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Edição 133 | Ano XIX | janeiro / fevereiro 2013 www.aborlccf.org.br

43º Congresso Brasileiro

2013 O Desafio Recomeça Com a nova diretoria, a ABORL-CCF redefine seu conceito de comunicação

Tudo novo no principal evento do ano

Arquitetura

Dicas úteis para montar seu consultório

Acabou a residência e agora?

As possibilidades da carreira


06 09 14 18

Dr. Agricio Crespo, presidente da ABORL-CCF gestão 2013

Posse e Mini Fórum

A cerimônia de posse da nova diretoria e as decisões das comissões no Mini Fórum

Roteiro ORL

Os eventos da Otorrinolaringologia ao redor do mundo

Congresso Brasileiro

As novidades do evento que acontecerá em São Paulo, no final do ano

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Shutterstock Demian Golovaty

Páginas Azuis

Agenda

Programe-se para os cursos e congressos

Projeto da arquiteta Fernanda Marques

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Arquitetura

Montar e decorar um consultório fica mais fácil com orientações profissionais


26 27

Os 80 anos do BJORL, por Dra. Wilma Anselmo-Lima

Educação continuada Rinossinusite aguda e Apneia obstrutiva do sono em crianças

Perfil

Dr. Antônio Douglas Menon

40

33

Carreira

37

HumORL

38

História da ORL

O que fazer ao fim da residência

Descanso merecido

Dr. Pedro Luiz Mangabeira Albernaz

Institucional

Notícias e atividades da ABORL-CCF

Shutterstock

Shutterstock

Vicent Sobrinho

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Opinião


Carta ao Leitor

Caro leitor, Edição 133 | Ano XIX | janeiro / fevereiro 2013 www.aborlccf.org.br

43º Congresso Brasileiro

2013 O Desafio Recomeça Com a nova diretoria, a ABORL-CCF redefine seu conceito de comunicação

Tudo novo no principal evento do ano

Arquitetura

Dicas úteis para montar seu consultório

Acabou a residência e agora?

As possibilidades da carreira

Nosso boletim agora é uma revista. A revista Vox Otorrino. Junto com o site da ABORL-CCF, que também passa por uma reformulação, nossos canais de comunicação se tornam mais interativos e referenciais. Mudamos porque procuramos um contato mais próximo com você, associado, queremos ouvir suas dúvidas, sugestões, e entregar sempre uma revista interessante, com assuntos relevantes e leitura prazerosa. A seção de entrevistas, agora batizada de Páginas Azuis, traz uma conversa com o novo presidente da Associação e as propostas de sua gestão. E ainda a cobertura da posse da nova diretoria e do Mini Fórum realizado nos primeiros dias do ano. Também nesta edição, uma matéria especial sobre arquitetura, na qual ouvimos arquitetos renomados que nos deram dicas preciosas para montar ou ampliar um consultório. Como o ano está apenas começando, selecionamos eventos em Otorrinolaringologia que acontecerão mundo afora para que você organize sua agenda. Sobre o nosso 43º Congresso Brasileiro, Dra. Francini Pádua fala sobre as muitas novidades do evento.

ESPAÇO LEITOR Sugestões de pauta, críticas ou elogios? Fale conosco.

EXPEDIENTE

voxotorrino@aborlccf.org.br

Na seção Perfil, Dr. Antônio Douglas Menon conta um pouco da sua rica história como Otorrinolaringologista; e Dr. Pedro Luiz Mangabeira Albernaz nos honra com os fatos históricos que presenciou e culminou no nascimento da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia. E mais: uma matéria sobre os desafios e possibilidades para os médicos em início de carreira, os excelentes artigos da Educação Médica Continuada e as notícias institucionais.

Boa leitura.

Revista Vox Otorrino Diretor de Comunicação: Edilson Zancanella Jornalista Responsável: Eliana Antiqueira / Mtb: 26.733 Reportagem: Sheila Godoi e Caroline Borges Fotos da capa: Evan Thayer Revisão: Gabriel Miranda Coordenação de Publicação e Diagramação: Eric Tenan Barioni e Jovani Ribeiro

4 | Revista VOX OTORRINO

Produção: Sintonia Comunicação Fone: (11) 3542-5264/0472 Impressão: Eskenazi Indústria Gráfica Periodicidade: Bimestral Tiragem: 6.000 exemplares Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da ABORL-CCF.

Av. Indianópolis, 1.287 CEP 04063-002 | São Paulo/SP Fone: (11) 5053-7500 Fax (11) 5053-7512

janeiro / fevereiro 2013 | www.aborlccf.org.br


Editorial

Mais interação

ABORL-CCF \Divulgação

O

começo de um novo ano vem sempre carregado de esperanças, de pensamentos positivos e da expectativa pela renovação. Iniciamos 2013 na nossa Associação com a posse da Diretoria Executiva, com novos integrantes e troca dos presidentes nas Comissões Permanentes. Sem dúvida, uma grande expectativa e uma vontade de fazer cada vez melhor aquilo que vem sendo construído com grande mérito pelos que saem.

Dr. Edilson Zancanella Presidente da Comissão de Comunicações

O empenho da Comissão de Comunicações será interagir com o associado cada vez mais, fortalecendo o relacionamento e permitindo um canal de comunicação simples, rápido e efetivo. A mudança na linha editorial desta revista visa a tornar a leitura mais fácil e ágil, procurando abordar temas de interesse a todos nós. A atualização do nosso site, em breve, trará a possibilidade de uma navegação mais direcionada ao conteúdo disponível e cada vez mais informações importantes ao dia a dia, desde a atualização científica até a árdua tarefa da luta por melhores honorários e no relacionamento com os pacientes. A divulgação das várias atuações da nossa especialidade ao grande público se fará ainda mais intensa. Vale a pena destacar a grandiosidade da Otorrinolaringologia brasileira: produção científica, organização administrativa, gestão colegiada e democrática. Somos hoje a segunda maior Associação de Otorrinos no mundo! Muito se fez, mas muito temos ainda por fazer. Somente com a participação efetiva de cada um poderemos transformar a nossa ABORL-CCF. Parabéns ao legado da Diretoria e Comissões! Menção honrosa ao Dr. Marcelo Piza pelos quatro anos à frente desta Comissão. Ótimo trabalho à nova Diretoria e às Comissões. Um excelente 2013 a todos!

DIRETORIA 2013 Dr. Agricio Nubiato Crespo - Campinas/SP Presidente Dr. Fernando Ganança - São Paulo/SP Diretor Primeiro Vice-Presidente Dr. Sady Selaimen da Costa - Porto Alegre/RS Diretor Segundo Vice-Presidente Dra. Fernanda Haddad - São Paulo/SP Diretora Secretária Geral Dra. Francini Grecco de M. Pádua - São Paulo/SP Diretora Secretária Adjunta Dr. Godofredo Campos Borges - Sorocaba/SP Diretor Tesoureiro Dr. José Eduardo de Sá Pedroso - São Paulo/SP Diretor Tesoureiro Adjunto

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Dr. Edilson Zancanella - Indaiatuba/SP Presidente da Comissão de Comunicações Dra. Eulália Sakano - Campinas/SP Presidente da Comissão do BJORL Dr. Fabrízio Ricci Romano - São Paulo/SP Presidente da Comissão de Eventos e Cursos Dr. José Alexandre Medicis da Silveira - São Paulo/SP Presidente da Comissão de Residência e Treinamento Dr. Leonardo Haddad - São Paulo/SP Presidente da Comissão de Título de Especialista Dr. Márcio Fortini – Belo Horizonte/MG Presidente da Comissão de Defesa Profissional Dr. Otavio Marambaia Santos - Salvador/BA Presidente da Comissão de Ética e Disciplina Dr. Renato Roithmann - Porto Alegre/RS Presidente da Comissão de Educação Médica Continuada

Revista VOX OTORRINO | 5


Páginas Azuis

Vicent Sobrinho

Salto de qualidade N

o ano em que completa 30 anos dedicados à Otorrinolaringologia, Agricio Crespo encara o desafio de presidir a segunda maior associação do gênero no mundo. Professor Livre Docente e Chefe da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, ele visa a transformar a ABORL-CCF em referência nacional como entidade de classe e lhe dar visibilidade mundial, sem deixar de lado questões sensíveis, como remuneração e qualidade da formação do especialista. REVISTA VOX: Quais são os principais projetos e objetivos da

ABORL-CCF em 2013?

O novo presidente da ABORL-CCF promete uma gestão voltada à excelência no relacionamento com o associado, com os patrocinadores e com a sociedade para fazer da entidade uma referência dentro e fora do Brasil

Por Eliana Antiqueira

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Estabelecemos alguns pontos prioritários para esta gestão. O primeiro deles é a comunicação, no sentido amplo. Estima-se que a ABORL-CCF seja a segunda maior associação do gênero no mundo, inclusive em número de associados. São mais de 350 atividades científicas apoiadas por nós anualmente. Nós temos uma revista científica, o BJORL, que completa 80 anos neste ano, que tem a maior indexação – está no ISI (Institute for Scientific Information) – e se você for olhar quantos países possuem uma publicação específica em Otorrino indexada no ISI talvez eles não passem dos dedos de uma mão. Quando você olha, por exemplo, o conselho editorial das revistas internacionais, quase não se encontra brasileiros compondo esses quadros. Há representantes da Ásia, do norte da África, do leste europeu, mas o Brasil, apesar do tamanho e da importância da ABORL-CCF, é pouco representado. A internacionalização é um elemento importante do nosso projeto de crescimento. Outra prioridade é melhorar a remuneração médica. Criamos um comitê específico que trabalha em sintonia com a Defesa Profissional e terá a missão de tirar leite de pedra! Ele trata apenas de convênios, honorários e tabela, e tem a incumbência de buscar as melhores oportunidades, apesar da CBHPM tão desvalorizada. No Brasil, já temos experiências nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste, de comunidades locais que souberam lidar muito bem com essa questão, fundando cooperativas, fazendo negociações bem-sucedidas em bloco. É uma experiência que pode ser disseminada pelo país e nós podemos ser o vetor desta mudança. REVISTA VOX: O Congresso Brasileiro também passa por reformulações. O que há de novo?

A nossa ideia é de que a organização do Congresso seja um patrimônio da Associação e não mais da cidade que o recepciona,

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Páginas Azuis

que ele tenha uma fisionomia permanente e a cidade, assim como seu centro de convenções, é que se adapte ao seu formato. Para isso, estamos criando um departamento de eventos que vai cuidar disto. Outro ponto que precisamos aprimorar é o relacionamento com o patrocinador, porque é ele quem paga a conta. Ele tem de ser consultado durante todo o processo, temos que ouvir suas ideias e expectativas sobre nossos produtos. A relação tem de ser perene e não pontual. Também não podemos perder a perspectiva de que o Congresso é uma vitrine internacional, uma vez que são pelo menos vinte palestrantes estrangeiros presentes. E essas pessoas levam pra fora suas impressões da nossa Associação e de nós como profissionais. Para alcançar a excelência, temos que trabalhar com antecedência, padronizar procedimentos, fugir da armadilha de, a cada troca de diretoria, começar o Congresso do zero, repetindo os mesmos erros todos os anos. REVISTA VOX: O senhor citou a criação de um Departamento de Eventos. Isso não foge à finalidade da ABORL-CCF?

A Associação organiza uma série de eventos que não são considerados como tais. O Mini Fórum do início do ano, a posse da nova diretoria, a prova de título de especialista, os cursos de polissonografia e de outros assuntos realizados na sede, o congresso virtual e o evento máximo que é o Congresso Brasileiro. Existe um calendário de eventos polpudo. Nós contratamos empresas para a organização do congresso a um custo anual muito alto. A partir da padronização, sabemos que a fórmula será repetida sempre. Consideramos que o departamento de eventos poderá executar essa tarefa com grande economia, além de centra-

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lizar a captação de recursos, de criar novos produtos e de reforçar a identidade visual da entidade ao redor do mundo. Uma equipe profissional, dedicada apenas a essas atividades, representa uma economia de aproximadamente 60% nos custos da organização desses eventos. REVISTA VOX: O senhor afirma que é preciso reforçar a marca ABORL-CCF, criar uma identidade visual facilmente reconhecível em qualquer lugar. Isso já não é feito?

A Associação está presente com estandes nos principais eventos no Brasil e no mundo. Habitualmente temos um espaço próprio, identificado por uma mesinha simples e um banner atrás. Honestamente? Uma coisa horrível! Hoje está em desenvolvimento uma comunicação visual profissional, padronizada, que causará orgulho aos associados. É importante que nossos produtos editoriais, como o Tratado ORL, o Pro-ORL, o BJORL e a revista bimestral, estejam expostos e acessíveis nesses lugares, porque são demonstrações do valor agregado à nossa marca. Também estamos trabalhando na criação de novos produtos, como a TV ORL, um canal de conteúdo direcionado para ser exibido em salas de espera, na reformulação do site, na nova proposta editorial desta revista e na criação de produtos licenciados com a marca ABORL-CCF em objetos de uso pessoal ou profissional. REVISTA VOX: Há um forte compo-

nente de marketing nessas ações, mas o que está em andamento para melhorar a vida do médico Otorrinolaringologista? Há dois temas que são caros para mim. Um deles é a educação médica continuada, porque este é um propósito da Associação. Hoje nós

“Precisamos aprimorar o relacionamento com o patrocinador, porque é ele quem paga a conta. Ele tem de ser consultado, temos que ouvir suas ideias e expectativas sobre nossos produtos” temos educação médica com grande facilidade: é possível encontrar na internet uma ampla variedadede livros e de publicações, mas está tudo disperso. Acho que nós ainda temos grandes chances de promover o ensino ombro a ombro, relacional e pessoal. Faremos cursos na nossa sede, com transmissão nacional, a exemplo do que já foi feito nos últimos anos com o Curso de Polissonografia, pretendemos implantar outros cursos nesses moldes. Outro tema, que é ponto de honra desta gestão, é a residência médica. Acredito que a formação seja o bem maior que o indivíduo possa ter. Nós vemos que a Comissão Nacional de Residência Médica faz um bom trabalho, sem dúvida nenhuma, mas é muito difícil que, dentro do grande número de especialidades que agrega, tenha o conhecimento profundo e específico de cada segmento. Não há critérios fidedignos de avaliação de qualidade, o que a Associação supre com excelência há mais de 12 anos por meio do trabalho exemplar da Comissão de Residência e Treinamento.

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Páginas Azuis

REVISTA VOX: A ORL é uma espe-

cialidade atrativa para o estudante de Medicina? Nos últimos anos, a Otorrinolaringologia tem sido uma das especialidades mais procuradas nos exames de residência. Colecionamos as mais altas notas dos exames que vão para os programas de ensino na especialidade. No entanto, o número de bolsas oferecido é insuficiente diante da procura e da necessidade de formação de novos profissionais. Há uma grande concentração de profissionais na região Sudeste e carência no resto do país. A política de concessão de bolsas não tem privilegiado tanto os serviços de ORL.

Nas comissões de Brasília, como na de reabilitação de saúde auditiva, por exemplo, estamos sendo representados por profissionais de outras especialidades. Temos que ocupar nosso lugar de direito.

REVISTA VOX: E este processo de

concessão de bolsas é democrático?

O processo de seleção nos serviços públicos respeita normas estabelecidas pelo MEC, que oferece

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as bolsas de estudo. Nos serviços privados, a seleção é feita internamente. Admito que existem injustiças. Em muitas circunstâncias, os candidatos selecionados refletem uma escolha direta do chefe do serviço, o que nem sempre é justo, porque os editais são públicos e nós vemos candidatos que se deslocam de estados longínquos e que acreditam que a igualdade de oportunidades seja universal. Isto me preocupa porque a Associação chancela esses programas de ensino e, portanto, mesmo que de modo involuntário, respalda essa prática. Outro fator que me preocupa é o não cumprimento, por parte de alguns serviços privados, da exigência do MEC no pagamento de bolsas de estágio. Há argumentos favoráveis e também contrários ao pagamento das bolsas, e todos precisam ser ouvidos. Mas a ABORL-CCF precisa estabelecer regras claras e zelar pelo seu cumprimento. O que não podemos é descumprir as normas estabelecidas. REVISTA VOX: O senhor declarou

em seu discurso de posse que busca uma aproximação com o Ministério da Saúde e demais órgãos federais para que a Associação possa colaborar na criação de políticas públicas de saúde. Qual é sua proposta para isso? O que observamos hoje é que nas esferas de decisão dos órgãos federais, a representatividade dos Otorrinos tem sido muito pequena. O que acontece é que acabamos perdendo espaço para profissionais de áreas correlatas. Nas comissões de Brasília, como na de reabilitação de saúde auditiva, por exemplo, estamos sendo representados por outros profissionais que não são da especialidade. Para ocupar esse espaço que nos é de direito, criamos um comitê que denominamos Conexão Brasília que tem o objetivo de prospectar as

oportunidades de participação da Associação no desenvolvimento de políticas públicas em projetos e programas em andamento. Também identificar espaços para opinar em projetos de lei em tramitação. E isso não apenas no que for relacionado à saúde, mas também em leis de incentivo fiscal e demais possibilidades que hoje desconhecemos. REVISTA VOX: A campanha “Ca-

minhos da ORL” foi uma ação que permeou as atividades da ABORL-CCF no ano de 2012. Ela continua neste ano? A campanha do ano passado foi muito produtiva, mas acredito que devemos ter uma avaliação crítica das campanhas que fazemos, porque os orçamentos são crescentes e é preciso medir a eficácia deste impacto na vida rotineira do Otorrino e na conscientização da população. É preciso avaliar se as mensagens que estão sendo divulgadas realmente espelham o interesse da Associação. Para 2013, a campanha passa a ser mais digital, com o objetivo de atrair as gerações mais jovens. Fizemos uma parceria com a Rede Globo para participação no programa Ação Global e concentramos os esforços em divulgações dirigidas, na TV e em veículos impressos. Neste ano, vamos trabalhar com quatro assuntos: audição e aprendizagem; sono, produtividade no trabalho e qualidade de vida; equilíbrio e segurança pessoal na terceira idade; e a saúde vocal. Optamos por temas não institucionais porque, às vezes, se tornam propagandas de nós para nós mesmos. Buscamos temas como doenças relacionadas à atividade diária do Otorrino, como tontura, por exemplo. Temos que ser referência na prestação de serviços e na informação para a população. janeiro / fevereiro 2013 | www.aborlccf.org.br


Cerimônia de posse: Dr. Agricio Crespo, Dr. Marcelo Hueb, Dr. Fernando Ganança, Dr. Sady Selaimen da Costa, Célia Leão, Jonas Donizette e Dr. José Eduardo Fogolin Passos

Cerimônia de posse da nova diretoria executiva da ABORL-CCF é marcada por autoridades, discursos otimistas e propostas que priorizam os avanços em qualidade e na excelência da gestão Por Sheila Godoi

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Prof. Dr. Agricio Crespo conquistou, em 2013, o posto mais alto da Otorrinolaringologia brasileira: a presidência da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. À cerimônia de posse, realizada na sede da Associação em 18 de janeiro, estiveram presentes autoridades das três esferas do governo, além de célebres nomes da especialidade. Com gratidão e expectativas de quem ainda tem muito a contribuir, Dr. Agricio agradeceu o apoio da esposa, Antonia Maria Zogaeb, de familiares, de amigos e de seus colaboradores mais próximos: Dra. Fernanda Haddad e Dr. Godofredo Borges, respectivamente Secretária-Geral e Tesoureiro da nova diretoria da ABORL-CCF, além da Dra. Francini Pádua. Em tom de anedota, relembrou uma situação que viveu em Salvador. Certa vez, andando pela capital da Bahia, leu em vários outdoors: “Podia ser em Tóquio, mas vai ser aqui”. Curioso, descobriu mais tarde que se tratava de um empreendimento imobiliário tão moderno e avançado, que “poderia ser em Tóquio”. A partir daquele momento, a frase se tornou um mantra que baliza seus parâmetros de qualidade e excelência. Por isso, afirma: “nós estamos tão orgulhosos e otimistas com as nossas possibilidades na ABORL-CCF, que podia ser em Tóquio, mas vai ser aqui!”.

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Vicent Sobrinho

“Podia ser em Tóquio, MAS VAI SER AQUI”

Capa


Reprodução

Capa Divulgação

A sede da ABORL-CCF abrigou a cerimônia de posse

“Precisamos avançar muito nas políticas nacionais de saúde e a parceria com a sociedade é fundamental”

Dr. Alexandre Padilha, ministro da Saúde

Vicent Sobrinho

Vicent Sobrinho

“Desde 1978, a Associação vem representando a ORL com legitimidade em seus principais objetivos, dos quais, a contribuição com a qualidade do cuidado em saúde pública” Profº Dr. José Eduardo Fogolin Passos, coordenador geral de média e alta complexidade do Ministério da Saúde

Divulgação

“A Medicina é um ofício dos mais bonitos e brilhantes. E o Agricio é um profissional que orgulha nosso Brasil, nosso estado e nossa cidade”

Divulgação

Jonas Donizette, prefeito de Campinas (SP)

Vicent Sobrinho

Dr. Agricio ladeado por seus colaboradores mais próximos: Dra. Fernanda Haddad, Dra. Francini Pádua e Dr. Godofredo Borges

Noite de festa no embalo da banda Frigazz

“O Dr. Agricio vem fortalecer o crescimento, com novas ideias, com o novo momento da ciência e com a tecnologia, que não para” Célia Leão, deputada estadual (SP)

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Capa

O TRABALHO JÁ COMEÇOU Mini Fórum reúne departamentos, comissões permanentes e comitês em torno de propostas e metas para 2013

E

Vicent Sobrinho

m 17 de janeiro, departamentos, comissões permanentes e comitês da Associação se reuniram para discutir suas principais metas a curto, médio e longo prazo. Foram convocados a estabelecer os objetivos, bem como as estratégias para que estes sejam atingidos. Este foi o foco das reuniões em grupos que se estenderam ao longo do dia. As propostas foram apresentadas na reunião geral do Mini Fórum, evento que contou com os patrocínios da Audibel, Widex, Sanofi, Phonak, Politec, Advanced Bionics. Com a presença da diretoria executiva da gestão 2013 no encontro, foram definidos também os nomes dos coordenadores, secretários e presidentes dos grupos.

Na área de Crânio-Maxilo-Facial, uma das realizações será o 2º Curso Itinerante de Crânio-Maxilo, além do estímulo à publicação de artigos no BJORL e do fortalecimento às ações de educação médica. Já em Cabeça e Pescoço, o direcionamento será para trazer o tema ao centro do debate em eventos, como o Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. O comitê de Alergia deve se aproximar mais da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia ao longo do ano, e tem como meta tornar o profissional de Otorrinolaringologia um dos principais especialistas na área. A Otoneurologia, por sua vez, deve focar na acessibilidade do departamento aos demais profissionais e na aproximação com a área de Otologia. O departamento de Medicina do Sono caminha rumo à consolida-

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ção da certificação na área e deve desenvolver conteúdo que alimentará o aplicativo para tablets. Neste mesmo sentido caminha a Foniatria, que terá a primeira prova de titulação realizada neste ano, assim como o primeiro curso extensivo, previsto para acontecer no período de abril a dezembro. Importante vertente da ORL, as Doenças Relacionadas ao Trabalho serão abordadas com mais frequência em eventos e congressos. Outra ação para 2013 será a reativação do Comitê do Ruído. Por fim, este será um ano marcante para o comitê de História da ORL, uma vez que o BJORL completa 80 anos de existência e a ABORL-CCF faz 65 anos. Uma das prioridades é estimular a colaboração dos membros, com materiais que possam fazer parte do acervo permanente do Museu do Otorrino.

Responsáveis pelo BJORL planejam as atividades para comemorar os 80 anos da revista Vicent Sobrinho

COMITÊS E DEPARTAMENTOS

Vicent Sobrinho

Após definições dos departamentos, comissões e comitês, os coordenadores apresentam plano de ação para o ano

Um dos focos da comissão de Eventos e Cursos será a padronização do Congresso Brasileiro de ORL-CCF

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Capa

Desde 2012, a Comissão de Eventos e Cursos vem trabalhando na produção do 43º Congresso Brasileiro de ORL-CCF, assim como a 44ª edição já entrou em processo de estruturação. A padronização do maior evento da especialidade no país será um dos focos para a nova gestão.

Vicent Sobrinho

COMISSÕES PERMANENTES

Membros da Comissão de Comunicações discutem melhorias

Vicent Sobrinho

Com a ideia de renovação, a Comissão de Comunicações definiu modificações no projeto editorial e gráfico da revista e do site e apresentou, entre as propostas, a implantação da TV ABORL-CCF nos consultórios médicos. Já o BJORL, que comemora 80 anos em 2013, consolida sua presença em ambiente digital, sendo disponibilizado também como aplicativo para dispositivos com sistema Android. Análises estatísticas, feitas por profissionais especializados contratados pelo BJORL, também entrarão na pauta dos artigos científicos.

Vicent Sobrinho

Defesa Profissional debate as questões relacionadas aos honorários

Os projetos de Educação Médica Continuada envolvem a continuidade do OTO Web, porém com maior participação internacional, a realização do 3º Congresso On-line, em abril de 2014, e de cursos para médicos não especialistas ao longo do ano. Outra novidade será a promoção de um encontro de ligas de Otorrinolaringologistas. Os membros da Comissão de Residência Médica e Treinamento sugeriram que a comissão seja responsável pela avaliação de fellows e mantenha um contato maior com os colegas da comissão de Título de Especialista. O Estatuto da Residência é mais um ponto que também deve ser trabalhado. Em Título de Especialista, o foco é transformar o exame no segundo evento mais importante do calendário da Associação depois do Congresso Brasileiro.

Residência Medica deve dar continuidade ao projeto do Estatuto da Residência

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Vicent Sobrinho

Vicent Sobrinho

Capa

Para aprimorar as ações relacionadas à Ética, a comissão permanente focará na inserção de assuntos sobre as questões profissionais na residência médica, inclusive cobrando o tema nos conteúdos das provas. A ideia é inserir os temas também na grade científica do Congresso Brasileiro de ORL-CCF. Material para longos debates, a Defesa Profissional continuará a dar apoio ao Movimento Médico e à causa das tabelas de remuneração, buscando nas experiências locais um formato de ampliação e implantação no ambiente macro.

Prova de Titulo de Especialista deve ganhar mais praticidade e agilidade

Vicent Sobrinho

Integrantes do grupo de Ética e Disciplina afinam novas propostas

Educação Médica Continuada apresenta projetos para 2013

O Mini Fórum contou com os apoios exclusivos:

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Roteiro da ORL

Volta ao mundo pela especialidade

Anote em sua agenda os diversos congressos nacionais e internacionais que médicos, residentes ou estudantes poderão participar ao longo do ano Por Caroline Borges

SP (Brasil) >

VANCOUVER (Canadá) 9.741 km Tempo de voo: 12 horas

SP (Brasil) > Chicago (EUA) SP (Brasil) > Costa Rica 4.461 km

Tempo de voo: 5 horas 30 min

7.261 km Tempo de voo: 9 horas

SP (Brasil) > PORTO (Portugal) 7.568 km Tempo de voo: 9 horas 25 min

SP (Brasil) > NICE (França) 9.280 km Tempo de voo: 11 horas 30 min

Utilize o código ao lado e confira a agenda completa dos eventos em ORL de 2013

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Roteiro da ORL

P

ara o aperfeiçoamento dos médicos Otorrinolaringologistas, a ABORL-CCF e outras associações internacionais prepararam vários eventos científicos em diversas partes do planeta. Nessas ocasiões, o profissional tem a oportunidade de participar de programas de altíssimo nível e ainda conhecer as belezas e a cultura das cidades anfitriãs. Segundo o presidente do 43º Congresso Brasileiro de ORL-CCF, Dr. José Eduardo Dolci, frequentar eventos científicos é de suma importância para o médico Otorrinolaringologista, pois proporcionam uma constante atualização dos conhecimentos. “Esses eventos promovem uma absorção rápida de novos conceitos e tecnologias. Isso

é fantástico, pois o participante confere as novidades em saúde, mesmo que seja só na sua área de maior atuação ou especialização. O profissional que não se atualiza estará, em poucos anos, exercendo uma Medicina que não reflete mais a realidade do contexto em que atua”. Dr. Dolci afirma ainda que é importante se programar na agenda e no bolso para aproveitar o maior número possível de eventos. “Claro que cada um sabe das suas prioridades e necessidades, mas acredito que o médico deve se organizar logo no início de cada ano, procurando saber a programação relevante da sua área, incluindo sempre o Congresso Brasileiro de ORL-CCF. Aliás, não percam a edição deste ano, pois será espetacular!”, recomenda.

fonte: How Many Hours

SP (Brasil) > ESTOCOLMO (Suécia) 7.806 km Tempo de voo: 13 horas

SP (Brasil) > Praga (República Tcheca) 9.588 km Tempo de voo: 12 horas

SP (Brasil) > Istambul (Turquia) 10.260 km

Tempo de voo: 13 horas

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SP (Brasil) > SEUL (Coreia do Sul) 17.418 km Tempo de voo: 22 horas

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Roteiro da ORL

Eventos imperdíveis! Confira alguns eventos ao redor do mundo e conheça a cultura dos países que irão sediar congressos consagrados de cada área da ORL VI Rhinology - 18/4 a 20/4

Local: São Paulo, Brasil. Realização: Centro de Otorrinolaringologia de São Paulo do Hospital Edmundo Vasconcelos - Serviço do Professor Doutor Aldo Stamm (www.rhinology2013.com). Briefing: painéis, debates, cursos diversos e a atividade científica “My worst case”, em que renomados especialistas compartilham suas experiências em casos de alta complexidade. Passeios turísticos: Mercado Municipal, Museu do Ipiranga, Museu da Língua Portuguesa, Parque Ibirapuera e Theatro Municipal. Taxa de inscrição: de US$ 200 a US$ 890.

2nd Meeting of European Academy of ORL-HNS and CEORL-HNS - 27/4 a 30/4

Local: Nice, França. Realização: European Academy of Otorhinolaryngology, Head and Neck Surgery (EAORL-HNS) (www.eaorlhnsnice2013.com/en). Briefing: novidades terapêuticas e clínicas em todas as subespecialidades adjacentes do campo da ORL. Turismo: Nice traz belas praias e diversas opções de passeio, como o Parque Chateau, a Catedral Ortodoxa de São Nicolau e a Ópera de Nice. Taxa de inscrição: de € 300 a € 500. Obs: a taxa de inscrição para participantes dos “Honored Countries” (Brasil, Egito, Índia, Japão, Rússia) é de € 250.

25º Congreso Centroamericano de Otorrinolaringología y Cirurgía de Cabeza e Cuello - 2/5 a 4/5

Local: San Jose, Costa Rica. Realização: Associación Latinoamericana de Laringología e Fonocirurgía - ALLF (www.congresocaotorrino.com). Briefing: temas como cirurgias Endoscópica, de Base de Crânio e Estética apresentados por renomados especialistas dos EUA, Colômbia, México e Argentina. Passeios turísticos: cidade de natureza exuberante, San Jose possui belas praias, parques, portos e sítios históricos datados do período da colonização espanhola. Taxa de inscrição: de US$ 450 a US$ 500.

Chicago-Advances in Rhinoplasty 2013 - 8/5 a 11/5

Local: Chicago, EUA. Realização: The Educational and Research Foundation for the American Academy of Facial Plastic and Reconstructive Surgery (www.aafprs.org). Briefing: princípios básicos da Rinoplastia, novas técnicas, aulas práticas e debates. Passeios turísticos: Magnificent Mile, River North, South Loop, Streeterville, Gold Coast e Loop, além da visita ao observatório John Hancock. Taxa de inscrição: de US$ 575 a US$ 1.500.

60º Congresso SPORL-CCF | 2º Congresso AIAORL - 15/5 a 18/5

Local: Porto, Portugal. Realização: Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (www.sporl.pt) e Academia Ibero-Americana de ORL, com participação da ABORL-CCF. Briefing: o primeiro dia será reservado exclusivamente para o congresso da AIAORL, com a participação de profissionais brasileiros e contará com três salas de reunião para palestras, conferências e mesas redondas. Passeios turísticos: Patrimônio da Unesco, a cidade do Porto é famosa pelo seu vinho e pelas belas paisagens às margens do rio Douro. Taxa de inscrição: de € 150 a € 600.

11th European Symposium on Pediatric Cochlear Implantation 2013 - 23/5 a 26/5

Local: Istambul, Turquia. Realização: IEF- Federation of Hearing Impairment (www.espci2013.net). Briefing: abordagem multidisciplinar para Implante Coclear Pediátrico e as novidades em cirurgias e tecnologia em audiologia. Passeios turísticos: Basílica de Santa Sofia, Torre de Gálata (Galata Kulesi), Museu dos Mosaicos, Grand Bazaar e a Mesquita Azul. Taxa de inscrição: de € 80 a € 600.

7th Extraordinary International Symposium on Recent Advances in Otitis Media - 12/6 a 16/6 Local: Estocolmo, Suécia. Realização: Dept. of Otorhinolaryngology Karolinska University Hospital (www.otitismedia2013.se).

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Roteiro da ORL Briefing: temas relacionados à otite como epidemiologia, diagnóstico, fisiologia, imunologia, bioquímica, genética e biologia molecular. Passeios turísticos: Estocolmo apresenta belos edifícios medievais ao lado de uma charmosa arquitetura moderna. Estocolmo é também a casa do Prêmio Nobel. Taxa de inscrição: de US$ 304 a US$ 913 (adesão ao jantar de gala: U$ 114). Obs: todos os preços incluem imposto de 25%, exigido pela legislação fiscal sueca. A Suécia não é membro da União Monetária Europeia.

20th IFOS World Congress - 1/6 a 5/6

Local: Seul, Coreia do Sul. Realização: International Federation of Oto-Rhino-Laryngological Societies (www.ifosseoul2013.com), presidida pelo Prof. Dr. Paulo Augusto de Lima Pontes. Briefing: mais de 3.000 especialistas renomados oriundos da China, Japão, Índia e sudeste asiático são esperados para participar do evento. Passeios turísticos: a organização do Congresso oferece uma programação especial de turismo que engloba belas paisagens, culinária típica, museus e sítios históricos. A ABORL-CCF está preparando sugestões de roteiros alternativos. Taxa de inscrição: de US$ 300 a US$ 950 (adesão ao jantar de gala: US$ 100).

12º Congresso da Fundação Otorrinolaringologia - 15/8 a 18/8 Local: Campos do Jordão, SP, Brasil. Realização: Fundação Otorrinolaringologia (www.forl.org.br). Briefing: um dos mais importantes eventos na especialidade no Brasil, o Congresso da FORL deve receber cerca de 2 mil visitantes nas várias salas de aulas simultâneas. Passeios turísticos: Horto Florestal, Morro do Elefante, Pedra do Baú, passeio de Maria Fumaça, lojas e restaurantes de Capivari. Taxa de inscrição: de R$ 135 a R$ 600.

10º PEVOC - Pan Eupean Voice Conference - 21/8 a 24/8 Local: Praga, República Tcheca. Realização: Medical Healthcom - Voice and Hearing Centre Prague (www.pevoc.cz). Briefing: a PEVOC é uma conferência interdisciplinar que engloba aspectos médicos, terapêuticos, pedagógicos e científicos da voz. Passeios turísticos: Castelo de Praga, Catedral de São Nicholas, Relógio Astronômico, Teatro Nacional e o Monastério Strahov. Taxa de inscrição: de € 100 a € 580.

AAO – HNSF Annual Meeting & OTO EXPO - 29/9 a 2/10 Local: Vancouver, Canadá. Realização: American Academy of Otolaryngology-Head and Neck Surgery (www.entnet.org/annual_meeting). Briefing: novidades tecnológicas em Medicina, consultoria em gestão financeira, novidades do mercado farmacêutico, modernização de consultórios e muito mais. Passeios turísticos: Montanhas Grouse, Cypress e Seymour, Stanley Park, Vancouver Aquarium, Museum of Anthropology e Vancouver Art Gallery. Taxa de inscrição: não divulgado.

43º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - 20/11 a 23/11 Local: São Paulo, Brasil.

Realização: Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (www.aborlccf.org.br).

Briefing: Esta edição do Congresso Brasileiro vai inaugurar um novo padrão de organização do evento. A abertura vai acontecer na Sala São Paulo e a festa de encerramento no Espaço das Américas. São mais de 20 palestrantes internacionais convidados, 108 salas, cursos de instrução, palestras, painéis, debates e centro de exposições. (Veja mais sobre o evento na pg. 18). Passeios Turísticos: Conheça as ruas temáticas, como a rua das Jóias (Barão de Paranapiacaba), antecipe suas compras de Natal nas dezenas de shoppings e centros populares de compras, como a 25 de Março, curta o clima oriental da Liberdade, visite os museus de padrão internacional como o MASP, MuBE e Mis, divirta-se no circuito de teatros, shows e musicais, observe as vitrines da sofisticada rua Oscar Freire e experimente um “espresso” em uma das charmosas cafeterias dos Jardins. Aproveite o dia seguinte ao encerramento do Congresso e curta o GP Brasil de Fórmula 1, em Interlagos.

Mas, atenção: a cidade fica lotada nesta época! Não corra riscos, faça já sua reserva em um dos inúmeros hotéis da cidade. Taxa de inscrição: de US$ 115 a US$ 1.600.

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Congresso Brasileiro

Fórmula de

sucesso

José Cordeiro/SPTuris

O 43º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia vem cheio de inovações e com o objetivo de se tornar parâmetro para as futuras edições

Anhembi Parque: próximo ao metrô e à marginal Tietê

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SPTuris

Congresso Brasileiro

Theatro Municipal: São Paulo foi escolhida também por sua diversidade de cultura, lazer e gastronomia

C

omeçou ainda em 2012 a criação do Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia de 2013, que acontecerá em novembro, no Palácio das Convenções do Anhembi. Segundo Dra. Francini Pádua, coordenadora do Projeto de Reformulação do Congresso da ABORL-CCF, esta edição marca também um novo modelo de concepção do evento, o qual passa a contar com uma grade científica padrão que deverá ser adotada em todos os congressos daqui por diante. A escolha pela capital paulista para a realização do evento em 2013 foi bastante ponderada e recaiu em alguns aspectos funda-

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mentais: ampla malha aérea – praticamente todos os voos convergem para a cidade -, a existência de um centro de convenções conceituado, sistema de transportes eficiente e hotéis localizados em pontos estratégicos.

colha do espaço, pois lá é possível criar um centro de exposições com boa circulação. Os corredores são amplos e há muitas áreas a explorar. A existência de um hotel dentro do complexo Anhembi também é um ponto a favor.

O Palácio das Convenções do Anhembi passou por uma reforma completa há poucos anos e dispõe de salas excelentes, boa acústica, auditórios e salas de tradução simultânea já montadas. Conta ainda com espaço suficiente para a montagem de uma praça de alimentação, o que evita o deslocamento dos congressistas para almoçar ou mesmo tomar um café. Os patrocinadores do Congresso também aprovaram a es-

Outra facilidade é que ele fica próximo a uma estação de metrô, e os congressistas serão estimulados a utilizar o transporte público de São Paulo. Para tanto, serão disponibilizadas vans que farão o deslocamento dos congressistas da estação ao Centro de Convenções, de forma segura e confortável. “É comum que, em eventos internacionais, os participantes se desloquem de transporte público. O metrô de São Paulo é eficiente,

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Congresso Brasileiro pontual, limpo, seguro e tem uma malha bem distribuída. É uma alternativa viável”, aposta Dra. Francini.

Hotel Holiday Park: facilidade de hospedagem no complexo do evento

José Cordeiro/SPTuris

Pela manhã, nas 108 salas do complexo acontecerão palestras magnas, mesas redondas e debates em dois períodos. Aos debates estarão atrelados os temas correlatos - uma novidade desse Congresso - em que, entre aqueles que enviaram temas livres, alguns serão convidados a apresentar o trabalho também no período nobre.

Wanderlei Celestino - SPTuris

Quanto à programação do Congresso, a coorde­nadora do projeto não poupa elogios. “Está imperdível!”, afirma. Com a ajuda dos representantes das Academias e Departamentos foi possível elaborar uma grade científica com mais de um ano de antecedência, com um cuidado especial em oferecer desde temas básicos até avançados, apresentados por palestrantes de renome e com experiência no assunto, trazendo cada vez mais qualidade e inovação científica para o congressista. Os palestrantes internacionais já estão todos confirmados e as atividades serão mais interativas, com períodos exclusivamente destinados à discussão entre os palestrantes e os congressistas.

À tarde, haverá os cursos de instrução, que este ano recebem uma cara nova, seguindo os padrões da Academia Americana. São programas de 45 minutos de imersão ministrados por profissionais experientes. Os resumos das apresentações deverão ser submetidos no site do congresso (www. aborlccf.org.br/43cbo) e serão escolhidos por uma Comissão Julgadora de Cursos. Destina-se, ainda, um período exclusivo para a apresentação de temas livres, de forma a incentivar a pesquisa nacional e o jovem Otorrino que está iniciando sua vida acadêmica. “Quando fui convidada a participar da reformulação e organização do Congresso, no ano passado, fiquei muito feliz e honrada. E hoje, apesar do trabalho intenso, que exige muita dedicação, digo que tenho orgulho do que fizemos. Não tenho dúvidas de que o 43º Congresso Brasileiro vai ser o trampolim para um novo patamar em excelência, qualidade e crescimento científico para todos nós”, conclui Dra. Francini Pádua.

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Auditório Celso Furtado

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Agenda ORL

6 de março a 26 de junho 13º Curso de Extensão Universitária 1º Semestre Coordenação: Dr. Richard Voegels Local: FORL - São Paulo (SP) Informações: (11) 3068-9855

21 a 23 de março Curso de Dissecção de Osso Temporal - FORL - BA Coordenação: Prof. Dr. Ricardo Ferreira Bento Local: FORL - Salvador (BA) Informações: (11) 3068-9855

8 e 9 de março 2º Curso Internacional de Atualização em Otorrinolaringologia: Os Grandes Avanços na Otorrinolaringologia nos últimos 40 anos Coordenação: Dr. José Antonio Pinto Local: Hotel Matsubara - São Paulo (SP) Informações: (11) 3677-4405 ou 5573-1970

21 a 23 de março 13º Curso de Rinoplastia Avançada Coordenação: Dr. Wilson Dewes Local: Clínica Dr. Wilson Dewes - Lajeado (RS) Informações: (51) 3714-1765

13 a 15 de março 6º Curso de Anatomia e Dissecção de Osso Temporal Coordenação: Dr. Iulo Baraúna e Dr. Aldo Stamm Local: Complexo Hospitalar Professor Edmundo Vasconcelos - São Paulo (SP) Informações: (11) 5080-4357

22 de março Curso Otoplastia Cirurgia em Abano Coordenação: Prof. Dr. Ivo Bussoloti Filho e Prof. Dr. Fernando A. Quintanilha Ribeiro Local: Santa Casa de Misericórdia de São Paulo - São Paulo (SP) Informações: (11) 2176-7235

14 a 16 de março Curso de Cirurgias Endoscópicas Endonasais - FORL - BA Coordenação: Dr. Marcus Lessa Local: FORL - Salvador (BA) Informações: (11) 3068-9855

23 de março a 30 de junho Curso de Medicina do Sono 2013 Coordenação: Dr. Michel Cahali Local: FORL - São Paulo (SP) Informações: (11) 3068-9855

14 a 16 de março 4ª Imersão em Otorrinolaringologia Coordenação: José Eduardo Pedroso Local: Maksoud Plaza Hotel - São Paulo (SP) Informações: (11) 5080-4933

4 e 5 de abril 5º Curso de Implante Coclear Coordenação: Dr. Eduardo Barbosa de Souza Local: Auditório CEPPAJ - Hospital Santo Antônio - Salvador (BA) Informações: (71) 3186-0231

15 e 16 de março 5ª Oficina de Reabilitação de Pacientes Usuários de Implante Coclear do HCFMUSP Coordenação: Dra. Valéria Goffi Local: FORL - São Paulo (SP) Informações: (11) 3068-9855 15 de março a 6 de abril 11º Curso de Residentes em ORL APM 2013 Coordenação: Dr. Antonio Carlos Cedin Local: Associação Paulista de Medicina São Paulo (SP) Informações: (11) 3188-4248 15 e 16 de março Curso Próteses Implantáveis, Implante Coclear e Estimulação Eletroacústica - MEDEL UNICAMP Coordenação: Otologia Unicamp Local: Faculdade de Ciências Médicas FCM -UNICAMP - Disciplina de Otorrinolaringologia, Cabeça e Pescoço - Campinas (SP) Informações: (19) 3521-7454 16 de março 4º Curso Teórico de Anatomia em Otorrinolaringologia (POA) Coordenação: Dr. Geraldo Jotz Local: POA - UFRGS - Porto Alegre (RS) Informações: (11) 3068-9855 20 a 22 de março Curso Teórico-Prático de Endoscopia Dirigida ao ORL - Módulos 1 e 2 Coordenação: Dr. Domingos Hiroshi Tsuji Local: FMUSP - São Paulo (SP) Informações: (11) 3068-9855

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4 a 6 de abril Curso Teórico-Prático de Microcirurgia de Laringe com Dissecção de Peças Coordenação: Dr. Domingos Hiroshi Tsuji Local: FMUSP - São Paulo (SP) Informações: (11) 3068-9855 4 a 6 de abril Curso de Vectonistagmografia e Videonistagmoscopia Coordenação: Pedro Luis Cóser Local: Clínica Cóser - Santa Maria (RS) Informações: (55) 3221-9784

11 a 13 de abril Curso de Potenciais Evocados Auditivos Coordenação: Pedro Luis Cóser Local: Clinica Cóser - Santa Maria (RS) Informações: (55) 3221-9784 12 e 13 de abril Curso de Aprimoramento em Laringologia e Voz / Módulo 1 - Métodos Diagnósticos de Avaliação da Voz Coordenação: Dra. Adriana Hachiya e Dra. Saramira Bohadana Local: Anfiteatro do Hospital Paulista - São Paulo (SP) Informações: (11) 5085-0189 24 e 25 de abril 31º Curso de Microanatomia Cirúrgica do Osso Temporal - Parte Teórica Coordenação: Prof. Dr. Oswaldo Laércio Mendonça Cruz Local: Hospital de Clínicas de Porto Alegre Porto Alegre (RS) Informações: (11) 3155-0887 24 a 27 de abril 31º Curso de Microanatomia Cirúrgica do Osso Temporal Coordenação: Prof. Dr. Oswaldo Laércio Mendonça Cruz Local: Hospital de Clínicas de Porto Alegre Porto Alegre (RS) Informações: (11) 3155-0887 29 de abril a 3 de maio 3º Curso de Dissecção do Osso Temporal, Eletrofisiologia da Audição e Monitoramento de Nervos Cranianos da Clínica Paparella Coordenação: Prof. Dr. Luiz Carlos Alves de Sousa Local: Clínica Paparella Ribeirão Preto Ribeirão Preto (SP) Informações: (16) 3610-8459

20 a 23 de novembro 43º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial

5 e 6 de abril 22ª Jornada de ORL da UFMG e 8ª Jornada de ORL da FORL-MG Coordenação: Dr. Marcelo Hueb Local: FORL - Uberaba (MG) Informações: (11) 3068-9855

16 de abril 15º Dia Mundial da Voz Realização: ABORL-CCF e Academia Brasileira de Laringologia e Voz

Coordenação: Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial Local: Anhembi Parque

Local: Em todo território nacional

Informações: www.aborlccf.org. br/43cbo

Informações: (11) 5053-7500

Telefone: (11) 5053-7500

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Arquitetura

Pequenos ou grandes, os desafios para montar um bom consultório são os mesmos: funcionalidade, circulação e conforto. Conversamos com alguns arquitetos renomados que nos deram dicas preciosas para criar um ambiente de trabalho eficiente e bonito

C+A Arquitetura e Interiores

Por Sheila Godoi e Eliana Antiqueira

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“Arquitetura é música petrificada”

A

ssim definiu Goethe, escritor alemão do século 18. Harmonia, ritmo e sedução em linhas e cantos, paredes e janelas. Mais do que apenas beleza, a arquitetura busca a melhor solução para o espaço. Desde 2002, uma legislação específica da Agência Nacional de Saúde (Anvisa), a RDC-50, estabelece normas e orienta arquitetos e enge-

nheiros que se dedicam a projetos específicos desta área. Seguindo esses parâmetros, eles estão preparados para encontrar as melhores ideias. De acordo com a arquiteta Ana Carolina Tabach, da C+A Arquitetura e Interiores, o projeto deve ser imaginado com uma vida útil longa, prevendo aumento da capacidade de atendimento e o surgimento de novos equipamentos. Para isso, a localização do consultório é fundamental. Segundo o arquiteto João Armentano, é preciso avaliar a facilidade de acesso, proximidade com estacionamentos e a circulação de transporte público.

Shutterstock

Arquitetura

Carlos Queiroz

Metros Quadrados A sala de atendimento é prioridade na hora de desenhar o consultório. Recomenda-se uma área de aproximadamente 12 m², prevendo o local da anamnese e exame. Atualmente, existem muitos empreendimentos voltados para o segmento de saúde com conjuntos comerciais de, em média, 37 m². “Com essa metragem é possível implantar uma pequena recepção com sala de espera e banheiro, e sala de exame e outro banheiro separados”, afirma Ana Carolina Tabach. Em um conjunto novo, sem revestimento nem instalações, o custo médio para a montagem de um consultório fica em torno de R$ 2 mil por m². Já em clínicas de médio porte, com metragem variando de 80 m² a 120 m², o ponto sensível é a sala de espera. Ela deve ser planejada para comportar, em média, quatro pacientes por consultório. Se a clínica contar com cinco salas de atendimento, o espaço deve possuir 20 lugares e assim sucessivamente. “A elaboração do projeto de interiores é como se fosse um mapa, um guia para chegar ao objetivo final,

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Projeto de Fabiano Veríssimo: sala de atendimento integrada à sala de exames

que é garantir conforto e privacidade”, complementa a arquiteta Marília de Campos Veiga. Os custos de expansão aumentam de 20% a 30% em relação aos de implantação. Se o projeto contemplar um centro médico, a palavra-chave é acessibilidade. Em residências, deve ser priorizado o acesso para embarque e desembarque dos pacientes e até de ambulâncias. “Se a casa tiver mais de um pavimento, é preciso considerar a instalação de elevadores”, aponta a diretora da C+A. Também é importante que a entrada de funcionários seja independente daquela de acesso ao público.

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Arquitetura

Daniel Veiga\Projeto Marília Veiga

COMPOSIÇÃO DAS LUZES Fluxo, cor, temperatura e intensidade. Importante no desenvolvimento do projeto arquitetônico, o estudo luminotécnico vai medir essas e outras características da luz com o objetivo de se chegar ao equipamento mais adequado e à estética mais conveniente para o ambiente. Em hospitais, clínicas e consultórios o principal aspecto considerado é a funcionalidade. O conforto visual precisa ser compatível à intensidade exigida para a realização dos procedimentos. “Em ambientes que exijam a necessidade de escurecimento do ambiente, a sugestão é optar por um dimer, com o qual o profissional regula a luminosidade, ou mesmo uma simples persiana”, explica a designer de interiores Cristina Barbara. Na sala de espera, a combinação de arandelas e abajures dão a sensação de aconchego. Abajur na sala de espera transmite uma sensação de aconchego

CORES IDEAIS

Em consultórios médicos, o branco é a cor clássica. Aderir ao tradicional ou inovar no estilo é apenas uma questão de gosto. Aos que optam por formatos mais modernos, o segredo é sair do branco, mas sem abandonar as tonalidades claras. “Tons pastel transmitem paz e conforto aos pacientes”, ressalta Fabiano Verissimo, do escritório Verissimo Arquitetos.

Segundo Armentano, a paleta ideal pode conter branco, bege, off white e fendi. Cores muito fortes criam um efeito de redução das dimensões do local e podem gerar cansaço visual. “Não há regras, mas as opções mais indicadas são os tons claros e neutros, que dão a sensação de amplitude”, diz. Os detalhes da decoração podem receber cores mais fortes e estampas para quebrar a monotonia dos claros.

O mobiliário pode ser customizado ou não, mas deve ser funcional e prático. “É essencial priorizar o desempenho do profissional no consultório, sobretudo o acesso aos equipamentos e a interação com o paciente”, salienta a arquiteta Fernanda Marques. “Na mobília, utilizamos o MDF, que vem substituindo a madeira natural, enquanto na bancada de apoio instrumental, a tendência é o uso do inox ou granito”, aponta Veríssimo. Para facilitar a assepsia, Ana Carolina Tabach recomenda o uso de porcelanatos ou pisos vinílicos no chão, e pintura acrílica ou revestimentos vinílicos para as paredes.

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C+A Arquitetura e Interiores

MÓVEIS, PISOS E PAREDES

Móveis integrados ao espaço melhoram a circulação

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C+A Arquitetura e Interiores

Arquitetura

NÃO ESQUEÇA NO PROJETO! Central de resíduos O espaço é uma norma do Ministério da Saúde, que exige acondicionamento separado para diferentes tipos de lixo (comum, reciclável, infectante e químico).

Jardim interno: opção elegante para salas de espera

Sala de espera ideal

A angústia e o tédio da espera podem ser minimizados com soluções simples que acalmam o paciente e fazem deste um espaço agradável. Veja as dicas da C+A Arquitetura:

Ofereça informação de qualidade A sala de espera do consultório deve ser confortável. Pode ter uma TV em volume agradável, uma janela com vista para o horizonte da cidade ou um jardim interno. Revistas sobre temas relacionados à especialidade são opções para que os pacientes descubram novidades e tratamentos. Livros também são sempre muito consultados, desde que não sejam estritamente técnicos.

Planeje bem a iluminação Nosso clima tropical proporciona condições para maior aproveitamento da iluminação natural, que traz diversos benefícios para a saúde, além de proporcionar a sensação

psicológica do tempo, tanto cronológico quanto climático. A luz artificial deve ser vista sempre como complementação e nunca como substituição da luz natural.

Escolha cores apropriadas A cor pode ser entendida como uma poderosa linguagem que afeta não apenas as sensações psicológicas, mas também desperta os sentidos e a percepção do espaço, influenciando no estado de espírito das pessoas.

Comunicação visual Os elementos gráficos da comunicação visual devem apresentar clareza de leitura, precisão, objetividade, dimensões adequadas e harmonia com o ambiente em que estejam inseridos.

Higienização de instrumentos A criação da sala de procedimentos requer, necessariamente, um espaço anexo para a higienização de instrumentos. Refrigeração dos ambientes Existem normas específicas. Alguns ambientes podem contar apenas com ar-condicionado, outros deverão seguir as restrições de filtragem e volume de troca de ar. Espaço para funcionários Refeitórios, banheiros e vestiários privativos, bebedouros, copa e cozinha equipadas precisam constar no projeto de acordo com o número de funcionários. Equipe multidisciplinar Além do arquiteto, a equipe deve contar com gestores que vão viabilizar os custos do projeto e fazê-lo funcionar de forma eficiente e econômica depois de pronto.

C+ A Arquitetura: (11) 3085-2814 www.caarquitetura.com.br / João Armentano: (11) 3048-1299 www.joaoarmentano.com / Marília Veiga Interiores: (11) 3021-1717 www.mariliaveiga.com.br / Fernanda Marques Arquitetos Associados: (11) 3849-3000 www.fernandamarques.com.br / Verissimo Arquitetos: (53) 3225-6060/ www.verissimoarquitetos.com.br /Cristina Barbara Arquitetura e Interiores: (11) 3842-8562 www.cristinabarbara.com.br

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Opinião

CONQUISTAS E RUMOS Por Dra. Wilma Anselmo-Lima

Arquivo pessoal

internacionais a fim de sobreviver. Com isso, todos previram a morte das principais revistas brasileiras, o que felizmente não aconteceu na ORL.

O

Brazilian Journal of Otorhinolaryngology comemora 80 anos (1933-2013) de ciência e progresso; são oito décadas de contribuição para o engrandecimento da nossa especialidade. Sem dúvida, este será um ano sério e de muito trabalho, porém também de festa e alegria para todos nós, Otorrinolaringologistas. Olhando para trás, nós vemos um caminho árduo percorrido pelos nossos antecessores na busca de uma revista de excelência. Naquela época, entretanto, não tínhamos a CAPES, órgão governamental que financia os programas de pós-graduação no país e exige publicações de alto impacto. Isso acarretou diversos problemas para os programas de pós-graduação e para o Otorrino brasileiro, o qual passou a encaminhar seus trabalhos para revistas

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Apoiados fortemente pelas diretorias anteriores de nossa associação, os editores passaram a trabalhar arduamente pela melhoria da revista, fazendo da mesma, nos últimos 10 anos, um órgão representativo da comunidade científica otorrinolaringológica: foi indexada no Lilacs, Scielo e, em 2005, chegou no PubMed Central e Medline. Em junho de 2011, conseguiu, finalmente, sua indexação na Thomson Reuters-ISI, o que representou um passo extremamente importante para a internacionalização, devendo ter seu fator de impacto medido no mês de junho de 2013. Nossa luta é pela internacionalização definitiva da nossa revista. Esta a única forma de podermos não só atrair os melhores trabalhos feitos no nosso país, como também despertar o interesse de autores de outros países, ampliando nossa participação no cenário científico internacional. Precisamos de artigos de boa qualidade e, para isso, contamos com um grupo de revisores que, por meio de análises criteriosas, contribuem com a melhora dos artigos que apresentam mérito científico e a eliminação dos que contêm falhas metodológicas, amostragens pequenas ou que não

apresentam resultados expressivos. A importância da revisão eficiente de um artigo se traduz em uma publicação de alta qualidade científica, a qual, uma vez divulgada para a comunidade nacional e internacional, gera maior número de citações e, como consequência, aumenta o fator de impacto da revista. Na tentativa de investir no melhor preparo dos revisores, promovemos um curso bastante interessante em 2012 com o Prof. Maurício Ganança, “Como Avaliar um Artigo Científico”, e pretendemos dar continuidade a esses encontros, fazendo um por semestre. No dia 22 de junho, já temos programado outro curso, “Como Elaborar um Artigo Científico”, que será ministrado pelo Prof. Gilson Volpato, autor de livros renomados no que tange ao assunto. Procurando seguir junto com o progresso da tecnologia aliada à ciência, nossos sócios já podem ter acesso aos fascículos em dispositivos móveis, como iPhones e iPads, além de termos o prazer de informar que o aplicativo de visualização do BJORL em sistema Android já está disponível para download na Google Play (loja de aplicativos da Google). Nosso futuro como periódico de alto nível depende de cada um de nós; por isso, contamos com o apoio de cada um de vocês, para termos publicações de qualidade crescente e perene no BJORL.

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Educação Continuada

Informação de ponta

E

m dezembro de 2012, mais uma iniciativa da Educação Médica Continuada entrou no ar no site da ABORL-CCF. Este projeto tem por objetivo apresentar de forma sintética e bem objetiva o que há de mais recente sobre os variados temas do cotidiano do Otorrinolaringologista. Em toda edição, teremos um artigo publicado tanto no site quanto na revista da Associação. Os primeiros dois temas abordados são Avaliação pré-operatória da apneia obstrutiva do sono em crianças e Rinossinusite aguda. Este projeto vem ao encontro da demanda de vários colegas de nossa associação e esperamos que seja muito proveitoso. Boa leitura. Dr. Renato Roithmann,

Coordenador da Comissão de Educação Médica Continuada

Os últimos dois anos em Rinossinusites Agudas (RSA): o que há de novo? Definição: Processo inflamatório da mucosa nasossinusal de início súbito caracterizado por dois ou mais dos sintomas abaixo, sendo um deles obstrução/congestão nasal ou secreção nasal (anterior ou posterior), com duração menor do que 12 semanas. Neste período deve ocorrer a resolução completa do processo inflamatório. 1. Obstrução/congestão nasal 2. Secreção nasal 3. Dor/pressão facial

Classificação: Pode ser dividida em: 1. Resfriado Comum (Rinossinusite viral aguda): duração dos sintomas menor do que 10 dias, 2. Rinossinusite aguda pós-viral: piora dos sintomas após o 5º dia ou persistência maior do que 10 dias, mas menor do que 12 semanas. Um pequeno grupo das rinossinusites pós-virais é causado por bactérias, e deve ser denominado de Rinossinusite aguda bacteriana (Figura 1).

4. Redução ou perda do olfato Comentário: A definição anterior de rinossinusite aguda estipulava o tempo máximo de quatro semanas. Na criança, os mesmos critérios clínicos são utilizados, exceto pela substituição da redução ou perda do olfato pela presença de tosse. Severidade da doença: A rinossinusite aguda pode ser dividida em leve, moderada ou severa, baseada na quantificação do paciente em uma escala analógica visual de 0 a 10 cm. Escala analógica visual: - Leve: 0-3 cm - Moderada: >3-7 cm - Severa: >7-10 cm Comentário: A classificação em leve, moderada e severa tem implicações terapêuticas, ajudando na tomada de decisão em relação ao uso de corticoide intranasal e/ou antibiótico (vide tratamento).

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Figura 1 – Rinossinusite aguda pode ser dividida em Resfriado Comum e Rinossinusite pós-viral. Um pequeno grupo dos casos pós-virais é causado por bactérias (Rinossinusite aguda bacteriana). EPOS 2012

Critérios para Rinossinusite bacteriana aguda (EPOS 2012): pelo menos 3 dos sintomas/sinais abaixo presentes. 1. Secreção com cor (com predominância unilateral) e secreção purulenta no rinofaringe;

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Educação continuada

3. Febre > 38º C; 4. Velocidade de Hemossedimentação ou proteína C reativa elevados; 5. “Dupla piora”. Comentário: Nas classificações anteriores, nos quadros nos quais ocorria piora após o 5º dia (Dupla piora), ou persistência após 10 dias podia se presumir que era bacteriano e iniciar antimicrobiano. Como a maioria dos quadros é de etiologia viral, o objetivo da nova classificação é restringir ao máximo o diagnóstico dos quadros bacterianos e, assim, evitar o uso indiscriminado de antimicrobianos. Microbiologia da RSA: Vírus - Rinovírus em 50% dos casos. Outros: coronavírus, influenza, parainfluenza, adenovírus, etc. Bactérias: Streptococcus pneumoniae, Haemophilus, Moraxella, Staphylococcus aureus (menos prevalente nos casos agudos). Diagnóstico: Geralmente é realizado pelo não especialista, exceto na presença de complicações. História clínica com a mesma duração e intensidade dos sintomas é o suficiente para caracterizar os casos não complicados. Além dos quatro sintomas mais frequentes: obstrução, secreção, dor e alteração do olfato, outros sintomas podem ocorrer, como dor de garganta, disfonia, tosse, cefaleia, fadiga, mal estar e febre.

Amana Salles

Situações especiais: Testes diagnósticos mais específicos são necessários em pesquisa (clinical trials), pacientes de UTI, pacientes imunossuprimidos, presença de comorbidades sistêmicas, complicações orbitárias ou intracranianas e doença recorrente. Nestes cenários, outros testes diagnósticos são necessários (ex: endoscopia, imagem, bacteriologia, imunologia, entre outros).

Dra. Francini Pádua

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Médica colaboradora da Disciplina de Otorrinolaringologia Pediátrica do Departamento de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Universidade Federal de São Paulo, Escola Paulista de Medicina

Comentário: O Otorrinolaringologista tem o privilégio de poder realizar endoscopia nasossinusal na rotina do seu atendimento. O diagnóstico, portanto, é muito facilitado. Contudo, a diferenciação entre quadros virais e bacterianos pode confundir também o especialista. Os critérios descritos anteriormente facilitam a decisão de prescrever ou não antimicrobiano. A tomografia de seios paranasais deve ser sempre solicitada nos casos em que haja suspeita de complicações orbitárias, intracranianas ou ósseas das rinossinusites; assim como em pacientes imunossuprimidos e internados em UTI com sintomas nasossinusais. Manejo: O princípio geral é que a maioria dos casos evolui para cura espontânea, não sendo necessário uso de antimicrobianos. Deve ser baseado na intensidade dos sintomas e tempo de evolução. Corticoide tópico intranasal nos casos moderados e severos em dose mais alta do que a usual utilizada nas rinites. Corticoide oral pode ser utilizado em casos mais severos para alívio sintomático (ex: dor facial). Antimicrobianos somente nos casos severos ou utilizando os critérios citados anteriormente. Amoxicilina ainda é boa opção. A lavagem nasal deve ser sempre associada, pois promove a limpeza da cavidade. Comentário: Cuidado nas situações especiais anteriormente citadas, onde outros antimicrobianos de maior espectro são melhores opções iniciais de tratamento (amoxacilina + ácido clavulânico, acetil-cefuroxima, quinolonas respiratórias, clindamicina, entre outras). A não melhora dos sintomas em até 72 horas após a introdução do antimicrobiano sugere falha terapêutica e o antimicrobiano deve ser substituído. A má evolução deve chamar a atenção para uma possível complicação e o exame de imagem deve ser solicitado. Sugestão de leitura: European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyposis 2012. Rhinology suppl 23:1-299.

Arquivo pessoal

2. Dor severa local (com predominância unilateral);

Professor de Otorrinolaringologia

Prof. Dr. Renato Roithmann

Faculdade de Medicina da Universidade Luterana do Brasil

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Educação Continuada

Últimos dois anos em Apneia obstrutiva do sono na criança:

avaliação pré-operatória minimiza os riscos cirúrgicos? A adenoamigdalectomia é a cirurgia mais comumente realizada pelos Otorrinolaringologistas e considerada de baixo índice de complicações. Atualmente, porém, a principal indicação para este procedimento é a apneia obstrutiva do sono. E, portanto, além das complicações hemorrágicas, há o potencial risco de repercussões respiratórias.

nadir da saturação de oxihemoglobina são os fatores realmente relacionados com as complicações. Hill et al., 2011, destacam que as complicações respiratórias são mais comuns em pacientes com IAH > 24. Outros fatores, isolados do IAH seriam: idade menor de 2 anos, laringoespasmo intraoperatório e dessaturação de oxihemoglobina < 90% na recuperação pós-anestésica. Concluímos, dessa forma, que os exames pré-operatórios habituais, como o coagulograma e o ecocardiograma, pouco auxiliam na prevenção de complicações, assim como acabam por aumentar o custo do procedimento. Sendo a polissonografia necessária para se quantificar a gravidade da apneia obstrutiva do sono.

A grande discussão deve-se à necessidade de avaliação pré-operatória da coagulação. Em adultos, a avaliação pré-operatória por meio de triagem por coagulograma e contagem de plaquetas não se mostrou eficaz. Entretanto, pacientes com história pré-operatória de hemorragia apresentaram risco dobrado para hemorragia após a cirurgia (risco relativo 1,99) comparados a pacientes sem história pregressa. Para uma história positiva de possível coagulopatia, deve-se considerar epistaxes frequentes, hipermenorréira, hemorragia gengival e experiência de sangramento pós -operatório.

Referências: Hill CA, Litvak A, Canapari c, Cummings B, Collins C, Keamy D,Ferris TG, Hartnick CJ. A pilot study to identify pre- and peri-operative risk factors for airway complications following adenotonsillectomy for treatment of severe pediatric OSA. Inter J of Pediatr Otorhinolaryngol. 2011;75: 1385–1390.

Em crianças, é difícil conseguir uma história pregressa, exceto naquelas em que a história familiar é positiva. Dessa forma, para a maioria das crianças é solicitado o coagulograma como triagem. Os hematologistas pediátricos recebem um grande número de pacientes para avaliação pré-operatória por apresentarem prolongamento dos Tempos de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPA) ou Protrombina (TP), e estas não apresentam discrasias sanguíneas. Estes relatam que, exceto na contagem de plaquetas, o TTPA e o TP têm pouco ou nenhum valor na triagem de distúrbios primários da coagulação, como, por exemplo, Von Willembrandt.

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Sarny S, Ossimitz G,• Habermann W, • Stammberger H. Preoperative coagulation screening prior to tonsillectomy in adults: current practice and recommendationsEur Arch Otorhinolaryngol 2012; Epub ahead of printDOI 10.1007/s00405-012-2099-z Werne EJ. Preoperative hemostatic screening for pediatric adenotonsillar surgery: worthwhile effort or waste of resources? Pediatr Blood Cancer. 2010 Dec 1;55(6):1045-6DOI 10.1002/pbc.22769

ABORL-CCF

Dentre as complicações respiratórias, a dessaturação e o edema agudo de pulmão são muito mais frequentes em crianças com distúrbios respiratórios do sono. Sabe-se que a gravidade da apneia, cujo padrão ouro para determiná-la é a polissonografia, está associada a alterações cardiovasculares. Entretanto, as dificuldades de realizar o exame, assim como a disponibilidade de leitos e o seu custo, são bem conhecidos. Assim, muitos defendem a solicitação de avaliação cardíaca pré-operatória ou pelo menos um ecocardiograma para avaliar hipertrofia das câmaras direitas e cor pulmonale. Revenaugh et al., 2011, não encontraram, dentre os parâmetros ecocardiográficos realizados de rotina, diferenças que estejam associadas a eventual complicação respiratória e, portanto, contraindicam a avaliação cardíaca prévia. Sendo que a polissonografia é soberana. Uma vez que o índice de apneia-hipopneia e o

Revenaugh C, Chmielewski LJ, Edwards T, Krishna J, Krakovitz P, Anne S. Utility of preoperative cardiac evaluation in pediatric patients undergoing surgery for obstructive sleep apnea. Arch Otolaryngol Head Neck Surg. 2011;137(12):1269-1275.

Professora Livre-Docente da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da USP

Dra. Renata Di Francesco

Coordenadora da Comissão de Educação Médica Continuada da ABORL-CCF

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Perfil

Medicina

por vocação Vicent Sobrinho

Por Sheila Godoi

D Dr. Menon: 50 anos dedicados à Otorrinolaringologia

ono de uma das maiores clínicas de Otorrinolaringologia de São Paulo e de um currículo respeitável, com passagem pelo Institut Georges Portmann, na França, Antônio Douglas Menon é um célebre nome da especialidade. Profissional da velha guarda, já perdeu as contas de quantos países visitou, para acompanhar congressos, cursos e eventos científicos. Palmeirense desde a infância, fala de futebol com muita propriedade e acompanhou diversas Copas do Mundo de Futebol e Jogos Olímpicos, como coadjuvante da crônica esportiva. Em sua lista de pacientes figuram importantes personalidades do mundo político, esportivo e artístico, como o grande astro do blues B. B. King, que durante passagem pelo Brasil, em 1986, foi ao consultório do especialista para cuidar da voz. E não para por aí! Menon participou da fundação do Hospital Ibirapuera e da Sociedade Brasileira de Cefaleia, além de ter passado pela diretoria da ABORL-CCF e ser, desde 1988, membro da American Academy of Otolaryngology - Head and Neck Surgery. E, claro, não pensa em aposentar o otoscópio tão cedo. Hoje, aos 80 anos de idade, dos quais 56 correspondem à carreira médica, e com uma disposição invejável, o paulistano assume: “estudei e sou médico por vocação”. Filho do bancário Antônio Menon e da professora Maria Luíza Laurito Menon, ele foi o primeiro de muitos médicos na família. O especialista tem três filhas,

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Perfil

Como tudo começou... Concluiu o curso de Medicina, pela Escola Paulista de Medicina/ Unifesp

Começou a frequentar o serviço de ORL da Policlínica de São Paulo e o ambulatório da Escola Paulista de Medicina

1956

1959

Foi para a França e focou os estudos na área de Otologia

Em meio às discussões para a criação da SBCe, publicou um trabalho acadêmico na revista Headache

Recebeu homenagem do CRM pelos 50 anos de formação

1971

1975

2006

1966

1974

1984

2012

Após concluir o doutorado, se torna médico interno da Casa Maternal Leonor Mendes de Barros

Participou da fundação do IOEP, que mais tarde se chamaria Hospital Ibirapuera

Recebeu o título de mestre em Otologia pela PUC-SP

Se tornou sócio honorário da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo

Aos 80 anos de idade, sente-se satisfeito com a profissão, e não pensa em aposentadoria

das quais duas são médicas e uma é dentista, e seis netos, três deles médicos. “Depois de mim, veio uma geração inteira de profissionais da saúde”, diz, satisfeito. O primeiro contato com a Medicina, como lembra Menon, foi quando ainda em idade colegial, conheceu o clínico que tratou da enfermidade digestiva do seu avô. “O professor da Faculdade de Medicina, Reinald Chiaverini, foi o médico responsável pelo tratamento e me influenciou muito por sua dedicação e carinho impressionantes”, recorda.

Decidida a profissão que queria seguir, o momento mais importante em sua vida acadêmica aconteceu há mais de meio século. No fim de 1956, o aluno da Escola Paulista de Medicina da Unifesp tinha em mãos o tão almejado canudo. Dr. Menon, como passaria a ser chamado, poderia, enfim, atuar oficialmente como um profissional de saúde.

Vicent Sobrinho

1957

Em 2 de janeiro de 1957, deu os primeiros passos da atividade médica, no consultório situado no bairro do Ipiranga, atendendo adultos e crianças como clínico e parteiro Reconhecimento: trabalhos premiados

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Perfil

Não demorou muito para que o círculo de amigos do especialista se organizasse e estabelecesse, então, um marco na história da Otorrinolaringologia brasileira. Em 1966, o grupo, que trabalhava no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo e no Hospital das Clínicas da USP, associou-se para fundar uma clínica que viria a ser uma das maiores do país na especialidade. Naquele ano foi inaugurado o Instituto de Otorrinolaringologia e Endoscopia Peroral (IOEP) que, posteriormente, passou a se chamar Hospital Ibirapuera. “Inúmeros colegas ali se formaram e se espalham pelo Brasil afora, alguns se distinguindo enormemente na especialidade e outros com renome mundial”, destaca o médico, com orgulho. Foi uma instituição que marcou época na formação de residentes na especialidade, sendo reconhecido pelo Ministério de Educação e Cultura, mas teve suas atividades encerradas em 1986, deixando uma marca lembrada até hoje.

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Outra contribuição de Menon foi com a fundação da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe). Ao lado dos doutores Edgard Rafaelli Junior e Luiz Carlos Reis, ele apresentou um trabalho no Congresso Mundial de Neurologia, em 1973, em Barcelona, sobre dor de cabeça e vertigem. Premiado, o trabalho foi publicado na revista americana Headache, dois anos depois. “Muita gente tinha enxaqueca, dor de cabeça e labirintite, de onde surgiu essa íntima relação entre a ORL e a Neurologia”, explica Menon. A partir de então, as conversas sobre o tema avançaram e culminaram com a SBCe, que hoje é vinculada à American Association for Study of Headache. Intercalando os atendimentos entre o Hospital Sírio-Libanês, onde está desde 1986, e a clínica que leva o seu nome, Antônio Douglas Menon recebeu, em 2006, uma homenagem espe-

cial do Conselho Regional de Medicina, em 2006. Ao lado de colegas com 50 anos ou mais de formatura, ele recebeu o título pelo tempo de atuação profissional durante uma cerimônia realizada no Theatro Municipal de São Paulo. “Foi um momento extremamente importante na minha caminhada na Otorrinolaringologia”, recorda. E engana-se quem pensa que a aposentadoria está logo aí! Para ele, a vida profissional continua a todo vapor e com planos para o futuro. No que depender da disposição desse médico, muita gente ainda vai passar pela rua Barata Ribeiro, onde está a tradicional Clínica Dr. Antônio Douglas Menon. “Para um médico, há o momento certo de parar. Agora não estou pensando nisso, não! Não há dia, mês ou ano... Continuamos firmes na nossa caminhada!”, brinca, com a maior sinceridade do mundo.

Vicent Sobrinho

principalmente. Nesse ínterim, foi despertando o interesse pela especialidade, em decorrência dos inúmeros pacientes que atendia e com queixas na área otorrinolaringológica, como crianças com dor de ouvido. “Comecei a frequentar o serviço de Otorrinolaringologia da Policlínica de São Paulo, sob a responsabilidade do Professor Hugo Ribeiro de Almeida, e o ambulatório da Escola Paulista de Medicina, cujo professor era o Dr. Pedro Luiz Mangabeira Albernaz”, detalhou. (ver História da ORL, pg. 38)

Currículo: criação do Hospital Ibirapuera e da Sociedade Brasileira de Cefaleia

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plano

A

plano

B

Da residência para o mercado A residência acabou e agora começam as exigências para definir os rumos da carreira. Consultório, vida acadêmica, serviço público? Não importam quais as escolhas, todas pedem foco e mais estudo. Por Sheila Godoi

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Shutterstock

Carreira


Carreira

no sistema público e privado, de acordo o Ministério da Educação. Desse total, 367 são destinadas à especialidade de Otorrinolaringologia. Dependendo do objetivo e das perspectivas do médico, é possível explorar as boas oportunidades de carreira em instituições públicas ou privadas. “A ORL cresceu muito nos últimos 20 anos e vai continuar avançando. É uma especialidade prática, resolutiva, tem um retorno financeiro razoável a médio prazo,

Ainda é muito tímido o espaço reservado em congressos e eventos que abordem a gestão de negócios em saúde. É fundamental ajudar o profissional a delinear sua trajetória. A residência forma médicos, mas não forma gestores

Os desafios da carreira, entretanto, não são poucos. O primeiro é a remuneração. “O serviço público remunera mal e poucos oferecem boa estrutura de trabalho. Na clínica particular existe a dependência dos convênios. Esta é uma realida-

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24,9 mil vagas de residência

se comparada às outras, e se tornou muito disputada entre os residentes. Isso faz com que pessoas muito boas entrem na área e, como em um ciclo virtuoso, esses profissionais estimulam a inserção de outros médicos qualificados”, esclarece o coordenador do Hospital Universitário USP e diretor de Rinologia do Hospital das Clínicas da FMUSP, Dr. Richard Voegels.

Arquivo pessoal

O

Brasil é hoje um dos maiores formadores de médicos do mundo, com

Dr. Alexandre Sgavioli coordena o NIREDE, da Unimed de Vitória (ES)

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Carreira

de que todos enfrentamos no início, mas não desistimos, porque seguimos uma vocação”, afirma o chefe do departamento de Otorrinolaringologia e Oftalmologia do Hospital das Clínicas da FMUSP, Dr. Ricardo Bento. Se o médico pretende assumir a gestão de seu consultório ou mesmo de uma instituição de saúde é fundamental que este profissional adquira conhecimentos de administração. “Conhecer o funcionamento das organizações e suas interfaces com o mercado é o primeiro passo para uma carreira promissora”, aponta o professor Adriano Antonio Marques de Almeida, coordenador do curso de pós-graduação em Administração Hospitalar da Universidade São Camilo.

residência em 2008 e hoje é coor-

Dr. Alexandre Sgavioli terminou sua

denador do Núcleo de Inteligência

de Rede, da Unimed de Vitória (ES). Em seu segundo MBA relacionado à gestão de negócios em saúde, ele

ressalta a importância de ter noções de marketing, planejamento estraté-

gico e epidemiologia gerencial, ou seja, um estudo para a inserção no

mercado de trabalho. “Ainda é mui-

do 43º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia, que acontecerá em novembro, em São Paulo, preparam para o pré-congresso um curso de gestão, justamente para orientar os profissionais nos meandros da administração. Para os que buscam se aprofundar na prática médica, o Instituto

to tímido o espaço reservado em

Paranaense de Otorrinolaringologia

esse viés. E é fundamental ajudar

“Primeiro Emprego Jovem Otorrino”,

tória”. Isso, porque, segundo o es-

reira. “O objetivo é dar oportunida-

formam bons técnicos, mas não

se aprimorar dentro da especialida-

para o mercado de trabalho, em um

pesquisa clínica”, explica Dr. Odin

Pensando nisso, os organizadores

do corpo clínico do IPO.

congressos e eventos que abordem

criou um programa denominado

o profissional a delinear a sua traje-

como estratégia de impulso à car-

pecialista, “as residências médicas

de para o jovem médico trabalhar e

formam

preparados

de, oferecendo inclusive incentivo à

mundo globalizado e competitivo”.

Ferreira do Amaral Neto, membro

profissionais

Dr. Richard Voegels, diretor de Rinologia do Hospital das Clínicas

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Gilda Seara

A Otorrinolaringologia é uma especialidade prática, resolutiva, tem um retorno financeiro razoável a médio prazo, se comparada a outras especialidades, e, por esses motivos, se tornou muito disputada entre os residentes. Isso faz com que pessoas muito boas entrem na área Dra. Maria Dantas Godoy abriu seu consultório, mas continua na vida acadêmica

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Carreira

Se espelhar na vivência de profis-

rado em breve e me lançar de vez na

desafios”, ressalta o médico que

sionais bem-sucedidos também é

carreira acadêmica”, declara.

hoje é preceptor do departamento

um ótimo exercício para definir os rumos da carreira e perceber que é possível se aventurar por mais de um caminho. Dra. Maria Dantas Godoy veio de Pernambuco, em 2010, para o programa de fellowship da Universidade de São Paulo e abriu seu próprio consultório, embora nunca tenha deixado de flertar com a vida na academia. “Ao fazer uma retrospectiva, vejo o quanto cresci desde a fase da residência. Posso dizer que é um processo contínuo de aperfeiçoamento, que atrai novos

bém encarou o desafio de conciliar as atividades práticas – plantões, ambulatório e enfermaria –, com as atividades teóricas – seminários, provas, dissecções, apresentação de reuniões–, e aproveitou o estreito convívio com profissionais de alto nível para escolher definitivamente a Otologia. “Dentro de nosso programa temos contatos com

profissionais

excepcionais

em todas as áreas de atuação da ORL, o que nos dá uma ótima ideia de cada especialidade e de seus

Arquivo pessoal

desafios: pretendo concluir o douto-

Dr. Gustavo Arruda de Barros tam-

de Otorrinolaringologia da FMUSP, além de trabalhar na rede pública, na região de Santo Amaro, zona sul de São Paulo, e tocar seu próprio consultório. Seja qual for a opção, é fundamental buscar formação específica, orientação e bons exemplos. Também nunca é tarde demais para mudar o curso da carreira, se arriscar na vida acadêmica, na gestão administrativa ou no serviço público. O importante é jamais perder a curiosidade e o prazer que a vocação suscita.

Mais tempo Na Europa e nos Estados Unidos são obrigatórios cinco anos de residência em ORL. No Brasil, são apenas três, mas já estão em discussão projetos para aumentar em um ano o tempo de residência, a fim de aprimorar o conhecimento em áreas como cirurgias Plástica Facial e Crânio-Maxilo-Facial.

Fellowship “Dentro do nosso programa temos contatos com profissionais excepcionais em todas as áreas de atuação da ORL, o que nos dá uma ótima ideia de cada especialidade e de seus desafios.” Dr. Gustavo Barros prestou concurso na FMUSP e atua como preceptor do departamento de ORL

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O programa de fellowship é um estágio especializado com duração média de até dois anos. Os programas são bastante complexos, abrangentes e são aplicados por renomadas instituições ao redor do mundo.

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HumORL

Descanso merecido J osé Antônio Patrocínio, importante colega mineiro, foi convidado pela Sociedade Brasiliense de Otorrrinolaringologia para ir à Capital Federal fazer uma palestra. Era um daqueles dias. Engravatado desde muito cedo, enfrentou atraso no aeroporto, quase desistiu da empreitada mas, enfim, viajou. Chegou em cima da hora na aula, um grupo de colegas o aguardava no aeroporto e, em desabalada carreira, levaram-no diretamente ao evento, que estava marcado para às 20h30 e onde o pessoal já estava esperando. Conseguiu apresentar sua palestra e, ao final, já sem estresse, o grupo deslocou-se para um restaurante da moda onde bateram papo até altas horas. Só então deixaram-no no hotel.

berbe que portava um crachá no qual se lia: em treinamento. Lógico que seu check-in só poderia ser feito pelo jovem que, utilizando-se de um velho jargão médico, estava mais para “R1” do que para titular da conduta. Contra suas previsões, no entanto, o atendimento foi rápido.

Prontamente, com sono e meio entorpecido pelo vinho absorvido momentos antes, o colega pegou a chave e dirigiu-se para o andar. Ao abrir a porta do quarto – surpresa – deparou-se com uma mulher gritando, desesperadamente e tentando

empurrá-lo para fora da habitação. Perfeitamente acordado pelo susto, voltou à recepção e, dirigindo-se à suposta chefe, disse: - Vocês têm aí, por favor, uma folha em branco e uma caneta? - Sim - foi a resposta - mas para que o senhor deseja? - É que quero fazer uma carta de agradecimento à diretoria desta rede hoteleira. Eu viajo muito, mas é a primeira vez que recebo, incluído na diária e sem custo adicional, uma mulher na minha cama! Foi aquela correria.

José Seligman

Chegando lá, alta madrugada, encontrou a recepção quase vazia e somente uma secretária acompanhada por um rapaz im-

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História da ORL

Um pouco da história da ABORL-CCF Por Dr. Pedro Luiz Mangabeira Albernaz

Q

Rosana Naggar

uando comecei a minha atividade como Otorrinolaringologista existia uma entidade denominada Federação das Sociedades Brasileiras de Otorrinolaringologia e Broncoesofagologia. Ela possuía dois diretores: um secretário do Exterior, que era o Dr. Walter Benevides, e um secretário do Interior, que era o Dr. C. Meirelles Vieira. Ambos moravam no Rio de Janeiro. A Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, que nasceu Revista Oto-laryngológica de São Paulo, era editada na capital paulista e estava extremamente doente, até ser recuperada em Porto Alegre por Rudolf Lang e Nicanor Letti. O modelo de Federação de Sociedades é muito comum. A IFOS (Intenational Federation of Otolaryngological Societies), por exemplo, funciona desta forma. Cada sociedade contribui com uma porcentagem das anuidades de seus sócios para ela. O problema é que nessa época só havia duas sociedades de Otorrinolaringologia organizadas, uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo, e elas não cobravam anuidades de seus sócios. As reuniões tinham poucos patrocinadores. Consequentemente, a nossa Federação nunca tinha dinheiro. Nas assembleias realizadas durante as reuniões, participavam também os professores de Otorrinolaringologia do Brasil todo. Em um desses encontros, os dois secretários chegaram a se queixar dos gastos excessivos de dinheiro com a Revista, promovidos pelo Lang e pelo Letti . O grupo jovem (Rudolf Lang, Nicanor Letti, Nelson Caldas, Roberto Martinho da Rocha, Otacilio Lopes Filho e outros, eu inclusive) começou a propor o modelo da Academia Americana para a sociedade: sócios individuais pagando anuidades. O grupo mais idoso era contra. Na reunião de 1968, em Brasília, a briga “pegou fogo” e os secretários permitiram que se tentasse propor um modelo organizacional para uma futura Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia. Rudolf Lang, na reunião de Brasília, foi escolhido presidente da reunião de 1969 em Porto Alegre. Por proposta de meu pai, o Prof. Paulo

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Arquivo pessoal

História da ORL

Dr. Pedro Mangabeira em almoço com Marlene Pulec, esposa do Dr. Jack Pulec, convidado especial do Congresso realizado em Porto Alegre, em 1969. Na época, foram iniciadas as discussões sobre a fundação da SBORL

Mangabeira Albernaz, pela primeira vez a reunião passou a se chamar de Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia. Lang pediu a um advogado amigo que redigisse um estatuto para a futura SBORL, a ser discutido na assembleia de Porto Alegre. Mas os Drs. Benevides e Meirelles mudaram de ideia e propuseram a manutenção do status quo. A discussão foi intensa e o grupo jovem perdeu por um voto. Devo esclarecer que um dos membros mais idosos votou com os jovens: meu pai. “Que fazemos com este estatuto?”, me perguntou Lang ao findar a assembleia. “Vamos fundar a Sociedade Brasileira de Otologia”, disse eu. Já havíamos conversado sobre ela muitas vezes e o momento era oportuno. O grupo contrário à criação da SBORL foi em massa à Assembleia de fundação da SBO, argumentando que era prejudicial à Otorrinolaringologia a criação de uma sociedade de Otologia. Foi novamente meu pai quem resolveu o problema. Levantou-se calmamente e disse: “Esta assembleia foi convocada para fundar a Sociedade Brasileira de Otologia. Os que são contrários à sua Fundação nem deviam estar presentes. E proponho o Dr. Rudof Lang para Presidente da Sociedade Brasileira de Otologia”. Ele foi veemente aplaudido e Lang foi aclamado como primeiro presidente da SBO. Aos poucos ficou evidente que o modelo de sócios individuais era muito mais satisfatório. A SBO era “rica”

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e dava cursos no Brasil todo. Em 1972, por exemplo, Lang e eu fizemos demonstrações de estapedectomias e timpanoplastias em Fortaleza, Recife e Salvador, sob o patrocínio da SBO. Somente em 21 de novembro de 1978 ocorreu a fundação da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia, durante o Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia realizado no Rio de Janeiro. Lembro-me de ter viajado para o Rio uma semana antes do início do Congresso. Foi durante essa semana que Helio Hungria, Otacilio Lopes Filho, Delfim Capistrano e eu redigimos o Estatuto da SBORL. Helio foi eleito o primeiro presidente. Delfim Capistrano exerceu, durante muitos anos, a função de secretário geral da sociedade. Ele exerceu o cargo com maestria. É lógico que a ABORL-CCF progrediu muito nos últimos tempos, mas desde o início ela nunca deixou de crescer e todas as suas diretorias prestaram grandes serviços à Otorrinolaringologia brasileira. Cada passo é importante no caminho para o futuro; cada um dos presidentes fez a sua contribuição para tornar a ABORL-CCF a sociedade médica mais bem estruturada e organizada entre todas as sociedades que integram a Associação Médica Brasileira. N.E. O 1º Congresso Brasileiro de ORL foi realizado em 1938 no Rio de Janeiro, o segundo foi realizado 10 anos depois, na cidade de Salvador. Nesse mesmo ano foi fundada a Federação Brasileira de Sociedades de Otorrinolaringologia e Brocoesofagologia. Em 1978, essa Federação foi transformada na Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia.

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Notícias

ORL

IV Curso de Foniatria lota auditório da Associação Aconteceu em 14 de dezembro a 4ª edição do Curso de Foniatria, na ABORL-CCF, sob a coordenação da Dra. Sandra Irene Cubas.

Sheila Godoi

Institucional

Dra. Sandra Cubas, coordenadora do 4º Curso de Foniatria

Sheila Godoi

Com o auditório cheio, o curso trouxe ao debate assuntos como as bases clínicas da prática foniátrica, distúrbios específicos de linguagem, métodos eletrofisiológicos, terapia vocal da voz cantada, processamento auditivo central e neuropatias auditivas, além de debates sobre casos clínicos específicos. Em abril, a Associação vai promover um treinamento extensivo em Foniatria, com módulos de oito horas. Participantes da 4ª edição do Curso de Foniatria

Planos de saúde em pauta

Institut Georges Portmann abre seleção para estágio

Qual é a realidade dos planos de saúde? Para abordar questões relacionadas à contratação de médicos pelos planos de saúde, a Ordem dos Advogados do Brasil - Seção de São Paulo - recebeu representantes de diversos órgãos médicos, entre eles a ABORL-CCF, em um encontro realizado em meados de dezembro de 2012. O objetivo principal foi abordar a necessidade de reforma no modelo de remuneração dos profissionais contratados por convênios médicos.

Sheila Godoi

Outra questão colocada em debate foi a alteração da Lei 9.656/98, que regulamenta os planos de saúde e será objeto de revisão pela Comissão de Estudos sobre Planos de Saúde da OAB/SP. Para dar sequência a essa luta, as instituições presentes no evento estabeleceram como meta unir esforços em busca de melhorias das condições de trabalho, remuneração justa, contratualização e índice de reajuste da prestação dos serviços médicos.

Reunião na OAB-SP recebeu representantes de órgãos médicos e da ABORL-CCF

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Entre os dias 15 e 30 de março, estarão abertas as inscrições para o concurso para estágio no Institut Georges Portmann, em Bordeaux, na França. A bolsa inclui passagem aérea de ida e volta e ajuda de custo de U$ 3.000,00, oferecida pelo Centro Auditivo Widex e pela Delegação para o Brasil do IGP, durante o período de outubro de 2013 a março de 2014. Para se candidatar, o profissional deve ter concluído a graduação há, no máximo, 5 anos, e completado a residência médica ou estágio em ORL reconhecidos pela ABORL-CCF. O processo seletivo inclui prova de títulos e entrevista em francês com o candidato que teve a melhor avaliação ou o próximo colocado, em caso de reprovação do primeiro lugar.

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ABORL-CCF / Divulgação

Institucional

Participantes do V Curso de Polissonografia

Medicina do Sono: 43 ORLs concluem V Curso de Polissonografia

Ciclo 7 do PRO-ORL já recebe inscrições Teve início o Ciclo 7 do PRO-ORL. Com foco em inovação, o programa, que integra as atividades de Educação Médica Continuada e conta com a parceria da Artmed Panamericana Editora, busca incentivar uma nova geração de pesquisadores da especialidade.

Rinologia foi o módulo escolhido para estrear o ciclo de palestras e seminários sobre cirurgias minimamente invasivas. Assuntos como a importância da mucosa, anatomia cirúrgica dos seios paranasais, os princípios e as complicações cirúrgicas, sinuplastia com balão e os avanços tecnológicos em cirurgia do nariz e dos seios paranasais pautaram a primeira etapa do curso. Realizado em dezembro, na sede da ABORL-CCF, o curso foi coordenado pelos Drs. Marcelo Hueb e Fabrízio Romano e faz parte do projeto Educação Médica Continuada. “Trouxemos o que há de mais atual em tecnologia e novos procedimentos em Otorrinolaringologia e, principalmente, em Rinologia”, avalia Romano.

Sheila Godoi

ABORL-CCF / Divulgação

Neste ano, o Curso de Polissonografia terá início em 16 de março, sob o mesmo enfoque. A novidade será a implementação dos novos critérios da American Academy of Sleep Medicine – versão 2.0.

Aberta a série de palestras sobre cirurgias minimamente invasivas

Dr. Fabrízio Romano, coordenador do curso

Sheila Godoi

Encerrado em dezembro passado, o V Curso de Polissonografia formou 43 novos Otorrinolaringologistas na área de Medicina do Sono e em leitura de exames de polissonografia. De acordo com o Dr. Edilson Zancanella, um dos coordenadores do programa, esta foi mais uma edição de sucesso. “O curso agregou conhecimentos em fisiologia e diversos distúrbios do sono, desde a apneia até insônia, pernas inquietas e narcolepsia”, explicou.

Dr. Marcus Lessa, coordenador do Ciclo, explica que, nesta nova etapa, os assuntos já estão definidos e vão desde a otite crônica até as novas soluções eletrônicas para a reabilitação das perdas auditivas e dos quadros de tontura refratária. Dra. Wilma Anselmo aborda o aspectos da fisiologia nasossinusal

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Sheila Godoi

Institucional

MEC: parceria na avaliação dos serviços de residência médica A ABORL-CCF sediou, no fim de 2012, um novo encontro entre a Associação e o Ministério da Educação, para oficializar a parceria na avaliação dos serviços de residência médica do Brasil. “Além de unificar os critérios, a avaliação feita em conjunto com as duas entidades contribui para uma visão mais global deste sistema, em que a formação de recursos humanos embute um caráter social importante na qualificação do atendimento prestado à sociedade”, ressalta o Dr. Geraldo Jotz, membro da Comissão de Residência e Treinamento da Associação.

são mais deficitárias. A Profª. Maria do Patrocínio Tenório Nunes, da Comissão Nacional de Residência Médica do MEC, salienta a importância de concentrar os estudantes nos próprios locais de formação acadêmica. “A expectativa é conseguir melhorar a qualificação dos Otorrinolaringologistas e a distribuição de vagas no território brasileiro”, destacou.

Entre os assuntos discutidos, a descentralização dos serviços de residência foi um dos destaques, uma vez que as regiões Norte e Nordeste

O ofício de formalização do convênio com o MEC já foi enviado pela Associação, que em breve deve candidatar-se à vistoria dos programas a serem abertos e do recredenciamento dos atuais serviços.

Reunião entre membros da CNRM do MEC e a ABORL-CCF

Paulo Vargas

Tontura: exame, diagnóstico e tratamento Aconteceu, em dezembro, na sede da ABORL-CCF o curso “Atualização no Tratamento dos Distúrbios do Equilíbrio”. Entre profissionais mais experientes e residentes, foi aberta a discussão sobre diagnóstico, exame e tratamento de patologias comuns à área da Otoneurologia. Sob a coordenação do Dr. Mário Greters, o treinamento contou com exposições dos professores Maurício Ganança e Fernando Ganança, além de nomes como os Drs. Marco Aurélio Bottino, Roseli Bittar, Raquel Mezzalira e Denise Utsch Gonçalves. “O objetivo do curso foi levar aos colegas informações práticas baseadas na experiência dos palestrantes a respeito do tratamento dos distúrbios do equilíbrio, de uma forma clara que possa ser utilizada no dia a dia do consultório”, detalha Greters.

Paulo Vargas

Dr. Mario Greters aborda os pontos da vertigem aguda

Comunicação na rede Para ficar por dentro das novidades da Otorrinolaringologia e dos assuntos institucionais da ABORL-CCF, acompanhe o perfil da Associação no Twitter e no Facebook.

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42 | Revista VOX OTORRINO Publico lota auditório da Associação durante o curso

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Revista Vox Otorrino - Nº 133