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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE INTERNET

abranet.org.br

ano III . edição 11 . novembro . 2014

Múltipla ESCOLHA Na discussão sobre o que vai prevalecer — fibra óptica ou rádio — na construção das infraestruturas, vence quem souber explorar o que cada tecnologia tem de melhor a oferecer

CIDADES DIGITAIS: Governo convoca provedores Ministério das Comunicações lamenta a ausência da iniciativa privada e reclama do pouco interesse dos ISPs. “Esperávamos que eles procurassem os prefeitos. Não vimos isso ainda”, diz o diretor de Infraestrutura para Inclusão Digital, Américo Bernardes abranet.org.br novembro . 2014

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editorial Eduardo Neger Presidente da Abranet

A Internet em debate O maior evento de Telecomunicações da América

Latina foi palco de interessantes debates sobre os rumos da Rede Mundial. Como não poderia deixar de ser, a Abranet esteve presente no Futurecom, realizado de 13 a 16 de outubro, em São Paulo, tendo sido responsável pela organização de um concorrido pré-evento exclusivo sobre o setor, o Futurenet, cuja adesão nos trouxe grande satisfação e uma oportunidade única para atualizar o momento da Internet no Brasil. Também marcamos presença na área de exposição e em dois painéis do congresso internacional. Em um desses painéis, foi discutido o futuro da TV por Assinatura com o crescimento da Internet e dos serviços OTTs. A conclusão foi que o crescimento do consumo de vídeo na Internet é inevitável e, claro, desafia tanto os provedores de conexão, uma vez que eles têm de investir na construção de redes cada vez mais robustas, quanto os provedores de aplicações e conteúdo, que disputam parcerias estratégicas para rentabilizar os conteúdos OTT e ganhar a preferência do consumidor. No outro painel, o Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) foi colocado à mesa para discussão e avaliou-se que seus impactos serão decisivos para a segurança e a privacidade das aplicações em nuvem. E a melhoria da infraestrutura de telecomunicações, que dá suporte aos serviços de valor adicionado no interior do país, foi mencionada como fator determinante para aumentar a adoção desse tipo de tecnologia. Nosso estande – com 184 m2, o maior espaço da área de exposição – foi mais uma vez ponto de encontro para provedores e empresas do setor. Durante todo o evento,

institucionalmente, a Abranet divulgou fortemente seu trabalho. Estivemos presentes na mesa de abertura e em importantes reuniões setoriais. Enquanto no Brasil o Futurecom mobilizava o setor de TICs, na mesma semana, acontecia o ICANN 51 em Los Angeles, nos Estados Unidos. O presidente do Conselho Consultivo da Abranet, Eduardo Parajo, esteve lá e contribuiu para destacar nesta edição da Revista Abranet os principais assuntos abordados. Este ano ainda teremos outro importante encontro do setor – a IV Semana da Infraestrutura da Internet no Brasil, de 24 a 28 de novembro, em São Paulo. Em um único local, três importantes eventos paralelos discutirão temas relevantes: PTT Fórum 8 (Encontro dos Sistemas Autônomos de Internet no Brasil), V Fórum Brasileiro de Implementadores de IPV6 e GTER 38 (Grupo de Trabalho de Engenharia de Redes) / GTS 24 (Grupo de Trabalho em Segurança de Redes). Tais eventos abrigarão discussões de alto nível técnico organizadas pelo NIC.br e contarão mais uma vez com o apoio especial da Abranet. Os debates serão objeto de reportagens no site da Abranet – www.abranet.org.br – e também na próxima edição da Revista Abranet. Por mais que a nossa rotina de trabalho como profissionais de Internet seja intensa, a participação em debates técnicos e mercadológicos é essencial para fomentar novas ideias e, principalmente, desenvolver novos negócios. É com este objetivo que a Abranet organiza, participa ou apoia os principais eventos da Internet brasileira. Boa leitura! abranet.org.br novembro . 2014

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ÍNdiCe 05 | aBraNet reSPoNde no site da Abranet – www.abranet.org.br –, uma das perguntas mais frequentes é sobre cOmO mONtar um NEGÓciO dE PrOvimENtO À iNtErNEt. se este é o seu caso, saiba como deve agir. e boa sorte!

conseLHo eDitoriaL Eduardo Neger neger@abranet.org.br

José Janone Junior janone.jr@abranet.org.br

Eduardo Parajo

parajo@abranet.org.br

06 | CaPa

Múltipla ESCOLHA na discussão sobre o que vai prevalecer — fibra óptica ou rádio — na construção das infraestruturas, vence quem souber explorar o que cada tecnologia tem de melhor a oferecer

GerÊncia eXecUtiVa roseli ruiz vazquez gerente@abranet.org.br

ProJeto, ProDUÇão e eDiÇão

Editora convergência digital editora@convergenciadigital.com.br Tel: 011-3045-3481

12 | eStratÉGia em que pesem os atrasos de até 10 meses, 34 redes metropolitanas de fibras ópticas já foram entregues e estão ‘iluminadas’, mas a ausência mais notável no programa cidades digitais foi da iniciativa privada

DireÇão eDitoriaL

ana Paula lobo

analobo@convergenciadigital.com.br

luiz Queiroz

queiroz@convergenciadigital.com.br eDitora-cHeFe

16 | teNdÊNCiaS a transição da iaNa foi destaque no icaNN#51. fique por dentro das discussões mais importantes que ocorreram durante o 51º encontro público da corporação da internet para Atribuição de nomes e números

18 | eNtreViSta tom coffeen, evangelista-chefe para o iPv6 na infoblox, avalia como está ocorrendo a migração para este novo protocolo nos estados unidos, que segue a passos bem mais avançados que no brasil

20 | oPiNiÃo Billing das coisas: quando cobrar certo será o diferencial Por Sandra Lis Granado

ana Paula lobo

analobo@convergenciadigital.com.br eDiÇão

Bia alvim

bia.alvim@pebcomunicacao.com rePortaGeM / reDaÇão

roberta Prescott

prescottroberta@gmail.com

luís Osvaldo Grossmann ruivo@convergenciadigital.com.br eDiÇão De arte e DiaGraMaÇão

Pedro costa

pedro@convergenciadigital.com.br iMPressão

Grafinew

22 | eCoSSiSteMa Em sua sétima participação no Futurecom, a Abranet promoveu o futurenet, com o objetivo de trocar experiências e apresentar soluções ao público visitante

26 | CoNeXÃo incentivos fiscais para isPs no Paraná. consumidores preferem mídias sociais. governo quer acelerar migração para o iPv6. o gargalo da banda larga fixa. sensores inteligentes levarão internet a 100 bilhões de conexões em 2025. financiamento com taxas de 4% em são Paulo. furukawa amplia nacionalização de olho no finame e no cartão bndes

Rua da Quitanda, 96 / Cj.31 - Centro - São Paulo / SP CEP: 01012-010 Fone: (11) 3078-3866 www.abranet.org.br facebook.com/abranetoficial Linkedin.com/abranet @abranet_brasil

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aBraNet reSPoNde no site da Abranet – www.abranet.org.br –, uma das perguntas mais frequentes é sobre COMO MONTAR UM NEGÓCIO DE PROVIMENTO À INTERNET. Saiba como você deve agir. e boa sorte!

QUerO mOntAr Um PrOVedOr de ACeSSO. O QUe deVO FAZer? Antes de tudo, é importante entender qual trabalho o provedor vai querer realizar, pois o acesso à internet pode incluir duas atividades: a prestação de serviço de telecomunicações (última milha) e o serviço de valor adicionado (conectividade internet). Para a atuaçÃO Em amBas as atividadEs, o empreen-

dedor precisa entender quantas e quais obrigações deverá cumprir, inclusive as de ordem tributária. Se a decisão for prestar o serviço de telecomunicações (última milha) via rádio, fibra ou cabo, é necessário que uma empresa seja constituída com o objetivo de obter licença para tal. Um ponto de atenção importante é o correto enquadramento na CNAE — Classificação Nacional de Atividades Econômicas. A CNAE é o instrumento de padronização nacional dos códigos de atividade econômica e dos critérios de enquadramento utilizados pelos diversos órgãos da administração tributária do País. Em geral, a licença é a de Serviço de Comunicação Multimídia (SCM). No entanto, qualquer que seja a decisão, o empreendedor deve buscar auxílio para tramitar o processo de obtenção e a operação da outorga junto à

Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de forma adequada, com suporte regulatório. Também é preciso ter na estrutura da empresa um engenheiro que possa atuar como responsável técnico perante o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) e a Anatel, preparando-se para atender a todas as obrigações em consequência da licença a ser obtida. Como a atividade de provedor de conectividade Internet é classificada como serviço de valor adicionado aos serviços de telecomunicações, não há necessidade de nenhum tipo de licença da Anatel ou outro órgão. É importante ressaltar que o provedor de conectividade deve buscar oferecer outros serviços de valor adicionado, além da conectividade, tais como hospedagem de sites, provimento de e-mails, entre outros, para aumentar sua oferta de serviços para seu cliente final. Vale ressaltar ainda que as duas atividades devem ser objeto de contratação pelo usuário final (contratos distintos), assim como os documentos fiscais e de cobrança devem atender às exigências de cada atividade. A interligação à Internet deve utilizar o modelo recomendado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que pode ser encontrado nas páginas http://ptt.br/docs/ e http://ptt.br/mix.txt.

A Abranet oferece um serviço de apoio aos associados que trata das dúvidas e questões mais frequentes sobre o tema. Não hesite em nos procurar! Escreva para o aBraNEt rEsPONdE. O e-mail é abranetresponde@abranet.org.br

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CaPa

Roberta Prescott

Múltipla ESCOLHA FiBra ÓPtica Ou rÁdiO? Eis um dilema que os provedores de Internet enfrentam ao avaliar que tecnologia escolher ao implantar, expandir ou trocar suas redes. De um lado, está uma capacidade maior de banda e a possibilidade de incluir serviços adicionais, como TV por assinatura. De outro, a facilidade de se chegar a lugares remotos a um custo menor. Há ISPs e fornecedores que defendem uma em detrimento da outra; e há aqueles que advogam a coexistência. Para embasar a decisão, os especialistas orientam os provedores de Internet a entender quais necessidades precisam atender e que objetivos têm. Somente assim vão conseguir planejar e escolher a rede mais adequada. Por exemplo, se for para cobrir uma área densa, como uma metrópole, a melhor opção está na fibra óptica. Já para levar a Internet a regiões mais afastadas, o rádio ainda prevalece.

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Na discussão sobre o que vai prevalecer — fibra óptica ou rádio — na construção das infraestruturas, vence quem souber explorar o que cada tecnologia tem de melhor a oferecer Além disto, outras variantes têm de ser contabilizadas, como o retorno do investimento e a possibilidade de prover mais serviços. Ou seja, tudo vai depender da estratégia de cada provedor. Com 20 anos de atuação, a Fortalnet aposta no rádio para fornecer acesso à Internet a 12 mil clientes, entre empresas (link dedicado) e consumidores residenciais (serviço de banda larga). “A tecnologia vem evoluindo e as antenas melhoraram muito. Não enfrentamos problemas de interferência ou queda da Internet por causa de chuvas”, comenta Frank Frazão Pereira, gerente de Novos Negócios da Fortalnet. Uma das vantagens, de acordo com ele, é que Fortaleza, onde o provedor tem mais foco, é plana. “Temos várias antenas distribuídas na cidade. O rádio ainda nos atende bem.” Além da capital, a Fortalnet chega a outros 12 municípios da região metropolitana e mais 20

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do interior do Ceará, tudo com a mesma tecnologia. O uso de rádio, contudo, não significa a exclusão da fibra. Dentro dos exemplos corporativos, Pereira conta que a Fortalnet está fornecendo acesso à Internet para 15 lojas de um recém-inaugurado outlet de Fortaleza. O sinal chega por rádio, mas a distribuição interna no estabelecimento é feita por fibra óptica. Em outros casos, quando o cliente exige ser atendido por fibra, a opção é usar infraestrutura terceirizada. A Fortalnet pensa em incluir voz em seus serviços futuramente. Uma inovação recente da empresa foi colocar placas de energia solar em seus equipamentos e, assim, levar a Internet a locais sem eletricidade.

não É UM FLa X FLU Márcio Romano, gerente regional de Vendas da Cambium Networks, acredita que o rádio ainda será utilizado por muitos anos, principalmente, para atender ao desafio de fazer chegar a Internet às pessoas que hoje estão desconectadas. “Os provedores de Internet vêm sentindo crescimento bastante acentuado em função da demanda por dados, e isto está se refletindo em todo o mercado brasileiro. Mas ainda há muita gente desconectada.” Romano aposta numa convivência das tecnologias. “Acredito na coexistência de fibra óptica e rádio, porque para passar fibra existe uma série de exigências que muitas vezes não podem ser atendidas. Já o rádio continua sendo a forma mais fácil de ligar pontos exata-

“o cAminho É A fibrA. hoJe, o brAsil está neste mercAdo como estAvA há 50 Anos em energiA elÉtricA, quAndo o serviÇo não chegAvA A todos os lugAres” aLair FraGoso | life

“Acredito nA coeXistênciA de fibrA ÓPticA e rádio, Porque PArA PAssAr fibrA eXiste umA sÉrie de eXigênciAs que muitAs veZes não Podem ser AtendidAs” MÁrcio roMano | Cambium Networks 08

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mente quando não é possível passar cabos ou fibras; ou quando eles ficam mais caros ou complexos de serem instalados”, justifica. De fato, há vantagens e desvantagens em cada uma das opções. Alair Fragoso, fundador da Life, decidiu migrar de rádio para fibra óptica para incorporar mais serviços e, assim, aumentar suas receitas e se diferenciar no mercado. A empresa, que começou a atuar com acesso discado em 1998 em Pompéia, interior de São Paulo, foi pioneira na implantação da rede FTTH (fibra para o lar, na tradução para o português) na cidade de Garça, em 2010. A estratégia foi desenhada aos poucos. Em 2002, a Life começou a trabalhar com conexão via rádio e em 2005 já fazia testes em redes cabeadas. “Sempre pesquisamos novos meios porque achávamos o rádio limitado”, relata Fragoso. Dois anos depois, em 2007, a empresa concebeu seu primeiro projeto de fibra óptica e no ano seguinte passou a implantar rede mista (fibra e cabo metálico) em Pompéia, que tem 20 mil habitantes. “Vimos que aquele era o caminho, porque oferecia uma capacidade de banda maior.”

“A tecnologia [rádio] vem evoluindo e as antenas melhoraram muito. Não enfrentamos problemas de interferência ou queda da Internet por causa de chuvas” Frank Frazão Pereira | Fortalnet

Prós e contras O projeto de fibra óptica em Garça foi um marco para a empresa, que hoje conta com 750 quilômetros de fibras passadas nas cidades onde tem presença. Ainda assim, mesmo que não seja o foco, a Life conta com rádio para atender lugares mais remotos. “Não instalamos novos assinantes no rádio”, aponta Fragoso. Atrelado à passagem de fibra óptica, o provedor elaborou, durante alguns anos, um estudo para o fornecimento de TV paga. A empresa buscava entender como o mercado funciona e como deveria ser a sua oferta. A Life lançou o serviço de TV paga em meados deste ano. A meta é alta: passar dos atuais 12 mil clientes para 25 mil nos próximos cinco anos, um salto que será impulsionado pelo triple play. “O caminho é a fibra. Hoje, o Brasil está neste mercado como estava há 50 anos em energia elétrica, quando o serviço não chegava a todos os lugares.” Ainda que o cenário vislumbrado por Fragoso se concretize, o rádio não deve morrer. Em um País com dimensões continentais, a solução sem fio é essencial para chegar aos rincões. Para Frank Frazão Pereira, da Fortalnet, a vantagem do rádio ainda é o custo de instalação, bastante inferior quando comparado ao da fibra. Já com relação a possíveis instabilidades do sinal e interferências, ele conta que o índice de satisfação de seus clientes está na casa dos 85%, o que demonstra que a solução tem atendido às expectativas. Fragoso, da Life, reconhece que o custo inicial de passar fibra óptica é mais alto que o do rádio, mas diz que compensa porque permite incorporar outros serviços. Em 2011, o provedor obteve licença abranet.org.br novembro . 2014

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“o que este novo equiPAmento [nA cAsA dos usuários] tem de diferente É suA definiÇão Por softWAre” HÉLio saLLes | CPqd

“há desAfios A Percorrer. mAs É umA tendênciA em que os Provedores de internet têm de investir, não tem como” eVair GaLLarDo | Kerax telecom

para entrar no mercado de TV paga. “Quando começamos a passar a fibra, a ideia era ir para o triple play. Ficar somente com a Internet é um mercado difícil, com a concorrência das grandes operadoras. É mais interessante ter os três produtos”, explica, referindo-se a voz, Internet e televisão. Evair Gallardo, diretor da Kerax Telecom, acredita que já não é mais tendência, mas realidade, os provedores de Internet migrarem de rádio para fibra óptica. A justificativa, segundo ele, é a necessidade de banda. “Os provedores estão colocando fibra para aumentar a banda de atendimento ao cliente e compartilhar mais clientes na mesma fibra óptica; o transporte fica mais eficiente com mais banda para todo mundo.” O executivo argumenta ainda que o preço baixou. “Um cabo hoje é mais barato que há cinco anos, cerca de um terço do preço; e o custo da passagem de fibra óptica, com o conhecimento das empresas de instalação, também caiu.” Ainda assim, há muita dificuldade para aluguel de postes e para chegar à casa do cliente com a fibra. “Há desafios a percorrer. Mas é uma tendência em que os provedores de Internet têm de investir, não tem como”, enfatiza Evair Gallardo. Além de o preço, segundo os fabricantes e integradores, ter caído, a tecnologia da fibra evoluiu, principalmente, no que se refere a seu manejo. Os cabos estão mais flexíveis e os materiais mais residentes, na opinião de Jay Hu, que responde pela FiberHome no Brasil. A empresa tem 150 ISPs como clientes e considera que este número vai aumentar, impulsionado pela maior necessidade de banda com a entrada de tecnologias como a definição 4K.

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Vanderlei Rigatieri, diretor geral da WDC Networks, diz que mapeou 500 provedores de Internet — dos cerca de quatro mil que atuam no Brasil — que têm algum projeto de fibra. A barreira de entrada para incorporar fibra óptica na rede é capital. “A maioria não tem capacidade para investir”, relata. Outra preocupação de quem decide pelo rádio é a velocidade da Internet. Márcio Romano, da Cambium Networks, garante que este não deve ser um entrave. “Para o atendimento ao usuário, os rádios estão acompanhando a demanda por capacidade sem muitos problemas. Ainda tem muito espaço para crescer. Mas, obviamente, os rádios não vão chegar às mesmas velocidades da fibra óptica; e acho que nem é o objetivo, porque a fibra acaba se tornando o meio para levar o sinal para alguns pontos e destes pode-se fazer conexão por rádio, sem fio, para atingir os usuários”, explica.

aVanÇos tecnoLóGicos A evolução dos rádios ajuda a prolongar a vida útil dessa tecnologia. Hélio Salles, diretor de Redes Convergentes do CPqD, reconhece que hoje o rádio não está no mesmo patamar de banda que a fibra, mas acredita que um dia chegará. “Em poucos anos, conectividade por fibra óptica ou rádio será igual. E qual serviço hoje demanda 100 Mbps?”, pergunta. A combinação de rádios em multifrequências, como os MIMO (multiple input multiple output), melhora a qualidade do sinal. A maior mudança, diz Salles, está nos equipamentos usados nas casas dos usuários. Com a evolução tecnológica em um ritmo cada vez maior, emerge a necessidade de atualização constante da antena no cliente. “Existe um movimento hoje na direção da ‘caixa pé de boi’ ou caixa simplificada”, destaca. O que este novo equipamento tem de diferente é sua definição por software. Ou seja, em vez de ser um hardware com a inteligência do sistema, todas as funcionalidades ficam no ambiente do provedor e são programadas remotamente. É o conceito de virtual customer premises equipment (vCPE). “Esta tem sido uma tendência forte, que fabricantes e integradoras estão começando a adotar. Mas ainda não existe um padrão vencedor”, diz Salles. Sem a padronização, cada fornecedor está trabalhando de um jeito, propondo soluções de acordo com a sua conveniência. “Esse tipo de tecnologia também vai facilitar a migração do IPv4 para a versão 6.” Se fibra óptica e rádio irão coexistir, a recomendação para os provedores é continuar antenados nas tecnologias que surgem, principalmente, as de virtualização dos equipamentos na casa dos clientes. Redes heterogêneas são tendência em todo o mercado de telecomunicações e não vai ser diferente com os provedores de Internet.

“A mAioriA [dos Provedores] não tem cAPAcidAde PArA investir [em fibrA]” VanDerLei riGatieri WdC Networks abranet.org.br novembro . 2014

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eStratÉGia

Luís Osvaldo Grossmann

ciDaDes DiGitais:

GoVerno conVoca ProVeDores

em que pesem os atrasos de até 10 meses, 34 redes metropolitanas de fibras ópticas já foram entregues e estão ‘iluminadas’, mas a ausência mais notável no programa cidades digitais foi da iniciativa privada. “esPerávAmos umA PosiÇão mAis AgressivA dos Provedores. esPerávAmos que eles ProcurAssem os Prefeitos, tivessem interesse. não vimos isso AindA”, lamenta o diretor de infraestrutura para inclusão digital do ministério das comunicações, Américo bernardes.

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laNçadO Em 2012, o programa Cidades Di-

gitais do Ministério das Comunicações começou a ganhar forma em maio deste ano, com a inauguração da rede em Vitória da Conquista, na Bahia. Desde então, 34 das 80 cidades desta fase ‘piloto’ já contam com fibras ópticas entregues e ‘iluminadas’. Mas em que pese a identificação de problemas que atrasaram o cronograma em pelo menos oito meses, há uma clara surpresa: o desinteresse dos provedores de acesso. “Esperávamos uma posição mais agressiva dos provedores. Esperávamos que eles fossem às cidades, procurassem os prefeitos, tivessem interesse. Mas não vimos isso ainda”, lamenta o diretor de Infraestrutura para Inclusão Digital do Ministério das Comunicações, Américo Bernardes. Não foi por falta de convite. Segundo Bernardes, desde 2011, quando o programa ainda estava sendo desenhado, a secretária de Inclusão Digital da pasta, Lygia Pupatto, se reúne com associações de provedores na tentativa de despertar o interesse das empresas em participar do programa. Tarefa que começou pela própria desmitificação do conceito de Cidades Digitais. “Durante a década de 2000, quando começou aquela coisa de Cidades Digitais, lá com Piraí Digital, houve uma certa

construção de uma ideia de que cidade digital era Internet de graça para todo mundo. Toda vez que a gente falava em cidade digital, os provedores se assustavam e entendiam que ‘lá vem o governo querer dar Internet grátis para todo mundo’”, lembra o diretor de Infraestrutura. A expectativa do governo era que a continuidade do projeto seria garantida com contratos entre as prefeituras e provedores. Em essência, o programa funciona com o Ministério das Comunicações pagando pela implantação de redes metropolitanas de fibras ópticas. Quando essa infraestrutura fica pronta, a titularidade dos ativos passa para as prefeituras, que, a partir daí, escolhem o caminho para a operação e manutenção da rede. Na prática, são três as opções: financiamento a partir de recursos próprios do município; parcerias com instituições como universidades, institutos de pesquisa, ONGs ou associações; ou a concessão do uso da infraestrutura para a iniciativa privada. Neste último caso, imaginou-se que provedores locais ou regionais garantiriam os links para a administração municipal e um ponto de acesso gratuito. E também poderiam se valer da rede implantada para vender conexões. Essa era a saída preferida. “Estamos falando em cidades pequenas, com menos de 50 mil habitantes, onde as

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SÃO AS SEGUINTES AS CIDADES DIGITAIS JÁ ENTREGUES PELO MINICOM: soluções de sustentabilidade com recursos da prefeitura são complicadas, porque as cidades têm baixo orçamento, vivem fundamentalmente do Fundo de Participação dos Municípios e do Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica]”, ressalta Bernardes. Sem interesse do setor privado, o custeio via orçamento tem sido a regra. Nas 34 cidades já entregues, as prefeituras estão bancando a operação, claramente limitando o potencial das Cidades Digitais como idealizadas. “O que estamos vendo é que os menores provedores não têm ‘pernas’. Se você chegar lá e disser que quer comprar 5 Mbps, não tem para entregar. Em algumas ciaMÉrico BernarDes dades o cara vende 30 Kbps, Ministério das Comunicações 50 Kbps. Fui em cidade onde se vendia link de 34 Kbps por R$ 50”, conta. É justamente neste ponto que o Ministério sente a falta de interesse. Afinal, a infraestrutura é entregue pronta e, mesmo nas cidades mais carentes, a demanda é óbvia, visto que negócios absolutamente informais – como a revenda de conexões – sobrevivem com mensalidades que chegam a R$ 50 por acessos em velocidades baixíssimas. Ou seja, há consumidores dispostos a comprar conexões à Internet. “São regiões pobres, mas tem gente que paga R$ 30, R$ 40, R$ 50. Com a nossa infraestrutura, se tivesse um avanço mínimo, a partir dessa rede se poderia vender algo melhor, se poderia ampliar a qualidade do serviço prestado. Quem sabe na hora que os pontos públicos forem abertos se crie uma demanda que vai querer ser atendida. Na hora que uma pessoa for na praça e perceber que pode ver um vídeo, e na conexão dele em casa não baixa nem uma fotografia, que comece a provocar e arrancar esses provedores dessa zona de conforto”, avalia Bernardes.

“na hora que uma pessoa for na praça e perceber que pode ver um vídeo, e na conexão dele em casa não baixa nem uma fotografia, que comece a provocar e arrancar esses provedores dessa zona de conforto”

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Coari - AM Manacapuru - AM Serra do Navio - AP Guanambi - BA Itaberaba - BA Itabuna - BA Juazeiro - BA Nilo Peçanha - BA Piraí do Norte - BA Uruçuca - BA Vitória da Conquista - BA Araripe - CE Barreira - CE Brejo Santo - CE Jaguaruana - CE Maracanaú - CE Quixeramobim - CE São Gonçalo do Amarante - CE Varjota - CE Viçosa do Ceará - CE São José do Ribamar - MA Rio Acima - MG Conceição do Araguaia - PA Curuçá - PA Goianésia do Pará - PA Assis Chateaubriand - PR Ibiporã - PR Toledo - PR Jari - RS Não-Me-Toque - RS Santo Ângelo - RS São Miguel das Missões - RS Presidente Epitário - SP Socorro - SP

Herivelto Batista


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teNdÊNCiaS

Roberta Prescott

icann #51 fique por dentro das discussões mais importantes que ocorreram durante o 51º encontro público da corporação da internet para Atribuição de nomes e números. os novos gtlds mobilizam a comunidade. a traNsiçÃO da custÓdia das funções da IANA (sigla

em inglês de Autoridade para Atribuição de Números da Internet), a governança da Internet, os novos gTLDs (nomes de domínios de topo genéricos, na sigla em inglês) e a prestação de contas da Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (ICANN, na sigla em inglês) foram os principais temas debatidos no 51º encontro público da entidade, que ocorreu de 12 a 16 de outubro em Los Angeles, Califórnia, nos Estados Unidos. Ainda que não tenha havido uma decisão sobre a futura custódia da IANA, as discussões, na visão de Rodrigo de la Parra, vice-presidente para América Latina e Caribe da ICANN, foram importantes para esse momento de transição. “Os processos são um pouco lentos, porque todos os lados são ouvidos, tudo passa por consulta, é muito transparente”, disse à Revista Abranet. O contrato da ICANN com a agência norte-americana NTIA (National Telecommunications and Information Administration), que atualmente faz a custódia da IANA, vence em 15 de setembro de 2015. Até lá, é preciso decidir quem assumirá este papel. Para isto, foi criado um grupo multidisciplinar, batizado de ICG, composto por 30 pessoas, representando 13 comunidades, incluindo os intervenientes diretos e indiretos. Dois brasileiros integram o grupo: Demi Getschko, do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC. br) e Hartmut Richard Glaser, secretário-executivo do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Presente à reunião, Eduardo Parajo, presidente do Conselho Consultivo da Abranet, contou que gran-

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“Os processos são um pouco lentos, porque todos os lados são ouvidos, tudo passa por consulta, é muito transparente” roDriGo De La Parra iCaNN

“A transição da IANA é um debate aberto. Temos até o fim de janeiro para enviar as propostas do modelo ideal” eDUarDo ParaJo abranet divulgação


Target

Nov 2014

Jan 2015

Mar 2015

May 2015

Jun 2015

Jul 2015

Sept 2015

Communities Develop Proposals ICG Develops Draft Response Review of the Draft Response ICG Develops Final Response Final Response Review Final Response Delivery Testing NTIA Review

Communities

ICG

de parte da agenda do #51 foi relativa à transição da IANA. Parajo foi ao encontro junto com o Comitê Gestor da Internet, que está acompanhando de perto todo este processo e colaborando com ideias. “É um debate aberto. O ICG publicou um calendário com os prazos para se submeter as propostas.” Segundo Parajo, a comunidade da Internet, com todos os seus diversos atores, “tem até o fim de janeiro para enviar ideias para se chegar ao modelo ideal.” Até março de 2015, o ICG ficará responsável por fazer um documento rascunho com a proposta para o futuro da IANA. Rodrigo de la Parra conta que o prazo para a entrega da proposta final sobre como se dará a custódia da IANA termina em 31 de julho.

oUtros assUntos A questão da prestação de contas (accountability) da própria ICANN também esteve na pauta da 51ª reunião. A ICANN não responde a nenhum país ou organismo, é regida e tem de prestar contas à própria comunidade. Durante o evento, a comunidade discutiu o desenvolvimento de políticas para a instituição, como a eleição de novos membros. O fato de a IANA ser até agora gerida por um órgão dos Esta-

apresentação do iCG - outubro 2014

NTIA

dos Unidos provoca em alguns a sensação de que a ICANN é subordinada àquele país, o que não é verdade. Além disto, a agenda incluiu debate sobre a entrada em vigor de novos nomes de gTLDs. Quase dois mil gTLDs foram apresentados e até o momento cerca de 400 domínios foram avaliados pela ICANN, que está firmando contratos com empresas que vão gerenciar esses nomes. Quando todas as propostas tiverem sido avaliadas, é possível que a ICANN abra uma segunda rodada de solicitações, cujas regras poderão ser revistas. “As regras da primeira rodada foram boas, mas sempre tem algo para se melhorar”, diz Rodrigo de la Parra. Algumas solicitações de domínios, como “. gay”, foram negadas. Conforme Parajo explicou, a ICANN entendeu que o solicitante não representava toda a comunidade e, portanto, não poderia fazer uso da terminação. “Agora, deve ir a leilão”, disse. Parajo lembrou que no Brasil está em discussão como o domínio “.Rio” vai funcionar. Quem solicitou foi a empresa de processamento de dados do Rio de Janeiro, mas a requisição foi para uso como “brand” (marca), o que impede a comercialização do registro. Contudo, existe o desejo de vendê-lo e essa questão será ainda avaliada.

http://la51.icann.org/en/schedule/thu-icg-community/presentation-icg-16oct14-en.pdf

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eNtreViSta tom coffeen evangelista-chefe para o IPv6 na Infoblox Roberta Prescott

“O USO de nAt É Um BAND-AID ” tom coffeen é o evangelista-chefe para o iPv6 na infoblox. o nome rebuscado do cargo tem a ver com o passado deste norte-americano. desde que trabalhava na limelight networks, ele vem liderando projetos de adoção da nova versão do protocolo internet e é autor de livro sobre o assunto, o IP Address Planning. em passagem pelo brasil, coffeen falou com a Revista Abranet sobre como está ocorrendo a migração nos estados unidos, que segue a passos bem mais avançados que no brasil. É a segunda vez que o especialista vem ao País. na primeira, achou que ambos os países estavam em estágio semelhante de adoção.

REVISTA ABRANET - Como está a adoção e a migração para o IPv6 nos Estados Unidos? TOM COFFEEN - Tanto os provedores de Internet (ISPs) quanto as operadoras estão migrando. O que eu vejo são as empresas, a parte corporativa, em geral, apresentando alguma resistência para adotar o IPv6. Por quê? Há algumas razões para isto: as companhias usam endereços privados em suas redes e por isto não veem a necessidade, e existe falta de entendimento e conhecimento sobre o IPv6. Elas reconhecem que é algo importante, mas não enxergam como algo crítico. Por que as empresas deveriam se engajar, já que para elas retardar a adoção do IPv6 não é tão crítico? A pergunta correta é: por que as empresas não estão

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adotando o IPv6? Se eu fosse CIO e olhasse os números, iria me perguntar isto. Dados mostram que 55% dos sites nos Estados Unidos estão em IPv6; e no Brasil são 30%. Quase 10% [9,6%] dos acessos feitos ao Google partem de conexões em IPv6 nos EUA e 0,08% no Brasil — e a Cisco estima que nos EUA passe para 25% até o fim de 2015. Com relação às operadoras, a Verizon diz que 54% de seu tráfego é feito em IPv6, enquanto a Comcast fala em 30%, a AT&T, em 21% e a Time Warner Cable, em 10%. Os dados são de julho deste ano. São porcentagens altas. Qual é a razão? Os maiores sites, mais acessados, como Google e Facebook, usam IPv6. Vemos um aumento exponencial em comparação à metade do ano passado. Então, a questão para as empresas não é se devem adotar o IPv6, mas, sim, por que não adotariam. Ou seja, como


Muitos provedores de Internet têm optado por NAT. O uso de NAT é um band-aid. Quem optar por adotá-lo precisa avaliar muito bem o custo-benefício tendo em vista o período que pretende usar, porque há um investimento. Vai usar NAT por cinco anos ou 18 meses? Mas quem conseguir migrar, vá para o IPv6 direto. O que vai acontecer com o IPv4? Quando o IPv4 virar um sistema legado terá uma margem muito pequena, e as empresas [fornecedores de produtos] não vão querer mais dar suporte às aplicações em IPv4. Elas vão fazer o que for preciso para tirar o IPv4 do sistema. É apenas uma questão de tempo para os fornecedores começarem a cobrar para dar suporte [às aplicações em] IPv4. Rodar os dois protocolos (dual stack IPv4/IPv6) é uma dor de cabeça. Por mais quantos anos devemos conviver com o IPv4? É difícil prever. Dez anos provavelmente seja uma boa estimativa.

podem olhar para todos estes números e não fazer nada. Ou elas estão ignorando [os números] sabendo do risco que estão correndo. Algumas empresas estão prolongando a vida do IPv4 fazendo uso de carrier-grade NAT? O IPv4 não tem futuro. É um desperdício mantê-lo. Não faz sentido usar carrier-grade NAT em vez de adotar IPv6; são milhares de usuários atrás de um endereço. É preciso aumentar a capacidade de armazenamento, tem as questões legais e de geolocalização até para prezar acordos de distribuição de conteúdo por região, por exemplo. Além das portas de TCP. Você desaconselha veementemente o uso de NAT? Pense nas grandes operadoras. Elas estão migrando para IPv6 em vez de usar carrier-grade NAT. Por que, então, ir para NAT se as telcos não viram vantagem e rentabilidade nisto?

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Esta é a sua segunda visita ao Brasil para falar justamente sobre IPv6. O que mudou neste intervalo de dois anos? Dois anos atrás, as coisas estavam mais ou menos iguais entre os Estados Unidos, o Brasil e a Europa em relação à adoção de IPv6. Mas, neste período, vi um crescimento muito grande nos EUA, houve muito mais desenvolvimento. O fato de o IPv6 operar de maneira diferente da versão 4 e de não serem interoperáveis dificulta a implantação? É preciso ter outras capacidades técnicas? São diferentes, mas não que o IPv6 seja complicado. Quem entende de rede e de IPv4 não deve ter dificuldades. É fácil. Quanto tempo o IPv6 durará? Uns 40, 50 anos, acho. Mas isto depende também da evolução de tecnologias disruptivas e do surgimento de novas. abranet.org.br novembro . 2014

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oPiNiÃo Sandra Lis Granado Gerente de Produto da diretoria de Soluções em billing do CPqd

bILLInG dAS COISAS: QUAndO CObrAr CertO SerÁ O dIFerenCIAL os novos serviços originados pelos objetos conectados envolvem várias parcerias, entre companhias de seguros, montadoras ou autopeças, empresas de entretenimento e de serviços em geral, além de operadoras de telecomunicações. vale lembrar que cada uma dessas empresas tem regras próprias de remuneração e comissionamento. tudo será novo. mas uma questão não muda: como monetizar essas oportunidades e fazer a cobrança adequada ao consumidor? NO uNivErsO da tEcNOlOGia é comum o surgimento de

grandes ondas disruptivas, que provocam transformações e fortes mudanças de comportamento e de costumes. Foi o que aconteceu com a disseminação da Internet e a explosão do uso do celular em todo o mundo – apenas para citar dois exemplos recentes. Agora, uma nova onda está chegando, trazendo a promessa de uma revolução que vai facilitar a vida das pessoas: a Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês). E o que significa isso? A IoT consiste em um exército de sensores, medidores, dispositivos, vestimentas e acessórios (wearables) conectados à Internet, permitindo que pessoas e objetos interajam uns com os outros, criando ambientes inteligentes capazes de tomar decisões por meio da análise e correlação de informações. Vestimentas e acessórios, por exemplo, serão capazes de coletar informações como batimentos cardíacos, pressão sanguínea, taxa de glicemia, localização, etc. Dispositivos instalados em veículos permitirão monitorar a velocidade, o consumo de combustível, o uso dos freios

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e o desgaste das peças. Sensores espalhados pelo meio ambiente poderão medir a temperatura, umidade, pressão e luminosidade, entre outros indicadores. Além disso, medidores de consumo coletarão dados referentes ao uso de recursos como energia, água e gás. Todas essas informações, de diversos tipos, serão transmitidas para sistemas onde serão analisadas, ganhando inteligência para a tomada de decisões, e ficarão disponíveis para uso em diferentes serviços e aplicações. A tendência é que muitos desses serviços sejam oferecidos por meio de parcerias entre empresas, muitas vezes de segmentos distintos, de modo a trazer mais qualidade de vida, segurança, redução de custos ou outro benefício ao cidadão. Por exemplo, o dono de um carro conectado poderá obter descontos no seguro do veículo, se aceitar o seu monitoramento (via sensores de velocidade, de aceleração e frenagem, de consumo de combustível, de desgaste de peças), e ao mesmo tempo usufruir de comodidades de entretenimento e de consulta à Internet – para encontrar o

divulgação


“Para atender esses novos cenários e modelos de negócios, os sistemas de billing terão de evoluir e ganhar mais flexibilidade, de modo a permitir a remuneração adequada dos vários players da cadeia de valor. Isso requer capacidade de tarifar qualquer tipo de transação, em tempo real e com controle de saldo, e de propiciar atendimento ao cliente com a visão de todo o ecossistema do serviço” restaurante ou posto de combustível mais próximo. Nesse caso, são serviços que envolvem várias parcerias, entre companhias de seguros, montadoras ou autopeças, empresas de entretenimento e de serviços em geral, além de operadoras de telecomunicações. Vale lembrar que cada uma dessas empresas tem regras próprias de remuneração e comissionamento. Além disso, a oferta do serviço poderá incluir promoções e descontos cruzados entre produtos de parceiros (B2B2C). Trata-se de um novo cenário, que vai trazer novos modelos de negócios e novas formas de relacionamento com o consumidor - e, também, entre os prestadores de serviços. Mas como monetizar as novas oportunidades geradas pela Internet das Coisas e fazer a tarifação e cobrança adequada desses serviços? Pois esse é o grande desafio do billing da IoT - ou Billing das Coisas. Para atender esses novos cenários e modelos de negócios, os sistemas de billing terão de evoluir e ganhar mais flexibilidade, de modo a permitir a remuneração adequada dos vários players da cadeia de valor. Isso requer capacidade de tarifar qualquer tipo de transação, em tempo real e com controle de saldo, de propiciar atendimento ao cliente com a visão de todo o ecos-

sistema do serviço e, principalmente, de fazer a gestão das parcerias – o que envolve o controle das regras de remuneração e comissionamento dos contratos firmados entre os vários prestadores de serviços. É um novo mundo de oportunidades para empresas dos mais diversos segmentos, que, até 2020, poderão compartilhar uma receita global gerada pelos novos serviços da ordem de US$ 3,7 trilhões/ano. No Brasil, a estimativa é que o mercado de novos serviços de IoT alcance US$ 102 bilhões/ano, no mesmo período. Segundo o Gartner, 50% das soluções (produto combinado com serviço) virão de startups, empresas com menos de três anos de idade, e mais de 80% das receitas serão de serviços – muitos deles com receita recorrente. Para dar suporte a esses novos negócios, serviços e parcerias, o mercado de sistemas de billing também deverá crescer, podendo atingir, no país, a marca de US$ 1,5 bilhão/ano (estimativa), dentro de seis anos. É claro que, para isso, os fornecedores de sistemas de suporte a operações e aos negócios (OSS/BSS) precisam adequar seus produtos de maneira a atender às necessidades desse novo mundo hyperconectado. abranet.org.br novembro . 2014

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eCoSSiSteMa

FUtUrenet: o ponto de encontro dos provedores Em sua sÉtima ParticiPaçÃO NO FuturEcOm, a Abranet

promoveu, no dia 13 de outubro, o Futurenet, evento no qual especialistas debateram os rumos da Rede Mundial no Brasil. O diretor de Projetos Especiais e de Desenvolvimento do NIC.br, Milton Kaoru Kashiwakura, revelou, por exemplo, que os Jogos Olímpicos de 2016 terão preparação semelhante à adotada na Copa do Mundo. “Não tivemos qualquer problema com o escoamento do tráfego, mesmo com o forte incremento”, disse. Outro tema importante foi a entrada em vigor de novos nomes de domínios de topo genéricos (gTLDs, na sigla em inglês), que representa uma oportunidade para os provedores de Internet, apontou Daniel Oppermann, CEO da Domain Robot. Esses novos domínios oferecem chances a comunidades, marcas e quaisquer interessados em serem reconhecidos na Internet com seus próprios domínios, tais como “.hotel” e “.esporte”. Foi destacado também que, com o acesso à Internet se tornando commodity, os provedores buscam diversas soluções para integrarem seu combo de produtos, com ofertas de telefonia e de TV por assinatura. E investir em infraestrutura passou a ser ponto crítico para o sucesso dos negócios. Escolher a melhor tecnologia a ser aplicada é um desafio dos gestores dos provedores de Internet. Em uma área de 184 metros quadrados, a Abranet reuniu 12 empresas do setor de Internet no Futurecom. O objetivo foi trocar experiências e apresentar soluções ao público visitante do maior evento de Telecomunicações da América Latina. Leia mais sobre a participação da Abranet no Futurecom na cobertura especial no site da Abranet - www.abranet.org.br

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CoNeXÃo

incentivos fiscais para

isPs Do ParanÁ laNçadO Em dEZEmBrO dE 2013, o programa do governo do Paraná Rede399 visa, por meio de desoneração fiscal, incentivar pequenos provedores de Internet a construírem e expandirem suas infraestruturas de telecomunicações. O objetivo é disseminar o uso de Internet banda larga nas cidades do Estado. A meta é conectar 120 municípios e ter cem provedores engajados à Rede399. Atualmente, 140 provedores estão pré-inscritos, mas somente dez assinaram os termos de cooperação.

Para participar, o provedor deve apresentar seu plano de trabalho à Secretaria Especial para Assuntos Estratégicos - SEAE e, se aprovado, poderá comprar produtos para a implantação da rede com 95% de diferimento do ICMS. É necessário que os produtos utilizados sejam fabricados no Paraná. “A Rede399 abre uma janela de oportunidade para o pequeno provedor crescer onde as grandes operadoras, como GVT e Oi, não chegam”, destacou o coordenador do programa Jeferson Pereira da Costa. Além disto, os municípios estão abrindo processos licitatórios para contratação de redes de comunicação. É uma chance para provedores de Internet criarem redes MPLS e fornecerem infraestrutura de telecom às prefeituras. Estima-se que cada município gaste de R$ 1 a R$ 2 por mês por habitante com telecomunicações.

Consumidores preferem as MÍDias sociais uma PEsQuisa patrocinada pela Amdocs e condu-

zida pela Ovum e pela Coleman Parkes mostrou que as pessoas têm dado preferência a acionar as empresas por meio das redes sociais. Metade dos consumidores entrevistados disseram que preferem usar plataformas como Twitter e Facebook para chegar ao seu prestador de serviços, em vez de ligar para a central de atendimento. Uma das justificativas é a falta de disponibilidade para falar com um atendente por telefone. A necessidade de as empresas prestarem mais atenção à interação por meio das mídias sociais também fica evidente ao observar que 50% dos clientes afirmaram que já tentaram

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se comunicar com o seu prestador de serviços via mídias sociais, porém três quartos deles nunca receberam uma resposta ou resolução, deixando 80% deles frustrados e sem escolha, a não ser ligar para o call center. Com relação ao tempo de resposta nas redes sociais, 52% dos consumidores esperam um retorno dentro de 30 minutos após o contato, mas apenas 24% dos prestadores de serviços conseguem responder às solicitações dentro desse período. Por fim, 64% dos clientes afirmam que estariam dispostos a compartilhar sua identidade nas redes sociais com o prestador de serviços, em troca de um melhor atendimento, e 48% gostariam de receber ofertas personalizadas e relevantes via mídias sociais das empresas das quais eles são clientes.


Governo quer acelerar migração

Para o iPv6

O GOvErNO aNuNciOu um PlaNO para

garantir a migração total dos sistemas da administração pública para o IPv6, o novo protocolo de endereçamento na Internet, até setembro de 2018. A proposta prevê metas semestrais intermediárias, a começar em março do próximo ano, quando se espera a primeira conexão ativa à Internet com IPv6. Para chegar ao Plano de Disseminação do Uso do IPv6, a Secretaria de Logística e TI (SLTI) do Ministério do Planejamento fez um levantamento em 55 órgãos — ministérios, agências reguladoras, institutos e fundações — e concluiu existirem avanços em infraestrutura, mas carência de expertise. “Mesmo tendo estruturas físicas e lógicas internamente preparadas em suas redes locais e aplicações, poucos órgãos têm qualquer tipo de implementação do IPv6. O conhecimento e a qualificação dos profissionais para tratar com o protocolo são incipientes. Quase 90% dos órgãos participantes indicaram não possuir ações concretas”, apontou o estudo. Nesse sentido, a primeira etapa consiste no acordo de cooperação técnica com o NIC.br. Pelo menos quatro turmas, em um total de 160 servidores, serão treinadas até o fim de 2014. A partir de então, eles atuarão como multiplicadores dentro da administração federal, a fim de assegurar “conhecimento técnico que garanta a tranquilidade dos gestores em TI em implementar as metas propostas.” Mas há o que fazer em infraestrutura também. O plano destaca a adequação de equipamentos de

borda, switches, roteadores, firewalls, além da estrutura lógica: aplicações, servidores e ferramentas de gerência e monitoramento da rede. Mesmo os contratos com provedores de acesso à Internet precisarão ser adaptados. “Alguns órgãos necessitarão realizar contratações de links com a Internet com a exigência de entrega de blocos de endereçamento em IPv6 ou terão que realizar a adequação aos seus contratos para que contemplem a mesma exigência. Como muitos órgãos utilizam banda corporativa de Internet de empresas estatais, tal atividade poderá ser feita de uma maneira mais tranquila e direta.” Segundo as estimativas da SLTI, “mesmo com o porcentual reduzido de implementações em IPv6, mais de um terço dos órgãos já tem previsto em suas contratações do serviço de link de acesso à Internet corporativa a entrega de endereços IPv6 válidos”. O plano também destaca o papel das estatais Serpro, Telebras e Dataprev, indicando que “as empresas parceiras no provimento de serviços de TI para o governo participarão mais ativamente nas três primeiras fases do processo de transição”.

Mesmo tendo estruturas físicas e lógicas internamente preparadas em suas redes locais e aplicações, poucos órgãos têm qualquer tipo de implementação do IPv6. O conhecimento e a qualificação dos profissionais para tratar com o protocolo são incipientes. Quase 90% dos órgãos participantes indicaram não possuir ações concretas abranet.org.br novembro . 2014

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o gargalo da BanDa LarGa FiXa O Brasil EstÁ Em 73º luGar no ranking de conectividade com 198 países, com penetração de banda larga fixa a cada grupo de cem habitantes de 10,1%, atrás do México (70º, com 11,1%), China (59º, com 13,6%), Rússia (50º, com 16,6%) e Uruguai (43ª, com 21,1%), revelou o estudo State of Broadband da União Internacional de Telecomunicações (UIT). O levantamento mostrou que, apesar de o brasileiro ter mais acesso à banda larga móvel, na fixa ainda há um grande gargalo. O estudo apontou ainda que, apesar de o mercado brasileiro estar ligeiramente acima da média de 9,4% entre 190 países, encontra-se muito distante de economias desenvolvidas no topo da lista. Na primeira posição aparece Mônaco, com penetração de 44,7%, seguido de Suíça, com 43%, e Dinamarca, com 40,2%. No recorte de penetração por residências so-

mente de países em desenvolvimento, o Brasil ficou em 34º, com 42,4%, logo atrás da China (43,9%), na 33ª posição. Nesse ranking, Argentina (53,9%) e Uruguai (52,7%) estão em 21º e 22º, respectivamente, enquanto o Chile está em 25º, com 49,6%. O percentual de pessoas que utilizam a Internet (incluindo qualquer tipo de conexão) coloca o Brasil na 74ª posição, com 51,6%, índice semelhante ao de brasileiros conectados com a banda larga móvel. Aqui, o Brasil aparece, mais uma vez, atrás da Rússia (56º, com 61,4%), Argentina (60º, com 59,9%), Uruguai (65º, com 58,1%), Venezuela (68º, com 54,9%) e Colômbia (73º, com 51,7%). A UIT estima que a região da América Latina e Caribe precisará de US$ 340 milhões para instalar redes de próxima geração, que deverão promover a expansão dos serviços de telecom.

Sensores inteligentes levarão internet a

100 BiLHÕes De coneXÕes eM 2025 NO aNO dE 2025, o mundo terá 100 bilhões de conexões,

sendo que sensores inteligentes representarão 90% delas. A projeção foi apresentada pela Huawei em seu estudo chamado Índice Global de Conectividade, que avaliou 25 países e dez indústrias, responsáveis por 78% do PIB global e por 68% da população mundial. O aumento considerável no número de conexões até 2015 está diretamente ligado ao fato de mais empresas estarem na Internet. Ao impulsionar a conectividade, as companhias deixam seus processos mais ágeis, reduzem custos e melhoram a eficiência. É um gatilho para a inovação e faz com que elas movam o foco de uma In-

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ternet de consumo dirigida para uma Internet industrial. “Estar conectado é o novo normal”, enfatizou William Xu, chefe de Estratégia e Marketing da Huawei, durante sua apresentação no evento Huawei Cloud Congress 2014. Ele explicou que a Internet industrial é a base para a conexão entre pessoas e coisas. No entanto, este avanço traz desafios. Do lado de quem demanda a conectividade, há necessidade de uma maior penetração de banda larga móvel e mais aplicativos. Já do lado dos fornecedores, os pontos críticos são a largura de banda e prover acesso a preços acessíveis.


Financiamento com

taXas De 4% em São Paulo

a assOciaçÃO BrasilEira das Empresas de Softwa-

re (Abes) firmou parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a

Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP) para oferecer a linha de crédito MPME Inovadora, criada para apoiar o aumento da competitividade das micro, pequenas e médias empresas que inovam no setor de Tecnologia da Informação em São Paulo. O objetivo é apoiar empresas com características inovadoras e faturamento inferior a R$ 90 milhões no ano. Para entender um pouco mais sobre como esta linha vai funcionar, a Abranet pediu a Jamile Sabatini, diretora de Inovação e Fomento da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), para responder a algumas questões. Confira abaixo.

Abranet: Como funciona esta linha de crédito? Quais são as regras? > O objetivo da linha é apoiar MPMEs (Micro, Pequenas e Médias empresas com faturamento inferior a R$ 90 milhões no ano) inovadoras. > Para que a empresa seja entendida como inovadora, será exigido que ela ou tenha MPS.BR, ou esteja em um Parque Tecnológico, ou tenha recebido investimento de um fundo voltado para empresas inovadoras, ou participe do Sibratec, entre outras alternativas listadas no edital http://www.bndes.gov.br/mpmeinovadora > A taxa de juros é de 4% ao ano até dezembro de 2014. > O prazo de carência está acima do habitual das linhas do BNDES, podendo alcançar 48 meses. > A participação básica é de 90% dos itens financiáveis. > Seu limite máximo é de R$ 10 milhões. > Quanto às garantias reais, demonstramos ao BNDES e ao banco/parceiro regional (no Sul, o BRDE e em São Paulo, a agência Desenvolve SP) a importância deste tema para empresas de base tecnológica. Este assunto será tratado caso a caso pelo banco/parceiro regional. O BNDES está disponibilizando o FGI (Fundo Garantidor para Investimentos) para flexibilizar as garantias reais. > O financiamento é para a empresa e não para um projeto específico. > Um dos itens financiáveis é a própria folha de pagamento voltada à pesquisa e desenvolvimento. Abranet: A linha vale para qual porte de provedor de acesso à Internet (ISP)? Para empresas que faturam até 90 milhões. É importante observar que, caso a empresa pertença a um grupo, será considerado o faturamento do grupo. Abranet: O que o provedor deve fazer para conseguir esta linha? Caso o provedor cumpra as exigências da linha e seja uma empresa inovadora, deve procurar o Desenvolve SP (parceiro regional em São Paulo) para iniciar o processo. Abranet: Vale somente para São Paulo? A linha MPME Inovadora com estas condições é válida para o Estado de São Paulo e para a região Sul do País: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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Furukawa amplia nacionalização de olho

no FinaMe e no cartão BnDes a FuruKaWa EstÁ traBalHaNdO para aumentar o

escopo de equipamentos nacionalizados, com o objetivo de permitir que seus clientes tenham acesso a incentivos governamentais, como o Finame e o cartão BNDES. “As operadoras pequenas precisam de recursos. Com tecnologia nacional, nossos produtos são elegíveis às linhas de financiamento do governo”, explicou o presidente da companhia para a América Latina, Foad Shaikhzadeh. A linha de crédito Finame já contempla cabos de fibra óptica da Furukawa, oferecendo financiamento com taxa de 4% e prazo de 96 meses no limite máximo de R$ 1,5 milhão por beneficiário. De acordo com a empresa, cerca de 150 projetos foram apresentados no BNDES, tendo sido aprovados pouco mais de 40, totalizando 4 mil km de cabos fornecidos. Além dos cabos e componentes já fabricados no Brasil, a Furukawa anunciou que, até o fim de 2015, pretende nacionalizar equipamentos de G-PON e E-PON. Já a produção de cabos multipar (cabo telefônico convencional) será interrompida. A explicação foi o alto número de fabricantes para pouca demanda. “Precisamos de espaço na fábrica para expansão. Nossa aposta é no mundo todo ‘fibrado´.” O grupo japonês também escolheu a América Latina para começar a trabalhar a integração de suas várias tecnologias, com os componentes que asseguram maior velocidade na instalação de fibra óptica. “No Brasil, as condições são estáveis e o volume está crescendo, então, será o primeiro mercado”, destacou o presidente. Sobre a expansão para os países vizinhos, o executivo adiantou que a fábrica na Colômbia, que hoje

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só produz cabos, passará a fabricar acessórios. A Argentina também está em avaliação, mas Shaikhzadeh salientou que o atual momento daquele país não permite fazer investimentos desta natureza.

eXPectatiVas A Furukawa planeja fechar este ano com vendas líquidas de R$ 638 milhões, graças principalmente à exportação. Em 2013, o montante foi de R$ 610 milhões. No plano trienal, contando com a operação plena na Colômbia, a meta é chegar à casa dos R$ 800 milhões com venda líquida no fim de 2017. “Imaginamos que o mercado brasileiro vai voltar a crescer e que a demanda que se reprimiu neste ano vai acontecer no ano que vem, porque ela existe”, comentou Foad Shaikhzadeh. Entre os mercados mais atingidos dentro da Furukawa está o setor elétrico, que representava 15% do volume de cabos ópticos e caiu para 5% em 2014. Mas a expectativa da empresa é que volte ao patamar anterior.

“No Brasil, as condições são estáveis e o volume está crescendo, então, será o primeiro mercado” FoaD sHaikHzaDeH Furukawa

a jornalista roberta Prescott viajou a Foz de iguaçu para cobrir o Broadband Conference trade Show a convite da Furukawa.


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Revista Abranet 11  

Na discussão sobre o que vai prevalecer - fibra óptica ou rádio - na construção das infraestruturas, vence quem souber explorar o que cada t...

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Na discussão sobre o que vai prevalecer - fibra óptica ou rádio - na construção das infraestruturas, vence quem souber explorar o que cada t...