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“El futuro está oculto detrás de los hombres que lo hacen posible”

N.º 3

Anatole France (1844 -1924)

JUNIUS 2010

www.contrabando.org Diretor: Daniel Gil Subdiretor: Javier J ier Hernández Mercedes Jav

contrabando Diretores Adjuntos: d’Abreu Miguel Diretore or s Adju ore j ntos: Carlos sd d’ Abreu | M iguel el l Ángel Pérez

multilingue grátiz

revista

FOTO\ VICENTE S. PUPARELLI

O Património artístico-religioso

na fronteira lusoluso-es espa panhola nhola Dioceses de Astorga, Zamora, Bragança, Salamanca, Cidade Rodrigo e Guarda

La iglesia parroquial de Hinojosa de Duero, dedicada a San Pedro FOTO\HOMEM CARDOSO

O herdeiro luso ...um pretendente a Rei em solo républicano

CONTRABANDO entrevista Dom Duarte Pio

B.I.C.amino de hierro História Viva de la Raya\ da Raia 7-M y 2-A Pg.19

Vilvestre¿Silvestre?

- 22

Contrabandeando con el sueño... Todavía!

Pg.36

Si fuera por “inexplorarlo”, bien merece la pena una visita.

Santa Comba da Vilariça “Das cidades, o Porto | das vilas, Vila Real | das aldeias, Santa Comba | das quintas, o Carrascal”.

Pg.38

Pasa el tiempo y los hierros se retuercen y se oxidan o sufren el acoso de personas desalmadas...

Manuscrito Voynich

O manuscrito que ninguém Pg.24 e 25 consegue decifrar

SEÇÕES | SECCIONES ALMANAQUE | ENCONTROS CRÓNICAS DEL MUNDO| GASTRONOMIA | CUENTOS | CINE, MÚSICA & OTRAS ARTES | OPINIÕES | BIBLIOGRAFAR | CIÊNCIA PARADIGMÁTICA | PARANORMALIA | HUMOR SOCIEDAD CIVIL | CONTOS MEMÓRIAS RAIANAS | POESIA AMBIENTE COMPLETO | Pag.40 ENTREVISTA (FRAH)

Pub


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^ EDITORIAL português/castellano FOTO\ DANIEL GIL

Turris Aquilaris, Torre de Almofala, das Águias ou Casarão da Torre (Templo Romano de Almofala) - Monumento Nacional português em eterno estado de recuperação...

P

A Voz da Raia

assaram-se vários meses desde o para além da sua intervenção na invesaparecimento do primeiro núme- tigação pontual de roubos de peças de ro desta revista, altura em que arte, criou o projeto de prevenção “Igreassumimos um repto informativo, ja Segura”. de reivindicação, defesa e apoio a qualNa entrevista realizada ao herdeiro da quer tipo de manifestação raiana. Para coroa lusa, Dom Duarte, este acredita além disso incorporando outros conhe- na forte personalidade e no alto sencimentos do mundo global, que julga- tido patrimonial dos raianos, mas que mos ser imprescindíveis para atingir o presentemente não estão ao serviço do tão desejado desenvolvimento sustentá- verdadeiro progresso e sugere como vel e harmónico na Raia… Transformá-la efetiva uma nova forma de descentralino território da felicidade. zação constituída pela livre associação Inclusive, aceitamos a tremenda com- de Municípios. E a propósito do fenóplexidade técnica - apesar do escasso meno “computador Magalhães” como sentido prático e económico - de reda- elemento estratégico educacional portar nas várias línguas autóctones raianas tuguês, afirma valentemente que vamos existentes… Pois isso faz parte de nossos ter uma geração de meninos míopes e princípios! … Que podemos fazer se não com alguns problemas no desenvolvienfatizar a importância transcendental mento intelectual, o que se estende ao de um idioma no acervo cultural e pa- uso obrigatório do inglês, de alcance trimonial? Sim…, foi um tempo de refle- ainda imprevisto. xão, de aprendizagem técO Bem de Interesse Culnica, de criação de redes, tural (B.I.C), que supõe a estruturas e estratégias, via-férrea La Fuente de San mas também de busca de Esteban – Barca d’Alva, rei...e as suas apoios que estão a permitir pelo Coletivo Caadvertências vindicado a nossa ideia de gratuitidaminho de Ferro, recorda as aos políticos de … Aqui está a quarta pusuas últimas atividades: Ennão são blicação! terro de Vontades InstituO vasto e riquíssimo pacionais com colocação da desperdicio! trimónio artístico-religioso estátua “Ave Fenix” (7M), de que a Raia tem o privitestemunhando os 25 anos légio, em sua maioria, está em franca e de seu encerramento e a mais do que progressiva degradação, pela escassez nunca renascida luta para a reabertura, de meios e de recursos para a sua manu- bem como a Operação Implante (2A), tenção, mostra-nos a reportagem prin- de manutenção e arranjo da via. Folhear cipal, em que falamos com os responsá- os manifestos reivindicativos desta seção veis das seis dioceses episcopais por esse e as suas advertências aos políticos não mesmo património. são um desperdicio! De louvar, como exemplos, mostráOs cadernos “História Viva da Raya/ mos neste número, alguns esforços para da Raia” descobrem Vilvestre e Santa impedir ou minorar o estado desse patri- Comba da Vilariça, duas localidades típimónio. É o caso da Fundação Rei Afonso cas do nosso território. E na secção “CiHenriques, definida na entrevista realiza- ência Paradigmática” aproximamo-nos da ao seu diretor, como moderadora do da realidade do manuscrito Voynich, desenvolvimento da fronteira luso-espa- esse documento que ainda ninguém, nhola, e que lidera o projeto de restauro apesar dos esforços científicos, foi capaz e preservação do românico zamorano; de decifrar. o diretor Também o caso da Polícia Judiciaria que

H

La Voz de la Raya

an pasado varios meses desde (PJ), que además de intervenir en la inque apareciera el primer nú- vestigación puntual de robos de piezas mero de esta revista. En este de arte, creó el proyecto de prevención tiempo hemos asumido el reto “Iglesia Segura”. informativo, de reivindicación, defensa y En la entrevista realizada al heredero apoyo de cualquier tipo de manifestaci- de la corona lusa, Don Duarte, hace hinón rayana, incorporando además otros capié en la fuerte personalidad y en el conocimientos del mundo global, que alto sentido patrimonial de los rayanos creemos ser imprescindibles para alcan- que ahora no aprovechan al servicio zar en la Raya el tan deseado desarrollo del verdadero progreso y sugiere como sostenible y armónico… Transformarla efectiva una nueva forma de descentralien el territorio de la felicidad. zación constituida por la libre asociación Incluso aceptamos la tremenda com- de Municipios. Y a propósito del fenóplexidad técnica, con escaso sentido meno “computador Magallanes” como práctico y económico, de redactarlo en elemento estratégico educacional portulas varias lenguas autóctonas rayanas gués, afirma valientemente que vamos a que existen… Pero esto forma parte de tener una generación de niños miopes y nuestros principios!…Cómo podemos si con algunos problemas en el desarrollo no enfatizar la importancia trascenden- intelectual, lo que extiende al uso oblital de un idioma en el acervo cultural y gatorio del ingles, de alcance todavía patrimonial?. imprevisto. Sí…, fue un tiempo de reEl Bien de Interés Cultuflexión, de aprendizaje técral (B.I.C), que supone la nico, de creación de redes, vía férrea Fuentes de San ...y sus estructuras y estrategias, Esteban – Barca d’Alva, reipero también de búsqueda advertencias a vindicado por el Colectivo de apoyos, que han permiCamino de Hierro, recuerlos políticos tido mantener nuestra idea da sus últimas actividades: no tienen de gratuidad… Pero aquí Entierro de Voluntades Insestá la cuarta publicación! desperdicio! titucionales con colocación El basto y riquísimo pade la estatua “Ave Fenix” trimonio artístico-religioso (7M), testimoniando los 25 de que la Raya tiene el privilegio, en su años de su cierre y su mas que nunca mayoría, está en franca y progresiva de- renacida lucha para su reapertura, así gradación, por la escasez de medios y como la Operación Implante (2A) de made recursos para su mantenimiento, nos nutención y arreglo de los desperfectos muestra el reportaje principal, en que de la vía. Los manifiestos reivindicativos hablamos con los responsables del mis- de su sección y sus advertencias a los pomo de las seis diócesis episcopales. líticos no tienen desperdicio! Loados, como ejemplares, algunos Los cuadernos “Historia Viva de La esfuerzos para impedirlo o paliarlo que Raya/da Raia” nos descubren Vilvestre y mostramos en este número. Es el caso de Santa Comba da Vilariça, dos localidades la Fundación Reí Afonso Henriques, defi- típicas de nuestro territorio. nida en la entrevista realizada a su direcY en la sección “Ciencia Paradigmátitor como moderadora del desarrollo de ca” nos acercamos a la realidad del mala frontera hispano-lusa, y que lidera el nuscrito Voynich, ese que aún nadie, a proyecto de restauración y preservación pesar de los esfuerzos científicos, fue cadel románico zamorano; También es el paz de descifrar. el director caso de la policía judiciaria portuguesa Pub


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REPORTA(JE)GEM PATRIMÓNIO português/castellano

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FOTO\VICENTE S. PUPARELLI

O Património artístico-religioso

(texto e entrevistas)

Daniel Gil y Javier Hdez. Mercedes

en la frontera hispano-lusa

Diócesis de Astorga, Zamora, Salamanca, Ciudad Rodrigo Bragança, y Guarda

O E

património artístico-religioso móvel e imóvel existente na zona fronteiriça, representa não só a maior rede de edificações, como um notável conjunto de obras de arte que não conhecem fronteiras. São parte integrante do Oeste de Castela e Leão e Noroeste de Portugal, ainda por descobrir, contendo certamente um dos maiores acervos culturais da Península Ibérica.

pt

patrimonio artístico- religioso arquitectónico e móvil que existe en la zona es lfronteriza, representa no sólo la mayor red de edificaciones y un notable con-

junto de arte sacra que no conocen fronteras, son también parte integrante del Oeste de Castilla y León y Noroeste de Portugal, aún por descubrir, conteniendo sin duda uno de los mayores acervos culturales de la Península Ibérica.

A

título de exemplo, só na para o Património e Cultura diocese de Zamora, exisde Zamora, que o decréscimo tem mais de 400 edifídemográfico das zonas rurais cios, entre igrejas, santuários, da diocese que representa ermidas, museus, arquivos e bi“ainda não é um problema bliotecas, contendo um imenacutilante, mas será, sem dúso acervo de obras de arte. vida, no futuro...”. ”O que é Quisemos saber a opinião certo é que esse despovoados responsáveis pelas diocemento potencia um aumenses de Astorga, Zamora, Salato de furtos, apesar de que manca e Ciudad Rodrigo, bem para Ramón Martín Gallego, com das dioceses portuguesas delegado diocesano do Pade Bragança - Miranda e da trimónio Cultural da Igreja na Guarda, na perspetiva de codiocese de Salamanca, “isolanhecer as suas preocupações, das têm estado sempre as ernecessidades e midas, afastadas anseios relativapor vezes dos núem solidão mente à preservacleos urbanos”. ção e manutenção estiveram sempre “Furtos existiram dessa vasta rede noutros tempos as ermitas e a patrimonial, maiocom o olho poscerta distância do ritariamente proto na qualidade. núcleo urbano, priedade da Igreja Hoje um novo Católica. algumas igrejas” paradigma social Segundo José situa o problema Manuel Ramos de outra forma: Gordón, responsável pelo padigamos que os ladrões satrimónio da diocese de Astorga bem que o valioso já não está (León), os aspetos mais preocuali”, explica. Tanis Barrio Monpantes da situação do patrimótes, responsável pelo patrinio eclesiástico na zona raiana mónio da diocese de Ciudad “são, sem dúvida, a sua conserRodrigo, assegura que “Na vação e a sua segurança, deúltima década não se registavido às circunstâncias de interam furtos de peças do patririoridade da zona”, o que tem mónio diocesano” apesar de estas estarem por vezes “de“contribuído para o aumento de furtos, pois cada vez é mais masiado retiradas de núcleos importantes de população”. fácil levar a cabo acções desse tipo considerando o despovoaDo lado português, Delfim mento crescente”. Gomes, responsável pelo paDa mesma opinião são os trimónio da diocese de Brarestantes responsáveis, acresgança, aponta o facto de as centando José Ángel Rivera de Igrejas ficarem abertas todo las Heras, delegado diocesano o dia, onde “ninguém vê… e

Ruinas de San Leonardo - Hinojosa de Duero

O problema nas Igresjas rurais é que por diversos motivos de mannutenção existem várias pessoas que acedem as Igrejas e os sistemas de segurança não dão tantas chaves Tanis Barrio Montes FOTO\ PUPARELLI

Este legado creado, recibido, conservado y transmitido por la Iglesia Católica tiene una doble función: una preferente, la evangelizadora, cultual y pastoral,..., y otra derivada, la cultural, que presta un gran servicio a la sociedad, principalmente en los ámbitos de la cultura y el turismo.

José Ángel Rivera de las Heras

C

omo ejemplo, solo en como José Ángel Rivera de las la diócesis de Zamora, Heras, delegado diocesano existen más de 400 edifi- para el patrimonio y la cultura cios, entre iglesias, santuarios, de Zamora, que afirma que el ermitas, museos, archivos y retroceso demográfico de las bibliotecas, en una inmensa zonas rurales de la diócesis colección de obras artísticas, que representa “aún no es un bibliográficas, artesanales y problema acuciante, pero lo documentales. será, sin duda, en el futuro”. Quisimos saber la opinión La verdad es que esa deserde los responsables diocesa- tificación provoca un aumennos de las diócesis de Astorga, to de los robos, a pesar de que Zamora, Salamanca y Ciudad para Ramón Martin Gallego, Rodrigo, así como de las dióce- delegado diocesano del pasis portuguesas de Bragança- trimonio cultural de la iglesia Miranda y de Guarda, con en la diócesis de Salamanca, vistas a conocer “en soledad, han sus preocupacioestado siempre nes, necesidades las Ermitas y en En la última dé- un cierto alejay deseos para la manutención y cada no constan miento del núpreservación de urbano alrobos de piezas cleo esta vasta red, en gunas Iglesias”. del Patrimonio la mayoría de los “Robos los hubo casos su propieen otros tiempos Diocesano’ dad. con el ojo puesto Según José Manuel Ramos en la calidad. Hoy un nuevo Gordon, responsable por el paradigma social sitúa el propatrimonio de la diócesis de blema de otra forma: digamos Astorga (León), los aspectos que los ladrones saben que lo que considera más preocu- valioso ya no está allí”, explica. pantes en el patrimonio ecleTanis Barrio Montes, responsiástico de su diócesis “son, sable por el patrimonio de la sin duda, su conservación y diócesis de Ciudad Rodrigo, su seguridad, debido a las asegura que “En la última circunstancias de aislamiento década no constan robos de de la zona”, lo que ha “contri- piezas del Patrimonio Diocesabuido al aumento de robos, no” a pesar de que estas se enpues resulta relativamente fá- cuentran frecuentemente “decil llevarlos a cabo en esas cir- masiado retiradas de núcleos cunstancias de despoblación importantes de población”. creciente”. Del lado portugués, Delfim La misma opinión compar- Gomes, responsable por el paten los restantes responsables, trimonio de la diócesis de Bra-


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REPORTA(JE)GEM PATRIMÓNIO Diócesis de Astorga - Obispo Mons. Camilo Lorenzo Iglesias.

Mapa (Las seis diócesis)

Situada en la actual provincia civil de León es de documentada antigüedad. Su capital y sede episcopal, Astorga, cuenta con más de dos mil años de historia. Parece claro que fue uno de los objetivos apostólicos de los primeros evangelizadores de la Península Ibérica. En la diócesis, provincias de León, Orense e Zamora, actualmente viven 283 mil habitantes y 1.123 núcleos de población. El número de comunidades parroquiales, con templo propio, asciende a 1.013. Y el número de templos asciende a 1. 337. No se incluyen en este número las capillas de Comunidades Religiosas, Monasterios, etc.

Diócesis de Zamora - Obispo Mons. Gregorio Martínez Sacristán. Hasta comenzar el siglo X, las noticias son muy confusas. Por entonces se suscitó un largo pleito entre el arzobispo de Braga (Portugal) y el de Toledo, sobre la jurisdicción que cada uno invocaba como metropolitano, en relación al obispado de Zamora. La diócesis de Zamora está situada en la provincia de su mismo nombre y cuenta en la actualidad con una población de 165.061 habitantes, de los 198.045 que tiene la provincia. Está dividida en 10 arciprestazgos, 303 parroquias y só na diocese de Zamora, existem mais de 400 edifícios, entre igrejas, tí ti santuários, ermidas, museus, arquivos e bibliotecas, num imenso acervo de obras artísticas, artesanais, bibliográficas e documentales.

Diocese de Bragança-Miranda Bispo Mons. António Moreira Montes.

A diocese foi originalmente criada, sob a designação de Diocese de Miranda, e com sede em Miranda do Douro, que para o efeito foi elevada à categoria de cidade, a 22 de Maio de 1545, desmembrando-se o e Novembro seu território da Arquiodiocese de Braga. Porém, a 17 de de 1764, foi o bispo Frei Aleixo de Miranda Henriques autorizado por el-rei D. José I a transferi-la para a cidade de Bragança, decisão que ainda hoje não é aceite pelos mirandeses, ao ponto de um decreto papal no tempo do bispo D. António Rafael ter elevado a Sé de Miranda à condição de concatedral (1996).

Diócesis de Salamanca Obispo Mons. Carlos López Hernández.

Obispo Mons. Atilano Rodríguez Martínez.

La primera noticia cierta del establecimiento de sede episcopal se remonta al año 589, comprobada por la asistencia del Obispo Eleuterio al III Concilio de Toledo. Los nombres de algunos obispos anteriores a Eleuterio, si no quedan históricamente demostrados, dejan una probabilidad de la existencia de la Diócesis. Diócesis sufragánea de Valladolid, tiene una población de 293 mil habitantes y está dividida eclesiásticamente en 13 arciprestazgos: 5 urbanos y 8 rurales, que comprenden 30 parroquias urbanas y 375 parroquias rurales, incluidos también otros centros de culto. En un toral de 405 parroquias.

Diocese da Guarda

Bispo Mons. Manuel da Rocha Felício. Ao ser transferida para a cidade da Guarda (1199), a Diocese Egitaniense ficou sufragânea de Santiago de Compostela e o seu vasto território estendia-se até ao sul do Tejo. Pela reorganização eclesiástica de ão da extinta 1882, os seus limites foram alargados, com a incorporação diocese de Pinhel e parte das dioceses de Coimbra e Castelo Branco. Actualmente, é sufragânea de Lisboa. A sua população está estimada em 250.000 habitantes. Tem 16 arciprestados, 8 capelanias e 6 estabelecimentos prisionais. tudo é possível”. tar a correspondente queixa, Também Francisco Vilar, co- garanto-vos que na Diocese ordenador do património da de Salamanca recuperaríamos diocese da Guarda, recorda 95% do que é roubado. Mais das suas paroquias “uma terra ainda, na zona NO, onde se sionde antigamente toda a gen- tuam as Arribas, garantiríamos te passava junto à Igreja”, hoje mesmo os 100%. Como pode algumas delas com as igrejas ver está muito avançada esta fechadas o ano inteiro, reco- tarefa”. nhecendo, no entanto, serem Para Delfim Gomes (Braganraros hoje os casos de furto. ça), a igreja está naturalmente Quanto a medidas de pre- “empenhada na recuperação venção e vigilância, segundo e salvaguarda dos seus bens José Gordón (Astorga), o de- culturais”, este “que é também sejável seria que estas fossem dos povos e como tal exige “permanentes e diárias”, mas cooperação, com as entidades as “disponibilidades económi- locais, autarquias, associações cas nem sempre o permitem”, e do próprio governo”, adianrefere, adiantantando que “a do uma solução falta de recursos uma u terra para as peças de das Paróquias e valor singular, onde antigamen- por vezes a falta que “deveriam formação e te toda a gente de ser depositadas informação dos passava junto à no museu dioagentes envolvicesano corresdos”. Igreja pondente, para Quanto à reagarantir melhor tanto a sua lização do inventário geral de segurança como a sua con- bens móveis e imóveis, das seis templação”. dioceses abordadas, Astorga, Na opinião de José de Las já dispõe do seu “depois de Heras (Zamora), “Os roubos vários anos de trabalho e inexistiram sempre, inclusive po- vestigação”, recorda Gordón. de-se afirmar que foram mais A diocese de Ciudad Rodrigo, numerosos em épocas pas- concluiu o seu inventário gesadas. Os ladrões podem ser ral de bens móveis em todas dissuadidos, mas dificilmente as igrejas e ermidas, há cerca evitados”, lamenta, frisando a de cinco anos”, refere Montes. importância deste património No que diz respeito a Zae da sua função secular. mora, “ainda não se finalizou Segundo Ramón Gallego o inventário” que se começou “se actualmente uma peça a elaborar em 1995. “Restam, furtada se pudesse recuperar aproximadamente, umas quabastando para tal apresen- renta paróquias dos arcipres-

Diócesis de Ciudad Rodrigo

O Património, caracteriza e define um povo. Quando esse legado lhe é retirado ou mesmo danificado, esse povo fica mais pobre, as suas referências e matrizes perdem-se. A manutenção constante dos bens culturais deve ser considerada a obrigação concreta mais importante de cada comunidade responsável pela sua protecção. Delfim Gomes FOTO\ PUPARELLI

En mi opinión, cuando se trata de alguna pieza de singular valor, debería ser depositada en el Museo diocesano correspondiente, que puede garantizar mejor tanto su seguridad como su contemplación. José Manuel Ramos Gordón

El Obispado de Ciudad Rodrigo, de d origen i medieval, se considera continuación canónica de la antigua Diócesis de Caliabria, sus obispos se consideraban continuadores con el título de “Caliabriensis” elevada a categoría de Diócesis en la época visigoda según el “Parroquial Suevo” . La diócesis de Ciudad Rodrigo está ubicada en la provincia eclesiástica de Valladolid. Su territorio se divide en 7 arciprestazgos, tiene actualmente 43 mil habitantes y 121 parroquias, distribuidas en 7 arciprestazgos.

gança, apunta el hecho de que en la actualidad un robo se las iglesias están abiertas todo pudiera recuperar con sólo el día, donde “nadie ve… y todo presentar la correspondiente es posible”. ficha de lo sustraído, le aseTambién Francisco Vilar, guro que en la Diócesis de coordinador del patrimonio de Salamanca recuperaríamos el la diócesis de Guarda, recuerda 95% de lo sustraído. Más aún, de sus parroquias “una tierra en la Zona Noroeste, donde donde antiguamente toda la se ubican Las Arribes, asegugente pasaba al lado de la igle- raríamos el 100%. Como puesia”, pero en la actualidad mu- de ver, está muy avanzada chas de ellas tienen las iglesias esta tarea”. cerradas durante todo el año, Para Delfim Gomes (Bray reconoce que los robos son gança), la iglesia esta natuescasos. ralmente “empeñada en la En relación a las medidas de recuperación y protección de prevención y vigilancia, para sus bienes culturales”, “que es José Gordon (Astambién de los torga), lo deseable pueblos y como ...le aseguro es que estas fuetal exige coopesen “permanentes que en la Dióce- ración, con las y diarias”, pero las sis de Salamanca entidades loca“disponibilidades les, poder local, económicas no recuperaríamos el asociaciones y 95% de lo siempre lo permiel propio gobierten”, y adelanta no”, y refiere la sustraído. una solución para “falta de recursos las piezas de valor singular, que de las parroquias y la falta de “debería ser depositada en el información y formación de Museo diocesano correspon- los agentes implicados”. diente, que puede garantizar En lo relativo a la realizamejor tanto su seguridad como ción del inventario general de su contemplación”. bienes móviles e inmuebles, En opinión de José de Las de las seis diócesis abordadas, Heras (Zamora), “Los robos Astorga ya cuenta con uno han existido siempre, incluso “tras varios años de trabajo e se puede afirmar que han sido investigación”, recuerda José más numerosos en épocas pa- Gordon. La diócesis de Ciusadas. A los ladrones se les pue- dad Rodrigo, “terminó de reade disuadir, pero difícilmente lizar su inventario general de evitar”, lamenta, refiriendo la bienes inmuebles en todas las importancia de este patrimo- iglesias y parroquias hace cinnio y su función secular. co años”, refiere Tanis Montes. Según Ramón Gallego “si En la diócesis de Zamora,


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REPORTA(JE)GEM PATRIMÓNIO No enclave do património

Românico

Projecto Cultural Zamora Românica

O

Projecto Cultural Zamora Românica é uma iniciativa da Junta de Castela e Leão que visa restaurar e preservar o património românico existente nas nove províncias daquela Comunidade Autónoma. Coube a Fundação Rei Afonso Henriques, que se tem centrado na promoção da cultura e do património histórico e artístico das regiões fronteiriças chefiar este projeto para 22 igrejas em Zamora.

A cidade de Zamora É na cidade de Zamora onde o estilo românico está bem presente coube à Fundação Rei Afonso Henriques, em estreita colaboração com o Ajuntamento e a Diocese de Zamora, promover a actual recuperarão de 22 igrejas românicas. Questionamos o secretário-geral da Fundação Rei Afonso Henriques, José Luís González Prada, sobre a pertinência deste projecto na cooperação transfronteiriça, ao que o secretário-geral da Fundação justificou “o património românico de Castela e Leão é um enclave de todo o património românico que existe no norte e centro de Portugal”.

O Românico é um património comum Segundo José Luís González Prada este projecto faz parte da estratégia de cooperação transfronteiriça

cujo objectivo final é atrair turistas revelou e que para já é tão só a à cidade de Zamora mas também a hipótese de uma candidatura conBragança e ao centro de Portugal junta da Cidadela de Bragança e onde o estilo românico está presen- da zona histórica de Zamora a pate. Do lado português e segundo a trimónio da Unesco. responsável da Direcção Regional de Cultura do Norte, a arquitecta Paula da Silva, têm-se realizado alguns trabalhos como a recente intervenção no Domus Municipal de Bragança (e que inclusive teve como mecenas a Caixa Duero) ou Também a propósito desta coopeas obras no Mosteiro de Castro ração cultural as comunidades auAvelãs. A arquitecta Paula da Silva tónomas espanholas, de Castela e adiantou também que neste mo- Leão e da Galiza e a região norte de Portugal irão mento se aguardam criar em Setembro financiamentos de próximo uma “mafundos europeus Castela e Leão croregião” através para realizar novas qual pretenintervenções e se é um enclave de da dem obter fundos está a avaliar a assieuropeus para o todo o património natura de um prodesenvolvimento tocolo com a Junta românico que existe e o estímulo de de Castela e Leão para a recuperação no norte e centro projectos comuns que já existem e valorização do pade Portugal como a promoção trimónio românico, cultural, e neste não só de Bragança mas de toda a região norte. No âmbito os objectivos principais seâmbito deste protocolo ainda por rão o cuidado a dar ao património assinar estará um outro projecto românico ibérico e ao Caminho que José Luís González Prada nos de Santiago.

tados de Aliste, Benavente, Miranda, não tem dúvidas Toro y Villalpando. Relativaquanto à importância do “lemente ao arciprestado de vantamento, inventariação e Sayago, que coincide com a estudo, do património religiocomarca natural junto às Ar- so”, bem como, da necessidaribas, já está finalizado desde de de “acções de formação há anos. “, sublinha José de sobre a sua conservação e resLas Heras. tauro”, e recorda que a inven“Inventariaram-se concreta- tariação e catalogação ainda mente 2.353 obras artísticas não terminou na sua diocese, que albergam as 81 igrejas e “estando muito longe dessa ermidas correspondentes às meta”. 57 paroquias que compõem Na diocese da Guarda, “o ino mencionado arciprestado. ventário está agora a ser feito Actualmente dispõe-se de in- já com uma componente cienformação histórico-artística, tífica, depois de vários anos e arquivística, métrica e gráfica trabalhos mais amadores, que de todas e cada foram bastante uma das peças importantes”, inventariadas. Os afirma Francisco Nunca se seus dados estão Vilar. pode dar por informatizados e No que respeiterminado um as suas fotograta à intervenção projeto desta fias estão tratadas possível em edidigitalmente, grafícios abandonaenvergadura ças ao convénio dos e em ruínas, de colaboração entre o Bispa- a opinião da diocese de Asdo de Zamora e a Conselho de torga é a de que “haverá que Cultura e Turismo da Junta de estudar cada caso, se valer a Castela e Leão”, explica o res- pena o investimento, com freponsável de Zamora. quência muito custoso; pode Já segundo Ramón Galle- ser estudada também a sua go, na diocese de Salamanca utilização como museu, au“Nunca se pode dar por termi- ditório, sala de exposições, nado um projeto desta enver- etc., como já se tem feito em gadura. Bastaria dizer que se alguns casos”, considera José continua adquirindo patrimó- Gordón. nio e, para além disso, novas Segundo José de Las Heras situações e intervenções obri- (Zamora), actualmente “evitagam a tê-lo constantemente se a ruína, quando o seu vaatualizado por razões de fixa- lor artístico o aconselha e os ção ou de reconversão”. meios económicos o permiDelfim Gomes responsável tem, intervém-se para garantir pela diocese de Bragança - a sua salvaguarda e valoriza-

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Hugo Anes (Texto e fotografias)

Uma nova ferramenta de cooperação

Sou consciente dos esforços feitos e dos que se estão a fazer... Paroquias, Bispado, Administração Autonómica, Ajuntamentos, Associações... em cualquer nível. Desde repor a telha até restaurar a imagem do Patrono, abrir a porta da Igreja ou espantar a coruja. Estas tarefas que parecem mínimas são necesárias até que chegue a hora das intervenções estruturais. Ramón Martín Gallego FOTO\ PUPARELLI

Iglesia parroquial de Hinojosa de Duero

¿no se podría reducir un tanto por ciento de las partidas económicas dedicadas a fiestas de agosto o aplazar o anular la edificación de un frontón cerrado donde no hay niños ni jóvenes ?. Plantear las intervenciones en el Patrimonio, dejando que se imponga el sentido común, ayudaría mucho a recuperarlo o mantenerlo. Ramón Martín Gallego

A Ermida dos Remédios em Zamora, foi construída no século XII, agora recuperada através deste projeto.

“aún no se ha finalizado el innes e intervenciones obligan ventario”, que también se ema tenerlo constantemente acpezó a elaborar en 1995 dontualizado por razones de ubide “restan, aproximadamente, cación o de reconversión”. unas cuarenta parroquias de Delfim Gomes, responsable los arciprestazgos de Aliste, por la diócesis de BragançaBenavente, Toro y VillalpanMiranda, no tiene dudas en do. Respecto al arciprestazgo relación a la importancia de de Sayago, que coincide con la “elaboración, recolección la comarca natural que linda y estudio del patrimonio relicon Las Arribes, ya está finaligioso”, así como la necesidad zado desde hace años“, destade “acciones de formación ca José de Las Heras. sobre su conservación y res“Se inventariaron concretatauración”, y recuerda que la mente 2.353 obras artísticas recolección y catalogación toque albergan las 81 iglesias davía no ha terminado en su y ermitas corresdiócesis, y “nos pondientes a las encontramos 57 parroquias que muy lejos de ese habrá que componen el objetivo”. estudiar en cada mencionado arciEn la diócesis caso si merece la prestazgo. Actualde Guarda, “el mente se dispone pena una inversi- inventario se de información está llevando ón, con frecuenhistórico-artística, a cabo con un cia muy costosa c o m p o n e n t e archivística, métrica y gráfica de tocientífico, desdas y cada una de las piezas pués de varios años y trabainventariadas. Sus datos están jos menos profesionales, que informatizados y sus fotografueron bastante importantes” fías están tratadas digitalmenafirma Francisco Vilar. te, gracias al convenio de coEn relación a la posible inlaboración entre el Obispado tervención en edificios abande Zamora y la Consejería de donados y en ruinas, la dióCultura y Turismo de la Junta cesis de Astorga opina que de Castilla y León”, explica el “habrá que estudiar en cada responsable de Zamora. caso si merece la pena una Según Ramón Gallego, en la inversión, con frecuencia muy diócesis de Salamanca “Nunca costosa; puede estudiarse se puede dar por terminado también su utilización como un proyecto de esta envermuseo, auditorio, sala de exgadura. Bastaría decir que se posiciones, etc., como ya se sigue adquiriendo patrimonio ha hecho en algunos casos”, y además, las nuevas situacioconsidera José Gordón.


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REPORTA(JE)GEM PATRIMÓNIO

Furtos em investigação Polícia Judiciária (PJ)

N. SRª DA CONCEIÇÃO, S. FRANCISCO E S. JOSÉ

outros furtos

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CAPELA DE FONTE ARCADA – SERNANCELHE: Na noite de 2 para 3 de Setembro de 2008, desconhecidos furtaram da capela da Srª da Saúde em Fonte Arcada, as imagens de N. Srª da Conceição, S. Francisco e S. José, madeira, sec. XVIII, 30 a 40cm de altura, dois castiçais em madeira, folheados a ouro, 40cm de altura e uma cruz processional em metal.

o CONTRABANDO, segundo o Inspector Chefe da Polícia Judiciária (PJ) - DirectoA ria Norte, Lemos Gonçalves, a PJ, no âmbito das suas competências próprias, como corpo superior de Polícia, - Lei de Organização da Investigação Criminal – “cabe-lhe a

competência de investigação dos crimes de furto, dano, roubo ou receptação de coisa móvel que possua importante valor científico, artístico ou histórico, tenha significado importante para o desenvolvimento tecnológico ou económico e pertença ao património cultural, estando legalmente classificada ou em vias de classificação”. Já relativamente às técnicas utilizadas por esta Polícia, “dado terem um amplo espectro”, estas “serão todas as que forem legalmente admissíveis”, de âmbito lato, refere Lemos Gonçalves.

CAPELA DE NUZEDO – VILA POUCA DE AGUIAR

No dia 12/05/08, entre as 15H30 e as 16H00, desconhecidos furtaram da Capela de Nuzedo - V. Pouca de Aguiar, duas imagens - S. Sebastião e Stª Bárbara, imagens em madeira, do sec. XVIII, com pintura original, envernizadas em 1986 com verniz da construção civil.

Série de 9 furtos STª BÁRBARA

FIÃES – VALPAÇOS

(Furtada no dia 25/04/07 ou antes. Imagem em madeira, policromada, sec. XVII/XVIII, cerca de 40 cm de altura, avaliada em €10 Mil Euros)

STº ANTÓNIO

GESTOSA DE LOMBA – VINHAIS (Furto em finais de Abril ou princípios de Maio. Imagem com cerca de 30cm de altura, madeira com túnica pintada de castanho, sec. XIX, valor de € 1500.

SRº CONCEIÇÃO

TÓ - MOGADOURO (Furto de Imagem com 40/45cm de altura, madeira policromada, Sec. XVIII, ocorrido entre 9 e 20/07/07. Foi visto, 22 ou 23 de Junho um casal a fotografar os diversos altares e santos com o telemóvel)

STO ANTÓNIO

S. JOÃO,

VILAR DE LOMBA – VINHAIS Imagem em madeira policromada, cerca de 30cm de altura, sec. XVII/XVIII, avaliada em €10000. Finais de Abril ou princípios de Maio foi visto junto à Igreja um casal com cerca de 70 anos, que se fazia transportar num carro claro e pequeno

ST.ª ANA, VIRGEM MARIA

GRIJÓ – MACEDO DE CAVALEIROS (IMAGENS COM VÁRIAS DENOMINAÇÕES) Madeira de castanho, altura 31,3cm, Largura 11,5cm, profundidade 7,5cm, pesa 810,3gr. Técnicas: estofado, esgrafito, policromia, pontilhado, sec. XVI/XVII.

S. JOAQUIM, S. JOSÉ OU S. JOÃO EVANGELISTA

Madeira castanho, altura 30,6cm, largura 12,4cm, profundidade 8,5cm, pesa 657,6gr, Sec. XVI/XVII

ção, ou acorda-se a cedência Montes, “Não há edifícios retemporária ou definitiva do ligiosos abandonados, pois seu uso ou da sua propriedanas Igrejas paroquiais o culto de a Câmaras Municipais ou a é continuo, às vezes semanal associações públicas para que e nas ermidas várias vezes ao sirvam a determinados fins soano e há alguns planos para ciais e/ou culturais de interese restauros pontuais”. público”. A diocese de Bragança, Para Ramón Gallego (Saaponta para que o sucesso da lamanca), “muitas coisas se renovação e valorização do perderam inevitavelmente. seu património histórico-cultuAs intervenções têm de ter ral, “só pode ter sucesso caso as também prioridades. Tudo, parcerias entre instituições e o dentro de um grande diálogo povo funcione”, está convenciinterdisciplinar”. do Delfim Gomes. “No nos esqueçamos que No caso da diocese da Guareste Património da Comunida, e com a criação nos anos dade Eclesiástica tem primor90 do projeto de recuperadialmente uma componente ção das Aldeias Históricas, na evangelizadora, maioria pertencriadora de cultucentes ao distrito ra, o que não se da Guarda, muito muitas coisas deve confundir deste património se perdem inecom submissões diocesano foi exie vénias à cultu- vitavelmente. As gentemente recura estabelecida. intervenções têm perado e está no É verdade que, que ter também seu interior, sendo no conjunto do essas intervenções prioridades urbanismo, são ainda hoje, tuteedifícios, às vezes ladas pelo Instibelíssimos e deslumbrantes, tuto de Gestão do Património mas antes de qualquer ouArquitetónico e Arqueológico tra valorização, “valem por (IGESPAR). si” porque as suas gentes os Francisco Vilar, quis ainda levam na alma: essas pedras, recordar uma “guerra antiga” campanários, retábulos, livros, relativamente ao comportaimagens, casas paroquiais... mento do IGESPAR, “que não são os testemunhos mudos tem dinheiro nem deixa fazer”. dos grandes momentos das São muito burocráticos, diz o suas vidas. São elas, estampas pároco do concelho da Aldeia da sua memória”. Histórica de Almeida, que tem Por seu turno, para o resa seu cargo 11 paróquias, das ponsável pela diocese de 320 da diocese, repartidas por Ciudad Rodrigo, Tanis Barrio cerca de 100 sacerdotes.

CRUZ E CORDEIRO VILARANDELO – VALPAÇOS (Furto entre 1 e 8/05/07 de Imagem em madeira, policromada com a cruz danificada, sec. XVII, tendo a imagem cerca de 20cm e a peanha, só envernizada, cerca de 10cm de altura, Representava S. João)

SRº ANTÓNIO

GESTOSA DE LOMBA – VINHAIS Imagem em madeira, cor castanha, com livro na mão esquerda e, sobre ele, o Menino Jesus, tendo a imagem cerca de 30cm de altura. Ainda não foi possível arranjar fotografia.

Nª SENHORA DA CONCEIÇÃO

S. PEDRO DE VEIGA DE LILA - VALPAÇOS (Furto em 1/05/07 de Imagem de madeira Policromada, cerca de 40 cm de altura, Sec. XVII/ XVIII. Foi visto nas imediações um casal com cerca 60 anos, que se transportava num veículo pequeno, cinzento)

Estes nove furtos terão ocorrido entre 29 de abril de 2007 e 2 de maio de 2008 Fornecidas gentilmente pelo Inspector Chefe da Polícia Judiciária, Lemos Gonçalves, estas imagens, relatam “uma série de situações ocorridas entre 2007 e 2008”, resultantes do “furto de várias peças de arte sacra de elevado valor cultural e económico”. Para Lemos Gonçalves, tais furtos “concretizados num curto espaço de tempo, foram levados a cabo por um casal sexagenário - sendo ele calvo, porte atlético, 1,90m de altura e falará

espanhol. Ela terá cerca de 1,70m de altura, cabelos brancos ou louros pintados e falará alemão. Fizeram-se transportar numa viatura pequena, cinzenta metalizada, com os vidros de trás fumados, possivelmente matrícula espanhola - , que aproveitando o pretexto

de visita a capelas e igrejas locais, durante o dia, retiraram, furtando, varias peças de arte sacra- esculturas de madeira policromadas – de pequenas dimensões, em regra com 20 ou 30cm de altura, utilizando o processo da “ muleta “, isto é, ocultando sob uma peça de vestuário transportada sobre um dos braços a peça furtada”. Para José de Las Heras (Zamora), actualmente “se evita la ruina y, cuando su valor artístico lo aconseja y los medios económicos lo permiten, se intervienen para facilitar su permanencia, se restauran para ponerlos en valor o se acuerda la cesión temporal o definitiva de su uso o de su propiedad a ayuntamientos o a asociaciones públicas para que sirvan a determinados fiFOTO\ PUPARELLI

Convento de Santa Maria de Aguiar: Castelo Rodrigo

tas varias veces al año y hay nes sociales y/o culturales de algunos planes para cuando interés público”. es necesaria alguna restauraRamón Gallego (Salamanción puntual”. ca), opina que “muchas cosas La diócesis de Bragança se perderán inevitablemente. destaca que el éxito de la reLas intervenciones tienen que novación y valorización de su tener también prioridades. patrimonio histórico-cultural Todo ello dentro de un gran “solo seria posible si las coladiálogo interdisciplinario”. boraciones entre el pueblo y “No olvidemos tampoco las instituciones funcionan”, que este Patrimonio de la afirma Delfim Gomes. Comunidad Eclesiástica tiene En el caso de la diócesis de primordialmente un compoGuarda, y con la creación en nente evangelizador, crealos años 90 del proyecto de dor de cultura, lo que no se recuperación de las Aldeas debe confundir con someterHistóricas, mayoritariamente se y doblegarse a la cultura pertenecientes al distrito de establecida. Es verdad que, Guarda, gran en el conjunto parte de este del urbanismo, renovación y patrimonio dioson edificios, a veces hermosos, valorización de su cesano fue exicon continentes patrimonio histó- gentemente recuperado y esta deslumbrantes, pero antes de rico-cultural “solo en su interior. cualquier otra va- seria posible si las Estas intervenlas lleva loración, “valen” colaboraciones ciones a cabo el Instiporque sus genentre el pueblo y tuto de Gestão tes los llevan en las institucionss do Património el alma: esas pieArquitetónico dras, campanas, funcionan e Arqueológico retablos, libros, (IGESPAR). imágenes, casas parroquiaFranciso Vilar quiso aún reles... son los testigos mudos cordar una “guerra antigua” de los grandes momentos de con la función del IGESPAR, sus vidas. Son las estampas de “que no tiene dinero y no su memoria”. deja hacer nada”. Son dePara el responsable de la masiado burocráticos”, dice diócesis de Ciudad Rodrigo, el párroco del concejo de la Tanis Barrio Montes, “No hay Aldea Histórica de Almeida, edificios religiosos abandonadonde está al cargo de 11 dos, pues en las Iglesias Parroparroquias de las 320 que el quiales el culto es continuo, a diócesis tiene para 100 curas. veces semanal y en las Ermi-


contrabando, JUNHO/JUNIO de 2010

REPORTA(JE)GEM PATRIMÓNIO

El Proyecto Iglesia Segura Policía judicial portuguesa (PJ)

Son demasiadas las veces en que cuando queremos visitar las iglesias en Portugal nos encontramos con sus puertas cerradas. ¿Por qué? La seguridad. El 75 % del patrimonio cultural y artístico portugués se encuentra en las iglesias. En ellas se pueden encontrar piezas de arte sacra de gran valor, no solo histórico, sino también comercial.

L

os robos y el tráfico de bienes culturales en iglesias y otros edificios históricos se presentan como problemas complejos, ya que son un problema internacional. El pasado mes de febrero se encontraron en anticuarios del sur de España cuatro bustos de piedra que habían sido robados del Museu da Cidade de Lisboa en julio del año pasado. Fueron igualmente encontradas dos imágenes de elfos en piedra que fueron robados de una plaza de Portalegre y dos bustos en piedra del siglo XVIII robados en el interior de una finca en Seia. Ante esta situación, la iglesia no dispone de recursos para la implementación de procedimientos adecuados para la protección efectiva y la preservación de su patrimonio artístico y cultural, que se estima sea del 75 % de todo el patrimonio cultural portugués. Y la realidad confirma que las piezas antiguas de arte sacra tienen un gran valor en los circuitos comerciales de antigüedades - legales e ilegales, nacionales e internacionales – e como tal, poseen un alto grado de riesgo de robo, receptación, etc., constituyendo un objetivo bastante apetecible para los asaltantes. FOTO\ DANIEL GIL

Más vale prevenir que curar

FOTO\ DANIEL GIL

Como? Pero, ¿Cómo podrán los párrocos, las comisiones fabriqueiras y otras entidades no policiales ni especialistas en seguridad enfrentar un problema criminal tan complejo? Según la policía judicial este problema se combate a través de la prevención criminal, lo que quiere decir que cuanto mejor informados estén los ciudadanos, mejor se podrán defender, aumentando las posibilidades de minimizar las perdidas. Una acción de formación en la Iglesia Matriz de Vila Nova de Foz Côa Si protegemos y hacemos de las iglesias un lugar seguro, en- dra la exposición itinerante SOS iglesias siendo, principalmentonces podremos volver a abrir iglesia en la que el gran objeti- te, distribuido un manual con muchas de ellas. Fue con este vo es informar y sensibilizar a la instrucciones básicas para la objetivo que en 2003 nació el población en general, pero so- prevención de robos y actos proyecto Iglesia bretodo, pero vandálicos, incluyendo una fiSegura/Iglesia con especial cha de inventario con elemenAbierta. Un proénfasis en los tos básicos, que permitan un ...iglesias piloto yecto creado que de algún primer levantamiento mientras por el Instituto o mediante las cuales modo tienen no sea posible hacer un invenSuperior de Po- se pretende implemen- responsabilida- tario científico y detallado de licía Judicial y tar buenos hábitos de des o acceso a las piezas. El objetivo principal Ciencias Crimilas iglesias; la del proyecto Iglesia Segura/ nales (a través seguridad y conservaci- segunda ver- Iglesia Abierta es permitir que ón en las dias de su órgano tiente del pro- las iglesias y su patrimonio culconstitutivo Muyecto Iglesia tural puedan ser visitados sin seos y Archivos Segura/Iglesia cualquier problema por toda la Históricos de la Policía Judicial), Abierta apunta a la creación de comunidad. en colaboración con diversas iglesias piloto mediante las cuaentidades públicas y privadas les se pretende implementar y que se desarrolla en tres ver- buenos hábitos de seguridad y tientes: la primera vertiente del conservación en las diócesis y debe ser apreciado proyecto es llevar a los respon- las misericordias promoviendo sables de las misericordias e un control de las llaves de las Porqué/ Para qué? ¿Para iglesias a crear un inventario de iglesias y de los accesos al inte- qué? Las iglesias deberán ser todos los bienes que poseen, rior de los templos, delimitando espacios abiertos y seguros, de forma que, áreas de acce- polos dinamizadores del culto en una situaso, además de y de nuestra cultura. El culto y ción de robo, la existencia de el usufructo estético de las igle...en los años puedan ser vigilancia diur- sias y todo el potencial que esposteriores a la reconocidos y na; finalmen- tos espacios proporcionan para devueltos a su implantación del te, el proyecto el desarrollo cultural, turístico y lugar de origen. proyecto, entre 2003 Iglesia Segura socio-económico de las comuEn este senti- y 2006, ha disminuido se desarrolla a nidades debe ser accesible a do asume una través de inves- toda la sociedad. i m p o r t a n c i a los robos de arte sacra tigaciones, estuen iglesias, registránespecial la creadios y acciones ción de un pre- dose en 2007 un nuevo de formación inventario, sin para difundir el nacional e internacional aumento. pretensiones conocimiento científicas, pero no solo sobre Dónde? La diócesis de Sande fácil elaboración. Otra me- la historia sino también sobre tarem implementó el proyecto dida importante es la existencia la protección y la seguridad del en la Igreja da Piedade, una de una fotografía por pieza, ya patrimonio cultural de las igle- intervención que acabo por imque a nivel internacional, sin sias. Estas acciones de forma- pulsar una acción más amplia una fotografía no es posible re- ción están destinadas a todas que abarcó las 111 parroquias cuperar una pieza robada; to- las personas que tienen alguna de la diócesis. La coordinadora davía en este sentido se encua- responsabilidad y acceso a las del proyecto, Leonor Sá, dijo a

Lo hermoso

El reconocimiento

Un inspector de la PJ dando formación

7

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IGREJA SEGURA Hugo Anes (Texto e fotografias)

la agencia Lusa que “se ha verificado una gran aceptación por parte de las poblaciones” y actualmente ya existen en Portugal 12 iglesias piloto y han sido desarrolladas 14 acciones de formación en todo el país. En términos de resultados, la también directora del Museo de la Policía Judicial afirmó que las Misericordias han solicitado varios pedidos de candidaturas a iglesias piloto, y agradeció el interés mostrado por los medios de comunicación social en el proyecto Iglesia Segura/ Iglesia Abierta, además de informar sobre las varias invitaciones internacionales que han recibido para aplicar el proyecto en el extranjero.

La Policia Judicial (Polícia Judiciária)

En el Museo de Archivos Históricos de la Policía Judicial se encuentran hoy objetos de arte sacra – esculturas, pinturas e instrumentos litúrgicos, etc.objetos que hace años pertenecieron a iglesias, capillas y monasterios esparcidos por nuestro país y que actualmente pertenecen a la Policía Judicial ya que estas piezas nunca han sido objeto de denuncia por parte de sus legítimos propietarios, ni siquiera después de la publicación de imágenes de las mismas en los medios de comunicación por parte de la PJ. La inexistencia de inventarios unida a la ausencia de seguridad en muchas iglesias del país, constituyen un importante indicador y alerta para el status quo del patrimonio artístico e histórico religioso portugués. ¿Quién? Según Leonor Sá, directora del Museo de la Policía Judicial, en los años posteriores a la implantación del proyecto, entre 2003 y 2006, ha disminuido los robos de arte sacra en iglesias, registrándose en 2007 un nuevo aumento. El proyecto ha sido revisado recientemente y de acuerdo con Leonor Sá esta reformulación pretende “dar un nuevo impulso al proyecto, esencialmente en el eje de la información”.

Pub


contrabando, JUNHO/JUNIO de 2010

REPORTA(JE)GEM PATRIMÓNIO

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Almas do Purgatório

Paulo Lopes (Texto e fotografias)

Os retábulos na diocese de Bragança-Miranda CORUÑA BARRAGEM DA SERRA SERRADA

ORENSE

PUEBLA DE SANABRIA

PINHEIRO NOVO

CISTERNA

MOIMENTA CARVALHAS MONTESINHO

SERNANDE

S.TA CRUZ

SALGUEIROS

TRAVANCA

FRESULFE

LAGARELHOS

PAÇÓ

VARGE

QUINTAS DE RIO FRIO

SOEIRA

OLEIRINHOS

SOBREIRÓ DE CIMA

CAROCEIRAS

BAÇAL

MEIXEDO

QUINTELA

ZIDO FRADES

PETISQUEIRA

RABAL

ESPINHOSELA

ESPINHOSO

VILA BOA DE OUSILHÃO

MOAZ

PALÁCIOS

GIMONDE

S. JULIÃO DE PALÁCIOS

BRAGANÇA

OUSILHÃO

ALVAREDOS

SÃO PEDRO

ARMONIZ

MILHÃO

SAMIL

CARRAZEDO

VEIGAS

QUINTANILHA

EDROSA

PALAS

FREIXEDELO

REBORDÃOS

VALE DE ARMEIRO

ZOIO

MELHE

NUZEDO DE BAIXO

PORTO

HENDAYE

ALFAIÃO

VALE DE JANEIRO

CHAVES

VILA MEÃ RIO MAÇÃS

CARAVELA BABE

VALE DE LAMAS

VILA NOVA

VINHAIS

CASTRO

VALPAÇO S. JUMIL

DEILÃO

LAVIADOS SACOIAS

DONAI SOBREIRÓ DE BAIXO

CANDEDO

MADRID

GRIJÓ DE PARADA

FAILDE

REFOIOS

ALCAÑICES ZAMORA

REBORDELO EIRAS MAIORES

MINAS

MÓS DE CELAS

VALE DAS FONTES

PARADINHA

CELAS VALVERDE

LANÇÃO

ARGANA

PARADA OUTEIRO

CABANAS MURÇÓS

FORNOS DE LEDRA

S.TA COMBA DE ROSSAS

REGADEIRO

ALA

VALE DE TELHAS

CABANELAS

PODENCE

CORUJAS

LATÃES

SANCERIZ

SENDAS ESTE

LAMAS

AVANTOS

ABAMBRESS VALE PEREIRO

IZEDA

MINAS DE SANTO ADRIÃO

MACEDO DE CAVALEIROS

TALHINHAS

VALE PEREIRO

REMONDES

BRUNHOSO

URRÓS

VILAR DOS SINOS

VILA FLOR ADEGANHA

RA

SALAMANCA

Felgar - Torre de Moncorvo, Pormenor do painel das Almas.

BRUÇÓ

A

NA

SOUTO DA VELHA

LAGOAÇA DO

CARVIÇAIS

DO

REGO DA BARCA

URO

TORRE DE MONCORVO

LOUSA

GRANJA

QUINTA DE MARTIM TIRADO

MÓS

MAZOUCO

QUINTA DO JUNCAL

BARRAGEM DO POCINHO PERÊDO DOS CASTELHANOS

O

RIO

COLEJA SR.ª DA RIBEIRA

R

FELGAR

CABEÇA BOA

SEIXO DE ANSIÃES

CARRAPATOSA BEIRA GRANDE BARRAGEM DA VALEIRA

BO

HENDAYE

PEREDO DE BEMPOSTA

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ALGANHAFRES

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LARINHO

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ORTA CASTEDO

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VIDE MOURÃO

BARRAGEM DA FONTELONGA SELORES VILARINHO DA CASTANHEIRA

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LINHARES TUA

CARDANHA

RIO

MARZAGÃO

CASTELO BRANCO MEIRINHOS

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CARRAZEDA BELVER DE ANSIÃES

JUNQUEIRA

NABO

BARRAGE DE BEMPOSTA

BEMPOSTA

VILARINHO DOS GALEGOS

RQ

ARCO

AREIAS

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ALGOSINHO VALVERDE

SENDIM DA RIBEIRA

CARVALHO DE EGAS

TÓ LAMOSO

VILAR CHÃO

PARADA

POMBAL

AZINHOSO

MOGADOURO SALGUEIRO

ALFÂNDEGA DA FÉ

BARRAGEM DO SALGUEIRO

BARRAGEM DE PICOTE

BRUNHOSINHO

UR

ASSARES

VILAR SECO

VILARELHOS

VALE FRECHOSO

SENDIM

BARRAGEM DO CASTELO VARIZ

SANTA COMBA DA VILARIÇA

VILARINHO

SR.ª DA ASSUNÇÃO

VIEIRO

VILARIÇA

PENAS ROIAS

CASTRO VICENTE

BARRAGEM DE ALFÂNDEGA DA FÉ

FONTE DE ALDEIA PICOTE

VALE DA MADRE

SAMBADE BARRAGEM DA BURGA

RIO TUA

VILA CHÃ DA BRACIOSA PRADO GATÃO

SALDANHA

CASTANHEIRA

UR

TRINDADE

BARRAGEM DE MIRANDA

MIRANDA DO DOURO

PALAÇOULO

TEIXEIRA S. MARTINHO DO PESO SOUTELO

CACHÃO RIBEIRINHA

MORA ALGOSO

VALECERTO

LAGOA PEREDO

GEBELIM

AVIDAGO

DUAS IGREJAS AGUAS VIVAS

LOMBO

CHACIM

CARAVELAS

ABREIRO

S. PEDRO DA SILVA FONTE LADRÃO

JUNQUEIRA

SOEIMA

VALDE DE ASNES

FRECHAS

TALHAS

MALTA

BORNES CEDÃES

PORTO

MALHADAS

GRANJA

MATELA VALE DE ALGOSO

MORAIS

BALSAMÃO

VALE DE ÁGUIA

GENISIO VILAR SECO

CAMPO DE VIBORAS

BAGUEIXE

GRIJÓ

VALE BENFEITO

MIRANDELA

VILA REAL

SALSELAS VALE DA PORCA

PINHOVELO

ROMEU

ALDEIA NOVA

CAÇARELHOS

SANTULHÃO

VINHAS

CERNADELA SUÇÃES

PARAMOS

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VIMIOSO

MACEDO DO MATO

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RIO

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PARADELA

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SANTA COMBINHA

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LAMAS DE ORELHÃO

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JOANICO

V.ª FRANCA

VALE DA LAGOA

ALVITES

CICOURO

ANGUEIRA SERAPICOS

PINELO

QUINTA DE MONTEZINHOS

SERAPICOS

VEIGAS

BRINÇO

VALE DE PRADOS

VALE DE SALGUEIROS

AVELANOSO

SALSAS FERMENTÃOS

PORTO

VALE DE FRADES ARGOZELO

COELHOSO

POMBARES

ARCAS

MOGRÃO

VALE DE GOUVINHAS

S. MARTINHO

MINAS DA RIBEIRA

PINELA

PEREIROS

TORRE DE D. CHAMA

VILA REAL

QUINTA DE VALE DA PENA

DO UR O

PENSO

SOUTELO

RIO

TUIZELO

AVELEDA

FRANÇA

COVA DE LUA

MAÇÃS PARÂMIO

SANDIM

BRITO

RIO DE ONOR GUADRAMIL

VILARINHO

H

SANTALHA NUZEDO DE CIMA

ZEIVE

DINE

N

EDROSO PASSOS DE LOMBA

MONTOUTO

LANDEDO

QUADRA

AÇOREIRA QUINTA DE S. TIAGO

FREIXO DE ESPADA À CINTA

VILA NOVA DE FOZ CÔA

A

SEIXAS

VILAR SECO

PORTELO

MOFREITA

QUIRÁS

P

VILARINHO DE LOMBA

LIGARES POIARES

S

URROS

BARCA D'ALVA

E

LISBOA

Legenda: Retábulo das Almas do Purgatório

A

s igrejas da diocese de Bragança-Miranda são possuidoras de um expressivo acervo artístico nas diversas áreas, contudo é na talha dourada onde podemos encontrar os exemplos mais eloquentes e ricos. O surpreendente é que estas maravilhas não se esgotam apenas nos grandes centros e podemos encontrar centenas de espécimes de grande valor nas povoações mais remotas. Com o inventário de todos os retábulos da diocese de BragançaMiranda, ressalta outro facto surpreendente: a quantidade de espécimes de invocação às Almas do Purgatório (113 retábulos). A proliferação dessas obras de piedade popular decorre, em grande parte, do acatamento das deliberações tridentinas (1545-1563) que, neste aspecto específico, inLigares - Freixo de Espada à Cinta, centiva o uso da iconografia como pormenor do painel . um privilegiado instrumento edupelos cabelos os condenados para cacional. A partir dos finais do século XVII a “Boca do Inferno”, representado até metade do século XIX, a ten- por um dragão ou outras figuras dência invocativa apresenta pai- zoomórficas. É também frequente, néis em alto-relevo, extremamente no meio de toda aquela azáfama, didácticos, de grande dramatismo surgirem caldeirões para onde ale intensidade, usualmente dividi- gumas almas são enviadas. No centro do dos em três plapainel, irrompe o nos: o Inferno, segundo plano – Purgatório e o A ladeá-lo a representação Paraíso. do Purgatório O primeiro ocorrem algumas -, com principal plano, em baixo, almas desnudadas para a surge a represenque entre as labaredas destaque figura de São Mitação do Inferno, vão implorando guel, de aspecto usualmente lademisericórdia divina refinado, vestido ado de labaredas à romana, de rubras, almas peescudo e lança nadas de todos estratos sociais (como frades, reis, bis- ou com uma balança “a pesar” os pos, etc.) de maneira a “creditar” a pecados das almas ou a derrotar igualdade de todos perante Deus. o Demónio de aspecto hediondo Surgem também vários demónios ou animalesco. A ladeá-lo ocorrem e outras figuras horrendas a em- algumas almas desnudadas que purrar com enganchas ou a puxar entre as labaredas vão implorando

misericórdia divina, de braços erguidos em prece ou com uma mão a tentar evitar o precipício no Inferno. É também frequente a representação de São Domingos ou São Francisco a salvar algumas almas com uma mão ou a lançar o cíngulo da batina. No topo rompe o terceiro plano – Paraíso -, representado através da Santíssima Trindade: pelo Pai Eterno, Jesus Cristo e a pomba, símbolo do Espírito Santo. Um pouco mais abaixo, aparece ainda a representação da Virgem Maria, os Bem-Aventurados e alguns serafins.

Ligares - concelho de Freixo de Espada à Cinta

Lagoa - concelho de Macedo de Cavaleiros


¿

contrabando, JUNHO/JUNIO de 2010

OPINIÕES/OPINIONES

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Qual a sua opinião perante a realidade da diferença de salários para o mesmo trabalho, em ambos os lados da fronteira raiana? Cuál es su opinión ante la realidad de la diferencia de salarios por el mismo trabajo, en ambos lados de la frontera raiana?

Do Lado Esquerdo & Direito Del Lado Esquierdo & Derecho António Edmundo Ribeiro (PSD)

José Francisco Bautista (PSOE)

Trabalho igual, salários diferentes?

Salario base

H

D

istóricamente las diferentes fronteras han marcado formas de vida a su vez muy diferentes unas de otras. Nos referimos a las fronteras entre países, entre regiones, entre comarcas, entre zonas. La mayoría de las veces esas diferencias no vienen marcadas – que también, por supuesto, tanto por las distancias como por causas naturales o hechos puntuales que han marcado unos derroteros u otros. Claro ejemplo de esto que estamos diciendo serían los idiomas; si haciendo un esfuerzo imaginativo podemos considerar al antiguo indoeuropeo como la madre de todos los idiomas, fíjense en la variedad y diversidad de lenguas, idiomas y sonidos que han llegado hasta nuestros días. Aunque luego, muchas de esas palabras y sonidos sean lo mismo con distintas pronunciaciones y distinta evolución fonética. Esta misma idea es aplicable al nivel de vida y a la riqueza que los distintos países y regiones han sido capaces de generar en sus territorios a partir de los productos de la tierra, de la elaboración y transformación de sus productos y de otros y de la tecnología e innovaciones capaces de desarrollar.

...la crisis económica mundial que estamos viviendo en estos momentos va a hacer... que las diferencias de rentas y de nivel de vida se noten muchísimo más.”

Al final, esta suma de procesos y, otros muchos más, son los que marcan el nivel de desarrollo y de bienestar de los territorios y de sus habitantes. Uno de los objetivos de la creación de la U.E es ese: igualar rentas y bienestar de los habitantes de los países miembros.

Sin profundizar más en el tema, se nos plantea un objetivo ideal, pero de logro muy difícil o imposible. Si a la idiosincrasia particular de cada país, región, territorio y, si me apuran, cada pueblo o aldea, unimos la visión tan diferente y dispar del futuro que queremos y de los medios u acciones necesarias para conseguirlo, se nos plantea más bien un panorama caótico. La globalización de economías, rentas y nivel de vida, aún reconociendo grandes avances, está – en nuestra opinión, lejos de lograrse y de llegar a ese nivel ideal de nirvana. Por supuesto que la crisis económica mundial que estamos viviendo en estos momentos va a hacer mucho más difícil conseguir ese estado ideal y va a hacer – a corto plazo – que las diferencias de rentas y de nivel de vida se noten muchísimo más. Ahora bien, y en respuesta al título que da píe a este artículo: igual trabajo, igual retribución. Aunque mucho nos tememos hermanos de Portugal que de momento, y por algún tiempo, esto no va a ser así. En cualquier caso, seguiremos luchando por ese enunciado básico antes mencionado y, quizás, fruto de nuestro tesón y nuestra perseverancia algún día lo conseguiremos. Algunos estamos en ello.

José Francisco Bautista es alcalde de Hinojosa de Duero por el Partido Socialista Obrero Español (PSOE)

e um lado e do outro da fronteira, nem sempre o valor “trabalho” é tido na mesma consideração. Sendo certo que Espanha tem uma maior taxa efectiva de desemprego do que Portugal, também é certo que um colaborador espanhol ganha em média mais 25% do que um colaborador português, sendo que em algumas profissões chegam a ganhar o dobro. Creio que na fronteira é mais ténue a diferença nas taxas efectivas de desemprego, até porque muita gente em Portugal não se inclui formalmente no desemprego por se encontrar em formação, Rendimento Social de Inserção ou outra situação não abrangida pela estatística. Não será pois tão diferente o número efectivo de desempregados percentualmente. A fronteira não foge à norma que dita que a remuneração média é mais elevada no país vizinho, com raras excepções de algumas profissões como os médicos, o que faz com que sejam esses, praticamente, os únicos profissionais a demandar o nosso país para trabalhar, contrapondo com maior número de portugueses a trabalhar em Espanha, sobretudo na construção civil e serviços. Mas também é mais desigual o nível remuneratório em Portugal no que respeita à diferença salarial da base para o topo. Em Espanha não é tão desigual essa diferença salarial dentro de uma mesma organização. De um modo geral, a qualidade de vida é maior no país vizinho, que tem melhores índices de longevidade, maiores custos com a saúde e bem-estar geral, sendo aí menos onerosos os custos com automóveis, comunicações ou energia, só para citar alguns, e menor a carga fiscal resultante do IVA, Impostos sobre o rendimento e sobre automóveis e combustíveis. Contudo, na fronteira próxima – 50 km para cada lado da fronteira – é provável que haja mais competências profissionais do lado português, porventura derivadas do municipalismo, com mais engenheiros, arquitectos, técnicos de ordenamento e agricultura, maior oferta educativa e de equipamentos sociais, culturais e desportivos; e também espaços comerciais, se bem que nos últimos anos, mesmo junto à fronteira, cresceram os espaços comerciais do

lado espanhol face ao aumento das taxas de IVA em Portugal, que chegaram a ser 5% mais elevadas do que em Espanha, deslocalizando consumos de Portugal para aquele país. O nosso modelo de descentralização administrativa ditou que no nosso país, de 30 em 30 km, haja uma Câmara Municipal e uma economia própria e complementar das muitas atribuições e competências das Autarquias Locais. Por esta via, acabaram por fixar-se nos territórios algumas competências e serviços que em Espanha só encontraremos nas cidades maiores (Zamora ou Salamanca). Por essa via, fixaram-se técnicos com vencimentos médios entre os 800 e os 1400 euros no lado português, sendo esse já considerado um bom salário, enquanto que do lado espanhol quem ganhe menos de 1000 é de certo modo considerado desfavorecido (existe mesmo uma expressão “coitados dos mil euristas” para caracterizar estes trabalhadores). Já na educação e na saúde, chegam a ser significativa e superiormente remunerados os profissionais portugueses, começando a surgir técnicos superiores espanhóis a querer trabalhar em Portugal.

...país vizinho, que tem melhores índices de longevidade, maiores custos com a saúde e bem-estar geral, sendo aí menos onerosos os custos com automóveis, comunicações ou energia..

No atinente às profissões auxiliares e menos técnicas, e mais próximas dos ordenados mínimos, sendo igual o trabalho, é desigual o salário, sendo superior em Espanha, se bem que ao nível da produtividade Espanha leva vantagem apreciável, provavelmente na razão directa da diferença salarial, o que pode dar razão aos que defendem que salários baixos são parte do problema quando se quer atingir maior produtividade e desenvolvimento.

António Edmundo Ribeiro é presidente da Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo pelo Partido Social Democráta (PSD)


contrabando, JUNHO/JUNIO de 2010

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GRAN(DE) ENTREVISTA

O herdeiro luso ...um pretendente a Rei em solo républicano o

Perfil

de Dom Duarte Pio

D. Duarte Pio de Bragança de 65 anos (Berna, 15/05/1945), é o 24.° Duque de Bragança chefe da Casa Real de Portugal, o que quer dizer, representante da dinastia dos Reis de Portugal descendentes de D. Afonso Henriques. A família Bragança foi autorizada a regressar a Portugal pela lei 2040 de 20 de Maio de 1950. A partir dessa altura Dom Duarte de Bragança estudou no Colégio Nuno Álvares, de Jesuítas de Santo Tirso, até que em 1960 ingressou no Colégio Militar em Lisboa. Estudou Engenharia Agronómica no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, e mais tarde pós-graduou-se no Instituto para o Desenvolvimento da Universidade de Genebra. Entre 1968 e 1971 cumpriu o serviço militar em Angola como tenente-piloto da Força Aérea Portuguesa. Em 1972 organizou com um grupo multiétnico angolano uma lista independente de candidatos à Assembleia Nacional, iniciativa que terminou com a sua expulsão do território angolano, por ordens do então primeiro-ministro, Marcelo Caetano. Em Abril de 1974, , devido às suas ligações a vários oficiais da Junta de Salvação Nacional, divulgou um comunicado onde afirma: “Vivo intensamente este momento de transcendente importância para a Nação. Dou o meu inteiro apoio ao Movimento das Forças Armadas e à Junta de Salvação Nacional” Foi presidente da Campanha “Timor 87”, campanha nacional de apoio a Timor-Leste e aos Timorenses Em 2006, o Departamento de residentes em Assuntos Jurídicos do Ministério Portugal e em dos Negócios Estrangeiros outros países, (MNE) fundamentou o iniciativa que deu reconhecimento de D. destaque à Causa Duarte Pio de Bragança Timorense. como legítimo herdeiro da Casa Real Portuguesa pelo “reconhecimento histórico e da tradição do Povo Português”

por Daniel Gil

C

omo se pôde chegar a um Interior desertificado, com elevados índices de dependência e reduzido poder de compra, uma mortalidade muito acima da média nacional, uma taxa de analfabetismo na ordem dos 16 por cento, depois de 35 anos de democracia e 100 de república? Dom Duarte - É próprio da “Ética Republicana” defender as maiorias que são quem dá as vitórias. Muito frequentemente esquecem as minorias, ora o interior alberga hoje uma minoria resistente e não é aí que se ganham as eleições. Perdemos um pouco a noção de solidariedade entre as várias regiões, basta ver que ao contrário do que sucede nos outros Países Europeus, as indústrias que se implantaram com o apoio económico do Estado estabeleceram-se nos subúrbios de Lisboa e do Porto. Algumas boas indústrias do interior também de lá saíram porque não tinham vantagem em lá estar e os Engenheiros, Directores, e sobretudo as respectivas mulheres preferiam viver em Lisboa. Faria todo o sentido que o próprio Estado ao construir novos edifícios, ou instalar novos serviços o fizesse em cidades do interior. Quanto aos 100 anos que duraram os três Regimes Republicanos, conseguiram atrasar muito o desenvolvimento económico e social do povo Português, comparando obviamente com o desenvolvimento dos outros Países Europeus. Em 1900 estávamos a meio da Tabela de Desenvolvimento Europeu e hoje estamos no fundo. Não adianta muito que toda a gente saiba ler se depois não se lê quase nada com excepção dos Jornais Desportivos. A Raia é uma encruzilhada de caminho históricos, com carácter e mais identidade do que alguns pensam, que esperança e coragem daria aos raianos? Dom Duarte - Talvez por beneficiarem de um certo isolamento e, por outro lado, pelo confronto secular com a fronteira, os Raianos desenvolveram uma personalidade muito forte e um sentido de Patriotismo muito elevado. Se essas qualidades forem postas ao serviço do verdadeiro progresso das suas regiões os resultados certamente que serão excelentes. Infelizmente por problemas culturais e falta de apoios muitas vezes vemos em Portugal “desenvolvimento sem progresso”, quero dizer com isso, construir coisas inúteis ou casas e edifícios públicos aberrantes que destroem a paisagem são formas de desenvolvimento mas não é certamente progresso, é até um grave retrocesso.

www.casarealportuguesa.org Casa Real Portuguesa

Página oficial

Duques de Bragança

Armas da Sereníssima Casa de Bragança

D. Afonso I de Bragança (1377 - 1461) D. Fernando I de Bragança (1403 - 1478) D. Fernando II de Bragança (1430 - 1483) D. Jaime I de Bragança (1479 - 1532) D. Teodósio I de Bragança ( ? - 1563) D. João I de Bragança (1543 - 1583) ça a ((1568 - 1630) D. Teodósio II de Bragança D. João IV (1604 - 1656) a (1 ((1634 6 - 1653) D. Teodósio III de Bragança 83) 3 D. Afonso VI (1643 - 1683) 0) D. João V (1689 - 1750) D. José I (1714 - 1777) 6) D. Maria I (1734 - 1816) D. José de Bragança (1761 - ?)

entrevista a Dom Duarte de Bragança

D. João VI (1767 - 1826) D. Pedro IV (1798 - 1834)) D. Miguel I (1802 - 1866)) D. Maria II (1819 - 1853)) D. Pedro V (1837 - 1861)) 185 8 - 1927) D. Miguel de Bragança (1853 D. Carlos I (1863 - 1908) 1 D. Luiz Filipe de Bragança (18 (1887 - 1908) D. Manuel II (1889 - 1932) D. Duarte Nuno de Bragança (1907 - 1976) D. Duarte Pio de Bragança (194 -)

Como vê a distribuição ou a concentração humana nos territórios, e nesse sentido, para si, qual seria a porção ideal ou sustentável. E de que modo deveria evoluir, no seu entender, a organização territorial e administrativa central, local e regional do país. Regionalização? Descentralização administrativa, por ministérios? Outras formas a reinventar? Dom Duarte - Uma regionalização eficiente e economicamente viável poderia ser obtida por uma livre associação de Municípios. Já vemos isto acontecer naturalmente quando muitos concelhos se juntaram ao longo das regiões naturais, frequentemente acompanhando os rios para resolverem problemas concretos. O que não concordo é com a criação de mais instituições com mais cargos remunerados pagos por nós… Por outro lado em Espanha sente-se o desejo de algumas das suas regiões puderem “absorver” regiões Portuguesas vizinhas. O que diria a alguém que lhe explicasse que emigra porque o seu país é pequeno, pobre, com escassos recursos, e que tem de ser assim? Isto continua a explicar a emigração apesar de vivermos em democracia e num mercado comum? Dom Duarte - Diria que com o que viesse a ganhar lá fora se juntasse a amigos e vizinhos e criasse empreendimentos produtivos e rentáveis nas suas terras em vez de construir casas que frequentemente destroem paisagens e que muitas vezes apenas são usadas nas férias. Como vê a questão da imigração no nosso país e o fenómeno da insegurança? Dom Duarte - Acho que a imigração tem de ser controlada e organizada para que estes homens e mulheres possam integrarse e serem felizes entre nós. Permitir a imigração clandestina e legalizar a presença de pessoas que não se sabe do que vivem não é inteligente nem justo para com a restante população e é negativo para os próprios imigrantes clandestinos que podem até vir a ser escravizados. O partido comunista espanhol, na década de 70 admitiu a monarquia popular espanhola, muito antes do PSOE! O que diria aos grupos parlamentares da esquerda portuguesa sobre o seu projeto monárquico? Dom Duarte - Diria o que disseram recentemente os Primeiros-ministros da Suécia e da Holanda, ambos Socialistas e Republicanos: “O nosso País já é uma Republica e o nosso Rei (ou Rainha) é o melhor defensor na nossa Republica.”. Os Países mais desenvolvidos da Europa perceberam que um Rei como Chefe de Estado dá uma mais valia fundamental para o seu progresso equilibrado.

Dom Duarte com o seu pai Dom Duarte Nuno de Bragança

Dona


contrabando, JUNHO/JUNIO de 2010

...o herdeiro luso Uma regionalização eficiente e economicamente viável poderia ser obtida por uma livre associação de Municípios”

Que opina da postura das forças sindicais e patronais nestes últimos 35 anos perante os resultados a que o país chegou? Dom Duarte - Durante a campanha que lancei por Timor colaborei muito com a UGT central sindical e até hoje continuo a acreditar que falta um diálogo construtivo da parte de muitas empresas e do Estado com os Sindicatos. Há empresas que o conseguiram, como é o caso da TAP, e noutras os Sindicatos foram marginalizados pelo pessoal quando este percebeu que as revindicações punham em risco o futuro da sua empresa. Infelizmente o “modelo social Europeu” já quase acabou na Europa por necessidade de aguentar a concorrência dos países com uma economia mais liberal. As empresas não têm que se substituir à Segurança Social, mas por outro lado seria fundamental que empresas e empregados trabalhassem em conjunto por um interesse comum. Como se sente um rei que não reina, perante um marasmo e uma encruzilhada que se atravessa no seu povo e que estratégias ou que visão tem a causa real portuguesa para atingir os seus intentos? Dom Duarte - A Causa Real conta somente com a boa vontade da parte mais militante dos seus cerca de 10 mil associados para cumprir a sua missão principal que é de levar a todos os Portugueses uma mensagem clara sobre o que é a proposta Monárquica nos nossos dias. Esta proposta consiste basicamente em que Portugal ganharia muito se no topo do Estado em vez de um Presidente, politicamente comprometido com algum partido e às vezes até com grupos económicos que financiaram a sua campanha, tivesse um Rei, que seria um juiz verdadeiramente independente, um elemento de estabilidade politica e uma garantia da nossa democracia e independência. Os seus poderes dependeriam da constituição que seria definida pelo Parlamento. Mas de certeza que seria muito semelhante ao papel que desempenham outros Reis Europeus. Pessoalmente tento ajudar Portugal no que posso e frequentemente tenho colaborado com os Governos e com alguns Presidentes da República como aconteceu por exemplo no caso de Timor. Foi a minha intervenção junto do Governo da Indonésia que desbloqueou o impasse a que tínhamos chegado. Quais são as relações institucionais, pessoais, culturais ou de outro tipo que tem com a monarquia espanhola? Dom Duarte - Mantenho relações de amizade pessoal com todos os Reis e Rainhas Europeus e com algumas famílias Reais Africanas e Asiáticas. Isabel de Herédia e Dom Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança

Recentemente em Valença do Minho foram hasteadas bandeiras espanholas em sinal de protesto pelo encerramento de um SAP. O que pensa sobre esta situação? Dom Duarte - Teria muito mais impacto e seria mais positivo se hasteassem como protesto a bandeira Portuguesa azul e branca. Usarem a bandeira espanhola é um erro gravíssimo que demonstra falta de inteligência politica. Se ao menos tivessem posto a bandeira da Galiza… Teria alguma lógica. Para que possa ser discutida verdadeiramente a implantação da monarquia em Portugal, até que ponto pensa ser necessário o papel de um político, como foi Adolfo Soares em Espanha? Dom Duarte - Claro que seria muito vantajoso, mas neste momento o Presidente da Causa Real, que é o movimento monárquico oficial, foi membro de vários governos e este movimento conta também com outros antigos Ministros entre os seus membros. Há quem opine que o bloco central está esgotado. Que conselho íntimo daria aos políticos, desde a monarquia que representa, sobre a sua legitimidade? Dom Duarte - Concordo com o Presidente da Republica que considera útil uma coligação que dê segurança ao Governo para tomar medidas necessárias mesmo que pouco populares. Falando de direitos e de deveres e partindo do facto de que a constituição está acima da monarquia e da republica, como deveria esta (constituição) ser fomentada, aprendida nas escolas, aos portugueses e especialmente aos 16 por cento de analfabetos existentes na raia? Dom Duarte - Infelizmente a nossa constituição actual é muito programática e pouco democrática com o artigo 288B que proíbe ao Povo Português “alterar a forma republicana de Governo”, o que os monárquicos propõem é alterar essa expressão para “forma democrática de governar”. Esta constituição tem alguns aspectos francamente ultrapassados em relação à situação actual. Alguns aspectos positivos talvez pudessem ser ensinados através de programas de rádios regionais. A comissão para celebrar os 100 anos da República dispõs de 10 milhões de euros e poderia pagar às rádios e imprensa local este trabalho. Qual a sua opinião sobre a historia, o património, as tradições e cultura linguística, perante a presente globalização económica e a mundialização sociocultural? Dom Duarte - Esse dinheiro devia também servir para iniciativas úteis no sentido da promoção do nosso património histórico e cultural, incluindo a aprendizagem e divulgação do Mirandês. Quanto mais civilizado e desenvolvido é um país, mais as suas gentes se preocupam em preservar estes valores porque percebem que se estes forem perdi-

Dona Isabel, Duquesa de Bragança

11

dos ficariam todos muito mais pobres. Um aspecto que tem sido muito desprezado é que de facto só no Douro e Açores é que é tomada em consideração o conceito de paisagem. Os institutos e entidades estatais protegem (mais ou menos) alguns monumentos mas ninguém se preocupa em proteger a paisagem natural e a construída e por isso grande parte do território nacional encontra-se muito desfigurado tendo caído numa decadência 3º Mundista. Ao lado de monumentos belíssimos deixam construir os piores mamarrachos até em locais tão importantes como a Torre de Belém ou a Sé do Porto, aldeias medievais desfiguradas por casas de emigrantes ou monumentos desfigurados por obras de arquitectos atrevidos, ignorantes ou sem qualquer respeito para com a nossa memória construída. A única alternativa possível é a de iniciativas como a do vosso Jornal, Associações, Movimentos Culturais, algumas Câmaras Municipais mais esclarecidas liderarem um movimento para o respeito e protecção da nossa paisagem e memória do nosso futuro. Como vê o fenómeno Fátima e a postura da igreja portuguesa? Dom Duarte - O que eu disse está perfeitamente representado em Fátima que se desenvolveu muito, pois a arquitectura e o urbanismo são completamente caóticos. O último Reitor teve a insensatez de estragar a esplanada onde cabiam um milhão de pessoas construindo em cima aquela espécie de Basílica caríssima e absurda. Todos os Bispos com quem falei sobre o assunto não concordavam, mas a obra acabou por se construir tornando impossível a concentração de mais de 600 mil pessoas. A mania de construírem Igrejas que destoam da paisagem e das referências culturais infelizmente tem sido critério nos últimos anos em Portugal. Ao contrario do que se passa nos países mais democráticos onde a vontade da população é ouvida. Por outro lado a nossa Igreja tem sabido ajudar o Povo Português a aproveitar a mensagem de Fátima para o nosso progresso espiritual embora alguns sacerdotes modernos não gostem muito das manifestações de “espiritualidade popular”. É também um problema de falta de cultura de alguns Sacerdotes. Que opinião tem sobre o fenómeno ‘computador Magalhães’ e a massificação do ensino do inglês? Dom Duarte - Acho que vamos ter uma geração de crianças míopes e com alguns problemas no desenvolvimento intelectual. Quanto à massificação do inglês, ainda não percebi bem as suas consequências. Fala-se de economia sustentável, de ecologia e de bem-estar, como conjuga estes três fatores?Dom Duarte - Estes 3 factores são complementares e cada vez mais importantes para termos um futuro viável. A liberalização descontrolada do comércio Mundial está a arruinar regiões e povos e tem que ser controlada usando critérios como estes que referiu. Importar o mesmo que se produz local ou nacionalmente é errado sobretudo quando se pensa na poluição provocada pelo transporte desses produtos ou quando são produzidos em países que não respeitam o ambiente e os Direitos Humanos. Mas temos que começar por ser nós próprios a fazer as escolhas certas quando compramos produtos

Dom Dinis, Afonso de Santa Maria e Dona Maria Francisca com os pais


contrabando, JUNHO/JUNIO de 2010

GRAN(DE) ENTREVISTA

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A Monarquia Parlamentar Portuguesa

Portugal - Cavaco Silva

ÂżQuiĂŠn es y cuĂĄl es la funciĂłn del presidente de la Republica?

E

l presidente de la republica es el jefe del Estado. De este modo, “representa a la republica portuguesaâ€?, “garantiza la independencia nacional, la unidad del Estado y el correcto funcionamiento de las instituciones democrĂĄticasâ€?, y es el Comandante Supremo de las Fuerzas Armadas. La legitimidad democrĂĄtica que posee la adquiere atraves de la elecciĂłn directa de los portugueses. Se encarga de nombrar al Primer Ministro, y el gobierno solo puede dimitir, despuĂŠs de ser oĂ­do por el Congreso de Estado, cuando sea necesario para garantizar el correcto funcionamiento de las instituciones democrĂĄticas (lo que significa que no lo puede hacer Ăşnicamente por falta de confianza polĂ­tica). El presidente no se encarga de legislar, pero si de promulgar (firmar), para poder despuĂŠs publicar las leyes de la Assembleia da Republica y los Decretos Ley o Decretos sobre el funcionamiento del Gobierno. Si tiene dudas cuanto a su constitucionalidad, debe recurrir al Tribunal Constitucional, siendo cierto que si este tribunal se decanta por el sentido inconstitucional, el presidente no podrĂĄ promulgar el diploma y debe devolverlo al Ăłrgano que lo aprobĂł. El presidente puede vetar polĂ­ticamente el diploma, sin promulgarlo, al Ăłrgano que lo aprobĂł (el veto

polĂ­tico puede ser ejercido tambiĂŠn despuĂŠs de que el Tribunal Constitucional llegue a la conclusiĂłn de que carece de inconstitucionalidad). El veto polĂ­tico es absoluto, en el caso de los diplomas del gobierno, pero es meramente relativo en el caso de diplomas de la Assembleia da Republica que pueden ultrapasar el veto polĂ­tico, con una mayorĂ­a reforzada. En el ĂĄmbito de las relaciones internacionales, y como representante mĂĄximo de la Republica Portuguesa, son competencia del presidente, ademĂĄs de la declaraciĂłn de guerra o paz, la ratificaciĂłn de los tratados internacionales, indultar y conmutar penas, escuchar al gobierno, conceder condecoraciones y ejercer la

(1820-1910)

A

funciĂłn de gran maestre de las ordenes honorificas portuguesas, nombrar y exonerar, segĂşn la propuesta del gobierno, al presidente del Tribunal de Cuentas y al Procurador General de la Republica. De esta forma, el tipo de poderes que posee el presidente de la republica nada tienen que ver con la clĂĄsica triparticiĂłn de los poderes entre ejecutivo, legislativo y judicial.

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histĂłria do parlamentarismo constitucional portuguĂŞs começa com a Constituição de 1822, aprovada na sequĂŞncia da revolução liberal de 1820. Preconizava-se o princĂ­pio da divisĂŁo tripartida dos poderes, em que o poder judicial deveria ser independente e que o poder executivo nĂŁo podia “obrar senĂŁo por meio de ministros responsĂĄveisâ€?. A Junta Provisional, entĂŁo constituĂ­da, organizou as eleiçþes para as Cortes. Os representantes da nação foram eleitos atravĂŠs do sistema eleitoral consagrado na Constituição liberal espanhola de CĂĄdis de 1812, apenas com algumas adaptaçþes Ă  realidade portuguesa. Esta assembleia constituinte, embora com a incumbĂŞncia primeira de elaborar uma constituição, designou desde logo um novo governo, a RegĂŞncia, substituindo a Junta Provisional do GovĂŞrno Supremo do Reino, que tinha dirigido o paĂ­s desde o triunfo da revolução. Legislou igualmente de forma soberana sobre os mais variados assuntos de natureza polĂ­tica, econĂłmica e social (3) e impĂ´s ao Rei D. JoĂŁo VI o seu regresso do Brasil – onde se havia refugiado com a corte apĂłs as invasĂľes francesas - para prestar juramento das Bases da Constituição. Na Constituição de 1822 ficaram consagrados os princĂ­pios ligados aos ideais liberais da ĂŠpoca, os trĂŞs poderes polĂ­ticos - legislativo, executivo e judicial - sĂŁo rigorosamente independentes e o poder legislativo ĂŠ atribuĂ­do Ă s Cortes em exclusivo, embora sujeito Ă  “sancção Realâ€?, instituto semelhante ao da promulgação das leis. O Rei, assistido pelos SecretĂĄrios de Estado, detinha o poder executivo. Dispunha tambĂŠm de veto suspensivo, podendo devolver Ă s Cortes determinado diploma uma sĂł vez. Nas suas relaçþes com o poder legislativo o Rei nĂŁo tinha o poder de dissolver o parlamento. Este primado do parlamentarismo nĂŁo agradava aos partidĂĄrios do absolutismo e com a revolta militar conhecida por Vila-Francada, em Maio de 1823, começa a derrocada da primeira experiĂŞncia liberal em Portugal. D. JoĂŁo VI chega a convocar os trĂŞs estados do Reino (clero, nobreza e povo), para se reunirem em cortes nos moldes do antigo regime. Depois da morte de D. JoĂŁo VI, em Abril de 1826, D. Pedro IV outorga a Carta Constitucional, onde ficam instituĂ­das as Cortes Geraes. A Carta Constitucional consagra, como representantes da Nação, o Rei e as Cortes Gerais e procura um compromisso entre os ideais liberais expressos na anterior Constituição e as prerrogativas reais. O poder legislativo continua a pertencer Ă s Cortes mas a Carta Constitucional atribui ao Rei um poder de veto efectivo, sanção real, com efeito absoluto em alteração Ă  Constituição de 1822. O Rei, no exercĂ­cio do seu poder moderador, passa a ter o poder de dissolver a Câmara dos Deputados. A Carta Constitucional deixou de vigorar em Maio de 1828, data em que D. Miguel convocou os trĂŞs Estados do Reino que o aclamaram rei absoluto. Teria posteriormente mais dois perĂ­odos de vigĂŞncia, em 1834  (data da saĂ­da de D. Miguel do paĂ­s) atĂŠ Ă  revolução de Setembro de 1836 (que, como vimos,  restaurou a Constituição de 1822 atĂŠ Ă  aprovação da Constituição de 1838) e de Janeiro de 1842 atĂŠ Outubro de 1910.  Durante o Ăşltimo perĂ­odo de vigĂŞncia da Carta Constitucio nal, de Janeiro de 1842 (data do golpe de estado de Costa %LVDEXHORV Cabral) atĂŠ Ă  implantação da RepĂşblica, em 10 de Outubro  de 1910, o texto constitucional sofreu alteraçþes atravĂŠs dos Actos Adicionais de 1852, 1885,  1895-1896 e 1907, os quais implicaram importantes mudanças no modelo parlamentar.

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www.presidencia.pt PresidĂŞncia da RepĂşblica portuguesa

PĂĄgina oficial

fonte ĂĄrvores geneolĂłgicas

www.geneallnet.net



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contrabando, JUNHO/JUNIO de 2010

...o herdeiro luso EspaĂąa - Juan Carlos

“O Rei reina mas nĂŁo governaâ€?

Quem ĂŠ e quais sĂŁo os seus poderes?

A Constituição Espanhola de 1978

S

ua majestade o Rei nasceu a 5 de janeiro de 1938 em Roma, onde residia a Família Real, que teve de abandonar Espanha aquando da proclamação da Republica em 1931. Os seus país foram Dom Juan de Borbon e Battenberg, conde de Barcelona e Chefe da Casa Real Espanhola após a renuncia do seu pai o Rei Dom Alfonso XIII, e Dona Maria de las Mercedes de Borbon e Orleaes. Pelo expresso desejo do seu pai, a sua formação elementar teve lugar em Espanha, à qual chegou pela primeira vez aos dez anos, procedente de Portugal, onde residiam os Condes de Barcelona desde 1946, na vila atlântica do Estoril, e após a sua etapa como aluno interno na escola dos Marianistas da cidade Suíça de Friburgo.

Estabelece no seu artigo 1Âş, alinea 3ÂŞ que “a forma polĂ­tica do Estado Espanhol ĂŠ uma monarquia parlamentarâ€?. O Titulo II da Constituição trata da “Coroaâ€? nos seus artigos 56 a 65:

Art. 63 - 1. O Rei acredita os Embaixado-

res e outros representantes diplomåticos. Os representantes estrangeiros em Espanha estão acreditados perante ele. 2. Ao Rei corresponde manifestar o consentimento do Estado nas obrigaçþes internacionais por meio de tratados, em conformidade com a constituição e as Leis. 3. Ao Rei corresponde, depois de previa autorização das Cortes Reais, declarar guerra e fazer a paz. Art. 64 - 1. Os atos do Rei serão referendados pelo Presidente do Governo e, no seu lugar, pelos Ministros competentes. A proposta e a nomeação do Presidente do Governo, e a dissolução prevista no artigo 99, serão referendados pelo Presidente do Congresso. 2. Dos atos do Rei serão responsåveis as pessoas que os referendem. Art. 65 1. O rei recebe do orçamento do Estado uma quantidade global para a manutenção da sua Família e Casa, e distribui livremente a mesma. 2. O rei escolhe e releva livremente os membros civis e militares da sua Casa.

Rei de todos os espanhĂłis pĂłs a morte do anterior Chefe do Estado, Francisco A Franco, Dom Juan Carlos foi proclamado Rei a 22 de novembro de 1975, e dirigiu nas Cortes a sua primeira men-

sagem à Nação, no qual expressou as ideias båsicas do seu reinado: restaurar a democracia e ser o Rei de todos os espanhóis, sem excepção. A transição para a democracia, comandada por uma nova equipa, começou com a lei da Reforma Politica em 1976. Em maio de 1977, o Conde de Barcelona transferiu ao Rei os seus Direitos Dinåsticos e a Chefia da Casa Real Espanhola, num ato que constatava o cumprimento do papel que correspondia à Coroa no retorno à democracia. Um mês depois foram celebradas as primeiras eleiçþes democråticas desde 1936, e o novo Parlamento elaborou o atual texto da Constituição, aprovada em referendo no dia 6 de dezembro de 1978 e ratificada por Sua Majestade O Rei na sessão solene das Cortes Gerais de 27 de dezembro.

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A Constituição estabelece como forma política do Estado a monarquia parlamentar, na qual o Rei arbitra e modera o correto funcionamento das instituiçþes. Na sua mensagem às Cortes, Dom Juan Carlos proclamou expressamente o seu decidido propósito de acata-la e servi-la. De facto, foi a sua atuação que salvou a constituição e a democracia na noite do 23 de fevereiro de 1981, quando os restantes poderes constitucionais estavam presos no Parlamento por uma tentativa golpista. Ao longo do seu reinado o Rei tem visitado os mais diversos países do mundo e os principais organismos internacionais, de carater universal e regional.

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Acontecimentos

no Estoril

O manifesto de Estoril

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7 de abril de 1947 Juan de BorbĂłn, o pai de Juan Carlos, que era por direito o herdeiro da coroa de Espanha nesse momento, tornou pĂşblico um manifesto em que denunciava a ilegalidade da Lei de SucessĂŁo, porque se propunham alterar a natureza da monarquia sem consultar com o herdeiro do trono.

O morte do irmĂŁo Dom Alfonso

F

oi em 1956, no Estoril (Portugal), numa quinta-feira Santa, que o Rei de Espanha Juan Carlos, com 18 anos, matou acidentalmente, segundo versão oficial, o seu irmão Dom Afonso, de 14 anos, com uma arma que pertencia à família. O acidente ocorreu por volta das 21:00 horas, pouco depois da família ter regressado de uma missa. Para uns, o acidente deveu-se a uma certa ingenuidade de D. Juan Carlos que, não sabia que a arma estava carregada e então terå acionado o gatilho de encontro a um muro e que obrigou a bala a fazer ricochete. Outra versão aponta para um Dom Juan Carlos a defender-se de algo que lhe poderia cortar um braço, e em reflexo, acidentalmente terå disparado a arma cuja bala acertou na cabeça de Dom Afonso.


contrabando, JUNHO/JUNIO de 2010

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ALMANAQUE

Almanaque d’água 2010

dia 26 dia 19 dia 12

dia

Junio

4

(do latím Iunius, mês de Juno) é o sexto mês do ano no Calendario Gregoriano e tem 30 dias. Este mês era o quarto no primitivo calendario romano e recebeu o nome que hoje leva segundo alguns em homenagem a Junio Bruto, fundador da república romana, mas otros, crêem que foi assim chamado por estar dedicado à juventude e não falta quem opine que tomou o nome da deusa Juno. Na mitologia romana, Juno era uma deusa, quase equivalente à Hera grega, deusa do matrimonio e rainha dos deuses. Filha de Saturno e Ops, irmã e esposa de Jupiter, com quem tevo dois filhos, Marte e Vulcano e uma filha, Ilitía.

Junho

(del latín Iunius, mes de Juno) es el sexto mes del año en el Calendario Gregoriano y tiene 30 días. Este mes era el cuarto en el primitivo calendario romano y recibió el nombre que lleva según algunos en honor de Junio Bruto fundador de la República romana, mas otros creen que era llamado así por estar dedicado a la juventud y no falta quien opina que tomó su nombre de la diosa Juno. En la mitología romana Juno era una diosa, casi equivalente a la Hera griega, diosa del matrimonio y reina de los dioses. Hija de Saturno y Ops, y hermana y esposa de Júpiter, con el que tuvo dos hijos, Marte y Vulcano y una hija, Ilitía.

1749, GARRIDO, João António © Universidade de Coimbra

junho junio Astrologia Astrología

As pessoas nascidas sob a influência de Gémeos são de fácil comunicação; curiosas e aventureiras, sua natureza se inclinará a não viver na pátria; sedutoras e fascinantes; têm poucos amigos; as mulheres são de grande estima e tidas em muito boa conta, inclinadas para o matrimónio; AMARELA PLATINA, ÀGATA, ALECRIMl e JASMIM.

Las personas nacidas bajo el signo de géminis son comunicativas; curiosas y aventureras, su naturaleza las inclina a no vivir en su país; seductoras y fascinantes; tienen pocos amigos; las mujeres son bastante apreciadas y tenidas en cuenta; inclinadas para el matrimonio; AMARELA, PLATINA, AGATA, ALECRIM y Jazmin.

Agricultura e Jardinagem Agricultura y Jardineria

Cavar, estrumar e semear. Ceifa, no Minguante, do trigo, centeio e cevada. Colher a batata de Fevereiro. Cuidar de milharais, batatais e morangal. Continua a sementeira do feijão para consumo em verde. Plantar batata, pimento e tomate. Colher cereja, cebola, alho, alfaces e aipo, da sementeira de Janeiro. Extrair o mel e a cortiça. Na Horta semear em viveiro alface, alho-porro, nabo, repolho, e couves rábano, flor e Bruxelas, e em local definitivo alface, beterraba, cenoura, chicória, couvenabo, couve-rábano, fava, nabo, rabanete, salsa, etc. Jardim semear begónias, calêndulas, gipsófilas, goivos, e colher rosas, cravos, etc. O Gado, bem bebido, sai dos estábulos na alba ou ao entardecer.

Cavar, echar estiercol y sembrar. En el cuarto menguante, recoger el trigo, el centeno y la cebada. Recoger la patata de febrero. Cuidar de los maizales, patatales y fresales. Continua la siembra de la judia para su consumo en verde. Plantar patata, pimiento y tomate. Recoger cereza, cebolla, ajo, lechuga y apio, de la siembra de enero. Extraer la miel y el corcho. En la huerta, sembrar en el vivero lechugas, ajos, nabos, repollos, flor y coles de bruselas, y en un lugar definitivo lechuga, zanahoria, remolacha, alubias, nabo, repollo, perejil, chicoria, rabano,etc. En el jardin sembrar begonias, calendulas, gubias, gipsofilas y cortar rosas, claveles, etc. El ganado, después de haber bebido abundante agua, sale de los establos al alba o al atardecer.

in “Borda d’Água”

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FERIAS RAYANAS FOTO\ VICENTE SIERRA PUPARELLI

Queijo que se não esquece! por Daniel Gil

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o trouxe desta vez a Hinojosa

de Duero.

Estávamos em 1984, quando encerrou essa magnifica linha, quando a Sociedade Fotográfica de Salamanca se deslocou para ver o último comboio – um veículo especial – que partiu por 25 anos. “foi muito triste! Uma despedida que nos fez reflectir sobre a importância do que ali tínhamos e íamos abandonar”, lembra Juan Rivas Calvo. Até então, o comboio circulava diáriamente - um de ida e outro de volta -, em tempos

Hinojosa de Duero

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odos os anos se realiza no início do mês de Maio, a mais famosa feira de queijo da região das Arribas do Douro e Águeda, e porque o queijo não tira a memória, decorreu a “7ª Feira Internacional del Queso” e a “XII Muestra de Produtos” em Hinojosa de Duero

José Francisco Bautista, alcalde de Hinojosa e fundador des-

apoio que deveria ter”, aponta Bautista. ta feira, crê que “qualquer um “Como sempre digo, faz falta que acompanhe a realização programar, projetar e perioda feira desde o primeiro cer- dizar”, diz frisando “que se se tame, percebe a sua aceitação projeta e priorisa de forma opopular”, feira, cujo objetivo é bjectiva, alguns dos problemas o de dar a conhecer estas ter- que temos nestas terras porturas, os seus produtos, e em con- guesas e espanholas, podem creto os queijos, que segundo começar a solucionar-se”, está Bautista, têm uma qualidade convencido José Bautista. que “têm uma qualidade inveO tema da nova marca regiojável relativamente a qualquer nal “Queso Castellano” criada para toda a auoutro do muntonomia, pela do”, para além Junta de Castede ser gerador la e Leão, prede emprego, agora mesmo cipita-se nesta fixação e valor acrescentado a que se chegou à conversa com Bautista, que esta população. conclusão que as apesar das ex“O queijo na Comarca tem marcas mais locais plicações que lhe têm sido problemas, mas não mais do que funcionam bem... dadas, continua a pensar tinha há dois ou que é uma três anos”, afirma José Bautista, apesar de marca frouxa, “já se chegou à achar que continua a vender conclusão que as marcas mais locais funcionam bem, venperfeitamente. “Hoje com alguma redução dem, e tem um prestígio que o na produção, fruto do natural queijo castelhano não vai gadesaparecimento de alguns nhar nunca”. No entanto, reconhece que produtores e a sua não renovação, o queijo não tem todo o lhe têm tentado dar explica-

ções, do porquê de Queijo Castelhano, cuja ideia, segundo nos explicou, é a de passar a existir uma imagem/marca para vender os diversos subprodutos internacionalmente. José Bautista, espera que as administrações se empehem, mais e que se consiga fazer desta feira do queijo, um evento de dois países, ou duas comarcas, e “que nos sirva a todos para vender terra e produtos”, preconiza. Este 7ª Feira Internacional do Queijo, trouxe 40 produtores de Castela e Leão e de outras autonomias espanholas, de França e Portugal, que trouxe cerca de 10 produtores, bem como as exposições de artesanato e restauração de mó-

O último revisor do Caminho de Ferro. Julian Rivas Calvo de 63 anos, natural de Salamanca, foi o último revisor da linha férrea “Boadilla – Barca d’Alva”, e esteve no último comboio que deixou a estação de Barca d’Alva na manhã de 31 de dezembro de 1984, de que guarda o último

número de bilhete. Revisor da empresa espanhola RENFE, desde os anos 60, tendo-se reformado já em 2005. Julian é dono de uma coleção, “pois tinha muito inte-resse no tema” e foi recolhendo o que “ninguém queria”, até os planos originais da construção,

também de mercadorias. Conta Juan que “os comboios tinham gente - apesar de nos últimos tempos o seu número ter decaído bastante”. Nunca teve problemas, pois fazia questão de ser “muito humano e fechar os olhos” algum que não tinha bilhete e necessitava de viajar

FOTOS\ DANIEL GIL

entre centenas de artefactos e memórias que guarda desta via. Tem tudo guardado, pessoalmente na sua casa em Salamanca, e cede sempre parte deste material, quando solicitado para este tipo de eventos, como a exposição “El Tren de Las Arribes en el Tiempo”, que

para sobreviver. Lembra ainda um “ferrobus, que explodiu o motor, em 1982, e os obrigou a todos a ficar horas na montanha e com 40 graus”. Tinha uma relação extraordinária com os portugueses, afirma este revisor, que não esquece e é guardador das memórias. Pub


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CRÓNICAS DOS TEMPOS ^ Declaração Tres

Ano Zero Universal António José Borges

Declaração Universal dos Direitos Humanos Artigo 3.º

Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. assunto), assim como impedia Iraque, dizia então, cumpre-se que nas últimas duas déca- minimamente este artigo 3º das se realizassem congressos da Declaração…? Mas basta de importantes sobre a doença. tempo de antena sobre o impeNa verdade, o processo para rialismo e a hipocrisia. revogar a medida começou já Falando de outras paragens, durante o mandato de George declaro que vivo num país ridíW. Bush, quando o Serviço de culo, Portugal, onde o conceito Imigração anunciou que tinha moderno de liberdade é relalevantado a proibição nos seus tivo e onde, na verdade, tamregulamentos internos. A SIDA bém há uma certa liberdade provavelmente já não é a prin- excessiva, pois o direito a um cipal causa de morte entre os tecto é fundamental num país cidadãos dos EUA com idades sério. Concretizando, não quecompreendidas entre os 25 e rendo enveredar pelo deploos 44 anos, como dantes, mas rável mercado da especulação 1,1 milhões continuam a viver imobiliária de janotas de lábia com essa doença. pré-feita nos armazéns do maA ordem contemporânea rketing canibalista, repare-se da actualidade que enquaninternacional to na Europa implica que useo preço das ...repare-se que enmos exemplos casas desceu quanto na Europa o menos dignos 2,8%, provaveldos que se apre- preço das casas desceu mente fruto da sentam como 2,8%, provavelmente crise, em Portuexemplos e fruto da crise, em Por- gal subiu 0,4%. onde, não raras Portanto, o tugal subiu 0,4% vezes, no apachico-esperto, rentemente meo novo-riquislhor pano a nódoa cai. Assim, mo continua a ganhar terreno no Iraque, onde há ataques em Portugal. Tenho mesmo terroristas todos os dias (seme- conhecimento de alguém que lhantes a outros que de longe a tentou baixar o preço de uma longe são perpetrados noutros casa que gostaria de arrendar, países), fruto de uma guerra ao que recebeu com resposta em grande parte inútil e ago- da parte de um agente imobira sabida como desastrada da liário da Remax, com um boné parte dos EUA, que provocou à cowboy, que ele e a dona da e provoca ainda mais sofrimen- casa não pactuavam com revoto do que antes aos civis, no lucionários e que ele já sofrera

Ibéria Distante Isabel Matos

A minha língua, minha casa

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prender outras línguas é um desafio imenso: adquirir vocabulário, apreender novos fonemas, criar estratégias de memorização, assimilar estruturas gramaticais, acertar a dicção, saber quais os erros mais comuns para evitá-los, detectar falsos amigos, fazer exercícios para ganhar prática. Treina-se a compreensão e a expressão oral, a escrita. O cérebro faz as ligações necessárias para que pelo menos alguma da informação fique armazenada, para depois continuar a treinar a escrita e a oralidade, evitar erros, memorizar estratégias, ganhar prática. É um exercício de humildade. É uma das razões por que as crianças são os alunos ideais – não se envergonham com os erros, não se atrapalham com incorrecções de pronúncia, não se deixam atropelar por sentimentos de inaptidão, não desmoralizam quando a mnemónica sai ao contrário.

Riem-se e tentam outra vez, esquecem e passam à actividade seguinte. Não precisam de recuperar forças nem de reunir coragem porque o erro é produto natural da tentativa; parte do processo, não indício de fracasso. Os adultos têm

mais pressa, impaciência, autoconsciência, orgulho. Queremos avançar depressa e provar que somos capazes, passando por alto a parte da ignorância, dos engasgos e da humilhação. Queremos ser facilmente compreendidos, respeitados e elogiados pela excelência alcançada. Não engolimos bem os risos quando o fonema destoa, quando o erro é básico, quando não se sai do lugar. Quando a língua a aprender é o chinês, os desafios são ampliados. É desconcertante a facilidade com que uma mudança de tom deturpa o sentido de pedidos quotidianos simples e nos deixa num ponto morto de explicações. É uma prova de resistência transformar a insistente vontade de desistir numa

FOTO\ISABEL MATOS

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todas as pessoas que estão no exercício de cargos de destaque no mundo da influência global deveria ser atribuída uma distinção de sedução do género e ao nível do Prémio Nobel. Acredito que uma boa parte delas encontraria, então, uma razão pouco contornável e mais motivante para trabalhar no sentido do bem comum local e de melhorar a humanidade. Recentemente o presidente dos EUA, Barack Obama, tomou duas medidas que o distingue dos seus antecessores próximos no cargo e que honra o seu título de laureado com o Nobel da Paz: Ora, foi aprovada uma lei que permite o desenvolvimento de um sistema nacional de saúde que vai permitir cuidados primários a mais algumas dezenas de milhões de pessoas; e foi revogada a lei que desde 1987 proibia a entrada dos doentes de SIDA nos Estados Unidos da América. Era a única condição médica explícita para a imigração. Pretendia-se, com a lei, eliminar o estigma da doença, mas na verdade a medida ameaçava a liberdade de quem visitasse ou morasse nos EUA (um filme como Filadelfia, com um magnífico desempenho do actor Tom Hanks no papel principal, dá-nos uma ideia sobre o

Uma mulher guerrilheira da Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN), Cerro de Guazapa - El Salvador, 1982: foto/CARLOS GIL

muito com os traumas da guerra colonial. Além da incongruência do dito senhor, é incompreensível a sua atitude que na verdade não espanta o cronista atento. Outro exemplo do país ridículo que é este rectângulo “à beira da Europa plantado” é o que dá conta dos receios da Confederação das Associações de Pais (CONFAP), a qual receia que a redução das deduções fiscais possa levar a que as famílias tenham de tirar os filhos das escolas – no caso dalguns colégios privados com a vaidade na lapela até assumiria algum regozijo. As famílias cujos pais ganham 1000 euros serão as mais prejudicadas. Ora, é a classe média/baixa de hoje que paga a crise, se é que esta existe mesmo ou é engendrada de uma forma inalcançável ao nosso entendimento junto

das fontes de informação limitada que possuímos. Mais uma vez me ocorre George Steiner quando fala, no geral, do desconhecimento global da verdade maior. Os portugueses acreditam que a situação social vai piorar. A minha mãe, do alto da sua 4ª classe antiga, há alguns anos que me diz para não esperar por melhores tempos. Noutra intenção, o FMI diz que Espanha, Portugal e Grécia têm de baixar os salários para melhorar o estado das suas economias (ou será melhorar o Estado das suas economias?). Tudo isto tem a ver com a vida em geral, a liberdade e a segurança pessoal. Jorge Palma tem uma música que diz “Deixa-me rir, esta história não é tua…” e outra que canta “Ó Portugal, Portugal, de que é que tu estás à espera?”.

força qualquer que nos permita alidade de outro país, de uma – humilde e heroicamente – re- maneira que não me é estragressar ao desconhecimento, nha mas não é a minha, porque aos embaraços, ao desconcerto traduz as histórias, vivências e com que se aprende. ideias do outro povo do lado E aprender outras línguas de lá do Atlântico, que é nosso faz-nos ter saudades da nossa. irmão mas não vive na mesma Nunca senti tão grande afecto casa. As línguas têm vida própela minha fala; nunca me sou- pria, crescem em resposta aos be tão bem trocar conversas estímulos da casa, viajam em noutra língua por duas palavras direcções diferentes, absorvem na minha. Sem ter de juntar le- cada uma a sua idiossincrasia. tras nem decorar tons, posso O português do Brasil e de Porpôr as mãos directamente na tugal não tem que se escrever massa das ideias, posso falar do igual, se afinal se sente diferencoração. Troco o inglês quebra- te. Talvez um dia aceite o acordo, o espanhol do ortográfico. atabalhoado, o Hoje, preservo francês esquecia minha línguaÉ desconcertante do, o mandarim casa, na forma a facilidade com elementar por que me manque uma mudança um poema em tém ligada ao português que país de onde de tom deturpa agora me soa o sentido de pedidos escrevo, ainda a música pura, de longe. quotidianos simples que por uma canção Sinto que “socuja letra ficou breponho ao mais profunda à distância, por mundo a linguagem; tiro palaum conceito que só faz sentido vras de dentro do que penso e quando dito na língua que é do que faço, como se elas puminha mãe. Quanto mais gosto dessem viver aí, peixes verbais de aprender línguas, mais que- no aquário do ser. É verdade ro a minha. Sinto-a como mi- que as palavras não nascem nha propriedade, minha casa. da terra, nem trazem consigo É minha amiga de infância, pre- o peso da matéria; quando sença constante nas histórias muito, descem ao nível dos que sempre li, nas palavras que sentimentos, bebem o mesmo escrevinhei na tentativa de di- sangue com que se faz viver as zer alguma coisa. É um refúgio emoções, e servem de alimento aonde posso voltar sempre. a outros que as lêem como se, O meu português vive asso- nelas, estivesse toda a verdaciado à ideia de quem sou, co- de do mundo” (in Arte poética nheço-o bem e, por isso, ainda com melancolia, de Nuno Júdinão sou capaz de transformar ce). esta escrita numa versão da re-


contrabando, JUNHO/JUNIO de 2010

EM VERSO LIVRE Carlos Sambade

M

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Ainda há pouco, ao entardecer, lavavas camisa de gente

uitos dos que mexem, por aqui e por ali, ainda que cada vez menos, foram como que modelados, nos anos 60 XX, na ideia de missão, ou melhor, sabendo que havia, se não missão, pelo menos missionarismo que se queria, então, que fosse prestado, em primeira mão por serviços «relevantes a Deus e à Pátria», reconhecidos até «pelos homens sem fé», como acabo de verificar numa Prova de Ditado dessa época que calhou ver conservada. Analisando melhor, concluo que: 1. Nesse tempo se admitia a existência de homens sem fé; 2. O missionário abandona tudo primeiro para partir e depois para se ver chegado; 3. Há frequentemente se não um remate pelo menos uma deriva que tende a vivificar a vida dos

heróis e a dos santos, nem sempre se confundindo no mesmo pano a não ser ataviando-as através de um (inverosímil) conceito de bondade. A possibilidade do verosímil em tudo o que fizermos, escrevermos, ditarmos ou simplesmente sermos ditados, isto é, algo que parte de uma compostura preexistente, há-de ver-se, inexoravelmente, confrontada com uma aragem suficiente para quase tudo menos para o transbordar harmonioso dos haveres. Aqui e ali, há sempre partes conduzidas ao trem vago do sentir. As pequenas águas continuam, por ora, guardadas para depois. Passam Donas Marias em serviço matinal. É possível que seja agora este, por excelência, o tempo dos mordomos, o intervalo que se adivinha em

ombreiras esboroadas. É possí- do, há enchente, o vinho é do vel também que o filho, o neto planalto, que há terras que há de um pastor acuda aos que se décadas se distinguem, por vão deixando ficar. E o cura lá exemplo Palaçoulo pelas suas está, conjecturando o tempo cutelarias (havendo outras). que também Construir para ele passa. uma famíTomara de lia, mantê-la É possível também dar-te futuran(contra venque o filho, o do, tomara de tos e marés?), neto de um pastor dizer-te vai. No ter emprego entanto, não quase sempre acuda aos que sendo a gente certo, quotidiase vão deixando labrega, labrenamente, habificar. gos regressam tualmente, um a qualquer país enfermeiro, um que se apresente, tomando to- facultativo que nos assista num dos os banhos e alguns remé- vale ou num outeiro, pela maior dios, as palavras boas os levam proximidade, dimensionando a lá ao sítio que pensamos que solicitude, que, bem vês, a não sabemos. ser assim como se há-de poder A casa da aula era na praça, ser decente, considerando dios paços na residência acaste- versos pontos de vista. Há fi(n) lada. Vê se pões a gargantilha, tas e por vezes é trágico ignoas luvas, o cachecol. Há enchi- rá-las, pela sombra perdida de

Poesia a varejo Carlos d’Abreu - coordenação e selecção

O Rio Sabor (

inédito) Cláudio Carneiro

um sobreiro ou de um negrilho (olmo, ulmeiro) a tradição se mede, que os cobradores de impostos se situam frequentemente a sul, havendo lugar a uma metade de céu com gente por fora e por dentro. Trabalho de gabinete? É provável, mormente no rigor da estação. Os factos, as hipóteses, a pequena fantasia alcandorando-se mais além. É então que, num certo sentido, o tempo parece parar, causando por vezes aflição (e não devia). A nossa acção concertada até poderia corrigir o rumo de «potestades» que se movimentam desenhando cultura em ambiente urbano e construída na base do efémero, do volátil, do mutável.

(...continua na próxima edição)

Dorium-Duero-Douro Alarzón, Carrión, Pisuerga, Tormes, Agueda, mi Duero. Lígrimos, lánguidos, íntimos, espejando claros cielos, abrevando pardos campos, susurrando romanceros.

al sol de León, brasero. Zamora de Doña Urraca, Zamora del Cid mancebo, sueñan tus torres con ojos siglos en corriente espejo.

Como o Povo estou de luto, Querem matar o Sabor Um bando, que além de bruto, É autêntico estupor.

De tão simples como és, Santa Cruz que eu amo tanto, O Sabor passa-te aos pés, Rega as hortas por enquanto.

Valladolid; le flanqueas, de niebla le das tus besos; le cunabas a Felipe consejas de comuneros.

Arribes de Fermoselle, por pingorotas berruecos, tembalndo el Tormes acuesta en tu cauce sus ensueños.

Gente de índole fascista, De fora, não trasmontana, Bem longe da nossa vista, Hipócrita e safardana.

Já se diz, abertamente, Que essa seita vai expulsar, Sem compaixão, friamente, Os naturais do lugar.

Tordesillas; de la loca de amor vas bizmando el duelo a que dan sombra piadosa los amores de Don Pedro.

Code de Mieza, que cuelga sobe la sima del lecho. Escombrera de Laverde, donde se escombraron rezos.

Ó meu rio de encantar Onde estás, onde te escondes, Aonde me ia banhar Junto à ponte de Remondes.

O Sabor amordaçado, Quem o vê e quem o via, De todo desesperado Não corre como corria.

Toro, erguido en atalaya, sus leyes no más recuerdo, hace con tus aguas vino

Frejeneda fronteriza, con sus viñedos de fresnos, Barda d´Alva del abrazo del Agueda con tu estero.

Ai que saudades eu tenho De quando eu era rapaz, Quando vinha e já não venho, Que o tempo não volta atrás.

Lança ao vento as fundas mágoas E vem ouvir o meu grito: -Afoga nas tuas águas O facínora maldito.

Caprichos da vilanagem Querem prender o Sabor, Detê-lo numa barragem Como qualquer malfeitor.

Até aqui é Macedo, Para lá é Mogadouro. O Sabor do meu segredo Só pára no rio Douro.

Maldita seja a semente Que engendrou essa paspalha. É pior que a de antigamente Se a memória não me falha.

Os faustos da novidade, (não o digo, por bom senso), Além da anormalidade, São piores do que eu penso.

Lá por Santo Antão da Barca, De Sidalhes, Santo André, Onde frei João deixou marca E demais gente de fé.

Por terras de Trás-os-Montes Chora o Zé-Povo que eu canto. Correm ribeiras e fontes A jorros, de tanto pranto.

Deus nos valha, que bem pode, Perante tal maldição. Que se Deus não nos acode Não haverá salvação.

Santa Cruz da Vilariça, Terra linda, terra antiga, Não suporto a injustiça, Não suporto, minha amiga.

Que esplendor… quase divino! Que fagueiro, que bonito… Lembra Jesus em menino A caminho do Egipto.

Enquanto eu tiver vigor Hei-de seguir os teus passos, Meu edénico Sabor, Contra os vampiros devassos.

Douro, que bordando viñas vas a la mar prisionero, de paso cojes al Támega, de hondas saudades cuévano. En su Foz Oporto sueña con el Urbión altanero; Soria en su sobremeseta con la mar toda sendero. Árbol de fuertes raíces aferrado al patrio suelo, beben tus hojas las aguas, la eternidad del ensueño. Miguel de Unamuno Cien años de Poesía Poetas contemporáneos en sus versos

Pub


contrabando, JUNHO/JUNIO de 2010

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MEMÓRIAS RAIANAS

Almendrar

FOTO\ ALFREDO MENDES

Alfredo Mendes

A Casa das Andorinhas

F

ica à face da estrada com formoseou natais e páscoas, a as portas entreabertas e lareira onde se torraram boros vidros das janelas par- das de pão centeio e assaram tidos. Velha e desfigura- as febras do porco acabado de da, a fachada já ganhou barri- esquartejar, a lareira que tanto ga. Hora a hora mata o tempo amornou homens e mulheres sussurrando, «estou a morrer, e havia de secar as fraldas dos estou a morrer», ou não tives- bebés, encontra-se reduzida a se o corpo chagado devido ao destroço sem préstimo, promeprolongado abandono. tendo desmoronar a qualquer As rugas golpeiam as pare- instante, reduzida a cinza. des. O caruncho e os fungos Destelhada – ainda por cima fragilizam os caixilhos. Há mui- as escassas telhas encontram-se to o salitre se apegou às pedras rachadas ou cobertas de erva e, escusado será dizer, as fas- A Casa das Andorinhas lembra quias das divisórias ameaçam poiso de fantasmas ao uivar desabar sobre as ripas do so- com o vento que se enfia pelas alho, apodrecidas. Por todo o frinchas, morada das aranhas lado reina um hálito a mofo e a rendeiras. humidade. Acontece, porém, que a casa, A Casa das Andorinhas. aquela casa é o palácio de crisAlmendra. tal da menina das tranças loiras. Dia após dia, quem passa na E o seu fascínio. estrada atira-lhe calhaus e garChegada da escola, feitos os rafas, enfim, despeja nas suas deveres marcados pela senhoentranhas monra professora, tes de lixo que mal apanha a os ratos agradeavó distraída – observando, cem. Dizem os zás! - corre para às vezes espantada, A Casa das aldeões do Prado Pequeno: Andorinhas e, o voo rápido «Não vale à socapa, eme ziguezagueante uma ninharia, a purra uma das Casa das Andoportas cheia rinhas. Nem os “franceses” qui- de pó e de terra. Depois, desseram ficar com ela». temida, maravilhada, pressiona A lareira onde outrora se fi- uma maçaneta e aventura-se zeram gostosas comedorias, a transpor o alçapão e a diva-

gar pelos compartimentos que ainda mantêm os vestígios das camas, das cómodas, dos quadros, dos crucifixos, dos louceiros e de outros pertences. Por ali a menina das tranças loiras alisa as tardes observando, às vezes espantada, o voo rápido e ziguezagueante das andorinhas, o bater das asas, prrr!, prrr!, a sua melodia, pzhiu!, pzchiu!, pzchiu! Andorinhas, «minhas andorinhas, sois tão lindas… lindas!...» E logo elas, prrr!, prrr!, pzchiu!, pzchiu! A menina das tranças loiras não faz caso do rugido dos aviões, acima das nuvens, menos do roncar dos tractores ou do buzinar dos automóveis que passam, nervosos, sobre o alcatrão da estrada. Enleva-a, isso sim, a elegância das andorinhas, o preto azeviche da penugem, a resplandecente brancura do seu peito. São muitas, muitas aves em volta dos cachos de ninhos, ora em constante vaivém para levar de comer aos filhotes. Em manobras

profunda, uma dor escondida da avó e baixo, baixinho, pediu às andorinhas escapadiças. Melhor: lançou-lhes um clamor acabadinho de sair das penas do coração. «Para o ano, por alturas da festa da Senhora do Campo, trazei a minha mãe que está no céu. Trazei-me a maior felicidade do mundo, andorinhas». Veio o Verão, o calor das ceifas, a míngua de água; veio o Outono, a apanha da azeitona, a solidão no Prado Pequeno pelo tempo cinzento e geadeiro; veio o Inverno, os regatos a transbordar água lodosa em companhia dos nevões que amortalharam a aldeia. E a menina das tranças loiras refugiaespectaculares, exibindo notá- da n´ A Casa das Andorinhas veis acrobacias aéreas, sobre- tiritando de frio; tiritando, tirivoam todos os cantos da casa, tando ouvia a ventania a sibilar, como que varrendo a tristeza e as trovoadas alagadiças que faziam estremecer os alicerces do a escuridão que nela habitam. As mais jovens, ávidas de pro- seu palácio de cristal. Um belo dia, ao raiar um dia criação, arrastam a asa. No Prado Pequeno, as admi- límpido, de longínquas paragens apareceráveis andoriram, esfuziannhas são bemtes, as primeiras vindas. Até as admiráveis andorinhas. pelo caseiro do andorinhas Que alegria!... palacete da fasão bem-vindas. Outras, oumília Bordallo. tras, mais outras Não catam o pão dos campos lavrados, não povoando de música e frenedebicam os frescos frutos dos sins, A Casa das Andorinhas. Aos poucos, poucochinho, pomares, não estraçalham os legumes que despontam, vi- de maneira suave, as andoriçosos, na horta que o esmero nhas trouxeram o azul do céu, maternal tratou. Pelo contrário. o sol brilhante, as flores de mil Enternecem os almendrenses, cores da esplendorosa Primavealimentam-se de minúsculos in- ra. E então, em todo esse dessectos, e, quando calha voarem lumbramento reparando, a mea dois dedos do solo em magní- nina das tranças loiras secou as ficas reviravoltas, normalmente lágrimas no céu azul, respirou fundo, um respirar cintilante, anunciam pancada de chuva. Uma vez, após muito seguir sorriu como sorriem as rosas a azáfama das andorinhas, a da manhã e ficou um anjo ao menina das tranças loiras pa- vislumbrar a meiga beleza do rou de soluçar. Afagou a dor rosto de sua mãe.

Tampa do Baú Joaquim Bolota

Viagem peloTempo

A

manhã estava limpa com o dono do café. embora fria. O meu Apresentei-me: Tinha vivido condutor, anfitrião e há cerca de 60 anos na Reigaprimo muito chegado, da e era filho da professora da deixou-me à entrada da aldeia. escola primária. O meu interloEle seguiu para a Vermiosa cutor era muito novo para se onde o esperava um dia de ac- lembrar, não tinha ainda nascitividades agrícolas. do de certeza e os outros preEstava na Reigada, aldeia en- sentes também não reagiram. tre Almeida e Figueira de CasFalámos sobre as dificuldatelo Rodrigo passando por Vilar des de encontrar mão de obra Torpim. para as tarefas agrícolas : poda, Havia um café, logo no início vindima, colheita da azeitona, da aldeia. Entrei e sem saber etc.. Com excepção do dono muito bem o do café as pesque queria. Já soas presentes tinha tomado o todas Eles tinham à frente eram pequeno almo“velhas“. Para deles, não podia ço e não tinha aí 50/60 anos ser outra coisa, um qualquer inforno máximo. bagaço... mação a obter, Depois de eslimitei-me a pegotar a converdir um chá. Mesmo àquela hora sa, resolvi “ explorar “ a aldeia. os poucos clientes presentes, Pensava eu, à partida, que tudo olharam-me com um ar estra- estaria na mesma. Engano meu nho. Eles tinham à frente deles, pois havia muitas casas restaunão podia ser outra coisa, um radas, construção nova e ruas bagaço. Saboreei o chá quen- em óptimo estado. Mas, nem te e acabei por meter conversa vivalma! Passeei-me pelas ruas,

tirei fotografias, tentei chegar à fala com uma parente afastada, que não me abriu a porta e por fim dirigi-me à padaria. Cheguei em plena laboração do pão. Cheirava a farinha e a lenha. Aqui a vida crepitava! Falei com a padeira e de confidência em confidência chegamos à conclusão que tínhamos sido colegas na escola primária. Uma lágrima no canto do olho manifestou-me a saudade que ela tinha da professora. Eu deixei-me ir e também senti uma lágrima rebelde. Ambos tínhamos tido a mesma professora: a minha mãe (infelizmente já falecida). Depois foi o regresso a Figueira. Estava por minha conta. Resolvi regressar a pé. Doze km por estrada. O dia estava óptimo. Não me apressei, fui fruindo a paisagem e tudo o que mexia. Foi um grande bálsamo para a alma. Cheguei ao destino cheio de optimismo e grato com a vida.

D Diretor Daniel Gil D Subdiretor S JJavier Hernández Mercedes Diretores Adjuntos D Carlos d’Abreu C Miguel Ángel Pérez M Edição. Paginação. E Grafismo. Infografia. G Trat. de Imagem. T Daniel Gil D Redacção\Redación R SSede: Rua de São Francisco, nº15 n 6440 -126 Figueira de Castelo 6 Rodrigo (Portugal) R Tel: (00351) 271311030 T Bragança: Hugo Anes B Revisor R Carlos d’Abreu C Traduções\Traducciones T Alvaro Borja A Publicidad(e) P SSilvestre González Tel.:(0034) 630 352 162 T Portal Internet P Actualização: Daniel Gil e A Álvaro Borja | Programação e Á Manutenção: Tiago Faustino e M Ricardo Andrade R IImpressão\Impresión

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Red(e) de Distribuición(ção)

BRAGANÇA | ZAMORA | GUARDA | SALAMANCA ...por los “contrabandistas culturais/culturales”

Colaboradores e colunistas neste número:

Alfredo Mendes, António Edmundo Ribeiro, António José Borges, António Marques, Carlos Hernández Mercedes, Carlos Sambade, Cláudio Alves, Cláudio Carneiro, Emilio Rivas Calvo, Isabel Matos, Joaquim Bolota, José Alfredo Hernández, José Francisco Bautista, José Miguel Benito, Juana Caballares, Juan Carlos Zamarreño, Jesús Glez Visán, Layo Esteves, Leandro Vale, Luís Clementino, Pedro Lopes, Pedro Gómez Turiel, Pedro Serra, Manuel Ambrosio Sanchéz Sanchéz, Maria Soares Guerra, Marisol González, Manuel Vilares, Miguel Corral, Telmo Ramalho, Tomi Borja.

Publicidade España: www.contrabando.org

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Inscrição nº:125762 na Entidade Reguladora da Comunicação de Portugal (ERC) In


B.I.C. (3)

quadernillo B.I.C por COLECTIVO CAMINO DE HIERRO

BIEN DE INTERÉS CULTURAL

7-M y 2-A,

contrabandeando con el sueño... Todavía

Pasa el tiempo y

los hierros se retuercen y se oxidan o sufren el acoso de personas desalmadas. Y nosotros, que no somos de la calidad del

hierro, nos quedamos

solos con los despojos del camino y por el camino, horadamos la tierra y con-

vertimos los hierros y traviesas en una escultura-homenaje

Ave Fénix. Reivindicamos una vez más…

Ojalá

ésta sea la última!

El autor de la escultura

Patxi

Gutiérrez Martín, es licenciado en Bellas Artes por la Universidad de Salamanca y especialista en modelado y escultura. Después de terminar su formación académica en 1996, ejerció como profesor y presentó diversas exposiciones individuales y colectivas

en España y Portugal, ganó premios en varios concursos y tiene obra en diversas instituciones.

El escultor, mezcla diferentes materiales, pero es el hierro el que mejor le permite toda su expresividad para “crear desde cero”, nos cuenta. Para esta instalación, partiendo de la idea de un entierro, Patxi, buscó “con elementos vinculados al mundo de las vías, crear una forma funeraria -la pirámide- que permite representar de forma muy expresiva el tránsito de una vida a otra”, explicó a

la revista Contrabando el escultor, miembro del Colectivo Camino de Hierro.

FOTOS E DISEÑO \ DANIEL GIL

contrabando, JUNHO/JUNIO de 2010


contrabando, JUNHO/JUNIO de 2010

ENTIERRO FLORIDO

7-M

7 DE MARZO DE 2010

(25 anos do encerramento da Linha de La Fuente de San Esteban a Barca d´Alva e 22 anos da Barca d’Alva ao Pocinho) Enterro simbólico das vontades institucionais.

Enterramos : La lógic ógica a aparente de las cosas por la que nos regimos. Los vehículos en los que podemos desplazarnos desplazarnos;; hasta los más fantásticos e imaginativos imaginativos.. Unas monedas, para que el dinero no sea el principal obstáculo. Las leyes, los decretos y a sus representantes. Los sueños sueños..., ..., llos os recuerdos. “Porque los necesitamo necesitamoss para poder compartir todo este patrimonio con las generaciones actuales .

¿R.I.P.? ¿R.I.P.?

Colectivo Camino de Hierro

El fotógrafo Victorino García en la clausura de la exposición “LA RAYA ROTA“ en el muelle de Barca d’Alva y las actividades junto al Puente Internacional Ferroviario.

OPERACIÓN IMPLANTE IMPLANTE 2 DE ABRIL DE 2010

2-A

Un equipo de cirujanos se desplazó expresamente a la zona para subsanar las caries y pérdidas estructurales con programas profilácticos específicos y sustituyendo por implantes móviles las piezas misteriosa y definitivamente “desaparecidas”.

s in A reflej Pret patrimo d´Alva y categoría d No se trata planteamos e de tímidas actu condena a esta i La explotación revulsivo económic turística, cultural y lú Tal vez el espíritu de hemos cambiado y tran tidas en hechos fehacien


Comunicado i d d de prensa:

“LA VÍA QUE TRAÍA VIDA”

Han pasado años de olvido y abandono. Olvido tras olvido. Oportunidades perdidas para una población que no las tiene. Decimos ser europeos, pero aquí una extraordinaria obra de unos ingenieros constructores de túneles y puentes es presa del óxido, de la desidia y de la barbarie. Otras vías ferroviarias abandonadas, sin ser Bien de Interés Cultural, están siendo reutilizadas para el aprovechamiento turístico en Francia, Suiza, Bélgica, Alemania… ¡Los portugueses ya han firmado el compromiso de rehabilitación desde Pocinho a Barca d´Alva!. Nuestros políticos actuales no son aquellos diputados, Galante y Silvela, que en una época convulsa, de desgarro social y económico (¡y era en 1881!), soñaron con traer el progreso y bienestar a la provincia de Salamanca mediante esta nfraestructura. A aquellos sí, a los de ahora no. No, no les damos las gracias. No se las merecen. Son el jo de una sociedad inmovilista, conformista, pasiva, carente de ideas y compromisos… tendemos así promover y concienciar, de forma amable, la defensa del rico y excepcional onio industrial que constituye la línea internacional del Duero - Douro, desde Pocinho a Barça desde aquí hasta La Fuente/Boadilla, tramo éste último declarado Bien de Interés Cultural con de “Monumento”. a sólo de una defensa para preservar ese patrimonio para las generaciones futuras, sino que además esta acción como forma de romper una dinámica que, tras decenios de inmovilismo o, como mucho, uaciones, no parece conducir más que a la ausencia de proyectos reales de futuro y que, por lo tanto, infraestructura al abandono. y reutilización de este magnifico recurso patrimonial tiene todos los componentes para convertirse en un co que traería beneficios directos a las poblaciones locales, al plantear un foco diferencial y singular de atracción údica de primer orden. e nuestros añorados Galante y Silvela se reencarnen algún día. Y será bueno, porque indicará que también nosotros nsformamos la realidad que nos rodea. Y entonces, frente al Duero, podremos desenterrar las voluntades, ya converntes.

Colectivo Camino de Hierro, 1 de marzo de 2010.

La “zorrilla” o balancín

FOTOS\ DANIEL GIL

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Excursión organizada por FOROTRENES el 2 de abril WWW.FOROTRENES.COM


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porque todavía hay vida para la vía... y esperanza ! todaviasostenible@gmail.com

FOTO\ DANIEL GIL

se crea


Asociación Cultural Zamorana Furmientu

fala el Lliones `

¿QUÉ COUSA YE’L LLIONÉS? José Alfredo Hernández

L’estatutu d’autonomía de Castiella y Llión, nel sou artículu 5.2., diz asina: “El llionés será obxectu de protección específica por parte de las institucio-

nes pol sou particular valor dientro del patrimoniu llingüísticu de la Comunidá. La sua proteción, usu y promoción serán obxectu de regulación»”

P

ero ¿qué ye de feitu’l llionés?. Por desgracia, el diccionariu de la Academia de la Llingua ye poucu craru na súa definición: “Modalidá llingüística de Llión”. Más precisas abultan las definiciones del diccionariu de la Real Academia Española. Ésti recuéi duas acepciones del términu “llionés” dende’l puntu de vista llingüísticu:” 1. Dise del dialectu romance ñacíu n’Asturias y nel antiguu reinu de Llión cumo resultáu de la peculiar evolución experimentada eillí pol llatín .2 Dise de la variedá del castellanu falada en territoriu llionés”. D’esta maneira, tenemos por una parte un dialectu del llatín (cumo lo son el portugués, el

castellanu ou’l francés) y por norte de Bergancia: Ruidenore outra una variedá rexonal del y Guadramil. Despuéis sufríu castellanu. ¿Ónde se falan? n’Asturias un intensu procesu El llionés, na primeira de las de minorización, al tiempu acepciones amentadas, houbo qu’en Llión y en Zamora, rota tener la sua mayor extensión la tresmisión interxeneracional xeográfica nos sigros XIII y XIV, y sometidas las comarcas falanmomentu que coincide con la tes a un fuerte éxodu y despomayor espansión del reinu me- blación, quedan yá mui poucos dieval de Llión. Daqueilla dique falantes patrimoniales activos. se chegóu a falar nun territoriu Esta situación sumamente crítique baxaba de ca llevóu a Sierra Morena la Unesco y -na Estremadal Conseyu Esta situación sumaura españolad’Europa a hasta la mariña mente crítica llevóu a calificar esta esturiana, a las llengua (baxo la Unesco y al ouriellas del Conseyu d’Europa a las suas divermar Cantábridenominacalificar esta llengua sas cu, y de las tierciones: llionés, (...) como llengua ras chanas de esturianu, mien peligru de Tierra de Camrandés...) como pos a las llomllengua en pelidesaparición. bas de la rexón gru de desade Bergancia. parición. Si qu’así, dende esa época emEiquí aparez una custión prencipia un procesu continuu polémica, que ye la del nome. y sistemáticu de sustitución pol Nel territoriu d’Asturias la decastellanu, que vai avanzando nominación tradicional ye dende’l leste y’l sur arrequeix- la d’asturianu y en Tierra de ando al llionés. Na primeira Miranda del Douru, la demirmitá del s.XX quedóu reducíu andés. En Zamora y en Llión en territoriu español a Asturias, la tradición popular prefier al noroeste de la provincia de nomes de carácter comarcal Zamora y al oeste y norte de la ou local: senabrés o pachuede Llión, mientras qu’en Portu- cu, alistanu, cabreirés, pal.lugal inda se falaba en Tierra de ezu, chapurriáu, charricu, etc. Miranda y en dous llugares al Llionés ye una denominación

LA MEMORIA DEL MUNDU

cipal pa la mantenencia de la afanóuse despuéis polo ñetos. salú pública y familiar que ye’l Incrusu atendíu al sou cuñáu, n L’arume del escaezu, güertu. Siempre decía que col solu y enfermu nos momentos d’Alfonso Velázquez, güertu daba de comer a la súa cabeiros de la súa vida, enveuna muyer, muitu vieya familia -qu’yera bien llarga- de metelu nuna residencia. En yá, chubida nel altu tódel añu. D’eilla deprendí a contra de la súa propria salú d’una llomba, deprende al sou sembrar y a regar; quedóume -yá delicada- túvolo en casa ñetu los nomes de la tierra. Ei- l’estercar. Yera hasta que murlla ye la memoria del mundu. una encicloperíu. Recuerdo esto agorapen- dia de la superY siempre na Y siempre na súa sando na mia buela que mur- vivencia humasúa cabeza la cabeza la vida de la ríu vai pouco. You sentíame na. Pos nun hai vida de la tiertierra, el tiempu, la mui apegáu a eilla. Pa mi yera’l xente con más ra, el tiempu, vínculu necesariu cola vida y aguante que la senara, las senara, las xeiras, la cultura campesinas, el xe- los campesinos, xeiras, l’augua, l’augua, el sol... itu de vivir de cásique tódala qu’aprovechan el sol...Todu humanidá durgante siegros. pa la manteesto yera la Una realidá que tamién está nencia todu lo que tienen súa vida, nun importaba’l pesu morrendo pola acción de alredor mientras llabran la duru de los años: eilla llévalos poderes económicos del tierra que da de comer a la hu- balu na sangre. Las gallinas, capitalismu, qu’empregan al manidá. los marranos y gurriatos, los Estáu cumo Tamién foi coneyos, los burros y las mulas mediu de proun exempru daban vida a súa casa dende paganda del de la solidaridá qu’you tengo recuerdu. D’eilla deprendí a sou pensamfamiliar, una Una casa llevantada, ensembrar y a regar; ientu, engade las bases antes que nada, pa los llabores quedóume l’estercar. ñando a la que sostriban campesinos, non pa vivir folxente pa que las sociedades gáu. Namás unas alcobicas creya que son c a m p e s i n a s . yeran l’únicu requeixu pa la los nuesos protectores mien- Cumo fiya cuidóu a sous pa- intimidá. Mientras que la cotras escuenden que namás dres. Cumo muyer, a sou cina yera onde se facía la vida defenden la sua comenencia. home y a los suegros. Cumo familiar, social, al calor del Eilla ensiñóume lo más pren- madre trabayóu polo fiyos y llumbre. Y siempre, colgando Jesús Glez Vizán

E

coordinación FURMIENTU

d’orixen académicu, acuñada polos llingüistas de los sigros XIX y XX pa referise al conxuntu de la llengua onque a lo llargu del s.XX, al medrar la concencia llingüística nesti territoriu, foi adoptáu popularmente, sobretodu na provincia de Llión. Con estas tres denominaciones de mirandés, llionés y esturianu esta llengua llogróu’l reconocimientu oficial de la República Portuguesa y de las comunidades autónomas españolas de Castiella y Llión y Asturias. Finalmente, existe outro nome, el d’asturllionés, tamién d’orixen académicu y que, con la pre- mente tres variantes prencitensión de superar y unificar las pales, que nun coinciden pa diversas denominaciones rexo- nada con las divisiones alminnales, ye usáu y promovíu por istrativas de carácter rexonal muitos llingüistas y por diversos ou nacional. Esas variantes colectivos que trabayan pola son: el dialectu occidental, el central y l’oriental. conservación de la llengua. Todos estos dialectos El llionés ou asturllionés, cumo tódalas outras llenguas, tien tienen una riestra de caracteres comunes, cumo los una variedá interna grande, siguientes: reconociéndose académica¬¬ ASTURLLIONÉS PORTUGUÉS CASTELLANU  ConservacióndelaFinicial latina: PalatalizacióndeL inicial: SoluciónY(avecesCHo LL) pa los grupos llatinos LL)palosgruposllatinos –K’LͲ,T’LͲ,ͲG’LͲ,LYͲ Diptongacióndevocales llargaslatinas Conservacióndelgrupu llatinuMB

¬¬ ASTURLLIONÉS

PORTUGUÉS

CASTELLANU

FIERRU¬

FERRO

HIERRO

LLOBU

LOBO

LOBO

MUYER (MUCHER¬OU MULLER)

MULHER

MUJER

ConservacióndeNL intervocálicas

TIERRA

TERRA

TIERRA

PALOMBA

POMBO

PALOMA

LLUNA

LUA

LUNA

Por outra parte, las diferiencias más importantes entre dialectos obsérvanse nos rasgos siguientes: 

OCIDENTAL

Conservaciónounonde diptpongosdecrecientes

"" AspiraciónounondeF

CORDEIRU

CENTRAL CENTRAL CORDERU

COUSA

COSA

COSA

FACER

FACER

HACER/JACER

OCIDENTAL

ORIENTAL

ORIENTAL

CORDERO

na chmineya, unas llares pa sobrizar el caldeiru. El xeitu duru de la súa cara, el pelu ralu y brancu del todu, guapamente marañau, estarán na

apasionante, siempre tenía dalgu qu’amostrar y you que deprender. El sou falar, mecíu de castellanu con palabras asturllionesas, abríume los

mia mente. Pero ante todu, las suas historias llévolas nel miou corazón. ¡Cúmo las vivía! Teníalas tan drentu d’eilla que cada vez que las contaba yera comu si houbieran pasáu ayere mesmu nel puebru. Mayo mente las de la penalidades y muertes polas represalias fascistas del golpe d’estáu militar del 36. Sofría muitu alcordándose d’aqueillo. Estar con eilla yera

ueyos a un mundu escondíu y arrinconáu oficialmente pola alministració n educativa y cultural. Tengo deprendíu d’eilla un cientu de palabras y tamién los nomes de los llugares del puebru, qu’agora repito mentamente pa nun olvidalos mientras escribo estas linias nel sou recuerdu: Montiñegru, Las Llastricas, Valdegrayu, El Carbayal...


contrabando, JUNHO/JUNIO de 2010

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CIÊNCIA PARADIGMÁTICA

K LF Q \ R 9 R LW U VF X Q D 20 consegue decifrar

Texto

Maria Soares Guerra

grafismo Daniel Gil

O manuscrito que ninguém

)

oi Jacques Bergier, um dos pioneiros do realismo fantástico, co-autor da “Rebelião dos Bruxos”, quem revelou ao grande público, nos anos 70, a existência real deste manuscrito na sua obra “Os Livros Condenados”. Era um dos sete livros carismáticos referenciados na mesma, todos eles candidatos à censura e à fogueira, vítimas de uma conspiração que opera desde os inícios da História ã específica, íf contra os conhecimentos e as verdades arcaicas e científicas mais profundas.

N

ão era para menos! Porque este enigmático e maquiavélico manuscrito, ainda hoje anónimo, que leva o nome do livreiro que o comprou em 1912, Voynich (acreditando ser do Francis Bacon, pai do método científico actual), após quinhentos anos, tem o mérito de ser o único livro de que q e ainda qu da história da humanidade ás é su usp spei permanece indecifrável. Aliá Aliás suspeio en ncrip i to de conter informação encripida, a, tada, que a ser conhecida, te poderia eventualmente alterar muitas das as, concepções históricas, ífiíf tecnológicas e científiica cas cas mais emblemáticas anti te controvertidas man mantidas até hoje. ab ibliloib Permanece na biblioa Universidade Uniive U vers rsiidade de teca Beinecke da talo aloga gado o na na secção de Yale (EUA), catalogado v os raro vr os e codificado pergaminhos e lillivros raros stud st udad ado o com a chave MS 408 e foii e estudado ais b brilha rilhan ante tess por muitas das mentes mais brilhantes séculos por por e privilegiadas dos últimoss séculos, vários dos Serviços Secretos e ainda por instituições do tipo da NSA (Agência de Segurança Norte-americana), a NASA, os Laboratórios Bell e outras, sendo submetido a todo tipo de análises matemáticas/estatísticas e computacionais…Mas tudo sem sucesso. É pela tentativa de decifra-lo, na procura do maior número de percepções individuais, também por leigos, que está exposto na sua totalidade em vários portais de Internet, tendo sido mistificado na rede em diversas páginas, blogues e até vídeos no Youtube, passando a ser um dos passatempos preferidos mais secretos e dissimulados de muitos dos internautas. O manuscrito, está escrito numa língua desconhecida com um alfabeto esquisito, mas remotamente familiar, e profusamente ilustrado por centenas de aguarelas de várias cores, com constelações e elementos zodiacais policromados, pontos geográficos surrealistas, assombrosas plantas não identificadas de aspecto híbrido, e mulheres despidas, que em atitudes diferentes, parecem tomar banho em surpreendentes tanques comunicados por tubagens com torneiras.

Trata-se de um livro que recolhe os segredos dos mundos esquecidos e subjacentes? De um texto de alquimia cifrado para conseguir a pedra filosofal e o elixir da eterna juventude? De um sumário do saber biológico, médico, astronómico, botânico e farmacêutico do seu tempo, com abordagens de microscopia e telescopia, quando ainda na história oficial, à data, esses ins instrumentos não tinham sido inventados? Do o ritual rriitu t al do do suicídio s colectivo dos cáta t ros? s? Ou Ou por p r acaso, de um verdapo cátaros? deiro en enga ano iintencional?.., nten nt n enci co engano uma obra sem sen e tiido ccuidadosamente uida ui da sentido elaborada pelo o genial cientista, alquimista e espião esspiã ião Jo JJohn Dee - que cchegou ch eg gou o a ser er ministro m dos assuntos estr tran ange g iros da rain estrangeiros rainha Isabel - em colaboraçã ão com o seu secretácolaboração rio, apen nas para p apenas conseguir de Rodol fo II a astronómica Rodolfo cifra a qu que este pagou por e le, 600 ducados na ele, ép é época, cerca de 50 m mil euros actuais. A Ap enas as a algun ns dos aspectos e detaApenas alguns u lhes da sua estrut estrutura formal e confici guração são facilmente verificáveis para qualquer espectador que queira dar-lhe uma longa vista de olhos. O resto das características deste livro, nomeadamente as referidas à autoria e decorrer histórico, investigação linguística e criptográfica e à identificação dos desenhos e caracteres, são ssubsidiárias de pesquisas e investigações paralelas; e até por grupos e p projectos de trabalho e investigação oficiais e profissionais (NASA, E E.V.M.T – European Voyn nich Manuscript Transccription-, E.V.A - European Voynich Alphabet -, e outros). Passa por ser o Santo Graal dos criptógrafos Todavia, apesar dos e esforços consumidos na ssua descodificação, assim co como a Esfinge egípcia, o Manuscrito Voynich, continua a sorrirnos à distância, guardando todos os seus segredos, piscando-nos por vezes um olho, que apenas observado por alguns, formará parte de todos…, desse conhecimento humano quase sempre fragmentário e salteador até, continuamente interrompido… Mas progressivamente libertário.

T

Estrutura e configuração

rata-se de um códice pergaminho de grossa encadernação muito bem conservado, sem título, data, nem qualquer indicação de autor, com formato de 23,5 por 16,2 cm e de 5 cm de grossura, constituído actualmente por 235 páginas, perfeitamente legíveis e numeradas, mas provavelmente há mais páginas. Algumas destas, estão unidas formando despregáveis de duas e três folhas e elegantemente desenhadas com motivos cosmológicos, astrológicos, da alquimia, biológicos, médicos, botânicos, lugares geográficos e monumentos específicos, mapas gerais, planos hidráulicos?... Constituído por mais de 170 mil letras, sem agrafos de união e escritas com um ou dois traços simples, que devem compor 40 mil palavras de largura variada (conjunto de letras separadas por espaços mais amplos), num alfabeto que consta de 19 a 28 letras para quase todo o texto, se bem que existem, por vezes, muitos caracteres

raros e alheios, intercalados e que não pertencem à língua do manuscrito. Está escrito corrido e ccom grande destreza, p pois não tem qualquer ccorrecção; da esquerda p para direita, de acima p para abaixo e sem evidências de sinais de pontuação e com uma margem direita desigual. Algumas das últimas páginas, provavelmente pertencentes a algum receituário, estão ordenadamente pontuad das com estrelas n na margem e esquerda e não ccontêm desenhos. E Em outras, há p palavras que pareccem acompanhar a alguns desenhos d dando ideia de “etiquetas”, e naquelas que fazem referencia às ervas, o texto mistura-se com os desenhos, com uma provável função didáctica, mas sem sobreposições, parecendo que as ilustrações foram desenhadas antes de se e escrever o texto acompan nhante. Está ilustrado com mais d de 400 desenhos em vvermelho sangue, azul, a amarelo, marrão e verde br brilhante.


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CIÊNCIA PARADIGMÁTICA Tentativas de decifração Relativamente á línguaa em que está escrito

semelhantes aos das línguas naturais, seguindo a lei de Zipf e da entropia na qual a longitude das pa da palavras é inversamente proporcional a sua freq e uência de ap par ç frequência aparição, pelo que as palavras mais curta tass (com (ccom o menos men e os letras) letra lettra as) aparecem mais curtas ffrequentemente fr eque uent n em emen nte t n o te texto q que as lo no longas.

Analisando estatisticamente o concon co onndes es teúdo, verificam-se dois grandes adas ad blocos de escrituras diferenciadas e com toda clareza por serem d de mo diferentes autores?; do mesmo u autor mas distinto estilo?, ou tes? s? simplesmente temas diferentes? om •È uma língua europeia ccom tras um código individual de letras pós ó ito que foi obscurecido a propósito istema d de e de ser convertido nalgum ssistema oritmo o que que opera sobre código, digamos um algoritmo letras individuais. com o um livro lilivvro de códigos cód ó igos •Um texto codificado com está tá d ispo is pon p níve el. para consultar, que não es disponível. ca codificada cod dificcad da visualvisuall•É uma língua hebraica tem m mas com mente onde as palavras se repetem, deformações para confundir o leitor. •O texto carece na sua maior parte de significado mas contém informação oculta nos detalhes discretos (exemplo: na segunda letra de cada palavra ou no número de letras em cada linha ou de formas quase infinitas). •É uma língua natural exótica (pertencente às linguagens asiáticas – chino-tibetana, manchu, etc.), embora escrito num alfabeto sintético. •A transcrição simples de uma língua oral poliglota (mistura de flamenco medieval, francês antigo e antigo alto alemão). •É uma língua sintética filosófica com um vocabulário organizado em categorias deduzindo o significado geral de uma palavra pela sequência das letras que a compõem. •Um simples engano. Contudo, as palavras no Manuscrito Voynich parecem ter uma certa fonética e regras ortográficas. Alguns caracteres devem aparecer sempre em cada palavra (como as vocais no português), outros caracteres nunca se seguem a outros e alguns podem ser duplos mas outros não. A análise estatística do texto revelou padrões

Co ontud u o, o iidioma d oma do di do manuscrito manus Contudo, difere dos idiomas idioma as europeus e ropeus eu u e em m algu alguns aspectos, não não ã existindo nele palavras p lavr com mais pa de e dez letras e me m smo na dis mesmo distribuição das lletras le trass dentro de uma p palavra ra e até porpalavra, que o texto deste m manus manuscrito é mais repe re petitivo, pois a mes es repetitivo, mesma palavra comum co m pode ea pa aparecer até três veze ve zes con nssec ecu vezes consecutivas.

Relativamente R elativamente à natureza nature e ao propó propósito do ósito d o sseu eu conteúdo Se bem que os desenhos do manuscrito não aclaram os conteúdos do texto, indicam que o livro pode constar de seis seções diferentes: Herbário, Astronómica, Biológica, Cosmológica, Farmacêutica e Receituário. As teorias sobre o seu propósito servem a farmacopeia, a herbanária e receitas, a magia negra, o desenvolvimentode temas comuns na medicina medieval ou renascentista, incorporando conhecimentos inéditos de fisiologia e histologia, um tratado de alquimia à procura do elixir da eterna juventude, herbário alquímico, astrológico e zodiacal, mapa e indicações de lugares enigmáticos que provam a sua existência… De qualquer forma, alguns autores também manifestam tratar–se de um livro onde são revelados conhecimentos de microscopia e telescopia e até, exageradamente, de energia nuclear, pois neles (desenhos) parecem explodir várias super novas.

Epílogo

O

pergaminho encontra-se atualmente numa urna de vidro na Universidade de Yale, e apenas é mostrado por um perito, com luvas especiais, que vai passando as folhas ao pesquisador, previamente escolhido pela importância da sua investigação. Contudo, todas as características descritas e muitas outras a constituir em qualquer linha de investigação, podem ser observadas em muitas páginas de Internet onde está digitalizado com excelente definição. Podemos terminar, afirmando como uma das suas investigadoras mais destacadas, D’Império que... ”a impressão que

recebe o espectador moderno ao olhar o manuscrito Voynich é de extrema rareza; excepcionalmente e à distância podemos dizer que é sobrenatural. Para o leitor que viu imagens de escritos medievais iluminados mais típicos, estas páginas têm um aspecto diferente do que esperamos encontrar num livro destas características. Este manuscrito é absolutamente distinto de qualquer outro documento, inclusive daqueles , que mais remotamente se lhe possam comparar. Ninguém que eu saiba, descobriu até ao momento nada que se lhe possa comparar no mínimo”.

A

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Autoria e decorrer histórico

origem e o decorrer histórico deste manuscrito é tão apaixonante e abrangente, que serviu de base para que muitos jovens pesquisadores, leigos inicialmente, se reconvertessem ao longo dos anos em grandes historiadores, linguistas, paleógrafos criptógrafos e cientistas. Provavelmente o manuscrito Voynich foi escrito na Europa Central, por um Wilfred M. grupo de alunos eruditos que integraVoynich vam uma escola de alquimia em Praga, (1865 -1930) regida por Simon Bakalar e sedeada na especialista em sua própria residência. O manuscrito livros antigos e depois da morte alquimista, ficou na de quem o livro posse do seu filho, que anos depois o recebe o nome viria a mostrar a Jonh Dee, quando este visitou a corte do imperador Rodolfo II, ao qual ofereceu? ou vendeu? o manuscrito, dizendo-lhe que era da autoria de Roger Bacon. Jonh Dee, foi um génio histórico reconhecido mas com sombras, admirador de Bacon, transforma-se no favorito e Ministro dos assuntos estrangeiros da Rainha Isabel I. Tinha grandes conhecimentos da prática de criptografia, alquimia, astrologia, astronomia, matemátiJohn Dee cas, geografia e navegação celeste, mas (1527-1608), também espião e necromante. matemático e Em 1912, um vendedor de livros anti- astrologo passou gos, Wilfred M. Voynich, criador, desde quatro anos na o nada, de um dos maiores empórios livreiros do mundo, nessa época, voltou corte de Rodolfo II à sua residência de Nova York com um manuscrito não decifrado que tinha comprado, por uma cifra não revelada, aos jesuítas da Biblioteca do Colégio Mondragone em Frascati (Italia). Sabia que existiam provas circunstanciais e convincentes que sugeriam a autoria desta esquisita obra por um dos grandes cientistas da História, Roger Bacon, franciscano do século XIII, catalogado como o pai do método científico moderno. O mesmo personagem que Roger Bacon em algumas das suas obras revelou, (1214-1294), quinhentos anos antes serem inventafranciscano alquidos, a rádio e o avião; o mesmo, que mista e cientista, provavelmente construíra um sistema de quem se diz de lentes capazes de ser utilizadas como ser o autor do instrumentos de observação microscópica e telescópica; o próprio ao qual manuscrito lhe atribuem a totalidade da obra de William Shakespeare. O famoso matemático inglês George Boole, pioneiro no campo dos processos lógicos; célebre na teoria da probabilidade, estatística e dos conjuntos; inventor da lógica do método de procura actual na Internet, circunstancialmente sogro de Voynich, foi incapaz de decifrar o manuscrito, preconizando quiçá que, Roger Bacon, inventara 600 anos antes supostamente um sistema de George Boole, lógica simbólica ou elaborado simplesmente um código para camuflar as suas (1815-1864), investigações à volta da pedra filosofal matemático do e o elixir da eterna juventude, ele que século XIX, era conhecido por ter combinado os seus estudos de filosofia natural, óptica, matemáticas e física com a Alquimia. Roger Bacon, iludia assim qualquer acusação de práticas de magia negra, que na Idade Média tinham consequências fatais. Então Voynich dirigiu-se ao mundo académico especialista, fazendo dúzias de copias do documento, à procura de uma solução, ao mesmo tempo que enviou um resumo do que ele Rodolfo II de próprio sabia do manuscrito iniciando Habsburgo assim uma lenda, esforços e fracassos (1552-1612), em todas as abordagens realizadas a foi propietário seu respeito… a mesma que pode ser do manuscrito. pormenorizada e seguida nas centenas de páginas escritas em livros e no ciberespaço.

A história continua…


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CINE(MA)TO-GRAFÍA, TEATRO, MÚSICA...

“CHISPORROTEOS”

- Artículo integral en www.contrabando.org

Pedro Serra

Estudios Interartísticos en Salamanca

E

l objetivo del encuentro Poesía, Cine & Fotografía. Metadiscursos y estudios de caso, en mayo pasado, en el Área de Filología Galega e Portuguesa de la Universidad de Salamanca, fue el de estudiar las relaciones entre el discurso poético y los discursos fílmico y fotográfico. Asimismo, el ángulo de apertura de los espacios culturales privilegiados tiene como vértice múltiple los ámbitos ibérico, europeo e íbero-americano, buscando en ellos ‘campos de fuerza’ que concurran para la inteligibilidad de los procesos modernos de la Poesía y del Cine. En este sentido, participaron en el encuentro investigadores de universidades europeas (Firenze, Porto, Salamanca, Santiago de Compostela, Sorbonne Nouvelle, Utrecht) e americanas (Brown, Georgetown). El grupo de investigadores ‘Lyra Compoetics’, que integró el coloquio, tuvo como objeto electivo el estudio de las relaciones entre palabra e imagen

decadentistas acaban funcionando ‘en piloto automático). Las humanidades siempre han estado en crisis o, como acertadamente formuló hace unos años Hans Ulrich Gumbrecht, visual. Lo que vulgarmente profesor de la Universidad de y, hay que decirlo, de modo Stanford, los humanistas, los acrítico (en muchos casos su- filólogos, los teóricos de la liteplementado por un más o me- ratura son, precisamente, espenos asumido cinismo) se viene cialistas en vivir en crisis. No ha conociendo como ‘crisis de las lugar, pues, a la hipóstasis de Humanidades’. Afortunada- un cualquier illo tempore en mente, el sistema académico que las humanidades hayan tedel Estado Español no parece nido su edad de oro. Las sociedades, hoy –aunque haber representado el intenso (y en gran medida, estéril) la reducción drástica sea algo discurso miserabilista de unos burda–, han dejado de penestudios humanísticos en cri- sarse a sí mismas en función tanto del futuro sis. No cabe en como del pasaesta reseña la do. ¿Utopía? La reflexión sobre ...los humanistas, los medida del fula resistencia de la Academia del filólogos, los teóricos turo, bien vistas las cosas, son Estado Español de la literatura son, a un fenómeno precisamente, especia- los plazos de que ha tenido listas en vivir en crisis. las hipotecas y las expectativas un impacto de de rentabiligran calado en las academias anglosajonas. dad de los valores financieros. Cuando movilizas un determi- ¿Pueden, hoy, los estudios uninado campo cultural en torno versitarios humanísticos pensar a un turbio objeto como el que razonablemente alternativas la palabra ‘crisis’ refiere, casi estos futuros? ¿Se atreven a hasiempre terminas instalando cerlo? ¿Es incondicionalmente un infértil frontón de lamen- bueno que lo hagan? Preguntaciones que no se agotan tas demasiado grandes para las tan fácilmente (las jeremiadas cortas vidas que los individuos

Teatro Aberto

y las sociedades pueden vivir. Si viviéramos –con la venia del lector de estas líneas, admítase el contrafactual–, pongamos por caso, mil años, o quinientos, ni bellas artes, ni bellas letras, ni studia humanitatis existirían. El tiempo –tanto tiempo como mil años–, por sí sólo, se encargaría de resolver nuestros conflictos íntimos y colectivos. Hoy por hoy, es difícil imaginar un mundo sin psicoanalistas, que sería ciertamente ese mundo feliz de individuos tan longevos. Por todo esto, nos queda enfrentar aquellas inmensas cuestiones echando mano de un pragmatismo no conformista. Así, el módico de legitimación que pueda ser la evidencia de que los lenguajes que conforman ese objeto alado al que llamamos ‘realidad’ –más parecido a una gallina que a un águila imperial– tienen como

soporte tanto la palabra escrita como el icono visual. En rigor, son ambos imágenes, es decir, productos de la imaginación que, no obstante, se producen por medio de diferentes tecnologías, diferentes ‘materialidades de la comunicación’, como ha formulado el ya citado Gumbrecht. El coloquio Poesía, Cine y Fotografía buscó su enclave justamente en ese lugar de reflexión en que se razona la imbricación íntima del verbo y del icono. Asimismo, la conjura de los participantes fue la de ‘avanzar’ sin pensar en la crisis de las humanidades, que es al final el fantasma invocado por los cínicos conformistas que quieren que todo cambie para que todo quede igual. Que la academia sepa lo que quiere es ya darle a la sociedad lo que la sociedad espera de la institución universitaria.

- Entrevista integral em www.contrabando.org

DR

Leandro Vale

Irene Cruz Cinquenta anos de teatro

I

rene Cruz é dos rostos mais conhecidos do pequeno ecrã. Mas não podemos esquecer que é no palco que o seu nome tem sido mais afirmado além das passagens pelo cinema e pela rádio. Começando os seus passos pelo Conservatório Nacional de Teatro lembra os tempos difíceis, mas também, recordados por factos que a marcaram ao longo de toda a sua vida. Inclusivamente alguns episódios dos quais, como colega desses tempos, já me tinha esquecido. Desde a Ritinha á expulsão do Nicholson e outros que marcaram a nossa geração. Lembra que “dantes

era chic” o ser-se actor. Mas zer rádio acabou. É pena porhoje a maior parte dos actores que era uma excelente escola nem formação tem. Lembra a de arte de dizer e representar. separação dos sexos numa es- Quem me levou para a rádio foi cola de arte com alguns episó- o Prof. e Actor, o meu querido dios caricatos. Do início da sua amigo Álvaro Benamor”. Recorcarreira no Teatro do Gerifalto da os problemas da censura- “A fala com um censura era o certo respeito lado negro da de Couto Vianossa arte. Mas A batalha ganha-se na, de Vasco deixo um alerta: sempre em guerra, Morgado, da - hoje a censusua passagem mas com afecto, ra económica é pelo teatro de também um inigenerosidade revista, opereta migo difícil de e humildade e comédia muenfrentar. Falasical. Comenta nos ainda do o facto de quase ter desapare- “seu” Teatro Aberto: - “O Grupo cido o teatro radiofónico - “Fa- 4 foi a independência teatral de

4 jóvens: - eu, o João, o Zé e o Rui, que nos atrevemos a avançar e cortar o arame formado pelo sistema imposto....”. O Teatro Aberto continua teimosamente a existir, bem como a Irene e o João, agora com o Melim e o Pestana. Diz-nos que, mesmo nas situações mais dramáticas nunca pensou em desistir e que é gratificante ter recebido os prémios que tem tido

ao longo da sua carreira. O pai foi um dos grandes sustentáculos da sua vida profissional lembrando que foi ele mesmo que a inscreveu no Conservatório. Falando-nos das suas aspirações diz: - “...quero continuar a ser obstinada, profissional, batalhadora... A batalha ganha-se sempre em guerra, mas com afecto, generosidade e humildade”. Pub


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& OUTRAS ARTES Só Neste País

era uma vez... um cantor que não

esqueceu o que não aprendeu

Cláudio Vieira Alves

D

esconheço os motivos porque: i) quando me pedem para contar uma anedota, não me lembro de nenhuma; ii) perante uma ou qualquer outra situação, dou por mim a narrar as piadas (por vezes até de caserna) que aprendi algures. Os humanos têm uma relação de prisioneiros com a memória. Uma vontade de guardar tudo e de ao mesmo tempo fugir. Só que, e sabemos de antemão, a abertura da porta desta prisão — como nas outras — escapa à intervenção do próprio. Genericamente, quem se lembra de tudo queixa-se que preferia esquecer. E, ora lá está, vice-versa, é igualmente frequente. António Variações, que cantava estar além, resumia bem esta, e outras, insatisfações. A história de Bernardo Fachada com a memória é outra. O duplamente novo autor — tanto em idade como em carreira profissional — apresentase numa construção musical polvilhada de referências ao passado onde as histórias já

Bernardo Fachada - foto de Vera Marmelo

se pintam de presente. É tanto assim que, a meio da narrativa do seu primeiro longa duração “Um fim-de-se-

disso e ora desalinha a tradição num efeito harmonioso, ora agarra o ouvinte sedento de novidade e o mana no Pónei transporta para Dourado”, acreuma paisagem a memória impele, ditamos estar sonora que vino primeiro estado perante algo sicia. Trabalhou multaneamente auditivo, a catalogar que se fartou e fresco e de tal depois lançou, como património forma familiar de rajada, dois acústico à escala que a memóálbuns merenacional ria impele, no cedores de primeiro estaocuparem podo auditivo, a catalogar como sições visíveis na prateleira da património acústico à escala música portuguesa. O último, nacional. B Fachada serve-se homónimo, saído no final de

Compac-tando Carlos Hdez Mercedes

Sugerencias musicales

N

En otro orden de cosas y para que, cuando leáis mi artículo sobre “Ética digital”, mis palabras os puedan ser de alguna utilidad, paso a proporcionaros algunos datos que han iluminado mis días:

B.- Para amantes de sonidos

étnicos, os aconsejo el que probablemente sea el mejor disco del año: “Très, très fort”, álbum debut de la banda “Staff Benda Bilili”, lanzado por el sello “Cramed” en marzo de 2009, producido por Vincent Kenis,

A.- Para aficionados al

Jazz o principiantes en este gran género os aconsejo que accedáis music-on-the-rocks. al blogspot.com Encontraréis un amplísimo catálogo documentado (discos, temas, intérpretes, sello, año de edición, etc.) proporcionando con cada una de las referencias un enlace a “rapidshare”, que permite la descarga libre (también proporciona “password”). En el caso de tener la descarga dividida en varios archivos, es necesario tenerlos todos bajados antes de poder abrirlos.

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conocido por introducir otros grupos como Konono nº 1, Kaisa, Allstars o Congotronics. En España la distribución la lleva “Nuevos Medios”. “Staff Brenda Bilili”, según Wikipedia, es un grupo con-

goleño de músicos callejeros. Viven en los alrededores del zoo de Kinshasa y tocan música impregnada de rumba, viejas formas de “Rythm’n Blues”, “reggae”. El núcleo de la banda son cuatro viejos guitarristas/ cantantes afectados de polio, que se mueven en unos espectaculares triciclos manipulados (espectaculares por increíbles). Se acompañan de una joven sección rítmica compuesta por chicos de la calle, abandonados, que están bajo la protección de los miembros más viejos de la banda. El solista es un joven de 18 años que toca una guitarra eléctrica de una sola cuerda que él mismo ha diseñado y construido a partir de una lata. Escucha “Avramandole”, si no te emociona, estás muerto. ¿Se puede pedir más?

2009, ultrapassou de tal forma as estações que se afigura, ainda neste Verão, como um disco onde desfilam históricas estórias. Fachada, em jeito multi-instrumentista — que Portugal também tem os seus Princes —, foge das baladas à cantautor e apimenta os retratos da cultura urbana para desfilar, e sobrepor ao silêncio, uma exposição sarcástica de nós mesmos. Em monólogo directo, o autor nascido em Cascais, desenha as metrópoles mas não se coíbe de nos pintar melodias de outros vales e montes como ocorre em D. Filomena ou em

Responso para Maridos Transviados.

B Fachada é, a par de nomes como JP Simões ou Jorge Cruz,

cantor que apesar de trazer a viola no saco se apresenta como músico pós-PREC sem se esvaziar musicalmente das referências musicais do passado. Abre-nos a porta do lado de dentro da memória para, lá fora e utilizando um plano B, nos mostrar a nossa própria memória. Goza, por isso, de merecida admiração — o que, como se sabe, carrega desde logo a desvantagem de borbulhar igualmente, também, fervorosas críticas. Mas nestas coisas, e cito de cor (se a memória — ora, lá está — não me atraiçoar) Hérman José que dizia que “as opiniões são como as vaginas: cada uma tem a sua, e quem quiser dá-la, dá-la”.

Giradiscos Luís Clementino

F

oi uma verdadeira surpresa. A ultima coisa que se esperava: um bom disco dos Oasis. Os “Beatles” de Manchester gravaram um álbum ao vivo de peso e com um som enorme. Desde os primeiros acordes de “ Fuckin’ in the Bushes” notamos que temos algo de excelente. Liam saúda a multidão com um “ Hello Manchester” e a partir daí a banda aplica-se a tocar a maior parte dos seus sucessos. Não há aqui guitarras folk, Noel Gallagher e Gem Archer fazem gritar as suas Gibson em todas as canções. Com “ Supernonic”, “ Acquiesce”, “ Roll with it”, “ Stand by Me”, Wonderwall”, “ Cigarettes and Alcohol”, “ Don’t Look Back in Anger”, “Live Forever” e “ Champagne Supernova”, a banda distribui hinos imparáveis. O som é bastante eficaz, todos fazem o seu papel e a voz de Liam está afinada. Eles divertem-se a fazer arranjos ( Helter Skelter), citações ( Whole Lotta Love) no fim de “ Cigarettes and Alcohol”, empréstimos ( a introdução de “ Don’t Look Back in Anger” copia “ Imagine”) e mostram também claras influencias de grandes bandas inglesas. Apesar dos melodramas, dos escândalos, as declarações machistas, as cargas etílicas e não só, temos que respeitar a sua

OASIS “Familiar to Millions”

sinceridade e não podemos deixar de os apreciar. Um verdadeiro grupo Pop no sentido literal; apaixonamo-nos por eles como por uma equipa de futebol quando ganha. Devido aos estribilhos repetitivos energicamente cinzelados por Noel nas suas guitarras e devido à voz sublime de Liam, uma indiscutivel candura continua a brotar desta musica, como água num oásis cercado pela vastidão do deserto. Foi pena o oásis ter secado. Pub


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Bibliografar(3)

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Carlos d’Abreu - coordenação e selecção

Património Arqueológico do Concelho de Carrazeda de Ansiães

O Crasto de Palheiros. Fragada do Crasto. Murça – Portugal Coordenação: Maria de Jesus Sanches Edição: Câmara Municipal de Murça 2008, 193 pp

Autores: António Luís Pereira & Isabel Alexandra Justo Lopes Edição: Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães 2005, 136 pp

Atlas Forestal de Castilla y León

Bibliografia do Distrito de Bragança

Série Documentos Documentos (textos) Publicados 569-1950 Tomo 1: 569-1870; Tomo 2: 1871-1950

VV.AA. Obra de carácter técnico-divulgativo sobre la realidad social e histórica del medio forestal en esa región y sobre la situación actual de la gestión del medio natural. 2 tomos de gran formato. Edita: Consejería de Medio Ambiente de la Junta de Castilla y León, 2007

        



Documentos sobre Olivença nos Arquivos de Lis-

boa (1066 fichas catalográficas ordenadas cronologicamente com o seu correspondente índice analítico)

Autor: Maria Cecília Guerreiro de Sousa | Edição em linha: Câmara Municipal de Olivença / Arquivo Histórico Municipal | http://www.bibliotecaspublicas.es/olivenza/imagenes/MARIA_CECILIA.pdf | 2009

Três Vidas Ao Espelho Manuel da Silva Ramos omance alegre e reconforR tante, este livro é o elogio do emigrante português (tantas vezes vilipendiado, humilhado) e dos contrabandistas da raia, que tiveram um papel crucial na economia das regiões portuguesas vizinhas da fronteira espanhola. Conta a história de dois emigrantes que foram bem sucedidos e mostra, de forma detalhada, a vida dos finais dos anos quarenta de uma aldeia portuguesa perdida entre pedras e solidão, nos arredores de Vilar Formoso (a Bismula), cujos habitantes se dedicavam à pastorícia, à agricultura e... ao contrabando. Acima de tudo, este romance é uma magnífica história de amizade e de fidelidade a um nome. E de fidelidade à coerência das vidas. Ao exumarem do cemitério de Espeja o cadáver do contrabandista Brigas (morto pela Guardia Civil), enterrado nas brumas do esquecimento, dois amigos reescrevem a História à sua maneira e desenterram o passado para que este lhes sirva de lição. Quanto ao emigrante bondoso que distribui dinheiro pelos humildes, ele sabe que

Edição: Publicações D. Quixote 2010, 301 pp.

Carção. A capital do Marranismo Autores: António Júlio Andrade & Maria Fernanda Guimarães - Edição: Associação Cultural dos Almocreves de Carção, Associação CARAmigo, Junta de Freguesia de Carção & Câmara Municipal de Vimioso 2008, 198 pp

Fiesta de San Juan, la fiesta de ls moços DVD Constantin [Cunceilho de Miranda de l Douro]

Autor: Hirondino da Paixão Fernandes - Edição: Instituto Superior politécnico de Bragança & Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Bragança 1996, t. 1 - 590 pp; t. 2 – 542 pp

Realização: Ricardo Correia Texto: Mário Correia Produção: Centro de Música Tradicional Sons da Terra Edição: Sons da Terra [Sendin, Miranda de l Douro] , 2008

El Reino de León en la época de las Cortes de Benavente

As fronteiras e as identidades raianas entre Portugal e España

Actas de las Jornadas de Estudios Históricos (7-10/15-17 mayo 2002) Edita: Centro de Estudios Benaventanos “Ledo del Pozo” (C.E.C.E.L. – C.S.I.C.) Benavente, 2002, 248 pp

Actas do curso de verão, org. Xerardo Pereiro (UTAD), Luís Risco (Fundação Vicente Risco, Alhariz) e César Llana (Museu Etnolóxico de Ribadavia, Ourense), celebrado em Ribadavia (Ourense - Galiza) e Chaves de 12-15.VII.2006 Edita: UTAD / Universidade de Vigo, Vila Real, 2008, 251 pp

Rio de Onor. Comunitarismo agro-pastoril Jorge Dias

J

Outros Autores: (cancioneiro de Margot Dias e desenhos de Fernando Galhano) - Edição: Editorial Presença, 3.ª ed., 1984, 353 pp

ulgo ser esta a primeira vez que se faz o estudo monográfico de uma comunidade rural situada de dois lados de uma fronteira política... Rio de Onor é uma comunidade constituída por duas aldeias gémeas – quase diríamos siamesas. Embora a cultura espanhola se faça sentir mais fortemente do lado de lá da fronteira e a portuguesa do lado de cá, é natural que insensivelmente se vá dando uma aculturação mútua. Temos, portanto, uma comunidade híbrida, que se presta de maneira invulgar para fazer um estudo de

contactos de duas áreas culturais... Neste estudo, em que se aplicou o método orgânico e funcionalista – que, melhor do que qualquer outro, permite dar a visão de um agregado humano, no seu ambiente natural, focando os problemas económicos, sociais, religiosos e psíquicos, sem esquecer o aspecto ecológico -, não se descuraram os problemas da personalidade e cultura, isto é, o papel do indivíduo dentro da comunidade e os aspectos psicológicos da cultura.” - Estudo realizado em meados

do século XX

La nueva cultura del agua en España Fco. Javier Martínez Gil C a bondade é subversiva, assim como o produtor de cinema François da Silva, que faz filmes para espalhar o ouro dos sonhos pelo mundo. Estas três vidas ao espelho, escolhidas entre milhentas outras da diáspora lusa, têm a pretensão de ser um poderoso elixir para desenvolver a autoestima nacional. Porque os três homens simples deste romance são heróis categóricos à sua maneira. E nós que acreditamos saímos dele reconfortados.

Edita: Bakeaz / Coagret - Bilbao, 1997, 131 pp

uatro décadas de un productivismo desbocado nos han llevado por caminos insostenibles de degradación generalizada, que nos han hecho olvidar el auténtico valor del agua, la verdadera dimensión de tan excepcional recurso. Un conjunto de razones obligan a dar un giro a las políticas del agua en nuestro país. Es tiempo de instaurar una nueva cultura del agua que dé paso a la eficiencia y a la imaginación, a la subsidiariedad y a la participación en la gestión, a las verdaderas cuentas económicas, sociales y medioambientales del agua, y a la concepción humanística del recurso. Los usuarios de los ríos somos todos. La nueva cultura tiene

que acabar con la tergiversación de los conceptos actuales de “demanda” y “recurso”, con los que se ha pretendido establecer un panorama irreal de desequilibrios insostenibles para justificar la instauración de un gran estado de obras restaurador de un equilibrio hidráulico que la Naturaleza jamás antes tuvo. Son las apetencias las que hay que reequilibrar. Estamos obligados a instaurar la cultura del respeto y de la sensibilidad, antes de seguir destruyendo más paraísos, más patrimonios, y desarticulando más comarcas historicas... sin necesidad. Estamos en tiempos de economía obligada, tiempos de conservar y no de destruir. ¡Un reto apasionante!

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CONTOS/CUENTOS

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Relatos ao amor da fog gueira Tomi Borja

“Quem vai a Santarém burro vai... e burro vem”

C

ontemplando com um balho saiu-me pelos olhos, até casal amigo as inesque- conseguir reunir os cinco ‘concíveis fragas de xisto tos’ que orçamentei para pagar desde o sítio do Poio, o projecto de tão altas quotas. em V.N. de Foz Côa, rompeu o E assim, certo dia, preparei nosso encantamento um carro, a mala e encaminhei-me para que ao passar a grande veloci- Santarém. Avelino tinha-me dedade por cima de um charco, senhado um plano quer com transformou-nos nuns pati- os sítios estratégicos marcados nhos, ensopados totalmente quer com as chaves para a mide água e barro. nha missão - pensão, escola, Burrooo…, mas que burro és! taberna do Galego – e outros, Por acaso é tão cego que não para não me perder naquela viu nem os sinais limítrofes, cidade que imaginava grande nem os buracos do alcatrão, de mais para mim. E por ventunem mesmo a nós próprios? ra que bateu todo certo…Que – Exclamou o Sr. Armando -, e grande arquitecto e relojoeiro continuou… Mas como se pode perderam no concelho! ser tão imprudente e fazer tanCoincidiu na altura das festas ta asneira junta em tão pouco de ano e estava tudo cheio. A tempo? Sra. Florinha, dona da residenEu digo-te! - Sentenciou ironi- cial, apenas me pôde oferecer camente a sua esposa Zulmira uma cama num quarto parti- Porque como tu, comprou a lhado, com um senhor da alcarta em Santarém! E lembra-te deia de Brotas, que veio a feira do ditado por aqui…”Quem vai a vender umas burras. a Santarém, burro vai… e burro Acho que acabava de entrar vem”. com sorte, pois assim o quarto Intrigada pela espontânea ficava-me mais barato, vinte conversa mantida pelo entra- e cinco escudos por dia… Mas nhável casal, interroguei-lhes o olha que o preço que paguei sentido. Foi dona Zulmira que foi alto… Oh meus senhores forçou a seu esposo a contar- que maneira de ressonar! Valia nos a história e, num ambiente mais ter dormido com as suas descontraído, o Sr. Armando burras! O gajo que me tocou arrancou num monólogo. em sorte até assobiava como as Assim me foi cobras, por não contado e assim falar do cheiro vou contar… a ‘queijo’ que já tinha às minhas Aos meus vintanto podia ser costas vários empre- dos pés como te e três anos gos: barbeiro, já tinha às mida roupa. nhas costas váDe manhã tiradentes, alfaiate, rios empregos: logo na Escola leiteiro, trolha, barbeiro, tirade Condução, dentes, alfaiate, cobrador da carreira… depois de tratar leiteiro, trolha, da papelada, cobrador da carreira… Tinha calhou-me um instrutor alto, pegado em tudo aquilo que magro, de grandes bigodes e se me punha a frente, mas não com cara de poucos amigos… acabava de encontrar a estabi- Que autoridade e respeito melidade económica que eu pre- tia aquele professor! E isso é cisava para casar e sustentar que era ser anarquista, pois o uma família. vesgo parecia olhar contra o A minha mãe advertia-me governo! que o homem de muitos ofícios Após ter-me instruido no tem pouco de comer e repetia: manejo das mudanças e dos “A carta de condução, meu fi- pedais, mandou-me pegar no lho, essa é a que te vai abrir carro. Aquilo funcionava uma muitas portas”! maravilha! Enfiei-me por aquePois é, pois é! Contudo até las ruas e ruelas e já me via um já tinha pegado na carrinha ás da volante… da leitaria…, mas o volante era Mas de repente a rua comeuma coisa e os livros outra… e çou a estreitar-se… Ao fundo tirar a carta supunha estudar viam-se, algumas velhotas, que códigos, normas e raios que os descontraídas em rico serão e partam! sentadas em cadeirinhas de paUm dia na churrasqueira, lha, estavam a fazer renda, enentre copo e copo, contando quanto meia dúzia de galinhas a meu amigo Avelino os meus picotavam alguns grãos. pesares, diz-me: Vai a Santarém Eu bem queria reduzir a vee compra a carta! Levas o di- locidade, mas o raio do carro nheiro e fazes o trato e em duas ia cada vez mais depressa. O semanas está nas tuas mãos. instrutor, vendo eminente o Essa noite, em sonhos, já me acidente, começou a gritar… vi com a carta, um bom empre- Trava filho, trava…! Ai a minha go de motorista e casado com mãe! - Exclamou pálido e com a minha Zulmirinha…, felizes os bigodes esticados-…! Travaapara sempre. aaa burro!... Durante longos meses o traCom estrondoso barulho

instalou-se o desastre… As galinhas e as cadeiras saíram a voar, os cestinhos das rendas ficaram espalhados pela rua e as velhinhas, entre gritos e espavoridos, tiveram o tempo justo para se encostar às paredes. “Ai o filho da pita que nem aputa!” – gritou uma delas que, no seu atrapalhamento, tinha trocado duas letras da frase certa. Por fim consegui dar com o pé no travão e parar o carro. Ao instrutor as pernas tremiamlhe como varas verdes, mas não houve que lamentar qualquer vítima. Dia a dia, devagarinho, foi melhorando. Punha tanto empenho nas minhas formações que na taberna do Galego diziam que já deitava fumo até pela boina. Terminada a aula de condução gostava de passar pela feira do gado. Numa ocasião fartei-me de rir de um engano ao qual sucumbiu um comprador de boa fé, que ignorante de motores de tracção animal estava a comprar uma vaca. Notava-se bem que a coitada da vaca não via apesar de ter os olhos bem abertos, e ambos os negociantes com as suas varas tentavam encaminhá-la para dentro de um camião sem qualquer sucesso. O vendedor dizia ao comprador, para desviar a atenção da falha, que provavelmente lhe haviam dado câmbricas e que para metê-la, só prestava atenção às patas… Mas a vaca, sem qualquer sinal de mancar, tropeçava continuamente com tudo, até com os cornos, com a conseguinte irritação de ambos e as simuladas risadas dos curiosos. Já paga e metida no veículo o comprador perguntava ainda para o antigo dono: Mas que raios pode ter esta vaca! Olha, não sei… Ela zarolha não é… E cega…, já vê! - Respondeu o vendedor – . Duas tardes depois decidi assistir à tourada de turno, desta vez de borla e em primeira fila, mas tinha que assumir uma importantíssima tarefa que um forcado na cantina do Galego me tinha procurado: Dar sombra ao “pichorro” da quadrilha e conservar os seus apetrechos. Um espectáculo! Toureiros e público em completa sintonia. Na mudança de terços, os toques de trompeta dos músicos eram acompanhados por uma variada tamborilada de graves e agudos que os forcados, pelo medo, deixavam escapar entre as calças. E como uma orquestra perfeitamente afinada, a gente gritava em coro “olé…, olé! Após a corrida, fomos convidado pela Câmara a um lanche

onde participei como “cicero- do moço, tinha rodado depois ne” dos camareiros… Tal era a pela barriguinha até sair pela fama de perfeição logística que saia. Às três semanas e de por fim eu já tinha atingido em poucas receber a carta de condução, horas! À volta de uma longa mesa voltei todo orgulhoso para à cheia de petiscos e bebidas, a minha terra onde fui recebido quadrilha circulava misturados com fortes abraços pela família com um monte de autoridades que elogiava o meu grande loe senhoras emperiquitadas, gro. Os quinhentos escudos que que rindo, foram dando cabo da bucha com voracidade e me sobraram celebraram com pouco recato… tal era a virtude os amigos na churrasqueira; todas mesmas, terrivelmente sa- dos apostaram no meu grande borosas e acima de tudo…, de futuro profissional. Na seguinte manhã, topei borla! Num instante, um dos meus com o meu vizinho Hilário a subordinados apareceu com tentar meter sem sucesso o uma travessa repleta de azeito- reboque do tractor dentro do nas pretas. Ante a tentativa de palheiro para descarregar os um forcado em meter a mão molhos de palha. Dá cá rapaz, isso é comigo! frente a um grupo de meninas, o sentido estético do meu Vais ver como em três manoensino do protocolo na tropa, bras fica todo arrumado! Tu obrigou-me a dissuadi-lo dis- vai para acima! E pegando na máquina meti cretamente e marcha atrás, a sussurrar-lhe demonstrando que utilizasse Mas olha que o preço toda a habilidaum palito. que paguei foi alto… de do mundo, Foi em má Oh meus senhores mas sem repahora pois ao farar na viga de que maneira de zer gala da sua madeira que grande destreza ressonar! segurava o sotaurina, o forbrado. Com cado pica fortemente uma redonda, salta a grande estrondo e num instanmesma pelo ar e descreve uma te, caibros, palha, milho já seco parábola até desaparecer. O e até o Hilario, tudo se veio moço pergunta para si onde é abaixo. A cabra foi a mais inteligente, apenas tinha cheirado o que está, onde se meteu? A resposta foi rápida… Uma perigo e já tinha saído disparadas meninas começa a saltitar e da para a rua. dar sinais de atrapalhação, to- No meio daquele barulho só cando-se no peito com aflição e ouvimos os berros da mãe do manifestando que se lhe tinha vizinho a gritar “Já o diz o ditametido um bicho no corpo; o do…”quem vai a Santarém, burgrupo afastando-se contempla ro vai e burro vem”. com espanto a queda do fru- O sr. Armando seguio profissão to ao chão. Todos imaginaram nos Correios, mas nos primeiros que a ousada, aterrando no tempos, ainda fez questão de generoso decote da protago- entregar as cartas a pé. nista, como presente libidinoso


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PARANORMALIA

HUMOR

Espião

Traficante

Pablo Azón Garcés

La Bilocación II Los Chamanes Cómo el doble es un vehículo para conocer nuevos ámbitos de percepción

por Telmo Ramalho

Mensagem descodificada, enviada pelo Espião Traficante da Bouça, para o nosso jornal através de um “ouriço-correio”.

C

aros leitores, vou ter de ser poupado nestas minhas palavras! É oficial estamos em crise! É verdade, depois de anos de profundos ameaços, por fim a crise chegou, é sempre bom chamar atenção dos mais distraídos, não vão eles deixar passar tal coisa. Eu que cheguei a pensar: “e pronto lá está o meu povo Português embebido de negativismo e depressão…” quando eu estou preparado para dar o meu grito de ipiranga, eis que vindo do nada, se levanta uma força maior (e não estou a falar de Zézé Camarinha nem muito menos de Tomás Taveira) refiro-me a uma força positiva, capaz de movifeliz, a “fazer coisas” pela nossa selecção, mentar massas e gerar rios de dinheiro e agora pergunto eu: O que faz a nossa (também não estou a apontar para ca- selecção por nós? Eles podiam ajudar a sas de alterne), meus amigos refiro-me à combater a crise, eles podiam ser os salnossa Selecção Nacional de Futebol! vadores da pátria, bastava descontar 10 É com grande satisfação e orgulho a 15% nos ordenados dos jogadores e patriótico que rejubilo ao ver o povo equipa técnica e a crise já era! Mais, para Português unido desta forma, por uma mostrarmos que somos causa tão positiva, a praum país unido, os coleticarem sacrifícios tão gas de profissão que jonobres como por exemEu tenho cá gam na primeira divisão plo: oferecerem 20 euros um “feeling” que seguiam o mesmo exempara ver a nossa selecção plo. E assim o povo fica“alguém” anda a empatar (já nem conto encher a pança com ria ainda mais contente. com a demorada mas Bom e por aqui me isto, mas não sempre bela deslocafico, já sem gasóleo no ção à Covilhã); ou então importa, o povo tractor, tenho que ir às ofertarem 35 euros para anda contente! bombas da GALP tentar assistirem ao fantástico trocar uma saca de vuconcerto do Black Eyde vuzelas… Ora aqui está outra, a GALP Peas, isto em prol da nossa selecção… que se deixe de pantominas, baixe os isto e muito mais! Eu tenho cá um “fe- preços dos combustíveis e meta a corneeling” que “alguém” anda a encher a ta pelo c…. pança com isto, mas não importa o povo anda contente! FIM DE MENSAGEM. Está à vista de todos que o povo anda

Cartoon

C

omo ya vimos en el número anterior, el desdoblamiento de una persona, la sensación de estar en dos sitios diferentes al mismo tiempo, es una técnica propiedad de los místicos, a la que la gente común llega a veces de forma involuntaria. Dos ejemplos muy estudiados serian la proyección astral y la Experiencia Cercana a la Muerte (EMC). En ambos casos, la persona siente como accidentalmente su conciencia abandona el cuerpo, llegando a contemplarse a sí mismo y al entorno que le rodea, plenamente consciente del fenómeno, y describiendo posteriormente el nuevo plano o cuerpo sutil en el que se hallaprocesos tanto traumáticos como ron como de completa armonía. Para dar luz a este tema, vamos a místicos. Para los chamanes, al soñar, abordar la bilocación desde el univer- nuestro punto de encaje se libera so particular de los chamanes suda- levemente; y como también se han preparado para mover ese punto de mericanos. Los chamanes acceden a su doble encaje únicamente con su voluntad, mediante el sueño, o como les gus- aprovechan ese trampolín que es ta llamar a este proceso, la ensoña- el sueño para viajar libremente por otros mundos, con el ción. Se entrenan fin último de ampliar firmemente con el su nivel de concienfin de mantener su Los chamanes cia. ¿Y el doble? Los conciencia despierta acceden a su doble chamanes conciben cuando se sumergen en el sueño, y más mediante el sueño, o el universo a través allá del sueño lúcido, como les gusta llamar de la energía. Y todos poseemos, además tratan de acrecentar a este proceso, de nuestro cuerpo físu atención sobre ese la ensoñación. sico, un cuerpo enermundo tan borroso y gético. Una forma de cambiante, poniendo especial interés en contemplar hasta acceder a este último es, una vez inel más ínfimo detalle de cualquier ob- mersos en el sueño, ser capaces de volvernos a dormir y, recordando los jeto que se les presente. Estos líderes espirituales consideran versos de Machado, de soñar que que de todo el caudal de información soñamos. Al despertar en ese nuevo que desprende el universo, los senti- ensueño lo haremos directamente dos solo captan aquel flujo que pasa en nuestro cuerpo energético. Ese a través de nuestro punto de encaje, es el doble, el cuerpo astral. Una enmediante el cual construimos la reali- tidad extracorpórea hecha de pura energía pero que también puede dad ordinaria del día a día. Sin embargo, cuando ese punto materializarse en la realidad ordinade encaje se mueve, accedemos a ria, y con una capacidad inconcebiotras realidades alternativas, como ble para viajar y contemplar enteraocurre al ingerir drogas o en ciertos mente lo desconocido.

...con la técnica de dibujo de contraste/negativo por Manuel Gutiérrez


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Nuestros Comedores restaurante

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La Taberna del Conde

Por Miguel Ángel Pérez (texto y fotos)

Un agradable ejemplo ejemplo de fusión entre la cocina vasca y la charra

A

unque en ocasiones nos tiente la idea de que casi nada nos puede ya sorprender, siempre aparece de nuevo alguna agradable sorpresa que viene a desmentir esos pensamientos. La casa de comidas “La Taberna del Conde” se nos cruzó un día en nuestro camino por casualidad, una de esas jornadas en las que solemos deleitarnos descubriendo nuevos rincones de la geografía provincial, para dejarnos sorprender por sus a veces ocultos atractivos. A tan sólo unos 20 km de Salamanca nos encontramos con el municipio de San Pedro del Valle, lugar donde abrió sus puertas hace ahora 2 años “La Taberna del Conde”, regentado por los encantadores Manoli y Pedro Gallastegi, responsable este ultimo de la cocina del establecimiento. El cocinero vasco Pedro Gallastegi ha sabido fusionar en su oferta la reconocida cocina vasca, en la que destaca un excepcional Bacalao al Pil Pil,o espárragos rellenos, con la más tradicional despensa charra, en la que no faltan los siempre agradecidos asados y nuestras más típicas patatas meneadas. También resulta reconfortante el poder degustar junto a los mejores quesos provinciales los también renombrados de Idiazabal, o alternar vinos de la tierra con los de la parte norte del país.

Detalles y especialidades Cabe destacar

que las carnes servidas son producidas en el mismo municipio con las mejores garantías de calidad y salubridad, al igual que otros varios de los productos que se ofrecen en el restaurante y que provienen de sus corrales y huertos. A diario se sirven menús de 8 euros y se puede acceder a un buen servicio a la carta por un precio medio de 20 euros, aunque conviene reservar con antelación para los platos que requieren una elaboración más compleja. En el pequeño municipio de San Pedro del Valle se ofrecen además de los servicios de una casa rural, pudiendo además disfrutar de paseos a caballo en la finca Torrecilla o visitar las instalaciones del campo de golf de Zarapicos que se encuentra en sus cercanías.

Especialidades -. Esparragos rellenos -. Ibericos -. Bacalao con diferentes recetas y salsas -. Carnes a la brasa: Chuletón, Solomillo, Culetillas, Cordero...etc -. Asados: Tostón, Cordero, Cabrito

Bacalao al Pil Pil

que acabamos de cocer- freír el bacalao. Se deja fuera del fuego unos 3 minutos para que sude el bacalao.

2. Poner una cazuela a fuego medio y verter el aceite. Añadir los dientes de ajo en láminas y las anillas de guindilla. Cuando empiecen a tomar color, se retiran y reservan.

5. Se pone a fuego suave la cazuela con el bacalao y antes de que empiece a hervir se retira fuera del fuego. Movemos constantemente en círculo la cazuela para que empiece a ligar la salsa. Ha de hacerse sin brusquedades. A medida que se va ligando la salsa se va añadiendo cucharadas del aceite en el hemos cocido-freído el bacalao. Siempre fuera del fuego, si se enfriara, se acerca sólo para que conserve la temperatura templada, a la que se ha de montar. La salsa se cortaría si hirviera.

3. Se quita la cazuela del fuego y se deja templar. Se introducen en el aceite los trozos de bacalao, con la piel hacia arriba. Es muy importante que el bacalao esté seco, en caso contrario empezará a saltar el aceite. Se pone nuevamente al fuego la cazuela. El bacalao se cocerá suavemente, -nunca freír-, durante unos cinco minutos. 4. Se retira la cazuela del fuego y se pasa el bacalao a otra cazuela, siempre con la piel hacia arriba. Se añaden dos cucharadas del aceite en el

6. Servir con la piel de los lomos hacia arriba y cubierto parcialmente de la salsa. Encima de cada lomo se colocan una láminas del ajo y anillas de guindilla que teníamos reservadas.

C/ Larga,18 Teléfono 923-32-05-51 37170 - SAN PEDRO DEL VALLE (SALAMANCA)

SALAMANCA - S. P. Del Valle SA20; N-620; CL-517 (26km) GUARDA - S. P. Del Valle A-23 ; E-80 ; A-62 ; N-620; CL-517 (175 km) ZAMORA - S. P. Del Valle N-630 ; A-66 ; A-62 ; N-620; CL-517 (84 km) BRAGANÇA - S. P. Del Valle E82 ; N-122 ; A-66 ; A-62; N-620; CL-517 (192 km)

Orígenes del

preparación de la receta 1. Desalar previamente el bacalao. Escamar, quitar las espinas y secar con un paño limpio.

RESTAURANTE

LA TABERNA DEL CONDE

E

INGREDIENTES:

- 4 personas -

8 trozos de lomo de bacalao desalado que no sea demasiad grueso 3 dl. de aceite de oliva 5 dientes de ajo unas anillas de guindilla Tiempo de realización 30 minutos.

n palabras del cocinero vasco y refiriéndose a los orígenes de ese conocido plato “el bacalao al pil pil proviene de un proceso evolutivo del plato denominado Bacalao a la provenzal o Brandada de bacalao y con la denominación al pil pil no llega a los cien años de antigüedad. Las primeras reseñas de este plato aparecen en el siglo diecinueve, aunque estas primeras recetas que aparecen en publicaciones de la época en nada se parecen a la actual forma de oficiar este plato. Quiero aclarar que todo el merito de este preparado se debe a los fogones vascos y mucho han tenido que ver las Sociedades Gastronómicas. Entre 1611 y 1745 escribió Salsete “El cocinero religioso” en el que da varias recetas para preparar el bacalao. Dando una preparación que la denomina Bacalao en ajo. En la que espuma el bacalao después de haber estado la-

plato

vado dos o tres veces y cuando esta tierno se aparta. Se hace una salsa con especias, bastante ajo, y pan remojado y todo esto se deslíe en aceite, echándolo poco a poco, hasta que el pan no embeba más. Luego se echa del agua en que coció el bacalao de modo que pueda echar en cazuela, que estará sin agua. Se sazona de sal, y se proporciona el caldo, que no salga, ni claro, ni muy espeso, y dé un hervor. En cuanto al recetario actual hay que considerar que hay tantas formas de realizar este plato como Pueblos, txokos, aficionados a la cocina etc. Muchas discusiones de taberna acerca si el Bacalao hay que templarlo, cocerlo en aceite, añadirle un poco de caldo, mantener la temperatura baja y solo mover la cazuela fuera del fuego etc. etc. etc. Lo que si es cierto que todos los obradores de este plato, lo hagan como lo hagan, (dentro de un orden), consiguen unos excelentes resultados.


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AMBIENTE COMPLETO Para un senderismo

Naturalmente

sostenible

Juan Carlos Zamarreño

El senderismo puede ser una manera respetuosa de conocer el medio, pero también puede convertirse en una amenaza para él. La Asociación Puertorriqueña de Interpretación y Educación ofrece en su página web unas recomendaciones para hacer de la caminata una actividad positiva para el medio.

Kaixo

esto permitiría un mayor conocimiento de los castros y los paisajes en esta zona transfronteriza, conservando, a la vez, los parajes de singular belleza que los contienen.

Estos castros y otros, eran las típicas construcciones de los pueblos prerromanos de la Península Ibérica. Recuperados algunos, con mayor o menor fortuna, representan y constatan la existencia de una serie de individuos que en un momento, ya histórico dado el conocimiento que tienen de la escritura, se establecen en esta amplia zona. Independientemente de su

•Como líder del grupo, recuerda que sólo llevaremos los recuerdos grabados en nuestra memoria y las fotos que tomamos. El Guía debe dar ejemplo; somos modelos a imitar. Si somos líderes, actuemos como tal.

•El tamaño de los grupos dependerá de la composición de sus integrantes (niños, estudiantes, jóvenes, adultos, envejecientes, etc.), la duración del recorrido, propósito de la caminata, largo y ancho de la vereda, y el número aprobado por la agencia que administra el lugar visitado, entre otras cosas. El tamaño varía desde 2 a 25 personas. Recuerda preguntar cuál es la capacidad de carga en las veredas que visitas con frecuencia para que no la impactes negativamente. •Respeta la vida silvestre y obsérvala a la distancia. ¿Vas a tomar fotos? Piensa cómo te sentirías si te toman una foto con “flash” de frente a tus ojos.

J.C.ZAMARREÑO

•Al visitar un área protegida, utiliza los senderos definidos. En áreas silvestres donde no existen senderos definidos, y hasta donde sea factible, evita terrenos mojados o blandos. Indícale a tus clientes que deben esparcirse de manera de que no caminen dos personas por la misma huella; y en la medida

FOTO\J.C.ZAMARREÑO

De Castros y Verracos

L

que sea posible, evita caminar a través de vegetación o en terrenos frágiles. Recuerda ser cortés. Si te encuentras con un grupo de personas caminando en dirección contraria, busca un lugar seguro donde tu grupo pueda detenerse en lo que el otro sigue su camino. Evita impactar áreas frágiles innecesariamente.

•En situaciones donde los baños no están disponibles sepulta el desecho en un agujero de al menos 15 a 20 centímetros de profundidad y 70 metros de distancia de cuerpos de agua o campamentos.

Layo Estévez

a descripción del proyecto titulado “Castros y Verracos” allá por el 2004 tenía como finalidad la recuperación y puesta en valor de algunos de los castros existentes en las provincias castellano leonesas de Ávila y Salamanca y en los municipios situados en el norte de Portugal, de Miranda do Douro, Mogadouro y Penafiel. Según reza en el proyecto,

•Firma el libro de visitas; comparte con los administradores cualquier información que sirva para monitorear el área visitada. En la temporada alta, hay Guías que visitan el mismo lugar a diario por lo que se convierten en monitores automáticamente. Comparte e informa cualquier anomalía o descubrimiento.

•En la medida que sea posible, no dejes en el lugar que visitas los desperdicios que genera tu grupo. Recuerda que no necesariamente el camión de la basura visita los bosques a diario.

DANIEL GIL

A

llá por el hondón del más de la conservación; el Côa en Algodres (Fi- abandono rural puede ser, gueira de Castelo Ro- está siendo, más una amenadrigo), donde el río za que una oportunidad para anuncia su sector más agres- el medio ambiente. Y otra cosa te en los riscos de granito, se más: sabemos todavía muy esconde Faia Brava. Es una poco sobre la variedad de la finca enorme, desde el propio vida, y tenemos mucho que cañón hasta la penillanura aprender sobre cómo manteque a él se asoma. Entre las nerla en el futuro. Y otra al fin: rocas que el tiempo y la gen- la biodiversidad puede ayute transformaron, los suelos darnos a mantener paisajes y cuentan una historia de sub- paisanajes. sistencia durante siglos y de Por Faia Brava trotan los recientes abandonos huma- caballos garranos, con sus nos y de incendios. pelajes alazanes y sus crines Por estos valles se prodigan heavys, propios de esta raza los alcornocales roqueros, autóctona del norte de Porcon árboles tugal. Son los a veces cenencargados de tenarios. Los segar e aboLa Asociación pequeños nar los pastos Trasumância e cauces van y de controlar engordando Natureza desarrolla en el desarrollo en su descen- las arribes del río Côa del matorral. so hacia el río Ya hay potrillos un proyecto y mantuvieron nacidos aquí. modélico de cultivos abriCerca de ellos conservación gados en bantrabajan el percales. sonal al cargo En este pequeño paraíso de la finca y en temporadas que mira hacia el oeste, la aso- el voluntariado y las visitas de ciación Transhumância e Na- tierras más o menos lejanas. tureza desarrolla un proyecto Mientras la gente de Algodres de conocimiento y conserva- y de otros pueblos del conceción de la biodiversidad en la jo participa y observa: Isso é, a comarca, siguiendo algunas Faia Brava. - Conoce la asociación ideas claras: mantener una y sus proyectos en: cierta gestión tradicional del www.atnatureza.org territorio es un instrumento

DANIEL GIL

Brava, Faia Brava

estructura social y otras cir- lización fue el caballo; utilizado cunstancias que hoy vamos tanto en las “razzias” (incursioa obviar, nos vamos a fijar, a nes), en las batallas contra los grandes rasgos, en los aspectos romanos como el pastoreo del económicos de esta sociedad. ganado. Así, la ganadería era una de Muchas de estas costumbres sus actividades más importan- han pervivido hasta hace muy tes; de ella se obtiene la carne, poquito tiempo en nuestra la leche, el cuero, los huesos, transfronteriza marca. las astas y otros elementos. Las Según este proyecto, también especies trabajadas serían los se pretendía la recuperación, el bóvidos, los cerdos, las cabras y conocimiento y la conservación las ovejas. Desde luego no hay de la singular belleza de estos que descartar paisajes. la caza y la pesSabido es, ca. Decir que que este pasado como manifes- Muchas de estas cos- mes de abril, se tación artística tumbres han pervivido ha estado exrepresentativa hasta hace muy poqui- poniendo por de esta “cultura” parte de la Asoto tiempo está la figura del ciación AECT “verraco”; son Duero-Douro esculturas de “toros”, “cerdos” o un serie de proyectos encami“jabalíes”. Su función, muy dis- nados a promover el empleo, a cutida, nos dice que pueden ser la creación de empresas sostemonumentos conmemorativos nibles, reducción de las disparide victorias, significados mági- dades transnacionales, regionacos-religiosos, económicos, re- les y locales y creación de redes productores, etc. tecnológicas de organizaciones Añadir que otro animal suma- y empresas a nivel transfronterimente importante en esta civi- zo para el fomento del empleo

y la inclusión social. Para ello, se configura un plan de Desarrollo Turístico de la Frontera, y entre sus objetivos destacan: la identificación de los recursos de alta potencialidad turística, la cooperación internacional de recursos patrimoniales y culturales y su comercialización. Entre ellos señalar el Proyecto “Self Prevention”, que viene a ser un modelo piloto de autogestión y supone la creación de una empresa caprina para la recuperación de la cabra en este territorio, la creación de una serie de queserías, una central de comercialización, tiendas, mataderos y aprovechamientos de recursos. Se persigue, de esta manera, la participación social del territorio, su dinamismo socioeconómico y la prevención de incendios. De ejecutarse, esperemos, supondría la recuperación de un “modus vivendi” que en la actualidad se ha perdido; esto es, sería la involución positiva de una vida nunca ajena a la realidad de las distintas sociedades o civilizaciones que desde la prehistoria hasta los años sesenta del siglo pasado han pisado por estos suelos.

•Los recorridos son para disfrutarlos, habla en un tono de voz agradable, lo suficientemente alto para que tu grupo te escuche, pero lo suficientemente bajo para que no interrumpas a las demás personas.

www.apiepr.org/guiasturisticos/buenaspracticas/index. html J. C. Zamarreño Si pretendemos mantener esta belleza singular, si nuestro objetivo es seguir hablando positivamente de nuestros paisajes, nuestras aguas, nuestra fauna, nuestra flora, es intrínsecamente necesario adoptar medidas singulares y generales que nos lleven a la conservación y mantenimiento real de nuestra comarca. Medidas encaminadas a la prevención de incendios, circunstancia salvaje que cada año nos lleva, irremediablemente, a la perdida de cientos de hectáreas con todo el especto negativo medioambiental que acarrea. Cierto es, que todas estas medidas deben estar encaminadas al asentamiento y fijación de población para completar aquello que por definición entendemos por medioambiente: “Conjunto de valores naturales, sociales y culturales existentes en un lugar y un momento determinado, que influyen en la vida del ser humano y en las generaciones venideras. Es decir, no se trata sólo del espacio en el que se desarrolla la vida sino que también abarca seres vivos, objetos, agua, suelo, aire y las relaciones entre ellos, así como elementos tan intangibles como la cultura”.


contrabando, JUNHO/JUNIO de 2010

Coordinación/Cordenação Juan Carlos Zamarreño

N

tural de las Arribes Del Duero.

A notícia, no entanto, não era o terrível deste acontecimento senão a indiferença e o desdém sofridos pelo ganadeiro por parte dos diferentes organismos aos quais recorreu para reclamar uma compensação económica que legitimamente lhe correspondia. A resposta que recebeu nas dependências do Ser-

e agradecimento assinada pelo Consejero de Medio Ambiente. As reservas naturais foram-se configurando ao longo dum vasto processo de simbiose entre os homens e a sua envolvente. Hoje, quando assistimos ao imparável abandono das explorações agrícolas e de carne e à morte ou êxodo da poJ.C.ZAMARREÑO

Abutres

isso de que este homem de Mieza, da Serra de Salamanca ou de Sanabria, tenha que dum lado para outro, Manuel Ambrosio Sanchéz Sanchéz andar enquanto organismos que o mês de março, segundo enchem a sua boca a falar da o relato do proprietário flora e da fauna e cujas sedes afetado, meia centena de estão sempre no meio urbaabutres mataram e desfi- no, não querem saber nada zeram uma vaca recém parida e o do assunto?. seu bezerro no termo municipal de Com a adequada implicaMieza, em terrenos do Parque Na-

viço Territorial de Medio Ambiente de la Junta de Castilla y León

em Salamanca foi muito dura: podia preencher uns impressos, mas ção de diferentes instancias, como a resposta (adiantaram-lhe) os parques naturais devem ia ser negativa, o melhor que podia auto-gerir-se. Corresponde fazer era começar a procurar um aos municípios, aos agentes advogado e um procurador para o instalados no território e, anfuturo contencioso; que encomen- tes de mais, aos próprios hadara quanto antes bitantes, o zeuma autópsia da lar pelos seus vaca e do seu berecursos, e Com umas boas leis, não a um zerro, porque além para o correto das fotografias e plantel de budo seu testemunho, rocratas insfuncionamento dos que provas tinha de parques naturais, as talados em que os abutres foescritórios a indemnizações por ram os autores do centenas de danos derivados da massacre? Para este quilómetros própria proteção modesto proprietádo agricultor, rio de Mieza a perdas vacas e deveriam ser da de uma das suas dos abutres. automáticas. catorze vacas é uma Um agente desgraça. Como ele, florestal, vimuitos outros que ganham a vida zinho e residente em algum desde há muitos anos com os seus dos municípios das Arribes, animais ou cultivos em espaços teria que se ter deslocado protegidos desta região, sofrem imediatamente à quinta do diariamente o abandono de uma afetado de Mieza e iniciar administração que não somente os trâmites para que, antes deveria olhar por eles, senão cuida- do fim da semana, tivesse reos. Com umas boas leis, para o cor- gressado para lhe entregar, reto funcionamento dos parques em mão, um cheque com naturais, as indemnizações por da- uma compensação digna nos derivados da própria proteção de tal nome, acompanhada deveriam ser automáticas. O que é de uma carta de desculpa

pulação rural que vivia nelas, vão ficando como terrenos de caça ou postais, florestas à mercê dos fogos, espaços mortos que percorremos, por algum mirador ou caminho, numa fugaz visita de sábado. Costumam os abutres beber e mexer a água na charca deste rancheiro de Mieza, quando o calor é forte. No passado verão avisou pelo telefone de que um destes animais parecia doente ou ferido. Já naquela altura contestaram-lhe com o mesmo desinteresse que agora, pouco antes de que o abutre morresse: que não tivera cuidado, seguramente o passarinho padecia de uma insolação passageira. Na minha opinião, acho que este vizinho nunca voltara a ter uma atitude tão positiva com os abutres. - artículo publicado en 31/03/2010 en El Adelanto de Salamanca e traduzido en portugués. Manuel Ambrosio Sánchez Sánchezes professor de Filología Hispánica en la Universidad de Salamanca (USAL) y alcalde de Morille

Miranda do Douro

Aldeia de Picote mostra biodiversidade num museu natural no Douro Internacional

U

m museu sem paredes antigas forjas e fornos. em que os conteúdos O Ecomuseu será um espaço são a Natureza e o pa- evolutivo com novos motivos ao trimónio da Terra de longo do tempo e exposições Miranda abre hoje ao público no centro interpretativo como a propondo aos visitantes percur- que inaugura hoje relacionada sos e experiências e uma visão com os cultivos, ervas e saberes privilegiada do Parque Natural mirandeses. do Douro Internacional. “O enfoque é a conservação e O projeto é dinâmico e evo- valorização do património cultulutivo como disse à Lusa Jorge ral (que inclui também a língua Lourenço da FRAUGA, a associa- mirandesa) e da biodiversidade ção de Picote que reuniu apoios e para isso estamos a recupefinanceiros e parcerias para pôr rar algumas espécies e práticas em prática esta ideia que está a que se foram perdendo como é ser amadurecida há 13 anos. o caos do cultivo do linho”, afirNeste período foram criados e mou. sinalizados percursos, requalifiAs actividades têm como pólo cado património e recuperadas dinamizador o núcleo antigo da práticas e saberes antigos que aldeia de Picote que foi requalifidão forma ao Ecomuseu Terra cado nos últimos dois anos com Mater. intervenções que recuperaram “O Ecomuseu pretende ser fontes, substituíram as linhas um espaço dinâmico, vivo, não aéreas de eletricidade por cabos fechado em subterrâneos, quatro paredes, mobiliário urbaque propõe uma no como a ilumiO Ecomuseu será visão sobre a nação pública um espaço evolutivo e reabilitaram o Terra de Miranda e a região”, edifício sede da com novos motivos explicou. ao longo do tempo e FRAUGA. O espaço fíA associação exposições sico que de sucontou com porte ao projeto apoios financeié um centro interpretativo, na ros de programas como o AGRIS aldeia de Picote, com quatro pai- e o ON2, e parcerias diversas néis explicativos dos elementos de instituições, desde a EDP, o naturais inspiradores das acti- (ICNB), Câmara de Miranda do vidades programadas: terra, ar, Douro, entre outros. água e fogo. No coração do Planalto MiranDe acordo com Jorge Lou- dês, o Ecomuseu “Terra Mater” renço, os visitantes encontram pretende abranger uma região motivos relacionados com cada que, na Idade Média, se estendia um dos elementos, desde os de Lagoaça (Freixo de Espada à percursos pela Natureza relacio- Cinta) até Outeiro (Bragança), nados com a Terra, à agua das integrando toda zona Leste do barragens do Douro Internacio- Parque Natural do Douro InterHFI\Lusa nal, nomeadamente a de Picote, nacional. moinhos e poços, ao fogo das

Recolección y comercialización de setas: una fuente de riqueza desaprovechada por su valor comercial. Precisamente existe una iniciativa que camina en esa dirección: el proyecto Myas RC, “para la regulación y la comercialización del los recursos micológicos en Castilla y León”, implantado desde hace meses en la provincias de Zamora y Salamanca, y cuyo fin es regular de manera integral el sector, actuando así mismo como una herramienta de desarrollo rural. El proyecto se desarrollará hasta 2013, y al igual que en otras provincias está aquí cofinanciado por la Junta de Castilla y León y por las Diputaciones Provinciales. En su desarrollo se contemplan actuaciones que incluyen, desde la expedición de permisos para la recolección en Montes de Utilidad Pública, cuyos beneficios repercuten directamente en los Ayuntamientos, hasta la creación de la Marca de Calidad “Setas de Castilla y León”, que garantiza-

rá la calidad del producto micológico ante el consumidor, a la vez que estimula el consumo de hongos recolectados y producidos en la Comunidad. Las acciones que se llevan a cabo a través de Myas RC están también enfocadas hacia la profesionalización del sector (se impartirán cursos de formación para recolectores, manipuladores, inspectores sanitarios, guardas micológicos, etc.), y al mejor conocimiento del recurso (como base para garantizar su conservación en el monte), a través de PEDRO G. TURIEl

L

as setas silvestres consti- desarrollo de los territorios ruratuyen un recurso natural les deprimidos. de primer orden que pue- En este contexto se encuentra de ser explotado para que el espacio fronterizo de Zamora genere riqueza en aquellos luga- y Salamanca, un territorio al que res con elevado potencial mico- no le sobran oportunidades que lógico. desaprovechar. En Castilla y León se da la cir- Mientras el número de recoleccunstancia de que las comarcas tores y consumidores del proen que es viable un aprovecha- ducto micológico no cesa de miento intenso crecer, como lo del recurso coinhace también el ciden con las micoturismo, se El proyecto MYAS áreas marginales, echan en falta se dirige a la zonas de grandes mecanismos de valores naturales profesionalización del regulación, tanto pero con graves en el momento sectorde las setas problemas sociode la recolección y a un mejor económicos. como en el de la conocimiento del Evidentemente, posterior comrecurso en el correcto apropra-venta. Falta vechamiento del aplicar un modeCastilla y León recurso micológilo para la adecuco no va a inverada explotación tir por sí solo la del recurso que situación de estas sociedades ru- permita aprovechar con mayor rales, pero sí puede servir como intensidad las rentas que genera complemento, uno más dentro el sector, evitando a la vez que se de las propuestas de diversifica- comprometa la regeneración en ción económica que se plantean el campo de las especies que sudesde la Administración para el fren mayor presión recolectora

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o

Pedro Gómez Turiel. J.C.ZAMARREÑO

estudios realizados por el Departamento de Investigación de Valonsadero. Todo ello sin olvidar el fomento de una actividad en alza: el micoturismo. Dado el carácter no impositivo del proyecto, es fundamental contar con las opiniones de los distintos agentes del sector: empresas, Ayuntamientos o asociaciones micológicas están representados en las Mesas Territoriales, donde se debaten los pormenores de la aplicación del proyecto. Pedro Gómez Turiel. Técnico del proyecto Myas RC para la provincia de Zamora.


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SOCIEDADE CIVIL

COLECTIVOS

nos

Miguel Corral

Asociación Bajo Tormes Una asociación de pescadores denuncia la grave degradación ambiental que sufren 17 kilómetros del río Tormes

L

a Asociación Bajo-Tormes, colectivo con sede en el municipio salmantino de Villarino de los Aires, organiza los días 4 y 5 de junio en esa localidad las primeras Jornadas sobre Medio Ambiente y Gestión de Ríos - ciclo de tres conferencias cuyos ponentes corresponden a técnicos de la Confederación Hidrográfica del Duero (CHD) y del Servicio Territorial de Medio Ambiente de Salamanca - , actividad con la que tratan de sensibilizar a las administraciones sobre el estado de deterioro que sufren 17 kilómetros del río Tormes aguas abajo de la presa de Almendra, tramo que discurre entre las provincias de Salamanca y Zamora antes de su desembocadura en el Duero.

Grave problema medioambiental

La Asociación Bajo-Tormes está integrada por un colectivo de 60 miembros, pescadores y personas sensibilizadas con el problema medioambiental que sufre este último tramo del río Tormes y que ha ido agravándose con el tiempo desde la construcción en 1970 de la presa de Almendra, infraestructura que gestiona la empresa Iberdrola para el aprovechamiento hidroeléctrico en la central de Villarino. Desde entonces, el cauce del río se ha visto gravemente afectado como consecuencia de la ausencia de caudal. El desalojo de agua de la citada presa ronda entre los 300 y 400 litros por segundo dependiendo del nivel de presa, lo que ha producido en estos 40 años un deterioro continuo hasta presentar en la actualidad un estado casi irrecuperable. La ausencia de un caudal adecuado afecta a

todo el hábitat de este tramo del río que discurre entre las provincias de Zamora y Salamanca, además de ser declarado Zona Especial de Aves en 1995 e incluido en el año 2002 en el Parque Natural Arribes del Duero. Entre las consecuencias más evidentes se encuentra la invasión del cauce por una densa capa de vegetación forestal, con la aparición de especies alóctonas. Al mismo tiempo, el escaso caudal que desaloja la presa es incapaz de impedir durante los meses de verano la eutrofización del agua, lo que provoca un descenso considerable de la calidad del agua y que impide la supervivencia de peces en la mayoría de este tramo del río. A la desaparición de poblaciones de trucha común en la primera década desde la construcción de la citada presa, en los últimos años se ha podido constatar la paulatina desaparición de otras especies piscícolas autóctonas del Tormes como bogas, cachos y barbos, lo que está modificando los hábitos de otras especies situadas un eslabón por encima en la cadena trófica. Por este motivo, la Asociación Bajo-Tormes ha solicitado ante la CHD un programa de

actuaciones para la recuperación del río y en el que figura como medida principal la revisión del caudal ecológico del río establecido en 500 litros por segundo en cualquier época del año. Según los responsables de esta organización de pescadores conservacionistas, “los valores adecuados de caudal nunca deberían ser inferiores a 5 metros cúbicos de media al año, cifra que permitiría mejorar la calidad del agua y poco a poco recuperar el cauce ahora perdido por árboles y vegetación, mucha

de ella muerta y que permanece sobre el río”. Al mismo tiempo “no entendemos como se ha llegado a la actual situación con las posibilidades que ofrece la central hidroeléctrica de Villarino”. Según la Asociación Bajo-Tormes, estas instalaciones de la empresa Iberdrola están dotadas con seis generadores tipo Francis (reversibles), que permite de nuevo el bombeo del agua desde el Duero a la presa, por lo que no se producirían pérdidas de agua y el coste será mínimo.

Aspecto actual que presenta el Tormes en sus últimos 17 kilómetros - aguas debajo de la presa de Almendra. foto\ MIGURL CORRAL

FOTO\ SILVESTRE GONZÁLEZ

~ Dos anos de Arribes FM

A

rribes FM comenzaba a emitir en febrero de 2008 en periodo de prueba y el día 22 de abril inauguraba los primeros programas de radio, coincidiendo con el día de la comunidad autónoma de Castilla y León, guiados por las voces de dos jóvenes de Vitigudino, José Luis Alonso y Juan José Sánchez.

En el mismo año, en agosto, empieza a sentirse la nueva radio en la zona, “porque Arribes FM hizo un esfuerzo económico y se compraron equipos de radio más potentes para llegar a todo la comarca”, cuentan los dos jóvenes que le dieron vida. “Y así hasta hoy cuando Arribes FM cumple dos años y cuenta ya con la colaboración de 50 empresas de Vitigudino y su comarca, pertenece a la asociación ASEMVI y es en la actualidad la radio más escuchada”, afirman. En la emisora se entrerelazan programas musicales, informativos de la comarca, deportes, información agraria y sobre todo música de los 50, 60, 70 y los

domingos, en el programa “La música de tu vida”, dedicado a los mayores que es el público mayoritario en la comarca. Arribes FM realiza más de 8 horas de programación propia. Por las mañanas “Top latino” dirigido por José Luis y por las tardes “Orbital flax” por Juan

José que llegan a toda clase de audiencia “desde el más pequeño de la casa al más grande, con gran variedad de música de todos los estilos”, nos cuentan los dos muchachos. 107.3 FM ha tenido que luchar para que se le dejara de acosar por parte de otros medios de comunicación que han “intentado por todos los medios cerrar Arribes FM y eso para nosotros ha sido muy doloroso”, explican José y Juan. Esta radio rayana, no cuenta con ninguna subvención ni colaboración de ningún tipo “nada más de las empresas que son las que hacen que Arribes FM siga en el aire”, comentan

y que “eso ya lo hemos dicho muchas veces en estos micrófonos”. A CONTRABANDO, le dejan un lamento, una queja y es “que el Ayuntamiento de Vitigudino no tiene en cuenta

nunca a Arribes FM para nada, porque no hay ningún tipo de colaboración y eso también es doloroso, Esta radio porque éste es rayana, no cuenta el pueblo donde hemos nacido y con ninguna nos hemos criasubvención ni do”, añaden.

colaboración de ningún tipo

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35 CARLOS D’ABREU

SOCIEDAD CIVIL Ruedo Ibérico Emilio Rivas Calvo

Un sacrificio inútil T udo o que procuramos na terra, na terra o temos de deixar. Hace 25 años que

dejó de prestar servicio el ferrocarril de Fuentes de San Esteban a Barca d’Alba y 125 que tuvo lugar la catástrofe de Fregeneda, más concretamente la ocurrida a la salida de su estación, en el denominado durante la época túnel grande o túnel de la Carretera. La tarde del 15 de junio una tormenta desbordó el pequeño arroyo Valdenoguera inundando el túnel por su boca norte, atrapando en su interior a 27 mineros que perecieron ahogados. Uno de los ingenieros constructores, Artur Guimarães nos ha dejado del túnel de Las detallada inforArgentera. mación acerca Guimarães hace 125 años de la evolución carga las tintas que tuvo lugar la ca- precisamente de las obras y sus condicioen describir las tástrofe de nantes técnicos. soluciones arFregeneda No abundan bitradas para descripciones evitar la inunpormenorizadas de este tipo dación que finalmente ocurrió. de construcciones de finales Para evitar el riesgo construyó del XIX, excepción hecha de una galería de desagüe de cuala que Eduardo Maristany hizo tro metros de sección que dis-

curría por debajo del propio túnel, hasta las proximidades de la estación. Las disposiciones estaban tomadas pero la tragedia sucedió. Este tema, que tenemos estudiado con Carlos d’Abreu, con la minuciosidad que en él es habitual, nos ha permitido conocer con todo detalle los progresos constructivos y las dificultades naturales del proyecto.

Los escritos de Guimarães, ce en el lado oscuro la faceta abundantes en precisiones, se humana. Fueron muchos los inclinan hacia la justificación. portugueses que participaron No obstante, salda el accidente con su esfuerzo y saberes en con una frase lacónica: “Sus- el tendido de las vías. También pendido a las 4,30 de la tarde fueron muchos los que ofredel día 15 en virtud de una cieron el sacrificio de sus vidas, inundación”. Lo buen número cierto es que las de ellos falleexcavaciones cieron a causa aunque solo sea prosiguieron del paludismo. para no olvidar al desde la boca Al menos mesur, en sentido docena numeroso grupo de dia contrario, no encontraron operarios que tanto por conla muerte por perdió su vida tinuar la obra, accidente laboaquella tarde de sino por rescaral o violentas caluroso verano tar los cuerpos agresiones. de ocho operaMás de un rios que tardaron veinte días en centenar de operarios sufrieron ser recuperados. accidentes mortales en la ejecuUna de estas víctimas era el ción de estas obras que hoy esjoven José María Coelho, ciu- tán en trance de convertirse en dadano portugués. Se ha ha- ruinas, siguiendo el camino de blado mucho de la aportación toda actividad humana, en este financiera y empresarial de Por- caso impregnada de decenas tugal en la construcción de este de inútiles sacrificios. ferrocarril, pero aun permane-

António Marques

A questão de Olivença

O

domínio exercido por Alcácer-Quibir, na Restauração de Espanha sobre Olivença 1640!... A Questão de Olivença nasceu é exemplo gritante dos equívocos existentes nas há dois séculos quando Espanha, relações Portugal/Espanha e nas concertada com a França, invadiu dificuldades dos nossos dirigentes Portugal em 20 de Maio de 1801, tomando Olivenem defenderem ça e quase todo os interesses nao Norte-Alentejacionais. ..tudo o que no, na chamada Para quem desconheça, lembraestrutura e identifica «Guerra das Laranjas». mos que Olivença a comunidade (...) Vencido, Poré terra entranhapermaneceu vivo tugal assinou damente porem 6 de Junho tuguesa desde e pleno de o Tratado de sempre, situação portugalidade. Badajoz pelo consagrada no qual entregou Tratado de Alcanizes, sendo participante maior Olivença,findas as guerras napona formação e consolidação do leónicas, as potências europeias, Reino, no florescimento da cultura reunidas no Congresso de Viena nacional, nas glórias e misérias dos em 1815, retiraram a força jurídica Descobrimentos, na tragédia de do Tratado de Badajoz e consagra-

ram a ilegitimidade da ocupação espanhola, reconhecendo todos os direitos de Portugal. Assim, o Tratado de Viena, aprovado em 9 de Junho, afirmou no art.º 105.º «a justiça das reclamações formuladas por Portugal sobre a vila de Olivença cedidos a Espanha pelo Tratado de Badajoz de 1801» e impôs «a restituição da mesma como uma das medidas apropriadas a assegurar entre os dois reinos da península a boa harmonia completa e estável», comprometendo-se todos os países signatários a desenvolver os seus mais eficazes esforços para que a retrocessão de Olivença se efectivasse «o mais cedo possível»... Espanha assinou o tratado em 7 de Maio de 1817 e reconheceu os direitos de Portugal. Todavia, não demonstrando o carácter honrado, altivo e nobre que diz ser

seu, violou despudoradamente o compromisso assumido e o direito internacional, retendo para si, do modo mais ilícito, a velha Olivença portuguesa. Entretanto, ali, ao longo de dois séculos de declarada, persistente e insidiosa aculturação castelhanizante, tudo o que estrutura e identifica a comunidade, a sua História, cultura, tradições, língua, permaneceu vivo e pleno de portugalidade. O Estado português, sem nunca aceitar nem reconhecer o esbulho, mas não fazendo o que pode e deve (repudiar a situação ultrajante de Olivença e exigir a sua retrocessão) permitiu que se criasse a ideia que a sua posição fosse de fraqueza, retraimento e conformismo com o status quo. Singelamente, a «Questão de Olivença traduz-se no facto de ter-

FOTOS\ CARLOS D’ABREU

Debate Compartido

ritório português se encontrar ocupado por Espanha, extorsão não reconhecida por Portugal e ilegítima face ao Direito das Nações. Até quando? Pub


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HISTORIA VIVA DE LA RAYA FOTO\ VICENTE SIERRA PUPARELLI

Vilvestre

¿SILVESTRE? SI FUERA POR “INEXPLORADO”, BIEN MERECE UNA VISITA Fco. Javier Hernández Mercedes (coordinación)

L

a primera vez que visité Vilvestre quedé impresionado por las vistas que había desde la altura del Castillo. “Te abre la mente”. Allí arriba, la ermita y el cementerio, los restos de una primitiva fortaleza, el anuncio de un taller neolítico - de interpretación compleja, si bien muy recientemente el profesor Luis Benito del Rey ha aventurado la suya sobre “el misterio de la vida” - y un moderno palomar muy llamativo desde lejos, me emocionaron efectivamente.

El origen de Vilvestre

T

odos conocemos el Taller que delimitasen su territorio Neolítico situado bajo el en 1174, coincidiendo esta palomar en el Castillo. reorganización eclesiástica Dicho taller, que ocupa el 2º con el reasentamiento de lugar en Europa, pertenece a la población, pues según el la prehistoria, concretamente historiador A. Barrios García (l98 al período neolítico; lo (l983) en esta zona surn g que supone que ya en gen núcleos creados por re aquella época hubo repobladores occidentale asentamientos humales… “sin duda procedían de de nos en esta zona. Desde del distrito castellano de LLara (Burgos) quienes entonces ha habido otros, procedentes fundaron Bilvestre” de distintas regiones (sic). En 1192, Alfonso de España. Pero, el IX de León, dona a la nacimiento de la sede compostelana población como el dominio y cuanto Rey Fernando II tal, parece que se pertenece a la corodebe al rey Fernando II, rey de na en Bilvestre y su término León; monarca que emprenconocido, perteneciendo a dió la repoblación de Ciudad la misma hasta el año 1602 Rodrigo, Ledesma, Villalpanen que vuelve a pertenecer a do, Benavente, etc. Medió Salamanca. Y en el año l959 entre las diócesis de Salamanpasa a pertenecer a la diócesis ca y Ciudad Rodrigo para de Ciudad Rodrigo.

Las Fiestas de San Sebastián o del Toro

E

n el siglo pasado y principios de éste, la fiesta en honor de San Sebastián se hacía el 20 de enero y como en esa fecha el tiempo no permitía hacer corridas de toros, se empezaron a celebrar, también, el último sábado de agosto y para santificarlas, nada mejor que dedicarlas a San Sebastián, el patrón del pueblo. Las fiestas del toro duraban tres días: el sábado o día del toro, el domingo dedicado a honrar a San Sebastián y el lunes o día de las vacas. El día del Toro, los protagonistas eran los oficiales; ellos compraban el toro para la fiesta. Una estrofa de la canción del Torito dice: “Vengan toros y novillos/ y corridas forasteras/ las pagan los oficiales/ con el dinero de la siega”. O bien: “las pagan los oficiales/ que tienen muchas monedas”. Los toros eran de cinco o seis años y no había toreros. El domingo era el día santo de las fiestas. A San Sebastián lo servían todo el año dos mayordomos, dos alcaldes, cinco oficiales y un muñidor. Los alcaldes y mayordomos llevaban las varas, los oficiales portaban las insignias de San Sebastián, que fue oficial de lo guardia pretoria-

FOTO\ JAVIER Hdez. MERCEDES

FOTO\ VICENTE SIERRA PUPARELLI

na de Diocleciano, uno la bandera, otro el bastón de mando, otro la banda, otro las charreteras y otro la pica; el muñidor llevaba un hierro en forma de triángulo con cinco aros. El lunes era el día de las vacas. Las ponían los mayordomos. No había encierro, ni se mataban, pero había animación cuando las llevaban a la plaza, pues venía toda la boyada. . Dejaban las más bravas y las demás volvían solas al campo. Por las noches, o al atardecer, se hacía el baile en la Plaza Mayor al son del tamboril. Así de sencillas eran las Fiestas del Toro. Fiestas que a lo largo del siglo han tenido sus malos momentos y que la afición a los toros y las ganas divertirse han mantenido en pie en los tiempos difíciles, pues dice otra estrofa: “El toro se ha vuelto vaca / en la villa de Vilvestre / que no quiere la justicia / que haya torito de muerte”; alusión a algunos años en que las autoridades no dejaron matar el toro. Pero es en las últimas décadas del S .XX cuando las fiestas del Toro han resurgido con más fuerza. Hacia el año 1988 se recupera la fiesta del 20 de enero con mayordomos y oficiales. Las fiestas de agosto ya no son el último sábado, sino el tercero. Hay más días de fiesta y las corridas de toros, el sábado y el lunes, a cargo del Ayuntamiento, al igual que los demás festejos, se hacen con todo rigor; toreros (uno del pueblo), presidente, banda de música, reina, damas y hasta la plaza es más cómoda que los carros. Sigue manteniéndose el domingo en honor de San Sebastián, pero sin mayordomos, alcaldes ni oficiales. Ahora no podemos cantar aquella estrofa que dice así: “Los oficiales de este año/ ya sabemos cuáles son/ Corchete, Gil y Dámaso/ Gerardo y Manuel Meón”. El tamboril ha sido desplazado por los grupos musicales que protagonizan el ambiente nocturno hasta altas horas de la madrugada.

Autora: Juana Carballares

(extractos del Pregón de Fiestas de 1998)


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ESPAÑA

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MIS CONVERSACIONES con Juan Gorjón y familia

El abuelo Benino en el campo

S

i me dices que te hable de Vilvestre, se me figura enseguida la imagen de mi abuelo. El abuelo Benino, el molinero. Molinero de harina y pan, porque en Vilvestre siempre ha habido y hay otros molinos, pero son de aceite, como el que han preparado ahora en la bajada a La Barca, junto al río, la carretera esa que baja junto a lo que nosotros llamábamos los Reventones (“Las mozas de Vilves-

tre tienen colores, porque suben y bajan los Reventones”).

Mi vida de niño y de joven fue una vida de campo y en el campo. Muchas veces le llevaba la comida al abuelo en un hatillo y me quedaba ya con él el resto de la tarde y dormíamos en las aceñas. Y durante todo el mes de septiembre pescábamos anguilas con las nansas. ¡Y cómo!. Si es que no se daba a basto. Y luego, las prisas y las palizas para venderlas en todos los pueblos de los alrededores que hasta íbamos a Villarino y a Fermoselle y todo. Y es que se descomponen muy pronto -insiste

repetidamente Isabel. pendiente y yo empecé a tirar de Imagínate el trasie- ellas, pero estaban muy agarradas go y los madrugones y él vino a ayudarme y ya tendría o las noches casi sin cerca de los ochenta años o así. El dormir a veces. Hoy, caso es que se puso a tirar fuerte, si no hubiera presas, se soltó la escoba y él cayó rodantodavía estaríamos do y casi se estontona allí mismo. con ello y bien a gus- Menos mal que no pasó nada grato, pero construyeron ve. Pero esa era la faena de todos la presa de Saucelle y los días. luego sólo aparecían Además de toda la relación que algunos ejemplares tuve con él en el campo, también sueltos y muy creci- la tenía en el mismo pueblo. Mis dos que seguro que se habían abuelos vivían muy cerca de la quedado allí encerrados sin poder escuela y yo no veía llegar el mobajar al mar a desovar. mento para poder escaparme También recuerdo la finca con hasta su casa, entrar en la cocina, perales y la preocupación que te- abrir el cajón de la mesa y disfrutar níamos siempre, porque en cuan- con los corruscos de pan y las corto empezaba a despuntar el fruto, tezas que guardaban para mí. Por los pájaros se lo tapiñaban todo. cierto que, cuando le llevaba jaEl abuelo, además, tenía ocho món al abuelo en el hato, siempre burros para el transporte y recuer- se comía él el tocino y me dejaba do que un día vola mí la parte de la vió todo excitado carne y a mí, naa contarnos que turalmente, me Muchas veces le lo había pasado encantaba. levaba la comida al fatal, que en un El negocio de alto del camino abuelo…y me quedaba las anguilas sicon él…y dormíamos guió luego con se había parado y se había puesto a mi padre. En veen las aceñas contar los burros y rano, íbamos a que sólo le salían las panderas del siete y vuelta a mirar y vuelta a Monte Gudino y del río Duero y allí contar hasta que cayó en la cuen- poníamos nuestras nansas. Luego ta del suyo, en el que él iba mon- ya, instaló el molino eléctrico y setado y no sabía si reír o llorar por guimos con la molienda, porque el despiste, pero es que las pasó mi familia, antes que nada, ha sido canutas, decía. molinera. Cuando hizo la mili en Otras veces cogíamos escobas Ciudad Rodrigo, mi padre se hizo en el monte, mayormente para pasar por cojo, para no tener que hacer fuego. Recuerdo una vez hacer la instrucción y le dieron el que estábamos en un terreno en servicio en las cocinas y siempre la

FOTO\ JAVIER Hdez. MERCEDES

por Javier Hdez. Mercedes

La ermida del Castillo - FOTO\ JAVIER Hdez. MERCEDES daba doble ración a los del pueblo, en cuanto podía. Una vez entró con algunos de ellos en una finca y se pusieron a coger fruta y cuando salió el dueño, todos salieron corriendo preocupados por cómo podría correr y saltar la tapia y cuando volvieron a encontrarse, él ya había llegado antes y con los bolsillos bien llenos, para sorpresa y alegría de todos. Pero yo, además de todo eso que te he dicho, trabajé en la mina. A los 18, 19 años estaba en la mina de Barruecopardo, en la chelita blanca. Y cuando era la época, estaba allí durante el día y pescando con mi padre por la noche o distribuyendo la mercancía. Una vez estaba tan cansado, después de dos noches sin dormir y sin poder parar, que me quedé dormido sobre una roca, al lado del camino y al día siguiente ya era bien entrada la mañana y no podían despertarme ni tirándome de las orejas. Y lo peor era que ya no llegaba a la mina y en cuanto pude darme cuenta de dónde estaba, porque

es que no sabía ni dónde estaba, del cansancio que había acumulado, salí pitando para allá. A la mina, íbamos unas sesenta o setenta personas del pueblo y muchas iban andando y algunas que íbamos en bici. Y esto llegó a plantear problemas de tráfico, por así decirlo, porque hubo algunos accidentes y nos dio algunos quebraderos de cabeza, ¡qué curioso!. Y luego, me fui a Francia. Había gente del pueblo por allí e íbamos sobre seguro, pero un poco a lo que saliera. Yo estuve primero en las cortas en los Alpes y luego ya, en el Aveyron, en la construcción. Y siempre nos trataron muy bien. Y ya nació la hija, aquí en Salamanca y se fueron las dos conmigo para allá. Y después de unos años, regresamos y nos instalamos en Salamanca capital, pero sin abandonar nunca del todo las labores del pueblo: las almendras, las viñas y todavía hoy, la huerta y los frutales, las patatas y las cebollas, los ajos y las lechugas.

MIS CONVERSACIONES en casa de Manuel Hdez.

M

anolo y Maruja nos hablan de Patrimonio, del suyo, porque pertenece a la familia, a todos los hermanos de forma compartida (“pro indiviso”) y de todos, porque todos lo podemos podemos disfrutar. Es lo que por aquí se conoce como “Larrolanava”, el arroyo de la Nava, una finca que han cedido a la Junta de Castilla y León y que conserva una de los conjuntos más característicos de este entorno típicamente arribeño. Paisaje e intervención humana, con uno de los mejores ejemplos conservados en la zona de casa del cabrero, ya muy evolucioEl arroyo de la Nava, “La Larrolonava” - FOTO\ JAVIER Hdez. MERCEDES nada, una gran tenada circular para el ganado, algún que otro era como un Corte Inglés de Vilel colmenar, las novillo para la vestre, porque en sus estantes cercas de piedra La finca Larrolanava, fiesta. y anaqueles podías encontrar irregular y los uno de los conjuntos El abuelo, de todo lo que pudieras necesitar molinos -uno de origen gallego, y que fue evolucionando con ellos arreglado más característicos de se estableció en el tiempo hasta los últimos moeste entorno y que funciona Vilvestre y se delos de frigoríficos y lavadoras, de vez en cuandedicaba a co- antes del cierre definitivo. Y ahí do. Ahora está arrendada y hay merciar con todo lo imaginable, están los restos de montones de vacas, como las hubo en otros aquí y más allá de la frontera. Al mercancías que habrá que sacar tiempos, cuando al abuelo daba final, montó un comercio que un día de los almacenes.

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HISTÓRIA VIVA DA RAIA FOTO\ CARLOS D’ABREU

Santa Comba da Vilariça (Concelho de Vila Flor)

“Das cidades, o Porto das vilas, Vila Real das aldeias, Santa Comba das quintas, o Carrascal Carrascal””.

Esta simples quadra, recolhida no cancioneiro transmontano, mais não é do que o verdadeiro reconhecimento de Santa Comba da Vilariça como a aldeia mais próspera do Vale da Vilariça.

O graben da Vilariça

FOTO\ CARLOS D’ABREU

S

do-se de forma contínua desde Puebla de Sanabria a Unhais da Serra, passando pelo vale de Longroiva. Deste acidente tectónico da Vilariça resultou para o território em apreço, do ponto de vista morfológico-hidrográfico, a estruturação em dois blocos desnivelados, tendo a zona Ocidental ascendido 304m (diferença entre as altitudes máximas nas Serras da Lousa e Adeganha) em relação à Oriental, razão pela qual foi aquela mais afectada pela erosão resultando daqui um escalonamento em patamares tectónicos que contrasta com o bloco Este, mais abrupto. Esta falha regista ainda hoje actividade sísmica, pois além das evidências de paleosismicidade existem registos de sismicidade

Vista sob a Capela de São Jorge

histórica [Moncorvo 19.XII.1751 ria desta região. (intensidade 6 na escala de A veiga da Vilariça é formaM.S.K.) e 19.III.1858 (intensidade da por acumulação sedimentar 7+ na escala de M.S.K.)]. cujos solos são ainda enriqueO vale da Vilariça repartindo- cidos por nateiros depositados se pelos Concelhos de Alfânde- pelas cheias que também os rios ga da Fé, Vila Sabor e Douro Flor e Torre condicionam. de Moncorvo, Tom(a)vam na Esta falha é atravessado região a deregista ainda pela Ribeira do signação de mesmo nome “rebofa” (antes hoje actividade que nasce na das barragens). sísmica serra de Bornes Da sua afama(Burga, Macedo da fertilidade de Cavaleiros) –cuja bacia hidro- nos diz por exemplo o naturagráfica ocupa uma área aproxi- lista alemão Link, quando visitou mada de 34.000ha– servindo a região no século XVIII, qu’un ainda (oficialmente) o topónimo alqueir de semence produit 300 a uma freguesia de cada um dos alqueires de grain. Ocupa este 3 Concelhos referidos, como Vi- vale -de orientação NNE/SSWlares da Vilariça, Santa Comba uma área de 5.000ha, possuinda V e Horta da V respectiva- do o comprimento Norte/Sul mente, assim como à vila-morta 27,5km e a largura Este/Oeste medieval de Santa Cruz da V 12,5km. Carlos d’Abreu que tão associada anda à HistóFOTO\ MANUEL VILARES

formação do graben da VilaA riça resulta da falha Manteigas-Vilariça-Bragança, estenden-

FOTO\ CARLOS D’ABREU

FOTO\ CARLOS D’ABREU

ituada na margem direi- De salientar a construção civil, ta da ribeira da Vilariça, algumas indústrias de transforbenificiando de uma lo- mação como a serra-lharia, a calização privilegiada, carpintaria, a panificação e ainesta freguesia pertencente ao da a restauração. concelho de Vila Flor, desde Contudo, no nosso entender, sempre assumiu um papel de talvez falte a Santa Comba e às destaque no desenvolvimen- outras aldeias do Vale da Vilato e organização da vida das populações locais. Dotada de algumas estruturas essenciais exigidas pela vida quotidiana (embora não tantas como outrora) Santa Comba assume-se como um pólo útil e dinamizador das povoações circunvizinhas. Assolada pelas diversas vagas de emigração ao longo dos tempos, Santa Comba soube sempre resistir ao infortúnio da desertificação, conseguindo congregar, de forma exemplar, riça, uma visão estratégica de esforços para, teimosamente, conjunto, que lhes permita criar saber aproveitar as potenciali- uma identidade comum, oriendades da fertilidade do genero- tando a sua produção numa so Vale da Vilariça, continuan- perspectiva que garantisse a do assim, a ancestral sabedoria certificação de origem e projeccisterciense no desenvolvimen- tasse a qualidade dos produtos to da cultura da terra. da região. Nunca descurando a valoriPara terminar, gostariamos zação dos seus ainda de salienrecursos, quer tar o riquíssimo naturais, quer património ediTalvez falte a ambientais, as ficado de Santa Santa Comba e às gentes de Santa Comba, o qual Comba, numa outras aldeias do Vale, merece, sem perspectiva de uma visão estratégica sombra de dúvimodernidade e das, uma demode conjunto mudança, vão rada visita. Faoptando por lamos dos seus uma agricultura assente numa três cruzeiros medievais; da cultura de mercado, exploran- monumental chaminé do Solar do intensivamente vastas áreas dos Ochoa; da Igreja Matriz; do de produção agrícola, preferen- solar setecentista das Senhoras cilamente orientadas para olivi- de Sendim e das três capelas de cultura, viticultura, fruticultura e estilo barroco. horticultura. Além disso, outros sectores da Manuel José Vilares economia, são também aproveitados pelos empreendedores locais, tornando-se também iniciativas de relevo que contribuem para o crescimento local.

Igreja de São Pedro ou Matriz de Santa Comba da Vilariça


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PORTUGAL Herança cisterciense no Vale da Vilariça

“Porque, durante séculos e séculos, os monges impressionaram com a sua marca uma terra (Maur Cocheril)

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ualquer abordagem histórica que se pretenda fazer sobre o Vale da Vilariça, não se poderá perceber sem se falar na presença dos monges da Ordem de Cister nesta região. Com uma primeira doação régia de D. Sancho I (Macedo do Mato - Macedinho), com a doação do Braganção D. Pedro Fernandes (Santa Comba e suas terras) com outras doações dos descendentes dos Bragançãos (Vilar, Vilarelhos, Santa Justa, Oucísia e Ridevides), o Mosteiro de Bouro tornou-se um poderoso senhorio eclesiástico em terras da Vilariça. Este mosteiro cisterciense, para assegurar a constituição dos seus domínios, estabeleceu-se na região, fundando a abadia de S. Pedro de Santa Comba, estrutura indispensável para administrar os seus territórios, bens, rendas, e exercer a sua jurisdição. Ao percorremos a corografia portuguesa, muitas são as referências relativas a Santa Comba da Vilariça como Santa Comba dos Frades, sede da abadia dos religiosos cistercienses. Como senhores das suas terras e com a clara intenção de ocupar e povoar o território, os monges cistercienses, também conhecidos por monges brancos ou monges bernardos, foram criando novas povoações às quais foram atribuídos forais e cartas de foro, constituindo algumas aldeias e igrejas paroquiais. Em tudo iguais aos documentos régios, os forais e as cartas de foro outorgados, tornavam-se instrumentos jurídicos onde se contratavam os direitos de propriedade,

direitos individuais e domínio senhorial, permitindo aos monges exercer a sua autoridade. É então assim que o Mosteiro do Bouro, pelas vastas benesses com que foi presenteado e seguindo a tendência da concessão de numerosas cartas de foral que se verificou na região a partir do começo do século XIII, concede também os seus forais a cinco povoações nas suas terras da Vilariça: Macedo do Mato (1221); Santa Comba da Vilariça (1258);

Benlhevai (1263); Vilar do Monte (1296) e Valbom (1304). Contudo, esses diplomas não só promoveram acções de povoamento da região em tempos de reconquista, atraindo moradores, concedendolhes e distribuindo-lhes terras, como fomentaram o cultivo da terra, introduzindo e patrocinando o uso de novas culturas com vista à produção e rentabilização dos seus bens. O alargamento das terras desbravadas de novo, aliado a uma intensa actividade agrícola, terá fomentado o aumento das populações locais transformando as terras da Vilariça em locais atractivos para novos povoadores. O aforamento do território implicava a obrigação de reduzirem as terras a campos cultiváveis, onde se deviam

Manuel José Vilares

Confraria de Sacerdotes ESTATUTOS DA IRMANDADE DE

SACERDOTES DE NOVO ERECTA NA IGREJA DE S. PEDRO DE SANTA COMBA DA VILARIÇA COMARCA DA TORRE DE MENCORVO ANNO 1706 ão poderemos aqui dissertar como gostaríamos, por razões de espaço, sobre esta Confraria de Sacerdotes que em 1709 foi, como o título indica, restaurada em Santa Comba da Vilariça. O nosso interesse é tão-somente dar testemunho da rocambolesca história dum belíssimo cartapácio manuscrito a negro e escarlate (qual códice) com o mesmo nome, que revela afinal a sorte (de muito) do nosso Património. Sabíamos da sua existência na colecção do Abade Tavares, através do Ab. de Baçal. Tavares foi um estudioso de antiguidades e, coleccionava. Como fora o livro parar-lhe às mãos, por ora ainda o não sabemos. Mas possuiu-o como seu, apondo-lhe o seu carimbo a óleo. Certamente integrou o espólio que doou ao Seminário de Bragança, depois de goradas as tentativas para criar um Museu em Moncorvo.

N

FOTO\ CARLOS D’ABREU

FOTO\ MANUEL J. VILARES

plantar vinhas e árvores e cultivar outros produtos, com vista a uma exploração agrícola diversificada, produtiva e rentável. À boa maneira cisterciense, o efeito deste desbravamento terá resultado na criação de importantes áreas de cultivo, implantadas em locais possivelmente bem escolhidos pelas suas aptidões agrícolas, associando-se-lhes novos tipos de agricultura praticada, cujos reflexos se notariam nas culturas adoptadas e consequentemente na paisagem agrária. Não menos importante foi a sua função religiosa desenvolvida, pelo que se impôs a criação de novas igrejas nas aldeias da abadia, reflectindo a preocupação dos monges bernardos no fomento da vida religiosa nos habitantes dos seus domínios. Posto isto, cremos ter que reconhecer o papel do Mosteiro de Bouro no povoamento e valorização económica da região; na promoção do crescimento demográfico, ocasionando a criação de novos aglomerados populacionais; na capacidade de desenvolver a terra, dando um extraordinário impulso à exploração agrícola; na reorganização da paisagem rural e na criação de novas condições organizativas que se repercutiram nas sociedades locais, incutindo-lhes uma nova dinâmica e uma renovação das suas condições de vida.

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O que é certo é que fez parte da Biblioteca do Seminário de Vinhais, pois aí o encontrou atirado para um canto do chão, nos inícios da década de 1990, o clérigo Manuel António Pires que dele deu conhecimento através das páginas da revista Brigantia. E nós, numa visita à Comarca del Bierzo, para tomar contacto com os povos abandonados dos Montes de León (verão de 2004), estanciávamos nas horas vagas na vila de Bembibre, dessedentando-nos com cañas de sidra, num bar local. Aí conhecemos um amante de antiqualhas que nos mostrou interessantes peças arqueológicas. Sabendo qual a nossa região de origem, no último dia -talvez depois de para tal ter tomado coragem-, repentinamente, apresenta-nos um livro antigo, entrajado a carneira decorada, em muito bom estado de conservação. Abrimo-lo e, qual o nosso espanto quando, logo na folha de rosto, lemos o que no título deste artigo transcrevemos, em bela moldura de volutas. Deitamos as mãos à cabeça. Pois é. Da biblioteca eclesiástica, tanto quanto deduzimos, passou a um alfarrabista, sendo entretanto furtado (por mais um ladrão) e, depois Carlos d’Abreu passou a fronteira! Pub


Junius 2010

contrabando

Uma fundação moderadora Hugo Anes

(entrevista e textos)

A

entrevista com José Luís González Prada

cooperação entre dois povos vizinhos como são Portugal e Espanha realiza-se em diversos contextos, na cultura, na educação, na economia e nas trocas comerciais, e a nível político e institucional. José Luís González Prada, o secretário-geral da Fundação Rei Afonso Henriques vincou que o papel desta instituição é o de moderador, ou seja, cabe à fundação promover e coordenar esse encontro ibérico. FOTO\ HUGO ANES

Como atua

a Fundação

O Douro como

ponto de encontro

A Junta de Castela e Leão e a Também neste projecto de proComissão de Coordenação e moção turística do Douro parDesenvolvimento Regional do ticipa activamente a Fundação Norte (CCDRN) são patronos Rei Afonso Henriques, a qual da Fundação Rei Afonso Hen- tem agora em mãos a elaborariques e em primeira instân- ção de uma Rota do Patrimócia são estas duas entidades nio da Humanidade na bacia que desenham e projectam a Hidrográfica do rio Douro. Socooperação transfronteiriça. bre esta rota no vale do Douro E nesta cooperação ibérica a e de acordo com o responsável Fundação luso-espanhola é executivo da Fundação, José um verdadeiLuís González ro “playmaker” Prada, actualque torna as mente já estão ideias e os pro- ...foi-nos atribuída reconhecidos jectos em reali11 lugares dade. José Luís a organização dos pela Unesco, González Prada como são as Actos do 25º explica assim a zonas histórias mais-valia da do Porto e de Aniversário da Fundação Rei Guimarães, as Afonso Hen- entrada de Espanha gravuras rucreio que riques neste e Portugal na União pestres de Foz processo lhe Côa, a Catedral qualquer cidacompete “estar de Burgos, etc. Europeia”. dão que vive na em permanente Nas palavras contacto não só de José Luís fronteira deve com as administrações públicas González Prada “agora, preter a possibilida- mas também com um número tendemos ver reconhecido o variado de colectividades tais 12º lugar referente ao território de de receber como associações de desenvol- de Zamora e Bragança”. Esta vimento local, Universidades, cooperação entre a CCDRN e estes serviços associações empresariais, pes- a Junta de Castela e Leão no públicos básicos soas, negócios, etc.”. Duas das património comum que é o mais importantes entidades na rio Douro tem como objectivo de um lado e cooperação transfronteiriça são final criar um produto turístico precisamente a Junta de Caste- assente num plano de markede outro da la e Leão e a CCDRN. Ambas ting que convide as pessoas a fronteira são administrações regionais e visitarem todos estes lugares FOTO\ HUGO ANES embora não tenham o mesmo portugueses e espanhóis que grau de competências, já que se encontram ao longo do rio em Espanha a autonomia lhes Douro. confere não só maior capacidade financeira mas também poder de decisão em áreas como a saúde, a educação, etc., mesmo assim a CCDRN e a Junta de Castela e Leão definem estraté- Para além do Douro, existem gias comuns de actuação nos outras riquezas que é preciso dois territórios, como é o caso valorizar e sobretudo outras mais conhecido do desenvolvi- pessoas que importa dar mais atenção. Na Fundação Rei mento do Vale do Douro. Afonso Henriques existe essa consciência e há a convicção de que a próxima meta na cooperação luso-espanhola terá que ser na qualidade dos serviços públicos transfronteiriços. Focando o olhar nestas regiões fronteiriças José Luís González Prada mostrou-se crítico e levantou ele mesmo as questões: “Como é a vida das pessoas que vivem na fronteira? Terão as mesmas oportunidades? E precom todo o dinheiro já empreou a gue será que se melhorou A nova sede da FRAH no Centro Histórico de Bragança. (foto\FRAH)

As pessoas que

vivem na fronteira

A Fundação Rei

N

asce em 1994, com o objectivo de contribuir para o bem-estar das gentes de toda a bacia hidrográfica do Douro, assim como aprofundar as relações institucionais, económicas, sociais e culturais entre Portugal e a Comunidade Autónoma de Castela e Leão. Hoje, a Fundação Rei Afonso Henriques tem sedes em Zamora e em Bragança, locais onde dinamiza uma multiplicidade de actividades como foi a Cimeira Ibérica que se realizou em 2009, em Zamora; os sucessivos encontros entre empresários portugueses e espanhóis que a Fundação

qualidade de vida destas pessoas na assistência à saúde, na educação, etc.?”. E a estas questões, o secretário-geral da Fundação Rei Afonso Henriques também responde “ambas as administrações, portuguesa e espanhola, ainda têm muito por fazer nesta questão dos serviços públicos de qualidade nestas regiões fronteiriças”. Entre estes serviços públicos adquire particular importância o sistema de Saúde e é também aqui que o próprio José Luís González Prada lança o repto “creio que qualquer cidadão que vive na fronteira deve ter a possibilidade de receber estes serviços públicos básicos de um lado e de outro da fronteira e não concebo a razão pela qual uma pessoa tem que deslocarse 300 ou 500 km em Portugal para receber uma intervenção cirúrgica quando a proximidade de um hospital em Zamora ou Valladolid lhe facilitaria mais a vida”.

A cooperação na Saúde O que temos então que fazer para que esta cooperação na saúde seja possível? Segundo o responsável da Fundação lusoespanhola o problema mais complexo é que são dois países, com administrações distintas e perante tal é necessário saber quem é o interlocutor de cada país e a partir daí encontrar vontade mútua e fundamentalmente chegar a um acordo económico. E no dia em que nos seja possível ser assistidos num centro de saúde espanhol ou português a Fundação Rei Afonso Henriques n-ao tem dúvidas “quando estes serviços estiverem adequadamente organizados, sob o ponto de vista económico poderão ser bem mais rentáveis e melhor racionalizados para os dois países do que o são hoje”. Com esta visão José Luís González Prada recordou-nos mais uma vez a realidade da construção europeia com a aproximação dos Estados, o uso de uma moeda comu comum, a livre circulação de

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Lo que nos relaciona... Noticias

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V ...todos os dias!

Afonso Henriques

patrocina e acolhe; a aposta no ensino recíproco das línguas portuguesa e castelhana de modo a facilitar a comunicação entre os dois povos; e nas actividades culturais destaca-se não só o trabalho de pesquisa de manifestações culturais comuns como os Caretos de Podence e as Mascaradas de Inverno em Zamora, mas também a elaboração da Rota Património da Humanidade no Vale do Douro, onde existem lugares como a Catedral de Burgos, as gravuras de Foz Côa, ou a zona histórica do Porto que aguardam a nossa visita.

pessoas e de mercadorias, e o muito que ainda há a fazer na cooperação transfronteiriça.

Os obstáculos E afinal o que urge fazer nesta cooperação? O que temos nós os portugueses que realizar? E o que têm os espanhóis que melhorar? O secretário-geral da Fundação Rei Afonso Henriques recorre à sua experiência profissional que o obriga a contactar permanentemente com as realidades dos dois países e é peremptório “em Portugal há o problema da burocracia, da tramitação, enfim o processo de dar forma às ideias e torná-las realidade é geralmente um processo mais lento. Por exemplo, a abertura de uma conta corrente em Espanha é um processo imediato, ou a tramitação bancária em Espanha demora apenas um dia a realizar-se ao passo que em Portugal são necessários cinco ou seis dias”. Relativamente a Espanha, José Luís González Prada aponta um contra-senso “há o regime das Autonomias e a maior proximidade das administrações, mas a verdade é que há muitas administrações que se sobrepõem e muitas iniciativas que actuam no mesmo âmbito e no caminho acabam por perder energia pois tentam os mesmos objectivos com agentes diversos”.

O bom caminho Para a Fundação hispanoportuguesa o caminho para resolver estes problemas “é a coordenação entre os agentes e um melhor aproveitamento dos recursos”, e o secretáriogeral da fundação adiantounos um bom exemplo desta desejável coordenação e partilha de recursos “foi encomendada à Fundação Rei Afonso Henriques a organização dos Actos do 25º Aniversário da entrada de Espanha e Portugal na União Europeia. Todo este trabalho terá o seu ponto alto a 12 de Junho do próximo ano e terá para nós um significado simbólico muito importante”.

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