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ALTERNATIVA-L Uma opção da mulher Lés

A ousadia art decor de

Tamara Lempicka

O Tabu da Bissexualidade Ponto G Existe Padrão GAY? 1


Equipe Técnica Alternativa-L Simone Almeida de Araujo Sheila Costa Micheli Moreira Aleska Drychan Roberto Souza Capa : Obra : O turbante verde—1929 de Tamara Lempicka Contra capa: Jovens Damas 1927—

Tamara Lempicka Contatos: revistaalternatival@hotmail.com Facebook.com/pages/Alternativa-L

Edição 01/ano 02 - junho de 2015 2


Editorial Alternativa L retorna repaginada e ressaltando que certos temas continuarão preenchendo nossas páginas independente de incomodados de plantão, e como não somos radicais reservamos um espaço para que estes manifestem suas opiniões relativas ao universo da mulher lésbica. Até nosso fechamento nada recebemos. Nesta edição um TABU , aquele assunto que muitos não mencionam por ignorância ou hipocrisia mesmo : A Bissexualidade. Os bissexuais não são indecisos apenas amam quem convém em momento idem , e como nossa sociedade incomoda -se com a intimidade alheia.E assumir-se lésbica? Para algumas é tortura e para outra indolor , pois cada uma molda sua personalidade em seu tempo . Nossa amiga revela qual foi a melhor forma de assumir-se perante os pais.E uma leitora compartilhou a rotina ( ou ausência dela) em seu trabalho como profissional do sexo nas noites paulistanas é burlesco . Nosso espaço para os homens está em Ponto “G” perguntando qual o problema em manter um romance “ A Bela e a Fera” ?Para nós nenhum, eis que a sociedade mais uma vez incomodada apresenta sua perversidade no “bullying” . 3


Mas graças a um amor imenso e tecnologias nossa dupla vai muito bem. O genial e inteligente é mesmo quebrar padrões com ausência de mortos e feridos.Ponto .E finalizamos com Tamara Lempicka que viveu com intensidade “os loucos anos 20” ignorando os padrões impostos pela sociedade de seu tempo, apresentamos sua arte, no apogeu das mais puras formas de artes decorativas (19251935) , a Art Decoratifs, ou para as mais íntimas a Art Déco.

Bem vindas Alternativa L

Seções O Tabu da bissexualidade

05

Assumindo-se

08

Minha Vida Burlesca

12

Ponto “G”

16

A ousadia de Tamara Lempicka

20

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Imagem :Gabrielle Velloso Portes

Texto: Micheli Moreira Ainda hoje, infelizmente, a bissexualidade é tratada como um tabu, não só pelos heterossexuais como

também pelos homossexuais

,o que é algo

totalmente fora de sentido. Já ouvi algumas pessoas dizerem que nós, bissexuais, somos na verdade indecisas, aptas a 'modinha', que nossa existência se dá somente para fazermos lésbicas sofrerem (oi?!). Como assim ? 5


A bissexualidade existe, nós existimos! E nada tem a ver com o sofrimento alheio ou indecisão. Essa característica de gostarmos tanto dos meninos quanto das meninas não nos torna diferentes, ou alvo de segregação, é somente mais uma forma de amar. Amar quem lhe convém amar. Seja lá quem for. Segundo o site 'O tempo', o psicoterapeuta sexual e de casais do Instituto Paulista de Sexualidade Oswaldo Rodrigues discorda de alguns recentes estudos que apontam que bissexualidade é uma tendência, e prefere acreditar que “a diversidade e variabilidade das alternativas será o mais provável, e não uma convergência de tendência única”. Nós, do segmento LGBT precisamos nos unir para não segregar, juntar para não separar, pois só juntos conseguiremos cada vez mais conquistar nosso espaço nessa sociedade homofóbica que ainda reina. Após váris leituras de especialistas em animais incluindo os cetáceos ,chegamos à conclusão de que os bissexuais não são indecisos, tão pouco essa é uma caracteristica humana, pois vários animais são bissexuais ou homossexuais, esses animais surgiram na face da terra antes da raça humana, reforçando que tais caracteristicas , não são exclusivas do homo sapiens sapiens e portanto não são modinha, não são opção, são formas de relacionamento. 6


Alternativa L ĂŠ a favor do amor !

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Assumindo-se Texto: Micheli Moreira

Sabemos da dificuldade que muitas de nós temos em nos assumir para nossa família ou amigos e da barra que é superarmos e passarmos por cima dos olhares preconceituosos de pessoas que achávamos que podia confiar-se; do tratamento diferente que às vezes vem de nossos próprios pais, tios, irmãos...mas mesmo sabendo disso, muitas garotas sentem a necessidade de contar ao mundo sua orientação e viver livre, por completo. Há quem sinta essa necessidade de falar de forma natural aquilo que é normal em “seu mundo”:o amor. Seja ele como for. Amar e ser amada como qualquer outra pessoa é importante que saibamos o nosso momento e que tenhamos total segurança quando formos nos assumir para nossa família. Que façamos ( ou simplesmente não façamos) isso por necessidade e vontade própria, afinal o que realmente vale a pena é ser feliz. Uma de nossas leitoras compartilhou conosco a forma que ela encontrou de contar para seus pais sobre sua sexualidade. Confira: 8


Assumir-se :falando sobre amar “Hoje é dia 24 de outubro de 2014, não sei quando vou entregar essa carta, nem se vou entregar. Sei que preciso que vocês saibam, preciso para poder ficar em paz comigo mesma, preciso para saber se essa angústia que eu sinto vai passar depois que as pessoas que eu mais amo souberem claramente quem eu sou, sem precisar ficar fingindo, escondendo ou mentindo, preciso porque sei que não há nada demais em ser quem eu sou, preciso para viver leve, sem a sensação de estar faltando algo, e o que me falta todos os dias, todo o tempo, são vocês comigo, mas vocês comigo de verdade, não com a filha que vocês querem que eu seja, não com a filha que finge ser quem não é. Quero que vocês saibam antes de tudo que vocês são as pessoas que eu mais amo na vida, independente de qualquer coisa. Vocês ja devem imaginar o porque fiz essa carta, eu sei que sim, porque os pais sempre sabem, até porque ja conversamos sobre isso e desde aquele dia eu não sou mais completamente feliz, sempre falta algo, preciso que vocês saibam, sem meias palavras da minha condição sexual, que sou gay, homossexual ou do que preferirem chamar, mas antes de tudo que sou 9


mudar depois de tudo que aconteceu, depois de tudo que aconteceu, depois de ouvir coisas de vocês sobre isso que me machucam até hoje por lembrar, depois de sentir a diferença no olhar de vocês e o cuidado que vocês tem para que nada que seja "desse mundo" se aproxime de mim, isso me machuca a tanto tempo, por isso venho me tornando uma pessoa fechada, fria talvez, porque sempre tentei entender todos, mas ninguém nunca me entendeu, nunca entendeu que eu não sou diferente de ninguém por isso, que não sou menos capaz do que ninguém por isso, que quero e preciso ter uma vida como de qualquer outro casal, quero ter uma família, filhos, e que preciso de vocês comigo, preciso que vocês entendam que eu sou assim e que é apenas mais uma característica de tantas que eu tenho, e que não é uma fase, que não é má influência ou influência de alguém, que é simplesmente quem eu sou!!! Eu sei que é difícil pra vocês, mas vamos nos ajudar, eu preciso de vocês, vivemos numa sociedade injusta e totalmente preconceituosa, mas se eu tiver vocês dois do meu lado nada me importa, nenhum preconceito, nada, eu só preciso de vocês, só preciso que vocês tentem me entender, me aceitar. Eu espero que dessa vez não seja como da outra, porque o que aconteceu só 10


Vamos conversar, nos entender, eu sei que não é fácil, mas posso ajudar vocês a entender. Mãe, sei que você julga tanto por nossa religião, eu só quero te dizer a respeito disso que só Deus esteve comigo em vários momentos e que sei e sinto que Ele jamais me desampara, me abandona ou me julga por eu amar, que foi um de seus ensinamentos não é? Eu sei que Ele só vê meu coração, não com quem me relaciono. Eu sempre conversei com Ele todas as vezes que a minha vontade era de conversar com vocês, e Ele sempre me confortou e me deu força, sei que a única coisa que ele quer pros seus filhos é a felicidade de cada um, e sei que você e o pai querem isso também, só vou ser feliz de verdade quando estiver vocês do meu lado”.

Arquivo pessoal 11


Texto: Aleska Drychan

Minha Vida Burlesca Quando comecei a trabalhar na noite tinha 18 anos, tinha acabado de sair de um "casamento" com um jogador de futebol fracassado, que não valia nada. Comecei sair pras baladas quase toda noite com algumas amigas, até que um dia uma delas me falou que trabalhava em uma casa noturna e ganhava quase 15 mil por mês. Pensei, pensei.... E cheguei a uma conclusão: eu também vou começar a trabalhar na noite! Eu não achava justo trabalhar o mês inteiro, inclusive aos sábados pra ganhar 600 reais na época. Então tomei coragem e fui. Essa casa noturna é mais conhecida como castelinho, no final da Augusta, lá as garotas eram mais "decentes" cobravam mais caro e o público frequentador era bem mais selecionado, muito mais "seguro". No 12


bastante como funcionava, eu não me drogava nem bebia, nunca fui de fazer isso, muito menos quando eu vou sair com um cara que eu não conheço, para mim era muito mais seguro estar sóbria, já com minhas amigas era um sacrifico, pois elas não conseguiam trabalhar sem estarem chapadas ou drogadas. Eu não saía com qualquer um, minha preferência era os japoneses, eles são sensacionais, verdadeiros cavalheiros, pagam bem, nos tratam bem, são os melhores. Sair com brasileiros só em último caso de extrema necessidade. . Eu sai com um mineiro, homem lindo, cheiroso, mas estava muito bêbado, eu não tenho paciência para bêbados (risos). Neste meio tempo que trabalhar conquistei muitas coisas, mas o dinheiro que vem fácil, vai mais fácil ainda Fora que hoje com 25 anos, eu não teria coragem de

Trabalhei por um ano nesta casa noturna, depois arrumei alguns clientes fixos, os quais pagavamme pra passar o final de semana com eles e afins, éramos íntimos, cheguei a ser pedida em casamento, mas eu não me sentiria feliz vivendo ao lado de um homem a vida inteira, só porque ele tem dinheiro. 13


Hoje me arrependo! Chegou uma época que eu não ia mais para casa noturna, só atendia esses meus clientes fixos, e estava ótimo! Porém foi nessa época que comecei a usar drogas, eu precisava de uma diversão, já que eu não conseguia ser feliz com

nada, não via mais graça nas coisas, o mundo era muito podre, os homens não valiam absolutamente nada, então comecei a ficar com mulheres. Na noite a maioria das garotas, namoram, ou são

lésbicas, pelo simples fato de ver que os homens realmente não valem nada. Com 20 anos, eu estava drogada, bebendo, não estudava e vivia acabada na noite. Até que chegou o dia que eu não quis mais essa vida, conheci um cara muito gente boa, ele me ajudou muito, começamos a namorar e eu não trabalhei mais na noite, arrumei um emprego miserável

novamente,

e

hoje

estou

fazendo

faculdade. Passei minha experiência para minha melhor amiga, que estava precisando muito de dinheiro, ela era virgem, por ser lésbica, nunca tinha 14


sexual, lamentável .Quando minha amiga ficou desempregada, desesperada, me pediu ajuda, eu disse para ela, “eu sei como vc consegue ganhar bastante dinheiro rápido e "fácil". Ela não sabia se tinha coragem. Essa semana (maio de 2015)fez um

ano que ela está trabalhando na noite. Eu comentei com ela que iria escrever essa matéria, ela me passou algumas coisas hilárias e tensas, só para vocês terem uma noção de como é trabalhar na noite hoje. “Um japonês me pagou pra sair com ele só pra ele

me fazer massagem. Um mineiro me pagou 1.000 pra ir pra balada com ele e fingir que eu era namorada dele. Um japonês me levou em um hotel em SP tão foda que eu queria ficar mais tempo só por conta do jantar e do lugar. Ja ganhei bolsas de clientes chinês por conta da maioria ser donos de lojas de bolsas na 25 de março.” Essas são algumas das histórias que vivemos, nas

noites de São Paulo experiências as quais foram 15


PONTO “G “ Texto: Roberto Souza

Não sei se vocês viram, leram ou ouviram sobre o casal gay que se tornou alvo de críticas após terem uma imagem de mãos dadas postada, a foto foi compartilhada por mais de dez mil vezes. Você imagina o motivo? Se pensou que o motivo poderia ser a Homofobia desta vez meu caro(a) leitor(a) se enganou. A motivação destas críticas passa a ser pela configuração de um casal que não se inclui em um padrão proposto para um relacionamento “GAY”.

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O tailandês Noparuj Kaendi sofreu bullyings após a imagem ser publicada, em comentários fica explicito que ele não poderia namorar um alemão, ”másculo e atraente, pois ele era moreno, magro e também “afeminado”

Algumas frases dos internautas diziam: “Agora eu acredito em poções mágicas”, "Por que "eu" estou solteiro e ele que é horrível arrumou namorado?" Depois Kaendi postou agradecimento as pessoas que os desejaram felicidades e deram apoio ao

casal: “Honestamente, eu não me surpreendi quando pessoas que não conhecíamos vieram nos mostrar as fotos que foram compartilhadas o dia inteiro na internet. Aconteceu antes, na mesma época do ano passado, e os comentários me

levaram às lágrimas. Este ano, no entanto, Thorsten e eu começamos a ver a situação de outra forma: ficamos agradecidos pela onda de apoio. Nunca tentamos ficar sob holofotes… Mas obrigado, de qualquer forma”. 17


Fotos publicadas no instagram pelo casal:

18


Sobre o casal: Estão juntos ha dois anos e cinco meses, e moram distantes um em Remscheid, norte da Alemanha, e o outro, em Bangcoc, capital da Tailândia. Vivem sempre conectados por meio do Whatsapp e Skype, além das pontes aéreas.

O que você pensa sobre a união , sobre os

comentários ou sobre a união dos dois? Escreva para nós : revistaalternatival@hotmail.com

facebook.com/pages/Alternativa-L 19


TAMARA LEMPICKA

www.lemondedesarts.com

Texto: Simone Almeida

Após o término da Primeira Guerra Mundial (19141918) , os E.U.A apresentou-nos os “loucos anos 20”

,

marcando

uma

indústria

que

gerava

ininterruptamente bens e mais bens de consumo, como também a efervescência cultural ; o jazz,os clubes, o cinema sonoro, teatro, rádio,moda feminina mais “à mostra” , desenvolvimento da Física, Ciências Biológicas, Medicina e Ciências Humanas

como o nascimento da Psicanálise. 20


Neste contexto fértil para algumas mentes criativas artísticas nos é apresentada a Art Déco.Expressão que surgiu em exposição realizada em Paris em 1925;

a

Exposição

internacional

das

Artes

Decorativas e Industriais Modernas ,abrangindo

uma

sociedade

em

plena

expansão

na

arquitetura,decoração,mobiliário,desenho industrial, artes gráficas,cinema,moda e publicidadeNa pintura é representada por linhas circulares ou retas estilizadas, formas geométricas, formas femininas

mais elaboradas

e a mais pura influência do

construtivismo-futurismo-cubismo. Este

contexto

artístico

apresenta-nos

Tamara

Lempicka (Varsóvia 1898-1980) , ou para as mais íntimas Maria Gorska , cuja pintura ilumina nossa

capa

.

Adotou

um

estilo

cubismo

sintético

rapidamente identificado em suas obras como os planos geométricos de volume e cores intensas e a sensação da pintura escultórica. Tamara afirmava que entre muitas pinturas a sua poderia ser 21


reconhecida

porque

criava

um

estilo

,

uma

assinatura retornando a elegância e sensualidade em seus modelos. Após um período conturbado com seu marido na Rússia à época da Revolução ,ambos instalam-se em Paris , e

Tamara continuou a

desenvolver suas pinturas. Circulou incessante pelos meios artísticos e boêmios e assumidamente bissexual viveu amores com modelos, amiga(o)s e desconhecidos .Se ainda hoje mulher LIVRE incomoda imaginem a sociedade da

época.

Mas

as

opiniões

alheias

jamais

incomodaram Senhora Tamara que continuou sua contribuição para o mundo da pintura.Seu viver intenso tornou-a uma “workaholick” afastando-a da

sua filha Rizette mas há registros de seus retratos. Tamara Lempicka revolucionou o estilo retrato na pintura revelando a mulher como um ser livre e independente,ou seja , a mulher moderna do séc XX.

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CARA LEITORA , SE VOCÊ DISCORDA DAS OPINIÕES EXPRESSAS EM ALTERNATIVA L ESCREVA-NOS . ESTAMOS DISPOSTAS A PUBLICAR SUA OPINIÃO COM O MESMO TÍTULO COMO “SEGUNDA VISÃO”. ALTERNATIVA L RESERVA-SE O DIREITO DE RESUMIR OS TEXTOS E ESTES,SEM IDENTIFICAÇÃO (NOME E EMAIL)SERÃO DESCONSIDERADOS.

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Realização :

Patrocínio:

EQUIPE ALTERNATIVA -L

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Revista Alternativa L edição 01 ano 02  

2015 foi um ano de muito aprendizado, muitas críticas, mas também de muitas parcerias !!

Revista Alternativa L edição 01 ano 02  

2015 foi um ano de muito aprendizado, muitas críticas, mas também de muitas parcerias !!

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