BdF PE - Ed. 84

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PERNAMBUCO l 8 CULTURA | 13

ENTREVISTA | 11 Wagner Moura Aurélio Velho

Carnaval e política, o bloco se prepara para mais um ano de folia, pelas ladeiras de Olinda

José Eduardo Bernardes

Acho é Pouco

O filme “Marighella”, sobre o comunista baiano, estreia no festival de Berlim

PE

Pernambuco

Recife, 08 a 14 de fevereiro de 2019

ano 3

edição 84

distribuição gratuita AVN

Quanto VALE o São Francisco?

OPINIÃO |05 Alexandre Pires

O aumento da fome e o desafio de produzir alimentos no Brasil

MUNDO |07 Conflito

Oito razões pelas quais os EUA perseguem o governo da Venezuela

CIDADES |10 Frei Caneca

A rádio pública do Recife estreia novos programas


Recife, 08 a 14 de fevereiro de 2019

2 | OPINIÃO

EDITORIAL

Brasil de Fato PE

A Venezuela resiste

ATAQUES. A luta antiimperialista é árdua e exige de nós uma enorme solidariedade ao povo venezuelano

No dia 2 de fevereiro comemorou-se os 20 anos da posse de Hugo Chávez

A

s eleições de 2018 e a fatídica vitória de Jair Bolsonaro (PSL) foi um marco na ascensão conservadora que vem se alastrando por toda a América Latina e pelo mundo. Desde os golpes em Honduras, Paraguai e, finalmente, no Brasil é sentido que as forças neoliberais e imperialistas voltaram a se organizar na tentativa de desestabilizar o que ficou conhecido como o “cinturão vermelho” que era a América Latina e seus governos progressistas e de esquerda. Neste contexto, a Venezuela, país vizinho localizado no Caribe, vinha cumprindo desde a eleição de Hugo Chávez, em 1998, um papel relevante de integração latino-americana e fortalecimento das economias destes países, se tornando o segundo maior pro-

Guaidó pertence à extremadireita venezuelana dutor e exportador de petróleo do mundo – fator preponderante para entendermos o que está acontecendo hoje no país. Porém, desde esse período os ataques a esse governo que construiu a chamada “Revolução Bolivariana” são frequentes

e eis que, com a morte de Chávez, em 2003 e eleição de seu herdeiro político, Nicolás Maduro, o quadro de ataques e tentativas de golpe por parte da direita se agravam. Há cerca de quatro anos a Venezuela vive uma profunda crise política e econômica provocada pelo tensionamento internacional do imperialismo estadunidense e também pela oposição que não reconheceu a sua primeira vitória, passando por tentativas outras de tirá-lo do governo por meio de referendos, protestos violentos constantes que se configuram como métodos golpistas de intervenção política. Inclusi-

ve com o aprofundamento da crise de abastecimento do país causado por embargos econômicos internacionais. Em 10 de janeiro de 2019, Maduro toma posse de seu mais novo mandato e dias depois o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, em ato inconstitucional, se autoproclama presidente da Venezuela. Guaidó que pertence à extrema-direita venezuelana e que até dia 22 de janeiro menos de um a cada cinco venezuelanos ouvira falar dele, com a apoio dos EUA, decide por tomar as rédeas do governo. De imediato o governo dos EUA reconhece a legalidade desse governo, seguido pelo Canadá, Israel e o bloco de governos latino-americanos de direita conhecido como Grupo Lima (inclusive o Brasil) reconheceram Juan Guaidó como líder legítimo da Venezuela. Inclusive as acusações feitas ao governo como

“ditador” ou “ditador de esquerda” caem por terra quando se conhece a história do país e seu processo político participativo. No dia 2 de fevereiro comemorou-se os 20 anos da posse de Hugo Chávez e início da Revolução Bolivariana. O povo foi chamado às ruas e compareceu de forma massiva em Caracas, capital da Venezuela, para defender o legado de Chávez e o mandato de Maduro que venceu em maio de 2018 com 67% dos votos. Sabemos o quanto a crise de abastecimento de alimentos e insumos tornou a vida das nossas irmãs e irmãos latinos mais difícil, mas sabemos também o quanto a luta anti-imperialista é árdua e exige de nós uma enorme solidariedade a esse povo que resiste e acredita que o voto e a força popular são capaz de transformar a realidade possível de ser vivida livremente.

Expediente Brasil de Fato PE O Brasil de Fato circula nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Paraíba e Bahia com edições regulares. Em Pernambuco está nas ruas todas às sextas-feiras com uma visão popular de Pernambuco, do Brasil e do Mundo. Página: brasildefatope.com.br | Email: pautape@brasildefato.com.br | Para anunciar: brasildefatopernambuco@brasildefato.com.br | Telefone: 81. 96060173

Edição: Monyse Ravena | Redação: Vinícius Sobreira, Marcos Barbosa, Vanessa Gonzaga, Rani de Mendonça e Fátima Pereira. Articulista: Aristóteles Cardona | Colaboração: André Barreto, Bianca Almeida, PH Reinaux, Catarina de Angola | Administração: Iyalê Tahyrine Diagramação: Diva Braga | Revisão: Júlia Garcia | Tiragem: 20 mil exemplares Conselho Editorial: Alexandre Henrique Pires, Bruno Ribeiro, Carlos Veras, Doriel Barros, Eduardo Mara, Geraldo Soares, Henrique Gomes, Itamar Lages, Jaime Amorim, José Carlos de Oliveira, Fernando Melo, Fernando Lima, Laila Costa, Luiz Filho, Luiz Lourenzon, Marcelo Barros, Margareth Albuquerque (in memorian), Marluce Melo, Paulette Cavalcanti, Paulo de Souza Bezerra, Paulo Mansan, Pedro Lapa, Roberto Efrem Filho, Rogério Almeida, Rosa Sampaio, Sérgio Goaiana, Suzineide Rodrigues, Valmir Assis.


Brasil de Fato PE

GERAL l 3

Recife, 08 a 14 de fevereiro de 2019

FRASE da semana Alfredo Etrella/AFP Fórum

Nota

Deixe o povo venezuelano em paz. Eles têm uma democracia real. Parem de tentar destruí-la para que 1% possa explorar o óleo. Estados Unidos, fiquem fora disso! Roger Waters, ex-baixista do Pink Floyd, sobre os recentes ataques políticos dos EUA contra a Venezuela.

SERVIÇ0S

Em dias com o TSE José Cruz/Agência Brasil

ara quem não justificou a P ausência e ainda não pagou a multa por não ter compa-

Você acha que o crime da Vale em Brumadinho pode afetar o Rio São Francisco? Como?

recido às urnas nas últimas eleições, a Central de Atendimento ao Eleitor já está aberta para regularização da situação. Para isso, é importante levar RG ou Título de Eleitor e pagar a multa de R$3,50. A Central funciona na Praça das Cinco Pontas, no bairro de São José, no Centro do Recife.

Bolsas de Estudo Agência Brasil

C

om certeza. O rio pode ser impactado independente da intensidade dos dejetos. Ele pode contaminar os lençóis ligados ao São Francisco e o rio pode ser impactado ao longo do tempo de forma quase imperceptível” Ênio Costa, bombeiro militar.

Caixa Econômica Federal Banco Número: 104 Agência: 0923 Operação: 013 Conta Poupança: 17341-0 CNPJ: 41.228.651/0001-10

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Contribua com a construção de um mundo mais justo e saudável para pessoas do campo e da cidade doando para o Centro Sabiá!

O

Programa Bolsa Universitária abriu inscrições para o primeiro semestre de 2019. Com prazo até o dia 13 de fevereiro, podem se inscrever estudantes do município de Cedro que se deslocam para universidades em Salgueiro ou para as cidades cearenses do Crato, Barbalha e Juazeiro do Norte. As inscrições podem ser realizadas na Secretaria Municipal de Educação da cidade.


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4 ||Mundo GERAL

Brasil de Fato PE

Direitos de Fato Diálogo sobre a Venezuela

N

esta sexta-feira (08), o Armazém do Campo recebe a roda de diálogo “O que está acontecendo na Venezuela?”, que tem como objetivo discutir a respeito da atual conjuntura política no país vizinho ao Brasil. A atividade tem início às 8h e contará com a participação do deputado estadual João Paulo (PCdoB), observador internacional nas Eleições de 2018; do jornalista Jônatas Barros, ex-correspondente do Opera Mundi, da revista Caros Amigos e do Brasil de Fato em Caracas; e do economista Pedro Lapa, militante da Consulta Popular e do Comitê Pernambucano de Solidariedade à Venezuela. O Armazém do Campo fica localizado na Rua Martins de Barros, nº 387, no bairro Santana, no Recife. Wilson Dias/Agência Brasil

V ENAE

e 12 a 15 de fevereiro o CaD riri cearense, mais precisamente a cidade de Juazeiro do

Norte, vai sediar o V Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores (V ENAE). O evento é realizado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). Participarão cerca de 250 pessoas, na sua maioria agricultores e agricultoras experimentadores/as dos 10 estados do Semiárido brasileiro (de Minas Gerais ao Maranhão), e também representantes de instituições de pesquisa e de organizações de fortalecimento da agricultura familiar e parceiros. O Brasil de Fato PE vai acompanhar o encontro e terá produção diária em nosso site, brasildefatope.com.br

Danificar o meio ambiente é crime e preserva-lo é dever do Estado o ano de 2018 foi criada a Agência Nacional de Mineração N (ANM) que tem por função planejar a exploração mineral e o aproveitamento dos recursos minerais, assegurando,controlan-

do e fiscalizando o exercício das atividades de mineração. A preocupação do Estado mostra-se ainda mais urgente após os rompimentos das barragens de Mariana e de Brumadinho, ambas em Minas Gerais, administradas pela empresa VALE, da qual foram vítimas centenas de pessoas e, de forma criminosa, provocaram danos ambientais sem precedentes. Ainda assim, Jair Bolsonaro insiste no que chama de “desburocratização” da exploração de empresas estrangeiras à mineração, articulando em seu governo a flexibilização nas leis ambientais e redução da importância de ação de agências reguladoras tais como a ANM, as quais asseguram o direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, conforme estabelece a Constituição Federal em seu art. 225. Danificar o meio ambiente é crime e preserva-lo é dever do Estado. Assegura-lo é mais importante do que garantir a venda das riquezas naturais do Brasil. Ao menos deveria ser. Clarissa Nunes é advogada criminalista e integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) Para entrar em contato e tirar dúvidas mande um email para contato.pe@brasildefato.com.br ou um whattsapp para 8199060173

ESPAÇo SINDICAL

Curso de Comunicação e Marketing CONTAG

O

Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realiza em parceria com a Central Única dos Trabalhadores em Pernambuco (CUT PE) o curso “Comunicação e Marketing Sindical”, nos dias 19 e 20 de fevereiro na sede do Sindpd, na Rua Bispo Cardoso Ayres, 111, no Recife. As inscrições podem ser feitas pelo site www.escola.dieese.org.br. A atividade é voltada para dirigentes e assessores sindicais. As aulas serão realizadas das 9h às 18h. A atividade é uma demanda do coletivo de formação da CUT PE.

Articulação na Contag DIEESE

Confederação A Nacional dos Trabalhadores Ru-

rais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) realizou nos dias 04 e 05, em Brasília (DF), uma reunião com a presidência e a diretoria de políticas sociais das federações de todo país para discutir as ações iniciais do governo Bolsonaro que afetam diretamente a agricultura familiar. Na pauta temas como a Medida Provisória (MP) Nº 871/19, que pretende dificultar o acesso dos trabalhadores e trabalhadoras rurais à aposentadoria, além da revisão dos benefícios dos segurados especiais.


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OPINIÃO I 5

Artigo

Quanto VALE o São Francisco? Sidney Mamede*

*Moisés Borges

N

o dia 25 de janeiro o mundo presenciou mais um crime cometido pela mineradora VALE em Minas Gerais. Privatizada em 1997, a empresa é reincidente em assassinatos, matou 19 pessoas com a sua comparsa BHP Billiton em Mariana e na região de Brumadinho já há confirmação de pelo menos 134 vítimas fatais podendo ampliar esse número e chegar a um total de mais de 300 pessoas. O maior massacre social causado por uma empresa em nosso país. Os danos ambientais também são preocupantes, foram aproximadamente 13 milhões de metros cúbicos de rejei-

Ainda não é possível dimensionar qual o nível de contaminação que o Velho Chico sofrerá tos que contaminaram a Bacia do Rio São Francisco, atingindo primeiramente o Rio Paraopeba e chegará no Rio São Francisco através da Hidrelétrica de Três Marias. Já são 90 quilômetros de rio morto, intoxi-

cado por metais pesados presente na lama. E aí está o grande risco para nós nordestinos. É bem provável que o rejeito, ou seja, a parte densa da lama seja contida nas hidrelétricas de Retiro Baixo e Três Marias, no entanto as barragens em algum momento terão que liberar a água que está contaminada com os metais pesados para também não romperem. Segundo o informativo de 30 de janeiro do Instituto Mineiro de Gestão das Águas, foram encontrados no Rio Paraopeba índices acima do normal de níquel, chumbo, mercúrio, cádmio, zinco, entre outros metais pesados bem

como baixo oxigênio na água, grande turbidez entre outros índices fora do padrão. Ainda não é possível dimensionarqual o nível de contaminação que o Velho Chico sofrerá, mas será inevitável. São mais de 500 municípios que dependem de suas águas, são pessoas comunidades, todo um rio, está em risco em uma região semiárida que depende dessa grande riqueza. É importante que os estados do Nordeste banhados pelo Rio monitorem o avanço dessa contaminação, na perspectiva de antever os problemas construindo, se necessário, alternativas

que minimizem mais esse crime causado pela ganância da VALE, que coloca o lucro de seus acionistas acima da vida. É inadmissível que mais esse crime permaneça impune, os diretores, responsáveis por essa empresa devem ser presos e responder criminalmente pelos seus atos. Seguiremos em luta, defendendo o Velho Chico e os direitos das populações atingidas. * é militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

Artigo

Aumenta a fome e o desafio de produzir alimentos no Brasil Alexandre Henrique Pires*

O

s camponeses e camponesas do Brasil são os principais responsáveis pela produção dos alimentos que chegam nas mesas dos mais de 210 milhões de brasileiros e brasileiras. Se nos guiarmos pelos dados do Censo Agropecuário 2006 (IBGE), a agricultura familiar é responsável por cerca de 70% dos alimentos que comemos. Um dos maiores desafios no atual contexto político é garantir as condições para que os agricultores e agricultoras possam continuar produzindo alimentos, uma vez que está em risco vários programas e políticas públicas que apoiam a pro-

dução e a comercialização do que foi produzido. Os recursos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), como exemplo, tem sido cortado ao longo dos últimos cinco anos saindo de um orçamento de R$ 1 bilhão em 2014 para R$ 275 milhões em 2019, sendo que o governo só executou 39,5% dos R$ 250 milhões previstos para 2018. Sabe como funciona o PAA? Os agricultores e agricultoras plantam, o governo compra esses alimentos e doa para creches, abrigos de idosos, abrigos para pessoas em situação de rua e para escolas, por meio da rede de Assistência Social. E como forma de estimu-

Sabe como funciona o PAA? lar a produção saudável de alimentos os valores dos produtos agroecológicos e orgânicos tem um acréscimo de 30%. O PAA foi implementado nos primeiros anos do governo Lula, e o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) foi o principal responsável por formatar e propor o projeto nos moldes que ele foi implantado. O COSNEA, espaço de grande rele-

vância para a participação da sociedade civil foi extinto pelo atual governo. Sabe o que isso significa? Que o governo não tem mais quem monitore suas políticas de atendimento à população em situação de insegurança alimentar. O fato é que essa atitude do governo somada a uma política econômica de austeridade, que corta recursos da seguridade social – como o Bolsa Família por exemplo, que dá as costas para as políticas e programas sociais de apoio aos trabalhadores e trabalhadoras que mais precisam, só tem gerado maior empobrecimento e fome As organizações da so-

ciedade civil estão organizando por todo o Brasil banquetes públicos chamado de “Banquetaço”. A estratégia é mobilizar ao máximo a população e denunciar o fechamento do CONSEA e o aumento do número de pessoas em situação de fome. Participe do Banquetaço em sua cidade, se não tem organize. Coordenador do Centro Sabiá e integrante da coordenação executiva da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) *é coordenador do Centro Sabiá e integrante da coordenação executiva da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA)


6 | BRASIL

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Existem modelos viáveis de mineração? PROJETO. Rompimento de barragem em Brumadinho expõe gravidade e desafios do setor Pedro Rafael Vilela*, de Brasília (DF)

om mais de 150 morC tes confirmadas até agora, o rompimento da

barragem do córrego Mina do Feijão, em Brumadinho (MG), expôs mais uma vez a fragilidade, os riscos e a gravidade que esse tipo de atividade econômica acarreta para a população, os trabalhadores do setor e o próprio meio ambiente. Uma das questões que fica de mais esse trágico episódio é: existem modelos viáveis de mineração,

Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale

é muito estável”, analisa.

Mais do que barragem “Acho que a questão é mais ampla, por exemplo, do que discutir qual tipo de barragem é mais segura ou não. Se barragem vai romper ou não, “Nesse momento de profunda revolta, podemos afirmar que a isso é mais um aspecempresa agiu de má fé”, diz relatório to, porque elas já matam em silêncio. Tem o caso do ponto de vista social, da Universidade Federal de Araxá, com contamiambiental e econômico? de Juiz de Fora (UFJF), ex- nação de bário, da conEntre as iniciativas plica o que causa instabi- taminação de arsênio em mais imediatas após lidade no segundo mode- Paracatu, além da contamais esse rompimen- lo. “A barragem à montan- minação de rios pelos reto, está a possível desati- te é construída em dire- jeitos em várias minas do vação de todas as barra- ção aos rejeitos. À medida país”, afirma o Frei Rodrigens construídas com o que a barragem vai se tor- go Peret, integrante da método de alteamento à nando mais alta – fazen- comissão de Mineração montante no Brasil. do os subsequentes altea- da Confederação NacioHá dois métodos bá- mentos, os ‘degraus’ que nal dos Bispos do Brasil e sicos na construção de vemos –, ela tem uma in- da Rede Igrejas e Minerabarragens: os alteamen- clinação, subindo sobre ção. tos à jusante e à mon- o rejeito. Chega um moPara Joceli Andrioli, tante. Bruno Milanez, mento em que se faz a membro da coordenação professor do Departa- barragem sobre o próprio nacional do Movimenmento de Engenharia rejeito, um material, pelo to dos Atingidos por Barde Produção Mecânica seu teor de água, que não Anúncio

O país não ganha nada com isso, tem pouca ou nenhuma entrada de imposto ragem (MAB), a lógica exploração mineral no Brasil, que é privada, “prioriza o lucro acima de tudo e de todos”, deixando de lado atenção aos problemas ambientais e sociais inerentes à atividade. “A mineração é muito importante, mas a gente tem modelo mono-produtor, praticamente só exporta minério de ferro, ainda tem pouco desenvolvimento na exploração de nióbio que e o lítio. A primeira coisa seria, vamos dizer, acabar com a essa lógica. O país não ganha nada com isso, tem pouca ou nenhuma entrada de imposto, e as mineradoras tem muito poder”, afirma. “Como a mineração é base de produtos usados na indústria, ela tem que, obviamente, estar casada com uma política industrial de interesse do país. Temos os dois minérios mais disputados na cadeia mineral mundial, que são nióbio e lítio. Poderíamos ser um país que tivesse uma indústria da cadeia produtiva desses minérios, com muita pesquisa, tecnologia, gerando grandes entradas de recursos”, acrescenta. *Com informações de Rafael Tatemoto.


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MUNDO | 7

Oito razões pelas quais os EUA perseguem o governo da Venezuela Yuri Cortez / AFP

minando o noticiário de todo o mundo. Cada vez mais em confronto direto com o governo do presidente eleito NiANÁLISE. Entre os colás Maduro, Donald Trump tem dado muiinteresses estadu- ta atenção a esse país inclusinidenses estão os sul-americano, ve apoiando um depurecursos naturais tado opositor autoproclamado presidente do país em janeiro, Juan Da Redação Guaidó, processo este que muitos analistas tensão em torno da internacionais e políVenezuela vem do- ticos de outras nações

A

01

Recursos naturais

A

Venezuela possui uma grande quantidade de jazidas de diamante, ferro, cobre, alumínio, bauxita, coltan, urânio e gás natural, além de ter uma das maiores reservas de ouro do mundo. Além dessa diversidade, sua maior joia natural é o petróleo.

02

O

A presença da Rússia e da China

utro motivo são os laços econômicos da região com a China, sua principal credora, à frente dos EUA e da Grã-Bretanha. Os bancos chineses estão emprestando mais dinheiro para os países latino-americanos do que o Banco Mundial. A empresa estatal Sinopec (Companhia Petroquímica da China) planeja investir 14 milhões de dólares na faixa petrolífera de Orinoco, localizada no noroeste da Venezuela, em cooperação com a russa Rosneft e a espanhola Repsol. A Rússia também tem acordos de cooperação militar, econômico e cultural com a Venezuela. Tanto Pequim quanto Moscou assinaram acordos estratégicos de longo prazo com o país sul-americano. A estatal russa Rosfnet, que produz 8% do petróleo venezuelano, assinou, em 2017, um acordo de exploração de gás por 30 anos. Para a analista Nazanín Armanian, a relação estratégica de Rússia e China com a Venezuela também está relacionada com o Brasil, pois o golpe de Estado brasileiro de 2016 enfraqueceu a cooperação Sul-Sul proposta no bloco econômico dos BRICS (formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Cartaz contra Trump em uma manifestação realizada em Caracas, capital da Venezuela, na última segunda-feira (04)

Fracassos no Oriente 03 Médio e retorno à América

pesar dos intensos ataques militares A dos Estados Unidos e seus aliados, que destruíram a vida de aproximadamente

100 milhões de pessoas no Oriente Médio, a Casa Branca não conseguiu controlar os territórios do Iraque, Afeganistão, Iêmen, Líbia, Sudão e Síria, devido à presença de outros atores mundiais e regionais na região.

04

Desmantelar a Petrocaribe

Petrocaribe, iniciativa da VenezueA la lançada nos anos 2000 para administrar a venda de petróleo aos países caribenhos com condições preferenciais, representa uma ameaça à política petrolífera de Trump, que quer que os EUA tenham controle do mercado internacional.

06

vêm chamando de tentativa de golpe de Estado. Mas por que os Estados Unidos têm tanto interesse pela Venezuela e realizam ataques contra o país? A cientista política Nazanín Armanian, colunista do jornal espanhol Público, fez uma lista das nove “razões” pelas quais o país norte-americano tem atacado a soberana nação latino-americana.

Evitar mais golpes ao petrodólar

Venezuela já comercializa seu A petróleo em renminbi (moeda chinesa), euro e também em rúpia indiana. A desdolarização do comércio mundial enfraquece a hegemonia financeira dos EUA.

07

A necessidade de Trump de ter sua própria guerra

T

odos os presidentes dos EUA devem ter pelo menos uma guerra no currículo, e com Donald Trump não será diferente.

A pressão do lobby na América 08 pró-Israel Latina contra a presença do Irã pós a reimposição das sanções dos A Estados Unidos contra o Irã em 2018, que limitam a exportação de petróleo, o go-

verno da República Islâmica busca aproximar-se da Venezuela de um modo pragmático, anunciando inclusive o envio de navios de guerra às águas do país hermano. Por sua vez, a CIA, e também a Confederação de Associações Israelitas da Venezuealiança encabeçada por Bolívia, Cuba e Ve- la, acusam Maduro de enviar urânio ao Irã, nezuela, criada em 2006, representa uma abrigar membros do Hezbollah e da Força alternativa aos tratados de livre-comércio promo- Quds (a tropa de elite do Exército dos Guarvidos pelos EUA na América Latina. diães da Revolução Islâmica do Irã) para treinar as supostas guerrilhas do país.

Enfraquecer o Tratado 05 de Comércio dos Povos (TCP-Alba)

A


8 | PERNAMBUCO

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“A hipótese de contaminação não pode ser descartada”, afirmam especialistas sobre o Rio São Francisco CRIME. No crime de Mariana, a lama percorreu 663 quilômetros até encontrar o mar, agora, a dúvida é se a contaminação chegará ao Rio São Francisco Vanessa Gonzaga, de Petrolina

o dia 25 de janeiN ro, mais um crime ambiental de responsa-

bilidade da Vale aconteceu em Minas Gerais. Por volta das 13h, cerca de 13 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração foram despejados sobre comunidades e rios após o rompimento da barragem Mina do Feijão, localizada em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. Há três anos, o rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, que deixou 19 mortos e contaminou todo o curso do Rio Doce com rejeitos tóxicos foi considerado o maior desastre ambiental do país. Já em Brumadinho, considerado o maior acidente de

trabalho da América Latina, o número de mortes é 50 vezes maior, com 134 mortes, confirmadas até agora. O número de vítimas fatais pode aumentar, já que ainda há 199 pessoas desaparecidas entre moradores da comunidade e funcionários e terceirizados da Vale. No crime de Mariana, a lama percorreu 663 quilômetros até encontrar o mar, no estado do Espírito Santo. No caso de 2015, foram 43,7 milhões de m³ de lama. Até agora, ninguém foi responsabilizado pelo rompimento da barragem. A Vale foi multada em 1.3 bilhões de reais, mas até agora pagou apenas cerca de R$ 41 milhões. Em Brumadinho, a lama, que se locomove na velocidade de 1km/h, já contaminou 205 dos 501km do Rio Paraopeba, já considerado morto por entidades ambientais. Agora, a preocupação é com o Rio São Francisco, que, caso não seja tomada uma série de medidas de contenção da lama e seus resíduos, pode ser contaminado através do Rio Paraopeba, que é um dos seus principais afluentes. Nesse momento, diversas entidades que vêm acompanhando o caso têm discordâncias quanto a chegada da lama no São Francisco e suas consequências. O que se sabe é que 18 milhões de pessoas que vivem em 505 municípios de seis estados que são abastecidos pelo rio podem ser atingidas, conforme dados da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf).

Controvérsia

Mobilização

Comunicação PTB

Vale informou em A nota que no fim de janeiro apresentou para

EBC

Mais de 500 munícipios podem ser afetados com a contaminação do Rio São Francisco

Contaminação do São Francisco

Ricardo Stuckert

uma preocupação grande, porque a gente sabe que não vai chegar uma lama, mas vem coisas misturadas na água”. Logo após o crime em Brumadinho, 16 membros do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF) estão monitorando diariamente a trajetória da lama até a barragem de Retiro Baixo, onde se espera que a lama fique contida. Até o momen-

Bombeiros procuram os corpos de cerca de 199 desaparecidos

As cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) ficam no Vale do São Francisco e formam um polo de fruticultura irrigada para exportação. Lá, a população está receosa com a possibilidade de contaminação do rio, já que a atividade econômica de empresas e de milhares de famílias vem do rio. Maria Alice Borges da Silva, ribeirinha

e presidenta da associação de pescadores de lagoa do curralinho, comunidade de Itamotinga, zona rural de Juazeiro, teme a capacidade de diluição do resíduo tóxico nas águas do Velho Chico “O rio já vem sendo impactado com outras coisas que já acontecem. Tem o despejo de agrotóxicos do agronegócio, o esgoto, mas a lama é

No caso de 2015, foram 43,7 milhões de m³ de lama

to, as análises apontam a presença de sedimentos de minério de ferro, mas o comitê descarta a possibilidade, afirmando que as barragens de Retiro Baixo e Três Marias, que ficam em Minas Gerais, podem conter os resíduos tóxicos, como assegura João Pedro da Silva Neto, membro do Comitê, “O ideal é que essas barragens parem de funcionar, porque a água chega contaminada. O que vai acontecer quando chegar nas barragens ainda é uma incógnita, precisamos aguardar”. Ele também não esconde a preocupação caso as medidas tomadas até agora não impeçam a contaminação “Nós não temos alternativa de manancial. Só temos uma forma de abastecimento de água em toda a região, que é pelo Rio São Francisco. Isso é muito sério, porque não há outra alternativa”.

o Ministério Público e órgão ambientais um plano de contenção de rejeitos da lama tóxica. O plano prevê a construção de diques e a implantação de três barreiras de contenção, com uma membrana no leito do rio que retém sedimentos. As membranas foram instaladas em três pontos do rio na última terça (5). Além disso, a empresa afirma que foram instalados 45 pontos de monitoramento, com coletas diárias de água e de sedimentos para análises químicas. Em outros quatro pontos, é feita análise de turbidez a cada hora. Contudo, entidades ligadas ao meio ambiente e saúde afirmam que as medidas não são eficientes e tem apenas caráter paliativo. A Fundação SOS Mata Atlântica, que também tem feito análises recorrentes na região

Crime é considerado o maior acidente de trabalho da América Latina

Agora, a preocupação é com o Rio São Francisco concluiu que em 11 pontos a situação é de “água com condição péssima”. A fundação afirmou que as membranas retiram apenas 50% dos rejeitos tóxicos e que há pontos em que a turbidez da água está seis vezes acima do

limite estabelecido pela legislação brasileira. Já A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizou na terça (5) um debate sobre os impactos para a saúde decorrentes do crime ambiental em Brumadinho. Mesmo com as medidas da Vale, técnicos da fundação reafirmaram que a hipótese de contaminação não pode ser descartada e, caso a contaminação se confirme, é fundamental manter um programa de vigilância de qualidade da água. Anúncio

Mesmo com a incerteza da possibilidade de contaminação, a sociedade vem se mobilizando para conscientizar e alertar sobre os riscos e cobrar da Vale e das autoridades medidas efetivas. No Vale do São Francisco, movimentos populares, estão planejando um ato no dia 25 de fevereiro, data em que o crime de Brumadinho completa um mês. Outros atos também vêm sendo organizados em cidades em todo país. Na Assembleia Legislativa de Pernambuco, o deputado estadual Lucas Ramos (PSB) propôs a criação da Frente Parlamentar em defesa do São Francisco. Aprovada na última quarta (06) com unanimidade na ALEPE, a Frente fará parte de discussões nacionais e reuniões de planejamento com setores do poder público responsáveis pela regulamentação e fiscalização de barragens e outros temas relacionados ao rio. Para o deputado, a Frente tem a possibilidade de contribuir para que “tragédias como a de Brumadinho e a de Mariana não voltem a ocorrer no Brasil”. Ramos também afirmou que a Frente participará da 58ª Reunião Ordinária do Fórum Mineiro de Comitês de Bacias Hidrográficas, que acontece na próxima quarta-feira (13). Na ocasião, parlamentares de Pernambuco, Minas Gerais e a diretoria executiva do CBHSF vão inserir o São Francisco na discussão política e nos encaminhamentos e propostas que têm sido formulados após o rompimento da barragem da Vale na cidade de Brumadinho.


10 I CIDADES

Brasil de Fato PE

Recife, 08 a 14 de fevereiro de 2019

Frei Caneca FM com novidades na programação COMUNICAÇÃO. A rádio pública do Recife estreia novos programas Marcos Barbosa

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m sintonia com o início de ano, a Rádio Frei Caneca FM 101,5 chega com novidades na programação diária após o carnaval de 2019. Nove novos programas passam a integrar a programação da rádio pública do Recife. Os projetos foram selecionados a partir de um Edital Complementar lançado pela Frei Caneca em 2018. Desde o ano passado, os ouvintes podem conferir a grade semanal de atrações, que passam pelos diversos temas e gêneros da rádio, produzidos com exclusividade para a rádio pública do Recife. Dentre os novos projetos selecionados, estão programas com temáticas musicais, mulher e feminismo, debates raciais, entre outros assuntos. A Frei Caneca FM é fruto de um projeto de emissora pública municipal de rádio que surgiu em 1960, por meio da Lei Municipal nº 6511. No entanto, o projeto permaneceu no papel durante quase 60 anos, se tornando uma pauta de luta dos movimentos populares vinculados à comunicação popular e independente do Recife. Em 2016, a rádio começou a funcionar de maneira experimental e, em 2018, estreou sua programação própria, contando com atrações educativas, culturais e inclusivas. O Brasil de Fato está na rádio com o pro-

Confira as novidades Manas, Minas e Mamas (terça-feira, às 12h)

Discute temas feministas e de equidade de gênero, além de trazer produções femininas no campo da música e divulgar serviços gratuitos direcionados às mulheres.

Os projetos foram selecionados a partir de um Edital grama “Revista Brasil de Fato Pernambuco”, conduzido por Daniel Lamir, que já recebeu convidados como o monge beneditino Marcelo Barros e o deputado federal Carlos Veras. O programa vai ao ar toda terça-feira, às 20h, com reprises nos sábados às 15h.

Frei Caneca no Carnaval Outra novidade, é que a Rádio Frei Caneca está com programação especial para o carnaval de 2019. O Bloco do Pen Drive já está no ar, nas sextas e sábados que antecedem o carnaval, trazendo músicas carnavalescas da meia-noite às 5h. Outra novidade é que no dia 24 de fevereiro, a Frei Caneca FM estará com um palco especial na Praça do Arsenal, trazendo atrações musicais. Já nos dias do carnaval, a rádio estará realizando cobertura própria, entre os dias 28 de fevereiro (quinta-feira) e 05 de março (terça-feira de carnaval), com reportagens especiais e transmissão ao vivo do Marco Zero e do palco do Recbeat.

Vozes do Campo e da Cidade (quarta-feira, às 12h) O programa traz para os ouvintes discussões sobre as ligações existentes entre as mulheres do campo e da cidade, direitos das mulheres, organização social e empoderamento feminino.

Mulher faz política todo dia – meu voto será feminista (quinta-feira, às 12h)

VOZES

Por meio de entrevistas, notícias e bate-papo, o programa aborda a participação das mulheres na política e a presença do feminismo nas práticas cotidianas.

Pagode, Futebol & Batucada (sábado, às 10h)

O programa surgiu na internet para provar que música e esporte combinam. É esperado muito samba e uma dinâmica descontraída para embalar os fins de semana.

Caneca Boogie (domingo, às 16h)

A música negra também tem seu espaço na nova grade. O Caneca Boogie vai trazer a dança e a emoção de ritmos como o Funk e o Soul, promovendo o orgulho negro e a arte dos guetos. Interdependente – música e conhecimento (domingo, às 20h) A partir da música pernambucana, o programa irá discutir temas relacionados a comportamento, educação, cidadania, direitos humanos, saúde, ciência e espiritualidade.

Audio Mundi (domingo, às 21h)

Em todo o planeta tem música boa sendo produzida por artistas que fogem do tradicional. A proposta do Audio Mundi é juntar as diversas expressões dessa produção global.


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ENTREVISTA l 11

“Nosso filme vem para dizer que a ditadura foi horrível e que teve gente que teve coragem de enfrentar” BIOGRAFIA Longa sobre comunista baiano estreia no festival de Berlim com dificuldades de financiamento

José Eduardo Bernardes

Mariana Pitasse e José Eduardo Bernardes, de São Paulo (SP)

a primeira vez que É Wagner Moura, conhecido por seu papel como Capitão Nascimento no filme “Tropa de Elite”, trabalha como diretor e, de cara, tem como desafio reconstruir parte da trajetória de Carlos Marighella: poeta, militante comunista desde a juventude, deputado federal e fundador do maior grupo armado de oposição à ditadura militar, a Ação Libertadora Nacional (ALN). O filme terá estreia na 69ª edição do Festival de Berlim, na Alemanha, entre os dias 7 e 17 de fevereiro. Pela escolha do personagem e do recorte, Wagner Moura afirma que o filme encontrou barreiras para conseguir financiamento. A produção também não tem previsão de exibição nos cinemas brasileiros.

Quero que o filme seja popular, que muita gente veja, sobretudo as pessoas pelas quais Marighella lutava galhães, lançou a sua biografia, em 2012, eu estava em Salvador e a Maria me falou: “Saiu a biografia do meu avô, cara. Temos que fazer um filme”. Na hora eu concordei.

Brasil de Fato: Por que resolveu contar a his- BdF: Que Marighella é tória de Marighella nos esse retratado no seu cinemas? filme? Wagner Moura: Eu sou baiano, suponho que o nome de Marighella seja igual no Brasil inteiro, mas em Salvador, a gente cresceu tendo Marighella como referência de resistência. Também sou muito amigo, no mundo do teatro, de Maria Marighella, que é neta dele. Quando Mário Ma-

Wagner: O recorte temporal é do golpe de 1964 até a morte dele em 1969 os últimos cinco anos de sua vida. É o cara que resolve ir para a luta armada, como a única possibilidade de lutar pela democracia, justiça social, liberdade, igualdade. Nosso filme é um drama histórico, mas ao mes-

mo tempo tem elementos muito poderosos do cinema de ação. A escolha por esse recorte também atende a vontade que o filme seja popular, que muita gente veja, sobretudo as pessoas pelas quais Marighella lutava, o que é uma questão quando você pensa que o cinema é um divertimento elitizado. BdF: O Mano Brown foi anunciado inicialmente para o papel. Por que Seu Jorge assumiu? Wagner: Não tem no Brasil alguém mais Marighella do que Brown. Poeta e guerrilheiro, amoroso e agressivo. A gente começou a ensaiar com ele, mas deu um azar muito grande, foi o mês que o Racionais fez mais shows. Não deu para ele. Seu Jorge é uma das pessoas mais talentosas do mundo. Engraçado, quando saiu a notícia que ele interpretaria, um articulista de direita disse: “Esse Wagner está querendo agora ‘empretecer’ Marighella”. Ele reivindicou a branquitude de Marighella. Seu Jorge de fato tem a pele mais escura do que de Marighella, mas ele era preto, neto de escrava sudanesa.

BdF: Algumas pessoas têm identificado no filme “Tropa de Elite” a figura do Capitão Nascimento como o Bolsonaro, o que você acha disso? Wagner: Eu não votaria no Capitão Nascimento para presidente do Brasil. Ele é um personagem de ficção, por mais realista que seja o filme. Eu rejeito categoricamente a ideia de que o filme dá força ao comportamento do Capitão Nascimento.

Não tem no Brasil alguém mais Marighella do que Brown. Poeta e guerrilheiro, amoroso e agressivo BdF: Como você vê esses escândalos envolvendo as milícias e a família Bolsonaro? Wagner: As milícias, e isso o filme explorou muito bem, são crime organizado. O crime organizado no Brasil mesmo é o PCC e as milícias, que possuem currais eleitorais, elegem políticos, é uma máfia criminosa e perigosa. A relação de Flávio Bolsonaro com milicianos é pública. Ele nunca escondeu isso. Não estou entendendo a surpresa com relação a isso. Ele não disse uma palavra sobre a morte de Marielle, que era sua colega parla-

mentar. Não estou dizendo que ele tem uma relação direta com a morte dela, mas que ele tem uma relação com os policiais que cometeram crimes e tem relações com as milícias. BdF: Qual a importância de que “Marighella” seja lançado neste ano? Wagner: A gente vive um momento em que um ministro do Supremo fala que não é golpe de 1964, é movimento de 1964, outro diz que a ditadura não foi tão má assim. Nosso filme vem para disputar essa narrativa. Para dizer que foi ruim, que foi horrível, que teve gente que teve coragem de enfrentar aquilo. A forma como o enfrentamento se deu foi radical. Pessoas que, naquele momento, cerceadas de todos os seus direitos básicos, optaram por enfrentar com força quem estava oprimindo. Isso é um direito de qualquer povo: defender-se do totalitarismo e da opressão.

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ssa é a primeira vez que Wagner Moura, mais conhecido por seu papel como Capitão Nascimento no filme “Tropa de Elite”, trabalha como diretor. Você pode ler a versão completa da entrevista em nosso site: brasildefato.com.br


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indica

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Crespografia

poderamento Crespo e Cacheado, no Recife. A ação foi idealizada pelo estudante de comunicação social Ronald José Dos Santos Cruz, que se tornou Coordenador geral do CrespoGrafia, e teve como primeiro administrador o seu amigo Thiago PaiDivulgação xão. A iniciativa busca mosDa Redação trar à população a auto aceitação, o respeito e o empoCrespoGrafia é um proje- deramento das pessoas que to de fotografia sobre em- se declaram afrodescenden-

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tes e por isso sofrem de racismo. O projeto foi iniciado em 2016 com apenas oito jovens moradores da região metropolitana do Recife. Hoje, o CrespoGrafia atende, gratuitamente, 140 jovens com idade entre 13 e 26 anos. Os integrantes realizam ensaios fotográficos gratuitos. “Através do CrespoGrafia vamos mostrar à população que ter o cabelo crespo ou cacheado não é uma forma de dizer se o cabelo é bom ou ruim, ruim mesmo é o preconceito que cada um cria, quando pequeno, sobre a textura de cada fio de nossa cabeça”, afirma o idealizador do projeto Ronald Cruz. Atualmente o CrespoGrafia posta seus ensaios via Instagram e Facebook.

Agenda Cultural Música

Artes

Música MAMAM

Divulgação

Divulgação

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Coco da Resistência

Coco

da Resistência está de volta nesse sábado (09) com a primeira edição de 2019 e décima edição da sambada. Se apresentarão Dona Glorinha do Coco, Grupo Bongar, Coco de Umbigada e o Coco da Resistência. O evento será na Rua Domingos José Martins, no Recife Antigo, às 18h. A entrada é gratuita, mas a organização está arrecadando alimentos não perecíveis para grupos de cultura que se apresentam na sambada.

Fazendo junto

Calunguinha na folia

esse sábado (09), o MuN seu de Arte Moderna Clube de Alegoria e CrítiAloisio Magalhães tem mais Oca Homem da Meia-Noiuma edição do projeto Fa- te realiza a segunda edição da zendo Junto, com a Oficina de Pintura METADE + METADE — Meio de um, meio de outro, ministrada por Emerson Pontes, Orientador Pedagógico do Programa Educativo CAIXA Gente Arteira. A Oficina inicia às 15h, sendo gratuita e aberta ao público. O Mamam fica na Rua da Aurora, nº 265, Boa Vista, Recife.

sua prévia de carnaval infantil, no sábado (9). Aberto ao público, o Calunguinha na Folia acontece a partir das 12h30, no pátio do Bonsucesso, em Olinda. Na festa, o mascote da agremiação desfila com passistas e orquestra de frevo. O cortejo está previsto para sair da sede do Homem da Meia-Noite, que fica na Estrada do Bonsucesso.

Qual é o Bairro?

leonardo chaves

Guadalupe m 1626, quase fora dos limites da ciE dade, a igreja de Nossa Senhora de Guadalupe começava a ser construída

em Olinda. Construída durante a União Ibérica, que foi a unificação dos reinos de Portugal e Espanha, a igreja é uma das poucas no Brasil que tem como padroeira a santa mexicana, cujo país também era colônia ibérica junto com o Brasil na época. É do nome da igreja, construída pouco antes da invasão holandesa em Pernambuco, que iniciou em 1631, que surge o nome do bairro. Com o crescimento da cidade, Guadalupe faz hoje parte do centro histórico de Olinda, mas, diferente dos outros bairros, aqui não há tantos ateliês, casarões históricos, restaurantes e bodegas. A ausência desses locais não impede a efervescência cultural, que tem, ao lado da igreja, o ponto de cultura Coco de Umbigada, que mantém a tradição do coco com oficinas e cursos. É também em Guadalupe que fica a sede do primeiro bloco de carnaval de Olinda, o Cariri Olindense. Fundando em 1921. O bloco abria o carnaval da cidade no domingo pela manhã. Anos depois, uma discussão entre a diretoria do Cariri gerou uma outra troça, o conhecido Homem da Meia Noite. Anos depois, os blocos se reconciliaram e hoje o Homem da Meia Noite entrega as chaves da cidade de Olinda para que o Cariri abra o carnaval, sempre às 4h da manhã do domingo. Além do Cariri, muitos blocos e troças têm concentração no bairro, que também recebe os desfiles de bonecos gigantes.


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TRADIÇÃO. Há 42 anos, o bloco que nasceu como oposição à ditadura militar hoje continua como costume passado entre gerações Vanessa Gonzaga

ão 65 músicos, quatro S bonecos, um estandarte, um dragão e uma pe-

quena multidão de cerca de 10 mil pessoas. Isso é tudo necessário para colocar nas ruas o Grêmio Lítero Recreativo Cultural Misto Carnavalesco Eu Acho é Pouco, fundado em 1977. Obra de um grupo de pernambucanos e alagoanos que queriam brincar o carnaval longe da antiga rivalidade dos blocos olindenses, o “Eu Acho é Pouco” nasceu no fim da década de 1970 com o nome Língua Ferina, já que os fundadores do bloco eram militantes, ex-presos políticos e opositores à ditadura militar vigente no país. Apenas no ano seguinte o novo nome do bloco foi oficializado e colocado nas ruas como é conhecido hoje. Além da tradição de engajamento político do bloco, algo que caracteri-

Márcio Lacerda

za o “Eu Acho é Pouco” é a sua identidade visual. O vermelho e amarelo das camisas e tecidos, o dragão de metros de comprimento, o estandarte de losangos e franjas e as letras que formam o nome do bloco com uma “tronxura”, como definiu o criador Petrônio Cunha, encantam quem vê o bloco nas ruas. “Cantar que ‘o dragão tá doidão’ dentro do dragão é um dos meus jeitos de brincar carnaval, além do momento, que é uma honra gigante, que é segurar o estandarte. Segurar o estandarte é carregar uma multidão”, destaca Roberto Efrem Filho, folião que acompanha o “Eu Acho é Pouco” desde 2003, quando foi para Olinda com os amigos da universidade e conheceu o bloco. Nos primeiros anos, a concentração era na rua de São Bento, nº 358, a então casa de Sônia e Ivaldevan. Com o crescimento do bloco, a largada foi alterada para o Praça dos Milagres, com saídas no sábado de Zé Pereira e na terça gorda, às 17h. A escolha das cores foi feita em conjunto, com a brincadeira de que o vermelho simbolizava a União Soviética e o amarelo a

Aurélio Velho

Carnaval e política, Eu Acho é Pouco se prepara para mais um ano de folia, pelas ladeiras de Olinda

China, países que na época eram potências mundiais e referência para esquerda em todo o mundo. Ainda no

primeiro ano de bloco, se pensou em usar uma estampa única, que foi comprada e rendeu muitas fantasias, mas só na década de 1980 é que surgiu a iniciativa de vender o tecido com estampa própria, o que abre um mundo de possibilidades e fantasias para a folia. Já no começo dos anos 2000, os filhos e netos dessa primeira geração de fundadores tomou as rédeas do “Eu Acho é Pouco”, com a tarefa de garantir financeiramente que o bloco saísse, dadas as dificuldades do período. O que

Carnaval é política se manteve foi o respeito à opinião da “velha guarda” e as tradições do bloco, que sempre podem ser alteradas, mas sem perder a essência de bloco de um grupo de amigos, que chama outros amigos, que chama outros amigos, como os próprios fundadores diziam. O que também se manteve foi a relação dos temas do bloco com a política brasileira, sempre se posicionando à esquerda. Se a primeira geração estampava em suas camisas temas como a constituinte, diretas já, anistia, cuba e dívida externa, a nova geração marcou posição nas eleições presidenciais de 2002 e 2006, que elegeram Luís Inácio Lula da Silva (PT), de 2010 e 2014 com a sucessora Dilma Rousseff (PT), e nas eleições municipais de 2004, apoiando

João Paulo, então candidato do PT. Roberto reforça o tom político da escolha dos temas do bloco o “Eu Acho é Pouco” tem sido uma referência fundamental nas lutas democráticas desde que ele se criou. Nos últimos anos o bloco tem se posicionado em defesa dos direitos e da democracia. Estar no carnaval com a camisa vermelha e amarela é um ato político”. Em 2019, a arte da camisa é assinada por Juliana Calheiros e traz frases como “carnaval é política”, “ninguém solta a mão de ninguém”, “lula livre” e “ditadura nunca mais”. A homenageada do ano é Maria Alice, a baixinha, uma das fundadoras do bloco que por anos recebeu em casa as reuniões de organização do bloco. Faltando poucos dias pro carnaval, os preparativos para que o dragão saia pelas ruas de Olinda já estão funcionando, com as camisas e tecidos à venda, o baile vermelho e amarelo marcado para o sábado (09) e o também tradicional ensaio aberto agendado para o dia 17


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Brasil de Fato PE

ALIMENTO É SAÚDE

Semente de Girassol: como inserir na alimentação?

A

semente de girassol, apesar de pouco consumida, pode ser considerada popular, de custo baixo e ainda traz muitos benefícios para a saúde. Ela é muito utilizada em dietas de emagrecimento, pois é rica em fibra, o que ajuda a promover a sensação de saciedade. A semente de girassol possui benefícios nutritivos para além do emagrecimento. Ela é conhecida como protetora do coração e intestino, por possuir uma diversidade grande de vitaminas e proteínas. Para começar a inserir o grão na alimentação, você pode consumi-lo em torradas, bolos ou em receitas mais elaboradas usando seu leite.

Nossa cozinha Crepioca

INGREDIENTES: Massa • 1 ovo • 1 copo cheio e goma de tapioca • Sal a gosto • 3 colheres de queijo ralado Recheio • 1 copo de cenoura ralada • ½ copo de pedacinhos de queijos • Folhas (alface, rúcula, agrião) • Orégano, coentro picado, cebola • 1 colher de requeijão cremoso • 1 tomate • Sal a gosto • 1 colher de azeite

Como fazer VISITE NOSSA PÁGINA

facebook.com/ brasildefatopernambuco

1. Em uma vasilha misture o ovo com gema e clara com a goma de tapioca e o sal e bata bem com um garfo até ficar lisa e homogênea; 2. Em outra vasilha misture todos os ingredientes do recheio; 3. Despeje a massa numa frigideira com um pouco de azeite, uma camada bem fina. Salpique o queijo sobre a massa e fique de olho pra não queimar no fundo; 4. Retire a massa do fogo e acrescente o recheio e dobre a massa sobre o recheio.

Dica:

O Recheio pode ser substituído pelos ingredientes que quiser, ou pelos que tiver na sua geladeira. Pode ser doce ou salgado!


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Brasil de Fato|15 PE ESPORTES

a 14 de fevereiro Recife,08Recife, a 14 de08 fevereiro de 2019 de 2019

NA GERAL Divulgação/Minas Tenis Clube

PAGNI AFP

Kite Boarding BR

GOL DE PLACA

Recorde de público no futebol feminino espanhol

Divulgação

Libertadores

Vôlei feminino

Conmembol divulA gou nesta semana que as partidas da Copa Libertadores serão transmitidas pelo Grupo Globo, Fox Sports e Facebook. O acordo vale para os jogos do torneio até 2022. O Grupo Globo, com transmissão na TV fechada na SporTV e na Globoesporte.com na internet, e a Fox Sports poderão transmitir os jogos realizados nas terças-feiras e quartas-feiras. A plataforma Facebook Watch poderá exibir apenas os jogos que acontecem nas quintas-feiras.

kitesurf

paratleta FernanO do Fernandes, 37 o último sábado (2), anos, abandonou a paN chegou ao fim a Copa racanoagem para invesBrasil de Voleibol Feminino, com um duelo mineiro que deu vitória ao Minas Tênis Clube, que derrotou por 3 sets a 1 o Dentil/Praia Clube, em uma virada histórica. Essa foi a primeira vez que a equipe mineira venceu o troféu Copa do Brasil, geralmente dominado por times do eixo Rio de Janeiro-São Paulo. A partida aconteceu no gisário Perinão, em Gramado (RS). A ponteira Gabi foi a maior pontuadora da decisão, com 19 acertos.

ALERTA LIGADO Filipe Spenser

filipespenser@gmail.com

tir na prática do o kitesurf adaptado, no caso, o kitesoul, sua nova paixão. Na paracanoagem, Fernando venceu quatro mundiais, três panamericanos, quatro sul-americanos e cinco brasileiros. Além da paracanoagem, o competidor, que é paraplégico desde 2009, também praticou outras modalidades, como o surf ski, o wakeboard, o bike adaptado e o rapel. No mundo

partida entre os times AthleA tic Bilbao e Atlético de Madrid, pela Copa da Rainha, na Es-

panha reuniu quase 50 mil pessoas na última semana, batendo recorde de público no futebol feminino. O jogo aconteceu no estádio de San Mamés (Bilbau) e foi vencido pelo time de Madrid por 2 a 0. O número exato de pessoas que acompanharam o jogo é de 48.121 pagantes, superando o recorde anterior, quando 36.000 espectadores acompanharam o jogo do Athletic e o Híspalis, em 2003. Apenas o confronto do Monterrey e o Tigres, do campeonato mexicano, supera essa marca, com mais de 50 mil.

GOL

CONTRA

Brasil na lanterna do sub-20

seleção brasileira tem sofrido no Sul-AmericaA no sub-20. A equipe está sendo comandada por Carlos Amadeu e conta com apenas um ponto, de

três jogos. O último título do Brasil no campeonato foi em 2011. Desde então, a seleção verde e amarela não tem apresentado bom desempenho nas edições seguintes do torneio. Dos últimos 29 jogos disputados, o Brasil acumulou apenas 11 vitórias, enquanto que garantiu oito empates e sofreu 10 derrotas. Por outro lado, os jogadores são negociados com times europeus por valores que ultrapassam R$1 bilhão.

REVIVENDO O ‘MAR BRANCO’ Júlia Rodrigues juliarodriguesbep@gmail.com

DELIVERY DE INDENIZAÇÕES Daniel Lamir

daniel.lamir@brasildefato.com.br

pós anos sem poder frequentar os situação permanece complicada. odas as semanas tento focar esta coA jogos do Santa Cruz uniformizada, A Mesmo após a vitória contra o time do T luna para o futebol de 2019. Porém, Vitória, o Náutico ainda demonstra muitos a Torcida Organizada Inferno Coral (Toic) os fantasmas de 2018 não deixam. A anásinais de fragilidade. A vitória em casa, mais uma vez, não convenceu. Mesmo o Vitória não tendo conquistado qualquer ponto na competição, o clube de Rosa e Silva não conseguiu se impor durante o jogo e o goleiro Bruno ainda sofreu alguns sustos. Aliás, a vitória só começou a ser desenhada no segundo-tempo e com um pênalti polêmico – as imagens da TV indicam que a falta foi – um pouco, é verdade – fora da pequena área. No geral, o meio campo do Náutico beirou a nulidade com pouquíssima movimentação, toque de bola e envolvimento. Criação zero. As melhores jogadas, a exemplo das faltas que originaram os gols, vieram de jogadas individuais. É muito pouco e o tempo está passando.

toma novos moldes para o ano de 2019. Com o lema de incentivo “Inferno veste branco”, no intuito de fazer com que torcedores corais voltem a frequentar o estádio padronizados, a maior organizada do tricolor se reconstrói em alguns aspectos. Primeiro, com o avanço da proibição das torcidas organizadas em PE, a Toic deixou de cantar algumas músicas que mencionam o nome da organizada, consideradas pelo poder público estimuladoras de parte da violência praticada no estádio e nas ruas de Recife pelos torcedores uniformizados. Segundo, a torcida aparenta estar mais adentrada no que diz respeito ao avanço da modernização dos estádios e das torcidas pernambucanas.

lise em campo fica dividida com as somas astronômicas que chegam judicialmente ao clube a cada dia. Ou seja, se o dinheiro é curto para a temporada, tende a ficar microscópico, caso as ações judiciais apertem instantaneamente. Enfim, algo precisa ser feito para que, pelo menos, novos gestores não repitam a dose. Desgarrando das frustrações do ano passado, do time atual é possível esboçar pelo menos dois jogadores novos numa tendência de espinha dorsal do time, formada por Magrão, Adryelson, Sander, Ezequiel, Guilherme e Brocador. Portanto, em campo, aparentemente, as dores de cabeça na temporada serão menos pesadas.


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Recife, 08 a 14 de fevereiro de 2019

Brasil de Fato PE


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