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Correio da Venezuela

Editorial

Quinta-feira, 4 de Abril a Quarta-feira, 10 de Abril de 2013

Grupo Editorial Correio da Venezuela

Rif.: J-40058840-5

Orgulho e vaidade

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CORREIO de Venezuela assinala nesta data a sua 500ª publicação. O número é relevante e enche-nos de orgulho e vaidade. Orgulho porque conseguimos manter este farol alerta em terras da América Central, numa comunidade enorme e extensa, chegando a diversos recantos onde se fala e lê Português. Vaidade porque alcançámos objectivos, ultrapassámos barreiras, ganhámos a confiança dos leitores e porque marcamos um lugar e ganhámos uma posição com um produto que, afinal, tinha, e tem, pernas para andar e se impor como meio de informação e de actualização. Neste percurso de 500 números procurámos, sobretudo, estar ao lado dos Portugueses que vivem na Venezuela. Porque foi para eles que metemos ombros a esta iniciativa. Assim pensávamos (e pensamos) quando nos juntámos ao grupo que se propôs criar mais um jornal escrito em Português na Diáspora. Em 1999 havia uma história de projectos semelhantes que não tinham dado certo, uns foram experiências mal sucedidas, outros pouco sustentáveis do ponto de vista económicofinanceiro, outros ainda criados por vaidades pessoais ou para exercício de influências restritas. O CORREIO contou desde início com a integração de jornalistas profissionais, com a cooperação do DIÁRIO de Notícias da Madeira, ainda sócio do projecto, e com a vontade e empenho de um grupo de imigrantes, apoiados em empresas sólidas e consistentes no mercado, cuja amizade não podemos esquecer neste momento e destacar que têm sido um dos três pilares importantes do projecto. Os outros dois são os nossos leitores, que crescem por toda a Venezuela e os nossos colaboradores, uma equipa de jovens bem capacitados, com grande sentido profissional que, semanalmente, apresenta à grande plateia da Comunidade Portuguesa um jornal de qualidade e tecnologicamente moderno. O projecto tem avançado na Internet e nas redes sociais e outras etapas se seguirão num futuro próximo. Como jornal, começámos numa ocasião de algum marasmo na comunidade, que tinha até poucos vínculos com as autoridades venezuelanas, completamente afastada dos sistemas de influência que outras comunidades, porventura mais pequenas. Os serviços consulares eram pouco eficientes, os utentes queixavam-se do maltrato de alguns funcionários. Enfim, foi um tempo de denúncia, de investigação do que estava a acontecer e de entender em que medida poderíamos contribuir para a solução. Foi dessa forma que ganhámos a confiança dos leitores, o interesse e o respeito das autoridades e governantes, e despertámos os Portugueses e lusodescendentes para novos projectos, sobretudo nas áreas da solidariedade social, da cultura e do entretenimento. A emigração tem sido um posto avançado da Pátria Lusitana sempre que na Europa a desgraça bate à porta. Em mais uma recessão económica Lisboa volta a olhar para a Diáspora. Nesta edição confirmamos a importância do relacionamento bilateral, em fase tão delicada da vida nacional. Falta a Portugal entender melhor as potencialidades destes milhões de compatriotas que vivem longe, é certo, mas que têm o coração muito perto da Pátria, mais que os muitos que deixam o País se afundar pelas más práticas e pela teimosia de trocar o fácil pelo que dá trabalho e necessita empenho e entrega pessoal.

www.correiodevenezuela.com Director Aleixo Vieira Subdirector Agostinho Silva Gerente Carla Vieira Editor e Chefe de redacção Sergio Ferreira Soares Jornalistas Carla Salcedo Leal Joel Melin Abreu Kenner Prieto Antonio Da Silva Correspondentes Edgar Barreto (Falcón) Carlos Balaguera (Carabobo) Sandra De Andrade (Aragua) Sandra Rodríguez (La Victoria) Trinidad Macedo (Lara) Silvia K. Gonçalves (Bolívar) Ricardo Santos (Nueva Esparta) Luis Canha (Mérida) Antonio Dos Santos (Zulia) Colaborações Raúl Caires Catanho Fernandes Arelys Gonçalves Victoria Urdaneta Jean Carlos de Abreu Shary Do Patrocinio Fernando Urbina Antonio López Villegas Isabel Idárraga David Rodríguez Luis Jorge Do Santos Administração Ma.Fernanda Pulido Publicidade e Marketing Carla Vieira Paginação Elsa de Sá Fotografia Silvia Di Frisco Francisco Garrett Secretariado Fátima Melo Distribuição Luis Alvarado Carlos Agostinho Perregil R. Impressão Cadena Capriles, Operadora La Urbina C.A. Caracas -Venezuela Tiragem 15.000 exemplares Fontes de Informação Agência Lusa, Diário de Notícias, Diário de Notícias da Madeira, Ilhapress, Portuguese News Network e intercâmbio com publicações em língua portuguesa. Endereço Av. Veracruz. Edif. La Hacienda. Piso 5, ofic. 35-F. Las Mercedes, Caracas. Telefones (0212) 9932026 / 9571 Telefax (0212) 9916448 E-mail editorial@correiodevenezuela.com


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500 anos da presença lusitana na Venezuela A história da emigração portuguesa na terra de Simón Bolívar é muito antiga, como atestam os muitos episódios históricos que remontam ao século XVI

Os seus restos mortais repousam no Panteão Nacional, desde 1942. Após a Independência, iniciou-se um esforço de povoamento do território venezuelano com alguns decretos de imigração. Durante este período iniciado em 1831, destaca-se a presença dos portugueses Gregório Garcia Gonçalves, Carlos da Costa Gomes e Francisco Santos, entre outros que vieram de Curaçau. A presença dos portugueses justificou a criação de representações diplomáticas em cidades e portos de grande movimento comercial. Assim, já na segunda metade do século XIX havia cônsules portugueses em Caracas, Ciudad Bolívar, Cumaná, La Guaira e Puerto Cabello. Esta rede consular consolidou-se depois com a chegada de Fernão de Amaral Botto Machado, que conduziu a missão lusitana em Caracas até ser encarregada a Joaquim Travassos Valdês, em 1919.

Sergio Ferreira Soares sferreira@correiodevenezuela.com

Numa altura em que os reinos de Espanha e de Portugal competiam pelo domínio do Oceano Atlântico e das costas africanas, surgiu a necessidade de celebrar um convénio que estabelecesse a divisão das zonas de navegação conhecidas e a conquistar para evitar conflitos entre as coroas. Assim, a 7 de Junho de 1494 foi assinado o Tratado de Tordesilhas, segundo o qual se estabelecia uma linha de demarcação a 374 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde, que dava a Portugal a possibilidade de explorar um vasto território que hoje é conhecido pelo nome de Brasil. Entre o grupo de marinheiros que, sob o comando de Alonso de Ojeda, descobriram a Venezuela, em 1499, estavam alguns portugueses. Mas a marca lusitana ia aumentar em breve, como resume António de Abreu Xavier, no seu livro “Com Portugal na Mala”: “Manuel de Serpa chegou com os alemães que entraram por Coro, enquanto que Cortés Rico fez parte da expedição de Francisco Fajardo, e Francisco Freire, integrava a cruzada de Luís de Narvaez. Na expedição do Orinoco aventuraram-se António Fernandes e Álvaro Jorge, sob o comando de Alonso de Herrera e Fernando de Barrío. As planícies foram o cenário da marcha de António de Acosta e Juan Fernandes de Leão Pacheco”. A presença lusitana em terras crioulas se consolidaria rapidamente e em 1519 já existia uma povoação chamada Portugal, à qual a chegava zarpando desde Cumaná e navegando em direcção a sul. Em 1532, foi registada a participação de Pedro Português no comércio de pérolas de Cubagua.

Começam os contributos…

Um dos maiores contributos lusos

a este remonta a 1579, quando Manuel Pimenta estabelece uma sociedade em Mérida com Francisco Gonzales de Lima, para comercializar “casabe” (pão feito à base de farinha de mandioca) para Caracas e Valência. O caminho utilizado tornou-se na primeira rota para o comércio de mercadorias entre o centro e ocidente do território. Os portugueses também deram contributos étnicos para a sociedade venezuelana através do matrimónio. “A relação de Antonio Yanez com a suas criadas indica que a mistura dos portugueses com os índios aborígenes deu origem a um ramo de famílias indoportuguesas”, explica de Abreu Xavier, que também ressalta o papel dos negros trazidos dos territórios portugueses em África nas diferentes linhagens de descendência na Venezuela: dos 102 indivíduos negociados entre 1595 e 1600, 42 eram oriundos de Angola. No censo de 1607 já existiam outros nomes de portugueses radicados no país; entre eles, João Fernandes de Leão Pacheco, fundador de Guanare, e Manuel da Silva, administrador real. Não é vão que segundo o censo, dos 48 estrangeiros que viveriam então em Caracas, 41 eram de nacionalidade portuguesa; destes, 23 eram casados, o que explica a origem lusa de muitos apelidos caraquenhos. Outra presença de grande relevância para 1619 era a do Capitão Diego de Ovalle, que possuía a encomenda dos terrenos de Choroní, onde introduziu e intensificou a cultura do cacau além de colaborar na edificação do povoado.

Também ressalta o capitão Pedro González de Golpellares, que em 1644 teve de justificar a sua origem lusitana; e os evangelizadores Esteban de Arzola e Buenaventura de Malvenda, que chegaram à Província na última década do século XVII após predicar a fé católica em África e Brasil.

Um luso no Panteão Nacional

A presença lusa desenha-se durante quase um século e depois aparecem os testemunhos isolados na fase independentista, com os contributos como o de Paulo Jorge ou José Tomás Machado. Este último, depois concluir estudos em Lisboa, uniu-se à causa emancipadora da Província de Guayana e serviu sob as ordens de Francisco de Miranda, participando em várias batalhas. Deixou a sua assinatura na Acta Constitutiva do Congresso de Angostura.

O início da segunda etapa

Desde o início do século XX até 1935, a imigração portuguesa caracterizouse pela dispersão e em número reduzido. Nesse período, a Venezuela viveu uma grande instabilidade política e o território carecia de comunicações, pelo que Cipriano Castro e Juan Vicente Gómez temiam a influência dos estrangeiros. A política baseava-se em permitir a entrada “gradual” de estrangeiros e sedia-los em regiões do país onde pudessem ser vigiados. Isto não assustou os portugueses e, como resenha Abreu Xavier, soube-se da chegada de Adelina Engrácia e Adriano Garcia; Joaquim de Pontes Júnior; Ernesto Farache e sua esposa Cármen; José Fernandes, António Gonçalves, Policarpo Rodrigues, António Fernandes, Manuel de Agrela Coutinho e José de Sousa. A presencia lusitana em terras crioulas apenas começava…


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A grande vaga

Com Portugal no coração Entre 1948 e 1983 registou-se um aumento no número de portugueses que vieram procurar uma vida nova na Venezuela

Sergio Ferreira Soares sferreira@correiodevenezuela.com

Decorria o ano de 1948 e a Venezuela vivia um processo de grandes mudanças políticas. Após Rómulo Gallegos ter sido derrubado e forçado ao exílio, foi constituída uma junta formada exclusivamente pelos seus antigos aliados militares, que no golpe de 1945 assumira o poder de forma imediata. Carlos Delgado Chalbaud, Marcos Pérez Jiménez e Luis Llovera Páez eram os novos homens fortes à frente da política nacional. Nesta época, os portugueses chegavam à Venezuela de forma individual mas em grande número. Segundo alguns testemunhos recolhidos por António de Abreu Xavier no seu livro “Com Portugal na mala”, já em 1948 alguns portugueses eram donos de “pequenos restaurantes, em cuja parte posterior se alojavam até oito compatriotas”. Desde o final daquele ano, as condições económicas começaram a oferecer possibilidades de ascensão para todos e quem trazia as suas poupanças desde Curaçau, assentava e criava negócios em Caracas, aproveitando a grande afluência à cidade. Prova disso é o nascimento, em 1949, da Central Madeirense: uma ‘mercearia’ estabelecida na avenida San Martin, que em breve ampliaria os seus horizontes com um segundo estabelecimento na avenida Presidente Medina. Assim, segundo números oficiais, em 1950 foi registado um aumento de 10.510 portugueses estabelecidos na Venezuela. As mudanças operadas na política migratória estavam na ordem do dia e, em breve, com a chegada de Marcos Pérez Jiménez ao poder e com a política de “Portas Abertas”, seria facilitada a entrada de portugueses no país, pelo que o consulado venezuelano em Lisboa passou a estar sempre cheio de pessoas solicitando vistos para a terra de Simón Bolívar. Naquela época, segundo observa Abreu Xavier, o diário “O Século”, de Portugal, resumia assim nas suas pá-

ginas os custos médios para emigração de um indivíduo: papelada oficial, 16.000 escudos; passagem em terceira classe, 7450 escudos; carta de chamada à Venezuela, 450 escudos; para um total de 24000 escudos.

Um navio e uma nova vida de trabalho pela frente

Na década de 1950, foram os navios a vapor como Americo Vespucci, Antoniotto Usodimare, Francesco Morosini, Jagiello, Luciano Manara, Misr, Rabello, Oranjestad e Urania que transportaram passageiros até ao porto de La Guaira provenientes desde Portugal. Em 1954, a companhia Colonial de Navegação incorporou o Santa María e o Vera Cruz, em competição com os navios Boskoop, Castel Verde, Conte Biancamano, Ana C, Franca C, Federi-

co C, Verdi, Irpinia, Auriga e Torrente. O valor do trabalho demostrado pelos lusitanos recém-chegados, semeava uma nova dinâmica na emergente economia venezuelana, a tal ponto que Ernesto Ché Guevara, na sua passagem por Caracas, escreveu no seu diário de viajante: “Os negros, os mesmos magníficos exemplares da raça africana que mantiveram a sua pureza racial graças ao pouco apego que têm ao banho, viram os seus ‘domínios’ ser invadidos por um novo exemplar de escravo: o português. E as duas velhas raças iniciaram uma dura vida comum povoada de disputas e mesquinhices de toda a índole. O desprezo e a pobreza une-os na luta quotidiana, mas o diferente modo de encarar a vida separaos completamente; o negro indolente e sonhador, gasta os seus tostões em qualquer frivolidade ou a “pegar unos palos”; o europeu tem uma tradição de trabalho e poupança que o persegue até este canto da América e o impulsiona a progredir”. Assim, no ano de 1955, o número de lusos alojados em pensões diminuía, enquanto se registrava um incremento dos radicados em casas de administração familiar. Os conterrâneos reuniam-se aos domingos para preparar os seus pratos tradicionais.

E viram a democracia florescer

Rómulo Betancourt, ante a onda de histórias xenófobas com que foi confrontado ao chegar ao poder em 1959 e reconhecendo a relevância das comunidades estrangeiras radicadas no país, solicitou a Alejandro Hernandes da Associação Pró Venezuela

para lançar um apelo em apoio à banca nacional e para acabar com essa campanha de rumores. É que assim que, a 14 de Março de 1960, vai para o ar uma campanha com o objectivo de acalmar a onda de xenofobia que grassava pelo país desde a queda de Marcos Pérez Jiménez. Acalmada a situação, os portugueses continuaram a estabelecer-se e a construir em Caracas os primeiros edifícios das ‘barriadas populares’, onde se instalaram; tal é o caso dos imóveis Coromoto e Víctor, no barro El Peaje da Cota 905, ou edificações em urbanizações como o 23 de Enero, Sarría, Propatria, Prados de María e El Cementerio, entre outras. A presença lusa no interior do país cada também começou a ser cada vez maior. O maior crescimento no número de portugueses na Venezuela está compreendido entre os censos de 1961 e 1981: a proporção indica que, a cada 9 estrangeiros que entravam no país, 1 vinha de Portugal. Isto ficou-se a dever à depressão económica portuguesa e ao receio de vir a fazer parte do recrutamento massivo de tropas para a guerra colonial em África. Com uma presença cada vez maior, em 1967 o Banco Português do Atlântico viraria os eus olhos para a Venezuela para converter-se no intermediário para as transferências dos montantes das operações consulares. Em 1972, uma comitiva de 60 comerciantes, industriais e financeiros, pisou terras venezuelanas para conhecer a potenciais clientes. Pouco depois começaram a instalar-se no país sucursais de bancos portugueses interessados em captar aforradores e investidores. Os negócios lusos continuaram a crescimento e é assim que nascem Excelsior Gama, Supermercados El Prado, Automercados Luvebras e Supermercados Unicasa. O censo venezuelano de 1981 registou a presença de 93.029 lusos em terras crioulas. No entanto, segundo explica de Abreu Xavier, “Se o efeito multiplicador se aplica ao resultado dos censos portugueses e venezuelanos dos anos 1980 e 1981, poderia dizer que então a comunidade lusa estava entre os 400.000 e 450.000 indivíduos”. Este terceiro período culmina em 1983 com a extensão das visitas a Portugal, até converter-se numa modalidade de vida por temporadas. Uma época marcada pela mudança político em Portugal e pela crise económica venezuelana, que levaria muitos a regressar ao seu país natal e a que muitos outros tivessem que lutar como nunca pela Venezuela.


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Entre a crise e o auge das instituições lusas

Ainda que a partir de 1983 se tenha assistido a uma descida no número de portugueses, o século XX inicia com uma quinta onda de emigração lusa para a Venezuela.

Sergio Ferreira Soares sferreira@correiodevenezuela.com

Alguns factos ocorridos nos últimos anos da década de 70 marcaram o início da uma nova etapa na emigração portuguesa na Venezuela, que se caracterizou pelo regresso a terras lusitanas ou pelo êxodo para as mais recônditas povoações do país de Bolívar. Apesar de a nacionalização da indústria petrolífera em 1976 ter proporcionado à nação importantes recursos, e ter determinado o advento de uma economia próspera, a estreita vinculação do sistema económico à actividade mineira pôs a dinâmica nacional à mercê da cotização do barril de petróleo no mercado mundial. Devido a semelhante crescimento, surgiu uma série de problemas relacionados com a administração pública: Foi assim que a inflação e a corrupção propiciaram a queda da popularidade dos partidos que governavam, conjuntamente com uma etapa crítica a nível financeiro. Em breve, a renda petrolífera começaria a ser insuficiente e a dívida externa do país aumentaria. Assim, Herrera Campins, a 18 de Fevereiro de 1983, decidiu desvalorizar o bolívar com o controlo de câmbio 4,30 a 7 bolívares por dólar, o que foi considerado uma ‘sexta-feira negra’. Com Jaime Lusinchi, na primeira magistratura, conseguiram-se alguns avanços; no entanto, o elevado nível de aceitação do Governo iniciou a sua fase descendente e em 1988, por maioria esmagadora, Carlos Andrés Pérez regressou à Presidência. O resto da história já é conhecido: Em 1989, aconteceria ‘El Caracazo’, perante as medidas económicas de Carlos Andrés Pérez, e três anos mais tarde, aconteceriam duas insurreições com vista a derrotar o regime. Depois

da presidência provisória de Ramón Velasquez e do mandato de quatro anos de Rafael Caldera, o discurso de Hugo Chávez reavivaria a esperança dos destituídos e levá-lo-ia ao poder.

Diminuição de portugueses versus aumento das suas instituições

Estas circunstâncias de instabilidade política e económica na Venezuela, em conjunto com o despontar da economia portuguesa no mercado europeu, levaram a uma queda no número de lusitanos no país latino-americano, entre os censos de 1981 e 1990, seja por morte da primeira geração ou pelo regresso a terras ibéricas. Os números indicam que a perda de cidadãos lusos foi de 2.475 por ano. No entanto, quem decidiu ficar na Venezuela, continuou dando passos firmes rumo ao crescimento pessoal e da nação, dando espaço ao bonito orgulho na portugalidade. Foi assim que, a 9 de Março de 1989, nasceu o Banco Plaza, para competir com a banca nacional, enquanto as cadeias de supermercados fundadas nas duas últimas duas décadas aumentavam o número de sucursais, proporcionando mais de 10 mil empregos em todo o país no início do século XXI. Para além de algumas instituições que já tinham sido criadas nas duas décadas anteriores, tais como a União de Industriais da Farinha, a Associação de Distribuidores de Pão, Associação de Industriais da Padaria, Associação Nacional de ‘Mayoristas Licoreros’, Associação Portuguesa de Comerciantes, Câmara de Comércio e Indústria e Turismo Luso-Venezuelana, entre outras, este novo período foi marcado pelo nascimento de mais de uma centena de instituições, clubes, associações e grupos folclóricos que tinham como finalidade proteger os interesses da comunidade e ressaltar o orgulho de ser português na Venezuela. O associativismo continuaria, assim, em ascensão com a criação de diversos clubes, como o Centro Português de Caracas (1958), Casa Portuguesa de Aragua (1965), Associação Desportiva Luso Venezuelana (1972), Casa de Portugal de Maracaibo (1972), Centro Luso Larense (1977), Centro Social Madeirense (1978), Centro Português de Puerto Ordaz (1979), Centro Luso de Catia la Mar e Centro Atlântico Madeira (1984), Centro Luso Venezuelano de La Victoria (1985), Centro Luso Venezuelano de Acarigua (1986), Centro Português de Punto Fijo (1987), Centro Luso de Los Valles del Tuy (1992), Cen-

Os números indicam que a perda de cidadãos lusos foi de 2.475 por ano. tro Português de Barinas (1996), Centro Sociocultural Virgem de Fátima (2002), Casa Portuguesa Venezuelana de Naguanagua (2004); para além de outras em Maturin, Calabozo, Villa de Cura, Margarita, Guarico, Anaco, Puerto Cabello, Barcelona, Araure e Táchira. Em 1981, a comunidade participaria nas primeiras eleições para eleger os seus representantes no I Congresso Mundial das Comunidades Portuguesas, e no final dos anos 80, celebrariam a conquista de quatro títulos por parte do Marítimo de Venezuela como campeões nacionais na primeira divisão do futebol crioulo. Em breve, as festas de Fátima expandir-se-iam por toda a Venezuela; seriam criadas as mais diversas instituições de beneficência, como a Sociedade de Damas Portuguesas em

Caracas, Valência e Vargas, as Academias do Bacalhau e as Academias da Espetada, entre outras; e chegariam os festivais de folclore português, nos quais se reuniriam os mais variados grupos de todos os recantos do país.

A nova emigração

A crise económica que afecta Portugal desde finais da primeira década do século XXI trouxe como consequência o início de uma quinta etapa de emigrações portuguesa para terras venezuelanas. O motivo? Os diferentes convénios bilaterais assinados entre o governo de Hugo Chávez e os representantes dos diversos ministérios lusos trouxeram à Venezuela mais de 50 empresas ibéricas a investir na Venezuela. Os casos da instalação da fábrica produtora dos computadores Canaima, a construção de casas préfabricadas por parte do Grupo Lena e a ampliação do porto de La Guaira por parte do grupo Teixeira Duarte, entre outros, trouxeram ao país centenas de novos emigrantes que começam uma nova vida em terras de Bolívar.


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Miguel Albuquerque recebeu condecoração venezuelana

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elina Veja Mendez, presidente do Município Libertador de Caracas, entregou esta semana a Miguel Albuquerque, presidente da Câmara Municial do Funchal, a condecoração Ordem Waraira Repano do Município Bolivariano Libertador (Caracas), como reconhecimento pela cooperação que tem existido nestes últimos anos entre as duas entidades, nomeadamente a troca de experiências no sector ambiental e da qualidade de vida. Durante a cerimónia o presidente da principal autarquia madeirense destacou o papel desempenhado ao longo das últimas duas décadas pelos vereadores Raimundo Quintal e Henrique Costa Neves, nas áreas referidas e que tornaram o Município do Funchal uma cidade de referência nacional. Aliás, por esse trabalho e experiência de quase 20 anos, Miguel Albuquerque ofereceu a Celina Mendez a cooperação da Câmara Municipal do Funchal no que for preciso e que Caracas queira aproveitar, sobretudo em termos de conhecimento. O autarca madeirense estará neste fim-desemana na Venezuela à frente de uma comitiva da Região Autónoma, que estará em Caracas para aprofundar laços comerciais com a Venezuela, o quinto maior parceiro comercial de Portugal fora da Europa. A iniciativa, organizada pelo DIÁRIO de Notícias da Madeira e pelo CORREIO de Caracas, destina-se especialmente ao sector empresarial.

Presidente do Município Bolivariano Libertador de Caracas deslocou-se à Madeira onde homenageou o trabalho dos técnicos da Câmara Municipal do Funchal Na mesma cerimónia em que foi entregue a Miguel Albuquerque a condecoração da Ordem Waraira Repano, no Salão Nobre da Câmara do Funchal, a presidente do Município Bolivariano Libertador, homenageou também o cônsul da Venezuela na Madeira, Felix Correa, funcionários do consulado e empresários madeirenses que vivem e têm negócios na Venezuela. Além do Município Libertador de Caracas, a Câmara Municipal do Funchal tem em curso outros protocolos com entidades venezuelanas, também no âmbito do Ambiente e Qualidade de Vida. No Estado Falcón decorrem acções de formação de pessoal relacionado com a recolha de resíduos sólidos, onde a autarquia madeirense tem prestado a sua colaboração com a disponibilização e envio de técnicos devidamente capacitados para ensinarem as melhores práticas que levaram o município português a ser visto em Portugal como um exemplo a seguir.


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O coração luso bate na populosa

Catia

A paróquia de Sucre acolheu um grande número de lusos durante a época dourada da emigração.

naram a evoluir, e foi quando decidiu viajar até à Venezuela, para cimentar o seu futuro. Chegou ao país a 7 de Novembro de 1971. Na altura, Ilídio começou a trabalhar no bar/restaurante Manchester, onde conseguiu, posteriormente, o cargo de supervisor geral. E era este o impulso que precisava para estabelecer-se de forma independente, com um negócio próprio. Em 1980, decide comprar um espaço em Catia, onde se inicia como comerciante de produtos de ferragens. No entanto, 9 anos depois, seria vítima dos saques perpetrados durante o ‘Caracazo’. Apesar do momento duro, Costa não desistiu de singrar na pátria de Bolívar, pelo que optou por mudar a sua loja de ferragens para a Avenida Sucre, para começar do zero, uma vez mais.

Luis Miguel Molina Pestana lmolina@correiodevenezuela.com

Fosse para resolver problemas económicos, sociais, políticos, ou à procura de um sonho, foi entre as décadas de 40 e 80 que a maior parte dos lusitanos chegou à Venezuela. Naquela altura, uma das zonas da capital que acolheu um importante número de portugueses foi o populoso sector de Catia, devido à proximidade ao Estado de Vargas, onde desembarcaram à chegada ao país, terras que deixavam para trás a sua herança aborígene do ano 1500 e que agora mostravam amplas ruas repletas de negócios e pessoas, tornando-o um bom sector para começar uma nova vida. Os portugueses foram testemunhas, a partir do coração da paróquia de Sucre, da época dourada deste bairro caraquenho: Viram o auge do Teatro Catia, um espaço cultural dedicado a óperas e peças de teatro inaugurado em 1940; encontraram oportunidade de trabalho e progressão em novos negócios nos anos 60, muitos dos quais pertenciam, a conterrâneos que já tinham assentado; e passavam as suas tardes no parque Jóvito Villalba, conhecido como Parque Del Oeste, na década de 80. São muitas as recordações que os portugueses que fizeram e fazem vida em Catia guardam. João Manuel Faria, de 64 anos de idade, recorda os seus primeiros e difíceis passos na Venezuela no início da década de 60, tendo começado nos serviços de manutenção de uma pequena empresa, com ganhos que davam apenas para cobrir as necessidades básicas. No entanto, Faria trabalhou arduamente, com a certeza de que um dia conseguiria estabelecer o seu próprio negócio e dar maiores satisfações aos seus familiares. Os sacrifícios valeram a pena e em 1991, abriu as portas do seu primeiro negócio: Um supermercado onde oferece grande variedade de produtos e que ainda hoje

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Apoio aos conterrâneos

continua a ter bons resultados.

Ninguém disse que seria fácil

No seio da comunidade portuguesa existem histórias incríveis, dignas de admiração, com experiências vividas pelos seus protagonistas que devem ser recordadas. É o caso de Ilídio Conceição da Costa, natural do Porto, que foi afectado pela situação crítica vivida entre 1939 e 1945, com a Segunda Guerra Mundial. Devido ao ambiente que se vivia no continente português, Costa decide escapar para o Brasil, onde conseguiu construir as bases necessárias que o impulsio-

Os portugueses foram testemunhas, a partir do coração da paróquia de Sucre, da época dourada deste bairro caraquenho: Viram o auge do Teatro Catia; encontraram oportunidade de trabalho em novos negócios nos anos 60; e passavam as suas tardes no parque Jóvito Villalba.

Outra das características da emigração lusitana radicada em Catia é a fraternidade e o apoio aos conterrâneos. Assim, não era estranho ver portugueses alojados nas ‘platabandas’ dos negócios dos seus conterrâneos ou em pequenos quartos construídos na parte de trás dos mesmos. Sendo um sector caracterizado pelo seu elevado desenvolvimento comercial, a quantidade de emigrantes que procurava oportunidades de trabalho na época dourada da emigração era muito alta. Por isso, a comunidade lusitana residente na localidade mantinha-se em constante cooperativa para guiar quem não possuía um rumo fixo, oferecendo desde trabalho até locais para viver, ressalvando, assim, valores como a irmandade e o compromisso. “Nós apoiávamos os estrangeiros que chegavam ao nosso país, oferecendo-lhes oportunidades de trabalho, já que somos uma comunidade muito unida”, recordou Ilídio Ferreira da Costa, filho de Ilídio Conceição da Costa, que actualmente se encarrega de dar continuidade ao negócio que lhe foi deixado pelo pai. Os jovens lusitanos também viram o peculiar encanto desta tradicional zona populosa. Prova disso é Angelino dos Santos, de 34 anos de idade, que chegou a este país em 1993, deixando para trás a sua terra natal, a ilha da Madeira. “Mas sinto-me muito contente com o meu esforço; sei que nós, portugueses, estamos dispostos a sacrificar muito para conseguirmos os nossos objectivos”, assegurou. Hoje em dia, Santos é encarregado de um talho local.


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A fina linha entre

o trabalho e o lar O município Sucre foi, para muitos portugueses, o primeiro lar, na altura de maior fluxo de emigração.

Kenner Prieto kprieto@correiodeveenzuela.com

Uma das variáveis constantes na história de Portugal é o fenómeno migratório. O homem português empreende a grande aventura, deixando em Portugal um rasto de tristeza, entre os seres amados e a terra que os viu nascer. O lusitano deixa a sua terra e, com os lhos húmidos, vai se afastando, com a esperança de chegar a um novo lugar onde possa melhorar as suas condições de vida. Ao chegar à Venezuela, o tempo não era muito e a busca de um lugar para viver e trabalhar tornava-se uma prioridade. Ouviam, assim, nomes novos, como Prados de María, Catia, El Cementerio, e é melhor parar de contar por aqui. O que poucos sabem actualmente é que uma das zonas que acolheu um importante número de portugueses que emigraram nos anos 40 e 60 foi Mesuca, em pleno coração de Petare. A capital do município Sucre da Grande Caracas, Mesuca, afigurava-se uma zona ideal para os portugueses. Para trás ficavam os anos dos Mariches, grupo indígena pertencente à família Caribe que habitou estas terras até 1573; também a época das fazendas de café, cacau, milho e cana-de-açúcar. Até à década de 50, aproximadamente, os caraquenhos frequentavam a povoação e as suas imediações, seduzidos pela bela paisagem de campos semeados e rios de águas claras, a bucólica decoração das casas de estilo colonial e as temperadas temperaturas, entre os 23 e os 25 graus centígrados. Naquela época, não era surpresa avistar diferentes bares onde muitos portugueses, maioritariamente madeirenses, se reuniam depois das jornadas laborais para distrair-se e passar uns momentos. Assim recorda Juan da Silva La Verde, que emigrou para a Venezuela no ano de 1956, e começou a trabalhar

num bar da localidade. Em breve casaria, na desaparecida fazenda de cultivo que hoje em dia é conhecida como sector La Urbina. Juan recorda que nessa zona, era produzido todo o tipo de legumes, e assegura que se poderia atravessar a pé, pelo que decidiu construir a sua própria casa na zona. O Bar La Verde, criado por Silva, era um dos pontos de encontro dos emigrantes: Os portugueses juntavam-se ali para fazer festas e para se reunirem pelo Natal, para não se sentirem tão longe da família. Naquela altura, na década de 70, Mesuca era um lugar saudável, sem grandes bairros nem problemas de insegurança. Mas as circunstâncias mudariam em breve, e muitos portugueses saíram da localidade.

Do calçado nasceu o amor

Norberto Freitas dos Santos, um madeirense radicado na Venezuela desde 1958, chegou ao país com a esperança de um futuro melhor. Não tardaria muito tempo até que começasse a trabalhar: Decidido a abrir caminho neste país, encontrou trabalho numa carpintaria e em diferentes bares de Petare, e conseguiu dinheiro suficiente para abrir a loja ‘Calzados Dos Santos’. Nesta sapataria, especializada na elaboração de calçado para cavalheiros e damas, e localizada em Mesuca, Norberto conheceria o seu eterno amor, iniciando uma vida de felicidade. “Ela entrou, uma tarde, na loja, para experimentar uns sapatos, e a partir desse dia, não consegui parar de olhar para ela. Já estamos juntos há 48 anos”, recorda, entre risos. Não se demora muito a comentar as inúmeras mudanças sentidas por Petare. “Recordo que quando cheguei à Venezuela, os caminhos eram de terra. Vivíamos tranquilos, agora é preciso vigiar até o chão onde pisamos”.

Um negócio com tradição familiar

Os ir mãos da Silva emigraram para a Venezuela para ajudar o pai no negócio familiar: Um bar na zona de Mesuca que dava pelo nome de ‘Bar Esperanza’. Manuel da Silva explica que chegaram à Venezuela em 1961, e nove anos mais tarde, Roberto da Silva, o pai, morreu devido a um cancro. Isto fez com que Manuel, José e Roberto da Silva, os três irmãos, tomassem o negócio a seu cargo.

Na década de 50, não era surpresa avistar diferentes bares onde muitos portugueses, maioritariamente madeirenses, se reuniam depois das jornadas laborais para distrair-se e passar uns momentos.

O bar dos irmãos da Silva era visitado frequentemente por trabalhadores da zona; para além disso, a comunidade portuguesa marcava presença todas as noites para disfrutar de espectáculos e terminar uma longa jornada laboral. Depois de vários anos à frente do negócio, decidem mudar o nome do negócio para ‘Bar Hermanos da Silva’ e tempos mais tarde, ampliam o ramo, com um restaurante. Este negócio tem permanecido no tempo, ainda que a comunidade portuguesa vá agora ao local com menos frequência, “devido à insegurança que se vive hoje em dia”, finalizou da Silva.


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Entre bares e Barutacampos de cultivo Madeirenses e venezuelanos convivem numa povoação que se mantém viva no meio da cidade.

Carla Salcedo Leal csalcedo@correiodevenezuela.com

“Recordo-me do dia em que os primeiros portugueses chegaram a Baruta. Estavam onde fica a Praça do Sol. Havia ali uma criação de porcos e eles vieram deitar as matas abaixo para ampliar o negócio. Eram altos e corados pelo calor”, conta Oger Hernández, nascido em Baruta em1931, e que trabalha há mais de 40 anos com portugueses. Nesta zona, situada no sudeste da capital venezuelana, foi em finais da década de 50 que chegou a maior parte da emigração venezuelana, na sua maioria de origem madeirense, e dedicada à agricultura e ao negócio dos bares. Na altura, a estrutura da povoação era a mesma que ainda hoje se mantém, só que sem edifícios, e com algumas ruas em terra, como a Mariño, onde em altura de festas de padroeiros, soltavam-se touros. Com as grandes fazendas de La Trinidad, Sartenejas, Monterrey e La Tahona em redor, Baruta tornava-se numa espécie de ponto de encontro para os portugueses, muitos dos quais continuam a fazer vida nestas zonas. Apesar da população e da grande quantidade de bares que existia (mais de 30 só no ‘casco’), onde chegaram a trabalhar mais de 300 empregados de mesa, não havia hospitais nem ambulatórios na zona, e era preciso correr até Pérez de León em caso de emergência. Isso sem contar que uma viagem até ao Mercado Principal de Quinta Crespo podia durar até duas horas pelas auto-estradas, independentemente do bom estado das mesmas.

Histórias de bares

“Nos bares havia muito mais movimento de noite do que agora. Os portugueses dedicavam-se muito à agricultura, e ao terminar a jornada, vinham da zonas próximas aos bares.

Naquela época (de 53 a 57), vinham praticamente só homens, pelo que os bares eram pontos de encontro, para distracção, para conviver com os conterrâneos, porque na altura não tínhamos sequer televisão”, relata Juan Dda Silva La Verde, que passou de Petare para Baruta. A povoação de Baruta esteve dois anos seguidos como detentora do recorde do Guiness devido à distribuição de cerveja, quando meia caneca custava 1 bolívar no Bar Bolívar, depois Bar Muñoz, Los Panchos, Manzanares, El Comercio e Cervejaria Baruta. “Tinha um cunhado que trabalhava na fazenda La Trinidad, e um dia vim passear para aqui e o meu cunhado propôs-me que comprássemos um negócio, em 59, o ‘Rincón del este’.Uns anos mais tarde, comprei o Bar Apolo, a que chamam ‘La Camorra’, mas que na realidade se chama Cervejaria Baruta. Ainda que as pessoas de cá me vejam como emigrante, a verdade é que já não sinto que o seja. Fui a Portugal umas 14 vezes e sinto-me mais emigrante lá do que aqui”, revela Francisco de Abreu Campanário. “Não há comparação com a Baruta a que nós chegámos. Os que vinham de La Trinidad metiam-se no Bar Manzanares, e os de Sartenejas, que nós chamávamos Baruta de Cima, frequentavam mais a Cervejaria Baruta. Recordo bem que em Dezembro, altu-

ra em que não se trabalhava, os donos dos camiões que transportavam mercadoria para mercado punham-mos atrás com um acordeão, enquanto uns cantavam, outros bebiam, e era como uma festa. Íamos a Barutas ou a Sartenejas, desfrutávamos de um gozávamos um ‘puyero’”, recorda Manuel Amaro Rodrigues, antigo dono do Bar Los Panchos.

O poder de Fátima em Baruta

O Dado ‘Flor del campo’, um filme protagonizado por Alfredo Sadel, foi filmado em La Trinidad. No mesmo local, encontrava-se a ‘bodega’ ‘Párate bueno’, um lugar onde os de Baruta e de El Hatillo resolviam os seus problemas à ‘foiçada’.

As festas de Fátima iniciaram-se com uma Virgem emprestada, no final dos anos 60. Não obstante, a presença dos portugueses na igreja sempre foi notória. “Não foi senão em 1996 que tivemos a nossa própria Virgem, e retomámos a festa de Fátima, depois de vários reveses. O primeiro ano foi muito duro, mas hoje em dia temos tudo, até dois cabos que usamos na instalação da festa”, destaca Amaro. O poder desta festa na cidade é tal que as autoridades municipais e do governo acompanham os fiéis nesta festividade religiosa. “A influência dos portugueses em Baruta foi muito grande. São muito boa gente, isso faz com que cada um aqui tenha muitos amigos portugueses”, conclui Hernández, o que se confirma ao caminhar por estas ruas de outros tempos com um grupo deles: Todos os saúdam, todos os conhecem, e sobretudo, todos os respeitam.


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El Junquito A terra fria cultivada por mãos lusas Muitos portugueses estabeleceram-se nesta localidade devido às semelhanças com os campos da sua terra natal.

entrega-se muito ao trabalho. Aqui, gostamos de atender bem o cliente e de oferecer-lhe o melhor”, disse Ferreira, depois de falar do orgulho que sente da comunidade lusitana.

Uma demonstração de fé

Luis Miguel Molina Pestana lmolina@correiodevenezuela.com

Situado a Oeste da capital, El Junquito é conhecido pelos seus emblemáticos restaurantes, onde é possível degustar um bom porco frito ou uma suculenta ‘cachapa’. E também se podem encontrar pequenas e grandes lojas que oferecem casacos, cachecóis, artigos para a casa ou ainda os típicos morangos com creme, que tanto chamam a atenção do visitante. No entanto, para lá do meramente turístico, este lugar tornou-se no lar de muitos portugueses durante a grande onda de emigração, devido às semelhanças com os campos da sua terra natal. Metida na cordilheira da Costa de Venezuela e com temperaturas entre os 10 e os 20ºC durante a maior parte do ano, devido à altitude e às formações montanhosas, esta terra acolheu os portugueses que chegavam ao porto de La Guaira, e que viam grandes possibilidades no local: Por um lado, poderiam recuperar o seu estatuto de agricultores; por outro, era uma zona perfeita para o comércio. Assim, numa das zonas mais elevadas do Estado de Vargas, encontra-se este emblemático povo que esconde em cada esquina episódios protagonizados por lutadores estrangeiros que chegaram à Venezuela com a finalidade de evoluir e conseguir um futuro digno na pátria de Bolívar. São muitas as histórias de lusitanos radicados em Caracas e que passavam fins-de-semana na zona: Enquanto os homens jogavam às cartas, as mulheres ponham a conversa em dia com as amigas. Sérgio Rodrigues, de 60 anos, foi testemunha disso. Este madeirense chegou à Venezuela em 1977, com o mesmo objectivo de todos os outros emigrantes: Progredir economicamente. Começou no mundo do trabalho como empregado numa padaria da capital, onde tinha a função de distribuir pão.

“Sabia que esse negócio me ia dar a base necessária para prosperar, foi por isso que decidi manter-me ali para poder ganhar mais experiência e montar o meu próprio negócio”, contou Rodrigues, que foi subindo de posição e era cada vez mais bem remunerado. Com a experiência adquirida e o dinheiro guardado, Sérgio decide empreender a aventura e abrir uma pequena loja de bebidas na principal povoação de El Junquito, que, segundo diz, é a materialização do seu esforço e dedicação.

Uma história de sacrifícios

Um dos negócios mais conhecidos da zona é ‘La Preferida’, um mini-mercado que se caracteriza por vender “as verduras mais frescas do lugar” e que é gerido por Humberto de Sousa Ferreira. Este português de 65 anos de idade e proveniente de Campanário, Madeira, chegou à Venezuela com apenas um sonho: Triunfar. Ferreira em 1964, com apenas 15 anos de idade, e carregando uma mala na mão que não tinha apenas roupa, tinha também sonhos que prometeu cumprir no país latino-americano. “Tive que tornar-me independente aos 16 anos. No princípio não foi fácil, mas estava seguro de mim mesmo e tinha fé em Deus; além disso, jurei que não morreria sem voltar a visitar a minha terra natal”. Ferreira começou a trabalhar numa ‘bodega’, que foi a chave para adaptar-

se ao sistema socioeconómico da Venezuela. Mas as suas ambições iam mais longe: Entre os seus principais objectivos estava estudar, para poder formar-se intelectualmente e poder ser independente. Posteriormente, trabalhou durante quatro anos numa padaria, com uns conterrâneos do continente, que lhe deram o apoio necessário par que começasse a estudar e obtivesse o título de bacharel. De seguida, motivou-se a aprender inglês, o que foi fundamental para a sua vida laboral, já que graças a isso, entra na VIASA, a título permanente, em 1970. Depois da experiência naquela companhia área, surge uma proposta de trabalho por parte de um familiar, e é quando renuncia ao seu emprego e começa a trabalhar para fundar o que hoje se conhece como ‘La Preferida’. “O emigrante vem com muitos sonhos e nós, portugueses, viemos trabalhar honradamente; a geração que veio para a Venezuela entre os anos 40 e 80

São muitas as histórias de lusitanos radicados em Caracas e que passavam fins-de-semana na zona.

Outro dos lugares mais emblemáticos da presença lusitana na região é El Tibrón: Uma grande urbanização nas imediações de El Junquito, caracterizada pelos seus grandes hectares de cultivo e cuja produção é vendida a negócios próximos e a estabelecimentos situados em Caracas. Ali, os portugueses recordam ter sido testemunhas da criação do Parque Metropolitano, a 18 de Maio de 1975, e da sua reabertura a 1 de Fevereiro de 1997. Sendo um local de renome, os lusitanos são conhecidos pela sua boa agricultura e o seu trabalho incessante em grandes áreas de terreno, para produzir as mais variadas verduras e frutas. No entanto, o que mais caracteriza a comunidade são as suas tradições religiosas. Não é em vão que a localidade tem um Santuário da Virgem de Fátima, que todos os anos acolhe um grande número de pessoas, por altura da celebração das festas em honra à padroeira lusitana. Não muito longe de El Tibrón encontra-se a urbanização La Cultura, onde também é rendido tributo à Virgem que apareceu aos três pastorinhos. Ali encontrámos José de Barros, natural de Câmara de Lobos, que chegou à Venezuela na última viagem do navio Santa Maria, depois de se ter casado, em Outubro de 1972. Aquele emigrante conta desta forma a história da devoção à Virgem: “No dia em que o Santo Padre João Paulo II morreu, eu estava no hospital. Prometi que se me ajudassem, levaria uma imagem da Virgem para a urbanização La Cultura, para que a comunidade daqui conhecesse e visse o seu legado, mas também ofereci a celebração do seu dia com um rosário e uma missa, ou seja, fazer-lhe uma festa litúrgica como agradecimento. Quando me curei, fui com a minha esposa a Portugal para cumprir a minha promessa. Para mim, fazer a festa da Virgem de Fátima é mais do que um orgulho, esta é a minha forma de dar graças. Enquanto continuar vivo e com força, realizarei a festa de Fátima em La Cultura, mostrando às pessoas que esta festa é um acto de fé, porque quando há uma festa de Fátima, devemos orar pela paz no Mundo e pela Venezuela, como ela pediu”, concluiu o promotor destas festividades.


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Chacao O município dos emigrantes Nesta localidade, situada a Este de Caracas, fazem vida muitos comerciantes de origem lusitana.

“Em 50 anos na Venezuela, vi muitas mudanças, de más a piores, mas a Venezuela é a minha segunda casa, por isso amo muito o país e quero continuar aqui.” Depois de 8 anos sem ir a Portugal, Maria Nogueira de Pinto e o marido regressam aquele país, já esta quarta-feira. “Depois de ter vivido 50 anos na Venezuela, é impossível não ter ganho carinho, sinto que este país me fez crescer como pessoa e devo muito à minha Venezuela”, concluiu.

Um viveiro que transformou numa florista

Kenner Prieto kprieto@correiodevenezuela.com

O município Chacao tem uma história que remonta há mais de 500 anos, muito antes da chegada dos primeiros conquistadores europeus no século XVI, quando o vale de Caracas e arredores eram habitados por diferentes comunidades indígenas do Caribe, que tiveram um importante e sustentável papel que lhes permitiu consolidar-se nesta zona, tornando-a num dos centros povoados mais activos da região central da Venezuela. Ao fundar a cidade de Caracas, o conquistador Diego de Losada incluiu Chacao na sua jurisdição: Um fértil planalto que muitos visitantes, como o barão Alejandro Von Humboldt, chegaram a considerar como sítio ideal para a formação da cidade. Esta história de longa data conquistou o coração de muitos portugueses que chegaram à Venezuela entre 1940 e 1980; desde essa altura, o crescimento da comunidade lusitana foi uma constante. Naquela altura, um dos pontos de encontro para a comunidade portuguesa era o Mercado Municipal de Chacao, construído na década de 40 para fornecer a zona com uma diversidade de produtos frescos e de alta qualidade. Ali, era comum ver lusitanos que vendiam verduras, frutas, carne e até panos bordados com as técnicas ensinadas pelas suas avós e mães em terras ibéricas. Actualmente, os portugueses compõem uma das comunidades de emigrantes mais queridas da localidade. Não foi por acaso que, o ano passado, o alcalde Emilio Graterón inaugurou a nova gruta da Virgem de Fátima nos arredores da igreja San José, na praça Bolívar, pois é ali que decorrem as festividades em honra da santa lusitana.

Um pedacinho de Portugal

Maria Nogueira de Pinto, nascida na zona de Aveiro em 1930, chegou à Venezuela em 1963, em busca de uma vida melhor. Ao desembarcar no país,

Lilibeth Figueira recebe todos quantos a visitam rodeada de um sem fim de flores. Esta madeirense proveniente de Estreito de Câmara de Lobos está há mais de 35 anos trabalhando arduamente na sua famosa florista, situada no município Chacao. Como muitos portugueses, Lilibeth e os seus quatro sócios viram-se na necessidade de conseguir uma vida melhor, pelo que deixaram Portugal para entrar na agitada vida venezuelana. No seu caso particular, esta mulher chegou à Venezuela em 1974 e em breve daria início a um viveiro, com chão totalmente em terra. O que era um viveiro é agora uma grande florista. A chave? Para Lilibeth, o segredo está em adaptar-se a uma nova vida, uma nova cultura, e trabalhar arduamente sem medo do fracasso: “A comunidade portuguesa está presente todos os dias na florista, já que na zona de Chacao vivem muitos portugueses”.

“Agricultura, a minha verdadeira paixão”

Um dos pontos de encontro para a comunidade portuguesa era o Mercado Municipal de Chacao.

teve um duro despertar: Calhou-lhe trabalhar como empregada em diversas casas da zona de Chacao. Com o passar dos anos, apareceu-lhe uma oportunidade de ouro: “Uma amiga madeirense, ao ver a minha vontade de evoluir, ofereceu-me trabalho no Mercado Municipal.” Nogueira de Pinto começou a trabalhar numa loja de roupa e conseguiu, com esforço, comprar um espaço próprio no Mercado, fazendo-o crescer, em conjunto com o marido. Actualmente, assegura que não querem sair da Venezuela, já que têm oportunidade de conviver com muitos portugueses que os fazem sentir em casa, ainda que estejam a muitos quilómetros de distância.

Miguel António Moreira, nascido a 6 de Setembro de 1928 em Lisboa, desembarcou no porto de La Guaira em 1944, e foi acolhido por uma família venezuelana que o levou até Chacao. Ali, Moreira teve que ter diversos trabalhos para poder pagar a estadia à família que o acolheu. “Logo que cheguei, fui procurar portugueses como eu, que tivessem chegado à Venezuela à espera de uma melhor qualidade de vida.” “Logo que cheguei, fui procurando portugueses como eu, que tivessem chegado à Venezuela à espera de uma melhor qualidade de vida. Ainda que desde pequeno sentisse que a agricultura era a minha paixão, comecei a trabalhar num bar. Depois, com os anos, associei-me a outro português e criámos o negócio ‘Verduras Lote de Oro’.” Aos 24 anos de idade, Moreira já era dono do espaço, já que o seu companheiro terminou a sociedade.


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Um negócio, uma casa, uma escola ‘Bodegas’ e pequenos mercados deram abrigo às primeiras gerações de emigrantes.

Carla Salcedo Leal csalcedo@correiodevenezuela.com

Entre as muitas características da emigração portuguesa na Venezuela na década de 50 destacam-se os lugares nos quais os emigrantes se concentraram, mas também as pessoas em que se apoiaram para iniciar as carreiras que hoje em dia mantêm. Os locais onde trabalhavam serviam, nalguns casos, para poderem pagar a dívida que tinham da viagem de vinda, outros para mandar dinheiro aos familiares em Portugal, ou para alcançar uma melhor qualidade de vida cá. Naquela altura, era comum que os jovens emigrantes, ainda adolescentes, alguns, fossem enviados pelas suas famílias trabalhar em negócios dos conterrâneos. Eram sobretudo pequenos mercados, onde os jovens carregavam os sacos, levavam o mercado às casas das pessoas ou arrumavam as prateleiras. Aqueles mercados e supermercados abundavam as zonas que hoje se conhecem como populares, onde também existiam as ‘bodeguitas’, como uma forma mais humilde de entrar no mercado laboral. Mas entre esses locais pertencentes ao mesmo ramo, havia três locais, a Este de Caracas, nos quais os portugueses desejavam muito trabalhar. O emblemático Veracruz de Las Mercedes, o Todo Barato, de Sabana Grande, e o San Lorenzo, em Los Palos Grandes, dois dos quais continuam vivos na memória de uma geração, para a qual se tornaram numa referência, mas também numa escola em todos os sentidos.

Histórias de mercado

António da Silva de Brito fundou, na Avenida Veracruz de Las Mercedes, em 1956, o desaparecido Supermercado Veracruz. Com um capital inicial de 200.000

Antonio Pereira frente ao Edificio Veracruz,é no Supermercado Veracruz

Colina na perfumaria do Veracruz

bolívares (dos velhos), deu início à concretização de um sonho de negócio que rapidamente se tornou num ponto de referência da cidade, e não apenas para os portugueses. Das suas fileiras saíram grandes empresários, como os donos do supermercado Sorocaima de La Trinidad, o grupo de Los Hermanos Camacho, entre outros. Naquela altura, a frondosa árvore que ainda hoje proporciona sombra aos veículos que estacionam junto ao novo supermercado, situado no edifício La Hacienda, no final de Las Mercedes, era apenas um ‘palito’ com folhas que não ultrapassava muito o tamanho de qualquer um dos jovens que trabalhavam como empacotadores. Um deles era António Pereira, o famoso relojoeiro de Paseo Las Mercedes, que ainda hoje tem uma relação muito estreita com a pessoa que foi seu chefe na altura. “Eu queria estudar, e pedi-lhes que me permitissem. Foi assim que trabalhei no Veracruz, e por isso saía quase de noite para as minhas aulas de música. Até pude montar uma banda com Carlos Donoso, mas isso acabou. Foi a trabalhar ali no Veracruz que conheci o meu chefe seguinte, que me disse que eu podia ser vendedor, e assim se deu a minha saída”, contou Pereira. Trabalhar naquele local era praticamente um privilégio. Na época, o

que o supermercado iria ser alvo de reportagem. Alguns dos trabalhadores viviam durante algum tempo no mesmo edifício (La Hacienda), fosse porque não tinham onde ficar, fosse porque não conheciam mais ninguém na cidade. Devido a esta situação, gerava-se uma relação que ia para além do trabalho, e através da qual, segundo os próprios protagonistas, se fortaleciam valores como o trabalho em equipa, a luta, a qualidade de serviço e a honestidade. Hoje em dia os pequenos e médios comerciantes deste ramo sucumbem perante a entrada das grandes cadeias de supermercados, mas na década de 50, estes estabelecimentos deixaram marca, tanto na comunidade portuguesa como no país inteiro.

“Eu acho que não prejudicámos ninguém, foi uma escola para a maioria dos que passaram por cá”

respeito que a empresa tinha ganho, chegando a empregar cerca de 50 pessoas, era sinónimo de grandeza, e não era qualquer um que estava disposto a cumprir as regras. “Todos falam bem de nós então? Eu acho que não prejudicámos ninguém, foi uma escola para a maioria dos que passaram por cá, daqui saíram muito bons rapazes”, sublinha Silva, ao saber


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O Benfica Stadium – Condomínio Privado já está pronto! Venha juntar-se ao clube dos muitos aficionados do Benfica que já compraram casa neste lugar cativo junto à “catedral”. Construído sobre as fundações do antigo Estádio da Luz, goza da vista panorâmica e duma proximidade privilegiada da nova “catedral”.

erminou recentemente a construção do empreendimento Benfica Stadium, do grupo Libertas, o único condomínio privado que existe nas proximidades do Estádio da Luz. Com poucas queixas da conjuntura pouco propícia ao mercado imobiliário, este empreendimento da Libertas tem já vendido 70 por cento das unidades. Existem condições preferenciais de venda para os sócios do Benfica para as unidades ainda disponíveis, de T1 a T5. Poderá usufruir de duas piscinas exteriores aquecidas, um ginásio, um parque infantil exterior e um Kids Club interior – tudo em condomínio fechado – incluindo amplos espaços verdes. A centralidade é uma das mais-valias do

condomínio. A proximidade ao aeroporto, as acessibilidades garantidas pelo metro e a 2a Circular, eixo de ligação para as principais vias de distribuição rodoviária da cidade estão entre as vantagens mais apreciadas por quem procura o empreendimento. O Centro Colombo, o Hospital da Luz, o Colégio Militar ou a Universidade Católica, são alguns dos espaços referenciais que também têm um grande peso na decisão de compra. Relevante é também a Classe A+ de certificação energética dos apartamentos – garantia de que o consumo de energia é 53 por cento mais baixo do que um apartamento com classe energética A (e 65 por cento mais baixo que Classe B). A Libertas há muito constrói de acordo o sistema de excelência em gestão ambiental certificado com a norma ISO 14001.

Caracas: 0058 (0412)3955608 Lisboa: 0035 1 962013733 Fitness O Benfica Stadium está equipado com um ginásio e Kids Club.

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ACABAMENTOS DE CAMPEÃO

Confira os acabamentos topo de gama dos apartamentos Benfica Stadium: • Pavimento em jatobá com isolamento acústico; • Roupeiros e portas interiores lacados; • Casas de banho revestidas a mármore branco; • Cozinha equipada com eletrodomésticos Bosch; • Estores monitorizados com comando centralizado; • Domótica com detetores de intrusão, fuga de gás, fumos e inundações; • Sistema de video-porteiro; • Aquecimento de águas através dos painéis solares


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Da Costa Gomez:

O apelido que salvou vidas

Carla Salcedo Leal csalcedo@correiodevenezuela.com

M

uitas pessoas andam pelo mundo sem saber a origem dos seus apelidos. Para outros, essa procura tornou-se uma tarefa de vida, mas no entanto, vêem-se envolvidos no que se pode considerar a morte de um apelido. Durante séculos, o apelido Da Costa Gomez (sim, dois nomes, quando na realidade é apenas um só), foi o escudo protector de uma família perseguida pela sua religião. Aqui na Venezuela, vive uma das últimas linhas geracionais desta família nascida no século XV em plena inquisição católica, altura em que Portugal teve um papel de indulgência importante, que permitiu a muitos judeus salvar as suas vidas. Hoje, a sua descendência está destinada a desaparecer neste país, onde a última geração é formada por quatro mulheres.

Um baptismo para salvar-se

“A origem do meu apelido é muito antiga e não se conhece com exactidão. Remonta ao século XV e não é um apelido comum. Toda a gente me pergunta se tenho três apelidos, mas a verdade é que o meu primeiro apelido é composto por duas partes, Da Costa e Gomez, sem ligação entre eles, já que foram duas famílias que nos ajudaram a sobreviver”, conta Stefany da Costa Gomez. À época, os tetravôs de Stefany viviam em Espanha, vendo-se obrigados a fugir para sobreviver à Santa Inquisição, época em que os judeus eram mal vistos e perseguidos. Naquela altura, no desespero de manter unidas e vivas as suas famílias, alguns sefarditas aceitavam baptizar-se como católicos, adoptando os apelidos das pessoas que os baptizaram. “O mais certo é quem ajudou os meus tetravós foram um Da Costa e outro Gomez, e foi graças a eles que a minha família conseguiu continuar com vida e seguir o seu caminho. Sabemos que foi mais ou menos em 1490, quando a Inquisição não existia em Portugal, que a minha família se mudou para Lisboa”, explica. Foi então que começou a história de uma família que seis séculos depois continua o legado daquele homem que se agarrou a um apelido para seguir em frente, um homem que os seus descendentes continuam a considerar português. “O apelido original é desconhecido, e não o recuperaram porque tiveram de voltar a partir em busca de um lugar onde tivessem uma maior liberdade religiosa, que foi Amesterdão, no século XVII. A família adoptou um apelido que não era o seu, mas que lhe permitiu sobreviver”, relata Stefany.

Primeiros registos

É justamente no século XVII, na Holanda, que aparecem os primeiros registos oficiais dos Da Costa Gomez, correspondentes a quatro irmãos: Imanuel, Samuel, Aron e Moseh, todos provenientes de Lisboa.

Em 1706, Samuel e Aron, que aparentemente não tiveram descendência, aparecem no Curaçau, pelo facto de a família ser proprietária de uns barcos que faziam trocas comerciais entre a Holanda e o Curaçau. No entanto, um dos filhos de Imanuel, de nome Gabriel da Costa Gomez, seguiu os passos dos tios e chega à ilha em 1742, com a esposa, Rachel de la Penha. “Esta é a minha linha directa. Eles tiveram seis filhos e uma filha, e ficaram encarregues de dar continuidade ao negócio da família, que por ser muito lucrativo, transformou a família numa das mais endinheiradas da ilha, por serem os judeus a pagar mais impostos, segundo os registos do governo colonial”, destaca Stefany. Não obstante, uma parte da família em breve se desligou da religião judia, ao se casarem com mulheres católicas no Caribe. “Foi um Da Costa Gomez chamado Aron, descendente de Gabriel, o primeiro a casar-se com uma mulher católica, Wilhelmina Isenia Lieder. Desta relação nasceram seis filhos e quatro filhas, entre 1828 e 1850. Aron teve um filho chamado Daniel, que se casou com uma mulher cristã, e teve, por sua vez, um filho chamado Gabriel Junior, que teve 10 filhos e nove filhas, com seis mulheres diferentes. Um deles foi Hugo Pasteur da Costa Gomez, meu avô”, assinala.

Gabriel da Costa Gomez, pai de 19 filhos. 19 de Dezembro de 1850 - 29 de Abril de 1928.

História recente

E tão insólita como a história deste apelido é a forma como apareceu toda a linha genealógica desta família, que sobreviveu durante seis séculos, e que não pode ser contada de outra forma a não ser pelo punho de uma das suas últimas descendentes. “O meu avô nasceu em 1924 e casou-se com Celestina Aguillón. Tiveram cinco filhos, o mais velho é o meu pai, Randolph da Costa Gomez Agullón, e a penúltima é a cantora Biella da Costa. Vieram para a Venezuela quando o meu pai tinha uns 11 anos, e aqui ficaram. Nós somos três irmãs e sempre quisemos saber a origem do nosso apelido. Assim, um dia, a investigar na Internet, encontrámos o neto de outro dos filhos de Gabriel, que vive no Curaçau, e ele ajudou-nos a conhecer a história dos nossos antepassados. Por agora, todos os Da Costa Gomez que vivem na Venezuela são mulheres, ou seja, aqui o apelido vai perder-se em breve, mas ainda ficam muitas linhas por aí”, concluiu Stefany.


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Uma relação bilateral

intensa e aceite como estratégica Desde Maio de 2008, quando foi celebrado o Acordo Suplementar em Matéria Económica e Energética do Acordo Marco de Cooperação entre os dois países, já se realizaram seis reuniões da Comissão de Acompanhamento

CATANHO FERNANDES cfernandes@correiodevenezuela.com

As relações entre Portugal e a Venezuela sempre foram cordiais e amistosas, e nomeadamente, na última década, têmse materializado em diversos acordos e intercâmbios, sobre diversas formas jurídicas, que hoje regulam as relações entre os dois países. Contando com as visitas oficiais do falecido Presidente Hugo Chávez a Portugal, que no total foram cinco, contam-se por muitas dezenas o número de governantes que visitaram Lisboa e Caracas, envolvidos nas negociações dos convénios que foram negociados e assinados entre ambos os estados e que estão em vigor. Calcula-se que desde 2008, o volume de vendas e de obras adjudicadas por empresas portuguesas na Venezuela ultrapasse os seis mil milhões de euros, uma verba muito expressiva e significativa para a economia lusitana. Ao longo dos últimos anos foram criadas ferramentas legislativas, acordos e convénios entre Portugal e a Venezuela que fomentam o intercâmbio e que criaram um maior conforto entre ambos os países e a sua população, que procuram viver de forma fraterna esta oportunidade e enfrentar com esperança os tempos que se avizinham. Os convénios assinados e em vigor, extraordinariamente relançados e multiplicados durante a vigência dos governos de Hugo Chávez, são bem a prova da aposta e do carinho que têm sido dedicados ao intercâmbio e ao maior relacionamento entre Caracas e Lisboa. O primeiro acordo assinado entre Portugal e a Venezuela ocorreu em 1958, que permitiu a abertura de linhas aéreas regulares entre os aeropor-

tos de Lisboa e de Caracas. Até 2006 foram assinados cerca de 40 convénios bilaterais. Depois de 2007 e até ao final do ano passado tinham sido assinados e estavam em vigor cerca de 150 instrumentos jurídicos, o que mostra na realidade o grande crescimento que as relações entre os dois países tiveram na última década. Outro facto importante foi a dinâmica lançada em Portugal através da Embaixada da Venezuela, que a partir de 2007 com o Embaixador Lucas Rincón Romero, apostou na difusão de informação turística, social, cultural, política e económica, dando a conhecer aspectos relevantes da Venezuela. O país teve duas presenças na Bolsa de Turismo de Lisboa, permitindo uma maior aproximação entre os promotores oficiais do turismo, baseados em Caracas, e os parceiros portugueses, nomeadamente as agências de viagens. Entre 1976 e 1994 Venezuela e Portugal subscreveram diversos acordos de cooperação em matéria económica, industrial e tributária. Contudo tratavam-se de documentos que, na verdade, não passavam do papel, pois a maioria dos convénios estavam inoperacionais quando o Embaixador Lucas Rincón tomou os destinos da representação diplomática em Lisboa, em 2007, quando se intensificou a cooperação em diversas áreas de desenvolvimento estratégico para o então Governo Bolivariano liderado pelo Hugo Chávez. Não obstante os excelentes vínculos criados entre os povos dos dois países nos últimos cem anos, o comércio entre Portugal e Venezuela até 2006 é muito reduzido. Anualmente oscilava entre os 20 e os 30 milhões de dólares norteamericanos, a maior quantia proporcionada pelo que se pode classificar como comércio de saudade, já que se relacionava com produtos portugueses

para as cadeias de abastecimento alimentar, como são os casos dos azeites de oliveira e os vinhos regionais. Pelo lado da Venezuela a factura pesava mais nos produtos petrolíferos. O grande impulso das relações bilaterais surge com a assinatura do Acordo Marco da Cooperação em Matéria Económica e Energética, subscrito em 13 de Maio de 2008, no qual foi regulado o desenvolvimento do intercâmbio de serviços, tecnologia e capacitação técnica mediante um projecto de interesse comum. No decorrer dos anos de 2010 e 2011 cooperação bilateral cresceu bastante, graças ao empenho e vontade política de ambos os governos, lograndose ampliar uma relação estratégica em termos políticos e económicos. Não será por demais referir a alavancagem que este intercâmbio teve, quer junto das autoridades portugue-

O Embaixador de Venezuela em Lisboa, Lucas Rincón Romero, teve um papel fundamental, nas negociações entre os dois países, contribuindo de forma decisiva para o sucesso deste intercâmbio. sas, primeiro com o governo de José Sócrates e depois com um entendimento perfeito que se tem verificado entre Lisboa e Caracas, o que tem sido liderado pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, e pelo secretário de Estado adjunto da Economia e Desenvolvimento Regional, Almeida Henriques. E nada aconteceria se não fosse o interesse e aceitação demonstrados pelas autoridades venezuelanas, desde o Comandante Hugo Chávez, que elegeu os Portugueses “como pessoas da sua confiança”, tendo reforçado os negócios numa ocasião em que no território europeu e nomeadamente em Portugal surgiram os primeiros sinais de recessão, aos ministros Nicolas Maduro, hoje vicepresidente em exercício, e todos quantos se envolveram no relacionamento. Na operacionalidade de todos estes acordos tem sido vital o trabalho dos embaixadores de Venezuela em Lisboa e de Portugal e Caracas e dos seus gabinetes, que têm sido incansáveis em todos os processos.


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Acordos diversos e múltiplas actividades bilaterais

Venezuela estendeu aos portugueses que trabalharam no País e que hoje estão de regresso ao seu País o pagamento de reformas de aposentadoria

CATANHO FERNANDES cfernandes@correiodevenezuela.com

O relacionamento bilateral entre Portugal e a Venezuela não está preso apenas aos dossiês comerciais e económicos. Outros eventos e iniciativas têm contemplado este espaço de cooperação e intercâmbio, afirmando o ecletismo que é também muito grato aos milhares de portugueses e descendentes que hoje vivem na Pátria fundada por Bolívar. Por isso, tem sido recorrente, nos últimos anos, a vinda a Portugal de comitivas de artistas venezuelanos, com destaque para a Orquestra Sinfónica Juvenil, que já actuou em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, e no Porto, na Casa da Música. Também o turismo crioulo começou a mostrarse em Lisboa, permitindo dessa forma refrescar propostas para os programas de férias das agências de viagens portuguesas. A Venezuela pode potenciar as suas condições como destino receptivo de turismo, pois todos sabemos que tem condições para tal. Precisará de “know-how”, pelo que Portugal poderá ajudar também. Outro sector privilegiado pela nova política de Hugo Chávez foi o da Segurança Social. As reformas começaram a ser pagas também aos portugueses aposentados que tinham regressado à terra natal. Uma boa notícia, saudada com entusiasmo pelos mais necessitados. Os convénios assinados entre os dois países regulam-se também pela diversidade, nomeadamente do lado dos fornecimentos portugueses, já que a troca se faz especialmente com petróleo e produtos derivados, exportados

pela Venezuela. A retoma das relações bilaterais entre os dois países verificou-se após 2008 e foi potenciada pelas necessidades da Venezuela, em diversas áreas, mesmo na exploração petrolífera, onde entrou a empresa portuguesa Galp, já interna-

cionalizada através de concessões no Brasil e em Angola. O desenvolvimento e execução de projectos de cooperação em diversas áreas e o compromisso de exploração de novos sectores e interesses atraiu dezenas de empresas e empresários,

Sete reuniões da Comissão Mista Bilateral Desde que os Governos de Portugal e de Venezuela subscreveram o Acordo Complementar em Matéria Económica do Acordo Base de Cooperação, em Maio de 2008, realizaram-se sete reuniões da Comissão de Acompanhamento, também denominada Comissão Mista Bilateral, com a seguinte cronologia: • I Reunião – Caracas, 20 de Outubro de 2008 • II Reunião – Lisboa, 25 e 26 de Junho de 2009 • III Reunião – Caracas, 21 e 22 de Janeiro de 2010 • IV Reunião – Lisboa, 17 e 18 de Junho de 2010 • V Reunião – Caracas, 18 e 19 de Fevereiro de 2011 • VI Reunião – Lisboa, 26 de Outubro de 2011 • VII Reunião – Caracas, 8 e 9 de Setembro de 2012 A VIII Reunião esteve marcada para realizar-se em duas etapas, uma primeira, a meados de Março, na cidade de Caracas, e uma segunda na primeira semana de Abril, na capital portuguesa. Será remarcada logo que seja empossado o novo Presidente da República Bolivariana, que será eleito no próximo dia 14 de Abril.

com planos para avançarem em diversos domínios de actividade, nomeadamente financeiro, tecnológico e comercial. Um destaque particular para a normalização da qualidade, tema bastante actual, que tem atraído alguns empresários à Venezuela e que tem aberto portas para a capacitação das suas empresas, depois de ter mudado legislação e obrigado as empresas a assumir as boas práticas internacionais. Em 2011 estava praticamente definido o quadro que levantou a cooperação a favor de Portugal, depois de feitos os levantamentos das necessidades da Venezuela. Na reunião da Comissão Mista Bilateral realizada em Caracas no mês de Fevereiro, as partes fizeram uma avaliação do desenvolvimento de diversos projectos de cooperação bilateral, em particular nas áreas da energia e petróleo, ciência e tecnologia, alimentação, infra-estruturas, saúde e electricidade. Tinham avançado os estudos de avaliação para a exploração do Bloco 06 JUNIN da Faixa Petrolífera do Orinoco; estavam em finalização os projectos para a construção das fábricas de montagem dos computadores Canaima e para instalação da rede de gás natural na cidade de Cumaná, os projectos de construção e manutenção de dois navios asfalteiros, a ampliação do Porto de La Guaira, a instalação de uma fábrica de antibióticos, o fornecimento de medicamentos, o desenvolvimento de projectos de infra-estrutura de distribuição de energia eléctrica. Havia também avanços consideráveis nas negociações em matéria agroalimentar. Decorriam em bom ritmo as obras de construção das fábricas para produção de pré-esforçados em betão para edificação de apartamentos. Tinham sido iniciadas negociações para o estudo de projectos de criação de parques de produção de energia eólica e para abertura de balcões de instituições bancárias portuguesas na Venezuela. Muitas destas propostas estão já concretizadas e outras estão arroladas em novos acordos, entretanto assinados ao longo do ano de 2012. Há empenho e vontade política dos governos de ambos os países para ampliar esta relação, considerada estratégica em termos políticos e económicos. Tem sido esse o entendimento das partes e porque se trata de uma relação entre Estados, nada colocará em causa a continuidade desta cooperação e intercâmbio.


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Publirreportagem Luxo e modernismo

Hotel Alex

uma experiência única na cidade de Caracas

Foi inaugurado a 21 de Março o moderno Hotel Alex, situado na esquina Ferrequin a la Cruz, La Candelaria. A estrutura ressalta devido à sua imponente arquitectura moderna de 10 andares, dos quais se destacam os primeiros 3 pisos com grandes janelas, que oferecem ao público uma ampla visão do sector. O hotel conta com 100 quatros distribuídos pelos 10 andares, com serviço wifi gratuito, decorados com um estilo luxuoso e minimalista, e cada um deles é diferenciado pela cor, tamanho e elementos decorativos, garantindo ao hóspede que cada estadia seja uma experiência diferente. O hall de entrada está decorado com luzes ténues que contrastam com a cor do local, contando com um aquário de forma cilíndrica que alcança os três metros de altura, sendo esta uma das estruturas mais emblemáticas do lugar. O principal objectivo dos responsáveis do hotel é oferecer ao público um serviço muito completo, onde o hóspede não tenha necessidade de deixar as instalações do hotel para satisfazer as suas necessidades. As pessoas hospedadas têm à sua disposição um ginásio de três pisos, equipado com mais de 100 máquinas, uma ampla pista de corrida, onde podem ser feitos exercícios de aquecimento, e conta também com um amplo salão com actividades como bailo-terapia, Ta-ebo, entre outras disciplinas. Estão também disponíveis saunas e salas de vapor, com a finalidade de proporcionar um serviço completo. O terraço do hotel oferece uma visão completa da cidade de Caracas, onde, inclusive, se podem observar estruturas icónicas da capital, como Las Torres del Silencio ou a cruz do Ávila, quando está acesa. Possui também uma piscina tipo jacuzzi ao ar livre, que garante uma experiência única, romântica e inovadora para a metrópole. O público pode ainda deleitar-se com boa comida chinesa, num bar-restaurante situado na parte alta do hotel, com uma bela vista a acompanhar um bom prato. O hotel conta com salas de conferências à disposição daqueles que quiserem organizar algum evento empresarial ou uma celebração, com preços acessíveis para quem quer um lugar luxuoso e atractivo para qualquer ocasião. O público pode obter informação adicional sobre cada uma das valências do Hotel Alex entrando no sítio da Internet, em www.hotelalex.com.ve, através do qual pode efectuar reservas e obter informações sobre os diversos serviços disponíveis. “Estamos muito agradecidos a quem se juntou ao projecto e o tornou realidade”, disse Luís Miguel Olmos, membro da direcção do hotel, depois de concluída a tradicional bênção do edifício por um sacerdote, que manifestou apoio e fez votos de felicidades com orações.


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Portugal exportou

mais de 500 milhões de euros para Venezuela

Acordos construídos por Hugo Chávez e José Sócrates têm sido ampliados por vontade dos governos de ambos os países e dos seus empresários e seguidos com o mesmo empenho pelo novo governo português CATANHO FERNANDES cfernandes@correiodevenezuela.com

Portugal registou mais de 500 milhões de euros em exportações para a Venezuela em 2012, anunciou recentemente em Caracas o secretário de Estado da Economia e do Desenvolvimento Regional, que sublinhou que o ano passado foi o “melhor ano de sempre” nas relações bilaterais entre os dois países. “Ainda não temos os dados das exportações de serviços de Dezembro, mas já poderei dizer sem receio de falhar, que ultrapassaremos os 500 milhões de euros em exportações para a Venezuela, o que coloca o mercado da Venezuela como segundo mercado mais importante da América Latina para Portugal, logo a seguir ao Brasil”, disse António Almeida Henriques que na ocasião falava à agência Lusa na capital venezuelana. O volume das exportações coloca também a Venezuela como quinto mercado mais importante para Portugal fora da União Europeia, o que, na opinião do secretário de Estado “reflecte bem todo o trabalho de formiga que se tem vindo a fazer no âmbito da Comissão Mista Bilateral”, entidade que acompanha a execução dos convénios económicos que estão protocolados entre os dois países. Almeida Henriques destacou também o facto das empresas portuguesas estarem a aproveitar bem a oportunidade que lhes foi dada pela abertura do mercado venezuelano, com potencialidades ainda bem maiores do que aquelas que já estão a ser aproveitadas pelos empresários lusitanos. Os números dos últimos anos revelam que se regista um crescimento exponencial das exportações de produtos

nacionais embarcados com destino ao porto de La Guaira, por via dos diversos convénios e também de uma maior abertura das autoridades de Venezuela às importações oriundas de Portugal. Só no ano passado o crescimento foi de quase 70 por cento em relação ao ano anterior, o que coloca 2012 como o melhor ano de sempre neste relacionamento comercial. O crescimento não só resulta do maior envolvimento global das empresas portuguesas, como também mostra a preferência das autoridades venezuelanas, a nível governamental, central e estadual, pela cooperação portuguesa, potenciada por uma comunidade muito significativa e muito respeitada. Esse foi naturalmente um dos trunfos jogado pelo Governo Português quando iniciou as negociações em 2007 e que colheu a me-

O volume das exportações coloca a Venezuela como quinto mercado mais importante para Portugal fora da União Europeia

lhor vontade e acolhimento dos mandatários em Venezuela. Os produtos das marcas lusitanas ganharam a preferência do mercado e todos esperam que continuem a ser desejados nas cadeias de venda de bens de consumo. Os números que revelam as exportações portuguesas para a Venezuela pecam por escassos, já que não entram nestas contas outros negócios que es-

tão a ser desenvolvidos por empresas portuguesas, com valores de contratação muitos altos, nomeadamente ao nível dos serviços e da habilitação de trabalhadores venezuelanos. É neste momento muito relevante a participação de empresas lusitanas em obras de construção civil, estando hoje a trabalhar em território venezuelano importantes grupos de construção e obras públicas de Portugal, todos com larga experiência em obras internacionais, nomeadamente na Europa de Leste e na África. Essas empresas estão a trabalhar nas obras de ampliação e modernização do porto de La Guaira, no Norte de Caracas, e da construção da via rápida de acesso do Aeroporto de Maquetia para a capital do país. Há ainda outra empresa a construir uma fábrica de papel, além do Grupo Lena que está a construir no Estado Miranda dois complexos habitacionais, com um total de 25 mil apartamentos, integrados no programa “Gran Mission Vivienda”, tendo já contratada igual quantidade para uma segunda fase do projecto do Governo Bolivariano de dar aos cidadãos mais necessitados uma habitação condigna. Estão também a ser construídos pela cooperação portuguesa laboratórios farmacêuticos e de produção de medicamentos, fábricas para computadores, matadouros e outras estruturas de apoio á indústria e ao consumo. O sucesso deste relacionamento bilateral é também reflexo da diplomacia económica desenvolvida por Portugal desde os governos socialistas de José Sócrates, com grande envolvimento dos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Economia, o que tem sido seguido pelo governo de centro-direita de Pedro Passos Coelho, num processo liderado pelo “chanceler” Paulo Portas. O mesmo se tem passado do lado do Governo Bolivariano da Venezuela, sendo sempre de relevar a importância de Hugo Chávez em todo este processo, não só pela amizade criada com o exprimeiro-ministro português, mas porque sempre preferiu a aproximação aos portugueses que os venezuelanos conhecem muito bem desde há dezenas de anos e com quem lidam diariamente. Isso mesmo disse o saudoso Presidente de Venezuela, em diversas oportunidades em que manifestou o seu carinho pelo nosso País e a sua população, cuja produção e trabalho sempre destacou como tecnologicamente avançada e de excelência, respectivamente.


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Futuro assegurado com novas oportunidades de intercâmbio Portugal e Venezuela vão reunir brevemente para mais uma ronda de negociações. Novo convénio poderá acrescentar negócios aos que já estão em curso

CATANHO FERNANDES cfernandes@correiodevenezuela.com

Adida devido ao falecimento do Presidente Hugo Chávez, a reunião da Comissão de Acompanhamento do Acordo Complementar Venezuela-Portugal, também conhecida por reunião da Comissão Mista Bilateral. deverá realizar-se logo após as eleições presidenciais que decorrem no próximo dia 14 de Abril. Ambas as partes comprometeram-se a retomar os trabalhos interrompidos por força maior e num momento tão doloroso para o Povo de Venezuela. Governantes dos dois países produziram declarações recentemente em que manifestam o seu grande interesse na consolidação das relações e muita esperança de que o futuro é promissor, já que há terreno para crescer. O secretário de Estado adjunto da Economia e Desenvolvimento Regional, Almeida Henriques, disse no mês passado que Portugal tem uma relação económica “sólida” com a Venezuela, confiando que se irá manter mesmo após a morte de Hugo Chávez. “A relação [entre Portugal e Venezuela] está muito consolidada. Encaramos com muita naturalidade a forma como o processo político vai decorrer”, declarou o governante citado pela Agência Lusa. A Venezuela, lembrou, é já o quinto “melhor mercado” fora de Portugal para as empresas portuguesas, tendo-se registado em 2012 um aumento de 60 por cento nas exportações de Portugal para Venezuela. Na mesma ocasião, o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, disse que as relações entre Portugal e a Venezuela são para

continuar, desenvolver e melhorar. “Há muitos trabalhadores em Portugal que produzem bens e serviços que são exportados para a Venezuela”, disse, em Caracas, quando foi representar o Estado português no funeral do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Autoridades, empresas e empresários dos dois países deverão sentar-se no próximo mês em nova ronda de negociações para verificação do que está contratualizado e em execução e para aferir novas necessidades ou oportunidades de negócio que possam ser incluídas nos convénios. O ministro Paulo Portas encontrouse recentemente em Lisboa com o actual chanceler do Governo Bolivariano, Elias Jaua, tendo ambos manifestado o mútuo interesse em seguir as negociações que desde há alguns anos vinham a ser lideradas, do lado venezuelano pelo actual Presidente em exercício, Nicolas Maduro, quando exercia as funções de Ministro das Relações Exteriores. Os números finais das exportações portuguesas de bens e serviços para a Venezuela, reveladas no mês passado em Lisboa, mostram um aumento de 65,8% em 2012, face ao ano anterior, para 522,421 milhões de euros, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Banco de Portugal. Em igual período, as importações de Caracas cresceram mais que cinco vezes (460%) relativamente a 2011, para

Os números finais das exportações portuguesas de bens e serviços para a Venezuela mostram um aumento de 65,8% em 2012, face ao ano anterior

181,966 milhões de euros. Em termos de exportações de bens, estas cresceram 67,9% para 313,4 milhões de euros, enquanto as importações totalizaram 164,7 milhões de euros, mais do triplo (246,6%) registado um ano antes. O saldo da balança comercial de bens foi positivo em 148,6 milhões de euros. Em relação à exportação de serviços, estas ascenderam a 209 milhões de euros no ano passado, mais 30,1% que em 2011, enquanto as importações recuaram 6,1% para 17,2 milhões de euros, com um saldo positivo de 191,7 milhões de euros, segundo dados do Banco de Portugal. Em 2010, a Venezuela ocupava o 27.º lugar como cliente de Portugal, o que compara com o 19.º lugar no ano passado. Há dois anos, o número de empresas portuguesas exportadoras para Caracas ascendia a 231 (177 em 2010), enquanto as importadoras rondavam as 30 em 2011, menos cinco que um ano antes. Em 2011, Portugal ocupava o 45.º lugar enquanto cliente da Venezuela, mais vinte posições que um ano antes, enquanto como fornecedor estava em 28.º lugar. O investimento directo líquido da Venezuela em Portugal ascendeu a 6,7 milhões de euros no ano passado, uma quebra de cerca de 11 milhões de euros face a 2011.


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20 empresas em Caracas à procura de oportunidades Encontro ‘Parcerias para o Futuro’ é uma organização do DIÁRIO e do CORREIO, numa altura em que o semanário português chega à edição n.º 500

Agostinho Silva DN-Madeira As empresas portuguesas dão-se a conhecer esta segunda-feira aos empresários da Venezuela.

São 20 as empresas portuguesas, a maioria da Madeira, que estarão a partir deste fim-de-semana em Caracas. Aceitaram o repto do DIÁRIO e do CORREIO da Venezuela para dar a conhecer as suas potencialidades a empresas e empresários na Venezuela, em busca de ‘Parcerias para o Futuro’. O ponto alto dos encontros empresariais terá lugar na segunda-feira, no Hotel Pestana Caracas. Cada uma das empresas terá oportunidade de fazer uma apresentação para uma plateia restrita de empresários que desenvolvem a sua actividade no mercado venezuelano. Isto significa que estarão presentes muitos dos empresários portugueses ou luso-venezuelanos radicados naquele país, bem como diversos empresários de outras nacionalidades, sobretudo venezuelanos, pois o objectivo da iniciativa é estabelecer pontes para eventuais parcerias em distintas áreas da economia. O encontro ‘Parcerias para o Futuro’ nasceu de um desafio do autarca funchalense Miguel Albuquerque, apresentado ao DIÁRIO e ao CORREIO da Venezuela, que logo meteram mãos à obra. Com a preciosa ajuda da delegação em Caracas da AICEP-Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, bem como com a estreita colaboração da CAVENPORT, tudo se tornou mais fácil. A iniciativa será apadrinhada em Caracas pelo secretário de Estado Adjunto da Economia e do Desenvolvimento Regional, Almeida Henriques, e pelo presidente da Câmara Municipal do Funchal, Miguel Albuquerque, bem como pelo representante da AICEP, Carlos Pinto. Antes dos contactos e apresentações formais, na segunda-feira, a comitiva que viaja de Portugal será recebida ao final da noite deste domingo no Centro Português, em Macaracuay, depois de uma jornada gastronómica a cargo

da Academia do Bacalhau, no Hotel Melia. Trata-se de um almoço especial daquela instituição, excepionalmente aberto a outros convidados, e que será confecionado pelo ‘chef ’ português, Júlio Pereira, que também chama a si a responsabilidade da ‘mostra gastronómica’ regional, na segunda-feira, para o encerramento da jornada empresarial no Hotel Pestana Caracas. Os dois eventos, no domingo e na segunda-feira, serão abrilhantados pela actuação da cantora madeirense Vânia Fernandes. Para além das 20 empresas que se deslocam a Caracas, o encontro ‘Parcerias para o Futuro’ contará também com a participação activa dos diversos bancos portugueses representados na Venezuela. O BANIF, por exemplo, organizou em Valencia um encontro com empresários locais, no qual participará o secretário de Estado Almeida Henriques e o autarca Miguel Albuquerque, bem como toda a comitiva portuguesa.

Venezuela é oportunidade que não se pode perder

O presidente da Câmara do Funchal considera que seria uma irresponsabilidade não aproveitar as oportunidades do mercado venezuelano, sobretudo nesta altura de dificuldades acentuadas para a economia portuguesa. É por isso que iniciativas como as ‘Parcerias para o Futuro’ são de “extrema utilidade” para aproximar os empresários de um lado e do outro “As minhas motivações são simples: nenhum político pode assistir impávido ao agravamento da situação económica das empresas, prescindindo de contribuir para que as coisas se alterem de uma forma positiva”, explicou Miguel Albuquerque ao CORREIO. Albuquerque ressalva desde logo a oportunidade que significa o mercado

venezuelano, em particular nesta altura. Evoca os números da balança comercial portuguesa, evidenciados na entrevista do secretário de Estado Adjunto da Economia e Desenvolvimento Regional: “A Venezuela já é 5.º melhor cliente das empresas portuguesas, fora da Europa e só o ano passado exportámos para a Venezuela mais de 480 milhões de euros em bens e serviços. São dados que nos obrigam a aproveitar as excelentes relações com um país onde, ainda por cima, temos uma importante comunidade.” Miguel Albuquerque não ficou sur-

EMPRESAS PARTICIPANTES • GRUPO RIBERALVES (Bacalhau, Propriedades e Café) • EMPOR II (Bebidas) • FREITAS & NETO (Equipamentos para Hotelaria) • QUINTA DO LORD RESORT (Hotéis e Propriedades) • MIGUEL VIVEIROS (Telecomunicações e Construção) • ATELIER CAIRES (Arquitectura) • SOLINFANTE (Propriedades) • TRANSPORTES PAULO DUARTE (Transportes) • INSULAR (Massas e farinha) • GESTLÍDER (Formação profissional) • SOCICORREIA (Propriedades e Construção) • VAPOR ILHAS (Metalomecânica) • ABREU & ASSOCIADOS (Advocacia e Assessoria) • SOMAFACTOS (Contabilidade e Consultadoria) • MADEIRA MOTORES (Marcas automóveis BMW e Mini) • PERICOFRAGENS (Materiais de Construção) • ATLANTIC (Materiais de Construção) • SICAPREP (Electricidade, Telecomunicações e Climatização • ESCOLA HOTELEIRA DA MADEIRA (Formação Profissional) • RAY JUST (Bebidas energéticas) • BPI - BANCO PORTUGUÊS DE INVESTIMENTO (Banca)

preendido com a adesão significativa de empresas madeirenses e continentais. “As empresas e os empresários sabem que não podem ficar de braços cruzados. Volto a repetir que a Madeira pode ser uma plataforma de relacionamento, não só nos países da diáspora portuguesa, mas também nos países com economias emergentes. E há que aproveitar as oportunidades.”

Convénio “começou a dar frutos”

O convénio assinado em 2008 entre Portugal e a Venezuela já começou a gerar frutos. Esta é a convicção de José Luís Ferreira, presidente da CAVENPORT-Câmara de Comércio Luso-Venezuelana, que também patrocina as ‘Parcerias para o Futuro’, que se realiza em Caracas na próxima semana. “O acordo bilateral levou à formação de novas empresas, principalmente na construção civil e áreas técnicas, como é o exemplo da electricidade e na área alimentar”, exemplifica José Luís Ferreira. Relativamente às ‘Parcerias para o Futuro’, o presidente da Câmara de Comércio está convencido que se transformará numa excelente oportunidade para “promover as relações entre empresários de ambos os países”. Acredita que ali serão estabelecidas “pontes entre as diversas empresas, sejam as que vêm da Madeira e de Portugal continental, sejam as daqui – portuguesas, luso-venezuelanas e venezuelanas – que já manifestaram interesse em encontrar-se com os empresários que vêm de Portugal.” Ferreira mostrase convicto que os sectores alimentar, construção e técnico são os que maiores apostas devem fazer, sem desvalorizar muitos outros sectores com potencial para o estabelecimento de parcerias com futuro, entre os empresários da Venezuela e Portugal.


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venezuela continuará a ser destino forte das exportações pamentos, entre outros bens. Fazemos um acompanhamento de proximidade do Convénio e dos grupos de trabalho criados.

Entrevista com Almeida Henriques, secretário de Estado Adjunto da Economia e Desenvolvimento Regional

Os méritos do Convénio não são medidos apenas pelos valores da actual balança comercial entre os dois países, mas são avaliados também por outros factores... Como todos sabem, Portugal importa combustíveis da Venezuela, o que complica a tarefa de conseguirmos um saldo positivo da balança comercial entre os dois países. E, de facto, nem sempre foi assim. Em 2008, por exemplo, o saldo era negativo na ordem dos 89,5 milhões de euros. Desde esse ano que as exportações portuguesas para a Venezuela têm vindo a aumentar e o convénio teve inegáveis méritos no aumento do número de empresas nacionais a exportarem para esse mercado. O convénio teve também um impacto positivo no reforço das relações bilaterais para a comunidade portuguesa, nomeadamente promovendo parcerias entre empresários portugueses radicados na Venezuela e empresas portuguesas.

Agostinho Silva DN-Madeira

Almeida Henriques é o actual secretário de Estado Adjunto da Economia e Desenvolvimento Regional. Entre outras competências, tem a seu cargo o acompanhamento das relações comerciais com a Venezuela, sobretudo as que resultam do Convénio actualmente em vigor e que é responsável, entre Janeiro e Dezembro de 2012, pelos 482 milhões de euros exportados em bens e serviços. Desde a primeira hora que a Secretaria de Estado Adjunta da Economia e Desenvolvimento Regional se associou à iniciativa ‘Portugal-Venezuela: Parcerias para o Futuro’, que o DIÁRIO de Notícias da Madeira e o CORREIO da Venezuela organizam de 7 a 9 de Abril em Caracas, na sequência de um desafio lançado pelo presidente da Câmara Municipal do Funchal. Almeida Henriques explica as razões do seu envolvimento: “Excluindo os mercados europeus, a Venezuela é já o 5.º melhor cliente de Portugal, apenas superado por Angola, EUA, Brasil e China.” Em entrevista ao CORREIO, Almeida Henriques garante ainda que, seja qual for o resultado das eleições presidenciais, a Venezuela continuará a ser um destino forte das exportações. Que papel espera de iniciativas como as ‘Parcerias para o Futuro’? São de extrema importância, sem dúvida, um contributo válido para cimentar e alargar as relações económicas entre os dois países. O conhecimento mútuo dos nossos mercados é uma condição indispensável ao aumento das nossas trocas comerciais e da nossa cooperação estratégica. Felicito a iniciativa do DIÁRIO de Notícias Madeira, do CORREIO da Venezuela e da Câmara Municipal do Funchal. Como interpreta o facto de novas empresas portuguesas quererem ir à descoberta do mercado venezuelano? É uma consequência natural dos

passos que temos dado nos últimos anos ao nível da nossa diplomacia económica e da estabilização das relações Estado a Estado que este Governo tem promovido. Estes avanços traduzem-se num gradual aumento de importância da Venezuela como destino das exportações portuguesas. Segundo dados do Banco de Portugal, entre Janeiro e Novembro de 2012, exportámos para a Venezuela 482 milhões de euros em bens e serviços. E repare-se neste dado: excluindo os mercados europeus, este país sul-americano é já o 5.º melhor cliente de Portugal, apenas superado por Angola, EUA, Brasil e China. O facto da Venezuela estar a viver um período de alguma indefinição política pode prejudicar estas iniciativas? As nossas relações bilaterais são hoje de Estado a Estado. É um relacionamento sólido e com dinâmicas muito enraizadas. Muitas empresas portuguesas estão já instaladas na Venezuela e a comunidade portuguesa é muito respeitada e reputada. Como é lógico, não podemos antever o desfecho das próximas eleições presenciais, mas seja qual for o resultado a Venezuela continuará a ser um destino forte das

Em 2012 a Venezuela registou o 6.º melhor saldo positivo entre importações/ exportações com um valor de 302 milhões de euros nossas exportações. Portugal está a executar a sua parte do Convénio estabelecido com a Venezuela. Qual a sua apreciação global a todo o processo, até hoje, e que números pode ostentar nesta altura? A minha apreciação só pode ser positiva, apesar de considerar que as exportações para a Venezuela ainda têm potencial de crescimento. Posso adiantar-lhe um número que ainda não tinha referido, mais uma vez de acordo com dados do Banco de Portugal. Entre Janeiro e Novembro de 2012, a Venezuela registou o 6.º melhor saldo positivo (exportações-importações) de todos os nossos clientes, com um valor de 302 milhões de euros, o que é bastante significativo. O fundo das vendas de petróleo tem sido empregue a financiar as importações venezuelanas de medicamentos, géneros alimentares, equi-

Estava previsto para agora uma nova ronda de contactos e novos acordos em Caracas, no âmbito do Convénio, que teve de ser adiada... Um período de campanha eleitoral gera sempre alguma indefinição. Mas, tal como já referi, estou convicto que, quando o futuro presidente entrar em funções, rapidamente iremos restabelecer o bom quadro de relacionamento entre os dois países que temos tido até aqui. As nossas relações são sólidas e maduras. Existe algum sector da economia portuguesa que ainda não tenha explorado o mercado venezuelano? Nesta altura temos no terreno grandes investimentos, que somam muitos milhões de euros, ao nível da construção de infraestruturas. Mas entre os produtos que Portugal mais exporta para a Venezuela contam-se, por ordem de volume, máquinas e aparelhos; construções de ferro fundido e ferro/ aço; equipamentos como refrigeradores e congeladores; medicamentos; óleo de soja; conservas; carnes; e mobiliário. Ou seja, a diversidade exportadora de Portugal já está reflectida actualmente no mercado venezuelano e é claro que queremos ainda mais empresas nacionais presentes nos vários sectores. Tenho de referir também os sectores da Agricultura e da Saúde como aqueles que gostaria de ver aumentar a respectiva representação na Venezuela.


Quinta-feira, 4 de Abril a Quarta-feira, 10 de Abril de 2013

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