COM AUTORIZAÇÃO RÉGIA
Anno Domini
Gazeta da História AGRUPAMENTO DE ESCOLAS Nº1 DE GONDOMAR, JUNHO DE 2022
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
PELAS TURMAS DE HISTÓRIA
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Primeira Edição
MADAME DU COUDRAY A famosa Madame Du Coudray foi nomeada pelo Rei Luís XV, para ensinar a arte dos partos depois de inventar máquina muito engenhosa para fazer as demonstrações dos partos.
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adame du Coudray adame du Coudray, vai percorrer dufilha de médicos, torrante vinte anos nou-se proeminente todo o reino para em Paris, e vai agora ministrar cursos e certificar as com o alvará do Rei, ensinar a arte mulheres que exercem o ofício de dos partos em todo o reino, na parteira. tentativa de reduzir a mortalidade infantil. ara isso, inventou Maverdade é esta, é dame Du Coudray, uma grande a indignação “máquina” muito enpública contra a genhosa para fazer as impreparação das demonstrações cuidadas de partos mulheres do campo no que toca por todas as províncias. Com este aos partos. Nas cidades o conhe- esforço, ninguém tem dúvidas de cimento de cirurgiões ajuda as que Du Coudray se tornará uma mulheres nessa hora importante sensação nacional e um símbolo de trazer um filho à vida. Nos internacional do avanço médico campos, a ignorância provoca francês. ferimentos à fertilidade da mulher e muitas vezes até custa a vida de mães e filhos.
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m 1759, Madame du Coudray, publicou um antigo livro de obstetrícia, Abrégé de l’art des accouchements (Resumo da Arte do Parto). O livro foi traduzido em vários idiomas, incluindo alemão, holandês e inglês. O livro fornece ilustrações de Coudray para mostrar manobras importantes e também como elas eram perigosas.
UM BILHETE DE DESPEDIDA Partilhamos com os nossos leitores um bilhete de despedida que acompanhava uma criança deixada à porta do Hospital de Genebra, em fevereiro de 1780
ou uma pobre e enverS gonhada mãe e vejo-me obrigada a expor o meu filho à
caridade do hospital público, bem contra a minha vontade, porque me encontro sem apoio e abandonada por todos, na mais extrema miséria. Rogo a todos que tenham piedade do meu querido filho, que tenham dele misericórdia e o tratem com benevolência, pedindo ao Todo-Poderoso que derrame sobre ele a sua preciosa bênção. Foi já presente ao Santo Sacramento do Batismo,
Madame du Coudray o seu nome é Jean David, que Deus o abençoe. Abandono-te, meu querido filho, com os olhos em lágrimas e o coração despedaçado. Deus te guarde. T E S T E M U N H A S
Aos dezasseis dias do mês de agosto do ano de 1722, foi exposta na porta do Convento de Santo António desta Vila, sem sinal algum, uma menina, e no mesmo dia a batizei e lhe pus o nome de Maria, e os santos óleos, sendo padrinhos...
Paróquia de Ponte de Lima, Minho, Portugal. OPINIÃO HISTÓRICA
JEAN JACQUES ROUSSEAU O ALEITAMENTIO MATERNO
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The Machine, o primeiro manequim obstétrico em tamanho real CRIAÇÃO DE MADAME DU COUDRAY. exclusivo
QUEM SALVAR ?
ESPECIAL PALÁCIO DE VERSALHES p. 4
Em 1733, a corporação dos médicos de Paris pede aos douO NOSSO REI tores em Teologia da UniversiPROMETEU E UM dade um parecer: em caso de CONVENTO SE CONSTRUIU complicações no parto, deve sacrificar-se o filEm 1711 D. João V autoriza a ho ou salvar a criança? construção de um convento
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sta questão importante foi colocada aos teólogos. No fundo, era uma questão de vida e morte. Deve sacrificar-se o filho em favor da mãe ou salvar a criança através de cesariana, provocando, quase de certeza, a morte da parturiente? A resposta dos teológos franceses demorou um ano e é a que a seguir transcrevemos: "Se atendermos apenas à justiça, é lícito sacrificar a vida da criança para salvar a mãe; mas a caridade [...] exige que se prefira a vida espiritual da criança que se supõe num perigo evidente de não receber o batismo, à vida temporal da mãe, que é um bem inferior à salvação eterna do filho, como diz S.Tomás.
destinado aos frades capuchos da Ordem de São Franciscos
Palácio Nacional de MaO fra ou Convento de Mafra encontra-se em Lisboa, no concelho de Mafra e é composto por um palácio e um convento com o estilo barroco e influência romana e germânica. Começou a ser construído a 17 de Novembro de 1717, a mando do rei D. João V, devido a uma promessa pela rainha D. Maria Ana de Áustria, que tardava em dar um filho ao rei. Preocupado com a sucessão, o rei prometeu, em troca da graça de um filho, construir um pequeno convento para 13 monges.
A graça foi-lhe concedida e o
Em Compendio de EmbrioloRei cumpriu a promessa. gia Sagrada, Paris, 1774 Na primeira pedra colocada comum a divulgação da etiÉ mologia popular segundo a qual a palavra cesariana derivaria
simbolicamente por D. João V, a 17 de novembro de 1717, pode ler-se em latim" Este templo foi dedicado ao altíssimo e excelso Deus e ao divino António Lusitano. João, rei dos Portugueses, tinha um voto por causa dos filhos concebidos e lançou a primeira pedra".
da forma como nasceu o imperador Júlio César. Segundo João Malalas, cronista bizantino, a mãe de Júlio César morreu no nono mês de gravidez, e sua barriga foi cortada; daí ele ter recebido O edifício foi construído pelo o nome de César que quer dizer arquiteto João Frederico cortar na língua dos romanos. Ludovice e pelo engenheiro Custódio Vieira e a sua construção acabou em 1737. a verdade, a origem da pala- Tinha funções religiosas pois vra é muito anterior e parece servia como uma igreja paassociada a palavras de origem roquial, funções culturais como francesa e inglesa. museu e funções militares porque continha um quartel. p. 3 continua na
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O Tratado de Methuen tratado de Methuen também conhecido por tratado dos panos e vinhos, foi um tratado militar e comercial assinado entre Portugal e Inglaterra a 27 de Dezembro de 1703. O nome do tratado está relacionado com John Methuen, negociador pela parte Inglesa e D. Manuel Teles da Silva, marquês de Alegrete pela parte portuguesa. De acordo com o tratado, Portugal abriu a sua economia à importação dos produtos ingleses, geralmente produtos manufaturados caros, em contrapartida, os ingleses também abriam a sua economia aos portugueses através da entrada dos vinhos de Portugal no seu país. tratado foi desfavorável para Portugal porque os ingleses conseguiram exportar os seus têxteis para Portugal e para o Brasil em grandes quantidades e com alto valor. Embora os vinhos portugueses tenham entrado facilmente em Inglaterra, aumentou a dependência da economia portuguesa. tratado de Methuen revelaria a influência do poder económico inglês ao deitar por terra o esforço português de controlar a saída de metais preciosos. om este tratado, a entrada de têxteis ingleses, sufocariam as recentes tentativas de industrialização manufatureira no norte do país. Érica Brito 11º8
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OPINIÃO HISTÓRICA DE JEAN-JACQUES ROUSSEAU O ALEITAMENTO MATERNO
1762 Outras mulheres, ou mesmo os animais, podem dar-lhe o leite ntrevistamos Jean que a mãe lhe recusa; mas a soJacques Rousseau, licitude maternal, nada a substitui. filósofo, teórico político, escritor e GH- E aquelas mulheres que compositor autodidata, con- amamentam os filhos de outras? siderado um dos percursores do Iluminismo. Convicto da JJR- Aquelas que alimentam bondade e pureza do Homem, os filhos dos outros em detriaceitou partilhar com os leitores mento dos seus próprios filhos da Gazeta da História, as suas são más mães. Como podem opiniões sobre o aleitamento ser boas amas?Não me parece. materno. GH- Choca-o então, ver uma GH - Qual deve ser o dever de criança enfaixada entregue a uma ama? uma boa mãe? JJR - Respondo com inter- JJR- Nem me fale nisso! Enfaixam-se os bebês por ser rogações. O dever da mulher mais cômodo para a ama, não oferece dúvidas. Mas de- o deixa em qualquer lugar, sem vemos considerar a questão se incomodar com o choro, desapenas pelo aspeto físico? Terá de que suas mães renegam o ato a criança menos necessidade de amamentar, se sujeitando a dos cuidados da mãe do que de mercenárias”, “que como não são ser amamentada no seu peito? seus filhos naturais, não sente o apelo da natureza. GH - Depreendo então, que não tem dúvidas sobre o benefício GH- Tem fé que mais mulheres posda amamentação materna? sam aceitar o aleitamento materno? JJR - Claro que que não!
ENTREVISTA
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JJRObviamente! Encontram-se, jovens que, cheias de uma bondade natural, ousam desafiar os costumes e os clamores do seu sexo, cumprindo, com virtude e coragem, este dever tão doce que a Natureza lhes impõe. Que o seu número possa aumentar por todas as bênçãos que atraem aquelas que assim procedem.
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GH- Quer deixar umas palavras finais a todos os que pensam nas tarefas de criar e educar os seus filhos? JJR- Deixo estas ideias. Não há pobreza, nem tarefas, nem respeito humano que o dispense de nutrir seus filhos e de educá-los ele próprio. Podeis acreditar em mim: quem quer que seja tenha entranhas e negligencie tão santos deveres derramará por sua causa lágrimas amargas e nunca se consolará. Jean-Jacques Rousseau, Emilio ou Sobre a Educação, 1762
John Methuen (1650-1706)
O TEMPO NA HISTÓRIA
DESTAQUE
No âmbito da disciplina de + Cidadão no Tempo e no Espaço, foi construído um friso cronológico em cada uma das salas de sétimo ano. A atividade inseriu-se na renovação de práticas dentro da sala de aula. A construção do friso permitiu assegurar a aquisição do conceito tempo e espaço e as suas profundas alterações ao longo do período histórico que medeia a pré-história, a antiguidade clássica e a idade média. Os frisos com três metros foram construídos pelos alunos em projeto da nova disciplina + Cidadão no Tempo e no Espaço.
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Gazeta da História
UM DIA NO PALÁCIO DE VERSALHES Um dia no Palácio de Versalhes pintando o retrato do Rei-Sol
Em
15 de Setembro de 1695, fui convi- teve que ir à sua reunião matinal com os seus conselheiros. dado por Luís XIV, para passar um dia no palácio de Versalhes, pois o rei que- Após duas horas de reunião, Luís XIV foi almoçar. Como ria que eu fizesse um novo retrato seu. ele almoçava sozinho, eu tive que comer na sala onde pintava. Acabada a hora de almoço voltei ao trabalho e terQuando cheguei ao palácio depa- minei a pintura do tronco do rei, as pernas e cabeça. rei-me com uma enorme quantidade de guardas reais à minha espera, mas Com o dia a terminar, solicitei ao rei autorização para no meio de tantos guardas apenas descansar nos meus aposentos, mas o rei insistiu que eu dois se dirigiram a mim e le- acabasse o retrato ali mesmo, pois o prazo terminava à varam-me aos aposentos do rei. meia noite. Enquanto andávamos pelos enormes corredores, tive o prazer de ver os enormes quadros e estátuas do rei. Como eu tinha chegado muito cedo, ainda assisti ao despertar do rei, junto de outros membros da corte. Passadas umas horas o rei que já tinha tomado o pequeno almoço, e mudado a sua peruca, levou-me para um pequeno quarto onde ficaria sentado num banco, em pose, para eu o pintar. De repente, o rei lembrou-se que tinha de assistir à missa. Então, com pressa, disse-me para o acompanhar até à capela. Passados trinta minutos de missa, voltamos para a sala, onde consegui fazer apenas o seu tronco, pois o rei
Então, ao fim de 5 longas horas, terminei a pintura, e o rei gostou tanto que a colocou na parede central da sala de baile. Acabei por adormecer nessa noite bem depressa. No dia seguinte, como não queria incomodar o rei, pedi a 2 guardas que me levassem à saída do grande Palácio de Versalhes. Martim Rocha 8ºB
3 NESTE DIA
5 de agosto de 1779 é criada em Portugal a Academia Real da Marinha por lei da Rainha D. Maria I A rainha D. Maria I, que ficou para a História pelos cognomes de A Piedosa ou a A Pia, devido à sua profunda devoção religiosa, foi a primeira a governar Portugal. Ficou também conhecida pela demissão e exílio da corte do marquês de Pombal, assumindo posições de clemência e perdão às vítimas encarceradas no tempo do marquês. A 5 de agosto de 1779, o Ministro da Marinha, Martinho de Melo e Castro, cria em Lisboa a Academia Real da Marinha, por decreto de D. Maria I. Esta instituição vai estar mais tarde na génese da Universidade de Lisboa. Nesta nova instituição foram incorporados cargos e instituições de ensino especializadas então existentes, tais como: o cargo de cosmógrafo-mor, com a função de dar uma lição diária de Matemática e a aula de Debuxo Naval. Para reforçar os conhecimentos de ciência náutica dos oficiais é fornecido um curso de Matemática, com a duração de três anos, dado por três professores. Beatriz Queiróz 11º8
Lisboa vê-se iluminada
Lisboa vê-se iluminada no reinado de D. Maria I, na noite de 17 CONTINUAÇÃO DA O NOSSO REI PROMETEU E UM CONVENTO SE CONSTRUIU de dezembro de 1780. Setecentos p. 1 e setenta candeeiros de azeite o longo do tempo para enriquecer este convento acrescentaram-se obras de arte e criaram-se foram pagos pelo estado, mas o outros espaços, como a biblioteca conventual. O palácio contém dois retângulos articulados. O azeite foi cobrado aos moradores principal é na vila e tem a igreja, o palácio, dois claustros, o refeitório e outros lugares. das ruas iluminadas que tinham de fornecer um quartilho de azeite a cada vinte e sete dias. retângulo secundário está virado para a Tapada e tem as celas conventuais, as oficinas e a casa da livraria. A igreja encontra-se no centro da fachada, delimitada por duas torres, o seu acesso é A 16 de Agosto de 1781, a através de uma escadaria e por rampas. O interior da igreja é grandioso e equilibrado, dividido em 3 rainha D. Maria I assina o denaves e 6 capelas laterais. creto de condenação do marquês ale a pena a visita virtual ao palácio de Mafra na RTP Play https://bit.ly/conventomafra , mas de Pombal, que por ser merecedor mais vale a visita real às terras de Mafra e seu Palácio. de exemplar castigo, acaba desterrado a vinte léguas da corte.
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Em 1792, no dia 10 de fevereiro, os médicos são claros, a rainha piedosa não tem saúde para governar. Por outras palavras, com 57 anos a rainha está louca e incapaz. D. Maria I terminou a sua vida a 20 de Março de 1816, no Rio de Janeiro, com 81 anos, depois de passar os últimos anos de vida com flagrante instabilidade mental que a obrigou a ceder o governo ao seu filho, D. João VI. Jaz na Basílica da Estrela, em Lisboa, que ela mesma mandou erguer depois de fazer votos de que construiria uma igreja se tivesse um filho para herdar o trono.
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ESPECIAL PALÁCIO DE VERSALHES A Gazeta da História conseguiu a exclusiva entrevista ao Rei Luís XIV que tem medo do escuro
GH - Muito bom dia Sua Majestade, Luís XIV. Sou jornalista da Gazeta da História. Gostava de lhe fazer algumas perguntas sobre a sua vida extraordinária. Rei - Sim, claro, tudo o que precisar. Hoje apetece-me falar. GH - Em que ano começou a governar e quantos anos governou? Rei: Ora bem, comecei a governar em 1632 e governei durante 72 anos. GH - Porque é que o sol era o seu emblema? Rei - Que boa pergunta! Identifico-me com o sol. Antes que pergunte porquê eu vou já dizer-lhe. Tal como o sol gira à volta da terra, a corte girava à minha volta. GH - Muito interessante! Como se sentia com a corte sempre à volta de si? Rei - Bem... eu fui um rei absoluto, ou seja, tinha todo o poder nas minhas mãos. Com a corte sempre em volta de mim, além de me sentir seguro, sentia-me iluminado. Não sei se me fiz explicar? GH: Muito bem Majestade. No fundo todos o adoravam como nós adoramos o Sol. Permita-me outra questão. Como são as suas manhãs? Rei - Eu acordo por volta das 8:30, e o meu médico particular verifica o meu estado de saúde. O meu barbeiro particular trata do meu cabelo e da minha barba e os meus empregados auxiliam na minha higiene. Tomo a primeira refeição, que normalmente é chá de ervas ou caldo de legumes, e de seguida vou à missa. Depois vou para o meu gabinete trabalhar. Quando acabo de trabalhar vou almoçar no meu quarto virado para a janela, para me inspirar para o trabalho da tarde. GH - Muito bem! Ouvi dizer que anuncia à corte às 14 horas como vai ser à tarde. Rei - Sim, é verdade. Depois do anúncio, aproveito que tenho um tempo livre e vou passear pelos meus belos jardins, ando de carruagem com as senhoras, vou à caça e às vezes ouço um bocado de música. E, entretanto, chega a minha hora de lanchar às 17h. Normalmente como paté ou doces. GH: - Isso é um dia muito longo! Deve chegar ao final do dia muito cansado… Rei - Nem todos os dias são iguais, mas como imagina um rei absoluto tem sempre muitas decisões para tomar. Por exemplo, à quinta-feira reúno com os meus jardineiros e arquitetos, à terça com o Estado da Nação e à sexta recebo as pessoas que querem confessar os seus pecados. Claro, alguns aproveitam para fazer um ou outro pedido. GH - Realmente tem os dias muito preenchidos. Rei - Sim, sim. Eu sou absoluto, mas ainda assim tenho tempo para jantar para repor energias e vou dormir, por volta das 23:30. Como tenho medo do escuro, há uma pessoa que fica a segurar uma vela até eu adormecer. GH - HAHAHAHA. Como é que um rei absolutista tem medo do escuro? Rei - Já imaginou se as estátuas do meu jardim ganhassem vida enquanto adormeço e eu não conseguisse ver? GH - HAHAHA. Muito obrigado, Termino aqui as minhas perguntas. Gostei muito de o ter conhecido. Rei - De nada, foi um prazer. (Érica 8ºD) Um rei com um furo nos collants É a única coisa em que consigo pensar quando me lembro do dia incrível que passei com Luís XIV no palácio de Versalhes. Era um dia normal como os outros, tirando o facto de que passaria um dia inteiro com o rei absoluto. Nesse dia acordara cheia de fome como sempre, mas o entusiasmo de ter autorização para passear pelo palácio de Versalhes fez-me esquecer a fome. Vesti o meu melhor vestido. Porém doloroso, com aquele maldito espartilho de ossos de baleia. Normalmente demoraria uma eternidade para encontrar a sala de refeições e quando lá chegasse nem haveria mais comida, mas nesse dia foi diferente. Encontrei um criado do rei que me conduziu até a sala de refeições em menos de 5 minutos. Durante esse pequeno passeio pelos grandes corredores do palácio, comecei a ficar presa nos meus pensamentos enquanto admirava as incríveis estátuas de mármore. Cada pormenor era simplesmente fantástico!Voltei a minha atenção para o chão que mais parecia um tabuleiro de xadrez infinito. Chegando à sala de refeições, o criado que me acompanhou deu ordem para se iniciar o cortejo de comida. Enquanto esperava comecei a notar algumas diferenças naquela sala que, supostamente, não tinha antes. As pinturas enormes na parede, o luxuoso espelho, as poltronas vermelhas e uma única mesa toda decorada. Foi quando, subitamente, me lembrei que o rei estaria presente e já não tardaria a sua presença. Pensei em fugir, fingir uma dor barriga qualquer coisa, mas já havia pessoas a entrar na sala, e tal como eu, a ficarem surpreendidas por alguém estar ali. Passados alguns minutos, Luís XIV entrou na sala e todos fizemos uma vênia. O rei sentou-se à minha frente, os criados romperam pela sala com a comida. Se eu não estivesse a ser observada daria um berro de empolgação pela quantidade de comida que chegava. Croissants, grandes fatias de bolos, variadas frutas, desde a mais exótica à mais normal, requeijão e manteiga. Acabada a refeição, as pessoas deram uma exagerada salva de palmas e retiraram-se, deixando-me sozinha com o rei, que por sua vez, levantou-se da mesa e virou-me costas. Eu fiquei paralisada no meu confortável lugar, pois logo após o rei virar costas, reparei que ele tinha um furo nos collants. Fiquei sérios segundos a tentar convencer-me de que era só uma nova moda que ele inventara, mas essa ideia era impossível. Fui trazida de volta à realidade com ele a chamar por mim, a pedir que o acompanhasse. Comecei a entrar em pânico, e se eu o avisasse e
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ele dissesse que era uma nova moda? Se eu não queria passar por burra, pensei... mas e se não for uma nova moda? Se eu não avisar e ao fim do dia o rei reparar e pensar que eu não o avisei e me mandar decapitar? O rei voltou a falar comigo. -Pareces um bocado distraída, o que se passa, algum problema? -Não, meu Rei -respondo- Só estou demasiada fascinada consigo, e com a sua presença, para conseguir falar. -Hm, estou a ver. -responde ele. Solto um breve e quase silencioso suspiro por ter-me safado aparentemente. E, de repente, lembro-me que os guardas estão bem atrás de nós. Talvez algum deles tenha reparado no furo nos collants do rei, talvez possam avisá-lo. Olho para trás discretamente mas sem sucesso. Decido que contarei mais tarde. Quando me apercebo estamos a entrar no jardim na parte leste do palácio. Ao contrário dos outros dias, o tempo estava ensolarado. Os raios de sol refletiam na água fazendo-a parecer mais cristalina. Comecei a admirar as belas árvores de estaturas médias, perfeitamente alinhadas. A minha atenção é desviada, desta vez, para o céu, para as aves a voarem livremente, para as nuvens com várias formas e feitios. Começamos a andar devagar e a apreciar a vista para lá da fonte. O silêncio instalado é, subitamente, interrompido por Luís XIV:
5 HISTÓRIA LOCAL Dois irmãos em guerra e uma estrada que passa aqui perto.
Ao estudarmos a guerra civil que opôs os irmãos D. Pedro e D. Miguel, é obrigatório falarmos de uma das mais importantes vias do nosso concelho, falamos da estrada D. Miguel. É conhecido o facto de aquando do cerco do Porto, o rei absolutista ter percorrido a zona hoje identificada com a estrada. D. Miguel procurava juntar-se às suas tropas, estacionadas em Valongo, no dia 5 de novembro de
-Fui eu que escolhi cada planta aqui plantada, sabia? Queria ter um jardim, não só belo mas que tam- 1832. bém me representasse. Grandioso, magnífico, organizado e harmonioso. Instalou-se um breve silêncio . e Luís XIV continuou: -Queria ter uma verdadeira sociedade de prazeres, uma sociedade onde a minha corte pudesse descansar e divertir-se, viver sem preocupações, se é que me entende. -Sim meu rei - respondo. De repente o rei pára e dou-me conta que chegamos ao Grand Canal. Ele olha brevemente para trás e um dos guardas coloca uma toalha e um banco no chão para o rei se sentar, ele pede-me para eu também me sentar, o que faço prontamente. Ficamos o resto da manhã a apreciar aquela vista e trocando palavras de vez em quando.Seguidamente fomos admirar, segundo o rei, as belas fontes. Este falou-me dos deuses representados em algumas delas e das suas respetivas histórias.Ao fim do dia houve um pequeno baile na sala dos espelhos, onde se apresentaram jovens bailarinos e fizeram um Caricatura representando D. Pedro IV balé dramático. e D. Miguel disputando a coroa porApós a esplêndida apresentação, fizemos algumas danças como a gavotte, o minueto e a bourrée.Para terminar o grande dia, jantei com Luís XIV, uma das melhores refeições que comera na minha vida. Comemos quatro sopas, alguns ovos cozidos, salada de legumes, presunto cru, um frango capão ensopado, uma perdiz e algumas frutas e doces.Ao fim da noite Luís XIV e eu despedimo-nos e fomos para os nossos quartos. Nessa noite não consegui dormir só de lembrar cada momento do dia que passei com o rei. Estava incapaz de fechar os olhos. Mas não esqueci o furo nos seus collants! Leticia Santos 8ºA
tuguesa, por Honoré Daumier, 1833.
O rei D. Miguel, de seu nome Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara António Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo, foi Regente do Reino de 1826 a 1828, em nome de sua sobrinha e noiva D. Maria II, e depois Rei de Portugal e dos QUERIDO DIÁRIO Algarves entre 1828 e 1834. Foi o 3/6/1691 terceiro filho varão do Rei D. João VI e da Rainha D. Carlota JoaquiQuerido diário, hoje enquanto passeava pelo jardim do Palácio de Versalhes, um dos mensageiros na de Espanha e irmão mais novo do Rei Luís XIV, ou como ele gosta de ser chamado “O Rei Sol”, veio entregar-me uma bela carta de D. Pedro IV de Portugal e I do onde me convidava para amanhã, dia 4 de Junho de 1691, passar o dia no palácio na sua companhia. Brasil. Fiquei felicíssima e muito entusiasmada, pois não é qualquer dama que recebe um convite tão especial como este. Suponho que fui escolhida pelo rei por ser uma jovem bonita e deslumbrante. Sim sou Recorde-se que o rei jurou a carta constitucional, no entanto não a vaidosa! Outras senhoras da corte já tinham recebido um destes convites e contaram que tinha sido cumpriu, dissolveu o parlamentou e um grande privilégio poder passar um dia ao lado do tão amado Rei Luís XIV. Já estava à espera convocou as cortes, que o apresendeste dia desde 1682 quando o rei se mudou para o palácio. Não é em vão que o palácio tem mais tam como rei absoluto, desencadede 700 quartos, 2153 janelas e 1250 lareiras, para lá residirem entre 3 a 10 mil pessoas, as mais andoi a guerra civiol entre liberais respeitáveis e significativas da sociedade. Estou num aposento bastante agradável, mas talvez, se eu e absolutistas. agradar ao rei, talvez possa ficar num quarto ainda mais luxuoso. Por um lado fico um pouco receosa Após o fim da Guerra Civil (1832– e inquieta, pois não sei o que o rei irá achar de mim... Bem, esperemos para ver o que acontece, mas 1834), com a Convenção de Évora uma coisa é certa, vou usar aquele meu lindo vestido azul-turquesa que só visto em ocasiões especiais. Monte, seguiu para o exílio. 5/6/1691 Meu apreciado diário, ontem foi o MELHOR DIA DA MINHA VIDA! Levantei-me tão cedo que o sol ainda nem tinha nascido. O Monarca acorda às 8 horas e 30 minutos, de seguida vai ao seu quarto um cirurgião e um médico verificar a sua saúde.De seguida, entram os cortesãos que são quem assiste à cerimónia de acordar do rei, lhe dão banho, o penteiam, o barbeiam e o preparam para o restante dia. O soberano veste roupas bastante graciosas, usa meia calça e saltos altos. O seu símbolo nas roupas é a flor-de-lis. Tem mais de mil perucas, por isso raramente usa a mesma, troca-as mais de uma vez ao dia. Infelizmente não pude assistir ao seu pequeno-almoço, já que só homens assistem ao pequeno-almoço do rei, normalmente 100. Porém, sei que a Majestade, por norma, bebe chá de ervas e caldo de legumes ao pequeno-almoço. Depois de estar completamente aprontada, fui ter com o rei à Galeria de Espelhos. É lindíssima mas um pouco confusa por ter demasiados espelhos. Seguidamente, fomos assistir à missa da manhã. Às 13 horas é hora do almoço. O rei costuma almoçar sozinho no quarto, mas como sou sua convidada almoçamos os dois juntos debaixo do telheiro do jardim. Após o almoço, o Monarca convidou-me para dar um passeio na sua carruagem real. Não é para me valorizar deveras, mas acho que o rei me apreciou muito mais do que as outras senhoras da corte... até elogiou o meu vestido e tudo! Paramos num jardim que nunca tinha visto, tinha roseiras magníficas! O rei
A 19 de Dezembro de 1834, a rainha D. Maria II promulgou uma carta de lei, conhecida por lei do banimento, D. Miguel (destituído da realeza) e todos os seus descendentes, ficaram para sempre obrigados a viver fora do território português e sem direitos de sucessão ao trono de Portugal. Faleceu na Alemanha, a 14 de novembro de 1866. Já durante a República, em 5 de abril de 1967, para ser solenemente trasladado juntamente com a sua consorte para o Panteão da Dinastia de Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora, da mesma cidade. Érica Brito 11º8
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ofereceu-me a rosa mais linda do jardim, já a coloquei no meio da minha Bíblia para secar e eu poder guardá-la para sempre! Voltamos para o palácio e tive o grande privilégio de ver o rei a escrever “a sua frase” num documento: “L’État c’est moi” (O estado sou eu)!
6/6/1691
Querido diário ontem não consegui acabar de escrever, mas por um bom motivo, pois, foi o meu dia predileto desde que estou no palácio. Fui para o baile, porque no palácio temos bailes todas as noites. O soberano só chegou alguns momentos depois, presumo que seja para fazer “uma entrada triunfante”. Continuando, depois de termos voltado ao palácio, fomos lanchar por volta das 17 horas. Seguidamente, o rei fez-me uma visita guiada pelo teatro, era enorme e muito requintado! O Monarca mandou os músicos que estavam no palco tocarem a música mais harmoniosa que tinham na sua pauta e, melhor ainda, o rei convidou-me para uma dança! Fiquei um pouco ansiosa e preocupada, pois tive receio de calcar o rei por acidente. Contudo, com a dança acabei por ficar mais confiante, pois não foi inutilmente que frequentei aquela escola de etiqueta em Paris. Finalizamos o dia ao som daquela graciosa música. Às 22 horas, o rei janta com a sua família. Antes do Monarca comer a sua comida um dos criados tem que a provar, pois o rei tem medo que a mesma esteja envenenada. Às 23 horas e 30 minutos, o rei vai deitar-se acompanhado dos cortesãos para assistirem à cerimónia do deitar. Forma assim, maravilhosos os meus dias em Versalhes com Luís XIV. É verdade! Conheci zonas do palácio que nem imagina que existiam. Todavia, a minha zona preferida passou a ser aquele jardim em que o rei me ofereceu a bela rosa! Lara Campelo 8ºB
RECEITAS COM
HISTÓRIA
Creme de chocolate de D. Maria I
Na corte de D. José e D. Maria I,
o chocolate era um alimento muito apreciado, constando em inúmeros registos de compras. O chocolate é um alimento feito com base na amêndoa fermentada e torrada do cacau. A sua origem remonta às civilizações pré-colombianas daAmérica Central. A partir dos Descobrimentos, foi trazido para a Europa, onde se popularizou. A receita de creme de chocolate é uma delícia do século XVIII.
Ingredientes:
Modo de preparação:
1 litro de leite Sal q.b 200g de açúcar 1 pau de canela Casca de 2 limões 100g de chocolate em pó 3 ovos inteiros + 5 gemas Retrato D. Maria I (1783)
Túmulo de D. Maria I na Basílica da Estrela, em Lisboa
Levar o leite a ferver temperado com o sal, o açúcar, a canela e a casca de limão. Depois de reduzir e atingir cerca de 700 ml, acrescentar o chocolate e os ovos batidos. Passar por um passador, deitar em ramequins e levar ao forno a cozer em banho-maria, no forno pré-aquecido a 180 graus, aproximadamente 20 minutos. Serve seis doses individuais.Experimentem! Não foi por falta de bom chocolate que a Rainha D. Maria I entrou em declínio psiquíco, acreditem!
CURIOSIDADES! Bom rei, mau poeta
CAÇA AS PLAVRAS HISTÓRICAS
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Numa ocasião, o rei Luís XIV mostrou a Nicolás Boileau um dos seus versos que acabara de escrever. O ensaísta viu-se incapaz de mentir, mas procurou a maneira de dar uma opinião sincera ao rei, sem ofendê-lo. - Nada é impossível para Vossa Magestade. Terá querido fazer um dos piores versos. E com que facilidade o conseguiu majestade!
O destino do Cardeal Manzarino Quando avisaram Luís XIV da morte do Cardeal Manzarino, sucessor de Richelieu no governo de França, disseram: - Majestade, o cardeal entregou a sua alma a Deus. O rei, que não sentia grande apreço pelo Cardeal respondeu: - Estáis seguro de que Deus a aceitou? QUEM COLABOROU NESTA GAZETA
As aber! Honra aos magnificos colaboradores deste número primeiro da Gazeta. Alunos Beatriz Queirós e Érica Brito do 11º8, Martim Rocha e Lara Campelo do 8ºB e Érica Moreira do 8ºD e Letícia Santos 8ºA. Professores Armando Oliveira e Sara Botelho.