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ANO 5 | EDIÇÃO 16 | MAI/JUN 2013

LINGUaGEM DO CORPO Cristina Cairo explica a relação emoções X doenças EQUILÍBRIO Está na hora de fazer as pazes com o dinheiro SUJOU, PaGOU! Cidades se preparam para a Copa cobrando multa dos sujões

Vilão ou mocinho? Apesar do cálcio, o leite pode ser inimigo da sua saúde


Tudo muda o tempo todo Durante a minha infância costumava passar as férias do meio do ano na fazenda dos meus avós com meus irmãos e primos. Os dias começavam cedo, ainda na madrugada, quando íamos para o curral tomar leite quentinho tirado da vaca direto para o nosso copo. Além do leite, o cardápio da vovó tinha coalhada, queijo, biscoitinhos de nata e muitas outras delícias. Uma verdadeira overdose de lactose. Mas, naquela época, tudo o que vinha do leite era sinônimo de saúde e muito cálcio. Hoje as coisas mudaram. O leite continua rei na quantidade de cálcio. No entanto, perdeu a majestade nos benefícios que proporciona para a saúde. Já não é presença certa nas dietas prescritas pelos nutricionistas. Muitos deles recomendam, inclusive, a retirada total do alimento e seus derivados para alguns pacientes. Por isso, nossa reportagem de capa trata sobre essas questões relacionadas ao leite, que passou de mocinho a vilão das dietas saudáveis. E o que fazer com a crença de que só é possível suprir a necessidade de cálcio do nosso organismo se tomarmos leite? Por falar em crenças, algumas po-

dem estar atrapalhando a sua relação com o dinheiro, sabia? Manter a saúde financeira em equilíbrio vai além do que fazer cálculos de quanto se ganha e se gasta. Se não está satisfeito com o saldo da sua conta bancária, vai gostar da reportagem da seção equilíbrio que traz dicas para ajudar você a fazer as pazes com o seu dinheiro. Outro assunto que vai convidá-lo a reavaliar o que acredita é a entrevista com a educadora física e psicóloga Cristina Cairo. Ela assegura que as doenças e até problemas estéticos como gordura localizada, flacidez e celulite têm origem nas nossas emoções e que a cura passa pelo perdão e pela mudança de alguns padrões de pensamento. Como bem cantou Lulu Santos, “tudo muda o tempo todo no mundo” e boas doses de desprendimento e flexibilidade são sempre bem vindas. Afinal, você não sabe quando, por exemplo, terá que trocar o copo de leite quentinho pelo suco verde. Boa leitura! Juliana Garcia juliana@guiaviverbem.com.br @jufariasgarcia

Edição nº 16 | mai/jun 2013 Direção geral Juliana Garcia e Patrícia Guedeville Coordenação editorial Juliana Garcia Textos Eugênio Bezerra, Mariele Araújo e Taciana Chiquetti Revisão Márcia Melo Fotos Dalianny Galvão e Ramón Vasconcelos Projeto Gráfico Carlos Soares Diagramação GR Design Editorial www.grdesigneditorial.com.br Comercial GGTec Produções Impressão Impressão Gráfica Tiragem 10.000 exemplares Fale conosco 84 3213.8592 / 9451-4142 viverbememrevista@ggtec.com.br

editorial

Giovanna Reis

Expediente

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maturidade

equilíbrio

meio ambiente

comportamento

entrevista

infância

fitness

alimentação

saúde

beleza

índice 4

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ANO 5 | EDIÇÃO 16 | MAI/JUN 2013

26 Capa Modelo: João Henrique Bezerra da Silva Foto: Ramón Vasconcelos

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IOGA Musculação inteligente para trabalhar o corpo inteiro maturidade Um manual para prevenir as quedas dos idosos


Viciados em leite viver bem

Numa enquete na nossa página no facebook, perguntamos com que frequência as pessoas consomem o leite. 76% dos participantes consomem mais de 4 vezes por semana. O alimento, conhecido como a maior fonte de cálcio, não é mais tão queridinho dos nutricionistas. O consumo em excesso pode comprometer a saúde de diversas maneiras. Leia mais sobre esse assunto na reportagem “De mocinho a vilão”, na página 22.

@prog_viverbem Quer ver sua foto aqui nesse espaço? Compartilhe seus momentos de saúde e qualidade de vida no Instagram com a tag #guiaviverbem.

PROGRaMa VIVER BEM - SÁBaDO, 9H, TV PONTa NEGRa (SBT-NaTaL/RN) SITE: WWW.GUIaVIVERBEM.COM.BR - TWITTER: @PROG_VIVERBEM FaCEBOOK: WWW.FaCEBOOK.COM/GUIaVIVERBEM - WWW.YOUTUBE.COM/TVVIVERBEM

SUA OPINIÃO “Lendo a reportagem sobre patins, viajei no tempo, voltei a minha infância e decidi voltar a patinar. Quase dois meses depois já estou craque e aproveito os domingos na via costeira para fazer isso.” Luciana Jales, por email “Depois que li a reportagem das redes sociais decidi fazer um teste: fiquei duas semanas sem acessar meu facebook. Nos primeiros dias foi terrível, depois fui me acostumando. Não sinto inveja, nem fico triste ao ver os perfis dos meus amigos. Mas percebi que estava perdendo muito tempo com isso. Valeu!” Carlos Renato, por email

“Adorei a entrevistada Carol Morais, nos ensinou a fazer dieta sem neuras e comendo. Virei seguidora dela nas redes sociais e no blog e procuro colocar em prática suas dicas. Mas queria mesmo era participar de uma oficina dela aqui em Natal.” Janete Gomes, por email “Os bons exemplos são os melhores incentivadores. Parabéns pela abordagem inspiradora sobre o envelhecimento. A idade vai passar para todos e cada um de nós vai escolher como vai viver a velhice. Ainda tenho 32 anos e decidi me eleger prioridade. Muito obrigada!” Beth Durval, por e-mail

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Ramón Vasconcelos

2013 está sendo o ano do Conexão Viver Bem. Três edições já aconteceram e a participação do público é cada vez maior. Seja no Parque das Dunas, na Via Costeira ou dentro de empresas, o evento leva os participantes a praticar atividade física, cuidar da saúde e relaxar. Um momento pra viver bem, muito bem.

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Ramón Vasconcelos

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Ramón Vasconcelos

Ramón Vasconcelos

Conexão Viver Bem

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1. Pela primeira vez no Conexão Viver Bem, aula de Muay Thai foi um sucesso 2. Shiatsu express com o mestre Seve Cunha 3. Aula de musculação localizada também não poderia ficar de fora 4. Fisioterapeuta Ingrid Menezes realizou sessões de acupuntura 5 e 6. Conexão Viver Bem especial na ilha da Unimed no Projeto Viva Costeira. A Personale Fitness comandou a aula de Pilates


Dalianny Galvão

Dalianny Galvão

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9 Dalianny Galvão

Juliana Garcia

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8. Spa das Sobrancelhas

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Juliana Garcia

Dalianny Galvão

7. Aula de ritmos já é tradição

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cuidando da beleza do olhar das participantes 9. Alongamento para começar a 10. Aula de Cross Fit aliou diversão e muito esforço físico 11. Mais uma da aula de Cross Fit 12. Jump Show mais uma vez ajudando na queima calórica 13. Equipe do Spa das Sobrancelhas marcou presença 14. Diretoria do SINEC/RN comemorando o sucesso da parceria com o Conexão Viver Bem Agradecimentos: SINEC/RN Spa das Sobrancelhas We! Academias Aqua Coco

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manhã de atividades físicas

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Canindé Soares

artigo chapéu

O suspiro da surpresa

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Por Taciana Chiquetti - tacychiquetti@hotmail.com “Surpresa!” Há quem vibre e há quem tema quando escuta esta mágica palavra, especialmente carregada de emoção. Dever cumprido ou sonho há muito acalentado, quando realizado, nos faz respirar mais fundo. Um alívio gostoso, com sensação de recomeço e olhar autoconfiante, voltado ao futuro. Mas nada como suspirar com surpresas... O suspiro da surpresa é doce e derrete na boca como o suspiro sobremesa, delicada combinação de açúcar. Que sensação açucarada um novo amor. Que doces alegrias as novas amizades. Que tenro sentimento o da nova oportunidade. Que delícia a boa notícia. Que flash abençoado a novidade que invade o cotidiano, virando páginas e reescrevendo histórias. Não estar esperando por nada nem por ninguém e, mesmo assim, ser capaz de dizer “seja bem-vindo”. Ao que quer que apareça. Quanto mais me coloco a prestar atenção no “funcionamento” da vida, mais me convenço de que surpresas incríveis podem vir da autopermissão verdadeira. A vida protege quem não se protege de forma doentia, quem confia que novos caminhos se desenrolarão como um tapete vermelho para

EM REVISTA

um convidado ilustre. Quem anda com fé é a presença vip que a vida faz questão de reverenciar. Há muitos caminhos para quem descobre que não controlar

A vida protege quem não se protege de forma doentia, quem confia que novos caminhos se desenrolarão como um tapete vermelho para um convidado ilustre. Quem anda com fé é a presença vip que a vida faz questão de reverenciar a vida é o melhor caminho. Já escrevi, certa vez, que oportunidades incríveis sempre aparecem para um peregrino: é seguindo em frente, se lançando ao destino, que ele

promove as condições de comer, dormir, vestir. Não se preocupa com o que é elementar e, com isso, ganha a si mesmo. Bom vagar pela vida despretensiosamente, trilhando os caminhos do fazer o que se tem para o dia e se deparar com o “muito mais do que esperava”. Os corações tranquilos pavimentam a trilha da boa surpresa. São os ingredientes da doce delícia que explode na boca. E suspirando seguem, de surpresa em surpresa. Porém, lá no fundo do paladar adocicado da surpresa insistem raspas de limão - intrigante desconhecido. Medos azedinhos que estragam o paladar quando passam da medida. O novo também assusta. Dá uma vontade de voltar quando não sabemos o que há pela frente... Dá vontade de evitar a primeira mordida, afinal passar a língua somente no doce suspiro pode ser suficiente para gozar a doçura. Mas garantias não garantem emoções – insano erro na receita. O que são garantias na subjetividade da vida? Em boca fechada não entram surpresas. É permitido provar. Sempre existem outros caminhos. Surpresas precisam ser experimentadas com o apetite de quem se abre a um novo sabor. De olhos fechados e coração aberto.


Tem dúvidas sobre saúde ocular? A partir dessa edição a Viver Bem em Revista conta com a colaboração do oftalmologista dr. Albert Dickson

1. Uso óculos. Depois de fazer a cirurgia de catarata posso me livrar deles? Maria Antônia, 64 anos Sim. A catarata é a opacificação do cristalino e é a principal causa de cegueira reversível. A sua principal causa é a luz ultravioleta do sol. Quando se faz a cirurgia geralmente o grau de longe fica zerado. No entanto, há a necessidade do uso do grau de perto. Mas existem as lentes intraoculares mutifocais que eliminam tanto o grau de perto quanto de longe. 2. O que é glaucoma e quais as conseqüências que essa doença pode trazer para a saude ocular? Pedro Helmano , por email

Envie sua pergunta para albertlima@dr.com

O glaucoma é o aumento da pressão intraocular associado à escavação do nervo ótico. É uma doença progressiva e é a principal causa de cegueira irreversível. Por isso, ao ir ao oftalmologista deve-se pedir para verificar a pressão ocular. Não existe quase nenhum sintoma para o glaucoma crônico. Sua causa, na maioria das vezes, é hereditária. A consequência principal é a perda da visão de forma gradativa, da periferia para o centro da visão, tendo por fim a cegueira completa irreversível. O tratamento se dá

pelo uso de colírios oculares e, nos casos mais graves, pela cirurgia. 3. Todo mundo que tem ceratocone precisa fazer transplante de córnea? Luisa Varela, por email O ceratocone é uma distrofia da córnea que leva ao afinamento corneano e um astigmatismo muito elevado, gerando baixa visual progressiva. Tem como consequências, muitas vezes, a cegueira. O tratamento pode ser através do transplante de córnea, uso de lentes de contato rígida ou cirurgias como o uso do anel estromal. 4. Depois de fazer o teste do olhinho, com que idade a criança deve voltar ao oftalmologista? Ceiça Lago, por email O teste do olhinho é obrigatório por lei de nossa co-autoria. Consiste no teste do recém nascido na maternidade ou nos primeiros dois meses com o intuito de diagnosticar doenças oculares congênitas. A criança, se não for diagnosticado nenhum problema, deve voltar com um ano. Se for diagnosticado alguma patologia deve voltar antes dos seis meses. As principais doenças diagnosticadas são a catarata e glaucoma congênito e o retinoblastoma.

oftalmologia

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Dr. Albert Dickson responde

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Cedida

Pergunte ao personal 10

1. Para emagrecer é melhor fazer o aeróbico antes ou depois da musculação? Luan Brito – por email O exercício aeróbico após a musculação pode render melhores resultados. Isso ocorre porque nos trabalhos com peso a primeira fonte de energia utilizada é o glicogênio muscular. Depois disso, o corpo é obrigado a utilizar outras fontes de energia, como as células de gorduras. 2. Qual o melhor exercício para acabar com a celulite? Lucia Felix – por email Você precisa praticar exercícios que estimulam a circulação e a oxigenação como os exercícios aeróbicos. Mas, a atividade que dá melhores resultados é a musculação, pois ajuda a eliminar gorduras localizadas e a aumentar a massa muscular. Lembre-se que o melhor a ser feito é praticar exercícios e mudar os hábitos alimentares. Quanto mais você demorar a iniciar uma atividade física, mais difícil é seu resultado. 3. O transport é um bom exercício para trabalhar o bumbum? Luciana Helena – por email O ideal é sempre aliar trabalho específico para os músculos da região glútea (agachamento, afundo e leg press 45°) a um trabalho aeróbico para estimular a perda de gordura nessa região. No caso, o transport faz bem com esse trabalho duplo. Outras aulas como

Deivyson Falcão Soares Educador físico, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Personal Trainner, professor de musculação e de Jump na rede WE! Academias.

RPM e Bike indoor, feitas em bicicletas ergométricas, também dão conta deste objetivo. 4. É possível ganhar massa muscular só utilizando o peso do corpo? Pedro Pontes – por email Sim. Qualquer trabalho ou exercício que você faça utilizando o peso corporal acarretará em um ganho de massa magra. No entanto, chegará um momento em que seus músculos precisarão de mais estímulos e a melhor atividade física para ganho de massa muscular, sem dúvida, é a musculação. Não podemos também esquecer que uma alimentação balanceada, rica em proteínas e carboidratos e uma boa noite de sono são fundamentais para ter grandes resultados. 5. existe alguma orientação para proteger os joelhos na aula de step? Késia Bianca – por email - Aqueça por alguns minutos com alguns movimentos de braços e passos sem subir no step; - Nunca coloque o step com altura tão elevada que tenha que dobrar os joelhos mais de 90 graus; - Não coloque o step mais longe do que a distância de um pé; - Tenha atenção ao contato do pé com o solo, coloque primeiro os dedos do pé no solo; - Olhe sempre para frente; - Pare caso sinta dores nas articulações do joelho ou tornozelo; - Regresse à calma caminhando alguns minutos e termine com uma sessão de alongamentos.


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2. Como é sua alimentação diária e rotina de exercício? Não sou escravo de dieta, me policio para não cometer excessos, afinal é difícil conter o pecado da “gula”. Adoro exercício físico, meus treinos são intensos, chegando a ser 2 vezes por dia em alguns dias da semana. 3. O que gosta de fazer nas horas vagas? Essas são raras (rs), mas tenho feito pesquisas e leituras pra começar um novo projeto pessoal. 4. Sobre beleza das noivas, quais as tendências de cabelo e maquiagem? A tendência quem faz é a noiva, ela tem que se sentir bonita, à vontade e segura. A melhor referência é a do contexto do próprio casamento. 5. existe um passo a passo que a noiva deve seguir para acertar no look? A confiança nos profissionais é primordial. A referência será o vestido, ele é o ponto de partida para as demais escolhas como brincos, penteado, acessório de cabeça... tudo deve estar em harmonia. 6. Qual a sua dica para ela conter a ansiedade no grande dia? É difícil, uma data tão importante...mas tudo sairá bem se ela se cercar de bons profissionais que garantam que tudo sairá conforme planejou. 7. Qual a importância da prova da noiva? Esse dia é tão importante quanto

o do casamento, nele eu entendo os desejos e sonhos da noiva. Conheço melhor o cabelo, tipo e formato de rosto. Vamos trocar ideias e opiniões, para no dia termos um resultado maravilhoso, inclusive para as fotografias. 8. Por que você dá importância ao dia da noiva? No espaço onde atendo, tenho uma excelente estrutura para atendimento das noivas, adoro que elas passem o Dia da Noiva em um espaço reservado. O resultado é ainda melhor quando vou fazer a maquiagem e o penteado com uma noiva super relaxada. 9. existe emoção no seu trabalho? Claro! Sempre me emociona muito ver a noiva produzida, chego a chorar...(risos). A sensibilidade é muito importante, eu traduzo os meus e os sentimentos da noiva.

Parmenas Augusto Com 12 anos de experiência com produção de make e cabelo, Parmenas Augusto faz parte da equipe da Belezaria e virou referência no ramo de noivas. Ele, que já conta com um saldo de mais de 1000 noivas no currículo, reconhece que o trabalho é delicado e por isso aproveitou o convite da Viver Bem em Revista para dar dicas bem especiais para quem vai subir ao altar.

Foto: Ramón Vasconcelos

beleza

1. O que é viver bem pra você? Estar em harmonia corpo, mente e espírito, mantendo hábitos de vida saudáveis como alimentação e prática de exercícios físicos constantes.


arteterapia 14

Ramón Vasconcelos

Por Mariele Araujo

Qualidade de vida em cores Descubra e se beneficie com a Arteterapia Você sabia que nos expressamos por meio da manipulação de materiais? Sim, criação induz à expressão. Neste conceito, a arte livre foi unida ao processo terapêutico. Uma experiência multisensorial chamada Arteterapia. A Arteterapia se desenvolveu há cerca de 60 anos e ganhou força no pós-guerra, como tratamento para a sociedade castigada pelos conflitos. Atualmente é praticada no mundo todo. Com experiência em Arteterapia, a psicóloga Cronídia Majewski explica que trata-se de uma terapia convidativa, alegre, colorida e com novo formato, tornando-se cada vez mais procurada. “Uma vez em contato com uma linguagem expressiva, tor-

na-se facilmente possível a resolutividade na vida”, garante a arteterapeuta. Mas engana-se quem acha que o processo terapêutico é aleatório. Tudo está alicerçado na orientação Junguiana e de outros teóricos, como Perls (Gestalt) e Moreno (Psicodrama). No processo criativo, o inconsciente se manifesta por meio de uma linguagem simbólica. “Enquanto o cliente realiza a arte, o profissional vai conduzindo o processo terapêutico e ambos vão compreendendo as mensagens subliminares que estão sendo produzidas. Por meio do extravasamento de emoções são trabalhados o autoconhecimento e os ajustes necessários”, relata Cronídia.

CADA FASE DA VIDA, UM BENEFÍCIO CRIaNÇaS: Auxilia em casos de timidez, hiper-atividade, luto, estresse, medos, separação dos pais e dificuldades de adaptação. aDOLESCENTES: Intervém no isolamento social e bullying, conflitos familiares, baixa autoestima e impulsividade emocional. aDULTOS: Auxilia na ansiedade,

depressão, divórcio, depressão pós-parto, luto, compulsões gerais e controle de raiva. IDOSOS: Estimula a memória, aumenta o nível de atividade e possibilita conexão social e a comunicação não-verbal. Auxilia o idoso a re-significar sua história e a reelaborar sua perspectiva de vida.

Modalidades expressivas A Arteterapia trabalha com diversas modalidades expressivas tais como: desenho, pintura, recorte e colagem, modelagem, poesia, contos, etc. A manipulação da argila, por exemplo, libera energias reprimidas. Os materiais e atividades são regeneradores. “Na Arteterapia não há preocupação com a estética dos trabalhos, nem com habilidades manuais dos clientes, mas sim com a livre expressividade, sem julgamentos. O número de sessões vai de acordo com a aceitação e evolução do próprio cliente. O ambiente também é livre e pode ser realizada em domicílio. O paciente vai se reorganizando internamente”, explica Cronídia. Para ser arteterapeuta é preciso ser qualificado com pós-graduação no assunto, além da graduação em psicologia ou áreas afins. aRTe FOnO TeRaPiaS Ed. Portugal Center, sala 208 84 3082-1948/ 9404-1000


Por Taciana Chiquetti

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Otoplastia

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saúde

Com um procedimento seguro é possível corrigir as orelhas de abano já a partir dos 7 anos de idade

“Trata-se de um procedimento seguro, de nível ambulatorial, ou seja, o paciente tem alta no mesmo dia, sendo na maioria das vezes realizado com anestesia local e sedação” Paulo Eduardo, otorrinolaringologista

Um detalhe que, se estiver exagerado, pode fazer a diferença na face de uma pessoa. As conhecidas “orelhas de abano”, inspiradoras de apelidos negativos na infância e adolescência e de uma estética comprometida na fase adulta, podem ser corrigidas com um procedimento simples e seguro, com uma recuperação rápida. Um dos tipos de cirurgias estéticas mais procuradas atualmente, depois da rinoplastia (nariz), a otoplastia é uma cirurgia utilizada para corrigir orelhas muito proeminentes (em abano). De acordo com o cirurgião de face e otorrinolaringologista dr. Paulo Eduardo, da Clínica Faciale, essa deformidade é genética e pode ser facilmente corrigida. “A cirurgia pode ser feita em crianças a partir dos sete anos e também em pessoas já adultas. Trata-se de um procedimento muito simples, de nível ambulatorial, ou seja, não precisa de internação, com anestesia local e sedação”, explica dr. Paulo. Apesar de não existirem comprometimentos funcionais em se ter uma orelha mais avantajada, quem possui esta característica física acaba, muitas vezes, sofrendo problemas emocionais e de relacionamento. Motivadoras de comparações depreciativas,

as orelhas podem ser sinônimos de bullying, especialmente na fase dos 7 aos 12 anos de idade, em que os apelidos no ambiente escolar, por exemplo, são comuns. O paciente é liberado no mesmo dia da cirurgia e pode retornar às atividades em média, com 48 horas, após a remoção do curativo, o que significa que não há prejuízos profissionais ou escolares com a realização do procedimento. Na técnica utilizada pelo médico dr. Paulo Eduardo - uma das mais modernas adotadas na atualidade - a correção é feita totalmente atrás da orelha e o resultado é uma cicatriz praticamente invisível. Com a otoplastia, a pessoa volta a ter um rosto harmonizado. A Faciale é uma clínica especializada em cirurgia estética da face, que conta com os equipamentos e procedimentos mais modernos e seguros da área, além de uma equipe de cirurgiões renomados, atualizados e experientes, que atuam há mais de dez anos no seguimento da face. Clínica Faciale Rua Rodrigues Alves, 479 – Tirol Natal-RN. Fone: 84 3222-2040 www. faciale.com.br


Por Taciana Chiquetti

saúde

Vencendo o sobrepeso Técnica do balão intragástrico vem ajudando muitas pessoas a fazer as pazes com a balança. O procedimento é simples e as indicações vão além da necessidade estética Dalianny Galvão

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Quase todo mundo tem uma história de luta contra a balança para contar. A obesidade é, sem dúvida, uma das doenças mais comuns atualmente, por isso diversas técnicas e medicamentos são pensados para combatê-la, uma vez que estar acima do peso pode repercutir em diversos problemas de saúde. Aqueles quilinhos extras que custam a se despedir, mesmo com a variedade de dietas hipocalóricas existentes, às vezes, precisam de uma ajuda tecnológica para serem eliminados. A justificativa está longe de ser somente estética: trata-se de mais saúde, mais qualidade de vida e menos doenças associadas. A técnica do balão intragástrico, praticada na Clínica Skopia, localizada no Tirol, demonstra que, para alguns casos, não é preciso chegar a fazer uma cirurgia de redução de estômago para vencer a obesidade. “É um procedimento não cirúrgico, totalmente endoscópico, tanto para a

colocação quanto para a retirada do balão, que é totalmente reversível e temporário”, explica o endoscopista Raimundo Neto. Ao lado da também médica endoscopista Lícia Villas Boas Moura e de uma equipe multidisciplinar, composta por nutricionista, anestesista, psicólogo e endocrinologista, eles realizam o procedimento há cerca de três anos, em Natal. Por constatarem os bons resultados, diversas especialidades médicas vêm recomendando a técnica do balão, como ortopedistas, cardiologistas e ginecologistas, por exemplo, que assistem a obesidade agravar os problemas de seus pacientes. Um corpo mais pesado tem mais chances de desenvolver problemas de articulações, ósseos, musculares, cardiorrespiratórios e de fertilidade. O balão intragástrico Medicone é constituído de silicone macio, preenchido por meio do sistema valvular e catéter de introdução, por uma

“É um procedimento não cirúrgico, totalmente endoscópico, tanto para a colocação quanto para a retirada do balão” Raimundo Neto, endoscopista


tar a dieta. Ele não substitui a cirurgia bariátrica, é um coadjuvante no tratamento da obesidade”, alerta dra. Lícia Villas Boas Moura. Ela explica que a expectativa é de que o paciente perca cerca de 20% do sobrepeso. “Os resultados têm sido ótimos. Por isso, a demanda é crescente”, observa. As contra-indicações são para pessoas que tenham feito qualquer tipo de cirurgia gástrica anteriormente, gestantes e pacientes com doenças graves, como problemas de coagulação sanguínea, insuficiência renal e cardíaca e alcoolismo. A empresária Maria Isabel Cabral de Lima, de 29 anos, passou de uma pessoa com sobrepeso, que tentava emagrecer de diversas maneiras, sem sucesso, para alguém que frequenta a academia assiduamente e que assimilou a reeducação alimentar. “Eu não conseguia emagrecer com dieta normal, já estive em spa, mas o máximo que eu perdia era três quilos em um ano. Então, tive contato com uma pessoa de minha família que havia colocado o balão e resolvi fazer o mesmo, há um ano. Estou muito satisfeita com o resultado”, relata Isabel, que emagreceu 14 quilos enquanto estava com o dispositivo e mais três quilos após a retirada do balão. “Hoje, como bem menos e praticamente exclui o doce de minha dieta”, frisa.

INDICAÇÕES: Pessoas entre 18 e 60 anos de idade, que precisem mudar os hábitos alimentares;

Dalianny Galvão

solução salina e azul de metileno estéril, e é projetado para permanecer no estômago por um período de até seis meses. A matéria-prima é totalmente importada e possui certificação na Europa e Estados Unidos para ser utilizada em implantes de longa permanência. Para a colocação do dispositivo no estômago, o procedimento, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em pessoas com Índice de Massa Corpórea (IMC) de 27 (sobrepeso), é ambulatorial, ou seja, sem a necessidade de internação. O balão ocupa 50% do estômago e aumenta a sensação de saciedade. Em cinco dias, o paciente já volta à vida normal, apenas com as restrições na dieta, que precisa ser somente composta por líquidos e pastosos no início. A colocação leva cerca de 15 minutos e é feita na própria clínica, como se fosse um procedimento de endoscopia. Já a retirada do balão é feita no hospital. Mas antes da realização do procedimento, é necessária uma consulta médica para avaliação geral do paciente e explicação detalhada sobre a técnica do balão intragástrico. “A finalidade não é estética. O balão é indicado para aqueles que vêm tentando perder peso sem sucesso e precisam de algo que os ajude a ado-

“O balão é indicado para aqueles que vêm tentando perder peso sem sucesso e precisam de algo que os ajude a adotar a dieta” Lícia Villas Boas Moura, endoscopista

Dra. Lícia Villas Boas Moura e Dr. Raimundo Neto Endoscopia Digestiva Fones: 84 3198-1901 e 8896-7041 Rua Maria Auxiliadora, 804, Tirol www.skopiaclinica.com.br

Pacientes obesos mórbidos com IMC acima de 60, que necessitem reduzir o peso para realizarem a cirurgia bariátrica; Pessoas que não desejam se submeter a procedimentos cirúrgicos dessa natureza.

Distribuidor autorizado do balão intragástrico Fones: 84 3223-9428 e 8896-7041

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Fotos: Ramón Vasconcelos

fonoaudiologia 20

Você escuta, mas não entende?

Por Taciana Chiquetti

Conheça a eficácia da Terapia do Processamento Auditivo Central nos distúrbios de aprendizagem e déficit de atenção Desatenção, impressão de que a pessoa só ouve quando quer, dificuldade de memória e atraso na aprendizagem podem não ser problemas somente de audição, mas também de interpretação de eventos sonoros, ocasionando dessa forma o DPAC (Distúrbio de Processamento Auditivo Central), caracterizado pela dificuldade de lidar com as informações que chegam pela audição. O paciente detecta os sons normalmente, mas tem dificuldades de interpretá-los. Uma técnica ainda inédita em Natal foi trazida recentemente pela fonoaudióloga Vivianny Lopes, que, se aperfeiçoou no Processamento Auditivo Central para implantá-lo na clínica. De acordo com pesquisa realizada nos Esta-

dos Unidos pela associação americana ASHA – que estuda os processos de linguagem e audição – cerca de 7% das crianças apresentam o DPAC, reconhecido pela medicina desde 1996. “Esses processos de experenciação do mundo sonoro, desenvolvidos nos primeiros anos de vida, ocorrem no sistema auditivo periférico e central. Um simples distúrbio pode comprometer habilidades e fazer com que a pessoa não consiga interpretar ou prestar atenção”, explica Vivianny. A avaliação audiológica convencional contempla a detecção auditiva e transmissão do som. Já a avaliação do PAC se detém às habilidades centrais da audição como localização sonora, síntese e separação binaural, fi-

gura-fundo, memória, discriminação, fechamento, atenção e associação. Depois de realizado o exame do PAC, cujo resultado fica concluído em sete dias, inicia-se o treino auditivo para reabilitar o paciente – que pode ser criança, adulto ou idoso – nas funções que estão comprometidas. “São 14 sessões, depois uma nova avaliação para saber quais foram os ganhos e definir o tratamento continua ou não. O tratamento é composto de estímulos sonoros específicos para cada habilidade, que pode ser feitos fora e dentro da cabina, com softwares e CDs, dependendo do grau do comprometimento das habilidades”, explica a fonoaudióloga Maria Laura Caldas, responsável pela realização e terapia do PAC.


O tratamento O pré-adolescente Arthur Miguel, de 9 anos, vem apresentando ganhos significativos com o tratamento. Com dislexia (caso comum no DPAC), ele não conseguia acompanhar o conteúdo escolar e tinha dificuldades de socialização. “Com a intervenção terapêutica, em pouco mais de três meses, já melhorou o desempenho escolar e ganhou diversos colegas na escola”, conta a mãe do garoto, a bancária Teresa Manuela. A demanda de pacientes com algum tipo de necessidade especial levou a fonoaudióloga Vivianny a adaptar a técnica para crianças especiais, com Síndrome de Down, por exemplo. Pedro Duarte, de 10 anos (foto em detalhe), é um deles, e está começando o tratamento. “Na escola ele tem capacidade cognitiva dentro do esperado e ótima socialização, já forma sílabas, mas creio que esse tratamento vai estimulá-lo ainda mais”, relatam os pais do carismático Pedrinho, Lilian e Robertson Duarte. Já a administradora de empresas Lorena Rocha, mãe da pequena Isadora, de 3 anos, também com Síndrome de Down, optou pelo tratamento como prevenção e para minimizar as habilidades que naturalmente ficam

PÚBLICO ALVO CRIANÇAS Com atraso no desenvolvimento da linguagem, com baixo rendimento escolar, TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), Dislexia dentre outros distúrbios da comunicação; ADULTOS Com dificuldades de atenção, compreensão e memorização; comprometidas pela síndrome, como memória, concentração e atenção. “Só estou vendo pontos positivos, ela está evoluindo muito bem”, relata a mãe. A causa mais comum do DPAC é a otite média, infecção do ouvido médio (dor de ouvido), que ocasiona um rebaixamento temporário da audição, impedindo o cérebro de receber adequadamente os estímulos sonoros. O distúrbio pode prejudicar o processo de fala, alfabetização, além do relacionamento interpessoal do paciente. ViDa FOnOaUDiOlOGia e aUDiOlOGia Vivianny Lopes 84 9986-6061 / 2010-4343

“O problema está no sistema nervoso central, onde o processamento do estímulo sonoro não é feito corretamente e a decodificação é lenta. Assim, a informação é perdida e torna difícil a compreensão” Vivianny Lopes, fonoaudióloga

IDOSOS Devido ao envelhecimento natural das habilidades auditivas, sentem dificuldades na comunicação e socialização; USUÁRIOS DE AASI (Aparelho de Amplificação Sonora Individual) Melhora nas habilidades e no ganho funcional da prótese.

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Leite:

de mocinho a vilão Saiba porque os nutricionistas não recomendam mais o consumo diário desse alimento que sempre se destacou como a maior fonte de cálcio e era indispensável numa dieta saudável Por Taciana Chiquetti Quem nunca recomendou ou recebeu recomendações para tomar muito leite e consumir seus derivados para fortalecer os ossos? Geralmente, o conselho vem da mãe. E não poderia ser diferente. É com elas que aprendemos que o leite é o alimento da vida, o mais importante e completo que alguém pode dispor. Enquanto se é criança, o corpo se organiza para metabolizar os lácteos consumidos, porém, depois, o organismo passa a não contar mais com os recursos que favorecem a digestão. É um sinal de crescimento e de que o paladar e a nutrição devem acompanhar esta tendência. O ser humano é a única espécie que toma leite de outros animais e consome lácteos na fase adulta.


quando consumido em alta quantidade, e aumenta a excreção de cálcio pela urina. “Já existem, inclusive, trabalhos mostrando que a ingestão de forma errada do cálcio, como no consumo excessivo de leite, causa enfraquecimento ósseo e está relacionada aos altos índices de osteoporose”, destaca Brenda. O principal problema em consumir quantidade demasiada de cálcio (sem o equilíbrio com os outros micronutrientes, em especial o magnésio) é que o cálcio, ao invés de entrar no osso, forma microcalcificações que podem desencadear artrite, cálculos, calcificação arterial, entre outras doenças. Por isso, até suplementos de cálcio isolados são perigosos pelo mesmo motivo. Além da famosa intolerância à lactose, o consumo frequente e exagerado de leite está relacionado a maior incidência de dermatite atópica, cólica e constipação intestinal, diarreia, bronquite asmática, enxaqueca, rinite alérgica, câncer de mama e de próstata.

A vida sem leite Consumir menos produtos lácteos é uma missão difícil especialmente na dieta ocidental. Queijos, iogurtes, doces que levam leite no preparo... São muitas opções extremamente agradáveis ao paladar e que fazem parte da cultura brasileira. Mesmo com um desafio pela frente, Luiz Felipe Albuquerque, de 27 anos, pesou os prós e contras e decidiu não consumir mais leite e derivados. Lá se vão cinco anos vivendo desta maneira. O conhecimento sobre nutrição o ajudou a começar assim como o malestar quando consumia os produtos o motivou a permanecer firme

no novo hábito alimentar. “Eu tinha muito problema de digestão, náuseas, distensão abdominal, alergias de pele quando eu tomava leite. O conhecimento como nutricionista só reforçou meu novo jeito de ingerir cálcio e proteínas. No início, foi difícil, principalmente porque eu não tinha informação sobre os vários alimentos saborosos sem leite. Hoje, sei que existem diversas receitas”, relata. Para se ter uma ideia, produtos lácteos não fazem parte da dieta na China, Japão, Vietnã e Tailândia. No entanto, a população desses países possui uma das mais baixas taxas de

Dalianny Galvão

“Não há a necessidade de tomarmos leite diariamente, como fonte de proteína, oligossacarídeos e cálcio. Podemos encontrar esses nutrientes em vários outros alimentos. Além disso, o leite de vaca é de difícil digestão e apresenta mais de 25 tipos de frações de proteínas alergênicas. As ‘ites’ são causadas por essas substâncias – gastrites, sinusites, otites, colites, além de doenças de pele e respiratórias”, alerta a nutricionista, especialista em nutrição clínica funcional e gastronomia hospitalar, Brenda Sá, que também é membro da Sociedade Brasileira de Nutrição Funcional. Segundo ela, a biodisponibilidade do cálcio do leite é pequena: cerca de 30%. O cálcio presente nos vegetais é muito mais absorvível. “Até a vaca se alimenta de grama para obter seu cálcio!”, frisa. A concentração de três vezes mais proteínas do que o leite materno humano também gera uma acidificação no nosso PH sanguíneo, sobrecarrega o trabalho dos rins,

“O leite de vaca é de difícil digestão e apresenta mais de 25 tipos de frações de proteínas alergênicas” Brenda Sá, nutricionista

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SUBSTITUA O LEITE NA DIETA LEITE DE aRROZ Ingredientes: ½ copo americano de arroz integral 1 copo de água filtrada canela em pó a gosto 1 pedacinho de fava de baunilha orgânica Vegetais verdes escuros são ricos em cálcio e podem substituir o leite

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osteoporose e fratura óssea no mundo. Já os Estados Unidos têm a ingestão média mais elevada de cálcio por pessoa e o índice mais elevado de osteoporose no planeta. “O motivo para isso é que estamos obtendo o cálcio de fontes erradas e nos alimentando com hábitos de vida de maneira a minar o cálcio do metabolismo”, orienta Brenda. A dica para mudar essa prática do consumo de lácteos é fazer um rodízio, inserindo o leite de vaca ou derivados a cada três ou quatro dias na alimentação e buscando outras fontes. Frutas, verduras – principalmente as folhas verdes escuras, repolho, leguminosas, sementes (como a do gergelim, melão, melancia, jerimum), tofu, dulse (alga vermelha), Irish moss e bodelha (algas marinhas), peixes (como a sardinha), folhas de nabo, brócolis, mostarda, espinafre e a maioria das sementes, oleaginosas (castanha) e grãos são boas opções. Todos esses alimentos são ricos em minerais e vitaminas e diversas outras substâncias necessárias para uma perfeita absorção e utilização desse cálcio. “O teor de absorção do cálcio do brócolis é o dobro do leite de vaca, por exemplo. Além disso, os vegetais contêm fibras que quando fermentadas acidificam o PH intestinal, o que aumenta a fração absorvível do cálcio do próprio vegetal”, diz a nutricionista. O tipicamente prato brasileiro com “arroz e feijão” também figura nesta lista dos ricos em cálcio. Vale salientar ainda que o leite de vaca também teve sua qualidade bastante alterada com a necessidade de a indústria utilizar hormônios (como o hormônio de crescimento bovino), antibióticos (para o tratamento de mastites, metabólitos de medicamentos) para aumentar a produtividade. Leites vegetais, como de arroz, amêndoa, castanha, nozes e quinoa podem ser bons substitutivos para os mamíferos que não conseguem se desapegar do leite animal. Quanto à soja – opção número 1, para a maioria das pessoas, quando o assunto é abrir mão do leite de vaca -, segundo Brenda, o ideal é optar pelas versões fermentadas (tofu, missô, nato, tempeh), que são mais digestivas.

Modo de preparo: Coloque o arroz de molho por 8 a 10 horas (com isso se inicia o processo de germinação, que deixa o grão mais fácil de digerir). Escorra e lave. Deixe 8 horas sobre uma peneira e lave bem. Mantenha por mais 8 horas sobre a peneira. Escorra e lave. Bata no liquidificador com a água. Coe e repita o processo, liquidificando com a canela e a baunilha. Dura dois dias na geladeira. SUCO VERDE Ingredientes: 1 maçã 1 folha de couve orgânica com talo 1 pedaço de yacon gengibre e hortelã a gosto 1 colher de sopa de grãos germinados (girassol, quinoa ou gergelim) Modo de preparo: Liquidificar e coar, se preferir. Também se pode fazer na centrífuga (para isso, dobre a quantidade). RICOTa DE CaSTaNHa Fazer o leite da castanha do Pará (deixar a castanha de molho por, pelo menos, 12 horas e bater 100g de castanha com 500 ml água). Retire o líquido que sobrar do “bagaço” com uma peneira bem fina. Misture esse “bagaço” com sal, ervas e azeite. A dica é usar para recheios de sanduíches. BRIGaDEIRO DE BIOMaSSa Misture a biomassa de banana verde com um bom chocolate amargo derretido e coloque na geladeira até endurecer. Depois tire, aos poucos, com uma colher e faça bolinhas com as mãos. Coloque na forminha de brigadeiro.


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A prática do equilíbrio


Por Taciana Chiquetti

Se quem pratica ioga pudesse definir esta atividade em uma palavra, certamente seria “equilíbrio”. Ioga é mais do que uma prática física com benefícios de diversas ordens, mas um estilo de vida, que surgiu há mais de cinco mil anos, para a saúde física, mental, emocional e desenvolvimento da consciência, em que se busca naturalmente adquirir hábitos saudáveis. É assim que o mestre de Ioga e Shiatsu, Seve Cunha - que tem formação acadêmica em Educação Física e pós-graduação em Medicina tradicional Chinesa, Psicologia Transpessoal e Tibetana em Dharamsala, na Índia compreende e explica o conceito. Com exercícios corporais, respiratórios, mentais e técnicas de relaxamento, a prática de ioga regular, no mínimo duas vezes por semana, já proporciona significativas mudanças positivas. “Cada sessão de quarenta minutos a uma hora já nos dá uma melhoria em nossa performance de uma maneira geral. Podemos ter benefícios ainda muito maiores quando adotamos algumas técnicas, como a respiração, em nossa vida diária. Podemos e devemos ter um conjunto progressivo de práticas pessoais voltadas para nosso propósito individual de um ou outro item em que a ioga nos favoreça”, argumenta Cunha. Na primeira sessão, por exemplo, já é possível notar o bemestar geral.

Em um mês já se sente mais diferenças e com três meses os benefícios gerais começam a se manifestar de maneira muito intensa e clara. No entanto, é depois de um ano que se começa a obter conquistas mais duradouras. “A partir daí, até mesmo quando nos afastamos da prática por algum tempo, no momento em que retornamos, sentimos que não regredimos até a estaca zero”, frisa. Quem experimentou, confirma. O advogado Diógenes da Cunha Lima, praticante há 22 anos, influenciado pela admiração que sente pelo Professor Hermógenes – potiguar precursor da ioga pelo Brasil - considera a ioga a melhor prática para o corpo e para a mente. “Eu fumava muito e a ioga me ajudou a parar, me mostrando a importância da respiração em nossa vida. Os movimentos e posturas proporcionam uma harmonia geral, uma capacidade de viver melhor, de ter qualidade de vida”, opina. Um estudo científico conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), há cerca de um ano, demonstrou que houve uma melhora de 20% na memória de longo prazo nos pesquisados que praticaram ioga, além de uma diminuição no nível de estresse, com a redução do cortisol (hormônio associado ao problema) presente na saliva.

Fotos: Ramón Vasconcelos

A ioga é uma modalidade cada vez mais procurada por quem quer manter o corpo em forma, com músculos tonificados e a flexibilidade em alta. De quebra, ainda é possível exercitar a paciência e manter a mente quieta

“Eu fumava muito e a ioga me ajudou a parar, me mostrando a importância da respiração em nossa vida” Diógenes da Cunha Lima, advogado

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Para fortalecer o corpo

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na vida que levem a viver bem. Os iogues sabem bem disso. Essa noção fundamental contribui para ativar a energia vital e saber canalizar esta energia. A ioga contribui, sem dúvida, para a “união” do ser como um todo, assim como sugere o significado sânscrito dessa palavra. Integrar e conectar, hoje em dia, em um contexto geral onde as pessoas são influenciadas constantemente a desagregar e descartar, sem dúvida, trazem equilíbrio.

Ramón Vasconcelos

Mas quem pensa que ioga é um exercício físico “light”, engana-se. Há uma modalidade da ioga que trabalha principalmente a performance física, a Ásana, fortalecendo o tônus muscular, a flexibilidade articular, por meio de alongamentos, e a força, com posturas específicas, as quais se utilizam do próprio peso do corpo. “É o que Nuno Cobra (treinador de Ayrton Senna) chamou de ‘musculação inteligente’”, relata Cunha. Atualmente, as pessoas estão percebendo que a ioga não é somente algo “parado”, mas também com movimentos intensos. Tudo depende do objetivo de cada um ao optar pela prática, uma vez que a ioga dispõe de diversas modalidades. Até em crianças, este tipo de atividade física apresenta retorno positivo. Nesses casos, de acordo com Cunha, a ioga trabalha mais especificamente a parte psicofísica, introduz mantras e relaxamento. “Elas adoram praticar, porque gostam de imitar os sons dos animais. O desenvolvimento saudável do organismo da criança fica favorecido, com a manutenção da flexibilidade e da força muscular”, observa. “Sempre recomendo a ioga. Quando escuto de alguém: ‘não tenho paciência para fazer ioga’, logo penso que a ioga deve ser praticado justamente por essas pessoas. Os exercícios nos tornam mais tolerantes e serenos perante os desafios. Ajudam-nos a compreender a nós mesmos e aos outros’”, resume o iogue Diógenes. Tomar consciência de si mesmo é um passo importante, não somente para realizar as mudanças necessárias, mas para escolher caminhos

“É o que Nuno Cobra (treinador de Ayrton Senna) chamou de ‘musculação inteligente” Seve Cunha, mestre de Ioga e Shiatsu

ALGUNS EFEITOS BENÉFICOS DA IOGA • Prevenir ou aliviar asma, diabetes, dores nas costas, excesso de peso, desordens do aparelho digestivo, melhoria do sistema cárdiorespiratório e vascular e no funcionamento das glândulas endócrinas. • Utilizado como terapia de apoio para inúmeras enfermidades. • Aprimorar a condição estética da pele, definição corporal e semblante pessoal. • Desenvolver a força de vontade. • Aprimorar concentração e memória. • Autoconhecimento e paz interior. • Melhor gerenciamento do estresse. • Aumentar a imunidade • Melhorar o sono e aumentar a disposição. • Aumentar a força e vigor físico e mental. • Favorecer postura mais adequada em cada momento do dia e da vida. • Melhorar a flexibilidade das articulações, dos músculos e tendões. • Melhorar as funções de excreção. • Melhorar a eficiência respiratória e cardiovascular.


chapéu

Camas Articuladas Art&Conforto.

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Benefícios à saude • Alívio de dores nas costas, musculares, artrite e reumatismo; • Menos dores de cabeça e estresse; • Músculos mais relaxados; • Relaxamento das pernas; • Controle de problemas de refluxo e ronco; • Sono mais profundo; • Melhora da circulação sanguínea,

Av. Prudente de Morais | 2005 Lj E | Tirol | Tel. (84) 3211-2161 Av. Sen. Salgado FIlho | 1867 | Lagoa Nova | Tel. (84) 3211-3166 Av. Eng. Roberto Freire | 2939 Lj 7 | Cid. Jardim | Tel. (84) 3217-4671


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Por Mariele Araújo

O incentivo à prática esportiva deve começar cedo e tem reflexos positivos no desenvolvimento das crianças

Campeões no esporte e na vida


Fotos: Dalianny Galvão

A escolha da modalidade esportiva

“O esporte é personalidade, atitude agradável, estímulo. É a associação do prazer com a responsabilidade” Patrícia Mota, psicóloga

Equipamentos eletrônicos, jogos virtuais de última geração, filmes e programas de TV de prender a atenção. Tudo isso são aspectos da modernidade convidativos para afastar as crianças das brincadeiras e do esporte. Mas é preciso lembrar, assim como o conhecimento faz diferença no mundo em que vivemos, o movimento é uma necessidade vital do ser humano e sua importância vai muito além da questão física. O esporte não é apenas um meio de atividade corporal ou competição, mas sim uma ferramenta de inclusão e desenvolvimento social. A prática esportiva capacita crianças, jovens e adolescentes a lidar com suas necessidades, desejos e expectativas, bem como com as necessidades, expectativas e desejos dos outros. Além disso, amplia o campo experimental do indivíduo, cria obrigações, estimula

a personalidade intelectual e física e oferece chances reais de integração coletiva. “O esporte é personalidade, atitude agradável, estímulo. É a associação do prazer com a responsabilidade. Trabalha a equipe e a autonomia, os conflitos, as perdas. É importante para o desenvolvimento e controle dos aspectos emocionais e trabalho em grupo”, destaca a psicóloga Patrícia Mota, que atua com o público infantil em seu consultório e numa escola particular de Natal. O imaginário sócio-cultural da criança é formado através do pensamento, da ação e do sentimento dela até a idade da adolescência e o esporte muito favorece nesta época da vida. Estas são fases em que se deve estar atento ainda aos aspectos afetivos, cognitivos e biológicos dos pequenos e o esporte se configura como um importante aliado para o desenvolvimento.

Você deve confiar nas escolhas esportivas das crianças, mesmo sendo elas muito pequenas, sem abrir mão, claro, da atenção e direcionamento que um adulto deve ter. O esporte abre a porta para a sociabilidade, contribuindo para a educação. Modalidades como judô, natação e balé são ótimas opções, pois exercitam, desenvolvem a força e musculatura, a concentração, a respiração, o aumento da capacidade cardíaca e coordenação motora. É muito comum também a criança fazer a escolha de uma atividade e depois desistir. Nesse momento, os pais precisam entender a situação sem transformar isso em um problema. É importante motivar a prática de atividade física, porém mais importante ainda é respeitar as escolhas de cada um. E quanto aos pais, é importante lembrar: “nada de cobranças”! Os filhos devem olhar para o esporte como um prazer, lazer e não como uma competição ou obrigação, para que nenhum limite seja ultrapassado. Muitos pais desejam que os filhos sejam verdadeiros campeões mirins, seja qual for a modalidade, mas é fundamental que a criança pratique o esporte que ela gosta, contando com o apoio e segurança dos pais.

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O esporte infantil é coisa séria e deve ser lecionado por profissionais qualificados. Ives Chaves, coordenador de esportes da Educação Infantil e Ensino Fundamental I e II na escola Nec-Pinguinho de Gente, alerta para a capacitação necessária dos professores de esportes. “O papel do professor é exemplo para o aluno de caráter e civilidade, a inspiração, o norte nas atividades. Por isso, é fundamental que ele seja perfeitamente qualificado, credenciado e com formação pedagógica e disciplinar”, ressalta. O coordenador explica ainda que os ensinamentos provenientes dessa área têm repercussão na vida, portanto a seriedade das aulas é imprescindível. “O esporte não está ligado só ao companheirismo, mas à troca de experiências, à utilização e limitações do corpo. No esporte eles aprendem a responsabilidade de acordar cedo, de não faltar, de colaborar com o próximo. Isso tem que ser transmitido por alguém com base pedagógica”, completa.

Fotos: Dalianny Galvão

O professor

As aulas de natação de Melina acontecem duas vezes por semana

Felipe segue os passos da mãe, ex-atleta de natação

CADA IDADE TEM SUA RELAÇÃO COM O ESPORTE O esporte pode começar cedo. A partir dos 6 meses, o bebê já pode praticar natação, brincar, fazer atividades acompanhadas pelos pais. Os médicos recomendam para saúde das crianças. O período da infância pode ser dividido em duas fases: a chamada “Primeira Infância”, classificada por crianças até os 4 anos, e a “Segunda Infância”, dos 4 aos 10 anos. Nesses períodos as atividades indicadas por es-

pecialistas são diferentes: • Na fase pré-escolar, as crianças estão descobrindo brincadeiras de arremessar, pegar, pular, correr e chutar. Estes movimentos podem ser estimulados, assim como as atividades recreativas. • Com seis e sete anos de idade, a maior parte das crianças completa o desenvolvimento motor e é capaz de

realizar as mesmas atividades motoras que os adultos, mas ainda sem movimentos perfeitos. Cuidado! É a fase em que não se pode exigir compromisso, o esporte deve ser encarado como uma brincadeira. • A partir dos oito anos, quando habilidades motoras estão mais evidentes, trata-se do melhor momento para ensinar os detalhes de esportes com movimentos específicos.


O apoio aos pequenos esportistas O incentivo da família é essencial para o desporto infantil. Também é fundamental que o adulto consiga separar o que é sonho da criança e o que foram seus sonhos. Não se pode colocar suas cobranças e expectativas em cima do filho ou querer que ele continue a história de seus pais. Quando a cobrança é indevida, a criança manifesta sinais da desmotivação ou pressão, como a negativa, o choro, a falta de compromisso. A evolução dos filhos após as práticas esportivas é testemunhada pelas mamães Renata Carvalho, mãe de Melina (6 anos), e Roberta Serqueira, mãe de Felipe (6 anos). Seus filhos fazem judô e natação. Os pequenos praticam uma hora de esporte por

dia, de segunda a quinta, e são acompanhados de perto pelas mães. “Minha filha melhorou a concentração, a coordenação motora e o respeito ao próximo. Além disso, ela tem aprendido a importância do competir, do saber ganhar e perder”, avalia Renata Carvalho, que é ex-atleta de natação e considera gratificante a prática esportiva com amor. Já Roberta Serqueira diz que percebe uma evolução em relação à timidez do seu filho. “Felipe ficou muito mais comunicativo. Melhorou o desenvolvimento coletivo, tem aprendido a importância do respeito ao próximo. As dinâmicas das atividades em grupo o estimulam a saber pedir ajuda e ajudar”, comemora a mãe.

“As dinâmicas das atividades em grupo o estimulam a saber pedir ajuda e ajudar” Roberta Serqueira, mãe de Felipe

RAIO X DAS MODALIDADES VÔLEI O vôlei é um ótimo esporte para desenvolver a coordenação motora por estimular o crescimento da estrutura óssea. FUTSaL O futsal desenvolve a coordenação, o ritmo, o equilíbrio, a força, agilidade, velocidade, flexibilidade, precisão e a resistência cardiorrespiratória. JUDÔ Para as crianças, a prática do judô contribui no controle muscular; aperfeiçoamento do reflexo; desenvolvimento do raciocínio; equilíbrio mental; reforço do caráter e da moral; fortalecimento da autoconfiança; respeito aos companheiros.

BaLÉ Encoraja a disciplina física, o controle e conhecimento do seu corpo; inspira um senso de confiança física e mental; exige uma boa postura e habilidade corporal; promove o conhecimento de outras formas de arte, associadas ao balé clássico; ensina o gosto pelas artes cênicas. NaTaÇÃO É um esporte completo, pois mexe com toda a musculatura do corpo. Também relaxa a mente e ativa a memória, garantindo uma ótima oxigenação para o cérebro. GINÁSTICa RÍTMICa Desenvolve a flexibilidade, boa forma e elasticidade.

“Minha filha mudou após os esportes. Melhorou a concentração, a coordenação motora e o respeito ao próximo” Renata Carvalho, mãe de Melina

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entrevista Fotos: Divulgação

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Cristina Cairo Por Taciana Chiquetti


Compreendendo a “Linguagem do Corpo” Defensora ferrenha de uma vida saudável, a paulistana, graduada em Educação Física e Psicologia e comunicadora, Cristina Cairo já atuou de muitas maneiras nesta seara. Começou com um programa de atividade física, na Rede Mulher de Televisão, nos anos de 1995 a 1997. Dois anos mais tarde, mudou da mídia eletrônica para a escrita. Começou no mercado editorial com o “pé direito”: em 1999, lançou seu primeiro livro “Linguagem do Corpo” – best seller. Após acumular experiência dirigindo quatro academias de ginástica, fundou seu próprio local de trabalho, o Instituto Brasileiro de Linguagem do Corpo Cristina Cairo, onde, até hoje, reúne seus conhecimentos para auxiliar as pessoas a terem mais qualidade de vida. Desde o ano 2000, é apresentadora do programa Linguagem do Corpo, na Rádio Mundial (FM 95,7MHz, toda quarta-feira, às 8 horas). Cristina também realiza palestras, há mais de 15 anos, por todo o Brasil. Sua trajetória lhe rendeu números surpreendentes: atendeu a mais de 25 mil pessoas desde o lançamento de seu primeiro livro e já realizou mais de 6 mil eventos pelo país. “Viver Bem” é, sem dúvida, seu lema de vida... e ela faz questão de multiplicá-lo para cada pessoa que cruza seu caminho.

Viver Bem em Revista - Até que ponto as emoções têm repercussão no corpo físico das pessoas? As doenças são realmente metáforas de desordens psíquicas?

pressão é raiva e frustração e a Síndrome do Pânico é consequência de uma gestação ou parto conturbado, que produzem doenças físicas como consequência.

Cristina Cairo - As emoções são químicas produzidas por uma glândula localizada no centro do cérebro chamada hipotálamo. Sempre que nossos pensamentos se tornam intensos tanto negativa quanto positivamente, essa glândula fabrica materiais químicos proporcionais à energia que impulsionamos para ela. Todos os pensamentos de tristeza, lembranças desagradáveis, raiva, mágoa, vingança, frustração, etc estimulam o cérebro a produzir toxinas que “corroem” o organismo pouco a pouco. Portanto, todas as doenças, incluindo as hereditárias e até acidentes, são consequência das desordens psíquicas e emocionais.

VBR - Por que as pessoas ainda não atentam para corpo e mente como um conjunto e preferem tratar apenas os sintomas físicos?

VBR - Quais são os sintomas emocionais e suas respectivas doenças mais comuns, hoje em dia?

VBR - Como trabalhar a prevenção e a cura, de acordo com a visão contida em seu livro “A Linguagem do Corpo”?

CC – A depressão e a Síndrome do Pânico, devido à falta de autoconhecimento das sociedades ocidentais. Basta viver próximo ao progresso tecnológico para esquecer os bons costumes e o contato com a natureza, que nos mostra quem somos. A de-

CC – Minha opinião é que há muito mais pessoas e profissionais da área médica e da Psicologia hoje procurando as informações que os façam ver o ser humano como um todo. Hoje, existem hospitais, espaços holísticos, clínicas, empresas e até religiões que tratam o emocional dos funcionários, clientes e seguidores para melhor qualidade de vida, mas a mídia não revela por medo de retaliação por parte do público “cartesiano”.

CC – A prevenção e a cura são feitas da mesma forma: eliminação das emoções tóxicas através de terapias, meditação e autoconhecimento, com ênfase nas partes do corpo e do comportamento da pessoa.

“A depressão é raiva e frustração e a Síndrome do Pânico é consequência de uma gestação ou parto conturbado, que produzem doenças físicas como consequência”

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CONHECENDO A LINGUAGEM DO CORPO aZIa É medo! Puro medo! Pergunte-se: Medo de quê? CÂNCER Os tumores que se formam no corpo (sarcoma, câncer, quisto, etc.) são concretizações de ”tumores mentais” formados por conflitos entre pessoas da família.

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CELULITE São todos os detalhes da vida que você guarda em seu corpo: mágoas, ressentimentos, raiva dos outros e de si mesma, nervosismo com determinadas pessoas e a tensão de estar sendo bloqueada em sua liberdade. DIaBETES O acúmulo de muitos golpes contínuos - como amor perdido, frustrações financeiras, traições - faz com que a pessoa se apegue aquilo que já passou porque, inconscientemente, não consegue se acostumar à realidade das perdas. ENXaQUECa E DOR DE CaBEÇa Os indivíduos que sofrem de enxaqueca têm um orgulho muito forte. São pessoas que não relaxam com os prazeres, pois receiam ser dominadas de alguma forma. DOR NO PESCOÇO Simboliza a inflexibilidade dos seus pensamentos e a dificuldade de relaxar em relação às cobranças alheias e mesmo à autocobrança. GaSTRITE É o sinal das incertezas arrastadas por muito tempo.

FLaCIDEZ MUSCULaR Esse sintoma é comum em pessoas acomodadas e lentas para agir e pensar, o que faz com que o subconsciente generalize um comportamento que refletirá no corpo a mesma conduta mental. GORDURa A gordura é o casulo que a pessoa cria, inconscientemente, para se proteger e se esconder dos problemas externos. Pessoas muito sensíveis, que se deixam magoar com facilidade, buscam se proteger atrás da gordura, que representa a maciez de um abraço. GRIPES E RESFRIaDOS As pessoas que ficam resfriadas ou gripadas com facilidade mostram sua revolta contra pensamentos contrários aos delas. Também mostram que muita coisa está acontecendo ao mesmo tempo em seu ambiente, fazendo com que ”não tenham tempo” para si mesmas. HÉRNIa DE DISCO Significa que a pessoa está profundamente indecisa quanto a sua vida. Sente-se totalmente desamparada e seus pensamentos a deprimem, pois impossibilitam que ela encontre saída para essa situação. LaBIRINTITE Significa pensamentos atrapalhados, nervosismo reprimido, a necessidade de liberdade para pensar e agir, estar tonto com tantos problemas emocionais, sentir-se desamparado e teimar em continuar tentando pelos velhos caminhos que

nunca deram certo. INSÔNIa É sintoma de uma preocupação exagerada com o amanhã, é o medo de estar errado em algo e a incerteza de que, de uma forma ou de outra, tudo se resolverá. PNEUMONIa Significa desespero secreto, mágoa profunda e falta de coragem para continuar. Quem tem este problema sente-se cansado e impede que o mal se cure. PRESSÃO aLTa Indica uma pessoa extremamente preocupada em não perder, que fica remoendo detalhes e sofre por não aceitar determinadas situações. VaRIZES Simbolizam que o fluxo dos pensamentos está prejudicado pela revolta de estar sobrecarregado. MaL DE aLZHEIMER Ocorre com pessoas que teimaram a vida inteira em não aceitar a vida como ela é; que sempre procuraram controlar os acontecimentos ou os pensamentos dos outros à sua maneira, mas, quando contrariados, acabaram gerando para si mesmas frustração e raiva. GaRGaNTa Crianças com problemas na garganta indicam que o pai ou a mãe guardam raiva e não podem revelar o que sentem. Fonte: Livro “Linguagem do Corpo” - Cristina Cairo


VBR - E no caso das crianças, que não estão aptas ainda para lidar com suas emoções? CC – Na Bíblia está escrito: “Eu verei o mal dos pais nos filhos, da terceira até a quarta geração” e “é pelos frutos que conhecemos a árvore”. Ninguém é vítima de ninguém, pois nascemos pela Lei da Afinidade, no intuito de aprendermos lições de vida e evoluirmos. VBR - Qual o perfil dos “somatizadores”? CC – Todas as pessoas que “ruminam” mágoa, raiva, críticas e lamúrias somatizarão, a qualquer momento, ou terão doenças “crônicas” proporcionais aos seus maus sentimentos constantes. VBR - Há alguma técnica para treinar a mente a pensar positivo e obter mais saúde? CC – A mudança dos pensamentos e sentimentos negativos para positivos “profundos” e “sinceros” cura todas as doenças - sem exceção. O amor e o perdão verdadeiro são os remédios e as técnicas vêm pelo autoconhecimento que oferecemos e pela disciplina da pessoa em praticá-los. VBR - É frequente confundir somatização com hipocondria? CC – Somente através de exames médicos podemos dizer se a pessoa somatiza com frequência ou se é apenas hipocondríaca. VBR - Um bom suporte afetivo pode melhorar a resposta imunológica até mesmo em pacientes de câncer?

CC – Sim. Ele é a base da cura de qualquer doença, porém, se existe, no inconsciente, a vingança ou os ganhos secundários, precisará de terapia para resignificar suas razões internas. VBR - Como a medicina psicossomática é vista atualmente? CC – É procurada pelas mesmas pessoas que acreditam hoje em dia. Mesmo a ciência provando que a doença é consequência das turbulências mentais, os céticos tentam provar o contrário com argumentos rasos, pois a indústria farmacêutica, por exemplo, perderia muito com a autocura de todos. É conveniente para alguns negar que somos seres autocurativos. VBR - Quais são as alternativas que ajudam a amenizar os sintomas da somatização e viver melhor? CC – Como eu disse antes, viver próximo da natureza e aprender com as Leis do Universo que nada acontece por acaso e que ninguém é vítima de ninguém fortalece a convicção de que podemos nos curar se soltarmos o passado e abrirmos os braços para o futuro com alegria e fé.

“A mudança dos pensamentos e sentimentos negativos para positivos “profundos” e “sinceros” cura todas as doenças - sem exceção. O amor e o perdão verdadeiro são os remédios e as técnicas vêm pelo autoconhecimento que oferecemos e pela disciplina da pessoa em praticá-los”

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comportamento

Por Taciana Chiquetti

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Atalhos do cotidiano

O processo para instalar um novo hábito na rotina pode ser aprendido e garante grandes transformações no ser humano. É só uma questão de treinar o cérebro


Fotos: Ramón Vasconcelos

“Foram dez meses e acabei descontando a saudade e a ansiedade na comida. Parei de ter uma alimentação saudável e de fazer exercício físico”

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Patrícia Matoso, empresária

Há quem diga que mentiras repetidas muitas vezes se tornam verdades. Scherazade, a contadora de histórias intermináveis da lenda da antiga Pérsia, entendeu bem o que é instalar e manter um hábito. Ela fascinou o rei ao narrar histórias fantásticas por mil e uma noites, poupou sua vida e ganhou o seu eterno amor, desenvolvendo nele o hábito de ouvir seus relatos. Relatos, por sua vez, modificados ao longo dos tempos exatamente por outros hábitos na forma de contá-los. Talvez, de forma exagerada, esta metáfora traduza o processo da habituação em nossas vidas. Resumidamente, os hábitos são a forma encontrada pelo cérebro de poupar esforços e energia – atalhos que automatizam comportamentos básicos, como andar, escolher o que comer, enquanto essa energia mental pode ser utilizada para atividades cognitivas mais complexas. É o que explica o livro “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg. Para ele, a habituação é inevitável e o processo é composto por um loop de três estágios – uma deixa (estímulo que manda o cérebro entrar em modo automático e indica qual hábito deve ser usado), uma rotina (que pode ser física, mental ou emocional) e uma recompensa (ajuda o cérebro a saber se vale a pena memorizar este loop

específico para o futuro). A empresária Patrícia Matoso Barbosa Chaves, assim como Scherazade, tem uma boa história sobre hábito para contar. Em sua adolescência, era uma jovem muito ativa, que praticava esportes regularmente. Quando fez intercâmbio para os Estados Unidos – país cuja cultura geralmente não favorece a atividade física e a alimentação saudável – mudou seus hábitos alimentares e físicos para opções não tão positivas. “Foram dez meses e acabei descontando a saudade e a ansiedade na comida. Parei de ter uma alimentação saudável e de fazer exercício físico”, relata Patrícia. Os anos se passaram, ela se casou, teve dois filhos (Arthur, hoje com 10 anos, e Luiza, com 7 anos de idade) e sentiu a necessidade de retomar as boas práticas da adolescência. “Eu estava com um mauhumor que não me pertencia e percebi que poderia ser a falta de exercício físico. Conversei com uma amiga que não era disciplinada. Pelo contrário, gaúcha, gosta de consumir gordura. Mas ela conseguiu se exercitar e emagrecer 11 quilos. Com isso, me motivei a promover esta mudança também em minha vida”, diz. Tomou uma decisão e resolveu se habituar a novas possibilidades.


Plano de ação

Quando se inicia um hábito, é natural a resistência. Na atividade física, por exemplo, é possível que se sinta dor ou a necessidade de se comer mais, especialmente no começo, o que aumenta a vontade de desistir. “Mas se a pessoa persiste, aumentando a frequência das tentativas, ela conseguirá manter o novo hábito”, explica o psicólogo Werley Macedo Gonçalves, que, além de atendimentos, também promove palestras e cursos sobre diversos temas relacionados à área cognitivo-comportamental, na Meta Cognitiva. A Terapia Cognitiva, desenvolvida em meados da década de 60, pelo psiquiatra norte-americano Aaron Beck, é uma abordagem psicoterápica que vem ganhando grande ascensão nas últimas décadas devido à eficiência do seu tratamento. Ela propõe que a percepção individual das situações, a forma como se pensa, influencia diretamente o afeto e o comportamento. Em seu consultório, as principais

A dica para conseguir instalar bons hábitos, segundo o psicólogo, é estabelecer metas possíveis e em curto prazo. “Com isso, a pessoa terá a sensação de que venceu uma barreira e não se frustrará, o que poderia interromper o processo de habituação. Não se pode estabelecer metas que gerem muitas expectativas e nem situações em que a pessoa se sinta ‘castigada’. A mudança tem que ser gradual”, explica Werley. Patrícia comunga da mesma opinião do especialista, de acordo com o que vivenciou na prática. “Não podemos ser ruins com nós mesmos, mas é preciso disciplina para ver o resultado. O corpo precisa criar o hábito e, para isso, não é possível negociar certas coisas, priorizando o que não é prioridade, por exemplo”, aconselha. Hoje, a empresária comemora sua conquista: conseguiu instalar um novo hábito. Ela frequenta, todos os dias, a academia e mudou sua alimentação com a ajuda de uma nutricionista. O resultado tem sido tão positivo que ela passou de “inspirada” a “inspiradora”: seus filhos já estão desejando experimentar os mesmos alimentos saudáveis que fazem parte de sua nova dieta. “O mais bacana é poder fazer a diferença para as pessoas. Elas se inspiram em você, assim como eu também me inspirei em minha amiga.” Buscar atalhos mais eficazes e positivos para as situações da vida pode não ser tão fácil, mas, sem dúvida, caminhos com novos sentidos e novas habilidades são muito mais enriquecedores.

“Não se pode estabelecer metas que gerem muitas expectativas e nem situações em que a pessoa se sinta ‘castigada’. A mudança tem que ser gradual” Werley Macedo, psicólogo

demandas de mudança de hábito estão relacionadas às habilidades sociais – cerca de metade de seu público. Os pacientes desejam ter uma vida social mais equilibrada, mas sentem dificuldade para isso, preferindo atividades de lazer que requerem mais isolamento, como ler um livro ou assistir a um filme. “O trabalho é mostrar que essas atividades podem continuar, mas não precisam ser as únicas a serem praticadas. É preciso gerar novas oportunidades para que novos hábitos sejam adquiridos”, esclarece Werley. Ele ressalta que, no início, aspectos externos fazem a pessoa continuar uma prática, como um elogio ou uma aparência mais disposta no espelho, mas somente quando a recompensa passa a ser interna (ou natural) é que a manutenção do hábito está assegurada. Ou seja, no caso do exercício físico, quando se tem prazer na própria atividade. Foi o que aconteceu com Patrícia.

Ramón Vasconcelos

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Obstáculos no caminho


meio ambiente

Por Eugênio Bezerra

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A urbanização trouxe progresso e melhorou a vida das pessoas, mas deixou muita sujeira pelo caminho. A questão de nosso tempo: o que fazer com o lixo que produzimos?

Lixo

Um problema meu, seu e nosso


Foto: Ramón Vasconcelos

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No dia a dia quase tudo que fazemos gera algum tipo de resíduo (lixo). É um ato automático: sobrou, não serve, não queremos; jogamos fora. Assim, de latinha em latinha, de saquinho em saquinho, de caroço em caroço, de caixa em caixa, de celular em celular, enfim, de resto em resto, um cidadão ocidental produz, em média, a cada ano, 500 quilos de lixo urbano. Um brasileiro é responsável por 378 quilos anuais. E, como lixo é lixo, ou seja, algo de que não se precisa e que não se quer ter por perto, ainda mais porque faz mal à saúde e ao planeta, governos, cientistas, indústrias e a população em geral em-

penham-se atualmente em encontrar formas de tratar os resíduos e reduzir sua quantidade - de preferência, ganhando dinheiro com isso. O lixo é tão velho quanto a existência da humanidade. Mas nem sempre foi um problema. Na pré-história, os povos nômades alimentavam-se da caça, da pesca e dos vegetais e os restos da refeição - ossos, peles e casca dos frutos - eram largados no solo e seguiam o ciclo natural, num verdadeiro “paraíso” ecológico. Mas o progresso desde então mudou hábitos de consumo e cada vez produzimos mais resíduos que não são reaproveitados. Na virada do século XIX para

o XX, a limpeza urbana tornou-se uma preocupação. A primeira empresa desse segmento aqui no Brasil foi contratada pela cidade do Rio de Janeiro em 1876, era comandada por Aleixo Gary – sobrenome que virou sinônimo de coletor de lixo. Em Natal, a coleta de lixo enfrenta problemas como na maioria das cidades brasileiras. Há problemas de regularidade e pouca estrutura para limpeza urbana que requerem planejamento e investimento como resposta. Por outro lado há também um componente cultural. A responsabilidade de cada um com o lixo que produz.


Reduzir, reutilizar materiais e reciclar o que for possível Mudanças ainda recentes na legislação brasileira implantaram a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que determina o princípio da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Significa que fabricantes, comerciantes e também consumidores terão obrigações para que o objetivo seja cumprido: dispor todo o lixo produzido no país de forma ambientalmente correta. Com a expansão da coleta seletiva, o cidadão terá que assumir sua responsabilidade pelo lixo que produz. A nova forma de lidar com o gigantesco problema do lixo urbano vai exigir mudanças de hábitos de todas as pessoas, em casa, na escola, no trabalho. A política de resíduos sólidos estabelece uma ordem de prioridades: primeiro é necessário reduzir a geração de lixo, depois reutilizar, em seguida reciclar o que não puder ser reutilizado. “ O cidadão não poderá mais simplesmente colocar o seu saco de Ramón Vasconcelos

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lixo para a coleta. Para a política dar certo, nós precisamos mudar o padrão de consumo no nosso país, diminuir o uso de produtos descartáveis e o consumo exacerbado”, afirma o diretor executivo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe), Carlos Roberto Vieira da Silva Filho. Hoje, cada habitante das cidades brasileiras gera, em média, um quilo de lixo por dia. São 150 mil toneladas diárias, conforme o estudo “Panorama dos resíduos sólidos”, produzido pela Abrelpe. Dessa montanha de rejeitos, 45% vão para lixões ou aterros sanitários que não seguem as normas de proteção ambiental. Para o ambientalista, geógrafo e estudante de Doutorado na Universidade de Braga, em Portugal, José Petronilo, se avançou muito nos últimos anos na questão do saneamento ambiental, setor do qual a coleta e destinação de resíduos sólidos faz parte. Mas é preciso, segundo ele, fortalecer três pontos:

“A sensibilização da sociedade tem que vir com a mudança no padrão de consumo da população, incentivo à coleta seletiva e a participação dos moradores nas políticas públicas sanitárias”, explica Petronilo. Ainda segundo o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, além de produzir menos lixo, cada cidadão deve se preocupar com a forma como dispõe os resíduos para entregá-los à coleta, separando corretamente os materiais e se integrando a algum programa de reciclagem. Caso não faça isso, com a aprovação da política de resíduos e sua futura regulamentação, o cidadão poderá vir a ser penalizado.

“A sensibilização da sociedade tem que vir com a mudança no padrão de consumo da população, incentivo à coleta seletiva e a participação dos moradores nas políticas públicas sanitárias” José Petronilo, ambientalista e geógrafo


É comum observar nas cidades pessoas que jogam seu lixo na rua. Recentemente, uma lei na cidade do Rio de Janeiro causou polêmica ao ser sancionada pelo poder executivo. A partir de julho, vão ser mobilizados 500 fiscais para multar quem jogar lixo no chão. “Vamos começar pelo centro do Rio de Janeiro, que é sempre uma área mais complexa que impacta em toda a região metropolitana, não só na cidade, pela zona sul e algumas concentrações comerciais no subúrbio carioca”, disse o prefeito Eduardo Paes. Para resíduos pequenos, que tenham tamanho igual ou menor ao de uma lata de cerveja, a multa é de R$ 157. Para resíduos maiores que uma lata de cerveja e menores que um metro cúbico, o valor sobe para R$ 392. O que for descartado de forma inadequada com tamanho acima de um metro cúbico custará ao infrator R$ 980. Um palmtop com acesso à internet, acoplado a uma impressora, será a arma usada pela guarda municipal para combater a sujeira nas ruas da cidade. Basta o número do CPF do infrator para que a multa seja impressa na hora. Se não quiser dar o número do CPF, um policial militar o acompanhará até a delegacia mais próxima, como aliás já acontece com quem é flagrado fazendo xixi na rua. Para o ambientalista José Petronilo, a medida é importante e educativa. “Tal como ocorreu com a mudança na lei de trânsito, acho que a postura mais enérgica do poder público com os descumpridores da legislação ambiental é interessante. Todavia, acredito que o começo do processo deveria ser com foco nos grandes geradores de resíduos. Em Natal, por exemplo, sabe-se de grandes empre-

Álvaro Rocha

Multa aos “sujões”

A partir de julho, essa cena gerará uma multa de aproximadamente R$ 392,00, no Rio de Janeiro

endimentos que foram multados pelos órgãos ambientais. Muitas dessas multas não foram pagas. Por que não se registra tais multas na dívida ativa do município? Ao meu ver, isso fragiliza a legislação em vigor. Nesse sentido, Natal está ainda muito distante do ideal. Mossoró, segunda cidade do Estado, já registra na dívida ativa os poluidores que não cumprem suas obrigações ambientais”, defendeu. Em Nova York, o Departamento de Limpeza Pública utiliza um folheto para informar ao cidadão sobre as responsabilidades legais dele para

manter a cidade limpa. Comerciantes e residentes se unem à prefeitura para conservar a limpeza dos bairros. Saiu da linha, é multa de 100 dólares e dobra a cada reincidência. Em Tóquio, é muito difícil encontrar uma sujeirinha na maioria das ruas, mesmo em lugares movimentados, apesar de não haver lixeiras nas calçadas e ser raro encontrar um gari. Recentemente, na cidade de Osaka, um morador recebeu uma multa equivalente a R$ 20 mil por ter jogado um toco de cigarro no chão. Era reincidente.

VEREADORES DE NATAL APOIAM A MULTA É uma medida válida e ajudaria a educar evitando prejuízo financeiro e ambiental para a cidade. Mas, antes seria necessário informar e conscientizar as pessoas, distribuir lixeiras pela cidade e depois multar quem descumprir a recomendação”. Albert Dickson Pres. da Câmara Municipal de Natal “Me preocupa muito essa questão do lixo e vejo na punição um avanço. As pessoas precisam pensar duas vezes

antes de jogar o lixo na rua. Se ninguém cobra ou fiscaliza, quem vai cumprir?” Maurício Gurgel Vereador de Natal “É preciso copiar o que dá certo. Muitos países desenvolvidos já adotaram essas medidas. Só defendo que antes de multar seja oferecido à população um melhor serviço de coleta e campanhas de conscientização”. Bertone Marinho Vereador de Natal

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equilíbrio

Por Taciana Chiquetti

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“Quando você controla o dinheiro, faz bem. Quando o dinheiro controla você, faz mal” Glauber Gentil, empresário

Em paz com o bolso Não saber lidar com o dinheiro e com as consequências desse fato pode acarretar dificuldades que vão desde a saúde psíquica à saúde física, comprometendo de maneira contundente a qualidade de vida

A proporção não é exatamente “quanto mais dinheiro, mais equilíbrio”, mas sim “quanto melhor administro o que ganho, menos me angustio e mais feliz posso me sentir”. A relação é qualitativa e não quantitativa. Há pessoas que quanto mais ganham, mais gastam e mais se encontram em situações financeiras desgastantes, assim como há aquelas com renda limitada, no entanto, em paz com o bolso. “Nossa condição financeira é o que sustenta nossa vida na sociedade, nos ajuda a realizar sonhos e atingir objetivos, mesmo quando alegamos não precisar de dinheiro para isso. Caso essa situação financeira não es-


Divulgação

teja equilibrada, temos uma condição desfavorável para o nosso equilíbrio de vida. Pesquisas comprovam que o maior índice de conflitos de vida e desequilíbrio emocional ocorre por motivo de desequilíbrio financeiro”, argumenta a couch Auri Fernandes, que desenvolve, no Instituto Crer e Ser, dois programas nesta área - a formação em Educador Coach e o Programa de Coaching Financeiro, com a inclusão do Clube do Dinheiro. Respeitar o dinheiro é um dos segredos para uma relação de sucesso com as verdinhas. “Quando você controla o dinheiro, faz bem. Quando o dinheiro controla você, faz mal”. É assim que o empresário bem sucedido Glauber Gentil resume a relação com o dinheiro. Sócio-diretor da empresa Gentil Negócios, especializada em

Antônio Gentil e Glauber, educação financeira embasada no exemplo

representação de empresas de Varejo, Finanças e Franchising, e gestor das franquias de O Boticário nas cidades de Natal-RN e São Luís-MA e do

Habib’s nos estados do Piauí e Maranhão, Glauber aprendeu, desde cedo, com seus pais, Antônio e Marluce, a valorizar o resultado do trabalho.

Ramón Vasconcelos

É em casa que se aprende

Dizer simplesmente o não pelo não contraria a aprendizagem” Auri Fernandes, couch

A educação financeira realmente deve começar na infância. O assunto “orçamento doméstico” deve ser compartilhado com as crianças em casa, de forma educativa. Segundo Auri, em fevereiro, a Sociedade de Proteção ao Crédito Brasil divulgou uma pesquisa que confirma que o brasileiro tem dificuldades para lidar com dinheiro: 85% fazem compra sem planejamento e 74% não possuem nenhum tipo de investimento fixo. “Faltam noções básicas e conhecimentos de investimento. Pode-se afirmar que essa atitude é algo cultural. A maioria de nossas famílias não tem conversas abertas sobre dinheiro e nem sobre como administrá-lo. É um tabu. Os filhos não participam da gestão do orçamento doméstico e os pais não compartilham informações que podem beneficiar o processo de

evolução financeira dos filhos”, relata. A família precisa conversar, por exemplo, sobre os motivos pelos quais não se pode comprar algo desejado, naquele momento, assim como iniciar um processo de conscientização da criança sobre a diferença da compra pelo desejo e da compra pela necessidade. “Dizer simplesmente o não pelo não contraria a aprendizagem e dificulta o entendimento sobre o assunto. Em complemento a essa ação, o processo de educação financeira nas escolas seria a ponte para uma vida equilibrada financeiramente”, observa. Trabalhar modelos mentais da consciência coletiva e aprimorar as relações sociais sadias, sem reforço de concorrência de egos, desde a infância, também são formas de desenvolver a educação financeira de maneira mais sustentável.

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Em busca do equilíbrio

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É possível viver “em paz” com o bolso, mantendo o equilíbrio entre economizar, administrar as contas e investir em prazer. O primeiro passo é enfrentar seus credores, colocando as dívidas no papel, selecionando-as e negociando-as. Caso não tenha dívidas, mas sinta que o dinheiro não sobra e nem chega ao fim do mês, a orientação é planejar seus gastos mensais, relacionando todas as despesas que você possui, desde o cafezinho até as saídas de fim de semana e fazendo o balanço final para ser analisado. “Elabore um plano de gastos que tenha como referência seus objetivos financeiros. Tenha objetivos financeiros. Remodele hábitos e lembre-se: nem toda diversão requer gastos financeiros excessivos. Apreenda novos hábitos e costumes saudáveis”, orienta a couch.

De acordo com o que ela observa em seus cursos e consultorias, as pessoas estão mudando a visão sobre a educação financeira, despertando para a consciência financeira, buscando alternativas para conquistar o equilíbrio. Existe uma mudança de paradigmas e de rompimento com esta cultura disfuncional relacionada às questões financeiras em nosso país. Seguir bons exemplos é outro passo importante para acertar. Para o empresário potiguar de sucesso, além de “equilíbrio”, o principal conceito associado à prosperidade é a “gratidão”. “Prosperidade é mais do que uma

relação equilibrada com o dinheiro, é harmonizar felicidade pessoal e familiar com sucesso profissional. Uma pessoa próspera é uma pessoa que vive sob seus termos, que acredita na máxima ‘eu sei gastar muito bem o que eu ganho’ e observa resultados reais com essa afirmação. E, principalmente, é ser grato pelo que se tem e se sentir merecedor de receber tudo o que de bom puder ser recebido”, resume Glauber. Desejar, saber desejar, merecer e devolver para a vida...

DICAS PARA VIVER BEM COM O BOLSO • Mapeie para onde está indo o seu dinheiro utilizando uma planilha de orçamento; • Estabeleça objetivos e os siga; • Faça uma lista de prioridades de consumo e estipule o valor que você pode gastar em cada uma delas; • Saiba separar suas necessidades de seus desejos. Seja honesto com você; • Observe seus hábitos e de sua família para identificar onde podem economizar. Economizar em grupo é sempre mais fácil; • Algum membro da família deverá assumir a liderança para coordenar os planos, alocar as responsabilidades e cobrar os resultados;

• Compare seus gastos com a média da população. É possível achar esse dado na Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, por despesa e região; • Opte sempre por pagamentos à vista. Portanto, se não tiver o valor total do bem, poupe antes de comprar; • Acabe com as compras feitas por impulso. Para isso, pense duas vezes antes de comprar algo; • Espere as liquidações para comprar roupas, quando necessário; • Faça lista de supermercado e restrinja-se a ela; • Evite o desperdício de alimentos; • Seja econômico, controle os gastos com celular, luz, água, energia

elétrica, etc; • Tire os eletrônicos da tomada quando não estiverem em uso; • Reduza a quantidade de cartões de crédito, carregue-os com você somente quando necessário; • É importante observar e reavaliar seus costumes e comportamento. Analise quantas vezes por mês você sai para jantar ou almoçar fora. No supermercado, tente experimentar marcas mais baratas. E se tiver TV a cabo, tente negociar com sua operadora um pacote mais barato, pelo menos até reestruturar suas finanças. Fonte: http://www.tveducacaofinanceira.com.br


maturidade 50

As quedas, comuns na terceira idade, requerem atenção por parte dos familiares e cuidadores, uma vez que podem acarretar em diversas consequências que comprometem a qualidade de vida e, até mesmo, a capacidade funcional dos idosos

Superando obstáculos

Por Taciana Chiquetti


Fotos: Ramón Vasconcelos

O aposentado Dilson Marinho Sales, de 75 anos, sabe bem o que é cair e não ter como se levantar. Já teve várias quedas, tanto em casa quanto na rua, e, após esses episódios, procurou um neurologista para verificar mais criteriosamente o que estava acontecendo. Foi diagnosticado com doença de Parkinson. A partir de então, começou a sua reabilitação com o método Pilates e, em cerca de três anos, ele, que não conseguia entrar no carro sozinho ou calçar a meia, por exemplo, já está com um novo semblante – mais animado – e com ganhos efetivos em sua mobilidade. “Não tive mais quedas. Fiquei melhor e meus filhos mais contentes. Achei que a evolução foi rápida. Estou feliz e satisfeito”, relata. Diante de uma queda, após os cuidados necessários de um pronto-socorro para averiguar a situação da lesão, a reabilitação deve ser feita o mais breve possível, com exercícios para manter o fluxo sanguíneo e a contração muscular. “A incapacidade pode gerar até um quadro depressivo no idoso. Pilates é saúde e engloba muitos aspectos. As atividades funcionais diárias começam realmente a ser retomadas. É recomendado para qualquer pessoa, tanto com deficiências físicas ou doenças progressivas. Mas o estúdio escolhido tem que ter atenção especial para este tipo de paciente. Uma avaliação física adequada também é fundamental”, orienta a fisioterapeuta, especializada em Pilates, Ingrid Meneses. O método Pilates busca fortalecer, equilibrar e alongar a musculatura da coluna vertebral, trazendo um maior alinhamento e em determinados casos trazendo uma descompressão das tensões existentes. Também possibilita um alívio de pinçamentos e compressões dos discos, o que gera um estímulo à circulação na região.

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“Não tive mais quedas. Fiquei melhor e meus filhos mais contentes. Achei que a evolução foi rápida” Dilson Marinho Sales, aposentado

Atento às possíveis causas Fatores relacionados ao próprio idoso contribuem para a ocorrência das quedas, como diminuição da força muscular; osteoporose; anormalidades para caminhar; arritmia cardíaca (batimento cardíaco irregular); alteração da pressão arterial; depressão; senilidade; artrose, fragilidade de quadril ou alteração do equilíbrio; alterações neurológicas (derrame cerebral, doença de Parkinson, esclerose múltipla e mal de Alzheimer); disfunção urinária e da bexiga; uso controlado de determinadas drogas; diminuição da visão e da audição; câncer que

afeta os ossos e deformidades nos pés (unhas grandes, joanetes dolorosos). Há também os fatores relacionados ao ambiente, como iluminação - ambientes mal iluminados favorecem a ocorrência de quedas; arquitetura - casas mal planejadas aumentam o risco de quedas; móveis - disposição inadequada atrapalha a locomoção e quando instáveis não servem como apoio; espaço - oferecem risco os objetos escorregadios espalhados pela casa; e cores - ambiente muito escuro aumenta a chance de quedas.


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Para a fisioterapeuta Ingrid, uma pessoa jovem e endurecida é muito pior do que um idoso com flexibilidade. Em uma queda, quem é mais flexível tem mais condições de reagir. Por isso, prevenir continua sendo o melhor remédio. A indicação é a reposição de cálcio e vitamina D, tomando o sol necessário para ativá-la, além do fortalecimento muscular. “O Pilates propicia trabalhar vários aspectos, como força e equilíbrio, por exemplo. É preciso também desenvolver estratégias para o idoso se adaptar ao ambiente em que ele vive para saber lidar com as barreiras”, orienta. Mesmo assim, vale organizar o ambiente de forma que se ofereça menos riscos. De acordo com dados do Ministério da Saúde, estima-se que há uma queda para uma em cada três pessoas

com mais de 65 anos um em 20 daqueles que sofreram uma queda sofre uma fratura ou necessita de internação. Em uma idade mais avançada, com 80 anos e mais, 40% caem a cada ano. Dos que moram em asilos e casas de repouso, a frequência de quedas é de 50%. Os fatores que favorecem a ocorrência das quedas na população idosa são diversos, o que dificulta as ações preventivas, mas vale o esforço para evitar que, vítima de lesões ocasionadas em situações banais, a pessoa idosa perca sua autonomia, que naturalmente já se encontra reduzida. Planejar o próprio envelhecimento, antes que ele chegue, também é uma dica importante. Afinal, todos os dias, todos se aproximam mais da terceira idade.

Ramón Vasconcelos

Prevenção

“O Pilates propicia trabalhar vários aspectos, como força e equilíbrio, por exemplo” Ingrid Meneses, fisioterapeuta

ORIENTAÇÕES PARA PREVENIR QUEDAS • Faça exames oftalmológicos e físicos anualmente, em específico para detectar a existência de problemas cardíacos e de pressão arterial; • Mantenha uma dieta com ingestão adequada de cálcio e vitamina D; • Tome banhos de sol diariamente; • Participe de programas de atividade física que visem o desenvolvimento de agilidade, força, equilíbrio, coordenação e ganho de força do quadríceps e mobilidade do tornozelo; • Elimine de sua casa tudo aquilo que possa provocar escorregões e instale suportes, corrimão e outros acessórios de segurança; • Use sapatos com sola antiderrapante;

• Amarre o cadarço do seu calçado; • Substitua os chinelos que estão deformados ou estão muito frouxos; • Use uma calçadeira ou sente-se para colocar seu sapato; • Evite sapatos altos e com sola lisa; • Evite ingestão excessiva de bebidas alcoólicas; • Mantenha uma lista atualizada de todos os medicamentos que está tomando ou que costuma tomar e a dê para os médicos com quem faz consulta; • Informe-se com o médico sobre os efeitos colaterais dos remédios que você está tomando e de seu consumo em excesso; • Certifique-se de que todos os medicamentos estejam claramente

rotulados e guardados em um local adequado (que respeite as instruções de armazenamento); • Tome os medicamentos nos horários corretos e da forma que foi receitada pelo médico, na maioria dos casos, acompanhados com um copo d’água; • Nunca ande só com meias; • Fadiga muscular e confusão mental aumentam o risco de quedas; • Mulheres que não conseguem encontrar sapatos esportivos suficientemente largos para o formato do seu pé devem comprar na seção masculina, pois estes sapatos têm fôrmas maiores. Fonte: Ministério da Saúde


Sua confiança nos transformou em referência. A Prontoclínica de Olhos acaba de adquirir sua nova plataforma cirúrgica, a mais moderna do Norte-Nordeste, para correção de miopia, hipermetropia ou astigmatismo. Ela é composta pelo alegretto de última geração para correção de ametropias e do laser de femtossegundo que é usado para execução do flap, o que torna a cirurgia totalmente realizada por laser e aumenta a sua precisão.


Outro dia fui acompanhar meu pai numa consulta ao cardiologista, um sujeito altamente espirituoso e bem humorado. Dava pra notar que ali tinha um homem que ama verdadeiramente o que faz. A consulta mesmo se resumiu a uns 10 minutos, mas ficamos ali conversando durante meia hora sobre as doenças do coração, que são as que mais matam no mundo, e também sobre a velhice. Perguntei qual a receita para se ter uma velhice saudável e equilibrada. E ele respondeu que, muito mais do que participar dos diversos grupos de idosos que se tem por aí, o que importa de verdade são três coisinhas básicas: Não guardar mágoa ou rancor no coração; ter uma boa dose de bom humor para envelhecer e, principalmente, ter projetos e sonhos. Nessa hora, senti um grande alívio, pois meu pai, apesar de ter fumado durante 40 anos, ter a pressão alta, estar acima do peso e não praticar atividade física, é um grande sonhador, dono de um cérebro pulsante, onde não cabe mais ideias e projetos inovadores. E é isso que o mantém vivo, mesmo com tantos problemas de saúde física. Com certeza, a maneira como meu pai sempre levou a vida não é nada próximo ao que se prega em termos de qualidade de vida. O corpo humano é a casa que habitamos aqui na Terra e, como toda casa, precisa sempre de cuidados, reparos e muito amor para que, mesmo depois de muitos anos, possa estar sempre limpa e arrumada. Tudo aquilo que sempre ouvimos falar e que, com toda certeza, funciona: não fumar, ter uma boa alimentação, fazer exames periódicos e, principalmente, praticar atividade física. Essa é, ao meu ver, a grande receita para se chegar aos 70, 80, 90 anos com muita vitalidade. Mas, acima de tudo, como disse o cardiologista do meu pai, limpar as mágoas do coração, manter o bom humor diante das adversidades e ter projetos na vida, afinal ninguém sabe a data final das realizações. Se depender do meu pai, do alto dos seus 76 anos, “ o futuro será maravilhoso“!

Patrícia Guedeville Publicitária e diretora comercial do Viver Bem patricia@guiaviverbem.com.br

Ramón Vasconcelos

coisas da vida 54

Vida longa


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Viver Bem - Edição 16  
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