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Casa NASCER

Casa de parto humanizado


issuu.com/cadernostc

Cadernos de TC 2019-1 Expediente

Direção do Curso de Arquitetura e Urbanismo Alexandre Ribeiro Gonçalves, Dr. arq. Corpo Editorial Alexandre Ribeiro Gonçalves, Dr. arq. Rodrigo Santana Alves, M. arq. Simone Buiate Brandão, M. arq. Coordenação de TCC Rodrigo Santana Alves, M. arq. Orientadores de TCC Maíra Teixeira Pereira, Dr. arq. Rodrigo Santana Alves, M. arq. Simone Buiate Brandão, M. arq. Detalhamento de Maquete Volney Rogerio de Lima, E. arq. Seminário de Tecnologia Daniel da Silva Andrade, Dr. arq. Jorge Villavisencio Ordóñez, M. arq. Rodrigo Santana Alves, M. arq. Seminário de Teoria e Crítica Ana Amélia de Paula Moura, M. arq. Maíra Teixeira Pereira, Dr. arq. Pedro Henrique Máximo, M. arq. Rodrigo Santana Alves, M. arq. Expressão Gráfica Madalena Bezerra de Souza, E. arq. Rodrigo Santana Alves, M. arq. Anderson Ferreira de Sousa M. arq. Secretária do Curso Edima Campos Ribeiro de Oliveira (62)3310-6754


Apresentação Este volume faz parte da quinta coleção da revista Cadernos de TC. Uma experiência recente que traz, neste semestre 2018/2, uma versão mais amadurecida dos experimentos nos Ateliês de Projeto Integrado de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo (I, II e III) e demais disciplinas, que acontecem nos últimos três semestres do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de Anápolis (UniEVANGÉLICA). Neste volume, como uma síntese que é, encontram-se experiências pedagógicas que ocorrem, no mínimo, em duas instâncias, sendo a primeira, aquela que faz parte da própria estrutura dos Ateliês, objetivando estabelecer uma metodologia clara de projetação, tanto nas mais variadas escalas do urbano, quanto do edifício; e a segunda, que visa estabelecer uma interdisciplinaridade clara com disciplinas que ocorrem ao longo dos três semestres. Os procedimentos metodológicos procuraram evidenciar, por meio do processo, sete elementos vinculados às respostas dadas às demandas da cidade contemporânea: LUGAR, FORMA, PROGRAMA, CIRCULAÇÃO, ESTRUTURA, MATÉRIA e ESPAÇO. No processo, rico em discussões teóricas e projetuais, trabalhou-se tais elementos como layers, o que possibilitou, para cada projeto, um aprimoramento e compreensão do ato de projetar. Para atingir tal objetivo, dois recursos contemporâneos de projeto foram exaustivamente trabalhados. O diagrama gráfico como síntese da proposta projetual e proposição dos elementos acima citados, e a maquete diagramática, cuja ênfase permitiu a averiguação das intenções de projeto, a fim de atribuir sentido, tanto ao processo, quanto ao produto final.

A preocupação com a cidade ou rede de cidades, em primeiro plano, reorientou as estratégias projetuais. Tal postura parte de uma compreensão de que a apreensão das escalas e sua problematização constante estabelece o projeto de arquitetura e urbanismo como uma manifestação concreta da crítica às realidades encontradas. Já a segunda instância, diz respeito à interdisciplinaridade do Ateliê Projeto Integrado de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo com as disciplinas que contribuíram para que estes resultados fossem alcançados. Como este Ateliê faz parte do tronco estruturante do curso de projeto, a equipe do Ateliê orientou toda a articulação e relações com outras quatro disciplinas que deram suporte às discussões: Seminários de Teoria e Crítica, Seminários de Tecnologia, Expressão Gráfica e Detalhamento de Maquete. Por fim e além do mais, como síntese, este volume representa um trabalho conjunto de todos os professores do curso de Arquitetura e Urbanismo, que contribuíram ao longo da formação destes alunos, aqui apresentados em seus projetos de TC. Esta revista, que também é uma maneira de representação e apresentação contemporânea de projetos, intitulada Cadernos de TC, visa, por meio da exposição de partes importantes do processo, pô-lo em discussão para aprimoramento e enriquecimento do método proposto e dos alunos que serão por vocês avaliados.

Maíra Teixeira Pereira, Dr. arq. Rodrigo Santana Alves, M. arq. Simone Buiate Brandão, M. arq.


Casa NASCER Casa de Parto Humanizado As casas de parto apresentam alternativas para humanização do nascimento o seus benefícios para mãe e filho, suas vantagens para gestação de baixo risco, e também como é possivel ter um parto seguro fora do ambiente hospitalar. Humanizar o parto significa acima de tudo respeitar a fisiologia e os desejos da parturiente, é dar liberdade as suas escolhas e prestar atendimento de acorda com as suas necessidades, significa direcionar toda atenção à mulher e dar-lhe o controle da situação na hora do nascimento.

Ana Caroline de Almeida Orientadora: Simone Buiate Brandão


[f.1]

As casas de parto são locais destinados a prestar um atendimento humanizado, exclusivamente ao parto normal e natural, e que funcionam integradas a um hospital, porém, fora dele. Além do parto são desenvolvidos além do parto, o acompanhamento pré-natal das gestantes, cursos e atividades de apoio as futuras mães, como por exemplo: atividades de orientação para a gestação e parto, auxílio à amamentação, atividades de estímulo ao parto normal, acolhimento e cuidado às mulheres. A humanização é sobretudo sobre o respeito à fisiologia do parto e da mulher, é dar liberdade as escolhas da mãe e prestar atendimento focado em suas necessidades, a gestante que deve escolher onde ter o bebê, qual acompanhante quer ao seu lado na hora do trabalho de parto e no parto, liberdade de movimentação antes do parto e em que posição é melhor na hora do nascimento, direito de ser bem atendida e amamentar na primeira meia hora de vida do bebê.

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Ana Caroline de Almeida


LEGENDAS: [f.1] Capa do documentรกrio O Renascimento do Parto. Fonte: Revista Crescer

Casa NASCER

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A Humanidade e o Parto


Primeiros partos cesáreos são realizados - alta taxa de mortalidade

[f.4]

Hospitalização - novas condutas implantadas sempre visando o conforto do médico, propagação da posição horizontal.

[f.5]

O espaço destinado a maternidade começa a consolidar-se como um desenho, sendo uma das primeiras, o pavilhão de isolamento da maternidade de Paris.

séc. XIX

1875

[f.3]

anterior ao séc. XVI Ao longo da história o procedimento mais frenquente era o deslocamento das parteiras ao domicilio das parturientes, tal prática permaneceu inalterada até meados do séc. XIX.

12

Até o final do sec. XIX- partos eram realizados quase que exclusivamente em domicílio mulheres pobres, indigentes, protitutas e mães solteiras recorriam as santas casas.

O parto passou por muitas transformações durante a história, de assistência domiciliar com as parteiras para o ambiente hospitalar com a figura do médico obstetra, todas essas mudanças ajudaram a construir a forma como o parto é visto hoje, e o movimento de humanização que anda crescendo no país nos últimos tempos. Desde os primórdios dos tempos até o século XVI o ambiente do parto era predominantemente feminino, com a figura da parteira que era responsável pelo parto e a pessoa mais importante nele. Mas com os avanços da humanidade e com a falta de saneamento básico, iniciado principalmente na idade média, o número de mortes de gestantes e neonatais começaram a crescer e com isso a forma de pensar o parto, foi nesse momento que a figura do médico durante esse procedimento começou a ser mais requisitada e com isso a entrada da figura masculina em um ambiente tão fortemente feminino, apartir

Vida do Parto

LEGENDAS: [f.2] Ilustração ultrassom. Fonte: Pinterest [f.3] Parto na antiguidade. Fonte: Google Imagens. [f.4] Instrumentos usados no parto. Fonte: Google Imagens. [f.5] Pavilhão de Isolamento de Paris. Fonte: Arquitetura do Ambiente de Nascer. [f.6] Maternidade Escola. Fonte: UFRJ [f.7] Método de adormecimento completo da mãe. Fonte: Google Imagens. [f.8] Berçario ProMatre. Fonte: Acervo ProMatre. [f.9] Logo Safe motherhood. Fonte: Google Imagens. [f.10] Centro de Parto Normal Hospital Santa Juliana. Fonte: Pro Saúde. [f.11] Logo Rede Cegonha. Fonte: Google Imagens.

final séc. XIX

disso o processo de nascimento começa a ser mudado radicalmente, uma fase que era vista com naturalidade pelo feminino passa a ser tratado como patológico pela visão médica. Nesse contexto o número de intervenções começam a aumentar,são criados instrumentos que facilitariam o procedimento, dando mais rapidez e facilidade ao médico, como por exemplo o uso fórceps e também o corte chamado de episitomia que se acreditava que ajudaria na passagem do bebê. Até a posição mudou, a parturiente passou a ser colocada na posição litotomia - posição horizontal- que facilitava a visão do médico durante o trabalho de parto. No inicio, as primeiras cesarianas eram feitas apenas em situações de emergência e tinham altas taxas de mortalidade materno e neonatal. Com o passar dos anos as intervenções durante o processo do parto ficaram mais rotineiras, acontece a “ameri-

Ana Caroline de Almeida


Nos Estados Unidos começam a surgir estudos e chamam a atenção para os prejuizos maternos e fetais ocasionados pela posição horizontal na hora do parto.

Criação do forcéps pelos irmãos Chamberlen, na Inglaterra Criação da manobra cirúrugica - episitomia pelo médido irlandes Felding Ould

Organizações mundiais criam o Safe Motherhood (Maternidade Segura) busca de uma melhora na assistência obstétrica e a redução das taxas de motarlidade.

Ocorria o adormecimento completo da parturiente e o confinamento completo na sala obstétrica para a realização do procedimento cirúrgico.

1987

1950 [f.6] [f.8]

Michel Odent, cria na França uma casa de parto onde implantou uma sala chamada de “sala de parto institiva”, que se assemelha com um cômodo de uma casa

[f.9]

1974 1930 Aumento considerável no número de hospitais, casas de saúde e maternidades - criação da Pro Matre.

1894

Fundou-se a maternidade, e com isso, o aumenta o numero de médicos que passaram a fazer assistencia ao parto. Maior número de partos hospitalares.

1904

1999

A partir de políticas governamentais, são criadas os CPN (Centros de Parto Normal), também conhecidos como Casas de Parto.

[f.7]

Começa a funcionar a primeira edificação especifica para a função de obstetricia no Brasil, a Maternidade Escola do RJ.

canização” do parto, onde ele passa a ser encarado como linha de montagem, não importandando com o bem-estar materno, a situação no Brasil não foi diferente, onde as maternidades tinham situação precária, faltava leitos, havia intervenções cirurgicas desnecessáreas e condições não compativeis com o preconizado. Apartir de 1970 começam a surgir principalmente na França discussões de como a prática obstétrica é desenvolvida e apartir do surgimento do PSD (parto sem dor), um livro que continha táticas para preparação física e psicologica do parto, movimentos a favor da humanização ganham força, nessa mesma época Miche Odent cria também na França o que seria a primeira casa de parto com ambientes que se assemelham aos de uma residência. Nas décadas seguintes a humanização do parto ganha mais força surge, a cartilha da OMS (Organização Mundial da Saúde) com recomendações para um parto respeitoso.

A taxa recomendável de partos cirúrgicos e o Safe Motherhood , que busca de uma melhora na assistência obstétrica e a redução das taxas de motarlidade. Apesar de toda a mudança que ocorreu mundialmente, no Brasil práticas comuns durante o início do século continuam a ser exercidas. Nos anos 1980 o país e um dos líderes em cesáreas no mundo. Com o intuito de mudar essa cenário o Ministério da Saúde cria programas para a implantação de casas de parto no país e a implementação da Rede Cegonha, de acordo com seu manual é instituída no âmbito do Sistema Único de Saúde, consiste numa rede de cuidados que visa assegurar à mulher o direito ao planejamento reprodutivo e à atenção humanizada à gravidez, ao parto, ao puerpério e ao abortamento, bem como à criança o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e ao desenvolvimento saudáveis. Atualmente o parto humanizado e hospita-

lar é difundido por meio de redes sociais e mídias sociais , com grande púbico voltados para esse meio, mas ainda é um nicho muito pequeno e não popular entre a grande massa, o que reflete na cesária continuar liderando as estatísticas.

1980 Brasil chega a 31% de partos cesáreos, chegando a uma taxa de 75% em hospitais particulares.

2010 Criação da Rede Cegonha, movimento criado com o objetivo de assegurar a humanização da gravidez, do parto e do puerperio de mães brasileiras.

[f.11] [f.10] Casa NASCER

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14

25

2

1

89%

97% PLAMHEG - PLANO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA HOSPITALAR DE GOIÁS - operadora de porte pequeno (2017)

ASSOCIAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS DO FISCO DO ESTADO DE GOIÁS - operadora de porte pequeno (2017)

2

130

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100% CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS EMPREGADOS DO SETOR PÚBLICO DE GOIÁS - operadora de porte pequeno (2017)

89% UNIMED ANÁPOLIS - operadora de porte pequeno (2017)

79

137

7

3 93%

FEDERAÇÃO REGIONAL DAS COOPERATIVAS MÉDICAS UNIMEDS DE GO, TO E DF - operadora de porte médio (2017)

98% UNIMED REGIONAL SUL GOIÁS COOP. DE TRABALHO MÉDICO - operadora de porte

pequeno (2017)

[t.1]

Parto Normal

[f.12]

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Ana Caroline de Almeida Ana Caroline de Almeida

Parto Cesariana

Taxa de Parto Cesáreo


Problemáticas

LEGENDAS: [f.12] Marcha pela humanização do parto em São Paulo. Fonte: Flickr. [t.1] tabela porcentagem de parto cesáreo por plano de saúde em Goiás. Fonte: Agência Nacional de Saúde.

A OMS (Organização Mundial da Saúde), desde de 1985, considera ideal que 15% dos partos realizados sejam cesáreas. No Brasil, atualmente 55% dos bebes nascem por via cirúrgica, sendo que na rede privada esse número já está próximo a 90%. O país sempre está entre os que mais realizam cesáreas no mundo. Apesar do custo do parto normal ser inferior à cesárea, seu procedimento é mais demorado, o que leva a indução de familiares e médicos para a gestante recorrer a meios cirúrgicos. Segundo o Ministério da Saúde é obrigatório a conscientização prévia da gestante sobre os riscos da cesárea, o que é inibido na prática. Em uma pesquisa feita pela Nascer no Brasil, inquérito nacional sobre parto e nascimento coordenação da Escola Nacional de Saúde Pública e Fiocruz de 2010, 25% das mulheres que fizeram parto normal sofreram de violência obstétrica, dentre elas 91,7% deram à luz deitada de costas o que torna a expulsão mais difícil, 74,8% não puderam se alimentar durante o trabalho de parto, 53,5% sofreram episiotomia - um corte na região do períneo e 36,1% sofreram empurrões na barriga para forçar a saída do bebe.

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A mesma pesquisa ainda mostra como muitas gestantes são lesadas pelos seus médicos e não conseguem ter seu parto de acordo com o seu desejo, cerca 70% das mulheres preferiram o parto normal no início da gravidez, mas apenas 59% tiveram o seu direito previsto por lei, e na rede privada esse número cai para 15%. Em uma tentativa de diminuir o número de cesáreas, o Ministério da Saúde adotou uma série de diretrizes que em tese deveria valer em todo o país, visando o respeito as gestantes dando a elas o poder da escolha, do local, métodos e plano de como ocorreria o parto e sua supervisão total sobre como vai ser o procedimento para que práticas sem o seu consentimento não seja efetuada. Com isso, notou-se uma diminuição de 1,5% de procedimentos cirúrgicos em 2014, isso graças a implementação da Rede Cegonha, um resultado mínimo ainda assim satisfatório para um país onde o parto humanizado é cercado de mitos. Em Goiás, pela rede privada de saúde, as porcentagens de parto chegam a níveis exorbitantes, de acordo com a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), os planos de saúde da região tem em média uma taxa de 90% de partos cesáreos, conforme as tabelas de 01 a 06:

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LEGENDAS: [f.13] - [f.15] Ambientes da Maternidade Dr. Adalberto Perereira da Silva. Fonte: Rede Social da Maternidade Dr. Adalberto da Silva [nota.1] Não foi possivel colocar mais dados sobre o parto em Anápolis pela dificuldade de acesso a eles. [t.2] Dados sobre o parto em Anápolis na rede pública dos anos de 2008 a 2017 . Fonte: DATASUS.

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Ana Caroline de Almeida


Em Anápolis pelo SUS (Sistema Único de Saúde), percebe-se uma dinâmica diferente, de acordo com DATASUS - Tecnologia da Informação a Serviço do SUS o recorte de 2008 à 2017, a quantidade de parto normal é acima da taxa de partos cesáreas, percebe-se nas tabelas de 07 a 10 que apesar do parto cesário ser mais diseminado entre as gestantes a busca por parto normal é maior e seu custo é mais acessivel ao estado por diversos fatores: pela permanência ser menor, por não usar o centro cirúrgico, por não precisar da figura do anestesista, entre outros. Pode-se perceber também que no município, o número de óbitos por parto normal caiu quase pela metade em relação a cesária, a prática da naturalização do nascimento tem benefícios tanto sociais quanto econômicos. Porém, apesar da busca a realização de fato não ocorre sempre de acordo com o desejo da parturiente por negligências médicas ou falta de estrutura. A maternidade filantrópica Dr. Adalberto Pereira da Silva, é a de maior relevância para a realização de partos normais para Anápolis e região. A maternidade, que foi inaugurada em 1961, tem o dobro de partos normais em relações aos de via cirúrgica, no período de 2008 à 2017 foram 7690 internações para nascimento normal contra 2834 para cesarianas, contudo o ambiente é desagradável, as instalações são antigas, os quartos de parto não possuem estrutura necessária para o parto normal e falta a figura da doula – assistente de parto que dá suporte a mãe antes e durante o trabalho de parto, muito importante para o sucesso do parto com o mínimo de intervenções desnecessárias¹.

38%

61% ÓBITOS

45%

54% DIAS DE PERMANÊNCIA

49%

50% VALORES DOS SERVIÇOS HOSPITALARES

52%

47% INTERNAÇÕES [t.2]

Parto Normal

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Parto Cesariana

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Ana Caroline de Almeida


LEGENDAS: [f.16] - [f.19] Ensaio sobre violência obstétrica. Fonte: Carla Raiter [f.20] Ilustração do Birth project. Fonte: Amanda Greavette

Justificativa

Na busca em propiciar um lugar de acolhimento para gestantes nos períodos de pré-parto, parto e pós-parto, onde o nascimento fosse assistido de forma humanizada, respeitosa e fora do ambiente hospitalar, a casa de parto foi o melhor caminho. De acordo com a resolução da COFEN nº 0516/2016: o Centro de Parto Normal e/ou Casa de Parto destinam-se à assistência ao parto e nascimento de risco habitual, conduzido pelo enfermeiro, enfermeiro obstetra ou obstetriz, da admissão até a alta. Deverão atuar de forma integrada às Redes de Atenção à Saúde, garantindo atendimento integral e de qualidade, baseado em evidências científicas e humanizado, às mulheres, seus recém-nascidos e familiares e/ou acompanhantes. A Federação Internacional de Ginecologistas e Obstetras (FIGO) recomenda que "uma mulher deve dar à luz num local onde se sinta segura, e no nível mais periférico onde a assistência adequada for viável e segura”, sendo assim a casa de parto se torna uma opção para mães com baixo risco gestacional. Mas o que seria a humanização do parto? Segundo a Política Nacional de Humanização (PNH), conceitua-se a humanização como a valorização do sujeito implicado no processo de produção de saúde, enfatizando: a autonomia, o protagonismo desses sujeitos e o estabelecimento de vínculos solidários. O modelo privilegia o bem-estar da parturiente e de seu bebê, buscando ser o menos invasivo possível, considerando tanto os processos fisiológicos, quanto os psicológicos e o contexto sóciocultural. Faz uso da tecnologia de forma apropriada, sendo que a assistências e caracteriza pelo acompanhamento contínuo do processo de parturição. Nessa concepção, além dos hospitais, o parto tanto pode ocorrer em casas de parto ou ambulatórios, sendo que se reservam os hospitais para casos em que comprovadamente são esperadas complicações, de forma a reduzir o tempo de transferência do setor de partos normais

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para o de partos cirúrgicos. Na rede pública (SUS), a busca por parto normal supera cesarias, ainda assim é difundida o parto cesario como algo mais rápido e seguro. De acordo com observações da tabela 2, o número de óbitos e permanência para usuarias que concretizam o parto normal é de maneira mais rapida dos que feita com procedimentos cirúrgicos. Segundo Bitencourt (2014), em uma entrevista a revista CRESCER: “A arquitetura tem importância estratégica para o parto. O ambiente atua como encorajador. Como ficar em um quarto branco e frio, sem nenhum estímulo? É preciso temperatura adequada, proteção acústica e luminosidade confortável”, assim a casa de parto se torna ambiente ideal para realização de nascimentos de baixo risco, pois o ambiente de parto se iguala a um quarto de hotel, e fica longe do ambiente hostil e desagradável dos quartos hospitalares. A humanização dos ambientes é extremamente importante para o bom desenvolvimento do parto. Lugares em que há predominância da iluminação natural e em que possa haver o controle dessa iluminação, contato com a natureza, possibilidade de locomoção das mães em trabalho de parto, dentre tantos outros fatores ajudam no processo de parto e permitem que a criança nasça em um ambiente sem tantas agressões. Como diz o arquiteto João Filgueiras Lima (Lelé) (2004): “Ninguém se cura somente da dor física, tem de curar a dor espiritual também. Acho que os cen-tros de saúde que temos feito provam ser possível existir um hospital mais humano, sem abrir mão da funcionalidade. Passamos a pensar a funcionalidade como uma palavra mais abrangente: é funcional criar ambientes em que o paciente esteja à vontade, que possibilitem sua cura psíquica. Porque a beleza pode não alimentar a barriga, mas alimenta o espírito”

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Local de Nascimento


BR -1 53

N BRA AV. BR NO ASIL RTE

SÍLIA

AV. BRAS SUL

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GO - 330

0km

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[f.22]

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2km

5km


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VILA SANTA MARIA DE NAZARETH 2 1

A Localização

6

SETOR CENTRAL 5

2

4

3

BAIRRO JUNDIAÍ

O projeto localiza-se na cidade de Anápolis, Goiás, a 53 quilômetros de Goiânia, capital do estado e a cerca de 150 quilômetros de Brasília, capital do país. Conforme o Termo De Compromisso Para Efetivação do Protocolo Assistencial de Saúde Materno Infantil do Município de Anápolis- GO em 2015, em casos de gestação de alto risco a parturiente é transferida à Santa Casa de Misericórdia de Anápolis. Além disso também está de fácil acesso ao Hospital Evangélico Goiano que conta com uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal que fornece toda a segurança para as mães e seus bebês e tem se tornado referência no estado nesse quesito. Assim a casa de parto estará relacionada a esse hospital. De acordo com a Portaria nº 11, de 7 de janeiro de 2015, as casas de parto, ou centros de parto normal (CPN), devem localizar-se até 20 minutos das imediações do estabelecimento hospitalar. Sendo assim, foi considerado o terreno da Av. Santos Dumont com a Av. Professora Zenaide Roriz, no Bairro Jundiaí. Ele é marcado por quatro avenidas, sendo a Avenida Santos Dumont, que se localiza na frente do terreno a maior geradora de ruído, principalmente pelo fato dela dar acesso à Santa Casa e a vários comércios da região.

VILA GÓIS

Legenda:

BAIRRO JK BAIRRO JUNDIAÍ INDUSTRIAL

[f.23]

0m

25

100m 200m

500m

1 2 3 4 5 6

Hospital Evangélico Goiano Maternidade Dr. Adalberto Perereira Maternidade Matermaria Santa Casa de Misericórdia de Anápolis Hospital Nossa Senhora Aparecida Hospital da Criança de Anápolis Avenida Brasil Limite bairro Jundiaí 25


N

1

[f.25]

2

[f.26]

[f.27]

8

4

[f.28]

2 4

3

5

1

3

7

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[f.29]

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6

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100m

200m

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Ana Caroline de Almeida


Legenda:

O Bairro

O bairro Jundiaí surgiu na década de 1940, resultado do aumento populacional de Anápolis e com o objetivo de sanar o déficit habitacional da época criado principalmente depois da criação de Goiânia e pela contigência de pessoas se mudando para Goiás. Possui localização estratégica, estando ao leste do setor central e é cortato por importantes vias, como a Avenida São Francisco, Avenida Santos Dumont, Avenida Mato Grosso e Avenida Minas Gerais, tem fácil acesso e conexão rápida as principais centralidades do município, esse fator aliado a uma completa rede de infraestrutura o transformou em um bairro elitizado. O setor pelo seu desenvolvimento histórico tem forte caráter residencial e apresenta em seus espaços publicos grande parte dos eventos culturais e de lazer da cidade, acontecendo eles na Praça Dom Emanuel e no Parque Ambiental Ipiranga. Nele se localiza um dos maiores hospitais da cidade a Santa Casa de Misericórdia de Anápolis, criando entre o bairro e o setor central um eixo hospitalar com clínicas, consultórios médicos e odontológicos e laboratórios. O desenvolvimento do local foi pautado em sua especialização na area da saúde. Nesse caso, a casa de parto será implantada nesse contexto, as parturientes terão mais equipamentos hospitalares de suporte, sendo assim mesmo em casos de emergência, o entorno é estruturado para que não haja risco de vida para mãe e filho.

LEGENDAS: [f.21] Ilustração de uma gestante. Fonte: Pinterest. [f.22] Mapa de Anápolis. Fonte: Autoral. [f.23] Mapa dos hospitais de Anápolis. Fonte: Autoral. [f.24] Mapa da região, próxima ao bairro Jundiaí. Fonte: Autoral [f.25] Santa Casa de Misericórdia. Fonte: Google Imagens [f.26] Centro Radiológico de Anápolis. Fonte: [f.27] Igreja São Francisco. Fonte: Google Imagens. [f.28] Materbaby, Clínica Pediátrica. Fonte: Google Imagens. [f.29] Clínica Popular de Saúde. Fonte: Google Imagens. [f.30] Parque Ambiental Ipiranga. Fonte: Skyscaper City. [f.31] SESC. Fonte: Google Imagens [f.32] Praça Dom Manuel. Fonte: Skyscaper City.

Terreno Avenida Brasil Hidrografia Area de Prevervação Permanente Manchas de poluição sonora Limite bairro Jundiaí

Casa de Parto Humanizado

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N

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Av. Santos Dumont

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[f.33] 0m 10m 20m

RESIDENCIAL

INSTITUCIONAL

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COMERCIAL

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[f.34]

0m 10m 20m

50m


O terreno conta com uma massa vegetativa intensa ao sul, onde se encontra o Mosteiro Santa Clara e outra localizada na praça Badia Daher, além disso ao lado do terreno há um curso d’água que faz parte da zona de APP, de acordo com o plano diretor deve-se ter uma distância de 30 metros para cursos d’água de menos de 10 metros de largura, sendo assim, essa area será resflorestada. A ideia de criar a casa de parto próxima a essa area de interesse ambiental cria um microclima, além de enfatizar a experiência de refugio e instrospecção que é o parto. A restauração da APP ajudará a repor a massa vegetativa que foi degradada durante os anos. Outro ponto é que a topografia do local possui baixa declividade, auxiliando no tipo de programa que será implatado nele, proporcionando uma maior acessibilidade.

Aspectos Naturais

Uso do Solo

O entorno é marcado pela presença de residências, comércios locais e pequenas clínicas particulares, o que torna o lugar privilegiado por estar longe do foco de ruído que acontece no bairro pela quantidade de comércios e barzinhos que funcionam em horário noturno. O principal foco de ruído se dará principalmente pela avenida Santos Dumont e pela presença do Colégio Galileu, mas apenas em horários de pico durante o dia. O entorno é marcado pela predominância de edificações de um ou dois pavimentos e por grande parte estar edificada, tendo alguns edifícios com mais de dez pavimentos que se destacam na paisagem. Atualmente, o terreno onde irá ocorrer a intervenção não é edificado, funcionando apenas como espaço para outdoors.

LEGENDAS: [f.33] Mapa de uso do solo. Fonte: Autoral [f.34] Mapa de aspectos naturais. Fonte: Autoral [f.35] Foto do terreno. Fonte: Arquivo Pessoal.


Como Nascer


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[f.37]

Ana Caroline de Almeida


LEGENDAS: [f.36] Pintura de um parto. Fonte: Amanda Greavette [f.37] Gráfico distribuição do programa. Fonte: Autoral. [f.38] Area total de cada parte da distribuição do edificio. Fonte: Autoral

BLOCO 01 AREA= 273m²

BLOCO 02

BLOCO 03 AREA= 614m²

O Programa

AREA= 120m²

O programa foi desenvolido a partir das orientações para elaboração de projetos de CPN (Centro de Parto Normal) da Rede Cegonha, de 2013. Ele foi dividido de acordo com os dois tipos de necessidades: social e hospitalar, cada um agrupado de acordo com sua primordialidade, sendo segmentado em três bloco, sendo eles: O bloco azul tendo função de acolhimento e atendimentos das parturientes, das recém mães e a administração da casa de parto. O bloco amarelo tem função social composto pelas salas multiuso, locais onde as futuras mães podem ter cursos, palestras e oficinas que ajudarão no parto e pós parto. O bloco rosa é direcionado a ala exclusivamente hospitalar englobando suítes de parto e todo o programa que dê suporte a elas. Todo o programa é ligado pelo pátio interno, em vermelho, que servirá como espaço de convivência, protegido e privativo, dando mais segurança para as usuárias do lugar.

PÁTIO INTERNO AREA= 248m²

[f.38]

Casa NASCER

33


+ Insolação

Maior número de

Maior

e Roriz

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númer a

+ Privado

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cias

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o - Insolaçã - Ruidos

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[f.39]

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+ Público

Av. Santos Dumo

+ Ruidos


A Setorização

LEGENDAS: [f.39] Diagrama distribuição do programa apartir das características do terreno. Fonte: Autoral.

Casa NASCER

A partir dos elementos levantados no terreno em relação aos seus aspectos de maior e menor interesse, foi feito a divisão do programa. Priorizando que na parte hospitalar houvesse maior conforto térmico e acústico ela foi organizada na parte sul-leste do terreno valorizando a vista da area de preservação permantente que serve de paisagem às suites de parto, enquanto a parte social foi implantada na parte mais ao norte-oeste, onde recebe maior insolação e ruidos por ser uma área de uso diversos e rotativa que não foca na permanência. Foi feito de forma a criar dois tipos de circulação, uma como uma circulação mais lenta, onde os usuários tem acesso a todo edificio, ele é usado principalmente pelas gestantes, e outra como uma circulação rápida,para mulheres em trabalho de parto ativo e onde em casos de emergência a parturiente terá acesso direto à ambulância. A forma como foi dividido os blocos também permite um acesso para saída de lixo e carga e descarga de materiais independente dos outros. Dessa forma criando dois acessos distintos, um social e outro de funcionários/ hospitalar.

35


[f.40]

36

pa

sal c e espera d a ivênc v n o

o s u i lt rio u m eitó

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s e sala de exa m .

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m e e r e g d ê a ncia d í a S

LEGENDAS: [f.40] Diagrama de circulação. Fonte: Autoral. [f.41]-[f.44] Desenvolvimento da forma. Fonte: Autoral.

e d

Ana Caroline de Almeida


sal co a

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Pát io

nterno I o

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Pát i

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[f.41]

s

s e uit

A partir da divisão feita da circulação no terreno, foi feita uma separação em blocos

[f.43]

[f.42]

Junção dos blocos, criando um centro como pátio interno

Maior separação dos blocos pela circulação criando mais pátios internos.

Casa NASCER

[f.44]

Adição de uma cobertura circular que une os blocos e cria uma maior sensação de acolhimento no centro do edificio

37


A cobertura faz releitura dos telhados comuns em residências.

Entrada do edifício, destinado a parte de consultas e administração, tendo assim uma baixa permanência.

Destinado a parte de convivência, inclui espaços para palestras, cursos e oficinas e o refeitório, tendo média permanência.

O pátio interno, intrega os três blocos da edificação, a convivência do edifício é um local aberto mas protegido para as gestantes.

Destinada a parte hospitalar da edificação, onde ocorrerá os partos e a parte para os profissionais que farão assistência ao parto, assim sendo um local de longa permanência.

[f.45]

38

Ana Caroline de Almeida


A Forma

LEGENDAS: [f.45] Diagrama. Fonte: Autoral

Casa NASCER

A forma do edifício segue principalmente a divisão do programa e como ele se relacionaria melhor em cada parte do terreno, para isso foram criadas duas lâminas que se ramificam apartir do uso, uma para o social e outra para o hospitalar. A fisionomia curva das lâminas cria uma sensação de proteção do edifício ao ambiente externo criando um centro acolhedor, privativo, materno, dando o ideal do que seriam as casas pátio. Além disso, assim elas se moldam melhor ao terreno que é afilado pela presença da APP. Contribui também pelo lugar ter apenas uma entrada, a criação de uma fachada curva permite dois acessos, um para o usuário e outro para funcionários e ambulância, tal como uma diversidade de possibilidades nas aberturas. Como diz Luis Augusto dos Reis Alves, o pátio interno é um espaço seguro que se relaciona com a natureza, sua construção é a de um lugar protegido e relacional, este conceito remete à imagem da mãe ao conter o seu filho no aconchego de seus braços, junto ao calor de seu corpo, por esse motivo os pátios internos podem ser relacionados ao abraço materno. A cobertura seguindo a forma do edifício, une os pátios e cria uma circulação sem barreiras físicas, ademais ela cria pés direitos diferentes que auxiliam a criar ambientes mais públicos e abertos, e ambientes que precisam ser mais reservados e fechados. Ela faz uma releitura das casas de duas águas tão comuns não só no entorno, mas na skyline da cidade. Deixa mais evidente a transformação do ambiente hospitalar em um ambiente mais familiar, relembra o conforto da nossa própria casa.

39


[f.46]


O Nascimento


[f.47]


LEGENDAS: [f.46] Ilustração de um bebê. Fonte: Pinterest. [f.47] Foto da maquete física do projeto. Fonte: Arquivo Pessoal.


[f.48]

[f.49]

44

Ana Caroline de Almeida


N

B 22 22 4

A

5

3

6 19

21

19

2

13 2 19 1

13 1

20

20

18

14

18

01 SALAS DE EXAME 02 ASSISTENCIA AO RECÉM NASCIDO 02 ASSISTENCIA AO PÓS PARTO 03 RECEPÇÃO 04 ADMINISTRAÇÃO 04 TRIAGEM 04 ACOLHIMENTO 05 SALA DE ESPERA 06 COPA 07 REFEITÓRIO 08 SALAS MULTIUSO 09 PÁTIO INTERNO 10 SUITE DE PARTO 11 TERRAÇO 12 SALA DE PLANTÃO 13 ACOMODAÇÃO PLANTONISTA 14 ALMOXARIFADO 15 POSTO DE ENFERMAGEM 16 SALA DE SERVIÇOS 17 SALA DE EXPURGO 18 ROUPARIA 19 SANITÁRIOS 20 D.M.L 21 ESTACIONAMENTO 22 DEPÓSITO DE LIXO 23 GASES MEDICINAIS 24 GERADOR

8

15 17 7 19

16

10

19

11

A 10

C IA

11

ÊN G EM A

DE

11 10

Piso drenante de concreto 20x10cm Piso porcelanato Terrazo decor 62x112cm

11

10

Piso de concreto aparente na azul Piso de concreto aparente na cor natural

10

ER

24

SA ÍD

Porcelanato externo 50x50cm cement

11

B

Planta da Edificação

9

20

O DE LIX A SAÍDA SCARG A E DE

1

CARG

19

12

120

Deck de porcelanato de madeira magnolia 20x120cm

23 Pisograma de concreto [f.50]


Planta de Cobertura

N

46 [f.51]


[f.52] Casa de Parto Humanizado

47


LEGENDAS: [f.48]-[f.49] Perspectiva do projeto. Fonte: Autoral. [f.50] Planta da edificação. Fonte: Autoral. [f.51] Planta de Cobertura. Fonte: Autoral. [f.52] Foto perspectiva maquete física. Fonte: Autoral [f.53] Diagrama de estrutura. Fonte: Autoral [f.54] Detalhamento da estrutura do telhado. Fonte: Autoral. [f.55] Corte A. Fonte: Autoral.

1

2

3

4

1

Telhado

2 3 4 5 6

Madeiramento e Tesoura

5

Viga de aço em  40x15cm Laje de alvenaria Pilar de aço em  15x15cm Viga Baldrame 30cm

6 [f.53]

[f.55]


1

Estrutura

A estrutura do projeto se dá pelo uso de pilares de aço em perfil formato I com dimensões de 15 por 15 centímetros, que pelo formato delgado ficam escondidos na vedação do edifício. A estrutura metálica permite maior flexibilidade, com grandes vãos e formas mais esbeltas, além de diminuir o tempo de obra não causar tanto resíduos como em estruturas convencionais e descarregar menos peso na fundação. Dessa forma, o pilar de estrutura metálica é o mais indicado para sustentar o peso da complexa cobertura do edifício. Para estruturar a cobertura usa-se a tesoura em madeira garapeira, as tesouras são uma montagem de várias peças formando uma estrutura rígida, geralmente de forma triangular,elas são capazes de suportar cargas sobre vãos moderadamente grandes, sem suporte intermediário, funcionando também como elemento estético quando aparente como no caso do edifício.

2 4

3

8

5

9

6 10

7 [f.54]

1

Telha Isotelha Trapezoidal Isoeste 30mm

6

Parafuso Cimentícia 3,9 x 32mm Brocante

2

Barrote de Madeira Garapeira, envernizado com verniz marítimo

7

Chapa cimentícia fixada com parafuso

3

Caibro de Madeira Garapeira, envernizado com verniz marítimo

8

Vedação Interna em Drywall acústico

4

Forro Externo em Concreto Branco

9

Viga de aço em , 40x15cm de dimensão

5

Revestimento de placa cimentícia branco

10

Pilar em aço em  15x15cm de dimensão


Telha Isotelha Trapezoidal Isoeste 30mm Forro Externo em Concreto Branco Estrutura do Telhado em Madeira Garapeira Haste Metálica em Aço Galvanizado para Tensionamento dos Cabos Pilar metálico em I com Dimensões 15x15cm Placa cimentícia branca de 300x120cm e espessura de 10mm Reservátorio de Água com capacidade de 3000 litros Tubo de PCV de 30mm de diâmetro Laje de Steel Deck Cabo de Aço 3/32 Galvanizado Tepradeira “Jardim dos Poetas” (Jasminium polyanthum) Forro de Gesso Acartonado com espessura de 3mm Esquadria de Alúminio Preto

Corte Pele

Vidro Translúcido Azul 5mm Pingadeira de mármore Branco Ceará 30mm Piso Vinílico 2mm

[f.56]

50

[f.57]


Trepadeira “Jardim dos Poetas”

Placa Cimentícia

Por abrigar a parturiente em um momento único, foi buscado referências nas casas tradicionais onde vemos, estrutura de madeira para sustentar a cobertura e telhado de duas águas, ao usar esses elementos nos aproximamos mais do ambiente domiciliar. Pensado nisso, a estrutura aparente da cobertura é em madeira garapeira, deixando em evidência as inclinações da cobertura no pé direito. As aberturas em ambientes mais públicos segue a forma do edifício e acompanha o alto pé direito, trazendo muita luz para dentro do edifício, em ambientes mais privados, segue uma linha padrão mais baixa e discreta, quando necessário tem-se trepadeiras em frente as janelas que trazem maior privacidade. Na busca de um revestimento que se adequasse e fizesse jus ao modelo projetual de um local seguro foi utilizada estrutura pré fabricada chamada de placas cimentícias, leve e estrutural cria uma fachada firme e termicamente interessante. Seu uso sem tinturas busca no principio puro do revestimento sua conexão com as antigas casas em chapisco exposto, uma arquitetura direta e com a intenção de abrigar uma familia em um local seguro e quente, assim como a casa de parto é vista por aqueles que desejam um local mais aconchegante e acolhedor, sua dualidade com o vidro na fachada principal busca remeter que ao mesmo tempo ela é confortavel e fechada como um abraço, ela também esta aberta para novos usuários

Esquadria de Alumínio Preto

Vidro Translúcido Azul 5mm

Revestimento de Placa Cimentícia Branca

[f.59]

Materialidade

Parafuso Cimentícia 3,9 x 32mm Brocante Pilar de Aço 15x15cm

[f.60]

Argamassa Colante AC-II

[f.58]

[f.60]

Chapa Cimentícia fixada com Parafuso

Casa de Parto Humanizado

51


PIA HIGIENIZAÇÃO DO RECÉM NASCIDO bancada de apoio com cuba profunda para higienização do recém nascido

ENTRADA - porta com 150cm de largura para a passagem da maca em caso de emergência.

LAVABO - separado e com a instalação das barras de segurança.

CHUVEIRO - ajuda a ter um banho relaxante, provoca uma vasodilatação periférica

BANHEIRA DE HIDROMASSAGEM - a banheira de hidromasssagem promove banho de imersão que promove relaxamento muscular [f.61]

BOLA DE BOBAT - a bola auxilia a diminuir tensão na musculatura pélvica MESA PARA REFEIÇÕES

[f.62]

[f.63]

Detalhamento Suíte de Parto

BANQUETA DE PARTO - a banqueta auxilia o aumento da dilatação e facilita a descida do bebê no parto e diminuição da dor

CAMA - cama regulável, PPP (pré parto, parto e pós parto) usada durante e depois do trabalho de parto

BERÇO DO RECÉM NASCIDO

TERRAÇO - funciona como espaço de ambulação individual para cada parturiente, ajuda a aumentar o contato com a area verde

[f.64]

Ana Caroline de Almeida


Luminárias Espaço acompanhante

Ar Comprimido Óxido Nitroso Vácuo Oxigênio

Ponto de Elétrica Bancada de atedimento ao recém nascido, contendo balança do recém nascido, extrator de muco, bolsa ambu neonatal e dispositivo de aspiração.

[f.65]

[f.66]

Pia de higienização das mãos

Banheira de Hidromassagem com recirculação de água e higienização da tubulação. Altura de 40cm e 100cm de largura.

Chuveiro integrado ao quarto,com a instalação da barra de segurança. Proporciona mais facilidade na assitência, quando ele for usado como recurso de alívio da dor.

Casa de Parto Humanizado

A escada de Ling promove exercício de alogamento e relaxamento

53


ANS - AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Taxas de partos cesáreos por operadora de plano de saúde. Disponível em: <http://www.ans.gov.br/planos-de-saude-e-operadoras/informac o es-e-avaliacoes-de-operadoras/taxas-de-partos-cesareos-por-operadora-de-plano-de-saude>. Acesso em 27 de fevereiro de 2018. AMORIM, Melania Maria Ramos de. Estudando Casas de Parto e o modelo de atenção obstétrica promo-vido por enfermeiros-obstetras e obstetrizes: reflexões sobre a postura do CFM e subsídios para o deba-te com a sociedade. Disponível em: <http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/10/estudando-casas-de-parto-e-o-modelo-de.html> Acesso em 06 de março de 2018. BARRO, Maria Virginia. Centro de parto normal humanizado: Projeto arquitetônico de Unidade de referência com ênfase na valorização. Belo Horizonte: "Associação Educativa Evangélica - Curso de Especialização em Arquitetura", 2009. BRASIL. Ministério da Saúde. Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS - a Rede Cegonha. Portaria nº 1.459, de 24 de junho de 2011. BITENCOURT, Fábio et COSTA, Maria Tereza F. da. A arquitetura do ambiente de nascer: aspectos históricos. Revista DISSERTAR, Ano II, nº 5, issn 1676-0867, julhodezembro/2003. COELHO, Guilherme. A Arquitetura e a Assistência ao Parto e Nascimento. 144f. Tese de Mestrado. Universidade Federal do Rio de Janeiro Rio de Janeiro,2003. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Normatiza a atuação e a responsabilidade do Enfermeiro, Enfer-meiro Obstetra e Obstetriz na assistência às gestantes, parturientes, puérperas e recém-nascidos nos Ser-viços de Obstetrícia, Centros de Parto Normal e/ou Casas de Parto e outros locais onde ocorra essa assis-tência; estabelece critérios para registro de títulos de Enfermeiro Obstetra e Obstetriz no âmbito do Siste-ma Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem, e dá outras providências. Resolução n. 516, de 24 de ju-nho de 2016, Brasília. FIGO. Recommendations accepted by the General Assembly at the XIII World Congress of Gynecology and Obstetrics [Internet]. International Journal of Gynecology and Obstetrics 1992;38(Supplement):S79-S80. Disponível em: http://www.ijgo.org/article/0020-7292(92)90037-J/pdf. Acesso em 06 de março de 2018. MINISTÉRIO DA SAÚDE. DATASUS - Tecnologia da Informação a Serviço do SUS. Disponível em: <http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sih/cnv/qiGO.def>. Acesso em 13 de março de 2018. MOTT, Maria Lucia. Assistência ao Parto: do Domicílio ao Hospital (1830-1960). São Paulo, 2002. O RENASCIMENTO do parto. Produção Eduardo Chauvet: Bretz Filmes, 2013. DVD (90 minutos) ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (2015). Declaração da OMS sobre Taxas de Cesáreas. Genebra. PARTO, DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA ÀS BOAS PRÁTICAS. Produção Bia Fioretti : VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz, 2014. DVD (20 minutos). REIS-ALVES, Luiz Augusto dos. “O que é o pátio interno? – parte 1”. Arquitextos, Texto Especial nº 322. São Paulo, Portal Vitruvius, ago. 2005 <www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp322.asp>. Acesso em 10 de maio de 2018. SECRETÁRIA MUNICIPAL DE SAÚDE. Termo de Compromisso para Efetivação do Protocolo Assistencial de Atenção a Saúde Materno Infantil do Município de Anápolis, GO. 2015. VIERIA, Maria Clara. Ambiente hospitalar? Nada disso. Conheça as vantagens das casas de parto. Revista CRESCER. Disponível em: <https://revistacrescer.globo.com/Gravidez/Planejando-a- gravidez/noticia/2014/09/ambiente-hospitalar-nada-disso- conheca-casas-de-parto.html> Acesso em 25 de fevereiro de 2018.

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Ana Caroline de Almeida


LEGENDAS: [f.56] Corte pele. Fonte: Autoral. [f.57] Corte B. Fonte: Autoral. [f.58] Detalhamento da fachada ventilada. Fonte: Autoral [f.59] Materialidade. Fonte: Autoral. [f.60] Perspectiva fachada. Fonte: Autoral. [f.61]-[f.63] Perspectivas da suíte de parto. Fonte: Autoral. [f.64] Planta da suíte de parto. Fonte: Autoral. [f.65]-[f.66] Vistas da suíte de parto. Fonte: Autoral. [f.67] Perspectiva do projeto. Fonte: Autoral.

Casa de Parto Humanizado

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Casa NASCER |Ana Caroline de Almeida| UniEVANGÉLICA  

As casas de parto são locais destinados a prestar um atendimento humanizado, exclusivamente ao parto normal e natural, e que funcionam integ...

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As casas de parto são locais destinados a prestar um atendimento humanizado, exclusivamente ao parto normal e natural, e que funcionam integ...

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