UnIdAS
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Unidade Indígena de Acolhimento Social
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UnIDAS Unidade Indígena de Acolhimento Social para mulheres
Maitê Campos Vieira
Orientadora: Profa. Dra. Maribel del Carmen Aliaga Fuentes Banca avaliadora: Profa. Dra. Carolina Pescatori Arquiteta convidada Profa. Dra. Tânia Nunes Galvão
Brasília, 2022
Mulheres e indígenas. Violentadas e indígenas. Anônimas e indígenas. Esquecidas e indígenas.
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0. Apresentação 1. Introdução 2. Contextualização teórica 3. Referências projetuais 4. Local do projeto 5. Legislação aplicável
SUMÁRIO
6. Programa de necessidades 7. Diretrizes 8. Conceito 9. Partido arquitetônico 10. O projeto 11. Conculsão 12. Bibliografia 13. Agradecimentos
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APRESENTAÇÃO
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Este plano é produto da disciplina Introdução ao Trabalho Final de Graduação (TFG), ofertada pelo departamento de Projeto, Expressão e Representação (PRO) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU-UnB). O objeto de estudo consiste em uma casa de apoio e oportunidades para mulheres indígenas localizada na cidade de Dourados, no Mato Grosso do Sul. Sendo estrategicamente localizado no segundo estado com maior quantidade de indígenas no país, esse projeto possui como objetivo oferecer suporte e oportunidades às mulheres vítimas de violência (ou não) pertencentes às oito etnias presentes no estado: Guarani, Kaiowá, Terena, Kadwéu, Kinikinaw, Atikun, Ofaié e Guató. Busca-se identificar a forma arquitetônica mais apropriada a esse espaço, valorizando a promoção dos direitos humanos e propiciando convívio e integração entre funcionárias e usuárias. São levados em consideração aspectos históricos, sociais, socioeconômicos e culturais para o desenvolvimento desse equipamento social de acolhimento. Palavras-chave: acolhimento; mulheres; indígenas; sororidade; apoio.
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INTRODUÇÃO
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O objetivo geral do presente trabalho é contribuir para o atendimento às mulheres indígenas em situação de vulnerabilidade no Estado do Mato Grosso do Sul, que, submetidas a situações de violência e privações dentro e fora das aldeias, carecem de uma estrutura especializada para seu acolhimento. Dessa maneira, tem-se como objetivos específicos desenvolver estratégias de atendimento às mulheres indígenas em condições de vulnerabilidade, respeitando suas referências culturais. Além disso, pretende-se, por meio da oferta de equipamento adequado, com equipe multiprofissional qualificada, ampliar o atendimento à saúde das mulheres indígenas, acrescentando às estruturas já existentes um suporte humanizado. Busca-se, também, oferecer abrigo temporário de forma a garantir condições de segurança e preservação de seus vínculos culturais e familiares. Além disso, o intuito é desenvolver, juntamente com a comunidade envolvente, programas de conscientização acerca da condição das mulheres indígenas, incentivando uma cultura de solidariedade e respeito por suas tradições culturais, por meio de aulas, oficinas, debates e palestras. O objetivo é oferecer um espaço para se refugiarem do abuso e da violência e onde podem aprender a criar e compartilhar. Por fim, é importante também promover o debate sobre a inserção profissional das mulheres indígenas não aldeadas que procuram oportunidades de trabalho e que buscam sua autonomia econômica, por meio de educação financeira, qualificação profissional e da inserção no mercado de trabalho. Consequentemente, almeja-se colocar os recursos da Arquitetura para contribuir com a ampliação da visibilidade ao tema e para melhor acolher essas mulheres em situação vulnerável. Dados da Casa da Mulher Brasileira (CMB) indicam que os os procedimentos de atenção às mulheres indígenas representam menos de 1% do total de atendimentos oferecidos. Em meio às 23.157 mulheres atendidas na instituição, entre 15 de fevereiro de 2015 e 21 de junho de 2019, apenas 144 eram indígenas. Elas representam menos de 2% do total
de denúncias referentes às mulheres brancas, por exemplo (8.727 casos). Segundo a ONU, as mulheres são as principais vítimas da violência cometida nas comunidades indígenas em todo o mundo. Subnotificada, a violência doméstica contra a mulher indígena é problema invisível, ainda pouco discutido e encontra espaço limitado na agenda e nas iniciativas desses equipamentos. As instituições de apoio não conseguem alcançar a realidade das mulheres indígenas por diversos fatores: falta de estrutura, descaso ou barreiras culturais e linguísticas. Por isso, existe uma demanda por insituições de apoio voltadas especificamente para essas mulheres, muitas vezes esquecidas pela sociedade. Instituições que ofereçam o suporte necessário em casos de violência, ofereçam workshops educativos, rodas de conversas para trocas de informação e debates, entre outras iniciativas. Edith Martins Guarani, liderança indígena da Aldeia Jaguapiru em Dourados, viajou até Campo Grande para denunciar a violência sofrida pelas mulheres. Quando tomam a iniciativa de denunciar, relatou a indígena Guarani e Kaiowá, as mulheres não encontram estrutura. “Só que a gente não tem acesso para levar as mulheres, porque não temos condução. O que nós precisamos é de uma condução para socorrer as mulheres”, disse. Segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP), 73 boletins de ocorrência por agressão em aldeias de todo o estado foram registrados entre o dia 1º de janeiro e o dia 18 de junho. Dos 15 feminicídios registrados pela Secretaria, um foi registrado tendo como vítima uma mulher indígena. Para alcançar os objetivos previstos neste trabalho final de graduação, a primeira etapa consistiu em um levantamento bibliográfico sobre as mulheres indígenas brasileiras, principalmente as habitantes do Mato Grosso do Sul. Revelou-se importante, também, a análise da situação de vulnerabilidade em que essas mulheres vivem para, em seguida, compreender quais são suas demandas e anseios. A segunda etapa consistiu na análise do local em que o projeto foi inserido, compreendendo suas
necessidades, histórico, compreensão de sua relação com as reservas indígenas e as instituições governamentais atuantes. É importante assimilar não apenas o contexto da cidade de Dourados, mas também a relação que a cidade possui com as tribos indígenas e sua reserva inígena. Para tanto, foram utilizadas entrevistas, notícias de jornais, matérias de revistas e documentos históricos disponíveis nos sítios eletrônicos que tratam do tema. Tendo em vista a pandemia de Covid-19, não foi possível realizar, conforme previsto, visita ao local. Entretanto, por meio da Internet e de buscas realizadas nos sítios eletrônicos dos órgãos públicos locais, foi possível sanar essa limitação e encontrar as informações necessárias à conclusão do trabalho. Realizou-se, em seguida, uma análise crítica da produção arquitetônica acerca do tema e foram selecionadas referências projetuais referentes à estética, conceito e materialidade do projeto proposto. Em seguida, foi possível realizar a compilação de todos os conhecimentos acerca do contexto e das referências projetuais e programáticas para a elaboração das soluções aplicadas ao projeto. Chegou-se, assim, aos traços norteadores da forma final do projeto.
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Imagem 1: Índia Guarani Foto: Victor Moriyama
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CONTEXTUALIZAÇÃO TEÓRICA
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OS POVOS INDÍGENAS NO BRASIL E SUAS PRINCIPAIS VULNERABILIDADES Estima-se que, na época dos “descobrimentos”, havia cerca de 5 milhões de indígenas espalhados pelo país. Hoje, os descendentes dos primeiros habitantes do Brasil formam um contingente que representa cerca de 0,47% da população brasileira. De acordo com o censo do IBGE (2010), há 896.917 indígenas no país, sendo que, desse total, cerca de 60% vivem em terras indígenas oficialmente reconhecidas pelo governo federal. Atualmente, os indígenas enfrentam uma situação extremamente complexa no que se refere à violência. Os ataques ocorrem de diversas formas, seja contra seu patrimônio ou contra a pessoa. Diariamente, são relatados casos envolvendo abuso de poder, violência sexual, ameaça de morte, racismo, discriminação e homicídios. Em muitas dessas ocorrências, constata-se a omissão do poder público. Embora, pela Constituição Federal, de 1988, o Estado seja o responsável pela segurança dos indígenas e pela proteção de suas terras, há décadas tais obrigações não têm sido cumpridas adequadamente. Com relação à violência contra o patrimônio, segundo o Relatório de Violência Contra Povos Indígenas (2019), publicado pelo Conselho Indigenista Missionário, foram registrados os seguintes dados: omissão e morosidade na regularização de terras (829 casos); conflitos relativos a direitos territoriais (35 casos); e invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio (256 casos registrados), totalizando o registro de 1.120 casos de violências contra o patrimônio dos povos indígenas naquele ano. Cabe ressaltar que, das 1.298 terras indígenas no Brasil, 829 (63%) apresentam alguma pendência do Poder Público para a finalização do seu processo demarcatório e o regis-
tro como território tradicional indígena na Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Destas 829, um total de 536 terras não tiveram ainda nenhuma providência adotada pelo Estado. Além disso, no ano de 2019 houve o registro de 256 casos de “invasões possessórias, exploração ilegal de recursos e danos ao patrimônio” em pelo menos 151 terras indígenas, de 143 povos, em 23 estados. Essa forma de violência infelizmente continua a crescer e o tema não tem recebido a devida atenção das organizações governamentais. As diferentes formas de violência praticadas contra os indígenas e suas comunidades estão, na maioria dos casos, diretamente associadas à disputa pela terra. Em relação à violência contra a pessoa, foram registrados os seguintes dados em 2019: abuso de poder (13); ameaça de morte (33); ameaças várias (34); assassinatos (113); homicídio culposo (20); lesões corporais dolosas (13); racismo e discriminação étnico cultural (16); tentativa de assassinato (25); e violência sexual (10); totalizando o registro de 277 casos de violência praticadas contra a pessoa indígena em 2019. Este total de registros é superior ao dobro do total registrado em 2018, que foi de 110. As duas unidades da Federação que tiveram o maior número de assassinatos registrados foram Mato Grosso do Sul (40), que será a região estudada, e Roraima (26). Infelizmente, constata-se que, em 2019, a população indígena do Mato Grosso do Sul (segunda maior do país) continuou sendo alvo de constantes e violentos ataques, em que há até mesmo o registro de práticas de tortura, inclusive de crianças. O número total registrado de casos de “violência por omissão do poder público” no mesmo ano foi
de 267 casos. O Cimi obteve da SESAI dados parciais de mortalidade na infância indígena. Houve aumento nos registros de mortalidade infantil (crianças de 0 a 5 anos), que saltaram de 591, em 2018, para 825 em 2019. Os registros mais numerosos foram de 248 casos no Amazonas, 133 em Roraima e 100 no Mato Grosso. Os registros nas outras categorias em 2019 foram: desassistência geral (65); desassistência na área de educação escolar indígena (66); desassistência na área de saúde (85); disseminação de bebida alcoólica e outras drogas (20); e morte por desassistência à saúde (31).
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Imagem 2: Ilustração da chegada dos colonizadores no Brasil Fonte: Multiverso Ipa
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A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES INDÍGENAS NO BRASIL A violência contra as mulheres indígenas no Brasil vem crescendo assustadoramente. O problema é muito sério, em escala global: de acordo com relatório da Organização das Nações Unidas, publicado em 2010, as mulheres são as principais vítimas da violência praticada contra a população indígena no mundo. Dessa forma, segundo dados divulgados pelo Atlas da Violência 2019, ocorreu um crescimento de 30,7% nos homicídios contra as mulheres no país entre os anos de 2007 e 2017. A desigualdade racial também está presente, agravando o problema: enquanto a taxa de homicídios de mulheres não negras teve crescimento de 4,5% entre 2007 e 2017, a taxa de homicídios de mulheres negras e indígenas cresceu 29,9%. Os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), do Ministério da Saúde, apontam que, entre 2007 e 2017, foram registradas 8.221 notificações de casos de violência contra mulheres indígenas, e a maioria das vítimas tinha entre 10 a 19 anos. As indígenas têm, também, uma chance maior de serem estupradas do que outras mulheres. Segundo relatório da ONU, mais de uma em cada três mulheres indígenas são estupradas ao longo da vida. Por fim, dados da Casa da Mulher Brasileira também mostram que os cuidados dirigidos às mulheres indígenas representam menos de 1% do total de atendimentos. Em meio às 23.157 mulheres atendidas na Casa de Campo Grande (MS) entre 15 de fevereiro de 2015 e 21 de junho de 2019, apenas 144 eram indígenas. Elas representam menos de 2% do total de denúncias referentes às mulheres brancas, por exemplo (8.727). Se considerarmos a composição demográfica daquela região, podemos ter uma noção da gravidade do problema.
Além das dificuldades que toda mulher que sofre violência enfrenta para denunciar a agressão, como medo, vergonha e falta de acolhimento, as mulheres indígenas ainda se deparam com uma série de outros obstáculos. Para elas, a desinformação sobre seus direitos, as barreiras do idioma e as grandes distâncias para chegar até pontos de atendimento são barreiras, muitas vezes, intransponíveis. É necessário também observar o descaso dos espaços públicos e o despreparo de suas equipes, que precisariam se “indigenizar” para atender com mais eficiência e qualidade esse segmento da população. Esse quadro indica um cenário complexo, que faz com que a mulher indígena não chegue às delegacias. Uma das questões mais importantes, quando se trata de serviço de atendimento às mulheres vítimas de violência, diz respeito à questão do idioma. A Casa da Mulher Brasileira, quando inaugurada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, contava com a presença de duas tradutoras indígenas para as línguas dos povos Guarani e Terena, as duas maiores etnias no estado. “É diferente você chegar lá e se deparar com uma parente sua, que pode conversar com você. Isso é acolher e encoraja a mulher”, diz Silvana Terena, secretária estadual de Políticas Públicas para a População Indígena. Infelizmente, desde 2017 a pendência na renovação de contratos impossibilitou a manutenção do serviço. A Casa da Mulher Brasileira reúne serviços de atendimento a mulheres vítimas de violência e foi criada em 2013 pela ex-presidente Dilma Rousseff, no âmbito do programa Mulher: Viver sem Violência. Deveria ser implementada em todos os 26 estados e
no Distrito Federal até o fim de 2018, mas só chegou a sete estados. Nota-se que não se trata apenas de uma questão de comunicação. O atendimento à mulher indígena vítima de violência em sua própria língua é essencial para que se realize um atendimento humanizado, minimizando a dor de quem já acumula muito sofrimento. O idioma é a base da identidade de um povo. Respeitar essa premissa é fundamental no momento em que se atendem pessoas em situação de extrema vulnerabilidade. É importante também mencionar que os casos de feminicídio de indígenas, por sua dupla condição, étnica e de gênero, não têm a mesma cobertura da mídia e não mobilizam, da mesma forma, a opinião pública. Mulheres e meninas indígenas, no Brasil, vivem um cotidiano de discriminação e violência. A falta de visibilidade da mulher indígena é uma das faces mais cruéis de uma sociedade que tem, sistematicamente, virado as costas para essa população. A importância do respeito ao território tradicional ecoa também em outras vozes. Braulina, indígena da etnia Baniwa, em uma entrevista de 2017 à ONG Mulheres Brasil afirmou: “É a partir do território que a gente mantém o sistema tradicional de formação e educação cultural. O território é o espaço de cada povo, é lá que mantemos a relação espiritual com a nossa terra mãe. No cenário nacional para povos indígenas, lutamos pela garantia de direitos conquistados, evitando os retrocessos. Uma das principais reivindicações de mulheres indígenas é o território, pois é a partir dele que discutimos e reivindicamos as políticas públicas para nós. Como cuidar da inserção de produtos industrializados, como o álcool, que tem aumentado muito? Na minha região (Rio Negro – São Gabriel da Cachoeira), muitas meninas foram violentadas e não sabemos a quem recorrer. Temos perdido alunos, professores, por violências praticadas por pessoas que não são indígenas. É como se a mulher estives-
se sempre errada, ela que não deveria estar naquele lugar naquele momento. Este nunca é considerado um problema do homem. A gente denuncia, mas ainda somos pouco assistidas por parte do Estado.”
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“Não chega muita informação para nós, nas aldeias. Então, acredito que há muita necessidade. A violência e o preconceito contra as mulheres indígenas é muito grande. Trabalho há oito anos na aldeia e sei como é difícil para as mulheres correrem atrás. A mulher indígena nunca teve voz, sofrem caladas.” Nilza Meireles, presidente do Conselho Feminino de Jaguapiru. Fonte: http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/4360-aldeia-jaguapiru-em-dourados-ms-recebera-acoes-do-governo-estadual-para-o-enfrentamento-a-violencia-contra-mulheres
“Nossos maridos batem na gente, nos chamam de ‘saco de pancadas’. Não gostamos, mas muitas não falam sobre isso” Otília Hilário, 86 anos. Fonte: revista Exame, 2/11/2019
“São poucas as mulheres que falam ‘hoje chega’. Por medo de ameaças, de tirar seus filhos de casa, de não ter onde morar. A coisa mais difícil que tem é a violência contra a mulher aqui dentro da aldeia” Maria Fátima de Carvalheiro, 41 anos. Fonte: Revista Exame, 2/11/2019
“A violência contra a mulher, de forma geral, fundamenta-se no patriarcado, de raízes históricas e culturais que delega aos homens as funções de liderança, de controle, de domínio, de autoridade etc, tanto no ambiente público como no privado. Assim, ao longo da história, a mulher e os filhos foram considerados parte do patrimônio do patriarca, sendo desprezados suas vontades e desejos, resultando em uma cultura que ainda hoje fundamenta os casos de violência doméstica, inclusive os casos de feminicídio.” Vanessa Vieira, Assistente Social, Coordenadora de Políticas Judiciárias de Prevenção da Coordenadoria Estadual da Mulher. Fonte: Relatório de 2020 do TJMS
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Imagem 3: Índia em manifestação Foto: Raul de Lima
Imagem 4: Índia em manifestação Foto: Raul de Lima
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O CASO DO MATO GROSSO DO SUL
Com 80 mil indígenas, o Mato Grosso do Sul é a unidade da Federação com a segunda maior população desse grupo étnico no país. Segundo matéria publicada no jornal Amazônia: Notícia e Informação, em 28 de novembro de 2016, as ocorrências de violência contra a mulher indígena têm aumentado sistematicamente. De acordo com o levantamento do jornal, entre 2010 e 2016, esse aumento foi da ordem de 495%. Em 2010, o número era de 104 agressões físicas. Já em 2014, foram relatadas 619 agressões. Em 2016, o levantamento da Secretaria de Segurança Pública do estado mostrou que o número de denúncias de violência contra a mulher na região cresceu 23,1% no primeiro semestre em relação ao mesmo período em 2015. Dourados, a segunda maior cidade sul-matogrossense, apresenta dados ainda mais alarmantes: além de figurar como o segundo município brasileiro com os maiores registros de todos os tipos de violência contra as mulheres indígenas, lidera o ranking do abuso sexual contra elas no país: foram 31 casos em 2017. Eles são cerca de metade de todas as ocorrências registradas no estado naquele ano. Os indicadores de Dourados levam o Mato Grosso do Sul a ser o estado com maior número absoluto de ocorrências de violência sexual contra mulheres indígenas, com quase o dobro dos registros de qualquer um dos estados da Amazônia brasileira. Desde 2012, Dourados é o município onde mais mulheres indígenas são vítimas de violência sexual no Brasil. Quem vive e estuda essa realidade considera que o cenário pode ser ainda pior, devido à subnotificação. A falta de estruturas adequadas para receber denúncias e acolher as mulheres vítimas faz com que o número de casos reportados seja signifi-
cativamente inferior ao número real de ocorrências. O Relatório Estatístico do Poder Judiciário sobre Feminicídio, no que se refere a dados de 2019, aponta que 14% dos casos desse tipo de crime envolveram vítima ou agressor indígena, ao passo que a população indígena representa apenas 3% da população sul-mato-grossense, conforme dados do IBGE. Diante desse quadro, as mulheres indígenas do Mato Grosso do Sul buscam usar seus espaços de articulação coletiva, como o Kuñangue Aty Guasu, a grande assembleia das mulheres Guarani e Kaiowá, realizada anualmente, para discutir o tema da violência contra as mulheres e formas de enfrentamento. Inúmeras são as dificuldades no caminho das mulheres indígenas vítimas de violência em direção à denúncia. “São poucas as mulheres que falam ‘hoje chega’. Por medo de ameaças, de tirar seus filhos de casa, de não ter onde morar. A coisa mais difícil que tem é a violência contra a mulher aqui dentro da aldeia”, ressalta a agente de saúde Maria de Fátima Cavalheiro, indígena Guarani e moradora da aldeia Bororó de 41 anos. Como seu trabalho envolve visitar as pessoas, hoje, procura orientar mulheres que estão na mesma situação. Em muitas famílias, relata, os homens ocupam o papel de provedor financeiro, e isso dificulta ainda mais o enfrentamento do problema. Além disso, quando as mulheres decidem procurar as autoridades, novos obstáculos aparecem. Um deles é a dificuldade de deslocamento até a instituição de apoio ou delegacia mais próxima. Os ônibus circulam em poucos horários e por rotas limitadas. Assim, as mulheres dependem basicamente
de seus próprios veículos, sejam motos, carroças e bicicletas, para ir. “Para a mulher sair daqui e ir à delegacia, muitas vezes ela não tem o transporte”, aponta a assistente social indígena Tatiane Martins, funcionária do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). Para ela, quando uma vítima consegue chegar à delegacia, “é porque fez um esforço danado, teve uma força de vontade enorme para ir lá, fazer uma denúncia”, e é de extrema importância que esse registro ocorra. A lei determina a criação de casas-abrigo para acolhimento das mulheres em situação de violência, mas, na maioria dos casos, nesse processo, elas são duplamente vitimizadas. Além disso, certas circunstâncias não são levadas em consideração, como a distância dessas instituições em relação às aldeias e a separação dessas mulheres de sua família. De acordo com a avaliação da delegada Paula Ribeiro, titular da Delegacia de Apoio à Mulher, é necessário oferecer instituições mais humanizadas, que levem em consideração o olhar da mulher, sua cultura, suas circunstâncias e necessidades: “Às vezes, pensamos muito na proteção da mulher, mas acho que está faltando um pouco o olhar da dignidade. Como essa m ulher se sentiria mais dignamente atendida? Mandando ela para uma casa-abrigo lá em Campo Grande? É difícil, temos que nos colocar no lugar dessas pessoas.” No ano de 2017 foi criado o projeto “ônibus lilás”, que circulava no Mato Grosso do Sul. Esse ônibus tinha intuito de recolher denúncia de mulheres indígenas vítimas de violência e oferecer o suporte e informações necessárias a elas. Apesar disso, esse equipamento era itnerante e não foram encontradas notícias recentes a respeito de seu funcionamento. O local precisa de uma instituição fixa voltada para essas mulheres.
Registrros de violê Regist violência contra mulher indí indígena em Dourados - MS Violê Viol ência sexual Todos os tipos de violê violência (sexual, ffíísica, psicol psicoló ógica) 623
205 115 26
8 16
7
2010
2011
Fonte: DataSUS
60 19
2012
35
2013
117 42
2014
108 25
2015
103 38
2016
78 31
2017
Total
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A RESERVA INDÍGENA DE DOURADOS (RID)
A criação da Reserva Indígena de Dourados, assim como as demais, possuía como intuito delimitar uma área para a população indígena da região. Atualmente há três diferentes etnias coabitando na reserva, sendo elas: os Guarani Ñandeva, os Guarani Kaiowá e os Terena. Devido à definição utilizada por muitos autores e outros trabalhos realizados sobre esses grupos, o termo Guarani no presente trabalho se referirá aos índios da etnia Guarani Ñandeva, e apenas Kaiowá, para os índios da etnia Guarani Kaiowá. Amenizar os conflitos de terras entre os índios e os karaí, palavra Guarani para denominar os colonizadores, e liberar territórios de interesse à população não indígena foram os principais motivos para o direcionamento dos indígenas em direção às reservas. A partir do momento em que foi editada a legislação que instituía as reservas definindo aquele território de uso exclusivo dos povos indígenas, as demais áreas antes habitadas por esses povos passaram ao poder do governo, que as terceirizava sem que os indígenaqs pudessem questionar. A estratégica locação das reservas indígenas, próximas aos novos distritos urbanos, tinha como função integrar esses povos à sociede envolvente, já que suas terras foram limitadas, dificultando o plantio, caça e pesca. A perda de seus hábitos tornou-se a maior dificuldade de na nova área, já que esse território não atendia às necessidades culturais e referentes às tradições. A Reserva Indígena de Dourados foi fundada no ano de 1917, então denominada Posto Indígena Francisco Horta Barbosa. Possuía uma área de 3.600 ha. Porém, ao homologar essa demarcação, em 1965, sua área foi reduzida para 3.539 ha, a qual
atualmente conta com uma área de 3.475 ha. Esses dados revelam o descaso com as terras indígenas, que, mesmo estando sob a tutela do governo, tiveram sua área de concessão reduzida. Originalmente, a reserva deveria abrigar apenas a etnia Kaiowá, que predominava sobre o esse território. Apesar disso, no século XIX, devido à Guerra do Paraguai (1864-1870), muitos Terena perderam suas terras. Posteriormente, a exploração dos ervais, principalmente da erva mate laranjeiras, levou também a etnia Guarani a se deslocar aos arredores da região. Dessa forma, durante a formação da reserva, além da etnia Kaiowá, os Guarani e os Terena também foram direcionados para esse espaço. A grande diferença cultural entre esses grupos indígenas fez com que as etnias se dividissem dentro do território, ocasionando a partilha da reserva em duas aldeias: Bororó e Jaguapiru. A Aldeia Jaguapiru é habitada principalmente pela etnia Terena, a qual ocupa a área leste da reserva onde há maior relação com a cultura não indígena. A rodovia que transpassa a reserva tem seu percurso dentro da Aldeia Jaguapiru, caracterizando esta área por sua densidade habitacional na qual se concentra maior parte das edificações comerciais e institucionais. A Aldeia Bororó é povoada em sua grande maioria pela etnia Kaiowá, a qual sempre buscou manter uma vida mais reservada. Dessa maneira, a ocupação da área oeste da reserva mantém certo distanciamento da cultura urbana. A etnia Guarani habita ambas as aldeias. Devido ao fato de serem um grupo mais aberto às tradições não indígenas, conseguem se relacionar com mais facilidade com o grupo Terena.
“Uma vez, quando chegou em casa, jogou minha menina contra a parede e me bateu. Quando eu corri para a casa da minha mãe, ele pegou minhas roupas e cortou tudo, quebrou todas as minhas coisas e foi embora. Antes ele fosse e não voltasse, mas ia e vinha mais tarde de novo, com a mesma agressão. Se eu não largasse ele, ia morrer” Emilena Arce, 22 anos. Fonte: revista Exame, 2/11/2019
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Imagem 5: Fronteira entre Dourados e a Reserva IndíImagem 5: Separação entre Dourados e a RID gena Foto: Victor Moriyama
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OS POVOS TERENA E GUARANI
Para compreender mais sobre essa etnia é necessário retroceder na linha temporal para o século XVIII, onde surgem os primeiros relatos históricos dos colonizadores sobre esse povo. Antes das chegadas dos colonizadores, todo o território nacional pertencia à população indígena, que era dividida em seus diferentes grupos, possibilitando um amplo território de ocupação por essas populações. Os primeiros relatos apresentam esse grupo étnico separado em aldeias dispersas por um vasto território, que possuíam relações que possibilitavam o intercâmbio entre as diferentes comunidades. Com a chegada dos colonizadores e a formação dos primeiros assentamentos, houve uma mudança das aldeias para as proximidades desses espaços, ocasionando um maior contato entre esse grupo e a população não indígena e aumentando assim a procura de produtos industrializados. Isso acarretou em uma grande perda dos valores culturais e tradições indígenas. A Guerra do Paraguai foi um dos eventos mais marcantes na história da população Terena, já que o campo de batalha desta guerra foi grande parte de seu território. Esses indígenas viram na aliança com as tropas brasileiras o único modo de proteger suas terras. Apesar de terem lutado incessantemente em defesa de suas terras, ao fim da guerra muitas aldeias haviam sido devastadas por essas batalhas e grande parte de suas áreas foram tomadas pelas novas colônias. A instalação das linhas telegráficas e em seguida a construção da Ferrovia Noroeste, implantadas sobre território indígena, fizeram com que ocorresse novamente o contato entre os indígenas e os karaí. Os Terena, já conhecidos por serem há-
beis trabalhadores, foram empregados na construção de ambas as companhias. Apesar disso, muitos deles não aceitavam a tomada de seus territórios, o que acarretou vários conflitos. Após essa série acontecimentos, surgiram novas colônias sobre o atual território do Mato Grosso do Sul, com o intuito de abrigar novas áreas para o agronegócio, sendo incentivados pelo governo. Devido ao fato de os indígenas não possuírem registros legais de seus territórios, os direitos de posse eram concedidos aos novos fazendeiros. Isso ocasionou, para os Terena, a perda de praticamente todas as suas terras indígenas. A invasão de suas propriedades fez com que surgissem diversas disputas por áreas entre os indígenas e os fazendeiros, ocasionando uma série de conflitos e resultando em muitas mortes. Em função deste cenário, o governo precisou intervir, criando assim o Sistema de Proteção ao Índio, e definindo os territórios destinados à população indígena através da construção de Reservas e passando sob a tutela do governo. Apesar disso, o SPI não tinha a responsabilidade de proteger os povos indígenas; sua missão era “civilizá-los”. Por isso, a implantação das reservas próximas às novas colônias fez com que houvesse interferência direta na cultura e tradição deste povo. Os povos Kaiowá e Guarani, não diferente de diversos outros grupos, possuem suas histórias marcadas por conflitos e explorações sobre suas terras. Os primeiros relatos dos povos indígenas sobre o atual estado do Mato Grosso do Sul apresentam as etnias Guarani como principal grupo que ocupava esse território. Como já mencionado, a Guerra do Paraguai, seguida das colonizações e a exploração
dos ervais, afetaram diretamente esses povos. Os conflitos e invasões sobre as áreas indígenas dificultaram a tentativa desses dois grupos de manter uma relação mais distante dos karaí, que utilizavam os indígenas como mão de obra para a exploração das terras. A Companhia Erva Matte Laranjeira, que empregou uma grande quantidade de índios em suas campanhas de exploração, foi um exemplo claro de como a mão de obra indígena dentro das fazendas enfraqueceram a organização social das aldeias. Os constantes deslocamentos das áreas de exploração fizeram com que esses grupos se distanciassem de suas aldeias, perdendo assim as relações com suas aldeias, que acabavam sendo tomadas pelos novos fazendeiros. Devido ao fato de serem considerados povos menos capazes intelectualmente, os povos Guarani e Kaiowá ocupavam os cargos de trabalho mais braçais, relacionados com o corte da lenha, colheita das folhas e transporte dos sacos de ervais. Esses serviços prestados pelos indígenas eram muitas das vezes pagos com roupas, alimentos e principalmente ferramentas para o trabalho no campo. Mesmo que os grupos indígenas denunciassem a exploração sobre seus povos e a tomada de suas terras, os órgãos responsáveis por sua proteção não desempenhavam seu papel de tutela. Devido aos vários conflitos entre os indígenas e os karaí, a partir de 1915, o SPI iniciou a demarcação das reservas, e parte significativa foi destinada aos grupos Guarani e Kaiowá. Para esses grupos, que possuíam uma forte relação com as terras e tradições, não havia nesses novos assentamentos a relação com seu tekoha, palavra em Guarani que quer dizer “o lugar onde somos o que somos”.
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O HABITAR INDÍGENA
Para o desenvolvimento do projeto, é necessário, antes, compreender a forma de habitar indígena e sua maneira de construção. As habitações indígenas podem influenciar a produção arquitetônica brasileira contemporânea de diversas formas, desde o uso de técnicas construtivas que são passadas de geração a geração, até releituras das formas das casas para proporcionar conforto térmico e praticidade estrutural. A falta de relatos e desenhos documentados pelos povos indígenas é uma das grandes dificuldades de retratar os movimentos históricos e seus períodos de origem. Os registros existentes são trabalhos desenvolvidos pelos exploradores e pesquisadores que relatavam seus contatos com os povos indígenas. O arquiteto e escritor Portocarrero, em sua obra, Habitação - Tecnologia indígena em Mato Grosso, apresenta as análises sobre a pesquisa de Faria, o qual, através de ilustrações, retrata as primeiras habitações indígenas. A habitação tinha sua construção através das folhagens e materiais da natureza, desempenhando sua função de abrigo. A evolução de suas técnicas diferenciava os vários grupos indígenas, os quais apresentavam modelos distintos entre si. As construções de suas edificações possuíam como característica a planta base em forma retangular, redonda ou ogival, tendo como aspecto típico a composição íntegra de seu fechamento com cobertura contínua até sua base. A edificação possuía uma única abertura de acesso. O contato com os colonizadores ocasionou em alterações nas construções indígenas que se refletem até hoje na forma de construir, habitar e analisar a arquitetura. A elevação da cobertura e a
construção de paredes representa uma das principais modificações da técnica construtiva. Portocarrero faz referência à análise de Faria, o qual descreve que a alteração da cobertura-parede para cobertura elevada, com a construção de parede de fechamento, fosse um elemento externo às tradições indígenas, refletindo influência das técnicas construtivas dos colonizadores europeus. A visão de mundo do colonizador persiste também na concepção de que a tecnologia avançada é entendida como aquela high tech, ou seja, baseada em um ideal progressista e supostamente universal. Mas o que deve ser visto, sobretudo nos países latino-americanos, como tecnologia avançada? Os indígenas possuem uma maneira muito sensível de conceber sua arquitetura. Sua relação do habitar com a natureza vai muito além da utilização de materiais construtivos. Portocarrero apresenta alguns pesquisadores que relataram a associação das estruturas da edificação indígena com a anatomia do corpo humano ou animal. Essas denominações nos ajudam a entender a relação do índio com os processos construtivos. Os pilares sustentam a estrutura como as pernas sustentam o corpo, as vigas de sua estrutura servem como elemento de apoio para o fechamento assim como a costela protege e veda nossos órgãos. A base possui seu contato com o solo, assim como nossos pés. A palha cobre e protege a edificação assim como o cabelo protege nossa pele. Essas relações prosseguem com base nas características e funções dos elementos. Restam hoje, na RID, poucas edificações construídas seguindo a técnica do pau a pique, técnica
construtiva que utiliza a terra crua como principal componente, juntamente com madeira, bambu ou cipó, para criar uma trama que sustentará a construção. Algumas dessas moradias encontram-se na Aldeia Bororó e são habitadas por indígenas Kaiowá. Algumas dessas casas possuem uma varanda externa com estruturas de madeira e cobertura com fechamento em palha e a edificação principal, com planta retangular. Possui suas estruturas em madeira, chão de terra batida, cobertura com fechamento em palha e lona e paredes construídas com a técnica de pau a pique. A falta de matéria prima adequada para a construção das casas acaba por dificultar suas finalizações, já que materiais como a terra utilizada nos fechamentos das paredes são provenientes de outras áreas, acarretando em maiores custos. Segundo relato dos moradores, essas casas possuem ótima condição térmica, favorecendo o bem-estar interno sem a necessidade de aparelhos térmicos mesmo nos dias de calor. No ano de 2004, devido ao já existente problema de deficit habitacional, o governo financiou a construção de unidades habitacionais dentro da RID, rompendo assim com as tradições indígenas construtivas. Conhecidos por possuírem características sociais mais abertas a outros povos, principalmente aos modos de vida dos karaí, o constante contato entre o grupo Terena e os não indígenas alterou significativamente o modo de habitar desse povo dentro da RID. Esse afastamento da cultura indígena fez com que os Terena possuíssem relações socioeconômicas divergentes dos Kaiowá e dos Guarani. A aceitação da cultura e tradição dos karaí e a inserção no mercado de trabalho urbano são características que possibilitaram o maior poder econômico deste grupo. Essa diferença social é notada ao relacionarmos as edificações de membros da etnia Terena com as edificações dos demais grupos indígenas.
Atualmente, grande parte das edificações contruídas dentro da Reserva Indígena de Dourados seguem o sistema construtivo das estruturas em concreto, alvenarias em tijolo cerâmico, cobertura em madeira e fechamento em telha cerâmica. Esse modo de edificar é conhecido popularmente como “sistema construtivo convencional”. O emprego de muitos indígenas como mão de obra no setor da construção civil, principalmente por parte dos Terena, fez também com que houvesse uma maior capacitação no domínio de técnicas construtivas dentro da reserva. “Em uma primeira aproximação pode-se dizer que tecnologia avançada é aquela que permite, com base em recursos humanos e materiais acessíveis, alcançar, mediante seu aperfeiçoamento e desenvolvimento, o mais alto grau de produtividade para conseguir um habitat adequado para cada região e seus modos de vida, tanto em qualidade como em quantidade” Marina Waisman
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Abrigo dos índios Pareci Maloca Tsóloa do igarapé lauacâca
Casa redonda com cobertura cônica dos Makuschi do rio Surumu
Casa retangular dos Makuschi e Taulipang
Casa em forma de colmeia dos índios de Pimenta Bueno
Maloca Káua, rio Aiari
Tipo de cabana mais comum na área do Xingu
Casa alongada dos Carajá
Abrigo dos índios Nambiqua-
Abrigo dos índios Puri
Abrigo dos índios Botocudo
Casa alongada dos Carajá
Casa elítica dos Makuschi do rio Rupunumi
Casa retangular dos Makuschi e Taulipang
Imagem 6: Ilustrações retiradas livro Habitação – Tecnologia Indígena em Mato Grosso (PORTOCARRERO,2018, p.57 e 58)
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Imagem 7: Índia Guarani Foto: Victor Moriyama
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A VIDA NA RID
Atualmente os diferentes níveis econômicos existentes entre os indígenas dentro da reserva causam uma enorme disparidade no que se refere ao modo de habitar nas aldeias. Em sua origem, os indígenas contruíam suas edificações utilizando recursos naturais e seu habitar era composto principalmente por madeiras, palhas e folhagens que serviam de proteção contra as intempéries. Durantes os movimentos de expansão em direção à Região Oeste no Brasil e a tomada dos territórios indígenas, iniciaram-se diversos conflitos entre os índios e os karaí. A intervenção imediata dos órgãos do governo por meio do Serviço de Proteção aos Índios acabou por delimitar áreas destinadas às diferentes etnias. Apesar disso, essas novas áreas não possuíam nenhuma análise sobre os modos de vida indígenas e suas necessidades. Os territórios escolhidos para a implantação das reservas não apresentavam as características do tekoha. Os Kaiowá, cultura que sempre tentou manter-se distante das relações com os não indígenas, utilizavam os recursos da natureza para sua sobrevivência. Ao serem redirecionados para a reserva, onde não havia tantas matas e rios, tiveram seu modo de vida alterado, dificultando suas necessidades básicas. A falta de materiais, a escassez de campos, a dificuldade de relacionar-se com os karaí e outros fatores causaram a essa etnia um déficit habitacional, uma vez que possuíam menos recursos econômicos. Grande parte do desenvolvimento dentro da reserva ocorreu na Aldeia Jaguapirú, área habitada principalmente pela etnia Terena, que sempre foi notada por possuir um melhor relacionamento com os karaí e serem hábeis trabalhadores. O contato com a cultura não indígena e a inserção nos moldes da
vida na cidade fizeram com que esse grupo alterasse seus costumes e modo de habitar. Em sua origem, os povos indígenas possuíam sua organização através do aldeamento, onde grupos familiares viviam e compartilhavam da mesma área. A falta de espaço e a perda das tradições fizeram com que o modo de agrupamento dentro da reserva de Dourados fosse alterado. Essa falta de espaço físico atualmente é o que determina a atual dinâmica da vida na reserva: tradicionalmente, os Guarani e Kaiowá se dividiam em grandes casas coletivas, distantes quilômetros umas das outras, onde vivam famílias extensas. Hoje a organização das aldeias se dá pelas famílias, cujos núcleos vivem próximos, mas se dividem em casas separadas, menores e muito mais próximas do que antigamente. Famílias extensas que não necessariamente possuem afinidades entre si são obrigadas a conviver em uma área de tamanho limitado. Os índices de violência contra a mulher não foram os únicos a crescer assustadoramente. Há diversos relatos sobre casos de assaltos ou mesmo de assassinatos. Levantamento do Ministério Público Federal no Mato Grosso do Sul (MPF-MS) com números do Ministério da Saúde reflete essa percepção: entre 2012 e 2014, a taxa de homicídios entre os indígenas da região de Dourados foi de 101 vítimas a cada 100 mil habitantes – quase o dobro da taxa de homicídios de indígenas no Mato Grosso do Sul, que é de 55,9. Para comparação, os homicídios entre a população geral no estado são cerca de um quarto da taxa na reserva, 26,1 a cada 100 mil. A média brasileira é de 29,2.
“Quando as mulheres decidem procurar as autoridades, novos obstáculos aparecem. Um deles é a dificuldade de chegar à única Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) da cidade, localizada a mais de 8 quilômetros da reserva. Os ônibus circulam em poucos horários e por rotas limitadas, então as pessoas dependem basicamente de seus próprios veículos, motos, carroças e bicicletas para chegar até lá. Senão, a alternativa é ir a pé (...)” Emilena Arce, 22 anos. Fonte: revista Exame, 2/11/2019
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Imagem 7: Família Guarani brincando no quintal de sua casa Imagem 8: Criança na RID Foto: Victor Moriyama
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REFERÊNCIAS PROJETUAIS
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ESPAÇO SEGURO PARA MULHERES E MENINAS ROHINGYA Rizvi Hassan, Bangladesh, 2019 O Espaço Seguro para Mulheres e Meninas Rohingya, situado em Bangladesh, oferece, com o apoio da ONU, Unicef e do governo local, um lar seguro à meninas e mulheres. O projeto conta com um programa que as permite tomar banho diariamente e se isolar do abuso e da violência, além de também aprenderem a criar e compartilhar. Por certo tempo, os refugiados Rohingya enfrentaram vulnerabilidades em habitação básica, saúde, nutrição e estado emocional. Um dos maiores e mais densos campos da região se tornou o lar temporário de quase um milhão de refugiados. Os materiais utilizados no projeto são básicos e estão disponíveis nas redondezas. Bambu não tratado como estrutura e palha com lona como material de cobertura. O local fica em uma área sujeita a ciclones, portanto, foram evitados materiais que poderiam ser perigosos durante essa situação. Além disso, o espaço também serve como local para debates e conversas entre mulheres. “As brigas são uma cena comum nos acampamentos. Eu acredito que se as mulheres tiverem a oportunidade de se encontrar em um centro como este, elas aprenderão a manter a paz onde quer que elas vão ou vivam”, diz Kala Houssain, uma das pedreiras que trabalhou na construção do espaço.
Imagem 9 Fonte: ArchDaily
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CENTRO DE OPORTUNIDADES PARA MULHERES EM RUANDA Sharon Davis Design Kayonza, Ruanda, 2013 O centro de oportunidades para mulheres em Ruanda é um projeto realizado em parceria com a ONG Women for Women International (WfWI) que pretende fornecer apoio à educação das mulheres. Sua principal intenção é enfrentar a pobreza e os efeitos do genocídio por meio da educação e da auto capacitação. O complexo é composto por diversas pequenas edificações circulares que funcionam como espaços de encontro da comunidade e centros de capacitação para as mulheres. A pretensão é de que, em alguns anos, o COM se torne autossuficiente por meio da abordagem multiuso, a qual permite o aluguel do espaço para outras orçanizações parceiras e a criação de um mercado local. O Centro foi projetado com a aplicação de materiais padrão locais, utilizados de forma experimental. O material principal é tijolo de barro, feitos por mulheres que irão se beneficiar do COM. O Centro de dois hectares foi concebido com funções sustentáveis locais, incluindo a geração de energia solar, aproveitamento de águas pluviais, combustível de biogás para cozinhar, e banheiros de compostagem. Sharon Davis Design avalia, “esperamos incentivar a experimentação local, de modo que a restauração da comunidade se torne mais integrada, mais inventiva e ambientalmente consciente.”
Imagem 10 Fonte: ArchDaily
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CENTRO PARA MULHERES NA VILA MASAI C-re-aid, Tanzânia, 2019
Projetado em colaboração com a Femme International, uma organização humanitária que elabora workshops para meninas e mulheres sobre educação sexual e higiene pessoal, este espaço foi pensado como uma referência para as mulheres da comunidade no que se refere a qualquer necessidade, ao mesmo tempo que serve como lugar de encontro onde diferentes grupos de mulheres armazenam materiais e organizam suas reuniões. Os programa proposto faz parte de um espaço simples de apenas 25 metros quadrados, que inclui um espaço para armazenagem, um escritório, uma loja e também um espaço de convivência. A ideia surge a partir da proposta de reunir até 50 mulheres da comunidade para debaterem pautas em comum, para que ali, abrigadas do sol e em bancos simples de pedra, consigam gerar e debater sobre novas oportunidades de trabalho e sustento econômico. O uso de materiais locais foi essencial para o desenvolvimento do projeto já que, por conta do baixo orçamento, o transporte de materiais da cidade é pouco conveniente e, ao mesmo tempo, foi muito interessante trabalhar em função da matéria prima disponível na natureza que nos rodeia. Dessa forma também contribuiu-se para uma melhoria na economia local.
Imagem 11 Fonte: ArchDaily
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ACADEMIA GIRL MOVE
ROOTSTUDIO + Paz Braga, Moçambique, 2019 A Academia Girl Move, situada em Moçambique, foi projetada para ser utilizada como uma organização sem fins lucrativos, liderando um novo modelo educacional que busca empoderar mulheres em situações vulneráveis. Girl Move oferece três programas principais à aproximadamente 1130 meninas e mulheres anualmente. Acreditar, liderar e mudar faz com que as meninas tenham acesso a oportunidades para serem líderes de referência e agentes de transformação positiva. Para além da funcionalidade, o edifício tem como propósito inspirar a outros, tornando-se uma nova referência em inovação, sustentabilidade e valorização dos recursos e conhecimentos locais. Além disso, a organização tem como objetivo ser um símbolo de liderança das mulheres, e espaço para debates, onde as ideias e visões disruptivas podem ser aceitas e discutidas abertamente. O projeto impactou profundamente a comunidade local, a comunidade expandida e a Universidade de Lúrio. 85% da construção foi realizada em tijolo produzido no local a partir de técnicas tradicionais. Estudantes e vizinhos locais foram convidados a participar no processo de construção, o que fez com que se compartilhasse conhecimento nesse processo. O uso da terra como material de construção foi importante para dignificar um material que normalmente não possui tanto valor.
Imagem 12 Fonte: ArchDaily
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SEDE CASTANHAS DE CAJU
Estúdio Flume, Brasil, 2018 O projeto da Cooperativa das Mulheres Produtoras de Castanhas de Caju, localizado em Nova Vida, Bom Jesus das Selvas – MA, transformou uma pequena casa da comunidade na sede de trabalho do grupo e, também, num ponto de encontro dos vizinhos. A proposta tem o intuito de fortalecer o senso de comunidade no local de trabalho, buscando estimular a redução da pobreza. Os materiais disponíveis neste pequeno povoado foram utilizados na construção do projeto, num processo de criação coletiva com a comunidade. Com base em princípios bioclimáticos, o projeto incorpora conceitos de conforto térmico para atender a demanda por um espaço com baixo custo de manutenção, em um clima tropical semiúmido. A ausência de equipamentos públicos na comunidade motivou as arquitetas a pensarem em elementos como a marquise e banco de concreto: eles são um convite para que a comunidade se encontre e compartilhe aquele espaço. Entre a área de cocção da castanha e a área de quebra da semente, foi criado um pátio interno como espaço articulador que funciona também como área de secagem das castanhas ao sol. Este pátio interno, assim como o jardim externo, propõe-se a funcionar como o lugar de encontro da comunidade. O projeto, localizado no interior do Maranhão, mais precisamente na área dos cocais, apresenta novas técnicas locais de construção. Princípios da permacultura foram incorporados ao projeto, por estar inserido em uma região ausente de sistema de esgoto ou abastecimento regular de água potável. O edifício conta com coleta de água da chuva para que os produtores possam gerenciar seus recursos hídricos durante a estação seca; Biodigestor de fossa séptica para o tratamento de esgoto e círculo de bananeiras para filtrar as águas cinzas. Estes sistemas demandam manutenção, e por isso, estimulam a conscientização da comunidade para os recursos disponíveis. O contato direto com estas técnicas econômicas também permite que sejam difundidas e replicadas na comunidade.
Imagem 13 Fonte: ArchDaily
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CASA DAS MULHERES DE OULED MERZOUG Building Beyond Borders, Marrocos, 2019
Imagem 14 Fonte: ArchDaily
O projeto, situado em uma pequena vila de barro perto das Montanhas Atlas de Marrocos, surgiu a partir de uma doação feita pela comunidade local à associação feminina recentemente fundada AFOM (Association des Femmes d’Ouled Merzoug). Dentro do certificado de pós-graduação Building Beyond Borders, os participantes projetaram e construíram em estreita colaboração com mulheres e trabalhadores locais. O resultado final deste processo participativo é uma Casa da Mulher: um local de encontro, trabalho e aprendizagem no centro da aldeia. Um lugar onde as mulheres podem compartilhar seus artesanatos com a comunidade e visitantes. Neste projeto, os limites das construções sustentáveis foram desafiados pela maximização do uso de materiais locais e regenerativos e pelo confronto entre as técnicas de construção tradicionais e contemporâneas. Em novembro de 2018, os participantes foram a Ouled Merzoug pela primeira vez para conhecer a aldeia e seus habitantes, medir o local e organizar oficinas com as mulheres para definir o programa. Após um intenso período de design em Hasselt, as obras começaram em abril de 2019. Em dezembro de 2019, as chaves foram entregues à Associação de Mulheres. Do centro à extremidade, do público ao privado. A Casa da Mulher é acessada por meio de um ponto de encontro central, um coração público, o ‘cour’. O ‘cour’ conecta os dois volumes da casa: um espaço de oficina, o ‘atelier des femmes’ e uma padaria comunitária, a ‘boulangerie commune’. O ‘atelier’ é um local de encontro, ensino e aprendizagem, fiação e tecelagem. Na ‘boulangerie’, as mulheres podem compartilhar refeições, assar e vender pães e doces caseiros. Enquanto o centro do edifício é o mais público, as extremidades são as mais privadas. Cada volume dá acesso a um jardim íntimo. Construir com materiais naturais - ultrapassando os limites. Maximizar o uso de materiais locais e naturais e minimizar a quantidade de resíduos de construção foram tomados como princípios básicos neste projeto. Para a envolvente do edifício, foram escavados pedaços de rocha de granito nas colinas circundantes. As paredes internas são feitas de tijolos de adobe. Colaborar com artesãos locais (mulheres). Para o interior da Casa da Mulher, a colaboração com artesãs e artesãos locais foi fundamental. As mulheres desenharam e teceram as cortinas e ajudaram na construção do forno de sabugo no jardim da padaria. As portas e vigas de eucalipto sob o balcão da cozinha foram feitas por marceneiros locais. As lâmpadas externas e os objetos de cerâmica foram modelados em conjunto com o oleiro local.
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CENTRO SEBRAE DE SUSTENABILIDADE CSS José Potocarrero, Brasil, 2019 O Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS), projetado pelo arquiteto e urbanista José Portocarrero, venceu o prêmio BREEAM Awards 2018 como o melhor edifício sustentável das Américas e também venceu na categoria voto popular. Projetado com base nas casas indígenas, o edifício em Cuiabá (MT) se destaca pelo conforto térmico e utilização máxima da iluminação natural. Sua cobertura em duas cascas possibilita o resfriamento interno do prédio e a captação de água da chuva, filtrada e armazenada para uso na irrigação do jardim e lavagem de pisos. O professor José Portocarrero foi convidado pelo Sebrae para desenvolver o projeto devido aos seus estudos realizados a respeito das habitações da etnia Bororó, no Parque do Xingu. A volumetria do edifício faz referência a uma oca, porém, adaptada ao terreno em aclive. Entre os benefícios do projeto, destacam-se o conforto térmico, a utilização máxima da iluminação natural e a cobertura em duas cascas, que possibilita o resfriamento interno do prédio e a captação de água da chuva, filtrada e armazenada para diversos usos. Além da iluminação natural, “microusinas” foram implantadas no telhado, reduzindo o consumo de energia elétrica em cerca de 30%. O edifício ainda conta com uma instalação de vermicompostagem, que recebe resíduos orgânicos da lanchonete e da poda de árvores e plantas. O jardim do CSS é integrado por espécies do Cerrado, Pantanal e Amazônia, biomas presentes no estado do Mato Grosso.
Imagem 15 Fonte: ArchDaily
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CASA BALLENA
RIMA Design Group, México, 2019 A Casa Ballena foi projetada para um artista mexicano que desejava criar estúdios para artistas locais e internacionais em San Jose del Cabo, uma cidade no extremo sul da Península de Baja. O complexo abriga três oficinas, um espaço de exposição, pátios multiuso, refeitórios e salas de estar e um armazém. Cada um dos edifícios é construído com taipa semelhante à cor do solo ao redor da propriedade. O material foi escolhido por ser capaz de criar microclimas que diferem das condições de seu ambiente e por sua capacidade de isolamento acústico. A variação da altura dos volumes retangulares foi dada em decorrência da inclinação gradual do terreno. Pátios de cascalho e caminhos de pedra serpenteiam entre cada uma das unidades para formar espaços de pátio separados decorados com vegetação nativa, como gramíneas silvestres e cactos. “O desenho da Casa Ballena emana de escavação e movimentação de terras, aproveitando a topografia para brincar com diferentes alturas e criar um amortecedor natural que permite tanto o controle e direcionamento das vistas, quanto a criação de uma experiência privada e interna,” disse o estúdio. “A relação com a natureza é muito importante para este projeto; os edifícios concentram-se no terreno alcançando uma experiência interna que traz privacidade aos artistas nos pátios ”, acrescentou. Janelas escalonadas se estendem pelas faces dos edifícios de cor marrom, que são contornados por uma borda fina de concreto. Caminhos de concreto e pátios ao redor da propriedade são sombreados por uma série de pérgulas com telhados de madeira.
Imagem 16 Fonte: ArchDaily
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ESPAÇO SEGURO PARA MULHERES E MENINAS RONHINGYA
SEDE CASTANHAS DE CAJU
Utilização de recursos locais Programa de necessidades Traçado regulador
Conceito Programa de necessidades
CENTRO DE OPORTUNIDADES PARA MULHERES EM RUANDA Conceito Programa de necessidades Capacitação Horta compartilhada
CASA DAS MULHERES DE OULED MERZOUG Conceito Programa de necessidades
CENTRO SEBRAE DE SUSTENTABILIDADE CENTRO PARA MULHERES NA VILA MASAI
Reinterpretação da arquitetura indígena
Conceito Programa de necessidades
ACADEMIA GIRL MOVE Conceito Programa de necessidades
CASA BALLENA Materialidade Sistema estrutural
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LOCAL DO PROJETO
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A RID E A CIDADE
A locação da reserva tinha como intuito a aproximação dos grupos indígenas com a população não indígena. Em função disso, essa nova área foi posicionada entre dois assentamentos que posteriormente se desenvolveram, formando os municípios de Dourados e Itaporã. Assim, o Posto Indígena Francisco Horta Barbosa acabou por ter sua área divida entre os dois municípios de modo a ocupar 0,42% dos 408 624 ha do município de Dourados e 1,38% dos 132 181 ha do município de Itaporã. Os três povos – Guarani, Kaiowá e Terena – se misturam no perímetro de 3,5 mil hectares. O número em si não diz muita coisa, porém, com uma simples comparação, é possível ter uma ideia da superlotação das aldeias: enquanto, na reserva, cerca de 432 pessoas ocupam 1 quilômetro quadrado, considerando toda a área do município de Dourados, essa média é de 51,4 pessoas rm um pedaço de terra da mesma extensão, tendo a densidade demográfica nove vezes menor. As casas são extremamente próximas umas das outras, e não se vêem hortas e plantações familiares. O que causa maior preocupação para a preservação das tradições indígenas é a proximidade do perímetro urbano de Dourados, que foi ampliado nos últimos anos tendo seus limites atacando a fronteira com a reserva. Da mesma forma que algumas etnias não gostam do contato com os povos não indígenas e da aproximação com a vida urbana, há também grupos indígenas que vêem nessa aproximação a forma de ter uma vida diferente, mais próxima aos costumes da cidade. A relação entre a reserva e a cidade é um dos principais motivos do aumento populacional dentro da RID, sendo esta a reserva mais populosa do esta-
do. Dourados é a segunda maior cidade do Estado do Mato Grosso do Sul, fazendo com que o município se tornasse o principal polo comercial da região sul do estado. Muitos indígenas se transferem para a reserva à procura de melhores condições de vida, devido ao fato de que dentro da RID há escolas, postos de saúde e a proximidade com a cidade aumenta a possibilidade de uma nova forma de renda. Porém essa imediação, conciliada com a falta de infraestruturas e o forte contraste cultural, acaba por se tornar uma dificuldade ainda maior para muitos indígenas que ainda vivem em situações precárias. A ausência de áreas para cultivar as terras, florestas para praticar a caça e rios para pescar, faz com que o principal modo de se alimentar seja a compra de produtos industrializados. A falta de serviço dentro das aldeias obriga a grande maioria da população a se deslocar para o centro urbano. Atualmente, a população indígena em questão ocupa diferentes encargos, desde a mão de obra para as construtoras, nas fazendas, nas lavouras de cana de açúcar, nas indústrias frigorificas presentes na região até diferentes outros encargos públicos e privados. Isso se dá graças ao acesso das escolas e universidade, fazendo com que os povos indígenas consigam essa inserção no mercado de trabalho. Apesar disso, essa ainda é uma realidade de poucos indígenas, já que uma grande quantidade deles ainda se desloca para as ruas de Dourados a procura da solidariedade em doações de alimento e dinheiro por parte dos karaí. A desigualdade econômica causada por essas faltas de recursos entre os indígenas gera uma grave crise de sobrevivência dentro da reserva.
480
960 km
100
200 km
RID
Dourados
Bororó
Jaguapiru
70
71
Imagem 17: Vista aérea de Dourados Foto: Victor Moriyama
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Mapa geral de localização do projeto
Imagem 18 Fonte: Google Earth
250
500
1000
Mapa geral de localização do projeto
Imagem 19 Fonte: Google Earth
75
150
300
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Mapa geral de localização do projeto
25
50
100
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MS 156
RID
Anel Viário Norte
Av. Presidente Vargas
Jardim Monte Alegre
Waldomiro A Montenegro 3
^
^
^ 1
Rua Suécia
2
^
4
50
100
76
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1
3
Imagem 20 Fonte: Google Earth
2
Imagem 22 Fonte: Google Earth
4
Imagem 21 Fonte: Google Earth
Imagem 23 Fonte: Google Earth
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Área de Intervenção Expandida - Mapa de Uso e Ocupação do Solo segundo a LUOS
Área Residencial III
Área de Uso Misto Especial
Área Residencial II
Área Verde
25
50
100
Área de Intervenção Expandida - Mapa de Principais Coméricios e Serviços Locais
25
50
100
80
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Área de Intervenção Expandida - Mapa de Hierarquia Viária
Via principal
Via estrutural
Via coletora
25
50
100
Área de Intervenção Expandida - Mapa de Mobilidade
Ponto de ônibus
Faixa de pedestre
Rota de ônibus
25
50
100
82
83
Área de Intervenção Expandida - Mapa de Gabaritos
Liberado
Até 2 pavimentos
Até 4 pavimentos
25
Até 8 pavimentos
50
100
Área de Intervenção Expandida - Mapa de Cheios e Vazios
25
50
100
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Área de Intervenção Expandida - Mapa de Condicionantes Ambientais
25
50
100
C 35
mm 210
30
180
25
150
20
120
15
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10
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05
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0
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02
03
04
05
06
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08
09
10
11
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Gráfico de temperaturas
°C 40
35
30
25
20
01
02
03
Gráfico de chuvas
Direção solar
Direção dos ventos predominantes
04
05
06
07
08
09
10
11
12
0
Com relação as condicionantes ambientais, Dourados possui clima tropical de altitude de verões brandos, sendo seco no inverno e tropical úmido no verão. Os ventos predominates na região são Nordeste. No mês de Dezembro, o mês mais quente do ano, a temperatura média é de 25.9 °C. Ao longo do ano Julho tem uma temperatura média de 18.9 °C. É a temperatura média mais baixa do ano. A temperatura média anual em Dourados é de 23.4 °C e a cidade tem uma pluviosidade média anual de 1419 mm.
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LEGISLAÇÃO APLICÁVEL
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O terreno eleito possui forma trapezoidal, de dimensões de 37,2 x 69,7 x 40 x 66 metros e área de 2638 metros quadrdos. O espaço foi escolhido por estar próximo a um dos eixos principais da cidade, a Avenida Presidente Vargas. Dessa forma, seu acesso através de transporte público é facilitado. Além disso, também situa-se próximo a Reserva Indígena (890 metros), de forma a suprir a necessidade de uma instituição que possa ser acessada a pé. Segundo a legislação do Mato Grosso do Sul apresentada na Lei de Uso e Ocupaçao do Solo (LUOS) aprovada em 19 de outubro de 2012, o terreno escolhido se enquadra na seguinte categoria:
Avenida Presidente Vargas
Terreno
Rua Suécia
VIII.A – Área de Uso Misto Especial (AUME); 37,2
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A LUOS indica também alguns parâmetros a serem levados em consideração no projeto:
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Coeficiente de aproveitamento básico = 3,0 Coeficiente de aproveitamento médio = 4,0 Taxa de ocupação básica = 70% Taxa de permeabilidade do solo = 15% Gabarito máximo permitido = 8,0 m Vaga: 1 vaga por 70 m² LEI 1.0391 A Lei no. 1.0391 de 11 de setembro de 1986, que dipõe sobre o Código de Obras e Edificações do Município de Dourados, regula obras e edificações públicas e particulares no território mencionado e determina procedimentos de controle urbano, licenciamento e fiscalização. NBR 9.050/2015 Esta norma prevê os aspectos técnicos de acessibilidade que devem ser observados nas construções urbanas, um dos pontos de análise criteriosa para aprovação de projetos na Central de Aprovação de Projetos - CAP.
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PROGRAMA DE NECESSIDADES
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Após compreender a arquitetura indígena, seus costumes e maneira e viver, tem-se informação o suficiente para a estruturação do programa de necessidades do projeto. O programa de necessidades do projeto fragmenta-se em quatro principais funções: acolhimento, suporte, oportunidade e partilha. Como já mencionado anteriormente, o principal objetivo do presente projeto é acolher as mulheres indígenas que habitam Reserva Indígena de Dourados que foram ou não vítimas de violência, além de promover encontros, debates e workshops. Na área de acolhimento a mulher em situação de vulnerabilidade - ou não - encontra acesso à informações a respeito de seus direitos e suportes oferecidos para assegurar sua segurança. Além disso, esse espaço conta com recepção, cozinha, refeitório, dormitórios provisórios, banheiros e vestiários. Na área de suporte, a mulher encontra enfermaria para emergências e atendimento psicossocial. Vale ressaltar que, a depender da violência ocorrida, a insituição fará o encaminhamento da vítima para o Pólo-Base da DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) de Dourados. Na área de oportunidade, é possível encontrar uma sala de aula, espaços para workshops e debates, área de leitura e exposição, além de espaço para recreação infantil, para que as mães indígenas possam deixar seus filhos em um local seguro ao realizarem outras atividades. A idéia é gerar uma rede de conhecimento entre essas mulheres, concernindo os mais diversos temas: desde cursos de artesanato até debates sobre independência financeira. Na área de partilha a mulher encontra um anfiteatro aberto para grandes palestras e debates e espaços para descanso e conversas mais reservadas, de modo a proporcionar um espaço de lazer e tranquilidade para que as mulheres sintam-se a vontade para passarem uma parte do dia lá, caso queiram. A idéia é manter vivo um ciclo de debates informativos dos mais diversos assuntos, buscando sempre trazer informações para essas mulheres, que muitas vezes enfrentam dificuldades de acesso às mesmas. Além disso, um dos pontos mais importantes desse espaço é deixar as mulheres confortáveis para compartilharem suas experiências entre si.
Recepção Cozinha
Acolhimento
Refeitório Dormitórios provisórios
Banheiro
Suporte
Enfermaria Atendimento psicossocial
Sala de aula
Oportunidade
Sala de exposição/leitura Espaço recreativo infantil
Partilha
Anfiteatro (átrio) Área de convivência
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DIRETRIZES
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_Propor uma instituição de acolhimento à mulher indígena de modo a oferecer o amparo e informações necessárias para assegurar sua segurança; _Compreender o modo de viver e costumes indígenas, trazendo referências importantes para o projeto, de modo que o projeto dialogue com sua cultura; _Criar uma rede de sororidade, debates e conscientização entre as mulheres indígenas residentes em Dourados e seu entorno. É relevante ressaltar certas características da cultura indígena que foram levadas em consideração para o desenvolvimento do projeto: _Em suas construções tradicionais, as ocas não possuem divisórias internas; _A organização das aldeias é dada por um círculo ou oval onde em seu centro é considerado o Warã (lugar de decisões políticas) e em seguida as casas e demais construções, distribuídas ao seu redor; _Mesmo aqueles que habitam em pequenas casas não se adaptam ao banheiro na área interna da casa: o banheiro deve estar distante do quarto, levando em consideração que originalmente utilizavam a floresta; _As aldeias são livres de árvores, para evitar o risco de caírem e destruírem suas ocas; _A direção solar influencia na escolha do território: a implantação busca um direcionamento em que é possível ver o sol se pôr; _As aldeias eram forticicadas com uma cerca dupla ou tripla, proporcionando segurança para o espaço que residem.
Imagem 24: Organização antiga de uma aldeia indígena Fonte: Google
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CONCEITO
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O principal conceito que inspira a criação da UnIdAS é o ecofeminismo. As ecofeministas enxergam uma raiz em comum entre as causas da destruição do meio ambiente e a degradação da mulher, e ao lutar contra esse sistema poderiam conseguir melhores condições para todos. Seu principal objetivo é explicar como o patriarcado capitalista que rege o sistema político, social e econômico a nível global é o grande responsável pela destruição do planeta, assim como pela falta de direitos e oportunidades por parte das mulheres. Dessa forma, ecofeministas em todo o mundo propõem uma nova perspectiva que reconheça que a vida na sociedade e sua relação com a natureza deveria se fundamentar na cooperação. Para essas ativistas, embora o mundo esteja acostumado ao capitalismo e suas estruturas econômicas, existem opções alternativas cujo foco está em relacionar-se com a natureza de outra maneira. A agricultura e produção de alimentos livres de poluentes, a conservação e preservação de habitats naturais e ecossistemas, a migração à formas de energia não baseadas em carbono são algumas das propostas que desafiam o modelo atual. O projeto busca em certos aspectos atingir esse conceito através de sua cooperação entre mulheres, rede de conhecimentos, debates, cultivo de alimentos, entre outros.
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PARTIDO ARQUITETÔNICO
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1. Primeiramente, foi definido o traçado regulador do projeto. A forma circular, remetendo às aldeias indígenas foi posicionada ao centro do terreno e o estacionamento na área frontal; 2. Foi realizado o cálculo do numero de vagas necessárias para atender o edifício. Dessa maneira, foi possível obter a dimensão correta ocupada pelo estacionamento, assim como a definição do programa de necessidades e a metragem quadrada aproximada do edifício, que passou a comportar um grande átrio em seu centro; 3. Em seguida, foi a partir do jogo de formas flúidas para a área de estar e leitura que foi possível deinfir a forma final da edificação, assim como seus acessos; 4. Juntamente ao processo de desenvolvimento da voluemtria do edifício, foi também pensado o pergolado, desenho de piso e jardim do projeto, levando em consideração a importância que o solo e o paisagismo têm para os indígenas.
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O PROJETO
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Situação atual
5
Rua Suécia
10
20
Situação proposta
5
Rua Suécia
Terreno
Avenida Presidente Vargas
Avenida Presidente Vargas
10
20
110
111
Planta de layout
5
10
15
Planta de cobertura
5
Espaços de permanência
Recepção
Estar/ exposição
+- 0,00
+- 0,00
Biblioteca A
m 6,30
A Refeitório +- 0,00
+- 0,00
Escada 19 degraus p = 32 cm e = 17 cm
Cobertura verde Sala de aula
24 m
+- 0,00
Pergolado em bambu
Pátio central
Cozinha
+- 0,00
- 0,02
28 m
Enfermaria
Armazenam. de alimentos
+- 0,00
B
+- 0,00
B
DML
+- 0,00
Atend. psicossocial +- 0,00
Sanitário - 0,02
3,6 0m
Quartos +- 0,00
10
15
112
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Planta de zoneamentos
Acolhimento
Suporte
5
Oportunidade
Partilha
10
15
Planta de níveis de intimidade
A intensidade do verde indica o aumento do nível de intimidade ou privacidade do cômodo
5
10
15
114
115 5
Corte AA
10
15
5
Corte BB
10
15
116
117 5
10
15
5
Fachada Norte
Fachada Leste
Fachada Sul
Fachada Oeste
10
15
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Guarda-corpo em taipa de pilão (continuação da parede) Nó de cachorro é um tipo de dobra realizada na barra de aço, que gera uma mudança de direcionamento indireta, a fim de evitar o efeito do empuxo no vazio, característico de estruturas como paredes de reservatórios e sacadas em balanço
Telhado verde em laje maciça em concreto
Vigas em concreto armado com marquise em balanço
Paredes autoportantes em taipa de pilão
Apoio Laje em balanço
Sapata corrida em concreto armado
Engaste
Cobertura verde
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Mistura de 94% de Terra e 6% de Cal
Forma em aço
Compactador de solo
MATERIALIDADE
Atualmente, muito se fala sobre recursos de construção alternativos e projetos de habitação mais sustentáveis. A técnica conhecida como taipa de pilão é um exemplo desse recurso e é a técnica implementada para a construção das paredes de todo o projeto. Seu poder construtivo e ecológico prova que é possível exercer a construção sustentável por meio de processos que preservem o meio ambiente. Quando aplicada na bioconstrução, a taipa de pilão surge a partir do uso de fôrmas próprias para compactar horizontalmente o barro até que o material atinja uma densidade ideal e resistente. Rústica, simples e milenar, a técnica tem sido empregada há anos em diversos países e muito bem recebida quando o assunto é usar de sustentabilidade na construção civil e criar construções energeticamente apropriadas. Uma construção tradicional e, principalmente, eficaz com taipas de pilão deve, de preferência, passar por um eficiente processo de apiloamento, isto é, a compactação de um material, seja manual ou mecanicamente. Durante o procedimento, quando a terra atinge 2/3 da altura da taipa de pilão, é sinal de que pode receber transversalmente algumas madeiras em formato cilíndrico envolvidas em folhas de bananeira. Além de sustentável, a taipa de pilão também ganha em eficiência térmica e universalidade, uma vez que é compatível com grande parte das obras. Dentre os benefícios do uso de taipas na construção, ainda é possível citar a considerável redução de custos, o uso de até 90% de materiais provenientes da própria construção, a durabilidade, o desempenho e suas propriedades térmicas.
As instalações hidráulicas da edificação não devem ser instaladas no interior da parede do sistema sistema em taipa de pilão, pois estas são autoportantes, impossibilitando futuros reparos. Dessa maneira, propõe-se a utilização de instalações aparentes no projeto. É importante destacar também a grande utilização de bambu no projeto. O estado do Mato Grosso do Sul possui cerca de 40 mil hectares de bambu nativo, ocupando a terceira posição no ranking nacional, segundo dados da Associação Brasileira de Produtores de Bambu. Além disso, também é um material muito utlizado pela comunidade indígena em construções. Este material está presente em todas as esquadrias do edifício, assim como em seu pergolado e parte do mobiliário.
1. Se constrói a forma e uma camada de terra úmida é preenchida; 2. A camada de terra é compactada; 3. Mais uma camada de terra é adicionada; 4. Sucessivas camadas de terra são adicionadas e compactadas; 5. A forma é retirada deixando a parede de terra aparente.
Dia: a parede de terra absorve o calor lentamente e mantém a temperatura interna estável; Noite: a parede de terra libera o calor absorvido durante o dia e mantém a temperatura interna estável.
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PAISAGISMO Espécies arbóreas
Meses de floração
Agosto Apesar da imagem forte do projeto visto de cima, o desenho não foi pensado com base em seu protagonismo imagético, mas sim pelas diversas paisagens e surpresas que o pedestre terá ao caminhar ou permanecer no local. Nesse sentido, a escolha das árvores foram fundamentais para projeto. Como é possível perceber, o bioma presente na cidade de Dourados é o Cerrado e, dessa maneira, a vegetação foi selecionada de acordo. As espécies foram escolhidas não apenas pelas cores – que transformarão o beco em uma alameda florida entre o inverno e a primavera – mas também pela geometria das próprias plantas, fazendo assim um jogo entre escalas, formas e cores na paisagem, formando visuais atraentes inclusive fora da época de floração. As árvores também guiam o percurso e sombreiam os espaços de permanência ao longo do caminho. Dessa forma, o projeto da sede UnIdAS busca humanizar não somente seu espaço, mas também as relações entre as pessoas através de um desenho e escolhas de projeto que entendem esse lugar como um patrimônio coletivo feminino.
Setembro
Altura máxima
Outubro
Feijão-cru
12 m
Cagaita
10 m
Gomeira
12 m
Campo Grande
Dourados
100
Sucupira-branca
16 m
Jacarandá de Minas
10 m
Cega-machado
10 m
Mororotó
25 m
200 km 200
Complexo do Pantanal Cerrado Floresta Campos limpos
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TANQUE DE EVAPOTRANSPIRAÇÃO Sem escala
Com relação ao tratamento de águas cinzas, porpõe-se para o projeto a instalação de um tanque de evapotranspiração. TEvap é um sistema capaz de filtrar as impurezas das águas provenientes dos sanitários, que passa por processos naturais de degradação microbiana da matéria orgânica, mineralização de nutrientes, absorção e evapotranspiração pelas plantas. O sistema consiste em um tanque impermeabilizado, preenchido com diferentes camadas de substratos e sobre a sua superfície é plantado vegetações que requerem alta demanda de água. O dimensionamento comumente utilizado para o tratamento apenas das águas negras é de 1m a 1,5m de profundidade e é necessário 2 m² m² por usuário. As etapas do tratamento consistem em: 1. Fermentação O efluente é decomposto pelo processo de fermentação (digestão anaeróbia) realizado pelas bactérias na câmara bio-séptica de pneus (neste caso) e nos espaços criados entre as pedras e tijolos colocados ao lado da câmara. 2. Segurança Os microrganismos patógenos são enclausurados no sistema, pois não há como garantir sua eliminação completa. Isto é realizado visto que o Tanque é fechado, sem saídas. 3. Capilaridade Como a água está presa no Tanque, ela se move por meio de capilaridade de baixo para cima e, com isso, depois de separada dos resíduos humanos, vai passando pelas camadas de brita, areia e solo, chegando até as raízes das plantas.
4. Evapotranspiração É a partir desse processo que é possível o tratamento final da água, que só sai do sistema em forma de vapor, sem nenhum contaminante. A evapotranspiração é realizada pelas plantas, principalmente as de folhas largas, como as bananeiras, que, além disso, consomem os nutrientes em seu processo de crescimento, permitindo que a bacia não encha.
Bananeiras
Solo Impermeabilizante Areia Pedra brita Pedras ou restos de materiais Câmara séptica - pneus Camada de tijolos
Parede em ferrocimento
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SISTEMA DE DRENAGEM
DETALHE DA LAJE
Sem escala
Sem escala
Vegetação
Ao ser recolhida através do telhado verde, a água proveniente da chuva é conduzida à um filtro e, em seguida, à uma cisterna enterrável, que levará a água à caixa d’água elevada do edifício, que também é alimentada através de uma ligação de água potável. Em seguida a água é redirecionada para seu uso em sanitários, lavagem de roupas e suas demais funções.
Camada vegetal
Tubo dreno com manta bidim
Camada filtrante Camada de drenagem
Sistema de drenagem
Marquise maciça em concreto pigmentado com óxido de ferro
Camada protetora Rufo i = 5% Placa pré moldada de concreto
i = 2%
Bloco cerâmico perfurado Brita
Parede autoportante em taipa de pilão
Tubo dreno com manta bidim ø 100 mm Laje maciça em concreto pigmentado com óxido de ferro Camada separadora Impermeabilização da cobertura Camada separadora Camada protetora contra raízes
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PLACA SOLAR FOTOVOLTAICA
DETALHE DE PISO
Sem escala
Sem escala
Propõe-se também para o projeto a utilização de placas solares fotovoltaicas como uma solução econômica e sustentável para a utilização de energia. As placas fotovoltaicas transformam a energia solar em energia elétrica de forma renovável e sem danos à natureza. Uma vez que reduz o uso de combustíveis fósseis e emissões de gases que destroem a camada de ozônio, o uso de placas solares garante que sua construção seja mais sustentável.
O painel solar assegura ainda a economia na manutenção. As placas possuem garantia de performance de até 25 anos, com uma vida útil que pode chegar aos 40 anos, e não há partes móveis que se desgastam facilmente. São recomendadas apenas limpezas periódicas para garantir a eficiência do sistema. Além disso, é possível armazenar a energia excedente em baterias, com a utilização de um sistema off-grid, ou fora da rede.
Paredes autoportantes em taipa de pilão Acabamento em cera Camada de nivelamento em barro Camada de terra ramificada Barreira de vapor
Moldura Sapata corrida em concreto
Vidro temperado Encapsulante Célula fotovoltaica Encapsulante Bacsheet
Camada base em brita Manta impermeabilizante em polietileno Solo
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Mapa de esquadrias
5
10
15
JC1
ESQUADRIAS
JC1 JC1
PC3
PC3 PC1
JA1: Janela de abrir com duas folhas, altura de 1,15m e peitoril 1,10m, com moldura em bambu e ripas verticais em bambu (r = 1 cm); JA1
JC1: Janela de correr, altura de 50 cm e peitoril 2,40 m, com moldura em bambu e fechamento em vidro temperado liso incolor;
JA1 JA1
JC1
PP1
PA1: Porta de abrir com duas folhas, altura de 2,20 m, com moldura em bambu e ripas verticais em bambu (r = 1 cm);
PC2 JA1 JC1
JC1 PA1 JC1
PP1
PP1
PP1: Porta pivotante, altura de 2,10 m, com moldura em bambu e ripas verticais em bambu (r = 1 cm); PP2: Porta pivotante, altura de 2,10 m, com moldura em bambu e ripas verticais em bambu (r = 1 cm).
JC1 PP1
JC1 PP1
PP1 JC1 PP2 PP1 PP1
JC1
JC1
JC1 JC1
JC1
PP1
JC1 JC1
PP1
PP1 PP1
PP1
JC1
PC1 JC1 JC1
JC1
PC1: Porta de correr, altura de 2,50 m, com moldura em bambu e ripas verticais em bambu (r = 1 cm); PC2: Porta de correr, altura de 2,30 m, com moldura em bambu e ripas verticais em bambu (r = 1 cm); PC3: Porta de correr, altura de 2,20 m, com moldura em bambu e ripas verticais em bambu (r = 1 cm);
JC1
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DETALHE DA ESCADA Sem escala
Cobertura + 3,40
Escada autoportante em concreto armado pigmentada com óxido de ferro 19 degraus p = 32 cm e = 17 cm
Corrimão em concreto pigmentado com óxido de ferro
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INSTALAÇÕES APARENTES Sem escala
Marquise maciça em concreto pigmentado com óxido de ferro
Vegetação Laje maciça em concreto pigmentado com óxido de ferro
Parede autoportante em taipa de pilão Eletroduto galvanizado
Piso em terra batida com acabamento em cera
Imagem 25: Projeto em taipa de pilão com isntalações aparentes Fonte: Dezeen
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CONCLUSÃO
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Por fim, é importante frisar que o presente projeto busca revisitar a arquitetura vernacular e indígena de maneira a proporcionar conforto e acolhimento para as mulheres pertencentes a esse grupo, mas sem esquecer do contexto urbano em que se insere. É necessária muita cautela ao projetar para um grupo com tradições e cultura tão específicas. A intenção desse edifício não é tentar reproduzir a arquitetura indígena, mas sim compreender e abraçar suas especificidades de maneira a tornar o local confortável e acolhedor para as mulheres indígenas, grupo que tanto carece desses espaços por todo o país, especialmente no município de Dourados.
Imagem 26 Fonte: https://esquadrodamoda.wordpress.com/2014/04/25/uma-moda-a-brasileira-povos-indigenas/
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REFERÊNCIAS
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AMAZÔNIA REAL. Pesquisa revela uma década de violência contra mulheres indígenas em São Gabriel da Cachoeira. https://amazoniareal. com.br/pesquisa-revela-uma-decada-de-violencia-contra-mulheres-indigenas-em-sao-gabriel-da-cachoeira/. Acesso em: 2 jan. 2022. ARCHDAILY. Além da sobrevivência - um espaço seguro para mulheres e meninas Rohingya https://www.archdaily.com.br/br/952329/alem-da-sobrevivencia-um-espaco-seguro-para-mulheres-e-meninas-rohingya-rizvi-hassan. Acesso em: 7 jan. 2022. __________. Arquiteturas originais brasileiras. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/956191/arquiteturas-originais-brasileiras?ad_ source=search&ad_medium=search_result_all. Acesso em: 17 dez. 2021. __________. Kipará Té Etno - Aaldeia Turística Embera / Juan Pablo Dorado + Oficina Suramericana de Arquitectura. Disponível em: https:// www.archdaily.com.br/br/773773/kipara-de-embera-etno-vila-turistica-juan-pablo-dorado-plus-oficina-suramericana-de-arquitectura?ad_ source=search&ad_medium=search_result_all. Acesso em: 14 dez. 2021. __________. Centro de Oportunidade para Mulheres / Sharon Davis Design. https://www.archdaily.com.br/br/01-158650/centro-de-oportunidade-para-mulheres-slash-sharon-davis-design?ad_source=search&ad_medium=search_result_all. Acesso em: 11 dez. 2021. __________. Centro para Mulheres em Masai / C-re-aid. https://www.archdaily.com.br/br/870381/centro-para-mulheres-em-masai-c-re-aid?ad_source=search&ad_medium=search_result_all. Acesso em: 29 dez 2021. ARQUITETANDO DOURADOS MS. Taxas 2022. http://arquitetandodouradosms.blogspot.com/. Acesso em: 5 jan. 2022. CAMPO GRANDE NEWS. Violência contra mulher indígena equivale a menos de 1% das denúncias. https://www.campograndenews.com.br/ brasil/cidades/violencia-contra-mulher-indigena-equivale-a-menos-de-1-das-denuncias. Acesso em: 9 jan. 2022. CONSELHO INDÍGENA MISSIONÁRIO. Relatório Cimi: violência contra os povos indígenas no Brasil tem aumento sistêmico e contínuo. https:// cimi.org.br/2018/09/relatorio-cimi-violencia-contra-os-povos-indigenas-no-brasil-tem-aumento-sistemico-e-continuo/. Acesso em: 19 dez. 2021. __________. A maior violência contra os povos indígenas é a destruição de seus territórios, aponta relatório do Cimi. https://cimi.org. br/2019/09/a-maior-violencia-contra-os-povos-indigenas-e-a-apropriacao-e-destruicao-de-seus-territorios-aponta-relatorio-do-cimi/. Acesso em: 22 dez. 2021. DEEZEN.COM. RIMA Design Group designs rammed-earth arts centre in Los Cabos. https://www.dezeen.com/2020/06/10/rima-design-group-rammed-earth-arts-centre-los-cabos/#/. Acesso em: 12 jan. 2022. FOLHA DE SP. Vítimas de violência doméstica, mulheres indígenas tropeçam em distância e idioma para denunciar. 4 mar. 2020. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/03/vitimas-de-violencia-domestica-mulheres-indigenas-tropecam-em-distancia-e-idioma-para-denunciar.shtml. Acesso em: 4 jan. 2022. INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL. As lutas das mulheres indígenas e negras para serem ouvidas e respeitadas. Disponível em: https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-monitoramento/as-lutas-das-mulheres-indigenas-e-negras-para-serem-ouvidas-e-respeitadas. Acesso em: 2 jan. 2022. JORNALISTAS LIVRES. Violência contra as mulheres indígenas. Disponível em: https://jornalistaslivres.org/violencia-contra-as-mulheres-indigenas/. Acesso em: 19 dez. 2021. KANINDÉ – ASSOCIAÇÃO DE DEFESA ETNOAMBIENTAL. Mulheres indígenas e as formas modernas de violência contra a mulher. https:// www.kaninde.org.br/mulheres-indigenas-e-as-formas-modernas-de-violencia-contra-a-mulher/. Acesso em: 5 dez. 2021. OBSERVATÓRIO DO TERCEIRO SETOR. Resistência: os desafios das mulheres indígenas no Brasil. Disponível em: https://observatorio3setor.org. br/carrossel/resistencia-os-desafios-das-mulheres-indigenas-no-brasil/. Acesso em: 12 dez. 2021. PONTOURBE – REVISTA DO NÚCLEO DE ANTROPOLOGIA URBANA DA USP. Mulheres indígenas: diálogo sobre a vida na cidade. Disponível em: https://journals.openedition.org/pontourbe/672. Acesso em: 3 jan. 2022. SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE. Como funciona a organização dos serviços de saúde indígena no Brasil. https://www.sbmfc.org.br/noticias/como-funciona-a-organizacao-dos-servicos-de-saude-indigena-no-brasil/. Acesso em: 6 jan. 2022.
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AGRADECIMENTOS
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Aos meus pais, e meu irmão, que durante toda minha vida estiveram ao meu lado me apoiando para que eu realizasse meus sonhos e nunca mediram esforços para isso. À minha orientadora e professora Maribel, pelo apoio, orientações e por tanto me ensinar sobre feminismo e sororidade, fazendo com que a arquitetura ganhe um sentido muito especial para mim. Obrigada por me guiar por esse longo processo e me fornecer o apoio para que eu até aqui chegasse. Aos meus amigos de longa data e parceiros de vida: Júlia, Marina, Rayan, Camila e Isadora. Aos meus amigos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo 2/2014, que tornaram essa trajetória uma experiência inesquecível. Às minhas amigas Ana Luiza e Maria Clara, minhas parceiras de projetos há 7 anos. Às minhas amigas arquitetas que Paris me deu: Gabriela, Giovanna, Alessandra, Mariana e Natália. À Universidade de Brasília por seu ensino de excelência, público e gratuito. Me torno hoje a arquiteta que sou graças à todas as experiências e conhecimentos que lá adquiri.
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Imagem 27: Marcha de mulheres indígenas em protesto contra o governo Bolsonaro Fonte: https://exame.com/brasil/fotos-em-1a-marcha-mulheres-indigenas