo, Carlos de Sousa serviu os portugueses na ilha durante 14 anos, onde colaborou com um grande número de instituições e associações lusitanas. Anteriormente, em Caracas, era acionista do Bufet Benson, Perez Matos, Antakly & Watts.

Casado com Gloria Matos de Sousa, pai de Juan Carlos De Sousa, Angela De Sousa Lovera e Maria Gabriela De Sousa Lovera, e avô de oito netos, Carlos de Sousa será lembrado como o homem que lutou pelos interesses dos lusos que se radicaram na ilha do Caribe.

Faleceu o cônsul Carlos de Sousa O representante consular português no Curaçau deixou um legado na comunidade lusa SERGIO FERREIRA SOARES

A 18 de julho, José Carlos Correia de Sousa, que foi cônsul de Portugal para a jurisdição, morreu em Willemstad, Curaçau. O representante consular português no Curaçau deixou um legado na comunidade lusa. Advogado de Direito Comercial pela Universidade Central da Venezuela e possuidor de uma pós-graduação pela Uni-

Neste mês de julho, a comunidade portuguesa no estado de Aragua está de luto pela perda de um de seus membros mais queridos, Ernesto de Sales Jrúnior. Ele era mais conhecido como Ernestico de Sales pelos seus amigos e parentes, já que seu pai também tinha o mesmo nome. Em vida, foi muito amado pela comunidade e desempenhou, na Casa Portuguesa do Estado Aragua, a função de vice-presidente, no período de 1998-2002, sendo presidente entre 2002-2006. Participou em inúmeras atividades desportivas e culturais da associação e foi membro da Federação de Centros Portugueses na Venezuela (Feceporven). Durante muitos anos dirigiu o programa de rádio “Aquí Portugal”, órgão informativo da Casa Portuguesa, da estação de Búho Simpático Aragua 1010. Por outro lado, participou também no programa “Portugal al Día” da Rádio Capital 107.5fm. Durante toda a sua vida, foi locutor e professor, sempre lembrado como o filho de Ernesto de Sales e María de Sales, também membros do clube. A Junta Diretiva da Casa Portuguesa no estado de Aragua estendeu sua mensagem de luto aos parentes de Sales e a todos os seus conhecidos. «Em nome do nosso Conselho de Administração e parceiros, enviamos as nossas palavras de condolências aos seus parentes, amigos e parentes». Por outro lado, o presidente, David Alcaria, também estendeu a sua mensagem de condolências a toda a família e amigos de Ernestico. «Ele sempre foi um membro muito querido do clube, o que foi muito importante para as nossas atividades, pois sempre foi muito ativo nos eventos e sempre com muita boa disposição. Lamentamos que não esteja mais connosco, desejando-lhe descanso eterno».


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HISTÓRIA DE VIDA

Cremilda de Andrade: Alma e espírito dividido entre duas nações OSCAR SAYAGO

A história de Cremilda de Andrade iniciou-se numa pequena vila portuguesa na ilha da Madeira, a Ribeira Brava, a 11 de maio de 1944. Foi lá que passou os seus primeiros anos de vida, tendo a oportunidade de estudar até ao primeiro ano. Mas os seus dias tomaram um rumo inesperado em 1953, quando o pai emigrou para terras venezuelanas. A mudança de país não foi uma dificuldade para a jovem lusa, já que por ser feita numa muito jovem não foi chocante. Inicialmente, ele instalou-se em Chaguaramos, Caracas, onde se integrou facilmente com a comunidade, fazendo novas amizades com vizinhos e pessoas residentes. A barreira da língua nunca foi um inconveniente: um ano depois de chegar ao país já dominava muito bem o espanhol e inclusiva ainda hoje muitas pessoas ficam surpresas quando descobrem que ela é portuguesa. «Quando eu falo em espanhol, alguns não pensam

Esta cidadã recebeu o reconhecimento de “Ilustre Madeirense” nas comemorações do Dia de Madeira 2018 em Caracas que sou portuguesa, mas quando começo a falar em português, a conversa muda», comentou Andrade, com sorrisos. Cremilda, como muitas pessoas, apaixonou-se na sua adolescência: aos 17 anos ficou noiva de Agostinho de Andrade. Com ele, formou uma longa história de memórias e aventuras, que até hoje se reflete na sua família, filhos e netos. Andrade relata que está de coração partido, pois de um lado está Portugal, a terra onde nasceu e de onde vem, mas por outro lado se sente venezuelana, já que vive

nessas terras há mais de meio século. O que ele mais gosta de Portugal são as paisagens, a cultura e principalmente a gastronomia. Tanto é assim que muitos dos pratos típicos do arquipélago são cozinhados inúmeras vezes para os seus filhos e netos. «É um orgulho para mim que meus netos conheçam todas as tradições de Portugal, assim como meus filhos», diz. O que ela mais gosta da Venezuela é o seu povo, já que para Andrade os crioulos são as pessoas mais carinhosas do mundo. «Eu sempre digo que nos assemelhamos aos andinos, em termos de família e união, eu fui mais de dez vezes para os Andes, e me identifico muito com o povo». Ao longo dos anos, Andrade viu o desenvolvimento da comunidade luso-venezuelana, considerando-a admirável, uma vez que os seus compatriotas na Venezuela foram superados de maneira inédita. O amor que tem pelo próximo foi incutido desde cedo pelo seu

pai, que lhe ensinou que é bom ser bondoso e que devemos amar o outro. Por isso, Andrade e outros amigos se reuniram para criar a Sociedade de Caridade das Damas Portuguesas. Como membro fundador da instituição, o governo português deu-lhe o reconhecimento de Dama de Infante Don Enrique. Em diversas ocasiões foi presidente da instituição e, quando foi diretora, promoveu a iniciativa de criar o Lar Padre Joaquim Ferreira. Durante o seu mandato, receberam em várias ocasiões membros importantes do governo português, bem como doações de diferentes artistas. Ao longo dos anos, a instituição de caridade

tem podido fazer contribuições graças à ajuda da comunidade e da Academia do Bacalhau. As atividades que realizaram em benefício da sociedade hoje são muito complicadas de se efetivar: dentro de seu itinerário, visitavam prisões, especialmente de mulheres, o que lhes proporcionava atividades dinâmicas, como pequenas apresentações de teatro. Da mesma forma, um dos locais que frequentavam antes era o Hospital Universitário, mas hoje não é possível continuar a fazer este tipo de visitas. A 1 de julho de 2018, Andrade foi homenageada pela Comissão do Dia da Madeira, com o reconhecimento “Ilustre Madeirense”.

gastou 80% do que ganhou para pagar os nossos estudos. Foi essa a sua convicção, assim como a de quase todos os emigrantes que chegaram aqui. Assim, estudei durante seis anos nesta universidade que agora vou presidir com grande orgulho “, expressou para o CORREIO da Venezuela. “É hora de retribuir. A Universidade Metropolitana deu-me tudo,

não apenas academicamente. Estes são tempos de solidariedade. Muitas pessoas precisam de nós. Não podemos falhar a tantas pessoas, é hora de dar, e eu assumo essa posição para apoiar os estudantes que não conseguiram deixar a Venezuela nem estudar na Europa, nos Estados Unidos e em outros lugares. A educação é sempre a base do progresso”, argumentou.

Madeirense nomeado presidente de universidade venezuelana SÉRGIO FERREIRA SOARES

O Conselho Superior da Universidade Metropolitana (Unimet), localizada no leste de Caracas, decidiu por unanimidade nomear Luis Miguel Da Gama como Presidente da instituição e do Conselho Superior da referida casa de estudos. O empresário, conhecido por dirigir a rede de supermercados de origem madeirense Excelsior Gama, assumiu o cargo na terça-feira, 3 de Julho, substituindo o engenheiro Hernán Anzola, Presidente da Unimet desde 2003. Licenciado em Ciências Administrativas e Gestão, em 1985, com especialização em Direito Bancário e Financeiro, em 1988, Luis Miguel Da Gama obteve a primeira pós-graduação da Universidade Metropolitana e foi agora nomeado dirigente do mais alto cargo de gestão e representação da instituição.

Luis Miguel Da Gama vai dirigir a Universidade Metropolitana e o Conselho Superior da instituição O madeirense acumulou experiência em empresas financeiras durante os primeiros anos da sua carreira profissional. Em 1989, juntou-se à Excelsior Gama Supermercados, CA., onde desempenhou vários cargo dirigentes até atingir, em 2006, um lugar no conselho de administração. Luis Miguel Da Gama também pertence aos órgãos de gestão de outras empresas e associações profissionais, sociais e comerciais. Em 2011, foi eleito membro

do Conselho Superior da Universidade Metropolitana. A universidade tem 48 anos e já formou mais de 25 mil alunos. Ao contrário de outros pólos universitários, a Unimet está actualmente na capacidade máxima, com 5.850 estudantes matriculados. Luís Miguel é o quinto presidente ao longo desses 48 anos de história universitária; posição que ocuparam pessoas notáveis da sociedade venezuelana: Eugenio Mendoza, Machado Zuloaga, Julio Sosa e Hernán Anzola. “O MOMENTO DE RETRIBUIR” Para Da Gama, liderar essa universidade é uma grande honra e representa “o momento de retribuir” tudo o que ele deve a essa universidade, já que estudou lá durante seis anos. “O meu pai, natural do Caniço, chegou à Venezuela a 3 de Janeiro de 1953. Com esforço e dedicação,


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Empresários conheceram as potencialidades de investimento nos Açores Madeira vai acolher no próximo ano o Encontro de Investidores Portugueses da Diáspora CORREIO / LUSA

A Região Autónoma da Madeira vai acolher no próximo ano, entre 25 e 28 de Julho, o II Encontro de Investidores Portugueses da Diáspora. A decisão ficou acertada no término da reunião que juntou, na ilha Terceira (Açores), cerca de 130 empresários emigrantes de 11 países dos cinco continentes. O I Encontro Intercalar de Investidores da Diáspora, que decorreu na Praia da Vitória, foi promovido pelo Governo dos Açores, através do Gabinete do Secretário Regional Adjunto da Presidência para as Relações Externas e da Direção Regional das Comunidades, em parceria com o Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora, SDEA – Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores e Câmara Municipal da Praia da Vitória. Na sessão inaugural daquele encontro intercalar, realizado em Angra do Heroísmo, participou o secretário de Educação, Jorge Carvalho, que se deslocou ao arquipélago vizinho para também celebrar o aniversário da Casa da Madeira nos Açores. No encontro, presidido pelo secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, Jorge Carvalho propôs que a segunda edição do encontro com os emigrantes tivesse lugar na Madeira, no próximo ano, associando-se, assim, às comemorações dos 600 anos da descoberta das ilhas da Madeira e do Porto Santo pelos portu-

“Um ponto que é preciso melhorar é a parte dos transportes que nos permitam de forma mais rápida e mais eficaz chegar ao destino final. Esse é que é o aspeto a melhorar e muito”, frisou. Tony Saramago, empresário na África do Sul, sem raígueses. Um repto que foi bem acolhido pela comunidazes açorianas, já investiu no arquipélago da Madeira e esde de investidores. pera estender o negócio aos Açores. “A nossa área de neEsta é uma oportunidade para a Região demonstrar gócios é na área da saúde, são facilidades antes de ir para aos empresários portugueses espalhados pelo mundo, o hospital e cuidados continuados. Nos Açores, como em desde os EUA até à Austrália, as novas soluções de investiPortugal, o sistema de saúde está em rutura, portanto mento existentes no país e também na Madeira. tem de se começar a encontrar formas mais baratas de “Esta aproximação dos nossos empresários na diáspotratar certo tipo de patologias”, salientou. ra visa também dar a conhecer as potencialidades Mais do que as vantagens fiscais, o empresário para atrair investimento e as formas de apoio procura mercado para investir e mão de obra que se alteraram substancialmente comparaqualificada, porque, frisou, é “mais barato” do tivamente com os diferentes períodos da que importá-la. emigração”, explicou ao DIÁRIO o secretáempresários de 11 David Tavares tem já empresas nos Açores, rio regional com a pasta das Comunidades. países marcaram na área das telecomunicações, com mais de presença no esperado ENCONTRO JÁ POSSIBILITOU NEGÓCIOS 50 funcionários nas ilhas de São Miguel, encontro “No âmbito deste encontro, ontem, de uma Terceira e Pico, mas assegurou ter intenção de forma informal, tivemos uma possibilidade estender a presença “a todas as ilhas”. de um potencial negócio para começar a exploNatural de São Miguel, emigrou para o Canadá, rar a hipótese de enviar [peixe] para a Califórnia. Já por vontade do pai, há 50 anos, mas atualmente vai está dando frutos a nossa participação neste encontro”, “todos os meses” aos Açores, onde tem casa. adiantou, em declarações à Lusa, Simão Neves, da empreO empresário defende que o desenvolvimento econôsa Azorfisk, da ilha de São Miguel, que exporta peixe dos mico da região passa pela captação de investimento esAçores para o continente português, mas também para trangeiro, sobretudo de açorianos, que, como ele, criaram Canadá, Estados Unidos e Espanha. negócios noutros países. Para o empresário açoriano, o arquipélago tem potenCom um “bom trabalho” na área das telecomunicações cial para captar investimentos, não só pelos apoios fie saudades de casa, David Tavares chegou a pensar em renanceiros e operacionais, como pela imagem ligada à nagressar aos Açores, mas convenceram-no a começar um tureza e pelo conhecimento existente, mas há ainda aresnegócio e hoje tem escritórios em várias cidades no Canatas a limar para aumentar a exportação. dá e nos Estados Unidos.

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Fórum Madeira Global realiza-se a 30 de julho Foi igualmente marcado um novo encontro do Conselho da Diáspora com a finalidade ouvir as preocupações dos madeirenses que vivem no estrangeiro

Português oferecido no currículo de 25 países e Governo quer aumentar Um total de 25 países na Europa, África e América oferecem o ensino do português nos currículos escolares e o Governo diz que é “objetivo exequível” aumentar esta rede, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros. “Já são 15 os países europeus que oferecem português como língua estrangeira nos currículos da sua educação básica ou secundária”, afirmou Augusto Santos Silva, na abertura do terceiro encontro da rede de ensino português no estrangeiro, subordinado ao tema “A mediação no ensino português no estrangeiro”, que decorreu em Lisboa. Segundo o ministro, “há vários” destes países onde não existe a rede de ensino português no estrangeiro - casos da Croácia, República Checa ou Noruega -, pelo que defendeu que a “ combinação entre as duas redes vai ser cada vez mais importante”. “Os efeitos positivos são recíprocos: uma boa rede de ensino português no estrangeiro ajuda à disseminação do português como opção curricular nos respetivos ensinos e inversamente”, considerou. Além dos exemplos europeus, há mais cinco países africanos que garantem já a oferta curricular do português, e mais cinco americanos. “Expandir esta rede é um objetivo perfeitamente exequível”, sustentou Santos Silva. O ministro lembrou que os 22 países da Conferência Ibero-Americana (19 da América Latina e Portugal, Espanha e Andorra, na Europa) têm o compromisso de proporcionar o ensino da outra língua (português ou espanhol, consoante o caso), tal como os 18 Estados que são observadores associados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). “No que diz respeito à rede de ensino português no estrangeiro, a previsão meteorológica é de bom tempo, é positiva”, sublinhou o ministro, afirmando que tal significa “um aumento das responsabilidades” em vários planos. Sobre a projeção do português como língua global, considerou que o ensino português no estrangeiro ou como oferta curricular não são incompatíveis.

A Secretaria Regional de Educação realiza no dia 30 de julho, o Fórum Madeira Global 2018, com o objetivo de dar voz às comunidades madeirenses na definição da política regional destinada ao aprofundamento dos laços que unem madeirenses, independentemente do local onde residem. O evento terá lugar na Sala Funchal, piso CF, do Pestana Casino Park Hotel, pelas 10H00. Foi igualmente marcado um novo encontro do Conselho da Diáspora Madeirense, que terá lugar no dia 31 de julho, e que tem como finalidade ouvir as preocupações dos madeirenses que vivem no estrangeiro e debater políticas e as possíveis soluções que possam beneficiar os cidadãos portugueses nascidos ou originários da Região Autónoma que se encontram espalhados pelo mundo. Recorde-se que em 2016 foi instituída a organização regional para as comunidades madeirenses, criando o Fórum Madeira Global e o Conselho da Diáspor. Recordemos que o Conselho da Diáspora reuniu-se no dia 8 de agosto de 2017, no Funchal, para discutir vários temas de interesse. O encontro, presidido pelo então secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus, Sérgio Marques, permitiu a cada um dos 12 conselheiros oriundos de várias partes do mundo apresentar as preocupações do país que representavam.

Reconhecendo o esforço feito pelo Governo Regional e da República para apoiar os luso-venezuelanos que retornam ao arquipélago ou que chegam, pela primeira vez, a Portugal, o Conselho da Diáspora subscreveu «a orientação da União Europeia na condenação da violência e no res-

peito pela integridade institucional e pela Constituição Bolivariana de 1999, mas insiste em manter abertos todos os canais diplomáticos com as instituições diplomáticas», defendendo a negociação entre as partes para conseguir o regresso à normalidade democrática. Na Venezuela

Credores do Banif têm de reclamar créditos até aos primeiros dias de Agosto O BdP pediu a liquidação judicial do Banco Internacional do Funchal Os credores do Banif têm de reclamar os dias após a decisão do tribunal (e o tempo créditos que têm sobre o banco em liqui- de edital), prazo que, disse à Lusa fonte ligadação até cerca de 09 de agosto, de acordo da ao processo, termina cerca de 09 de agoscom a decisão do tribunal hoje divulgada to. No caso do BES, o juiz decidiu por prolonpela Comissão do Mercado de Valores Mobigar o prazo de reclamação de créditos. Conliários (CMVM). Em junho, o Banco de Portugal pediu a li- tudo, no Banif essa pode não ser a decisão, pelo que os credores devem apresenquidação judicial do Banco Internatar as reclamações no prazo agocional do Funchal (Banif), na sera definido. quência da revogação pelo BanA CMVM indica ainda, na inco Central Europeu (BCE) da formação hoje divulgada, que autorização para o exercício a reclamação de créditos deve da atividade, o que levou o trilesados oriundos de Madeira, Açores, África ser apresentada ou remetida bunal a decidir, no princípio de do Sul, Venezuela e via correio registado para a Cojulho, o início do processo de liEEUU perderam missão Liquidatária do BANIF, quidação, a nomear a comissão 263ME com morada na Avenida da Liliquidatária (constituída por José berdade, 230 - 230 A, 6.º Andar, 1250Manuel Bracinha Vieira, Carla Sofia 148 Lisboa. Rebelo e João Luís Figueira) e a fixar um Os credores devem fazer seguir o pedido prazo para a reclamação de créditos. Segundo a informação conhecida, os cré- de reclamação de créditos com os respetiditos podem ser reclamados durante 30 vos documentos que os comprovem.

3.500

Em dezembro de 2014, o Banif foi alvo de uma medida de resolução, por decisão do Governo e do Banco de Portugal. Então vários milhares de clientes e investidores do banco consideraram-se lesados. Entre os lesados estão cerca de 3.500 obrigacionistas, em grande parte oriundos das regiões autónomas da Madeira e dos Açores, mas também das comunidades portuguesas na África do Sul, Venezuela e Estados Unidos, que perderam 263 milhões de euros. Além destes, há ainda a considerar 4.000 obrigacionistas Rentipar (’holding’ através da qual as filhas do fundador do Banif, Horácio Roque, detinham a sua participação), que investiram 65 milhões de euros, e ainda 40 mil acionistas, dos quais cerca de 25 mil são oriundos da Madeira. Parte da atividade do Banif foi adquirida pelo Santander Totta por 150 milhões de euros.


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Valência vibra ao som do Folclore Português A capital do estado de Carabobo será palco da nova edição do Festival de Folclore que conta com a participação de diferentes grupos que representam as diferentes regiões ibéricas OSCAR SAYAGO

O comité organizador do Centro Social Madeirense, constituído pela junta diretiva, obras e manutenção, evento e festas, assim como o comité de cultura, já avançou a todo o gás com os preparativos para a edição do Festival de Folclore Português. O evento esperado por toda a comunidade lusa realiza-se no próximo domingo dia 29 de lho nas instalações do clube. A notícia oficial foi dada a

conhecer no dia 10 de junho, no âmbito das comemorações do Dia de Portugal. O comité organizador destacou que o festival não pôde realizar-se no ano anterior devido à situação do país, sendo que esta foi uma decisão conjunta. O evento inicia-se a partir do meio dia. No entanto, o clube terá, ao longo de todo o dia, diferentes pratos tradicionais e autóctones de Portugal e da Venezuela. Até ao momento, está já confirmada a participação de

sete grupos nesta nova edição. «Estamos a fazer um grande esforço e, da nossa parte, queremos que este tipo de atividades continue a se realizar, comentou David Otero, diretor de Comunicação e Relações Institucionais. Entre os sete grupos confirmados que vão participar nesta nova edição estão: Grupo Folklórico Amizade da Casa Portuguesa (Aragua), Rancho Folklórico Saudades da Casa Portuguesa Venezolana (Carabobo), Fundación Cultural Cantinhos da Ma-

Amizade prepara-se em força O grupo vai participar no evento representando o Douro Litoral OSCAR SAYAGO

O Grupo Folclórico da Amizade da Casa Portuguesa do Estado Aragua é um dos grupos que mais recebeu reconhecimentos nos últimos anos no Festival de Folclore Português. Entre os diretores do grupo está Nelson Gonçalves, que destacou que este evento, mais do que uma competição, é uma celebração e um método para manter vivas as tradições portuguesas na Venezuela. “A nível organizacional, penso que podemos esperar um evento muito simples, como fizemos nos anos anteriores devido à situação no país. Alguns dos grupos foram afetados pela migração da diáspora portuguesa. Acho que mais do que participar pela competição, a ideia é colaborar para manter as tradições vivas “argumentou. Nesta nova edição do festival, Amizade representará o Douro Litoral, cujo território está dividido entre as regiões norte e centro de Portugal. Na representação, utilizarão como traje típico elementos próprios da época das lavradeiras. Atualmente o grupo folclórico tem um bom número de membros, uma vez que possuem no grupo 30 luso-descendentes que se encontram divi-

didos em 8 casais de dança que mostraram diferentes danças nativas da zona. A madrinha do grupo será Karen Novoa. O “Grupo Folklórico Amizade de la Casa Portuguesa” foi fundado por iniciativa de José Da Silva Mariano, em 1984. A primeira atuação oficial do grupo foi no dia 16 de setembro do mesmo ano, e ao longo do tempo muitas pessoas têm podido passar pelo grupo para representar diferentes danças e músicas de todas as regiões de Portugal. Em 1992 o grupo conseguiu viajar a Portugal para representar a cultura portuguesa e, ao longo dos anos, conseguiu vencer diversos festivais, entre os quais se destacaram as categorias madrinha, música, traje tradicional, melhor grupo folclórico, tanto para festivais madeirenses como continentais. Embora o grupo se tenha mantido com altos e baixos já existe há 34 anos.

deira (Teques, Miranda), Grupo Folklórico Internacional Luso Centro Marítimo de Venezuela (Turumo, Miranda), Rancho Folklórico Costumbres e Tradiciones de Portugal (Guárico), Grupo Folklórico Virgen de Fátima (Castillejo, Miranda) e Grupo Folklórico de Centro Luso Venezolano del estado Vargas (Vargas). Por outro lado, o grupo folclórico do Centro Social Madeirense, por ser anfitrião, não concorre no festival, mas no início do evento vai fazer uma abertura

com uma atuação. O Festival de Folclore Português realizou-se pela primeira vez em 1981 no Centro Português de Naguanagua, Estado Carabobo, por iniciativa de “Dimensão Lusitana”, sob a direção de Rui Urbano, com a finalidade de reunir diferentes grupos Folclóricos Portugueses na sua segunda pátria, a Venezuela, e demostrar aos venezuelanos e demais comunidades a variedade e a riqueza do Folclore Português.


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ESPECIAL | 17

Cantinhos da Madeira traz as danças da ilha para o Festival O grupo folclórico participará na nova edição do XXXI Festival Português OSCAR SAYAGO

A Fundação Cultural Cantinhos Da Madeira tem grandes expectativas para a nova edição do Festival de Folclore Português. Ao longo dos anos, o grupo ganhou vários prémios em vários festivais a nível nacional, entre eles o segundo lugar como Melhor Grupo Folclórico (Valencia), assim como Melhor Traje Típico e quarto lugar em Música. Desde 2009 têm vindo a ser galardoados bem como têm vindo a participar em vários encontros. Por outro lado, a sua madrinha Kelly foi a vencedora de uma edição do Encontro Madeirense em 2012. Entre as áreas mais representativas da Madeira, este grupo deu vida à freguesia de Gaula e à cidade de Machico. Este ano encantarão o público com trajes típicos da região, e a madrinha que representará o grupo será Oriana Correia. Atualmente o grupo folclórico tem sido afetado pela situação do país, mas não na sua totalidade, visto que nesta nova edição participarão perto de 25 elementos com 6 pares de dança. “Sempre transmitimos com amor e sentimento as nossas raízes e deixaremos em alto as nossas tradições e o folclore madeirense”, disse o novo

coordenador do grupo, Emanuel de Jesús de Lima. Os primeiros fundadores do grupo foram Gabriel Ferreira e Mary Ferreira juntamente com seus dois filhos. O grupo foi fundado no dia 2 de março de 2009, em Los Teques, capital do estado Miranda. Têm participado em festivais e reuniões madeirenses, além de festas públicas e privadas. Hoje os seus membros encarregam-se de fazer demonstrações das raízes e costumes da Madeira e Portugal Continental. O folclore madeirense destaca-se

pelas suas danças alegres e coloridas com o traje tradicional da região. Existem vários grupos folclóricos na Ilha da Madeira, mas as mais famosas danças são: “Ala-Moda”, “Bailinho”, “Ignorar” ou “Chamarrita”, entre outros. Entre os instrumentos mais utilizados encontramos o rajão (guitarra da Madeira), Braguinha (ukelele), gaitas, pandeiros e o mais popular: o brinquinho, que define o ritmo das danças madeirenses e está decorado com bonecos de arame vestidos com o traje tradicional da Madeira.

Madeira, utilizando diferentes trajes típicos da região e com danças autónomas e inclusive recriando as suas próprias versões. Para esta nova edição todos os preparativos estavam prontos, inclusive já estavam previstos os primeiros arranjos para a coreografia, mas a diretiva do grupo teve que tomar a decisão de não participar este ano.

O Grupo Folclórico do Centro Luso Venezuelano do estado Vargas foi fundado em 1984, em Catia La Mar, no estado Vargas, com o único desejo de preservar os costumes e tradições do povo Lusitano na região. O grupo teve sua primeira apresentação no dia 12 de outubro do mesmo ano, apresentando-se desde então num sem fim de festivais.

Grupo Folclórico de Vargas retira-se do encontro OSCAR SAYAGO

O grupo folclórico do Centro Luso Venezuelano do estado Vargas ia participar no próximo dia 29 de julho na XXXI Edição do Festival de Folclore Português, mas devido a que muitos dos seus elementos não se encontra no país, por motivos de negócios, feriados e entre outras situações, não poderá participar nesta nova edição. O grupo tem um grande número de participantes, mas a maioria está fora do país e apenas estão disponíveis cerca de quatro pares de dançarinos. Mas, por outro lado, no grupo folclórico infantil conta com cerca de 25 crianças ansiosas pela próxima participação no Festival Infantil. Ao longo dos anos o grupo representou com graça e beleza, a ilha da

Grupo Folclórico do CM chega com novas dinâmicas OSCAR SAYAGO

O Grupo Folclórico Internacional Luso do Centro Marítimo da Venezuela também participa na XXXI Edição do Festival de Folclore Português. Nesta edição, o grupo terá uma nova diretora, Ysabel de Matos, que disponibilizará uma nova perspetiva sobre novas formas de dança que podem ser executadas. Matos é recente no grupo, tem cerca de 7 meses como diretora, mas ainda assim a emoção não pode ser removida da voz. “É meu primeiro festival e as expectativas são grandes demais, mas não importa o lugar que formos ocupar, mas sim deixar nosso nome no alto e partilhar como um grupo. Penso que estes festivais atualmente mais do que uma competição, são uma forma de levar nossa cultura adiante”. Um dos problemas que tem sido apresentado ao grupo é a questão do transporte, já que a área habitual do grupo está longe da capital, mas isso não foi um impedimento que impossibilitasse os seus ensaios. Nas edições anteriores do Festival Português, foram coroados como campeões três vezes, por outro lado no Festival Continental venceram em diferentes categorias, e na dança internacional receberam o terceiro lugar na Melhor Musicalização. Nesta nova edição, o grupo irá representar a área do Minho, especificamente dando vida a Viana do Castelo, com trajes típicos e danças poderão demonstrar ao público uma das maiores apresentações da Portugalidade. Nesta oportunidade, o grupo contará com a participação de Gabriela Da Silva, que será a madrinha desta edição. Por outro lado, o grupo atualmente tem 16 pessoas as quais estão divididas em 8 pares de dança, e no que toca à musicalização deverão estar presentes 8 pessoas. “Com todos os percalços que tivemos, a ideia para este novo festival é apresentar todo o que há de bom”, conclui Ysabel. O grupo folclórico foi fundado a 18 de novembro de 1973 na antiga Associação Desportiva Luso-Venezuelana, que hoje é o Centro Marítimo da Venezuela, localizado em Turumo, estado Miranda. O grupo tem 44 anos e atualmente divulga quase todo o folclore português, representando as regiões do Minho, Apulia, Nazaret, Ribatejo, Madeira e Açores.


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Rancho Folklórico de Guárico despede-se dos cenários O grupo de folclore português deixará a sua marca. Com muito orgulho o grupo fará a sua última apresentação para se despedir do público OSCAR SAYAGO / SERGIO FERREIRA

Mais do que uma competição, o Festival Folclórico Português tem por objetivo unir as pessoas através das tradições, neste caso, o folclore. As diferentes regiões de Portugal têm servido como um ponto de encontro para toda a população portuguesa e lusodescendente na Venezuela, para que se possam juntar por um dia como uma grande família. Embora o festival tenha sido interrompido durante dois anos devido à situação do país, os grupos folclóricos mantiveram-se firmes e com a responsabilidade de continuar a difundir as tradições portuguesas no país. O Rancho Folklórico Costumbres y Tradiciones de Portugal é um dos grupos que vai participar nesta nova edição do festival, e embora seja um grupo jovem, ao contrário de outros grupos, ao longo da sua carreira deram muito que falar nos diferentes eventos no país. O seu atual diretor, José Duarte, como muitos outros diretores, vê este festival como uma oportunidade para se divertir e encontrar velhos amigos, porque devemos recordar que o festival, mais do que uma competição, “é um encontro de tradições”. A preparação do grupo começou há dois meses, com muito trabalho e incontáveis

tardes de ensaio. Uma das razões pelas quais querem fazer sua apresentação inesquecível, mais do que deixar um bom sentimento no público, é porque será sua última apresentação como um grupo folclórico e a sua grande despedida. A situação para o grupo não tem sido fácil, tal como muitos outros grupos, têm tido de lidar com o facto de muitos dos seus

membros terem deixado o país devido à situação do mesmo, por outro lado, outros membros não conseguiram continuar com os ensaios. Para esta edição, o rancho folclórico participará com a equipa de dança, já que não poderá contar com música ao vivo e por isso usará faixas. Participarão seis pares de dança, o que perfaz um total de 12 pessoas.

Saudades vem com novas surpresas O grupo folclórico da Casa Portuguesa Venezuelana realizará um ato novo para esta edição do espetáculo OSCAR SAYAGO

O Rancho Folklórico Saudades da Casa Portuguesa Venezolana está a preparar uma nova apresentação para que toda a comunidade portuguesa possa deleitar-se com as melhores coreografias. Embora no país estejam sendo vividos momentos incertos, os grupos folclóricos participantes permanecem juntos, e cada um dando o seu melhor para não perder o festival. “Estamos a resgatar o festival, somos poucos os grupos porque várias pessoas de outros

grupos têm emigrado para outros países, mas mesmo assim não podemos perder as nossas tradições e cultura na Venezuela”, disse Nivaldo Da Silva, Diretor de Baile do grupo. O grupo folclórico chegou em força desde a sua participação no Festival Internacional de Danças Folclóricas. Durante dois meses o grupo tem vindo a preparar a sua nova intervenção, incluindo uma nova coreografia que inclui três novas danças. “Um novo formato daquilo que é o folclore português, mas inovador”, descreve o diretor.

Nesta nova edição vai representar a região de Miranda do Douro que é uma cidade portuguesa pertencente ao distrito de Bragança, Região Norte e comunidade intermunicipal de Trás-osMontes. Por outro lado, é o primeiro grupo folclórico que utiliza uma saia tradicional

para a roupa de homens. O grupo é composto por 20 membros e a maioria é lusodescendente. E nesta edição a madrinha que representará o grupo é Nohely Filipe. “Não podemos perder as nossas costumes de Portugal, vamos tornar este festival participativo, , expressou Nivaldo.

Grupo Folclórico Virgem de Fátima representa a região do Minho OSCAR SAYAGO

O Grupo Folclórico Virgem de Fátima, localizado em Guatire, vai dar vida à histórica região do Minho na XXXI Edição do Festival de Folclore Português, com danças e música típicas. O ânimo dos elementos do grupo estão ao rubro, e a diretora Lucila Sousa de Pereira expressa que o mais importante deste festival é continuar a dar esperança e alegria à comunidade portuguesa na Venezuela. “Embora a situação no país seja complicada, devemos continuar a divulgar as nossas tradições, de forma que os mais pequenos possam continuar a participar. Para esta nova edição penso que todos temos vindo a contribuir, e embora esta não seja tão grande quanto as anteriores, onde participaram até 23 grupos, sei que vai ser única “, disse Lucila. Para esta edição foi preparado algo muito especial, pois em coordenação com a equipa que monta as coreografias e os integrantes com mais permanência no grupo, está a ser preparado algo novo para as danças a apresentar. Algo que caracteriza o grupo Virgem de Fátima é que muitos dos seus participantes são jovens luso-descendentes e venezuelanos que têm gostado tanto da tradição portuguesa que têm permanecido no grupo. O grupo representará a região do Minho, usando um traje típico conhecido como as Lavradeiras, caracterizado pela utilização de um lenço e colares decorativos. Por outro lado, são esperadas coreografias muito elaboradas, como por exemplo o “Chula Picada”. O grupo é composto por um total de 25 membros, que estão divididos em nove músicos e oito pares de dança, o que perfaz um total de dezasseis pessoas na dança. Este ano a madrinha que representará o grupo é Yicela Gonçalves. O grupo folclórico começou no Centro Socio Cultural Virgem de Fátima (CSCVF), onde ao longo dos anos ajudaram nas festividades de Nossa Senhora do Rosário. O grupo foi oficialmente fundado no dia 27 de junho de 2003 na cidade de Castillejo, Guatire, estado Miranda.


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Nuno Gomes vai lançar nova produção audiovisual O diretor luso-descendente, que já trabalhou com grandes figuras da música como Ozuna e Daddy Yankee, traz um novo single promocional com uma história bastante forte

MÚSICA

TEATRO

VENEZUELA

VENEZUELA

/ Chuchoflash y Arcangel “Contigo” / Omar Acedo

A História da Inteligência Local: Centro Cultural B.O.D Horário: Quinta-feira 7:00pm

“Tu sabes que te quiero”

OSCAR SAYAGO

O diretor e produtor venezuelano Nuno Gomes continua a ser uma tendência no mercado da música. No próximo dia 20 de julho será lançado no mercado a sua nova produção audiovisual, que aborda diferentes histórias que mostram o quotidiano e o que acontece na vida de seis mulheres diferentes, que em algum momento das suas vidas fizeram uma pausa. “Este vídeo é de um artista de reggaeton, a sua identidade é confidencial, será uma surpresa para os amantes deste género musical. Ele é um cantor que tem cerca de 2 anos e meio no mundo da música e não tem feito quaisquer projetos audiovisuais, justamente veio para nos dar a oportunidade de fazer história com o seu tema promocional”, declarou Gomes numa entrevista ao jornal “Últimas Noticias”. O vídeo, aborda questões atuais, que podem ser consideradas tendências ou que são frequentemente vistas atualmente. “Sei que vai ser um assunto muito falado nas redes sociais. O público vai adorar e poderá suscitar discussões entre homens e mulheres, principalmente nos casais”. “Vai ser algo muito divertido e fresco”, exclamou. Para este novo vídeo, Gomes explorou toda a beleza da Venezuela, também utilizou as instalações da torre do jornal “Últimas Noticias”, uma vez que uma das histórias apresentadas envolve a vida de uma mulher executiva e dona de empresas. “Que melhor localização do que esta, vai ao encontro com aquilo que escrevi. Este é um dos edifícios que possui uma das mais lindas áreas que já vi em Caracas”, disse.

RECOMENDAÇÕES

“Te declaro culpable” / 4k “Te besare” / Jonathan Moly y Bryant Myers “Chama” / Dani Baron y Omar Koonze

Check-A Nadia Maria Sozinha Stand Up Comedy Local: Centro Cultural B.O.D Horário: Quinta-feira 7:00pm

FONTE: RECORD REPORT

PORTUGAL

“X” / Nicky Jam & J Balvin “Solo” / Clean Bandit Feat. Demi Lovato “Leave A Light On” / Tom Walker “Girls Like You” / Maroon 5 Feat. Cardi B “We Can Do Better” / Matt Simons

Sangue no Divã Local: Trasnocho Cultural Horário: Quinta-feira 7:00pm A íntima do Presidente Local: Trasnocho Cultural Horário: Sexta-feira 6:00pm, sábados e domingos 4:00pm

CINE

FONTE: SHAZAM PORTUGAL

NOVOS PROJETOS Nuno irá produzir seis vídeos, dois com o cantor de reggeaton Ozuna, com quem já trabalhou anteriormente e um junto de artistas como Daddy Yankee, Nati Natacha, Reik e Cariel. Explicou ainda que a sua equipa de produção está trabalhar noutros projetos que estão em desenvolvimento. “Estou agradecido ao artista deste vídeo, porque me foi dada a oportunidade de fazer algo diferente daquilo que tinha vindo a fazer nos últimos anos, como diretor e casa produtora, espero que quando o vejam o desfrutem”, manifestou.

LIBROS

Emigração para a Venezuela retratada em livro

VENEZUELA

‘Emigração madeirense para a Venezuela (19401974)’ é o nome da obra de Joselin da Silva de Nascimento Gomes, que foi apresentada no Auditório do Centro de Estudos de História do Atlântico (CEHA). Na sessão, a autora explicou que ‘grosso’ da obra foi baseado na sua dissertação de Mestrado, feita em 2009 e que, a partir de 2010, teve a oportunidade de visitar o país latino-americano onde nasceu para explorar mais material. “A obra está estruturada em três partes. A primeira, é uma pequena contextualização sobre a emigração madeirense, que inclui a suspensão migratória, a evolução que houve na definição do emigrante, a clandestinidade”. E só depois entramos na parte principal do livro, que se divide em duas fases. A primeira é referente às decadas de 1940 e 1960, na qual se aborda uma emigração por necessidade e pelo

“Cuidando a Mama y Papa. Cuando se intercambian los roles”

espírito de aventura e a segunda fase reflecte o período de 1961 a 1974, “que considero como uma emigração forçada porque os jovens partiam com receio de terem de cumprir o serviço militar”, explicou a investigadora com raízes venezuelanas. No lançamento da obra, esteve presente a directora regional da Cultura, Teresa Brazão, que sublinhou que “a História da Madeira da Madeira não está completa sem a História da Emigração”. Como tal, “há uma série de factores que têm de ser estudados, no sentido do estudo da emigração, sobretudo o cruzamento entre as pessoas que foram e as que voltaram e a influência que isso teve na nossa cultura, arquitectura, literatura, na música. Existem coisas que são fundamentais e nunca perceberemos a identidade da Madeira se não percebermos melhor a emigração”, disse.

“¿Al Mal Tiempo Buena Cara? No Me J…” Cesar Landaeta

“Nada que perder. Me decía Consuelo”

VENEZUELA

Carlos Saul Rodriguez

12 Horas para Sobreviver: O Início

Carolina Gonzalez Arias

Direção: Gerard Mc Murray Elenco: Y`Lan Noel, Marisa Tomei, Lex Scott Davis

FONTE: TECNI-CIENCIA LIBROS

Ant-Man e a Vespa

PORTUGAL

Direção: Peyton Reed Elenco: Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Douglas

Joël Dicker

Desafio Urbano

“A Arte Subtil de Saber Dizer que se F*da”

Direção: Oscar Rivas Gamboa Elenco: Jesús y Yorky, Tito Gómez e Dj pana

“A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert”

Mark Manson

“A Torre Negra - Livro 5: Os Lobos de Calla” Stephen King FONTE: FNAC


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20 | OPINIÃO Espaço SEC

JOSÉ LUÍS CARNEIRO

Portugal estará sempre ao lado dos cidadãos luso-venezuelanos Decidi escrever-lhe estas breves palavras para lhe dar conta, de um modo mais sistematizado, de um conjunto de informações que, ao longo dos últimos dias, pude partilhar nas várias sessões de diálogo realizadas com portugueses e lusodescendentes na Venezuela, na minha recente visita realizada entre 25 e 28 de junho. Como sabe, fi-lo na companhia do senhor Embaixador de Portugal, Carlos Sousa Amaro, do senhor Diretor Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas, Embaixador Júlio Vilela, e do senhor Presidente do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, Embaixador Luís Faro Ramos. A primeira informação diz respeito ao reforço dos meios humanos e materiais nos serviços consulares e diplomáticos. Assim, nas próximas semanas vai chegar aos postos de Caracas e Valência uma missão de serviço público do

Instituto dos Registos e Notariado (Ministério da Justiça), com o apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros, tendo em vista dar uma resposta mais célere aos pedidos de nacionalidade. Como disse, entre janeiro de 2017 e março de 2018, foram atribuídas mais de 5.800 nacionalidades a cidadãos lusodescendentes com origem na Venezuela. Neste momento, temos centenas de pedidos a aguardar resposta nos postos. Razão pela qual esta missão faz todo o sentido e vai ser concretizada. Por outro lado, depois de termos reforçado os meios humanos nos serviços consulares durante os anos de 2016 e 2017, vai ser aberto um novo concurso para a admissão de mais cinco funcionários. Dois para Caracas, dois para Valência e um para a Embaixada. Foram realizadas reparações nas máquinas de recolha de dados biométricos e chegarão mais equipamentos informáticos.

Espaco Jurídiço

ANA CRISTINA MONTEIRO

Estudantes internacionais e sua legalização em portugal Na passada semana organizamos a IV Conferência informativa da Venecom, relativa ao acesso ao Ensino Superior, contando com excelentes oradores representantes do Gabinete de Ensino Superior da Madeira, do ISAL e, da UMA. Nela surgiram perguntas sob estudantes internacionais e a sua legalização em Portugal. Por tal motivo, hoje permito-me informar, de forma sucinta e, prévia consulta à Lei de Estrangeiros, o que devem fazer aqueles estudantes que pretendam vir a estudar ou continuar os seus estudos em Portugal. Nesse sentido, os estudantes do ensino superior residentes no estrangeiro, para estudar em Portugal, deverão pedir um visto de residência para, em território nacional, obter a autorização de residência para frequentar um programa de estudos de ensino superior. Para obter o referido visto, os estudantes deverão acudir ao Consulado de Portugal no seu lugar de residência e comprovar que: não foram sujeitos a medida de afastamento e se encontrem no período subsequente de interdição de entrada em território nacional; que não possuem antecedentes criminais; que dispõe de meios de subsistência, de documento

A segunda informação prestada tem a ver com a renovada decisão de não aumentar as taxas e os emolumentos consulares, o que significou uma perda de receita superior a 8 milhões de euros em 2016 e 2017 e, no ano de 2018, já significa uma perda na ordem dos 1,3 milhões de euros. Este é um apoio direto a muitos milhares de portugueses que procuram nos serviços consulares a obtenção de muitos dos documentos essenciais às suas vidas. A terceira informação tem a ver com os apoios sociais concedidos a cidadãos carenciados, em sede de Apoio Social para Idosos Carenciados (ASIC) e de Apoio Social para Emigrantes Carenciados (ASEC). Temos vindo a atribuir um valor superior a 200 mil euros por ano e em 2018 assim será. A este valor, acresce os apoios superiores a 40 mil euros atribuídos ao movimento associativo, com destaque para as áreas da saúde, alimentar e apoio

de viagem válido, de seguro de viagem e, tenham autorização parental ou documento equivalente, no caso de o requerente ser menor de idade ou, quando no período de estada não esteja acompanhado por quem exerce o poder parental ou a tutela. Se o estudante do ensino superior estiver residente em Portugal, poderá obter a autorização de residência para estudante de ensino superior desde que, tenha entrado legalmente em território nacional e, apresente perante o SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras comprovativo do seguinte: a) Da matrícula em instituição de ensino superior; b) Do pagamento de propinas, se aplicável; c) De meios de subsistência; d) Em como está abrangido pelo Serviço Nacional de Saúde ou se dispõe de seguro de saúde. e) Inexistência de qualquer facto que, se fosse conhecido pelas autoridades competentes, devesse obstar à concessão do visto; f) Alojamento, seja este acolhido por família ou tenha alojamento assegurado em instalações adequadas dentro do estabelecimento de ensino ou noutras; g) Ausência de condenação por crime que em Portugal seja punível com pena privativa de liberdade de duração superior a um ano; h) Não se encontrar no período de interdição de entrada em território nacional, subsequente a uma medida de afastamento do País; i) Ausência de indicação no Sistema de Informação Schengen, no Sistema Integrado de Informações do SEF para efeitos de não admissão; A Autorização de Residência é válida durante um ano e enquanto se mantenha a sua situação. Para concluir deixo cá uma reflexão “Um ladrão rouba um tesouro, mas não furta a inteligência. Uma crise destrói uma herança, mas não uma profissão. Não importa se você não tem dinheiro, você é uma pessoa rica, pois possui o maior de todos os capitais: a sua inteligência. Invista nela. Estude!” Augusto Cury.

aos mais idosos. A quarta informação está relacionada com o esforço financeiro a realizar em 2018, na ordem dos 150 mil euros, para garantir o apoio às atividades de ensino da língua portuguesa. A quinta informação e que mereceu o elogio de todos os nossos compatriotas na Venezuela prende-se com a decisão do Governo, que será publicada brevemente em Diário da República, de aceitar nos postos consulares os documentos públicos em língua espanhola, sem necessidade de tradução para português. A sexta informação, também muito bem acolhida, tem a ver com a decisão do governo de aumentar a validade do Cartão do Cidadão de cinco para dez anos para cidadãos com mais de vinte e cinco anos de idade. A sétima tem a ver com a votação prevista em sede da Assembleia da República com vista ao estabelecimento do Recenseamento Automático para os portugueses no estrangeiro. A partir desta decisão, não mais será necessária a deslocação ao posto consular para efeitos de inscrição nas bases de recenseamento, fato que ampliará o número daqueles que passam a poder votar

nas eleições para a Assembleia da República e para o Presidente da República. Por último, foi possível realizar um diálogo sobre o modo como Portugal estrutura a prestação de informação e o apoio aos que querem regressar. A todos foi garantida uma atitude de braços abertos. Foi explicitado que o melhor modo de aceder à informação sobre os apoios do Estado está no contato com os serviços municipais. Estes têm estruturas que permitem o acompanhamento e o encaminhamento para os níveis distritais e/ou regionais da administração. Entre essas estruturas estão: a rede social, que integra a segurança social, educação, emprego e formação profissional e a saúde; os Gabinetes de Apoio ao Emigrante (GAE’s), cuja função é a de preparar a saída e o regresso dos emigrantes; os Gabinetes de Inserção Profissional (GIP’s) e, ainda, o Espaço Empresa, destinado a prestar todas as informações sobre como criar uma empresa e aproveitar os incentivos do Estado para o efeito. Despeço-me com os melhores cumprimentos e com a garantia de que Portugal estará sempre ao lado dos cidadãos luso-venezuelanos.

Palavras Literarias DANIEL BASTOS

Joe Silvey, um pioneiro da sociedade multicultural no Canadá No passado domingo, comemorou-se o dia nacional do Canadá, um feriado simbólico que desde 1 de julho de 1867 assinala a independência deste território do Reino Unido, através da união de três colónias britânicas, a Província do Canadá, atual Ontário e Quebeque, e a Nova Brunswick e a Nova Escócia. Estabelecida em grande parte da América do Norte, a sociedade canadiana destaca-se pela sua génese multiculturalista, intrinsecamente associada ao facto de possuir um dos maiores índices de desenvolvimento humano. Na base da mescla de grupos, idiomas e culturas étnicas que coexistem no Canadá, encontra-se o pioneirismo luso, que muito antes do fluxo migratório das décadas de 1950-60, teve no cabouqueiro Joe Silvey um percursor da presença portuguesa no território. Natural dos Açores, Joe Silvey ou José Silva, terá deixado a ilha do Pico em 1846, ainda a entrar na adolescência, embarcando num barco baleeiro americano. Esfumada a quimera do ouro que levou à época infindos aventureiros à Califórnia, instalou-se na Columbia Britânica por volta de 1860, onde veio a unir-se a Khaltinaht, neta do chefe índio Kiapilano, e de cuja relação nasceu a filha, Elizabeth, a primeira criança de sangue europeu

nascida em Vancouver. Joe acabaria por se tornar, em 1867, o primeiro europeu a receber a nacionalidade canadiana, tendo por essa altura aberto em Gastown um saloon chamado The Hole in the Wall (O Buraco na Parede). Após a morte da sua primeira mulher, o açoriano natural do Pico vendeu o saloon e instalou-se em Stanley Park, onde se dedicou à pesca, tendo sido o primeiro a conseguir uma licença oficial para pescar com a técnica da rede de cerco. Até à sua morte em 1802, Joe casou-se ainda com a índia salish conhecida como Lucy, de quem teve dez filhos, fixando-se em Read Island, onde comprou um vasto terreno e partilhou parte da sua prosperidade derivada da atividade piscatória com a comunidade local. O pioneirismo de Joe Silvey na construção da sociedade multicultural no Canadá levou a que em 25 de abril de 2015 a Câmara de Vancouver, onde vivem e trabalham milhares de emigrantes portugueses, inaugura-se em Stanley Park um monumento em sua homenagem. Este pioneirismo foi agora também alvo de tributo em Portugal, através da inauguração, no final do mês de junho, de uma estátua em Belém, executada pelo escultor Luke Marston, trineto de Joe, e um profundo conhecedor das suas raízes lusas.

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MISCELÂNEA | 21

SAUDE

CURIOSIDADES

Futebol Fitness pode reduzir a hipertensão nas mulheres A hipertensão é uma doença crónica degenerativa que ocorre em homens e mulheres, mas as mulheres são mais vulneráveis ao desenvolvimento desta doença. De acordo com um estudo realizado no México pela “Encuesta Nacional de Salud”, 30% das mulheres no país sofrem desta doença. Hipertensão arterial é a elevação per-

sistente da pressão arterial acima do nível normal de tensão: 135/85 mm Hg. Com o objetivo de combater a hipertensão foi fundado, em 2011, o Futebol Fitness; um programa que combina exercícios aeróbicos e de futebol que podem ser praticados por qualquer pessoa, independentemente da sua idade e forma física.

Para os poder fazer é necessário uma bola, e as partidas são realizadas em relvados pequenos, onde o resultado não importa. O objetivo, além de se divertir e jogar, é fazer com que as pessoas se movimentem, principalmente as mulheres adultas que nunca jogaram futebol, mas que só queiram fazer desporto para reduzir o risco cardiovascular que pode ocorrer. Uma investigação realizada pela Universidade do Sul da Dinamarca verificou que a prática regular deste desporto reduz a pressão arterial nas mulheres que sofrem de hipertensão. Este estudo foi realizado com 31 mulheres entre 35 e 50 anos com hipertensão, que nunca tinham tocado uma bola de futebol nas suas vidas. Durante um ano, treinaram uma hora de Futebol Fitness duas ou três vezes por semana. Obteve-se uma redução significativa da pressão arterial. Mas também uma diminuição na percentagem de gordura corporal e uma melhoria na densidade óssea, além de melhorar a sua condição física.

Sabia que a Roménia tem um cemitério cheio de cor? O cemitério encontra-se numa pequena aldeia em Maramureş, na Roménia, a poucos quilómetros da fronteira com a Ucrânia. Sapânta é famosa no mundo pelos seus característicos e coloridos túmulos que possuem no centro um desenho da profissão da pessoa falecida. As lápides deste convento demonstram alegria: as inscrições descrevem de forma original e poética eventos sobre a vida do falecido, algum episódio humorístico, algum ensinamento ou a história de como faleceu. O azul de Sapânta é a cor que predomina neste lugar único pelo seu ambiente. As origens deste cemitério estão relacionadas a Stan Ioan Patras, um artista local que começou a esculpir as lápides peculiares em 1935. Onde logo em 1960 todo o cemitério foi preenchido com cerca de 800 cruzes em carvalho, conseguindo transformar este espaço num museu ao ar livre. Patras teve a ideia de gravar epitáfios e desenhos nas cruzes encarregadas pelos seus vizinhos para os funerais dos seus entes queridos, uma tarefa para à qual se dedicou até a sua morte em 1977. Nesse ano continuou este trabalho o seu sucessor, Pop Dumitru, que vive na casa do seu mestre e mantém o seu estilo. Inclusive na lápide do mestre Patras diz: “Desde que fui uma criança pequena chamaram-me Stan Ioan Patras, ouçam-me boas pessoas, o que eu digo não são mentiras: Quantos dias tenho vivido não desejei mal a ninguém, mas tão bem como tenho conseguido a qualquer pessoa tenho atendido. Pobre mundo meu, quão difícil eu vivi nele ”.

ECOLOGÍA

Aquecimento global afeta a reprodução de peixes-palhaço O branqueamento das anémonas por motivo do aquecimento global está a afetar a vida dos peixespalhaço, ou melhor conhecidos pelo filme da Disney como “Nemo” fazendo com que produzam menos ovos, e também afetando a sua fecundidade. As anémonas são pequenos animais marinhos que se aderem às pedras, ao substrato e em ocasiões à areia no fundo do mar. Com as elevadas temperaturas do mar que tem provocado o aquecimento global, as anémonas branqueiam-se, o que reduz a fecundidade dos peixes palhaço que vivem dentro delas, segundo um estudo publicado na Nature Communications. As anémonas vivem em simbiose com os peixes-palhaço, o que quer dizer que precisam uns dos outros para sobreviver. Estes refugiam-se entre os tentáculos das anémonas para se proteger dos predadores e nela colocam os seus ovos.

COCINA

Segredos de Cozinha

Fatias do céu Ingredientes —4 ovos —12 fatias de pão tipo bengala —1 cálice de vinho do Porto —500g de açúcar —1 copo de água —Canela em pó Preparação Científicos estudaram 13 anémonas e aos peixes que as habitavam. Notaram que a metade das anémonas branqueadas, e os peixes que viviam nelas, colocavam muitos menos ovos, 73% menos

do que aqueles que viviam em anémonas sem alterações de cor. As amostras de sangue mostraram um aumento em hormona de stresse e uma diminuição das hormonas sexuais.

Bater as claras em neve firme e juntar as gemas uma a uma, batendo sempre. Passar as fatias de pão no ovo, embebedando bem.

Preparar uma calda de açúcar e água em ponto de fio, colocar as fatias na calda fervente até ficarem alouradas de ambos os lados. Retirar e polvilhar canela. À calda restante, adicionar o vinho do Porto, regando em seguida as fatias do céu.


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22 | DESPORTO

Danny regressa às origens Jogador luso-venezuelano retorna ao Marítimo, onde teve a formação que fez com que fosse o primeiro descendente luso a jogar no Mundial de futebol SERGIO FERREIRA SOARES

vel, como os títulos em solo russo ou as internacionalizações pela seleção nacional. Foi no bairro El Güire, da urbanização SanCom passagens pelo Sporting e Dínamo ta Fe, que Danny Alves começou a dar os de Moscovo, foi no Zenit de São Petersburprimeiros passos e também a pontapear go, na Rússia, que Miguel Danny se destauma bola de futebol. Apesar de ser fã de cou, depois da formação azul-turquesa ter beisebol e basquetebol, desportos que despendido 30 milhões de euros pelo seu sempre jogou com os seus amigos na passe, à época a mais cara transferência Venezuela, este ‘venezuelano’, filho interna de sempre do futebol russo. de portugueses naturais da MaAo longo de nove temporadas deira, sempre mostrou ter um servindo o Zenit, o médio alingrande potencial, responsahou em 248 jogos e apontou 67 anos de idade tinha bilidade e dedicação na hora golos, tendo deixado a equipa Danny quando foi levado de jogar futebol. em 2017 para rumar para o para a ilha da Madeira Foi este potencial que desSlavia de Praga, na República pelo treinador Chico pertou a atenção de Chico FerCheca. Não menos importante Fernandes nandes, levando-o logo para a foram as suas participações na Madeira, quando ele ainda não selecção portuguesa: esteve pretinha 15 anos de idade. Os seus prisente no torneio de Toulon em 2003, meiros dias na ilha, na casa de sua avó, não na qualificação da Europa de Sub-21, no foram fáceis: apesar de estar sempre na Europeu, nos Jogos Olímpicos de 2004 e no companhia de tios e primos, Danny diz que Mundial da África do Sul. chorou muito. No entanto, o desejo de reali«Foi o meu primeiro mundial, jogar o zar o seu grande sonho deu-lhe a força ne- primeiro jogo foi uma coisa que sonhei descessária para seguir em frente. de criança. Nunca pensei que iria conseAgora, o médio madeirense, que foi guir. Nasci na Venezuela e espero que um anunciado como um novo reforço do Marí- dia a Venezuela chegue ao Mundial, porque timo, regressa a uma casa que lhe é bem o seu futebol está a melhorar bastante e vai conhecida, não tivesse sido na freguesia de crescer ainda mais com os jogadores que Santo António, ond eo Marítimo tem as ins- jogam na Europa. Mas jogar num Mundial, talações e campos de treino, que o atleta se a titular, logo no primeiro jogo, contra a formou para o mundo do futebol. Conheci- Costa do Marfim, foi espectacular», garando maritimista, Danny saiu da Madeira pa- tiu numa entrevista ao jornal ‘Expresso’. ra o Sporting de Portugal com apenas 19 Agora, aos 34 anos, Danny volta a enveranos de idade, pouco depois de ter sido gar a camisola verde-rubra: o internacional lançado na primeira equipa por Nelo Vin- português disse estar “feliz e orgulhoso” gada. Desde então, construiu uma carreira por voltar ao Marítimo e garantiu que vai sólida, repleta de momentos de grande ní- ajudar o clube da I Liga Portuguesa. «Estou

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feliz e super orgulhoso de voltar a uma casa que conheço bem. Fui bem recebido pelos meus colegas, pelo presidente, pela direção. Espero ajudar a equipa a concretizar os objetivos para este ano e venho com toda a vontade e humildade de ajudar», afirmou na apresentação à comunicação social. Danny jogou pela última vez no Marítimo na época 2003/04, por empréstimo do Sporting, e voltar à Madeira era um sonho, que foi facilmente concretizado, apesar de ter outras propostas do estrangeiro. «Foi com muita emoção e alegria que voltei a pisar o relvado dos Barreiros e neste momento da carreira só podia jogar em dois clubes, no Zenit ou no Marítimo. Voltar a casa e ao Marítimo é algo que eu sempre sonhei. A única equipa em Portugal onde podia jogar era no Marítimo. É a equipa do meu coração, a que me lançou no campeonato português», referiu. O COMEÇO DE UMA HISTÓRIA DE SUCESSO Danny foi apresentado na companhia do seu pai, Carlos Alves, na sede do Marítimo da Venezuela, na urbanização Los Chorros de Caracas, ao treinador Chico Fernandes, formador das camadas jovens do Marítimo da Madeira, que participava com uma equipa no ‘Mundialito’ da Venezuela. Luzia franzino, mas as suas palavras reflectiam desde o primeiro momento querer e ambição de ter sucesso no futebol em Portugal.

O primeiro treino de apresentação foi feito no Centro Português de Caracas em jogo particular. Posteriormente, a equipa de jovens do Marítimo da Madeira participou num jogo amistoso na Casa Portuguesa de Aragua e foi aí que Danny não só convenceu o treinador Chico Fernandes, como também a todos os companheiros da equipa e comitiva de diretores. Convencer a mãe do atleta a deixá-lo ir foi muito mais difícil, mas Danny foi persistente e não desistiu do seu sonho. Foi com o apoio do pai que a mãe cedeu para deixar o filho partir. Foram dias muito duros e difíceis para a família em Caracas, mas foi o começo de uma história cheia de sucessos que até hoje faz os venezuelanos e portugueses se sentirem orgulhosos.


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DESPORTO | 23

Homero Calderón sobre a Venezuela:

“Tenho saudades de tudo” No seu trajeto como futebolista em Portugal, antigo vermelho-e-preto destaca desempenho dos jogadores nos clubes portugueses e a paixão que se tem no país pelo futebol OMMYRA MORENO SUÁREZ

O futebolista venezuelano Homero Calderón chegou a Portugal no ano de 2016, tendo assinado pelo Futebol Clube de Vizela. Desde então, Calderón, que jogou na temporada anterior no Merelinense Futebol Clube, teve de passar por um “processo de adaptação” para poder pôr em prática o que aprendeu no Deportivo Lara, num terreno de jogo muito diferente. “O processo de adaptação foi um pouco difícil, pois tinha acabado de jogar na Venezuela e há muitas coisas diferentes, mas com o tempo fui-me adaptando e consegui ficar num nível muito bom”, afirmou o jogador de 24 anos de idade, natural de Valencia, Estado de Carabobo, numa entrevista ao CORREIO. Os seus primeiros passos no futebol foram na Irmandade Galega de Valencia, com apenas cinco anos de idade. “A minha paixão pelo futebol começou cedo e porque a minha família sempre gostou de desportos e todos jogavam futebol”, lembra. Enquanto jogava na categoria sub-17,

jogou para o Caracas Fútbol Club durante uma temporada e voltou para o Valencia para se estrear na segunda divisão com o Sport Club Guaraní. Em 2012, Homero Calderón decidiu juntar-se ao Atlético Venezuela por dois anos, até que surgiu a oportunidade, aos 20 anos de idade, de jogar pela primeira vez fora da Venezuela na primeira divisão da equipa Doxa Katokopias do Chipre. Em 2015, o valenciano regressa ao futebol venezuelano pelo Deportivo Lara até 2016, quando foi contactado para se juntar à segunda divisão do futebol português. “Esta oportunidade de jogar em Portugal surgiu quando joguei no Chipre. Eu tinha vários colegas de equipa portugueses e um deles muito conhecido, com grande experiência em futebol português e estrangeiro, gostava muito da minha maneira de jogar muito”, afirmou. Na sua carreira como futebolista em Portugal, o antigo vermelho-e-preto destaca a atuação de jogadores em clubes portugueses e a paixão que há no país no que diz respeito ao futebol.

“O que mais me impressiona no futebol português é a quantidade de bons jogadores que há. Eu joguei duas categorias diferentes de segunda divisão e segunda B, e em qualquer uma delas há jogadores que podiam muito bem jogar na primeira. Por todas as equipas por onde passei aprendi coisas novas. No Deportivo Lara aprendi que não é necessário ter uma equipa com jogadores com “experiência” para atingir metas e na Vizela aprendi a viver realmente o futebol. Estou num país onde se respira futebol e tive a oportunidade de jogar numa das ligas mais competitivas do mundo”, declarou. “AS MINHAS PERSPETIVAS SÃO SEMPRE ALTAS” Apesar de fazer o que gosta, o jogador recorda o seu país com nostalgia e não descarta a possibilidade de regressar. “Da Venezuela, sinto falta de tudo, do amor do povo, da comida, da minha família, dos meus amigos. Agora estamos a passar por uma situação horrível, mas com fé um dia isso vai mudar e poderemos nos encontrar de novo lá (...). As minhas perspetivas

Breitner Da Silva: “Esta primeira temporada com o Leixões foi muito boa para mim” OMMYRA MORENO

O mercado de contratações europeias continua a recrutar talentos crioulos. Em Portugal, os jogadores venezuelanos têm-se diversificado nas diferentes divisões dos clubes lusos, entre os quais se destacam Benfica, Porto, Arouca, Tondela, União Madeira, Leixões e Merelinense, entre outros. «É um futebol bom, muito competitivo e, claro, uma porta muito grande para a Europa», comentou ao CORREIO Breitner Da Silva, que atualmente faz parte do Leixões Sport Club. Da Silva iniciou-se no futebol aos oito anos de idade na escola dirigida pelo seu pai, o ex-jogador, treinador e parte dos fundadores do Monagas Sport Club Joaquín Da Silva, mais conhecido como “Fariñas”. «A minha paixão pelo futebol começou muito cedo. O meu pai é, sem dúvida, o meu principal incentivador, e acredito que já está no sangue», confessa.

Depois de ter jogado vários anos em clube brasileiros, Breitnet recebeu uma proposta para jogar em Portugal no União da Madeira, onde esteve até à temporada anterior. «A minha chegada a Portugal concretizou-se através de um agente português que me acompanhava há muito tempo. Para mim, foi muito fácil pois há muitos jogadores brasileiros e isso ajudou-me bastante pois já

tinha estado muitos anos no Brasil, onde se joga futebol de alto nível como em Portugal. Aprendi muitas coisas. Tanto os estilos de jogo no futebol como as culturas dos dois países são diferentes», recorda. No que se refere à sua transição do União para o Leixões Sport Club, o jogador de meio-campo, natural de Barcelona, Estado de Anzoátegui, explica que foi «muito tranquila e claro que esta primeira temporada com o Leixões foi muito boa para mim e para o clube. Espero continuar bem como na última temporada para que novas coisas possam vir e continuem a acontecer». Da Silva afirma que tem saudades dos seus familiares, da alegria que se vivia naquele país e da gastronomia. Por outro lado, destaca que o futebol venezuelano precisa de «mais organização porque há excelentes jogadores que podem jogar em qualquer parte do mundo», garante.

são sempre muito altas, sonho em jogar no Vinotinto e conseguir atingir o mais alto nível do futebol. O futebol venezuelano precisa de muitas coisas, mas é verdade que a situação no país é muito mais difícil. A primeira coisa são as instalações dos clubes, há clubes que têm todas as suas comodidades, mas há outros que não as têm. Outra coisa muito importante é a categoria de menores, há o segredo para que o futebol venezuelano e o jogador venezuelano cresçam cada vez mais”, afirmou.

Jhon Murillo está na corda bamba com o Benfica OSCAR SAYAGO

O atacante venezuelano, Jhon Murillo, continua sem contar para o Benfica de Portugal. O extremo que jogou no Zamora, foi emprestado na última temporada ao Kasimpasa da Turquia. Segundo o jornal “A Bola”, o treinador Rui Vitoria não conta com Murillo para a próxima temporada. Por esta razão, o seu futuro está no ar e de acordo com jornal poderia acabar numa equipa da Major League Soccer (MLS) no verão ou continuar a ser emprestado, embora agora com o Tondela Portugal. Benfica reconheceu que está a negociar o atacante venezuelano, no entanto, por enquanto não há muitas equipas que estejam dispostas a pagar mais de 3 milhões de euros pelo jogador, somente mostrou interesse uma equipa da MLS. Apesar da baixa demanda que teve o jogador, a liga americana é um campeonato que interessa o

ex-atacante Zamora, inclusive até mais do que voltar a Portugal, onde teria algumas outras opções entre as quais se destaca voltar ao Tondela ou jogar com o Sporting Braga. Murillo foi comprado pelas águias’ no verão de 2015 desde Zamora, contudo, não tem tido minutos no conjunto de Vitoria, foi emprestado ao Tondela e depois ao Kasimpasa de Turquia.


EDIÇÃO N° 741 • ANO 19 • DEPÓSITO LEGAL: 199901DF222 • BS. 50.000

Sexta-feira 27 de Julho de 2018

Correio de Venezuela

@correiodvzla

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“ENBUENASMANOS”

“A minha missão é servir os outros” María Cecilia Teixeira apoia há mais de vinte anos sacerdotes e peregrinos da Catedral de Caracas DELIA MENESES Com a sua blusa branca imaculada fechada até ao pescoço, um crucifixo pendurado ao peito e calças castanhas escuras, a pequena figura de Maria Cecilia Teixeira Ramos movimenta-se com passo apressado pela Catedral de Caracas, o templo mais importante da cidade. Tem a pele clara e fina, ninguém diria que acumula 72 anos, vinte dos quais ao serviço do altar e de sacerdotes desta igreja, que sabem que ela está em boas mãos. Natural do Estreito de Câmara de Lobos, chegou à Venezuela com o marido em 1968. Em Caracas nasceram seis filhos, quatro homens e duas mulheres, Cecilia foi bem sucedida graças ao seu trabalho em limpeza de condomínios. «Sempre estive nos condomínios e, como não podia ter a minha própria casa, procurava nos anúncios de jornais vagas». E assim esteve 15 anos à frente da limpeza de um edifício em Miraflores, e depois noutro na Avenida Sucre em Catia, e dez anos na Avenida Baralt, onde vive há 25 anos. Na Catedral, Cecilia faz de tudo

um pouco, sem protagonismos e com um sorriso no rosto. Toca o sino para destacar o momento da consagração, Muda o sacrário e leva-o ao altar, dá a comunhão. Continua atenta ao sermão do sacerdote para se levantar no momento em que este termina de falar e oferece-lhe um copo de água e ainda canta. Gosta muito de cantar, tem uma voz refinada e com o seu característico sotaque português, que mantém com orgulho. Como veio aqui parar? Comecei há mais de 20 anos, quando vinha rezar o terço todas as tardes, às 16h00, e fiquei cada vez mais tempo, assumindo mais responsabilidades. Qual é a maior aprendizagem que este trabalho lhe deixou? Acreditar em Deus e não odiar os homens. O único que tem poder é o Senhor, não nos deixemos enganar por outro ser humano. Que dificuldades tem de enfrentar? Como estamos no coração de Caracas e perto das importantes sedes do governo, quando há

—O que é que mais gosta do seu trabalho? —Gosto de colaborar com tudo o que posso. Monsenhor Adán disse-me que, se não fosse pela minha idade, eu seria um sacristão. A minha missão é servir os outros. eventos políticos ou marchas, fecham os acessos e tenho de conseguir chegar aqui, porque os guardas não deixam passar. Eu tenho de dar uma volta enorme para conseguir chegar à Catedral. Que coisas mudaram ao longo dos tempos? Agora vêm à igreja mais pessoas do que antes? Sim, especialmente aos domingos há muitas pessoas. Em tempos difíceis como os que vivemos, as pessoas aproximamse de Deus. Uma dica para quem, como você, é servidor do altar. Servir com simplicidade Como vê o futuro? Os que acreditam em Deus veem sempre o futuro com esperança. O melhor da Venezuela? A sua gente amorosa e solidária. E o que devemos mudar? Há muitas coisas que devemos mudar. A maioria dos jovens sente que este é um país onde não se pode prosperar. Estou triste pela partida da minha filha mais nova, que foi embora com meus três netos para o Peru. Ela era a minha companhia em casa. Que lembranças tem da sua terra natal? As melhores. Lembro-me sobretudo da nossa fazenda, onde o meu pai trabalhava. Ali, sentia-me uma rainha.

Correio de Venezuela 741  

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