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Experiência LIFE – O processo seletivo disruptivo da LIFE Jr. Categoria: Impacto em inovação Por Jacqueline Costa dos Santos e Ruan Fontana Lima 1. Introdução Um processo seletivo é, por definição, a porta de entrada para qualquer empresa. Para quem participa, é momento de mostrar todas as suas armas, se preparar e até mesmo, se montar – para um desafio que às vezes, nem ela sabe. Para nós, empresas juniores, é a hora de encontrar aquele que, aparentemente, é capaz de entregar os melhores resultados. É nessa hora que, nos esbarramos em diversos problemas. Não somos psicólogos, não somos experts em seleção de pessoas – não sabemos lidar com elas! Assim, como garantir que a melhor escolha será feita? Como garantir que, as melhores pessoas serão selecionadas para compôr um time que já tem suas características próprias? Por muito tempo, os processos seletivos das mais diversas empresas seguiram num fluxo engessado, bem definido, sistematizado através de números, com as seguintes etapas: Primeira: currículo. “Vamos pegar esse currículo aqui e analisar esse cara! Quanto maior, melhor!”. Aqui, as pessoas colocam o máximo que podem – mas, será mesmo que deve-se esquecer que, mesmo sem uma lista de competências técnicas, o candidato pode valer à pena? Segunda: dinâmica em grupo. “Vamos dar um problema a ser resolvido no menor espaço de tempo, pedir que apresentar e julgar baseado nisso.” Essa fase é extremamente suscetível à absorção de erros por parte dos avaliadores. Nela, é comum que pessoas passem por cima das outras e não seja percebido, desfavorece os tímidos – que JAMAIS devem ser subestimados, e não consegue extrair o máximo dos candidatos. Aqui, o maior vilão pode ser o apresentador de palco: aquele que te conquista com sua lábia do início ao fim, mas não cumpre com sua palavra. Terceira: entrevista. “Chegou a hora de perguntar cara a cara e descobrir quem ele é!”. Em muitas empresas juniores, a fase de entrevista é construída com perguntas retiradas de diferentes sites, sem um objetivo claro de que competência avaliar. Como consequência, torna o processo ainda mais suscetível à opiniões pessoais dos avaliadores.


Como consequência das problemáticas expostas acima, têm-se um processo seletivo inefetivo, onde as características da empresa não são valorizadas. Dessa forma, a probabilidade de novos membros não condizentes com a cultura da empresa, o que acarreta em alta evasão e dificuldades na sucessão de cargos de liderança. Enfrentando esses problemas por praticamente todos seus processos seletivos anteriores, a LIFE Jr. – Laboratório de Inovações, se propôs a reformular a sua porta de entrada. 2. Desenvolvimento O por quê O processo anterior Desde o seu primeiro processo, a LIFE Jr. o executou exatamente da mesma forma: currículo, dinâmica de grupo, entrevista. Um roteiro bem definido, onde a única coisa que mudava era o desafio proposto. As dificuldades que mais impactavam na realidade da empresa, eram: 

Alta evasão de membros durante o trainee

A fase trainee, também tradicional, era composta por rodízio entre diretorias e treinamentos. Como as fases anteriores não refletiam a cultura da empresa, muitos candidatos desistiam por não se identificar com o que passavam a conhecer profundamente. Assim, a quantidade antes pensada para efetivação diminuía, acarretando em problemas futuros como a falta de membros para executar projetos. 

Dificuldade na sucessão em cargos de diretoria

A cada troca de gestão, a busca por candidatos era incessável. Poucos tinham interesse em assumir os cargos da diretoria executiva – por simplesmente não terem o perfil. A causa raiz vinha do próprio processo seletivo, que não possuía o foco em pessoas com perfil de liderança. 

Processo sem a identidade da empresa

Conhecida pela inovação, o processo seletivo da LIFE Jr. não instigava seus participantes à encontrarem soluções efetivas e inovadoras. O estímulo sempre foi para que elas nadassem no raso, sem proporcionar ferramentas ou a atmosfera favorável para um nado mais profundo. Assim, a sensação era que o candidato participou de mais um processo seletivo, para mais uma empresa como todas as outras.


A cada ano, foi ficando mais difícil com que pessoas com o espirito inovador e disruptivo entrassem e permanecessem na empresa. A preocupação era que a situação ficasse insustentável e a LIFE Jr. perdesse a sua essência. Sabe-se que pessoas são a maior entrega do movimento empresa júnior – o que não deixa de ser diferente na LIFE Jr. Acreditamos no desenvolvimento das mesmas, do início ao fim. Do nosso Oi, ao nosso Até breve. O processo seletivo precisava ser incrível, marcante e transformador para aqueles que fossem aprovados e também para quem não. Ele precisava deixar de ser um processo e se tornar uma experiência. ex.pe.ri.ên.cia substantivo feminino. Forma de conhecimento abrangente, não organizado, ou de sabedoria, adquirida de maneira espontânea durante a vida; prática. O como Por anos, a educação se baseou na passagem de conceitos através da teoria. Mas, atualmente, investe-se em um novo conceito – a educação por experiência. Com a intenção de desenvolver e despertar através da prática, existem diversas organizações que apostam no novo modelo para a educação do futuro. Inovação não tem cara de ferramenta. Não tem uma receita de bolo. Para inovar, pode simplesmente arriscar. Seguir um flow. Apostar e acreditar. Baseados da metologia da Perestroika, a Experience Learning, chegou a hora de largar um modelo antigo, sem a identidade da empresa e arriscar em um processo seletivo totalmente novo. E assim, nasceu o Experiência LIFE – O Processo Seletivo Disruptivo da LIFE Jr. O novo processo Haviam saídas muito claras para o Experiência. Perfil de liderança, candidatos que batiam com a cultura da empresa e que eles vivessem em uma atmosfera de inovação e se sentissem livres. Assim, foram desenhadas as seguintes fases: 

Happy Hour

Era essencial que as pessoas se sentissem extremamente livres e à vontade na primeira fase. Para isso, criamos uma atmosfera que estimulou a conversa e a vulnerabilidade.


O candidato passou por uma jornada, que consistia em 5 mesas. Cada uma tinha um tema a ser discutido e, de acordo com isso, características a serem avaliadas. Os avaliadores tinham como missão guiar e estimular a conversa. Um detalhe especial é que, historicamente, pessoas tímidas foram as mais engajadas com o setor de inovação da empresa – então, foi necessária atenção especial para elas. Além disso, as características necessárias para avaliar o tema foram essenciais para a escolha do melhor avaliador. Tema

Características do candidato

Falar o que o candidato Engajamento, gostava

paixão

Características do avaliador

e Simpatia, comunicação e foco

abertura

Legalização

da Comportamento,

maconha

argumentação,

Manipulador, argumentador e respeito

e conhecimento sobre o assunto.

receptividade Qual foi o seu maior Humildade e como reage às Empatia, erro e como lidou?

falhas

saber

instigar

o

candidato e mostrar confiança.

Onde você quer chegar Ambição, plano de carreira e Conhecimento sobre a LIFE e na LIFE Jr. e o que faria crescimento

saber instigar os candidatos

para chegar lá? Pequeno desafio: Complexo

e

impossibilidade resolução

no

Liderança, com trabalho

estratégia, Boa habilidade em observação em

de comportamento

equipe

e

diante

da

tempo falha

proposto.

Todos os candidatos passaram por todos os temas e foram avaliados em uma escala de muito ruim a muito bom, além das observações deixadas pelo avaliador. A infraestrutura escolhida para esse dia também foi especial: escolheu-se mesas altas de bar, para que todos ficassem em pé e o dinamismo foi maior. Também houve comida, bebida e música. A intenção era que a atmosfera fosse


tão leve, que o candidato deixasse para trás toda a sua preparação e suas máscaras, mostrando assim como ele realmente era. 

Eject

A segunda fase, foi uma mistura do tradicional com o novo. Assim como antigamente, foi proposta a entrega de uma resolução. Os candidatos deveriam apresentar ideias para que, até 2020, a LIFE Jr. chegasse ao cluster 5. O diferencial aqui morou na condução do momento. Todos foram instruídos a estudar sobre a empresa e no dia, antes de botar a mão na massa, receberam um rápido treinamento de Design Thinking e uma explicação mais profunda da problemática. Diferente de outras dinâmicas, o candidato também teve muita liberdade. Podia-se acessar internet, conversar com membros da LIFE Jr. e também dos outros grupos. Geralmente, tudo isso é proibido, mas o foco de avaliação na Eject não era a apresentação final, e sim, o decorrer da construção dela. Todos os avaliadores foram instruídos a não negar informações e analisar com muito cuidado o comportamento dos candidatos com grupo. Aqui, quase que se eliminou os apresentadores de palco, os que passam por cima dos outros e os que não contribuíam com nada. As características avaliadas foram interação, liderança, argumentação e o Jeito LIFE – o qual o avaliador dizia o quão com cultura da empresa o candidato era. Além disso, para que não fosse tudo muito sistematizado, era obrigatório anotar um motivo para que o candidato não fosse aprovado e outro para que sim. 

Hosting

A fase de entrevistas foi um grande desafio na elaboração. Porém, com a boa execução das duas primeiras, esta passou a ser apenas uma conferência do que os avaliadores já sabiam. As perguntas tinham saídas claras para mapeamento das características. Para manter o clima do processo, de liberdade e vulnerabilidade, os candidatos poderiam escolher qualquer lugar da Universidade para que a entrevista fosse feita. 

O Arco

O ARCO é o desenho da jornada geral que o TRAINEE se propõe a percorrer. É o entendimento de como cada passo e cada fase funcionam como escalas de um itinerário mais longo.


Chamado de O Arco, o Trainee também recebeu a aplicação do Experience Learning. Ao invés de rodada entre diretorias e treinamentos, os candidatos precisaram elaborar um projeto que melhorasse a vida de pessoas com dificuldade de locomoção na cidade de Ilhéus – BA. Ao longo do desenvolvimento, eles receberam os treinamentos e ferramentas necessárias para conclusão do mesmo. 3. Conclusão O que O impacto causado na empresa, dos antigos aos novos membros, foi muito claro. O Experiência LIFE trouxe novamente à tona o espírito inovador e o engajamento, além de já inserir novas pessoas condizentes com a nossa cultura. O clima organizacional deu um boom extraordinário, trazendo de volta até mesmo membros que tinham se distanciado da empresa. Além disso, também é possível avaliar seu resultado analiticamente:

Taxa de evasão

Processo 2015

Processo 2016/2017

27%

0%

Candidatos à Diretoria 4

10

vindos do processo O Experiência LIFE – O Processo Seletivo Disruptivo da LIFE Jr. é extremamente lembrado dentro da empresa como uma ferramenta de boasvindas aos novos membros, além de proporcionar a todos os seus participantes o contato com o Experience Learning e com a inovação. Hoje, temos a certeza de um processo seletivo que encontra líderes, condizentes com a nossa cultura e com os resultados que queremos alcançar. O Experiência LIFE não é uma receita de bolo – é totalmente personalizável de acordo com o perfil que se procura. Ele pode não funcionar em outras empresas – a maior lição que ele deixa, é acreditar em quem suas pessoas são. É um processo que alavanca o clima interno, ao envolver todos em sua construção e valorizar o que a própria empresa prega. “Em cada momento, também poderemos ver aprendizados mais curtas e circunstanciais. Mas em todas as fases precisamos perceber a VIVÊNCIA sendo construída.”


ANEXO – Experiência LIFE - Imagens Disposição da Infraestrutura na fase Happy Hour

Apresentação de grupo na fase Eject


Aplicação da etapa Empatia do Design Thinking, no Arco Os membros percorreram a cidade com cadeira de rodas e com os olhos tampados, para compreender melhor a realidade de quem tem dificuldade de locomoção.

Impacto em Inovação: LIFE  

O processo seletivo disruptivo

Impacto em Inovação: LIFE  

O processo seletivo disruptivo

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