Issuu on Google+

acabra

3 DE MAIO DE 2016 ANO XXV Nº277 GRATUITO PERIÓDICO DIRETORA INÊS DUARTE EDITOR EXECUTIVO VASCO SAMPAIO

JORNAL UNIVERSITÁRIO DE COIMBRA

Movimento estudantil: passado e presente. E futuro? Em 1969, vivia-se uma época de restrição de liberdade. Ao mesmo tempo, começava a crise universitária. Manifestações tornaram-se a palavra de ordem e os estudantes lutavam pelos seus direitos. Hoje, reina o desinteresse PÁG. 4 e 5

- PÁG. 3 -

- PÁG. 7 -

ENSINO

CULTURA

Um frigorífico para 16, uma cozinha para 54. Estudantes falam das condições em que vivem nas residências universitárias dos Serviços de Ação Social da UC

Atividades culturais no âmbito da QF’16 pretendem juntar estudantes, ao mesmo tempo que alia modificações ao caráter tradicional do evento

- PÁG. 9 -

DESPORTO

AAC volta de Lisboa com quatro medalhas. Judo, rugby, futsal e voleibol arrecadaram lugares nos pódios dos Campeonatos Nacionais Universitários 2016

- PÁG. 11 -

CIÊNCIA

Em altura de festas académicas, álcool em demasia, horários desregulados e outros comportamentos abusivos fazem com que o corpo humano corra vários riscos


3 DE MAIO DE 2016 ENSINO SUPERIOR -2-

3 DE MAIO DE 2016 ENSINO SUPERIOR -3-

EXTENSÃO DO MANDATO DA ARE À ESPERA DE APROVAÇÃO EM MAGNA

CONDIÇÕES DAS RESIDÊNCIAS INFLUENCIAM VIDA DE ESTUDANTES

Ainda não há propostas para mudanças nos Estatutos da Associação Académica de Coimbra. Novos membros tomam posse em virtude da ausência de outros - POR MARIANA BESSA -

É

ainda incerto o futuro dos Estatutos da Associação Académica de Coimbra (AAC). Com o mandato da Assembleia de Revisão de Estatutos (ARE) da AAC a terminar a 6 de maio, a hipótese considerada mais provável pelos membros que a integram é a continuação dos trabalhos através da extensão do mandato. Esta proposta tem, ainda assim, de ser aprovada em Assembleia Magna. Apesar de a reunião não ter data definida, já está marcado um plenário da ARE para o dia 18 de maio. O presidente do Conselho Fiscal (CF), Bernardo Nogueira, explica que é possível que se estenda o mandato com a condição de se concretizar previamente “uma programação dos trabalhos com o objetivo de terminar a revisão dos estatutos até ao final do ano letivo”. Flávio Tribuna, relator da comissão de Eleições da ARE, conta que no último plenário, realizado no passado dia 20, “não houve nenhuma discussão de conteúdos” e que este apenas serviu para “reagendar e reor-

ganizar a ARE”. No encontro “falou-se do trabalho que as comissões tinham feito, fez-se o sumário de temas que se tinham discutido nas reuniões e definiram-se novas pessoas que vão entrar nos Estatutos em virtude da não participação de outras”. Ficou também decidida “a conclusão [do trabalho] de duas comissões e marcada, para antes do próximo plenário, a realização e a finalização” das tarefas de outra comissão, explica Bernardo Nogueira. Como tal, não há ainda propostas concretas para a revisão estatutária. Segundo o regimento da ARE, “duas faltas injustificadas ou três justificadas” são o suficiente para que os membros percam o mandato, como afirma a presidente da Mesa do Plenário da ARE, Rita Andrade. Foi esse o motivo que esteve na origem da saída de algumas pessoas, que vão ser substituídas na tomada de posse, a ocorrer durante o próximo plenário. Apesar da substituição de alguns membros, António Arnaut, relator da comissão de Órgãos e Estrutu-

EMPREGO: E DEPOIS DA UNIVERSIDADE?

cia de que “o contacto com as empresas não seja pontual, mas desenvolvido ao longo do tempo”. Da mesma forma, sublinha a relevância dos estudantes enquanto “ativos consumidores” destes recursos, de modo a melhorar as funções do Gabinete de Saídas Profissionais. “Gerir ofertas de emprego e de estágio” é o principal intuito da plataforma Portal de Emprego UC, “projeto ligado à rede Universia que engloba um conjunto de universidades da América Latina, portuguesas e espanholas”, tal como explica a vice-reitora. Desta forma, oferece aos estudantes a oportunidade de entrar em contacto com empresas enquanto estagiários ou profissionais. No entanto, num universo de 23 mil estudantes, “há apenas 3569 pessoas inscritas no portal”. Ao registarem-se na rede e inserirem o seu currículo, os estudantes podem “dizer se pretendem que essa informação esteja visível para as empresas ou para todo o mundo que esteja envolvido na plataforma”, sublinha a vice-reitora. Assim, o estudante tem a possibilidade de consultar as ofertas disponíveis e assim candidatar-se a um estágio ou emprego, em território nacional ou no estrangeiro. De igual modo, podem as empresas entrar em contacto com os estudantes quando visualizam o seu perfil. Todos os anos, o Gabinete de Saídas Profissionais da UC organiza estágios de verão. Madalena Alarcão explica que também estes funcionam segundo uma lógica de reciprocidade. Os alunos podem candidatar-se à vaga através da sua página do Inforestudante ou propor um local de estágio a uma determinada entidade. É permitido aos estudantes realizar “mais do que um estágio de verão ao longo do seu percurso académico”, acrescenta a vice-reitora. Estas oportunidades contemplam ainda a possibilidade de realizar um estágio no estrangeiro, atendendo ao trabalho conjunto entre o Gabinete de Saídas Profissionais da UC e a Divisão de Relações Internacionais. Madalena Alarcão menciona ainda uma outra oferta apresentada pelo Santander Universidades, um programa de bolsas de estágio que “proporciona um estágio de três meses, pago e que visa ajudar à inserção no mercado de trabalho”.

Portal de Emprego, redes internacionais e ofertas de estágios são ferramentas que a UC disponibiliza aos alunos - POR RITA FLORES E ANA MIGUEL REGEDOR -

“E

ra importante que os alunos começassem uma relação com o Gabinete de Saídas Profissionais [GSP] mal entram na Universidade”. Madalena Alarcão, vice-reitora da Universidade de Coimbra (UC), enfatiza a preocupação face à inserção dos estudantes e diplomados pela UC no mercado de trabalho. Os alunos têm à sua disposição um Gabinete de Saídas Profissionais da própria UC, mas também um da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) e outro em cada núcleo de estudantes das diferentes unidades orgânicas. O trabalho feito neste sentido é, muitas vezes, fruto da união de esforços da DG/AAC e da universidade, como é o exemplo do atendimento pessoal prestado aos alunos. As sessões de aconselhamento são requeridas pelos estudantes junto do Gabinete de Saídas Profissionais da UC que, em articulação com a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UC, presta também serviços de orientação vocacional. Todas as iniciativas apresentadas ao longo do ano têm por objetivo funcionar em articulação umas com as outras. A vice-reitora reforça a importân-

ras da ARE, não teme que os trabalhos sejam afetados. Quem saiu “apareceu numa fase muito inicial da ARE, mas acabou por deixar de aparecer. As pessoas que fizeram a maior parte do trabalho dentro da assembleia mantém-se em praticamente todas as reuniões”, defende. Também Luís Lobo, relator da comissão de Generalidades, Sócios, ARE e Disposições transitórias, considera “normal a saída de alguns membros porque seguiram a carreira deles e estão a trabalhar ou foram estudar para fora”. Apesar do atraso nas propostas, Luís Lobo concorda com a extensão do mandato, já que “se houver eleições os trabalhos vão durar muito mais tempo, porque a nova Assembleia não iria elaborar propostas sem fazer um estudo prévio. Esta Assembleia que já está constituída tem capacidade para fazer propostas de alteração aos estatutos”, pelo que o prolongamento do mandato evita que o trabalho das comissões, já praticamente concluído, tenha de ser refeito. VASCO SAMPAIO

VASCO SAMPAIO

Infraestruturas, burocracia e equipamentos são os pontos críticos. SASUC e Ação Social da DG/AAC tentam responder às necessidades dos estudantes - POR JOÃO PIMENTEL -

P

ouco mais de duas semanas depois da visita do Presidente da República (PR) à Residência da Alegria, os estudantes põem em causa as condições de algumas das residências universitárias onde habitam. Delegados de diferentes residências dos Serviços de Ação Social da Universidade de Coimbra (SASUC) referem que a qualidade das infraestruturas é o principal ponto que deveria ser melhorado e consideram as mesmas muito antigas e incapazes de dar resposta às suas necessidades. Na Residência dos Combatentes há apenas um frigorífico e um fogão para 16 estudantes, que se veem assim obrigados a articular entre si os horários das refeições. Os SASUC levam tempo para atender a ocorrências como a troca de equipamentos avariados ou a sua reposição, segundo contam outros estudantes. Duas semanas foi o tempo que os residentes da António José de Almeida estiveram sem microondas, enquanto aguardavam que fosse feita a reposição de um outro que se tinha avariado. “O problema mais grave é o telhado, que deixa entrar água para o sótão, e o isolamento da própria residência, que deixa entrar bastante frio no inverno e muito calor no verão”, considera Pedro Moreira, delegado da Residência da Alegria. Nas residências Santos Rocha e dos Combatentes a antiguidade dos edifícios é um problema comum que acaba por ter repercussões a vários níveis. Mónica Ferreira, delegada na Santos Rocha, refere que a “instalação é muito antiga” e que “com aquecedores, computadores e secadores de cabelo, a eletricidade está sempre a ir abaixo”. Os problemas com a corrente elétrica podem, segundo a estudante, ter sido a causa do estrago de dispositivos elétricos pessoais de alguns residentes. Quando o mesmo acontece com o frigorífico ou outro equipamento de cozinha, cabe aos SASUC substituí-lo. Mas “se os equipamentos pessoais se estragam, o problema é dos residentes”. A demora no tratamento de questões como estas é transversal a todas as residências. Ana Luís Garcia, delegada da Residência António José de Almeida, conta que, quando se avaria um eletrodoméstico, “aquilo que se faria numa tarde, demorou mais de duas semanas a resolver”. A delegada considera que isto se deve “à falta de recursos dos SASUC” e à burocracia com que os procedimentos têm de ser tratados. O processo de substituição destes utensílios é partilhado por várias entidades. O responsável a quem os estudantes se dirigem nestes casos não tem forma de saber, à partida, quanto tempo a troca do equipamento pode demorar.

Um frigorífico, 16 residentes

Outro dos fatores de descontentamento é a falta de infraestruturas ou equipamentos para tantos usuários. Na Residência Santos Rocha, “só há um chuveiro para dez raparigas” e isso “acaba por influenciar o

modo” como os estudantes vivem, como relata Mónica Ferreira. Na cozinha dos Combatentes, a falta de eletrodomésticos é sentida pelas estudantes. “Cada uma tem uma quota de iogurtes” que pode guardar no frigorífico - “quatro iogurtes sólidos e dois líquidos” -, para que o espaço do equipamento único seja suficiente para as 16 residentes, explica Francisca Ferreira, uma das delegadas. Ana Luís Garcia, que viveu na Residência Padre António Vieira antes de se mudar para a António José de Almeida, recorda que “o maior quarto na [primeira] é do tamanho do quarto mais pequeno [da segunda]”. “A cozinha, em vez de ser só para 20 pessoas, era para 54”. Para a delegada, a residência que habita no presente é “muito mais confortável” e faz com que os estudantes que lá vivem se sintam “mais numa casa”.

SASUC restringidos às suas capacidades

Quanto ao apoio que os SASUC dão às residências, os delegados revelam opiniões divergentes. Para Mónica Ferreira, “o apoio dos SASUC deveria ser melhorado”. “Há muitas reclamações de coisas que são necessárias nas residências e que, ou não são arranjadas ou não existem”. Há três anos na Residência dos Combatentes, Francisca Ferreira revela que este ano “foi a primeira reunião que os serviços marcaram para saber dos problemas que há na residência”. Por outro lado, Pedro Moreira sustenta que “os SASUC, de facto, mostram-se preocupados”.“As pessoas são disponíveis”, completa Ana Luís Garcia. “Dentro das possibilidades que têm, tanto a nível dos recursos humanos como a nível económico, aos poucos, as coisas vão aparecendo feitas e têm sido feitas”. Até ao fecho desta edição, não foi possível obter declarações da administração dos SASUC.

DG/AAC com papel intermediário

A auxiliar o contacto dos SASUC com os residentes está o Pelouro de Ação Social DG/AAC. Diana Pereira, coordenadora do Pelouro, reúne com os delegados “para tentar ajudá-los com os problemas que têm nas

residências”. Nesse sentido, a DG/AAC organiza, hoje, um Arraial Social com o intuito de “angariar lucros para as residências, para melhorar as infraestruturas e também os próprios bens materiais”. O contacto entre o Pelouro e os residentes “tem sido mais frequente este ano”, considera Mónica Ferreira, através de reuniões com, pelo menos, um delegado de cada uma das 14 residências. Grande parte das habitações dos SASUC, contudo, conta com mais do que um delegado, daí nem todos os residentes manterem uma ligação direta à DG/AAC. Dos delegados contactados pelo Jornal A Cabra, apenas uma afirmou ser contactada com regularidade. Diana Pereira afirma tentar que todos participem. “São marcadas reuniões gerais e aparecem 20 pessoas quando podiam aparecer 50. Obviamente, o trabalho [do Pelouro de Ação Social] poderia ser facilitado” se a ajuda fosse maior. Quanto ao trabalho desenvolvido junto dos SASUC, Diana Pereira refere que o Pelouro tem um papel agilizador na ligação dos serviços aos estudantes que habitam em residências. A ajuda é feita “na medida em que [os SASUC] veem que há outras pessoas envolvidas [para além dos residentes] que estão preocupadas em acelerar os processos” e ouvir e dar voz aos estudantes. A opinião da coordenadora vai ao encontro da expressada por alguns delegados quando ao apoio: Os SASUC “não conseguem fazer melhor, [sobretudo] na parte das infraestruturas, porque não têm capacidade para tal nos serviços”. Pedro Moreira recorda a visita de Marcelo Rebelo de Sousa à residência onde vive para reforçar a ideia de que o Pelouro de Ação Social da DG/AAC se mostra preocupado em dar a conhecer “o estado das residências e a negligência” de que estas habitações têm sido alvo devido à “falta de investimento”. “Quanto à utilidade prática da visita”, Ana Luís Garcia mostra-se cética. “Ainda estou à espera de ver alguma repercussão [dessa visita] para poder dizer que, realmente, teve algum impacto positivo”. Com Vasco Sampaio


3 DE MAIO DE 2016 DESTAQUE - 4-

3 DE MAIO DE 2016 DESTAQUE -5-

ILUSTRAÇÃO POR JOÃO RUIVO

DE 1969 A 2016 - O QUE RESTA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL? 47 anos depois da crise académica de 1969, a censura desvaneceu-se e a liberdade vive-se. Onde a consciência se devia soltar, quando existe espaço para a manifestação académica, a desmotivação questiona: união ou separação? - POR ALEXANDRE GOUVEIA E ANDRÉ SOBRAL -

C

omo se explica um decréscimo de participação coletiva no movimento estudantil? Após 47 anos, onde se encontram manifestações que representem a vontade dos estudantes? A desconexão dos estudantes ao associativismo parece ser uma das hipóteses e o desinteresse a palavra de ordem. Numa atualidade que se mostra incapaz de manter todos os estudantes numa situação igualitária, dados os problemas financeiros, assiste-se a uma diminuição do movimento coletivo dos mesmos.

Movimento estudantil e a luta contra a ditadura

O contexto é o da década de 60, “com maio de 1968 em França, a primavera de Praga, a guerra do Vietname e a derrota americana. Portugal está a cerca de cinco anos do 25 de abril de 1974”, conta Alberto Martins, presidente da Direção-Geral (DG) da AAC em 1969. É por essa altura que nasce a semente da revolução libertária, num evento que alteraria os métodos de representação dos estudantes no Ensino Superior, até à atualidade. Eram tempos de opressão, de censura, da comunicação associativa, da própria voz do povo. Julgou-se, condenou-se e transferiram-se estudantes para a guerra colonial. Era impossível sair à rua e afirmar a sua dignidade, pois os ouvidos e os olhos do país contavam à PIDE, a Polícia Internacional de Defesa do Estado, os feitios e manias de gerações que só queriam

reconhecimento das suas idealizações inovadoras. Os estudantes desdobraram-se em táticas, planos e ações, por meio de apertos de mão em segredo e de cartazes de protestos que questionavam os dirigentes ditatoriais. Coimbra, Lisboa e Porto. Três centros regionais, onde se localizavam as instituições universitárias da época, aliaram-se contra ministros da Educação, Presidentes da República e reitores, que tentavam concentrar os programas de ensino em políticas conservadoras. O Decreto-Lei 40900 proibia a organização em movimentos associativos. Respondeu-se com abaixo-assinados e Reuniões Inter-Associações que idealizavam a sua revogação. Chegaram dias de estudantes que foram antecipadamente proibidos, o que não impediu a mobilização estudantil para as ruas de Lisboa, cercadas pela polícia de choque. “A nossa estratégia política referenciava-se à ideia de uma universidade nova, numa sociedade nova”, elabora Alberto Martins. O movimento estudantil reprimido há muito começava agora a exigir ser ouvido. E eis que o presidente da DG/AAC o tenta. Alberto Martins, na inauguração do edifício do Departamento de Matemática, no dia 17 de abril de 1969, pede a palavra ao Presidente da República, Américo Thomaz. O pedido é-lhe negado. Desta vez, são palmas e ondas de excitação, que varrem os contemporâneos académicos e reprimem Américo Thomaz. O Presidente abandona o espaço.

Os estudantes gritam: “Esta é a verdadeira inauguração”. Nessa noite, o presidente da DG/AAC é preso pela PIDE. E aqui começa a Crise Académica de 69.

Confronto de gerações

47 anos volvidos, as parcas manifestações estudantis apresentam pouca adesão. O estudante “não quer perder tempo em associativismos nem investir na política”, o que torna “difícil continuar a assistir a movimentos estudantis pujantes e dinâmicos como aconteceu em épocas passadas”, explica Elísio Estanque, docente de Sociologia da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC). Nesse sentido, Rui Namorado, docente da FEUC e autor do livro “Abril antes de Abril – a crise universitária de Coimbra de 1969”, sublinha que “é sempre difícil mobilizar gente para um objetivo que não se viva”. O cerne do problema não está na ausência de associativismos, pois “há sempre iniciativas, mas nota-se que têm muita pouca adesão”. “Nos últimos tempos, é muito raro vermos uma mobilização significativa”, concretiza o docente de Sociologia. No que toca à AAC, existe “um movimento associativo ativo, que tem tentado alterar os panoramas das diferentes realidades de cada cidade e de cada instituição do ES”, segundo o presidente da DG/ AAC, José Dias. Porém, afirma que “não se pode

comparar a geração de 69 à atual, porque as comunidades estudantis dessa altura estavam a lutar pela sua própria libertação”. No entanto, Rui Namorado acredita que “as manifestações académicas, que são uma reação dos estudantes a situações que os agridem, não são uma constante”. O que resulta no facto de, em termos históricos, “não haver um continuum” de reivindicações. A “indiferença relativamente à vida política, associativa e cívica” destaca-se como uma “crescente tendência das gerações do universo estudantil”, explica Elísio Estanque. Este “desinteresse” prende-se pelo facto de os “cidadãos não sentirem a necessidade de se envolver ativamente”. O sociólogo acrescenta que “os avanços tecnológicos” também contribuem para “o individualismo e falta de interesse”, pois provocam “um efeito de alienação, que cria muitas ilusões nas pessoas”. Já o Processo de Bolonha é indicado por Rui Namorado como uma das modalidades que causaram “o grande recuo do grau de participação académica dos estudantes da UC”. O atual presidente da DG/ AAC lamenta não ser “fácil captar os estudantes para as secções, DG/AAC ou núcleos de estudantes”, por consequência de “uma carga letiva muito intensa”. Elísio Estanque relata os problemas socioeconómicos do país, que afetam o atual sistema de ES e,

em simultâneo, os alunos “oriundos das classes trabalhadoras”, contrastando-as com as elites que eram predominantes na UC, na década de 60. A crescente preocupação com o emprego “leva a uma atitude pela maioria dos estudantes”, que vêm como objetivo “o dever de responder às expetativas das famílias”. O docente de Sociologia caracteriza uma carência de interesse dos estudantes em iniciativas de relevância estudantil pelos “cerca de 70 por cento de abstenção que existem nos atos eleitorais”. Para além dos problemas socioeconómicos e do Processo de Bolonha, o sociólogo adiciona um outro fator à etiologia do desinteresse. “Existe um certo clima, uma certa manobra no subterrâneo, na preparação e na organização das listas [para os órgãos de gestão da AAC]”, introduz, que “tem o efeito perverso de afastar uma parte significativa dos estudantes, que deixam de acreditar que as estruturas representativas se dediquem a cem por cento a resolver os problemas dos estudantes”.

Soluções dinamizadoras

“Não se pode exigir que sejam as classes trabalhadoras a transmitir aos filhos uma necessidade de participar ativamente na vida cívica e associativa”, reflete Elísio Estanque. Afirma que “não se trata aqui de dizer que a culpa é das classes trabalhadoras ou dos atuais jovens, é da sociedade em geral”, mas

atribui a responsabilidade “aos parlamentos, governos, políticas, que deveriam ter trabalhado de uma forma mais coerente, no sentido de formar cidadãos mais críticos”. Alberto Martins apela à “criatividade e mobilização solidária” dos estudantes de uma forma que “não sacrifique as gerações atuais nem viole os direitos das futuras”. Ao seu desejo junta-se Rui Namorado, que assinala o perigo de uma “explosão, a partir de uma excessiva monotonia”, atribuída a uma “consequência destes períodos de anemia”. A solução pode estar, então, na premissa de que “a democracia volte a ganhar respeitabilidade”, ao “credibilizar as instituições” através de “mais transparência, mais chamada dos cidadãos a intervir e uma clara vontade de abertura por parte das elites políticas e dos dirigentes”, conclui Elísio Estanque. A opinião geral é concordante: não se podem comparar gerações. Mas a indiferença e o desinteresse destacam-se por comparação a 1969. A culpa cai na sociedade, fruto de um contexto socioeconómico conturbado, e numa integração europeia, ao nível universitário, com o Processo de Bolonha. Mas também num excessivo individualismo, que esbate o coletivo que se libertou há 47 anos. Com Inês Duarte e Paulo Sérgio Santos


3 DE MAIO DE 2016 CULTURA -6-

TIPOGRAFIA: DA COMPOSIÇÃO À IMPRESSÃO O workshop é dirigido a todos os amantes dos tipos. Formandos seguem os passos do processo tipográfico através do estudo de um poema

3 DE MAIO DE 2016 CULTURA -7-

ATIVIDADES CULTURAIS DA QF’16 ENTRE TRADIÇÃO E NOVIDADE Último evento académico do ano oscila entre novos moldes e a manutenção da tradição que constrói a sua identidade. Grande número de atividades culturais dirigem-se aos estudantes RITA FONSECA

- POR PHILIPPE ALEXANDRE BAPTISTA E CRISTINA PINILLA CARRASCO -

- POR JOÃO RUIVO E GABRIELA SALGADO. FOTOGRAFIAS POR JOÃO RUIVO -

O

D

urante mais de quatro séculos, a Tipografia foi um meio de democratização do conhecimento, enquanto serviu de veículo massificador da escrita. Esta arte de criar e compor texto, através do uso de tipos móveis feitos de madeira, nasceu com Johannes Gutenberg, considerado o percursor da tipografia tradicional, e mantém-se viva através de nomes como Erik Spiekermann e Alan Kitching, referências na área das artes gráficas. Da necessidade de manter uma ligação à tipografia tradicional surgiu o Clube dos Tipos, que recorre à Tipografia Damasceno para manter esta arte viva no panorama cultural nacional. Da parceria entre ambos surge a Oficina de Tipografia Tradicional “Ode à Tipografia”, evento integrado na 18ª Semana Cultural da Universidade de Coimbra, a decorrer dia 7 de maio no ‘atelier’ do Clube dos Tipos. “Letras amplas, severas, verticais feitas de linha pura, erguidas como o mastro do navio no meio da página cheia de confusão e turbulência”. É com base no poema “Ode à tipografia”, de Pablo Neruda, que o Clube dos Tipos realiza este workshop, onde “se pode brincar um pouco, desde a composição até à impressão”, explica Joana Monteiro, designer e coordenadora do Clube de Tipos. Os participantes vão experienciar cada um dos passos associados à técnica e “a publicação [dos trabalhos a realizar] será de número limitado, mas terá o poema completo”. Este evento é dirigido a estudantes de design, a pessoas que trabalham técnicas paralelas como o fabrico artesanal ou encadernação e a todos os interessados nas artes visuais. Joana Monteiro esclarece que a técnica não requer conhecimentos base e “pessoas fora da área do design desenvolvem trabalhos muito interessantes do ponto de vista gráfico”.

Nas suas peças, o Clube dos Tipos parte da tipografia tradicional, mas procura desconstruí-la e inová-la. Entre “safaris fotográficos, oficinas ligadas à animação, construção de letras com materiais encontrados na rua” e a utilização de carimbos, ou experimentações com música, o ‘atelier’ visa trabalhar também outro tipo de iconografia e imagem. A designer afirma haver “respeito pela arte, mas não o preciosismo de ter de a manter única e exclusivamente de acordo com a técnica tradicional”. Joana Monteiro reconhece a Tipografia Damasceno como “casa mãe” do Clube dos Tipos e refere que nesta ligação à oficina, “há algo que não é palpável”. Muitas vezes o mais importante “não é o resultado final, mas sim o tempo que se passa enquanto se está lá”, é “uma forma de estar”. A forma como se trabalha em tipografia tem sempre por base o “respeito pelo desenho das letras, pela proporção e pelo equilíbrio”, sublinha. Ao entrar na Tipografia Damasceno despertam-se diferentes sentidos, desde o olfato, sente-se o aroma da tinta no ar, à audição, com o ritmo e cadência das máquinas de compor texto em funcionamento, à visão, por sermos confrontados com uma oficina industrial e rústica, repleta de instrumentos dos primórdios das máquinas tipográficas. Em conversa, Rui Damasceno, proprietário, esclarece que alguns dos aparelhos que se encontram no seu local de trabalho “têm mais de cem anos”. O futuro desta arte antiga apresenta-se, para Rui Damasceno, “risonho”, pelo facto de existir “muita malta nova a querer fazer renascer” a tipografia tradicional. Exemplo disso é a adesão aos ‘workshops’ promovidos pelo Clube dos Tipos, que supera as expectativas dos organizadores ao esgotar o número de vagas disponíveis.

conjunto de festejos que marcam a Queima das Fitas de 2016 (QF’16) vão decorrer nas ruas da cidade, durante o dia, e no Parque da Canção, de noite. O evento vai ter lugar entre os dias 6 e 13 de maio. Este ano, a QF vai ser alvo de modificações, como explica a comissária pelo pelouro da Tradição da Comissão Organizadora da Queima das Fitas 2016 (COQF’16), Inês Costa. As atividades “são as mesmas, no entanto, algumas delas vão sofrer reestruturações”. O principal exemplo é a garraiada, à qual foi “retirada a novilhada e introduzida uma novidade nos cortadores”. Segundo Inês Costa, também a venda das pastas vai mudar “para a primeira sexta-feira, dia 6, embora sempre se tenha realizado na terça-feira a seguir ao cortejo”. Desta forma, a comissária pelo pelouro da Tradição acredita que “o número de participações vai aumentar”, dado que “foram as opiniões dos estudantes que levaram a comissão a realizar a proposta”, esclarece. Contudo, Inês Costa salienta a importância da conservação da tradição para a continuidade da festa estudantil, pois afirma que “é esta que faz da QF uma das melhores festas do país e a distingue de todas as outras”. A comissário pelo pelouro da Cultura da COQF’16, Catarina Sousa revela que o objetivo da realização de eventos culturais “é para os estudantes conviverem e conhecerem outras pessoas nos concursos em que participam”. Pretende-se que, este ano, a QF seja “de Coimbra, não só da universidade”. Assim, contam com a parceria da “escola básica Eugénio de Castro e da Instituição Acreditar, que ajuda crianças com cancro”. Catarina Sousa acrescenta que “as crianças foram convidadas a fazer desenhos para ilustrar os postais da QF, que vai incluir uma pequena mensagem a convidar a população de Coimbra a aparecer na festa”. As atividades noturnas são asseguradas por concertos

organizados pela COQF’16 e pela Rádio Universidade de Coimbra (RUC). Segundo o comissário pela Produção da COQF’16, Rui Alves, “as noites começam com bandas e acabam com DJs”. A novidade prende-se com o facto de, “das cinco bandas que passaram o concurso para atuar no recinto da QF, quatro delas atuam no palco secundário e uma no palco principal, algo que nunca tinha acontecido antes”. Rui Alves lamenta a inexistência de patrocinadores e explica que tal se deve “à conjuntura atual que torna difícil conseguir arranjar quem acompanhe o palco secundário com o seu dinheiro para divulgar uma marca”. O comissário pela produção da COQF’16 conta que “os espectadores vão encontrar no palco secundário uma alternativa ao palco principal”. Assim, Rui Alves espera “oferecer às pessoas um

lugar para se sentirem melhor e aproveitarem música diferente”. O Parque da Canção vai gozar do palco RUC entre os dias 6 e 9. José Guilherme, o coordenador, explica que “a programação temática foi reservada para domingo, dia do cortejo, para se tentar fazer algo mais direcionado para a festa”. “O palco RUC serve de complemento ao palco principal ou às tendas eletrónicas”, conta. Este ano existe uma aposta na música, “em virtude do trigésimo aniversário da RUC”. Adianta que “na seleção das atuações, deu-se preferência a ‘live acts’, ao mesmo tempo que se “tentou cobrir vários géneros e agradar ao maior número de pessoas”. A QF’16 começa com a serenata monumental, na Sé Velha, e é seguida por uma semana de festejos que, para alguns estudantes simboliza o fim do ano letivo e, para outros, a despedida a Coimbra.

UM PALCO DO TAMANHO DA CIDADE Diversidade e oferta cultural pautam a agenda de Coimbra. A existência de várias companhias e salas de espetáculos conseguem responder a todos os gostos - POR RITA LIMA -

“A

cultura não é festa. A cultura é interrogação permanente que precede a festa”. É assim que Carlos Antunes, diretor do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), caracteriza a cultura. Na cidade dos estudantes, o conhecimento científico alia-se à arte e a ciência sobe ao palco. É o caso da Marionet. A companhia de teatro inspira-se no conhecimento científico para criar as suas peças. Numa vertente diferente, o Teatro Bonifrates leva a palco a prática social para a construção de uma sociedade mel-

hor. Já O Teatrão gere a sua atividade em diferentes vertentes como a criação, divulgação e formação. Esta companhia tem como proposta até sexta-feira uma peça do dramaturgo Simon Stephens: PunkRock. Do punk ao rock, o Salão Brazil recebe músicos de todas as nacionalidades e lança novos artistas. E novos são aqueles que iniciam a educação na música e dança no Conservatório de Música de Coimbra. Teatro, música e dança são apenas três expressões artísticas, mas há mais. A diversidade de entidades culturais na cidade permite que “haja o máximo de coisas a acontecer, para mais em Coimbra que faz do seu mote o conhecimento”, afirma a diretora da Casa da Esquina, Filipa Lopes. A fazer jus ao nome, esta estrutura cultural não tem uma área específica de trabalho. “Ao tentar ligar todas as áreas, como a economia social, a costura, o croché, teatro e até a intervenção social criamos um único projeto que é a própria Casa da Esquina”, explica Filipa Lopes. Por outro lado, o CAPC é uma entidade com um trabalho de produção e difusão da arte contemporânea. “Arquivo e Consignação” é o nome da ex-

posição fotográfica que está presente no CAPC até ao início do mês de julho. A presença de diversidade cultural numa cidade universitária não é sinónimo de adesão por parte da comunidade estudantil. Esta é a visão que o diretor do Jazz ao Centro Clube, José Miguel Pereira, entidade que gere o Salão Brazil, tem do público que frequenta o espaço. Acrescenta que “o problema de se conseguir captar o estudante para as atividades artísticas é um problema transversal às estruturas culturais em Coimbra”. João Maria André, membro da companhia de teatro Bonifrates, afirma que “o público não é, na sua maior parte, jovem”. Com uma opinião contrária, Mário Montenegro, ator e fundador da Marionet, admite existir “uma presença significativa dos estudantes no seu público”. A interrogação constante permitida pela cultura produz a procura de respostas. “Assim como a humanidade está sempre à procura de conhecer o desconhecido, também a Marionet tenta encontrar respostas para o mundo e tenta acompanhar o percurso da humanidade”, explica Mário Montenegro. Com a oferta existente na cidade, a dificuldade pode ser não saber por onde escolher.


3 DE MAIO DE 2016 DESPORTO -8 -

3 DE MAIO DE 2016 CULTURA -9-

AAC: QUATRO VEZES NO PÓDIO DOS CNU

DESPORTO COMPLETA FESTIVIDADES ACADÉMICAS DE COIMBRA INÊS DUARTE

O balanço dos Campeonatos Nacionais Universitários deste ano é positivo. A incompatibilidade de horários entre atletas é superada pela dedicação ao desporto D.R.

Para além da diversão noturna, a prática de exercício físico e o convívio entre os estudantes são dois dos objetivos principais da COQF’16 - POR ANDREIA ALVES E ANDREIA MARTINS -

À

semelhança dos anos anteriores, a Queima das Fitas de Coimbra de 2016 apresenta um programa desportivo diversificado. São 33 as atividades dinamizadas pelo pelouro do desporto da Comissão Organizadora da Queima das Fitas 2016 (COQF’16), em conjunto com as diversas secções desportivas e os núcleos de estudantes da Associação Académica de Coimbra (AAC). Todas as atividades planeadas pelo pelouro do desporto já se realizaram e a “adesão foi boa em todas elas”, afirma a comissária pelo pelouro do desporto da COQF’16, Rita Lucena. No entanto, ainda existem iniciativas por realizar por parte das secções desportivas da AAC que contam o apoio da COQF’16. “Promover a prática desportiva e o convívio entre

vários estudantes e mostrar-lhes um leque variado de modalidades que podem não ser conhecidas” torna-se o mote para as atividades, conta Rita Lucena. O leque de modalidades que participam no programa desportivo é vasto e que permite, segundo a comissária, um possível interesse pelo desporto “e acabar por começar a praticar alguma coisa a sério”. Para começar a semana académica, a Secção de Bilhar da AAC (SB/AAC) promove um torneio, na modalidade de Pool Bola 8, destinado aos estudantes, durante os dias 6, 7 e 8 de maio. O presidente da SB/AAC, Ricardo Salgado, considera o apoio da COQF’16 “fundamental, pois se não for a Queima das Fitas o evento não tem a dimensão que faz com que os atletas de todo o país venham”. A diversão e o convívio entre os intervenientes da prova são apontados como os principais objetivos do evento a realizar pela Secção de Radiomodelismo, aponta o seu presidente, Jorge Simões. De modo a inserir o desporto nas festividades, esta secção organiza nos dias 13, 14 e 15 de maio uma prova que começa com treinos livres para se apurar os participantes que vão competir no dia 15 de maio pelo prémio final. “A pensar nos estudantes da Universidade de Coimbra” surgiu a atividade da Secção de Basebol (SB/AAC), destaca o tesoureiro desta secção, Filipe Gerardo. Para isso, a SB/AAC está a organizar um torneio nos dias 28 e 29 de maio. Para o tesoureiro, é importante “cumprir mais uma edição do torneio da Queima das Fitas, que

é o torneio mais antigo de basebol em Portugal”. Para além disso, Filipe Gerardo destaca a visibilidade que este evento traz à modalidade. Este ano conta, também, com um torneio de hóquei em patins a realizar-se nos dias 3, 4 e 5 de junho. O tesoureiro da Secção de Patinagem, Nuno Cortez, considera fulcral o papel da COQF’16, pois “em termos de divulgação vai chegar mais rapidamente à comunidade estudantil de Coimbra”. Nuno Cortez acrescenta ainda que esta divulgação é importante para “se melhorar as condições para prática de hóquei em patins em Coimbra”. Outro dos eventos é dinamizado pela Secção de Pesca Desportiva, o Académica Super Internacional. O presidente da secção, Osvaldo Henriques, afirma que esta “é a melhor prova particular organizada por um clube em Portugal” e que tem como objetivo “promover a secção e a Académica, que tem prestígio internacional”. O evento tem lugar a 31 de julho. “São eventos como estes que dinamizam a Queima das Fitas e que acabam por mostrar que esta não se resume apenas às Noites do Parque”. É desta forma que Rita Lucena caracteriza o programa desportivo, acrescentando ainda que é “ótimo para as seções terem o maior número de estudantes universitários”. Até ao fecho desta edição, não foi possível obter respostas da Secção de Karaté e não foi possível contactar com a Secção de Desportos Motorizados e da Secção de Basquetebol.

QUESTÕES DO ENSINO EM EDUCAÇÃO FÍSICA EM DEBATE NA FCDEFUC Temáticas mais atuais da atividade física e do ensino da mesma vão ser alvo de discussão. O evento conta com uma componente prática e teórica, a serem abordadas nas conferências - POR FLÁVIA ALVES E RITA PORTUGAL -

A

prender e ensinar em Educação Física é o tema principal do V Fórum Internacional de Ciências da Educação Física. Com o foco centrado nas com-

ponentes prática e teórica da área, o evento realiza-se entre os dias 19 e 20 de maio. “Discutir os temas mais atuais dentro da didática da educação física” é o objetivo da iniciativa, como aponta a coordenadora do mestrado em Ensino da Educação Física no Ensino Básico e Secundário e principal organizadora do evento, Elsa Silva. O Fórum está vocacionado para estudantes dos três ciclos de Ensino Superior, contudo, Elsa Silva afirma que se vão abordar temáticas “francamente abrangentes”. O primeiro dia do evento, a realizar-se no Pavilhão 3 da Faculdade de Ciências do Desporto e da Educação Física da Universidade de Coimbra (FCDEFUC), está orientado para a componente prática, e o segundo dia para a teórica. A realização de ‘workshops’ dedicados ao rugby e a apresentação de trabalhos por alunos estagiários são algumas das atividades a realizar. A ocorrer no Instituto Português do Desporto e da Juventude, a manhã do segundo dia vai ser preenchida com dois momentos de conferência. O destaque vai para o colóquio levado a cabo

por Paula Batista, docente da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, subordinado ao tema da didática. Segundo Elsa Silva, o primeiro momento de conversa debruça-se sobre “as conceções e práticas em educação física, numa perspetiva construtivista social da aprendizagem”. “Educação Física, ensiná-la para que?” é o título do simpósio a ocorrer na tarde de dia 20, constituído por três palestras distintas. Domingo Blázquez do Instituto Nacional de Educação Física da Cataluña é o convidado para a primeira, intitulada “Las competencias del profesor”. Uma segunda conversa vai ser dirigida por Elsa Silva, com o nome de “O contributo da Educação Física para uma prática autónoma e continuada de atividade física”. O simpósio termina com a presença de Paulo Nobre, docente da FCDEFUC, que vai explorar o tema da avaliação na educação física. Segundo este, a principal preocupação é perceber “como os novos professores de educação física podem avaliar corretamente” bem como a “valoração que fazem das várias ações inerentes à avaliação”, aponta o docente.

- POR CAROLINA MARQUES -

V

êm de faculdades diferentes, com horários diferentes e com uma vida diferente. Mas isso não os impede de tentar conciliar os estudos com o desporto. “Estas medalhas são um prémio para todo o esforço que nós, como estudantes-atletas, fazemos ao longo do ano todo”, frisa o capitão da equipa de Futsal da Associação Académica de Coimbra (AAC), Jorge Costa. No total, a AAC trouxe dos Campeonatos Nacionais Universitários (CNU) de 2016 em equipa, quatro medalhas: duas de bronze, no andebol feminino e futsal masculino, uma de prata, no rugby feminino e, no judo masculino, uma de ouro. A coordenadora do pelouro de desporto da Direção-Geral da AAC (DG/AAC), Fabrícia Teixeira, considera o desporto um “pilar fundamental da AAC” e estas medalhas impulsionam, entre outras coisas, “a motivação para estudar na nossa universidade”. A força de vontade tem de se aliar à flexibi-

lidade de horários pois “é necessário trabalho de campo para as equipas se conhecerem e isso não é fácil”, salienta a coordenadora. O balanço feito aos CNU é positivo e a “enorme entrega e união entre as equipas” é um dos fatores cruciais para as vitórias daqueles que “sempre deram tudo pela camisola da AAC”, refere Jorge Costa. O diálogo tem um papel fundamental e “refletir o que aconteceu, o que falhou e o que correu bem” é o lema depois dos jogos, assegura a capitã da equipa de andebol feminina da AAC, Marina Gelin. A incompatibilidade de horários manifesta-se como entrave principal aos treinos dos atletas. A “ginástica” horária é essencial, no entanto, “tudo depende da dedicação, do esforço e da cabeça de cada um”, aponta Marina Gelin. Apesar de poucos, os treinos são levados com seriedade e intensidade para que a capacidade da equipa esteja “na máxima força” nas competições, sublinha Jorge Costa

O desporto universitário é visto como uma forma de enriquecer a vivência universitária. Do ponto de vista de Marina Gelin, o desporto representa algo “muito importante, porque a vida académica não são só os estudos. Há muito mais coisas para além disso”. Esta visão é partilhada pelo atleta de voleibol masculino da AAC, Pedro Mendes, que define o desporto na academia como essencial. O organismo de planeamento do CNU foi criticado por Pedro Mendes, que aponta a falta de condições das infraestruturas nas quais jogou. Por parte da organização da Associação Académica de Coimbra, o atleta afirma ter de ser “mais trabalhada, caso contrário, o desporto vai continuar a cair”. Fabrícia Teixeira não considera que tenha existido falta de organização mas indica que há “aspetos que nos ultrapassam, como as várias localizações dos pavilhões”. A próxima edição dos CNU vai ter lugar em Coimbra, em 2017, e evidencia-se como “um fator de motivação extra”, assegura a coordenadora.


3 DE MAIO DE 2016 CIÊNCIA E TECNOLOGIA - 10 -

3 DE MAIO DE 2016 CIÊNCIA E TECNOLOGIA - 11 -

INÊS DUARTE

UMA PERSPETIVA DISTINTA DA “ÁRVORE DA VIDA”

FESTAS ACADÉMICAS: QUAIS OS VERDADEIROS RISCOS? Ingestão excessiva de álcool, sono desregulado, alimentação desequilibrada e consumo de droga são comportamentos associados. Combater as condutas desviantes passa pela força de vontade própria

Sequências genéticas diferentes são parte integrante do método inovador que deu origem a uma nova visão das relações evolutivas entre espécies - POR POR CARLOS ALMEIDA E RITA FONSECA -

O

s seres vivos nas suas mais variadas formas são estudados pela Biologia. Para facilitar o seu estudo é utilizada uma representação gráfica: a “árvore da vida”, um dos princípios organizativos fulcrais da área. Constituída por três ramos principais (o das arqueias, seres unicelulares, o das bactérias e o dos eucariontes), esta é uma reprodução das diferentes formas de vida existentes no nosso planeta. No passado dia 11 de abril foi divulgado um estudo norte-americano intitulado “A New View of the Tree of Life” sobre uma nova perspetiva da “árvore da vida”. Esta visão dá a conhecer “um conjunto de linhagens evolutivas que se desconhecia”, de acordo com António Veríssimo, docente na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). O docente da FCTUC explica que “esta nova conceção mostra uma parte de bactérias desconhecida pelos biólogos”, que são diferentes das já conhecidas. Não se conseguem gerar em meios artificiais devido ao seu metabolismo, o conjunto de reações químicas que ocorre dentro de uma célula, que é incompatível com os meios de cultura proporcionados. “O facto de o metabolismo e de a constituição genética serem completamente diferentes das células já conhecidas pode explicar o porquê destas células não serem conhecidas há mais tempo”, fundamenta António Veríssimo. Perceber em que ambiente se pode encontrar determinadas células e a relação estabelecida com o exterior são dois pontos fulcrais dos estudos dos biólogos, conforme afirma o docente da FCTUC. Descobrir quais as células que podem ou não ser trabalhadas em laboratório é um desafio. “As bactérias mais conhecidas são cultivadas em meios sintéticos, ao contrário das novas, que não se conseguem cultivar em laboratório”, refere. Supõe-se ainda que grande parte destas bactérias possa ser simbionte, ou seja, bactérias que vivem em associação com outros seres vivos. “Não têm sequer o metabolismo que se espera que uma célula deva ter, faltam-lhe partes que são consideradas essenciais”, como clarifica António Veríssimo. No estudo é referido que foram usadas 3840 horas de computação para sequenciar genes relevantes para o estudo da evolução dos organismos. O docente da FCTUC avança que “a verdadeira inovação não foi a tecnologia, foi o método, há dez anos era impossível fazer isto”. Este método, classificado como “desafiante” pelos autores da publicação, consistiu em introduzir sequências genéticas diferentes das habituais. Apesar de não terem sido utilizadas novas tecnologias neste processo, mas sim meios já conhecidos, António Veríssimo admite que a tecnologia caminha no sentido de poder ser cada vez mais útil à ciência. “A grande mensagem deste artigo científico é que aquilo que nós conhecemos como já sendo muito diverso é, afinal, ainda mais do que pensamos”, conclui. ILUSTRAÇÃO POR JOÃO RUIVO

A ARTE DE ADIAR O TRABALHO Com a aproximação da época de exames, procrastinar está na ordem do dia. Compreender este comportamento pode ajudar a vencê-lo - POR MARIANA AFONSO E MARIANA SARAIVA -

É

de conhecimento geral e quase indiscutível que as pessoas tendem a adiar tarefas pelas mais diversas razões. Procrastinação é o conceito que melhor define este comportamento. “Esta atitude consiste no adiamento de uma tarefa que cabe ao próprio sujeito fazer e de que ele tem consciência, mas, por causas intrínsecas, a adia sucessivamente”, como explica Lisete Mónico, docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC). Na opinião de Paula Camarneiro, docente da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC), “é um comportamento que, ao tornar as pessoas pacíficas, faz com que adiem o seu desenvolvimento pessoal”. A procrastinação é, portanto, uma questão que está bastante presente no dia-a-dia dos estudantes. “Muitas vezes, os alunos acabam por se centrar nas tarefas que lhes dão resultados imediatos”, acrescenta. Ao mesmo tempo, a docente da ESEnfC admite crer que “este padrão de comportamento existe numa percentagem baixa de estudantes”. As causas da procrastinação são diversas, podem variar de caso para caso e não existem determinantes concretos para este problema. No entanto, “a carência de motivação, que se prende com a falta de desejo e vontade de realizar uma ação que está adiada e o facto de as pessoas sentirem que não vão atingir o objetivo” são, para Paula Camarneiro, as principais razões que estão por trás desta questão. A docente da ESEnfC não deixa de referir que, “associadas ao grau de procrastinação, podem ainda estar algumas características de personalidade”. Lisete Mónico, que partilha da mesma opinião, aponta como motivos para procrastinar, para além da “desmotivação e insegurança do sujeito”, a comparação social. “Quando a pessoa se sente menos capaz do que um colega, quando está num meio de pessoas muito boas, a insegurança aumenta e o indivíduo tende a procrastinar”. O grau elevado de expectativas que se depositam numa pessoa é outra das causas salientadas pela professora da FPCEUC. Para compreender a procrastinação, torna-se importante saber como surge este comportamento. Será esta atitude algo inato ou adquirido? “Numa perspetiva mais atual, os comportamentos são sempre adquiridos e, por isso, as pessoas têm capacidade de os modificar”, tal como refere Paula Camarneiro. No entanto, no parecer da professora da FPCEUC, a procrastinação, “quando sucede por desmotivação, é praticamente inata”. A procrastinação não se pode ver como uma doença, “as pessoas que procrastinam podem enquadrar-se numa qualquer área de alteração ou de caracterização psicológica”, como sublinha a docente da ESEnfC. Pelo facto de a procrastinação estar relacionada de forma tão direta com a vida dos estudantes, Paula Camarneiro defende que existem duas facetas em relação ao estudo e à realização dos exames. “Existem alunos motivados para progredir o seu desenvolvimento e existem outros estudantes que adiam o trabalho”, acrescenta. “Realizar um programa de modificação de comportamento com uma intervenção psicoeducativa” é, para a docente da ESEnfC, uma solução para combater a procrastinação. No entanto, conclui ao dizer que tal só tem sentido se “a pessoa sentir a necessidade de mudar esse comportamento”. Ao mesmo tempo, Lisete Mónico apela a todos os estudantes que “não procrastinem, pois vencer este comportamento é um ótimo aliado para preparar para o mercado de trabalho, já que as coisas nem sempre acontecem como se espera”.

- POR PETRA ANDRADE E PEDRO SILVA -

O

período das festas académicas aproxima-se. Milhares de estudantes do Ensino Superior festejam o final de mais um ano letivo, numa celebração que se espalha por Portugal inteiro e conta com eventos como a Queima das Fitas de Coimbra, do Porto e de Lisboa, a Queima do Galo, em Barcelos, ou a Semana do Enterro, por terras de Aveiro. O ambiente de euforia contagia a generalidade dos estudantes, o que leva, muitas vezes, ao aumento da tendência para comportamentos de risco. Mas até que ponto estas semanas de diversão podem afetar o organismo? A alimentação desequilibrada, a privação de sono, a ingestão excessiva de álcool e o consumo de estupefacientes são, segundo Manuela Grazina, docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), as principais causas aliadas a comportamentos de risco em contexto de festa académica. O metabolismo humano está preparado, em média, para um período de três horas de jejum. O conjunto de implicações mais prejudiciais que podem ser associadas a um regime alimentar irregular estão relacionadas com o funcionamento do cérebro, que requer quantidades regulares de glicose. “O cérebro, sozinho, precisa de um quarto da energia em termos da glicose que consumimos”, como afirma Manuela Grazina, que acrescenta ainda que “é muito exigente em termos energéticos porque é o processador de todos os estímulos à nossa volta”. O sono também está associado ao bom funcionamento do cérebro. Dormir de forma regular é fundamental na atividade cerebral saudável pois tem a função de repor níveis de equilíbrio de transmissão cerebral. A docente da FMUC alerta para os riscos de noites mal dormidas. “Dormir pouco sistematicamente ou ter períodos agudos de falta de repouso refletem-se na atividade cerebral, pois são muitos os neurónios que morrem nesse processo”, refere. A docente da FMUC admite que “é um processo normal os neurónios irem morrendo à medida que envelhecemos”, mas alerta que, “no caso de uma semana inteira de sono irregular, o perigo é maior”. No entanto, a morte de neurónios em grande escala é mais agravante em situações de consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Uma das questões mais preocupantes é a idade precoce com que os jovens começam a ingerir álcool em grandes quantidades. “O organismo adulto está preparado para metabolizar, em média, o álcool em termos de desentoxicação mais ou menos entre os 18 e os 20 anos de idade”, como refere Manuela Grazina. Algumas das consequências resultantes da ingestão desmesurada de álcool prendem-se, em casos extremos, com psicoses e alucinações. Estas desregulações, no caso dos homens, podem ainda levar a casos de impotência ou de atrofia testicular. Quanto ao consumo de drogas, o que mais preocupa a docente

ILUSTRAÇÃO POR JOÃO RUIVO

da FMUC é o uso cada vez maior das ‘smart drugs’ que, “apesar de serem geralmente conhecidas como drogas leves, não o são e podem mesmo levar à morte”. Destaca ainda que, raras vezes, o primeiro contacto com bebidas alcoólicas pode desencadear situações de dependência crónica e salienta que “a única escolha livre é o experimentar porque não se sabe quais vão ser os efeitos a ocorrer no organismo”. Os comportamentos de risco podem ser impulsionados, por vezes, por situações de pressão social. “Às vezes as pessoas embarcam nessa conduta porque têm problemas de autoestima, são inseguras e a sociedade criou a ideia que é bom beber muito para ficar alegre e bem-disposto”, como lamenta Manuela Grazina. Nesse sentido, deve estimular-se a boa disposição intrínseca das pessoas, de forma a combater comportamentos desviantes. Este tipo de comportamentos desviantes são, para a docente da FMUC, algo que não só prejudica apenas aqueles que os têm, como também os que os rodeiam. “É todo um conjunto de comportamentos sociais que não tocam só com o indivíduo, mas que alteram também o estar em sociedade e que invadem a individualidade dos outros”, salienta. Alerta até para casos em que o estado das pessoas possibilita crimes sexuais. “Há raparigas e rapazes que são violados, o que é extremamente preocupante porque as pessoas são sujeitas a violência de que não se podem defender porque muitas estão sob o efeito do álcool ou das drogas”, lamenta Manuela Grazina. João Curto, psiquiatra, analisa o problema de uma perspetiva mais ligada à Psicologia e adianta que as principais consequências estão relacionadas com a componente cognitiva do desenvolvimento humano. “A ação de grandes quantidades de álcool em tão pouco tempo e a falta de sono podem ter algumas consequências temporárias do ponto de vista da concentração, da atenção ou da memória”. No entanto, João Curto confessa que “não está provado que provoque consequências tardias, que até são recuperáveis”. O conceito de festa é, para o psiquiatra, uma prática social comum que é associada a uma experiência de maior extroversão. “As festas são rituais em que pode correr a liberdade individual mais do que é permitido noutras ocasiões e onde se pode romper com todas as inibições que a sociedade impõe como normas e orientações sociais”, afirma. Manuela Grazina e João Curto partilham a ideia de que a principal forma de combater o problema é instruir as pessoas sobre as consequências deste tipo de comportamentos desviantes. A docente da FMUC argumenta que “a decisão tem de ser da pessoa, o que só se consegue decidir se se tiver conhecimento”. Ao mesmo tempo, o psiquiatra defende que “as pessoas precisam de ser mais orientadas e educadas naquilo que podem ou não fazer e os riscos que correm”. Com Margarida Mota


3 DE MAIO DE 2016

3 DE MAIO DE 2016 SOLTAS - 13 -

SOLTAS - 12 -

LIBERDADE, CONQUISTA E MUSA - CARLOS SÉRGIO RODRIGUES - SECÇÃO DE ESCRITA E LEITURA DA ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE COIMBRA -

FOTOGRAFIA POR PAULO ABRANTES - SECÇÃO DE FOTOGRAFIA DA ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE COIMBRA

Volvidos 42 anos após a Revolução dos Cravos, longo ainda é o caminho que nos surge pela frente. A Liberdade, musa de todas as artes, encontra-se em pleno desenvolvimento, por um lado, e sob constante e diversificada ameaça, por outro, no cenário global em que nos encaixamos. Vasto e prenhe de desafios, este caminho é uma oportunidade para avaliar resultados e planear o futuro.

P

or definição, liberdade é um direito, uma capacidade, que exercemos nas relações que mantemos com os outros. Acresce que pode – deve –, de outro tanto modo, ser entendida como um estado de alma, ao qual se elevam as mentes de artistas e pensadores que, inspirados, almejam a criação da arte nas suas mais variadas estirpes. Nesta medida, é também um meio essencial para todos os seres humanos que tentam compreender e cumprir a missão essencial que os trouxe à (sua) existência: ser feliz. Todavia, a própria tentativa de definição é uma restrição insuportável. Liberdade é uma ideia, um direito, uma inspiração, um desti-

no e um caminho, um meio e um fim. Para a nossa Secção, é uma página em branco que, no silêncio da sua suavidade, aguarda o escritor, pacientemente. Um suspiro de veludo, em breve preenchido pelas palavras, as expressões, os sonhos trazidos à realidade pelo obreiro que, de caneta em punho, partilha o mundo que é e tem dentro de si. É a pedra angular dessa criação, núcleo essencial da sua força, sangue de tinta feito que pulsa, gentil, nas veias da nossa Humanidade. Neste mês de Abril comemoramos o fim da Ditadura e o despontar da Liberdade enquanto forma de estar, agir e ser. Pelas ruas, poemas e textos correram, as mentes rejuvenesceram à nova luz, as janelas para divisões da nossa sociedade, outrora bafientas, abriramse de par em par. Discursar sobre qualquer assunto, reunir à plena luz do dia, organizarse em grupos que procuravam o bem comum – estas são algumas das inovações que vieram colocar-nos ao mesmo nível do desenvolvimento civilizacional do restante continente e garantir-nos que, longe das prisões, repressões e condições, podíamos existir.

Na sociedade que veio a construir-se depois, não obstante o avanço registado, muitas armadilhas continuam a cercear este estado de alma que, de tão nosso, nunca deveria ser colocado em questão. Sem liberdade, somos autómatos programados para sobreviver, meras marionetas condenadas a um teatro sem fim. Por isso, com a memória das conquistas futuras, é nosso dever, enquanto cidadãos, garantir e aperfeiçoar a implementação universal desta que é uma conquista social. Começa na elaboração de uma questão e termina na percepção do Mundo que nos rodeia. Livres das amarras que nos limitam, tomemo-la como elemento que nos permite libertar o nosso universo interior e, em comunidade, sonhar, conceber e criar uma sociedade em permanente evolução, assente na igualdade e na justiça, no quadro de uma liberdade que, de tão natural que é, deixará de carecer de definição ou entendimento. A Liberdade é Ser. É escrever, ler e compreender a cultura em toda a sua extensão, significância e beleza.

CRÓNICAS DO TRODA - POR ORXESTRA PITAGÓRICA ARQUIVO

A

passos largos se aproxima a festa pela qual todos os estudantes de Coimbra esperam ansiosamente! Os Caloiros já só contam os dias para assistirem de Capa e Batina à sua primeira Serenata Monumental, os Novos Fitados para estarem no Carro no Cortejo ébrios de alegria a distribuir cervejas pelos seus colegas de curso e os Finalistas para poderem exibir orgulhosamente as suas Cartolas passeando pelas ruas constantemente etilizados, aproveitando da melhor maneira a sua última Queima. Mera ilusão, pois a maioria dos Caloiros terá mais hipóteses em ouvir a Serenata em live stream pela tv/AAC do que atrás da esquina do Mooelas com outros estudantes bêbados e turistas brasileiros que já lá estavam desde o meio-dia anterior (para antes de acabar a primeira variação já estarem aborrecidos e arrependidos de terem estado tanto tempo à espera); a maioria dos Novos Fitados ficará sem bebidas antes de chegar à tribuna e infelizmente, muitos Finalistas ficarão no próximo ano lectivo a acabar umas cadeiras (vá, pelo menos têm outra Queima para partir tudo). Dirão os idealistas que esta é uma visão muito dura e crítica da Queima, mas entre nós estão muitos miseráveis que viveram todas estas situações no seu percurso académico e ainda cá andam (mas não pensem mal deles, Electro é mesmo difícil). Ainda assim, entre todos nós, há mais de 100 ânus que vagueamos por esta terra de estudantes e, nas Latadas e Queimas, já vimos tudo o que podia ser visto e fizemos

tudo que o podia ser feito (pelos menos foi que elas nos disseram)! Como todas as Queimas são diferentes... e todas as Queimas são iguais, num ciclo vicioso impregnado de um perpétuo sadismo digno da rotação de tachos nas empresas públicas entre os partidos do “centrão”! E se incluirmos também as Latadas e noites no NB (ou nos Jardins da AAC), então decerto que bastarão 2 anos como estudante em Coimbra para já ter visto um par de vezes todos os artistas de qualquer cartaz da Queima das Fitas. Mas há certas coisas que, mesmo quando pensamos que não podiam piorar ainda mais, pioram... Não sabemos se os nossos estimados leito-

res conseguiram superar as cólicas (o azeite tem faculdades purgativas) após ser revelado o cartaz da Queima e analisar com mais calma o seu conteúdo mas, para além do habitual Quim, cuja eterna presença (talvez tenha um contrato vitalício) nas Queimas e Latadas ninguém questiona, e dos ritmos emergentes vindos doutros cantos da Lusofonia (Amadora incluída) que possuíram, para nosso agrado, os corpos das nossas queridas Doutoras parece que a COQF se esqueceu que a Queima é em Coimbra e não em Lloret de Mar, Calpe ou a Amadora. Ou isso, ou talvez seja um estratagema para nos fazer beber mais cerveja no recinto para afogar a agonia.

OBITUÁRIO - POR CABRA COVEIRA -

O LAVABO QUE FOI

N

o segundo piso do edifício da Associação Académica de Coimbra existia uma casa-de-banho para o género masculino. Às vezes suja, outras regurgitada, por vezes ainda incapacitada, há dias resolveu gerar o milagre da combustão espontânea. Num prédio repleto de recantos vazios, espanta que não aconteçam mais fenómenos físico-químicos. Quando o Presidente da República o visitou, a 17 de abril, havia lavabos e pessoas. Não são só as residências que precisam de carinhos. O edifício da Associação Académica de Coimbra também. E os seus lavabos.

UM ANO DE (NÃO) REVISÃO DOS ESTATUTOS

M

oribundo há já algum tempo, é agora certo que o seu destino não será feliz. O ano de mandato da Assembleia de Revisão dos Estatutos está com os pés para a cova. Muitos esperavam ainda que conseguisse cumprir a bucket list antes de dar entrada na morgue, qual reviravolta dos maiores blockbusters de Hollywood, mas acabou por não resistir à negligência médica de que tinha vindo a ser alvo. Agora, caberá aos estudantes ressuscitá-lo: erguê-lo das cinzas e estender-lhe a esperança de vida. Resta esperar que os velhos hábitos que o puseram doente não renasçam com ele.


3 DE MAIO DE 2016 ARTES FEITAS - 14 -

CINEMA

3 DE MAIO DE 2016 ARTES FEITAS - 15 -

Uma verdade (inconveniente)?

MÚSICA

GUERRA DAS CABRAS A evitar Fraco

Viagem de poesias

- POR PAULO SÉRGIO SANTOS -

Podia ser pior Podia ser melhor

- POR FILIPE FURTADO -

A Cabra aconselha A Cabra d’Ouro

Truth

L

onge vai o começo desta aventura conjunta de Carlos Medeiros e Pedro Lucas. Poderíamos falar de 1998, data em que Carlos Medeiros edita “O Cantar Na M’incomoda” a caminhar pelo cancioneiro tradicional açoriano. Poderíamos escutar o “Experimentar Na M’Incomoda” de 2010, ponto de encontro dessa memória coletiva longínqua com as recriações sonoras de Pedro Lucas. Ouviríamos mais tarde um segundo volume com “2: Sagrado e Profano”. Nesse cruzar de gerações entre o tradicional e o mundo eletrónico surge “Mar Aberto”(2015), esse abraço definitivo entre Carlos Medeiros e Pedro Lucas, dois açorianos à procura de novas paisagens como um D. Quixote num navio. Chega-nos agora “Terra do Corpo” com o carimbo da Lovers & Lollypops. O álbum da dupla insular continua esse trajeto, esse desbravar pelas eletrónicas, mas com orquestrações cheias de “corpo”, onde os músicos assumem maior peso no resultado final. O disco conta com as presenças habituais de Ian Carlo Mendoza, Augusto Macedo e Luís Lucena, juntando também Carlos Barreto, Selma Uamusse, Tó Trips e Antoine Gilleron. Talvez seja dessa “terra”, desse chão que Medeiros/Lucas

De

James Vanderbilt

Com

Cate Blanchett, Robert Redford, Topher Grace, Dennis Quaid

2015

N

um ano em que a estatueta dourada para melhor filme distinguiu uma película sobre jornalismo (“Spotlight”), é perigoso fazer filmes com o mesmo tema, pela possibilidade incontornável da comparação a todo e qualquer o nível. E nesse sentido, a estreia de James Vanderbilt na cadeira de realizador sai naturalmente a perder. “Truth”, tal como “Spotlight”, é um ‘biopic’, um filme baseado em factos reais. Conta a história, passada em 2004, de Mary Mapes (Cate Blanchett), produtora televisiva do programa de informação ‘60 Minutes Wednesday’, e do escândalo que ficou conhecido, entre outros nomes, como Rathergate, por também envolver Dan Rather (Robert Redford), um dos mais famosos ‘pivots’ norte-americanos. Em vésperas das eleições presidenciais, a 8 de se-

tembro, é colocada no ar, no programa ‘60 Minutes’, uma peça que põe em causa o serviço militar de George W. Bush na Guarda Aérea Nacional do Texas, para além de insinuar que teria sido uma forma de o Presidente à altura ter escapado à guerra no Vietname. A acusação assenta em documentos que demonstram o desconforto dos superiores de Bush em proceder às avaliações de desempenho, documentos esses fotocópias e não originais. Após o programa, começam a aparecer as primeiras críticas, que lançam suspeitas sobre a veracidade das provas, nomeadamente o tipo de letra e alguns caracteres especiais. “Truth” é um filme sobre investigação jornalística, no sentido mais romanceado do termo. E

O CORAÇÃO DA CIÊNCIA 31 de março a 12 de junho de 2016 terça a domingo, 14h00 às 19h00

Em

Centro de Artes Visuais

O

Pátio da Inquisição, na baixa de Coimbra, reserva algumas surpresas para quem se dispõe a visitá-lo. Além de todo o seu valor histórico e arquitetónico que em si, já merecem a visita, também estão ali localizados um simpático restaurante que leva o mesmo nome (administrado por irmãos portugueses ímpares), duas galerias de arte (CAV e Ícone), no mínimo interessantes e também mais ao fundo, quase escondido, o Teatro da Cerca de S Bernardo que possui uma das programações mais interessantes da cidade. Todas essas opções fazem do Pátio um lugar tão plural quanto único. Porém, não é do Pátio em si que pretendo falar mas sim da exposição “O Coração da Ciência” que está disponível para visitação na CAV (Centro de Artes Visuais/Encontros de fotografia) até 12 de junho. Como o próprio nome diz, as artes visuais são

O Pátio é animal

é aí que perde, em larga escala, para “Spotlight”. Foca-se mais nas personagens do que no processo investigativo. É, contudo, um bom caso-estudo, sobretudo da forma como este tipo de jornalismo não pode, em circunstância alguma, ser apressado. Sem validações, sem fontes, sem confirmações, não pode haver certezas. E sem certezas, sem a única certeza possível, o jornalista transforma-se numa personagem de carácter dúbio, ao invés de um transmissor de factos, de um transmissor da verdade.

Podia ser melhor

De

Medeiros/Lucas

Editora

Lovers & Lollypops

2016

guepardo estão expostos entre fotografias artísticas e outras que registaram a atividade académica de Coimbra no início do séc. XX. É possível encontrar algumas fotografias de estudantes de Coimbra em repúblicas clássicas da cidade como a PRA-KYS-TÃO. Resumindo, trata-se de uma exposição que apresenta uma pequena mas significativa fração do património científico, natural e imaterial da UC. Se ainda assim você considerar a experiência insuficiente, o segundo andar do CAV guarda uma segunda exposição, esta, de livros de arte, livros de artistas. São peças únicas e de valor inestimável que demandam que o visitante utilize luvas para manuseá-las de forma adequada. Se você vive em Coimbra ou está apenas de passagem, o pátio, e mais precisamente o CAV, é visita obrigatória.

Podia ser melhor

A Cabra aconselha

LIVRO

EM PALCO

- POR FÁBIO LUCINDO -

protagonistas neste belo espaço. A exposição “Coração da Ciência” tem curadoria de Albano Silva Pereira diretor do local e figura emblemática reconhecida internacionalmente no universo da fotografia. Conta também com o total apoio e parceria da reitoria da UC visto que os objetos e fotografias ali expostos fazem parte de um projeto iniciado em 1991 pela UC para celebrar os 700 anos da universidade. Eu diria que a exposição contempla, de maneira precisa e equilibrada, tanto amantes da fotografia quanto amantes da ciência. Logo na entrada já somos recebidos por alguns exemplares de crânios e os dentes do professor reformista António Augusto da Costa Simões (1819-1903) que literalmente dedicou corpo e alma a ciência. Ao aprofundar-se no espaço, o visitante encontrará uma mescla bem distribuída de fotografias e alguns exemplares de animais selvagens conservados através de técnicas de taxidermia, ou em recipientes de formóis. Morcegos, cobras, uma macaca e até mesmo um

Terra do Corpo

necessitam para partir e chegar nestas dez faixas. É um disco mais interventivo que mantém essa sede de palavras, de poesias. Para trás fica o folclore açoriano, as canções tradicionais. Aqui ouvimos Carlos Medeiros dar forma à poesia de João Pedro Porto, autor de “Porta Azul para Macau”, que escreveu todas as letras de raiz para o álbum. O timbre grave de Carlos aponta o rumo dos ventos, Lucas quer novos destinos e a banda relata os encontros e desencontros do caminho. A estética das faixas surpreende pela diversidade. Dançamos com “Sede”, entramos em transe com “Asas” e “Transparência”, mergulhámos na melancolia com “Sístole Perdida”, ou somos advertidos para os “perigos” dos planos oníricos de “Corpo Vazio”. Por onde nos levam Lucas/Medeiros? Quem sabe? Certo é apanhar bons ventos e chegar sempre a bom porto.

Porventura ligeiramente vazio em demasia - POR PAULO SÉRGIO SANTOS-

O

primeiro livro de James Salter publicado em Portugal, “Tudo o que Conta”, é um romance sobre a memória. Salter, heterónimo para Horowitz, disse, numa das suas últimas entrevistas, que “a ideia de se ser fiel à memória é muito engraçada, ou a ideia de verdade da memória. Porque a memória não é verdadeira”. Um traço comum a toda a sua obra é uma certa autobiografia, uma aproximação mais notória em Philip Bowman, o editor que preenche muitas das 347 páginas do livro. James Salter opta aqui por um narrador ausente, uma forma literária mais estética. E é esse narrador criado que coloca os primeiros entraves numa história indiscutivelmente bem escrita: “O dia tinha sido longo. O verão tinha chegado cedo. O sol batia nas árvores do campo com uma força impressionante. (...) A paisagem era bonita mas parada. O vazio das coisas erguia-se como o som de um coro que ampliava o azul e a vastidão do céu” (pág. 183). A memória de Bowman, ou de Salter, dá saltos temporais e é seletiva sem ser esclarecedora, antes meramente informativa. O livro começa num navio, no meio do Pacífico, passa ao final da Segunda Guerra Mundial e assim sucessivamente, em inter-

valos que chegam a ter seis anos. James Salter era um criador de personagens, algo levado ao extremo em “Tudo o que Conta”: há um toureiro com um fato “porventura ligeiramente justo em demasia”, editores que se suicidam ou a quem se perde o rasto, melhores amigos que ocupam um capítulo inteiro. E inúmeras mulheres. O desfile contribui para uma desconexão da história. Se há um fio condutor que dá sentido à personagem de Philip Bowman, será o sexo feminino. De um casamento falhado (numa semelhança de dezenas de páginas com outro sucesso recente – “Stoner”, de John Williams), a uma sucessão de relacionamentos, o livro é um relato de um homem e da forma como entende e descobre a paixão e o amor. “Tudo o que Conta” tem o número de páginas errado. Devia ter mais ou menos, consoante Salter quisesse contar mais ou menos.

Tudo o que Conta De

James Salter

Editora

Livros do Brasil

2015 Podia ser melhor


Mais informação disponível em

cabra.wordpress.com JORNAL UNIVERSITÁRIO DE COIMBRA

EDITORIAL - POR VASCO SAMPAIO -

Não há euforia para a Ação Social

É

chocante perceber as condições em que alguns estudantes vivem. Imóveis velhos, sem qualquer possibilidade de restauração, têm graves problemas de isolamento e de humidade. Instalações elétricas datadas não estão minimamente adaptadas às necessidades dos dias de hoje. Na Residência Santos Rocha, onde cada apartamento tem cinco quartos, é impossível manter mais de dois aquecedores ligados em simultâneo, o que, dado o fraco isolamento da casa, se revela insuficiente. Ainda para mais, as mesmas instalações podem já ter causado estragos em computadores e outros equipamentos elétricos das residentes. Mas o problema não teria sido menor se o material danificado fosse propriedade pública – o processo de substituição de um eletrodoméstico é de tal forma moroso que já fez com que, numa outra residência, os estudantes se vissem obrigados a passar duas semanas sem um micro-ondas. E à medida que se conhece a realidade de outras casas de estudantes, os problemas só aumentam. A descrição da forma como as estudantes da Residência dos Combatentes se organizam para que um frigorífico sirva para 16 residentes é arrepiante. Na Rua Padre António Vieira, por sua vez, a situação não melhora. São 54 os estudantes que lá vivem. A cozinha – essa - é só uma. São grandes os esforços que os residentes fazem para conseguirem viver em conjunto. O espírito de sacrifício, aqui, aprende-se da pior forma, sob pena de se tornar impossível viver com condições mínimas quando se habita numa residência universitária. Resta a solidariedade e o apoio de outros estudantes para que a situação não pareça tão grave.

São grandes os esforços que os residentes fazem para conseguirem viver em conjunto. O espírito de sacrifício, aqui, aprende-se da pior forma, sob pena de se tornar impossível viver com condições mínimas quando se habita numa residência universitária”

Custa acreditar que os Serviços de Ação Social da Universidade de Coimbra não façam os possíveis para resolver todas as situações já mencionadas. Há fatores que, por muito esforço que seja feito, não podem ser contornados com o ainda parco financiamento para a Ação Social Escolar em Portugal. Talvez convidar o Presidente da República possa alertar parte da sociedade para as necessidades dos estudantes. Mas para mudar o que realmente precisa de ser mudado, uma discussão séria não pode ser substituída por um fim de tarde de euforia e espetáculo mediático.

Ficha Técnica

Diretora Inês Duarte

Jornal Universitário de Coimbra – A CABRA Depósito Legal nº183245702 Registo ICS nº116759 Propriedade Associação Académica de Coimbra

Editor Executivo Vasco Sampaio Equipa Editorial Vasco Sampaio (Ensino Superior), Carolina Farinha (Cultura), Inês Duarte (Desporto), Margarida Mota (Ciência e Tecnologia) Fotografia Inês Duarte, Rita Fonseca, João Ruivo, Vasco Sampaio

JORNAL UNIVERSITÁRIO DE COIMBRA

Colaborou nesta edição Mariana Afonso, Carlos Almeida, Andreia Alves, Flávia Alves, Petra Andrade, Philippe Alexandre Baptista, Mariana Bessa, Cristina Pinilla Carrasco, Rita Flores, Rita Fonseca, Alexandre Gouveia, Rita Lima, Andreia Martins, Carolina Marques, João Pimentel, Rita Portugal, Ana Miguel Regedor, João Ruivo, Gabriela Salgado, Mariana Saraiva, Pedro Silva, André Sobral

Colaboradores Permanentes Filipe Furtado, Paulo Sérgio Santos Paginação Afonso Paiva Ilustração João Ruivo

Impressão FIG – Indústrias Gráficas, S.A. Telf. 239499922, Fax: 239499981, e-mail: fig@fig.pt Produção Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra Agradecimentos Reitoria da Universidade de Coimbra Tiragem 2000 exemplares


Edição 277 do Jornal Universitário de Coimbra - A Cabra