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Revista Alternativa L- ano 4 edição 10

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ESCREVENDO COM

Camaleões


novembro \ 2018 ano 4 - ed.11

cara leitora, Se você discorda das opniões expressas nesta revista, escreva-nos. Estamos dispostas a publicar sua opnião com o mesmo título como “segunda visão”. Dispomos de um espaço especialmente para você leitor(a). Esta revista reserva-se no direito de resumir os textos e estes, sem identificação (nome e email) serão desconsiderados.

créditos Realização Equipe Alternativa L Foto de Capa Equipe Alternativa L Modelo de Capa Nicole Domingos, Stefany Gabrielly Bianca Conceição, Kelly Salvador Foto da Contra capa Equipe Alternativa L

Participação Especial em textos Luis Fernando Uchoa Cleber Quichimbí Felipe Cavalcante Thábata Letícia e Lua Lucas Participação Especial em Ilustração Cris Kumayama - @Ckumay Notas da redação A revista Alternativa-L - Escrevendo com

Modelo de contra capa Scarlet de Padua

camaleões em 2018/2019 apresentará

Revisão de textos Luana Farias Costa

LGBTIQ+ e atenderá 50% de suas matérias

Design Gráfico Ananda Feliciano

entre as outras letras(camaleões).

uma roupagem abrangente dentro da sigla para o público L e os outros 50% distribuidos

Escrevendo com camaleões tem patrocínio facebook - RevistaAlternativaL Instagram - @AlternativaL e-mail - Alternatival.revista@gmail.com

da politica pública Fomento à Cultura da Periferia 2ª edição. Ensejamos continuar atendendo nossas leitoras em território nacional, conquistar novas leitoras/leitores e nossas amigas em Boston, Miami e Japão.

apoio


sumário Editorial

04 06

o machismo nosso de cada dia nossa poesia

09 10

a arte tem gênero ? ninguém merece

14 18 20 26 28 32 36 38 40

capa violências na escola lanternas vermelhas reflexões de um sujeito transgay heteronormadiva sarjeta manchada homossexualidade & Pombogira primeira poemasia


e d i to ri a l

Subservientes da Sociedade? As escritas a seguir nos revelam e interpretam nossa visão de mundo, como LGBTQIA na sociedade. Seja na poesia, música, trabalho, dança, teatro, arte e escrita, somos ensinados a sermos submissos à sociedade. Quando entendemos e questionamos nosso papel no coletivo, sofremos ameaças e preconceito de todos os tipos, geradores de uma violência absurda, tema principal pelo qual norteia esta edição. Nossos corpos, nosso público, nossas ideias são usurpadas, quando lutamos por nossos direitos, que a sociedade heteronormativa amplamente usufrui, nos acusam de exigir privilégios. Façam da sua leitura um estímulo para conquista de igualdade em direitos e luta contra a violência que nos mata e nos oprime.

Boa Leitura! Equipe Alternativa L

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a arte

tem gênero ? Por Sheila Costa

Arte Patricia Riska

A violência apresenta-se sob as mais variadas formas. Ainda não consigo entender o porque das pessoas criticarem o artista e sua obra, caso ela/ele retrate uma realidade que não seja a sua, mas seja empático a ela e capte sua essência em estado bruto. A partir de várias inquietações, conversei com alguns artistas e os relatos de represálias foram muitos, o que mais me chamou a atenção foram as agressões verbais que sofreu a grafiteira Patrícia Rizka, por conta de retratar duas telas e um mural cenas de carinho entre pares homossexuais,

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negros e uma portadora de mobilidade reduzida. Como nos tornamos críticos de arte? As orientações generificadas das práticas artísticas se situa nas socializações de gênero; desde a infância associando a delicadeza, às cenas domésticas heterossexuais, a maternidade, cenas infantis e qualquer outra associada às práticas femininas como naturais de serem reproduzidas pelas artistas. Neste raciocínio descarta-se práticas masculinas da arte elaborada por mulheres. Todas as atividades fora do meio doméstico, seja retratação ou utilização do meio é considerado inadequada à arte feminina, e ainda dentro deste senso comum a arte do grafite seria uma arte masculina e logo


a grafiteira em questão já estaria fora do mundo estipulado a ela, a sua transgressão já está na profissão. O feminino é comumente inferiorizado no meio social e artístico, e quando uma artista mulher, grafiteira retrata casais homoafetivos em sua arte, ela sofre violências e críticas negativas sobre essas representações. Na escala de discriminação a artista, considerada inferior pelo senso comum, retratou uma outra parcela de gênero considerada inferior à sua. Ela só não poderia imaginar de onde também viriam as críticas. Outros artistas, grafiteiros, masculinos e femininos, criticaram seu trabalho. Os LGBTs também questionaram a legitimidade da arte, já que a Patricia Rizka não se posiciona quanto a sua sexualidade, mas te pergunto caro leitor: A sexualidade do artista realmente é importante para legitimar a sua arte como boa ou ruim ? O produto de sua arte e o impacto que ela causa na sociedade seria inferior

pois o artista não retratou sua realidade de vida? Quando foi que nos tornamos críti11 cos de arte ? Ou a meu ver inquisidores artísticos: julgando arte melhor ou arte pior, boa ou degenerada (termo nazifascista utilizado no III reich para inferiorizar a arte judaica). Os estereótipos de gênero, questões de gênero, simplesmente a palavra gênero, causam tanto medo e ojeriza nas pessoas e automaticamente desencadeiam as violências à homens, mulheres e todos as vertentes da homossexualidade. O medo gerado em torno desta palavra tomou proporções gigantesca de ignorância sobre tudo que o envolve, como se alguém pudesse moldar a identidade de gênero de alguém. O maior medo é que alguém ensine seu filho ou crianças consideradas meninos, portanto no 11


senso comum consideradas superiores, a serem gays e efeminados, considerados inferiores à mulher. O medo da palavra gênero em tudo é por medo de um homem se inferiorizar e “querer” ser mulher. O que mais nos espantou sobre as telas e o mural da artista foram os comentários feitos por parte do público LGBT. Somos silenciados, esmagados pela mídia, massacrados pela política e ainda estamos nos agredindo.

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O ser humano é incapaz de viver sem a arte, independente de sua utilidade, seja ela funcional, mista, econômica ou contemplativa. Sempre questionamos a visibilidade da arte das mulheres e como somos anuladas no meio acadêmico artísticos, e

porque repetimos essa violência contra uma mulher ? Muito já li sobre expressões de ordem em diversos tipos de manifestações, pra mim, REVOLUÇÃO É NASCER MULHER E CONTINUAR VIVA! Patrícia Rizka, 32 anos, mãe, cresceu em um ambiente artísticos tímido, aos 16 anos entrou em um curso de desenho e foi conquistada pelo grafite. Seus trabalhos apresentam-se em paineis coletivos e solos, atualmente desenvolve oficinas de desenho e grafite pelo projeto Hip Hop Neon (segunda edição do Fomento à Periferia da cidade de São Paulo) e administra um sebo online. INSTAGRAM - Rizka (@ari2ka


ninguĂŠm merece Texto e Arte por Simone Almeida

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São falas comuns vindas de alguns homens que desconhecem nossa realidade, e também de mulheres (continuo pasma): “Vocês agüentam a menstruação, então agüentam qualquer coisa”, ”Vocês sangram e não morrem”. São comentários reproduzidos à exaustão reforçando o imaginário social de que as mulheres são e que devem ser resistentes quanto à dor física ou psicológica em qualquer momento. Mulheres não são mais resistentes à dor por serem mulheres (no sentido biológico) o que acontece é que no perío do menstrual estão mais sensíveis devido às variações hormonais, o que nã o ocorre nos homens (no sentido biológico). Portanto, mulheres não “Merecem sofrer física ou emocionalmente porque estão habituadas”, e uma amiga até desabafou, ”Deus não é mulher, se fosse não herdaríamos os perrengues da menstruação”, se referido aos incômodos do período, e ressalto que cada corpo é um universo. Há uma parcela de mulheres que “sangram” mentalmente, e por vezes, de maneira inconsciente e em silêncio sofrem com essas falas constantes: “ Isso é coisa da sua cabeça”, “Deixa de frescura porque só foi uma brincadeira“, “Você tá doida ,nem sei do que tá falando”. Pois é, as mulheres são a maioria das vítimas da prática do abuso emocional conhecido como GASLIGHTING, o termo originou-se do filme Gaslight (1944) ,onde um marido de início gentil torna-se frio e manipulador ao tentar levar a sua esposa à insanidade para apoderar-se de sua fortuna e como forma de simular essa loucura ele utiliza as luzes à gás da residência. Essa prática abusiva psicológica pode vir de parentes próximos, conhecidos do ambiente de trabalho, namorado(a). Uma pessoa manipula a outra de maneira constante fazendo-a acreditar que está equivocada quando na realidade não está. Há vítimas que chegam a justificar o comportamento do abusador ou abusadora para si e para os outros. A intenção de quem pratica o GASLIGHTING é favorecer-se de algum modo à custa do desrespeito ao outro, são pessoas inseguras que querem engrandecer-se diminuindo o outro. Para existir uma rede de apoio é fundamental que a vítima não se isole e converse com amigos, professores e familiares CONFIÁVEIS, pois alguns não querem ajudar querem fofocar. Felizmente ,também há auxílio na Lei 11340 , de 7 de Agosto de 2006 publicada no Diário Oficial da União , Seção 1 ,de 8 de agosto de 2006 , p. 1. Artigos 2º e 3 º da Lei Maria da Penha Art. 2 Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana,

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sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social. Art. 3. Serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos à vida, à segurança, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. Em tempo, atenção para os termos machistas nas relações que podem passar despercebidos. Manterrupting: termo junção das palavras em inglês man (man) e interrupting (interrupção) quando o homem interrompe a fala da mulher não permitindo que ela conclua a ideia. Vale lembrar Manuela D’Ávila no programa Roda Viva em 25/06/2018 onde ela fora interrompida várias vezes e pergunta , “Eu queria retomar à palavra como entrevistada se permitirem , pode ser ?” . Mansplaining: termo junção das palavras em inglês man (homem) e explain (explicar) quando o homem explica algo óbvio para a mulher, essa atitude é desmerecer o conhecimento da mulher. Bropriating: junção gíria em inglês bro (brother) de “cara” e appropriating (apropriação) geralmente, ocorre em reuniões de trabalho e é quando o homem apropria-se da idéia já apresentada por uma mulher, temos aqui o preconceito de gênero. Em tempos de ódio é difícil saber quem realmente se importa contigo, mas verdadeiras companheiras e companheiros de caminhada aliados às leis vigentes podem ser uma das maneiras de interromper e prevenir “sangue” psicológico ou não. Ainda há tempo.

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A CaPa

Para conferir o ensaio completo das meninas acessem o Facebook: Revista Alternativa L.

No dia 30 de junho a equipe da Revista Alternativa-L contou com o apoio de diversas empresas e profissionais para a produção das capas desta edição. Agradecemos imensamente a disposição e comprometimento das modelos das equipes envolvidas: cabeleireiras, maquiadoras e aos profissionais do CCLGBT Laura Vermont – unidade de São Miguel Paulista zona leste, pela hospitalidade e envolvimento nesta aventura fotográfica.

Stefany Gabrielly Pereira Nicole Domingos Oliveira

Foto: Equipe Alternativa L

Foto: Equipe Alternativa L

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Kelly Salvador

Foto: Equipe Alternativa L

Bianca Conceição da Silva Foto: Equipe Alternativa L


Luiz Fernando Uchoa, Tato Oliveira Alternativa L. Foto Simone Almeida

Allan Bastos e Tato Oliveira Foto Simone Almeida

Samara Bernarda, Aparecida Valdirene, Maria Cristina, Nadila Bezerra, Jaine Victor e Barbara Ramos. Equipe LA Femme | Contato - (11) 2037-8353 Foto Simone Almeida

Scarlet de Pรกdua

Foto Equipe Alternativa L

Luana Conrado e Giselle Pestana do Lu Conrado Beauty. contatos 11.95481-5379. Foto Simone Almeida

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violências na escola Por Sheila Costa

O ponto de partida para esta matéria foi uma observação em sala de aula, quando percebi que a maioria dos meus alunos LGBTIQ, que chegaram ao ensino médio não liam nem os livros solicitados para vestibular, sob a alegação de não gostarem de ler. Preparei um “Kit Gay” com livros de literatura LGBT (da editora Malagueta e Editora Metanoia) e apresentei a algumas alunas e alunos, de imediato a repulsa pelo livro foi enorme, insisti para que lessem até a página três e se não gostassem poderiam me devolver. Observei-os lendo e o sorriso abrindo enquanto viam naquelas páginas personagens que pareciam-se com eles. A maior recompensa foi ver o contrabando de livros nos corredores da escola. Eles liam e socializavam os livros e as histórias. Foi a primeira vez que não me devolveram livros emprestados e eu fiquei extremamente feliz, ora ou outra um me avisa do paradeiro de algum título. As observações partiram para o ensino fundamental e percebi que os LGBTs diminuíam a cada ano e principalmente quando saiam do fundamental para o médio e me assustei quando vi apenas uma meia duzia na formatura do ensino médio. Procurei por dados estatisticos e encontrei diversos estudos que comprovavam as minhas observações. A Lgbtfobia contribui e muito para a evasão escolar dos jovens LGBTs do espaço escolar, as violências contribuem para que eles desenvolvam uma total aversão ao estudo e esse ambiente hostil. 20


O primeiro ambiente que deveria acolher os jovens LGBTs seria o lar e depois a escola. A familia nem sempre acolhe e a próxima esperança dos jovens também é cheia de falhas. O ambinete escolar pode ser extremamente cruel com os lgbts, discriminação, bullying, indiferenças por parte do corpo gestor, diminuição das suas dores aos olhos dos adultos e silenciamento perante as maldades que esses jovens sofrem. As violências homofóbicas, lesbifóbicas ou transfóbicas atingem estudantes que são declaradamente assumidos ou àqueles que aparentem ser lgbt, de acordo com estereótipos de gênero, e essa violência é reforçada pela invisibilidade dessa parcela, e a certeza da impunidade aos agressores reforçam essas violências. As diversas expressões de gênero que fujam à heteronormatividade também são alvo de violências físicas, verbais ou psicológicas. A escola apresenta inúmeros locais para a prática dessas violências (sala de aula vazias, banheiros, pátio, número inferior ao necessário de funcionários, que comprometem o andamento das atividades escolares) e que nem sempre são longe da presença de um adulto. Em entrevista com 589 LGBTs de idade entre 18 a 70 anos (enquete realizada on line e presencial entre maio e agosto de 2018) e profissionais da área da educação em São Paulo, capital, chegamos a números alarmantes:

3%

concluem o ensino médio

10%

chegam ao ensino médio

90%

dos transsexuais não concluem o ensino fundamental na idade apropriada

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Após coletar estes dados entrevistamos mais 22 mulheres e homens trans, que participam do programa Transcidadania da prefeitura municipal de São Paulo (implantado em 2015) na unidade da zona leste Laura Vermont. A pergunta principal foi: Você sofreu discriminação pelos seus colegas de escola na infância ?

25%

não sofreram discriminação

75%

sofreram discriminação

Entre os que iniciaram o processo de transição durante a vida escolar regular: “Comigo não mexiam, não, pois eu sempre fui brava e ninguém se metia comigo! Já partia pra porrada.” Nicole Domingos Voce sofreu Discriminação pela gestão/coordenação escolar ?

20%

não sofreram discriminação

(não passaram pela transição na vida escolar regular, pois pararam de estudar quando iniciaram o processo).

80%

Sofreram algum tipo de discriminação

As discriminações relatadas foram de diversas formas, desde uma reclamação de agressão física de um colega e a coordenação não fazer nada e ainda mandar o aluno de volta para a sala sem tomar providencias com o agressor a casos de professores que expuseram os LGBTs para a turma salientando e inferiorizando sua orientação sexual aos demais colegas de 22


classe. Na vida adulta quando retornaram aos estudos, com apoio do programa Transcidadania, a maior resistências dos docentes foi quanto a utilizarem o nome social dos alunos e alunas em sala. Mesmo com o decreto 8727/16 alguns profissionais recusam-se a tratar os discentes pelo gênero que se identificam.

A leitura A leitura é encarada pela maioria como algo necessário e lêem somente o básico, para alguns a leitura representa uma volta ao ambiente escolar cheio de discriminação, bullying dos colegas de classe, dos professores e grupo gestor. Armando, homem trans, 26 anos era excluído das atividades escolares, pela professora na terceira série primária. Ele ficou 3 anos afastado da escola e seu primeiro retorno aos 12 anos foi bem dificil, devido ao histórico de vida escolar recheado de discriminações por parte da professora e ele não conseguia tirar dúvidas das atividades, por medo de sofrer represárias e mais uma vez abandonou os estudos.

“

Eu não gosto muito de ler, preciso treinar a leitura e sempre que possível eu leio os textos na escola (cursa o 9ºano com apoio do programa transcidadania) pois sei que será útil na vida profissional, já passei por dificuldades em uma entrevista de empregos, por não conseguir ler em público.” - Armando

“

Saí da escola na sétima série, sem apoio da familia para continuar os estudos e por começar a trabalhar na noite. A maior violência que sofri foi por ser negra e após a transição alguns professores não respeitavam meu nome social na lista. Após algumas conversas com a direção escolar a violência foi resolvida. – Andreia

“

Apesar das pessoas me verem diferente não em tratavam com discriminação. Na sexta série quando assumi minha sexualidade e iniciei o processo de transição fui expulsa de casa, entrei para o mundo da prostituição e a escola não fazia mais parte do meu novo universo” – Marinara Azevedo, 40 anos voltou a estudar com o programa Transcidadania.

“

Na escola a maior violência que sofri foi a não utilização do meu nome social. (na adolescência a professora anunciou para a sala toda que eu era gay, antes mesmo de eu saber a minha sexualidade”. - Paula Soares 23


“

Em 2011, ainda no ensino médio, eu e um ex namorado sofremos homofobia dentro da escola. Um grupo de garotos sentiu-se ofendido e altamente incomodados por nos cumprimentarmos e nos despedir com um selinho no horário de entrada e volta do intervalo, como todos os casais heterossexuais da unidade escolar. Esse grupo foi até a gestão e avisou à direção se caso não parássemos eles iriam nos bater. A direção tomou providências: chamou nossos responsáveis e comunicou-lhes da “nossa promiscuidade” e que para manter a nossa integridade física deveríamos não dar motivos para a violência. Ainda não contentes com a fala me fez assinar um documento interno onde me comprometia em não incitar o grupo à violência. Roberto S. - Homem cis gay

Transcrição do texto da advertência: Nesta data compareceu a U.E a mãe do aluno a fim de esclarecer uma conversa entre o aluno e o diretor da U.E, após um diálogo concordou-se que todo o mal-entendido fora resolvido. O aluno se compromete a cuidar de suas atitudes a fim de evitar qualquer tipo de confronto. (01/07/2011)

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voce sabia ? A musica alivia a ansiedade e ajuda a curar nossas dores emocionais


As lanternas vermelhas Por Larissa

Arte Cris Kumayama - @Ckumay

“Escolhendo as minhas botas Percebo as minhas indecisões Lá vai mais uma vez Eu coloco as meias nos pés Elas são tão velhas quanto as minhas certezas e estão tão pretas Que não vejo mais tão claramente Eu nem mesmo me enxergo Já quebrei todos os espelhos da minha casa O sangue ainda permanece neles,e os cacos de vidro ainda penetram meus dedos Eu não tenho mais certeza do barulho que escuto ao fundo A poeira cinza ainda cega meus olhos Tudo que eu consigo ver são as lanternas vermelhas no meu jardim Presas naquela árvore morta Ilustrando a vida de “felicidade” Mas continuo presa enquanto coloco minhas botas pretas e agarro meu cachecol azul, seguro minhas lágrimas de algodão doce e Saio pela porta” 26


As Reflexões de um sujeito t r a n s g a y Por Luiz Fernando Prado Uchoa Arte Ananda Feliciano

Ser homem trans é ter de superar cotidianamente obstáculos para a construção de uma identidade masculina por meio de vestimentas que muitas vezes não são idealizadas para aquele corpo em construção, acostumar-se em inconvenientes como menstruação no início da transição, criação de um prenome, desenvolvimento de um novo círculo de amizades, o enfraquecimento de laços familiares ou relacionamento amoroso. A nova narrativa se desenvolve sem nenhum tipo de apoio social e pelo fato de ter sido resignado como alguém pertencente ao gênero feminino, devido a uma genitália; e essa jornada é solitária e árdua, já que inexiste serviços de apoio psicossocial em muitas regiões do país. Antes de revelar a minha real identidade de gênero, tinha uma dita vivência lésbica como tentativa de expressar minha latente masculinidade e, por esta razão, me relacionava com mulheres até o início de minha transição por ainda não conseguir distinguir conceitual28


mente a diferença entre identidade de gênero e orientação sexual. Nunca imaginei ser um homem trans gay por ter tido várias relações com mulheres antes e durante minha transição. Só com o passar do tempo o desejo por homens se intensificou e fui saciá-lo frequentando ambientes propícios mas enfrentei dificuldades para ser respeitado em minha construção identitária e, por esta razão, minhas investidas amorosas ou sexuais foram complicadas em virtude da transfobia existente no meio gay. Constantemente escuto de homossexuais que se fosse para me relacionar sexualmente ou afetivamente como o gênero masculino, “Por que não ficou do jeito que estava”, “sou gay e não sou obrigado a me relacionar com uma lésbica masculinizada” ou ainda pior “homem de buceta, que nojo”, “Você nunca será um homem de verdade”. Um sentimento de solidão compulsória me acompanha por reivindicar uma masculinidade distinta da norma e isso me faz pensar que terei de atender a determinados padrões estéticos ou

sociais esperados pelo cis gays ou em algum ponto, serei obrigado a conformar em ser uma espécie de fetiche para homens que buscam vivenciar fantasias sexuais com uma pessoa detentora de caracteres masculinos e com uma genital lida como feminina. Todo gay costuma paquerar em festas, aplicativos, bares ou saunas e obtém sucesso em sua empreitada. Mas para mim nestes ambientes, em que o pênis reina como uma figura soberana, um homem trans como eu possuidor somente de próteses artificiais ou de uma vagina nunca chances de ser considerado um bom partido por aqueles que crentes na masculinidade contida neste órgão e, com isso, o abandono é a única saída. Na maior parte do tempo, imagino como seria viver uma história romântica sem ter de explicar a um homem minha transição de gênero, militância e ativismo LGBTI+ e que a relação sexual fosse como qualquer outra, sem grandes ensaios e diálogos acerca de especificidades corpóreas e, com isso, o interesse sexual-amoroso ou amoroso-sexual fosse pautado em minha personalidade ou aparência. O amor ou relação casual entre um homem trans gay e cis 29


gay torna-se inviável em uma sociedade homossexual falocêntrica que galga a homossexualidade legitima neste órgão essencial na relação entre machos e também nas características másculas no jogo sexual homoerótico tóxico no qual deverá existir as figuras ativa e passiva e, nesta configuração, será determinado qual papel terá de ser exercido por cada qual baseado ou na genitália ou maneirismo. Por mais conquistas significativas que o segmento de travestis e transexuais tenham alcançado como, por exemplo, a decisão recente do Supremo Tribunal Federal que garante a retificação de prenome e de gênero sem necessidade de se recorrer ao judiciário, a obrigatoriedade da cirurgia de resignação sexual e de laudos médicos, ou seja, o procedimento torna-se administrativo de responsabilidade dos cartórios de registro civil, a retirada da transexualidade no dia(18) de junho da classificação de transtorno mental na Organização Mundial da Saúde(OMS). Porém, esta última conquista não deve ser celebrada de forma tão fervorosa assim pelo fato da OMS ainda atrelar a transexualidade como 30

patologia por especialistas da instituição sustentarem que essa manutenção tem como objetivo de incentivar a oferta de políticas públicas de saúde para esta população. Há um lado perverso desta recente conquista por ainda manter as identidades travesti e trans catalogadas como uma condição patológica e, por esta razão, estes indivíduos não são considerados(as) cidadãos de direito e o acesso a hormonioterapia e cirurgias só é possível mediante ao aval de profissionais de saúde em sua maioria composta por cisgêneros que entendem a identidade travesti ou trans com prerrogativas biologizantes e geneticistas sendo na verdade, uma condição identitária pertencente ao sujeito no campo político-social. Contudo, esta patologização só favorece para a transfobia existente em relação a esta forma distinta de masculinidade existente e os homens trans percorrem caminhos tortuosos cheios de dores, sofrimentos por simplesmente reivindicarem sua identidade em meio a uma sociedade cisheteronormativa que lhes esmaga promovendo modelos tóxicos de hombridade em que o corpo viril,


pênis, barba, heterossexualidade e determinados maneirismos sejam requisitos validadores da perfeita estereotipação máscula. Diante desta lógica cisheteronormativa permeada pelo machismo, pela misoginia e transfobia nem consigo vislumbrar a possibilidade de namorar um cis gay ou até outro homem trans já que este fragilizado na construção de sua identidade, muitas vezes esconde sua homossexualidade, bissexualidade ou pansexualidade por receio de ser rechaçado no meio LGBT ou até cis hétero.

As grandes lições aprendidas nesta jornada em busca de minha verdadeira identidade: é que ser feliz é viver em um estado de constante superação. E se o outro incompreende a sua essência jamais busque por algo que ele é incapaz de lhe dar seja mais você seguindo a sua estrada sem tipo de arrependimento.

Enquanto a mudança de paradigma não ocorre busco auxiliar outros homens trans a superarem suas angústias com relação a transição de gênero em grupos de Whatsapp, facebook e grupos presenciais, redijindo textos, ministrando palestras em escolas, universidades e em serviços diversos objetivando que as pessoas conheçam estas narrativas transmasculinas e assim compreendam que existem diversas formas de ser HOMEM para a inserção social do segmento ser concretizada e o estigma se romper possibilitando a construção de uma sociedade mais receptiva a DIVERSIDADE. 31


HeteronormaDiva Por Fellipe Cavalcante Arte Arquivo Pessoal

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Quem nunca ouviu a famosa frase “Nossa você é um desperdício” ou até “Mas vc não tem jeito”, “o legal é que você é discreto”. Então agora te faço outro questionamento. Quando você, heteronormativo (Gay, dentro dos padrões héteros) se depara com tais frases, as considera como elogio, logo agradecendo o fato de ter agradado ao senso estético e moral de alguém, ou se incomoda com a mesma, repreendendo-a com uma reafirmação de sua sexualidade ? Eu por exemplo, muitas vezes já agradeci o fato de não “parecer gay”com um sorriso no rosto e um alívio no peito, afinal, naquele momento eu não precisaria me defender, e ao mesmo tempo teria um aliado na causa gay junto a mim. Depois de algumas vivências descobri que o problema estava exatamente aí, o mesmo indivíduo que te trás para o grupo por te aceitar pela descrição de 32


sua sexualidade, é quem vai te repreender quando você sentir vontade de demonstrar seu afeto ao seu parceiro ou parceira em público, é a mesma pessoa que vai pedir para que você seja o que “quiser” ser dentro de quatro paredes, é a pessoa que aceita que existam casais gays, ou lésbicos, desde que exista a figura masculina e a feminina mesmo dentro do relacionamento homoafetivo, pq afinal, “duas meninas tão lindas e femininas se beijando é um disperdício”

Cuidado heteronormativo, você está se relacionando com homofobicos! A sociedade quer moldar a nossa sexualidade, nossos trejeitos, vocabulário, vestimenta, ao que eles consideram aceitável, e você, sendo gay, se não começar a reorientar o meio em que vive, ou seja, dizer um “ Não, não sou um disperdício, tem muito hétero legal é bonito por aí, e além do mais, sou muito bem aproveitado pelo meu namorado (a)” acaba reforçando e empoderando quem já é maioria. Então eu lhe peço, empodere-se heteronormativo. Tire os padrões da sociedade sobre você.

Tá de boné? Vira ele pra trás e beija seu namorado. Não manja das gírias gays? Diga “eu te amo mano” Assim a gente intimida a homofobia! Já reparou que hoje ser homofóbico é feio? Quantos mais homofóbicos batendo no peito e dizendo que não suporta gays você ouve hoje em dia? Menos que antes eu suponho, e sabe porque ? Por que hoje o empoderamento gay cresceu, mas quem é a linha de frente dessa luta, o advogado heteronormativo que apresenta o namorado como amigo na primeira vez, ou a bicha, travesti, drag queen que dá a cara a tapa diariamente? Desculpe leitor bombardea-lo com tantas questões, é que sou um garoto gay, de boné, bermudão e camiseta, tatuado e que não tira o “mano” e o “velho” da boca, que fui espancado em um banheiro público de um terminal há alguns meses atrás por ser gay, não “mona” para as gay, mas “bixa” para aqueles que diziam que aquele não era um lugar pra viado, e que iriam me matar. Foi nesse dia que o meu agradecimento ao homofóbico, lhe serviu como arma, e naquele momento, não havia nenhum padrão que os fizessem parar. 33


Quando saí dalí, e me deparei com comentários como “mas logo você”, “como eles descobriram ?”, “mas você nem aparenta ser”. Foi ai que eu vi, eu sou Gay acima de tudo; eu sou homem que beija homem, acima de tudo; Eu sou minoria, acima da heteronormatividade, e não sou impune a homofobia, eu t a m b é m l u t a re i c o m e l a diariamente se quiser que respeitem o coração que bate, o amor que vive, e não o meu trejeito ou a minha vestimenta.

Fellipe cavalcante 23 anos Vítima de homofobia HeteronormaDIVA 34


Sarjeta suja de sangue manchada chuva não lava não tira as marcas. Lágrimas dos olhos amigos amados lágrimas do puro amor amizade quem sabe a lavar apagar a violência, apagar o direito de alguns sobre a vida 36

Sarjeta Manchada

Por Marcela Hebeler Arte Ananda Feliciano


de outros. Sarjeta manchada lavada por lágrimas quem sabe a mancha desapareça a violência acabe e o respeito a vida de todos seja prioridade nunca violada manchada de sangue.

Marcela Hebeler Barbosa

Poeta, contista e professora de História. Participa de um site de poesias na internet, possui várias publicações impressas, como também em e-books pela Amazon. 37


Homossexualidade Pombogiras

&

Por Cleber Quichimbí Arte Ananda Feliciano

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Hoje vou falar de um dos temas mais revestidos de preconceito dentro da Umbanda: homens pombogiras em médium masculino. Muito já foi dito que não passa de um mito que uma pombogira teria poder de transformar a orientação sexual de um médium, fazendo-o se “transformar” em homossexual. Nesse ponto imagino que exista muita gente falando e concordando que uma coisa não tem a ver com a outra. No entanto hoje quero falar sobre um tema que ninguém quer falar. E quando o médium se desenvolve com pombogira e deixa de se relacionar com mulheres ? Muitos casos assim acontecem nos terreiros e são ignorados por puro desconhecimento. Cada caso é um caso, e vou tratar de um deles. É o caso do médium que já tem orientação homossexual reprimida. A energia de pombogira, longe de ser energia de safadeza ou de libertinagem, é

intimamente ligada à expressão do sexo, da liberdade de ser quem se é e de trazer à tona a força do que se carrega por dentro.

Essa força estudada por Freud é a libido, longe de ser apenas sexual, ela está em tudo que nos dá prazer: num trabalho bem feito, numa comida deliciosa, na vontade de exercitar o corpo para saúde, na busca por tudo que traz prazer ao homem, inclusive o sexo. No entanto essa mesma força é repreendida, represada com toda repressão possível por mecanismos de autossabotagem internos. E é justamente aí que entra a força de pombogira. Para quebrar laços de autossabotagem e repressão internos que nos fazem sofrer, e assim que essa força se expressa de uma forma libertadora, todas as estruturas do médium são alteradas. E aí aquele médium que carrega consigo a orientação homossexual de maneira reprimida (muitas vezes inconscientemente) se vê frente a uma força capaz de quebrar seus anos de autorrepressão.


E aquilo que estava dormente, mas presente, começa a brotar. Mas não pense que pombogira arrebenta portas com pontapés! Trabalho de mulher é delicado e eficaz. Solta devagarinho as amarras, quebra devagar os medos sem machucar. Então vemos o médium cada vez mais inclinado a expressar o que sempre trouxe dentro de si para essa encarnação, florescendo algo que já era de si mesmo, e que teria de aparecer mais cedo ou mais tarde na encarnação, como dor e repressão ou como força e empoderamento. Nem preciso dizer qual destes caminhos a pombogira vai preferir que seu médium tome não é? Eu poderia falar sobre médiuns que simplesmente se escondem de quem são e colocam na pombogira a “culpa” de seu comportamento homossexual para não ter que responder por seus atos. Não é difícil reconhecer quando estamos de frente a um caso desses. É só ver qual o conteúdo do que faz o médium e como se porta. Quem quer usar um guia de desculpa de seus atos sempre tem atitudes de baixo teor, com manifestações chulas, que só servem para escandalizar quem assiste, sem nenhum compromisso com a libertação do médium de amarras e medos internos que o impedem de ser feliz como é.

Cleber Quichimbí 38 anos Filho de Oxum.

Idealista e emotivo, ainda acha que é o amor que move o mundo. Metódico, estudioso e alguém pra quem todas as coisas merecem ser montadas e desmontadas até entender como funcionam.

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Primeira Poemasia Por Thábata Letícia e Lua Lucas Arte Ananda Feliciano

Queria um doce To manhosa hoje Queria um docinho Bem gostosinho Adocicada poesia Dos lábios negros Ainda não tocados E poder voar Até à Lua chegar E quando lá tiver Poder beijar essa mulher Você já viu a lua hoje? Pois quando vi, estremeci

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Palavras escritas Não verbalizadas Escondidas em espelhos Virtuais Desejos reais Outros astros Outras histórias


Uma taba de manhã cai muito bem Pra ficar pensando melhor E veja só, o pensamento Também voa lá no Tempo E de repente tá na lua De novo, e de novo, e de novo Menina, mas que cabeça de vento! O fogo fica maior com o tempo Vento E só aumenta Uma doida Uma menos Uma trava Uma larva Outra vento Uma delas é preta A outra é um espaço tempo real Perdida nas confusões de afetos E vivendo o presente A outra é linda Uma mais linda que a outra Só não sei como não vê O que sei é que o meu querer Só aumenta. Se tem vento, falta tempo Se tem astro, quero rastro Porque ela Feito furacão Chegou 41


E tumultuou tudo Da outra que cartesianamente a olhava Mas que agora só espera A chegada da hora Em que será tomada Pelo furacão, pela lua, pelo fogo Atração... Rotação O fogo queima Desejo vira medo O fogo apaga também O fogo machuca E aquece Na dose certa ele faz bem E eu também Não provei a taba Não beijei a moça Talvez esse fogo aí tá fraco Não vai entrar em atração Ebulição Desejo A panela nem entrou em pressão ainda Pelo menos resta a poesia O rastro da mina O desejo incerto De menina Talvez, o talvez não devesse fazer parte A poesia sim As conversas mesmo que desencontradas E também o olho no olho 42


Globo no globo Onde a troca possa acontecer enfim E quem sabe A lua não se aproxima mais de mim? Já quero ter sabado Acabado com essa história de mimimi Esse guerigueri de se aproximar de mim De me beijar Eu sempre quis Agora eu já queria terminar a poesia Queria um chocolate e sua companhia!

Esse poema foi escrito por duas mãos, cabeças, espíritos. Esperames que vocês gostem. Thábata Letícia Preta e Les Lua Lucas Travesty e Les. 43


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