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Case – Planejamento e Controle da Produção: ferramenta utilizada para aperfeiçoar a gestão interna de uma grande produtora de café Introdução A história do café se mistura com a do Brasil desde o tempo colonial. Fator marcante na história do país, o mesmo está presente na mesa do brasileiro durante o ano inteiro e, segundo a ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café), 97% dos brasileiros consome café e 85% consome o produto diariamente. Além disso, o Brasil é o maior produtor mundial de café, seguido de Vietnã e Colômbia. Dentre o grande número de empresas torrefadoras de Café espalhadas pelo país, uma se destaca como a maior torrefadora de café da região que está inserida. Fundada em 1967, a empresa se consolidou no mercado, estando presente em praticamente todos os mercados espalhados pela cidade. Atualmente, a empresa produz de 40 a 50 toneladas de café diariamente e possui uma carta de produtos ampla, produzindo desde o café tradicional até cappuccinos e uma linha Premium. Buscando o crescimento consciente da empresa, o controle de suas operações, a diminuição de gargalos na produção e a estruturação para certificações como a ISO 9001, a organização firmou contrato com a Empresa Júnior em questão, para que esta realizasse um estudo dos processos e operações do sistema produtivo da empresa. Esse estudo foi realizado a partir do mapeamento de todos os processos da cadeia produtiva da empresa e da análise das vendas realizadas pela empresa do ano de 2013 até 2017. Com posse desses dados, a Empresa Júnior montou o Planejamento e Controle da Produção, que consistiu na estruturação de uma ferramenta para realizar a previsão da demanda de todos os produtos e o levantamento do lote econômico de produção dos produtos, que foram considerados pelo cliente como os principais e, por fim, a estruturação da análise

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da Curva ABC dos produtos da empresa ano a ano, de 2016 a 2019, e uma análise que apresenta a Curva ABC da empresa no momento da pesquisa. Desenvolvimento O projeto teve duração de 50 dias úteis e foi iniciado com o mapeamento dos processos da cadeia produtiva da empresa (as is) e, a partir da sua análise, caso necessário, sugerir um novo modelo para o processo (to be). Para a realização destes mapeamentos utilizou-se o software Bizagi e a notação BPMN. Os processos mapeados foram: Recebimento do café, Pré-limpeza do café, Torrefação, Moagem, Envasamento a vácuo e em almofada, Criação de Blend, Análise de compra e recebimento do café. Para a construção desses mapeamentos foram realizadas entrevistas com os atores de cada processo, isto é, os funcionários que desempenham a função daquele processo. Entrevistas com os gestores e diretores da empresa também foram feitas e, por fim, um acompanhamento do processo produtivo completo pela equipe. Após a concepção dos mapeamentos avaliou-se que não seria necessária nenhuma alteração no sistema produtivo da fábrica na questão de processos devido ao fato do processo produtivo do café ser bastante simples e em sua maior parte ser realizado por maquinário especializado. Para finalizar esta parte do projeto, apesar de não fazer parte do escopo, a equipe montou o SIPOC de todos os processos mapeados, tendo em vista que a empresa deseja obter a certificação ISO 9001 e esta documentação é uma das fases iniciais do processo de certificação. Tendo finalizado a etapa de mapeamento de processos do projeto, deuse início à fase seguinte do estudo do Planejamento e Controle da Produção, mais especificamente nos pontos de Previsão de demanda, Lote econômico de produção e Curva ABC dos produtos. Todos os estudos realizados tomaram como base o número de vendas realizadas de cada produto do ano de 2013 a 2017. Esses dados foram disponibilizados pela própria empresa e foram de suma importância, pois sem eles não seria possível a realização dos estudos propostos. Em posse dos dados, a primeira etapa foi a construção de uma

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ferramenta que viabilizasse a previsão da demanda de todos os produtos produzidos mês a mês e semana a semana. Para tanto construiu-se um sistema em Excel que, a partir da alimentação dos dados de vendas, torna possível gerar a previsão dos próximos períodos mensal e semanalmente até o ano de 2042. Esse é um fator muito importante, porque as previsões geradas pelo sistema só serão verdadeiras se o cliente o alimentar de maneira contínua. Logo, para que isso fosse possível, o sistema foi dividido em duas partes: alimentação, onde os dados de vendas posteriores ao projeto serão adicionados; e análise, onde estarão as previsões de demanda, as Curvas ABC e o estudo de lote econômico de compra dos produtos. Os métodos utilizados para a previsão de demanda foram: Média móvel 3, Média móvel 4 e duas suavizações exponenciais, estas previsões estão disponíveis tanto para as previsões mensais quanto para as semanais. Optou-se em disponibilizar estes quatro métodos para que o cliente tivesse uma base forte para a tomada de decisão sobre a quantidade que deveria ser produzida de cada produto no período. A Curva ABC é uma análise onde é possível avaliar o desempenho ou o impacto de um produto na operação total da empresa. Para a organização foram criadas as curvas ABC dos anos de 2016 a 2019, além de uma última, que realiza a análise geral de todos os anos de 2013 até o momento presente. Essa curva é atualizada da mesma maneira que as previsões de demanda são alimentadas: a partir do número de venda dos produtos, que deve ser atualizado a todo momento no sistema. A partir de todas as análises foi possível observar o desempenho de cada produto e, assim, apresentar ao cliente quais produtos mereciam investimento e quais deveriam ser descontinuados. O Lote econômico de Produção - a quantidade mais vantajosa economicamente a ser produzida de um determinado produto - foi calculado seguindo a seguinte fórmula:

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2đ??śđ?‘ đ??ˇ đ?‘„∗ = √ đ??śđ?‘“ đ?‘– Em que: đ??śđ?‘  ĂŠ o Custo de Setup, đ??śđ?‘“ ĂŠ o custo de fabricação e đ?‘– ĂŠ o imposto.

Os produtos levados em consideração para a criação dos lotes econômicos de produção foram todos da linha a våcuo e da linha padrão e o cafÊ em grão de 10 Kg, considerados os produtos principais da marca, pelo cliente. AlÊm das entregas definidas no escopo, foi realizada uma grande entrega extra: a estruturação da årea de qualidade, que estava bastante defasada em relação ao que Ê demandado por uma empresa de porte tão grande. Para tal estruturação foram definidas as rotinas da årea associada a criação de um modelo de avaliação de desempenho de cada passo do processo produtivo, que se deu com base em folhas de avaliação dos indicadores de cada processo. Esses indicadores, assim como as rotinas da årea de qualidade, foram definidos juntamente com a gerente encarregada. Para a consolidação dessas informaçþes e posteriores anålises, foi criado outro sistema em Excel, onde são armazenados os dados levantados nas folhas de avaliação de cada processo. A partir desses dados Ê possível avaliar o desempenho de alguns processos nos quesitos numÊricos. Por exemplo: quantos sacos de cafÊ de um determinado produto rasgaram no mês de janeiro ou quanto, monetariamente, foi perdido com retrabalho na parte que envolve a produção de cafÊ a våcuo em dezembro.

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Conclusão Com a realização do projeto já foi possível observar, nos primeiros meses, resultados palpáveis de sua execução. Foi relatado pela gerente de qualidade no momento, que seu trabalho foi simplificado: havia menos retrabalho e este estava mais direcionado, tendo em vista que as rotinas criadas associadas aos indicadores levantados indicavam onde era necessário a atuação da gerente para a padronização da qualidade do produto. Logo, a eficiência da área subiu consideravelmente. A partir das entrevistas realizadas nos mapeamentos, das visitas realizadas pela equipe e da análise de 2016 a 2017 das Curvas ABC, foi observado pela equipe que um dos produtos do cliente só gerava despesas extras, pois sua operação era muito dificultosa, gerando diversas quebras nas máquinas, tornando necessária a manutenção constante, gerando paradas constantes na linha produtiva e, por consequência, custos altos desnecessários, além de não trazer retorno satisfatório da operação e de ter um impacto insignificante no desempenho das vendas da empresa. Sendo assim, foi indicado ao cliente que a descontinuação da produção desse produto geraria impacto positivo nas contas da empresa. A previsão de demanda auxiliará, até 2041, na tomada de decisão da quantidade que deve ser produzida na operação visando uma produção mais enxuta, menos custosa e mais eficiente.

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Impacto Socioeconômico: Grupo Gestão  

PCP, ferramenta utilizada para aperfeiçoar a gestão de uma grande produtora de café (1)

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