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KÉRAMICA revista da indústria cerâmica portuguesa

Publicação Bimestral €8.00

nº361

Edição Novembro/Dezembro . 2019

CRISTALARIA E VIDRO DE MESA


2 0 2 0 // # 0 | j a n e i ro | B i m e s t r a l Esta revista técnica faz parte integrante da revista KÉRAMICA e não pode ser vendido separadamente

E D I Ç Ã O P A R A

E S P E C I A L G U A R D A R

Sílica Cristalina Respirável e Fibras Cerâmicas Refratárias – Alterações Legais –

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VEJA TAMBÉM A REVISTA TÉCNICA DO CTCV DISTRIBUÍDA COM ESTA EDIÇÃO DA KERAMICA


Index

Editorial . 03

Secção Jurídica . 18 18 Lei Nacional de Execução do Regulamento Geral de Protecção de Dados

Destaque . 04 4 A Simbiose Entre o Vidro e a Arte de Interpretar o que nos Rodeia

Economia . 07

Recursos Humanos . 23 23 Campeonatos das Profissões: um Pilar na Construção de Competências

Arquitetura . 28

28

Arte ou Técnica

7 Cristalaria, Exportações Mundiais, na UE-28 e em Portugal, no Ano 2018

Cultura . 09 9 A Tradição Vidreira em Oliveira de Azeméis

Associativismo . 31 31 Workshop Captação de Investimento e Capital, no âmbito do projeto “Ceramics Industry – The New Age” 33 European Ceramic Days 2019

Investigação . 12 12 Vidro, História e Inovação Artística - A investigação na VICARTE

Notícias & Informações

. 36

36 Novidades das Empresas Cerâmicas Portuguesas

Entrevista . 15

Calendário de eventos . 44

15 À Conversa com Rita Barata, a única vidreira a trabalhar em Portugal 20 À Conversa com Anna Westerlund, vencedora do prémio “Ceramics Industry - The New Age Awards by APICER”

Propriedade e Edição APICER - Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e de Cristalaria Direção, Administração, Redação, Publicidade e Edição Rua Coronel Veiga Simão, Edifício C 3025-307 Coimbra [t] +351 239 497 600 [f] +351 239 497 601 [e-mail] info@apicer.pt [internet] www.apicer.pt

Colaboradores Andreia Ruivo, António Oliveira , Fernando Quintas, Filomena Girão, IEFP, Joaquim Jorge Ferreira, Márcia Vilarigues, Marta Frias e Ricardo Martins. Paginação Nuno Ruano

Diretor Marco Mussini

Impressão Gráfica Almondina - Progresso e Vida; Empresa Tipográfica e Jornalística, Lda Rua da Gráfica Almondina, Zona Industrial de Torres Novas, Apartado 29 2350-909 Torres Novas [t] 249 830 130 [f] 249 830 139 [email] geral@grafica-almondina.com [internet] www.grafica-almondina.com

Editor e Coordenação Albertina Sequeira [e-mail] keramica@apicer.pt

Distribuição Gratuita aos associados e assinatura anual (6 números) ; Portugal €32,00 (IVA incluído) ; União Europeia €60,00 ; Resto da Europa €75,00 ; Fora da Europa €90,00

Conselho Editorial Albertina Sequeira, António Oliveira, Marco Mussini e Silvia Machado

Versão On-line https://issuu.com/apicer-ceramicsportugal

Capa Nuno Ruano

Notas Proibida a reprodução total ou parcial de textos sem citar a fonte. Os artigos assinados veiculam as posições dos seus autores.

Tiragem 500 exemplares

Índice de Anunciantes BONGIOANNI (Página 43) • CERTIF (Página 17) • HOP (Página 35) • INDUZIR (Verso Capa) • MAGELLAN (Contra Capa) • SEW (Verso da Contra Capa) • TECNARGILLA (Página 29) Conteúdos conforme o novo acordo ortográfico, salvo se os autores/colaboradores não o autorizarem

Publicação Bimestral nº361 . Ano XLIV . Novembro . Dezembro . 2019

Depósito legal nº 21079/88 . Publicação Periódica inscrita na ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social] com o nº 122304 ISSN 0871 - 780X Estatuto Editorial disponível em http://www.apicer.pt/apicer/keramica.php

p . 24 . K é r a m i c a . IDnedset xa q u e

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Editorial

Não é preciso muito tempo para nos apercebermos das afinidades que existem entre as indústrias da cerâmica e da cristalaria. São afinidades regionais marcadas pela proximidade geográfica entre os grandes centros da Marinha Grande e das Caldas da Rainha e Alcobaça, mas são também estreitas as relações que mantém no processo, no design e na inovação tecnológica, o que me leva a concluir que se trata de indústrias que vivem há muitos anos em união de facto, companheiras na mesma mesa e associadas na mesma decoração. Ser vidreiro na Marinha Grande, é não só trabalhar numa fábrica de vidro, mas é sobretudo frequentar uma escola rica de saberes e tradições, passadas de geração para geração, que deram a esta arte de fazer o vidro uma assinatura de referência internacional, e uma magia que os grandes artesãos continuam a produzir, dando forma a uma massa sem jeito, e dando funcionalidade e requinte às peças que utilizamos no dia a dia para os mais diversos e variados fins. Tal como na cerâmica, falar de vidro é falar de múltiplos produtos para múltiplas utilizações, mas a cristalaria tem uma identidade própria que não passa despercebida, mesmo que o teste seja feito por um simples toque, como de um diapasão se tratasse; um para dar início ao concerto, outro para dar elegância a um brinde.

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E porque falar de brinde é falar de comemoração e de Festas, e porque é este o número da KERAMICA que atravessa o NATAL de 2019, não posso deixar de brindar aos setores da cerâmica e da cristalaria, em especial aos nossos associados bem como aos seus empresários e gestores e todos os trabalhadores das empresas e respetivas Famílias, erguendo a taça da APICER para um sonoro tilintar que nesta altura significa FELIZ NATAL e Próspero ANO NOVO. Estes votos são sempre novos e renovados ano após ano, tal como novos são os desafios que podemos esperar a partir de Janeiro de 2020, com exceção da força e da vontade de sempre, bem como da crença de que vamos vencer sejam quais forem as contrariedades, porque também há sempre boas novidades que nos esperam. Quanto a estas, faço votos para que as saibamos e possamos aproveitar; quanto às outras não só vêm quando menos se espera, como se vão depois de resolvidas.

Dr. José Luís Sequeira (Presidente da Direção da APICER)

Dde isttoa rqiua el . K é r a m i c a . p . 35 E


Destaque

A SIMBIOSE ENTRE O VIDRO E A ARTE DE INTERPRETAR O QUE NOS RODEIA

Ricardo Martins

po r Rica rd o Mar tins, Senio r P ro d uc t D e signe r, Libbe y Po rtu g al

O desenvolvimento da Indústria do vidro em Portugal deu-se no início do século XVIII na Marinha Grande e existe e persiste até aos dias de hoje. Durante muitas décadas, a sua origem e características estiveram associadas ao vidro artesanal e artístico. No entanto, o mundo do vidro acabou mais tarde por ser industrializado, deixando o vidro de ser apenas um objeto artístico, para passar a ser um objeto de uso quotidiano. Assim, com o desenvolvimento do vidro de mesa através do processo de produção industrial, a industria vidreira passou a ter que dar resposta a diversas funções e contextos, quero com isto dizer, que o vidro é utilizado no

p.4 . Kéramica . Destaque

nosso dia-a-dia juntamente com outros produtos, outros materiais, em vários mercados e em diferentes regiões do mundo, o que nos obriga a estar atentos ao que se passa à nossa volta. Existem variadíssimos fatores que influenciam o sucesso do vidro de mesa na atual conjetura de mercado. A indústria vidreira está forte no mercado global, mas enfrenta uma concorrência acérrima, uma vez que existem grandes empresas de produção de vidro de mesa espalhadas por todo o mundo, e com grande incidência na Europa. Para poder competir nesta indústria, é necessária uma constante inovação do produto, por forma a dar resposta às exigências do mercado atual, onde um vasto portfolio de vidro é também uma forma de dar resposta a estas necessidades. Além do produto em si, o serviço prestado é também um dos fatores que influencia o negócio, assim como a excelência do sistema e tecnologia de produção, obrigando esta indústria a estar constantemente à procura da inovação tecnológica e permanentemente a preparar o futuro em termos da produção de vidro. Um outro fator importantíssimo é o desenvolvimento criativo dos seus produtos, onde o design tem um papel fundamental. A sua responsabilidade e objetivo é dar resposta a uma necessidade de um mercado ou cliente, seja ela estética, funcional ou concetual. Para que esse processo possa ser mais assertivo dentro do contexto do negócio, saliento a importância da análise de tudo aquilo que nos rodeia. Neste processo a visita a feiras, lojas e eventos onde possa ser feita uma interpretação das tendências de mercado irá certamente alimentar a capacidade criativa, proporcionando uma melhor assertividade no desenvolvimento do produto. No caso da indústria do vidro de mesa, essa interpretação de mercado vai permitir que se possa trabalhar em diferentes direções, sendo que o mundo da hotelaria e do retalho são aquelas que mais

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Destaque

sofrem influências das principais tendências de mercado. A hotelaria que é constituída por restaurantes, hotéis, cantinas, bares, entre outros, caracteriza-se pela funcionalidade dos seus produtos, pois tem uma influência direta no desempenho do negócio, seja ele a nível da utilização, gestão do espaço ou através da influência que o próprio design das peças tem na degustação das bebidas. A forma ideal para cada bebida e as capacidades corretas, são fatores importantíssimos neste canal de negócio. O design das peças também o é, pois deve respeitar as principais tendências do mercado, por forma a que os empresários consigam associar as peças aos temas ou conceitos que eles próprios querem introduzir no seu negócio. O fator surpresa e a diferenciação são sem dúvida cruciais nesta área de negócio. No caso do retalho, que se define como as normais lojas que frequentamos todos os dias, a importância da análise de tendências é ainda mais importante. Nas nossas casas estamos rodeados de variadíssimos produtos como mobiliário, iluminação, bem como todos os objetos que dão suporte às nossas rotinas e lazeres diários, e por isso o desenvolvimento de produtos de vidro deverá respeitar as mesmas tendências, facilitando a compra por parte dos distribuidores e por consequente pelos consumidores finais. Ao falarmos de vidro temos obrigatoriamente de falar nas tendências, as quais influenciam os temas que dão corpo às várias coleções. De todas as tendências destaco aquela que se tem afirmado durante mais tempo, o ‘vintage’, onde são recuperados elementos, padrões e cores que caracterizam a primeira metade do século XX. É como se viajássemos no tempo e recuperássemos momentos já vividos no passado pelos nossos avós, fazendo-nos recuperar momentos emotivos eventualmente esquecidos. No desenvolvimento criativo de um produto de vidro é assim possível trazer até aos dias de hoje a es-

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sência e a expressividade do vidro artesanal que os nossos antepassados tão bem trabalharam. Enriquece-se e completa-se assim a história do vidro. Outros temas em voga são o Tiki e o Oriente, o que demonstra que a inspiração no desenvolvimento de um novo produto pode começar pelas raízes e influências culturais, as quais emergem das várias regiões do planeta, o que faz sentido num mundo globalizado. Um outro fator influente no processo criativo é o estudo do comportamento do consumidor, pois desta forma poderemos trabalhar assertivamente para os anos que virão, bem como estarmos preparados para as necessidades das novas gerações. Para isso, é crucial estar atento às indicações que as Macro-Trends nos dão em termos da evolução da sociedade e do consumidor. Aqui destaco a importância que a co-creation tem e continuará a ter nas próximas gerações, pois o consumidor cada vez mais quer participar no processo de desenvolvimento de um produto ou marca, quer através da personalização dos produtos, quer pela intervenção direta no seu processo. Deste modo, o desenvolvimento de vidro deverá contar com a participação de pessoas externas ao mundo do vidro, trazendo novas perspetivas e conhecimentos, fazendo desse processo criativo uma experiência que automaticamente terá a sua história, para dar lugar a um convincente storytelling para que os Marketeers possam defender o produto. O mundo online está completamente implementado no mercado, no entanto, os estudos mostram-nos que o consumidor começa a sentir necessidade do mundo real. Simultaneamente, as novas gerações procuram viver experiências novas e diferentes. Na minha opinião, o caminho do mundo do vidro deverá ser o de proporcionar aos diferentes canais de negócio e respetivos consumidores, o contato com os produtos de uma forma memorável, de maneira a que a marca ou produto fique associado para sempre à experiência vivida por essas pessoas. Provocar

D e s t a q u e . K é r a m i c a . p . 75


Destaque

Voltando ao início e recuperando a origem da indústria do vidro, onde o segredo das peças estava presente na arte de quem trabalhava o vidro com a sensibilidade e rigor das suas mãos, hoje em dia o segredo da indústria do vidro assenta também na arte, mas neste caso na arte de interpretar o que nos rodeia. Num mundo globalizado, saturado de produtos e serviços, e tendo em conta as exigências reais, o conhecimento do mercado, da sociedade e das diferentes culturas, bem como a evolução tecnológica, serão sem dúvida a chave para um desenvolvimento sustentável. A criatividade fará a diferença!

A Libbey Portugal (Crisal), é parte da filial Europeia do Grupo Libbey que tem sede em Toledo, Ohio, e é um dos maiores fabricantes de vidro de mesa do mundo. A Libbey Inc. tem fábricas nos Estados Unidos, México, China, Portugal e Holanda. Em laboração desde 1818, a empresa fornece produtos de vidro mesa para clientes de retalho, foodservice e B2B para mais de 100 países. O portfólio de marcas globais da Libbey, além de sua marca homónima, inclui Libbey Signature®, Master's Reserve®, Crisa®, Royal Leerdam®, World® Tableware, Syracuse® China e Crisal Glass®.

uma experiência é assim um meio para podermos passar a informação e poder promover temas e produtos de uma forma mais eficiente. Outro caminho a considerar será o de desenvolver os produtos para ir ao encontro das principais preocupações das futuras gerações, como são a sustentabilidade ou o bem-estar. Um bom exemplo dos muitos caminhos que o desenvolvimento de um produto de vidro poderá ter, é o de motivar as pessoas a beber mais água, salientando os seus benefícios para a saúde. Ao mesmo tempo, o próprio produto representa uma marca com valores e sensibilidade social.

p.6 . Kéramica . Destaque

A Crisal (Libbey Portugal), localiza-se na zona industrial da Marinha Grande, uma área bastante conhecida pela sua indústria vidreira. Esta fábrica é a única do género em Portugal e exporta para mais de 100 países nos 5 continentes. A Libbey Portugal é especialmente forte na produção de artigos personalizados, onde a tecnologia utilizada oferece uma vasta gama de opções. O portfólio da Libbey Portugal inclui copos, canecas e cálices, mas também peças de maior dimensão.

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Economia

CRISTALARIA EXPORTAÇÕES MUNDIAIS, NA UE-28 E EM PORTUGAL, NO ANO 2018

p or Antó ni o Oliveira, Eco no mista da A PICE R

Os objetos de vidro para serviço de mesa, cozinha, toucador, escritório, ornamentação de interiores ou usos semelhantes (cristalaria), correspondem, em termos de comércio internacional, à nomenclatura combinada (NC) 7013.

Figura 2 - Exportações de Cristalaria na UE-28 em 2018, por países Fonte: Eurostat – International Trade

Figura 1 - Exportações Mundiais de Cristalaria em 2018, por Áreas de Exportação Fonte: ITC – International Trade Centre

Exportações Mundiais No ano de 2018 as exportações mundiais de cristalaria atingiram os 7.318 milhões de euros, o que traduz uma variação de -1,0% face ao ano de 2017. O ranking dos exportadores mundiais em 2018 era

Exportações Mundiais de Cristalaria em 2018 Por Áreas de Exportação (em % do valor total) 1%

5%

União Europeia 28

13%

Outros Europa China

44%

Outros Ásia América África e Oceania 35% 2%

Exportações de Cristalaria na UE-28 em 2018 (em % do valor total) 12%

20%

3% 3% 4% 4%

15%

6%

7% 9%

8% 9%

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França Alemanha Itália Rep. Checa Países Baixos Polónia Áustria Espanha Bulgária Bélgica Portugal Outros

liderado pela China (35,3% do valor das exportações mundiais), seguida da França (8,7%), Alemanha (6,5%), República Checa (4,0%) e Itália (4,0%). Portugal ocupava o 16.º lugar do ranking mundial, com 1,4%. A contribuição da União Europeia (UE-28) para as exportações mundiais de cristalaria em 2018 representou 43,6% do valor total mundial (figura 1). União Europeia (UE-28) Em 2018 as exportações de cristalaria com origem na UE-28 ascenderam a 3.200 milhões de euros, o que traduz uma variação de 1,0% em relação ao ano anterior. Em termos de quantidades, as exportações da UE-28 corresponderam a 1.176.432 toneladas. No âmbito da UE-28, os principais exportadores (figura 2) foram a França (19,8% do valor total), Alemanha (14,9%), Itália (9,3%), República Checa (9,3%) e Países Baixos (7,8%). Portugal foi 0 11.º exportador no ranking, com 2,9%. Portugal No ano de 2018 as exportações portuguesas de cristalaria alcançaram os 93,7 milhões de euros (dados provisórios), valor que traduz uma variação de 4,9% em relação ao ano de 2017, e repartiram-se por 125 mercados. Espanha, Países Baixos, França, Estados Unidos e Alemanha, constituíram os principais mercados de destino das nossas vendas nos mercados internacionais (figura 3). Em termos de quantidades, as exportações portuguesas corresponderam a 38.923 toneladas, o que representou 3,3% do total das exportações da UE-28 expressas em toneladas. A cristalaria contribuiu positivamente para a balança comercial portuguesa, com um saldo de 46,2 milhões de euros, por efeitos de uma taxa de cobertura das importações pelas exportações de 197,5% (a taxa de cobertura média para o conjunto de bens foi de 76,7%).

EDceosnt oa q mui ea . K é r a m i c a . p . 97


Figura 4 - Exportações Portuguesas de Cristalaria em 2018, por produtos (em % do valor total) Fonte: INE - Estatísticas do Comércio Internacional de Bens

Figura 3 - Exportações Portuguesas de Cristalaria em 2018, por mercados (em % do valor total) Fonte: INE – Estatísticas do Comércio Internacional de Bens

Economia

Cristalaria - Mercados de Exportação de Portugal em 2018 13%

Espanha

22%

2%

Países Baixos

2%

França

3%

Estados Unidos

4%

Alemanha Reino Unido República Checa

8% 16%

Angola Itália Suíça

9%

Outros 12%

9%

Exportações Portuguesas de Cristalaria em 2018 - Por Produtos (em % do valor total) 4%

1%

Copos de vidro, com pé e sem pé

9%

49%

Objetos de vidro para serviço de mesa ou de cozinha Objetos de vidro para toucador, escritório ou ornamentação

37%

Objetos de cristal de chumbo para toucador, escritório ou ornamentação Outros

O transporte rodoviário foi o mais utilizado nas nossas exportações (78,1% do total), seguido do transporte marítim0 (20,5%), transporte aéreo (1,1%) e outros (0,3%). Os copos de vidro, com e sem pé, foram o produto de cristalaria mais exportado por Portugal em 2018 (figura 4), representando 48,7% do valor total das nossas vendas de cristalaria nos mercados internacionais. Seguiram-se os objetos de vidro para serviço de mesa ou de cozinha (36,9%), os objetos de vidro para toucador, escritório ou ornamentação (8,7%), os objetos de cristal de chumbo para toucador, escritório ou ornamentação (4,7%), os copos de cristal de chumbo, com pé e sem pé (0,6%), os objetos de vitrocerâmica para serviço de mesa e outros (0,3%) e, por fim, os objetos de cristal de chumbo para serviço de mesa ou de cozinha (0,1%). A Espanha, 1.º mercado de destino das exportações portuguesas de cristalaria em 2018, foi o 8.º mercado no ranking dos importadores mundiais. Portugal foi o 6.º fornecedor internacional do mercado espanhol em 2018 (7,1% do valor das importações de Espanha), atrás da França, China, Turquia, Alemanha e Itália). As importações de Espanha registaram uma variação de 4,7% entre os anos de 2017 e 2018. Nos Países Baixos, 2.º mercado de destino das exportações portuguesas e 5.º mercado no ranking dos importadores mundiais em 2018, Portugal foi o 4.º fornecedor inter-

p.8 1 0. .KKé ér ar ammi ci ac a. .E D c oe n s toamq iuae

nacional (7,3% do valor das importações dos Países Baixos), a seguir à China, Alemanha e Polónia. Entre os anos de 2017 e 2018 as importações dos Países Baixos aumentaram 7,1%. Na França, 3.º mercado de destino das exportações portuguesas e 4.º mercado no ranking dos importadores mundiais em 2018, Portugal foi o 8.º fornecedor internacional (3,8% do valor das importações francesas), a seguir à China, Itália, Alemanha, Países Baixos, Turquia, República Checa e Bélgica. As importações da França registaram uma variação de 0,2% entre os anos de 2017 e 2018. Os Estados Unidos, 4.º mercado de destino das exportações portuguesas em 2018, constituem o maior mercado importador mundial (14,3% do valor das importações mundiais no mesmo ano). Os principais fornecedores internacionais do mercado norte-americano foram a China, México, Alemanha, Itália e França. Portugal foi apenas 0 20.º fornecedor daquele mercado (0,6% do valor das importações dos Estados Unidos). As importações dos Estados Unidos registaram uma variação de 3,7% entre os anos de 2017 e 2018. Na Alemanha, 5.º mercado de destino das exportações portuguesas e 2.º mercado no ranking dos importadores mundiais em 2018, Portugal foi o 13.º fornecedor internacional (2,0% do valor das importações alemãs). Os principais fornecedores internacionais do mercado alemão foram a China, França Polónia, República Checa e Países Baixos. As importações da Alemanha cresceram 5,4% entre os anos de 2017 e 2018. Evolução em 2019 São já conhecidos os resultados preliminares das exportações portuguesas de cristalaria para o período janeiro-outubro de 2019, que evidenciam um valor acumulado de 76,4 milhões de euros, o que representa uma variação de -1,9% em relação ao período homólogo anterior. Espanha, Países Baixos, França, Estados Unidos e Alemanha mantêm-se como principais mercados de destino dos nossos produtos. Estabelecendo a comparação entre os anos de 2018 e 2019, para o período janeiro-outubro, verifica-se que, de entre os mercados mais relevantes para as nossas exportações de cristalaria, ganharam importância relativa a França, República Checa e Bélgica. Ao invés, os mercados de Espanha, Alemanha e Reino Unido reduziram a sua importância relativa.

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Cultura

A TRADIÇÃO VIDREIRA EM OLIVEIRA DE AZEMÉIS

p or Jo aqui m Jorge Fer reira, Pre side nt e d a Câ m a ra d e Olive ira de Az e mé is

Joaquim Jorge Ferreira de Oliveira de Azeméis

Presidente da Câmara

Urge salvaguardar a cultura do vidro neste espaço territorial. Cultura no sentido de tradição e parte da vida das pessoas e das organizações. Cultura como saber-fazer tradicional na arte de fabricar o vidro. Cultura no sentido do património industrial, bastante degradado, mas ainda existente. Cultura com um assinalável potencial para atrair visitantes e turistas. Estas são principais premissas motivadoras do projeto que a Câmara Municipal assume de propor à UNESCO a inscrição na Lista do Património Cultural Imaterial a tradição vidreira em Oliveira de Azeméis. Um projeto complexo que exige trabalho, resiliência e o envolvimento dos oliveirenses e das suas organizações. Um projeto de índole cultural que visa a salvaguarda de uma tradição essencial no território de Oliveira de Azeméis. Um projeto que contribua para reforçar a cultura do vidro à escala global. Um projeto que evidencie que existe uma relação de causa-efeito entre os valores culturais e as mudanças numa sociedade. PATRIMÓNIO IMATERIAL DE VALOR EXCECIONAL Quase todos os oliveirenses, ao longo das suas vidas, tiveram uma relação direta ou indireta com a indústria do vidro. Para as gerações mais jovens em forma de tradição, para as outras em forma de emprego, próprio ou de familiares. Oliveira de Azeméis deve muito do seu desenvolvimento à indústria vidreira. Há uma cultura enraizada que explica, por exemplo, o facto de aqui estar a indústria de moldes mais avançada do mundo. Uma cultura com cinco séculos que evidencia o desenvolvimento económico e social do Concelho.

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A Fábrica do Côvo O rei D. Manuel I em 1528 atribuiu um alvará para a fabricação de Vidro na Quinta do Côvo. Assim, pode dizer-se que no Côvo nasceu a primeira fábrica de vidro em Portugal. A Quinta do Côvo, que inspirou Eça de Queirós, no livro “A Ilustre Casa de Ramires”, possuía as condições necessárias para o fabrico do vidro, nomeadamente a existência de quartzo e argila no terreno, bem como água abundante e arborização para servir de combustível para os fornos. Escavações feitas no local apontam para a existência de três fornos para a fabricação do vidro. A fábrica do Côvo existiu até 1924.

D eCs u t al tquurea . . KKéér raammi iccaa . . pp. 1. 91


Cultura

Outras Indústrias A partir do Côvo outras indústrias nasceram e se desenvolveram no Concelho: Fábrica de Vidros de Bustelo, Bohémia, Fábrica de Vidros da Pereira, Fábrica de Vidros Progresso (Cercal), Fábrica de Vidros Nossa Senhora de La Salette, Sociedade Industrial Videira de Azeméis e Centro Vidreiro do Norte de Portugal, entre outras. O Centro Vidreiro do Norte de Portugal, uma fábrica que chegou a ter cerca de mil trabalhadores, foi uma das maiores indústrias do País, produzindo diariamente 22 toneladas de vidro. Para além do mercado português exportava para França, Estados Unidos, Reino Unido, Grécia e Marrocos. Esta empresa marcou um período em Oliveira de Azeméis, tendo em conta, nomeadamente os apoios sociais que proporcionava aos trabalhadores e suas famílias. A empresa fechou no final do século XX. À semelhança do projeto de Real Fábrica de Santo Ildefonso em Espanha, o edifício do Centro Vidreiro tinha condições ímpares para ali nascer um centro de interpretação do vidro, com formação permanente, museu e postos de venda. Infelizmente, na altura, ninguém teve essa visão. Berço Vidreiro e Centro de Interpretação A Câmara Municipal, nos últimos anos, lançou dois projetos para valorização do vidro e da sua tradição e cultura. Contudo, só o Berço Vidreiro foi concluído, ficando aquém do expectável. O Centro de Interpretação tem parte da obra executada, sendo agora uma verba muito superior ao investimento inicial previsto, para a concluir. Estes investimentos justificam-se e são determinantes no projeto da candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade. A Câmara Municipal irá completar estes projetos, considerando que têm condições de rentabilidade económica e social. Estratégia de Desenvolvimento Local A história do vidro em Oliveira de Azeméis evidencia o sentido de construir uma estratégia de desenvolvimento integrado e sustentado com base na tradição vidreira. Vale a pena lembrar os principais fundamentos para tal estratégia: • Dá-se como adquirido que o fabrico do vidro, gerador de tradição e cultura social, está na origem e é causa da moderna indústria de moldes. É evidente que uma in-

p.10 Cu 2 . Kéramica . D e sl t u a qr au e

dústria da dimensão internacional, como por exemplo a Simoldes, que nasceu e desenvolveu-se porque existiam condições no tecido social que eram favoráveis, (a tradição e cultura do vidro com 500 anos de história), mas foi também determinante a visão estratégica e capacidade de liderança dos seus fundadores e gestores, bem como a capacidade de trabalho de todos os colaboradores da empresa. Nesta perspetiva, assim como a tradição videira é parte do desenvolvimento de modernas indústrias, a estratégia da sua valorização, salvaguarda e disseminação será geradora de indústrias do futuro; • Em qualquer estratégia é determinante o envolvimento, o compromisso e o apoio ativo das pessoas e instituições do espaço territorial a que a estratégia diga respeito. Em Oliveira de Azeméis tudo o que diga respeito à tradição vidreira é identitário e mobilizador para os oliveirenses. • Embora a mudança seja parte das nossas vidas e da existência das organizações (de forma intensa, rápida e surpreendente), a nossa vida em sociedade é on line, on

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Cultura

time e full time. O digital e o intangível sobrepõem-se à materialidade das coisas e dos fenómenos. A tecnologia, a gestão de dados, e o envolvimento dos colaboradores são desafios da gestão inteligente das instituições e das empresas. É a robótica como um dos principais desafios e riscos do século XXI. É a nanotecnologia como realidade difícil de materializar. É a cultura da era industrial que modelou a nossa forma de viver, conviver e existir a ser substituída por novas formas de ver a vida e a existência humana. Tudo isto a uma velocidade tal que temos dificuldade de percecioná-la. Quando mais elevada é a velocidade no automóvel ou no avião,

maior é a sensação de que estamos parados. • A dimensão e intensidade das mudanças são reais e inquestionáveis. Determinarão o nosso futuro coletivo. Ser capaz de antecipar ou pelo menos acompanhar as mudanças é essencial. A indústria vidreira, que de alguma forma se transformou nas modernas indústrias dos moldes, é determinante na estratégia de desenvolvimento que almejamos para Oliveira de Azeméis. • O turismo e as indústrias culturais e de tempos livres transformaram-se na primeira e mais importante indústria do mundo. Segundo dados de 2018, a indústria do turismo representa mais de 10% do PIB Mundial. Em Portugal, segundo a OCDE, em 2018, o turismo significou 9,2% do PIB, gerando mais de 15 mil milhões de euros. A variável turismo é essencial para qualquer estratégia de desenvolvimento local. Em Oliveira de Azeméis o projeto da tradição vidreira a Património Cultural Imaterial da Humanidade assume também o objetivo de atração turística, como meio de desenvolvimento local. Conclusões O vidro em Oliveira de Azeméis foi, durante muito tempo, a principal indústria do Concelho, por influência da primeira fábrica de vidro em Portugal – a fábrica da Quinta do Côvo, criada no início do século XVI. A indústria do vidro está na base de modernas indústrias de moldes, que nasceram e existem aqui e têm dimensão internacional. Constituiu-se e existe como tradição presente na sociedade e vida dos oliveirenses. A tradição vidreira é, em si mesma, património cultural imaterial de Oliveira de Azeméis que importa salvaguardar, promover e disseminar. O projeto de inscrição desta tradição vidreira na lista do Património Cultural e Imaterial da Unesco tem como principal objetivo a salvaguarda desta tradição videira, na lógica do saber fazer e de valor determinante da identidade de uma comunidade. Valor que se pretende partilhar e transmitir à escala global e às futuras gerações. A tradição vidreira em Oliveira de Azeméis e o projeto da sua candidatura à Unesco inserem-se numa estratégia de desenvolvimento integrado e sustentado assumindo como objetivo estratégico a atratividade de visitantes e turistas.

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DC e sutlat qu ur ae . K é r a m i c a . p . 1 13


Investigação

VIDRO, HISTÓRIA E INOVAÇÃO ARTÍSTICA A INVESTIGAÇÃO NA VICARTE

po r Má rcia Vilar igues , And r e ia Ruiv o , Fer nand o Quintas, D irec ç ão d a Unidade de Inve stigação VIC A RT E – Vid ro e Ce râmica para as Art es A produção de vidro e da cerâmica é o resultado de uma combinação entre tradição e inovação, talento individual e partilha de conhecimentos, envolvendo movimentos de ideias e pessoas. Estes materiais oferecem inúmeras possibilidades inovadoras, devido às suas propriedades físico-químicas, que podem ser exploradas não só industrialmente, mas também a nível artístico e social. Esta afinidade de materiais levou à fundação da VICARTE – Vidro e Cerâmica para as Artes, e à investigação transdisciplinar aplicada à Cerâmica e ao Vidro, à exploração das intersecções entre a Arte a Ciência e à promoção e partilha de conhecimentos e metodologias entre os dois campos. A Unidade de Investigação VICARTE é um centro de referência internacional para o estudo do vidro e da cerâmica. A investigação realizada une o presente e o passado, através do desenvolvimento de novos materiais para arte contemporânea em vidro e cerâmica, explorando diferentes conceitos estéticos em arte e através do estudo das práticas de produção histórica e tradicional e conservação de património cultural. Para tal, a VICARTE une artistas, conservadores, químicos, físicos, historiadores, arqueólogos e outros especialistas em torno do estudo do vidro e da cerâmica. Trata-se de um projeto com uma abordagem internacional e intercultural, assente numa transdisciplinaridade prática e teórica entre os campos da arte e ciência. Na profundidade do tratamento paralelo e cruzado, na reflexão e prática, criam-se as condições para o surgimento de investigação transformadora. Os objetivos da VICARTE são estruturados em torno de dois pilares de investigação, Vidro e Cerâmica na Contemporaneidade e no Património Cultural. Os tópicos e investigação emergem de uma troca de ideias e objetivos entre cientistas e artistas. É importante referir que

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os projectos de investigação desenvolvidos na VICARTE só são possíveis pela colaboração existente com membros de outras unidades de investigação, e instituições de educação e investigação nacionais e internacionais. A confluência da arte e da ciência tem sido de particular relevância na investigação para o desenvolvimento e utilização de novos materiais sustentáveis para a inovação na arte (https://vicarte.org/research-unit-vicarte-glass-and-ceramic-for-the-arts/contemporary-creativity-and-materials/development-of-new-sustainable-materials/). A cor é um elemento fulcral para os artistas, não só para seduzirem os observadores, mas também para ilustrarem a realidade que os rodeia. Desde a descoberta do vidro que agentes e processos colorantes têm sido procurados e estudados, do vitral medieval às actuais sofisticadas telas planas para apresentação e manipulação de informação. Na VICARTE, através de diferentes projectos, expandimos a paleta de cores disponíveis assim como de possibilidades de aplicação, permitindo uma diversificação de utilizações, contribuindo para a criação de produtos originais e inovadores com aplicações artísticas em diversas áreas, como a arte, a arquitectura, a indústria e aplicações tecnológicas. Em particular foi desenvolvida uma paleta de vidros luminescentes, com cores muito variadas (vermelho, rosa, verde, azul, amarelo, laranja e índigo) em diferentes tipos de vidro, tais como vidro silicatado sodo-cálcico, borosilicato e vidro de chumbo, conhecido como vidro cristal. Os vidros luminescentes são materiais com um efeito estético muito apelativo, contribuindo para a criação de produtos originais e inovadores, devido ao facto de diferentes cores serem obtidas com irradiação com luz UV. São habitualmente produzidos com a incorporação de terras raras na matriz vítrea. Com base nos resultados da investigação de-

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Figura 1

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Untitled, Robert Wiley, 2019

Investigação

senvolvida na VICARTE nova criação artística é produzida, a qual tem sido apresentada em diversas exposições nacionais e internacionais, não apenas de artistas desta unidade de investigação, mas também de artistas externos como resultado das suas residências artísticas. Atualmente procuramos investigar a utilização de materiais sustentáveis e processos de produção de baixo custo com o objetivo de contribuir para uma indústria mais versátil. Com esta abordagem, a VICARTE abrirá ainda novos caminhos criativos, permitindo manipular efeitos estéticos e, assim, inspirar a criação de novas obras de arte. O objetivo do projeto é desenvolver novos materiais de vidro para conversão de luz UV a luz visível ou infravermelho próximo com rendimentos quânticos próximos da unidade, utilizando matérias primas mais acessíveis do que as terras raras referidas anteriormente. A nossa abordagem neste projecto segue diferentes estratégias. Na primeira estratégia retirou-se partido do nosso conhecimento em vidro luminescente baseado em nanopartículas de halogenetos de chumbo, alterando a estrutura química da rede de sílica do vidro para aumentar tanto rendimentos quântico de luminescência como o desvio de Stokes. Estão também a ser desenvolvidos vidros baseados em Cu (I) e Mn (II). Numa segunda abordagem, materiais zeolíticos

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fotoluminescentes com base em “clusters” de calcogénios (incluindo S, Se e Te) estão a ser sintetizados. A extensão para nanozeólitos, para deposição em superfícies de vidro, utilizando técnicas de impressão, como jato de tinta ou de serigrafia, estão igualmente a ser exploradas. Os zeólitos serão colapsados para estados amorfos em superfícies de vidro, incorporando os “clusters” luminescentes no vidro. Os vidros com melhores performances (ou seja, melhores rendimentos quântico, brilho, estabilidade e maior desvio de Stokes) serão usados para estudar os processos de transferência de energia para materiais à base de perovskite. Este trabalho é parte do projecto actualmente em curso coordenado por César Laia (LAQV@Requimte). O grupo de investigação Património Cultural é um grupo de referência a nível internacional sobre estudo e preservação de cerâmica e vidro, no âmbito da arqueologia, ciências da conservação e história e técnica de produção artística. São raros os estudos sobre objectos de vidro e cerâmica que constituem parte integrante do nosso património o que reforça a importância dos estudos de investigação nesta área. A conjugação com o campo da conservação significa que os materiais são estudados tendo também em vista a sua preservação e usufruto pelo público e gerações futuras. É de interesse estratégico criar e disponibilizar conhecimentos e competências que possam apoiar os processos de tomada de decisão em relação ao estudo e preservação de colecções em Portugal, de cerâmica e vidro, a fim de revelar seu valor histórico e artístico e melhorar as estratégias de conservação. Neste contexto realizamos o estudo e análise crítica de como o património de vidro e cerâmica se desenvolveu ao longo do tempo, incluindo matérias-primas e técnicas de produção, uso, rotas comerciais e interações culturais. Esta linha de investigação tem como objectivo enriquecer o conhecimento sobre o património Português de vidros, vitrais e cerâmicas, de forma a revelar o seu valor histórico e artístico, contribuindo assim também para a sua preservação (https://vicarte.org/research-unit-vicarte-glass-and-ceramic-for-the-arts/cultural-heritage/ biographies-making-history-through-objects/). Combinando uma abordagem estilística com análises químicas, investigando não só a composição, mas também a tecnologia de produção, estamos a caracterizar os objectos que circulavam em território nacional, procurando identificar os seus centros de produção, ainda com o

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Figura2 - Mapa de Portugal com a localização dos conjuntos arqueológicos e colecções de museus estudados pela VICARTE e exemplos de objectos de vidro, vitral e cerâmica.

Investigação

propósito final de identificar possíveis centros de produção medieval e pós medieval de vidro em Portugal. Múltiplas colecções de norte a sul do país têm sido estudadas no contexto desta investigação Para este estudo têm sido estabelecidas inúmeras parcerias nacionais e internacionais, em particular para realização de análises que nos permitem uma caracterização completa em elementos maioritários, minoritários e traço, indispensável para os estudos de proveniência. As actividades de investigação desenvolvidas na Unidade de Investigação VICARTE-Vidro e Cerâmica para as Artes contribuem para a valorização e diversificação do uso destes materiais, ao criar novas ferramentas para a produção artística e para a sua preservação. Mas sobretudo procuramos que os objectivos alcançados sejam o resultado

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da relação entre dois campos especializados - arte e ciência - promovendo narrativas singulares, capazes de combinar e ampliar o nosso conhecimento sobre o vidro e a cerâmica. As actividades culturais, artísticas, científicas e educativas resultantes, contribuem para a visibilidade pública da investigação, despertando o interesse pela preservação, interpretação e apreciação por materiais que acompanharam a humanidade ao longo da sua história e que continuam a atrair a nossa curiosidade e imaginação.

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Entrevista

À CONVERSA COM RITA BARATA, A ÚNICA VIDREIRA A TRABALHAR EM PORTUGAL

Kéramica – Conte-nos um pouco da sua história até chegar a artesã vidreira. Rita Barata - Estávamos em 2004. Eu acabava de desistir do curso de design de cerâmica na ESAD para procurar um ofício raro, que já ninguém quisesse fazer. Certo dia fui ao Centro de Emprego de Leiria e vi, por acaso, afixado, um anúncio para um curso profissional de Operações de Transformação de Vidro, em Crisform - Centro de Formação para a Indústria da Cristalaria, em Marinha Grande. Inscrevi-me logo. Estive 7 meses em formação e depois mais 2 de estágio na empresa Ifavidro, onde tive a primeira experiência de trabalhar na zona quente de uma fábrica de vidro.

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Passado menos de um ano comecei a trabalhar no antigo Crisform como condutora de fornos e lá permaneci por cerca de 4 anos. O Crisform foi muito importante para a aprendizagem. Lá tive a oportunidade de aprender com excelentes formadores e de, posteriormente, brincar livremente com o vidro em todas as técnicas que aprendi. Fiz um estágio profissional de maçariqueiro na empresa NORMAX, fábrica de vidro de laboratório, onde posteriormente trabalhei também na Zona Quente. Neste momento trabalho também num estúdio de vidro artístico (BF GLASS STUDIO) de um colega e amigo da formação inicial, o Nelson Figueiredo. Kéramica – A formação inicial de design proporcionou-lhe algum conhecimento sobre este ofício ou foi sobretudo o contacto com grandes mestres que lhe facultou este conhecimento? Rita Barata - Foi definitivamente o contacto directo com os vidreiros. Kéramica – Como concilia a exigência física da profissão com o saber e a habilidade exigidos por esta arte? Rita Barata - Costuma-se dizer que quem corre por gosto não cansa. Naturalmente mói quando a obra é pesada. Kéramica – Porque é que não há mais mulheres a trabalhar neste ofício? O que é que o torna não atrativo para trabalhar? Rita Barata - O porquê de não haver mais mulheres a trabalhar na Zona Quente penso que será o facto de se idealizar que é só trabalho de homens. Sei que o trabalho é duro e é preciso gostar. Os trabalhos são atractivos quando a remuneração é atractiva. Não é só o dinheiro, naturalmente tem de haver um gosto, mas, fundamentalmente o ordenado.

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Entrevista

Kéramica – Tendo que seguir um desenho efetuado por designers da marca, sente que deixa a sua marca nas peças que produz? Tem alguma liberdade para alterar sendo peças sempre únicas? Rita Barata - Sim. Mas é mais a marca da equipa. No vidro trabalha-se em equipa sempre. Não tenho liberdade para alterar nada. O design das peças é para ser respeitado. Kéramica – Já se sentiu tentada a fazer uma peça da sua autoria? Rita Barata - Já fiz peças da minha autoria mas não na Vista Alegre. Não há espaço para isso naturalmente. Vamos é para trabalhar. Kéramica – Qual a sensação de trabalhar para a Vista Alegre, uma empresa com quase 200 anos de história e com uma marca tão reconhecida a nível nacional e internacional? Rita Barata - É uma sensação boa. Sem desprestígio algum, a Vista Alegre em si não é o mais importante para mim. O melhor de tudo é poder trabalhar numa fábrica grande onde ainda há produção manual de vidro e cristal, com um mestre vidreiro e ter muito bons colegas de trabalho. Kéramica – O que sente quando vê e identifica numa loja uma peça feita por si? Rita Barata - Fico contente por ver uma peça feita pela equipa. Kéramica – Numa era do trabalho digital, como poderemos fazer para incentivar jovens a terem formação neste oficio e seguirem opcionalmente no mesmo? Rita Barata - Como já disse anteriormente o vencimento é muito importante. Ninguém quer trabalhar no duro, queimar-se, cortar-se, ficar com as mãos calejadas, etc se não compensar. Toda gente sonha com um futuro próspero. Kéramica – Qual a pessoa/mestre que mais a marcou nesta arte? Rita Barata - Não foi pessoa, mas pessoas. Desde os meus formadores iniciais: José Rosa (oficial de caliçaria), Alfredo Poeiras (oficial de belga) e Jorge Humberto Mateus (oficial de Art Glass), Jack (maçariqueiro), Sónia Durães (designer), a chefes e colegas de trabalho: Nelson Figueiredo, José Castanheira. Na fábrica da Vista Alegre: António Esteves (Mestre Vidreiro), Arlindo Francisco (oficial) Vítor Carvalho, Noel Francisco, Hugo Amado (designer), Bruno Escoval (designer), Diana Borges (designer), outros mais:

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José Nascimento (oficial), Cláudio Caréu (oficial) e claro minha colega de trabalho durante anos e amiga Joana Silva, coordenadora da formação no Cencal da Marinha Grande. Há muitos nomes que não estão aqui mencionados, mas não conseguia escrever todos sem ocupar a revista completamente. Kéramica – Quais são as suas espectativas ou sonhos neste ofício? Rita Barata - Continuar a trabalhar sempre no vidro tendo algum tempo para brincar com ele sempre que possível. Só isso. Kéramica – Para finalizar, qual a peça ou coleção na qual sentiu um especial orgulho por ter a sua “mão”? Rita Barata - Tenho orgulho em todos os trabalhos que fiz. Gostei particularmente da colecção da ÚNICA. E não é a minha mão, são as mãos da equipa. Não sou nada sozinha. Com a equipa sou tudo.

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Sessão Jurídica

LEI NACIONAL DE EXECUÇÃO DO REGULAMENTO GERAL DE PROTECÇÃO DE DADOS (LEI N.º 58/2019, DE 8 DE AGOSTO DE 2019)

por Filomena Girão e Marta Frias Borges- FAF Advogados

A 4 de maio de 2016, foi publicado no Jornal Oficial da União Europeia, o Novo Regulamento de Protecção de Dados Pessoais (Regulamento n.º 2016/679, também designado singelamente por RGPD), que começou a produzir os seus efeitos a partir do dia 25 de Maio de 2018 e que tem provocado alguma inquietação junto da generalidade das entidades públicas e privadas. O Regulamento deixou alguma margem aos Estados Membros para a conformação e concretização de algumas matérias e, nessa senda, foi publicada, em 8 de Agosto de 2019, a Lei Nacional de Execução do Regulamento Geral de Protecção de Dados (Lei n.º 58/2019). Aquele Regulamento surgiu para fazer face aos desafios decorrentes da mais rápida e brutal evolução tecnológica que já conhecemos. Em consequência desta tendência, a recolha e partilha de dados pessoais têm crescido a um ritmo alucinante, pelo que se tornou premente estabelecer novas regras que regulem a transformação que a massificação da utilização das novas tecnologias provocou nas relações económicas e sociais. Na verdade, e apesar de a matéria de protecção de dados já se encontrar amplamente regulada pela Lei n.º 67/98 de 26 de Outubro (anterior lei da Protecção Dados Pessoais que havia transposto para a ordem jurídica portuguesa a Directiva n.º 95/46/CE, de 24/10/95, do Parlamento Europeu e do Conselho, e que foi revogada pela Lei n.º 58/2019, de 08 de Agosto), até agora, as organizações, na sua generalidade, recolhiam os dados dos seus clientes, trabalhadores, fornecedores e parceiros, sem terem a devida percepção da importância da informação que iam armazenando. E é esta uma das grandes mudanças ora operadas, uma vez que, nos dias de hoje, poucos ignoram o valor

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acrescido que os dados pessoais conferem às entidades públicas e privadas. Já em maio de 2017 a revista The Economist escrevia que “The world’s most valuable resource is no longer oil, but data” (“O recurso mais valioso do mundo não é o petróleo, mas sim os dados pessoais”). Prova disso, é que na União Europeia, o negócio desenvolvido no âmbito dos dados pessoais ascende a mais de 60.000 milhões de euros, prevendo-se que em 2030 15% a 20% do PIB mundial combinado seja baseado no fluxo daqueles dados. Assim, não resta qualquer dúvida de que o Regulamento de Proteção de Dados Pessoais (RGPD) e a Lei n.º 58/2019 deverão ser encarados como uma boa oportunidade para as empresas. A publicação do Regulamento em todos os Estados Membros confere condições equitativas a todas as empresas com sede na UE ( e ainda a organizações que, não tendo sede na UE, aqui forneçam bens ou prestem serviços), passando a existir um conjunto único de regras para todos os Estados Membros, o que permite às empresas, especialmente as PME, tirar máximo partido do Mercado Único Digital. Para além disso, as empresas, ao adaptarem a sua organização a estas novas regras, melhorarão seguramente a gestão dos dados na sua empresa, o que lhes conferirá vastas vantagens a médio e longo prazo: (i) maior competitividade, ou seja, a melhor gestão de dados leva a um aumento da eficiência operacional e reduz custos (por exem-

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Sessão Jurídica

plo, a análise fácil e rápida dos dados pessoais dos clientes confere maior eficácia às campanhas de marketing); (ii) maior eficácia das capacidades e funcionalidades das Tecnologias de Informação; (iii) maior satisfação e confiança dos clientes, uma vez que os clientes passam a receber apenas a informação que pretendem, o que importará uma óbvia valorização da sua informação privada; (iv) informação atualizada e precisa sobre os clientes. Em suma, e por tudo o que já vem dito, interessa compreender as alterações introduzidas pela Lei n.º 58/2019: 1. Autoridade de controlo nacional (artigo 3.º e seguintes) A Lei n.º 58/2019 vem esclarecer que a autoridade de controlo nacional é a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), introduzindo alterações à lei de organização e funcionamento da CNPD e prevendo-lhe novas atribuições. 2. Encarregado de Proteção de Dados (artigo 9.º e seguintes) Consagra-se a dispensa de certificação profissional para o exercício das suas funções. A lei também enuncia as entidades públicas e privadas que são obrigadas a nomear um Encarregado de Proteção de Dados e estabelece funções adicionais às definidas no RGPD, como por exemplo, assegurar a realização de auditorias, quer periódicas, quer programadas. 3. Certificação (artigo 14.º) O artigo 14.º da presente lei, cumprindo o disposto no artigo 43.º do RGPD, determina que o Instituto Português de Acreditação (IPAC, I.P.) é a autoridade competente para a acreditação dos organismos de certificação em matérias de proteção de dados. 4. Consentimento de menores (artigo 16.º) Quanto ao consentimento de menores, permitindo o RGPD aos Estados Membros definir a idade mínima para o consentimento de tratamento de dados por parte dos menores, vem o artigo 16.º da Lei n.º 58/2019 consagrar os 13 anos como idade mínima para a prestação do consentimento. 5. Videovigilância (artigo 19.º) A Lei n.º 58/2019 consagra os limites das câmaras de videovigilância e determina a proibição de captação de som por parte das câmaras de videovigilância, exceto no período em que as instalações estejam encerradas ou mediante autorização prévia da CNPD.

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6. Contratação Pública (artigo 27.º) Caso seja necessária a publicação de dados pessoais, não devem ser publicados outros dados para além do nome, sempre que este seja suficiente para garantir a identificação do contraente público e do cocontratante. 7. Relações laborais (artigo 28.º) O consentimento do trabalhador, salvo disposição legal em contrário, não constitui requisito de legitimidade de tratamento de dados pessoais, se do tratamento resultar vantagem jurídica ou económica para o trabalhador ou se esse tratamento se revelar necessário para a execução do contrato de trabalho. No caso dos dados biométricos, o tratamento de dados pessoais é lícito quando seja realizado para controlo de assiduidade e controlo de acesso às instalações. 8. Saúde e Genética (artigo 29.º) O tratamento de dados de saúde e de dados genéticos deve reger-se pelo princípio da necessidade de conhecer a informação e deve ser efetuado por profissional ou outra pessoa obrigada ao sigilo. O responsável pelo tratamento de dados deve notificar o titular dos dados de qualquer acesso aos seus dados pessoais. 9. Tutela Jurisdicional (artigo 34.º) Consagra a competência dos tribunais administrativos para decidirem sobre ações propostas contra a CNPD. 10. Coimas (artigo 37.º e seguintes) O valor das coimas previstas para a prática de contraordenações graves e muito graves varia consoante se trate de grande, pequena e média empresa ou pessoa singular. Nas contraordenações muito graves, caso se trate de pequena ou média empresa o valor da coima pode ir até ao limite de 2 000 000€ ou 4% do volume de negócios anual, consoante o que for mais elevado. Já nas grandes empresas, o valor da coima pode ir até ao limite máximo de 20 000 000€ ou 4% do volume de negócios anual, conforme o que for mais elevado. Foi, pois, aquando da entrada em vigor desta Lei – 9 de Agosto de 2019 – revogada a Lei n.º 67/98 de 26 de Outubro (vulgarmente designada como LPDP), dando-se início a uma nova era nesta matéria.

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Entrevista

À CONVERSA COM ANNA WESTERLUND, VENCEDORA DO PRÉMIO “CERAMICS INDUSTRY - THE NEW AGE AWARDS BY APICER

An n a We s t e r l u n d

Anna Westerlund foi a grande vencedora do prémio “Ceramics Industry - The New Age Awards by APICER”, que tinha por objetivo distinguir ideias inovadoras e criativas nas áreas da cerâmica ou cristalaria. As candidaturas foram apreciadas por um júri que incluiu representantes da APICER, Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, Centro para a Valorização de Resíduos, Universidade do Minho e Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Kéé rr aa m m ii cc aa .. D En i set a p . 2 20 .. K e st tr ae qv u

O prémio foi anunciado durante o workshop “Captação de Investimento e Capital” que teve lugar no Hotel Sheraton Porto no dia 31 de outubro de 2019, uma iniciativa cofinanciada pelo COMPETE 2020 - Programa Operacional Competitividade e Internacionalização, no âmbito do Sistema de Apoio a Ações Coletivas. A vencedora deste prémio, que a revista Kéramica saúda e felicita, representa uma nova geração de ceramistas e é nossa entrevistada nesta edição. Kéramica – Conte-nos um pouco do seu percurso enquanto ceramista. Qual a sua formação e como tem sido a evolução da sua atividade. Anna Westerlund – Estudei publicidade e marketing, antes de perceber que só seria feliz fora de um escritório e a fazer qualquer coisa ligada às artes. Resolvi então tirar o curso de cerâmica no ARCO, enquanto fiz também outros cursos de joalharia, desenho, etc. Desde que me conheço que pinto e invento, mas sempre achei que seria difícil fazer das artes a minha profissão. No entanto, nunca deixei de tentar e procurei sempre soluções. Comecei por partilhar o atelier e fui crescendo aos poucos, de uma forma muito consciente, até chegar aos dias de hoje em que tenho mais 3 pessoas a trabalhar comigo no atelier. Kéramica – Quais os principais objetivos do atelier Anna Westerlund? Anna Westerlund – O principal objetivo é que os meus colaboradores gostem de trabalhar comigo, que seja um espaço de inspiração que respeita cada um dos trabalhadores e que os mesmos se sintam motivados. É fundamental ter um atelier inspirador. Em termos de trabalho, procuro criar uma linguagem própria, que as pessoas possam reconhecer as peças como minhas, mas sem que isso me prenda. Porque a vontade de explorar outros materiais e continuar a tentar surpreender é o meu principal motor. A ideia é crescermos de uma forma sustentável, sem perder o foco da ideia inicial de fazermos peças de autor em séries limitadas ou peças únicas.

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Entrevista

Kéramica – Uma das principais características da sua marca é a mistura da cerâmica com outros materiais. Como têm sido essas experiências? E quais as suas fontes de inspiração? Anna Westerlund – Já nos tempos do ARCO comecei essa mistura, acho que me é inato não ficar presa a um material. Gosto de explorar as texturas e a combinação de cores que a mistura de materiais possibilita. Tenho muitas fontes de inspiração. A vida é uma enorme fonte de inspiração, se andarmos de olhos bem abertos e recetivos a ver. Sou uma pessoa muito visual e os estímulos podem vir de variadas situações, de um espetáculo de danças a uma tarde em silêncio num sítio bonito. Desenho muito e aponto muitas ideias, das mais simples às mais complexas. Tenho cadernos e cadernos cheios de ideias, são uma ótima fonte de inspiração quando quero trabalhar em algo novo. Kéramica – Embora de nacionalidade portuguesa, tem raízes familiares portuguesas e suecas. Em que medida é que essas duas culturas se refletem nas suas criações? Anna Westerlund – Acho que acabo por fazer uma mistura entre um certo salero do Sul e um minimalismo do Norte. A Suécia sempre foi um país muito presente na minha vida e esteticamente é muito diferente de Portugal, o que eu acho que foi muito enriquecedor para mim. Kéramica – Podemos classificar os seus produtos como artesanato contemporâneo, onde a expressão artística e a estética se conjugam com a tradição da cerâmica?

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Anna Westerlund – Sim, acho que é uma ótima definição. Ficámos um bocado presos à ideia do artesanato como algo parado no tempo e pouco interessante, que caracteriza a cultura popular, como se isso fosse negativo. Entendo que essa ideia é totalmente errada. Artesanato é trabalho manual que utiliza uma matéria-prima natural e é a produção de um artesão. Mas viveu-se um tempo em que todos queriam ser artistas ou designers e agora estamos a voltar ao artesão. Eu fico muito orgulhosa em ser artesã, e mais ainda se o meu trabalho for visto como artesanato contemporâneo, reflexo da cultura popular do momento. Kéramica – Onde podemos encontrar os seus produtos? A sua estratégia de promoção passa essencialmente pelos meios digitais ou tem participado também em feiras internacionais? Anna Westerlund – Não tenho participado em feiras com receio de ter de lidar com a necessidade de uma produção maior e mais repentina. Os meus produtos podem ser encontrados em várias lojas nacionais e internacionais. Mas, presentemente, procuro focar-me mais na venda direta, não só pelos meios digitais mas na loja que abrimos recentemente no Chiado. Kéramica – Qual a tipologia de clientes que mais procura os seus produtos? E quais os seus principais mercados? Anna Westerlund – Pessoas de várias idades, mas com o gosto comum por design, por trabalho manual, que

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Entrevista

querem ter objetos especiais nas suas vidas. Vendo um pouco para todo o lado e não há um mercado que eu diga que é consideravelmente mais forte que outro. Kéramica – A sua ligação ao mundo da moda tem-lhe permitido viajar por todo o mundo. Acha que a cerâmica portuguesa é reconhecida internacionalmente? O que podemos fazer para melhorar a sua promoção? Anna Westerlund – Acho que tem algum reconhecimento, sim. Mas eu diria que é mais a cerâmica industrial, no sentido em que somos ótimos produtores de cerâmica. A cerâmica mais tradicional, principalmente com o Bordalo Pinheiro, também conquistou esse espaço mas a cerâmica mais contemporânea não é tão reconhecida. Na minha opinião falta um pouco de união. Acho que os ceramistas em Portugal tendem a viver mais isolados e era importante perceberem que a união faz a força. Mas acho que é cultural. Os portugueses são um pouco desconfiados no que toca a associações. Na Suécia por exemplo, há várias associações só de ceramistas com galeria/loja comum e todos trabalham e promovem o trabalho uns dos outros. Kéramica – Ao longo destes 6 anos de atividade enquanto ceramista, quais foram os principais estímulos e reconhecimentos que obteve. E quais as principais dificuldades e constrangimentos que tem enfrentado? Anna Westerlund – O principal estímulo tem sido o crescimento da minha atividade, gradual e consciente, mas sempre em curva positiva. O reconhecimento principal é o do dia-a-dia, o de todos os dias receber o contacto de alguém interessado na minha cerâmica quer seja uma loja ou um cliente particular.

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A principal dificuldade acho que tem sido o facto de ter começado em Portugal, no sentido em que comecei numa altura em que se dava pouco valor ao trabalho artesanal. Hoje em dia está um pouco melhor. Mas quando começamos, e estamos sempre a ouvir que ninguém vive da cerâmica em Portugal, que as peças são caras, facilmente criamos em nós uma insegurança que, passados estes anos todos, ainda está cá. É engraçado que na loja temos tido essa experiência. Sentimos que os portugueses acham caras algumas das peças e os clientes estrangeiros às vezes ralham connosco porque acham que são baratas demais e que não têm o preço justo. Kéramica – O que é que este prémio representa para si? Anna Westerlund – Este prémio representa a vontade de o setor apostar na cerâmica de autor, a vontade de criar união. Senti-me apoiada como pequena empresa. É claro que a parte financeira do prémio também é um incentivo, mas a sensação de rede de apoio é muito importante e nesse sentido o trabalho da APICER é relevante. Obrigada por isso. Para que os nossos leitores possam conhecer melhor a obra de Anna Westerlund, deixamos aqui a informação sobre o seu site e instagram: www.annawesterlund.com www.instagram.com/annawesterlundceramics

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Recursos Humanos

CAMPEONATOS DAS PROFISSÕES: UM PILAR NA CONSTRUÇÃO DE COMPETÊNCIAS

por Instituto do Emprego e Formação Profissional, IP

O movimento WorldSkills está em franco desenvolvimento, tendo sofrido recentemente um rápido crescimento. Novos membros, num total de 82, novos projetos, novos parceiros. Nunca antes se verificou um interesse tão profundo pelos valores que a WorldSkills promove e defende. Desde o setor da indústria, passando pelos governos, economistas, meios de comunicação social e sociedade no geral. As competências estão no núcleo da ação da WorldSkills e estas moldam as pessoas e as sociedades, constituindo-se como um pilar fundamental para a vida em todas as suas dimensões. “Tudo, desde as casas em que vivemos, até às sociedades que criamos, é o resultado das competências. Elas permitem que os indivíduos cresçam e tragam propósito às pessoas. São a força motriz por trás de carreiras e empresas bem-sucedidas, indústrias e economias prósperas. As competências mantêm o mundo a girar.” (WorldSkills Internacional) Em agosto de 2019, os melhores jovens profissionais do mundo tomaram conta de um palco global para concorrer na 45.ª edição do Campeonato do Mundo das Profissões. WorldSkills Kazan 2019 foi o cenário para um espetáculo de competências globais, onde as economias estabelecidas se cruzaram com economias emergentes e as profissões com séculos de história se tornaram na base das profissões do futuro. Exemplo disso, foi o facto de, pela primeira vez, e em paralelo à competição oficial da WorldSkills, ter sido realizada a competição Future Skills. Este foi um espaço para a demonstração e para a competição de profissões que são procuradas na era da produção de alta tecnologia e da economia digital. O layout do Future Skills foi baseado num modelo de 'cidade inteligente' focado em campos-chave de atividade, como tecnologia de produção e engenharia, tecnologia da

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informação e tecnologia digital, desenvolvimento de energia, medicina, agricultura, transporte, arte e design. Enquadrado pela grande aposta que a Rússia está a fazer na reformulação do seu sistema de educação e formação, fortemente alicerçada nos descritivos técnicos da WorldSkills Internacional, Kazan viu

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Recursos Humanos

mais de 1300 jovens de 63 países e regiões membros da WorldSkills mostrarem as suas competências em 56 profissões. No centro do movimento WorldSkills encontramos a ambição incomparável da juventude. Ambição para seguir as suas paixões e aperfeiçoar as suas competências. Ambição para avançar nas suas carreiras e nas suas perspetivas de futuro. Ambição para promover as comunidades e as nações que representam. A grande diferença entre os concorrentes que participaram em milhares de competições locais, nacionais e regionais da WorldSkills por todo o mundo nos 2 anos que antecederam o WorldSkills Kazan 2019, e os jovens que enfrentam níveis elevados de desemprego, é a oportunidade que os primeiros tiveram. A WorldSkills, como uma plataforma global de excelência, está empenhada em garantir que todos os jovens têm oportunidades de desenvolver as suas competências, independentemente da raça, género ou nacionalidade. Os membros da WorldSkills incluem os países maiores e mais ricos do mundo (as 20 maiores economias e as cinco nações mais populosas), representando estes membros dois terços da população mundial. Os campeonatos das profissões surgem, assim, como uma das ferramentas mais eficazes para promover a educação e formação profissional. Esta matéria nunca foi mais relevante ou mais complexa do que agora. Numa era de acesso universal à informação, há oportunidades aparentemente ilimitadas para a promoção dos sistemas de educação e formação profissional junto de um público mais vasto do que nunca, inclusive diretamente junto dos jovens. No entanto,

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diante de alguns dos enormes desafios que esta área enfrenta, os campeonatos permanecem para muitos como um complemento, ou algo que se remete para discussão futura, em vez de se constituírem como uma preocupação central. Este é um grave erro, contudo. Continua a ser uma necessidade absoluta para todos nós falar em educação e formação profissional e em competências, em tudo o que fazemos e a tempo inteiro. A ideia "a universidade é que é uma boa opção, a formação profissional nem por isso" é penetrante e corrosiva e, com exceção para um pequeno conjunto de economias, ainda não há "paridade de estima" entre formação profissional e formação académica. Ao mesmo tempo, os sistemas de educação e formação profissional não se mantiveram atualizados face às alterações verificadas nas necessidades das economias que servem. Esse desajustamento corre o risco de se tornar ainda maior com a aceleração da evolução tecnológica que já estamos a viver. Acreditamos que a WorldSkills, através das competições que organiza, tem um papel único na mudança da perceção que pais, educadores, mas também os governos têm das vias profissionalizantes. Na Rússia, que acolheu o WorldSkills em 2019, todo o sistema de educação e formação profissional está a ser construído com base nas especificações técnicas da WorldSkills. A par deste trabalho a Rússia está, ainda, a apostar em campanhas de marketing "agressivas" a nível nacional e regional como forma de promover a formação profissional. A visão dos jovens que competem no WorldSkills e se destacam nas profissões que escolheram é um catalisador para que outros apostem também nas suas carreiras. Isso acontece tanto nos locais da competição - em stands promovidos por operadores de educação e formação, empregadores ou agências de emprego -, bem como fora do evento, através da cobertura assegurada pelos meios de comunicação social tradicionais, e, mais significativamente nos últimos tempos, pelas redes sociais. Paralelamente à competição, a WorldSkills reúne jovens profissionais qualificados, ministros e formuladores de políticas globais para debater as principais questões enfrentadas pela educação e formação profissional. Em Kazan, o resultado foi uma Declaração que priorizou a mudança na perceção das carreiras por via da educação e formação profissional, através de apoios governamentais e de reformas nos sistemas de qualificação dos vários países.

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Recursos Humanos

Identificou a necessidade de equilibrar a educação, do ponto de vista mais académico, com a empregabilidade e a capacidade de adaptação, criando oportunidades que promovam a experiência em contexto real, a confiança e a autoconsciência nos jovens de forma a desenvolver uma maior adaptabilidade, criatividade e flexibilidade. Para ser verdadeiramente adaptável aos novos mercados de trabalho, é essencial encontrar o equilíbrio entre competências práticas e entre a educação académica. Os jovens enfatizaram, ainda, o papel crítico que a indústria desempenha no desenvolvimento da experiência em contexto real e que acompanha as evoluções tecnológicas. Os sistemas de educação e formação bem-sucedidos não só garantem uma mão de obra qualificada, mas tornam-se a base para a diversidade e para a inclusão, fatores chave na construção de sociedades felizes e tolerantes. E foi nesse contexto que se enfatizou ainda a necessidade de promover a igualdade de género e a inclusão através de oportunidades iguais no acesso à educação e formação. Em 2020, a WorldSkills assinala 70 anos de existência. Os princípios que estiveram na base do 1.º campeonato internacional das profissões, que se realizou em 1950, entre Portugal e Espanha, países fundadores, permanecem atuais hoje. Quando se proporciona uma alavanca que os impulsiona, os jovens são motivados a destacarem-se nas suas competências, nas suas carreiras e nas suas vidas. Os resultados traduzem-se numa maior valorização das suas competências e na consciência do papel crítico que as mesmas desempenham na construção de sociedades prósperas. O trabalho dos 82 membros da WorldSkills, atualmente, vai muito para além dos campeonatos das profissões. Juntos, eles enformam o diálogo sobre

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como as competências transformam vidas e sobre o que é necessário para tornar uma carreira baseada em competências numa primeira escolha, e não num plano de retaguarda. No plano interno, tudo começa com a preparação do campeonato nacional. Tendo como objetivo principal sensibilizar jovens, famílias, entidades empregadoras e cidadãos em geral para a importância da qualificação profissional de excelência como altamente promotora da empregabilidade e como força motora de produtividade e do crescimento económico, tem-se vindo a apostar na descentralização destes eventos nas várias regiões do país. Com o mesmo foco na importância que se confere à promoção de novas profissões de base tecnológica, estratégicas para o desenvolvimento da economia, designadamente em áreas de bens e serviços transacionáveis, bem como no estímulo do ajustamento entre as qualificações e o mercado de emprego, proporcionando às empresas a oportunidade de participarem ativamente na formação profissional, através da oferta de formação em contexto de trabalho, e de recrutarem jovens profissionais de excelência, o processo de identificação das profissões a concurso está sujeito a um conjunto de considerações prévias. Procura-se, assim, para além das profissões que correspondem às existentes nas competições internacionais (WorldSkills e EuroSkills), numa lógica de continuidade nas etapas subsequentes, integrar profissões que são consideradas importantes do ponto de vista da promoção das qualificações a nível nacional e/ou regional. Em 2020, é a cidade de Setúbal que, de 9 a 14 de fevereiro, acolhe a 44.ª edição do Campeonato das Profissões, o SkillsPortugal | Setúbal 2020. Numa organização do Instituto do Emprego e Formação Profissional, organismo que integra a WorldSkills Portugal, e com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal, prevê-se que este seja um dos campeonatos nacionais mais participado de sempre. Possuindo os Campeonatos Nacionais, como o nome indica, uma dimensão nacional, que visa traduzir os resultados das aprendizagens promovidos por uma larga variedade de entidades de educação e formação, não podemos, contudo, ignorar a dimensão de territorialidade que se regista em cada uma das edições destes eventos. A presença de cerca de 1000 participantes, oriundos de todas as regiões do país, a que acrescem as empresas e outras entidades

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Recursos Humanos

empregadoras, os participantes no ciclo de seminários e os milhares de jovens integrados em visitas de estudo, são um ponto de partida para que as forças vivas da região anfitriã do campeonato se empenhem na divulgação e promoção de todas as potencialidades que esta tem para oferecer. Esta, entre muitas outras, é uma das razões para visitar este grande evento da educação e formação profissional. É na sequência do SkillsPortugal, Setúbal 2020 que serão apurados os jovens que vão representar Portugal na 7.ª edição do Campeonato Europeu das Profissões, que decorrerá em setembro de 2020 ano em Graz (Áustria) e na 46.ª edição do Campeonato Mundial das Profissões, que terá lugar em Xangai (China) em setembro de 2021. Ana Bica, Diretora do CENCAL – Centro de Formação para a Indústria de Cerâmica O CENCAL – Centro de Formação para a Indústria de Cerâmica, criado em 1981, realizou as primeiras formações em 1983 e, já nas instalações definitivas, em 1985 passou regularmente a fornecer formação em todas as vertentes da cerâmica industrial e artística. Em 2011, o IEFP fez-nos um novo desafio, no sentido de prosseguir com a missão do extinto CRISFORM, passando a assegurar formação para a indústria vidreira, nas vertentes do vidro automático e da cristalaria. Começámos a participar no Campeonato das Profissões com três perfis: pintor, modelador e técnico in-

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dustrial de cerâmica. Já lá vão tantos anos que na nossa memória só restam as façanhas, os primeiros lugares, que relembramos sempre como se do presente se tratasse. Como a cerâmica não tinha competição ao nível internacional acabámos por deixar esmorecer o entusiasmo, contudo nos últimos anos foi-nos permitida a participação nos campeonatos nacionais e com ela a esperança que a cerâmica possa ser reconhecida. O Euroskills e o WorldSkills são uma montra poderosa dos nossos saberes e competências, lisonjeia o País, as empresas e as Instituições que dia a dia vão formando jovens nas mais variadas profissões. É necessário motivar os jovens para as chamadas profissões tradicionais, que de tradicional atualmente só têm o nome. Um jornal Português de referência apontava doze profissões com futuro, numa publicação de setembro deste ano, e nesse grupo estava o modelador cerâmico. A cerâmica poder ter acesso a esses palcos de excelência seria verdadeiramente enriquecedor, porque confronta saberes levando a correções no que não correu tão bem e a confirmar o que de bom é feito. Contamos, pois, que esteja para breve a possibilidade de internacionalização da cerâmica. Foi, aliás, nesse contexto que, recentemente, um formador e um formando do CENCAL estiveram na Rússia, com o objetivo de colaborar na integração desta profissão no Campeonato Europeu de 2022, que se realiza em São Petersburgo.

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Arquitetura

ARQUITETURA: ARTE OU TÉCNICA

Conferência explorou o legado musical de Arvo Pärt e as narrativas de construções contemporâneas No passado dia 7 de novembro decorreu, na Alfândega do Porto, a MAC_Margres Architecture Conference, o primeiro ciclo de conferências sobre Arquitetura organizado pela Margres. Subordinado ao tema Arquitetura: Arte ou Técnica, o encontro ibérico entre Enrique Sobejano e Carvalho Araújo, fundiu-se com o que rapidamente se transformou numa conversa e em múltiplos momentos de partilha e de aprendizagem. De um lado, Enrique Sobejano levou-nos pelo legado musical do Centro Arvo Pärt, no seio de uma floresta na Estónia. Durante uma hora, a apresentação do arquiteto madrileno foi um verdadeiro cântico poético, sobre todas as motivações que estiveram na base deste projeto. Do outro, Carvalho Araújo guiou a plateia por momentos, simultaneamente, técnicos e artísticos dos projetos que desenvolveu e outros que ainda se encontra a realizar atualmente. Demonstrou como projeto e arquitetura são, na verdade, reflexo um do outro e como a materialização da obra resulta num conjunto de desejos, ânsias e concretizações até ao culminar da obra. Houve ainda tempo para assinalar a entrega formal do Margres Architecture Award 2019, pelas mãos do administrador da Gres Panaria, Andrea Zanni, à arquiteta Sílvia Bernardino, pelo seu projeto House in Moagem. A arquiteta salientou a ligação à marca com mais de uma década e o quanto foi surpreendida pela atribuição e pelo reconhecimento. A MAC_Margres Architecture Conference irá repetir-se anualmente por permitir alimentar o espírito pioneiro da Margres e o seu posicionamento estratégico no setor cerâmico.

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O FUTURO DA CERÂMICA

28.9.2020 - 2.10.2020 Rimini Exhibition Centre – Itália

tecnargilla.it ORGANIZAÇÃO

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EM COLABORAÇÃO COM

APOIO

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Arquitetura

Acerca da Margres Pioneira em grés porcelânico toda a massa, a Margres é líder em Portugal na área de revestimentos e pavimentos cerâmicos de alta gama. Os seus produtos são de excelente qualidade e resistência, devido à mais alta e recente tecnologia, ideal para a construção de espaços residenciais ou comerciais. Com uma vasta gama de soluções que varia entre os 3 e os 20mm de espessura e uma larga oferta de formatos – desde o 30x30 a 100x300 centímetros – a Margres emerge agregada a altos padrões estéticos prontos a dar resposta às exigentes demandas da arquitetura moderna. A Margres é uma das marcas do grupo empresarial Gres Panaria Portugal.

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Associativismo

WORKSHOP CAPTAÇÃO DE INVESTIMENTO E CAPITAL, NO ÂMBITO DO PROJETO “CERAMICS INDUSTRY – THE NEW AGE”

por António Oliveira, Economista da APICER

O projeto “Ceramics Industry – The New Age” é promovido pela APICER e tem por objetivo reforçar a capacitação empresarial das empresas das indústrias da cerâmica e cristalaria e qualificar os seus recursos humanos em domínios considerados prioritários, induzindo incrementos na sua produtividade e promovendo a sua competitividade e internacionalização. O Workshop “Captação de Investimento e Capital” constitui uma das iniciativas do projeto e teve lugar no Sheraton Porto no dia 31 de outubro de 2019, com a presença de 20 participantes. A mesa que presidiu à sessão incluiu o Dr. José Sequeira (Presidente da Direção da APICER), Drª. Joana Dias (Magellan), Dr. Pedro Magalhães (IFD - Instituição Financeira de Desenvolvimento) e Eng.º Victor Francisco (CTCV – Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro), este último como representante do júri que avaliou as candidaturas ao prémio “Ceramics Industry - The New Age Awards by APICER”. O Presidente da Direção da APICER abriu a sessão agradecendo a presença dos participantes e, particularmente, dos elementos convidados para intervir como oradores do workshop e aos membros do júri que avaliaram as candidaturas ao prémio “Ceramics Industry - The New Age Awards by APICER”, representantes do sistema científico-tecnológico nacional, concretizando uma saudável colaboração com a indústria portuguesa, neste caso, com a indústria de cerâmica. A sessão prosseguiu com a intervenção do Dr. Pedro Magalhães, Professor na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho e Coordenador da Instituição Financeira do Desenvolvimento (IFD), sociedade financeira pública criada em 2014 e com sede no Porto, relativamente à qual apresentou os objetivos principais e atividade desenvolvida.

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A IFD tem como Missão conceber, estruturar e operacionalizar soluções de financiamento que permitam colmatar falhas de mercado no acesso das PME portuguesas ao financiamento, contribuindo assim para o desenvolvimento económico e para a criação de riqueza e emprego, com volumes crescentes de valor acrescentado. A IFD, entidade grossista, não concorre com as restantes Instituições Financeiras na oferta de produtos financeiros dirigidos às PME. Atua, isso sim, em complementaridade com a banca nacional e com outros parceiros privados, para colmatar as falhas de mercado existentes. Seguidamente, a Drª. Joana Dias efetuou a apresentação do Estudo sobre Oportunidades de Financiamento para o Setor da Cerâmica, outra das atividades do projeto “Ceramics Industry – The New Age”, identificando as tipologias de apoio disponíveis e os programas de financiamento europeus a que as empresas do setor da cerâmica podem aceder. Referiu também os instrumentos financeiros relevantes para os setores da cerâmica e cristalaria. Este estudo está disponível no site da APICER e na plataforma digital ISSUU. O período seguinte estava reservado para a apresentação das candidaturas ao prémio “Ceramics Industry The New Age Awards by APICER”, que foram previamente apreciadas por um júri que incluiu representantes da APICER, Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, Centro

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Associativismo

Figura 1 - Anna Westerlund , vencedora do prémio “Ceramics Industry - The New Age Awards by APICER”

para a Valorização de Resíduos, Universidade do Minho e Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Depois do coffee break, o Eng.º Victor Francisco, enquanto porta-voz do júri, anunciou Anna Westerlund (figura 1) como vencedora do prémio monetário no valor de 5.000,00 €, que distinguiu as ideias inovadoras e criativas apresentadas por esta representante da nova geração de ceramistas portugueses. Uma das características mais marcantes das suas produções é a mistura da cerâmica com outros materiais, procurando manter a tradição e história da cerâmica aliada a uma expressão artística e uma estética mais atual ligada às artes. A vencedora agradeceu o prémio, que considerou como um reconhecimento à atividade que desenvolve e um estímulo ao crescimento da mesma. Esta iniciativa foi cofinanciada pelo COMPETE 2020 - Programa Operacional Competitividade e Internacionalização, no âmbito do Sistema de Apoio a Ações Coletivas.

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Associativismo

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Figura 1 do EPCF Figura 2 - Participantes nacionais no 25ºEPCF: Sílvia Machado (APICER), Paula Roque (Revigres), Marcelo Sousa (Matcerâmica) e António Baio Dias (CTCV)

Entre 20 e 21 de Novembro decorreu mais uma edição dos Dias Europeus da Cerâmica, em Bruxelas. Como habitualmente, o ponto alto deste evento foi o plenário do Fórum Cerâmico no Parlamento Europeu (EPCF), que celebra este ano 25 anos desde a sua constituição. O 25º aniversário do EPCF reuniu alguns parlamentares e decisores políticos influentes da Europa, com representantes da indústria, para trocar informações sobre os tópicos mais importantes que afectam a indústria e a Europa em geral. Em 2019, celebramos um quarto de século de uma parceria frutuosa com os deputados do passado e do presente, fazendo um balanço dos sucessos e destaques do Fórum ao longo dos anos. A abertura da sessão esteve a cargo da actual Presidente do EPCF, a Deputada Inmaculada Rodriguez Piñero, que salientou o facto de o sector ter trabalhado intensamente nos últimos 25 anos para reduzir o seu impacto ambiental e aumentar a sua eficiência energética, desenvolvendo produtos duráveis e de qualidade. A Deputada Piñero defendeu que a indústria cerâmica europeia, porém, não concorre nas mesmas condições que os seus pares de países terceiros como a China ou a India, e que, por isso mesmo, necessita de poder contar com instrumentos sólidos para abordar as práticas comerciais desleais. Além disso, recordou, os objectivos climáticos da EU exigem um compromisso comparável por parte dos outros países para que possamos competir nas mesmas condições. No painel de debate que se seguiu, moderado pela Deputada Anthea McIntyre, membro da comissão ENVI, sobre “Definição das ambições da Cerâmica no âmbito do processo de transformação da indústria”, tivemos a oportunidade de ouvir Peter Droell, Director da DG Investigação & Inovação sobre como o programa Horizon Europe e futuras parcerias podem facilitar a transformação industrial em processos como a indústria cerâmica. Ouvimos ainda a opinião de Roman Doubrava, Vice-Chefe da Unidade C3 da

25º Sessão Plenária

EUROPEAN CERAMIC DAYS 2019

DG Acção Climática, sobre as perspectivas que podemos ter com o Fundo de Inovação do CELE, e como este instrumento deverá ser utilizado para alcançar o objectivo comum da descarbonização, mantendo a liderança mundial da EU, e Fluvia Raffaelli da DG Crescimento. O CEO da Refratechnik, Christian Meyre, sublinhou as barreiras comerciais que a indústria refractária enfrenta diariamente para conseguir desenvolver projectos de circularidade, como por exemplo a falta de harmonização da definição de fim de estatuto de resíduo. Por seu turno, Roman Blazícek, CEO da Lasseslberger, relembrou que para assegurar uma transformação

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Figura 3 - MPE Inmaculada Rodriguez Piñero: “Há uma tendência crescente de barreiras técnicas que afectam cada vez mais as exportações da indústria de cerâmica para fora da UE. É fundamental melhorar aplicação das regras da OMC e dos acordos bilaterais.”

Associativismo

F i g u r a 5 - Ex M P E , e e x P r e s i d e n t e d o E P C F, M a lcolm Harbour falou durante o Cocktail sobre o seu relatório recente intitulado “Making the single Market work”.

Figura 4 - Fluvia Raffaelli, DG Crescimento: “Metade do esforço da Europa para alcançar a neutralidade carbónica pode ser alcançado através de medidas de economia circular”.

industrial próspera, a indústria precisa de estabilidade regulamentar e previsibilidade. Christof Domenig da Wienerberger fez uma exposição das várias tecnologias que podem contribuir para a redução do CO2 no processo cerâmico, e que precisam de ser ainda investigadas e desenvolvidas para serem implementadas. Domenig salientou que a Investigação e a Inovação são um pilar crucial para uma estratégia industrial europeia sólida a longo prazo, para garantir o desenvolvimento de processos, serviços e produtos inteligentes, inovadores e sustentáveis com produção na Europa. No segundo dia, e após a Assembleia Geral da Cerame-Unie, foi a vez da Conferência Pública sobre Competências com um painel de convidados que debateu as necessidades actuais e futuras em termos de competências e melhores práticas no sector para enfrentar os desafios que se colocam. A preceder o debate houve duas intervenções importantes. A primeira esteve a cargo do Vice-Director Geral da IndustriALL, Luis Colunga, que partilhou as expectativas do Sindicato Europeu em relação à nova Comissão Europeia, incluindo as garantias de competências, formação para todos, investimento adequado da UE e governação da formação profissional com base no diálogo social. O segundo Keynote speaker foi Joost Kort, o Director Geral da DG Emprego e Assuntos Sociais da Comissão Europeia, que salientou a importância das competências para o futuro da indústria, que considera um capítulo fundamental da política industrial. Joot Kort destacou ainda como prioridades atuais da Comissão a educação e a formação profissional, também na perspectiva das novas metas da Comissão em relação a economia de carbono e digitalização O painel de debate contou com a contribuição não só do sector através da experiência de Armando Cafiero, Director da Confindustria Cerâmica, mas também de sectores a jusante da cerâmica: a construção e o sector do aço. Além da escassa mão-de-obra qualificada disponível, os sectores debateram o desafio actual deste tipo de sector quanto a tornar-se atractivo para os jovens talentos que entram no mercado do trabalho, e que procuram ambientes sofisticados e com forte componente de inovação. A edição deste ano dos Ceramic Days concluiu-se com um workshop dedicado à investigação e inovação para promoção da cooperação entre indústria e entidades do sistema tecnológico e educativo. Com a intervenção de membros do Pólo Europeu da Cerâmica, os membros da Cerame-Unie tiveram oportunidade de debater as prioridades de I&D para o sector e ter uma antevisão do novo Roteiro SPIRE apresentado pela responsável daquela plataforma.

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Notícias & Informações

NOVIDADES DAS EMPRESAS CERÂMICAS PORTUGUESAS

Características: Peça única com todas as funções das instalações sanitárias; Ligação única à rede hidráulica doméstica; Capacidade de posicionamento livre no espaço; Possibilidade de instalação modular. Tecnologias: Simplificação do uso; Maior higiene na limpeza da peça e do espaço; Aquecimento do assento e abertura e descarga automáticas; Possível aproveitamento das águas saponáceas; Instalação simplificada estilo “maquina de lavar”. “O UNIWC é uma peça de higiene pessoal que agrega tudo aquilo que costumamos desenhar na instalação sanitária: a sanita, o lavatório e o duche. Adapta-se às casas de forma acessória, libertando o espaço de várias premissas e obrigações técnicas. Trata-se de uma proposta disruptiva, que traz novos ângulos e novas respostas.” Arquitecto Pedro Devesas, co-autor do projecto, em conjunto com a ARCH Sobre os Prémios Arquétipo Os Prémios Arquétipo são uma iniciativa da

Figura 1 - Ordem dos Arquitectos - Secção Regional do Norte- Concreta 2019

Figura 2 - Ordem dos Arquitectos - Secção Regional do Norte- Concreta 2019

ARCH Valadares UNIWC BY ARCH A ARCH marcou presença na feira Concreta 2019, juntamente com o Arquitecto Pedro Devesas, através da Ordem dos Arquitectos - Secção Regional do Norte (OASRN), para apresentação do UNIWC - o projecto vencedor da 1ª Edição do Prémio Arquétipo. A casa de banho do futuro - A casa de banho, tal como a conhecemos hoje, em formato de espaço único de higiene pessoal, tem muito pouco tempo de História. Só perto da Idade Moderna, com as revoluções industriais, o aumento da população e a produção em grande escala, é que a sanita em porcelana com descargas hídricas começou a ser usada habitualmente. Por questões técnicas e espaciais, actualmente, cada função da higiene pessoal tem dedicada uma peça independente (sanita, banheira, lavatório, bidé), o que resulta num conjunto heterogéneo e, segundo o Arquitecto Pedro Devesas, “difícil de organizar”. Em resposta, o projecto UNIWC, desenvolvido pela ARCH, tem a capacidade de juntar todas as funções e acessórios necessários à nossa casa de banho numa peça única, capaz de libertar os arquitetos para desenharem espaço.

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Notícias & Informações

OASRN. O seu objectivo é o de “incentivar o desenvolvimento ou [re]invenção de produtos, conceitos ou técnicas, com aplicabilidade directa no sector da construção” (citação do site da OASRN). Estes prémios apostam numa interacção entre arquitectos e empresas ligadas à produção de materiais de concepção e arquitectura dos espaços. Em cada edição, são estabelecidas parcerias estratégicas com empresas portuguesas de referência no sector, como é o caso da ARCH. A iniciativa Arquétipo inverte a lógica tradicional do processo de criação de um produto, passando o arquitecto a ser um agente activo nesse processo, acompanhando o processo de produção juntamente com as empresas de materiais, produtos e/ou equipamentos. O processo é seguido desde a sua concepção, o que garante um maior êxito na introdução do produto no mercado - e este factor foi encarado pela ARCH como uma vantagem estratégica.

BMI PORTUGAL BMI Portugal lança nova telha de alta performance para o setor da reabilitação • Marselha MG Plus responde a necessidade do setor • Maior passo variável do mercado é agora aliado a nova tecnologia A BMI Portugal acaba de lançar no nosso país a nova telha Marselha MG Plus, que se destaca pela avançada tecnologia de fabrico e características que a tornam especialmente indicada para o mercado da reabilitação. Combinar a versatilidade líder em obras de reabilitação com a durabilidade e garantia de um avançado processo de fabrico é a proposta exclusiva da Marselha MG Plus, desenvolvida pela BMI Portugal na sequência de um trabalho de recolha de opiniões junto dos profissionais do mercado. “Sentimos que havia uma necessidade clara no setor da reabilitação e colocámos todos os nossos esforços no desenvolvimento de um produto que oferecesse exatamente aquilo que o mercado necessitava”, comenta Pedro Abrantes, diretor comercial da BMI Portugal. A nova telha Marselha MG Plus mantém o perfil da conhecida Marselha MG, já produzida em moldes de gesso, mas que agora é produzida num processo mais avançado e que a posiciona numa gama média/alta, explica ainda Pedro Abrantes: “A nova Marselha MG Plus é cozida a uma temperatura maior, a 1025 graus, o que lhe confere maior resistência mecânica e uma taxa de absorção menor, aumentando assim a sua durabilidade, principalmente face ao gelo”. Este novo processo de fabrico reservado para a “Plus” garante ainda “uma maior planaridade e exactidão geométrica, permitindo oferecer um produto de linhas perfeitas”, sublinha o mesmo responsável. As novas características de

Figura 4

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BIM Porftugal 1

Figura 3 - Ordem dos Arquitectos - Secção Regional do Norte- Concreta 2019

Sobre a Apresentação do Prémio Nesta edição, a apresentação oficial do UNIWC foi realizada feira Concreta, no dia 22 de novembro de 2019. A Concreta - Feira de Construção, Reabilitação, Arquitetura e Design decorreu, durante os dias 21 e 24 de novembro de 2019, na Exponor e procura promover as novas tendências nesses sectores de atividade. Tem como objetivos a apresentação de novas ideias, conceitos e produtos, bem como visibilidade para os mercados externos do que melhor se faz em Portugal. Na apresentação, estiveram presentes o Dr. Luís Miguel Ribeiro (Presidente da AEP/Exponor), o Arq.º Alexandre Ferreira (Vice-Presidente CDRN-OASRN) e a Arq.ª Cláudia Costa Santos (Presidente CDRNOASRN). Também marcaram presença os representantes da ARCH Valadares: o Eng.º Rocha Ferreira (Diretor de I&D) e o Sr. Adão Batista, elementos fundamentais para a conclusão do projecto, que

acompanharam o processo desde o início até a sua conclusão

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N o t í c i a s & I n f oDrem s taaçqõue es . K é r a m i c a . p . 3 97


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BIM 3

Novo site da BMI Portugal reúne mais de 3000 produtos e partilha know-how de coberturas É ainda a pensar nos profissionais que a nova página web da BMI Portugal oferece uma área de informação sobre os serviços BMI Expert (de consultoria e aconselhamento pelos melhores profissionais de coberturas), BMI Academy (de formação e certificação de instaladores) e ainda uma galeria BIM para apoio à realização dos projetos. O site pretende também servir como fonte de inspiração para os particulares que procuram soluções de alto desempenho para construir, reformar ou fazer a manutenção da cobertura da sua habitação. Por isso, para além de encontrarem informação técnica sobre os produtos e os detalhes das soluções inovadoras que a BMI oferece aos seus clientes, podem navegar pelas galerias de imagens que apresentam exemplos das mais inspiradoras obras realizadas com os vários sistemas BMI. A nova web agora disponibilizada é mais um passo na afirmação e crescimento da BMI Portugal, que, desde o início deste ano, representa a nova identidade da Cobert, líder no nosso país na produção e comercialização de telhas e componentes para telhados. Esta mudança reflete, assim, a sua integração plena no BMI Group, maior fabricante europeu do setor, pertencente à Standard Industries.

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fabrico permitem ainda oferecer uma garantia de 35 anos. A nível logístico, foi estudada uma embalagem optimizada de 288 unidades, agrupadas em pacotes de 6 peças, o que permite um fácil manuseamento no transporte das mesmas em obra aligeirando e facilitando o seu processo de instalação. A estas novas dotações de tecnologia de produção, a nova Marselha MG Plus adiciona uma proposta exclusiva no setor da reabilitação, uma vez que mantém o passo variável da Marselha MG, e que vai até aos 65mm, o que faz dela a telha com o maior passo variável do mercado. Esta característica permite o aproveitamento dos ripados antigos, podendo ajustar a telha sem qualquer necessidade de intervenção ou substituição dos mesmos e mantendo a performance, nomeadamente ao nível da estanqueidade. Novo site da BMI Portugal reúne mais de 3000 produtos e partilha know-how de coberturas • Mais de 3000 produtos e sistemas BMI Cobert, BMI Icopal, BMI Everguard, BMI Sealoflex e BMI Thermazone • Espaço pensado para apoiar os profissionais e como inspiração para os particulares A BMI Portugal acaba de lançar o seu novo site, em www.bmigroup.com/pt, com o qual pretende aproximar-se ainda mais da comunidade de profissionais e particulares que procuram materiais e soluções de coberturas, impermeabilização e isolamento. Mais do que uma web, este novo recurso assume-se como uma plataforma de contacto e de consulta de know how especializado num setor que enfrenta exigências técnicas e criativas cada vez mais elevadas, como sublinha Pedro Abrantes, diretor comercial da BMI Portugal: “Com este novo recurso, o BMI Group, maior fabricante europeu do setor de coberturas planas e inclinadas, disponibiliza toda a sua gama de produtos à distância de um clique, mas, mais

do isso, partilha com todos os profissionais e particulares o seu vasto conhecimento e experiência numa plataforma que se pretende útil e de fácil acesso”. Em www.bmigroup.com/pt é agora possível encontrar no mesmo lugar, e em português, toda a informação sobre mais de 3000 produtos e serviços BMI para coberturas sustentáveis e tecnologicamente avançadas. Nesta web estão reunidas as gamas de telhas BMI Cobert e as diversas soluções de construção, impermeabilização e isolamento BMI Icopal, BMI Everguard, BMI Sealoflex e BMI Thermazone, para além de todos os documentos necessários para o know how dos profissionais: catálogos, manual de instalação, preçário, fichas técnicas, certificados e declarações de desempenho dos sistemas, produtos e componentes.

Figura 6

Figura 5

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BIM Portugal 2

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Novembro . Dezembro . 2019


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A BMI Portugal passou, desta forma, a beneficiar das sinergias do maior grupo europeu em produtos e soluções para telhados, em especial com o enriquecimento do portefólio comercializado no nosso país. Por outro lado, a empresa fortaleceu a sua posição enquanto exportadora para as geografias onde o BMI Group opera, fruto da integração das marcas produzidas em Portugal na oferta internacional. COSTA NOVA No sentido de consolidar a sua já vincada presença no mercado italiano, a COSTA NOVA voltou a participar na feira HOST MILANO, que decorreu nos passados dias 18 a 22 de outubro. Já na sua 42.ª edição, este certame internacional é dedicado em especial aos profissionais de hotelaria que procuram soluções inovadoras e surpreendentes para os seus espaços e negócios. A COSTA NOVA voltou a surpreender todos os visitantes com o seu conceito de mesa em grés fino, destacando para o efeito as suas novas coleções de assinatura – Nótos e Roda – lançadas em fevereiro deste ano. Ambas as coleções receberam rasgados elogios por parte

dos visitantes, quer pela sua beleza e diferenciação estética, quer pela sua versatilidade, correspondendo às mais diversas necessidades dos profissionais de hotelaria. Esta foi a última participação do ano da COSTA NOVA em feiras do setor, estando já a ser preparada a apresentação do novo portfólio de coleções em grés fino para o arranque de 2020, com a presença na prestigiada feira Maison & Objet, em Paris, e em diversas feiras nos Estados Unidos. PAVIGRÉS RAINFOREST - Grés Porcelânico | Formato: 197x1190mm | 3 Cores: Beige / Syrup / Brown | Acabamento Mate Inspirada na biodiversidade da floresta tropical, esta coleção traduz a natureza no seu estado mais puro, intocada e ainda por ser descoberta. Com recurso à mais recente tecnologia digital, foi possível replicar todos os detalhes da madeira, dos tons mais claros aos mais escuros, com a vantagem de um produto duradouro e de fácil manutenção. Falta-nos ainda adicionar o puro aroma da madeira… Seria como viver no paraíso. Talvez numa próxima…

Figura 8

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Concrete

Rainforest

Figura 7

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Costa Nova

CONCRETE - Grés porcelânico técnico, duplo carregamento | Formatos: 597x1190mm / 597X597mm / 890X890mm | 5 Cores White / Grey / Steel / Graphite / Taupe | Acabamento Mate / Nature / Bujardado A coleção CONCRETE traduz o verdadeiro espírito visual do cimento de Portland, com um excelente desempenho técnico. É um grés porcelânico não esmaltado produzido em dupla carga, com elevada qualidade técnica e durabilidade e foi especialmente pensado para áreas de alto tráfego.

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Arquitetura . Kéramica . p.39


Figura 11

Figura 13

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Trace

Parquet

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Prima

Canvas

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CANVAS Collection - Grés porcelânico | Formatos: 890X890mm / 597x1190mm / 597X597mm / 297X597mm | 3 Cores: Cinza /| Prata / Antracite | Acabamento, Textura Grattage /Secco /Pigment CANVAS é uma coleção exclusiva, oferece 3 tipos diferentes de inspiração em técnicas de pintura; [Secco], [Grattage] e [Pigment] e com 3 cores distintas. É um grés porcelânico de elevada qualidade, fabricado com recurso á mais moderna tecnologia digital. Tudo começa como uma tela vazia, cada espaço, detalhe e cor será individual e único na mão de cada artista PARQUET - Grés Porcelânico | 10,5mm de espessura |Formato: 597x597mm | 2 cores Nordic / Pine | 4 Padrões Recuamos no tempo para nos inspirarmos no aspeto vintage do parquet de madeira que costumávamos ver nas casas das nossas avós. Ao melhor visual vintage, adicionámos o melhor grés porcelânico, com um toque refinado e cores suaves. O resultado final é uma combinação de sobriedade com um pedaço de nostalgia, que concebe espaços clássicos e intemporais.

p.40 2 . Kéramica . D A re qs tuai qt euteu r a

PRISMA - Revestimento em pasta branca | Formato 197x197mm | 10 cores Prisma é daquelas coleções desenhadas com paixão! É um revestimento de inspiração vintage, em baixo relevo e com uma paleta de dez cores cuidadosamente escolhida. As peças de baixo-relevo tem delicados detalhes brilhantes apena visíveis de determinados ângulos, nós chamamos-lhe o ângulo mágico que transforma o que é belo em algo absolutamente fantástico. TRACE - Grés porcelânico | Formatos: 597x1190mm / 597X597mm | 2 Cores, Ivory / Grey | Acabamento Mate TRACE é uma pedra antiga de tons suaves e destonificados que contém detalhes gráficos enriquecidos através da sedimentação rochosa de milhares de anos de existência. Sua reprodução só é possível devido ao mais avançado processo de impressão digital, que revela milhares de tons diferentes dentro da mesma base de cores. É um grés porcelânico de elevada durabilidade, adequado para espaços elegantes e intemporais como: hotéis, espaços comerciais ou residenciais.

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Figura 15 - Dr. Carlos Rosa (Presidente APCMC), Dr. António Leitão (Matobra), Dr. Alfredo Peixoto (Recer)

estes diversos públicos em conjugação com a sua oferta de produtos. Recer apoia 1ªedição do Prémio da APCMC O Prémio para a “Melhor Exposição de Cerâmica, Banho & Cozinha 2019” é uma iniciativa da APCMC que conta com o patrocínio da RECER e que visa promover a qualidade das exposições das empresas do comércio de materiais de construção, reconhecendo o esforço de investimento e criatividade dos associados no serviço ao cliente. O Prémio subdivide-se em duas categorias, a Melhor Loja Física e a Melhor Loja Inovação. O Júri foi constituído por Filipe Sampaio Rodrigues, Maria Miguel e Ricardo Batista, três personalidades reconhecidas na área do marketing e comunicação. Os critérios de avaliação incluíram tópicos como a criatividade e a organização dos espaços, a decoração, a interação com o público, a diversidade da oferta, as acessibilidades e a incorporação das tecnologias digitais. A entrega de prémios decorreu durante a Concreta, na Exponor, inserido na Grande Conferência 65 anos da APCMC – “O Futuro da Distribuição dos Materiais de

Figura 14 tos

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Miguel Pratas (diretor vendas da Recer) e Gabinete Pitágoras Arquitec-

RECER Recer patrocina Prémios Construir 2019 A Gala dos Prémios Construir 2019 premiou as empresas e obras que mais se destacaram no último ano nas áreas de Arquitetura, Engenharia, Construção e Imobiliário. O evento de entrega de prémios, realizou-se no Pavilhão do Conhecimento (Lisboa) e a Recer, parceira desta iniciativa desde 2012, entregou ao Gabinete Pitágoras Arquitectos, o prémio Melhor Projeto Público - Categoria Arquitetura. Evento de referência para os setores da arquitetura e da construção, os Prémios Construir são dinamizados pelo Jornal Construir para reconhecer o mérito, o empenho e a qualidade da atividade de arquitetos, engenheiros, construtores e agentes do mercado imobiliário. A Recer como importante player do setor da arquitetura e da construção tem reconhecido ao longo dos anos o que de melhor é feito pelas empresas e pelos profissionais que atuam neste setor, nas áreas da Arquitetura, Engenharia, Construção e Imobiliário, apostando na proximidade a

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Construção em Portugal”. A empresa Macovex – Materiais de Construção, S.A. venceu o prémio “Melhor Exposição de Cerâmica, Banho & Cozinha 2019” na categoria de Melhor Loja Física e a empresa Matobra – Materiais de Construção e Decoração, S.A. venceu na categoria de Melhor Loja Inovação. REVIGRÉS Revigrés associa-se à exposição “Eileen Gray, Arte Total: casa E.1027 à escala 1:1” Coleção Cromática da Revigrés contribui para contar a “história” da casa criada pela designer Eileen Gray, em exposição na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. A Revigrés vai estar presente na exposição “Eileen Gray, Arte Total: casa E.1027 à escala 1:1”, patente na Galeria da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP), de 20 de novembro a 3 de Janeiro. Organizada pela FAUP, em parceria com a O’Neil Ford Chair in Architecture, da Universidade do Texas, esta exposição reproduz à escala real o quarto da casa de férias criada pela designer angloirlandesa Eileen Gray (1878 - 1976), na Côte d‘Azur, denominada E.1027. Esta foi a primeira incursão da designer no mundo da arquitetura e um verdadeiro manifesto para o qual concebeu, não só a arquitetura do espaço, mas também praticamente todos os objetos e peças de mobiliário, criando uma obra de arte total que inspirou os seus subsequentes projetos. Na exposição que terá lugar no Porto, o pavimento do espaço terá aplicada a Coleção Cromática da Revigrés. Com 40 cores, 10 formatos e 3 acabamentos, esta é uma das coleções em grés porcelânico técnico mais completas a nível mundial. Para Sónia Moreira, Diretora de Marketing da Revigrés “ao associar-se a esta iniciativa, a Revigrés pretende contribuir para contar a história desta obra-prima da arquitetura moderna e continuar a revestir o mundo com inspiração e arte”. Com curadoria de Carolina Leite e Wilfried Wang e coordenação de Alberto Lage, esta é a terceira versão de uma exposição inicialmente pensada para o Mebanne Hall em Austin, no Texas (2017), e que já passou pela Akademie der Künste (2019), em Berlim. Na FAUP, vão ser apresentados conteúdos que dão a conhecer não só um espaço da casa à escala 1:1, como também o processo de investigação que resultou na exposição e que realçam a sua importância. Mais informações em www. arq.up.pt.

p . 4 24 . K é r a m i c a . A D reqs ut ai tqeuteu r a

VISTA ALEGRE A Vista Alegre e a Bordallo Pinheiro, duas marcas reconhecidas pela sua ligação à arte, design e inovação, anunciam uma parceria com Claudia Schiffer, um dos maiores ícones globais da moda. Uma colaboração que reforça o posicionamento de excelência das duas insígnias e a sua expansão internacional. A visão de Claudia Schiffer e a identidade única das duas marcas darão origem a peças surpreendentes, marcadas pela originalidade e pela contemporaneidade.

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Destaque . KĂŠramica . p.45


Calendário de eventos

DOMOTEX’2020 (Revestimentos) Anual – Hannover (Alemanha) De 10 a 13 de Janeiro de 2020 http://www.domotex.de

EXPOREVESTIR’2020 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – São Paulo (Brasil) De 10 a 13 de Março de 2020 http://www.exporevestir.com.br/

FILDA´2020 (Materiais de Construção) Anual – Luanda (Angola) De 14 a 18 de Julho de 2020 https://filda.co.ao/

MAISON & OBJET’2020 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Paris (França) De 17 a 21 Janeiro de 2020 www.maison-objet.com

THE INSPIRED HOME SHOW’2020 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Chicago (USA) De 14 a 17 de Março de 2020 http://41madison.com/

MAISON & OBJET’2020 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Paris (França) De 4 a 8 Setembro de 2020 www.maison-objet.com

KBIS’2020 (Louça Sanitária) Anual – Las Vegas (USA) De 21 a 23 de janeiro de 2020 www.kbis.com

MOSBUILD’2020 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Moscovo (Rússia) De 31 de Março a 03 de Abril de 2020 www.coverings.com

THE HOTEL SHOW’2020 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Dubai (EAU) De 15 a 17 Setembro de 2020 https://www.thehotelshow.com/

THE INTERNATIONAL SURFACE EVENTE’2020 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Las Vegas (USA) De 28 a 30 de Janeiro de 2020 www.intlsurfaceevent.com/

THE NEW YORK TABLETOP’2020 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Nova Iorque (USA) De 31 de Março a 03 de Abril de 2020 http://41madison.com/

EQUIPOTEL’2020 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – São Paulo (Brasil) De 15 a 18 Setembro de 2020 https://www.equipotel.com.br/

CEVISAMA’2020 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Valencia (Espanha) De 7 a 11 de Fevereiro de 2020 https://cevisama.feriavalencia.com

COVERINGS’2020 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Nova Orleães (EUA) De 20 a 23 de Abril de 2020 www.coverings.com

TECNARGILLA’2020 (Tecnologia Cerâmica) Anual – Rimini (Itália) De 28 de Setembro a 2 de Outubro de 2020 https://en.tecnargilla.it/

AMBIENTE’2020 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Frankfurt (Alemanha) De 7 a 11 de Fevereiro de 2020 https://ambiente.messefrankfurt.com/frankfurt/ en.html

INTERNATIONAL BATHROOM EXHIBITION’2020 (Louça Sanitária) Anual – Milão (Itália) De 21 a 26 de Abril de 2020 https://www.salonemilano.it/en

CERSAIE’2020 (Ladrilhos Cerâmicos) Anual – Bolonha (Itália) De 28 de Setembro a 2 de Outubro de 2020 www.cersaie.it

QUALICER’2020 (Congresso Ladrilhos Cerâmicos) Bianual – Castellon (Espanha) De 10 a 11 de Fevereiro de 2020 http://www.qualicer.org/

TEKTÓNICA´2020 (Materiais de Construção) Anual – Lisboa (Portugal) De 6 a 9 de Maio de 2020 https://tektonica.fil.pt/

HOSTMILANO’2020 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Milão (Itália) De 22 a 26 de Outubro de 2020 http://host.fieramilano.it/en

IDF’2020 (Design e Decoração) Anual – Porto (Portugal) De 20 a 23 de Fevereiro de 2020 https://idf.exponor.pt/spring/

INTERIOR LIFESTYLE TOKYO’2020 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Tóquio (Japão) De 03 a 05 Junho de 2020 interiorlifestyle-tokyo.jp.messefrankfurt.com

EQUIPHOTEL’2020 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Paris (França) De 15 a 19 de Novembro de 2020 https://www. equiphotel.com/en/Home/

UNICERA’2020 (Louça Sanitária) Anual – Istambul (Turquia) De 10 a 14 de Março de 2020 http://unicera.com.tr

TENDENCE’2020 (Cerâmica Utilitária e Decorativa) Anual – Frankfurt (Alemanha) De 27 a 30 de Junho de 2020 https://tendence.messefrankfurt.com/frankfurt/ en.html

BIG 5 SHOW´2020 (Materiais de Construção) Anual – Dubai (EAU) De 23 a 26 de Novembro de 2020 https://www.thebig5.ae/

p.44 . Kéramica . Calendário de Eventos p.46 . Kéramica . Destaque

Novembro . Dezembro . 2019


SEW-EURODRIVE - Driving the World

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MOVI-C® - O conceito modular para sistemas de automação. Com os quatro módulos integrados - software de engenharia, tecnologia de controlo, tecnologia de conversores e tecnologia de acionamentos - a SEW-EURODRIVE oferece um conceito otimizado para sistemas de automação a partir de um único fornecedor.

Novembro . Dezembro . 2019

www.sew-eurodrive.pt

Destaque . Kéramica . p.47


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Keramica n.º361  

A última edição de 2019, da Kerámica, o destaque é a Cristalaria e ao Vidro de Mesa. Tal como na cerâmica, falar de vidro é falar de múlti...

Keramica n.º361  

A última edição de 2019, da Kerámica, o destaque é a Cristalaria e ao Vidro de Mesa. Tal como na cerâmica, falar de vidro é falar de múlti...

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