Page 1

BELO HORIZONTE ◆ SEYCHELLES ◆ TORONTO


Foto: Salvador Cordaro

ARTEFACTO EDITION 2019 por Patricia Anastassiadis São Paulo: Haddock Lobo - 3087 7000 • D&D Shopping - 5105 7777 • Jardim Anália Franco - 2250 7798 • Rio de Janeiro - 3325 7667 • Curitiba - 3111 2300 Balneário Camboriú - 3264 9505 • Campinas - 3397 3200 • Brasília - 2196 4250 • Goiânia - 3101 9900 • Jaú - 3416 6904 • Salvador - 3034 5555 • João Pessoa - 3031 4941 Porto Velho - 3225 1225 • Manaus - 3211-0600 • Cuiabá - 3027 6019 • Artefacto B&C: São Paulo: Avenida Brasil - 3894 7000 • D&D Shopping - 5105 7760 Artefacto Outlet: São Paulo: Rua Henrique Schaumann - 3897 7001 • Catarina Fashion Outlet - 4130 4700 • USA: Coral Gables - 305.774.0004 • Aventura - 305.931.9484 Doral - 305.639.9969 • artefacto.com.br • @artefactooficialbrasil


LETTER

THE MOST VALUABLE ASSET

O BEM MAIS VALIOSO Bernardo Claro da Fonseca

CEO AMBAAR LOUNGE

N

os últimos meses, vencemos mais uma etapa do nosso plano estratégico de expansão. Desembarcamos em Belo Horizonte, no reformulado BH Airport, em Confins, para a construção e, agora, inauguração de dois novos Ambaar lounges nos embarques doméstico e internacional. Estar no quinto maior terminal aéreo brasileiro — que, em 2018, recebeu 10,6 milhões de passageiros — reafirma o nosso compromisso com os clientes no sentido de oferecer a melhor e mais confortável experiência aeroportuária. Para que esse plano se concretizasse, contamos com um bem imaterial, preciosíssimo para nós, sem o qual o desempenho da Ambaar jamais seria tão completo e certeiro: o nosso colaborador. Tenho orgulho em reafirmar que cada resultado alcançado por nós é fruto de um esforço coletivo da família Ambaar, a qual trabalha incansavelmente na superação de desafios. As pessoas são a alma do nosso negócio e, por isso, apostamos tanto em nosso capital humano. Investimos em sua capacitação e na melhoria dos procedimentos internos, sempre em busca da humanização de processos e da excelência de nossa equipe. Graças a eles, a sua experiência é única em nossos lounges. Graças a eles, superamo-nos em cada desafio.

6

// Over the last few months, we overcame another step in our strategic expansion plan. We landed at Belo Horizonte, in the revamped BH Airport, at Confins, for the construction and inauguration of two new Ambaar lounges at the domestic and international departures. Being in the fifth biggest Brazilian air terminal, which in 2018 received 10.6 million passengers, reaffirms our commitment to our clients in the sense of offering the best and most comfortable airport experience. To achieve this plan, we counted with a very precious, immaterial asset, without which Ambaar’s performance would never be so complete and accurate: our collaborator. I am proud to reiterate that each result accomplished by us is born from the collective effort of the Ambaar family, which works ceaselessly to overcome challenges. The people are the soul of our business and therefore we make a big wager on our human capital. We invest in the capacitation and improvement of internal procedures, always in search for the humanization of processes and the excellence of our team. Thanks to them, your experience is unique in our lounges. Thanks to them, we surpass ourselves in each challenge faced.

“Põe quanto és no mínimo que fazes.”

“Put all you are into the smallest thing you do.”

(Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa)

(Ricardo Reis, one of Fernando Pessoa’s heteronyms)


E DITORIAL

NEW PATHS

NOVOS CAMINHOS N

8

asci e morei em Belo Horizonte por mais de duas décadas. E, desde que saí da cidade, acompanhei as novidades de longe, seja por ouvir falar, seja em rápidas visitas para ver a família e os amigos. Apesar de meus laços com BH nunca terem sido cortados — e meu sotaque não permitir que ninguém duvide de onde venho —, foi com surpresa que li, pela primeira vez, a matéria sobre a minha cidade nesta edição da The Content. Como nos mostra a repórter Juliana Afonso, nos últimos anos, uma revolução gastronômica tomou conta da capital de forma surpreendente. Bares e restaurantes com uma pegada moderna e embasados na culinária e nos ingredientes locais se multiplicaram pela cidade, aproveitando o que a tradição mineira tem de melhor. Uma nova BH, contemporânea, saborosa e diversa, é apresentada nesta matéria e faz qualquer um querer marcar uma viagem imediatamente. Do horizonte delimitado pela Serra do Curral, cruzamos meio mundo para uma paisagem completamente diferente, com água por todos os lados. Nosso outro destino é Seychelles, arquipélago no oceano Índico que também passou por uma transformação nos últimos anos. Por lá, a mudança foi catapultada depois que dois casais (muito!) famosos escolheram o destino para lua de mel. Mas, como relata o jornalista Carlos Marcondes, celebridades à parte, o que realmente fascina são as praias paradisíacas e a natureza preservada do local. Seychelles é o país com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais alto da África e um exemplo de sustentabilidade mundial — assunto que está, literalmente, na moda. Se a indústria têxtil é uma das que mais impactam o meio ambiente, comprar em brechós se tornou uma alternativa ecologicamente sustentável, além de fazer bem ao bolso, como também mostramos nesta edição. Acredito que, ao fim da leitura, a lição é que transformar, reinventar-se e buscar novas alternativas pode ser sempre uma boa ideia.

// I was born and lived in Belo Horizonte for over two decades. Since I left the city, I accompanied novelties from afar, sometimes from hearing about them, or during quick visits to see family and friends. Although my ties with BH were never severed — and nobody doubts where I come from based on my accent — I was surprised when I first read the piece about my city in The Content. As reporter Juliana Afonso shows us, in the last few years a culinary revolution took over the capital in a surprising way. Bars and restaurants with a modern footprint and based on local cooking and ingredients multiplied around town, taking advantage of the best that Minas Gerais tradition has to offer. A new BH, contemporary, flavorful and diverse, is presented in this piece, and makes everyone want to schedule a trip there immediately. From the horizon delimited by Serra do Curral, we cross the world to a completely different landscape, surrounded on all sides by water. Our other destination is the Seychelles, Indian Ocean archipelago that also has witnessed a transformation in the last few years. There, the change came about as two (very!) famous couples chose the spot for their respective honeymoons. However, as journalist Carlos Marcondes tells us, celebrities aside, what really fascinates are the heavenly beaches and the preserved nature of the islands. Seychelles is the country with the highest Human Development Index (HDI) in Africa and a world example of sustainability — a theme that is, literally, in fashion. If the textile industry causes huge impact on the environment, buying from secondhand stores became an ecologically sustainable alternative, besides being good for the pocket, as we also show in this edition. I believe that, once the reading is over, the lesson that stays is that to transform, to reinvent and to search for new alternatives is always a good idea.

Juliana Deodoro

Juliana Deodoro

Editora

Editor


54

SEYCHELLES, UM PARAÍSO TROPICAL NO OCEANO ÍNDICO

12

Um recado da redação A message from the newsroom Personalidades revelam seus destinos favoritos Celebrities reveal their favorite destinations

14 18 26

Spas para entrar em contato com a natureza Spas to get in touch with nature

30

Chaise Longue, de Le Corbusier, faz 90 anos Le Corbusier’s Chaise Longue turns 90

66

Os produtos mais desejados do momento The most desired products of the moment Os tons de branco de Sebastian Copeland The white tones of Sebastian Copeland

UMA VOLTA AO MUNDO EM UM BAIRRO DE TORONTO // A TRIP AROUND THE WORLD IN A TORONTO DISTRICT

10

FOTO/PHOTO: NATHAN RAWLINSON, SHUTTERSTOCK E

6 8

Com a palavra, Bernardo Claro da Fonseca, presidente da Ambaar Lounge / A word from Bernardo Claro da Fonseca, Ambaar Lounge CEO

DIVULGAÇÃO

// SEYCHELLES – A TROPICAL PARADISE IN THE INDIAN OCEAN


A onda cool dos brechós The cool wave of secondhand stores Belo Horizonte e a nova gastronomia mineira Belo Horizonte and the new Minas Gerais cuisine Compras online mudam mercado de vinhos Online shopping changes the wine market

34 42 74

StartSe faz executivos voltarem à escola StartSe sends CEOs back to school

78 84

Raí e a Fundação Gol de Letra Raí and Gol de Letra Foundation

88

A experiência de viajar sozinho The experience of travelling alone

90 98

Lexus ES300, o novo conceito de sedã Lexus ES300, the new concept of sedan

A música que emociona Fafá de Belém The song that touches Fafá de Belém

  Ao final de algumas matérias desta edição, você encontrará uma playlist especial para entrar no clima da leitura. Basta abrir a câmera do seu celular, escanear o code no Spotify e boa viagem! / At the end of some of the articles, you will find a special playlist to get in the mood for reading. Just open your phone's camera, scan the code on Spotify and have a good trip!

Distribuída no Lounge VIP Star Alliance São Paulo, Lounge Villa GRU, Ambaar Lounge Confins, Lounge JK Iguatemi, Lounge One Iguatemi, Hotel Marriott, Hotel Four Seasons Morumbi, Hotel George V (Alto da Lapa e Jardins) e Restaurante Cozí Minas.

94 Hotéis para diferentes perfis de viajantes // HOTELS FOR DIFFERENT TRAVELER PROFILES

EXPEDIENTE / CONTRIBUTORS Ambaar Lounge

Media On Board

Colaboradores

CEO Bernardo Claro da Fonseca Conselheiro do Board Ricardo Espírito Santo Comitê Executivo: Gerente de RH Berta Ferrari Gerente Operacional Laura Ronzi Gerente Comercial e Marketing Vanessa Botacini Gerente Financeiro Vinicius Souza Gerente de Projetos Marcelo Matta

Diretor Executivo Carlos Koga Editora Juliana Deodoro Editora-Assistente Luiza Vieira Marketing Priscila Soares Publicidade Mirian Pujol, Regina Moreno Financeiro Jane Elaine

Carla Lencastre Carlos Marcondes Daniel Salles Juliana Afonso Lívia Aguiar Mariana Amorim Raphael Calles Rodrigo Mora

Assistente de Direção George Tebet Designer Ana Carol Abreu Revisão Irene Canadinhas Redes sociais Heloísa Farias Anderle Vitória Ketlyn Soares dos Santos Tradução Ricardo Moura Assessoria Jurídica Salvatore Morello Advogados

PARA ANUNCIAR comercial@mediaonboard.com.br (55 11) 5505-0078 Impressão: Gráfica Elyon Tiragem: 10.000 exemplares Periodicidade: Bimestral Todos os direitos reservados A The Content é uma publicação da Media Onboard. As pessoas que não constam do expediente da revista não têm autorização para falar em nome da revista. É necessário uma carta de autorização, atualizada e datada em papel timbrado assinada pelos editores. Os artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos colunistas e fica expressamente proibido a reprodução total ou parcial sem autorização prévia.

Media Onboard   (55 11) 5505-0078 Rua Pensilvânia, 1126 - Brooklin  São Paulo - SP CEP: 04564 003

11


P A S S P O RT

UNFORGETTABLE TRIPS

VIAGENS INESQUECÍVEIS CHILE

Nathalia Dill Atriz / Actress

// When I think of a travel destination, I like to pick places that have a different landscape from my daily life, that allow me to have unusual experiences. Moreover, that is exactly what I found at Atacama Desert, in Chile, my last trip. It is beautiful there, seems like you are in another planet and were transported to a magical place. It was inexplicable!

“Lá é lindo, parece que você está em outro planeta e foi transportado para um lugar mágico.” // “It is beautiful there, seems like you are in another planet and were transported to a magical place.”

12

F O T O / P H O T O : V I N Í C I U S M O C H I Z U K I , S H U T T E R S T O C K E D I V U L G A Ç Ã O

Quando eu penso em um destino de viagem, gosto de escolher l u ga r e s q u e te n h a m u m a paisagem diferente daquela do meu dia a dia, que me permitam ter experiências inusitadas. E foi justamente isso que encontrei no Deserto do Atacama, no Chile, minha última viagem. Lá é lindo, parece que você está em outro planeta e foi transportado para um lugar mágico. Foi inexplicável!


N O VA Z

ELÂNDIA

Kahena Kunze e Martine Grael Campeãs olímpicas e panamericanas de vela // Olympic and Pan-American sailing champions

Tenho vários lugares preferidos, como Espanha e Portugal, mas a Nova Zelândia, além de ser um local que respira vela, é totalmente voltado para o outdoor, as atividades ao ar livre. / I have many favorite places, like Spain and Portugal, but New Zealand, besides being a place that breathes sails, is totally outdoorsy, geared towards open-air activities. Kahena Kunze

Também sou eternamente encantada pela Nova Zelândia. Sempre tento procurar pelo mundo algo como o Rio de Janeiro, que une montanhas, praias, ondas e poder estar junto à natureza. / I am also absolutely charmed by New Zealand. I always try to find, around the world, places like Rio de Janeiro, with mountains, beaches, waves and nature. Martine Grael

Marcos Brandão Diretor-presidente da BH Airport // BH Airport CEO

FRANÇA

Estive no sul da França, durante o verão europeu, e a experiência foi fantástica. Meu roteiro começou em Marselha, passando por Saint Tropez, Nice e Cannes. As distâncias entre as cidades são curtas, e o acesso de carro é uma verdadeira obra de arte. Durante o trajeto, é possível ver o oceano e todas as belezas naturais da região. Destaco Saint Tropez, famosa pelo seu glamour, que oferece um ambiente encantador, com praias lindas, bons restaurantes e ótima música. // I was in the south of France, during the European summer, and the experience was fantastic. My trip started in Marseille and moved through Saint Tropez, Nice and Cannes. The distances between the cities are short and access by car is a true work of art. During the trip, you can see the ocean and all of the region’s natural beauties. My highlight is Saint Tropez, famous for its glamour and it offers a charming ambiance, with beautiful beaches, good restaurants and great music.

“As distâncias entre as cidades são curtas, e o acesso de carro é uma verdadeira obra de arte.” // “The distances between the cities are short and access by car is a true work of art.”

13


RELAX

IN NATURE

NA NATUREZA POR/BY CARLA LENCASTRE

BETWEEN THE SKY AND THE DESERT

No deserto argentino de Mendoza, água de lençóis subterrâneos e folhas de videira são alguns dos elementos naturais do spa da bela Casa de Uco. Integrado aos vinhedos e emoldurado pela Cordilheira dos Andes, o spa deste moderno e sustentável wine lodge oferece vinoterapia e hidroterapia. A água para o banho de sais andinos vem da fonte a 300 metros de profundidade. Argila local é usada em tratamentos faciais e há, também, esfoliações com ervas da horta orgânica do hotel, como alecrim. Depois de uma sessão relaxante ou revigorante no Uco Spa, piscina e jacuzzi ao ar livre, em meio a um lago repleto de patos e cisnes, complementam o programa no hotel boutique sofisticado e acolhedor, com 16 suítes no Valle de Uco. A 1h30m do aeroporto de Mendoza, a região fica entre 900 e 1.500 metros acima do nível do mar e tem cerca de 300 dias de sol por ano. CASA DE UCO | CASADEUCO.COM

14

// In the Argentinian desert of Mendoza, the groundwater and vine leaves are some of the natural elements of beautiful Casa de Uco’s spa. Integrated with the vineyards and framed by the Andes Mountain Chain, the spa of this modern and sustainable wine lodge offers wine therapy and hydrotherapy. The water for the Andean salt bath comes from a fountain almost 1 thousand feet deep. Local argyle is used for facial treatments and there are exfoliations with herbs from the hotel’s organic vegetable garden, like rosemary. After a relaxing or refreshing session at Uco Spa, open-air pool and Jacuzzi, amidst a lake filled with ducks and swans, complement the outing at the sophisticated and sheltering hotel boutique, with 16 suites at Valle de Uco. At a 1h30m distance from Mendoza airport, the region is located between 2,950 and 4,920 feet above sea level and the sun shines for about 300 days per year.

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

E N T R E O C É U E O D E S E RTO


A REFUGE IN A CARIBBEAN FOREST

R E F Ú G I O E M F LO R E STA C A R I B E N H A A exuberante floresta tropical da Riviera Maya e seus recursos naturais são os principais elementos do Wayak Spa at Viceroy. Em Playa del Carmen, entre o azul do Mar do Caribe e o verde da selva de Yucatán, caminhos sinuosos em meio à natureza levam às românticas acomodações em bangalôs, com piscina privativa. Nesse refúgio mexicano, a exclusividade alcança o status de arte no spa escondido em meio à vegetação. Tudo conspira para a cura, o equilíbrio e a tranquilidade. O cardápio de tratamentos tem forte influência maia e combina técnicas ancestrais e ingredientes usados pelos habitantes da região, como o mel das abelhas meliponas. Detalhe que me conquistou logo na chegada: os sabonetes orgânicos, com aromas naturais e feitos a mão por moradores de comunidades vizinhas ao hotel. // The exuberant tropical forest of Riviera Maya and its natural resources are the main element of Wayak Spa at Viceroy. At Playa del Carmen, between the blue of the Caribbean Sea and the green of the jungle of Yucatán, sinuous trails amidst nature lead to the romantic accommodations in bungalows, with private pool. In this Mexican refuge, exclusivity reaches the status of art at the spa hidden in the middle of the vegetation. Everything conspires towards cure, balance and tranquility. The menu of treatments has strong Mayan influence and combines ancestral techniques and ingredients used by the region’s inhabitants, like the honey from melipona bees. A detail that won me over as I arrived: the organic soaps, with natural aromas and handmade by dwellers of the communities neighboring the hotel. V I C E R OY R I V I E RA M AYA | V I C E R OY H OT E LS A N D R E S O RTS . CO M

15


REL TA RX ANCA

W AT E R C I R C U I T

CIRCUITO DAS ÁGUAS

// When the Romans arrived at the region where the contemporary city of Bath is located, two hours from London, they did not think twice. They built thermal baths with thermal waters from the city’s subterranean fountains. Two thousand years later, the very well preserved Roman Baths are a Unesco World Heritage Site and justify the drive from London. Better yet is to get lodgings in its contemporary version, the Gainsborough Bath Spa. Practically next to the thermal baths, installed in a construction from the beginning of the 19th century and a member of Leading Hotels of the World, it is the only spa in the UK with access to natural thermal waters. This direct connection with nature inspires the hydrotherapies of the award-winning spa, with over 12,900 square feet in two floors, three natural pools and columns and mosaics. The guests from Bath Spa category rooms and suites also get the city’s thermal waters from their bathtub faucet.

16

G A I N S B O R O U G H B AT H S PA | G A I N S B O R O U G H B AT H S PA . CO .U K

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

Quando os romanos chegaram à região onde hoje fica Bath, a duas horas de Londres, não pensaram duas vezes. Construíram termas para banhos com as águas termais das fontes subterrâneas da cidade. Dois mil anos depois, as Termas Romanas de Bath, muito bem preservadas, são Patrimônio da Humanidade pela Unesco e justificam a escapada londrina. Melhor ainda é se hospedar em sua versão contemporânea, o Gainsborough Bath Spa. Praticamente ao lado das termas, instalado em uma construção do início do século 19 e membro da Leading Hotel of the Worlds, é o único spa de todo o Reino Unido que tem acesso a águas termais naturais. Essa ligação direta com a natureza inspira as hidroterapias do premiado spa, com 1.300 metros quadrados em dois andares, três piscinas naturais e colunas e mosaicos. Os hóspedes dos quartos e suítes da categoria Bath Spa também têm a água termal da cidade na torneira da banheira.


17


SHOPPING THE SHINE OF GOLD

O BRILHO DO OURO POR/BY RAPHAEL CALLES

2

Com cerdas mais finas e extremidades arredondadas, a escova de dente evita o desgaste do esmalte e a retração gengival.

1

// With finer bristles and rounded ends, the toothbrush avoids the erosion of teeth enamel and gingival retraction.

Não apenas luxo. O ouro que integra o gel dental possui propriedades anti-inflamatórias e regenerativas, que auxiliam na prevenção de cáries e gengivites.

3

O gel oferece a menor abrasividade do mercado e conta com uma proteína que auxilia na proteção dos dentes contra a desmineralização.

// It is not just a luxury. The gold that integrates the dental gel has anti-inflammatory and regenerative properties, which help prevent tooth cavities and gingivitis.

K I T D ’ O R , S W I SS S M I L E Se a graça é ostentar, é preciso fazer direito. O kit da marca Swiss Smile conta com uma escova de dente folheada a ouro e gel dental com partículas de 24 quilates.

// If the fun is splurging, it needs to be done right. The kit by brand Swiss Smile has a gold-plated toothbrush and dental gel with 24-carat particles.

R $ 5 5 0 - N US PAC E . CO M . B R

18

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

// The gel offers the smallest abrasiveness in the market and has a protein that aids in the protection of teeth against demineralization.


MARCA MUNDIAL

UNINDO O VELHO E O NOVO MUNDO COM A

EXPRESSÃO MÁXIMA DE CADA TERROIR. 12 ARRIL D •B

RVALHO CA

ANCÊS • FR

E

APRECIE COM MODERAÇÃO.











MESES


SHOPPING X MARKS THE SPOT

O XIS DA QUESTÃO POR/BY RAPHAEL CALLES

1 A rede em madeira conta com perfurações assimétricas e é afixada ao centro da mesa. Ela pode ser removida, transformando o móvel em mesa de jantar. // The wooden net has asymmetrical perforations and is affixed to the center of the table. It can be removed, turning the piece of furniture into a dinner table.

C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K

3

A base em forma de X é feita em aço Corten. Por conta dela, o hífen em pingpong foi substituído pela letra X. // The X-form base is made in weathering steel. Because of it, the hyphen in PingPong was substituted by the letter X.

Mula Preta foi fundada pelos designers André Gurgel e Felipe Bezerra, em Natal, no Rio Grande do Norte, e já acumula diversas indicações de prêmios de design e criatividade. // Mula Preta was founded by designers André Gurgel and Felipe Bezerra in Natal, Rio Grande do Norte state, and counts with many nominations for design and creativity awards.

MULA PRETA STUDIO PING X PONG TABLE

M E S A P I N G X P O N G , M U L A P R E TA Com comida não se brinca, isso é verdade. Mas dá para brincar onde comemos. Ao menos, esse é o conceito que o estúdio de design Mula Preta traz com a criação dessa mesa.

// One should not play around with food, that is true. However, we can play where we eat. At least that is the concept that Mula Preta design studio advances by creating this table.

P R E Ç O S O B C O N S U LT A P R I C E U N D E R R E Q U E S T - M U L A P R E T A D E S I G N . C O M . B R

20

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

2


SHOPPING F M , T H E U LT I M A T U M

FM, O ULTIMATO POR/BY RAPHAEL CALLES

1

É o primeiro rádio da coleção da marca que permite sintonizar FM, assim como estações que tenham o sinal DAB+. // It is the first radio from the brand’s collection that allows to tune into FM, as well as the stations with a DAB+ signal.

2

O aparelho também funciona como caixa de som Bluetooth, que pode ser conectado a um smartphone, tablet ou, mesmo, computador. // The device also functions as a Bluetooth speaker, which can be connected to a smartphone, a tablet or even a computer.

// It comes equipped with a rechargeable lithium battery, allowing for 10 hours of playback time.

TRADIO BLACK, KREAFUNK A marca dinamarquesa Kreafunk preza por um estilo de vida despretensioso, que encoraja as pessoas a tirarem o melhor proveito de suas vidas, com a união de criatividade e funcionalidade.

// Danish brand Kreafunk values an unpretentious lifestyle, which encourages people to get the best out of their lives, uniting creativity and functionality.

R$ 899 - CONCEITOE.COM.BR

22

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

3

Ele vem equipado com uma bateria de lítio recarregável, que fornece uma autonomia de até 10 horas de uso.


SHOPPING COUNTDOWN

COUNTDOWN POR/BY RAPHAEL CALLES

2

O mostrador branco contrasta com a extremidade do ponteiro de segundos, que tem formato “pirulito”. A extremidade redonda é vermelha, para representar a bandeira do Japão. // The white dial contrasts with the tip of the lollipopshaped seconds hand— with the round end in red varnish, which represents the flag of Japan.

1

3

O modelo tem edição limitada de 2020 peças. O verso da caixa, transparente, apresenta uma gravação do logo dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

O bisel em cerâmica branca permite a marcação de tempo de mergulho.

OMEGA SEAMASTER PLANET OCEAN TOKYO 2020 LIMITED EDITION A menos de um ano dos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, a relojoaria suíça Omega, cronometrista oficial da competição desde 1932, dá início à contagem regressiva para a abertura do evento, marcada para 24 de julho de 2020.

// Less than a year from the Tokyo Olympic Games, in Japan, Swiss watchmaker Omega, the competition’s official timekeeper since 1932, starts the countdown for the event’s opening, marked for July 24, 2020.

R $ 2 9 . 5 0 0 - O M E G A W AT C H E S . C O M

24

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

// The white ceramic dial allows for diving timekeeping.

// The model has a 2020 limited edition. The back of the box, transparent, presents an etching of the logo of the Tokyo Olympic Games.


liderinteriores.com.br

plataforma4

Elas são designers. Uniram-se para somar ideias e propor novas formas de trabalhar com o design. Assim nasceu a Plataforma4, composta por Amélia Tarozzo, Camila Fix, Flávia Pagotti Silva e Rejane Carvalho Leite. Quatro das mulheres que deram vida a essa coleção e assinam as Mesas de Jantar Touro e Floresta e a Base de Jantar Lago.

DESIGN FEITO PARA VIVER

Acesse liderinteriores.com.br/ela e conheça as designers e a coleção completa.

SP | RJ | PB | MG | ES | DF | BA Revendas em todo o Brasil

25


F R A M E BY F R A M E

Sebastian Copeland 55 ANOS, FOTÓGRAFO DESDE OS 24

// 55 YEARS OLD, A PHOTOGRAPHER SINCE HE WAS 24 POR/BY JULIANA DEODORO

D

26

// After travelling over 8 thousand kilometers in the Arctic and Antarctica, FrenchAmerican-British photographer Sebastian Copeland can say he went through a bit of everything. He was hit by gusts of wind, carried by polar bears and blinded by the white of the snow. Moreover, these are only some of the experiences he had since he started going on expeditions to the planet’s two poles. "To the casual observer, the ice may look like a lifeless world of white, with a limited color spectrum and the absence of organic life. But I can honestly say that no two days have looked alike," he affirms. Copeland got his first camera at 12. The gift from his grandfather, a lover of nature, served as an incentive for him to discover how to express himself in the world. As a commercial photographer, he worked with fashion and music before dedicating himself to the environment. "The shift was as natural as it was necessary for me. I am still fond to say that there are only two genres in photography: good and bad." With three published books and two award-winning movies released, Copeland also defines himself as an activist. "Those who walk the land soon become warriors in its defense," he says. "The research I have done in the coldest regions of our world gave me a deeper perspective of the subtle variations taking place at the hands of climate change. The images I bring back tell the story of a changing environment which, the more I got to know it, looks a lot like us: defiant, fragile and fleeting."

ZEPHIR (2008) CANON 1DS-MKII, LENTE 16MM

epois de percorrer mais de 8 mil quilômetros no Ártico e na Antártida, o fotógrafo franco-americano-britânico Sebastian Copeland pode dizer que viveu de tudo um pouco. Ele já foi golpeado por vendavais, carregado por ursos polares e cegado pelo branco da neve. E essas são só algumas das experiências que teve desde que começou a realizar expedições aos dois polos do planeta. “Para o observador casual, o gelo pode parecer um mundo branco, com um espectro de cores limitado e ausência de vida orgânica, mas posso dizer honestamente que não há dois dias parecidos”, afirma. Copeland ganhou sua primeira máquina fotográfica aos 12 anos. O presente do avô, um apaixonado pela natureza, foi o empurrão para que ele descobrisse como poderia se expressar no mundo. Como fotógrafo comercial, trabalhou com moda e música antes de se dedicar ao meio ambiente. “A mudança foi tão natural quanto necessária para mim. Mas ainda gosto de dizer que existem apenas dois gêneros na fotografia: a boa e a ruim.” Com três livros publicados, além de dois filmes lançados e premiados em festivais, Copeland se define, também, como um ativista. “Aqueles que andam pelo território logo se tornam guerreiros em sua defesa”, diz. “A pesquisa que fiz nas regiões mais frias do mundo me deu uma perspectiva profunda das variações sutis que ocorrem por causa das mudanças climáticas. As imagens que trago de volta contam a história de um ambiente em mudança que, quanto mais conheço, mais se parece conosco: desafiador, frágil e fugaz.”


“EU ESTAVA PRONTO PARA FOTOGRAFAR OS ICEBERGS EM ELLESMERE ISLAND, NO ÁRTICO CANADENSE, QUANDO ZEPHIR PULOU NO ENQUADRAMENTO APENAS TEMPO SUFICIENTE PARA TIRAR DUAS FOTOS. ELE FICAVA COMIGO PARA ALERTAR NO CASO DE APROXIMAÇÃO DE URSOS POLARES. NA IMAGEM, O DERRETIMENTO DA SUPERFÍCIE DO GELO MARINHO DEU A IMPRESSÃO DE QUE ELE ESTAVA CERCADO POR ÁGUA. MAS SE TRATA, DE FATO, DE UMA FINA CAMADA DE ÁGUA DERRETIDA EM UMA SUPERFÍCIE CONGELADA, O QUE EXPLICA O REFLEXO DO ESPELHO D’ÁGUA, QUE FICOU AINDA MAIS DRAMÁTICO PELAS NUVENS QUE SE ACUMULAM AO LONGE. TAL COMO ACONTECE COM MUITAS FOTOS NOTÁVEIS, ESSE FOI UM MOMENTO QUE NUNCA PODERIA SER DUPLICADO. REAGI INSTINTIVAMENTE, O QUE EXPLICA POR QUE A IMAGEM NÃO ESTÁ NIVELADA. EU ATÉ CONSERTEI MAIS TARDE, MAS, NO FIM, PREFERI A DISPLICÊNCIA ESPONTÂNEA DA CAPTURA.”

“I WAS SETTING UP TO SHOOT THE ICEBERGS ON ELLESMERE ISLAND, IN CANADIAN ARCTIC, WHEN ZEPHIR JUMPED IN FRAME JUST LONG ENOUGH FOR ME TO SNAP TWO PHOTOS. I HAD THE DOG WITH ME AS AN EARLY WARNING IN CASE OF APPROACHING POLAR BEARS. IN THE IMAGE, THE SURFACE MELT OF THE SEA ICE GAVE THE IMPRESSION OF OPEN WATER SURROUNDING IT. THERE IS IN FACT A THIN LAYER OF MELT WATER ON WHAT IS OTHERWISE A FROZEN SURFACE; THIS ACCOUNTS FOR THE MIRROR LOOK, MADE ALL THE MORE DRAMATIC FROM THE GATHERING CLOUDS IN THE DISTANCE. AS WITH MANY NOTABLE PHOTOS, THIS WAS A MOMENT IN TIME THAT COULD NEVER BE DUPLICATED. I REACTED INSTINCTIVELY, WHICH EXPLAINS WHY THE FRAME IS NOT LEVELED. I STRAIGHTENED IT LATER, BUT PREFERRED THE SPONTANEOUS SLOPPINESS OF THE CAPTURE, SO I KEPT IT AS IS.”

227 7


F R A M E BY F R A M E

“DEPOIS DE COMPLETAR UMA TRAVESSIA DE 2300 QUILÔMETROS NA GROENLÂNDIA, DE SUL A NORTE, FUI COM MEU PARCEIRO DE HELICÓPTERO ATÉ UMA PEQUENA VILA INUÍTE, ONDE DEVERÍAMOS ESPERAR PARA QUE UM AVIÃO NOS PEGASSE. AO DEIXAR AS MALAS, DEI UMA OLHADA NA BAÍA CONGELADA E VI ICEBERGS GIGANTES, QUE HAVIAM SIDO PRESOS PELO CONGELAMENTO DO INVERNO, E ESTAVAM PRESTES A SEREM LANÇADOS NO MAR COM O INÍCIO DO DERRETIMENTO DO VERÃO. AS NUVENS NO CÉU ESTAVAM ESCURAS, E A ÁGUA DERRETIDA SOBRE UM POUCO DO GELO CRIAVA REFLEXOS NOTÁVEIS. DEPOIS DE OITO HORAS VAGANDO PELA IMENSIDÃO DA BAÍA CONGELADA, VOLTEI À VILA PARA DESCANSAR. NOS CINCO DIAS SEGUINTES, AS CONDIÇÕES METEOROLÓGICAS IMPOSSIBILITARAM FOTOGRAFAR. APROVEITAR UMA OPORTUNIDADE, ÀS VEZES, PODE DEFINIR UMA EXPERIÊNCIA DE FOTOGRAFIA.” “I HAD JUST COMPLETED 2300 KILOMETERS CROSSING OF GREENLAND, FROM SOUTH TO NORTH, AND A HELICOPTER PICKED MY PARTNER AND I AND DROPPED US OFF IN A SMALL INUIT VILLAGE WHERE WE WOULD WAIT FOR A PLANE TO PICK US UP. UPON DROPPING MY BAGS, I HAD A LOOK AT THE FROZEN BAY AND SAW GIANT ICEBERGS, WHICH HAD BEEN TRAPPED BY THE WINTER FREEZE, AND WERE ABOUT TO BE RELEASED TO THE SEA WITH THE ONSET OF THE SUMMER MELT. THE CLOUDS OVERHEAD WERE DARK, AND THE MELT WATER OVER SOME OF THE ICE CREATED REMARKABLE REFLECTIONS. AFTER 8 HOURS OF WANDERING THE IMMENSITY OF THE FROZEN BAY, I RETURNED TO THE VILLAGE FOR MUCH-NEEDED REST. FOR THE FOLLOWING FIVE DAYS, THE WEATHER CONDITIONS WERE UNUSABLE FOR SHOOTING. SEIZING ON AN OPPORTUNITY CAN SOMETIMES DEFINE A SHOOTING EXPERIENCE.”

THE CUBE (2010) CANON 5D MKII, LENTE 16MM

28


29


A RQ & D E S I G N

RELA XATION MACHINE

MÁQUINA DE RELAXAMENTO // Presented 90 years ago at the Paris Salon d’Automne, Chaise Longue is still an icon of modern design POR/BY JULIANA DEODORO

30

FOTO/PHOTO: FONDATION LE CORBUSIER

Apresentada há 90 anos no Salon d'Automne de Paris, a Chaise Longue é, ainda hoje, um ícone do design moderno


O

nome Charles-Edouard Jeanneret-Gris pode não soar conhecido, mas seu pseudônimo com certeza é. Le Corbusier foi um dos pioneiros do modernismo na arquitetura, urbanismo e design do início do século 20. A partir do conceito de que a funcionalidade deveria ser elemento primordial na construção e organização de moradias, ele apresentou ao mundo uma nova forma de viver e construir. Mas nem só em edifícios e cidades suas ideias foram aplicadas. Afinal, suas casas úteis, apelidadas por ele mesmo como “máquinas de morar”, precisavam de móveis que seguissem essa concepção. Foi assim que, ao lado de Pierre Jeanneret (seu primo) e da arquiteta Charlotte Perriand, ele criou uma série de mobiliários que colocaram as necessidades de homens e mulheres em primeiro lugar. Ou seja, móveis que eram "extensões de nossos membros e adaptados às funções humanas", como ele mesmo definiu. O mais importante produto desse encontro foi a Chaise Longue. Apresentada no Salon d'Automne de Paris, em 1929, a cadeira é ideal para ler, deitar-se e, claro, descansar. Apelidada de “máquina de relaxamento”, combina forma e funcionalidade, uma vez que o projeto simples e tubular levou em consideração as curvaturas do corpo humano, às quais se ajusta perfeitamente.

// The name Charles-Edouard Jeanneret-Gris may not sound familiar, but his pseudonym certainly is. Le Corbusier was one of the pioneers of modernism in architecture, urbanism and design at the beginning of the 20th century. Springing from the concept that functionality should be a primordial element in the construction and organization of dwellings, he presented to the world a new form of living and building. However, his ideas were not applied only to buildings and cities. After all, his useful homes, nicknamed by him “living machines”, needed furniture that went along with this conception. Thus, together with Pierre Jeanneret (his cousin) and architect Charlotte Perriand, he created a series of furnishings that put the necessities of men and women in first place. Moreover, furnishings which were “extensions of our members and adapted to human functions”, as he defined. The most important product of this meeting was the Chaise Longue. Presented in the 1929 Paris Salon d’Automne, the chair is ideal to read, lie down and, of course, rest. Nicknamed “relaxation machine”, it combines form and functionality, since the simple and tubular project took into consideration the curves of the human body, to which it adjusts perfectly. Balancing itself between geometry and ergonomics, the structure has two main components: the infe-

31


A RQ & D E S I G N

Equilibrando-se entre geometria e ergonomia, a estrutura tem dois componentes principais: a base inferior estacionária e a estrutura móvel superior, apoiada em dois tubos semicirculares que permitem ajustar o ângulo da inclinação da cadeira. Um travesseiro para apoiar a cabeça garante, por fim, o conforto. Apesar de criada na década de 1920, a Chaise Longue só passou a ser fabricada e comercializada em maior escala a partir de 1964, quando Le Corbusier concedeu licença exclusiva para a Cassina que, ainda hoje, produz o modelo, batizado de LC4. Mas seu design inovador também chegou a outro lugar. Não por acaso, ela faz parte do acervo do Museu de Arte Moderna, o MoMA.

1

2

rior stationary base and the superior mobile structure, supported by two semicircular tubes that allow adjustment of the chair’s angle of inclination. A pillow to support the head ultimately guarantees comfort. Although created in the 1920s, Chaise Longue was only manufactured and commercialized in larger scale from 1964, when Le Corbusier conceded an exclusive license to Cassina, which, until today, produces the model baptized LC4. However, its innovative design also took it to another place. It is not by chance that it is a part of MoMA’s, the Museum of Modern Art, collection.

OUTROS MÓVEIS DA LINHA DE LE CORBUSIER

3

// OTHER LE CORBUSIER PIECES OF FURNITURE

1- TABLE DE CONFÉRENCE

Criada em 1958, essa mesa brinca com o uso de duas figuras geométricas colocadas uma contra a outra. / Created in 1958, this table plays around with the use of two geometric figures set against each other. S

Separada das almofadas, a estrutura metálica expressa uma abordagem racionalista da produção industrial. /Separated from the pillows, the metallic structure expresses a rationalist approach to industrial production.

3- FAUTEUIL À DOSSIER BASCULANT

Leve e compacta, essa cadeira é um contraponto à Fauteuil Grand Confort e foi criada pelo estúdio em 1928. / Light and compact, this chair is a counterpoint to the Fauteuil Grand Confort and was created by the studio in 1928.

4- SIÈGE TOURNANT FAUTEUIL

Concebido por Charlotte Perriand, em 1927, para seu apartamento em Paris, esse banco tem estrutura de metal tubular. /Conceived by Charlotte Perriand in 1927 for her Paris apartment, this stool has a tubular metal structure.

32

4 FOTO/PHOTO: FONDATION LE CORBUSIER

2- FAUTEUIL GRAND CONFORT


A MULHER POR TRÁS DO NEGÓCIO

FOTO/PHOTO:

WIKIPEDIA E FLICKR.COM/PHOTOS/DALBERA/

// THE WOMAN BEHIND THE BUSINESS

Em uma época em que os direitos das mulheres ainda eram incipientes, Charlotte Perriand foi pioneira. Em 1927, candidatou-se a um emprego no estúdio de Le Corbusier, mas não conseguiu a vaga. Diz-se que a justificativa para a não contratação foi a de que “não se bordavam almofadas ali”. No entanto, depois de conhecer o trabalho da arquiteta no Salon d'Automne, no qual ela recriou seu apartamento dentro de um bar, Pierre Jeanneret, primo de Le Corbusier, o convenceu a dar um emprego a Perriand. A primeiras fotos de divulgação da Chaise Longue, inclusive, mostram-na deitada na cadeira. Foram dez anos trabalhando no estúdio de Le Corbusier, até que Perriand resolveu seguir por conta própria e, durante a Segunda Guerra Mundial, mudou-se para o Japão. Ao longo dos anos, ela trocou os materiais que usava para fazer seus designs: o cromo, que era caro e, portanto, mais inacessível, foi trocado por madeira, por exemplo. Ao longo da carreira, ela trabalhou com outros nomes importantes, como Fernand Léger, Jean Prouvé e os brasileiros Lucio Costa e Oscar Niemeyer.

// In an age when women’s rights were still incipient, Charlotte Perriand was a pioneer. In 1927, she applied for a job at Le Corbusier’s studio, but did not get it. It is said that the justification for not hiring her was that “they didn’t embroider cushions”. However, after becoming acquainted with the architect’s work at the Salon d’Automne, where she recreated her apartment inside a bar, Pierre Jeanneret, Le Corbusier’s cousin, convinced him to hire Perriand. As a matter of fact, the first marketing pictures of the Chaise Longue depict Charlotte lying down on the chair. She spent ten years working at Le Corbuiser’s studio, until Perriand decided to follow on his own and, during the Second World War, moved to Japan. Throughout the years, she changed the materials used to make her designs: chrome, which was expensive and thus less accessible, was traded for wood, for example. Throughout his career, she worked with other important figures, like Fernand Léger, Jean Prouvé and Brazilians Lucio Costa and Oscar Niemeyer.

33


STYLE

TRÈS CHIC SECONDHAND

SEGUNDA MÃO TRÈS CHIC Em tempos de sustentabilidade, comprar em brechós de luxo pode ser uma opção mais econômica e ecologicamente correta // In sustainable times, buying from luxury secondhand stores may be an economic and ecologically correct option

F

oi-se a época em que brechó era sinônimo de um lugar para encontrar roupas velhas e ultrapassadas. Hoje, comprar de segunda mão é cool, além de movimentar a economia, endossar a sustentabilidade e fomentar o consumo consciente. Lojas físicas e online, com foco em peças de luxo, pipocam pelo país, para atender clientes preocupados em manter o estilo e, ao mesmo tempo, gerar menos impacto no planeta. A ideia não é nova, mas acompanha uma gradativa mudança de comportamento dos consumidores. Se antes as tendências eram ditadas apenas pela indústria, atualmente dividem a influência com as redes sociais, que estimulam conceitos como o slow fashion. Também em voga, o minimalismo ganhou adeptos no estilo de vida e chegou ao guarda-roupa, com poucas peças-chave, atemporais e versáteis.

34

// Gone is the time when a secondhand store was synonymous with a place to find old and outdated clothes. Nowadays, buying secondhand is cool and it fuels the economy, endorses sustainability and foments conscious consumption. Street and online stores focusing on luxury pieces pop up around the country to cater to clients worried about keeping in style and, at the same time, generating less impact on the planet. The idea is not new, but accompanies a gradual change in behavior from consumers. If before the trends were dictated only by the industry, currently the influence is shared with social networks, which stimulate concepts like slow fashion. Also in vogue, minimalism gained adepts in lifestyle and has entered the closet, with a few timeless and versatile key pieces. “Fashion is one of the world’s most pollutant markets. Therefore, I only see benefits in selling something that no

FOTO/PHOTO: UNSPLASH

POR/BY MARIANA AMORIM


35


STYLE

longer makes sense to someone who will love and benefit from this item for more time. It creates a longer cycle for the product,” explains Nelson Barros, one of the founders of website Etiqueta Única, one of the giants in this segment. The e-commerce originated from garage sales at home to friends and acquaintances. “In very little time, these pieces became thousands and we saw a great potential in the secondhand market for the luxury segment, which at the time seemed to be the future,” recalls Barros. For Paloma Calfat, of Trash Chic, store founded in 1992 by Loly Monfort and Joca Benavent, the new generation is more in tune with the question of consumerism and buying “with a purpose”. “The clothes that receive a second chance are less pollutant, because they do not require new natural resources and energy to be produced”, she declares. Another big advantage of buying from secondhand stores is the economy. The possibility of acquiring an original piece at a much lower price than in the brand’s store attracts many people. According to Laura Graicar, of Madame Recicla, more than half her costumers are middle-class women who see in luxury secondhand stores the opportunity of fulfilling a consumerist dream. They range from people who did not find the desired piece at the brand’s street store, who are more vigilant regarding financial opportunities of the moment and who have always craved to own a luxury brand piece, like Louis Vuitton and Chanel, and search for wellconserved products and good prices.

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

“O mercado de moda é um dos mais poluentes do mundo. Sendo assim, só vejo benefícios em alguém vender algo que não faz mais sentido para uma pessoa que vai amar e usufruir desse item por mais tempo. Cria um ciclo mais longo para o produto,” explica Nelson Barros, um dos fundadores do site Etiqueta Única, um dos gigantes nesse segmento. O e-commerce surgiu de bazares na garagem de casa para amigos e conhecidos. “Em muito pouco tempo, essas peças viraram milhares e vimos um grande potencial no mercado de segunda mão para o segmento de luxo, que, na época, mostrava ser o futuro”, lembra Barros. Para Paloma Calfat, da Trash Chic, loja fundada em 1992 por Loly Monfort e Joca Benavent, a nova geração é a que está mais antenada à questão do consumo, comprando “com propósito”. “As roupas que recebem uma segunda chance poluem menos, pois não demandam novos recursos naturais e energias para serem produzidas”, afirma. Outra grande vantagem em comprar em brechós é a economia. A possibilidade de adquirir uma peça original a um valor muito menor do que na loja própria da marca atrai muita gente. Segundo Laura Graicar, do Madame Recicla, mais da metade de suas clientes é de classe média, que vê nos brechós de luxo uma oportunidade de realizar um sonho de consumo. Há desde quem não encontrou uma peça desejada na loja física da marca, até quem está mais atento às oportunidades financeiras do momento e quem sempre almejou ter uma peça de marca de luxo, como Louis Vuitton e Chanel, e busca produtos em ótimo estado de conservação e bons preços.

36


"AS ROUPAS QUE RECEBEM UMA SEGUNDA CHANCE POLUEM MENOS, POIS NÃO DEMANDAM NOVOS RECURSOS NATURAIS E ENERGIAS PARA SEREM PRODUZIDAS" // “THE CLOTHES THAT RECEIVE A SECOND CHANCE ARE LESS POLLUTANT, BECAUSE THEY DO NOT REQUIRE NEW NATURAL RESOURCES AND ENERGY TO BE PRODUCED” 37


STYLE

SÓ NOS ESTADOS UNIDOS, 56 MILHÕES DE MULHERES COMPRARAM PRODUTOS DE SEGUNDA MÃO EM 2018.

38

ATENDIMENTO E QUALIDADE

SERVICE AND QUALITY

Além de toda a questão conceitual, a garantia de uma clientela feliz e fiel, como em todo negócio, faz-se com a qualidade dos produtos. Essa é uma das preocupações de Renata Galon, da Poema Noire, que só trabalha com marcas internacionais e com peças em bom estado, que possam ser usadas sem consertos. Na Trash Chic, os critérios para uma roupa entrar no portfólio são rigorosos. “Existe uma pré-avaliação feita por e-mail. Caso seja o perfil da loja, de peças em ótimo estado e de grifes internacionais de luxo, solicitamos o envio para a avaliação física. Após uma criteriosa inspeção, que engloba análise de autenticidade, estado, tecido e modelo, há uma avaliação da curadoria, uma vez que um dos nossos diferenciais é entregar exatamente o que as clientes procuram”, afirma Paloma. Primeiro brechó de luxo de São Paulo, o Degrifée surgiu há 50 anos com duas preocupações: a qualidade das roupas e do espaço para receber os clientes. “A ideia era comercializar peças seminovas sempre impecáveis, na moda e de grandes grifes nacionais e internacionais. E ser uma loja diferente dos brechós que vendiam ‘de tudo’, com uma cara mais de boutique”, lembra Carmen del Corona, uma das proprietárias do negócio, criado pela mãe, Lucília Marcos. Criar espaços cada vez mais aconchegantes, inclusive, é uma das tendências do mercado. “Lojas dos Estados Unidos estão transformando o conceito. Existem brechós lindos ao lado de grandes marcas, como no Soho, em Nova York. Lojas organizadas e bonitas, peças muitas vezes até sem uso”, diz Renata, da Poema Noire. Segundo ela, o Brasil também está antenado na importância do conceito para vender. “Os brechós aqui são lindíssimos, em bairros de alto padrão. E perderam o estigma de que continham apenas peças ‘velhas’ ou que eram lugares ‘bagunçados’”, afirma.

Besides the conceptual question, the assurance of a happy and faithful clientele, as in any business, comes with the quality of the products. This is one of the concerns of Renata Galon, of Poema Noire, who only works with international brands and well-conserved pieces that can be used without mending. At Trash Chic, the criteria for clothes to figure in the portfolio are rigorous. “There is a pre-evaluation made by e-mail. If it fits the store’s profile, of pieces in excellent shape and from international luxury brands, we request the item to be dispatched for physical evaluation. After a judicious inspection, englobing analysis of authenticity, state, fabric and model, there is an evaluation from the curatorship, since one of our differentials is delivering exactly what the clients look for”, affirms Paloma. São Paulo’s first luxury secondhand store, Degrifée, was born 50 years ago with two concerns: the quality of the clothes and the space to welcome clients. “The idea was to commercialize semi-new in-fashion pieces, always impeccable, and from big national and international brands. Moreover, to be different from the secondhand stores that sold ‘everything’, but looked like boutiques”, recalls Carmen del Corona, one of the owners of the business created by her mother Lucília Marcos. Creating spaces that are increasingly cozier, incidentally, is one of the market trends. “Stores in the USA are transforming the concept. There are beautiful secondhand stores side by side with great brands, like at New York’s SoHo. Organized, beautiful stores with many pieces that were never used”, says Renata, da Poema Noire. According to her, Brazil is also in tune with the importance of the concept in order to sell. “Secondhand stores here are gorgeous, in highstandard neighborhoods. Moreover, they have brushed off the stigma that they only sold ‘old’ pieces or were disheveled places”, she declares.

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

// IN THE USA ALONE, 56 MILLION WOMEN BOUGHT SECOND HAND PRODUCTS IN 2018.


PARA FICAR DE OLHO // TO KEEP AN EYE ON DEGRIFÉE O brechó tem fornecedores fixos, em geral mulheres que têm por hábito se desfazer das peças ainda com pouco uso. // The secondhand store has fixed suppliers, generally women who make a habit out of getting rid of pieces they rarely use. AV. IBIRAPUERA, 1110 – SÃO PAULO

ETIQUETA ÚNICA O e-commerce oferece a retirada do produto ou envio de código de postagem, avaliação de autenticidade, higienização e entrega para o comprador. // The e-commerce offers the removal of product or dispatch of postage code, evaluation of authenticity, sanitization and delivery to the buyer. ETIQUETAUNICA.COM.BR

MADAME RECICLA Segue o modelo de consignação: os produtos continuam pertencendo às fornecedoras, que recebem o valor acordado, à vista, quando a peça for vendida. // Follows the consignation model: the products still belong to the suppliers, who receive the agreed value, in cash, when the piece is sold. MADAMERECICLA.COM.BR

POEMA NOIRE Trabalha com marcas internacionais e com peças em bom estado, que possam ser usadas sem consertos. // Works with international brands and pieces in good shape, which can be used without clothing repair. POEMANOIRE.COM.BR

TRASH CHIC As peças passam por criteriosa inspeção, que analisa a autenticidade, estado de conservação, tecido e modelo. // The pieces go though a criterious inspection, which analyzes autheticity, state of conservation, fabric and model. TRASHCHIC.COM.BR

39


BRANDED

MODA ALÉM DAS TENDÊNCIAS Minas Trend chega à 25ª edição vibrante e pronto para fomentar o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva da moda brasileira Minas Trend, o maior salão de negócios de moda na América Latina, abre as portas de 22 a 25 de outubro, no Expominas, em Belo Horizonte, com uma programação diversificada e capaz de unir a geração de negócios com uma plataforma de palestras, cultural, gastronômica e, claro, de desfiles. A rica programação é um enorme diferencial do evento. Para a 25ª edição, a FIEMG vai ampliar as ações desenvolvidas, envolvendo ainda mais a cidade de Belo Horizonte e a sua população. “A integração da sociedade com o evento criou uma nova dinâmica, uma experimentação, que pretendemos aumentar ainda mais nesta e nas próximas edições”, explica o presidente da entidade, Flávio Roscoe. Para ele, a conexão da indústria com a sociedade é fundamental para o desenvolvimento do setor e, por consequência, para o crescimento do estado. Modernizando-se a cada edição, o evento se mantém fiel e fortalece o seu principal objetivo: gerar negócios para a indústria. Em novembro de 2007, percebendo a necessidade de criar ações para fomentar a moda mineira – cadeia produtiva fundamental para a economia do

40

estado –, a Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), criou o Minas Trend com o principal objetivo de aproximar lojistas, compradores e profissionais do setor de fabricantes e expositores. Hoje, com mais de dez anos e na sua 25ª edição, o evento que começou com 90 grifes participantes conta com mais de 200 marcas no salão de negócios, alterando definitivamente o calendário da moda brasileira. Com os principais nomes e marcas do universo fashion do país, o Minas Trend, em um conceito inédito, é o único evento do segmento que reúne, no mesmo lugar, expositores de vestuário, calçados, bolsas, joias e bijuterias.

TECENDO FUTUROS O tema escolhido para a 25ª edição do Minas Trend é “Tecendo futuros”. A proposta é, ao apresentar as tendências, debater os caminhos a serem trilhados pela cadeia produtiva da moda. “Construir o futuro significa atuar no agora. E reconhecermos que, enquanto agentes ativos, não importa se pessoa física ou jurídica, precisamos criar bases capazes de suportar as necessidades das gerações

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

O


presentes e vindouras”, afirma Rogério Lima, o novo diretor-criativo do evento. Para pensar o futuro, a criação do evento destaca o setor têxtil, fazendo do algodão o fio condutor das histórias a serem contadas sobre perspectivas para a moda. A matéria-prima é base de uma das principais cadeias produtivas do Brasil, respondendo por uma parcela significativa do PIB do país e empregando direta e indiretamente mais de oito milhões de brasileiros, segundo a Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Atualmente, o Brasil é o maior fornecedor de algodão sustentável do mundo. Lima destaca a importância desse protagonismo brasileiro – no momento em que o insumo tem sido um dos principais expoentes na discussão sobre sustentabilidade na moda, assunto que estará em pauta no Minas Trend. Intercâmbio, troca de conhecimento e integração entre profissionais também fazem parte da pauta do evento, colocando em destaque a criatividade, reflexo da alta qualidade da moda e do talento de seus protagonistas. Exposições, palestras e diversas atividades culturais abertas ao público acontecem durante os quatro dias de evento, promovendo o estímulo, a inovação e a organização do setor.

PROTAGONISMO E INCLUSÃO O Minas Trend se reinventa a cada edição. A temporada de abril de 2019, que apresentou as tendências da primavera/verão 2020, recebeu a participação de novos segmentos da indústria no salão de negócios: os setores têxtil, de cosméticos e de máquinas e equipamentos. Para Flávio Roscoe, a integração cada vez maior da cadeia produtiva da indústria da moda é fundamental para o atual momento do evento. “Somente com todos os setores unidos poderemos gerar negócios e fortalecer a imagem do estado – o que nos fará ganhar mercados dentro e fora do Brasil”, avalia. Presente em todas as regiões do estado, o segmento é estratégico na geração de empregos (é a segunda cadeia que mais emprega em Minas Gerais), principalmente na contratação de mulheres. Há, em Minas Gerais, 9.750 empresas na cadeia produtiva da indústria da moda, que emprega mais de 125 mil pessoas. O número de empresas mineiras representa 13,5% do total no país.

MINAS TREND EM NÚMEROS 22 MIL METROS QUADRADOS DE ÁREA MONTADA 15 MIL VISITANTES 620 JORNALISTAS 2,5 MIL COMPRADORES 200 MARCAS EXPOSITORAS

+ MINASTREND.COM.BR FACEBOOK.COM/MINASTREND TWITTER.COM/MINASTREND YOUTUBE.COM/MINASTREND INSTAGRAM.COM/MINASTREND_

41


T R AV E L

M O D E R N LY T R A D I T I O N A L

MODERNAMENTE TRADICIONAL

Parte essencial da história e da cultura de Minas Gerais, a gastronomia mostra o que há de mais contemporâneo em Belo Horizonte

POR/BY JULIANA AFONSO

42

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

An essential part of the history and culture of Minas Gerais, gastronomy shows its contemporary face in Belo Horizonte


43


T R AV E L

H

á 125 anos, quando o engenheiro Aarão Reis fez a primeira planta daquela que seria a nova capital de Minas Gerais, a ideia era construir uma cidade moderna, planejada e ampla, a exemplo de outras capitais, como Paris e Washington. Com avenidas largas e quadras regulares, Belo Horizonte representava o novo, ao mesmo tempo em que trazia no seu gene toda a tradição mineira. Mais de um século depois, essa combinação permanece viva na cidade. Ao subir Bahia e descer Floresta, como diz o samba de Rômulo Paes, já se consegue ter uma ideia dessa dicotomia. Há os prédios modernos de bairros como Lourdes e Savassi, a elegância neoclássica da Praça da Liberdade, a agitação tipicamente urbana do centro, a efervescência cultural e política que se manifesta nos arredores da Praça da Estação, e o misto de calmaria e boemia no pacato bairro de Santa Tereza. BH é uma metrópole com jeito de interior e, nos últimos anos, foi justamente a comida, uma das marcas da cultura mineira, que viveu um boom de modernidade. Famosa por ser a capital mundial dos botecos, Belo Horizonte vive uma proliferação de novos bares e restaurantes que aliam técnicas da alta gastronomia à tradição culinária do estado, seus ingredientes, sua história e sua alma.

44

// 125 years ago, when engineer Aarão Reis made the first city plan of what would become the capital of the state of Minas Gerais, the idea was to build a modern, planned and open city, following the example of other capitals, like Paris and Washington D.C. With large avenues and regular blocks, Belo Horizonte represented the new, while at the same time, bringing in its genes the bulk of the Minas state tradition. Over a century later, this combination remains alive in the city. Going up Bahia and down Floresta, as the lyrics of the samba by Rômulo Paes go, one can already get an idea of this dichotomy. There are modern buildings in the districts of Lourdes and Savassi, the neoclassic elegance of Praça da Liberdade, the typically urban agitation of downtown, the cultural and political effervescence that manifests itself in the outskirts of Praça da Estação and the mixture of calm and bohemia in the quite borough of Santa Tereza. BH is a metropolis with a countryside vibe and, in the last few years, it was the cuisine, one of the brands of Minas culture, which experienced a modernity boom. Famous for being the capital of street bars, Belo Horizonte witnesses a proliferation of new bars and restaurants that ally high gastronomy techniques to the culinary tradition of the state, its ingredients, its history and its soul.


CONFORTO E NOSTALGIA No Birosca S2, bistrô com menu sazonal no bairro de Santa Tereza, come-se leitoa com creme de canjiquinha no outono e, no verão, carré de cordeiro com coalhada de ovelha. O restaurante fica em uma casinha de esquina, com o quintal aberto cheio de mesas, e tem uma decoração charmosa, ao melhor estilo ‘casa de vó’. Ali, a sofisticação encontra o que há de mais genuíno na tradição mineira de bem servir e bem receber. “A casa e o menu transmitem essa memória afetiva, que é uma coisa muito forte em Minas Gerais”, afirma a chef Bruna Martins.

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO E SHUTTERSTOCK

COMFORT AND NOSTALGIA At Birosca S2, a bistro with seasonal menu in the Santa Tereza district, one can savor suckling pig with canjiquinha (sweet corn cream) in the fall and, in summer, lamb loin with curdled ewe milk. The restaurant sits in a corner house, with an open backyard filled with tables, and has a charming décor in the best ‘granny’s home’ style. There, sophistication meets what is most genuine in the Minas tradition of well serving and greeting. “The house and the menu transmit this nurturing memory, which is something very strong in Minas Gerais”, declares Chef Bruna Martins. RUA SILVIANÓPOLIS, 483 | @B IROSC AS2

45


RR T ET AV RA EL NCA

DO CAMPO PARA A MESA

FROM THE FIELD TO THE TABLE

— Qual o café do dia? — O do dia é o café do Renato, conhece? É pelo nome do fornecedor e não pelo grão (ou torra, corpo e acidez) que o pessoal do OOP apresenta seus cafés. A cafeteria localizada na Savassi trabalha apenas com cafés especiais, ou seja, grãos com patamar de qualidade, sabor e aroma superiores, atestados em avaliações técnicas internacionais. “Somos uma casa especializada em compartilhar a experiência do café e buscamos conexão com a origem da matéria-prima”, explica seu cofundador, Tiago Damasceno. Uma segunda unidade foi aberta recentemente em Inhotim, museu com um dos maiores acervos de arte contemporânea do mundo.

— What coffee are you serving today? — Today it’s Renato’s. Do you know it? It is by the name of the supplier and not by the grain (or roasting, body or acidity) that the crew from OOP present their coffees. The café located at the Savassi district works only with special coffees, i.e., grains of upper echelon, superior flavor and aroma, guaranteed by international technical evaluations. “We are a house that specializes in sharing the experience of coffee and we search for a connection with the source of our raw material”, explains co-founder Tiago Damasceno. A second unit was recently opened in Inhotim, museum with one of the world’s biggest contemporary art collections.

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

R . F ERN AN D ES TO U R I NH O , 143 | @ O O P.CAF E

46


INVENTIVIDADE NO REDUTO DA BOEMIA Um lugar que combina comida sofisticada e drinks de qualidade em um ambiente arrojado. Essa é a definição de gastrobar, conceito que inspirou o chef Leonardo Paixão, dono do premiado Glouton, a abrir o Nicolau Bar da Esquina, no bairro Horto. No casarão histórico reformado, decorado em estilo industrial, a gastronomia mineira ganha um toque contemporâneo. Prova disso é o croquete de rabada com maionese de alho, um dos mais pedidos do menu. “Busco fazer pratos com a cara da região, com os produtos da região, mas com uma técnica mais sofisticada”, diz Leonardo.

CREATIVITY IN THE REALM OF BOHEMIA A place that combines sophisticated food and quality drinks in a bold ambiance. This is the definition of a gastrobar, the concept that inspired Chef Leonardo Paixão, owner of award-winning Glouton, to open Nicolau Bar da Esquina at Horto district. On the big historical house, revamped and decorated in industrial style, Minas cuisine gains a contemporary touch. A proof of this is the oxtail croquette with garlic mayonnaise, one of the most requested items from the menu. “I try to make dishes that cater to the region, with products from the region, but with a more sophisticated technique”, says Leonardo. R. POUSO ALEGRE, 2217 | @NICOLAUBARDAESQUINA

47


RR T ET AV RA EL NCA

DIVERSIDADE E SOFISTICAÇÃO A poucos minutos de BH, o Mercado da Boca, inaugurado em março de 2018, no Jardim Canadá, em Nova Lima, é inspirado nos modelos europeus, como o tradicional Mercado da Ribeira, em Lisboa. Com a proposta de reunir várias opções da culinária nacional e internacional em um único lugar, o espaço conta com 20 estabelecimentos. Em comum, estão a excelência dos ingredientes e o primor no preparo. “Oferecemos uma experiência gastronômica completa”, afirma um dos sócios-proprietários, Lucas Vereza, sobre a programação paralela que inclui oficinas, cursos e atividades culturais.

A few minutes from BH, Mercado da Boca, inaugurated in March 2018, at Jardim Canadá, in Nova Lima, seeks inspiration in European models, like the traditional Mercado da Ribeira in Lisbon. With the purpose of offering many options of national and international cuisine in one place, the space counts with 20 establishments. In common are the excellence of the ingredients and the perfection in preparation. “We offer a complete culinary experience”, says co-owner Lucas Vereza about the parallel programming, which include workshops, courses and cultural activities. AV. TO RO N TO , 1 5 6 | @ ME RCADO DABO CA

48

FOTO/PHOTO:JOMAR BRAGANÇA E DIVULGAÇÃO

DIVERSITY AND SOPHISTICATION


REAPROPRIAÇÃO DE UM CLÁSSICO Excelência no padrão de produção é requisito para compor a carta de vinhos do Cabernet Butiquim, no Funcionários. Inaugurado em março de 2015, foi um dos primeiros a trazer para Belo Horizonte a ideia de um bar em que o carro-chefe é o vinho. “A inspiração veio dos próprios botecos de Minas Gerais”, afirma o sócio-proprietário, Pablo Teixeira. O resultado é um espaço ao mesmo tempo elegante e descontraído. Além da extensa carta com rótulos regionais, como o premiado Maria Maria, o cardápio inclui petiscos e pratos com temperos locais.

REAPPROPRIATION OF A CLASSIC Excellence in the pattern of production is a prerequisite to figure in the wine list of Cabernet Butiquim, at Funcionários district. Inaugurated in March 2015, it was one of the first houses to bring to Belo Horizonte the idea of a bar in which the core product is wine. “The inspiration came from the popular Minas Gerais bars”, declares co-owner Pablo Teixeira. The result is a space at the same time elegant and relaxed. Besides the extensive wine list, with regional labels, like the award-winning Maria Maria, the menu includes tidbits and dishes with local seasoning. R. L EV I N D O LO PE S, 12 | @ CABE RNE TBUTI Q UI M

49


RR T ET AV RA EL NCA

NOVO E VELHO AO MESMO TEMPO

NEW AND OLD AT THE SAME TIME

O novo reduto dos belo-horizontinos que querem comer e beber bem é o Mercado Novo. Em vez de criar um espaço inédito, a proposta é resgatar o fascínio de moradores e visitantes por este que é um dos prédios mais originais do centro da cidade. A retomada das atividades no segundo andar do edifício tem ganhado respeito e admiração por conseguir trazer uma nova gama de produtos e serviços sem abrir mão da identidade local. “Queremos fomentar a microeconomia do mercado”, explica o sócio-proprietário da Charcutaria Tapera, Henrique Milhões. Ali, lojas de marcenaria e tipografia dividem espaço com produtores locais de café, cerveja e gin.

The new refuge of Belo Horizonte natives who want to eat and drink well is Mercado Novo. Instead of creating an original space, the idea is to renew the fascination of inhabitants and visitors for this, which is one of the most original buildings in the downtown area. The resumption of activities on the building’s second floor has been gaining respect and admiration for being able to bring a whole gamut of products and services, without forgoing local identity. “We want to foment a market microeconomy”, explains the owner of Charcutaria Tapera Henrique Milhões. At the place, carpentry and typography shops share the space with local coffee, beer and gin producers.

FOTO/PHOTO: VICTOR SCHWANER

E DIVULGAÇÃO

R. RIO GRANDE DO SUL, 505 | @VELHOMERCADONOVO

50


1. ABRA O SPOTIFY / OPEN SPOTIFY 2. SCANEIE O CÓDIGO / SCAN THE CODE 3. BOA VIAGEM! / HAVE A GOOD TRIP!

VERSATILIDADE A TODA PROVA Café pela manhã, restaurante na parte da tarde e bar dançante à noite. Tudo ali, aos olhos do cliente. Assim funciona o Querida Jacinta, no bairro Santa Efigênia. Inspirado nos pubs do Brooklin, exala versatilidade. No cardápio, estão releituras modernas de pratos da gastronomia mineira e diversas opções de chope artesanal, sendo duas receitas exclusivas. Os drinks também são requisitados: o campeão de pedidos é a Gin Tônica Tropical, que leva gin, água tônica, mexerica e xarope da fruta. Outra marca do espaço é a rica e diversa programação musical. “A música aqui é um pouco mais alta, não é aquele som de fundo, ela faz parte do local”, afirma a sócia-fundadora, Keyla Pitanga.

FULL-PROOF VERSATILITY Coffee in the morning, restaurant in the afternoon and dancing bar at night. Everything right there, before the client’s eyes. That is the programming at Querida Jacinta, in the Santa Efigênia district. Inspired by Brooklyn pubs, it exhales versatility. On the menu are modern versions of dishes from Minas Gerais cuisine and many options of artisanal draft beer, two of them exclusive recipes. The drinks are also popular: the champion of orders is Tropical Gin Tonic, made with gin, tonic water, tangerine and fruit syrup. The other aspect of the space is the rich and diverse musical programming. “Music here is a little louder, it’s not just that background sound, it’s a part of the place itself”, declares co-owner Keyla Pitanga. R. GRÃO PARÁ, 185 | @QU ERIDAJAC INTA

51


BRANDED

CERVEJA THEREZÓPOLIS É PIONEIRA NO SETOR DE ARTESANAIS NO BRASIL Mestre cervejeiro Tommaso Di Martino explica como funciona produção da fábrica na região serrana do Rio

F

"NO BRASIL, ACREDITO QUE O QUE MAIS VAI CRESCER NOS PRÓXIMOS PERÍODOS É O USO DA LEVEDURA KVEIK, QUE OFERECE UMA VERSATILIDADE ENORME NO PROCESSO, PRINCIPALMENTE PARA FERMENTAÇÃO SEM CONTROLE DE TEMPERATURA." - Tommaso Di Martino, mestre cervejeiro da Therezópolis

52

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

aça ser especial: esse é o conceito da Cerveja Therezópolis, marca criada em 2006 na cidade homônima, localizada na região serrana no Rio. Uma das cervejas pioneiras no setor de artesanais do Brasil, a Therezópolis mapeia todas as tendências de mercado para lançar novas bebidas. Um processo minucioso que preza pelo carinho, atenção e respeito aos produtos e consumidores que, segundo os gestores, faz toda a diferença para o posicionamento da marca no mercado. “Depois de definir o estilo, busco as melhores referências que temos no mercado e faço uma degustação junto com os outros colaboradores envolvidos no processo de produção para analisarmos as diversas características do estilo e idealizar como será, de fato, a nossa cerveja. A partir disso, seleciono os ingredientes, monto a primeira receita e inicio os testes”, explica Tommaso Di Martino, mestre cervejeiro da marca. Inovação e tendência estão nos pilares da produção. Segundo Tommaso, se uma cervejaria não produzir novos estilos constantemente e buscar novas experiências ao consumidor, ela ficará para trás. E diante do novo cenário das artesanais, ele aposta em uma levedura, que é uma inovação no setor.


“No Brasil, acredito que o que mais vai crescer nos próximos períodos é o uso da levedura KVEIK, que oferece uma versatilidade enorme no processo, principalmente para fermentação sem controle de temperatura. E para as cervejarias que não têm como armazenar leveduras para reaproveitar”, explica. Recentemente, a Therezópolis criou uma Sweet Stout com cacau, coco e lactose na composição. Um chopp escuro, com um corpo bastante presente devido à adição de lactose, que traz leve doçura e suavidade ao paladar. Os sabores do coco e do cacau equilibram com as sensações provenientes do lúpulo e dos maltes tostados e já é um sucesso com o público que frequenta a Vila St. Gallen, casa da cervejaria em Teresópolis. Para os próximos passos, ele segue otimista com a operação da cervejaria que produz cerca de 20 milhões de litros de cerveja por ano. “Tenho uma grande expectativa para o segundo semestre de 2019. Vamos iniciar um trabalho muito legal em novas áreas do mercado cervejeiro, principalmente no Rio de Janeiro trazendo novos estilos e novas experiências para o consumidor”, finaliza Tommaso. + CERVEJATHEREZOPOLIS.COM.BR THEREZOPOLISSTORE.COM.BR FACEBOOK.COM/CERVEJATHEREZOPOLIS @CERVEJATHEREZOPOLIS

53


T R AV E L

INDIAN OCEAN EDEN

ÉDEN DO ÍNDICO Um dos lugares mais cobiçados, sustentáveis e naturais da Terra, Seychelles faz jus — e com louvor — à fama de paraíso One of the most desired, sustainable and natural places on Earth, the Seychelles live up — with kudos — to their fame as a paradise

FOTO/PHOTO: UNSPLASH

POR/BY CARLOS MARCONDES

54


55


T R AV E L

56

// Exactly eight years ago, there was a lot of speculation as to where the heir of the British throne, Prince William, and his beloved Kate Middleton, would spend their honeymoon. Three years later, in 2014, another marriage shook the celebrity world: former inveterate bachelor George Clooney exchanged wedding rings with charming attorney Amal Alamuddin. The two couples chose the same place to celebrate their respective weddings: the Seychelles. Since then, this archipelago in the middle of the Indian Ocean was never the same. It seems almost exaggerated to attribute to the consorts the fame of one of the most desired spots in the planet. Obviously, these 115 islands lost northeast of Madagascar and 4 degrees from the line of the Equator already had sumptuous hotels, installed in beaches that are true paintings. However, the media exposure of those two trips contributed to raise the destination to the top of the bucket list of the rich and filthy rich of the entire world. The small nation with around 90 thousand inhabitants gloats in attributes. Experiment zooming in on Google Earth to start understanding how much it is possible to compose tones of turquoise blue with tropical green, making up backgrounds capable of freaking imagination senseless. The images may also remind one of the beaches of competitor Maldives or the also rival Tahiti. However, there is a singularity to the sands of the Seychelles: immense granitic rocks that form unmistakable mosaics, postcards that will never be found anywhere with such intensity and originality. Moreover, if nature was generous, man has done his parcel. We are in the country with the highest Human Development Index (HDI) in Africa and an expectation of 4% growth of the GDP this year. It is a nation with low crime rates and a world example of sustainability. More than half its territory is in an area of environmental protection, besides being one of the leaders in coral reef restoration programs. There are untouched spots, because only 10% of the islands are inhabited. The “urban” structure is concentrated in Mahé and in two other pearls: La Digue and Praslin. An additional 10 islands are private and accommodate ultra-luxury hotels where employees also live, as well as some natives that were already there before the resort.

É comum dar de cara com tartarugas nas águas límpidas de Seychelles. Abaixo, a paisagem paradisíaca de La Digue Island //It is common to come across turtles in the clear waters of Seychelles. Below, the paradisiacal landscape of La Digue Island

FOTO/PHOTO: SHUTTERSTOCK

H

á exatos oito anos, muito se especulava sobre onde o futuro herdeiro do trono britânico, o príncipe William e sua amada Kate Middleton, passariam a lua de mel. Três anos depois, em 2014, outro casamento arrebatou o mundo das celebridades: o ex-solteirão inveterado George Clooney trocou alianças com a charmosa advogada Amal Alamuddin. Os dois casais escolheram o mesmo lugar para celebrar os respectivos matrimônios: Seychelles. Desde então, esse arquipélago no meio do oceano Índico nunca mais foi o mesmo. Parece exagero atribuir aos cônjuges a fama de um dos lugares mais desejados do planeta. É claro que essas 115 ilhas perdidas a nordeste de Madagascar e a 4 graus da linha do Equador já contavam com alguns hotéis suntuosos, instalados em praias que são verdadeiras pinturas. Mas a exposição midiática dessas duas viagens contribuiu para elevar o destino ao topo do “bucket list” de ricos e milionários do mundo todo. A pequena nação, com pouco mais de 90 mil habitantes, esbanja predicados. Experimente dar um zoom no Google Earth para começar a entender o quanto é possível compor tons de azul turquesa com verdes tropicais, formando cenários capazes de enlouquecer a imaginação. As imagens podem fazer lembrar as praias da concorrente Maldivas, ou a também rival Taiti. Porém, há, nas areias de Seychelles, uma singularidade: imensas rochas graníticas que formam mosaicos inconfundíveis, cartões-postais que jamais serão encontrados com tanta intensidade e originalidade. E se a natureza foi generosa, o homem tem feito sua parte. Estamos no país com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais alto da África e uma expectativa de crescimento de 4% do PIB neste ano. É uma nação com níveis baixos de violência e um exemplo de sustentabilidade mundial. Mais da metade de seu território está em área de proteção ambiental, além de ser uma das líderes em programas de restauração de recifes de corais. Há ainda lugares intocados, pois apenas 10% das ilhas são habitadas. A estrutura “urbana” se concentra em Mahé e em outras duas pérolas: La Digue e Praslin. Outras 10 ilhas são privadas e abrigam ultraluxuosos hotéis, onde também vivem os funcionários e alguns nativos que ali estavam antes do empreendimento.


57


FOTO/PHOTO: SHUTTERSTOCK

RR T ET AV RA EL NCA

58


59


RR T ET AV RA EL NCA

O Six Senses, visto do mar. Ao lado, detalhe do Templo Hindu de Victoria, em MahĂŠ // The Six Senses Resort, seen from the sea. Beside, detail of the Hindu Temple of Victoria in MahĂŠ

60


FOTO/PHOTO: SHUTTERSTOCK E DIVULGAÇÃO

E são essas propriedades exclusivas, algumas acessadas apenas por helicópteros e jatos privados — como o Four Seasons da ilha de corais Desroches — que atraem jetsetters e hóspedes em busca exatamente de paz e isolamento. “Muitas vezes, só sabemos que as celebridades estiveram aqui dias depois de elas terem partido”, revela Ingride Laurencine, gerente de marketing do governo de Seychelles. Os resorts em ilhas privadas atiçam os sonhos de noivos de todas as partes do mundo. Propriedades como Six Senses Zil Pasyon, Fregate Island Private e o Hilton Labriz, na ilha Silhouette, estão entre as mais almejadas. E claro, a célebre North Island, que recebeu a realeza britânica e o casal Clooney.

These are exclusive properties, some reached only by helicopter and private jets — like the Four Seasons at the Desroches coral island, — which attract jetsetters and guests searching for peace and isolation. “A lot of times we only know that celebrities were here after they’re gone,” reveals Ingride Laurencine, marketing manager of the Seychelles Government. The resorts in private islands kindle the dreams of grooms from all over the world. Properties like Six Senses Zil Pasyon, Fregate Island Private and the Hilton Labriz, at Silhouette Island, are among the most desired. And, of course, the celebrated North Island, which welcomed British royalty and the Clooneys.

TRIO SURREAL

Staying at a private villa with its own private beach is priceless. In fact, it exists and is meant for the few fortunate ones. However, besides this impressive, luxurious and unique experience, the trip must be conjugated with a visit to the three mains islands of the archipelago. Mahé is the biggest, where Victoria is located, curiously the world’s smallest capital. Basically, there is Victoria Market, erected in 1840, that besides being the place to taste local delicacies like vanilla, is the best place to buy souvenirs. At the heart of the town (which is the size of a small villa), is the imposing and small Clock Tower, a replica of London’s centenary Big Ben. More to the south, a visit to organic rum distillery Takamaka is well in order. A gorgeous farm, where you can have lunch and technically taste some of the most prestigious spirits of the Indian Ocean. Mahé is also a good call for lovers of scuba diving. At agitated Beau Vallon beach, the Blue Sea Divers takes clients to meetings with small sharks, turtles and shipwrecked boats.

Ficar em uma vila privada em uma ilha particular é algo que não tem preço. Na verdade, tem e é para poucos afortunados. Mas, além dessa impressionante experiência, luxuosa e singular, é preciso conjugar a viagem com a visita às três principais ilhas do arquipélago. Mahé é a maior e onde se encontra Victoria, curiosamente, a menor capital do mundo. Basicamente, tem-se o Victoria Market, erguido em 1840, que, além de nos oferecer iguarias locais como a baunilha, é o melhor ponto para comprar lembrancinhas. No coração da cidade (do tamanho de uma vilinha), está o imponente e pequenino Clock Tower, uma réplica centenária do londrino Big Ben. Mais ao sul, vale a visita à destilaria de rum orgânico Takamaka. Uma belíssima fazenda, onde é possível almoçar e degustar tecnicamente alguns dos destilados mais prestigiados do Índico. Mahé também é ótima pedida para os adeptos de scuba diving. Na agitada praia de Beau Vallon, a Blue Sea Divers leva mergu-

SURREAL TRIO

61


RR T ET AV RA EL NCA As pedras de granito, icônicas das praias de Seychelles. Ao lado, entrada de uma das reservas naturais do arquipélago, reconhecido mundialmente por seu modelo de sustentabilidade // The iconic granite stones of the Seychelles beaches. Beside, entrance of one of the archipelago's nature reserves, recognized worldwide for its sustainability model * O jornalista teve o apoio do Seychelles Tourism Board / The reporter travelled with the support of the Seychelles Tourism Board + seychelles.travel

1. ABRA O SPOTIFY / OPEN SPOTIFY 2. SCANEIE O CÓDIGO / SCAN THE CODE

lhadores para encontros com pequenos tubarões, tartarugas e embarcações naufragadas. Uma hora de ferry e chega-se a Praslin, palco do Vallée de Mai, considerado pelos locais como o verdadeiro jardim do Éden citado na Bíblia. O parque tornou-se Patrimônio da Humanidade, chancelado pela Unesco, em 1983, por ser berço das endêmicas palmeiras que geram o coco-do-mar, a maior semente do mundo — cuja castanha chega a pesar 20 quilos. Praslin também tem uma propriedade impressionante, o Constance Lemuria, que leva o selo Leading Hotels of The World. Entre os destaques do resort estão praias quase particulares (no país, todas são abertas aos moradores), e o único campo de golfe de 18 buracos, que tem uma vista soberba do Índico. A ilha também ostenta a praia de Anse Lazio, que chegou a entrar na lista do Trip Advisor como uma das 10 mais belas da Terra. A quase “hippie” La Digue, pequenina ilha a 15 minutos de ferry de Praslin, é um lugar para esquecer completamente da vida, apesar de ser impossível deixar a câmera de lado. Praticamente car free — há apenas 26 buggies e quatro táxis —, o tráfego por ali é composto majoritariamente por bicicletas. A atmosfera é contagiante. É um dos melhores locais para observar as famosas tartarugas gigantes, outro símbolo do arquipélago, que chegam a viver 250 anos. No entanto, a principal atração de La Digue atende por Anse Source d’Argent, um lugar onde uma praia de areia clara e água azul turquesa hipnotizante é enfeitada por imensas rochas de granito. Eleita pela National Geographic como a praia mais estonteante do mundo, conhecê-la é um privilégio emocionante. Vê-la intacta, sem os abusos de um turismo ostensivo, gera um sentimento acalentador. Visitar um refúgio ecológico como Seychelles nos faz entender que só manteremos paraísos na Terra se erguermos a bandeira da sustentabilidade.

62

An hour in a ferry and one arrives at Praslin, scenery of Vallé de Mai, considered by locals as the true Garden of Eden mentioned in the Bible. The park became a Unesco World Heritage Site in 1983, being the cradle of the endemic palm trees that generate the sea coconut, the world’s biggest seed — the fruit of which can weigh up to 44 pounds. Praslin also has an impressive property, the Constance Lemuria, which carries the Leading Hotels of the World seal. Among the highlights of the resort are almost private beaches (in the country, most are opened to its inhabitants), and the only 18-hole golf course, with a superb view of the Indian Ocean. The island also boasts the beach of Anse Lazion, which entered the Trip Advisor list as one of the world’s ten most beautiful. The almost "hippie" La Digue, small isle distant 15 minutes by ferry from Praslin, is a place to completely forget about life, although it is impossible to put your camera aside. Practically car-free, — there are only 26 buggies and 4 taxicabs, - traffic at the place is made up mainly by bicycles. The atmosphere is contagious. It is one of the best places to observe the famous giant turtles, another symbol of the archipelago, which can live up to 250 years. However, La Digue’s main attraction attends by the name of Anse Source d’Argent, a place where white sands and hypnotizing turquoise-blue water is emblazoned by huge granite rocks. Elected by National Geographic as the world’s most breathtaking beach, getting acquainted with it is an enticing privilege. Seeing it intact, without the abuses of ostensive tourism, generates a warm feeling. Visiting an ecological refuge like the Seychelles makes us understand that we will only maintain our paradises on Earth by waving the flag of sustainability.

FOTO/PHOTO: SHUTTERSTOCK

3. BOA VIAGEM! / HAVE A GOOD TRIP!


63


RR T ET AV RA EL NCA

64


ONDE FICAR / WHERE TO STAY

Six Senses Zil Pasyon

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

Na ilha privada de La Felicite, o projeto das modernas 30 vilas, todas com piscina de fundo infinito, preza por garantir privacidade total. Duas experiências são essenciais na propriedade: os tratamentos signatures do espetacular SPA e o snorkel na belíssima e pequena praia. / In the private island of La Felicite, the project of 30 modern villas, all with infinity pools, guarantees total privacy. Two experiences are essential in the property: the signature treatments at the spectacular SPA and snorkel dives at the gorgeous and small beach. SIXSENSES.COM

Four Seasons Seychelles É o mais aclamado da ilha de Mahé. Embora não haja tanta privacidade, não é exagero dizer que está em uma das baías mais lindas do oceano Índico. O restaurante japonês intimista Koi também é destaque, assim como o local onde foi concebido o Spa Hilltop, com a vista mais cênica de toda a propriedade. / It is the most acclaimed at Mahé Island. Although there is not so much privacy, it is not an overstatement to say that it sits in one of the most beautiful bays of the Indian Ocean. The intimate Japanese restaurant Koi is also a highlight, as well as the place where Spa Hilltop was conceived, with the property’s most scenic view. FOURSEASONS.COM/SEYCHELLES

The North Island A ilha-resort é um éden de apenas 11 vilas, com 450 m2, para, no máximo, 44 hóspedes. A sustentabilidade é palavra de ordem e a privacidade impera, com todas as acomodações isoladas umas das outras. Os mimos não têm limites: deu vontade de um prato especial? O chef vai até sua vila para prepará-lo. / The island-resort is an Eden of only 11 villas with 4,483 square feet, for up to 44 guests. Sustainability is the word of order and privacy rules, with all accommodations isolated from one another. The amenities are limitless: feel like a special dish? The chef will head up to your villa and cook it for you. NORTH-ISLAND.COM

65


TA S T E

BORDERLESS CUISINE

COZINHA SEM FRONTEIRAS Bairro multicultural de Toronto, Kensington Market oferece volta ao mundo pelos sabores Multicultural district of Toronto, Kensington Market offers an around-the-world tour of flavors POR/BY CARLA LENCASTRE

66


1

FOTO/PHOTO: UNSPLASH E DIVULGAÇÃO

O

s bolinhos no vapor recheados com vegetais pareciam dumplings. Eram redondos, um pouco maiores. Derretiam na boca. Os deliciosos momos, como são chamados, foram meu primeiro contato com a cozinha tibetana. Não foi preciso ir à Ásia: bastou uma tarde passeando pelo Kensington Market, bairro único, o mais multicultural e gastronômico de Toronto. A maior cidade do Canadá tem seis milhões de habitantes na área metropolitana e dezenas de etnias compõem a população local, formada por quase 50% de imigrantes. Ainda que seja fácil perceber a diversidade cultural por toda Toronto, é na gastronomia que ela se sobressai. O Kensington Market proporciona uma fascinante volta ao mundo. É um bairro arborizado e vibrante, repleto de murais coloridos nas paredes, com ruas planas que convidam a caminhadas, mesmo em dias frios. Casas em estilo vitoriano, do final do século 19, abrigam pequenas lojas independentes, brechós e muitos bares e cafés de culturas diversas. A maioria é de negócios familiares, com culinária autêntica raramente vista fora do lugar de origem. Uma das melhores maneiras de explorar esse microcosmo sem fronteiras e sua herança multicultural é fazer um tour guiado. O premiado Chopsticks+Forks foi criado por Jusep Sim, canadense descendente de sul-coreanos. A visita, repleta de histórias e boas degustações, vale por uma refeição. E Jusep ainda dá várias sugestões para passar outras horas no Kensington Market por conta própria. No centro de Toronto, o bairro é de fácil acesso e combina bem com outros passeios turísticos. Dá para ir e voltar várias vezes.

// The small cakes cooked in vapor and stuffed with vegetables resembled dumplings. They were round and a little bigger. They melted in the mouth. The delicious momos, as they are called, were my first contact with Tibetan food. I did not need to go to Asia: all I had to do was spend an afternoon strolling through Kensington Market, a unique district, the most multicultural and culinary of Toronto. Canada’s biggest city has six million inhabitants in the metropolitan area and dozens of ethnicities composing the local population, made up by almost 50% of immigrants. Although it is easy to perceive the cultural diversity throughout Toronto, gastronomy is its high point. Kensington Market furnishes a fascinating tour around the world. It is a forested and vibrant district, filled with colorful murals on the walls and with flat streets that invite strolls even on cold days. Houses in Victorian style, from the end of the 19th century, shelter small independent stores, flea markets and many bars and cafés from different cultures. Most of them are family businesses, with authentic cooking rarely seen outside their places of origin. One of the best ways to explore this borderless microcosm and its multicultural heritage is through a guided tour. The award-winning Chopsticks+Forks was created by Jusep Sim, a Canadian with South Korean roots. The visit, filled with stories and nice tastings, is worth a meal. Moreover, Jusep gives many tips to spend hours at Kensington Market on your own. In downtown Toronto, a very accessible district that goes well with other tours. You can spend the whole time coming and going.

67


TA S T E

2

1

O Tibet Café (1), onde conheci os momos, foi uma das paradas da minha viagem por seis países, da Ásia e Europa às Américas do Sul, Central e do Norte. O tour gastronômico multiétnico começou no Nu Bügel (2), que assa bagels em forno a lenha. A receita, conhecida no Canadá como Montreal-style, tem origem na Polônia. Os bagels são menores, mais finos e menos pesados do que os de Nova York, por exemplo. Criada em 2013 por dois venezuelanos, a padaria na Augusta Avenue, rua principal do Kensington Market, tem até bagel com raspas de coco em vez das tradicionais sementes de papoula ou gergelim. Aposte no recheio de truta defumada com rúcula, compota de rabanete e mostarda, eleito por uma revista local como um dos melhores sanduíches da cidade (e é mesmo muito bom). O bagel com crosta crocante é diferente do New York-style, o que não significa que não dá para encontrar recheios nova-iorquinos como o pastrami — e qualquer sanduíche pode vir com cream cheese. A menos de 200 metros da Nu Bügel, em uma rua transversal, fica a minúscula padaria jamaicana Golden Patty (3), sempre movimentada. Aqui são servidas especialidades caribenhas, como os patties, salgados que lembram empanadas, e os pastéis de forno brasileiros. Em formato retangular, podem ter recheios variados, alguns apimentados. Se sabor forte não for um problema, vença a estranheza de comer um sanduíche de empanada e vá de grão-de-bico com curry no pão de coco, clássico da casa. No chileno Jumbo (4), com mesas ao ar livre na Augusta Avenue, você encontra as

68

empanadas sul-americanas tradicionais. Há quase três décadas no Kensington, o bar também é famoso pelas humitas, salgados de massa de milho embrulhados em palha, similar à pamonha. Para uma experiência europeia, o Fika Cafe (5), de inspiração sueca, aberto há seis anos, oferece sanduíche aberto de salmão defumado e salada de quinoa com vegetais e cebolas em conserva. Entre os doces, que são o forte da casa juntamente ao café, há bolinhos de cardamomo com creme de amêndoa e chantilly; cookies de chocolate, figo e aveia; muffins de cenoura; brownie de avelã e, meu favorito, biscoitos de gengibre. O Fika chama a atenção já pela fachada, pintada em azul-turquesa. Dentro, prevalece o design escandinavo. Entre empanadas chilenas e biscoitos de gengibre suecos, teve ainda os bannocks do Pow Wow Cafe (6). Como menos de três anos, é o endereço onde o chef canadense Shawn Adler executa receitas inspiradas na cozinha dos povos nativos da América do Norte. Os pratos principais são tacos servidos com bannocks, um pão fino crocante, em vez de tortillas. No acolhedor e divertido Moo Frites (7), as muitas culturas que desenham Toronto se misturam. Há poutine, prato da região de Québec no qual as batatas são cobertas com molho de queijo e de carne. Há também fritas com kimchi, molho coreano com vegetais fermentados. E uma versão inspirada no Japão, com maionese de wasabi, gergelim torrado e algas. No microcosmo do Kensington Market, não é preciso andar mais do que um quilômetro para fazer essa viagem.

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

3


4

4

5

Tibet Café (1), where I became acquainted with momos, was one of my stops in a trip through six countries, from Asia and Europe to South, Central and North Americas. The multiethnic gastronomy tour started at Nu Bügel (2), where bagels are baked in firewood ovens. The recipe, known in Canada as Montreal-style, has its origins in Poland. The bagels are smaller, slimmer and lighter than the ones from New York, for example. Created in 2013 by two Venezuelans, the bakery at Augusta Avenue, main Kensington Market artery, has bagels topped with flaked coconut instead of the traditional poppy and sesame seeds. Take a chance on the filling of the smoked trout with arugula, made out of radish and mustard, elected by a local magazine as one of the city’s best sandwiches (and it is very good). The bagel with crispy crust is different from the New York-style ones, which does not mean that you will not find New York fillings like pastrami – and all sandwiches can have added cream cheese. Less than 250 yards from Nu Bügel, on a transversal street, sits the tiny Jamaican bakery Golden Patty (3), always busy. Here are served Caribbean specialties, like the patties, dumplings that resemble empanadas and Brazilian oven pastries. In a rectangular format, they may come with a variety of fillings, some of them spicy. If hot taste is not a problem, get over the eccentricity of eating an empanada sandwich and pick chickpea with curry on coconut bread, one of the house’s classics. In Chilean Jumbo (4), with open-air tables at Augusta Avenue, you will find the tra-

5

ditional South American empanadas. For almost three decades in Kensington, the bar is also famous for the humitas, corn dough dumplings wrapped in straw, similar to the Brazilian pamonha. For a European experience, Fika Café (5), of Swedish inspiration, inaugurated six years ago, offers an open smoked salmon sandwich and quinoa salad with pickled vegetables and onions. Among the sweets, which are the house’s forte, together with the coffee, there are cardamom dumplings with almond cream and Chantilly; chocolate, fig and oatmeal cookies; carrot muffins; almond brownies and, my favorite, ginger cookies. Fika calls attention by its turquoise-blue façade. Inside, Scandinavian design prevails. Between Chilean empanadas and Swedish ginger cookies, there were the bannocks of Pow Wow Café (6). Less than three years old, the address is where Canadian Chef Shawn Adler executes recipes inspired by the cooking of native North American people. The main dishes are tacos served with bannocks, a thin crusty bread, instead of tortillas. In the welcoming and fun Moo Frites (7), the many cultures that make up Toronto melt. There is poutine, a dish from the Québec region in which potatoes are covered with cheese and meat sauce. There are also fries with kimchi, Korean sauce with fermented vegetables. And a version inspired by Japan, with wasabi mayonnaise, fried sesame and algae. In the microcosm of Kensington Market, a mile walk is enough to make this trip.

69


TA S T E

6

6

7 6

TO U R GA ST R O N Ô M I CO / CU L I N A RY TO U R CHOPSTICKS+FORKS C H O P S T I C K S A N D F O R K S . CO M

T E STA D O S E A P R OVA D O S / P R OV E D A N D A P P R OV E D 1- TIBET CAFÉ @TIBETCAFEBAR 2- NU BÜGEL N U B U G E L . CO M

4 - J U M B O E M PA N A D A S J U M B O E M PA N A D A S . C A 5- FIKA CAFE FIKA.CA 6- POW WOW CAFE @POWWOWCAFETO 7- MOO FRITES M O O F R I T E S . CO M

70

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

3 - G O L D E N PAT T Y @ G O L D E N PAT T Y B A K E R Y


MADE IN CANADA | ST. LAWRENCE MARKET

MADE IN CANAD | ST. LAWRENCE MARKET

Se a ideia é experimentar o melhor dos produtos canadenses, o endereço certo é o St. Lawrence Market, no lado leste de Toronto. Dê uma volta com calma para admirar a variedade de produtos, como as impressionantes patas de caranguejos gigantes do Alasca e outros crustáceos. Já as lojas de queijo exigem muito esforço para ficar apenas na contemplação. Anote esse nome: Olympic Cheese Mart, que há 60 anos vende queijos artesanais canadenses. Dez anos mais velha, a Koslik’s é uma empresa familiar que faz mais de 30 diferentes tipos de mostarda. A Triple Crunch, por exemplo, tem sementes de mostarda inteiras, uísque e mel (o Canadá é um dos maiores produtores e exportadores mundiais de sementes de mostarda, aliás). Compras feitas, vá em busca do peameal bacon, o lombo canadense que recheia sanduíches em muitos endereços pela cidade. O mais famoso há décadas está na concorrida Carousel Bakery e vem com fatias generosas e, é claro, mostarda à vontade.

If the idea is tasting the best of Canadian products, the right address is St. Lawrence Market, in east Toronto. Stroll around calmly to admire the variety of products, like the impressive giant crab legs from Alaska and other crustaceans. Contemplating the cheese stores is a great effort in and of itself. Jot down this name: Olympic Cheese Mart, which for 60 years has sold Canadian artisanal cheese. Ten years older, Koslik’s is a family business that makes over 30 different types of mustard. Triple Crunch, for example, has whole mustard seeds, whiskey and honey (Canada is one of the biggest world producers and exporters of mustard seeds, by the way). Once you have finished shopping, search for peameal bacon, the Canadian loin that is used as filling in sandwiches at many of the city’s addresses. The most famous, for the last decades, you will find in popular Carousel Bakery, which comes with generous slices and, of course, as much mustard as you want.

S T L A W R E N C E M A R K E T | S T L A W R E N C E M A R K E T. C O M

71


BRANDED

ALTA COQUETELARIA EM CASA A

coquetelaria está em alta. Seja em drinks à base de gin, vodka ou whisky, o movimento vem crescendo no Brasil e no mundo. Sabores, aromas, cores e formatos criam espaço para coquetéis variados e que agradam até os paladares mais exigentes. No entanto, apreciar a alta coquetelaria não precisa ser um hábito restrito aos bares e restaurantes espalhados pelas cidades. Você tem a chance de levar esse momento para dentro da sua casa, com receitas fáceis, mas que impressionam da aparência ao sabor. Aqui, trazemos três opções para testar: Gin Tônica clássico, uma versão simples de Moscow Mule, e um drink leve e refrescante com whisky, para os dias mais quentes que vem por aí. E não esqueça: aprecie todos esses sabores sempre com moderação.

BEEFEATER & Tonic 50ml Beefeater London Dry Gin 150ml água tônica 1 fatia de limão siciliano 1 fatia de laranja bahia

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

Em uma taça com bastante gelo, adicione Beefeater London Dry Gin e complete com água tônica. Finalize com uma fatia de limão siciliano e uma fatia de laranja bahia.

72


ESCÓCIA With Love 50ml Chivas XV 70ml suco de uva verde integral 100ml Espumante Mumm Folhas de hortelã Em uma taça, adicione Chivas XV, suco de uva verde integral e adicione gelo. Complete a taça com espumante Mumm e decore com algumas folhas de hortelã.

ABSOLUT Ginger Mule 40ml ABSOLUT 15ml suco de limão tahiti Ginger beer Em uma caneca com gelo, adicione ABSOLUT Vodka, suco de limão tahiti e complete com Ginger Beer. Decore com fatias de limão.

VENDA E CONSUMO PROIBIDO PARA MENORES DE 18 ANOS.

73


WINES

SOMMELIER DIGITAL O crescimento das lojas online de vinhos sugere que a democratização do acesso à bebida veio para ficar // The boom of online wine stores suggests that democratization of access to this beverage is here to stay

POR/BY DANIEL SALLES

74


S

FOTO/PHOTO: UNSPLASH

e você só toma vinhos bem pontuados por críticos como o californiano James Suckling, torce o nariz para qualquer rótulo que custe menos de três dígitos e sabe a diferença, por exemplo, entre os tintos de Bordeaux e os da Borgonha, talvez vá engasgar com a fala de Rogério Salume. “Está sem taça para tomar vinho? Use o copo de geleia, qual o problema?”, diz ele. “Para democratizar o consumo do vinho no Brasil, é fundamental parar com a frescura.” Baiano de Itabuna, ele é sócio e um dos fundadores da Wine. Em operação desde 2008, o e-commerce de vinhos, sediado em Vitória, no Espírito Santo, consolidou-se com a ajuda dos clubes de assinatura. Os associados são 140 mil, e os clientes anuais da loja online, 450 mil. O faturamento em 2017, o último divulgado, foi de R$ 400 milhões. CEO da companhia até janeiro, Salume passou o posto para Marcelo D’Arienzo, cujo maior desafio é inaugurar as unidades físicas da companhia — cem pontos de venda estão previstos para os próximos três anos. No Brasil, o consumo médio de vinhos é espantoso — no mau sentido. De acordo com os dados mais recentes da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), nosso consumo per capita é de cerca de dois litros, ou menos de três garrafas. O topo do ranking é ocupado por Portugal, com 54 litros por habitante, seguido da França (51,8 litros) e da Itália (41,5 litros). O crescimento de empresas como a Wine, voltadas principalmente a quem está começando a comprar tintos, leva a crer que o Brasil vá logo subir de posição. O sucesso dessas companhias também sugere que a pompa associada aos vinhos pode estar com os dias contados. “Criou-se a ideia de que só pode tomar vinho quem tem conhecimento. Estava muito chato esse meio”, afirma Salume. Para Ari Gorenstein, co-CEO e um dos fundadores da Evino, as lojas físicas se mostram muito intimidadoras para uma grande parcela dos consumidores em potencial. “As vendas online crescem porque no ambiente digital é mais fácil comparar preços e buscar informações, sem falar na praticidade de receber os produtos em casa”, diz ele.

// If you only drink wines that are high-ranked by critics like Californian James Suckling, frown upon any label that costs less than three digits and know the difference, for example, between red wines from Bordeaux and Burgundy, you may choke at this quote by Rogério Salume: “You’re out of a glass to drink wine? Use a regular household glass, what’s the problem?” he says. “To democratize wine drinking in Brazil, a fundamental prerequisite is to stop being so fussy.” A native of Itabuna, in the state of Bahia, he is partner and one of the founders of Wine. In operation since 2008, the wine e-commerce headquartered in Vitória, state of Espírito Santo, was consolidated with the aid of subscription clubs. There are 140 thousand associates and 450 thousand annual online store clients. The revenue in 2017, the last one disclosed, was of R$ 400 million. Company CEO until January, Salume passed the post to Marcelo D’Arienzo, whose major challenge will be inaugurating the company’s physical units — one hundred sales points are in plan for the next three years. In Brazil, the average wine consumption is astonishing — negatively. According to the most recent data from the International Organization of Vine and Wine (OIV), our per capita consumption is of about two liters or less than three bottles. The top of the ranking is occupied by Portugal, with 54 liters per inhabitant, followed by France (51.8 liters) and Italy (41.5 liters). The growth of companies like Wine, geared mainly towards those starting to buy red wines and such, leads one to believe that Brazil will soon be going up some notches. The success of these companies also suggests that the pomp associated with wine may have its days numbered. “There was this idea that only people who knew about wine could drink it. This milieu was becoming boring”, declares Salume. For Ari Gorenstein, co-CEO and one of the founders of Evino, physical stores are very intimidating for a great parcel of potential consumers. “Online sales grow because in the digital environment it is easier to compare prices and search for information, not to speak of the comfort of receiving the products at home”, he says.

NO BRASIL, O CONSUMO MÉDIO DE VINHOS É ESPANTOSO – NO MAU SENTIDO. O CONSUMO PER CAPITA NO PAÍS É DE CERCA DE DOIS LITROS, OU MENOS DE TRÊS GARRAFAS. // IN BRAZIL, THE AVERAGE WINE CONSUMPTION IS ASTONISHING – NEGATIVELY. OUR PER CAPITA CONSUMPTION IS OF ABOUT TWO LITERS OR LESS THAN THREE BOTTLES. 75


WINES

“HOJE OS CONSUMIDORES PREFEREM FAZER AS PRÓPRIAS ESCOLHAS A ACEITAR A SELEÇÃO DE ESPECIALISTAS” // “TODAY, CONSUMERS PREFER MAKING THEIR OWN CHOICES THAN ACCEPTING THE SELECTION OF SPECIALISTS” ARI GORENSTEIN' co-CEO e um dos fundadores da Evino

Criada em 2013, a Evino cresceu, sobretudo, com as vendas online — seu clube de vinhos soma apenas 4 mil associados. “Hoje os consumidores preferem fazer as próprias escolhas a aceitar a seleção de especialistas”, avalia Gorenstein. A companhia faturou R$ 265 milhões em 2017, quando também parou de divulgar resultados financeiros. As oscilações cambiais dos últimos anos levaram a empresa a se reposicionar no ano passado. Agora, ela aposta principalmente no portfólio premium, deixando os rótulos mais em conta em segundo plano. “No ano passado, fomos o maior importador brasileiro de Barolo e Brunello di Montalcino e o sexto de champanhe”, gaba-se o executivo. Apesar dos bons ventos, Salume e Gorenstein ganharam uma dor de cabeça no ano passado. A companhia que mais vende vinhos no Brasil, o Pão de Açúcar, lançou em dezembro seu e-commerce especializado em tintos, brancos, rosés e espumantes. Além disso, inaugurou uma loja física só para eles em São Paulo — fica na Rua Augusta, nos Jardins. Ao que parece, a Wine e a Evino aguçaram o apetite da rede de supermercados para o mercado de vinhos online.

76

Created in 2013, Evino grew especially with online sales — its wine club has a mere 4 thousand associates. “Today, consumers prefer making their own choices than accepting the selection of specialists”, evaluates Gorenstein. The company had revenues of R$ 265 million in 2017, when it also stopped disclosing its financial results. Fluctuating exchange rates in the last few years led the company to reposition in the last year. Now its wager is mainly on the premium portfolio, leaving cheaper labels in the background. “Last year, we were the biggest Brazilian importer of Barolo and Brunello di Montalcino and the 6th of champagne”, boasts the CEO. Despite the good winds, Salume and Gorenstein faced a major headache last year. Brazil’s biggest wine-seller, supermarket Pão de Açúcar, launched in December its own e-commerce specialized in red, white, rosé and sparkling wines. It also inaugurated a physical store geared towards the beverage in São Paulo — it is located at Augusta Street, in the Jardins district. Apparently, Wine and Evino have whet the appetite of the supermarket chain for the online wine market.

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO E UNSPLASH

co-CEO and one of Evino's founders


WINE

140 mil associados 450 mil clientes anuais R$ 400 milhĂľes faturados em 2017 // 140 thousand associates 450 thousand annual clients R$ 400 million revenue in 2017

EVINO

4 mil associados R$ 265 milhĂľes faturados em 2017 // 4 thousand associates R$ 265 million revenue in 2017

77


P OW E R

NOTEWORTHY

PARA SER NOTADO Lexus ES 300 chega ao auge com mais espaço interno, luxo sem precedentes e tecnologia híbrida // Lexus ES 300 reaches its apex with more internal room, unprecedented luxury and hybrid technology

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

POR/BY RODRIGO MORA

78


L

ançada em 1989, a Lexus nasceu como a divisão de luxo da Toyota, que jamais disfarçou suas intenções: peitar nomes consagrados no segmento premium no mercado. Tanto que o evento de apresentação do LS 400, modelo que inaugurou a marca, foi na Alemanha, terra natal dos sedãs mais tradicionais e cultuados do mundo. Era preciso mostrar o quão sólido, silencioso e veloz o estreante japonês podia ser, mesmo nas Autobahns, as estradas alemãs sem limite de velocidade. “Não temos ilusões sobre a tarefa formidável que temos pela frente. Nomes como BMW, Mercedes e Jaguar passaram décadas construindo uma imagem de prestígio que a Lexus não pode esperar conquistar de imediato. Eventualmente, no entanto, alcançaremos esse prestígio”, avaliou Dave Illingworth, o gerente-geral da Lexus à época, durante a apresentação do LS 400. E a notoriedade logo veio. O LS 400 mostrou que era tudo o que prometia, correspondendo às expectativas dos executivos mais exigentes com desempenho, status, luxo e espaço interno. Enquanto outros modelos abriram os horizontes da marca, como o cupê SC 400, o utilitário esportivo LX 400 e o conversível SC 430, os sedãs sempre foram o pilar e, por isso, a gama dos três volumes cresceu com as linhas GS e IS. Quem teve a honra de começar a história de sucesso da Lexus ao lado do presidencial LS 400 foi o ES, na versão 250. Mais compacto nas dimensões e no motor (um 2.5 V6 no lugar do 4.0 V8 do LS), foi bem-aceito por crítica e público. A segunda geração chegou em 1991, adotando o sobrenome que o tornou famoso mundialmente. Batizado de ES 300, o sedã passou a ser equipado com um 3.0 V6 de 185 cv. Foi nessa época que estreou no Brasil, no fim dos anos 1990. Atualmente na sétima encarnação, o ES 300H se encaixa na estratégia da Lexus de eletrificar toda sua gama no mercado nacional. Após o lançamento do SUV RX, até o fim do ano, todos os modelos da marca por aqui serão híbridos.

// Launched in 1989, Lexus was born as Toyota’s luxury division, never having disguised its intentions: to put up a fight against enshrined names in the market’s premium segment. So much so that the event that presented the LS 400, model that inaugurated the brand, was in Germany, homeland of the world’s most traditional and revered sedans. There was a need to show how solid, silent and fast the Japanese newcomer could be even in the Autobahns, the German highways with no speed limit. “We have no illusions concerning the formidable task we have ahead of us. Names like BMW, Mercedes and Jaguar spent decades building an image of prestige that the Lexus cannot hope to conquer immediately. Eventually, however, we will reach this prestige,” evaluated Dave Illingworth, general manager of the Lexus division at the time of the LS 400’s presentation. Moreover, notoriety soon came. The LS 400 showed it was everything that it promised, corresponding to the expectations of the most demanding CEOs with performance, status, luxury and internal room. While other models opened the horizons of the brand, like the coupe SC 400, the SUV LX 400 and the convertible SC 430, the sedans were always the pillar and, because of that, the range of the three volumes grew with the GS and IS lines. The vehicle that had the honor of starting the Lexus success story beside the presidential LS 300 was the ES, in its 250 version. More compact in dimensions and engine (a 2.5 V6 substituting the LS’s 4.0 V8), was well received by critics and public. The second generation came in 1991, adopting the last name that became famous worldwide. Baptized as ES 300, the sedan started being equipped with a 3.0 V6 engine of 185 hp. It was around that time that it made its debut in Brazil, at the end of the 1990s. Currently in its seventh embodiment, the ES 300H fits in with the Lexus strategy of electrifying its entire line in the Brazilian market. After the launch of the SUV RX, until the end of the year, all the brand’s models here will be hybrid.

NÃO IMPORTA AONDE VOCÊ VÁ, NA FRENTE DE QUAL RESTAURANTE ESTACIONE, O SEDÃ CHAMA ATENÇÃO PELO CONJUNTO FRONTAL OUSADO, PELA LATERAL MUSCULOSA E A TRASEIRA ELEGANTE. // NO MATTER WHERE YOU GO, IN FRONT OF WHICH RESTAURANT YOU PARK, THE SEDAN CALLS ATTENTION DUE TO THE BOLD FRONTAL ENSEMBLE, THE MUSCULAR LATERAL AND THE ELEGANT REAR END. 79


R OW P E T REARN C A

DIGA-ME COMO ES Mais longo, baixo e largo, o ES 300 está em uma das suas fases mais atraentes esteticamente. Não importa aonde você vá, na frente de qual restaurante estacione, o sedã chama a atenção pelo conjunto frontal ousado, pela lateral musculosa e a traseira elegante. Não é o carro para quem pretende rodar sem ser notado. No interior, sobram materiais macios. Os painéis das portas e o console central são envoltos em couro, que também cobre todos os principais pontos de contato. Os assentos abraçam motorista e passageiro muito mais confortavelmente do que a maioria dos sedãs. E é fácil encontrar a posição ideal com tantas opções de ajustes elétricos — o espaço é ótimo, independentemente do lugar em que você viajar. Detalhes do acabamento Shimamoku — ornamentação em madeira presente no volante, no painel e nos painéis das portas —, e a iluminação ambiente completam o charme interno. O painel de instrumentos e a tela multimídia são um capítulo à parte. Com 7 e 12,3 polegadas, apresentam para motorista e passageiro recursos e controles fáceis de manejar e de modo atraente aos olhos. O conjunto motriz é formado por um motor 2.5 a combustão, combinado a um elétrico que, juntos, somam 217 cv. É o bastante para entregar ao sedã desempenho empolgante, mas, ao mesmo tempo, um rodar silencioso e confortável. Em baixas velocidades, o modo EV utiliza somente o motor elétrico. Boa parte do silêncio a bordo vem dos materiais antirruído que forram o carro, mas também do Active Noise Control, que emite uma frequência sonora específica, neutralizando o som do motor. O ES nasceu com 4,85 metros de comprimento, mas hoje chega aos 4,97 — o que mostra o quanto o espaço interno foi ampliado. Curiosamente, o ES 300 ocupa hoje, em dimensões, o lugar do LS 400 quando os dois surgiram, lá em 1989.

Longer, shorter and wider, the ES 300 is in one of its most aesthetically attractive phases. No matter where you go, in front of which restaurant you park, the sedan calls attention due to the bold frontal ensemble, the muscular lateral and the elegant rear end. It is not a car for those who want to ride around unnoticed. The interior has a bevy of soft materials. The door panels and central console are wrapped in leather, which also covers most of the contact points. The seats hug the driver and the passenger much more comfortably than in most sedans. It is easy to find an ideal position with so many electric adjustment options – the space is great, independently of where you will travel. Details of Shimamoku finishing — wood embellishment present on the steering wheel, panel and door panels —, and the ambient light wrap up the internal charm. The dashboard and the multimedia screen are a whole new chapter. With 7” and 12.3”, they present to driver and passenger easy to handle resources and controls, which are also attractive to the eyes. The driving ensemble is made up by a 2.5 combustion engine, combined with an electric one that together sum up to 217 hp. It is enough to deliver an exciting performance to the sedan, while at the same time riding silently and comfortably. In low speeds, the EV mode uses only the electric engine. A good portion of the onboard silence comes from the noise cancellation materials in the lining, but also from the Active Noise Control, which emits a specific sound frequency, neutralizing the engine’s sound. The ES was born with 191.1”, but today reaches 195.6”, showing how much internal room it gained. Curiously, the ES 300 occupies, currently, in terms of dimensions, the same place as the LS 400 when they both appeared, back in 1989.

80

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

THE ES IN TOTO


81


P OW E R

82


EVOLUÇÃO AO LONGO DO TEMPO // TIMELINE EVOLUTION

1989 - 1991

Ao lado do LS 400, o ES 250 inaugura a marca Lexus nos Estados Unidos. Mais de 1.200 unidades do sedã são vendidas apenas no primeiro mês. / Alongside the LS 400, the ES 250 inaugurates the Lexus brand in the U.S.A. Over 1,200 units of the sedan are sold on the first month alone.

1991 - 1996

O ES 300 é equipado com um novo 3.0 V6 e tem linhas mais arredondadas, aproximando-se de um cupê. / The ES 300 is equipped with a new 3.0 V6 engine and has rounded lines, reminiscent of a coupe.

1996 - 2001

6,1 centímetros maior e mais equipado, ES 300 também incrementa sua lista de equipamentos. / 2.4 inches bigger and more equipped, the ES 300 also enhances its equipment list.

200 - 2006

O destaque é a nova transmissão automática de cinco marchas. Dois anos depois, versão ES 330 estreia com um 3.3 V6. / The highlight is the new five-gear automatic transmission. Two years later, the ES 330 version debuts with a 3.3 V6 engine.

2006 - 2012

Durante o Chicago Auto Show, o ES 350 estreia com um novo 3.5 V6, de 275 cv. / During the Chicago Auto Show, the ES 350 debuts with a new 3.5 V6 275 hp engine.

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

2012 - 2018

O ES estica novamente e ganha 4,6 cm no entre-eixos, o que amplia o espaço para os passageiros de trás. Suspensão e direção são retrabalhadas para melhorar a experiência ao volante. A versão 300H estreia propulsão híbrida na gama ES. / The ES is extended once more and gains 1,8” in wheelbase, increasing the space for backseat passengers. Suspension and steering are reworked to improve the driving experience. The 300H version debuts with hybrid thrust in the ES lineup.

83


BUSINESS

CONSTANT EVOLUTION

EVOLUÇÃO CONSTANTE Como a StartSe se tornou a maior escola de negócios da economia digital e uma das empresas mais almejadas da atualidade // How StartSe became the biggest digital economy business school and one of the most coveted companies currently

T

udo começou na sala de casa, no interior de Minas Gerais, em meados de 2015. Em frente a uma câmera, Junior Borneli ministrava a aula “Startup de A a Z”, com duração de duas horas, pelas quais cobrava R$30 de cada aluno. Ao perceber que havia muita demanda para o conteúdo e, assim, descobrindo o potencial do empreendimento que tinha em mãos, decidiu expandir. Quatro anos depois, a StartSe, misto de rede social, escola de empreendedorismo e portal de conteúdo, fundada por ele, deve chegar à casa dos R$60 milhões em faturamento neste ano, e é um verdadeiro case de sucesso. Para chegar ao momento atual, com 65 colaboradores, sede no Vale do Silício e filiais em São Paulo, Israel, Pequim e Xangai, além de uma base educacional em Palo Alto, na Califórnia, Borneli contou com parcerias de peso: cinco sócios, entre eles, Pedro Englert, ex-XP Investimentos e InfoMoney.

84

It all started in his living room, in the interior of Minas Gerais, in mid-2015. In front of a camera, Junior Borneli taught the class “Startup from A to Z”, with a duration of two hours, charging R$ 30 from each pupil. Noticing that there was a lot of demand for the content and thus discovering the potential of the endeavor he had on his hands, he decided to expand. Four years later, StartSe, a mixture of social network, entrepreneurship school and content portal founded by him should arrive at the R$ 60 million mark in revenues this year and is a veritable success case. To get to this moment, with 65 collaborators, headquarters in Silicon Valley and branches in São Paulo, Israel, Beijing and Shangai, besides an educational base in Palo Alto, California, Borneli counted with the association of heavyweights: five partners, among them Pedro Englert, ex-XP Investimentos and InfoMoney.

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

POR/BY LUIZA VIEIRA


“VEMOS UM FENÔMENO DE PESSOAS QUE FORAM DISRUPTIVAS, MAS QUE JÁ ESTÃO SENDO DEIXADAS PARA TRÁS. SÃO CADA VEZ MAIS INOVAÇÕES EM UM PERÍODO CADA VEZ MAIS CURTO” //“WE WITNESS A PHENOMENON OF PEOPLE WHO WERE DISRUPTIVE, BUT WHO ARE ALREADY BEING LEFT BEHIND. THERE ARE INCREASINGLY A GREATER NUMBER OF INOVATIONS IN AN EVER SHORTER PERIOD”

JUNIOR BORNELI fundador da StartSe founder of StartSe

85


RU B ET S IRNAENSC SA

“SE VOCÊ NÃO SE RENOVA, ESTÁ FADADO A SE TORNAR OBSOLETO” // “IF YOU DO NOT RENEW, YOU ARE DOOMED TO OBSOLETION,” PEDRO ENGLERT, CEO STARTSE"

PEDRO ENGLERT CEO StartSe

ARE THERE OPENINGS?

A StartSe ocupa, atualmente, a 12ª posição no ranking 25 Top Startups do LinkedIn, de empresas jovens de destaque no Brasil e as mais almejadas pelos profissionais para fazer parte. Interessante ressaltar que, entre nomes do setor financeiro como NuBank e Neon, e unicórnios como Quinto Andar e Loggi, a StartSe é a única plataforma de educação da lista. “Ser uma empresa de educação em que as pessoas desejam trabalhar nos deixa ainda mais felizes. Geralmente, não se valoriza muito esse setor e o professor”, diz Junior Borneli. E para quem quer fazer parte desse time, há vagas? “Nunca temos vagas abertas, mas estamos sempre contratando”, diz o executivo, que afirma ainda que, para bons profissionais, interessados em evoluir, sempre há mercado.

86

// StartSe currently occupies the 12th position in the Linkedin 25 Top Startups ranking, of young up and coming companies in Brazil and the most coveted for professionals to be a part of. It is interesting to highlight that, amidst financial sector names like NuBank and Neon, and unicorns like Quinto Andar and Loggi, StarSe is the only educational platform on the list. “Being an education company where people desire to work makes us very happy. This sector and the teacher are usually not valued much,” says Junior Borneli. Moreover, are there job openings for those who want to be a part of this team? “We never have openings, but we are always hiring,” says the CEO, who affirms that there is always a market for good professionals, interested in growth.

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO E VICTOR AFFARO

H Á VAG A S ?


AO CONTRÁRIO DE EXTENSOS PLANEJAMENTOS A LONGO PRAZO, A STARTSE ENSINA A FOCAR NO AGORA PARA DESENVOLVER FERRAMENTAS E HABILIDADES QUE FAÇAM SENTIDO E GEREM RELEVÂNCIA E PERMANÊNCIA PARA SEUS CLIENTES. // CONTRARY TO EXTENSIVE LONG-TERM PLANNING, STARTSE TEACHES TO FOCUS ON THE PRESENT MOMENT TO DEVELOP TOOLS AND SKILLS THAT MAKE SENSE AND CREATE RELEVEANCE AND PERMANENCE FOR CLIENTS. Hoje, A StartSe conta com uma grade de 16 eventos para os mais variados ramos e 25 cursos presenciais e se tornou uma gigante da educação, ao mirar no conhecimento fora do circuito acadêmico. “Se você não se renova, está fadado a se tornar obsoleto”, diz Englert, que é também CEO da empresa. Para ele, a evolução constante se baseia em três pilares, que se repetem continuamente e exigem novas formas de serem pensados e trabalhados: as tecnologias emergentes, a forma como elas exigem novos modelos de negócio e, por fim, como a gestão evolui a partir disso. “As empresas precisam aplicar novas formas de gestão para serem eficientes nesse mundo. Se o meu serviço é levar uma pessoa do ponto A ao B, hoje já não interessa como vou fazê-lo — se antes era de carro e, agora, é patinete, por exemplo —, mas, sim, que seja da melhor forma possível.” A plataforma da StartSe é pensada de maneira a não seguir um fluxo cronológico ou obrigatório e visa acompanhar profissionais, de qualquer área, durante seu desenvolvimento no mercado de trabalho. Destina-se àqueles que desejem tirar uma ideia do papel e empreender, repaginar um negócio já existente ou, até mesmo, investir no mercado de startups ou demais segmentos. E faz isso via difusão do conhecimento por especialistas e atualização contínua — a impressão é de que estão sempre um passo à frente do mercado. Ao contrário de extensos planejamentos a longo prazo, a StartSe ensina a focar no agora para desenvolver ferramentas e habilidades que façam sentido e gerem relevância e permanência para seus clientes. Em dois anos, já atendeu mais de 100 mil pessoas, e a expectativa é que esse número cresça para 1 milhão em 2020. “Tem cada vez mais gente querendo falar sobre isso, interagir e aprender sobre essa nova economia”, celebra Junior Borneli. “Vemos um fenômeno de pessoas que foram disruptivas, mas que já estão sendo deixadas para trás. São cada vez mais inovações em um período cada vez mais curto.” O mindset, segundo ele, precisa mudar para uma educação executiva continuada. “Hoje, planos de negócios para os próximo cinco anos já não fazem o menor sentido”, diz.

Currently, StartSe counts with a line of 16 events for diverse trades and over 25 on-site courses, and has become a giant of education by targeting knowledge outside the academic circuit. “If you do not renew, you are doomed to obsoletion,” says Englert, who is also company CEO. For him, constant evolution is based on three pillars that continually repeat themselves and claim for new ways of being thought over and worked: emerging techonologies, how they demand new business models and, last but not least, how management evolves from that. “Companies need to apply new forms of management in order to be efficient in this world. If my service is taking a person from point A to point B, today it doesn’t matter anymore how I’m gonna do it — if before it was by car and now it is by scooter, for example -, but that it is done in the best possible way.” The StartSe platform is thought out in a way of not following a chronological or obligatory flux, and aims at accompanying professionals, from any area, during their development in the job market. It is destined for those who want to lift an idea from paper and endeavor, redesign an already existing business or even invest in a market of startups and other segments. Moreover, it does this through diffusion of knowledge by specialists and continuous updating — the impression one gains is that they are always one step ahead of the market. Contrary to extensive long-term planning, StartSe teaches to focus on the present moment to develop tools and skills that make sense and create releveance and permanence for clients. In two years, it has attended over 100 thousand people and the expectation is that this number will grow to 1 million in 2020. “There are increasingly more people wanting to talk about this, to interact and learn about this new economy,” celebrates Junior Borneli. “We witness a phenomenon of people who were disruptive, but who are already being left behind. There are increasingly a greater number of inovations in an ever shorter period.” The mindset, according to him, needs to change to a continued executive education. “Currently, business plans for the next five years no longer make any sense,” he says.

+ STA RTSE .CO M

87


PURPOSE

TURNING THE GAME

DE VIRADA POR/BY LUIZA VIEIRA

esde 1998, a Fundação Gol de Letra transforma a vida de crianças e adolescentes por meio do esporte. “A Fundação começou a partir de uma ideia minha e do Leonardo [diretor do Paris Saint-German] de criar um espaço que garantisse condições para o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens de comunidades socialmente vulneráveis e contribuísse para diminuir a desigualdade social no Brasil”, explica o ex-jogador Raí, presidente da Fundação. A instituição atua em São Paulo e no Rio de Janeiro, com projetos que fomentam a expressão oral e escrita, cultural, artística e corporal, levando em consideração o desenvolvimento das comunidades em que as ações estão inseridas. “Por meio dessa abordagem socioeducativa, é possível atender as necessidades formativas, educativas e sociais de crianças, adolescentes e jovens, ampliando seu repertório educacional e cultural e sua autonomia, preparando-os para o exercício da cidadania”, afirma. O resultado enxerga-se de perto, no dia a dia desse trabalho. “Uma menina da Fundação foi participar de uma competição de atletismo. As outras crianças e educadores estavam torcendo, gritando e incentivando enquanto ela corria. A menina chegou em segundo lugar, abraçou um educador e começou a chorar. Ele perguntou: ‘você está chorando porque não chegou em primeiro?’. E ela respondeu: ‘estou chorando porque nunca vi tanta gente torcendo por mim’”.

// Since 1998, Gol de Letra Foundation transforms the lives of children and teenagers through sports. “The Foundation started from an idea that Leonardo (Paris Saint-Germain director) and I had of creating a space that would guarantee conditions for the integral development of children, teenagers and youngsters from socially vulnerable communities and contribute to decrease social inequality in Brazil”, explains former soccer player Raí, Foundation CEO. The institution is active in São Paulo and Rio de Janeiro with projects that foment oral and written, cultural, artistic and corporal expression, taking into consideration the development of communities where its actions are inserted. “Through this social-educational approach, it is possible to cater to the formative, educational and social needs of children, teenagers and youngsters, broadening their educational and cultural repertory and their autonomy, preparing them for the exercise of citizenship”, he declares. The result can be seen up close, in the daily routine of this work. “A girl from the Foundation took part in a track competition. The other children and educators were rooting, screaming and inciting her as she was running. The girl came in second, hugged an educator and started crying. He asked: ‘are you crying because you didn’t come first’? And she answered: ‘I’m crying because I never saw so many people rooting for me’”.

+ GOLDELETRA.ORG.BR

D

W H AT D O E S I T M E A N TO H AV E A P U R P O S E TO YO U ?

“É uma mistura de idealismo, meta, sonho, busca e valores. É aquilo que te dá força para levantar, que te faz avançar, crescer, e um dos grandes pilares que dá sentido à vida.” “It is a mixture of idealism, objective, dream, search and values. It is the thing that gives you strength to get up, which makes you advance, grow and one of the great pillars that gives meaning to life.” 88 88

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

PA R A VO C Ê , O Q U E É T E R U M P R O P Ó S I TO ?


CONNECTION

SOLO FLIGHT

VOO SOLO V

iajar para um lugar novo é se abrir para o inesperado, seja numa escapada no fim de semana, seja por meses dando a volta no mundo. Fazê-lo sozinha é estar na companhia das próprias vontades, pensamentos e com uma bagagem que você mesma tem que carregar. Se, por um lado, viajar em dupla, trio ou com mais gente pode ser uma excelente oportunidade para dividir e construir momentos especiais com pessoas queridas, quando viajo sozinha fico mais aberta a conhecer novos amigos e mais à vontade para passar tempo comigo mesma, seja numa trilha nas montanhas, museu, spa ou café junto a um livro e meu caderninho de anotações. Como primeira experiência sozinha, indico começar devagar, numa viagem curta, para ajudar a entender se essa experiência é para você. Conselho que eu mesma não segui: minha primeira viagem solo foi aos 21 anos, um mochilão do Paraguai ao Peru. Meu ônibus parou numa estrada no meio da Cordilheira e percorri um trecho de estrada a pé carregando minha mochila. Percebi que sou mais forte e menos tímida do que eu achava que era. Voltei diferente, mais eu mesma. Hoje, aos 32 anos, carimbei meu passaporte em 27 países, a maioria deles em viagens sozinha — uma aventura diferente em cada lugar.

90

// Travelling to a new place is like opening yourself to the unexpected, whether on a weekend outing or on an around the world trip during months. Doing it by yourself is like being in the company of your own whims, thoughts and with a baggage that you yourself have to carry. If on one side travelling with someone, in a trio or with more people, can be an excellent opportunity to share and construe special moments with loved ones, when I travel by myself I am more opened to meet new people and more comfortable spending time with myself, whether on a trail in the mountains, a museum, a spa or going to a café with a book or my travel notebook. As a first solo experience, my tip is to start slowly, on a short trip, in order to grasp if this is an experience for you. A tip that I myself did not abide by: my first solo trip was at 21, a backpack trip to Paraguay and Peru. My bus stopped in a road in the middle of the mountains and I trailed part of the road by foot, carrying my backpack. I found myself to be stronger and less timid than I thought I was. I came back different, fuller of myself. Today, at 32, my passport has been stamped in 27 countries, most of them in solo trips —living a different adventure in each place.

FOTO/PHOTO: SHUTTERSTOCK

POR/BY LÍVIA AGUIAR


Para se abrir ao desconhecido Opening yourself up to the unknown Do outro lado do planeta, a Tailândia é um dos meus destinos favoritos para indicar a quem quer viajar só, mas não quer se sentir sozinha. É um país relativamente seguro, tem muitas belezas naturais; cultura bem diferente da nossa e interessada em fazer-se conhecer; cidadãos simpáticos e receptivos que falam — ou pelo menos tentam — inglês; e uma bela estrutura de hotelaria, agências e transportes com opções que cabem em todos os bolsos. Para quem está desacompanhado e quer se conectar a outros viajantes para fazer passeios diurnos e noturnos, recomendo hospedar-se em hostel (quarto compartilhado ou privado) com boas áreas de convivência, fazer um workshop de curta duração (que tal culinária tradicional, escalada, mergulho ou meditação?), ou buscar atividades promovidas pelo CouchSurfing nas cidades (excelente para receber dicas de locais). Não aceite bebidas que você não viu serem abertas (ou preparadas) e pesquise na internet antes de reservar seus passeios para evitar armadilhas — tarefa fácil num país salpicado de antenas 4G e que vende, SIM cards em qualquer loja de conveniência. Difícil vai ser encontrar tempo para ler aquele livro que você trouxe.

// On the other side of the planet, Thailand is one of my favorite destinations to indicate to someone who wants to travel alone, but does not necessarily want to feel alone. It is a relatively safe country, has many natural beauties; a culture a lot different from ours and interested in becoming known; nice, receptive citizens who speak — or at least try — to speak English; and a beautiful hotel structure, agencies and transportation that fits into every pocket. For those alone and who want to connect with other travelers to make daytime or nighttime tours, I recommend staying at a hostel (shared or private room) with a good living area, making a short-term workshop (how about traditional cooking, rock-climbing, scuba diving or meditation?), or looking for activities fostered by CouchSurfing in the cities (excellent to get tips from the locals). Do not accept drinks that you did not see being opened (or prepared) and research on the internet before booking tours in order to avoid traps – an easy task in a country filled with 4G antennas, with SIM cards sold in every convenience store. The hard task will be finding time to read that book that you brought along.

91


RO C ET NR NA EC NT C IAO N

Para viajar em ritmo próprio Conhecer a Europa de trem é muito prazeroso. Sobre trilhos, vamos percebendo aos poucos as mudanças na paisagem, passamos por vilarejos que só existem porque há uma parada ali, atravessamos algumas montanhas, margeamos outras e cruzamos países inteiros em um dia só. Sem falar que as estações de trem geralmente estão nos centros das cidades — e conectadas às linhas de metrô e ônibus, fazendo com que a chegada e a saída sejam muito mais ágeis e românticas do que numa viagem com vários trechos de avião. Dentro dos vagões, a vida tem outro ritmo. Passageiros podem circular mais livremente que a bordo de um ônibus e é possível ler, escrever e desenhar. Alguns vagões têm mesas à frente das cadeiras, outros têm camas para maior conforto em viagens noturnas e há, ainda, as cabines onde passageiros se sentam uns de frente para os outros, facilitando o início de uma conversa entre estranhos (ou a observação silenciosa). Em trens maiores, pode, até, haver um vagão-restaurante, onde os que buscam companhia para bater papo se encontram. Fiz inúmeros amigos viajando em trens europeus. Para facilitar, a Eurail (eurail.com) vende passes válidos em 31 países europeus, para viagens de três dias a três meses de duração.

92

// Getting to know Europe by train is very pleasurable. On rails, we gradually perceive the changes in the landscape, go through villages that only exist because there is a station there, go through a few mountains, go around others and cross whole countries on a single day. Not to mention that train stations are usually downtown, interconnected by subway and bus lines, making arrivals and departures more agile and romantic than on a plane trip with many legs. Inside the railroad car, life has another rhythm. Passengers can flow more freely that on a bus and it is possible to read, write and draw. Some railroad cars have tables in front of the chairs, others have beds for greater comfort on night trips and there are cabins where passengers sit facing each other, making it easier to strike up a conversation with strangers (or for silent observation). Bigger trains may have a dining car, where those searching for company can meet and chat. I made countless friends travelling in European trains. To make it easier, Eurail (eurail.com) sells passes that are valid in 31 European countries for trips lasting from three days to three months.

FOTO/PHOTO: SHUTTERSTOCK

Travelling in your own rhythm


Para tornar-se um local Becoming a local Viajar com calma proporciona experiências muito diferentes das de quem quer conhecer o máximo de atrações por dia, o máximo de cidades por mês. Quando cheguei à Cidade do México, percebi que não conseguiria ficar apenas uma semana. Eu me apaixonei pela comida, pela presença constante de arte nas ruas, pela cultura tão familiar e, ao mesmo tempo, tão diferente da brasileira. Como há muitas atrações na capital mexicana, e ela está bem conectada pelo sistema de transporte público e ciclovias, basta querer para mergulhar em suas entranhas. É uma das cidades mais populosas do mundo, e as possibilidades são inúmeras: da sabedoria tradicional à arte contemporânea, dos mercados de bruxaria às feiras de jovens designers, de aulas de espanhol aos espetáculos de “lucha libre”. Contatei um hostel onde pude trabalhar na recepção em troca de hospedagem e lá fiquei quatro meses inteiros. Também é possível viver uma experiência assim passando os trinta dias das férias em uma cidade só. Recomendo simular uma vida na Cidade do México. São centenas de lugares novos para visitar (em quatro meses ainda me faltaram muitos), mas também pode ser prazeroso descobrir sua rede de padarias, mercados e cafés preferidos, onde vão cumprimentar você calorosamente pelo nome e saber seu pedido.

// Travelling calmly propitiates experiences a lot different from those experienced by people who want to go to as many attractions as possible per day and as many cities as possible in a month. When I arrived at Mexico City, I noticed that I one week would not be enough. I fell in love with the food, the constant presence of art on the streets, by a culture so familiar and at the same time so different from Brazilian culture. Since there are many attractions in the Mexican capital and it is well interconnected by a system of public transportation and bicycle paths, it is easy to dive into its entrails. It is one of the world’s most populated cities and possibilities are countless, from traditional wisdom to contemporary art, from witchcraft markets to young designers’ fairs, from Spanish classes to “lucha libre” spectacles. I contacted a hostel where I got to work at the reception in exchange for boarding and spent four months there. It is also possible to live an experience like that spending thirty days of vacation in only one city. I recommend simulating life in Mexico City. There are hundreds of new places to visit (after four months, there were still many I did not go to), but it can also be a pleasure discovering its network of bakeries, markets and favorite cafés, where employees will greet you warmly by your name and know what you customarily order.

93


CHECK - OUT

SAND, SEA AND ART

AREIA, MAR E ARTE POR/BY CARLA LENCASTRE

94


AN OASIS AT DEATH VALLEY

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

Oásis no Vale da Morte Perto do ponto mais baixo da América do Norte, há um oásis onde palmeiras inesperadas, em meio ao deserto californiano do Vale da Morte, abrigam um hotel fora de série, o Oasis at Death Valley. Na realidade, são duas propriedades: o Ranch, um resort de 224 quartos para famílias; e o Inn, de uma sedutora elegância old school. Inspirado na arquitetura das missões jesuítas espanholas, o Inn acaba de passar por uma reforma para aliar o glamour de meados do século 20, quando era reduto de celebridades de Hollywood, à sustentabilidade do século 21. A água natural (com temperatura em torno de 30ºC) da piscina, por exemplo, não tem cloro e é usada na irrigação dos jardins que cercam 66 quartos e suítes. De dia, o programa é explorar as paisagens quentes da região, como a Badwater Basin, uma bacia que fica 86 metros abaixo do nível do mar, coberta por uma crosta fina de sal. A região já foi capa de disco, como o “The Joshua Tree”, da banda irlandesa U2, e cenário de filmes, entre eles “Guerra nas estrelas”, de George Lucas, e “Zabriskie Point”, de Michelangelo Antonioni. À noite, o programa é se sentar ao ar livre em um dos terraços do hotel, repletos de sofás convidativos, e admirar a Via Láctea — apesar de estar a duas horas da sempre over iluminada Las Vegas, o Vale da Morte tem um dos céus mais escuros do mundo. Aproveite para fazer um detox digital: não há sinal de telefone celular e o Wi-Fi é instável. O Inn é voltado para a paisagem árida em diversos tons de terra das Panamint Mountains, onde fica o Telescope Peak (3.366 metros), ponto culminante do Death Valley National Park. É um dos maiores parques naturais dos Estados Unidos e a região mais seca do país, com menos de 50mm de chuva por ano. Entre Califórnia e Nevada, o Vale da Morte cabe bem no roteiro de uma road trip entre Los Angeles e Las Vegas.

// Near the lowest point in North America, there is an oasis where unexpected palm trees, amidst the Californian desert of Death Valley, shelter an outstanding hotel, the Oasis at Death Valley. In fact, there are two properties: the Ranch, a 224-room resort for families; and the Inn, with a seductive old school elegance. Inspired by the architecture of Spanish Jesuit Missions, the Inn has just been revamped to ally mid-20th century glamour, when it was a hide for Hollywood celebrities, to 21st century sustainability. The pool’s natural water (with temperatures around 85ºF), for example, has no chlorine and is used to irrigate the gardens surrounding the 66 rooms and suites. The outing by day is to explore the region’s hot landscapes, like Badwater Basin, a watershed 280 feet below sea level, covered by a fine crust of salt. The region is featured on a record cover, Irish rock band U2’s “The Joshua Tree” and has served as backdrop for movies, among them George Lucas’s “Star Wars” and Michelangelo Antonioni’s “Zabriskie Point”. At night, the tip is to sit under open air in one of the hotel’s terraces, filled with welcoming couches, and admire the Milky Way – albeit at a 2-hour distance from the over-illuminated Las Vegas, Death Valley has one of the world’s darkest skies. Take the time to make a digital detox: there is no cell phone signal and the Wi-Fi is unstable. The Inn faces the arid landscape in many tones of earth of Panamint Mountains, where Telescope Peak (11,040 feet), the highest point of Death Valley National Park, is located. It is one of the biggest natural parks of the United States and the country’s driest region, with less than 2.3 inches of rainfall per year. Between California and Nevada, Death Valley fits perfectly into the script of a road trip between Los Angeles and Las Vegas.

O A S I S AT D E AT H V A L L E Y | O A S I S AT D E AT H V A L L E Y. C O M

95


CHECK - OUT

LITTLE PRINCESS’S PEARL

Pérola da Princesinha // After New York and London, Rio de Janeiro. The recently inaugurated Fairmont Rio Copacabana is luxury brand Accor’s first South American hotel. It is the same banner of classics of world hotel management like New York’s Plaza and London’s Savoy. The main, infinite pool on the sixth story, surrounded by Spirit Copa Bar and Marine Restô, seems to advance into the sea. The design of common areas and of the 375 rooms is by the São Paulo office of Patricia Anastassiadis and inspired by 1950s Rio de Janeiro, with objects and furniture by Brazilian artists and many tropical plants for decoration. The location is one of the best in the city, in Posto 6, near Arpoador and Ipanema. The view to the Atlantic Ocean from the terrace of the rooms and front suites is unbeatable. On one side, the whole beach and Sugar Loaf Mountain on the background. On the other, Fort Copacabana. At night, the lights of the beachfront seen from the accommodations or the pool resemble the Ocean Princess’s pearl necklace.

F A I R M O N T R I O D E J A N E I R O C O P A C A B A N A | F A I R M O N T. C O M / C O P A C A B A N A - R I O

96

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO

Depois de Nova York e Londres, Rio de Janeiro. Inaugurado recentemente, o Fairmont Rio Copacabana é o primeiro hotel na América do Sul da marca de luxo da Accor. É a mesma bandeira de clássicos da hotelaria mundial, como o nova-iorquino Plaza e o londrino Savoy. A piscina principal no sexto andar, com borda infinita e ladeada pelo Spirit Copa Bar e o Marine Restô, parece avançar sobre o mar. O design das áreas comuns e dos 375 quartos é do escritório paulistano de Patricia Anastassiadis e inspirado no Rio da década de 1950, com objetos e móveis de artistas brasileiros e muitas plantas tropicais na decoração. A localização é das melhores da cidade, no Posto 6, perto do Arpoador e de Ipanema. São imbatíveis as vistas para o Oceano Atlântico das varandas dos quartos e suítes de frente. De um lado, toda a praia e o Pão de Açúcar ao fundo. Do outro, o Forte de Copacabana. À noite, as luzes da orla vistas das acomodações ou da piscina parecem as pérolas do colar da Princesinha do Mar.


A PINCH OF THE ABSURD

Uma pitada de absurdo Mais de uma centena de obras de arte contemporânea e, em sua maioria, de artistas neozelandeses formam o eclético e fascinante acervo do QT Wellington, na Nova Zelândia. Não por acaso, chamava-se Museum Art antes de ser comprado pela moderna marca australiana QT, há dois anos. O colecionador Chris Parkin, ex-dono da propriedade, vendeu o hotel e cedeu a coleção em comodato. Pinturas, colagens, esculturas e instalações estão por todo o divertido, e às vezes excêntrico, empreendimento, com concentração na recepção e no animado bar de drinques e restaurante Hippopotamus. Os 65 quartos têm design arrojado. Os da categoria QT Gallery apresentam trabalhos originais de artistas neozelandeses, como murais personalizados na cabeceira da cama. Alguns, com varanda, têm vista para o porto. Melhor localização da cidade, perto de restaurantes e do comércio, e ao lado do fabuloso Te Papa, museu sobre a cultura maori e a formação da Nova Zelândia.

// Over one hundred contemporary works of art and mostly by Neo Zealander artists make up the eclectic and fascinating collection of QT Wellington, in New Zealand. It is not by chance that it was called Museum Art before being purchased by modern Australian brand QT two years ago. Collector Chris Parkin, former owner of the property, sold the hotel and conceded the collection in a commodatum regime. Paintings, collages, sculptures and installations are scattered around the fun and sometimes eccentric endeavor, with a concentration of people at the reception and the popular drink bar and restaurant Hippopotamus. The 65 rooms have a bold design. The ones of QT Gallery category present original works by Neo Zealand artists as personalized murals at the headboard. Some, with a terrace, have a view to the harbor. It is in the city’s best location, near restaurants and commerce and next to the fabulous Te Papa, museum about Maori culture and the formation of New Zealand.

QT WELLINGTON | QTHOTELSANDRESORTS.COM

97


P L AY L I S T

Fafá de Belém Nossa Senhora Nossa Senhora me dê a mão / Cuida do meu coração / Da minha vida do meu destino / Do meu caminho / Cuida de mim Holy Mother give me your hand / Care for my Heart / My life and my fate/My path / Take care of me

Fafá de Belém se lembra exatamente da primeira vez em que ouviu “Nossa Senhora”, uma das músicas mais importantes de sua vida. “Foi em um show de Roberto Carlos, no Rio de Janeiro, e ele estava com o Cristo Redentor ao fundo. No momento em que a música começou, o Cristo foi aceso, e fui tomada por uma emoção indescritível”, conta. Natural de Belém, onde acontece a maior festa religiosa do Brasil, o Círio de Nazaré, a cantora foi criada em meio à devoção às Nossas Senhoras de Perpétuo Socorro, Fátima, Lourdes e Nazaré. “Todas as vezes em que ouço essa música, é como se alguém me tirasse do lugar e me levasse para outro plano de luz, amor e fraternidade. Ela me toca de forma muito especial e me faz chorar de felicidade, de amor e emoção.”

// Fafá de Belém remembers exactly the first time she heard “Holy Mother”, one of the most important songs of her life. “It was at a Roberto Carlos concert in Rio de Janeiro with the Christ, the Redeemer statue in the background. The moment the song began, the statue lit up and I was taken by an indescribable emotion,” she says. A native of Belém, where Brazil’s biggest religious feast, the Cirio de Nazaré, takes place, the singer was brought up amidst the devotion to the Holy Mothers of Perpétuo Socorro, Fátima, Lourdes and Nazaré. “Every time I hear this song, it is as if someone lifts me out of my feet, taking me to another plane of light, love and fraternity. It touches me in a very special way and makes me cry with happiness, love and emotion.”

1. ABRA O SPOTIFY / OPEN SPOTIFY 2. SCANEIE O CÓDIGO / SCAN THE CODE 3. BOA VIAGEM! / HAVE A GOOD TRIP!

98

FOTO/PHOTO: DIVULGAÇÃO / ADRIANO DAMAS

ROBERTO CARLOS E ERASMO CARLOS


Profile for The Content - Lounge Magazine

#4 The Content Lounge Magazine  

Advertisement