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Agricultura Familiar • Futebol em Gostoso • Pai da Noite • Bombaço • Poesia e Arte

Ponto de Cultura Tear - Tecendo Cultura, Cidadania e Direitos Humanos

Ano I - Número 2 - Setembro de 2010

Juventude, organização social e políticas públicas Como vão nossos meninos e meninas?


E D I TO R I A L

Gostoso é Foto: Alessandro Amaral

crescimento coletivo

extraclasse. O desafio se tornava cada vez mais interessante. As aulas de fotografia revelaram o olhar apurado e naturalmente talentoso dessa gente. Foram meses de teoria e prática, exercícios e análises. O resultado desse nosso momento está estampado nas páginas seguintes. O esforço recompensado em um material realmente “Gostoso” de se ver, e ler. Todas as pautas e assuntos dessa edição surgiram dos debates em sala de aula. Esperamos que goste da sua revista, ela foi feita com carinho. Se quiser envie-nos suas opiniões, sugestões, idéias e comentários. O Tear, assim como a Revista Guajiru, é feito por muitas mãos, com trabalho coletivo e união de ideais. Participe conosco, afinal, você também faz parte da família Tear. Namastê! Alessandro Amaral Editor Revista Guajiru

Q

uando recebi o convite (ou a convocação) para fazer parte da família Tear, não pensei duas vezes e aceitei sem hesitar. Tinha noção que diante de mim se apresentava um desafio. Seria legal organizar meus conhecimentos e tentar passá-los às pessoas com vontade de aprender. Algumas coisas aumentavam minha responsabilidade, os quilômetros de ida e volta a São Miguel, a boa base dada aos alunos pelos professores anteriores, o desejo deles de aprenderem algo novo. No final, tudo isso virou um grande estímulo para continuar. A vontade e interesse desses jovens despertaram em mim um sentimento, até então desconhecido (ou adormecido), o senso de responsabilidade social. De que adianta guardar nossos conhecimentos e aptidões apenas para nós? Por que não ampliar as alternativas da população oferecendo o que de mais valioso temos? Nosso conhecimento e experiência. Confesso que deu certo trabalho fazer alguns alunos produzirem. Tive que usar recursos

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EXPEDIENTE

SUMÁRIO

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Diretoria do CDHEC Coordenador Ariclenes França da Silva

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Tesoureira Anne-Dominique Losch Pastore Secretário Alessandro Magnus Xavier do Amaral

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Conselho Fiscal

Titular Osair Vasconcelos Filippo Rodrigo Rabelo dos Santos João Roberto Scomparim

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Suplente Carlos Antônio Peixoto Claribel Scomparim Patricia Caetano de Oliveira

Palavra do Leitor

Entrevista Isabel Neri: “Meu sonho é ver a casa paroquial pronta!” Perfil Bombaço: “refazer a vida é uma questão de tempo” Jornalismo Aula, pizzas e cinema: Estudantes visitam jornal diário em Natal

11 Poesia e Arte

Revista Guajiru nº 2 – 2010 Publicação do Espaço Tear – São Miguel do Gostoso Editor Geral Alessandro Amaral

Gostoso respira e transpira cultura popular durante Escambo

28 Novidades 32 Esporte

O Futebol em São Miguel do Gostoso

34 Lenda

O Pai da Noite

36 Dicas 37 Espaço Tear

Galeria de Fotos

19 Espaço Tear

38 Artigo

Diagramação Alessandro Amaral, Ariclenes França da Silva, Ricardo Silva, Heldene da Silva Santos Redação Alexsandro Barbosa Santos, Andreza Fernandes da Silva, Andriele Torres da Silva, Ariclenes França da Silva, Francimara Alves da Silva, Francisco dos Anjos Cardoso, Heldene da Silva Santos, Janicleide Dones, Joelma de Souza Silva, Luzia Ferreira de Oliveira, Maria Lucivânia Menezes Silva, Mikarlla Cavalcante da Silva, Ricardo André R. C. da Silva, Wellington França da Silva.

24 Cultura

Pingue-Pongue com padre Fábio

Não somos PIPA... nem seremos!

12 Espaço Tear

Que projeto é esse que faz tanta diferença em São Miguel?

Fotografia Alessandro Amaral, Andreza Fernandes da Silva, Ariclenes França da Silva, Francisco dos Anjos Cardoso, Heldene Santos, Janicleide Dones, Maria Lucivânia Menezes Silva, Wellington França da Silva

16 Memória

Comercial Ariclenes França da Silva, Wellington França da Silva, Francisco dos Anjos Cardoso

Caravana dos Direitos Humanos e Cidadania do RN

Revisão Alessandro Amaral, Heldene da Silva Santos Colaboração Anne-Dominique Losch Pastore, Filippo Rodrigo

20 Matéria de Capa

Gráfica: Quatro Cores

Tiragem: 2.500 exemplares http://tearcultura.blogspot.com revistaguajiru@gmail.com Dados bancários do projeto Tear

CDHEC Banco do Brasil Agência: 3525-4 C/C.: 27.021-0

Juventude, organização social e políticas públicas

IBAN : 001352540000270210 SWIFT: BRASBRRJSDR

30 Comunidade

Revista Guajiru

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MINISTÉRIO DA CULTURA

Agricultura Familiar Valoriza o trabalho coletivo, o produto e a comunidade


PA L AV R A D O L E I T O R Envie sua opinião, crítica ou sugestão para revistaguajiru@gmail.com

A Revista Guajiru apresenta diversos aspectos de nossa cultura. Mostra para todos o valor de um povo cheio de saberes popular. Saberes estes que vem sendo repassado de geração para geração através da oralidade e que agora começa ser escrito. Hoje temos a oportunidade de registrar esses conhecimentos. Isto é importante para nossa gente que se sente valorizada, respeitada na sua diversidade social e cultural e o que é mais gostoso é relembrar de nossa cidadezinha tão cheia de graça, onde cresci com tanta liberdade e pureza. Quando li a Revista Guajiru, lembrei muito de como ela era e vendo hoje as transformações de nossa cidade, de nossas praias, o meu coração se encheu de alegria de lembrar o tempo em que nadava na lagoa, depois corria para o mar, subia as dunas altas que tinham na beira da lagoa e descia deslizando em um cavalete. O prazer de vivenciar novamente estes momentos felizes de criança é muito gostoso. Imagino quantas pessoas não sentiram a mesma coisa! Daí a importância dessa revista que traz para nós uma leitura de mundo de muito gosto e prazer. Ana Célia Gomes Neri, professora São Miguel do Gostoso

Ana Cecília Pontes, socióloga Portugal

Neilson Gomes da Silva, universitário São Miguel do Gostoso

Já ouvi muitas histórias de São Miguel do Gostoso, lendas, causos, contos. Já vi muita arte e muitas vezes pensei como isso poderia ser preservado. Uma resposta me veio quando li a Revista Guajiru. Estavam lá lendas como a do Fogo do Batatão, informações sobre o pastoril e o boi de rei, perfis de pessoas interessantes da comunidade que a gente dificilmente pararia para prestar atenção. Pronto. As coisas começavam a ser escritas e gravadas para todo povo. Muito importante esse trabalho. Fabiano Garcia, músico São Miguel do Gostoso

Ai que coisa mais linda! Amei a primeira edição da Revista Guajiru. Fiquei até com saudades de Gostoso. Parabéns a equipe da revista pelo trabalho. Um projeto como este enriquece muito a cultura local, tanto pela divulgação dessa cultura lá fora como também por contribuir para que a própria população local perceba o valor das coisas que tem, e que por estar tão perto, está sujeito a passar despercebida. Parabéns! Lindo trabalho. Estou ansiosa pela próxima. Eliene Rodrigues, universitária Brusque – SC

Revista Guajiru

Ganhei a Revista Guajiru de um amigo gostosense. Fiquei feliz pelo presente, é claro, mas simplesmente guardei. Uns três meses depois a peguei por acaso e comecei folhear e fui achando interessante. Adorei a revista. Que tantas histórias bonitas, de cultura bonita, de gente bonita. Espero que alguém lembre de me presentear com a próxima edição. Com certeza estarei lendo imediatamente. É uma iniciativa linda esta. São Miguel do Gostoso está de parabéns.

Eu li e gostei muito da Revista Guajiru. É um veículo importante de preservação da cultura da nossa cidade e assim tão bem elaborada, gostosa de ler, melhor ainda. É uma forma bastante interessante, inclusive de estar mostrando lá fora o que é que Gostoso tem. De chamar a atenção da população local para os seus próprios valores, e do Brasil que Gostoso tem muito mais além de praias, que por sinal são lindas mesmo, e pousadas. Parabéns a toda equipe pelo trabalho. Tenho certeza que logo teremos a próxima edição ainda melhor.

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E N T R E V I S TA

Texto:

Alexsandro Barbosa e Andreza Fernandes Fotos:

Andreza Fernandes

Isabel Neri:

“Meu sonho é ver a casa paroquial pronta!”

I

sabel Teixeira Neri, carinhosamente apelidada Dona Bebé, até oito anos de idade viveu na fazenda chamada Limão, em João Câmara. Com a triste perda de seu pai, Manoel Teixeira da Silva, sua mãe, Olímpia Teixeira da Silva, não teve escolha e decidiu morar novamente com seus pais. Passaram então a viver em São Miguel de Touros. Pela carência do município, com quase nada de estudos, tornou-se a primeira professora pelo Estado. A competência e capacidade de seu marido, Nilo Ribeiro Neri – falecido há cinco anos – o fizeram tornar-se o primeiro enfermeiro de São Miguel e comunidades vizinhas, gerando de seus trabalhos a farmácia que está em atividade até os dias atuais.

Revista Guajiru

Como foi sua infância? Nasci em 1929 numa fazenda chamada Limão, nos arredores de João Câmara. Minha mãe, Olímpia Teixeira da Silva, casou com meu pai, Manoel Teixeira da Silva, sendo uma boa mãe para seus filhos. Porque quando ele casou já tinha filhos com outra mulher. Eram eles: Torquato, José e Elias. Quando eu tinha oito anos de idade, meu pai faleceu. Com a morte dele, decidimos morar em São Miguel de Touros. Minha mãe vendeu a fazenda para pagar as dívidas que ele deixou.

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Ao chegar a São Miguel de Touros onde passaram a morar? Nós chegamos em 1938 e passamos a

Isabel começou a dedicar-se a Igreja Católica desde a infância e ainda hoje reza o terço com suas amigas todas as noites na Igreja de São Miguel Arcanjo. Foi fundadora do movimento Legião de Maria, do Apostolado do Sagrado Coração de Jesus e foi catequista de jovens e crianças. Também esteve responsável pela administração da Igreja durante longo período (hoje esta atividade é feita pelo sacerdote, pois a comunidade está prestes a tornar-se paróquia). Mantém um bazar em benefício da casa paroquial e dedica-se integralmente a Igreja. Diz ainda que seu sonho é ver a casa pronta. Isabel participa assiduamente de movimentos e eventos religiosos em São Miguel do Gostoso. Conversamos com Dona Bebé em sua casa, confira agora um pouco desse bate-papo.

morar na casa dos meus avós maternos, Isabel e Bento Ambrosio Santana. A família cresceu. Trabalhávamos todos juntos na agricultura, acordando cedo, indo a pé ao roçado, apanhando feijão verde, seco, rapávamos mandioca, entre outras coisas. Nos juntávamos todos na sala para debulhar feijão e minha avó contava muitas histórias de Troncoso. Como foi sua formação escolar? Eu aprendi a ler e escrever em casa, com minha mãe. Ela resolveu não me matricular na escola, pois não concordava com a doutrina muito permissiva da professora local. Nem sequer tinha renda suficiente para pagar uma escola particular.

Como começou seu trabalho na comunidade de Gostoso? Aos 12 anos, dei aulas particulares na casa onde morava. Na época ganhava muito pouco. Aos 15 anos passei a ensinar, sendo a primeira professora da comunidade contratada pelo Estado. Naquele tempo fui a Touros a cavalo para ajeitar os papeis nos seis primeiro meses e não consegui receber meu salário. Consegui ajuda de uma procuradora, mesmo assim perdi a remuneração desses meses de trabalho. A partir daí passaram a me pagar corretamente. Onde ensinava não era uma escola, usávamos uma antiga casa, onde hoje se encontra a pousada Mar de Estrelas. Lá não tinha bancos, quadro nem giz.


Como conheceu seu esposo? Miguel Ribeiro Neri, meu sogro, tinha uma mercearia onde hoje é a papelaria Santa Isabel, e resolveu ir morar em Touros. Escreveu para Nilo, seu filho, que viesse tomar conta do estabelecimento. Ele era do exército, fazia curso para sargento, era auxiliar de médico e dentista. Atendendo ao pedido do pai, deu “baixa” e veio morar em São Miguel de Touros. Ele simpatizou comigo e logo passamos a namorar, poucos meses depois noivamos. Nesse namoro, também não foi diferente. Viajei a Natal durante o período do carnaval. Ao voltar, ele confessou ter uma namorada chamada Lurdinha. De imediato devolvi os presentes e as alianças. Em menos de um mês começou a se aproximar de mim novamente, me pastorando ao sair do trabalho, da Igreja. As pessoas diziam que eu cantava muito bem, que tinha uma bela voz. Para me conquistar me oferecia coco verde e eu os jogava fora. Mandava-me cartas, eu as devolvia mesmo sem ler. Nilo chegou a dizer “Isabel e muito orgulhosa”. Procurou-me confessando está muito triste e arrependido. Tentou de varias formas me fazer voltar pra ele. Confusa, sem saber se perdoava ou se valeria a pena, pedi a Deus e a Maria santíssima

que me desse um sinal. Na noite seguinte tive um sonho, aparentemente bom, e interpretei que deveria aceitá-lo. Conversamos e reatamos o noivado, de imediato providenciaram tudo para o casamento. Casei no dia 18 de março de 1948 em João Câmara, na igreja e no cartório. Como surgiu a ideia da farmácia? Nilo, por experiência de vender remédio na mercearia, atendia todas as pessoas que o procuravam. Atendia os arredores de São Miguel do Gostoso. Muitas gestantes foram salvas por ele, daí se construiu a farmácia. O que motiva essa dedicação integral à igreja? É uma missão. Aos oito anos já caminhava para a igreja, indo toda noite rezar na capela de São Miguel Arcanjo, que foi fundada por Miguel Félix Martins no dia 29 de setembro de 1899. Sendo muito católico e devoto do arcanjo, fez uma promessa e alcançou a graça. Então fez o que havia prometido, construiu uma capela em sua honra. A missão religiosa começou com Miguel, passou para José Italiano e sua esposa. Com o passar dos anos, eles se mudaram e Dona Sabina dos Santos Torres assumiu a responsabilidade. Em seguida minha mãe, passando então para mim e hoje tendo como responsável, Angelina Santana, secretaria paroquial. Eu acolhia padres, freiras e bispos em casa. Na época, o padre vinha a cavalo. Eu chegava a perder a missa indo pedir auxílio para ele. Dedico-me até hoje, investindo na pintura, algumas reformas, não deixando morrer a festa tradicional da igreja. Chegou também aos cuidados de Isabel de Matos que contribui até hoje na evangelização. Você sente-se realizada? Sim. Meu sonho também é ver a casa paroquial pronta, antes de morrer. Escrever um livro contando toda historia da minha vida. Tenho um bazar em benefício às obras da casa paroquial. Em meu aniversário faço questão dos meus presentes serem em dinheiro para doálos a construção. Sonho também em construir uma creche.

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Conte-nos como foi seu primeiro namoro? Pedro Gomes da Rocha, meu primo, queria namorar comigo. Dizia ele que eu tinha um bom procedimento, uma boa conduta e seria uma ótima esposa. Eu não queria muito esse namoro, mas tanto minha mãe quanto a dele queriam. Por obediência, aceitei. Ele trabalhava em um comércio em Umburana – Macau. Devido a idade foi servir ao exército em Natal e nas férias vinha a São Miguel de Touros. Aos 15 anos noivamos. Minha mãe, com toda simplicidade, preparou o enxoval. Ele já tinha casa em Natal. Com poucos dias para o casamento soube que arranjara uma namorada, chamada Letícia. Imediatamente terminei o relacionamento, devolvendo os presentes e as alianças. Menos de 15 dias após termos terminado, casou-se com ela.

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PERFIL

Bombaço: “refazer a vida é uma questão de tempo” Ex-empresário bem sucedido busca reconstruir sua vida e ter novamente sua própria casa

Foto: Maria Lucivânia Silva

Foi menino de pé no chão, conta que calçou os pés pela primeira vez aos 13 anos, usando um par de sandálias comprado com dinheiro da venda de peixes

Revista Guajiru

Nascido e criado em São Miguel do

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por Heldene Santos e Maria Lucivânia Silva

Gostoso, Bombaço, como é mais conhecido, é referência por sua figura e sua história. Seu apelido teve origem nos chutes fortes, “os bombaços”, que quando garoto aplicava nos jogos de futebol. José Ceará de Souza, 53 anos, já foi um dos homens mais ricos da região, hoje, com muito esforço e ajuda de outras pessoas está conseguindo construir sua casa. Bombaço foi menino de pé no chão, conta que calçou os pés pela primeira vez, aos 13 anos, usando um par de sandálias comprado com dinheiro da venda de peixes. Do mesmo modo a roupa, segundo ele. “Naquele tempo não tinha esse negócio de comprar roupa não”, revela. “Era arranjado uns sacos de açúcar feito de pano e mandava fazer os ‘calção’ e camisa”. Teve uma juventude movimentada, participou de grupos de jovens, boi de reis, e de muitas festas. Tinha, inclusive, a fama de gostar de armar confusões,

mas conta que apenas reagia às coisas que não gostava. Como exemplo, diz que certa vez estava numa festa e viu sua irmã ser insultada por um rapaz que queria forçá-la a dançar. Chateado, bateu no rapaz. Em seguida foi abordado pela polícia, como não achava certo que deveria ser preso também “deu uns pau na polícia”, confessa, e fugiu. Começou trabalhar aos cinco anos de idade com seu pai. Nunca estudou. Conta que na sua época havia o ensino, mas era através do rádio. “A pessoa dava aula lá de Natal”, diz ele, “e assim eu não gostava”. Com habilidades para a agricultura, pescaria, carpintaria e muita disposição para trabalhar, Bombaço tornou-se um grande empresário, proprietário de casas, comércios e embarcações. Já chegou a ser dono de uma frota de 16 embarcações, parte delas construída por ele mesmo. Até emprestava dinheiro para outros empresários da região, há alguns desses que, segundo conta, nunca pagaram seus empréstimos.

Diante do empresário bem sucedido, a sorte e a vaidade não foram favoráveis. Em 1992, com uma inflação sempre em alta e propostas ambiciosas dos bancos, o empresário vendeu seus bens e aplicou quase todo o dinheiro no BANDERN (Banco do Estado do Rio Grande do Norte) que logo em seguida foi fechado por providências do Governo Federal, liderado pelo então presidente da república, Fernando Collor de Melo. Bombaço, como muitos que acreditaram nas propostas do banco aplicando seu dinheiro, perdeu tudo. Ou quase tudo. “Também gastei uma ‘partezinha’ com bebedeiras... E com mulheres”, diz ele. Depois dessa maré, seu Bombaço, volta para a agricultura, a pesca e a carpintaria. Ainda hoje ganha um dinheirinho construindo alguma embarcação por encomenda e com a pescaria. Sorrindo, ele diz: “Caí uma vez e me levantei. Caí de novo e, novamente, vou me levantar. Refazer a vida é uma questão de tempo”.


Texto e fotos:

JORNALISMO

Alessandro Amaral

Aula, pizzas e cinema:

Estudantes visitam jornal diário em Natal

O

conhecimento teórico traz novas perspectivas à vida profissional e acadêmica de cada estudante. Mas como fazer para vivenciar esse conhecimento na prática? Idéias surgem e planos são traçados com o objetivo de suprir essa necessidade. Nesse intuito, a turma da Oficina de Jornalismo do Tear seguiu viagem até Natal, para conhecer a redação do jornal Tribuna do Norte, no dia 15 de setembro. Uma aula diferente e um dia especial onde todos aprenderam e divertiram-se bastante.

Na sala de fotografia, a editora Ana Silva, contou histórias pitorescas e revelou segredos do mundo da fotografia jornalística. O chefe do setor de diagramação, Carlos Bezerra, apresentou a forma que o jornal é formatado e como se dá a interação entre jornalistas, fotógrafos e diagramadores na composição das páginas. Ao final todos ganharam exemplar do livro comemorativo aos 60 anos do jornal e puderam relaxar num dos maiores shopping centers da capital. Após a maratona no jornal, a turma se emocionou ao assistir o filme Nosso Lar, baseado na obra de Chico Xavier, e degustou pizzas ao termino da sessão. “Hoje foi um dos melhores dias da minha vida”, confessou Alexsandro Barbosa dos Santos, aluno do projeto. Da redação à oficina de impressão, passando pelos setores intermediários na produção de um jornal até chegar às

Cibele apresentou as instalações do jornal

bancas de revistas, os alunos da oficina de Jornalismo do Tear puderam acompanhar de perto o processo do fazer jornalístico. A visualização da teoria sendo aplicada na prática é algo de grande importância no aprendizado de uma nova profissão. O Tear agradece ao jornalista Carlos Peixoto por proporcionar essa primeira oportunidade aos nossos alunos.

Yara esclareceu as dúvidas dos alunos

A editora do caderno Natal, Yara Okubo, também esteve com os aprendizes e tirou todas as dúvidas relacionadas à prática diária do jornalismo. Encantada com a correria da redação, a turma bombardeou a jornalista com muitas perguntas, todas atenciosamente respondidas. Cada setor despertou um interesse a parte em cada participante, gerando um clima de aprendizado e diversão.

Carlos conta como são formatadas as páginas diariamente

Ana revelou alguns segredos do fotojornalismo para a turma

Revista Guajiru

A idéia seria visitar a redação de um grande jornal diário da capital e sabatinar profissionais do jornalismo em seu lócus cotidiano. Através de contato prévio com Carlos Peixoto, diretor de redação da Tribuna do Norte, foi agendado a visita técnica que teve início às 15h. Recebidos por Cibele Ribeiro, do Departamento de Marketing, os alunos puderam conhecer um pouco da história do veículo e suas instalações.

A turma da oficina de Jornalismo do Espaço Tear reunida em frente ao prédio da Tribuna do Norte

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Não é só o vento, sol, praias e

Foto: Alessandro Amaral

belas mulheres que caracterizam a cidade de São Miguel do Gostoso. Há também muita responsabilidade socio-ambiental em nossa comunidade. Esse trabalho é realizado com muito amor e dedicação pelos agentes sociais locais e incentivo importante de parceiros engajados na promoção dos direitos humanos e cidadania. Para manutenção e realização desse projeto, contamos com sua participação. Venha fazer parte da família Tear e ajude a incentivar o desenvolvimento e a diversidade cultural do nosso país. Seja bem-vindo!

Revista Guajiru

Andar com veículos na praia é um atentado às pessoas de nossa comunidade e turistas, bem como um crime ambiental

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Dados bancários CDHEC Banco do Brasil: Agência 3525-4 - C/C. 27.021-0 IBAN: 001352540000270210 SWIFT: BRASBRRJSDR


P O E S I A E A RT E FEITO JOIO E TRIGO

ARTESANATO LOCAL

Foto: Janicleide Dones

Paulina Martins da Silva Idade: 72 anos Profissão: Labirinteira

Reprodução

por Janicleide Dones

Mas que podre é o Mundo! Pessoas interessantes, classes divididas, Filé mignom, bife do oião. Que se danem! Ó Mundo ridículo. Ridículo no sentido de ser ridículo; Como a educação no Brasil; Como as paredes magnéticas que criam nas raças, etnias, classe social. Ridículo como o verso que escrevo. - Preciso ser ridículo para participar das coisas do Mundo? ...Mas as coisas do Mundo também são ridículas. Janicleide Dones

Paulina Martins da Silva, mais conhecida como “Dona Paulinha” mora em São Miguel do Gostoso desde o ano em que nasceu. Atualmente com 72 anos, a artesã persiste em fazer seu trabalho – labirinto (tipo de renda produzida com agulha, e tem como característica o fio desfiado preliminamente). Guajirú: Com que idade aprendeu a fazer labirinto? D. Paulinha: Aos oito anos de idade. Guajiru: como e com quem aprendeu? D.Paulinha: minha mãe fazia labirinto, eu sempre a olhava e foi com ela que aprendi. Guajirú: Por que quis aprender? D. Paulinha: Na época não existia trabalho, o que tínhamos era o roçado (sitio de plantações). Trabalhávamos limpando mato e eu não queria, então tive que aprender a fazer labirinto. Minha mãe sempre me batia para eu poder aprender e ajudá-la. Guajirú: Você considera seu trabalho valorizado? D. Paulinha: Claro que sim. Mas só tem um defeito, não da direito a aposentadoria. Sou aposentada como marisqueira, por que aos 22 anos trabalhei com caçoeira (tipo de rede de pesca), depois parei e continuei com labirinto e só deixo depois que eu morrer (risos). Guajirú: Seu trabalho serve também como fonte de renda? D. Paulinha: Sim. Tem meses que vendo bem e ajuda muito com as despesas de casa. Depende muito da estação, se a cidade tem muitos turistas, se as peças que faço os agradam, etc. Guajirú: Qual a peça que é mais procurada? D. Pailinha: Toalhinhas com o nome da cidade, panos de prato, e as vezes roupas. Guajirú: Para os visitantes que estão conhecendo a cidade o que você diria á eles? D. Paulinha: Que sejam bem-vindos, aproveitem bastante e não deixe de conhecer meu trabalho. E de comprar também (risos).

VIRGÍNIA

GOSTOSO ENCANTO

Desde muito pequena A labuta a conheceu E jamais a abandonou Ela, desde cedo, responsável Cuidou de casa, gado e roçado Conta dos irmãos tomou Trabalho?! Nunca rejeitou

Canto dos deuses, que Gostoso Pedaço de um Brasil formoso De belo ceu azul anil

Ô mulher de língua afiada! Não agüenta nada calada Também de nada tinha medo

Tem o mar um azul que nos domina Um por do sol que nos fascina Mais um lual até o amanhecer

Montou em burro brabo, Jumento desembestado Pegava em cobra corá Em brasa e o que aparecesse Pra ela tudo era possível E dizia: “Se o medo existe eu não conheço.” No seu tempo de menina Até mulher muito nova Transporte não existia Ia a pé onde fosse De Galinhos a Gostoso Taipu a Baixa Verde Touros ao Boqueirão Fosse perto ou distante Pra visitar seus parentes Não tinha medo de chão Mulher pequena e franzina Aparentemente frágil Mas frágil só na aparência - Forte e determinada! Em toda a sua vida Só não atirou de espingarda Porque a arma de fogo Ela não apreciava Firme como uma rocha Com muita admiração “Voinha”! Queria ser como ela E ainda peço de Deus Que lhe dê muita benção. Sandra Cristina de Melo (uma homenagem a Virgínia, sua avó, 91 anos)

Que belas praias, que vontade De ver da lua a claridade Do sol a luz acontecer

Cheguemos a Praia do Marco Buscando a historia, o passado Pois o Brasil nasceu aqui Praias da Xepa, do Cardeiro do Santo Cristo, os coqueiros os maceiós, os jangadeiros Rico folclore o povo canta Vem ver da fauna e a flora a dança A voz do vento ao coração Felicidades ao relento Podemos ver a todo momento Terras férteis, plantações Sol, dias quentes, noites frias Vegetação rara, queria Esse bom vento do litoral Belo reduto, morros tanto Amor bonito que exclamo: - Gostoso paraíso feliz! Então recito um belo canto Da bela moça o encanto De um pedaçinho do Brasil Heldene da Silva Santos

Labirinto feito por D. Paulinha


E S PA Ç O T E A R

Revista Guajiru

Foto: Acervo TEAR

Que projeto é esse que faz ta

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nta diferença em São Miguel? por Francimara Alves,

Mikarlla Cavalcante e Andriele Torres

Turma da oficina de artesanato com materiais recicláveis ministrada por Cláudio e Arlanza (RJ), oferecida pelo Tear

Revista Guajiru

O

CDHEC (Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania) foi fundado em 2003 por militantes de Direitos Humanos, jornalistas e agentes de cultura, com a finalidade de promover, proteger e reparar os Direitos Humanos, Civis, Políticos, Sociais, Culturais e Ambientais. Com a transferência do CDHEC de Natal para São Miguel do Gostoso no ano de 2007, o coordenador Fabio dos Santos, em parceria com a Igreja Católica e colaboração de Gustavo Tittoto, que disponibilizou o local, abriu para uso da comunidade o Espaço Tear. O Tear é um projeto do CDHEC que tem por objetivo a realização de atividades direcionadas ao público jovem e infantil da comunidade. Difundir, valorizar e preservar as expressões culturais e manifestações sociais, visando à construção de novos valores de cooperação e solidariedade; transformar os jovens em grandes atores sociais para promoção da dignidade humana e efetivação da cidadania; são algumas metas do projeto. A primeira atividade a ser implementada no espaço foi a oficina de teatro popular de rua, ministrada pelos arteeducadores Filippo Rodrigo e Patrícia Caetano, integrantes do Bando La Trupe e coordenadores do Escambo Popular de Rua – movimento cultural que propaga tais manifestações por onde passa. Logo em seguida surgiu o grupo infantil de Pastoril, uma valiosa vertente da cultura popular, sob a responsabilidade de Maria Teixeira e Maria do Carmo, experientes dançarinas do grupo de Pastoril da Melhor Idade da comunidade. Em 2008 veio a oficina de Jornalismo, que contou com a participação de reconhecidos profissionais dos veículos de comunicação de Natal. O resultado foi a publicação da revista Guajiru, que descreve a cultura local, turismo, esporte, agricultura familiar e participação social na comunidade. O Espaço Tear também disponibilizou à população de São Miguel cursos profissionalizantes de eletricista, bombeiro hidráulico, pedreiro, informática, oficinas de reciclagem, palestras sobre ética, cidadania e meio ambiente. O principal apoio para a realização dos cursos e oficinas no Espaço Tear chegou através de amigos, parceiros de Fabio e Dominique Pastore, em Natal, no Rio de Janeiro, Suíça, Alemanha e Itália. Esse apoio ainda é efetivo hoje. Após se inscrever em edital do Ministério da Cultura, o CDHEC passou a ser Ponto de Cultura, o que garantiu recursos durante três anos para manter os projetos já realizados pelo Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania no Espaço Tear. Conheça um pouco mais das atividades do nosso ponto na página seguinte:

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Foto: Ariclenes França

Pastoril O pastoril é erguido com garra e disposição por duas grandes mulheres, Dona Maria Teixeira e Maria Ducarmo, incentivadas por padre Fabio, que sempre transmitiu determinação, vontade e muita cultura no sangue. Do grupo pastoril participam 17 meninas que ensaiam todos os sábados das 9h às 10h. Já são três anos de música no “gogó” e ritmo no pé. As meninas do pastoril deixam sempre bem claro o que querem passar ao seu público. Usam sempre músicas religiosas, principalmente nas datas comemorativas, especialmente em homenagem a Jesus. “Tudo começou com uma brincadeira de senhoras que gostavam de relembrar sua adolescência. Hoje estou aqui dando aula de Pastoril. É sempre importante ter Jesus no coração e alegria de viver”, disse Maria Teixeira.

Esse é o nome do grupo de teatro formado a partir das oficinas oferecidas pelo Espaço Tear. A trupe possui 20 integrantes, que seguem as orientações da arteeducadora Patrícia Caetano de Oliveira. Com diversas apresentações realizadas em pousadas, escolas e eventos, o grupo se destaca pela maneira que passa o conhecimento e informação através do entretenimento e humor do teatro de rua. Entre as peças encenadas recentemente estão “Os sete constituintes”, “Vento do Gostoso” e “Hoje meu boi não sai”. Para a integrante Suanes da Silva Ricardo, 17 anos, o grupo é uma oportunidade de crescimento social e intelectual. “O teatro me fez mudar, me tornar uma pessoa mais feliz. Gosto do que faço, pois tenho planos. Quem sabe um dia serei atriz”, afirmou. Os ensaios acontecem sempre às segundas-feiras, das 19h às 20h, gratuitamente.

Foto: Claudiana Menezes Xavier

Nos na Rua

Oficina de Jornalismo Boi de Reis Em atividade há apenas seis meses, a oficina de Boi de Reis conta com 12 participantes e acontece todas as quintas-feiras gratuitamente, a partir das 14h. O grupo possui dois mestres, José Marciano Gomes e Luiz Tenório, que transmitem a cultura popular a essa turma formada por garotos de 5 a 10 anos. “Tenho prazer em fazer o que faço, porque gosto e acho bonito. A minha intenção é passar o que sei às próximas gerações. Não tem quem não se encante com algo tão colorido e divertido como é o Boi de Reis”, declarou José Marciano.

A oficina de jornalismo forma novos escritores e repórteres amadores na comunidade. Em sala de aula são vistas técnicas de jornalismo, como redação, entrevista, reportagem, apuração de fatos, fotografia, projeto gráfico e editorial, diagramação e noções de design. Os alunos se reúnem todo domingo, das 10h às 12h, em aulas gratuitas no Espaço Tear. Em torno de 17 jovens participam da oficina sob a batuta do jornalista, diagramador e fotógrafo, Alessandro Amaral. O curso existe há aproximadamente dois anos e teve como professores: Osair Vasconcelos, Carlos Peixoto e Yuri Borges. Os três mestres foram responsáveis pela primeira edição da revista Guajiru.

Revista Guajiru

AGRADECIMENTOS

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As atividades do Tear só são possíveis graças ao incentivo do Governo Federal e de doações voluntárias, que ajudam a minimizar as despesas de manutenção do projeto. Entre nossos grandes parceiros estão: Prefeitura de São Miguel

do Gostoso, Gustavo Tittoto, Wellington Mendes (MG.Net), Elisabeth Marinho Dias, Dona Mergène Revel, Christiane Dovat, as paróquias de Montreux e Villeneuve (Suiça), paróquia de Pestello Montevarchi (Itália), amigos da Europa e Brasil.


Restaurante

La Brisa Comida com um gostinho nosso!

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MEMÓRIA

Padre Fabio no comando da caravana

Caravana dos Direitos Humanos e Cidadania do RN

São Miguel do Gostoso Cidade Universal dos Direitos Humanos Texto e fotos:

Alessandro Amaral

Foi um dia inteiro de atividades, tudo para celebrar e promover Revista Guajiru

os Direitos

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Humanos

M

eu envolvimento com o pessoal que trabalha com Direitos Humanos já vem de certo tempo. Lembro que 2008 foi um ano agitado devido ao aniversário dos 60 anos da Declaração Universal da ONU – documento importante na garantia desses direitos. Apesar do tempo, jamais havia participado de uma Caravana de Direitos Humanos e o convite veio justamente em junho daquele ano. Dia 18, São Miguel do Gostoso (RN) se transformou na Cidade Universal dos Direitos Humanos, marcando o calendário nacional no incentivo a cidadania plena. Após 100 km de rodovia vindo de Natal, encontro um lugar aprazível, de brisa gostosa e gente hospitaleira. Gostoso me surpreendeu naquela ocasião, não por suas tradicionais belezas naturais, mas sim pelo envolvimento da população na promoção dos direitos básicos das pessoas. Foi um dia inteiro de atividades, cortejos, apresentações teatrais, entregas de kits, exposição, reuniões, debates, eventos culturais, entre outros. Tudo para celebrar e promover os Direitos Humanos. A energia do povo contagia e dá forças para seguir a maratona. Além das ativida-

des previstas na programação, teve muito suor nos bastidores. Lembro de me dependurar nos caibros do Centro de Múltiplo Uso amarrando banners, correr feito louco fotografando os detalhes da caravana, até subi uma tremula escada com mais de 3 metros para registrar o cortejo chegando ao Centro de Multiplo Uso. Todo esforço em nome da cidadania e garantia dos nossos direitos. Depois de ouvir os anseios das pessoas, discutir possíveis soluções, mostrar seus direitos, apresentar propostas e levar segurança para a população da cidade, a caravana se


encerrou com apresentações de cultura popular e a esperança de que a semente plantada naquele dia germinasse bons frutos. De lá para cá os projetos sociais se desenvolveram ainda mais e as oportunidades foram ampliadas, assim como a capacidade de dar suporte à população local. Esse evento aconteceu através do esforço conjunto do Espaço Tear, CDHMP, Prefeitura Municipal, Câmara dos Vereadores, Fórum Popular de Participação de Políticas Públicas, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, da Educação e da Pesca, Assembléia de Deus, Igreja Católica e pousadas locais.

As Caravanas de Direitos Humanos e Cidadania do RN foram desenvolvidas pelo CDHMP (Centro de Direitos Humanos e Memória Popular) e já percorreram cidades como Macau, Caicó, Carnaubais, Ceará-Mirim, Mossoró, Pau dos Ferros e São Miguel do Gostoso. A intenção é promover e garantir os Direitos Humanos diante das violações, e assim consolidar o verdadeiro Estado Democrático de Direito. Ouvir solicitações, reclamações, denúncias por onde passa e encaminhá-las para serem resolvidas, promover debates sociais e ajudar a construir uma consciência cidadã também fazem parte dos objetivos das caravanas.

Uma vasta programação foi montada para celebrar o aniversário da Declaração Universal da ONU em São Miguel e isso começou cedo. Logo pela manhã um cortejo percorreu as ruas do município com faixas, cartazes, batuques e palavras de ordem, promovendo intervenções teatrais a cada parada. A caminhada terminou no Centro de Múltiplo Uso, local onde se encontravam, entre o grande público, diversas lideranças locais. Lá foram entregues kits-biblioteca contendo livros e CDs-Rom sobre Direitos Humanos às entidades sociais. Uma exposição dos 30 artigos da Declaração com belas imagens foi montada no local.

Chegada do cortejo ao Centro de Multiplo Uso

Revista Guajiru

Perseguir sonhos e construir redes

A cada parada, um artigo da Declaração era lido para o público

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Crianças, jovens e adultos participaram efetivamente da caravana

Entrega dos kits-biblioteca às entidades no Centro de Multiplo Uso

Revista Guajiru

A tarde houve reunião entre os membros da caravana e líderes locais, representantes da sociedade civil organizada, órgãos públicos, igrejas e iniciativa privada, para discutir assuntos de interesse coletivo. A noite começou com uma caminhada com velas acesas pelas ruas da cidade. Chamado de “Via sacra luminosa”, o cortejo parou em pontos estratégicos onde eram lidos artigos da Declaração Universal. O encerramento se deu no Ginásio Esportivo da cidade com

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discurso das autoridades e apresentações culturais do Boi de Reis e Pastoril. As resoluções e propostas, surgidas dos debates com a população, foram encaminhadas para serem discutidas e ampliar a Rede Estadual de Direitos Humanos. A aplicação do “Curso Agentes da Cidadania” e a criação do Conselho Municipal de Direitos Humanos também foram planejadas na ocasião, entre outras idéias construtivas. Perseguindo sonhos e construindo redes, sempre!

Roberto Monte (CDHMP), Graça Lucas (Movimento Negro) e Ana Amélia (Canal Futura)

Apresentação do Pastoril animou o público que compareceu ao ginásio

A Via Sacra Luminosa trouxe bilho às ruas de São Miguel do Gostoso

O público acompanhou atentamente cada leitura de artigo da Declaração


E S PA Ç O T E A R

padre Fabio

O que é o CDHEC? O Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania é uma instituição nascida do sentimento de um grupo de jornalistas, advogados, médicos, educadores e profissionais liberais, que, já vivendo esse compromisso, quis se engajar como um grupo em 2003 na cidade do Natal. Desde 2007, com a minha vinda, foi decidida em assembléia a transferência para Gostoso a fim de que, com o protagonismo de uma comunidade atuante, a gente pudesse desenvolver melhor nosso objetivo. Qual a finalidade dessa instituição? O CDHEC, como está em nosso Estatuto, tem por finalidade a: (I) Promoção da ética, da justiça, da paz, da cidadania e dos direitos humanos; (II) Promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; (III) Promoção, defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do meio ambiente sustentável; (IV) Promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente. Acredito que nestes anos em São Miguel do Gostoso estamos num processo cuidadoso, envolvente e participativo procurando cumprir nossa missão institucional tentando, assim, uma coerência entre o que se diz e o que se faz. O que é o Tear e qual a sua relação com o CDHEC? O CDHEC é a instituição. O Tear é o espaço onde são desenvolvidas as atividades socioculturais. Hoje é um lugar não só da instituição, mas de toda comunidade que também usa o Espaço Tear para outras atividades que visam o bem-estar de Gostoso. Percebe-se muito bem o sentimento de pertença e empoderamento das pessoas em relação ao Tear. Ele não é de fulano ou beltrano. O Tear é nosso. O Tear é de São Miguel do Gostoso. E isso não é por acaso. Como nasceu o TEAR? Este espaço nasce como resultado de um pequeno trabalho desenvolvido pelos grandes artistas de Teatro de Rua, o casal Filippo e Patrícia, respeitados nacionalmente nesta área do teatro popular, que sob a coordenação minha e de Dominique, começa com a galera a trabalhar a memória e a identidade de São Miguel de Gostoso. Por isso as pessoas se identificam com o Tear. Como surgiu a idéia do Ponto de Cultura? Nós somos Ponto de Cultura, esse importante programa do Ministério da Cultura, porque na verdade a gente já era um “Ponto de Cultura”. Quando Gustavo Titotto cedeu o salão, Fátima Dantas durante três meses recolheu dos comerciantes da cidade o pró-labore para pagar

por Heldene Santos

o Filippo e a Patrícia. A Prefeitura nesse tempo pagava as refeições dos dois e sempre ajudou a gente nos translado para Natal e outras cidades onde os grupos iam participar de fóruns e eventos culturais. Depois, eu e Dominique, com os nossos familiares e amigos em Natal, no Rio de Janeiro e na Europa, conseguimos recursos substanciosos e pudemos dar um salto enorme com as oficinas. Como foi a articulação com a comunidade para a criação do projeto do Ponto de Cultura? O Espaço Tear –CDHEC tem uma relação muito boa com o Poder Público Local e a chamada Sociedade Civil Organizada, como as ONG’s, os sindicatos e fóruns, e as Igrejas da cidade. Prova disso foi a realização do evento “São Miguel do Gostoso, Cidade Universal dos Direitos Humanos”, no ano de 2008 em alusão aos 60 anos da Declaração da ONU. Todos, mas todos mesmo, estavam envolvidos. Igualmente, quando por ocasião do Edital, conversamos com todos esses atores sociais que referendaram o Projeto e enviaram cartas de recomendação. Já antes do Ponto de Cultura, todas essas instituições participavam e continuam a participar das oficinas e atividades atuais. Isso é extremamente positivo. Quem contribuiu para a aprovação do Ponto de Cultura? O Ponto de Cultura é resultado de uma seleção no edital da Fundação José Augusto (FJA) com recursos oriundos, dois terços do Ministério da Cultura e um terço do Governo do Estado. Assim sendo, deste ponto de vista, a aprovação do nosso Ponto é um mérito da equipe do Espaço Tear-CDHEC, depois de criteriosamente analisado pela comissão da FJA. Na sua opinião, o que significa o Ponto de Cultura para esta comunidade? Para mim, o maior significado é que neste Governo Federal, mais do que nunca, o Artigo 215 da nossa Constituição (“O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos Direitos Culturais e acesso às fontes da cultura nacional, apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”), está cada vez mais saindo do papel e tornando-se realidade. Imagina só! São Miguel do Gostoso é parte viva do Programa Mais Cultura junto com outros dois mil municípios brasileiros dos mais de 5.500 existentes no país. Isso significa que somos uma cidade que valoriza, promove, protege, repara e difunde a nossa cultura. Isso significa que temos autoestima, memória e identidade. Seu Gostoso deve está dando boas risadas e contando lá no céu o que está se passando aqui na terra de São Miguel.

Revista Guajiru

com

Foto cedida

PingueP ngue

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M AT É R I A D E C A PA

Juventude, organização social e

políticas públicas Como vão nossos meninos e meninas?

D

iante de tantas adversidades da vida moderna que ameaçam nossas crianças e adolescentes, como a violência, as drogas, as doenças sexualmente transmissíveis, o desemprego e a falta de perspectivas, nós nos perguntamos: “o que fazer?” e infelizmente muitas vezes dizemos que ninguém está fazendo nada para mudar essa realidade. por Heldene Santos

e Ricardo André Silva

Vamos dar uma volta na cidade de São Miguel do Gostoso/RN e ver que tem muita gente de olho nesses problemas e botando a “mão na massa” para mudar essa realidade. Através de ações do Poder Público Municipal e da sociedade civil organizada, a comunidade se mobiliza para enfrentar e buscar soluções para prevenirse desses problemas.

Jeitos diferentes de trabalhar, mas um objetivo em comum

O grande objetivo é garantir que cada criança possa viver sua infância e cada jovem possa viver sua juventude com paz, saude e Revista Guajiru

dignidade

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O grande objetivo é garantir que cada criança possa viver sua infância e cada jovem possa viver sua juventude com paz, saude e dignidade.

O poder público e as políticas públicas para crianças e jovens Para se falar hoje sobre políticas públicas para a criança e o adolescente ou políticas públicas para juventude, temos que observar três fatores: Primeiramente, a nossa Constituição Federal prevê no seu art. 227, que: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com ABSOLUTA PRIORIDADE, o direito à vida, à saude, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.” Segundo, cada vez mais a gestão pública tem alicerçado suas ações estratégicas através

de uma metodologia organizacional baseada em projetos e programas e, finalmente, é na realidade do município que são executadas as políticas públicas (educação, saúde, habitação, segurança, etc). As principais políticas públicas são hoje voltadas para assegurar os direitos da criança e do adolescente, em especial à educação, saúde e assistência social, além disso, existe a intervenção dos programas e projetos sociais, que visam atender determinado público ou combater problemas específicos, como, por exemplo, o trabalho infantil ou a prostituição. Hoje, os principais programas existentes no país são desenvolvidos e subsidiados pelo Governo Federal e tem contrapartida e execução por parte dos municípios. “Considerando as características de cada uma dessas cidades, essa contrapartida pode superar e muito o subsídio do Governo Federal”, revelou Anna Karolynne, secretária de trabalho, habitação e assistência social do município. No caso de São Miguel do Gostoso, aos programas já existentes – PETI, ProJovem e Bolsa Família – são atrelados projetos próprios que visam dinamizar e garantir a participação do público infanto-juvenil e oferecer o contraturno, ou seja, um período na escola e outro na atividade sócioeducativa. Podemos destacar, entre esses projetos, os Grupos de dança Elo Contemporâneo e Ballet Corpus, o grupo musical Batuque do Gostoso, a Escola de Música/ Orquestra Filarmônica, a Escolinha de Futebol do Parma, e as Aulas de Reforço, projeto da ASCDEG em parceria com a Prefeitura Municipal. Além disso, as crianças e adolescentes envolvidas nesses projetos, bem como suas famílias, são acompanhadas pelo Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) – Casa das Famílias, com atendimento especializado de pedagogos, psicólogo e assistente social. Dois grandes problemas desafiam qualquer gestão pública hoje: o primeiro é integrar os


Foto: Alessandro Amaral

A sociedade civil também participa da construção da cidadania É uma característica marcante da comunidade de São Miguel do Gostoso a organização formal da sociedade civil. Em 2008, segundo dados do Conselho Municipal de Assistência Social, o município contava com 64 associações instituídas e em funcionamento. Em pesquisa realizada pela AMJUS (Associação de Meio Ambiente, Cultura e Justiça Social), constatou-se que, em 2009, havia organizado 26 grupos de jovens, existentes em torno de atividades culturais, sociais, religiosas ou ambientais. Ainda, segundo dados da AMJUS, no mesmo ano, existiam em torno de 27 times de futebol, alguns destes com atividades ainda associadas a outras áreas além de esportiva como ações direcionadas às questões ambientais.

Percebe-se, portanto, que há sempre uma tendência da população a estar se organizando de algum modo, seja com fins de entretenimento ou de ações sociais. Essa sociedade organizada tem como grande parcela de sustentação as juventudes e adolescentes, principalmente nas comunidades do campo. Segundo Neilson Gomes, componente da equipe de pesquisa da AMJUS, essa organização social tem como base a atuação de jovens que pensam politicamente e agem na perspectiva de mudanças. Além da presença de ONGs com sede em outras localidades que sempre se fazem presentes, destaca-se, com sede na cidade São Miguel

Arthur Pedro, 13 anos (Grupo de Teatro do Tear) “É bom participar do teatro. A gente se diverte e a gente aprende. É... e se não deu para entrar num outro canto... entrei aqui. E estou participando, é bom e isso é que importa”. Flaviana Pereira, 15 anos, é beneficiária do Programa Bolsa Família Inscrita no ProJovem Adolescente, porém, não participa efetivamente do programa. “Tem muitas atividades em Gostoso, mas tem dia que eu não vou, eu só gosto de ir quando a gente vai pro ginásio! Tem algumas coisas pra fazer no ProJovem, vídeo, dinâmicas, palestras, só coisa pra criança, prefiro ficar em casa... Agora quando eu sei que vão discutir sobre sexualidade, drogas e outros assuntos é que vai ser chato! É coisa que a gente já sabe, que fala direto na escola, na igreja, na televisão. Eu acho que pra melhorar deveriam perguntar do que a gente gosta.”

Depoimentos

Marcos Aurélio, 15 anos, é beneficiário do Programa Bolsa Família e participante do ProJovem Adolescente. “Tem muitos grupos (programas) em Gostoso, dança, teatro, o batuque, o PETI, o Projovem ... É bom participar porque ajudam a gente a aprender, e o teatro e a dança ajudam em como perder a vergonha e dominar o medo.” Kelle Cristina Modesto dos Santos, 13 anos (Participante do EMA) “Eu participei do EMA e foi muito bom. Se tivesse mais eu participaria mais. Uma coisa que eu achei muito interessante foi porque no EMA as coisas eram discutidas com a gente que a gente nem percebia. Assim, percebia, mas era através do teatro, da dança... tinha música. Bem legal”.

Revista Guajiru

diversos programas e projetos, tanto da sua estrutura quanto da sociedade civil; o segundo, é inserir nessa estrutura de serviços e proteção social os jovens que mais precisam de integração e cuidado. O primeiro é facilmente percebido quando paramos para pensar em que programas e projetos são oferecidos, e nos deparamos com o quanto não sabemos sobre o trabalho de nossos colegas. Uma metodologia interessante utilizada para superar esse problema é a adotada pelo Selo Unicef, que unifica as ações voltadas para a criança e o adolescente dentro da esfera municipal através da presença de um articulador, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente - CMDCA e uma comissão mista de gestão e avaliação das atividades. O segundo problema é enfrentado por todos aqueles que trabalham com atividades sócio-educativas, que é exatamente atingir o público-alvo, já que essa clientela, segundo Viviane Araujo, Coordenadora do CRAS, rejeita a abordagem dos profissionais envolvidos e alguns projetos sofrem com a evasão de seus participantes.

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Encontro Municipal de Adolescentes O EMA é um evento de mobilização juvenil, promovido pela AMJUS em parceria com algumas instituições como o TEAR e Prefeitura, entre outras, que reune jovens de todo município com o objetivo de promover o diálogo entre as juventudes, a participação na sociedade e a integração dos grupos sociais da comunidade.

Foto: acervo AMJUS

Eventos acontecidos em São Miguel

Festival de Arte Popular de São Miguel do Gostoso

Foto cedida

O Festival de Arte Popular de São Miguel do Gostoso é um movimento que reune todos os grupos da cidade que atuam no setor cultural. O evento tem em sua composição grande número de adolescentes e jovens. É uma iniciativa lançada em 2003 pelos artistas populares do município, e adotada pela gestão pública municipal em 2005, agregando o evento as comemorações da Festa de Emancipação Política de São Miguel do Gostoso, que ocorre na segunda semana de julho.

Auto de Natal em Gostoso

Revista Guajiru

Foto: Heldene Santos

O espetáculo que retrata o nascimento do Menino Jesus e conta a história de Gostoso e do seu povo, ocorre na Praia da Xêpa na última semana do ano. O Auto reúne crianças, adolescentes e idosos envolvidos em programas sociais governamentais e nãogovernamentais. Tem produção executiva da Secretaria de Turismo, Comunicação e Meio Ambiente e direção da Secretaria de Trabalho, Habitação e Assistência Social.

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do Gostoso, o Coletivo de Direitos Humanos, Cultura, Ecologia e Cidadania – CDHEC, a Associação Sócio-Cultural e Desportiva Gostosense – ASCDEG e a, já citada, Associação de Meio Ambiente, Cultura e Justiça Social – AMJUS. No município tornou-se conhecida uma rede de trabalho sócioambiental e cultural que sedimentou e ainda sedimenta as bases para uma juventude consciente e cidadã. Em 2001, foi fundada a Associação Sócio-Cultural e Deportiva Gostosense (ASCDEG), através da qual foi dado início a todo um trabalho de implementação de projetos de limpeza urbana, alfabetização e incentivo de práticas esportivas (futebol e capoeira) para crianças e adolescentes e de promoção da arte (música). Atualmente, a ASCDEG também recebe apoio da Prefeitura, dos governos do Estado e Federal e de alguns empresários da cidade. O Espaço TEAR, um projeto do CDHEC criado em 2007 por iniciativa do Padre Fabio dos Santos, trouxe novo fôlego para a divulgação e resgate da cultura popular em Gostoso. Segundo Anne-Dominique Losch Pastore, uma das coordenadoras do programa, o projeto ajudou na criação de um grupo de teatro popular e oferece outras oficinas culturais, como a oficina do Boi de Reis, Pastoril, música, dança, produção de textos jornalísticos, artesanatos etc., além de alguns cursos profissionalizantes como de pedreiro, encanador e eletricista. Para Ariclenes França da Silva, coordenador do CDHEC, o trabalho das organizações se completam. Acrescenta que “a cultura e o esporte são alternativas à droga e ao álcool para crianças e adolescentes. Ambos são importantes instrumentos para a promoção da cidadania, por que além de educar, são atividades que interessam aos jovens”. A AMJUS, fundada em janeiro de 2009, como foi dito por Nanda em seu artigo “Plantar a semente funciona: um exemplo de solidariedade em Gostoso” no site www.suficiente.org, é a terceira geração de projetos nessa linhagem. A entidade promove pesquisas e a produção de material e publicações sobre educação e cultura. Em outubro do mesmo ano coordenou a realização do III Encontro Municipal de Adolescentes, evento realizado em parceria com o TEAR, ASCDEG e Prefeitura Municipal, que reuniu mais de 130 adolescentes e tratou de temas como saúde sexual e reprodutiva, drogas e drogadição, justiça socioambiental, entre outros.


Selo Unicef O Selo UNICEF Município Aprovado é uma iniciativa que fortalece a caminhada do País rumo aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), buscando garantir para cada criança e cada adolescente o direito de sobreviver e se desenvolver, aprender, protejer(se) do HIV/AIDS, crescer sem violência e ser prioridade nas Políticas Públicas. O UNICEF certifica e reconhece os esforços de municípios que alcançam os maiores avanços na melhoria de vida da infância e adolescência. São Miguel do Gostoso foi um dos 40 municípios aprovados na edição 2008, pelos resultados alcançados na melhoria da qualidade de vida de seus jovens. A vitória da última edição se deu grande parte a uma nova postura organizacional dos programas e projetos da sociedade civil e poder público, sob a orientação da articuladora do prêmio, Elba Alves Silva Teixeira, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e a Comissão Pró-Selo. Vale lembrar que o município de São Miguel do Gostoso está entre as 165 cidades do RN que concorrem ao Selo UNICEF Edição 2009-2012.

Grupo de capoeira e maculelê

• ProJovem Adolescente - Prefeitura de São Miguel do Gostoso – SEMTHAS

• Escola de Música de Gostoso ASCDEG

• PETI – Programa de Erradicação do Trabalho Infântil - Prefeitura de São Miguel do Gostoso - SEMTHAS

• Escolinha de Futebol - ASCDEG e Parma Futebol Clube

• ProJovem Campo - Governo Federal e Prefeitura de Gostoso/SMEC • Jovem Empreendedor – Governo do RN e Prefeitura de São Miguel do Gostoso - SMEC • Batuque do Gostoso - Prefeitura de São Miguel do Gostoso – SMEC e SEMTHAS • Grupo de Dança Elo Contemporâneo - Prefeitura de São Miguel do Gostoso - SEMTHAS • Grupo de Ballet Corpus - Prefeitura de São Miguel do Gostoso - SEMTHAS

• Capoeira e Maculelê - ASCDEG • Grupo de Teatro Nós na Rua CDHEC/Espaço Tear

Foto: Heldene Santos

Programas e projetos realizados em São Miguel do Gostoso

Quer saber mais?

• Pastoril Infantil - CDHEC/Espaço Tear

• ASCDEG

• Boi de Reis Infantil - CDHEC/Espaço Tear

• AMJUS

• Escotismo na Escola - Governo do RN e Escoteiros do Brasil

• TEAR

• Pastoral da Criança - CNBB e Área Pastoral de São Miguel Arcanjo.

• Ricardo André

• Projeto Ecoar Atitudes - partidipação social de adolescentes - AMJUS

• Praia do Gostoso

ascdeg.blosgspot.com

www.amjus.org.br

tearcultura.blogspot.com

avelm.blogspot.com

www.praiadogostoso.com

Revista Guajiru

Segundo Tiago Luciano, diretor da ONG, a instituição ainda desenvolve pesquisas com fins de traçar o perfil dos adolescentes de Gostoso e suas formas de organização, e trabalha com os antigos moradores para resgatar e registrar outros aspectos da cultura popular do município não trabalhados pelas outras organizações. Kelle Araujo, cordenadora de projetos da AMJUS, diz que também é uma das preocupações da entidade as metodologias de trabalho com adolescentes e jovens, e a elaboração de indicadores sociais para a realização de projetos direcionados a esse público no município. As ações dessas organizações sociais somadas as iniciativas do poder público resultam em um quadro bastante ampliado de espaços de direito. Um grande ponto positivo neste contexto é o estabelecimento de uma boa relação entre o poder público e a sociedade civil organizada, de modo que suas ações são pensadas, planejadas, executadas e avaliadas em uma situação de parceria e coletividade, garantindo que os espaços de inclusão e participação da sociedade cresçam entre a juventude e o público carente dessa demanda no município de São Miguel do Gostoso.

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C U LT U R A

Gostoso respira e transpira cultura popular durante Escambo

O cortejo percorreu as ruas de São Miguel e arrastou as pessoas com sua alegria

Texto e fotos:

Alessandro Amaral

A cidade se vestiu de arte e o ar ficou mais colorido. O Escambo Popular

Revista Guajiru

Livre de Rua

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aportava em São Miguel

S

ão Miguel do Gostoso (distante 100 km de Natal) foi tomado por artistas populares durante o XXV Escambo Popular Livre de Rua, que aconteceu entre os dias 15 e 18 de janeiro deste ano. O encontro reuniu estudantes, professores, artistas, músicos, aficionados pela arte e quem saiu ganhando foi a comunidade, que teve a oportunidade de vivenciar quatro dias de pura cultura transitando pelas ruas do município.

A cidade se vestiu de arte e o ar ficou mais colorido. A alegria se estampou no rosto do menino e as senhoras vieram para a calçada saber que tanto barulho era aquele. O Escambo Popular Livre de Rua aportava em São Miguel trazendo consigo grupos de Teatro de Rua de todo Rio Grande do Norte, além de “escambistas” (termo criado pelo movimento para participantes do evento) de boa parte do Nordeste. Ao todo, mais de 200 artistas estiveram na cidade. Algumas comunidades próximas foram visitadas por grupos que levaram bom humor ao cotidiano local. Na Escola Estadual Olímpia Teixeira, onde os participantes ficaram hospedados, foram realizadas várias oficinas e apresentações teatrais durante três dias, abertas ao público. As atividades envolveram cortejos, intervenções com grafite, teatro de rua, dança, teatro de bonecos, poesia, música e percussão, bem como oficinas, rodas de conversação, exibições de vídeos, entre outras formas de conhecer e viver em comunidade.

A troca de experiências e o contato com outros artistas é um dos pontos básicos do evento. “Vim para o Escambo pelo intercâmbio, pela vivência, porque prezo a educação libertadora. E mesmo percebendo que o encontro não fala sobre ela, ele aponta para essa perspectiva, essa disposição de construir uma intervenção, uma transformação conjunta, não só aqui, mais no cotidiano. E ai está o grande diferencial do Escambo, o fazer conjunto”, declarou André Luiz Gomes, 44 anos, do grupo Ciclo Vida. Em apenas 30 dias os grupos de teatro Nós Na Rua e o Bando La Trupe, com a parceria do Ponto de Cultura Tear e sob a coordenação de Filippo Rodrigo, organizaram o Escambo de São Miguel. Entre os artistas que se apresentaram estavam o Boi de Reis do Mestre Zé Marciano e Luís Pequeno, e o Pastoril das mestras Maria do Carmo e Maria. O movimento passou pela cidade e deixou um rastro de cultura viva, repleto de migalhas artísticas que podem e devem ser seguidas para o alcance de uma sociedade mais justa e que sabe valorizar a arte popular.


Movimento Popular Escambo Livre de Rua O Escambo Livre de Rua é um movimento popular de irradiação cultural que reúne grupos de teatro de rua, dança, capoeira, artistas plásticos e visuais, poetas, músicos e artistas populares do Brasil e Argentina com o intuito de socializar suas experiências artísticas, culturais, políticas e comunitárias. Segundo Ray Lima, “uma experiência coletiva de mobilização e organização social e de atuação política em termos regional e local. Um espaço livre de produção de conhecimento e de inclusão social; de inserção do cidadão comum”. A palavra Escambo significa a troca de um bem material ou serviço por outro, sem uso de dinheiro. Essa prática era muito comum no Brasil colonial, no início do século XVI, quando os portugueses davam bugigangas (apitos, espe-

lhos, chocalhos) para os indígenas em troca de trabalho, onde deveriam cortar as árvores de pau-brasil e carregar os troncos até as caravelas portuguesas. O Escambo Popular Livre de Rua, como explica Aryclenes França, membro do Tear, é um movimento realizado em alguns Estados do Nordeste brasileiro desde 1991, concretizado por vários grupos culturais de dança, capoeira, teatro, música, entre outros. O movimento Escambo é uma ação multicultural com grande alcance popular, seus espetáculos, exposições e espaços de vivência são gratuitos e acontecem nos locais públicos das cidades. Geralmente, o evento ocupa praças, ruas, circos, igrejas, calçadões, e tantos outros lugares de acesso livre disponíveis em cada lugar onde se realiza. O Movimento Livre Escambo de Rua aconteceu pela primeira vez em São

Miguel do Gostoso entre os dias 15 e 18 de janeiro de 2010 e, segundo Junio Santos, um dos líderes do movimento, “existe nele um grau e uma capacidade de renovação incrível. Seja renovação dos conhecimentos, seja na renovação e aperfeiçoamento das práticas artísticas. A cada Escambo realizado, os artistas renovam suas linguagens, seus saberes e suas práticas. O fato de ser um encontro de celebração e intercâmbio intenso, os escambistas aprendem, se deixam aprender e apreendem o outro, levando para seus lugares de origem a cachola repleta de saberes e práticas renovadas e enriquecidas. Esta riqueza de aprendizagens em alta proporção, qualidade e velocidade faz da pedagogia do escambo, um mundo de possibilidades, um centro móvel e dinâmico de construção coletiva de saberes diversos e carregados de significados”.

Revista Guajiru

por Heldene Santos

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Um Escambo Gostoso “Vamos contar a nossa história A nossa história vamos cantar Eu conto uma, canto duas, conto três E agora é sua vez da história vim contar.”

Revista Guajiru

Embalados pelas cantigas populares, os artistas do Movimento Popular Escambo Livre de Rua desfilaram pela cidade de São Miguel do Gostoso. Palhaços, acrobatas, poetas, músicos, atores com seus apetrechos cênicos, conduziam a comunidade para o espaço de apresentações, começaria ali pela primeira vez na cidade o XXV Escambo Popular Livre de Rua.

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– Peraí! Começaria ali? Não! O Escambo de São Miguel já tinha começado um mês antes. Como? Então vamos por partes. Vamos voltar a fita. Em dezembro foi acordado que o XXV Escambo seria em Gostoso. Tínhamos um prazo de quase 30 dias para colocar tudo em ordem. A comissão organizadora foi formada pelo Bando La Trupe, que passou a residir na cidade durante o período de preparação do evento, e o grupo local Nós Na Rua. Todos os dias a equipe se reunia e se articulava para sair às ruas conversando com a população, visitando pousadas e comércios. Produziram material gráfico de divulgação e fichas de inscrições, contataram os demais escambistas, conseguiram local para hospedagem, transportes para os artistas, passagens aéreas, alimentação, carro de som. Ufa! Uma correria, né?

Texto: Filippo Rodrigo Fotos: Alessandro Amaral

Durante todo o Escambo, tivemos vários momentos marcantes. A começar pela recepção que tivemos da população de Gostoso antes e durante o evento, contribuindo, lotando as rodas de apresentações e participando de toda programação. Os Escambares (programação noturna do encontro) também merecem destaque. O primeiro foi no bar de Dedé de Tico, grande parceiro do movimento. Os seguintes, com a turma do espaço Talismã, que juntos ajudaram a fazer um Escambar gostoso, com muita poesia, música, mostra de vídeos, danças e manifestações artísticas espontâneas.


Um fato que merece ressaltar é a parceria firmada com diversas entidades em prol do evento. O Ponto de Cultura Tear e a ONG CDHEC, que são parceiros do Grupo Nós Na Rua desde sua criação, e a Prefeitura de Gostoso, através de Ricardo André (que já participara de um Escambo e sabia da importância do evento se fazer na sua cidade, indo, por muitas vezes, de frente com quem não creditava na realização do encontro), deram uma grande força.

Por falar em não acreditar... “nem tudo é um mar de rosas”. Tivemos algumas dificuldades, principalmente com os donos de algumas pousadas que nem nos atendiam direito e alguns ainda debochavam dos meninos do Nós Na Rua, dizendo que aquilo que eles falavam não iria acontecer. Por outro lado, comerciantes nos paravam na rua querendo contribuir com o Escambo e outras pousadas reconheciam a importância do encontro para a cidade e se tornaram parceiros. Em especial a Pousada dos Ponteiros, que cedeu a hospedagem para Amir Haddad.

O Escambo de Gostoso foi uma grande festa. Pudemos brincar com a cidade durante os dias de encontro. Pudemos trazer os escambistas para conhecerem a casa do grupo Nós Na Rua, esse grupo formado por meninos e meninas que estão crescendo e se desenvolvendo com arte, com essa arte livre no qual nos tornamos mais sensíveis ao próximo e conscientes de que possamos mudar, senão o mundo, pelo menos nos transformar.


por Francimara Alves,

NOVIDADES

Mikarlla Cavalcante e Andriele Torres

Aluno nota 10 Os melhores alunos da rede pública de São Miguel do Gostoso receberam no dia 17 de abril o título de Aluno Nota 10, oferecido pela Prefeitura Municipal em cerimônia no ginásio poliesportivo da cidade. O evento tem a finalidade de incentivar os aprendizes a melhorarem seu desempenho escolar através de uma competição saudável. Nesta primeira edição, contou com a participação de cerca de 1.700 pessoas, entre expectadores e estudantes. Os vencedores deste ano foram Mateus do Santos da Silva (distrito de Novo Horizonte), que ganhou uma casa; Dalila dos Santos da Silva (Novo Horizonte), um computador; e Brena Eduarda Barbosa de São Miguel do Gostoso, uma bicicleta. Um quarto prêmio ainda foi sorteado entre 24 gostosenses alunos do IFRN e a vencedora foi Francimara Alves da Silva, que ganhou um micro computador.

São Miguel do Gostoso está promovendo inclusão digital através do Telecentro Comunitário. É um projeto do Governo Federal em parceria com o município, que consiste em espaço público provido de computadores conectados a internet banda larga. Ali realizam-se atividades por meio das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação). O objetivo é promover o desenvolvimento e reduzir a exclusão digital. O projeto iniciou dia 10 de maio de 2010 e funciona das 8h às 22h. O acesso é livre e gratuito. Saiba mais no www.mc.gov.br/ inclusao-digital-mc/telecentros/ Fotos: Francimara Alves

Foto: Ricardo André

O diretor José Jailton recebe das mãos do prefeito, Miguel Teixeira, premiação do aluno de sua escola

Telecentro Comunitário

Evento de Turismo e Selo de Qualidade

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Reprodução

Estande do Rio Grande do Norte na Feira de Turismo

São Miguel do Gostoso participou de um dos mais importantes eventos do país, o 5º Salão de Turismo – Roteiros do Brasil, realizado em São Paulo entre os dias 26 e 30 de maio. O objetivo principal do salão é apresentar ao grande público e agências de turismo os melhores roteiros nacionais. Esse ano São Miguel foi destaque com suas qualificações específicas e belezas naturais, como o selo Turismo Melhor – Qualidade em Serviços Turísticos, concebido pelo SEBRAE/RN às empresas da cidade. A delegação de Gostoso contou com a participação de 11 pessoas, entre elas empresários do ramo de hotelaria, secretários e prefeito da cidade. O evento foi realizado pelo Ministério do Turismo.


Site de São Miguel do Gostoso

www.minhacomunidade.net Aspectos Físicos, Geográficos, Históricos, Sociais e Culturais

Idealizado por um grupo de jovens estudantes da própria comunidade

Associação de Meio Ambiente, Cultura e Justiça Social

CNPJ:11.111.001/0001-20

Nossa missão é contribuir com o desenvolvimento social e humano de crianças, adolescentes e jovens, utilizando estratégias de educação, cultura e comunicação.

www.amjus.org.br São Miguel do Gostoso/RN - Brasil

Revista Guajiru

Associação Sócio-cultural Desportiva GostosenseASCDEG tem o objetivo de incentivar e estimular a participação dos Jovens na vida comunitária, através de atividades sócio-culturais (música, capoeira, escolinha de futebol e aula de alfabetização). Ações que favorecem a auto-estima e a inclusão social.

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COMUNIDADE

Texto e fotos:

Ariclenes França da Silva e Luzia Ferreira de Oliveira

Agricultura Familiar Valoriza o trabalho coletivo, o produto e a comunidade

A

gricultura familiar é a forma pela qual um grupo de pessoas tira seu sustento através da produção e comercialização de um produto. Esse trabalho é feito com hortaliças, apicultura, artesanato, frutas, criação de aves, suínos e caprinos, beneficiamento de castanhas, produção de bolos, salgados e doces, entre outros. Valorizando assim tanto a produção de qualidade em conformidade com ambiente, quanto a venda pelos próprios produtores. Para o fortalecimento desses grupos formados por famílias das comunidades e assentamentos de São Miguel do Gostoso, com intuito de melhorar, expandir e valorizar o trabalho e o produto comercializado, surgiu o núcleo da rede Xiquexique composta pelos grupos que trabalham com agricultura familiar, articulada por Maria Katiana Barbosa da Silva de 23 anos. A rede é uma forma de reunir as famílias e fazer um trabalho de acompanhamento, proporcionar capacitações e troca de vivências entre elas através de encontros e intercâmbios. O núcleo se articula com outros espaços de discussões como o Fórum de Participação Popular nas Políticas Publicas – FOPP, a Marcha Mundial das Mulheres – MMM, Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais – STTR, como instituições parceiras, e a Associação de Apoio as Comunidades do Campo – AACC/RN. Os grupos são formados na sua maioria por mulheres que, conhecendo seus direitos, sentem-se livres para o trabalho, como nos relata Dona

Maria do Socorro, 52 anos, da Agrovila Paraíso, que com mais três mulheres cultivam hortaliças, produz bolos e doces. “O nosso trabalho é importante pela liberdade, foi aqui que conhecemos a liberdade de mulher.” Os produtos são comercializados pelos próprios produtores na comunidade e em cidades vizinhas. Algumas famílias participam do projeto Compra Direta da EMATER - Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural/RN, onde todos os meses são comprados uma quantia de produtos alimentícios a essas famílias para repassar as escolas de São Miguel do Gostoso como merenda escolar. No dia 28 de agosto de 2006, surgiu a feira Agroecológica e de Economia Solidária em São Miguel do Gostoso com a proposta de ser diferente da feira convencional, pois tem por objetivo valorizar o trabalho dos agricultores e agricultoras com relação a venda de seus produtos, garantindo um valor mais justo. As famílias agrupam-se para produzir e comercializar produtos agroecológicos, com o intuito de melhorar a

Revista Guajiru

Feira Agroecológica em São Miguel do Gostoso

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qualidade de vida para seus familiares como também para a sociedade que consome. O lema é não usar nenhum tipo de produto químico, é tudo natural, isso é amplamente discutido nas capacitações. Pode-se constatar que nas comunidades de Tabua, Reduto, Canto da Ilha, Arizona, Antônio Conselheiro, Mundo Novo, Novo Horizonte e Paraíso, tem-se um trabalho riquíssimo com produtos agroecológicos, valorizando o esforço coletivo, o produto, a comunidade, sem prejudicar o meio ambiente.

Tabua Visitamos a comunidade de Tabua para verificar quais trabalhos relacionados à agricultura familiar são desenvolvidos. Chegando lá conhecemos Dona Maria Ducarmo Silva de Araújo e Maria Iracema Barbosa de Almeida, que há oito anos trabalham com hortas orgânicas e Maria Anunciada Barbosa de Araújo, que junto com seu esposo, faz o mesmo trabalho na comunidade. Na horta são cultivados diversas hortaliças como: alface, coentro, cebolinha, rúcula, cenoura e pimentão. Maria do Socorro e Cleonice Gomes da Silva


As verduras são comercializadas na própria comunidade e trazidas para a feira agroecológica em São Miguel do Gostoso, todas as segundas-feiras. Todos eles são integrantes da rede Xiquexique, participando ativamente para adquirir conhecimento e aprimorar a produção. Na comunidade podemos verificar outro trabalho utilizando a fibra da Carnaúba feito por Ana Maria Barbosa da Silva, na criação de tapetes, bolsas e chapéus. Os produtos são comercializados nas cidades de São Miguel do Gostoso, Touros, Carnaubinha e Parazinho. Caminhando um pouco mais pela comunidaMaria Anunciada de encontramos Araújo, Tabua Geane Cruz de Souza Silva que usa a palha da Carnaúba na confecção de diversos modelos de bolsas e porta-joias, entre outros adereços, juntamente com mais cinco jovens da comunidade. Esse trabalho é feito em sua própria casa. Os produtos são vendidos na feira em São Miguel do Gostoso.

Arizona No Arizona encontramos Maria Matias de Souza, 47 anos, do grupo de Mu-

Novo Horizonte O grupo de Apicultura Delícia das Abelhas, do Novo Horizonte, existe há cinco anos. Atualmente é composto por seis pessoas, entre elas Maria das Dores Cardoso de Melo, 33 anos, Joana Darc Menezes da Silva, 35, e Sônia Maria Pereira Tenório, 39. A colheita do mel é feita uma vez por mês, caso o inverno seja bom. A produção é vendida para a pousada Mar de Estrelas e na feira agroecológica em São Miguel do Gostoso.

mais de oito anos, e participaram de diversas reuniões, capacitações, na qual os três primeiro anos foram de muito aprendizado, o restante trabalho, produção e comercialização. Sonia Maria Tenôrio Gomes, Atualmente cultivam moradora da comunidade hortaliças, criam porcos Novo Horizonte e galinhas, porém, pretendem acrescentar o cultivo de banana, mamão e maracujá. Esse grupo foi o primeiro do Rio Grande do Norte a ganhar o prêmio “Valores do Brasil” do Banco do Brasil. Prêmio esse de 50 mil reais, dividido com AACC – Associação de Apoio as Comunidades do Campo, a Instituição que desenvolveu e acompanhou o projeto, sendo 60% para as mulheres e 40% para a instituição, destinados a compra de materiais, infra-estrutura e acompanhamento de outros trabalhos.

Joana Darc da Silva e Maria das Dores Melo, Novo Horizonte

O grupo tem uma organização peculiar e plausível. Para um melhor desenvolvimento e rendimento do trabalho, elas organizaram uma caixinha que no final de cada mês colocam 10% do valor arrecadado com as vendas, para as despesas, os outros 90% é dividido entre elas.

Paraíso O grupo Juntas Venceremos, de Paraíso, é formado por cinco mulheres. Existe há Maria Matias de Souza, da comunidade Arizona

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Maria Ducarmo Araújo e Maria Iracema Almeida, da comunidade Tabua

lheres. Maria, conhecida por todos como Dadá, um grande exemplo de persistência, nos relatou que o trabalho iniciou com a participação de 12 mulheres cultivando hortaliças, depois Geane Cruz houve a desistênSilva, Tabua cia do grupo, permanecendo apenas ela. “O trabalho é demorado e trabalhoso, mas tem que se acreditar”, disse. Hoje o grupo do Arizona conta com a participação de três mulheres, que cultivam hortaliças e criam galinhas. Dadá participa de todas as reuniões e capacitações da rede Xiquexique em São Miguel do Gostoso, além de viagens para eventos em outros Estados do Brasil, aprimorando seus conhecimentos no cultivo e trabalho agroeAna Maria Barbosa da Silva, Tabua cológico.

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Foto: Maria Lucivânia Menezes

E S P O RT E

Alunos e monitores do Projeto Comercial Esporte Clube desenvolvido em São Miguel do Gostoso

O Futebol em São Miguel do por Joelma de Souza e Maria Lucivânia Menezes

Revista Guajiru

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futebol é o esporte mais praticado em São Miguel do Gostoso, inclusive por homens, mulheres e crianças. É praticado nos campos, na praia, no ginásio poliesportivo, na quadra de esportes, em diversos locais desde que seja propício a essa atividade. Antigamente o futebol era praticado no campo de areia, de terça a sexta-feira e os jovens participavam com muita força de vontade, sendo sua única atividade de lazer e integração. Esses jovens guerreiros participavam de vários campeonatos regionais, onde jogavam em diversos clubes locais, como: Parma, Grêmio, Força Jovem, Internacional e SMEC, inclusive, esse último não existe mais. Recentemente surgiram os clubes Esporte e o São Miguel. Segundo o treinador Erimarcio e o veterano Laudelino, hoje em dia existe um campo de futebol estruturado, tendo em vista que os campos do passado eram de areia ou barro. Mesmo assim, os jovens atualmente não participam com a mesma força de vontade e intensidade dos seus pais, tios e avós.

Gostoso

Atualmente em São Miguel do Gostoso existe um projeto de incentivo ao esporte local, principalmente ao futebol, com turmas infantojuvenil, sub-17 e sub-20, se expandindo para o futebol veterano e o feminino. William Batista de Souto é quem foi o responsável por trazer o projeto Comercial Esporte Clube para o município, e junto a ONG ASCDEG, em parceria com a Prefeitura Municipal de São Miguel do Gostoso, realizam um trabalho de resgate do futebol local. O projeto trabalha com crianças, jovens e adultos, com o objetivo de tirá-los das ruas e conseqüentemente das drogas, prostituição e da marginalidade. Os professores foram capacitados na Federação Norte Rio-grandense de Futebol em Natal (RN), no curso de Capacitação de Técnico de Futebol. São eles: Erimarcio Correia Vieira, Raimundo Nonato Alves e William Batista de Souto, com o apoio do professor Renato César, ex-atleta do Vasco da Gama (RJ), com passagem pelo Flamengo (RJ), Ceará (CE), São


Paulo (SP), entre outros tantos clubes brasileiros de futebol. Para participarem do projeto, as crianças e os jovens devem estar na escola, inclusive é solicitada a participação na programação da ASCDEG, como em mutirões de limpeza das praias locais e das ruas visando à preservação, e das palestras educativas cujos temas falam de drogas, prostituição, meio ambiente e saúde. Um incentivo a mais para se tornarem cidadãos de bem no futuro. Através desse projeto, os times de sub-17 e sub-20 participaram de campeonatos oficiais, bem como amistosos com o ABC e o AMÉRICA de Natal. Nessas partidas houveram a presença de olheiros, que intencionam encontrar bons jogadores para os grandes clubes nacionais. Nisso já foram revelados vários jogadores do município, jovens que partiram para o futebol paulista e mineiro. O principal objetivo do projeto é dar oportunidade a todos que participam do esporte em São Miguel do Gostoso, mas principalmente o futebol, reavivando o time de veteranos e o futebol feminino. Em ano de copa do mundo, o projeto vai receber um apoio de força, a participação do ex-jogador da seleção brasileira Mauro Silva. Na cidade era realizado, todos os anos, o campeonato municipal, onde todos os clubes eram convidados a participarem, porém no ano passado não aconteceu. Houve a realização do

campeonato Caju-Gostoso com duração de três meses e recentemente realizou-se a Copa Serra do Mel, em homenagem a Senhora Andree Anne Loïse Raboud, natural da Suíça, membro da Fundação Serra do Mel e fundadora da ASCDEG. Alguns desses jovens foram revelados no projeto e outros através de olheiros, que assistiram jogos realizados nos campos da cidade, e que ao observarem os talentos de jogadores de futebol, os escolheram para representarem alguns clubes pelo país. Com isso surgiu em cada um deles o sonho de se profissionalizar, almejando um futuro promissor no futebol brasileiro. Alguns exemplos de talentos revelados no município podem ser citados, como: Adalberto Soares dos Santos “Sequinho”, atleta que joga no América de Natal; Ivanilson Fernandes da Silva “Uego”, que foi atleta do Alecrim e América, do Araripina da Paraíba (PB), e atualmente joga no Potiguar de Mossoró (RN); Edvan, que está no Megacenter em São Paulo (SP); e o jovem Manoel Araujo da Silva “Luilson”, residente no distrito da Tabua, que está se preparando para participar também do Megacenter (local onde se preparam os atletas para os grandes clubes paulistas de futebol). Com uma breve participação no futebol mineiro, os jovens Evandro da Silva Menezes e Julio Cesar, também podem ser citados como representantes da cidade.

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Foto cedida

Vanilson Fernandes da Silva “Uego” jogando no Alecrim Futebol Clube de Natal (à dir.)

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LENDA

O Pai da

Noite por Francisco dos Anjos e Wellinton Silva

U

m ser sinistro que se faz presente no imaginário de São Miguel do Gostoso, assim conta a estória. O Pai da Noite é um lendário personagem que, segundo os moradores, vaga pelas madrugadas nas ruas e arredores da cidade. Quando aparece, tem a forma

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de um animal pequeno e, enquanto persegue a pessoa, vai crescendo até virar um gigante sem forma definida. Uns afirmam ser uma sombra branca no formato de um homem, outros dizem ser escura com chapéu pontudo, mas no geral, sempre são formas estranhas. Entre tantos causos narrados por populares de Gostoso, relatamos aqui o encontro de Neném de Lala, como é mais conhecida, com o lendário Pai da Noite. Nascida e criada na comunidade, filha de pescador, hoje com 54 anos, Francisca Gomes Pinheiro conta sobre um dos momentos mais interessante da sua vida.

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Por volta das onze horas da noite, Neném e mais duas amigas, Maria e Verônica, saíram para a praia do Maceió. Como era de costume, foram à praia esperar seu pai que estava para chegar do mar. As pessoas, como ainda hoje, tinham o hábito de esperar na praia a chegada de peixe fresco. Era uma espécie de diversão para os moradores. E lá foram elas. Próximo a praia existiam muitas plantações de gameleiras, todos na vila comentavam que ali era mal assombrado, diziam que coisas estranhas aconteciam lá. Passaram pelas árvores e continuaram a viagem. O vento soprava muito forte aquela noite, o mar estava agitado, o barulho das ondas contrastava com o vazio que estava na praia.

Mesmo acostumadas a passar por lá, morriam de medo das histórias de assombração. Seguiram andando assim mesmo, apavoradas, pareciam sentir que algo iria acontecer. Neném olhava de um lado para o outro, envolvida pelo clima sinistro, quando de repente virou-se para trás e teve aquela visão: era uma sombra branca, que parecia com um homem, e vinha crescendo, crescendo, ficando tão alto quanto um coqueiro. Ela estava em estado de choque, não conseguia mover-se, apenas olhou para as amigas e disse: – Meninas, têm uma coisa estranha atrás de nós. As garotas se viraram e olhando para trás deparam-se com o ser que vinha se aproximando. Ele


Foto: Alessandro Amaral

Na época os moradores disseram que foi o Pai da Noite quem correu atrás delas e que por sorte passaram por uma cerca de arames. Ao atravessar a cerca formaram uma cruz e o bicho sumiu na noite. Diz a lenda que ao conjurar uma cruz diante dele ou rezar o ofício de Nossa Senhora, o Pai da Noite volta para a escuridão onde habita. Ele é o senhor das noites e todo dia ao escurecer ele espera por alguém para cobrir com seu corpo, levando-o para as trevas.

Outro relato A senhora Maria Teixeira de Souza, moradora de São Miguel do Gostoso, 63 anos, afirma que seu tio, Antonio Teixeira do Nascimento, presenciou a aparição do “Pai da Noite” quando criança. Segundo Dona Maria, seu tio viajava tarde da noite, vindo de praias vizinhas, quando olhou para frente e viu um vulto. Era uma sombra que crescia cada vez mais. A escuridão ía caindo sobre ele quando as palavras do Ofício de Nossa Senhora vieram em sua mente: Deus te salve relógio. Foi essas palavras que fez a sombra diminuir e desaparecer. Dona Maria Teixeira diz que o Pai da Noite sumiu porque as palavras do Ofício de Nossa Senhora têm muito poder.

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tomava formas estranhas, não se sabia mais se era homem ou bicho. As três saíram correndo desesperadas sem saber para que lado irem. Era aquele pega e não pega, pega e não pega, quanto mais corriam, mais perto o bicho chegava. Ele corria cada vez mais rápido tentando cair sobre elas com seu corpo, como se fosse abraçá-las. Quando finalmente alcançaram o local onde costumavam esperar a chegada dos pescadores, olharam para trás na esperança que ele tivesse sumido, mas não, o bicho continuava as perseguindo. Depois de muito tempo correndo sem direção certa, pensaram em voltar para a vila. A procura de um esconderijo, passaram por um lago conhecido como lagoa de Chico Néri. Sobre o lago existia uma cerca de arames enorme. Sem pensar em se cortar, passaram pela cerca as pressas. Ao chegar à vila, entraram por trás da primeira casa que viram. Neném desmaiou em seguida. Os moradores da casa acordaram e foram até a cozinha onde as três estavam. Por sorte a dona da casa era comadre de Neném, então passaram a noite ali mesmo, já que estavam muito assustadas com o que acontecera. Pela manhã o pai de Neném havia retornado do mar e as procurou por toda vila com outros moradores. Depois de algumas horas procurando, encontraram-nas na casa da comadre Totó de Manuel Guerra.

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DICAS

Vale a pena conferir!

Peixe a Brasileira Uma deliciosa Peixada ao molho de coco, acompanhada de arroz, pirão e ovos cozidos. Para almoço, jantar e aquele momento especial com amigos e família ouvindo uma música agradável num ambiente arejado e charmoso. Restaurante Macambira Endereço: Avenida dos Arrecifes, s/n (esquina da Praia do Maceió) Fones: (84) 3263-4004 / 9124-1005 Organização: Isaias

Maria Maré Loja de artesanato muito charmosa. Oferece bolsas, acessórios e moda praia. Atendimento especial e ótimos preços. Loja Maria Maré Endereço: Avenida dos Arrecifes, Nº 1924 Fone: (84) 9191-7626 Organização: Maria Almira

Texto e fotos:

Francisco dos Anjos e Wellington Silva

Pizza com recheio duplo Uma ótima dica do Mak Tub - Bar e Pizzaria é a pizza com recheio duplo de Portuguesa e Marguerita, com as bordas recheadas com catupiry. Os preços variam em torno de R$ 25,00. Um ambiente bonito, boa música e atendimento receptivo. Mak Tub – Bar e Pizzaria Endereço: Entrada Praia do Cardeiro, Nº 970 (esq. com Av. dos Arrecifes) Fones: (84) 3263-4374 / 9129-0187 Organização: Johnnes e Lucilene

Madame Chita Cioba de frente para o mar

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Peixe frito inteiro acompanhado de salada, farofa, macaxeira ou batata frita em porções para duas pessoas, com valor médio de R$ 30,00 a ser apreciado num ambiente aconchegante, situado a beira-mar.

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Bar do Tico Endereço: Rua Enseada das Baleias, Nº 869, Praia do Cardeiro. Fones: (84) 9120-8348 / 9165 / 4467 Organização: Dedé de Tico e Família

Excelente espaço com vista para o mar. Deliciosos crepes, caipirinha, caipifrutas, boa música, loja com moda praia, acessórios e artesanatos. Uma ótima dica para qualquer ocasião. Loja Madame chita Endereço: Rua Enseada das Baleias, Nº 1947, Praia do Maceió Telefone: (84) 3263-4235 E-mail: madamechita@hotmail.com Site: vwww.praiadogostoso.com/ madamechita Organização: Rosana e Eliana

Filet de Peixe Gostoso é degustar um petisco de filet de peixe grelhado acompanhado de salada e macaxeira frita, em um espaço agradável, ouvindo uma boa música e olhando a paisagem do mar. Sheik’s Bar e Restaurante Endereço: Avenida Enseada das baleias Fones: (84) 9162-1105 / 3263-4153 E-mail: Jonathassheik@hotmail.com Organização: Jonathas e Mazé


E S PA Ç O T E A R

Galeria de fo tos Francisco e Wellingto n antes de escrevere m a sessão de Dicas

o,

alism ina de Jorn tes da ofic al Participan de cinema em Nat ão após sess

Equipe de vendas fechando a parceria com Edson, da Urca do Tubarão

Aula de di agramação a Oficina durante de Jornalis mo

Ari, Domin ique e Ales sandro, du a Tribuna do rante visita Norte

Entrega dos ce rtificados na casa de Do minique

ncisco Alexsandro, Fra zza e a pi

Revista Guajiru

so, Após um dia inten hora da diversão

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Não somos PIPA... nem seremos!

S

e tem uma coisa que eu não suporto é quando dizem: esses investimentos interesseiros até a crise financeira de “Gostoso é a nova Pipa!”. Sacanagem! Quer dizer que 2009 que brecou o capital especulativo de outros países. nós somos os próximos alvos de uma invasão alienígeQue legal! na no melhor estilo Guerra dos Mundos? Os cidadãos de O fato é que em um curto espaço de tempo as proGostoso ficarão assistindo seu paraíso ser transformado priedades mais valorizadas do município passaram para em uma terra árida e estranha? Ou simplesmente o capia mão de estrangeiros. E não só o valor dos terrenos da talismo irá cumprir o seu papel de aniquilador de estruorla marítima sofreu uma forte alta, mais também os das turas sociais? ruas paralelas e áreas periféricas. Vale lembrar que muitas O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na sedessas operações ocorrem sem o pagamento de nenhum gunda-feira, 07/06/2010, durante o lançamento do Plano único centavo de impostos aos cofres públicos, e outros Agrícola e Pecuário 2010/2011, que o Brasil deve começar tantos imóveis nem escritura possuíam. Graças a essa feia discutir a regulamentação da venda de ra livre de imóveis superfaturados é possíterras brasileiras a estrangeiros. “Essa é vel encontrar hoje terrenos vendidos por fato é que uma coisa que teremos que discutir para até R$ 410,00 o metro quadrado, e não saber como vamos fazer para não permié difícil encontrar na Av. dos Arrecifes as em um curto tir que haja abuso da compra de terra por placas de For Sale (Vende-se), indicando espaço de tempo o tipo de comprador desejado. estrangeiros”, disse o presidente. Talvez, como sempre, estejamos um pouquinho Outro fato é que estamos sobrevias propriedades atrasados, se observarmos casos como os vendo bem a “invasão”. O município se de Pipa ou outras localidades brasileiras mais valorizadas beneficiou da presença de instituições rateadas entre grupos estrangeiros, sem como IDEMA, UFRN, CNPq e Secretaria nenhum tipo de controle, nem mesmo de Patrimônio da União (SPU), que jundo município por parte de instâncias governamentais tamente com a Prefeitura Municipal de passaram para poderosas como Patrimônio da União, PoSão Miguel do Gostoso e a comunidade, lícia Federal e Receita Federal, o que deelaboraram o Plano Diretor em dezema mão de monstra o tamanho da nossa fragilidade bro de 2008. No mesmo período, muitas diante da questão. famílias se mudaram para Gostoso, busestrangeiros Já que o presidente Lula abriu o debacando um estilo de vida mais tranquilo, te, estamos oficialmente autorizados a fazer os nossos bem como os diversos pequenos comerciantes, propriecomentários. Se observarmos a curta história de Gostoso, tários de pousadas e restaurantes, que se estabeleceram vemos que, no período entre 2000 e 2008, os imóveis de maneira séria no município e garantem, durante todo situados, sobretudo, na Avenida dos Arrecifes e Enseada o ano, um conjunto expressivo de serviços frequentados das Baleias sofreram uma supervalorização causada pelo não só pelos turistas, mas também robusto valor do Euro na época, atraindo compradores espelos nativos e pessoas da região do trangeiros, principalmente os europeus. Essa supervaloriMato Grande e região Metropolitana zação se alastrou ao oeste, nos terrenos da orla marítima de Natal. na comunidade de Reduto e a leste do centro da cidade Vale apena lembrar: Não somos nas comunidades vizinhas, de Monte Alegre e São José, Pipa! Nem seremos! pertencentes ao município de Touros (RN). Os donos dessas propriedades logo aproveitaram a oportunidade promovida pela especulação imobiliária internacional para Ricardo André R. C. da Silva é formado em faturar. Rapidamente a configuração das propriedades Matemática (UERN), e pós-graduando em mudou e iniciou-se o troca-troca de proprietários, girando Gestão Pública Municipal (UFRN)

Revista Guajiru

O

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Foto: Alessandro Amaral

A RT I G O


Charme e bom gosto a beira mar

w w w. e n s e a d a d o s a m o r e s . c o m . b r

Rua Principal, nº 7 – Praia de São José – Paraíso do Gostoso - Touros - RN Tel.: (84) 3693-2027 / 3693-2070 – reservas@enseadadosamores.com.br


MINISTÉRIO DA CULTURA

Ponto de Cultura Tear

Tecendo Cultura, Cidadania e Direitos Humanos

http://tearcultura.blogspot.com revistaguajiru@gmail.com

Revista Guajiru n. 2  

Revista produzida por alunos da oficina de jornalismo do Espaço Tear, de São Miguel do Gostoso (RN).

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