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Abril–Maio–Junho 2016 (Trimestral) — 3€ (IVA incluído)

ANO XXVII Nº 96

proteínas DESAFIOS E ALTERNATIVAS

Revista da Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais – IACA


PARCERIAS QUE ALIMENTAM VALOR ALIMENTOS COMPOSTOS PARA AVICULTURA E PECUÁRIA

SOLUÇÕES À MEDIDA E ASSISTÊNCIA

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ALIMEN TAÇÃO ANIMAL

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL EDITORIAL

PARCERIAS COMO GARANTIA DA SUSTENTABILIDADE DO SECTOR Em finais de 2013 escrevi um editorial para a Revista Alimentação Animal nº 86, cujo tema era “A Qualidade no Sector dos Alimentos Compostos para Animais”, que terminava com um apelo à adesão ao projecto pela Indústria, em conjunto com os nossos fornecedores e as autoridades. Passaram cerca de 2 anos até que o projecto se tivesse tornado uma realidade, mas verificamos que acabou por não arrancar como previsto inicialmente, num acordo tripartido, e neste momento existe um conflito jurídico a dirimir entre a ACICO e a IACA. Acresce que para além dos exigentes desafios com que nos temos confrontado, vivemos no último ano uma grande crise que se iniciou no sector da suinicultura, abrangendo posteriormente o sector do leite e neste momento, também já inclui os ovos. Tudo isto, com uma conflitualidade permanente no Porto de Lisboa durante vários meses, que culminou numa greve dos estivadores, com graves consequências para o Sector e para o País. Obviamente

José Romão Braz Diretor-Executivo da IACA

que estas crises se repercutem directamente no sector da alimentação animal que sente uma diminuição da produção e perspectivas desanimadoras quanto ao futuro. Apesar do quadro negro, dos desafios permanentes e das crises persistentes, a capacidade de superação e a resiliência que o nosso sector tem demonstrado, deixam-nos um sentimento de orgulho, por um lado, e de esperança no futuro, por outro. Senão vejamos, num cenário de grandes dificuldades, a volatilidade das matérias-primas parece ter regressado depois de uma relativa acalmia por um período de 1 a 2 anos, após grandes colheitas em ambos os hemisférios, o “Brexit” tornou-se uma realidade, quando ninguém realmente acreditava que fosse possível, e o eurocepticismo parece alastrar-se por toda a Europa. Mesmo neste

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EDITORIAL TEMA DE CAPA

cenário a UE bateu o record de exportações de carne de porco nos primeiros meses de 2016, situação que permitiu a inversão dos baixos preços no porco e, de um momento para o outro, respira-se de alívio. Nos Açores onde a produção leiteira é a actividade económica mais importante, vimos surgir o projecto “Vacas Felizes” e “Leite de Pastagem”, que promove e realça os elementos diferenciadores e de sustentabilidade que o sector leiteiro tem nos Açores, procurando, assim, um maior valor acrescentado no mercado. Verificamos que, durante a crise da suinicultura, projectos diferenciadores conseguiram ultrapassar e resistir de uma forma muito mais capaz. Se reflectirmos, apesar das dificuldades, há sempre sinais positivos e empresas, organizações e Países que conseguem dar a volta e manter as suas actividades económicas, assentes em políticas e práticas que garantem a sustentabilidade

PROTEÍNAS

económico-financeira. Procurando denominadores comuns aos vários projectos de sucesso, penso ser possível identificar algumas características comuns: grande exigência da definição dos objectivos e

OPINIÃO INVESTIGAÇÃO SFPM

tolerância zero para o incumprimento dos requisitos de qualidade; parcerias dentro da Fileira, ou seja, abrangem sempre 2 ou 3 parceiros na cadeia de valor (por exemplo, no caso do Leite Vacas Felizes, fabricante de rações, produtores de leite e indústria de lacticínios); valorização adicional do produto produzido (verifica-se no caso da carne de porco e do leite – neste caso, mais 10%); grande sentido de interdependência entre todos; apostas numa parceria a médio-longo prazo (este ponto é fundamental para garantir que nos momentos de crise não é tudo posto em causa e as empresas ultrapassam as dificuldades). Enfim, poderia continuar a enumerar características comuns, mas o importante é a mensagem de parceria

NOTÍCIAS NOTÍCIAS DAS EMPRESAS AGENDA

e de tentar trabalhar para um horizonte de médio-longo prazo, fugindo ao imediatismo e repentismo que hoje vivemos e que coloca em causa a sustentabilidade de muitos negócios. Para terminar gostaria de apelar ao sentido de responsabilidade de todos os parceiros do sector da alimentação animal, que, como sabemos, começa nas matérias-primas e termina na grande distribuição, passando pelo fabrico de rações, produção agropecuária e indústria transformadora. Os bons exemplos já são uma realidade mas, no curto prazo, temos que continuar esse caminho, empregando as nossas energias no combate a visões individualistas e incompatibilidades, e construindo parcerias que garantam o sucesso de todos os intervenientes da Fileira da Alimentação Animal. A LI ME N TAÇÃO A N I M A L

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL TEMA DE CAPA

PROTEINAS: DESAFIOS E ALTERNATIVAS Abril–Maio–Junho 2016 (Trimestral) — 3€ (IVA incluído)

ANO XXVII Nº 96

proteínas DESAFIOS E ALTERNATIVAS

Revista da Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais – IACA

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ALIMEN TAÇÃO ANIMAL

Reforçando a cooperação com a FAO, esta edição da “Alimentação Animal” segue a linha da anterior, enquadrada no Ano Internacional das Leguminosas 2016, continuando a reflexão sobre esta importante fonte da alimentação, animal e humana: as proteínas. Uma reflexão que tem vindo a realizar-se um pouco por todo o mundo, quer a um nível mais técnico ou político, à luz dos condicionantes e desafios que temos hoje neste mercado global em que vivemos e que é irreversível. Uma população que cresce e continuará a crescer nos próximos anos, provavelmente a um menor ritmo que o previsto, sobretudo em regiões difíceis, e que tende a ser mais urbana, uma classe média mais preocupada, exigente e sensível às questões ambientais, de segurança alimentar, de nutrição e de sustentabilidade, para um conjunto de preocupações e de sistemas de produção cada vez mais “escrutinados” pelas ONG e opinião pública, amplificadas pelos media e pelos incontornáveis blogues e redes sociais. Se o crescimento da população mundial, com maior rendimento, e potencial consumidora de mais produtos de origem animal é uma realidade indesmentível, também o são os conceitos de que é necessário produzir e consumir de forma sustentável, de gerir melhor e com mais eficiência os recursos disponíveis, sobretudo a água e o solo, as preocupações com a economia circular, o combate ao desperdício e á desflorestação, a pegada de carbono ou as alterações climáticas. O “network”, as trocas comerciais, a mobilidade global – em negócios ou turismo – e a afirmação de organizações supranacionais (FAO, OMC, ONS, Codex Alimentarius…) tornaram o global em local, existindo uma tendência de harmonização de conceitos e de preocupações, e é bom que assim seja, para acabar com as barreiras “técnicas” ao comércio e distorções de concorrência, ligadas a visões fundamentalistas e tabus, como é o caso dos OGM, em que a vertente científica tem perdido terreno em favor das emoções, da ignorância e do medo. Preocupada com estas questões, a IACA promoveu uma Reunião Geral da Indústria em 14 de abril, subordinada ao tema dos Desafios, Oportunidades e Alternativas das Fontes de Proteína, tema central da Revista “AA”, com reflexões sobre a soja, alternativas, quer ao nível das proteaginosas, eventualmente produzidas em Portugal, e adaptadas às nossas condições de solo e de clima, quer de farinhas de insetos, farinhas de origem animal, ainda proibidas na alimentação de aves e suínos, ou a produção de bagaços a partir do biodiesel. Num País fortemente dependente de matérias-primas para a alimentação animal, sobretudo de proteínas, e numa Europa em que o deficit se situa na ordem dos 70%, em que a competitividade da nossa Indústria e, consequentemente, da produção animal, está intrinsecamente ligada às condições de apro-

visionamento, é da maior importância analisarmos igualmente a dependência da soja e as características dos nossos fornecedores, concentrados em 3 Países, Brasil, Estados Unidos e Argentina, sendo certo que é a China o grande influenciador do mercado que já teve na União Europeia o seu principal “player” mas que, na conjuntura atual, apesar de muito importante, perde clara expressão. E se tivermos em linha de conta que a China poderá importar, no curto prazo, 100 milhões de tons de soja, ainda é mais relevante encontrarmos alternativas, seja a nível europeu (Itália, Roménia, Danúbio) com a soja, ou outras fontes de proteína, naturalmente com o apoio da inovação, investigação e um conjunto de políticas públicas que lhe estejam associadas. A situação atual é geradora de vulnerabilidades e a Europa precisa, mais do que nunca, de previsibilidade e de estabilidade nas suas fontes e condições de aprovisionamento. No entanto, a edição da Revista não se esgota nas proteínas, abordando outros temas como a Investigação, a presença da IACA na Feira do Porco ou a criação do Clube Português dos Cereais Forrageiros de Qualidade, um Projeto que se destina a valorizar a produção de cereais, com o objetivo de produzir qualidade e incorporar produtos nacionais, acrescentando valor. A Feira do Porco, num contexto de crise profunda, seguramente sem precedentes no historial do Setor, mostrou não só uma grande resiliência, mas um enorme empenho e esforço da parte de todos os intervenientes, num ambiente de grande dignidade e organização que enobrece toda a Fileira. Até aqui se procurou fazer História, pela cumplicidade com as Autoridades Nacionais, para além de ter marcado o inicio de uma inversão da tendência, com os preços a subir desde a Bolsa do Porco de 12 de maio. Infelizmente, a mesma “sorte” não teve o setor do leite, ainda a braços com um excedente de oferta a nível mundial e baixa de preços. No entanto, em ambos os casos, temos problemas estruturais a resolver, com a necessidade de medidas a nível comunitário, a juntar aos apoios já concedidos, quer por Bruxelas, quer a nível nacional. No entanto, há que refletir no pós-crise, ou seja, se não é possível implementar sistemas ou tipos de produção específicos, orientados para determinados consumidores, que sejam mais “imunes” a estas crises de mercado, assumindo que Portugal dificilmente poderá competir com produtos de massa, as chamadas “commodities”? No fundo o que aconteceu? Aparentemente, o facto da Espanha ter conseguido aumentar a exportação para a China, autorizando mais matadouros para o efeito, e a implementação de acordos entre alguns parceiros asiáticos e Estados-membros, do Norte e Leste da Europa, permitiu alavancar as exportações e aliviar os mercados dessa pressão e tendência


baixista. E de repente, quase que por milagre, faltaram porcos no mercado…. É evidente que havia especulação, as medidas nacionais e europeias foram importantes, mas foi o mercado, no essencial, que resolveu um problema ao qual a PAC não consegue dar respostas eficazes. Também aqui há muito a refletir, bem como no facto das exportações europeias de carne de porco já ultrapassarem o período anterior ao embargo russo, batendo sucessivos recordes em matéria de exportação no setor agroalimentar. A União Europeia necessita dos mercados externos para equilibrar a conjuntura a nível interno e sempre que existem desequilíbrios, Portugal e os países da periferia são naturalmente os mais expostos. E assim continuamos até à próxima crise? O Editorial do nosso Diretor Romão Braz permite-nos refletir e ter em conta alguns exemplos concretos de parcerias que podem valer a pena. De resto, temos tido a oportunidade de, nos últimos tempos, estarmos envolvidos num importante projeto da FEFAC sobre a soja sustentável, no Brasil, na China e nos Estados Unidos, em que o objetivo é, com base nas Linhas Diretoras da FEFAC, harmonizar as diferentes certificações de soja sustentável a nível mundial, evitando sobrecustos e pugnar por uma produção de alimentos compostos sustentáveis, ao encontro das exigências dos retalhistas e consumidores. Sem esquecer o problema da soja transgénica, assumindo que a sustentabilidade tem a ver com critérios de produção e de relação com o ambiente e a gestão dos recursos, ou seja, assumindo que a biotecnologia pode contribuir igualmente para uma produção sustentável e responsável. E nessa perspetiva, de modelos de produção, temos constatado que as classes médias dos países emergentes partilham os valores e o modelo de uma produção europeia, o que significa um valor de mercado indesmentível para os produtos europeus. Assim o saibamos valorizar, no quadro dos acordos comerciais…. Temos ainda um destacável (para guardar) editado pela Alltech, sobre a produção mundial de alimentos compostos para animais, que nos dá as tendências e perspetivas da evolução do mercado nas diferentes espécies e regiões do globo: Europa, Ásia, África, América do Norte, América Latina. Se os alimentos para aves são líderes na UE, os suínos lideram a nível mundial, num mercado que cresceu 14% em 5 anos, e que produz 996 milhões de tons. Finalmente, porque não o posso fazer num outro espaço da Revista, uma palavra de agradecimento e de reconhecimento pela distinção que recebi da FEFAC, de Membro Honorário daquela organização europeia e que aqui quero agrade-

cer publicamente. A todos os que me enviaram as felicitações, associados e não associados; aos Presidentes, Dr. Jaime Lança de Morais, Dr. Alberto Campos, Eng.º Pedro Corrêa de Barros, Engª Cristina de Sousa, e respetivas Direções, e ao grande amigo e Secretário-Geral desta enorme Instituição que é a IACA, Comendador Luis Marques, que me encorajaram e estimularam no trabalho a nível internacional, em especial no âmbito da FEFAC, que perceberam que as decisões são cada vez mais exteriores a nós e só estando “por dentro” dos processos os podemos influenciar em nosso favor; um agradecimento à Equipa da IACA, que sempre assegurou o trabalho de “retaguarda”, com o espirito de missão e empenho que a caracteriza; e, não menos importante, aos Presidentes da FEFAC,

Pedro Corrêa de Barros, Patrick Vanden Avenne e Ruud Tijssens, bem como ao Secretariado da FEFAC, que me designaram representante da FEFAC em inúmeros Projetos e dossiers e me apoiaram sempre que necessário, dignificando a Indústria europeia. A todos e à minha Família, o meu Muito Obrigado. Não sei se o prémio é merecido, mas farei questão de honrar a IACA, os seus Associados, dirigentes e colegas e tentarei não defraudar aqueles que me nomearam ou os que simplesmente acreditam no nosso trabalho, em prol de uma Indústria mais competitiva e uma Sociedade que deixe um melhor legado para as futuras gerações. Jaime Piçarra

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL PROTEÍNAS

FONTES DE PROTEÍNAS: DESAFIOS, OPORTUNIDADES E ALTERNATIVAS

Decorreu no passado dia 14 de abril, em Fátima, mais uma Reunião Geral da Indústria, desta vez sob o tema das fontes proteicas para a alimentação animal. A IACA aproveitou o facto de 2016 ser o Ano Internacional das Leguminosas para organizar este evento que contou com a presença de 85 pessoas e teve o patrocínio da USSEC, o apoio da Alltech, da Indukern e da Ajinomoto, assim como a colaboração da FAO, do INIAV, da ENTOGREEN e da APPB, Associação Portuguesa de Biocombustíveis. Este evento teve abertura pela Engª Cristina de Sousa, Presidente da IACA, e do Professor Doutor Nuno Canada, Presidente do INIAV. A sessão da manhã contou com as apresentações do Dr. Helder Muteia, representante da FAO em Portugal, sob o título “Leguminosas: Para uma vida saudável”, que reforçou a importância das leguminosas grão, os benefícios nutricionais do seu consumo, assim como as vantagens agronómicas do seu cultivo. Esclareceu ainda qual o objetivo da FAO quando lançou este Ano Internacional das Leguminosas, isto é realçar a importância destas culturas na alimentação. A apresentação seguinte foi da Engª Isabel Duarte do INIAV, Polo de Elvas (antiga Estação de Melhoramento de Plantas), sob o tema “O melhoramento genético das leguminosas para grão em Portugal”, que deu uma perspetiva do que tem vindo a ser feito por esta Instituição na defesa e melhoramento genético destas culturas, nomeadamente do grão-de-bico, da ervilha, da fava, do chícharo, do tremoço, da faveta e vícia, e como se desenvolvem os programas de melhoramento genético. Algumas destas espécies têm sido melhoradas para a alimentação humana, mas a grande maioria para a alimentação animal. Em representação da USSEC o Engº Jaime Piçarra, em substituição da Lola Herrera, apresentou “As proteínas, presente e futuro: o bagaço de soja nos EUA” em que expressou as diferenças na qualidade da soja produzida nos EUA e noutras regiões do 6 |

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globo e apresentou o Guia e estratégia da FEFAC em relação à soja sustentável, onde se inclui a abordagem da USSEC e o seu Protocolo SSAP (Soybean Sustainability Assurance Protocol). E a encerrar a sessão da manhã, o Engº Jaime Braga, Secretário-Geral da APPB, fez uma apresentação denominada “O impacto da política dos biocombustíveis”, na qual explicou o setor dos biocombustíveis, a sua origem em Portugal, o mercado atual e as perspetivas futuras para este setor no país. A sessão da tarde teve apenas duas apresentações: “Fontes proteicas: Desafios e alternativas” pelo Engº Pedro Folque em representação da IACA, o qual deu uma perspetiva do consumo de matérias-primas, assim como da produção de alimentos compostos pela indústria de alimentos compostos nacional e da União Europeia. Referiu ainda o objetivo Europeu da redução da dependência proteica e quais as alternativas às oleaginosas, desde o aproveitamento de desperdícios de outras indústrias para a alimentação animal (economia circular) até à utilização das designadas fontes proteicas alternativas, tais como as algas, os insetos ou as leveduras. A encerrar a sessão da tarde, o Professor Doutor Daniel Murta da EntoGreen apresentou “Insetos: De desperdício alimentar a nova fonte nutricional”, começando por explicar os desafios que se colocam à sociedade para garantir no futuro o abastecimento da cadeia alimentar, a redução do desperdício alimentar e terminando a apresentação explicando a plataforma “Ingredient Odyssey”, cujo objetivo é a produção de insetos como fonte proteica de excelência para a alimentação animal, através da utilização dos desperdícios alimentares como fonte de alimento para os insetos. Apresentou ainda quais as perspetivas futuras da produção de insetos para a alimentação animal e quais os principais constrangimentos que enfrentam. O evento terminou com a sessão de encerramento conduzida pela Engª Cristina de Sousa, Presidente da IACA.


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ALIMENTAÇÃO ANIMAL PROTEÍNAS

FONTES PROTEICAS: DESAFIOS E ALTERNATIVAS* ALIMENTOS ANIMAIS E PROTEÍNA

Portugal produziu em 2015 cerca de 3 milhões

A produção mundial de alimentos para animais estima-se em cerca de 900 milhões de toneladas / ano, sendo a China, os EUA e a UE-28 os principais produtores. Neste milénio, os maiores crescimentos foram do Brasil e da China que duplicaram as produções que tinham no final do século XX.

de toneladas de alimentos para animais, com um perfil de consumo de matérias primas um pouco diferente da UE, evidenciando os cereais como fontes de proteína: + 10% de Cereais e – 4% de Bagaços. O “Bagaço de Soja” tem variado nos últimos anos entre 15 / 17% do total das matérias-primas, mas é importante referir que representa cerca de 50% da proteína utilizada!!

Pedro Folque SFPM - IACA

A UE-28 representa cerca de 16% da produção mundial e os principais países produtores são a Alemanha (Bovinos), a França (Aves) e a Espanha (Suínos); este país tem demonstrado uma dinâmica apreciável, tendo aumentado em 100% a produção que tinha em 1985. Em relação ao consumo de matérias primas, as principais fontes de proteína são os “Bagaços”(28%), sobretudo os derivados da Soja: em toneladas, a UE tem uma forte dependência proteica (70%) de fornecimentos exteriores / importações, em particular desta oleaginosa (98% !!). Esta dependência é histórica, no caso da Soja ligada às produções de 3 países: USA, Brasil e Argentina. Qualquer problema nestes produtores afeta o equilíbrio dos aprovisionamentos na UE, equilíbrio também ameaçado pela China se ter tornado o maior consumidor mundial (incremento de produções, especulação financeira, volatilidade de preços).

* Comunicação apresentada na Reunião Geral da Indústria

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DEPENDÊNCIA PROTEICA DA EUROPA Associados à dependência histórica da UE estão atualmente um conjunto de indicadores preocupantes para a produção animal: Alterações Climáticas (aquecimento global, desertificação, “El Niño”,…), Ambientais (deflorestação, consumo de água, terra agrícola arável, poluição,…), Sociais (OGM’s, hábitos alimentares,…). A FAO no seu relatório anual de 2009 (“How to Feed the World in 2050”) perspetiva: i) um forte crescimento da população mundial (9 mil milhões de pessoas); ii) um incremento da economia mundial (maior poder de compra). E conclui que estas duas variáveis vão levar à necessidade de aumentar a produção mundial de alimentos em 70%!!


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ALIMENTAÇÃO ANIMAL PROTEÍNAS

A auto-suficiência alimentar não é neste momento uma preocu-

– Neste momento existem várias plataformas estudando a sua

pação da UE, mas a redução da sua dependência proteica tor-

utilização, envolvendo as principais universidades e empresas

nou-se num objetivo estratégico. Duas vias complementares têm

mundiais (ex. ProteINSECT, IPIFF,…), havendo experiência em

sido consideradas:

aquacultura, animais de companhia e aves de campo.

a) Reduzir a utilização de produtos proteicos: passará por alterações dos hábitos alimentares (ex. diminuição do consumo de produtos animais), pela redução dos desperdícios alimentares (Indústria, Distribuição, Restauração) dentro do conceito de “Economia Circular” e em particular, por uma Nutrição Animal mais eficiente (valorização dos alimentos, necessidades dos animais, dietas de baixa proteína, utilização de aditivos como as enzimas proteases,…).

b.2. Proteinas Unicelulares – Produtos de fermentação microbiana (leveduras), também utilizados como aditivos, estão regulamentados pela legislação comunitária do sector. – São boas fontes de proteína, de elevada digestibilidade, mas com algumas limitações de utilização (ex. teor em ácidos nucleicos).

b) Aumentar a produção de fontes de proteína: além das pouco exploradas culturas tradicionais, oleaginosas e proteaginosas (o prof. Van Krimpen da Universidade de Wageningen, Holanda, num estudo recente aponta a Ervilha no curto prazo e a Soja a médio prazo, como as culturas a desenvolver na UE) e da aposta em tecnologias industriais (ex. girassol 28% / girassol 34% por retirada de fibra bruta), atualmente fala-se muito em novas fontes proteicas, nomeadamente: b.1. Insetos e Larvas

b.3. Algas – Existe uma grande diversidade de algas (macro e micro algas), com potenciais de produção muito diferentes: nutrientes (proteína, gordura, fibra), minerais e vitaminas, além de aditivos (enzimas, carotenóides, ácidos gordos ómega-3,…).

– São organismos muito eficientes na conversão de diferentes

– Com sistemas de produção também muito variáveis (tubos,

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substratos em biomassa, produzindo farinhas animais de alta

cubas, lagoas, rios, mar,…), podem ser melhoradoras do ambiente

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digestibilidade ricas em proteína (30-80%) e gordura (20%).

(CO2) e depuradoras de efluentes pecuários.

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Em conclusão: • A Soja é uma excelente matéria-prima, sendo a nível mundial a principal fornecedora de proteína para alimentação animal e humana. • Pressões ambientais, económicas, sociais, demográficas, …, vão obrigar o mundo a procurar e a utilizar novas fontes proteicas. • Uma Nutrição Animal mais eficiente (sistemas de valorização de alimentos e necessidades dos animais; aditivos; dietas novas,…) e o recurso a outras Fontes Proteicas (oleaginosas, proteaginosas, coprodutos alimentares, insetos e larvas, leveduras, algas,…) serão no futuro alternativas para responder às necessidades mundiais de proteína.

AF_raporal_anuncio_148x210mm.pdf

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INSETOS: UMA SOLUÇÃO NUTRICIONAL E AMBIENTAL* Daniel Murta* 1,2,3, Rui Nunes1, Olga Moreira4

Duas problemáticas – uma oportunidade A produção mundial de alimentos compostos para animais acompanha o aumento progressivo do consumo de produtos de origem animal, atingindo cerca de mil milhões de toneladas em 2015, um valor 1,5% superior a 2014. Com um aumento de 5%, a produção mundial de alimentos compostos para aves está na liderança e atingiu 464 milhões de toneladas neste ano, representando 46% da produção total de alimentos compostos Daniel Murta

para animais a nível mundial (2016 Global Feed Survey). Este aumento de produção prende-se com o crescimento da demanda mundial de proteína animal. De uma forma geral, esta produção tem-se mantido relativamente estável nos países desenvolvidos, sendo estes aumentos de produção essencialmente da responsabilidade dos países em desenvolvimento (IFIF, 2015). A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estima que em 2050 a procura por alimentos a nível mundial tenha aumentado em 60% face aos valores atuais e que a produção de proteínas de origem animal cresça 1,7% ao ano. Destes, espera-se que a produção de carne aumente 70%, a aquacultura 90% e a produção leiteira 55% (Alexandratos & Bruinsma 2012). Os aumentos esperados no consumo prendem-se não somente com o aumento da população, para nove mil milhões em 2050, mas também com as alterações nos hábitos alimentares a nível mundial, com um aumento do consumo de produtos de origem, principalmente nos países em desenvolvimento (FAO, 2011). Atualmente os ingredientes usados na formulação de alimentos compostos para animais incluem farinha de peixe, óleo de peixe, soja e vários tipos de

seus preços têm sofrido fortes flutuações, nos últimos anos, no mercado mundial. Esta situação leva os produtores mundiais de alimentos compostos para animais a procurar alternativas sustentáveis às fontes proteicas tradicionalmente utilizadas. No caso de Portugal a situação é mais preocupante, pois a dependência destes ingredientes leva a que os mesmos sejam importados na sua quase totalidade, em especial a soja, a preços sempre elevados, acarretando ainda emissões de CO2 associadas ao transporte de outras partes do globo. O desenvolvimento de uma alternativa nutricional seria extremamente vantajoso para produtores industriais de alimentos compostos para animais em Portugal. O ideal seria encontrar soluções que possam ser empregues no espaço nacional e que aproveitem recursos economicamente acessíveis. O desperdício alimentar ocorre em toda a cadeia de valor, durante a produção e a distribuição, nas lojas, nos restaurantes, nos estabelecimentos que fornecem alimentos preparados e em casa. A preparação dos produtos agrícolas para o mercado implica a produção de quantidades significativas de resíduos e produtos não conformes, para os quais tem que ser dado um destino com enquadramento legal, conducente a custos acrescidos. Cerca de 30% da produção alimentar a nível mundial é desperdiçada e enviada para aterro ou para compostagem, processos que levam à perda dos seus nutrientes, um importante recurso ambiental e económico. Apesar disso, a ausência de soluções “orgânicas” compatíveis com as necessidades de fertilizantes nas culturas implica, anualmente, um aporte de fertilizantes químicos nas parcelas agrícolas. Em Portugal perdem-se cerca de 1 milhão de toneladas de alimentos, das quais 400 mil toneladas na produção e transformação (Batista et al., 2012) (Figura 1). Os esforços para promover a

grãos. Estes ingredientes, escassos em Portugal, correspondem a uma parte muito significativa dos custos de produção de alimentos compostos para animais e, devido aos aumentos de produção, os

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1

Ingredient Odyssey

2

 aculdade de Medicina Veterinária – Universidade Lusófona F de Humanidades e Tecnologia

3

CIISA-Faculdade de Medicina Veterinária – ULisboa

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INIAV-Vale de Santarém

*

daniel.murta@entogreen.com

Figura 1 – Desperdício alimentar em Portugal. (adaptado de Batista et al, 2012) * Comunicação apresentada na Reunião Geral da Indústria


redução de resíduos têm-se multiplicado, tendo o ano de 2016 sido declarado como o ano nacional do combate ao desperdício alimentar (Resolução da Assembleia da República nº 65/2015). A recente cimeira do clima em Paris transporta a esperança de que os países mundiais se comprometam no cumprimento de medidas que permitam a desaceleração das alterações climáticas. Uma estratégia de combate a este problema passa simplesmente pela diminuição do desperdício, transformando-nos numa economia circular onde reutilizamos tudo o que nos seja possível. De acordo com Frans Timmersmans, Primeiro Vice-Presidente da Comissão Europeia, “O nosso planeta e a nossa economia não sobreviverão se prosseguirmos a abordagem “extrair-fabricar-consumir-deitar fora”. É fundamental a conservação de recursos preciosos e explorarmos plenamente todo o valor económico que eles encerram. A economia circular tem a ver com a redução dos resíduos e a proteção do ambiente, mas implica também uma profunda alteração do funcionamento de toda a nossa economia.” (Comunicado da Comissão Europeia, 2 de Dezembro de 2015).

O elo de ligação da economia circular no sector agroalimentar O recurso aos insetos como fonte nutricional alternativa e como solução para a eliminação de resíduos tem sido apresentado como uma possível solução para o aumento da sustentabilidade alimentar. Desde o início desta década que a FAO aumentou a atenção dada a esta nova oportunidade. Na sua publicação “Edible insects Future prospects for food and feed security” apresenta várias razões para a utilização de insetos como alimento alternativo e como uma possível solução para suprir as necessidades alimentares dos anos vindouros. Os insetos são fáceis de produzir, tem índices de conversão elevados e podem ser produzidos à base de subprodutos e resíduos (Oonincx, van Broekhoven, van Huis, & van Loon, 2015; van Huis et al., 2013). São capazes de se alimentar destes substratos e de se transforar aqueles substratos num recurso altamente valorizado. É tecnicamente exequível criá-los em larga escala e aplicá-los como fonte nutricional alternativa na formulação de alimentos compostos para peixes, porcos e aves, contribuindo ainda para a sustentabilidade ambiental (Tran, Heuzé, & Makkar,

Foi com este mote que a Comissão Europeia adotou, recentemente,

2015; Veldkamp & Bosch, 2015; Makkar, Tran, Heuzé, & Ankers, 2014; van

um ambicioso pacote de medidas no sentido de implementar uma

Huis et al., 2013). A produção de insetos emite menos gases com efeito

economia circular. Este pacote inclui novas propostas sobre a ges-

de estufa e menos amoníaco comparativamente à produção de bovinos

tão de resíduos procurando estimular uma transição europeia no

ou suínos, requerendo também significativamente menos terra e água

sentido de aumentar a competitividade global, ao mesmo tempo

(van Huis et al., 2013; Oonincx & de Boer, 2012; Oonincx et al., 2010).

que se fomenta uma economia sustentável e se geram novos postos de trabalho. O conceito de economia circular inclui medidas que abrangem todo o ciclo, desde a produção e consumo até à gestão de resíduos, incluindo o desenvolvimento de um mercado secundário de novas matérias-primas. Pretende-se contribuir para fechar o ciclo de vida dos produtos através de maior reciclagem e reutilização, conferindo benefícios ambientais e económicos.

Existem várias espécies que podem ser criadas em resíduos orgânicos. Entre as mais promissoras a serem aplicadas em condições industriais encontram-se a Hermetia illucens (Mosca Soldado Negro – BSF), o Tenebrio molitor (Bicho da Farinha) e a Musca domestica (mosca doméstica) (Oonincx et al., 2015; van Huis et al., 2013). No entanto, aquela que é mais sugerida para a conversão de resíduos orgânicos é a Mosca Soldado Negro. As larvas desta espécie consomem matéria

A procura por fontes proteicas alternativas para a indústria dos ali-

orgânica vorazmente, podendo reduzir resíduos orgânicos a cerca de

mentos compostos para animais e a deposição de resíduos orgânicos

50% do seu volume inicial num curto espaço de tempo, a um ritmo

em aterro, e seus impactos ambientais, são duas problemáticas que

que varia com o tamanho das larvas, o tipo de resíduo e as condições

preocupam tanto o sector agropecuário com a sociedade em geral.

ambientais (Diener, Zurbruegg, & Tockner, 2009).. Estes animais con-

Contudo, ambas constituem uma oportunidade de investimento e

somem estrume, carne fresca ou em decomposição, frutos, resíduos

de inovação, ligando os extremos do sector agroalimentar na cria-

de cozinha e restauração, celulose entre muitos outros (Oonincx et al.,

ção de um verdadeiro ciclo que permita maximizar a utilização dos

2015; Nguyen, Tomberlin, & Vanlaerhoven, 2013; Sheppard, Tomberlin,

nutrientes. Assim, a solução proposta para estes problemas passa

Joyce, Kiser, & Sumner, 2002; J K Tomberlin, Sheppard, & Joyce, 2002).

pela conversão de resíduos orgânicos de origem agroalimentar

As condições ambientais ótimas para todas as fases de desenvol-

em matérias-primas secundárias, nomeadamente novas fontes de

vimento variam entre os 27ºC e os 33ºC, e um mínimo de 60% de

nutrientes para os alimentos compostos para animais e fertilizantes

humidade relativa (Tomberlin, Adler, & Myers, 2009; Sheppard et

orgânicos para os solos. Estes resíduos são materiais de base bio-

al., 2002). Contudo, as larvas mantêm-se a digerir resíduos mesmo

lógica podendo apresentar vantagens ligadas à sua renovabilidade,

a temperaturas ambientes inferiores, pois a sua própria atividade é

biodigestão ou possibilidade de conversão.

geradora de temperatura, pelo que a humidade é a principal limita-

A transição para uma economia circular no sector agroalimentar é

ção em Portugal.

uma mudança sistémica pois para além das ações específicas que

As larvas abandonam o local de alimentação e mudam de cor após

incidem em cada fase da cadeia de valor e nas atividades-chave, é

atingirem o nível nutricional adequado, separando-se sozinhas dos

necessário criar condições propícias ao seu desenvolvimento e à

resíduos e das outras larvas menos desenvolvidas (Sheppard, Newton,

mobilização de recursos. Assim, será necessário desenvolver um

Thompson, & Savage, 1994). Por forma a manter o ciclo de vida das

sistema que permita fechar este ciclo de forma sustentável do

BSF as instalações devem permitir a ligação entre as diferentes fases

ponto de vista ambiental e económico.

de desenvolvimento e a manutenção de condições ambientais ótimas. A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

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13


ALIMENTAÇÃO ANIMAL PROTEÍNAS

O acasalamento entre adultos é sensível e depende de vários fatores, tais como a intensidade e comprimento de onda da luz, densidade populacional, espaço disponível para voo, humidade e local adequado para a postura dos ovos (Holmes, Vanlaerhoven, & Tomberlin, 2012; Sheppard et al., 2002). Na generalidade dos casos, as unidades de reprodução e de biodegradação de resíduos estão separadas, e após eclosão as larvas são então isoladas e inoculadas nos resíduos a valorizar. Esta espécie, apesar de oriunda de outro continente, já se encontra distribuída naturalmente pela natureza desde meados do século XX, ocupando regiões da bacia mediterrânica e do resto da Europa (Martinez-Sanchez, Magana, Salona, & Rojo, 2011). As larvas de BSF serão a peça chave necessária para fechar o ciclo produtivo dos produtos agroalimentares, permitindo devolver os nutrientes que de outra forma se perderiam, aos animais e aos solos. Estas larvas, depois de atingirem uma fase larvar avançada, são separadas e desidratadas, constituindo uma fonte nutricional a incluir em alimentos compostos para animais. O substrato resultante da biodigestão tem sido usado como substituto de produtos compostados e tem nutrientes suficientes para ser usado como fertilizante ou corretivo de solos (Figura 2).

Figura 2 – A Mosca Soldado Negro como motor da economia circular no sector agroalimentar. Ciclo de vida da BSF. 1, introdução de larvas em resíduos/subprodutos; 2, separação de substrato a utilizar como fertilizante orgânico; 3, recolha das larvas e desidratação para posterior inclusão em rações; 4, cerca de 1% das larvas produzidas são utilizadas para reprodução e postura de ovos, reiniciando o ciclo. (adaptada de youtube.com)

Estas larvas são uma fonte nutricional importante, rica em proteína e gordura, com cerca de 42% de proteína bruta na matéria seca. A quantidade de gordura é variável e depende do tipo de dieta dos insetos, podendo atingir 35% de gordura bruta (Makkar et al., 2014). Embora a composição em ácidos gordos varie consoante a dieta, estas larvas são tendencialmente ricas em ácidos gordos insaturados. Uma vez que a qualidade nutricional das larvas varia com os resíduos com que são alimentadas, a sua composição nutricional pode ser assim manipulada e adaptada à sua utilização final pela adição de outros produtos ou resíduos (Makkar et al., 2014; van Huis et al., 2013). A informação relativa à digestibilidade dos nutrientes destes insetos ainda é escassa, contudo, vários estudos consideram a BSF aliciante quando utilizada em alimentos compostos para animais. No entanto, será necessário melhorar a formulação de alimentos compostos para animais contendo estes insetos, assim como o conhecimento existente sobre a sua utilização (Makkar et al., 2014; Veldkamp & Bosch, 2015). 14 |

ALIMEN TAÇÃO ANIMAL

Constrangimentos e ameaças Tem havido um grande crescimento e desenvolvimento dos quadros regulamentares no que respeita às cadeias alimentares, neste caso, da utilização de insetos na alimentação humana e animal, no entanto, a legislação disponível é pouco clara e quase inexistente. Apesar de nos países em desenvolvimento a utilização de insetos ser tolerada, a nível europeu, o sector da alimentação assume uma liderança para agilizar todo este processo querendo normas mais abrangentes e que ajudem no desenvolvimento desta área (Alexandratos & Bruinsma, 2012). A utilização de proteínas animais em alimentação animal está proibida ao abrigo do artº 7º do Regulamento (CE) nº 999/2001 do Parlamento Europeu e do Conselho de 22 de Maio, que estabelece regras para a prevenção, o controlo e a erradicação de determinadas encefalopatias espongiformes transmissíveis. Contudo, estão previstas algumas derrogações àquela interdição, ao abrigo do Anexo IV do mesmo diploma, identificando as proteínas animais possíveis de utilização em alimentação animal, as espécies/categorias animais de destino (considerando que para ruminantes a interdição será continuada), bem como as respetivas condições para a sua utilização. De momento, entre as derrogações referidas, não se encontra a possibilidade de utilização de insetos ou subprodutos/derivados dos mesmos, qualquer que seja a forma de apresentação possível, incluindo a forma farinada. A utilização de insetos, criados à base de produtos vegetais, como alimento de animais de companhia não está abrangida por este regulamento, pelo que a sua utilização em rações para estes animais é permitida. A discussão sobre a possível derrogação de interdição daquela matéria-prima em alimentação animal encontra-se em discussão a nível da Comunidade Europeia, com avaliação de proposta de alteração do Anexo IV do Regulamento supracitado. Este processo de autorização terá contudo que ser articulado com as disposições do Regulamento (UE) nº 142/2011 que implementa o Regulamento (CE) nº 1069/2009 do Parlamento Europeu e do Conselho de 21 de Outubro relativo aos subprodutos de origem animal não destinados ao consumo humano, e nomeadamente no que diz respeito aos requisitos específicos aplicáveis para matérias-primas para alimentação animal segundo o seu Anexo X e/ou outras disposições que venham eventualmente a ser adotadas. De acordo com este regulamento os insetos criados como fonte proteica alternativa são considerados animais de produção e como tal não podem ser alimentados com estrume ou resíduos de cozinha (PROteINSECT). Em Outubro de 2015 a EFSA (Agência Europeia para a Segurança Alimentar) divulgou um relatório no qual os insetos foram equiparados às outras fontes alimentares de origem animal. Contudo, refere que se forem alimentados com as mesmas matérias-primas já permitidas para a alimentação animal não devem representar um risco acrescido à alimentação. Desta forma, será necessário aumentar o conhecimento existente relativamente a esta sua utilização (EFSA-Q-2014-00578 – doi:10.2903/j.efsa.2015.4257). Apesar deste relatório manter a impossibilidade da utilização de insetos na alimentação animal, no mês seguinte, a Comissão Europeia aprovou um regulamento que reconhece os insetos como uma nova fonte alimentar, permitindo a sua utilização na alimentação humana (MEMO-15-5875). O projeto PROteINSECT é um projeto de três anos (2013-16) financiado pela União Europeia (UE) que procura explorar os insetos como fonte


sustentável de proteína para a alimentação animal e humana e envolve 12 parceiros de sete países de vários pontos do globo. Estes intervenientes desenvolveram testes de produção de larvas e alimentação animal tanto na Europa como noutros pontos do globo, procurando criar as condições essenciais ao estabelecimento desta indústria. Tem como um dos principais objetivos contribuir para aumentar o conhecimento sobre a utilização de insetos e colaborar com as autoridades europeias na elaboração de legislação que venha a regular a sua utilização tanto na alimentação como na valorização de resíduos. Os resultados finais deste projeto foram apresentados em abril deste ano e podem ser encontrados em www.proteinsect.eu. Os intervenientes do projeto continuam a colaborar com a UE no sentido de tornar esta indústria inovadora numa realidade. Espera-se que até ao final de 2016 a utilização de insetos como fonte nutricional venha a ser alargada a mais espécies animais.

• Fornecer fontes nutricionais alternativas para a indústria de alimentos compostos para animais, principalmente de proteínas, desenvolvendo opções que conduzam a uma menor dependência do mercado internacional. • Reduzir a utilização excessiva de solos, associada à produção de alimentos para animais, e a necessidade de adubos minerais, cuja produção tem impactos ambientais negativos, desenvolvendo novas soluções pela conversão de resíduos em fertilizantes orgânicos. O desenvolvimento destas soluções passará pela produção de matérias-primas secundárias à valorização dos resíduos. Numa economia circular, os materiais que podem ser reciclados são reintroduzidos na economia como novas matérias-primas, aumentando assim a segurança do abastecimento. Atualmente esta equipa tem-se centrado na valorização de resíduos e subprodutos de

Estabelecer uma unidade de produção

produção e transformação agroalimentar.

A instalação de unidades de valorização de resíduos com recurso a larvas de BSF já começa a ser uma realidade em vários locais do mundo. As larvas de BSF têm sido utilizadas com sucesso em unidades de redução de resíduos em países quentes com o objetivo de consumir os resíduos orgânicos e produzir alimento composto para animais. Contudo, embora a sua utilização esteja em crescimento e a abranger vários países, o impacto destas unidades é essencialmente local.

mais homogéneos e apresentam menos riscos.

A Ingredient Odyssey (www.entogreen.com) tem vindo a trabalhar em parceria com o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV. I.P.) no sentido de desenvolver as competências e técnicas necessárias à implementação de uma unidade de produção de insetos desta natureza em Portugal. O objetivo será aproveitar a oportunidade de, com recurso aos insetos, ir ao encontro de dois grandes desafios, criando soluções que sejam nutricional e economicamente apelativas. Assim, pretende-se enfrentar três grandes problemáticas:

• Combater o excesso de resíduos e de desperdícios, procurando formas para a respetiva valorização e redução.

Estes substratos representam um desafio menor à criação eficiente de BSF, pois são No entanto, é importante determinar quais os substratos passíveis de serem valorizados pelas larvas de BSF de forma eficiente e quantificar as larvas produzidas por tonelada de resíduos. Estamos ainda a desenvolver processos de rastreabilidade que possam garantir a qualidade e segurança dos produtos criados, meta essencial à viabilidade de todo o processo. A EntoGreen (www.entogreen.com) é uma marca da Ingredient Odyssey e é através dela que pretendemos desenvolver estas soluções e entrar no mercado. Para tal, o desenvolvimento de parcerias e de soluções direcionadas aos desafios específicos de cada um são essenciais. Procuramos empresas que queiram ver os seus subprodutos e resíduos valorizados ou que pretendam desenvolver soluções nutricionais alternativas para as suas rações ou solos. A EntoGreen pretende devolver os nutrientes perdidos aos solos e aos animais, pelo que o contributo de outros intervenientes na cadeia de valor e o conhecimento e desenvolvimento científico serão determinantes. Bibliografia disponível a pedido A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

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15


ALIMENTAÇÃO ANIMAL PROTEÍNAS

SOJA DOMÉSTICA PARA COMPENSAR O DÉFICE PROTEICO EUROPEU: ILUSÃO OU OPORTUNIDADE REAL DE MERCADO? * Fatores que influenciam a procura de soja da UE Nicolas Martin FEFAC

Fácil de usar para os fabricantes de alimentos para animais Existem três critérios principais que determinam a seleção dos ingredientes para alimentação animal por parte de um fabricante e a sua utilização nos diversos alimentos compostos que irá produzir: i) a segurança dos alimentos, ii) o seu valor nutricional e iii) a sua competitividade em termos de preço. No topo destes três critérios, a disponibilidade durante todo o ano e a regularidade da oferta são igualmente tidas em conta pelas empresas de alimentos para animais: Os critérios orientados para o mercado (por exemplo, a produção orgânica, a procura não-GM) são também considerados pelo fabricante de alimentos compostos. Uma fábrica de alimentos compostos para animais típica consiste em vários passos mais ou menos complexos, que permitem elaborar uma formulação específica a partir de uma grande quantidade de ingredientes individuais (Figura 7).

Figura 7: imagem de diagrama de uma fábrica de alimentos compostos para animais em funcionamento (adaptado de TECALIMAN)

As fábricas de alimentos compostos para animais têm, geralmente, uma capacidade de armazenamento limitada. Os silos maiores são utilizados para os ingredientes principais, tais como os cereais ou bagaços de oleaginosas, ao passo que os silos menores podem ser destinados a ingredientes que são incorporados em proporções menores nas dietas. Quando se toma a decisão de destinar um silo a um determinado ingrediente, a regularidade da oferta é um critério importante para o fabricante de alimentos compostos para animais. Não seria econo* Continuação do Artigo publicado na AA nº 95

16 |

ALIMEN TAÇÃO ANIMAL

micamente viável destinar um silo a um ingrediente que não está disponível regularmente. Este aspeto pode ser um fator limitativo para a utilização de culturas de proteínas da UE, tais como os tremoços ou as ervilhas que estão disponíveis em pequenas quantidades e que, portanto, comportam um risco de oferta irregular. Desde que a soja da UE satisfizesse os três requisitos principais acima indicados, seria possível substituir o bagaço de soja importado por bagaço de soja doméstico nas dietas da alimentação animal utilizando os mesmos silos ao nível da fábrica. Além disso, o bagaço de soja é um ingrediente utilizado regularmente pelos fabricantes de alimentação animal e bem conhecido, em particular, dos seus formuladores. Não haverá qualquer obstáculo à utilização de bagaço de soja pelos operadores de alimentação animal, do ponto de vista técnico e operacional ao nível da fábrica, se a segurança, valor nutricional e competitividade forem conseguidas.

Alimentos produzidos localmente Em 2011, a Comissão Europeia divulgou as suas propostas para a reforma da PAC e realizou um inquérito Eurobarómetro para avaliar a opinião dos cidadãos europeus sobre os principais aspetos das propostas da reforma. O inquérito foi feito a 26.713 adultos em toda a União Europeia, um número suficiente para uma amostra representativa de cada Estado-Membro. Entre as cinco questões, uma abordava especificamente a produção local de alimentos, que é um dos argumentos muitas vezes invocado para estimular a produção de proteínas na UE como, por exemplo, na resolução do Parlamento Europeu sobre o défice proteico de março de 2011 (Parlamento Europeu, 2011). Como resultado, nove em cada dez pessoas concordaram que a compra de alimentos produzidos localmente é benéfica. De acordo com um estudo francês de 2012 (Sainte-Marie, 2013), as principais razões apresentadas pelos consumidores para comprar comida local são: • Apoiar a agricultura e a economia locais • O sabor e a segurança dos alimentos comprados • Motivos ambientais, em particular, menos transporte e melhores práticas agrícolas Num estudo mais recente, o Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia analisou as


cadeias de abastecimento e os sistemas de produção locais na UE. Este relatório comprova que a definição proposta pela Comissão Europeia para pequenas cadeias de abastecimento é: “os géneros alimentícios são identificados por, serem rastreáveis até ao agricultor”. O número de intermediários entre agricultor e consumidor deve ser “mínimo” ou idealmente nulo”. A soja produzida localmente pode ser utilizada como elemento diferenciador para a comercialização de produtos de origem animal. Existe, no entanto, uma grande quantidade de ingredientes de alimentos para animais que entra na composição de dietas de alimentação animal e, obter todos os ingredientes alimentares localmente, é uma restrição muito exigente. Existe um risco de que “soja produzida localmente” seja mal interpretada tal como percebida pelos consumidores como “100% alimentado com alimentos locais”. Tal abordagem é, realmente, muito difícil de aplicar às cadeias de fornecimento de alimentação animal convencional que podem ser muito longa e complexa, mas pode ser equacionada para nichos de mercado de elevado valor acrescentado. Além do mais, o desejo dos consumidores de comprarem alimentos locais deve ser desafiado pela vontade de pagar os custos extras.

Quadro 1: resultados do estudo levado a cabo pela FEFAC sobre a procura na União Europeia de alimentos compostos não-GM (Fonte: FEFAC 2015)

Países sem procura significativa de mercado por alimentos compostos não-GM (além do mercado de orgânicos): • Bélgica • República Checa • Hungria • Irlanda País

Fatores

Tendência

Áustria

galinhas poedeiras (80% não-GM) frangos de carne (100% não-GM) laticínios (95% não-GM)

procura crescente por alimentos compostos não-GM

Dinamarca

frangos de carne (25% não-GM)

Estável

Finlândia

laticínios (100% não-GM) aves (15% não-GM)

Estável

França

bovinos (30% não – GM) laticínios (15% não-GM) aves (10% não – GM)

Estável

Alemanha

frangos de carne (75% não – GM) galinhas poedeiras (40% não – GM) laticínios (15% não – GM)

procura crescente por alimentos compostos não-GM para vacas leiteiras

Itália

aves (15% não – GM) laticínios e bovinos (10% não – GM)

Estável

Polónia

frangos de carne (10% não – GM)

Estável

RU

Aves (20%)

procura decrescente por alimentos não-GM para aves

Procura não-GM A possibilidade de satisfazer a procura não-GM na UE por bagaço de soja é frequentemente mencionada como um fator que pode estimular a produção de soja. O prémio não-GM pode, com efeito, contribuir para a lacuna de competitividade entre a soja importada e a soja doméstica. Este prémio tem vindo a flutuar ao longo dos anos e atingiu atualmente um nível relativamente elevado em torno dos 100 € por tonelada. Em 2012, a Federação Europeia dos Fabricantes de Alimentos Compostos FEFAC, levou a cabo um estudo em toda a UE com vista a avaliar a dimensão do mercado de alimentos compostos para animais não-GM1. A conclusão de então foi que a procura conjunta da UE de alimentos compostos não-GM representava aproximadamente 15% do mercado de alimentos compostos, ou seja, 23 milhões de toneladas. Este estudo foi atualizado em março de 2015 e os principais resultados são apresentados a seguir (Quadro 1). Distinguem-se três grupos de Estados-Membros, os países sem uma procura significativa de alimentos compostos não-GM e os países com procura de alimentos compostos não-GM2. Para os últimos, estão identificados os fatores para os alimentos compostos não-GM e a tendência correspondente. Finalmente, o terceiro grupo corresponde aos países para os quais não existe informação disponível. Estes resultados mostram desenvolvimentos diferentes em alguns mercados principais. Por exemplo, a Alemanha e a Áustria apresentam um aumento da procura de alimentos não-GM para vacas leiteiras ao passo que a procura de alimentos não-GM (principalmente alimentos para aves) está a diminuir no Reino Unido. Em comparação com 2012, a dinâmica alterou-se em alguns países, mas a procura global da UE de alimentos compostos não-GM ainda se prevê que represente cerca de 15 % do mercado.

1

« alimentos para animais não-GM» significa alimentos para animais que não são rotulados de acordo com o Regulamento (CE) 1829/2003.

2

 ão existe informação disponível para a Bulgária, Croácia, Chipre, Estónia, Grécia, N Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Roménia e Eslovénia.

• Países Baixos • Eslováquia • Espanha

Países relativamente aos quais não existe informação disponível • Bulgária • Croácia • Chipre • Estónia • Grécia • Letónia

• Lituânia • Luxemburgo • Malta • Roménia • Eslovénia

A procura correspondente de bagaço de soja não-GM é, provavelmente, um pouco inferior, uma vez que os requisitos não-GM podem, por vezes, ser conseguidos não se utilizando este bagaço na dieta, especialmente em suínos de engorda. A FEFAC estima que a taxa média de inclusão de soja em alimentos compostos para animais da UE é de aproximadamente 16%. Assim, supondo que entre 10 a 15% do bagaço de soja utilizado nos alimentos compostos para animais é, na verdade, não-GM, isto representa um mercado de 2,4 a 3,6 milhões de toneladas de bagaço de soja comparado com a produção de soja nos EUA, ou seja, 1,75 milhões de toneladas em 2014. Em teoria, existe, portanto, um potencial de crescimento para a produção doméstica de soja com vista a satisfazer a procura de bagaço de soja não-GM nos alimentos compostos para animais. No entanto, algumas limitações devem ser tidas em consideração: A LI ME N TAÇÃO A N I M A L

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17


ALIMENTAÇÃO ANIMAL PROTEÍNAS

• É necessária uma procura correspondente de óleo de soja não-GM para otimizar os efeitos do prémio não-GM. • Com vista a ser elegível para o mercado não-GM, o limite de 0,9% da presença acidental de GM estabelecido na legislação europeia3 tem que ser respeitado. Isto só é possível em extratoras dedicadas (o bagaço de soja não-GM do Brasil que é atualmente utilizado para o mercado não-GM é produzido no Brasil e, em seguida, exportado para a Europa. As fábricas de extração da UE importaram grãos essencialmente GM). Isto levanta a questão da dimensão e da viabilidade económica destas instalações. • Embora importante em termos da procura dos consumidores, o aspeto não-GM é extremamente específico. O mercado de alimentação animal não-GM terá que competir cada vez mais contra esquemas de abastecimento que oferecem uma abordagem sustentável mais abrangente, olhando, por exemplo, para as dimensões sociais e ambientais.

A perspetiva ambiental A crescente procura global de produtos pecuários está a pressionar os recursos naturais, tais como o solo e a água, que são limitados. Nessa perspetiva, a capacidade de comunicar primeiro e, em seguida, melhorar o desempenho ambiental dos alimentos para animais e pecuária é essencial. Num estudo publicado em 2014, a Universidade de Wageningen e a Blonk Consultants avaliaram o efeito na pegada de carbono da substituição do bagaço de soja da América do Sul nos alimentos compostos por fontes de proteína europeias (Boer, 2014). As fontes de proteína selecionadas incluíram bagaço de girassol com alto teor proteico, proteínas processadas animais de aves, grãos de destilação secos (coproduto da produção de bio-etanol), bagaço de soja cultivada nos Países Baixos e na Ucrânia, assim como proteínas de insetos, algas e bactérias. O estudo calculou dietas de alimentação animal (utilizando rações para suínos, por exemplo) com base no preço e valores nutricionais e reportou as correspondentes emissões de carbono, utilizando principalmente a base de dados de avaliação do ciclo de vida Feedprint (LCA) holandês como fonte de informação (Quadro 2). Com base numa abordagem de avaliação do ciclo de vida4 atribuicional, o estudo conclui que existem opções limitadas para substituir o bagaço de soja da América do Sul nos alimentos compostos para suínos de engorda por proteínas europeias alternativas sem aumentar a pegada de carbono.5

 egulamento (CE) Nº 1830/2003 do Parlamento Europeu e do Conselho Europeu R de 22 de setembro de 2003 relativo à rastreabilidade e rotulagem de organismos geneticamente modificados e a rastreabilidade dos alimentos e produtos alimentares para animais produzidos a partir de organismos geneticamente modificados e altera a Diretiva 2001/18/CE. 4 A Avaliação do Ciclo de Vida é uma técnica que permite a compilação e avaliação das entradas, saídas e os potenciais impactos ambientais de um sistema de produtos ao longo do seu ciclo de vida (ISO 14040:2006). 3

5

 udança Indireta no Uso do Solo: ocorre quando a procura por um determinado M uso da terra leva a alterações fora das fronteiras do sistema que é considerado. Estes efeitos indiretos podem ser avaliados essencialmente através de modelação económica da procura por terra ou modelação de relocalização de atividades à escala global. (adaptado do Guia sobre a Pegada Ambiental dos Produtos, 2013).

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ALIMEN TAÇÃO ANIMAL

Quadro 2: pegada de carbono de uma ração para suínos otimizada de referência incluindo bagaço de soja importado

Alimentos compostos para animais

Pegada de carbono excluindo mudança no uso do solo5 (kg CO2 eq. kg-1)

Pegada de carbono incluindo mudança no uso do solo (kg CO2 eq. kg-1)

Cenário 1: cenário de referência com bagaço de soja da América do Sul

595

783

Cenário 2: nível de inclusão do bagaço de soja da América do Sul restringido a 6%

606

807

Cenário 3: a inclusão de bagaço de soja da América do Sul não é permitida, substituição por bagaço de girassol com elevado teor proteico (máximo: 12,5%)

627

817

Cenário 4 a inclusão de bagaço de soja da América do Sul não é permitida, substituição por proteínas animais processadas de aves (máximo: 3%)

591

775

Cenário 5: a inclusão de bagaço de soja da América do Sul não é permitida, substituição por grãos de destilação secos (máximo: 7,5%)

626

819

Cenário 6: substituição de bagaço de soja da América do Sul por bagaço de soja cultivada nos Países Baixos

580

767

Cenário 7: substituição de bagaço de soja da América do Sul por bagaço de soja cultivada na Ucrânia e esmagada nos Países Baixos

592

782

Cenário 8: substituição de bagaço de soja da América do Sul por proteína de insetos

>717

>946

Cenário 9: substituição de bagaço de soja da América do Sul por algas desengorduradas

> 611-623

> 795-807

Cenário 10: substituição de bagaço de soja da América do Sul por proteína unicelular bacteriana

> 644-739

> 825-920

Fonte: Boer, Estudo Wageningen, 2014

Não é possível resumir todo o estudo aqui e as suas limitações devem ser devidamente tidas em conta. Estes resultados devem, portanto, ser considerados com cautela e não podem ser generalizados. Eles


mostram, no entanto, que as características do bagaço de soja, considerando o preço, os valores nutricionais e a pegada de carbono, oferecem uma combinação interessante que significa que o bagaço de soja é um ingrediente essencial quando se considera a melhoria do desempenho ambiental. Quando este bagaço importado é substituído por bagaço de soja cultivado na UE, com distâncias de transporte inferiores, estes efeitos podem ser aumentados.

Fatores que influenciam a oferta Política agrícola comum Uma das principais medidas da nova Política Agrícola Comum é provavelmente o chamado “greening” dos pagamentos diretos aos agricultores. As medidas verdes definem práticas agrícolas que são benéficas para o clima e para o ambiente:

Além das medidas “greening”, a possibilidade de os Estados-Membros utilizarem, no máximo, 10% da sua dotação de pagamentos diretos também poderia ser benéfica para as proteaginosas, incluindo a soja. De acordo com a Comissão Europeia, 16 Estados-Membros decidiram em 2015 conceder uma ajuda a essas culturas, representando 12% da dotação disponível para o apoio voluntário.

Política de biocombustíveis A disponibilidade de subprodutos ricos em proteínas, tais como bagaços de oleaginosas ou grãos de destilação secos é fortemente influenciada por políticas internacionais e da UE sobre biocombustíveis. Durante a última década, o quadro político da UE, bastante favorável para os biocombustíveis, levou a um aumento significativo da disponibilidade desses subprodutos e, em particular, de bagaço de colza. Isto foi acompanhado por uma maior concorrência para o acesso a

• Diversificação de culturas

matérias-primas agrícolas, aumentando a pressão sobre os preços.

• Manter pastagens permanentes existentes

A política de biocombustíveis da UE não beneficiou até agora a pro-

• Dispor de áreas de interesse ecológico nas explorações agrícolas As medidas de diversificação de culturas são descritas no artigo 44 do Regulamento (UE) no 1307/2013 de 17 de dezembro de 20136, sendo as principais: quando a terra arável de uma exploração agrícola cobre mais de trinta hectares, deverão existir, pelo menos, três culturas diferentes nessa terra arável. A cultura principal não deve cobrir mais de 75% dessa terra arável e as duas culturas principais juntas não devem cobrir mais de 95%. Estas medidas poderiam desempenhar um papel estimulante para a produção de soja na Europa, em particular, em áreas onde o milho é atualmente a cultura dominante e onde as condições de clima e do solo podem ser adequadas para a produção de soja. No entanto, ainda não se procedeu a uma avaliação do impacto global da medida de diversificação de culturas que entrou em vigor em 1 de janeiro de 2015 e por isso é difícil quantificar os efeitos potenciais na área plantada de soja na UE. Além disso, a recente decisão da França de definir medidas ad hoc para áreas de cultivo de milho em monocultura pode ser interpretada como um sinal de que as medidas da UE de diversificação nas áreas plantadas com soja podem ser bastante limitadas. A outra medida “greening” que poderia ter um impacto na área plantada de soja na UE corresponde aos requisitos que os agricultores com mais de 15 hectares de terra arável terem de assegurar que, pelo menos, 5% das suas propriedades consistem em áreas de interesse ecológico. A inserção das culturas fixadoras de azoto na lista de áreas de interesse ecológico mencionadas no Regulamento (UE) nº 1307/2013, de 17 de dezembro de 2013, poderá estimular novamente a produção na UE. No entanto, foi concedida aos Estados-Membros a possibilidade de as escolherem a nível nacional com vista a definirem as áreas de interesse ecológico, o que pode minar o impacto da medida na área plantada de soja da UE.

dução de soja cultivada na UE e podemos perguntar se esta situação irá mudar no futuro. A Diretiva sobre Energias Renováveis (RED) e a Diretiva sobre a Qualidade dos Combustíveis (FQD) são os principais textos legislativos que determinam a política da UE sobre biocombustíveis. Depois de 2020, a RED será substituída por uma nova legislação em matéria de clima e energia. O Conselho Europeu já adotou metas que levam a uma redução de 40% das emissões de gases com efeito de estufa para o período 2005-2030 e a uma quota de 27 % de energias renováveis até 2030 (Conclusões do Conselho Europeu (23 e 24 de outubro de 2014) sobre o Quadro Político do Clima e Energia 2030). Contudo, estas metas ainda não se traduziram em medidas concretas. Tal incerteza não irá estimular os investimentos, o que poderá levar a um aumento da produção de biocombustíveis a partir da soja doméstica. Numa perspetiva mais de curto prazo, a atual revisão da RED irá moldar o contexto da política de biocombustíveis até 2020. A revisão da RED conduzirá a um nivelamento da produção de biocombustíveis à base de culturas e a algum tipo de consideração do fator ILUC 5 para a diminuição nos gases com efeito de estufa proporcionada pelos biocombustíveis. Ter em conta a ILUC poderia dar uma vantagem competitiva à soja da UE contra a soja da América do Sul ou o biodiesel do óleo de palma. Por outro lado, com vista a aumentar a sua quota de mercado no segmento dos biocombustíveis, a soja da UE teria que ser competitiva em termos de preços relativamente a outras matérias-primas de biocombustíveis. Este é um critério que é difícil cumprir nas circunstâncias atuais.

Conclusão: nicho ou abastecimento convencional? A falta de competitividade é claramente um fator que limita

6

 egulamento (UE) Nº 1307/2013 do Parlamento Europeu e do Conselho de 17 de R dezembro de 2013 que define as regras para pagamentos diretos aos agricultores ao abrigo de regimes de apoio no âmbito do quadro da política agrícola comum e que revoga o Regulamento do Conselho (CE) Nº 637/2008 e o Regulamento do Conselho (CE) Nº 73/2009.

a produção europeia de soja e de todas as proteaginosas. A reforma da PAC levou os agricultores a basearem as suas decisões de cultivo em fatores económicos o que é favorável aos cereais, tais como o trigo e o milho versus as proteaginosas. A A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

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19


ALIMENTAÇÃO ANIMAL PROTEÍNAS

perda de interesse pelas proteaginosas provocou igualmente uma falta de investimento para desenvolver novas variedades resultando no aumento das lacunas de produtividade relativamente aos cereais. Como parte da Parceria Europeia de Inovação para a Produtividade e Sustentabilidade Agrícola (EIP – AGRI), o grupo de foco sobre pro-

As recomendações do EIP sobre construir um mercado: • Desenvolver o conhecimento sobre as alternativas locais tendo em vista a qualidade e consistência • Desenvolver a matriz nutricional da UE para novos ingredientes proteicos

teaginosas foi lançado pela Comissão Europeia em 2013.

• Sistema de preços de mercado: previsibilidade e qualidade

Este grupo avaliou a possibilidade de melhorar a rentabilidade de

• Desenvolvimento de tecnologia de fracionamento

proteaginosas na Europa para que possam ser mais atrativas para os agricultores, ao mesmo tempo que se cumprem os requisitos de competitividade da indústria de alimentos compostos para animais. Como parte desta avaliação, o grupo calculou a produção que seria necessária para as proteaginosas serem competitivas relativamente ao trigo e ao milho baseados no preço do óleo, proteína e amido (grupo de foco EIP, 2014).

• Processamento da qualidade alimentar integrado com o processo de alimentos para animais A questão que permanece é como financiar a investigação que é necessária com vista a melhorar a competitividade das proteaginosas na UE, incluindo a soja. Esta questão é uma espécie de “galinha e ovo” uma vez que um pequeno mercado não é um incentivo forte para que

Importa ter em mente que existe uma grande variabilidade geográfica

as partes interessadas invistam em investigação e, reciprocamente,

para estes cálculos e que a avaliação da rentabilidade das culturas

sem investimento em investigação o mercado da das proteaginosas

se tem limitado a comparações de rendimentos brutos. Mostra, em

da UE não conseguirá crescer.

especial, que a soja europeia necessitaria, em média, de um aumento

O exposto anteriormente mostrou que a panorâmica para a soja da

de produção de 26% e 59% para ser competitiva com o trigo e o

UE é bastante favorável do ponto de vista da procura. No entanto,

milho respetivamente (Quadro 3).

os fatores que foram descritos e que podem ter influência positiva

Quadro 3: comparação da competitividade entre oleaginosas ou proteaginosas e cereais na União Europeia (fonte: Grupo EIP, 2014)

Produtividade comparativamente a:

Aumento da produtividade comparativamente a:

na procura, tais como o interesse dos consumidores por alimentos produzidos localmente, a procura por produtos não-GM ou amigos do ambiente, constituem segmentos de mercado muito específicos. Estes são produtos de elevado valor, por outras palavras, são nichos de mercado. Por definição, um nicho de mercado é um mercado pequeno, assim, pode colocar-se a questão se a estratégia de nicho

cultura

Produtividade atual (t/ha)

trigo

milho

Trigo

milho

soja

2,7

3,4

4,3

26%

59%

colza

3,1

3,1

3,9

0%

26%

girassol

2,2

2,7

3,4

23%

55%

alto valor pode ser um passo necessário para compensar a falta de

tremoço

1

4,1

5,1

310%

410%

competitividade e, em seguida, facilitar o crescimento e os mercados

ervilha

2,7

4,8

6

78%

122%

faveira

2,7

4,5

5,7

67%

111%

alfafa

40,2

43,6

54,5

8%

36%

Na sequência do relatório do grupo de foco EIP organizou-se um seminário com as partes interessadas a 25 e 26 de novembro de 2014. Os participantes do seminário concordaram sobre as recomendações com vista a: i) colmatar as lacunas de rendimento financeiro e, ii) construir um mercado (seminário EIP, 2014). Encontram-se enumeradas a seguir as recomendações do EIP sobre como colmatar as lacunas de rendimento financeiro: • Regulamentos que estimulem a adoção do cultivo de leguminosas pelos agricultores • Educação e formação para agricultores, conselheiros e professores

de mercado é o caminho certo para atingir a massa crítica necessária para acionar mais investimento em investigação e colmatar a lacuna da competitividade. Por outro lado, podemos argumentar que um nicho de mercado de

de soja e proteaginosas da UE. O principal risco dessa abordagem ao dar prioridade à estratégia de nicho de mercado, a necessidade de investir em investigação não vai ser tão premente, especialmente porque a lacuna da competitividade seria colmatada utilizando outros instrumentos de mercado. Uma abordagem de mercado convencional irá facilitar a utilização de bagaço de soja produzido na UE pela indústria de alimentos para animais. Da mesma forma, existe o risco de minar a possibilidade de crescimento do mercado com estratégias que não envolvem o setor dos alimentos compostos, tais como cadeias de abastecimento para alimentos produzidos localmente. Tal como apontado pelos especialistas que participaram no seminário EIP, criar sinergias para a investigação através de programas públicos de melhoramento a longo prazo poderia ser uma opção interessante. Abastecer o mercado convencional pode, então, ser visto como objetivo, o que é mais fácil de justificar, do ponto de

• Programa público de melhoramento a longo prazo

vista do contribuinte, do que compartimentar em segmentos de

• Investigação sobre variedades com resistência ao frio e à seca

mercado de valor acrescentado.

• Repositório de proteaginosas

Bibliografia disponível a pedido

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ALIMEN TAÇÃO ANIMAL


UMA GAMA COMPLETA PARA CÃES E GATOS

Rações Avenal, S.A.

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL OPINIÃO

FUNDOS COMUNITÁRIOS: ENTREVISTA A GTE CONSULTORES COMPETITIVIDADE, INVESTIMENTO E FINANCIAMENTO Entrevista de Jaime Piçarra a Margarida Martins Ramalho

Margarida M. Ramalho

“Cada setor tem as suas especificidades mas os desafios que se colocam às empresas são em tudo semelhantes”

JP: Na Reunião Geral da IACA em Dezembro, a Margarida falou de Competitividade, Investimento e Financiamento mas não apresentou a GTE Consultores. O que tem para nos dizer?

MMR: A realidade que temos encontrado em Portugal e o nosso conhecimento dos mercados internacionais, leva-nos a dizer que urge definir uma estratégia de competitividade e crescimento para o setor, em que as empresas se possam “sintonizar”…

MMR: A GTE é uma empresa de consultoria de gestão que está no mercado desde 1990. Ajuda–os clientes a obter resultados sustentáveis através do aconselhamento independente em áreas de competência-chave.

Neste enquadramento estratégico, cada empresa fará uso das suas melhores competências para definir a estratégia de negócio, capitalizando nas sinergias que tiver a capitalizar, e competindo nas áreas em que tiver de concorrer para ganhar mercado.

JP: Que experiência têm do mercado?

Hoje já se vai falando de estratégias de Coopetição, o que pressupõe que as empresas aceitam competir e cooperar em simultâneo…

MMR: Trabalhamos com empresas de diversas dimensões em vários setores de atividade, o que nos permite ter um conhecimento sólido do tecido económico nacional. Neste contexto, damos apoio na estruturação e avaliação económico-financeira de projetos de investimento e na viabilização de soluções de financiamento seja no acesso à Banca, a incentivos comunitários ou a investidores institucionais, entre outros. E, temos vindo a prestar aconselhamento sobre estratégia financeira e estratégia de negócio das empresas. JP: Que valor pode a GTE acrescentar ao Setor da Alimentação Animal e, muito concretamente, à IACA, enquanto organização representativa da Indústria? MMR: Cada setor tem as suas especificidades mas os desafios que se colocam às empresas são em tudo semelhantes. Antes de mais, a competividade é um fator absolutamente essencial para capturar as oportunidades de crescimento com sustentabilidade. E, como em tantos outros setores, a GTE pode ajudar os empresários a fazer a avaliação económico-financeira das suas decisões de investimento e a encontrar as soluções mais adequadas de financiamento, contribuindo para que o setor se torne mais competitivo, dinâmico e inovador. JP: A Investigação, a inovação e a internacionalização são apostas da maior importância para o futuro das empresas, sobretudo na atual situa-

22 |

ALIMEN TAÇÃO ANIMAL

ção de crise em que vivemos. Sendo o sector da Alimentação Animal constituído por PME e com grande atomização em termos de quota de mercado, como poderão as empresas organizar-se?

Mas, sabemos que há fortes constrangimentos culturais, e não é só no setor da Alimentação Animal. Os Portugueses são geralmente avessos a criar valor cooperando e, enquanto isso acontecer, a capacidade de investimento das empresas em competitividade e inovação face a operadores de outros países europeus, vai permanecer dificultada por falta de escala e especialização. JP: E ao nível dos fundos comunitários, que tipo de mecanismos de financiamento estão disponíveis para as empresas do nosso sector? MMR: Não entrando em detalhe, podemos dizer que os fundos comunitários apoiam projetos que promovem as exportações e a substituição de importações, através do incentivo ao investimento em competitividade e inovação tecnológica, em investigação e desenvolvimento de novos produtos, na valorização de subprodutos e no uso eficiente de recursos escassos como água e energia.–De resto, a Economia Circular está na ordem do dia … As PME têm ainda acesso a incentivos para investir nos seus planos de internacionalização e na qualificação das empresas. Mas, o setor da Alimentação Animal tem sido confrontado com um constrangimento no acesso a incentivos para investir em competitividade e inovação tecnológica. No PDR 2020, o setor é considerado como meramente transformador e, como


tal, não tem enquadramento neste programa operacional. No Compete 2020, o setor está ao abrigo do Anexo I do Tratado da União Europeia e só consegue enquadramento para investimentos acima de 4 milhões de euros. O não-enquadramento dos investimentos abaixo de 4 milhões de euros nos fundos comunitários tem, seguramente, um impacto negativo no setor e na fileira a jusante. Todos sabemos que o custo da alimentação animal na produção de bens de primeira necessidade como carne, ovos e leite, chega a atingir os 80% e, como tal, é fundamental investir em competitividade e inovação tecnológica para contrariar o efeito das importações. JP: Que conselhos daria numa estratégia de Fileira e que propostas de colaboração poderemos assumir com a IACA? MMR: Somos de opinião que a Fileira deve concentrar-se, antes de mais, em fazer crescer o seu mercado natural por substituição das importações de carne para consumo nacional, nomeadamente,

carne de porco. Para que os empresários saibam onde e como investir em ganhos de competitividade, é preciso identificar os pontos críticos da fileira nacional e traçar caminhos para mitigar as desvantagens. Esse conhecimento deve ser promovido pela IACA porque é do interesse de todo o setor, e a GTE pode ajudar a fazer um trabalho estratégico independente, completo e de qualidade, em colaboração com a Associação e as partes interessadas.

“Hoje já se vai falando de estratégias de Coopetição, o que pressupõe que as empresas aceitam competir e cooperar em simultâneo”

Nota Biográfica: Margarida Martins Ramalho é licenciada em Gestão de Empresas pela Universidade Católica de Lisboa e frequentou a Cornell University e o IMD Business School em Lausanne. Desenvolveu a sua carreira profissional numa multinacional americana de produtos de grande consumo e num grupo Português de Distribuição Moderna. Presta consultoria estratégica em parceria com a GTE Consultores, e é docente da Universidade Católica de Lisboa no Programa de formação para executivos “Gerir os Desafios da Internacionalização”.

“Para que os empresários saibam onde e como investir em ganhos de competitividade, é preciso identificar os pontos críticos da fileira nacional e traçar caminhos para mitigar as desvantagens”

A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL INVESTIGAÇÃO

A ANÁLISE DE MICOTOXINAS EM RAÇÃO ANIMAL: LC-MS/MS, UMA METODOLOGIA VANTAJOSA Anabela Almeida e Diana Azenha

Anabela Almeida

Diana Azenha

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ALIMEN TAÇÃO ANIMAL

O impacto a nível mundial das micotoxinas na

mente, na selecção de um método adequado. A

saúde humana e animal, nas economias e comér-

definição dos planos de amostragem de acordo

cio internacional, legitima que o controlo destas

com a legislação Europeia CE 401/2006 é de

substâncias indesejadas seja actualmente um

extrema importância. No que diz respeito aos

enorme desafio no sector da Segurança Ani-

métodos de amostragem, parâmetros de acei-

mal. Na Europa, a ocorrência de micotoxinas

tação, critérios para preparação de amostra,

em produtos alimentares, assim como de outros

entre outros aspectos. Ao nível da metodologia

contaminantes que representam risco para a

laboratorial, a análise de micotoxinas constitui

saúde pública (resíduos de pesticidas, metais

um verdadeiro desafio, por um lado, devido ao

pesados, poluentes orgânicos, microrganismos

grande número de compostos a ser detectado

patogénicos, etc) é alvo de uma monitorização

e, por outro, pelas distintas propriedades físico-

alargada em todos os países. Vários estudos

-químicas que possuem. Além disso, as matrizes

têm sido realizados para avaliar a incidência de

típicas de produtos alimentares de base são de

contaminação por micotoxinas e a nível global,

natureza complexa e muitas vezes contaminados

segundo dados da EFSA (European Food Safety

com várias micotoxinas em baixas concentrações,

Authority), pelo menos 20 a 30% das amostras

com derivados destas ou combinações destas

de alimentos e rações são co-contaminados, ou

com outros compostos. A nível laboratorial, a

seja apresentam mais do que uma micotoxina.

análise de micotoxinas nos produtos alimenta-

Em Portugal, além da monitorização realizada de

res pode ser realizada por diferentes técnicas

forma individual por cada um dos intervenien-

dependendo da fiabilidade, sensibilidade e rapi-

tes dos sectores (produtores e consumidores

dez requeridas, nomeadamente, testes imuno-

de cereais e rações), encontra-se também em

cromatográficos rápidos, ensaio imunoenzimá-

vigor desde 2015 o programa Qualiaca, da IACA,

tico indirecto (ELISA), cromotografia gasosa ou

para controlo de matérias-primas (bagaço e

cromatografia líquida (HPLC), ou mais recente-

casca de soja, milho e derivados, trigo, bagaço

mente, a cromatografia líquida combinada com

de palmiste e colza e derivados) provenientes

espectrometria de massa (LC-MS/MS).

de países terceiros, ao nível dos principais por-

A cromatografia líquida acoplada à espectro-

tos aduaneiros.

metria de massa em tandem (LC-MS/ MS) é o

O controlo de micotoxinas em alimentos de

sistema de detecção mais avançado disponível

consumo animal deve ter em consideração dois

actualmente, a nível mundial, utilizado para a

importantes aspectos: a legislação aplicável a

análise de micotoxinas. Sucintamente, o LC-MS/

cada substância para as diferentes matrizes

MS combina a capacidade de separação física da

alimentares (tipos de matérias-primas ou pro-

cromatografia líquida (LC) com a capacidade de

duto acabado) e a metodologia de análise. Em

análise de massa da espectrometria de massa

Portugal, actualmente a legislação em vigor é

em tandem (MS/MS). Enquanto a coluna da

o Decreto-Lei 193/2007 relativo aos produtos

componente LC separa no tempo a maior parte

destinados à alimentação animal, aplicando-se

dos compostos de uma mistura, a componente

os limites máximos fixados para as substân-

MS ioniza as moléculas desses compostos e

cias indesejáveis, em geral, a partir da data

separa-os de acordo com a razão massa-carga.

de entrada em circulação ou da utilização dos

Adicionalmente, um sistema LC-MS/MS é capaz

produtos destinados à alimentação animal, em

de fragmentar o ião precursor com um deter-

todas as fases.

minado padrão de fragmentação e separar os

A monitorização da ocorrência de micotoxinas

iões produto resultantes para identificação e

deve primeiramente centrar-se numa correcta

quantificação, através da análise dos espectros

amostragem dos produtos a analisar e, posterior-

de fragmentação.


Figura 1 – Equipamento de LC-MS/MS, no Biocant Park

As vantagens da utilização de LC-MS/ MS

Ao longo de 2015, a Vetdiagnos dedicou

incluem a selectividade, a sensibilidade

pessoal especializado à implementação da

(limites de quantificação de 0,1 µg/kg) e

metodologia de LC-MS/MS, para a detec-

a capacidade de detectar e quantificar

ção e quantificação de micotoxinas em

uma vasta gama de micotoxinas, com uma

rações e matérias-primas. A investigação

diminuição do tempo de processamento

na área das micotoxinas é um dos depar-

de amostras. Uma das desvantagens a

tamentos no qual a Vetdiagnos continuará

Figura 2. Exemplo de gráfico circular, obtido na análise de Zearalenona em 25 amostras de milho, onde são apresentados níveis acima do limite de quantificação para 3 amostras: Amostra #20, com uma detecção inferior a 20 µg/kg; Amostra #22 – detecção de 80 µg/kg; Amostra #24 – detecção de 50 µg/kg.

apresentar para esta metodologia pode

a investir, para proporcionar soluções ana-

ser o seu custo e a necessidade de pes-

líticas inovadoras, com qualidade e rapidez,

quantificação, com limites de quantificação

soal altamente qualificado. Contudo, a

de acordo com a sua missão de contribuir

possibilidade de análise multi-resíduos,

para o desenvolvimento sustentável do

ou seja, uma análise única para detecção

sector agroalimentar, promovendo estra-

de várias micotoxinas na mesma amostra,

tégias inovadoras de diagnóstico e solu-

permite a rentabilização do processo e

ções integradas em prol da Saúde Animal

micotoxinas por LC-MS/MS, já disponível

uma rápida resposta do laboratório. Assim,

e Segurança Alimentar.

noutros países da Europa, traz ao mercado

além de apresentar o perfil de micotoxinas

Actualmente, a Vetdiagnos disponibiliza

português a possibilidade de identificar e

presentes numa amostra e, consequente-

o serviço de análise por LC-MS/MS, para

quantificar micotoxinas nas matérias-pri-

mente poder revelar um efeito sinergístico

todo o sector da alimentação animal, com

mas ou produto-acabado utilizados, com

atributível a co-ocorrência de micotoxinas,

a metodologia validade para matéria-prima,

elevada sensibilidade e rapidez. Conside-

esta técnica permite também detectar

como o milho e para produto-acabado,

ramos esta nova alternativa aos métodos

micotoxinas mascaradas, enriquecendo

diferentes tipos de rações, destinadas ao

actualmente usados uma mais-valia tanto

a informação obtida pela análise de uma

consumo pelas diferentes espécies ani-

ao nível económico, como no que respeita

amostra apenas.

mais. O serviço disponibilizado permite a

à Segurança Alimentar e Saúde Pública.

desde 0,1 µg/kg para 17 compostos, entre os quais as principais micotoxinas, como Aflatoxinas, Ocratoxina, Fumonisinas, Zearalenona, Toxina T2 e Vomitoxina. Este serviço de pesquisa e quantificação de

A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

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25


ALIMENTAÇÃO ANIMAL INVESTIGAÇÃO

PROPRIEDADES DOS LIGNOSULFONATOS, SUAS APLICAÇÕES E VANTAGENS NAS RAÇÕES GRANULADAS PARA ANIMAIS Os lignosulfonatos são compostos orgânicos extraídos da madeira, no processo industrial que leva à transformação da madeira em celulose (Figura 1). São considerados polímeros naturais, não perigosos e não submetidos a normas REACH.

A tecnologia e a forma com que os lignosulfonatos são recuperados tornam as suas características bastante distintas. Quanto maior for o grau de pureza de um produto final de celulose, mais rico será o conteúdo do lignosulfonato.

Bruno Penha Director Técnico da Brandsweet, Lda.

Figura 1 – Produção industrial de celulose e subprodutos derivados

Utilizações dos lignosulfonatos Estes subprodutos da indústria da celulose e do papel possuem distintas propriedades que influenciam diretamente no modo como são utilizados. Os lignosulfonatos estão comercialmente disponíveis no formato sólido e líquido (Figura 2).

Parâmetros

Formato Sólido Formato Líquido

Matéria Seca (%)

93,0 – 97,0

48,0 – 52,0

Densidade (g/cm³)

0,6 – 0,9

1,20 – 1,30

pH

4,5 – 11,5

3,0 – 11,5

Figura 2 – Lignosulfonatos sólidos e líquidos 26 |

ALIMEN TAÇÃO ANIMAL

Existem diversos tipos de lignosulfonatos (base magnésio, cálcio, sódio, potássio, amónio), sendo as suas diferenças em alguns parâmetros, nomeadamente teores de açúcares, importantes para a finalidade a que se destinam. Os lignosulfonatos com presença de açúcares possuem maior adesividade do que os desaçucarados (<3% açúcares). Outros lignosulfonatos são capazes de emulsionar, de remover algumas partículas, de penetrar em materiais porosos e dispersar partículas sólidas. A utilidade deste tipo de produtos está directamente associada às características dispersantes, aglutinantes, complexantes e emulsionantes. Os lignosulfonatos são utilizados na indústria numa enorme variedade de aplicações (agricultura, agroquímicos, micronutrientes, construção civil, cerâmicas, peles e curtumes, alimentação humana, alimentação animal, etc.).

Utilização nas rações granuladas para animais As propriedades aglutinantes e a riqueza de nutrientes (açúcares, elementos minerais, etc.) dos lignosulfonatos tem chamado a atenção de


investigadores para a potencialidade e utilização na indústria alimentar. A adição de aglutinantes contendo lignina no processo de granulação dos alimentos compostos para animais (rações para bovinos, aves, peixes, entre outras espécies), já é bastante comum e tem crescido ao longo dos anos (Figura 3).

As principais vantagens que se destacam da utilização de lignosulfonatos em rações são: • Aumenta a produção na granuladora em mais de 15% e reduz o consumo energético • Reduz o retorno de finos em 50% • Aumenta a vida da granuladora e da matriz em cerca de 15% • Flexibiliza a adição de vapor, permite aumentar a temperatura do alimento melhorando o acondicionamento e destrói os agentes patogénicos. • Aumenta a flexibilidade em formulações de menor custo • Reduz as dificuldades de granulação com ingredientes complicados implicando economia na formulação

Figura 3 – Granulados

PRODUTOS

SERVIÇOS

QUALIDADE

AMINOÁCIDOS L-Lisina HCL L-Lisina Líquida 50 L-Lisina Sulfato 70 L e DL-Metionina L-Treonina L-Triptofano L-Valina CreAMINO® ÁCIDOS ORGÂNICOS PROBIÓTICOS ÓLEOS ESSENCIAIS CEREAIS EXTRUDIDOS COM SORO DE LEITE BRANDBOND® AGLUTINANTE

SEGURANÇA

REPRESENTAÇÃO MANGRA, SA. Recepção e armazenamento Dosificação de líquidos Controlos de processo Controlos de humidade Sistemas de vapor Bombas e caudalímetros Nutrifeed – misturadores verticais Aplicadores pós-pelleting Transportadores pneumáticos de fase densa

MAIS DE UMA DÉCADA A PROMOVER O SUCESSO DA ALIMENTAÇÃO ANIMAL CONTACTOS Loteamento Industrial Quinta das Rebelas Rua A, Lote 19, Nr 17 B/D 2830-222 BARREIRO Telef: 351.21 214 84 70 Fax: 351.21 214 84 79 e-mail: geral@brandsweet.pt

A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

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27


ALIMENTAÇÃO ANIMAL INVESTIGAÇÃO

Ensaio 1 Modelo Granuladora: PALADIN Pressão de vapor, bar: 2 Compressão de matriz, mm: 75 Expander anterior: Não Boa anterior: Não Melaçador anterior: 5 % Dupla granulação: Não Capacidade do arrefecedor: 3000 kg Potência da granuladora: 220 KW (300 CV)

• Melhora a durabilidade, uniformidade e tamanho do granulado • Melhor aparência visual, fluidez e dosagem mais controlada nos comedouros • Menor degradação durante a manipulação e transporte • Redução de perdas e maior eficiência na alimentação • Menos reclamações dos clientes • Redução de gastos de trabalho, compensação e reciclagem • Aumento dos níveis de higiene, devido a menor quantidade de microgotas

Quadro 1

• Aumento da digestibilidade das gorduras pelo seu efeito emulsionante

Tratamento 1 2 4,5 4,5 3000 3000 2 2 SIM SIM 380 380 0,9 0,9 3 3

Diâmetro do pellet, mm Tamanho da mistura, kg Número de misturas Os finos do arrefecedor são granulados? Voltagem, V Factor de potência, KW Tamanho partícula moída, mm

• Melhora o índice de conversão pela melhor durabilidade • Possibilidade de reduzir quebras ao reduzir a tensão superficial da água • Os alimentos soltam menos pó, impedindo a proliferação de bactérias

Quadro 2 – Fórmula: Tratamento

Ingrediente, %

• Redução de problemas respiratórios nos trabalhadores e animais

1

Soja 44 Corn Glúten Feed Trigo Polpa citrinos Milho DDGS Milho Melaço Pré-misturas e outros Gordura by-pass Ureia Lignosulfonato Líquido

Ensaios experimentais Em Portugal, no decorrer dos últimos anos, muitas fábricas de rações optaram por incorporar lignosulfonato líquido nas rações de distintas espécies, com o intuito de melhoria das suas características e vantagens acrescidas. De seguida destacamos alguns dos testes e resultados que promoveram essas decisões.

2 24 22 15 10 10 8 5 4,95 0,55 0,5

0

1

Quadro 3 – Resultados de durabilidade Tratamento 1 Peso

Total

Granulado

2

Durabilidade, %

Finos %

Total

Granulado

Durabilidade, %

Finos %

1

100,0

94,3

94,3

5,7

100,0

95,6

95,6

4,4

2

100,0

95,0

95,0

5,0

100,0

95,7

95,7

4,3

3

100,0

94,6

94,6

5,4

100,0

96,5

96,5

3,5

4

100,0

95,0

95,0

5,0

100,0

96,6

96,6

3,4

Média

94,73b

5,28a

96,10a

3,90b

Máx.

95,0

5,7

96,6

4,4

Mín.

94,3

5,0

95,6

3,4

CV %

0,36

6,45

0,54

13,40

Médias com índice diferente são distintas (P<0,01)

28 |

ALIMEN TAÇÃO ANIMAL


Quadro 4 – Resultados de produtividade da granuladora Tratamento 1 Tempo, min

Hora

Prod. ton/h

0

18:00

2,400

10,0

1

18:01

4,620

23,0

Tratamento 2

Alim. %

Temp. ºC

Amp. %

Tempo, min

Hora

Prod. ton/h

Alim. %

Temp. ºC

48,0

28,0

46,0

40,0

Amp. %

0

16:38

2,400

10,0

26,0

30,0

1

16:39

3,250

14,0

25,0

44,0

2

18:02

5,820

26,0

44,0

45,0

2

16:40

4,110

18,0

24,0

44,0

3

18:03

6,000

26,0

49,0

45,0

3

16:41

4,450

20,0

25,0

48,0

4

18:04

6,000

26,0

51,0

42,0

4

16:42

4,800

24,0

28,0

46,0

5

18:05

6,000

26,0

51,0

42,0

5

16:43

5,820

25,0

36,0

46,0

7

18:07

6,000

26,0

53,0

42,0

7

16:45

6,000

26,0

44,0

44,0

10

18:10

6,000

26,0

53,0

40,0

10

16:48

6,000

26,0

52,0

40,0

15

18:15

6,000

26,0

53,0

42,0

15

16:53

6,000

26,0

51,0

39,0

20

18:20

6,000

26,0

55,0

40,0

20

16:58

6,000

26,0

54,0

39,0 40,0

25

18:25

6,000

26,0

55,0

40,0

25

17:03

6,000

26,0

53,0

30

18:30

6,000

26,0

55,0

40,0

30

17:08

6,000

26,0

54,0

39,0

35

18:35

6,000

26,0

55,0

40,0

35

17:13

6,000

26,0

54,0

40,0

40

18:40

6,000

26,0

55,0

40,0

40

17:18

6,000

26,0

57,0

38,0

45

18:45

6,000

26,0

55,0

40,0

45

17:23

6,000

26,0

57,0

38,0

50

18:50

6,000

26,0

55,0

42,0

50

17:28

6,000

26,0

56,0

38,0

55

18:55

6,000

26,0

52,0

40,0

55

17:33

6,000

26,0

57,0

38,0

60

19:00

6,000

26,0

55,0

40,0

60

17:38

6,000

26,0

55,0

40,0

65

19:05

6,000

26,0

55,0

42,0

64

17:42

6,000

26,0

55,0

40,0

70

19:10

6,000

26,0

53,0

42,0

65

17:43

8,050

35,0

54,0

45,0

76

19:16

6,000

26,0

53,0

42,0

66

17:44

8,050

35,0

52,0

45,0

67

17:45

8,050

35,0

52,0

45,0

68

17:46

8,050

35,0

52,0

46,0

69

17:47

9,880

43,0

53,0

52,0

72

17:50

9,880

43,0

55,0

52,0

74

17:52

9,880

43,0

55,0

52,0

9,88

43,00

6,00

26,00

Valores máximos

Quadro 5 – Comparação entre tratamentos Resultados

Tratamento

Diferença, %

1

2

1 vs 2

Toneladas de ração

6

6

0,0%

Rendimento máximo Granuladora, ton/h

6,00

9,88

64,7%

Rendimento máximo Alimentador, %

26,00

43,00

65,4%

Energia do motor, KW

220,00

220,00

0,0%

Durabilidade grânulos, %

94,73

96,10

1,4%

Finos, %

5,28

3,90

-26,1%

A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

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29


ALIMENTAÇÃO ANIMAL INVESTIGAÇÃO

Resultados Foi realizada uma experiência para avaliar a influência da adição de LIGNOSULFONATO LÍQUIDO sobre a produtividade da granuladora e a qualidade do granulado. Foram utilizados 2 tratamentos, uma fórmula controlo (Quadro 2) e um tratamento que consiste na mesma fórmula de controlo, em que se adicionou 1% de LIGNOSULFONATO LÍQUIDO. Para a medida de durabilidade e percentagem de finos, utilizaram-se 4 amostras de cada tratamento (Pellet Tester LTIII: 90 segundos). Para as análises de produtividade da granuladora foi anotado a hora de início e fim da granulação, toneladas produzidas, amperagens, rendimentos da granuladora e temperaturas a diferentes tempos. Como se pode observar nos gráficos 1 e 2, a adição de LIGNOSULFONATO LÍQUIDO melhora os parâmetros de qualidade do granulado, aumentando a durabilidade do granulado em 1,37 pontos (94,73 vs 96,10%) e diminui a percentagem de produção de finos em 26,1% (5,28 vs 3,90%) (Quadro 3). No Quadro 4 de resultados da granuladora e no gráfico 3 refletem-se os resultados de produtividade da granuladora e pode-se observar um maior rendimento de trabalho alcançado pela máquina no tratamento com LIGNOSULFONATO LÍQUIDO. Como resultado desta melhoria de produtividade alcançada, o rendimento da granuladora melhora em 3,88 ton/h que representa 64,7% (6,00 vs 9,88 ton/h) (Gráfico 4) com um aumento no rendimento do alimentador de 65,4% (26 vs 43%) (Gráfico 5). Conclusão do ensaio 1 A utilização de LIGNOSULFONATO LÍQUIDO melhora os parâmetros de qualidade do granulado, melhorando a durabilidade do mesmo e reduzindo notavelmente a produção de finos. Quanto à produtividade da granuladora, observa-se um notável aumento no rendimento do equipamento de granulação. Devido a estas melhorias conseguidas nos parâmetros de qualidade do grânulo e no rendimento da granuladora. Gráfico 6 – Rendimento do Alimentador

Todas estas melhorias supõem uma importante poupança no custo total de fabricação ao mesmo tempo que se consegue um maior potencial de produção. Ensaio 2 Avaliação da influência da adição de LIGNOSULFONATO LÍQUIDO sobre o rendimento da granuladora. Utilizaram-se 3 tratamentos: • Tratamento 1: (Controlo) Ração PS Suínos em condições normais de trabalho • Tratamento 2: Ração PS Suínos com 1% de Lignosulfonato Líquido e fabricado nas mesmas condições de temperatura e consumo da granuladora • Tratamento 3: Ração PS Suínos com 1% de Lignosulfonato Líquido e aumentando a temperatura de vapor e rendimento da granuladora Para a avaliação do rendimento da granuladora anotou-se o consumo da máquina e a velocidade do alimentador: • Pressão de vapor de entrada à rampa: 4,8 bar • Pressão de vapor de entrada na granuladora: 2,1 bar Resultados do ensaio 2 Como se pode observar nos dados e no gráfico de rendimento da máquina, a incorporação de LIGNOSULFONATO LÍQUIDO aumenta o rendimento do alimentador, mantendo o consumo, com o qual se aumenta a produtividade da granuladora. Uma das principais vantagens da utilização de LIGNOSULFONATO LÍQUIDO é permitir que entre mais vapor e melhorar as partículas de ração, com o qual se pode preparar melhor a massa de ração para ser granulada. Isto verifica-se no tratamento 3, no qual a adição de LIGNOSULFONATO LÍQUIDO permite aumentar a temperatura de vapor, conseguindo para um mesmo consumo da granuladora, um maior rendimento da mesma (4,8 vs 5,2: Aumento de Rendimento: 8,33%), e melhorar os parâmetros de qualidade do grânulo, reduzindo a percentagem de produção de finos, com a qual há menos ração de retorno à granuladora e aumentando o rendimento da mesma. No tratamento 2 observa-se que a incorporação de LIGNOSULFONATO LÍQUIDO permite aumentar o rendimento da máquina (4,8 vs 5,0: Aumento de Rendimento: 4,59%) (Quadro 6). Conclusão do ensaio 2 Pode-se indicar que a utilização de LIGNOSULFONATO LÍQUIDO permite um melhor acondicionamento da massa de ração, permitindo uma temperatura de granulação mais idónea e como resultado melhoria os parâmetros de qualidade do granulado, melhorando a durabilidade do grânulo, reduzindo a produção de finos e melhorando a produtividade da granuladora.

Quadro 6 – Resultados de produtividade da granuladora:

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ALIMEN TAÇÃO ANIMAL


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ALIMENTAÇÃO ANIMAL INVESTIGAÇÃO

PROBIÓTICOS À BASE DE BACILLUS: A ESCOLHA INTELIGENTE EM NUTRIÇÃO DE AVES Petra Bisesti Gestor de Produto de probióticos e prebióticos na Biochem.

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ALIMEN TAÇÃO ANIMAL

O objetivo final da inclusão de probióticos nos alimentos compostos para produção intensiva de frangos e perus é a otimização da performance do bando. No entanto, é importante referir que este objetivo está claramente ligado com a obtenção de um bom estado sanitário. A WHO e a FAO (2001) definem probióticos como “microrganismos vivos, que quando administrados em quantidades adequadas conferem um beneficio à saúde do hospedeiro“. Desde a proibição, na UE, dos antibióticos promotores de crescimento em alimentação animal, as disbioses (desproporção entre as bactérias benéficas e as prejudiciais) emergiram como um dos principais problemas na produção animal intensiva. Esta questão é atualmente agravada pela tendência generalizada de restrição à utilização terapêutica de antibióticos. Distúrbios na saúde intestinal levam a grandes perdas económicas devido a redução do ganho de peso, fraco índice de conversão, elevadas mortalidades e elevados custos com a medicação. A manutenção de uma flora intestinal diversificada e estável é essencial para prevenir disbioses que podem provocar depressão das performances e doenças como a enterite necrótica. Outra característica distintiva, especialmente na alimentação de perus, é o facto destes animais terem necessidades elevadas em proteína. Concentrações elevadas de soja em alimentos para perus, são muito comuns. No entanto a soja não é só a principal fonte proteica nas dietas de perus. É também uma fonte de hidratos de carbono. Por isso uma digestão adequada dos hidratos de carbono é crucial para preservar a saúde intestinal e os resultados produtivos dos perus. Os efeitos dos probióticos resultam de vários mecanismos de ação, como a exclusão competitiva, antagonismo bacteriano, produção de substancias antimicrobianas e imuno-modulação. Particularmente interessante é a capacidade de certas estirpes de probióticos produzirem enzimas extracelulares incluindo varias carbohidrases e proteases (Lee et al., 2012). Larsen et al. (2014) demonstraram que o nível de produção enzimática difere entre as diferentes espécies bacterianas e até entre as diferentes estirpes da mesma espécie. Por exemplo certos Bacillus produzem enzimas extracelulares que melhoram a digestibilidade e absorção dos nutrientes no intestino (Samanya and Yamauchi,

2002). Para este fim, é importante notar que os probióticos são muito diversos, , assim, têm diferentes modos de ação dependendo da estirpe usada, bem como das doses administradas ao longo dos estudos e das espécies hospedeiras em questão. Em qualquer caso, o impacto dos probióticos está altamente relacionado e dependente do estado das bactérias comensais presentes no intestino das aves (Cox and Dalloul, 2014). Para frangos e perus existem, disponíveis no mercado Europeu, aditivos probióticos contendo uma ou varias estirpes de bactérias. Para além das diferentes estirpes das bactérias produtoras de acido láctico (e.g. Enterococcus faecium) o alimento pode ser suplementado com microrganismos que formam esporos (Bacillus subtilis, Bacillus licheniformis, Bacillus amyloliquefaciens, Clostridium butyricum). Os esporos dos bacilos são resistentes a condições ambientais muito severas como temperatura elevada, podendo ser utilizados em alimentos granulados e conjuntamente com outros aditivos como os coccidiostáticos e ácidos orgânicos. As bactérias na forma de esporos têm a capacidade de germinar e voltar a esporular no trato gastrointestinal das aves.

GalliPro® para frangos: Elevada produção enzimática permite uma formulação flexível O probiótico GalliPro® à base de Bacillus, contém uma estirpe especifica de Bacillus (B.) subtilis DSM 17299 (EU-reg. 4b1821) que é caracterizada pela sua elevada produção enzimática. Por isso o GalliPro® promove a degradação eficiente dos nutrientes presentes nas dietas dos frangos. Adicionalmente, estabiliza a flora intestinal, promovendo o crescimento das bactérias produtoras de acido láctico, enquanto suprime as bactérias patogénicas indesejáveis. De acordo com Knarreborg et al. (2008) o efeito benéfico do B. subtilis DSM 17299 na performance dos frangos é refletida por alterações na microbiota ileal dominante. Knap et al. (2011) encontraram menos esfregaços positivos a Salmonella no grupo suplementado com o GalliPro®. Adicionalmente, observaram uma redução significativa na contaminação por Salmonella em amostras cecais de frangos alimentados com B. subtilis DSM 17299.


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ALIMENTAÇÃO ANIMAL INVESTIGAÇÃO

Com base na melhoria da digestibilidade da proteína, o GalliPro® proporciona uma oportunidade de economizar em fontes proteicas como a soja que por vezas atingem preços elevados de mercado. O metabolismo do animal é aliviado e as emissões de amoníaco são reduzidas, resultando num aumento do bem-estar animal. Foram conduzidos, em diferentes países, uma serie ensaios de campo e com Universidades para demonstrar os efeitos do GalliPro® em dietas para frangos com redução de nutrientes. Foi repetidamente demonstrado que o GalliPro® permite uma redução da proteína e da energia, enquanto o índice de produção aumenta como consequência de resultados produtivos mais elevadas e redução dos custos alimentares. Uma vez que a redução de nutrientes suporta o custo com a suplementação do probiótico, o impacto positivo do B. subtilis na flora intestinal não tem custos. Num ensaio realizado na Holanda, foi observado que o GalliPro® (0.8x109CFU/kg alimento) melhorou substancialmente os resultados produtivos dos animais, mesmo tendo em conta que os animais do grupo em teste foram alimentados com uma dieta à qual se reduziu o nível dos aminoácidos digestíveis em 2% (relativo). A alimentação estava dividida em quatro fases e a proteína das dietas controlo variou entre 20.1 – 17.9 (Iniciação até ao Acabamento). Os resultados produtivos constam da Tabela 1. O grupo com o GalliPro® mostrou melhores resultados no ganho de peso, índice de conversão e mortalidade, levando a um maior “European broiler index (EBI)”. De realçar a melhoria impressionante no índice das lesões da almofada plantar. 30.9% das aves no grupo com GalliPro® não tiveram lesões, enquanto somente 17.6% do grupo controlo apresentou almofadas plantares intactas. Em coerência com estas constatações, a cama no pavilhão com GalliPro® estava mais seca – indicando melhor estabilidade e funcionalidade intestinal. Menores custos alimentares e melhores resultados produtivos no grupo com GalliPro® resultaram num aumento do lucro em 0.032€ por frango (+7%) nas condições em teste. Quadro 1: Apesar dos níveis reduzidos de aminoácidos digestíveis (menos 2% (rel.)) até ao dia 27, a suplementação da dieta de frangos com o probiotico GalliPro® (0.8x109 CFU/kg alimento) resultou numa melhoria numérica dos resultados produtivos e redução das lesões da almofada plantar (Field trial, NL 2015) Resultados produtivos Duração do ensaio (dias)

Controlo

GalliPro®

40

40

Animais (n)

3015

3015

Mortalidade (%) 0-40 dias

3.68

3.38

Média Peso Vivo ao Abate (g)

2500

2527

GMD (g)

62.5

63.2

Diferença (%)

-8.0 +1.1

IC1: (kg/kg)

1.688

1.663

-1.5

IC (1500g) (kg/kg)

1.288

1.252

-2.8

Índice lesões almofada plantar (pontos)*

113.3

80.6

“European broiler index” (EBI)

357

368

0.448

0.480

Cálculo económico Lucro (€) por frango

Diferença (€)

* Calculo lesões almofada plantar (pontos): (34.4% índice 1 x 0.5) + (48.1% índice 2 x 2) = 113.3 (38.4% índice 1 x 0.5) + (30.7% índice 2 x 2) = 80.6

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ALIMEN TAÇÃO ANIMAL

+3.0

+0.032

BioPlus® YC: 2 estirpes complementares de Bacillus melhoram a saúde intestinal e a digestibilidade dos nutrientes em perus O modo de ação abrangente do B. licheniformis (DSM5749) e do B. subtilis (DSM5750) presentes no BioPlus® YC, que de maneira global melhoram a morfologia e a diversidade da microflora em aves incluindo o seu versátil perfil enzimático, é a base da capacidade deste probiótico. O B. licheniformis (DSM5749) demonstra uma capacidade excecional na inibição de microrganismos patogénicos com extrema importância na produção de perus como por exemplo o Clostridium perfringens, enquanto que a estirpe de B. subtilis presente neste probiótico aumenta significativamente a diversidade microbiana intestinal das aves, mostrando uma melhoria no crescimento de bactérias especificas produtoras de acido láctico com fortes propriedades promotoras de um bom estado sanitário (Knarreborg et al., 2008). Para além do efeito do BioPlus® YC na saude intestinal dos perus, o Bacillus subtilis produz uma grande variedade de enzimas envolvidas no metabolismo dos hidratos de carbono, proteína e gordura, aumentando significativamente a digestibilidade da dieta no intestino das aves. O perfil enzimático deste probiótico é único e adaptável ao substrato presente no intestino, ou seja irá produzir as enzimas mais vantajosas de acordo com a composição da dieta. Foi realizado um teste in vitro para quantificar os produtos finais da digestão dos hidratos de carbono da dieta pelo BioPlus® YC. A libertação de energia de uma matéria-prima ou do alimento completo pela ação do probiotico pode ser estimada através da conversão da concentração desses produtos finais em equivalente em glucose – Kcal glucose eq. (1 g de glucose = 3.82 kcal),. Na Tabela 2 é referida a estimativa da energia libertada in vitro pela ação enzimática do probiótico em varias matérias – primas e num alimento comercial para perus. Quadro 2: Estimativa da energia libertada pela ação enzimatica do B. licheniformis + B. subtilis (BioPlus® YC) Substrato

Libertação energia (kcal/kg de alimento)

Milho

14

DDGS

79

Soja

132

Alimento Completo Perus

47

A importância do efeito do probiótico na digestão da fração de hidratos de carbono da soja é especialmente importante na dieta de perus que normalmente contém níveis elevados desta matéria-prima. Neste sentido é de salientar que uma das enzimas produzidas pelas estirpes de Bacillus é a α-galactosidase (Dados internos Chr. Hansen, 2007), que hidrolisa os oligossacáridos da soja, como a rafinose and estaquiose. É conhecido que a redução dos oligossacáridos da soja em dieta de iniciação de perus, aumenta a taxa de crescimento dos animais (Jankowski et al. 2009) e melhora a conversão alimentar (Zduńczyk et al., 2010). Em conclusão, a suplementação com BioPlus® YC e GalliPro® em dietas padrão, ou dietas com redução de nutrientes, para perus e frangos é definitivamente a escolha inteligente e uma ferramenta eficiente para potenciar os resultados produtivos e a rentabilidade em produção de aves. Bibliografia disponível a pedido.


A ELIMINAÇÃO DO FITATO DA DIETA ATRAVÉS DO SUPERDOSING DE FITASE

Hadden Graham Director Técnico, AB Vista

O uso na ração de fitase em superdosing para

Até à data, o fitato tem sido implicado na redução

atingir mais de 85% de destruição de fitato está

da digestibilidade de cálcio, zinco, magnésio, sódio e

actualmente a gerar mais interesse do que o seu

cobre, ao mesmo tempo que reduz também a diges-

uso padrão para liberação de fósforo (P). Super-

tibilidade de aminoácidos entre 3-16%, dependendo

dosing pode ser definido como a adição típica de

da composição da dieta (ver Figura 1). A proteína

três a quatro vezes a dose padrão de fitase para

não digerida, ao chegar ao tracto gastrointesti-

destruir rapidamente todos os fitatos presentes

nal (GI) inferior pode desencadear uma aumento

na dieta estando comprovado em avicultura, e pro-

da produção de pepsina e ácido no proventrículo.

porcionando uma melhor utilização de nutrientes e

Este aumento do teor de ácido requer uma protec-

aumento do desempenho animal.

ção adicional com a secreção de muco no intestino

Para compreender plenamente os benefícios poten-

delgado e aumento da secreção de bicarbonato de

ciais proporcionados pelo superdosing, é importante

sódio a partir do pâncreas de modo alcançar o tam-

primeiro entender o impacto que o fitato pode ter,

ponamento necessário.

tanto como nutriente como um anti-nutriente. O pri-

O resultado final é um aumento na necessidades de

meiro é o resultado de níveis elevados potenciais

energia das aves e um aumento tanto da secreção

de P disponível – um nutriente economicamente

de sódio como de ácido siálico (um marcador de

valioso – enquanto o segundo é devido aos efeitos

mucus, ver Figura 2). É também importante notar que

prejudiciais que o fitato têm sobre a digestibilidade

a investigação dos efeitos anti-nutricionais do fitato

dos nutrientes.

não são simples, uma vez que qualquer mudança nos ingredientes da alimentação podem alterar não só

Efeitos anti-nutricionais do fitato

e anti-nutrientes, tais como polissacarídeos não

gastrointestinal superior, o fitato não só os torna

amiláceos. Esta é a razão pela qual quase todos os

consideravelmente menos disponíveis para as aves,

estudos sobre interacções de fitato in vivo envolvem

mas também força o sistema digestivo á produção

autilização de dietas semi-purificadas.

de secreções digestivas adicionais num esforço para

Contudo para o produtor de aves, talvez a mais clara

compensar. Isto é tanto ineficiente em termos de

indicação dos benefícios da eliminação de fitato vem

nutrientes como potencialmente destruidor para o

do impacto global que o superdosing de fitase tem

revestimento da delicada parede intestinal.

sobre o desempenho das aves.

1,4 1,2 Coeficientes de digestibilidade verdadeira

Gustavo Cordero, Responsável Técnico, EMEA AB Vista

o nível de fitato mas também de outros nutrientes

Ao ligar-se a nutrientes essenciais dentro do tracto

1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 Asp

Ser

Glu

Ala

Tyr

His

Thr

Arg

Val

Phe

Ile

Leu

Lys

Aminoácidos P < 0.05 Sem fitato

Baixo em fitato

Alto em fitato

Figura 1 – Digestibilidade verdadeira de aminoácidos em frangos alimentados com dietas de caseína com diferentes níveis de fitato (adaptado de Cowieson et al.,2006)

A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

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35


ALIMENTAÇÃO ANIMAL INVESTIGAÇÃO

Na, mg / ave/ 48 horas

160

6

*

*

5

140 120

4

100

3

80 60

2

40

1

20 0

Ácido siálico, mg / ave/ 48 horas

180

0 Glucose

Glucose + fitato Sodio

Glucose

Glucose + fitato

Ácido siálico

Figura 2 – Ácido siálico e excreção de sódio (mg/ave/48horas) em aves alimentadas com glucose+fitato (*P<0.05) (adaptado de Cowieson et al., 2003)

Benefícios do superdosing Enquanto o uso de uma fitase moderna, com uma dose típica de

FTU / kg de fitase, e 2) Melhorando significativamente o desempenho

500 FTU / kg pode proporcionar redução de custos de alimentação

das aves pelos efeitos extra-fosfóricos do superdosing de fitase.

ao libertar 0,10-0,15% de P disponível (AVP) apartir do fitato pre-

O impacto claro do superdosing sobre o índice de conversão alimentar

sente na dieta, compreende-se agora que isto representa apenas

(ICA) corrigido ao peso corporal em frangos de 35/42 dias de idade

uma fracção dos benefícios potencias disponíveis do uso de fitase.

pode ser visto na Figura 3.

Com o objectivo de degradar completamente todo o fitato solúvel

O resultado foi uma melhoria na eficiência alimentar de quatro pon-

na dieta, o superdosing com uma fitase apropriada efetivamente

tos quando comparando aves alimentadas a 1500 FTU / kg de fitase

elimina os seus efeitos anti-nutricionais, produzindo benefícios

com aquelas alimentadas com a dose padrão de fitase de 500 FTU/

‘extra-fosfóricos’ (isto é, para além da simples liberação de P). Estes

kg na dieta NC. O facto destes benefícios provirem dos efeitos extra

incluem aumento do consumo de ração, melhoria da digestibilidade

– fosfóricos do superdosing foram confirmados pela adição de P

dos nutrientes, libertação adicional de minerais e redução dos cus-

extra (na forma de fosfato dicálcico,+ DCP) a uma dieta normal – P

tos de energia da digestão.

controlo positivo (PC). Não houve melhoria no desempenho nesta

Na prática, a utilização de altas doses de fitase pode aumentar a ren-

dieta + DCP relativamente ao PC; isto é, as melhorias observadas

tabilidade através de dois modos principais: 1) Mantendo a poupança

com o superdosing não foram correlacionadas com os fornecimen-

habitual na formulação associada a liberação de 0,15% AVP com 500

tos adicionais de AVP.

1,64

a

ICA corrigido ao peso corporal

1,62

1,6

y = -0.0255x + 1.638 R2 = 0.9538

ab ab

b

bc

1,58

bc c

1,56 1,54 1,52 1,5 1,48 1,46 PC

PC+DCP

PC+500 QB

NC

NC + 500 QB NC + 1000 QB NC + 1500 QB

Figura 3: Índice de conversão alimentar (ICA) corrigido ao peso corporal de frangos de 0 a 35/42 días (n=35) ( análise composta de 6 ensaios)

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ALIMEN TAÇÃO ANIMAL


A revolução em eficiencia alimentar Características da fitase para a eliminação do fitato A chave para o sucesso do superdosing é conseguir uma rápida e eficiente degradação do fitato na fase inicial do tracto gastrointestinal, de modo a maximizar o tempo durante o qual os processos de digestão e absorção podem ser otimizados. É também importante ter a capacidade de manter a degradação contínua do fitato mesmo a concentrações baixas, a fim de caminharmos para a sua eliminação, ao invés de abrandar ou simplesmente reduzir a sua actividade à medida que os níveis de fitato solúvel baixam. Reduzir simplesmente os níveis de fitatos não vai atingir os benefícios todos que a sua eliminação proporciona. Por exemplo, a um nível padrão de doseamento de fitase para libertar 0,10-0,13% AVP, apenas 50-60% do P bloqueado no fitato da dieta precisa ser libertado. Mesmo naquelas doses mais elevadas usadas para libertar 0,15-0,17% AVP apenas requerem até 70-75% de degradação de fitato. Em comparação, para os efeitos negativos anti-nutricionais do fitato serem eliminados, tipicamente 80-85% do fitato total tem de ser degradado. Dado que algum fitato é insolúvel (indisponível), esses altos níveis de destruição de fitato podem requerer reduções de concentrações disponíveis de fitato (solúvel) no estômago para valores tão baixos como 0,05% ou inferior. A actividade ideal da fitase para superdosing, portanto, difere da requerida para libertar simplesmente AVP. Ela baseia-se na actividade da enzima no início do tracto gastrointestinal, a pH baixo e também noutras características, tais como estabilidade térmica intrínseca (para evitar atrasos na libertação da fitase causadas por revestimentos utilizados para aumentar a estabilidade térmica do produto), da resistência a proteases (para evitar a degradação de fitase no estômago), e da sua actividade em concentrações muito baixas de substrato. Simplificando, a fitase ideal para superdosing é intrinsecamente termoestável, capaz de sobreviver nas condições do estômago, exibindo níveis altos de actividade a pH baixo e capaz de degradar os fitatos a muito baixas concentrações. O desafio que se coloca aos avicultores é que muitos produtos comerciais de fitase simplesmente não conseguem corresponder a estes critérios, e também a sua atividade a pH 5,5 e a relativamente altas concentrações de fitato (como usado nos métodos de ensaios padrão de fitase) não correspondem às actividades necessárias no animal.

Optimizar o desempenho O superdosing de fitase afasta-se da aplicação de uma dose-dependente do valor nutricional matricial e foca-se mais na melhoria do desempenho animal, mas é critico compreender os factores que podem afetar o desempenho do superdosing de fitase ao fazer-se a escolha do produto. O potencial do valor adicional disponível ao eliminarmos o fitato através superdosing é substancial. Como resultado, isto provavelmente irá levar a uma maior utilização de fitase no futuro com os produtores a aproveitar a oportunidade de promover ainda mais a melhoria da eficiência alimentar e o desempenho em avicultura. Para mais informação contactar: antonio.pratas@winfarm.pt

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL SFPM

SECÇÃO DOS FABRICANTES DE PRÉ-MISTURAS

SFPM

Neste último trimestre, dois temas merecem especial destaque:

1. A  interessante reunião organizada pela IACA sobre “Fontes de Proteína”, inserida no Ano Internacional das Leguminosas, com resumos de algumas das comunicações publicadas nesta edição revista. As previsões do aumento das necessidades alimentares mundiais serão possivelmente, uma oportunidade para continentes como a Ásia e África produzirem a matéria prima “soja”, afirmando-se como alternativas ao continente americano; as novas fontes de proteína como insetos e algas aparecem com muitas potencialidades de utilização; uma nutrição mais eficiente, eliminando desperdícios, terá também um papel importante na futura alimentação animal, pelo que as empresas deste sector deverão estar atentas a todas estas evoluções. 2. A  o fim de um longo processo, os sócios da IACA votaram o Alargamento da sua Associação, com a consequente alteração dos seus Estatutos (“Boletim Trabalho e Emprego”, nº 21, de 8 de junho de 2016). Com as alterações introduzidas, a IACA tem a oportunidade de se tornar a associação centralizadora do sector da alimentação animal em Portugal, representando todos os intervenientes na Fileira (com excepção da área da comercialização de matérias primas). Em particular, a SFPM tem a possibilidade de se ampliar, promovendo um núcleo de “tecnicidade” dentro da IACA, se eventualmente as empresas de aditivos nutricionais vierem a integrar-se nesta secção. Pedro Folque

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ALIMEN TAÇÃO ANIMAL


110ª REUNIÃO DO COMITÉ DE NUTRIÇÃO ANIMAL A 9 de março de 2016 em Bruxelas realizou-se a 110º Reunião do Comité de Nutrição Animal. Nesta reunião foi votada a única lista apresentada para a presidência e vice-presidência deste comité tendo sido eleito o Predrag Peršak (Croácia) como presidente e Peter Radewahn (Alemanha) como vice-presidente.

pecuária, devendo de futuro esta ligação ser reforçada.

1. Visão da FEFAC para o futuro da Nutrição Animal e Indústria de Alimentação Animal

Atualmente a nutrição animal é bem mais abrangente do que simplesmente uma ferramenta para satisfazer as necessidades nutricionais dos animais ou melhorar as suas performances produtivas, a alimentação animal contribui para o bem-estar e saúde animal, proteção ambiental e eficiência alimentar.

Na última reunião deste Comité decorrida em Piacenza, Itália, foi sugerido que o secretariado preparasse documentos com a visão da FEFAC da indústria de alimentação animal, da Nutrição Animal e da Sustentabilidade, para os próximos anos. Estes documento pretendem defender que a indústria de alimentação animal é altamente qualificada e regulada e contribui de forma muito significativa para o desenvolvimento da produção

Alguns dos objetivos a atingir no futuro são estabelecer uma relação mais próxima com os fornecedores de forma a otimizar a informação quanto à segurança alimentar, sustentabilidade e valor nutricional da alimentação animal ao longo da cadeia; ser capaz de integrar parâmetros de sustentabilidade na formulação; ser capaz de adaptar automaticamente a composição da dieta tendo em conta a variabilidade da composição das matérias-primas para a alimentação animal

(variabilidade intra e inter lotes); estabelecer formas de comunicação com os produtores quanto aos diferentes parâmetros medidos nas explorações (estado de saúde, temperatura, raça, performance técnicas etc.) com vista a desenvolver estratégias alimentares com base no estado de saúde dos animais e otimizar o fornecimento de nutrientes aos animais. 2. Redução da emissão de GHG através da Nutrição Animal O Comité de sustentabilidade recomendou um estudo exploratório com vista no potencial de redução de gases com efeito estufa através da manipulação da alimentação animal. Para tal contactaram o Comité de Nutrição Animal para aconselhamento quanto aos aspetos a ter em conta neste estudo. O Comité de Nutrição Animal apesar de congratular esta iniciativa referiu que é

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muito difícil estabelecer uma correlação entre a inovação na alimentação animal e a redução do impacto da mesma no ambiente. Considera ainda que muito tem sido feito neste campo, sendo a diminuição dos índices de conversão uma prova disso mesmo, visto que se consegue produzir o mesmo com menor quantidade de alimento, tornando a alimentação mais eficiente, o que significa necessariamente menores desperdícios. No entanto, existe ainda um longo caminho a percorrer e devem ser estabelecidas metas para os próximos anos, não esquecendo porém que objetivos demasiado restritivos podem ter implicações negativas na atividade pecuária, levando os produtores a desistir da sua atividade. Este é um problema que tem de ser gerido em conjunto com os produtores pois está muito dependente das práticas de maneio nas explorações pecuárias. 3. R  evisão da legislação sobre os alimentos medicamentosos A proposta de alteração à legislação sobre os alimentos medicamentosos vai ser votada em breve na DG AGRI (Direção Geral de Agricultura da Comissão Europeia), sendo que um dos aspetos mais relevantes prende-se com os valores de carry-over que vão ser votados, i.e., 3% para todas as substâncias até que a EFSA e a EMA, num prazo máximo de dois anos, estabeleçam, com base em estudo científicos, para cada grupo de substâncias, valores máximos de transferência para alimentos para espécies não alvo. Nesta versão do documento a proibição da utilização profilática cinge-se aos antibióticos. Quanto ao alimento medicamentoso não consumido, a indústria não concorda que este possa ser reutilizado após nova prescrição, nem ficar com o ónus da recolha da mesma. A orientação quanto às tolerâncias são de alinhar com o que se passa com os aditivos, o que significa que as tolerâncias no Regulamento apenas digam respeito às tolerâncias técnicas. Relativamente à pretensão da FVE de que os coccidiostáticos passem para a alçada 40 |

ALIMEN TAÇÃO ANIMAL

dos medicamentos de uso veterinário, a Comissão presentemente não considerou sequer esta hipótese. 4. A  tualização do catálogo de matérias-primas – utilização de formaldeído como protetor do rúmen As discussões no SCoPAFF sobre o projeto de atualização do Catálogo de matérias-primas da UE estão agora concluídas e está prevista a emissão de uma proposta de Regulamento pelos serviços da Comissão da UE para votação em abril de 2016. Espera-se que a proposta de introdução no Catálogo dos quelatos de cálcio e de magnésio seja recusada devido à ausência de um método analítico para determinar o nível de quelação. A Comissão quer que seja desenvolvido um método de determinação de quelatos para poder determinar se o valor presente no alimento corresponde ao rotulado, no entanto esta pretensão parece estranha tendo em conta que não existe método de quantificação de uma série de compostos de aditivos, o que se quantifica geralmente é o elemento (p.e. o caso do sulfato de cobre, o que se quantifica é o cobre e não o sulfato). Quanto à utilização de formaldeído para a proteção no rúmen, é incerto neste momento se a Comissão Europeia irá propor status quo (por exemplo, 0,12% nível máximo de resíduos de aldeídos livres), um nível inferior ou a eliminação de qualquer referência ao formaldeído no catálogo (o que significa, na prática, 0% de tolerância de resíduos de formaldeído). As empresas que executam proteção no rúmen com formaldeído pediram à Comissão Europeia um período de transição de 2 anos para reduzir o nível de formaldeído livre e 5 anos para mudar para outro método de proteção ruminal. As discussões estão agora concluídas e a votação poderá acontecer em Maio de 2016. 5. Critérios microbiológicos – Gestão do risco de salmonela ao longo da cadeia A Secretaria informou sobre o resultado do workshop conjunto FEFAC / FEDIOL

sobre gestão de risco Salmonela realizada em 18 de fevereiro de 2016 para os membros do SCoPAFF no sentido de os atualizar quanto às atuais ferramentas térmicas e químicas para controlar a contaminação com Salmonela, apontando o facto de que enquanto se aguarda a autorização dos primeiros melhoradores das condições de higiene, assunto em relação ao qual a Comissão Europeia não conseguiu ainda chegar a acordo, apenas o tratamento térmico ser possível. A FEFAC e a FEDIOL sugeriram ao SCoPAFF e à Comissão Europeia reconsiderar as políticas nacionais existentes e olhar para a convergência e, possivelmente, a harmonização das políticas a nível da UE. Alguns Estados-membros apoiaram fortemente a reativação das discussões a nível da UE para a harmonização das políticas, pedindo uma revisão do parecer da EFSA e o desenvolvimento de métodos de amostragem normalizadas como pré-requisitos. A Comissão Europeia indicou que a Unidade “Nutrição Animal e Medicamentos Veterinários” tem agora a liderança em matéria de higiene alimentar. As prioridades precisam ainda de ser estabelecidas nesta área, mas existência de critérios microbiológicos seria certamente um. Este workshop mostrou que há enorme quantidade de conhecimento na indústria do qual autoridades não estão cientes. Isto prova um verdadeiro interesse por parte de ambos, os operadores e as autoridades, em aprender mais sobre gestão de risco de Salmonela em alimentos para animais. A FEFAC e a FEDIOL propuseram estabelecer um fórum sobre Salmonela com base no modelo do fórum Fusarium existente, reunindo as partes interessadas, cientistas e tomadores de decisão. Tal plataforma de intercâmbio de informações sobre a avaliação de risco Salmonela e gestão de risco em fábricas de rações, bem como sobre as diferentes abordagens legais, facilitaria o processo de harmonização.


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ALIMENTAÇÃO ANIMAL NOTÍCIAS

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Grande Encontro da Agricultura Nacional ● Encontro

de agricultores, produtores e empresas do sector ● Eventos técnicos e de formação ● Concursos, degustações e venda directa de produtos das regiões ● Exposições de raças e leilões de gado ● Gastronomia e animação cultural e musical 42 |

ALIMEN TAÇÃO ANIMAL

ORGANIZAÇÃO:


ALIMENTAÇÃO ANIMAL NOTÍCIAS

TÍTULO DE MEMBRO HONORÁRIO DA FEFAC

Por ocasião do XXVII Congresso da FEFAC, que decorreu em Antalya, na Turquia, o Secretário-Geral da IACA, Jaime Piçarra, foi distinguido com o Título de Membro Honorário da FEFAC. O Secretário-Geral daquela organização europeia, Alexander Döring, salientou o percurso pessoal e profissional do homenageado, as funções que tem desempenhado em prol da Indústria europeia, enquanto representante da FEFAC, e o espírito de missão e liderança que tem demonstrado, nos vários temas que tem acompanhado, quer na União Europeia, quer noutras regiões, como os EUA, Brasil, Japão ou China. No “diploma” que consagra o título, assinado por Alexander Döring e pelo Presidente da FEFAC, Ruud TIJSSENS, o Prémio é atribuído “Pelo contributo pessoal que tem dado na procura de soluções para o problema dos OGM, demonstrando grande capacidade de liderança ao mais alto nível nas relações com os decisores europeus. O seu profundo conhecimento dos mercados agrícolas e dos mecanismos de regulação da União Europeia, combinado com as excepcionais qualidades humanas e de diplomacia, têm permitido uma defesa das posições da FEFAC em importantes fóruns europeus e internacionais, caracterizado pela excelência, designadamente nos Grupos de Diálogo Civil sobre Mercados Agrícolas, Política Agricola Comum ou Conferências sobre Biotecnologia, com destaque para o GMCC.” Visivelmente emocionado, o Jaime partilhou o prémio com todos os presentes e colegas dos Comités, salientando que trabalha apenas na defesa dos interesses do Setor, nas ideias e posições em que acredita, sendo uma honra e um privilegio servir a FEFAC. Desta-

cou a importância da equipa da FEFAC, os

Foi uma noite muito especial também para a

Presidentes da IACA, em particular o Pedro Corrêa de Barros que o “lançou” nestas funções quando assumiu a liderança da FEFAC, a mim enquanto Presidente que o encorajo e estimulo a fazer sempre melhor, bem como o apoio da Direção da IACA. Não esqueceu a sua Equipa em Lisboa, cuja qualidade e eficácia, lhe tem permitido assumir estas funções internacionais, pelo que lhes dirigiu um agradecimento muito especial e à Família, em

IACA que vê reconhecida a sua capacidade técnica, de organização e de influência no plano internacional, assim como para Portugal que vê mais um Português ser distinguido pelo

especial à mulher, pelo apoio e compreensão.

seu bom trabalho e empenho. Um prémio que também tem de ser dedicado e partilhado com todos os nossos Associados e que dá maior relevância ao nosso setor ao nível europeu. Obrigada Jaime! Cristina de Sousa

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A LI ME N TAÇÃO A N I M A L


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JORNADA “BENEFÍCIOS DAS LEGUMINOSAS-GRÃO NA AGRICULTURA” No passado dia 18 de abril decorreu em Elvas, na antiga Estação de Melhoramento de Plantas (INIAV) uma visita de campo na qual a IACA esteve presente através da sua Assessora Técnica, Ana Cristina Monteiro. A visita reuniu para além da IACA outras associações do setor, assim como entidades como a Fertiprado e a Universidade de Évora, entre outras, e vários agricultores, tendo como objetivo mostrar o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por esta entidade no que diz respeito ao melhoramento de leguminosas grão com interesse para a alimentação animal. As Engas Isabel Duarte e Graça Pereira falaram sobre o potencial produtivo, o melhoramento genético alcançado nestas espécies, especificidades e vantagens agronómicas da sua utilização. Espécies como o grão, fava, faveta, ervilha, chícharo, tremoço, tremocilha, Vícia sp., as quais constam já do Catálogo Nacional de Variedades.

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ALIMEN TAÇÃO ANIMAL

Foram ainda dados a conhecer alguns casos de sucesso na produção de algumas destas variedades que foram melhoradas pela Estação. No final da visita foi aberto um momento de debate, no qual a IACA participou reiterando a disponibilidade, tal como vem sendo hábito, de colaboração com esta entidade e associações de agricultores com vista à utilização destas espécies na alimentação animal. Foi ainda focada a necessidade dos agricultores se aproximarem da investigação, assim como a necessidade dos mesmos serem mais intervenientes perante o poder político, no sentido de forçar a políticas na área da investigação mais viradas para a terra, isto é vocacionadas para as necessidades dos agricultores, exigindo que os investimentos feitos na investigação contemplem estudos que resolvam as suas necessidades práticas.


CLUBE PORTUGUÊS DOS CEREAIS FORRAGEIROS DE QUALIDADE PODE PROMOVER A VALORIZAÇÃO DA PRODUÇÃO NACIONAL consiste em adequar a produção nacional de

Uma iniciativa que, estamos certos, vai aglutinar

cereais forrageiros às necessidades e especifi-

ainda mais empresas e que complementa as ini-

cações da Indústria, valorizando o que é nacional,

ciativas em prol da qualidade e mais exigência,

circuitos mais curtos e de proximidade, com

que iniciámos com o QUALIACA.

preocupações de qualidade e rastreabilidade.

A próxima Assembleia Geral ficou agendada

A intervenção do INIAV é da maior importância

para o dia 25 de novembro, na Raporal, com

pelo estudo e investigação de variedades que

o compromisso das Assembleias (2 anuais)

melhor se adaptem às exigências do mercado.

se realizarem, alternadamente, em “casa” de

Foi constituído no dia 30 de abril, pelas orga-

A anteceder a Assembleia Geral, o grupo (pro-

um produtor e um industrial, para melhor nos

nizações ANPOC, ANPROMIS, IACA e INIAV,

dutores, técnicos, investigadores e industriais)

conhecermos.

o Clube Português dos Cereais Forrageiros

visitaram campos de triticale e de milho de

de Qualidade, tendo-se realizado a primeira

alguns produtores, bem como campos de ensaio

Assembleia Geral, cujo Presidente será o atual

do INIAV. Pela parte dos nossos Associados,

Presidente da ANPROMIS, Dr. José Luis Lopes.

estiveram presentes as empresas Saprogal,

Com uma estrutura muito ligeira, sem custos

Raporal, Racentro, Cargill e Supervit, tendo

de funcionamento, as Associações são ape-

manifestado interesse em participar as Rações

nas facilitadores de um projeto cujo objetivo

Veríssimo e Rações Zêzere.

A LI ME N TAÇÃO A N I M A L

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL NOTÍCIAS

IACA PRESENTE NA FEIRA NACIONAL DO PORCO

Como não podia deixar de ser, sobretudo num contexto de forte crise do Setor, a IACA esteve presente na XXIII Feira Nacional do Porco, que teve lugar no Montijo, de 12 a 14 de maio, e que, na opinião não só dos organizadores mas de todos quantos tiveram a oportunidade de visitar o evento, foi o melhor de sempre, desde que assumiu o modelo atual. De resto, os números são elucidativos: 25 mil pessoas visitaram o Parque de Exposições do Montijo e tomaram contacto com a realidade do setor, assistiram a uma Bolsa histórica – que iniciou uma inversão da tendência, felizmente – a múltiplos Workshops e Sessões técnicas, ou acompanharam atividades mais lúdicas como o Cante Alentejano, com o Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Brinches, ou os inúmeros concertos e animação de DJ, “noite dentro”. Nas palavras de Vítor Menino, Presidente da Comissão Organizadora da Feira Nacional do Porco, constituída pela Federação Portuguesa

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das Associações de Suinicultores (FPAS) e pela Associação Livre dos Suinicultores Portugueses (ALISP) “esta feira, contra todas as contrariedades do momento, foi um verdadeiro sucesso. Uma demonstração que o setor está vivo e com vontade de superar os desafios que se lhe apresentam. Foi, sobretudo, uma demonstração de união que muito nos encoraja”. A aposta feita no apelo a visitantes não profissionais foi um dos elementos diferenciadores destacado por David Neves. “A existência de uma boa área de restauração, bem como o programa lúdico diversificado foi o mote para que o consumidor tenha tomado contacto com o desenvolvimento e a inovação que tem havido no setor. O enfoque da Feira Nacional do Porco na atração de público não profissional é, sem dúvida, uma das apostas a repetir em 2018”, afirma o Vice-presidente da FPAS. “A presença de entidades de todos os quadrantes políticos é, também, uma demonstração da relevância que esta área atividade representa para a economia nacional”. A 23ª Feira Nacional do Porco é um certame dirigido a visitantes profissionais e não profissionais que reúne todos os agentes da fileira do porco, desde os fornecedores de

matérias-primas até à produção e à distribuição. Este ano, mais de 300 expositores apresentaram o que de melhor se faz em Portugal num setor que emprega mais de 200 mil pessoas e apresenta um Volume de negócios de cerca de 600 Milhões de Euros, da maior importância para a Fileira e para a Indústria de alimentos compostos para animais. Os expositores presentes no certame avaliaram a Feira com uma nota de 3,73 (de 0 a 5), destacando como ponto positivo a organização pré-feira (com a nota de 4,05) e como ponto menos positivo o valor dos espaços (ainda assim com a nota positiva de 3,01). A Organização enaltece o facto de 90% dos expositores inquiridos manifestarem a vontade de regressar na edição de 2018. Uma vez mais, os nossos agradecimentos e Parabéns à FPAS e à Comissão Organizadora.

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL NOTÍCIAS DAS EMPRESAS

CALSEG, UM PARCEIRO DE CONFIANÇA Qualidade, rigor e independência Quando a CALSEG nasceu, faz agora dez anos, iniciou a sua atividade com a implementação e acompanhamento de sistemas de qualidade e a representação do laboratório Neotron SpA. Mais recentemente evoluiu para uma nova área, tendo criado de raiz uma estrutura, entretanto acreditada, para inspeção e amostragem nos Portos de mar, silos, armazéns e Indústria na manipulação, movimentação e transporte de produtos agroalimentares. Tem técnicos especializados para a execução destas amostragens que podem ser a cereais e outras matérias primas bem como alimentos compostos para animais. De modo a fechar o ciclo de atividade, a CALSEG, faz o controlo de qualidade a produtos agroalimentares através de ensaios analíticos no seu laboratório ou no laboratório da sua representada. Muitos destes ensaios são igualmente acreditados, destaca-se o ensaio de identificação e quantificação de impurezas em cereais (sendo a única entidade portuguesa acreditada para o efeito).

Para ir ao encontro da necessidade que os importadores e a indústria de alimentação animal têm de controlar a segurança dos produtos que manipulam, o laboratório faz igualmente ensaios de quantificação às micotoxinas Aflatoxina Total, Desoxivalenol, Fumonisina B1+B2, Ocratoxina A e Zearalenona, por técnica rápida de ELISA.

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ALIMEN TAÇÃO ANIMAL

Acreditação IPAC … O Laboratório da CALSEG, é acreditado pelo IPAC, para amostragem e ensaios, segundo a NP EN ISO/IEC 17025 – Requisitos gerais de competência para laboratórios de ensaio e calibração. É a primeira entidade portuguesa a ter a acreditação para a amostragem a: •P  rodutos para alimentação humana pela norma ISO 24333:2009 Cereals and cereal products - Sampling. • Produtos para Alimentação animal matérias primas e produto acabado de alimentação animal – Regulamento UE N.º 691/2013 que altera o regulamento (CE) n.º 152/2009, no que diz respeito aos métodos de amostragem e análise.

A CALSEG também tem o reconhecimento e é associada do GAFTA - Grain and Feed Trade Association - para a categoria de Superintendência.


Reduzir o nível de proteína bruta na dieta de porcos crescimento para melhorar o custo do alimento

Redução do preço do alimento

17,0 % 15,0 % Proteína bruta

Proteína bruta

Resultados da optimização do alimento para porcos crescimento considerando cada aminoácido essencial

☛ Os nutricionistas da Ajinomoto Eurolysine S.A.S. reviram e actualizaram recentemente as necessidades de aminoácidos essenciais para porcos crescimento (>25kg). As necessidades actualizadas, apresentadas na tabela seguinte, fornecem um caminho para a redução da proteina bruta da dieta sem consequências negativas na performance esperada dos suínos. ☛ A suplementação com aminoácidos como o L-Triptofano permite uma redução da proteína bruta da dieta e, consequentemente, do custo do alimento, permitindo assim uma performance optimizada ao menor custo. ☛ Adicionalmente, benefícios no ambiente são obtidos por menor excreção de azoto. PERFIL IDEAL DE AMINOÁCIDOS PARA PORCOS CRESCIMENTO E ACABAMENTO Relação SID relativamente à Lisina (%)

Crescimento 25 aos 65kg

Acabamento 65 aos 110kg

Lisina

100

100

Treonina

67

68

Metionina + Cistina

60

60

Triptofano

20

19

Valina

65

65

Isoleucina

53

53

Leucina

100

100

Acesso livre a toda a informação em: www.ajinomoto-eurolysine.com

Contact: INDUKERN PORTUGAL, LDA Centro Empresarial Sintra Estoril II – Rua Pé de Mouro – Edif. C Apartado 53 – Estr. de Albarraque, 2710-335 SINTRA Telef.: 219248140 – Fax: 219248141 – teresa.costa@indukern.pt A L I ME N TAÇÃO ANIMAL | 4 9


FICHA TÉCNICA ALIMENTAÇÃO ANIMAL Revista da Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais – IACA NIPC­‑ 500835411

TRIMESTRAL ­‑ ANO XXVII Nº 96

AGENDA DE REUNIÕES DA IACA

Abril / Maio / Junho

DIRETOR Cristina de Sousa

CONSELHO EDITORIAL E TÉCNICO

Data 1

• Reunião da Direção

6

• Reunião do Conselho Fiscal

14

• Reunião Geral da Indústria • ANO INTERNACIONAL DAS LEGUMINOSAS: Fontes de Proteína: Desafios, Oportunidades e Alternativas • Assembleias Gerais da IACA

18

• Participação na Jornada de Campo ”Benefícios das Leguminosas-Grão na agricultura”

20

• Comité Alimentos Compostos da FEFAC

Ana Cristina Monteiro Germano Marques da Silva Jaime Piçarra Pedro Folque Manuel Chaveiro Soares

COORDENAÇÃO Jaime Piçarra Serviços da IACA

ADMINISTRAÇÃO, SEDE DE REDAÇÃO E PUBLICIDADE

20 a 22

IACA ­‑ Av. 5 de Outubro, 21 ­‑ 2º E

MAIO 2016

5

• Reunião Secretários-Gerais da FIPA • Reunião na DGAV sobre o PANRUAA – Plano de Ação Nacional para a Redução dos Antibióticos nos Animais

1050­‑047 LISBOA Tel. 21 351 17 70 Telefax 21 353 03 87

• Congresso da FEFAC

Data

(incluindo receção de publicidade, assinaturas, textos e fotos)

ABRIL 2016

12 a 14

• XXIII Feira Nacional do Porco

13

• Reunião da Direção

17

• Reunião com o Programa COMPETE

18

• Reunião com os Silos de Leixões

www.iaca.pt

19

• Reunião com a DGAV sobre QUALIACA

EDITOR

20

• Reunião CT 37

Associação Portuguesa dos Industriais

23

• Reunião com a CESFAC e FEFAC em Córdoba

25

• Reunião de Contratação Coletiva de Trabalho

30

• 1ª Assembleia Geral do Clube Português dos Cereais Forrageiros de Qualidade

Data

JUNHO 2016

1e2

• Reunião RTRS (Soja sustentável) em Brasilia

EMAIL iaca@iaca.pt

SITE

de Alimentos Compostos para Animais – IACA

EXECUÇÃO DA CAPA Pedro Moreira da Silva

EXECUÇÃO GRÁFICA Sersilito ­‑ Empresa Gráfica, Lda. Travessa Sá e Melo, 209 4471­‑909 Gueifães ­‑ Maia

3

• Workshop Soja Sustentável da CGD – Consumer Goods Forum (Grande Distribuição)

PROPRIETÁRIO

6

• Assembleia Geral do CIB

8

• Conferência do USGC em Madrid

1050­‑047 Lisboa

9

• Conferência FEFAC/FEFANA sobre Inovação em Nutrição Animal • Feira da Agricultura – Seminário Grupos operacionais PDR 2020

DEPÓSITO LEGAL

16

• 11ª reunião do Comité de Acompanhamento do PRODER

Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais ­‑ IACA Av. 5 de Outubro, 21 ­‑ 2º E

Nº 26599/89

REGISTO Nº 113 810 no ICS

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21 a 24 30

• Conferências na China sobre Soja Sustentável • Reunião da Comissão Executiva

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