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Alex Staroseltsev


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cena da cidade

Mande sua foto registrando algum flagrante inusitado da cidade, com breve descrição, para redacao@vilasmagazine.com.br A primeira “Happy Down”, caminhada que lembrou o Dia Internacional da Síndrome de Down em Lauro de Freitas levou uma pequena multidão pelas ruas de Vilas do Atlântico no dia 25 de março. Ao som de “eu sou down” e debaixo de muito pó colorido para animar os participantes, a youtuber Cacai Bauer lembrava a todo momento que ser diferente é normal

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Revista mensal de serviços e facilidades, distribuída gra­tuitamente em todos os domicílios de Vilas do Atlântico e condomínios residenciais de Lauro de Freitas, Es­trada do Coco e região (Busca Vida, Abran­tes, Ja­uá, Ja­cuí­pe, Gua­ra­juba, Stella Maris, Pra­ia do Flamengo e parte de Itapuã). Disponível também em pontos de distribuição criteriosamente selecionados na região. As opiniões expressas nos artigos publicados são de responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, as da Edi­ tora. É proibida a reprodução total ou parcial de matérias, gráficos e fotos publi­cadas nesta edição, por qualquer me­io, sem autorização expressa, por escrito da Editora, de acordo com o que dispõe a Lei Nº 9.610, de 19/2/1998, sobre Di­reitos Autorais. A revista Vilas Magazine não tem qualquer responsabilidade pelos serviços e produtos das empresas anunciados em suas edições, nem assegura que promessas divulgadas como publicidade serão cumpridas. Cabe ao leitor avaliar e buscar informações sobre os produtos e serviços anunciados, que estão sujeitos às normas do mercado, do Código de Defesa do Consumidor e do CO­NAR – Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. A revista não se enquadra no conceito de fornecedor, nos termos do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor e não pode ser responsabilizada pelos produtos e serviços oferecidos pelos anunciantes, pela impossibilidade de se deduzir qualquer ilegalidade no ato da leitura de um anúncio. No entanto, com o objetivo de zelar pela integridade e cre­di­bilidade das mensagens publicitárias publicadas em suas edições, a Editora se reserva o direito de recusar ou suspender a vei­culação de anúncios que se mostrem enganosos ou abusivos, por constrangimentos causados ao consumidor ou empresas. A revista Vilas Magazine u­ti­liza conteúdo edi­to­ri­al fornecido pela Agência Fo­lhapress (SP). Os títulos Vilas Ma­­gazine e Boa Dica – Facilidades e Serviços, constantes desta edição, são marcas regis­tradas no INPI, de propriedade da EDITAR – Editora Accioli Ramos Ltda.


EDITORIAL

Água: como se não houvesse amanhã Nesta terra, “em se plantando tudo dá” – escreveu Caminha. Talvez tenha sido essa a deixa para o desperdício, a mensagem precursora da cultura da abundância que está enraizada nos hábitos do povo brasileiro. O português nunca tinha visto tamanha fartura, entenda-se. Sempre na mesma toada, os seus descendentes trataram os recursos naturais do novo mundo como se fossem inesgotáveis. Agora que a escassez de água bate à porta das grandes cidades é que se passa a pregar a racionalidade. Uma das propostas a que damos voz nesta edição, destacando o desafio da água, é implantar uma “política da escassez” para dar combate à cultura da abundância. Não se trata de fornecer à população toda a água que ela deseja utilizar – e desperdiçar. Trata-se de consumir apenas a água que for possível fornecer. E isso precisa ser equacionado levando-se em conta o equilíbrio ambiental, não apenas a disponibilidade de mananciais que venham a ser esgotados até a última gota. A destruição do rio Joanes a jusante da barragem do Jambeiro vem sendo justificada pela necessidade de manter o reservatório cheio, destinando a água ao abastecimento humano. Vigora aí a lógica da exaustão de recursos no esforço de fornecer tudo o que a demanda exige, quando o correto seria distribuir apenas o que os mananciais podem oferecer. Se pudesse antever o que fariam os seus descendentes com tamanha fartura, Caminha teria acrescentado à sua carta uma recomendação mais lusitana: “em se poupando tudo haverá”. Mas é como dizia Agostinho da Silva, o filósofo: o brasileiro é um português à solta – e gasta água como se não houvesse amanhã.

Educação

Carlos Accioli Ramos Diretor-editor

As imensas dificuldades financeiras da administração pública (muitas vezes dilapidadas por gestões comprometidas muito mais com interesses pessoais), em todas as esferas, explicam o abandono da rede de ensino, mas não justificam o adiamento de soluções. Há o que se pode deixar para depois e há o que precisa ser resolvido agora, seja por imperativo social seja porque o calendário não perdoa. O início do ano escolar é uma dessas espadas sobre a cabeça dos gestores públicos e não pode esperar por uma intervenção divina. A distribuição de culpas pode até aliviar o fígado dos que devem soluções efetivas, mas não produz resultados práticos nas salas de aula. Nem nos refeitórios das escolas públicas, que têm função social elementar no combate à fome e não podem depender apenas de beneméritos que se substituem ao Poder Público.

Guerra urbana Tiroteios com direito a balas perdidas passaram a fazer parte do cotidiano de Lauro de Freitas há alguns anos já. A intensificação da guerra urbana – travestida de solução no combate à violência – vem agravando o cenário. Agora o mundo cão que a classe média tanto se esforça por ignorar, no intuito de não poluir um idílio a duras penas construído, chegou ao “lado de cá” da Estrada do Coco. Janelas perfuradas por balas disparadas na região da avenida Luiz Tarquínio deixaram de ser uma possibilidade para se tornar realidade. Em grande medida, tudo isso decorre de que nos comportamos como selvagens, permitindo que a violência urbana seja tratada como um conflito armado a vencer. Não é assim. Abril de 2017 | Vilas Magazine | 5


REGISTROS & NOTAS Instituto Cervantes comemora 10 anos em Salvador com duas novas unidades O Instituto Cervantes celebra dez anos de atuação em Salvador expandindo o seu projeto educacional. Desde março, em parceria com mais duas instituições líderes no setor da educação, o Instituto está abrindo mais duas unidades, visando atender a públicos específicos. A primeira já está funcionando no Centro Empresarial Iguatemi, compartilhando espaço e instalações com Aliança Francesa Salvador. A segunda unidade ficará na privilegiada sede do SENAI-Cimatec, na avenida Orlando Gomes, em Piatã, com acesso mais facilitados pera interessados residentes em Alphaville, Piatã, Patamares, Itapuã, Stella Maris, Flamengo, Lauro de Freitas e litoral norte. Com mais de 200 mil estudantes ao ano, o Instituto Cervantes é uma instituição do Governo da Espanha que nesses 25 anos de existência tornouse a maior rede mundial dedicada ao ensino de espanhol, com mais de 90 centros espalhados pelos cinco continentes. A abertura dessas duas novas unidades em Salvador, significa que “o nosso projeto amadureceu e se consolidou institucional e socialmente na cidade, consagrando a nossa missão de promover e difundir a língua e a cultura espanhola”, explica o atual diretor do Instituto Cervantes em Salvador, Alberto Gascón (acima). A língua espanhola conta atualmente com mais de 550 milhões de falantes no mundo, incluindo aqueles com competências limitadas, que estão estudando o idioma. É o segundo idioma materno em número de falantes – 470 milhões em todo o mundo -, perdendo somente para o mandarim. Por razões demográficas, a porcentagem da população mundial que fala espanhol como língua nativa está aumentando, enquanto o mandarim e o inglês têm diminuído. A previsão é de que, até 2030, os falantes de espanhol sejam de 7,5% da população mundial. Em 2050, os Estados Unidos serão o primeiro país hispanofalante do mundo. Para os baianos, por conta da indústria do Turismo, o espanhol tem um diferencial muito interessante. Bancos, companhias de telefonia, hotéis, empresas de produção de energia, etc., têm sede na Bahia, o que demanda profissionais com domínio linguístico-cultural no idioma. 6 | Vilas Magazine | Abril de 2017

Hospital Aeroporto inaugura novas áreas para consultas e exames

Com 880m² de área refor- A diretoria do hospital (a mada, 10 novos consultórios e partir da esq.): a mé­di­ca Clanova unidade de endoscopia o rissa Pai­va, a ad­ministradora Hospital Aeroporto inaugurou Cynthia Pai­­v a, o médico em 13 de março, a primeira etapa Bráulio Rego, a médica Dédas reformas previstas no plano bora Andrade, o adminisde modernização da instituição. trador Bruno Andrade e o Além das mudanças no espaço médico Alexandre Andrade físico, foram adquiridos novos equipamentos que permitem diagnósticos mais precisos, além de aprimoramentos voltados para oferecer atendimento diferenciado aos pacientes. Também entram em operação a nova unidade de serviços de endoscopia e emergência ortopédica, com consultórios, salas de procedimento e recuperação. No ambulatório são 10 novos consultórios e quatro salas para exames de ultrassonografia. “Todo nosso esforço é para oferecer saúde de qualidade aos pacientes, possibilitando um atendimento humanizado e acolhedor, além de suprir a carência de serviços hospitalares na região”, disse a médica Débora Andrade, diretora do hospital. A segunda etapa da obra, prevista para este semestre, contemplará nova emergência, com mais 10 leitos e modernização do centro cirúrgico.

uA médica gastroenterologista e endoscopista Adriana Campos Andrade Ribeiro comemora idade nova dia 5 de abril, na intimidade da família, com o marido Fernando e os filhos Matheus e Danilo. Profissional estimada pelo seus pares, funcionários e pacientes, Adriana passa o seu dia especial, que cai no meio de semana, fazendo o que lhe é prazeroso: cuidar da saúde dos seus pacientes.


Vilas do Atlântico assume cadeira no Conselho Municipal de Saúde

Escritoras lançam último volume de trilogia

Vilas do Atlântico, Miragem e Buraquinho passaram a estar representados no Conselho Municipal de Saúde pela médica Janaína Ribeiro (abaixo), presidente da Associação de Moradores de Vilas do Atlântico (AMOVA). A eleição da representante deu-se no dia 15 de março, por maioria de votos, depois que as entidades representativas de Vilas do Atlântico, Miragem e Buraquinho não conseguiram chegar a acordo sobre o nome que deveria compor o Conselho. A suplência ficou com Maria Celeste Barreiro, da Associação de Moradores do Miragem (AMOM). Destacando que o Conselho é “deliberativo, tem voz e voto”, Janaína Ribeiro explica que o objetivo é “exercer fiscalização, como sociedade civil, das políticas públicas de saúde”. Para ela, o Conselho ganha notoriedade neste momento, com a construção do Hospital Metropolitano, sendo necessário garantir “que seja implantado nas condições devidas, para que a população venha a se beneficiar de fato”.

O terceiro e último livro da trilogia Eclipse da Lua Azul, das autoras Débora Knittel e Érica Falcão (acima, a partir da esq.) acaba de ser lançado em Vilas do Atlântico pela Solisluna Editora. Neste “Raízes de Luz – Mundo Elemental”, continua a saga de Holly Crane. Desta vez, ao lado de Maiara, Holly terá que superar seus medos e acreditar em sua força interior para libertar o anjo Celino, seu amor, da escuridão em que se encontra prisioneiro. Érica Falcão reside e trabalha em Vilas do Atlântico. É Pedagoga com especialização em Tecnologia Educacional. Débora Knittel é formada em Pedagogia e especializada em Psicopedagogia, autora de dois livros infantojuvenis publicados pela Solisluna Editora: “Margarida bem-me-quer” e “Saíra sete cores”. As escritoras são amigas desde a adolescência e compartilham o gosto pela leitura e escrita. Juntas escreveram os livros da trilogia “Eclipse da Lua Azul”: Mundo Humano, Templo de Gelo - Mundo Angelical e Raízes de Luz – Mundo Elemental. Uma história que nasceu nas nuvens, em suas viagens pelo mundo.

Governador autoriza duplicação da estrada da Cascalheira, em Camaçari O entroncamento da BA-099 (Estrada do Coco) com a BA-535 será duplicado e pavimentado. O governador Rui Costa autorizou, em 13 de março, a obra no trecho de 13 quilômetros, conhecido como estrada da Cascalheira. A via, por onde passam diariamente cerca de dois mil veículos, beneficia 611 mil habitantes de municípios como Camaçari, Simões Filho e Lauro de Freitas. “Estamos iniciando um sonho antigo, muito reivindicado, que é a recuperação da estrada da Cascalheira. Também estamos duplicando a Estrada do Cetrel, com recuperação total de alguns trechos. No

próximo mês, estarei de volta a Camaçari para inaugurar a estrada da Cetrel, que vai ajudar as instalações das fábricas que conseguimos atrair para a região e onde já está sendo instalada a fábrica da Tecsis, que produz pás para produção de energia eólica”, revelou o governador. “Doamos um terreno do Estado para a Fieb e vamos implantar na Cascalheira um Cimatec industrial, com o mesmo conceito da Orlando Gomes [Piatã, em Salvador], mas toda a pesquisa de grande porte com viés industrial será feito aqui em Camaçari. Então, voltarei para iniciar uma obra que, para mim, é mais

importante do que uma fábrica, pois vai gerar conhecimento, tecnologia e mão de obra qualificada”, destacou Rui Costa. Na oportunidade, o governador também autorizou o início da segunda etapa da reforma do quartel do 10º Grupamento de Bombeiros Militares, em Camaçari e entregou para os grupamentos dos bombeiros em Salvador e na região metropolitana 26 veículos, incluindo um caminhão para combate a incêndio, um conjunto desencarcerador, para salvamento de vítimas de acidentes, e dois notebooks. Abril de 2017 | Vilas Magazine | 7


REGISTROS & NOTAS Rotary Club Lauro de Freitas empossa novos associados O Rotary Club Lauro de Freitas qualifica sua estrutura com a admissão de novos integrantes no seu quadro associativo. São eles: Janeide Maria Borges de Oliveira, natural de Juazeiro (BA) e residente há 21 anos em Lauro de Freitas, é graduada em Licenciatura Plena em História, pela Faculdade de Formação de Professores de Petrolina; especialista em Pedagogia Organizacional e Desenvolvimento de Recursos Humanos, pela Faculdade Olga Mettig; em Pesquisa e Avaliação Educacional em Estudos e Experimentações Tecnológicas pelo IAT. Acadêmica fundadora da ALALF – Academia de Letras e Artes de Lauro de Freitas. Caio Mário Vieira Marques, soteropolitano, conselheiro da Rio Limpo e da APA Joanes–Ipitanga, bacharel em Direito pela UFBA, com treinamentos jurídicos, corporativos, gerenciais, re-engenharia em Qualidade Total e ISO 9000. Rita Franco Bispo de Carvalho, formada em Secretariado Executivo, com Pós-graduação em Gestão de Sistemas de Saúde e Especialização

Carnavilas entrega alimentos arrecadados

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O presidente Al­mir Cerqueira (1) empossou os novos in­te­grantes do Rotary Club Lauro de Freitas: Caio Mar­ques (2), Rita Carvalho (3) e Janeide Borges (4) em Administração Hospitalar, pela Universidade Federal da Bahia. Homenageada com o título Doutor Honoris Causa, pela Université Libre des Sciences de L´Home de Paris, em reconhecimento aos serviços prestados à saúde, à arte e à cultura.

A alegria do Carnavilas não acaba ao final do percurso, nem no fim da última banda. A emoção se estende até a entrega dos alimentos arrecadados durante o período de venda das camisas. A magia do carnaval vai além dos confetes e serpentinas, através da solidariedade dos foliões que contribuiram com essa iniciativa solidária que acontece anualmente em Vilas do Atlântico. Esse ano as entidades beneficiadas foram o Projeto Crescer (1) e a ACABEM - Associação Casa de Caridade Adolfo Bezerra de Menezes (2). Os organizadores do Carnavilas, Almir Nuno (Netinho) e Ronaldo Moreira (Naldinho), entregaram pessoalmente os mais de 500 kg alimentos arrecadados, e puderam mais uma vez, ver de perto o quanto ações como essa ajudam na esperança que quem muitas vezes não tem o que esperar. Empolgados, eles torcem para que a doação do próximo ano supere a marca desse ano, que já foi um recorde quando começou no carnaval de 2011. Se continuarmos nesse ritmo, a Jardineira não ficará tão triste e a Camélia não precisa cair do galho.

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p Ana Júlia, toda fofa, faz a alegria dos pais, Amanda e Diego Machado, desde quando chegou, dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher.


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cidade

Pituaçu fará integração do metrô com ônibus de Lauro de Freitas

Estação Aeroporto do metrô, ainda em construção: integração em Pituaçu

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Terminal de Integração de Pituaçu, com capacidade para mais de 200 mil passageiros por dia, será

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um dos principais pontos de integração entre o sistema metroviário e Lauro de Freitas – com o usuário pagando apenas

uma passagem para usar o ônibus e o metrô – enquanto a Estação Aeroporto não chega. O terminal deve ser concluído setembro deste ano, ligado por uma passarela à Estação de Metrô de Pituaçu. Terá quatro pavimentos e será um dos principais pontos de integração de Salvador, com vinte plataformas de embarque e desembarque de passageiros, estacionamento e espaço de serviços e lazer, que pode comportar uma praça de alimentação. Tudo distribuído em uma área de 43,9 mil metros quadrados construídos. Em visita às obras, no final de março, o governador Rui Costa (PT) destacou o avanço linha 2 do metrô: “ela segue na correria que está caracterizando nossas ações na capital e no interior do estado”, afirmou. O presidente da CCR Metrô Bahia, concessionária que administra o sistema, Luís Valença, destaca que o terminal integra uma série de mudanças implantadas na avenida Paralela. “Até maio, estarão prontas as estações de Pernambués, Imbuí, CAB e Pituaçu”, disse. “Esta última é muito importante porque faz a ligação do metrô com o novo sistema da avenida Gal Costa e com os ônibus”, explicou.


Decisão judicial impede derrubada do muro da Al. Praia de Guadalupe Via sem saída foi classificada pela prefeitura como “coletora” de tráfego

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município de Lauro de Freitas está impedido de derrubar o muro que delimita Vilas do Atlântico e o loteamento Miragem, na altura da rua Praia de Guadalupe, até posterior decisão judicial. Liminar nesse sentido foi concedida no princípio de março pela 1ª Vara da Fazenda Pública, atendendo pedido da Associação de Moradores de Vilas do Atlântico (AMOVA) e Sociedade de Amigos do Loteamento Vilas do Atlântico (Salva), entidades representativas dos moradores. A ação de Interdito Proibitório interposta pelas entidades visa sustar a demolição recomendada ao município pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA). A análise técnica produzida pela instituição menciona que tanto a rua Praia de Guadalupe, em Vilas do Atlântico, como a rua C, no Miragem, “possuem o mesmo código de logra-

douro”, concluindo que o muro constitui obstrução de via pública. No despacho que concedeu a liminar, a juíza Zandra Parada valida a argumentação das entidades de moradores, considerando necessário apurar se houve cerceamento de defesa e contraditório. Por outro lado, anota a magistrada, não se verifica prejuízo para o Poder Público em abster-se de derrubar o muro até posterior decisão final. A intenção de abrir novos acessos a Vilas do Atlântico foi desmentida pela prefeitura de Lauro de Freitas há quase três anos, quando a Vilas Magazine publicou reportagem em que alertava para a criação da conformação legal que poderia levar a isso. Além da rua Praia de Guadalupe, foram “geminadas” ao Miragem por um novo código de logradouro também as ruas Praia de Gravatá, Praia do Conde e

Praia de Lucena – todas vias locais sem saída, dentro dos limites originais do loteamento. No projeto de lei que então se discutia, a rua Praia de Guadalupe – projetada para ser uma via local sem saída – aparecia classificada como “coletora”, designação própria de vias com intensidade média de tráfego, entre local e arterial e constava da listagem de logradouros de Buraquinho, bairro vizinho, com o mesmo número de cadastro: 040881. Outras três ruas paralelas à Guadalupe foram incluídas pela proposta no “bairro de Buraquinho”, que inclui o Miragem, onde elas efetivamente não existem. Já no ano passado, a prefeitura disse ao Ministério Público que “a rua Praia de Guadalupe foi projetada para conectar os dois loteamentos”, conforme consta da argumentação do MPBA que recomenda a derrubada.

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cidade

Projeto do futuro Hospital Metropolitano: equipamento de grande porte

Hospital Metropolitano atenderá RMS a partir de Areia Branca

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projeto do Hospital Metropolitano, que será construído em Lauro de Freitas, foi apresentado no mês passado durante uma audiência pública no Cine Teatro, no Centro. A audiência é uma exigência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que está financiando R$ 150 milhões para o Governo do Estado fazer a obra. O novo hospital terá 265 leitos, sendo 30 de UTI e oito salas de centro cirúrgico, devendo atender toda a região metropolitana. Oito ambulatórios e 30 leitos serão dedicados ao atendimento a pessoas que sofreram acidente vascular cerebral (AVC). A internação terá 180 leitos de enfermaria nas especialidades de clínica geral, ortopédica e cirúrgica. O governo promete ainda serviços de clínica cardiológica, clínica neurológica, cirurgia geral, cirurgia urológica, vascular, gástrica e neurológica. De acordo com o secretário da Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, será um hospital “de grande porte”. Localizado em Areia Branca, na nova Via Metropolitana, o equipamento vai permitir o acesso fácil tanto de Lauro de Freitas como de Camaçari, Salvador e Simões Filho. O hospital deve se 12 | Vilas Magazine | Abril de 2017

tornar “o principal equipamento da rede de urgência e emergência da área”, disse o secretário – papel até aqui desempenhado pelo Hospital Geral Menandro de Faria. A expectativa é que o hospital comece a funcionar em 2018. O projeto já está pronto e o processo de aquisição de equipamentos médicos vai ser iniciado em paralelo com a construção, de forma a ser imediatamente ocupado e colocado em funcionamento logo depois de construído. O secretário da Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas: hospital será o principal da rede de urgência e emergência da região

Policlínica em Simões Filho deve atender Lauro de Freitas

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ma nova “Policlínica Metropolitana” a ser construída em Simões Filho deve passar a atender também a demanda de Lauro de Freitas por exames e diagnósticos no sistema público de saúde. Quinze cidades da Região Metropolitana de Salvador, mais de um milhão de pessoas, terão atendimento específico na policlínica. A iniciativa é resultado da criação de um consórcio de saúde entre os municípios. Um outro foi estabelecido para a região de Alagoinhas, onde também será construída uma policlínica. Cada equipamento custará cerca de R$ 22 milhões entre obras e equipamentos, num investimento integralmente bancado pelo Estado. Já a manutenção será compartilhada entre o Estado, que financiará 40% dos custos, e os municípios consorciados, que vão cobrir os 60% restantes, proporcionalmente à sua população. Com a maior população da RMS, Lauro


Detran capacita setecentos mototaxistas em Lauro de Freitas

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Governador Rui Costa na assinatura do Protocolo de Intenções dos Consórcios de Saúde: regionalização de Freitas deverá pagar grande parte dos custos de manutenção da policlínica a ser construída em Simões Filho. O governador Rui Costa (PT) lembrou que 82% da população baiana ainda tem que se deslocar do interior para a capital fazer exames, cirurgias e outros procedimentos. A regionalização da saúde, uma das bandeiras da atual administração, avançaria por meio desses consórcios. A maioria dos mais de 200 hospitais baianos não faz cirurgias nem partos. O governador mencionou a experiência de países desenvolvidos na área: “em países como a Alemanha, as pessoas chegaram à conclusão de que é melhor ter um hospital que resolva o problema de muitas pessoas do que vários hospitais que não resolvem nada”. Para ele, “as policlínicas vêm nessa direção”.

Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA) anunciou no mês passado um curso gratuito de capacitação para 700 mototaxistas de Lauro de Freitas em parceria com a prefeitura local. “O conteúdo da capacitação qualifica o mototaxista para os desafios da profissão e ajuda a construir um trânsito seguro”, disse o diretor-geral do Detran, Lúcio Gomes. O curso oferece 25 horas de aulas teóricas sobre legislação, gestão de risco sobre duas rodas, equipamentos de segurança, cidadania e relação com o público, além de cinco horas de exercícios práticos. O presidente da Cooperativa de Mototaxistas de Itinga, Wilton Rebouças, comemorou a iniciativa do órgão. “Esse

curso é motivo de felicidade para a categoria aqui em Lauro de Freitas, porque vamos ter mais reconhecimento da população pelo nosso trabalho”, acredita ele. O Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde e dados da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego indicam que, no Brasil, o risco de morte é vinte vezes maior sobre duas rodas do que num automóvel. De acordo com eles, enquanto 7% dos acidentes de carro produzem vítimas, entre as motos o percentual sobe para 71%. Preocupa as autoridades o número de acidentados também no interior. Com incentivos ao setor, as motocicletas de baixa cilindrada, mais baratas, caíram no u gosto popular.

Anúncio da capacitação de mototaxistas em Lauro de Freitas: gestão de risco

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cidade

Nas regiões Nordeste e Norte, os usuários de moto representam o grupo predominante entre as vítimas de acidentes de trânsito, segundo revelou um “Retrato da Segurança Viária no Brasil”, produzido pela iniciativa privada em 2015 com base em dados de entidades oficiais. No Nordeste, foram 4.645 vítimas fatais de acidentes com moto (49% do total), praticamente o dobro das 2.321 vítimas de acidentes com carro (24%) em um único ano, 2013. Em 2002, as motos representavam 21% das mortes no trânsito na região Nordeste. Desde então, a frota de motos nos estados nordestinos saltou 1 milhão para 5,7 milhões, num aumento de 457%. Das 43.075 mortes no trânsito ocorridas no Brasil em 2013, 12.040 eram motociclistas ou passageiros de moto, considerando apenas os casos em que o tipo de veículo foi identificado. Com 37% do total de óbitos, os usuários de moto formam o maior grupo de vítimas do trânsito no país. Um dos problemas apontados por especialistas é o uso do chamado “corredor”, o espaço estreito entre uma faixa e outra da via, motivo de desespero para os motoristas de automóveis. Ao usar o corredor para trafegar entre os carros, o motociclista deixa de ser visto por, pelo menos, um dos três espelhos retrovisores que o motorista de automóvel tem à disposição, aumentando a possibilidade dele se acidentar. O veto do artigo 56 do Código Nacional de Trânsito, que proibia expressamente a circulação de motocicletas nos corredores, seria uma das causas da calamidade.

O Joanes depois da barragem do Jambeiro: calha seca

eSPECIAL / ÁGUA

Estiagem prolongada atinge reservatórios da RMS

D Falta de treinamento adequado é uma causas de acidentes com motos

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e acordo com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), a Bahia vive a pior seca dos últimos 50 anos, reduzindo o nível dos mananciais utilizados para o abastecimento humano em diversas áreas, incluindo a Região Metropolitana de Salvador (RMS). Só em Lauro de Freitas o período dos últimos doze meses registrou chuvas 34% abaixo da média. Dados do Inema registram que, no mesmo período, na bacia hidrográfica do Recôncavo Norte o volume de chuva ficou entre 40% e 60% abaixo da média. O período chuvoso mais significativo para o leste da Bahia, que inclui as bacias hidrográficas do Joanes e do Paraguaçu, está previsto para


iniciar somente este mês. A barragem de Joanes 1, em Lauro de Freitas, está com 80,51% de sua capacidade total (57,9% do volume útil), mas 60% do abastecimento da RMS vem da barragem de Pedra do Cavalo, que recebe água da bacia do rio Paraguaçu e está com 63,89% da sua capacidade total de acumulação. Em decorrência da falta de chuvas na região, os rios não estão conseguindo repor a água dos reservatórios, que estão com volume baixo justamente quando o consumo aumenta. Por ser uma “situação climática atípica”, a Embasa está alertando a população para que adote hábitos racionais de consumo de água, utilizando apenas o necessário e evitando desperdício. A Embasa também iniciou no mês passado a instalação de um sistema de bombeamento “para garantir a segurança hídrica em Salvador e Região Metropolitana”. Trata-se da reversão do lago de Santa Helena, entre as cidades de Dias D’Ávila e Mata de São João, para o rio Jacumirim, que abastece a barragem de Joanes 2, um dos principais mananciais que abastecem a região. De acordo com a Embasa, foram investidos R$ 2,5 milhões na aquisição dos equipamentos que possibilitarão o acréscimo de quatro mil litros por segundo ao volume de água do rio. A ampliação do sistema de transposição das águas de Santa Helena para a barragem de Joanes 2 tem previsão de elevar a produção de água em volume equivalente a 50% da atual demanda do sistema. Em suas quatro fases, o empreendimento prevê investimento total estimado de R$ 890 milhões, com projeto em elaboração para posterior captação de recursos. A empresa verifica que a barragem de Joanes 2, que faz parte do sistema integrado de abastecimento de água da u

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eSPECIAL / ÁGUA

RMS, já está com nível abaixo do esperado para essa época do ano, em consequência da estiagem prolongada. “Estamos investindo para garantir a segurança hídrica da RMS, mas diante do baixo índice pluviométrico dos últimos quatro anos, agravado nos últimos meses, é importante que a população economize água, preservando o recurso disponível”, alertou o presidente da Embasa, Rogério Cedraz. Além da barragem de Pedra do Cavalo e Joanes 1, a RMS é abastecida pela Joanes 2, que está com 44,22% da capacidade, Ipitanga 1 (46,35%) e Ipitanga 2 (29,62%). Salvador conta ainda com a barragem de Santa Helena que, no ponto de captação atual, situado no rio Jacumirim, encontra-se com 62,16% da sua capacidade total. Esse reservatório reverte água para Joanes 2. Quando considerado o volume útil, calculado entre o nível máximo e o nível de captação da água, Pedra do Cavalo apresentava cerca de 25%, Joanes 1 quase 58%, Joanes 2 19%, Ipitanga 1 pouco mais de 26%, Ipitanga 2 mais de 29 e Santa Helena quase 16%. Bombeamento no lago de Santa Helena procura garantir abastecimento de água

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Aumento da demanda também causa problemas ambientais

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m Lauro de Freitas, a prioridade da entidade ambientalista Rio Limpo continua a ser a revitalização dos rios e a devolução do volume de água ao Joanes, abrindo as comportas da barragem, no Jambeiro. Em tempos de escassez de água para o abastecimento humano, a probabilidade de que essa medida venha a ser tomada é nula, mas Caio Marques, representante da Rio Limpo, alerta para a necessidade de continuar a discutir o assunto. “Com o aumento significativo da população na capital e região metropolitana, a quantidade de água captada passou a ser insuficiente para o abastecimento humano, o que obriga a Embasa a transferir água bruta da barragem de Pedra do Cavalo, na bacia do rio Paraguaçu, para Caio Marques, da Rio Limpo: Salvador e sua Região Metropolitana”, verifica. reivindicações apresentadas De acordo com ele, a produção de água nas calhas dos rios Ipitanga e Joanes é inferior ao volume de captação de água realizada pela Embasa”. Isso impede o transbordamento diário, impossibilitando o fluxo natural dos rios. Para Marques, o volume de captação é superior ao outorgado. “O alto consumo de água impõe seca às suas calhas”, afirma. Já após as barragens do rio Ipitanga “a calha seca é contaminada por efluentes líquidos, esgotos domésticos e industriais, trazendo para a cidade de Lauro de Freitas odores e contaminações prejudiciais à saúde e à qualidade de vida”, afirma ele. A consequência mais prejudicial, para ele, é a contaminação da calha do rio Joanes após o encontro com o Ipitanga. Caio Marques diz que a degradação ambiental “culminou na desvalorização dos imóveis ribeirinhos, fechamento de empresas e hotéis, extinção do terminal turístico de Portão, assim como extinção do esporte e do turismo náutico, extinção da contemplação do patrimônio natural, dos manguezais, plantas e aves, além da perda de trabalho e renda, para mais de 500 cidadãos envolvidos, direta ou indiretamente, com a pesca e mariscagem artesanais, outrora praticada pela comunidade, na maioria moradores do Bairro de Portão”. A entidade pretende incluir na lei municipal de contrapartidas a possibilidade de ser exigida a realização de obras e de Projetos de Recuperação de Áreas Degradadas que visem a revitalização da bacia do rio Joanes. Também quer “negociar com a Embasa soluções para a redução da contaminação do rio Joanes pelo rio Ipitanga, com a construção de estações de tratamento”. Um “estudo para a implantação de fluxo mínimo de água bruta nos barramentos do rio Ipitanga e Joanes para permitir a diluição dos esgotos” é outra reivindicação apresentada no último Dia Mundial das Águas. Por fim, a Rio Limpo pede a adequação do município à Lei Federal n° 12305/10, de Resíduos Sólidos e à Lei Federal 11.445/07, que trata do Saneamento Básico.


Uso consciente da água é meta de organizações internacionais

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ão é de hoje que o mundo chama a atenção para a importância da gestão racional da água. O debate é antigo e vem sendo reforçado ao longo da história com marcos como o Dia Mundial da Água, decretado em 1992 pela Organização das Nações Unidas ou o Ano Internacional de Cooperação pela Água, que em 2013 foi dedicado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura para reflexão sobre o tema.

Planejamento e uso consciente são essenciais na gestão da água Mesmo assim, as pessoas ainda não aprenderam a gerir de forma adequada a água. No Brasil, algumas cidades já percebem este impacto em seus cotidianos e a história continuará se repetindo se não houver maior conscientização. Este ano regiões Nordeste e Centro-Oeste são as mais afetadas. Em 2017, só na Bahia há 94 municípios com reconhecimento federal de situação de emergência causada por um

longo período de estiagem. Em todo o Brasil, já são 872 cidades. A região mais afetada é a do Nordeste. A Embasa determinou o racionamento de água em 13 municípios da região Centro Norte do Estado, pela falta de chuvas. De acordo com a empresa, a Bahia está enfrentando “a pior seca dos últimos 100 anos”. O racionamento atingiu as cidades de Jacobina, Pindobaçu, Antonio Gonçalves, Campo Formoso, Serrolândia, Várzea do u

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eSPECIAL / ÁGUA

Poço, Caldeirão Grande, Ponto Novo, Filadélfia, Itiúba, Jaguarari, Andorinha e Senhor do Bonfim. Além dos municípios do Centro Norte da Bahia, estão em situação de alerta outros 81 municípios baianos. Segundo a meteorologista Morgana Almeida, chefe da previsão do tempo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), esta situação é reflexo de um acúmulo dos impactos causados pelo El Niño. “Temos que olhar para o retrovisor. O El Niño é um fenômeno que acontece há cinco anos e atingiu seu ápice nos últimos três, o que levou o semiárido nordestino a uma situação de seca excepcional e isto impacta diretamente nos reservatórios que abastecem as cidades da região”, diz. Já o professor Sérgio Koide, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB), explica que o que deflagra o processo da crise hídrica é o clima, mas a falta de planejamento faz com que a margem de segurança entre a oferta e a demanda seja muito pequena. “Com um bom planejamento e com investimentos, você consegue fazer uma gestão mesmo em situações de certa escassez de recursos”, explica. Para ele, o risco de insuficiência de água para o abastecimento ocorre quando o planejamento não é cumprido, na medida que a oferta vai se aproximando da demanda. “Neste caso, é preciso fazer um novo planejamento, com antecedência, e adotar as medidas necessárias, como investimentos em obras, para evitar a falta de abastecimento”, ensina. O engenheiro explica que, no Distrito Federal, por exemplo, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) sabia desde o ano 2000 que “a partir de 2005 a demanda se aproximaria perigosamente da oferta”. “De maneira geral, as pessoas que trabalham com o planejamento conseguem antever quando vai começar a zona de risco, mas como o planejamento é a longo prazo e os investimentos são altos, nem sempre eles são cumpridos”, verifica. 18 | Vilas Magazine | Abril de 2017

O reuso de águas é prioridade em campanha da ONU

ONU critica desperdício e pede reaproveitamento de água

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previsão da Organização das Nações Unidas (ONU) é que, até 2030, a demanda por água no mundo aumente em 50%. Ao mesmo tempo, mais de 80% do esgoto produzido pelas pessoas volta à natureza sem ser tratado. Diante desse cenário, a Organização procura mobilizar governos, o setor privado e a sociedade civil contra o desperdício, por melhoria nos sistemas de coleta e tratamento de esgoto e pelo reaproveitamento máximo das águas residuais urbanas. Esses foram os temas do último Dia Mundial da Água, lembrado no dia 22 de março. As águas residuais são os recursos hídricos utilizados em atividades humanas que se tornam impróprios para o consumo, mas podem ser utilizados para outros fins após tratamento. Segundo a ONU, os benefícios para a saúde humana e para o desenvolvimento e sustentabilidade ambiental são muito maiores que os custos da gestão dessas águas, fornecendo novas oportunidades de negócios. Na avaliação do coordenador de Implementação de Projetos Indutores da Agência Nacional de Águas (ANA), Devanir Garcia dos Santos, para o Brasil,

é essencial discutir o reuso da água já que o recurso, apesar de abundante, não é distribuído uniformemente em todas as regiões do país. “Temos regiões que têm carência de água e que têm potencial de fazer reuso. Muitas demandas poderiam ser atendidas com o reuso”, disse. Além de atender às necessidades por água limpa, o reuso também significa o tratamento de esgotos e dos efluentes domésticos. “O Brasil tem um problema sério, a área atendida hoje é pequena”, explicou o coordenador da ANA. Em torno de 35% da população é atendida com tratamento de esgoto, concentrado nos grandes centros. As capitais dos estados têm capacidade de tratamento, mas, como no caso de Lauro de Freitas, “quando se pega municípios com menos de 200 mil ou menos de 50 mil habitantes, praticamente tem muito pouco tratamento nessas áreas”, verifica. Segundo a ONU, cerca de 1,8 bilhão de pessoas no mundo usam fontes de água contaminadas por fezes para beber e 842 mil mortes por ano são relacionadas à falta de saneamento e higiene, bem como ao consumo de água imprópria. Para garantir a utilização sustentável dos recursos hídricos seria necessário implementar políticas eficazes de


saneamento e de reuso. A Organização aponta que as águas residuais podem ser reaproveitadas na indústria, em setores que não precisam tornar a água potável para utilizá-la como insumo. É o caso de sistemas de aquecimento e resfriamento, por exemplo. Sozinha, a indústria é responsável por 22% do consumo de água mundial. Segundo Garcia, o reuso praticamente inexiste no Brasil, exceto em algumas iniciativas da grande indústria, que está se organizando e fazendo tratamento de esgoto para a reutilização. “A indústria tem um disciplinamento bom”, opina. “Em tese, você tem um normativo que não deve utilizar água de boa qualidade, a não ser que esteja sobrando muito, para usos onde você tem condição de atender com água de qualidade inferior – é um ponto importante da gestão da água que precisamos observar e o reuso possibilita isso”, disse.

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Fornecimento de água deve ser baseado na possibilidade de oferta

sociedade precisa se conscientizar de que não dá mais para consumir água de maneira perdulária – é o que defende o consultor e ex-ministro do Meio Ambiente José Carlos Carvalho. Segundo ele, as políticas de fornecimento de água no país são baseadas na abundância, mas diante da escassez do recurso isso precisa ser revisto. Para o deputado federal e coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, Alessandro Molon (REDE), “água não é mercadoria, é bem de domínio público com valor econômico que precisa ser melhor definido”. Atualmente o suprimento de água é baseado em uma demanda elástica e ilimitada. “Se a pessoa resolver consumir 300 litros por dia, é como se o Poder Público tivesse que se virar para atender”, verifica. Tem que haver uma “política da escassez” porque não haverá recursos para demanda ilimitada, disse Carvalho durante o Seminário Águas do Brasil, que reuniu especialistas e representantes da sociedade civil no Ministério do Meio Ambiente para falar sobre os 20 anos da Lei das Águas. Para Molon (dir.), após 20 anos da lei, é hora de fazer um balanço entre conquistas e desafios trazidos pela mudança do clima no Brasil e em outros países. Molon defende a aprovação da Proposta de Emenda

Constitucional que reconhece o Cerrado e a Caatinga como patrimônios nacionais. Estes biomas seriam responsáveis por boa parte da reserva de água brasileira. O Brasil também compartilha com a Argentina, Paraguai e Uruguai a gestão do Aquífero Guarani, que é a principal reserva de água doce subterrânea da América do Sul. Carvalho acredita que a Lei das Águas trouxe conquistas extraordinárias, mas ainda é preciso avançar na integração entre as políticas públicas. “Na natureza, há uma relação de total interdependência entre os recursos naturais, chamo de trilogia santa: água, solo e florestas”, explicou. “E as políticas públicas normalmente buscam soluções, ainda que na melhor das intenções, sem levar em conta essa integração”, acrescentou o ex-ministro, lembrando que a outorga de lançamento de efluentes, conquistada na Lei das Águas, não é integrada ao licenciamento ambiental.

Estudantes fazem ‘city tour ambiental’ no Dia Mundial da Água

Em mais uma das costumeiras atividades extraclasse do professor Antônio Cláudio Nogueira, da Escola Municipal Ana Lucia Magalhães, pais e alunos marcaram a passagem do Dia Mundial da Água com uma “aula-passeio”, um “city tour ambiental”, com paradas nos rios Ipitanga, Sapato e Joanes, “buscando a construção do conhecimento através de atividades práticas, interativas e prazerosas”. O objetivo foi conhecer, preservar e despertar a consciência ambiental, retratando a importância da água e sua relação com a cidade. Depois do tour, na foz do Joanes, praia de Buraquinho, todos participaram de um bingo com direito à distribuição de prêmios

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seus direitos

Lei da gorjeta é sancionada

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Texto que regulamenta a cobrança e distribuição da taxa entrará em vigor nos próximos dois meses

ancionada, sem vetos, pelo presidente da República Michel Temer, em 13 de março, a Lei nº 13.419 que regulamenta a cobrança e distribuição de gorjetas em bares, restaurantes, hotéis, motéis e estabelecimentos similares foi publicada na edição do Diário Oficial da União do dia seguinte, 14. A proposta tem como objetivo disciplinar o rateio, entre empregados, da taxa adicional cobrada sobre o serviço prestado. Ainda segundo o texto, a iniciativa passa a valer dentro de 60 dias. Vale ressaltar que o pagamento do adicional sobre o serviço, assim como a proporção a ser paga, continua a critério do cliente, não havendo obrigatoriedade. A lei considera como gorjeta não apenas a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também o valor cobrado pela empresa, como serviço ou adicional, a qualquer título, e destinado à distribuição aos empregados. A medida altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) quanto ao rateio das gorjetas. Os empregadores devem anotar na Carteira de Trabalho e Previdência Social e no contracheque de seus empregados

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o salário contratual fixo e o percentual percebido, além da média dos valores das gorjetas referente aos últimos doze meses. A forma de distribuição desses recursos deve ser feita seguindo as diretrizes da convenção ou acordo coletivo e, em caso de inexistência dos mesmos, pela assembleia dos trabalhadores. O QUE MAIS VAI MUDAR Ainda segundo a lei, se após um ano cobrando as gorjetas, o empregador decidir deixar de cobrá-las, o valor médio das gorjetas arrecadadas deverá ser incorporado ao salário dos garçons. Nos restaurantes, bares, hotéis, motéis e estabelecimentos similares em que houver mais de 60 funcionários será formada uma comissão de empregados para fiscalizar a cobrança e o rateio dos valores pagos. Em caso de descumprimento dos itens previstos em lei, o empregador deverá pagar ao trabalhador prejudicado, a título de multa, o valor correspondente a 1/30 da média da gorjeta por dia de atraso, limitada ao piso da categoria, assegurados em qualquer hipótese o contraditório e a ampla defesa.

DICAS DE MESTRE

O restaurante não pode se negar ao pedido do cliente de dividir o prato com seu acompanhante, pois disponibilizar a louça é uma obrigação inerente à sua prestação de serviço. Proibindo a divisão o restaurante se recusa a prestar um serviço pelo qual o cliente está se propondo a pagar, sendo esta uma prática abusiva nos termos do Artigo 39, incisos II e IX do CDC (Código de Defesa do Consumidor). A cobrança de uma taxa pela divisão, que também é abusiva, pois a quantidade de comida a ser servida é a mesma. O cliente optou por dividir a refeição e deve pagar o preço pelo prato escolhido, caso o fornecedor receba mais por isso caracteriza-se como vantagem manifestamente excessiva (artigo 39, inciso V do CDC).

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O consumidor tem todo o direito de ir embora caso seu pedido demore demais para chegar. Não é necessário pagar pelo pedido que não veio, somente será responsável pelo pagamento do que consumiu.

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Gorjetas: o fim da polêmica? Érico Guedes

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sanção pelo Presidente Temer da Lei nº 13.419/2017 pode levar a crer, num primeiro momento, que a polêmica envolvendo as gorjetas pagas em bares, restaurantes e hotéis chegou ao fim. Afinal, legalizou-se a prática empresarial de reter parte do valor pago

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Caso o consumidor encontre algum “corpo estranho” em seu prato ou a comida esteja com sabor ou odores estranhos, é possível exigir um novo prato ou se recusar a efetuar o pagamento, independente de quantidade consumida. É importante formalizar uma denúncia no órgão de vigilância sanitária do município pela falta de higiene do estabelecimento.

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Cobrar qualquer valor de quem não come tudo o que colocou no prato, taxa de desperdício, é abusivo, configurando vantagem manifestamente excessiva pelo restaurante (Artigo 39, V, do CDC). No entanto, é indispensável um consumo consciente para evitar o desperdício de alimentos. O bom senso deve prevalecer.

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A consumação mínima é uma quantia estabelecida pelo proprietário que funciona como uma “entrada” para bares e casas noturnas. Essa cobrança é ilegal em qualquer estabelecimento, porque condicionar o fornecimento de serviços ao consumo de quaisquer outros produtos (bebida, alimentação, etc.) configura venda casada (Art. 39, inciso I do CDC).


os critérios de retenção e rateio da gorjeta, poderão ser eles definidos em assembleia geral de trabalhadores. A nova lei ignorou o art. 114, da Constituição Federal, que prevê o poder normativo da Justiça do Trabalho, com a instauração de dissídio coletivo. Agora, se as partes não chegarem a um consenso, os trabalhadores poderão se reunir e decidir, sozinhos, quanto e como reter e distribuir a gorjeta mateus bruxel / folhapress amealhada. pelos clientes para cobrir os encargos Mas não para por aí. sociais daí advindos, desde que tudo seja A nova lei faculta que da gorjeta espreviamente acertado com o sindicato pontaneamente dada pelo cliente, aquela dos trabalhadores. não incluída na nota emitida pelo estaEssa crença, contudo, não resiste à belecimento, possam ser retidos valores leitura cuidadosa do novo texto legal. para o mesmo custeio já citado. Ainda quando tenha se deixado claro A pergunta é imediata: como fazer que a gorjeta não constitui receita do isso?! Se a gorjeta é espontânea, não empregador, cuidado que se teve durante passa pelo caixa do empregador, que por a tramitação no Congresso Nacional para isso perde qualquer condição de fazer conter a sanha arrecadadora da Receita Fe- uma retenção. Vai se reter do salário do deral, a lei é recheada de novas polêmicas. mês seguinte? Quanto, já que não se saSe empregados e empresas, após uma berá ao certo o valor exato recebido de negociação coletiva com a participação gorjeta pelo empregado no mês anterior? sindical, não chegarem a um acordo sobre Mistério que o legislador não esclarece.

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A taxa de serviço nada mais é do que uma gorjeta que, por sua própria natureza, é facultativa. As casas que cobram a taxa de serviço devem informar o consumidor, no cardápio ou na própria conta, sobre a facultatividade do pagamento, além do percentual e valor cobrado. Trata-se de pagamento opcional pelo consumidor tendo em vista que a remuneração dos funcionários é, exclusivamente, de responsabilidade do proprietário do estabelecimento comercial.

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O consumidor não é obrigado a consumir o “couvert” (petiscos servidos antes do prato principal). Servi-lo sem que o consumidor seja consultado previamente é prática abusiva, proibida pelo CDC. Além disso, por se tratar de produto entregue sem a solicitação do consumidor, equipara-se à amostra grátis, não havendo obrigação de pagamento. Se não for mesmo uma cortesia, o restaurante deve perguntar aos consumidores se eles aceitam o couvert ou não.

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Cobrar pela apresentação (Couvert Artístico) geralmente musical, de algum artista enquanto os consumidores fazem a refeição é legal, desde que haja

Polêmica ainda maior é a criação de uma nova causa de estabilidade no emprego. Empresas com mais de sessenta empregados terão de constituir uma comissão de trabalhadores para fiscalizar a arrecadação e a distribuição da gorjeta. Os membros dessa comissão, que serão eleitos pelos seus pares, gozarão, pasmem, de garantia de emprego vinculada ao desempenho das suas funções. Esse dispositivo é tão absurdo que merece uma atenção especial. Não se previu uma comissão paritária, formada por membros representantes dos trabalhadores e empresas, como é na CIPA, por exemplo. Além disso, qual o tempo de mandato dessa comissão? Quantos poderão ser seus membros? Existirão suplentes e estes serão também beneficiados com a estabilidade no emprego? Existirá estabilidade após o término do mandato? Para a dispensa de um membro da comissão será necessária uma medida judicial especial, como o inquérito para apuração de falta grave, ou bastará a simples evidência de uma justa causa? São perguntas que o novo texto não responde, deixando o empresariado ainda mais inseguro. Enfim, o fim da polêmica? Longe disso, muito longe. Érico Guedes é advogado trabalhista. eguedes@btd.com.br

apresentação artística ao vivo (não em telões, por exemplo). Além disso, em respeito ao direito básico à informação, os dias e horários de apresentações artísticas, bem como o valor cobrado pelo ‘couvert artístico’, devem ser afixados em local visível, logo na entrada do estabelecimento, para que o consumidor possa ser previamente informado.

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Se qualquer taxa abusiva for incluído na conta, o consumidor deve conversar com o gerente do restaurante e explicar que não existe autorização legal para aquela cobrança. Se a conversa amigável não funcionar e o consumidor for obrigado a pagar a taxa, recomenda-se que ele exija a nota fiscal discriminada para posterior reclamação junto aos órgãos de defesa ao consumidor. Ricardo Maurício Freire Soares é Doutor e Mestre em Direito pela Universidade Federal da Bahia, Pós-Doutorado pela Università degli Studi di Roma. grupopesq.prof.ricardomauricio@gmail.com

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turismo & lazer

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210 km da agitada Porto Seguro, Prado é sinônimo de sossego. Ponto de encontro de turistas mineiros e capixabas, que aproveitam a proximidade com o sul da Bahia, o destino ainda está fora do circuito “hype”. São 84 km de praias emolduradas por falésias de até 30 metros de altura. Ali, o mar é tão quente que o pé nem leva susto quando toca a água. A temperatura agradável não atrai só turistas friorentos. De julho a novembro, as baleias jubarte também estão nas redondezas para acasalar e dar à luz seus filhotes. É por isso que a região que vai do limite sul da Bahia a Prado é chamada de Costa das Baleias. Para vê-las, o melhor é fazer um passeio ao arquipélago de Abrolhos, a cerca de 70 km do litoral. Prado também reivindica seu espaço na zona turística vizinha, a Costa do Descobrimento. Basta falar com algum dos moradores para vê-los revoltados com a versão oficial da história, segundo a qual, em 1500, portugueses desembarcaram pela primeira vez no Brasil em Porto Seguro. Antes de ancorar sua esquadra por lá, Pedro Álvares Cabral teria dado uma paradinha na Barra do Cahy, um dos lugares mais bonitos do litoral pradense. Fora um restaurante que fica à beira da praia, tudo ali permanece parecido há 500 anos: falésias avermelhadas, areias brancas, coqueiros, manguezal e um rio que deságua no mar. Quem passa de barco avista o monte Pascoal, com 536 metros de altura. Descrito na carta de Pero Vaz de Caminha, para os moradores ele seria a prova de que Prado é o berço do descobrimento.

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MAR MORNO Fábio Vicentini - GZ / Divulgação

agito e SOSSEGO O maior agito – para os parâmetros de Prado – acontece na região central da cidade. Perto da maioria dos hotéis, é ali que estão os quiosques e os vendedores. Quando cai a noite, a cidade se encontra no Beco das Garrafas: duas ruelas perpendiculares tomadas por mesas e música ao vivo. O destaque é o restaurante Banana da Terra, da chef Márcia Marques, especializado em peixes e frutos do mar. Um dos pratos principais, chamado Falésias de Mariscos, mistura peixe budião, lagosta e camarão com purê de castanhas e molho de coquinho xandó, pitanga e guairu – frutas da região. Para quem quer mais sossego, a cerca de 30 km do centro de Prado fica Cumuruxatiba, um vilarejo de pescadores pacato, mas com estrutura confortável de pousadas e restaurantes. Ali, a presença dos índios pataxós é forte. Às sextas-feiras, é possível conhecer a aldeia Tibá, a 7 km da vila – umas das 12 espalhadas pelo território de Prado. A visita, das 10h às 13h, custa R$ 50 por pessoa, para um grupo de no mínimo cinco turistas. O almoço, cujo prato é peixe na patioba, custa mais R$ 25.

No litoral sul da Bahia, Prado é ponto de encontro de turistas em busca de sossego e baleias jubarte à procura de águas quentes


Se a ideia é ficar ainda mais isolado, o ideal é continuar o caminho rumo ao extremo norte do município. Com difícil acesso (feito em 55 km de estrada de terra), Corumbau significa “longe de todas as preocupações”, na língua dos pataxós. A falta de sinal de celular prova a definição indígena e ajuda o turista a se desligar e se conectar com atrações do lugar. As principais são o Pontal, faixa de areia que avança por 1 km no oceano na maré baixa, e o rio Corumbau, no limite com Caraíva – outro ponto que atrai visitantes.

Água Viva

Baleia jubarte no litoral Sul da Bahia

Do rio Caravelas, no extremo sul da Bahia, parte o catamarã rumo ao arquipélago de Abrolhos, a cerca de 70 km da costa. Depois de três horas oceano adentro, lá estão elas: Redonda, Siriba, Guarita, Sueste e Santa Bárbara. É ao redor dessas cinco pequenas ilhas pedregosas e de origem vulcânica Ponto de mergulho que está uma das maiores biodiversidae de observação de des do Atlântico Sul. baleias, Abrolhos Desde 1983, a área de 91 mil hectaconcentra vasta res – que inclui os recifes das Timbebas, diversidade de localizado em frente à cidade de Alcopeixes, algas e corais baça – é considerada unidade de conservação marinha, a primeira do Brasil. Antes mesmo de o marinheiro lançar a âncora, duas tartarugas dão as boas-vindas aos visitantes. Ainda que não espiassem para fora d’água, seriam flagradas através do mar tranquilo e cristalino do arquipélago. A primeira parada é na Siriba, a única ilha que recebe turistas. A caminhada por ela só pode ser feita com o acompanhamento de guias do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade), órgão que administra o parque. Os donos do pedaço são os atobás-brancos, pássaros que costumam ficar em cima de seus filhotes para protegê-los dos predadores. As aves já estão acostumadas com a presença humana, mas é bom não abusar na hora da selfie se não quiser ser atacado. Também é possível ver os ninhos das grazinas, espécie ameaçada de extinção. Vê-las pousando é um divertimento à parte. Desengonçadas, dão voltas e voltas no ar até alcançar o solo. Após uma pausa para um mergulho dos turistas perto da Siriba, o barco ancora a poucos metros da ilha Santa Bárbara, onde o desembarque é proibido. Sob jurisdição da Marinha, é a maior ilha do arquipélago, com 290 mil m². Nela, há um farol, mantido desde 1861 e casas que servem de moradia para militares, guias e pesquisadores. Quem também vive por ali são dezenas de cabras selvagens, que foram introduzidas na ilha para servir de suprimento numa eventual falta de comida no meio do mar. u Abril de 2017 | Vilas Magazine | 23


turismo & lazer

MUNDO SUBMERSO As ilhas são um atrativo, mas é debaixo d’água que Abrolhos se mostra impressionante. Só com o snorkel, já é possível ver peixes multicoloridos, algas e corais. Quem tem mais tempo de passeio e experiência de mergulho pode explorar navios naufragados na região, cavernas e os famosos chapeirões – formações de recifes com o aspecto de um cogumelo, 24 | Vilas Magazine | Abril de 2017

que chegam aos 30 m de altura. O bate-volta ao arquipélago, com saída às 7h e retorno às 17h30, custa R$ 322 por pessoa, sem contar a taxa de entrada no parque (R$ 42). O valor inclui café da manhã, almoço, frutas, refrigerantes e material para a imersão. O mergulho guiado com cilindro é cobrado a parte (R$ 250). As operadoras de turismo também oferecem passeios de até quatro

dias, com pernoite no barco. A lista das empresas credenciadas estão no site do parque (icmbio.gov.br/parnaabrolhos). O arquipélago pode ser visitado o ano todo. Mas o verão é a época ideal para mergulho, com águas mais quentes e melhor visibilidade. De julho a novembro, a grande atração são as baleias jubarte, que costumam se reproduzir por ali nessa época. Quem


3 PASSEIOS DE BARCO RECIFES DE GUARATIBA Próximo à costa de Prado, o banco de corais surge na maré baixa. Neles, formam-se pequenas piscinas naturais, onde peixes ficam presos até a maré subir novamente. Com máscara, é possível vê-los como se os animais estivessem em um aquário. Ao redor dos recifes, também dá para relaxar em boias tipo espaguete fornecidos pela escuna, que demora cerca de uma hora e meia para chegar até ali. O passeio sai do rio Jucuruçu e custa R$ 70 por pessoa RECIFES DE ITACOLOMI As formações ficam a cerca de 20 minutos da ponta do Corumbau, de onde saem os barcos de pescadores que fazem o trajeto. O horário do passeio varia de acordo com a maré, que precisa estar baixa. A embarcação permanece uma hora nos recifes, onde é possível ver diferentes tipos de peixes e de corais, incluindo o coral-cérebro, típico da Bahia. O valor é de R$ 60 por pessoa, se o barco alcançar a lotação máxima (total de dez visitantes) RIO CORUMBAU A subida do rio é feita de barco ou de canoa pelos índios da aldeia Bugigão até uma prainha boa para se banhar. Dali, encara-se uma trilha de 15 minutos para assistir ao pôr do sol atrás do monte Pascoal. Por isso, o horário ideal para fazer o passeio é às 16h30. Na volta, ainda dá para pegar o pouso de andorinhas no mangue, fenômeno que ocorre por volta das 18h. O passeio custa R$ 200 (casal).

Vista da ilha Santa Bárbara, no arquipélago dos Abrolhos (BA).

Carolina Muniz / Folhapress

já fez o passeio nesse período garante que elas dão show, com direito a saltos e esguichadas de água no trajeto até Abrolhos. No centro de visitantes do parque, na praia do Kitongo, em Caravelas, há uma réplica em tamanho natural da baleia, que chega a 16 m de comprimento e 40 toneladas. É uma opção para quem não teve a sorte de cruzar com essas gigantes pelas águas da Bahia. Carolina Muniz / Folhapress. uOBS. Os preços informados nesta matéria foram coletados em fevereiro de 2017.

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decoração

Soluções adequadas de decoração valorizam os pequenos ambientes

Especialistas dão dicas criativas e práticas que transformam casas, apar­tamentos e até escritórios com áreas redu­zidas em espaços bonitos e funcionais

A

vida moderna exige pratiPRIMEIROS PASSOS cidade e funcionalidade, por isso as pessoas optam PLANEJAMENTO Antes de pensar em conseguem passar a sensação de que o cada vez mais por apartamentos arrumar o espaço, é necessário elaborar ambiente é maior, mais amplo. “Em geral, as e escritórios pequenos. Mas um projeto. O ideal é avaliar o tamanho do cores mais claras nos revestimentos dos pisos quando o espaço é limitado, ambiente e contabilizar os gastos. Até quem e nas paredes conseguem ampliar o espaço qualquer centímetro mal apronão pode contratar um arquiteto tem que e dar mais conforto”, conta Paula. Já os tons veitado faz toda a diferença. planejar a obra. “O profissional da área con- mais escuros tendem a fechar o ambiente Nesses casos, o ideal é usar segue enxergar tudo melhor porque ele vê SALVADOR SÁBADO 7/1/2017 criatividade. em terceira dimensão”, diz Martins. MULTIUSO Quem mora em apartamentos Os arquitetos, Paula Moumenores pode apostar nos móveis multiura, Gustavo Martins e Janete Se libertar é preciso. Quem quer so. Os sofás que viram camas, as mesas de ARQUITETURA EspecialistasDESAPEGO dão dicas criativas e práticas que transformam casas, Chiom separaram dicas com arrumar a casa tem que se desapegar de mó- jantar que podem ser mesas de centro, banapartamentos e até comsem áreas reduzidas em espaços bonitos e funcionais soluções acessíveis para trans-escritórios veis e objetos utilidade, pois eles tomam cadas laterais que se transformam em mesas formar e aproveitar os espaços grande parte do espaço. Para o arquiteto, o e os móveis com gavetas são exemplos mais enxutos. ideal é fazer avaliações no ambiente para Os profissionais contam os aproveitar esses espaço. “Gosto dessa ideia ILUMINAÇÃO Nos apartamentos pequenos principais truques que podem de aproveitar as coisas, acho que tudo pode a iluminação é menor. Por isso, é necessário ser feitos para tornar os amser utilizado e aproveitado”, diz Martins usar o máximo de lâmpadas para deixar bientes tanto bonitos quanto o ambiente mais moderno, iluminado e funcionais. TONS CLARO Uma das principais dicas é charmoso. “Pensar na iluminação também Milena Hildete / Ag. A Tarde. pensar nas cores, pois os tons mais claros é importante”, comenta Gustavo.

Soluções adequadas de decoração valorizam os pequenos ambientes

Fotos Tarso Figueira / Divulgaçâo

fotos: tarso figueira / divulgação

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26 | Vilas Magazine | Abril de 2017 MILENA HILDETE*

A vida moderna exige prati-

critórios pequenos. Mas quando o espaço é limitado, qualquer centímetro mal aprovei-

Moura, Gustavo Martins e Janete Chiom separaram dicas com soluções acessíveis para

truques que podem ser feitos para tornar os ambientes tanto bonitos quanto funcionais.


eta Janete Chiom

conforto”, conta Paula. Já os tons mais escuros tendem a fechar o ambiente MULTIUSO Quem mora

NA em SALA apartamentos

menores pode apostar ESPELHOS usar e nos móveisPode multiuso. abusar. Os sofásPara que aproveitar viram camas, oasespaço, mesas édeideal melhor jantar que podem ser ter espelhos em todos mesas de centro, os cômodos da casa, na bancadas lateraisdá que sala, por exemplo, pra se transformam em colocar nos móveis. “É mesas e os móveis com legal usar são o espaço da sala gavetas exemplos para colocar uma mesa toda em vidro”,Nos diz Paula. ILUMINAÇÃO apartamentos Os espelhos, que também pequenos a iluminação podem usados na cocritóriosser pequenos. Mas quanDETE* é ou é menor. Por isso, bertura de uma parede do o espaço é limitado, qualnecessário usarmal o aproveioderna exige prati- na quer centímetro porta de armários, confuncionalidade, por máximo tado faz toda a diferença. Nesde lâmpadas daroaideal sensação ssoas optam cada vez seguem ses casos, é usarde criapara deixar o ambiente apartamentos e es- amplitude tividade. Os arquitetos, Paula mais moderno,

MEIROS PASSOS

NEJAMENTO Antes pensar em arrumar paço, é necessário orar um projeto. O l é avaliar o anho do ambiente ntabilizar os os. Até quem não e contratar um uiteto tem que nejar a obra. “O issional da área segue enxergar o melhor porque ele m terceira ensão”, diz tins.

móveis. Também dá pra optar pelas mesas de centro com formatos diferentes, mas é necessário sempre estar atento ao tamanho deste móvel

exemplo, enchem o consegue economizar ofe guarda-roupa e bastante espaço no neg armário, mas eles quarto. “O custo é alto, nec podem ser substituídos mascom a televisão 2017 começa notícias na animadoras para de pelas prateleiras. Elaso mercado porta do armário está imobiliário e a construção civil inc economizam espaço e sendo muito utilizada”, ajudam na organização esclarece Paula bu de

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Moura, Gustavo Martins e Janete Chiom separaram dicas com soluções acessíveis para transformar e aproveitar os espaços mais enxutos. Os profissionais contam os principais

truques que podem ser feitos para tornar os ambientes tanto bonitos quanto funcionais. *ESTAGIÁRIA SOB SUPERVISÃO DA EDITORA

Crédito: Pexels

Iniciamos o ano de 2017 atentos às notícias sobre a nossa economia. Segundo o Boletim Focus do Banco Central divulgado na

Sofá de até última segunda-feira (02/01), o Brasil crescerá 0,5%, após dois anos três lugares iluminado e charmoso. consecutivos em recessão. Além disso, espera-se que a inflação é o ideal para SOFÁ FAZ DIFERENÇA “Pensar na iluminação fique dentro da meta estabelecida pelo governo, chegando aos NA SALA NA COZINHA pequenas casasBruto Pensar na distribuição do também é importante”, 4,87%. Quanto ao Produto Interno (PIB), os analistas também mantiveram a projeção de 3,49%. Esses dados, apesar de tímidos, comenta Gustavo. móvel é um importante DERRUBAR PAREDES Em ESPELHOS Pode usar e TUDO EMBUTIDO A já reforçam a nossa expectativa de melhoria do cenário econômico passo abusar. para aPara decoração. Sofás de até três lugares é o ideal para casas e apartamentos pequenos apartamentos aproveitar arquiteta Paula Moura para este ano. pequenos tudo fica melhor oter espaço, é em relação diz que embutir “É necessário cuidado mais reduzido. Para ideal ter espelhos em eletrodomésticos pode ao tamanho dos móveis, pois as peças Acreditamos que a decisão do Governo Federal, anunciada na usufruir de cada todos os cômodos da ser o segredo. puffs. Os sofás maiores podemcasa, obstruir o espaço”, comenta“Encaixar a os os caminho. última o semana de 2016,Adearquiteta destinar R$ conta 63,5 bilhões do Fundo de cantinho, odevem ideal é ser fazer atrapalhar na sala, por armários a integração entre os exemplo, dá pra colocar da cozinha é uma boa Garantiainvestir por Tempo de puffs Serviçopara (FGTS)circular para a habitação este ano evitados arquiteta. que prefere nos cômodos. Nas casas, nos móveis. “É legal opção. Quanto mais aquecer o nosso setor. Desse valor, R$ 33,5 Na hora deo escolher sofá, é necesentre éosfundamental móveis. para Também dá pra optar por exemplo, dá pra usar espaço daosala encaixar esses móveis, bilhões serão destinados para a concessão de financiamentos MESA DE CENTRO optar Tomepela cuidado com pelas mesas de centro com formatos disário ter noção douma espaço tradicional para colocar mesadisponível. melhor”, explica. a pessoas físicas e jurídicas que beneficiem famílias com renda americana, pela ferentes, mas é necessário sempre estar toda emévidro”, diz apenas um Muitosas fabricantes já centro.cozinha mesas de Além de ocuparem Uma truque escolher mensal bruta de até R$ 3,6 mil. Ainda de acordo com o orçamento bancada para refeições Paula. Os espelhos, que oferecem es sa t ipo de parte espaço darápidas, sala, elas sofá detambém três lugares completar com ao tamanho deste do fundo, serão móvel R$ 5 bilhões para o Programa Especial pelas podem divisórias atentooperacional podemeser mobília. Outrado opção é CASSANDRA BARTELÓ

ou pelas portas de usar os armários com correr. “É manter a porta de correr. “Um opção de ampliar os armário normal toma espaços ou ter mais espaço na hora de abrir privacidade”, afirma o a porta”, comenta Moura diz que embutirarquiteto eletrodomésticos pode APEGO Se libertar TUDO EMBUTIDO A arquiteta Paula Gustavo Martins eciso. Quem quer ser o segredo. SOFÁ FAZ DIFERENÇA “Encaixar os armários da cozinha é uma boa opção. Quanto mais encaimar a casa tem Pensar na distribuição xar esses móveis, se desapegar de do móvel é ummelhor”, Muitos fabricantes veis e objetos sem explica. importante passo para dade, pois eles a decoração. já oferecem esse”Étipo de am grande parte necessário ter cuidado mobília. opção espaço. Para o emOutra relação ao é usar uiteto, o ideal é tamanhos dos móveis, os armários com porta de r avaliações no pois as peças podem correr. “Um armário normal biente para obstruir o espaço”, toma espaço naahora de abrir oveitar esses comenta arquiteta. aço. “Gosto dessa a porta”, Na hora de escolher o comenta Gustavo a de aproveitar as sofá, é necessário ter Martins as, acho que tudo noção do espaço e ser utilizado e disponível. Uma truque oveitado”, diz é escolher apenas um DERRUBAR PAREDES Em tins. sofá de três lugares e apartamentos pequenos completar com os puffs. mais reduzido. S CLARO Uma das tudo fica Os sofás maiores cipais dicas é devem ser Cozinha ganha espaçoa com armários entre e eletros Para usufruir deevitados cada cantinho, o ideal é fazer integração osembutidos cômodos. Nas sar nas cores, pois casas, por exemplo, dá pra optar pela tradicional cozinha americana, pela bancada ons mais claros MESA DE CENTRO Tome seguem passar a cuidado com as mesas para refeições rápidas, pelas divisórias ou pelas portas de correr. “É manter a opção NO QUARTO sação de que o de centro. Além deou ter mais privacidade”, afirma o arquiteto. de ampliar os espaços biente é maior, mais ocuparem parte do PRATELEIRAS O segredo TELEVISÃO Inovar é plo. “Em geral, as espaço da sala, elas também pode estar nas preciso. E no quesito s mais claras nos podem atrapalhar o prateleiras. Quem tem decoração não é stimentos dos caminho. A arquiteta espaço reduzido, tem diferente. Além de s e nas paredes conta que prefere que aproveitar cada estar super em alta, a seguem ampliar o investir nos puffs para cantinho. Os livros, por televisão integrada aço e dar mais circular entre os exemplo, enchem o consegue economizar orto”, conta Paula. móveis. Também dá pra guarda-roupa e bastante espaço no s tons mais escuros optar pelas mesas de usados n a cobertura de uma parede ou na porta de armários, NA COZINHA conseguem dar a sensação de amplitude

de Crédito Habitacional ao Cotista do FGTS (Pró-Cotista) e desse total, 60% será para financiamento de imóveis novos, e no mínimo,

NO QUARTO

R$ 3,5 bilhões para imóveis com valor inferior a R$ 500 mil. Medidas como essas são imprescindíveis para aquecer o mercado imobiliário brasileiro, que foi bastante afetado nos últimos anos.

PRATELEIRAS O segredo também pode estar nas prateleiras. A infraestrutura urbana, outro ponto muito importante para o Quem temdas espaço tem desenvolvimento cidadesreduzido, e que impacta na construção civil, que será aproveitar cantinho. também beneficiada. cada O Ministério das Cidades anunciou no dia Os 30 de dezembro até R$ 7 bilhões do orçamento do FGTS livros, porqueexemplo, enchem será investido em operações de crédito vinculadas a essa área, o guarda-roupa e armário, mas em projetos do setor privado, e o mesmo valor será usado para eles podem ser substituídos peprojetos do setor público. las prateleiras. Elas economizam espaço ajudamaproveitar na organização. Em nível local, e esperamos este ano as oportunidades que poderão surgir através do novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e da nova Lei de Ordenamento do Uso e da

TELEVISÃO Inovar é preciso. E no quesito decoração não é do ano passado e que, sem dúvida, contribuirão significativamente Alémda de estar super paradiferente. o desenvolvimento cidade do Salvador. em alta, a televisão integrada Como em todos oseconomizar anos, a Associação de Dirigentes de Empresas consegue bastante do Mercado Imobiliário da Bahia (ADEMI-BA) também fará a sua espaço no quarto. “O custo é parte no sentido de contribuir para alavancar o segmento. A nossa alto, mas a televisão na porta primeira ação do ano será a Semana M², entre os dias 16 e 26 de do Aarmário está março. iniciativa, que teve sendo estreia nomuito cenário baiano em 2015, utilizada”, esclarece Paula. acontece em um ambiente virtual com a participação de empresas

Ocupação do Solo (Louos), ambos aprovados no segundo semestre

associadas à ADEMI-BA que oferecem imóveis residenciais e comerciais na planta, em obra e prontos para morar em Salvador e

27

Região Metropolitana, preços e descontos Abril de 2017 | com Vilas Magazine | oficiais e exclusivos. A grande novidade da Semana M² este ano será um aplicativo para smartphones no qual os consumidores poderão conferir todas as ofertas, com diversos recursos que aumentam as chances de fechar negócios. Além disso, o público poderá encontrar todas as informações


família

Sonho pode virar pesadelo na partilha de herança Mesmo quando não há graves desavenças, repartição de bens precisa ser conduzida com cuidado

O

noticiário nos traz relatos recorrentes de pessoas mortas em brigas por herança, como suspeitam as autoridades no caso do advogado Wagner Souza, assassinado ao lado da mulher e da filha de 9 anos, dia 20 de fevereiro, em São Gonçalo (RJ). Mas mesmo quando não há desavenças familiares severas, que levem a crimes ou arrastadas disputas judiciais, o recebimento de um imóvel como herança pode se tornar um pesadelo. Basta o beneficiário não ter recursos suficientes para fazer a transferência legal de titularidade para que se feche a porta do sonho de ter uma propriedade em mãos. “Quem cede o imóvel a um filho por herança deveria deixar também o dinheiro para pagamento do ITD”, avalia o consultor financeiro Fernando Marcondes. Ele se refere ao imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos (ITD). Na Bahia, o imposto oscila em 4% sobre o valor do imóvel, a depender do preço do bem herdado. Sem pagar esse tributo, o beneficiário não pode sequer vender a propriedade. “Eu recomendo que o dono do imóvel crie um fundo em nome do filho, ou dos filhos, e deposite mensalmente uma quantia”, diz Marcondes. Ele lembra que, além desse valor, é importante que haja uma reserva para pagamento de contas, como condomínio, água e luz, durante um certo período, até que o imóvel seja ocupado ou comercializado peloherdeiro. “O ideal é que se considere pelo menos um ano de despesas”, calcula Marcondes. Ele ressalta que, em 28 | Vilas Magazine | Abril de 2017

caso de inadimplência com o condomínio, o imóvel pode ir a leilão. Herdeiros necessários De acordo com o Código Civil, uma pessoa tem que deixar, obrigatoriamente, metade dos seus bens para os seus herdeiros necessários. Termo jurídico que engloba os descendentes, o cônjuge e os ascendentes (pais e avôs, por exemplo). A outra metade pode ser deixada em testamento para uma ou mais pessoas, de acordo com a vontade do proprietário do bem. “No testamento, a pessoa pode estipular quais os bens que seus herdeiros irão receber, ou seja, quem ficará com cada um dos bens, desde que nenhum herdeiro receba menos a que tem direito por força da sucessão legítima”, explica a advogada Fabiana Prates. Sempre que houver mais de um herdeiro, é indispensável que se faça um inventário, em cartório ou na Justiça. No processo,o inventariante apresenta ao juiz uma planilha com a relação de

bens deixados, o valor de cada um e a relação de quem fica com o quê, se não houver litígio. O juiz só faz homologar o documento. “Se não houver acordo entre os herdeiros, o juiz dá um prazo de 15 dias para que os herdeiros formulem um pedido de quinhão e depois profere uma decisão de deliberação da partilha, resolvendo os pedidos dos herdeiros e designando os bens que devam constituir o quinhão de cada herdeiro”, afirma. Segundo a advogada, para decidir quem fica com qual bem, baseando-se nos pedidos e alegações dos herdeiros, o juiz observa a “máxima igualdade possível” quanto ao valor, natureza e qualidade dos bens, a prevenção de litígios futuros e a máxima comodidade dos co-herdeiros, cônjuge e companheiro. No inventário, os herdeiros têm oportunidade de questionar a divisão sim e até impugnar a avaliação de bens, em alguns casos. E o problema é que muitas vezes mais de um herdeiro se interessa por um mesmo item da herança e, quando não há acordo, a questão pode se arrastar por décadas na Justiça. “Há inventários que ultrapassam 20 anos de tramitação. Neste sentido, o Poder Judiciário vem estimulando as partes a encontrarem um acordo, através de conciliação e mediação”, explica.

Divisão com cônjuge depende da comunhão de bens

O

bem herdado somente será dividido com o cônjuge do beneficiário se o regime de bens for a comunhão universal e não houver cláusula de incomunicabilidade, explica a advogada Fabiana Prates. Se o herdeiro for casado, os bens havidos por herança podem comunicar-se ou não com os bens do casal. Ou seja, o bem herdado por fazer parte ou não do patrimônio do casal dependendo do regime de bens entre os cônjuges. Ou seja, se o regime de bens entre os cônjuges for o regime de comunhão parcial, os bens herdados não entram na comunhão, ainda que recebidos na constância do casamento. A pessoa casada no regime de comunhão parcial que herda um bem não o divide com o cônjuge. Nos regimes de participação final nos aquestos (bens adquiridos após o casamento) e de separação de bens, um cônjuge não tem direito sobre herança, pois têm patrimônios independentes. Todavia, se o regime de bens entre os cônjuges for o regime de comunhão uni-


AÇNAREH ED AHLITRAP

versal, os bens herdados na constância do casamento entram na comunhão, exceto se herdados com a cláusula de incomunicabilidade. “A cláusula de incomunicabilidade é justamente a disposição unilateral do autor da herança dizendo que o bem transmitido não fará parte da comunhão do casal”, explica. O advogado Wilson de FaRATIVE Aria, RAP considera SACID que, apesar de SAMELBORP não ser uma tradição no Brasil, eS ARTXaE sucessão ORIEHNID deve ser planejada sievómcom i raxiemuita d rof antecipação. “A ejenalp ,sohutilização lif so arap de uma holding amimobiliária u mébmat é uma excelente moc açnapuop opção DICAS PARA EVITAR PROBLEMAS setneicifu s sosrupara cer definir quem fica soriedreh scom o euqoaquê. rap DINHEIRO EXTRA Se for deixar imóveis para os filhos, planeje tamméla ,DTI o mPor eugaexemplo, p pode ser bém uma poupança com recursos suficientes para que os herdeiros ed saxat ed paguem o ITD, além de taxas de condomínio, água e luz por um dee augá ,ocriada inímodnuma oc “holding-mãe” com em terminado período. Caso você morra antes de eles se estabilizarem mu ro“holdings-filhas”, p zul .odoírep odque animcada retedfilho já será coproprofissionalmente, terão como arcar com os custos setna arromprietário êcov osaCde uma das “filhas”, e d e m i g e r o n a d a s a c aossep áreVocê s etne mospor odalei, dreh meb O es sele ed TESTAMENTO tem, a obrigação de deixar metade de na ad rehsua euqadmilaicrap oãhnumoc -eb od egujnôc o moc odidivid meenvolvendo-se razilibatse seu patrimônio como herança para seus descendentes, cônjuge oa moorientação c edivid o oãn meb mu sneb ed emiger o es oiráicifen ,etnemlnistração anoissiforpsobre e ascendentes. Os chamados “herdeiros necessários”. A outra ap ed explica. semiger soN .egujnôc e lasrevinu oãhnumoc a rof moc racra odo mopai c odo ãreou t da-rmãe”, sotseuqa son lanif metade oãçapicipode t -ocser ni eddeixada alusuálcpara revuqualquer oh oãn pessoa ou quaisquer sotsuc so Segundo o-aadvogado, sac o sópa soadiriuqpessoas da snebque ( -d a a acilpxe ,edadilibacinum deseje seria ed oãusar çarapeum s ed e )otnem .setarP anaibaF adagov êcoV Ooutra TNEMATopção SET -id m et oãncom egujnôcPLANEJAMENTO mu ,sneb so ,odTente asac ro f ordeixar iedreh o eS a ,ietestamento l rop ,met para não imóveis com valor de mercado definir mêt siop ,açnareh emuito rbos otdestoantes. ier -op açnaDificilmente reh rop sodivalguém ah snebvai querer abrir mão de raxied edquanto oãçagirbde o participação na .setnednepedni soinômirtap moc oãn uo es-racinumoc med ues ed edatem se na soma dos holding sneb ecada d emifilho ger o es ,auma ivadocasa T deo praia ,ajes em uO Guarajuba, .lasac od snpor eb sexemplo, o omoc o inômirtaimobiliária p emas igelimitações r o rof segujnôbens c so eque rtne receber etrap não rezafvaler rop oadpena adreh meb sues arficará, ap açnrespeitadas areh

arte: bruno aziz / ag. a tarde

moc oãsiviD edneped egujnôc sneb ed oãhnumoc ad

zizA onurB

so ,lasde revcotas inu oãhnumoc ed lasac od oinômirtap od oãn uo egujnôc ,setlegais. nednecs“A ed sucessão imóveis da família for muito aicnâtsnoc an sodadHOLDINGS reh sneb Quando ed emigoepatrimônio r od odneem dnep ed sO .setnednecsa e é muito mais rápida, barata grande, vale a pena abrir uma empresa para gerenciar esses imóo c a n m a r t n e o t n e m a s a c o d . s e g u j n ô c s o e r t n e s n e b soriedreh“ sodamahc adsucessão de adreh es o tecxe veis. ,oãhAssim, num cria-se sneb eduma emig er o es ,ajes uO artuo A .”seoieficiente rássecen queso holding-mãe, responsável pela administra-inupela mocnpessoa i ed alusuáção lc adas moholdings-filhas. c emiger o rof Cada segujnholding-filha ôc so ertne representa um imóvel op edatem res edimóveis detidos -ni ed alusuálc A“ .edadilibac sneb so ,laicrap oãhnumoc ed reuqlauq arfísica”, ap adaxpondera. ied específico. Especialistas apontam que a partir de R$ 5 milhões em -nematsuj é edadilibacinumoc -oc an martne oãn sodadreh reuqsiauq uo aossep Gilson Jorge / Ag. A Tarde. od laretalinu oãçisopatrimônio psid a et imobiliário sodibecer ejustifica-se uq adnia ,oãohmodelo num ejesed euq saossep euq odnezid açnareh ad rotua A .otnemasac od aicnâtsnoc an áraf oãn oditimsnart meb o etneT OTNEMAJENALP ,”lasac od oãhnumoc ad etrap sievómi raxied oãn Abril de 2017 | Vilas Magazine | 29 .acilpxe EDRAT A .gA / oriedroC aliM odacrem ed rolav moc -aF ed nosliW odagovda O .setnaotsed otium -noc ,airaFW oirótircse od ,air méugla etnemlicifiD so ,oirátnevni oN res oãn ed rasepa ,euq aredis oãm rirba rereuq iav -us a ,lisarB on oãçidart amu aiarp ed asac amu ed mêt soriedreh

me ,orie áh oãn o ,sareves -sarra u -er o ,si omoc le -ep mu r oiráicife -ap setn ed lagel ehcef es amu ret .s mu a lev -ied aire arap ori o ailava odnanre ad rote -omirtaP otsopmi -rom as sneb reu alicso ot ,levómi meb od -irt esse edop oã .edadeir od onod emon m -ed e ,s amu e .se essed m ajah eu otnema ,oinímo otrec m ajes levó odazilaic es euq é l ona mu -nocraM osac me -noc o a ri edo

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família

Porque meu filho não dorme? Jéssica Costa

É

verdade que esse é um retrato comum das famílias do século 21, que por sua vez, é o século da informação e tecnologia. Um tanto quanto contraditório, não? Afinal, temos a informação na palma da mão e no piscar de olhos, ou clicks. Mas porque então tanta dificuldade no sono do filho? Alguns fatores precisam ser analisados para entendermos as causas. É muito comum as mães de hoje, com filhos de até três anos, ouvirem das mães mais antigas – e atribuímos inconscientemente experiência a elas –, que antigamente não havia tantos problemas no sono das crianças como temos hoje. Sim, é verdade. Nisso as mamães experientes tem toda razão. Porém o que elas não entendem é que existem novas variáveis atribuídas a essa nova mãe, que muda completamente o cenário do sono dos filhos. A primeira variável é o próprio avanço sócioeconômico cultural da atualidade. Antes, a cultura era de confiança nos vizinhos, da família reunida ao redor da mesa, de brincadeiras ao ar livre, de trabalhar a jornada diária e retornar mais rápido para casa, de contato com natureza, de viver a vida, que seguia seu fluxo natural. E hoje, em plena era da informação, a vida deixou de ser seguida de forma natural e passou a ser “perseguida”. É um novo modelo de pensar, sentir e agir. Logo, essa nova mãe tem um novo mundo no qual vive, e nele, novas cobranças. E a cobrança é o caminho contrário do caminho tranquilo e reparador dos sonhos. Uma segunda variável é o novo perfil profissional das pessoas. Antes, trabalhava-se basicamente para manter o susten30 | Vilas Magazine | Abril de 2017

to da família. Hoje, o trabalho precisa ser criativo, inovador, desafiador. Os pais de hoje procuram sempre mais e com isso ultrapassam os limites do próprio corpo

e muitas vezes, se afastam dos filhos. E começa um jogo de compensações e desculpas: “Não tenho tempo para ele, por isso, permito que faça tudo”. A sobrecarga no trabalho afasta o ser humano da sua sintonia interna e daí surgem compensações e as dificuldades no sono. Sérgio Zacchi / Folhapress)


Uma terceira variável é o papel da mulher profissional no mercado de trabalho atual. Essa mulher hoje administra inúmeras atribuições e muitas delas querem ser bem sucedidas em todos os papeis. Naturalmente, não conseguem, pois são seres humanos e não robôs. A conse­ quên­cia da sobrecarga de muitos papéis é uma falha em alguns desses, como por exemplo, no ensinamento do sono. Uma quarta variável é o ritmo em que muitas famílias vivem ou se permitem viver. Não ter rotina, hábitos saudáveis, rituais, confiança e segurança no processo educacional (dentre outros) propiciam um ambiente desconfortável e a criança não entende esse processo e nem como dormir. O que podemos perceber indubitavelmente é o aprendizado cultural que os pais atuais têm com os antigos. Ensinamento cultural sempre é uma soma na educação dos filhos. Mas também precisamos do entendimento dos antigos pais para “vivermos” o mundo atual e suas peculiaridades. Sempre é possível mudar o caminho das coisas, só é preciso acreditar e querer a mudança. Jéssica Costa é orientadora educacional da Disciplina Positiva que prega a educação através da empatia.

Até para a morte é preciso planejamento financeiro Reinaldo Domingos

D

izem que a única certeza da vida é a morte, e mesmo assim poucas são as pessoas que se preparam financeiramente para este momento. Decisões devem ser tomadas e elas costumam ter altos custos, portanto é válido traçar um planejamento e garantir menos dores de cabeça aos familiares e amigos. A dor da perda de um ente querido é enorme e gera fragilidade, dificultando a capacidade de lidar com questões práticas e financeiras. Muitos, por desconhecimento e falta de planejamento, acabam pagando mais do que o necessário pelos serviços contratados. O tema é tabu, entretanto deve ser encarado com consciência. É importante pesquisar, fazer escolhas e orçar os serviços e produtos necessários. Ciente dos gastos, é orientavél que comece a poupar e construir uma reserva financeira, esclarecendo aos familiares a sua finalidade. Com certeza, essa será uma preocupação a menos para eles. Veja os principais itens a serem considerados: Jazigo Caso deseje ser enter­ rado/a, é importante procurar saber se familiares e amigos dispõe de jazigos que podem ser usados por sua família. Em caso negativo, é válido pesquisar e orçar os custos, lembrando que serviços funerários podem ser contratados e pagos com antecedência. Consulte pacotes, eles podem ser mais vantajosos. Neste caso, há também gastos com caixão, translado, manutenção do jazigo e exumação, itens que podem pesar no bolso dos familiares. Portanto, é válido se organizar e deixar uma reserva

financeira destinada especificamente para tais despesas. Cremação Em muitos casos, essa opção é mais barata do que o enterro, considerando especialmente as despesas com manutenção. É válido procurar empresas confiáveis e que pratiquem um bom preço, deixando a indicação e os contatos com os familiares. Contratar e pagar com antecedência é uma garantia de que tudo acontecerá de forma mais segura e tranquila. Velório A maioria dos locais que prestam o serviço de enterro e cremação oferece espaço para o velório. Caso não haja essa possibilidade, é importante buscar por um espaço que atenda as necessidades da família, orçando os valores com antecedência. É válido incluir no orçamento as despesas com flores, cujos preços podem variar bastante. Seguro de vida É muito importante ter uma reserva financeira ou seguro de vida que garanta proteção aos familiares, para que tenham suporte para manter seu padrão de vida caso uma fatalidade aconteça. Na maioria dos caso, a indenização abrange a invalidez em decorrência de doença ou acidente. Testamento Para quem tem patrimônio, investimentos ou acredita que a partilha dos bens pode gerar dor de cabeça, é válido buscar o respaldo de um advogado e elaborar o documento com antecedência, considerando tanto seus desejos quanto as necessidades dos que ficam. Doação de órgãos Caso tenha esse desejo, com a consciência de que poderá beneficiar outras pessoas, manifeste-o aos familiares e amigos mais próximos, para que isso não seja esquecido. Afinal, a decisão final se os órgãos serão doados ou não é da família.

Reinaldo Domingos é Doutor em Edu­cação Financeira, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), autor de Terapia Financeira, do Diário dos Sonhos e da Coleção Didática de Educação Financeira do Brasil.

Abril de 2017 | Vilas Magazine | 31


empresas & negócios

A importância de uma gestão eficiente nas empresas familiares Glicio Oliveira

P

odemos afirmar que o Brasil é um celeiro de empreendedores. Gente criativa, que gosta do trabalho e que está sempre buscando se manter através do seu próprio negócio. Segundo a revista Exame, com base nos dados do SEBRAE, 90% dos empreendimentos brasileiros possuem o perfil da gestão realizada por uma família. Porém, na mesma matéria, afirma-se que apenas 30% dessas empresas sobrevivem até a segunda geração e o quadro se agrava quando vai se passar o bastão para a terceira geração, chegando a representar somente 5% o percentual de negócios sobreviventes. Mas por que isso acontece? Quais as variáveis que promovem o fracasso da grande maioria dessas empresas? O que falta aos gestores? E por que se agrava quando a gestão passa a ser dos sucessores? São essas perguntas que iremos tentar responder nesse artigo. Eu digo tentar, pois trata-se de um tema complexo, onde fatores como a competição interna, o sonho da estabilidade financeira, os conflitos de valores e os laços afetivos trazidos para dentro da organização pela unidade familiar jogam um importante papel. O cenário econômico exige das organizações elementos que, muitas vezes, não estão presentes nas habilidades e competências atuais dos gestores e não fazem parte de suas estratégias, por não conhece-las a fundo. Michael Porter defende que sobre

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uma organização cinco forças a pressionam, constantemente, a partir do momento em que elas abrem suas portas e passam a existir e irão acompanhá-la enquanto ela permanecer em funcionamento. Essas forças são: a concorrência, produtos substitutos, o fornecedor, um novo concorrente e o consumidor. Particularmente, em se tratando do Brasil, eu insiro outras duas forças: a mão de obra e o Estado. Essas sete forças não permitem que os gestores: 1 - Ajam de forma desqualificada, desprezando as ferramentas e técnicas de gestão; 2 - Que tomem decisões sem todas as informações necessárias, agindo de maneira impulsiva; 3 - Deixem de saciar as demandas do seu público alvo, com foco nas mudanças de comportamento do seu consumidor; 4 - Não cumpram as exigências do governo, operando fora das regras legais na esfera contábil, fiscal, trabalhista e financeira, e; 5 - Não motivem e retenham seus colaboradores, que são os verdadeiros diferenciais competitivos da sua empresa. Para ter a rentabilidade desejada e a perpetuação das suas organizações, os gestores devem quebrar alguns paradigmas que amarram suas empresas a um cenário do passado onde quase tudo era permitido fazer e a concorrência não os incomodava, onde a inovação estava ligada diretamente ao produto, o governo não tinha uma estrutura de controle tão robusta como hoje e as opções eram poucas para os consumidores. Os gestores devem dar lugar aos novos modelos de pensar sobre seus negócios e dissolver paradigmas como o de que suas empresas são entidades

pequenas que não precisam de tanta organização ou que a mistura das relações familiares e profissionais não traz consequências negativas para o negócio, e; acreditar que as empresas familiares, por natureza, têm dificuldade para se profissionalizar e crescer. Esses paradigmas interferem diretamente no grau de inovação destas empresas e atrasam ou impedem o crescimento delas. Repensar o negócio como algo que possui vida e que se renova e se desenvolve constantemente, é a melhor forma de agir do gestor para que sua empresa possa perpetuar com rentabilidade, mas, para isto, deve-se quebrar a resistência com relação às novas formas de gerir e trocar experiência com a nova geração, tanto de familiares quanto das pessoas contratadas, pois eles possuem uma sintonia com a tecnologia, com as ferramentas e os modelos modernos de gestão e atualizados com as tendências mercadológicas. E, em se tratando dos herdeiros sucessores, esses devem passar por uma educação empresarial, tanto na formação técnica, quanto no conhecimento de cada setor ou departamento para saber executar as operações ligadas à administração do negócio. E cuidado! Nem sempre nossos filhos tem a habilidade e o controle emocional para sentar na cadeira de diretor, ou até mesmo, ser um gerente. Colocá-lo na


condição de subordinado de um colaborador é uma tarefa, muitas vezes, difícil e dolorosa, mas necessária até o momento em que esteja maduro para tomar decisões assertivas que visem o bem estar da empresa e não a satisfação pessoal. Dessa forma, sua organização irá fazer parte dos 5% que sobrevivem após a saída do patriarca ou matriarca da empresa. As organizações com gestão familiar possuem vantagens que outros perfis corporativos não possuem. O problema é que muitas vezes os gestores não usam isso a seu favor, desperdiçando elementos essenciais para a performance dos seus negócios. Um dos pontos que ressalto é o fato de que os membros da família que estão na empresa não vestem a camisa, eles são a própria camisa, então, esse sentimento é muito mais profundo. Quando se trabalha de maneira correta, os laços afetivos podem fortalecer a relação entre os gestores, acentuando o respeito e o cuidado entre eles. E uma das vantagens mais importante é o sentimento de perpetuação do negócio, que é o que de fato motiva os sucessores. Quanto às desvantagens, posso citar algumas que encontrei em grande parte das organizações que atuei como colaborador e, hoje, como consultor organizacional. Vejamos algumas delas: A) Falta de profissionalização: os membros da organização esquecem que para se manter no mercado e de forma competitiva, a empresa tem que ser especialista no que faz e com a centralização do poder os gestores tem dificuldade de delegar e dividir, não tão somente as atividades, mas também, o poder de decisão e a responsabilidade com os outros; B) Confusão entre a propriedade da empresa e a capacidade para a gerir: o fato de ser o dono, não pode impedir de que enquanto gestor compreenda que as pessoas podem contribuir, e muito, com suas ideias e seus projetos. Eles têm dificuldade de aceitar que, muitas vezes, a ideia do seu funcionário é melhor do que a dele; C) Quebra dos princípios contábeis,

financeiro e trabalhista: acreditar que o dinheiro que está no caixa é do dono da empresa e que ela tem que pagar suas contas pessoais dentro das suas movimentações financeiras, manter os estoques sem controle e, de forma equivocada, ter os colaboradores como peças descartáveis são comportamentos comuns. Os gestores devem compreender que a pessoa jurídica é uma e a pessoa física é outra. A relação da organização com o ambiente organizacional (interno e externo) é algo que se deve levar muito próximo das regras preconizadas por esse cenário, pois os prejuízos são dolorosos quando essas regras não são cumpridas; D) Falta de clareza nos processos: a comunicação ineficiente, retrabalho, excesso de pessoas e gastos desnecessários são outras desvantagens de uma gestão familiar desestruturada. Definir os processos, os fluxos da operação e determinar as pessoas responsáveis por cada atividade é fundamental para a manutenção da qualidade e a continuidade padronizada das rotinas. Quando me questionam e perguntam o que deve ser feito para uma empresa familiar ter sucesso nesse mercado dinâ­m ico e cheio de regras, onde as decisões devem ser tomadas com base em vários indicadores e tendências, digo que existem quatro pilares essências para a sustentação das organizações, independente de seu tipo de negócio ou tamanho. Eles são: 1 - Descentralização: a família cresce e chegam os familiares indiretos. Deve-se pensar em dividir as atividades com critérios e meritocracia e não pela afinidade ou proximidade. Deve-se reconhecer os potenciais e habilidades dos indivíduos e aos mais competentes designar os cargos mais complexos. Formatar um organograma é fundamental para facilitar a leitura da hierarquia; 2 - Preparar os sucessores: o parente, ao entrar na empresa, tem que ter consciência que ele nem sempre é competente, e tem que ser preparado. Devem ser analisadas as vocações, as habilidades e a vontade de atuar no negócio da família. O

familiar tem que estar alinhado com a filosofia, funcionamento, metas e valores da empresa, onde o membro da família deve entrar como profissional que se tornará um líder, e não o filho que está ali para ajudar o pai; 3 - Gestão mista por período ou permanente: contratação de um profissional especialista ou um consultor com habilidade em gestão e relacionamento é uma boa estratégia. A gestão mista atua no sentido de colocar a família para trabalhar para a empresa, e não o contrário. Um profissional especialista pode ajudar a implantar a descentralização, os treinamentos e uma gestão com foco no mercado; 4 - Padronização dos processos: o padrão é um dos remédios contra muitas dores de cabeça. É uma técnica que visa reduzir a variabilidade dos processos de trabalho, sem prejudicar a sua flexibilidade. Padronizar não significa perder criatividade e flexibilidade para atender às expectativas dos clientes, nem sujeitar os trabalhadores à rotinas monótonas e normas rígidas, mas sim, garantir a qualidade da operação organizacional. A aplicação da padronização em uma organização traz os maiores benefícios e cria uma cultura sustentável com processos bem definidos. A introdução desses quatro pilares é complexa e exige dos gestores uma mudança comportamental acentuada. Quando estou trabalhando na reestruturação organizacional, um dos maiores obstáculos, para mim como consultor, é o de convencer os donos da importância da inserção das mudanças necessárias. Mas basta aceitar novos modelos de pensar que a alavancagem no negócio é percebida em pequenas e simples ações e, muitas vezes, com baixo ou nenhum custo.

GlÍcio Oliveira é Consultor Organizacional, formado em Administração, especialista em Marketing, Finanças e Controladoria. Abril de 2017 | Vilas Magazine | 33


comportamento

MAIS ANOS, MENOS SONO Envelhecimento do corpo e do sono faz com que terceira idade seja a campeã em distúrbios e em cuidados a serem tomados em prol da saúde

A

aposentada Maria José Barata Dias, 69, acorda duas vezes ao longo da noite, todos os dias. “Acontece naturalmente. Vou dormir às 21h. Perto da meia-noite levanto, vou ao banheiro, tomo água, chupo uma laranja e volto a dormir. Antes das 4h da manhã, acordo de novo. Antes das seis, eu já estou de pé”. Os distúrbios do sono são muito mais comuns em idosos do que na população mais jovem. Eles roubam a chance de essas pessoas desfrutarem do sono reparador de que tanto precisam. A insônia muitas vezes passa batida em check-ups médicos de rotina, o que reduz a qualidade de vida e agrava outros problemas físicos e emocionais, incluindo a perda de função cognitiva. Seus efeitos são devastadores quando ela surge todas as noites, seja na dificuldade em adormecer, em continuar dormindo ou em acordar muito antes da hora. Além disso, ela pode estar ligada a outros problemas de saúde subjacentes, como transtornos psiquiátricos e incontinência urinária. A depressão pode ser causa ou consequência da insônia persistente. Com a sonolência, também aumenta o risco de quedas e de fraturas. Um estudo de 1995 do Instituto Nacional de Envelhecimento dos EUA, feito com mais de 9 mil pessoas idosas, revelou que 42% tinham dificuldade em pegar no sono e em continuar dormindo.

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É provável que haja mais afetados hoje, quando muitos passam um bom tempo olhando para telas eletrônicas antes de se deitar – perturbando os ritmos biológicos do organismo. “As pessoas idosas não podem ficar encarceradas em um apartamento, em um cômodo. O idoso precisa interagir. É isso que vai reforçar o ritmo biológico”, diz a Dalva Poyares, professora da Unifesp. “É preciso ter em mente que o sono Avener Prado / Folhapress

envelhece: durante o dia o idoso tende a ficar sonolento e à noite ter um sono mais fragmentado. As fases mais profundas do sono também tendem a diminuir. Ele tem mais apneia, mais movimento de pernas...” No caso de Maria José, ela diz que esses despertares noturnos se intensificaram nos últimos 10 anos. “Aposentadoria, menos atividades, rotinas mais monótonas, tirar cochilos ao longo dia. Essas coisas também favorecem que uma pessoa perca sono ou o divida, diminua o sono noturno.” diz a médica Rosa Hasan, do Laboratório do Sono do Instituto de Psiquiatria da USP. Existem dois tipos de insônia: a primária é fruto de um problema principalmente durante o sono, como a apneia obstrutiva do sono,a síndrome da perna inquieta (que afeta 15% a 20% dos adultos mais velhos), ou uma tendência a realizar fisicamente os movimentos vividos em sonhos. A não ser que um parceiro observe o que acontece, as pessoas dificilmente ficam sabendo que têm problemas. O diagnóstico geralmente vem com um exame especializado: a polissonografia. A pessoa dorme em um laboratório, ligada a instrumentos que registram sua respiração, ritmo cardíaco, pressão sanguínea, movimentos corporais e o tempo passado nas diferentes fases do sono. A insônia secundária é a mais comum: decorre de um problema de saúde subjacente, dos efeitos colaterais de drogas (como o álcool) e remédios, sonecas diurnas e ruído e luz excessivos no quarto. O álcool, aliás, é um recurso contraindicado para quem quer driblar a insônia. Embora dê sonolência, a substância fragmenta o sono e piora a qualidade do sono REM, importante para consolidação da memória e descanso mental. Maria José Barata Dias, 69, que costuma acordar duas vezes durante a noite


Entre as condições médicas que causam insônia estão insuficiência cardíaca, refluxo gastroesofágico, doenças pulmonares, artrite, alzheimer e incontinência urinária. Tratando-as, a insônia muitas vezes é aliviada. As causas da insônia que não têm natureza médica podem ser remediadas com uma boa higiene do sono. Ela consiste em limitar as sonecas a menos de 30 minutos por dia, de preferência no início da tarde; evitar estimulantes e sedativos; evitar refeições pesadas e reduzir a ingestão de líquidos nas duas ou três horas antes de se deitar; maximizar a exposição à luz forte durante o dia e minimizá-la à noite; criar condições confortáveis para dormir e ir para a cama apenas quando se está com sono. Para quem não consegue pegar no sono depois de cerca de 20 minutos, os especialistas recomendam sair do quarto e fazer algo que relaxa, como ler um livro (impresso sobre papel, e não numa tela iluminada), até ter vontade de voltar para a cama. Outra dica é fazer atividade física, mesmo que de forma comedida. A ingestão de soníferos pode ser problemática para idosos, que são naturalmente mais sensíveis a efeitos colaterais, como sonolência excessiva. Outras alternativas são substâncias como melatonina ou valeriana, vendidas em farmácias de manipulação. A eficácia delas ainda não foi comprovada por pesquisas. Existem alimentos que também podem ajudar a promover o sono, como bananas, cerejas, kiwis, aveia, leite e chá de camomila – apesar de as evidências também serem principalmente anedóticas. Colaboraram Phillippe Watanabe e Gabriel Alves. Tradução de Clara Allain / Folhapress.

O QUE É INSÔNIA Dificuldade para começar a dormir e manter o sono. Geralmente a pessoa com o problema acorda antes do horário estipulado e sentindo cansaço CAUSAS Maus hábitos do sono, ansiedade e depressão CONSEQUÊNCIAS Durante o dia a pessoa se sente irritada, cansada e ansiosa; A longo prazo pode aumentar o risco de depressão, prejudicar o sistema imunológico, e causar obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares HIGIENE DO SONO Bons hábitos ao longo do dia ajudam a dormir com mais facilidade Só vá para a cama quando se sentir sonolento

Pratique atividade física durante o dia

Antes de se deitar diminua a luz, tome banho e leia um livro

Não tome álcool, chá mate, chá verde e refrigerantes

Se não pegar no sono, saia da cama e faça atividade relaxante

Não use o computador poucas horas antes de dormir

Estabeleça um horário definitivo para se levantar e deitar

Tente não se preocupar ou ficar nervoso caso o sono não venha

Evite cochilos ao longo do dia

Use a cama apenas para dormir e fazer sexo

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COMPORTAMENTO

Lei do Silêncio no condomínio: entenda como ela funciona Barulhos recorrentes são sempre temas de discussão e atrito dentro do condomínio, entenda como funciona a lei do silêncio em condomínios e como ela pode ser aplicada

U

m dos maiores problemas que síndicos e administradores de condomínio enfrentam no seu dia a dia se refere a reclamações a respeito do descumprimento das regras de silêncio. Os erros são variados: alguns condôminos acreditam que qualquer barulho é permitido entre 6h e 22h, enquanto outros se equivocam ao pensar que, após as 22h, o silêncio deve ser absoluto, incomodando-se, até mesmo, com uma panela que cai acidentalmente no chão. Mas, afinal, o que o direito diz a esse respeito? O que a Lei do Silêncio em condomínios realmente proíbe? Há muitas leis que regem o tema? Em relação às leis federais – que têm a capacidade de reger o tema de maneira uniforme em todo o território brasileiro – vemos uma escassez de regras 36 | Vilas Magazine | Abril de 2017

específicas, vigorando regras gerais sobre os direitos de segurança e sossego do vizinho. Vamos conferir algumas delas: O Código Civil de 2002 O CC-2002 diz que o proprietário ou possuidor de um prédio tem amplos direitos de cessar qualquer interferência do vizinho que prejudique a sua saúde, segurança ou sossego. Portanto, a qualquer horário, não importando a natureza do barulho, se ele resultar em alguma desses prejuízos a um vizinho, este terá plenos direitos de pôr um fim a eles. Lei de Contravenções Penais Sim! De acordo com o art. 42 da Lei de Contravenções Penais, é uma infração penal “perturbar alguém, o trabalho ou o sossego alheios”. A lei dá os seguintes

O ideal para você, síndico, sempre é agir como um árbitro, ao invés de juiz

exemplos de incômodos: 1- Com gritaria ou algazarra; 2- Exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais; 3 - Abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos; 4 - Provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem a guarda. A pena pode ser uma multa ou, então, em casos extremos, a prisão de quem insiste em incomodar. É só isso o que a lei diz? Não! Na verdade, no caso de relações internas nos condomínios, o Código Civil, especificamente, dá preferência para que os próprios moradores estabeleçam convenções e decidam as punições por meio do regimento interno. No entanto, esses acordos internos jamais poderão violar as leis acima. Em se tratando da relação do condomínio com seus vizinhos externos, deve ser sempre observado o Código de Posturas do município, então vale a pena conferir com sua Prefeitura! Então, quais são os mitos e as verdades sobre a Lei do Silêncio?


Mito: Há uma lei federal do silêncio. Então, há leis federais que garantem o direito ao sossego, mas nenhuma que reja o silêncio de forma detalhada. Por isso, fica a cargo dos municípios estabelecerem regras a esse respeito. Belo Horizonte, por exemplo, tem uma Lei do Silêncio, assim como outras capitais. Mito: Entre 8h e 22h, todo o barulho é permitido. Esse é o maior engano! O direito ao sossego não tem horário. Há diversos trabalhadores noturnos, por exemplo, cujo horário de sono é durante a tarde. Ele tem seus direitos prejudicado? Jamais! Ele poderá, sim, exigir o respeito do vizinho! Músicas muito altas e obras têm de seguir regras. O melhor é o caminho da conversa. Se for fazer uma obra, o morador deve comunicar aos outros. Se gosta de ouvir música alta, chegue a um acordo com o vizinho. Mito: Depois das 22h, o silêncio é total. Não! Vamos a um caso que ocorreu nos EUA. Um casal reclamou a respeito das pequenas reuniões que ocorriam na casa do vizinho, dizendo que estava trazendo transtornos. Os vizinhos recorreram e contra-atacaram dizendo que era o casal que estava os incomodando com um processo judicial? Quem ganhou? Os vizinhos. A justiça considerou que o casal era muito sensível, pois o barulho produzido pelo vizinho era pontual e baixo. Isso serve também para os moradores que reclamam de vizinhos cozinhando ou varrendo durante a noite! Dificilmente, o barulho será tamanho ou contínuo que chegará a incomodar o sossego de uma pessoa normal. Brigas são extremamente prejudiciais para um condomínio. O ideal para você, síndico, sempre é agir como um árbitro, ao invés de juiz. O melhor para você é que as duas partes conversem e cheguem a um acordo definitivo.”

Mirian Goldenberg

Mirian Goldenberg é antropóloga, professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Como se livrar dos chatos?

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Delete, mantenha distância e ignore pessoas negativas; elas são o exemplo de tudo o que você não deve ser

uitos homens e mulheres que pesquisei relatam o sofrimento que é conviver com pessoas negativas que, mesmo sem qualquer intenção ou consciência, são verdadeiras vampiras que sugam a energia alheia. Estas pessoas insuportáveis podem ser muito próximas: vizinhos encrenqueiros, cunhados inconvenientes, colegas de trabalho maledicentes, amigos invejosos, pais cruéis, filhos desrespeitosos, irmãos competitivos, cônjuges implicantes, sogros perversos etc. O que fazer para se proteger destas pessoas tão destrutivas? 1. Deletar da sua vida, imediatamente se possível, todas as pessoas que parecem ter um prazer sádico em fazer você se sentir “uma merda”: bloquear no Facebook, tirar da lista de e-mails e telefones, não aceitar seus convites. 2. Manter o máximo de distância física e psicológica, caso seja impossível deletá-las para sempre: evitar contatos e conversas íntimas e manter somente um relacionamento formal. 3. Investir o mínimo de tempo e de energia nas situações em que o contato é inevitável: economizar palavras, sorrisos e abraços somente para as pessoas que merecem. 4. Ter a consciência de que não é nada pessoal: se elas são chatas, desagradáveis e implicantes com você, certamente são chatas, desagradáveis e implicantes com todo mundo. 5. Saber se colocar como um observador de fora da situação: agir como um pesquisador da natureza humana e aproveitar para aprender um pouco mais sobre a maldade e a mediocridade de grande parte das pessoas que nos cercam. 6. Ignorar todas as coisas desagradáveis que elas dizem: aprender a não se afetar por tudo aquilo que é dito só para machucar. 7. Buscar enxergar o lado engraçado da situação: dar risadas é uma arma poderosa contra quem quer destruir o equilíbrio, a autoestima e a felicidade alheia. 8. Evitar entrar na mesma “vibe negativa” (como dizem meus alunos): procurar ser cada vez mais gentil e agradável com quem realmente importa. 9. Ter a certeza de que estas pessoas são profundamente infelizes e que não vale a pena tentar ajudá-las a mudar. 10. Usar estas pessoas insuportáveis como exemplos de tudo aquilo que você não quer (e não deve) ser. Você tem alguma boa dica de como aprender a lidar com pessoas desagradáveis?

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vida saudável

Incidência de câncer colorretal aumenta entre os mais jovens Estudo americano com 490 mil pacientes mostra tendência, que também é percebida no Brasil. Não se sabe bem o porquê, mas possíveis explicações vão de problemas de detecção a maus hábitos de vida

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doença estava longe do radar. A dificuldade em ir ao banheiro e os intensos sangramentos demoraram para suscitar a hipótese de câncer colorretal. Em dezembro de 2013, a estilista Ana Paula Monteiro, 39, recebeu a notícia de que tinha a doença, já em estágio avançado. “E sou magra, ativa, sempre comi de maneira saudável, nunca tive caso na família... Nem eu nem os médicos desconfiávamos”, diz Ana. Andréa Hagime Nakayama, 40, achou estranho quando, em abril de 2015, percebeu um aumento na frequência com que ia ao banheiro. “Em maio, queria ir o tempo todo. Em junho senti dores para sentar e depois houve sangramento – aí sabia que possivelmente seria um sintoma [do câncer]”. Ana Paula e Andréa não estão na faixa etária mais afetada pela doença – a média no diagnóstico está entre 60 e 65 anos –, mas podem ser exemplos de uma nova tendência que mostra o aumento

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da incidência de câncer colorretal entre jovens, ao contrário do que acontece com quem tem mais de 50 anos. Um estudo feito nos EUA com dados de mais de 490 mil pessoas mostrou que os jovens de hoje têm um risco muito maior que os jovens do passado de ter a doença. A probabilidade, apesar de baixa – 1 caso em cada 100 mil para quem tem entre 20 e 29 anos –, gera preocupação pelo fato de estar aumentando com o tempo, especialmente a partir da década de 1980, quando estava na casa de 0,5 para cada 100 mil. Já para quem tem entre 60 e 64 anos a chance de ter câncer colorretal é 50 vezes maior do que o dos jovens. A questão é que esse risco está diminuindo – na década de 1980, era o dobro disso. O trabalho saiu no “Journal of the National Cancer Institute”. No Brasil não há dados tão precisos, mas um levantamento do A. C. Camargo Cancer Center, de São Paulo, mostra um

panorama preocupante por aqui. De 1.167 pacientes diagnosticados entre 2008 e 2015 com câncer colorretal, 20% têm menos de 50 anos. O paciente mais jovem tinha 23. Talvez por isso a percepção de que jovens estão sendo mais vítimas da moléstia é compartilhada entre especialistas ouvidos nesta reportagem. “É uma tendência preocupante, ainda mais que está claro que os casos de câncer vêm caindo anualmente desde os anos 90”, diz Samuel Aguiar Junior, diretor do departamento de tumores colorretais do A. C. Camargo. As explicações para o aumento, porém, dividem os profissionais de saúde. Para a nutricionista Maria Eduarda Melo, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o grande vilão é o consumo de comida ultraprocessada (como bacon e linguiças), além da epidemia de obesidade. Já Sérgio Araujo, cirurgião do hospital Albert Einstein de São Paulo, afirma que os principais fatores de risco, além de idade avançada, são presença de pólipos no intestino, histórico familiar positivo, cânceres prévios e tabagismo. Além de atentar para os sintomas, não fumar e buscar um baixo peso, o que se pode fazer para tentar evitar o câncer é detectar os tais pólipos por exames como a colonoscopia. Pólipos são estruturas


FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO pré-cancerosas que se formam a partir de alterações de um grupo de células na parede intestinal e não geram sintomas. Em média, os pólipos levam dez anos para se tornarem tumores malignos, diz Claus-Henning Köhne, ex-presidente da Sociedade Europeia de Oncologia e especialista em câncer colorretal. Em jovens, a coisa é mais complicada. Nessa faixa etária esse estágio de pólipo muitas vezes é “pulado”e vai direto para o de câncer. Mesmo que essas estruturas estejam lá, o exame para identificá-las costuma ser indicado só para quem tem mais de 50 anos. Não seria economicamente vantajoso oferecê-lo para todos – muito dinheiro gasto para encontrar poucos casos. Exames menos específicos como a busca por sangue oculto nas fezes também podem ajudar na detecção. Já na fase de tratamento – geralmente uma combinação de radioterapia, imunoterapia e cirurgia –, os desafios são iguais para todas as idades e vão desde acesso às melhores terapias até mesmo o conhecimento dos médicos. Köhne diz que há oncologistas que desconhecem as possibilidades de tratamento e que muitos não se atualizam. Identificar marcadores tumorais que indicam quais drogas têm mais chance de sucesso no combate à doença poderia ajudar na tarefa. Gabriel Alves / Folhapress.

NÚCLEO DE ONCOLOGIA DA BAHIA - FILIAL

Certificado Nº 075/007/0111 Validade 03/02/2018

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vida saudável

Colonoscopia de rastreamento identifica presença de pólipos, que evoluem para câncer de cólon Adriana Campos Andrade Ribeiro

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âncer de cólon são tumores que acometem o intestino grosso (o cólon) e o reto, sendo o terceiro câncer mais incidente no mundo. É tratável e curável na maioria dos casos quando detectado precocemente. Grande parte desses tumores se inicia a partir de pólipos adenomatosos, que são lesões benignas, mas que evoluem com o passar do tempo para o adenocarcinoma, o câncer de cólon mais comum. Este é o principal motivo para se indicar a colonoscopia de rastreamento, pois esses pólipos podem ser retirados quando pequenos e ainda benignos. O processo de transformação de um pólipo em um tumor invasivo pode durar cerca de 6 a 10 anos. A incidência é maior em pacientes com idade superior a 50 anos. 70% dos casos ocorridos de câncer de cólon são de forma casual devido a interação dos fatores de risco. A história genética do paciente, como também condições ambientais, hábitos alimentares, são os principais fatores relacionados ao câncer de cólon, e mais raramente algumas síndromes genéticas como a Polipose adenomatosa familiar e Síndrome de Lynch (doença hereditária autossômica dominante, responsável por cerca de 3 a 5% dos tumores colorretais). Diabetes, obesidade, tabagismo e alcoolismo, como também a ingestão de carne vermelha são fatores de risco que aumentam a chances de sofrer com o câncer de cólon e de sofrer complicações desta doença. Estatisticamente existem evidências que pessoas que tenham casos na família (avós, pais e irmãos) com câncer de cólon, expostos a fatores de risco, têm muito mais chance de desenvolver a doença, daí a necessidade destes paciente realizarem exames preventivos a partir dos 40 anos. O câncer de cólon também está relacionado com a doença inflamatória intestinal como é o caso da retocolite ulcerativa, uma doença autoimune que agride a mucosa colorretal, cujo dano crônico nas células da mucosa favorecem o surgimento da displasia que dará origem à lesões malignas. E aconselhável, portanto, iniciar a prevenção do câncer de cólon, realizando o exame de colonoscopia depois dos 50 anos de idade, e para aqueles casos com história familiar positiva, a prevenção deve se iniciar aos 40 anos. A colonoscopia periódica mantém o paciente em vigilância e identifica precocemente lesões suspeitas. Adriana Campos Andrade Ribeiro é gastroenterologista e endoscopista

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Anticoncepcional errado pode causar danos graves à saúde Métodos são seguros, mas, sem orientação médica, mulher corre risco de sofrer males como AVC e trombose

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odas as mulheres podem usar métodos anticoncepcionais para evitar uma gravidez indesejada. As opções que existem hoje são seguras, mas escolher um por conta própria, sem passar pelo médico, pode colocar a mulher sob risco de desenvolver doenças graves, como AVC (acidente vascular cerebral) e trombose. As pílulas não são a única opção. Além delas, há outras baseadas no uso de hormônios, como injeção e implante sob a pele. Outras alternativas são as chamadas barreiras físicas (diafragmas, DIU de cobre e camisinha). É o médico quem vai ajudar a achar a melhor opção. “Já na consulta, a paciente deve informar o histórico familiar de doenças e alertar sobre hábitos de vida, como tabagismo e sedentarismo”, diz a ginecologista e obstetra Angélica Sales Barcelos, professora de medicina da Faculdade Santa Marcelina (SP). A médica explica que fatores como obesidade e vício em cigarro, associados a anticoncepcionais hormonais aumentam, por exemplo, os riscos de trombose, AVC, pressão alta e diabetes. “Tudo depende se a paciente tem doenças pré existentes. Por isso, cada caso é um caso. Você não pode ir na farmácia comprar o remédio que sua vizinha toma. Nem sempre o que é bom para ela é para você”, afirma a ginecologista. Carla Martins, diretora do Centro de Reprodução Humana FertilCare Brasília, dá um exemplo. “Uma mulher que tenha enxaqueca, e não dor de cabeça, o que é bem diferente, pode ter AVC. As chances aumentam quatro vezes. Há risco de trombose também, mas na gravidez pode aumentar bem mais.” O anticoncepcional tende a mudar conforme a idade da mulher avança. Exames rotineiros, e específicos, ajudam na avaliação mais precisa. Os riscos não devem impedir a mulher de usar métodos contraceptivos. “Toda mulher deve usar se não pretende engravidar. Mas é fundamental ter a recomendação do médico”, diz a ginecologista Angélica. Tatiana Cavalcanti / Folhapress.


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vida saudável

Socorro imediato para quem tem AVC evita sequelas graves Nas primeiras horas, é possível impedir avanço do AVC. Testes simples ajudam a identificar sintomas

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ualquer pessoa que apresente sinais de AVC (acidente vascular cerebral) deve ser levada imediatamente ao hospital. Isso porque as chances de evitar sequelas graves só existem nas três primeiras horas após o início dos sintomas. Com atendimento rápido, às vezes é até possível que evitar sequelas graves – físicas e mentais. O AVC, como próprio nome sugere, é um


acidente que acontece envolvendo os vasos sanguíneos, como explica o neurologista Fábio Porto, do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Há dois tipos: o isquêmico, em que um vaso entope e falta sangue, e outro, hemorrágico, porque um vaso estoura e causa hemorragia.” Os sintomas aparecem de repente. Formigamento, fraqueza muscular, boca torta para um lado, fala pastosa e confusão mental são os mais comuns, mas pode haver outros. O neurologista Renato Anghinah, coordenador do Núcleo de Neurologia do Hospital Samaritano de São Paulo, diz que qualquer um pode fazer testes simples para ver se o outro tem

sinais de AVC. Pedir para sorrir, para ver se a boca entortou, é um deles. “Tem gente que começa a se sentir mal à noite e espera amanhecer para ir ao hospital. Não pode”, alerta Anghinah. Ele recomenda, inclusive, que a pessoa seja levada a um hospital com estrutura para esses casos. O que os médicos geralmente fazem, no início da isquemia, é tentar desentupir o vaso. No caso do AVC hemorrágico, pode-se tentar entupir o vaso rompido, por exemplo. Os riscos de sequelas são altos. A pessoa pode ficar com um lado do corpo paralisado, ficar com a memória e o entendimento prejudicados, e a fala ruim, por exemplo. O tratamento vai envolver vários médicos e remédios para evitar novos episódios, comuns principalmente na primeira semana logo depois do derrame. Prevenção se dá com bons hábitos Não há uma única causa possível para o AVC, por isso a prevenção se dá no combate ou controle dos fatores de risco, como diabetes e obesidade. Isso se dá com hábitos saudáveis de alimentação e atividade física. O neurologista Renato Anghinah diz que os fatores são parecidos com os que levam a males cardíacos: “colesterol alto, tabagismo e hipertensão, por exemplo.” Gislaine Gutierre / Folhapress.

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mundo animal

Dentes em dia Escovar os dentes dos bichos de estimação e levá-los ao dentista são provas de amor ao animal. É importante saber que diversas doenças podem começar pela boca

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divulgação

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al como com os humanos, a saúde dos bichos de estimação também começa pela boca. Se uma alimentação mal feita ocasiona enfermidades nos animais, descuidos com a saúde da boca também causam problemas graves. O mais comum é o tártaro, que gera mau hálito e infecções. A sujeira acumulada na boca pode desenvolver muitas bactérias, que provocam o tártaro. Se essas bactérias entram na corrente sanguínea podem afetar órgãos vitais, como o pulmão, coração e fígado, principalmente. Esses problemas ficam escondidos e não chamam tanto a atenção, como os problemas de pele, por exemplo. O perigo mora em detectar a enfermidade quando ela já está numa fase mais séria. Por isso é essencial fazer vistorias odontológicas a cada ano para os animais. Outros problemas na boca mais frequentes são referentes a dentes de leite que não caem, como também fraturas, tumores e fechamento da boca (oclusão bucal). Esses problemas alteram o comportamento dos bichos. Se um dos dentes passa a ferir a gengiva pode deixar o animal agressivo e arredio. A solução pode ser extrair o dente. Depois o animal passa a se alimentar melhor e ficar mais calmo. O hábito da escovação deve ser adotado com os pets ainda filhotes. Assim, o animal se acostuma a deixar o dono manipular sua boca. Apenas pastas dentais especiais devem ser utilizadas. Diferente das pastas para humanos, elas não possuem flúor e podem ser engolidas sem causar problemas, além de terem sabor carne

ou frango, tornando a escovação uma deliciosa brincadeira. Mau hálito Eles chegam repletos de amor, lambendo seu dono, mas de repente vem aquele odor ruim (o conhecido “bafo”), da boca do animal. Este é o alerta. O hálito ruim é o principal sinal de que algo não está bem com o animal. Assim como nos seres humanos, ele aponta a presença de bactérias e tártaro e a necessidade de consultar um dentista. E essa necessidade se estende também aos animais, e saiba que já existem profissionais especializados em odontologia para animais de estimação. O tártaro é o mais frequente problema bucal, chegando a atingir sete entre 10 animais, causando mau hálito, perda da dentição e muitas dores, além de facilitar o aparecimento de outras enfermidades, prejudicando a qualidade de vida dos pets. A melhor maneira de prevenir o mau hálito e também o surgimento de bactérias e tártaros é a escovação diária. Além disso, pode-se dar ao animal tiras enzimáticas para serem mastigadas, mordedores, brinquedos feitos de couro e adicionar aditivos na água, que auxiliam no controle das bactérias.

Todos os pets, a partir do primeiro ano de idade, precisam ter sua dentição raspada, polida e tratada, anualmente, para prevenir problemas irreversíveis e perda da aderência dos tecidos periodontais. No caso de a enfermidade já estiver instalada, é necessário fazer o tratamento periodontal para retirar toda a placa bacteriana e o cálculo dental. O tratamento em geral envolve limpeza em consultórios próprios e acompanhamento por um determinado tempo. Doenças bucais Assim como os seres humanos necessitam escovar os dentes diariamente, os animais de estimação também precisam ter a boca higienizada. O tumor bucal é hoje um problema muito frequente em cães e gatos. É a quarta área do corpo do animal em que mais surgem tumores, exigindo muita atenção ao hálito do animal e não usar nenhum produto para tentar aliviar a situação. O uso de produtos que deixam perfumada a boca dos pets pode esconder um problema de saúde. O mau hálito é o único sinal que pode dar o alerta, pois diversos animais não deixam de se alimentar, mesmo com problemas nos dentes. A doença periodontal, conhecida


Vai passear? Saiba como escolher a coleira ideal para o seu pet

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s passeios com seu cachorro, são marcados por momentos de diversão e cumplicidade entre vocês. Para que este tempo de descontração seja o mais agradável possível, é imprescindível o uso de coleiras e guias. Mas você sabe como escolher o modelo correto para o seu melhor amigo? Ao entrar em um pet shop para comprar este item é comum encontrarmos uma grande variedade de produtos. São diversos opções de tamanhos, cores, tipos, materiais e funcionalidades diferentes. Apesar da beleza da peça ser levada em conta, ela não deve ser prioridade. Considere principalmente a raça, o porte e idade do seu pet. Aspectos das coleiras como qualidade e durabilidade do material também devem influenciar no momento da compra. Observe bem as costuras, é comum ver coleiras arrebentando. Verifique se o material é resistente, principalmente os mosquetões e peças metálicas que prendem a coleira. Dê trancos e force a guia e coleira antes do passeio e fique de olho na reação da junção das peças. Outro ponto que os responsáveis devem ficar atentos, é quanto ao uso correto, não deixando as coleiras apertadas ou folgadas demais. Com muita folga o cão pode fugir e apertadas demais se machucar. Portanto, leve em conta se o cachorro está confortável e seguro. Para te ajudar na escolha da coleira ideal para o seu amigo, selecionamos os modelos mais utilizados e te explicamos qual a indicação. Simples Indicada para todas raças e portes, independente da largura do pescoço e cabeça do animal. Normalmente, possuem fivelas de ferro ou plástico, estes últimos

também como a doença da gengiva, é mais comum em cachorros. Cães de raças de porte menor sofrem mais com a enfermidade do que os maiores. Os mais atingidos são os que pesam até sete quilos aproximadamente. O acúmulo de placa nos dentes nos cães e gatos ocasiona a destruição da gengiva e do osso que está sob ela, o que pode deixar os dentes moles. Já a cárie, que atinge tanto os seres humanos, não atinge tanto cachorros e gatos. A anatomia da dentição dos animais não favorece o acúmulo das

merecem atenção pois desgastam com mais facilidade. Opte por modelos de nylon, pois são mais duráveis e secam com facilidade do que as fabricadas em algodão ou couro. Peitoral Esta é a coleira ideal para cães de porte pequeno, pois deixam os cães mais à vontade e facilitam que o animal puxe durante o passeio. As versões desta coleira com antitração podem ser utilizadas em cães maiores, já que ao contrário do exemplar mais simples não estimula o animal a puxar, ao contrário, o domina com maior praticidade. São ideais cães que puxam a guia, pois não machucam os pets como os enforcadores, mas impõe respeito e os fazem parar. divulgação

Headcollar ou cabresto Destinada a cães de porte grande ou gigante. Ao envolver a cabeça e focinho do animal, o item facilita a condução do pet durante o passeio, sem machucá-lo. Porém é importante a utilização correta, leia com atenção o manual de instruções do produto ou procure um adestrador que lhe mostre a colocação ideal da peça. Com a coleira devidamente colocada, o esforço físico para passear com cachorros de raças como Dogue Alemão ou São Bernardo serão minimizados.

bactérias causadoras de cárie. Além disso, o PH da boca dos pets é bastante mais alto, o que colabora para dificultar o aparecimento desse mal. Porém, a placa pode lhes causar grandes problemas. A limpeza mais profunda deve ser realizada por uma veterinário especializado em odontologia, já que esse procedimento exige anestesia, pois pode se estender por algumas horas. Outra enfermidade muito comum e grave em pets é a chamada endodôntica, provocada pela fratura de um dente. Mui-

tos donos não observam se os dentes de seus animais apresentam alguma fratura. Elas podem surgir quando comem osso de boi, brincam com bolas, chocam-se no chão ou na parede ou brigam com outros animais. A fratura facilita a entrada de bactérias na área interna do dente quebrado, podendo ocasionar lesões no osso, espalhando micro-organismos pelo resto do corpo. Além da dor provocada no animal, existe riscos de infeccionar órgãos que ficam longe da boca, como rins, e ocasionar até a morte. Abril de 2017 | Vilas Magazine | 45


Jaime de Moura Ferreira Ad­mi­nistrador, consultor organizacional, professor universitário, escritor, ambientalista, sócio fundador do Rotary Club Lauro de Freitas. E-mail: jamoufer@atarde.com.br

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fraternidade não representa, apenas, a convivência com irmãos, mas, acima de tudo, o convívio entre os seres vivos, como se todos fossem irmãos. Assim pensando, deve-se, também, destacar os biomas e os elementos da natureza, principalmente a terra, que será a última morada dos seres vivos, quando extinguirem sua passagem neste plano. Vale lembrar São Francisco de Assis, italiano, (5/7/1182 – 3/10/1226), que tudo abandonou, dedicando seu amor à natureza, aos animais e, sobretudo, ao ser humano, que representavam a criação de Deus. Sem dúvidas, para se chegar a essa compreensão, é necessário que as pessoas administrem suas vaidades e egoísmos e enxerguem os necessitados locais e do mundo. No seu artigo 1º a Assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU), em 10/12/1948, instituiu a “Declaração Universal dos Direitos do Homem”, quando determinou: “todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e de consciência e devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”. Portanto, esse significado, pela sua importância, já foi lembrado pela ONU. Vai-se mais além com o pensamento francês, que destaca: “liberdade, igualdade e fraternidade”, ou seja, a fraternidade estreita-se com a relação de igualdade e liberdade, entre os seres. A fraternidade é a base para a cidadania. O que não se deve é confundir fraternidade com caridade e solidariedade, embora ambas sejam

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Fraternidade de elevadas importâncias. A caridade é o amor ao próximo e faz parte das três virtudes teologais; e a solidariedade é o sentimento que traduz a responsabilidade mútua, com o outro. De acordo com a Maçonaria, “a fraternidade é indispensável para o convívio social”. Insisto que a fraternidade não deve se restringir aos seres humanos e sim aos seres vivos, quando se observa que a crise ecológica mundial decorre da depredação de biomas, base fundamental da vida. Também, não se deve estabelecer esse amor, apego, benevolência e afeto, para, tão somente, às pessoas que conheçemos, ou estão juntas a nós, pois, na maioria das vezes, as que estão ausentes ou distantes são as mais necessitadas. Conforme o Papa Bento 16: “a falta de fraternidade entre homens e povos, por causa da globalização crescente, torna-os vizinhos, mas não irmãos”. Sem dúvidas, a fraternidade não estabelece fronteiras, nem define origem, diferentemente do egoísmo e do ódio que têm sua pátria em extremo oposto. Mais uma vez, deve-se entender que a fraternidade é a defesa da vida, por isso, é importantíssimo criar relações respeitosas com a cultura e necessidades dos povos.“Um grito de dor é o mesmo em todas as línguas”. A verdadeira fraternidade exige do doador bem mais que a caridade momentânea. Reclama a obrigação de orientação permanente, a partir do momento que se pretende conjugar a fraternidade. Os bens materiais e esmolas são doações passageiras, enquanto a fraternidade dura por longas existências.

Pode-se praticar a fraternidade de modo pessoal, profissional ou em grupos e entidades religiosas, sociais e políticas. Porém, em todas as situações o que se busca é a formação espiritual e filosófica de cada um. Existem muitas pessoas que fazem parte dessas entidades e não praticam a caridade. Lamentavelmente, o segmento político que devia praticar a fraternidade com a comunidade, volta-se para aqueles que lhe interessa, ou lhe mantem no poder. A fraternidade, como já foi dita, acontece nos seres humanos de ele­ vada espiritualidade, não importando qual a religião que praticam, na manutenção da fé e na vibração com a liberdade de cada um. Victor Hugo, novelista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês, (26/2/1802 – 22/5/1885) se expressou: “somente pela fraternidade a liberdade será preservada”. Assistimos o nosso planeta correr grande perigo pelas mudanças climáticas, fome em inúmeros países, guerras, trabalho escravo, religiões radicais, falta de água potável para todos e desmatamento descontrolado, entre outros. Pouco fazemos, pois costumamos olhar para o nosso umbigo e ficarmos centrados em quem temos interesses. Precisamos praticar um pouco mais a fraternidade. O ser humano evoluído será, sempre, o cultivador e mantenedor da obra de Deus, por isso se volta para a conservação da vida, a qual está diretamente ligada à preservação do meio ambiente, principalmente da flora e fauna existente.

Vilas Magazine | Ed 219 | Abril de 2017 | 32 mil exemplares  

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