Agir e Calar | Dezembro 2019

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REFLEXÃO

Quem dobrou o seu paraquedas hoje? Charles Plumb era piloto de caça dos EUA e serviu na guerra do Vietnã. Depois de muitas missões de combate, seu avião foi derrubado por um míssil. Plumb saltou de paraquedas, foi capturado e passou seis anos numa prisão norte-vietnamita. Ao retornar aos Estados Unidos, passou a dar palestras relatando sua odisseia e o que aprendera na prisão. Certo dia, num restaurante, foi saudado por um homem: - Olá, você é Charles Plumb, era piloto no Vietnã e foi derrubado, não é mesmo? - Sim. Como sabe?, perguntou Plumb. - Era eu quem dobrava o seu paraquedas. Parece que funcionou bem, não é verdade? Plumb quase desmaiou de surpresa e com muita gratidão respondeu: - Claro que funcionou, caso contrário eu não estaria aqui hoje! Ao ficar sozinho naquela noite, Plumb não conseguia dormir, pensando e perguntando-se: - Quantas vezes vi esse homem no porta-aviões e nunca lhe disse “bom

dia”? Eu era um piloto arrogante e ele, um simples marinheiro. Pensou também nas horas que o marinheiro passou humildemente no barco enrolando os fios de seda de vários paraquedas, tendo em suas mãos a vida de alguém que não conhecia. Agora, Plumb inicia suas palestras perguntando à plateia: - Quem dobrou seu paraquedas hoje?

Todos temos alguém cujo trabalho é importante para que possamos seguir adiante. Precisamos de muitos paraquedas durante o dia: um físico, um emocional, um mental e até um espiritual. Às vezes, nos desafios que a vida nos apresenta, perdemos de vista o que é verdadeiramente importante e as pessoas que nos salvam. Deixamos de cumprimentar, de agradecer, de felicitar, de animar. É importante dar-nos conta de quem dobra o nosso paraquedas todos os dias!

(Autor desconhecido)

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CURIOSIDADES

Entrevista Pe. Marcelino Modelski 4

Papa Francisco Pela primeira vez na histĂłria, um latino-americano e jesuĂ­ta ĂŠ lĂ­der da Igreja CatĂłlica. AlĂŠm disso, o Papa Francisco desenvolve um discurso claro em favor do meio ambiente e estĂĄ envolvido com questĂľes mundiais como a defesa dos refugiados da crise migratĂłria. rumodafe.com.br

Processo de canonização O processo de canonização, na Igreja CatĂłlica, passa pelas seguintes etapas: • Primeiramente, o postulante torna-se um “Servo de Deusâ€?, com a abertura do procedimento. • Se ele apresentar as virtudes necessĂĄrias, ĂŠ proclamado “VenerĂĄvel. • Caso haja um milagre comprovado por sua graça, o postulante pode ser beatiďŹ cado. • A canonização sĂł acontece com a comprovação de um segundo milagre. • A FamĂ­lia de Murialdo possui o Pe. JoĂŁo Schiavo como beato. A cerimĂ´nia de beatiďŹ cação ocorreu em 28 de outubro de 2017, em Caxias do Sul (RS). rumodafe.com.br

Cotidiano

Editorial ³7XGRIRLIHLWRSHOD3DODYUD´ -R 3DOD YUDVQmRGLWDVFDOFL¿FDGDVSUHVDVVmRVXEVWUDWR GD GRHQoD GD GRU GD PRUWH 'D SDODYUD GLWD YHP VHPSUH D YLGD 3UHFLVDPRV OLEHUiOD 1D 5HYLVWD ³$JLU &DODU´ TXHUHPRV TXH D SDODYUD TXH VRPRV IDOH GLJD VH UHYHOH QRV UHYHOH IDOH GD YLGD GD JUDQGH)DPtOLDGH0XULDOGR6RPHQWHQRVFDODPRV GHSRLV GD HVFXWD FRPR FRQWHPSODomR H M~ELOR GD EHOH]DGRDPRUGDYLGDGDWHUQXUDGDSD]IUXWRV GDSDODYUD 4XHUHPRVTXHDSUHVHQWHHGLomRH[SUHVVHQRVVDVPDLVERQLWDV H[SHULrQFLDVGH'HXVYLYLGDVHDPDGXUHFLGDVQDHVFXWDH¿GHOLGDGH QR 'HXV GD 0LVHULFyUGLD TXH VH IH] WHUQXUD H DPRU FXLGDQGR GRV PDLVIUiJHLVHSHTXHQLQRVeGH'HXVTXHDKXPDQLGDGHSUHFLVD $SyV WUrV DQRV GH VLOrQFLR WHPSR HP TXH QRVVD UHYLVWD GHL[RX GHVHUSXEOLFDGDTXHUHPRVSDUWLOKDUXPSRXFRGDQRVVDIpGDQRV VDPLVVmRGRQRVVRFDULVPD(VWDPRVFHOHEUDQGRR$QR0XULDOGLQR FRPDVFRPHPRUDo}HVGRVDQRVGDVDQWDPRUWHGH6mR/HRQDU GR0XULDOGRHGRVDQRVGHVXD&DQRQL]DomR2WHPD³3DUWLOKDUR PHOKRUGHQyV´HROHPD³0XULDOGRQRVVRFRPSDQKHLURGHYLDJHP´ HVWmR QRV DFRPSDQKDQGR QHVWH DQR FHOHEUDWLYR VLQDOL]DQGR RV UX PRVGHQRVVRHVStULWRSHORVGH]HVVHLVSDtVHVRQGHDPLVVmRGH0X ULDOGRVHID]SUHVHQWH$OpPGLVVRR$JLU &DODUFRQWHPSODDVFRPH PRUDo}HVGRVDQRVGHIXQGDomRGR&ROpJLR0XULDOGRGH$QD5HFK H RV  DQRV GD 3DUyTXLD 6mR 3DXOR $SyVWROR GR *XDUi , %UDVtOLD ¹') GXDVLQVWLWXLo}HVFRPVXDVUHDOLGDGHVEHPGLVWLQWDVGHPXLWD YLGDGRDGDHFXOWLYDGD $OLiV HP FDGD SDODYUD H HP FDGD LPDJHP GD UHYLVWD YrP FDU UHJDGDVGHYLGDHGHDomRGDQRVVD)DPtOLD&DULVPiWLFDFRPRSRU H[HPSORR&RQJUHVVR1DFLRQDOGRV/HLJRV$PLJRVGH0XULDOGRDV RUGHQDo}HV VDFHUGRWDLV RV MXELOHXV GH SUDWD H GH RXUR GH YLGD VD FHUGRWDORVDQRVGHSUR¿VVmRSHUSpWXDHQWUHWDQWRVRXWURVIDWRV HIHLWRVLPSRUWDQWHVGDQRVVDKLVWyULD6RPRVFRQYLGDGRVDYLYHUPRV QRHVWLORGR%RP3DVWRUTXHSURWHJHDPDFXLGDGHIHQGH³2VHYDQ JHOL]DGRUHVGHYHPWHUR¾FKHLURGDVRYHOKDVHHVFXWDUDVXDYR]œ´ (*  GHIHQGHR3DSD)UDQFLVFR

Quanto menor, mais picante a pimenta Ê A cor da pimenta não tem nada a ver com o seu sabor. Preste atenção ao tamanho: quanto menor, mais picante.

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incrĂ­vel.com.br

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LĂ­nguas IndĂ­genas – O tupi era uma das 1.200 lĂ­nguas indĂ­genas identiďŹ cadas no Brasil no ano de 1500. AtĂŠ meados do sĂŠculo XVIII, tratava-se do idioma mais falado no territĂłrio brasileiro. Hoje restam 177 lĂ­nguas indĂ­genas. O antigo tupi foi uma das que desapareceram completamente. Em 1758, o MarquĂŞs de Pombal, interessado em acabar com o poder da Companhia de Jesus no Brasil e em aumentar o domĂ­nio da metrĂłpole portuguesa sobre a colĂ´nia, proibiu o ensino e o uso do tupi. historiadigital.org

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Novo Conselho Provincial Dom Irineu Roman ĂŠ nomeado arcebispo Uma famĂ­lia carismĂĄtica BalduĂ­no Antonio Andreola ĂŠ professor emĂŠrito JoseďŹ nos serĂŁo ordenados sacerdotes 25 Anos de SacerdĂłcio Bodas de Ouro Sacerdotal

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Formação Escola em Pastoral 16 Educar no estilo do Bom Pastor 20

Capa Ano Murialdino: 18 “nosso companheiro de viagem�

Marcas do que se foi 50 anos da ParĂłquia do GuarĂĄ 22 90 Anos do ColĂŠgio Murialdo de Ana Rech 24

Ponto de Vista Disciplina e limites: uma questĂŁo de carĂĄter 26

Na Casa do Pai Ir. JosÊ Valderês Matos Gonçalves 28 Pe. Harry Jung 29

Notícias Votos PerpÊtuos e Ordenaçþes Diaconais Jacob Yeboah Ê ordenado sacerdote Ir. Luiz Albino Mafron celebra Jubileu Superior Geral visita as comunidades brasileiras Papa Francisco anuncia tema da JMJ de 2022 Fraternidade e vida: dom e compromisso Ano Murialdino na Serra Gaúcha Irmã Dulce Ê canonizada Sínodo da Amazônia

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Dicas Dica de Filme 33 Dica de Livro 33

Curiosidades VocĂŞ Sabia? 34

Reexão Quem dobrou o seu paraquedas hoje? 35


Foto: Júlio Rodrigues

DICAS

Dica de Filme O MENINO QUE DESCOBRIU O VENTO

A Igreja precisa reassumir sua tarefa evangelizadora A presente edição da revista Agir&Calar traz a entrevista com o Provincial da Congregação de São José (Josefinos de Murialdo) da Província do Imaculado Coração de Maria, Pe. Marcelino Modelski (gestão 2019-2021). Atencioso, ele conversou com a equipe do Agir&Calar sobre sua vida, história vocacional, os desafios da Igreja, da Congregação e da Família de Murialdo. Ao Pe. Marcelino, nossa prece e apoio em sua missão de conduzir e animar os Josefinos de Murialdo no Brasil, no próximo triênio. A&C: Quem você é? Filiação, naturalidade, família, estudos, vida religiosa... Pe. Marcelino: Sou Pe. Marcelino Modelski, nono, dos onze filhos de Leocádia Knispel e Antônio Modelski (in memoriam), nasci em Vista Alegre do Prata (RS) no dia 07 de abril de 1966. Concluí o primário no Seminário de Fazenda Souza, (Caxias do Sul – RS) e o segundo grau em Araranguá (SC). Em seguida, fiz o Noviciado em Planaltina (DF), a Filosofia no Guará I (DF), o Magistério em Orleans (SC) e a Teologia em Londrina (PR). Meus primeiros

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seis anos de sacerdócio vivi em Ibotirama (BA), depois onze anos em Quintino (RJ) e, por fim, cinco anos em Jaçanã (SP). Foram experiências edificantes. O povo de Deus tem o dom e a arte de modelar com estilo evangélico nossas vidas. A fé, a experiência de Deus e a consciência de Igreja e do nosso povo são forças impressionantes na vida do padre numa comunidade. Sou eternamente grato ao bom povo de Deus destas comunidades. Saudades!

Inspirado por um livro de ciências, um garoto constrói uma turbina eólica para salvar seu vilarejo da fome. Ambientado em Malawi, “O menino que descobriu o vento” traz a história de William (Maxwell Simba), garoto morador de um vilarejo da região. Enquanto passam por um período de chuva rigorosa, os moradores de Malawi ficam impossibilitados de trabalhar na colheita. Porém, quando o período de tempestades acaba, a seca toma conta do local e a situação fica ainda pior. Dessa forma, as pessoas começam a morrer de fome. Contudo, o menino William que, com sua sede por conhecimento, descobre uma maneira de salvar a todos.

Dica de Livro A ARTE DE CONVIVER: UM OLHAR INCLUSIVO (María Guadalupe Buttera / Dr. Roberto Federico Ré - Editora Paulus, 2013)

A obra aborda a criatividade e a inovação nos contextos profissionais, partindo de uma dimensão fundamental: o indivíduo em busca de si mesmo. Para isso, a autora utiliza-se de narrativas infantis, as quais, segundo ela, favorecem o autoconhecimento e o resgate do potencial criativo da pessoa. Ao longo de três partes — pensar, sentir e agir — Maria Elisa Moreira apresenta alguns aspectos teóricos que sustentam o tema da criatividade, bem como ferramentas práticas que ativam a imaginação. Um conteúdo bastante útil e diferenciado para líderes e empreendedores, mostrando que é possível potencializar a inovação e a versatilidade da equipe de trabalho, lidando com as mais variadas situações do contexto organizacional.

A&C: Fale um pouco de você, de sua

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NOTÍCIAS

ENTREVISTA com Pe. Marcelino Modelski

Fraternidade e vida: dom e compromisso O Conselho Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) definiu o tema da Campanha da Fraternidade (CF) 2020 como: “Fraternidade e vida: dom e compromisso” e o lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele (Lc 10,33-34)”. O tema e lema reforçam a dimensão do cuidado e o cartaz é inspirado em Irmã Dulce, canonizada no dia 13 de outubro de 2019 e chamada Santa Dulce dos Pobres. A arte foi elaborada pelo designer Leonardo Cardoso, sob a supervisão do Bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB, Dom Joel Portella Amado, e do secretário executivo de campanhas, Padre Patriky Samuel Batista. O cartaz também apresenta, ao fundo, o Pelourinho, lugar icônico da capital baiana. Padre Patriky explica que a mensagem é de “vida doada é vida santificada. A vida é um intercâmbio de cuidado”.

Ano Murialdino na Serra Gaúcha Foto: Bernadete Chiesa

Irmã Dulce é canonizada No dia 13 de outubro, no Vaticano, Ir. Dulce, a nova Santa brasileira, foi proclamada santa, pelo Papa Francisco, diante de inúmeros bispos, religiosos e missionários que estavam participando no Sínodo para a defesa da Amazônia. Irmã Dulce devotou sua vida a servir os mais necessitados e desenvolveu um trabalho social em sua terra natal, Bahia, onde fundou vários hospitais de caridade e uma rede de apoio social que dirigiu até sua morte em 1992, aos 77 anos. A primeira Santa nascida no Brasil agora será chamada Santa Dulce dos Pobres.

Sínodo da Amazônia Em Caxias do Sul, a abertura oficial do Ano Murialdino ocorreu no dia 18 de maio (Dia da Festa de São Leonardo Murialdo), no Colégio Murialdo de Ana Rech, primeiro local da Serra Gaúcha da chegada dos religiosos Josefinos. O evento contou com a presença de membros da Família de Murialdo a saber: Núcleos dos Leigos Amigos de Murialdo; religiosos Josefinos; Irmãs Murialdinas e membros do Instituto Secular Murialdo. A recepção ocorreu com uma bênção em frente a imagem de São Leonardo Murialdo no pátio do Colégio de Ana Rech, que neste ano comemora 90 anos de fundação. Após, no miniauditório da Faculdade Murialdo (unidade Ana Rech), os presentes participaram de uma reflexão coordenada pelo Conselho Formativo da Associação Nacional dos Leigos Amigos de Murialdo. Às 18 horas aconteceu uma celebração eucarística festiva, presidida pelo Pe. Geraldo Boniatti e concelebrada pelos sacerdotes presentes. Após, serviu-se um jantar de confraternização.

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De 06 a 27 de outubro de 2019 realizou-se em Roma, a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, com a participação de mais de 250 bispos de todo mundo e outras lideranças convocadas pelo Papa Francisco. O Documento final do Sínodo foi votado e aprovado no dia 26 de outubro. Dividido em cinco capítulos, o texto pede uma conversão que tem diferentes significados: integral, pastoral, cultural, ecológica e sinodal. Dentre tantos temas apresentados estão a Igreja com rosto indígena, migrante, jovem, um chamado à conversão integral, um diálogo ecumênico, a importância dos valores culturais dos povos amazônicos, a dimensão socioambiental da evangelização, uma Igreja ministerial e novos ministérios, além da presença e vez da mulher e muitas outras propostas. Mais informações em A12.com/sinododaamazonia

família e como conheceu a Congregação de São José (Josefinos de Murialdo). Pe. Marcelino: Minha vida carrega os traços e o estilo de uma experiência de Deus muito particular vivida com a família. Ela mesma exerceu a vocação de despertar a fé e de me inserir na vida eclesial. O pai, mesmo analfabeto, assinou com uma palavra irrevogável toda sua conduta. Sempre o vimos envolvido e comprometido com a comunidade - dedicou muito de suas forças e de seu tempo para edificar a Igreja Matriz de Vista Alegre do Prata e também da comunidade Santa Isabel. A mãe foi catequista e preparou todos os onze filhos para a vida da Igreja, a participação comunitária, a solidariedade, o trabalho e o respeito com todos. Hoje, os irmãos, cada um do seu jeito, têm vivência cristã comprometida e não deixo de me orgulhar disso e, quando tenho oportunidade, participo de suas experiências.

do, na hora do almoço, ela me chamou e comemos do mesmo prato. Conheci os Josefinos de Murialdo através dos tios Pe. Lúcio e Pe. Miguel (in memoriam) que nos visitavam. Em seguida, quatro das minhas irmãs mais velhas foram ao convento das Irmãs Medeias de São João Batista e o irmão Alcides esteve com os Josefinos até concluir o Noviciado - foram presenças decisivas no meu desejo de ser sacerdote e Josefino. A mãe era zeladora das Mães Apostólicas, muitas vezes eu a ajudei distribuindo os folhetos nas casas das Associadas. Minha primeira grande experiência de Murialdo aconteceu, quando tinha dez anos, num acidente de carro que, desgovernado, colidiu com um barranco. Eu estava dentro do mesmo, mas me vi de pé, em cima do barranco, vendo-o tombar como se nele nem estivesse. Senti que alguém me puxou para fora. Atribui a Murialdo de quem já era devoto.

pai, até Fazenda Souza. A alegria era de uma grande conquista. Nos quatro anos que lá fiquei lembro o sentimento de que já me considerava Josefino. Companheiros desse percurso foram o promotor vocacional Pe. Valdir Suzin, o diretor Pe. Genuíno Roman, o ecônomo Pe. Antônio Mattiuz e os frateres, hoje, Pe. Augustinho Vidor e Emio Furlan. Corajosos, valentes e hábeis educadores.

A&C: Quais sacerdotes Josefinos que mais influenciaram sua vida? Pe. Marcelino: Tive durante todo percurso formativo e até hoje confrades a quem reverencio e agradeço pela vida verdadeiramente de santidade. Humildes, trabalhadores, zelosos, presentes, de oração. Contudo, ficou marcada, na pupila dos meus olhos, a figura carismática do Pe. Bruno Barbieri quando, aos sete anos, fiquei internado por um mês no hospital Fátima, em Caxias do Sul. Ele todos os dias, visitava-me e trazia balas, ora aqueles “peixinhos” ora aquelas “sete belo”, sem esquecer o terço, os santinhos de Murialdo. Lembro também com carinho a comunidade religiosa do Abrigo (hoje CTS) que nos acolheu durante este período, principalmente a mãe que ficava comigo.

A infância foi muito simples nem por isso indigna. Raras eram as oportunidades de termos um brinquedo comprado. Mas, não faltava criatividade para pensarmos e inventarmos nosso próprio material de lazer (a bola era um chinelo havaianas velho, enrolado e amarrado; os carrinhos de madeira, aprendemos com os irmãos mais velhos e, nós mesmos, os fabricávamos. Depois, não guardávamos as ferramentas e apanhávamos; isso era certo, mas, não tinha problema).

A&C: Como foi sua ida ao Seminário Josefino?

A&C: No seu entender, quem é e qual a importância da Família de Murialdo?

Inesquecível foi o primeiro dia de aula com a professora Lúcia Capellari, época da ditadura militar, fila obrigatória e o canto do Hino Nacional. O primeiro dia de aula coincidia com o primeiro gole de vinho e o primeiro dia de ir à roça. Um pouco duro, porém era um ritual de iniciação à vida. Recordo do meu primeiro encontro vocacional com a senhora Cesariana Roman, no seminário de Vila Flores quan-

Pe. Marcelino: A família preparou o terreno para que Deus me chamasse. Aos 13 anos, em 1979, o Pe. Valdir Susin passou na escola e pediu quem queria ser padre. Claro! Eu! Os pais consentiram. Lembro-me da mala que parecia de papelão, emprestada do irmão Alcides (nem devolvi), amarrada com um cinto e de um saco daqueles de açúcar. Coube tudo... lembro a longa viagem, acompanhado pelo

Pe. Marcelino: Não é a batina que faz o padre. Quando falamos da Família de Murialdo (FdM) referimo-nos a todos os que, tendo conhecido Murialdo e seu carisma, tiveram de alguma forma suas vidas interpeladas por ele. Penso, por exemplo, nas Mães Apostólicas que, no silêncio e no anonimato, intercedem diariamente pelas vocações e colaboram na formação dos futuros Josefinos e como

Somos desafiados a buscar novos caminhos para a releitura e a vivência do carisma

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FLASHES

A FdM cumpre sua missão enquanto acolhe o carisma de Murialdo e a experiência do amor de Deus tornando-se um jeito de ser e faz-se serviço de vida e de esperança às crianças, adolescentes e jovens empobrecidos; enquanto nos leva a um amor concreto à Palavra de Deus, à Eucaristia e à Igreja. A FdM tem importância enquanto aponta um caminho de santidade.

A&C: O que mais admira da Congregação dos Josefinos de Murialdo? Pe. Marcelino: O carisma apaixona. Reverencio o testemunho de confrades que são timoneiros desse carisma. Santos, capazes de oblação e doação total da vida, principalmente em fronteiras missionárias onde se encontram com a pobreza e dela vivem. Move-me a alegria desses despojados, o profetismo desses humildes, ajudando homens e mulheres, jovens e crianças a encontrar sentido e horizonte à vida. Nossa abertura missionária com opção clara pelos pobres, é profética. “Quanto mais pobres mais são dos nossos”.

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Pe. Marcelino: O XXIII Capítulo Geral acendeu algumas luzes: “Somos desafiados a buscar novos caminhos para a releitura e a vivência do carisma”. Formular itinerários progressivos de identidade e de pertença, programando formação contínua e recíproca, valorizando a leitura Orante da Palavra de Deus e uma partilha espiritual que nos torne sempre mais irmãos e irmãs no carisma de Murialdo”.

A Família de Murialdo tem importância enquanto aponta um caminho de santidade No âmbito da Formação Inicial, tornar os jovens mais sensíveis à partilha do carisma; no âmbito Educativo-Pastoral, continuar a trabalhar como Família de Murialdo para aumentar a unidade do carisma apostólico. Além disso, a coragem de implementar experiências de comunidades Murialdinas, onde pessoas que vivem no mesmo lugar e têm em comum a paixão pelo carisma, se encontram e se reconhecem celebrando o dom recebido e, ainda, avaliem a sua fidelidade, se encorajam reciprocamente, com objetivos claros que unem a fraternidade ao redor da educação dos jovens pobres. Também é importante a participação unitária enquanto Família de Murialdo em eventos nacionais e internacionais.

A&C: Qual o seu propósito enquanto provincial eleito dos Josefinos de Murialdo?

Pe. Marcelino: Para começar, eu preciso aprender a ser provincial. E não tenho muito tempo. É um triênio. Minha primeira tarefa é me fazer, de alguma forma, presente na vida dos confrades, caminhando junto, animando-os na vivência da Consagração Religiosa, sem esquecer da responsabilidade inerente ao ofício, atento aos apelos da Igreja e da Congregação no tempo em que estamos vivendo. E no sexênio, cuja prioridade é a Formação, incentivar toda Família de Murialdo a participar dos percursos possíveis de Formação Inicial, Permanente e Recíproca a fim de que sejamos capazes de uma doação sempre mais plena, configurando-nos ao Mestre Jesus.

A&C: Como foi a sua experiência de participar do Capítulo Geral dos Josefinos de Murialdo que aconteceu em Quito, no Equador, em junho de 2018? Pe. Marcelino: Foi uma experiência desafiadora. A tarefa era contribuir na atualização da regra, na releitura dos métodos e instrumentos. Certamente uma experiência de mergulho profundo nas raízes de nossas presenças em tantas culturas e realidades diferentes. Foi maravilhoso experimentar a unidade e a comunhão em meio a tanta diversidade, internacionalidade e a alegria de tanto bem que a pequena Congregação faz pelo mundo.

A&C: Enquanto provincial e religioso Josefino, qual o principal desafio para a Igreja no Brasil hoje? Pe. Marcelino: A Igreja precisa reassumir sua tarefa evangelizadora. O Papa Francisco tem corajosamente nos orientado pedindo urgente conversão pastoral. As estruturas pastorais não podem continuar como estão. Uma resposta atual a esse desafio está no pro-

Superior Geral dos Josefinos de Murialdo visita as comunidades brasileiras O Superior Geral dos Josefinos de Murialdo, Pe. Túlio Locatelli, nos meses de setembro e outubro esteve visitando as Obras do Murialdo no Brasil. Pe. Túlio chegou no dia 05 de setembro e conheceu os dez estados brasileiros que contam com a presença dos Josefinos. A primeira visita foi às comunidades religiosas do Ceará. Ele permaneceu no Brasil até o dia 20 de outubro, quando retornou a Roma. Durante sua estada no Brasil, além de visitar as comunidades religiosas Josefinas, ele se reuniu com todos os diretores, párocos e ecônomos para alinhar as prioridades Pe. Túlio em visita à Obra de São Paulo do Capítulo Geral que aconteceu no Equador, em 2018. Também conversou com os religiosos, realizou encontros com leigos, celebrou nas comunidades e conheceu como a missão das obras Josefinas acontece na prática em um clima de acolhida e de autêntica fraternidade. PADRE TÚLIO LOCATELLI foi eleito Superior Geral no dia 12 de junho de 2018, em Quito (Equador), durante o XXIII Capítulo Geral da Congregação de São José – Josefinos de Murialdo (com representantes dos religiosos das 16 nações onde a Instituição se faz presente). Padre Túlio nasceu no interior da Ilha (Bérgamo - Itália) em 6 de abril de 1951, ingressou na Congregação em 29 de setembro de 1968 e foi ordenado sacerdote, em Viterbo, no dia 17 de março de 1979. Trabalhou nos Seminários de Valbremo e de Bérgamo; foi vice-diretor e reitor do Instituto Filosófico Teológico São Pedro, foi superior da Província Italiana (2006-2012), Conselheiro e Secretário-Geral (2012-2018). Ele é o 11º sucessor de São Leonardo Murialdo. Tem a missão de coordenar a Congregação de São José – Josefinos de Murialdo nascida em Turim (Itália), em 1873, em prol das crianças, adolescentes e jovens empobrecidos. Atualmente, a Congregação conta com 500 religiosos (irmãos e padres), espalhados em cerca de 105 comunidades, presentes em 16 países.

Foto: Divulgação A&C

A&C: Quais são os principais desafios que exigem respostas imediatas da Família de Murialdo no Brasil?

Foto: Daniela Basso

associadas participam dos frutos desse carisma; nos Leigos Amigos de Murialdo que mais diretamente estudam, refletem, rezam e dividem conosco os desafios de darmos respostas de esperança principalmente às crianças, adolescentes e jovens empobrecidos de tantas de nossas Obras; eles não são colaboradores, mas corresponsáveis porque partilham do mesmo carisma. Bem, todo povo de Deus, leigos e leigas de nossas paróquias, obras sociais, colégios e faculdade que dão identidade Murialdina às nossas presenças. E como primeiros depositários, o Instituto Secular, as Irmãs Murialdinas de São José e os Josefinos de Murialdo, sem esquecer de nossos familiares que também dele bebem e se enriquecem.

Papa Francisco anuncia tema da JMJ de 2022 O Papa Francisco anunciou, no dia 22 de junho, o tema da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2022, que acontecerá na cidade de Lisboa, Portugal: “Maria levantou-se e partiu apressadamente”. O anúncio aconteceu durante a audiência do XI Fórum Internacional dos Jovens, que aconteceu em Roma de 19 a 22 de junho, com o objetivo de promover a implantação do Sínodo 2018 sobre os jovens, a fé e o discernimento vocacional. O Pontífice realizou este anúncio de surpresa. “A próxima edição internacional da JMJ será em Lisboa, em 2022. Para esta etapa de peregrinação intercontinental dos jovens, escolhi como tema: ‘Maria levantou-se e partiu apressadamente’”, assegurou. “Não ignorem a voz de Deus que os impulsiona a se levantar e a seguir os caminhos que Ele preparou para vocês. Como Maria, e junto a Ela, sejam cada dia portadores de sua alegria e seu amor”, afirmou Papa Francisco.

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FLASHES

ENTREVISTA com Pe. Marcelino Modelski

Quatro religiosos Josefinos (dois brasileiros e dois africanos) professaram seus votos perpétuos e foram ordenados diáconos conforme segue: Cristiano Parnahiba de Souza: Votos Perpétuos no dia 17 de agosto e Ordenação Diaconal no dia 18 de agosto, em Fortaleza (CE); Tonito Nunes Correia: Votos Perpétuos em Londrina (PR), no dia 11 de agosto e Ordenação Diaconal em Londrina (PR), no dia 31 de agosto; Antônio de Castro: Votos Perpétuos no dia 17 de agosto e Ordenação Diaconal no dia 18 de agosto, em Fortaleza (CE). Máximo Augusto Mantija: Votos Perpétuos em Londrina (PR) no dia 11 de agosto e Ordenação Diaconal em São Paulo (SP), no dia 24 de agosto. Aos religiosos, nossa prece e estima.

Pe. Jacob Yeboah é natural de Gana, África Ocidental, nasceu no dia 20 de janeiro de 1986. Atualmente é Vigário Paroquial da Paróquia de São Benedito de São Paulo (SP) e segue com seus estudos no mestrado na PUC/SP. Jacob fez seu postulado em Serra Leoa, Filosofia em Gana e seu Magistério foi em Guiné Bissau (Africa). A partir de 2014 passou a cursar Teologia na PUC/PR. No dia 5 de maio de 2018 foi ordenado diácono em Londrina (PR) e no dia 12 de janeiro de 2019, foi ordenado Sacerdote em Gana. Seu lema de ordenação sacerdotal é: “O Espirito do Senhor está sobre mim porque ele me ungiu. Me enviou para anunciar a Boa-Nova aos pobres” (Lc 4,18). Pe. Jacob é oriundo de uma família católica. Ele afirma: “sempre quis ser padre. Por isso fui coroinha, professor da escola dominical e participante do grupo de jovens. A graça e a misericórdia de Deus sempre estiveram comigo na minha caminhada. Deus me chamou para a missão de levar a sua Palavra de conforto e de alegria aos mais necessitados”.

No dia 13 de outubro de 2019, numa festiva Celebração Eucarística, no Santuário de Nossa Senhora Consoladora (Ibiaçá – RS), Ir. Luiz Albino Mafron (Ir. Luizinho) celebrou seus 25 anos de Profissão Perpétua. Após, aconteceu um almoço de confraternização com familiares, religiosos, amigos e comunidade local. Ir. Luiz tem como lema de Profissão: “Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos irmãos” (Jo 15, 13) Mensagem do Ir. Luiz: Quem somos? Como nos conhecem? O que faz o Irmão Religioso? O Irmão Religioso é uma vocação dentro de uma Igreja que é comunhão de crentes e na qual o Espírito suscita carismas específicos. No coração dessa vocação está o chamado a viver a fraternidade de Jesus. A vocação do irmão é destinada a ser um sinal de comunhão, um sacramento da fraternidade, um testemunho da solidariedade e um convite ao diálogo. “Todos vocês são irmãos” (Mt 23,8). Irmãos de todos e com todos. Fazemos parte da grande criação de Deus Pai, que fez tudo por amor. A vocação é um dom de Deus. É um chamado que exige uma resposta, uma ação concreta. Os religiosos com suas vidas mostram ao mundo que o Evangelho de Cristo é possível ser seguido integralmente. O grande amor que o Irmão Religioso tem a Deus se reveste num grande amor ao próximo, aos mais necessitados.

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Foto: Volga

Ir. Luiz Albino Mafron celebra o Jubileu de Profissão Perpétua

cesso de iniciação à vida cristã no estilo catecumenal com toda a riqueza dos seus elementos. Consiste essencialmente e é tarefa de toda Igreja ajudar as pessoas a fazerem verdadeiro encontro-experiência de Deus. É Jesus capaz de fazer nascer um homem novo. E não existe cristão sem Igreja. Portanto, a inserção eclesial constitui o cristão. Pessoas evangelizadas são pessoas iniciadas na vida cristã, isto é, a comunidade foi útero que fez nascer um discípulo missionário. A conversão pastoral exige passar de Igreja de massa a uma Igreja de pequenas comunidades de evangelização e relacionamento; da centralização na matriz a uma rede de pequenas comunidades; do monopólio clerical ao protagonismo dos leigos; do catecismo à Bíblia e aos processos de formação permanente. Clara opção pelos pobres; não uma Igreja que faz missão, mas que é missionária; fazer do ser humano o caminho da Igreja, consequentemente, samaritana, companheira de caminho, especialmente dos que sofrem, cuidadora da vida e do planeta como sua casa; acolhedora, mas também profética que toma a defesa das vítimas que clamam por justiça nos diferentes rostos do complexo fenômeno da pobreza. Neste sentido, nossas paróquias com carisma Josefino estão definindo seu Projeto Pastoral e os colégios também esboçando “a Escola em Pastoral”. Sinais bonitos de um jeito Josefino de ser Igreja.

tilação e de suicídio entre adolescentes e jovens. Como entender isso? Pe. Marcelino: Creio que precisamos entender o mundo onde estamos inseridos. A questão é muito complexa e perturba a todos o profundo vazio de sentido da vida que estamos colhendo. É difícil aceitar o fato de que tantos, principalmente jovens, tão cedo, desistiram de viver. O Papa Francisco adverte:

Foto: Volga

Jacob Yeboah é ordenado sacerdote Foto: Divulgação A&C

Foto: Divulgação A&C

Votos Perpétuos e Ordenações Diaconais

A&C: Estamos vivendo tempos líquidos. Mudanças e transformações na esteira das tecnologias de ponta. No outro lado, as estatísticas denunciam o aumento de índices de depressão, de automu-

quantidade exagerada de aplicação de agrotóxicos como no Rio Grande do Sul... Sabemos que para muitos jovens ser e estar, precisam gozar de consumo, de farra, de bebidas, e isso lhes rouba a alma, o sentido da vida. O XXIII Capítulo Geral reconhece que a direção é aquela de responder às autênticas expectativas dos jovens, sermos capazes de acompanhamento propositivo, de presença real em suas vidas, de acolhida, diálogo, afeto e família. Os jovens esperam pão, instrução, formação, trabalho, pertença, participação, confiança e valorização. Aguardam e buscam protagonismo, compromisso, reconciliação e sentido para a vida. É claro que nós acreditamos que Jesus pode fazer nascer um homem e uma mulher novos. Ajudar as pessoas a se encontrarem com Deus é tarefa essencial em qualquer projeto educativo-pastoral. Não fazemos nada aos nossos jovens se não facilitamos a interiorização de valores do evangelho.

A&C: Qual a sua mensagem aos leitores do Agir&Calar? “Não deixem que nos roubem a vida”. Não sei se é isso, mas, muito cedo, nossos meninos e meninas, sem nenhuma condição de suportar, são estimulados a entrar numa espécie de vida muito competitiva e precisam mostrar resultados, têm que aprender a viver sem os pais, depois a pressão por definir uma carreira, a ausência de utopias. Muito de repente descobrem um mundo que não dão conta de suportar e que viver não tem graça. O uso precoce de bebidas alcóolicas e de drogas, o problema da

Pe. Marcelino: Estamos no Ano Murialdino: 120 anos da Morte de Murialdo e 50 anos de sua Canonização. Deve ser motivo de alegria, mas, principalmente de gratidão a Murialdo por nos ter legado tão precioso carisma. É, naturalmente, uma grande responsabilidade de sermos todos, testemunhas alegres e fiéis de que a experiência do amor de Deus tem mudado nossas vidas. São Leonardo Murialdo interceda por cada um de nós. Minha prece cotidiana por todos.

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COTIDIANO

NA CASA DO PAI 3H$QW{QLR/DXULGH6RX]D

Província Brasileira conta com novo Conselho Provincial

Pe. Harry Jung Caxias do Sul (RS), 12 de fevereiro de 1930 Londrina (RS), 27 de julho de 2018

Foto: Volga

A Província Brasileira da Congregação de São José (Josefinos de Murialdo) a partir de janeiro de 2019 conta com o novo Conselho Provincial. Os religiosos da Província indicaram e o Superior Geral, Pe. Tulio Locatelli confirmou seus nomes para animar a missão e os confrades do Brasil, no triênio 2019 até 2021. São eles:

PROVÍNCIA DO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

poesia verdadeira nasce da profundidade da alma e, se alguma possa vir da periferia do ser, dificilmente identificará o poeta na sua interioridade, porque foi incapaz de ir além das aparências. Talvez, os poetas possam receber o apelido de “garimpeiros de Deus”. Para este ofício contemplam os céus, as matas, os oceanos, o nascer e o pôr do sol, as montanhas, as flores, o cotidiano simples e a complexidade da alma.

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Pela vida consagrada e sacerdotal e nas asas dos poemas, Pe. Harry, o nosso Pe. Ary, foi um destes desbravadores em busca do divino. Ele nasceu em Caxias do Sul, no dia 12 de fevereiro de 1930. É o primogênito dos cinco filhos do casal João Edgar Jung e Olga L. Finckler, já falecidos.

VISÃO FORMAÇÃO: Uma congregação renovada espiritualmente, apaixonada por um carisma que apaixona, internacional e intercultural, aberta aos leigos na família de Murialdo.

MISSÃO Com os jovens e para os jovens pobres, renovamos nossa consagração de Josefinos para ter vida em Cristo.

Provincial: Pe. Marcelino Modelski, de São Paulo (SP), natural de Bela Vista do Prata (RS).

PRINCÍPIOS - VALORES

Vice-Provincial: Pe. Carlos Wessler, de Londrina (PR), natural de São Ludgero (SC).

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Tesoureiro: Pe. Renato Fantin, de Caxias do Sul (RS), natural de Nova Pádua (RS).

2.

Conselheiro: Pe. Joacir Della Giustina, de Porto Alegre (RS), natural de Braço do Norte (SC).

3. 4.

Gratidão ao Pe. Antonio Lauri de Souza e seu Conselho (Pe. Marcelino Modelski, Pe. Renato Fantin e Pe. Sérgio Murilo Severino) que estiveram à frente da Província no último triênio. Ao novo Provincial, Pe. Marcelino e seu Conselho, nossa prece e estima.

5. 6. 7.

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Seguimento de Jesus Cristo na mística de São Leonardo Murialdo como estilo de vida Atenção às crianças, adolescentes e jovens, especialmente pobres, vendo neles o rosto de Jesus. Compromisso com a formação contínua. Exercício da pedagogia do amor e da educação do coração: estilo educativo. Abertura à missionariedade. Bem unida família de Murialdo. Atenção aos sinais dos tempos com respeito às culturas: internacionalidade e interculturalidade. Vivência da comunhão de bens.

Ensino Fundamental: Seminário Josefino de Fazenda Souza, de 1945 a 1948; Noviciado: Conceição, Caxias do Sul, 1949; 1ª Profissão: Conceição, 21 de janeiro de 1950 (lá continuou para complementar os estudos); Filosofia: Seminário Central dos Jesuítas, São Leopoldo, de 1951 a 1953; Magistério: Fazenda Souza, 1954; Ana Rech, 1955; Abrigo Menores (CTS), 1956; Profissão Perpétua: Fazenda Souza, no dia 15 de janeiro de 1956; Teologia: Viterbo (Itália), de 1957 a 1960; Diaconato: Viterbo, dia 06 de dezembro de 1959; Ordenação Sacerdotal: Viterbo, dia 02 de abril de 1960. Lema de ordenação: “Iluminar os que jazem nas trevas da morte e orientar nossos passos para o caminho da paz” (Lc 1, 79). Sua missão de Josefino deu-se no Colégio Murialdo de Ana Rech de 1960 a 1966. Foi professor de Língua Portuguesa, ministério realizado com competência, ardor, muita firmeza e inspirando sensibilidade e espírito contemplativo aos seus alunos. Em Porto Alegre, na Obra Social São José de Murialdo, de 1967 a 1976, atuou como vigário paroquial, professor e assistente dos escoteiros.

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Pe. Harry viveu em São Paulo de 1977 a 1996 onde foi pároco da Paróquia São Benedito, no Jaçanã, zona norte da metrópole paulista. Voltou para Porto Alegre e, de 1997 a 2011, foi pároco da Paróquia Santuário de São José, Partenon. No dia 18 de abril de 2010, celebrou 50 anos de Vida Sacerdotal, na sua terra natal, Santa Lúcia do Piaí (Caxias do Sul). Na ocasião deixou sua mensagem vocacional nestes termos: “Por ter aceito o chamado de Deus, sinto-me feliz. Feliz como pessoa: dignidade de viver à imagem e semelhança de Deus. Feliz como cristão: compromisso de me integrar à identidade com Cristo. Feliz como religioso e sacerdote: privilégio de consagrar e servir”.

Em janeiro de 2012, o religioso foi transferido para a comunidade do Postulado de Londrina (PR), onde atuou como Vigário Paroquial da Paróquia Cristo Bom Pastor. Na Casa de Formação ministrava aulas de Português e de Italiano para os nossos seminaristas-postulantes, sempre com alegria e paixão. No dia 27 de julho, o Senhor chamou o Pe. Harry para junto de si. Com fé e esperança entreguemos nas mãos de Deus esse nosso irmão sacerdote Josefino de Murialdo. Para o Padre Harry, as veredas no coração da natureza levam à comunhão do homem com a natureza; as veredas no coração do homem expressam a comunhão do homem com o homem e as veredas no coração de Deus, espelham a comunhão do homem com Deus. Com isso, este Josefino de Murialdo nos ensina a fazer uma síntese fundamental das relações, insubstituível para se viver em harmonia.

Pe. Antônio Lauri de Souza Religioso Josefino e Mestre de Noviços

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COTIDIANO

Ir. José Valderês Matos Gonçalves

Foto: Volga

NA CASA DO PAI

São Francisco de Paula (RS), 16 de julho de 1964 O arcebispo da nova diocese paraense é dom Irineu Roman, nomeado pelo Papa Francisco. O religioso é natural de Vista Alegre do Prata (RS), nasceu no dia 10 de agosto de 1958. Religioso da Congregação de São José – Josefinos de Murialdo foi ordenado presbítero em 1º de janeiro de 1990 e bispo em 19 de março de 2014. Dom Irineu é atualmente bispo referencial da Pastoral do Turismo e secretário do regional Norte 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Caxias do Sul (RS), 12 de junho de 2018

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Sua existência tem começo no Mato Queimado, comunidade do Distrito de Cazuza Ferreira - município de São Francisco de Paula (RS), no dia 16 de julho de 1964. Seu pai chama-se Noredi Gonçalves dos Reis e sua mãe, Davanilda Maria de Matos Gonçalves. Viveu a infância e a adolescência de menino arteiro e participativo nos eventos da comunidade da Pedra Lisa, onde seus pais passaram a viver. Ainda muito jovem acompanhava o pai na labuta de leiteiro, nas longas madrugadas, também daquelas de brancas geadas, dos morros fortes e dos atoleiros sem fim. Os estudos no Ensino Fundamental aconteceram nas escolas do município de São Francisco de Paula (RS). Sentindo-se chamado para uma missão que ia além dos limites do território de São Francisco de Paula, ingressou no Seminário Diocesano de Caxias do Sul, onde fez o Ensino Médio, de 1984 a 1987. Solicitou, em seguida, entrar na Congregação dos Josefinos de Murialdo. Aceito, fez o ano de Postulado, no Murialdo de Ana Rech, então Seminário João XXIII. Em 1989, realizou o Noviciado em Caxias do Sul, tendo professado os votos no dia 3 de fevereiro de 1990. Para dar continuidade a formação e aos estudos, passou a residir no Escolasticado Filosófico de Porto Alegre (RS), tendo iniciado o curso de Filosofia em Viamão (RS) e concluído o Curso Superior de Catequese, na Faculdade La Salle, em Canoas (RS), entre 1990 e 1993. Até a Profissão Perpétua, acontecida em Cazuza Ferreira, no dia 18 de março de 2000, o Irmão Valderês atuou em Fazenda Souza, Porto Alegre e em Ana Rech. Ainda com Votos Temporâneos, trabalhou no Administrativo e em Projetos Sociais, especial-

mente no Projeto Nadino de Ana Rech. Manifestou desejo de ser missionário na África, porém, no correr dos anos e diante dos desafios que lhe foram dados a desempenhar, não realizou este sonho. Desde 2008 respondeu pela administração do Centro de Eventos e Hospedagem Murialdo de Fazenda Souza (Caxias do Sul - RS). Ao ingressar na Congregação dos Josefinos de Murialdo, trouxe na mala de garupa os seus valores pessoais e culturais. Salta aos olhos a laboriosidade do Ir. José Valderês; nele nunca houve preguiça, lombeira ou má vontade. Sua presença externa na região da Serra foi marcada pela Festa do Divino da Vila Seca. A Festa da Gruta consumia quase meio ano dos afazeres do Irmão. Junto com os incansáveis colaboradores daquela região do Rio São Marcos, ele, conhecedor de cada palmo das instalações do balneário, organizava tudo nos mínimos detalhes. A festa de Nossa Senhora de Lourdes, do Seminário, também mobilizava a criatividade e o seu trabalho. Missas crioulas nos rodeios e onde quer que fosse, cabia a ele o papel de peão de estância do Patrão do Céu, cuidando de todo o necessário para o Padre celebrante. Em janeiro de 2016, foi diagnosticado um câncer no estômago, sendo submetido à cirurgia e longo tratamento quimioterápico. Lutou bravamente, não se deixando abater, tendo coordenado a Festa da Gruta de 2017, apesar de sentir fraqueza. A força de Deus agia em sua fragilidade. Porém, a energia foi minguando, cessaram os assobios e também seus costumeiros arroubos. No dia 12 de junho, pediu licença ao Pai Celestial, deixou nossas querências e foi morar na estância da eternidade. Pe. Antônio Lauri de Souza Religioso Josefino e Mestre de Noviços

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Religioso Josefino, Dom Irineu Roman é nomeado arcebispo da arquidiocese de Santarém (PA) Papa Francisco eleva diocese de Santarém à arquidiocese e nomeia arcebispo Papa Francisco erigiu, no dia 6 de novembro, a Província Eclesiástica de Santarém (PA). Com este ato, elevou a então diocese paraense à sede Metropolita. O religioso josefino, Dom Irineu Roman (gaúcho, de Vista Alegre do Prata), até então bispo titular de “Sertei” e auxiliar da arquidiocese de Belém do Pará (PA), foi nomeado como primeiro arcebispo da arquidiocese de Santarém (PA).

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A nova Província Eclesiástica terá como sufragâneas a diocese de Óbidos (PA), a prelazia de Itaituba (PA), a nova diocese do Xingu-Altamira (PA) e a nova prelazia de Alto Xingu-Tucumã (PA), criadas neste mesmo dia. A Igreja Particular de Santarém foi erigida canonicamente como prelazia territorial de Santarém, em 21 de setembro de 1903, com territórios desmembrados

da então diocese de Belém do Pará. A elevação à diocese foi em 16 de outubro de 1979, por São João Paulo II. O território estende-se por 171.906 quilômetros quadrados. São 23 paróquias, 18 áreas pastorais e duas áreas missionárias distribuídas nos municípios de Almeirim, Aveiro, Belterra, Mojuí dos Campos, Monte Alegre, Monte Dourado e Prainha, todos no estado do Pará. Santarém será a segunda arquidiocese no regional Norte 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A Congregação de São José – Josefinos de Murialdo alegra-se com a decisão do Papa Francisco e deseja ao Dom Irineu muita luz e um frutuoso ministério à frente do governo pastoral da nova arquidiocese.

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PONTO DE VISTA 3H-RDFLU'HOOD*LXVWLQD

Família de Murialdo: uma família carismática CONGRESSO ASSEMBLEIA DA ANALAM

a madrugada do dia 26 de julho de 2019, corajosas pessoas partiram dos mais diversos recantos do Brasil rumo à Planaltina (DF) para participar do XIV Congresso-Assembleia da Associação Nacional dos Leigos Amigos de Murialdo (ANALAM), que aconteceu de 26 a 28 de julho, com o tema “Família de Murialdo: uma família carismática onde se guarda e se cultiva o Carisma”. Do Rio Grande do Sul participou uma delegação de 34 amigos de Murialdo, pertencentes a seis núcleos da capital e da serra gaúcha; do Rio de Janeiro (RJ) foram seis participantes; de São Paulo (SP), cinco; de Londrina (PR), cinco; de Araranguá (SC), três; de São Luiz (MA) o casal Valter Diniz Barros e Marcia Fernanda de Souza Barros participou para entender o que é a ANALAM e dar início a um núcleo em terras maranhenses; do Ceará foram três participantes; de Ibotirama e XiqueXique (BA), oito; do Distrito Federal, compreendendo Brasília e Planaltina (anfitriã do evento) foram 35 amigos de Murialdo que se fizeram presentes.

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Todos os participantes foram brilhantemente acolhidos pelo núcleo da ANALAM de Planaltina. Na sexta-feira, dia 26, várias delegações puderam participar de um tour por Brasília e conhecer a capital federal. Às 17 horas, no Salão da Paróquia Santa Rita de Cássia, ocorreu o credenciamento e o jantar. A abertura oficial do evento foi às 20 horas, com as boas-vindas aos presentes composição da mesa com autoridades civis e religiosas. Além dos pronunciamentos, Cristiane Sant’Elena Guze, da ANALAM de Araranguá, leu uma mensagem enviada pela presidente Carmelita que encontra-se com problemas de saúde. Após, aconteceu um momento celebrativo com a entronização das imagens de São Leonardo Murialdo e Santa Rita de Cássia, padroeira da paróquia de Planaltina. Em seguida, Pe. Geraldo Bonatti palestrou sobre o “Carisma e missão de São Leonardo Murialdo”. Ele destacou a pessoa e o carisma de Murialdo em viver e praticar o amor misericordioso de Deus às crianças,

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adolescentes e jovens mais empobrecidos. O religioso também abordou a missão Murialdo em seu tempo e pediu que a Família de Murialdo dê continuidade a este legado. No dia 27, as atividades iniciaram às 8 horas com a liturgia preparada pelo núcleo do Guará I a partir do Evangelho que lembra que todos devemos ser sal da terra e luz do mundo. Em seguida, o senhor Pedro Filho que pertence à paróquia de Santa Rita e é membro da Comissão da Campanha da Fraternidade da CNBB palestrou sobre o tema central do evento: “Família de Murialdo - uma família carismática onde se guarda e partilha o carisma”. O palestrante desenvolveu o tema enquanto família com suas responsabilidades em casa, na comunidade, na paróquia, em atividades sociais e em participações políticas. Ele indicou caminhos práticos para ser bons cristãos numa comunidade. As atividades da tarde contaram com a apresentação das crianças do CEMEC, coordenado pelo Pe. Ricardo Testa. Elas, com maestria, apresentaram danças típicas de cada região. Após, organizados em grupos, os congressistas partilharam experiências e questões como: você se sente parte da Família de Murialdo? Na sua opinião, o que é preciso para sermos uma verdadeira família de Murialdo? Em nossas comunidades construímos identidade e mística segundo o carisma de Murialdo? O que você leva deste congresso para o seu núcleo e para a sua comunidade? Os presentes também avaliaram a atual diretoria da ANALAM e propuseram as prioridades para o próximo triênio.

responsáveis respeitariam mais os encaminhamentos e as decisões da Escola. No perfil dos primeiros responsáveis pela educação - os pais - há confusão de papéis. Esses com dificuldade de impor limites aos filhos geralmente acabam cedendo a favor deles. Há uma geração que tem dificuldade de respeitar e de encontrar o seu espaço dentro da sociedade. A faixa etária também marca território na moda, nos costumes, no restaurante. Afinal, idade também conta aprendizagem, ou não terão valido a pena esses anos a mais! Toda essa realidade pode ser comparada a um cubo colorido. Em uma face, aparecem as preocupações com o mundo do dinheiro, do trabalho, da subsistência, mas especialmente, do consumo. O carro, a moradia e os eletrônicos é o que interessa para a maioria destes jovens. Materialismo barato com muitos vazios de sentido. Já em outra face do cubo, aparecem aqueles pais que se dizem educadores modernos, de vanguarda e que, por isso, mesmo são amigos e companheiros dos seus filhos, pois, segundo eles, é preciso uma aproximação e relação de confiança. Com certeza precisamos de tudo isso. Mas pai é mais que isso. Mãe não é amiga. Mãe é mãe. Com papéis que vão muito além de ser amigo. É comprometimento e exercício de autoridade. Pai é quem abraça, quem sente orgulho, quem sente saudade, quem exige, quem aponta, quem educa, quem

limita. Pai e mãe são pessoas que endurecem quando é necessário, que sofrem enquanto exigem, mas que anteveem as alegrias do resultado. Outra face importante é o surgimento de uma geração de “frouxos”. Sim, de gente que não é capaz de suportar nenhum tipo de sofrimento, de sacrifício, de perda, de frustração... uma geração que não é capaz de fazer duas provas no mesmo dia; que não consegue fazer um ensaio de teatro hoje e uma prova amanhã, justificando que não dá tempo para estudar, como se a preparação para uma prova fosse apenas o estudo do dia anterior. Neste momento, no desespero, chegam os pais, mais cheios de direitos que seus filhos e exigem que a Escola repense seu calendário, pois não pode exigir tanto dessas crianças e adolescentes, prejudicando seu desenvolvimento! Enquanto educadores, já não se sabe se isso causa comiseração ou indignação. Pobres crianças! Não terão muita chance de sobreviver na sociedade que está na porta de casa. A vida oferece momentos pelos quais devemos estar preparados para enfrentá-los. A ética, o dever, o comprometimento com a lisura e a transparência sempre serão valores e por eles a luta valerá a pena. Custam sacrifícios, mas realizam. Trata-se de pensar na linha de Charles de Gaulle que afirma: “a dificuldade atrai o homem de caráter, porque é abraçando-a que ele se realiza. 3H-RDFLU'HOOD*LXVWLQD Diretor Colégio Murialdo-Porto Alegre e presidente do Instituto Leonardo Murialdo (ILEM)

Os participantes afirmaram que se sentem parte da Família de Murialdo por pertencer a um núcleo, pelo carisma que encanta, pela solidariedade e preocupação com as crianças mais pobres, pelo trabalho realizado em obras sociais, porque é um grupo que se quer bem. Por outro lado, apontaram a necessidade de mais formação, especialmente nas paróquias, de como viver o carisma de Murialdo. Para sermos Família de Murialdo, os presentes asseguraram de que precisamos mais conhecimento de Murialdo, mais presença entre as crianças mais pobres, melhor acolhimento dos participantes dos núcleos da ANALAM, maior clareza do que é mesmo carisma de Murialdo, criação de um estilo de vida conforme Murialdo e fortalecimento da formação na ótica de Mu-

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COTIDIANO

Disciplina e limites: Uma questão de caráter ostuma-se relacionar caráter ao conjunto de atitudes que expressam um jeito de agir. Caráter tem relação direta com a ética, uma vez que essa se preocupa com o comportamento do indivíduo. O caráter é um jeito, um feitio próprio de viver e de conviver. Expressa o agir e o reagir do indivíduo. Tem caráter quem tem firmeza em princípios e valores éticos ou mesmo, morais. Pessoas de caráter são pessoas honestas, transparentes, éticas, de respeito.

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Há muitos questionamentos preocupantes como, por exemplo, qual é o tipo de geração que vem sendo formada? Qual o perfil dos formadores dessa geração? Uma geração que acha que tudo acontece como num passo de mágica e que não consegue trabalhar com a frustração, com perdas, com esperas nem se dá conta que tudo tem um custo. Estamos vivendo um momento histórico de reviravolta nos conceitos de educação, de liberdade, de direitos, de empatia, de solidariedade. Pais ou responsáveis estão entre os mais desafiados. Se a educação pública convive com essa crise fortalecida pela desmotivação profissional no exercício de uma função para a qual nem o Estado nem a sociedade acordaram, a rede particular começa a bater de frente com exigências de disciplina, de organização e de autonomia.

Pessoas de caráter são pessoas honestas, transparentes, éticas, de respeito

Atualmente, há cenas bastante comuns como criança que esperneia no supermercado, porque os pais não compram o produto dos seus desejos, na escolinha bate em todo mundo que se atravessa em sua frente; a criança em casa está constantemente desafiando a paciência dos adultos; o adolescente não quer ir ao Colégio porque está com sono ou porque não fez o trabalho, ou vai para a festa e diz que não tem horário para voltar; o filho que pede um celular melhor que dos pais. Há muitos exemplos que demonstram a falta de limites para essa nova geração. Para estes adolescentes tudo é imediato, infelizmente.

Se o Estado percebesse que sem a educação nenhum povo chega a lugar algum, pagaria melhor seus profissionais da área, porque se a sociedade percebesse que a escola é aliada da família na missão de formar gente humanizada, pessoas de caráter e

Fotos: divulgação Agir&Calar

rialdo nas paróquias. Quanto à vivência da mística de Murialdo, os presentes afirmaram que é preciso divulgar mais Murialdo, porém existe uma mística, porque os trabalhos com crianças empobrecidas estão acontecendo. Do congresso, será levado: a vontade de divulgar mais o carisma de Murialdo; um olhar profético, uma predisposição em querer contribuir nas paróquias e obras sociais a partir da ótica de Murialdo; maior corresponsabilidade nas comunidades; a vivência do ‘ser sal da terra e luz do mundo’; a experiência da partilha de tantos dons que temos; empenho em divulgar o Ano Murialdino; maior apoio aos núcleos; continuação do informativo Sementeira aprofundando o tema da família carismática e melhoria na comunicação entre núcleos. Na manhã do domingo, iniciou-se os trabalhos com a liturgia preparada pelo núcleo de Ibotirama (BA) a partir do significado da luz e a necessidade de sermos luz para todos. Cada participante recebeu um punhado de sal e uma vela. Todos foram convidados a experimentar o sal e depois para que as pessoas por proximidade aproximassem as chamas de suas velas para se tornar uma só, com muito mais intensidade do que uma chama isolada. Eis o significado dos leigos amigos de Murialdo: juntos se tornam uma chama bem forte, bem mais visível na Igreja, na comunidade, nas famílias. Passou-se em seguida à Assembleia propriamente dita. A diretoria e conselho formativo apresentaram o relatório das atividades, sendo aprovado por unanimidade. Em seguida escolhidas as prioridades para o próximo triênio, como segue: formação e carisma; comunicação, divulgação e paróquias; jovens - novos leigos amigos de Murialdo. O próximo congresso-assembleia será em julho de 2022, em Londrina (PR) com o tema: “protagonismo dos Leigos Amigos de Murialdo numa Igreja em saída”. Como não teve apresentação de nova chapa para compor a diretoria, a atual apresentou a seguinte composição, sendo aprovada por unanimidade: presidente - Carlos José Mazzochi; vice-presidente - Carmelita Masiero Fontanella; secretária - Poliana Carla Molon; vice-secretária Talita Gallas dos Reis; tesoureiro - Isaias Gallon e vice-tesoureiro - Cristiane Sant’Elena Guze. Conselho Formativo: Edilene Souza Santos, Edmundo Marcon, Leonel Wassem dos Reis, Volmir Tonello e os religiosos Pe. Geraldo Boniatti e Irmã Cecília Dall’Alba. Conselho Fiscal: Marcelo da Silva Souza, Pedro Pereira Lima e Edirlan Vitor Ribeiro. O presidente eleito, Carlos Mazzochi, fez seu pronunciamento oficial, colocando-se à disposição e solicitou a colaboração dos presentes para que ANALAM alcance seus objetivos. Elo João Back Presidente dos Amigos de Murialdo – Caxias do Sul (RS)

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COTIDIANO

MARCAS DO QUE SE FOI Fotos: Gustavo Diehl/UFRGS

Balduíno Antonio Andreola é professor emérito da UFRGS Pesquisador em Educação, o professor dedicou-se à educação popular, à educação do campo, aos movimentos sociais e ao diálogo intercultural. Trajetória acadêmica marcada também pela sensibilidade e pela esperança foi lembrada na sessão de outorga do título m cerimônia alegre e descontraída realizada no dia 28 de março, Balduíno Andreola, grande incentivador das causas de Murialdo, recebeu o título de professor emérito da UFRGS. A homenagem proposta pela Faculdade de Educação reconheceu a carreira de Balduíno como professor e pesquisador numa trajetória de 32 anos na UFRGS e que se seguiu em outras instituições, com ênfase em educação popular, educação do campo, movimentos sociais e diálogo intercultural.

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Teólogo e filósofo, mestre em Educação pela UFRGS e em Psicopedagogia pela Université Catholique de Louvain, doutor em Ciências da Educação pela mesma universidade da Bélgica e pós-doutor em Educação pela UFRGS, Balduíno trabalhou pela gestão pautada na democratização dos espaços e das formas de participação da comunidade acadêmica e pela abertura e reconhecimento do protagonismo dos movimentos sociais, promovendo debates sobre questões urgentes da sociedade brasileira a partir da redemocratização do País nos anos de 1980.

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Na presença de familiares, amigos, colegas e ex-alunos, Balduíno fez um discurso forte e bem-humorado, alegre e esperançoso, entrecortado por leituras de alguns de seus poemas, pela citação de nomes de companheiros de trajetórias e de sonhos e por palmas, muitas palmas. Segundo ele, “precisamos nos juntar para responder à magnitude dos desafios que nos rodeiam, todos os dias e sonhar sempre”. Em 2015, Balduíno voltou à UFRGS para o pós-doutorado, do qual resultou a tese “Emotividade versus Razão: por uma pedagogia do coração.

Após o encerramento das atividades da Escola Normal Rural, iniciou o Curso Colegial Agrícola, formando técnicos em agropecuária e o curso de Auxiliar Técnico de Fruticultura, de bons resultados.

co, sendo que, a partir de 1970, sediou novamente o Seminário de Ensino Médio, até 2005. Muitos confrades passaram por Ana Rech também no período de formação.

O ano de 1953 marcou a fundação do Ginásio Murialdo. Os meninos frequentavam as aulas no Colégio Murialdo e as meninas no Ginásio Nossa Senhora de Pompéia, em frente, atual prédio da Clínica Paulo Guedes. Em 1971, o Murialdo passou a funcionar em sistema misto, ou seja, meninos e meninas.

O Colégio Murialdo, por duas vezes, foi sede da Província Brasileira: em 1946, quando Pe. João Schiavo foi eleito o 1º provincial; de 1956 a 1964, com Pe. José Lorencini.

A partir de 1989, o 2º grau deixou de oferecer habilitações técnicas plenas e parciais, orientando-se para a preparação para o trabalho, juntamente com o Ensino Fundamental de 5ª a 8ª séries. Em 1991, passou a funcionar as quatro primeiras séries do Ensino Fundamental e, em 1992, a Pré-Escola.

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DE CARAVAGGIO

Seguindo o pensamento de São Leonardo, o Colégio Murialdo, que faz arte da Rede Murialdo de Educação, busca sempre se atualizar. De olho no seu tempo e nas necessidades da comunidade educativa, busca-se continuamente melhorias pedagógicas e estruturais. Entre os anos 2007 e 2012, a Instituição passou por uma reforma geral. Atualmente, próximo ao Colégio Murialdo, funciona a Unidade Ana Rech da Faculdade Murialdo, bem como o Centro Veterinário Murialdo. A história do Colégio Murialdo une-se com a história da comunidade de Ana Rech e região, sendo um referencial em educação humanizada e em qualidade de ensino. COLÉGIO E SEMINÁRIO O Colégio Murialdo foi a primeira casa de formação de futuros religiosos Josefinos no Brasil. Dez anos antes da fundação do Seminário Josefino de Fazenda Souza, em 1931, foi seminário e noviciado. Dos que passaram por Ana Rech, por volta de 16, ordenaram-se sacerdotes e outros Irmãos. Além disso, em 1950, acolheu 12 teólogos Josefinos e, no ano seguinte, mais nove. De 1955 a 1960, foi sede do Escolasticado Filosófi-

A história da Paróquia N. Sra. de Caravaggio de Ana Rech na vida dos Josefinos coincide com a vida do Colégio Murialdo e vice-versa. Com a saída dos Monges Camaldulenses de Ana Rech, em 1926, buscava-se uma congregação para o atendimento da paróquia, fundada, na gestão dos Monges, por D. Cláudio José Gonçalves Ponce de Leão, em 1912. Em novembro de 1927, o Dr. Celeste Gobato, intendente de Caxias do Sul, escreve para o Pe. Humberto Pagliari, pároco de Jaguarão e superior da Missão Josefina no Brasil, fazendo o convite para assumir a paróquia vacante. Depois de várias comunicações entre o arcebispo, os Josefinos e Gobatto, em fevereiro de 1928, o Superior Geral da Congregação envia Pe. Agostinho Gastaldo para tomar conhecimento de Ana Rech. Este, em março, encaminha relatório a Roma e recebe a resposta positiva: Pe. Girolamo Appoloni, então, Superior Geral. Diante disso, no dia 7 de outubro de 1928, com a chegada de Pe. Agostinho Gastaldo, começa a história da Paróquia de Ana Rech. Do seu território inicial, formaram-se duas outras paróquias: Nossa Senhora da Saúde (Fazenda Souza, 1959) e Menino Deus (Bairro Serrano, 1999). Muitos foram os párocos, vigários paroquiais, religiosos e religiosas e uma multidão de homens e mulheres que cresceram na fé, demonstrando o seu amor a Jesus e ao Reino no serviço da Evangelização, ao redor da comunidade paróquia até os dias de hoje.

Aos neossacerdotes, nossa prece e estima. Votos de uma missão marcada pela espiritualidade e pelo carisma de São Leonardo Murialdo.

Colégio Murialdo Ana Rech no ano de 1930

Fundadores: Pe. Girolamo Rossi, Pe. Agostinho Gastaldo, Ir. Ermenegildo Schiavo e Ir. José Gasperini

Gincana do Colégio Murialdo Ana Rech - 2019

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Colégio Murialdo de Ana Rech: 90 Anos de história e tradição

Foto: Volga

COTIDIANO

Religiosos Josefinos serão ordenados sacerdotes

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Província Brasileira da Congregação de São José (Josefinos de Murialdo) em 2020, terá mais dois novos sacerdotes: Antonio de Castro Lima e Cristiano Parnahiba Souza.

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Colégio Murialdo de Ana Rech Caxias do Sul está comemorando seus 90 anos dedicados à educação, à cultura, à evangelização e ao desenvolvimento sustentável da região. Para celebrar a data, a Instituição promoveu uma série de eventos dentre eles: o Baile de Casais, animado pelo conjunto Os Monarcas (Grupo que evidencia a cultura gaúcha, a arte e a espiritualidade), no dia 11 de maio, na Fundação Marcopolo (RST 453, KM 73), em Caxias do Sul (RS). O evento contou também com a participação especial do cantor Pe. Ezequiel Dal Pozzo; em outubro aconteceu a Gincana Cultural, com o tema: Era uma vez... os reinos da fantasia na história de Murialdo, realizada com os alunos do 6º ano do Ensino Fundamental ao Ensino Médio e a comunidade escolar; no mês de novembro aconteceu o Festival de Talentos, com o tema Os 90 anos do Colégio Murialdo - Uma viagem no tempo, com o alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental e a comunidade escolar; e, no mês de dezembro, aconteceu um Festival da Educação Infantil com o tema “A grande Festa dos 90 anos do Colégio Murialdo de Ana Rech”, com os alunos da Educação Infantil e comunidade escolar; além disso, a Mostra Literária e Cultural 2019, com o tema “90 anos do Colégio Murialdo de Ana Rech: uma história feita de muitas histórias”, alunos da Educação

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Infantil ao Ensino Médio apresentaram os trabalhos literários e culturais desenvolvidos sobre o tema para a comunidade educativa. A HISTÓRIA A instituição foi fundada em 1929 com o objetivo de ser um colégio para meninos. Inicialmente, funcionou no prédio do “Monastero Della Santíssima Trinitá”, construído em 1909 pelos Monges Camaldolenses. Este servia de dormitório, cozinha e refeitório. A construção do atual prédio teve início em 1930 e concluído em 1958. Muitos benfeitores de Caxias do Sul colaboraram para viabilizar a construção, dentre eles, destaca-se Celeste Gobato, Dante Marcucci, e Luiz Compagnoni. O primeiro Josefino a chegar em Ana Rech foi o Padre Agostinho Gastaldo. A criação da Escola Normal Rural aconteceu em 1942. Fundada pelo Padre João Schiavo, funcionava em nível ginasial, com alto grau de ensino. Esse curso formou centenas de professores rurais para o Rio Grande do Sul. Muitos deles distinguiram-se em suas comunidades, como Clemente Barreto, Ruy Pauletti, Armando Antonio Sachett, Hermes Zanetti, Valter Susin e tantos outros.

No dia 25 de janeiro, no Instituto Maria Imaculada – Pacoti, no Ceará, ocorrerá a ordenação sacerdotal do diácono Cristiano Parnahiba Souza. Cristiano tem como lema de ordenação: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3,30). Já no dia 26 de janeiro de 2020, será realizada a Ordenação Sacerdotal do diácono Antonio de Castro Lima, na Comunidade Nossa Senhora de Fátima – Fortaleza, no Ceará. Antônio escolheu como lema: “E vos darei pastores conforme o meu coração” (Jr 3,15). Ambas as celebrações serão presididas pelo bispo, religioso Josefino, Dom Irineu Roman (gaúcho, de Vista Alegre do Prata) que, no dia 06 de novembro de 2019, foi nomeado primeiro arcebispo da arquidiocese de Santarém (PA). Aos neossacerdotes, nossa prece e estima. Votos de uma missão marcada pela espiritualidade e pelo carisma de São Leonardo Murialdo.

Mensagem do Antônio: Neste tempo de discernimento vocacional e formação na Congregação de São José, a infinita bondade de Deus me concedeu contar com a forte oração e ajuda de muita gente querida, a começar pela minha família sanguínea e religiosa. Ser Josefino de Murialdo é viver na certeza que estamos nas mãos de Deus e, estando nas mãos de Deus, estamos também nas mãos e no coração de muitas pessoas que edificam diariamente nossa vocação e trabalho pela oração sincera e gratuita. Expresso aqui a minha gratidão e peço que continuem rezando por nós, religiosos Josefinos de Murialdo. Que cada vez mais possamos configurar a nossa doação de vida e trabalho junto às crianças, adolescentes e jovens a ação de Cristo no mundo. Mensagem do Cristiano: Minha caminhada vocacional iniciou quando eu ainda era criança. Minha família sempre participou da Igreja. Fui catequizado por minha avó materna e por minha tia, grandes catequistas da comunidade. E eu buscava estar ligado a tudo o que acontecia na pequena comunidade do Sagrado Coração de Jesus. Procissões, novenas, festejos e visitas as casas. Até então, não tinha noção do que queria para mim no futuro. Como diz o Evangelho de Lucas: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Portanto, peçam ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita” (Lc 10,1-2). Senti esse apelo quando comecei a participar das santas missões populares. E foi justamente em uma missão que recebi o convite para participar de um grupo vocacional. Ingressei na Congregação de São José em 2008, em Fortaleza (CE). Uma experiência marcante na minha história. Agradeço a Deus pela estrada percorrida e pela que ainda hei de percorrer, se não fosse pela misericórdia divina eu não sei onde estaria. Vocação é dizer sim a cada dia que me levanto e perceber que estou vivenciando um projeto que não é meu, e sim, de Deus. E tudo o que é d´Ele permanece.

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MARCAS DO QUE SE FOI

COTIDIANO

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25 Anos de Sacerdócio: entrega a Deus a serviço dos pobres

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s religiosos Josefinos Pe. Adelar Francisco Dias, Pe. Juarez Murialdo Dalan, Pe. Sestino Serafino Sacco e Pe. Renato Fantin celebram o jubileu de vida sacerdotal junto às suas comunidades de origem, bem como nas comunidades de missão.

Pe. Adelar foi ordenado sacerdote no dia 08 de janeiro de 1995, pelo bispo Dom Orlando Dotti, na Igreja Matriz Nossa Senhora de Caravaggio de Paim Filho (RS). Seu lema sacerdotal é: “... abraçando-as, abençoou-as, impondo as mãos sobre elas.” (Mc 10,15); Pe. Juarez foi ordenado pelo Dom Ney Paulo Moretto, no dia 31 de dezembro de 1994, na Igreja Matriz Nossa Senhora da Saúde – Fazenda Souza (Caxias do Sul – RS). Seu lema é: “Grande é aquele que serve.” (Mt 20,26); Pe. Sestino foi ordenado sacerdote no 11 de dezembro de 1994, na Igreja Matriz São Jorge (RJ). Seu lema de ordenação é: “Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos irmãos.” (Jo 15,13); Pe. Renato Fantin foi ordenado no dia 22 de janeiro de 1995, na Paróquia de Santo Antônio - Nova Pádua (RS), tendo Dom Ney Paulo Moretto como bispo ordenante. Seu lema de ordenação: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim, nunca mais terá fome e o que crê em mim nunca mais terá sede.” (Jo 6,35).

Monsenhor Geraldo Ávila leu a provisão do primeiro pároco, Pe Aleixo Susin e de imedia-

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Que os Jubilandos continuem sendo mensageiros do Reino e que o bom Deus lhes dê sempre muita força, saúde e coragem para que possam continuar a missão com a generosidade e com desprendimento, acolhendo sobretudo os mais simples e humildes. O Papa Francisco assegura que “abraçar o projeto de Deus requer a coragem de arriscar uma escolha. Para aceitar o chamado do Senhor, é preciso deixar-se envolver totalmente e correr o risco de enfrentar um desafio inédito. É preciso deixar tudo o que poderia nos manter amarrados, impedindo-nos de fazer uma escolha definitiva. É preciso audácia para descobrir o projeto que Deus tem para a nossa vida. Não há alegria maior do que arriscar a vida pelo Senhor!”

NOSSA HISTÓRIA: Por decreto do então Arcebispo de Brasília, Dom José Newton de Almeida Batista, de 25 de dezembro de 1968, foi criada a Paróquia de São Paulo Apóstolo. A cidade de Guará, que estava se iniciando, ainda não tinha nome e era conhecida por MUTIRÃO. No dia 1º de Janeiro de 1969, pelas 16h30min, com a presença de fiéis, foi celebrada a missa solene de instalação da nova Paróquia. Concelebraram, naquela ocasião, o Bispo de Brasília, Dom Newton, o Monsenhor Geraldo do Espírito Santo Ávila e o Pe Aleixo Susin, a quem foi confiada à nova Paróquia.

to foi efetuada a posse do mesmo por sua excelência Dom José Newton de Almeida Batista. Após o Evangelho, o Bispo celebrante proferiu brilhante oração alusiva à efeméride, e, no final da Santa Missa, o Pároco empossado dirigiu-se aos fiéis da recém-criada, paróquia concitando-os a formarem uma COMUNIDADE DE FÉ, DE CULTO e DE AMOR, e convidando a todos a colaborar para erigir o templo que seria o símbolo da Igreja a ser formada com as bênçãos de Deus. A Paróquia foi iniciada sem templo e sem recursos de qualquer espécie. Havia só uma modesta casa paroquial ainda em fase de construção. O atual terreno da QE 07, lote F, onde foi constituído o Templo atual, foi adquirido a 12/07/1970. Passados 50 anos percebe-se o quanto foi realizado, e o quanto Deus tem abençoado nossa Paróquia em todos os sentidos. Foram muitos os sacerdotes Josefinos que serviram com alegria e entusiasmo e que foram lembrados nas comemorações do Jubileu. As mais diversas Pastorais e movimentos - em número de 54 - estão servindo com alegria. Os leigos sempre mais assumem suas responsabilidades como protagonistas de uma igreja em saída. Os jovens, alvos primeiros da evangelização, são sempre mais conscientes e entusiastas (temos 5 grupos de jovens). Há muitos atendimentos de confissões, muita participação na Liturgia e nos eventos da comunidade. Há uma catequese renovada e eficiente. Nesse ano de 2019, por exemplo, frequentaram a catequese aproximadamente 580 crianças, adolescentes e jovens. Podemos concluir que, na verdade, FORMAMOS UMA COMUNIDADE DE FÉ e DE AMOR, conforme preconizado.

Pe. Sérgio Murilo Severino Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo – Brasília (DF)

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Foto: Volga

COTIDIANO PARÓQUIA GUARÁ I

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Igreja, vida e missão: 50 anos de evangelização

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São José, formada, fortalecida e iluminada na Palavra de Deus, no Magistério da Igreja, nos Sacramentos e na Oração; onde Consagrados e Leigos unem-se fraternalmente e trabalham juntos com confiança em Cristo ressuscitado e na ação do Espírito Santo a serviço de todos que o Senhor chama e quer salvar, especialmente crianças, adolescentes, jovens e famílias em situações de vulnerabilidades.

om o lema “Sede meus imitadores como eu sou de Cristo” (ICor 11,1) e com o tema Igreja, Vida e Missão: 50 anos de evangelização, a Paróquia São Paulo Apóstolo do Guará I está celebrando seu jubileu de ouro que teve inicio dia 20 de dezembro de 2018 e encerra-se dia 21 de dezembro de 2019. A celebração do jubileu tem como objetivo resgatar a memória da Paróquia São Paulo Apóstolo, dando novo impulso à vida e à missão de nossa Igreja, projetando um futuro com alegria, esperança e amor, com a proteção de São Paulo Apóstolo, nos passos de São Leonardo Murialdo e agradecendo as maravilhas que DEUS realizou nestes 50 anos de nossa Igreja. Para tanto foram organizados diversos eventos como a Pedalada da Juventude, a Caminhada Mariana, Inauguração da Galeria dos Párocos, o Baú de Recordações com grande número de fotos, a Semana Missionária, o Festival Canto em Missão entre outros eventos.

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Nossa identidade: Uma paróquia missionária e evangelizadora em comunhão e sintonia com a Arquidiocese de Brasília e com a Congregação de

Fotos

Além de todo o serviço litúrgico-pastoral, a paróquia é responsável pela manutenção do Centro Social Formar, uma casa que acolhe 180 crianças e adolescentes socialmente vulneráveis, em funcionamento na localidade de Arniqueiras. A casa foi inaugurada no dia I0 de abril de 1988 e mantém vivo o carisma Josefino. A Paróquia acolhe também os filósofos da Província desde o ano de 2008 e por aqui já passaram alguns dos novos sacerdotes que já estão atuando nas diversas frentes da Província brasileira e no exterior.

São inúmeras as belas histórias de doação, serviço generoso e momentos de fé vivenciados ao longo destes 50 anos de nossa Paróquia e agradecemos a Deus por todos que aqui passaram, muitos já em nossa saudade e em nossas preces.

Padre Gervásio e Padre Genuíno durante a Celebração de Ação de Graças

Religiosos comemoram Bodas de Ouro Sacerdotal

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os dias de hoje, em tempos de vida líquida, falar “para toda a vida” pode soar estranho, mas “para Deus tudo é possível”. É tão possível que no dia 6 de janeiro de 2019 foi celebrado solenemente os 50 anos de vida sacerdotal do Pe. Antônio Idarci Mattiuz, natural de Fagundes Varela (RS), atualmente a serviço da Igreja de Belém do Pará; do Pe. Genuíno Roman, de Vista Alegre do Prata (RS), vigário paroquial da Paróquia de São Paulo Apóstolo de Guará I (DF) e do Pe. Gervásio Mazurana, natural do Rincão dos Kroef, São Francisco de Paula (RS), pároco da Paróquia São Leonardo Murialdo de Caxias do Sul (RS). A missa de Ação de Graças ocorreu na Igreja Nossa Senhora de Caravaggio de Ana Rech e foi presidida pelos jubilandos Pe. Gervásio e Pe. Genuíno e concelebrada por dezenas de sacerdotes, entre eles o Provincial, Pe. Marcelino Modelski. Pe. Antônio Mattiuz esteve impossibilitado de se fazer presente devido aos compromissos da missão na Igreja de Belém do Pará.

Segundo o Papa Francisco, “a vida sacerdotal não é um escritório burocrático ou um conjunto de práticas religiosas ou litúrgicas para atender. Ser sacerdote significa arriscar a vida pelo Senhor e pelos irmãos, carregando na própria carne as alegrias e angústias do povo, dedicando tempo e escuta para curar as feridas dos outros, oferecendo a todos a ternura do Pai”. Obrigado Padres Antônio, Genuíno e Gervásio pelo vosso testemunho de vida e doação ao Reino. Aos padres Antônio, Gervásio e Genuíno, a nossa gratidão porque com fé acreditaram na graça de Deus mais do que nas próprias forças. Pedimos também bênçãos especiais em favor das vocações sacerdotais, religiosas e leigas. P Pe. A Antônio tô i M Mattiuz t ti

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FORMAÇÃO 3H0iULR$OGHJDQL

Escola em Pastoral “Caminhando com os jovens, escutando o mundo em mudanças, anunciando a alegria do evangelho na partilha do carisma”

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ropor uma Escola em Pastoral é colocar-se no caminho, com os educandos, a exemplo de Jesus Cristo com os Discípulos de Emaús. Após a condenação e a morte de Jesus Cristo, para os dois amigos, tudo havia acabado. Sessou a esperança naquele que veio para estar com eles e ser para eles uma nova vida. No caminho de volta, há o encontro com o Ressuscitado, Jesus Cristo. E o Ressuscitado se propõe a caminhar e ficar com eles. Ao entardecer daquele dia, Jesus entra na casa dos dois amigos, senta-se à mesa e ceia com eles. Toma o pão, abençoa, parte e entrega a cada um. Jesus tem um olhar atento e acolhedor; acolhe as angústias e sofrimento dos dois amigos, partilha com eles da sua própria vida. Jesus é presente na vida dos dois. Cada vez mais, a escola percebe a necessidade de ter um olhar atento ao todo do ser humano, nas suas várias dimensões e, de forma especial, na dimensão transcendental. Nisso, propor uma Escola em Pastoral é proporcionar à comunidade escolar um instrumento que auxilie cada pessoa - educando e educador - a

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reencontrar o verdadeiro sentido de sua existência; a se reencantar com a vida em plenitude e não se deixar tomar pelos medos e sofrimentos que a vida impõe. A experiência do Ressuscitado fez dos discípulos de Emaús testemunhas de uma vida nova. Na perspectiva da formação integral, a escola tem em sua missão possibilitar que cada um encontre o sentido de sua existência. Com o advento da Modernidade, no Ocidente, desenvolve-se uma cultura, com grande contribuição do Movimento Iluminista (século XVII e XVIII), que falar de Deus e com Deus é coisa do passado, é coisa de Idade Média. A chamada Pós-Modernidade, era do progresso da ciência e da tecnologia, distanciou ainda mais o ser humano de Deus. A emancipação do humano, pela razão, deixou Deus e o sagrado em segundo plano e materializou a vida. A era do descartável, a era dos líquidos, a era do vazio tornou aquilo que é perene, incluindo os valores, obsoleto. Deus não é coisa, a religião não é coisa, a espiritualidade não é coisa, mas é experiência com o transcendente e forma de existência. Nisso, duas situações ocorrem quando tratamos de religião ou de experiência religiosa: a primeira é o comércio do sagrado - Deus torna-se o mercador e a mercadoria - e a segunda situação, consequência da primeira, é

com experiências plenas de significado, memória da tradição cultural e espiritual. Tudo isso torna-se particularmente necessário, especialmente agora, em tempos de pluralismo e complexidade, quando há um forte risco de deixar-se levar, no mundo dos adultos, por um sentimento de renúncia educativa. Uma abordagem proativa deve ser mantida viva na educação; ela é muito necessária. Sem propostas, as crianças e os jovens não crescem, não têm nenhuma possibilidade de partilha, de exercício da interioridade e da liberdade. O pivô da experiência educativa não é dado pelo conteúdo oferecido (mesmo quando se faz evangelização explícita), mas a partir do jovem. Este precisa sentir-se sujeito, confrontar-se com novas visões, porém, a partir de experiências que o marcam; precisa, de certa forma, sentir que ele produz os valores mesmo que lhe venham de fora.

Uma relação na diferença para livrar-se da indiferença Toda relação, mesmo com os mais próximos, com os do nosso grupo e da nossa cultura, é sempre um encontro com a diferença. É uma saída real do próprio mundo, de si mesmo, da própria visão e de seus próprios preconceitos. O encontro, antes de ser um fato cultural ou de inteligência, é um fato corpóreo, feito de gestos, ações, movimentos, é um fato emocional, risco de contato, de exposição, de acolhimento, de fazer nascer a responsabilidade pelo outro, que talvez já está registrada em nossa carne. Muitas vezes, por trás do raciocínio, aceitar ou não

aceitar o outro, escondem-se as nossas incapacidades relacionais, a nossa dificuldade de sair do nosso mundo. Esconde-se a indiferença pelo outro. Os ambientes educativos são desafiados a fazerem essa mudança do plano das visões (humanas, religiosas, da vida) para o nível das relações humanas concretas. Viver a diferença é habitar um espaço que não nos pertence, entrar num lugar onde nunca estivemos. Quando estamos disponíveis a este habitar (ou a entrar num outro lugar ou sair do próprio lugar) livramo-nos do medo de nos expressarmos nas próprias identidades e, ao mesmo tempo, essas identidades se tornam dinâmicas, vivas.

Abertura a uma antropologia “exodal” A atenção sobre a diferença, porque abre-nos ao outro (e para Deus), abre-nos também a uma nova compreensão da identidade. O contexto pluralista atual é vivido por muitos com preocupação pela nossa identidade cultural que deve ser preservada da invasão de outras culturas. É importante, na educação, ampliar os horizontes. Atualmente, mais importante que uma antropologia da identidade, importa uma antropologia da alteridade. É isso que nos propõe o Papa Francisco quando fala de uma Igreja em “saída”. “Quem não sai, adoece”, diria o Papa Francisco. Melhor arriscar um acidente pela estrada, ao invés de ficar doente, por girar ao redor de nós mesmos. Somos chamados a olhar continuamente para dentro da alma e encontrar motivações, vencer as preguiças e o medo, redesenhar na humildade e na paciência, os conteúdos do nosso testemunho e do nosso serviço aos jovens.

Padre Mario Aldegani Superior Geral da Congregação até 2018. Atualmente é Provincial da Província Argentina-Chile

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FORMAÇÃO (GPXQGR0DUFRQ

Educar no estilo do Bom Pastor! A presente reflexão foi escrita pelo religioso Josefino, Pe. Mário Aldegani, que foi Superior Geral da Congregação de São José até o ano de 2018. O religioso fez uma síntese do documento “Orientações sobre a Pastoral Josefina – Educar no estilo do Bom Pastor” – fruto de um processo de diálogo e de participação na Família de Murialdo, que está em sintonia com as Linhas de Pastoral Josefina de 1996 e que, ao mesmo tempo, as atualiza. Trata-se de indicações para o discernimento a respeito do modo justo de encarnar o nosso carisma em que estamos, em todo o tempo e em cada cultura. Ele nos apaixona e, por isso, queremos colocá-lo a serviço e partilhá-lo. uma honra dirigir a vocês minhas palavras que podem nos animar no desenvolvimento do nosso trabalho, que não é só trabalho, mas é vocação e missão, porque o trabalho na educação não pode ser menos do que isso, uma vocação e uma missão. Sinto-me no dever de louvar o Senhor pela graça de ter muitas pessoas participando da missão educativa dos Josefinos e agradecer-lhes por serem muito, muito mais numerosos do que nós, Josefinos; por serem o rosto de Murialdo entre as crianças e os jovens.

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confiado, e que hoje é compartilhado com os membros da Família de Murialdo, exigindo-nos permanecer na escuta constante das vozes dos últimos. Atenção aos jovens “pobres” é uma direção e um programa de ação para a renovação da nossa Congregação e das suas iniciativas apostólicas, valorizando o que já fazemos. Eu diria que este é o nosso ponto forte em todos os caminhos, em todos os projetos de educação e de pastoral. As palavras com as quais o nosso documento atualiza esta inspiração fundamental estão particularmente em sintonia com o caminho da Igreja e as provocações do Papa Francisco: “A comunidade educativa insere-se no cotidiano dos jovens, encurta as distâncias, se abaixa até a humilhação e assume a vida humana, tocando a carne de Cristo sofredor na pessoa dos pobres e abandonados, os que mais necessitam de educação cristã” (cf. EG 24). Isso requer que se mantenha contato direto com os jovens, sem fechar-se na gestão das estruturas, encargos e papéis.

Jovens somente aceitam serem acompanhados por educadores credíveis e coerentes, abertos à partilha

Quero partilhar com vocês o documento que apresenta os aspectos fundamentais da nossa pedagogia, inspirada ao carisma de Murialdo. O documento possui o título: “Educar no estilo do bom pastor”. Ele é o resultado de um processo de diálogo e de participação, que inclui a contribuição de muitos pensamentos e práticas educativas, vivenciados em diferentes contextos, todos inspirados pelo carisma de São Leonardo Murialdo e exprime a participação ativa dos diferentes componentes da Família de Murialdo. Articulo a minha reflexão a partir de algumas interpretações que parecem melhor iluminar, especialmente as inovações deste texto, analisando, sobretudo, os aspetos carismáticos, sociológicos e culturais deste documento.

A chave do carisma Desde o início, a nossa Congregação entendeu que a dedicação aos jovens pobres é o coração de sua experiência apostólica e carismática; uma consciência que se traduz numa multiplicidade de obras e realizações nos diversos contextos nos quais foi chamada a trabalhar. Também, hoje, o Espírito convoca-nos para uma renovada fidelidade a este dom que, desde o início nos foi

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Na perspectiva da pedagogia do amor e da educação do coração, o educador da Família de Murialdo valoriza “o encontro pessoal, a cordialidade simples e respeitosa, a paciência, a gentileza e a bondade”. Essas atitudes transmitem confiança e favorecem o crescimento dos jovens, levando-os a se tornarem “protagonistas do seu futuro” (CG XXII, nº 12). O educador, na relação educativa, prova que ele mesmo cresce e aprende, e que se educa e se vive o carisma somente na comunhão de vida. Por outro lado, os jovens somente aceitam serem acompanhados por educadores credíveis e coerentes, abertos à partilha. Como diz o Papa Francisco: “Os evangelizadores devem ter o ‘cheiro das ovelhas e escutar a sua voz’.” (EG 24)

A centralidade da pessoa e do seu crescimento A educação é o intercâmbio de valores, o impacto

o descrédito pela religião e por Deus. Deus não satisfaz as necessidades e anseios humanos. Nisso, o ser humano esvaziou-se da referência transcendental, que transcende sua própria existência, para colocar em seu eu e nas coisas, bens, seu valor “sobrenatural”. Para Antonio Boeing, “A Escola Católica é o lugar por excelência para oferecer referenciais significativos para a construção de identidades saudáveis. O fundamento para essa ação está na pedagogia de Jesus, isto é, na forma como Ele se relacionava em cada circunstância. A prática de Jesus é o referencial primordial, por isso a missão da Escola Católica é a de testemunhar e anunciar Jesus Cristo e seu Evangelho, numa dinâmica evangelizadora que perpassa toda a comunidade educativa”.

de agir de Jesus, busca colaborar para a construção do Reino de Deus na sociedade, mediante a fundação de comunidades eclesiais. O que nos interessa é atinar em que medida a escolarização e seus conteúdos podem contribuir para essa construção e essa implantação”. Por isso, uma Escola em Pastoral pressupõe que todos os cenários da escola estejam conscientes de sua missão evangelizadora. Em todos os ambientes e situações, existe a possibilidade de experimentar o amor de Deus pela humanidade. Assim, a escola torna-se uma pequena comunidade eclesial, portadora e defensora da vida, mesmo numa situação onde nem todos professam a mesma fé.

Uma Escola em Pastoral pressupõe que todos os cenários da escola estejam conscientes de sua missão evangelizadora

Neste intuito, a Escola em Pastoral possibilita que a comunidade escolar, nos seus vários cenários - direção, coordenação, gestão, docentes, educandos, colaboradores, - desenvolvam, a partir dos princípios cristãos, o processo educativo de forma integral e integrada. Nisso, consiste que uma Escola em Pastoral não significa apenas falar de Jesus Cristo, o Kerigma, mas acima de tudo, contribuir para que, nos diversos conhecimentos, o ser humano aprenda a escutar a voz de Jesus Cristo nesse tempo da história.

A arte de educar requer a valorização da pessoa como um todo, na sua integralidade. Em tempos tão difíceis, o educador cristão tem a missão de apresentar a cada criança e jovem a pedagogia da esperança; esperança naquele que venceu a finitude, venceu o mal, Jesus Cristo. Abrir-se ao transcendente e dar ao ser humano asas para voar. Sair de si para ir ao encontro do horizonte maior que é Deus. Sair de si para ir ao encontro do outro, do irmão, da natureza, do mundo.Abrir-se ao transcendente é se permitir educar o coração.

Santiago Rodríguez Mancini afirma que “Quando dizemos pastoral queremos significar a práxis da comunidade eclesial que, seguindo a maneira concreta

(GPXQGR0DUFRQ Professor e coordenador da Pastoral Escolar do Colégio Murialdo - Caxias do Sul

Referências BOEING, Antonio. Escola Católica em Pastoral: Lugar da memória e de referenciais significativos. Disponível em: www.educadores.diaadia.pr.gov.br/ Acesso em 08 de agosto de 2019. DEGRANDIS, Fernando. Confessionalidade e Evangelização na Escola Católica. Disponível em: www.anais.est.edu.br. Acesso em 14 de agosto de 2019. GOMES, Sandro Roberto de Santana. A ação evangelizadora na sociedade contemporânea em uma escola em Pastoral. Disponível em: www.unicap.br/ojs/index.php/paralellus/article/view/141. Acesso em 14 de agosto de 2019. JUNQUEIRA, Sérgio Rogério Azevedo e LEAL, Valéria Andrade. Escola Católica: uma escola em pastoral. Disponível em:

https://revistas.pucsp.br. Acesso em 14 de agosto de 2019. Josefinos de Murialdo. Testamento espiritual de São Leonardo Murialdo. Trad. Pe. Jiovani M. Barreto, Pe. Cornelio Dall’Alba; trad. Pe. Giuseppe Fossati, Pe. Antônio Lauri de Souza. Caxias do Sul, Gráfica Murialdo, 2014. MANCINI, Santiago Rodríguez. Pastoral educativa uma visualiação da tarefa educativa escolar à luz da fé. Uma prospectiva argentina, http://www.irmaosdelasalle. org. Acesso em 14 de agosto de 2019. ZILLES, Urbano. A crítica da religião na modernidade. Disponível em: https://carlosbarros666.files.wordpress.com. Acesso em 08 de agosto de 2019. Antologia das Fontes Carismáticas: Ensinamentos de São Leonardo Murialdo. Org. Pe. Giovenale Dotta e Pe. Giuseppe Fossati. Trad. Pe. Cornélio Dall’Alba e Pe. Geraldo Boniatti. Caxias do Sul, Gráfica Murialdo, 2015.

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CAPA 3H*HUDOGR%RQLDWWL

Família de Murialdo está sendo agraciada por Deus, neste ano, com a bênção do Ano Murialdino que teve o seu início no dia 30 de março e se estenderá até 3 de maio de 2020. Foi sem dúvida uma bela iniciativa do Conselho Geral da nossa Congregação em concretizar um ano inteiro de celebrações em vista de lembrar os 120 anos da morte de Murialdo (Murialdo faleceu no dia 30 de março de 1900) e os 50 anos de sua canonização, quando foi proclamado santo pela Igreja em 3 de maio de 1970.

A

Nosso superior geral, Padre Tullio Locatelli, apresentando os objetivos da celebração deste ano, destacou que “é uma oportunidade que não podemos perder para refletir sobre o nosso caminho de santidade”. Além disso, o Ano Murialdino busca redescobrir, vivenciar e fortificar os caminhos de santidade vividos por Murialdo e proclamados com tanto entusiasmo pelo Papa Francisco na Exortação Apostólica: “Alegrai-vos e Exultai”; envolver todas as instituições e pessoas que se inspiram na ação educadora de Murialdo, na escola, na catequese e no setor social e valorizar a atualidade da ação de Murialdo, como herdeiros de seu carisma, sendo “amigos, irmãos e pais, - amigas, irmãs e mães”, junto aos mais necessitados. Foram organizados eventos específicos a fim de revigorar a nossa santidade enquanto herdeiros de Murialdo. Toda a Família de Murialdo está sendo envolvida, pois a santificação de cada membro aprimora a vida de todas as pessoas trazendo benefícios para a

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sociedade e para a Igreja. Numa carta circular referente ao evento, Pe. Tullio apresenta alguns aspectos da santidade, na ótica do Papa Francisco, da vida de Murialdo e das práticas de santidade no ser e no fazer de cada dia. Concretamente, são destacados os aspectos da santidade indicados pelo Papa Francisco que consistem em dar importância às pequenas coisas do nosso cotidiano. O Papa fala que os santos estão ao pé da porta. Estão ao nosso lado. São todos aqueles que vivem em seu cotidiano a graça do batismo, querendo fazer bem as múltiplas atividades. O Santo Paulo VI, papa que beatificou Murialdo em 1963 e o proclamou santo em 1970 destacou: “Quem é Murialdo? A sua história é simples, não existem mistérios, não viveu aventuras extraordinárias... é um nosso irmão, um companheiro de viagem. Um homem extraordinário no ordinário”. Murialdo vive um caminho de santidade depois que experimentou o grande amor de Deus para com ele, manifestado na misericórdia, no perdão dos erros que ela pensava ter cometido. Ele encontrava motivações para viver a santidade a partir do batismo. Como cristão assumiu decididamente as práticas de Jesus, dedicando-se à educação dos jovens mais pobres e abandonados de sua cidade. Ele considera sua entrada nos Artiginalli (casa dos pequenos artesãos), como um segundo batismo em sua vida. O primeiro batismo, diz ele, foi a purificação recebida na pia batismal. O segundo foi a missão que brotou da força de Deus para viver a vocação de estar perto e caminhar juntos com os filhos de Deus mais necessitados. Vivendo a imer-

são entre os jovens mais pobres, Murialdo concretiza em inúmeras atividades, seu amor, sua dedicação, seu cuidado para com todos aqueles que Deus fez encontrar em seu caminho. Santidade feita de atenções, de ternura, de orientações, sobretudo de presença como “amigo, irmão e pai”. Para viver a santidade não precisa fazer coisas extraordinárias, basta fazer bem o que se deve fazer. Daí a exortação de Murialdo aos educadores de seu tempo: “Façamos o bem, mas façamo-lo bem”. Murialdo fala aos confrades e educadores sobre a santidade. Mas o que mais se destaca em sua vida é o testemunho prático desta santidade. Ele estava convencido que a santidade não se faz com palavras, mas com atitudes. “Fazer-se santo e santificar os outros” era a sua convicção e sua ação. Mais concretamente, Murialdo manifestou seu caminho no campo da educação dos jovens pois acreditava que “a educação é também meio de santificação. Quem santifica é santificado. Salvaste uma alma, tens a tua salva. Quanto agrada a Deus esta missão”! Hoje o Papa Francisco diz a todas as pessoas de boa vontade: “Devemos ser santos para poder convidar os jovens a se tornarem santos”. Santidade é união entre todos os educadores de uma obra. Imaginemos Murialdo no Colégio dos Artigianelli numa reunião com os educadores onde com muita convicção, diz: “Nós servimos diretamente a Deus servindo estes jovens. É gostoso a gente se encontrar na unidade, na amizade, para fazer o bem. É Deus quem faz o bem, mas exige que trabalhemos,

que semeemos, que façamos o quanto pudermos para o bem dos jovens e depois rezemos...” Por fim, Murialdo assegura que para crescer na santidade precisa colocar-se em sintonia com Deus, na oração, pois a iluminação do Espírito de Santo, dá as melhores indicações para mexer, com delicadeza, nos corações dos jovens educandos. O que impressiona na santidade de Murialdo é a sua constante inquietação em procurar novas formas, novas atividades, para a felicidade de seus educandos. Está sempre a caminho, com tantas outras pessoas da comunidade de então, para concretizar situações, oportunidades que viessem em benefício de todos os cidadãos. Neste Ano Murialdino fica o desafio a cada um de nós: o caminho de santidade é feito de pequenos gestos de acolhida, de perdão, de misericórdia, de ternura, de docilidade, de confiança, de empenho em promover a vida e resgatar a vida de irmãos e irmãs que podem não estar vivendo o dom da vida em plenitude. Nós da família de Murialdo, na simplicidade de nossas vidas, queremos ser tantas pequenas luzes a iluminar os caminhos complexos que nos circundam. “Deixemos Deus agir em nós e através de nós. Ele nos quer mais bem do que nós mesmos e a nossa sorte está melhor em suas mãos do que em nossas mãos”, sintetiza Murialdo. “Estamos nas mãos de Deus, estamos em boas mãos” (Murialdo). Pe. Geraldo Boniatti Religioso Josefino responsável pela Equipe Profecia e Carisma da Província Brasileira

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CAPA 3H*HUDOGR%RQLDWWL

Família de Murialdo está sendo agraciada por Deus, neste ano, com a bênção do Ano Murialdino que teve o seu início no dia 30 de março e se estenderá até 3 de maio de 2020. Foi sem dúvida uma bela iniciativa do Conselho Geral da nossa Congregação em concretizar um ano inteiro de celebrações em vista de lembrar os 120 anos da morte de Murialdo (Murialdo faleceu no dia 30 de março de 1900) e os 50 anos de sua canonização, quando foi proclamado santo pela Igreja em 3 de maio de 1970.

A

Nosso superior geral, Padre Tullio Locatelli, apresentando os objetivos da celebração deste ano, destacou que “é uma oportunidade que não podemos perder para refletir sobre o nosso caminho de santidade”. Além disso, o Ano Murialdino busca redescobrir, vivenciar e fortificar os caminhos de santidade vividos por Murialdo e proclamados com tanto entusiasmo pelo Papa Francisco na Exortação Apostólica: “Alegrai-vos e Exultai”; envolver todas as instituições e pessoas que se inspiram na ação educadora de Murialdo, na escola, na catequese e no setor social e valorizar a atualidade da ação de Murialdo, como herdeiros de seu carisma, sendo “amigos, irmãos e pais, - amigas, irmãs e mães”, junto aos mais necessitados. Foram organizados eventos específicos a fim de revigorar a nossa santidade enquanto herdeiros de Murialdo. Toda a Família de Murialdo está sendo envolvida, pois a santificação de cada membro aprimora a vida de todas as pessoas trazendo benefícios para a

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sociedade e para a Igreja. Numa carta circular referente ao evento, Pe. Tullio apresenta alguns aspectos da santidade, na ótica do Papa Francisco, da vida de Murialdo e das práticas de santidade no ser e no fazer de cada dia. Concretamente, são destacados os aspectos da santidade indicados pelo Papa Francisco que consistem em dar importância às pequenas coisas do nosso cotidiano. O Papa fala que os santos estão ao pé da porta. Estão ao nosso lado. São todos aqueles que vivem em seu cotidiano a graça do batismo, querendo fazer bem as múltiplas atividades. O Santo Paulo VI, papa que beatificou Murialdo em 1963 e o proclamou santo em 1970 destacou: “Quem é Murialdo? A sua história é simples, não existem mistérios, não viveu aventuras extraordinárias... é um nosso irmão, um companheiro de viagem. Um homem extraordinário no ordinário”. Murialdo vive um caminho de santidade depois que experimentou o grande amor de Deus para com ele, manifestado na misericórdia, no perdão dos erros que ela pensava ter cometido. Ele encontrava motivações para viver a santidade a partir do batismo. Como cristão assumiu decididamente as práticas de Jesus, dedicando-se à educação dos jovens mais pobres e abandonados de sua cidade. Ele considera sua entrada nos Artiginalli (casa dos pequenos artesãos), como um segundo batismo em sua vida. O primeiro batismo, diz ele, foi a purificação recebida na pia batismal. O segundo foi a missão que brotou da força de Deus para viver a vocação de estar perto e caminhar juntos com os filhos de Deus mais necessitados. Vivendo a imer-

são entre os jovens mais pobres, Murialdo concretiza em inúmeras atividades, seu amor, sua dedicação, seu cuidado para com todos aqueles que Deus fez encontrar em seu caminho. Santidade feita de atenções, de ternura, de orientações, sobretudo de presença como “amigo, irmão e pai”. Para viver a santidade não precisa fazer coisas extraordinárias, basta fazer bem o que se deve fazer. Daí a exortação de Murialdo aos educadores de seu tempo: “Façamos o bem, mas façamo-lo bem”. Murialdo fala aos confrades e educadores sobre a santidade. Mas o que mais se destaca em sua vida é o testemunho prático desta santidade. Ele estava convencido que a santidade não se faz com palavras, mas com atitudes. “Fazer-se santo e santificar os outros” era a sua convicção e sua ação. Mais concretamente, Murialdo manifestou seu caminho no campo da educação dos jovens pois acreditava que “a educação é também meio de santificação. Quem santifica é santificado. Salvaste uma alma, tens a tua salva. Quanto agrada a Deus esta missão”! Hoje o Papa Francisco diz a todas as pessoas de boa vontade: “Devemos ser santos para poder convidar os jovens a se tornarem santos”. Santidade é união entre todos os educadores de uma obra. Imaginemos Murialdo no Colégio dos Artigianelli numa reunião com os educadores onde com muita convicção, diz: “Nós servimos diretamente a Deus servindo estes jovens. É gostoso a gente se encontrar na unidade, na amizade, para fazer o bem. É Deus quem faz o bem, mas exige que trabalhemos,

que semeemos, que façamos o quanto pudermos para o bem dos jovens e depois rezemos...” Por fim, Murialdo assegura que para crescer na santidade precisa colocar-se em sintonia com Deus, na oração, pois a iluminação do Espírito de Santo, dá as melhores indicações para mexer, com delicadeza, nos corações dos jovens educandos. O que impressiona na santidade de Murialdo é a sua constante inquietação em procurar novas formas, novas atividades, para a felicidade de seus educandos. Está sempre a caminho, com tantas outras pessoas da comunidade de então, para concretizar situações, oportunidades que viessem em benefício de todos os cidadãos. Neste Ano Murialdino fica o desafio a cada um de nós: o caminho de santidade é feito de pequenos gestos de acolhida, de perdão, de misericórdia, de ternura, de docilidade, de confiança, de empenho em promover a vida e resgatar a vida de irmãos e irmãs que podem não estar vivendo o dom da vida em plenitude. Nós da família de Murialdo, na simplicidade de nossas vidas, queremos ser tantas pequenas luzes a iluminar os caminhos complexos que nos circundam. “Deixemos Deus agir em nós e através de nós. Ele nos quer mais bem do que nós mesmos e a nossa sorte está melhor em suas mãos do que em nossas mãos”, sintetiza Murialdo. “Estamos nas mãos de Deus, estamos em boas mãos” (Murialdo). Pe. Geraldo Boniatti Religioso Josefino responsável pela Equipe Profecia e Carisma da Província Brasileira

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FORMAÇÃO (GPXQGR0DUFRQ

Educar no estilo do Bom Pastor! A presente reflexão foi escrita pelo religioso Josefino, Pe. Mário Aldegani, que foi Superior Geral da Congregação de São José até o ano de 2018. O religioso fez uma síntese do documento “Orientações sobre a Pastoral Josefina – Educar no estilo do Bom Pastor” – fruto de um processo de diálogo e de participação na Família de Murialdo, que está em sintonia com as Linhas de Pastoral Josefina de 1996 e que, ao mesmo tempo, as atualiza. Trata-se de indicações para o discernimento a respeito do modo justo de encarnar o nosso carisma em que estamos, em todo o tempo e em cada cultura. Ele nos apaixona e, por isso, queremos colocá-lo a serviço e partilhá-lo. uma honra dirigir a vocês minhas palavras que podem nos animar no desenvolvimento do nosso trabalho, que não é só trabalho, mas é vocação e missão, porque o trabalho na educação não pode ser menos do que isso, uma vocação e uma missão. Sinto-me no dever de louvar o Senhor pela graça de ter muitas pessoas participando da missão educativa dos Josefinos e agradecer-lhes por serem muito, muito mais numerosos do que nós, Josefinos; por serem o rosto de Murialdo entre as crianças e os jovens.

É

confiado, e que hoje é compartilhado com os membros da Família de Murialdo, exigindo-nos permanecer na escuta constante das vozes dos últimos. Atenção aos jovens “pobres” é uma direção e um programa de ação para a renovação da nossa Congregação e das suas iniciativas apostólicas, valorizando o que já fazemos. Eu diria que este é o nosso ponto forte em todos os caminhos, em todos os projetos de educação e de pastoral. As palavras com as quais o nosso documento atualiza esta inspiração fundamental estão particularmente em sintonia com o caminho da Igreja e as provocações do Papa Francisco: “A comunidade educativa insere-se no cotidiano dos jovens, encurta as distâncias, se abaixa até a humilhação e assume a vida humana, tocando a carne de Cristo sofredor na pessoa dos pobres e abandonados, os que mais necessitam de educação cristã” (cf. EG 24). Isso requer que se mantenha contato direto com os jovens, sem fechar-se na gestão das estruturas, encargos e papéis.

Jovens somente aceitam serem acompanhados por educadores credíveis e coerentes, abertos à partilha

Quero partilhar com vocês o documento que apresenta os aspectos fundamentais da nossa pedagogia, inspirada ao carisma de Murialdo. O documento possui o título: “Educar no estilo do bom pastor”. Ele é o resultado de um processo de diálogo e de participação, que inclui a contribuição de muitos pensamentos e práticas educativas, vivenciados em diferentes contextos, todos inspirados pelo carisma de São Leonardo Murialdo e exprime a participação ativa dos diferentes componentes da Família de Murialdo. Articulo a minha reflexão a partir de algumas interpretações que parecem melhor iluminar, especialmente as inovações deste texto, analisando, sobretudo, os aspetos carismáticos, sociológicos e culturais deste documento.

A chave do carisma Desde o início, a nossa Congregação entendeu que a dedicação aos jovens pobres é o coração de sua experiência apostólica e carismática; uma consciência que se traduz numa multiplicidade de obras e realizações nos diversos contextos nos quais foi chamada a trabalhar. Também, hoje, o Espírito convoca-nos para uma renovada fidelidade a este dom que, desde o início nos foi

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Na perspectiva da pedagogia do amor e da educação do coração, o educador da Família de Murialdo valoriza “o encontro pessoal, a cordialidade simples e respeitosa, a paciência, a gentileza e a bondade”. Essas atitudes transmitem confiança e favorecem o crescimento dos jovens, levando-os a se tornarem “protagonistas do seu futuro” (CG XXII, nº 12). O educador, na relação educativa, prova que ele mesmo cresce e aprende, e que se educa e se vive o carisma somente na comunhão de vida. Por outro lado, os jovens somente aceitam serem acompanhados por educadores credíveis e coerentes, abertos à partilha. Como diz o Papa Francisco: “Os evangelizadores devem ter o ‘cheiro das ovelhas e escutar a sua voz’.” (EG 24)

A centralidade da pessoa e do seu crescimento A educação é o intercâmbio de valores, o impacto

o descrédito pela religião e por Deus. Deus não satisfaz as necessidades e anseios humanos. Nisso, o ser humano esvaziou-se da referência transcendental, que transcende sua própria existência, para colocar em seu eu e nas coisas, bens, seu valor “sobrenatural”. Para Antonio Boeing, “A Escola Católica é o lugar por excelência para oferecer referenciais significativos para a construção de identidades saudáveis. O fundamento para essa ação está na pedagogia de Jesus, isto é, na forma como Ele se relacionava em cada circunstância. A prática de Jesus é o referencial primordial, por isso a missão da Escola Católica é a de testemunhar e anunciar Jesus Cristo e seu Evangelho, numa dinâmica evangelizadora que perpassa toda a comunidade educativa”.

de agir de Jesus, busca colaborar para a construção do Reino de Deus na sociedade, mediante a fundação de comunidades eclesiais. O que nos interessa é atinar em que medida a escolarização e seus conteúdos podem contribuir para essa construção e essa implantação”. Por isso, uma Escola em Pastoral pressupõe que todos os cenários da escola estejam conscientes de sua missão evangelizadora. Em todos os ambientes e situações, existe a possibilidade de experimentar o amor de Deus pela humanidade. Assim, a escola torna-se uma pequena comunidade eclesial, portadora e defensora da vida, mesmo numa situação onde nem todos professam a mesma fé.

Uma Escola em Pastoral pressupõe que todos os cenários da escola estejam conscientes de sua missão evangelizadora

Neste intuito, a Escola em Pastoral possibilita que a comunidade escolar, nos seus vários cenários - direção, coordenação, gestão, docentes, educandos, colaboradores, - desenvolvam, a partir dos princípios cristãos, o processo educativo de forma integral e integrada. Nisso, consiste que uma Escola em Pastoral não significa apenas falar de Jesus Cristo, o Kerigma, mas acima de tudo, contribuir para que, nos diversos conhecimentos, o ser humano aprenda a escutar a voz de Jesus Cristo nesse tempo da história.

A arte de educar requer a valorização da pessoa como um todo, na sua integralidade. Em tempos tão difíceis, o educador cristão tem a missão de apresentar a cada criança e jovem a pedagogia da esperança; esperança naquele que venceu a finitude, venceu o mal, Jesus Cristo. Abrir-se ao transcendente e dar ao ser humano asas para voar. Sair de si para ir ao encontro do horizonte maior que é Deus. Sair de si para ir ao encontro do outro, do irmão, da natureza, do mundo.Abrir-se ao transcendente é se permitir educar o coração.

Santiago Rodríguez Mancini afirma que “Quando dizemos pastoral queremos significar a práxis da comunidade eclesial que, seguindo a maneira concreta

(GPXQGR0DUFRQ Professor e coordenador da Pastoral Escolar do Colégio Murialdo - Caxias do Sul

Referências BOEING, Antonio. Escola Católica em Pastoral: Lugar da memória e de referenciais significativos. Disponível em: www.educadores.diaadia.pr.gov.br/ Acesso em 08 de agosto de 2019. DEGRANDIS, Fernando. Confessionalidade e Evangelização na Escola Católica. Disponível em: www.anais.est.edu.br. Acesso em 14 de agosto de 2019. GOMES, Sandro Roberto de Santana. A ação evangelizadora na sociedade contemporânea em uma escola em Pastoral. Disponível em: www.unicap.br/ojs/index.php/paralellus/article/view/141. Acesso em 14 de agosto de 2019. JUNQUEIRA, Sérgio Rogério Azevedo e LEAL, Valéria Andrade. Escola Católica: uma escola em pastoral. Disponível em:

https://revistas.pucsp.br. Acesso em 14 de agosto de 2019. Josefinos de Murialdo. Testamento espiritual de São Leonardo Murialdo. Trad. Pe. Jiovani M. Barreto, Pe. Cornelio Dall’Alba; trad. Pe. Giuseppe Fossati, Pe. Antônio Lauri de Souza. Caxias do Sul, Gráfica Murialdo, 2014. MANCINI, Santiago Rodríguez. Pastoral educativa uma visualiação da tarefa educativa escolar à luz da fé. Uma prospectiva argentina, http://www.irmaosdelasalle. org. Acesso em 14 de agosto de 2019. ZILLES, Urbano. A crítica da religião na modernidade. Disponível em: https://carlosbarros666.files.wordpress.com. Acesso em 08 de agosto de 2019. Antologia das Fontes Carismáticas: Ensinamentos de São Leonardo Murialdo. Org. Pe. Giovenale Dotta e Pe. Giuseppe Fossati. Trad. Pe. Cornélio Dall’Alba e Pe. Geraldo Boniatti. Caxias do Sul, Gráfica Murialdo, 2015.

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FORMAÇÃO 3H0iULR$OGHJDQL

Escola em Pastoral “Caminhando com os jovens, escutando o mundo em mudanças, anunciando a alegria do evangelho na partilha do carisma”

P

ropor uma Escola em Pastoral é colocar-se no caminho, com os educandos, a exemplo de Jesus Cristo com os Discípulos de Emaús. Após a condenação e a morte de Jesus Cristo, para os dois amigos, tudo havia acabado. Sessou a esperança naquele que veio para estar com eles e ser para eles uma nova vida. No caminho de volta, há o encontro com o Ressuscitado, Jesus Cristo. E o Ressuscitado se propõe a caminhar e ficar com eles. Ao entardecer daquele dia, Jesus entra na casa dos dois amigos, senta-se à mesa e ceia com eles. Toma o pão, abençoa, parte e entrega a cada um. Jesus tem um olhar atento e acolhedor; acolhe as angústias e sofrimento dos dois amigos, partilha com eles da sua própria vida. Jesus é presente na vida dos dois. Cada vez mais, a escola percebe a necessidade de ter um olhar atento ao todo do ser humano, nas suas várias dimensões e, de forma especial, na dimensão transcendental. Nisso, propor uma Escola em Pastoral é proporcionar à comunidade escolar um instrumento que auxilie cada pessoa - educando e educador - a

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reencontrar o verdadeiro sentido de sua existência; a se reencantar com a vida em plenitude e não se deixar tomar pelos medos e sofrimentos que a vida impõe. A experiência do Ressuscitado fez dos discípulos de Emaús testemunhas de uma vida nova. Na perspectiva da formação integral, a escola tem em sua missão possibilitar que cada um encontre o sentido de sua existência. Com o advento da Modernidade, no Ocidente, desenvolve-se uma cultura, com grande contribuição do Movimento Iluminista (século XVII e XVIII), que falar de Deus e com Deus é coisa do passado, é coisa de Idade Média. A chamada Pós-Modernidade, era do progresso da ciência e da tecnologia, distanciou ainda mais o ser humano de Deus. A emancipação do humano, pela razão, deixou Deus e o sagrado em segundo plano e materializou a vida. A era do descartável, a era dos líquidos, a era do vazio tornou aquilo que é perene, incluindo os valores, obsoleto. Deus não é coisa, a religião não é coisa, a espiritualidade não é coisa, mas é experiência com o transcendente e forma de existência. Nisso, duas situações ocorrem quando tratamos de religião ou de experiência religiosa: a primeira é o comércio do sagrado - Deus torna-se o mercador e a mercadoria - e a segunda situação, consequência da primeira, é

com experiências plenas de significado, memória da tradição cultural e espiritual. Tudo isso torna-se particularmente necessário, especialmente agora, em tempos de pluralismo e complexidade, quando há um forte risco de deixar-se levar, no mundo dos adultos, por um sentimento de renúncia educativa. Uma abordagem proativa deve ser mantida viva na educação; ela é muito necessária. Sem propostas, as crianças e os jovens não crescem, não têm nenhuma possibilidade de partilha, de exercício da interioridade e da liberdade. O pivô da experiência educativa não é dado pelo conteúdo oferecido (mesmo quando se faz evangelização explícita), mas a partir do jovem. Este precisa sentir-se sujeito, confrontar-se com novas visões, porém, a partir de experiências que o marcam; precisa, de certa forma, sentir que ele produz os valores mesmo que lhe venham de fora.

Uma relação na diferença para livrar-se da indiferença Toda relação, mesmo com os mais próximos, com os do nosso grupo e da nossa cultura, é sempre um encontro com a diferença. É uma saída real do próprio mundo, de si mesmo, da própria visão e de seus próprios preconceitos. O encontro, antes de ser um fato cultural ou de inteligência, é um fato corpóreo, feito de gestos, ações, movimentos, é um fato emocional, risco de contato, de exposição, de acolhimento, de fazer nascer a responsabilidade pelo outro, que talvez já está registrada em nossa carne. Muitas vezes, por trás do raciocínio, aceitar ou não

aceitar o outro, escondem-se as nossas incapacidades relacionais, a nossa dificuldade de sair do nosso mundo. Esconde-se a indiferença pelo outro. Os ambientes educativos são desafiados a fazerem essa mudança do plano das visões (humanas, religiosas, da vida) para o nível das relações humanas concretas. Viver a diferença é habitar um espaço que não nos pertence, entrar num lugar onde nunca estivemos. Quando estamos disponíveis a este habitar (ou a entrar num outro lugar ou sair do próprio lugar) livramo-nos do medo de nos expressarmos nas próprias identidades e, ao mesmo tempo, essas identidades se tornam dinâmicas, vivas.

Abertura a uma antropologia “exodal” A atenção sobre a diferença, porque abre-nos ao outro (e para Deus), abre-nos também a uma nova compreensão da identidade. O contexto pluralista atual é vivido por muitos com preocupação pela nossa identidade cultural que deve ser preservada da invasão de outras culturas. É importante, na educação, ampliar os horizontes. Atualmente, mais importante que uma antropologia da identidade, importa uma antropologia da alteridade. É isso que nos propõe o Papa Francisco quando fala de uma Igreja em “saída”. “Quem não sai, adoece”, diria o Papa Francisco. Melhor arriscar um acidente pela estrada, ao invés de ficar doente, por girar ao redor de nós mesmos. Somos chamados a olhar continuamente para dentro da alma e encontrar motivações, vencer as preguiças e o medo, redesenhar na humildade e na paciência, os conteúdos do nosso testemunho e do nosso serviço aos jovens.

Padre Mario Aldegani Superior Geral da Congregação até 2018. Atualmente é Provincial da Província Argentina-Chile

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Foto: Volga

COTIDIANO PARÓQUIA GUARÁ I

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Igreja, vida e missão: 50 anos de evangelização

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São José, formada, fortalecida e iluminada na Palavra de Deus, no Magistério da Igreja, nos Sacramentos e na Oração; onde Consagrados e Leigos unem-se fraternalmente e trabalham juntos com confiança em Cristo ressuscitado e na ação do Espírito Santo a serviço de todos que o Senhor chama e quer salvar, especialmente crianças, adolescentes, jovens e famílias em situações de vulnerabilidades.

om o lema “Sede meus imitadores como eu sou de Cristo” (ICor 11,1) e com o tema Igreja, Vida e Missão: 50 anos de evangelização, a Paróquia São Paulo Apóstolo do Guará I está celebrando seu jubileu de ouro que teve inicio dia 20 de dezembro de 2018 e encerra-se dia 21 de dezembro de 2019. A celebração do jubileu tem como objetivo resgatar a memória da Paróquia São Paulo Apóstolo, dando novo impulso à vida e à missão de nossa Igreja, projetando um futuro com alegria, esperança e amor, com a proteção de São Paulo Apóstolo, nos passos de São Leonardo Murialdo e agradecendo as maravilhas que DEUS realizou nestes 50 anos de nossa Igreja. Para tanto foram organizados diversos eventos como a Pedalada da Juventude, a Caminhada Mariana, Inauguração da Galeria dos Párocos, o Baú de Recordações com grande número de fotos, a Semana Missionária, o Festival Canto em Missão entre outros eventos.

ivo : Arqu

Nossa identidade: Uma paróquia missionária e evangelizadora em comunhão e sintonia com a Arquidiocese de Brasília e com a Congregação de

Fotos

Além de todo o serviço litúrgico-pastoral, a paróquia é responsável pela manutenção do Centro Social Formar, uma casa que acolhe 180 crianças e adolescentes socialmente vulneráveis, em funcionamento na localidade de Arniqueiras. A casa foi inaugurada no dia I0 de abril de 1988 e mantém vivo o carisma Josefino. A Paróquia acolhe também os filósofos da Província desde o ano de 2008 e por aqui já passaram alguns dos novos sacerdotes que já estão atuando nas diversas frentes da Província brasileira e no exterior.

São inúmeras as belas histórias de doação, serviço generoso e momentos de fé vivenciados ao longo destes 50 anos de nossa Paróquia e agradecemos a Deus por todos que aqui passaram, muitos já em nossa saudade e em nossas preces.

Padre Gervásio e Padre Genuíno durante a Celebração de Ação de Graças

Religiosos comemoram Bodas de Ouro Sacerdotal

A

os dias de hoje, em tempos de vida líquida, falar “para toda a vida” pode soar estranho, mas “para Deus tudo é possível”. É tão possível que no dia 6 de janeiro de 2019 foi celebrado solenemente os 50 anos de vida sacerdotal do Pe. Antônio Idarci Mattiuz, natural de Fagundes Varela (RS), atualmente a serviço da Igreja de Belém do Pará; do Pe. Genuíno Roman, de Vista Alegre do Prata (RS), vigário paroquial da Paróquia de São Paulo Apóstolo de Guará I (DF) e do Pe. Gervásio Mazurana, natural do Rincão dos Kroef, São Francisco de Paula (RS), pároco da Paróquia São Leonardo Murialdo de Caxias do Sul (RS). A missa de Ação de Graças ocorreu na Igreja Nossa Senhora de Caravaggio de Ana Rech e foi presidida pelos jubilandos Pe. Gervásio e Pe. Genuíno e concelebrada por dezenas de sacerdotes, entre eles o Provincial, Pe. Marcelino Modelski. Pe. Antônio Mattiuz esteve impossibilitado de se fazer presente devido aos compromissos da missão na Igreja de Belém do Pará.

Segundo o Papa Francisco, “a vida sacerdotal não é um escritório burocrático ou um conjunto de práticas religiosas ou litúrgicas para atender. Ser sacerdote significa arriscar a vida pelo Senhor e pelos irmãos, carregando na própria carne as alegrias e angústias do povo, dedicando tempo e escuta para curar as feridas dos outros, oferecendo a todos a ternura do Pai”. Obrigado Padres Antônio, Genuíno e Gervásio pelo vosso testemunho de vida e doação ao Reino. Aos padres Antônio, Gervásio e Genuíno, a nossa gratidão porque com fé acreditaram na graça de Deus mais do que nas próprias forças. Pedimos também bênçãos especiais em favor das vocações sacerdotais, religiosas e leigas. P Pe. A Antônio tô i M Mattiuz t ti

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MARCAS DO QUE SE FOI

COTIDIANO

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25 Anos de Sacerdócio: entrega a Deus a serviço dos pobres

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s religiosos Josefinos Pe. Adelar Francisco Dias, Pe. Juarez Murialdo Dalan, Pe. Sestino Serafino Sacco e Pe. Renato Fantin celebram o jubileu de vida sacerdotal junto às suas comunidades de origem, bem como nas comunidades de missão.

Pe. Adelar foi ordenado sacerdote no dia 08 de janeiro de 1995, pelo bispo Dom Orlando Dotti, na Igreja Matriz Nossa Senhora de Caravaggio de Paim Filho (RS). Seu lema sacerdotal é: “... abraçando-as, abençoou-as, impondo as mãos sobre elas.” (Mc 10,15); Pe. Juarez foi ordenado pelo Dom Ney Paulo Moretto, no dia 31 de dezembro de 1994, na Igreja Matriz Nossa Senhora da Saúde – Fazenda Souza (Caxias do Sul – RS). Seu lema é: “Grande é aquele que serve.” (Mt 20,26); Pe. Sestino foi ordenado sacerdote no 11 de dezembro de 1994, na Igreja Matriz São Jorge (RJ). Seu lema de ordenação é: “Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos irmãos.” (Jo 15,13); Pe. Renato Fantin foi ordenado no dia 22 de janeiro de 1995, na Paróquia de Santo Antônio - Nova Pádua (RS), tendo Dom Ney Paulo Moretto como bispo ordenante. Seu lema de ordenação: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim, nunca mais terá fome e o que crê em mim nunca mais terá sede.” (Jo 6,35).

Monsenhor Geraldo Ávila leu a provisão do primeiro pároco, Pe Aleixo Susin e de imedia-

F o tos:

PA S C O

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Que os Jubilandos continuem sendo mensageiros do Reino e que o bom Deus lhes dê sempre muita força, saúde e coragem para que possam continuar a missão com a generosidade e com desprendimento, acolhendo sobretudo os mais simples e humildes. O Papa Francisco assegura que “abraçar o projeto de Deus requer a coragem de arriscar uma escolha. Para aceitar o chamado do Senhor, é preciso deixar-se envolver totalmente e correr o risco de enfrentar um desafio inédito. É preciso deixar tudo o que poderia nos manter amarrados, impedindo-nos de fazer uma escolha definitiva. É preciso audácia para descobrir o projeto que Deus tem para a nossa vida. Não há alegria maior do que arriscar a vida pelo Senhor!”

NOSSA HISTÓRIA: Por decreto do então Arcebispo de Brasília, Dom José Newton de Almeida Batista, de 25 de dezembro de 1968, foi criada a Paróquia de São Paulo Apóstolo. A cidade de Guará, que estava se iniciando, ainda não tinha nome e era conhecida por MUTIRÃO. No dia 1º de Janeiro de 1969, pelas 16h30min, com a presença de fiéis, foi celebrada a missa solene de instalação da nova Paróquia. Concelebraram, naquela ocasião, o Bispo de Brasília, Dom Newton, o Monsenhor Geraldo do Espírito Santo Ávila e o Pe Aleixo Susin, a quem foi confiada à nova Paróquia.

to foi efetuada a posse do mesmo por sua excelência Dom José Newton de Almeida Batista. Após o Evangelho, o Bispo celebrante proferiu brilhante oração alusiva à efeméride, e, no final da Santa Missa, o Pároco empossado dirigiu-se aos fiéis da recém-criada, paróquia concitando-os a formarem uma COMUNIDADE DE FÉ, DE CULTO e DE AMOR, e convidando a todos a colaborar para erigir o templo que seria o símbolo da Igreja a ser formada com as bênçãos de Deus. A Paróquia foi iniciada sem templo e sem recursos de qualquer espécie. Havia só uma modesta casa paroquial ainda em fase de construção. O atual terreno da QE 07, lote F, onde foi constituído o Templo atual, foi adquirido a 12/07/1970. Passados 50 anos percebe-se o quanto foi realizado, e o quanto Deus tem abençoado nossa Paróquia em todos os sentidos. Foram muitos os sacerdotes Josefinos que serviram com alegria e entusiasmo e que foram lembrados nas comemorações do Jubileu. As mais diversas Pastorais e movimentos - em número de 54 - estão servindo com alegria. Os leigos sempre mais assumem suas responsabilidades como protagonistas de uma igreja em saída. Os jovens, alvos primeiros da evangelização, são sempre mais conscientes e entusiastas (temos 5 grupos de jovens). Há muitos atendimentos de confissões, muita participação na Liturgia e nos eventos da comunidade. Há uma catequese renovada e eficiente. Nesse ano de 2019, por exemplo, frequentaram a catequese aproximadamente 580 crianças, adolescentes e jovens. Podemos concluir que, na verdade, FORMAMOS UMA COMUNIDADE DE FÉ e DE AMOR, conforme preconizado.

Pe. Sérgio Murilo Severino Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo – Brasília (DF)

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Colégio Murialdo de Ana Rech: 90 Anos de história e tradição

Foto: Volga

COTIDIANO

Religiosos Josefinos serão ordenados sacerdotes

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Província Brasileira da Congregação de São José (Josefinos de Murialdo) em 2020, terá mais dois novos sacerdotes: Antonio de Castro Lima e Cristiano Parnahiba Souza.

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Colégio Murialdo de Ana Rech Caxias do Sul está comemorando seus 90 anos dedicados à educação, à cultura, à evangelização e ao desenvolvimento sustentável da região. Para celebrar a data, a Instituição promoveu uma série de eventos dentre eles: o Baile de Casais, animado pelo conjunto Os Monarcas (Grupo que evidencia a cultura gaúcha, a arte e a espiritualidade), no dia 11 de maio, na Fundação Marcopolo (RST 453, KM 73), em Caxias do Sul (RS). O evento contou também com a participação especial do cantor Pe. Ezequiel Dal Pozzo; em outubro aconteceu a Gincana Cultural, com o tema: Era uma vez... os reinos da fantasia na história de Murialdo, realizada com os alunos do 6º ano do Ensino Fundamental ao Ensino Médio e a comunidade escolar; no mês de novembro aconteceu o Festival de Talentos, com o tema Os 90 anos do Colégio Murialdo - Uma viagem no tempo, com o alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental e a comunidade escolar; e, no mês de dezembro, aconteceu um Festival da Educação Infantil com o tema “A grande Festa dos 90 anos do Colégio Murialdo de Ana Rech”, com os alunos da Educação Infantil e comunidade escolar; além disso, a Mostra Literária e Cultural 2019, com o tema “90 anos do Colégio Murialdo de Ana Rech: uma história feita de muitas histórias”, alunos da Educação

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Infantil ao Ensino Médio apresentaram os trabalhos literários e culturais desenvolvidos sobre o tema para a comunidade educativa. A HISTÓRIA A instituição foi fundada em 1929 com o objetivo de ser um colégio para meninos. Inicialmente, funcionou no prédio do “Monastero Della Santíssima Trinitá”, construído em 1909 pelos Monges Camaldolenses. Este servia de dormitório, cozinha e refeitório. A construção do atual prédio teve início em 1930 e concluído em 1958. Muitos benfeitores de Caxias do Sul colaboraram para viabilizar a construção, dentre eles, destaca-se Celeste Gobato, Dante Marcucci, e Luiz Compagnoni. O primeiro Josefino a chegar em Ana Rech foi o Padre Agostinho Gastaldo. A criação da Escola Normal Rural aconteceu em 1942. Fundada pelo Padre João Schiavo, funcionava em nível ginasial, com alto grau de ensino. Esse curso formou centenas de professores rurais para o Rio Grande do Sul. Muitos deles distinguiram-se em suas comunidades, como Clemente Barreto, Ruy Pauletti, Armando Antonio Sachett, Hermes Zanetti, Valter Susin e tantos outros.

No dia 25 de janeiro, no Instituto Maria Imaculada – Pacoti, no Ceará, ocorrerá a ordenação sacerdotal do diácono Cristiano Parnahiba Souza. Cristiano tem como lema de ordenação: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3,30). Já no dia 26 de janeiro de 2020, será realizada a Ordenação Sacerdotal do diácono Antonio de Castro Lima, na Comunidade Nossa Senhora de Fátima – Fortaleza, no Ceará. Antônio escolheu como lema: “E vos darei pastores conforme o meu coração” (Jr 3,15). Ambas as celebrações serão presididas pelo bispo, religioso Josefino, Dom Irineu Roman (gaúcho, de Vista Alegre do Prata) que, no dia 06 de novembro de 2019, foi nomeado primeiro arcebispo da arquidiocese de Santarém (PA). Aos neossacerdotes, nossa prece e estima. Votos de uma missão marcada pela espiritualidade e pelo carisma de São Leonardo Murialdo.

Mensagem do Antônio: Neste tempo de discernimento vocacional e formação na Congregação de São José, a infinita bondade de Deus me concedeu contar com a forte oração e ajuda de muita gente querida, a começar pela minha família sanguínea e religiosa. Ser Josefino de Murialdo é viver na certeza que estamos nas mãos de Deus e, estando nas mãos de Deus, estamos também nas mãos e no coração de muitas pessoas que edificam diariamente nossa vocação e trabalho pela oração sincera e gratuita. Expresso aqui a minha gratidão e peço que continuem rezando por nós, religiosos Josefinos de Murialdo. Que cada vez mais possamos configurar a nossa doação de vida e trabalho junto às crianças, adolescentes e jovens a ação de Cristo no mundo. Mensagem do Cristiano: Minha caminhada vocacional iniciou quando eu ainda era criança. Minha família sempre participou da Igreja. Fui catequizado por minha avó materna e por minha tia, grandes catequistas da comunidade. E eu buscava estar ligado a tudo o que acontecia na pequena comunidade do Sagrado Coração de Jesus. Procissões, novenas, festejos e visitas as casas. Até então, não tinha noção do que queria para mim no futuro. Como diz o Evangelho de Lucas: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Portanto, peçam ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita” (Lc 10,1-2). Senti esse apelo quando comecei a participar das santas missões populares. E foi justamente em uma missão que recebi o convite para participar de um grupo vocacional. Ingressei na Congregação de São José em 2008, em Fortaleza (CE). Uma experiência marcante na minha história. Agradeço a Deus pela estrada percorrida e pela que ainda hei de percorrer, se não fosse pela misericórdia divina eu não sei onde estaria. Vocação é dizer sim a cada dia que me levanto e perceber que estou vivenciando um projeto que não é meu, e sim, de Deus. E tudo o que é d´Ele permanece.

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COTIDIANO

MARCAS DO QUE SE FOI Fotos: Gustavo Diehl/UFRGS

Balduíno Antonio Andreola é professor emérito da UFRGS Pesquisador em Educação, o professor dedicou-se à educação popular, à educação do campo, aos movimentos sociais e ao diálogo intercultural. Trajetória acadêmica marcada também pela sensibilidade e pela esperança foi lembrada na sessão de outorga do título m cerimônia alegre e descontraída realizada no dia 28 de março, Balduíno Andreola, grande incentivador das causas de Murialdo, recebeu o título de professor emérito da UFRGS. A homenagem proposta pela Faculdade de Educação reconheceu a carreira de Balduíno como professor e pesquisador numa trajetória de 32 anos na UFRGS e que se seguiu em outras instituições, com ênfase em educação popular, educação do campo, movimentos sociais e diálogo intercultural.

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Teólogo e filósofo, mestre em Educação pela UFRGS e em Psicopedagogia pela Université Catholique de Louvain, doutor em Ciências da Educação pela mesma universidade da Bélgica e pós-doutor em Educação pela UFRGS, Balduíno trabalhou pela gestão pautada na democratização dos espaços e das formas de participação da comunidade acadêmica e pela abertura e reconhecimento do protagonismo dos movimentos sociais, promovendo debates sobre questões urgentes da sociedade brasileira a partir da redemocratização do País nos anos de 1980.

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Na presença de familiares, amigos, colegas e ex-alunos, Balduíno fez um discurso forte e bem-humorado, alegre e esperançoso, entrecortado por leituras de alguns de seus poemas, pela citação de nomes de companheiros de trajetórias e de sonhos e por palmas, muitas palmas. Segundo ele, “precisamos nos juntar para responder à magnitude dos desafios que nos rodeiam, todos os dias e sonhar sempre”. Em 2015, Balduíno voltou à UFRGS para o pós-doutorado, do qual resultou a tese “Emotividade versus Razão: por uma pedagogia do coração.

Após o encerramento das atividades da Escola Normal Rural, iniciou o Curso Colegial Agrícola, formando técnicos em agropecuária e o curso de Auxiliar Técnico de Fruticultura, de bons resultados.

co, sendo que, a partir de 1970, sediou novamente o Seminário de Ensino Médio, até 2005. Muitos confrades passaram por Ana Rech também no período de formação.

O ano de 1953 marcou a fundação do Ginásio Murialdo. Os meninos frequentavam as aulas no Colégio Murialdo e as meninas no Ginásio Nossa Senhora de Pompéia, em frente, atual prédio da Clínica Paulo Guedes. Em 1971, o Murialdo passou a funcionar em sistema misto, ou seja, meninos e meninas.

O Colégio Murialdo, por duas vezes, foi sede da Província Brasileira: em 1946, quando Pe. João Schiavo foi eleito o 1º provincial; de 1956 a 1964, com Pe. José Lorencini.

A partir de 1989, o 2º grau deixou de oferecer habilitações técnicas plenas e parciais, orientando-se para a preparação para o trabalho, juntamente com o Ensino Fundamental de 5ª a 8ª séries. Em 1991, passou a funcionar as quatro primeiras séries do Ensino Fundamental e, em 1992, a Pré-Escola.

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DE CARAVAGGIO

Seguindo o pensamento de São Leonardo, o Colégio Murialdo, que faz arte da Rede Murialdo de Educação, busca sempre se atualizar. De olho no seu tempo e nas necessidades da comunidade educativa, busca-se continuamente melhorias pedagógicas e estruturais. Entre os anos 2007 e 2012, a Instituição passou por uma reforma geral. Atualmente, próximo ao Colégio Murialdo, funciona a Unidade Ana Rech da Faculdade Murialdo, bem como o Centro Veterinário Murialdo. A história do Colégio Murialdo une-se com a história da comunidade de Ana Rech e região, sendo um referencial em educação humanizada e em qualidade de ensino. COLÉGIO E SEMINÁRIO O Colégio Murialdo foi a primeira casa de formação de futuros religiosos Josefinos no Brasil. Dez anos antes da fundação do Seminário Josefino de Fazenda Souza, em 1931, foi seminário e noviciado. Dos que passaram por Ana Rech, por volta de 16, ordenaram-se sacerdotes e outros Irmãos. Além disso, em 1950, acolheu 12 teólogos Josefinos e, no ano seguinte, mais nove. De 1955 a 1960, foi sede do Escolasticado Filosófi-

A história da Paróquia N. Sra. de Caravaggio de Ana Rech na vida dos Josefinos coincide com a vida do Colégio Murialdo e vice-versa. Com a saída dos Monges Camaldulenses de Ana Rech, em 1926, buscava-se uma congregação para o atendimento da paróquia, fundada, na gestão dos Monges, por D. Cláudio José Gonçalves Ponce de Leão, em 1912. Em novembro de 1927, o Dr. Celeste Gobato, intendente de Caxias do Sul, escreve para o Pe. Humberto Pagliari, pároco de Jaguarão e superior da Missão Josefina no Brasil, fazendo o convite para assumir a paróquia vacante. Depois de várias comunicações entre o arcebispo, os Josefinos e Gobatto, em fevereiro de 1928, o Superior Geral da Congregação envia Pe. Agostinho Gastaldo para tomar conhecimento de Ana Rech. Este, em março, encaminha relatório a Roma e recebe a resposta positiva: Pe. Girolamo Appoloni, então, Superior Geral. Diante disso, no dia 7 de outubro de 1928, com a chegada de Pe. Agostinho Gastaldo, começa a história da Paróquia de Ana Rech. Do seu território inicial, formaram-se duas outras paróquias: Nossa Senhora da Saúde (Fazenda Souza, 1959) e Menino Deus (Bairro Serrano, 1999). Muitos foram os párocos, vigários paroquiais, religiosos e religiosas e uma multidão de homens e mulheres que cresceram na fé, demonstrando o seu amor a Jesus e ao Reino no serviço da Evangelização, ao redor da comunidade paróquia até os dias de hoje.

Aos neossacerdotes, nossa prece e estima. Votos de uma missão marcada pela espiritualidade e pelo carisma de São Leonardo Murialdo.

Colégio Murialdo Ana Rech no ano de 1930

Fundadores: Pe. Girolamo Rossi, Pe. Agostinho Gastaldo, Ir. Ermenegildo Schiavo e Ir. José Gasperini

Gincana do Colégio Murialdo Ana Rech - 2019

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COTIDIANO

Disciplina e limites: Uma questão de caráter ostuma-se relacionar caráter ao conjunto de atitudes que expressam um jeito de agir. Caráter tem relação direta com a ética, uma vez que essa se preocupa com o comportamento do indivíduo. O caráter é um jeito, um feitio próprio de viver e de conviver. Expressa o agir e o reagir do indivíduo. Tem caráter quem tem firmeza em princípios e valores éticos ou mesmo, morais. Pessoas de caráter são pessoas honestas, transparentes, éticas, de respeito.

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Há muitos questionamentos preocupantes como, por exemplo, qual é o tipo de geração que vem sendo formada? Qual o perfil dos formadores dessa geração? Uma geração que acha que tudo acontece como num passo de mágica e que não consegue trabalhar com a frustração, com perdas, com esperas nem se dá conta que tudo tem um custo. Estamos vivendo um momento histórico de reviravolta nos conceitos de educação, de liberdade, de direitos, de empatia, de solidariedade. Pais ou responsáveis estão entre os mais desafiados. Se a educação pública convive com essa crise fortalecida pela desmotivação profissional no exercício de uma função para a qual nem o Estado nem a sociedade acordaram, a rede particular começa a bater de frente com exigências de disciplina, de organização e de autonomia.

Pessoas de caráter são pessoas honestas, transparentes, éticas, de respeito

Atualmente, há cenas bastante comuns como criança que esperneia no supermercado, porque os pais não compram o produto dos seus desejos, na escolinha bate em todo mundo que se atravessa em sua frente; a criança em casa está constantemente desafiando a paciência dos adultos; o adolescente não quer ir ao Colégio porque está com sono ou porque não fez o trabalho, ou vai para a festa e diz que não tem horário para voltar; o filho que pede um celular melhor que dos pais. Há muitos exemplos que demonstram a falta de limites para essa nova geração. Para estes adolescentes tudo é imediato, infelizmente.

Se o Estado percebesse que sem a educação nenhum povo chega a lugar algum, pagaria melhor seus profissionais da área, porque se a sociedade percebesse que a escola é aliada da família na missão de formar gente humanizada, pessoas de caráter e

Fotos: divulgação Agir&Calar

rialdo nas paróquias. Quanto à vivência da mística de Murialdo, os presentes afirmaram que é preciso divulgar mais Murialdo, porém existe uma mística, porque os trabalhos com crianças empobrecidas estão acontecendo. Do congresso, será levado: a vontade de divulgar mais o carisma de Murialdo; um olhar profético, uma predisposição em querer contribuir nas paróquias e obras sociais a partir da ótica de Murialdo; maior corresponsabilidade nas comunidades; a vivência do ‘ser sal da terra e luz do mundo’; a experiência da partilha de tantos dons que temos; empenho em divulgar o Ano Murialdino; maior apoio aos núcleos; continuação do informativo Sementeira aprofundando o tema da família carismática e melhoria na comunicação entre núcleos. Na manhã do domingo, iniciou-se os trabalhos com a liturgia preparada pelo núcleo de Ibotirama (BA) a partir do significado da luz e a necessidade de sermos luz para todos. Cada participante recebeu um punhado de sal e uma vela. Todos foram convidados a experimentar o sal e depois para que as pessoas por proximidade aproximassem as chamas de suas velas para se tornar uma só, com muito mais intensidade do que uma chama isolada. Eis o significado dos leigos amigos de Murialdo: juntos se tornam uma chama bem forte, bem mais visível na Igreja, na comunidade, nas famílias. Passou-se em seguida à Assembleia propriamente dita. A diretoria e conselho formativo apresentaram o relatório das atividades, sendo aprovado por unanimidade. Em seguida escolhidas as prioridades para o próximo triênio, como segue: formação e carisma; comunicação, divulgação e paróquias; jovens - novos leigos amigos de Murialdo. O próximo congresso-assembleia será em julho de 2022, em Londrina (PR) com o tema: “protagonismo dos Leigos Amigos de Murialdo numa Igreja em saída”. Como não teve apresentação de nova chapa para compor a diretoria, a atual apresentou a seguinte composição, sendo aprovada por unanimidade: presidente - Carlos José Mazzochi; vice-presidente - Carmelita Masiero Fontanella; secretária - Poliana Carla Molon; vice-secretária Talita Gallas dos Reis; tesoureiro - Isaias Gallon e vice-tesoureiro - Cristiane Sant’Elena Guze. Conselho Formativo: Edilene Souza Santos, Edmundo Marcon, Leonel Wassem dos Reis, Volmir Tonello e os religiosos Pe. Geraldo Boniatti e Irmã Cecília Dall’Alba. Conselho Fiscal: Marcelo da Silva Souza, Pedro Pereira Lima e Edirlan Vitor Ribeiro. O presidente eleito, Carlos Mazzochi, fez seu pronunciamento oficial, colocando-se à disposição e solicitou a colaboração dos presentes para que ANALAM alcance seus objetivos. Elo João Back Presidente dos Amigos de Murialdo – Caxias do Sul (RS)

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PONTO DE VISTA 3H-RDFLU'HOOD*LXVWLQD

Família de Murialdo: uma família carismática CONGRESSO ASSEMBLEIA DA ANALAM

a madrugada do dia 26 de julho de 2019, corajosas pessoas partiram dos mais diversos recantos do Brasil rumo à Planaltina (DF) para participar do XIV Congresso-Assembleia da Associação Nacional dos Leigos Amigos de Murialdo (ANALAM), que aconteceu de 26 a 28 de julho, com o tema “Família de Murialdo: uma família carismática onde se guarda e se cultiva o Carisma”. Do Rio Grande do Sul participou uma delegação de 34 amigos de Murialdo, pertencentes a seis núcleos da capital e da serra gaúcha; do Rio de Janeiro (RJ) foram seis participantes; de São Paulo (SP), cinco; de Londrina (PR), cinco; de Araranguá (SC), três; de São Luiz (MA) o casal Valter Diniz Barros e Marcia Fernanda de Souza Barros participou para entender o que é a ANALAM e dar início a um núcleo em terras maranhenses; do Ceará foram três participantes; de Ibotirama e XiqueXique (BA), oito; do Distrito Federal, compreendendo Brasília e Planaltina (anfitriã do evento) foram 35 amigos de Murialdo que se fizeram presentes.

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Todos os participantes foram brilhantemente acolhidos pelo núcleo da ANALAM de Planaltina. Na sexta-feira, dia 26, várias delegações puderam participar de um tour por Brasília e conhecer a capital federal. Às 17 horas, no Salão da Paróquia Santa Rita de Cássia, ocorreu o credenciamento e o jantar. A abertura oficial do evento foi às 20 horas, com as boas-vindas aos presentes composição da mesa com autoridades civis e religiosas. Além dos pronunciamentos, Cristiane Sant’Elena Guze, da ANALAM de Araranguá, leu uma mensagem enviada pela presidente Carmelita que encontra-se com problemas de saúde. Após, aconteceu um momento celebrativo com a entronização das imagens de São Leonardo Murialdo e Santa Rita de Cássia, padroeira da paróquia de Planaltina. Em seguida, Pe. Geraldo Bonatti palestrou sobre o “Carisma e missão de São Leonardo Murialdo”. Ele destacou a pessoa e o carisma de Murialdo em viver e praticar o amor misericordioso de Deus às crianças,

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adolescentes e jovens mais empobrecidos. O religioso também abordou a missão Murialdo em seu tempo e pediu que a Família de Murialdo dê continuidade a este legado. No dia 27, as atividades iniciaram às 8 horas com a liturgia preparada pelo núcleo do Guará I a partir do Evangelho que lembra que todos devemos ser sal da terra e luz do mundo. Em seguida, o senhor Pedro Filho que pertence à paróquia de Santa Rita e é membro da Comissão da Campanha da Fraternidade da CNBB palestrou sobre o tema central do evento: “Família de Murialdo - uma família carismática onde se guarda e partilha o carisma”. O palestrante desenvolveu o tema enquanto família com suas responsabilidades em casa, na comunidade, na paróquia, em atividades sociais e em participações políticas. Ele indicou caminhos práticos para ser bons cristãos numa comunidade. As atividades da tarde contaram com a apresentação das crianças do CEMEC, coordenado pelo Pe. Ricardo Testa. Elas, com maestria, apresentaram danças típicas de cada região. Após, organizados em grupos, os congressistas partilharam experiências e questões como: você se sente parte da Família de Murialdo? Na sua opinião, o que é preciso para sermos uma verdadeira família de Murialdo? Em nossas comunidades construímos identidade e mística segundo o carisma de Murialdo? O que você leva deste congresso para o seu núcleo e para a sua comunidade? Os presentes também avaliaram a atual diretoria da ANALAM e propuseram as prioridades para o próximo triênio.

responsáveis respeitariam mais os encaminhamentos e as decisões da Escola. No perfil dos primeiros responsáveis pela educação - os pais - há confusão de papéis. Esses com dificuldade de impor limites aos filhos geralmente acabam cedendo a favor deles. Há uma geração que tem dificuldade de respeitar e de encontrar o seu espaço dentro da sociedade. A faixa etária também marca território na moda, nos costumes, no restaurante. Afinal, idade também conta aprendizagem, ou não terão valido a pena esses anos a mais! Toda essa realidade pode ser comparada a um cubo colorido. Em uma face, aparecem as preocupações com o mundo do dinheiro, do trabalho, da subsistência, mas especialmente, do consumo. O carro, a moradia e os eletrônicos é o que interessa para a maioria destes jovens. Materialismo barato com muitos vazios de sentido. Já em outra face do cubo, aparecem aqueles pais que se dizem educadores modernos, de vanguarda e que, por isso, mesmo são amigos e companheiros dos seus filhos, pois, segundo eles, é preciso uma aproximação e relação de confiança. Com certeza precisamos de tudo isso. Mas pai é mais que isso. Mãe não é amiga. Mãe é mãe. Com papéis que vão muito além de ser amigo. É comprometimento e exercício de autoridade. Pai é quem abraça, quem sente orgulho, quem sente saudade, quem exige, quem aponta, quem educa, quem

limita. Pai e mãe são pessoas que endurecem quando é necessário, que sofrem enquanto exigem, mas que anteveem as alegrias do resultado. Outra face importante é o surgimento de uma geração de “frouxos”. Sim, de gente que não é capaz de suportar nenhum tipo de sofrimento, de sacrifício, de perda, de frustração... uma geração que não é capaz de fazer duas provas no mesmo dia; que não consegue fazer um ensaio de teatro hoje e uma prova amanhã, justificando que não dá tempo para estudar, como se a preparação para uma prova fosse apenas o estudo do dia anterior. Neste momento, no desespero, chegam os pais, mais cheios de direitos que seus filhos e exigem que a Escola repense seu calendário, pois não pode exigir tanto dessas crianças e adolescentes, prejudicando seu desenvolvimento! Enquanto educadores, já não se sabe se isso causa comiseração ou indignação. Pobres crianças! Não terão muita chance de sobreviver na sociedade que está na porta de casa. A vida oferece momentos pelos quais devemos estar preparados para enfrentá-los. A ética, o dever, o comprometimento com a lisura e a transparência sempre serão valores e por eles a luta valerá a pena. Custam sacrifícios, mas realizam. Trata-se de pensar na linha de Charles de Gaulle que afirma: “a dificuldade atrai o homem de caráter, porque é abraçando-a que ele se realiza. 3H-RDFLU'HOOD*LXVWLQD Diretor Colégio Murialdo-Porto Alegre e presidente do Instituto Leonardo Murialdo (ILEM)

Os participantes afirmaram que se sentem parte da Família de Murialdo por pertencer a um núcleo, pelo carisma que encanta, pela solidariedade e preocupação com as crianças mais pobres, pelo trabalho realizado em obras sociais, porque é um grupo que se quer bem. Por outro lado, apontaram a necessidade de mais formação, especialmente nas paróquias, de como viver o carisma de Murialdo. Para sermos Família de Murialdo, os presentes asseguraram de que precisamos mais conhecimento de Murialdo, mais presença entre as crianças mais pobres, melhor acolhimento dos participantes dos núcleos da ANALAM, maior clareza do que é mesmo carisma de Murialdo, criação de um estilo de vida conforme Murialdo e fortalecimento da formação na ótica de Mu-

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COTIDIANO

Ir. José Valderês Matos Gonçalves

Foto: Volga

NA CASA DO PAI

São Francisco de Paula (RS), 16 de julho de 1964 O arcebispo da nova diocese paraense é dom Irineu Roman, nomeado pelo Papa Francisco. O religioso é natural de Vista Alegre do Prata (RS), nasceu no dia 10 de agosto de 1958. Religioso da Congregação de São José – Josefinos de Murialdo foi ordenado presbítero em 1º de janeiro de 1990 e bispo em 19 de março de 2014. Dom Irineu é atualmente bispo referencial da Pastoral do Turismo e secretário do regional Norte 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Caxias do Sul (RS), 12 de junho de 2018

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Sua existência tem começo no Mato Queimado, comunidade do Distrito de Cazuza Ferreira - município de São Francisco de Paula (RS), no dia 16 de julho de 1964. Seu pai chama-se Noredi Gonçalves dos Reis e sua mãe, Davanilda Maria de Matos Gonçalves. Viveu a infância e a adolescência de menino arteiro e participativo nos eventos da comunidade da Pedra Lisa, onde seus pais passaram a viver. Ainda muito jovem acompanhava o pai na labuta de leiteiro, nas longas madrugadas, também daquelas de brancas geadas, dos morros fortes e dos atoleiros sem fim. Os estudos no Ensino Fundamental aconteceram nas escolas do município de São Francisco de Paula (RS). Sentindo-se chamado para uma missão que ia além dos limites do território de São Francisco de Paula, ingressou no Seminário Diocesano de Caxias do Sul, onde fez o Ensino Médio, de 1984 a 1987. Solicitou, em seguida, entrar na Congregação dos Josefinos de Murialdo. Aceito, fez o ano de Postulado, no Murialdo de Ana Rech, então Seminário João XXIII. Em 1989, realizou o Noviciado em Caxias do Sul, tendo professado os votos no dia 3 de fevereiro de 1990. Para dar continuidade a formação e aos estudos, passou a residir no Escolasticado Filosófico de Porto Alegre (RS), tendo iniciado o curso de Filosofia em Viamão (RS) e concluído o Curso Superior de Catequese, na Faculdade La Salle, em Canoas (RS), entre 1990 e 1993. Até a Profissão Perpétua, acontecida em Cazuza Ferreira, no dia 18 de março de 2000, o Irmão Valderês atuou em Fazenda Souza, Porto Alegre e em Ana Rech. Ainda com Votos Temporâneos, trabalhou no Administrativo e em Projetos Sociais, especial-

mente no Projeto Nadino de Ana Rech. Manifestou desejo de ser missionário na África, porém, no correr dos anos e diante dos desafios que lhe foram dados a desempenhar, não realizou este sonho. Desde 2008 respondeu pela administração do Centro de Eventos e Hospedagem Murialdo de Fazenda Souza (Caxias do Sul - RS). Ao ingressar na Congregação dos Josefinos de Murialdo, trouxe na mala de garupa os seus valores pessoais e culturais. Salta aos olhos a laboriosidade do Ir. José Valderês; nele nunca houve preguiça, lombeira ou má vontade. Sua presença externa na região da Serra foi marcada pela Festa do Divino da Vila Seca. A Festa da Gruta consumia quase meio ano dos afazeres do Irmão. Junto com os incansáveis colaboradores daquela região do Rio São Marcos, ele, conhecedor de cada palmo das instalações do balneário, organizava tudo nos mínimos detalhes. A festa de Nossa Senhora de Lourdes, do Seminário, também mobilizava a criatividade e o seu trabalho. Missas crioulas nos rodeios e onde quer que fosse, cabia a ele o papel de peão de estância do Patrão do Céu, cuidando de todo o necessário para o Padre celebrante. Em janeiro de 2016, foi diagnosticado um câncer no estômago, sendo submetido à cirurgia e longo tratamento quimioterápico. Lutou bravamente, não se deixando abater, tendo coordenado a Festa da Gruta de 2017, apesar de sentir fraqueza. A força de Deus agia em sua fragilidade. Porém, a energia foi minguando, cessaram os assobios e também seus costumeiros arroubos. No dia 12 de junho, pediu licença ao Pai Celestial, deixou nossas querências e foi morar na estância da eternidade. Pe. Antônio Lauri de Souza Religioso Josefino e Mestre de Noviços

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Religioso Josefino, Dom Irineu Roman é nomeado arcebispo da arquidiocese de Santarém (PA) Papa Francisco eleva diocese de Santarém à arquidiocese e nomeia arcebispo Papa Francisco erigiu, no dia 6 de novembro, a Província Eclesiástica de Santarém (PA). Com este ato, elevou a então diocese paraense à sede Metropolita. O religioso josefino, Dom Irineu Roman (gaúcho, de Vista Alegre do Prata), até então bispo titular de “Sertei” e auxiliar da arquidiocese de Belém do Pará (PA), foi nomeado como primeiro arcebispo da arquidiocese de Santarém (PA).

O

A nova Província Eclesiástica terá como sufragâneas a diocese de Óbidos (PA), a prelazia de Itaituba (PA), a nova diocese do Xingu-Altamira (PA) e a nova prelazia de Alto Xingu-Tucumã (PA), criadas neste mesmo dia. A Igreja Particular de Santarém foi erigida canonicamente como prelazia territorial de Santarém, em 21 de setembro de 1903, com territórios desmembrados

da então diocese de Belém do Pará. A elevação à diocese foi em 16 de outubro de 1979, por São João Paulo II. O território estende-se por 171.906 quilômetros quadrados. São 23 paróquias, 18 áreas pastorais e duas áreas missionárias distribuídas nos municípios de Almeirim, Aveiro, Belterra, Mojuí dos Campos, Monte Alegre, Monte Dourado e Prainha, todos no estado do Pará. Santarém será a segunda arquidiocese no regional Norte 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A Congregação de São José – Josefinos de Murialdo alegra-se com a decisão do Papa Francisco e deseja ao Dom Irineu muita luz e um frutuoso ministério à frente do governo pastoral da nova arquidiocese.

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COTIDIANO

NA CASA DO PAI 3H$QW{QLR/DXULGH6RX]D

Província Brasileira conta com novo Conselho Provincial

Pe. Harry Jung Caxias do Sul (RS), 12 de fevereiro de 1930 Londrina (RS), 27 de julho de 2018

Foto: Volga

A Província Brasileira da Congregação de São José (Josefinos de Murialdo) a partir de janeiro de 2019 conta com o novo Conselho Provincial. Os religiosos da Província indicaram e o Superior Geral, Pe. Tulio Locatelli confirmou seus nomes para animar a missão e os confrades do Brasil, no triênio 2019 até 2021. São eles:

PROVÍNCIA DO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

poesia verdadeira nasce da profundidade da alma e, se alguma possa vir da periferia do ser, dificilmente identificará o poeta na sua interioridade, porque foi incapaz de ir além das aparências. Talvez, os poetas possam receber o apelido de “garimpeiros de Deus”. Para este ofício contemplam os céus, as matas, os oceanos, o nascer e o pôr do sol, as montanhas, as flores, o cotidiano simples e a complexidade da alma.

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Pela vida consagrada e sacerdotal e nas asas dos poemas, Pe. Harry, o nosso Pe. Ary, foi um destes desbravadores em busca do divino. Ele nasceu em Caxias do Sul, no dia 12 de fevereiro de 1930. É o primogênito dos cinco filhos do casal João Edgar Jung e Olga L. Finckler, já falecidos.

VISÃO FORMAÇÃO: Uma congregação renovada espiritualmente, apaixonada por um carisma que apaixona, internacional e intercultural, aberta aos leigos na família de Murialdo.

MISSÃO Com os jovens e para os jovens pobres, renovamos nossa consagração de Josefinos para ter vida em Cristo.

Provincial: Pe. Marcelino Modelski, de São Paulo (SP), natural de Bela Vista do Prata (RS).

PRINCÍPIOS - VALORES

Vice-Provincial: Pe. Carlos Wessler, de Londrina (PR), natural de São Ludgero (SC).

1.

Tesoureiro: Pe. Renato Fantin, de Caxias do Sul (RS), natural de Nova Pádua (RS).

2.

Conselheiro: Pe. Joacir Della Giustina, de Porto Alegre (RS), natural de Braço do Norte (SC).

3. 4.

Gratidão ao Pe. Antonio Lauri de Souza e seu Conselho (Pe. Marcelino Modelski, Pe. Renato Fantin e Pe. Sérgio Murilo Severino) que estiveram à frente da Província no último triênio. Ao novo Provincial, Pe. Marcelino e seu Conselho, nossa prece e estima.

5. 6. 7.

8.

Seguimento de Jesus Cristo na mística de São Leonardo Murialdo como estilo de vida Atenção às crianças, adolescentes e jovens, especialmente pobres, vendo neles o rosto de Jesus. Compromisso com a formação contínua. Exercício da pedagogia do amor e da educação do coração: estilo educativo. Abertura à missionariedade. Bem unida família de Murialdo. Atenção aos sinais dos tempos com respeito às culturas: internacionalidade e interculturalidade. Vivência da comunhão de bens.

Ensino Fundamental: Seminário Josefino de Fazenda Souza, de 1945 a 1948; Noviciado: Conceição, Caxias do Sul, 1949; 1ª Profissão: Conceição, 21 de janeiro de 1950 (lá continuou para complementar os estudos); Filosofia: Seminário Central dos Jesuítas, São Leopoldo, de 1951 a 1953; Magistério: Fazenda Souza, 1954; Ana Rech, 1955; Abrigo Menores (CTS), 1956; Profissão Perpétua: Fazenda Souza, no dia 15 de janeiro de 1956; Teologia: Viterbo (Itália), de 1957 a 1960; Diaconato: Viterbo, dia 06 de dezembro de 1959; Ordenação Sacerdotal: Viterbo, dia 02 de abril de 1960. Lema de ordenação: “Iluminar os que jazem nas trevas da morte e orientar nossos passos para o caminho da paz” (Lc 1, 79). Sua missão de Josefino deu-se no Colégio Murialdo de Ana Rech de 1960 a 1966. Foi professor de Língua Portuguesa, ministério realizado com competência, ardor, muita firmeza e inspirando sensibilidade e espírito contemplativo aos seus alunos. Em Porto Alegre, na Obra Social São José de Murialdo, de 1967 a 1976, atuou como vigário paroquial, professor e assistente dos escoteiros.

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Pe. Harry viveu em São Paulo de 1977 a 1996 onde foi pároco da Paróquia São Benedito, no Jaçanã, zona norte da metrópole paulista. Voltou para Porto Alegre e, de 1997 a 2011, foi pároco da Paróquia Santuário de São José, Partenon. No dia 18 de abril de 2010, celebrou 50 anos de Vida Sacerdotal, na sua terra natal, Santa Lúcia do Piaí (Caxias do Sul). Na ocasião deixou sua mensagem vocacional nestes termos: “Por ter aceito o chamado de Deus, sinto-me feliz. Feliz como pessoa: dignidade de viver à imagem e semelhança de Deus. Feliz como cristão: compromisso de me integrar à identidade com Cristo. Feliz como religioso e sacerdote: privilégio de consagrar e servir”.

Em janeiro de 2012, o religioso foi transferido para a comunidade do Postulado de Londrina (PR), onde atuou como Vigário Paroquial da Paróquia Cristo Bom Pastor. Na Casa de Formação ministrava aulas de Português e de Italiano para os nossos seminaristas-postulantes, sempre com alegria e paixão. No dia 27 de julho, o Senhor chamou o Pe. Harry para junto de si. Com fé e esperança entreguemos nas mãos de Deus esse nosso irmão sacerdote Josefino de Murialdo. Para o Padre Harry, as veredas no coração da natureza levam à comunhão do homem com a natureza; as veredas no coração do homem expressam a comunhão do homem com o homem e as veredas no coração de Deus, espelham a comunhão do homem com Deus. Com isso, este Josefino de Murialdo nos ensina a fazer uma síntese fundamental das relações, insubstituível para se viver em harmonia.

Pe. Antônio Lauri de Souza Religioso Josefino e Mestre de Noviços

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FLASHES

ENTREVISTA com Pe. Marcelino Modelski

Quatro religiosos Josefinos (dois brasileiros e dois africanos) professaram seus votos perpétuos e foram ordenados diáconos conforme segue: Cristiano Parnahiba de Souza: Votos Perpétuos no dia 17 de agosto e Ordenação Diaconal no dia 18 de agosto, em Fortaleza (CE); Tonito Nunes Correia: Votos Perpétuos em Londrina (PR), no dia 11 de agosto e Ordenação Diaconal em Londrina (PR), no dia 31 de agosto; Antônio de Castro: Votos Perpétuos no dia 17 de agosto e Ordenação Diaconal no dia 18 de agosto, em Fortaleza (CE). Máximo Augusto Mantija: Votos Perpétuos em Londrina (PR) no dia 11 de agosto e Ordenação Diaconal em São Paulo (SP), no dia 24 de agosto. Aos religiosos, nossa prece e estima.

Pe. Jacob Yeboah é natural de Gana, África Ocidental, nasceu no dia 20 de janeiro de 1986. Atualmente é Vigário Paroquial da Paróquia de São Benedito de São Paulo (SP) e segue com seus estudos no mestrado na PUC/SP. Jacob fez seu postulado em Serra Leoa, Filosofia em Gana e seu Magistério foi em Guiné Bissau (Africa). A partir de 2014 passou a cursar Teologia na PUC/PR. No dia 5 de maio de 2018 foi ordenado diácono em Londrina (PR) e no dia 12 de janeiro de 2019, foi ordenado Sacerdote em Gana. Seu lema de ordenação sacerdotal é: “O Espirito do Senhor está sobre mim porque ele me ungiu. Me enviou para anunciar a Boa-Nova aos pobres” (Lc 4,18). Pe. Jacob é oriundo de uma família católica. Ele afirma: “sempre quis ser padre. Por isso fui coroinha, professor da escola dominical e participante do grupo de jovens. A graça e a misericórdia de Deus sempre estiveram comigo na minha caminhada. Deus me chamou para a missão de levar a sua Palavra de conforto e de alegria aos mais necessitados”.

No dia 13 de outubro de 2019, numa festiva Celebração Eucarística, no Santuário de Nossa Senhora Consoladora (Ibiaçá – RS), Ir. Luiz Albino Mafron (Ir. Luizinho) celebrou seus 25 anos de Profissão Perpétua. Após, aconteceu um almoço de confraternização com familiares, religiosos, amigos e comunidade local. Ir. Luiz tem como lema de Profissão: “Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos irmãos” (Jo 15, 13) Mensagem do Ir. Luiz: Quem somos? Como nos conhecem? O que faz o Irmão Religioso? O Irmão Religioso é uma vocação dentro de uma Igreja que é comunhão de crentes e na qual o Espírito suscita carismas específicos. No coração dessa vocação está o chamado a viver a fraternidade de Jesus. A vocação do irmão é destinada a ser um sinal de comunhão, um sacramento da fraternidade, um testemunho da solidariedade e um convite ao diálogo. “Todos vocês são irmãos” (Mt 23,8). Irmãos de todos e com todos. Fazemos parte da grande criação de Deus Pai, que fez tudo por amor. A vocação é um dom de Deus. É um chamado que exige uma resposta, uma ação concreta. Os religiosos com suas vidas mostram ao mundo que o Evangelho de Cristo é possível ser seguido integralmente. O grande amor que o Irmão Religioso tem a Deus se reveste num grande amor ao próximo, aos mais necessitados.

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Foto: Volga

Ir. Luiz Albino Mafron celebra o Jubileu de Profissão Perpétua

cesso de iniciação à vida cristã no estilo catecumenal com toda a riqueza dos seus elementos. Consiste essencialmente e é tarefa de toda Igreja ajudar as pessoas a fazerem verdadeiro encontro-experiência de Deus. É Jesus capaz de fazer nascer um homem novo. E não existe cristão sem Igreja. Portanto, a inserção eclesial constitui o cristão. Pessoas evangelizadas são pessoas iniciadas na vida cristã, isto é, a comunidade foi útero que fez nascer um discípulo missionário. A conversão pastoral exige passar de Igreja de massa a uma Igreja de pequenas comunidades de evangelização e relacionamento; da centralização na matriz a uma rede de pequenas comunidades; do monopólio clerical ao protagonismo dos leigos; do catecismo à Bíblia e aos processos de formação permanente. Clara opção pelos pobres; não uma Igreja que faz missão, mas que é missionária; fazer do ser humano o caminho da Igreja, consequentemente, samaritana, companheira de caminho, especialmente dos que sofrem, cuidadora da vida e do planeta como sua casa; acolhedora, mas também profética que toma a defesa das vítimas que clamam por justiça nos diferentes rostos do complexo fenômeno da pobreza. Neste sentido, nossas paróquias com carisma Josefino estão definindo seu Projeto Pastoral e os colégios também esboçando “a Escola em Pastoral”. Sinais bonitos de um jeito Josefino de ser Igreja.

tilação e de suicídio entre adolescentes e jovens. Como entender isso? Pe. Marcelino: Creio que precisamos entender o mundo onde estamos inseridos. A questão é muito complexa e perturba a todos o profundo vazio de sentido da vida que estamos colhendo. É difícil aceitar o fato de que tantos, principalmente jovens, tão cedo, desistiram de viver. O Papa Francisco adverte:

Foto: Volga

Jacob Yeboah é ordenado sacerdote Foto: Divulgação A&C

Foto: Divulgação A&C

Votos Perpétuos e Ordenações Diaconais

A&C: Estamos vivendo tempos líquidos. Mudanças e transformações na esteira das tecnologias de ponta. No outro lado, as estatísticas denunciam o aumento de índices de depressão, de automu-

quantidade exagerada de aplicação de agrotóxicos como no Rio Grande do Sul... Sabemos que para muitos jovens ser e estar, precisam gozar de consumo, de farra, de bebidas, e isso lhes rouba a alma, o sentido da vida. O XXIII Capítulo Geral reconhece que a direção é aquela de responder às autênticas expectativas dos jovens, sermos capazes de acompanhamento propositivo, de presença real em suas vidas, de acolhida, diálogo, afeto e família. Os jovens esperam pão, instrução, formação, trabalho, pertença, participação, confiança e valorização. Aguardam e buscam protagonismo, compromisso, reconciliação e sentido para a vida. É claro que nós acreditamos que Jesus pode fazer nascer um homem e uma mulher novos. Ajudar as pessoas a se encontrarem com Deus é tarefa essencial em qualquer projeto educativo-pastoral. Não fazemos nada aos nossos jovens se não facilitamos a interiorização de valores do evangelho.

A&C: Qual a sua mensagem aos leitores do Agir&Calar? “Não deixem que nos roubem a vida”. Não sei se é isso, mas, muito cedo, nossos meninos e meninas, sem nenhuma condição de suportar, são estimulados a entrar numa espécie de vida muito competitiva e precisam mostrar resultados, têm que aprender a viver sem os pais, depois a pressão por definir uma carreira, a ausência de utopias. Muito de repente descobrem um mundo que não dão conta de suportar e que viver não tem graça. O uso precoce de bebidas alcóolicas e de drogas, o problema da

Pe. Marcelino: Estamos no Ano Murialdino: 120 anos da Morte de Murialdo e 50 anos de sua Canonização. Deve ser motivo de alegria, mas, principalmente de gratidão a Murialdo por nos ter legado tão precioso carisma. É, naturalmente, uma grande responsabilidade de sermos todos, testemunhas alegres e fiéis de que a experiência do amor de Deus tem mudado nossas vidas. São Leonardo Murialdo interceda por cada um de nós. Minha prece cotidiana por todos.

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FLASHES

A FdM cumpre sua missão enquanto acolhe o carisma de Murialdo e a experiência do amor de Deus tornando-se um jeito de ser e faz-se serviço de vida e de esperança às crianças, adolescentes e jovens empobrecidos; enquanto nos leva a um amor concreto à Palavra de Deus, à Eucaristia e à Igreja. A FdM tem importância enquanto aponta um caminho de santidade.

A&C: O que mais admira da Congregação dos Josefinos de Murialdo? Pe. Marcelino: O carisma apaixona. Reverencio o testemunho de confrades que são timoneiros desse carisma. Santos, capazes de oblação e doação total da vida, principalmente em fronteiras missionárias onde se encontram com a pobreza e dela vivem. Move-me a alegria desses despojados, o profetismo desses humildes, ajudando homens e mulheres, jovens e crianças a encontrar sentido e horizonte à vida. Nossa abertura missionária com opção clara pelos pobres, é profética. “Quanto mais pobres mais são dos nossos”.

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Pe. Marcelino: O XXIII Capítulo Geral acendeu algumas luzes: “Somos desafiados a buscar novos caminhos para a releitura e a vivência do carisma”. Formular itinerários progressivos de identidade e de pertença, programando formação contínua e recíproca, valorizando a leitura Orante da Palavra de Deus e uma partilha espiritual que nos torne sempre mais irmãos e irmãs no carisma de Murialdo”.

A Família de Murialdo tem importância enquanto aponta um caminho de santidade No âmbito da Formação Inicial, tornar os jovens mais sensíveis à partilha do carisma; no âmbito Educativo-Pastoral, continuar a trabalhar como Família de Murialdo para aumentar a unidade do carisma apostólico. Além disso, a coragem de implementar experiências de comunidades Murialdinas, onde pessoas que vivem no mesmo lugar e têm em comum a paixão pelo carisma, se encontram e se reconhecem celebrando o dom recebido e, ainda, avaliem a sua fidelidade, se encorajam reciprocamente, com objetivos claros que unem a fraternidade ao redor da educação dos jovens pobres. Também é importante a participação unitária enquanto Família de Murialdo em eventos nacionais e internacionais.

A&C: Qual o seu propósito enquanto provincial eleito dos Josefinos de Murialdo?

Pe. Marcelino: Para começar, eu preciso aprender a ser provincial. E não tenho muito tempo. É um triênio. Minha primeira tarefa é me fazer, de alguma forma, presente na vida dos confrades, caminhando junto, animando-os na vivência da Consagração Religiosa, sem esquecer da responsabilidade inerente ao ofício, atento aos apelos da Igreja e da Congregação no tempo em que estamos vivendo. E no sexênio, cuja prioridade é a Formação, incentivar toda Família de Murialdo a participar dos percursos possíveis de Formação Inicial, Permanente e Recíproca a fim de que sejamos capazes de uma doação sempre mais plena, configurando-nos ao Mestre Jesus.

A&C: Como foi a sua experiência de participar do Capítulo Geral dos Josefinos de Murialdo que aconteceu em Quito, no Equador, em junho de 2018? Pe. Marcelino: Foi uma experiência desafiadora. A tarefa era contribuir na atualização da regra, na releitura dos métodos e instrumentos. Certamente uma experiência de mergulho profundo nas raízes de nossas presenças em tantas culturas e realidades diferentes. Foi maravilhoso experimentar a unidade e a comunhão em meio a tanta diversidade, internacionalidade e a alegria de tanto bem que a pequena Congregação faz pelo mundo.

A&C: Enquanto provincial e religioso Josefino, qual o principal desafio para a Igreja no Brasil hoje? Pe. Marcelino: A Igreja precisa reassumir sua tarefa evangelizadora. O Papa Francisco tem corajosamente nos orientado pedindo urgente conversão pastoral. As estruturas pastorais não podem continuar como estão. Uma resposta atual a esse desafio está no pro-

Superior Geral dos Josefinos de Murialdo visita as comunidades brasileiras O Superior Geral dos Josefinos de Murialdo, Pe. Túlio Locatelli, nos meses de setembro e outubro esteve visitando as Obras do Murialdo no Brasil. Pe. Túlio chegou no dia 05 de setembro e conheceu os dez estados brasileiros que contam com a presença dos Josefinos. A primeira visita foi às comunidades religiosas do Ceará. Ele permaneceu no Brasil até o dia 20 de outubro, quando retornou a Roma. Durante sua estada no Brasil, além de visitar as comunidades religiosas Josefinas, ele se reuniu com todos os diretores, párocos e ecônomos para alinhar as prioridades Pe. Túlio em visita à Obra de São Paulo do Capítulo Geral que aconteceu no Equador, em 2018. Também conversou com os religiosos, realizou encontros com leigos, celebrou nas comunidades e conheceu como a missão das obras Josefinas acontece na prática em um clima de acolhida e de autêntica fraternidade. PADRE TÚLIO LOCATELLI foi eleito Superior Geral no dia 12 de junho de 2018, em Quito (Equador), durante o XXIII Capítulo Geral da Congregação de São José – Josefinos de Murialdo (com representantes dos religiosos das 16 nações onde a Instituição se faz presente). Padre Túlio nasceu no interior da Ilha (Bérgamo - Itália) em 6 de abril de 1951, ingressou na Congregação em 29 de setembro de 1968 e foi ordenado sacerdote, em Viterbo, no dia 17 de março de 1979. Trabalhou nos Seminários de Valbremo e de Bérgamo; foi vice-diretor e reitor do Instituto Filosófico Teológico São Pedro, foi superior da Província Italiana (2006-2012), Conselheiro e Secretário-Geral (2012-2018). Ele é o 11º sucessor de São Leonardo Murialdo. Tem a missão de coordenar a Congregação de São José – Josefinos de Murialdo nascida em Turim (Itália), em 1873, em prol das crianças, adolescentes e jovens empobrecidos. Atualmente, a Congregação conta com 500 religiosos (irmãos e padres), espalhados em cerca de 105 comunidades, presentes em 16 países.

Foto: Divulgação A&C

A&C: Quais são os principais desafios que exigem respostas imediatas da Família de Murialdo no Brasil?

Foto: Daniela Basso

associadas participam dos frutos desse carisma; nos Leigos Amigos de Murialdo que mais diretamente estudam, refletem, rezam e dividem conosco os desafios de darmos respostas de esperança principalmente às crianças, adolescentes e jovens empobrecidos de tantas de nossas Obras; eles não são colaboradores, mas corresponsáveis porque partilham do mesmo carisma. Bem, todo povo de Deus, leigos e leigas de nossas paróquias, obras sociais, colégios e faculdade que dão identidade Murialdina às nossas presenças. E como primeiros depositários, o Instituto Secular, as Irmãs Murialdinas de São José e os Josefinos de Murialdo, sem esquecer de nossos familiares que também dele bebem e se enriquecem.

Papa Francisco anuncia tema da JMJ de 2022 O Papa Francisco anunciou, no dia 22 de junho, o tema da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2022, que acontecerá na cidade de Lisboa, Portugal: “Maria levantou-se e partiu apressadamente”. O anúncio aconteceu durante a audiência do XI Fórum Internacional dos Jovens, que aconteceu em Roma de 19 a 22 de junho, com o objetivo de promover a implantação do Sínodo 2018 sobre os jovens, a fé e o discernimento vocacional. O Pontífice realizou este anúncio de surpresa. “A próxima edição internacional da JMJ será em Lisboa, em 2022. Para esta etapa de peregrinação intercontinental dos jovens, escolhi como tema: ‘Maria levantou-se e partiu apressadamente’”, assegurou. “Não ignorem a voz de Deus que os impulsiona a se levantar e a seguir os caminhos que Ele preparou para vocês. Como Maria, e junto a Ela, sejam cada dia portadores de sua alegria e seu amor”, afirmou Papa Francisco.

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NOTÍCIAS

ENTREVISTA com Pe. Marcelino Modelski

Fraternidade e vida: dom e compromisso O Conselho Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) definiu o tema da Campanha da Fraternidade (CF) 2020 como: “Fraternidade e vida: dom e compromisso” e o lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele (Lc 10,33-34)”. O tema e lema reforçam a dimensão do cuidado e o cartaz é inspirado em Irmã Dulce, canonizada no dia 13 de outubro de 2019 e chamada Santa Dulce dos Pobres. A arte foi elaborada pelo designer Leonardo Cardoso, sob a supervisão do Bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB, Dom Joel Portella Amado, e do secretário executivo de campanhas, Padre Patriky Samuel Batista. O cartaz também apresenta, ao fundo, o Pelourinho, lugar icônico da capital baiana. Padre Patriky explica que a mensagem é de “vida doada é vida santificada. A vida é um intercâmbio de cuidado”.

Ano Murialdino na Serra Gaúcha Foto: Bernadete Chiesa

Irmã Dulce é canonizada No dia 13 de outubro, no Vaticano, Ir. Dulce, a nova Santa brasileira, foi proclamada santa, pelo Papa Francisco, diante de inúmeros bispos, religiosos e missionários que estavam participando no Sínodo para a defesa da Amazônia. Irmã Dulce devotou sua vida a servir os mais necessitados e desenvolveu um trabalho social em sua terra natal, Bahia, onde fundou vários hospitais de caridade e uma rede de apoio social que dirigiu até sua morte em 1992, aos 77 anos. A primeira Santa nascida no Brasil agora será chamada Santa Dulce dos Pobres.

Sínodo da Amazônia Em Caxias do Sul, a abertura oficial do Ano Murialdino ocorreu no dia 18 de maio (Dia da Festa de São Leonardo Murialdo), no Colégio Murialdo de Ana Rech, primeiro local da Serra Gaúcha da chegada dos religiosos Josefinos. O evento contou com a presença de membros da Família de Murialdo a saber: Núcleos dos Leigos Amigos de Murialdo; religiosos Josefinos; Irmãs Murialdinas e membros do Instituto Secular Murialdo. A recepção ocorreu com uma bênção em frente a imagem de São Leonardo Murialdo no pátio do Colégio de Ana Rech, que neste ano comemora 90 anos de fundação. Após, no miniauditório da Faculdade Murialdo (unidade Ana Rech), os presentes participaram de uma reflexão coordenada pelo Conselho Formativo da Associação Nacional dos Leigos Amigos de Murialdo. Às 18 horas aconteceu uma celebração eucarística festiva, presidida pelo Pe. Geraldo Boniatti e concelebrada pelos sacerdotes presentes. Após, serviu-se um jantar de confraternização.

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De 06 a 27 de outubro de 2019 realizou-se em Roma, a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, com a participação de mais de 250 bispos de todo mundo e outras lideranças convocadas pelo Papa Francisco. O Documento final do Sínodo foi votado e aprovado no dia 26 de outubro. Dividido em cinco capítulos, o texto pede uma conversão que tem diferentes significados: integral, pastoral, cultural, ecológica e sinodal. Dentre tantos temas apresentados estão a Igreja com rosto indígena, migrante, jovem, um chamado à conversão integral, um diálogo ecumênico, a importância dos valores culturais dos povos amazônicos, a dimensão socioambiental da evangelização, uma Igreja ministerial e novos ministérios, além da presença e vez da mulher e muitas outras propostas. Mais informações em A12.com/sinododaamazonia

família e como conheceu a Congregação de São José (Josefinos de Murialdo). Pe. Marcelino: Minha vida carrega os traços e o estilo de uma experiência de Deus muito particular vivida com a família. Ela mesma exerceu a vocação de despertar a fé e de me inserir na vida eclesial. O pai, mesmo analfabeto, assinou com uma palavra irrevogável toda sua conduta. Sempre o vimos envolvido e comprometido com a comunidade - dedicou muito de suas forças e de seu tempo para edificar a Igreja Matriz de Vista Alegre do Prata e também da comunidade Santa Isabel. A mãe foi catequista e preparou todos os onze filhos para a vida da Igreja, a participação comunitária, a solidariedade, o trabalho e o respeito com todos. Hoje, os irmãos, cada um do seu jeito, têm vivência cristã comprometida e não deixo de me orgulhar disso e, quando tenho oportunidade, participo de suas experiências.

do, na hora do almoço, ela me chamou e comemos do mesmo prato. Conheci os Josefinos de Murialdo através dos tios Pe. Lúcio e Pe. Miguel (in memoriam) que nos visitavam. Em seguida, quatro das minhas irmãs mais velhas foram ao convento das Irmãs Medeias de São João Batista e o irmão Alcides esteve com os Josefinos até concluir o Noviciado - foram presenças decisivas no meu desejo de ser sacerdote e Josefino. A mãe era zeladora das Mães Apostólicas, muitas vezes eu a ajudei distribuindo os folhetos nas casas das Associadas. Minha primeira grande experiência de Murialdo aconteceu, quando tinha dez anos, num acidente de carro que, desgovernado, colidiu com um barranco. Eu estava dentro do mesmo, mas me vi de pé, em cima do barranco, vendo-o tombar como se nele nem estivesse. Senti que alguém me puxou para fora. Atribui a Murialdo de quem já era devoto.

pai, até Fazenda Souza. A alegria era de uma grande conquista. Nos quatro anos que lá fiquei lembro o sentimento de que já me considerava Josefino. Companheiros desse percurso foram o promotor vocacional Pe. Valdir Suzin, o diretor Pe. Genuíno Roman, o ecônomo Pe. Antônio Mattiuz e os frateres, hoje, Pe. Augustinho Vidor e Emio Furlan. Corajosos, valentes e hábeis educadores.

A&C: Quais sacerdotes Josefinos que mais influenciaram sua vida? Pe. Marcelino: Tive durante todo percurso formativo e até hoje confrades a quem reverencio e agradeço pela vida verdadeiramente de santidade. Humildes, trabalhadores, zelosos, presentes, de oração. Contudo, ficou marcada, na pupila dos meus olhos, a figura carismática do Pe. Bruno Barbieri quando, aos sete anos, fiquei internado por um mês no hospital Fátima, em Caxias do Sul. Ele todos os dias, visitava-me e trazia balas, ora aqueles “peixinhos” ora aquelas “sete belo”, sem esquecer o terço, os santinhos de Murialdo. Lembro também com carinho a comunidade religiosa do Abrigo (hoje CTS) que nos acolheu durante este período, principalmente a mãe que ficava comigo.

A infância foi muito simples nem por isso indigna. Raras eram as oportunidades de termos um brinquedo comprado. Mas, não faltava criatividade para pensarmos e inventarmos nosso próprio material de lazer (a bola era um chinelo havaianas velho, enrolado e amarrado; os carrinhos de madeira, aprendemos com os irmãos mais velhos e, nós mesmos, os fabricávamos. Depois, não guardávamos as ferramentas e apanhávamos; isso era certo, mas, não tinha problema).

A&C: Como foi sua ida ao Seminário Josefino?

A&C: No seu entender, quem é e qual a importância da Família de Murialdo?

Inesquecível foi o primeiro dia de aula com a professora Lúcia Capellari, época da ditadura militar, fila obrigatória e o canto do Hino Nacional. O primeiro dia de aula coincidia com o primeiro gole de vinho e o primeiro dia de ir à roça. Um pouco duro, porém era um ritual de iniciação à vida. Recordo do meu primeiro encontro vocacional com a senhora Cesariana Roman, no seminário de Vila Flores quan-

Pe. Marcelino: A família preparou o terreno para que Deus me chamasse. Aos 13 anos, em 1979, o Pe. Valdir Susin passou na escola e pediu quem queria ser padre. Claro! Eu! Os pais consentiram. Lembro-me da mala que parecia de papelão, emprestada do irmão Alcides (nem devolvi), amarrada com um cinto e de um saco daqueles de açúcar. Coube tudo... lembro a longa viagem, acompanhado pelo

Pe. Marcelino: Não é a batina que faz o padre. Quando falamos da Família de Murialdo (FdM) referimo-nos a todos os que, tendo conhecido Murialdo e seu carisma, tiveram de alguma forma suas vidas interpeladas por ele. Penso, por exemplo, nas Mães Apostólicas que, no silêncio e no anonimato, intercedem diariamente pelas vocações e colaboram na formação dos futuros Josefinos e como

Somos desafiados a buscar novos caminhos para a releitura e a vivência do carisma

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Foto: Júlio Rodrigues

DICAS

Dica de Filme O MENINO QUE DESCOBRIU O VENTO

A Igreja precisa reassumir sua tarefa evangelizadora A presente edição da revista Agir&Calar traz a entrevista com o Provincial da Congregação de São José (Josefinos de Murialdo) da Província do Imaculado Coração de Maria, Pe. Marcelino Modelski (gestão 2019-2021). Atencioso, ele conversou com a equipe do Agir&Calar sobre sua vida, história vocacional, os desafios da Igreja, da Congregação e da Família de Murialdo. Ao Pe. Marcelino, nossa prece e apoio em sua missão de conduzir e animar os Josefinos de Murialdo no Brasil, no próximo triênio. A&C: Quem você é? Filiação, naturalidade, família, estudos, vida religiosa... Pe. Marcelino: Sou Pe. Marcelino Modelski, nono, dos onze filhos de Leocádia Knispel e Antônio Modelski (in memoriam), nasci em Vista Alegre do Prata (RS) no dia 07 de abril de 1966. Concluí o primário no Seminário de Fazenda Souza, (Caxias do Sul – RS) e o segundo grau em Araranguá (SC). Em seguida, fiz o Noviciado em Planaltina (DF), a Filosofia no Guará I (DF), o Magistério em Orleans (SC) e a Teologia em Londrina (PR). Meus primeiros

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seis anos de sacerdócio vivi em Ibotirama (BA), depois onze anos em Quintino (RJ) e, por fim, cinco anos em Jaçanã (SP). Foram experiências edificantes. O povo de Deus tem o dom e a arte de modelar com estilo evangélico nossas vidas. A fé, a experiência de Deus e a consciência de Igreja e do nosso povo são forças impressionantes na vida do padre numa comunidade. Sou eternamente grato ao bom povo de Deus destas comunidades. Saudades!

Inspirado por um livro de ciências, um garoto constrói uma turbina eólica para salvar seu vilarejo da fome. Ambientado em Malawi, “O menino que descobriu o vento” traz a história de William (Maxwell Simba), garoto morador de um vilarejo da região. Enquanto passam por um período de chuva rigorosa, os moradores de Malawi ficam impossibilitados de trabalhar na colheita. Porém, quando o período de tempestades acaba, a seca toma conta do local e a situação fica ainda pior. Dessa forma, as pessoas começam a morrer de fome. Contudo, o menino William que, com sua sede por conhecimento, descobre uma maneira de salvar a todos.

Dica de Livro A ARTE DE CONVIVER: UM OLHAR INCLUSIVO (María Guadalupe Buttera / Dr. Roberto Federico Ré - Editora Paulus, 2013)

A obra aborda a criatividade e a inovação nos contextos profissionais, partindo de uma dimensão fundamental: o indivíduo em busca de si mesmo. Para isso, a autora utiliza-se de narrativas infantis, as quais, segundo ela, favorecem o autoconhecimento e o resgate do potencial criativo da pessoa. Ao longo de três partes — pensar, sentir e agir — Maria Elisa Moreira apresenta alguns aspectos teóricos que sustentam o tema da criatividade, bem como ferramentas práticas que ativam a imaginação. Um conteúdo bastante útil e diferenciado para líderes e empreendedores, mostrando que é possível potencializar a inovação e a versatilidade da equipe de trabalho, lidando com as mais variadas situações do contexto organizacional.

A&C: Fale um pouco de você, de sua

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CURIOSIDADES

Entrevista Pe. Marcelino Modelski 4

Papa Francisco Pela primeira vez na histĂłria, um latino-americano e jesuĂ­ta ĂŠ lĂ­der da Igreja CatĂłlica. AlĂŠm disso, o Papa Francisco desenvolve um discurso claro em favor do meio ambiente e estĂĄ envolvido com questĂľes mundiais como a defesa dos refugiados da crise migratĂłria. rumodafe.com.br

Processo de canonização O processo de canonização, na Igreja CatĂłlica, passa pelas seguintes etapas: • Primeiramente, o postulante torna-se um “Servo de Deusâ€?, com a abertura do procedimento. • Se ele apresentar as virtudes necessĂĄrias, ĂŠ proclamado “VenerĂĄvel. • Caso haja um milagre comprovado por sua graça, o postulante pode ser beatiďŹ cado. • A canonização sĂł acontece com a comprovação de um segundo milagre. • A FamĂ­lia de Murialdo possui o Pe. JoĂŁo Schiavo como beato. A cerimĂ´nia de beatiďŹ cação ocorreu em 28 de outubro de 2017, em Caxias do Sul (RS). rumodafe.com.br

Cotidiano

Editorial ³7XGRIRLIHLWRSHOD3DODYUD´ -R 3DOD YUDVQmRGLWDVFDOFL¿FDGDVSUHVDVVmRVXEVWUDWR GD GRHQoD GD GRU GD PRUWH 'D SDODYUD GLWD YHP VHPSUH D YLGD 3UHFLVDPRV OLEHUiOD 1D 5HYLVWD ³$JLU &DODU´ TXHUHPRV TXH D SDODYUD TXH VRPRV IDOH GLJD VH UHYHOH QRV UHYHOH IDOH GD YLGD GD JUDQGH)DPtOLDGH0XULDOGR6RPHQWHQRVFDODPRV GHSRLV GD HVFXWD FRPR FRQWHPSODomR H M~ELOR GD EHOH]DGRDPRUGDYLGDGDWHUQXUDGDSD]IUXWRV GDSDODYUD 4XHUHPRVTXHDSUHVHQWHHGLomRH[SUHVVHQRVVDVPDLVERQLWDV H[SHULrQFLDVGH'HXVYLYLGDVHDPDGXUHFLGDVQDHVFXWDH¿GHOLGDGH QR 'HXV GD 0LVHULFyUGLD TXH VH IH] WHUQXUD H DPRU FXLGDQGR GRV PDLVIUiJHLVHSHTXHQLQRVeGH'HXVTXHDKXPDQLGDGHSUHFLVD $SyV WUrV DQRV GH VLOrQFLR WHPSR HP TXH QRVVD UHYLVWD GHL[RX GHVHUSXEOLFDGDTXHUHPRVSDUWLOKDUXPSRXFRGDQRVVDIpGDQRV VDPLVVmRGRQRVVRFDULVPD(VWDPRVFHOHEUDQGRR$QR0XULDOGLQR FRPDVFRPHPRUDo}HVGRVDQRVGDVDQWDPRUWHGH6mR/HRQDU GR0XULDOGRHGRVDQRVGHVXD&DQRQL]DomR2WHPD³3DUWLOKDUR PHOKRUGHQyV´HROHPD³0XULDOGRQRVVRFRPSDQKHLURGHYLDJHP´ HVWmR QRV DFRPSDQKDQGR QHVWH DQR FHOHEUDWLYR VLQDOL]DQGR RV UX PRVGHQRVVRHVStULWRSHORVGH]HVVHLVSDtVHVRQGHDPLVVmRGH0X ULDOGRVHID]SUHVHQWH$OpPGLVVRR$JLU &DODUFRQWHPSODDVFRPH PRUDo}HVGRVDQRVGHIXQGDomRGR&ROpJLR0XULDOGRGH$QD5HFK H RV  DQRV GD 3DUyTXLD 6mR 3DXOR $SyVWROR GR *XDUi , %UDVtOLD ¹') GXDVLQVWLWXLo}HVFRPVXDVUHDOLGDGHVEHPGLVWLQWDVGHPXLWD YLGDGRDGDHFXOWLYDGD $OLiV HP FDGD SDODYUD H HP FDGD LPDJHP GD UHYLVWD YrP FDU UHJDGDVGHYLGDHGHDomRGDQRVVD)DPtOLD&DULVPiWLFDFRPRSRU H[HPSORR&RQJUHVVR1DFLRQDOGRV/HLJRV$PLJRVGH0XULDOGRDV RUGHQDo}HV VDFHUGRWDLV RV MXELOHXV GH SUDWD H GH RXUR GH YLGD VD FHUGRWDORVDQRVGHSUR¿VVmRSHUSpWXDHQWUHWDQWRVRXWURVIDWRV HIHLWRVLPSRUWDQWHVGDQRVVDKLVWyULD6RPRVFRQYLGDGRVDYLYHUPRV QRHVWLORGR%RP3DVWRUTXHSURWHJHDPDFXLGDGHIHQGH³2VHYDQ JHOL]DGRUHVGHYHPWHUR¾FKHLURGDVRYHOKDVHHVFXWDUDVXDYR]œ´ (*  GHIHQGHR3DSD)UDQFLVFR

Quanto menor, mais picante a pimenta Ê A cor da pimenta não tem nada a ver com o seu sabor. Preste atenção ao tamanho: quanto menor, mais picante.

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LĂ­nguas IndĂ­genas – O tupi era uma das 1.200 lĂ­nguas indĂ­genas identiďŹ cadas no Brasil no ano de 1500. AtĂŠ meados do sĂŠculo XVIII, tratava-se do idioma mais falado no territĂłrio brasileiro. Hoje restam 177 lĂ­nguas indĂ­genas. O antigo tupi foi uma das que desapareceram completamente. Em 1758, o MarquĂŞs de Pombal, interessado em acabar com o poder da Companhia de Jesus no Brasil e em aumentar o domĂ­nio da metrĂłpole portuguesa sobre a colĂ´nia, proibiu o ensino e o uso do tupi. historiadigital.org

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Novo Conselho Provincial Dom Irineu Roman ĂŠ nomeado arcebispo Uma famĂ­lia carismĂĄtica BalduĂ­no Antonio Andreola ĂŠ professor emĂŠrito JoseďŹ nos serĂŁo ordenados sacerdotes 25 Anos de SacerdĂłcio Bodas de Ouro Sacerdotal

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Formação Escola em Pastoral 16 Educar no estilo do Bom Pastor 20

Capa Ano Murialdino: 18 “nosso companheiro de viagem�

Marcas do que se foi 50 anos da ParĂłquia do GuarĂĄ 22 90 Anos do ColĂŠgio Murialdo de Ana Rech 24

Ponto de Vista Disciplina e limites: uma questĂŁo de carĂĄter 26

Na Casa do Pai Ir. JosÊ Valderês Matos Gonçalves 28 Pe. Harry Jung 29

Notícias Votos PerpÊtuos e Ordenaçþes Diaconais Jacob Yeboah Ê ordenado sacerdote Ir. Luiz Albino Mafron celebra Jubileu Superior Geral visita as comunidades brasileiras Papa Francisco anuncia tema da JMJ de 2022 Fraternidade e vida: dom e compromisso Ano Murialdino na Serra Gaúcha Irmã Dulce Ê canonizada Sínodo da Amazônia

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Dicas Dica de Filme 33 Dica de Livro 33

Curiosidades VocĂŞ Sabia? 34

Reexão Quem dobrou o seu paraquedas hoje? 35


REFLEXÃO

Quem dobrou o seu paraquedas hoje? Charles Plumb era piloto de caça dos EUA e serviu na guerra do Vietnã. Depois de muitas missões de combate, seu avião foi derrubado por um míssil. Plumb saltou de paraquedas, foi capturado e passou seis anos numa prisão norte-vietnamita. Ao retornar aos Estados Unidos, passou a dar palestras relatando sua odisseia e o que aprendera na prisão. Certo dia, num restaurante, foi saudado por um homem: - Olá, você é Charles Plumb, era piloto no Vietnã e foi derrubado, não é mesmo? - Sim. Como sabe?, perguntou Plumb. - Era eu quem dobrava o seu paraquedas. Parece que funcionou bem, não é verdade? Plumb quase desmaiou de surpresa e com muita gratidão respondeu: - Claro que funcionou, caso contrário eu não estaria aqui hoje! Ao ficar sozinho naquela noite, Plumb não conseguia dormir, pensando e perguntando-se: - Quantas vezes vi esse homem no porta-aviões e nunca lhe disse “bom

dia”? Eu era um piloto arrogante e ele, um simples marinheiro. Pensou também nas horas que o marinheiro passou humildemente no barco enrolando os fios de seda de vários paraquedas, tendo em suas mãos a vida de alguém que não conhecia. Agora, Plumb inicia suas palestras perguntando à plateia: - Quem dobrou seu paraquedas hoje?

Todos temos alguém cujo trabalho é importante para que possamos seguir adiante. Precisamos de muitos paraquedas durante o dia: um físico, um emocional, um mental e até um espiritual. Às vezes, nos desafios que a vida nos apresenta, perdemos de vista o que é verdadeiramente importante e as pessoas que nos salvam. Deixamos de cumprimentar, de agradecer, de felicitar, de animar. É importante dar-nos conta de quem dobra o nosso paraquedas todos os dias!

(Autor desconhecido)

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