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P r é m i o Ta l e n t o 2 0 0 9 Correio de Venezuela

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Sábado 8 a Sexta-feira 14 de Julho de 2017

EDIÇÃO N° 700 • ANO 17 • DEPÓSITO LEGAL: 199901DF222 • BS. 500

Gonçalo Capitão visitou zona oriente do país /P.8

ENTREVISTA

Auristher Pinto: “Amo Portugal e a cultura dos meus antepassados” /P.8

PORTUGAL

Governo luso aprova medidas extraordinárias para Pedrógão Grande /P.11

MADEIRA

Aprofundamento da autonomia marca Dia das Comunidades Madeirenses /P.14

CULTURA

Venezuela comemora 5 de julho em Lisboa /P.5

Um Mister Venezuela de origem madeirense

CRISE

Parlamento português aprova voto com “apelo ao diálogo democrático” na Venezuela VENEZUELA

Comerciantes afetados por pilhagens emMaracay reúnem-se para avaliar os danos Os comerciantes reuniram-se nas instalações da Casa Portuguesa de Aragua para debater a situação e avaliar os danos. Apesar da situação, os comerciantes não perdem a esperança e mantêm-se atentos perante uma possível ajuda financeira. /P.4 PUB

PORTUGAL

Lesados do BES entregam assinaturas no parlamento e aguardam soluções Os representantes das diferentes organizações dedicaram um apelo ao parlamento para que ofereça proteção aos investidores não qualificados, que foram vítimas da compra de produtos através da sucursal financeira exterior do extinto Banco Espírito Santo. /P.7

DESPORTO

Esta é a quarta vez desde março que Assembleia da República discute, através de votos de pesar, a situação na Venezuela, onde vive uma grande comunidade portuguesa, e, mais uma vez, verificou-se uma clara divisão entre esquerda e direita. /P.4

/P.17

Liga Portuguesa 2017/18 já tem calendário definido /P.25


2 Editorial

Sábado 8 a Sexta-feira 14 de Julho de 2017 | Correio da Venezuela

cartas do leitor Então e os medicamentos?

Venezuelanos são ameaça?

Escrevo esta carta porque me sinto impotente e tenho que denunciar publicamente esta terrível situação de falta de medicamentos que se vive na Venezuela. Na minha família, temos um primo que precisa de um medicamento muito caro que tradicionalmente só é distribuído com apoio social: os ‘antirretrovirales’. Lamentavelmente, no nosso país não há estes medicamentos desde junho e as ONG que estão de alguma forma relacionadas com esta temática garantem que o panorama é cinzento, pois só se prevê que a distribuição destes seja feita novamente lá para meados de setembro. No nosso país, não existe outra forma de os conseguir... Não existe produção nacional nem distribuição pela rede de farmácias privada. Resumindo, os afetados vivem um caos total e a sua vida depende da vontade de um Governo que simplesmente não lhe apetece fazer o que lhe compete! Tenho visto nas redes sociais que a situação se repete com outros medicamentos comprimidos para a tensão, diabetes e inclusive os indispensáveis antibióticos. Agora pergunto: É esta a melhor forma de tratar da saúde de um povo? Matam os doentes para acabar com a dor deles? Que opções do Governo de Portugal oferece para fazer frente a esta escassez que os cidadãos vivem? Que triste é viver na Venezuela!

Sou venezuelana e já vim da Venezuela há mais de duas décadas. Tenho formação superior e adoro viver na Madeira. Os meus pais emigraram há muitos anos para aquele país e, como muitas pessoas, regressaram à sua terra natal. Fico muito feliz por assim ter sido, pois gosto de viver cá. Contudo, apesar de ter formação superior, estou desempregada e desespero por poder encontrar um trabalho. Na verdade, nunca conseguir ficar efetiva em lado nenhum e convivo com a precariedade há muitos anos. Tenho quase 40 anos e sou mãe, mas nunca consegui comprar casa própria, por exemplo. Sei que parece egoísta, mas estou preocupada com esta vinda massiva de venezuelanos e luso-venezuelanos, muitos deles com formação superior, pois sinto que dificilmente vou concretizar o meu sonho: poder um dia viver na paz de estar efetivada a uma empresa ou a um organismo público. O que mais desejo é que a situação do meu país, que tanto amo, se possa resolver rapidamente. E que os meus “paisanos” possam continuar a visitar-nos nas férias, para que não sejam uma ameaça e não venham para aqui, para esta ilha já de si com tão pouca oferta de emprego, tirar-nos os poucos postos de trabalho que temos...

Adelaide Dos Santos

S. Jardim

Férias anormais

Chega de violência...

É a primeira vez em 15 anos que não posso dar à minha família as merecidas férias de verão que todos os anos fazemos em Portugal. Embora a TAP continue a voar para a Venezuela, a ausência de passagens em bolívares e o elevado preço das paisagens em dólares, aliados à complicada situação de câmbio que faz com que os bilhetes estejam a um preço multimilionário, fez com que tomasse a difícil decisão de ter que dizer aos meus filhos e à minha mulher que este ano não ia conseguir fazer férias. Sei que muitos consideram ser um luxo, mas para mim não é: realmente este é um momento de descanso depois de um ano de muito trabalho e de poupança. Muitos íamos com o dinheiro à justa, mas o que importava era ver a família e distrais-nos desta situação tensa e terrível que se vive aqui... Ninguém toma medidas em relação a este assunto? O Governo português só se interessa pelos emigrantes quando estes geram receita? O que vai fazer o Governo? Sendo assim, este ano temos que fazer férias cá: num país que amamos, mas que não nos oferece segurança, nem sossego...

Chega de violência na Venezuela. Até quando mais um jovem morto nas manifestações? O que é preciso acontecer para que os dois lados se apercebam que os venezuelanos estão fartos de confrontos entre apoiantes políticos? Não são os personagens de um show, são os líderes de um país que merece mais dos seus governantes. Já não era suficiente o sofrimento que a crise, com falta de medicamentos e alimentos, nos trouxe? Ainda se criou um terrível panorama de violência para ver quem pode mais, que é mais violento, quem dá o soco mais forte… Os venezuelanos nunca foram conhecidos como um povo de protestos e confrontos… Não nos convertamos no que tanto criticamos. Acredito que a mudança também nasce da forma como protestamos porque não se pode esperar obter uma mudança positiva através da preguiça.

José Silva Freitas

Envie-nos a sua carta ou comentário para: correio.prensa@gmail.com

María Goretti Teixeira

fotoflash

Centros portugueses permanecem ativos, apesar da situação do país

Grupo Editorial

www.correiodevenezuela.com Rif.: J-40058840-5

Diretor Aleixo Vieira Gerente: Sergio Ferreira Soares Endereço: Av. Veracruz. Edif. La Hacienda. Piso 5, ofic. 35F. Las Mercedes, Caracas. Telefones: (0212) 9932026 / 9571 Telefax: (0212) 9916448 E-mail: editorial@correiodevenezuela.com Site: www.correiodevenezuela.com

Não temos dúvidas de que a situação de crise e de recessão económica que se vive na Venezuela tem reflexos em todo quanto se programa e organiza neste País, em que as faltas são prementes e as necessidades de todo o género. Por isso, não podemos deixar de destacar as actividades que continuam a ser desenvolvidas nos centros portugueses e entre a Comunidade Portuguesa. Só quem segue de perto os eventos e a forma como são organizados é que pode dar valor ao cada vez mais difícil plano logístico que é necessário levar a cabo para que tudo decorra da melhor maneira. Há casos que bem poderíamos destacar, mas em nome da verdade e da solidariedade que são necessárias em ocasiões como estas, queremos sublinhar apenas a fraternidade e participação que se verificam nestes eventos, cujos organizadores saudamos com grande consideração.

Chefe de redação Sergio Ferreira |Jornalistas Ommyra Moreno, Victoria Urdaneta, Kenner Prieto, Antonio Da Silva |Correspondentes Edgar Barreto (Falcón), José Manuel De Oliveira (Falcón), Carlos Balaguera (Carabobo), Sandra Rodríguez (Aragua), Trinidad Macedo (Lara), Silvia K. Gonçalves (Bolívar), Mariana Santos (Nueva Esparta), Luis Canha (Mérida), Carlos Marques (Mérida), Daniela García (Miranda), Antonio Dos Santos (Zulia) |Colaborações Catanho Fernandes, Sónia Gonçalves, Arelys Gonçalves, Antonio López Villegas, Isabel Idárraga, Serafim Marques, António Delgado, Daniel Bastos |Publicidade e Marketing Sergio Ferreira |Paginação Elsa de Sá |Fotografia Francisco Garrett |Administração Jesús Quijada, M. Liliana Batista |Distribuição Luis Alvarado, Carlos A. Perregil R. |Impressão Impresiones Newsprinter. Caracas -Venezuela |Tiragem 15.000 exemplares |Fontes de Informação Agência Lusa, Diário de Notícias, Diário de Notícias da Madeira, Ilhapress, Portuguese News Network e intercâmbio com publicações em língua portuguesa.


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4 Venezuela

Sábado 8 a Sexta-feira 14 de Julho de 2017 | Correio da Venezuela

CRISE

Parlamento português aprova voto com “apelo ao diálogo democrático” na Venezuela

POLÍTICA

Albuquerque deixa mensagens de apoio aos emigrantes

Sergio Ferreira Soares

O parlamento português aprovou um voto, do PSD e do CDS, de “apelo ao diálogo democrático” na Venezuela e rejeitou outro, do PCP, que condenava a “acção de grupos golpistas”. Esta é a quarta vez desde março que Assembleia da República discute, através de votos de pesar, a situação na Venezuela, onde vive uma grande comunidade portuguesa, e, mais uma vez, verificou-se uma clara divisão entre esquerda e direita. No debate, no parlamento, o deputado do CDS, Telmo Correia, qualificou o “regime” venezuelano de “ditadura” e recusou qualquer “manifestação de solidariedade”, acusação feita pelo líder da bancada comunista, João Oliveira, a grupos terroristas. Era a referência feita aos grupos que invadiram o parlamento venezuelano, apoiantes de Nicolas Maduro, por entre acusações de agressões a deputados e jornalistas. João Oliveira lembrou que o governo de Maduro condenou esta acção e, como já fizera nos debates anteriores desde março,

CORREIO/LUSA

condenou a “acção violenta de grupos golpistas” e as “ingerências externas” no país. PSD e PS foram diplomáticos, apelaram ao diálogo, embora o deputado socialista Paulo Pisco tenha admitido não ser possível desculpabilizar o governo pelos acontecimentos tumultuosos dos últimos meses que já fizeram mais de 100 mortos. Todos os partidos expressaram a sua solidariedade para com a comunidade portuguesa e de

lusodescendentes que vive na Venezuela, com o PSD a pedir ao Governo que “não baixe os braços” na sua defesa. Na hora da votação, o voto de pesar do PSD e do CDS teve o apoio do PS, e foi aprovado. O voto de condenação dos atos de violência contra a Venezuela, apresentado pelo PCP, foi chumbado, apesar dos votos da bancada comunista, BE e PEV, e teve os votos contra do PS, PSD e CDS.

O presidente do Governo Regional aproveitou a 62.ª edição da Feira Agro-pecuária do Porto Moniz para deixar várias mensagens de apoio e solidariedade aos emigrantes radicados na Venezuela. Miguel Albuquerque lembrou o trabalho que o seu executivo tem efectuado para minimizar constrangimentos, sobretudo nas ajudas aos “desempregados”, através do Instituto de Emprego da Madeira, no “apoio médico e nos medicamentos”, deixando uma palavra de esperança aos portugueses que enfrentam o regime “insustentável” de Nicolas Maduro.

Depois o governante visitou demoradamente os 150 expositores presentes neste certame, mostrando a sua especial atenção na certificaçao da produção de carne madeirense numa aposta que será realizada através das vacas de raça limousine, ouvindo da boca do presidente da Associação de Criadores de Limousine (ACL) palavras de incentivo. ´e acordo com este responsável, esta raça “está em franco crescimento”, com cada vez mais e melhores criadores e também com um aumento constante de vacas “em linha pura”. David Catita acredita que a Madeira tem boas condições para a produção.

ACTUAL

Comerciantes afetados por pilhagens reúnem-se para avaliar os danos Ommyra Moreno Suárez

No dia 26 de junho, durante a noite, a zona de Maracay, Estado Aragua, foi vítima de pilhagens e atos de vandalismo em locais comerciais que foram captados por vídeos publicados nas redes sociais. Conforme noticiado pela Agência Lusa, foram pilhados um total de vinte estabelecimentos comerciais de portugueses. No dia 4 de julho, os comerciantes reuniram-se nas instalações da Casa Portuguesa do estado Aragua para debater a situação e avaliar os danos. No lo-

cal, esteve presente o cônsul honorário de Portugal em Maracay, Marcelino Canha, e o presidente da Casa Portuguesa do Estado Aragua, David Alcaría.«Estiveram presentes na reunião mais de cem pessoas. Na lista, contabilizamos 34 negócios afetados. Contudo, recorde-se que há estabelecimentos que têm mais do que um sócio. Estivemos a fazer um levantamento dos negócios afetados e enviamos uma lista preliminar ao Consulado Geral em Valencia para que envie a informação à Embaixada e avalie o procedimento no que se refere

a possíveis ajudas aos afetados», explicou David Alcaríaao CORREIO. Alcaríadestacou a preocupação dos afetados e a reserva em abrir novamente os seus negócios pela incerteza que impera na zona. «O que me parece é que as pessoas sentem medo de abrir os negócios, embora o português seja por si só empreendedor e neste momento tenha medo, mas alguns preferem esperar para ver o que vai acontecer, estão na defensiva, pois pode voltar a acontecer alguma coisa semelhante. A maioria dos negócios pilha-

dos era de distribuição e venda de alimentos. «O que não puderam levar, foi destruído. Entre estes negócios, estão padarias, supermercados e talhos. A maioria destas localizadas nos municípios de Santiago Mariño, Francisco LinaresAlcántara, Palo Negro eGirardotdo Estado Aragua», assinalou o presidente do clube luso-venezuelano. Apesar da situação, os comerciantes não perdem a esperança e

mantêm-se atentos perante uma possível ajuda financeira para repor os seus inventários. «Eles têm a esperança de que o governo, diretamente ou através do governo venezuelano, ofereça ajuda com algum tipo de financiamento para possam abrir de novo os seus negócios. A ideia é criar uma equipa e unir-nos nesta causa. Por agora, estamos à espera de instruções do cônsul-geral para convocar uma próxima reunião», disse.


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5 DE JULHO

200 manifestam apoio à Venezuela em Lisboa, com cartaz “pela liberdade” a gerar incidente

Venezuela 5

POLÍTICA

Maduro condena ataque ao parlamento e ordena investigação

AGÊNCIA LUSA

Cerca de 200 pessoas participaram numa “ação de solidariedade com o povo da Venezuela”, organizada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação com apoio da embaixada venezuelana, que foi perturbada por um incidente com um cartaz. A “ação de solidariedade”, apoiada pela Embaixada da Venezuela em Portugal, foi promovida, segundo o CPPC, para “expressar apoio às forças progressistas” venezuelanas, alvo de “um golpe antidemocrático” que visa a “recuperação do domínio dos Estados Unidos”, “posto em causa com os processos progressistas na América Latina”. A manifestação, na qual participaram dirigentes políticos e sindicais, entre os quais a presidente do CPPC e candidata comunista à Câmara Municipal do Porto, Ilda Figueiredo, e o líder parlamentar do Partido Comunista Português (PCP), João Oliveira, seguiu-se a um “ato protocolar” de comemoração do Dia da Independência da Venezuela junto à estátua de Simon Bolívar, na Avenida da Liberdade. Antes do início da comemoração, e pouco após a chegada da maioria dos manifestantes, um jovem que segurava um cartaz com a inscrição “Venezuela Livre” foi rodeado por várias pessoas, algumas delas agitando bandeirolas

AGÊNCIA LUSA

do CPPC, e o cartaz desapareceu. “Eu trazia um cartaz, que nos foi oferecido por um jovem artista venezuelano recém-chegado, com [a imagem de] uma mulher com uma pessoa nos braços, que representa a Venezuela, e que dizia ‘Venezuela Livre’, não dizia mais nada”, explicou à Lusa o jovem, Christian Hohn, esclarecendo que é presidente da Associação Civil de Venezuelanos em Lisboa, Venezos. “Foi-me arrancado, foi-me tirado. Eu estava a caminhar com ele, de cada vez que me mexia alguém se punha à minha frente, com bandeiras. Comecei a levantar o cartaz, não falei, não gritei, e encurralaram-me ao pé do ‘mupi’, puxaram-me pelas calças, puxa-

ram-me aqui em baixo [apontando para a bainha das calças] e tiraram-me o cartaz”, explicou. No ato protocolar que antecedeu o protesto, o embaixador da Venezuela em Lisboa, Lucas Rincón Romero, afirmou “a determinação” dos venezuelanos “na independência” e, sublinhando a “legitimidade constitucional” do presidente, Nicolas Maduro, enalteceu o “apoio constitucional e popular à paz” na Venezuela. “Hasta la Victoria, siempre!”, disse, ao concluir a intervenção e declarar terminado o ato protocolar, no qual participaram representantes da Câmara Municipal de Lisboa e a Banda do Exército, que tocou os hinos nacionais dos dois países.

Pelo menos 13 pessoas ficaram feridas na sequência do ataque ao parlamento, em Caracas, por civis armados afetos ao regime, mantendo-se os deputados, funcionários e jornalistas fechados no edifício. Cinco deputados figuram entre os feridos resultantes do ataque, que ocorreu durante uma sessão especial comemorativa do 206.º aniversário do Dia da Independência. O ataque foi precedido por uma visita do vice-presidente da Venezuela, Tarek El Aissami, que, conjuntamente com vários membros do Governo venezuelano, e cerca de 300 de apoiantes, entrou no parlamento para realizar um ato no salão Elíptico, onde está a ata da Independência da Venezuela. “Estamos nas instalações de um poder do Estado, sequestrado pela mesma oligarquia que traiu a Bolívar (Simón)”, disse, num discurso em que defendeu

a convocatória a uma Assembleia Constituinte feita pelo Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A visita de El Aissami foi feita sem informação prévia à mesa da Assembleia Nacional, onde a oposição é maioritária. À saída as portas do parlamento ficaram abertas permitindo a entrada dos ‘coletivos’ [denominação por que são conhecidos os grupos de civis armados afetos ao regime] que lançaram engenhos explosivos e ameaçando sequestrar os deputados. O Presidente Nicolás Maduro condenou o ataque ao parlamento venezuelano, durante o qual pelo menos 13 pessoas ficaram feridas e ordenou que esses “factos estranhos” sejam investigados. “São factos estranhos, sempre estranhos. Eu condeno absolutamente esses factos. Não serei nunca cúmplice de nenhum facto de violência. Eu os condeno e ordenei que sejam investigados e que se faça justiça”, disse.

ACTUAL

Parlamento aprova plebiscito AGÊNCIA LUSA

A Assembleia Nacional da Venezuela (AN), onde a oposição é maioritária, aprovou hoje a convocação de um plebiscito para 16 de julho, para que os venezuelanos decidam se querem continuar a ser presididos por Nicolás Maduro. A aprovação da moção foi feita pouco depois de civis armados,

afetos ao regime, terem entrado no parlamento e agredido várias pessoas, tendo ficado feridas 13 pessoas, entre elas cinco deputados, trabalhadores e jornalistas. No dia do plebiscito os venezuelanos devem decidir ainda se aprovam a realização de uma Assembleia Constituinte proposta pelo chefe de Estado e quais as funções que devem ser atribuídas às Forças Armadas Venezuelanas.

A consulta popular, segundo a oposição, terá lugar junto das igrejas, escolas e praças públicas. Na Venezuela, as manifestações a favor e contra o Presidente Nicolás Maduro intensificaram-se desde o passado dia 01 de abril, depois de o Supremo Tribunal de Justiça divulgar duas sentenças que limitavam a imunidade parlamentar e em que aquele organismo assumia as funções do parla-

mento. Entre queixas sobre o aumento da repressão, os opositores manifestam-se ainda contra a convocatória a uma Assembleia

Constituinte, feita a 01 de maio pelo Presidente Nicolás Maduro. O número oficial de mortos nas manifestações, a favor e contra o regime, é de 91.


6 Venezuela

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CASOS DO DIA

Comerciante português assassinado em Guatire Soube-se que a vítima foi atacada por assaltantes quando estava na sua carrinha Jeep Cherokee branca

Homem acusado de tentar matar a mulher à facada começou a ser julgado no Funchal CORREIO/LUSA

Ommyra Moreno Suárez

O comerciante português Manuel Da Silva, de 56 anos de idade, foi assassinado na quinta-feira dia 30 de junho, por volta das 14h00, quando se comemorava o Dia de São Pedro na cidade de Guatire, Estado Miranda. Da Silva foi abordado por indivíduos desconhecidos ao fim da rua 9 de Diciembre de Guatire, município Zamora do estado Miranda, que dispararam sem dó nem piedade, conforme noticia La Voz. Soube-se que a vítima foi atacada por assaltantes quando estava na sua carrinha Jeep Cherokee

CASOS DO DIA

branca. Ao local, chegaram agentes da brigada de homicídios do Cicpc de Guarenas, para fazer o levantamento do corpo e iniciar as respetivas pesquisas com teste-

munhas referenciais e a recolha de testemunhas. Embora as autoridades garantam que é muito prematuro tecer impressões, não descartam a causa ter sido vingança.

Um homem de 35 anos, acusado de ter tentado matar a mulher à facada em janeiro deste ano, começou a ser julgado no Tribunal do Funchal, onde afirmou que tudo aconteceu num “momento de loucura”. Ismael Santos e Linda Garcia casaram-se na Venezuela, em 2006, e residiam à data dos factos em casa da mãe do arguido, juntamente com as duas filhas menores do casal, na freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, na zona oeste da ilha da Madeira. A acusação - lida pela juíza presidente coletivo Carla Meneses refere que, no dia 03 de janeiro de 2017, o arguido surgiu por detrás

da mulher, quando ela estava na cozinha a tomar o pequeno-almoço, puxou-lhe a cabeça para trás e desferiu-lhe um golpe no pescoço com uma faca com 10 centímetros de lâmina. A vítima pôs-se, então, de pé e defendeu-se, agarrando a lâmina com a mão, mas Ismael Santos, segundo a acusação, continuou a golpeá-la em várias partes do corpo, acabando por derrubá-la. Ismael Santos é acusado de homicídio qualificado na forma tentada, sendo que, conforme referiu a juíza Carla Meneses, “agiu de forma premeditada e por motivo fútil - ciúmes”, além de o fazer “voluntariamente e conscientemente e com a intenção de matar a mulher”.

CRISE

90 pessoas foram assassinadas desde Abril durante protestos na Venezuela AGÊNCIA LUSA

O Ministério Público da Venezuela (MP) confirmou que 90 pessoas foram assassinadas na Venezuela desde abril deste ano, no âmbito de protestos a favor e contra o Governo do Presidente Nicolás Maduro. “Noventa pessoas faleceram até ao dia de hoje. Temos 4.658 pessoas processadas, não apenas pelas mortes e lesões, mas também por danos a propriedade pública e privada”, disse a Procuradora-Geral da Venezuela, durante uma conferência de imprensa em Caracas. Segundo Luísa Ortega Díaz, o MP tem investigado “cada um dos factos que ocorreram durante estes meses de violência, lamentando que “em muitos casos de mortos em manifestações”, aquele organismo não pode exercer um ação penal devido “a obstáculos” que têm surgido, nomeadamente mandados de detenção que não foram executados. Na Venezuela, as manifestações a favor e contra o Presidente Nicolás Maduro intensificaram-se

desde 01 de abril passado, depois de o Supremo Tribunal de Justiça divulgar duas decisões que limitavam a imunidade parlamentar e em que aquele orgão assumia as funções do parlamento. Entre queixas sobre o aumento da repressão, os opositores têm-se manifestado ainda contra a convocatória de uma Assembleia Constituinte, feita a 01 de maio último pelo Presidente Nicolás Maduro, numa tentativa de mudar a Constituição do país. Procuradora acusa Supremo Tribunal de golpe de Estado grotesco Já a procuradora-geral da Venezuela, Luísa Ortega Díaz, acusou hoje o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) de “abuso de poder” e de um golpe de Estado grotesco ao pretender submetê-la a um julgamento, a pedido do partido do Governo. “Isto é um golpe de Estado, grotesco (...) eu não cometi delitos nem faltas e não me submeterei a este tribunal inconstitucional e ilegítimo. Se o STJ decide retirar-me do cargo não terei outra opção senão colaborar para

restabelecer a democracia”, disse durante uma conferência de imprensa em Caracas. Para a procuradora, que segundo a legislação em vigor só pode ser destituída pelo parlamento (onde a oposição detém a maioria), com prévio parecer do STJ, os magistrados daquele organismo que pretendem submetê-la a julgamento “são inconstitucionais”. “Congelaram-me as contas, os bens e proibiram-me de sair do país, mas não há delito. Não fui (hoje) ao STJ, não vou validar um circo que tingirá a nossa história com vergonha e dor, e cuja decisão já está tomada e não reconheço. Esta é uma fraude processual com a qual se pretende intimidar a procuradora. Pretendem calar-me”, disse. Entretanto, advogados particulares da procuradora-geral recusaram 17 magistrados do STJ, por considerar que estão direta ou indiretamente relacionados com o processo ou foram acusados de irregularidades, pelo Ministério Público. Entretanto o STJ iniciou o jul-

gamento na ausência da procuradora. A 20 de junho último o STJ admitiu um pedido para iniciar um julgamento contra a procuradora-geral da Venezuela, Luísa Ortega Díaz, por alegadas “faltas graves no exercício do cargo”. A decisão foi tomada com base num pedido feito pelo deputado Pedro Carreño, do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo). O deputado solicitou a realização de um “pré-julgamento de mérito”, uma figura jurídica que, na Venezuela, implica determinar se existem motivos para afastar um alto funcionário do cargo e submetê-lo a um julgamento. No entanto, segundo explicou

um jurista à Agência Lusa, a legislação venezuelana estabelece que os integrantes do Conselho Moral Republicano (Procuradoria, Controladoria e Provedoria de Justiça) só podem ser destituídos pela Assembleia Nacional, após um pronunciamento do STJ sobre uma falta grave. Atualmente o Parlamento, onde a oposição detém a maioria, encontra-se em situação de incumprimento a várias sentenças do STJ. A 13 de junho último a procuradora solicitou ao STJ que levantasse a imunidade e afastasse oito magistrados pelo alegado envolvimento “no delito de conspiração contra a forma republicana da nação”.


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Venezuela 7

BANCA

Lesados na Venezuela entregam assinaturas no parlamento e aguardam soluções

(…). Deram-nos a opção de travar o processo até que todos os afetados tenham aderido, mas também chegamos à conclusão de que também podemos obstruir a solução para os que viver em Portugal. É importante que se saiba

que os produtos adquiridos na sucursal financeira exterior são na sua maioria de madeirenses emigrantes e ficaram fora nesta primeira fase, assim como os correspondentes na Suíça e França. Ou seja, só estamos a ter em conta os produtos PT, enquanto que os outros produtos ficam para uma segunda fase», assinalou Rodrigues. «É preciso continuar a lutar, e isto não é de um dia para o outro. Queremos também deixar um apelo porque ainda há pessoas afetadas que não se juntaram a associações e o seu apoio é importante, mas isto implica despesas (…)», explicou. E ainda para mais o Novo Banco fechou a sucursal que dava apoio na Madeira, o que abriga a uma deslocação a Lisboa. Por outro lado, Luís Janeiro, presidente daAsociación de Defensa de Clientes Bancarios (ABESD) declarou ao Jornal Económico que «os afetados querem respostas rápidas porque perderam os seus negócios e poupanças em Portugal e passam, alguns, por dificuldades depois de muitos anos de trabalho (…)».

se toda a sua vida na Venezuela” e que se encontram numa “situação dramática” por terem sido “enganadas” ao subscreverem produtos de risco do GES quando pensavam estar a aplicar o dinheiro em produtos com capital garantido, segundo Vasco Barros. “Não eram investidores, muito menos investidores qualificados.

São pessoas simples, com pouca escolaridade, que colocaram as poupanças de uma vida em depósitos a prazo e ficaram sem nada”, vincou. A associação representa atualmente cerca de 30% dos 200 lesados na Venezuela, com um montante correspondente a cerca de 50 milhões de euros.

Ommyra Moreno Suárez

Na quinta-feira 29 de junho, os representantes da Asociación de Lesados Emigrantes Portugueses na Venezuela (Alepv) juntamente com a Asociación de Defensa de Clientes Bancarios (Abesd), la AsociaciónMovimiento Emigrantes Lesados Portugueses (Amelp ), laAsociación de InversionistasSenior Particulares Lesados de Novo Banco e o Escritorio Jurídico Costa Carvalho y Asociados, em representação dos afetados na África do Sul, compareceram na Assembleia da República em Lisboa, para entregar as mais de 500 assinaturas. No local, os representantes das diferentes organizações foram recebidos pelo deputado do PSD, José de Matos Correia, e dedicaram um apelo ao parlamento para que ofereça proteção aos investidores não qualificados, que foram vítimas da compra de produtos através da sucursal financeira exterior do extinto Banco Espírito Santo (BES)- «Tivemos também uma audiência privada com Paulo Pisco e Rubina Berardo, deputados do

PS e do PSD, respetivamente, que ouviram o porquê de nos sentirmos enganados», comentou José Rodrigues, representante de Alepv, em declarações ao CORREIO. Embora não haja um acordo em concreto, a associação garan-

te que se fala de possíveis alternativas, unicamente comerciais, as quais se espera que passem pelo congresso nas próximas semanas para revisão. «Falamos apenas de papel comercial, emitido em Portugal, sem incluir outsources

BANCA

Três associações de lesados do BES e Banif queixam-se de serem excluídas de solução DN Madeira

As três associações de clientes lesados com produtos financeiros adquiridos aos balcões do BES e do Banif ontem ouvidas no parlamento criticaram a sua exclusão da proposta de lei que visa viabilizar uma solução para esta situação. A primeira audição nos trabalhos de da Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa (COFMA) coube à Associação de Defesa dos Clientes Bancários (ABESD), que contou com António Borges como porta-voz. O responsável revelou que a entidade, criada em julho de 2014, ainda antes da resolução do Banco Espírito Santo (BES) - quando já se adivinhavam problemas no banco - conta com cerca de

110 associados, com idades entre os 45 e os 70 anos, alguns emigrantes e outros residentes em Portugal, com investimentos em papel comercial e outras aplicações financeiras do Grupo Espírito Santo (GES) na ordem dos 50 milhões de euros. “O que conhecemos do acordo [para ressarcir parcialmente os lesados do BES] é só através da comunicação social. Ficámos de fora do grupo de trabalho e nenhum dos nossos associados está contemplado nesta solução”, lançou, explicando que os associados da ABESD “têm as contas em sucursais estrangeiras, apesar de os produtos terem sido subscritos na Avenida da Liberdade [em Lisboa] ou em qualquer balcão do BES” em território português. Em relação à proposta de lei que está em cima da mesa, “não é justa nem equitativa e não tem

igualdade de tratamento para todos os lesados do BES”, disse à Lusa António Borges no final da audição parlamentar, admitindo que ainda confia que os associados da ABESD sejam incluídos numa solução que lhes permita minimizar as perdas. Depois, foi a vez de serem ouvidos os responsáveis da Associação de Emigrantes Portugueses Lesados na Venezuela, Vasco Barros e Lígia de Freitas, que também pediram aos deputados que incluam os seus associados numa solução. “Estamos confiantes de que os deputados vão reconhecer a nossa situação, que fomos enganados, e vão conseguir arranjar uma solução para a nossa situação”, afirmou Lígia de Freitas, que traçou o perfil dos “lesados da Venezuela”. Em causa estão quase 200 pessoas, quase na totalidade oriundas da Madeira, “que trabalharam qua-


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Sábado 8 a Sexta-feira 14 de Julho de 2017 | Correio da Venezuela

ENTREVISTA

Auristher Pinto: «O meu desejo é trabalhar com todos os portugueses e lusodescendentes»

VISITA CONSULAR

Representante da Embaixada de Portugal na Venezuela visitou zona oriente do país Com esta iniciativa, procura-se elaborar uma informação através da qual se possa canalizar a ajuda destinada aos cidadãos mais carenciados Ommyra Moreno Suárez

Atualmente, o atendimento consular é feito nas instalações da Quinta RíoTocuyo, localizada na rua 2 da urbanização La Hacienda, em Mérida Ommyra Moreno Suárez

No dia 31 de março, o Consulado Geral de Portugal em Valencia recebeu a visita oficial do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, juntamente com o Secretário Regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus, Sérgio Marques, que verificaram as condições da comunidade portuguesa na Venezuela. A ocasião foi propícia para a nomeação de Auristher Pinto de Camacaro para consulesa honorária de Portugal em Mérida, cuja nomeação foi publicada pelo Diário da República no dia 27 de abril. Pinto, que é casada e tem dois filhos, garante que o “seu motor” é a sua família, natural de Espinho, na zona norte de Portugal. No que se refere à vida profissional, é Técnica Superior Universitária, com especialização em “Atraso Mental e Dificuldades de Aprendizagens”, em Caracas, detendo licenciatura em Educação, com especialização em “Processos de Aprendizagens em Educação especial#, pelo Instituto Universitário JusúsObrero (IUJO) Centro de Formación de Fe y Alegría (Cepfa), em Mérida. Com uma ampla trajetória, a lusodescendente tem-se dedica-

do à área de Educação Especial, com especial atenção a pessoas descapacitadas, com resultados na inserção socio-laboral destas pessoas.Ainda, tem sido voluntária em diversas organizações, de entre as quais se destacamRotary Santiago de los CaballerosdelDtto 4380 de RotaryInternational, Fundación“Niñosen Positivo”e a“Casa HogarFundación Divino NiñoJesús”. Em 2016, Pinto recebeu uma condecoração por parte da comunidade luso-venezuelana graças ao seu trabalho social ao serviço da comunidade. «O cônsul geral de Portugal em Valencia, João Brito Câmara, fez-me a proposta para assumir o cargo e eu inicialmente apontei outra pessoa, mas depois aceitei e é uma honra para mim e para a minha família porque sinto uma grande honra em poder manter a minha ascendência. Amo Portugal e a cultura dos meus antepassados», comenta. Atualmente, o atendimento consular é feito nasinstalações da Quinta RíoTocuyo, localizada na rua 2 da urbanização La Hacienda, em Mérida. «Já recebo pessoas com marcações com antecedência através do meu telefone ou e-mail ou de um grupo de whatsapp para facilitar o envio dos requisitos dos trâmites e, assim, fazer uso das novas tecnologias para facilitar a gestão», assinalou. Entre as iniciativas culturais, a consulesa honorária manterá aproximadamente um encontro com a Universidade dos Andes para incentivar a língua e a cultura, através de concertos, exposições de arte e cursos de línguas, assim como outras atividades. Por outro lado, no que se refere

aos cursos de Língua e Cultura Portuguesa na região, Pinto assinala que pretende impulsionar o projeto através de dois possíveis mecanismos de ação: um em que se envolve a Fundação Camões e outro através da Escola de Línguas da Universidade de Los Andes. Como parte da sua mensagem à comunidade lusa de Merida, Auristher Pinto fez questão de vincar que ajuda os portugueses no que for necessário. «Da forma mais humilde e solidária, o meu desejo é trabalhar com cada um dos portugueses e lusodescendentes para fazer o possível para melhorar a sua qualidade de vida. Fazer com que os trâmites sejam mais céleres. Também minimizar os custos de transferência para Valência. Em mim, podem encontrar um aliado (…). Tenho a melhor disposição de fazer o meu trabalho e levá-lo a cabo da forma mais honesta», disse. COORDENADAS: Auristher Pinto- consulesahonorária de Portugal em Mérida 0416 6782789 EM AGENDA: Na próxima terça-feira, dia 11 de julho, Gonçalo Capitão, responsável pelos Assuntos Sociais da Embaixada de Portugal na Venezuela, visitará a comunidade portuguesa no Estado Mérida para participar numa reunião coletiva para tratar temas relacionados com ações sociais que se pretendem realizar para ajudar os cidadãos afetados. O encontro terá lugar a partir das 18h00 no auditório do colégio Arquidiocesano (atrás da igreja da paróquia do município Libertador).

No dia 30 de junho, Gonçalo Capitão, responsável pelos Assuntos Sociais da Embaixada de Portugal na Venezuela, juntamente com José Alberto de Viveiros, presidente da Asociación de Luso Descendientesde Venezuela (Asoludeven), começou uma visita pela zona oriente do país com o intuito de conhecer em primeira mão os temas que mais afetam a comunidade portuguesa nesta região, podendo assim elaborar uma informação através da qual possa canalizar a ajuda destinada aos cidadãos mais carenciados. «O feedback das pessoas à presença do diplomático tem sido muito positivo. Um dos pontos mais neurálgicos é a parte das ajudas sociais, sobretudo a carência de medicamentos na Venezuela. A comunidade pede desesperadamente para que Portugal lhes possa enviar medicamentos (…). Também se falou na possibilidade das pessoas que padeçam de doenças crónicas poderem ir para Portugal para receber os seus tratamentos, sendo que o Governo português poderia suportar o custo das passagens aéreas, tratamento e hospitalização», declarou ao CORREIO Rui José Pereira, cônsul honorário de Portugal em Barcelona. Outros dos temas debatidos foi a falta de alimentos, as pensões, as ajudas sociais por parte do Governo português e a dificuldade dos pensionistas venezuelanos em cobrar as suas pensões em Portugal. «Perante todas as perguntas, o Dr. Gonçalo foi muito positivo, mas também muito honesto e tranquilo, transmitindo esperança», disse. «Nesta zona do Oriente temos muitas pessoas com necessidades (…) e desconhecia que houvesse tanta carência», lamen-

tou Pereira. A iniciativa também serviu para criar mecanismos que permitam uma comunicação mais efetiva entre os membros da comunidade residente na região oriental. «Criamos recentemente um grupo no Whatsapp e têm surgido muitas manifestações otimistas. Queremos tentar que nos chegue ajuda por parte do Estado. Nós, como comunidade, temos que nos apoiar uns aos outros», explicou o cônsul honorário. A visita abrangeu um total de nove localidades, começando na sexta-feira 30 de junho pela cidade de Maturín, onde o diplomata se reuniu com a comunidade portuguesa nas instalações do SalónMonagasdo Hotel Morichal Largo, localizado emTonoroVillas, na cidade de Maturín, Estado Monagas. No primeiro de julho, a visita oficial prosseguiu do Estado Anzoáteguipara a cidade de El Tigre, onde houve uma conversa com os portugueses e lusodescendentes no salão único do hotel Green Park, localizado na avenida Peñalvervía El Tigrito. No dia 2 de julho, Capitao visitouPuerto La Cruz, Barcelona, Guanta eLechería, sendo que o ponto de encontro foi o Centro Gallego, localizado na avenida principal de Lechería. No dia 3 de julho, a comunidade do Estado Sucre participou num encontro na cidade de Cumaná realizado no restaurante Poseidón, localizado naavenida Perimetral. No dia 4 de julho, o responsável pelos assuntos sociais viajou até ao Estado Nueva Esparta, mais propriamente atéPorlamar, onde foirecebidopela consulesa honorária de Portugal emPorlamar, Gloria Dos Santos.A visitaterminou no dia 5 de julho com uma visita à cidade de Clarines, Estado de Anzoátegui, para uma reunião com o cônsul honorário de Portugal em Barcelona.


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CLUBES

Centro Luso Larense celebra noite de São João No local, sócios e familiares puderam degustar as tradicionais sardinhas grelhadas, assim como outros pratos da gastronomia portuguesa

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CLUBES

Domingos de Bingo na Casa Portuguesa do Estado Aragua

Ommyra Moreno Suárez

No dia 24 de junho, durante a noite, o Centro Luso Larenserealizou diversas atividades para comemorar o Dia de São João. A iniciativa teve lugar nas instalações do centro social, localizado na via rápida de El Manzanoda cidade de Barquisimeto, Estado Lara. No local, os sócios e os seus familiares puderam degustar as tradicionais sardinhas grelhadas, assim como outros pratos da gastronomia portuguesa, como espetadas e caldo verde. A animação musical esteva

Ommyra Moreno Suárez

a cargo do DJ Alejandro Rojas e do grupo de tambor “Lara, Cumaco y Costa”, que entreteve os presentes com um vasto repertório em homenagem a este santo, venerado em diferentes países. À meia-noite, os presentes aproximaram-se

das tradicionais fogueiras, que se costumam acender para que mais atrevidos as saltem, não importando a idade, que sejam crianças, adolescentes ou adultos, o que que importa é cumprir o ritual para honrar o santo padroeiro.

INSTITUIÇÕES

Asoludeven promove evento de cultura portuguesa em Punto Fijo Trata-se da primeira iniciativa organizada pela direção regional no Estado Falcón

Através da sua conta oficial de Instagram, a Casa Portuguesa do Estado Aragua anunciou que a partir deste mês realiza todos os domingos, a partir das 14h00, um bingo familiar que terá lugar no salão principal do centro social, localizado no setor La Morita da

CLUBES

Casa Portuguesa recebe a exposição “Viviendo el paisaje venezolano en presente y futuro” Ommyra Moreno Suárez

Ommyra Moreno Suárez

Na quinta-feira dia 29 de junho, a Asociación de Luso Descendientes de Venezuela (Asoludeven), com o apoio da Universidade de Falcón e o Grupo Folklórico Luso Venezolano Nova Geração de Paraguaná, organizou um evento livre sobre cultura, folclore português e portugalidade no salão de festas El Arte, localizado na cidade de Punto Fijo, Estado de Falcón. A iniciativa contou com as presenças de José Manuel de Oliveira, presidente do Grupo Folklórico Luso Venezolano Nova Geração de Paraguaná, e Juan José Maciel, diretor regional de Asoludeven no Estado Falcón, que organizaram a palestra sobre

os elementos mais destacados da cultura e tradição portuguesa, demonstrando a forma como estes valores foram incorporados na excelente integração da comunidade lusa e dos seus descendentes no nosso país. No local, os presentes puderam não só conhecer um pouco mais sobre a idiossincrasia lusa, como também assistir a uma apresentação especial a cargo do Grupo Folklórico Luso Venezolano Nova Geração e a uma degustação de vários pratos caraterísticos da gastronomia portuguesa. Trata-se da primeira iniciativa

organizada pela direção regional de Asoludeven no Estado Falcón, após a recente visita da direção nacional, na pessoa do presidente da associação, José Alberto de Viveiros; o diretor de Relações Públicas, Jany Augusto Moreira; e o diretor de Cultura e Educação, Sergio Ferreira Soares. A junta diretiva regional é, então, constituída por Miguel Gouveia; José Manuel Pereira Gonçalves; María Stephanie de Oliveira; Omar Estrada; Christian de Oliveira; Anthony Bracho; Gabriela Lugo; Andreina Alves; Antonio Alves; Edgar Barreto e José Manuel Oliveira.

cidade de Maracay, Estado Aragua. A iniciativa foi pensada não só como um espaço de espairecimento e lazer para os sócios mas também como uma forma de angariar fundos, na medida em que os montantes angariados destinar-se-ão aos comités de cultura e desporto.

A Casa Portuguesa do Estado Aragua recebe nas suas instalações a exposição “Viviendo el paisaje venezolano en presente y futuro”, do artista Juan Andara Nieto, que foi inaugurada na quarta-feira dia 14 de junho na presença dos sócios e da Junta Diretiva do clube liderado por David Alcaria. A exposição, que estará patente ao público até ao próximo dia 28 de agosto, engloba uma mostra de paisagens, inspirada na beleza e riqueza da Venezuela. «Uma forma de honrá-la e agradecer-lhe portanto o que nos tem dado e nos continua a oferecer», comentou Andara. «Venezuela com os seus solos generosos nos fala com as

suas cores. Nestes momentos que vivemos é quando temos que assistir à certeza de que o nosso país está cheio de maravilhas. Por muito forte que seja a situação, não devemos permitir que isto seja esquecido. Hoje as minhas lembranças voam para o tempo em que trabalhei no campo, com os agricultores de Portuguesa e Barinas, lhes prestava apoio no que se refere ao controlo biológico de pragas. Vivi com plenitude a generosidade da nossa terra. As nossas terras férteis, a nossa agricultura, estas obras nasceram para poder prestar homenagem ao país e estão à espera do calor do olhar, esperam a emoção da contemplação (…). A Arte nos une, nos alegra a alma, nos comove, nos emociona, nos invade os sentidos, nos faz sonhar», explicou o artista.


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Sรกbado 8 a Sexta-feira 14 de Julho de 2017 | Correio da Venezuela


Correio da Venezuela | Sábado 8 a Sexta-feira 14 de Julho de 2017

PREVENÇÃO

Governo activa Comissão Permanente da Seca AGÊNCIA LUSA

O Governo vai ativar de imediato a Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Efeitos da Seca, criada há cerca de um mês, tendo em conta a situação de seca no país e os níveis baixos das barragens. Em declarações à rádio TSF, o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, explica que além de ativar esta comissão, será ainda elaborado o plano de contingência para enfrentar a seca e evitar consequências mais graves a meio do verão. “É preciso tomar medidas de contenção de consumos, criar regras e sobretudo alertar para a situação gravíssima que estamos a viver”, afirma Carlos Martins. No final de junho, cerca de 80% do território estava em seca severa ou extrema e 18 das 60 barragens do Continente iniciaram o verão com menos de metade da água que conseguem armazenar. “De uma forma geral no país há motivos de preocupação e sobretudo na Bacia do rio Sado o caso já é mesmo muito preocupante”, admite o secretário de Estado, em declarações à TSF. De acordo com a TSF, vários concelhos do Alentejo e da Beira Interior podem chegar a agosto sem água para a população e, como tal, o Governo quer que nas autarquias mais afetadas se comecem a procurar ou reativar antigos furos de água que substituam o abastecimento que atualmente é feito, mas também que os municípios parem de regar espaços verdes. O secretário de Estado do Ambiente sublinha que é preciso definir prioridades e acrescenta:

INCÊNDIOS

Governo aprova medidas de carácter extraordinário para Pedrógão Grande AGÊNCIA LUSA

“ninguém iria perceber que andássemos a regar rotundas numa altura em que há restrições de abastecimento à população ou ao gado. As rotundas não ficam com a mesma beleza... mas não são prioritárias”. Segundo o boletim climatológico de junho, no final do mês passado cerca de 80% do território estava em seca severa (72,3%) ou extrema (7,3%). De acordo com o índice meteorológico de seca (que tem em conta os dados da quantidade de precipitação, temperatura do ar e capacidade de água disponível no solo), a 30 de junho mantinha-se a situação de seca meteorológica em quase todo o território de Portugal continental, verificando-se, em relação a 31 de maio, um agravamento da intensidade da seca.

PEDRÓGÃO GRANDE

Depois de um inverno com pouca chuva, a primavera também foi muito quente, seca e com uma chuva que apenas correspondeu a 75% do valor médio histórico para estes meses do ano. A primavera deste ano foi a terceira mais quente desde 1931, revela o último boletim climatológico sazonal do IPMA, que dá conta de um aumento significativo da seca, especialmente nas regiões do Norte e Centro do continente. De acordo com o IPMA, a temperatura média do trimestre (março, abril e maio) foi superior ao normal e o valor da temperatura máxima do ar foi o segundo mais alto desde 1931. No que diz respeito à precipitação, o IPMA indica que o valor médio no trimestre foi inferior ao valor médio correspondendo a 75% do valor normal.

O Conselho de M inistros aprovou hoje um conjunto de medidas de carácter extraordinário para fazer face aos danos provocados pelos dois grandes incêndios de Pedrógão Grande e de Góis, que afectaram sete municípios da região Centro do país. A resolução do Conselho de Ministros reconhece que estes incêndios florestais configuram uma situação excepcional e identifica as medidas de apoio imediato às populações, às empresas e às autarquias atingidas: Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Pampilhosa da Serra, Penela e Sertã. “Estas medidas incluem a reparação dos danos causados pelos incêndios nas habitações, nas atividades económicas e nas infraestruturas, medidas de apoio social e medidas no sentido de assegurar a prevenção e o relançamento da economia, através de um projecto-piloto de ordenamento do território florestal, de apoio à reflorestação das áreas ardidas, da diversificação da actividade económica e do aproveitamento dos recursos endógenos”, refere o comunicado do Conselho de Ministros. O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, afirmou, em conferência de imprensa após o Conselho de Ministro, que se estimam prejuízos imediatos próximos dos 200 milhões de euros e um esforço de reconstrução estrutural preventiva em cerca de 300 milhões de euros. O ministro destacou as medi-

Liga dos Bombeiros diz que o Estado falhou e aponta responsabilidade política AGÊNCIA LUSA

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses disse hoje que o Estado falhou no incêndio que começou em Pedrógão Grande no dia 17 de junho, fogo que provocou a morte a 64 pessoas e mais de

200 feridos. “Há responsabilidades políticas. O Estado falhou. O Estado falhou, não só neste processo [incêndio de Pedrógão Grande], como em outros. Tem de se analisar tudo isto”, afirmou Jaime Marta Soares à agência Lusa. O presidente da Liga dos Bom-

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das relativas à recuperação da habitação, sendo que, nas 169 casas de primeira habitação afectadas, “o esforço de apoio deve levar a um apoio a 100%”. “Para segunda habitação e habitações devolutas serão implementadas linhas de crédito para apoio a essa reconstrução”, explicou, registando positivamente que a Caixa Geral de Depósitos já tenha estruturado um instrumento de crédito para esse efeito. Pedro Marques assegurou que “tudo está a ser feito” pela Administração Central e pelos municípios afetados para que a reconstrução das casas “comece já” e as pessoas regressem às suas habitações “o mais rapidamente possível”. Em relação à questão do emprego, o ministro destacou a criação de um regime excepcional de isenção de contribuições para a Segurança Social durante um período de seis meses para as empresas directamente afectadas pelos incêndios, bem como uma isenção 50% da taxa contributiva para empresas que contratem trabalhadores que tenham ficado desempregados em resultado destes incêndios. “Para os cerca de 50 trabalhadores que poderão estar acfetados por um risco de suspensão das suas empresas, o Governo não só usará o lay-off [sistema em que há uma redução temporária do período normal de trabalho e em que a Segurança Social assegura parte do salário dos trabalhadores], como complementará com um programa de qualificação dos trabalhadores”, sublinhou Pedro Marques.

beiros Portugueses esteve hoje numa reunião em Pedrógão Grande, num encontro que juntou o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e as corporações de bombeiros daquele concelho e ainda de Figueiró dos Vinhos, Góis e Castanheira de Pera. “Não podemos escamotear e não podemos esquecer os responsáveis políticos na área da floresta. Há quase 50 anos que vivemos em democracia e infelizmente os portugueses nunca tiveram a sorte de ver que fossem escolhidas pessoas com competência para a floresta. Os fogos evitam-se, não se combatem”, sustentou.


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PGDL

Quase 6.000 inquéritos por violência doméstica no primeiro semestre AGÊNCIA LUSA

Quase 6.000 inquéritos por violência doméstica foram instaurados no primeiro semestre do ano no distrito judicial de Lisboa, que registou um total de 10.925 processos por este crime, segundo a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL). De acordo com os dados da PGDL, 4.991 processos por violência doméstica estavam pendentes no distrito judicial de Lisboa, a que se juntaram outros 5.924. A PDGL acrescenta que foi deduzida acusação em 960 inquéritos por violência doméstica no primeiro semestre, tendo sido arquivados 4.089 processos e suspensos provisoriamente outros 440. Transitaram para o trimestre seguinte 4.616 inquéritos. As Comarcas de Lisboa e de Lisboa Oeste são as que registam maior número de entradas, de acu-

sações e de inquéritos findos. O mecanismo da suspensão provisória do processo foi utilizado em todas as Comarcas do Distrito.

Além de Lisboa e Lisboa oeste, fazem ainda parte do distrito judicial de Lisboa as comarcas dos Açores, Madeira e Lisboa Norte.

A violência doméstica é uma das prioridades do Governo em matéria criminal para 2017-2019, a par da cibercriminalidade, dos roubos de cai-

EMPRESÁRIOS PELA INCLUSÃO SOCIAL

Marcelo desafia estudantes do programa EPIS a serem heróis todos os dias AGÊNCIA LUSA

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, desafiou hoje um grupo de 50 alunos, apoiados por um programa para estudantes em risco de abandono escolar, a serem heróis todos os dias, ultrapassando-se e superando-se. Os 50 alunos, com idades entre os 15 e os 17 anos, participam no programa EPIS -- Empresários pela Inclusão Social, específico para alunos em risco de abandono escolar, e no conjunto de atividades previstas para o dia de hoje incluía-se um almoço com o Presidente da República. Na sua intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que o que é mais importante é todas as pessoas serem heróis todos os dias, deixando um desafio concreto aos vários estudantes que o ouviam. “Cada um de vocês pode ser herói. E como? Ultrapassando-se, fazendo aquilo que parecia impossível”, disse o Presidente da República, dando como exemplo situações escolares, como uma disciplina mais difícil, um ano letivo mais complica-

do e que depois conseguiram concluir com sucesso. Apontou que “os países que vão mais longe no mundo são aqueles que têm mais heróis”, ou seja, onde “há mais gente com mais educação, mais gente a ter sucesso na formação e depois no emprego, e depois na vida e em vez de serem os 10 ou 15 que aparecem nas televisões,

nesses países são milhares ou milhões”. Sublinhou que em Portugal também há desses heróis, mesmo que só apareçam de vez em quando, e deu como exemplo, não só aquele que considera ser o herói da sua geração, António Guterres, que “foi eleito secretário-geral de uma organização onde estão presentes todos

os países do mundo”, mas também os bombeiros e as populações afetadas pela “tragédia dos incêndios”. Admitiu que ser herói todos os dias “é muito difícil” e que às vezes “apetece fazer férias de heroísmo”, mas lembrou que a maior qualidade dos heróis é a consistência, ou seja, em vez de fazerem uma vez de vez em quando, fazem sempre e cada

xas de multibanco, da criminalidade em ambiente escolar e da violência no desporto. A definição destas prioridades tem em consideração os dados do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2016 e as tendências internacionais da criminalidade. Segundo o RASI, a violência doméstica aumentou quase 2% no ano passado, com 27.291 ocorrências registadas pelas forças de segurança, que envolvem mais de 32 mil vítimas. O relatório ressalva que os crimes contabilizados como de violência doméstica podem ter sido registados como outro crime mais grave, por exemplo homicídio ou violação. No que se refere à caracterização das vítimas o RASI indica que 79,9% foram mulheres (25.985 vítimas) e 20,1% foram homens (6.522 vítimas), num total de 32.507, maioritariamente com 25 ou mais anos (25.096 vítimas). Os agressores são maioritariamente homens (84,3%), com 26.845 agressores do sexo masculino registados pelas autoridades em 2016, num total de 31.838. Quase 95% dos agressores tinha 25 ou mais anos. A Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica tinha em março institucionalizadas nas 39 casas de abrigo 263 mulheres e 293 crianças.

vez melhor. “Por exemplo, o que é um bom jogador de futebol não é aquele que acerta de vez em quando, é o que acerta o maior número de vezes, que passa a bola, marca golos, é aquele que é mais consistente”, defendeu. Voltou a dar como exemplo António Guterres para mostrar que ele foi eleito para secretário-geral das Nações Unidas exatamente porque foi consistente em tudo o que fez e no plano internacional geriu a questão dos refugiados e “foi consistente em qualquer ponto do mundo onde esteve”. Por último, pediu aos 50 jovens que agarrem a oportunidades que lhe está a ser dada com as duas mãos e “sejam heróis”, sublinhando que se houver mais heróis, a tarefa do presidente da República está mais facilitada. “Muitos parabéns porque para estarem aqui é porque há qualquer coisa de herói já na vossa vida. Agora não pode parar aqui e tem de continuar”, desafiou. O EPIS -- Empresários Pela Inclusão Social é um programa de recuperação de alunos em risco de abandono escolar que envolve 7.129 estudantes e 159 profissionais de 166 escolas públicas em todo o país. Durante o dia de hoje, os 50 melhores alunos vão ter um primeiro contacto com o mundo profissional, através de atividades desenvolvidas pelas empresas parceiras do programa.


Correio da Venezuela | Sábado 8 a Sexta-feira 14 de Julho de 2017

ENSINO

Marcelo Rebelo de Sousa defende “aposta reforçada no ensino profissional”

Portugal 13

VISITA DE ESTADO

Marcelo no México de 16 a 18 de Julho com fórum empresarial no programa

AGÊNCIA LUSA

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu hoje que Portugal deve fazer uma “aposta reforçada no ensino profissional”, que apontou como condição fundamental para a diminuição do abandono escolar. “Esgotado o impacto da ampliação da obrigatoriedade escolar, o combate ao abandono, essencial para garantir a universalização do ensino secundário, fica dependente da expansão do ensino profissional. Sem uma aposta decisiva nesta modalidade, o país não cumprirá a meta europeia à qual se vinculou: diminuir para 10% a taxa de abandono escolar até 2020”, afirmou. O chefe de Estado, que falava na abertura do 7.º Congresso da Associação Nacional de Escolas Profissionais (Anespo), no Auditório Eunice Muñoz, em Oeiras, considerou que é preciso “eliminar o que resta de preconceito” em re-

lação ao ensino profissional. “O ensino profissional não pode ser visto como um ensino de segunda oportunidade, um ensino para os mais carenciados, um caminho a percorrer pelos alunos do insucesso escolar. Esta explicação

está ultrapassada. A meu ver nunca teve razão de ser, corresponde a um preconceito social, e os jovens que o digam, e os professores que o digam, e a sociedade que o proclame permanentemente”, afirmou.

POLÍTICA

Soares confirma que é candidato a líder parlamentar do PSD AGÊNCIA LUSA

O vice-presidente da bancada do PSD Hugo Soares confirmou hoje que é candidato à liderança do grupo parlamentar social-democrata, na sequência de “inúmeras manifestações de apoio”. “Convocadas que estão as eleições para a direção parlamentar do PSD para o próximo dia 19 de julho, decidi liderar e apresentar uma lista candidata a essas eleições, na sequência das inúmeras manifestações de apoio que recebi de colegas deputados”, refere Hugo Soares, em comunicado de imprensa. Já na quinta-feira, dirigentes sociais-democratas tinham avançado à Lusa que Hugo Soares deveria ser candidato à liderança da bancada. No comunicado à imprensa, Hugo Soares promete ficar em silêncio até ao debate do Estado da Nação, que se realiza na próxima quarta-feira, e diz que apenas ini-

ciará depois “as diligências necessárias” à concretização da candidatura. Antes da nota à imprensa, Hugo Soares já tinha enviado um mail aos deputados do PSD no qual explica que decidiu avançar depois de “uma reflexão pessoal”, mas também em respostas a estímulos que diz ter recebido “de um conjunto muito alargado de colegas”. Nesse mail, a que a Lusa teve acesso, o atual vice-presidente da bancada diz sentir-se preparado

para continuar “uma oposição coerente, responsável e acutilante”. “E faço-o porque sinto ser meu dever tudo fazer para voltarmos a eleger o presidente do PSD como primeiro-ministro de Portugal”, afirmou. As eleições para a bancada realizam-se a 19 de julho e foram anunciadas na quinta-feira de manhã, na reunião do grupo, pelo líder parlamentar, Luís Montenegro, que já não se pode recandidatar por ter atingido o limite de mandatos previsto nos estatutos do PSD.

AGÊNCIA LUSA

O Presidente da República vai realizar uma visita de Estado ao México de 16 a 18 de julho, concentrada na capital mexicana, com um programa que inclui, além dos encontros institucionais, um fórum empresarial. Segundo uma nota hoje divulgada, Marcelo Rebelo de Sousa terá encontros com o Presidente do México, Enrique Peña Nieto - com quem esteve em outubro na 25.ª Cimeira Ibero-Americana, na Colômbia -, e com o chefe do Governo da Cidade do México, Miguel Ángel Mancera, de quem receberá as chaves da cidade, uma das maiores metrópoles do mundo. O chefe de Estado vai também encontrar-se com a comunidade portuguesa residente naquele país, e no dia 18 participará num Fórum Empresarial México-Portugal, com empresários mexicanos e portugueses, “tendo por objetivo o aproveitamento das oportunidades de negócio e o estreitamento das relações económicas” bilaterais. Na nota hoje divulgada pela Presidência da República, esta visita de Estado aos Estados Unidos Mexicanos é apresentada como “um passo importante para proceder a um balanço da cooperação bilateral em curso, bem como a oportunidade para acordar as prioridades do futuro relacionamento, abrindo novas perspeti-

vas para o seu fortalecimento”. “O programa da visita tem por objetivo aprofundar os laços de amizade e cooperação que unem os dois países, quer no plano bilateral, quer no âmbito multilateral”, lê-se no texto. O México, visitado em junho pela chanceler alemã, Angela Merkel, tem um Acordo de Parceria Económica, de Concertação Política e de Cooperação com a União Europeia, assinado em 1997 e em vigor desde o ano 2000, que está atualmente em renegociação. Com cerca de 127 milhões de habitantes, o México é um dos maiores países em população e em superfície, uma das maiores economias emergentes e um dos maiores exportadores mundiais, que exporta maioritariamente para os Estados Unidos da América. No plano económico regional, faz parte do Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), com os Estados Unidos e o Canadá - que o atual Presidente norte-americano, Donald Trump, pretende rever -, e da Aliança do Pacífico, juntamente com Peru, Colômbia e Chile, bloco económico favorável ao comércio livre. Este será o oitavo país a que Marcelo Rebelo de Sousa se desloca em visita de Estado desde que tomou posse como Presidente da República, em março de 2016, depois de Moçambique, Suíça, Cuba, Cabo Verde, Senegal, Croácia e Luxemburgo.


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vimento e o respeito pelos direitos constitucionais por parte da República. Este deputado realçou, ainda, que a autonomia só existe quando há emprego, desenvolvimento, educação, saúde, responsabilização política e criminal e respeito pela diversidade política”. A deputada do PCP, Sílvia Vasconcelos, considerou que a autonomia, “lamentavelmente, ainda

está longe de gerar coesão social e de atenuar as desigualdades sociais por não ter respondido, na sua plenitude, a muitas das inquietações”, designadamente dos trabalhadores ao nível do trabalho e dos salários. O parlamentar do BE, Rodrigo Trancoso, aproveitou a oportunidade para reiterar a preocupação do partido “com a situação sociopolítica vivenciada particularmente na Venezuela, onde muitos dos nossos conterrâneos estão em risco”, questionando, a propósito, “a razão do facto de a emigração forçada continuar a ser uma realidade, uma evidência atual e não meramente um facto histórico do passado. O deputado independente (ex-PND), Gil Canha, considerou que a “corrupção é o pior flagelo” e um “cancro nacional”, defendendo que os políticos “não são os únicos responsáveis pela elevada corrupção no país, os magistrados do aparelho judicial também são cúmplices e corresponsáveis pelo estado lamentável a que isto chegou”. O parlamentar criticou, ainda, a “negligência congénita do Ministério Público e a inação dos tribunais” e o arquivamento do processo Cuba Livre (que investigou a alegada dívida oculta da Madeira), declarando que o primeiro-ministro e o Presidente da República “deveriam, imediatamente, demitir a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal”. Por último, Raquel Coelho, do PTP, questionou como “chamar as populações para política” quando existem em Portugal “11 pessoas presas por delito de opinião”, entre as quais Maria de Lurdes Rodrigues “a cumprir prisão há nove meses por criticar o poder judicial”. Todos os partidos dirigiram uma palavra de apreço pelas comunidades madeirenses espalhadas pelos quatro cantos do mundo e, em particular, pela que vive na República Bolivariana da Venezuela.

imperdoáveis” na investigação que conduziram ao arquivamento do processo ‘Cuba Livre’. “Este crime, cometido por políticos sem escrúpulos

e sem vergonha, abalou a reputação do nosso país no exterior, causou (e causa) ao povo da Madeira as maiores privações”, declarou.

Aprofundamento da autonomia e críticas ao Governo Regional marcam Dia da Madeira DN MADEIRA

O aprofundamento da autonomia política, a solidariedade com as comunidades e as críticas da oposição ao Governo Regional marcaram hoje os discursos da sessão solene comemorativa do Dia da Região Autónoma da Madeira e das Comunidades Madeirenses. O vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD, Carlos Rodrigues, defendeu que “a autonomia precisa de um tratado, de um compromisso solene e completo que lhe dê a dignidade merecida”, acrescentando que não pode ser “vulgarizada”, deve estar “acima dos partidos” e “não pode ser arma de arremesso”. “Partilhamos a mesma identidade nacional, a mesma língua, a mesma cultura e os mesmos valores, mas somos diferentes e carecemos de agir diferentemente”, observou. Carlos Rodrigues defendeu, ainda, a necessidade da revisão do Estatuto Político-Administrativo da Madeira e da Lei das Finanças Regionais assente numa revisão Constitucional que consagre, para o Estado, as matérias ligadas à soberania, defesa, segurança, direitos, liberdades e garantias e justiça, ficando o resto adstrito aos órgãos de governo próprio das regiões autónomas. Já o líder do Grupo Parlamentar do CDS-PP, Rui Barreto, exigiu ao presidente do Governo Regional o cumprimento das promessas que fez aos eleitores nas eleições regionais de 2015, nomeadamente a diminuição da taxa de desem-

prego, a desgovernamentalização da economia, a inovação, a saúde “com dignidade”, a mobilidade social ao nível dos transportes aéreos e marítimos e o fim do monopólio dos portos. “Só a verdade pode voltar a aumentar a crença dos cidadãos no sistema político”, frisou. Por seu turno, Jaime Leandro, presidente do Grupo Parlamentar do PS, salientou que o Dia da Re-

gião “não é apenas de celebração e de consagração e fazer de conta de que tudo está bem”. Para o deputado do PS, é também “uma ocasião para “aferir” o cumprimento das políticas e das promessas do Governo Regional, que considerou não estarem a ser cumpridas. Rafael Nunes, do JPP, disse que a Madeira precisa de “um governo firme”, que permita o seu desenvol-

1° DE JULHO

Três vozes fora do coro geral DN MADEIRA

A sessão comemorativa do Dia da Região teve alguns assuntos que foram transversais a quase todos os discursos, como os problemas no sector da Saúde ou a crise na Venezuela. Apenas três deputados optaram por passar à margem destes temas. Talvez por terem menos tempo ou porque consideram outros temas mais prioritários, Sílvia Vasconcelos (PCP), Raquel Coelho (PTP) e Gil Canha (independente) não alinharam no coro geral.

Por exemplo, a deputada do PCP quis alertar que “o desemprego continua a ser o problema social mais grave da nossa Região”, com uma taxa mais alta do que a média nacional e europeia. E sublinhou que “a economia regional não está a criar emprego e continua a não criar condições e possibilidades dos, muitos ainda, desempregados poderem encontrar trabalho”. Para Sílvia Vasconcelos, só com uma alteração das leis laborais no país, que favoreça e proteja quem trabalha, e com investimento na Madeira será possível in-

verter este problema. Já Raquel Coelho questionou como “chamar as populações para a política” quando existem em Portugal “onze pessoas presas por delito de opinião”, entre as quais Maria de Lurdes Rodrigues “a cumprir prisão há nove meses por criticar o poder judicial”. Por fim, Gil Canha argumentou que o primeiro-ministro e o Presidente da República deveriam demitir imediatamente a Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, devido às “falhas gravíssimas e


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Madeira 15

ESPECIAL

Ser os dois: venezuelano e madeirense

Dia 1 de Julho. Celebra-se o Dia da Região e das Comunidades Madeirenses. Na Venezuela, país que muitos madeirenses adoptaram como segunda pátria, hoje não se comemora, ao contrário do que era costume nesta data. ERICA FRANCO / DN MADEIRA

“Nasci na Venezuela, tenho 50 anos, e lembro-me da festa da Madeira desde que era pequena. O meu pai todos os anos organizava na Venezuela o Dia da Região. Fazíamos sempre a decoração do clube, o Centro Português de Caracas, como se estivéssemos aqui na Madeira; havia bailinho, faziam-se todas as comidas aqui da região, as lapas grelhadas, a espetada, o bolo do caco...”, recorda Ana de Nóbrega. Médica de profissão, viu-se forçada, como tantos outros madeirenses e luso-descendentes, a regressar à terra das suas raízes, há cerca de um ano, por não ter meios [medicamentos e outros instrumentos médicos essenciais] para exercer a sua profissão e devido ao clima de alta insegurança que se faz sentir no país. “Em vez de salvar vidas, já estavam a morrer vidas nas minhas mãos”, diz com um ar impotente. A expressão de entusiasmo e nostalgia ao relembrar os festejos da infância dão lugar à tristeza, preocupação, impotência, mas também à revolta. São expressões, invariavelmente repetidas nos rostos das pessoas que falaram com o DIÁRIO sobre a grave situação que afecta a comunidade madeirense na Venezuela. “Não há motivos para celebrar. Nós estamos de luto”, resumem as palavras de Paulo Pestana, de 66 anos, natural do Estreito de Câmara de Lobos e com 53 anos de Venezuela. De ‘sucursal do céu’ ao caos completo “Eu fui para a Venezuela com 13 anos por causa do problema Angola/ Moçambique. Aos dezassete anos comecei a trabalhar no supermercado do meu pai [de dia] e estudava à noite”, conta. “Ia para a escola ao fim da tarde, vinha para casa à meia-noite, não me acontecia nada. Estudava até ao amanhecer quando tinha exame, com três ou quatro amigos, num parque e tinha zero problemas. As pessoas dormiam com a porta aberta, tal como aqui... Aquilo era uma maravilha!” Paulo relembra a canção de Billo’s Caracas Boys [famoso grupo musical venezuelano dos anos 70], ‘Caracas la sucursal del cielo’, “e era mesmo a sucursal do céu”, diz. As diferenças são evidentes. “Neste momento a Venezuela não

é nem democracia, nem ditadura, aquilo é só desordem. Eu estive lá há quatro meses... é o caos completo”, afirma Paulo Pestana. “Tenho uma pessoa amiga que esteve cá há pouco tempo e quando chegou lá tinha o filho sequestrado. Às seis da tarde já é perigoso andar na rua. Preciso de regressar para tratar de assuntos que tenho lá, mas não vou até a situação normalizar”, acrescenta pesaroso. “Quando regressamos, somos retornados” Lídia Albornoz, luso-venezuelana, de 40 anos e voluntária da Venexos (ONG portuguesa de ajuda humanitária), narra como aos oito anos partiu para a Venezuela e como foi regressar passados 20 anos. “O meu pai, como muitos portugueses naquela altura, perdeu tudo o que tinha em Moçambique e chegamos aqui sem nada. Estivemos aqui um ano, mas a Madeira naquele tempo era um bocado difícil, então o meu pai decidiu ‘não podemos ficar aqui, temos de ir à procura de uma coisa melhor’”. É curioso observar como as histórias destes emigrantes se en-

trecruzam: a guerra colonial e as suas consequências, uma Madeira pobre, que não oferecia perspectivas de futuro e que agora se apresenta como único caminho. Mas a integração nem sempre é fácil. “Quando regressamos [à Madeira] nós somos retornados e nem sempre somos muito bem recebidos. Isso aconteceu comigo”, diz Lídia. A agora professora primária na EB1/PE do Caniço, que trabalhou três anos num talho após o regresso da Venezuela, chegaram-lhe a dizer “tu nunca serás professora aqui”. A sua história espelha a da médica Ana de Nóbrega, que se encontra neste momento a tentar obter equivalência para poder exercer a sua vocação e, de algum modo “ajudar as pessoas da Venezuela e também da Madeira”. “Eles vêm para cá tirar-nos o trabalho e a comida” Já Marilin Moniz (na Madeira há 26 anos) procura perpetuar o exemplo dos pais no Centro luso-venezolano de Catia La Mar, apoiando os novos ‘regressados’, através da VENECOM (Associação

da Comunidade de Imigrantes Venezuelanos na Madeira). “As pessoas que estão a chegar agora sentem muito receio da comunidade madeirense”, diz. E cita aquilo é que mais frequentemente ouvido pelos emigrantes: “eles vêm para cá tirar-nos o trabalho e a comida, estiveram a trabalhar na Venezuela e agora vê para cá sem nada”. E faz questão de sublinhar que as pessoas que estiveram na Venezuela “saíram de cá porque a Madeira não tinha [condições], trabalharam toda uma vida lá, não ficaram ‘à sombra da bananeira’”. “Ser acolhidos assim pelos próprios madeirenses (sendo também eles madeirenses) não é bom”, acrescenta. Paulo Pestana vai mais longe. “Muito ingrato é aquele madeirense que agora vê o imigrante como um inimigo. Muita fome se matou na Madeira com o dinheiro da Venezuela”, afirma. “A minha pátria é a língua portuguesa” Nem só de más experiências se faz a integração dos luso-venezuelanos na Região. A jovem Viviana Gomes, de 26 anos,

recém-chegada da Venezuela, diz ter sido “bem recebida”, mas nota que, sobretudo nas redes sociais, os comentários discriminatórios em relação aos luzo-venezuelanos têm vindo a aumentar. À pergunta que se impõe: ‘sentes-te mais venezuelana ou madeirense?’ Diz que não pode escolher. “O meu pai é madeirense e eu desde pequena sempre fui criada com a cultura madeirense, apesar de ter nascido lá. Sou os dois, portuguesa e venezuelana”. Marcelino Maltez, de 56 anos, diz que também se sente “bem acolhido, apesar de algumas diferenças” e explica como é viver dividido entre duas pátrias. “Quando vemos na televisão a nossa bandeira [da Venezuela] sentimos aquela a nossa pátria e, quando estamos lá, choramos por esta nossa pátria”, explica. O testemunho mais flagrante desta dualidade é talvez a sua filha, Marcelis. Tem apenas 18 anos e poucas palavras sabe dizer na língua de Fernando Pessoa e Camões, mas quando lhe perguntam na escola qual é a sua nacionalidade, responde prontamente: “portuguesa”.


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TEATRO

Ommyra Moreno Suárez

RECOMENDAÇÕES

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Cultura 17

“Histeria de Venezuela”

O Rei Leão e Princesa Pantera

Teatro Santa Rosa de Lima-Caracas

Teatro Escena 8 de Las Mercedes

O politólogo e comediantes Laureano Márquez junta-se novamente aEmilioLovera para apresentar“Histeria de Venezuela”. Nesta obra, contam-se histórias da história e uma dos acertos que tem é que mostra ao público que os heróis são humanos e se enganam. Forma-se um julgamento moral sobre a história do país porque Laureano e Emilio demonstram que a história não é como nos é contada.

O musical infantil O Rei Leão e Princesa Pantera, produzido e dirigido por José Manuel Ascensao, recria as aventuras por selvas esavanas da lendária África do cãoAbanobi e a sua grande amiga Zina, a Princesa Pantera. A peça é exibida no Teatro Escena 8 de Las Mercedes. O elenco é constituído por crianças adolescentes que integram o Grupo de Teatro Colibrí, acompanhados dos atores Luis Serrano, RamphisSierra e Marilyn Ascensao.

CHRISTIAN NUNES

Um Mister Venezuela de origem madeirense Ommyra Moreno Suárez

CINEMA

Ommyra Moreno Suárez

RECOMENDAÇÕES

Depois de ter desmaiado no estúdio 1 de Venevisión, devido ao stress do evento, Christian Nunes acabou por se consagrar, no dia 10 de junho, como Mister Venezuela 2017 e como “Melhor Corpo” da competição, impondo-se sobre LuisMarrero, primeiro finalista, e AdriánMenghini, segundo finalista. «Quero trabalhar para a minha Venezuela querida e demonstrar que, com dedicação, podemos atingir as nossas metas sempre, pois quando se cultivam com honestidade e esforço e a mão de Deus, é possível», foram estas algumas das palavras que expressou o jovem poucas horas depois do concurso. Em declarações ao CORREIO, o desenhador gráfico de 24 anos lembra que, desde cedo, se interessou pela indústria da moda. «Quando tinha 17 anos, tinha acabado o colégio e fez um casting e não pôde participar por ser menor de idade. Depois, quando estudava desenho gráfico, fazia de modelo de tese para as miúdas de desenho de moda, pela estatura e o porte. Então, foi por isso que decidi preparar-me para participar. Este ano fui ao casting, fui selecionado, participei e fui vencedor», explica. Embora descreva a experiência como “indescritível”, também confessa que a preparação exige muita experiência. «Foi uma experiência indescritível, o que aprendes e a formação integral que te dão é única, sinto-me afortunado por ter tido tal experiência. O maior

desafio foi manter um bom corpo e uma excelente condição física, havia muitos candidatos bem preparados nesse aspeto», comenta. Considerado “o homem mais atrativo do país”, Nunes assinala que sente que este é um grande compromisso e não descarta a possibilidade de experimentar a sua sorte no mundo do espetáculo, especificamente em atuação e animação. «Esta oportunidade oferece muito apoio no que quero para o meu futuro, que é pertencer ao mundo do espetáculo e entretenimento. Oferecem-me a formação

adequada para poder conseguir os meus objetivos. Quero continuar com a minha formação como ator e animador, que são duas facetas nas quais quero enveredar e nas que me identifico», confessou. Para o lusodescendente, filho e neto de madeirenses, naturais de Câmara de Lobos, é um orgulho fazer parte da comunidade luso-venezuelana e explica que os valores adquiridos em casa têm sido fundamentais para o que tem conseguido. «Ser lusodescendente é um orgulho por ser sinónimo de luta e trabalho. A persistência, de-

dicação e perseverança foram valores fundamentais incutidos pelos meus pais e que têm funcionado até agora e espero que continuem a funcionar», disse. De Câmara de Lobos, ilha da Madeira, destaca a irmandade dos seus povoadores e a união entre os emigrantes na Venezuela. «Nas festas com as pessoas de Câmara de Lobos, sentimo-nos em família e mesmo que estejas com pessoas que só tenhas visto nesse dia sentes que os conheces toda a vida. Definitivamente, o valor mais representativo é a persistência da gente que

emigrou para a Venezuela desde Portugal. Veio focada no trabalho e para ajudar um país a progredir. E ainda hoje em dia se pode ver o trabalho e os frutos de todos esses portugueses que vieram para a Venezuela e a acolheram como a sua segunda pátria», garantiu. Respostas curtas Um prato: Milho Uma canção: Bailinho Uma celebração: A Virgem de Fátima Uma frase: O melhor sai da ilha Um lugar: Madeira

Extraterrestres

‘Transformers’

Teresa é vegetariana e uma exitosa astrofísica que vive com a sua noiva, Daniela, nas Ilhas Canárias. Um dia, depois de sete anos de autoexílio, regressa a Puerto Rico para convidar a sua família ao seu casamento. Mas os Díaz são muito conservadores e vivem num pequeno povo rural da ilha, dedicando-se à criação de frangos para venda por maios. Ninguém é o que aparenta e ninguém está disposto a revelar os seus segredos mais íntimos. Pelo que, quando regressa a casa, Teresa optapor mentir.

Na quinta entrega da saga ‘Transformers’, dirigida por Michael Bay, regressam os robots, mas o mundo mudou. A Terra é um lugar desolado, cheio de edifícios destruídos e onde os seres humanos lutam para sobreviver ao conflito que a humanidade mantém com os robots extraterrestres. Izabella (Isabela Moner) é uma das muitas pessoas cuja vida mudou drasticamente com a chegada dos extraterrestres. A jovem, que se adaptou à sua nova vida nas ruas, junta-se a Cade Yeager para enfrentar o perigoso desafio.


MODA

Ommyra Moreno Suárez

RECOMENDAÇÕES

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Sem sombras de dúvidas, os pompons são uma tendência que chegou para dar um toque divertido a qualquer estilo. Já não só aparecem como acessórios, mas também são usados isoladamente, em camisolas, sandálias e bolsas de qualquer tipo. A verdade é que estas suaves e coloridas bolas começaram a se usar depois de importantes empresas as terem incluído nas suas coleções

de Primavera-Verão. Quem segue a moda garante que estas aplicações podem dar um toque de originalidade às calças, casacos ou blusas convencionais, definindo o conjunto como uma mistura de cor, suavidade e estilo. Em bolsas, é comum vê-los sobretudo nas de estilo xadrez, que se revertem graças aos pompons, pois não têm limites no que se refere aos tamanhos e às cores.

Nas sandálias, é muito comum vê-los nas de tipo gladiador e de linhas clássicas, sendo colocados nos cordões. No que se refere aos casacos e blusas, os pompons podem dar vida a estas peças se aparecerem nos punhos. Já como acessórios, as opções são infinitas, pois podem ser usados como pulseiras, colares assimétricos, ou até como travessas para o cabelo ou até como brincos compridos.

Cultura 19

Pompons invadem armários este Verão MÚSICA

Sandra & Ricardo com atuação em Londres

AUDIOVISUAL

“Quédate conmigo”: mais um êxito de Nuno Gomes Videoclip de três minutos e quatro segundos foi gravado numa quinta em La Victoria, Estado Aragua, e em locais da cidade de Miami Ommyra Moreno Suárez

Ommyra Moreno Suárez

ARTES

RECOMENDAÇÕES

Com mais de oito milhões de visitas, o diretor luso-venezuelano Nuno Gomes acumula já oito êxitos na sua carreira, desta vez com

o audiovisual do primeiro single de Chyno “Quédate conmigo”, inspirado em fotogramas de Armaggedon, OblivioneInterestellar. O videoclip, de três minutos e quatro segundos de duração, foi gravado numa quinta, localizada em La Victoria, Estado Aragua, e também em locais da cidade de Miami, Estados Unidos. «Quis fazer algo inovador no movimento urbano, algo que ao nível de atuação e videoclips não se tenha feito antes», explicou o lusodescendente num comunicado. Nesta oportunidade, Gomes

baseia o enredo do clip na história de um jovem, interpretado por Chyno, que está quase a realizar o seu sonho que é colocar o fato de astronauta e conquistar finalmente o céu juntamente com a sua noiva, interpretada por Alexandra Braun, enquanto passeiam de mota ou desfrutam de um céu estrelado num teto da casa. Contudo, o comovedor vídeo recorda que nem sempre os sonhos têm um final feliz. O audiovisual também conta com a participação do cantor porto-riquenho Wisin e o grupo Gente de Zona.

Após terem passado pelo Reino Unido, artistas continuam trajetória pelo continente português, promovendo o mais recente álbum “+de20” Ommyra Moreno Suárez

Os artistas luso-venezuelanos Sandra&Ricardo atuaram na cidade de Londres, integrado nas comemorações do Dia da Região Autónoma da Madeira e das Comunidades Madeirenses. No local, que foi precisamente um dos pontos do seu tourné 2017, os artistas participaram em diferentes iniciativas organizadas pela comunida-

de portuguesa no país europeu. Durante as suas apresentações, Sandra&Ricardodeliciaram o público com um repertório variado constituído por músicas originais e clássicos com arranjos realizados pelos próprios cantores. «É gratificante ver como os portugueses procuram em qualquer local conservar e preservar a identidade lusa. É nossa responsabilidade valorizar a língua e cultura portuguesas em países muito diferentes do nosso», destacou Ricardo, referindo-se à importância de manter os costumes e tradições, apesar das fronteiras. Após terem passado pelo Reino Unido, artistas lusodescendentes continuam trajetória pelo continente português, promovendo o mais recente álbum, “+de20”, e com o ciclo de concertos “Herença Semeada”.

“La Herencia Incesante”

Três músicos sob as nuvens da UCV

Estancia La Veracruz-Mérida

UCV

A artista Yessika Zambra apresenta a sua exposição intitulada “La Herencia Incesante” na estância La Veracruz, Bulevar Artesano, localizada na população de Bailadores no Estado de Mérida. No seu trabalho de artes plásticas, Zambrano desenvolve volumes geométricos que, no seu caso, tira da grande herança abstrata geométrica do nosso espaço visual e da certeza da transformação no que se refere à criação, à observação.

A mostra é aberta ao público e está localizada no hall da Biblioteca Central da Universidade Central da Venezuela que reúne três grandes músicos do passado e com a qual se pretende divulgar aspetos da música da Cidade Universitária e que permite destacar-se pelos itens igualmente fundamentais na vida destes músicos venezuelanos memoráveis. Na exibição, presta-se homenagem a António Lauro, Fredy Reyna e a Vinicio Adames.


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Opinião 21

PALAVRAS

A solidariedade das comunidades portuguesas

DANIEL BASTOS

O espírito de solidarie dadeconstitui uma das mais relevantes manifestações da identidade humana,especialmente relevante em situações de crise e tragédia,como revelam as extraordinárias ondas de afeto e entreajuda dos portugueses espalhados pelos quatro cantos do mundo para com as vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande. No conjunto das inúmeras campanhas solidárias por Pedrógão, os gestos e iniciativas dinamizadas pelas comunidades portugueses são dos melhores exemplos de genuína resposta social, e apoio a pessoas e famílias.

Capaz de ultrapassar barreiras culturais, linguísticas e geográficas, o espirito de solidariedade das comunidades portuguesas revela-se não só com os compatriotas residentes na pátria de origem, como o que está a originar por estes dias várias iniciativas para ajudar os bombeiros e as vítimas dos incêndios no centro do país, mas também para com os concidadãos e nacionais das suas pátrias de destino. De facto, uma outra importante dimensão da solidariedade das comunidades portuguesas é praticada nos vários territórios onde está implantada em prol de muitos emigrantes que não alcançaram

o sucesso que ambicionaram à partida, e que vivem com dificuldades, precariedade, doença, desemprego ou solidão. Trata-se de um notável papel social, que em muitos dos casos ocupa um espaço desprotegido pelos serviços sociais estrangeiros ou portugueses. Veja-se por exemplo, o papel social da Santa Casa da Misericórdia de Paris, fundada em 1994 e que ao longo das últimas décadas criou uma valiosa rede de solidariedade no seio da comunidade portuguesa em França. O espírito de solidariedade das comunidades portuguesas não se esgota no apoio

aos emigrantes, em várias situações a generosidade lusa estende-se a toda a sociedade onde está inserida, como é o caso paradigmático da Luso CanadianCharitableSociety em Toronto e Hamilton no Canadá, osegundo maiorpaísem área do mundo. Criada no início do séc. XXI por um grupo de empresários lusospara apoio no seio da comunidade portuguesa a pessoas com deficiência, rapidamente osseus relevantes serviços se estenderam à multicultural sociedade canadiana, onde desempenha um papel fundamental na promoção da dignidade e qualidade de vida de pessoas com deficiência.

HERANÇAS E PARTILHAS

Em Portugal, os terrenos abandonados podem ser arrendados compulsivamente pelo Estado ANTÓNIO DELGADO

Depois da tragédia de Pedrógão Grande, o Governo Português avançou rapidamente com algumas medidas para a reforma da floresta portuguesa.A criação do Banco Público de Terras está integrada nessa iniciativa e prevê um arrendamento ‘à força’ dos terrenos abandonados e a gestão

das parcelas sem dono conhecido. Outra das principais medidas está no destino das parcelas de terreno abandonadas que deverão passar a ser penalizadas com impostos. Mais tarde, estes terrenos poderão ser “forçados” a integrar o Banco Público de Terras e dados de ar-

rendamento. A renda será paga apenas depois de ser recuperado o investimento feito na parcela. Por outro lado, os terrenos sem proprietário conhecido no cadastro florestal também serão integrados no Banco Público e geridos pelo Estado, sem a possibilidade de serem

vendidos. Portanto, torna-se cada vez mais importante procurar saber se possui terrenos nestas condições, ou se porventura herdou alguns terrenos que possam estar nestas circunstâncias. Convém fazer um levantamento e procurar regularizar a situação para evitar problemas.

O CORREIO da Venezuela não pode ser considerado responsável e/ou patrocinador das opiniões que são expressas neste espaço.


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Miscelânea 23 ---SABIA QUE?---

---SAÚDE EM DIA---

Porque é benéfico tomar banho de água quente?

Cuide do seu sistema auditivo Sergio Ferreira

Quantas vezes lhe pediram que baixe o som da televisão ou do equipamento de som pois está muito alto? Se isto lhe acontece diariamente, convém que faça uma revisão auditiva, já que é possível que esteja a perder a audição. Existem soluções que o podem ajudar a ouvir muito melhor e que tornarão a sua vida mais fácil. A partir dos 50 anos, começam a aparecer os primeiros sinais de perda de audição. Se bem que é certo que a maioria das pessoas que padece de problemas tem mais de 60 anos, o problema afecta pessoas de todas as idades, alcançando 10 por cento da população. As pessoas que começam a perder a audição não estão plenamente conscientes disso, porque o ouvido acaba por adaptar-se e acostuma-se a ouvir pior. Só os familiares, amigos e outras pessoas lhes fazem notar que a sua audição se deteriorou. No entanto, uma perda de audição de leve a moderada pode chegar a ser muito incapacitante se não for encontrada uma solução, como por exemplo o

nheira queimam-se 140 calorias, o mesmo que numa caminhada de trinta minutos a passo rápido. Para além de ser uma boa forma de limpar as gorduras naturais mais profundas e desintoxicar o corpo. Isto porque se abrem os poros com a água quente e o vapor poder chegar a ser descongestionante natural, portanto se acrescentarmos menta e eucalipto à água, enquanto tomamos banho, este ajuda a descongestionar os seios nasais. Apesar dos muitos benefícios, também há contraindicações, sobretudo nos meses de Inverno, como garante o portal muyinteresante.es. Contudo, o artigo, alerta que esta prática pode pôr em risco o coração se mergulharmos em água quente durante uma estação fria.

Ommyra Moreno

uso de um aparelho. Se tiver problemas nos dois ouvidos, o ideal são dois aparelhos, ainda que também se possa optar por colocar apenas no que se ouve melhor. Só nos casos mais complicados, devido à severidade da perda ou pela intolerância aos aparelhos auditivos por diferentes motivos, é valorizada a possibilidade de fazer implantes simples ou implantes cocleiformes para os problemas mais profundos, o que não acontece apenas nas pessoas de idade avançada. Usar aparelho deixou de ser visto como um sintoma de in-

capacidade, porque quem o usa melhora a sua capacidade de audição desde o primeiro momento. No entanto, há que ser realista no que diz respeito ao que podemos esperar destes dispositivos: Todos requerem um período de adaptação. A exposição continuada a ruídos intensos deteriora os ouvidos, e ainda mais se já existe algum grau de perda auditiva. Qualquer som assim dos 80 decibéis é nocivo para os ouvidos. O problema é que na vida do dia-a-dia não sabemos exactamente quando estamos a ultrapassar esse nível.

Tomar um banho de água depois de um dia de trabalho pode ser uma técnica relaxante. Embora na antiguidade se acreditava que tomar um duche com água fria era sinal de força e de energia, se o que procuras é manter o peso e o açúcar controlados, o melhor é optar pela água quente, pois, de acordo com um estudo liderado por Steve Faulkner, da Universidade de Loughborough (Reino Unido), tomar banho com água quente traz mais benefícios do que fazer exercícios no que concerne ao controlo dos níveis de glucose nos pacientes com diabetes tipo 2. A isto acrescenta-se o facto de, tal como calculou Faulkner, na ba-

---PENSA VERDE---

Uma horta futurista

Bifes de frango com molho de queijo

Sergio Ferreira

As hortas urbanas passam despercebidas com facilidade e, para além disso, quem vive na cidade ignora o quão importante pode ser ter uma horta na nossa casa ou edifício, já que os seus benefícios vão para além da alimentação e da parte social. As hortas urbanas ajudam a recuperar zonas verdes e a mitigar a acumulação de calor nas cidades sem que seja necessário dispor de um amplo espaço para a sua criação. Isto é possível graças a avanços na agricultura nos últimos 10 mil anos, durante os quais se lutou contra pragas, eventos naturais e contra o próprio homem. E agora, surge um novo avanço, graças ao incansável trabalho de um japonês, que deu mais um passo para mudar a agricultura à escala industrial para cultivos dentro de portas. Isto aconteceu em Miyagi, a Este do Japão, uma zona gravemente afectada, em 2011, pelo terramoto e posterior tsunami e fuga na central nuclear de Fukushima, onde o fisiólogo vegetal Shigeharu Shimamura converteu uma antiga fábrica de

---CULINÁRIA---

semi-condutores da Sony na maior horta interior do mundo, iluminada com LED’s que emitem luz a distâncias óptimas para o crescimento vegetal. Esta horta conta com uma superfície equivalente a metade de um campo de futebol, e já está aberta a quem quiser visitá-la. Desde a sua abertura, nos primeiros dias do mês de Julho, foi comprovada a produção ao equivalente a 10 mil alfaces por dia. Neste projecto, foram as luzes LED, preparadas pela GE, um componente chave da magia deste lugar, já que são utilizadas 17.500 lâmpadas, distribuídas por 18 bas-

tidores de cultivo que alcançam 15 níveis de altura. As luzes permitem controlar o ciclo dia/noite para acelerar o crescimento das verduras. Obviamente que este projecto está muito longe do que podemos fazer numa casa comum, mas mostra o engenho que é preciso na hora de preservar a Natureza e sobretudo todos os alimentos, que são 100% consumíveis para os seres humanos. Para além disso, Shimamura explica que o consumo de água foi reduzido no local, e o sistema empregue permite que as alfaces cresçam cheias de vitaminas e minerais.

Ingredientes 2 dl de Natas / 1 kg. de batatas novas / 1 dente de alho / 1 colher de sopa bem cheia de manteiga / sal q.b. / pimenta q.b. / salsa picada q.b. / sumo de 1/2 limão / 200gr de queijo Gorgonzola Preparação Descasque as batatas e coza-as em água temperada com sal.

Numa frigideira, derreta a manteiga. Adicione as natas, o alho picado, o queijo Gorgonzola e deixe reduzir. Deite as batatas e faça-as saltear, sacudindo a frigideira de vez em quando. Tempere com sal, pimenta e sumo de limão. Sirva em seguida como acompanhamento, de um naco de carne laminado.


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26 Desporto

Quinta-feira 30 de Outubro a Quarta-feira 6 de Novembro de 2014 | Correio da Venezuela Correio da Venezuela | Sábado 8 a Sexta-feira 14 de Julho de 2017

Desporto 25

FUTEBOL

Primeiro clássico à 8ª jornada, último na penúltima ronda

FUTEBOL

DIÁRIO DE NOTÍCIAS

A receção do Sporting ao FC Porto, à 8ª jornada, agendada para 1 de outubro, vai ser o primeiro clássico da época, ditou o sorteio. Leões vão receber as águias na penúltima jornada da I Liga A receção do Sporting ao FC Porto, à 8ª jornada, agendada para 1 de outubro, vai ser o primeiro clássico da época, ditou o sorteio dos calendários das competições profissionais, realizado esta sexta-feira, no Terminal de Cruzeiros de Leixões, em Matosinhos. Os leões vão receber as águias na penúltima jornada da I Liga, naquele que promete ser um jogo decisivo para as contas de atribuição do campeão. Na primeira volta, há dérbi de Lisboa na 16ª ronda, a

20 de dezembro. O clássico entre o FC Porto e Benfica vai disputar-se na 13ª jornada, prevista para 3 de dezembro. Marítimo recebe P. Ferreira O Marítimo vai receber o Paços de Ferreira na 1.ª jornada da I Liga, agendada para dia 9 de Agosto, uma quarta-feira. Na ronda seguinte, os verde-rubros deslocam-se ao Restelo para defrontar o Belenenses. Na 1.ª ronda do campeonato, os restantes jogos são os seguintes: Desp.Aves-Sporting, Benfica-Sp. Braga, Feirense-Tondela, Rio Ave-Belenenses, Portimonense-Boavista, V. Guimarães-Desp. Chaves, FC Porto-Estoril e V. Setúbal-Moreirense. A equipa de Daniel Ramos rece-

FUTEBOL

FC Porto arranca época com 19 jogadores

AGÊNCIA LUSA

O FC Porto regressou hoje ao trabalho com um treino matinal orientado por Sérgio Conceição, no Centro de Estágios do Olival, em Vila Nova de Gaia, que contou com a presença de 19 jogadores. À tarde, os atletas dos ‘dragões’ vão ser sujeitos aos exames

médicos, desta feita no Estádio do Dragão. Os ‘dragões’ arrancaram a preparação da nova época com a presença de vinte jogadores, numa sessão onde estiveram ausentes os internacionais do plantel que estiveram ao serviço das respetivas seleções - José Sá, Maxi Pereira, Layún, Herrera, Da-

be o Benfica a 1 de Outubro, na 8.ª jornada, deslocando-se ao Dragão na 15.ª ronda. Já o primeiro confronto com o Sporting está agendado para a 17.ª, em Alvalade. O primeiro ‘clássico’ da I Liga 2017/2018 é o Sporting-FC Porto, na 8.ª jornada. Clássicos da edição 2017/18 8.ª jornada (1 de outubro): Sporting - FC Porto 13.ª jornada (3 de dezembro): FC Porto - Benfica 16.ª jornada (20 de dezembro): Benfica - Sporting 25.ª jornada (4 de março): FC Porto - Sporting 30.ª jornada (15 de abril): Benfica FC Porto 33.ª jornada (06 de maio): Sporting - Benfica

nilo, Brahimi, Aboubakar e Marega. Hernâni apresentou-se mas não treinou por se encontrar com um problema clínico, segundo fonte do FC Porto. Mikel foi outro jogador que esteve ausente do primeiro treino da pré-época, uma vez que chega mais tarde à cidade do Porto. Durante a tarde junta-se aos companheiros para os exames médicos. Já Boly não consta na lista dos disponíveis de Sérgio Conceição, ainda assim apresentou-se no Olival, reforçando assim a possibilidade de estar de saída do clube azul e branco. Perto do final do treino chegou ao Centro de Estágio Diego Reyes, jogador que esteve emprestado ao Espanyol na época passada. O futuro do defesa é incerto até porque o jogador acabou por abandonar o Olival 10 minutos depois sem treinar.

Portugal apura-se para as meias-finais do Europeu de sub-19 com vitória sobre República Checa DIÁRIO DE NOTÍCIAS DA MADEIRA

A seleção portuguesa de futebol apurou-se para as meias-finais do Europeu de sub-19, ao vencer a República Checa, por 2-1, em jogo da segunda jornada do Grupo A, que se disputou em Tbilissi. Mesaque Dju colocou Portugal em vantagem, aos 35 minutos, mas Graicar empatou cinco

minutos depois. Na segunda parte, Rui Pedro fez o segundo golo no torneio e deu o triunfo à ‘equipa das quinas’, aos 74. Com este triunfo, Portugal, com seis pontos, qualificou-se para as meias-finais e garantiu a vitória no Grupo 1, uma vez que tem vantagem no confronto direto sobre a República Checa e a Geórgia, que têm três pontos. A Suécia ainda não pontuou.

RACEBOARD

João Rodrigues sobe para o 13.º posto no Mundial de Raceboard AGÊNCIA LUSA

O olímpico madeirense, João Rodrigues subiu ontem do 17.º para o 13.º lugar do Campeonato do Mundo de Raceboard, em prancha à vela, que se está a disputar na cidade espanhola de Tarragona. Depois de um segundo dia ‘não’ na jornada de ontem, hoje o atleta mais olímpico de sempre de Portugal voltou a andar na frente da frota, e numa ronda onde o vento quis soprar fraco. Nas duas regatas realizadas o velejador do Centro Treino Mar somou um quarto e um segundo lugar, estando agora no 13.º lugar com 86 pontos. Já o outro madeirense Pedro Côrte Moura, continua a ser o melhor atleta lusa em prova, no 11.º

lugar, com menos cinco pontos que João Rodrigues e depois de hoje ter rubricado um 12.º e um oitavo lugares nas regatas do dia. Finalmente o jovem Frederico Rodrigues, atleta do Centro Treino Mar veio a descer na classificação, estando agora no 23.º posto com 144 pontos, tendo somado um 23.º e um ‘DNC’ nas regatas da terceira jornada do campeonato. O Mundial prossegue hoje com mais uma jornada.


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Sรกbado 8 a Sexta-feira 14 de Julho de 2017 | Correio da Venezuela


26 Desporto

Quinta-feira 30 de Outubro a Quarta-feira 6 de Novembro de 2014Correio | Correio Venezuela da da Venezuela | Sábado 8 a Sexta-feira 14 de Julho de 2017

FUTEBOL

Atlético Venezuela vence Deportivo Anzoátegui por 2-1

FUTEBOL

Clubes lusos marcam presença no Torneio Élite 2017 Torneio tem lugar no campo sintético do Complexo Desportivo “El Cuadradito” de Cabudare, Estado Lara Ommyra Moreno Suárez

O Centro Luso Larense, nas suas categorias sub 9 e sub 10, juntamente com o Madeira Club Lara, na categoria sub 11, confirmaram a sua participação no Torneio Élite 2017, que que tem lugar no campo sintético do Complexo Desportivo “El Cuadradito” de Cabudare,

É a segunda vitória consecutiva que conseguem as nacionais e que as leva agora a enfrentar a 11ª jornada da Superliga Feminina Ommyra Moreno Suárez

O Atlético Venezuela, do qual faz parte a avançada luso-venezue-

lana Carla Carvalho, continua a lutar para obter a vitória e consolidar o seu passo na Superliga Feminina depois de somar três pontos na sua visita ao Deportivo Anzoátegui, ficando o marcador 1-2 no Estádio José Antonio Anzoátegui de Puerto La Cruz, Estado de Anzoátegui. Como publicado no jornal desportivo Balonazos, a equipa feminina sofreram um contra-ataque que foi aproveitado por Samy Castellano e serviu para castigar as visitantes com um forte impulso. As jogadoras do atlético não desisti-

Danny com direito a estátua na capital cultural da Rússia Sergio Ferreira Soares

São Petersburgo é a segunda maior cidade da Rússia e considerada a capital cultural do país. Em cada praça é possível encontrar estátuas, mas poucas são tão imponentes

Estado Lara. A data de abertura será anunciada nos próximos dias, pois foi alterada devido às manifestações. O canal ‘Somos Televisión’ será responsável por transmitir os jogos através das plataformas de televisãoatravés de subscrição a Intercable e Netuno, abrangendo assim grande parte do centro-ocidente. Desta forma, os clubes luso-venezuelanos marcam presença mais uma vez nos torneios desportivos da localidade. Importa destacar que as equipas do Centro Luso Larensee o Madeira Club Lara destacaram-se pela sua ótima prestação em várias categorias integradas na recente Liga OrdanAguirre, dedicada às categorias menores de futebol regional.

ram e dois minutos mais tarde marcaram o golo do empate. Atlético Venezuela não cedeu e começou a distribuir balões e não se deixaram ir abaixo perante o calor que estava em Puerto La Cruz, pois no minuto 31 Yeini Rosal tentou marcar de esquina mas Ariannys Oropeza defendou, mas depois marcou o golo da vitória. Trata-se da segunda vitória consecutiva que conseguem as nacionais e que as leva agora a enfrentar a 11ª jornada da Superliga Feminina.

FUTEBOL

Jogador revela orgulho e quer uma réplica

Desporto 27

como as de Pedro, o Grande e Vladimir Lenin. As estátuas, por norma, são concedidas a alguém importante na vida dos países, cidades ou instituições.

E há um português que pode orgulhar-se de ter entrado para a eternidade do principal clube de futebol de São Petersburgo, o Zenit. Trata-se de Danny, que este ano se despediu do emblema que defendeu nos últimos nove anos. Este mês, no dia 16, o internacional português foi homenageado na praça Menezhnaya, no coração da cidade, onde vários adeptos fizeram questão de estar presentes. Ladeado pelos filhos, o luso-venezuelano emocionou-se quando destaparam um busto que na prática é a mais alta distinção que pode ter para a eternidade. “És uma lenda do Ze-

nit”, disse na altura Sergei Fursenko, presidente do clube e um dos principais impulsionadores da ideia. “É um orgulho enorme. Fiquei muito feliz por ter uma estátua em São Petersburgo. É o reconhecimento do bom trabalho que fiz”, afirmou Danny, que se encontra de férias, numa curta troca de mensagens com o DN. Afinal foram nove anos, 113 jogos e 21 golos pelo clube financiado pela empresa petrolífera e de gás natural Gazprom, pelo qual venceu três campeonatos, duas Taças da Rússia, duas supertaças russas e uma Supertaça europeia.


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