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joão godinho

o c i t lé

Julho/2013 - R$ 10

at

o ã e p 2013

m s e r ca rtado e b i l


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

índice //

editorial //

Pág. 6................................................................. A Libertadores é do Galo Pág. 7...................................................................................Tabela Pág. 8................................................................................ O Sonho Pág. 10 a 37..................................................................... A Campanha Pág. 38.............................................................................. Números Pág. 40...................................................................... Galo pelo mundo Pág. 42............................................................................ A Cobertura Pág. 44............................................................................. SuperGalo Pág. 46 e 47............................................................................ Pôster Pág. 48 e 49 .................................................................... Personagens Pág. 50 a72 ...................................................................... Jogadores Pág.74 .................................................................... Comissão Técnica Pág. 75 a 82...................................................

Galeria de Fotos

Pág. 83 .......................................................................... Acabou a Zica Pág. 84 e 85 ................................................................... O Caldeirão Pág. 86 e 87 .................................................................. A Torcida Pág. 88 e 89 .......................................................................... Mundial

FUNDADOR Vittorio Medioli PRESIDENTE Laura Medioli VICE-PRESIDENTE Luiz Alberto de Castro Tito

ADJUNTO DA SECRETARIA DE REDAÇÃO Murilo Rocha CHEFE DE REPORTAGEM Renata Nunes GERENTE CoMERCIAL Fabiano Guerra

DIRETOR EXECUTIVO Heron Guimarães

GERENTE DE TECNOLOGIA Fábio A. Santos

DIRETOR FINANCEIRO Marcos de Oliveira e Souza

GERENTE INDUSTRIAL Guilherme Reis

EDITORA EXECUTIVA Lúcia Castro SECRETÁRIA DE REDAÇÃO Michele Borges da Costa

GERENTE ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO Walmir Prado GERENTE DE MARKETING Alessandra Soares

editorial

Revista Atlético Campeão da Libertadores

4

Coordenação: Murilo Rocha

Infografia: Denver Oliveira

Redação e reportagem: Felipe Ribeiro, Igor Veiga, Daniel Hott, Thiago Nogueira, Ana Paula Moreira e Josias Pereira

Ilustração: Hélvio Avelar

Projeto gráfico e diagramação: Anderson Carvalho

Edição de fotografia: Rejane Araújo Tratamento de imagem: Cristiano Rodrigo

Sempre Editora - Av. Babita Camargos, 1645 Cid. Industrial - Contagem- MG - Fone: (31) 2101-3806 |

2000

e galo

T

orcer contra o vento não é fácil. O atleticano sabe disso e faz dessa adversidade sua paixão. E paixão é coisa insana. “Não se explica, sente-se”, diria algum filósofo de arquibancada. Não fosse assim, como sustentar essa verdadeira profissão de fé, chamada Clube Atlético Mineiro, após o drama de 1977, de 80, após José Roberto Wright, após a bola caprichosa teimar em não entrar no gol adversário mesmo quando se é aclamado como o melhor durante todo o campeonato. Como insistir em amar tanto sem ser correspondido? Só sendo apaixonado, doentemente apaixonado. Qual atleticano nunca ouviu da mulher, do amigo de trabalho, do pai, do vizinho a sentença: “Você é doente!”? E o pior, ouvir esse diagnóstico e, lá no fundo da alma, se orgulhar, às vezes até deixando escapar um sorriso no canto da boca. Só o atleticano sabe como é bom ser atleticano, mesmo todo mundo jurando o contrário. Talvez por isso, para dar uma satisfação a quem pode até entender de futebol, mas não entende nada de paixão, a conquista da Taça Libertadores da América de 2013 – o torneio mais importante do continente – é o início de uma nova era para o clube mais tradicional das Minas Gerais. Agora, o atleticano poderá continuar agindo como um louco, mas um louco com razão. Afinal de contas, os jornais, o rádio, a TV estão dizendo: o seu time é o melhor das Américas e, em breve, poderá ser o melhor do mundo. Nada mais apagará essa campanha vitoriosa. Daqui a 42 anos, um pai ainda estará contando todo orgulhoso, para o filho que estava lá, no caldeirão do Horto, no dia em que Ronaldinho Gaúcho encobriu com um toque de gênio o goleiro do Arsenal de Sarandí, dois amigos em uma mesa de bar ainda vão se lembrar com um frio na espinha da defesa sobrenatural de Victor, com o pé esquerdo, em um pênalti marcado aos 47 minutos do segundo tempo. Alguém ainda há de ficar com lágrima nos olhos só de recordar o grito da torcida – “Eu acredito” – quando tudo parecia perdido na semifinal épica contra os argentinos. Essa Taça liberta não só a paixão desmedida de mais de 8 milhões de torcedores alvinegros; ela liberta Mário de Castro, Zé do Monte, Kafunga, Ubaldo, Humberto Ramos, Dario, Reinaldo, Cerezo, João Leite, Luizinho, Éder, Sérgio Araújo, Marques e tantos outros heróis em preto e branco. Esta taça liberta, para além do continente, um grito de amor: Gaaaaalllllllooooo!


 | Apresentação da Libertadores|

Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

Atlético se liberta “L a Copa se mira y se toca”. A frase histórica foi dita por Jaime Pizarro, então capitão do Colo-Colo (CHI), em 1991, quando o clube chileno conquistou a Libertadores pela primeira e única vez. Mais de 22 anos depois, o coro pode – e deve – ser repetido por milhões de atleticanos espalhados pelo mundo. Afinal, após anos sonhando com este momento, o Galo finalmente chegou lá: tocou a taça e viu como a América é real. Das 53 edições anteriores, o Atlético participou de apenas quatro e fracassou em todas. Mas quem se importa? A falta de tradição, apontada como um empecilho no início da campanha de 2013, nem de longe atrapalhou os planos do Atlético. Tudo na vida tem uma primeira vez, e toda primeira vez é inesquecível. Não à toa, o primeiro título continental veio de forma sofrida. A campanha arrasadora na primeira fase não foi uma amostra do que aconteceria nos mata-matas. O Galo precisou

superar caldeirões, pênaltis aflitivos e até mesmo um gramado exótico. Isso tudo sem contar a necessidade de viradas históricas, apertando ainda mais o coração da Massa. A conquista teve a cara da Libertadores. Se antes o Galo era conhecido como forte e vingador, agora está em um novo patamar. A inédita conquista da Libertadores torna o Atlético um clube sem fronteiras. Ronaldinho, Victor, Tardelli e os demais heróis do título exorcizaram qualquer fantasma que assombrava os alvinegros e, como pede o hino, honraram o nome de Minas no cenário esportivo mundial. Tudo o que se conquista com suor e lágrimas tem um gosto diferente, é ainda mais especial. O torcedor atleticano lavou a alma e soltou um grito sufocado há anos. A América é do povo. É alvinegra! É do Galo! Os atleticanos foram pacientes, sofreram unidos e, a partir de agora, vivem uma imensa alegria compartilhada. Afinal, sonho que se sonha junto é realidade.

libertadores

Lista de todos os campeões (54)

6

1960 Peñarol 1961 Peñarol 1962 Santos 1963 Santos 1964 Independiente 1965 Independiente 1966 Peñarol 1967 Racing 1968 Estudiantes 1969 Estudiantes 1970 Estudiantes 1971 Nacional 1972 Independiente 1973 Independiente 1974 Independiente 1975 Independiente 1976 Cruzeiro 1977 Boca Juniors

1978 Boca Juniors 1979 Olimpia 1980 Nacional 1981 Flamengo 1982 Peñarol 1983 Grêmio 1984 Independiente 1985 Argentinos Juniors 1986 River Plate 1987 Peñarol 1988 Nacional 1989 Atlético Nacional 1990 Olimpia 1991 Colo-Colo 1992 São Paulo 1993 São Paulo 1994 Vélez Sarsfield 1995 Grêmio

1996 River Plate 1997 Cruzeiro 1998 Vasco da Gama 1999 Palmeiras 2000 Boca Juniors 2001 Boca Juniors 2002 Olimpia 2003 Boca Juniors 2004 Once Caldas 2005 São Paulo 2006 Internacional 2007 Boca Juniors 2008 LDU de Quito 2009 Estudiantes 2010 Internacional 2011 Santos 2012 Corinthians 2013 Atlético


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

TABELAS 1

J

V

E

1 Nacional-URU 10 6 3 1 2 Boca Juniors 9 6 3 0 8 6 2 2 3 Toluca 4 Barcelona-EQU 6 6 1 3

2 3 2 2

1 7 8 5

6 7 11 6

4 0 -3 -1

1 Palmeiras 2 Tigre 3 Libertad-PAR 4 SportingCristal-PER

1ª RODADA Nacional 2 x 2 Barcelona Boca Juniors 1 x 2 Toluca 2ª RODADA Toluca 2 x 3 Nacional Barcelona 1 x 2 Boca Juniors 3ª RODADA Toluca 1 x 1 Barcelona Boca Juniors 0 x 1 Nacional 4ª RODADA Barcelona 0 x 0 Toluca Nacional 0 x 1 Boca Juniors 5ª RODADA Boca Juniors 1 x 0 Barcelona Nacional 4 x 0 Toluca 6ª RODADA Barcelona 1 x 0 Nacional Toluca 3 x 2 Boca Juniors

J

V

E

D GP GC SG

13 13 5 3

6 6 6 6

4 4 1 1

1 1 2 0

1 1 3 5

E

D GP GC SG

9 9 8 8

6 6 6 6

3 3 2 2

0 0 2 2

3 3 2 2

5 10 9 8

0 -1 1 0

P

10 8 5 2

2 4 11 8

8 4 -6 -6

1 Santa Fé-COL 14 2 Real Garcilaso-PER 10 3 Dep. Tolima-COL 8 4 Cerro Porteño-PAR 1

J

V

E

1 Atlético 15 6 5 0 2 São Paulo 7 6 2 1 3 Arsenal-ARG 7 6 2 1 4 Strongest-BOL 6 6 2 0

6

J

V

E

D GP GC SG

6 6 6 6

4 3 2 0

2 1 2 1

0 2 2 5

9 8 7 3

4 7 5 11

5 1 2 -8

1 Olimpia-PAR 2 N. Old Boys-ARG 3 U. de Chile-CHI 4 Dep. Lara-VEN

1/5 15/5

0 1 1 1

BOCA JUNIORS - ARG NEWELL’S O. B. - ARG 24/4 14/5

1 1 0 2

E

D GP GC SG

13 10 9 3

6 6 6 6

4 3 3 1

1 1 0 0

1 2 3 5

10 5 7 5

GRUPO

V

E

D GP GC SG

13 9 9 4

6 6 6 6

4 3 3 1

1 0 0 1

1 3 3 4

16 11 7 8

7 10 9 16

9 1 -2 -8

1 Fluminense 2 Grêmio 3 Huachipato-CHI 4 Caracas-VEN

1ª RODADA Universidad de Chile 2 x 0 Deportivo Lara Newell's Old Boys 3 x 1 Olimpia 2ª RODADA Olimpia 3 x 0 Universidad de Chile Deportivo Lara 2 x 1 Newell's Old Boys 3ª RODADA Newell's Old Boys 1 x 2 Universidad de Chile Olimpia 2 x 2 Deportivo Lara 4ª RODADA Universidad de Chile 0 x 2 Newell's Old Boys Deportivo Lara 1 x 5 Olimpia 5ª RODADA Newell's Old Boys 3 x 1 Deportivo Lara Universidad de Chile 0 x 1 Olimpia 6ª RODADA Deportivo Lara 2 x 3 Universidad de Chile Olimpia 4 x 1 Newell's Old Boys

2 3 0 1

3 4 7 13

7 1 0 -8

8

P

J

V

E

D GP GC SG

11 8 8 6

6 6 6 6

3 2 2 2

2 2 2 0

1 2 2 4

5 10 10 6

5 6 8 12

0 4 2 -6

1ª RODADA Caracas 0 x 1 Fluminense Grêmio 1 x 2 Huachipato 2ª RODADA Huachipato 1 x 3 Caracas Fluminense 0 x 3 Grêmio 3ª RODADA Huachipato 1 x 2 Fluminense Grêmio 4 x 1 Caracas 4ª RODADA Fluminense 1 x 1 Huachipato Caracas 2 x 1 Grêmio 5ª RODADA Caracas 0 x 4 Huachipato Grêmio 0 x 0 Fluminense 6ª RODADA Fluminense 1 x 0 Caracas Huachipato 1 x 1 Grêmio

SANTA FÉ-COL GRÊMIO

SANTA FÉ-COL REAL GARCILASO-PER

JOGOS DE IDA

9/5 25/4

JOGOS DE VOLTA

1 0 0 1

3/7 10/7

9/7

0 2 2 0

1 0 0 2

2/7

FINAL ATLÉTICO OLIMPIA-PAR

CAMPEÃO

OLIMPIA-PAR

17/7 24/7

29/5 22/5

0 2 2 0

2 0 1 0

4 A 3 PARA O ATLÉTICO NOS PÊNALTIS

ATLÉTICO

NACIONAL-URU REAL GARCILASO-PER

SANTA FÉ-COL

3 A 2 PARA O ATLÉTICO NOS PÊNALTIS

10 A 9 PARA O NEWELL`S OLD BOYS NOS PÊNALTIS

V

28/5 22/5

NEWELL’S O. B. - ARG

0 0 0 0

J

7

J

2 1 2 1

23/5 29/5

4

P

1ª RODADA Emelec 1 x 0 Vélez Sarsfield Deportes Iquique 1 x 2 Peñarol 2ª RODADA Peñarol 1 x 0 Emelec Vélez Sarsfield 3 x 0 Deportes Iquique 3ª RODADA Peñarol 0 x 1 Vélez Sarsfield Deportes Iquique 2 x 0 Emelec 4ª RODADA Emelec 2 x 1 Deportes Iquique Vélez Sarsfield 3 x 1 Peñarol 5ª RODADA Deportes Iquique 1 x 3 Vélez Sarsfield Emelec 2 x 0 Peñarol 6ª RODADA Peñarol 3 x 0 Deportes Iquique Vélez Sarsfield 0 x 0 Emelec

1 1 0 2

ATLÉTICO

NEWELL’S O. B. - ARG

1 VélezSarsfield-ARG 2 Emelec-EQU 3 Peñarol-URU 4 Dep. Iquique-CHI

16/5 1/5

0 1 0 2

VÉLEZ SARSFIELD - ARG

7 0 -5 -2

2 4 1 1

30/4 14/5

BOCA JUNIORS - ARG

9 8 15 10

2/5 8/5

TIJUANA-MEX

CORINTHIANS

16 8 10 8

GRUPO

1ª RODADA Real Garcilaso 1 x 1 Santa Fe Tolima 2 x 1 Cerro Porteño 2ª RODADA Cerro Porteño 0 x 1 Real Garcilaso Santa Fe 1 x 1 Tolima 3ª RODADA Tolima 0 x 1 Real Garcilaso Cerro Porteño 1 x 2 Santa Fe 4ª RODADA Real Garcilaso 0 x 3 Tolima Santa Fe 1 x 0 Cerro Porteño 5ª RODADA Tolima 1 x 2 Santa Fe Real Garcilaso 5 x 1 Cerro Porteño 6ª RODADA Santa Fe 2 x 0 Real Garcilaso Cerro Porteño 0 x 0 Tolima

ATLÉTICO

TIJUANA-MEX

1 3 3 4

P

23/5 30/5

PALMEIRAS

GRUPO

D GP GC SG

1ª RODADA Atlético 2 x 1 São Paulo Strongest 2 x 1 Arsenal 2ª RODADA Arsenal 2 x 5 Atlético São Paulo 2 x 1 Strongest 3ª RODADA Atlético 2 x 1 Strongest São Paulo 1 x 1 Arsenal 4ª RODADA Strongest 1 x 2 Atlético Arsenal 2 x 1 São Paulo 5ª RODADA Atlético 5 x 2 Arsenal Strongest 2 x 1 São Paulo 6ª RODADA São Paulo 2 x 0 Atlético Arsenal 2 x 1 Strongest

GRUPO P

1ª RODADA Millonarios 0 x 1 Tijuana San José 1 x 1 Corinthians 2ª RODADA Tijuana 4 x 0 San José Corinthians 2 x 0 Millonarios 3ª RODADA Corinthians 3 x 0 Tijuana San José 3 x 0 Millonarios 4ª RODADA Millonarios 2 x 1 San José Corinthians 3 x 0 Tijuana 5ª RODADA San José 1 x 1 Tijuana Millonarios 0 x 1 Corinthians 6ª RODADA Corinthians 3 x 0 San José Tijuana 1 x 0 Millonarios

SÃO PAULO

V

5

P

ATLÉTICO

J

5 9 10 8

3

GRUPO

P

1ª RODADA Palmeiras 2 x 1 Sporting Cristal Tigre 0 x 2 Libertad 2ª RODADA Sporting Cristal 2 x 0 Tigre Libertad 2 x 0 Palmeiras 3ª RODADA Libertad 2 x 2 Sporting Cristal Tigre 1 x 0 Palmeiras 4ª RODADA Sporting Cristal 1 x 1 Libertad Palmeiras 2 x 0 Tigre 5ª RODADA Tigre 3 x 1 Sporting Cristal Palmeiras 1 x 0 Libertad 6ª RODADA Sporting Cristal 1 x 0 Palmeiras Libertad 3 x 5 Tigre

GRUPO 1 Corinthians 2 Tijuana-MEX 3 San José-BOL 4 Millonarios

2

GRUPO

D GP GC SG

16/5 30/4

2 1 0 2

4 A 1 PARA O REAL GARCILASO-PER NOS PÊNALTIS

OLIMPIA-PAR TIGRE-ARG

OLIMPIA-PAR FLUMINENSE

tabelas

GRUPO P

8/5 2/5

2 1 0 2

FLUMINENSE EMELEC-EQU

7


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

MUDANÇA DE PATAMAR

Confira 13 momentos que levaram o Clube Atlético Mineiro do inferno ao céu e transformaram a história da instituição centenária.

1 VERGONHA NO CLÁSSICO O começo da trajetória foi difícil, com a maior goleada sofrida para o rival.

| Trêze e GALO - |

2

8 RETORNO APÓS 13 ANOS Galo voltou à Libertadores e começou vencendo o São Paulo por 2 a 1

REVOLTA ALVINEGRA A reação da torcida foi imediata com uma série de protestos contra o elenco.

7

TRABALHO MANTIDO Kalil bancou a manutenção de Cuca, mesmo depois da goleada vexatória.



4 CAMPEÃO INVICTO O time começou a dar a volta por cima com o título invicto do Mineiro.

5

O sonho

BICAMPEÃO MINEIRO Atlético leva a melhor sobre o Cruzeiro e fatura o 42º título estadual.

3 10

OITAVAS DE FINAL Em duelo cheio de polêmicas, Atlético elimina o São Paulo da Libertadores.

CRÉDITOS DAS FOTOS 1 - ALISSON GONTIJO – 4.12.201 2 - GUILHERME DANTES/WEBREPORTER – 7.12.2011 3 - ALISSON GONTIJO – 23.11.2011 4 - ALEX DE JESUS – 14.5.2012

8

9

VOLTA DE TARDELLI O clube investiu para repatriar o ídolo mais recente da Massa.

5 - ALEX SILVA/AE – 9.6.2012 6 - ALISSON GONTIJO – 2.12.2012 7 - JOÃO GODINHO – 5.2.2013 8 - CHRISTYAM DE LIMA/AE – 13.2.2013 9 - JOÃO GODINHO – 19.5.2013 10 - JOÃO GODINHO – 8.5.2013 11 - DENILTON DIAS – 30.5.2013 12 - JOÃO GODINHO – 10.7.2013 13 - RODRIGO LIMA

13

FINAL A taça está garantida na sede de Lourdes, para o delírio da Massa alvinegra.

SURPRESA DE CRAQUE A diretoria surpreendeu a todos e apresentou Ronaldinho como grande reforço.

11 QUARTAS DE FINAL Victor defende pênalti no último lance e garante o Galo na semifinal.

6 VICE DO BRASILEIRO Vitória no clássico garante o Atlético na fase de grupos da Libertadores.

12

SEMIFINAL Depois do drama no tempo normal e nos pênaltis, Atlético chega à final.


fase de grupos

| Atlético x São Paulo - 13.2.2013 |

Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

10

ÁGUA BENTA

Garrafinha do goleiro Rogério Ceni ficará marcada como pontapé inicial do título atleticano

D

epois de 13 anos longe da Li- são-paulina enquanto bebia água da bertadores, o Atlético tinha garrafinha de Rogério Ceni. Marcos Rocomo missão estrear justa- cha percebeu a desatenção adversária, mente contra o São Paulo, clu- bateu lateral e achou R10 livre na área. be brasileiro que possui mais tradição na O craque cruzou para o meio e Jô mancompetição continental. Vencer seria fun- dou para a rede. No segundo damental para artempo, novamente rancar bem e dar depois de jogada de o primeiro passo Ronaldinho, o Atlérumo à classificatico ampliou. O cação para as oitavas misa 10 se livrou de de final. Menos dois marcadores, mal que o jogo foi foi à linha de fundo no Independência, e colocou a bola na onde o entrosacabeça do zagueiro mento entre time Réver, que finalie torcida faz toda a zou com categoria diferença. Ronaldinho de centroavante. O Bastaram 13 Sobre a água de Rogério Ceni gol sofrido no fim minutos e uma do jogo deixou um boa dose de maclima de apreensão landragem para que o cartão de visitas do Galo no tor- no ar, mas o apito final do árbitro trouxe o neio fosse apresentado. Num dos lances alívio com a sensação de dever cumprido mais marcantes da campanha alvine- no primeiro passo rumo à realização do gra, Ronaldinho distraiu a marcação sonho.

Foi sorte. Eu fui limpar a boca e o árbitro deu sequência à jogada. Não foi nada ensaiado, não, foi sorte mesmo”

VICTOR

2

MARCOS ROCHA LEONARDO SILVA RÉVER JÚNIOR CÉSAR PIERRE LEANDRO DONIZETE RONALDINHO DIEGO TARDELLI BERNARD (RICHARLYSON) (LUAN) JÔ (ALECSANDRO) TÉCNICO: Cuca

SÃO PAULO ROGÉRIO CENI

1

PAULO MIRANDA (ALOÍSIO) RODOLFO LÚCIO CORTEZ WELLINGTON (MAICON) DENILSON DOUGLAS JADSON (PAULO HENRIQUE GANSO) OSWALDO LUIS FABIANO TÉCNICO: Ney Franco

MOTIVO: Grupo 3 – 1ª rodada

Passado Antes de 2013, o Atlético tinha participado de quatro Copas Libertadores. Em 1972, o alvinegro foi eliminado na primeira fase, sem nenhuma vitória. Seis anos depois, em 1978, o Galo foi o primeiro de sua chave na fase inicial, mas acabou

ATLÉTICO

DATA: 13/2/2013 eliminado na etapa seguinte, em um grupo de três semifinalistas. Em 1981, o time foi eliminado no polêmico jogo desempate contra o Flamengo, no Serra Dourada. Na participação de 2000, o time caiu nas quartas de final para o Corinthians.

ESTÁDIO: Independência, em Belo Horizonte (MG) PÚBLICO PAGANTE: 18.187 ARBITRAGEM: Marcelo de Lima Henrique (BRA), auxiliado por Altemir Hausmann (BRA) e Fabrício Vilarinho da Silva (BRA)


13 min | Atlético x São Paulo - 13.2.2013 |

do primeiro tempo foi quando R10 bebeu água, distraiu a marcação e deu o passe para o gol de Jô

fase de grupos

joão Godinho

Especial Atlético Campeão da Libertadores Libertadores 2013 2013 | O|TEMPO O TEMPO

11


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

exibição de gala

| Arsenal x Atlético - 26.2.2013 |

Assombra

Hermanos  Fora de casa, maestria de Ronaldinho e talento de Bernard encantam a imprensa argentina

A primeira viagem internacional na competição deste gols marcados, mas sucumbiram. Foi a primeira vez na hisano já foi logo para a terra dos hermanos. O Atlético foi re- tória da Libertadores que um time argentino sofreu cinco cebido em Buenos Aires por um grande público que dese- gols em casa. Tardelli deixou sua marca – a primeira desde java ver Ronaldinho. O craque não que retornou ao clube – e Jô também decepcionou e mostrou com passes conferiu. No dia seguinte, a imprensa mágicos os motivos pelos quais é argentina reverenciou o craque apontado como gênio. Nem mesRonaldinho, o garoto Bernard e a mo o pênalti perdido e a entrada criminosa sofrida em lance desleal atuação do Galo, que passava a recedo argentino Braghieri apagaram a ber status de favorito para ser líder do grupo, mesmo com mais quatro atuação de R10. rodadas pela frente. O futebol ofenO brilho maior, porém, foi de um garoto de pouco mais de 1,60 m de sivo, veloz e objetivo praticado pelo time de Cuca começou a encantar o altura. Bernard infernizou a zaga do Arsenal em Sarandí e marcou continente, a dar destaque para o três gols no chocolate por 5 a 2. Os Galo na mídia internacional e a inJornal “Clarín” rivais até assustaram com os dois comodar os adversários atleticanos.

O Atlético entregou em sua visita à Argentina um manual de como se ganha, encanta e goleia, ainda que se trate da Copa Libertadores”

primeira fase de grupos fase

Alex de Jesus

12


ARSENAL (ARG) CAMPESTRINI

2

NERVO

5 gols

Alex de Jesus

Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

marcou o Galo na Argentina, feito inédito de um clube estrangeiro em terras hermanas

LÓPEZ CUESTA BRAGHIERI ORTIZ (CASAIS) MARCONE

Hermanos

CARBONERO

BENEDETTO (CELIZ) FURCH TÉCNICO: Gustavo Alfaro

ATLÉTICO VICTOR

5

MARCOS ROCHA RÉVER LEONARDO SILVA

A história alvinegra prova. O Atlético sempre foi um time raçudo, brigador, movido pelo amor de sua torcida. Qualquer semelhança com o futebol argentino era mera coincidência. Há 13 anos sem enfrentar um time da Argentina – mesmo tempo sem pisar em solo hermano –, o Galo acabou vendo as comparações se desfazerem nos últimos anos. Menos mal, o padrão agora é o jeito atleticano de jogar, futebol que foi apresentado com maestria na goleada de 5 a 2 sobre o Arsenal de Sarandí.

Alex de Jesus

(ROLLE)

| Arsenal x Atlético - 26.2.2013 |

AGUIRRE

JÚNIOR CÉSAR PIERRE (GILBERTO SILVA) LEANDRO DONIZETE RONALDINHO DIEGO TARDELLI (RICHARLYSON) (LUAN) JÔ TÉCNICO: Cuca

MOTIVO: Grupo 3 – 2ª rodada DATA: 26/2/2013 ESTÁDIO: Julio Grondona, em Sarandí (ARG) PÚBLICO PAGANTE: 12.000 ARBITRAGEM: Martin Vazquez (URU), auxiliado por Miguel A. Nievas (URU) e Carlos Changalas (URU)

fase de grupos

BERNARD

13


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

fase de grupos

| Atlético x The Strongest - 7.3.2013 |

o mais

14

forte

N

Bolivianos deram trabalho, mas acabaram não resistindo aos 100% de aproveitamento do Galo

a última participação atleticana na Libertadores, em 2000, o time teve no caminho da fase de grupos os bolivianos do Bolívar. Desta vez, o obstáculo era o Strongest, que deu trabalho mesmo jogando dentro do Horto. A vitória por 2 a 1 só foi construída no segundo tempo, novamente levando a assinatura de Ronaldinho, autor de uma assistência para o amigo Jô em um dos gols. A bola na rede de R10, porém, não foi em um lance qualquer. Quando se lembra que foi de pênalti, muitos podem pensar que a tarefa foi simples. Mas o histórico recente pesava contra o cra-

que. Ele vinha de três cobranças desperdiçadas, contra Cruzeiro, seleção da Inglaterra e Arsenal de Sarandí. O filme dos erros passou pela cabeça, mas o jogador assumiu a responsabilidade e bateu bem. Com 100% de aproveitamento nas três rodadas disputadas na competição continental, a classificação para a fase de mata-mata ainda não estava sacramentada pela matemática, mas era uma possibilidade cada vez mais real, já que os rivais diretos, São Paulo e Arsenal, tropeçavam nas próprias pernas com derrotas inesperadas. pedro vilela/ap

3 pênaltis havia perdido Ronaldinho antes de marcar contra os bolivianos


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

ATLÉTICO VICTOR

2

MARCOS ROCHA RÉVER LEONARDO SILVA PIERRE (GILBERTO SILVA) LEANDRO DONIZETE RONALDINHO DIEGO TARDELLI BERNARD Bruno cantini/divulgação

(RICHARLYSON) JÔ (ALECSANDRO) TÉCNICO: Cuca

THE STRONGEST (BOL)

juan Karita/ap

DANIEL VACA

Humilhação jamais. O que fiz foi pura admiração. Quem pensar diferente, problema seu...” Jair Torrico Lateral do Strongest, sobre reverenciar R10 no Horto

1

| Atlético x The Strongest - 7.3.2013 |

JÚNIOR CÉSAR

BEJARANO BARRERA LUIS MÉNDEZ TORRICO CHUMACERO SOLIZ CRISTALDO (RAMALLO) VEIZAGA REINA

Xaveco

PABLO ESCOBAR TÉCNICO: Eduardo Villegas

Após a vitória, Ronaldinho Gaúcho foi perguntado por uma repórter se ele estava namorando. Sem perder sua fama de mulherengo, o craque não titubeou. “Quer namorar comigo?”, xavecou R10, deixando a jornalista desconcertada. No dia seguinte à vitória alvinegra, seria comemorado o Dia Internacional da Mulher. A repórter, então, lembrou o jogador e perguntou se dedicaria o gol a elas. “É verdade, para todas as mulheres”, acrescentou.

MOTIVO: Grupo 3 – 3ª rodada DATA: 7/3/2013 ESTÁDIO: Independência, em Belo Horizonte (MG) PÚBLICO PAGANTE: 18.962 ARBITRAGEM: Daniel Fedorczuk (URU), auxiliado por Maurício Espinosa (URU) e Gabriel Popovits (URU)

fase de grupos

(MELGAR)

15


fase de grupos

|The Strongest x Atlético - 13.3.2013 |

Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

16

ATITUDE VENCE ALTITUDE H

Nem mesmo o 'morro' da capital boliviana foi capaz de impedir a classificação antecipada para as oitavas

avia chegado o temido momento de enfrentar cruzando para Diego Tardelli abrir o placar de cao Strongest na altitude de quase 4.000 m da beça. Mas o empate veio na especialidade da casa, cidade de La Paz. Time por time, o Atlético com um chute de longe, aproveitando o ar rarefeito era muito superior, apesar de atuações sur- e obrigando Victor a espalmar para o meio, dando a preendentes do adversário, mas chance do gol de rebote. O segundo tempo, sim, teve o a falta de ar, a velocidade da bola drama esperado, com o alvinegro e os efeitos de um ambiente bem apresentando o cansaço previsdiferente do de Belo Horizonte deram dramaticidade ao jogo anto e o adversário partindo para tes de a bola rolar e na reta final cima. Foi o momento em que a atitude superou a altitude. O time se do confronto contra o aurinegro. uniu para defender com todas as Logo ficou nítida a vantagem técnica do Galo. A prepaarmas e acabou sendo premiado ração física e o departamencom um gol contra boliviano. A vitória por 2 a 1 carimbou o pasto médico fizeram um belo Bernard trabalho de aclimatação e os saporte atleticano para as oitavas Sobre a vitória em La Paz de final da competição mais imefeitos da altitude foram minimizados no começo, com Jô portante do continente.

3.600

metros é a altitude da capital boliviana, num desafio para a prática do futebol

Sabíamos da dificuldade na altitude, mas não poderíamos criar um monstro na nossa cabeça”

Hoje meu parabéns é especial: preparadores físicos, fisiologistas, fisioterapeutas e nutricionistas. Vale a pena investir. Estou orgulhoso.” Alexandre Kalil Sobre Sobre aa vitória vitória na na altitude altitude de de La La Paz Paz


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

douglas magno

1

THE STRONGEST (BOL) DANIEL VACA BEJARANO BARRERA LUIS MÉNDEZ

contra

TORRICO CHUMACERO (RAMALLO) CRISTALDO (MELGAR) SOLIZ REINA PABLO ESCOBAR TÉCNICO: Eduardo Villegas

ATLÉTICO VICTOR

2

MARCOS ROCHA RÉVER

|The Strongest x Atlético - 13.3.2013 |

VEIZAGA

LEONARDO SILVA JÚNIOR CÉSAR (RICHARLYSON) PIERRE LEANDRO DONIZETE RONALDINHO DIEGO TARDELLI (LUAN) (SERGINHO) JÔ TÉCNICO: Cuca

MOTIVO: Grupo 3 – 4ª rodada DATA: 13/3/2013 ESTÁDIO: Hernando Siles, em La Paz (BOL) PÚBLICO PAGANTE: 30.000 ARBITRAGEM: Julio Quintana Rodríguez (PAR), auxiliado por Carlos Cáceres (PAR) e Eduardo Cardozo (PAR)

fase de grupos

BERNARD

17


| Atlético x Arsenal - 3.4.2013 |

Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

show e pancadaria Argentinos ficaram atordoados com goleada em campo e mostraram descontrole em confronto com a PM

A

goleada na Argentina deixou os jogadores do Ar- deixaram suas marcas, sendo que a do pequeno velocista foi senal mordidos, com o desejo de dar o troco den- a primeira com a camisa do Galo, levando o inquieto garoto à loucura no momento da comemotro do Independência. Só que eles pareciam ter se ração. esquecido que “caiu no Horto, tá Atordoados, os argentinos caçamorto!”. E o pior é que o Atlético ainram confusão, partiram para cima do trio de arbitragem, agrediram da contrariou a teoria de que o raio policiais e jornalistas com socos, não cai duas vezes no mesmo lugar e deu outro chocolate, novamente pelo pontapés e cadeiradas e ainda pegaram o quepe da comandante do placar de 5 a 2 e com mais um show policiamento de Belo Horizonte, a de Ronaldinho e sua turma. O camisa 10 deu dribles, assistêncoronel Cláudia Romualdo. Alguns atletas foram detidos e só houve a cias e ainda marcou dois gols, sendo liberação no meio da madrugada, um deles merecedor de placa, encocom o Galo emprestando dinheiro brindo o goleiro em um curto espaCuca aos hermanos para que pagassem ço entre o local de finalização e as Sobre a confusão entre argentinos e policiais traves. Diego Tardelli e Luan ainda os prejuízos.

Os caras vêm aqui bater na nossa polícia. É difícil a gente falar de um episódio que se torna mais importante do que a beleza que foi o jogo”

fase de grupos

joão godinho

18

Bruno cantini/ divulgação


joão godinho

Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

4 horas

ATLÉTICO VICTOR

5

MARCOS ROCHA RÉVER

durou o depoimento dos jogadores do Arsenal antes de serem liberados pela PM

LEONARDO SILVA RICHARLYSON PIERRE LEANDRO DONIZETE RONALDINHO (ARAÚJO) LUAN (ROSINEI) JÔ (ALECSANDRO) TÉCNICO: Cuca

ARSENAL (ARG) CAMPESTRINI

2

NERVO

| Atlético x Arsenal - 3.4.2013 |

DIEGO TARDELLI

LÓPEZ BRAGHIERI PÉREZ ORTIZ MARCONE AGUIRRE (TORRES) CARBONERO FURCH ROLLE (BENEDETTO) TÉCNICO: Gustavo Alfaro

MOTIVO: Grupo 3 – 5ª rodada DATA: 3/4/2013 ESTÁDIO: Arena Independência, em Belo Horizonte (MG) PÚBLICO PAGANTE: 19.797 ARBITRAGEM: Enrique Cáceres (PAR), auxiliado por Dário Gaona (PAR) e Hugo Martínez (PAR)

fase de grupos

joão godinho

19


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

 | São Paulo x Atlético - 17.4.2013 |

era só

treino

Com a classificação garantida, Galo cumpriu tabela e se preparou para o mata-mata contra o tricolor paulista

C

om a classificação em primeiro lugar geral da fase de grupos da Libertadores garantida, o Atlético foi ao Morumbi para enfrentar o São Paulo tendo a chance de eliminar o rival brasileiro logo na primeira etapa da competição. Se perdesse, o mesmo tricolor seria o adversário nas oitavas de final, o que poderia dar moral ao adversário, sempre perigoso em momentos de definição. A equipe entrou em campo relaxada, sem postura e encontrou um time disposto a dar a

É um grande treino para a próxima fase. Temos que pegar esse jogo para divertir. Lá eles sabem que é outra história. Eles sabem” Ronaldinho

fase de grupos

Sobre a derrota antes das oitavas de final

20

vida para garantir a vaga no mata-mata. O resultado final foram a derrota alvinegra pelo placar de 2 a 0 e Ronaldinho dizendo que a partida não passou de um treino de luxo para os confrontos que valeriam vaga nas quartas de final. As declarações não foram digeridas pelos são-paulinos, que prometeram eliminar o Galo. Estava criada uma grande rivalidade entre Atlético e São Paulo, relembrando a decisão do Campeonato Brasileiro de 1977, em que os paulistas levaram a melhor. O Atlético se apegava ao melhor futebol apresentado em campo e à afirmação de R10 garantindo uma história bem diferente nos dois duelos que estariam por vir nas oitavas de final da Libertadores. Clima quente, como deve ser em todos os grandes jogos.

joão godinho


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

SÃO PAULO ROGÉRIO CENI

joão godinho

2

PAULO MIRANDA (RODRIGO CAIO) LÚCIO RAFAEL TOLÓI CARLETTO WELLINGTON (MAICON)

 | São Paulo x Atlético - 17.4.2013 |

DENÍLSON DOUGLAS PAULO HENRIQUE GANSO OSVALDO ALOÍSIO (ADEMÍLSON) TÉCNICO: Ney Franco

ATLÉTICO VICTOR

0

MARCOS ROCHA RÉVER LEONARDO SILVA RICHARLYSON LEANDRO DONIZETE (GUILHERME) SERGINHO (NETO BEROLA) RONALDINHO LUAN (ALECSANDRO) JÔ TÉCNICO: Cuca

MOTIVO: Grupo 3 – 6ª rodada DATA: 17/4/2013 ESTÁDIO: Morumbi, em São Paulo (SP) PÚBLICO PAGANTE: 50.403 ARBITRAGEM: Wilton Pereira Sampaio (BRA), auxiliado por Kleber Lúcio Gill (BRA) e Rodrigo Corrêa (BRA)

2

desfalques

fundamentais teve o Galo: Bernard e Tardelli estavam lesionados

fase de grupos primeira fase

PIERRE

21


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

aqui é

oitavas de final

| São Paulo x Atlético - 2.5.2013 |

GALO

22

Na base da raça e mostrando a diferença técnica entre as duas equipes, alvinegros vencem são-paulinos dentro do Morumbi pedro vilela/ estadão conteudo

H

avia chegado o grande momento do reencontro entre os clubes brasileiros para decidir quem ficaria com a vaga nas quartas de final. O primeiro jogo foi no Morumbi, onde o tricolor é sempre temido, principalmente, quando o assunto é Copa Libertadores. Mas quem saiu de lá apavorado foram os paulistas, que viram os mineiros colocando um pé na próxima fase com a vitória por 2 a 1. O começo do jogo foi novamente tenebroso para o Galo, que viu Jadson abrir o placar logo aos 8 min. O cená-

O que você acha? Aproveitamos o que temos de bom, nossa pegada, raça” Ronaldinho

Sobre ter se divertido no Morumbi

rio era dos piores, com outras chances sendo desperdiçadas pelo tricolor. Mas o experiente zagueiro Lúcio, ex-capitão da seleção brasileira, deu uma entrada

violenta em Bernard e foi expulso. Era o que faltava para o alvinegro deslanchar e passear no Morumbi. Ronaldinho marcou o gol de empate e mostrou que estava engasgado com as críticas que recebeu no jogo anterior. Ele explodiu na comemoração e soltou a frase que virou lema da campanha: “Aqui é Galo!”, esbravejou por várias vezes. Tardelli ainda confirmou sua fama de carrasco do clube que o revelou e liquidou a fatura, trazendo para Belo Horizonte uma vantagem aumentada pelos gols anotados fora de casa.


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

SÃO PAULO ROGÉRIO CENI

1

MIGUEL SCHINCARIOL/ESTADãO CONTEúDO

PAULO MIRANDA LÚCIO RAFAEL TOLÓI THIAGO CARLETO WELLINGTON DENILSON PAULO HENRIQUE GANSO OSVALDO ALOÍSIO (ADEMILSON) (RHODOLFO) (DOUGLAS) TÉCNICO: Ney Franco

ATLÉTICO VICTOR

2

| São Paulo x Atlético - 2.5.2013 |

JADSON

MARCOS ROCHA RÉVER GILBERTO SILVA RICHARLYSON PIERRE LEANDRO DONIZETE (JOSUÉ) RONALDINHO DIEGO TARDELLI (ROSINEI) (LUAN) JÔ TÉCNICO: Cuca

MOTIVO: Oitavas de final - Jogo de ida DATA: 2/5/2013 ESTÁDIO: Morumbi, em São Paulo (SP) PÚBLICO PAGANTE: 57.401 ARBITRAGEM: Antônio Arias (PAR), auxiliado por Carlos Cáceres (PAR) e Darío Gaona (PAR)

oitavas de final

BERNARD

23


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

oitavas de final

| Atlético x São Paulo - 8.5.2013 |

jô, jô,

24

VICTOR

4

MARCOS ROCHA RÉVER GILBERTO SILVA RICHARLYSON PIERRE LEANDRO DONIZETE (JOSUÉ) RONALDINHO DIEGO TARDELLI (ROSINEI) BERNARD

Com show dentro das quatro linhas e nas cadeiras do Independência, Galo atropela o tricolor e vai às quartas

P

ATLÉTICO

or mais que a classificação para te Jô, autor de três gols. O camisa 7 estava as quartas de final estivesse pró- numa noite inspirada e transformou a aprexima em função do resultado do ensão em euforia por conta da classificação primeiro jogo, havia também um entre os oito melhores da competição continental. Mas Rogrande naldinho e Tardelli respeito pelo São não ficaram para Paulo, tricampeão trás, dando espetáda Libertadores e do culo em campo. mundo. O atleticano Com a classifiestava doido para Torcida do Galo após o show no Horto cação garantida, o comemorar, mas se Atlético ainda tinha resguardou até que o passeio fosse dado dentro do Independência que decidir o título do Campeonato Mineiro com uma goleada para não deixar dúvidas antes de enfrentar o Tijuana-MEX. Nos dois clássicos regionais contra o Cruzeiro, deu Galo sobre quem era o melhor time das Américas. O Galo deu show, atropelou o São Paulo, campeão, com uma goleada por 3 a 0 no Horto saiu de campo com o placar de 4 a 1 e com a e uma derrota no Mineirão por 2 a 1. Não faltasensação de que ficou muito barato para os va moral para enfrentar os mexicanos e buspaulistas. O nome do jogo foi o centroavan- car uma vaga na semifinal da Libertadores.

Ah, é jogo-treino! Ah, é jogo-treino! Ah, é jogo-treino!”

joão godinho

(LUAN) JÔ TÉCNICO: Cuca

SÃO PAULO ROGÉRIO CENI

1

PAULO MIRANDA (SILVINHO) RAFAEL TOLOI EDSON SILVA CARLETO WELLINGTON DENILSON (ADEMILSON) JADSON (MAICON) PAULO HENRIQUE GANSO DOUGLAS LUIS FABIANO TÉCNICO: Ney Franco

MOTIVO: Oitavas de final – Jogo de volta DATA: 8/5/2013 ESTÁDIO: Arena Independência, em Belo Horizonte (MG) PÚBLICO PAGANTE: 19.212 ARBITRAGEM: Roberto Silveira (URU), auxiliado por Carlos Pastorino (URU) e Gabriel Popovits (URU)


| Atlético x São Paulo - 8.5.2013 |

3 gols marcou o centroavante Jô, destaque da grande atuação alvinegra joão godinho

oitavas de final

joão godinho

joão godinho

Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

25


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

quartas de final

|Tijuana x Atlético - 23.5.2013 |

Galo puxa o

26

TAPETE

Mesmo com viagem de 20 horas e atuando em campo de grama sintética, Atlético arranca empate nos acréscimos

U

ma viagem de mais de 20 horas de duração e um gramado sintético foram os maiores obstáculos a serem enfrentados pelo Atlético até aquele momento da caminhada na Libertadores. O time estava cansado e o tapete em que o confronto com o Tijuana-MEX foi disputado era totalmente diferente do encontrado no futebol brasileiro. A missão era difícil e o empate em 2 a 2 acabou sendo um grande resultado. Novamente a partida foi sendo desenhada com um cenário que caminhava para um resultado elástico a favor do adversário, que abriu dois gols de diferença no placar. A equipe estava apática, não conseguia entender como se desenvolvia o jogo no campo sintético, o adversário imprimia um ritmo forte e nada parecia dar certo. Para piorar, Ronaldinho levou uma bolada e jogou com “um olho só”. Mas quando está escrito que a estrela vai brilhar não tem jeito. Cuca trocou o apagado Bernard por Luan e o “doidinho” do Galo colocou o time pilhado. Tardelli, o mais lúcido em campo, diminuiu a desvantagem e o talismã alvinegro deixou tudo igual já nos minutos finais da partida. O resultado era como uma vitória diante de tantas dificuldade enfrentadas na maratona até a divisa entre México e Estados Unidos.

omar torres/ap


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

TIJUANA (MEX) SAUCEDO

omar torres/ap

2

NÚÑEZ ORTÍZ GANDOLFI CASTILLO PELLERANO ARCE MORENO

(MÁRQUEZ) MARTÍNEZ (PICEÑO) RIASCOS TÉCNICO: Antônio Mohamed

ATLÉTICO VICTOR

2

MARCOS ROCHA RÉVER GILBERTO SILVA JÚNIOR CÉSAR PIERRE LEANDRO DONIZETE (JOSUÉ) RONALDINHO DIEGO TARDELLI BERNARD

Eu disse que ia fazer um gol para minha família em Alagoas e Minas Gerais e para minha esposa Jéssica. Nada melhor do que cumprir a promessa.” Luan

(LUAN)

Sobre o gol salvador no fim do jogo

JÔ (ALECSANDRO) TÉCNICO: Cuca

MOTIVO: Quartas de final – Jogo de ida DATA: 23/5/2013 ESTÁDIO: Caliente, em Tijuana (MEX) PÚBLICO PAGANTE: 24.000 ARBITRAGEM: José Hernando Buitrago (COL), auxiliado por Wilmar R. Navarro (COL) e Wilson Berrio (COL)

20 horas durou a viagem do Atlético de Belo Horizonte até Tijuana

omar torres/ap

quartas de final

RUÍZ

|Tijuana x Atlético - 23.5.2013 |

(CORONA)

27


Especial Atlético Mineiro Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

| Atlético x Tijuana - 30.5.2013 |

PÂNICO NO HORTO Quando tudo parecia impossível, Victor defende o pênalti no último lance e garante o Galo na semifinal da Libertadores

C

ver em cobrança de falta e o om a vantagem de zagueiro-artilheiro não deu poder empatar em chances de defesa para o go0 a 0 ou 1 a 1, já que houve igualleiro adversário. Mas depois dade em dois gols no duelo disso, o que se viu foi uma incrível pressão dos xolos, de ida, a tarefa parecia ser com bola na trave e defesas fácil e a classificação para a Victor Sobre a defesa do pênalti contra o Tijuana muito importantes do goleisemifinal era uma realidanos acréscimos de muito próxima. Mas não ro Victor. custava nada aterrorizar os Mas a classificação só mexicanos. A invasão de máscaras do pânico no veio depois de um verdadeiro milagre. O pênalti aos Independência, no entanto, assustou mais o Galo. 46 min do segundo tempo para os mexicanos fez Pela primeira vez o time saiu atrás no Horto, não com que os atleticanos pensassem no pior, se lemconseguiu se impor e viu a torcida se calar tama- brassem das derrotas traumáticas e já imaginassem as piadas dos rivais no outro dia. Mas a noite era de nha apreensão. O empate veio mais no oportunismo do que nas canonização no Horto. A defesa com o pé no chute de jogadas sempre muito bem trabalhadas pela equipe Riascos fez com que o camisa 1 atleticano se transquando joga no Independência. Ronaldinho achou Ré- formasse em São Victor, num momento inesquecível.

Foi a defesa mais importante da minha vida. Indescritível “

joão godinho

Bruno ca

campanha quartas de final

ntini/ divu

28

rrorizar os jogadoTerror. Na tentativa de ate do Atlético fizeram res res do Tijuana, torcedo scaras do pânico má de uso o a campanha par is de 5.000 no Independência. Foram ma o. ‘mascarados’ no estádi

Comemoraçã o. O zagueiro Réver marcou de empate di o gol ante dos mex icanos e na co ção colocou a memorabola embaixo da camisa, ho ando a esposa menageGiovana, que está grávida.

lgação


ATLÉTICO VICTOR

1

denilton dias

Especial Atlético Mineiro Libertadores 2013 |O TEMPO Campeão Libertadores 2013 |O TEMPO

MARCOS ROCHA (JOSUÉ) RÉVER LEONARDO SILVA RICHARLYSON PIERRE LEANDRO DONIZETE RONALDINHO DIEGO TARDELLI (LUAN) JÔ (ALECSANDRO) TÉCNICO: Cuca

TIJUANA (MEX) SAUCEDO

1

NÚÑEZ AGUILAR GANDOLFI

| Atlético x Tijuana - 30.5.2013 |

BERNARD

CASTILLO ORTÍZ (MARTÍNEZ) PELLERANO ARCE RUÍZ RIASCOS MORENO (PICENO)

22 vezes

o narrador Osvaldo Reis, o Pequetito, da Rádio Globo, gritou o nome do goleiro Victor

TÉCNICO: Antônio Mohamed MOTIVO: Quartas de final – Jogo de

volta

DATA: 30/5/2013 ESTÁDIO: Arena Independência, em

Belo Horizonte (MG)

PÚBLICO PAGANTE: 20.988 ARBITRAGEM: Patricio Polic (CHI), auxiliado por Juan A. Maturana (CHI) e Raul Orellana (CHI)

quartas campanha de final

(MARQUEZ)

29


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

| Newell’s Old Boys x Atlético - 3.7.2013 |

exagerou na

retranca

Galo esquece a coragem em Belo Horizonte, toma sufoco e acaba voltando para casa com um placar bastante adverso

D

epois de 35 anos, o Atlético estava novamente em uma semifinal da Libertadores. Pela frente, o Newell’s Old Boys-ARG, time tido como igualmente qualificado técnica e taticamente. O primeiro jogo, na Argentina, era um grande desafio, já que os leprosos contavam com a pressão de seus torcedores no estádio Marcelo Bielsa, um verdadeiro alçapão em que a torcida adversária precisa ficar instalada em uma “jaula”. Outra vez o time começou o jogo apático, sendo sufocado, espremido em seu campo de defesa e com o perigo de sofrer uma goleada. No primeiro tempo, apesar de os corações alvinegros te-

Estamos todos de cabeça erguida. Um confia no outro. Somos capazes de inverter esse placar dentro de casa” Jô

semifinal

Sobre a derrota em Rosario

30

2.00o torcedores

atleticanos foram a Rosario incentivar a equipe no estádio Marcelo Bielsa

rem ficado na boca, a defesa acabou suportando a pressão. Mas, no segundo, a casa caiu com os dois gols sofridos e a derrota pelo placar de 2 a 0, sem conseguir marcar sequer um tento na casa adversária. Para muitos, a fatura estava liquidada, o impossível precisaria acontecer no jogo da volta e mais uma vez o time ficaria pelo caminho antes de chegar à decisão. O sonho de conquistar a Libertadores pela primeira vez estava seriamente ameaçado, restando apenas confiar em toda a mística que foi criada entre o Atlético e o estádio Independência, onde o time sempre colheu bons resultados.

leo fontes


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO joão godinho

NEWELL'S OLD BOYS (ARG) GUZMÁN

2

CACERES VERGINI HEINZE CASCO PÉREZ (CRUZADO) BERNARDI MAXI RODRÍGUEZ FIGUEROA (TONZO) SCOCCO (URRUTI) TÉCNICO: Gerardo Martino

ATLÉTICO

0

VICTOR MARCOS ROCHA RAFAEL MARQUES GILBERTO SILVA RICHARLYSON PIERRE JOSUÉ RONALDINHO DIEGO TARDELLI (LUAN) BERNARD JÔ (GUILHERME) TÉCNICO: Cuca

MOTIVO: Semifinal – Jogo de ida DATA: 3/7/2013 ESTÁDIO: Marcelo Bielsa, em Rosário (ARG) PÚBLICO PAGANTE: Não informado ARBITRAGEM: Enrique Osses (CHI), auxiliado por Carlos Astroza (CHI) e Sergio Román (CHI)

semifinal

douglas magno

| Newell’s Old Boys x Atlético - 3.7.2013 |

MATEO

31


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO Bruno cantini/ divulgação

2

ATLÉTICO

(3)

VICTOR MARCOS ROCHA LEONARDO SILVA GILBERTO SILVA RICHARLYSON PIERRE

| Atlético x Newell’s Old Boys- 10.7.2013 |

(LUAN) JOSUÉ RONALDINHO DIEGO TARDELLI (ALECSANDRO) BERNARD (GUILHERME) JÔ TÉCNICO: Cuca

NEWELL'S OLD BOYS (ARG)

o segundo

Milagre

semifinal

Em teste para cardíacos, o contestado Guilherme marca o gol que levou decisão para os pênaltis; Victor se consagra

32

A

partida decisiva da semifinal foi um teste para saber se o coração está em dia, mas, no fim, tudo deu certo, e o Atlético continuou vivo, chegando à grande decisão pela primeira vez, já sabendo que o Olimpia-PAR era o adversário. O jogo contra o Newell’s teve de tudo um pouco. Gol logo no começo, gol bem no fim, queda de energia, pênaltis perdidos e defesa milagrosa para garantir um momento mágico. O gol-relâmpago de Bernard fez com que a esperança ficasse ainda mais viva. Mas o restante do jogo foi duro, com o Newell’s controlando a vantagem. O semblante dos

torcedores era de agonia, expectativa e até descrença com o passar do tempo. Mas o Horto deu mais uma mãozinha ao Galo. A queda de energia esfriou os argentinos e fez com que uma luz no fim do túnel aparecesse. E o clarão atleticano veio com a figura mais apagada dos últimos dois anos. Guilherme, sempre questionado pelas más atuações, acertou o chute da vida dele no Atlético e levou para os pênaltis. A disputa começou equilibrada até os erros de Jô e Richarlyson. Somente um novo milagre de São Victor para alcançar a classificação inédita. E ele veio com o goleiro pegando a cobrança de Maxi Rodríguez e levando a Massa ao delírio.

0 (2)

GUZMÁN CÁCERES (ORZÁN) VERGINI HEINZE (LÓPEZ) CASCO CRUZADO MATEO BERNARDI FIGUEROA (TONSO) SCOCCO MAXI RODRÍGUEZ TÉCNICO: Gerardo Martino

MOTIVO: Semifinal – Jogo de volta DATA: 10/7/2013 ESTÁDIO: Arena Independência, em Belo Horizonte (MG) PÚBLICO PAGANTE: Não informado ARBITRAGEM: Roberto Silvera (URU), auxiliado por Miguel A. Nievas (URU) e Carlos Pastorino (URU)


Só quem está aqui dentro pode saber o que está acontecendo. É uma emoção muito grande” Diego Tardelli

joão godinho

Sobre a classificação para a final após a disputa de pênaltis

 | Atlético x Newell’s Old Boys- 10.7.2013 |

deram entrada no centro médico com suspeita de infarto

semifinal

3 pessoas

Bruno cantini/ divulgação

Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

33


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

Aguenta,



| Olimpia x Atlético - 17.7.2013 |

coração Galo perde os primeiros 90 minutos da decisão e sofre um castigo no último lance da partida em Assunção

Q

uando o atleticano tinha certeza de que não passaria mais aperto depois dos jogos dramáticos contra Tijuana e Newell’s Old Boys, o Galo voltou a mostrar que é preciso passar por fortes emoções antes de comemorar uma conquista. O primeiro jogo da final diante do Olimpia foi de desanimar, mesmo com toda esperança e fé que protegem os torcedores. O jogo começou bom para o Atlético, com o time mostrando uma postura ofensiva e determinado a conquistar um resultado positivo. Tardelli chegou a ter um gol anulado e ainda desperdiçou uma boa chance no início da partida. Mas a velha apatia em duelos fora de casa foi ganhando espaço em campo e se tornou ainda mais latente após o primeiro gol sofrido.

O lance foi de dar raiva em quem acompanhava o jogo. Alejandro Silva foi pedindo licença e os jogadores atleticanos, gentilmente, deram passagem até o adversário chutar forte de fora da área e acertar o canto esquerdo, com a bola ainda tocando no pé da trave antes de entrar. O abatimento foi instantâneo e as chances de ampliar a angústia atleticana foram surgindo. No segundo tempo, mesmo com alguns lampejos, tudo deu errado para o Galo. Ronaldinho Gaúcho foi substituído pela primeira vez no torneio por deficiência técnica e, depois de sustos, o vacilo de Alecsandro atrapalhou Victor em cobrança de falta, o Olimpia fez 2 a 0 e devolveu a dramaticidade para o jogo da volta no Mineirão.

OLIMPIA (PAR) MARTÍN SILVA

2

MANZUR MIRANDA CANDIA ALEJANDRO SILVA PITTONI ARANDA GIMÉNEZ (FERREYRA) BENÍTEZ SALGUEIRO (PAREDES) BAREIRO (PRONO) TÉCNICO: Éver Almeida

ATLÉTICO

0

VICTOR MARCOS ROCHA RÉVER LEONARDO SILVA RICHARLYSON PIERRE JOSUÉ RONALDINHO (GUILHERME) DIEGO TARDELLI LUAN (ROSINEI) JÔ (ALECSANDRO) TÉCNICO: Cuca

MOTIVO: Final – Jogo de Ida

final

DATA: 17/7/2013

34

ESTÁDIO: Defensores del Chaco, em Assunção (PAR) PÚBLICO PAGANTE: 32.212 ARBITRAGEM: Néstor Pitana (ARG), auxiliado por Hernan Maidana (ARG) e Juan P. Belati (ARG)


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

48 minutos

Cuca



O primeiro tempo foi 2 a 0. O segundo será no Mineirão e vamos inverter”

| Olimpia x Atlético - 17.7.2013 |

do segundo tempo foi o momento do castigo atleticano

final final

Sobre a meta para ser campeão da Libertadores

35


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO



| Atlético x Olimpia - 24.7.2013 |

cAmpeão! E

Massa alvinegra esperou muito pelo momento de soltar o grito que toda a América ouviu. A Libertadores é do Galo!

ra um jogo de paciência, mas a obrigação de fazer gols fazia o relógio correr além do normal. Mesmo com o primeiro tempo em branco, a torcida não parou de gritar que acreditava. A ducha do intervalo apaziguou os ânimos e o artilheiro Jô descontou logo na retomada. Era muito sofrimento e, pela terceira vez na competição, o alento chegou a três minutos do

Esse título é para meu pai. Ele me fez ver o tamanho do Atlético. Ele é o responsável por isso” Alexandre Kalil

final

Sobre a conquista inédita da Libertadores

36

apito final. O gigante Leonardo Silva subiria no terceiro andar. Com o 2 a 0 suado, o Atlético devolvia a derrota no Paraguai. Com o Olimpia com um jogador a menos, parecia que a conquista seria sacramentada já na prorrogação. Mas não, atleticano é sofrimento até o fim. Na cobrança de pênaltis, Victor brilhou novamente, o Galo não desperdiçou nem um tento e Giménez jogou na trave a conquista alvinegra. O dia 24 de julho nunca mais sairá da memória alvinegra. “O campeão voltou”, gritou o torcedor e a festa seguiu madrugada adentro.

Rodrigo lima


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

Rodrigo lima

ATLÉTICO

2 (4)

VICTOR MICHEL (ALECSANDRO) RÉVER LEONARDO SILVA JÚNIOR CÉSAR PIERRE (ROSINEI) RONALDINHO DIEGO TARDELLI (GUILHERME) BERNARD joão godinho

JÔ TÉCNICO: Cuca

OLIMPIA (PAR)

0 (3)

MARTÍN SILVA MAZACOTTE

| Atlético x Olimpia - 24.7.2013 |

JOSUÉ

MANZUR MIRANDA CANDIA BENÍTEZ PITTONI ARANDA ALEJANDRO SILVA (GIMÉNEZ) SALGUEIRO (BAÉZ) BAREIRO (FERREYRA) TÉCNICO: Éver Almeida

MOTIVO: Final – Jogo de volta DATA: 24/7/2013 ESTÁDIO: Mineirão, em Belo Horizonte (MG) PÚBLICO PAGANTE: 56.557 ARBITRAGEM: Wilmar Roldán (COL), auxiliado por Humberto Clavijo (COL) e Eduardo Ruiz (COL)

final

denilton dias

37


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

NÚMEROS DO TÍTULO

4

gols fizeram Ronaldinho e Bernard

69

finalizações de 24 Ronaldinho

escanteios R10 57 cobrou

30

cartões vermelhos levou o time

escanteios foram cobrados pelo Galo

assistências deu Ronaldinho, maior número do torneio faltas sofreu o camisa 10 do Galo

3

cartões amarelos levados pelo Galo

faltas cometidas

6

faltas cometeu o lateral Marcos Rocha, o mais violento

acertaram a trave pênaltis teve o Atlético na Libertadores, 2 foram convertidos impedimentos foram marcados contra o Atlético

faltas recebidas pelo Atlético

| Estatísticas | 

3

gols foram marcados de cabeça

23

deles foram aos gols dos adversários

foram para 67 fora

89

7

final Números

38

foram marcados 26 gols dentro da área gols foram marcados fora da área

4

gols fez Diego Tardelli, 6 vice-artilheiro do Galo

horas de voo gastou o Atlético para ir e voltar a Tijuana, no México horas duraram todas as outras viagens

gols marcou o atacante Jô, artilheiro do Galo na Copa Libertadores

1623 32 202 20 221 31 2 6

chutes deu o Atlético

38

gols sofridos, sendo 8 no primeiro tempo e 10 sofridos no segundo

gols marcados, sendo 11 gols no primeiro tempo e 18 gols no segundo tempo

dias durou a campanha do Atlético na Libertadores

29

campeões nacionais foram vencidos pelo Galo: Arsenal (ARG) e The Strongest (BOL)

162

18

campo 23 ementraram

toda a Libertadores

33

países o Galo visitou a competição 4 durante

37.326,5 km viajou o Atlético durante

jogadores foram inscritos

faltas recebeu Marcos Rocha, o mais caçado

jogos de gancho pegou Réver pela expulsão contra o Tijuana

países tiveram juízes em jogos do Galo: Brasil, Uruguai, Paraguai, Colômbia, Chile e Argentina

R$ 22.499.261,00 foi a renda total do Atlético na Libertadores pagantes foi o público total na Libertadores

174.440


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

Craque e

celebridade



| Galo pelo Mundo |

Por onde o Galo passou, Ronaldinho atraiu a atenção de milhares de fãs, valorizando a marca do clube internacionalmente

A

popularidade de Ronaldinho na América do Sul é de deixar Simon Bolívar e José Martí com inveja. Durante a campanha na Libertadores 2013, o craque alvinegro foi uma atração à parte por onde passou. A simples presença de R10 em locais distintos do continente – e até mesmo no México – causou alvoroço e arrastou verdadeiras multidões para aeroportos, centros de treinamento e, principalmente, estádios. A recepção mais calorosa foi na Bolívia. Ainda no Aeroporto Internacional de La Paz, a delegação do Atlético foi cercada por centenas de nativos, que estavam ali para ver “Ronaldinho e sua corte”, como descreveu a imprensa local. R10 ainda foi homenageado oficialmente pelo governo

Estou muito feliz com as homenagens recebidas na Bolívia. É uma honra para mim jogar aqui. Momentos assim são inesquecíveis” Ronaldinho

GAlo pelo mundo

Pelo Twitter, sobre homenagem oficial recebida em La Paz

40

de La Paz, recebendo uma série de presentes tipicamente bolivianos. Em Tijuana, no México, Ronaldinho encontrou dificuldades para desembarcar no aeroporto local e foi fortemente cercado por seguranças. Até mesmo na Argentina, rival histórico do futebol brasileiro, o craque foi bem-recepcionado. As maiores manifestações aconteceram em Rosario, justamente na terra de Lionel Messi. Reconhecido como o ‘tutor’ do craque argentino, com quem atuou no Barcelona (ESP), Ronaldinho foi ovacionado por torcedores que ficaram nas proximidades do hotel alvinegro, buscando autógrafos e fotos do ídolo. Na terra de revolucionários históricos, Ronaldinho causou frisson dentro e fora de campo. Afirmando seu papel libertador da Massa, como Bolívar e José Martí foram na América do Sul, o camisa 10 conduziu o Atlético à sua própria independência.

Juan Karita/ AP


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

O TEMPO registrou de perto toda a saga atleticana Foi uma campanha e tanto. Dentro de campo e fora também. De carro, avião, táxi, ônibus e a pé mesmo, a equipe de O TEMPO percorreu milhares de quilômetros para levar a melhor cobertura da saga atleticana na Libertadores 2013. Batemos escanteio e corremos para cabecear. Repórteres, fotógrafos, redatores, motoristas sempre de um lado para o outro para a informação chegar rápida e precisa no SuperFC, o canal de esportes do portal O TEMPO, e nas páginas dos jornais O TEMPO e Super

Notícia. Do poleiro do Galo, no Horto, até a altitude de mais de 4.000 m de La Paz, na Bolívia, passando por São Paulo, Buenos Aires, Rosario e Assunção, foram inúmeras horas esperando em aeroportos, apertados em cabines de estádio, varando a madrugada dentro da redação. Pois, assim como no futebol, no jornalismo também se ganha e se perde junto. Lúcia Castro Editora Executiva

Diário da Libertadores Por Thiago Prata

São Paulo

A reportagem de O TEMPO acompanhou o jogo contra o Tijuana, no México, à distância, mas todos os detalhes da partida foram transmitidos em tempo real pelo SuperFC e, no dia seguinte, O TEMPO e o Super Notícia trouxeram a cobertura completa do empate de 2 a 2 na cidade mexicana, na fronteira com os Estados Unidos.

cobertura

La Paz, BOLÍVIA

42

Superar a altitude de quase 4.000 m de La Paz foi uma tarefa árdua, ainda mais depois de oito horas de viagem rumo à capital da Bolívia, com conexões em São Paulo e Lima. Desafio enfrentado por mim e pelo fotógrafo Douglas Magno. Os turistas costumam tomar chá de coca para aliviar os efeitos da altitude. Por apenas R$ 0,30 era possível comprar um copo do “remédio”. O assédio a Ronaldinho também foi impressionante. O povo boliviano é bastante simpático e simples, apesar das dificuldades cotidianas. O trânsito é caótico, muitas buzinas.

México

37.326,5

Foram duas viagens à capital paulista. Na primeira, meu companheiro foi o fotógrafo João Godinho. Numa volta rápida pelo centro velho de São Paulo, vimos poucos torcedores com camisas de clubes. O Morumbi tremeu nas duas oportunidades, principalmente na primeira, quando o tricolor superou o Galo, por 2 a 0. Mas na partida de ida das oitavas de final, os atleticanos deram o troco, testemunhado por uma pequena e barulhenta torcida alvinegra.

quilômetros viajou o Atlético durante toda a Libertadores

Rosario, ARGENTINA

Brasil Bolívia Paraguai

Assunção, PARAGUAI Em Assunção, o clima era de ansiedade. Na véspera e no dia da partida, só se falava do duelo em cada rua da cidade. O que mais me chamou a atenção foi o comportamento da torcida do Olimpia. Apesar da criatividade dos mosaicos que fizeram no estádio, os aficionados do Rei de Copas não exprimiam muita emoção nas arquibancadas enquanto o embate não começava. No pré-jogo, a torcida do Galo deu um banho de animação, mesmo estando em menor número. Mas, quando acabou a partida, parecia que o título já tinha dono, devido ao barulho que os torcedores do Olimpia fizeram madrugada afora.

ina

Argent

Uma cidade encantadora, com cara de Europa. Essa foi a primeira impressão de Rosario. Opinião compartiBH lhada com os fotógrafos Douglas Magno e Léo Fontes, e o repórter Fernando Almeida. Fomos à casa onde Lionel Messi cresceu e no campinho onde ele deu os primeiros toques na bola. No estádio, a “hinchada” (torcida) do Newell's Old Boys é um espetáculo. Apaixonados, os leprosos, como são chamados, cantam o tempo todo.

Buenos Aires e Sarandí, ARGENTINA Sempre vou me lembrar dos torcedores alvinegros cantando o amor ao Atlético próximo ao Obelisco, na principal avenida de Buenos Aires, antes de seguirem para Sarandí, onde o Galo, horas depois, golearia o Arsenal. Cada um fazia questão de mostrar ao fotógrafo Alex de Jesus a faixa da cidade de onde vinha. Ver os argentinos admirando aquela paixão e tentando pronunciar “Galo” foi impagável.


superGAlo



| Ilustração |

Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

44


atlético campeão da

EM PÉ: GIOVANNI, JÔ, MICHEL, LEONARDO SILVA, GILBERTO SILVA, RÉVER E VICTOR AGACHADOS: BERNARD, DIEGO TARDELLI, LUAN, PIERRE, JÚNIOR CÉSAR, ALECSANDRO, GUILHERME, ROSINEI, LEANDRO DONIZETE, JOSUÉ E RONALDINHO


da libertadores 2013

Richarlyson

Cuca

marcos Rocha


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

Em nome

do paI

“É um trabalho muito legal de uma equipe muito competente. Estou realmente feliz de ser presidente do Atlético, nós mudamos a história do clube. Hoje eu sei disso”

Alexandre Kalil

PERSONAGEns



| Kalil |

Bruno cantini/ divulgação

48

E

xiste um herói para cada criança, e ele não veste capas, põe máscaras, ou se esconde atrás delas. Para cada criança, os super-heróis são a representação de um ideal de justiça, de fazer o bem a qualquer custo, mas para cada criança existe também um herói que sobrepõe o senso comum e deixa um legado, a certeza de que um dia vamos ser melhores do que eles um dia já foram. São assim os pais com seus filhos, geração após geração, dia após dia. Por vezes, os sonhos de nossos pais não se realizam por completo, mas eles jamais morrem. Ao contrário, renascem em novos ‘velhos’ rostos, marcados por traços que não negam, mas atestam a filiação e o parentesco. E é nesse ponto que o passado dá as mãos ao presente e faz os filhos se encontrarem com os pais mais uma vez. Alexandre Kalil, o homem que acreditou no sonho do seu pai, o Elias,

e transformou a história do Clube Atlético Mineiro para sempre. A personalidade forte se encontrou com uma história de descrédito, uma história colocada à margem por anos e anos de inconstância, espasmos, lampejos de genialidade, todas elas lançadas ao chão em segundos, momentos esses que a torcida não quer mais lembrar. Mas, um dia, o momento do basta também chega, pois é de batalhas que se vive a vida. Tente outra vez? Não. Desta vez, não será preciso tentar mais. A batalha está vencida. A América se rendeu ao preto, ao branco, à paixão descabida, que deixa o lado torcedor falar mais alto que o lado racional de presidente, se rendeu ao sonho de um pai, ao sonho de um filho e ao sonho de uma Massa. Que venha agora o mundo, porque quando se sonha sozinho é apenas um sonho, mas quando se sonha junto é o começo da realidade.


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

Ousadia E MUITA “Ser atleticano é sofrer. Nada é fácil. Em outro lugar se ganha mais tranquilo. Aqui a gente sofre, sofre, mas tem um sabor maior do que em outro lugar. Tem uma coisa ruim que é o sofrimento, mas a vitória em cima do

fé Cuca

sofrimento é muito mais saborosa”



| Cuca |

Bruno cantini/ divulgação

PERSONAGEns

“A

fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das que não se veem”. Talvez não exista melhor maneira de descrever a história de um ‘homem de fé’ do que iniciar com essas palavras. Toda promessa passa pelo teste do tempo, uma prova de perseverança em meio às adversidades incompreensíveis, mas que moldam o caráter e nos preparam para uma grandeza muito maior do que podemos imaginar. Por vezes, os resultados negativos ultrapassam a linha do que pode ser suportado e são condicionados a fatores externos, internos e impossíveis de ser explicados. A isto o ser humano chama de azar. A falta de sorte estigmatiza o trabalho desenvolvido de maneira séria e joga o homem ao pó. Já dizia o sábio que a fé que é amadurecida no conhecimento e provada pela experiência é preservada no sofrimento e alimentada pela existência. Mas quem cai um dia também levanta, levanta para dar fim à espera, porque a fé faz o herói. Foram anos de sofrer e angústia, de trabalhos interrompidos e elogios que não vingavam, mas a história de azar de Alexi Stival, o famoso Cuca, agora tem um novo capítulo, iniciado com o C maiúsculo de campeão da Copa Libertadores, simplesmente o torneio de futebol mais importante das Américas. Não haveria melhor clube para que o sofrido treinador desse adeus à sua sina de fracassos. Cuca talvez tenha nascido atleticano e nunca soube, ele é a própria personificação do sofrer e da esperança nunca finda do torcedor alvinegro, um ser que estende sua camisa preta e branca no varal durante um dia de tempestade e torce contra o vento. Torce por acreditar que o céu se abrirá para mostrar que ter fé é rir das impossibilidades.

49


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

VICTOR

50

POSIÇÃO

Goleiro

IDADE

30 anos

ALTURA

1,93 m

NO CLUBE

Desde julho de 2012

1

Um salvador batizado de santo por sua grandeza. Contratado para pôr fim a uma sina de anos no gol alvinegro, Victor assumiu a responsabilidade e, em pouco tempo, virou um mito. A defesa do pênalti do colombiano Riasco, no minuto final das quartas de final contra o Tijuana, provou a máxima de que goleiro bom é aquele que salva. E ele salvou. Salvou a bela campanha alvinegra e transformou as lágrimas da eliminação em lágrimas de esperança. A defesa virou símbolo do título. O primeiro grito de campeão foi ouvido ali e a alcunha de São Victor, definitivamente, se eternizou.

“Quando novo, os amigos falavam que eu tinha coragem. Levei a sério. Fui para o gol e me apaixonei” Victor DENILTON DIAS/ O TEMPO

jogadores



| Victor |

A MURALHA


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

MARCOS ROCHA

O MALABARISTA 24 anos

ALTURA

1,76 m

NO CLUBE

De volta desde janeiro de 2012

Dribles sorrateiros e mãos que servem como pés. No alçapão do Independência, Marcos Rocha criou uma arma que pega adversários desprevenidos. Suas cobranças de lateral viraram jogadas de escanteio e o que é melhor: não existe impedimento, o que o diga Rogério Ceni! Mireirinho, formado nas categorias de base do clube, o lateral não era nem de longe uma unanimidade. Parecia só mais um garoto sonhador. Mas ele provou que não. Com habilidade, dribles e enfiadas de bola, aparece no ataque adversário como um elementosurpresa, mas não sem esquecer suas responsabilidades defensivas. Virou um jogador moderno e completo.

“O Galo é a equipe que me projetou para o futebol e sou muito grato a essa instituição”



IDADE

| Marcos Rocha |

Lateral-direito

Marcos Rocha jogadores

POSIÇÃO

51


10

Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

LEONARDO SILVA

A TORRE

 | Leonardo Silva |

POSIÇÃO

Zagueiro

IDADE

34 anos

ALTURA

1,92 m

NO CLUBE

Desde janeiro de 2011

Um gigante pela natureza e pela dedicação. Chegou com a experiência acumulada em outros times, superou lesões e se firmou na defesa alvinegra. A parceria com Réver transformou a zaga do Galo na melhor do Brasil. O desafio sempre foi tenso, afinal, o time jogava para frente e o trabalho da retaguarda era redobrado. Mas com Leonardo Silva não tem brincadeira, uma seriedade que impressiona adversários. Vai encarar? Ele encara, estica a perna, coloca o pé em divididas, sobe no ponto mais alto da torre. Um zagueiro centrado e clássico, tal qual manda a regra do bom defensor.

“Tudo aqui foi fruto de um planejamento que foi feito”

jogadores

Leonardo Silva

52

3


10

Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

RÉVER

O CAPITÃO Zagueiro

IDADE

28 anos

ALTURA

1,93 m

NO CLUBE

Desde julho de 2010

Réver

 DENILTON DIAS / O TEMPO

“Fomos muito questionados, mas Deus foi generoso”

| Réver |

Um homem de segurança e habilidade defensiva. Réver carregou por meses e meses o fardo da goleada de 6 a 1 do Cruzeiro. Não se intimidou com críticas e fez do episódio um feixe de lenha. Enfureceu-se, ampliou a garra, renovou a simplicidade e provou o gigantismo. A determinação o tornou zagueiro de seleção brasileira. Da impulsão, transformou-a em arma para cortar cruzamentos ou marcar gols. Gritou, deu bronca, insultou árbitro e acabou punido pelo tribunal. Era uma reação incontida, parte de um temperamento de campeão. A história alvinegra o reverenciará para sempre por ser o primeiro a erguer uma Copa Libertadores pelo clube.

jogadores

POSIÇÃO

4

53


10

Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

PIERRE

O CÃO DE GUARDA

54

Volante

IDADE

31 anos

ALTURA

1,73 m

NO CLUBE

Desde agosto de 2011

Deu sangue em campo, recebeu palmas, foi carregado no colo pelo torcedor. Morde, ladra, avança sobre o marcador. Não existe zaga tão bem-protegida como a que tem Pierre na cabeça da área. O fôlego é algo animal. Dá carrinho em todos os cantos do gramado e volta para o posto de sentinela. Com humildade, ganhou a bênção do torcedor tão logo vestiu a camisa do Galo. Uma identificação digna de poucos. Por pouco teve que sair, mas afiou as esporas, brigou pela permanência e cravou de vez o seu nome no terreiro. Aqui não.

“Todo mundo abraçou essa causa do Atlético, que tem uma torcida apaixonada” Pierre

DENILTON DIAS / O TEMPO

jogadores



| Pierre |

POSIÇÃO


10

Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

RICHARLYSON

Lateral-esquerdo

IDADE

30 anos

ALTURA

1,76 m

NO CLUBE

Desde dezembro de 2010



Entre prós e contras, Richarlyson se sobressaiu pelo espírito guerreiro. É um cara de personalidade. Que atleticano nunca o vaiou? Volante de origem, campeão do mundo com o São Paulo, Richarlyson virou mais do que um polivalente lateral-esquerdo. Ele virou símbolo do amor e do ódio de uma nação carente de conquistas. Em meio ao polêmico debate sobre sua sexualidade, provou em campo que é homem de atitude, capaz de andar de cabeça erguida mesmo após uma cobrança de pênalti desperdiçada. Confiança é seu sobrenome. Afinal, a fórmula era simples. Basta correr, dar sangue, que a torcida o aplaude. Ele assim o fez, ele assim foi aprovado.

“Futebol é dinâmico. Só tenho a agradecer a paciência que a torcida teve comigo” Richarlyson

56

DOUGLAS MAGNO / O TEMPO

POSIÇÃO

jogadores

| Richarlyson |

O BATALHADOR


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

LEANDRO DONIZETE

O RAÇUDO Volante

IDADE

31 anos

ALTURA

1,75 m

NO CLUBE

Desde janeiro de 2012

 | Leandro Donizete |

Foi ponto de equilíbrio e de força da equipe. “Ele não vai jogar? Não acredito”, dizia o torcedor quando lesões o tiraram de alguns duelos. Se tivesse que lutar, se tivesse que morrer, ele morria. A vida em campo é assim. Jogador do Galo é assim. Jogador de raça é assim. Com simplicidade e técnicas de combate, Leandro Donizete revolucionou o jeito atleticano de marcar. Para um time de tanta habilidade ofensiva, ele precisava se dar em sacrifício. Assim ele fez, sem dó e com toda a sua alma.

“Futebol é assim. Tive que provar. Ninguém me conhecia, hoje sou respeitado” JOAO GODINHO

Leandro Donizete

jogadores

POSIÇÃO

57


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

RONALDINHO

POSIÇÃO

Meia

IDADE

33 anos

ALTURA

1,82 m

NO CLUBE

Desde junho de 2012

O cara, o gênio, o coração do time, um homem que faz jus ao título de redentor. Pode acreditar. Não duvide. É ele. Quem já foi melhor do mundo duas vezes nunca perde a magia. Era preciso apenas uma camisa branca e preta para acordar um gigante adormecido. Ronaldinho trouxe holofotes e recebeu carinho, trouxe o espetáculo e recebeu as honras. O craque revolucionou o Galo, transformou a história alvinegra. Daqui por diante, o Atlético será dividido em antes e depois de R10, um desbravador gaúcho, de dentes tortos, cabelos longos e faixa na cabeça. Um herói, um revolucionário, um cidadão atleticano, um inconfidente mineiro.



| Ronaldinho |

O MAESTRO

“Lutar, lutar, lutar. O hino é assim, a gente é assim”

58

MIGUEL SCHINCARIOL/ESTADÃO CONTEÚDO

jogadores

Ronaldinho


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

10

DIEGO TARDELLI

Atacante

IDADE

28 anos

ALTURA

1,79 m

NO CLUBE

Voltou em fevereiro de 2013

Um ídolo, agora, coroado. Diego Tardelli virou um jogador-torcedor no mais profundo sentido da palavra. Incrível como ele encarna o espírito da Massa em campo, usando-se de coragem e dedicação. De longe, vislumbrou um lugar no time. Batalhou, abriu mão de regalias árabes, voltou ao clube depois de três anos e se encaixou como uma luva no esquema do técnico Cuca. Era a engrenagem que faltava para levar esse time ao título continental. Era um casamento tão perfeito que não poderia passar sem festa. No mais, ele já sabia o que fazer. É dono de uma metralhadora de gols que já balançou as redes mais de 80 vezes com a munição alvinegra.

"A cada dia fico mais apaixonado pelo Atlético"



POSIÇÃO

| Tardelli |

O APAIXONADO

jogadores

Diego Tardelli

59


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

BERNARD

O TALENTO Meia-atacante

IDADE

20 anos

ALTURA

1,62 m

NO CLUBE

Revelado nas categorias de base; profissional desde janeiro de 2011

Ágil, desinibido e com um futuro de ouro. Sob a tutela de Ronaldinho Gaúcho, o garoto prata da casa ganhou evidência pelo futebol de correria e alegria nas pernas. Constantemente cobiçado pelo futebol internacional, Bernard não estava com pressa. Reconhecimento, seleção brasileira, a Libertadores. Tudo estava acima de qualquer mar de dinheiro. Afinal, o sonho era mais forte. E não é que o menino do Barreiro, que pegava três ônibus para chegar a Vespasiano, encantou a América com um futebol de gente grande? Com 20 anos, em tão pouco tempo e tão pouca idade, conquistou aquilo que velhos ídolos jamais alcançaram. Um pequeno gigante de 1,62 m, que encarou defesas, pedalou, fez gols. A joia alvinegra está lapidada.

jogadores

ALEX DE JESUS/O TEMPO



| Bernard |

POSIÇÃO

60

“Cheguei à seleção e tive o reconhecimento mundial. Não tem como não criar um carinho por esse clube” Bernard


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

POSIÇÃO

Atacante

IDADE

26 anos

ALTURA

1,89 m

NO CLUBE

Desde maio de 2012

Um cara trombador, brigador e com frieza na hora certa. Todo time campeão tem o seu goleador. A missão coube a ele. Bruto, forte, alto, o homem de referência. Importado do futsal, Jô ganhou fama de pivô, o cara que contraria a lógica do atacante, jogando de costas para a meta. Servia como um paredão, tabelando com os velocistas. Mas, como centroavante que é, não abandonava a pequena área, local preferido para a maioria dos gols na competição. De perfil baladeiro, Jô se limitou a aprontar só mesmo nas quatro linhas, fazendo de Ronaldinho o grande parceiro. Entre os méritos, a convocação para a Copa das Confederações em meio à Libertadores.

jogadores 62

“É o maior momento da minha carreira. Aqui sou mais feliz, mais confiante” Jô

LEO FONTES / O TEMPO



| Jô |

O MATADOR


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

GILBERTO SILVA

36 anos

ALTURA

1,85 m

NO CLUBE

Desde dezembro de 2012

“Eu disse para minha esposa que ia voltar ao Atlético para ser campeão da Libertadores”

jogadores

Foram anos distante do manto alvinegro, mas quem o veste uma vez jamais esquece a responsabilidade que carrega no corpo. No melhor estilo mineirinho, esse filho de Lagoa da Prata é um ser discreto. Dentro de campo, a mobilidade já não é a mesma do início da carreira, mas ele conserva em si o melhor do futebol operário, um estilo de jogo marcado por obediência, disciplina tática e coletividade, acompanhado pela eficiência e o espírito de liderança. Foi assim que ele ganhou a confiança de Felipão na campanha do penta, que se solidificou como um dos pilares do Arsenal durante anos, e é assim que hoje ele pode comemorar o título inédito de campeão da Libertadores.



Zagueiro

IDADE

CRISTIANE MATTOS/FUTURA PRESS

POSIÇÃO

| Gilberto Silva |

O EXPERIENTE

Gilberto Silva

63


10

Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

JOSUÉ

jogadores



| Josué |

64

POSIÇÃO

Volante

IDADE

33 anos

ALTURA

1,69 m

NO CLUBE

Desde março de 2013

Ele foi o último a chegar, mas esse motivo não o impediu de ser vital para a campanha que culminou no título inédito da Libertadores. Experiente, frio, batalhador, um destruidor de jogadas, e dono de uma qualidade de passe refinada, Josué foi contratado com o objetivo de fortalecer ainda mais o meio-campo atleticano para a disputa do torneio continental. Nos momentos mais cruciais da equipe durante essa jornada vitoriosa, a presença do volante foi essencial para trazer tranquilidade ao sistema defensivo e facilitar a transição entre meio-campo e ataque. Um incansável conquistador que desbravou as trincheiras inimigas em busca do tão sonhado título de campeão da América.

“Pelo Atlético tudo é válido. É uma grande felicidade defender essa equipe que hoje é uma das potências do futebol brasileiro” Josué

DANIEL OLIVEIRA/FOTOARENA

O INCANSÁVEL


10

Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

RAFAEL MARQUES

66

POSIÇÃO

Zagueiro

IDADE

29 anos

ALTURA

1,85 m

NO CLUBE

Desde janeiro de 2012

Em uma guerra, a batalha não é vencida apenas pelos que estão na linha de frente. Quem está na retaguarda precisa corresponder às expectativas de maneira adequada e precisa. Uma séria lesão no Brasileirão 2012 e a chegada de reforços para a defensiva fez com que Rafael Marques perdesse sua condição de titular e até mesmo a vaga de substituo imediato de Leonardo Silva e Réver, mas quando sua presença foi necessária, o defensor mostrou disposição e vontade. Um verdadeiro exemplo de compreensão em prol do grupo e de um objetivo não individual, mas coletivo.

“É uma felicidade fazer parte de um grupo que possui muita amizade, respeito e qualidade. Isso faz um plantel campeão” Rafael Marques DANIEL TEIXEIRA

jogadores

 | Rafael Marques |

O ROBUSTO


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

10

GUILHERME

O DESTEMIDO POSIÇÃO

Meia-atacante

IDADE

24 anos

ALTURA

1,75m

NO CLUBE

Desde março de 2011

Guilherme

jogadores

“Muitos foram heróis e eu só tive o prazer de concluir esse heroísmo de todos”

DOUGLAS MAGNO / O TEMPO



| Guilherme |

Contestado, vaiado, criticado, tido como um jogador sonolento, preguiçoso e pouco quisto pela torcida alvinegra, ainda mais devido ao seu passado azul. Para ouvir seu nome ecoar pelo agora místico Gigante do Horto, Guilherme precisou manter uma obstinação em meio a uma infinidade de obstáculos. Foram vários os momentos de peleja, mas foi necessária apenas uma oportunidade para entrar definitivamente na história do Atlético. Uma saída do clube alvinegro chegou a ser cogitada, mas para o torcedor a certeza – ainda bem que ele ficou! O título passou pelos pés e o poder de definição de Guilherme, um jogador com qualidade para transformar-se em craque.

67


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

LUAN

O AMULETO

68

Meia-atacante

IDADE

22 anos

ALTURA

1,70m

NO CLUBE

Desde janeiro de 2013

Seu estilo alucinado em campo logo encantou a torcida. A cada toque na bola, gestos que simbolizavam entrega e raça, fatores admirados pelos torcedores, que sempre pediam a entrada do atleta quando a partida se desenhava complexa. Em alguns lances lhe faltou frieza para buscar um companheiro melhor posicionado, no entanto, não há como negar a luta e a sede pela vitória. Os erros podem ser justificados pela juventude. Porém, Luan ganhou não apenas o apoio da torcida. Cuca o transformou em seu talismã. Saiu dos pés do meia-atacante o segundo gol no empate com o Tijuana, no México. Um dos tantos momentos essenciais para a conquista do título continental.

“Estou disposto a sempre ajudar da melhor maneira. Se preciso for, jogo até de volante, lateral, porque o que eu quero mesmo é estar em campo” Luan ALEX DE JESUS/O TEMPO

jogadores



| Luan |

POSIÇÃO


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

JÚNIOR CÉSAR

NETO BEROLA

Lateral-esquerdo

POSIÇÃO

Atacante

IDADE

31 anos

IDADE

25 anos

ALTURA

1,66 m

ALTURA

1,71 m

NO CLUBE

Desde maio de 2012

NO CLUBE

Desde maio de 2010

Foi durante a Copa Libertadores que Júnior César acabou perdendo espaço para o companheiro Richarlyson. A alteração pegou todos de surpresa, mas o jogador não mostrou abatimento com a situação. Pelo contrário, mostrando amadurecimento e compreensão ante o alto nível de disputa pela titularidade, ele manteve o estigma de jogador de confiança de Cuca, muito por sua marcação mais efetiva e pela disciplina tática às orientações repassadas pelo comandante alvinegro. Júnior César não é um jogador apenas técnico, mas sim um jogador participativo, sempre apto a transformar sua experiência no mundo da bola em uma arma valiosa dentro e fora das quatro linhas.

jogadores 70

Um dos jogadores mais ‘velhos’ de casa do atual plantel alvinegro, Neto Berola é aquele reserva conhecido por ‘colocar fogo’ no jogo por meio de jogadas incisivas pela ponta e cortes rápidos na tentativa de arremate, passe ou cruzamento. A velocidade é a arma mais explorada do atacante, que ainda carece de um aperfeiçoamento na hora da finalização. Na campanha da Libertadores, sua presença em campo não foi muito necessária. Um quadro grave de lesões em sequência afetou o desempenho do atleta. No entanto, se serve de consolo, o atacante possui total confiança de Cuca e está sempre pronto para ser o elemento surpresa do Atlético.

LEO FONTES / O TEMPO

POSIÇÃO

ALEX DE JESUS/O TEMPO

| Júnior César - Neto Berola |

O DISCIPLINADO O VELOCISTA

“Se a gente “O Atlético está certo tem em contratar grandes alguma jogadores. Se o clube coisa para quer ser campeão conquistar, tem que montar um tem que trabalhar” grande elenco” Júnior César

Neto Berola


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

O AGREGADOR

Volante

POSIÇÃO

IDADE

30 anos

IDADE

32 anos

ALTURA

1,70 m

ALTURA

1,70 m

NO CLUBE

Desde janeiro de 2013

NO CLUBE

Desde janeiro de 2013

Sua chegada ao clube fez a alegria do irmão, Richarlyson. O ambiente familiar contagiou todo o grupo e, aos poucos, Alecsandro foi se transformando no irmão de todos do plantel. Seu estilo brincalhão e amigo não escondeu o espírito de competitividade. Jamais conformado com a reserva, o atacante manteve dedicação total nos treinamentos, tudo para estar à disposição quando necessário. Em um ataque tão competitivo, as oportunidades devem ser aproveitadas, até porque elas podem ser únicas. Alecsandro tratou de mostrar que possui faro de gol. Uma opção para os momentos em que foi preciso ter mais mobilidade e poder de definição na grande área.

FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Ele poderia ter sido mais efetivo na Libertadores, no entanto, sua personalidade forte e o temperamento explosivo acabaram comprometendo seu desempenho. Nem o apito final pôde conter o ímpeto de Rosinei, que revidou uma agressão do lateral Carleto, do São Paulo, e foi punido com quatro jogos de suspensão. De longe, o volante apenas torceu por seus companheiros. Uma torcida ainda mais velada tendo em vista a certeza de que só retornaria a disputar uma partida da Libertadores em caso de classificação à final. Ufa! Alívio! E foi isso que aconteceu, bem a tempo de participar do momento mais importante da história do Atlético.

Atacante

JOAO GODINHO / O TEMPO

POSIÇÃO

“Meu pai comentou no aniversário do Richarlyson, dia 27 de dezembro: 'Agora somos Galo'. É emocionante poder realizar esse sonho” Alecsandro

| Rosinei e Alecsabdro |

O EXPLOSIVO

ALECSANDRO

jogadores

ROSINEI

71


LEE

POSIÇÃO IDADE ALTURA

GIOVANNI

Goleiro 25 anos 1,88 m

LELEU

POSIÇÃO

| Reservas |

IDADE ALTURA

Meia 20 anos 1,71 m



SERGINHO*

POSIÇÃO IDADE ALTURA

Volante 26 anos 1,77 m

CARLOS CÉSAR

POSIÇÃO IDADE

jogadores

ALTURA

72

Lateral-direito 26 anos 1,74 m

MICHEL

POSIÇÃO IDADE ALTURA

*JÁ DEIXOU O CLUBE

Lateral-direito 26 anos 1,82 m

POSIÇÃO IDADE ALTURA

Goleiro 26 anos 1,91 m

MORAIS*

POSIÇÃO IDADE ALTURA

Meia 29 anos 1,69 m

ARAÚJO*

POSIÇÃO IDADE ALTURA

Atacante 35 anos 1,72 m

JEMERSON

POSIÇÃO IDADE ALTURA

Zagueiro 20 anos 1,84 m

LUCAS CÂNDIDO

POSIÇÃO IDADE ALTURA

Volante 19 anos 1,78 m

FOTOS: BRUNO CANTINI / DIVULGAÇÃO

Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO


Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

RETAGUARDA

CAMPEÃ

Nos bastidores, o estafe alvinegro deu o suporte necessário para o sucesso do time dentro das quatro linhas

D

Assessor da presidência: Luiz César Villamarim

Diretor financeiro: Carlos Fabel

Assessor da presidência: Sérgio Santos Sette Câmara

o porteiro ao presidente, existe uma turma que se dedica demais para colocar os atletas nas melhores condições de jogo e merece ser reconhecida pelos torcedores que hoje comemoram uma nova fase do clube. A diretoria, a comissão técnica, o departamento médico, o conjunto da comunicação, a equipe de segurança e o time dos serviços gerais do Galo também brilharam. O presidente Alexandre Kalil e seu timaço de bastidores apostaram na montagem de uma comissão técnica fixa, acertando contratos de três anos e dando tempo para que o

Presidente: Alexandre Kalil Vice-presidente: Daniel Nepomuceno Diretora executiva: Adriana Branco

comissão técnica

Diretor de planejamento: Rodolfo Gropen

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planejamento fosse executado. Além do pessoal que cuida diretamente da bola rolando, um esquadrão para a prevenção e o tratamento de lesões também foi agregado. O hotel de primeiro mundo da Cidade do Galo é tratado na palma da mão pelos funcionários da limpeza, da alimentação e da lavanderia. A competente segurança trabalhou mais do que nunca depois da chegada do astro Ronaldinho. E o pessoal da comunicação teve o prazer de ajudar a divulgar ainda mais o nome da instituição. Enfim, todos campeões de amor, dedicação e profissionalismo a favor do Galo.

Diretoria Diretor jurídico: Lásaro Cândido da Cunha Diretor de futebol: Eduardo Maluf

Assessor da presidência: João Luiz Avelar Assessor da presidência: Manuel Bravo Saramago Assessor da presidência: Gabriel Azevedo

Comissão técnica Supervisor de futebol: Carlos Alberto Isidoro

Preparadores físicos: , Carlinhos Neves, Manoel dos Santos e Luis Otávio Kalil

Supervisor administrativo: Evaldo Prudêncio

Auxiliares técnicos: Cuquinha e Eudes Pedro

Fisioterapeutas: Rômulo Frank e Guilherme Fialho

Assistente do departamento técnico: Bernardo Motta

Treinador de goleiros: Chiquinho

Fisiologista: Roberto Chiari

Auxiliar de campo: Rubens Pinheiro “Ligeirinho” Médicos: Rodrigo Lasmar, Marcus Vinícius e Otaviano Oliveira

Comunicação: Domênico Bhering, Cássio Arreguy, José Luiz Naves, Fabrício Almeida, Emmerson Maurilio, Guilherme D’Assumpção, Thiago Cardoso, Marco Aurélio Froes e Bruno Cantini

Massagistas: Belmiro Oliveira, Hélio Gomes e Eduardo Vasconcelos

Nutricionistas: Patrícia Teixeira e Cássia Nogueira

Auxiliar de tecnologia: Alexandre Ceolin

Podóloga: Fabíola Efigênia Roupeiros: João de Deus e Luciano Caxeado Seguranças: Wanderson Dener, William Lobo, Jorge Fraga e Lúcio Fábio


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Imagens

Bruno cantini/ divulgação

galeria de fotos

O atleticano guardará para sempre os registros fotográficos do título histórico

| Fotos |

Imortais

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Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO Bruno cantini/ divulgação

| Fotos |

Nós somos do Clube Atlético Mineiro Jogamos com muita raça e amor Vibramos com alegria nas vitórias Clube Atlético Mineiro Galo Forte Vingador

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Bruno cantini/ divulgação

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reprodução/youtube

Bruno cantini/ divulgação


| Fotos |

Bruno cantini/ divulgação

Especial EspecialAtlético AtléticoCampeão CampeãoLibertadores Libertadores2013 2013| |OOTEMPO TEMPO

Bruno cantini/ divulgação

Vencer, vencer, vencer Esse é o nosso ideal Honramos o nome de Minas No cenário esportivo mundial

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DENILTON DIAS

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Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

galeria de fotos 78

Nós somos campeões do gelo O nosso time é imortal Nós somos campeões dos Campeões

Bruno cantini/ divulgação

| Fotos |

Bruno cantini/ divulgação

douglas magno


| Fotos |

Gregory Bull/ap

Bruno cantini/ divulgação

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Lutar, lutar, lutar pelos gramados do mundo pra vencer Clube Atlético Mineiro Uma vez até morrer

Bruno cantini/ divulgação

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Especial AtlĂŠtico CampeĂŁo da Libertadores 2013 | O TEMPO

| Fotos |

omar freire/imprensa mg

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denilton dias

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Lutar, lutar, lutar Com toda nossa raça pra vencer


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denilton dias

joão godinho

JUANI RONCORONI/ESTADÃO CONTEÚDO

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Bruno cantini/ divulgação

Somos o orgulho do Esporte Nacional

| Fotos |

douglas magno

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| Fotos |

MARCUS DESIMONI/ESTADãO CONTEúDO

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denilton dias

Clube Atlético Mineiro Uma vez até morrer Bruno cantini/ divulgação


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ZICAS E VICE-CAMPEÃO INVICTO

LIBERTADORES DE 1981 Talvez a maior polêmica da história do Atlético seja o confronto conta o Flamengo na Libertadores de 1981. As duas equipes estavam no Grupo 3 e precisaram disputar uma partida extra, em campo neutro, para saber quem avançaria. O jogo foi no Serra Dourada, em Goiânia. Com um clima para lá de tenso, o Galo acabou eliminado após o árbitro José Roberto Wrigth expulsar cinco jogadores do Atlético. O jogo foi encerrado por falta de número mínimo de atletas. Em campo, a partida ficou 0 a 0, mas o Flamengo acabou sendo declarado como vencedor.

PÊNALTI CLARÍSSIMO Em 2007, um erro escandaloso do árbitro Carlos Eugênio Simon tirou do Galo a chance de chegar pela primeira vez a uma semifinal da Copa do Brasil. Foi contra o Botafogo, no segundo jogo das quartas de final, no Rio de Janeiro, quando Simon deixou de marcar um pênalti claro em cima do meia Tchô. O Botafogo venceu a partida de virada por 2 a 1. Ao Galo, um empate bastaria para a classificação.

MORREU NA PRAIA Em 1999 o Atlético chegou às finais do Campeonato Brasileiro, mas, mais uma vez, morreu na praia. Após ficar em sétimo lugar na fase de classificação, o Galo eliminou o rival Cruzeiro nas quartas de final, passou pelo Vitória nas semifinais. Mas, na decisão contra o Corinthians, o Galo venceu o primeiro jogo por 3 a 2, mas foi derrotado na finalíssima por 2 a 0 e ficou com o vice-campeonato pela terceira vez.

2000 E GALO No jogo do bicho, o número 13 representa o galo. Por isso, o torcedor atleticano adotou a numeração e o bordão: “13 é Galo”. Após o vice-campeonato no Brasileirão do ano passado e a vaga na Libertadores deste ano, a torcida alvinegra acredita que 2013 será o ano da virada do Atlético, com a conquista de títulos de expressão. Assim, os torcedores criaram um novo bordão muito usado em cartazes no Independência: “2000 e Galo”.

TERÇO ABENÇOADO Após perder o primeiro jogo da semifinal da Libertadores por 2 a 0 para o Newell’s Old Boys, o Atlético igualou o placar na segunda partida e levou a decisão para os pênaltis. Na hora da cobrança, um torcedor jogou um terço para o goleiro Victor, que caiu dentro do gol. Victor pegou o terço, agradeceu à torcida e o colocou perto da linha do gol, e pediu proteção. O pedido deu certo e o Atlético passou para a final.

PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA Muito religioso, o técnico Cuca passou a usar uma camisa com a imagem de Nossa Senhora nos jogos decisivos do Atlético. A blusa foi vestida nas fases finais da Libertadores e também nas finais do Campeonato Mineiro, no qual o Galo foi campeão.

Em 2001, o então presidente do Atlético, Nélio Brant, mandou pintar de preto o manto da imagem de Nossa Senhora das Graças, instalada na sede do Galo. Para Brant, o problema era que a imagem da santa ostentava as cores azul e branco, tal como o uniforme do arquirrival Cruzeiro. Só que a torcida atleticana começou a atribuir a falta de sorte do Galo em competições à maldição da santa pintada de preto na sede, mesmo após a restauração da mesma.

RODRIGO LIMA

MALDIÇÃO DA SANTA

a zica acabou

O Atlético, até hoje, é o único vice-campeão brasileiro invicto da história. Foi em 1977, quando o Galo perdeu o título para o São Paulo em pleno Mineirão lotado. A partida terminou em 0 a 0 após a prorrogação. O tricolor paulista, com cinco derrotas no torneio, venceu a disputa de pênaltis e ganhou seu primeiro título nacional.

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Inferno

o caldeirão

 | O Caldeirão - Independência |

Do horto

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Invicto no Independência, Atlético e torcida transformam estádio na casa do Galo na Libertadores 2013

D

epois de quase dois anos jogando fora de Belo Horizonte, o Atlético adotou o Independência como sua nova casa. Lá, os jogadores se sentem à vontade, mandam no jogo, vão pra cima do adversário e, na maioria das vezes, saem com a vitória. A torcida também abraçou a nova casa e fez da arena do Horto um verdadeiro caldeirão. Todo adversário deve se preocupar ao enfrentar o Atlético no Independência. O bordão “Caiu no Horto, tá morto” tem suas razões. Desde a reinauguração do estádio, em abril de 2012, foram 38 jogos e nenhuma derrota até a campanha na Libertadores. Foram 29 vitórias e apenas nove empates. E a mística criada em torno do Independência exerce influência direta sobre os atletas em campo. Segundo o professor do curso de educação física da UFMG e doutor em psicobiologia pela Unifesp Franco Noce, o Atlético criou uma identificação grande com o estádio que até influencia nos resultados. “O ser humano é extremamente

Nossa casa é o Independência e lá não acontce nada de ruim” Alexandre Kalil - 4.2.2013 Após problemas na reinauguração do Mineirão

sugestionável. O Atlético teve uma série de vitórias muito boa no início que deu confiança ao time e criou uma identificação com o estádio. Isso gera um ciclo positivo, que deixa os atletas mais à vontade”, explicou Noce. Contra a vontade da diretoria atleticana e por questões meramente burocráticas da Conmebol, coube ao novo Mineirão ser o palco da grande final da Copa Libertadores 2013. Mesmo com capacidade para 60 mil torcedores, o Gigante da Pampulha não causou o mesmo efeito “caldeirão” da arena do Horto. “Não acho que o impacto seja o mesmo. A identificação da equipe com o Independência é única. O estilo do estádio, mais fechado e com a torcida mais próxima, provoca um efeito maior, a acústica multiplica o grito da torcida”, pondera o professor da UFMG. O Atlético foi campeão no Mineirão, onde é vitorioso e já conquistou muitos títulos. Mas, como Kalil sempre falou: “A casa do Galo é o Independência”.

Como vou achar ruim jogar no Mineirão se há dois meses fomos campeões ali” Cuca -16.7.2013 Sobre decisão da Libertadores no Mineirão


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

Mineirão é palco da primeira Libertadores internacional do Galo diante de seu torcedor no Gigante da Pampulha foi a Copa Conmebol de 1997, quando bateu o Lanús-ARG, na decisão. No primeiro título da Conmebol, em 1992, o Atlético ergueu a taça em Assunção, no Paraguai, depois de vencer o primeiro jogo no Mineirão, por 2 a 0, e perder a partida de volta por 1 a 0 para o Olimpia.

Temos que usar esse caldeirão a nosso favor, ainda mais na Libertadores que isso influencia muito. É outra sensação aqui dentro”

Com a nossa torcida no apoio, nos sentimos muito fortes” Ronaldinho - 29.5.2013 Antes do jogo contra o Tijuana no Independência

Diego Tardelli - 11.2.13 Antes da estreia na Libertadores ESTÁDIO

JOGOS

VITÓRIAS

EMPATES

DERROTAS

Atlético no Independência (geral)

493

290

101

102

Atlético no Novo Independência

38

29

9

0

362

256

0

2

Atlético no Mineirão Atlético no Novo Mineirão

1.480 862 4

2

o caldeirão

O fato de jogar a decisão da Libertadores fora de sua nova casa não impediu a gloriosa conquista alvinegra.Com o Mineirão completamente lotado, o Galo faturou sua primeira Libertadores e derrubou a sina de nunca ter ganhado um título tão importante no estádio. Curiosamente, até então, a conquista de maior renome

| O Caldeirão - Independência |

Rodrigo lima

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Bruno cantini/ divulgação

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Nós somos

A massa 

| A torcida |

Torcida do Galo confirma a fama de ser uma das mais apaixonadas do mundo e empurra o time ao título

E

stádio lotado, torcida vibrante e participativa, festa nas arquibancadas e muita pressão sobre os adversários. Nada disso é novidade em se tratando da torcida atleticana, é verdade. Mas, na vitoriosa campanha da Copa Libertadores, a Massa se reinventou e assumiu um papel nunca visto antes. Um espetáculo! Tendo o Independência como palco principal, a torcida alvinegra transformou a vida dos rivais em um verdadeiro inferno. Unidos por um mesmo ideal, os atleticanos não pouparam esforços – tampouco as gargantas – para empurrar o Galo. Combustível essencial para vitórias épicas como mandante. Uma casa do terror! São-paulinos, argentinos, bolivianos, mexicanos e paraguaios ficaram estarrecidos com a vibração positiva oriunda das arquibancadas.

“Arsenal é maricones” a massa

Canto da torcida aos jogadores argentinos durante confronto com a polícia

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Foram decibéis ensurdecedores que eternizaram cânticos, além de cartazes de incentivo nas arquibancadas. O Independência chegou a parecer um baile de máscaras. Que pânico! Nem dormir era possível. No meio da madrugada, atleticanos deixaram o conforto de suas próprias casas e foram para a rua, em frente ao hotel do Newell’s Old Boys (ARG), apenas pelo prazer de atrapalhar o sono dos rivais antes da semifinal. Um pesadelo! É verdade que Jorge não defende pênaltis decisivos, Luiza não salva bolas em cima da linha e Renan não faz gols heróicos. Mesmo assim, cada atleticano, desconhecido ou ilustre, foi responsável direto pela inédita conquista da América. Como se todos estivessem dentro de campo, vestindo a camisa 12, aquela mesma imortalizada com o nome que todos conhecem. A Massa!

“PQP... é o melhor goleiro do Brasil: Victor”

Reverência da torcida ao camisa 1, após pênaltis defendidos nas quartas e na semi

“Caiu no Horto, tá morto” Slogan repetido pelos atleticanos aos adversários derrotados no Independência

“Aqui é Galo”

Cartazes escritos por diversos torcedores, parafraseando o craque Ronaldinho

“Eu acredito” Canto de incentivo da torcida aos jogadores durante o duelo com o Newell’s


Daphne Carvalho, 21, Estudante

Saí de Minneapolis, onde moro, e fui para San Diego. No dia do jogo, atravessei a fronteira do México para ver o jogo. A torcida fez muita festa no estádio e depois do jogo saímos pela cidade de Tijuana para comemorar o empate heroico” Rafael de Vasconcellos, 24, Empresário



“Senhoras e senhores, esse voo tem como destino a eternidade.” Essa bem que poderia ser a frase dita nos aviões antes de cada viagem dos alvinegros para acompanhar o Atlético fora de casa. Não bastasse a força dentro do Independência, a torcida do Galo promoveu verdadeiras invasões em terras sul-americanas. Sarandí, La Paz, São Paulo, Tijuana e Assunção foram as escalas feitas por milhares de alvinegros ao longo de sete meses, seja pelo ar ou pela terra. Passaportes foram carimbados e histórias inesquecíveis vividas, seja dentro ou fora dos estádios. Se turistas gostam de colecionar souvenirs, os atleticanos fizeram isso gradativamente, como em um quebra-cabeça. A cada viagem, retornavam com um pedaço cada vez maior daquilo que, hoje, é a maior lembrança da história do clube: a taça da Copa Libertadores.

Ver o Galo em La Paz foi uma experiência inesquecível. Temíamos a altitude e a recepção por conta da morte de um boliviano em jogo do Corinthians. Mas fomos bemrecebidos e fizemos muita festa no estádio” Gustavo Lima, 38, Personal Trainer

Acompanhar o Galo em Rosario foi algo único, apesar da derrota. Fomos muito bem-recebidos na Argentina e, no estádio, cantamos em apoio ao time e incentivamos a todo momento, mesmo sofrendo dois gols” Cézar Vouguinha, 24, Jornalista

Andando nas ruas de Assunção, dava para sentir o clima da final. No estádio, era um clima formidável, e, de repente, o sorriso virou aflição. Ainda que tenhamos saído de lá com a derrota, nós acreditamos!” Mariana Vimieiro, 26, Advogada

a massa

Torcida invade a América

O Brasil já falava do Atlético, e, depois da ida a Buenos Aires, os argentinos lembrarão o dia que a Massa invadiu o Obelisco. Foi inesquecível e marcou nosso renascimento na América”

| A torcida |

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Especial Atlético Campeão da Libertadores 2013 | O TEMPO

QUE VENHA O

MUNDIAL

Dez dias, oito jogos, sete clubes e apenas um campeão. Assim é o Mundial de Clubes da Fifa, próximo passo do Galo na histórica temporada 2013. Diante de um representante de cada continente – mais o campeão nacional do Marrocos – o Atlético quer ampliar seu domínio para os quatro cantos do planeta. A tarefa não é fácil, sobretudo por um motivo: a ameaça alemã. O

poderoso Bayern de Munique (ALE), campeão europeu, chega com muita força para a disputa do Mundial. Mas se de um lado estão Pep Guardiola, Robben e Ribéry, o Galo não fica atrás com suas armas já conhecidas e que fizeram estragos pela América do Sul. Para levantar a taça, serão apenas dois jogos. Nada demais para quem esperou 105 anos pela oportunidade de conquistar o mundo.

BAYERN DE MUNIQUE (ALE) Campeão da Europa

ATLÉTICO Campeão da América do Sul

MONTERREY (MEX) Campeão da América do Norte

AUCKLAND CITY (AUS) Campeão da Oceania

RAJA CASABLANCA (MAR) Campeão Marroquino

Campeão Asiático (definição em 9 de novembro) Campeão Africano (definição em 10 de novembro)

CIDADES-SEDE

Mundial



| Mundial |

CLUBES CLASSIFICADOS

88

MARRAKECH

AGADIR

Quinta maior cidade do Marrocos, com cerca de 800 mil habitantes.

Sexta maior cidade do Marrocos, com cerca de 700 mil habitantes.

5

jogos do torneio (incluindo a final)

Estádio de Marrakech com capacidade para 45.240 torcedores

3

jogos do torneio

Estádio de Agadir, com capacidade para 45.480 torcedores


Especial Atlético Campeão Libertadores 2013 | O TEMPO

DESTINO:

MARROCOS O Rei Mohammed VI que se cuide! Em dezembro, seu reinado no Marrocos estará ameaçado por bárbaros alvinegros. Depois de dominar o continente americano, o Atlético sonha em expandir seu controle por todo o planeta e já tem compromisso marcado com a torcida, no Mundial de Clubes da Fifa, em busca de um título inédito para o futebol mineiro. No país africano, o Galo terá uma tarefa ainda mais complicada que na Libertadores. Problema? Não para Ronaldinho e companhia, acostumados a derrubar tabus e adversários.

Longe do Horto, o caminho alvinegro já está traçado. Em meio às dunas do deserto do Saara, está a cidade de Marrakech, onde está localizado o estádio que leva o nome do município. É lá que o Galo fará a semifinal do Mundial e, caso se classifique, decidirá o título no mesmo local. Rico em lendas milenares, o Marrocos está prestes a ter um domínio nunca visto antes. Depois de fenícios, romanos, bizantinos, franceses, portugueses e espanhóis, chegou a vez de os alvinegros tomarem o controle da Terra do Sol Poente. E também do mundo, por que não?

COMO CHEGAR? DE NAVIO

RAIO X Reino de Marrocos

Existem diversos cruzeiros mediterrâneos que passam por Casablanca (cerca de 230 km de distância para Marrakech), no entanto, nenhum deles sai do Brasil. É preciso estar na Europa para escolher essa opção.

CAPITAL

Rabat REI

Mohammed VI LÍNGUA

Árabe, mas muitos falam francês. POPULAÇÃO

34 milhões MOEDA

Dirham (1 dólar vale cerca de 8,4 dirham)

DE BALSA Estando na Espanha, é possível atravessar o Estreito de Gibraltar utilizando uma das diversas balsas disponíveis. A travessia pode ser feita de Algeciras a Ceuta (cerca de 40 km) ou de Tarifa a Tanger (cerca de 35 km). Estando no norte do Marrocos, ainda é preciso uma viagem de quase 600 km até Marrakech.

Agricultura, turismo e serviços RELIGIÃO

Muçulmana ALIMENTAÇÃO

Comidas diversas, muito influenciadas pelos povos do mediterrâneo

DIRETO DE AVIÃO Entre 19 e 38 horas de voo, dependendo do caminho. Escala obrigatória em aeroportos na Europa.

Mundial

PRINCIPAIS ATIVIDADES

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19 revista galo libertadores 2013