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Os desafios da dinamização das incubadoras de empresas Estudo de caso: Ericeira Business Factory Luís Matos Martins

Teresa Preta

Instituto para a Investigação e Desenvolvimento dos Territórios Criativos TERRITÓRIOS CRIATIVOS Lisboa, Portugal luis.matos.martins@territorioscriativos.eu

Instituto para a Investigação e Desenvolvimento dos Territórios Criativos TERRITÓRIOS CRIATIVOS Lisboa, Portugal teresa.preta@territorioscriativos.eu

Abstract— This paper presents the challenges of EBF - Ericeira Business Factory, the business incubator in the village of Ericeira, in the municipality of Mafra, when trying to achieve recognition in the national panorama of entrepreneurship. One year and a half after its opening, it is relevant to share the best practises and strategies that enabled this incubator to constitute a successful case. Keywords: EBF, MBF, Business Factory, Incubator, Entrepreneurship, Ericeira, Mafra, local development

I.

O EMPREENDEDORISMO E AS INCUBADORAS COMO INSTRUMENTO PARA O DESENVOLVIMENTO LOCAL

Portugal está em pleno boom do empreendedorismo, consequência da crise económica - que acabou por criar oportunidades -, do aumento de incentivos e apoios disponíveis à criação de negócios, da proliferação de entidades de capital de risco e, nos últimos anos, da aposta das autarquias e outras entidades públicas e privadas numa estratégia que visa criar emprego e proporcionar retorno em termos de investimento e impacto no território, através das suas incubadoras de negócios. É o caso da Câmara Municipal de Mafra, que definiu 5 objetivos estratégicos, dos quais 2 incidem diretamente sobre a dinamização das atividades económicas, nomeadamente: • OE2: Valorizar a ruralidade enquanto caraterística distintiva do Concelho de Mafra, através do desenvolvimento de projetos de apoio à agricultura, à agro- indústria e também ao turismo de natureza; • OE3: Promover o potencial da costa marítima do Concelho de Mafra, através da conceção de uma estratégia alargada que, no âmbito de maritimidade, abarque sectores tão distintos quanto a pesca, a aquacultura, o turismo e os desportos de ondas. Despacho nº15/2014 — PCM, Objetivos Estratégicos, 2014-2017, CMM. Nesta linha de pensamento, foi criada a incubadora de negócios do Concelho de Mafra, a Business Factory, composta por dois pólos: a EBF - Ericeira Business Factory e a MBF Mafra Business Factory, que visar apoiar negócios prioritariamente nascentes no concelho, em atividades ligadas

ao mar, turismo e serviços e à terra, ar e tecnologias, respetivamente. O estudo de caso que aqui se apresenta incidirá, essencialmente, sobre as boas práticas da EBF. Portugal está a assumir-se cada vez mais como um ecossistema empreendedor de referência no panorama internacional, com startups tecnológicas a conquistar o mundo, como é o caso da Uniplaces, Codacy ou Talkdesk, e com o aparecimento de espaços de cowork e de incubadoras de negócios a revitalizar todas as zonas do país. Também a vinda do Web Summit nos próximos 3 anos para Portugal, o maior evento de empreendedorismo, inovação e tecnologia da Europa, irá afetar a dinâmica empreendedora portuguesa, e em concreto a Ericeira, que irá receber o Surf Summit,a melhor opção para iniciar a experiência Web Summit, conforme se pode ler no site da inicitiava: “On November 5 and 6 we're hitting seaside town Ericeira on Portugal's west coast, 35 km from Lisbon, for the perfect way to start your Web Summit experience. You don't have to be a surfer to get your kicks at Surf Summit – although Ericeira does have a reputation for producing some of Europe's glassiest waves. We've worked with surfholidays.com to organise two days of outdoor activities, parties and intimate networking events. All with the people driving change in international tech.” O empreendedorismo e as incubadoras de negócios são uma realidade relativamente recente um pouco por todo o país. O governo, numa estratégia nacional concertada para o empreendedorismo, criou o programa Startup Portugal, de onde destacamos a RNI - rede nacional de incubadoras, que integra incubadoras de base científica, ligadas a universidades, a associações empresariais e autarquias de todo o país, de forma a que qualquer startup, independentemente da sua localização, possa aceder aos mesmos serviços e condições disponíveis nas grandes cidades. O Município de Mafra está empenhado, através da Business Factory, em ter um impacto positivo na economia e desenvolvimento local, maximizando o sucesso de empresas emergentes, em consonância com os Principles and Practices of Successful Business Incubation, da National Business Incubation Association (NBIA, 1996). A Business Factory


encontra-se, no momento, em processo de acreditação da sua incubadora de forma a poder usufruir nas inúmeras vantagens de ser uma incubadora acreditada. II.

OS TERRITÓRIOS CRIATIVOS

O Instituto para a Investigação e Desenvolvimento dos Territórios Criativos (designado neste artigo por Territórios Criativos) tem por objeto a conceção, implementação e avaliação de projetos de dinamização territorial e desenvolvimento positivo das organizações, contribuindo para um mundo mais justo e autossustentável em termos socioculturais, ambientais e económicos. Os Territórios Criativos têm duas grandes áreas de intervenção: (1) a formação e (2) a consultoria, nomeadamente em empreendedorismo e incubação de empresas. Assumem a gestão de três incubadoras, nomeadamente a Ericeira Business Factory, Mafra Business Factory e Alvaiázere+, tendo como principais missões a dinamização dos espaços e o desenvolvimento de um ecossistema propício à criatividade, ao empreendedorismo e ao desenvolvimento dos negócios. O Município de Mafra, tendo em conta a especificidade, complexidade e inovação associados às tarefas inerentes a uma eficiente dinamização da incubadora e para alcançar os objetivos a que se propôs aquando da criação da mesma, optou pela contratualização de serviços especializados ao IDTC Instituto para a Investigação e Desenvolvimento dos Territórios Criativos. A Business Factory tem, portanto, um modelo de gestão em outsourcing, que se revelou uma aposta vantajosa para o ecossistema a vários níveis, conforme tabela abaixo. VANTAGENS - Dispensa da CMM de alocação de recursos humanos dedicados e presentes nas incubadoras; - Favorecimento da satisfação das necessidades da incubadora e dos seus empreendedores em detrimento do enfoque nos processos e procedimentos; - Update imediato das iniciativas e concursos de empreendedorismo; - Acesso a Know-How especializado; - Facilidade na identificação de protocolos e parcerias estratégicas e na submissão de candidaturas o âmbito do empreendedorismo; - Presença em grande parte dos eventos do ecossistema empreendedor nacional; - Maior disponibilidade do IDTC em agilizar processos e procedimentos; - Facilidade de penetração no ecossistema empreendedor nacional e internacional pela rede alargada de contactos e parceiros na área do empreendedorismo; - Facilidade no desempenho de atividades de difícil gestão; - Estrutura organizacional que permite uma maior flexibilidade, rapidez e agilidade dos procedimentos internos; - Redução de custos operacionais; Tabela 1 – Vantagens associadas a um modelo de gestão da incubadora em outsourcing

Consideramos que este é um modelo que deve ser replicado por outras incubadoras, nomeadamente de gestão autárquica. Ao longo deste artigo, para além dos desafios inerentes a este modelo de gestão, serão expostos os maiores desafios dos Territórios Criativos na dinamização da Ericeira Business Factory e as estratégias para o seu sucesso: (1) seleção dos projetos/ ideias e candidatos, (2) implementação de mecanismos de captação de novos projetos/empreendedores, (3) apoio na criação de empresas, cooperativas e associações, (4) mentoria a projetos incubados física e virtualmente, (5) potenciamento do desenvolvimento e internacionalização de projetos já existentes, (6) identificação de incentivos e programas de financiamento, (7) criação de rede de parceiros consistente e diversificada, (8) Dinamização de eventos e formação, (9) identificação de propostas de melhoria às normas de funcionamento e acesso à incubadora. III.

A ERICEIRA BUSINESS FACTORY E OS DESAFIOS DA SUA DINAMIZAÇÃO

A EBF - Ericeira Business Factory, um dos pólos da incubadora de negócios do Município de Mafra, foi inaugurada em abril de 2015 e, só por si, encerra dois desafios hercúleos: o facto de ser localizada na vila costeira da Ericeira, com apenas 10 260 habitantes (segundo o Diagnóstico Social de Mafra, 2015) e o facto de vocacionada para negócios ligados ao mar (economia azul). Não obstante ter sido a primeira incubadora de negócios para a economia azul em Portugal, de aparentemente ter uma localização estratégica para o efeito e da crescente aposta do governo no mar, nomeadamente através do Programa Operacional Mar 2020, não tem sido tarefa fácil atrair empreendedores e projetos destas áreas, pelo que a incubadora alargou as suas áreas de ação ao Turismo e Serviços. Este ano e meio de EBF permitiu constatar que um cluster ligado ao mar não se cria de um dia para o outro, pelo que a criação de ecossistema, de sinergias, parcerias e de estratégias de captação de negócios ligados ao mar são uma constante. O desafio maior relaciona-se, de facto, com a geração de ideias, uma vez que as que chegam à incubadora são, num cômputo geral, pouco inovadoras e pouco escaláveis, sendo tarefa da incubadora e dos Territórios Criativos contrariar este cenário. A par destes desafios inerentes à EBF, também a gestão e dinamização desta incubadora tem se demonstrado peculiar. O objetivo deste estudo é apresentar as estratégias para superar com sucesso alguns dos desafios que se colocaram na gestão e dinamização da EBF, e servir de benchmarking para outras incubadoras com particularidades e constrangimentos semelhantes.


A. Seleção de projetos/ ideias e candidatos A seleção de projetos depende dos objetivos estratégicos de cada incubadora. Segundo Caetano (2011: 156), os três critérios de seleção mais relevantes das 37 incubadoras integrantes do seu estudo são: (1) tipo de atividade empresarial (54%), (2) atividade empresarial inovadora e (3) viabilidade técnica, económica e financeira (46%).

Gráfico 2: Áreas de atividade da EBF

Gráfico 1: Critérios de seleção de projetos (Caetano, 2011) Por oposição às incubadoras de base tecnológica e científica, que dão primazia a um bom modelo de negócio e uma capacidade de crescimento altamente escalável, a EBF, alinhada com a estratégia de dinamização e revitalização económica local do Município de Mafra, que tem como objetivo apoiar a criação de micro e pequenas empresas e promover o autoemprego, valoriza os seguintes critérios: • Inserção nos setores estratégicos definidos para cada pólo; • Valorização da estrutura económica local; • Valorização dos recursos humanos: criação de postos de trabalho; • Potencial da ideia: execução de atividades inovadoras, de investigação ou desenvolvimento tecnológico; • Grau de importância da empresa no apoio às outras empresas residentes; • Ligação com outras empresas do Concelho ou Nacionais (spin-off); • Perfil do empreendedor/ equipa. Na verdade, a EBF apoia essencialmente projetos de base local, mas igualmente importantes, na medida em que representam um impacto francamente positivo no território e economia local. Dos 104 projetos que já se candidataram ao processo de incubação na Business Factory, continuam instalados - a 1 de setembro de 2016 - 40 projetos, totalizando 53 postos de trabalho e uma taxa de ocupação de 60%, sendo a média de empregos criados por projeto após 12 meses de incubação de 0,62. No que concerne aos setores de atividade, contabilizam-se 3 projetos ligados ao mar, 6 ao turismo, e os restantes 31 a serviços generalizados (em áreas tão diferentes como o design, organização de eventos, comunicação, software, tradução, arquitetura, edição de imagem ou nutrição).

Relativamente aos empreendedores, ao contrário do que encontramos em incubadoras de base científica e tecnológica, em que os empreendedores são maioritariamente jovens, a média de idades da EBF é de 43 anos, sendo que uma percentagem relevante enveredou pela criação do próprio emprego no seguimento de situação de desemprego ou por opção de mudança de vida e recomeço no concelho de Mafra. O caso da EBF também permite concluir que o empreendedorismo não escolhe idades e que as ideias não têm de ser necessariamente inovadoras e disruptivas para vingarem. Ser empreendedor é, de forma genérica, “pensar em novos serviços e produtos para tornar o mundo melhor” (Gururaj Deshpande). Na verdade, e por outras palavras, ser empreendedor é ser promotor da mudança; quando integrados numa incubadora de negócios, esse tipo de ação é amplamente estimulado. B. Implementação de mecanismos de captação de novos projetos/ empreendedores Com o objetivo de captar novos projetos e empreendedores, a equipa de dinamização da EBF aposta em várias estratégias, nomeadamente: 1) Roadshow de divulgação pelo concelho e a nível nacional: a) em escolas secundárias e de ensino superior: para dar a conhecer as instalações e serviços da EBF, possibilitar o contacto dos jovens com os empreendedores/ mundo das startups e com o ecossistema empreendedor, incutir e despertar o empreendedorismo nos jovens empreendedores do futuro e despertar o empreendedorismo e inovação no setor da economia azul junto dos jovens. b) Entidades públicas e juntas de freguesia: para divulgar a EBF e os seus serviços junto dos cidadãos e habitantes de cada freguesia e alargar a rede de parceiros de divulgação. c) Empresas locais: para divulgar a Ericeira Business Factory e os seus serviços junto das empresas, aferir possível incubação de spinoffs e criar sinergias com vista a parcerias;


d) Associações locais: para divulgar a Ericeira Business Factory e os seus serviços, criar sinergias com vista a parcerias e alargar a rede de parceiros de divulgação. 2) Apresentação da incubadora e dos seus serviços a todos os visitantes da incubadora, encarando cada visitante como um potencial cliente da incubadora. Dos cerca de 200 visitantes, portugueses e estrangeiros, que visitaram a incubadora no último ano e meio, cerca de 40 integraram a Ericeira Business Factory, o que nos leva a crer que é uma estratégia a replicar. 3) Open Day: possibilidade de os interessados na incubadora experienciarem um dia de trabalho no espaço, usufruindo de um dia de trabalho sem custos associados. Esta medida tem como objetivo principal dar a conhecer de forma diferente e facilitada a incubadora e os seus serviços. 4) Divulgação ativa nas redes sociais (Facebook, Instagram, LinkedIn, YouTube). 5) Produção regular de vídeos de divulgação da incubadora e dos projetos instalados. 6) Organização de iniciativas de networking entre a comunidade EBF, mas também com pessoas externas à EBF para darem o seu testemunho, partilhando as suas experiências. 7) Presença habitual em eventos de empreendedorismo em Lisboa e no resto do país, nomeadamente: Congresso DNA Cascais, Lançamento do Concurso de empreendedorismo BIG Smart Cities, no Porto, Encontro Nacional de Incubadoras, Jantar de Business Angels e Caixa Capital, Prémios Europeus de Promoção Empresarial, Road2Websummit, entre outros. 8) Sede do GAE – Gabinete do Apoio ao Empreendedor, que identifica e encaminha projetos candidatos à EBF. 9) Concurso de ideias para incentivar o empreendedorismo nos jovens do concelho. 10) Call estrangeiras.

internacional

para

captação

de

startups

11) Surf Summit: colaboração ativa na candidatura ao Surf Summit de forma a conseguir trazer à Ericeira 200 empreendedores com startups tecnológicas, como antecipação do Websummit. C. Apoio na criação de empresas, cooperativas e associações Para além das empresas criadas pelos empreendedores após alguns meses de incubação, a equipa de dinamização proporcionou a criação de duas associações com sede na Ericeira Business Factory, nomeadamente:

• Clube Business Angels do Oeste (Mafra | Ericeira), constituído por um grupo de empresários locais disponíveis para dar orientação e investir em negócios ligados ao mar e turismo; • IDTC – Instituto para a Investigação e Desenvolvimento dos Territórios do Mar: são uma unidade de intervenção dos Territórios Criativos que trabalha na conceção, implementação e avaliação de projetos relacionados com a economia do mar. Procura, através de uma metodologia e ecossistema participativos, desenvolver sustentável e ativamente projetos que interliguem as singularidades e potencialidades do mar e de todas atividades adjacentes. D. Mentoria a projetos incubados física e virtualmente A mentoria é um dos serviços oferecidos pela EBF aos empreendedores e pretende, em traços gerais, fomentar a partilha de conhecimentos práticos sobre gestão do negócio e a área do negócio, de conhecimentos sobre a cultura empresarial e de contactos com potenciais clientes ou financiadores. Regra geral, esta é providenciada pela equipa dos Territórios Criativos, tendo sido registadas mais de 100 horas de mentoria formal desde a abertura da incubadora. Contudo, sendo a mentoria uma das valências dos Territórios Criativos, ocorre diariamente num contexto mais informal, quer por esclarecimento de questões, solicitação de aconselhamento e/ou apoio em determinados temas, e que, por essa razão, não constam da na contabilização. Para além dos Territórios Criativos, os nossos parceiros, os elementos do conselho consultivo, do GAE e do Clube de Business Angels do Oeste, estão disponíveis para reunir com os empreendedores e prestar-lhes apoio. E. Potenciação do desenvolvimento e internacionalização de projetos já existentes • Identificação de startups da EBF junto do Turismo de Portugal para participação em feiras internacionais, nomeadamente na IMEX Frankfurt - Feira Internacional de Turismo • Organização de workshops sobre internacionalização • Parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, no âmbito do projeto AUP • Organização da Startup Europe Week F. Identificação financiamento

de

incentivos

e

programas

de

• Organização da Conferência “Há dinheiro para investir?” com presença do IAPMEI, Portugal Ventures, FNABA e PPL – Crowdfunding. • Presença de investidores nos momentos de networking da EBF • Parceria com CASES no âmbito do Plano Nacional de Microcrédito • Parcerias com a banca (Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Mafra e Millennium BCP)


• Business Angels do Oeste • Parcerias com a Tibness e Grupo Conceito no âmbito da consultoria em incentivos comunitários G. Criação de rede de parceiros consistente e diversificada A incubadora Business Factory, composta pelos pólos de Ericeira e Mafra, dispõem de um conselho consultivo diversificado, constituído por entidades públicas, privadas, de âmbito nacional e local, instituições de ensino superior, particulares, empresas locais, associações sem fins lucrativos e entidades de capital de risco. Para além do conselho consultivo e dos parceiros já enunciados ao longo deste artigo, destacamos aqueles com quem temos uma parceria mais regular: • ISG – Instituto Superior de Gestão: a EBF acolheu a Pós-Graduação em Gestão, um programa de formação avançada destinado a empreendedores e empresários que pretende capacitar os alunos para as melhores práticas de Gestão. Estão, neste momento, abertas as candidaturas para a segunda edição, desta feita, em Gestão Financeira. • Isabel Neves & Associados: serviços de consultoria jurídica gratuita, uma vez por vez, para os empreendedores, mentoria a projetos e realização de workshops sobre matérias jurídicas. • Grupo Conceito: helpdesk de contabilidade gratuito, uma vez por mês, e realização de workshops de contabilidade para startups. • Gastão Cunha e Ferreira: consultoria ao nível da propriedade intelectual, mentoria e realização de workshops. • Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa: integração da EBF no projeto AUP, com vantagens para as startups, e realização de workshops sobre internacionalização. • Clube Business Angels do Oeste: mentoria e acompanhamento de projetos. • ETPM – Escola Técnica e Profissional de Mafra: integração de 5 alunos em estágios curriculares no ecossistema EBF. • ISCPS – Escola de Liderança e Inovação. Devido à localização da Ericeira Business Factory, um dos grandes desafios é estabelecer e consolidar parcerias para que possa haver uma maior descentralização destes serviços e para que todos os empreendedores tenham um melhor acesso aos mesmos. Na grande maioria dos casos, estas entidades deslocam-se pro bono à EBF para prestar os seus serviços, o que revela uma elevada consistência nestas parcerias. Obviamente que muitas destas parcerias assentam na base da reciprocidade e são fruto de todo o trabalho desenvolvido pelos Territórios Criativos na área do empreendedorismo nos últimos anos. H. Dinamização e organização de eventos e formação Outra das premissas da equipa de dinamização da EBF é esforçar-se por trazer as grandes iniciativas de

empreendedorismo para Ericeira. Desta feita, a EBF foi palco de iniciativas e eventos de grande relevância nacional e internacional: • BIG Smart Cities – concurso de projetos de empreendedorismo de base tecnológica, promovido pela Vodafone e Ericsson, cujo roadshow de divulgação teve início na EBF. A EBF foi parceira, desde o primeiro momento, na divulgação e identificação de projetos. • Ignite Portugal – ocorreu pela primeira vez no concelho de Mafra, com o tema "Mar de Oportunidades", tendo havido grande adesão por parte dos empreendedores e pessoas que vieram partilhar as suas ideias. • Shark Tank – programa televisivo em que os empreendedores apresentam as suas ideias de negócio e procuram investimento junto dos ‘tubarões’. A EBF foi sourcing partner, tendo a produção do programa realizado uma sessão de avaliação de pitches dos projetos EBF. • SEW Startup Europe Week - a EBF foi coorganizadora da iniciativa europeia Startup Europe Week, que decorreu em mais de 40 países e 200 cidades. Este evento baseou-se num debate informal e público sobre o ecossistema empreendedor do Concelho de Mafra, onde entidades públicas, empreendedores, empresários, investidores, e business angels se reuniram para divulgar ideias, ferramentas e apoios institucionais existentes para a criação de novos negócios. • Surf Summit – iniciativa na Ericeira que antecede a experiência do Web Summit. • Programa de formação em empreendedorismo – os empreendedores da incubadora tiveram a oportunidade de participar num programa de formação em Empreendedorismo, de 30 horas, totalmente gratuito. Este programa foi constituído por 10 sessões de 3 horas cada. • Business Bootcamp – todos os anos, a EBF recebe uma edição de um Business Bootcamp. Este Bootcamp tratase de uma formação intensiva de dois dias onde é oferecida a possibilidade aos projetos instalados de desenvolver, em equipa, o seu conceito, definir os seus modelos de negócio, planos de implementação e, por fim, preparar e apresentar o Pitch, perante o público e um júri. I. Identificação de propostas de melhoria às normas de funcionamento e acesso à incubadora Um ano e meio após a abertura da Ericeira Business Factory, os Territórios Criativos identificaram uma lista de propostas de melhoria às normas de funcionamento e acesso à incubadora, tornando-a mais atrativa e apetecível aos olhos dos empreendedores, nomeadamente: • Melhoria do horário de funcionamento (para 24h), atendendo à flexibilidade de horários dos empreendedores • Isenção de pagamento do aluguer de local de trabalho por parte das empresas que integrem um estagiário curricular ou do IEFP


• Possibilidade de aluguer de um posto de trabalho em regime de cowork por um período não superior a 15 dias • Flexibilização da utilização das salas de formação e de reuniões IV.

AS PARCERIAS E AS SINERGIAS CRIADAS NA ERICEIRA BUSINESS FACTORY

Uma das principais razões pela qual os empreendedores procuram a EBF para instalar o seu projeto é a expetativa de criação de sinergias, de cooperação com outras startups e empresas, a par, obviamente, do desenvolvimento do seu negócio.

Gráfico 3: Resposta dos empreendedores EBF (75% do número total de projetos) à questão: “De que forma pretende que a entrada na EBF melhore o seu negócio?” O caso específico da EBF revela que praticamente 100% dos empreendedores que integram o ecossistema já estabeleceu parceria com outro projeto residente, seja na organização conjunta de iniciativas, seja no estabelecimento de relações comerciais. Costumamos dizer que praticamente todos os empreendedores são clientes ou fornecedores de outros. Mas as sinergias não se cingem a estes aspetos. A incubadora serve também de veículo para a restruturação das equipas que constituem os projetos. Alguns projetos reforçaram a sua equipa com empreendedores EBF e relançaram os seus negócios, existindo, até ao momento, 4 projetos que resultaram da sociedade entre empreendedores com projetos individuais, como é o caso do restaurante Sushi Drinks Club, a empresa de limpezas e serviços personalizados, Nova Domus, a empresa de consultoria sobre banca, seguros e comunicação, Fiducia Gere, e a Guest House localizada na Ericeira, Casa de Ribeira. V.

A MAFRA BUSINESS FACTORY E OS PRÓXIMOS DESAFIOS

Um ano e meio após a inauguração da Ericeira Business Factory, o Município de Mafra cria o segundo pólo de incubação designado por MBF - Mafra Business Factory. Este pólo, situado em Mafra, é vocacionado para projetos da Terra/ Ar e Tecnologias. Inaugurado a 23 de setembro, irá beneficiar de todo o knowhow e experiência adquiridos na gestão da EBF, assim como de todas as parcerias já estabelecidas no pólo da Ericeira. O objetivo é que a Business Factory, de Ericeira e de Mafra, funcione como um ecossistema único de partilha de

infraestruturas, serviços, parceiros, mentoring, entre outros. Aquando da sua inauguração, a MBF contava já com 18 projetos inscritos, correspondendo a 31 postos de trabalho e 47% de taxa de ocupação, o que augura um futuro promissor para este pólo. Destes projetos, 8 projetos transitaram da EBF para a MBF. Importa deste modo apresentar os números gerais da Business Factory (MBF e EBF) para um balanço geral: 50 projetos, 67 postos de trabalho e 43% de ocupação. O próximo desafio é conseguir aumentar a taxa de ocupação da EBF, preferencialmente com projetos ligados ao mar (desportos de água, reinvenção da pesca, etc.), estando a ser preparada uma call internacional para captação de startups estrangeiras. Também iremos marcar presença no Surf Summit e no Web Summit de forma a divulgarmos os dois pólos da incubadora Business Factory. Atualmente a Business Factory integra a RNI – Rede Nacional de Incubadoras, tendo-se candidatado à acreditação para a medida Vales de Incubação disponibilizada pelo governo, no âmbito da estratégia nacional para o empreendedorismo, designada de StartUP Portugal. Esta medida pretende dinamizar a capacidade empreendedora e fomentar as condições para a aceleração e o sucesso de novas empresas, apoiando o desenvolvimento do negócio, por via da contratação de serviços de incubação a incubadoras previamente acreditadas.

VI. CONCLUSÃO A experiência de um ano e meio na gestão da incubadora de empresas EBF – Ericeira Business Factory permitiu fundamentar um vasto leque de estratégias e desafios que foram sendo superados de forma positiva e que se pretende que sejam replicáveis noutras incubadoras. Este estudo demonstrou que, do modelo de gestão em outsourcing desta incubadora municipal à geração de ideias, foram muitos os contributos que aqui se conseguiram compilar. Aliás, este estudo servirá de base para a gestão da MBF – Mafra Business Factory, inaugurada em setembro de 2016.


REFERENCES [1] [2]

[3]

[4] [5] [6]

Business Incubation International Case Studies: International Case Studies, OECD, 1999 Caetano, Dinis Manuel Correia, “Incubadoras de Empresas e Modelos de Incubação em Portugal: Incubadoras Regionais vs. Universitárias”, Dissertação de Mestrado em Economia da Inovação e Empreendedorismo da Universidade do Algarve, Faro, 2011. European Commission Enterprise Directorate, Benchmarking of Business Incubators, Final Report, Centre of Strategy & Evaluation Services, 2002. Despacho nº15/2014 — PCM, Objetivos Estratégicos, 2014-2017, CMM. INaudax (2012), Incubação 360°, Audax e 4Change. Maletz, Edison Afonso e Dieter Rugard Siedenberg, “A Gestão dos Fatores Críticos de Sucesso nas Incubadoras de Empresas da Região do

Ruhr – Alemanha”, XXXI Encontro ANPAD, Rio de Janeiro, Brasil, 2007. [7] Miziara , Guilherme N. e Marly Monteiro de Carvalho, “Fatores Críticos de Sucesso em Incubadoras de Empresas de Software”, Revista Produção, Associação Brasileira de Engenharia de Produção - ABEPRO Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, 2008. [8] Diagnóstico Social de Mafra, 2015. Disponível em: http://www.cmmafra.pt/sites/default/files/diagnostico_social_mafra_2015.pdf [9] http://www.oecd.org/innovation/policyplatform/48136826.pdf [10] https://www.dinheirovivo.pt/fazedores/rede-de-incubadoras/ [11] http://rae.fgv.br/sites/rae.fgv.br/files/artigos/10.1590_S167656482005000100011.pdf [12] http://observador.pt/2016/05/17/incubadoras-startups-nao-sao-as-quatroparedes-contam/


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