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A história de vida da artesã Margareth Silva no combate ao câncer de mama

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FOTO: THIARA REGES

SUPERAÇÃO

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Editorial

Patrimônio público à venda

Carlos Accioli Ramos Diretor-editor

Ninguém, em sã consciência, acredita que a prefeitura de Lauro de Freitas vá mesmo vender as áreas públicas em que funcionam o Colégio Apoio em Vilas do Atlântico, o Senai na av. Luiz Tarquínio Pontes ou o Samu e o Corpo de Bombeiros na Estrada do Coco. Todos esses espaços estão regularmente ocupados, por concessão da própria prefeitura e prestam serviços essenciais à comunidade. Nem por isso deixaram de ser listados como possibilidade de alienação de patrimônio público, avaliados em quase R$ 30 milhões. Várias outras áreas informadas simplesmente não se encaixam nos parâmetros exigidos pela lei para desafetação e alienação, principalmente porque o seu uso pode ser facilmente revertido à destinação pública original. É o caso dos terrenos no entorno do Colégio Mendel, também em Vilas do Atlântico, avaliados em cerca de R$ 4 milhões. É o caso ainda da faixa de área verde vizinha ao condomínio Atol das Rocas, na av. Praia de Itamaracá, que não está construída, mas apenas murada, podendo perfeitamente, se for o caso, ser devolvida ao público como espaço público que a prefeitura afirma ser. São quase nove mil metros quadrados em área privilegiada de Vilas do Atlântico, avaliada pela prefeitura em R$ 7,7 milhões e que fariam a felicidade de qualquer construtora – se não fosse área pública. Não sendo viável convidar o Senai a desembolsar R$ 12 milhões e menos ainda a retirar-se da cidade, muito menos demolir o Corpo de Bombeiros para vender o trecho em que se encontra na Estrada do Coco, pouco restará para alienar se o objetivo for mesmo o de arrecadar R$ 80 milhões. Mas a conta também pode ser outra. O certo é que a lei proposta e recentemente sancionada pelo prefeito Márcio Paiva estabelece critérios claros para a alienação das áreas públicas listadas. A comunidade estima que os senhores e senhoras seus representantes, eleitos para a Câmara Municipal, acompanhem muito de perto todo esse processo. Ou eles ou o Ministério Público.

Aborrecimento Chega a ser desrespeitoso com as comunidades sofridas deste município, “do outro lado” da Estrada do Coco, afirmar que temos o melhor padrão de vida entre as cidades de médio porte de todo o país. Regiões inteiras de Lauro de Freitas lutam diariamente com dificuldades que começam na insuficiência ou mesmo ausência de transporte público, passam pela falta de serviços essenciais, como a distribuição domiciliar de correspondência e terminam nos índices de violência dignos de uma guerra civil – sem ponta de exagero. Ainda em setembro a cidade viveu dias de pânico em torno de boatos que levaram o comércio a baixar as portas mais cedo, faculdades e escolas a cancelar aulas e trabalhadores a voltar mais cedo para casa, enquanto um iluminado em São Paulo lia estatísticas sem nunca, provavelmente, ter posto os pés em Lauro de Freitas – a não ser, talvez, a caminho de um resort no litoral norte baiano. O crônico índice de desemprego da Região Metropolitana de Salvador, sempre o maior do país, é o dado final que desaconselha festejos em torno do suposto padrão de vida local. Mas o que é a realidade diante da fantasia? Mero aborrecimento.

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Informativo mensal de serviços e facilidades, distribuído gra­tuitamente nos domicílios de Vilas do Atlântico e condomínios residenciais da Es­trada do Coco e entornos (Lauro de Freitas, Ipi­tanga, Miragem, Buraquinho, Busca Vida, Abran­tes, Ja­uá, Ja­cuí­pe, Gua­ra­juba), Stella Maris, Pra­ia do Flamengo e parte de Itapuã. Disponível também em pontos de distribuição criteriosamente selecionados na região. As opiniões expressas nos artigos publicados são de responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, as da Edi­tora. É proibida a reprodução total ou parcial de matérias, gráficos e fotos publi­cadas nesta edição, por qualquer me­io, sem autorização expressa, por escrito da Editora, de acordo com o que dispõe a Lei Nº 9.610, de 19/2/1998, sobre Di­reitos Autorais. A revista Vilas Magazine não tem qualquer responsabilidade pelos serviços e produtos das empresas anunciados em suas edições, nem assegura que promessas divulgadas como publicidade serão cumpridas. Cabe ao leitor avaliar e buscar informações sobre os produtos e serviços anunciados, que estão sujeitos às normas do mercado, do Código de Defesa do Consumidor e do CO­NAR – Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária. A revista não se enquadra no conceito de fornecedor, nos termos do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor e não pode ser responsabilizada pelos produtos e serviços oferecidos pelos anunciantes, pela impossibilidade de se deduzir qualquer ilegalidade no ato da leitura de um anúncio. No entanto, com o objetivo de zelar pela integridade e cre­di­bilidade das mensagens publicitárias publicadas em suas edições, a Editora se reserva o direito de recusar ou suspender a vei­culação de anúncios enganosos ou abusivos que causem constrangimentos ao consumidor ou a empresas. altura total. A revista Vilas Magazine u­ti­liza conteúdo edi­to­ri­al fornecido pela Agência Fo­lhapress (SP). Os títulos Vilas Ma­­gazine e Boa Dica – Facilidades e Serviços, constantes desta edição, são marcas regis­tradas no INPI, de propriedade da EDITAR – Editora Accioli Ramos Ltda.

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al.

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Registros & Notas

Ainda nas comem o ra çõ e s p e l o s 5 0 anos de Jovem Guarda, a Cesarte, espaço de eventos localizado próximo à entrada de Vilas do Atlântico, promove apresentação única da banda Renato & Seus Blue Caps, dia 24, restrito para 240 pessoas. Prometendo fazer um show empolgante, resgatando sucessos do auge da Jovem Guarda, Renato Barros, líder da banda, assegura que não vai deixar ninguém parado, fazendo um show em alto estilo, extremamente dançante, para que todos relembrem momentos na década de 60/70, com o reper-

Dia 24, apresentação restrita e exclusiva em Lauro de Freitas tório que será apresentado. Com músicas autorais e versões que marcaram aquelas décadas, a banda se apresenta completa, num show de aproximadamente duas horas. Antes e depois da apresentação da banda, a animação será garantida por um DJ, com músicas exclusivamente da Jovem Guarda. Os lugares são limitados, em mesas, mas com acesso à pista de dança em frente ao palco. Os tickets

Vilas do Atlântico ganha filial da Viva o Grão Os empreendedores Iuri Brandão e Tainá Martins Cunha (dir.) visitaram a Vilas Magazine, recebidos pelo diretor-editor Carlos Accioli Ramos, para informar da inauguração em Vilas do Atlântico da filial da rede Viva o Grão, que desde 2010 conta com um restaurante na Pituba e uma loja no Corredor da Vitória, em Salvador. A marca pertence ao grupo Grão de Arroz, fundado em 1974 por Luis Antonio Mota Cunha, falecido há dez anos. O Viva o Grão vem inspirado no livro de culinária de mesmo nome, de Vera Lúcia Martins, viúva de Luis Antonio. De acordo com Iuri, abrir uma loja em Vilas do Atlântico foi uma decisão de mercado, tomada depois ampla pesquisa. Com a loja, chegam ao bairro alguns projetos da marca, como a horta infantil orgânica que

deve surgir no quintal. Ali, crianças poderão plantar e voltar para acompanhar o crescimento da horta. Depois podem colher o que semearam ou levar para casa para ter­minarem lá o cultivo. Como diferenciais do Viva o Grão, Iuri aponta a fabricação do próprio pão, com moagem própria da farinha de trigo. Seguindo a linha macrobiótica, a loja não oferece produtos de suplementação química, mas apenas os naturais.

podem ser adquiridos na própria Cesarte ou pelo site www.compreingressos.com.br clicando e escolhendo o lugar na mesa à sua escolha. Valores variam de R$ 100,00 a R$ 200,00 a depender da localização. Cesarte Eventos. Rua Ubaldo P. R. da Fonte. Pitangueiras. Informações pelos tels.: 71 3028-0431 / 9668-1554 (whatsapp).

IMPERDÍVEL. só para lembrar O grupo foi formado no início dos anos de 1960, pelos irmãos Renato Barros, Ed Wilson e Paulo César Barros, Euclides de Paula (futuro guitarrista-solo e arranjador do grupo instrumental The Pop´s) e Gelson, jovens moradores do bairro da Piedade, no Rio de Janeiro, com o nome Bacaninhas do Rock da Piedade, nome censurado pelo radialista Jair de Taumaturgo, que sugeriu o definitivo, inspirado no conjunto norteamericano Gene Vincent And His Blue Caps. Já com a denominação de Renato e seus Blue Caps, gravaram o primeiro compacto em 1962 e se notabilizaram principalmente pelas versões que faziam de músicas de língua inglesa (a maioria britânicas), como “Não Te Esquecerei”, versão de “California Dreaming”, de The Mamas & The Papas, “Menina Linda”, versão de “I Should Have Known Better”, “Até o Fim”, versão de “You Won’t See Me”, ”Tudo O Que Sonhei” versão de “If I Fell’ (ambas de Lennon/McCartney) e “Escândalo”, versão de “Shame And Scandal In The Family” (Donaldson/ Brown). Em 1963 Ed Wilson saiu do grupo e iniciou carreira solo, sendo substituído por Erasmo Carlos, que teve uma participação breve no grupo. Esses e outros tantos sucessos você vai relembrar, dia 24, na Cesarte. Outubro de 2015 | Vilas Magazine | 5

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Registros & Notas

Rotary Club Lauro de Freitas Centro empossa novo sócio

Marcos de Oliveira Castro Coelho é o mais novo integrante do Rotary Club Lauro de Freitas Centro. Doutor Honoris Causa em reconhecimento internacio-

nal aos serviços prestados à saúde, às artes e à cultura. Marcos é Mestre da Loja Maçônica Arco Real 160, é professor na Faculdade Einstein e reformado como general. Ao lado, o novo rotariano ladeado pela presidente do Rotary Club Lauro de Freitas Centro, Maria Maraglai (dir.), a esposa Jane Maria Pereira e a diretora de Protocolo do clube, Tatiana Corazza.

ABRH Bahia premia empresas vencedoras do Prêmio Ser Humano Luis Tarquínio ANA PRADO

As empresas vence­ do­r as do Prêmio Ser Humano Luis Tarquínio 2014/2015 foram premiadas durante o 10º Congresso Gestão de Pes­soas, realizado pela Associação Brasileira de Recursos Humanos - seccional Bahia (ABRH Bahia), em setembro, Denise Lima, Thais Roma, Leda Regis, Maria Feijo (Go­ tem­burgo Veículos), Marla Cruz (Laboratório Leme), em Salvador. Foram premiadas, Wladimir Martins (Cromex), Emydio Palmeira e Ana Clau­ na categoria Empresa, a dia Athayde (vice-presidente e presidente da ABRH BA) Cromex S/A, com o projeto “Aprimorando as competências por meio do conhecimento”; a Gotemburgo Veículos, com o projeto “Eu gerencio meu desenvolvimento de competências”, e o Laboratório Leme, com o “Desenvolvendo práticas de engajamento e fortalecimento da cultura”. Na categoria Profissional, Leda Maria Oliveira Regis, com “Coaching Sistêmico: Desenvolvimento humano, profissional e organizacional”, e na categoria Acadêmico, Denise Ferreira Lima Pinto e Thaís Roma Santana, com o trabalho “Liderar pelo exemplo gera resultado - Estudo de Caso no GAAC Salvador”. Em homenagem ao pioneiro do empreendedorismo e responsabilidade social na Bahia, o prêmio engloba empresas de pequeno, médio e grande porte, além de ONGs, fundações e associações sem fins lucrativos.

Vilas do Atlântico ganha novo espaço de beleza Comandado pela profissional Rose Domingas, que consolidou uma fiel clientela nos 13 anos de atividades desenvolvidos no Salão Joana & João, até a sua desativação, em agosto passado, o Clube da Beleza abriu as portas em setembro, no segundo andar do mesmo prédio, em frente ao posto de combustível.

Academia Andrea Maestri celebra 15 anos de atividades na região

Os empresários Rogerio Issa e Andrea Maestri celebraram em setembro, os 15 anos de atuação do espaço do Bem-Estar que leva o nome dela. Ao longo desse período, o casal enfrentou e superou desafios com determinação e profissionalismo, mantendo a Academia Andrea Maestri como uma referência qualificada no segmento. Uma história de sucesso, construída e vivida por duas talentosas pessoas de elevado espírito humano.

Parceria Rotary Club e Instituto GBarbosa contempla associações carentes de Lauro de Freitas Dia 19 de setembro aconteceu a primeira etapa da ação solidária resultado de parceria entre o Rotary Club Lauro de Freitas e o Instituto GBarbosa, que arrecadou entre funcionários e clientes peças usadas de vestuário masculino e feminino, totalizando 885 peças, que foram destinadas a quatro associações comunitárias assistidas pelo Rotary Club Lauro de Freitas: Associação Casa de

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Museu da Misericórdia participa da 9ª Primavera dos Museus com a exposição ‘A Botica no Brasil’

paulo souza

Com a exposição A Botica no Brasil, o Museu da Misericórdia, da Santa Casa da Bahia, marca sua participação na 9ª Primavera dos Museus, projeto nacional promovido pelo Instituto Brasileiro de Museus, que este ano trabalha o tema Memórias Indígenas. Em cartaz até o dia 24 de outubro, na Sala de Exposições Temporárias do Museu da Misericórdia, no Centro Histórico, a mostra conta com diversas linguagens temáticas para abordar a botica, as ervas que curam, farmácias de manipulação, a alquimia e a herança indígena. “Vamos pontuar a medicina natural com foco na sabedoria indígena, lembrando que os índios foram nossos primeiros boticários, fazendo a manipulação de ervas para diversos fins”, explica a museóloga e coordenadora do Museu, Jane Palma. Visitantes aproveitam para conhecer de perto todo o valioso acervo do espaço cultural, que abriga preciosidades do século 18, assinadas por José Joaquim da Rocha, e peças de arte contemporânea, como O Cristo, de Mário Cravo, obras de Tati Moreno, Luiza Olivetto, entre outros artistas. Situado no prédio histórico de 1697, que já abrigou o Hospital e a Administração Central da Santa Casa, o Museu da Misericórdia foi inaugurado em 2006. Agregou ainda mais valor ao panorama artístico do Centro Histórico de Salvador – um dos principais pontos turísticos da cidade – e tornou-se um dos espaços culturais mais visitados da Bahia, com cerca de 50 mil visitantes por ano. Seu acervo conta com 3.874 peças, seculares e contemporâneas, classificadas em diversas categorias: alfaias, mobiliário, imaginária, paramentos, etc. n Exposição A Botica no Brasil. Museu da Misericórdia - Rua da Misericórdia, 6. Centro Histórico. Salvador. De seg. à sáb., de 10h às 17h. Feriados, das 13h às 17h. R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia).

Caridade Adolfo Bezerra de Menezes (287 peças), Associação Beneficente Prol Lar do Idoso de Lauro de Freitas (292 peças - foto esq.), Lar Escola Mundo da Criança - Tia Marina - (143 peças - foto abaixo) e Associação Liga de Assistência (163 peças). Participaram da entrega José Bonifácio Silveira Gomes e o diretor da Comissão de Projetos Humanitários, Roberto Margalho Mascarenhas, pelo Rotary Club Lauro de Freitas e Vera Pereira, tesoureira do Instituto GBarbosa. A segunda etapa da parceria está voltada para arrecadação de brinquedos e se conclui dia nove.

Ação do Núcleo de Senhoras do Rotary beneficia Associação Casa de Caridade Adolfo Bezerra de Menezes O Núcleo de Senhoras do Rotary beneficiou a Associação Casa de Caridade Adolfo Bezerra de Menezes reformando o banheiro masculino, com revestimento e piso, cadeiras, barra de segurança e material necessário para uso higiênico dos idosos. A recepção da instituição teve sofás e cadeiras reformadas e forradas, proporcionando mais conforto e melhor apresentação aos visitantes. A ação foi viabilizada com recursos arrecadados pelo Brechó Beneficente e Feira da Pechincha, promovidos pelo Núcleo, apoiados pela comunidade. Outubro de 2015 | Vilas Magazine | 7

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Registros & Notas eudes santana / Divulgação

Criações do cheff Gustavo Candotta ganham destaque em evento regional O chef Gustavo Candotta participou da 5ª edição do Projeto Recife D’Agosto, organizado pela Abrasel-PE, em parceria com a Prefeitura do Recife, realizado em agosto. O evento acontece anualmente e objetiva gerar intercâmbio cultural entre chefs pernambucanos e de outros lugares do país. Candotta participou como cheff convidado no segundo jantar do evento, reunindo donos de restaurantes, representantes do trade turístico e de empresas parceiras do setor alimentício. Como entrada, preparou a Surpresa de Coalho, feita com quenelle de aipim e aratu e macarron de castanha e banana da terra, seguida pelo prato principal, Coulis de abóbora, medalhão de carne de sol confitada na manteiga de garrafa e feijão verde germinado. Segundo o chef Gustavo Candotta, a entrada monocromática foi pensada em tons de cores que iluminam o Estado: “Escolhi o dourado do sol, o tom clarinho das areias das praias e o tom mais amarronzado, que representa o trabalho com barro feito em Per-

nambuco. A ideia do prato principal não foi fazer nada rebuscado, foi valorizar os produtos regionais. Quis explorar ao máximo o que cada ingrediente pode dar”, detalhou Candotta. O prato do cheff integra o menu do almoço executivo das quintas-feiras da St. Michel Café Confeitaria, em Vilas do Atlântico.

Alphaville Litoral Norte 3

Lançamento literário

O estande de vendas do Alphaville Litoral Norte 3, no km 13 da Estrada do Coco vem registrando finais de semana concorridos, com visitas de interessados em conhecer a estrutura do empreendimento, atraídos por condições diferenciadas de pagamento. Construído numa área de mais de 450.000 m², o empreendimento tem 160 mil m² de área verde, com pomares, árvores frutíferas, três alamedas com pitangueiras, cinco praças e áreas de preservação permanente. O clube, com 14.398 m² de área – projeto do arquiteto Pedro Motta –, foi concebido não apenas como um importante centro de lazer e convívio, mas também como o mais privilegiado espaço de contemplação do empreendimento.

A jornalista Claudia Giudice lançou em setembro, seu primeiro livro “A vida sem Crachá”, na Livraria Saraiva do Shopping da Bahia em evento assinado por Nil Pereira, sócia da autora em uma pousada em Arembepe. Uran Rodrigues / Divulgação A publicação, da editora Agir, prefaciada pelo jornalista e amigo Laurentino Gomes, marca a estreia da jornalista na literatura, onde revela como reinventou a vida, após sua demissão da editora onde trabalhou por 23 anos, transformando o seu Plano B em Plano A. O livro é bastante inspirador para quem deseja recomeçar a vida a partir de uma mudança radical, com insights sobre empreendedorismo, desemprego e emprego, a partir da própria experiência da jornalista.

Salvador Norte Shopping lança aplicativo para celulares Já está em operação o aplicativo Salvador Norte Shopping. De fácil acesso, a tecnologia para celulares permite acessar mapas de localização e informações sobre lojas, eventos, promoções do período e os serviços disponíveis no centro de compras, como o Espaço Família, Fraldário, empréstimo de carrinho de bebê, a programação completa

das salas do Cinépolis com os horários das sessões, classificação e preço. O aplicativo ainda ajuda o cliente a lembrar onde parou o carro e pode direcionar o usuário para o MOB Park que efetua o pagamento do estacionamento e informa o tempo de permanência. O aplicativo pode ser baixado gratuitamente e está disponível na Apple Store e na Google Play para

smartphones com os sistemas operacionais iOS e Android, respectivamente. O centro de compras teve o seu mix ampliado, com a recente abertura das lojas Cão Q Ri, especializada em animais de estimação e Los Paleteros, que comercializa paletas mexicanas, que se somam à CS Club, novo formato da Carmen Steffens, uma das grifes de maior sucesso no Brasil e exterior e a Cacau Show, reinaugurada com espaço ampliado.

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Defensoria Pública da Bahia em nova sede em Lauro de Freitas

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Caruru e festa

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É tradição na Bahia: festa em setembro, tem que ter caruru, homenageando os irmãos gêmeos, Cosme e Damião, que tem o dia 27 a eles dedicado. É preceito. E foi com a iguaria em destaque que Ana Lúcia Gomes (1) (a partir da dir., com o marido Bonifácio e os filhos, Cristiane, Carolina e Rodrigo) reuniu a família e amigos para celebrar seu aniversário. A deputada Moema Gramacho provou e repetiu do caruru de Cida e Edu Casanova (2). De lá emendou para prestigiar mais dois endereços na cidade, sempre muito festejada onde chega.

A Defensoria Pública da Bahia está funcionando em novo endereço em Lauro de Freitas. A unidade é a primeira de outras cinco sedes que serão implantadas e inauguradas ainda este mês, ampliando a presença da Defensoria em comarcas do interior de 23 para 28 municípios ainda em 2015. “Agora com um espaço exclusivo, o trabalho da instituição ganha maior evidência e visibilidade, o que traz para nós, defensores públicos, também a responsabilidade de oferecer atendimento cada vez mais eficiente, humanizado e próximo do assistido”, destaca o defensor público geral, Clériston Cavalcante de Macêdo. A nova sede substitui o atendimento que era feito no Fórum da cidade. Distribuída em três pavimentos, que totalizam mais de 230m², a unidade abriga sete gabinetes com banheiros, duas salas de apoio administrativo, sala de reunião e Central de Ações Rápidas – CAR, além de copa, almoxarifado e rampa para acesso a portadores de necessidades especiais. O objetivo é garantir mais espaço, conforto e respeito à acessibilidade do assistido, bem como melhores condições de trabalho aos defensores, servidores e colaboradores da unidade. Defensoria Pública da Bahia. Unidade de Lauro de Freitas. Rua Mucugê, 87. Edf. Norte Garden, Centro (atrás do antigo Forum).

Festa na Galeria dos Pães Os irmãos empresários Danilo e Tiago Oliveira (abaixo), recepcionaram clientes e amigos com um café da manhã e chá da tarde no dia 28 de setembro, celebrando os seis anos da Galeria dos Pães, em Vilas do Atlântico. A casa é um dos endereços mais prestigiados pela comunidade do bairro e região, fruto dos cuidados dispensados pelos jovens empresários, com os produtos comercializados e atenção aos clientes.

Artistas da Associação de Artesãos de Lauro de Freitas se dividiram no caruru de preceito deste ano: metade foi para a casa de Tânia Regina Nascimento (3) e a outra metade para a casa de Isabel Barros (4), sendo recepcionados pelo marido e o filho Ricardo. Teve gente que participou de ambos.

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Homenagem

Rotary Club Lauro de Freitas homenageia revista Vilas Magazine Marco editorial da 200ª edição repercute na comunidade

Mesa oficial (a partir da esq.): Walter Pinheiro, presidente da Asso­ciação Baia­na de Imprensa e da Tribuna da Bahia, sua esposa, Gel Pinheiro, Ana Lúcia Gomes, coordenadora do Núcleo de Senhoras do Rotary, José Bonifácio Silveira Gomes, presidente do Rotary Club Lauro de Freitas, Carlos e Tânia Accioli Ramos, diretores da revista Vilas Magazine e Ramon Oliveira, presidente do Rotaract O Rotary Club Lauro de Freitas homenageou, em sessão festiva, a ducentésima edição da revista Vilas Magazine, pelos serviços prestados à comunidade, dando visibilidade às ações promovidas pelo clube. Com a presença da maioria dos associados, os empresários Carlos e Tania Accioli Ramos – ele, integrante do Rotary Club e ela do Núcleo de Senhoras do Rotary Club Lauro de Freitas – foram saudados pelo presidente José Bonifácio Silveira Gomes, que lhes entregou uma placa alusiva ao marco editorial. Sua esposa, Ana Lúcia Gomes, coordora do Núcleo de Senhoras do Rotary, também saudou os empresários e companheiros. Presente na solenidade, o presidente da Associação Baiana de Imprensa e do jornal Tribuna da Bahia, jornalista Walter Pinheiro (dir.) , rotariano do RC da Bahia, em seu pronunciamento lembrou que Carlos Accioli Ramos, a seu convite, comandou a sucursal da Tribuna da Bahia, em Aracaju. Destacou a capacidade administrativa e pessoal do homenageado, que conduz com seriedade e profissionalismo exemplar a revista Vilas Magazine, em Lauro de Freitas, tendo acompanhado, como amigo, jornalista e presidente da ABI, o desenvolvimento da revista, sentindo-se extremamente honrado pelo convite para estar presente naquela homenagem ao companheiro Accioli e sua esposa Tânia.

Amigo Accioli, Parabéns pelo marco de 200 edições da revista Vilas Magazine. Um editorial que se tornou referência para a nossa cidade, por nos permitir o acesso às informações sobre os mais variados temas, desde política à entretenimento, sempre tratando os assuntos e informações com seri ed ad e, além de ser uma revista democrática, que abre espaços para diversas linhas de opiniões, pautadas sempre pelo respeito. Toda esta credibilidade conquistada é fruto de um trabalho feito com compromisso e verdade e que tem a frente um grande líder, empreendedor e com uma grande visão de futuro. Parabéns Carlos Accioli Ramos por esta conquista. Desejo saúde e sucesso. Alexandre Marques. Caro Accioli, Agradecimento dos leitores e parabens pela vitória da edição 200 da Vilas Magazine. Na verdade o mérito é compatível com 200 mil ou até com dois milhões de exemplares, se pensarmos que é práticamente inédito um veículo de divulgação evoluir e triunfar sem patrocínio oficial, credenciando-se tão somente pela originalidade, pela independência e pela excelência de suas páginas. Parabens ao amigo e à sua brilhante equipe. Lafayette Pondé Filho. À Revista Vilas Magazine A/C dos seus diretores, Carlos Accioli Ramos e Tânia Maria Gazineo Accioli Ramos Prezados senhores O Lions Clube de Lauro de Freitas – Quatro Estações, tem a grata satisfação de comunicar-lhes que em reunião realizada em 1º de setembro, decidiu, à unanimidade e com aplausos, aprovar MOÇÃO DE CONGRATULAÇÕES apresentada pelo seu Presidente Fundador, CL Eliano Barroso de Souza, “pela ducentésima edição do veículo de comunicação mais noticioso e de utilidade pública da nossa cidade, sempre abordando com profundidade e isenção os assuntos de interesse da nossa população, em um belo exemplo de imprensa livre e democrática”. Recebam, pois, senhores diretores da revista Vilas Magazine, os nossos cumprimentos, com os votos de que essas edições se multipliquem ao longo dos anos. Atenciosamente, João Batista Rodrigues Neves. Presidente. Continua na página 129 u

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Evento

Salva celebra aniversário de Vilas do Atlântico

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Sociedade de Amigos do Loteamento de Vilas do Atlântico (Salva) organizou no dia 26 de setembro uma comemoração pelos 35 anos do loteamento. O aniversário de fato dá-se no dia 29, quando a Odebrecht entregou oficialmente o empreendimento, em 1979. A festa foi antecipada para coincidir com o fim de semana. Além de atrações musicais e de dança, foi organizada uma corrida rústica que movimentou as ruas do bairro. No palco montado no Vilas Tenis Clube, apresentaram-se “As Meninas de Nádia”, um grupo

de senhoras que se dedica à dança. Para Verônica Tambon, coordenadora geral da Salva, a data merece ser lembrada para estimular a consciência de pertencimento dos moradores. Juntamente com ela, Ludmila Fracassi, coordenadora de Cultura da entidade, entregou medalhas aos vencedores da corrida.

A partir da esquerda: Verônica Tambon, coordenadora geral da Salva, Ludmila Fracassi, coordenadora de Cultura e as medalhistas Rosane d’Andrea Matteo, Ana Valéria e Simone de Sá. Abaixo, Nádia Menezes (sentada) e suas “meninas”: espetáculo de dança só com senhoras.

DUAS DATAS O empreendimento Vilas do Atlântico foi lançado em 22 de setembro de 1979, como noticiado na página sete da edição 68, de setembro de 2004, do então jornal Vilas Magazine, em ampla matéria sobre o loteamento, assinada pela jornalista Gilka Bandeira, com o título “O nascimento discreto de Vilas do Atlântico”. “Nem sempre um grande acontecimento é percebido pela imprensa. Foi assim com o nascimento de Vilas do Atlântico. Embora se tratasse de projeto inovador – como ‘vendiam’ os anúncios de página inteira publicados pela Empreendimentos Odebrecht nos jornais da época – nenhuma reportagem foi feita na ocasião, nem antes nem logo depois do seu lançamento, ocorrido dia 22 de setembro de 1979”. Sendo assim, se considerarmos pela ‘certidão de nascimento’, Vilas do Atlântico completou 36 anos, em setembro. Mas se a opção for pela data da entrega da primeira etapa, em 1980, como considera a Salva, então o número se fecha em 35.

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Cidade

Prefeitura quer vender espaços públicos para asfaltar ruas

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Lista de áreas públicas inclui espaços desocupados em Vilas do Atlântico

ais de 150 mil metros quadrados de 29 áreas públicas poderão ser alienados pela prefeitura de Lauro de Freitas com o amparo de uma única medida legislativa – a Lei 1575/15, publicada em 11 de setembro – que já havia sido proposta pelo prefeito Márcio Paiva (PP) no ano passado. A íntegra da lei, com anexos especificando as áreas públicas em questão está disponível na Internet, em http://goo.gl/FfEM6Q. A venda do patrimônio público poderia render cerca de R$ 80 milhões aos cofres

da prefeitura, de acordo com avaliação de técnicos do município, se todas as áreas identificadas se enquadrassem nas exigências legais para desafetação e alienação. Desse total, cerca de um terço – quase R$ 26 milhões – sairiam da alienação de patrimônio público em Vilas do Atlântico. Cerca de 120 ruas deverão ser asfaltadas com os recursos da venda das áreas públicas em todo o município. Nenhuma delas em Vilas do Atlântico. Serão beneficiadas as comunidades menos favorecidas do município.

Pela lei proposta e sancionada pelo prefeito Márcio Paiva, poderão ser desafetados e alienados quaisquer espaços públicos ocupados por terceiros, irregularmente ou não, desde que a ocupação esteja consolidada, com “posse mansa e pacífica” comprovada. A área não pode ser de proteção permanente ou ter restrição ambiental e

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Área institucional na praia de Vilas do Atlântico, desocupada e antes identificada em projeto da prefeitura, agora teria quase 4mil m², abrangendo terrenos em frente às residências vizinhas não pode constituir servidão de passagem. Por fim, além de outras exigências inscritas na lei, só se qualificam para alienação as áreas que não seja possível retornar à destinação pública original. Nem todos os terrenos identificados pela prefeitura são áreas públicas irregularmente ocupadas – uma delas abriga o Senai, por

exemplo, mediante concessão do município – e nem todas atendem os quesitos impostos pela lei. Uma delas, no final da rua Praia Funda, de frente para a praia de Vilas do Atlântico, pode nem mesmo estar ocupada. Por duas vezes, anteriormente, a prefeitura de Lauro de Freitas tentou desfazer-se daquela área institucional, projetada para

abrigar equipamento público desde a implantação do loteamento. O projeto de requalificação da orla de Vilas do Atlântico, da própria prefeitura, revelado pela Vilas Magazine em dezembro de 2013, prevê uso público para aquele espaço. A mesma área, sempre desocupada, foi identificada em agosto, também pela própria u

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Cidade prefeitura, como tendo 1.749m² e com essa metragem foi incluída numa “relação de áreas públicas ocupadas”. A relação constituiu emenda aditiva ao projeto de lei que buscava autorização para alienação do patrimônio público. Depois de recomendação do Ministério Público para que apresentasse estudos técnicos, a prefeitura passou a informar que o terreno inclui a área em frente às residências vizinhas, num total de quase 4 mil metros quadrados e que estaria “parcialmente ocupada” por elas. A foto incluída no estudo mostra uma residência que não está em área pública. A “modalidade de ocupação” anotada consta como “não identificada”. O espaço vale, de acordo com a prefeitura, quase R$ 3,5 milhões.

Estudo técnico da prefeitura mostra foto de residência que não está emárea pública: “modalidade de ocupação” consta como “não identificada”

Mais Vilas do Atlântico Outros espaços públicos do bairro constam da lista dos 29 potencialmente alienáveis. O maior deles tem quase nove mil metros quadrados, foi afetado originalmente como área verde e está hoje ocupado pelo Colégio Apoio na avenida Praia de Itapoan sob “permissão de uso de bem público”. A área pode valer R$ 7,8 milhões, sempre segundo a prefeitura. Na Praia de Pajussara o município iden­ tificou 619m² de área pública, originalmente área verde, hoje ocupada por um estabelecimento comercial que teve alvará de construção concedido pela própria prefeitura. Valor econômico: R$ 396 mil. Há ainda uma área institucional de cerca de mil metros quadrados supostamente na rua Praia do Forte e que é atualmente usada como estacionamento público nas vizinhanças do Colégio Mendel – na rua Praia de Piatã, que a prefeitura avalia em R$ 584 mil. Ao lado, na mesma rua, uma outra área institucional de dois mil metros quadrados está ocupada por um campo de futebol valendo R$ 1,1 milhão. Outros 4.259m² de área verde preservada estariam ocupados pelo colégio, avaliados em quase R$ 2,4 milhões. Em princípio, as três áreas podem ser devolvidas à destinação pública original, mas se fossem mesmo vendidas, por exemplo, ao estabelecimento de ensino, poderiam custar mais de R$ 4 milhões. Também não parece irreversível a ocu-

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pação que a prefeitura identificou em 8,7 mil metros quadros de área vizinha ao condomínio Atol das Rocas. O terreno é servidão de passagem porque atravessa todo o quarteirão da rua Praia de Itamaracá à Praia de Igarassu, terminando numa área gramada não construída, supostamente anexada a uma residência. Avaliada em quase R$ 7,7 milhões, a área poderia ser alienada ao condomínio – ou a qualquer outro interessado. Mais 2,7 mil metros quadrados foram identificados pela prefeitura como área pública nas ruas Praia de Suape, Praia de Tramandaré, Praia de Orange, Praia de Itapoan, Praia de Mar Grande e Praia de Itaparica. São áreas verdes e de passagem para o parque ecológico – Zona Especial de Interesse Ambiental – que teriam sido “anexadas” pelos lotes vizinhos. Valor econômico do conjunto: cerca de R$ 1,5 milhão. Por fim, na avenida Praia de Copacabana, nas proximidades da entrada do Villas Tenis Clube, a prefeitura afirma que duas residências ocupam 970m²de área verde pública. O espaço pode valer R$ 853 mil, sempre segundo a prefeitura. Regulares Uma das duas áreas mais valiosas que a prefeitura lista tem 25 mil metros quadrados e abriga as instalações do Senai na avenida Luiz Tarquínio Pontes, valendo pouco mais de R$ 12 milhões. O

Na av. Luiz Tarquínio Pontes, a prefeitura listou como possibilidade para alienação a área que abriga o Senai espaço está ocupado por concessão da prefeitura, assim como um terreno de 27 mil metros quadrados atrás do Hospital Geral Menandro de Faria, avaliado em R$ 12,9 milhões. Funciona ali uma pequena indústria. Outros R$ 9,3 milhões supostamente viriam de uma área na Estrada do Coco que atualmente abriga nada menos que equipamentos e serviços públicos essenciais como o Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU). No chamado “loteamento Portal Norte Center” também já funcionou um posto do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual, hoje substituído pela repartição de trânsito da prefeitura. Há ainda u

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Cidade naquele trecho alguns standes de vendas que anteriormente foram autorizados pelo município a funcionar. Apenas essas três áreas regularmente ocupadas somam cerca de R$ 34 milhões em valor econômico – ou 42% dos R$ 80 milhões anunciados. Ministério Público Os vereadores que votaram contra a autorização de alienação do patrimônio público preferiram centrar as críticas em questões regimentais e de procedimento, obtendo assim uma intervenção do Ministério Público que se revelou essencial. Antes disso, a listagem das áreas potencialmente atingidas nem sequer existia. A prefeitura afirma que as áreas “ainda serão objeto de avaliação por parte do órgão de planejamento urbano municipal “ após “verificação do preenchimento dos requisitos legais”. O parecer técnico deverá será publicado no Diário Oficial do Município, “dando publicidade e transparência ao estudo feito, que concluirá pela continuidade ou não do processo de desafetação, com posterior, caso favorável, possibilidade de alienação das áreas”.

Atrás do muro na av. a Praia de Itamaracá (aci­ma) existe uma área verde pú­blica de 8,7 mil me­tros quadrados. Trecho na Estrada do Co­co (dir.) avaliado em R$ 9,3 milhões abriga equi­pamentos públicos essenciais como o Samu e o Corpo de Bombeiros

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Liminar judicial suspende concessão de alvarás em Vilas do Atlântico

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ontinuam suspensas as concessões de alvarás comerciais em Vilas do Atlântico, mas agora também nas avenidas Praia de Itapoan e Praia de Pajussara, por decisão judicial liminar emitida no mês passado pela juíza Zandra Parada, da comarca de Lauro de Freitas. Provocado pela Associação de Moradores de Vilas do Atlântico (Amova), o Judiciário entendeu que o Decreto 3.790/14 da prefeitura – que suspende a concessão de alvarás em Vilas do Atlântico, mas faz exceção à Praia de Itapoan e Praia de Pajus­ sara – “cria situações subjetivas” a serem decididas a critério exclusivo da conveniência do Executivo “podendo acarretar efeitos diretos” sobre o Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal (PDDM).

O decreto em questão foi uma tentativa da prefeitura de legislar sobre temas de competência do PDDM, logo depois substituído por um projeto de lei com o mesmo teor. A juíza anota na decisão liminar que a Câmara Municipal, “inclusive, reconheceu a necessidade da participação popular” na legislação de modificação do uso do solo “ao devolver o Projeto de Lei nº 32/2014 ao Executivo”. Ocorre que permanecem os efeitos do decreto 3.790/14, “merecendo a intervenção do Poder Judiciário”. Ao contrário do que

Av. Praia de Pajussara: prefeitura tentava legitimar comércio em via residencial pedia a Amova, o Judiciário entendeu que “não merece acolhimento o pedido liminar de suspensão cautelar do decreto” como um todo, mas apenas dos dispositivos que permitiam a concessão de alvarás na Praia de Itapoan e Praia de Pajussara.

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Cidade

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tradicional concentração de renda em Lauro de Freitas foi mais uma vez confundida por um ranking nacional, que leu dados da renda per capita local e traduziu por “melhor padrão de vida” entre os municípios brasileiros de médio porte. Desta vez foi a Austin Ratings, agência clas­ sificadora de risco, a serviço da Editora3, que publica a revista semanal IstoÉ. A notícia tinha sido dada há mais de dois anos pela Vilas Magazine: Lauro de Freitas tem renda per capita maior até que a de Salvador. Com R$ 1.031,78 de renda média, já era em 2013 o município baiano com maior capacidade de compra e consumo, seguido pela capital (R$ 973,00). Nasce daí a ilação do “melhor padrão de vida”.

Só nos condomínios Com base nos índices de sempre, o “Ranking das Melhores Cidades do Brasil 2015” identificou agora o município como destaque nacional de padrão de vida. Cerca de 68% da renda local, entretanto, está concentrada nos 20% mais ricos da população: o “melhor padrão de vida” da cidade só existe para os moradores de condomínios a leste da Estrada do Coco. O índice de Gini, que mede o grau de concentração de renda, variando de 0 a 1 – que representaria completa desigualdade – pouco progrediu na última década em Lauro de Freitas: 0,68 em 1991, 0,67 em 2000 e 0,63 em 2010. O dado foi revelado primeiro pelo

Paulo Maneira

Agência afirma que Lauro de Freitas é destaque nacional de padrão de vida

Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com base em informações do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PNUD já alertava para a grande limitação do indicador de renda: o número não considera a desigualdade de renda entre os habitantes do município. Lauro de Freitas pode apresentar uma elevada renda per capita e, ao mesmo tempo, ter uma grande parcela de sua população vivendo na pobreza – o que não configura padrão de vida aceitável. Renda transferida De fato, apesar do aumento na renda per capita e da grande redução da pobreza, a cidade não progrediu da mesma forma quanto à distribuição de renda. Os 20% mais pobres detinham apenas 2,43% da renda em 2010, pouco mais que os 1,95% de 2000 e que os 2,2% de 1991. Na ponta

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nização no mesmo período ficou em meros 0,12%. Camaçari, que registra uma renda per capita de R$ 553,18, também experimentou crescimento populacional elevado, de cerca de 4% ao ano em duas décadas, mas a taxa de urbanização aumentou apenas 0,24%. Diploma Em cerimônia de gala realizada em São Paulo no mês passado pela editora, o prefeito Márcio Paiva (PP) recebeu o título atribuído a Lauro de Freitas juntamente com dezenas de outros prefeitos, representando os municípios destacados em 48 categorias diferentes. A festa reuniu cerca de 500 pessoas e contou com a presença

de centenas de prefeitos e do ministro das Cidades Gilberto Kassab. No conjunto dos quesitos avaliados, as “melhores cidades” do Brasil, de acordo com a agência classificadora de risco, seriam Curitiba (PR), de grande porte, Itajaí (SC), de médio porte e Congonhas (MG), de pequeno porte. Itajaí foi escolhida também como a cidade de médio porte com a melhor qualidade de vida. Em relação aos indicadores fiscais, a escolhida foi Macaé (RJ). Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, a melhor em relação aos indicadores econômicos. A campeã dos indicadores sociais é Balneário Camboriú (SC.

Prefeitura corta pessoal e anula aumento do salário de Márcio Paiva

Márcio Paiva (acima) recebe título na cerimônia promovida pela editora em São Paulo: estatísticas mal interpretadas oposta da pirâmide socioeconômica, os 20% mais ricos concentram mais de 68% da renda do município. Em 2010 e 1991 eram cerca de 72%. A explicação para o crescimento da renda per capita nas últimas duas décadas está na taxa de urbanização do município, que cresceu impressionantes 55%, às custas da transferência de residência da classe média de Salvador. A fonte de renda dessa população continua localizada na capital ou no polo industrial de Camaçari. Na capital, o crescimento da taxa de urba-

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salário de Márcio Paiva (PP), prefeito de Lauro de Freitas, deve retornar aos patamares do que ganhava a sua antecessora, Moema Gramacho (PT), passando dos atuais R$ 20 mil para R$ 14 mil depois de um prometido corte de 30%. O salário do prefeito havia sido aumentado no final de 2012, juntamente com os dos vereadores, do viceprefeito e dos secretários municipais – que tiveram na época o aumento mais expressivo, cerca de 86% de uma só vez. Devido à generalizada queda nas receitas tributárias e repasses da União, a prefeitura viu-se obrigada a cortar despesas de pessoal. Devem ser eliminados entre 20% e 30% dos cargos comissionados – de indicação política, preenchidos pelos não concursados. Não foi divulgada informação sobre o total de cargos comissionados existentes atualmente, nem sobre o custo deles ou a economia que se pretende fazer

com os cortes. “Para tomar as atitudes necessárias preciso começar por mim”, disse Márcio Paiva em comunicado distribuído à imprensa. “Passamos por um momento difícil na economia do Brasil e temos que tomar atitudes rápidas para garantir os serviços básicos sem perder a capacidade investimento que é necessário para qualquer município”. Para manter investimentos em infraestrutura, o prefeito conta a lei das contrapartidas sociais – que obriga empreendedores a construir bens públicos – com operações de crédito e com a receita da alienação de patrimônio público (leia à página 12), que não deve chegar nem à metade dos R$ 80 milhões previstos na Lei 1.575/15 (leia no Editorial). As contrapartidas também não serão das mais expressivas pelo menos até 2017, já que os níveis de investimento estão em queda acentuada no país inteiro.

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Ligeirinhos da cidade podem ganhar regulamentação

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auro de Freitas está em vias de regulamentar o serviço de transporte de passageiros em veículos particulares que há mais de dez anos opera do Centro para Vida Nova – e que agora já chega a Areia Branca, Jambeiro, Caji e outras regiões. São bairros em que o transporte público é ainda mais deficiente do que no restante da cidade ou apenas inexistente. Os chamados “ligeirinhos” são uma alternativa aos micro-ônibus do transporte alternativo – os “topiqueiros” que circulam muito lentamente pela cidade na tentativa de maximizar o número de passageiros por viagem. Uma das queixas mais frequentes dos usuários desse transporte é o exagerado tempo de viagem, três a seis vezes maior que o normal. Vem daí, justamente, o apelido dos ligeirinhos, carros-lotação que cumprem o percurso dos topiqueiros numa fração do tempo destes. Enquanto um topiqueiro leva de 60 a 90 minutos para ir do Jambeiro ao

Ligeirinhos: compensando as insuficiências do transporte local Centro, os ligeirinhos cumprem o mesmo trajeto em 20 minutos. A fórmula surgiu quando o poder público se ausentou. Como em muitos outros casos, a sociedade acaba encontrando soluções para os seus problemas por conta própria. Isso é verdade especialmente no que se refere ao transporte público, tradicionalmente insuficiente e de baixa qualidade na maior parte do país. O serviço de moto-táxi, regulamentado em Lauro de Freitas em anos recentes, também apareceu como solução para resolver insuficiências de transporte. Uma das soluções mais discutidas atualmente nas grandes cidades brasileiras é o serviço do Uber, que veio compensar a pouca qualidade dos serviços de taxi oferecendo, entre outras coisas, veículos de melhor padrão. Em Lauro de Freitas, por enquanto, é o usuário de micro-ônibus

que busca simplesmente chegar ao destino em tempo hábil. E às vezes, apenas chegar. Em várias regiões da cidade os ligeirinhos são a única alternativa de transporte público. É o caso da rua Teócrito Batista, no Caji, onde nos últimos anos surgiram diversos condomínios. A chegada das famílias não foi acompanhada pela oferta do serviço público de transporte. Quem não tem carro próprio depende dos carros-lotação. Como, ao contrário, a oferta de transporte dos ligeirinhos acompanhou a demanda da expansão imobiliária, a atividade popularizou-se, passando a exigir regulamentação e supervisão. “Está na competência dos municípios regular o transporte por ser de interesse local”, explica o vereador Antônio Rosalvo (PSDB), presidente da Câmara e autor do projeto de lei que regulamenta a atividade em Lauro de Freitas. “Não se trata de admitir ou não os ligeirinhos”, diz – “eles são uma realidade há muitos anos e prestam um serviço essencial à população, não só compensando a insuficiência dos outros meios de transporte, mas também atendendo regiões que não têm transporte público algum”. A regulamentação que vem sendo discutida na Câmara prevê normas de segurança para usuários e motoristas, submetendo a atividade à fiscalização da prefeitura. Rosalvo destaca ainda que os ligeirinhos já são amplamente aprovados pelos usuários, ao contrário do que ocorre com o serviço de micro-ônibus, que teria 80% de rejeição de acordo com pesquisa da prefeitura mencionada pelo vereador. Com custo igual ou inferior ao dos topiqueiros (R$ 2,50 por passageiro do Centro ao Caji, por exemplo) os ligeirinhos ganharam facilmente ampla preferência popular, mas enfrentam a oposição dos operadores das linhas de micro-ônibus. As linhas que operam na cidade são concessões do poder público e não passaram por licitação apesar do que prevê a lei.

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Prefeito veta lei que proibia logomarcas da gestão

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prefeitura de Lauro de Freitas acaba de perder a oportunidade de economizar rios de tinta ao vetar totalmente um projeto de lei que obrigaria todas as gestões municipais a utilizar apenas o brasão oficial como meio de identidade visual – e não as logomarcas criadas a cada nova administração. O veto do prefeito Márcio Paiva (PP) foi mantido pela Câmara no mês passado, por nove votos a cinco no plenário da Câmara. O projeto de lei vetado pelo prefeito também fixava limites para as despesas com “publicidade institucional”: 2% dos gastos com a saúde ou 3% das despesas com obras públicas. Para a vereadora Mirela Macedo (PSD), autora do projeto de lei, o município perdeu ainda a chance de cumprir o artigo 37 da Constituição Federal, que diz que “a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos”. Cada vez que a cidade elege um novo administrador para o cargo de prefeito uma das primeiras providências do gestor de plantão é trocar as cores e símbolos dos bens

públicos do município, como se estes pertencessem a uma administração em particular. Em Lauro de Freitas, o que já foi amarelovermelho-azul tornou-se depois verdevermelho-lilás e agora é amarelo-verde-azul. Fachadas inteiras são redecoradas a cada quatro ou oito anos para refletir a “identidade” da administração pública de plantão. Nem a UPA24h de Itinga escapou: projeto do governo federal que tem fachada branca em todo o país por padrão, aqui ela é amarela. Veículos do serviço público e placas de identificação de repartições públicas também passam por redecoração sempre que muda o plantão. Já houve uma seta ascendente, depois um maratonista apressado, em seguida três estrelas e agora duas mãos sobre uma esfera que também lembram um u dos Angry Birds.

Vereadora Mirela Macedo: dinheiro público gasto com mudanças que não impactam em nada na vida do cidadão

As várias logomarcas das gestões municipais (a partir da esq.), Roberto Muniz, Marcelo Abreu, Moema Gramacho e Márcio Paiva. Nada a ver com a identidade do município

A família rotariana, representada pelo Rotary Club Lauro de Freitas, Núcleo de Senhoras do Rotary e Rotaract Club Lauro de Freitas congratula-se pelos 35 anos de existência do Loteamento Vilas do Atlântico, local aprazível, encantador e amado pelos seus moradores e visitantes. Lauro de Freitas, 22/09/2015. Companheiros Rotarianos Outubro de 2015 | Vilas Magazine | 21

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Cidade viviane sales

Escolas de Lauro de Freitas recebem programa de Furnas

D Fachada da UPA24h em Itinga: branca em todo o país, amarela em Lauro de Freitas

Mas o que de fato representa Lauro de Freitas é o brasão municipal. Mirela destaca que a padronização economizaria dinheiro público na medida em que reduziria custos com plotagens em carros oficiais, placas e painéis das fachadas dos órgãos públicos e com materiais gráficos. “Toda vez que entra uma nova gestão muda tudo por conta de uma nova logomarca”, aponta. “O dinheiro que deveria ser gasto com saúde e educação, por exemplo, é gasto com essa mudança que não impacta em nada na vida do cidadão”, destaca a vereadora. Impacto mesmo só como propaganda de viés político para beneficiar o gestor ou gestora da ocasião. Não por acaso, a lei manda retirar todas as logomarcas durante as campanhas eleitorais. É nesse período que os governos substituem as logomarcas pelos brasões oficiais, que de fato representam municípios, estados e a União nos bens públicos que lhes pertencem.

epois de 28 dias na estrada, a caravana do Furnas Educa encerrou em Lauro de Freitas, no dia 15 de setembro, a etapa Norte-Nordeste do programa itinerante de educação ambiental promovido pela Eletrobras Furnas, empresa de geração de energia fundada na década de 50. A i n i c i at i va atingiu, de acordo com a empresa, cerca de oito mil e st u d a n t e s d a rede pública de ensino levando informação sobre o uso consciente da energia elétrica, a importância de se preservar o meio ambiente e os perigos de realizar queimadas sob torres e linhas de transmissão. Ao todo, durante a etapa Norte-Nordeste, foram visitadas 41 escolas dos municípios de Balsas (MA), Picos (PI), Gurupi e Palmas (TO), Petrolina (PE), Salvador e Lauro de Freitas (BA) – onde a equipe visitou as escolas municipais Fenix, Santa Júlia e Mário Covas. As palestras contaram com a participação da ginasta Daiane dos Santos, madrinha do programa e do nadador paralímpico Clodoaldo Silva, além do artista plástico

Daniel Azulay, que encantaram as crianças. O Corpo de Bombeiros também participou das atividades, alertando a criançada Tereza Travassos

Daiane dos Santos participa de atividades em escola pública pelo Furnas Educa

sobre os perigos das queimadas e de choques elétricos ao empinar pipas próximo a linhas de transmissão de energia. A Bahia está entre os estados de maior incidência de queimadas ilegais, com cerca de 2,6 mil focos de incêndio apenas neste ano, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Com o encerramento do Furnas Educa Norte-Nordeste 2015, a equipe de educadores seguiu viagem para o Espírito Santo, onde realizou as atividades no final do mês. A partir deste mês o programa ruma para o Sul do país. Desde 2013 o Furnas Educa percorreu em torno de 250 escolas e instituições sociais em cerca de 50 municípios dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Paraná, Maranhão, Piauí, Pernambuco, Bahia e o Distrito Federal, atingindo aproximadamente 100 mil crianças e jovens.

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Teatro infantil marca mês das crianças no Cine Teatro

programação deste mês no Cine Tea­ tro de Lauro de Freitas é das crianças, no mês delas. “Teatro, Outubro é das Crianças” é a proposta do projeto organizado pelos pro dutores culturais da cidade. A ideia é levar ao palco muita diversão e conscientização ambiental por meio de contos e fábulas. A programação será aberta com o Projeto Escola, no dia 7, com a apresentação do espetáculo A Menina Que Roubava Lixo em sessões fechadas para estudantes locais durante todo o dia. Nos dias 10 e 17 acontecem ações de divulgação e conscientização com a Trupe de Atores em diversos pontos da cidade – Praça da Matriz, Largo do Caranguejo e orla de Vilas do Atlântico. A mensagem é o descarte responsável dos resíduos. Já nos dias 11 e 18 acontecem espetáculos abertos ao público, com sessões às 10h e 17h. No dia 11 às 17h é a vez de apresentar A Menina Que Roubava Lixo para o público em geral. No dia 18, às 10h sobe ao palco A Gazeta do Palhaço e no dia 18 às 17h as Fábulas Fabulosas.

O Cordel das Fábulas Fabulosas A produção traz um macaco lutando por sua banana, um leão preso na armadilha de um caçador, as aventuras de um velho para vender seu burro e a mais tradicional de todas as fábulas: A Cigarra e a Formiga. A peça vem com a assinatura de qualidade da Cabriola Cia de Teatro, de Salvador, sob a direção de Heraldo Souza. Fundindo os elementos do lúdico e do pedagógico, as histórias são protagonizadas por animais que possuem características humanas. Ao mesmo tempo que distraem o espectador, ilustram experiências e vivências próprias dos seres humanos. Desta maneira, a aparência de entretenimento camufla a proposta didática presente na peça. O texto segue a estrutura da literatura de cordel. E para contar as histórias, os atores Etiene Bouças e Heraldo Souza utilizam técnicas de origami, máscaras, fantoche e danças folclóricas como a do Cavalo Piancó, que imita o trote de um cavalo manco.

A Gazeta do palhaço O espetáculo envolve a arte teatral e circense, com a Trupe da Alegria trazendo cenas dos bastidores com muito humor e desafios. Palhaços tocam, cantam, dançam e fazem acrobacias. Com magia e encanto se divertem, voltando a ser crianças, brincando. A montagem é do grupo Revolução Teatral, formado por 14 adolescentes e jovens. O grupo foi se formando ao longo das atividades do Ponto de Cultura da Associação Cultural Tupã e agora é um dos grupos permanentes da entidade. O Revolução Teatral marcou sua estreia com a peça O Nascimento do Menino Salvador em 2011. Em 2012 montou e estreou o espetáculo Adolescência, resultado de processo artístico de oficina de teatro, onde são discutidos temas que envolvem a faixa etária e suas relações com a comunidade. A Gazeta do Palhaço é a terceira montagem do grupo. A Menina Que Roubava Lixo A trama de A Menina Que Roubava Lixo gira em torno de uma menina-boneca chamada Luna. Quando reaproveitada e restaurada pelo seu cuidador, Luna ganha vida e se

torna animada, mas não consegue entender o porquê de tanto lixo nas ruas da cidade. Ela encontra um objeto precioso, conhece um grande amigo, um vendedor de jornais e passa a querer interferir no comportamento dos cidadãos, por meio de uma surpreendente campanha, a “Vacina Ética”. Com um elenco todo formado por atores e atrizes das oficinas de montagem do Polo de atores de Lauro de Freitas, a peça possui figurino requintado, com 80% de

Etiene Bouças e Heraldo Souza no Cordel das Fábulas Fabulosas: lúdico e pedagógico material reciclado. Analya Valle, designer de moda, é quem assina a criação juntamente com Roca Taboca.

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Decoração

Cozinha vira espaço para receber amigos e familiares

Ambiente, que antes era apenas o lugar das refeições das pessoas da casa, ganhou novo status

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á se foi o tempo em que a sala era um único espaço de convivência da casa. Com empreendimentos cada vez menores, aproveitar os espaços é a regra da vez. Por isso, a cozinha, às vezes integrada à sala, ganhou um novo status: um ambiente de interação e recepção. O que antes era apenas um lugar para fazer as refeições, agora serve também para receber os amigos e familiares. Entre as receitas e os temperos, a principal atração não são os pratos servidos, mas a interação entre os convidados. E para isso não é necessário ter uma cozinha ampla, garante a arquiteta e urbanista Thamires Tavares. Ela sugere dicas simples, como os móveis embutidos, para mobiliar a cozinha e ainda ganhar espaço para mesas e cadeiras. “Para quem quer aproveitar todo o espaço, a opção é embutir todo o mobiliário. Os móveis compactos são úteis porque permitem armazenar todos os produtos sem perder nenhum metro quadrado. É importante pensar o móvel como algo que deve ser prático, decorativo e útil, o ideal é que ele tenha mais de uma utilidade”, esclarece a profissional. A escolha dos móveis e utensílios é algo que deve ser pensado com antecedência, afirmam os profissionais. A arquiteta Sandra Sampaio aconselha que, antes de começar uma reforma, o morador comece a decidir quais serão os itens que farão parte do projeto. “Visitar as lojas de eletrodomésticos para definir o que vai ou não ser utilizado na cozinha permite ter uma ideia melhor do que ele realmente deseja. A opção de móveis para a cozinha é enorme, por isso antecipar essa escolha é fundamental”, diz Sandra. Diante de tantas escolhas para renovar a cozinha, algumas peças merecem atenção. O cooktop ou fogão de mesa é um item constante nas ilhas da área gourmet, que, além de práticas – já que podem ser colocadas sobre uma bancada – são também decorativas, graças ao designer fino. A geladeira side by side é outra opção. Esse refrigerador apresenta duas portas: uma para o freezer e outra para o refrigerador, com espaço maior para os dois comCRIS CENAVIVA / DIVULGAÇÃO

Sandra Sampaio e Lissandra Ribeiro integraram a mesa e as cadeiras com a bancada do fogão tipo cooktop no projeto da cozinha

XICO DINIZ / DIVULGAÇÃO

partimentos. A preferência por esses eletrodomésticos é compreensível. Sandra explica que no caso do cooktop é possível ter no mesmo espaço o fogão e a mesa, já que a bancada que servirá de apoio pode ganhar prateleiras e as cadeiras para as visitas. “A bancada pode estar no centro da cozinha ou encostada em uma parede, é uma sugestão para deixar o espaço mais amplo, além do fogão e prateleiras, ela pode ser uma mesa”, aconselha. Todas as peças devem ser escolhidas sem perder de vista que o ambiente também deve ser acolhedor, lembra a designer de interiores Adelia Estevez.

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Projeto de Adelia Estevez: “As cores claras são ótimas opções” Por isso, ela sugere cores mais claras e elementos em destaque para criar um espaço acolhedor e bem decorado. “As cores claras são ótimas opções para tornar o ambiente mais amplo, porém é interessante quebrar a sobriedade utilizando pontos de cores em elementos, seja através do uso de pedras, vidros coloridos, bancadas ou objetos pessoais. O visual acolhedor está na mistura harmoniosa de acabamentos”, afirma Adelia. Mais úteis que decorativos, a coifa e o exaustor são itens essenciais na cozinha gourmet. Além do aroma das refeições, a gordura dos alimentos também é absorvida pelos móveis, mas isso pode ser evitado. “O item que não se deve esquecer é a coifa ou o exaustor. Para quem tem uma cozinha aberta, eles são itens indispensáveis, garantem que o cheiro dos alimentos não se espalhe pela casa toda”, afirma Sandra. Carla Jesus / Ag. A Tarde.

UM AMBIENTE PARA RECEBER E INTERAGIR DESTAQUE Para evitar que a decoração fique monótona, a indicação é dar destaque a móvel ou objeto, que pode ter uma cor diferente ou ser revestido com um adesivo temático ou até mesmo uma pintura ou grafite MATERIAL Em cozinhas abertas o indicado é evitar materiais porosos que podem absorver a gordura, um exemplo é a madeira, que não suporta objetos pontiagudos ou muito quentes POUCO ESPAÇO Para quem tem uma cozinha menor a dica é utilizar mesa redonda com quatro ou dois lugares e um balcão alto FORNO Com um fogão de mesa, o ideal é que o morador tenha também um forno elétrico ou a gás para o preparo de alimentos assados Outubro de 2015 | Vilas Magazine | 25

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Decoração | Lançamentos

Rox lança revestimento cimento

Lançamentos para pintar madeira

A simples mistura de cimento, areia e água, é o que dá forma ao cimento quei­mado, um acabamento que voltou a ser tendência na arquitetura por conta da sim­pli­cidade, elegância e originalidade. O revestimento Cimento, lançado pela empresa Rox, nova marca do Grupo Lef Cerâmica, oferece design atual e custo benefício atraente. A decoração conta com mesclas e nuances de tons, que proporcionam harmonia na decoração e na combinação de materiais, como ladrilho hidráulico, madeira, pastilhas entre outros. O produto, disponível nas cores bege e cinza, também conta com a tendência dos grandes formatos (57x57cm).

A Sayerlack, empresa com mais de 45 anos no segmento de pintura e envernizamento de superfícies de madeira, acaba de lançar dois novos produtos no mercado: o Polismalte, esmalte sintético Premium que pinta madeira e metal, prometendo alto rendimento e boa cobertura, secagem rápida, retenção de brilho e cor e é livre de chumbo. Está disponível em 29 opções de cores com acabamento brilhante, acetinado e fosco, em embalagens de 900 ml e 3,6 L. Ecologicamente correto e com baixíssimo odor, o Esmalte Base Água pode colorir madeira e metal, possui secagem superrápida, elevada retenção de cor e brilho e uma durabilidade superior. Disponível em 14 opções de cores com acabamento acetinado, brilhante e fosco.

Coza lança potes herméticos da linha MOD A marca de utilidades domésticas Coza, pertencente ao Grupo Brinox, apresenta seus novos potes herméticos, da linha MOD. A novidade, 100% nacional, foi desenvolvida para compor e auxiliar na organização de itens de cozinha; possui recipientes com seis tamanhos diferentes – todos com vedação de silicone –, garantindo a melhor conservação dos alimentos e a segurança de que o conteúdo não vazará. Suas formas modulares permitem o empilhamento, facilitando ainda mais a organização dos espaços. Todos os potes tem o corpo em tritan e são livres de BPA. As tampas estão disponíveis em quatro opções de cores: branco, natural, verde e vermelho. Conferindo versatilidade e charme mesmo na hora de organizar a dispensa. As peças podem ir ao micro-ondas, freezer ou mesmo na lava-louças.

Eliane Revestimentos lança Linha Loft Inspirada no cimento rústico desgastado pelo tempo, a Eliane Revestimentos lança a Linha Loft (abaixo), que tem como proposta tornar o básico surpreendente, por meio de tonalidades e superfícies modernas que trazem o estilo industrial, tendência contemporânea, para dentro dos interiores, possibilitando infinitas combinações para tornar os ambientes únicos. Disponível nas medidas 60 x 120 cm e 20 x 120 cm, o porcenalato acetinado pode ser aplicado em pisos e paredes e encanta pela textura e naturalidade. Indicados para áreas comerciais, garagens, varandas e ambientes residenciais.

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Linha Active para cozinhas e banheiros A indústria Docol lança a linha Active com uma série de características funcionais, aliando conforto e facilidade no uso e modernidade aos ambientes. Direcionada para banheiros e cozinhas, a linha tem atributos variados: o volante em alavanca, que oferece mais conforto na abertura e no fechamento; o cartucho com pastilha cerâmica ¼ de volta, que facilita e deixa a regulagem de vazão mais precisa; acabamento cromado biníquel, que proporciona maior durabilidade e resistência à corrosão e o arejador, que além de evitar respingos, economiza água e facilita a higienização das mãos, pois torna o jato mais suave. Os produtos para cozinha contam com arejador articulável, que permite direcionar o fluxo de água, além da bica giratória com rotação de 360°, que proporciona flexibilidade e otimiza o espaço. A linha Active para banheiros é composta por misturadores para lavatório e bidê, torneiras e ducha higiênica. Já a linha para cozinhas possui misturadores e torneiras, de mesa e parede. Todos os produtos Docol para uso residencial já saem de fábrica com a Garantia Toda Vida. A empresa é a maior exportadora de metais sanitários da América Latina e pioneira no Brasil na fabricação de produtos que garantem o uso consciente da água.

Vai pintar a sua casa e não sabe escolher a cor da tinta? Se você quer renovar o seu ambiente doméstico, vale a pena usar simuladores de ambiente para checar como ficaria a sua casa após a pintura Quando se pretende pintar a casa ou outros ambientes, sempre surgirão dúvidas sobre a cor que será usada, a quantidade de latas necessárias, tipos de pincéis, entre outros detalhes. A editora do site tintas. net.br, Tatiane Barros, dá dicas sobre os primeiros passos para selecionar a cor da tinta. “Se a pessoa tem dúvidas sobre as cores, ela pode fazer a escolha antes de ir às compras. Hoje em dia existem muitos simuladores online. Você faz um upload de uma foto de um ambiente ou fachada da casa e essa ferramenta possibilita que a pessoa consiga experimentar várias cores”. Quantas latas comprar? Outro serviço que se encontra online para o auxílio na hora de pintar algum ambiente são as calculadoras de tinta. Elas servem para ajudar a não comprar latas de tintas a mais, o que acarreta num gasto desnecessário.

O melhor pincel Se for utilizar pincéis novos, não há problemas; você pode passálo diretamente na lata da tinta. Porém, se for o caso de pincel usado, a melhor dica é comprar um tabuleiro de tinta. O produto pode se danificar com um pincel já sujo pelo uso anterior. Preze pelo uso de pincel que tenha suas cerdas inclinadas, pois o mesmo consegue absorver melhor a tinta em relação a um pincel que tenha as cerdas planas. Remover tomadas e outros acessórios“ Quando você vai fazer um trabalho de pintura, é melhor que se retirem todos os interruptores e tomadas que estão na parede”, comenta a editora do site tintas. net.br, o qual oferece matérias com dicas sobre pintura e decoração. E se sobrar tinta? Para guardar tinta que sobra de sua reforma, coloque em locais que não sejam muito frios. O ambiente não pode estar junto de aparelhos aquecedores e nem em contato com sol. Siga esses princípios para que ao necessitar de retoques, você ainda tenha a tinta em boas condições de uso.

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Jaime de Moura Ferreira Ad­mi­nistrador, consultor organizacional, professor universitário, escritor, sócio fundador do Rotary Club Lauro de Freitas. E-mail: jamoufer@atarde.com.br

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Humildade e vaidade

o decorrer natural da existência humana, as pessoas vão acumulando conhecimentos, verdades e valores materiais, que poderão modificar, em várias intensidades, suas estruturas mentais e espirituais. Dessa situação, surge a necessidade de os seres humanos reconhecerem suas próprias limitações. Também, as pessoas podem chegar ao poder, porém, nem todas estão preparadas para absorvê-lo, tornando-se orgulhosas, prepotentes, dominadoras e cruéis. Aquelas que alimentam a humildade dentro de si sabem que a fama adquirida tem que ser bem administrada, para que ela aumente, progressivamente, e se perpetue. Essa humildade elevará a pessoa perante seus semelhantes, embora sem arrogância, prepotência e soberba, que lhe criará oportunidades para melhor conhecer a vida e desenvolver seus novos planos. São muitos os exemplos de pessoas que conquistaram seu lugar na história, em diversas épocas e segmentos da sociedade, tendo a humildade como virtude inseparável: Steven Spielberg, Mahatma Gandhi, Ayrton Senna da Silva, Madre Tereza de Calcutá, Jesus de Nazaré e tantos outros, lembrados e exaltados como grandes líderes. Para esses, Confúcio se expressou: “humildade é a única base sólida de todas as virtudes”. As pessoas vaidosas fazem questão de divulgar seus conhecimentos e poderes, de maneira desvairada, frenética, de tal forma que a energia despendida para esse fim, acaba destruindo-os e tudo que lhes rodeiam.

As humildes realizam seus eventos, serviços e administram o poder, como, tão somente, determinações e contratos divinos, que lhes afirmam obrigações a serem cumpridas. Entre as diversas forças existentes na natureza, sem discutir sua representação para a humanidade, apenas observando seus comportamentos, duas delas podem se constituir em exemplos, para indicarem a humildade e a vaidade arrebatada: o rio e o fogo. O rio nasce, humildemente, em um minadouro e começa, por conta própria, seu processo de crescimento. Vai-se escorregando, docilmente, pelo chão onde nasceu, atingindo novos terrenos, em busca de um chamado superior. Na formação de sua estrutura arrojada vai acumulando alegrias, pelos vales que fertiliza e cachoeiras que são criadas; tristezas, por inundações provocadas, pela intromissão das chuvas e gerando destruições; camaradagem e companheirismo, pelos diversos contatos e acordos com pedras, montanhas e despenhadeiros; felicidades, pela condição de promover a vida, criando e alimentando peixes, pássaros, árvores e animais diversos; orgulho, sem vaidades, pela dimensão e profundidade do seu leito; e, finalmente, respeito, disciplina e obediência, quando, por maior e mais poderoso que seja, reconhece que existe um ser com energia bem superior à sua, ao qual vai se juntar: o mar. O fogo já surge do conflito de dois ou mais elementos químicos. Assim que nasce, sua vaidade desvairada já lhe insufla para mostrar seu poder. Aí, de forma prepotente e avassaladora, vai queimando tudo que se encontra em sua volta, a fim de que a altura

e o calor de suas chamas imponham-lhe o respeito exigido. Pouco lhe afeta a consciência pela destruição promovida; dispensa dores, remorsos e tristeza pelas vidas ceifadas; nem, tão pouco, se acomete de culpas, pelo lastro de cinzas, provocado. Porém, a energia despendida para essa ação pirotécnica é tão forte e mal administrada que, em pouco tempo, aquele imenso clarão de poder, aquela violenta substância de terror, aquela beleza natural colorida vai-se exaurindo, morrendo lentamente, sobrando apenas a desolação pelas vidas e elementos destruídos. Embora o fogo, na pré-história, tenha sido de grande proteção ao ser humano, em determinado tempo passou a ser utilizado como arma destrutiva. Também, não teve a humildade de compartilhar sua força com os outros elementos da natureza água, terra e ar. Então, se achou incontrolável, superior e dono do poder e, assim, transformou-se em prepotente, dominador e vaidoso. O rio, embora em alguns casos mostre-se amedrontador, não se mostra superior aos outros, oferecendo suas águas para os mais diversificados usos, pelos seres humanos, animais e plantas. Sua integração com os outros elementos da natureza lhe garante ser considerado como indispensável na terra. Dessa forma, demonstra que o topo da inteligência é alcançar a humildade. Portanto, o sucesso com humildade, sem a falsa modéstia, tem um sabor todo especial, porque seu valor é reconhecido, aceito e apreciado por todos e sua ação é muito mais duradoura. “A humildade é o reconhecimento da superioridade divina”.

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Cultura | Livros

Nossas origens e o racismo

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ia 16 de setembro, Lauro de Freitas teve a oportunidade de compartilhar das histórias de um dos mais importantes intelectuais da atualidade, Carlos Moore, 72, que proferiu palestra no Cine Teatro de Lauro de Freitas, com tema “Racismo e Sociedade”, atraindo a atenção de educadores, pesquisadores e estudantes, que na oportunidade conheceram também os livros do intelectual, autografados no local. O evento, realizado com apoio da Secretaria Municipal de Educação por meio da Divisão de Ações Palestra de Carlos Mo­ Afirmativas – visando a efetiva implementação da Lei ore, em Lauro de Freitas, Federal 10.639/2013, que trata da história da África atraiu atenção de um e a história africana no Brasil, no cotidiano escolar –, público diversificado. contou ainda com a exposição de roupas étnicas de Abaixo (esq.), capa do Monica Anjos, estilista de roupas étnicas africanas; livro Pichón. Exposição de telas dos alunos da Escola Municipal Solange Coelho; Exposição de tear, método tradicional de fazer tecidos, e turbantes africanos, com o Bankoma.

Pichón: Minha vida e a revolução cubana “Os leitores vão encontrar uma visão radicalmente diferente sobre a revolução cubana, e vão se surpreender”. A declaração de Carlos Moore desperta a curiosidade em relação a sua autobiografia, “Pichón – Minha Vida e a Revolução Cubana” (Editora Nandyala), um importante relato, sobretudo, sobre o racismo, não apenas em Cuba, mas na vida do autor e de todos que passaram por ela nos últimos 50 anos. Recém-lançado no Brasil, o livro traz em sua primeira etapa as memórias de Carlos Moore no período que antecede a revolução cubana, englobando trechos de sua infância e adolescência já enfrentando as disparidades de uma sociedade sobrecarregada de crises raciais. Aos 15 anos sai pela primeira vez de Cuba, indo morar em Nova York, onde aprende muito sobre justiça racial. Quando volta à Cuba parte para o enfrentamento ao racismo em seu país, enredo da segunda parte do livro. “Acreditava-se que a revolução cubana tinha erradicado os problemas raciais, porque o governo disse isso durante 50 anos, mas isso não aconteceu. Pelo contrário, desde o início houve uma tremenda repressão contra os movimentos negros em cuba que foram praticamente aniquilados. Os intelectuais negros cuba-

nos que apresentavam um pensamento avançado sobre a questão racial foram enviados para campos de trabalho e outros tiveram que buscar exílio para salvar sua vida”, frisa Moore. Exilado para manter-se vivo e garantir a segurança de sua família, Moore percorre mais de 10 países, dentre eles a França, onde fez dois doutorados na Universidade de Paris VII, em Etnologia e em Ciências Humanas, o que reforça sua relevância internacional na luta contra o racismo e pelo panafricanismo. Sobre o Brasil a sua percepção é otimista: “O movimento social negro brasileiro tem feito muitos avanços nos últimos 25 anos. Hoje temos algo que não existia quando estive aqui, há 15 anos. Naquela época o debate se restringia a grupos sociais, mas hoje o debate é nacional. Não existe uma só pessoa que não reconheça que um racismo forte e profundo existe neste país. A maioria da população é negra, uma maioria expressiva que está crescendo ainda mais. Então, mesmo que as forças racistas no Brasil quisessem recuar no debate e na luta contra o racismo não é mais possível”. Desde 2000 Moore vive em Salvador, lugar escolhido por ele para escrever a sua autobiografia. Thiara Reges / Freelancer para a Vilas Magazine. Fotos: Agecom Lauro de Freitas / Ademilson Céo

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Comportamento

Em vez de sofrer, uma viagem à Disney! Por que não?

Margaret junto a ‘parede das amigas’, onde expõe todos os presentes que ganha de suas amigas virtuais

Thiara Reges / Texto e fotos Freelancer para a Vilas Magazine

O

que é preciso para ser feliz? Acredito que muitos de nós já perdemos algum tempo refletindo sobre o quão gostaríamos de ser felizes, estabelecendo listas imensas com o que nos falta para alcançar esse estágio da vida que parece tão longínquo, por vezes até inatingível. A artesã Margaret Santos Silva, 55, é uma de nós, porém com uma diferença significativa: ela já é feliz. As mudanças em sua vida começaram quando completou 40 anos, em 2000. Antes ela se definia como uma pessoa extremamente mal-humorada, com poucas alegrias na vida, que usava a internet como uma fuga, um universo paralelo onde era possível conversar com diferentes pessoas e fazer amizades. E foi numa dessas conversas que uma amiga virtual disse algo que a marcou profundamente: “Se você não tomar a decisão de mudar sua vida agora, possivelmente não a fará mais”. E Margaret decidiu. Apaixonada por trabalhos manuais, Margaret trocou o emprego em um banco pelo artesanato e estimulada pela filha, criou um blog para expor seus produtos, passando a dividir com outros artesãos dicas e novidades de decoração. Com isso, descobriu um verdadeiro canal aberto onde pode espalhar sua metodologia em prol da felicidade. Mas não foi fácil para essa baiana de Miguel Calmon, hoje moradora de Barra do Jacuípe, no litoral Norte, seguir em frente com seu plano: em 2011, Margaret descobre três nódulos malignos na mama direita. E o que ela faz? Transforma o câncer de mama em uma viagem à Disney. O diagnóstico “A descoberta do câncer foi um tanto inusitada. Sempre fiz meus exames anualmente, de forma bem regular. Em fevereiro de 2011, já estava com todos os exames prontos e só precisaria me preocupar com médicos em 2012, mas em setembro comecei a sentir dores no peito, na hora de dormir. Certa noite, após o ‘Bi’ (meu marido Aquiles), chamar minha atenção para o fato de eu passar parte da noite apertando o peito, decidi que na manhã seguinte iria marcar uma consulta com qualquer profissional médico que tivesse disponibilidade naquele dia. Consegui a consulta, levei os exames anteriores e a médica disse que estavam normais e que câncer não dói, que eu me despreocupasse. Marcamos para refazer os exames, primeiro a mamografia e depois a ultrassonografia, e confesso: se

“Se o câncer é ruim?! É, muito ruim! Ele interfere na sua vida e na vida de toda sua família. Mas o câncer me trouxe tantas coisas positivas que é nelas que me agarro” 30 | Vilas Magazine | Outubro de 2015

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ainda fosse a Margaret de antes dos 40 anos, tinha morrido ali na maca. O médico que fez a ultrassonografia identificou a presença de nódulos, e foi de uma insensibilidade muito grande no modo de me dizer o que estava acontecendo. Mas eu já tinha decidido que não ia deixar o pavor me dominar. Minha postura, antes de mais nada, foi de retornar à médica, para que ela me desse um parecer. Eu tinha um nódulo de três centímetros de gordura, que já vinha acompanhando a certo tempo, mas agora a ultrassonografia identificou mais quatro nódulos, surgidos entre fevereiro e setembro. O passo seguinte era fazer a biopsia, e eu estava morrendo de medo. Como não se toma anestesia eu ficava pensando na dor daquela agulha entrando no meu peito. Mas se você olhasse pra mim, aí achar que eu estava super tranquila e despreocupada. A biopsia dói, não é agradável, e quando terminou o procedimento a dor estava terrível, quase insuportável. Quando ‘Bi’ me perguntou, na sala de espera repleta de pacientes: ‘E aí, como foi? A resposta veio de pronto: ‘Estou ótima, foi tranquilo, praticamente não dói’. Naquele momento eu não tinha o direito de deixar aquelas pessoas, que já estavam assustadas em ter que fazer uma biopsia, ainda com mais medo. Nos 15 dias seguintes, enquanto aguardava o resultado, aproveitei a hora do banho, quando estava sozinha no chuveiro, para conversar comigo e me preparar. ‘Se for câncer o que vou escrever no meu blog? Como vou contar pra minha mãe? E se for câncer, eu não vou me abater!’. Chegou o dia, fui encontrar a médica para saber o resultado. Na verdade, tomei o resultado da mão dela e eu mesma li. E estava lá. ‘Pronto, já sei, deu positivo, só quero que você me diga o que vamos fazer, e rápido’. A indicação da médica foi a retirada de um quadrante e depois a quimioterapia. Mas quando pensei que em fevereiro eu tinha um e, de repente, em outubro já eram cinco nódulos, decidi que queria eliminar as possibilidades de mais surpresas futuras, e optei por tirar a mama toda”. Sofrer ou se bronzear? ....“Minha maior preocupação sempre foi dar a notícia pra minha mãe, na época com 75 anos. Cheguei e disse: ‘tenho duas notícias pra te dar, uma boa e uma ruim. A boa é que vou parar de fumar e não estou com câncer no pulmão. A ruim é que estou com câncer de mama, mas vou tirar o meu peito e vai ficar tudo bem’. E ela chorou bastante, mas ao poucos fui lhe acalmando. Nós temos a tendência de valorizar muito o sofrimento. Aquiles também ficou abatido, mas essa foi uma das lições que tirei da vida quando decidi ser feliz; não vou sofrer, tudo vai se resolver. A maioria das pessoas quando recebe um diagnóstico de câncer sofre, chora, acha que vai morrer. Eu decidi que ficaria bronzeada (risos)! Fiquei imaginando a cena: eu no hospital, com aquele roupão aberto e minha bunda toda branca do lado de fora. Não! Inaceitável. Então todos os dias ia para a piscina, ficava no Facebook conversando com meus amigos virtuais, já que todos sabiam por tudo que eu estava passando, e então, me bronzeei. Mas teve um dia nesse processo todo que eu saí do prumo. Fui ao hospital fazer mais um dos procedimentos pré-cirúrgicos, e descobri que por uma falha de comunicação entre hospital e plano de saúde, minha cirurgia não estava marcada como imaginávamos. Eu estava pronta para ser operada no dia seguinte. Foi muito complicado, várias coisas passaram por minha cabeça, chorei muito, fiquei nervosa. Por fim, no dia seguinte o médico ligou informando que a cirurgia havia sido marcada para a semana u seguinte. Respirei fundo e recobrei o meu equilíbrio”. Outubro de 2015 | Vilas Magazine | 31

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Comportamento “Quando se está doente, você tem duas opções: sofrer ou encarar, lutar e viver da melhor forma possível. Entendo que todos nós, em algum momento, vamos morrer, então não existe motivo para o sofrimento, logo optei por lutar e viver com alegria. Optei por ir à Disney”

A quimioterapia como cura ... “E aí chegou a hora da quimioterapia e duas situações ficaram marcantes: o encaminhamento para a psicóloga. Ela me perguntou como era a minha vida, meu casamento, minha família, e minhas respostas eram sempre positivas, eu não tinha queixas ou reclamações. Por fim ela me pergunta por que eu achava que estava passando por esse câncer. Bom, eu acho que o câncer veio para a minha vida para me mostrar que eu não era essa ‘coca-cola toda’ que sempre pensei que fosse (risos)! Sou exibida, sou muito convencida e me acho (risos)! A outra situação está relacionada aos dias de ir ao hospital para a quimioterapia. Encarei esse processo como cura, e não como sofrimento, embora tenha sofrido muito. Me preparava para o dia da ‘quimio’: fazia roupa nova; fazia bolo e levava presentes para as enfermeiras; ia para o hospital como se estivesse indo para uma festa que ia ‘bombar’. Me arrumava toda, pintava as unhas – minha grande vaidade hoje em dia –, e levava a foto da unha sem pintar para que as enfermeiras fizessem o acompanhamento. Chegando lá queria conversar com as enfermeiras, brincar, dar risadas, ou então ficava com meus amigos do Facebook. Quando olhava para o lado um monte de gente com cara de enterro, sabe?! Mas eu sustentava minha proposta de ser feliz.

Trabalhos de Margaret estão expostos por toda a casa, tornando-a ainda mais aconchegante. A sala é um dos locais preferidos dela e do marido, Aquiles Se o câncer é ruim?! É, muito ruim! Ele interfere na sua vida e na vida de toda sua família. Mas o câncer me trouxe tantas coisas positivas que é nelas que me agarro. O câncer fez um filtro muito importante, tirando de minha vida pessoas que se diziam amigas, mas que na hora que mais precisei, simplesmente sumiram. Ao mesmo tempo, trouxe tantas mais, pessoas generosas e carinhosas, e sou muito grata a todas elas. Todo esse processo me deu também uma imensa responsabilidade. Como compartilhei minha história de forma muito transparente, muitas pessoas me procuram até hoje, pela internet para desabafar. Pessoas querem ouvir, de alguém que já sentiu na pele o que é um câncer, o que esperar, como se preparar. E eu sempre digo: ‘não sofra por antecipação’. Muitas mulheres ainda pensam como ficarão sem os cabelos. Gente, o cabelo nasce depois, e de repente você descobre até uma nova beleza, como é o meu caso. Não deixei mais o cabelo crescer. Hoje uso o cabelo baixinho e me livrei das químicas. Outra parte das mulheres com quem converso tem o medo de tirar o peito. Eu tirei. Aquiles foi um grande companheiro, e disse que o

que realmente desejava era minha saúde. Além disso, tratado o câncer você coloca prótese, faz cirurgia reconstrutora, existem caminhos. Outra fatia das mulheres se preocupa com o sofrimento e a dor. Desde que criei meu blog sempre compartilho meus trabalhos de artesanato e sinto um imenso prazer em partilhar minha vida com meus amigos virtuais. Quando faço um vídeo, por exemplo, minha sensação é de estar em uma roda de amigos. Todas as

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passagens do câncer de mama também foram publicadas, eu mostrei, inclusive, o ‘Bi’ raspando a minha cabeça quando o cabelo começou a cair. Mas, é claro, que você nunca vai agradar 100% das pessoas. Certa vez, recebi uma crítica de que estaria transformando um assunto sério como o câncer em uma viagem à Disney. Bom, quando se está doente, você tem duas opções: sofrer ou encarar, lutar e viver da melhor forma possível. Entendo que todos nós, em algum momento, vamos morrer, então não existe motivo para o sofrimento, logo optei por lutar e viver com alegria (risos), ou seja, optei por ir à Disney”.

VIDA & SAÚDE NOB

Dr. Rafael Borges Batista CRM-BA 19769 Oncologista clínico no NOB

Câncer de mama em números O Instituto Nacional do Câncer – INCA, estima que mais de 57 mil pessoas devem ser diagnosticadas com câncer de mama em 2015 no Brasil. Mais comum nas mulheres, o câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais frequente no mundo, e no Brasil representa 22% dos novos casos. As taxas de mortalidade por câncer de mama no Brasil são elevadas, e estão em ritmo de crescimento desde 2009, quando a taxa de mortes para cada 100 mil mulheres era de 11,31. Em 2013, índice mais recente, a taxa chegou a 12,66. Em números exatos, 14.207 mulheres morreram em consequência do câncer de mama no Brasil naquele ano, muitas delas por um diagnóstico tardio. Políticas públicas para a prevenção do câncer de mama vêm sendo desenvolvidas no país desde meados dos anos 1980. O autoexame é um procedimento importante para o conhecimento do seu corpo, mas não deve ser considerado com método isolado para detecção da doença. Faça os exames regulares com seu médico.

A fotógrafa Andresa de Sá assina o ensaio fotográfico “Retratos da Minha história”, que visa apoiar mulheres com câncer, trabalhando a autoestima e o autocuidado. A mostra ficou em exposição em setembro no Salvador Shopping, promovida pela Associação brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale)

pReveninDo o cânceR De mama O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres e corresponde a mais de 20% dos casos novos de câncer por ano, no Brasil. Os tumores da mama podem acometer tanto homens quanto mulheres, porém são muito mais comuns entre as mulheres. A detecção precoce dos tumores da mama aumenta as chances de cura da doença. Por esse motivo, recomenda-se a realização de mamografia anualmente para mulheres a partir dos 40 anos de idade. Os tumores da mama estão associados a alguns fatores de risco que podem ser evitados, reduzindo, assim, o risco de desenvolver um câncer de mama. Como medidas de prevenção deve-se evitar a obesidade, praticar atividade física regularmente (ao menos 30 minutos de atividade aeróbica 3 vezes por semana), ter uma dieta saudável (rica em fibras, frutas e vegetais e pobre em gordura de origem animal, carne vermelha e alimentos processados), evitar a ingesta de bebidas alcoólicas e, principalmente, não fumar (o tabagismo está associado com o desenvolvimento de diversos tipos de câncer, sendo o câncer de mama um deles). Exitem também alguns fatores de risco que não podem ser prevenidos, entre eles, a menarca (primeira menstruação) precoce e a menopausa tardia. Em resumo, a simples mudança dos hábitos de vida para um estilo de vida mais saudável, sem cigarro, com exercícios físicos, peso sob controle e menos estresse no dia a dia, pode fazer muito bem não só para a mente e para o coração, mas também para evitar o câncer.

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Comportamento

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ecém-aprovado nos EUA, o “viagra feminino” – remédio Addyi, primeiro liberado para tratar disfunção sexual nas mulheres – ainda está longe de chegar às farmácias brasileiras. Mas as lojas e sites de produtos naturais do país estão abarrotadas de opções que prometem turbinar o apetite sexual feminino. Usados juntos ou de forma individual, a lista inclui chá de diferentes raízes, infusões com erva daninha e até uma planta andina de nome exótico. Para os especialistas, faltam evidências científicas que comprovem a eficácia desses métodos naturais. Mesmo assim, a popularidade e a variedade à venda não param de crescer. Nesse mundo, a maca peruana, um tubérculo originário dos Andes, é a mais recente sensação. Algumas pesquisas indicaram que o vegetal estimularia a produção de testosterona, favorecendo o desejo sexual. “Testosterona não é tudo. Todo mundo coloca muita coisa em cima da testosterona, mas ela sozinha não vai nunca fazer a mulher se liberar”, diz o médico e terapeuta sexual João Luis Borzino. Outros produtos afrodisíacos “famosos”, como a catuaba (nome vulgar de diferentes ervas brasileiras, popularizado pela bebida alcoólica), o chá de laranjeira e o Tribulus terrestris (veja na outra página) também não são poupados do crivo dos especialistas. “Em termos científicos, esses métodos não têm qualquer eficácia”, diz Theo Lerner, ginecologista e membro do Ambulatório de Sexualidade do Hospital das Clínicas da USP. Apesar da falta de comprovação documentada da eficácia dos princípios ativos, eles podem funcionar de maneira benéfica para algumas: maca peruana, catuaba e as diferentes opções de elixires podem atuar como um placebo. “Tem mulher que se sente muito melhor por estar usando um produtinho desses. E aí se solta, relaxa... Mas não necessariamente pela substância. É uma coisa de autoconfiança”, avalia Borzino. problema comum Pesquisas no Brasil e no exterior indicam que a disfunção sexual feminina é um problema comum, tanto em jovens quanto nas mais velhas. Um levantamento feito em São Paulo com as participantes do Ambulatório da Sexualidade do Hospital das Clínicas indica que 65% das mulheres se queixam

RAÍZES DO LIBIDO Em tempos de ‘viagra feminino’, produtos naturais também prometem turbinar apetite sexual da mulher, mas cientistas são céticos sobre seus efeitos da falta de libido e 23% da ausência de orgasmos. São relativamente poucos os problemas biológicos que comprometem o desejo e as relações sexuais, como algumas alterações na tireoide, depressão e a vaginite. A maioria dos casos tem forte componente emocional. O sexólogo João Borzino destaca que as mulheres ainda sofrem mais repressão a seu comportamento, o que deixa profundas marcas em relação ao sexo. “Há quem ache o próprio corpo tão sujo, tão proibitivo, que não tem nem coragem de introduzir o dedo na vagina para colocar um absorvente interno”, diz ele. Há um mês em tratamento para lidar com a falta de libido, a professora Daniela (nome fictício), 40, diz ser muito insegura com sua aparência. “Sou casada há dez anos e, há dois, não consigo mais transar com o meu marido com a luz acesa e sem pelo menos uma camiseta”. Para os especialistas, não existe uma fórmula única para lidar com a questão, mas eles ressaltam que a terapia psicológica e um trabalho de conhecimento corporal costumam ter papel muito importante. “Não tem fórmula mágica ou única para todas, nem o ‘viagra feminino’”, ressalta Theo Lerner. A pílula americana, embora aprovada pelo órgão regulador americano, sofre críticas de que não apresentou evidências científicas suficientes que a legitimem. Estudiosa da sexualidade feminina anos e autora de livros sobre o tema, Albertina Duarte, coordenadora do programa Saúde do Adolescente da secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, ressalta a importância de trabalhar a autoestima feminina. “O ponto G também está no ouvido. A mulher precisa se sentir desejada, gostosa. O grande viagra é melhorar como a mulher se sente”, diz. Giuliana Miranda / Folhapress.

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Saúde & Bem-Estar

Estudos contraditórios sobre comida confundem público Metodologia das pesquisas em nutrição está especialmente sujeita a falhas

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or que os conselhos de alimentação saudável mudam tanto? Se você estivesse procurando informações sobre alimentação saudável tempos atrás, provavelmente tentaria limitar, talvez até banir, o consumo de gordura. Ela era associada a obesidade, colesterol e alto risco de infarto. Pesquisas mostraram agora que pessoas que consumiram mais gordura saturada não tinham maior risco de doença cardíaca,

AVC ou qualquer outra forma de doença cardiovascular. O ovo também vive na corda bamba. Seu consumo já foi vetado para quem tem colesterol alto. Mas, hoje, pesquisas não apontam relação entre o consumo de um ovo por dia e aumento do risco de problemas cardiovasculares. As explicações para isso são várias. Uma passa por uma dificuldade desse tipo de estudos: isolar variáveis quando se trata

de compreender a alimentação humana. O controle que os pesquisadores têm sobre a alimentação de voluntários está longe de ser total, e muitas vezes eles dependem de relatos das pessoas sobre o que elas comem, informações que não são completamente precisas. Outros fatores não alimentares ainda influem nos resultados, como atividades físicas ou até questões emocionais. Além disso, pesquisas confiáveis exigem acompanhar grupos grandes de pessoas ao longo de períodos razoáveis de tempo. Mas, como apontam os nutricionistas ouvidos pela reportagem, nem sempre pacientes e a mídia têm paciência: quando o assunto é saúde e emagrecimento, respostas milagrosas e modismos fazem sucesso, o que dá combustível a pesquisas com limitações metodológicas ou estatísticas.

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Ovo e café são exemplos de eterno ‘faz bem, faz mal’; ritmo da ciência não é o dos modismos, afirmam nutricionistas “É preciso que fique claro que os efeitos da alimentação na saúde não têm percepção imediata, como um remédio que faz a dor de cabeça passar”, diz Lara Natacci, nutricionista da Diet Net. Além disso, o público não especializado tem dificuldade para entender que conclusões científicas abstratas sobre os benefícios de determinado alimento não necessariamente se aplicam a casos específicos individuais. “Temos informações gerais, mas ninguém sabe exatamente como cada um funciona. A biologia nunca é uma ciência exata”, afirma Sophie Deran, nutricionista da USP. Na maior parte das pessoas, por exemplo, o consumo de gorduras reduz o HDL, que é o colesterol bom. Mas estudos indicam, aponta a pesquisadora da USP, que as gorduras têm o efeito contrário em 20% da população – e não se sabe precisamente o motivo. Por fim, é bom ter em mente que há gente ganhando dinheiro com modismos alimentares, diz Lara. “O marketing da indústria do emagrecimento é mais rápido do que o estudo científico.” Sophie conta que já assistiu a uma palestra sobre mitos e verdades do adoçante financiada por uma indústria do setor. “Havia centenas de nutricionistas lá. É como publicidade. Você tem que entender que há interesses.” A solução para lidar com esse mar de informações contraditórias sobre os benefícios e malefícios dos alimentos? Não ficar paranoico com isso, afirma Sophie. “Quanto mais você pensa em alimentação, mais se estressa. O ato de comer vira uma preocupação. Se você senta para comer estressado, culpado, não vai comer nem digerir do mesmo jeito”, diz a pesquisadora. Gabriela Malta / Folhapress.

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Vida Saudável

Salto alto e sobrepeso são os principais vilões do pé rachado

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ulheres que usam sandália do tipo rasteirinha ou sapatos de salto com muita frequência são as mais sujeitas a ter rachaduras, bolhas e calos nos pés.

Esse problema pode acontecer por vários motivos.Uma das causas pode ser a distribuição irregular de pesos e de pressões na planta do pé, associada à tendência

de cada pessoa ao ressecamento da pele. Ficar muito tempo em pé também facilita o surgimento de rachaduras e ressecamento. “Nesse caso, isso ocorre pelo trauma repetido, gerando lesão na pele que já está propensa a desenvolver esse tipo de alteração”, explica a dermatologista Carla Bortoloto. As rachaduras podem ficar mais acentu-

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Lixar a região pode piorar o problema

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adas se esses fatores estiverem associados ao sobrepeso. “Se sobrecarrego mais o calcanhar e não distribuo essas pressões vou ter sobrecarga, que pode causar calos e rachaduras”, afirma Armando Bega, coordenador do curso de podologia da Universidade Anhembi Morumbi.

vai ajudar.” É preciso, também, prestar atenção a bolhas que surgem espontaneamente (não por causa de atrito): elas podem indicar micose. Bárbara Souza / Folhapress.

ostume em salões de beleza, lixar os pés acaba reforçando o problema, embora, em um primeiro momento, pareça que o efeito foi positivo. “Fazendo isso, estamos dando uma informação falsa para nosso corpo. Ele vai produzir mais queratina e piorar o quadro”, diz o dermatologista Valcinir Bedin. Mesmo nos casos em que a pele dos pés está bastante grossa, com calos, o ideal é consultar um especialista.

Oleosidade O ressecamento é uma condição a qual todas as pessoas estão sujeitas. Isso porque a pele da planta dos pés e da palma das mãos não tem oleosidade. “Essa região não tem glândulas sebáceas, só sudoríparas”, diz Bega. “Essa parte estando exposta, sem hidratação, é claro que vai rachar”, completa. Por isso, a hidratação adequada é uma das principais formas de prevenir e tratar o problema. Mas não só. “Para prevenir, o ideal é não engordar demais, usar calçados adequados, macios e não apertados e com o salto o mais baixo possível”, afirma o dermatologista Valcinir Bedin. “Claro que usar um hidratante todos os dias também Outubro de 2015 | Vilas Magazine | 39

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Primeira Infância - 2

Série Especial

Edições de setembro / outubro / novembro

O PAPEL DOS PAIS NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

CRIANÇA E TECNOLOGIA

PERDIDOS NA SELFIE

O que se passa nessa cabecinha

Se faltam conclusões sobre os efeitos das telas sobre crianças pequenas, sobram provas científicas de que brincar e interagir no mundo real é bom para crescer

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rianças de até dois anos não devem ser expostas a celulares e tablets. Dos três aos cinco, segundo o consenso científico existente até agora, podem usá-los até duas horas por dia – desde que a diversão eletrônica não substitua brincadeiras ao ar livre e interação com pais e amigos. “O cérebro na primeira infância está em ebulição, e o que se aprende nessa fase fica guardado por toda a vida. A tela é experiência pobre, sem a riqueza sensorial e a tridimensionalidade da realidade”, defende o psicólogo André Trindade, autor de “Gestos de Cuidado, Gestos de Amor” (Editora Summus). Tente dizer isso para Laura, 4. Ela adora ver vídeos no tablet que ganhou dos avós, à revelia dos pais, Fernanda Pegler, 35, e Daniel Pinto, 32. Após meses de uso, a mãe notou que a filha passou a roer as unhas, embora não saiba se os fatos têm relação. Para evitar que a menina passe tempo demais com os olhos na tela, a mãe controla o uso e proíbe que o equipamento seja levado à escola. “Não vamos criá-la viciada, mas também não queremos que fique alienada”, afirma Daniel, o pai. Sobram preocupações entre pais, médicos e educadores, enquanto faltam pesquisas conclusivas sobre o tema. E aumenta o acesso à tecnologia em todas as idades. Nos EUA, estudo nacional conduzido pela ONG Common Sense Media em 2013 mostrou que 72% das crianças de

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até 8 anos já haviam usado dispositivos móveis – em 2011, eram 38%. No Brasil, uma pesquisa do Ibope e da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal de 2013 mostrou que “deixar assistir a programas na TV” foi a segunda ação mais citada por mães brasileiras (55%) ao serem questionadas sobre atos de estímulo ao desenvolvimento do filho de até um ano. Essa ideia de que a tecnologia traz ganhos de desenvolvimento à criança pequena é contrariada por evidências apontadas pela Academia Americana de Pediatria. atraso na linguagem Após extensa revisão científica sobre o tema, a entidade não só não achou vantagens no uso dos eletrônicos por menores de dois anos como detectou riscos: um estudo analisado encontrou seis vezes mais chances de atrasos na linguagem entre crianças que começam a ver TV antes de um ano e assistem mais de duas horas por dia. A partir dessas pesquisas, o órgão decidiu recomendar que crianças menores de dois anos não tenham qualquer exposição aos eletrônicos. A Sociedade Brasileira de Pediatria segue a entidade americana u Outubro de 2015 | Vilas Magazine | 41

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Primeira Infância - 2 / Série Especial nesse assunto. Já entre crianças acima dos dois anos, aquelas que viram programas educativos tiveram notas melhores ao chegar ao ensino médio, apontou outro estudo considerado pela academia americana. Devido a evidências como essa, a entidade brasileira recomenda que crianças acima dos dois anos possam ficar até duas horas diárias com TV, celular ou tablet. A lógica por trás da restrição é que, mesmo que haja ganho com tecnologia, a criança aprende mais brincando no mundo real e se relacionando com pessoas. Para as famílias, sobra a contradição entre as recomendações médicas e a onipresença da tecnologia. Um problema nessa discussão é que as pesquisas pouco captaram até aqui sobre o efeito, na criança, de tablets e celulares, mais interativos que desenhos na TV. O estudo que norteou a recomendação da Academia Americana de Pediatria, por exemplo, analisou principalmente TV, DVDs e vídeos. Em meio a esse cenário, a posição médica é pela cautela. “Os estudos estão sendo feitos em tempo real. Por que expor as crianças se não sabemos o que isso gera?”, afirma Christian Muller, representante da Sociedade Brasileira de Pediatria. “A exposição precoce e exagerada aos dispositivos pode aumentar ansiedade, irritabilidade e agressividade da criança, além de gerar problema físico como obesidade e dor muscular”, completa. CALMANTE ELETRÔNICO Também não funciona usar os aparelhos como “calmante” para as crianças quando estão agitadas, diz o pediatra. “Elas conseguirão desenvolver seus mecanismos de autorregulação?”, questionam pesquisadores da Universidade de Boston (EUA), em artigo de 2014. As telas também têm defensores entre especialistas em ensino. Responsável pelo projeto iPad na Sala de Aula, que capacita professores para o uso do equipamento nas escolas, a pedagoga Adriana Gandim

diz que celulares e tablets “são ótimos para contar histórias, porque crianças gostam de algo movimentado, com sons e vídeos”. Cabe aos pais, ressalta, fazer a curadoria do que deve ser visto pela criança. O australiano Daniel Donahoo, dono

da consultoria de aplicativos educacionais Better Apps, diz que haverá mais ganhos se os pais estiverem ao lado dos filhos. “Veja TV com eles e fale sobre aquele tema. Use o dispositivo para ler e brincar com eles.” Bruno Fávero / Folhapress

OPINIÃO Uso moderado é um acréscimo para a criança

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elulares, tablets, computadores e games fazem parte do cotidiano. Se usados com parcimônia, são um acréscimo para as crianças. Ninguém sabe como vai estar o mundo em 2030, quando as crianças de hoje estarão na casa dos 20 anos. Nada indica que a tecnologia vá parar de evoluir, esse será o mundo delas. Os aplicativos para as crianças de até seis anos basicamente reproduzem brincadeiras corriqueiras, como juntar peças. É diferente de jogos para mais velhos, com formato próprio, feitos justamente para atraí-los. Mas reitero que a tecnologia deva ser usada com parcimônia pelas crianças, não pode substituir outras coisas importantes, como andar na rua, correr, tomar sol. Minha preocupação é que o uso exagerado de tecnologia cause grave consequência quando a criança chegar à adolescência, numa espécie de porta de entrada para a má utilização no futuro. Aplicativos para as crianças de até seis anos basicamente reproduzem brincadeiras corriqueiras, como juntar peças ANDRÉA JOTTA, psicóloga, membro do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP.

Tcnologia demais afeta socialização

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recomendação para que as crianças menores de dois anos não sejam expostas a TV, computador, celular ou tablet ocorre porque nesse período se processa o desenvolvimento cerebral. A superestimulação tecnológica pode contribuir para deficit de atenção, prejuízo de aprendizagem e aumento da impulsividade. A partir dos três anos, entendo que a exposição deva ser de até uma hora por dia. A tecnologia é inerente à experiência de estar vivo, mas o excesso pode comprometer o desenvolvimento psicomotor da criança, devido à restrição dos movimentos causada pela passividade dela frente ao aparelhos. E é fundamental que o uso seja ao menos monitorado por adultos e com limites. Já atendemos crianças menores de seis anos com uso excessivo da tecnologia. Algumas tinham dificuldades de socialização, às vezes com pais que também usam aparelhos em excesso. A superestimulação pode contribuir para deficit de atenção, prejuízo de aprendizagem eaumento da impulsividade SYLVIA VAN ENCK, psicóloga do Núcleo de Dependências Tecnológicas e de Internet da USP.

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A BRINCADEIRA É

rincar é de lei. Direito garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, a atividade lúdica na infância é levada tão a sério por ser uma das melhores - e mais gostosas - maneiras de a criança se desenvolver. “Brincar tem o potencial de introduzir conceitos ou conhecimentos, desenvolver a criatividade e ajudar a criança a assimilar emoções ou vivências”, afirma Adriana Friedmann, coordenadora do Nepsid (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento). É brincando que a criança aprende a se relacionar com os outros. “A palavra brincar vem do latim: ‘vinculum’, que significa laço. O brincar vincula a criança à vida”, diz o escritor Ilan Brenman. É também uma forma de a criança se expressar nas diferentes linguagens, como mostram as ideias nesta página, sugeridas por artistas e educadores. Não é preciso ser especialista nem ter equipamentos especiais para fazê-las em casa. Basta usar a imaginação e, no máximo, objetos do dia a dia.

RAQUEL CUNHA / FOLHAPRESS

TEATRO No teatro, assim como na brincadeira infantil, existe a criação de uma situação imaginária, “um espaço em que se pode ser outra pessoa”, como diz a a educadora e atriz Maria Paula Zurawsky. Professora de graduação em pedagogia e membro da Cia. Furunfunfum de Teatro Infantil, ela dá ideias para brincar de teatro com crianças de três e quatro anos. Brinquem de transformar as coisas: um sofá pode ser o palco de um circo; uma mesa virada de cabeça para baixo pode ser um barco; um lençol estendido sobre um barbante, a parede de uma casa, ou um rio. Uma variação, inspirada pelo trabalho dos grupos de teatro de bonecos, é brincar de faz-de-conta com os objetos. Andem pela casa olhando os objetos e tentando encontrar neles características de seres animados. Por exemplo, um bule: com que animal ele se parece? E um saca-rolhas? Depois, criem uma forma para os novos personagens andarem, falarem ou até dançarem. MÚSICA Crianças pequenas adoram brincadeiras sonoras, afirma o professor de musicalização infantil, psicólogo e instrumentista Roberto Schkolnick. Além de ouvir e cantar músicas conhecidas, elas podem brincar de sonoplastia. Enquanto alguém conta uma história, elas u Outubro de 2015 | Vilas Magazine | 43

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Primeira Infância - 2 / Série Especial reproduzem os sons do enredo: o sopro forte do lobo mau, os sons da chuva, dos passos do gigante. É fácil usar materiais para criar feitos sonoros, como papel celofane para fazer o som do fogo ou um chocalho para o barulho da chuva. Outra sugestão é a cabracega sonora. Uma criança fica com os olhos vendados e as outras ficam em diferentes cantos da casa com objetos para produzir som (colher de pau, latinhas). A cabra-cega tem que descobrir de onde vem cada um dos sons.

FOTOS: RAQUEL CUNHA / FOLHAPRESS

LITERATURA Ilan Brenman, autor de mais de 60 livros infantis, conta que se empolgou ao se lembrar das brincadeiras que fazia quando suas filhas eram pequenas. Dessas lembranças saem suas sugestões para brincar com livros. Montem circuitos de aventura pela casa: as crianças têm que andar sobre uma corda, passar debaixo de cadeiras etc. No meio do circuito, fica um livro. Quando as crianças chegarem a essa fase da aventura, precisam encontrar uma ilustração determinada: um lobo, uma bruxa. Só depois de achar a imagem elas podem passar pelo próximo obstáculo. Outra brincadeira é o “conte outra vez”. “Crianças têm muita facilidade de memorização, mude uma vírgula e a reclamação já começa: ‘Não é assim que você me contou!’.” DANÇA O corpo e seus movimentos são tudo o que se precisa para brincar... ou dançar. É essa a brincadeira proposta por Uxa Xavier, autora de “Mapas para Dançar em Muitos Lugares” e diretora do Lagartixa na Janela, grupo que cria danças para e com o público infantil. Para um “banho dançante” de mentirinha, imaginem um sabonete. Esfreguem bem as mãos até deixá-las cheias de espuma de faz-de-conta. Deslize as mãos por todo o corpo. Ao ensaboar as costas, imaginem que a coluna vertebral é uma escadinha. Entrem em um chuveiro imaginário e deixem a água escorrer. Quando o banho acaba, é preciso se secar com o vento: não tem toalha! Escolham uma música e dancem fazendo vento até se secarem! Iara Biderman / Folhapress

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TODO MUNDO FOI NENÉM ARTUR AVILA, O MENINO-PRODÍGIO

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NACHO DOCE / REUTERS

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BRUNO POLETTI / FOLHAPRESS

Ganhador da maior honraria científica para o Brasil, a medalha Fields, o matemático Artur Avila, 36, (nas fotos, aos 6 e hoje) já frequentava creche com um ano e oito meses. Da primeira escola, lembra-se de colocar “os pés na terra” ao lado de “tartaruguinhas”. Quieto, passava o resto do dia no apartamento, no Rio, sob cuidados de parentes, porque os pais trabalhavam fora. Mais tarde, um computador primitivo e o videogame se tornariam as atrações. O pai, conta ele, o levava à banca para comprar fascículos sobre astronomia. Fanático por carrinhos (hoje nem dirige), diz ter descoberto a “ordem circular” numa brincadeira em que ele ficava em 1º lugar mesmo largando atrás: era só esperar os outros carrinhos completarem a volta. (Ricardo Bunduki / Folhapress)

RIVELLINO, O REIZINHO DO PARQUE A versão mirim do craque e campeão da Copa de 1970 já era destaque no futebol de rua do Brooklin, bairro onde cresceu Roberto Rivellino, 69, (aos 3 e hoje) “reizinho do parque”, um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro. Nos anos 40, as bolas eram feitas de couro e a meta era passá-las no vão entre duas latas. “Precisava ter qualidade. Eram cinco para lá, cinco para cá, e o pau comia”. Naquela São Paulo, era comum ter galinheiro e pés de frutas no quintal das casas. “Tinha um caqui enorme, dava para quatro pessoas.” Mesmo se a bola ficasse encostada (vez ou outra sobrava um “dedão estourado”), a rua continuava a ser o palco: as opções eram correr atrás de balões ou empinar papagaio. Companheiro, o pai, Nicola, não tinha sossego: vez ou outra achava casacos sem botões. O filho os usara no futebol de mesa. (Ricardo Bunduki / Folhapress)

MARCELO TAS, O PROFESSOR TIBÚRCIO O apresentador (aos 3 e hoje) teve seu tempo de espectador: pequeno, assistia ao avô, “negão de olhos azuis”, matar bois numa fazenda em Ituverava, interior de SP. Mais difícil, conta, quando a vez era a do porco, “porque ele grita”. O cabrito ficava quietinho, mas “descia uma lágrima”. Numa vila povoada pela família, viveu uma fase explosiva com a “gangue dos primos”. A rua era dos meninos quando a noite caía: hora do piquelatinha (tipo de esconde-esconde envolvendo o arremesso do objeto metálico), cuja lembrança traz o som da lata pingando na calçada. A avó, “da cor de leite”, tinha jeito para estrangular as galinhas. “Era como se desse um ‘eject’”. Diz que aprendeu a ler no “chiqueirinho” de um Fusca – espaço feito para levar as malas. Em voz alta, leu placas de sinalização e para-choques de caminhões ao olhar a estrada se afastar pela janela, para espanto dos pais. (Ricardo Bunduki / Folhapress)

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Primeira Infância - 2 / Série Especial TIRA-TEIMA

FALANDO SÉRIO

VEJA COMO APROVEITAR AS BRINCADEIRAS E OUTRAS DÚVIDAS DE PAIS DE CRIANÇAS DE TRÊS E QUATRO ANOS, RESPONDIDAS POR ESPECIALISTAS

1. Os pais devem coordenar as brincadeiras de seus filhos com outras crianças? O papel dos pais é muito mais o de preparar os espaços de brincar dentro e fora de casa. Os pais podem sugerir que as crianças montem uma cabana, uma casinha, uma cidade, pintem, cozinhem etc. para que as crianças construam repertórios, espaços ou narrativas de faz-de-conta. Dá também para oferecer materiais, como papéis, tintas não tóxicas, lápis, argila ou massinhas, instrumentos musicais, fantasias e bolas ou sugerir brincadeiras como esconde-esconde ou pega-pega. O importante é que os pais fiquem como observadores enquanto as crianças interagem de forma livre. E que fiquem atentos aos momentos de entrar e sair das atividades, muito mais no papel de acompanhar o interesse e envolvimento das crianças. Se for o caso, podem convidar crianças que ficam “de fora” a se integrar ou escolher uma brincadeira. 2.É bom deixar a criança brincar sozinha? É importantíssimo dar à criança tempo para brincar sozinha, já que é quando ela brinca com a imaginação e a fantasia. É um momento interessante para os pais ficarem como observadores da dinâmica, dos interesses, das dificuldades e dos diálogos que as crianças travam consigo próprias, com os brinquedos ou com os amigos imaginários. Também estimula a criatividade e a autono-

mia e ajuda na autoafirmação e na confiança. 3. A melhor brincadeira é sempre a educativa? Todas as brincadeiras educam. As brincadeiras são atividades que têm potencial para contribuir com o desenvolvimento integral das crianças, introduzir conceitos e conhecimentos e desenvolver a criatividade. Também ajudam as crianças a assimilar emoções ou vivências que só brincando elas poderão compreender. 4. Os filhos devem ajudar nas tarefas domésticas? Ajudar nas tarefas domésticas mostra à

criança que ela faz parte e está integrada na família e na casa. Assim como é importante criar hábitos de cuidados pessoais (escovar os dentes, lavar as mãos), criar hábitos de cuidados com a casa também ajuda no desenvolvimento da criança, em sua conquista de autonomia e de habilidades sociais, motoras e cognitivas. 5. O que eles podem fazer em cada faixa etária? A partir dos dois anos, a criança já pode colocar a roupa que tirou no cesto de roupa suja ou na lavanderia, ajudar os pais a arrumar os brinquedos, ajudar a dar comida ao animal de estimação, jogar papéis ou embalagens no lixo. Aos três, elas conseguem passar pano para limpar uma bebida que caiu no chão ou na mesa, varrer migalhas, passar pano de pó em móveis baixos. Entre quatro e cinco anos, podem arrumar cama, esvaziar lixeiras e lavar copos ou pratos de plástico. Com cinco ou seis, vale ensaboar a calcinha ou a cueca no banho, varrer o quarto e ajudar a fazer refeições e a colocar a mesa. 6. É bom programar atividades extraescolares desde cedo? As crianças pequenas precisam de tempo para brincar, explorar espaços e materiais.

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O ideal é terem mais tempo para viver sua infância, com menos interferência. Quanto menores, é preciso mais tempo para brincar, mais tempo sem pressões ou exigências. 7. O tempo para brincar deve ser regulado quando a criança entra na fase da educação formal? É fundamental que a criança continue a ter tempo livre, contato com a natureza, tempo de conviver com outras crianças e tempo para livre escolha, inclusive para ficar à toa. Quando a criança entra na escola, justamente porque a pressão escolar se torna cotidiana, ela precisa ter tempo para continuar brincando e criando. Introduzir espaços e tempos lúdicos nos quais as crianças possam ter contato com arte, música, histórias, dança e outras atividades físicas é essencial. 8. Como conciliar as regras de casa em relação ao tempo de TV e ao uso de tablets com as de outros ambientes, como a casa dos avós? Os pais devem conversar com tios e avós sobre as regras presentes no cotidiano da criança para evitar conflitos e exageros, mas é preciso ser flexível. As normas aplicadas em casa podem ser quebradas em outros ambientes. “A casa dos avós é um bom lugar para sair da rotina. Não quer dizer que a criança pode ver televisão por oito horas, mas um pouco tudo bem”, diz o pediatra Daniel Becker, autor do blog Pediatria Integral. Segundo ele, o que vai formar o hábito da criança é a norma dentro de casa. E é aí é que mora o perigo. “Muitos pais têm dificuldade para controlar o uso das crianças porque eles mesmos usam demais.”

FOTOS: RAQUEL CUNHA / FOLHAPRESS

então pedir que ela desenhe o que sabe sobre o assunto. Falar sobre temas densos sem que a criança demonstre interesse não é uma boa ideia. Em geral, adultos falam mais do que deveriam e do que a criança tem capacidade de entender. Muitas vezes ela fica mais angustiada, por não compreender o conteúdo. Em casos em que é necessário conversar sobre um tema porque a criança viu ou teve experiências desagradáveis, dá para usar histórias e metáforas. A ajuda de um profissional pode ser indicada quando

o adulto fica inseguro e não consegue manter o diálogo. 10. Como evitar que meu filho se torne ansioso e inseguro? A ansiedade aparece quando a criança não se sente suficientemente informada sobre o mundo à sua volta. Pais irregulares, que mudam de ideia ou não são confiáveis, acabam contribuindo para esse quadro. Os pais precisam trabalhar em si mesmos a insegurança. Muitas vezes eles transmitem aos filhos, além de genes “ansiosos”, um ambiente ansioso, em que assumir riscos é visto com preocupação e há a ideia de que coisas perigosas estão prestes a acontecer, não expondo o filho aos desafios do desenvolvimento.O ideal é que os pais demonstrem que estão no comando, deem regras claras, ensinem valores, não estimulem o consumismo e deixem que o filho realize tarefas sozinho, sob supervisão.

NA EDIÇÃO DE NOVEMBRO suplemento encerra a série abordando linhas pedagógicas e a pré-escola. Aguarde.

9. Vale a pena conversar sobre temas “adultos” (violência, discriminação, abusos) com as crianças? Como e em que circunstância fazer isso? Dá para conversar desde que a linguagem usada seja compreensível para a criança e que ela tenha demonstrado interesse pelo assunto. Uma ideia para testar se ela está preparada é perguntar o que ela pensa ou Outubro de 2015 | Vilas Magazine | 47

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Moda & Beleza

Mechas vibrantes O ombré colorido conquista as mulheres, que desfilam com os fios pintados de rosa, azul, roxo e verde

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estudante Ana Cláudia Castanharo, 21 anos, não tem dúvidas quando vai ao cabeleireiro. “Faz três anos que pinto o cabelo com ombré colorido. Nunca passei tinta normal e sempre usei tons coloridos”, conta ela, ao exibir as madeixas nas cores violeta e roxo. O estilo ombré fantasia – nome dado às tonalidades que não existem nos cabelos naturais – tem conquistado as mulheres. “Conhecida como ‘dip-dye’, essa é a aposta do momento. A raiz fica ao natural e se colore as pontas, dando um efeito degradê”, conta a “hairstylist” Priscila Silva. A moda do cabelo colorido surgiu nos anos 1970 e 1980, segundo a estilista Adriana Haga, e voltou à cena impulsionada pela cultura Harajuku, que imita visuais de

mangás e bonecas. “Ganhou força quando as cantoras e celebridades apareceram com essa inovação”, destaca ela. Não há regra para escolher a cor, já que a ideia é criar um visual divertido e irreverente. “As morenas têm usado mais os tons roxos, azuis e verdes, que criam maior destaque com a base escura do cabelo, enquanto as loiras brincam mais com o rosa, azul bebê e lilás”, observa Celio Faria, embaixador da L’Oréal Professionnel. Mulheres com os cabelos curtos ou longos podem adotar o estilo, mas, quanto mais compridos forem os fios, mais o efeito

Boca metálica

colorido aparece. “Hoje em dia, ele não é mais exclusivo a adolescentes”, afirma Priscila. “São bem aceitos entre os que trabalham com o público moderno, mas ainda há barreiras na sociedade e no mercado de trabalho tradicionais”, alerta Adriana. Há vários processos para obter o efeito. Alguns pedem a descoloração prévia das madeixas. “Indico fazer sempre no salão, pois os profissionais têm técnica e conseguem preservar os fios. Já tentei fazer em casa, e o resultado foi o banheiro inteiro pintado de vermelho”, ri Ana. Laís Oliveira / Folhapress.

Divulgação

Os batons metálicos trazem brilho e atenção à boca; apesar de serem chamativos, é possível usá-los durante o dia sem exagerar

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epois que os batons com efeito opaco chamaram atenção e dominaram as bocas das brasileiras, surge uma nova tendência, que também promete fazer sucesso: os batons metálicos. Eles têm uma textura brilhante, mas não tão úmida A blogueira Claudia Guillen usa um batom metálico, que promete fazer sucesso entre as brasileiras

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Jogo de luz Maquiagem de contorno ajuda a afinar o rosto, clareando algumas regiões e escurecendo outras; Kim Kardashian é fã da técnica

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maquiagem de contorno se tornou queridinha no mundo todo depois que a socialite Kim Kardashian passou a desfilar com um rosto mais fino. A mudança se deu graças à técnica, usada na hora de passar a base. Esqueça a ideia de que ela deve ter o mesmo tom da pele. Neste caso, usa-se um tom mais claro e um ou dos mais escuros. “Nas regiões que a mulher deseja afinar, é necessário usar o tom mais escuro, como na região da bochecha e no contorno do nariz”, explica o maquiador Diego Borges. Na região abaixo dos olhos e na próxima à sobrancelha, o tom deve ser mais claro do que o da pele. Segundo a maquiadora Vera Vanini, a técnica funciona mais para a noite. “Isso porque ela é bem pesada e pode ficar exagerada em casos de eventos realizados durante o dia.” Diego concorda. “Outra dica é não demorar para fazer o traçado, pois, se a base secar, fica mais difícil de misturar com pincel e pode não chegar ao resultado esperado.” Julia Couto / Folhapress.

quanto os cintilantes. A blogueira de beleza Claudia Guillen, 29 anos, está, aos poucos, se influenciando por esta nova tendência, que já apareceu na boca de artistas como a cantora Katy Perry e a atriz Lupita Nyong’o. “Não vai ser fácil deixar os tons opacos de lado. Os batons metálicos são uma influência direta dos anos 1990. Este acabamento e efeito trazem ousadia e modernidade para a maquiagem. Na minha opinião, os tons rosados e terrosos são os mais fáceis de usar, e combinam com vários tons de pele.” O maquiador Jonathan Martins explica que o metálico apareceu primeiro nos olhos e, agora, seguiu para a boca. “Eles podem ser usados a qualquer hora, o importante é ter bom senso e ousadia. O ideal é que, durante

o dia, não se intensifique demais a cor e faça a aplicação de forma suave com a ponta dos dedos, deixando a cor mais diluída.” As opções de batons metálicos ainda não são muitas, mas a maquiadora Dora Carneiro dá uma dica. “Existe no mercado

os pigmentos, que têm o aspecto metálico. O que se pode fazer é misturar um batom normal com um pigmento de tonalidade parecida, isso dará um efeito bem similar ao encontrado nas opções metálicas.” Julia Couto / Folhapress.

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Janelas Abertas Gilka Bandeira

De lagosta e de gatinha

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s mais jovens não hão de entender, já os de mais idade por certo sentirão alguma nostalgia ao saber que por aqui a gente compra hortaliças, mariscos, pescados, doces caseiros e outras coisas, na porta de casa, sem pagar mais por isso. Diariamente, perto do meio-dia, ecoa na rua o “olhe o freguês” com que Sibinho se anuncia ainda de longe, empurrando um carrinho de mão com bananas, aipim, batata doce, um pouquinho de cada coisa a cada dia. Aos sábados é a vez de Chiquinha e Manu, as meninas dos mariscos, que vêm de Baiacu, trazendo ostra, sururu, chumbinho, maria-preta, camarão, siri, aratu, às vezes sambá e peguari, e também alguns peixes, maçambé, petitinga, arraia, vermelho e até cavala. No último sábado, elas ainda estavam na porta quando passaram dois pescadores oferecendo lagostas e siri-boia. Fizeram um preço tão bom que não houve como resistir, ao menos às lagostas, que há muito tempo se achava fora da nossa dieta, não porque engorde, aumente colesterol, ou por qualquer outra contra indicação, tão só devido ao preço proibitivo. Mas, pelo visto, na Ilha ainda é possível comer lagostas. Antigamente, era a coisa mais fácil do mundo. O amigo Antonio Marques, itaparicano da gema, diz que na sua meninice lagosta era comida de pobre. Sou testemunha disso. Certa feita, veraneando em Berlinque, levei 20 dias praticamente à base de lagostas. Naquela época, inicio de 1973, ainda não havia luz elétrica em grande parte da Ilha e os pescadores, não tendo como conservar os pescados, vendiam a preços que dispensava qualquer pechincha e nos tornavam felizes comedores de lagosta.

A propósito, a minha descoberta da Ilha foi celebrada com orgia gastronômica. Aliás, tudo por tudo, foi admirável. Aquele fim de semana, em 1971, ainda não passou. A ideia de levar a turminha da faculdade de Jornalismo foi de Aninha Umbigo de Ouro, cuja família tinha uma fazenda de dendê em Berlinque. Berlinque era um pequeno povoado de apenas 21 casas de pescadores. À nossa chegada, os tios de Aninha saíram de jangada para buscar nosso almoço. Parte da turma se aboletou no boteco para só sair na hora da volta pra casa e a outra, da qual fiz parte, empreendeu a exploração do território. Tomamos banhos de mar, de rio, de fontes friíssimas com águas ferruginosas. Encontramos umas cinco fontes destas, encravadas entre raízes de árvores frondosas, tendo na beira graminhas nativas ou prainhas de areia clara. Catamos araçás mirins e ingás de montão, o quê, juntamente com a farofada de galinha assada levada por Juracy, a previdente mãe de Aninha, disfarçou a fome, até a hora do almoço tornado jantar. Fim de tarde, belo crepúsculo incendiando o dendezal. Com os corpos ardendo do sol do dia todo, entramos cansados e esfomeados na casinha de chão batido, coberta de palha. Fifó aceso, num canto da parede da sala do fundo junto à cozinha. Rádio de pilha tocando músicas nordestinas e, no ar, o intenso cheiro do azeite de dendê. Dois longos bancos de madeira ladeavam a mesa, onde fumegavam frigideiras de barro com moquecas de peixe, de polvo e, para pasmo e alegria geral dos pobres citadinos, lagosta. O ambiente podia ser muito rústico, mas sobre a mesa agreste, estava o requintado banquete. Comemos a mais não poder naquela choupana mágica para nunca mais esquecer. Depois fomos jiboiar sobre esteira de taboa estendida no terreiro em frente à casinha sob

o céu de estonteante estrelejar. E não foi só, mas fica pra outra oportunidade porque o espaço está terminando e ainda não falei da gatinha. Uma bichana preta, amarela e branca, entrona, carente e cara-de-pau, que há dias invadiu a casa e não vai embora de jeito algum, nem com os ‘chiiis’ de espanto de Lucia e de Noêmia. No máximo corre até o jardim, mas volta, se posta na minha frente, mia, marcha pedindo carinho, enrosca-se nos meus pés o tempo inteiro, isto quando não se refestela na cama. E, como é sistematicamente expulsa da cama, deu para se meter entre travesseiros, se escondendo debaixo da colcha. Uma aprontadora de marca maior. A sua mais recente aprontação foi com as lagostas. Pois bem, no último sábado, terminei comprando as lagostas já que eram graúdas e o preço baixo. Uma iguaria requer uma ocasião especial. Logo pensei num almoço para os meninos, porém era esperar demais para saboreá-las já que eles demoram muito em aparecer. Mas havia outro motivo especial com menos delongas: comemorar o êxito da cirurgia de um amigo. Assim ficou decidido. A diligente Noêmia pôs mãos à obra. Aferventou os crustáceos para em seguida catá-los retirando as carnes das carapaças. Estava neste serviço quando minha mãe pediu alguma coisa e ela foi atender. Logo retornou à cozinha, para de novo sair de lá com uma baciinha nas mãos e, me mostrando exclamar desolada, “veja o que a gatinha fez”! “O que foi? Só estou vendo a vasilha vazia”, falei sem atinar para nada. Então ela disse: “A gatinha comeu a lagosta”. Nem sei a cara que fiz. Essa não! E o dinheiro gasto? E a homenagem ao amigo? Tudo por goela abaixo da gatinha abusada. Desde quando gatos comem lagostas? Onde aquela pérapada tinha achado lagostas, para saber que eram comestíveis? Na varanda, alheia a qualquer indagação ou perplexidade, a safada se lambia satisfeita da vida.

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Vilas Magazine | Ed 201 | Outubro de 2015 | 32 mil exemplares  

Vilas Magazine | Ed 200 | Setembro de 2015 | 32 mil exemplares

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