Telaviva - 238 - Junho de 2013

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( capa ) “Para um conteúdo multiplataforma ser bem sucedido as plataformas devem se completar, cada uma oferecendo parte da experiência.” Jonathan Finkelstein, da Apartment 11

Filkenstein “Dificilmente, praticamente nunca, você vai ter lucro com esse conteúdo. Você precisa estar presente nessas plataformas, mas não vai realmente ganhar algum dinheiro com isso”, diz. De acordo com ele, isso limita a capacidade de financiamento desse conteúdo, e exige projetos criativos com orçamentos relativamente baixos. No programa “Finding Stuff Out”, um dos projetos apresentado pelo canadense no painel, usuários mandavam vídeos com perguntas para uma plataforma digital. Esses vídeos serviriam, depois, para pautar os temas abordados pelo programa educativo. “Esse foi o primeiro caso em que tivemos que desenvolver um programa olhando para o orçamento, com o dinheiro dos fundos e desenvolver um programa pensando tem que custar só isso”, disse Filkenstein. Para Melina, a falta de incentivo público para a produção de conteúdo

Infantil O Fórum Brasil de Televisão contou mais uma vez, em parceria com o comKids, com debates específicos sobre a produção de conteúdos para o público infantojuvenil. O conteúdo transmídia é indispensável na apresentação de projetos de séries e programas de TV voltados para este público. Essa foi a opinião unânime dos participantes do painel que contou com o diretor criativo e sócio do chileno Zumbástico Estúdios, Alvaro Ceppi, o produtor da canadense Apartment 11, Jonathan Finkelstein e Melina Manasseh, produtora executiva e sócia proprietária da 44 Toons. De acordo com Melina, “o maior dos desafios é, desde o começo do desenvolvimento, considerar, dentro do produto que você está criando o projeto multiplataforma”. De acordo com ela, no Brasil, a maioria dos canais pede por jogos como extensão do conteúdo televisivo. Para Finkelstein, pensar com antecedência no projeto multiplataforma, além de ser uma exigência dos canais, é uma maneira de criar conteúdos que interajam entre si. “O conteúdo digital deve ser pensado no início do desenvolvimento de qualquer projeto”, diz. “Para um conteúdo multiplataforma ser bem sucedido as plataformas devem se completar, cada uma oferecendo parte da experiência”. Outro desafio que testa a criatividade dos produtores é o fato de que o conteúdo digital dificilmente gera lucro, diz

digital é um dos maiores obstáculos para sua produção no Brasil. “As produtoras pedem para você ter o projeto, e você pode até tê-lo, mas produzi-lo é um desafio muito grande”, disse. “Você precisa produzir o conteúdo digital com um orçamento que contempla apenas a produção tradicional”. De acordo com Filkenstein, no Canadá a presença de conteúdo interativo é uma exigência para que um programa de TV, por exemplo, possa usar o Canadian Media Fund, fundo nacional para produção de mídia. Além disso, uma vez que tenha o projeto avançado, o produtor pode usar outro fundo para financiar a produção do conteúdo digital especificamente. No Chile, diz Alvaro, o valor da produção do conteúdo digital também não pode ser incluído no valor financiado por fundos governamentais. “Creio que é um erro, pois assim como no Canadá, não conseguimos mais fazer projetos que não contemplem conteúdo em plataformas digitais”, disse. FOTOs: marcelo kahn

costurada com a Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Televisão (ABPITV) para capacitar os associados na formatação destes projetos e de como pensar na indústria sem depender essencialmente de recursos públicos.

Lição britânica

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aniel Heaf, chief digital officer da BBC Worldwide, relatou no Fórum Brasil de Televisão as experiências da empresa britânica nas plataformas digitais. Para o executivo, um dos principais fatores de sucesso é estar em todas as partes da cadeia de valor. “Operamos em todas as partes da mídia e essa é a razão pela qual somos bem sucedidos no digital. Estamos no YouTube, temos plataforma on-demand, no Netflix, em games”, destaca Heaf. Ele observa que embora o digital ainda seja um ambiente marcado por algumas incertezas, tudo indica que será muito lucrativo em alguns anos. Hoje, apenas um terço da Daniel Heaf população mundial tem acesso à rede e o executivo acredita que há uma oportunidade “fenomenal” de crescer. Ele também aposta nos países emergentes, que devem conduzir o processo de crescimento no acesso à Internet e também à crescente penetração de smartphones e tablets. Para Heaf, os devices móveis farão uma grande diferença no modo como as pessoas consumirão conteúdo e os grupos de mídia e o mercado publicitário precisam estar atentos a isso. O executivo apresentou dados referentes ao mercado americano que mostram que no mobile está a maior lacuna entre tempo de consumo de conteúdo no dispositivo (12%) e verbas publicitárias investidas (3%).

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