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TRANSPORTES & NEGÓCIOS

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Director Fernando Gonçalves • 2 de Fevereiro de 2009 • Semanal • Ano 10 • Nº117

Ford Transit consolida liderança

Volvo FH garante 64% das vendas em Portugal

Daimler confirma parceria na R.P. China Pág. 11

RODOVIÁRIO

PE ameaça boicotar Directiva da Eurovinheta A utilização de todas as receitas da Eurovinheta em infraestruturas de transportes é condição “sine qua non” para os eurodeputados viabilizarem a revisão da Directiva da Eurovinheta, proposta pela Comissão Europeia. O princípio do poluidor-pagador é aceite, mas não pode aplicar-se apenas ao modo rodoviário, sob pena de se estar a tentar impôr a transferência de cargas para modos que o mercado não quer, dizem os contestatários.

PARA O TRANSPORTE DE TURBINAS EÓLICAS

Marco Polo apoia projecto “português” Pág. 2

Tracar investe cinco milhões na nova sede Pág. 8

FERROVIÁRIO

MARÍTIMO

Comboios regressam à “Sorefame” da Amadora EMEF quer participar na Alta Velocidade Pág. 5

AÉREO

Carga afunda em Dezembro e recua mais 5% este ano Alitalia pode voar em Março Pág. 10

NAVIOS FOGEM DO SUEZ. Por causa da pirataria, mas sobretudo à conta das elevadas taxas de passagem e da baixa dos fretes e das cargas transportadas, os armadores estão a preferir contornar a África pelo Cabo em vez de atravessarem o canal do Suez. No Panamá, as alternativas são quase inexistentes, e os anunciados aumentos das portagens alimentam receios entre os operadores. Pág. 4

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TRANSPORTES & NEGÓCIOS

Tema de capa Marco Polo II seleciona ligação Viana - Alemanha

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português um dos projectos de transferência modal seleccionados na segunda chamada do Marco Polo II, cujos resultados foram hoje divulgados. O projecto dá pelo nome de Enercon Tri-modal e é liderado pela Enercon, o maior produtor alemão de turbinas eólicas, que está envolvido no cluster eólico de Viana do Castelo, no âmbito do consórcio Eólicas de Portugal (ENEOP), que também é parceiro neste projecto. A liderança cabe aos alemães. A proposta seleccionada pelo júri do Marco Polo e sancionada pela Comissão Europeia visa a implementação de uma solução de transporte de base não-rodoviária para o transporte de turbinas eólicas, entre Viana do Castelo e Aurich e Magdeburgo, na Alemanha, utilizando preferencialmente os modos ferroviário e marítimo, e entre as instalações alemãs e os parques eólicos europeus onde as turbinas sejam montadas, também com recurso preferencial ao transporte ferroviário ou marítimo. O serviço marítimo previsto entre Viana do Castelo e a Alemanha terá duas ligações semanais. As ligações entre a Ale-

Projecto da Enercon de transporte de torres eólicas Serviço proposto combina ferrovia e navegação Incentivo concedido ultrapassa 1,2 milhões de euros manha e os parques eólicos terão a cadência determinada pelas necessidades específicas de instalação das torres. No âmbito do cluster eólico de Viana do Castelo, a Enercon tem em funcionamento no Parque Industrial da Praia Norte, paredes meias com os Estaleiros Navais de Viana do Castelo e com o porto da cidade, uma fábrica de pás de rotor, com uma cadência de produção estimada de 15 pás/semana, e uma fábrica de torres de betão (de 83 metros de comprimento, cada), com uma produção que deverá chegar às 20 unidades/mês. Em 2011, 60% da produção deverá ter como destino o

mercado externo. O projecto Enercon Trimodal receberá da União Europeia uma contribuição de 1, 27 milhões de euros. Já há uns anos que Portugal não estava directamente envolvido nos projectos apoiados pelo Marco Polo. A Naveiro, por duas vezes, foi o único promotor nacional a fazer vingar candidaturas, com os projectos Iberlim e Scapemed. Mais recentemente, em 2007, o Sea Road chegou a estar pré-seleccionado, mas faliu antes de ver atribuído o financiamento comunitário. Na chamada de 2008, a segunda do Marco Polo II, foram seleccionados 28 projectos de entre 43 pro-

postas candidatas. Os financiamentos comunitários a conceder ascendem a pouco mais de 34 milhões de euros, o que significa que, de novo, o orçamento disponível, de 59 milhões de euros, se revelou largamente excedentário. As acções de transferência modal dominam em toda a linha, com 25 projectos aprovados. E entre eles, prevalecem as soluções ferroviárias, ferro-marítimas ou ferro-fluiviais. Apenas foram eleitos quatro serviços de short sea shipping, sendo dois novos e dois upgrades de ligações existentes. As acções catalizadoras são representadas por

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apenas um projecto, e também ele de base ferroviária. E há duas acções de aprendizagem comum, uma das quais protagonizada pela Escola Europeia de Short Sea Shipping. As Auto-Estradas do Mar e as acções para “evitar” o transporte, as duas fortes apostas do Marco Polo II, voltam a não ter qualquer projecto escolhido, o que nem é de estranhar considerando que apenas se candidataram dois projectos de Auto-Estradas do Mar e nenhum na outra categoria. Os regulamentos do Marco Polo II, já se sabe, serão modificados este ano, no âmbito de uma

revisão intercalar prevista desde o início, e que os resultados alcançados nas duas primeiras chamadas justificam plenamente. Uma das novidades será a duplicação do valor do incentivo concedido à transferência modal, de um euro para dois euros por cada 500 toneladas/km retiradas das estradas. No entretanto, a nova “máquina” de gestão do programa já deu provas da sua utilidade. A chamada de 2008 do Marco Polo II decorreu entre 5 de Fevereiro e 7 de Abril do ano passado, e menos de nove meses depois já se conhecem os eleitos por Bruxelas.


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Marítimo Suez e Panamá com sortes diferentes em tempos de crise

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or causa da pirata ria, das elevadas portagens, da quebra das cargas e da baixa do preço do combustível, cada vez mais armadores estão a optar por divergir os seus navios do canal do Suez para a rota do Cabo da Boa Esperança. Alternativa semelhante não têm os utilizadores do canal do Panamá, que por isso mantém a sua intenção de aumentar as taxas de utilização. O tráfego no canal do Suez baixou para cerca de metade do normal num ano normal. Compreende-se porquê. A situação actual nada tem de normal. A pirataria ao largo da Somália continua a ser uma ameaça, e por isso os navios que podem fazê-lo fogem da região, poupando nos riscos e nos seguros. Por outro

lado, a quebra dos volumes nas ligações entre o Extremo Oriente e a Europa estão a motivar o cancelamento de um número crescente de serviços. E há ainda os elevados custos de passagem no Suez, tanto mais elevados quanto baixa é a rendibilidade dos serviços. A alternativa é utilizar a rota do Cabo da Boa Esperança, contornando África pelo Sul. Uma solução impensável, quando os navios eram obrigados a viajar depressa para corresponderem às necessidades dos carregadores, ou quando o preço do combustível recomendava à poupança. Ambos tornavam a opção pelo Suez aceitável. Mas agora tudo mudou. Os navios podem demorar mais tempo, se for o caso,

porque as cargas não estão à espera, e podem também consumir mais combustível, porque agora é bem mais barato. A CMA-CGM fez divergir para o Cabo o seu serviço FAL2, e com isso poupa cerca de 600 mil dólares de cada passagem pelo Suez. A experiência está a correr tão bem, que o armador francês considera reencaminhar mais serviços pela rota do Cabo. O mesmo se passará com a Mediterranean Shipping Company (MSC). O primeiro serviço a mudar foi a ligação eastbound do Lion Service. Mas outros serviços estarão na calha para mudar de mares, com os analistas a apontarem para a ligação Europa-Austrália. A Maersk também desviou um dos seus servi-

ços, mas o número um mundial avisou que a mudança será temporária, apenas de seis semanas, coincidindo com a época baixa (?) do mercado. A mudança para a rota do Cabo implica um acréscimo de cerca de uma semana no tempo de viagem, mas alguns arranjos nos horários permitem manter as escalas nos dias fixos da semana. E as poupanças são brutais: para um serviço que empregue navios de grandes dimensões, pode chegar aos 25 milhões de dólares anuais. Para tentar estancar a hemorragia, as autoridades do canal do Suez já anunciaram um congelamento das taxas por tempo indeterminado. Posição bem diferente têm os responsáveis do

canal do Panamá. Para financiar o alargamento daquela via, as taxas de passagem têm vindo a subir extraordinariamente nos últimos anos, e assim deverão continuar este ano e, diz-se, em 2010. A Bimco, a Intertanko, a Intercargo e a Câmara Internacional de Shipping, representantes dos armadores, não se conformam e já fizeram chegar às autoridades do Panamá as suas “sérias preocupações sobre a capacidade da indústria sustentar um novo aumento”. Na missiva é dito que o ambiente económico alterou-se dramaticamente desde que o programa de três anos de aumentos extraordinários foi anunciado, há dois anos. “A actual crise económica global já teve graves efeitos em muitos

operadores marítimos – os fretes e os volumes em muitos sectores sofreram quebras severas, e esperase que a situação se mantenha em 2009 e entre bem ainda por 2010”. Alguns serviços “tiveram de ser suspensos” e “há receios de que alguns operadores/armadores poderão não sobreviver”, acrescentam as organizações do sector. Desconhece-se ainda qual será a reacção da autoridade do canal do Panamá, mas é certo que os operadores terão muito mais dificuldades em encontrar alternativas àquele atravessamento do continente americano. A saída poderá passar por abandonar as escalas na costa Leste dos EUA e concentrar as cargas nos portos do Oeste, fazendo o resto do caminho por via terrestre.

ANE da CSAV Norasia mais uma semana em Lisboa Não será ainda no próximo sábado que terminará, em Lisboa, o serviço ANE da CSAV Norasia. No site da companhia continua anunciada uma escala para o próximo dia 12, e essa sim, será a última, uma vez que o serviço será suspenso. No sábado, será o Norasia Bellatrix a escalar o terminal de contentores de Alcântara, e a 12 será a vez do Pucon, curiosamente o mesmo navio que, a 3 de Outubro, iniciou a única ligação directa do Extremo Oriente ao porto da capital actualmente existente. A suspensão do serviço é justificada pela quebra da procura no tráfego en-

tre o Extremo Oriente e a Europa. A verdade é que, no caso de Lisboa, o primeiro porto europeu do ANE Service, “as escalas correram bem em termos de regularidade, e muito bem em termos de volumes, levando em linha de conta a conjuntura desfavorável com que se iniciaram”, comentou para o TRANSPORTES & NEGÓCIOS Luís Paz da Silva, da Universal Marítima Portugal, que agencia o armador. “A escala de Lisboa movimentava entre 600 e 700 TEU por semana, considerando todos os movimentos (de importação e de exportação”, acrescentou aquele responsável.

T&N

TRANSPORTES & NEGÓCIOS Registo na D.G.C.S. Nº 123054 Depósito Legal N.º 164047/01

O JULIANAHAVEN tornou-se o primeiro navio ro-ro a carregar veículos no porto de Aveiro. A operação foi coordenada e agenciada pela Aveiport e pela Euroline. O carregamento foi composto por 61 camiões Iveco, expedidos por uma empresa do centro do País e com destino à Líbia. Apesar das más condições climatéricas, a operação de carga demorou pouco mais de quatro horas. Para já, não estão previstos novos embarques, mas foi o dado o “pontapé de saída” para um novo tipo de negócio em Aveiro.

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Ferroviário Comboios “regressam” à Amadora

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EMEF assinalou o seu 16.º aniversário com a inauguração das instalações nas antigas oficinas da Bombardier, onde será desenvolvido o “Pólo de Excelência Ferroviária da Amadora” e uma Unidade de Reparação de Rotáveis com vários centros de competências. A secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, que presidiu à cerimónia, adiantou ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS que “dentro de um ano e meio as novas instalações já estarão a funcionar em pleno. Neste momento a sede da EMEF já se encontra em funcionamento; a Unidade de Inovação e Tecnologia Ferroviária (UITF) começará a funcionar dentro de alguma semanas; e a Unidade de Reparação de Rotáveis dentro de três a quatro meses”. O “Pólo de Excelência Ferroviária da Amadora”

será desenvolvido no âmbito da UITF, que para além das novas instalações da Amadora manterá também um pólo em Guifões (Porto), e que já tem muito trabalho desenvolvido. A EMEF já patenteou o projecto de telemanutenção ferroviária e tem em fase de patenteação o projecto do Diário Técnico de Bordo Digital (eDTB). Em desenvolvimento estão o boggie inteligente, que possibilita a monitorização e a análise de risco de descarrilamento do material rebocável, o projecto de Informação Técnica do Material Circulante (Infotec), o de telemetria ferroviária e o de aplicações RFID ao sector. Com o objectivo de incentivar as actividades de inovação da UITF e a partilha de soluções foram celebrados protocolos de colaboração tecnológica com a Alstom, a Siemens e a Bombardier. Ao abrigo destes protocolos deverá

também ser criado um grupo de trabalho ligado ao material circulante de Alta Velocidade, com o objectivo de promover a exportação de algumas soluções inovadoras. Ana Paula Vitorino salientou ainda que a recuperação do investimento realizado passa “pelo aproveitamento das instalações da Amadora, dando-lhes uma utilização industrial adicional e proporcionando também espaços para escritórios. Nesta vertente, a EMEF está em vias de firmar contratos para cedência de espaços destinados a outras empresas do universo CP”. Ainda a este propósito, o presidente da comissão executiva da EMEF, Carlos Frazão, foi um pouco mais longe, referindo que também está a ser avaliada a hipótese “de virmos a montar aqui veículos ligeiros de passageiros”. Mas não precisou.

CARDOSO DOS REIS AO TRANSPORTES & NEGÓCIOS

EMEF quer participar na AV Participar na montagem de comboios de Alta Velocidade, exportar tecnologia de ponta e entrar “a sério” no negócio do fabrico de vagões e rodados são algumas das apostas da EMEF já em curso, adiantou ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS o presidente do Conselho de Administração da empresa. Os protocolos de cooperação com a Alstom, a Siemens e a Bombardier “visam, fundamentalmente, a partilha do conhecimento tecnológico, a investigação e a preparação da indústria portuguesa para não ficar de fora do projecto de Alta Velocidade”, justificou Cardoso dos Reis. Na prática, “a EMEF quer estar no processo de montagem dos comboios de Alta Velocidade, e se for capaz de desenvolver produtos - ao nível da electrónica e da inteligência artificial que sejam aplicáveis na Alta Velocidade, tanto melhor, já que é também nosso objectivo pôr Portugal na senda da inovação e da tecnologia de ponta a nível internacional. Apesar de estarmos aqui neste canto da Europa acho que temos “cabeças” para estarmos no centro do mundo”,

sublinhou. Há pouco tempo a EMEF concluiu uma encomenda de 350 vagões para a Bósnia-Herzegovina, num negócio de cerca de 30 milhões de euros. E muitos mais poderão seguir-se-lhe. “Temos a confirmação do interesse do governo da Federação em viabilizar a aquisição de mais mil vagões. Estamos a falar num negócio de cerca de 150 milhões de euros, que neste momento se encontra em fase de negociações, nomeadamente no que respeita às condições de financiamento”, adiantou Cardoso dos Reis. Uma vez que esta segunda encomenda imporá a produção de um maior número de unidades por ano, Cardoso dos Reis disse ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS que “está em curso o processo de construção de uma fábrica de vagões no Entroncamento, com uma capacidade de produção de cerca de 500 unidades por ano, e uma fábrica para construção de boggies, com capacidade de produção para cerca de mil unidades anuais. Deverão estar ambas a funcionar dentro de ano e meio”.

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Movimento Portuário LEIXÕES

07.02

CMA-CGM BAUDELAIRE CT MacAndrews Jeddah, Chittagong, Kompong Soam, Qingdao, Weihai, Xiamen, Busan, Calcutá, Chennai, Cochim, Haldia, Bangalore, Tutticorin, Visakhapatnam, Belawan, Jacarta, Semarang, Surabaya, Bintulu, Kota Kinabalu, Kuantan, Kuching, Miri-Sarawak, Pasir Gudang, Penang, Port Kelang, Sadakan, Sibu, Tawau, Yanfone, Singapura, Colombo, Papeete, Banguecoque, Laem Chabang, Kaoshiung, Keelung, Haiphong, Ho-Chi-Minh, Kuinhon

02.02

PORT DOURO Funchal

CT

Portmar

02.02

EL TEMERARIO Antuérpia, Roterdão

CT

Delphis

EL TEMERÁRIO Antuérpia

CT

Orey

07.02

CMA-CGM ROSE CT Mumbai, Mundra, Nava Sheva, Carachi, Port Qasin

MacAndrews

02.02

GRACECHURCH STAR Cardiff, Liverpool

CT

Marmedsa

07.02

CSCL LE HAVRE Ningbo, Shangai

CT

MacAndrews

02.02

WEC MAJORELLE Casablanca

CT

Iberolinhas

07.02

CMA-CGM KINGSTON Jebel Ali

CT

MacAndrews

03.02

MONTE DA GUIA

CT

Transinsular

07.02

KAMINA Abidjan, Luanda

CT

CMA-CGM

03.02

EURO SNOW CT K Line Portugal Felixtowe, Teesport, Gotemburgo, Aarhus, Hamburgo, Roterdão

08.02

CRIMMITSCHAN CT Tenerife, Port Gentil, Pointe Noire, Namibe, Lobito

08.02

GRACECHURCH JUPITER Dublin, Liverpool

08.02

MSC LEANNE CT MSC Portugal Sines (Canárias, USA – Costa Atlântico Norte, USA – Atlântico Sul, USA – Costa Oeste, México, América Central, Caraíbas, América do Sul – Atlântico, América do Sul – Pacífico, África Ocidental, Angola, África do Sul, Grécia, Turquia), Valência (Norte de África, África Oriental, Índico, Mediterrâneo Ocidental, Golfo Pérsico, Extremo Oriente e Austrália, Mar Vermelho)

04.02

LAURA SCHULTE CT Garland Navegação Halifax, Montreal, Toronto, Havana, St. Thomas Castilla, Veracruz, Altamira, Kingston, Rio Haina

04.02

EURO SOLID Algeciras, Tânger

04.02

GRACECHURCH CROWN CT Castellon, Salerno, Piraeus, Limassol, Haifa, Ashdod, Mersin

05.02

KING BASIL Algeciras

CT

Maersk

05.02

NILEDUTCH BENGUELA Luanda

CT

Marmedsa

MADEIRENSE III Funchal

CT

05.02 05.02

06.02

06.02

06.02

06.02

CT

Maersk Marmedsa

CT

Maersk Marmedsa

LISBOA 02.02

LAGOA CT Las Palmas, S. Vicente, Praia, Bissau

Transinsular

02.02

EURO SNOW CT K Line Portugal Felixtowe, Teesport, Gotemburgo, Aarhus, Hamburgo, Roterdão

02.02

HUSKY RACER CT Algeciras, Tanger, Melila, Oran, Cartagena

Navex

CALA PALMA CT Garland Navegação La Guaira, Puerto Cabello, Barranquilla, Cartagena, Puerto Limon, Cristóbal, S. Salvador, Puerto Cortes, S. Pedro Sula, Puerto Quetzal, Guanta, Rio de Janeiro, Santos, Buenos Aires, Montevideu, Assuncion, Rio Grande, S. Francisco do Sul, Fortaleza, Argel, Oran, Mersin, Lattakia, Tartous, Beirute, Alexandria

03.02. EL TEMERARIO Antuérpia, Roterdão

CT

Delphis

EL TEMERÁRO Roterdão

CT

Green Ibérica

EL TEMERÁRIO Antuérpia

CT

Orey

03.02

PORT DOURO Funchal

CT

Portmar

OPDR LISBOA CT Burmester Roterdão, Antuérpia, Hamburgo, Bremen, Felixtowe, Gdynia, Cork, Dublin, Helsínquia, Hamina, Kotka, Oslo, Larvik, Kristiansand, Trondheim, Gotemburgo, Estocolmo, Klaipeda, Tallin, Riga, S. Petersburgo MSC CRISTIANA CT MSC Portugal Antuérpia (Norte da Europa, Reino Unido, Irlanda, Escandinávia, Países Bálticos, Canadá, Mediterrâneo Oriental, Grécia, Turquia, Mar Nego, Paquistão) Dublin

Maersk

03.02

XCL LIS VCI Valência

CT

Maersk

CMA-CGM COPERNIC CT MacAndrews Adelaide, Bell Bay, Brisbane, Freemantle, Melbourne, Sidney, Tasmanian Ports, Auckland, Littelton, Nelson, Port Chalmers, Tauranga, Wellington

03.02

WEC MAJORELLE Casablanca

CT

Iberolinhas

S. GABRIEL CT Ponta Delgada, Praia da Vitória, Horta, Pico, Velas

04.02

GRANDE PORTOGALLO CT-Ro Grimaldi Dakar, Lomé, Cotonou, Lagos, Douala, Matadi, Boma, Pointe Noire, Luanda, Libreville, Salvador, Vitória, Rio de Janeiro, Santos, Paranaguá, Buenos Aires, Zarate, Montevideu

Navex

07.02

SETÚBAL CT Las Palmas, S. Vicente, Praia, Banjul, Conakry, Bissau

07.02

VELASQUEZ CT MacAndrews Hamburgo, Aarhus, Copenhaga, Tallin, Roterdão, Dublin, Reijkavic, Riga, Klaipeda, Aalesund, Bergen, Bodo, Brevik, Egersund, Floroe, Fredrikstad, Karvik, Oslo, Gdynia, Belfast, Felixtowe, Greenock, Liverpool, Archangelsk, Kaliningrad, Kronstadt, Moscovo, S. Petersburgo, Gotemburgo, Helsingborg

04.02

XCL PT FEEDER Valência

05.02

S. GABRIEL CT Ponta Delgada, Praia da Vitória, Horta, Pico, Velas

CMA-CGM D. GIOVANNI MacAndrews Damman, Riade, Barhein, Chiwan, Dalian, Hong Kong, Xingang, Tianjin, Yantian, Zhaoqing, Zhuhai, Abu Dabi, Ajeman, Dubai, Qhor Fakkan, Sharjah, Bandar Abbas, Kuwait, Mina Qaboos, Doha

06.02

LAURA SCHULTE CT Garland Navegação Halifax, Montreal, Toronto, Havana, St. Thomas Castilla, Veracruz, Altamira, Kingston, Rio Haina

07.02

Portmar

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CT

Maersk Navex


TRANSPORTES & NEGÓCIOS

06.02

CALA PALMA CT Garland Navegação La Guaira, Puerto Cabello, Barranquilla, Cartagena, Puerto Limon, Cristóbal, S. Salvador, Puerto Cortes, S. Pedro Sula, Puerto Quetzal, Guanta, Rio de Janeiro, Santos, Buenos Aires, Montevideu, Assuncion, Rio Grande, S. Francisco do Sul, Fortaleza, Argel, Oran, Mersin, Lattakia, Tartous, Beirute, Alexandria

07.02

CMA-CGM COPERNIC CT MacAndrews Adelaide, Bell Bay, Brisbane, Freemantle, Melbourne, Sidney, Tasmanian Ports, Auckland, Littelton, Nelson, Port Chalmers, Tauranga, Wellington

07.02

NORASIA BELLATRIX CT Le Havre, Antuérpia, Roterdão, Hamburgo (E. Oriente)

08.02

SETUBAL EXPRESS CT-Ro Grimaldi Dakar, Lomé, Cotonou, Lagos, Douala, Matadi, Boma, Pointe Noire, Luanda, Libreville, Salvador, Vitória, Rio de Janeiro, Santos, Paranaguá, Buenos Aires, Zarate, Montevideu

08.02

08.02

08.02

30.01

MONTE BRASIL CT Ponta Delgada (P. Vitória, Pico, Velas, Flores, Corvo, Graciosa)

30.01

EL TEMERARIO Antuérpia

CT

Orey

30.01

S. RAFAEL P. Delgada

CT

BoxLines

30.01

CORVO Funchal

CT

Navex

31.01

MOL KOMATI CT Antuérpia, Bremerhaven, Le Havre

Maersk

Universal Marítima

VELASQUEZ CT MacAndrews Hamburgo, Aarhus, Copenhaga, Tallin, Roterdão, Dublin, Reijkavic, Riga, Klaipeda, Aalesund, Bergen, Bodo, Brevik, Egersund, Floroe, Fredrikstad, Karvik, Oslo, Gdynia, Belfast, Felixtowe, Greenock, Liverpool, Archangelsk, Kaliningrad, Kronstadt, Moscovo, S. Petersburgo, Gotemburgo, Helsingborg CMA-CGM D. GIOVANNI MacAndrews Damman, Riade, Barhein, Chiwan, Dalian, Hong Kong, Xingang, Tianjin, Yantian, Zhaoqing, Zhuhai, Abu Dabi, Ajeman, Dubai, Qhor Fakkan, Sharjah, Bandar Abbas, Kuwait, Mina Qaboos, Doha CMA-CGM BAUDELAIRE CT MacAndrews Jeddah, Chittagong, Kompong Soam, Qingdao, Weihai, Xiamen, Busan, Calcutá, Chennai, Cochim, Haldia, Bangalore, Tutticorin, Visakhapatnam, Belawan, Jacarta, Semarang, Surabaya, Bintulu, Kota Kinabalu, Kuantan, Kuching, Miri-Sarawak, Pasir Gudang, Penang, Port Kelang, Sadakan, Sibu, Tawau, Yanfone, Singapura, Colombo, Papeete, Banguecoque, Laem Chabang, Kaoshiung, Keelung, Haiphong, Ho-Chi-Minh, Kuinhon

02.02

GRANDE SICILIA Livorno, Salerno, Piraeus

Ro

03.02

GRAN MEDITERRANEO CT-Ro Grimaldi Portbury, Cork, Esbjerg, Wallhamn, Antuérpia, Southampton, Salerno, Malta, Piraeus, Izmir, Ashdod, Limassol, Alexandria

05.02

AUSTRALIAN HIGHWAY Emden, Santander

Ro

Navigomes

05.02

TBN Sheerness

Ro

Navigomes

06.02

TBN Puerto Moin, Puerto Limon

CT

Navigomes

06.02

TBN Vado

CT

Navigomes

CMA-CGM ROSE CT Mumbai, Mundra, Nava Sheva, Carachi, Port Qasin

MacAndrews

08.02

CSCL LE HAVRE Ningbo, Shangai

CT

MacAndrews

02.02

MSC DALTON CT Boston, Nova Iorque, Baltimore, Norfolk, Charleston

08.02

CMA-CGM KINGSTON Jebel Ali

CT

MacAndrews

02.02

WEC VELASQUEZ Las Palmas, Tenerife

08.02

XCL LIS VCI Valência

CT

Maersk

08.02

REGGEBORG Antuérpia

CT

Orey

APOLO Funchal

CT

27.01 28.01

MADEIRENSE CT Ponta Delgada, Praia da Vitória, Horta, Pico, Velas XCL PT FEEDER 2 Antuérpia, Roterdão

CT

Transinsular

SETÚBAL

08.02

27.01

7

Grimaldi

SINES

CT

MSC Portugal Iberolinhas

WEC VELASQUEZ CT MSC Portugal Canárias (transbordo para África do Sul, Moçambique, Angola e África Ocidental) 04.02

WEC MAJORELLE Casablanca

CT

Iberolinhas

06.02

MSC OLGA Piraeus, Izmir

CT

MSC Portugal

MSC OLGA Piraeus, Izmir

CT

Hapag-Lloyd

29.01

CT

Iberolinhas

BoxLines Navex Maersk

28.01

MERITO CT Algeciras, Tânger, Melila, Oran, Cartagena

Maersk

28.01

SAFMARINE MBASHE CT East London, Durban, Port Elizabeth

Maersk

28.01

WEC MAJORELLE Casablanca

CT

Iberolinhas

28.01

AQUARIUS J Roterdão

CT

Green Ibérica

29.01

EL TEMERARIO Antuérpia, Roterdão

CT

Delphis

29.01

NILEDUTCH PROMINENCE Pointe Noire, Luanda, Lobito

Ro

Marmedsa

WEC MAJORELLE Casablanca

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TRANSPORTES & NEGÓCIOS

Rodoviário Parlamento Europeu ameaça boicotar revisão da Eurovinheta O Parlamento Europeu ameaça “torpedear” a revisão da Directiva Eurovinheta caso os governos nacionais não aceitem reinvestir a totalidade das receitas nas infraestruturas de transportes. A Comissão de Transportes do Parlamento Europeu deverá adoptar no próximo dia 11 o primeiro relatório sobre a proposta da Comissão de revisão da Directiva Eurovinheta, apresentada por Bruxelas no início de Julho do ano passado. Mas os deputados mostram-se reticentes em aceitar a imposição de novas taxas sobre o transporte rodoviário numa época de crise, e preocupados com os efeitos que tal medida poderá ter nos diferentes países. O relator tentou desdramatizar a situação, lem-

brando que a Directiva não será de aplicação obrigatória pelos estados-membros, mas nem isso cala os que receiam a criação de mais uma taxa, pura e simples. Daí também que o eurodeputado Saïd El Khadraou, um socialista belga, sublinhe o facto de que todos os grupos políticos entendem como condição “sine qua non” que o dinheiro recolhido seja única e exclusivamente aplicado em infraestruturas de transportes. Ari Vatanen, o “finlandês voador” nos tempos em que foi campeão mundial de ralis, agora eurodeputado por França, denuncia aquilo que considera ser uma tentativa “inútil” da Comissão para forçar a transferência modal das cargas. “O transporte rodoviário já é o modo mais taxado, e mesmo assim as pessoas escolhem-no. Se

tivermos uma revisão da Eurovinhetatalcomoéproposta, não apenas prejudicará o transporte rodoviário mas também afectará o poder de compra das populações”, uma vez que os sobrecustos do transporte tenderão a ser passados para o consumidor final. O impacte da Eurovinheta, já se sabe, será diferente entre os estados-membros, consoante se trate de países do centro da Europa ou de países periféricos. E daí que muitos dos que defendem o princípio do poluidor-pagador (e, logo, da internalização dos custos externos) se mostrem reservados quanto ao impacte real de uma tal medida nos transportadores dos seus respectivos países.

Tracar investe cinco milhões numa nova plataforma-sede Cinco milhões de euros é o investimento previsto pela Tracar para a sua nova sede, na zona industrial de Canelas, em V.N. Gaia. A nova plataforma, que deverá estar operacional no último trimestre deste ano, localiza-se a poucos quilómetros das actuais instalações da transportadora, com acessos facilitados à A1 e à A29. Numa área de 15 mil metros quadrados, disporá de 1500 metros de armazenagem, mil metros para serviços administrativos, parque para 100 camiões e oficina de assistência mecânica. O investimento será feito com recurso a capitais próprios e a crédito bancário, adiantou ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS o administrador da empresa Osvaldo José Costa. As

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actuais instalações “em princípio, permanecerão no grupo, para armazém e parque de viaturas, mas tudo dependerá das oportunidades que surgirem”, acrescentou. No ano passado, a Tracar cresceu “5%, em volume de negócios, para os 20 milhões de euros, o que consideramos muito bom face às dificuldades sentidas por todos, particularmente no segundo semestre”. A empresa presta serviços de transporte de “correio expresso, produtos alimentares, carga aérea, carga em temperatura controlada, matérias-primas para a indústria alimentar, tintas, papel, etc..”. Ao invés, não tem qualquer exposição ao sector da indústria automóvel, que tan-

to está a afectar outras congéneres. Para 2009, adianta Osvaldo José Costa, “esperamos manter o volume de serviços, ou mesmo crescer, mas menos do que no ano passado”. O grupo Tracar facturou em 2008 cerca de 30 milhões de euros. Para além das melhorias operacionais que a nova sede proporcionará, os seus dirigentes encaram este investimento como “um sinal claro ao mercado de que acreditamos no nosso país, acreditamos na nossa economia, no nosso sector e, naturalmente, na empresa e no Grupo. Neste momento em que tanto se fala da crise, é de investimentos como este que a economia precisa e o país pede”, concluiu o administrador da Tracar.


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Aéreo Alitalia Cargo voará em Março

Spanair é a companhia de bandeira da Catalunha No último dia do prazo fixado pela SAS, um grupo de investidores catalães firmou a compra da Spanair pelo valor simbólico de um euro. A partir daqui, a Spanair, segunda maior companhia aérea espanhola, é propriedade da Iniciatives Empresarials Aeronàutiques (Ieasa), uma sociedade promovida pela Catalana de Iniciatives, pela Generalitat e pelo Turismo de Barcelona, a que se juntaram, alguns depois de forte pressão dos poderes públicos, vários empresários da região. A SAS assume as dívidas da sua filial espanhola, estimadas em 500 milhões de euros, e em troca receberá nos próximos meses cerca de 100 milhões de euros de juros. Desses, 20 milhões serão reinvestidos na Spanair, o que garantirá aos nórdicos uma posição de 19,9% no capital e a condição de parceiro industrial. Os catalães terão de investir 100 milhões de euros num aumento de capital da Spanair. A Catalana d’Iniciatives entrará com 12 milhões, um grupo de empresários ligados à Femcat aportarão 25 milhões, o Turismo de Barcelona, 15 milhões, e a Feira Internacional de Barcelona mais cinco milhões. O restante terá ainda de ser subscrito por mais empresários do sector turístico e hoteleiro, não só da Catalunha mas de toda a Espanha. No ano passado, a Spanair perdeu 130 milhões de euros. Os novos donos precisarão, por isso, de mais dinheiro, tendo já garantido um financiamento de 200 milhões de euros do Instituto Catalán de Finanzas.

Carga “afunda” em Dezembro e deve recuar mais 5% este ano Nem em Setembro de 2001, com a maior parte dos aviões no chão, a carga aérea caiu como em Dezembro. A queda homóloga de quase 23% compara com os 14% de então. Um resultado “sem precedentes e chocante”, como o classifica a Iata, que atira o sector para uma “zona desconhecida” e que não augura nada de bom para 2009. Em 2008, a carga aérea internacional recuou 4% em termos homólogos. Um resultado que compara com a subida de 4,3% verificada em 2007. Para 2009, as previsões são de nova quebra, agora de 5%. Nenhum mercado escapa à crise. A ÁsiaPacífico, o “motor” da indústria, que representa 44,5% das toneladas/km voadas em todo o mundo, recuou no último ano 6,6%. Em Dezembro foi mesmo a região com o pior resultado de todos, com um “afundanço” de 26%. A Europa, que vale 27,4% do mercado mundial, recuou 2,8% no total do ano, com um último mês também para esquecer: perdeu 21%. A América do Norte conseguiu, apesar de tudo, melhor, tendo recuado 1,9% no cômputo do ano

Ásia/Pacífico lidera perdas nos principais mercados (22% em Dezembro). O mercado norte-americano vale 16,9% do negócio da carga aérea mundial. O Médio Oriente continua em rápido desenvolvimento, mas longe dos dois dígitos registados em anos anteriores. Em 2008, as companhias da região cresceram 6,3% em toneladas/km voadas e já representam 7,9% do mercado mundial. Mas nem elas escaparam à hecatombe de Dezembro: recuaram então mais de 9%. A América Latina foi a região mais afectada pela crise no ano findo, tendo recuado 13,5%. Em Dezembro, as perdas homólogas foram de quase 34%. A América Latina tarda, assim, a confirmar o potencial que lhe é apontado, valendo apenas 2,1% da carga área mundial. A dimensão do mercado africano é muito reduzida, e mais mingou em 2008, ao recuar 2,5% (8% em Dezembro). O continente negro representa agora pouco mais de 1% da carga aérea internacional. O colapso da indústria da carga aérea é o resultado da quebra de 20% a

30% nas exportações e importações através da Ásia, América do Norte e Europa. As previsões para 2009 não são animadoras. Nos passageiros, o ano terminou com um saldo positivo marginal de 1,6% nos passageiros transportados, que ficou abaixo do aumento da capacidade, que foi de 3,5%. A América Latina destacou-se, com um crescimento de 10,2%, seguida do Médio Oriente, com 7%, e da América do Norte, com 2,9%. Na Europa, o saldo do ano ficou-se pelos 1,8% e na Ásia/Pacifico verificou-se mesmo uma quebra homóloga de 1,5%. As companhias aéreas terão registado em 2008 um prejuízo de cinco mil milhões de dólares. Para 2009, a previsão da Iata é de perdas de 2,5 mil milhões de dólares, pressupondo que o barril do petróleo ficará na casa dos 60 dólares. O tráfego de passageiros cairá 3%, o volume de cargas cederá mais 5% e os yields degradar-se-ão mais 3% Em 2009, o negócio do transporte aéreo internacional deverá gerar receitas de 501 mil milhões de dólares, menos 35 mil milhões do que em 2008.

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A Alitalia Cargo poderá voltar a voar em Março, caso se confirme a compra pela Alis Aerolinee Italiane. Esta última foi a única interessada a apresentar uma proposta vinculativa até ao final do prazo estabelecido pelo gestor da massa falida da Alitalia: 29 de Janeiro. Augusto Fantozzi confirmou a existência da oferta de compra, mas não revelou o seu montante, nem o número de aviões abrangidos, nem mesmo adiantou um prazo para a eventual conclusão do negócio. A Alitalia Cargo dispõe de uma frota de cinco car-

gueiros MD-11. Alcide Leali, dono da Alis Aerolinee Italiane, adquiriu entretanto a Cargoitalia, sedeada no aeroporto de MilãoMalpensa, e que poderia de imediato voar os cargueiros da Alitalia, uma vez que detém a necessária licença de operação. Leali espera iniciar os voos transcontinentais no início de Março, quando receber o primeiro dos MD11. A divisão de carga da Alitalia ficou de fora do negócio de venda da companhia de bandeira à CAI, que entretanto relançou a empresa em parceria com a Air France-KLM.

Impasse nos voos nocturnos perturba expansão de Frankfurt As obras de expansão do aeroporto de Frankfurt já estão no terreno, mas a questão dos voos nocturnos continua por resolver e poderá ditar até o crescente afastamento da Lufthansa Cargo da sua base natural. Finalmente, o tribunal do estado de Hessen deu “luz verde” ao projecto da Fraport para a expansão do terminal de Frankfurt, mediante a construção de uma quarta pista e de um terceiro terminal. O investimento está orçado em quatro mil milhões de euros e deverá permitir a realização de 700 mil voos/ano, mais 200 mil do que actualmente. Em termos de carga, Frankfurt ficará capaz de movimentar os mais de três milhões de toneladas previstos para 2020. Wilhelm Bender, presidente executivo da Fraport, não se mostra preocupado com os efeitos da actual crise mundial nas projecções de longo prazo da gestora aeroportuária. E lembra que cada crise tem resultado num subsequente crescimento ainda mais rápido. “A globalização, não só irá

continuar, como irá ganhar novo impulso assim termine a crise”, confia aquele responsável. Mas se a crise não afectará os planos da Fraport, as limitações aos voos nocturnos poderão ser um entrave ao desenvolvimento do negócio da carga. A questão está também a ser dirimida em tribunal. O estado de Hessen começou por impor a proibição total, mas aceitou depois a realização de 17 voos entre as 23h30 e as 5 horas. A Lufthansa, que tem em Frankfurt a sua principal base de operações de carga, pediu 41 voos. Em Junho passado, a Lufthansa Cargo iniciou a construção de um novo centro na Cargo City South de Frankfurt, mas avisou que um novo investimento a norte do aeroporto estará dependente da decisão sobre os voos nocturnos, Entretanto, a companhia germânica começou a operar em Leipzig/Halle, e tem uma plataforma de carga em Munique. Em ambos os casos, as restrições de voos nocturnos são inexistentes ou muito ténues.


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Veículos Comerciais FH garantiu 64% das vendas Volvo em Portugal Marca sueca cresceu 17% alimentada pela carteira de encomendas A Volvo ascendeu em 2008 ao segundo lugar do ranking das vendas de veículos pesados, com um registo de 980 unidades, e ocupou idêntica posição em matéria de comercialização de camiões, com 894 unidades, com um crescimento homólogo de 17,3% e uma quota de mercado de 16,2%, quase três pontos percentuais acima dos valores alcançados em 2007. Acresceu a liderança do mercado de autocarros da gama pesada, com um volume total de 86 chassis

matriculados, garantindo uma taxa de penetração de 27% no segmento acima das 16 toneladas. Para a Unidade de Negócio Camiões e Autocarros da Auto Sueco, “o ano de 2008 foi fortemente influenciado pela elevada carteira de encomendas, com origem na actividade de vendas concretizada em 2007”. No ano passado, a gama pesada FH representou 64% das vendas (cerca de 570 unidades), a gama intermédia FM, 27% (cerca de 240 unidades), e as gamas ligeiras FL e FE, 9% (à volta de 80 unidades). Os tractores foram o segmento de maiores volumes, com uma representação de 66% nas vendas globais da gama

alta. Couberam aos camiões rígidos os restantes 34%, com o segmento da construção a sentir um reforço substancial, a valer

mais de 12% das vendas de pesados de mercadorias Volvo (cerca de 110 unidades). O volume de negócios do

Ford Transit consolida liderança Mas a marca perdeu um lugar no ranking nacional Com um volume global de 4077 veículos comerciais matriculados em 2008, a Ford Lusitana registou uma quebra de 18,4% no mercado VCL, baixando um lugar no Top10, para a sétima posição, com uma quota de 7,31%. Globalmente, os VCL Ford representaram 20,1% das vendas globais da marca no nosso país. A Ford continua muito forte nos segmentos dos furgões médios e chassis-cabina dupla, tendo consolidado a sua posição de liderança com o Ford Transit e o Transit Connect, que totalizaram 3157 unidades matriculadas, 2046 veículos o primeiro, e 1111 o segundo. O Transit representou 10,1% das vendas globais da marca em Portugal

(passageiros e comerciais), enquanto o Transit Connect se ficou pelos 5,5%. No segmento dos furgões médios de mercadorias a marca registou 1826 unidades, obtendo 20,6% de quota de mercado, enquanto no dos chassis-cabina dupla atingiu, com 451 unidades, 25,3% de quota. Para Pedro Paula Pinto, director de Veículos Comerciais da Ford Lusitana, “estes números são elucidativos da popularidade que o nome Transit continua a ter no mercado nacional”, onde esta gama é comercializada em derivativos de furgão, kombi, chassis-cabina simples e dupla, em versões de chassis curto, médio, longo e extra-longo (incluindo a versão ‘Jumbo’), com níveis de equipamento Base, Trend e Sportvan e três motores da família Duratorq, com ordens de potência compreendidas

após-venda cresceu cerca de 3% em relação a 2007, isto, segundo a Auto Sueco, “apesar de 2008 ter sido já um ano extremamente difícil, pelo que consideramos este resultado muito positivo, fruto da qualidade do após-venda Volvo em Portugal, que também resulta da nossa aposta na formação contínua dos nossos colaboradores, com vista a proporcionar um serviço de excelência”. A marca oferece também serviços de após-venda a semi-reboques e superestruturas, a aferição e selagem de tacógrafos digitais e analógicos, entre muitos outros. A actividade comercial ficou ainda marcada, já na

Daimler e Beiqi Foton Motor acordam JV para Agosto Objectivo é produzir 100 mil camiões em 2012

entre os 85cv e os 200cv. O ano de 2008 ficou assinalado pelo lançamento da variante topo de gama 460EF do Transit. “A introdução deste novo derivativo na gama Ford Transit permite-nos explorar o segmento dos chassis pesados, algo que até agora não nos era possível”, comentou Pedro Paula Pinto. Ainda relativamente às vendas de 2008, no segmento dos derivados de passageiros a Ford Lusitana matriculou 803 veículos, repartidos por 448 Fiesta Van e Sportvan e 355 Focus Sportvan. No

segmento das pickup, o Ford Ranger registou um total de 121 matriculas. A introdução no mercado nacional do novo Fiesta Van e da nova pickup Ford Ranger, já estão agendados para o primeiro semestre de 2009. Ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS, o responsável da marca referiu que a estratégia para atacar a crise passa por “continuar a apostar em veículos robustos, fiáveis, com custos de manutenção acessíveis e competitividade de preços, capazes de responder a cada necessidade dos nossos clientes”.

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recta final de 2008, pela introdução no mercado nacional dos novos modelos de camiões Volvo FH e Volvo FM, com significativas melhorias nas cabinas, tanto em matéria de ergonomia como de habitabilidade, e que agora podem ser equipados com um conjunto de dispositivos de segurança. Para 2009, a Auto Sueco prevê “uma clara diminuição da procura de camiões, tão profunda e tão longa quanto a actual crise económica durar, confrontada com o actual clima de dúvidas que paira sobre a actividade económica geral e em face das dificuldades também sentidas pelos transportadores portugueses”.

A Daimler e a Beiqi Foton Motor vão mesmo avançar com a constituição de uma joint-venture para a construção de pesados de mercadorias, das gamas baixa e média, na China. O acordo foi firmado nas presenças da chanceler alemã e do presidente da Câmara de Pequim. Falta agora apenas o aval do governo chinês. A nova empresa chamarse-á Beijing Foton Daimler Automotive Co. Ltd e deverá ser formalmente constituída em Agosto próximo. Arrancará com um capital de 5,6 mil milhões de yuan, e será detida em partes iguais pelos dois parceiros. A Beiqi Foton, um dos três principais construtores chineses de veículos

comerciais, entrará no negócio com a unidade de produção dos modelos Auman, marca sob a qual serão comercializados os novos produtos. De acordo com o cronograma previsto, em 2011 iniciar-se-á a produção local dos motores da Daimler OM457 de 12 litros. Em 2012, deverão ser vendidos 100 mil veículos completos. Os veículos produzidos na unidade chinesa deverão ser vendidos no mercado local e também em mercados de exportação. A joint-venture agora acordada prevê estabelecer subsidiárias na Rússia, na Sul da Ásia e na América Latina. A Beiqi Foton é detida pelo grupo chinês BAIC, que já é parceiro do grupo Daimler na joint-venture local de produção de automóveis Mercedes, a Beijing Benz DaimlerChrysler Automotive, Ltd.


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Edição de 2 de Fevereiro de 2009

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