Agir e Calar | Junho de 2015

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“A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. Sínodo sobre a Família: 4 a 25 de outubro (Roma)

“Não existe família perfeita! Sem perdão a família adoece. O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a libertação do coração. Quem não perdoa não tem paz na alma nem comunhão com Deus. A família precisa ser lugar de vida e não de morte.” (Papa Francisco)


Entrevista

Dhian Paulo Paiz

Cotidiano

Editorial

O tema da esperança é recorrente em nós e não poderia ser diferente, pois todo o amanhã está sustentado nos braços da esperança de quem hoje confia. Quando se vislumbra o futuro e se põe a caminho, com os olhos fixos no Senhor e no rosto dos irmãos e das irmãs de caminhada, alimenta-se a esperança.

Quando os primeiros Josefinos no Brasil semearam as sementes do carisma de Murialdo, fizeram-no na confiança e este ano estamos celebrando um centenário de seus gestos iniciais. Quando em 2001 o jovenzinho Dhian Paulo Paiz entrou no Seminário Josefino de Fazenda Souza, seu ideal era apenas uma pequena nuvem no horizonte. Hoje ele fala aos leitores como sacerdote da vinha do Senhor, na Congregação de São José. Quando o Papa Francisco escreve uma carta para o mundo, convidando-o a cuidar da Mãe Terra dentro de uma ecologia integral; ele o faz na esperança de um amanhã justo, fraterno e sustentável, principalmente para os pobres e para as novas gerações. Quando jovens idealistas e de pés no chão resolvem seguir Jesus e para tal deixam tantas coisas boas, bonitas e legítimas, eles o fazem na esperança de que o amor infunde em seus corações. Quando três sacerdotes Josefinos elevam o cálice da salvação, agradecendo os 50 anos de exercício neste ministério, eles o fazem rememorando as esperanças colocadas em Deus, que nunca os decepcionou. Quando cuidamos de ser, de agir e rezamos, alimentamos a vida. Quando, enfim, bons e amados leitores, o nosso Agir&Calar conta o que aconteceu, reflete sobre os fatos, anunciando e denunciando; ele quer elevar a esperança de cada um de vocês, para vislumbrar nas trevas e sombras a predominância da luz. O Deus da esperança esteja com cada um de vocês.

Curso de Formação aprofunda a Vida Religiosa Juventudes de Murialdo Obra Social Murialdo Olha a glória de Deus brilhando... ANALAM realiza 1º encontro de presidentes Encontro dos Ex-seminaristas de Orleans (SC)

Formação

O Coração de Murialdo sob a ótica da psicologia Papa Francisco lança encíclica Laudato Si’

Capa

É preciso conservar a esperança

Marcas do que se foi

Josefinos celebram Bodas de Ouro Sacerdotal 100 anos da presença dos Josefinos no Brasil

Ponto de Vista

25 anos do ECA Escola Católica e seu diferencial

Notícias

Ordenação Diaconal Curso em preparação aos Votos Perpétuos Noviciado 2015 - Por um carisma que apaixona II Murialdo Jovem Encontro de Ex-Seminaristas em Fazenda Souza Encontro Nacional da AMA Antologia das Fontes Carismáticas Inaugurada Capela do padre João Schiavo Dedicação da Igreja São Benedito em São Paulo

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Em JMJ Pe. Antonio Lauri de Souza - csj Provincial Revista da Província Brasileira Josefinos de Murialdo

Revisão Roberta Tomé

Ano XLI - Edição 109 - Número 1 Julho de 2015

Pré-impressão (CTP) e Impressão Gráfica Murialdo graficamurialdo@graficamurialdo.com.br Fone: (54) 3221.1422

Provincial Pe. Antônio Lauri de Souza Equipe Técnica Pe. Joacir Della Giustina Júlio César Rodrigues Bernardete Chiesa Jornalista Responsável Bernardete Chiesa - MTb 10187 Projeto Gráfico Júlio César Rodrigues Editoração Marco Rodrigues Morgana Vanin Rodrigues

Nosso Endereço Casa Provincial - Rua Hércules Galló, 515 Centro - 95020.330 - Caxias do Sul (RS) Fone: (54) 3221.4711 www.josefinosdemurialdo.com.br Atendimento ao Leitor atendimento@agirecalar.com.br

Dicas

Dica de Filme Dica de Livro

Curiosidades

Você Sabia?

Reflexão

O nó do Afeto

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Tiragem 2.500 exemplares O conteúdo dos artigos publicados são de inteira responsabilidade de seus autores.

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Estou mais preocupado em

fazer o bem

Foto Volga

do que escolher o lugar para trabalhar!

A presente edição da revista Agir&Calar traz a entrevista com o jovem religioso Josefino diácono Dhian Paiz, que, no dia 23 de agosto, será ordenado sacerdote em sua cidade natal (Sananduva – RS). Alegre e dedicado, durante os preparativos para sua ordenação, reservou um tempinho para falar aos leitores do Agir&Calar sobre sua vida e história vocacional. A&C: Fale um pouco de você, de sua família e de como conheceu a Congregação de São José (Josefinos de Murialdo). Dhian: Sou Dhian Paulo Paiz, nasci no dia 22 de junho de 1987, tenho 28 anos de idade, sou filho de Adelir João Paiz (in memória) e de Delsi Rafagnin. Tenho duas irmãs mais novas: Janini e Sandi Paiz. Cresci no interior de Sananduva (RS), em uma comunidade chamada São João da Forquilha. Conheci os Josefinos através das Mães Apostólicas. Minha região não tem a presença de consagrados da Família de Murialdo, mas há diversos grupos de Mães Apostólicas. Uma delas, ao saber que gostaria de me tornar sacerdote, me entregou um panfleto dos Josefinos. Alguns

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meses depois, fui aos ares de felicidade porque recebi a primeira carta da minha vida. Era escrita pelo Pe. Dirceu Rigo (então animador vocacional e responsável pela AMA) e destinada a mim, convidando-me para fazer um estágio de três dias no seminário. Ele visitou minha família e decidi dar este passo na minha vida. A&C: Em que ano entrou para o seminário? Dhian: Entrei no seminário no ano de 2001. Tinha 13 anos, era baixinho e gordinho, vinha de uma simples família de agricultores, tinha medo de tudo e de todos. Entrei cursando a 8ª série com muitas dificuldades de aprendizagem, mas aos poucos fui superando e aqui estou.


ENTREVISTA com Dhian Paulo Paiz

A&C: Como foi a sua formação inicial? Dhian: Então: em 2001, cursei a 8ª série no seminário de Fazenda Souza; 2002-2004, Ensino Médio em Ana Rech; 2005, Postulado em Porto Alegre; 2006, Noviciado em Caxias do Sul; 2007-2008 Filosofia em Porto Alegre; 2009-2010 Magistério em Ana Rech; 2011-2013 Teologia em Viterbo (Itália) e 2014-2016 Mestrado em Teologia Moral em Roma (Itália). Esses foram os passos dados na formação religiosa. A&C: Em sua caminhada de formação, quais foram os principais desafios? Dhian: Os desafios foram tantos e são presentes em cada escolha da vida. Quanto mais coerentes somos em nossas escolhas, tanto mais desafios aparecem! Mas é bom, faz bem. Deixam-nos mais convictos.

A única coisa que cresce sozinha é o caos; todas as outras precisam ser preparadas, formadas, acompanhadas... A&C: Quais as suas expectativas como sacerdote? Dhian: Considero-me privilegiado por me ordenar neste momento histórico. Hoje, especialmente com o pontificado do Papa Francisco, respira-se ares novos, vive-se uma grande e bonita primavera na Igreja. Os católicos estão respondendo muito bem a todas as transições realizadas do papa Bento XVI ao papa Francisco e fico feliz por Deus me colocar neste momento da vida da Igreja. A minha expectativa é de continuar a responder, segundo o

meu jeito de ser Josefino de Murialdo, às necessidades do mundo, especialmente dos jovens. A&C: Qual o seu lema sacerdotal? De onde nasceu? Dhian: O meu lema vocacional é tirado da segunda carta de São Paulo aos Tessalonicenses e diz: “Sei em quem coloquei a minha confiança.” (2Ts, 1,12). Confiar em alguém é próprio do ser humano e é próprio do cristão. Desde o momento em que nascemos, temos que confiar em alguém: nos pais, nos familiares, nos vizinhos, nos amigos, nos educadores, nos médicos, nos colegas, nos sacerdotes... Em cada estágio da nossa vida, depositamos a nossa confiança em alguém. Mas chega um momento da nossa vida que é crucial, seja antes ou depois, que cada um de nós se pergunta: mas em quem eu deposito a minha confiança? Que coisa vale a minha confiança? Na resposta a esta pergunta é que encontramos o sentido para todas as outras perguntas que aparecem na nossa caminhada. Eu procuro diariamente colocar a minha confiança nas palavras de Cristo. Se depositarmos a confiança em Cristo, cremos que tudo depende dele e que tudo é graça! A&C: Por que você estudou teologia na Itália? E por que, depois de ordenado, você volta para lá? Dhian: Estas duas perguntas estão interligadas. Desde 2006, a Congregação fez uma escolha de ultrapassar as barreiras da nacionalidade, da

Foto: Arquivo pessoal

Foto Volga

Penso que posso agrupar em três direções os desafios desta caminhada: 1) A perda de meu pai: foi um desafio enorme em minha vida e vocação. Eu sou o filho mais velho, o único filho homem e sentia uma responsabilidade grande em minhas costas. Passamos pela dificuldade da doença e de muita solidão depois da sua partida para o céu. 2) A dimensão afetiva: eu sintetizo este desafio no sentido de ter a maturidade de “amar e deixar-se amar”. O perigo de ser celibatário é confundi-lo com ser estéril; ao invés, somos chamados a uma fecundidade espiritual e encontrar um equilíbrio é muito complicado. Creio que muitos

dos problemas atuais da vida religiosa (de pobreza, obediência, vida comunitária) surjam da falta deste equilíbrio. 3) O desligamento que tive que fazer na minha vida: da família, da minha realidade de origem e da minha cultura quando fui à Itália. Na minha caminhada, sempre tive bons formadores e confrades que tiveram a coragem de colocar os dedos nas minhas feridas e de ajudarem a enfrentar os meus problemas e a amadurecer vocacionalmente. Sei quantas vezes chorei, especialmente na direção espiritual.

Dhian no dia da Ordenação Diaconal

Dhian com seus pais Adelir e Delsi

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ENTREVISTA com Dhian Paulo Paiz

Estar em outro país e conviver com outra cultura não é fácil, sofri muito, mas reconheço que também me fez amadurecer: as novidades e os pontos positivos que a Itália me ensinou, eu os conservo; aquilo que sinto dificuldade ou não compartilho da mesma visão, respeito. Acabei valorizando ainda mais aquilo que temos em nosso país e em nossa cultura. Portanto, é um duplo aprendizado. Certamente, a minha visão teológica é diversa dos meus colegas que fizeram teologia aqui no Brasil; não vejo com um limite, mas como um ganho para mim e para meus irmãos. Como é bacana encontrar pessoas com pontos de vistas sérios e com vontade de compartilhar. É, porém, indispensável haver uma abertura recíproca. Sou convicto em dizer que todos os meus irmãos deveriam fazer uma experiência em uma cultura diversa, é muito enriquecedor. Acredito muito na interculturalidade para a superação de conflitos e pensamentos unilaterais. Este é um belo caminho de abertura pessoal e comunitário. De fato, depois da ordenação volto para a Itália. Pretendo terminar o meu estudo e, após, me coloco à disposição para onde precisar! Estou mais preocupado em fazer o bem do que escolher o lugar para trabalhar!

momento histórico já que muitos dos meus professores são também consultores do Vaticano. Por exemplo: tenho um professor que é experto no sínodo dos bispos sobre a família. Então, acabamos descobrindo as notícias e bastidores das discussões que os homens e o Espírito Santo conduzem. Não creio que a moral cristã seja uma camisa de força para a liberdade, mas é totalmente o contrário. Creio que a liberdade tem a necessidade da moral cristã para ser verdadeiramente liberdade. A liberdade só existe na verdade. A moral cristã ajuda o homem a encontrar o esplendor da verdade que, para nós, tem um nome preciso: Jesus Cristo. Todo o Antigo Testamento é um hino do povo de Israel a Deus que não deixa que seu povo morra escravo; no Novo Testamento, o próprio filho do Homem se encarna para liberar a humanidade de qualquer forma de escravidão. Eis a missão da moral: conduzir a pessoa à verdade. O desafio do cristão em viver a moral proposta por Cristo está em bem formar a consciência. A moral cristã é lógica, natural e quer levar a pessoa à sua plena maturidade, realização e ao encontro com Cristo. É isso que a moral cristã quer.

A&C: O que você mais admira na Congregação dos Josefinos de Murialdo e, no seu ver, quais os maiores desafios que hoje ela enfrenta? Dhian: Admiro as possibilidades e a abertura que a Congregação oferece aos seus confrades. Cada um de nós pode colocar em prática o dom que recebeu, bem como se especializar para dar ainda muitos frutos ao mundo. O rosto da Congregação é diverso, e na diversidade crescemos reciprocamente. Um desafio sempre presente e me parece mais frequente hoje é o medo de enfrentar as dificuldades. Seja essa dificuldade em âmbito econômico, comunitário, formativo ou pessoal. Às vezes se tem uma sensação de que se faz o necessário e se tem dificuldades de fazer o necessário, até o necessário é sacrificado. Devemos responder, devemos preparar-nos, devemos formar, devemos acompanhar! A única coisa que cresce sozinha é o caos; todas as outras precisam ser preparadas, formadas, acompanhadas... sem medo de enfrentar as dificuldades e fazer a pergunta matadora: você quer seguir Cristo segundo os passos de Murialdo?

Foto: Arquivo pessoal

própria cultura, da própria província e pensar globalmente, de olhar em uma prospectiva de mundo, ou seja, aberta a novas experiências. A Congregação percebeu que todos os pensamentos fechados fracassaram. Assim, fui convidado pelos superiores e eu disse sim a esta proposta.

A&C: Você está fazendo especialização em Teologia Moral. A Moral Cristã é uma camisa de força para a liberdade cristã? Aponte alguns desafios das pessoas para viver bem a moral cristã? Dhian: Sim, estou fazendo o mestrado em Teologia Moral na Accademia Alfonsiana, órgão ligado à Pontificia Università Lateranense. Sintome privilegiado por estudar neste

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Dhian sendo recebido pelo Papa Francisco


COTIDIANO

Curso de Formação aprofunda a Vida Religiosa No ano da Vida Consagrada declarado pelo papa Francisco, a Província Brasileira dos Josefinos de Murialdo realizou o Curso de Formação para irmãos e padres Josefinos. O curso buscou aprofundar os valores e a vivência da Vida Religiosa nos tempos atuais e orar por aqueles que doam sua vida a serviço da igreja, através dos Conselhos Evangélicos através dos votos de pobreza, castidade e obediência.

BRASÍLIA (DF) De 7 a 9 de julho de 2015, aconteceu a I Edição do Curso de Formação Permanente da Província Brasileira. O evento se deu no Centro Murialdo, em Arniqueira Brasília, e contou com a participação de 25 confrades. Em sintonia com o Ano da vida consagrada, convocado pelo Papa Francisco, a assessora, Ir. Maria de Fátima Morais, das Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, de forma envolvente e prática, trabalhou o tema proposto pelo Papa. A partir das vivências dos confrades, a assessora percorreu “As Estações da Vida e o ciclo de Renovação”, onde apareceram os seguintes questionamentos: Onde estou? Onde quero chegar? Como chegar lá? Como manter o foco? Em cada fase e em cada estação da vida, foi analisada a situação do religioso em relação ao viver humano. Desta forma, foi possível analisar o religioso, as respectivas características e as atitudes a desenvolver.

Fotos: Divulgação A&C

Na ocasião, foi ainda estudado o importante texto “Alcançados pelo Mistério”, da Palestra para o SeminárioCongresso da Vida Religiosa de Aparecida (SP), de 8 de abril 2015.

CAXIAS DO SUL (FAZENDA SOUZA) De 27 a 30 de julho de 2015, aconteceu a II Edição do Curso de Formação Permanente da Província Brasileira dos Religiosos Josefinos de Murialdo. O evento ocorreu em Fazenda Souza (Caxias do Sul – RS) e contou com a participação de 30 confrades. De modo profundo e prático, o assessor, Pe. Jailson de Oliveira Lino, dos Pobres Servos da Divina Providência, focou os seguintes temas da vida consagrada: Modelos de Vida Religiosa; A Crise na Vida Religiosa; Normalidade e Patologia Comunitária; O Seguimento Radical de Jesus e Leveza e Agilidade na Vida Religiosa. O grupo participou ativamente do encontro. Nos momentos de intervalo e no turno da noite os religiosos reservaram para boas conversas e momentos de convivência comunitária.

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JUVENTUDES Um jeito de ser jovem JuventudeS...

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luz de afirmações de sociólogos contemporâneos e estudiosos da temática juventude, reafirmamos a conceituação de juventude enquanto categoria social abstrata numa abordagem de ser fase da vida, uma força social renovadora e um estilo de existência; o jovem, como categoria concreta na perspectiva de elo e transição. “A juventude é uma concepção, representação ou criação simbólica, fabricada pelos grupos sociais ou pelos próprios indivíduos tidos como jovens, para significar uma série de componentes e atitudes a ela atribuídos”. (Groppo, L. A). Destarte, a percepção de que o termo juventudeS vem carregado de subjetividade e pluralidade do potencial pessoal de cada jovem e dos jovens organizados por agrupamentos em suas diversas formas de expressão existencial. Porquanto, imbuídos de um “Carisma que apaixona”, a Província Brasileira reafirma o encantamento apostólico no trabalho junto às juventudeS que são acompanhadas, orientadas e buscam vivenciar o legado de São Leonardo Murialdo na Igreja e sociedade. Valemo-nos também da referência do Projeto de Revitalização da Pastoral Juvenil da CNBB e CELAM, sob a proposição concreta de “reconfigurar” o trabalho Josefino de Murialdo a partir das experiências dos próprios jovens, seus sonhos, anseios, bandeiras...

Processo pedagógico - Província Brasileira Sob a perspectiva da desconfiguração de uma pastoral de eventos e ação de “francos atiradores”, a Província Brasileira, com sua Equipe de Juventude, vem se articulando, resgatando, aprimorando o processo histórico e atuação do Carisma Apostólico em meio às juventudeS.

“Como é bela a missão de cuidar da educação das crianças e dos jovens.” (Murialdo)

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Através do exercício de “escuta e aproximação” à pessoa do jovem como “Lugar Teológico”, prosseguimos o itinerário carismático da Congregação na expressão do “Amor terno, pessoal, atual, infinito e, sobretudo, misericordioso de Deus”. Desse modo, evidenciou-se uma parada reflexiva, avaliativa das metodologias utilizadas até então, desencadeando uma retomada de consciência congregacional tanto quanto em nível institucional e de Consagração Pessoal. Para tanto, realizamos de modo participativo-construtivo entre os jovens atendidos e alguns confrades o I Seminário Nacional das JuventudeS, de dia 25 a 27 de julho de 2014, em Guará I – Brasília (DF), com o tema: Juventudes, com Murialdo, construindo caminhos; e iluminação bíblica: “Jovem, eu lhe ordeno, levantese! ” (Lc 7,14). Houve a participação de 80 delegados que, sob estudo das abordagens temáticas - Protagonismo Juvenil, Espiritualidade e Formação Integral planejaram projetos locais a


COTIDIANO Pe. Jucinei Vilpert Fr. Joseilton Ramos (Kazé)

DE MURIALDO Tais proposições, frutos das sugestões dos próprios jovens, tiveram como chave referencial a denominação e adesão do termo JuventudeS de Murialdo, que nos estimulou a investir cada vez mais no trabalho afetivo e efetivo com os jovens, haja vista disponibilidade e liberação de confrades que se dediquem à capacitação profissional (cursos de extensão e Pós-graduação na área) e apostolicidade congregacional na insistência do acompanhamento e assessoramento da evangelização da juventude.

Rede de articulação juvenil - O que pensam e como percebem nosso trabalho... As JuventudeS de Murialdo, os segmentos juvenis que são acompanhados e assessorados por nós Josefinos: Pastoral da Juventude (PJ), Movimento Segue-me, Livres Para Amar, Renovação Carismática Católica (RCC), Legião de Maria Juvenil, Terço da Juventude, Jovens em Células, Bandas-Coral Jovem, Grupos Paroquiais, Acólitos, jovens formandos-vocacionados, Escolas de Formação, Bíblicas (condução e participação), Juventude Amiga de Murialdo (JAMUR), Projetos Sociais, Colégios e jovens (que não estão ligados a nenhum grupo, porém buscam aproximar-se da nossa espiritualidade). Aderem, se apropriam de nosso carisma de modo encantador que até falam “nós somos da congregação dos Murialdo”, expressão que denota espírito de pertença e amor e nos coloca enquanto instituição congregacional como um “espaço definido” e seguro de apoio para se tornarem protagonistas de suas próprias vidas e das inserções, intervenções na sociedade. A partir do seminário citado acima, tem se formado através das redes sociais (WhatsApp, Facebook) uma articulação juvenil em nível nacional que tece relações fraternas, partilha de discussões temáticas, de materiais afins, além de programar e favorecer propostas de encontros regionais para ampliação e propagação do Carisma Josefino de Murialdo entre os jovens. A partir das percepções destes, fica a sugestão de aprimorarmos e qualificarmos melhor as parcerias com o Serviço de Animação Vocacional (SAV), ampliação da rede de juventudeS com os atendidos dos nossos Projetos Sociais, Colégios e Faculdade Murialdo, além da integração aos demais segmentos da Família de Murialdo (FdM).

Contudo, fica explícita a implicação e influência que temos na vida das JuventudeS atendidas e o quanto estas são gratas pelo processo do acompanhamento e assessoramento seja em âmbito de grupos ou pessoais.

Equipe de JuventudeS da Província – Confrades... Enquanto Equipe de Província, existe articulação de confrades liberados para atender as demandas junto às juventudes. Há elaboração de um Plano de Ação, repleto de inspirações, advindas da graça de Deus, orações e pretextos dos jovens e confrades que participaram do seminário em 2014, ano da Província Brasileira, que foi dedicado à juventude e acordado entre confrades em consulta provincial de 2015.

Propostas a longo prazo (2015 - 2019) - 2015: ano da articulação da rede – JuventudeS de Murialdo e Equipe de Juventude/Confrades, formação e avaliação dos processos em níveis locais e regionais. Observa-se como orientação equipe ampliada com os jovens em vista dos possíveis eventos nacionais. - 2016: Abertura de curso de pós-graduação em juventude pela FAMUR (Certificação) e possíveis parceiros. - 2017: Seminário Nacional (agenda a ser negociada). - 2018: Abertura de um Instituto de Juventude com foco em Formação Técnica e Pastoral para e com as juventudeS. - 2019: Continuidade dos serviços...

Foto: Divulgação A&C

médio e longo prazo, constataram algumas percepções “Pontos de Partida” e definiram propostas nacionais entre os anos de 2014 e 2019 como metas a serem contempladas nos planos de ação da Província Brasileira.

Pe. Jucinei Vilpert

Membro da Equipe de JuventudeS da Província Brasileira Coordenador do Instituto de Formação Juvenil do Maranhão (IFJMA) Esp. Juventude no Mundo Contemporâneo (FAJE/MG)

Fr. Joseilton Ramos (Kazé)

Membro da Equipe de JuventudeS da Província Brasileira Esp. Juventude no Mundo Contemporâneo (FAJE/MG)

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Foto: Divulgação A&C

RIO DE JANEIRO (RJ)

Obra Social Murialdo: cuidando da infância e da juventude para que possam sonhar Obra Social Murialdo (OSM) foi fundada em 05 de janeiro de 1998. Porém, iniciou suas atividades no ano de 2004 com ações de voluntários que se preocupavam com a ociosidade das crianças e adolescentes das comunidades. Desenvolve desde então o Projeto Construir e Crescer com ações de educação, cultura, esporte e lazer no horário complementar ao da escola, para crianças e adolescentes, de 6 a 14 anos. Está localizada em uma região cercada por comunidades de alta periculosidade, onde algumas dessas são locais de moradia das famílias assistidas pela instituição. Atualmente, tais comunidades são alvos do tráfico e do consumo de crack e outras drogas, além de outras situações de risco, e é para esse contingente, mais especificamente crianças, adolescentes e suas famílias, que direcionamos nosso projeto, com o intuito de intervir nessa realidade e a oferecer possibilidade de mudança ou, ao menos, amenizar os impactos. Acreditamos que com as ações do projeto possamos, além de reduzir o tempo de exposição de nossas crianças e adolescentes às situações de vulnerabilidade social, oferecer

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oportunidades das mesmas experimentarem outras realidades e perceberem que são agentes de mudanças, que possam vislumbrar outros horizontes de possibilidades e concretização dos sonhos, fomentando um maior vínculo familiar e comunitário. Além das atividades educativas, culturais de esporte e de lazer, semanalmente proporcionamos às crianças e aos adolescentes um momento de reflexão para que possam analisar o seu cotidiano e suas potencialidades para mudança, além de avaliarem suas conquistas. A cada trimestre, com iniciativa das Mães Apostólicas, é realizada a Festa dos Aniversariantes, onde incentivamos crianças e adolescentes a celebrarem a própria vida como a dos amigos da OSM, com um momento de espiritualidade. Além disso, os aniversariantes do período recebem uma lembrança. O fortalecimento da equipe e dos parceiros se dá através de encontros mensais que, além de discutir as propostas, também acontece a formação e espiritualidade para que todos estejam em sintonia com a pedagogia do amor e apaixonados por um carisma que apaixona. Com o objetivo de fortalecer os vínculos familiares, realizamos os Encontros da Família, que acontecem a cada dois meses com


COTIDIANO Pe. Celso Copetti Janaina Castilho H. Souza

pais e responsáveis, com espiritualidade, reflexão, palestra e dinâmicas. Atualmente, a instituição busca contribuir para a proteção integral de 50 crianças e adolescentes, geralmente famílias monoparentais chefiadas por mulheres. Algumas de nossas famílias são vítimas da violência ou do tráfico de drogas, deixando-os órfãos ou afastados do convívio familiar. Desta forma, visamos garantir a essas crianças e adolescentes e suas famílias, não somente acolhimento, escuta e ocupação do seu tempo, mas também a possibilidade de ter um futuro promissor, com capacidade de realização e potencial para mudança. Concomitante às ações, também oferecemos refeições diárias como café da manhã, almoço e lanche da tarde às crianças e aos adolescentes assistidos. Para tanto, a instituição conta com a parceria da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (CRAS Zózimo Barroso do Amaral), que realiza atividades de Percussão e Capoeira, para crianças e adolescentes com idades de 06 a 14 anos, e teatro, para adolescentes de 15 a 17 anos. Essas atividades estão direcionadas para famílias inscritas no CAD Único e preferencialmente famílias beneficiárias dos programas de transferências de renda do Governo Federal. A Secretaria Estadual de Esporte e Lazer, com o Projeto Esporte RJ, realiza atividade de Futebol de Salão para crianças e adolescentes com idade de 06 a 14 anos. A instituição também possui parcerias com o SESC, Banco de Alimentos e recebe doações de pessoas físicas e jurídicas. O apoio dos Leigos Amigos de Murialdo e das Mães Apostólicas é essencial para a divulgação e manutenção das atividades realizadas.

Depoimentos das famílias: “Agradeço muito a Obra Social Murialdo. Sou pai e mãe da minha filha e antes de conhecer a obra eu tinha muitas dificuldades para dar educação (...) depois que ela começou a frequentar a Obra Murialdo tudo nela mudou, é uma nova criança”.

José Carlos (47 anos) Pai da Vitoria Francisca (07 anos)

************* “Conheci este projeto quando minhas filhas tinham 06 anos, achei maravilhoso (...) foram quase dois anos de espera para conseguir uma vaga; consegui. Para mim foi um alívio, não só pelas dificuldades que eu passava, (...), mas também porque, a partir desse momento, soube que o caminhar delas seria diferente”. Luciana Rodrigues (36 anos) Mãe da Sara Nascimento e Beatriz Nascimento (11 anos)

************* “(...) O cuidado que vocês têm com minha filha é tudo para mim (...) o carinho que vocês têm com ela nem a família tem”.

Dereneide Lopes (39 anos) Mãe da Lívia Lopes (09 anos)

************* “Agradeço a Obra Social Murialdo por ter dado a oportunidade dos meus três filhos participarem deste grupo (...) eles vêm crescendo emocionalmente, espiritualmente e como pessoa, sabendo respeitar o próximo (...), têm a oportunidade de participar de coisas que eu imagino que fora dela não teria tanta sorte (...). Sou muito grata ao fundador deste projeto e a toda a equipe por cuidar e mostrar outro mundo, longe da realidade de nossa comunidade, que não tem tantas oportunidade devido ao esquecimento das autoridades”.

Sirlene Sampaio (30 anos) Mãe do Jonas (13 anos), Gabriel (9 anos) e Luiz Gustavo (6 anos)

Foto: Divulgação A&C

************* “Quando eu não era do Murialdo, eu ficava vagabundeando pelas ruas. Agora que eu entrei para a Obra Social eu estou mais feliz, não fico nas ruas”.

Marlon Leonardo (12 anos)

************* “É um ambiente agradável. É muito bom. É mais do que um projeto, é um lar, a nossa casa”. Manoela Saviti (11 anos)

Pe. Celso Copetti Foto: Divulgação A&C

Diretor

Janaina Castilho H. Souza

Assistente Social

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Olha a glória de Deus brilhando... IBOTIRAMA - BA Centro de Apoio à Criança e ao Adolescente de Ibotirama Salomão (CACAIS), fundado pelos religiosos Josefinos de Murialdo, há 19 anos, vem realizando a sua missão de oferecer condições para o desenvolvimento do protagonismo e da cidadania de crianças e adolescentes e seus familiares, que se encontram em situação de vulnerabilidade social, buscando proporcionar uma vida digna e respeitada como seres humanos. Em parceria com a ENGIM INTERNACIONAL, propomos o projeto “Centro Educacional Murialdo: vamos juntos construir o futuro”, o qual foi aprovado em sua totalidade. Ele se configura como um passo importante na consolidação da rede de proteção e promoção social que estamos construindo de forma que se faça necessário garantir a todos as oportunidades para desenvolverem plenamente suas potencialidades e capacidades e, assim, viverem de forma digna e autônoma. Esse é nosso propósito que une pessoas de bem, comprometidas com a justiça social e que, com responsabilidade, contribuem com a melhoria da qualidade de vida de nossas crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade. O investimento feito com a vinda do projeto garantirá importantes frutos não apenas para os beneficiários, mas também para suas famílias e comunidade.

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COTIDIANO Sirlene Rodrigues Mourão

Os atendidos estão diante da oportunidade de, ao invés de quererem mostrar-se à sociedade através da força e da violência, apresentarem-se por meio de ações de um protagonismo positivo, útil e com um caráter multiplicador. Num misto de orgulho, emoção e alegria, eu, Sirlene Rodrigues Mourão, coordenadora do Centro de Apoio à Criança e ao Adolescente de Ibotirama –Salomão, explodi num grito que estava em minha garganta desde 2013. “Foi emocionante! Estamos muito felizes!” Agradecemos aos Josefinos de Murialdo na pessoa de Pe. Jorge Forinni que, com simplicidade e companheirismo, nos estimulou a nunca desistirmos mesmo diante do cansaço e das dificuldades cotidianas. Muito obrigada Fabrízio Testi (voluntário do ENGIM) pela motivação e apoio. Agradecimento especial à amiga, companheira e incansável Mariangela Ciriello, pela troca riquíssima de experiências e por permitir a realização conjunta deste trabalho. Com o projeto da Nossa Ibotirama será muito melhor. Sirlene Rodrigues Mourão

Coordenadora do Centro de Apoio à Criança e ao Adolescente de Ibotirama (BA)

Vamos construir juntos o futuro Toda a equipe do ENGIM Internacional, na Itália, está muito feliz com a aprovação do projeto "Centro Educacional Murialdo: vamos construir juntos o futuro!". É resultado do belo trabalho de colaboração Itália - Brasil, começado com o intercâmbio e a coordenação entre Mariangela Ciriello, operadora de ENGIM Internacional, e Sirlene Mourão, operadora do Centro Educacional Murialdo. O relacionamento frutífero de colaboração iniciou em 2013, com a chegada de Fabrizio Testi, voluntário do ENGIM, em Ibotirama (BA), como parte do programa europeu “Serviço Voluntário Europeu”. Os operadores do CACAIS nos deixavam cientes da necessidade da construção de um refeitório adequado para o número de crianças, bem como com dependências de saúde e higiene; a necessidade de novas salas de aula adequadas para a realização de treinamentos e atividades educativas com as crianças, a partir da estrutura do antigo laboratório de panificação. A demanda também exige a construção de um campo de esportes coberto, não só para os laboratórios de esportes com crianças, mas também para as atividades de agregação organizadas pelo Centro. Então, nós procedemos com a busca de credores, com a identificação de todas as atividades, das estimativas de custos, horas e horas de planejamento compartilhado na web; estamos hoje lançando as atividades muito desejadas, porque “VAMOS CONSTRUIR JUNTOS O FUTURO.” Mariangela Ciriello

Operadora de ENGIM Internacional

A felicidade tomou conta do CACAIS com a aprovação do projeto "Centro Educacional Murialdo: VAMOS CONSTRUIR JUNTOS O FUTURO!", pois com ele nossas atividades ganharão mais vida e, assim, poderemos participar das novas oficinas que enriquecerão a nossa aprendizagem, ampliando nossos conhecimentos, capacidades e habilidades. Nilmara Almeida Roque Participante do CACAIS

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Foto: Divulgação A&C

COTIDIANO

ANALAM realiza 1º encontro nacional dos presidentes de núcleos os dias 31 de julho, 01 e 02 de agosto, em Fazenda Souza (Caxias do Sul), aconteceu o 1º Encontro dos Presidentes dos Núcleos da Associação Nacional dos Leigos Amigos de Murialdo (ANALAM) e religiosos assessores espirituais dos núcleos de Leigos de Caxias do Sul (AAMur, Alambosco, Alamschiavo, Alamar e Alamfaz), Porto Alegre (Partenon e Restinga), Araranguá, Londrina, Maringá, São Paulo, Rio de Janeiro e Planaltina (DF). Além de contar com a presença dos membros da Diretoria Nacional e do Conselho Formativo, fizeram-se presentes o Provincial dos Josefinos de Murialdo, Pe. Antonio Lauri de Souza, a Provincial das Irmãs Murialdinas, Irmã Cecília Inês Ferrazza, e os ex-presidentes da ANALAM Tadeu Zulian e Leonel Wassen dos Reis. O encontro teve início no dia 31 de julho, com acolhida dos participantes, atos de abertura com a composição da mesa de autoridades e pronunciamento das mesmas, especialmente da presidente da ANALAM, Carmelita Masiero Fontanella, que destacou a importância do evento para a unidade da organização. Após o jantar, o diretor da Faculdade Murialdo, Pe. Joacir Della Giustina, apresentou a trajetória dos 100 anos da chegada dos Josefinos ao Brasil. O segundo dia do encontro foi destinado ao aprofundamento do tema “Liderança”. A primeira palestra foi com a psicóloga Carla Martinotto, que abordou o perfil e as competências do líder; após, Pe. Geraldo Boniatti falou do líder Murialdo e sua missão atual. Em seguida, Leonel W. dos Reis e Eloi Gallon apresentaram o contexto histórico no tempo de Murialdo e a prática da sua missão em nosso cotidiano. No domingo, Irmã Cecília Ferrazza e Bernardete Chiesa retomaram os assuntos dos dias anteriores e

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explanaram sobre a encíclica do Papa “A Alegria de Evangelho”. Também foram realizados trabalhos em grupos para troca de experiências, desafios, alegrias e dificuldades encontradas no cotidiano dos núcleos, sendo estes avaliados como importantes momentos para o fortalecimento mútuo. A diretoria também apresentou as questões pertinentes à administração da ANALAM e salientou sobre a importância de fazer acontecer as prioridades do triênio 2013/2016, votadas no Congresso Nacional realizado no Rio de Janeiro, em 2013: Definir estratégias para inserir mais pessoas, inclusive jovens, aos Leigos Amigos de Murialdo; Comunicação: melhoria e aprimoramento de canais de comunicação entre os núcleos, e destes com a Diretoria Nacional; Formação: Consolidar a formação dos Leigos Amigos de Murialdo na mística e espiritualidade de São Leonardo Murialdo, fortalecendo os encontros locais e regionais. A celebração eucarística no final da tarde de sábado foi na capela, junto ao túmulo do Pe. João Schiavo, e animada pelos Amigos de Murialdo do núcleo AlamSchiavo. O encerramento do encontro aconteceu com uma emocionante missa de envio na Capela do Seminário, na qual Pe. Geraldo Boniatti e Irmã Cecília presentearam cada presidente dos Núcleos participantes com uma imagem de São Leonardo Murialdo e uma vela, simbolizando a luz, as bênçãos e a missão de cada presidente junto aos seus núcleos. Agradecimento todo especial a cada participante que fez a diferença neste importante evento. Apoio ao Núcleo de Ibotirama (BA), que sediará o próximo Congresso Nacional, em julho de 2015.


Foto: Divulgação A&C

COTIDIANO

ORLEANS – SC

Encontro dos Ex-seminaristas do Seminário São José reúne várias gerações o dia 26 de julho de 2015, aconteceu o encontro dos Ex-Seminaristas do Seminário São José de Orleans (SC). Os “meninos sonhadores” reúnemse anualmente para recordar e viver. Segundo os organizadores, a força da união e o exemplo dos mestres josefinos que moldaram o coração destes homens quando ainda jovens fortalece os ex-seminaristas, sejam eles sacerdotes ou não. O encontro foi coordenado pela Associação dos Exseminaristas e reuniu amigos desde o anos da fundação

do seminário, em 1959, até os dias atuais. Durante o evento, aconteceu uma missa de ação de graças, celebrada pelos padres Cornélio Dall’Alba, Esvildo Pelucchi e Joacir Della Giustina. Ao meio-dia, foi servido o almoço festivo, acompanhado de muita alegria e animação. Segundo Vensel de Souza, “o encontro, como sempre, nos reabastece e estimula a persistirmos e aperfeiçoarmos as formas de tornarmos nossas vidas em uma força transformadora dos espaços e pessoas, que vão compondo nossa rede de relações, para que aquele estímulo que recebemos lá nos anos 50, 60, 70, 80... e que produziu a onda que vem se propagando em nossas vidas, possa ser causadora do bem, numa amplitude sempre maior. Foi muito divertido e emocionante rever e reencontrar vários ex-alunos, professores e amigos”.

Foto: Arquivo

A programação do encontro também contou com a Ordenação Diaconal do religioso josefino, Tiago da Silva, que ocorreu sábado, dia 25, na Igreja Matriz Santa Otília de Oraleans (SC). A Celebração foi presidida por Dom Valdir Mamede, bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília, e contou com a presença de inúmeros religiosos, sacerdotes e de uma multidão de fieis.

Seminaristas e Religiosos da década de 80

O momento foi festivo para toda a comunidade e também para os ex-seminaristas que se fizeram presentes em número significativo.

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O Coração de Murialdo sob a

s jovens, na constante busca de referências para sua vida, são facilmente influenciados pelas tendências propostas pelos meios de comunicação, seus padrões, de consumo e uma busca por satisfação imediata. Leonardo Murialdo já estava preocupado com esta triste realidade que se colocava em meados de 1850. Mesmo em outra época, tão distante, seu legado ultrapassou as diferentes gerações e continua sendo atual as demandas da sociedade. Comemorar o centenário dos Josefinos de Murialdo no Brasil me inspirou a estudar o perfil psicológico deste homem extraordinário num tempo ordinário, que clama para o resgate de valores e princípios mais sólidos.

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Murialdo foi um líder completo por possuir conhecimento, habilidades, atitude, valores e espiritualidade para lidar com os jovens de Turim. Sempre “amigo, irmão e pai”, ou seja, tão familiar, tão próximo às angústias e medos deles. Escuta com muita atenção e sem julgar e ainda analisa a história e necessidade de cada aluno para melhor compreender as suas necessidades. Sabe-se da importância de um ambiente familiar saudável para o bom desenvolvimento da personalidade. Influenciado pelos valores recebidos de sua mãe Tereza Maria Rhó, que foi firme e doce, e pela honestidade de seu pai, Murialdo seguiu estes modelos. Conheceu o sentimento de perda muito cedo, aos cinco anos, quando seu pai Leonardo morreu. Encontrou na espiritualidade


FORMAÇÃO Carla Martinotto

ótica da psicologia

religiosa e na figura de Deus um substituto para a imagem paterna. Ele aproveitou positivamente suas vivências afetivas e familiares e reproduziu-as aos jovens de Turim que tanto necessitavam de afeto, proporcionando a eles um clima de uma bem unida família. Leonardo teve uma adolescência típica de qualquer jovem. Aqui vale destacar que a adolescência é caracterizada como um período de transição que desperta nos púberes sentimentos como medos, incertezas, angústias e desejos. Em consequência desta etapa, ele afastou-se temporariamente do amor de Deus. Entretanto, tal situação foi superada de forma saudável por ele, que inclusive serviu como experiência para futuramente compreender as dificuldades vivenciadas pelos alunos desta fase. Sabe-se que os adolescentes costumam se relacionar com o semelhante. E neste ponto Leonardo tornou-se um homem comum, com conflitos e medos, mas que aprendeu a transformar as dificuldades em oportunidades, de modo a tornar-se um exemplo e até referência para muitos. Ou seja, ele soube potencializar o que aluno tinha de melhor. As crianças e os adolescentes precisam de autoridade. É exatamente nesse momento que o papel de Leonardo enquanto amigo, irmão e pai, tornou-se eficiente para os jovens de Turim, pois ele soube enfrentar estes desafios e ainda assumiu o papel de líder com autoridade e confiabilidade. Ele não deixava os sonhos das crianças e jovens se apagar, tanto é que, certa vez, ele afirmou que: “é no coração que moram os sonhos”. Ele não media esforços para muitos desses sonhos se tornarem ação. De seus laboratórios não saíram somente meninos

preparados para assumir o ofício de ferreiro, carpinteiro, gráfico entre outras especialidades da época, mas também estes meninos se tornaram bons cristãos e jovens protagonistas de suas histórias. Murialdo melhor do que ninguém de seu tempo sabia como construir uma comunidade (equipe) fundamentada com os princípios de uma liderança servidora. Soube muito bem viver o ensinamento de Cristo quando disse “quem quer ser o primeiro que seja o último e servo de todos”. (Mc 9,35). E, para finalizar, Murialdo enquanto líder servidor, ou melhor, “servo de todos”, tem muito a contribuir, não só sob a ótica da psicologia como da educação, pois o que significa educar, se não se tem empatia? Qual o significado de uma comunidade educativa, se não é aquela que todos servem e são servidos? Aqui vale lembrar que o líder servidor “dá a vida pelos amigos” (Jo 15,13). É nesse sentido que o líder vai contribuir para que todos deem o seu melhor e formem uma equipe e/ou comunidade de alto desempenho profissional, pessoal, social e humano. Talvez por isso, no ato de sua canonização, Paulo VI disse: “Este era um santo extraordinário no ordinário”. Ou melhor, um santo moderno que marcou sem dúvida os séculos XIX e XX. Termino este artigo, mas não esgoto o desejo de continuar refletindo sobre este perfil tão surpreendente.

Carla Martinotto

Psicóloga do Centro Técnico Social (Caxias do Sul – RS)

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Papa Francisco lança encíclica Laudato Si’: sobre o cuidado da casa comum Documento Papal, Laudato Si’, é um hino de louvor ao Deus da vida que nos presenteia com a casa comum onde habitamos. A palavra do Papa, nesta Carta Encíclica, “documento dirigido a todas as pessoas de boa vontade”, (nº 62) nos faz refletir o lugar da pessoa neste ambiente comum, que é o planeta Terra. Há muito se esperava uma palavra da Igreja Católica, em que pudéssemos olhar a vida em todas as suas dimensões, com o respeito e cuidado que ela merece.

há muito tempo já se pensava na problemática da pobreza e da dignidade do ser humano. Há um grande abismo entre as pessoas, isso tem nome: desigualdade social. O Papa afirma: “sabemos que se desperdiça aproximadamente um terço dos alimentos produzidos, e a comida que se desperdiça é como se fosse roubada da mesa dos pobres”. (nº 50) Não só vivemos num mundo onde se descartam os bens de consumo, mas, na lógica do mercado, precisamos comprar sempre mais para satisfazer nossa existência. Nisso se descartam todos os pobres que não conseguem acompanhar o ritmo do mercado, da economia. Afirma-nos Francisco: “Quando, na própria realidade, não se reconhece a importância de um pobre, de um embrião humano, de uma pessoa com deficiência – só para dar alguns exemplos -, dificilmente se saberá escutar os gritos da própria natureza.” (nº 117)

Com o passar dos tempos, a ideia de progresso humano, social e econômico, fez o homem, pelo desenvolvimento tecnológico, pensar que é superior em relação ao mundo em que habita. O antropocentrismo moderno coloca a razão humana acima de tudo e de todos. A pessoa se volta para si e compreende a realidade em que vive somente a partir do eu/razão. Com isso A violência, que está no os princípios e valores se tornam relativos. Para que aconteça a mudança coração humano ferido pelo dessa forma de pensamento, é preciso pecado, vislumbra-se nos a conversão da pessoa, como nos diz sintomas de doença que o Papa Francisco: “A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, notamos no solo, na água, vislumbra-se nos sintomas de doença no ar e nos seres vivos que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos”. (nº 02) Vemos hoje o grito de socorro de nossa “Mãe Terra”, nossa casa comum, em todas as suas dimensões. Precisamos cuidar da água, do ar, da terra, dos seres vivos, mas também precisamos cuidar dos nossos irmãos e irmãs empobrecidos, que passam grandes provações, enfrentam pesados sofrimentos causados por um sistema econômico que visa o lucro e o favorecimento de um mercado financeiro excludente e que os expõe a riscos permanentes. Nos diz o Papa Francisco: “Não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma única e complexa crise socioambiental. As diretrizes para a solução requerem uma abordagem integral a fim de combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza.”(nº 139) Vivemos no mundo do descartável. Tudo tem prazo de validade, inclusive o ser humano. O Papa Francisco, latino americano, é conhecedor dessa realidade. Na América Latina

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Mas há outro aspecto, de grande relevância, que compõe o cenário dessa crise ambiental, a saber: a exploração da nossa casa comum em nome do progresso econômico e de um falso bem estar. Essa atitude nos leva à perda da biodiversidade, ao aquecimento global, à poluição dos rios e do ar. Nos diz Francisco: “A humanidade é chamada a tomar consciência da necessidade de mudanças de estilo de vida, de produção e de consumo ...”(nº 23) para combater a atitude feroz e voraz que impomos ao nosso planeta Terra. Não será possível uma mudança sem a compreensão de uma Ecologia Integral onde Deus, a pessoa e a natureza estão numa relação inseparável. Tudo está interligado. O Papa Francisco afirma: “Nunca é demais insistir que tudo está interligado. O tempo e o espaço não são independentes entre si; nem os próprios átomos ou as partículas subatômicas podem ser consideradas separadamente. Assim como os vários componentes do planeta – físicos, químicos e biológicos – estão relacionados entre si, assim também as espécies vivas formam uma trama que nunca acabaremos de individuar e compreender.”(nº 138) O ser humano se encontra dentro desse ambiente comum, a casa comum. Não é apenas mais


FORMAÇÃO Pe. Edmundo Marcon

um ser isolado, separado, mas, sim, um com os outros. Está inserido numa realidade que faz parte de sua existência e, ao mesmo tempo, é parte da existência dos outros seres e do planeta. Precisamos resgatar no ser humano a contemplação, a gratidão e a compaixão com os outros e a natureza. Essas são atitudes importantes para uma tomada de consciência e mudança de postura frente ao sofrimento de nosso planeta e de nossos irmãos e irmãs empobrecidos. Toda vida é um dom e carrega consigo a beleza do Criador. Nela existe um valor que não vemos na sua totalidade com os olhos físicos, mas podemos contemplar com o coração, da contemplação à gratidão e da gratidão à compaixão. Se nos sentimos parte desse ambiente em que vivemos, o sofrimento de Deus, da natureza e das pessoas é o nosso sofrimento. Existem muitos projetos e iniciativas para tentar salvar o planeta Terra, discutidos em grandes conferências mundiais, cujas metas

nunca foram atingidas. Vemos que os avanços tecnológicos não dão conta de resolver os problemas causados em nosso planeta. É preciso uma postura humana diferente, uma postura de cuidado, que se concretize no dia a dia da vida, mas de modo especial. Como nos diz o Papa Francisco: “É muito nobre assumir o dever de cuidar da criação com pequenas ações diárias, e é maravilhoso que a educação seja capaz de motivá-las até dar forma a um estilo de vida.” (nº 211) Realizar atitudes de cuidado na relação com os irmãos necessitados e com o planeta, por mais simples que sejam, ressalta o sentido da vida, nos faz experimentar o quanto é valioso vivermos, enobrece a existência humana e o mundo em que vivemos. Pe. Edmundo Marcon

Padre Diocesano e professor de história do Colégio Muriado-Caxias

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1. Introdução: Onde estamos? Estamos num mundo globalizado onde se privilegia o lucro e se estimula a concorrência; onde a concentração de poder e riqueza está nas mãos de poucos; onde as questões individuais são mais valorizadas, esquecendo-se do coletivo, das referências; e onde há uma necessidade grande de “culto às aparências”. É uma sociedade marcada pela renovação permanente: evolução tecnológica, desenvolvimento de diversos produtos e suas relações de consumo e significado social. Para o consumismo, o mercado usa a lógica da sedução.

Para Boff2, no mundo pós-moderno, muitos valores foram colocados à margem. "Só conta o PIB. Mas tudo que dá sentido humano não entra no PIB: o amor, a solidariedade, a poesia, a arte, a mística, os sábios. Isso é aquilo que nos faz humanos e felizes e nos dá esperança", ressalta. Na concepção dele, essa perspectiva em que só contam os bens materiais poderá levar a humanidade a uma imensa tragédia.

Através do sonho somos capazes de descobrir quem realmente somos e aquilo que nos faz realmente felizes.

Segundo Lipovetsky Gilles e Charles Sebastien1, entramos nesta terceira fase da modernidade, que se segue após a pósmodernidade. Essa nova fase é caracterizada pelo hiperconsumo e pelo hipernarcisismo. Assiste-se nela, com extensão a todas as camadas sociais ao o gosto pelas novidades, à promoção do fútil e do frívolo, ao culto do desenvolvimento pessoal e ao bem estar contemplando uma ideologia hedonista. Para a sociedade hipermoderna, caracterizada por movimentos socioculturais globais nos quais há a tendência pela busca da juventude, saúde e beleza, o consumo tem grande função pautada na colocação da identidade do consumidor frente ao coletivo. Nesse contexto, a tradição foi trocada pelo interesse por tendências, que podem ser apontadas como solução de previsões futuras, diminuindo a angustia pela incerteza do indivíduo que são agravadas pelas mudanças. Diante disto, investir na identificação de novas tendências e necessidades dos consumidores pode ser importante ferramenta para se estabelecer novas estratégias de negócio, possibilitando a criação de produtos inovadores e adequados ao imaginário de consumo desse público. É papel dos designers materializar

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as necessidades dos consumidores e as tendências do mercado global de forma a promover o objeto como elemento de significação social.

2. Diante do mundo pós-moderno, o que esperar? 2.1 - Esperança: globalização do bem3

O Papa Bento XVI, no discurso inaugural da Conferência de Aparecida, afirmou: “Frente à globalização, somos chamados a promover uma globalização diferente, que esteja marcada pela solidariedade, pela justiça e pelo respeito aos direitos humanos, fazendo da América Latina e do Caribe não só Continente de esperança, mas também Continente do amor”. 2.2 Esperança: aprender a esperar4 Perguntas que levam em conta o significado da nossa existência são constantes e sempre perturbadoras, pois muito do que fazemos e das formas como agimos passam a não ter o mínimo sentido diante dessas grandes questões. Segundo Bloch (2005), o que realmente importa é aprender a esperar, ao invés do medo e do temer. No próprio mundo, pode-se encontrar uma vida melhor e possível. O esperar não permite


CAPA Pe. Carlos Alberto Wessler

a resignação como se crê. Todo ser humano tem sonhos diurnos. O grande desafio é que estes se tornem mais claros e menos confusos. Compreendê-los, enfim, é a tarefa primordial. Pensar é transpor, afirma Bloch, e essa transposição não leva ao mero imaginado abstratamente, mas ao transpor o concreto. O futuro contém o esperado. Muito se fala sobre o declínio do Ocidente, mas existe saída para a decadência. A esperança se contrapõe ao medo nesse sentido. Para Bloch, a falta de esperança é o mais insuportável e intolerável para as necessidades humanas, por isso ele vai criticar veementemente a posição niilista. O fundamento de toda ação humana é o sonho de uma vida melhor, quando o ser humano fabula desejos. Somente ele é capaz de entrar na efervescência utópica. Com isso, Bloch aponta dois tipos de esperança: a esperança fraudulenta, que denigre o sonho humano, e a esperança autêntica, que só produz benfeitoria e irrompe contra o medo. 2.3 Esperança: saber dar respostas e perguntar5 No prefácio de seu livro “A Cortina de Ouro”, Cristovam Buarque diz que “cada pessoa é a soma das respostas que deu ao longo da vida às perguntas que lhe foram formuladas. O sucesso depende dos acertos nas respostas. Mas os homens que mudam o próprio destino são aqueles que não se limitam a acertar respostas, mas também criam as próprias perguntas certas para o momento”. Talvez a pergunta mais certa e adequada para o momento em que nos deparamos com a ignominiosa cifra de um bilhão de seres humanos com estômagos vazios, seja uma só: como construir pela economia uma sociedade de iguais, em que não haja tanta desigualdade no mais elementar dos assuntos, a fome? Em outras palavras, como fazer a economia funcionar em prol desse bilhão de pessoas desassistidas, capacitandoas para, no amanhã, estarem, ao menos, em pé?

A resposta a essa dificílima indagação passa, indubitavelmente, por algumas considerações que envolvem, certamente, mudanças de valores, sistemas de crenças e estilos de vida. Um dessas mudanças de valores, para ficarmos apenas nesse exemplo, talvez seja a constatação de que falta aos homens de hoje não a inteligência, mas a prática da ética; faltalhes, talvez, abraçar o compromisso de luta em tentar fazer desse um país melhor para todos, construindo redes de solidariedade, superando o individualismo e tecendo o arcabouço do coletivismo. 2.4 Esperança: dar asas aos sonhos e a imaginação6 Na atualidade, o que é feito dos sonhos? Sonhar tornou-se menos usual, e o pragmatismo toma conta das nossas vidas álgidas. O realismo está cada vez mais presente no nosso dia a dia. As crianças sonham cada vez menos, e a realidade fleumática da nossa sociedade contribui extenuadamente para uma vida sem sonhos. Não existe espaço para dar asas à criatividade, à imaginação, à fantasia. Os sonhos tornaram-se globalizantes. Sem espaço para sonhar, as vidas perdem o seu sentido, o seu significado. Alguns dos nossos sonhos são desfeitos ao longo da nossa vida; outros são transformados em realidade. Mas não devemos parar de sonhar; devemos procurar sonhar dando asas à nossa liberdade de imaginação, transmitindo esse principio às crianças e proporcionando-lhes momentos de sonho. Através da sua imaginação, devemos deixar sonhar as crianças e estimulá-las a isso. Através do sonho, somos capazes de descobrir quem realmente somos e aquilo que nos faz realmente felizes. Para uma criança, é deveras importante sonhar e deixar-se guiar por um mundo de fantasia, criando nela um gosto pelo sonho e pela vida.

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Os sonhos não são apenas uma espécie de tráfego de informação; são a forma própria do nosso inconsciente se expressar. O nosso inconsciente não é mais do que um conjunto de fatos e processos psíquicos, de natureza praticamente inexplicável, misteriosa, obscura, de onde nascem as paixões, o medo, a criatividade e a própria vida e morte. 2.5 Esperança: o destino de nossa vida é o sonho que alimentamos O que decide o destino de nossa vida é o sonho que alimentamos e o que fazemos para realizá-lo. Por isso os sonhos são da maior importância. Morrem as ideologias e envelhecem as filosofias. Mas os sonhos permanecem. São eles o húmus que nos permite continuamente projetar novos projetos pessoais, novas formas de convivência social e de relação para com a natureza. Hoje, de que urgentemente precisamos não é mais ciência e técnica para aumentar nossa dominação da natureza e com isso fazer crescer nossa riqueza, especialmente, nas bolsas e nos mercados especulativos. Precisamos, de verdade, sem dispensar a ciência e a técnica, é de um sonho bom que possa galvanizar as mentes e nos levar a práticas inovadoras. Então: qual é o nosso sonho? Que esperança transmitimos aos jovens? Que visões de futuro ocupam as mentes e o imaginário coletivo através das escolas, dos meios de comunicação, da internet, dos facebooks, dos twitters e de nossa capacidade de criar valores? Tudo que ensinamos deve ter um sentido. Nada que se aprende sem sentido tem valor; então, o educando deve entender que a sociedade é fruto de sua ação enquanto ser social, que ele não é mero agente passivo, mas sim um agente transformador. Pode alguém viver sem sonhos ou esperanças? Pode um povo ou um grupo social viver sem esperança ou sem um horizonte utópico? Sonhar e ter esperanças são necessidades vitais quase tanto quanto comer e beber, pois somos seres biológicos e simbólicos e precisamos encontrar um sentido e uma razão para vivermos. Sonhos e esperanças de uma grande parte da população mundial hoje têm a ver com consumo de determinados símbolos-mercadorias. Os sentidos e anseios mais profundos da existência humana são expressos através de marcas e mercadorias. Contudo, existem aqueles que buscam outros sonhos, outras esperanças e outras utopias. 2.6 - Esperança: transformação e autonomia7 Para Freire (2000, p. 80), é uma contradição um ser consciente de seu inacabamento não buscar o futuro com esperança, não sonhar com a transformação, enfim, não buscar a construção de um mundo onde todos possam realizar-se com autonomia.

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Cabe à educação problematizar o futuro para que a utopia de um mundo melhor não se perca. Dizer que a educação vai eliminar todas as injustiças, opressões, e assim mudar completamente a sociedade, suprimindo todas heteronomias, é ingenuidade, da mesma forma que dizer que a educação não pode realizar mudança alguma. Temos que estar conscientes do nosso condicionamento, mas não somos determinados, há possibilidade da transformação. "A compreensão da história como possibilidade e não determinismo seria ininteligível sem o sonho, assim como a concepção determinista se sente incompatível com ele e, por isso, o nega" (FREIRE, 1999, p. 92). Ao se reconhecer a possibilidade e manter vivo o sonho, o papel histórico da subjetividade, de transformar, recriar o mundo, adquire papel relevante. Como não estamos determinados, estamos abertos ao "inédito viável" (idem, p. 98). O poder de se autodeterminar é necessário para que o sujeito fuja do determinismo, esteja aberto ao inédito viável e, assim, possa ser autônomo. 2.7 Esperança: visão de futuro e estratégias8 Afonso Murad, em seu livro “Gestão e espiritualidade”, aborda a necessidade de se pensar a longo prazo e de se utilizar estratégias para fazer a ponte entre o nível das esperanças e o das realizações. Essa visão deverá apresentar o futuro provável, atrair os interesses do grupo, ser viável, clara, flexível e comunicável. Muitas instituições estão perdendo a esperança, porque não têm mais visão e nem estratégias para caminhar; estão muito centradas em simplesmente manter o que existe, e vão morrendo aos poucos; é preciso sair em rumo à “terra prometida”. Muitas vezes, as instituições que irão gerar nova visão vêm da base, de pessoas ousadas e criativas. A visão de futuro não parte do interior da organização, mas da resposta a um desafio externo, que vem da sociedade. O comprometimento das pessoas se torna maior quando entendem os objetivos comuns e sua direção. Para que a visão se concretize, faz-se necessário empoderar as bases em vista de ações abrangentes; realizar conquistas a curto prazo e divulgálas; consolidar ganhos e impulsionar mudanças; criar a nova cultura; preparar lideranças. 2.8 – Esperança: Conservar a esperança Papa Francisco (na homilia da celebração eucarística durante a Jornada Mundial da Juventude na Basílica de Nossa Senhora em Aparecida – SP). • Primeiramente ele fez uma breve meditação, chamando a atenção para posturas: “conservar a esperança, deixar-se surpreender por Deus e viver a alegria”. Recordou que o mal está presente na vida de todos, mas o mal não é o mais forte. “Deus é a nossa esperança”, afirmou o Papa. “É verdade que tantas pessoas, e também os jovens, estão diante de tantos


CAPA Pe. Carlos Alberto Wessler

ídolos”, continuou. Esses ídolos seriam o dinheiro, poder e prazer. Lembrou também que muitas pessoas, frequentemente, vivem a solidão e tem uma sensação de vazio, mas é preciso que ninguém desanime: “sejamos luzeiros da esperança”, conclamou o Papa. Pediu que todos tenham uma visão positiva da realidade e recordou que os jovens são um motor potente para a sociedade e para a Igreja: “Eles são o coração espiritual de um povo”, acentuou. • A segunda atitude, prosseguiu o Papa, é aquela de cada pessoa se deixar surpreender por Deus. “Quem é homem e mulher de esperança sabe que mesmo em meio a dificuldades, Deus está atento e nos surpreende”. Papa Francisco lembrou que a própria história da imagem de Aparecida é uma bela ilustração das surpresas de Deus. Ninguém poderia imaginar que de uma pesca no Rio Paraíba, viria a mensagem de que o Brasil inteiro tem uma mãe. “Longe de Deus, o vinho da alegria e da esperança se esgota”. “Perto dele, tudo isso se torna possível”, complementou o Papa. • A terceira e última atitude escolhida pelo Papa é “viver na alegria”. Lembrou que todos devem caminhar na esperança, deixando-se surpreenderem por Deus e serem alegres. “O cristão é alegre, nunca está triste. Deus nos acompanha. Temos uma mãe que sempre intercede pela vida de seus filhos”, afirmou. E concluiu dizendo que Jesus mostra a face de um Pai que ama. E, por isso, o cristão não pode ter o rosto de quem está em constante estado de luto. Pediu que todos se deixassem contagiar pela alegria de Cristo e recordou que o que Bento XVI disse no Santuário de Aparecida, em 2007, quando afirmou que “o discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há futuro”. E concluiu: “Viemos bater na casa de Maria. Ela nos abriu, fez-nos entrar e nos aponta seu filho e, agora, ela nos diz: ‘Fazei o que ele disser’. O Papa responde a esse apelo dizendo que todos devem fazer o que Cristo disser na esperança, cheios das surpresas de Deus e na alegria”.

Sonhadores que alcançam seus sonhos, mas não arrumam um sonho novo para realizar: Tecnicamente é um bom sonhador. Mas só tecnicamente. Esse sonhador realiza seu sonho, mas fica entediado muito rapidamente. O que ele faz? Nada. Deveria arrumar um novo sonho, mas a aventura de alcançá-lo assusta-o. Sonhadores que têm grandes sonhos, mas não têm um plano para alcançá-los… e acabam não alcançando nada. Esse também é bem comum. Normalmente é aquele que tem ideias mirabolantes, mas não sabe colocá-las no papel. Já disse, nossos sonhos são as nossas metas e, para atingilas, precisamos planejar. Sonhadores que sonham grande, realizam seus sonhos e vão atrás de sonhos maiores. Esse é o sonhador que todos gostariam de ser. Não é todo mundo que tem coragem de arriscar tudo por um sonho, ou que, mesmo sob condições adversas, consegue manter a cabeça erguida e seguir em frente. São poucos que existem, e esses poucos lideram o mundo. Se você não é, faça o necessário para ser! Porém, existe algo em comum entre esses 5 tipos de sonhadores: todos sofrem com a presença dos ladrões de sonhos. Blinde-se! O sonho verdadeiro não é aquele que você sonha, mas aquele que você realiza.

______ Lipovetsky Gilles e Charles Sebastien - Os tempos hipomodernos – Editora Barcarolla – 2004)

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http://noti-alia.blogspot.com.br/2014/08/leonardo-boff-dentro-dosistema.html

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Doc. De Aparecida – Paulus – 2007 – São Paulo - SP

A UTOPIA COMO REPRESENTAÇÃO SOCIAL DA REALIDADE Rogério Bianchi de Araújo – ano 2009 http://www.revistas.ufg.br/index.php/Opsis/article/viewFile/9434/6521

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Marcus Eduardo de Oliveira - Sonhar é fundamental, transformar a sociedade é necessário http://www.oeconomista.com.br/sonhar-efundamental-transformar-a-sociedade-e-necessario/ - 13 de maio de 2010

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QUE TIPO DE SONHADOR VOCÊ É?9 Cinco tipos de sonhadores: Sonhadores que sonham com o passado: São aqueles cujas maiores realizações foram as do passado. Essas pessoas ainda se deleitam pelo fato de terem tirado boas notas, de terem se formado em uma universidade de prestígio. É uma pessoa cuja vida acabou; ela precisa criar um sonho no futuro, a fim de voltar a viver. Sonhadores que têm apenas sonhos pequenos: Esse tipo de sonhador é mais comum do que se pode imaginar. É aquele que sonha pequeno, porque quer ter certeza de que irá realizá-lo. Mas, na verdade, sonha pequeno por pura preguiça e nunca realiza nada.

Gui Duarte Meira Pestana - Coordenador e Docente do Curso de Motricidade Humana Instituto Piaget, ISEIT - Mirandela http://www.apagina.pt/?aba=7&cat=164&doc=12173&mid=2

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Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia - Saberes necessários à prática educativa. São Paulo, Brasil: Paz e Terra (Colecção Leitura), 1997

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Gestão e Espiritualidade – Afonso Murad – Editora Paulinas – São Paulo 2007

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Robert Kiyosaki - Escola de Negócios - Elsevier Editora LTDA -Rio de Janeiro - 2013

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Pe. Carlos Alberto Wessler Vice-provincial e diretor da EPESMEL (Londrina – PR)

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Josefinos celebram Bodas de Ouro Sacerdotal Padres Ângelo Dall’Alba, Bruno A. Barbieri e Orides Ballardin foram ordenados em Viterbo (Itália) no dia 03 de abril de 1965 onfrades, familiares, amigos e toda a Família de Murialdo estão felizes porque celebra-se, neste ano, os 50 anos de vida sacerdotal dos religiosos Padres Ângelo Dall’Alba, Bruno A. Barbieri e Orides Ballardin. Se os Josefinos comemoram 100 anos de existência no Brasil, estes três confrades vivenciaram, como sacerdotes, meio século desta história carregada de muita fé, ação e serviço apostólico. Eles são testemunhas vivas e qualificadas de consagração e missão, educados e formados pelo Servo de Deus, Pe. João Schiavo. Enriquecem a Província Brasileira do Imaculado Coração de Maria e estimulam-na a viver com dedicação total, alegre e entusiasta de consagrados religiosos

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e sacerdotes, enaltecendo o carisma espiritual e apostólico de São Leonardo Murialdo. De 04 a 12 de maio, aconteceu o tradicional reencontro dos jubilandos na Itália. O evento consistiu em encontros do grupo na Casa Geral, audiência com o Papa Francisco e concelebração na Basílica de São Pedro, no altar de São José, culminando com a visita às comunidades Josefinas e Murialdinas de Roma. De Roma passaram a Turim, visitando e concelebrando no Colégio Artigianelli, visita à Sagrada Síndone e Santuário de Nossa Senhora da Saúde na urna de Murialdo e túmulo do Pe. Reffo, culminando com a visita da terra natal do Pe. João Schiavo (Sant’Urbano).


Foto: Divulgação A&C

MARCAS DO QUE SE FOI

Foto: Divulgação A&C

Dos 17 ordenados em 03/04/1965, seis são falecidos, um laicizado, um enfermo na missão do Napo e nove se encontraram na Itália. Na foto, os nove no final da concelebração comemorativa na capela da Fundação da Congregação no Colégio Artigianelli, presidida pelo Superior Geral, Pe. Mário Aldegani.

Da esq. p/dir.: Pe. Miguel Modelski, Pe. Amélio Agostini, Pe. Orides Ballardin, Pe. Angelo Dall’Alba e Pe. Bruno Barbieri, no dia da Ordenação Sacerdotal

Aqui no Brasil, também está programado um tríduo vocacional (de 24 a 26 de setembro) na paróquia Nossa Senhora de Caravaggio de Ana Rech (Caxias do Sul – RS) onde, no domingo, acontecerá a Concelebração Eucarística de Ação de Graças e, ao meio-dia, almoço festivo, com confrades, familiares, Família de Murialdo e convidados. PE. ANGELO DALL’ALBA: Nasceu em 13 de maio de 1936, em Flores da Cunha (RS). Filho de Gácomo Dall'Alba e Theresa Ballardin Dall'Alba, de família numerosa: nove filhos, quatro homens e cinco mulheres. A educação transcorreu tranquila, como acontecia com todas as famílias do interior: oração, estudo, trabalho, diversões, boas companhias e, sobretudo, tinha-se muita alegria. Vivia-se em paz. Com 10 anos foi ao seminário. Os estudos aconteceram em Fazenda Souza e Conceição, onde fez o noviciado. As etapas seguintes se desenvolveram em Ana Rech e o magistério aconteceu em Araranguá e Fazenda Souza. Cursou Filosofia e Teologia em Viterbo (Itália) e foi ordenado em 1965. Seu apostolado foi em Araranguá, Fazenda Souza, Orleans, Porto Alegre e Ana Rech. Atualmente, integra a comunidade da Associação Protetora da Infância de Porto Alegre (RS).

PE. BRUNO BARBIERI: Nasceu em Porto Alegre (RS), no dia 05 de dezembro de 1937. Filho de Umberto Barbieri e Ignez Bazzanella Barbieri e tendo como irmãos João (falecido), Cláudio, Maria, Darci e Luiz. Em 1944, transferiu-se com sua família para Monte Belo do Sul. Aos 10 anos, ingressou no Seminário Josefino de Fazenda Souza. Em 1952 foi transferido para Conceição da Linha Feijó, onde, após concluir a 5ª série ginasial fez o noviciado em 1954. Emitiu a 1ª profissão religiosa aos 3 de março de 1955. Em seguida, frequentou o curso colegial (clássico e científico), no Colégio Murialdo de Ana Rech, nos anos de 1955 a 1957. No final de 1957 a 1960 exerceu o magistério no Seminário Josefino de Fazenda Souza e parte na Escola Normal Rural de Ana Rech. Em 05 de novembro de 1960 emitiu os votos perpétuos e iniciou os estudos filosófico-teológicos em Viterbo, Itália. No dia 03 de abril de 1965 foi ordenado sacerdote em Viterbo, com mais 16 colegas josefinos. Seu apostolado se deu em diversas comunidades, sendo animador vocacional, pároco, professor... Atualmente integra a comunidade religiosa de Ana Rech. PE. ORIDES BALLARDIN: Nasceu em Campestre da Serra (RS) no dia 6 de janeiro de 1937. Filho de Orlando Ballardin e Angelina Argenta. Ingressou no Seminário Josefino de Fazenda Souza em fevereiro de 1947. Em fevereiro de 1953, ingressou no caminho à vida religiosa (postulado) e fez a Profissão Perpétua em Viterbo (Itália) em 1960. Estudou filosofia e teologia em Viterbo (Itália) onde se ordenou sacerdote em 03 de abril de 1965. Seu apostolado deu-se na formação dos seminaristas de Fazenda Souza, até 1976 quando foi nomeado Superior Provincial do Brasil por dois triênios. Após, exerceu dois sexênios como conselheiro geral em Roma, seguidos de dois triênios de provincial na Argentina-Chile. A partir de 2001 administrou por 10 anos a Casa da Juventude em Caxias do Sul, sendo ao mesmo tempo, diretor por um triênio e ecônomo do noviciado até 2011 quando foi enviado a Roma como Postular Geral das Causas do Pe. João Schiavo e do Pe. Eugenio Reffo. Aos jubilandos, nosso carinho e prece!

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Foto Volga

Josefinos de Murialdo celebram 100 anos da presença no Brasil

Pautava-se nas programações da Província desde o início do ano de 2013 o tema das comemorações alusivas aos 100 anos da presença dos Josefinos de Murialdo no Brasil, em 2015. De fato, nos dias 10 e 11 de janeiro, aconteceram em dois locais os eventos que deram início às esperadas festividades do centenário. Com o Teatro Murialdo de Caxias do Sul lotado por confrades vindos de diferentes partes do mundo, autoridades e convidados de nossas obras próximas e mais distantes como Araranguá, Orleans, Londrina, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Bahia, Ceará, Belém do Pará e Maranhão, foram abertas as comemorações. O momento foi mesclado de tom solene e de familiaridade, uma vez que a memória celebrada trazia consigo o dom da sobriedade, grandeza e proximidade tão necessárias aos acontecimentos envolvendo a história de vida desta família religiosa no Brasil. Entre hinos cantados, aquele do Brasil e da Itália, em abraço multicultural e solidário nos tempos de ontem e de hoje, pronunciamentos, apresentação teatral, que trouxe à tona retalhos da história, e show da banda, repercutindo o gosto musical do período histórico em pauta, a abertura foi acontecendo. Para marcar também a sociedade, um selo comemorativo e uma revista histórica foram lançados a exemplo da boa semente semeada pelo Josefinos nos diferentes chãos do Brasil nestes 100 anos. Eucaristia, exposição e confraternização festiva em Ana Rech Nossa Congregação para o Brasil, nasceu no sul do Rio

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Grande do Sul, em 1915, e passou por uma nova e promissora fase quando chegou em Ana Rech - Caxias do Sul, nordeste do Estado, em 1928. Por longos, anos o Murialdo de Ana Rech foi a “casa mãe” da Província Brasileira e, também, por isso, o segundo momento da abertura do Centenário aconteceu em Ana Rech. O Bispo Diocesano de Caxias do Sul, D. Alessandro Ruffinoni, presidiu a Eucaristia, concelebrada por quase uma centena de sacerdotes, a maioria de Josefinos, que vieram para os encontros internacionais e das diversas comunidades no Brasil. Após a Eucaristia, as autoridades presentes, dentre elas o governador do Estado, senhor José Ivo Sartori, visitaram uma Exposição nas dependências do Colégio Murialdo, retratando, por objetos e painéis, a trajetória centenária dos Josefinos no Brasil. O almoço festivo para mais de 400 pessoas foi servido ao meio-dia, no salão paroquial, e preparado com esmero pela equipe local, sob a coordenação da Diretoria da Paróquia.

A celebração do Centenário continua... Porto Alegre: Dentro das programações para celebrar os 100 anos de presença no Brasil, a comunidade religiosa de Porto Alegre programou eventos muito significativos. No dia 7 de maio, com a presença de autoridades do município, professores e alunos do Colégio Murialdo e da Ação Social, foi realizado um

Foto: Divulgação A&C

Abertura no Teatro Murialdo de Caxias do Sul (RS)


Londrina Fotos: Divulgação A&C

Guará

momento solene no Colégio com a manifestação de autoridades, da Família de Murialdo e do corpo do alunado. Pela congregação falou o diretor do Colégio, Pe. Evair Michels, e o Provincial, Pe. Antonio Lauri de Souza. Na Câmara de Vereadores da mesma cidade, pela proposição da vereadora Sofia Cavedon, aconteceu, no momento denominado “Comunicações”, um pronunciamento da proponente seguido de manifestações por boa parte dos vereadores que ressaltaram a riqueza e a relevância da presença de Murialdo, pela Congregação, em campo religioso, social e da educação na Vila São José e em toda a Porto Alegre. As galerias da Câmara estavam lotadas de alunos, corpo docente, representantes de outras entidades sociais, da Paróquia São José de Murialdo e membros da Família de Murialdo, entre estes as Irmãs Murialdinas de São José. Parabenizamos a Associação Protetora da Infância por todas as iniciativas que aludem ao Centenário, desde banners nas dependências do Colégio e Centro Social, bem com o fato de estampar o selo centenário nos documentos e nas provas escolares, evidenciando a importância do evento para a Congregação no Brasil. Fortaleza (CE): O Arcebispo de Fortaleza, D. José Antonio Toso Marques, a convite da comunidade religiosa dos Josefinos, com alegria e disponibilidade, foi até a Paróquia São Francisco do Palmeira, e em fevereiro, celebrou missa festiva em comemoração dos 100 anos de presença Josefina em solo brasileiro. Todas as comunidades da paróquia e convidados lotaram a Igreja Matriz. São Paulo (SP): Para comemorar os 100 anos de presença Josefina no Brasil, a Paróquia São Paulo Apóstolo promoveu, no dia 16 de maio, um dia de reflexão sobre Murialdo para uma centena de pessoas, com a assessoria de Pe. Geraldo Boniatti. No domingo, 17 de maio, celebrouse uma missa festiva sob a presidência do Bispo da Região Norte de São Paulo, D. João de Deus Borges. Brasília (DF): O pátio da Igreja Matriz São Paulo Apóstolo do Guará I esteve engalanado para o Sarau do dia 17 de maio, em homenagem ao Centenário dos Josefinos no Brasil. As festividades externas foram precedidas por um tríduo religioso que abordou alguns aspectos da espiritualidade de Murialdo. Londrina (PR): Junto com a tradicional Semana Murialdina, a EPESMEL comemorou o Centenário da presença dos Josefinos com Missa na Catedral Diocesana, no dia 24 de maio de 2015. O bispo, D. Orlando Brandes presidiu, a Eucaristia. Rio de Janeiro (RJ): No mês de abril, durante os festejos de São Jorge, os Josefinos de Murialdo da cidade maravilhosa homenagearam nosso Centenário em Missa presidida pelo Cardeal D. Orani Tempesta. Caxias do Sul (RS): O Colégio Murialdo-Caxias promoveu, no dia 28 de maio, no Teatro Murialdo, o Tributo Musical à “Imigração Italiana”, com o tema “Il Mondo”. O evento lembrou as comemorações dos 140 anos da Imigração Italiana e dos 100 anos da chegada dos Josefinos ao Brasil. A animação foi da Banda "Som do Coração" e amigos (composta por professores, alunos e amigos da Instituição) e contou com a participação especial de Miguel Angelo Cornutti, Tita Sachet e Rafael Gubert.

São Paulo

MARCAS DO QUE SE FOI

Josefinos serão homenageados na Câmara dos Deputados, em Brasília Os religiosos Josefinos de Murialdo receberam o convite do Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, para Sessão Solene em homenagem aos 100 anos da presença dos Josefinos de Murialdo no Brasil e pelos 40 anos de Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (PR) – EPESMEL. O evento acontece no dia 19 de agosto, no Plenário Ulysses Guimarães, em Brasília.

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MARCAS DO QUE SE FOI

OBRIGADO!

São muitas as manifestações de carinho e correspondências recebidas pelas festividades dos 100 anos da presença Josefina no Brasil. Nossa gratidão a todos e que são Leonardo Murialdo interceda junto de Deus a cada um e a cada uma, suas famílias e comunidade. Transcrevemos algumas mensagens conforme o espaço nos permite:

Celebrar 100 anos de Vida, História e Missão em Terras Brasileiras é Dom e Graça do Senhor, é fazer memória da fidelidade ao Carisma daqueles que foram chamados e escolhidos para anunciar a Profecia do Reino. Por isso, nós, Irmãs de São José, queremos, na sua pessoa, cumprimentar a todos os Padres Josefinos de Murialdo que tão bem encarnaram o projeto de Jesus. Desejamos que bênçãos de Deus sejam copiosas para a Congregação. Unidas a tantas pessoas que usufruíram do trabalho, das preces e da presença dos Padres Josefinos, erguemos nosso hino de gratidão a Deus. Que São José, homem do silêncio dinâmico, acompanhe e proteja, agora e no futuro, a Congregação, que é para a Igreja e a Sociedade uma luz para um caminho de justiça e paz. Irmã Anita Maria Pastore Supervisora Provincial

Caro, Pe. Antonio Lauri, Paz e bem! Envio-lhe meu abraço fraterno e amigo pelos 100 anos de serviços prestados por essa família religiosa em terras brasileiras. Aproveito para agradecer pelos grandes benefícios do Josefinos de Murialdo realizados em nossa Diocese de Barra. Com gratidão e estima, D. Luís Flávio Cappio Diocese de Barra (BA)

No ano do Centenário da presença da Congregação de São José – Josefinos de Murialdo no Brasil, nossa reverência e homenagem a todos que participaram e participam dessa benemérita trajetória voltada à evangelização, à educação e à promoção da dignidade humana. Parabéns e votos de profícuo trabalho! Prof. Dr. Evaldo Antônio Kuiava

Reitor – Universidade de Caxias do Sul (UCS)

Caros irmãos em Cristo! Com alegria em cumprimentá-los, agradeço o envio do tesouro contido nas páginas da rica e bela Obra, que nos presenteia com a história da vinda e da presença da Congregação de São José em terras brasileiras. Momento também de agradecer pela vinda e pelo trabalho dos Josefinos de Murialdo dedicados à nossa Arquidiocese. Dom Alberto Taveira Corrêa

Arcebispo Metropolitano de Belém

Caros amigos! Recebi e agradeço o precioso livro sobre os “Cem Anos dos Josefinos de Murialdo no Brasil”. Meus parabéns pela data, pelo livro, mas especialmente pela longa história desta querida Congregação. Londrina foi privilegiada de maneira muito especial com o carisma murialdino e continua sendo. São José e São Leonardo Murialdo intercedam por nós. Cordialmente, Dom Orlando Brandes

Arcebispo de Londrina (PR)

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PONTO DE VISTA Pe. Joacir Della Giustina

Criança e Adolescente na frente

O Brasil dos últimos 25 anos tem muito do que se orgulhar. Se isso possa nos parecer difícil, façamos então uma leitura do que havia antes desses 25 anos. Aí então nos daremos conta de que, daquele período, sim, é que não guardamos boas lembranças. Porque lá se encontram os anos de chumbo da Ditadura Militar. Lá se encontra o malfadado “Ato Institucional nº 5” e todas as suas reprimendas a qualquer manifestação de democracia e direitos humanos. Lá encontramos a década de 80 batizada como a “década perdida” da economia brasileira. Os dados econômicos e sociais do país nos dizem que nesses últimos 25 anos o Brasil vê aumentada a renda média de 60% dos brasileiros. O Banco Mundial diz que 36 milhões de brasileiros saíram da pobreza extrema. No cenário mundial, nosso país se fortaleceu economicamente, saltando da 13ª para a 7ª posição. Nesse mesmo período, o Brasil enterrou uma lei fundamentalmente punitiva e repressiva, atrelada a uma política de cunho assistencialista e paternalista no atendimento. O Código de Menores (Lei Federal 6.697, de 10.10.1979), discriminador,

repressor e segregacionista, como foi definido depois pelos operadores do novo Sistema de Garantia de Direitos, é substituído pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei Federal 8.069, de 13 de julho de 1990). O Código de Menores, contemporâneo dos Governos Militares, refletia aquela ideologia da segurança nacional. Os “menores abandonados” eram então o “estorvo” à ordem pública e desenvolvimento nacional. Foi nesse período que D. Luciano Mendes de Almeida, então bispo referência nacional da Pastoral do Menor, já havia profetizado: “O menor não é problema, é solução”. Os eixos do atendimento do Código se baseavam na trilogia da prevenção, proteção e vigilância. Em sua doutrina, entendia “os menores” como grupo de pessoas que viviam “em situação irregular’. Em 25 anos, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) transformou essa política e essa realidade. Surge inspirado na Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (20 de novembro de 1989). Mas é bem verdade que a nova Constituição Brasileira de 1988 já consagrava o mundo infanto-

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juvenil do país como a sua Prioridade Absoluta (Art. 227). Esse novo marco legal, referência para a América Latina por sua relação direta com os Direitos Humanos quando trata do respeito ao desenvolvimento das pessoas, surge de uma ampla mobilização da sociedade brasileira. Movimentos e Pastorais Sociais assumem o papel de protagonismo na elaboração da nova legislação. E por que não lembrar do serviço da Pastoral do Menor nesse processo de protagonismo democrático? Como não se lembrar das Semanas Ecumênicas em São Paulo e os grupos de estudo na elaboração das propostas depois contempladas pelo ECA? Foram muitos os encontros, os seminários, os abaixo-assinados, as passeatas e mobilizações envolvendo meninos, meninas e agentes. Fizemos parte dessa trajetória também nós, os Josefinos de Murialdo, nas diferentes cidades e capitais onde estamos inseridos. Também, nestes 25 anos, é uma lei que passou por ajustes a fim de melhor responder às emergências como: adoção, convivência familiar e comunitária, proteção contra a violência sexual e justiça juvenil. As mudanças refletidas no cotidiano do país são radicais. Basta ver que o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), entre 1991 e 2010, ao tratar dos indicadores para infância e adolescência, comparando-os com os indicadores da população adulta, percebe que aqueles influenciam decisivamente no crescimento de dimensões como educação e longevidade. Ou seja, se comprova a ideia de que investindo nos pequenos, se impacta e fortalece o desenvolvimento do país.

h) Redução nos índice de desnutrição de crianças e adolescentes; i) A criação dos Fundos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente, aliados aos Programas de Dedução do Imposto de renda; j) A aplicação das Medidas Socioeducativas; k) A Lei da Aprendizagem (Lei nº 10.097/2000, ampliada pelo Decreto Federal nº 5.598/2005) com a contratação pelas empresas dos Adolescentes Aprendizes (sistema de quotas); l) A regulamentação da obrigatoriedade e gratuidade do Registro de Nascimento, bem como o Teste do Pezinho. AINDA UM CAMINHO A PERCORRER

A Secretaria Nacional de Direitos Humanos aponta para o fato de que em 2012 o país possuía 20.532 adolescentes cumprindo medidas preventivas de privação e restrição de liberdade. Tais medidas previstas O que está em jogo é pela ECA demonstram-se eficazes na recuperação integral de adolescentes em conflito com mais que a análise a lei. Porém, a prática tem demonstrado que dos índices de elas não são devidamente aplicadas, fato que violência. É o presente se revela na superlotação, nas condições nos maus tratos e até as práticas que indica um futuro insalubres, de tortura.

para o país

CONQUISTAS IMPORTANTES O Relatório “UNICEF #ECA25anos” analisa as importantes conquistas desse período para crianças e adolescentes (julho de 2015). a) O Brasil se destacou na redução da mortalidade infantil, superando a meta prevista antes mesmo do prazo estabelecido; b) Vimos avançando todos os indicadores referentes à Educação e estamos próximos de garantir 100% das crianças ingressando no ensino fundamental, bem como chegamos já a 83,7% das crianças dos 4 aos 5 anos na Pré-Escola; c) Implantamos uma rede vigorosa de proteção social, com políticas de referência como o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e o Bolsa Família; d) O envolvimento e a criação de uma nova cultura sobre a infância e adolescência, com a participação da sociedade civil, na deliberação das políticas para a infância e adolescência especialmente através da participação nos Conselhos de Direitos, Conselhos Tutelares e Fóruns dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes; e) O combate e a redução significativa dos índices de Trabalho Infanto-Juvenil; f) A entrada comprometida junto ao Ordenamento das Políticas Internacionais; g) Políticas de repressão a toda forma de abuso e exploração

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sexual de crianças e adolescentes;

Acima se relata um dos desafios que ainda precisa sair do papel. E existem outros mais, nos quais a sociedade brasileira precisa avançar na proteção aos seus filhos e filhas:

a) Dados do IBGE/PNAD (2012) revelam que o Brasil ainda possui 20,4 milhões de pessoas, da faixa dos 0 aos 14 anos, que se encontram em situação domiciliar pobreza, bem como desses cerca de 8,2 milhões estão em extrema pobreza, indicador que nos faz vislumbrar comprometimentos sérios para o desenvolvimento da vida dessas crianças e adolescentes; b) O censo do IBGE de 2010 denuncia 3,2 milhões de domicílios localizados em favelas. c) O País ainda convive com a realidade de crianças e adolescentes em situação de rua. Segundo dados da Prefeitura de São Paulo, existem 505 pessoas abaixo dos 17 anos vivendo em ruas; d) Se O ECA apresenta a Doutrina da Proteção Integral, o ano 2012 denunciou um registro de mais de 56 mil mortes por homicídio no Brasil. Os dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade apontam que 18%, ou 10.155 dessas mortes, foram de pessoas entre 0 e 19 anos, com uma média de aproximadamente 27,7 óbitos por dia. O UNICEF no Brasil denuncia o fato de que esse índice é um dos maiores do mundo, “ultrapassando inclusive as estatísticas de países em situação de guerra e conflitos armados”. (op.cit., p.6) e) O Brasil ainda possui 3 milhões de crianças e adolescentes fora da Escola (Pnad, 2013). São afetados especialmente os pobres, os negros, indígenas e quilombolas.


PONTO DE VISTA Pe. Joacir Della Giustina

As maiores causas de abandono: trabalhar para ajudar na renda familiar ou deficiências. O ECA, ao abordar a Educação, afirma o direito de toda criança e adolescente à educação a fim de garantir seu pleno desenvolvimento e preparo para o exercício da cidadania. Aqui o país ainda encontra o problema da distorção idade/série. Mas, além do acesso, é preciso garantir a qualidade dessa educação. Em 2014, o Brasil aprovou o Plano Nacional de Educação(PNE), com metas para os próximos 20 anos, focando no acesso e na melhoria da qualidade da mesma. Não basta o acesso, é preciso garantir a permanência e o sucesso;

de manobra regimental e em menos de 24 horas, decidiu retomar a análise do tema colocando em apreciação um texto parecido com a proposta rejeitada. Na madrugada do dia 2, o grupo contrário estava então desmobilizado, e os Estudantes foram proibidos de entrar na Câmara, porque, segundo Eduardo Cunha, tinham tumultuado a votação do dia anterior. A matéria seguirá sua tramitação.

f) O Direito da infância e adolescência às atividades culturais, esportivas e de lazer esbarra ainda na falta de centros esportivos, de centros de lazer, na falta de praças e logradouros públicos para tais exercícios;

São muitos os movimentos, as associações e organismos da sociedade civil que se manifestam contrários à redução. Entre eles podemos citar, além da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) , a CUT (Central Única dos Trabalhadores), a ABMP (Associação Brasileira dos Magistrados Públicos), a UNE (União Nacional dos Estudantes), a UBes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), CONANDA (O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), o FCNCT (Fórum Colegiado Nacional dos Conselhos Tutelares), a SNDH (Secretaria Nacional de Direitos Humanos ), o UNICEF do Brasil. Ou seja, os operadores do Sistema de Garantia de Direitos estabelecidos pelo ECA sabem que “a redução não é a solução”, porque atuam nesse campo. Causas e consequências para o rebaixamento atuam na linha do retrocesso da política promotora do desenvolvimento da infância e adolescência brasileiras. Há que se pensar com mais seriedade na aplicação de políticas públicas e de recursos financeiras para a preservação de escolas de qualidade para todos e de turno integral, de políticas eficientes para a família, de práticas operantes para a iniciação profissional e o primeiro emprego...

g) Em fins da década de 90, o Brasil falava em 4,5 milhões de crianças e adolescentes, de 5 a 17 anos, no trabalho infantil. Até 2013 ainda eram mais de 3 milhões que trabalhavam (IBGE/Pnad). O país conseguiu reduzir em 59% tais números nos últimos 20 anos, mas estaremos ainda longe de erradicar esse desrespeito humano até 2020. IDADE PENAL Rebaixamento – Um erro grotesco Se um país vive uma conjuntura de violência que se espalha de forma irresponsável, é preciso encontrar culpados. A sociedade necessita de explicações. Onde vai recair a culpa? De novo nos pequenos, parece lógico; e de fato é. Num país ainda influenciado pela política do Código de Menores é lógico. Influenciado pela lógica do poder político-econômico também é. E a população exige segurança, seu direito de cidadão. Porém, de forma orquestrada, com uma perversidade emocional de requintes jornalísticos, consegue-se mobilizar a opinião pública para afirmar que o rebaixamento da idade penal é a solução. Aliás, foi nessa mesma lógica que os poderes constituídos conseguiram influenciar os cidadãos para a sentença de morte aplicada ao “Jovem Galileu”, de dois mil anos atrás. Nem sempre o clamor da população está do lado da verdade. O Projeto de Emenda Constitucional (PEC) apresentado à Câmara dos Deputados, no dia 1º de julho, estabelecia a redução da maioridade para casos de crimes cometidos com violência ou grave ameaça, crimes hediondos (como estupro), homicídio doloso, lesão corporal grave ou lesão corporal seguida de morte, tráfico de drogas e roubo qualificado. Tal Projeto foi derrubado pela Casa. Insatisfeito com a rejeição da noite anterior, o Presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), após reunião com parlamentares favoráveis à redução da maioridade penal, usando

“Nossa juventude precisa de escolas, não de penitenciárias. É nosso dever, como sociedade madura e democrática, garantir um futuro promissor, longe da violência e da criminalidade, aos jovens. Não podemos falhar com eles”, clamou Marcus Vinicius, pres. da OAB. Afirma ainda que esse assunto é cláusula pétrea e, como tal, não encontra justificativa legal.

Não temos dúvidas de que o ECA precisa ser avaliado constantemente porque é dinâmica a vida. Sim, talvez tenhamos que rever a capacidade de compreensão e discernimento de um adolescente de 12 e um de 17 anos para tratá-los de forma diferenciada na legislação que defendemos. E defendemos porque já provou ser eficaz. Não o é mais por falta de seriedade política em sua aplicabilidade. Porém, para tanto, não se faz necessário rebaixar a idade penal. O que está em jogo é mais que a análise dos índices de violência. É o presente que indica um futuro para o país. E, como disseram alguns deputados, é esse futuro que está sendo posto na cadeia. E não em qualquer cadeia, mas nesse sistema superlotado e falido, escola de requintes infracionais. Ou seja, parece no mínimo, infrator por demais esse grupo de políticos que prefere encarcerar seus adolescentes para, esconder as inoperâncias de seus projetos. É infratora essa Casa que consegue legislar em causa própria, atribuindo-se privilégios e altos salários, num país de tantos excluídos.

Pe. Joacir Della Giustina

Diretor do Colégio e Faculdade Murialdo (Caxias do Sul – RS)

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ESCOLA CATÓLICA O diferencial que dá segurança a escola? Nós acreditamos nela. Nunca a escola foi tão importante como nos dias de hoje. Na atual sociedade pluralista, registramos novos modelos de instituições educacionais. A escola católica está presente e é desafiada a dar respostas aos grandes desafios e necessidades da crise civilizatória contemporânea, mantendo acesa a chama de sua identidade confessional. A Igreja sempre acreditou na educação. É inegável a contribuição da escola católica na formação da sociedade brasileira. Vale lembrar que no cerne de toda atividade educacional das instituições confessionais católicas está a missão do anúncio do Evangelho, dos valores cristãos e da pessoa de Cristo como o Educador por excelência, exemplo vivo de caminho e de vida a ser vivida em abundância. Missão importante, mas nada fácil. O próprio Papa Francisco, recentemente, afirmou que a educação católica é um dos desafios mais importantes da Igreja, empenhada na realização de uma evangelização em sintonia com o seu tempo. Chama atenção para três aspectos importantes: - Ao valor do diálogo, com uma fidelidade corajosa e inovadora, sabendo proporcionar o encontro da identidade católica com as diferentes “almas” da sociedade, em contextos de acentuado pluralismo cultural, religioso e político.

O Papa também apoia, incentiva e aponta caminhos aos educadores: “Não desanimem diante das dificuldades apresentadas pelo desafio educativo! Educar não é uma profissão, mas uma atitude, um modo de ser. Para educar, é preciso sair de si mesmo e permanecer no meio dos jovens. Acompanhálos nas etapas do seu crescimento, pondo-se ao seu lado”. Colégios Murialdo no Brasil A identidade e a missão da escola católica estão presentes nos Colégios da Rede Murialdo. Esse diferencial nasceu em 1866, quando Leonardo Murialdo assumiu a direção do Colégio Artigianelli, Turim, Itália, consolidado em 1873, quando fundou a Congregação dos Josefinos para dar continuidade à formação dos jovens, bons cristãos e honestos cidadãos. Portanto, a escola católica está no DNA dos Colégios Murialdo.

“Educar não é uma profissão, mas uma atitude, um modo de ser”

- A importância da preparação qualificada dos educadores. Não se pode improvisar, diz o Papa. Temos que fazer com seriedade. Por meio de pessoas ricas em humanidade, capazes de estar entre os jovens com estilo pedagógico, para promover o seu crescimento humano e espiritual. Não só enunciados, mas testemunhados.

- E o terceiro aspecto diz respeito à responsabilidade da escola católica de ser uma presença viva do Evangelho. E, para tanto, não pode se isolar do mundo, precisa entrar com coragem no areópago das culturas atuais e colocar-se em diálogo, consciente do que tem para oferecer. Para manter o equilíbrio dinâmico entre excelência acadêmica e a formação cristã e cidadã, que é seu diferencial, a escola e a universidade católicas enfrentam diversos desafios: alta concorrência, inadimplência, inovação contínua, modernização das instalações, melhoria na qualidade de ensino,

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adaptação às normas e leis, fragilidade dos valores da sociedade, transferência das responsabilidades que competem à família para as instituições educacionais, formação continuada dos educadores, mudança de paradigmas, novas tecnologias, profissionalização da gestão, sucessão, instabilidade econômica.

Na rede de obras criadas por Murialdo para colher e formar crianças, adolescentes e pobres, principalmente pobres, a escola sempre esteve presente. Podemos dizer então que o contexto de nossa origem apontou para onde, com quem e como deveríamos caminhar.

Foi para atender uma escola que os Josefinos de Murialdo, há cem anos (1915-2015), vieram para o Brasil. Tratava-se da Escola Agrícola São José para profissionalização de adolescentes e jovens em Quinta, município de Rio Grande (RS), em 1915. A missão de educar a juventude encontrou terreno fértil no sul do Brasil; depois a semente foi lançada no centro, norte e nordeste. Hoje está presente em dez Estados. No Brasil os Josefinos de Murialdo atuam em escolas de Formação Profissional e em escolas de Educação Básica. E, a partir de 2012, ingressou no Ensino Superior, com a Faculdade Murialdo. A Rede de Colégios Murialdo está inserida no mesmo contexto da escola católica referido anteriormente. As escolas


PONTO DE VISTA Pe. Raimundo Pauletti

de formação profissional, anualmente, favorecem empregabilidade de centenas de jovens. Os colégios, por sua vez, experimentam crescimento no número de alunos. O diferencial da escola católica de Murialdo encanta e compromete educadores; atrai cada vez mais alunos e dá segurança às famílias; é a vivência da Pedagogia do Amor que visa Educação do Coração. Trata-se de um conjunto harmônico de princípios e práticas que levam à formação integral do aluno. Passa pela qualidade do ensino e humanização das relações; pela vivência de uma bem unida família e da disciplina; pela parceria escola-família e formação continuada dos educadores; pela espiritualidade e inclusão (que nenhum se perca).

comunidade. Na formação continuada os educadores aprendem que a Educação do Coração, além de novos métodos, exige a postura da firmeza e da doçura, de agir entre os jovens qual “irmão, amigo e pai”. O cotidiano escolar revela a identidade e missão das nossas escolas. É percebido pelas famílias. “O caráter de responsabilidade e seriedade enquanto instituição que mantém seus valores éticos em alta ao longo do tempo é um aspecto que as famílias entendem como fundamental para a parceria na educação de seu filho” (depoimento de uma mãe).

É significativo o número de alunos que participa em projetos de voluntariado, com atuação na e fora da escola. Está comprovado que quanto mais amados, acolhidos e valorizados os jovens, se tornam mais solidários e descobrem sentido para suas vidas, fazendo nascer novas esperanças para o hoje e para o futuro. Outro diferencial da Escola Murialdo é o modo de ensinar. Os educadores são capacitados para desenvolvem metodologias envolventes e motivadoras, que favorecem aprendizagens significativas para a vida dos alunos e a

Foto: Bernardete Chiesa

A Educação do Coração fundamenta-se na certeza, descoberta por Murialdo, de que Deus nos ama com amor “infinito, pessoal, atual, terno e misericordioso”. É o carisma espiritual do nosso fundador. Nesse aspecto, constata-se que os jovens hoje estão abertos ao transcendente porque encontram nele sentido para suas vidas. Na Rede Murialdo são muitas e ricas as oportunidades que favorecem o crescimento da espiritualidade dos alunos. As duas edições do “Murialdo Jovem” trouxeram resultados significativos para os alunos participantes e para o todo o ambiente escolar; desencadeou uma série de iniciativas que favoreceram a convivência e despertou para a solidariedade.

“A escola católica é uma realidade de presença, de acolhimento, de proposta de fé e de acompanhamento espiritual dos jovens”

(Papa Francisco)

Pe. Raimundo Pauletti

Diretor do Colégio Murialdo de Ana Rech (Caxias do Sul – RS) e vice-diretor da Faculdade Murialdo

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NOTÍCIAS ORDENAÇÃO DIACONAL Frater Severino Campos Filho

Frater Tiago da Silva

Para aceder ao sacerdócio católico é necessário ser anteriormente ordenado diácono e foi o que aconteceu com o Fr. Severino Campos Filho. Em clima festivo e de muita devoção, a Igreja Matriz de São Paulo Apóstolo (Guará I – DF), no dia 16 de maio, recebeu familiares, confrades, amigos e integrantes da Família de Murialdo para a sua ordenação diaconal. O Bispo ordenante foi D. Valdir Mamede, Bispo Auxiliar de Brasília.

Natural de Sangão (SC), o frater Tiago da Silva foi ordenado diácono por Dom João Francisco Salm, Bispo da diocese de Tubarão, no dia 25 de julho de 2015, na Matriz Santa Otília de Orleans (SC), e contou com a presença de inúmeros religiosos, sacerdotes e de uma multidão de fiéis.

Fotos: Divulgação A&C

Desejamos ao Frater Severino e ao Frater Tiago muitas graças para bem servir o Reino de Deus.

Frater Luciano participa do curso em preparação aos Votos Perpétuos

Veja o que disse Luciano: “O curso foi uma bênção de Deus. Um momento de meditar sobre a vocação de ser Josefino de Murialdo para sempre na Congregação de São José, vivendo uma vida religiosa consagrada e encantada pelo carisma e pela espiritualidade de Murialdo. Quando falei que o curso foi uma benção de Deus, é por que fiz uma viagem tranquila, tanto na ida quanto na vinda; pela boa recepção, acolhida dos confrades da Casa Geral, pelo desenvolvimento da formação e, principalmente, pela competência dos organizadores e aos orientadores do curso. Foi emocionante visitar a cidade natal de Murialdo (Turim). Conhecer o lugar onde ele esteve e rezar os passos de sua vida desde o nascimento, o que ele conquistou para os jovens pobres, até sua morte e santificação, é sentir sua presença viva. Foi um grande momento de espiritualidade e encantamento. Enfim, o curso de formação nos conduziu a meditar sobre a vocação de ser Josefinos

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de Murialdo e avaliar a nossa experiência de vida religiosa e comunitária. Conduziu-nos a sentir-nos Josefinos responsáveis e comprometidos com a causa da juventude empobrecida e vulnerável. Convidou-nos a cuidar bem dos bens da Mãe Congregação, principalmente do Carisma e da Espiritualidade. Também, perguntou-nos: como me sinto vivendo e sendo um Josefino? Estou decidido a ser Josefino para sempre na Congregação de São José? Estas perguntas ressoaram e devem ressoar a cada dia, não como dúvida, mas como certeza de que estamos realizados com o que escolhemos, a convite do Deus bom e misericordioso”.

Foto: Arquivo pessoal

Do dia 5 ao dia 26 de julho, aconteceu em Roma o curso em preparação aos votos perpétuos da Congregação de São José. Participaram os religiosos Luciano Costa Pereira (Brasil), Ugo Barás (Argentino), Melques Franklin e Saji Paul (Indía) e Lazar Mihai (Roma).


NOTÍCIAS

Damos as boas vindas aos Noviços de 2015, com o mestre, Pe. Geraldo Boniatti. São eles: Jéverson de Andrade Santos (Planaltina – DF), Ricardo Rodrigues Lima e Sebastião Souza da Silva (Ceará) e Vinicius das Flores Reis (Pará). Eles conheceram a Congregação dos Josefinos de Murialdo e se apaixonaram pelo carisma do Amor de Deus expresso na atenção às crianças, aos adolescentes e jovens, sobretudo, os mais pobres. A etapa do Noviciado acontece no Murialdo Santa Fé, em Caxias do Sul (RS).

Foto: Divulgação A&C

Noviciado 2015 Por um carisma que apaixona

Foto Volga

II Murialdo Jovem é marcado pelo entusiasmo e encantamento

Nos dias 7, 8 e 9 de maio, aconteceu o II Encontro de Jovens (JoveMur) da Rede Murialdo, no Centro de Eventos e Hospedagem de Fazenda Souza (Caxias do Sul – RS). Cerca de 80 alunos do 9º Ano à 3ª Série do Ensino Médio dos Colégios de Araranguá (SC), Porto Alegre e Caxias do Sul (Ana Rech e Centro), com perfil de liderança e comprometimento, participaram do encontro que foi marcado por muitas dinâmicas, integração, entusiasmo e encantamento. Eles foram acompanhados por professores e direção da Instituição. A reflexão do evento foi pautada no tema “Eu vim para servir”. O mesmo buscou desenvolver o espírito de liderança, tendo em vista a cooperação e a convivência dos jovens. Além disso, proporcionou integração entre os alunos da Rede, por meio de momentos de espiritualidade e lazer.

Nos dias 26 e 27 de setembro, acontece, no Seminário de Fazenda Souza, o encontro dos Ex-Seminaristas desta Instituição. Na ocasião, será lançado o livro escrito pelos ex-seminaristas em comemoração aos 100 anos da presença dos Josefinos no Brasil, aos 75 anos da fundação do Seminário e aos 300 anos da localidade de Fazenda Souza. O projeto do livro está sob a coordenação de Jaime Dall’Alba, com ajuda de vários outros ex-colegas. A culminância do Encontro será no dia 27, com a celebração de Ação de Graças do Jubileu Sacerdotal dos padres Ângelo Dall’Alba, Bruno Barbieri e Orides Ballardim, na Igreja Matriz de Ana Rech. Após será servido o almoço festivo.

Encontro Nacional da AMA será no dia 11 de outubro Com o tema “Mães Apostólicas: vocação que emana da oração” e lema “Alegrai-vos sempre no Senhor, pois, Ele vos chamou” (Fl 4,4), acontece, no dia 11 de outubro de 2015, em Fazenda Souza (Caxias do Sul – RS), o Encontro Nacional das Mães Apostólicas. Venha celebrar a vida e rezar junto ao túmulo do Servo de Deus, Pe. João Schiavo!

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NOTÍCIAS Antologia das Fontes Carismáticas Para melhor conhecer e amar nosso Santo Fundador, São Leonardo Murialdo, em termos de bibliografia traduzida, a Província Brasileira do Imaculado Coração de Maria viveu até agora três momentos importantes, a saber: 1978: Tradução do Testamento Espiritual de Murialdo. Foi o Pe. Vittorio Costa, falecido em 2001, que, no seu entusiasmo e paixão pelo Fundador, conseguiu a proeza de ter sido o primeiro a traduzi-lo do francês para outra língua com o título: Tudo é Graça, Deus é Amor Testamento de São Leonardo Murialdo. 2000: Tradução do insubstituível livro, Vida, Obra e Espiritualidade do Pe. Murialdo, Fundador dos Josefinos de Murialdo, do hoje venerável Pe. Eugenio Reffo, cofundador e primeiro biógrafo de Murialdo. A obra foi traduzida por vários confrades do Brasil e a revisão coube ao saudoso Pe. Honorino Dall’Alba, falecido em 2002. E assim chegamos ao terceiro momento.

2015: Tradução da Antologia das Fontes Carismáticas - Ensinamentos de São Leonardo Murialdo, organizada pelos confrades italianos padre Giovenale Dotta e padre Giuseppe Fossati. A tradução ficou a cargo dos Padres Cornélio Dall’Alba e Geraldo Boniatti, a quem parabenizamos e agradecemos. Da obra, diz o Pe. Geral: “A leitura, a pesquisa, a utilização desta antologia serão, com certeza, ricas inspirações para todos nós: permitir-nos-ão conhecer Murialdo mais a fundo, seu modo de pensar, de rezar, e o seu modo de viver. Ajudar-nos-ão a entrar em sintonia com sua espiritualidade”.

Inaugurada a Capela sobre o túmulo do Padre João Schiavo

Foto Volga

No dia 15 de março de 2015, foi inaugurada a capela sobre o túmulo do padre João Schiavo, em Fazenda Souza, no interior de Caxias do Sul. O local ficou lotado para a missa que foi celebrada pelo bispo Dom Alessandro Ruffinoni, acompanhado do bispo emérito de Uruguaiana, Dom Ângelo Salvador, e por sacerdotes Josefinos. São bem-vindas as caravanas que vêm fazer a sua oração para pedir e agradecer as graças alcançadas. O padre Schiavo deve ser anunciado pelo Vaticano como venerável, o que é considerado um avanço no processo de beatificação.

O comentário inicial da celebração eucarística do dia 6 de junho de 2015, na Paróquia São Benedito, em São Paulo, sintetizava o que nela aconteceria: “A dedicação da nossa igreja, construída com ‘pedras vivas’ que somos nós batizados, nos insere no mesmo serviço de Jesus pela vida da humanidade, como discípulos missionários”. Foi com estes fundamentos teológicos que a Igreja matriz de São Benedito, depois de uma ampla reforma de seu espaço, que o Cardeal de São Paulo, D. Odilo Sherer, solenemente dedicou-a. Este foi o cume da participação do povo de Deus daquela paróquia, do trabalho dos técnicos e dos trabalhadores, nestes últimos anos sob a incansável e dinâmica liderança pastoral do Pe. Marcelino Modelski.

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Foto: Divulgação A&C

Dedicação da Igreja Matriz de São Benedito em São Paulo


DICAS

Dica de Filme Um elo de amor

Conta a história de Jimmy, um adolescente que enxerga o mundo com um coração puro. Autista, ele nem sempre entende o que vê ou ouve. Entretanto, possui uma memória fantástica da qual seu pai se utiliza, para livrar um cliente da prisão, o que desencadeia drásticas consequências. A ingenuidade do menino o coloca em grandes apuros, mas o incentivo do avô e o afeto da madrasta abrem um caminho de esperança para Jimmy. Apesar de vencer diversos traumas, ele fica aflito ao se deparar com seu maior medo.

Dica de Livro Educação familiar - presente e futuro (Içami Tiba, Editora Integrare, 2014)

Este livro aborda com clareza todos os aspectos – dos mais simples aos mais controversos – da árdua, porém gratificante, tarefa de educar. Fala de maneira simples e didática sobre os assuntos e as situações presentes em nosso cotidiano. Discorre sobre a necessidade de uma Educação Sustentável – seus valores, pilares e objetivos, avaliando situações comuns e presentes em todos os núcleos familiares. Tudo de uma forma atual e contemporânea, com conceitos formados a partir do constante e assíduo atendimento de pais, jovens e educadores – e o conhecimento, na prática e em tempo real, dos conflitos, comportamentos e peculiaridades de uma geração singular –, trazendo a todos os leitores informações essenciais e aplicáveis à formação de um jovem saudável, ético e feliz.

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O coração do beija-flor representa de 19 a 22% do seu peso total? Os indígenas deram nomes muito sugestivos para os beija-flores, que descreviam com perfeição esses pássaros encantadores: “colibris”, que significa “área resplandecente” “guainumbis”, ou seja, “pássaros cintilantes”; beija-flores eram os “mainumbis”, isto é, “aqueles que encantam, junto à flor, com sua luz e esplendor”. Seu enorme coração, que representa de 19 a 22% do peso total do corpo, facilita a rápida circulação do sangue; num único dia, eles são capazes de ingerir, em substâncias nutritivas, até oito vezes o peso do seu corpo; alguns beija-flores desenvolvem velocidades médias que vão de 30 a 70 Km por hora e a vibração das asas pode atingir 50 a 70 batidas por segundo. São as únicas aves que conseguem ficar literalmente paradas no ar, decolar e aterrissar verticalmente, e até dar marcha à ré em pleno voo.

Pneus furados nunca mais? A sustentabilidade vem ganhando importância em várias áreas. Na arquitetura, é fácil ver o interesse por materiais e designs sustentáveis e funcionais, mas também é assim na indústria. É o caso da empresa de pneus Hankook, da Coreia do Sul, que vem desenvolvendo um modelo de pneus para carros que não precisa de ar para encher. Aliando conhecimentos de engenharia e design, a quinta geração do protótipo, iFlex, é feita com elementos ecofriendly. A sustentação, no lugar do ar, é feita por camadas de plástico. Também é possível a conexão do iFlex com o carro por meio das rodas tradicionais. Seguindo o exemplo, a tradicional marca Bridgestone, também está com um projeto similar, com a distribuição geométrica de materiais para trazer a sustentação. É o fim da dor de cabeça com os pneus furados!

Por que cães enterram ossos? Por herança genética. Os lobos, seus ancestrais, enterravam restos de presas para sobreviverem quando a caça era escassa. Hoje, embora isso não beneficie cães domésticos, que comem ração, é difícil que desapareça. Além de enterrarem ossos, os cães também dão voltas e afofam lugares antes de se deitarem, como os lobos checavam o solo e se preveniam de algo que pudesse machucá-los. Lamber a cara do dono também pode ser herança genética. Filhotes lambem a boca da mãe para pedir comida; é por ali que, nos primeiros meses de vida, recebem o alimento regurgitado. Os cães também lambem a boca do líder para exprimir submissão - no caso, o dono seria tratado como dominante pelo animal de estimação.

Japonês não gosta de receber relógio de presente Nunca presenteie um japonês com relógios, eles simbolizam a morte. Também nunca coloque um cartão de visitas, que acabou de receber, no bolso ou escreva sobre ele, isso é sinal de grosseria. Portanto ao recebê-lo, segure-o na mão

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O nó do afeto m uma reunião de pais numa escola da periferia, a diretora ressaltava o apoio que os pais devem dar aos filhos; pedia-lhes também que se fizessem presentes o máximo de tempo possível… Ela entendia que, embora a maioria dos pais e mães daquela comunidade trabalhassem fora, deveriam achar um tempinho para se dedicar e entender as crianças. Mas a diretora ficou muito surpresa quando um pai se levantou e explicou, com seu jeito humilde, que ele não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo, durante a semana, porque quando ele saía para trabalhar era muito cedo e o filho ainda estava dormindo… Quando voltava do serviço já era muito tarde e o garoto não estava mais acordado. Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família, mas também contou que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho e que tentava se redimir indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa. E, para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria. Isso acontecia religiosamente todas as noites quando ia beijá-lo. Quando o filho acordava e via o nó, sabia, através dele, que o pai tinha estado ali e o havia beijado. O nó era o meio de comunicação entre eles. A diretora emocionou-se com aquela singela história e ficou surpresa quando constatou que o filho desse pai

era um dos melhores alunos da escola. O fato nos faz refletir sobre as muitas maneiras das pessoas se fazerem presentes, de se comunicarem com os outros. Aquele pai encontrou a sua, que era simples mas eficiente. E o mais importante é que o filho percebia, através do nó afetivo, o que o pai estava lhe dizendo. Por vezes, nos importamos tanto com a forma de dizer as coisas e esquecemos o principal, que é a comunicação através do sentimento, simples gestos como um beijo e um nó na ponta do lençol, valiam, para aquele filho, muito mais do que presentes ou desculpas vazias. É válido que nos preocupemos com as pessoas, mas é importante que elas saibam, que elas sintam isso. Para que haja a comunicação é preciso que as pessoas “ouçam” a linguagem do nosso coração, pois, em matéria de afeto, os sentimentos sempre falam mais alto que as palavras. É por essa razão que um beijo, revestido do mais puro afeto, cura a dor de cabeça, o arranhão no joelho, o medo do escuro. As pessoas podem não entender o significado de muitas palavras, mas sabem registrar um gesto de amor. Mesmo que esse gesto seja apenas um nó. Um nó cheio de afeto e carinho. Autor desconhecido

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