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Gentil, o iconoclasta

TEOLOGIAS NÃO

EUCLIDIANAS

(DEUS SOB O ESCRUTÍNIO DE UM MATEMÁTICO)


CONTRACAPA

TEOLOGIAS NÃO EUCLIDIANAS

(DEUS SOB O ESCRUTÍNIO DE UM MATEMÁTICO)


TEOLOGIAS NÃO EUCLIDIANAS (Deus sob o escrutı́nio de um matemático) Gentil, o iconoclasta

1a edição

Boa Vista-RR Edição do autor 2018


c 2018 Gentil Lopes da Silva Copyright

Todos os direitos reservados ao autor 1 ed. 2018 Site do autor → docente.ufrr.br/gentil.silva email → gentil.iconoclasta@gmail.com

Editoração eletrônica e Diagramação: Gentil Lopes da Silva Capa: Adriano J.P. Nascimento

Ficha Catalográfica S586d

Silva, Gentil Lopes da Teologias N~ ao Euclidianas:

Deus sob o escrutı́nio de um matemático/ Gentil Lopes da Silva.-- Boa Vista: Autor, 2018. x, 164 p. il. 16 × 23 cm [e-book] [Pseud^ onimo: Gentil, o iconoclasta] ISBN 978-85-63979-18-6 1. 3. 5.

Filosofia. 2. Matemática. Fı́sica. 4. Consci^ encia. Gentil, o iconoclasta. I. Tı́tulo. CDU: 130.3/510

(Ficha catalográfica elaborada por Bibliotecária Zina Pinheiro CRB 11/611)

2


Prefácio Onde não há mente, não há fundo da mente. Eu sou todo frente, sem fundos. O vazio fala, o vazio permanece. (Nisargadatta Maharaj) Na edição da Revista Veja de 4 de julho de 2012, o cientista Francis Crick − o mesmo que descobriu a forma de hélice dupla da mólecula da vida, o DNA − proferiu: Você, suas alegrias e tristezas, suas memórias e ambições, sua noção de identidade e seu livre-arbı́trio nada mais são do que a interação de um vasto conjunto de células nervosas . . . Traduzindo, digamos que nossa identidade (ego) é como se fosse um arquivo codificado quimicamente no cérebro. O que corre por nossa conta é a afirmativa de que podemos apagar esse arquivo. Sendo ainda mais explı́cito: podemos deletar nossa mente, quando então perderemos nosso ego, passamos a funcionar num estado de Consciência Pura. Esse novo estado vem sendo anunciado por milênios através de mı́sticos do Oriente, e agora confirmado por esse autor que vos fala. O essencial do presente livro foi escrito a partir da plataforma da Consciência Pura, na qual não existe mente, não existem pensamentos, não existe um “eu”. Esse estado é o que no budismo se denomina por Satori. Em nosso dia a dia vivemos na mente; ora, ao deletar a mente e transcender para o estado de Consciência Pura nos damos conta de que tudo o que apreendemos durante a vida foi efeito de programação mental, por assim dizer. O interessante é que nesse tudo podemos incluir as religiões com seus respectivos Deuses; saiamos um pouco desse nı́vel de abstração e tomemos, por exemplo, a figura do Papa Francisco. Ora, não é difı́cil se dá conta de que o Papa Francisco, como tal, só existe na cabeça das suas fiéis ovelhas. Como eu não me enquadro nessa categoria na minha mente existe o homem Francisco mas não o Papa Francisco; para mim essa figura (tı́tulo Papa) é totalmente desnecessária − não tem existência real. Um rei só é rei enquanto existirem súditos, assim como a luz só existe na presença de um olho. Extrapolando esse raciocı́nio, no presente livro demonstramos um teorema matemático que prova que todo Deus resulta de uma construção mental, resulta de uma programação cerebral. Assim como a luz só existe na presença de um olho, Deus só existe na presença de um ego − o ego tem medo da morte, daı́ que Deus passa a ser uma solução. Ademais, e ainda situado na plataforma da Consciência Pura − que por sinal é a verdadeira essência do ser humano − resolvemos de modo não trivial o “mistério da morte”, e como se não bastasse, no último capı́tulo damos uma contribuição decisiva aos estudiosos da consciência, dentre eles psicólogos e neurocientistas. Gentil, o iconoclasta

Boa Vista-RR, 09 de maio de 2018. 3


EPÍSTOLA PREAMBULAR (De Giordano Bruno) PARA O ILUSTRÍSSIMO SENHOR MICHEL DE CASTELNAU Se eu, ilustrı́ssimo Cavaleiro, manejasse o arado, apascentasse um rebanho, cultivasse uma horta, remendasse um fato, ninguém faria caso de mim, raros me observariam, poucos me censurariam, e facilmente poderia agradar a todos. Mas, por eu ser delineador do campo da natureza, atento ao alimento da alma, ansioso da cultura do espı́rito e estudioso da actividade do intelecto, eis que me ameaça quem se sente visado, me assalta quem se vê observado, me morde quem é atingido, me devora quem se sente descoberto. E não é só um, não são poucos, são muitos, são quase todos. Se quiserdes saber porque isto acontece, digo-vos que a razão é que tudo me desagrada, que detesto o vulgo, a multidão não me contenta, e só uma coisa me fascina: aquela, em virtude da qual me sinto livre em sujeição, contente em pena, rico na indigência e vivo na morte; em virtude da qual não invejo aqueles que são servos na liberdade, que sentem pena no prazer, são pobres na riqueza e mortos em vida, pois que têm no próprio corpo a cadeia que os acorrenta, no espı́rito o inferno que os oprime, na alma o error que os adoenta, na mente o letargo que os mata, não havendo magnanimidade que os redima, nem longanimidade que os eleve, nem esplendor que os abrilhante, nem ciência que os avive. Daı́, sucede que não arredo o pé do árduo caminho, por cansado; nem retiro as mãos da obra que se me apresenta, por indolente; nem qual desesperado, viro as costas ao inimigo que se me opõe, nem como deslumbrado, desvio os olhos do divino objeto: no entanto, sinto-me geralmente reputado um sofista, que mais procura parecer subtil do que ser verı́dico; um ambicioso, que mais se esforça por suscitar nova e falsa seita do que por consolidar a antiga e verdadeira; um trapaceiro que procura o resplendor da glória impingindo as trevas dos erros; um espı́rito inquieto que subverte os edifı́cios da boa disciplina, tornando-se maquinador de perversidade. Oxalá, Senhor, que os santos numes afastem de mim todos aqueles que injustamente me odeiam; oxalá que me seja sempre propı́cio o meu Deus; oxalá que me sejam favoráveis todos os governantes do nosso mundo; oxalá que os astros me tratem tal como à semente em relação ao campo, e ao campo em relação à semente, de maneira que apareça no mundo algum fruto útil e glorioso do meu labor, acordando o espı́rito e abrindo o sentimento àqueles que não têm luz de intelecto; pois, em verdade, eu não me entrego a fantasias, e se erro, julgo não errar intencionalmente; falando e escrevendo, não disputo pelo amor da vitória em si mesma (pois que todas as reputações e vitórias considero inimigas de Deus, abjectas e sem sombra de honra, se não assentarem na verdade), mas por amor da verdadeira sapiência e fervor da verdadeira especulação me afadigo, me apoquento, me atormento. É isto que irão comprovar os argumentos da demonstração, baseados em raciocı́nios válidos que procedem de um juı́zo recto, informado por imagens não falsas, que, como verdadeiras embaixadoras, se desprendem das coisas da natureza e se tornam presentes àqueles que as procuram, patentes àqueles que as miram, claras para todo aquele que as aprende, certas para todo aquele que as compreende. Apresento-vos agora a minha especulação acerca do infinito, do universo e dos mundos inumeráveis. Excerto do livro: ACERCA DO INFINITO, DO UNIVERSO E DOS MUNDOS (Giordano Bruno). Giordano Bruno (1548-1600) foi queimado vivo em 1600 pelo Papa (Pontı́fice) “representante máximo de Deus sobre a Terra” .

4


Sumário

1 Um 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5

telescópio acima das nuvens Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Que é a verdade? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A farsa de uma “consciência crı́stica” . . . . . . . . . . Jesus ou Buda? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Quando as religiões e teologias tornam-se desnecessárias

2 Teologias não euclidianas • Adendo: A mulher matematicamente perfeita . . . . . . . . 2.1 O impeachment de Jeová . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.2 Primeiro postulado da teologia não euclidiana . . . . . . 2.3 Segundo postulado da teologia não euclidiana . . . . . . 2.3.1 A estrutura cognitiva de referência . . . . . . . . 2.3.2 Diálogo entre Einstein e Tagore . . . . . . . . . . 2.4 Desenvolvimento da teologia não euclidiana . . . . . . . 2.4.1 Deus existe? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.4.2 Teorema fundamental da teologia não euclidiana 2.4.3 Atributos divinos . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.4.4 O pecado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.4.5 Sobre a “santidade” de Deus . . . . . . . . . . . 2.4.6 A Lei de Deus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.4.7 Quem criou este mundo? . . . . . . . . . . . . . 2.4.8 Qual o objetivo (sentido) da vida? . . . . . . . . 2.5 Satori & Iluminados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.6 Um matemático de elevada estirpe e o Nada . . . . . . . 2.7 Extrapolando o âmbito da teologia - aplicações à fı́sica . • Apêndice: Refutando um capcioso Dr teólogo cristão . . . .

7 7 14 19 23 26

. . . . .

. . . . .

. . . . .

. . . . . . . . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . . . . . . . . . . . . .

27 . 31 . 40 . 40 . 42 . 45 . 46 . 51 . 51 . 57 . 58 . 59 . 60 . 61 . 71 . 72 . 87 . 92 . 93 . 100

3 Que é a morte?

129

4 Contributo ao enigma da Consciência

143

5


Tabela de Códigos Lembre-se: todo o universo atual da tecnologia e informática só é possı́vel porque utilizamos dois sı́mbolos (estados) “0” e “1”. Por exemplo, veja como o teclado do seu computador − ou celular − é codificado. Caracter

Código

Caracter

Código

<

00111100

A

01000001

>

00111110

B

01000010

!

00100001

C

01000011

P

11100100

D

00100100

#

00100011

E

01000101

$

00100100

F

01000110

%

00100101

G

01000111

&

00100110

H

01001000

(

00101000

I

01001001

)

00101001

J

01001010

00101010

K

01001011

[

01011011

L

01001100

]

01011101

M

01001101

+

00101011

N

01001110

00101101

O

01001111

/

00101111

P

01010000

0

00110000

Q

01010001

1

00110001

R

01010010

2

00110010

S

01010011

3

00110011

T

01010100

4

00110100

U

01010101

5

00110101

V

01010110

6

00110110

W

01010111

7

00110111

X

01011000

8

00111000

Y

01011001

9

00111001

Z

01011010

A seguir vemos o diagrama de blocos de uma calculadora. Entrada 7

8

9

4

5

6

1

2

3

+

0

Saida

Codificador

Teclado

CPU

ր

Decodificador

ր

00110001 00101011 00110010

00110011

Display

6


Capı́tulo

1

Um telescópio acima das nuvens 1.1

Introdução

Inicio arrolando alguns argumentos no sentido de demonstrar por que só eu poderia ter escrito o presente livro: 1 o ) Estudo matemática a cerca de 40 anos, sou mestre, escrevi vários livros na área de matemática e espiritualidade. Sou pesquisador, já criei bastante matemática, tudo isto resultou em que adquiri uma sensibilidade lógica aguçada, uma acuidade visual e perceptiva incomuns∗ Acredito que o matemático desenvolve um “sentido” irredutı́vel à visão, à audição e ao tato, que lhe permite perceber uma realidade tão palpável quanto, mas bem mais estável que a realidade fı́sica, pois não localizada no espaçotempo. (Alain Connes/matemático francês) 2 o ) Sou professor, o que me permitiu desenvolver uma didática própria; 3 o ) Não tenho religião, o que implica dizer que não tenho amarras, viseiras; 4 o ) E por último e mais importante, desenvolvi uma técnica própria de meditação que me conduziu ao estado de Satori (ou Iluminaç~ ao†), que é um estado onde nosso pequeno ego (identidade) se funde ao oceano de Consciência Universal, um estado sem atributos, sem identidade (um puro ‘Nada’, Consciência Pura). A tı́tulo de ilustração vamos arrolar três testemunhos de sábios que consideramos iluminados: ∗

A quem interessar possa, meus livros encontram-se no enderêço www.goo.gl/DVWQxz Nota: A propósito, se houvesse defesa para o tı́tulo de Iluminado, eu apresentaria este livro como sendo a minha Tese, você estaria capacitado a compor a Banca Examinadora? †

7


− Buda:

O estado do Buda

Quando Buda atingiu, alguém lhe perguntou: “O que você atingiu?” Ele riu e disse: “Não atingi nada, pois o que atingi sempre esteve comigo. Pelo contrário, perdi muitas coisas; perdi meu ego, meus pensamentos, minha mente. . . Perdi tudo o que costumava senti que possuı́a; perdi meu corpo, pois costumava achar que era o corpo. Perdi tudo isso e agora existo como puro nada. Mas essa é a minha aquisição.” (Buda/Osho) − Osho Eu havia reconhecido o fato de que eu não existia − não podia então depender de mim mesmo, não podia me pôr de pé no meu próprio solo. Não havia solo sob meus pés; eu estava sobre um abismo. . . um abismo sem fundo. Mas não havia medo porque não havia nada para ser protegido. Não existia medo porque não havia ninguém para ter medo. (Osho/Autobiografia, p. 84) Uma gota de orvalho escorrendo da folha de lótus para dentro do oceano. . . Você pode pensar que a pobre gota está perdida, perdeu sua identidade. Mas olhe de um outro ponto de vista: a gota se tornou o oceano. Ela não perdeu nada, tornou-se vasta. Tornou-se oceânica. (Osho)

Mergulhe mais profundamente na sua consciência e, quanto mais fundo você for, mais seu eu começa a se dissolver. Talvez seja por isso que nenhuma religião exceto o Zen tentou a meditação − porque a meditação vai destruir Deus, vai destruir o ego, vai destruir o eu. Vai deixá-lo no nada absoluto. É apenas a mente que faz você ter medo do nada. (Osho/Zen, p. 133) − Sri Nisargadatta Maharaj

(EU SOU AQUILO, p. 207)

Observando incansavelmente, tornei-me vazio e, nesse vazio, tudo voltou a mim, exceto a mente. Sinto que perdi a mente de forma irrecuperável. Satori significa literalmente entender, é um termo japonês budista para iluminação, possui uma certa similaridade com os termos sânscritos Nirvana e Samadhi. 8


Enfatizo: o que me assegura a possibilidade desses estados de vacuidade é a minha própria experiência. Vou tentar traduzir este estado para o plano da mente − que é onde todas as pessoas normais se encontram −, antes devemos fazer distinção entre dois estados de consciência; primeiro existe a acepção comum de consciência, você toma consciência de algum objeto; segundo, existe um outro estado de consciência que em inglês é denominado de Awareness que é um estado de Consciência Pura (sem objeto) onde o pequeno ego (identidade) desaparece, você simplesmente deixa de existir; é o que acontece nas três citações da página anterior. − a partir da página seguinte estaremos esclarecendo melhor esse ponto. Transcender o ego não é uma aberração mental nem uma alucinação psicótica, senão um estado ou nı́vel de consciência infinitamente mais rico, mais natural e mais satisfatório do que o ego poderia imaginar em seus vôos mais desatinados de fantasia. (Ken Wilber/O Espectro da Consciênca, p. 21)

Adendo: O presente livro poderia ter sido escrito de uma perspectiva mais abstrata, por assim dizer, no entanto, dada a relevância dos temas aqui tratados optei por alcançar o maior número de pessoas possı́veis; assim é que tomei em consideração o dito popular que afirma que uma imagem vale mais que mil palavras, de fato, esse é um livro com muitas figuras e ilustrações, todo esse esfôrço tem o único objetivo de torná-lo mais didático, acessı́vel a um maior número de leitores, como já enfatizamos. Pois bem, não é difı́cil concluir que o ser humano, no que toca às questões fundamentais da vida, vive imerso (afogado) em um oceano de ignorância, a despeito das infindáveis e sucessivas teorias filosóficas e teológicas concebidas ao longo dos tempos. Por exemplo, muito tem-se falado de alma, espı́rito, vida após a morte, reencarnação, ressureição, etc. No meu entendimento não tem como se abordar temas dessa natureza − vida após a morte, notadamente − se uma questão capital antes não estiver definida, qual seja:

O que é o ser humano? O que somo nós? O que você é leitor? Ora, se essa questão básica não estiver assente como poderemos avançar? Se não sabemos quem somos, as inúmeras teorias filosóficas e teológicas não terão nenhuma credibilidade, não podem ser levadas a sério, situam-se no terreno das meras especulações, não obstante mimetizarem-se com as cores da erudição. Os mais difı́ceis são os intelectuais. Eles falam muito, mas não são sérios. (Maharaj)

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Inicialmente consideremos o testemunho de dois sábios iluminados, com os quais estamos de acordo, evidentemente. Não somos nem matéria nem energia, nem corpo nem mente. (Maharaj)

A mente não é você, é outro. Você é apenas um observador. (Osho)

Normalmente o ser humano se identifica com o corpo e a mente, a mente é produto de muitos fatores, em poucas palavras é uma construção social. Vejamos uma analogia, quando chegamos ao mundo podemos nos ver como uma tela em branco, assim:

Tela em branco

A tela em branco na qual o seu desenho (identidade) será pintado é o que denominaremos de Consci^ encia Pura, é o que você é em essência; a Consciência Pura não é matéria nem energia. Ao nascer embora não tenhamos uma identidade formada, no entanto, somos conscientes, temos uma Consciência. Pois bem, o seu retrato (identidade, ego) será pintado por vários “artistas”, dentre eles, seus pais, colegas de escola, religiões, internet, televisão, etc. 10


Por oportuno, vejamos o que significa e qual o objetivo da meditação. Faremos uma analogia, na fı́sica existe uma experiência na qual um prisma ao receber uma luz branca a decompõe em um espectro de frequências, “as sete cores do arco-ı́ris ” , assim:

        

Luz Branca

       

Amor Misericórdia Bondade

Inteligência “Ego” (Mente)

Sabedoria Ira Depressão

Pois bem, em nossa analogia a luz branca corresponde ao Oceano de Consciência (Pura), o prisma corresponde à mente humana e as cores são atributos tais como aqueles descritos na figura. Veja, todas as cores estão “escondidas dentro” da luz branca, agora só serão manifestas na presença de um anteparo, no caso o prisma. Vejamos uma analogia equivalente: se você expõe um CD à luz branca, esta se decompõe nas cores do arco-ı́ris, assim: − CD (Prisma)

Vermelho Alaranjado Amarelo

Luz Branca

− Consci^ encia Pura

Verde Azul Anil Violeta

− Mente (Matrix, pris~ ao)

Oceano de Luz.

Pois, bem o objetivo da meditação é anular o prisma (mente) e retornar à luz branca, assim: (https://www.youtube.com/watch?v=g-HKcURN1v0)

Luz Branca

A meditação elimina o prisma (mente) e conduz o mı́stico de volta ao Oceano.

×

A Meditação apaga o desenho da tela em branco, p. 10.

11


Neste estado não existe mente, portanto não existem pensamentos na mente. Vejamos ainda uma outra ilustração: Um segundo prisma colocado após o primeiro consegue somar todas as cores obtendo a luz branca de volta. Desta perspectiva, isto é, neste estado de Consciência ência onsci C Pura não existem pensamentos, nem um p en → → Mente samentos único sequer. Nota: Já vi vários vı́deos nos quais os instrutores de meditação afirBuda deleta a mente. mam ser impossı́vel silenciar por completo a mente. A explicação é simples: eles próprios nunca conseguiram. E quais as vantagens de se entrar neste estado de Consciência Pura?. As vantagens são inúmeras, primeiro que este é o nosso estado original (a tela em branco); segundo, este é o estado onde já se é imortal − o sonho de todo ser humano −, embora de importância capital não nos deteremos no tema da imortalidade haja vista que já o consideramos em dois outros livros ([4], [5]) nos quais defendemos a tese de que a morte não existe, é uma criação da mente; ademais, sugerimos ainda o livro O Néctar da Imortalidade de Sri Nisargadatta Maharaj, citado na referência [3] ao final deste livro. Pois bem, aqui particularmente me interessa ressaltar uma outra vantagem do estado de Consciência Pura, novamente por analogia. As observações astrônomicas feitas aqui da Terra sofrem diversas interferências (ruı́dos), razão por que os astrônomos colocaram um telescópio acima da atmosfera terrestre, veja:

Em nossa analogia, estas nuvens que obliteram nossa visão são os pensamentos; ora, no estado de Consciência Pura não existindo pensamentos a nossa acuidade visual e perceptiva passa a ser outra, uma vez que o ego não existe mais para atrapalhar.

Consciência Pura

ego

12

- Postados no estado de Consciência Pura vemos os conceitos (ideias) com uma nitidez superior àquela vista através do ego e dos pensamentos


Utilizando uma outra analogia, no estado de mente a nossa visão conceitual é como uma TV analógica, isto é, com as imagens cheias de ruı́dos, no estado de Consciência Pura, passamos a ter uma visão digital, com maior nitidez

Dito isto, informamos ao leitor que o essencial do presente livro foi escrito a partir deste estado de observação, isto é, “acima das nuvens”.

Como ilustramos pela figura da página 10 nós somos o resultado de uma construção social, somos prisioneiros de uma mente programada por diversas influências, e isto não é de pouca monta − é bom que tenhamos consciência disto −, por exemplo muitas de nossas crenças são oriundas de programação, muitas de nossas decisões são tomadas com base nestas premissas que foram previamente programadas em nossas mentes. Ora, estando prisioneiros na “dimensão mente” seria muito bom se conseguı́ssemos nos evadir dessa dimensão e ver as coisas de uma outra plataforma, assim terı́amos consciência do quanto somos reféns da referida programação mental. A boa nova que trago aqui nesse livro é a de que podemos sim escapar da “dimensão mente” e nos situar em uma outra dimensão, que é o estado de Consciência Pura; quando então teremos consciência da verdadeira tragédia − sim uma tragédia, enfatizamos − que resulta da referida programação, notadamente aquelas oriundas das religiões. Pois bem, me evadindo da prisão da mente (Matrix) e me situando na plataforma da Consciência Pura, passo a relatar-lhes agora um pouco desta visão digital focada no universo da teologia e espiritualidade.

13


1.2

Que é a verdade?

A questão da verdade vem sendo debatida há milênios por filósofos, cientistas e teólogos, essa questão de importância capital − fundamento de todas as religiões − também pode ser decidida confortavelmente a partir do nosso “telescópio hubble”, situado acima das “nuvens da mente” :

O que podemos concluir a respeito da verdade quando vista dessa perspectiva? Segundo nossa visão digital a resposta é: destas alturas

Não existe nenhuma verdade! Por mais desalentador que pareça, “só existe o vazio em volta!”. Todas as verdades são construções da mente humana, observe como isso acontece:

Consciência Pura Verdades (relativas)

7−→

(Mente)

n

Luz Branca (Consciência)

Aqui n~ ao existe nenhuma verdade É a mente do homem que engendra todas as possı́veis verdades, até mesmo as da fı́sica e da matemática. Já conto com cerca de 40 anos militando no ofı́cio da matemática, não apenas já escrevi vários livros como, ademais, já criei (construi) muita matemática; como engenheiro e autodidata, já estudei alguma fı́sica, tenho focado na questão do que seja a verdade nestas duas disciplinas, afirmo com a maior tranquilidade que as verdades da matemática e da fı́sica são meras construções da mente humana, reitero. Ora, se na matemática e fı́sica acontece assim, seria razoável se esperar que da cabeça de padres, pastores e teólogos brotassem verdades absolutas? De outro modo, a verdade (Verdadeiro ou Falso) é uma invenção (necessidade) humana, na Natureza não encontramos nenhuma “verdade”. Vejamos, ainda por analogia, como surgem as supostas verdades no universo das religiões → 14


Por exemplo, a Consciência Pura ao incidir sobre um cérebro que tenha sido programado com as “verdades bı́blicas” sairá do outro lado com a cor chamada “verdade é o que está na Bı́blia”, observe como é fácil entender

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz Branca

(Mente)

(Matrix) 7−→

− Se um cérebro foi programado pelo cristianismo a verdade é a “palavra de Deus”.

Luz Incolor (Sem nenhum atributo) (Sem nenhuma verdade)

A Consciência Pura ao incidir sobre um cérebro que tenha sido programado com as “verdades budistas” sairá do outro lado com a cor chamada “verdade é o que está nos ensinamentos budistas”, observe

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz Branca

(Mente)

(Matrix) 7−→

− Se um cérebro foi programado pelo budismo a verdade é a “palavra do Buda”.

Luz Incolor (Sem nenhum atributo) (Sem nenhuma verdade)

15


A Consciência Pura ao incidir sobre um cérebro que tenha sido programado com as “verdades hindus” sairá do outro lado com a cor chamada “verdade é o que está nas escrituras hindus”, observe como é fácil entender

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz Branca

(Mente)

(Matrix) 7−→

− Se um cérebro foi programado pelo hinduismo a verdade

Luz Incolor (Sem nenhum atributo) (Sem nenhuma verdade)

é a “palavra de Krihsna”. E assim sucessivamente, ad infinitum . . . [. . .] O que é a verdade, portanto? Um batalhão móvel de metáforas, metonı́mias, antropomorfismos, enfim, uma soma de relações humanas, que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso, parecem a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias: as verdades são ilusões, das quais se esqueceu que o são, metáforas que se tornaram gastas e sem força sensı́vel, moedas que perderam sua efı́gie e agora só entram em consideração como metal, não mais como moedas. (Nietzsche)

Há tantas teorias inventadas para explicar as coisas − todas plausı́veis, nenhuma verdadeira. (Maharaj) Embora não existam verdades absolutas − mesmo na fı́sica e na matemática, reiteramos − no entanto podemos estabelecer o que podemos chamar de “verdades locais”, que são afimações válidas no contexto de uma dada teoria, trataremos disto oportunamente, no próximo capı́tulo. Nota: Verdades absolutas (ou globais) seriam aquelas independentes de um “referencial ”, verdades locais (ou relativas) são aquelas que valem em um determinado referencial − a ser explicitado oportunamente. 16


Nascemos na Consciência Pura, posteriormente − sem sermos consultados − além das vacinas começamos a ser tatuados . . . como nossos pais

7−→

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz Incolor

−Nascemos virgens, sem nenhuma religi~ ao sem nenhuma verdade.

− Posteriormente, cada religi~ ao tatua sua própria verdade, nenhuma delas absoluta, todas desnecessárias.

Profundo sintoma de idiotia

− Origem da intoler^ ancia religiosa, guerras “santas”, católicos × protestantes × umbandistas × · · · , crist~ aos × mulçumanos − execuções, fogueiras, torturas, etc.

17


O que eles, os doutores teólogos, não conseguem enxergar Vez ou outra me deparo com doutores teólogos − padres e pastores − defendendo encarniçadamente suas respectivas doutrinas como sendo a verdade verdadeira. É necessário que se entenda que toda verdade é uma das “cores” após o prisma (mente): (Matrix)

Luz Branca (Consciência)

“Verdades” (cadáveres)

7−→

(Mente)

n

Consciência Pura

Aqui n~ ao existe nenhuma verdade O fanático é todo aquele que proclama uma verdade absoluta: a sua! Se os doutores teólogos tivessem isenção e coragem suficientes para rastrearem a origem de suas verdades veriam dentre elas as seguintes

Doutrinadores Futuro teólogo sendo formatado

Doutrinação

18


1.3

A farsa de uma “consciência crı́stica”

Certa ocasião um amigo meu sugeriume que lesse um livro por nome Cartas de Cristo, um dos inúmeros livros “canalizados”. Como ele insistiu decidi ler para dar uma satisfação a ele.

Já no prefácio me dei conta de que se tratava de mais um livro de doutrinação, li ainda um pouco do primeiro capı́tulo. Retornei ao referido amigo e disse a ele que eu poderia descartar o livro apenas pela introdução mas que forçando a barra ainda li o inı́cio do primeiro capı́tulo. Depois pensando melhor cheguei à conclusão que eu não precisaria ter lido nem o prefácio, poderia ter descartado o livro apenas por seu subtı́tulo: “a consciência crı́stica manifestada”. De fato, quem conhece o estado de Consciência Pura (Consciência Universal) sabe que ele é “incolor”, não possui cores, rótulos, a Consciência Pura não é crı́stica, não é búdica, não é de Krishna, não é de ninguém; qualquer rótulo que se imprima nesta Consciência é falso, visa à doutrinação, é simples assim. Observe como é fácil entender, a Consciência Pura ao incidir sobre um cérebro que tenha sido programado com as “verdades bı́blicas” sairá do outro lado com a cor chamada “consciência crı́stica”

− Consci^ encia Pura (Awareness)

(Sem nenhum atributo) Luz

Consciência (Mente)

7−→

Branca

A Consci^ encia Pura é como a água: n~ ao tem cor, n~ ao tem cheiro, n~ ao tem sabor. (Por favor, n~ ao poluir!) 19

crı́stica − Para uma mente que tenha sido programada pelo cristianismo a Consciência é crı́stica.


Esta mesma Consciência Pura ao incidir sobre um cérebro que tenha sido programado com as “verdades” das escrituras budistas sairá do outro lado com a cor chamada “consciência búdica” (ou ainda, “natureza Buda”)

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz (Mente)

Consciência búdica − Para uma mente que tenha sido programada pelo budismo a Consciência é búdica.

7−→

Branca

Luz Incolor (Sem nenhum atributo) (Por favor, n~ ao poluir!)

Se esta mesma Consciência Pura incidir sobre um cérebro que tenha sido programado com as “verdades” das escrituras hindus sairá do outro lado com a cor chamada “consciência de Krishna”

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz (Mente)

Consciência de Krishna − Para uma mente que tenha sido programada pelo hinduismo a Consciência é de Krishna.

7−→

Branca

Luz Incolor (Sem nenhum atributo) (Por favor, n~ ao poluir!) 20


e assim sucessivamente. Isto é o que denominamos de “Usurpação do divino”. Ninguém, nenhum mestre − papas, padres, pastores, gurus etc. − tem o direito de rotular a Consciência Pura, isto é usurpação, é puro proselitismo! Por tudo isto tenho insistido: as religiões não libertam, aprisionam! Existe um pensamento que me é muito caro, inegociável diria, ei-lo: Se você tem alguma ideologia para se definir, você não é livre. Liberdade significa nenhuma definição. (Osho) Daqui decorre como um simples corolário que qualquer um que se encontre dentro de qualquer religião não é livre. Perguntamos: como um escravo irá libertar um outro escravo?

- Toda religião é uma prisão

A Consciência Pura é como a água pura: não tem cor, não tem cheiro, não tem sabor. Todas as religiões ao se colocarem como “intérpretes de Deus” estão fornecendo aos incautos água contaminada

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz (Mente)

7−→

Branca

A Consci^ encia Pura é como a água: n~ ao tem cor, n~ ao tem cheiro, n~ ao tem sabor. (Por favor, n~ ao poluir!)

− Continuar tomando água poluı́da é uma escolha sua.

Uma água com cor, cheiro e sabor certamente foi adulterada; de igual modo um Deus com “cor, cheiro e sabor” (atributos humanos) certamente foi poluı́do pela mente humana. A água adulterada pode fazer mal ao organismo humano, um Deus adulterado − poluı́do pela mente humana − certamente faz mal ao psiquismo humano, basta olhar à sua volta. 21


Rotulando (poluindo) a Consciência Pura Assim como cada religião carimba a Consciência − em proveito próprio − o mesmo acontece com a “verdade”, é o que denominamos “usurpação do divino”.

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz

Consciência (Mente)

crı́stica

7−→

Branca

Luz Incolor (Sem nenhum atributo) (Sem nenhum carimbo)

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz Branca

(Mente)

Consciência

7−→

búdica Luz Incolor (Sem nenhum atributo) (Sem nenhum carimbo)

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz (Mente)

Consciência de Krishna

7−→

Branca

Luz Incolor (Sem nenhum atributo) (Sem nenhum carimbo)

22


1.4

Jesus ou Buda?

Esta é uma pergunta recorrente. Se você fizer essa pergunta a um cristão ele dirá sem pestanejar que é Jesus, obviamente; a mesma pergunta feita a um budista será respondida com evasivas, embora é claro, no fundo no fundo ele esteja convencido que é Buda − do contrário ele seria cristão.

Outro dia assistindo o vı́deo de um guru ele levantou a questão, no final não tomou partido, se limitou a afirmar que “ambos são manifestações do divino”. Sinceramente, não creio nessa lorota de que algum “mestre iluminado” seja uma “manifestação do divino”. A não ser que antes me respondam: o que é o divino? Não creio que alguém saiba responder a essa pergunta − sem tergiversar, sem enrolar.

Particularmente, não simpatizo com pessoas que ficam em cima do muro − a não ser que confessem ignorar o assunto. A maioria dos gurus tenta agradar a todos, uma das razões me parece óbvia, em suas plateias existem pessoas de todas as religiões, eles sobrevivem da credulidade dessas pessoas. Não sou cristão nem budista, ganho meu sustento como professor o que implica que tenho isenção para opinar sem constrangimento de desagradar a A ou B. Pois bem, novamente recorremos a uma analogia.

A evolução do conhecimento Nos estudos regulares a hierarquia do aprendizado dá-se assim: Ensino

Ensino

Fundamental

Médio

Graduação

Mestrado

Doutorado

Ou ainda, na forma de uma escadinha: Dout. Mest. Grad. E.M. E.F.

No universo da espiritualidade acontece a mesma coisa. Existem teologias − concepções de Deus − em todos estes nı́veis. Eu situo a teologia cristã − que prega um Deus pessoal − no primeiro degrau da escadinha, ou seja, é a nı́vel de ensino fundamental, destilada para satisfazer as necessidades das massas. 23


Quem é maior Jesus ou Buda? Como vejo, Jesus está para um professor a nı́vel de ensino fundamental assim como Buda está para um professor a nı́vel de pós-graduação, veja:

Pós-graduaç~ ao

Graduaç~ ao

Ensino Médio

− Justamente por ser a nı́vel de pós-graduaç~ ao é que os ensinamentos budistas est~ ao acima da capaciadade de compreens~ ao da massa crist~ a.

Ensino fundamental

Um esclarecimento se faz necessário, não estamos afirmando que a religião budista seja superior à cristã, em um ponto as religiões são todas iguais, visam ao poder, à dominação, são gaiolas, prisões! Faço distinção entre filosofia budista e religião budista, o que afirmo é que a filosofia budista é superior à cristã − supondo que exista uma “filosofia cristã”.

- Toda religião é uma prisão

Lembramos que Buda não foi budista, assim como Jesus não foi cristão. Para citar apenas dois exemplos que corroboram minha afirmativa de que a cosmologia de Buda é muito superior à de Jesus, veja na internet filosofia budista da vacuidade e originação interdependente, somente agora a fı́sica moderna está se aproximando destes conceitos; ademais, leia a página 44 deste livro. A quem interessar possa ver [8]. Segundo entendo, um mestre que coloca Jesus no mesmo nı́vel de Buda de duas uma: ele pode ter entendido Jesus mas certamente não entendeu Buda, ou então entendeu Buda e Jesus e está apenas querendo agradar a todos de sua plateia − nesse caso estaria sendo desonesto, ou oportunista? 24


Como se não bastasse, Buda por conta de sua Iluminação foi extraordinariamente audaz em não introduzir um Deus em seu sistema (budismo). E por que este feito é espetacular? Ora, pelo fato de que todo Deus é uma construção humana, toda concepção de Deus resulta de uma programação mental, como estaremos provando matematicamente no próximo capı́tulo. Resulta disto que um Deus fictı́cio programado nas mentes pelas religiões aprisiona, veja que, por exemplo, todos os cristãos e mulçumanos são prisioneiros, psicologicamente falando. São como os prisioneiros da famosa Alegoria da Caverna de Platão. Como eles estão presos na matrix-mente não dão-se conta da tragédia. Lembramos das guerras entre religiões − presentes até em nossos dias − onde eles matam e morrem em nome destes Deuses fabricados. Você jamais verá um budista matando, morrendo ou discriminando um outro ser humano em nome de algum Deus, entenderam?. Novamente vamos apelar para analogias com imagens com o intuito de sermos (ainda) mais didáticos.

Um pássaro longamente confinado não quer mais voar Certa feita eu conversava com um técnico do Ibama, ele me dizia que de tempos em tempos iam à floresta libertar os pássaros apreendidos em cativeiros, o incrı́vel − para mim pelo ao menos − é que muitos dos pássaros se recusavam a abandonar a gaiola. Alguns saiam saltitando, não conseguiam mais voar, outros retornavam à gaiola e ficavam esperando que a portinhola fosse fechada! Ora, filhos de cristãos já nascem enclausurados na gaiola cristã. Você pode até entregar-lhes a chave da prisão, mas eles a jogam fora e preferem a clausura. Já estive refletindo sobre este comportamento bizarro, patológico, tentando compreender. Uma das possı́veis explicações encontra-se na ilustração da página 10, ou seja, eles identificam-se com o desenho, confundem-se com suas próprias formatações; em resumo, como eles consideram-se a própria mente − o erro de quase toda a humanidade − então sentem-se ameaçados por qualquer tentativa de apagar seus desenhos; a mente por instinto de sobrevivência reage, se rebela a qualquer “ameaça”. Na figura acima a matrix dos pássaros é a gaiola, de modo análogo, a matrix não apenas dos que se encontram dentro de alguma religião como, ademais, da humanidade é a mente, reiteramos a mente. Veja, por exemplo, na página 8 o relato de três dos raros homens que conseguiram evadir-se dessa matrix. 25


1.5

Quando as religiões e teologias tornam-se desnecessárias

Nosso objetivo aqui será exibir uma plataforma (perspectiva, referencial) a partir da qual todas as religiões e teologias deixam de ter qualquer significado ou importância. Vamos novamente invocar o ilustre cientista Você, suas alegrias e tristezas, suas memórias e ambições, sua noção de identidade e seu livre-arbı́trio nada mais são do que a interação de um vasto conjunto de células nervosas . . . (Francis Ckick) Como já salientamos a sua identidade (ego) é um arquivo armazenado na mente, visto pela mente, ou ainda: uma projeção da mente. Observe: − Construç~ ao social − Consci^ encia Pura Luz Branca

7−→

− Mente − Ego: esse desenho é um arquivo armazenado no cérebro, não é sua essência!

Voc^ e (sua ess^ encia) é isto!

Não dirı́amos que o ego é um falso centro, mas que é um centro falso, explicamos: no primeiro caso terı́amos que dizer qual o centro verdadeiro, um centro verdadeiro não existe, o que existe é uma Consciência Pura que permea todo o Universo, está em cada átomo, logo não pode haver um centro. Pois bem, tudo o que existe − religiões, teologias, rituais, etc. −, são demandas (necessidades) do ego, o centro falso; se você conseguisse, ao menos por um momento, apagar esse arquivo (ego, identidade, mente, matrix) e retornar à sua verdadeira essência, a Consciência Pura, as demandas do ego − por exemplo, a necessidade de “salvação”, vida após a morte, felicidade, etc. − tornar-se-iam desnecessárias, veja: − Consci^ encia Pura

− Construç~ ao social

× ×

Delete o ego!

Luz Branca

7−→

− Mente

Neste referencial, n~ ao existindo ego n~ ao existe nenhuma necessidade! •

− Ego: O centro falso, todas as necessidades surgem nesse referencial (falso)

Nisto consiste a Iluminaç~ ao! 26


Capı́tulo

2

Teologias não euclidianas O meu pensamento quis aproximar-se dos problemas do espı́rito pela via de uma diversa experimentação de caráter abstrato, especulativo, resultante das conclusões de processos lógicos da mais moderna fı́sico-matemática. (Pietro Ubaldi)

Introdução Como é sabido, houve uma expansão exponencial do conhecimento cientı́fico e tecnológico, reverberando até em nossos dias e, a seguir nessa progressão, não tem limites. Por outro lado, o conhecimento teológico não avança, parece estagnado, as teologias pulverizam-se e contam-se aos milhares, umas contradizendo as outras. Perguntamos: o que acontece neste terreno? Quanto às questões fundamentais: homem, Deus, alma, espı́rito, vida, morte, verdade, etc., a sensação que temos é que estamos completamente desassistidos, uma verdadeira Torre de Babel, ninguém se entende. Se após milênios ainda nos encontramos na estaca zero, de quantos milênios mais iremos necessitar para ao menos tomarmos um alento? Onde encontram-se filósofos e teólogos que não nos trazem nada de seguro? Onde encontram-se as teologias que não nos peçam submissão através de uma fé cega? O que temos visto até então em todos os quadrantes são apenas prestidigitadores do além! − nas igrejas e no YouTube tem bastante.

Algum filósofo ou teólogo pelo ao menos já se perguntou porque isto acontece? Por que, reiteramos, estamos na estaca zero no que diz respeito às questões fundamentais da humanidade?

27


Pois bem, a questão foi levantada, nosso objetivo neste capı́tulo é dar uma contribuição neste sentido, além do que defendemos que a fé seja abolida da teologia − assim como o é da filosofia −, já fomos ludibriados durante séculos por teólogos partidários e oportunistas, agora chega, não?

O malogro de filósofos e teólogos A nossa primeira contribuição é responder à questão de por que nem filósofos e nem teólogos − e de quebra cientistas − até hoje não chegaram a uma teoria, ou verdade, definitiva. A resposta simples é: não existe! Já é muita coisa sabermos disto, por exemplo, quantos milhares e milhares de seres humanos não dedicaram − e ainda dedicam − suas vidas a correrem atrás de uma quimera! A tornarem-se escravas de uma suposta verdade que só existe em suas mentes, programadas pelos sacerdotes − isto acontece amiúde em todas as religiões, calcadas em teologias fictı́cias! Ora, se nem na matemática ou na fı́sica existem verdades abolutas, onde mais as encontraremos? Felizmente, nem tudo está perdido, se não podemos falar de verdades absolutas pelo ao menos podemos falar de verdades relativas. E o que seria uma verdade relativa? Pra começar todas as verdades relativas são construidas dentro de uma estrutura teórica − pela mente e para a mente.

Uma revolução na matemática No inı́cio do século XX duas teorias revolucionaram a fı́sica, a teoria da relatividade de Einstein e a teoria quântica, iniciada pelo cientista alemão Max Planck no ano de 1900

no entanto, os leigos desconhecem que na matemática também houve uma revolução de igual magnitude e importância, falamos do advento das geometrias não euclidianas criadas no inı́cio do século XIX → 28


O adjetivo “não euclidianas”, dado a essas geometrias segue-se do fato de que elas se estabelecem sobre princı́pios diferentes dos estabelecidos pelo geômetra Euclides.

Informamos ao leigo que a geometria euclidiana é aquela estudada nos ensinos fundamental e médio − dos retângulos, cı́rculos, polı́gonos, etc.

A propósito foi de uma destas novas geometrias que Einstein se serviu para levantar o edifı́cio teórico de sua teoria da relatividade.

Essas geometrias tiveram um enorme impacto na matemática, em particular solaparam a crença até então vigente de que a matemática era um repositório de verdades absolutas De fato, a crença de milênios de que a matemática oferece verdades eternas foi esmagada. Essa inesperada rebelião intelectual foi causada pela emergência de novos tipos de geometrias, atualmente conhecidas como geometrias n~ ao euclidianas. [. . . ] O ilustre filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) nem sempre concordou com Hume, mas também exaltava a geometria euclidiana a um status de certeza absoluta e validade inquestionável. (Mario Livio/Deus é Matemático?)

Não apenas matemáticos mas também filósofos acreditavam que a geometria euclidiana se constituia em um modelo de verdades inquestionáveis, absolutas, estes dogmas foram derrogados quando as geometrias não euclidianas revelaram outras verdades, inclusive em contradição com as de Euclides.

29


Em resumo podemos afirmar que: “A mente humana é exı́mia em construir estruturas teóricas para explicar verdades que a priori já foram fixadas por ela mesma”. Isso acontece na matemática e na fı́sica, desnecessário é dizer que o mesmo se aplica em todos os quadrantes da existência humana. Apenas para dar um exemplo concreto, na matemática foi estabelecido, a priori, que o seguinte produto deveria ser verdadeiro (−1) · (−1) = 1 em seguida construiu-se uma estrutura teórica de modo que esse produto resultasse verdadeiro, é só isto! O interessante é que essa conclusão se aplica igualmente no que diz respeito a questões metafı́sicas tais como morte, vida, reencarnação, ressureição, etc. Por exemplo, as religiões − cristianismo notadamente − determinam que “os justos ressuscitarão para a vida eterna e os pecadores para a danação eterna”, pronto!, a verdade já foi fixada a priori, em seguida constrói-se estruturas para que essa “verdade” seja verdadeira!

• Estruturas montadas para se “provar” uma verdade que já foi fixada a priori.

Descobrimos que onde a ciência mais progrediu a mente recuperou da natureza aquilo que colocou lá. Encontramos uma pegada estranha nas praias do desconhecido. Criamos teorias profundas, uma após a outra, para explicar a origem daquela pegada. Por fim, conseguimos reconstruir com sucesso a criatura que deixou aquela marca. E vejam! A pegada é nossa. (Sir Arthur Eddington/astrofı́sico britânico) As explicações cientı́ficas não se referem à verdade, mas configuram um domı́nio de verdade, ou vários domı́nios de verdades conforme a temática na qual se dêem. (Humberto Maturana/Cognição, ciência e vida)

Se o leitor por acaso ainda duvida de que muitas “verdades” são decididas a priori e arbitrariamente, leia atentamente o adendo a seguir 30


Adendo: A mulher matematicamente perfeita Este adendo também será útil em outros contextos deste livro. Não é necessário que o leitor entenda de matemática, o que interessa aqui é apreender a filosofia, as ideias que estão por trás. Pois bem:

Matemáticos da Universidade de Cambridge criaram uma fórmula para medir o atrativo sexual feminino e a possibilidade de se andar sensualmente. A fórmula matemática pode ser enunciada assim: “O logaritmo da raiz quadrada da medida da circunferência da cintura dividida pela medida da circunferência do quadril multiplicado por pi deve se aproximar de 0.15 ”, em sı́mbolos:

log

q

cc cq

·π



→ 0.15

Segundo os cientistas da Universidade de Cambridge quanto mais próximo este logaritmo estiver do valor 0.15 mais perfeita matematicamente a mulher será. Vejamos duas aplicações desta fórmula: − Stefanı́a Fernández. Neste caso valem os seguintes dados: Circunferência da cintura 59 cm

⇒ cc = 59

Circunferência do quadril 87 cm

⇒ cq = 87

Substituindo na fórmula acima obtemos: 0.16. • Na página 128 faremos uma aplicação desta fórmula na teologia.

31


− Jessica Alba. Pesquisando na internet obtemos o seguinte dado: cc = 0.70 cq Substituindo na fórmula acima obtemos: 0.17.

Conclusão: Segundo a fórmula estabelecida pelos cientistas da Universidade de Cambridge a Stefanı́a Fernández é mais perfeita que a Jessica Alba − matematicamente falando, isto é, com precisão matemática.

Revelando a Fake News O leitor deve considerar toda a exposição anterior como uma brincadeira, espécie de paródia, no entanto baseada em fatos reais. Ela foi inspirada pelo seguinte: inicialmente me deparei no YouTube com o vı́deo∗ de uma jovem parcialmente ingênua com o tı́tulo “Livros Que Me Marcaram”

Neste vı́deo a jovem sugere alguns livros de matemática que foram importantes durante sua vida estudantil. Em particular, no livro apresentado acima o autor apresenta a fórmula para a mulher matematicamente perfeita, que é bem simples (tela à direita acima, seta): Cintura = 0.7 Anca Na verdade esta é a fórmula dos cientistas de Cambridge. Não é difı́cil concluir que esta fórmula é uma farsa, uma vez que não se pode equacionar a beleza, esta é inerentemente subjetiva − por exemplo, minha mãe me acha a cara do Rodrigo Santoro. Por oportuno, a internet (Google, YouTube) e alguns livros de matemática estão cheios destas e outras baboseiras. ∗

https://www.youtube.com/watch?v=tStHDfuOdeQ

32


Nota: Ampliando a terceira tela do quadro anterior (seta) me pareceu que o autor do livro é também ingênuo no sentido de permitir que alguém decida por ele o que é belo; provavelmente permitiria que um pastor ou padre − ou, quem sabe, o Papa; ou Dalai Lama? − decida por ele o que é a verdade! Num segundo momento me deparei no Google com a seguinte notı́cia

Pois bem, conferi mais algumas imagens da Jessica Alba, como a minha predileção de beleza feminina recai na Stefanı́a Fernández foi fácil discordar dos “cientistas de Cambridge”; e, não satisfeito, achei a fórmula matemática deles ultra simples, um tanto quanto insossa; foi quando decidi criar minha própria fórmula, mais sofisticada, mais “digna de um verdadeiro matemático” − a que encontra-se na página 31. Vejamos alguns termos que comparecem em minha fórmula:  r cc · π → 0.15 log cq Primeiro: por qual razão comparece um logaritmo em minha fórmula? Respondo: Qual a proporção da população mundial que sabe o que é um logaritmo? De igual modo, quantos indivı́duos sabem o que é uma raiz quadrada? quantos conhecem o número π? Sendo assim, fica fácil ludibriar pelo ao menos 90% da população mundial! Qual a razão do valor 0.15 e como eu cheguei a ele? Uma vez inventada − arbitrariamente − a fórmula, fui na internet peguei os dados da Stefanı́a e os da Jessica, joguei-os na fórmula e, como eu queria que a Stefanı́a fosse mais perfeita que a Jessica, chutei o valor 0.15. 33


Observe que, caso eu quisesse que a Jessica fosse mais perfeita que a Stefanı́a a minha fórmula poderia ser, por exemplo r cc  log · π → 0.20 cq Moral da paródia: Observe quantas lições podemos tirar para nossa vida prática desta singela e rica paródia, elencando: 1 a ) É muito fácil enganar pessoas sem um senso crı́tico, 90% da população mundial, digamos − dentre estes aqueles que acreditam que a Terra é plana e que o homem jamais foi à lua. Observe como eu manipulei a boa-fé das pessoas a fim de impor-lhes a “minha verdade” (Stefanı́a é perfeita), de igual modo pastores e padres manipulam os incautos impondo suas verdades. 2 a ) A minha “teoria” mistura (acochambra) ficção com realidade, digo, a fórmula é fictı́cia mas a Stefanı́a e a Jessica, bem como suas respectivas medidas, são reais. De igual modo, as religiões acochambram suas ficções com personagens e eventos reais, isto acontece com as Bı́blias. Por exemplo, o Dr Rodrigo Silva é teólogo e arqueólogo uma combinação mais que perfeita para misturar ficção com realidade. (p. 100)

− A fórmula é fictı́cia, mas os personagens s~ ao reais Mas o campeão de acochambrar ficção com realidade é sem dúvida o espiritismo kardecista − a quem interessar possa, ver página 152.

− A fórmula é fictı́cia, mas os personagens s~ ao reais Tudo bem, entendemos que todos temos o direito de vivenciarmos nossas ilusões particulares, apenas discordamos em um ponto: vendê-las como se verdades fossem − ludibriando os incautos. Se eventualmente alguém acha que alguma mulher é mais bonita que a Stefanı́a, não devo discriminá-lo por isto e, muito menos, assassiná-lo − como os mulçumanos radicais ainda fazem hoje e os católicos fizeram ontem. Evangélicos apedrejam umbandistas. 34


3 a ) Observe como para conferir maior legitimidade e respeitabilidade à minha fórmula eu a atribui a uma autoridade, “Os cientistas de Cambridge”, de modo perfeitamente similar as religiões para legitimarem e conferir respeitabilidade às suas ficções as atribuem a uma autoridade: Deus, a “Bı́blia é a Palavra de Deus”. É preciso não se deixar induzir em erro: “Não julgueis!”, dizem eles, mas mandam para o inferno tudo o que fica em seu caminho. Ao fazerem Deus julgar, julgam eles próprios; ao glorificarem a Deus, glorificam a si próprios. (Nietzsche/O Anticristo) 4 a ) Enfatizo: Para impor aos demais a minha verdade (Stefanı́a é perfeita), recorri a artifı́cios, até utilizei de modo oblı́quo a matemática. De modo perfeitamente similar, padres e pastores a fim de imporem suas verdades aos incautos se utilizam de muitos artifı́cios oblı́quos, sofismas. 5 a ) Enfatizo: para ludibriar 90% da população mundial, não tive nenhum escrúpulo em incluir na minha construção − cujo objetivo é impor minha verdade − logaritmo, raiz quadrada, número π, etc; de igual modo, os lı́deres religiosos se utilizam de trampas (sofismas) análogos para enganar; oportunamente estaremos escrevendo o apêndice com tı́tulo “Refutando um capcioso Dr teólogo cristão ”, onde teremos oportunidade de verificar todas estas minhas afirmações. E mais, eu, se quisesse, poderia ter apresentado uma fórmula ainda mais complicada, tudo com o objetivo de enganar e impor minha verdade. Estou afirmando que assim mesmo se dá com as “fórmulas” (interpretações) que padres e pastores utilizam para enganar; por exemplo, peça a padres e pastores que interpretem as “profecias” bı́blicas. Cada um vai manipular sua “fórmula” a seu bel-prazer. Uma verdadeira orgia interpretativa. Para quem duvida, faça esta experiência. Por exemplo, pergunte quem é a besta do Apocalipse cujo número é 666?, ela está entre nós? 6 a ) E não menos importante: pergunto se o leitor concorda comigo que a Stefanı́a é a mulher matematicamente perfeita. Conclusão: Assim como a beleza é relativa (depende do observador), a verdade também é; mesmo as da fı́sica e da matemática. 7 a ) Até autores de livros de matemática cairiam nesta cilada − ver Nota página 33. Digo, o autor do livro mostrado no vı́deo da página 32 acredita na “fórmula dos matemáticos de Cambridge” (caso contrário ele não teria publicado uma fantasia destas em seu livro), o que eu estou querendo sugerir é que se um matemático pode ser ludibriado em matemática elementar, estimo que pelo ao menos 90% da humanidade também seria enganada. Por exemplo, no meu livro O Deus Quântico escrevo um capı́tulo por tı́tulo “Porque as religiões têm o incrı́vel poder de cegar até mesmo os gênios”, dentre eles dois gênios da matemática foram ludibriados por uma fantasia análoga à que foi construida em nossa paródia − com o mesmo nı́vel de sofisticação e maldade. 35


Nota: Em muitos lugares deste livro faço a afirmativa de que mesmo as verdades da fı́sica e matemática são relativas; na qualidade de matemático sinto-me no dever de prestar um esclarecimento. As verdades da matemática e fı́sica, embora relativas, não comportam o mesmo grau de arbitrariedade − ou flexibilidade − que outros tipos de verdades, como as das religiões. Todas as verdades da matemática para serem provadas dependem de um postulado (axioma), um postulado não é verdadeiro nem falso, ver p. 37. Por esta razão as verdades matemáticas tornam-se relativas. Por exemplo, certa feita alguém me contrapôs que 2 + 2 = 4 é uma verdade absoluta. A questão é: como você provaria isto? Se, por exemplo, você juntar duas laranjas com duas laranjas, sinto muito mas esta prova não tem valor para os matemáticos. Você tem que ter em mente que os números não encontram-se na Natureza, são construções humanas, e abstratas. Por exemplo, procure na Natureza o seguinte número: −2 (menos dois); para não falar em outros, √ como 2, por exemplo. Você junta duas laranjas com duas laranjas para provar que o resultado é quatro. Seguindo sua técnica peço-lhe que me prove o seguinte resultado −4 + 3 = −1 Os números, reitero, são construções abstratas, não existem na Natureza, foram necessários milênios para serem construidos (legitimados, compreendidos) pelo homem. Para se construir os números admite-se um ou mais postulados (axiomas), logo, nenhuma operação com números se constitue em uma verdade absoluta; vale dentro de uma estrutura teórica, são relativas a uma certa estrutura numérica. A propósito existe uma tribo amazônica (Pirahã) que não conhece números, não sabem o que é “2”. Ainda a tı́tulo de curiosidade, na internet encontramos o relato de um missionário cristão (Daniel Everett) que foi “desconvertido” por essa tribo. A tı́tulo de informação, os matemáticos levaram mais de 1000 anos para compreenderem os números negativos (pasmém!). Enfatizamos: mais de um milênio para que estes números fossem devidamente compreendidos e aceitos por todos os matemáticos. A quem interessar possa, em um de meus livros∗ escrevi um apêndice com tı́tulo: (−1) · (−1) = 1, a equação que confundiu a mente dos mais brilhantes matemáticos por séculos A quem interessar possa, o vı́deo a seguir mostra como um famoso matemático − Jean-Robert Argand (1768 - 1822) − “prova” a equação acima:

Tópicos de História da matemática: Números negativos e complexos https://www.youtube.com/watch?v=O9TqDU UzNM A “prova” concebida em pleno Século XIX por Argand, hoje, com todo respeito, poderia ser enviada para a lixeira; dado o nı́vel de rigor e abstração alcançados pela matemática hodierna. ∗

Números Não Euclidianos-3D ∴ www.goo.gl/DVWQxz

36


O que é um postulado? Para deixar claro o importante conceito de postulado (ou axioma) vamos iniciar por uma analogia bem elementar: Um edifı́cio é construido sobre uma base, uma fundação, um alicerce. De modo similar, uma teoria cientı́fica é construida sobre uma base, sobre um alicerce; este alicerce é o que denominamos de um postulado. Resumindo: Um postulado é o alicerce − ponto de partida − sobre o qual vamos construir uma certa teoria cientı́fica. Apenas a tı́tulo de exemplo, a geometria plana de Euclides fundamentase em cinco postulados, dentre eles: Postulado 1: Pode-se traçar uma reta ligando quaisquer dois pontos. A

A

B

B

Postulado 5: “Por um ponto p exterior a uma reta r, considerados em um mesmo plano, existe uma única reta paralela à reta r ”: r

r sp

sp

Este último postulado é também conhecido como “o postulado das paralelas ”. Na fı́sica acontece o mesmo quando se vai construir uma teoria, por exemplo Einstein fincou dois postulados ao construir sua teoria da relatividade∗ . Devemos enfatizar que um postulado não é nem verdadeiro nem falso, dá-se como nas regras de qualquer jogo, por exemplo, as regras do xadrez (basket, futebol, etc.) não são nem verdadeiras nem falsas, foram apenas postuladas, é simples assim. ∗

Teoria da Relatividade Especial ou Restrita, publicada em em 1905. Registre-se também que, em 1915, Einstein publicou a Teoria da Relatividade Geral, uma generalização da teoria anterior.

37


Como surgem as verdades relativas na matemática e fı́sica A matemática∗ divide-se em vários domı́nios, assim

Matemática

Por exemplo, podemos destacar como domı́nios Geometria n~ ao euclidiana (Geometria de Lobachevsky) Geometria euclidiana

Matemática

O que dissermos da matemática vale também para a fı́sica

38


Na fı́sica acontece o mesmo, por exemplo, podemos destacar como domı́nios

Fı́sica de Einstein (Teoria da Relatividade) Fı́sica de Newton

Fı́sica

Cada um destes domı́nios (teorias) é construı́do sobre postulados, por exemplo as geometrias não euclidianas substituem o 5 o postulado de Euclides por sua negação. Como consequência, verdades que valem na geometria de Euclides são negadas na geometria de Lobachevsky; por exemplo, em Euclides a soma dos ângulos de um triâgulo vale 180 o , nas geometrias não euclidianas isto não é verdade. De modo similar, verdades oriundas da fı́sica de Newton são contraditadas na fı́sica de Einstein, já que estas fundamentam-se em postulados distintos∗ . As teologias clássicas, como a judaica-cristã, serão denominadas de “teologias euclidianas”. A nova teologia que iremos construir neste capı́tulo será denominada de “teologia não euclidiana”, em contraposição. Convencionaremos a seguinte notação Teologia não euclidiana = TNE ∗

Em nosso livro [4] exibimos uma de tais contradições.

39


2.1

O impeachment de Jeová

Assim como Lobachevsky teve que derrogar o 5 o postulado de Euclides para poder construir sua geometria não euclidiana, de modo análogo teremos que derrogar um postulado da teologia clássica para poder erigir a nossa própria teologia não euclidiana. E que postulado derrogaremos? Este:

Jeová é Deus Uma das razões para essa escolha é que a humanidade − pelo ao menos uma elite − já atingiu a maioridade intelectual, já não teme mais um inferno e nem age mais motivada por prêmios em um suposto paraı́so pós-morte. Ademais, escrevemos um livro por tı́tulo Exumação e Julgamento de Deus no qual arrolamos uma série de argumentos contra a legitimidade de Jeová como Deus. Nota: Uma conclusão imediata da exclusão desse postulado é a queda de um outro postulado da teologia clássica, qual seja: “A Bı́blia é a Palavra de Deus”, claro, pois se Jeová não é Deus a Bı́blia deixa de ser a Palavra de Deus, pode até ser de Jeová.

2.2

Primeiro postulado da teologia não euclidiana

Convencionaremos denominar o estado de Consciência Pura de ‘Nada’ ou ‘Vazio’ em razão de que esse estado não possui nenhum atributo. Alguns mestres denominam esse estado de Deus, como por exemplo: Um mestre diz que aquele que falar de Deus através de qualquer semelhança, fala de modo simplório Dele. Mas falar de Deus através do ‘Nada’; é falar dele corretamente. Quando a alma unificada entra na total auto-abnegação, encontra Deus como um Nada. (Zen budismo)

Vejamos uma cientista da fı́sica se pronunciando a esse respeito: Se quisermos procurar “Deus” na fı́sica, o vácuo é o melhor lugar onde fazê-lo. Enquanto estado básico subjacente de tudo que existe, o vácuo tem todas as caracterı́sticas do Deus imanente ou da divindade de que falam os mı́sticos, o Deus interior, o Deus que cria e descobre a Si mesmo por meio da existência em desdobramento de Sua criação. (Danah Zohar/Sociedade Quântica, p. 286)

Por estas, e por tantas outras razões, elegeremos o Nada como sendo Deus em nosso sistema, entretanto para que Deus não seja confundido com os Deuses das religiões é que utilizaremos da seguinte notação (fonte)

40


Deus Uma diferença essencial entre esse Deus e o das religiões é que esse é uma Consciência Pura sem nenhum atributo, em particular atributos pessoais − não é uma pessoa, não é humano, não é um “design inteligente ”. Esse Deus pode ser “visualizado” como sendo a luz branca (sem atributos) no seguinte esquema

Deus-Parens Javé Alá

Deus Luz Branca

Deus

Tao (homem)

Vishnu Shiva Ahura mazda

Deus = Vazio (sem atributos) Ou ainda, de um modo equivalente

− CD (Prisma)

Deus Luz Branca

Vermelho Alaranjado Amarelo Verde

Deus − Mente

Consciência Pura

Azul Anil Violeta

Ocasionalmente podemos nos referir a esse Deus como O Absoluto. Para mais informações a respeito de Deus o leitor poderá assistir os seguintes vı́deos Deus, a não mente! https://www.youtube.com/watch?v=jOSeaCKOE2U El Vacio y la No Mente https://www.youtube.com/watch?v=XtEkgTezB1k

41


Pois bem, o primeiro postulado que adotaremos em nosso sistema é que o estado de Consciência Pura é Deus, o que pode ser sintetizado assim: Postulado 1. Na teologia não euclidiana é válida a seguinte identidade

Consciência Pura = Deus 2.3

Segundo postulado da teologia não euclidiana A teologia não euclidiana estará fundamentada em dois postulados

Postulado 2 (Postulado Fundamental da Teologia Não Euclidiana - PFTNE).

Tudo o que apreendemos, seja perceptiva ou conceitualmente, é desprovido de natureza inerente própria, ou identidade, independentemente dos meios pelos quais seja conhecido. Objetos percebidos, ou entidades observáveis, existem em relação às faculdades sensoriais ou sistemas de medição pelos quais são detectados − não de modo independente no mundo objetivo.

Qual a origem e o por que deste postulado? Este postulado não é meu, eu o encontrei no livro Dimensões escondidas do autor Alan B. Wallace (ver [1]). Minha adesão a este postulado se deve, novamente, à minha perspectiva digital

Consciência Pura Luz Branca

× (Mente)

− Minha adesão ao postulado de Wallace se deve à eliminação da mente e a consequente entrada no estado de Consciência Pura.

42


Primeira observação a ser pontuada: embora a (minha) experiência de Satori esteja disponı́vel a todos − aliás como muitos mestres acredito que este (Consciência) é o estado essencial do ser humano − ela não entra na construção de nossa TNE, o que importa mesmo é o postulado que adotamos. E não menos importante, ninguém é obrigado a aceitar qualquer postulado, nem mesmo os da matemática ou fı́sica, um postulado apela para sua razão, não para sua fé, como acontece com os postulados das teologias clássicas. É isto o que precisamente defendemos daqui pra frente para qualquer teologia que se pretenda séria e honesta: enunciar explicitamente seus postulados, para que saibamos qual a origem de suas verdades; são muitas as razões para esta exigência, dentre elas, pra começar existem milhares de Deuses na face da terra − em qual deles devemos confiar? −, existem milhares de teologias, e não menos importante, a humanidade já cansou de fazer o papel de trouxa nas mãos de polı́ticos e sacerdotes inescrupulosos. Se você quer continuar com sua fé cega e simplória é seu direito, em contrapartida é nosso dever alertá-lo de que o que não faltam neste mundo são lobos vestidos em pele de cordeiro, é só isso!

Retomando, aqueles que não aderirem ao nosso postulado ainda assim têm todo o direito de tentar refutá-lo e para isto é suficiente exibir algum objeto que possua “natureza inerente própria”, qualquer um que consiga este feito terá conseguido demolir todo o edifı́cio da teologia não euclidiana e, por conseguinte, poderá tranquilamente enviar este livro para a lixeira. A propósito, o postulado de Wallace encontra-se implı́cito (ou explı́cito) no seguinte trecho do livro do Maharaj: M: Esse mundo de vocês, que tanto precisa ser cuidado, vive e se move na mente. Mergulhem nela, lá, e apenas lá, vocês encontrarão respostas. De onde mais vocês imaginam que o mundo venha? Fora de sua consciência, algo existe? P: Talvez exista sem que eu sequer saiba. M: Que tipo de existência seria essa? O ser pode ser divorciado do saber? Todo o ser, assim como todo o saber, se relaciona a você. (Maharaj/“Eu Sou Aquilo”, p. 210/Grifo nosso)

Não deixa de ser impressionante o fato de que as afirmações de Maharaj são defendidas por eminentes fı́sicos modernos, veja a seguir:

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A Consciência cria a realidade Ainda uma outra interpretação propõe que o ato de observação cria a realidade fı́sica. Em sua forma forte, essa interpretação assevera que a consciência é o estado básico fundamental, mais primário que a matéria ou energia. Essa posição concede um papel especial à observação, quando a transforma no agente ativo que provoca o colapso das possibilidades quânticas em realidades. Muitos fı́sicos suspeitam dessa interpretação porque ela lembra idéias originárias das filosofias orientais e das propostas mı́sticas. Mas um notável subconjunto de fı́sicos proeminentes, incluindo os laureados Nobel em Fı́sica Eugene Wigner, Brian Josephson, John Wheeler e Jonh von Neumann, abraçou conceitos que são, pelo menos, um pouco simpáticos a este ponto de vista. O fı́sico Amit Goswami, da Universidade de Oregon, é um dos que o promovem com muito vigor. (Dean Radin/Mentes Interligadas, p. 221)

A noção de Wheeler de um universo participativo foi ligada ao princı́pio antrópico, que afirma que o universo é desse jeito porque estamos aqui. Isso implica que, enquanto os humanos veem o universo por meio de conceitos humanos, que impomos à nossa experiência, estamos sempre envolvidos num universo antropocêntrico − estamos no centro do universo que habitamos e exploramos. John Wheeler Isso não quer dizer que o universo, até mesmo todos os outros seres conscientes, não existisse antes do surgimento da vida como a conhecemos, ou que vá desaparecer quando a espécie humana extinguir-se. Apenas o universo como o concebemos, como existindo no passado, presente e futuro, vai desaparecer. De modo mais geral, todos os mundos possı́veis somem simultâneamente com o desaparecimento das estruturas cognitivas de referência dentro das quais são apreendidos. Os mundos experiênciados por outros seres conscientes continuarão a existir em relação a eles. Nesse sentido, os observadores cocriam os mundos em que residem. ([1], p. 109) O fato mais importante a ser entendido é apenas esse: se há o toque de ser, haverá a totalidade das coisas. Se não houver estado de ser, não haverá mundo, não haverá cosmos e nada existirá. (Maharaj/[3], p. 137)

Quando seu mundo se concretiza a partir do espaço e no espaço, você nomeia todas as coisas com nomes e tı́tulos que sejam convenientes ao desempenho de suas atividades cotidianas. Na realidade, esses nomes e tı́tulos não existem. Nenhuma dessas criações possui uma forma válida e convincente, nem individualidade própria. (Maharaj/O Néctar da Imortalidade, p. 152/Grifo nosso)

44


2.3.1

A estrutura cognitiva de referência

Um postulado não pode ser demonstrado, não obstante, podemos exibir razões para mostrar sua racionalidade (plausibilidade), é o que faremos agora. Antes, vejamos uma outra citação do livro de Wallace que, de certa forma, podemos ver como uma primeira decorrência de nosso postulado, qual seja Todos os fenômenos [tanto perceptı́veis quanto conceituais] podem ser postulados como existentes apenas em relação a uma estrutura cognitiva de referência. (Wallace/[1], p. 97 )

Para fixar as ideias podemos entender como um exemplo de uma “estrutura cognitiva de referência” a mente humana. Doravante abreviaremos estrutura cognitiva de referência por ECR. Podemos dizer que uma ECR é uma estrutura que processa informações. Num sentido figurado, uma ECR é um referencial − é similar ao referencial da teoria da relatividade de Einstein. Podemos considerar toda e qualquer verdade como um fenômeno conceitual, uma consequência imediata do “postulado fundamental da teologia não euclidiana” (PFTNE) é que as verdades − quaisquer que sejam elas − existem apenas em relação a uma ECR − isto é, não existem objetivamente “lá fora” −, amiúde, tenho observado isto em minha prática matemática, no fazer matemática. Ao longo dos meus anos de pesquisa tenho produzido bastante matemática, e, por fixar postulados distintos dos da matemática convencional, sou conduzido a verdades (teoremas que derivam de tais postulados) que possuem duas caracterı́sticas: primeira, só existem em minha mente; segunda, muitas delas contradizem verdades já estabelecidas na matemática ordinária∗ ; acontece exatamente como já enfatizamos a respeito das geometrias euclidiana e não euclidianas, como também a respeito das fı́sicas de Newton e Einstein. Retomando, vamos exibir agora alguns “experimentos” com a finalidade de fornecer maiores subsı́dios para que o leitor possa aderir − ou não − ao “postulado fundamental da teologia não euclidiana” (PFTNE). ∗ Apenas para os leitores curiosos a respeito de que matemática me refiro sugiro meu livro NÚMEROS NÃO EUCLIDIANOS, disponı́vel no endereço www.goo.gl/DVWQxz.

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2.3.2

Diálogo entre Einstein e Tagore

Na tarde de 14 de julho de 1930, o cientista Albert Einstein recebia em sua residência, em Caputh (Alemanha) Rabindranath Tagore∗ , para um diálogo informal o qual ficou registrado nos apontamentos de Tagore que, posteriormente, publicou-o com o tı́tulo “A Natureza da Realidade”. Iniciamos o diálogo com uma pergunta de Einstein − o leitor que se interessar pelo diálogo completo poderá encontrá-lo na internet. Apenas para situar: Einstein acredita que a verdade e a beleza são independentes do homem, Tagore, ao contrário, diz que não.

× E: De modo que a verdade ou a beleza não são, segundo isso, independentes do homem? T: Não. E: Se se extinguisse a espécie humana, deixaria, pois, de ser belo o Apolo de Belvedere?

T: Assim o creio. E: Estou de acordo com sua concepção de beleza, mas não com a que sustenta acerca da verdade. T: Por que não? A verdade realiza-se mediante o homem.

Apolo

Comentário: Observe que Tagore é lacônico, conciso em suas respostas. Einstein, a princı́pio acreditando ser a beleza e a verdade independentes do homem, é célere em tentar se recompor do equı́voco cometido no que diz respeito à beleza, no entanto no que diz respeito à verdade continua teimando sem entender. Vamos dar uma mãozinha ao Einstein → ∗

Rabindranath Tagore nasceu a 7 de Maio de 1861 na cidade de Calcutá, a antiga capital da Índia. Poeta, dramaturgo, filósofo, pintor, músico e coreógrafo. A edição inglesa, traduzida e comentada por ele próprio, de uma obra sua em Bengali, o Gitanjali (“Canção de oferendas” ou “Oferenda Lı́rica”, 1912) fez com que Tagore ganhasse o Prêmio Nobel de Literatura de 1913, pela primeira vez atribuido a um não-ocidental.

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Vejamos, através de ilustrações, por que se se extinguisse a espécie humana a beleza concomitantemente deixaria de existir. Suponhamos que na Terra restassem apenas robôs com a visão de microscópios:





Lı́ngua humana



Cı́lios

Observem como eles veriam o cabelo da Jimena Navarrete! a lı́ngua da Irina Antonenko!, os cı́lios da Stefania Fernandez . . . horrı́veis! Continuemos a aula, digo, o diálogo. E: Não posso comprovar cientificamente que a verdade deva conceber-se como uma verdade de valor, com independência da humanidade; mas creioo assim firmemente. T: Segundo a filosofia indiana, existe Brahman, a verdade absoluta, que não pode ser concebida pela inteligência humana isolada, nem tampouco descrita com palavras, [. . . ] Porém, tal verdade não pode pertencer à ciência. A natureza da verdade que tratamos é uma aparência; quer dizer; aquilo que aparece como verdade à inteligência humana, e é, portanto, humano, podendo-se-lhe chamar maia ou ilusão. E: [. . .] Por exemplo, se não estivesse ninguém nesta casa, nem por isso deixaria de estar aqui esta mesa.

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T: A ciência demonstrou que a mesa, como objeto sólido, é uma aparência, e, por conseguinte, isso que a mente humana percebe como tal mesa não existiria se não existisse a mente humana. Deve reconhecer-se, ao mesmo tempo, que o fato de que a última realidade fı́sica da mesa não seja outra coisa que uma multidão de centros isolados de forças elétricas em revolução, pertence também à mente humana. (Grifo nosso) Comentário: Achei magistral o argumento de Tagore em resposta à ingênua alegação de Einstein. Suponhamos que sobre a mesa de Einstein estivesse um fio de cabelo humano. Observe como esse fio apareceria aos olhos de um robô (com a visão de um microscópio, por suposto). De igual modo o robô não veria a mesa da mesma forma que Einstein. Conclusão: Uma mesa − como se apresenta a nós − é uma construção de nossa própria mente. Aliás, poderiamos ter chegado a esta mesma conclusão lembrando do que afirmou o eminente filósofo: Os fenômenos são organizados pelo nosso aparelho perceptivo e cognitivo, sendo assim em parte dependentes do sujeito. (Immanuel Kant) O importante aqui, digo, em nosso contexto, é percebermos que assim como a mente constroi a realidade de uma mesa (que tocamos e apalpamos) com maior razão constrói as supostas verdades, em particular as das religiões. Em resumo: não devemos levar muito a sério o “aparelho perceptivo e cognitivo”† de padres e pastores. Voltemos a palavra ao mestre Tagore: T: [. . . ] Existe a realidade do papel, totalmente distinta da realidade da literatura. Pois a classe de inteligência que possui a traça que engole essa literatura de papel é, em absoluto, inexistente, e, sem embargo, para a inteligência do homem possui a literatura um valor de verdade maior que o próprio papel. De modo análogo, se alguma verdade existe que não guarde nenhuma relação sensitiva ou racional com a inteligência humana, será igual (Grifo nosso) a zero, enquanto formos nós seres humanos. Comentário: No meu entendimento os argumentos do poeta foram bem mais consistentes e admiravelmente sintonizados com o encaminhamento atual da fı́sica quântica que os de Einstein. Diz ele: T: “Pois todo o Universo se acha entrelaçado a nós de um modo semelhante; é um Universo humano”. Ademais, veja “A Consciência cria a realidade”, p. 44. †

Aquele que constrói − engendra − as supostas verdades.

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Uma experiência de pensamento Como não temos a imagem de uma mesa ao microscópio irei substituı́-la por um pernilongo, sem perda de generalidade. Na ilustração a seguir (Caixa)

Pernilongo Pernilongo

(Gedankenexperiment) Einstein e um pequeno robô (com uma lupa/zoom) observam um mesmo pernilongo que se encontra dentro de uma caixa. Perguntamos: quando os dois não estão mais olhando para dentro da caixa, qual o pernilongo que lá permanece? Aquele que Einstein vê ou aquele que o robô vê? Ou ainda: qual o pernilongo verdadeiro? “Em sua forma forte, essa interpretação assevera que a consciência é o estado básico fundamental, mais primário que a matéria ou energia. Essa posição concede um papel especial à observação, quando a transforma no agente ativo que provoca o colapso das possibilidades quânticas em realidades.” (p. 44) Não há um “eu” além do corpo, como também não há mundo. Os três aparecem e desaparecem juntos. (Maharaj/“Eu Sou Aquilo”, p. 272)

49


Retomando, uma consequência bizarra do nosso postulado é: nem o pernilongo que Einstein enxerga, nem o pernilongo que o robô “enxerga” existe na “realidade”, isto é, independentemente das respectivas ECR. Convidamos o leitor a refletir novamente sobre a seguinte consequência do nosso postulado: Todos os fenômenos [tanto perceptı́veis quanto conceituais] podem ser postulados como existentes apenas em relação a uma estrutura cognitiva de referência. Alternativamente, podemos afirmar que o pernilongo que Einstein vê, existe apenas em relação com a mente de Einstein − no seu “referencial”−, ou ainda, em relação à ECR de Einstein. Se preferirmos podemos substituir o robô em nossa experiência por um animal. Papagaios Psicodélicos: Temos três receptores de cor nos olhos (para verde, azul e vermelho). Então essas três são as nossas cores primárias − e a combinação entre elas cria as cores do nosso mundo. Os papagaios (e outras espécies de aves, peixes e répteis) têm quatro receptores: os nossos mais um dedicado ao ultravioleta. A combinação desses quatro cria um mundo estupidamente mais colorido que o nosso − um mundo tão difı́cil de imaginar quanto uma realidade com quatro dimensões, em vez das três que agente conhece. (Super Interessante/out. 2012)

O que vemos do mundo real não é o mundo real intocado, mas um modelo do mundo real, regulado e ajustado por dados sensoriais − um modelo que é construı́do para que seja útil para lidar com o mundo real. A natureza desse modelo depende do tipo de animal que somos. Um animal que voa precisa de um modelo de mundo diferente do de um animal que anda, que escala ou que nada. Predadores precisam de um modelo diferente dos das presas, embora seus mundos necessariamente se sobreponham. O cérebro de um macaco precisa ter uma programação capaz de simular um labirinto tridimensional de galhos e troncos. O cérebro de um notonectı́deo não precisa de um programa em 3D, já que mora na superfı́cie de um lago na Fatland de Edwin abbott. O software para construir modelos do mundo de uma toupeira é adaptado para uso subterrâneo. (Richard Dawkins/Biólogo)

50


2.4

Desenvolvimento da teologia não euclidiana

Pois bem, fincados os dois postulados da teologia não euclidiana vejamos algumas consequências que podemos derivar dos mesmos.

2.4.1

Deus existe?

Uma questão que vem sendo debatida há milênios e que podemos decidir confortavelmente dentro da TNE é sobre a existência de Deus. De fato, Deus é, no mı́nimo, um fenômeno conceitual, sendo assim está contemplado pelo PFTNE. Sendo mais explı́cito: Deus não pode ser concebido fora de uma estrutura cognitiva de referência; ou ainda: Deus só existe em relação a uma ECR. Uma analogia: assim como o pernilongo que comparece na figura da página 49 é uma construção da mente de Einstein, de igual modo todo Deus é uma construção da respectiva ECR. Substitua o pernilongo por Deus, Einstein por um Hindu e o robô por um cristão, veja: (Caixa)

D eu

s

Pernilongo Pernilongo

(Gedankenexperiment)

É a mente de Einstein que cria o pernilongo que ele vê, é a mente do hindu que cria o Deus que ele vê; é a “mente” do robô que cria o pernilongo que ele vê, é a mente do cristão que cria o Deus que ele vê, é simples assim. Todas, reitero, são apenas e tão somente formas de percepção! − sem nenhuma relação com a “realidade” de Deus. Reflita novamente sobre o postulado da TNE: “Tudo o que apreendemos, seja perceptiva ou conceitualmente, é desprovido de natureza inerente própria, ou identidade, independentemente dos meios pelos quais seja conhecido.”

O TAO QUE PODE SER DESCRITO NÃO É O TAL REAL (Lao-Tsé) 51


Assim como seria insensatez (ou desonestidade) de Einstein afirmar que a sua forma de percepção de um pernilongo é superior à do robô, de igual modo é insensato (ou desonesto) um cristão afirmar que a sua forma de percepção de Deus é superior à do hindu − ou a qualquer outra.

Deste modo conseguimos explicar os milhares de Deuses (concepções) sobre a face da Terra, veja: Bahai Hinduı́smo Gnosticismo Jainismo Confucionismo Sufismo

Deus

Taoı́smo Xintoı́smo Tenrikyo Judaı́smo Islamismo Cristianismo Zoroastrismo .. .

Todas estas formas de concepções da divindade, reiteramos, são tão somente formas de percepção das respectivas estruturas cognitivas de referência. Daı́ por que dizer-se que consciência e objeto são binômios inseparáveis, correlativos e complementares do que denominamos realidade. Real é aquilo que existe em uma (ou para uma) consciência e de acordo com a estrutura condicionada e condicionadora dessa mesma consciência. Procurar saber o que seja a realidade (o objeto de investigaç~ ao) independentemente da consciência e de nosso aparato cognitivo-sensı́vel não tem sentido, pois precisamos da consciência para pensar nessa suposta “realidade independente”, que será sempre, à proporção que a pensamos, uma realidade para “uma” consciência, uma realidade pensada. (Marcelo,[7], p. 22)

52


O Deus que foi programado em teu cérebro Como afirmamos no capı́tulo 1, nós, a nossa identidade é o produto de muitas influências, tais como

(Formataç~ ao)

o Deus que passamos a adotar e adorar se insere precisamente neste contexto, trata-se de uma mera construção cultural, uma mera construção feita pelas religiões, pois depende dessa construção a subsistência das instituições religiosas, incluindo-se aqui, obviamente, a subsistência de papas, padres, pastores, sacerdotes, gurus, etc. Como sei disto? como podemos ver que é assim mesmo como falo? Entrando na experiência de Satori conseguimos apagar o desenho acima, é como se escapássemos de uma dimensão para uma dimensão acima, na qual não existe ego, identidade, aı́ podemos nos dar conta de que é mesmo assim. Vejamos isto de uma forma mais didática, por assim dizer →

53


Um cristão sofre um tipo de programação cerebral

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz (ECR)

7−→

Branca

− Um cérebro proLuz Incolor (sem atributos) gramado pelo cris(Como chegamos ao mundo) tianismo cria um − Aqui n~ ao existe nenhum Deus dessa forma. Deus por que n~ ao existe ego para conceb^ e-lo. um hindu passa por uma outra programação cerebral

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz (Mente)

7−→

Branca

− Um cérebro proLuz Incolor (sem atributos) gramado pelo hindu(Como chegamos ao mundo) ismo cria um − Aqui n~ ao existe nenhum Deus dessa forma. Deus por que n~ ao existe ego para conceb^ e-lo. 54


um indı́gena passa ainda por uma outra programação cerebral, etc.

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz (Mente)

7−→

Branca

− Um cérebro proLuz Incolor (sem atributos) gramado numa tribo (Como chegamos ao mundo) indı́gena cria um − Aqui n~ ao existe nenhum Deus dessa forma. Deus por que n~ ao existe ego para conceb^ e-lo. Como disse, entrando em Satori podemos constatar a veracidade das palavras do mestre Osho Mergulhe mais profundamente na sua consciência e, quanto mais fundo você for, mais seu eu começa a se dissolver. Talvez seja por isso que nenhuma religião exceto o Zen tentou a meditação − porque a meditação vai destruir Deus, vai destruir o ego, vai destruir o eu. Vai deixá-lo no nada absoluto. É apenas a mente que faz você ter medo do nada. (Osho/Zen, p. 133) Precisamente a partir dessa experiência − realizada por mim dezenas de vezes − é que consegui me desprogramar (apagar o desenho), desta plataforma − Consciência Pura − constata-se que sendo os Deuses meros produtos de programação, ficções, nenhum deles vale mais que os outros, não importa a suntuosidade dos templos onde estejam sendo adorados.

55


− Como os Deuses são criados por egos humanos e como suas ficções são programadas (tatuadas) nas mentes dos incautos fiéis.

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz (Mente)

7−→

Branca

− Um cérebro proLuz Incolor (sem atributos) gramado pelo cris(Como chegamos ao mundo) tianismo cria um − Aqui n~ ao existe nenhum Deus dessa forma. Deus por que n~ ao existe ego para conceb^ e-lo.

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz (Mente)

7−→

Branca

− Um cérebro proLuz Incolor (sem atributos) gramado pelo hindu(Como chegamos ao mundo) ismo cria um − Aqui n~ ao existe nenhum Deus dessa forma. Deus por que n~ ao existe ego para conceb^ e-lo.

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz (Mente)

7−→

Branca

− Um cérebro proLuz Incolor (sem atributos) gramado numa tribo (Como chegamos ao mundo) indı́gena cria um − Aqui n~ ao existe nenhum Deus dessa forma. Deus por que n~ ao existe ego para conceb^ e-lo.

56


2.4.2

Teorema fundamental da teologia não euclidiana

Na edição da Revista Veja de 4 de julho de 2012, o cientista Francis Crick − o mesmo que descobriu a forma de hélice dupla da mólecula da vida, o DNA − proferiu: Você, suas alegrias e tristezas, suas memórias e ambições, sua noção de identidade e seu livre-arbı́trio nada mais são do que a interação de um vasto conjunto de células nervosas . . . Traduzindo, digamos que nossa identidade (ego) é como se fosse um arquivo codificado quimicamente no cérebro. O que corre por nossa conta é a afirmativa de que podemos apagar esse arquivo. Deletando esse arquivo passamos a funcionar dentro da Consciência Pura, dentro deste estado o postulado fundamental da teologia não euclidiana se impõe. (PFTNE, p. 42) Fundamentados no PFTNE demonstramos o seguinte teorema matemático Teorema 1 (TFTNE). Todo Deus é uma construção da mente − efeito de uma programação mental prévia. Prova: É uma decorrência imediata do PFTNE. Com efeito, o que existe existe em relação a uma estrutura cognitiva de referência e não no mundo objetivo “lá fora”; agora basta aplicar essa conclusão a todo Deus possı́vel de se conceber.  A propósito, em nosso sistema − Teologia n~ ao Euclidiana − o que o sábio afirma a seguir não se constitue em nenhuma sandice, muito pelo contrário: Querendo impressionar o mestre, ele [Yamaoka] disse: “Não existe mente, não existe corpo, não existe buda. Não existe nem melhor nem pior. Não existe nenhum mestre, não existe nenhum aluno. Não existe dar, não existe receber. O que nós pensamos que vemos e sentimos não é real. Nenhuma dessas coisas aparentes realmente existe.” Esse é o mais elevado de todos os ensinamentos, a verdade suprema. É a essência de toda a tradição do Buda, que Buda disse que tudo é vazio. É disso que estamos falando quando eu converso sobre Sosan com você: tudo é vazio, tudo é simplesmente relativo, nada existe de modo absoluto. Essa é a mais elevada constatação. Mas você pode ler isso num livro e, se você a ler num livro e a repetir, é simplesmente uma idiotice. (Sublime Vazio/Osho)

Ademais, veja como fı́sicos de vanguarda se posicionam a este respeito, página 44; imagine o “desaparecimento de todas as estruturas cognitivas de referência dentro das quais os respectivos mundos são apreendidos ”, o que resta? 57


2.4.3

Atributos divinos

A teologia clássica (euclidiana) confere alguns atributos a Deus, tais como: amor, bondade, misericórdia, ira, etc. Como a teologia não euclidiana se posiciona a esse respeito? A resposta encontra-se no seguinte corolário do teorema 1 (p. 57) Corolário 1. Todos os supostos atributos divinos são construções da mente humana. Prova: Imediato. Ora, se todos os Deuses são construções da mente humana, então todos os seus atributos também são construções da mente humana.  Observe como surgem os supostos atributos divinos quando vistos da perspectiva da TNE:

− Consci^ encia Pura (Awareness) Amor Misericórdia Bondade

Deus Luz

Sabedoria Ira Vingança

7−→

Branca

Inteligência (Mente)

Luz Incolor (Sem nenhum atributo) − Um cérebro programado pelo cristianismo transfere para Deus esses atributos.

A Consciência Pura ao reverberar em um cérebro que tenha sido programado com as “verdades bı́blicas” sairá do outro lado com atributos puramente humanos que são projetados na divindade, é simples assim! Como mostramos na figura da página 21 a Consciência Pura (Deus) é como a água: não tem cor, não tem cheiro, não tem sabor. Colocar “cor, cheiro e sabor” (atributos) em Deus fica mais fácil vendê-lo aos incautos − é o que fazem todas as religiões teı́stas. A massa não compraria um Deus insı́pido, inodoro e incolor, então coloca-se tempero, adultera-se ao gosto das massas, todos saem “ganhando”! 58


2.4.4

O pecado

A teologia clássica estribada no mito pueril de Adão e Eva carimba na testa do homem vários pecados. Como a teologia não euclidiana se posiciona a esse respeito? A resposta encontra-se no seguinte corolário do teorema 1 (p. 57) Corolário 2. Todos os supostos pecados humanos são construções da mente humana. Prova: Imediato. Ora, se todos os Deuses são construções da mente humana, então todos os supostos pecados também são construções da mente humana.  Observe como surgem os supostos pecados atribuidos a um “Deus justo e vingativo”, quando vistos da perspectiva da TNE:

− Consci^ encia Pura (Awareness) Gula Avareza Luxúria

Deus Luz

Inveja Preguiça Orgulho

7−→

Branca

Ira (Mente)

Luz Incolor − Sem nenhum atributo, inclusive o de julgar, − Um cérebro programado de atribuir pecados. pelo cristianismo afirma que esses s~ ao pecados.

A Consciência Pura ao reverberar em um cérebro que tenha sido programado com as “verdades bı́blicas” sairá do outro lado com vários “pecados”; como se vê na figura os supostos pecados surgem da própria mente poluı́da dos assim autoproclamados “representantes de Deus na Terra”. Um médico só poderá sobreviver da sua profissão se houverem doentes, é simples assim! 59


2.4.5

Sobre a “santidade” de Deus

Já assisti muitos vı́deos de seres humanos que resolvem se enclausurar por toda a vida em mosteiros esforçando-se por tornarem-se santos, assim como Deus e os santos da Igreja.

Isto me deixava deveras impressionado, embasbacado até − afinal estarse falando de uma vida humana, de um ser humano, por suposto. Me perguntava, que Deus eles tentam imitar? E se tudo não passar de uma ilusão programada em suas mentes pelos sacerdotes? Seriam eles apenas zumbis? Como a teologia não euclidiana se posiciona quanto à “santidade de Deus”? A resposta encontra-se no seguinte corolário do teorema 1 (p. 57) Corolário 3. Deus não é santo. Prova: Imediato. Ora, se todos os Deuses são construções da mente humana, então todos os supostos atributos de Deus também são construções da mente humana.  Um esclarecimento se faz oportuno. Veja bem, em todo este livro não pretendemos estar com a verdade, defendemos que uma verdade absoluta simplesmente não existe, no entanto as verdades relativas existem, o que significa que a teologia não euclidiana por nós construida é verdadeira apenas para aqueles que estão de acordo com nossos postulados, é simples assim. Independentemente disto nossas conclusões podem servir como material de reflexão para qualquer um, aceitem ou não os postulados da TNE. Os considerados santos de certas religiões quase nunca são criadores. São simples virtuosos ou alucinados, aos quais o interesse do culto e a polı́tica eclesiástica atribuı́ram uma santidade nominal. (José Ingenieros) 60


2.4.6

A Lei de Deus

A teologia clássica estribada no mito pueril de Adão e Eva atribui várias leis como ditadas por Deus. Como a teologia não euclidiana se posiciona a esse respeito?

A resposta encontra-se no seguinte corolário do teorema 1 (p. 57) Corolário 4. Todas as supostas leis de Deus são construções da mente humana. Prova: Imediato. Ora, se todos os Deuses são construções da mente humana, então todas as supostas leis de Deus também são construções da mente humana.  Observem como surgem as supostas leis de Deus quando vistas da perspectiva da TNE:

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Deus Luz (Mente)

7−→

Branca

Luz Incolor − Sem nenhum atributo, inclusive o de legislar. − Um cérebro programado dentro de uma certa cultura promulga leis e as atribui a Deus.

A invenção do pecado, e a consequente necessidade da salvação, foi a grande e “genial” trampa (trapaça, sofisma) que o cristianismo elaborou. 61


Adendo Muito já se disse e muito já se escreveu sobre “A Lei de Deus” nas mais diversas religiões e teologias ao redor do mundo.

Dentro da teologia não euclidiana afirmamos simplesmente que todas as “Leis de Deus” escritas nestes livros são frutos das cabeças dos respectivos autores. Essa afirmação decorre do teorema 1 (p. 57) que, por sua vez, estriba-se no TFTNE, veja novamente: “Tudo o que apreendemos, seja perceptiva ou conceitualmente, é desprovido de natureza inerente própria, ou identidade, independentemente dos meios pelos quais seja conhecido. Objetos percebidos, ou entidades observáveis, existem em relação às faculdades sensoriais ou sistemas de medição pelos quais são detectados − não de modo independente no mundo objetivo.” Todas as supostas Leis de Deus são desprovidas de natureza inerente própria, ou identidade, independentemente dos meios pelos quais sejam conhecidas. Estas leis existem em relação às faculdades sensoriais ou sistemas de medição (cérebros) pelos quais são detectadas − não de modo independente no mundo objetivo. Enfatizamos: o que quer que estes autores (mestres, gurus, padres, pastores, papas, etc.) tenham proferido a respeito da “Lei de Deus”, estão equivocados. Estas “Leis de Deus” se originaram da própria cabeça deles, são desejos, aspirações, projeções da mente humana. 62


Vejamos uma analogia, as imagens a seguir nos ajudam a compreender como surgem a supostas Leis de Deus:

          

           

Sol

Assim como a luz surge nesta interaç~ ao...

         

          

Vácuo

Mente

Ψ

qualquer “Lei de Deus” surge nesta interação.

       

Ψ

“Luz Branca”

(Mente) (ECR)

        

Vácuo

“Leis de Deus”

Ou ainda, de uma outra perspectiva:

− As “Leis de Deus” são produtos da mente humana. Quando seu mundo se concretiza a partir do espaço e no espaço, você nomeia todas as coisas com nomes e tı́tulos que sejam convenientes ao desempenho de suas atividades cotidianas. Na realidade, esses nomes e tı́tulos não existem. Nenhuma dessas criações possui uma forma válida e convincente, nem individualidade própria. (Maharaj/O Néctar da Imortalidade, p. 152/Grifo nosso)

63


Todos os autores da “Lei de Deus” escreveram a partir da mente, do ego. De outro modo, escreveram de uma perspectiva “abaixo das nuvens”, não dispunham de um “telescópio hubble”

Como mostramos no capı́tulo 1 a constituição (desenho) de um ser humano recebe todas aquelas influências (ver fig. p. 10) é precisamente da perspectiva de tais influências − das religiões notadamente − que os autores escreveram suas leis e as atribuiram a Deus, é simples assim! É por isso que um autor católico (ou protestante) vai escrever sobre uma “Lei de Deus”, um autor espı́rita vai escrever sobre uma outra “Lei de Deus”, um autor indiano vai ainda escrever sobre uma terceira “Lei de Deus”, um autor chinês vai ainda escrever sobre uma quarta “Lei de Deus”, etc. Perguntamos: é difı́cil exergar esta obviedade? Um poeta autêntico não está presente, ele abre caminho para a poesia fluir dele. E o mesmo acontece com a música e a dança, a escultura e a arquitetura, sobre tudo o que é belo. Se elas saı́rem de um estado meditativo, não são produtos do ego. Os produtos do ego vão ser muito vulgares. (Osho)

Seus deuses não podem ser diferentes de você. Quem os cria? Quem lhes determina o tamanho, a forma e a cor? Você os cria, você os esculpe; eles têm olhos como você, têm nariz como você − e têm uma mente, tal como você! O Deus do Antigo Testamento diz: − Eu sou um Deus cheio de ira! Se não seguir meus mandamentos, eu destruirei você. Você será jogado no fogo do inferno pela eternidade. E como eu sou ciumento − Deus fala − não vá prestar culto a mais ninguém. Não vou tolerar isso. − Quem criou um Deus assim? Só pode ter sido a partir do seu próprio ciúme, da sua própria ira, que você criou essa imagem. Ela é projeção sua, uma sombra sua. É um eco seu e de mais ninguém. E o mesmo acontece com todos os deuses de todas as religiões. (Osho)

64


Um leitor mais desatento poderia estar se perguntando: se todas as “leis de Deus” são frutos da mente humana, o que Deus estaria fazendo? Serve para quê?

Ψ

“Luz Branca”

0

1

(Mente) (ECR/Ser)

0

        

Absoluto

       

− O Absoluto contém todo o experienciável. Mas sem o experimentador eles são como nada. Aquilo que faz a experiência possı́vel é o Absoluto. Aquilo que a faz atual é o Ser. (Sri Nisargadatta Maharaj)

“Leis de Deus”

Dentro da TNE a respota está dada na seguinte ilustração:

1

De outro modo: o Absoluto fornece, é, a tela em branco, o homem se encarrega de “pintar o 7 nesta tela”, é o artista que se encarrega de pintar as cores e as paisagens do seu próprio mundo, sem a tela (Consciência) nenhuma pintura seria possı́vel. Uma outra analogia: Todo o universo da informática só é possı́vel devido aos bits 0 e 1. A combinação destes dois sı́mbolos gera não apenas todo o universo da tecnologia atual como, ademais, tem o potencial de gerar toda a tecnologia do futuro. Com apenas um bit não haveria o mundo moderno. Pois bem, considerando o bit 0 como sendo o Absoluto, o bit 1 como sendo a mente humana, a combinação destes dois gera todo o universo hominal − Ver página 6. Resumindo o tema em pauta, dentro da TNE você pode pegar todas estas “Leis de Deus” e enviá-las para a lixeira, assim:

65


Adendo: Eu vejo, mas não acredito! Acredito que o matemático desenvolve um “sentido” irredutı́vel à visão, à audição e ao tato, que lhe permite perceber uma realidade tão palpável quanto, mas bem mais estável que a realidade fı́sica, pois não localizada no espaço-tempo. (Alain Connes) Esta foi a exclamação do matemático alemão Georg Cantor que em suas pesquisas sobre o infinito chegou a resultados tão absurdos e paradoxais que, não acreditando no que via, escreveu a um outro matemático para que verificasse se de fato seus “cálculos” estavam corretos − “pior” é que estavam! De um modo um tanto quanto semelhante nossas conclusões a respeito das “Leis de Deus” (corolário 4, p. 61) para mim a princı́pio pareceram tão paradoxais, bizarras, que eu mesmo custei a acreditar. Em que pese o respeito que tenho por muitos escritores − Pietro Ubaldi e Huberto Rohden, por exemplo − não foi sem algum pesar que compus a seguinte figura:

Pois bem, não tendo ninguém para solicitar que conferisse meus “cálculos” (teoremas e corolários) fiquei feliz ao encontrar um autor que chegou às mesmas conclusões que eu, veja: O Absoluto não tem cor, nem plano, nem nome, nem forma. Todos os nomes e formas surgem na Terra e toda a imaginação e todos os escritos se devem à consciência em forma humana. O mundo está cheio de livros com os conceitos de seus autores. [. . . ] Na natureza e na Consciência não há lei e ordem. O homem deseja ordem, mas não temos controle sobre a natureza. Assim, ele pressupõe lei e ordem na natureza. (Sri Nisargadatta Maharaj/nada é tudo, pp. 116, 137)

Uma outra afirmação de Maharaj que se harmoniza perfeitamente com este contexto é aquela citada na página 80: Cuidado. No momento em que você começa a escrever . . . (adaptada para os autores) O que eu e Maharaj temos em comum, que explica esta coincidência, é o acesso ao estado de Consciência Pura, é “só” isto! 66


Qual o problema com o Deus legislador das religiões? O Deus pessoal e legislador das teologias clássicas, “imutável”, cria muitos problemas insolúveis, mais complica que esclarece. Por exemplo, que espécie de Deus − “designer inteligente”− criaria a seguinte “lei natural”?

Sabedoria e loucura são qualidades baseadas em nosso julgamento. O mundo não está cheio de mil coisas que nos parecem loucas? As pessoas, em função das quais adoramos pensar que o mundo tenha sido criado, não são freqüêntemente insensatas e irracionais? Os maravilhosos animais, exaltados como obras de um Deus imutável, não se alteram continuamente e não terminam por destruir-se? (Paolo Rossi) Que Deus inteligente (ou demonı́aco?), sábio e amoroso iria divertir-se com a desgraça de suas criaturas?

− Corpos mutilados e empilhados em terremoto no Haiti

(12.01.2010)

O mundo, segundo nos dizem, foi criado por um Deus não só bom, como onipotente. Antes de ele haver criado o mundo, previu toda dor e toda miséria que o mesmo iria conter. É ele, pois, responsável por tudo isso. É inútil argumentar-se que o sofrimento, no mundo, é devido ao pecado. Em primeiro lugar, isso não é verdade: não é o pecado que faz com que os rios transbordem ou que os vulcões entrem em erupção. Mas, mesmo que fosse verdade, isso não faria diferença. Se eu fosse gerar uma criança sabendo que essa criança iria ser um homicida manı́aco, eu seria responsável pelos seus crimes. Se Deus sabia de antemão os pecados de que cada homem seria culpado, Ele foi claramente responsável por todas as conseqüências de tais pecados, ao resolver criar o homem. (Bertrand Russel/Porque Não Sou Cristão)

67


A propósito, existe um problema teológico que desafia “todos os doutores teólogos cristãos ” há pelo menos 2.500 anos − proposto por um dos grandes filósofos da Grécia antiga, Epicuro, ei-lo: Deus quer impedir o mal, mas não consegue? Então ele é impotente. Ele é capaz, mas não quer? Então ele é malévolo. Ele é capaz e quer? Donde, então, o mal? Enfatizo, este problema − proposto há mais de 2.500 anos − vem desafiando todos os pusilânimes doutores teólogos cristãos há séculos. Ao contrário, o “Deus” que emerge da TNE está livre de todas estas inconsistências. Como já salientamos: o Vazio não é um “ser”, não possui identidade, atributos, não pensa (não possui cérebro para tal), não raciocina, não legisla. Por exemplo, o paradoxo de Epicuro não se aplica ao Vazio. − CD (Prisma)

Deus Luz Branca

Deus

Consciência Pura 7→

− Mente

Aqui epicuro não se aplica, não faz sentido.

− Epicuro se aplica ao Deus pessoal crist~ ao

Eu estou além de toda a experiência, até mesmo do samadhy. Eu sou o grande devorador e destruidor. Tudo o que toco se dissolve em vazio. (Maharaj/“Eu Sou Aquilo”, p. 269) Inúmeros autores cristãos, incluindo o filósofo alemão Leibniz em sua obra “Ensaio de Teodiceia”, já escreveram livros e mais livros tentando conciliar o mal no mundo com a bondade de Deus.

− À direita corpos mutilados em terremoto no Haiti (12.01.2010)

68


Todos eles falharam, a propósito quando parte-se de uma premissa flagrantemente errada − no caso a bondade de Deus − os argumentos desses autores tornam-se pueris, hilários, inconsistentes com a realidade observada. Quando o espı́rito se apresenta à cultura cientı́fica, nunca é jovem. Aliás é bem velho, porque tem a idade de seus preconceitos. Aceder à ciência é rejuvenescer espiritualmente, é aceitar uma brusca mutação que contradiz o passado. (Gaston Bachelard/grifo nosso)

As histórias da matemática e da fı́sica têm uma preciosa lição a nos ensinar, problemas que há séculos não tinham solução nestas disciplinas foram finalmente debelados por uma simples mudança de perspectiva. Teólogos e escritores cristãos, para conciliarem a bondade de Deus com o mal no mundo vocês devem aceitar uma brusca mutação que contradiz o passado devem abandonar a premissa de que Deus possui atributos humanos, ou terão que esperar mais quantos 2.500 anos para resolver o problema do célebre Epicuro? Vejam como não é difı́cil entender, vocês ao verem Deus através de suas mentes − através do óculos do ego − o estão poluindo

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz (Mente)

7−→

Branca

A Consci^ encia Pura é como a água: n~ ao tem cor, n~ ao tem cheiro, n~ ao tem sabor. (Por favor, n~ ao poluir!) 69

− Olhar Deus através da mente e do ego é poluı́-lo.


O que um teólogo considera verdadeiro não pode não ser falso: nisso reside praticamente um critério de verdade. É seu profundo instinto de conservação que não lhe permite honrar ou sequer mencionar a verdade sob qualquer ponto de vista. (Nietzsche)

É preciso não se deixar induzir em erro: “Não julgueis!”, dizem eles, mas mandam para o inferno tudo o que fica em seu caminho. Ao fazerem Deus julgar, julgam eles próprios; ao glorificarem a Deus, glorificam a si próprios. (Nietzsche)

De uma vez por todas denunciamos a estratégia das religiões: Elas primeiro te adoecem para depois te venderem o remédio. Toda criança nasce sadia, posteriormente uma ou outra religião a torna doente, fanática, cega e aleijada. Reiteramos: Se um médico chega em uma cidade onde todos os seus habitantes estãos sadios, o médico ficará desempregado . . . a menos que primeiro adoeça as pessoas. Esta é precisamente a astúcia adotada pelas religiões. A teologia não euclidiana ainda tem mais a nos ensinar: a elite pensante da humanidade não é mais criança, não se guia pela ameaça de um inferno e nem pela esperança de um suposto paraı́so, tudo deve ser exposto com clareza e honestidade, não existe mais espaço para a “fé ingênua”, por séculos e milênios o homem foi feito de trouxa por lı́deres polı́ticos e religiosos inescrupulosos, a razão exige que “daqui pra frente toda e qualquer afirmação no universo da espiritualidade deve ser provada, na TNE já mostramos como se faz isto: enuncia-se claramente e sem tergiversações um postulado, nosso interlocutor é livre para aceitá-lo ou rejeitá-lo, no primeiro caso estabelecemos uma prova, no segundo não, mas nem por isso o ameaçamos com o inferno.” Não podemos então forçar alguém através da razão a aceitar argumentos, que ele mesmo não os tenha aceitado. “Tudo o que podemos fazer numa conversação na qual não há concordância [. . . ] é seduzir nosso interlocutor a aceitar como válidas as premissas básicas que definem o domı́nio no qual nosso argumento é operacionalmente válido”. (Humberto Maturana/neurobiólogo chileno, crı́tico do realismo matemático)

Claro, a fé simplória é um direito de cada um, assim como é um dever nosso alertar de que quando se trata da fé imposta pelas religiões estar-se correndo um sério risco de fazer o papel de trouxa, é só isto! Afirmamos que as religiões impõem a fé às incautas ovelhas pela simples razão de que quem não tem fé vai para o inferno, resumindo é isto o que acontece. Que Deus de amor é esse que lhe dá apenas duas alternativas: a obediência às “suas leis” ou o inferno? . . . Querem nos fazer de trouxas!

70


2.4.7

Quem criou este mundo?

Muito se tem discutido a respeito de quem tenha criado este mundo. Até hoje não se chegou a uma solução consensual; a solução dada pelas religiões, simplista, diga-se de passagem, é a de que Deus criou este mundo. E a teologia não euclidiana como se posiciona a esse respeito? A resposta − não trivial − encontra-se no seguinte teorema: Teorema 2. Nós mesmos criamos esse mundo − você cria o mundo que você observa! Prova: Vamos pedir auxı́lio do PFTNE, fazemos questão de repetı́-lo aqui:

Tudo o que apreendemos, seja perceptiva ou conceitualmente, é desprovido de natureza inerente própria, ou identidade, independentemente dos meios pelos quais seja conhecido. Objetos percebidos, ou entidades observáveis, existem em relação às faculdades sensoriais ou sistemas de medição pelos quais são detectados − não de modo independente no mundo objetivo.

Todos os fenômenos [tanto perceptı́veis quanto conceituais] podem ser postulados como existentes apenas em relação a uma (Wallace/[1], p. 97 ) estrutura cognitiva de referência.

Ora, neste “Tudo o que apreendemos perceptivamente” está incluso todo o Universo, logo, este existe apenas “em relação a uma estrutura cognitiva de referência”, ou seja, nossa mente; é neste sentido que afirmamos que o Universo percebido pelo homem é uma criação de sua própria mente.  O teorema está demonstrado, no entanto, dado o nı́vel de abstração envolvido vamos juntar mais alguns argumentos para tornar nosso teorema “um pouco mais concreto”. Inicialmente observe novamente a imagem de Einstein e o pernilongo na página 49; a mente de Einstein cria o pernilongo que ele vê, a “mente” do robô do cria o pernilongo que ele “vê”. Ora, se a mente de Einstein cria um pernilongo, por que não haveria de criar o próprio mundo que Einstein observa? − Ou ainda, por indução, a mente de Einstein cria o universo observado por ele. De A Consciência cria a realidade (p. 44) destacamos “Ainda uma outra interpretação propõe que o ato de observação cria a realidade fı́sica.” Ademais, vamos citar algumas afirmações de Sri Nisargadatta Maharaj que corroboram nosso teorema: 71


O fato mais importante a ser entendido é apenas esse: se há o toque de ser, haverá a totalidade das coisas. Se não houver estado de ser, não haverá mundo, não haverá cosmos e nada existirá. ([3], p. 137) Esse mundo de vocês, que tanto precisa ser cuidado, vive e se move na mente. Mergulhem nela, lá, e apenas lá, vocês encontrarão respostas. De onde mais vocês imaginam que o mundo venha? Fora de sua consciência, algo existe? (Maharaj/[2], p. 210) Observe como o mundo surge:

Consciência Pura

(Vazio)

Luz Branca (Consciência)

n

Ψ

(Mente)

Mundo

← Toque de ser

• Uma pedra n~ ao possui toque de ser Não somos nem matéria nem energia, nem corpo nem mente.

(Maharaj)

À pergunta: e quem criou a mente? Respondemos: É a mente que lhe diz que a mente existe. Não se deixe enganar. Todas as infindáveis argumentações sobre a mente são produto da própria mente, para sua própria proteção, continuidade e expansão. É a recusa peremptória a levar em conta as circunvoluções e as convulsões da mente que o levará além da mente. (Maharaj/Eu Sou Aquilo, p. 297) Ou seja, a mente não tem existência real, apenas virtual (relativa); é uma ilusão criando outra ilusão: o Mundo. A final de contas, o que existe mesmo? Sugerimos ao leitor que leia a citação de Sublime Vazio/Osho, página 57.

2.4.8

Qual o objetivo (sentido) da vida?

Este é também um tema recorrente, discutido há milênios. O que a TNE tem a nos dizer a respeito? A resposta encontra-se no seguinte teorema: Teorema 3. A vida não possui nenhum objetivo, ou sentido. Prova: É uma decorrência imediata do PFTNE. Com efeito, nada existe de modo independente no mundo objetivo − nenhum objetivo, nenhum sentido −, tudo o que existe existe em relação a uma ECR, e é esta (mente) que coloca (ou enxerga) quaisquer possı́veis objetivos na vida.  72


Adendo: Respondendo à Ananda O que me motivou a acrescentar esse adendo foi um email que recebi da minha filha‡ que está lendo a primeira versão deste livro e me encaminhou algumas dúvidas. Como coincidiu de eu estar fazendo alguns acréscimos no livro decidi responder através desta secção, posto que as dúvidas dela poderão ser as de outros. Inicialmente farei algumas considerações gerais, depois entro nas dúvidas propriamente. Os assuntos aqui tratados envolvem um alto grau de abstração, têm pontos em comum tanto com o budismo quanto com o hinduı́smo, os considero a “nı́vel de pós-graduação”, veja novamente:

Estamos aqui −→

Pós-graduaç~ ao

Graduaç~ ao

Ensino Médio

− Justamente por ser a nı́vel de pós-graduaç~ ao é que os ensinamentos budistas est~ ao acima da capaciadade de compreens~ ao da massa crist~ a.

Ensino fundamental

É inclusive por esta razão que meus livros − este em particular − trazem muitas figuras e ilustrações, acredito que se alguém não entender através dos meus livros, dificilmente entenderá po algum outro livro do gênero.

‡ Ananda Melo Lopes atualmente (01/08/2018) encontra-se na Unicamp, concluiu o Mestrado em geologia e prepara-se para ingressar no Doutorado.

73


Ultimamente tenho lido alguns livros de mestres do hinduı́smo como, por exemplo, Sri Nisargadatta Maharaj, o livro EU SOU AQUILO é de perguntas e respostas Consideramos os ensinamentos de Sri Nisargadatta Maharaj a nı́vel de pósgraduação. O livro EU SOU AQUILO tem 528 e páginas e nenhuma figura auxiliando a compreensão dos temas expostos. Alguns indivı́duos conversando com o próprio Maharaj acham difı́cil compreendê-lo. Por oportuno, dois grandes escritores que eu lia com frequência há muitos anos atrás − em minha juventude (hoje tenho 58 anos) − são os consagrados Pietro Ubaldi e Huberto Rohden. No livro Deus Huberto Rohden escreve: Compreendi que importa desegoficar-me a fim de me poder deificar. Dentre todas as coisas de difı́cil compreensão, compreendi isto, que é quase incompreensı́vel . . . Tornar-me um desego, quase um anti-Eu. . . Neste livro Rohden relata sua busca angustiante e quase desesperada por Deus, colocamos em destaque: (p. 17, pdf) “Dentre todas as coisas de difı́cil compreensão, compreendi isto, que é quase incompreensı́vel. . . Tornar-me um des-ego, quase um anti-Eu . . . ” Ora, o que Rohden afirma é precisamente o que estamos defendendo desde há muito, observe: (p. 26) − Consci^ encia Pura

− Construç~ ao social

× ×

Delete o ego!

Deus Luz Branca

7−→

− Mente

Neste referencial, n~ ao existindo ego n~ ao existe nenhuma necessidade! •

− Ego: O centro falso, todas as necessidades surgem nesse referencial (falso)

Nisto consiste a Iluminaç~ ao! 74


Por que é quase incompreensı́vel? Por que este assunto, que envolve um alto grau de abstração é de difı́cil compreensão? Respondemos: porque esta compreensão passa por uma experiência, é “só” isto. Veja: Simplesmente proferir as palavras “o açúcar é doce” não produz a experiência, mas se for degustado, descobre-se que o seu sabor é doce. Do mesmo modo, simplesmente proferir a palavra “vacuidade” não produz a experiência, mas através da meditação o seu sabor é experienciado. (Maitreya)

Isto resume tudo a respeito da meditação; existem muitos mestres por aı́ − vejo vı́deos no Youtube − pregando que “o açúcar é doce” sem nunca tê-lo experimentado. Resumindo, a dificuldade está em transmitir uma experiência, isto é impossı́vel. Uma outra analogia: sobre uma saborosa fruta que eu experimentei quando morei em Belém-PA, descrevendo o bacuri: Bacuri: Uma fruta um pouco maior que uma laranja, contém uma polpa branca agridoce, de aroma agradável e sabor intenso, lembra o cupuaçu, etc.

O leitor poderia até ler livros e mais livros sobre o bacuri, ou, quem sabe, até cursar uma faculdade de agronomia e defender tese sobre o mesmo, infelizmente ao final seria apenas um intelectual, para completar o conhecimento teria que experimentar o bacuri, senão, nada feito! Por oportuno, existem muitos mestres por aı́ − vejo vı́deos no Youtube − falando dos temas Meditação, Realização, Iluminação, etc., que são apenas teóricos, acumularam muitos conhecimentos, mas não “experimentaram o bacuri”. Ora, a Iluminação, ou Realização, é conexa ao estado de Vacuidade, Consciência Pura, não mente (ausência de pensamentos); pelo que tenho lido e observado, este é um estado muito difı́cil de ser alcançado, é raro mesmo dentre aqueles discı́pulos de grandes mestres orientais, não obstante passarem anos e anos enclausurados em um mosteiro meditando. Por oportuno, como exemplo vou me permitir citar três celebridades que são considerados pela mı́dia como iluminados, mas que não são, isto é, não os considero − já os observei de várias “perspectivas”: Monja Coen, Sri Prem Baba e Dalai Lama

Pode ser surpreendente que o Dalai Lama esteja incluido em minha lista; considero o lı́der do budismo tibetano apenas como um burocrata, tal qual o Papa do catolicismo. Para mais detalhes, a quem interessar possa, no meu livro O Deus Quântico falo um pouco mais sobre este lı́der. 75


A Ananda inicialmente me pergunta o que é o estado de Consciência Pura e se alguém vive nele permanentemente. Respondo: trata-se de uma experiência, é impossı́vel de ser transmitida; por exemplo, tenta transmitir a alguém o sabor de uma banana, não é uma questão de compreensão, mas de saborear; assim é o estado de Consciência Pura. Não é necessário que se viva nele permanentemente. No que diz respeito ao meu caso particular, entro neste estado a partir da meditação, as pessoas fazem meditação com vários objetivos, no meu caso não faço para “ficar zen”, para buscar a felicidade∗ , para “controlar minhas emoções”§ , etc. Pratico meditação com um único objetivo: pesquisar. O presente livro − e outros, inclusive de matemática, é fruto de tudo isto. A propósito, e apenas a tı́tulo de curiosidade, para mim foi uma surpresa encontrar o tema do Vazio sendo explorado até nas Artes. Encontrei na internet uma dissertação de mestrado e uma tese de doutorado explorando este viés∗∗ . Se o Vazio me foi importante nas pesquisas na área da espiritualidade, da matemática e agora nas artes, presumo que o seja em muitas outras disciplinas, como, por exemplo, psicologia, psiquiatria, biologia, filosofia, ciências cognitivas, etc. No capı́tulo 4 estamos sugerindo uma aplicação do Vazio em uma das áreas de pesquisas mais importante e incompreendida da atualidade: Consci^ encia. Retomando, na página 7 escrevi “desenvolvi uma técnica própria de meditação que me conduziu ao estado de Satori (ou Iluminação)”. Agora acrescento, esta técnica inclui a Ayahuasca.

Ainda respondendo a pergunta da Ananda, assim como um biólogo apenas utiliza o microscópio na hora de trabalhar, ou ainda, não o carrega nas costas as 24 horas do dia, assim não vejo necessidade de se estar no estado de Consciência Pura 24 horas do dia; no meu caso − isto é, para o objetivo de pesquisa − é suficiente apenas quando vou trabalhar, escrever livros, como este, por exemplo. ∗

Não sou infeliz e isto me basta. A indignação contra as injustiças do mundo, por exemplo, é uma emoção (sentimento) que eu admiro e respeito. ∗∗ Dissertação: O SOPRO DO VAZIO − Helena Isabel Santos Ferreira/Universidade de Lisboa. Tese: Do Vazio ao Sublime, percursos estéticos − Joana Rita Cerieira Braguez/Universidade de Coimbra, 2016. §

76


Quanto à Ayahuasca como ferramenta, não quero aqui entrar em detalhes das minhas experiências pois já o fiz em dois outros livros meus∗ , inclusive refutando alguns mestres que se posicionam contra a “utilização de substâncias”. Aqui apenas acrescento o seguinte: A Ayahuasca é uma condição apenas necessária† para a iluminação, mas não suficiente. Se fosse assim todos os que tomam a Ayahuasca seriam iluminados. Não é o que acontece. Por exemplo, tenho afirmado que este enteógeno não tem o poder de transformar um jumento num sábio, pode até amplificar sua jumentice. Com efeito, por exemplo, já vi ayahuasqueiros afirmarem que o sol é frio e ainda justificam “lógicamente”. . . pasmém!. Algo análogo àqueles “sábios” que defendem que a Terra é Plana e que o homem nunca foi à lua. Um microscópio, por si só não terá nenhum valor, no entanto se a mente que estiver por trás dele for a de um biólogo sua eficiência será incomparavelmente superior àquela obtida com a mente de um simples ayahuasqueiro. Galileu não foi o inventor da luneta, apenas a aperfeiçou, mas foi na mente dele que se iniciou a astronomia moderna − quando ele decidiu apontá-la para os céus. Deixa eu aproveitar uma figura de um outro livro meu:

ego

Consciência (Vazio)

∗ A quem interessar possa consulte os livros O Deus Quântico e Teoria da Relatividade Ontológica e Epistemológica : www.goo.gl/DVWQxz † Necessária para atingir o nı́vel (intensidade) de Vazio que eu alcanço e trabalho. Assim como não consigo enxergar uma célula a olho nu, sem auxı́lio de microscópio, de igual modo sem a Ayahuasca não atingiria a intensidade de Vazio que preciso para trabalhar − por exemplo, algumas passagens deste livro escrevi sob o efeito da Ayahuasca.

77


Por outro lado, após mais de 30 anos de experiências com a Ayahuasca discordo dos mestres que a desqualificam como uma ferramenta de buscas espirituais, para dizer o mı́nimo. Um clichê deles é: “a experiência acaba junto”. Ora, isto é uma falácia uma vez que toda experiência “acaba junto”, se você come uma banana, a experiência “acaba junto”, se você faz sexo, a experiência “acaba junto”, etc. Não obstante o aprendizado permanece, por exemplo, por conta deste aprendizado já escrevi vários livros, não apenas na área da espiritualidade e filosofia − como este que o leitor tem em mãos e o Teoria da Relatividade Ontológica e Epistemológica − como, ademais, até de matemática. Contra fatos não há argumento. Noves fora, o que acontece?. Ora, a maioria destes mestres sobrevive às expensas do dinheiro dos seus discı́pulos, obviamente que eles não vão concordar em que a Ayahuasca é uma ferramenta útil para buscas espirituais senão eles correm o risco de perderem seus discı́pulos, é simples assim; não estou conjecturando, já vi isto acontecer! Ainda tem mais, muitos destes mestres − de meditação, por exemplo − jamais atingiram o estado de vacuidade (Consciência Pura), mesmo com anos e anos de práticas em mosteiros asiáticos e indianos − como falei anteriormente, este é um estado difı́cil de ser alcançado −, nestas condições, se utilizar de uma planta mestra pode ser uma solução. Pergunto: onde está escrito que uma iluminação via planta professora não vale?. A Natureza proı́be isto? O único empecilho encontra-se na cabeça de quem pensa assim. Quem tem carro de boi, desloca-se de carro de boi, quem tem bicicleta desloca-se de bicicleta . . . quem tem helicóptero, desloca-se de helicóptero; onde está o problema? Quem decide que veı́culo é legı́timo ou não? − Enfatizo: que mestre tem o poder de decidir o que eu devo fazer? Vocês não estão lidando com discı́pulos abobalhados. Mais um pouco, minhas experiências com a planta mestra me permitem não apenas compreender verdadeiros Mestres como, Buda, Maharaj e Osho, como, ademais, detectar aqueles, não diria pseudo mestres, mas apenas teóricos, que repetem como papagaios uma vasta gama de conhecimentos apenas decorados − Na p. 75 citei três destes. Retomando o email da Ananda, ela pergunta por que somos a Consciência Pura e não nossa identidade, ego. Então, talvez ela esteja se referindo a esta imagem − Construç~ ao social − Consci^ encia Pura 7−→

Luz Branca

− Mente − Ego: esse desenho é um arquivo armazenado no cérebro, não é sua essência!

Voc^ e (sua ess^ encia) é isto!

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Respondemos: depende da perspectiva, do referencial. “Aqui na Terra” somos o ego (identidade), mas de um outro referencial − mais abstrato, digamos − somos Consciência Pura. Mais uma analogia: Não devemos confundir o ator com a personagem interpretada por ele. Nós (nossa identidade, ego) somos atores desempenhando um papel no palco do mundo, nossa verdadeira essência é a Consciência Pura, como já afirmamos. Ademais, observa os “indivı́duos” a seguir

estes não têm um ego, uma identidade formada − agem e reagem pelo instinto de sobrevivência −, é um exemplo de estado de Consciência Pura, a Tela está em branco a ser desenhada (ver p. 10). No futuro serão “atores” desempenhando algum papel na sociedade, alguns deles poderão até desempenhar o papel de polı́ticos . . . muito infelizmente! É triste que assim possa ser. O capı́tulo 3 deste livro poderá trazer mais algumas informações para complementar o presente contexto. A Ananda pergunta: podemos nos reprogramar? e mudar? ou é muito difı́cil já que isso está a nı́vel celular? Nossa identidade representaria o ego? e podemos apagar esse ego por algum tempo e não permanentemente? A resposta a todas estas perguntas é: sim. O que todas as religiões fazem é precisamente isso, programar as pessoas, como exemplifico a partir página 15. Eu já fui evangélico dos meus 22 aos 26 anos, não foi fácil me desprogramar. Na página 100 escrevo o apêndice com tı́tulo “Refutando um capcioso Dr teólogo cristão” que, por coincidência, é um pastor da mesma igreja a que pertenci (Adventista), é difı́cil me reconhecer, definitivamente mudei, muito!. Queres mais um exemplo de que nos desprogramamos − ou nos reprogramamos − ? Tu não vais acreditar: na primeira vez que o Lula foi eleito Presidente eu votei nele! . . . Meu deus, como eu mudei!!!

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Vamos à última pergunta da Ananda: Sobre Deus resultar apenas de uma construção mental, ainda não estou totalmente convencida disso. Talvez Deus não seja realmente como as religiões pregam e como o senhor afirma que não é mesmo. Mas acho que existe sim algo maior, que não se explica, e que independe da criação de nossas mentes. Minha filha, inicialmente vou te dar um conselho − daqueles de pai para filho −: não perca tempo na vida buscando por esse∗ “algo maior que independe da criação de nossas mentes ”. A propósito, há poucos dias atrás me deparei com a melhor resposta a esta questão, dada por um sábio iluminado. Perguntaram a Papaji: P: Quem é Deus?. R: Quando você projeta um mundo de sonhos para si mesmo e vive nele, você também projeta um Deus que olhe por ele. Quando você para sua projeção, ambos o mundo e Deus desaparecem.

Papaji

A esta conclusão só chega quem já experienciou o estado de Consciência Pura, de não mente, da ausência de pensamentos. Como já referi antes, não é uma questão de compreensão mas sim de “saborear”. É precisamente neste ponto que afirmo que existem muitos mestres por aı́ afirmando que o “açúcar é doce” sem nunca tê-lo experimentado. No entanto, nem tudo está “totalmente perdido”, o mais próximo que se pode chegar desta compreensão, a nı́vel intelectual − cientı́fico, eu diria − veja “A Consciência cria a realidade”, página 44. Cuidado. No momento em que você começa a falar, você cria um universo verbal, um universo de palavras, ideias, conceitos e abstrações, interligados e interdependentes, que geram, apoiam e explicam uns aos outros maravilhosamente bem, mas que são totalmente sem essência nem substância, meras criações da mente. Palavras geram palavras, a realidade é silenciosa. (Maharaj/EU SOU AQUILO, p. 415)

Desejo justificar a razão de minha resposta incisiva: “não perca tempo na vida buscando por esse ‘algo maior que independe da criação de nossas mentes’ ”. Inicialmente: Pietro Ubaldi e Huberto Rohden são dois autores que eu lia com frequência em minha juventude, hoje infelizmente considero seus escritos comprometidos com a ideologia cristã. ∗

Confia em ti mesma. Emprega este tempo no Doutorado, será de muito maior proveito.

80


Pietro Ubaldi escreveu mais de 20 livros sobre o tema da espiritualidade, Huberto Rohden escreveu mais de 60, recentemente decidi reler, de uma nova perspectiva, o livro Deus de Huberto Rohden e A Lei de Deus de Pietro Ubaldi. Em que pese o respeito, consideração, admiração e gratidão que ainda tenho por meus velhos mestres, Huberto Rohden morreu e não encontrou O Deus Cristão que ele procurava: No livro Deus Huberto Rohden escreve: Compreendi que importa desegoficar-me a fim de me poder deificar. Dentre todas as coisas de difı́cil compreensão, compreendi isto, que é quase incompreensı́vel . . . Tornar-me um desego, quase um anti-Eu. . . Pelo que entendi do livro ele termina por não encontrar Deus, apesar de tê-lo procurado pela filosofia, pela religião, se humilhando, pela oração, jejum, etc. A minha conclusão é que ele não encontrou Deus porque o Deus que ele procurava era uma ficção programada em sua mente pela “Santa Igreja”, só existia em sua mente. Quando alguém se propõe a procurar Deus a primeira pergunta que se deve fazer é: que Deus estou procurando? Que Deus desejo encontrar? − Na Terra existem milhares! Ao tentar responder esta pergunta, precisamente neste momento sua mente está construindo Deus. Será um Deus construido por sua mente, ou programado em sua mente pelos sacerdotes, não importa. Cuidado! Palavras geram palavras, a realidade é silenciosa. Dentre outras coisas Rohden escreve: (p. 15)

Há uma semelhança entre nós, meu Deus: ambos somos reais – mas há entre nós também uma dessemelhança, e certamente bem maior que a semelhança, porque tu és auto-real, e eu sou alo-real. No meu entendimento, que é o do budismo também, aqui há um equı́voco “elementar”, “primário” de Rohden: “ambos somos reais”. Nem ele e nem Deus são reais. Como disse Papaji, ambos são projeções. Rohden, apesar de acreditar no Deus pessoal cristão∗ ainda acredita que Deus é real, que existe “lá fora”. É por isto que para ele é “de difı́cil compreensão”. Rohden andou na Índia, infelizmente ele não compreendeu Papaji: Quando você projeta um mundo de sonhos para si mesmo e vive nele, você também projeta um Deus que olhe por ele. Quando você para sua projeção, ambos o mundo e Deus desaparecem. ∗

Embora em algumas de suas afirmações não aparente.

81


Felizmente eu posso apontar − através de uma analogia − onde encontrase o erro não apenas de Rohden e Ubaldi mas de quase toda a humanidade. Inicio com uma afirmação: não apenas o leitor, como de resto quase toda a humanidade, acredita que o sol brilha, que o sol emite luz. Precisamente aqui é onde reside o erro! O sol não brilha, não emite luz. Emite ondas eletromagnéticas que ao interagirem com o olho humano produzem a luz. Observe como surge o Deus de Rohden, Ubaldi e do Ocidente cristão: assim como a luz, Deus surge da interação de “Algo” com a mente humana − este “Algo” é o que denominamos de Consciência Pura, em resumo:

A luz surge nesta relaç~ ao

O sol não emite luz

          

O olho produz a luz, a mente produz Deus.

           

Ondas eletromagnéticas + olho = Luz l l l Consciência Pura + mente humana = Deus

Agora, entendido isto, que a luz não tem existência real, “lá fora”, basta você entender que a Consciência Pura não é “Deus”, não é uma pessoa, não tem atributos humanos. Entendido isto, você se iluminou! Por oportuno, não sendo a Consciência Pura um ego, ela não deseja ser adorada, você não deve se ajoelhar e adorá-la, é como se você estivesse fazendo isto frente a um totem, ou a uma pedra. − A bem da verdade, você pode fazer da Consciência Pura o que você desejar, Ela é uma massa de modelar em suas mãos, toma a forma que você quiser. Como mostramos acima, é da interação Dela com a mente humana que surgem todos os Deuses. Reflita, quanto for necessário, sobre os dois pensamentos a seguir: Que seria a tua felicidade, ó grande astro, se não tivesses aqueles que iluminas! (Nietzsche/Zaratustra) Mesmo que um grande número de pessoas olhem um carro de bombeiro e o vejam como vermelho, isso não significa que a cor exista independentemente das faculdades visuais delas. ([1], p. 100) Parafraseando: Mesmo que um grande número de pessoas sintam um Deus e o vejam como uma pessoa, isso não significa que Deus exista independentemente das faculdades psı́quicas delas. 82


As considerações que fiz relativamente a Rohden valem para o mestre Pietro Ubaldi − o Deus de ambos é o mesmo −, no entanto, veja o que Ubaldi escreve: O homem foi sempre vı́tima de enganos dos sentidos e de sua mente, enganos que o levaram a erradas interpretações dos fatos. Acreditou-se já na solidez e indestrutibilidade da matéria; acreditou-se que o Sol girava ao redor da Terra e não a Terra ao redor do Sol; que a Terra era imóvel; e, assim, em muitas outras coisas. Só agora começa o homem a perceber quão enganadora é a aparência das coisas e que a verdade é outra, embora ainda esteja escondida bem profundamente. De quantas ilusões psicológicas temos ainda que libertarnos! Isto sobretudo no terreno intelectual, porque é nosso intelecto o meio por intermédio do qual percebemos e concebemos tudo. O que condiciona nossos julgamentos e idéias em todos os campos é a natureza, as capacidades e o desenvolvimento do intelecto. Cada ser não pode viver senão em função da compreensão que possui. Assim, muitas vezes aceitamos como verdades absolutas, axiomáticas, idéias que são frutos da nossa forma mental, e que a ela respeitam. É necessário um controle contı́nuo, e saber olhar em profundidade, para se chegar a compreender a falsidade de tantos conceitos que cegamente aceitamos e que dirigem nossa vida. (A Lei de Deus/p. 38)

Tudo perfeito! Só faltou ele aplicar a si próprio − digo, com respeito ao Deus pessoal cristão. Um pensamento de Ubaldi que transcrevi em alguns dos meus escritos é: Em suas fases primitivas o homem não podia adorar senão a um Deus feito à sua imagem e semelhança, porque não sabia conceber algo melhor. Atualmente, o Deus cósmico, que a ciência nos deixa entrever, já não cabe dentro das velhas concepções religiosas. Perfeito! Infelizmente o próprio Ubaldi morreu nesta fase primitiva, adorando “um Deus feito à sua imagem e semelhança”. É difı́cil se desprogramar, é por isso que na página 17 comparo as ficções religiosas a uma tatuagem, para remover é muito difı́cil. Concluindo, no livro DEUS e UNIVERSO Ubaldi escreve: Em verdade, o crı́tico extremado poderia objetar que os dois princı́pios fundamentais - amor e liberdade - sobre os quais se eleva o edifı́cio conceptual atrás exposto, são absolutamente incontroláveis. Eles aqui são aceitos como axiomas não demonstrados, conseqüência do método intuitivo. Não é preciso demonstrar a quem vê que a luz existe. (p. 53, pdf) Como se vê, Ubaldi de fato é racional, infelizmente não o suficiente; ele fundamenta sua teologia − seus livros − em dois axiomas: amor e liberdade. 83


Nossa teologia não euclidiana está também fundamentada em dois axiomas (postulados), como vimos. No entanto, ele peca pelo fato de que não se deve impor um axioma, aceita-se ou não. Nenhum “crı́tico extremado” é obrigado a aceitar qualquer axioma∗ , nem mesmo os da matemática ou fı́sica, como já enfatizamos muitas vezes. E, ademais, não é propriamente rigoroso ele afirmar: “Não é preciso demonstrar a quem vê que a luz existe.”. Devemos antes decidir o que significa existir. Observe novamente: Mesmo que um grande número de pessoas olhem um carro de bombeiro e o vejam como vermelho, isso não significa que a cor exista independentemente das faculdades visuais delas. ([1], p. 100) Parafrasendo: Mesmo que um grande número de pessoas olhem o sol e o vejam como emitindo luz, isso não significa que a luz exista independentemente das faculdades visuais delas. Por oportuno, há poucos dias reli o livro “O Anticristo” de Friedrich Nietzsche (1844-1900); o gênio possui, dentre outras, duas caracterı́sticas: está à frente do seu tempo e consegue enxergar o que ninguém mais conseguiu, este é precisamente o caso de Nietzsche, um verdadeiro iluminado! Naturalmente me perguntei por qual razão Pietro Ubaldi e Huberto Rohden foram enganados − iludidos − a vida inteira sendo que em suas épocas Nietzsche já havia escrito o Anticristo, não entendo! A que profundidade de sagacidade e prestidigitação as religiões são capazes para ludibriar a boa-fé das pessoas já mostrei no adendo “A mulher matematicamente perfeita” (p. 31), depois disto o que mais posso fazer? Finalizando, tenho quatro filhos† , nenhum deles foi batizado, nunca sugeri a eles nenhuma religião − não desejava vê-los marcados como gado, antolhados como cavalos. É uma tatuagem difı́cil de sacar. Aos meus filhos sugiro que façam um esforço para compreender o Mestre Papaji: Quando você projeta um mundo de sonhos para si mesmo e vive nele, você também projeta um Deus que olhe por ele. Quando você para sua projeção, ambos o mundo e Deus desaparecem. Ademais, sugiro que leiam − ou releiam − “Quando as religiões e teologias tornam-se desnecessárias ”, página 26 − a propósito, compus esta página sob o efeito da Ayahuasca. Então é isso cara Ananda, espero ter ajudado; beijos e abraços . . . juizo! ∗

No caso que Deus é amor e concedeu ao homem o livre arbı́trio. Aline, é advogada; Ananda, é mestre em geociências; Aarão é engenheiro eletricista; Agnus é estudante de engenharia de telecomunicações − todos eles já tomaram Ayahuasca comigo, inclusive quando eram crianças. †

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O Pássaro Cativo Armas, num galho de árvore, o alçapão; E, em breve, uma avezinha descuidada, Batendo as asas cai na escravidão.

Trombadinha

assaltando cegos

Olavo Bilac Do livro: Poesias Infantis, Ed. Francisco Alves, 1929, RJ. 85

cr

Dourada gaiola

“Não quero o teu alpiste! Gosto mais do alimento que procuro Na mata livre em que a voar me viste; Tenho água fresca num recanto escuro Da selva em que nasci; Da mata entre os verdores, Tenho frutos e flores, Sem precisar de ti! Não quero a tua esplêndida gaiola! Pois nenhuma riqueza me consola De haver perdido aquilo que perdi ... Prefiro o ninho humilde, construı́do De folhas secas, plácido, e escondido Entre os galhos das árvores amigas ... Solta-me ao vento e ao sol! Com que direito à escravidão me obrigas? Quero saudar as pompas do arrebol! Quero, ao cair da tarde, Entoar minhas tristı́ssimas cantigas! Por que me prendes? Solta-me covarde! Deus me deu por gaiola a imensidade: Não me roubes a minha liberdade ... Quero voar! voar! . . . ”

Esplêndida gaiola

É que, crença, os pássaros não falam. Só gorjeando a sua dor exalam, Sem que os homens os possam entender; Se os pássaros falassem, Talvez os teus ouvidos escutassem Este cativo pássaro dizer:

Covarde malvado

Dás-lhe então, por esplêndida morada, A gaiola dourada; Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo: Porque é que, tendo tudo, há de ficar O passarinho mudo, Arrepiado e triste, sem cantar?

ã ist


Parasitas - Guerra Junqueiro No meio duma feira, uns poucos de palhaços Andavam a mostrar, em cima dum jumento Um aborto infeliz, sem mãos, sem pés, sem braços, Aborto que lhes dava um grande rendimento. Os magros histriões, hipócritas, devassos, Exploravam assim a flor do sentimento, E o monstro arregalava os grandes olhos baços, Uns olhos sem calor e sem entendimento. E toda a gente deu esmola aos tais ciganos: Deram esmola até mendigos quase nus. E eu, ao ver este quadro, apóstolos romanos, Eu lembrei-me de vós, funâmbulos da Cruz, Que andais pelo universo há mil e tantos anos, Exibindo, explorando o corpo de Jesus.

86

(1850-1923) Guerra Junqueiro Poeta portugu^ es


2.5

Satori & Iluminados

Não obstante o que já foi dito sobre o estado de Satori pretendo aqui colocar mais algumas informações relativas ao meu caso particular. Inicialmente como eu definiria esse estado? Em uma única palavra assim:

Suicı́dio é isto. Segundo entendo Satori é um suicı́dio do ego, é a sua dissolução no Oceano de Consciência Pura. O Satori não é para os que têm “amor à vida”, pois trata-se literalmente do suı́cidio de sua identidade ou ego. É como o Ícaro da mitologia grega, ao aproximar-se do sol suas asas se dissolvem, igualmente ao aproximar-se da Consciência Pura o ego se dissolve. A propósito, quando dizemos “fulano de tal é iluminado”, o fazemos por um abuso de linguagem pois que na verdade um Iluminado não possui uma identidade, ele se fundiu ao Oceano, por isto mesmo perdeu sua individualidade, é o caso do estado do Buda mencionado na página 8 e do próprio Maharaj, como depreendo da leitura de seus livros − cotejando-os com minha própria experiência. (Satori) É um estado no qual a mente não funciona − torna-se desnecessária −, não existem pensamentos, a mente cede lugar à Consciência que funciona com os dados previamente armazenados com o auxı́lio da própria mente que é, portanto, indispensável em todo esse processo. A mente está para a humanidade atual como o casulo para a futura borboleta, ou seja, tem a sua utilidade, é inegável, todavia não participa do novo ser; assim como os andaimes de um edifı́cio que são retirados tão logo a estrutura esteja pronta. Por outro lado, como professor universitário tenho observado que houve uma banalização dos tı́tulos de mestre e doutor, não constitue nenhum exagero afirmar que nos dias atuais pode-se até comprar um de tais tı́tulos. Seguindo essa tendência tenho observado em alguns vı́deos do YouTube que o “tı́tulo” Iluminado também desceu de seu patamar − despencou, eu diria. Alguns chegam até a propor uma lista de Iluminados, dentre os quais não poderiam faltar alguns de seus amigos prediletos, claro. Alguns desses supostos iluminados é fácil descartar, outros nem tanto, pois não sabemos se falam de experiência própria ou apenas acumularam informações. Um mantra que tenho ouvido com frequência nestes vı́deos é: “você já é um iluminado!, não precisa fazer nada”. Isto me soa algo como “você já é um doutor!, não precisa fazer nada”. Por outro lado, me soa como algo ligeiramente contraditório o “você já é um iluminado”, pois no estado de Iluminação não existe um “eu”, muito menos um ego para ser iluminado. Existem bem menos Iluminados que doutores, sabemos disto, no entanto podemos enumerar algumas poucas caracterı́ticas de um Iluminado: 87


• Um Iluminado está fora de qualquer religião − ou algo que o valha − ou seja, é livre de restrições, viseiras, antolhos; • Um Iluminado fala com precisão, profundidade e consistência, não diz coisas triviais, exceto como complemento. • Um Iluminado faz nosso pensamento dar um giro de 180 o , é o oposto do que pensávamos antes!. Podemos também acrescentar que um Iluminado não é sobretudo piegas; não fala com o objetivo de agradar as pessoas, mas o que elas estão precisando ouvir naquele momento. Para finalizar deixo-vos dois Iluminados contemporâneos que traduzem na sua inteireza tudo o que foi dito acima: Osho e Sri Nisargadatta Maharaj. Abrindo aqui um parenteses para tratar do meu caso particular − supondo que possa interessar a alguém −, nunca busquei a iluminação, nunca estive na Índia, na verdade jamais arredei o pé do meu quintal; apenas por curiosidade a respeito do que seria essa tal de meditação de que tanto se faz alarde, desenvolvi uma técnica própria, entretanto mesmo estando dentro do processo não o reconhecia como tal; como um transeunte que chuta uma pedra para fora do caminho e somente após chegar no próximo povoado é que ouve falar de tal e qual pedra preciosa, começa a desconfiar que aquela que foi descartada poderia ser uma. Algo parecido aconteceu quando eu estava desenvolvendo um certo trabalho matemático, “tropecei” numa fórmula “Gostei da sua fórmula” Carlos Gustavo T. de A. Moreira (Gugu/IMPA) 1m

+

2m

a(m−j) =

+

3m

j X

k=0

+ ··· +

nm

 m  X n = a(m−j) j+1 j =0

  j (−1) (1 − k + j)m k k

(M.C. Escher)

mas somente tempos depois é que me conscientizei da sua importância, dado que os matemáticos a tinham procurado durante séculos sem êxito; coube a mim materializar essa aspiração, embora não tenha sido esse meu objetivo inicial, reitero. Devo acentuar, ademais, que a aquisição desse estado se refletiu não apenas nas “obras teológicas” − como é o caso do presente livro − como até na matemática; vejo tudo como na obra de M.C. Escher acima, trata-se de uma parceria entre a Consciência Pura, a guiar, e o artista ao pintar a obra; como é o caso do presente livro, reitero. 88


Adendo: um pouco mais sobre Iluminação Estive fazendo uma pesquisa no Google e no YouTube a respeito do tema Iluminação para ver se há concordância, unanimidade, ou pelo ao menos um denominador comum a respeito. Infelizmente não há. Existe um pensamento de um monge indiano (séc. II-III) por nome Nagarjuna, afirma ele: Se eu tivesse qualquer posição teórica, então eu teria problemas; mas já que não tenho qualquer posição teórica, então não tenho qualquer problema. Isto se aplica em particular ao tema da Iluminação. A propósito, tenho confirmado a afirmação de Nagarjuna tanto na matemática quanto na fı́sica, onde também existem dissidências; nestas duas disciplinas existem várias Escolas de pensamento, sem chegarem a um acordo entre si. Por exemplo, na matemática Logicismo Intuicionismo, Construtivismo

Matemática

Conjuntista Formalismo Realismo matemático .. .

para citar apenas as principais. No artigo Por que há tantas interpretações da teoria quântica? do filósofo com doutorado em fı́sica quântica Osvaldo Pessoa Jr. ele afirma: “Há dezenas de interpretações diferentes, e interpretações novas vão surgindo a cada ano.”, e lista as principais: (1) Ondulatória Realista. (2) Corpuscular Realista.

Fı́sica Quântica

(3) Dualista Realista. (4) Dualista Fenomenalista. (5) Corpuscular Fenomenalista.

89


Ora, as experiências da fı́sica estão aı́ “a olhos vistos”, são repetidas à exaustão em laboratórios, são simuladas computacionalmente, etc., com tudo isto na hora de se interpretar determinada experiência não existe consenso entre os fı́sicos∗ ; logo, não seria de surpreender que não exista unanimidade quando se interpreta experiências subjetivas, como é o caso da Iluminação. O hinduı́smo e o budismo discordam quanto ao tema da Iluminação, minhas próprias experiências me levam a concordar com as teses budistas. Por exemplo, citando Maharaj − que é de formação hindu −: (Maharaj/[2]) A realização não é uma aquisição. Ela tem mais a natureza de uma compreensão. Uma vez alcançada, ela não pode ser perdida. a coisa parece simples, mas não é. Embora eu mesmo afirme que a Consciência Pura é a natureza essencial do ser humano, vejo a Iluminação como sendo uma aquisição. E outra, esta compreensão, ao meu ver passa por uma experiência, veja: (Maitreya) Simplesmente proferir as palavras “o açúcar é doce” não produz a experiência, mas se for degustado, descobre-se que o seu sabor é doce. Do mesmo modo, simplesmente proferir a palavra “vacuidade” não produz a experiência, mas através da meditação o seu sabor é experienciado. Penso que esta afirmação diz o essencial sobre Iluminação − que é a experiência da Vacuidade −, não é apenas uma aquisição teórica, a experiência (degustação) é indispensável, uma condição necessária. Duas outras questões que discordo de posições hinduı́tas − e concordo com budistas − é que não existe uma Realidade “lá fora”, independente de um observador, veja: (p. 57) Esse é o mais elevado de todos os ensinamentos, a verdade suprema. É a essência de toda a tradição do Buda, que Buda disse que tudo é vazio. É disso que estamos falando quando eu converso sobre Sosan com você: tudo é vazio, tudo é simplesmente relativo, nada existe de modo absoluto. Essa é a mais elevada constatação. (Sublime Vazio/Osho) Ademais, o ego, a identidade não existe, sua existência é apenas relativa, virtual, por assim dizer. Outra, a mente e o ego podem ser descartados (eliminados) sim, reveja o Estado do Buda, Maharaj e Osho na página 8. A eliminação da mente e do ego (entrada na vacuidade), ainda que temporariamente, é uma condição necessária, essencial para a Iluminação. No que diz respeito às minhas próprias experiências, elimino a mente e o ego sempre que faço meditação, posteriormente − ao abandonar o estado meditativo − retorno, no entanto, minhas experiências são suficientes para me convencer das afirmações destes três Mestres iluminados. ∗ Por exemplo, até em nossos dias existem fı́sicos que discordam da Teoria da Relatividade de Einstein, André Koch Torres Assis da Unicamp é um deles.

90


Adendo Na diagramação final do presente livro esta página ficaria em branco, decidi aproveitá-la incluindo esse adendo. Pois bem, ademais afirmamos que todos os Deuses são construidos a partir das necessidades humanas, essa é a mola propulsora; sejam as necessidades das castas sacerdotais − sobrevivência, poder, domı́nio − sejam as necessidades e carências das massas (Caixa)

D eu s

Pernilongo Pernilongo

(Gedankenexperiment)

Ora, até mesmo o Deus construido na teologia não euclidiana não foge a esta regra, apenas que não foi construido para a satisfação de necessidades materiais, mas intelectuais e filosóficas; contudo foi um Deus que nasceu de um estado de não mente, do estado de Consciência Pura, nesse estado − no qual não existe ego, mente − não necessita-se de nada, de nenhum Deus, seja de que espécie for. Alcançar e permanecer no estado de Consciência Pura a partir do qual não necessita-se de nada (nem de “sobreviver após a morte”, enfatizamos) não é muito frequente na história humana, daı́ o termo Iluminação. Portanto, a teologia não euclidiana teoricamente serve a todos os seres humanos pois estes são fustigados pela mente, exceto os Iluminados, mas estes não são mais humanos (são Consciência Pura), evadiram-se desta condição. Como Deus foi concebido num estado de absoluta liberdade (Consciência Pura) é esta mesma liberdade que oferecemos aos seres humanos, é suficiente lembrar dos corolários 2, 3 e 4, páginas 59, 60 e 61. 91


2.6

Um matemático de elevada estirpe e o Nada

Charles Sanders Peirce (Cambridge, 10 de setembro de 1839 — Milford 19 de abril de 1914), foi um filósofo, cientista e matemático americano. Filho do matemático, fı́sico e astrônomo Benjamin Peirce, Charles, sob influência paterna, formou-se na Universidade de Harvard em fı́sica e matemática, conquistando também o diploma de quı́mico na Lawrence Scientific School.

O livro “O Conceito de Continuidade em Charles S. Peirce”∗ trata de lógica e filosofia da matemática. Apresenta uma seção sobre cosmogonia que a mim surpreendeu pelo fato de um lógico, filosófo e matemático puro também colocar o Vazio (Nada) como fundamento do Universo. Do livro:

O Nada Inicial

(p. 290)

Um dos objectivos das cosmologias é a origem do universo, a qual, no entanto, fica usualmente inexplicada. O princı́pio de continuidade obriga a ir para além dessa origem: obriga a compreender a passagem da não existência à existência. “Existência” designa aqui o nosso universo actual e as reações materiais entre os objectos que o compõe. Deve-se ir para lá dessa existência e conjecturar um processo evolutivo anterior à própria origem. Resulta daı́ que a cosmologia peirceana é também uma cosmologia do universo anteriormente à sua existência. [. . . ] Há, pois, um processo evolutivo anterior à existência. Globalmente, Peirce distingue nele dois momentos: um “nada caótico” e um nada ainda mais primitivo que esse nada caótico. É nesse Nada primitivo que devemos começar por nos concentrar. O Nada primitivo é um estado em que “o universo não existia”, um “absoluto nada”. Contudo, esse Nada absoluto tem propriedades notáveis na medida em que a totalidade do nosso universo actual já se encontra nele em germe; com efeito, ele representa a totalidade (Grifo nosso) das possibilidades. Dentro da experiência de Satori − fusão com a Consciência Pura − sentimos que esta é contı́nua, um contı́nuo permeando todo o Universo. Do livro: − Portanto, num continuum não há “partes últimas”, não há pontos, isto é, entidades absolutas e não mediadas. (p. 27) − Por sua vez, os pontos são limites ideais do contı́nuo; eles apenas se tornam existentes quando os marcamos. (p. 232) De igual modo na Consciência Pura só passa a existir algo quando o marcamos (pensamos), como é o caso dos postulados; são pontos, referenciais que a mente coloca (imprime) no continuum da Consciência Pura. ∗ Por António Machado Rosa. Fundação Calouste Gulbenkian (Fundação para a Ciência e a Tecnologia)/Dezembro de 2003.

92


2.7

Extrapolando o âmbito da teologia - aplicações à fı́sica

Uma leitura atenta dos postulados da teologia não euclidiana mostra que estes extrapolam os limites de uma simples teologia e reverberam até mesmo na ciência e na filosofia, senão vejamos. Uma citação famosa do filósofo Immanuel Kant é: A realidade, tal como ela é, em sua essência (noumeno) é incognoscı́vel, ou seja, não podemos conhecê-la. Portanto, jamais conhecemos as coisas em si (noumeno), mas somente tal como elas nos aparecem (fenômenos). (Immanuel Kant/Crı́tica da Razão Pura)

Deduzimos do nosso segundo postulado

(p. 42)

“Tudo o que apreendemos, seja perceptiva ou conceitualmente, é desprovido de natureza inerente própria, ou identidade, independentemente dos meios pelos quais seja conhecido. Objetos percebidos, ou entidades observáveis, existem em relação às faculdades sensoriais ou sistemas de medição pelos quais são detectados − não de modo independente no mundo objetivo.” que o eminente filósofo comete dois equı́vocos neste curto enunciado: primeiro, “não existe uma realidade tal como ela é ”, isto é, independente de um observador; segundo, “não existe uma ‘coisa em si’ dos objetos ”. Uma relevante questão que perspassa várias disciplinas filosóficas e cientı́ficas é esta:

O que na realidade existe? A tı́tulo de ilustração, encontramos em um artigo da internet o seguinte∗ : E, em decorrência disto, podemos perguntar: − a existência de algo que se apresenta, depende unicamente do fato de o estarmos percebendo? Ou ainda: − a existência de algo depende de nossa existência? Parece óbvia a resposta, mas não é tão simples assim. Esta milenar questão é facilmente e confortavelmente respondida dentro do nosso sitema. Fundamentados no postulado acima, respondemos afirmativamente as duas questões levantadas no artigo citado. ∗ REALIDADES MISTAS – DA REALIDADE TANGÍVEL À REALIDADE ONTOLÓGICA/Silvia Laurentiz, Escola de Comunicações e Artes, USP.

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Platão e o “Mundo das ideias” Na filosofia de Platão encontramos duas realidades diferentes que envolvem o ser humano, o Mundo das Ideias e o Mundo das Sombras, conhecido também como Mundo dos sentidos. O mundo sensı́vel é apenas uma cópia do mundo ideal; o objeto da ciência deve ser o mundo real das Ideias. Para Platão, o mundo real (sensı́vel) apenas reflete um mundo puro de entidades perfeitas, imutáveis e eternas; em particular, os conceitos matemáticos. A filosofia de Platão teve, e ainda tem, grande influência na concepção filosófica de cientistas e matemáticos; razão porque decidimos incorporar em nosso trabalho este adendo. Segundo nosso postulado, tudo que existe existe em relação a uma estrutura cognitiva de referência, logo não pode haver um “mundo das ideias” já que todo mundo possı́vel varia segundo o observador, a ECR. Devemos ser ainda mais explı́citos? Sejamos: Platão e todos os filósofos e matemáticos neoplatônicos estão equivocados, além da mente não existem ideias e nem mundo das ideias − Existe Consciência Pura, sem atributos. É a mente que lhe diz que a mente existe. Não se deixe enganar. Todas as infindáveis argumentações sobre a mente são produto da própria mente, para sua própria proteção, continuidade e expansão. É a recusa peremptória a levar em conta as circunvoluções e as convulsões da mente que o levará além da mente. (Maharaj/Eu Sou Aquilo, p. 297) A noção de Wheeler de um universo participativo foi ligada ao princı́pio antrópico, que afirma que o universo é desse jeito porque estamos aqui. Isso implica que, enquanto os humanos veem o universo por meio de conceitos humanos, que impomos à nossa experiência, estamos sempre envolvidos num universo antropocêntrico − estamos no centro do universo que habitamos e exploramos. John Wheeler Isso não quer dizer que o universo, até mesmo todos os outros seres conscientes, não existisse antes do surgimento da vida como a conhecemos, ou que vá desaparecer quando a espécie humana extinguir-se. Apenas o universo como o concebemos, como existindo no passado, presente e futuro, vai desaparecer. De modo mais geral, todos os mundos possı́veis somem simultâneamente com o desaparecimento das estruturas cognitivas de referência dentro das quais são apreendidos. Os mundos experiênciados por outros seres conscientes continuarão a existir em relação a eles. Nesse sentido, os observadores cocriam os mundos em que residem. ([1], p. 109) 94


Aplicações à fı́sica Ainda com o escopo de mostrar como nossos postulados extrapolam o âmbito da teologia veremos algumas aplicações − sugestões − à fı́sica.

Vamos considerar algumas citações esparsas de artigos retirados do Site Inovação Tecnológica, inicialmente temos:

Interpretações da realidade: Há uma discussão entre cientistas − uma discussão que já dura quase um século − sobre se existe uma descrição objetiva do mundo ou se a descrição que obtemos depende do observador. (Função de onda: A matemática que virou realidade)

Essa discussão cientı́fica que já dura quase um século é facilmente decidida dentro no nosso sistema, basta atentar para o nosso postulado:

Postulado 2: “Tudo o que apreendemos, seja perceptiva ou conceitualmente, é desprovido de natureza inerente própria, ou identidade, independentemente dos meios pelos quais seja conhecido. Objetos percebidos, ou entidades observáveis, existem em relação às faculdades sensoriais ou sistemas de medição pelos quais são detectados − não de modo independente no mundo objetivo.” Conclusão: A descrição que obtemos do mundo depende do observador. Ademais, observe como é fácil entender

Consciência Pura Luz Branca (Consciência)

(Mente)

n

Ψ

Verdades cientı́ficas

• Qualquer descrição do mundo passa pela mente humana.

O que eu não compreendo é como algo tão óbvio assim gera uma discussão cientı́fica que se arrasta por quase um século. Essa é a velha discussão entre Einstein e Tagore, na qual o cientista me pareceu uma criança (obtusa) frente ao poeta indiano. (p. 46)

95


Nota: Muito na fı́sica moderna se decide na base de postulados, perguntamos: por que não adotar mais este postulado? (Postulado 2). Não apenas essa discussão − que já dura quase um século − seria decidida, como, ademais, muitas outras. Vejamos mais um exemplo de discussão cientı́fica que é debelada confortavelmente dentro do nosso sistema [. . . ] Segundo a equipe, conforme as técnicas de medições forem sendo aprimoradas ainda mais, os fı́sicos vão ficar com duas interpretações possı́veis da função de onda: ou a função de onda é completamente real, ou nada é real, não existindo nada como uma “realidade objetiva”. (Função de onda: A matemática que virou realidade) Ora ora, não é necessário “aprimorar as técnicas de medições” para se decidir uma questão tão trivial quanto esta; a resposta é: “nada é real, não existe uma ‘realidade objetiva’ lá fora”. Adotem nosso postulado e a questão estará decidida, não é necessário investir milhões de dólares em pesquisa − seria mais inteligente e humanitário doar este montante ao Médicos Sem Fronteiras (MSF), não acham? Além disso, podem existir fenômenos subjacentes à “realidade” medida pelo novo experimento que o próprio experimento não é capaz de detectar − por exemplo, influências escondidas além do espaço-tempo. (Função de onda: A matemática que virou realidade)

Se me permitem gostaria apenas de assinalar o que considero uma “influência escondida além do espaço-tempo.”, a Consciência Pura, veja:

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Ψ Luz (Mente)

7−→

Branca

A Consci^ encia Pura é como a água: n~ ao tem cor, n~ ao tem cheiro, n~ ao tem sabor. − N~ ao é massa e nem energia, é por isso que é uma ‘influ^ encia escondida’ além do espaço-tempo. 96


“É comum na filosofia e na ciência presumir que as coisas que são mais profundas e mais verdadeiras sobre o mundo estão fora do tempo,” resume Smolin, fı́sico teórico do Instituto Perimeter em, Ontário, no Canadá. “A questão fundamental é, o tempo é real ou é uma ilusão? Nós experimentamos a vida como uma sequência de momentos, mas é assim que o mundo realmente é?” (O tempo é real ou é uma ilusão?)

Novamente o postulado fundamental da teologia não euclidiana decide confortavelmente estas questões. Ademais, observe a ilustração

Consciência Pura Luz Branca (Consciência)

(Mente)

n

Ψ

Verdades cientı́ficas

• O tempo é uma das cores após o prisma.

− Mais profunda e mais verdadeira. Entidades e suas concepções filosóficas: Um aspecto menos comentado nestas pesquisas de fronteira é que as concepções que levam à construção dos modelos, das teorias e dos experimentos, seja na fı́sica, seja na cosmologia, são essencialmente concepções filosóficas acerca do mundo, ou da realidade. (Experimento promete mudar concepção filosófica da realidade)

Ora, não temos feito nada mais que apresentar neste livro uma concepção filosófica que abrange não apenas a teologia como, ademais, a fı́sica, a matemática e a filosofa − a bem da verdade, nada fica de fora −; nossa concepção, reteiramos, fundamenta-se no Vazio como fundamento (alicerce) de todo o Universo. Relatividade versus Mecânica Quântica: O experimento visa responder uma questão que desafia os fı́sicos há um século: Qual é a explicação mais fundamental para a natureza do Universo? Seria a Relatividade, seria a Mecânica Quântica, ou haveria algo mais fundamental por baixo de tudo? (Influências escondidas podem existir além do espaço-tempo)

97


Novamente, não é necessário nenhuma experiência para decidir o que é mais fundamental no Universo, não é nem a Relatividade e nem a Mecânica Quântica − pois ambas são construções da mente − o mais fundamental é aquilo que está, inclusive, por trás da mente, ou seja, a Consciência Pura, é simples assim!, veja:

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Ψ Luz

7−→

Branca

A Consci^ encia Pura é como a água: n~ ao tem cor, n~ ao tem cheiro, n~ ao tem sabor: Algo mais fundamental por baixo de tudo!

(Mente)

− A Relatividade e Mec^ anica Qu^ antica s~ ao construç~ oes da mente, há de se perguntar: o que há por trás da mente?

O que Jean-Daniel Bancal e seus colegas agora estão cogitando é que pode não se tratar apenas de uma teoria mais fundamental, “por baixo” de tudo, mas de uma outra realidade, “por baixo” da realidade do nosso próprio Universo. (Influências escondidas podem existir além do espaço-tempo)

Reiteramos, insistimos: A outra realidade por baixo da realidade do nosso próprio Universo é a Consciência Pura, o Vazio, o Nada, que, não obstante, não ser massa e nem energia − por isso mesmo “por baixo” − no entanto pode ser experienciada, como eu próprio já experienciei dezenas de vezes − é um estado onde a mente e os pensamentos inexistem! Nesta conhecida afirmação de Einstein se revela a inutilidade da mente para se alcançar determinados insights. Esse profundo silêncio, a que Einstein se refere, é a imersão na Consciência Pura (Vazio), que está por trás da mente. Como diz Maharaj: “O vazio fala, o vazio permanece”. (p. 3) 98


O mistério da não localidade em fı́sica Consideremos a equação elementar do movimento uniforme d = vt que relaciona distância, velocidade e tempo. Desta equação derivamos a seguinte d t= (2.1) v os fenômenos não-locais em fı́sica, grosso modo, ocorreriam de modo instantâneo, o que, a princı́pio, demandariam velocidade infinita − contradizendo um dos postulados da Relatividade de Einstein. Temos aqui uma sugestão aos fı́sicos: Na equação (2.1) ao invés de fazer v → ∞ por que não fazer d = 0 ? Isso mesmo! defendemos a tese de que num nı́vel fundamental não existem distâncias entre os objetos, todos estariam conectados pelo . . . “campo de Consciência Pura”! A opção restante seria aceitar que existe algum processo subjacente − por assim dizer, “fora” do nosso Universo − que tem um efeito sobre o nosso espaço-tempo equivalente a considerar que uma coisa pode afetar outra, independentemente da distância entre elas, em uma velocidade infinita. Estarı́amos então em um Universo marcado pelo que os fı́sicos chamam de “não-localidade”. Em um Universo não-local, cada pedaço do Universo pode ser conectado a qualquer outro pedaço, em qualquer lugar, instantaneamente − seria algo como a abolição do movimento como fenômeno necessário para interligar dois pontos. (Influências escondidas podem existir além do espaço-tempo)

Nossa sugestão consta da ilustração a aseguir

Consciência Pura Luz Branca (Consciência)

7−→

(Mente)

Isto conecta todo o Universo (Não existem distâncias, d = 0)

99

n

Ψ

Verdades cientı́ficas • Todos os conceitos: tempo, espaço, velocidade, etc., são construções da mente.


Apêndice: Refutando um capcioso Dr teólogo cristão Fui programado para detectar fissura nas estruturas. (Gentil, o iconoclasta) Dia 05.06.2018 disponibilizei na internet o primeiro pdf deste livro, quando concluo um artigo ou livro é comum eu permanecer na frequência do mesmo por algum tempo − por uma espécie de inércia. Neste eu estava resistindo a acrescentar mais alguma coisa, foi quando anteontem assisti na TV o vı́deo de um pastor o qual me motivou a sentar e acrescentar mais este adendo, o faço precisamente no dia 30.06.2018. Baixei em uma pasta alguns vı́deos do pastor Dr Rodrigo Silva, teólogo e arqueólogo da Igreja Adventista (Novotempo.com/Evidencias), decidi fazer uma pequena exegese de algumas afirmações do pastor, o primeiro vı́deo: ao verdadeira? 1 o ) Existe uma religi~ https://www.youtube.com/watch?v=PgoFd-jTyPc&t=58s O Dr Rodrigo apenas aparentemente argumenta bem, dentro da lógica, mas ao final conclui que o mesmo está mais para um prestidigitador, sofista, capcioso; a ele, como aos demais teólogos, se aplica perfeitamente a advertência do filósofo: O que um teólogo considera verdadeiro não pode não ser falso: nisso reside praticamente um critério de verdade. É seu profundo instinto de conservação que não lhe permite honrar ou sequer mencionar a verdade sob qualquer ponto de vista. (Nietzsche) Felizmente qualquer matemático experiente − e livre − consegue desconstruir suas falácias subreptı́cias. Muito me chamou a atenção o tı́tulo do vı́deo, uma pergunta que me surgiu de imediato foi: Por qual lógica este pastor irá provar que a religião cristã é a verdadeira? Pois bem, vou assistindo aos vı́deos e interpolando minhas refutações em algumas afirmações, então (fala o pastor): 02 : 15 → Faz mesmo sentido falar de religião verdadeira ou seria melhor dizer que todas as religiões são verdadeiras? Ou seriam todas falsas? − O que é verdadeiro ou falso está na mente do homem, não na natureza; verdadeiro ou falso, certo ou errado, são conceitos humanos, a natureza não opina, procure por alguma placa a esse respeito. Por exemplo, para mim, isto é para a minha ECR, seria melhor dizer que todas as religiões são falsas, são ficções, é simples assim! Nota: Em todo este apêndice podemos ver os argumentos do pastor como um exemplo prático da prestidigitação matemática feita no adendo da página 31, isto é, análogos à fórmula para “A mulher matematicamente perfeita”. 100


04 : 00 → A fé não somente sobreviveu ao novo milênio como continua influenciando cada vez mais os assuntos do Planeta. − Segundo entendo, são duas as principais razões da religião continuar sendo influente até hoje: as religiões tornaram-se empresas comerciais e investem maciçamente em marketing, é o lucro e o poder que contam; segunda, o baixo nı́vel evolutivo e consciencial de grande parte da humanidade. Não vale aqui insinuar que existem pessoas inteligentes dentro das religiões; para mim existem inteligentes burros, como pode ser isto? É que faço distinção entre inteligência e sabedoria, não existem sábios nas religiões. Não pretendo me estender neste viés, no meu livro O Deus Quântico ([5]) escrevi um capı́tulo intitulado: “Porque as religiões têm o incrı́vel poder de cegar até mesmo os gênios ” 09 : 00 → De fato, textos como atos 4: 12 irritam profundamente os crı́ticos da unicidade cristã . . . Porque não há salvação em nenhum outro, pois debaixo do céu não há outro nome dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos. (At 4:12) 09 : 22 → Jesus Cristo também foi audaciosamente enfático ao dizer: Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim. (Jo 14:6) − Esse doutor teólogo, ou é burro ou pensa que todos os seus ouvintes são burros, ou pelo ao menos assemelham-se em discernimento às suas ovelhas. Aqui existe um erro de lógica crasso, elementar: Quem disse que todos aceitam a Bı́blia como sendo a “Palavra de Deus”? Acho que ele se faz de burro. Que Jeová seja Deus e que a Bı́blia seja sua Palavra são dois postulados, não se pode provar. É capcioso que ele admita a priori que todos estejam de acordo com seus postulados, ou crenças. Meu caro pastor, primeiro o senhor deve me perguntar se aceito seus postulados, se minha resposta for sim, então o senhor prossegue com seus argumentos, caso contrário paramos por aqui, entendeu? O cristianismo investe maciçamente no marketing de que “a Bı́blia é a Palavra de Deus”, fazem uma verdadeira lavagem cerebral nos jovens, se eles caem nesta armadilha, o resto da festa é por conta dos pastores. Jovens prestem atenção − reflitam − em uma advertência de Ouro: O que um teólogo considera verdadeiro não pode não ser falso: nisso reside praticamente um critério de verdade. É seu profundo instinto de conservação que não lhe permite honrar ou sequer mencionar a verdade sob qualquer ponto de vista. (Nietzsche) Já de outras oportunidades pude concluir que este pastor Rodrigo é muito, mas muito capcioso, um verdadeiro prestidigitador do além!. 101


09 : 56 → Seria Jesus um exclusivista intolerante religioso?

− A minha resposta à pergunta deste pastor é: sim! No meu livro citado anteriormente argumento no sentido de provar esta minha afirmativa, não convém repetir aqui os argumentos. A propósito um critério que utilizo para caracterizar um intolerante e fanático religioso é justamente a exclusividade, um fanático acha que sua verdade deve ser pregada ao mundo, sem respeitar as culturas de cada povo. Querem um outro exemplo de fanático intolerante? No livro “BHAGAVAD GĪTĀ Como Ele É” sua “Divina Graça” A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada (Fundador da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna)

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Luz (Mente)

7−→

Branca

Luz Incolor (Sem nenhum atributo) (Por favor, n~ ao poluir!)

− Para uma mente que tenha sido programada pelo hinduismo esta é a verdade que deve ser pregada ao mundo. (E o respeito pelas culturas locais?)

afirma:

(p. 55, pdf)

Hoje em dia, as pessoas estão muito desejosas em ter uma escritura, um Deus, uma religião e uma ocupação. Portanto, [. . . ]: que haja uma única escritura, uma escritura comum a todos no mundo — o Bhagavad-gı̄tā.[. . . ]: que haja um só Deus para o mundo inteiro − Śrı̄ Kr.s.n.a. E agora caro Dr Rodrigo, com que escritura e com qual Deus devemos ficar? Poderia citar muitos outros fanáticos exclusivistas, no entanto, não acho necessário.

102


13 : 01 → Tão nobre como o batismo numa religião cristã? − Esse pastor é deveras capcioso . . . para quem o batismo numa religião cristã é “tão nobre”? Tendo em conta que toda religião é uma prisão, como já argumentamos, onde está a nobreza? Infelizmente devo admitir que as falácias destes pastores rendem seus devidos frutos, por conta de que grande parte da sociedade ainda não desenvolveu a faculdade do raciocı́nio! 14 : 37 → É aqui que entra a afirmação de Jesus, ele disse: será a revelação do Pai celestial para a humanidade . . . Jesus de Nazaré é a revelação plena da divindade . . . − Ou esse pastor é burro ou ele tem consciência de que seus argumentos não se dirigem a pessoas inteligentes, apenas aos incautos desprevenidos. Reitero, seus argumentos não têm nenhum valor para os que não aceitam a Bı́blia como sendo a “Palavra de Deus”; existem milhões de seres humanos que não aceitam o postulado de que Jeová seja Deus, no planeta Terra existem milhares de Deuses, não existe como provar que Jeová seja o verdadeiro, deixo aqui o desafio aos eminentes e caros doutores teólogos! Topam o desafio? 15 : 11 → Jesus contudo foi radicalmente diferente de todos eles [Ghandi, Buda, Zoroastro, Dalai Lama, . . . ] . . . e qual é a evidência maior da sua divindade? Ora, a sua própria ressureição dentre os mortos . . . − Pastor, vou te fazer a concessão de acreditar que de fato Jesus ressuscitou, suponhamos que sim. Segundo a teologia n~ ao euclidiana, aqui desenvolvida, ainda neste particular Buda foi superior a Jesus, de fato, Buda nem sequer morreu, como ele poderia ressuscitar? observe pastor, medite: Quando Buda atingiu, alguém lhe perguntou: “O que você atingiu?” Ele riu e disse: “Não atingi nada, pois o que atingi sempre esteve comigo. Pelo contrário, perdi muitas coisas; perdi meu ego, meus pensamentos, minha mente. . . Perdi tudo o que costumava senti que possuı́a; perdi meu corpo, pois costumava achar que era o corpo. Perdi tudo isso e agora existo como puro nada. Mas essa é a minha aquisição.” Buda atingiu o Satori, não era mais humano, mas Consciência Pura, esta não morre; enfatizo: Buda não morreu! Para não ficarmos a milênios atrás, um contemporâneo nosso, o sábio indiano Nisargadatta Maharaj, escreveu o livro O Néctar da Imortalidade, e afirma ter atingido a imortalidade; no entanto, não sou um mero crente, posso afirmar por minhas próprias experiências que a Consciência Pura não morre, a este respeito já argumentei bastante em dois outros livos e neste − Cap. 3. 103


Pergunto ao nobre pastor: O Dr sabe o que é a morte? sabe qual a essência do ser humano? Esta essência morre? Poderia provar que a teologia cristã é superior à TNE? Claro, toda e qualquer argumentação do pastor gira em torno da Bı́blia, pergunto: e para quem não aceita Jeová como sendo Deus e muito menos a Bı́blia como sendo a Palavra de Deus, o que o nobre pastor poderá provar? Pastor, por que devo admitir Jesus como Deus e não, por exemplo, Krishna? A propósito, o Deus de uma terceira religião, por nome Tenrikyo, reinvidica exclusividade, afirma ele ser o único Deus verdadeiro, veja: Eu sou o Deus original, o Deus verdadeiro [. . . ] Desta vez, revelei-me neste mundo para salvar a humanidade. (Doutrina de Tenrikyo, p. 3) Deus-Parens faz questão de enfatizar que embora Ele seja o Deus verdadeiro, que criou o homem e o mundo e por quem todos são vivificados, não é nenhum dos deuses tradicionais das preces, exorcismos e evocações. (Doutrina de Tenrikyo, p. 11) O pastor conseguiria provar que o Deus da Tenrikyo é mentiroso e que Jeová fala a verdade quando afirma: (Is 45:21) “Porventura não sou eu, o Senhor? E não há outro Deus senão eu ” Afinal das contas que Deus está mentindo? . . . Pastor ou tu és burro ou imaginas que todos nós somos idiotas. Resumindo − fazendo um desenho − os pastores nunca poderão utilizar a Bı́blia para provar seus devaneios para alguém que não aceita o postulado de que “a Bı́blia é a Palavra de Deus”, e é por esta razão, certamente conhecida pelos capciosos doutores teólogos, que eles fazem tanta questão de programar o cérebro da juventude com este mantra:

a Bı́blia é a Palavra de Deus! Uma vez acreditando nesta mentira, o estupro fica por conta deles! 19 : 28 → Veja, tolerância não significa nunca relativização da verdade . . . Tolerar quer dizer o seguinte: eu discordo de você . . . mas como ordenou o Cristo eu o respeito e o amo como meu irmão a despeito da sua diferença de pensamento . . . − Como já afirmei este pastor é tera capcioso − como não haveria de fazer a cabeça da juventude? − Como já mostramos (p. 38) a verdade é relativa inclusive na matemática e na fı́sica, como não haveria de ser na teologia? Ele está fazendo do seu Deus, da sua Bı́blia, verdades absolutas . . . coitado! De uma outra perspectiva admito que existe uma possibilidade de que este pastor realmente acredite no que está falando, neste caso seria louco, insano!

104


Ademais, observe como o pastor é doente: ele respeita e ama um irmão porque “Cristo assim ordenou!”. Conheço pessoas que assim o fazem não por que receberam uma ordem, de quem quer que seja, mas por suas próprias consciências, ateus, por exemplo. No final do vı́deo o pastor fala de julgamento, pecado, salvação, graça; já enfatizamos que estes são artifı́cios (trampas) maquinadas pelas religiões para ter domı́nio sobre a mente dos incautos, dos coitados que ainda não aprenderam a raciocinar; como já afirmamos, a estratégia das religiões é: Elas primeiro adoecem as pessoas, para depois lhes venderem o remédio! Pergunto: para quem tem pelo ao menos um dos olhos são − não precisa os dois − é difı́cil enxergar esta obviedade? − Abramos aqui um parênteses:

A quem devemos atribuir a culpa por todos os males do mundo? Leitor vou pedir licença para testar tua inteligência e capacidade de discernimento. Pois bem, deixando de lado todas as guerras e catástrofes naturais do passado remoto vamos inicialmente nos concentrar em nossos dias, observa (reflete sobre) algumas imagens da atual guerra na Sı́ria:

Leitor, a pergunta que te faço é: no fundo no fundo − no âmago − quem é responsável por estas tragédias? − Por favor, reflete bem antes de falar besteira. Observa estas imagens dos campos de concentração nazistas:

105


A pergunta que te faço é: no fundo no fundo − no âmago − quem é responsável por esta calamidade? − Por favor, reflete bem antes de falar besteira. Observa estas imagens da Santa Inquisição, “só aparentemente” responsabilidade do “santo padre, representante de Deus sobre a Terra”:

− Ressaltando-se a morte de várias “bruxas” e de vários cientistas queimados vivos em fogueiras, dentre os quais o gênio Giordano Bruno (p. 4). A pergunta que te faço é: no fundo no fundo − no âmago − quem é responsável por esta tragédia? − Por favor, reflete bem antes de falar besteira. Observa estas imagens de uma catástrofe natural:

− Corpos mutilados e empilhados em terremoto no Haiti

(12.01.2010)

A pergunta que te faço é: no fundo no fundo − no âmago − quem é responsável por esta tragédia? − Por favor, reflete bem antes de falar besteira.

106


Observa estas imagens de animais predadores dilacerando suas vı́timas:

A pergunta que te faço é: no fundo no fundo − no âmago − quem é responsável por esta tragédia? − Por favor, reflete bem antes de falar besteira. Observa estas imagens de hospitais públicos brasileiros:

− Ressaltando-se que milhares de seres humanos morrem à mı́ngua, completamente desassistidos do mı́nimo necessário. A pergunta que te faço é: no fundo no fundo − no âmago − quem é responsável por esta tragédia? − Por favor, reflete bem antes de falar besteira. Observa estas imagens de polı́ticos brasileiros:

A pergunta que te faço é: no fundo no fundo − no âmago − quem é responsável por esta tragédia? − Por favor, reflete bem antes de falar besteira. Sinto muito, mas minha estimativa é que quase todos os leitores falaram besteira ao tentar responder a estes questionamentos, não têm discernimento, inteligência. A resposta correta a todas as perguntas é simplesmente:

EVA 107


Pelo ao menos esta é a resposta defendida pelo Dr Rodrigo e todos os demais Drs teólogos cristãos. Com efeito, segundo eles − fundamentados na “Palavra de Deus” − o nosso habitat natural deveria ser o paraı́so, pelo ao menos segundo os planos do Deus Jeová

Mas, infelizmente Eva desobedeceu a Jeová que não teve outra alternativa a não ser proferir um monte de pragas e impropérios contra o homem e expulsá-lo do paraı́so . . . e cá estamos nós neste vale de lágrimas pagando até hoje a desobediência da mulher! Resumindo, segundo entendo, de duas uma: ou esta narrativa de Adão e Eva é verdadeira ou é falsa. Se é falsa, milhões de cristãos veem sendo feitos de idiotas por milênios; se é verdadeira, não posso concluir outra coisa senão que este Deus cristão, Jeová, é um verdadeiro demônio, por cobrar um preço tão alto por uma desobediência. Pergunto ao caro leitor: se teu animal de estimação te desobedecesse, terias coragem de, por exemplo, arrancar-lhe uma perna? um olho?. O Deus cristão fez muito pior que isto, reflita:

. . . há algum tempo atrás, após alguns momentos de reflexões, me veio o insight de que uma fração significativa da humanidade divide-se entre loucos e idiotas, pergunto ao caro leitor: estaria eu sendo injusto ao incluir os doutores teólogos cristãos em ambas as categorias simultaneamente? Loucos

Humanidade Idiotas

Drs teólogos crist~ aos 108


O mundo, segundo nos dizem, foi criado por um Deus não só bom, como onipotente. Antes de ele haver criado o mundo, previu toda dor e toda miséria que o mesmo iria conter. É ele, pois, responsável por tudo isso. É inútil argumentar-se que o sofrimento, no mundo, é devido ao pecado. Em primeiro lugar, isso não é verdade: não é o pecado que faz com que os rios transbordem ou que os vulcões entrem em erupção. Mas, mesmo que fosse verdade, isso não faria diferença. Se eu fosse gerar uma criança sabendo que essa criança iria ser um homicida manı́aco, eu seria responsável pelos seus crimes. Se Deus sabia de antemão os pecados de que cada homem seria culpado, Ele foi claramente responsável por todas as conseqüências de tais pecados, ao resolver criar o homem. (Bertrand Russel/Porque Não Sou Cristão)

Nota: Se há uma coisa que a meditação não me tirou foi a capacidade de indignação, de lutar contra o que acho injusto neste mundo. Um mantra que ouvimos atualmente é que devemos ser “tolerantes com as posições alheias”, este é o discurso do “politicamente correto”, é mais confortável e cômodo, por exemplo, não exige raciocı́nio na análise das situações. Por exemplo, pergunto: devemos ser tolerantes com os polı́ticos bandidos de nosso Paı́s? Eu que já fui e nasci cristão acho tremendamente injusta e insana a postura agressiva e exclusivista do cristianismo, por isto luto contra ela. Não vejo muita diferença entre os lobos oportunistas da polı́tica e os das religiões. Os teólogos − padres e pastores − ficam enganando na superfı́cie, lhes convido a analisarmos os fundamentos do cristianismo, a meu ver, uma bolha de sabão! Considerar o mito de Adão e Eva como fundamento do cristianismo é loucura e idiotice, a menos que se seja cego para não enxergar. Uma religião com uma base tão frágil como esta se arroga a única verdadeira e que por isto deve converter o mundo, eis o cúmulo da cegueira e da idiotia! Em todos os meus escritos decididamente não faço questão de manter um discurso polido, “politicamente correto”, tenho consciência de estar lutando contra lobos vestidos em pele de cordeiro. Convido o leitor a ler novamente a poesia Parasitas de Guerra Junqueiro, página 86. Aos “tolerantes” e “politicamente corretos” deixo-lhes um pensamento para reflexão: As ideias não são a verdade, a verdade é algo que deve ser testado diretamente, de momento a momento. (Jiddu Krishnamurti) Em particular as “verdades” e perspectivas não são absolutas, devem ser testadas de momento a momento; o que é politicamente correto em dada conjuntura e perspectiva deixa de o ser em outra, esta é a dinâmica da vida. Claro, mas isto exige maturidade e consciência, os que não as possuem devem continuar a ser guiados por fórmulas prontas, ditadas por outros; devem continuar balizando suas opiniões e decisões pelo “politicamente correto” e pela “Palavra de Deus”, tal como os teólogos cristãos robotizados fazem. 109


2 o ) Deus existe? Parte 1 https://www.youtube.com/watch?v= EhDWQmF6mo 4 : 38 → Por que nos últimos anos os ateus parecem ter redobrado seu ataque à religião? − Eu não me alisto nas fileiras do ateı́smo, não sou ateu∗ , no entanto gostaria de responder a esta pergunta. A humanidade, pelo ao menos uma elite, ascendeu em seu nı́vel de consciência, por isto enxerga as religiões como oportunistas e opressoras; aqui no Brasil em particular as religiões tornaram-se um comércio a explorar os pobres dos incautos, não vejo muita diferença entre os polı́ticos bandidos e padres e pastores. Todos estão procurando o domı́nio e exploração das massas. Concordo com os ateus ativistas − parabenizo-os, solidarizo-me com todos eles −, em nossos dias, século XXI, as religiões arcaicas, como o cristianismo (todas elas), de fato tornaram-se um empecilho à evolução humana, como os feldos da Era Medieval, devem ser extirpados sim, sem a menor sombra de dúvida. Os ratos devem ser desalojados dos seus porões, sob o risco de continuarem adoecendo a humanidade; observe a história pregressa das religiões, até os dias atuais. Somente cegos, oportunistas e covardes ainda dão sustentação a estas podres estruturas! Por que as religiões ainda continuam vivas, como orgulhosamente declara o pastor?. Claro, as instituições − milhares de padres, milhares de pastores, etc., etc. − sobrevivem das religiões, sobrevivem da venda do sangue de Jesus (p. 86), por isso investem maciçamente (TV, mı́dias) na propagação de suas crenças, programando a mente dos incautos, é disto que dependem suas sobrevivências, reiteramos. Resumindo, para quem tem olhos, não existe muita diferença entre polı́ticos e religiosos, ambos utilizam a astúcia como meio de sobrevivência, a verdade não lhes interessa. 06 : 51 → Foi talvez desta maneira que alguns conceitos a cerca de Deus que antes ficavam restritos ao debate acadêmico tornaram-se familiares ao povo mais amplo que muitas vezes recebem informação de maneira mutilada, unilateral ou desprovida de um arcabouço filosófico que contextualize seu conteúdo e, infelizmente, é desta maneira que a bandeira do ateı́smo tem sido levantada nos últimos tempos. − A cada passo este pastor me surpreende, me revela uma nova faceta de sua personalidade, esta declaração confirma que ele é, além de capcioso, um verdadeiro palhaço, se quisermos, podemos rir. É palhaçada afirmar que na interpretação da Bı́blia existe um “arcabouço filosófico que contextualize seu conteúdo”; qualquer um que não seja cego sabe que a Bı́blia ∗ A razão principal é que não sou materialista, conheço a Consciência Pura, que, como já frisamos, não é matéria e nem energia.

110


comporta uma verdadeira orgia de interpretações, prova é que o cristianismo pulverizou-se em milhares de seitas. As interpretações mutiladas e fora de contexto iniciam-se com os próprios padres e pastores, por que Lutero rompeu com a Igreja Católica? Por que, reiteramos, existem milhares de seitas cristãs? É muito simples provar que esse pastor é mentiroso: pegue um versı́culo bı́blico, ou uma profecia, e peça a sua interpretação a padres e pastores de denominações diferentes, cada um interpreta a seu talante. A própria seita deste pastor (Adventista) foi fundada a partir de uma mentira quanto à segunda volta de Jesus, na internet existem refutações sérias contra os Adventistas, etc. É palhaçada! A propósito, esse negócio de teologia, faculdade de teologia, doutor em teologia, doutor em divindade, doutor nisto ou naquilo, é tudo palhaçada. Pergunte se uma faculdade de teologia (católica, por exemplo) reconhece o doutorado de uma outra faculdade de teologia (evangélica, por exemplo), e vice-versa. É tudo palhaçada, são meros oportunistas! Esses ratos devem ser desalojados de suas tocas, não devemos permitir que programem a mente de nossos jovens com suas tolas fantasias!. O cristianismo tem como fundamento uma fantasia: Adão e Eva no paraı́so. É fácil provar − exceto àqueles que ainda não desenvolverão a faculdade do raciocı́nio −, então quer dizer que todo o sofrimento, toda a desgraça que presenciamos no mundo: doenças, guerras, refugiados, campos de concentração, desastres naturais, Sı́ria, bombas, mı́sseis, animais destruindo-se mutuamente, etc., etc., tudo isto deve-se à desobediência de Eva? Se isto for verdade devemos considerar que o Deus cristão é, além do mais, um verdadeiro demônio! É difı́cil enxergar esta obviedade? 14 : 43 → . . . junto dele veio outro pensador germânico que defendeu a ideia de que Deus é um produto da imaginação e do desejo do homem, era o escritor humanista Lwdwig Feuerbach . . . − Estamos em pleno acordo com o cientista Lwdwig Feuerbach, até demonstramos isto matematicamente, veja o teorema 1, página 57. 18 : 46 → . . . juntos eles apresentaram o depoimento de nada mais nada menos que 60 cientistas mundialmente reconhecidos em sua área de atuação, sendo 24 deles ganhadores do Prêmio Nobel, todos esses, sem nenhuma exceção, afirmaram-se piedosamente crentes em Deus . . . − Como disse, não sou ateu, pois acredito no Deus da teologia não euclidiana estabelecido no postulado 1, página 42. A questão principal é: desafio qualquer pastor, qualquer Dr teólogo a provar que Deus coincide necessariamente com o Deus cristão. A esperteza de padres e pastores, a exemplo do capcioso Dr Rodrigo, é induzir os incautos a acreditarem que se existir um Deus este é necessariamente o Deus cristão, o bı́blico Jeová. Sabe-se que na Terra, dentre as diversas culturas, contam-se milhares de Deuses, centenas de Escrituras, é impossı́vel se provar que o Deus do Universo coin-

111


cide com o Deus de padres e pastores. Afirmamos que é por causa de uma mera questão de programação mental o acreditar em Jeová como sendo o Deus verdadeiro; a propósito, quando paro para ver padres e pastores argumentando com tanta veemência em favor de suas crenças, vejo em minha frente meros robôs, verdadeiros zumbis! − Dada a profundidade e o nı́vel de programação mental a que foram submetidos. Minhas razões para esta afirmação foram sobejamente expostas nas páginas deste livro. Enfatizando: minha pendenga com os teı́stas cristãos difere ligeiramente da dos ateus. Não questiono a existência de um Deus, questiono apenas que este possı́vel Deus seja o Deus dos cristãos, o iracundo Jeová.

“Luz Branca”

Filosofia (Mente)

− Consciência Pura

Biologia Semiótica Sociologia

        

Ψ

       

Teologia Matemática Fı́sica

Deus

Aquisiç~ oes humanas

Ademais, se me permitem, gostaria de destacar que o Deus da TNE, isto é, Deus (Consciência Pura), pode conciliar − sob o ponto de vista lógico, filosófico e racional − tanto ateus quanto teı́stas, Deus pode colocar fim a uma disputa que se estende por milênios, com ganhos reais para ambas as partes. Outra, observe que Deus não é apenas uma solução teórica e filosófica, desconectada da nossa realidade, quem assim pensa, não entendeu. Deus, a Consciência Pura, o Absoluto, é plenamente ativo em nosso dia a dia, veja novamente:

É este Deus que inspira cientistas e filósofos, teólogos, músicos, poetas, uma dona de casa a preparar uma receita, a abelha a produzir o mel, etc., etc. Observe como Ele esteve presente nas concepções de Einstein: Esse profundo silêncio, a que Einstein se refere, é a imersão na Consciência Pura (Vazio), que está por trás da mente. Todo matemático, cientista em geral, já passou por experiências semelhantes a esta de Einstein. Lembra daquele estalo (ideia, insight) vindo do Nada? O compositor que caminhando na rua de repente vem em sua mente uma música? Tudo isto se origina daquela lampadazinha na figura acima. Por exemplo, o livro que o leitor tem em mãos é fruto de um processo colaborativo entre a Consciência Pura e este autor que vos fala. 112


Ψ

“Luz Branca”

0

1

(Mente) (ECR/Ser)

0

        

Absoluto

       

− O Absoluto contém todo o experienciável. Mas sem o experimentador eles são como nada. Aquilo que faz a experiência possı́vel é o Absoluto. Aquilo que a faz atual é o Ser. (Sri Nisargadatta Maharaj)

“Leis de Deus”

Por favor, entenda, apenas com um bit não seria possı́vel a construção do nosso universo tecnológico atual, com dois bits sim∗ − de igual modo a do nosso Universo fı́sico − observe como é fácil entender:

1

Vamos analisar a segunda parte do vı́deo. 2o )

Deus existe? Parte 2 https://www.youtube.com/watch?v=Gw-5IQCMnug

03 : 45 → Note que a existência de Deus não é algo que interessa somente às pessoas que crêm, saber que há no céu um ser supremo e amigo é algo que trás alegria para todas as pessoas, é o cepticismo que nos angustia com a sua convicção de que estamos sozinhos no universo e não temos outra vida senão esta. − Veja só, não é por que precisamos de respostas que devemos aceitar qualquer coisa; as drogas também proporcionam alegria às pessoas. Já argumentamos, o Deus pessoal, “amigo e amoroso” pregado pelo cristianismo não bate com a realidade que observamos, tudo bem, é uma fantasia que conforta, mas as drogas também fazem isto, reiteramos. Embasados na teologia não euclidiana desenvolvida aqui neste livro concordamos com o pastor Rodrigo, ao mesmo tempo que nos posicionamos contra os ateus, no sentido de que a vida não se resume à matéria, não termina por aqui, no nosso entendimento − e segundo nossas experiências − a Consciência Pura, que não é matéria e nem energia, faz toda a diferença. Pode ser objeto da Ciência. ∗

1 = matéria (ou energia), 0 = Consciência.

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04 : 12 → O fato é que hoje as pessoas fogem da religião institucionalizada, mesmo aquelas que ainda também mantém algum tipo de fé num ser superior preferem caminhos espiritualistas alternativos que não exigem demasiado comprometimento, nem sejam modulados por crenças doutrinárias, a mentalidade pós-moderna parece evitar o segmento de qualquer coisa que pareça uma cartilha de fé e comportamento. − No meu entendimento, a “mentalidade pós-moderna” está certı́ssima; esta postura se deve a duas coisas: primeiro que uma parcela expressiva da humanidade ascendeu em nı́vel de consciência; segundo, a humanidade pensante cansou de fazer o papel de trouxa nas mãos de polı́ticos e lı́deres religiosos inescrupulosos, onde está o mal nisto meu caro pastor? O homem, desde os tempos das cavernas, tem suscitado e adorado ı́dolos − produtos de sua mente, enfatizamos − o Deus cristão pode tranquilamente ser incluido dentre tais ı́dolos. Se os cristãos desejam adorar seu ı́dolo, é um direito, o erro está em defender exclusividade e tentar impor aos demais. Não é por acaso que o gênio de Nietzsche nos advertiu: É preciso não se deixar induzir em erro: “Não julgueis!”, dizem eles, mas mandam para o inferno tudo o que fica em seu caminho. Ao fazerem Deus julgar, julgam eles próprios; ao glorificarem a Deus, glorificam a si próprios. (Nietzsche/Grifo nosso) Ademais, somente as crianças, os covardes e os idiotas precisam de uma “cartilha de fé e comportamento”, tais como as “Escrituras Sagradas”. Os adultos guiam-se por suas próprias consciências. E mais, no inı́cio do vı́deo o pastor relata o caso de uma jovem cristã, Shirley, que ao chegar à Universidade não suportando o ambiente hostil e ateu termina por cometer suicı́dio. Gostaria apenas de assinalar uma perspectiva que talvez nunca tenha ocorrido a este pastor. Segundo entendo, os próprios lı́deres religiosos cristãos não estão isentos de culpa, não somente no caso desta jovem, como no que diz respeito à morte de todos os missionários cristãos, por exemplo, os que foram − e continuam sendo − assassinados por mulçumanos, creditem uma parcela de culpa aos próprios padres e pastores, por programarem a mente dos jovens com suas fantasias.

É por falta de inteligência que escutamos os sacerdotes, que acreditamos em suas ficções. (Osho)

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06 : 13 → . . . será realmente este o fim da fé cristã, vale a pena acreditar em Deus? A indagação não é nova, ela já era formulada no passado por alguns que prefiriram seguir o rumo da fé ao lugar do rumo da descrença, é o caso por exemplo, do filósofo e cientista do Século XVII Gottfried William Leibniz, que teve uma atitude bem diferente daquela de Shirley, ele era tão brilhante que com apenas 21 anos de idade . . . − Aqui novamente o pastor se revela capcioso, primeiro não se deve misturar as coisas, digo, não devemos misturar Deus com fé cristã, como já enfatizamos existem milhares de Deuses sobre a face da Terra; segundo, ser gênio em uma área não significa genialidade em todas, por exemplo, três gênios da matemática que considero tolos na área da espiritualidade são: Leibniz, Newton e Pascal. No meu livro O Deus Quântico, [5], escrevi um capı́tulo intitulado “Porque as religiões têm o incrı́vel poder de cegar até mesmo os gênios”, no qual argumento no sentido de provar que Leibniz e Pascal foram idiotizados pela fé cristã. 07 : 18 → Nos dias de Leibniz o antropocentrismo filosófico dominava o pensamento dos intelectuais, dentre os vários segmentos havia uma corrente de cépticos chamada deı́smo, para estes o sofrimento era o maior argumento contra Deus, por isso diziam, se Deus existe por certo não está aqui, ele abandonou o Universo; discordando disto, Leibniz sistematizou uma filosofia chamada Teodicéia, ela consistia numa série de argumentos racionais à existência de Deus mesmo em face ao sofrimento humano. − É o que eu já falei, o discurso deste pastor não se destina a pessoas informadas e que raciocinam; primeiro que o sofrimento ainda continua sendo o maior argumento contra o Deus pessoal cristão, “inteligente, sábio e amoroso”; segundo, os argumentos de Leibniz − na sua Teodicéia − não são “racionais”, mas eivados de cristianismo, de sua crença cega. A propósito, enfatizo que nenhum dos argumentos contra o Deus pessoal cristão, alegados por deı́stas e ateus, se aplica ao Deus da teologia não euclidiana. Desafiamos a qualquer ateu, ou a qualquer outro, a levantar um argumento válido contra Deus. 10 : 33 → . . . Portanto, do mesmo modo que o axioma matemático, Deus é uma verdade não demonstrável, mas que se estabelece pela lógica e intuição, a única diferença entre ele e o axioma da matemática é que enquanto o axioma é apenas intuitivo Deus é adicionalmente verificável pela fé e pela certeza de sua existência. − Neste contexto, novamente o pastor se revela capcioso, sofista; um axioma (ou postulado) matemático não é uma verdade, e, ademais, pode ou não ser aceito, defendemos que assim mesmo deve ser para qualquer Deus. Dentre milhares de Deuses existentes na Terra você tem o direito e a liberdade de escolher o seu, ou nenhum. Acontece que é ilógico o cristianismo tentar im115


por o seu. Outra coisa, não existe “adicionalmente verificável pela fé ”, isto é uma falácia!. É exatamente por conta desta “fé ” que os pastores aprisionam os incautos em suas redes. Perguntamos, por que se deve depositar fé no Deus cristão e não em centenas de outros existentes sobre a Terra? Por exemplo, na página 102 exibimos uma autoridade religiosa indiana que defende o seu Deus e a sua Escritura como sendo a mais adequada para a humanidade; pergunto ao pastor Rodrigo, pela fé devo optar pelo teu Deus ou pelo Deus indiano? Segundo entendo, hoje em dia, no “pós-modernismo”, exercer “fé ” no Deus de padres e pastores − e demais oportunistas − é quase pedir para fazer o papel de trouxa! 10 : 54 → . . . aliás da certeza de sua existência podemos tirar uma série de conclusões e elementos perfeitamente comprováveis do mesmo modo que são comprováveis os teoremas retirados dos axiomas . . . − Pastor é exatamente isto que faço neste livro ao construir o primeiro exemplo de uma teologia não euclidiana, e, para tua tristeza, por assumir axiomas distintos dos da tua teologia é que derivo uma série de conclusões válidas e que contradizem a teologia cristã, e agora? 11 : 07 → E não pense que esta lógica matemática é difı́cil de compreender, ela está em todos os livros e pode ser confirmada por qualquer matemático, difı́cil é entender como filósofos ateus ignoram este ponto afirmando categoricamente a não existência axiomática de Deus. − Esta lógica matemática pode não ser difı́cil de entender, mas certamente o Dr Rodrigo não a entendeu. Pastor permita-me explicar-lhe: Um axioma não é uma verdade absoluta, irrefutável, nem os da matemática e da fı́sica, como já afirmamos anteriormente (ver p. 89). Nenhum cientista ou filósofo é obrigado a aceitar um axioma, e muito menos a “existência axiomática de Deus ”. No postulado 1 (p. 42) estabelecemos axiomaticamente a existência de Deus, em seguida (p. 43) fomos honestos o suficiente para ressaltar que ninguém é obrigado a aceitar o Deus da TNE. É só este nı́vel de honestidade que falta aos doutores teólogos cristãos, ao lidarem com pessoas que raciocinam. Noves fora, o que acontece é isto: O que um teólogo considera verdadeiro não pode não ser falso: nisso reside praticamente um critério de verdade. É seu profundo instinto de conservação que não lhe permite honrar ou sequer mencionar a verdade sob qualquer ponto de vista. (Nietzsche) Em seguida ao se reportar às geometrias euclidiana e não euclidianas o pastor comete uma série de impropriedades, como já afirmei alhures, os pastores são pouco rigorosos em suas afirmações, o hábito de mentir eles trazem da própria teologia, da interpretação da “Palavra de Deus”. “É seu profundo instinto de conservação . . . ”. O objetivo principal não é a verdade, mas amealhar incautas ovelhas para o redil, é só isto! 116


16 : 07 → . . . Noutras palavras há coisas que são absolutamente verdadeiras porém impossı́veis de serem provadas, não por uma falha delas, mas pela limitação da nossa mente . . . − O pastor está tergiversando, no popular enrolando, ele descaradamente invoca o contexto matemático para apoiar sua crença em Deus, alertamos que a matemática não apóia nenhuma crença em Deus, a própria matemática não comporta nenhuma verdade absoluta, como já enfatizamos à exaustão. O pastor seria capaz de exibir pelo ao menos uma “coisa absolutamente verdadeira?”. 16 : 42 → Ninguém em sã consciência questionaria a racionalidade cada vez mais crescente da geometria, o mais surpreendente porém, de lógica, de forma lógica, é a independência que ela desfruta do cérebro humano ao demonstrar a limitação racional deste, aliás este chega a ser o seu maior destaque em relação a outras áreas da matemática, . . . − O Dr Rodrigo está falando besteiras; não importa, o que interessa é impressionar e amealhar tolas ovelhas para seu redil, a ele se aplica literalmente as palavras de Maharaj: Os mais difı́ceis são os intelectuais. Eles falam muito, mas não são sérios. 20 : 21 → . . . Não tem saida, ou acreditamos num Deus eterno que criou tudo e não foi criado por nada, a causa primeira, ou caimos num retrocesso infinito, portanto a existência de um Deus eterno, sem começo nem fim é necessária para explicar a própria existência do Universo. − Os argumentos deste pastor são não apenas capciosos como também medievais, a própria fı́sica quântica já derrubou a noção de causalidade, por exemplo, veja o quadro à direita, a seguir

Meu caro pastor, ninguém te avisou que o Universo não é causal, mas relacional, não entendeu? Para derrubar tua tese me responde uma pergunta bem simples, elementar: Qual é a causa da luz?. Não vale responder algo como: “Segundo a Palavra de Deus . . . é Deus!” 117


Veja, Dr Rodrigo, eu não sou ateu, o Deus que me satisfaz lógica, intelectualmente e filosoficamente falando é o da TNE, isto é, Deus. O senhor teria como me provar que o seu Deus é “superior” ao meu? Consguiria me provar que Javé coincide com o Deus “criador dos céus e da Terra”?. Ademais, não esqueça que na Terra existem outros Deuses que reinvidicam este mesmo posto, como por exemplo o da Tenrikyo e Deuses indianos. 22 : 49 → Agora cabe a pergunta, quem espalhou pelos povos a noção de divindade? − Resposta: O ego, isto é, o medo da morte. Pastor tu acreditas em Deus porque acreditas na morte, desejas vida eterna no paraı́so, esta é a causa primordial de tua crença. No entanto, para outros − que já transcederam o ego − não é assim. Por exemplo, o budismo e o jainismo são duas religiões onde inexiste a figura de um Deus. Estamos falando disto pastor: Transcender o ego não é uma aberração mental nem uma alucinação psicótica, senão um estado ou nı́vel de consciência infinitamente mais rico, mais natural e mais satisfatório do que o ego poderia imaginar em seus vôos mais desatinados de fantasia. (Ken Wilber/O Espectro da Consciênca, p. 21)

E disto: Mergulhe mais profundamente na sua consciência e, quanto mais fundo você for, mais seu eu começa a se dissolver. Talvez seja por isso que nenhuma religião exceto o Zen tentou a meditação − porque a meditação vai destruir Deus, vai destruir o ego, vai destruir o eu. Vai deixá-lo no nada absoluto. É apenas a mente que faz você ter medo do nada. (Osho/Zen, p. 133) E disto: Quando Buda atingiu, alguém lhe perguntou: “O que você atingiu?” Ele riu e disse: “Não atingi nada, pois o que atingi sempre esteve comigo. Pelo contrário, perdi muitas coisas; perdi meu ego, meus pensamentos, minha mente. . . Perdi tudo o que costumava senti que possuı́a; perdi meu corpo, pois costumava achar que era o corpo. Perdi tudo isso e agora existo como puro nada. Mas essa é a minha aquisição.” (Buda/Osho) E disto: É o mutável que morre. O imutável nem vive nem morre, mas é a testemunha intemporal da vida e da morte. Não se pode dizer que ele esteja morto, pois ele é consciente. Nem é possı́vel dizer que ele esteja vivo, pois ele não muda. (Maharaj/EU SOU AQUILO, p. 401) 118


3 o ) A Quem Importa a Exist^ encia de Deus? https://www.youtube.com/watch?v=Usgrrn3pcns 00 : 49 → Mas antes que você pense que eu vou iniciar o programa de hoje fazendo um juı́zo de valores sobre a suposta ilegitimidade do questionamento ateu, saiba que em muitas instâncias certas problemáticas que os ateus levantam podem ser consideradas ponderações muito legı́timas, e Deus não se ofende necessariamente com elas . . . − É o que tenho dito, o número de ateus cresce no mundo simplesmente pelo fato de que cresce no mundo o número de pessoas que aprendem a raciocinar, sem antolhos, sem viseiras. Ademais, não importa se alguém possui um tı́tulo de doutor em teologia ou em divindade, a concepção de um Deus que possa se ofender − qualquer que seja a razão ou circunstância −, segundo entendo, é a concepção de um analfabeto em espiritualidade, vejo desta forma. 02 : 06 → [. . . ] Santo Agostinho também ficou muito intrigado com a arbitrariedade das curas mencionadas nos evangelhos, “Se Jesus tinha o poder por que não curou a todos, mas somente alguns?” Na verdade até mesmo Jesus no auge do seu sofrimento questionou ao Pai “Deus meu, Deus meu, disse ele, por que me desamparaste?” − Alhures já escrevi que, segundo entendo, a concepção de Deus de Jesus, de um Deus pessoal, está equivocada. Quanto aos milagres, vejo da seguinte forma:

Albert Sabin × Jesus

A respeito do tema milagre deparei-me com um artigo∗ na internet que mudou, de uma vez por todas, minha concepção do que seja um milagre e, ademais, me ensinou a como escalonar os milagres no sentido de suas importâncias para a humanidade. Transcrevo a seguir alguns excertos do referido artigo: Se uma pessoa que com o toque da mão ou com uma prece cura a doença de determinada pessoa é considerada como santa, que nome podemos dar a Dr. Albert Sabin que com a descoberta de uma vacina já salvou milhões de crianças da paralisia infantil e continuará a salvar as futuras gerações deste mal, e que a sua realização vai beneficiar a humanidade por toda a eternidade? Que titulo daremos a Thomas Edison que inventou a luz elétrica − a lâmpada, e que com a sua realização todas as pessoas, em qualquer lugar, de qualquer classe, em qualquer tempo, são beneficiados, e infinitas dores e sofrimentos foram e serão aliviados tendo a luz, como a guia. ∗

“O Milagre, Milagroso! ” Autora: Felora Daliri Sherafat.

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O que é milagre? Milagre é um acontecimento extraordinário, não explicável pela lógica? É algo que acontece sem nenhum esforço e com interferência divina? E dar cura a um doente? Ou milagre é concluir obras extraordinárias com auxilio de conhecimento e da fé, para descoberta de cura definitiva das doenças, para invenção dos meios que proporcionam o bem estar de todos os homens. Que tipo de milagre é mais milagroso? Curar a doença de um pobre doente? Ou, estudar e aprender a medicina, pesquisar e esforçar, até conseguir a verdadeira cura de uma doença que causa sofrimentos a milhões de pessoas. A exemplo do cientista Dr. Albert Sabin que descobriu a vacina Poliomielite e através de seu esforço e dedicação trouxe a cura para todas as crianças que eventualmente iriam ficar paralı́ticas, ele está salvando também, todas as crianças que ainda nem foram nascidas. Ou a exemplo do cientista britânico Sir Alexandre Fleming que descobriu a Penicilina, que sem fronteira de tempo e sem limitação de pessoas, como Sol abrangente e como um ato Divino e irrestrito vai salvando as pessoas, no âmbito universal. [. . .] Assim o conceito de religião muda; as cerimônias e atos religiosos ou os shows das palavras não representam mais o grau da fé e da crença do indivı́duo. A medida de crença em Deus passaria a depender do tamanho de exploração das potencialidades que divinamente fomos dotados, e do grau da relevância e benefı́cios obtidos na sua utilização. Desta perspectiva, a boa lógica nos nos diz que os milagres produzidos por Albert Sabin e Alexandre Fleming trouxeram bem mais alı́vio à humanidade que os de Jesus. Ademais, o cientista que criou a cura para a lepra curou muito mais leprosos que Jesus − virtualmente todos eles. Um oftalmologista, curou muito mais cegos que Jesus. 03 : 17 → Noutras palavras, se Deus não existe as coisas perdem completamente alguns significados que lhes atribuimos. − Sempre que o pastor se refere a Deus ele tem em mente o Deus cristão, obviamente. Perguntamos, e se substituirmos o Deus cristão por um Deus segundo uma outra concepção, por exemplo, por Deus, como ficaria a afirmação do pastor? 03 : 36 → Saiba que até renomados pensadores ateus como Alberto Camus, ganhador do Prêmio Nobel de 1957, já admitiram que a existência de Deus faz uma tremenda diferença para o ser humano. Ele declarou, em companhia de Jean Paul Sartre, outro famosı́ssimo pensador ateu da Europa que “Sem Deus a vida humana não passa de um absurdo.”

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− Até aqui refutei algumas afirmações do Dr Rodrigo sem me valer do segundo postulado da teologia não euclidiana (p. 42), pois seria como utilizar um canhão para destruir uma formiguinha. Perguntamos: que Deus Albert Camus e Jean Paul Sartre têm em mente ao fazerem esta afirmação? Reflitamos novamente sobre o postulado:

Postulado 2: “Tudo o que apreendemos, seja perceptiva ou conceitualmente, é desprovido de natureza inerente própria, ou identidade, independentemente dos meios pelos quais seja conhecido. Objetos percebidos, ou entidades observáveis, existem em relação às faculdades sensoriais ou sistemas de medição pelos quais são detectados − não de modo independente no mundo objetivo.” Isto implica que, seja qual for o Deus que eles tenham em mente, o que quer que eles entendam por absurdo, nada disto tem existência “lá fora”, mas tão somente em suas mentes (ECR).

Todos os fenômenos [tanto perceptı́veis quanto conceituais] podem ser postulados como existentes apenas em relação a uma (Wallace/[1], p. 97 ) estrutura cognitiva de referência.

06 : 01 → [. . . ] Para ser sincero, não sei se conseguirei mas pelo ao menos vou tentar mostrar a você que a análise da existência humana delineia inequivocamente estas e outras complexas implicações se optarmos pela hipótese ateı́sta; e nesse sentido, repito, a existência ou inexistância de Deus se torna a questão principal da vida humana, o mais importante assunto sobre o qual vale a pena debruçar. − Insistimos que todas estas “complexas implicações” apenas fazem sentido para a mente dos ateus e do pastor, elas não possuem uma correspondência com a realidade “lá fora”, ou com a “realidade de Deus”. Em resumo, estamos afirmando que todas estas argumentações do pastor não fazem o menor sentido dentro da TNE. Não é que a TNE seja absolutamente verdadeira, apenas estamos tentando mostrar uma outra perspectiva, um novo ângulo pelo qual esse discurso filosófico pode ser considerado.

121


Na secção 1.5 (p. 26) mostramos Quando as religiões e teologias tornamse desnecessárias, agora podemos incluir até a filosofia, veja: − Construç~ ao social (Ego)

− Consci^ encia Pura Luz Branca

7−→

− Mente − As discuss~ oes filosóficas e teológicas fazem sentido apenas neste referencial.

Neste referencial, teólogos e filósofos est~ ao falando abobrinhas.

Os mais difı́ceis são os intelectuais. Eles falam muito, mas não são sérios.

(Maharaj)

06 : 28 → A minha tese aqui é que se Deus não existe a vida não tem valor, significado e propósito. − Meu caro pastor, significado, valor e propósito são apenas conceitos humanos, digo, existem apenas na tua mente, não na natureza “lá fora”. O problema é que tu fostes programado até os ossos para crer em um Deus pessoal, e agora não consegues te libertar desta programação. De fato, se houvesse um Deus com atributos humanos, faria sentido, e se não existe? Que tal considerar esta hipótese?. A TNE não é ateı́sta, no entanto, no teorema 3 (p. 72) demonstramos que de fato a vida não tem nenhum propósito. Vamos abrir aqui um parênteses esclarecedor. Dissemos que significado, valor e propósitos são conceitos humanos; em acréscimo, bem e mal, certo e errado, vida e morte, Deus e Diabo e outras dualidades também são conceitos humanos; veja bem, não estamos afirmando que estas dualidades não existem, apenas devemos ressaltar o referencial (perspectiva) no qual não apenas estas mas todas as dualidades surgem. Observe com é fácil entender: − Construç~ ao social (Ego)

− Consci^ encia Pura 7−→

Luz Branca

− Mente

Neste referencial − isto é, fora da mente − n~ ao existem dualidades e conceitos.

− Este é o referencial em relação ao qual todas as dualidades e conceitos surgem. 122


Se o pastor Rodrigo conseguisse, ao menos por um momento, sair da mente e entrar no estado de Consciência Pura − isto é, trocar de referencial − se daria conta do quanto sua mente (matrix) é produto de uma mera programação, como enfatizamos no primeiro capı́tulo deste livro, veja:

Doutrinadores Futuro teólogo sendo formatado

Doutrinação

Pastor Dr Rodrigo, por favor reflita sobre estas palavras de um não teólogo, de um não doutor, de um “analfabeto” em Deus: O Absoluto não tem cor, nem plano, nem nome, nem forma. Todos os nomes e formas surgem na Terra e toda a imaginação e todos os escritos se devem à consciência em forma humana. O mundo está cheio de livros com os conceitos de seus autores. [. . . ] Na natureza e na Consciência não há lei e ordem. O homem deseja ordem, mas não temos controle sobre a natureza. Assim, ele pressupõe lei e ordem na natureza. (Sri Nisargadatta Maharaj/nada é tudo, pp. 116, 137)

123


06 : 37 → [. . . ] Mas calma, se você detesta religião e assuntos religiosos, deixe-me primeiro terminar o meu raciocı́nio e o meu argumento. Se Deus não existe estes três elementos que mencionei, valor, significado, propósito, se tornam apenas três aparências, três ilusões. − Acreditamos em Deus, no entanto consideramos como aparências e ilusões os três elementos citados pelo pastor. 07 : 57 → Voltando à concepção de Sartre, sem Deus o que podemos honestamente dizer é que nunca ganharemos a vida eterna e a nossa morte é apenas uma questão de tempo a contar de agora. − Ver-se claramente que a crença, não apenas do pastor como de todos os cristãos, em um Deus pessoal é motivada pelo medo da morte e o desejo de vida eterna, o ego tentando se eternizar. Como na TNE não existe morte (Cap. 3) tudo muda de figura, uma nova perspectiva se descortina. 08 : 20 → Somos todos prisioneiros, condenados à morte, esperando o cumprimento de sua sentença. É exatamente isto que nós somos caso Deus não exista. − Aqui o pastor tenta assustar as criancinhas e, claro, subrepticiamente cooptar ovelhas para seu redil. Pastor, o que está dito acima é verdade dentro da tua perspectiva, da tua teologia euclidiana − de um Deus pessoal −, porém, dentro da TNE tudo muda, um novo panaroma se descortina, uma vez que não somos prisioneiros condenados à morte, esta não existe, como já afirmamos. 14 : 38 → [. . . ] Retire as motivações religiosas ou espirituais e feito isto tente encontrar uma única razão lógica, plausı́vel ou pragmática, que justifique por exemplo, salvar a vida de um viciado em drogas ou levar adiante a gestação de uma criança com paralisia cerebral irreversı́vel. − Vou te dar uma pastor: a consciência. Todos os seres humanos, não excetuando os ateus, obviamente, possuem consciência, e isso independe de motivações religiosas, espirituais ou até mesmo de Deus. Na TNE explica-se assim: − CD (Prisma)

Absoluto

consciência pensamento altruı́smo

Luz Branca

− Consci^ encia Pura

santidade

− Mente (Matrix, pris~ ao)

124

egoı́smo depressão medo


A consciência deriva da Consciência Pura, mas esta não tem nada a ver com um Deus pessoal, que premia ou castiga. Deus, a Consciência Pura, nem mesmo é santo. (corolário 3, p. 60) 15 : 57 → O que me chama a atenção é que cépticos como Dawkins dizem que não precisam de valores religiosos porque a natureza e a razão humanas já nos fornecem o código ético necessário para sabermos o que é certo e o que é errado, será? − Na perspectiva da TNE estamos de acordo com Dawkins no sentido de que não se precisa de valores religiosos para se saber o que é certo e o que é errado, digamos que tudo isto encontra-se em potencial no Absoluto, na mente do homem estas potencialidades se atualizam. A mente do homem (ECR, Prisma) decide o que é certo e o que é errado. A natureza não comporta estes conceitos, por exemplo, um leão trucidar uma gazela é certo ou errado? Somos nós que decidimos, a natureza é indiferente ao que decidimos. 19 : 42 → Seja qual for a raiz desses sentimentos [altruı́smo, egoı́smo, etc.] ela certamente não está nem na natureza, nem na evolução, nem no gene egoı́sta, então aonde estaria? − A TNE responde: Na Consciência Pura (Absoluto), veja: − O Absoluto contém todo o experienciável. Mas sem o experimentador eles são como nada. Aquilo que faz a experiência possı́vel é o Absoluto. Aquilo que a faz atual é o Ser. (Sri Nisargadatta Maharaj)

− CD (Prisma)

Absoluto

Ψ Luz Branca

− Consci^ encia Pura

0

santidade

− Mente (Matrix, Ser)

1

consciência pensamento altruı́smo

0

1

egoı́smo depressão medo

realidades

O altruı́smo é uma experiência humana, “o Absoluto contém todo o experienciável. Mas sem o experimentador eles são como nada”. É isto! “[. . . ] o colapso das possibilidades quânticas (Ψ) em realidades.” (p. 44)

125


22 : 01 → [. . . ] Resolvi pensar um pouquinho com premissas do ateı́smo, o que conclui meu amigo, é que por mais otimista que sejamos, não passamos de um acidente cósmico, um aborto da natureza. Por outro lado, meu amigo eu afirmo pra você que é graças a Deus e não a uma bactéria que eu levo a cabo a minha vontade de ser bom, puro e altruı́sta, princı́pios aliás que se chocam contra a minha natureza que é naturalmente egoı́sta, impura e tendente à maldade. − Tenho afirmado que uma estratégia capciosa das religiões é adoecer as pessoas para depois lhes venderem o remédio, “o sangue de Jesus”, e assim manter poder e domı́nio sobre os incautos que não raciocinam suficientemente. Aqui está a prova, o pastor se considera naturalmente “egoı́sta, impuro e tendente à maldade” . Meu caro pastor, isto foi programado em tua mente pela religião; por oportuno, já fui membro da mesma religião deste pastor e era desta forma que os pastores me programavam para acreditar, dentre outras eles repetiam como um mantra em seus sermões: somos trapos de imundı́cie e só o sangue de Jesus poderá nos purificar e salvar, etc., etc. Pastor, se precisas de um Deus para ser altruı́sta, para ser bom, é lamentável que assim seja, existem ateus que o são sem acreditarem em Deus. Veja, é da natureza da água matar a sede de todos os homens, ela não faz acepção de pessoas, mata a sede de um virtuoso e de um devasso, de um santo e de um pecador, de um homem honesto e de um polı́tico bandido, não importa ela não checa a credencial. De igual modo, é da natureza da Consciência Pura (Absoluto) proporcionar experiências a todos os homens indistintamente, Ela não faz acepção de pessoas, inclusive se é ateu ou religioso; até um bandido, e se duvidar até um polı́tico, é capaz de atos de bondade e altruı́smo. O pastor afirmar que precisa de um Deus para ser bom (altruı́sta) é como se ele afirmasse que precisa ser religioso para que a água mate sua sede. Caro pastor, reiteramos, a água mata a sede de qualquer homem, independente se é religioso ou ateu, se adora o Deus Jeová ou a qualquer outro, não importa. Isto se generaliza para toda a Natureza, para a Vida, quem faz acepção de pessoas é o próprio homem, não Deus, ou Deus para ser mais preciso. − CD (Prisma, mente)

Absoluto

Ψ Luz Branca

− Consci^ encia Pura (N~ ao faz acepç~ ao)

consciência pensamento altruı́smo santidade egoı́smo depressão medo

− Qualquer um, independente de crença, pode ter estas experi^ encias.

126


Adendo: Estão nos chamando de idiotas Após vários dias de ter publicado esse apêndice refutando o Dr Rodrigo decidi acrescentar esse adendo − precisamente no dia 30.07.2018 − por conta de mais um vı́deo que encontrei na internet, não pude resistir. 4 o ) Rodrigo Silva respondendo perguntas de professores Universitários https://www.youtube.com/watch?v=iFXAVE2PAuc

A pergunta feita ao Dr Rodrigo é: Como pode Deus ser bom, se a própria Bı́blia mostra Deus permitindo guerra entre os seus? Confesso que fiquei curioso para saber por qual artifı́cio lógico (sofisma) um Dr em teologia acredita justificar passagens bı́blicas como estas a seguir − dentre inúmeras do gênero:

E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Agora, pois, matai todo o homem entre as crianças, e matai toda a mulher que conheceu algum homem, deitandose com ele. Porém, todas as meninas que não conheceram algum homem, deitando-se com ele, deixai-as viver para vós. (Números 31) Observe que nesta passagem, Deus, através do seu porta-voz Moisés, permite que as virgens sejam violentadas pelos soldados. Naquela ocasião conquistamos todas as suas cidades e as destruı́mos totalmente, matando homens, mulheres e crianças, sem deixar nenhum sobrevivente. (Deuteronômio 2:34) Após ganhar tempo, enrolar, o Dr Rodrigo dá uma justificativa simplesmente estarrecedora! Veja − acredite se quiser! (pasmém!):

02 : 02 → . . . Primeira coisa, a lı́ngua hebraica tem um imperativo diferente do que nós usamos em português, ali não existe a linguagem de permitir . . . é, existe a linguagem causal do imperativo do nifal, do jucivo que são formas verbais do hebraico antigo; por exemplo, suponhamos que você esteja gripado e eu não quero que você tome sorvete por que vai fazer mal à sua garganta, mas você insiste em tomar, então eu viro para você e falo o seguinte: olha não vou falar mais nada, vai lá e toma sorvete! Qualquer professor de lı́ngua portuguesa vai dizer que eu estou usando um imperativo, estou 127


lhe dando uma ordem, mas não é uma ordem real, é uma ordem fictı́cia, é uma maneira de dizer, já que você está teimando faça, mas contra a minha vontade. Em hebraico eu diria assim: eu causarei você tomar sorvete, eu farei você tomar sorvete, quando na verdade eu só estou permitindo. Deus permitiu algumas batalhas e a linguagem ali parece como ordem de Deus. [. . . ] − Inicialmente, observe o nı́vel desta palestra proferida em uma Universidade federal brasileira, se fosse em minha Universidade, digo, se eu estivesse na platéia certamente iria protestar! O “Doutor” Rodrigo está não apenas zombando da cara dos nossos universitários como também da cara dos doutores componentes da banca, Dr Edgard Lamounier e Dra Carla N. V. Tavares, que, ao que tudo indica, cairam na lábia do descarado pastor, pois na maior parte do vı́deo ficam apenas balançando a cabeça como vaquinhas de presépio! Resumindo a palestra do “Dr Rodrigo” ela tem os mesmos ingredientes que a fórmula espúria para a mulher matematicamente perfeita: (p. 31)

log

q

cc cq

·π



→ 0.15

ou seja, o logaritmo, a raiz quadrada e o número π de fato existem na matemática, agora a combinação destes ingredientes na fórmula acima tem o único objetivo de ludibriar a boa-fé das pessoas, para “impor a minha verdade”. De igual modo acontece com a “explicação” do pastor. Posteriormente assisti um outro vı́deo, a quem interessar possa: 5 o ) PORQUE DEUS MANDOU MATAR MILHARES DE PESSOAS NO ANTIGO TESTAMENTO??? https://www.youtube.com/watch?v=r3IiTxpZAJE Teria muito a comentar sobre este vı́deo, no entanto, vou apenas me limitar a observar que o que é claramente uma contradição bı́blica o capcioso e descarado pastor chama de “hiperbóle”!. No mais vale a mesma observação feita em relação ao vı́deo anterior e a fórmula espúria. Estes pastores praticam uma espécie de pedofilia (podemos incluir padres, literalmente), eles estupram − programam − a mente virgem, digo, oca, dos nossos jovens para que acreditem que a “Bı́blia é a Palavra de Deus”, esta é a escravidão! Jovens que acreditam que a Terra é plana e que o homem jamais pisou na lua são presas fáceis destes pastores bandidos. 128


Capı́tulo

3

Que é a morte? Uma gota de orvalho escorrendo da folha de lótus para dentro do oceano. . . Você pode pensar que a pobre gota está perdida, perdeu sua identidade. Mas olhe de um outro ponto de vista: a gota se tornou o oceano. Ela não perdeu nada, tornou-se vasta. Tornou-se oceânica.

(Osho)

Esse é um tema recorrente para o qual as teologias euclidianas (clássicas) não têm uma resposta consensual e convincente. Veremos no presente capı́tulo que a teologia não euclidiana tem uma resposta clara a essa questão fundamental. Para abordá-la inicialmente vamos nos colocar “acima das nuvens da mente (ego)” :

Pra iniciar estamos integralmente de acordo com Maharaj ao perguntar: O que é esse “eu sou”? Se você não conhece a si mesmo, o que mais você pode conhecer? Se não sabemos o que somos em essência, como falar de morte? 129


Inicialmente vamos pedir auxı́lio do nosso segundo postulado:

Postulado 2: “Tudo o que apreendemos, seja perceptiva ou conceitualmente, é desprovido de natureza inerente própria, ou identidade, independentemente dos meios pelos quais seja conhecido. Objetos percebidos, ou entidades observáveis, existem em relação às faculdades sensoriais ou sistemas de medição pelos quais são detectados − não de modo independente no mundo objetivo.” Em particular a morte existe apenas no referencial de uma ECR (mente). Até aqui isso não significa muito, o que é mais relevante é que essa ECR pode ser transcendida para um estado de Consciência Pura, na qual a morte deixará de existir, a bem da verdade não tem qualquer significado. De uma outra perspectiva: O fato mais importante a ser entendido é apenas esse: se há o toque de ser, haverá a totalidade das coisas. Se não houver estado de ser, não haverá mundo, não haverá cosmos e nada existirá. (Maharaj/[3], p. 137)

Ou seja, o mundo − em paticular a morte, e a vida − surge no referencial do “ser”, a novidade é que esse estado de ser pode ser transcendido para o estado de Consciência Pura onde nada existirá. Ora, no estado de Consciência Pura nada existe todavia esse estado é prenhe de possibilidades latentes, vejamos uma analogia para escaparmos desse nı́vel de abstração:

Amor Misericórdia Vida

Consciência Pura Luz Branca

Inteligência

Aqui − nesse estado − não existem dualidades tais como vida e morte.

− Resumindo:

7−→

7−→

(Mente)

Sabedoria Morte Depressão

Aqui − nesse estado − existem dualidades tais como vida e morte.

A morte existe apenas no referencial da mente, n~ ao no referencial da Consci^ encia Pura.

130


De um modo mais familiar:

Amor Misericórdia Vida

Consciência Pura Luz Branca

Inteligência Sabedoria Morte ←− Depressão

Aqui − nesse estado − não existem dualidades tais como vida e morte.

− Resumindo:

7−→

7−→

(Mente)

A morte é apenas uma das cores produzidas por nossa mente.

A morte existe apenas no referencial da mente, n~ ao no referencial da Consci^ encia Pura.

Oceano de Luz.

Não existe nenhuma cor na luz branca, no entanto todas as cores residem nela em um estado potencial, o prisma (CD) é o estado de ser a partir do qual tudo passa a existir, inclusive a vida e a morte. Retirando-se o prisma (ECR)− isso é possı́vel a partir da meditação profunda − tudo o que vem depois dele deixa de existir (é desligado), esse é o estado do Buda

Luz Branca

A meditação elimina o prisma (mente) e conduz o mı́stico de volta ao Oceano.

×

(Meditação)

Quando Buda atingiu, alguém lhe perguntou: “O que você atingiu?” Ele riu e disse: “Não atingi nada, pois o que atingi sempre esteve comigo. Pelo contrário, perdi muitas coisas; perdi meu ego, meus pensamentos, minha mente. . . Perdi tudo o que costumava senti que possuı́a; perdi meu corpo, pois costumava achar que era o corpo. Perdi tudo isso e agora existo como puro nada. Mas essa é a minha aquisição.” (Buda/Osho) Esse é um estado do qual falo com conhecimento de causa, já o experienciei inúmeras vezes, por sinal é o estado em que me encontro nesse momento, enquanto digito estas informações. 131


Reiteramos, embora esse estado seja de um “Vazio Absoluto” num entanto é pleno de possibilidades (possui todas as “cores” em potência), é nesse sentido que podemos afirmar a identidade entre o Vazio e o Absoluto:

V azio ≡ Absoluto Amor Misericórdia Vida Luz Branca

− Vazio

Inteligência

− Mente

Sabedoria Morte Depressão

A propósito, muito se tem questionado sobre a existência dos espı́ritos, alma, etc. Os palestrantes, contando a seu favor com uma plateia ignorante sobre tais temas, se sentem à vontade para expor teorias oriundas de suas próprias cabeças, eles fingem que ensinam e os ouvintes pensam que aprendem, todos saem satisfeitos. Ademais, atente para o seguinte As explicações são feitas para contentar a mente. Elas não têm que ser verdadeiras. A realidade é indefinı́vel e indescritı́vel. (Maharaj) Há tantas teorias inventadas para explicar as coisas − todas plausı́veis, nenhuma verdadeira. (Maharaj) Todas as verdades são construidas pela mente e para a mente, emanam do prisma (CD) na figura acima, acontece que no referêncial da Consciência Pura não existe nada definido, existe tudo em potência. Podemos ainda acrescentar que tudo surge de uma flutuação do Vazio, até a fı́sica moderna já se deu conta disto, veja Danah Zohar → 132


Metaforicamente, como eu sugeri, podemos pensar o vácuo como um vasto mar; e tudo quanto existe − as estrelas, a Terra, as árvores, nós e as partı́culas de que somos feitos −, como ondas nesse mar. Os fı́sicos denominam tais “ondas” − nós e tudo quanto existe − “excitações” ou “flutuações” do vácuo. (Danah Zohar/Sociedade Quântica, p. 284) Retomando, do nosso segundo postulado (p. 42) deduzimos que um espı́rito não existe “lá fora”, existe na mente de alguém, ou para alguém.

− Vazio

− Mente (ECR)

− Consci^ encia pura

Espı́rito Alma Vida

Deus

7−→

Luz Branca

Aqui n~ ao existe alma, espı́rito, etc.

Sabedoria Morte Depressão

Observe na figura anterior que ainda ganhamos uma preciosa informação (confirmação): Deus é também um produto da mente. Mais precisamente: toda e qualquer concepção de Deus é um produto da mente humana! − o ego cria Deus para se proteger do predador morte, para isto se mimetiza com as cores de uma religião.

- Coruja

- Mariposa

- Mimetismo católico

- Gafanhoto

- Mimetismo evangélico

133

- Mimetismo judeu


O estado natural do ser humano, sua essência, é precisamente essa luz branca (Consciência Pura) sem nenhum atributo − mas prenhe de possibilidades −, esta é a tela em branco que trazemos ao nascer e que depois a sociedade formata desenhando um ego (identidade), veja:

Tela em branco

Formataç~ ao

Toda a ilusão dos seres humanos reside em tomar esse desenho como sendo sua essência, quando na verdade não é; essa identidade que a Consciência assume é apenas uma das possibilidades latentes, mas, reiteramos, sua essência − o que de fato você é − é a tela em branco (Consciência Pura).

− Consci^ encia Pura 7−→

Luz Branca

− Mente − Ego: esse desenho é um arquivo armazenado na mente, não é você!

Voc^ e (sua ess^ encia) é isto! Aqui existe um backup seu! 134


Aqui reside o erro essencial de todas as religiões e religiosos: tentar preservar o desenho, tentar levar o desenho para o paraı́so, isso é impossı́vel! A boa notı́cia é que esse retorno à luz branca não significa extinção, aniquilamento (niilismo), a Consciência Pura (luz branca) possui memória, “seus dados” não são perdidos, “você”, nós, somos um arquivo armazenado no cérebro, veja a este respeito o parecer de um eminente cientista: Você, suas alegrias e tristezas, suas memórias e ambições, sua noção de identidade e seu livre-arbı́trio nada mais são do que a interação de um vasto conjunto de células nervosas . . . (Francis Ckick) A complementação que trago é a de que existe um backup seu na Consciência Pura, no entanto isso não quer dizer que você sobrevive como identidade (ego), não é tão simples assim; reiteramos, os seus dados, suas informações é que ficam armazenadas na “memória da Consciência Pura”, como já afirmamos a luz branca contém todas as possibilidades. Sua essência é a Consciência Pura, seus dados podem ser checados (revistos) por uma mudança de foco da Consciência − Computaç~ ao em nuvem (cloud computing). No estado de Consciência Pura (Vazio) cessam todas as perguntas, não existe uma única dúvida sequer. Não que se saiba de tudo, mas pelo simples fato de que não há ninguém para perguntar, não existe mente. E o melhor de tudo, observe que a “salvação” se resume a uma simples mudança no foco de sua consciência: ao invés de se identificar com o desenho − que é uma construção da sociedade − veja-se como sua verdadeira natureza, a tela em branco, Consciência Pura; é precisamente nisso que consiste a Iluminação dos sábios orientais: extinção do ego, identidade.

Iluminação (“salvação”) Luz Branca

− Consci^ encia Pura (“nuvem”)

Ego − Mente (Matrix)

135

×


Vejamos, novamente, alguns testemunhos a esse respeito: Quando Buda atingiu, alguém lhe perguntou: “O que você atingiu?” Ele riu e disse: “Não atingi nada, pois o que atingi sempre esteve comigo. Pelo contrário, perdi muitas coisas; perdi meu ego, meus pensamentos, minha mente. . . Perdi tudo o que costumava senti que possuı́a; perdi meu corpo, pois costumava achar que era o corpo. Perdi tudo isso e agora existo como puro nada. Mas essa é a minha aquisição.” (Buda) Eu havia reconhecido o fato de que eu não existia − não podia então depender de mim mesmo, não podia me pôr de pé no meu próprio solo. Não havia solo sob meus pés; eu estava sobre um abismo. . . um abismo sem fundo. Mas não havia medo porque não havia nada para ser protegido. Não existia medo porque não havia ninguém para ter medo. (Osho) Observando incansavelmente, tornei-me vazio e, nesse vazio, tudo voltou a mim, exceto a mente. Sinto que perdi a mente de forma irrecuperável. (Maharaj)

− Computaç~ ao em nuvem (cloud computing)

Dissolvendo a estrutura cognitiva de referência

• A mente-ego-matrix é simbolizada por uma nuvem escura.

          

  

Aqui a morte surge

           

Para estas consciências a morte não existe.

   

          

           

Mente-ego

Para esta Consciência (Pura) a morte já não existe.

• O Satori é a dissolução da mente-ego-matrix (ECR)

136


No contexto da teologia não euclidiana afirmamos que todos os pretensos “salvadores” tornam-se absolutamente desnecessários, é simples assim! Caro leitor, reflita sobre a seguinte iluminada parábola Zen budista: Discı́pulo: Qual é o caminho para a libertação? Mestre: Quem está te acorrentando? Discı́pulo: Ninguém está me acorrentando. Mestre: Então, por que queres ser libertado? Adaptando essa iluminada parábola para o nosso contexto cristão, temos: Discı́pulo: Qual é o caminho para a salvação? Mestre: Quem te disse que estás condenado? Discı́pulo: Os padres, os pastores, as igrejas. Mestre: Então, te livra dos padres dos pastores e das igrejas. Em resumo, todas as prisões psicológicas têm origem na mente, e é na mente que as religiões atuam fabricando zumbis para sua própria sobrevivência, é simples assim. Desta plataforma (“vis~ ao digital”) afirmo que o papel subreptı́cio das religiões é adoecer as pessoas para depois lhes venderem o “remédio”. Se um médico chega em uma cidade onde todos os seus habitantes estãos sadios, o médico ficará desempregado . . . a menos que primeiro adoeça as pessoas. Esta é a astúcia das religiões.

Um pequeno texto para reflexão Há no mundo muitos pensamentos falsos, muitas superstições insensatas, e ninguém que estiver escravizado por eles poderá fazer progresso. Portanto, não deves acolher um pensamento simplesmente porque muitas outras pessoas o acolhem, nem porque se tenha acreditado nele por séculos, nem porque esteja escrito em algum livro que os homens julguem ser sagrado; tu tens de pensar sobre a questão por ti mesmo, e julgar por ti mesmo se ela é razoável. Lembra-te que, embora um milhar de homens concorde sobre um assunto, se eles não souberem nada sobre aquele assunto a sua opinião não tem valor. Aquele que quiser trilhar a Senda tem de aprender a pensar por si mesmo, porque a superstição é um dos maiores males do mundo, um dos grilhões dos quais, por ti próprio, deves te libertar completamente. (Krishnamurti/Aos Pés do Mestre)

137


Três sistemas Desse modo contamos com pelo ao menos três possibilidades − Sistemas − quanto à “vida após a morte”: 1 a ) Ressurreição: Após a morte os justos ressuscitarão para a vida eterna no paraı́so, os pecadores para a perdição eterna nas chamas do inferno. Nesta alternativa, é pena que o suposto “salvador” tenha falhado com suas promessas, por exemplo: − Quando, pois, vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do homem. (Mt 10 : 23) − Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino. (Mt 16 : 28) − Em verdade vos digo que alguns dos que estão aqui não morrerão sem terem visto o reino de Deus vir com poder! (Mc 9 : 1) − Ora, naqueles dias, depois daquela aflição, o sol se escurecerá, e a lua não dará a sua luz. E as estrelas cairão do céu, e as forças que estão nos céus serão abaladas. E então verão vir o Filho do homem nas nuvens, com grande poder e glória. [. . . ] Na verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. (Mc. 13:24-31) − Eis que venho em breve! A minha recompensa está comigo, e eu retribuirei a cada um de acordo com o que fez. (Ap 22 : 12) 2 a ) Reencarnação: Essa possibilidade ainda não foi provada cientı́ficamente, portanto até o momento trata-se de uma mera crença. Até prova em contrário minha posição quanto à reencarnação é a mesma do Maharaj, qual seja: Por favor, entendam claramente que Você − o Absoluto − livre de qualquer identidade corporal, é completo, perfeito e Não-Nascido. Mas você é acusado de milhões de nascimentos em vidas passadas. Quanto a isso, você conseguiria me falar de pelo ao menos uma dessas vidas passadas, se você lembrar? Não se deixe influenciar pelo que outros dizem, mas fale honestamente, apenas a partir de sua experiência direta. (Maharaj/[3], p. 137)

[. . . ] a opinião pensa mal; não pensa: traduz necessidades em conhecimentos. Ao designar os objetos pela utilidade, ele se impede de conhecê-los. Não se pode basear nada na opinião: antes de tudo, é preciso destruı́-la. Ela é o primeiro obstáculo a ser superado. [. . . ] O espı́rito cientı́fico proı́be que tenhamos opinião sobre questões que não 138


compreendemos, sobre questões que não sabemos formular com clareza. [. . . ] Para o espı́rito cientı́fico, todo conhecimento é resposta a uma pergunta. Se não há pergunta, não pode haver conhecimento cientı́fico. Nada é evidente. Nada é gratuito. Tudo é construı́do. (Gaston Bachelard)

Destacamos: O espı́rito cientı́fico proı́be que tenhamos opinião sobre questões que não compreendemos, sobre questões que não sabemos formular com clareza. Isto em especial se aplica à “teoria da reencarnação”. 3 a ) A morte não existe!: Em nosso sistema, TNE, a morte é apenas uma ilusão criada pela mente, o que implica que você, sua essência, não morre. Defendemos a tese de que o estado de vacuidade − Satori, Iluminação − pode vir a ser objeto de comprovação cientı́fica, é um denominador comum a todos os seres humanos. Mas não apenas eu defendo essa tese, veja Enquanto astrônomos desenvolveram e aperfeiçoaram o telescópio para explorar as profundezas do espaço e biólogos usaram o microscópio para esquadrinhar a natureza de células e genes, meios sofisticados de explorar o espaço da mente e todo o âmbito dos fenômenos mentais ainda estão por vir a desempenhar um papel na ciência. (Dimensões Escondidas/[1], p. 10)

Em resumo, para comprovar que a imortalidade é um fato você não precisa passar pela morte corporal, não precisa esperar por um “salvador” que, em particular, não é confiável posto que não cumpriu com sua palavra, é simples assim! Para finalizar, informo que escrevi esse capı́tulo precisamente dentro do estado de Consciência Pura, onde não existe mente ou identidade, apenas uma “visão digital” dos fatos − cloud computing.

139


Adendo:

(EU SOU AQUILO, p. 243)

P: No entanto, você deve acreditar que viveu antes. M: As escrituras assim o dizem, mas eu nada sei sobre isso. Conheço a mim mesmo tal como sou. Como eu apareci ou irei aparecer não consta da minha experiência. Não é que eu não me lembre. Na verdade, não há nada a ser lembrado. A reencarnação implica um eu que reencarne. Isso não existe. O feixe de lembranças e esperanças a quem chamam de eu se imagina existindo para todo o sempre e cria o tempo para acomodar sua falsa eternidade. Para ser não preciso nem de passado nem de futuro. Toda a experiência nasce da imaginação. Eu não imagino e, portanto, nem nascimento e nem morte acontecem a mim. Só os que pensam ter nascido podem se imaginar reencarnando. Você me acusa de ter nascido, e eu me declaro inocente! Tudo existe na Consciência Pura, e a Consciência Pura nem nasce nem renasce. Ela é a própria realidade imutável. Aparte: Aqui está claro que Maharaj fala da perspectiva (referencial) da Consciência Pura, o que dissemos ser a essência de todos nós, observe

Consciência Pura Luz Branca (Consciência)

Mundo

7−→

(Corpo)

n

Ψ

Observador −→ A mente não é você, é outro. Você é apenas um observador.

Não somos nem matéria nem energia, nem corpo nem mente. (Maharaj)

(Osho)

M: Todo o universo de experiência nasce com o corpo e morre com o corpo. Ele começa e termina na Consciência Pura, mas a Consciência Pura não conhece nem começo nem fim. Se você pensar sobre isso com cuidado e refletir longamente sobre a questão, você verá a luz da Consciência Pura em toda a sua clareza, e o mundo desaparecerá do seu campo de visão. É como olhar uma haste de incenso. Primeiro, você vê a haste e a fumaça, só depois você nota a ponta em brasa, e então você se dá conta de que ela tem o poder de consumir montanhas de haste e de saturar o universo de fumaça. O ser se atualiza intemporalmente, sem exaurir suas infinitas possibilidades. 140


Na imagem da haste de incenso, a haste é o corpo e a fumaça é a mente. Enquanto a mente se ocupar com suas próprias contorções, ela não perceberá sua fonte. O Guru chega e faz sua atenção se voltar para a centelha que você traz dentro de si. Por sua própria natureza, a mente volta-se para fora, ela sempre tenta encontrar a fonte das coisas em meio às próprias coisas. O conselho de procurar a fonte no próprio interior, de um certo modo, é o começo de uma nova vida. A Consciência Pura toma o lugar da consciência.

− CD (Prisma)

consciência Alaranjado Amarelo

Luz Branca

− Consci^ encia Pura

Verde Azul Anil Violeta

− Mente (Matrix, pris~ ao)

Na consciência, há o “Eu” que é consciente, ao passo que a Consciência Pura é indivisa, a Consciência Pura só é consciente de si mesma. A consciência é um atributo, ao passo que a Consciência Pura não o é. É possı́vel ter consciência de estar consciente, mas não se pode ter consciência da Consciência Pura. Deus é a totalidade da consciência, mas a Consciência Pura está além de tudo − do ser e também do não-ser. P: Eu comecei a pergunta sobre a condição de um homem após a morte. Quando o corpo é destruı́do, o que acontece com a consciência? Esse homem leva consigo a capacidade de ver, de ouvir e assim por diante, ou ele a deixará para trás? E, se ele perde seus sentidos, o que acontece à sua consciência? M: Os sentidos são apenas modos de percepção. À medida em que os modos grosseiros vão desaparecendo, surgem estados mais refinados de consciência. P: Não há uma transição para a Consciência Pura, após a morte? M: Não pode haver transição da consciência para a Consciência Pura, pois a Consciência Pura não é uma forma de consciência. A consciência pode apenas se tornar mais sutil e refinada, e é isso que ocorre após a morte. À medida em que vão morrendo os diversos veı́culos do homem, os modos de consciência induzidos por ele também morrem. P: Até que reste apenas a inconsciência? M: Veja como você fala da inconsciência, como algo que vem e vai! Quem vai estar consciente da inconsciência? Enquanto a janela estiver aberta, a 141


luz do sol entrará na sala. Quando a janela é fechada, o sol continua, mas será que ele vê a escuridão da sala? Será que, para o sol, a escuridão existe? Não existe inconsciência, pois a inconsciência não pode ser objeto de experiência. Inferimos a inconsciência quando há um lapso de memória ou de comunicação. Se eu paro de reagir, você dirá que estou inconsciente. Na verdade, talvez eu esteja agudamente consciente, mas apenas incapaz de me comunicar ou de me lembrar. ∗

EU SOU AQUILO (p. 82)

M: É o apego a um nome e a uma forma que gera o medo. Não tenho apego. Não sou nada, e nada de coisa alguma tem medo. Ao contrário, tudo tem medo do Nada, pois quando algo toca o Nada, torna-se nada. É como um poço sem fundo, o que quer que caia dentro dele desaparece. P: Deus não é uma pessoa? M: Enquanto você pensar em si próprio como uma pessoa, ele também será uma pessoa. Quando você for tudo, você O verá como tudo. Aparte: Veja que interessante, Maharaj tem toda razão, dou testemunho de que no meu caso particular foi assim mesmo que aconteceu; quando estava preso à mente e me via como uma pessoa, assim mesmo via Deus∗ , ao praticar a meditação − profunda, intensa − e sair da mente e entrar num estado de Vazio passei a ver Deus como Vazio, veja:

×

Deus =Vazio Luz Branca

(Mente)

(Consciência)

Por exemplo, aqui reside a imortalidade!

Em Minha forma mais pura, sou o Absoluto. A partir dessa forma verdadeiramente pura, Eu sou como você me faz. (C.C.D. vol. II, p. 302) Forma mais pura (Absoluto)

n

Consciência Pura

Deuses

(Matrix, pris~ ao)

Deus

(Mente) (Ego)

− “Eu sou como você me faz”, qualquer cor; por exemplo, o Absoluto pode transformar-se até em caça-nı́queis.

fui evangélico dos meus 22 aos 26 anos.

142


Capı́tulo

4

Contributo ao enigma da Consciência Não podes encontrar a verdade com a lógica se não já a tens encontrado sem ela. (G.K. Chesterton/filósofo)

Introdução: Consciência é um dos temas de maior relevância da atualidade, perpassa várias disciplinas tais como: neurobiologia, filosofia, ciências cognitivas, neurologia, linguı́stica, inteligência artificial, etc. O que faz um matemático, sem nenhuma formação na área, se atrever a tocar no assunto? E mais que isto, dedicar um capı́tulo do seu livro a um tema que tem desafiado os maiores especialistas da área? Resposta: Esse matemático é também um meditador que atingiu o Satori, “é só isto”! − no desenvolvimento deste capı́tulo veremos por que “só isto” fará toda a diferença. Novamente aqui estaremos nos situando em uma plataforma acima das nuvens do cérebro e da mente para conduzirmos esse relevante tema.

143


A leviandade com que esse tema pode ser tratado Os mais difı́ceis são os intelectuais. Eles falam muito, mas não são sérios. (Maharaj)

Antes veremos como o tema da consciência pode ser tratado até com desrespeito por muitos pseudos mestres; gurus, palestrantes, etc., tratam de muitos temas do “universo da espiritualidade”, sem a menor preocupação e sem o menor rigor com o conteúdo daquilo que passam adiante. Para efeitos de contextualização vejamos um exemplo: Conscienciologia: A ciência da Consciência

A Conscienciologia é o termo proposto pelo médico e pesquisador brasileiro Waldo Vieira (1932-2015) para definir a nova ciência dedicada ao estudo da consciência. Perguntamos o que é consciência? Eles respondem: “consciência, que, dentre outros termos, é aquilo o que se denomina por ego, alma, espı́rito, essência, eu, individualidade, personalidade, pessoa, self, ser ou sujeito.” Então, é isso, a Conscienciologia confunde consciência com ego, alma, personalidade, etc., coloca tudo em um balaio só − e bate no liquidificador.

Como já enfatizamos, os palestrantes desses temas − incluindo “Médiuns Espı́ritas”− contam a seu favor com a ignorância dos ouvintes, aı́ fica fácil enganá-los, qualquer coisa que se diga eles acreditam. Eles fingem que ensinam, os ouvintes pensam que aprendem, todos saem “ganhando”.

144


O mistério da consciência O mistério da consciência, é o tı́tulo de um dos livros de um renomado cientista: António Rosa Damásio (Lisboa, 25 de fevereiro de 1944) é um médico neurologista, neurocientista português que trabalha no estudo do cérebro e das emoções humanas. É professor de neurociência na Universidade do Sul da Califórnia. Contribuiu de maneira decisiva para as pesquisas interdisciplinares em ciências cognitivas, neurofilosofia, neurobiologia da mente e do comportamento, sobretudo nas áreas da emoção, tomada de decisão, memória, comunicação, criatividade e consciência. Pois bem, antes de iniciar a leitura de “O mistério da consciência” (pdf de 690 páginas) e tendo em conta que meu tempo disponı́vel era escasso, pois estava trabalhando na redação do livro [4], disse a mim mesmo que iria lê-lo até onde encontrasse uma afirmação que eu estivesse em condições de refutar. Não necessitei ir muito longe, encontrei o que procurava já na página 46, eis: Minha resposta a essa crı́tica: se a “autoconsciência” for considerada “consciência com um sentido do self ”, então toda a consciência humana é necessariamente abrangida por esse termo − não existe nenhum outro tipo de consciência, até onde sei. (António Damásio) Neste ponto podemos discordar do doutor Damásio. Antes, vejamos Em uma definição sucinta, self inclui um corpo fı́sico, processos de pensamento e uma experiência consciente de que alguém é único e se diferencia dos outros, o que envolve a representação mental de experiências pessoais (Gazzaniga & Heatherton, 2003). (Publicação eletrônica)

Defendemos a existência de uma outra modalidade de consciência humana, sem um sentido de self, ou ainda, um tipo de consciência desprovida de identidade, ego, self, etc. Adendo: Como o estado de Consciência Pura é suscetı́vel de experimentação por todo ser humano (é sua essência), então trata-se de um tema que pode ser abordado pela ciência − objeto de investigação cientı́fica. O que não se justifica, não é uma postura cientı́fica, o cego simplesmente se recusar a ver a luz e, por isto, negá-la. Por oportuno, “cientistas” contemporâneos de Galileu simplesmente se recusaram a olhar para os céus com a luneta de Galileu para não verem a derrocada de suas crenças. 145


Existe uma modalidade de Consciência que como a água “não tem cor, não tem cheiro, não tem sabor”, Damásio e muitos outros cientistas desconhecem a Consciência Pura que é sem um sentido de self, observe a seguir

Luz Branca

7→

− Consci^ encia Pura (Awareness)

consci^ encia com um sentido de self

− Consci^ encia sem um sentido de self

A Consciência Pura não encontra-se no cérebro, é o cérebro que encontrase na Consciência Pura − essa Consciência permea todo o universo. A Consciência Pura não é nem matéria nem energia e assim como a luz não precisa de um suporte fı́sico para existir. É nesta modalidade de Consciência que Buda “funciona”, veja: Quando Buda atingiu, alguém lhe perguntou: “O que você atingiu?” Ele riu e disse: “Não atingi nada, pois o que atingi sempre esteve comigo. Pelo contrário, perdi muitas coisas; perdi meu ego, meus pensamentos, minha mente. . . Perdi tudo o que costumava senti que possuı́a; perdi meu corpo, pois costumava achar que era o corpo. Perdi tudo isso e agora existo como puro nada. Mas essa é a minha aquisição.” (Buda/Osho) Também é na Consciência Pura que Maharaj funciona Observando incansavelmente, tornei-me vazio e, nesse vazio, tudo voltou a mim, exceto a mente. Sinto que perdi a mente de forma irrecuperável. (EU SOU AQUILO, p. 207) De uma terceira fonte independente: Mergulhe mais profundamente na sua consciência e, quanto mais fundo você for, mais seu eu começa a se dissolver. Talvez seja por isso que nenhuma religião exceto o Zen tentou a meditação − porque a meditação vai destruir Deus, vai destruir o ego, vai destruir o eu. Vai deixá-lo no nada absoluto. É apenas a mente que faz você ter medo do nada. (Osho/Zen) Ademais, o essencial do livro que o leitor tem em mãos foi escrito a partir da plataforma desta Consciência Pura, sem um sentido de self, sem identidade, no nada absoluto, referido por Osho. 146


Em um outro livro − E o cérebro criou a mente − Damásio confessa: Deve existir uma razão para escrever um livro. Este foi escrito para recomeçar. Estudo a mente e o cérebro humanos há mais de trinta anos, e já escrevi sobre a consciência em artigos cientı́ficos e livros. Mas fui ficando insatisfeito com minha exposição do problema, e uma real reflexão sobre descobertas relevantes, em novos e velhos estudos, mudou minhas ideias, em especial sobre duas questões: a origem e a natureza dos sentimentos e o mecanismo por trás da construção do self. (António Damásio)

Tomo a liberdade de deixar uma sugestão ao doutor Damásio, estudar o cérebro humano de uma plataforma situada fora do próprio cérebro (matrix)

Que tal fixar sua observação na Consciência que encontra-se além da mente humana? Esta:

− Consci^ encia Pura (Awareness) Amor Misericórdia Bondade Luz

Neurocientistas concentrem seus esforços aqui

Sabedoria Ira consciência

7→

7−→

Branca

Inteligência (Mente)

consci^ encia com um sentido de self (Matrix)

147


Alma, espı́rito, Deus, salvação, reencarnação, etc., tudo isso são conceitos − estratégias − construidas pela mente, é o ego tentando sobreviver; no estado de Consciência Pura, nosso estado natural, não existe mente, portanto todos os seus conceitos desaparecem, se dissolvem. Todas as religiões agem a partir da plataforma da mente, como muito bem acentuou o sábio As explicações são feitas para contentar a mente. Elas não têm que ser verdadeiras. A realidade é indefinı́vel e indescritı́vel. (Maharaj) No estado de Consciência Pura − que é este no qual me encontro neste momento − não existindo mente para formular perguntas, não existem dúvidas. Neste estado, morte, vida, etc., são supéfluas, são categorias que surgem a partir da mente, como já frisamos. Ademais, é precisamente nesse estado que se impõe naturalmente o seguinte postulado

Postulado 2: “Tudo o que apreendemos, seja perceptiva ou conceitualmente, é desprovido de natureza inerente própria, ou identidade, independentemente dos meios pelos quais seja conhecido. Objetos percebidos, ou entidades observáveis, existem em relação às faculdades sensoriais ou sistemas de medição pelos quais são detectados − não de modo independente no mundo objetivo.” Quando mestres espirituais se referem a um suposto “Eu superior”, tudo isso − e quaisquer outros conceitos − são, novamente, construções meramente mentais. Ao identificar esse estado de Consciência Pura com Deus, como o fizemos em nosso primeiro postulado (p. 42), até isso é uma convenção humana, para poder se expressar. Adendo: Uma pergunta que se impõe é: como posso estar escrevendo sem mente e sem pensamentos?. Resposta: O que escrever brota espontaneamente do Vazio, sem a participação da mente, por sinal, para que isso seja possı́vel uma condição necessária é que a mente ordinária esteja ausente. Onde não há mente, não há fundo da mente. Eu sou todo frente, sem (Maharaj) fundos. O vazio fala, o vazio permanece. Portanto, o Budismo reconhece nı́veis de consciência que não dependem de um suporte fı́sico, dos quais o mais profundo é a luminosidade primordial, não dual, que é constante. O terceiro nı́vel, o mais essencial, é chamado ‘luminosidade fundamental do espı́rito’. Corresponde a uma capacidade cognitiva pura que não funciona no modo dual sujeito-objeto e na qual não existem pensamentos discursivos.” [. . . ] [5], p. 199 148


E o ser humano é o que mesmo em sua essência? Embora não seja o que o ego gostaria de ouvir, a resposta mais apropriada é: Nada, Vazio; não obstante, felizmente, esse Vazio não é estéril mas pleno de possibilidades, é suficiente observar o mundo das ciências, matemáticas, artes, incluindo música e literatura. Como já salientamos diversas vezes, tudo se passa assim: Vazio Luz Branca

7−→

7→

− Consci^ encia Pura (Absoluto) Essa é a natureza essencial do ser humano

(Matrix)

Ego com suas múltiplas facetas. (Construç~ ao social)

O ego, a identidade, são os atores a desempenhar um papel na odisseia humana. É o veı́culo pelo qual o Absoluto se manifesta, vivencia, experimenta; em resumo, o ego e a identidade são apenas canais de expressão para o Absoluto. O Absoluto é como o sol cuja presença eclipsa todas as estrelas − egos humanos. Ora, até a fı́sica já se deu conta do papel essencial desempenhado pelo Vazio Metaforicamente, como eu sugeri, podemos pensar o vácuo como um vasto mar; e tudo quanto existe − as estrelas, a Terra, as árvores, nós e as partı́culas de que somos feitos −, como ondas nesse mar. Os fı́sicos denominam tais “ondas” − nós e tudo quanto existe − “excitações” ou “flutuações” do vácuo. (Danah Zohar/Sociedade Quântica, p. 284) Toda e qualquer suposta verdade é uma experiência humana e, como tal, está contemplada pela seguinte afirmação O Absoluto contém tudo o que é passı́vel de ser experiênciado, mas, sem o experienciador, essas coisas são o mesmo que nada. Aquilo que torna possı́vel a experiência é o Absoluto, o que a torna atual é o Ser. (Maharaj) 149

Ego

→ Deleta a mente


O essencial sobre mediunidade Há tantas teorias inventadas para explicar as coisas − todas plausı́veis, nenhuma verdadeira. (Maharaj) Um corolário que decorre do presente contexto é a mediunidade. A ilustração a seguir resume o essencial sobre o processo inspirativo − em todos os tempos e lugares:

− Consci^ encia Pura (Absoluto) Vazio Luz (Ego)

7→

Branca

A luz branca pode ser poluı́da pelo ego do médium ao social) − O vazio fala, o vazio permanece (Maharaj ) (construç~

• Essa é a fonte primordial de toda inspiraç~ ao

O vazio no homem é o mesmo vazio em Deus. O contato com o vazio é o contato com a fonte e o poder de todas as possibilidades. (A potência do nada, p. 186, adap.)

O Absoluto ao expressar-se está limitado por uma espécie de filtro que é a mente do médium com todas as suas idiossincrasias. Por exemplo, um médium espı́rita está preso a um conjunto de doutrinas, um médium evangélico − ou católico − está confinado a um outro conjunto de doutrinas que reverberam em suas obras, embora eles não estejam conscientes disto. Daı́ como magistralmente observou o sábio Um poeta autêntico não está presente, ele abre caminho para a poesia fluir dele. E o mesmo acontece com a música e a dança, a escultura e a arquitetura, sobre tudo o que é belo. Se elas saı́rem de um estado meditativo, não são produtos do ego. (Osho) Os produtos do ego vão ser muito vulgares.

150


Deformamos o real porque o apreendemos espontaneamente através de nossas impressões sensı́veis, de nossos desejos, nossas paixões, nossos interesses, nossos hábitos, em suma, através de tudo aquilo que nos confina nesse reino de ilusões em que, impotentes para ver os objetos cujas sombras não passam de sombras, ignoramos que elas são sombras e as tomamos por realidade. (Simone Manon/Platão) Somente o Absoluto é único. Desse Absoluto nada podemos dizer, a não ser que constitui a totalidade das possibilidades de existência; um puro Nada e, por isso, fundamento de todo o Ser. [. . .] Não é uma pessoa, mas o próprio infinito [. . .] (A Potência do Nada, p. 178) Do ponto de vista cognitivo, a evolução também avança no chamamento ou na criação de “sentido”, de significação, ou, em outras palavras, de novos conceitos e novas formas de inteligibilidade. Criar, portanto, não é apenas produzir novas formas, mas sobretudo criar compreensão e entendimento. Novas figuras mentais, conceituais; novas formas e maneiras de existir, de expressar-se, de perceber e perceber-se, de sentir e de sentir-se. E como a evolução é um processo sem fim, diversas conquistas serão atingidas e novas e mais profundas intensidades serão alcançadas. O prazer estético, sensual, sexual, amoroso e cognitivo são formas do prazer e das experiências almejadas com a criação. Muitas outras configurações que ainda não conhecemos existem como possibilidade ou atualidade em algum lugar ou tempo. Com a dinâmica do processo criativo, há sempre um enriquecimento de significados, bem como novas formas de sentir, de agir e de ser. A exploração é incomensuravelmente aberta, em todas as esferas imagináveis do sentir, do ser, do agir e do compreender. Não há limites, ou melhor, o único limite é o medo, aquilo que denominamos de mal, porque vai contra, restringindo o impulso infinito e natural da expansão da vida divina para dentro e para fora de si mesma. (A Potência do Nada, p. 178)

Ei, espere! Acho que você não entendeu uma grande parte disso tudo. Vamos voltar ao inı́cio. Você está criando tudo isso. . . . É isso que Eu Sou neste momento. Você, pensando. Você, pensando em voz alta. (C.C.D.)

Homem Absoluto

151


Precauções a se tomar Ora, não negamos a inspiração nem o processo inspirativo, ou mediúnico. Todavia há que se ter a preocupação de não deixar o ego interferir a ponto de contaminar a mensagem. Dada a sua importância para o tema em pauta, novamente reiteramos as palavras do Mestre: Um poeta autêntico não está presente, ele abre caminho para a poesia fluir dele. E o mesmo acontece com a música e a dança, a escultura e a arquitetura, sobre tudo o que é belo. Se elas saı́rem de um estado meditativo, não são produtos do ego. Os produtos do ego vão ser muito vulgares. (Osho) Uma outra citação do Mestre Osho que pelo ao menos para mim funciona como uma espécie de balizamento na apreciação de mensagens supostamente mediúnicas é dada a seguir Se você tem alguma ideologia para se definir, você não é livre. Liberdade significa nenhuma definição. (Osho) Daqui decorre como um simples corolário que qualquer um que se encontre dentro de qualquer religião não é livre. Ou seja, coloco sob suspeição os escritos de todos os autores prisioneiros de alguma ideologia, como a cristã, por exemplo.

- Toda religião é uma prisão

A Consciência Pura − fonte de toda inspiração, como entendo − é como a água: não tem cor, não tem cheiro, não tem sabor. Se uma mensagem sai do outro lado com cor, cheiro ou sabor então estes atributos só podem ter sido introduzidos pelo canal. Pietro Ubaldi e Huberto Rohden são dois autores que eu lia com frequência em minha juventude, hoje infelizmente considero seus escritos comprometidos com a ideologia cristã; isto é, a água não é pura, tem o cheiro, a cor e o sabor do cristianismo.

Espiritismo Kardecista Particularmente no que diz respeito às obras espı́ritas autodenominadas de psicografadas, como as dos médiuns Chico Xavier e Divaldo Franco, existe um ex-espı́rita por nome Morel Felipe Wilkon, Youtuber, achei suas crı́ticas muito pertinentes e muito bem fundamentadas, a quem interessar 152


possa sugiro pra começar dois vı́deos do Morel − EU NÃO SOU MAIS ESPÍRITA!!!!!! https://www.youtube.com/watch?v=QzYkXxAlhS0 − Kardec e as “psicografias” desmentidas https://www.youtube.com/watch?v=dKI4sVPRnKM

Mimetismo: é a capacidade que têm certos animais de variar a coloração e a forma, assemelhando-se assim ao ambiente em que se encontram. Este artifı́cio confere vantagens tais como a proteção contra possı́veis predadores. Vejamos alguns exemplos:

- Coruja

- Mariposa

- Gafanhoto

Segundo entendo, as obras ditas psicografadas sofrem uma espécie de mimetismo, digo, adquirem as cores do ambiente e século em que foram produzidas − não obstante seus autores proclamarem que foram ditadas por “espı́ritos superiores”−. Foi precisamente o que ocorreu com as obras de Kardec (Século XIX) e de muitos outros autores, até nossos dias. A prova disto é que estas obras, ao copiarem a ciência da época, cometem os mesmos erros que esta. Por exemplo, existe um artigo na internet − A FÍSICA NO ESPIRITISMO/ Érika de Carvalho Bastone∗ − que analisa duas destas obras mediúnicas (“Mecanismos da Mediunidade” e “Evolução em Dois Mundos”, ditadas pelo Espı́rito André Luiz e psicografadas pelo médium Francisco Cândido Xavier, publicadas pela F.E.B. com prefácio de Emmanuel) e aponta vários erros cientı́ficos nestas obras. Posteriormente me deparei com um outro artigo − Alexandre Fontes da Fonseca – Análise dos conceitos cientı́ficos de “A Grande Sı́ntese”, de Pietro Ubaldi −, no qual o autor, também Doutor em fı́sica, aponta várias falhas nesta obra de Ubaldi. Em resumo: Não se pode confiar nas ditas obras oriundas de “espı́ritos superiores”

Inclusive as de Kardec. No meu entendimento, estas obras são frutos do cérebro do suposto médium. É o ego interferindo. Não conheço nenhuma contribuição cientı́fica dada por estes “espı́ritos superiores”. ∗

Professora Universitária e Doutora em Fı́sica.

153


Uma singela metáfora

“Costuma-se dizer que, quando alguém busca um tesouro que por qualquer motivo não está destinado a ele, o ouro e as pedras preciosas se convertem diante de seus olhos em carvão e pedras vulgares.” (René Guénon) (O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos)

Retomando o tema da Consciência, vejamos uma metáfora que ilustra a dificuldade − impossibilidade − de se chegar à Consciência com a metodologia incorreta. Considere um Dr. cientista munido dos mais sofisticados equipamentos de última geração, em busca do precioso diamante da Consciência

?

não obstante toda a sua “parafernália eletrônica”, este diamante está tão bem escondido, que só o indiozinho analfabeto sabe como chegar lá, não é uma questão de equipamentos de última geração, mas de caminho. Estudo a mente e o cérebro humanos há mais de trinta anos, e já escrevi sobre a consciência em artigos cientı́ficos e livros. Mas fui ficando insatisfeito com minha exposição do problema, e uma real reflexão sobre descobertas relevantes, em novos e velhos estudos, mudou minhas ideias. (António Damásio/Dr. cientista)

154


Este indiozinho analfabeto, desprovido de méritos acadêmicos, e que, não obstante, pode apontar o caminho para o tesouro sou eu, o iconoclasta. Nota: Não sou pesquisador na área da consciência, não tenho formação acadêmica nessa área. Em resumo me considero um caboclinho do mato analfabeto. Por que afirmo que o diamante da Consciência está tão bem escondido que os pesquisadores jamais chegarão lá? − Que não é uma questão de parafernália eletrônica (“equipamentos”). A razão é simples: Todo pesquisador pesquisa com a mente! Aqui reside o problema − no caso da Consciência, bem entendido. Para se atingir a Consciência (a Matriz) é necessário deixar a mente de lado, se livrar da mente. Juntando as palmas das mãos, pressionando uma contra a outra, consigo emitir um curioso sonido. Mostrando isto ao meu neto de três anos de idade ele foi célere em abrir minhas mãos e insistia para “ver o som”. Disse a ele que o som não se via, ele não deveria utilizar os olhos mas os ouvidos. Assim como essa criança portam-se os estudiosos da Conciência, estão utilizando o sentido errado − não é com a mente que se tem acesso à Consciência. Os neurocientistas ao estudarem a Consciência no cérebro é como se buscassem na água os atributos de cor, cheiro e sabor, será que vão encontrar? − Existe uma modalidade de Consci^ encia que é como a água: n~ ao tem cheiro, n~ ao tem cor, n~ ao tem sabor. N~ ao é matéria, n~ ao é energia. Amor Misericórdia Bondade Luz

7−→

Branca

(Matriz)

Neurocientistas concentrem seus esforços aqui

Inteligência (Mente)

×

Sabedoria Ira consciência

7→

− Consci^ encia Pura (Awareness)

Os cientistas est~ ao trabalhando nessa consci^ encia − Deletem a mente (Matrix) 155


− Encontro entre um caboclinho do mato e um Dr. cientista da consciência (Autobiografia, p. 102) Nota: O caboclinho do mato é o mı́stico Osho (Drs. cientistas têm preconceitos contra mı́sticos) − Leia com atenção e tire suas conclusões. QUANDO, NO PRIMEIRO DIA, EU ENTREI NA AULA DE FILOSOFIA DA UNIVERSIDADE, encontrei o Dr. Saxena pela primeira vez. Eu só senti um grande amor e respeito por pouquı́ssimos professores. Esses dois foram os meus mais amados professores − os Drs. S.K. Saxena e S.S. Roy − e pela simples razão de eles nunca me tratarem como a um aluno.

Quando entrei na aula do Dr. Saxena no primeiro dia, com minhas sandálias de madeira, ele olhou um tanto intrigado. Viu as sandálias e disse: “Por que você está usando sandálias de madeira? Elas fazem barulho demais.” Eu respondi: “Simplesmente para manter a minha consciência alerta.” Ele disse: “Consciência? Você está tentando manter sua consciência alerta de outras maneiras também?” Respondi: “Nas vinte e quatro horas do dia eu estou tentando fazer isso, de todas as maneiras possı́veis: andando, sentado, comendo, mesmo dormindo. E quer o senhor acredite ou não, ultimamente tenho conseguido estar consciente e alerta mesmo durante o sono.” Ele disse: “A turma está dispensada − e você venha comigo à minha sala.” A classe inteira pensou que eu havia criado problemas para mim mesmo já no primeiro dia. Ele me fez entrar em sua sala e tirou da prateleira um livro que continha sua tese de doutorado, escrita trinta anos antes. Era sobre a conciência. Ele disse: “Tome-o. Este livro foi publicado em inglês e muitas pessoas aqui na Índia pediram permissão para traduzı́-lo para o hindi − grandes acadêmicos que conheciam inglês e hindi perfeitamente bem. Mas não dei permissão a nenhum deles porque a questão não é se eles conhecem bem o idioma ou não; estou procurando um homem que saiba o que é a consciência − e posso ver nos seus olhos, no seu rosto, pela maneira como você respondeu . . . você tem de traduzir este livro.” Eu disse: “É uma tarefa difı́cil porque não conheço muito bem o inglês e também não conheço muito bem o hindi. [. . . ]” Ele respondeu: “Não se preocupe − eu sei que você será capaz de traduzi-lo.” Eu disse: “Se o senhor confia em mim, farei o melhor que puder. Mas preciso avisá-lo de que, se eu encontrar algo errado no livro, colocarei uma nota editorial explicando como o erro deverá ser corrigido. Se eu sentir falta de alguma coisa, também colocarei uma nota de rodapé dizendo que falta algo e, a seguir, a parte que está faltando.” Ele disse: “Concordo com a sua proposta. Eu sei que estão faltando muitas coisas. Mas você me surpreende: nem sequer olhou o livro, nem sequer o abriu. Como você sabe que estão faltando coisas neles?” 156


Respondi: “Só de olhar para o senhor. Da mesma maneira que, só de olhar para mim, o senhor pode ver que sou a pessoa certa para traduzi-lo, eu posso ver perfeitamente, Dr. Saxena, que o senhor não foi a pessoa certa para escrevê-lo!” Ele gostou tanto que contou para todo mundo! Toda a universidade soube desse diálogo que aconteceu entre nós dois. Nos dois meses das férias de verão seguinte, traduzi o livro e preparei as tais notas editoriais. Quando lhe mostrei as notas, apareceram lágrimas de alegria em seus olhos. Ele disse: “Eu sabia perfeitamente bem que estava faltando algo no livro, mas não conseguia imaginar o que era pois me faltava prática. Apenas tentei coligir todas as informações sobre a consciência que existem nas escrituras orientais. Coletei muitas delas e, depois, a partir disso, comecei a classificálas. Levei quase sete anos para concluir a minha tese.” Realmente, ele tinha feito um grande trabalho acadêmico − mas só acadêmico. Eu disse: “Ele é só acadêmico, não é o trabalho de um meditador. E eu fiz todas essas notas − dizendo que este livro só podia ter sido escrito por um acadêmico, e não por um meditador.” Ele olhou para todas aquelas páginas e me disse: “Se você tivesse sido um dos examinadores da minha tese, eu não teria conseguido o doutorado! Você descobriu exatamente os trechos nos quais eu tinha dúvidas; mas aqueles tolos que a examinaram não suspeitaram de nada. A tese foi bastante elogiada.” Ele foi professor nos Estados Unidos durante muitos anos e seu livro era realmente um monumental trabalho acadêmico; e ninguém o criticara, ninguém havia apontado para aquelas questões. Sendo assim, perguntei-lhe: “Agora, o que o senhor vai fazer com a tradução?” Ele disse: “Eu não posso publicar. Encontrei finalmente um tradutor − mas você é mais um examinador do que tradutor! Vou guardar a tradução, mas não a posso publicar. Com as suas notas e os seus comentários editoriais, minha reputação ficará destruı́da − mas concordo com você. De fato”, ele completou, “se estivesse no meu poder, eu ia conferir a você um doutorado apenas pelas suas notas editoriais e suas notas de rodapé, porque você descobriu exatamente os trechos que somente um meditador pode descobrir; aquele que não medita não tem meios de os descobrir.” Desse modo, toda a minha vida, desde o começo, esteve voltada para duas coisas: nunca permitir que algo pouco inteligente me fosse imposto, lutar contra todos os tipos de estupidez, quaisquer que fossem as conseqüências, e ser racional e lógico até o fim. Esse era um dos lados, que eu usava com todas as pessoas com quem entrava em contato. E a outra era absolutamente privada, só minha: tornar-me cada vez mais atento, de modo que eu não acabasse sendo apenas um intelectual. (Grifo nosso) Nota: Em todas as atividades humanas, existem os enganadores mas também os sérios, cabe ao Dr. cientista saber reconhecer o mı́stico sério. 157


Pelo ao menos um pesquisador sério levou a sério esta Consciência Pura a que me referi exaustivamente. Ervin László (Budapeste, Hungria, 1932) é um filósofo da ciência e teórico de sistemas. Autor de mais de 400 artigos e 74 livros traduzidos para 20 idiomas. Em 2004 e em 2005, foi nomeado para o Prémio Nobel da Paz. É titular do mais alto grau da Sorbonne (Doutorado), foi agraciado com quatro Ph.Ds honorários e numerosos prêmios e distinções. − Fonte: Laszlo, Ervin. A ciência e o campo Akáshico: uma teoria integral de tudo. Ed. Cultrix, 2008. (grifo nosso) (p. 124) CONSCIÊNCIA CÓSMICA Vamos agora dar outro passo em nossa exploração do universo in-formado: um passo que vai além da consciência associada com os organismos vivos. Não poderia o próprio cosmo ser dotado de algum tipo de consciência? [. . .] Sir Arthur Eddington observou que “o material do universo é material mental [. . .] a fonte e a condição da realidade fı́sica”. [. . .] Há, entretanto, abordagens positivas que podemos adotar. De inı́cio, mesmo que não possamos observar diretamente a consciência no vácuo, podemos tentar um experimento. Podemos entrar num estado alterado de consciência e nos identificar com o vácuo, o nı́vel mais profundo e mais fundamental da realidade. Supondo que sejamos bem-sucedidos (e os psicólogos transpessoais nos dizem que em estados alterados as pessoas podem se identificar praticamente com qualquer parte ou aspecto do universo), será que experimentarı́amos um campo fı́sico de energias flutuantes? Ou experimentarı́amos assim como um campo de consciência cósmico? [. . .] Stanislav Grof descobriu que em estados de consciência profundamente alterados, muitas pessoas experimentam um tipo de consciência que lhes parece ser a do próprio universo. Essas experiências, as mais notáveis obtidas em estado alterado, vêm à tona em indivı́duos que estão comprometidos com a busca por apreender os terrenos supremos da existência. Quando esses buscadores se aproximam da realização de seu objetivo, suas descrições daquilo que eles consideram ser o princı́pio supremo da existência são incrivelmente semelhantes. Eles descrevem o que experimentam como um imenso e insondável campo de consciência dotado de inteligência e de poder criador infinitos. O campo de consciência cósmica que eles experimentam é um estado de vacuidade cósmica − um vazio.

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Citações/EU SOU AQUILO/Sri Nisargadatta Maharaj − p. 372 → P: Pode haver Consciência Pura sem objeto dessa consciência? M: A Consciência Pura dotada de um objeto é chamada de testemunhar. Quando há também identificação com o objeto, causado por desejo ou medo, esse estado chama-se de uma pessoa. Na realidade, há apenas um único estado: quando distorcido por autoidentificação, ele é chamado de pessoa, quando colorido por um senso de ser, ele é a testemunha, e quando incolor e ilimitado, ele é chamado de Supremo. − p. 376 → Veja a mente como função da matéria e você tem a ciência; veja a matéria como produto da mente e você tem a religião. − p. 386 → P: Por que não permanecer no ilimitado? M: É o instinto de exploração, o amor pelo desconhecido que me traz à existência. É da natureza do ser procurar aventura no vir-a-ser, como é da natureza do vir-a-ser buscar a paz do ser. Essa alternância de ser e vir-a-ser é inevitável, mas minha morada é além. P: Sua morada é em Deus? M: Amar e adorar a um deus também é ignorância. Minha morada está além de todos os conceitos, por mais sublimes que eles sejam. − p. 422 → Não tente conhecer a verdade, pois o conhecimento da mente não é o verdadeiro conhecimento. Mas você pode conhecer o que não é verdade − e isso já basta para libertá-lo do falso. A ideia de conhecer a verdade é perigosa, pois ela o mantém prisioneiro da mente. É quando você não sabe que você se ver livre para investigar. E não pode haver salvação sem investigação, pois a não-investigação é a principal causa do aprisionamento. − p. 429 → Seres humanos morrem a cada segundo. O medo e a agonia da morte pairam sobre a sua cabeça como uma nuvem. Não é de admirar que você tenha medo. Mas quando você entende que apenas o corpo morre, e não a continuidade da memória e o senso de “eu sou” nele refletido, você deixa de ter medo. M: Sim, toda conversa sobre o silêncio é apenas barulho. − p. 433 → Você atinge um ponto onde nada pode acontecer a você. Sem corpo, você não poderá ser morta; sem posses, não poderá ser roubada; sem mente não poderá ser enganada. Não há um ponto onde um desejo ou um medo possam se enganchar. E, quando você não está sujeita a mudanças, o que mais importa? 159


− p. 440 → Use cada incidente do dia para lembrar a si próprio que, sem você, como a testemunha, não haveria nem animal nem Deus. M: A experiência de ser vazio, livre de lembranças e expectativas. . . . − p. 450 → Mas seu verdadeiro lar é o nada, vazio de todo e qualquer conteúdo. − p. 478 → P: Como posso me livrar da mente? E é possı́vel a vida sem mente, no nı́vel humano? M: Não existe essa coisa a que chamam de mente. Há ideias, e algumas delas são equivocadas. Abandone as ideias erradas, pois elas são falsas e obstruem sua visão de si mesmo. P: Quais ideias são erradas, e quais são certas? M: As afirmativas geralmente são falsas, e as negativas são certas. P: Não se pode viver negando tudo! M: Só negando é possı́vel viver. As afirmativas aprisionam. Questionar e negar é necessário, é a essência da revolta e, sem revolta, não pode haver liberdade. . . . − p. 479 → Você não pode estar vivo, pois você é a própria vida. É a pessoa que você imagina ser que sofre, não você. Dissolva-a na Consciência Pura. Ela não passa de um feixe de lembranças e hábitos. Entre a consciência do irreal e a consciência de sua verdadeira natureza há um abismo que você transporá facilmente, assim que houver dominado a arte da Consciência Pura. ∗ ∗ ∗ Desgarrar muitos do rebanho − foi para isso que eu vim. Devem vociferar contra mim povo e rebanho: rapinante quer chamar-se Zaratustra para os pastores. Pastores digo eu, mas eles se denominam bons e justos. Pastores digo eu: mas eles se denominam os crentes da verdadeira crença. Vedes os bons e justos! Quem eles odeiam mais? Aquele que quebra suas tábuas de valores, o quebrador, o infrator: − mas este é o criador. Vedes os crentes de toda crença! Quem eles odeiam mais? Aquele que quebra suas tábuas de valores, o quebrador, o infrator: − mas este é o criador. [. . .] Mutação dos valores − essa é a mutação daqueles que criam. Sempre aniquila, quem quer ser um criador. Vigiai e escutai, ó solitários! Do futuro chegam ventos com misteriosas batidas de asa; e para ouvidos finos há boa notı́cia. Vós solitários de hoje, vós que vos apartais, havereis um dia de ser um povo: de vós, que vos elegestes a vós próprios, há de crescer um povo eleito: − e dele o além-do-homem. (Nietzsche/Assim Falou Zaratustra) 160


Referências Bibliográficas [1] Wallace, B. Alan. Dimensões escondidas: a unificação de fı́sica e consciência; tradução de Lúcia Brito. São Paulo: Peirópolis, 2009. [2] Maharaj, Sri Nisargadatta. EU SOU AQUILO; tradução de Patricia de Queiroz Carvalho Zimbres. Satsang Editora, São Paulo: Sorocaba, 1 a Edição 2016. [3] Maharaj, Sri Nisargadatta. O Néctar da Imortalidade - Discurso sobre o Eterno; tradução de Patricia de Queiroz Carvalho Zimbres. Satsang Editora, São Paulo: Sorocaba, 1 a Edição 2017. [4] o iconoclasta, Gentil. Teorida da Relatividade Ontológica e Epistemológica. Publicação Eletrônia, 2016. [5] o iconoclasta, Gentil. O Deus Quântico (Um Deus pra homem nenhum botar defeito, mesmo que esse homem seja um ateu). Publicação Eletrônia, 2014. [6] o iconoclasta, Gentil. Exumação e Julgamento de Deus. Taguatinga-DF: Editora Kiron, 2012 Nota: O pdf de todos os meus livros encontram-se no endereço: www.goo.gl/DVWQxz [7] Galvez, Marcelo Malheiros. A Potência do Nada: O Vazio Incondicionado e a Infinitude do Ser. Brası́lia: Editora Teosófica, 1999. [8] Marques, Tomás: O Absoluto Vazio e o Vazio do Absoluto. Artigo, Publicação Eletrônica. [9] Vı́deo: El Vacio y la No Mente https://www.youtube.com/watch?v=XtEkgTezB1k [10] Vı́deo: Deus, a não mente! https://www.youtube.com/watch?v=jOSeaCKOE2U [11] Vı́deo: A Morte é uma Ilusão Criada pela Mente https://www.youtube.com/watch?v=fQ2wAewxkdQ

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Índice Remissivo

Deus não é santo, 60 A Consciência cria a realidade, 44 Leis de Deus, 61 A estrutura cognitiva, 45 Pecados, 59 A mente é eximia, 30 A mulher matematicamente perfeita, Danah Zohar 31 Deus na fı́sica, 40 A Potência do Nada Ondas no mar, 133, 149 Absoluto, possibilidades, 151 Deus Existe para uma . . . , 52 Deus, 41 O vazio no homem, 150 Deus, Vı́deos, 41 Prazer estético, 151 Legislador, problema, 67 Açúcar é doce, 75, 90 Lista, 52 Alain Connes, 7, 66 Na fı́sica, 40 Albert Sabin, 119 que foi programado, 53 António Damásio, 145, 147 Santidade, mosteiros, 60 Ayahuasca, 73 Dimensões escondidas Bertrand Russell mundos possı́veis, 44, 94 telescópio, 139 Deus é responsável, 67, 109 Doutores teólogos, verdades, 18 Buda, segundo prisma, 12 Budismo reconhece, 148 Ego, transcender, 9 Einstein × Tagore, 46 Caboclinho do mato, 155 Einstein, robô, 49 Campo Akáshico, 158 Epicuro, 68 Carro bombeiro, 82 Ervin László, 158 Cartas de Cristo, 19 Escadinha, conhecimento, 23 CD, PRISMA, 11 Escolas Matemáticas, 89 Charles Peirce, 92 Espiritismo Kardecista, 152 Consciência cósmica, 158 Érika de Carvalho Bastone, 153 Consciência cria a realidade, 44 Alexandre Fontes da Fonseca, 153 Consciência Pura, água, 21 Mimetismo, 153 Conscienciologia, 144 Vı́deos Morel, 153 Corolários Estado do Buda, 8 Atributos, 58 162


Estrutura cognitiva de referência, 45 Eu vejo, mas não acredito, 66 Fı́sica Quântica, Interpretações, 89 Form bebe, 10 Formatação bebê, 53 Francis Crick, 3, 57 Gaston Bachelard A opinião pensa mal, 138 Aceder à ciência, 69 Brusca Mutação, 69 Gedankenexperiment, 49 Geometrias não euclidianas, 29 Giordano Bruno, carta, 4 Guerra Junqueiro, 86 Gugu, 88 Hubble, 12, 143, 147 Idiotia, tatuagens, 17 Jesus mentiu, 138 Jesus ou Buda?, 23 Jimena, Irina, Stefania, 47 John Wheeler, 44, 94 José Ingenieros Considerados santos, 60 Kant, Immanuel, 93 Ken Wilber Transcender o ego, 9 Krishnamurti, 137 Lao Tsé, 51 Livros, Nada, Vazio, 132 Maharaj A realização, 7 Absoluto, 65, 113 Além da mente, 72 Após a morte, 141 Apego gera o medo, 142 Citações, 159 Consciência Pura, 140 Consciência Pura indivisa, 141

contentar a mente, 132 De onde o mundo surge, 72 Destruidor, 68 Deus como pessoa, 142 Estados mais refinados de consciência, 141 Intelectuais, 9 Leis de Deus, 66 nem matéria nem energia, 10 nem vive nem morre, 118 O mundo desaparecerá, 140 O Vazio fala, 3 Onde não há mente, 3 Os mais difı́ceis, 9 Os três aparecem, 49 Palavras geram palavras, 80 Perdi a mente, 8 Postulado da TROE, 43, 44 Produtos da própria mente, 94 Sobre reencarnação, 138, 140 Teorias inventadas, 16 Teorias plausı́veis, 132 toque de ser, 44 Tornei-me vazio, 8 Tudo tem medo do nada, 142 Maitreya, Açúcar, 90 Matematicamente perfeita, 31 Maturana Não podemos forçar, 70 Verdade, 30 Meditação, objetivo, 11 Mediunidade, 150 Metáfora, 154 Mimetismo, 153 Nı́veis de consciência, 148 Não localidade, 99 Nietzsche Não julgueis, 70 O que é a verdade?, 16 O que um teólogo, 70 Rapinante, 160 Noumeno e fenômeno, 93

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Olavo Bilac, 85 Osho A mente não é você, 10 Caboclinho do mato, 156 Gota de orvalho, 8 Ideologia, 21 Nada existe, 57 Ninguém para ter medo, 8, 136 O Deus Javé, 64 O mais elevado, 57 Poeta autêntico, 64, 150, 152 Por falta de inteligência, 114 Produtos do ego, 64, 150, 152 Quando Buda atingiu, 8 Vai destruir Deus, 8, 55 Yamaoka, 57

Ei, espere (CCD), 151 Mediunidade, 150 Morte, CD, 131 Morte, prisma, 130 Pecados, esgoto, 59 Programação cerebral, 54 Programação cerebral, resumo, 56 Rotulando a Consciência, 22 verdades, 15 Religiões, Lista, 52 Richard Dawkins, 50

Pássaro Cativo, 85 Pássaro confinado, 25 Paolo Rossi, 67 Papagaios Psicodélicos, 50 Papaji, 80 Parábola Zen, 137 Parasitas, 86 Pastor Dr Rodrigo Silva, 100 Pernilongo, 49 Pernilongo, Deus, 51 Pietro Ubaldi Que o meu pensamento, 27 Pietro Ubaldi e Huberto Rohden, 152 Platão, 94 Postulado 1, 42 Postulado 2, 42 Postulado, o que é, 37 Princı́pio antrópico, 44, 94 Prisma, verdades, 14 Quadro Poluindo a Consciência, 22 Quadros Backup, 134 Backup, salvação, 135 Diamante, Consciência, 154 Dissolvendo a ECR, 136

Satori, 8 Segundo Postulado, 42 Simone Manon Deformamos o real, 151 Singela metáfora, 154 Sir Arthur Eddington, 158 A pegada é nossa, 30 Sou como você me faz, 142 Tabela-ASCII, 6 Tatuagens, 17, 56 Tela em branco, ego, 10 Telescópio Hubble, 12 Teorema 2, 71 Teorema 3, 72 Teorema 1, 57 Terremoto Haiti, 67 Tesouro, carvão, 154 Thomas Edison, 119 Três sistemas, 138 TV Analógica x digital, 13 Vı́deos, 41, 161 Deus, a não mente, 75 Vı́deos Morel, 153 Werner Heisenberg, causalidade, 96 Zen budismo Quem te acorrentou?, 137 Um mestre diz. . . , 40

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TEOLOGIAS NÃO EUCLIDIANAS (DEUS SOB O ESCRUTÍNIO DE UM MATEMÁTICO)

Gentil Lopes - Teologias Não Euclidianas  

As geometrias não euclidianas introduziram uma revolução na matemática, inclusive solapando a crença no que diz respeito a verdades absoluta...

Gentil Lopes - Teologias Não Euclidianas  

As geometrias não euclidianas introduziram uma revolução na matemática, inclusive solapando a crença no que diz respeito a verdades absoluta...

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