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outubro / novembro 2020

UM “PORTUGUÊS” NA NOVA ZELÂNDIA

A REVISTA DA MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA

Ano XXVII . Nº 123 | Bimestral outubro / novembro 2020 | Diretora Catarina Gusmão Preço: € 6,00 Cont. / ISSN 2183-7023

EXEMPLAR DE OFERTA

3

CANDIDATOS AO TRACTOR OF THE YEAR® 2021

+ Valtra G + Massey Ferguson 8S + Valtra F105

Nº123 - Ano XXVII

HERCULANO HTP

www.abolsamia.pt

Laranja e preto são as cores para o novo século

CULTURAS

ESPECIALIZADAS + Vinhas + Pomares + Hortícolas

Mercado Fortes sinais de retoma ENTREVISTA INESC TEC mantém enfoque nas máquinas e alfaias florestais

PRODUTO

+ Deutz-Fahr 8280 TTV + Massey Ferguson 1700 M

»

PRODUÇÃO ANIMAL + 5 Dicas para a compra de tecnologia + Acondiconamento de silagem


PUBLIREPORTAGEM

Existe um programa de televisão que dá pelo nome de “Portugueses pelo Mundo”. Este artigo bem poderia ser o primeiro capítulo da “versão abolsamia” do mesmo programa. E não fizemos por menos, fomos até à Nova Zelândia, onde há um prestador de serviços que não abdica dos seus reboques Herculano. “É um reboque que tanto serve para transportes menos pesados, como a silagem, mas, ao mesmo tempo, é robusto e musculado o suficiente para o transporte de materiais mais pesados como areia ou terra” Grant Barber

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS

rant Barber vive e trabalha na cidade de Foxton, localizada na ilha Norte da Nova Zelândia. A empresa familiar tem uma pequena exploração leiteira e de bovinos de carne. No entanto, o principal negócio é a prestação de serviços a outras explorações e empresas locais, com especial enfoque no transporte de cargas. O grosso dos trabalhos efetuados ao longo do ano tem o seu pico na época da silagem, com o apoio às ceifeiras e ensiladoras. Esporadicamente, faz-se também algum transporte de inertes e

abolsamia outubro | novembro 2020

areias para empresas de obras públicas e privadas. O parque de máquinas é, portanto, constituído na sua maioria por tratores com aptidão para transporte, sendo a Case IH a marca com maior presença na casa, e reboques. E foram precisamente estes últimos que chamaram a nossa atenção: afinal, como e porque é que um profissional neozelandês compra um reboque construído no outro lado do mundo? A resposta surge nas palavras de Grant. “Sou cliente fiel da 4AG, que é distribuidor da Herculano na Nova Zelândia, e conhecia a marca porque tenho grades HVR.

Um dia foi-me apresentado o HTP e fiquei encantado com o que vi. Comprei dois de uma vez, para renovar uma parte dos meus reboques”, começou por explicar. “A 4AG sabia da minha necessidade e procura por reboques versáteis que servissem para vários tipos de serviço, para diferentes tipos de transporte. Quando a Herculano lançou este novo reboque, a 4AG viu aí uma oportunidade “dois em um”: lançar o produto na Nova Zelândia e satisfazer as minhas necessidades”, sintetizou. Versatilidade e robustez foram as principais virtudes que levaram Grant a apostar no HTP. “É um reboque que tanto serve para transportes menos pesados, como a silagem, mas, ao mesmo tempo, é robusto e musculado o suficiente

para o transporte de materiais mais pesados como areia ou terra”, especificou. No entanto, houve um trabalho de fundo levado a cabo pela Herculano de forma a que o HTP correspondesse da melhor forma aos desafios enfrentados por Grant. “A Herculano teve um papel fundamental”, começou por afirmar. “Adaptou o HTP para o que vai encontrar na Nova Zelândia, com características que satisfazem as necessidades dos produtores das explorações daqui”. “E que adaptações específicas foram feitas?”, quisemos saber. “Foi criado um conjunto de extras como a adaptação de taipais à estrutura base em Hardox, para incrementar a carga sobretudo na silagem, uma

otimização do kit de iluminação para os trabalhos longos e fora de horas, um eixo direcional especial, que torna os movimentos exigentes, menos exigentes, e um duplo pivot no cilindro de basculamento e sistema hidráulico de estabilização para basculamento, explicou Grant antes de acrescentar: “A 4AG e a Herculano conseguiram trocar toda a informação e conhecimento para cumprirem com as minhas “exigências” e criarem um produto de excelência. Esta forma de estar tem sido uma constante, existe um apoio e avaliação permanentes, onde uma nova necessidade ou reparo, são cuidadosamente apontados, avaliados e corrigidos conforme o possível, tentando sempre melhorar este produto”.

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Caixa em HARDOX 450 e porta traseira construída em HARDOX 450 6mm Chassis em tubo estrutural Abertura de porta hidráulica Cilindro de basculamento com grande capacidade de elevação e basculamento

OUTRAS Rodas 600/55 R26,5 Lança hidropneumática Eixo direcional, dianteiro e traseiro (HTP Tridem) Travagem hidráulica Sistema hidráulico independente Porta traseira hidráulica Descanso hidráulico Iluminação LED Caixa de ferramentas.


OUTUBRO / NOVEMBRO 2020

FICHA TÉCNICA Diretora Catarina Gusmão Assessor de Direção Bruno Meneses Redação Sebastião Marques sebastiaomarques@revista-abolsamia.com João Sobral joaosobral@abolsamia.pt Publicidade Catarina Gusmão - T. 91 346 9299 catarinagusmao@abolsamia.pt Américo Rodrigues - T. 91 776 9104 anericorodrigues@abolsamia.pt Design e Pré-impressão Rita d’Eça Colaboraram nesta edição Anacleto Pinheiro, Francisco Sousa Coutinho, Isabel Maia, João Barbosa, Vasco Barjona Henriques (Redação) Nelson Martins (Cartoonista) Victor Manfredo (Designer) Propriedade Nugon - Publicações e Representações Publicitárias, Lda. Contribuinte 502 885 203 Registo ERC 117122 Depósito legal 117.038/97 Sede R. S. João de Deus, 21, 2670-371 Loures Escritórios R. Nelson Pereira Neves, Lj.1 e 2 2670-338 Loures T. 219 830 130 Impressão Onda Grafe - Artes Gráficas Lda Rua da Serra Nº1, A-das-Lebres 2660-202 Santo Antão do Tojal Tiragem média 4.000 exemplares ISSN 2183-7023 Gerência Nuno Gusmão e Catarina Gusmão Sócios Nuno de Gusmão, Ana Gusmão, Catarina Gusmão e Francisca Gusmão Assinaturas Bruno Meneses brunomeneses@revista-abolsamia.com T. 21 983 0130

CARO LEITOR, esta edição 123 da revista começamos por apresentar um retrato daquilo que tem sido o mercado de tratores, em Portugal e na Europa, até ao momento. Se é verdade que, aparentemente, as coisas até estão menos más do que aquilo que se chegou a prever, por outro, não é possível deixar de pensar no impacto que as paragens das fábricas durante este ano, e a consequente redução da produção, poderá ter em 2021. É esperar para ver. Já em relação aos “apoios” que chegarão (?) da Europa... é esperar para ver também. A pandemia teve graves consequências para os Testes em Campo do TOTY dadas as restrições para viajar impostas aos jornalistas. Como tal, vimo-nos obrigados a apresentar os modelos candidatos sem experimentar alguns deles. Para já, conseguimos ter nas nossas mãos o Valtra F105 graças à disponibilidade da Valtractor e da Agrogaspares.

Abolsamia tem como intuito informar os leitores acerca do sector dando-lhes a conhecer outras realidades Com o intuito de informar os nossos leitores acerca do sector dando-lhes a conhecer outras realidades desafiámos a blogger Isabel Maia – Agricultora, Veterinária e Mãe – a escrever para o nosso público e iniciamos esta colaboração com um artigo onde a Isabel nos dá as 5 Dicas para a aquisição e negociação de máquinas. Estando a construir um estábulo considera inevitável fazer um estudo sobre a tecnologia disponível no mercado e é esta partilha que pretende fazer a cada número de abolsamia. Para fechar, já temos disponível o calendário 2021 ilustrado com o cartoon A Vida no Campo, pela mão do cartoonista Nelson Martins. Faça uma assinatura e receba grátis o calendário. Sebastião Marques e Catarina Gusmão

abolsamia é membro do júri por Portugal

edição #123 Siga-nos www.abolsamia.pt www.facebook.com/abolsamia www.youtube.com/abolsamia www.issuu.com/abolsamia www.instagram.com/abolsamia

Os textos e fotos de autor são propriedade da Nugon,Lda., não podendo ser reproduzidos sem autorização, por escrito, da mesma. O conteúdo dos anúncios e das publireportagens dos clientes é da sua exclusiva responsabilidade. A abolsamia segue o AO90, embora nem todos os colaboradores tenham adotado a nova grafia. Estatuto Editorial www.abolsamia.pt/estatuto-editorial-e-distribuicao www.abolsamia.pt

outubro | novembro 2020 abolsamia

3


SUMÁRIO

#123

OUTUBRO /  NOVEMBRO 2020 03 | Editorial

FEIRAS

MERCADOS

32 | Notícias 98 | Agroglobal

06 | F  ortes sinais de retoma na venda de tratores agrícolas

EMPRESAS

40 | ENTREVISTA SF Colab

EM FOCO

EM FOCO

12 | Tractorminho

16 24

TECH

38 | Placa anti-roubo para tratores

16 | ENTREVISTA Galucho

44 | Combustível alternativo Neste MY

PRODUTO

48 | Um universo de alfaias, um único interface

47 | Robô Fendt

22 | Notícias TESTE EM CAMPO

PRODUÇÃO ANIMAL

24 | V  altra F105 (TOTY)

50 | Agricultora Veterinária e Mãe

EM FOCO

53 | Prémios Sommet D’Elevage

28 | D  eutz 8280 TTV 30 | V  altra G (TOTY) 34 | Massey Ferguson 8S (TOTY) 36 | M  assey Ferguson 1700M 58 | Fendt 6335c

56 | E  nfardadeiras plastificadoras

62 | CULTURAS ESPECIALIZADAS

FLORESTA

FORMAÇÃO 68 | C  urso de Formação de Máquinas Agrícolas 2020

70 | E  NTREVISTA INESC TEC mantém enfoque nas máquinas e alfaias florestais

58 50

74 | Notícias

CONCESSIONÁRIOS 79 | Regiões 94 | Momentos New Holland  LICK! C 96 | Um Xerion no Inferno Verde

TEMA JURÍDICO 100 | D  ireito de Preferência na transmissão de prédios rústicos

GARAGEM GLÓRIA 102 | Renault D22 APENAS -3,5% DE JANEIRO A JULHO

36

DOIS DEDOS DE CONVERSA 104 | J oaquín Tribaldos Campos Agricultor espanhol que trabalha na twins´Farm

06 4

abolsamia outubro | novembro 2020

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outubro | novembro 2020 abolsamia

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MERCADOS // estatísticas

Fortes sinais de retoma na venda de tratores agrícolas APENAS -3,5% DE JANEIRO A JULHO

Subsiste uma quebra de vendas face a 2019, mas o mercado português de tratores agrícolas está a dar sinais de franca recuperação quanto ao número de novos registos de matrículas. Se no final de abril os constrangimentos nos negócios atingiram o seu expoente máximo, com o mercado a encolher 16,7%, os meses seguintes foram de recuperação: -14,5% em maio, -8,7% em junho e -3,5% em julho

bril de 2020 perdurará na memória dos agentes comerciais – mês marcado por três períodos de estado de emergência nacional, declarados pelo Chefe de Estado devido à situação da pandemia -, ao proporcionar um declínio de vendas de 40,9% relativamente ao mesmo mês do ano anterior, mas os meses de junho e julho foram de júbilo pelo significativo aumento de transações (respetivamen6

te com +25,9% e +24,4%), que assim ajudam a atenuar as fortes perdas sentidas. O cenário ganha outra dimensão se se disser que em abril venderam-se 345 tratores, quando em junho e julho foram 587 e 759 os apertos de mão entre vendedores e compradores. Os resultados de agosto, ainda não divulgados pela ACAP, segundo os dados do IMTT, muito provavelmente não ajudarão a mitigar ainda mais o cenário de decréscimo

abolsamia outubro | novembro 2020

do mercado, ainda vez que, tradicionalmente, tal como o mês de fevereiro, não são os mais fortes para transações comerciais. Todavia, se a situação da pandemia tende a agravar-se em toda a Europa ocidental (alguns dos Estados já se referem à situação de 2ª vaga de infeções), a tendência do clima para os negócios está a melhorar, pelo que é crível que os números do último trimestre apontem para resultados de vendas muito

semelhantes ao período pré-covid. Em 2019, o mercado português contou com mais 6497 novas matrículas. Até ao final de julho eram 3726 os novos registos (3861 em julho de 2019). PERDAS E TROCA DE POSIÇÕES No “campeonato” nacional das marcas, a New Holland e a Kubota, habituais clientes deste pódio, têm perdido unidades no mercado, variações www.abolsamia.pt


MERCADOS // estatísticas

Matrículas de Tractores Agrícolas Novos: Acumulado Janeiro-Julho/2020 Janeiro-Julho Unidades Marca

No “campeonato” nacional das marcas, a New Holland e a Kubota encimam a tabela de vendas, mas no terceiro posto há novidades que, no caso da marca do grupo CNHi atingiram, no valor acumulado até julho, -8%. Já para a Kubota a perda é mais significativa (-16,4%). No entanto, são estas que encimam a tabela de vendas. Mas no terceiro posto há novidades. Por ora, a Deutz-Fahr ultrapassou a John Deere em unidades vendidas. Seguemse a Kioti e a Linhai, com interessantes ganhos de mercado. Por escalões de potência, o mercado português mantém, invariavelmente, a particularidade de privilegiar as máquinas do segmento dos compactos, e muito concretamente no intervalo de potência entre os 30 e os 39 Kw (de 40 a 52 cv), cabendo a estas o maior quinhão das vendas (860 unidades de janeiro a julho). O patamar imediatamente superior (40-59 Kw, ou 53-79 cv) contribui, no mesmo período, com 654 unidades.

2020

2019

% Mercado

% Var

2020

2019

New Holland

515

560

-8,04

13,82

14,50

Kubota

401

480

-16,46

10,76

12,43

Deutz-Fahr

301

294

2,38

8,08

7,61

John Deere

280

306

-8,50

7,51

7,93

Daedong / Kioti

242

215

12,56

6,49

5,57

Linhai

234

182

28,57

6,28

4,71

CF Moto

175

134

30,60

4,70

3,47

Solis

163

153

6,54

4,37

3,96

LS

153

175

-12,57

4,11

4,53

Lamborghini

141

162

-12,96

3,78

4,20

Same

137

159

-13,84

3,68

4,12

Hürlimann

106

141

-24,82

2,84

3,65

Landini

89

107

-16,82

2,39

2,77

Massey Ferguson

79

72

9,72

2,12

1,86

BRP

72

47

53,19

1,93

1,22

Case-IH

62

67

-7,46

1,66

1,74

Branson

58

63

-7,94

1,56

1,63

McCormick

52

36

44,44

1,40

0,93

Valtra

49

54

-9,26

1,32

1,40

Quaddy

48

36

33,33

1,29

0,93

Iseki

45

53

-15,09

1,21

1,37

Fendt

42

42

0,00

1,13

1,09

Claas

41

41

0,00

1,10

1,06

TYM

36

47

-23,40

0,97

1,22

KL

33

37

-10,81

0,89

0,96

Arbos

30

32

-6,25

0,81

0,83

A. Carraro

28

30

-6,67

0,75

0,78

Dong Feng

19

19

0,00

0,51

0,49

Arctic Cat

14

30

-53,33

0,38

0,78

Farmtrac

13

3

333,33

0,35

0,08

Corvus

11

4

175,00

0,30

0,10

Hinomoto

10

0

0,00

0,27

0,00

VST

9

1

800,00

0,24

0,03

BCS

8

8

0,00

0,21

0,21

Ferrari

8

10

-20,00

0,21

0,26

Outros

22

61

-137,50

0,59

1,58

3.726

3.861

-3,50

100,00

100,00

Total Mercado

Origem: IMT | Fonte: ACAP

8

abolsamia outubro | novembro 2020

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MERCADOS // estatísticas

Matrículas de Tractores Agrícolas Novos - Janeiro a Julho 2020

Classificados por escalões de potência Esc. Pot.(kW)

<19

19-25

26-29

30-39

40-59

60-73

74-88

89-110

111-147

148-184

>184

Total

Total Unid.

541

356

253

860

654

331

451

146

87

32

23

3.734

Matrículas de tratores agrícolas novos - acumulado de janeiro a julho

Classificados por Categorias

Por escalões de potência, o mercado português mantém, invariavelmente, a particularidade de privilegiar as máquinas do segmento dos compactos

Tot. Unid.

Var. 20/19 (%)

Compactos

1.725

2,4

Convencionais

1.215

-6,5

794

-9,5

3.734

-3,3

Especiais Total

Reboques Agrícolas Novos: Janeiro-Julho / 2020 2020 Marca

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

GALUCHO

77

1

118

1

70

39

126

RATES

15

19

12

34

32

33

HERCULANO

15

10

23

11

35

JOPER

39

20

12

11

MASSIL

11

5

9

REBOAL

27

2

REBOSSIL

1

OUTEIRO

Evol. 20/19

%

Total

%

Unid.

%

432

36,5

288

25,1

144

50,0

37

182

15,4

186

16,2

-4

-2,2

37

48

179

15,1

222

19,4

-43

-19,4

19

14

59

174

14,7

123

10,7

51

41,5

2

4

5

34

70

5,9

116

10,1

-46

-39,7

5

4

3

0

6

47

4,0

115

10,0

-68

-59,1

8

3

2

5

6

3

28

2,4

17

1,5

11

64,7

1

9

1

1

3

1

1

17

1,4

33

2,9

-16

-48,5

ROCHA

1

0

1

0

2

5

3

12

1,0

11

1,0

1

9,1

AGRIDUARTE

1

0

0

1

6

0

1

9

0,8

18

1,6

-9

-50,0

AGRIMECA

9

0

0

0

0

0

0

9

0,8

1

0,1

8

800,0

BELLON

0

0

0

0

0

3

3

6

0,5

6

0,5

0

0,0

GILI

1

0

1

0

0

0

4

6

0,5

9

0,8

-3

-33,3

MAQUIREIS

0

0

0

0

3

2

0

5

0,4

0

JUSCAFRESA

2

0

1

1

0

0

0

4

0,3

1

0,1

3

300,0

PRONAR

0

0

0

0

0

0

4

4

0,3

0

Outros

5

9

7

2

2

6

3

34

2,79

117

9,26

-13

-11,11

200

74

186

68

182

145

38

3,3

Total

Jul Total

2019

329 1184 100,0 1146 100,0

Origem: IMT | Fonte: ACAP

10

abolsamia outubro | novembro 2020

SETOR DOS REBOQUES RECUPERA À semelhança do que sucede com os tratores, também o setor dos reboques agrícolas vai acertando o passo. Chegado a abril com perdas acumuladas de 20,9% (em comparação com o primeiro quadrimestre de 2019), este mercado encerrou julho com um défice de vendas de -3,6%, ou apenas menos 45 unidades transacionadas face ao período homólogo do ano passado. Se em abril foram registadas apenas 70 unidades, julho foi o melhor mês, com 332 reboques contabilizados. A Galucho evidencia um forte crescimento face a 2019 e lidera a tabela de vendas, sendo que o destaque negativo vai para a Herculano, em queda acentuada nas vendas acumuladas, perdendo, por ora, o segundo lugar do “pódio” para a Rates. Já a Joper aproxima-se deste campeonato a três com ganhos consideráveis de penetração no mercado.

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estatísticas // MERCADOS

Alemanha é caso notável Nos mercados ocidentais da Europa, se o espanhol, francês, italiano e inglês mantêm os números de vendas a vermelho, ainda que em recuperação, já o alemão é um caso notável de confiança dos agentes agrícolas, pois os números nunca estiveram abaixo da linha de água. Até julho foram matriculados 18.554 tratores, o que representa um crescimento de 2,5% relativamente aos sete primeiros meses de 2019, sendo que em julho cresceu mesmo 32,8%, o que fez inverter a perda de -2,5% nos resultados acumulados até ao final do semestre. Fendt, John Deere e Deutz-Fahr, por este ordem, lideram a tabela de vendas. Na globalidade dos mercados europeus, o número de novas matrículas (89.105, das quais 68.831 correspondem a tratores agrícolas, sendo as restantes referentes a quads e outros equipamentos) encolheu 12% relativamente ao primeiro semestre de 2019. Na análise global do CEMA, abril foi o mês mais negativo (-25,81%). Para esta associação, a situação tende a melhorar, na medida que o seu barómetro ao clima de negócios está em franca melhoria, tendo atingido já em agosto os níveis comparáveis ao período pré-covid, com apenas -6 pontos

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numa tabela que varia entre os -100 e os +100 pontos. Já em Espanha, o efeito do Plano Renove (incentivo do Estado ao abate de maquinaria antiquada) em muito contribuiu para a melhoria do saldo (+20,8% de vendas em agosto), ainda que os dados acumulados dos primeiros oito meses do ano se mantenham negativos (-17,9%) quando comparados com o período homólogo de 2019. Em junho, porém, a situação era muito mais dramática (-25,62% de novos registos). Em Itália, o primeiro semestre encerrou com uma quebra de 18% nas vendas e em França os negócios até ao final de junho exibiam-se a vermelho: -18,81%. Muito pior em Inglaterra, pois os melhores resultados de agosto em nada ajudaram a catastrófica situação, com 26,7% de perdas acumuladas desde janeiro. ¢

outubro | novembro 2020 abolsamia

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EMPRESAS // em foco

EM DISCURSO DIRETO JOSÉ CARLOS MORENO Administrador da Tractominho

Estratégia e futuro “Algumas coisas têm vindo a mudar de acordo com os novos tempos. Por estarmos em várias frentes e há tantos anos temos muita concorrência. Temos o conhecimento do terreno, dos nossos clientes, temos colaboradores bem preparados, mas o nosso contexto é complexo e, também por isso, decidimos criar a nossa plataforma de e-commerce e a nossa marca TM Parts”.

TRACTORMINHO, LDA COMPLETA 40 ANOS

Do Minho para o Mundo A Tractorminho, Lda, uma das referências nacionais na distribuição de peças para máquinas agrícolas, celebra 40 anos em 2020. Conheça a história e a estratégia de uma empresa que nasceu no Minho e se expandiu além-fronteiras P O R S E B A S T I ÃO M A R Q U E S

HISTÓRIA A 6 de maio de 1980 nasce a Tractorminho, Lda, “mais como um desafio do que propriamente por uma necessidade objetiva de cada um dos intervenientes, já que cada um dos fundadores tinha a sua área de atividade, três deles no setor automóvel”, começa por explicar José 12

abolsamia outubro | novembro 2020

Carlos Moreno, um dos administradores da empresa e filho de um dos cinco fundadores, Fernando Moreno. Os outros quatro fundadores foram Diamantino Ribeiro, Vasco Cerqueira, José Soares, Manuel Soares. Atualmente, a administração é composta por Diamantino Ribeiro, Fernando

E-commerce “Em relação à plataforma, queremos que seja tão boa como qualquer uma das existentes a nível europeu. Há um trabalho muito grande a fazer, mas é para lá que caminhamos. Só as nossas referências são 17.000, a nossa base de dados total está nos 50.000 códigos... O objetivo é criar uma plataforma business to business e não para o cliente final. O conceito ibérico, o agricultor ibérico não está ainda muito recetivo e, por isso, aquilo que já acontece nos países da europa do Norte não é 100% replicável no nosso mercado. Pela dimensão do nosso mercado, pelas suas características, e pelo estado de maturação, pensamos que devemos, para já, ter uma ferramenta em casa do nosso cliente (concessionários, casas de peças, etc). No futuro, se assim o entendermos, esta ferramenta poderá permitir-nos chegar ao cliente final”. TM PARTS “Surgiu há dois anos da necessidade de, para além dos produtos das marcas com que trabalhamos, termos produtos de qualidade compatível com preços mais competitivos e preenchendo algumas lacunas ao nível da distribuição de peças agrícolas. Outros players do nosso mercado começaram a introduzir este tipo de produto e, também nós, sentimos a necessidade de fazê-lo. Dá-nos maior independência e permite termos uma marca nossa. É também uma marca aglutinadora das nossas empresas”.

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José Carlos Moreno e Fernando Moreno, filho e pai, lideram os destinos da empresa ƒO logotipo da empresa com menção especial aos 40 anos de existência

Moreno (CEO da empresa), Mário Oliveira, e José Carlos Moreno. É este último que contextualiza os motivos que levaram à criação da empresa. “Começa porque toda a zona norte estava dependente daquilo que eram os agentes económicos do centro/sul (SantarémLisboa). Havia a necessidade de criar um ponto de venda de peças para máquinas agrícolas a norte e os fundadores viram a possibilidade de juntar uma atividade complementar às atividades que já tinham”, sintetizou. Pouco tempo após a fundação, a Tractorminho deixa de ser revendedora para passar a ser importadora de algumas das marcas com que ainda hoje trabalha. A partir daí, e com o desenvolvimento da atividade, a empresa cria a sua própria rede de vendas. Em 1993/94, uma das empresas que fazia parte do grupo e que estava sediada no Porto, a Auto Portucalense, entra em cena e o país é dividido “em dois” - A25 para norte é território Tractorminho, A25 para Sul e Ilhas é responsabilidade da Auto Portucalense. Embora com estruturas separadas, o armazém central foi, desde sempre, conjunto – primeiro www.abolsamia.pt


EMPRESAS // em foco

na Rua Comendador Santos da Cunha, Maximinos-Braga, depois, em 1993, Rua Quinta dos Apóstolos, Ferreiros-Braga e, desde 2006, Parque Poente, SequeiraBraga. Nesta localização, a empresa tem vindo a alargar a área, passando de duas para quatro naves, num total de 2500m2 úteis de armazenagem. “PROXIMIDADE E EQUIPA” – OS PONTOS FORTES O segredo para 40 anos de existência foram o tema seguinte da nossa entrevista. José Carlos Moreno manteve-se como porta-voz. “Estamos na rua, próximos dos nossos clientes. Temos uma equipa de seis comerciais que faz o país todo (continente e ilhas). Naquilo que o cliente confirma (encomendas), no dia seguinte tem em casa, inclusivamente ao sábado de manhã.

Temos também uma equipa de dimensão variável (entre quatro e seis pessoas) que está constantemente ao telefone a ouvir as necessidades dos nossos clientes. E isto é uma grande vantagem, um cliente quando precisa de alguma coisa, quando tem uma reclamação a fazer, uma dúvida técnica, fala connosco, com pessoas, não fala com uma plataforma. Todas estas pessoas que prestam apoio cresceram no meio dos tratores”, explica. Fernando Moreno, concretiza. “Há pessoas que estão no atendimento que já estão a receber chamadas dos filhos do cliente original. E isto é recorrente. Temos muitos colaboradores com 40, 30 e 20 anos de casa. Essa é a nossa força, a proximidade aos nossos clientes. Peças, preço, todos conseguem... um atendimento como o nosso, não”. ¢

FACTOS E NÚMEROS

40

ANOS  DE EXISTÊNCIA

3 GERAÇÕES

14

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3 Países PORTUGAL

ANGOLA

ESPANHA

33 pessoas

18 pessoas

3 pessoas

EXPANSÃO INTERNACIONAL Em 2003 surge o interesse por África, com dois responsáveis da empresa a deslocarem-se lá pela primeira vez e visitas subsequentes durante quatro anos. Ao fim de cinco anos, desafiados por uma entidade angolana, o grupo decide montar uma Tractorminho Angola sediada em Luanda, a Makipeças, corria o ano de 2009. “A empresa é, neste momento, a referência número um em Angola para equipamentos eletrogéneos, quer automóvel quer agrícola”, afirma José Carlos Moreno. Mas a estratégia de internacionalização da marca não ficou por aqui e, desde há um ano que a Tractorminho também trabalha o mercado espanhol através de um posto de vendas, localizado em Sevilha, e que presta serviço em toda a região da Andaluzia, que dá pelo nome de Tracmotors Recambios Agricolas.

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entrevista // EMPRESAS

Laranja e preto SÃO AS CORES PARA O NOVO SÉCULO DA GALUCHO A fabricar há um século “Máquinas para a Vida”, a Galucho aborda o próximo centenário com grande dinâmica produtiva e comercial, tendo o laranja e o preto como novas cores, a partir de outubro, em toda a sua família de produtos. A aceitação é plena e tem superado as expetativas, tanto que a série Centenário esgotou. Entrevista com Jorge Carvalho, diretor comercial da Galucho.

EXPLICAÇÃO HISTÓRICA A Galucho utilizou as cores preto e laranja nos seus equipamentos até ao final da década de 1970, época em que a atividade da Galucho cresceu exponencialmente e a marca se afirmou ao mercado nacional mas também pelos quatro cantos do mundo. Ao entrar no segundo século de existência, a Galucho decidiu voltar a utilizar aquelas cores para os equipamentos, recuperando assim, uma época dourada da sua história, adaptando-a, introduzindo design, modernidade e uma nova dinâmica, projetando a marca para o futuro.

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Que estratégia é esta de redefinir as cores da maquinaria? A Galucho considerou que, por um lado, fazendo jus a estes 100 anos, faria sentido voltar a utilizar essas cores [o laranja e o preto], pois já foram usadas no passado. Por outro lado, do ponto de vista de marketing, seria mais apelativo, e a verdade é que tem sido esse o feedback nos tempos mais recentes na sequência das primeiras experiências, através da Série Centenário, com os modelos “black edition”. Esses modelos tiveram muita aceitação, ainda que tivessem sido vistos em apenas pequenos eventos. Uma vez adiada para o próximo ano, a Agroglobal, que deveria ter sido realizada em setembro, segundo o habitual formato, não foi a grande montra que os poderia exibir... Era uma grande aposta, tal como alguns

eventos internos que prevíramos realizar, inclusivamente com clientes do estrangeiro. Ponderámos utilizar o nosso training center para podermos realizar apresentações detalhadas e técnicas, para melhor elucidar os nossos clientes e potenciais utilizadores das capacidades das nossas máquinas. A situação da pandemia e os constrangimentos de segurança de todos assim não o possibilitaram. No fundo, a alteração das cores não é uma completa novidade, pois se se mantém o laranja e o preto, apenas o azul desaparece. Não o é, de facto, apenas, por uma questão de estética, pois também colheremos vantagens logísticas e um incremento da qualidade dos produtos. Na verdade, em termos operacionais de fábrica foi uma transição pacífica que apenas exigiu um planeamento adequado. outubro | novembro 2020 abolsamia

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EMPRESAS // entrevista

„Jorge Carvalho, diretor comercial da Galucho

Como vai ser operada esta mudança em termos fabris? Está tudo super detalhado. Logo nos primeiros meses do ano, quando pensámos nas mudanças de cor, o processo interno ficou todo organizado e perfeitamente definido. Este mês [setembro] já começámos com as novas cores e o lançamento do material para venda ao público, através dos nossos concessionários, iniciar-se-á em outubro e decorrerá até ao final do ano como já foi transmitido aos concessionários e clientes. Os frequentes contactos com os nossos agentes têm feito com que os clientes também já o saibam. Foi uma reação surpreendente, ou já era esperada? A começar por mim, que me surpreendi com a beleza dos novos conjuntos. Daí que talvez não tivéssemos antecipado cabalmente o presente interesse e sucesso. Que famílias de produtos irão beneficiar de tais alterações? Todas as que são a duas cores mudaram para as atuais laranja e preto. [Atendendo às atuais circunstâncias] Haverá outras ações de dinamização e divulgação? Tínhamos previsto para os dias 23 e 24 de 18

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setembro ações de demonstração em campo para os nossos clientes, muitos deles internacionais, mas os constrangimentos sanitários aconselharam-nos a não as realizar. E é natural que os clientes também não se sintam muito à vontade com estas visitas, pelo que tais contactos têm vindo a ser feitos pelas nossas equipas comerciais. Nos próximos meses, de forma gradual, iremos dar a conhecer aos nossos agentes e concessionários todas estas mudanças. Foi algo [a pandemia] que nos apanhou a todos de surpresa, a nós e aos nossos concorrentes, naturalmente.

Os registos de encomendas já são bem demonstrativos do sucesso das novas cores

EDIÇÃO CENTENÁRIO SEM NÚMEROS PARA MAIS UNIDADES Os registos de encomendas já são bem demonstrativos do sucesso das novas cores, da “black edition” criada pela Galucho para assinalar o seu primeiro centenário. “O mercado nacional tem-se portado muito bem no que se refere a vendas e o sucesso tem sido total”, explica Jorge Carvalho, referindo-se às

séries “black edition” [edição Centenário], cujas máquinas são numeradas e limitadas em termos de produção. “Acontece que muitos clientes, quando se aperceberam da beleza dos produtos que estávamos a vender, também nos pediram dessas unidades. Ora, tais numerações esgotaram-se e

por questões de ética e de coerência não nos é possível produzir mais. Foi algo frustrante ter clientes e concessionários a solicitar-nos mais daquelas unidades. Porém, de agora em diante já poderemos satisfazer esse mercado, ainda que já não possam ser da edição Centenário a que muitos gostariam de ter tido acesso.”

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entrevista // EMPRESAS

ƒ‚ Os reboques para silagem nas novas cores, bem como a cisterna, estiveram presentes nos terrenos da Agroglobal 2020

Resultados dos reboques agrícolas ainda podiam ser melhores A performance de vendas dos equipamentos de reboque agrícola está a ser muito lisonjeira para a Galucho, uma vez já conhecidos os números de novas matrículas efetuadas até ao final de julho (dados da ACAP, com origem no IMT), subindo à liderança da tabela e com mais 144 unidades registadas face a idêntico período de 2019. www.abolsamia.pt

De acordo com o diretor de vendas da Galucho, tal performance ainda poderia ser melhor, não fossem algumas particularidades no processo administrativo a que a marca é alheia. “O atraso nas aprovações das novas homologações por parte da tutela têm provocado constrangimentos às necessidades dos operadores. É

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EMPRESAS // entrevista

A performance de vendas dos equipamentos de reboque agrícola está a ser muito positiva, com mais 144 unidades registadas face a idêntico período de 2019.

um dos problemas críticos e permanentes na área comercial. Por vezes torna-se difícil explicar aos clientes, alguns deles com encomendas feitas há meses, a razão pela qual os reboques estão prontos, e no nosso parque, e não os podemos entregar, apenas porque o processo administrativo é muito lento”, diz Jorge Carvalho, sublinhando que a otimização e maior capacidade do departamento produtivo, cada vez mais bem sincronizado com a vertente comercial, faz com que os prazos acordados com os clientes seriam escrupulosamente cumpridos com os clientes não fosse a máquina administrativa emperrar. Explicações não as há. O que está a acontecer é que a fábrica continua com requerimen20

tos entregues ao organismo estatal competente para resolução de questões relacionadas com homologações e os prazos de resposta continuam por satisfazer, sublinha Jorge Carvalho. Casos houve em que material pretendido por clientes para

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as vindimas, outros, também, para a colheita da azeitona, levaram a que a Galucho continue a socorrer-se de soluções alternativas para não deixar o cliente “descalço”, quando tais produtos estão prontos no parque de máquinas. Num mercado de máqui-

nas agrícolas em recuperação, mas ainda deprimido, e com um país em recessão, dir-se-ia tratar-se de um contrassenso económico. “As colheitas não podem esperar por morosos procedimentos administrativos”, rematou o diretor comercial da Galucho. ¢ www.abolsamia.pt


PRODUTO // notícias

Fields Fireman nasceu na Hungria e combate incêndios nas explorações Alguns dos incêndios rurais podem ser provocados pela utilização de máquinas agrícolas em períodos de calor extremo e daí podem resultar grandes prejuízos nas culturas e na própria maquinaria. Atento a tais factos, Tamas Szeplaki, agricultor da Hungria, imaginou um tanque de grande capacidade de água para mon-

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tar na dianteira do trator e ajudar a extinguir o incêndio. Assim nasceu o Fields Fireman, também o nome da empresa que o comercializa, um depósito em aço galvanizado com capacidade para 650 litros de água. Está dotado com uma agulheta e uma mangueira com o comprimento de 20 metros. Tal água pode ser

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utilizada num incêndio, mas também para lavar as máquinas onde não exista ponto de água, ou para servir de lastro frontal, pois a massa do conjunto, quando repleto de água, pesa 1200kg. A bomba de água debita 43 litros por minuto à pressão de 3 bar e é acionada pelo circuito hidráulico do trator.

 Ajudar a combater os pequenos incêndios rurais declarados nas explorações agrícolas é o objetivo do Fields Fireman, um tanque com capacidade para 650 litros de água que é transportado na dianteira do trator. A ideia foi desenvolvida por um agricultor da Hungria.

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notícias // PRODUTO

em foco // PRODUTO

JOHN DEERE PERMITE A TRANSFERÊNCIA DE DADOS ENTRE FROTAS MISTAS A partir do Operations Center, agricultores e prestadores de serviço podem trocar dados de máquinas de diferentes fabricantes. Com a normativa ISOXML e a tecnologia do Operations Center, a John Deere facilita a transferência de dados com diferentes formatos entre máquinas dos principais fabricantes. As máquinas da John Deere estão conectadas sem fios através do Operations Center e do JDLink ConnectTM, que permitem a consulta de dados quase em tempo real. Os dados de campo das máquinas que utilizam o formato ISOXML, bem como os dados de máquinas de outros fabricantes que não www.abolsamia.pt

utilizam este formato, podem ser transferidos para o Operations Center recorrendo a uma unidade USB. Além disso, esta informação pode ser trocada de forma remota através de um smartphone utilizando um USB (Dual) especial para tal fim. Também é possível enviar dados a partir do telemóvel para o Operations Center através da aplicação da John Deere MyTransferTM. O Operations Center e a aplicação MyOperationsTM para smartphone são totalmente gratuitas. outubro | novembro 2020 abolsamia

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PRODUTO // teste em campo

VALTRA F105

Para trabalhar em culturas frutícolas e vinícolas

Os clientes da Valtra que trabalham em culturas especializadas encontram resposta às suas necessidades no catálogo da marca. Os tratores da série F estão vocacionados para as culturas instaladas em linha, sendo configuráveis com ou sem cabine e existindo inclusive uma versão estreita T E X TO J OÃO S O B R A L

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¢

FOTO G R A F I A S E B A S T I ÃO M A R Q U E S

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m 2020 não se reuniram as condições para realizar testes em campo a nível europeu. Assim, no âmbito da edição TOTY 2021, que agora decorre, procuramos ter contacto com os modelos finalistas do prémio que já estão disponíveis em Portugal. Começámos pelo Valtra F105, que disputa a categoria de Melhor Especializado 2021. Estivemos na AgroGaspares

para o conhecermos em maior detalhe. Na Branca (Coruche) efetuámos um percurso de estrada com um F105 estreito, a fazer parceria com um atomizador rebocado, e em Muge conduzimos outro F, mas em versão plataforma, com uma alfaia engatada no hidráulico. SÉRIE F É constituída por quatro modelos – F75, F85, F95 e F105 – que abrangem uma faixa de www.abolsamia.pt


ƒO sistema hidráulico pode ser configurado com 3 ou 4 distribuidores hidráulicos na traseira.

teste em campo // PRODUTO

ƒEm estrada, utilizámos o powershift da transmissão. A sensibilidade de resposta desta função pode ser ajustada pelo concessionário.

Ambas as versões da transmissão são de origem Carraro, assim como os eixos, o bloco hidráulico e a cabine.

potência entre os 75 e os 103 cv. Estão disponíveis em versão plataforma (com largura única de 1,5 m) e em versão de cabine climatizada (com duas larguras possíveis: 1,3 e 1,5 m). www.abolsamia.pt

A diferença mais percetível do Valtra F com largura standard está no espaço mais generoso oferecido pelo posto de condução.

a inclusão de um sistema SCR e consequente consumo de AdBlue.A manutenção do motor é feita a cada 600 horas.

MOTOR DE 3,4 LITROS Proveniente da FPT, o bloco de 4 cilindros e 3,4 litros de capacidade fornece 98 cv de potência nominal e 103 cv de potência máxima. Inclui duas memorizações de regime, uma funcionalidade útil maioritariamente para os trabalhos com TDF. Através de uma combinação EGR+DOC+DPF, cumpre a norma de emissões Fase IIIB. A atualização para a Fase V será feita em 2021. Implicará

DUAS CONFIGURAÇÕES DE TRANSMISSÃO A transmissão com inversor mecânico sincronizado apresenta um escalonamento de 24/24 velocidades. São 4 relações, distribuídas por 3 gamas e um desmultiplicador mecânico de 2 níveis. A versão com inversor eletro-hidráulico inclui embraiagem elétrica na alavanca de mudanças, o escalonamento de base é semelhante mas, em vez de um desmultiplicador, conta com 2 níveis de powershift nas relações de avanço para a frente, o que dá um total de 24/12 velocidades.

HIDRÁULICO E COMANDOS O sistema hidráulico é de controlo mecânico, sendo configurável com 2 ou 3 bombas (até um caudal máximo de 97 L/ min) e com 3 ou 4 distribuidores hidráulicos mecânicos. A dupla tração (4RM) e o bloqueio do diferencial são de acionamento eletro-hidráulico. As 4RM podem estar ligadas em permanência ou então em modo Auto, o que significa que se desligam acima dos 14 km/h e se os pedais de travão forem usados em separado. O bloqueio também é desativado automaticamente acima dos 14 km/h. O tipo de acionamento da TDF é coincidente com o tipo de inversor da versão em causa (eletro-hidráulico ou mecânico) e a seleção do regime é feita através de uma alavanca exterior, junto aos braços de hidráulico. O cliente pode optar por uma TDF 540 + 540 Eco ou 540 + 1000. CABINE A versão do F105 cabinado que conduzimos era a estreita, com 1 m de largura da cabine, mas existe também a versão standard, com 1,20 m de largura da cabine.

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APRECIAÇÃO

PRODUTO // teste em campo „O painel dianteiro da cabine é basculante e o retrovisor interno permite observar diretamente a alfaia.

A bordo, o painel de instrumentos permite uma leitura analógica das rotações, nível de combustível e temperatura do motor, e existe um visor digital em cujos menus se pode consultar o conta-horas, a velocidade, o consumo, a percentagem de obstrução do filtro de partículas, o regime da TDF, entre outras informações. A coluna de direção é ajustável em inclinação e altura. EXTRAS O elevador dianteiro faz parte da lista de opcionais, assim como diferentes tipos de barra de engate e de braços do hidráulico. É também possível adicionar um pendural hidráulico. No que respeita a lastragem, os F105 podem levar pesos à frente e também

ƒO assento pneumático e a coluna de direção ajustável fazem parte dos opcionais

ƒDois distribuidores hidráulicos e a válvula de retorno podem ser replicados para servir alfaias instaladas na frente.

nas rodas de trás, em algumas configurações de jante. Quanto a medidas, pode equipar com rodas traseiras de 24 ou 28” e rodas dianteiras de 16 ou 20”. ¢

FICHA DE DADOS

VALTRA F105 MOTOR Fabricante / modelo

FPT

Nº de Cilindros/ cilindrada

4 / 3.400 cm3

Potência nominal /máx.

98 cv / 103 cv

Binário máximo / reserva

405 Nm / ND

Nível de emissões

Fase IIIB

Começámos pelo F105 estreito. Fizemo-nos à estrada com um atomizador, tendo o trator revelado um correto comportamento geral de motor, caixa, direção e travagem. Num dia de final de agosto com temperaturas altas, o ar condicionado também cumpriu muito bem a sua função. No decorrer do trajeto, notámos alguma tendência para galopar quando atravessámos piso mais irregular. Ajustámos a pressão do assento pneumático e o desconforto esbateu-se ligeiramente. Não tivemos oportunidade de fazer uma verificação da pressão dos pneus ou de colocarmos lastragem, o que potencialmente poderia melhorar este ponto. Na cabine, alguns detalhes ergonómicos merecem revisão. Quando levamos a mão à alavanca de mudanças, os manípulos dos distribuidores hidráulicos ficam a embater no antebraço e a alavanca das gamas gera algum constrangimento na entrada e saída da cabine, sendo o seu manuseamento algo duro. Ainda no habitáculo, o espelho retrovisor interno, a cortina para o sol e a possibilidade de bascular o vidro dianteiro são detalhes que apreciámos. Sem nos parecer que concorra com os especializados para uma utilização intensiva, o F105 conta ainda assim com detalhes contemporâneos que o tornam uma escolha oportuna para quem, não tendo um elevado volume de trabalho em culturas especializadas, pretende investir um trator estreito de segmento médio.

TRANSMISSÃO Configuração

Mecânica 24/12

Velocidade máxima

40 km/h

HIDRÁULICO Capacidade de elevação

Traseira: 3.000 kg Ft: 1.700 kg

Fluxo da bomba (opcional)

67 (ou 97) L/min

DIMENSÕES

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Distância entre eixos

2.148 mm (2124 na versão std)

Carga máxima admissível

4.400 kg

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PREÇO Versão estreita, com assento pneumático e transmissão com inversor electro-hidráulico. PVP recomendado – 66.315 Eur + IVA Versão de plataforma com características semelhantes. PVP recomendo – 57.458 Eur + IVA

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PRODUTO // em foco

DEUTZ-FAHR 8280 TTV

VIRADO PARA A CONECTIVIDADE Com 287 cv de potência máxima e carga admissível de 16 toneladas, o novo 8280 TTV posiciona-se entre as séries 7 e 9. É configurável com as mais recentes ferramentas para agricultura de precisão e conectividade da Deutz-Fahr e tem chegada prevista ao mercado português para o final deste ano. P O R J OÃO S O B R A L

ƒ A aplicação Xtend permite aumentar a área de visualização do iMonitor, fazendo a sua extensão a um tablet. O operador pode atribuir ao tablet o menu de guiamento e conservar o iMonitor livre para todas as restantes funções.

A Deutz-Fahr acaba de apresentar o novo modelo 8280 TTV, que vem posicionar-se entre as séries 7 e 9. Prevê uma separação entre a cabine e o motor, a estética é semelhante aos restantes modelos de segmento alto da marca, sendo as principais diferenças identificáveis no campo das características técnicas. MOTOR DEUTZ DE 6,1 LITROS Produzido na fábrica de Lauingen, na Alemanha, é propulsionado por um motor Deutz bi-turbo de 6 cilindros, com 6.058 cm³ de capacidade, que fornece 287 cv de potência máxima, vindo preencher um gap que existia na oferta da DeutzFahr. Recorde-se que a série 7 TTV chega aos 246 cv e a série 9 começa nos 295 cv de potência máxima. A manutenção do motor é feita a cada 1000 horas. CARGA MÁXIMA DE 16 TONELADAS A nível estrutural, a distância entre eixos (DEE) de 2918 mm e a carga máxima 28

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admissível (CMA) de 16 toneladas mostram igualmente onde se posiciona o 8280 TTV – a DEE é de 2868 mm nos 7 TTV e de 3135 mm nos 9 TTV; já a CMA é 14,5 toneladas nos 7 TTV e de 18 toneladas nos 9 TTV.

embraiagem e a duas unidades hidrostáticas, o que resulta naquilo a que a DeutzFahr apelida de transmissão composta, com ganhos anunciados a nível de fluxo de potência.

TRANSMISSÃO TTV COMPOSTA A transmissão empregue é de variação contínua e pode alcançar os 60 km/h a um regime económico de 1830 rpm e os 40 às 1220 rpm. A marca anuncia que esta caixa epicicloidal SDF T7780 está ligada a uma

SISTEMA HIDRÁULICO E TRAVAGEM A capacidade do sistema hidráulico é de 210 L/min de fluxo e elevação traseira de 11 toneladas. A nível da travagem um pormenor a realçar é a utilização de travões de disco externos no eixo dianteiro. Esta www.abolsamia.pt


em foco // PRODUTO

solução de travagem a seco já é utilizada noutros modelos de alta potência da marca e visa obter um maior arrefecimento dos discos e assim manter a performance de travagem. ¢

AGRICULTURA DE PRECISÃO E CONECTIVIDADE O novo 8280 TTV apresenta diversos progressos tecnológicos para dar resposta às necessidades de agricultores e prestadores de serviços mais exigente. Entre as soluções disponíveis, destacamos: Ò ISOBUS com controlo de até 200 secções e taxa de aplicação variável. Ò Guiamento com melhoria de precisão (recorre a uma nova antena SR20), que inclui função auto-turn. Ò Telemetria SDF Fleet Management para gestão de frotas, com oferta de subscrição válida por 1 ano, que inclui histórico de localização e permite estabelecer cercas virtuais de modo a receber alertas no caso de a trator sair fora da área geográfica definida. Ò Agrirouter para carregamento/descarregamento de dados através da nuvem ou porta USB. Ò Xtend para extensão do terminal iMonitor3 a um tablet ou a um smartphone.

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PRODUTO // em foco

VALTRA G

Preparado para agricultura de precisão Os Valtra G dispõem de um maior leque de opcionais e de mais ferramentas para agricultura de precisão do que os Valtra A. O interface de comandos SmartTouch, o serviço de telemetria, o autoguiamento e a gestão de tarefas TaskDoc fazem parte do catálogo desta nova série. P O R J OÃO S O B R A L

o segmento imediatamente acima dos 100 cv, há clientes que precisam de especificações mais avançadas do que um Valtra A pode oferecer e para quem um Valtra N é demasiado grande. Num evento transmitido a partir da Finlândia, a Valtra fez a apresentação da nova série G, que vem preencher esse espaço, e que foi anunciada como “um canivete suíço a nível de customização”. 30

4 MODELOS ENTRE OS A E OS N A série é composta por quatro modelos – G105, G115, G125 e G135 – com potência nominal entre os 105 e os 135 cv. Todos dispõem de um boost de potência (disponível a partir da relação de caixa B5), que é de 10 cv no modelo de topo e de 5 cv nos restantes. Na estrutura de base, os Valtra G apresentam uma distância entre eixos de 2550 mm, ou seja, menos 11,5 cm do que os

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N, mais 12 cm do que os A de tamanho médio (A104 e A114) e mais 5 cm do que os A de maior potência (A124 e A134). MOTOR AGCO POWER DE 4,4 LITROS Projetado em Linnavuori e produzido na fábrica de Changzhou, na China, o bloco Agco Power de 4 cilindros que equipa os G cumpre os requisitos da Fase V. O intervalo de manutenção recomendado é de 600 horas.

O G125 diferencia-se por incluir a funcionalidade Eco que, quando selecionada pelo operador, reduz o regime do motor e aumenta o binário (555 em vez de 540 Nm), com o intuito de poupar combustível. TRANSMISSÃO DE 24 RELAÇÕES A base é proveniente da fábrica de transmissões GIMA, sediada em Beuavais, e tudo o resto, a nível de programação e interfaces, é desenvolvido pela Valtra. Com escalonamento de 4 gamas e 6 relações powershift, a versão Versu inclui um modo automático que para além da transição automática das relações faz também a transição automática entre as gamas B e C e entre as gamas C e D. Inclui ainda as funções AutoTraction (embraiagem no pedal de travão) e paragem ativa, que mantém o trator imobilizado em pendentes sem necessidade de usar os travões. Como é habitual na Valtra, o inversor inclui travão de parque. 4 NÍVEIS DE EQUIPAMENTO A estrutura de base da cabine é a mesma da série A mas diferenciada a nível do posto www.abolsamia.pt


em foco // PRODUTO ƒ O interface de comandos SmartTouch está disponível como extra na série G e concede acesso a várias ferramentas para agricultura de precisão.

do monitor; direção rápida Quick Steer, telemetria Valtra Connect, entre outros. Com possibilidade de suspensão no eixo dianteiro, inexistente nos A, os G dispõem de um elemento adicional de conforto. de condução. Inclui suspensão e são quatro os níveis de equipamento disponíveis: Basic, Comfort, Technology e Technology Pro. Quanto aos modelos G com interface SmartTouch, estes beneficiam das mesmas espe-

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cificações para agricultura de precisão que a Valtra disponibiliza nas séries acima, N e T, como: compatibilidade ISOBUS; controlo de secções; aplicação de taxa variável; guiamento Valtra Guide; possibilidade de instalar um segun-

HIDRÁULICO E CARREGADOR Com carregadores propostos de fábrica, a Valtra equipa os G com assistente hidráulico, uma funcionalidade que sobe automaticamente o regime do

motor quando o carregador requer mais caudal. Quanto ao sistema hidráulico, as características variam consoante se trate de um trator HiTech, Active ou Versu, sendo a opção de maior performance servida por uma bomba de 110 L/min. 2 NOVAS CORES Na estreia da série G, a marca anunciou a adição de duas novas cores ao seu catálogo: castanho e verde oliva. Já disponível para encomenda Os Valtra G começam a sair da linha de montagem e as primeiras unidades já foram encomendadas, confirmou João Pimenta, diretor da Valtractor, à revista abolsamia. Os clientes podem já fazer a sua reserva nos concessionários da Valtra. ¢

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FEIRAS

JOHN DEERE RETIRA-SE PROVISORIAMENTE DAS FEIRAS AGRÍCOLAS NA EUROPA

EIMA DIGITAL PREVIEW, A “PONTE” PARA A EIMA

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Mantendo-se o cenário atual, o regresso da John Deere aos eventos internacionais está previsto para a Agritechnica, no mês de novembro de 2021, em Hannover, Alemanha. Até lá, a empresa afirma que continuará a apoiar os concessionários que decidam participar em feiras agrícolas ou de espaços verdes locais, desde que respeitadas as medidas de segurança.

Grupo AGCO também não participará na EIMA International 2021

Arrancou em setembro o evento ponte em formato digital que serve de antestreia à tradicional EIMA, que terá lugar em fevereiro Devido à emergência sanitária provocada pela pandemia, a 44ª edição da EIMA International foi adiada para os dias 3 a 7 de fevereiro de 2021. Para a data habitual do certame de Bolonha, em novembro, a FederUnacoma criou a EIMA Digital Preview (EDP), de modo a oferecer aos expositores e visitantes uma mostra das tecnologias disponíveis no mercado da maquinaria agrícola. O EDP terá então lugar nas datas inicialmente calendarizadas para a EIMA – 11 a 15 de novembro de 2020 – e será em formato digital. No entanto, desde o dia 15 de setembro que se iniciaram-se os registos de visitantes. Ao registar-se, têm livre acesso à plataforma digital que lhes permite “visitar” e contactar os dois mil expositores e seus produtos, bem como fazer marcações

A pandemia é o motivo apontado pela empresa para não participar em qualquer feira internacional de maquinaria agrícola ou de espaços verdes na Europa até 31 de outubro de 2021 A decisão, que tem como objetivo evitar longas viagens que coloquem em perigo os seus consumidores e colaboradores, leva a que a John Deere não esteja presente no SIMA francês ou na italiana EIMA.

para visitas virtuais, ou frequentar variadas formações, atividades e eventos. O calendário detalhado de congressos, seminários e eventos técnicos ou espetáculos em direto, ainda não havia sido divulgado à data da impressão desta revista. Uma das raras exceções, é a divulgação do vencedor do Tractor of the Year que está já marcada para o dia 11 de novembro e terá transmissão em direto. Outra exceção é a antecipação do concurso de Novidades Técnicas promovido pela FederUnacoma para o dia 12 de novembro, também com transmissão em direto. Para os fabricantes que desejem realizar conferências de imprensa e apresentações de produto na plataforma digital, as reservas podem ser feitas junto da organização do evento a partir do dia 15 de outubro.

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Nova abordagem no marketing representa uma mudança para eventos virtuais ou híbridos Também o Grupo AGCO, que detém marcas como a Fendt, a Massey Ferguson ou a Valtra, em resposta à pandemia, decidiu não marcar presença na EIMA. “A EIMA tem sido uma parte valiosa do nosso plano de marketing durante anos, no entanto, em face de uma rápida evolução da pandemia, decidimos suspender a nossa participação”, revelou Torsten Dehner, Vice-presidente Sénior, General Manager, Europa/ Médio Oriente. Para finalizar, o responsável assegurou o regresso a eventos mais “holísticos”: “assim que a situação permitir, as nossas marcas proporcionarão aos seus clientes eventos que permitam interagir de forma mais holística, tal como a MF eXperience Tour, o Valtra SmartTour ou o FendtOne Roadshow”.

SIMA (Paris) adiado para 2022 Tendo em conta o atual clima económico a nível global e as muitas incertezas em torno da pandemia COVID-19, os organizadores do SIMA tomaram a decisão de realizar a próxima edição em novembro de 2022 (de domingo 6 a quinta-feira 10 de novembro de 2022). www.abolsamia.pt


FEIRAS

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PRODUTO // em foco

MASSEY FERGUSON 8S

Traz progressos significativos Com uma estética a meio caminho entre o retro e o moderno, os 8S apresentam uma separação de 24 cm entre a cabine e o compartimento do motor, no habitáculo o ambiente de trabalho é totalmente novo, e as soluções de conectividade fazem parte do catálogo de serviços proposto pela marca. P O R J OÃO S O B R A L

é a designação atribuída pela Massey Ferguson à nova série que vem substituir os modelos 7720S a 7726S. Constituída por quatro modelos – 8S.205, 8S.245 e 8S.265 -, num intervalo de potência máxima com boost dos 225 aos 285 cv – esta série representa uma rutura face ao passado recente da marca em tratores deste segmento, desde logo devido ao amplo leque de atualizações que disponibiliza. O 8S.265 é candidato ao prémio Trator do Ano [TOTY]. ESTÉTICA NEO-RETRO A marca adota elementos estéticos contemporâneos e outros inspirados em tratores Massey Ferguson de épocas passadas, como os guarda-lamas de linhas retas e a cabine em cor cinza. E passa a 34

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„ O apoio de braço e a arrumação no tabuleiro de comandos apresentam um desenho totalmente renovado.

existir um assinalável espaço entre a cabine e o capot. Nada menos do que 24 cm! Esbater o impacto do aquecimento e reduzir o nível de ruído (68 dB) são as razões que justificam esta arquitetura.

MOTOR AGCO POWER DE 7,4 LITROS O bloco Agco Power Fase V, de seis cilindros e 7,4 litros de capacidade é partilhado por todos os modelos da série. www.abolsamia.pt


em foco // PRODUTO

 O monitor tátil Datatronic 5 de 9” permite gerir as principais funcionalidades do trator e as compatibilidades ISOBUS. O ambiente de trabalho pode ser complementado com um monitor Fieldstar 5 para expandir a área de visualização. ƒ Não existe instrumentação na coluna de direção. O monitor no pilar A da cabine concentra as informações de consulta rápida.

A série vai dos 205 aos 265 cv mas todos os modelos contam com um boost de potência (+20 cv) para transporte, TDF e hidráulico. NOVAS TRANSMISSÕES DYNA-7 E DYNA E-POWER A oferta começa na nova semi-powershift Dyna-7 de 28 velocidades (4 gamas e 7 relações), sendo proposta também a versão Dyna E-Power, mais evoluída, com dupla embraiagem, que é igualmente uma estreia. No intervalo dos 5 aos 20 km/m o rácio de diferença entre as relações é de apenas 9% e existe uma ligeira sobreposição entre as gamas. Ambas comportam funcionalidades automatizadas e permitem alcançar os 53 km/h Eco às 1600 rpm e os 43 km/h logo às 1300 rpm. www.abolsamia.pt

A variante de variação contínua DynaVT chegará ao mercado só em 2021. HIDRÁULICO DE MAIOR PERFORMANCE Comparativamente com os 7700S, a capacidade máxima de elevação traseira passou de 9.950 para 10.000 kg e a dianteira de 4.000 para 4.800 kg. Em termos de fluxo, a bomba standard fornece 150 L/min. Em opção, é possível configurar estes tratores com uma bomba de 205 L/ min ou com uma versão Eco que alcança os 230 L/min ao regime nominal do motor. NOVA CABINE E NOVOS COMANDOS No habitáculo, o painel de instrumentos junto ao volante desaparece e é estreado

um monitor retangular, a cores, no pilar A da cabine. Designado MF vDisplay, permite monitorizar diferentes parâmetros de funcionamento, sendo os ajustes de visualização feitos através de um botão e roda na coluna de direção. Também o apoio de braço, o joystick MultiPad e o tabuleiro de comandos fazem a estreia nesta série, estando arrumados de forma a privilegiar a ergonomia e a visibilidade. MAIS CONECTIVIDADE No momento da compra, a Massey Ferguson oferece uma subscrição para três anos do serviço de telemetria MF Connect, que permite a transferência de dados para a nuvem. Entre os opcionais neste domínio, o destaque vai para os serviços MF Task Doc e MF Task Doc Pro, desenvolvidos para a transferência de mapas de prescrição ou outros dados. + 2 toneladas de carga admissível Comparativamente com a série que vem substituir, a distância entre eixos cresce 5 cm (3050 mm contra os anteriores 3000 mm) e o peso em vazio aumenta 900 kg (dos 7.800 para os 8.700 kg). O reflexo destes valores na carga máxima admissível é assinalável, passando dos 14.000 para os 16.000 kg. ¢ outubro | novembro 2020 abolsamia

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PRODUTO // em foco

MASSEY FERGUSON

lança Série MF 1700 M A marca pertencente ao Grupo AGCO anunciou em setembro o lançamento de uma nova série de tratores compactos com potências de 35 a 67 cv e motores de acordo com a normativa Fase V. P O R S E B A S T I ÃO M A R Q U E S

Todos os modelos vêm de série com tração às quatro rodas (4RM), podendo o cliente optar pela versão cabinada ou plataforma, e transmissão hidrostática ou mecânica. Esta nova série vem complementar

as já existentes MF1500, que inclui o MF1520 (20 cv) e o MF1525 (25 cv), e as MF3700 e MF4700, que começam nos 75 cv, fechando assim a renovação dos modelos dedicados a pequenas explorações.

VERSÕES DE ENTRADA Motor Equipados com um motor de 1.8 litros Fase V, os dois modelos de entrada da série são o MF1735 M, de 37 cv, e o MF1740 M, de 40 cv. Este motor de 3 cilindros cumpre as normas de emissões da Fase V, através de um sistema All-In-One (DOC+DPF) que oferece regeneração automática. Cabine A cabine, com 1065mm de largura, equipa de série com

ar condicionado e tem como opcional um assento com suspensão a ar. A coluna de direção é ajustável, o vidro traseiro é aquecido, existem duas ligações USB, uma tomada de carregamento de 12V, e até um suporte para o telemóvel. A versão plataforma traz de série uma proteção ROPS dobrável. Transmissão Ambos os modelos vêm equipados com uma transmissão hidrostática Servo HST de três gamas. Esta alcança

FICHA DE DADOS MF 1735 M Motor Estrutura

MF 1740 M

MF 1750 M

Iseki de 3 cilindros/ 1,8 litros Fase V

MF 1755 M

MF 1765 M

Iseki de 4cilindros/ 2,4 litros Fase V

Cabine ou Plataforma

Transmissão

MF 1765 M Cabine

Servo HST – Hydrostática três intervalos

Cabine ou Plataforma 12F/12R Mechanical

Potência

35cv

40cv

49cv

67cv

54cv

67cv

Binário máximo

110Nm

125Nm

140Nm

200Nm

188Nm

200Nm

Capacidade de elevação

1,200kg

1,200kg

1,580kg

1,600kg

1,580kg

1,600kg

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em foco // PRODUTO

uma velocidade até 34 km/h e inclui cruise control. Esta não é uma transmissão hidrostática “tradicional”: ao invés dos habituais dois pedais (um para andar para a frente, outro para trás), a Servo HST utiliza apenas um pedal acelerador e um inversor. A TDF traseira tem duas opções, 540 e 540 ECO, e modo auto stop (desliga a tomada de força quando a marcha atrás é engatada ou o trator está parado). Também de série vem uma TDF ventral de 2000 rpm. Sistema hidráulico A bomba de óleo auxiliar debita 41,5 L/min, existindo uma bomba separada para a direção. A capacidade de elevação é de 1200kg. Dois distribuidores traseiros são standard, estando disponível como opcional a montagem de mais quatro distribuidores ventrais controlados por joystick na versão cabinada. VERSÕES INTERMÉDIAS O MF1750 M, com 49 cv, e o MF1765 M, com 67 cv, também com transmissão hidrostática, equipam com um motor Iseki turbo de quatro cilindros, de 2,4 litros.

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Esta nova série vem complementar as já existentes MF1500, fechando assim a renovação dos modelos dedicados a pequenas explorações.

As capacidades de elevação são de 1.580 kg no MF 1750 M e 1.600 kg no MF 1765 M. A bomba de óleo tem uma performance de até 48 L/min, existindo dois distribuidores traseiros com controlo por joystick de série. Está disponíveis apenas em versão cabinada. VERSÕES DE TRABALHO Para agricultores e pequenos proprietários que precisem de um trator leve e compacto, a marca disponibiliza o MF 1755 M, com 54 cv, e o MF 1765 M, com 67 cv. Ambos estão equipados com uma caixa de velocidades mecânica 12/12 (quatro relações e três gamas) e disponíveis em versões com cabine e plataforma. Em aberto está a possibilidade de, no futuro próximo, também o modelo de 40 cv poder ser equipado com transmissão mecânica.

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TECH // em foco

Anti-roubo PARA MÁQUINAS AGRÍCOLAS E INDUSTRIAIS

Uma placa triangular com código inviolável que é afixada num painel externo, marcadores microscópicos distribuídos por vários componentes de uma máquina, e a ligação a uma base de dados. São estes os ingredientes que compõem o Cesar Scheme, um plano anti-roubo já implantado no Reino Unido e que poderá expandir-se a Portugal

ƒ O plano anti-roubo Cesar Scheme traduz-se na aplicação de um código inviolável de identidade que fica associado a cada máquina desde o momento de fabrico.

P O R J OÃO S O B R A L

aquisição de máquinas acarreta assinaláveis esforços de investimento. Em certos trabalhos, deslocados das instalações, quando não há a possibilidade de deixar os equipamentos num parque fechado, os sistemas anti-roubo fazem todo o sentido para poupar tempo a resolver problemas e como forma de proteger o património. No Reino Unido, os roubos eram muito frequentes e como resposta surgiu o plano anti-roubo Cesar Scheme. Foi criado em 2007 pela empresa Datatag, funciona em parceria com os fabricantes, a polícia, as seguradoras, entre outras enti-

dades, e muito em síntese trata-se da aplicação de um código inviolável de identidade que fica associado a cada máquina desde o momento de fabrico.

Estas placas correspondem a códigos que identificam a máquina e o proprietário e produzem um efeito dissuasor.

A PARTE INVISÍVEL O sistema instalado nas máquinas é composto por diversos marcadores minúsculos (microdots) colocados em diferentes peças, inclusive no interior dos vidros das cabines, e que são potencialmente impossíveis de situar.

LIGADO À POLÍCIA Desde que o plano foi criado, as estatísticas registam uma queda acentuada de roubos. Quando se verifica um roubo e uma máquina é localizada, é a polícia que tem acesso a scanners próprios para fazer a leitura dos dados que estão contidos num Cesar Scheme.

A PARTE VISÍVEL No processo de fabrico, são colocadas nas máquinas placas externas triangulares, codificadas e à prova de adulteração.

PAGO UMA ÚNICA VEZ O plano não tem associado o pagamento de uma subscrição. A marcação da máquina com a placa triangular e com os

QUANTO CUSTA INSTALAR O SISTEMA? O método mais comum de instalação é em fábrica, durante o processo de montagem de cada máquina. São mais de 35 os fabricantes com quem a Datatag já estabeleceu uma parceria e que disponibilizam aos seus clientes no Reino Unido este sistema como algo que faz parte do equipamento de base, na maior parte dos casos sem custo adicional para o cliente. Mas a instalação em máquinas usadas também é possível, tendo de ser feita em concessionários autorizados. O preço de instalação no Reino Unido ronda as 165.00 GBP, ou seja, cerca de 180,00 Eur. 38

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microdots, mais o registo numa base de dados, são pagos na aquisição e vigoram enquanto a máquina existir. Quando é feita uma transferência de propriedade, o novo proprietário paga apenas uma taxa de transferência para que os seus dados pessoais passem a estar associados àquela máquina. PARA BREVE DISPONÍVEL EM PORTUGAL? Não existe atualmente uma rede de distribuição fora do Reino Unido, sendo a Suécia a única exceção.Mas Nick Campolucci, diretor comercial da Datatag, confirmou à revista abolsamia o interesse em expandir a distribuição e Portugal está entre os mercados potenciais. “Neste momento estamos à procura de um distribuidor que represente o Cesar Scheme em Portugal e em Espanha”, adiantou o responsável da empresa. ¢ www.abolsamia.pt


TECH // entrevista

“Temos a obrigação de explicar aos agricultores o que ganham com a digitalização”

A maquinaria inteligente, os sistemas de monitorização e as técnicas de inteligência artificial estão na agenda do primeiro laboratório colaborativo português dedicado à agricultura. O objetivo é construir uma ponte entre quem produz inovação e quem a vai aplicar na prática. P O R J OÃO S O B R A L

No recém-criado Smart Farm CoLAB – Laboratório Colaborativo para a Inovação Digital na Agricultura, o Professor José Barata Oliveira é coordenador científico e 40

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a Doutora Cátia Pinto é secretária executiva e investigadora. Falámos com ambos via zoom para percebermos que caminhos vai trilhar esta instituição. www.abolsamia.pt


entrevista // TECH „ Para percebermos que caminhos vai trilhar o recém-criado Smart Farm CoLAB falámos, via zoom, com o Professor José Barata Oliveira e com a Doutora Cátia Pinto

8:30

“Somos intermediários na transferência de conhecimento e de tecnologia para aplicação às necessidades reais”. CÁTIA PINTO

A MISSÃO DE UM LABORATÓRIO COLABORATIVO Cátia Pinto, que tem um percurso profissional focado na digitalização das comunidades microbianas do solo, começou por nos falar do que faz um laboratório colaborativo. “Existe um gap entre aquilo que é a investigação e desenvolvimento e a sua aplicação a nível industrial. Os laboratórios colaborativos vêm permitir a transferência do conhecimento entre as entidades científicas/universidades para responder às necessidades da produção, criando assim valor e competitividade ao sector agrícola.

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“Os profissionais do ramo tecnológico não olham ainda para a agricultura como um sítio de futuro para eles”. JOSÉ BARATA

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TECH // entrevista

Para cumprir este propósito, a instituição rodeou-se de parceiros que estão ligados ao setor agrícola em patamares distintos. Na lista estão universidades, empresas de logística e distribuição, e também fabricantes de alfaias, como é o caso da Tomix e da Stagric. “Tentámos cobrir diferentes setores de atividade, sobretudo nas áreas da fruticultura, horticultura e viticultura”, sintetizou. O OESTE COMO PRIMEIRO ENFOQUE José Barata Oliveira, cujo percurso profissional e académico está ligado à engenharia eletrónica e à robótica, explicou por que é o SFCoLAB está sediado na região do Oeste. “A Câmara Municipal de Torres Vedras quis e acreditou que era possível fazer um laboratório colaborativo. Além disso, a região do Oeste tem os agricultores mais novos do país e há aqui determinados produtos que são específicos, como a pera rocha. Esta região é o ponto de partida mas a nossa visão é Portugal inteiro. Temos estabelecido contactos com produtores de várias regiões”, esclareceu. FRUTICULTURA, HORTICULTURA E VITICULTURA Quisemos saber se é objetivo do SFCoLAB vir a expandir-se à produção animal ou às grandes culturas e José

Barata desfez a dúvida. “Sim, mas teremos primeiro de ancorar estas três áreas: fruticultura, horticultura e viticultura. O nosso grande objetivo é a digitalização, que tanto é para tomate, como é para pera, como é para trigo, porque a tecnologia é a ferramenta para se produzir de forma sustentável, com maior qualidade e conseguindo que toda a cadeia de valor ganhe”, adiantou.

EM SÍNTESE A RASTREABILIDADE DOS ALIMENTOS É UM EXEMPLO DE DIGITALIZAÇÃO A food traceability (rastreabilidade alimentar) é uma das peças que formam o puzzle da digitalização. “Quando o consumidor olha para as maçãs no supermercado, pode perceber qual foi o trajeto que elas fizeram e qual é a pegada de carbono que têm associada”, afirmou José Barata. A obtenção desta informação requer o envolvimento de toda a cadeia de valor: produtor, armazenista, transportador, retalhista e consumidor.

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O SUCESSO DA TECNOLOGIA DEPENDE DAS PESSOAS O setor da investigação vai gerando resultados, disponibilizando novas ferramentas, seja para combater doenças, seja para utilizar a água de forma mais eficiente, seja para monitorizar as culturas, mas os processos têm de ser reorganizados. “O problema da utilização da maquinaria ou de qualquer inovação é precisar muito do efeito humano. Para que funcione, é preciso envolver as pessoas”, alerta José Barata. COMUNICAR COM O AGRICULTOR O SFCoLAB participará em programas de investigação e uma parte importante do trabalho será feita também no domínio da comunicação e da formação. “O grande drama da inovação está na transferência de conhecimento para o utilizador final. Temos a obrigação de chegar junto dos agricultores para lhes explicarmos que a digitalização não é uma moda, mas que é sim algo com que eles têm a ganhar”, acrescentou José Barata. “Precisamos de gente que não fique só no seu laboratório mas que também vá ao terreno e que encontre uma linguagem de interação com o agricultor”, concluiu. ¢ www.abolsamia.pt


em foco // TECH

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TECH // em foco

Combustível Neste MY é mais limpo que o diesel Nunca como agora se falou tanto de ser urgente baixar os níveis de poluição. Neste contexto, a busca de alternativas aos combustíveis fósseis tem levado à afirmação da eletricidade. Mas os combustíveis líquidos renováveis também podem ser parte da solução P O R J OÃO S O B R A L

VALTRA PÕE NESTE MY

ecentemente, visitámos uma refinaria finlandesa onde se produz um combustível inovador e renovável, essencialmente feito à base de desperdícios orgânicos. Chama-se Neste MY e por enquanto não se encontra disponível em Portugal. Em contrapartida, nos países nórdicos, onde está já muito difundido na rede de distribuição para o sector rodoviário, tem vindo a conquistar quota de mercado. No setor das máquinas agrícolas, a Valtra tomou a decisão pioneira de o usar no abastecimento de tratores à saída de fábrica. VISITA À REFINARIA DE PORVOO, NA FINLÂNDIA É em Porvoo, a 50 km de Helsínquia, que a petrolífera Neste tem uma das suas maiores refinarias. Com grande capacidade de armazenamento de gás e de crude, é destas instalações que saem mais de 150 diferentes produtos derivados do petróleo, incluindo a gasolina e o gasóleo. 44

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Em Porvoo está também instalado o departamento de I&D da empresa, que é responsável pelo desenvolvimento do diesel renovável Neste MY, e duas unidades de refinação. que produzem anualmente 400.000 toneladas deste combustível para os mercados nórdicos. AS PROPRIEDADES DO NESTE MY Apresenta um aspeto incolor, como a água, embora ligeiramente mais espesso, e quase inodoro. Tal como o diesel tradicional, pode ser armazenado durante longos períodos sem que as suas propriedades se alterem, e inclusive não acumula água, o que segundo a Neste tende a acontecer com o biodiesel tradicional. É produzido maioritariamente a partir de óleos vegetais usados e de gordura animal proveniente de restos da restauração, mas no total são 10 os diferentes materiais (sempre resíduos ou desperdícios) que podem ser utilizados.

À SAÍDA DE FÁBRICA A fábrica de Suolahti deixou de usar o diesel derivado do petróleo. Desde 2018, o Neste MY Diesel é o combustível colocado nos depósitos dos tratores quando chegam ao fim da linha de montagem. A Valtra tornou-se o primeiro fabricante a dar este passo, estando a comprar anualmente à Neste mais de 700.000 litros de diesel renovável.

NESTE CRITICA APOSTA DA UE NA ELETRICIDADE No decorrer da visita a Porvoo, os responsáveis de I&D da Neste criticaram as orientações e incentivos da UE, que visam promover uma transição dos motores de combustão para os elétricos. www.abolsamia.pt


em foco // TECH

ƒ A Valtra abandonou o diesel em 2018 e passou a utilizar um combustível renovável no primeiro abastecimento dos tratores à saída de fábrica.

Põem em dúvida que a eletricidade seja uma solução assim tão limpa como se apregoa e alertam para a necessidade de calcular os impactos desde a instalação até à desativação. “Há soluções para os combustíveis líquidos”, asseguraram, porque “um veículo velho pode, em apenas um minuto, ser transformado num veículo com menor impacto ambiental”. Basta atestar, dar à chave e seguir. 20 CÊNTIMOS MAIS CARO QUE O GASÓLEO Quanto ao consumo, os diversos estudos já feitos apontam para a inexistência de desvios assinaláveis comparativamente com o diesel. Mas o preço mantém-se mais alto, pelo menos para já. “Na Finlândia, o Neste MY é cerca de 1 Eur mais caro ao fim de 100 km em comparação com o diesel fóssil, isto é, cerca de 20 cêntimos mais caro por litro” afirmou Mattias Hellström, diretor de comunicação da Neste, em declarações à revista abolsamia.

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TECH // em foco „ Existem em Porvoo duas unidade de refinação que produzem anualmente 400.000 toneladas de Neste My para os mercados nórdicos. ‚ O Neste My produz uma combustão mais limpa do que o gasóleo derivado do petróleo.

NESTE MY É UM COMBUSTÍVEL PREMIUM Com uma anunciada redução dos gases com efeito de estufa na ordem dos 90%, é anunciado como “um combustível premium em termos de composição”. Dado que produz menos partículas, outra vantagem apontada é garantir uma maior proteção dos motores. “É a maneira mais rápida de reduzir emissões”, explicaram-nos em Porvoo, porque toda a estrutura já existe, desde o próprio parque de veículos até à rede de abastecimento. E será expectável que o consumo de Neste MY contribua para prolongar a vida dos filtros de partículas? “Sim, porque produz uma combustão mais limpa, com menos partículas” esclareceram os técnicos da Neste. SEGUNDA VIDA PARA OS MOTORES DE COMBUSTÃO Muitas imposições já foram criadas para limitar as emissões poluentes em motores de combustão, os fabricantes investiram rios de dinheiro para desenvolverem sofisticados sistemas de tratamento de gases, o preço de venda das máquinas foi subindo para haver uma recuperação desse investimento, e tudo isto foi feito 46

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assumindo que o gasóleo é o combustível incontornável. Mesmo não sendo viável produzir Neste MY em tão grande volume como se produz gasóleo, e mesmo que o preço ainda demore a tornar-se competitivo, o que este exemplo demonstra é que o diesel

derivado do petróleo é substituível. Os combustíveis líquidos não são um capítulo encerrado, há departamentos de I&D a desenvolverem novas soluções, e vislumbra-se por isso a possibilidade de uma segunda vida para os motores de combustão. ¢

EM SÍNTESE

Neste My Diesel à É produzido a partir de matérias 100% renováveis à Tem uma emissão de CO2 (dióxido de carbono) 90% inferior à Tem uma emissão de partículas 33% inferior à Tem uma emissão de NOx (óxido de azoto) 9% inferior à É compatível com a rede de abastecimento existente à É compatível com motores diesel recentes e antigos à Pode ser utilizado em forma pura ou misturado com diesel fóssil à Pode ficar armazenado sem que as suas características se alterem

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em foco // TECH

NOVO VISUAL PARA O ROBÔ DE CAMPO FENDT XAVER O robô de sementeira Xaver apresenta um design diferente do anterior, com novas unidades de sementeira e outros updates tecnológicos. Desenvolvido por outra empresa da AGCO, a Precision Planting, o sistema de controlo eletrónico da unidade de sementeira, vSet, deposita sementes individuais com precisão centimétrica a uma distância predefinida na linha. A semente é atualmente lançada no sulco por um firmer flexível, mas a ideia é vir a instalar o Firmer Smart da Precision Planting no futuro. Equipado com sensores que medem a humidade do solo, temperatura, conteúdo de húmus e resíduos de plantas, a profundidade da colocação da semente varia com base nas condições detetadas. A mudança de design de quatro para três rodas (direção na roda traseira) também é nova. As rodas maiores aumentam a área de contato da superfície, fornecem maior distância ao solo, orientação de profundidade mais precisa e viragem mais rápida nas cabeceiras. A última roda atua como uma prensa para compactar suavemente o solo ao lado e por cima da semente. Os lastros nas rodas dianteiras ajudam a aumentar a pressão da relha ao semear em solos argilosos. Totalmente lastrado, www.abolsamia.pt

 Comparativamente com a versão anterior, passa a ter 3 rodas em vez de 4, ficando a direção a cargo da roda traseira O requisito para a tecnologia de enxame é a implementação da rede 5G.

o peso do robô de campo de 2,0 m de comprimento passa de cerca de 150 kg para um máximo de 250 kg. A capacidade da tremonha de sementes foi aumentada para 20 litros, o que é considerado suficiente para cerca de 0,5ha a 90.000 sementes/ha. A capacidade da bateria de lítio foi aumentada para 2,6 kWh e o robô tem uma autonomia de cerca de 1,5 horas antes de retornar à estação base para carregar. A Fendt calcula que um ‘enxame’ de seis unidades pode cobrir cerca de 3ha/h. Esta nova geração Xaver está equipada com o sistema de orientação VarioGuide e é compatível com a plataforma FendtONE, que permite a troca de informações de dados de campo entre os tratores e os robôs, bem como entre os robôs e a base de dados, o que aponta para a gestão integrada de uma frota. O departamento de pesquisa e engenharia avançada da Fendt tem trabalhado em temas como a tecnologia de enxame e a robótica desde 2017. ¢

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TECH // em foco

Um universo de alfaias, um único interface Um revolucionário interface de comandos, que concilia elementos tangíveis e virtuais, é compatível com um universo alargado de alfaias. Por vezes, é nestes pequenos componentes que estão os grandes avanços P O R J OÃO S O B R A L

Os dispositivos táteis estão na moda. Mas reconheçamos, nem sempre são práticos. Se têm a vantagem de nos facultar o acesso a infinitos menus virtuais, usando um único suporte, também é verdade que nos obrigam a desviar o olhar para pressionarmos no sítio exato pretendido, e acertar nem sempre é fácil se o veículo estiver em andamento e a atravessar um piso irregular. Por outro lado, os comandos físicos nem sempre são flexíveis a ponto de comportarem muitas funções e, em simultâneo, se adequarem a um vasto leque de alfaias. Mas, e se existisse um interface para controlo de equipamentos agrícolas que combinasse as vantagens dos comandos físicos com as vantagens dos ambientes táteis? CASAMENTO PERFEITO ENTRE TANGÍVEL E VIRTUAL Foi em redor desta ideia que o CCI Isobus (Centro de Competência Isobus) 48

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As possibilidades são praticamente infinitas: um único interface CCI adapta-se a tantas alfaias quantas as que tiverem um software compatível.

ƒ A área tátil está compartimentada por uma grelha (física), podendo o operador pressionar em cada zona como se fosse um botão, com precisão e sem desviar o olhar.

trabalhou e daí resultou o revolucionário interface de comandos CCI A3. Na prática, é uma manete que tem um monitor tátil. Nesse monitor, são projetadas diferentes funções, consoante a alfaia que está emparelhada www.abolsamia.pt


em foco // TECH O dispositivo reconhece a troca de uma grelha e adapta o ambiente virtual em conformidade.

com o dispositivo. As possibilidades são praticamente infinitas: um único interface CCI adapta-se a tantas alfaias quantas as que tiverem um software compatível. 3 GRELHAS PARA COMPARTIMENTAR FUNÇÕES A área tátil está compartimentada por uma grelha (física), podendo o operador pressionar em cada zona como se fosse um botão, com precisão e sem desviar o olhar. As grelhas podem ser trocadas, existindo três distintas, que diferem na arrumação das funções. O dispositivo reconhece a troca de uma grelha e adapta o ambiente virtual em conformidade. Cada ordem dada pelo operador, ao pressionar, é confirmada por um feed-back de vibração. Este tipo de funcionamento permite que continue concentrado noutras tarefas. Uma tecla física posicionada na parte de atrás do dispositivo serve para alternar os ambientes virtuais.

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Cada ordem dada pelo operador, ao pressionar, é confirmada por um feed-back de vibração

CONSÓRCIO PARA A UNIFORMIZAÇÃO ISOBUS O consórcio CCI existe desde 2009, fundado pela Amazone, Grimme, Krone, Kuhn, Lemken e Rauch. Presentemente, já integra 35 membros, entre os quais a

ƒ As grelhas podem ser trocadas, existindo três distintas, que diferem na arrumação das funções.

Uma tecla física posicionada na parte de atrás do dispositivo serve para alternar os ambientes virtuais

Väderstad e a Pöttinger. Ocupa-se da uniformização de funcionalidades e desenvolvimento de interfaces ISOBUS, trabalhando inclusive em coordenação com a AEF ISOBUS. ¢

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PRODUÇÃO ANIMAL // Agricultora, Veterinária e Mãe

NOVA RUBRICA

ISABEL MAIA

Agricultora, Veterinária e Mãe

Dicas para a compra de tecnologia e sua negociação Isabel Maia, Gonçalves por casamento. 38 anos. Abracei o desafio de trazer, para o século XXI, os negócios agrícolas da família que vêm a passar de geração em geração. Estando a construir um estábulo, há um estudo inevitável que tenho de fazer sobre a tecnologia disponível no mercado. É essa partilha que pretendo fazer a cada número de abolsamia. Se quiserem seguir o meu dia-a-dia, podem fazê-lo através do meu blog, em www.agricultoraveterinariaemae.pt , e/ ou respectivas páginas de facebook e Instagram com o nome “Agricultora, Veterinária e Mãe”.

Talvez daqui a um ano, quando o estábulo novo estiver construído, tenha mais experiência para falar sobre isto. Ainda assim, com base na minha experiência actual, recomendo:

1. COMPARE, MAS COMPARE BEM Q u a n d o p e d i m o s o r ç amentos, dificilmente estes são comparáveis. Costumo fazer uma tabela de comparação, numa folha Excel® (Microsoft), em que coloco em cada coluna uma marca, o valor de aquisição e as principais características do equipamento. Fico, assim, com uma perspectiva muito

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melhor do que realmente me custa aquilo que cada marca me está a oferecer. Isto permite-me também neutralizar parte do efeito de persuasão do comercial que está a negociar comigo. As folhas de Excel® tornam a análise dos orçamentos e a negociação mais racional e menos emocional. www.abolsamia.pt


“Investir é importante para sobreviver, mas não deve estrangular a tesouraria a um ponto em que comprometa a própria sobrevivência da empresa.”

2. DEFINA UM VALOR MÁXIMO

PARA O INVESTIMENTO E RESPEITE-O

Sempre que possível. Ás vezes, poderá ter definido um valor pouco realista e poderá ter de o aumentar. Aconteceu-me exactamente isso, o ano passado, quando estava à procura de um tractor com carregador frontal. Mas também me aconteceu visitar um stand de tractores, em que o comercial me queria mostrar um tractor que segundo ele “É um tractor para a vida! Só gasta dinheiro uma vez!”. Eu não estava interessada em dobrar o valor do investimento que tinha estipulado para o negócio, mas o homem insistiu e eu fui sen-

tar-me no tractor, para que ficasse feliz. Depois de me descrever as 1453 virtudes do equipamento perguntou-me “O que acha?”. Respondi-lhe “Quando só tenho dinheiro para comprar uma Renault Megane, não costumo visitar o stand da Porsche” e voltamos para junto dos tractores mais baratinhos. A estratégia mais importante de uma empresa é aquela que permite sobreviver. Investir é importante para sobreviver, mas não deve estrangular a tesouraria a um ponto em que comprometa a própria sobrevivência da empresa.

3. PROCURE O FEEDBACK

NEGATIVO DOS EQUIPAMENTOS

Durante a negociação, é frequente os comerciais indicarem pessoas que adquiriram aquele equipamento e que dão boas referências dos mesmos. Mais importante do que as recomendações do equipamento (feedback positivo), é a informação que podemos obter das pessoas www.abolsamia.pt

que compraram o equipamento e que não estão 100% satisfeitas. Esse feedback negativo é muito importante por dois motivos: (1) ajuda-nos, na negociação, a puxar o preço para baixo; (2) diminui a probabilidade de nos arrependermos da escolha no futuro. outubro | novembro 2020 abolsamia

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PRODUÇÃO ANIMAL // Agricultora, Veterinária e Mãe

4. CUIDADO COM OS CUSTOS

SILENCIOSOS NA COMPRA

25 €

Boletim na pág. 106

Os custos de manutenção de um equipamento muitas vezes não são abordados no momento da compra deste, mas podem ser muito significativos. Cuidado com as empresas que usam a estratégia de venda das impressoras HP: vender a impressora barata e os tinteiros caros. A impressora só compra-

1 ano de assinatura

2021

A REVISTA DA MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA

mos uma vez, mas os tinteiros vamos comprar durante anos… Por isso, quando estou a comparar orçamentos, tenho uma alínea para a estimativa dos custos de manutenção. Tenha particular atenção perante as pechinchas. “Quando a oferta é muito, o pobre desconfia.” Desconfie.

“Estabeleça uma prioridade para os investimentos conforme o impacto real e o retorno mais rápido que estes podem ter no seu negócio.”

A VIDA NO CAMPO

5. ESTABELEÇA PRIORIDADES PARA OS SEUS INVESTIMENTOS

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Comprar um equipamento que vamos usar duas vezes por ano, pode ser inevitável quando não temos prestadores de serviço, na nossa região, ou quando os que temos não nos garantem o serviço feito a tempo e horas. Contudo, há equipamentos que vão ser usados muito mais amiúde, diariamente até, e cujas actualizações muitas vezes não são consideradas prioritárias. São disso exemplos os unifeeds e as ordenhas. As ordenhas são um exemplo pragmático porque consomem muitas horas de trabalho diariamente que poderiam estar a ser utilizadas noutras tarefas. Isto lembra-me um comentário de um cliente “Se as ordenhas

tivessem rodas, seriam muito mais modernas”, numa alusão ao picanço do passado (espero!) em que os agricultores escolhiam o tractor tendo como principal critério ter o maior da freguesia. Estabeleça uma prioridade para os investimentos conforme o impacto real e o retorno mais rápido que estes podem ter no seu negócio. Diz o meu avô paterno, agricultor do tempo das vacas gordas: “Quem é poupado, só compra uma vez”. Diz a Isabel, agricultora do tempo das vacas magras: quem é poupado, tem de estudar o que compra e comprar só o que pode, pelo menos, até descobrir o número do euromilhões. ¢ www.abolsamia.pt


prémios sommets d´or // PRODUÇÃO ANIMAL

VENCEDORES SOMMETS D’OR

COMPETIÇÃO DE INOVAÇÃO O concurso “Sommets d’Or”, realizado no âmbito da feira de pecuária, Sommet de l’Elevage, em Clermont-Ferrand, França, recompensa os expositores que apresentam equipamentos, produtos ou serviços inovadores em termos de fabricação, segurança ou ergonomia. Máquinas, equipamentos, materiais ou serviços para o setor da pecuária: o júri vota nas inovações que se destacam pela forma como respondem às necessidades do utilizador final.

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ENCORDOADOR AGRONIC PARA CARREGADOR FRONTAL Distinguido pelos prémios de inovação do Sommet de L’Élevage, o encordoador WR 600 trabalha ao centro do trator e tanto pode ser engatado na traseira como na frente. Esta alfaia da marca finlandesa Agronic permite uma largura de trabalho de 6,10 metros e pesa 860 kg. O peso relativamente leve deve-se ao facto de os 36 dentes que equipam cada um dos rotores serem fabricados em poliamida. O engate frontal tem como vantagem

poder trabalhar em combinação com uma enfardadeira ou com um reboque autocarregador. Apresenta ainda a particularidade de se poder engatar num carregador frontal através de um quadro de adaptação, o que se torna possível por dispensar a utilização da TDF. Os dois rotores são acionados por motores hidráulicos independentes e a estrutura inclui rodas para acompanhar o relevo do terreno.

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PRODUÇÃO ANIMAL // prémios sommets d´or

UM TELESCÓPICO COM INSÍGNIA FENDT Já apresentado na nossa edição 119, recordamos o que então escrevemos. O novo telescópico Cargo T955 era um tipo de máquina que faltava no portfólio da Fendt. Apesar de ser trazido para dentro do catálogo através de um acordo de cooperação, a Fendt não escolheu um parceiro qualquer e não escolheu um modelo sem diferenciação. Escolheu a alemã Sennebogen, um fabricante com vasta experiência em maquinaria para demolição de edifícios e movimentação industrial

de cargas, e escolheu um modelo que se destaca pela possibilidade de elevar a cabine até 4,20 m de altura. Esta característica contribui para melhorar substancialmente os entraves à visibilidade, tão comuns em telescópicos e até mesmo em pás carregadoras. É propulsionado por um motor de 4,5 litros, capaz de debitar 171 cv de potência máxima. A altura de elevação é de 8,5 metros, podendo elevar uma carga máxima de 5,5 toneladas a 6 metros de altura.

UNIDADE DE ENERGIA HIDRÁULICA MÓVEL A Hydrokit, em parceria com a Sabi Agri, desenvolveu uma unidade de energia hidráulica para uso com tratores movidos a eletricidade, montada aos 3 pontos. Atualmente, os veículos elétricos automotrizes só podem ser usados com os seus próprios equipamentos. Com o GHV elétrico, o operador pode manter o seu conjunto de ferramentas acionadas hidraulicamente num veículo automotriz elétrico. Além disso, a energia pode ser adaptada de acordo com a necessidade, resultando numa poupança energética.

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CARREGADORA DE RODAS TORION 738T O 738 T pertence a uma categoria de carregadoras compactas com braço telescópico que combina um sistema direcional SINUS e um sistema de proteção inteligente para evitar que a máquina tombe, de forma a melhorar o desempenho de elevação e a segurança do operador. O sistema de segurança Torion

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evita paragens sistemáticas e o risco de movimentos automáticos não intencionais que causem a perda de controlo da posição de carga. Apesar do seu tamanho, tem uma capacidade de carga notável: 1,3 t. na extremidade da lança, mesmo quando a esta se encontra na sua extensão máxima de 4,80m.


PRODUÇÃO ANIMAL // enfardadeiras

Acondicionar silagem em bolas plastificadas As finalidades mais frequentes para a silagem de milho são o consumo em verde, a colocação em silos ou mesmo o armazenamento em silobags. Mas uma alternativa para acondicionar a silagem é a compactação em fardos. Destacamos dois fabricantes que possuem na sua gama enfardadeiras com características específicas para

AGRONIC A marca finlandesa Agronic dispõe de dois modelos preparados para enfardar silagem: a Multibaler 820, que produz fardos com 85 cm de largura, diâmetro variável entre 80 e 90 cm, 0,55 m³ de volume e peso entre 250 a 450 kg; e a Multibaler 1220 que produz fardos com 100 cm de largura, diâmetro entre 100 e 120 cm, 1,13 m³ de volume, e peso entre 600 e 1000 kg, consoante o material enfardado e o teor de humidade. Ambas fazem entre 40 a 50 fardos por hora, tendo a tremonha de recolha do material 2,5 m³ de capacidade. Estas enfardadeiras podem trabalhar em modo estacionário ou ser usadas em movimento, a par de uma ensiladora automotriz, o que poupa etapas e custos de logística.Possui um sistema hidráulico refrigerado a óleo e é acionada unicamente pela TDF do trator. A Agronic foi fundada em 1993, tem um portfólio de produtos virado para a distribuição de chorume, encordoa56

FICHA DE DADOS

SEMELHANÇAS „ Ambas são constituídas por três elementos: tremonha de recolha; enfardadeira; e plastificadora „ Ambas alcançam uma redução de volume do material compactado entre 50 a 70%.

DIFERENÇAS „ As enfardadeiras Agronic podem acompanhar uma ensiladora em trabalho e as Orkel operam apenas em modo estático.

mento e enfardação, e ainda não está representada em Portugal. Contactado pela revista abolsamia, Mauri Autio, diretor da empresa, afirmou que tem interesse em encontrar parceiros de negócios no nosso país.

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 As Multibaler podem acompanhar uma ensiladora em movimento ou trabalhar em modo estático. A marca propõe inclusive um sem-fim como opcional que permite transferir a silagem a partir de um unifeed.

„ A tremonha de recolha das Agronic está em posição elevada, devendo o abastecimento em modo estático ser feito com um carregador ou telescópico. A Orkel possui tremonha em posição rebaixada, possibilitando que um reboque bascule diretamente para a enfardadeira. „ As Agronic são acionadas exclusivamente por um trator. As Orkel podem ser acionadas por um trator mas as marca também comercializa como um motor elétrico que serve de propulsão e dispensa o uso de um trator. www.abolsamia.pt


 O acondicionamento em bolas permite conservar os nutrientes da silagem e abre outras possibilidades de arrumação e logística. As Dens-X podem receber a carga transferida a partir de um reboque.

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ORKEL A marca norueguesa Orkel comercializa várias versões de enfardadeiras compactadoras, sendo a Dens-X um dos modelos mais vocacionados para utilização em agricultura. Produz fardos com 120 cm de largura, 115 cm de diâmetro e 1,25 m³ de volume. Dependendo do produto enfardado, a marca anuncia que o peso dos fardos pode oscilar entre os 300 e os 1200 kg. Destina-se exclusivamente a trabalhar em modo estacionário, podendo ser acionada por um trator com potência mínima de 120 cv ou por um motor elétrico com potência mínima de 55 kW. A Orkel indica que a performance de trabalho pode alcançar os 65 fardos por hora e que esta gama de enfardadeiras é compatível com mais de 30 produtos, como misturas de silagem, algodão, estrume, bagaço de uva, entre outros. Presente no segmento das enfardadeiras desde 1986, a Orkel é representada em Portugal pela Agridirect, com sede em Benfica do Ribatejo. ¢ outubro | novembro 2020 abolsamia

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PRODUTO // em foco

TETRA ituada entre o Tejo e o Alviela, numa das zonas mais produtivas do mundo no que à cultura do milho diz respeito, encontra-se a Quinta da Lezíria da Barroca. O seu proprietário é Emílio Infante da Câmara, que nos fez uma breve apresentação da mesma. “Esta exploração vem já do meu bisavô e, ao longo dos anos, tem vindo sempre a aumentar a área total. As culturas que foram sendo feitas têm vindo a mudar ao longo do tempo”. Durante uma fase da sua já longa história, a Quinta esteve dedicada a pastagens para engorda de gado, onde existia também uma ganadaria. Com o tempo as coisas foram mudando. “Estou aqui há quarenta e poucos anos e, desde aí, as culturas cerealífe58

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São já quatro as ceifeiras da Fendt a trabalhar em Portugal Outubro de 2017, edição 108 d’abolsamia, as ceifeiras da Fendt faziam a sua estreia em Portugal. Na altura fomos à Quinta da Cholda, Azinhaga, Santarém, e o modelo era uma 5275 c. Ao dia de hoje são quatro a trabalhar no nosso país. A mais recente adição é uma 6335c, entregue na Quinta da Lezíria da Barroca, propriedade de Emílio Infante da Câmara. Em comum com a máquina entregue em 2017 está a cultura à qual dedicará a maior parte do serviço: o milho. P O R S E B A S T I ÃO M A R Q U E S

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em foco // PRODUTO

 Para operações de sementeira direta e melhor conservação do solo, é essencial que a ceifeira incorpore um destroçador de forma a garantir a decomposição rápida da palha. As facas serrilhadas garantem um corte limpo e reduzem o consumo de energia. ƒ O motor é um 6 cilindros, 8,4l, da AGCOPower com 360 cv de potência (com PowerBoost (ECE R 120). O tegão tem uma capacidade de 9000 litros.

ras foram crescendo, em especial o milho. Hoje a quinta tem um total de 300 hectares, 240 dos quais dedicados ao milho. Os restantes estão divididos por vinha e tomate (rendeiros)” explicou Emílio. “Fazemos milho há trinta anos e pretendemos continuar a fazer esta cultura no futuro. Na maior parte do país o milho não é uma cultura rentável, mas nesta zona continua a ser. Esta propriedade situa-se entre dois rios, o Tejo e o Alviela, sendo um aluvião muito rico, o que nos permite ter produções muito boas. Em toneladas por hectare, conseguimos ter pivots a passar as 18 toneladas e, até, acima”, exemplificou. www.abolsamia.pt

As condições edafoclimáticas não explicam na totalidade a produtividade crescente, e a tecnologia tem também assumido um papel de destaque. “As variedades

A EXPLORAÇÃO LOCALIZAÇÃO | Ribatejo

utilizadas, bem como a maquinaria e a tecnologia associada a esta que temos vindo a usar cada vez mais, têm-nos ajudado muito a nível da precisão de adubações, sementeiras, e até mesmo na debulha, o que resulta em maiores e melhores produções”. A necessidade de incorporar ainda mais tecnologia no processo produtivo, nomeadamente ao nível da recolha de dados, foi então um dos motivos para a adquisição da nova ceifeira. “Esta máquina permite-nos, ao contrário da antiga, fazer todo o mapeamento das parcelas. Este mapeamento, de produtividades e rentabilidades, é essencial para podermos retirar conclusões e afinar a nossa estratégia no final de cada campanha para a campanha

QUINTA DA LEZÍRIA DA BARROCA HECTARES |

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PRODUTO // em foco

„ Da esquerda para a direita: Gustavo Caetano (assessor da Quinta da Lezíria da Barroca), Teodoro (operador da ceifeira), João Lopes (Gerente da Forte), Emílio Infante da Câmara, Hugo Costa (Gerente da Agripóvoa de Santarém) e Rodrigo Lebre (mecânico Agripóvoa de Santarém).

ASSISTÊNCIA DE CONFIANÇA “A Agripóvoa de Santarém é a empresa que me presta assistência nos tratores e, nas ceifeiras, não será também a primeira. Trabalhamos juntos há muitos anos e foi um dos principais motivos

para optar por esta máquina. É muito importante a confiança que tenho tanto na Forte, na figura do João Lopes, como na Agripóvoa e no Hugo. Foi sem dúvida um motivo muito forte para optar por esta máquina”.

Emílio Infante da Câmara

ƒ Teodoro, operador da máquina considerou que apesar de toda a tecnologia presente, esta é uma máquina de fácil utilização

seguinte. É uma ferramenta que nos dá uma muito maior precisão nos dados que nos faculta, possibilitando uma melhor preparação da campanha seguinte, seja na escolha da semente a utilizar, seja nas adubações”. A ceifeira mudou, mas os operadores serão os mesmos. Emílio não receia que 60

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a máquina possa ser demasiado complexa para os seus colaboradores. “Apesar de toda esta tecnologia, é uma máquina acessível para o operador. Requer o período de adaptação normal a qualquer máquina desta dimensão”, opinião corroborada pelo seu operador mais experiente, Teodoro, de 61 anos.

João Lopes, responsável máximo pela marca em Portugal, explica o segredo para tal simplicidade. “O princípio da Fendt foi sempre fazer tratores com muita tecnologia, mas muito intuitivos. Ainda que exista a crença de que é difícil trabalhar com um Fendt, a verdade é que, ao fim de muitos anos a trabalhar com várias www.abolsamia.pt


em foco // PRODUTO

marcas, posso dizer que é a mais simples em tudo. Obedece a uma lógica que vem desde trás e que prioriza a simplicidade e a intuição. Com esta ceifeira passa-se o mesmo. A cabine é igual à de um trator, a localização, funções e a cor dos botões é a mesma”, sintetizou. Se nos tratores a Fendt tem já uma longa tradição no nosso país, a verdade é que a aparição das ceifeiras é relativamente recente. O que levou então Emílio a optar pela 6335c? “Escolhi uma Fendt por várias razões: há muitos anos que apenas tenho tratores Fendt, é uma marca de ponta a nível tecnológico e é uma marca que eu gosto. Tenho uma assistência muito boa aqui bem perto através da Agripóvoa. Em resumo, é a marca que maior confiança me dá e com melhor assistência aqui nesta zona”. Apesar da entrada no mercado português ser recente, com a máquina de Emílio, serão já quatro as ceifeiras da Fendt a trabalhar no nosso país. João Lopes revela que tem sido uma experiência positiva.

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“Tem sido boa, até porque, se assim não fosse, não estaríamos aqui hoje. Na Forte trabalhamos e entregamos máquinas de alta tecnologia e que, devido às características do nosso mercado, não são vendidas em grandes números. Sabemos a responsabilidade que tal acarreta, e temos de manter a mesma eficiência antes e depois da venda. Esta responsabilidade faz parte do nosso ADN e reflete-se nas horas e dias de trabalho, estando cá para o cliente seja dia de semana, domingo ou feriado. Quando trabalhamos com clientes profissionais sabemos que só assim conseguimos estar à altura”, referiu. Para lá da atualização tecnológica que a nova ceifeira aportará à Quinta, outros motivos existiram para se proceder à troca. “A máquina anterior já era bastante antiga e necessitava de uma revisão profunda. Existe também uma maior capacidade de trabalho que permitirá que a máquina faça os 240 hectares de milho da Quinta e, eventualmente, prestar algum serviço a herdades vizinhas. ¢

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CULTURAS ESPECIALIZADAS ROCKY ONE

Uma nova ferramenta de trabalho Chama-se Rocky One e muito resumidamente é um assento com rodas que visa facilitar as tarefas agrícolas manuais realizadas nas culturas em linha, como por exemplo a poda de vinha. Segundo a Rocky Agri, que o criou e fabrica, a utilização deste mini veículo torna as jornadas de trabalho mais cómodas, reduzindo a tensão imposta à coluna vertebral e aos músculos. 62

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Pesa 60 kg, pode suportar até 150 kg de carga, desloca-se graças a um motor elétrico alimentado por baterias externas

recarregáveis e permite enfrentar encostas com até 30% de inclinação. A velocidade máxima é de 6 km/h e a autonomia oscila entre as 6 e as 12 horas, dependendo da utilização. Para avançar e para controlar a direção, pode ser configurado com um joystick ou então podem nem dispor de comandos. Neste caso, o ‘condutor’ controla o Rocky através da inclinação do corpo. Inclinando-se para a frente a direção vira para um lado, inclinando-se para trás vira para o outro, e quando gira ligeiramente o banco é dada ordem de avanço num ou noutro sentido. Pode incluir um potenciómetro para regulação de velocidade, compartimento para arrumar utensílios, engate de reboque, e porta USB para recarregar dispositivos móveis. O utilizador deve adquirir um carregador de bateria que pode ser utilizado em mais do que um Rocky One. Existem duas combinações de cor disponíveis: areia e preto ou verde tropa e preto. A Rocky Agri não dispõe ainda de representação no mercado português. www.abolsamia.pt


culturas especializadas // PRODUTO

VIBRADORES TOPAVI

Para diversos tipos de fruto A colheita por vibração é o enfoque desta firma sediada em La Rioja, Espanha. Propõe vários modelos no seu catálogo, em versão de engate traseiro nos três pontos e em versão de engate dianteiro num carregador. Um dos modelos mais evoluídos é o PVM Pro, destinado a diferentes tipos de frutos. Tem associada uma unidade hidráulica autónoma, acionada através da TDF, e uma tremonha de armazenamento do fruto com capacidade para 1 tonelada que permite reduzir o número de descargas. O fruto é deslocado para a tremonha por aspiração e o método de descarga é basculante. www.abolsamia.pt

Os vibradores têm associado um software que permite ao operador parametrizar o funcionamento com base em 10 programas memorizáveis, sem ter de regular árvore a árvore. Através do monitor, pode ainda consultar o número de árvores já trabalhadas. As alfaias da Topavi adaptam-se a diferentes culturas: amêndoa, noz, avelã, pistácio, azeitona…). Consoante a cultura, o desnível do terreno e o espaçamento entre árvores, assim a marca definirá com o cliente as características da lona de recolha que são mais apropriadas, nomeadamente em termos de espessura, diâmetro e altura. outubro | novembro 2020 abolsamia

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PRODUTO // culturas especializadas

VITRAC

Para vinhas de encosta As vinhas tradicionais, de espaçamento estreito e instaladas em patamares de encosta, representam um desafio para os fabricantes. Fundada em Itália, a Vitrac é uma das empresas que enveredou pela criação de soluções mecanizadas para este contexto de viticultura. O primeiro Vitrac, ainda em fase experimental, destinava-se apenas à pulverização. Mas posteriormente foram acrescentadas outras possibilidades e hoje trata-se de um multifunções, capaz de receber acessórios como: diferentes caixas de transporte, roçadora, podadora, dois tipos de pulverizador e engate de três pontos para pequenas alfaias convencionais. Um elemento central nesta máquina é o posto de condução. A Vitrac recorreu à Grammer para disponibilizar um assento de segmento alto, com amortecimento a ar, que tem acoplados os comandos em dois apoios de braço. Este conjunto é reversível e inclui um painel de instrumentos (um monitor a cores é opcional). 64

A propulsão é assegurada por um motor Kohler de 4 cilindros, que fornece 25 cv, e a transmissão é hidrostática, alcançando os 10 km/h. Quanto ao sistema hidráulico, este assegura o funcionamento da TDF e reserva um fluxo de 50 L/min para os serviços externos. Em termos de estrutura, pesa 750 kg, admite uma carga máxima de 1400 kg e baseia-se num sistema de dupla articulação central que garante um impressionante ângulo de viragem de 82°. Consoante a medida dos pneus instalados, pode assumir três diferentes larguras: 800, 900 e 1.020 mm. A mais recente atualização prevê uma versão AutoDrive, para desempenho autónomo programado, que dispensa a presença de condutor. A Vitrac iniciou a produção em série em 2015. Ainda não dispõe de representação em Portugal mas Mirko Sparber, diretor de marketing da empresa, revelou-nos que esse passo poderá ser dado em breve.

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em foco // PRODUTO

PLATAFORMA KI.CONCEPT

Para trabalhos na copa de pomares A plataforma Escamob 300, concebida pela firma francesa KI.Concept, destina-se aos trabalhos em pomares com árvores de copa alta. Conta com propulsão inteiramente elétrica (motor de 1,7 kW), a velocidade máxima é de 3 km/h e a autonomia das baterias ronda as 8 horas. A altura de trabalho pode variar entre 1,75 e 2,95 m e, para obter maior estabilidade, a largura de via das rodas traseiras é regulável entre 1,85 a 2,60 m. Inclui ainda uma função de autonivelamento até 15%. Na evolução prevista para 2021, a altura de trabalho começará nos 1,25 m. Destina-se a todo o tido de tarefas que exijam

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o trabalho em altura, como podar, colocar e retirar redes anti-granizo, entre outros e está pensada para acolher dois operários. O avanço é controlado através de um painel de comandos, onde os operários podem ainda aplicar um movimento giratório (até 45°) para colocarem a plataforma na posição pretendida face à árvore. Em declarações à revista abolsamia, Jean-Marie Cailly, diretor da KI.Concept, adiantou que o preço de base da plataforma é de 24.000 Eur, existindo a possibilidade de envio para Portugal com o acréscimo das despesas de transporte desde o norte de França.

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PRODUTO // culturas especializadas

Eletricidade como alternativa aos químicos na deservagem Detida pelo Grupo CNH, a AgXtend é uma marca de alfaias de nova geração cujos modelos têm por detrás uma componente considerável de inovação. Uma das alfaias de maior destaque na gama é o modelo XPower, que elimina infestantes através de corrente elétrica de alta tensão (até 8.000 volts). Este método pretende reduzir a zero a aplicação de herbicidas e dispensa a mobilização do solo. Na versão para campo aberto, de 3 m de largura, o XPower é composto por dois elementos: um gerador de alta voltagem ligado à TDF traseira do trator e uma alfaia na frente que passa a energia elétrica às infestantes através de aplicadores. Mas a marca está a desenvolver uma versão para vinha (denominada XPS), que pode assumir duas configurações:

todo o sistema concentrado num elemento traseiro, surgindo os aplicadores instalados em dispositivos intercepas na lateral do gerador; ou na configuração com alfaia dianteira. Em ambos os casos, a alfaia que suporta os aplicadores elétricos resulta de uma parceria com a Clemmens Technologies. Esta versão para vinha encontra-se em fase de teste e aguarda o fecho do processo de homologação. As soluções AgXtend são disponibilizadas através da rede de distribuição da New Holland, Steyr e Case IH.

„ Na versão para vinha, o XPower pode estar concentrado num único módulo de engate no hidráulico traseiro, com os aplicadores de corrente elétrica instalados em dispositivos intercepas

Lâmina Moty para ordenar abóboras em fileira A marca austríaca Moty está especializada na cultura da abóbora para aproveitamento de pevide. No seu catálogo de produtos, assumem grande destaque as máquinas rebocadas para recolha de abóbora e separação da semente numa só passagem. E alguns destes modelos adaptam-se inclusive à recolha de pepino, curgete ou melão com o intuito de aproveitar a semente. Uma alfaia da Moty de utilização abrangente na cultura da abóbora, quer o produto se destine ao aproveitamento da semente ou não, é a lâmina de engate frontal Rollmax Eco. Pesa 880 kg, abarca uma largura de trabalho máxima de 4,6 m e possui um rolo que pressiona as folhas e as guias das abóboras contra o solo, provocando a sua separação. Através do avanço e inclinação lateral, as abóboras são ordenadas em fileiras para posterior recolha. Requer um trator com potência de 80 cv ou superior. 66

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culturas especializadas // PRODUTO

SICMA E DIECI

Uma parceria na colheita por vibração Ambas italianas, a Sicma e a Dieci uniram-se para colocarem no mercado uma máquina de colheita por vibração. A estrutura de base é o telescópico MiniAgri 26.6, desenvolvido pela Dieci, que apresenta dimensões reduzidas, boa manobrabilidade devido aos diferentes modos de direção, e capacidade para trabalhar em altura. Por seu lado, a Sicma desenvolveu o sistema de vibração que lhe está associado, pensado para olival e frutos secos.

Esta máquina é comercializada como uma solução chave na mão, o que contrasta com as adaptações de vibradores em tratores, que têm ainda pela frente um trabalho de preparação e despesas de mão-de-obra. Este telescópico é propulsionado por um motor Kubota de 73 cv, atinge os 30 km

e pode ser configurado com lonas de 5 a 8 metros de diâmetro. Terminada a campanha de colheita, o vibrador pode ser retirado e a máquina fica livre para trabalhar com qualquer outro acessório compatível com telescópicos. A parceria estende-se ainda ao modelo Agrifarmer 28.7 da Dieci, para clientes que necessitem de maiores performances. As máquinas podem ser fornecidas na cor original da Dieci, o amarelo, ou estilizadas com a identidade verde da Sicma.

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FORMAÇÃO // Curso de Operadores de Máquinas Agrícolas

A formação profissional em mecanização no Ensino Superior P O R A N AC L E TO C . P I N H E I R O

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stá a decorrer na herdade da Mitra, propriedade da Universidade de Évora, a 38ª edição do “Curso de Operadores de Máquinas Agrícolas” (COMA2020) que se realiza desde o

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ano de 1982. A realização deste curso só tem sido possível graças à colaboração do Instituto do Emprego e Formação Profissional através do Centro de Emprego e Formação Profissional de Évora. Já proporcionou a formação prática, que não é possível ministrar durante o período lectivo, a cerca de oito centenas de formandos. No início era maioritariamente vocacionado para alunos, e funcionários, da Universidade de Évora e, também, para funcionários de algumas empresas agrícolas limítrofes da herdade da Mitra. Nos últimos anos, por solicitação do Professor Pedro Lynce de Faria e do saudoso Professor Pedro Aguiar Pinto, do Instituto Superior de Agronomia, e do Professor Luís Alcino da Conceição, da Escola Superior Agrária de Elvas frequentaram, e obtiveram aproveitamento, também alunos daquelas instituições. Das cinquenta e duas manifestações de interesse recebidas na edição deste ano estão a frequentar o curso vinte e cinco formandos. www.abolsamia.pt


MOMENTOS QUE FICAM Temos tido, ao longo das diferentes edições do COMA o apoio de vários fabricantes/ importadores de equipamentos que permitem que os formandos tenham contacto, e usem, equipamentos que incorporam as mais recentes tecnologias. O COMA2020 decorre nas instalações do parque de máquinas da herdade da Mitra e as diferentes operações culturais são efectuadas em folhas de cultura desta herdade. Os equipamentos agro-pecuários utilizados são propriedade da Universidade de Évora e do Centro de Formação Profissional de Évora. Como é compreensível estas instituições não dispõem de verbas que lhe permitam ter, na sua posse, os equipamentos mais actuais, de um modo muito particular os tractores agrícolas. Assim, e porque os alunos que frequentam o curso estarão brevemente na vida activa, é muito importante, e produtivo, para eles e para as empresas onde venham a desempenhar funções, ter contacto com os equipamentos mais actuais que incorporem os avanços tecnológicos implementados no sector agro-pecuário. Temos tido, ao longo das diferentes edições do COMA o apoio de vários fabricantes/ importadores de equipamentos que permitem que os formandos tenham contacto, e usem, equipamentos que incorporam as mais recentes tecnologias. Nas edições mais recentes, como é o caso da presente, temos tido o particular apoio da New Holland Agriculture da CNH Industrial através do Eng.º João Pedro Rego que foi aluno da Universidade de Évora, formando e monitor de várias edições do COMA e cuja dedicação a esta causa é notória e bem www.abolsamia.pt

„ Encerramento do COMA1985 com a presença do primeiro Reitor da Universidade de Évora Professor Ário Lobo Azevedo

 Encerramento do COMA 2016

ƒ Fim de tarde na Quinta do Oteiro das Vinhas

ƒ Encerramento do COMA2019 com a presença actual da Reitora da Universidade de Évora, Professora Ana Maria Costa Feitas

visível. Temos tido, igualmente, o apoio de diferentes ex-formandos deste curso que hoje desempenhando funções em diferentes empresas do sector transmitem a importância que os conhecimentos adquiridos durante as diferente edições do COMA tem contribuído para o seu bom desempenho e para que sejam reconhecidos

no meio empresarial em que desenvolvem a sua actividade. Estamos empenhados na elaboração de uma brochura que relate, e ilustre, o que tem sido este curso desde a sua origem até ao presente. Para isso contamos com o apoio de abolsamia. Por agora disponibilizamos informação mais reduzida. ¢ outubro | novembro 2020 abolsamia

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FLORESTA // entrevista

INESC TEC mantém enfoque nas máquinas e alfaias florestais Em 2019, participámos no workshop ‘BIOTECFOR – Máquinas e alfaias florestais’, organizado no Porto pelo INESC TEC. O evento reuniu prestadores de serviço do ramo florestal e alguns fabricantes nacionais de máquinas e alfaias, com o objetivo de identificar as necessidades de inovação para a limpeza florestal e a recolha de biomassa. P O R J OÃO S O B R A L

Ago r a qu e s e completa um ano e meio após a realização deste encontro, voltámos a conversar com Filipe Neves dos Santos, um dos organizadores do BIOTECFOR, de modo a conhecermos as sinergias geradas por aquela iniciativa. 70

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notícias // FLORESTA

O evento e as ideias apresentadas corresponderam às expectativas que o INESC TEC tinha quando lançou a iniciativa? Sim, ultrapassou as nossas expectativas, e pretendemos repetir este ano, a 3 de dezembro. No entanto, em moldes diferentes devido ao contexto atual de pandemia. Nesse workshop conseguimos cativar uma audiência considerável e motivar a discussão aberta em torno das reais necessidades dos prestadores florestais e do sector florestal, o que foi essencial para validar as reais necessidades em termos de inovação no sector da maquinaria florestal nos temas da limpeza, poda, seleção e plantação. Ao contrário de outros sectores e contextos, como por exemplo a agricultura, todos os intervenientes consideraram que este sector tem ainda uma enorme margem de progressão e capacidade de inovação. Na sua perceção, quais são os constrangimentos que têm impedido ir-se mais além? A fragmentação da propriedade florestal, proprietários individuais com baixas posses, falta de cooperativismo e reduzido investimento na promoção e valorização de produtos e subprodutos florestais são os www.abolsamia.pt

“Acreditamos que podemos ajudar as empresas portuguesas a atingir e ultrapassar o patamar de inovação de grandes players internacionais” principais problemas, que no final limitam a capacidade de investimento do sector num parque de máquinas mais inovador e adequado à realidade portuguesa. Por outro lado, os fabricantes portugueses declaram capacidade de inovar máquinas e alfaias para as necessidades dos prestadores de serviços florestais, mas consideram que existe uma lacuna e falta de capacidade para depois exportar estas inovações para um mercado mais global, necessário para viabilizar o investimento. A questão da falta de soluções e investimento na replantação foi um dos pontos que mais me surpreendeu. outono | novembro 2020 abolsamia

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FLORESTA // entrevista

O evento permitiu gerar sinergias para algum ou alguns projetos que estão atualmente a ser desenvolvidos? Sim, esse evento fomentou contactos entre fabricantes e prestadores de serviços do ramo florestal. Desses contactos, tenho o conhecimento de três projetos à medida que estão a ser desenvolvidos por fabricantes para necessidades reais dos utilizadores finais. Apesar de não poder entrar em detalhes, por questões de confidencialidade, esses três projetos abordam o desenvolvimento de alfaias mais eficientes para limpeza florestal. Especificamente no ramo da floresta, quais são os desafios com que o INESC TEC se confronta e quais são as necessidades concretas, na perspetiva do utilizador final, a que pretende dar resposta? O INESC TEC está neste momento a trabalhar em três frentes. São elas as soluções tecnológicas para inventário e cadastro florestal, as soluções para otimização da cadeia logística do proprietário ao consumidor, para aumentar o valor dos subprodutos florestais, e a autonomização, robotização e eletrificação das máquinas e alfaias florestais, para reduzir custos de operação e valorizar subprodutos florestais. E no ramo agrícola? O Laboratório de Robótica e IoT para Agricultura e Floresta de Precisão Inteligente do INESC TEC foi criado em 2013, com o objetivo de desenvolver soluções baseadas na robótica, automação e IoT para melhorar os níveis da agricultura e da 72

“A nossa intensão é desenvolver protótipos até níveis de TRL 8, que se encontrem num estado de desenvolvimento muito próximo do conceito chave na mão” floresta de precisão inteligente (“altura certa, quantidade certa, lugar certo”), rentabilidade e automação nos três ambientes principais: Culturas permanentes (tais como, vinhas em terrenos muito declivosos, olivais e árvores de frutos), colheita de biomassa florestal, e cultivo protegido (convencional ou urbano). Na agricultura, temos uma linha de I&D com mais de dez projetos internacionais relacionados com os seguintes temas: robótica para colheita automática e pulverização em culturas protegidas; robôs para pulverização de precisão e monda em contexto de vinha de montanha; e soluções IoT de baixos custos para monitorização de doenças, produtividades e macronutrientes. Os departamentos de I&D dos fabricantes mundiais de maquinaria, em parce-

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ria com instituições como a AEF Isobus, departamentos de universidades, etc, têm vindo a desenvolver soluções tecnológicas de ponta a um ritmo impressionante. Ao fazer uma aproximação aos fabricantes nacionais, a intenção do INESC TEC é ajudá-los a aproximarem-se do patamar tecnológico em que já estão os fabricantes de outros países? A nossa intensão é desenvolver protótipos até níveis de TRL 8, que se encontrem num estado de desenvolvimento muito próximo do conceito “chave na mão” que facilite a transferência para as típicas empresas portuguesas. Esta intenção é guiada pelo objetivo de desenvolver soluções robóticas e IoT considerando as especificidades da agricultura e da floresta de Portugal

 A aplicação de sistemas robóticos inteligentes em máquinas de pequeno porte, para que possam trabalhar na floresta de forma semi-autónoma ou autónoma, é uma das áreas em que o INESC TEC está a trabalhar

e que sejam acessíveis às pequenas e médias empresas agrícolas, mas, claro, que tenham impacto num contexto global. Desta forma acreditamos que podemos ajudar as empresas portuguesas a atingir e ultrapassar o patamar de inovação de grandes players internacionais. Presentemente, está em desenvolvimento a implementação em Portugal de uma rede de laboratórios colaborativos. O INESC TEC terá ligação a esta rede? O INESC TEC já está presente nestes laboratórios colabowww.abolsamia.pt


entrevista // FLORESTA

 Filipe Neves dos Santos é Investigador Sénior no INESC TEC, Responsável pelo Laboratório de Robótica e IoT para Agricultura e Floresta de Precisão Inteligente

rativos com diferentes níveis de envolvimento. A nível internacional existem diversas instituições a desenvolverem tecnologia para a agricultura e floresta. O INESC TEC mantém parcerias internacionais

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com entidades congéneres? O INESC TEC é uma instituição internacional, contando com uma replicação do mesmo modelo português no Brasil (INESC P&D brasil). As parcerias do INESC TEC são inúmeras em todas áreas das TICE e Robótica, com uma ligação primordial a instituições europeias, norte-americanas e brasileiras. Ao nível da agricultura e floresta existem três domínios de cooperação muito ativos: robótica, fotónica aplicada, IoT e agricultura de precisão. A nível da robótica, o INESC TEC integra a rede europeia – de Digital Innovation Hubs – focada na aplicação da robótica na agricultura e floresta, através do projeto AgROBOfood (https://agrobofood.eu/). ¢

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FLORESTA // notícias

Allu representada

ELMIA WOOD ADIADA PARA 2022

em Portugal pela Moviter A marca finlandesa Allu passou a ter representação em Portugal através da Moviter. Especializa em baldes trituradores, a Allu possui na sua gama Transformer uma variedade de modelos para diferentes aplicações, desde a agricultura (mistura de solo ou estrume), passando pela floresta (trituração de sobrantes para biomassa) e terminando no sector de obras e movimentação de terras (trituração de materiais mais exigentes como asfalto ou pedra). A utilização destes baldes pode ser otimizada sempre que o operador recorra à Allu App, que através de um smartphone fornece diversas recomendações

de utilização (por exemplo o ângulo de inclinação mais adequado para triturar determinado material) e emite alertas para realizar manutenções, tendo por base as horas de trabalho. Estes baldes misturadores Transformer destinam-se sobretudo à utilização em pás carregadoras ou em escavadoras.

 No nosso mercado, “os baldes crivadores e trituradores da gama Transformer serão o produto de maior enfoque” explicou João Pereira, gestor de produto da Moviter, empresa que assegura a distribuição exclusiva Allu em Portugal.

Os profissionais do setor florestal que planeavam ir à Elmia Wood em 2021 vão ter de aguardar mais um ano. A feira rainha do setor florestal estava prevista para junho de 2021 mas, devido ao contexto de pandemia, a organização tomou a decisão de adiar o evento. Não voltando a haver alterações, aquela que é a feira de referência de demonstração de máquinas florestais realiza-se entre os dias 2 e 4 de junho de 2022. Este adiamento deve-se à conjuntura de incerteza que decorre da pandemia. “Na situação atual, é muito difícil fazer previsões. Como as grandes feiras internacionais implicam muito tempo de planeamento e preparação, não temos outra alternativa senão tomar a difícil decisão de adiar a Elmia Wood para 2022”, explicou Lotta Frensssen, CEO da Elmia AB, a entidade responsável pela organização.

GALIFOREST ABANCA SERÁ DE 8 A 10 DE JULHO DE 2021 Por decisão do comité organizador, a sexta edição da Galiforest Abanca terá lugar de 8 a 10 de julho de 2021, novamente no Centro de Formación e Experimentación Agroforestal de Sergude (Boqueixón, perto de Santiago de Compostela). Recorde-se que o certame estava previsto inicialmente para o passado mês de junho e havia sido, entretanto, adiado para setembro ou outubro devido à covid-19. 74

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notícias // FLORESTA

ECO LOG

Apresenta novo forwarder de 16 toneladas O forwarder 584F, no segmento das 16 toneladas de capacidade de carga, é a mais recente adição da Eco Log à sua gama de máquinas para rechega. Este modelo partilha a mesma base do 574F (14 toneladas de capacidade) mas com reforços estruturais e maior performance de motor, mantendo-se ainda assim mais leve do que o 594F (20 toneladas de capacidade). É propulsionado por um motor Volvo Penta Fase V de 6 cilindros e 7,7 litros, cujo acesso aos pontos de verificação e manutenção está facilitado por um capot de abertura elétrica. Este motor fornece 286 cv de potência e está associado a uma transmissão hidrostática www.abolsamia.pt

mecânica que pode alcançar os 20 km/h. A performance hidráulica situa-se nos 175 L/ min mas em opção pode ir até aos 210 L/min. O volume de carga pode variar entre 4,5 e 6,1 m³, consoante a configuração do compartimento que for escolhida, as lanças são fornecidas pela Cranab e pela Epsilon. Após a aquisição da Gremo, a Eco Log alargou a sua gama de forwarders de dois para seis modelos, cobrindo agora um segmento entre as 8,5 e as 20 toneladas de carga. A representação da marca em Portugal é assegurada pela Unitractores, sediada em Vila Nova de Poiares. outono | novembro 2020 abolsamia

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FLORESTA // notícias

KOMATSU

Atualiza gama de forwarders para 2021 Na passagem aos motores da Fase V, a Komatsu aplicou diversas atualizações a um dos seus mais populares forwarders de segmento médio e reforçou a oferta na entrada de gama. Komatsu 845 em versão 2021 recebe atualizações Posicionado no segmento das 12 toneladas, o 845 é um dos modelos mais populares da Komatsu Forest. Na versão de 2021, surge com atualizações consideráveis que contemplam

um novo chassis, uma nova cabine (proveniente dos modelos maiores, 855 a 895), um novo sistema de controlo e uma estética retocada. Quanto à propulsão, o motor Agco Power, um 4 cilindros de 4,9 litros que fornece 187 cv, foi atualizado

para o nível de emissões Fase V. A transmissão é hidrostática mecânica, podendo atingir uma velocidade de 25 km/h, sendo o avanço e o recuo controlado por pedais sempre que o operador selecione o modo de trabalho. Inclui uma nova funcionalidade SpeedShift, para utilização das relações disponíveis sem paragens e em modo automático. No que diz respeito ao sistema hidráulico, este apresenta uma performance de 280 L/min, o que capacita esta máquina tanto para desbaste como para trabalhos mais exigentes de rechega em corte raso. A nível de opcionais, a lista é extensa. Destacamos os seguintes: configuração com uma lança de maior alcance, comando de fecho centralizado da cabine, grelha frontal, câmaras dianteiras e traseiras para melhor visão de proximidade, e sistema de telemetria MaxiFleet.

Komatsu 825TX é o novo modelo de entrada de gama Na entrada de gama, a Komatsu Forest adicionou o novo modelo 825TX. Este forwarder ligeiro destina-se a trabalhar em espaços apertados e com o mínimo de impacto. Com capacidade de carga de 9 toneladas, é propulsionado por um bloco Agco Power de 4 cilindros que desenvolve 170 cv e cumpre a norma da Fase V. Este forwarder caracteriza-se por apresentar um compartimento de carga estreito, que facilita a passagem por caminhos apertados e a movimentação no espaçamento entre árvores, quando se trate de trabalhos de desbaste. Na linha TX, e seguindo o mesmo conceito, a marca propõe ainda o 835TX que partilha a mesma performance de motor e se diferencia sobretudo por poder comportar até 11 toneladas de carga.

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notícias // FLORESTA

Dar mais vidas à motossera Uma motosserra com espada e corrente. É este o conjunto óbvio e o corte é a função óbvia. Mas a firma alemã Eder Maschinenbau deixou o óbvio para trás e especializou-se no fabrico de acessórios para motosserra que visam outras funções. São acessórios com diferentes configurações que visam trabalhar a madeira de diferentes formas, como aplanar, escovar, fazer perfurações concavas, fazer perfurações em formato de ranhura, etc. E no catálogo existem ainda acessórios para retirar a casca a troncos após o abate, de modo a manter a madeira livre de insetos invasores. Os acessórios com transmissão por correia são compatíveis com qualquer motossera, bastando que se façam pequenas adaptações, como por exemplo desativar a bomba de lubrificação e substituir o pinhão dentawww.abolsamia.pt

do por uma polie. A Eder está a alargar também a sua gama de acessórios com transmissão por corrente. Estes requerem uma adaptação mais simples, bastando substituir a espada e colocar uma corrente sem lâminas de corte.

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Usados: Tratores: Massey Ferguson 7619 DYNA 6 • Renault, 815 RZ • Case-IH MX110 • John Deere 7230R • Lamborghini rastos 774 80 • Landini rastos 7830 • Caixa de carga p/trator Tenias • Ceifeira debulhadora Claas Mega 204 • Charrua Kvenerland PB100 • Enfardadeira Claas Rollant 255 Roto Cut • Fresa Maschio multi facas Super Cobra 3mt • Fresa Maschio A180 • Juntador de fenos Fendt 351 DN

Usados: Reboques: Galucho 12.000Kg / PB 5.000Kg • Grade discos: Galucho (x2) NA2C 20-22, NA2C 22-22 • Pijuca vinh. 4 c. - 2.250€ • Rototerras: Pegoraro Pegolama 2,5 - 5.750€ • Maschio Super Cobra 2,5Mts. e 3,0Mts. - 5.500€ • Charruas: Galucho 2F-10"- 900€ • Galucho 3F-14" • Escarif. Galucho E7D - 800€ • Tesoura Pellenc Vinion • Chisel XL5-7 3.250€ • Despamp. corte horiz./ vert.- 3.250€

Usados: Case-IH MXU 125 4WD cab. • International 644AH DT • Lamborghini (2) 774-70 N, 874-90 DT • Leyland 154 • MF (2) 2410, 275 2RM • NH TN75 • Same (4) Argon 3 80, Solaris 45, 55, Titan 145

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Usados: Tratores: JD 6530 4RW • Case-IH JX60 • Claas ARES 836 RZ• Charrua Ribatejo 1F • Cisterna 4000 lts • Enfardadeira Fiatagri Heston 4700 • Gadanheiras: Claas; WM-250F; Vicon, 6 discos - Extra 428; John Deere, 324 • Gadanheira de discos Krone EASY CUT R 280 • Grade de discos: Galucho GPR 14X28 ; Galucho NA2C 20x22; Galucho GR 24x24; Galucho A2CP 24x26; Galucho GPR 20x28; Galucho GPR 16x28 • Pulv. Tomix, P9 600 • Reboque Galucho, PB-5000 • Volta-fenos Krone Swadro TS740 Twins; krone Swadro 42

Usados: Renault 340 Ceres • Máquina de vindimar Alma Selecta 2 rebocável

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MOMENTOS NEW HOLLAND

2

1 1 VARANDA & CORDEIRO | NEW HOLLAND TK4.90 entregue ao cliente Fonte do Carneiro, Poiares. Na foto, Engº. Edgar Antão

2

MATOS & PRATA | NEW HOLLAND B 100 C, entregue à Associação Cultural e Recreativa de Fernão Joanes

3

3 ETELGRA | MÁQUINA

DE VINDIMAR NEW HOLLAND 9090X DUAL, entregue à empresa Manuel Caipirra & Andrade

4 PARREIRA AZOR | NEW

HOLLAND T5.120 EC - Cliente: Lactobretão

5 TRACTORUSSEIRA | NEW HOLLAND 6 SEAC | NEW

BOOMER 50 COM CABINA

HOLLAND T3.50F ROPS entregue a Ana Semblano, Arouca

7 AGROMONÇÃO

| NEW HOLLAND T4.100LP entregue a Luis Carlos Manso

8 SEAC | NEW HOLLAND

T5.115 POWER SHUTTLE E T5.115 DUAL COMMAND com carregadores originais NH, entregues em Aveiro.

MOMENTOS NEW HOLLAND 94

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CONCESSIONÁRIOS

7 11

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9 VARANDA & CORDEIRO | NEW HOLLAND T4.90N entregue a F. Olazabal e Filhos, Quinta do Vale Meão. Esq. para a dir.: Luís Miranda (operador), Engº.

10 AGROMONÇÃO | NEW HOLLAND T3.80F 11 ETELGRA| NEW HOLLAND BIG BALER 1270 PLUS CROPCUTTER entregue à empresa Agroleite 12 PARREIRA AZOR | NEW HOLLAND T5.110 EC Cliente: Hélio Lourenço 13 SEAC | T4S.75 POWER SHUTTLE André e Luís Caçador (operador)

entregue a Agostinho Araújo

CAB Cliente: Casa Agrícola do Sete, Vila do Conde. Na foto, André Santos e José Carlos Santos, João Paulo e Nuno Miguel (eq. técnica SEAC) e Domingos Oliveira (comercial SEAC)

14 A. A. SOBRALENSE | MÁQUINA DE VINDIMAR NEW

HOLLAND 9070L entregue ao cliente Vitor e Pedro Querido’s

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CLICK!

24 de agosto de 2020, a data em que o Nordschleife (“o anel do Norte” ou “inferno verde”) de Nürburgring foi percorrido pela primeira vez por um trator - e de marcha-atrás. A máquina em questão é um Claas Xerion 5000 Trac VC. Velocidade média: 47.85 km/h

UM XERION NO INFERNO VERDE 96

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Click!

imagens que marcam UMA IMAGEM VALE MAIS QUE MIL PALAVRAS Baseado neste presuposto desafiamos os leitores d´abolsamia a conhecer algumas imagens marcantes que nos levam a admirar e a compreender a beleza por trás de uma boa fotografia.

Sabia que...

Nordschleife

Nürburgring é um autódromo na cidade de Nürburg, próximo de Colónia e de Frankfurt-am-Main, na Alemanha. O anel norte (Nordschleife) também conhecido como “inferno verde”, é o segundo circuito com o maior número de acidentes fatais. Além de ter um traçado muito extenso e arriscado a pista é cercada por uma floresta densa.

Gostava de ver a sua fotografia publicada n`abolsamia? Envie-nos a sua imagem, em formato jpg, tif ou png, em alta resolução (300 dpi), com uma pequena descrição e o motivo da sua escolha, para

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FEIRAS // Agroglobal

AGROGLOBAL 2020

metas até 2030 O Governo apresentou uma agenda para a agricultura portuguesa, para os próximos dez anos. Falando no encerramento da Agroglobal, que decorreu entre 9 e 11 de Setembro,a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, identificou quatro pilares e cinco metas.

Na sua intervenção numa das maiores feiras europeias ligadas ao sector agrícola, realizada no concelho do Cartaxo, a ministra informou que sociedade, território, cadeia de valor e Estado são os quatro pilares da agenda. Mais saúde, mais inclusão, mais rendimentos, mais futuro e mais inovação são os cinco objectivos identificados pelo Governo. No campo da saúde visa-se aumentar, em 20%, o nível de adesão à chamada “dieta mediterrânica”. A inclusão visa instalar 80% dos novos jovens agricultores em zonas de baixa densidade popula98

 A Agroglobal tem um papel essencial de partilha de conhecimentos entre todos os intervenientes do sector agrícola

cional. No que respeita a rendimento, é elevar o valor da produção agroalimentar em 15%. Mais futuro relaciona-se com o aumentar, para mais de metade, da área agrícola em regimes de produção sustentável. O objectivo para a inovação é aumentar em 60% o investimento em investigação e desenvolvimento. Os quatro pilares traduzem 15 iniciativas, consideradas pelo Governo como emblemáticas.

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AgroGlobal // FEIRAS

JOAQUIM PEDRO TORRES Diretor Geral da Agroglobal

No documento oficial lêem-se: alimentação saudável; uma só saúde; mitigação às alterações climáticas; adaptação às alterações climáticas; agricultura circular; territórios sustentáveis; revitalização das zonas rurais; agricultura 4.0; programa dos produtos agroalimentares; excelência da organização da produção; transição agro-energética; promoção da investigação; inovação e capacitação; rede de inovação; Portal Único da Agricultura e Reorganiza. Esta agenda, aprovada em Conselho de Ministros na véspera de ser apresentada publicamente, prevê apoios de incentivos. Contudo, a ministra da Agricultura não revelou, na sua intervenção na Agroglobal, quais os montantes que prevê serem aplicados. O documento apresentado na Agroglobal foi desenvolvido durante vários meses, com a auscultação de responsáveis de diferentes áreas, nomeadamente gestão do território, investigação, produtores e empresários dos sectores agrícola e agroalimentar, autarcas e responsáveis de diversos organismos. ¢ www.abolsamia.pt

Numa Agroglobal completamente diferente do habitual, o responsável pelo evento começou por enaltecer a resiliência do setor agrícola durante a pandemia e a importância do mesmo na construção do futuro. “É preciso olhar para a frente e para o futuro do nosso país. Na construção deste futuro estou seguro da importância da agricultura pelo seu papel decisivo e insubstituível, não apenas a nível económico, mas também social e ambiental. Basta olhar para o que o nosso setor tem sido capaz de fazer para dinamizar zonas bastante desfavorecidas do país”, afirmou. Papel essencial, pela plataforma de partilha de conhecimento tem, na opinião de Joaquim Pedro Torres, a Agroglobal. “A partilha de conhecimento gerada pela Agroglobal entre agricultores, empresas, e ensino, é um elemento essencial para colocarmos cada vez mais parcelas do nosso país em zona de mercado, capazes de competir em mercado aberto”, sintetizou. No final do discurso, uma chamada de atenção aos governantes presentes relativamente às restrições colocadas aos agricultores europeus. “A agricultura europeia é das mais seguras e controladas em todo o mundo. No entanto, é preciso não nos esquecermos que a inclusão de restrições exageradas pode condicionar a competitividade dos agricultores europeus ao ponto de não termos agricultores nem termos produtos saudáveis porque acabamos a importar de países onde não há controlo”, finalizou.

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JÚRIDICO

Direito de Preferência na transmissão de prédios rústicos Neste artigo vamos fazer uma breve referência ao regime do direito de preferência na transmissão de prédios rústicos. P O R CC R L EGA L – S O C I E DA D E D E A DVO GA D OS F R A N C I S CO S O U SA CO U T I N H O (f s c @ cc r l e g a l . p t) e VA S CO BA RJ O N A H E N R I Q U E S (v b h @ cc r l e g a l . p t)

O QUE É? Por direito de preferência tem-se entendido o direito que determinada pessoa tem de preferir a qualquer outra na compra de certo bem (ou na realização de outro contrato compatível com a preferência), desde que se disponha a celebrar o contrato em

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igualdade de condições, podendo esse direito ter origem convencional (i.e., ser criado pelas partes ao abrigo da liberdade contratual) ou legal (i.e., decorrer diretamente da lei), sendo este último um direito potestativo, com eficácia real, fundado em razões de interesse e ordem pública. Quanto aos prédios rústicos, dois dos direitos de preferência legais mais relevantes são aqueles constituídos em benefício (i) dos proprietários dos prédios confinantes e (ii) dos arrendatários de contratos de arrendamento rural.

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DIREITO DE PREFERÊNCIA DOS PROPRIETÁRIOS DOS PRÉDIOS CONFINANTES A lei prevê que “os proprietários de terrenos confinantes, de área inferior à unidade de cultura [cfr. Tabela I, constante da Portaria 219/2016, 9 de agosto, na sua redação atual], gozam reciprocamente do direito de preferência nos casos de venda, dação em cumprimento ou aforamento de qualquer dos prédios a quem não seja proprietário confinante.” Assim, são usualmente identificados quatro pressupostos para o exercício do direito de preferência: (i) o prédio a transmitir tenha área inferior à unidade de cultura, (ii) o preferente seja dono de prédio

confinante com o prédio a transmitir, (iii) o prédio do preferente tenha área inferior à unidade de cultura e (iv) o potencial adquirente do prédio não seja proprietário confinante. Quando exista mais do que um preferente, a lei estabelece uma hierarquia entre os vários proprietários com direito de preferência. Assim, terá primazia no exercício do direito de preferência, no caso de alienação de um prédio encravado, o proprietário que estiver onerado com a servidão de passagem e, nos outros casos, o proprietário que, caso exerça o direito de preferência, obtenha a área que mais se aproxima da unidade de cultura fixada para a zona onde o prédio rústico a transmitir se localiza. Caso vários preferentes se encontrem em igualdade de circunstâncias e queiram exercer o respetivo direito, haverá uma licitação entre eles, revertendo o aumento do preço a favor do alienante. Salientamos que os proprietários de prédios confinantes não gozam de direito de preferência (i) quando algum dos terrenos constitua parte componente de um prédio urbano ou se destine a algum fim que não seja a cultura, ou (ii) quando a alienação abranja um conjunto de prédios que, embora dispersos, formem uma exploração agrícola de tipo familiar. Por último, é igualmente impor-

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tante relevar que os proprietários de prédios rústicos ou mistos incluídos numa área da Reserva Agrícola Nacional gozam do direito de preferência na alienação ou dação em cumprimento de prédios rústicos ou mistos confinantes. Assim, os proprietários dos prédios rústicos ou mistos inseridos na Reserva Agrícola Nacional (independentemente da sua dimensão) que os pretendam vender, devem comunicar por escrito a sua intenção aos confinantes que podem exercer o seu direito nos termos da lei. Os proprietários não têm de dar preferência caso a alienação ou dação em cumprimento seja efetuada a um dos preferentes. DIREITO DE PREFERÊNCIA DOS ARRENDATÁRIOS NO ÂMBITO DO NOVO REGIME DO ARRENDAMENTO RURAL No caso de venda ou dação em cumprimento de prédios que sejam objeto de arrendamento agrícola ou florestal, aos respetivos arrendatários cujo contrato vigore há mais de três anos, assiste o direito de preferirem na transmissão. No entanto, tal direito de preferência caduca perante o exercício do mesmo direito por co-herdeiro ou comproprietário. Sempre que o arrendatário exerça tal direito, fica obrigado a explorar o prédio rústico, ou no caso de ser pessoa coletiva, por si ou sociedade do mesmo grupo empresarial, como seu proprietário pelo período mínimo de cinco anos, salvo caso de força maior, devidamente comprovado. Caso o arrendatário adquirente não cumpra a obrigação de exploração, fica obrigado a pagar ao anterior proprietário o valor equivalente ao quíntuplo da última renda vencida e a transmitir a propriedade ao preterido com o exercício da preferência, se este o www.abolsamia.pt

desejar, pelo preço de aquisição do prédio. Ficam isentas do pagamento de imposto municipal sobre transmissões onerosas de imóveis todas as transmissões onerosas de prédios rústicos a favor dos respetivos arrendatários, desde que exista contrato escrito há pelo menos três anos, e o mesmo seja do conhecimento dos serviços de finanças da área de residência do senhorio ou da sede da pessoa coletiva. COMO FUNCIONA O DIREITO DE PREFERÊNCIA De forma a que os preferentes possam exercer o seu direito, o proprietário vendedor deverá comunicar que se irá realizar a venda, bem como as cláusulas essenciais do respetivo contrato, nomeadamente, a identificação do comprador, o preço e formas de pagamento, a data para a outorga da escritura pública de compra e venda e eventuais condições especiais da transação. Assim, o preferente deverá ter conhecimento de todas as condições suscetíveis de influenciar decisivamente a formação da vontade de contratar, permitindo-lhe a ponderação consciente entre preferir ou abdicar de um direito de opção que lhe assiste. Recebida a comunicação, deve o titular exercer o seu direito dentro do prazo de oito dias, sob pena de caducidade, salvo se estiver vinculado a prazo mais curto ou o obrigado lhe assinar prazo mais longo. Tendo em conta o acima exposto, fica claro a complexidade de um tema que muitas vezes passa despercebido no âmbito das transações imobiliárias e que tantas vezes são causa de discórdia e litígio, pelo que se aconselha, desde uma fase inicial do processo, um acompanhamento jurídico especializado. ¢ outubro | novembro 2020 abolsamia

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GARAGEM GLÓRIA

São peças de culto, umas já musealizadas, outras a aguardar carinho dos seus proprietários, e muitas com menos sorte, à mercê da inclemência dos elementos. Uma época houve em que todas foram glórias, de mecânica pura e zero de eletrónica. Todas cumpriram a sua missão. É só tempo de descanso, pois que os tratores, simplesmente, não morrem. Respeito!

Renault D22

O

sucesso foi imediato e a série granjeou tamanha popularidade que a Renault a produziu em quantidade como nenhuma outra – 31.910 unidades. A carência de cavalos de trabalho no pós-guerra acorreu à mecanização da agricultura francesa e a especial autorização do Governo de então fomentaria tal desenvolvimento através de baixas taxas de imposto pela

Toda a história em utilização de motores diesel. Começou assim a Renault a produzir uma nova série de tratores, a partir de 1956, na fábrica de Le Mans, com recurso ao fiável MWM de fabrico alemão, refrigerado a ar. O D22 nasceu de uma folha em branco, nas cores laranja, mas também em amarelo, e nela foi também desenhado um assento e encosto acolchoados que em muito melhoraram o conforto do

https://www.losangemagazine.com/12719/renault-r3-d22

operador, que até então só dispunha de uma “sela” metálica. Também foram adicionados compartimentos para guarda de ferramentas. A série foi produzida até ao final de 1960 e precedeu os modelos N72, Super 3 e Super 3D. A série encontrou no D35 um motor Perkins de 3 cilindros refrigerado a água, após o que surgiu o único modelo a gasolina, o E30, este já com 4 cilindros construído pela Renault.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS | Propulsor diesel construído por Motor Werke Mannheim (Alemanha), de 2 cilindros (R7052), refrigerado a ar, com 1810 cc (diâmetro x curso, 98 mm x 120 mm) e potência máxima de 22 cv a 1700 rpm; Dupla embraiagem e caixa de velocidades com seis relações (5ª e 6ª sincronizadas) + 1 velocidade à retaguarda, TDF traseira, velocidade máxima de 20,9 km/h; Pneus 5,50-16 ou 6,50-16 (dianteiros), 10-28 ou 9-36 (traseiros); 300-157-211 (comprimento-altura-largura, em cm), 1430 Kg de peso e depósito de combustível com capacidade para 40 litros. 102

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DOIS DEDOS DE CONVERSA COM...

JOAQUÍN TRIBALDOS CAMPOS [ AGRICULTOR ESPANHOL QUE TRABALHA, COM O IRMÃO GÉMEO HERMINIO, NA TWINS’ FARM ]

Bem-vindo à “Dois dedos de conversa com”, uma rubrica onde conhecemos um pouco melhor os agricultores e tratoristas do nosso país. Porque “se o campo não planta, a cidade não janta”. Desta vez abrimos uma exceção e fomos até Espanha para conversar com Joaquín Tribaldos, que trabalha na Twins’ Farm. As culturas que desenvolve são: cereais, leguminosas, girassol e olival.

Tem ligação familiar à agricultura? Sim. Todos os meus familiares de gerações passadas foram agricultores. Os meus avós e os meus pais são-no e para nós é um orgulho poder continuar a trabalhar a terra que eles, com tanto esforço, trabalharam. Com que idade se começou a interessar pelas máquinas? Desde muito pequeno. Recordo-me que com uns 10 anos já conduzia o trator em algumas tarefas na cultura dos alhos, onde a velocidade de trabalho não supera 1 km/h. 104

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Como descreve a sensação de as manusear? É um autêntico prazer. Poder trabalhar com as máquinas antigas e sobretudo com as atuais é um luxo. As coisas evoluíram muito e todos os automatismos com que contamos, ajudam-nos muitíssimo a ter uma jornada de trabalho muito interessante. O que lhe facilita a vida nas máquinas com que trabalha? Sobretudo o autoguiamento por gps e o sonar no atomizador para olival.

Que atividade desenvolve e o que gosta particularmente nesse setor? Do que mais gosto é dos cereais e do olival. São cultivos onde as tarefas são muito interessantes. Pensa alargar a outras culturas/atividades? Hoje em dia há outros cultivos (pistachos, lavanda, etc) que estão muito na moda, mas penso que continuaremos com os que temos atualmente. Quais as tarefas que mais gosta de realizar? Nos cereais, a minha tarefa favorita é a sementeiwww.abolsamia.pt


Joaquín Tribaldos Campos // DOIS DEDOS DE CONVERSA COM...

Nome Joaquín Tribaldos Campos Idade 43 anos Onde trabalha? Twins’ Farm Por conta própria ou por conta de outrem? Própria Qual é a atividade da exploração/empresa? Agricultura de cereais, leguminosas, girassol e olival Usa as redes sociais para divulgar o dia-a-dia no campo? Sim e muito. Temos o nosso próprio portal web chamado Twins’ Farm (www.twins-farm. com), canal de vídeos de Youtube, Facebook, Twitter e Instagram

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ra por ser a época do ano em que o terreno está nas melhores condições de humidade para o trabalharmos. No olival, talvez a colheita porque se vê o fruto do trabalho feito durante todo o ano.

Tem intenção de procurar trabalho noutro ramo? Não. É uma exploração familiar que procuraremos manter por muitos mais anos.

Quando está no trator, o que prefere ouvir? [o barulho do motor, música…]? Primeiro a música e em algumas ocasiões o ruido do motor. Tenho um mp3 no trator que leva centenas de canções de diferentes tipos, e assim tenho música que chegue para várias jornadas de trabalho sem repetir nenhuma canção.

E para lá da agricultura? O que faz quando não está a trabalhar para a exploração? Trabalho num escritório, na minha carreira de engenheiro informático durante a manhã. E à tarde e aos fins-de-semana é quando sou realmente um agricultor.

Dar massa e limpar o filtro fica para outro dia? A manutenção é fundamental se não queremos ter problemas, e sendo assim é uma tarefa prioritária.

O que é que o faz rir? Sinto-me muito bem quando os meus filhos e os meus sobrinhos (todos de menos de 7 anos) nos fazem uma visita no campo.

Qual é a melhor parte de trabalhar na agricultura? Estar em contacto com o campo e com a natureza. É muito interessante e são.

O que é que o chateia? Que na cidade não se valorize realmente o trabalho que é feito nas zonas rurais e se pense que os alimentos são fabricados nos polígonos industriais.

Qual é a parte mais frustrante de trabalhar na agricultura? Quando fizemos o trabalho todo e vemos que não chove. Em terrenos de sequeiro, passamos o tempo a olhar para o céu a ver se chove. A agricultura de hoje obriga a uma aprendizagem permanente. Já sentiu isso em alguma situação no seu trabalho? Sim. As máquinas são cada vez mais sofisticadas, os adubos e os produtos fitossanitários são mais complexos e temos de estar informados acerca das evoluções para podermos competir ao máximo.

Se ganhasse a lotaria, qual seria a primeira coisa em que ia investir? Talvez em ir para as Caraíbas…é piada. Talvez na compra de uma boa propriedade agrícola para poder ampliar a exploração. É leitor da revista abolsamia? Sim. Sigo-a em formato online e é muito interessante que fazem reportagens muito completas sobre maquinaria. Também vos convido a visitar o nosso blog www.twins-farm.com e o nosso canal de vídeos https://www.youtube. com/user/jtcpg ¢

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A G RIC U LTO R

Morada

Agrícola Código Postal

Localidade

EM PREG A D O D E EX PLO RA Ç Ã O Pecuária

M ista

Florestal

Tam anho da exploração - hectares: Prestador de serviços

Fabricante

Telm.

Im portador/C oncessionário

Técnico Especializado

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PUBLIREPORTAGEM

Existe um programa de televisão que dá pelo nome de “Portugueses pelo Mundo”. Este artigo bem poderia ser o primeiro capítulo da “versão abolsamia” do mesmo programa. E não fizemos por menos, fomos até à Nova Zelândia, onde há um prestador de serviços que não abdica dos seus reboques Herculano. “É um reboque que tanto serve para transportes menos pesados, como a silagem, mas, ao mesmo tempo, é robusto e musculado o suficiente para o transporte de materiais mais pesados como areia ou terra” Grant Barber

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS

rant Barber vive e trabalha na cidade de Foxton, localizada na ilha Norte da Nova Zelândia. A empresa familiar tem uma pequena exploração leiteira e de bovinos de carne. No entanto, o principal negócio é a prestação de serviços a outras explorações e empresas locais, com especial enfoque no transporte de cargas. O grosso dos trabalhos efetuados ao longo do ano tem o seu pico na época da silagem, com o apoio às ceifeiras e ensiladoras. Esporadicamente, faz-se também algum transporte de inertes e

abolsamia outubro | novembro 2020

areias para empresas de obras públicas e privadas. O parque de máquinas é, portanto, constituído na sua maioria por tratores com aptidão para transporte, sendo a Case IH a marca com maior presença na casa, e reboques. E foram precisamente estes últimos que chamaram a nossa atenção: afinal, como e porque é que um profissional neozelandês compra um reboque construído no outro lado do mundo? A resposta surge nas palavras de Grant. “Sou cliente fiel da 4AG, que é distribuidor da Herculano na Nova Zelândia, e conhecia a marca porque tenho grades HVR.

Um dia foi-me apresentado o HTP e fiquei encantado com o que vi. Comprei dois de uma vez, para renovar uma parte dos meus reboques”, começou por explicar. “A 4AG sabia da minha necessidade e procura por reboques versáteis que servissem para vários tipos de serviço, para diferentes tipos de transporte. Quando a Herculano lançou este novo reboque, a 4AG viu aí uma oportunidade “dois em um”: lançar o produto na Nova Zelândia e satisfazer as minhas necessidades”, sintetizou. Versatilidade e robustez foram as principais virtudes que levaram Grant a apostar no HTP. “É um reboque que tanto serve para transportes menos pesados, como a silagem, mas, ao mesmo tempo, é robusto e musculado o suficiente

para o transporte de materiais mais pesados como areia ou terra”, especificou. No entanto, houve um trabalho de fundo levado a cabo pela Herculano de forma a que o HTP correspondesse da melhor forma aos desafios enfrentados por Grant. “A Herculano teve um papel fundamental”, começou por afirmar. “Adaptou o HTP para o que vai encontrar na Nova Zelândia, com características que satisfazem as necessidades dos produtores das explorações daqui”. “E que adaptações específicas foram feitas?”, quisemos saber. “Foi criado um conjunto de extras como a adaptação de taipais à estrutura base em Hardox, para incrementar a carga sobretudo na silagem, uma

otimização do kit de iluminação para os trabalhos longos e fora de horas, um eixo direcional especial, que torna os movimentos exigentes, menos exigentes, e um duplo pivot no cilindro de basculamento e sistema hidráulico de estabilização para basculamento, explicou Grant antes de acrescentar: “A 4AG e a Herculano conseguiram trocar toda a informação e conhecimento para cumprirem com as minhas “exigências” e criarem um produto de excelência. Esta forma de estar tem sido uma constante, existe um apoio e avaliação permanentes, onde uma nova necessidade ou reparo, são cuidadosamente apontados, avaliados e corrigidos conforme o possível, tentando sempre melhorar este produto”.

www.abolsamia.pt

Caixa em HARDOX 450 e porta traseira construída em HARDOX 450 6mm Chassis em tubo estrutural Abertura de porta hidráulica Cilindro de basculamento com grande capacidade de elevação e basculamento

OUTRAS Rodas 600/55 R26,5 Lança hidropneumática Eixo direcional, dianteiro e traseiro (HTP Tridem) Travagem hidráulica Sistema hidráulico independente Porta traseira hidráulica Descanso hidráulico Iluminação LED Caixa de ferramentas.


PUBLIREPORTAGEM

Existe um programa de televisão que dá pelo nome de “Portugueses pelo Mundo”. Este artigo bem poderia ser o primeiro capítulo da “versão abolsamia” do mesmo programa. E não fizemos por menos, fomos até à Nova Zelândia, onde há um prestador de serviços que não abdica dos seus reboques Herculano. “É um reboque que tanto serve para transportes menos pesados, como a silagem, mas, ao mesmo tempo, é robusto e musculado o suficiente para o transporte de materiais mais pesados como areia ou terra” Grant Barber

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS

rant Barber vive e trabalha na cidade de Foxton, localizada na ilha Norte da Nova Zelândia. A empresa familiar tem uma pequena exploração leiteira e de bovinos de carne. No entanto, o principal negócio é a prestação de serviços a outras explorações e empresas locais, com especial enfoque no transporte de cargas. O grosso dos trabalhos efetuados ao longo do ano tem o seu pico na época da silagem, com o apoio às ceifeiras e ensiladoras. Esporadicamente, faz-se também algum transporte de inertes e

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areias para empresas de obras públicas e privadas. O parque de máquinas é, portanto, constituído na sua maioria por tratores com aptidão para transporte, sendo a Case IH a marca com maior presença na casa, e reboques. E foram precisamente estes últimos que chamaram a nossa atenção: afinal, como e porque é que um profissional neozelandês compra um reboque construído no outro lado do mundo? A resposta surge nas palavras de Grant. “Sou cliente fiel da 4AG, que é distribuidor da Herculano na Nova Zelândia, e conhecia a marca porque tenho grades HVR.

Um dia foi-me apresentado o HTP e fiquei encantado com o que vi. Comprei dois de uma vez, para renovar uma parte dos meus reboques”, começou por explicar. “A 4AG sabia da minha necessidade e procura por reboques versáteis que servissem para vários tipos de serviço, para diferentes tipos de transporte. Quando a Herculano lançou este novo reboque, a 4AG viu aí uma oportunidade “dois em um”: lançar o produto na Nova Zelândia e satisfazer as minhas necessidades”, sintetizou. Versatilidade e robustez foram as principais virtudes que levaram Grant a apostar no HTP. “É um reboque que tanto serve para transportes menos pesados, como a silagem, mas, ao mesmo tempo, é robusto e musculado o suficiente

para o transporte de materiais mais pesados como areia ou terra”, especificou. No entanto, houve um trabalho de fundo levado a cabo pela Herculano de forma a que o HTP correspondesse da melhor forma aos desafios enfrentados por Grant. “A Herculano teve um papel fundamental”, começou por afirmar. “Adaptou o HTP para o que vai encontrar na Nova Zelândia, com características que satisfazem as necessidades dos produtores das explorações daqui”. “E que adaptações específicas foram feitas?”, quisemos saber. “Foi criado um conjunto de extras como a adaptação de taipais à estrutura base em Hardox, para incrementar a carga sobretudo na silagem, uma

otimização do kit de iluminação para os trabalhos longos e fora de horas, um eixo direcional especial, que torna os movimentos exigentes, menos exigentes, e um duplo pivot no cilindro de basculamento e sistema hidráulico de estabilização para basculamento, explicou Grant antes de acrescentar: “A 4AG e a Herculano conseguiram trocar toda a informação e conhecimento para cumprirem com as minhas “exigências” e criarem um produto de excelência. Esta forma de estar tem sido uma constante, existe um apoio e avaliação permanentes, onde uma nova necessidade ou reparo, são cuidadosamente apontados, avaliados e corrigidos conforme o possível, tentando sempre melhorar este produto”.

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outubro / novembro 2020

UM “PORTUGUÊS” NA NOVA ZELÂNDIA

A REVISTA DA MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA

Ano XXVII . Nº 123 | Bimestral outubro / novembro 2020 | Diretora Catarina Gusmão Preço: € 6,00 Cont. / ISSN 2183-7023

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Laranja e preto são as cores para o novo século

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