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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 13_#143_outubro2004

Conquista de território Redes UHF se expandem e buscam reconhecimento

Evento A participação brasileira no Mipcom 2004, em Cannes

Mercado As oportunidades de negócio na autoração de DVD


N達o disponivel


(editorial ) por André Mermelstein

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Diretor e Editor Diretor Editorial Diretor Editorial Diretor Comercial Diretor Financeiro Gerente de Marketing e Circulação Administração

Editora de Projetos Especiais Editor Tela Viva News Redação Sucursal Brasília Arte

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Rubens Glasberg André Mermelstein Samuel Possebon Manoel Fernandez Otavio Jardanovski Gislaine Gaspar Vilma Pereira (Gerente), Gilberto Taques (Assistente Financeiro)

Sandra Regina da Silva Fernando Lauterjung Júlia Zillig e Lizandra de Almeida (Colaboradoras) Carlos Eduardo Zanatta (Chefe da Sucursal) Clau­dia G.I.P. (Edi­ção de Arte) Carlos Edmur Cason (Projeto Gráfico, Arte) Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca) Geral­do José Noguei­ra (Edi­to­ra­ção Ele­trô­ni­ca) Almir Lopes (Geren­te), Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te) Marcelo Pressi Claudia G.I.P. 0800 145022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira

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Tela Viva é uma publicação mensal da Editora Glasberg - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001. Telefone: (11) 2123-2600 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. Sucursal Setor Comercial Norte - Quadra 02 Bloco D - torre B - sala 424 - CEP 70712-903. Fone/Fax: (61) 327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

Arrumar a casa

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matéria de capa desta edição chama a atenção para um fenômeno de grandes proporções, mas ainda pouca visibilidade no Brasil: o rápido crescimento das redes em UHF. Nosso editor em Brasília, Samuel Possebon, e o diretor da sucursal, Carlos Eduardo Zanatta, fizeram um exaustivo trabalho de pesquisa e pinçaram alguns casos que exemplificam bem este movimento. Não se trata apenas, como muitos pensam, de redes ligadas a igrejas, que visam apenas arrebanhar mais fiéis (embora muitas realmente tenham essa finalidade). São grupos que muitas vezes se enxergam como alternativas regionais às lacunas deixadas pelas grandes redes abertas tradicionais, em um movimento que, se bem acompanhado, pode ser muito benéfico para a radiodifusão brasileira em geral, inclusive para o mercado fornecedor de produtos e serviços. Neste levantamento, porém, uma coisa chamou a atenção: a carência de dados organizados junto aos órgãos públicos que acompanham o setor, sobretudo no Ministério das Comunicações. Quem vai atrás de informações precisas sobre o setor de broadcast não encontra muita ajuda. As informações provavelmente até existem, mas em bancos de dados confusos e desatualizados. Ou seja: o governo não sabe com exatidão, ou pelo menos de forma organizada e de fácil consulta, quem são e onde estão as geradoras e retransmissoras em nosso país, quem são seus proprietários e a que redes estão associadas. E isso para mencionar apenas as emissoras regulares, outorgadas. A responsabilidade sobre esses dados é de todas as gestões que já passaram pelo Minicom, mas também de empresários e exploradores da atividade que, seja por má-fé ou por pura desinformação não atualizam ou não cobram a manutenção atualizada dos dados, muito menos a transparência das informações. Se queremos ter um mercado transparente e organizado, o primeiro passo é ter informações claras e objetivas sobre quem são, onde estão e sob que condições operam as concessionárias. Esperamos que em algum momento o Minicom consiga organizar e classificar esse banco de dados, pelo bem do mercado e pelo bem da democracia.

ilustração de capa: ricardo bardal

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(índice)

(cartas) Sou leitor de Tela Viva há bastante tempo e gostaria de parabenizá-los pelo novo formato. A revista está muito bonita, leve e mais agradável para leitura. Gostaria de sugerir temas como TV no terceiro setor, apoio cultural e o futuro das TVs educativas. Um grande abraço Celso de Oliveira, diretor da Rede Mundial de Televisão Embora a entrevista com o ministro Gilberto Gil sobre a Ancinav (setembro/04) tenha debatido questões extremamente relevantes, perdeu-se um momento oportuno para discorrer sobre a criação de uma Lei Geral das Comunicações, prévia ao estabelecimento da agência reguladora, nos mesmos moldes do processo que instituiu a LGT anteriormente à criação da Anatel. A estranheza da Associação Brasileira de TV por Assinatura se dá pelo fato de que, sobre a audiência pública realizada no Senado em setembro, o PayTV News escreveu: “(...)A mais importante delas (sugestões à consulta) veio da ABTA. Além da crítica a diversos artigos do texto proposto (...), a associação das empresas de TV por assinatura pede atenção à definição conceitual do tema. ´Não é possível se pensar em uma agência antes que os conceitos e objetivos do projeto para o setor audiovisual estejam bem definidos. É preciso que se resgate a idéia de uma Lei Geral da Comunicação, como se fez com a Lei Geral de Telecomunicações`”. A ABTA acredita que a entrevista realizada com o ministro Gilberto Gil poderia ser ainda mais esclarecedora se tivesse reservado espaço para o aprofundamento da questão citada acima, cujo grau de importância, neste momento, é considerado elevado tanto pela ABTA quanto pela redação do Pay-TV News. Atenciosamente, Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA)

A expansão do UHF 14

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Redes crescem e querem melhorar imagem no mercado

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tela viva móvel

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making of legislação

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artigo

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festival

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mercado

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upgrade agenda

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Produção independente marca presença em Cannes TV e música ganham espaço na telefonia celular

Proposta alternativa muda a cara da Ancinav

Revolução na política audiovisual, por Bruno Wainer

Olá todo o pessoal da Tela Viva. Parabéns pala nova revista. Fiquei muito feliz quando recebi a publicação. Me lembrei da surpresa e satisfação que tive ao receber as primeiras edições em 1992. Realmente vocês sabem que são os primeiros e merecem todo o sucesso. Um grande abraço, Mario Buonfiglio, produtor/consultor

No Rio, debate político, mercadológico e artístico Autoração de DVD, boa oportunidade de negócio

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Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo.

telavivanews www.telaviva.com.br 

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( scanner ) A McCann-Erickson Brasil está produzindo a campanha do Teleton 2004, de forma voluntária. Os anúncios estão planejados para a primeira semana de novembro e a mídia eletrônica deve começar 15 dias antes do evento. O Teleton é a maior campanha de arrecadação de fundos para uma instituição, a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). A cada nova edição do programa, a AACD consegue construir e equipar um novo centro no Brasil. A próxima edição acontece nos dias 19 e 20 de novembro.

Mesmo teto

As produtoras Grifa Cinematográfica, dos irmãos Fernando e Maurício Dias, e Prodigo Filmes, de Francesco e Adriano Civita e Doca Corbett, fecharam acordo operacional e passam a funcionar no mesmo endereço, na sede da Prodigo, em São Paulo. Segundo Fernando Dias e Adriano Civita, não houve fusão ou alteração societária. As empresas continuam independentes, mas trabalharão conjuntamente e somarão forças e equipamentos na venda e na produção. Eles explicam que só com a mudança as duas empresas conseguiram uma redução importante de custos, uma vez que diversas atividades de gestão serão compartilhadas. As empreNa foto, em sentido horário: Francesco, Tatiana Dias, Maurício, Adriano e Fernando. sas trabalharão cada marca no mercado em que tiver mais peso. Assim, os documentários terão a marca Grifa, enquanto filmes publicitários, por exemplo, serão da Prodigo, mesmo quando haja intercâmbio de técnicos ou diretores na produção. Com a união, a sede paulista da ABPI-TV, que funcionava na Grifa, também passa para o endereço da Pródigo.

Peixes na rede Diante da concorrência entre as produtoras de animação brasileiras e do mercado ainda restrito para quem produz conteúdo, os sócios do Gabba Studio decidiram investir no mercado externo. E os frutos do trabalho de prospecção já estão sendo colhidos: a equipe entregou em setembro o primeiro projeto inédito, desenvolvido para uma empresa de Cingapura. O estúdio criou dez personagens para um jogo portátil, que pode ser rodado em pocket PC ou celular. “São jogos simples, com uma computação gráfica de baixa quantidade de polígonos”, explica o diretor de atendimento e sócio do Gabba, Danilo Almeida (no centro da foto). Os personagens são dez peixinhos, que precisam ser alimentados e cuidados como tamagochis, aqueles jogos portáteis japoneses em que o jogador cuida do brinquedo como se fosse um mascote - colocando em risco sua vida caso deixe de jogar. “É como se o jogo fosse um aquário virtual”, completa Danilo. “A criação leva em conta todo o desenvolvimento do peixinho, do ovo até ficar velho.”Enquanto os personagens e todas as suas variações foram desenvolvidos pela equipe do Gabba, o software foi produzido em Vancouver, no Canadá. Para conectar todos esses fornecedores e também os clientes, a ferramenta mais importante de trabalho não é o software de computação gráfica, e sim o MSN, que permite a troca de mensagens 

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fotos: Felipe bertarelli / Divulgação

foto: arquivo

Campanha voluntária

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Os animadores do Gabba Studio e os personagens criados para um jogo portátil encomendado em Cingapura.

instantâneas. “Temos que estar ligados e disponíveis 24 horas por dia, por causa dos fusohorários”, diz Danilo. Assim como outras empresas em todo o mundo, o Gabba Studio funciona com uma pequena equipe fixa e uma rede de colaboradores - podem ser pessoas físicas ou outras empresas com quem são fechadas parcerias de acordo com o tipo e o tamanho do trabalho. O estúdio está prospectando agora clientes nos Estados Unidos, França, Canadá, Israel e México. “Onde nosso custo for acessível para a produção de games ou a criação de produtos em parceria com a TV, cinema, desenvolvimento de personagens, ou seja, conteúdo, podemos prestar nossos serviços.” •

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A Garoa Filmes fechou um contrato com a Samba Tech para a distribuição da série “Retratos do Mundo” para aparelhos celulares dos assinantes da Oi. Trata-se de uma série com 30 programas de um minuto abordando características e peculiaridades de diferentes lugares do mundo, com destaque para os aspectos turísticos, antropológicos e culturais. A adaptação para distribuição para as telinhas dos celulares é uma maneira de explorar uma nova janela, já que a série já foi veiculada pelo canal STV (Rede Sesc/Senac de Televisão). As imagens destacam a natureza, a arquitetura, os costumes e a cultura dos povos de seis países: Espanha, Holanda, Índia, Nepal, Tailândia e Sri Lanka.

Horário do esporte

Co-produção nacional Aprovado em 2003 na Ancine, o documentário “Doutores da Alegria” estréia no próximo dia 7 de novembro no canal Discovery Health. Trata-se da primeira produção local exibida no canal. O documentário é uma co-produção com a Grifa Cinematográfica e a Mamo Produções, e aborda a instituição pioneira que se dedica há 13 anos a levar diversão a crianças e adolescentes hospitalizados. O roteiro e a direção são de Mara Mourão. O documentário terá uma versão em longa-metragem, agora em fase de finalização e que deve ser lançada no circuito cinematográfico em 2005. O orçamento total do projeto aprovado na Ancine é de R$ 1,4 milhão.

foto: arquivo

fotos: Divulgação

Retratos do Mundo

Um novo programa esportivo estreou na TV Horizonte, em Belo Horizonte. O “DT Esportes” é transmitido às 19h, de segunda a sexta-feira, com apresentação de Son Salvador e Polyanna Andrade. O programa tem entrevistas e comentários sobre futebol e também abre espaço para o futebol amador, com bastante interatividade.

Filial no Rio

A produtora Film Planet abre sua nova sede no Rio de Janeiro com a produção de um filme para a Nokia, criado pela agência Bates, de Cingapura. A produção, assinada em parceria com a produtora norteamericana HSI, teve direção e direção de fotografia de David LaChapelle e Darius Khondji, respectivamente, que são dois renomados fotógrafos americanos. LaChapelle já trabalhou com Andy Warhol e dirigiu comerciais para empresas como L’Oreal, MTV, Diesel Jeans e Ford. Já Darius Khondji já colaborou com diretores de renome do meio publicitário como David Fincher e Jean-Baptiste Mondino. No cinema, atuou ao lado de Bernardo Bertolucci em “Beleza Roubada”, David Fincher em “Seven” e com Roman Polanski em “The Ninth Gate”.

Liderança latina A TVE representará a América Latina no projeto “Itens Exchange”, que propõe a troca de “itens”, programetes de cinco minutos para crianças em idade pré-escolar, entre emissoras públicas de diferentes países. O programa é gerido pela EBU (European Broadcasting Union) e os países europeus, que, além de trocar programas entre si, mantêm também um convênio com a união de emissoras da Ásia. A América Latina participará do projeto pela primeira vez, explica Beth Carmona (foto), presidente da TVE. A TVE promove uma reunião em dezembro próximo no Rio de Janeiro para as TVs públicas latino-americanas em torno do projeto. Confirmaram participação a TVN, do Chile; a TV Ciudad, do Uruguai; o Canal Once, do México; e a TeleAntioquia, da Colômbia. Cada TV produzirá dois itens para distribuir e receberá outros 30 em troca, de diferentes países. T e l a

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Aumento de arrecadação

Viagem marcada

O projeto do filme “Corpo”, de Rubens Rewald e Rossana Foglia, foi selecionado para o seminário de produção Produire au Sud, programa de apoio a projetos cinematográficos de países da América Latina, Ásia e África. O projeto propõe o intercâmbio entre produtores, distribuidores e diretores de cinema. As filmagens do longa, que foi um dos premiados no último edital de filmes de baixo orçamento do Ministério da Cultura, terminaram neste mês de outubro. O seminário acontece em Nantes, na França, de 23 a 30 de novembro. Viajam os diretores do filme e o produtor executivo Paulo Boccato, da Glaz Cinema.

foto: arquivo

A Ancine divulgou no final de setembro suas previsões sobre o recolhimento de recursos para co-produção através do Artigo 3º da Lei do Audiovisual e do Artigo 39 da MP 2.228-1. Segundo a agência, os valores recolhidos pelas distribuidoras de filmes sob o Artigo 3º da Lei do Audiovisual crescerão 30 % em 2004 em relação ao ano anterior. Em 2003 a arrecadação total foi de R$ 41,7 milhões. Em 2004, no período de janeiro a agosto o recolhimento foi de R$ 36 milhões, sendo previsto o valor total de R$ 54 milhões até dezembro. Já o Artigo 39 da MP 2.228-1, que isenta do pagamento da Condecine as programadoras estrangeiras de TV por assinatura que invistam 3% do valor da remessa ao exterior na co-produção de obras brasileiras de produção independente, recolheu no ano passado R$ 14,3 milhões. No período de janeiro a agosto de 2004, a arrecadação foi de R$ 12,8 milhões, e está previsto que este montante alcance a cifra de R$ 19,2 milhões até dezembro, resultando em 35% acima do valor atingido no ano passado.

Desenho nacional

O canal de TV por assinatura Locomotion (disponível nas operações TVA e DirecTV), focado em animação adulta, procura séries de animação brasileira para sua programação. Segundo a gerente de programação e aquisição do canal, Wilma Maciel (foto), a programação é composta hoje majoritariamente por animes (animação japonesa), porque o gênero tem boa audiência e é praticamente o único que atende o público-alvo do canal, que vai dos 12 aos 24 anos. Mas o canal quer diversificar.

Pizani, o novo piloto da Abert

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usados para descrever a proposta do governo. O presidente da Abert é direto: “a taxação da televisão é inaceitável. Querem tirar recursos de um setor que oferece um serviço gratuito e permanente para fomentar outros setores”, diz. Confrontado com a versão do MinC, de que a taxação é sobre quem contrata publicidade para TV, Pizani é categórico. “Taxar a publicidade é a mesma coisa que tirar receita da TV. É disso, e só disso, que nós vivemos”. Ele reconhece que a proposta do Ministério da Cultura tocou em pontos que são da preocupação dos radiodifusores, como o estabelecimento de regras para a exploração audiovisual por empresas de telecomunicações, o que é um pleito antigo da TV brasileira. “Mas da forma como isso está colocado, o

foto: Divulgação

novo presidente da Abert, José Inácio Pizani (foto), que assumiu no início de setembro, é um homem do ramo. Radiodifusor, ele se elegeu e promete dar à associação um caráter empresarial. Quer passar as reais demandas dos empresários do setor, principalmente os de pequeno e médio porte, para a dianteira da condução estratégica da associação. Pizani já escolheu as batalhas: digitalização do rádio, briga contra as taxações e contra a ingerência do governo na radiodifusão (leia-se Ancinav) e conciliação dentro do setor. Sobre a Ancinav, Pizani é duro: “aviltante”, “discriminatório”, “equivocado”, “inaceitável”, são alguns dos adjetivos 

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anteprojeto fica inaceitável”. IBOC já Sobre rádio digital, a Abert deve ter uma postura bem menos complacente em relação à que mantém quando o assunto é TV digital. Na questão do rádio, a idéia é defender com todas as forças o padrão que já existe, não requer mais espectro, custará pouco aos radiodifusores e não criará interferências nas operações já existentes: o IBOC, norte-americano. “Estamos ainda na fase de estudos, mas parece que é o caminho mais lógico, pois não se mexe no espectro, nem na canalização, nem nas outorgas”. Os radiodifusores vão esperar até que o governo decida qual será o padrão do rádio digital antes de iniciar o processo de digitalização, como está acontecen­ do com a TV? Pizani diz que sim, mas nesse caso os argumentos para se esperar terão que ser muito sólidos.

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Mercado internacional

Associação

independente Vários distribuidores independentes de cinema e vídeo estão trabalhando na criação da Abradi (Associação Brasileira dos Distribuidores Independentes). Formada, a princípio, por um grupo de sete empresas, a associação vem sendo formatada há um ano, em diversas reuniões entre os distribuidores. Farão parte da associação Lumière, Pandora Filmes, Paris Filmes, Playarte, Immovision, Filmes do Estação e Mais Filmes.

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foto: arquivo

fotos: Divulgação

“O melhor caminho para o músico brasileiro é o aeroporto”. De uma maneira menos radical, a máxima de Tom Jobim parece valer também para o cinema. Gradualmente os produtores nacionais começam a enxergar o mercado internacional de uma maneira diferente, procurando lá fora não apenas janelas para exibir seu filme, mas também financiamento para produção. A BSB Cinema fechou no Festival do Rio (leia matéria na página 38) um acordo de co-produção e co-financiamento com a francesa EuropaCorp, de Luc Besson e Pierre-Ange Le Pogam. Trata-se de um “mini-estúdio europeu”, define Christian de Castro, sócio da BSB, produtora baseada em Brasília. A empresa vendeu algo em torno de Ä 100 milhões este ano, e desde 2000 produziu 25 filmes, sozinha ou em co-produções, com orçamentos variando de Ä 2 milhões a Ä 40 milhões. O acordo é para “Federal”, o primeiro longa-metragem de ficção do diretor Erik de Castro, também sócio da produtora e responsável pelo documentário “Senta a Pua!”. Segundo Christian de Castro, a produtora vem procurando trabalhar internacionalmente para viabilizar o filme, uma maneira de não depender apenas dos editais e da seleção das estatais. “Federal”, que participou do laboratório de Sundance em março de 2001, juntamente com “Do Outro Lado da Rua” e “Caminho das Nuvens”, já conta com o apoio da Special Effects Unlimited, de Hollywood, que ficará responsável pelos efeitos O produtor Christian de Castro (no alto) especiais. Mesmo alguns dos parceiros e e o diretor Erik de Castro (acima), da investidores nacionais que estão aposBSB Cinema, que fecharam acordo de tando no longa foram apresentados ao co-produção com a EuropaCorp, de Luc projeto com uma “ajuda internacional”. O Besson, para o longa “Federal”. francês baseado no Brasil Thierry Perrone, que é produtor associado de “Federal”, foi quem apresentou o filme à distribuidora Lumière, no início de 2003, com quem fecharam a distribuição nacional. Outra parceria nacional, a Rio Filme, tomou conhecimento do projeto no Festival de Berlim. Foram justamente a Lumière e a Rio Filme que apresentaram, entre outros, o longa da BSB à EuropaCorp, que, através de seu o diretor artístico, François da Silva, veio procurar projetos para co-produção franco-brasileira. “Federal” acabou sendo o primeiro escolhido pela produtora francesa, com a negociação começando no festival de Cannes. Vale lembrar que o parceiro internacional traz ao longa, que deve estar pronto no primeiro semestre de 2006, muito mais do que dinheiro, mas a garantia de uma distribuição forte no mercado europeu. Christian de Castro vai além. Para ele, trata-se da entrada de um novo player no mercado brasileiro. “Um player que está buscando uma expansão e que tem como característica ter um realizador como sócio, o Luc Beson”, completa.

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Made in Brasil Um programa criado no Brasil pela Endemol Globo, o reality show “Prontos para Casar” (“Ready to Wed”), está sendo negociado pela Endemol internacional para veiculação na Alemanha, Inglaterra e Itália, conta a diretora da Endemol Globo, Carla Affonso (na foto com Ana Langenberg, gerente de licenciamento e programação internacional da Endemol para a América Latina, Ibéria, China, Índia e Japão). Além da “exportação” de um formato brasileiro no exterior, a novidade da produtora holandesa no Brasil é a estréia este mês na Bandeirantes de “Na Pressão”, primeira produção da Endemol brasileira fora da TV Globo.


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Fotos: DIVULGAçÃO

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OSMANIL DA SILVA

Da metalurgia para o set

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á 12 anos trabalhando em cinema, Osmanil da Silva não imaginava que encontraria nesta indústria uma profissão mais rentável e prazerosa do que sua carreira de metalúrgico. Demitido em um corte radical na fábrica em que trabalhava, comprou uma pick-up e se tornou motorista de produção graças à influência de um primo, que já atuava

coisas na brincadeira. Quando comecei, me mandaram buscar o pó de foco, depois me fizeram voltar na locadora de equipamentos porque eu tinha esquecido de pegar o gancho de puxar nuvem... claro que depois a gente passa essas brincadeiras para frente. Ainda mais nos longas, que têm tantos estagiários. Sempre nos bastidores, transportando não só os equipamentos, mas também equipe e elenco, as histórias são muitas.

os transportes — controlando e orientando todos os motoristas da equipe. Também está começando a fazer assistência de platô, termo usado no Rio de Janeiro para produtor de set. Em alguns projetos, contrata outros motoristas através de sua empresa para prestar serviços às produtoras. Quando viaja para longe, prefere alugar carros no local. Já fui com o meu carro até o Pará. Foram três dias sozinho na estrada, a viagem mais longa que fiz. Nunca mais faço isso. No começo, não havia tantas produções e nem tão grandes. Aos poucos, os filmes foram tomando grande parte de seu tempo. Para filmar “Acquaria”, de Flavia Moraes, Osmanil passou oito meses em Campinas, no estúdio alugado pela produtora. Nesses 12 anos, fez “Castelo-Rá-Tim-Bum”, “Através da Janela”, “Dois Córregos”, “Garotas do ABC”, “Carandiru”, “Desmundo”... e muitos outros longas e curtas. Estava no Espírito Santo para a filmagem de um vídeo institucional, de lá ia para Belo Horizonte. De um serviço, acaba sendo indicado para outro e assim nunca fica parado e trabalha sempre com novas pessoas. Às vezes pensa em largar essa vida, trabalhar de novo numa firma, com fim de semana, férias, horário fixo. Afinal, a família sofre. Trabalho muito, mas no fim tem recompensa.

“Me mandaram buscar o pó de foco, depois pegar o gancho de puxar nuvem.” na área. A mudança foi radical. Às vezes penso em sair dessa área, que é tão cansativa, mas cada filme é único, a gente conhece mais gente, é um trabalho que nunca se repete. Depois de três anos no mercado, Osmanil foi chamado para trabalhar no Canal Rural. Ficou um ano, mas voltou ao cinema e à publicidade. Já veterano, começou a se divertir com os trotes que os novatos acabam recebendo. Essa é uma área em que a gente precisa levar as

Uma vez uma atriz — não posso falar o nome, sabe? — precisava ir ao banheiro e a gente estava no meio da estrada. Sugeri que ela fizesse num copinho, na van. Ela topou na hora, sem problemas. Mas é claro que o copinho não deu e escorreu tudo pela van... Com a experiência que adquiriu como motorista, agora Osmanil está começando a assumir outras responsabilidades. Na última temporada do seriado “Cidade dos Homens”, produzido pela O2 Filmes, coordenou 12

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Estou para fazer um passeio com meus filhos no zoológico e não consigo. Tenho uma filha de três anos e falo com ela todos os dias. Aí ela me pergunta: você vai dormir no hotel de novo? Ela não sabe onde estou, só sabe que se não estou em casa é porque vou dormir no hotel. Mas não adianta: sempre que pensa em mudar, acaba recebendo outro convite e assim vai. Não tem jeito. Essa profissão tem que gostar.  (Lizandra de Almeida)


Reestruturação no SBT

Reforço no aten­di­men­to

Viviane Sade é a nova con­tra­ta­da do escri­tó­rio do Rio de Janeiro da Giovanni, FCB. Ela assu­me o cargo de super­vi­so­ra de con­tas, para aten­der o jor­nal O Globo e a empre­sa Leader. Em seu cur­rí­cu­lo, Viviane traz pas­sa­ gens por agên­cias como Script, PB Marketing Direto e DM9.

Academia em Curitiba

O SBT anun­ciou no final de setem­bro, um plano de rees­tru­tu­ra­ção orga­ni­za­cio­ nal. A empre­sa passa a ser com­pos­ta por qua­tro novas dire­to­rias: dire­to­ria de pro­ du­ção, sob a res­pon­sa­bi­li­da­de de Leon Abravanel; diretoria técnica e de operações de produção, sob o comando de Roberto Franco; diretoria de administração e finanças, sob a coordenação de José Antônio Maciel; e diretoria comercial, sob a responsabilidade de Cláudio Santos. Com a rees­tru­tu­ra­ção foi extin­ta a supe­ rin­ten­dên­cia comer­cial, até então sob a res­pon­sa­bi­li­da­de de Antonio Athayde. A dire­to­ria de ope­ra­ções comer­ciais tam­ bém será extin­ta, sendo suas fun­ções trans­fe­ri­das para a dire­to­ria de admi­nis­ tra­ção e finan­ças. As áreas de mar­ke­ting e de novos negó­cios per­ma­ne­cem sob a res­pon­sa­bi­li­da­de de Eduardo Barrieu e

Rodrigo Marti, res­pec­ti­va­men­te.

DJ na publi­ci­da­de José Roberto Rosa Filho, conhe­ci­do como Beto Dog Face (ex-Tesis), é o novo pro­du­tor e fina­li­za­dor de comer­ciais na V.U. Studio. Seu pri­mei­ro tra­ba­lho será a pro­du­ção do novo filme de Coca-Cola da McCann-Erickson do Rio, que terá dire­ ção de Ricardo Carvalho, o “Gordo”, e tri­ lha com­pos­ta por Alvaro Fernando. Beto tam­bém toca como DJ de Drum N’ Bass.

A Academia de Filmes con­tra­tou Dino Camargo para a dire­ção exe­cu­ti­va da sede da pro­du­ to­ra em Curitiba. O pro­fis­sio­nal já diri­giu áreas de aten­di­men­to e pla­ne­ja­men­to da DM9DDB, Master e Opus Múltipla. Recentemente foi res­pon­sá­vel pela dire­ção geral da pro­du­to­ra GW/Sul.

Novos con­se­lhei­ros Elifas Gurgel do Amaral e Plínio de Aguiar Júnior foram apro­va­dos no Senado por 34 votos a favor con­tra oito con­trá­rios para o con­se­lho da Anatel. Aguiar Júnior é o res­pon­sá­ vel pela coor­de­na­ção dos tra­ba­lhos do Grupo Gestor de TV Digital do Minicom e foi fun­cio­ná­rio da Embratel. Gurgel do Amaral é enge­nhei­ro, secre­ tá­rio de comu­ni­ca­ção ­social ele­trô­ni­ca do Minicom e tem gran­de expe­riên­cia em car­gos liga­dos à área de infor­má­ti­ ca, prin­ci­pal­men­te no setor mili­tar.

Da esq. para a dir. Binho, Balu, Karen e Débora.

Gente nova na Prodigo A produtora Prodigo Films reformulou seu departamento de arte com as contratações de quatro profissionais. Balu Gimenez, ex-Academia de Filmes, é o mais novo coordenador de pós-produção da produtora. Gimenez também trabalhou por quatro anos na Casablanca Service Provider. Rubens Miranda Jr (Binho), ex-Euro RSCG 4D, e Karen Zlochevsky, ex-Ideiaimagem, também vão integrar o departamento, como diretores de arte. Para completar a equipe, foi contratada Débora Di Grado, ex-R. Cunha, para o cargo de assistente de arte.

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( capa )

por Carlos Eduardo Zanatta e Samuel Possebon

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Comendo pelas beiradas Novas redes, em geral baseadas em UHF, vivem rápida expansão e movimentam o mercado de radiodifusão no Brasil. Querem agora ganhar espaço comercial.

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uem olha o mercado de televisão do Brasil a partir de centros como São Paulo e Rio de Janeiro não percebe um movimento silencioso que está acontecendo: o crescimento de uma infinidade de redes de televisão que surgiram à margem das congestionadas freqüências de VHF dos grandes centros e que são hoje responsáveis por boa parte da economia do mercado de radiodifusão no Brasil. São redes em geral regionais, algumas nacionais, com programação própria, boa parte

delas financiada com “capital divino”, dinheiro de igrejas que enxergaram na TV a chance de falar mais para mais gente. Não há números precisos sobre esse mercado paralelo, nem mapeamentos consistentes. Mas, como se verá nesta reportagem, o movimento é forte, começou a surgir na década de 90 com redes comerciais pioneiras como MTV e Rede 21, e enfrentou sua fase de rápida expansão nos últimos cinco anos. Os impactos desse mercado de novos entrantes ainda precisam ser medidos. Vão desde um rearranjo na distribuição das verbas publicitárias até discussões mais complicadas sobre o excesso de 14

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proselitismo na TV. Ainda merecem análise as mudanças que essas novas redes colocam nas relações entre mídia e poder no Brasil. Também será necessário discutir no futuro o impacto dessas redes na viabilização da TV digital do Brasil, já que o espectro UHF está sendo consumido com rapidez num acelerado processo de autorização de retransmissoras. O fato é que essas novas redes são hoje, aparentemente, o combustível do mercado de radiodifusão no País e não podem ser ignoradas. Uma das redes que mais cresce nos últimos anos e que tem dedicado esforços redobrados não só para se consolidar como também para criar uma espécie de consciência institucional no mercado de emissoras em UHF é a RIT, ligada à Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário R.R. Soares. São cinco geradoras e mais de 80 retransmissoras em todo o Brasil, com cobertura estimada em 70 milhões de pessoas. A RIT surgiu em 1999 e já é hoje referência para outros grupos religiosos. Não por acaso, a RIT resolveu liderar a iniciativa de agregar todas as redes UHF (e não só as evangélicas) em torno de uma associação, para dar peso institucional ao setor. “Hoje temos demandas comuns e problemas semelhantes a resolver”, diz Luiz Mauro Santos Silva, superintendente da RIT, que recentemente se tornou também presidente da ABTVU, uma associação que originalmente estava concentrada apenas na questão das licenças de Serviço Especial de TV por Assinatura (TVAs), mas que a partir da nova gestão atenderá todas as demandas dos radiodifusores em UHF. “Hoje há pelo menos


11 grandes redes surgindo ou se onde não há mais disponibilidade importância da união institucional, consolidando no UHF. A maior parte de alocação de novas geradoras e independente da vinculação religiosa delas investindo alto, algumas cerca retransmissoras. “Há tecnologia simples ou do objetivo comercial. “É inegável de R$ 8 milhões por ano só em e barata para viabilizar tecnicamente o que as novas redes estão surgindo equipamentos para expansão, fora uso desses canais”. Luiz Mauro prefere e vão continuar a surgir pelo UHF, e os gastos em produção e sem citar as não comentar o assunto, que já rendeu o ideal é que esse processo se dê de emissoras de TVA, que também têm polêmica com as grandes redes. A forma organizada. Por isso prego a grande potencial”, diz. O executivo TV Globo, por exemplo, chegou a se união entre todos.” destaca alguns pontos comuns que manifestar junto à Anatel contrária aos preocupam todo o segmento de testes de filtros de canais adjacentes Pioneira UHF, não necessariamente nessa em São Paulo. A emissora entende A pioneira MTV é praticamente ordem: 1) mostrar institucionalmente que o espectro está sobrecarregado um sinônimo de redes de televisão que UHF não é TV fechada; 2) difundir e que a ocupação dos canais poderia que cresceram na época em que as novas redes junto ao mercado comprometer o processo de migração o UHF era coisa rara nos grandes publicitário; 3) ajustar a situação das para a TV digital. centros. Hoje a MTV está em redes UHF montadas em cima de Para Luiz Mauro, a concorrência não praticamente todas as capitais mais canais secundários; 4) encontrar uma deveria ser vista como um problema. “Essa populosas do Brasil e planeja lançar solução definitiva para as TVAs; 5) concorrência já existe hoje, ainda que não uma segunda rede, batizada de viabilizar o uso de canais adjacentes apareça no Ibope. Só a Igreja Internacional M2. “Ainda não está definido, mas a com a adoção de novas tecnologias. da Graça de Deus, ligada à RIT, tem 150 mil segunda MTV será, provavelmente, “Hoje as redes em UHF são uma rede para um público mais assistidas de maneira muito mais específico, e que certamente expressiva do que mostram os começará sendo distribuída números das grandes cidades. apenas A RIT, a Rede Família, a Canção pela TV paga, mas nada Nova, que são redes de orientação impede que busquemos religiosa, têm uma grande retransmissoras em UHF para quantidade de telespectadores ela”, diz José Wilson Fonseca, até pelo trabalho de divulgação diretor de marketing e que se faz junto aos fiéis. E há afiliadas da MTV. redes estritamente comerciais, A MTV não se arrepende de como MTV, Rede 21, TV Sul, TV ter montado a rede em UHF. Diário e outras que crescem com “É claro que, inicialmente, uma programação forte, que “As agências olham torto para o UHF, acham o VHF é muito mais inte­ mostra coisas diferentes daquilo que é TV por assinatura, que ninguém vê” ressante, mas depois de um que se pode ver nas outras redes Mário Baccei, da Rede 21 tempo as pessoas aprendem abertas”, diz Luiz Mauro. a sintonizar os canais além No caso da expressiva do canal 13 e aí a situação se expansão das redes religiosas, fiéis no Rio de Janeiro. É óbvio que esse iguala”, diz. “O impacto do canal o presidente da ABTVU e povo assiste à nossa programação porque aberto é muito forte, mesmo em superintendente da RIT reconhece ela é de seu interesse.” Ele lembra ainda UHF”. que o que se busca é uma forma que os institutos de pesquisa não medem Mas a MTV, que é, ao lado mais simples de falar com o público de maneira uniforme os mercados fora da Rede 21, uma das principais alvo. “Não tem nada de errado em dos grandes centros, e é lá que as redes emissoras de televisão do País na ter conteúdo religioso na TV. Há em UHF estão realmente crescendo, diz. faixa de UHF, reconhece algumas opções de todos as naturezas, e isso A RIT tem orientação religiosa, mas dificuldades inerentes à opção de é democrático. São redes de nichos quer encontrar a viabilização comercial, crescimento. “Não haveria como querendo se comunicar com o assim como a maioria das redes ligadas a fazer a rede que fizemos se não fosse mundo, e a TV é o melhor igrejas. Luiz Mauro lembra que o público nessas faixas de freqüência, porque caminho para isso”, diz. “Entendemos telespectador religioso também consome o espectro estava tomado nas que é função do governo viabilizar e é, portanto, qualificado para receber grandes cidades. O problema é que espaço para todos.” mensagens publicitárias. ainda hoje muita gente do mercado Por essa razão, Luiz Mauro Hoje ele percorre o Brasil para publicitário não entende direito o defende o uso dos canais adjacentes, convencer os diversos radiodifusores que que é o UHF. Esse mercado de UHF principalmente nos grandes centros, têm montado suas redes em UHF sobre a que começou a surgir há pouco mais T e l a

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( capa ) de dez anos pegou o regimento da rede e pretende investir mais R$ 60 TV paga, e isso embolou ainda mais milhões. as coisas na cabeça das agências”. Fonseca admite que a MTV teve Foco local que desbravar território, e por isso Se alguns vão pelo caminho talvez seja mais fácil o caminho das grandes redes nacionais, das dezenas de emissoras que principalmente os radiodifusores estão montando suas redes em que têm base em grupos religiosos, UHF nos últimos três anos. “No outros preferem o foco regional. começo, tínhamos que ensinar Uma das novas redes em UHF que as pessoas em todas as cidades a mais resultados têm apresentado é a sintonizarem o canal. Acho que TV Sul, do Espírito Santo. Em poucos com os televisores mais modernos anos, essa pequena emissora de e com o nosso trabalho isso já não Cachoeiro do Itapemirim chegou a é mais tão necessário a quem está 28 cidades do Sul do Estado e logo entrando.” Fonseca lembra que a começará a gerar programação a MTV está há 14 anos no ar e ainda partir de Vitória. “Aqui a coisa foi precisa fazer campanhas pontuais feita de forma simples, pelo básico. de sintonização, “mas não dá para O segredo foi colocar o conteúdo escapar da realidade”. Câmara. Sua rede já chega a 13 capitais regional na televisão”, diz Idalécio A MTV tem uma rede montada e logo entrará no Rio de Janeiro. “Não Carone Filho, proprietário da TV praticamente em cima de geradoras fazemos TV só pela audiência. Fazemos Sul. A rede produz praticamente afiliadas, e não de retransmissoras. TV porque é uma missão, e por isso não toda a sua programação, utilizando “Isso aconteceu naturalmente, não precisamos ter lucro”, diz. o sinal da TV Cultura apenas para por opção direta”. Ao ser perguntado sobre as razões o jornalismo nacional. “Fazer A emissora não pensa em que o fizeram buscar uma rede nacional, programação ao vivo é a forma mais expansão territorial nesse momento. Câmara, que é pastor da Assembléia, barata de ter conteúdo local, então “Somos uma rede de espírito foi rápido. “Percebemos nos últimos a nossa grade tem vários programas urbano, e por isso nossa cobertura é anos a importância que a TV tem na desse tipo.” Entre os destaques estão adequada. Onde nos expandiremos é comunicação de massa, que é uma coisa programas de auditório, entrevistas, como um canal de TV por assinatura que existe dentro da igreja. Ao mesmo programas infantis. A TV Sul se fora dos grandes centros.” tempo, o governo passou a ser mais sustenta apenas com merchandising A realidade de mercado é muito democrático na concessão das outorgas”, e cotas de apoio cultural, pois é uma diferente, por exemplo, da RBN, do diz. Ele ressalta que o processo de emissora educativa, além de serviços Amazonas. “Começamos como uma autorização de retransmissoras ainda não prestados pela produtora do grupo. rede local, voltada para os estados é o ideal, mas melhorou. A RBN já investiu “A gente faz programação barata e do Norte, da região, há mais de dez mais de R$ 30 milhões na construção da de interesse local, mas sem excessos. anos e em VHF. Mas nos últimos três São só 40 funcionários para tocar anos decidimos nos expandir, toda a rede”, diz Carone. “Claro “No começo tínhamos que ensinar as pesoas que fazer TV é um investimento falar para todo o Brasil, e por isso a sintonizarem o canal. Hoje é mais fácil” de longo prazo. A gente já começamos a montar a rede em José Wilson Fonseca, da MTV UHF”, diz Samuel Câmara, diretor investiu mais de US$ 1,2 milhão da RBN. “Temos um projeto de e o retorno disso é muito lento, integração, e a TV é o melhor mas é possível. Todo mundo caminho”, diz. A RBN era uma pensa que televisão é Globo, rede originalmente comercial SBT, mas TV regional é outra que foi assumida pela Assembléia coisa. É algo para as pessoas se de Deus e só então começou verem, e funciona.” a se expandir. Hoje tem 178 A expansão para Vitória retransmissoras, incluindo o canal se dará por meio da licença 44 de São Paulo. “Os custos de do Serviço Especial de TV por fazer televisão são elevados, mas Assinatura (TVA), associada a um são parecidos se você tem uma canal UHF. “Agora que temos a emissora ou se tem uma rede, certeza de que 45% do tempo então é melhor expandir”, diz poderão ser usados de forma 16

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aberta, vale a pena”, diz Carone, referindo-se às novas regras para as TVAs editadas em outubro (ver box). Outro fator que permite não só a expansão, mas o crescimento da rede é o custo dos equipamentos. “É verdade que o dólar subiu muito de três anos, quando montamos isso, para cá. Mas hoje as tecnologias estão muito mais baratas e acessíveis. A minha rede é toda não-linear, trabalho com mini-DV. Isso custa muito menos e dá muito mais qualidade do que há cinco anos.” Idalécio Carone, entretanto, não recomenda aventuras: “Se é para fazer televisão, tem que ter conteúdo bom. Não adianta só ter a rede e o equipamento”. A TV Sul é uma das exceções em um mercado em que a grande maioria das redes que está sendo formada tem apoio religioso. “Aqui não tem dinheiro de igreja. A gente cede espaço na programação para a missa dos católicos e para alguns pastores equilibrados passarem sua mensagem durante a madrugada, mas não cobramos por isso não.” Outra rede estritamente comercial que tem crescido muito nos últimos anos e que montou sua rede em cima do UHF é a Rede 21, da Bandeirantes. Mário Baccei, diretor geral, explica que a rede começou com um canal voltado só para São Paulo em 1996, e que a partir de 2002 iniciou-se um processo de expansão com uma rede de afiliadas

que hoje já chega a 15 praças, incluindo as principais capitais. “As afiliadas nos procuraram porque tínhamos uma programação de alta qualidade, com muito conteúdo que só se vê na TV por assinatura”, explica Baccei. “A Rede 21 começa, agora, a investir em conteúdo de qualidade local”, diz Baccei, ressaltando um processo já em curso. A rede tinha uma outra característica em sua origem: faturava em cima do aluguel de tempo. “Em 2002, nossa receita era 100% da programação locada. Agora, esse percentual caiu pela metade e vai continuar caindo”, diz. A rede ainda fatura pouco se comparado com grandes redes

Gallo (ex-MTV, Rede TV! e Bandeirantes) para coordenar sua grade de programação. Outra rede que promete ser grande é a TV Paulista, do apresentador Gugu Liberato. A geradora será a TV Pantanal, de Cuiabá, mas a liberação da outorga ainda depende de decisão judicial. Por enquanto, a geradora está no ar apenas com barras coloridas. Já estão instaladas as retransmissoras de Arujá (SP), Belém, Bocaiúva do Sul (PR), Campo Grande, Florianópolis, Goiânia, São Luis e Sorocaba (SP), e estão em fase de instalação Palmas, Brasília, Maceió. Em Uberaba (MG),

segundo luiz mauro, da ABTVU, canais são muito mais assistidos do que mostram os números abertas nacionais. Foram R$ 18 milhões em 2003, mas é algo 54% maior do que no ano anterior, e a rede já trabalha no azul. Para Baccei, o problema das redes UHF infelizmente ainda é se vender para o mercado publicitário. “Não adianta esconder, as agências ainda olham de forma torta para o UHF, acham que é coisa que ninguém vê, que é TV por assinatura. Nós é que temos que diplomá-los nesse assunto, nós é que temos que mostrar que há vida além do 13”, em referência ao limite entre os canais de VHF e UHF. “UHF não é mais a TV que a gente tinha na praia antigamente.” Vale lembrar que a Rede 21 está desenvolvendo programas jornalísticos e femininos e contratou, recentemente, Rogério

Porto Alegre, Manaus e João Pessoa a rede ainda espera a liberação. A empresa calcula gastar, em média, entre R$ 600 mil e R$ 700 mil reais para instalar cada uma das retransmissoras. O problema de Gugu é que com a incerteza e o imbróglio jurídico com sua geradora, as retransmissoras estão ociosas, e depois de um ano isso começa a representar infração às regras impostas aos retransmissores. Por isso, algumas delas estão sendo oferecidas a outras redes, ainda que o controle seja mantido em nome da TV Paulista. O Canal 21, de Curitiba, é a cabeça de outra importante rede que

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A origem de tudo A explosão das novas redes começou há cerca de cinco anos, no governo FHC. Quem faz um bom diagnóstico é o ex-ministro das Comunicações, Juarez Quadros. Ele relata que, quando o ex-ministro Sérgio Motta foi nomeado para as Comunicações, havia uma montanha de pedidos para retransmissoras de televisão. “Existiam cerca de sete mil pedidos acumulados no ministério”, diz. Por decisão política do ministro e com a anuência do presidente, o ministério passou a conceder as retransmissoras para quem pedisse, numa clara atitude de ampliar o mercado de televisão no País. Foi aí que se estabeleceram metas quantitativas para as autorizações a serem concedidas a cada ano, “e começamos a conceder as retransmissoras para todos os que pediram”. Quadros explica que a opção pelas outorgas nos canais de UHF deveu-se ao esgotamento dos canais em VHF, especialmente nas maiores localidades. Segundo o ex-ministro, um dos principais problemas de o

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Juarez Quadros

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País ter ficado tanto tempo sem atender à demanda por retransmissoras foi o grande número de operações clandestinas que surgiu. “Como o ministério, nos governos Collor e Itamar, não concedia autorizações, o pessoal colocava as retransmissoras no ar na marra. E muitas vezes os canais nem existiam no plano básico.” Essa situação se verificou com prefeituras que queriam disponibilizar os canais das grandes redes para os seus municípios. “Foi muito difícil acertar tudo, porque boa parte da documentação que acompanhava os pedidos já havia perdido a validade ou estava incompleta.” Na opinião de Juarez Quadros, não há porque limitar as outorgas de retransmissoras na medida em que existam interessados em operá-las. Também é importante permitir que as emissoras locais possam criar suas próprias redes, mesmo estando ligadas às redes nacionais para o conteúdo principal. “É uma questão de democracia”, defende.

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( capa ) está surgindo. A geradora é a Rádio e Televisão Rotioner, do empresário Luiz Mussi, atual secretário de Indústria e Comércio do Estado do Paraná. O empresário é ligado ao grupo político de Paulo Pimentel e também a Roberto Requião. Atualmente, o Canal 21 transmite programação da TV Gazeta de São Paulo e seis horas diárias geradas em Curitiba com conteúdo jornalístico e programas realizados com a Universidade Federal do Paraná. De acordo com Décio Bittencourt, diretor comercial da empresa, o projeto é ter uma rede regional que atinja todo o Estado com 88 retransmissoras que venham a cobrir 95% da população

agora. A geradora tem 53 retransmissoras nas principais cidades do Estado. Em oito delas existe atualmente programação local por força do decreto de RTV, que permite às retransmissoras na Região Amazônica a inserção de percentual de programação própria. São as chamadas retransmissoras mistas, alvo de muita polêmica “A gente faz programação barata de interesse no passado. local. São 40 funcionários para tocar a rede” Idalécio Carone Filho, da TV Sul Na avaliação de Lourençon, o uso de paranaense. O projeto está orçado em satélites para retransmitir cerca de R$ 7,5 milhões, e atualmente o a programação é o principal grupo busca parceiros econômicos para problema das redes do interior esta empreitada. Vale lembrar que o do País. A reclamação é o preço, grupo não tem nenhuma relação com a excessivo para as redes de pequeno Rede 21, da Band. “Não há no Brasil mais porte. espaço para redes nacionais. Como já A TV Gênesis é outra grande acontece nos Estados Unidos, o futuro é rede em desenvolvimento. É ligada das redes regionais e locais”, diz. “Para um à igreja Sara Nossa Terra. A emissora país com as dimensões do Brasil, não há geradora é o canal 30 de Brasília. outro caminho, pois não existe mercado De acordo com Samuel Rodovalho, que possa sustentar mais uma rede superintendente da emissora, até nacional.” Para Décio Bittencourt, as redes o momento a empresa ainda não nacionais produzem distorções culturais recebeu nenhuma autorização do significativas e, em relação à educação Minicom para operar retransmissoras e à cidadania, a televisão brasileira está abertas, e por isso só está na TV paga devendo ao País uma contribuição que fora de Brasília. Mas ele acredita que ainda não foi totalmente equacionada. o Ministério das Comunicações não tardará a liberar os pedidos feitos Regional para ter retransmissoras e atender Outra grande rede regional que sua demanda de audiência, “ está surgindo é a TV Cidade Verde, de assim como as outras emissoras Cuiabá, que, apesar de ser afiliada do religiosas que receberam SBT, está colocando todo o foco possível autorização de retransmissão em programação própria. É mais um dos nas principais localidades”. casos de gente que nunca mexeu com A Fundação Nossa Senhora de televisão (no caso, eram empresários Nazaré, de Belém do Pará, é ligada de combustível) que entraram no à Arquidiocese de Belém e uma ramo. De acordo com Carlos Roberto geradora na capital paraense. Já Lourençon, diretor da emissora, a situação solicitou 89 retransmissoras na inicialmente era extremamente crítica: Região Norte, incluídas todas as os equipamentos estavam totalmente capitais. Estão em funcionamento obsoletos, trabalhavam numa sede apenas nove retransmissoras, mas alugada e não tinham penetração no espera colocar as outras 80 no ar interior do Estado. Foi feito um projeto até o final do ano. Como todas as para dez anos de trabalho que já retransmissoras da região amazônica consumiu cerca de US$ 20 milhões até são consideradas retransmissoras

Fé na TV, pode?

Umas das discussões que sempre acabam voltando quando se fala em novas redes UHF é a exploração de caráter religioso do espectro de freqüência, que é um bem público. Não existe na legislação nada que impeça qualquer grupo religioso de se tornar radiodifusor, muito menos qualquer forma de restrição legal à programação. O artigo 38, alínea D, da Lei 4.117/62 diz: “Os serviços de informação, divertimento, propaganda e publicidade das empresas de radiodifusão estão subordinados às Missionário finalidades educativas e culturais inerentes à R. R. Soares radiodifusão, visando aos superiores interesses do País”. Já o artigo 53 da mesma lei, na alínea E, diz que é abuso, no exercício de liberdade de radiodifusão, o emprego desse meio de comunicação para “promover campanha discriminatória de classe, cor, raça ou religião”. Parece anacrônico, mas a alínea L seguinte diz que “colaborar na prática de rebeldia, desordens ou manifestações proibidas” também é abuso. E obviamente, a lei impede que se ofenda “a moral familiar pública, ou os bons costumes” (alínea H). O artigo 3º do Decreto 52.795/63 diz que os serviços de radiodifusão têm finalidade educativa e cultural mesmo em seus aspectos informativo e recreativo, e são considerados de interesse nacional, sendo permitida a exploração comercial dos mesmos na medida em que não prejudique esse interesse e aquela finalidade. A única limitação ao proselitismo está na legislação de radiodifusão comunitária, especificamente na Lei 9.612 de 1998, artigo 4º, parágrafo 1. Como é a lei mais recente sobre radiodifusão, poderia ser entendida como uma atualização da intenção do legislador, mas a questão é polêmica.

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mistas, podendo produzir parte da programação veiculada, a Fundação Nazaré se prepara para aproveitar esta oportunidade e produzir programação que venha a atender os interesses da população da região. De acordo com o diretor da TV, Mário Tito Almeida, em média a instalação de cada retransmissora custa em torno de R$ 50 mil, mas sem contar com nenhuma estrutura de produção local que deverá ficar para uma segunda fase do projeto. Outro fenômeno interessante é a TV Diário, de Fortaleza, pertencente ao grupo empresarial Edson Queiroz (proprietários da TV Verdes Mares, afiliada da Globo). A emissora não tem, neste primeiro momento, a pretensão de ser uma rede. Mas por fazer programação específica para a comunidade nordestina, existe uma grande quantidade de retransmissoras que voluntariamente

pedem para levar o sinal da geradora, que está no satélite. Segundo Edilmar Noronhes, diretor da TV Diário, o sucesso dessa rede involuntária, cujo tamanho ele não revela, mostra que é possível e bastante viável o plano de ter “uma

cadeia de televisão voltada para os nordestinos em todo o Brasil”. Há ainda uma infinidade de outras redes surgindo, sobre as quais não foi possível obter mais informações até o fechamento desta edição. Há a CBS (Comunicação Brasil Sat), de Pelotas/RS, que também investe em uma rede nacional; a rede CBI, do empresário Luiz Roberto DiGênio, que hoje leva a programação Shop Tour; a Rede Mulher, ligada à Igreja Universal e que tem duas geradoras e quase 40 retransmissoras; a Rede Família, também da Universal, com duas geradoras e quase 80 retransmissoras; a rede X-Virtual, especializada em turismo que até recentemente estava na TV paga, de onde saiu por questões contratuais, mas que ainda tem uma geradora no interior do Ceará e busca retransmissoras; o grupo do

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( capa ) O futuro das TVAs

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xistem no Brasil 25 outorgas do Serviço Especial de TV por Assinatura, conhecido como TVA. São canais de UHF, em geral nas grandes cidades brasileiras, controlados por grandes grupos, que valem em tese uma fortuna, mas que não servem para muita coisa. Isso porque a licença de TVA é um híbrido entre TV aberta e TV paga. A ABTVU (Associação Brasileira de TVs UHF), vem há anos tentando dar uma solução para esses canais. Em outubro, a Anatel decidiu permitir que essas outorgas transmitissem 45% do tempo de forma aberta. A novidade não foi o percentual em si, mas o fato de ele valer agora indefinidamente, até que o MiniCom regulamente o serviço. As empresas que têm as licenças querem, naturalmente, ficar com os canais, de preferência podendo

governador Siqueira Campos, de Tocantins, que quer criar uma rede no Estado; a Rede Vida, ligada à Igreja Católica e que hoje já é uma das maiores redes em UHF do País; a TV Canção Nova, com duas geradoras e 178 retransmissoras; a rede Século XXI, também Católica, com uma geradora e 36 retransmissoras; o Instituto Palavra (grupo evangélico), que tem uma geradora em Uberaba (MG) e busca

transmitir 100% de forma aberta. O problema é que algumas licenças estão vencidas e precisam ser renovadas. Há 12 processos de renovação em curso, alguns envolvendo grandes grupos como Globo, RBS, Abril, O Dia, entre outros. Segundo Luiz Mauro Silva, presidente da associação, encontrar uma solução definitiva para essas empresas é fundamental, pois elas permitiriam o surgimento de novas redes de TV no Brasil. O futuro até agora ninguém conhece. Mas o valor, desse já se tem uma idéia. O grupo Abril, por exemplo, arrendou quatro dessas licenças de UHF reservadas para o serviço de TVA por R$ 8 milhões. Já a Globo, que um dia pensou em usar suas licenças para montar uma segunda rede, desistiu da idéia, por enquanto, de montar a rede e usar as licenças de TVA.

criada de forma forçada, no melhor exemplo do tempo em que o governo optou por segurar as autorizações. Elifas Gurgel do Amaral, secretário de comunicação eletrônica do Ministério das Comunicações, diz que não tem notícia sobre qualquer abuso da Assembléia de Minas. Ao mesmo tempo, o Minicom não confirma autorização para a assembléia mineira ter retransmissoras. Na dúvida, a lista de cidades cobertas está no site www.almg.gov.

tvs das assembléias legislativas pleiteiam licenças de uhf junto ao miniSTÉRIO DAS COMUNICAçÕES retransmissoras; a Fundação Nossa Senhora Aparecida, que quer ser uma rede católica nacional como a Rede Vida; a Fundação Dom José Heleno, de Governador Valadares (MG), que tem uma geradora e quer uma rede regional; a Amazon Sat, do empresário Phelippe Daou, que tem uma geradora em Porto Velho e pretende ser um canal temático sobre a Amazônia; e ainda uma infinidade de pequenos grupos, alguns ligados a igrejas, outros não, que olham com olhos grandes para o poder da comunicação pela televisão.

br/tvalmg/sintonia.asp. O governo do Estado do Mato Grosso em associação com a TV Legislativa da Assembléia Legislativa Estadual daquele estado também pensa em ter uma rede própria, assim como o canal da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará. Nesse caso, já houve

Legislativas Fora essas redes religiosas e comerciais, várias assembléias legislativas de diferentes Estados têm projeto para criação de redes regionais. A Assembléia Legislativa de Minas Gerais já tem, por exemplo, 175 retransmissoras em todo o Estado, mas não tem autorização para nenhuma. Foi uma situação 20

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um pedido formal ao Ministério das Comunicações para obter uma geradora educativa e as retrans­ missoras em todo o Estado. E existe, é claro, um projeto da TV Câmara e da TV Senado de expandir a sua cobertura pelo UHF em todo o País. As TVs legislativas, organizadas na Astral (que congrega os legislativos estaduais mais as TVs CÂmara e Senado), querem agora propor em bloco ao Minicom que conceda outorgas em UHF às Assembléias em cada Estado. Em seminário realizado em setembro último na AL de São Paulo, o deputado estadual Romeu Tuma Jr., defendeu a idéia. “A TV comercial é uma concessão pública, e nós, que somos uma instituição pública, não temos o mesmo espaço. É dever do governo federal proporcionar isso às TVs regionais”, afirmou. Segundo Rodrigo Barreto de Lucena, diretor da TV Assembléia de Minas Gerais e presidente da Astral, o impedimento à concessão de canais abertos para as TVs legislativas vem de uma interpretação equivocada da lei. “A lei diz que órgãos da administração pública podem ter concessões, mas sempre houve um entendimento de que as assembléias não fossem órgãos independentes, não têm perso­nalidade jurídica, que apenas o Executivo representa o Estado. Mas outras leis, como a de respon­sabilidade fiscal, entendem o Legis­lativo estadual como um poder independente. Temos, por exemplo, a procuradoria própria”, explica.


N達o disponivel


( evento)

por André Mermelstein, de Cannes

a n d r e @ t e l a v i v a . c o m . b r

Bonjour Brasil País tem sua maior participação no Mipcom, com a presença das produtoras independentes.

A

ABPI-TV, Marco Altberg, a participação no Sunny Side of the Doc, que no Mipcom representou um avanço no aconteceu em Marselha em julho. desenvolvimento do projeto da ABPI“Foi a primeira vez que o Brasil TV, que na verdade não se limitou à apareceu organizado no evento. produção para TV, estendendo-se a uma Recebemos a visita do ministro ampla gama de produtos audiovisuais francês da Cultura, fomos citados brasileiros. “Este projeto está até na abertura do criando uma importante evento. É muito referência da cultura diferente de aparecer brasileira no exterior que lá carregando uma certamente se transformará malinha, tentando em divisas para o País”, vender um projeto”, afirmou. Segundo Altberg, conta. “Este não é o projeto coloca a produção um projeto para independente no mapa. “A apenas dois anos”, experiência internacional é diz Regina. “Este é um muito educativa para o Brasil. prazo para a avaliação No País, com exceção da TV dos resultados, mas paga e da pública, não se o projeto tem que vê produção independente, “Projeto coloca a produção ser de longo prazo”, independente no mapa”, como acontece na Europa completa. ou no Canadá. A TV aberta é diz Marco Altberg, presidente O estande “guardaum ponto a ser conquistado”, da ABPI-TV chuva” abrigou 17 completou. produtoras independentes e mais Regina Silvério, da Apex, lembra que a TVE, o canal Futura e o Brazilian a participação no Mipcom é o segundo Cinema Promotion, que também tem passo do projeto, após a presença convênio com a Apex para a venda fotos: Divulgação

conteceu entre os dias 4 e 8 de outubro, em Cannes, na França, a vigésima edição do Mipcom, um dos principais mercados mundiais de conteúdo para a televisão. É ali que canais de TV aberta e por assinatura vão buscar filmes, séries, desenhos, shows etc., e é onde os grandes estúdios e produtores independentes expõem e vendem suas produções. A edição deste ano contou com a participação de 3,5 mil empresas, e 11 mil presentes. Do ponto de vista brasileiro, a novidade foi a participação do estande da ABPI-TV (Associação Brasileira dos Produtores Independentes de TV), ali rebatizada de Brazilian TV Producers, seu nome internacional. O estande faz parte do projeto desenvolvido pela associação junto à Apex, a agência brasileira de fomento às exportações, e ao Ministério da Cultura. Segundo o presidente da 22

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de filmes brasileiros no exterior. O espaço foi equipado com quatro salas de reunião, monitores de vídeo para a exibição dos programas e um bar para receber os convidados. Uma das atrações, aliás, foi a festa brasileira, que reuniu cerca de 400 convidados, regada à mais legítima caipirinha de cachaça. Um exemplo da importância que o espaço teve para os produtores brasileiros foi o encontro promovido no estande com representantes das principais TVs estatais da França, como France 2, France 3 e France 5, além de algumas produtoras locais. Os franceses vieram para serem apresentados às produtoras brasileiras e para dizerem que tipo de produções estão procurando para exibir no próximo ano, que foi declarado pelo governo francês como o “Ano do Brasil”. As TVs afirmaram que buscam essencialmente documentários, de preferência entremeados com histórias pessoais.

A TV francesa tem tradição obsessão na na exibição do gênero. França”, conta. Na France 2, os documen­ Denise Gomes, da tários ocupam o horário produtora paulistana nobre, às 20h30. Made, ressalta o Segundo o diretor da conhecimento unidade de documentários proporcionado da emissora, Yves Jeanneau, pelo evento. “Foi o trabalho da TV estatal no importante para “Ano do Brasil” é fazer o conhecer o mercado, público conhecer melhor o os distribuidores País. Ele disse que há uma internacionais. É imagem do Brasil na França importante saber o ligada à música e ao futebol, Regina Silvério, da Apex: fundo que o mercado está para financiar e também às questões da querendo. Bater de co-produções está sendo pobreza e violência, mas porta em porta pode sondado junto ao governo que há interesse em mostrar e às estatais até funcionar, mas o coisas menos conhecidas. ideal é fazer o inverso, “Há coisas, como o programa de combate saber antes o que está à AIDS, que são interessantes de serem sendo comprado. Tem muito mostradas”, exemplificou. Não significa investidor interessado, temos que que as emissoras transmitirão programas entender o que eles querem e sobre o País todos os dias, mas há uma trazê-los ao Brasil.” Mas ela alerta: janela para dois ou três documentários “tem que haver o investidor do lado em alguns dos canais, e principalmente brasileiro também”. muita abertura para contatos. Segundo Adrienne Frejacques, Falta a contrapartida responsável pelo serviço de edição Embora a co-produção não seja e distribuição internacional do canal o forte do evento (e sim a compra franco-alemão Arte, há uma curiosidade e venda de programas acabados), a muito grande por imagens do Brasil. O maior parte das produtoras presentes País, diz ela, provoca muito o imaginário ao Mipcom 2004 julgou muito europeu, principalmente da Europa latina boa, até acima das expectativas, a (França, Itália e Península Ibérica). “Há receptividade que tiveram por parte um forte interesse geopolítico. A vitória das empresas estrangeiras. O que de Lula, por exemplo, representa uma muitos vêm sentindo, no entanto, é esperança que interessa muito à Europa.” que falta ao Brasil a capacidade de Para o ano brasileiro, Adrienne espera oferecer contrapartidas na hora de levar ao canal, cujo foco negociar uma co-produção. é predominantemente Normalmente, em em documentários, filmes uma co-produção que abordem o Brasil sob para TV internacional, esse aspecto geopolítico, uma produtora mas também outros independente associada que tenham caráter de a uma TV local procura novidade e descoberta. outra produtora no Quanto ao estilo, ela outro país, também aponta que a tendência associada a uma TV. na Europa agora é o chamado docudrama, Yves Jeanneau, diretor de documentários da misto de documentário e France 2, explica aos ficção, com reencenação produtores como será de eventos históricos, o “Ano do Brasil” na por exemplo. “É uma França, em 2005 T e l a

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Representantes das principais TVs francesas reuniram-se com as produtoras brasileiras

local procura outra produtora no outro país, também associada a uma TV. Isso garante a exibição/distribui­ ção do produto nos dois países. Além disso, alguns países têm fundos para co-produção e acordos bilaterais. No caso brasileiro, como o mercado ainda não tem a mesma maturidade de locais como França, Espanha ou Canadá, a coisa é mais difícil. Adrienne Frejacques, do canal Arte, deixa isso claro quando apresenta as condições para receber uma proposta de documentário para seu canal. “O Brasil tem profissionalismo e capacidade para

apresentar projetos de alto nível e grande orçamento como os que buscamos, mas as propostas devem ser feitas sempre em triangulação com outro país com o qual a França tenha acordo de co-produção, como o Canadá ou os EUA, com a ajuda de uma produtora local”, afirma. Uma das soluções está prevista no projeto da ABPI-TV com a Apex e o MinC: a criação de um fundo para co-produções, que ainda não saiu. Segundo Regina Silvério, da Apex, o fundo está sendo levantado e deve se concretizar em breve. A agência de exportações entra também com dinheiro no projeto, a fundo perdido, mas exige uma série de contrapartidas

Novelas expandem mercado

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Globo é participante tradicional do Mipcom, onde é conhecida sobretudo pelas novelas, que comercializa no exterior. No estande, a emissora oferecia também séries como “Malhação” (“Young Hearts”), “Mulher” (“Woman”) e “A Casa das Sete Mulheres” (“Seven Women”), além do infantil “Pirlimpimpim” (“Sítio do Picapau Amarelo”). Segundo a diretora de marketing e vendas da emissora, Helena Bernardi, a Globo adotou uma nova abordagem de mercado nos últimos três anos e com isso vem expandindo seu território de atuação. Além de vender para mais países, também vem conseguindo fazer a pré-venda de produções ainda em preparação para o lançamento internacional, como as novelas “Chocolate com Pimenta” e “Celebridades”. Também vem conseguindo penetrar em mercados que estavam desativados, como a Suíça, que adquiriu “Anjo Mau”, ou em mercados regionais, como a Catalunha. Outra novidade é o sucesso na venda de produtos chamados de “alternativos” pela emissora (ou seja, não-novelas). “Cidade dos Homens”, co-produção com a O2 Filmes, foi vendida para a BBC, e graças a um acordo com uma distribuidora internacional chegará a mais de 30 países de língua francesa. Uma curiosidade: segundo Helena, mesmo com as novidades e as produções sofisticadas de hoje, ainda há mercado para clássicos como “A Escrava Isaura”. A novela, de 1976, estreou na Romênia e na Ucrânia.

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em prestação de contas e em fechamento de negócios. Também estão sendo sondados recursos junto à Secom e empresas estatais. Quanto à celebração de acordos bilaterais, Regina diz que o setor precisa se mobilizar para pedi-los ao governo. “Já há uma sensibilização dentro do governo para a questão, mas a demanda tem que vir do setor, que tem que pesquisar possibili­ dades e propor os acordos”, afirma. Em relação à participação de TVs brasileiras no processo, por enquanto apenas as TVs públicas se envolveram. A TVE, aliás, fez parte da comitiva brasileira, através de sua presidente, Beth Carmona, e da diretora-geral da TV, Rosa Crescente. Mas executivos de alto nível das emissoras comerciais visitaram o estande e mostraram-se interessados em conversar sobre possibilidades de parcerias. Alguns, inclusive, tomaram contato pela primeira vez com os produtores independentes, o que foi considerado por muitos uma das principais realizações do evento. Diversidade Dos projetos apresentados pelos brasileiros no Mipcom houve de tudo um pouco. Enquanto empresas como a Synapse, do Rio de Janeiro, foram à feira para vender (e comprar) programas prontos, muitas produtoras foram


atrás de parcerias principal da empresa para co-produzir. na feira foi a busca de A carioca TeleNews, acordos de co-produção por exemplo, veio à para três programas: feira em busca de um documentário co-produção para um sobre o tubarão-limão; documentário sobre “Mapinguari”, sobre uma o impacto econômico preguiça gigante da nos países subdesen­ Chapada Diamantina; e volvidos do dinheiro “Fordlândia”, documentário que imigrantes sobre a cidade criada por remetem de volta Henry Ford na Amazônia a suas famílias. “Em na década de 20 para a alguns países, esse extração de borracha e Para Denise Gomes, da Made, é importante ouvir dinheiro pode chegar que foi abandonada o que o mercado quer e a 40% ou 50% do após uma praga que atrair o investidor estrangeiro PIB”, conta o produtor destruiu as seringueiras. para o Brasil Leonardo Dourado. A Prodigo busca A TeleNews também apresentou distribuição internacional para a série os documentários “Vaidade” e “Super Bebê”, de vídeos para crianças em “Carrapateiras”, entre outros. idade pré-escolar. Os filmes estão sendo Dourado busca ainda um acordo adaptados para o francês e o espanhol, e de co-produção para finalizar “Folias estarão finalizados no começo de 2005. A Brasil”, docudrama sobre histórias produtora também levou ao Mipcom os de amor ambientadas em festas filmes “Motoboys” e o recente e polêmico populares, série de três episódios de longa “Cama de Gato”, de Alexandre 30 minutos em HDTV. Stockler. A produtora Movi&Art levou Da safra mais recente a aposta a Cannes o documentário de 55 da produtora é em “Peace at Play”, minutos “Tinta Fresca”, já finalizado, documentário sobre a recente partida sobre pinturas em paredes nas de futebol promovida pelo governo cidades brasileiras, dirigido por brasileiro no Haiti entre as seleções dos Ricardo van Steen. Persio Pisani, dois países. O filme terá uma versão diretor da produtora, também está de 52 minutos para a televisão mundial, atrás de co-produção para a série pronta em dezembro, e outra de 80 documental “Orixás, os Caminhos minutos para o cinema, a ser lançada de Pierre Fatumbi Verger”, com no Brasil em maio de 2005. dez capítulos. Outro Também com enfoque projeto em busca de nas questões sociais, co-produção é “Brazilian a Giros levou ao evento, Portuguese”, sobre a em busca de co-produção, formação da língua o documentário “Meninas” falada no (“Teen Mothers”, em inglês), País, em cinco episódios que acompanhará a vida dirigidos por de quatro adolescentes Eliana Caffé. grávidas durante um A Grifa, uma das ano e meio. produtoras com A Raccord busca mais experiência em parcerias para a finalização co-produções inter­ de “Guerra do Paraguai”, nacionais, levou à feira documentário de R$ 900 mais de 30 produções mil, dos quais já foram Hilton Kauffmann, da Raccord: acabadas, em busca “vantagem das parcerias inter- obtidos R$ 700 mil, segundo de distribuição inter­ nacionais é que trazem junto a o produtor Hilton Kauffmann. nacional. Mas o foco “Não vim atrás distribuição“ T e l a

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de grandes empresas, mas de produtoras do meu porte, multivisuais, que trabalhem TV e cinema”, explica. Uma vantagem da parceria internacional, diz ele, é que eles trazem a distribuição. “No Brasil não há incentivo para a distribuição independente. Fechando lá fora, isso fica garantido”, observa. Quanto à feira, Kauffmann é direto: “Aqui é bom porque não tem artista, não tem glamour, é um evento puramente de negócios. Consegui fazer em três dias 23 reuniões”.

Parte da delegação de produtoras independentes brasileiras no Mipcom 2004. Estande de 180 m2 deu visibilidade ao país. Acima, à esquerda, estande da Casablanca/TeleImage.

de um acordo de co-produção. Mas a produtora também levou a Cannes o projeto de longa-metragem “Little NoName”, sobre um garoto índio em busca de sua identidade, e a série de “pílulas” de dois minutos “Figurinhas Animadas - Profissões”, que mostra personalidades bem-sucedidas em seus trabalhos, para incentivar as vocações das crianças, explica a produtora Silvia Prado. Já a TV Pinguim sentiu grande receptividade para sua série “Peixenauta” (ou “Fishernaut”, em inglês), sobre um peixe que veste um traje especial (cheio de água) e sai do lago para explorar o mundo. “É um personagem diferente do tradicional ‘cachorrinho’ ou ‘turminha’, e isso vem chamando a atenção dos

Crianças Apesar de haver um evento paralelo dedicado especialmente à programação infantil, o Mipcom Junior, as séries de animação tiveram forte presença no Mipcom. Dentre as produtoras presentes no estande brasileiro, também estavam duas produtoras especializadas no gênero. A Cinema Animadores tem como carro-chefe a série “Time Masters”, já roteirizada e em busca

estúdios”, explica a criadora Célia Catunda. A produtora também levou ao evento as séries “Rita” (personagem que já pontuou a programação da TV Cultura), “Escaleno”, “Where does it Come From” e “Parents & Kids”. Além do estande institucional da delegação, a Casablanca também teve um estande próprio, onde mostrou produções suas e das outras empresas do grupo, TeleImage e MoonShot Pictures, como a série “Turma do Gueto” e a novela “Metamorphoses”, e filmes como “Os Xeretas”, “O Martelo de Vulcano” e o longa da apresentadora Eliana, além de séries animadas, como a originada do filme “Tainá”.

Realidade domina

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o que depender das tendências mundiais, o voyeurismo dos reality shows continuará em alta por um bom tempo ainda. É a conclusão de Virginia Mouseler, da empresa francesa de pesquisas The Wit, que apresenta todos os anos no Mipcom uma palestra com o que há de quente em cartaz nas TVs de todo o mundo. A natureza humana, fama e dinheiro são os temas dominantes das novidades em programação. O Brasil foi citado na palestra com a exibição de trechos do programa “Sem Saída”, da Record. Dentre os novos programas, algumas curiosidades. Uma é o desenvolvimento de tramas que misturam ficção e vida real, como no programa “O Trem”, em que atores se misturam a passageiros reais em um trem de subúrbio e simulam situações para provocar reações nos viajantes. Já no programa português “Levem Tudo Menos a Casa”, a televisão “invade” a casa de um espectador (o estúdio é instalado na sala de visitas). O partici-

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pante responde a perguntas que valem seus próprios pertences, como geladeira ou televisão. Se acertar, ganha um novo. Se errar, perde o velho. Outro lançamento curioso é o formato “The Match” (“O Jogo”), da Endemol. Dois times de futebol, um composto por celebridades e outro formado por atletas veteranos, preparam-se durante uma semana para um confronto. O público vota durante esse período para eliminar os pernas-depau. No domingo seguinte, é disputada a partida final. Outro lançamento da produtora holandesa também tem o esporte como gancho. Em “The Next Great Champ”, produzido em parceria com o campeão Oscar de la Hoya, 12 boxeadores disputam o título, acompanhados por um amigo ou parente.

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da Redação

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Espaço da convergência Segunda edição do Tela Viva Móvel mostra que TV e música no celular já são realidade

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ecletismo do público já era um indicativo do interesse despertado pelo novo mercado de conteúdos para telefonia celular, ou, na linguagem das telecomunicações, os serviços de valor adicionado (SVA). Durante a segunda edição do seminário Tela Viva Móvel, que aconteceu em São Paulo nos dias 29 e 30 de setembro, podiam-se encontrar de operadoras de telefonia móvel e fixa a emissoras de TV, gravadoras de discos multinacionais e independentes, desenvolvedores de games, integradores de serviços, produtoras de vídeo e de Internet, advogados entre outros. Não é para menos. O negócio de SVA, liderado hoje principalmente por SMS (mensagens de texto) e ringtones (download de toques de campainha para o celular), chega a representar 4% a 5% do faturamento das operadoras, com tendência a crescer, já que na Europa esse valor é pelo menos o dobro e na Ásia chega a impressionantes 20% em alguns casos. A percepção do mercado é que há espaço para novos serviços, incluindo vídeo, download de músicas completas e acesso a sites multimídia, o que pode representar uma boa oportunidade de negócios para quem produz ou detém direitos sobre esses conteúdos. Segundo Roger Solé, diretor de negócios e dados da Vivo, os serviços “não-voz” representam 5,6% da receita da operadora se considerada apenas a base de assinantes com aparelhos capazes de usar os serviços, ou 4,3% das receitas totais se considerada toda a planta. Apenas na Vivo, são 150 milhões de mensagens de texto por mês, 1,5 milhão de usuários de serviços WAP, 400 mil downloads de vídeos, 40 mil usuários do serviço Vivo Zaap (navegação pela Internet) e 1,4 milhão de jogadores do

último jogo em rede lançado, o Blackfish. Os números da Claro não ficam muito atrás: mensalmente a operadora registra 85 milhões de mensagens de texto, 2,5 milhões de downloads de música, 500 mil downloads de vídeo, três milhões de notícias por SMS. Segundo Marco Quatorze, diretor da Claro, a empresa aposta agora em serviços de personalização de tons e imagens pelos usuários, e estimulará, por campanhas, a troca de criações musicais e artísticas (imagens) entre os usuários. Além disso, a empresa busca grandes provedores de conteúdos para parcerias e tem negócios com a MTV e com a Universal. A TIM, que trafega 165 milhões de SMS em sua rede todo mês, anunciou para até o final de outubro seu serviço de streaming de TV no celular, o TIM TV, informou o presidente da operadora, Mario Cesar Araújo. Ele espera que o serviço tenha, inicialmente, cinco canais. A companhia está negociando e fazendo testes com a MTV, a Bandeirantes, a Bloomberg e a TV Câmara, entre outros. O serviço consiste em levar para o 30

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celular a programação de canais de TV via streaming de vídeo. A recepção acontece com alguns segundos de atraso em relação à TV normal, por causa do tempo gasto para adaptar o sinal das emissoras para a rede celular. Não será cobrada assinatura do usuário: o assinante do celular pagará apenas pelo tráfego de dados. O modelo de negócios com as emissoras de TV varia caso a caso. Algumas cederão o conteúdo gratuitamente, outras compartilharão a receita com a operadora. O serviço já é oferecido na Itália, onde os clientes da TIM podem assistir a 14 canais, entre os quais se destacam a RAI, a Dance TV e a CNBC. É cobrada uma tarifa de Ä 0,40 por minuto de transmissão. A Oi divulgou a marca de 92 milhões de mensagens SMS trocadas no primeiro semestre, dois milhões de usuários com terminais capacitados para acessar serviços bancários e um milhão de downloads de ringtones

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ao mês. Outro fenômeno detectado pela Oi, segundo sua gerente Fiamma Zarife, foi o aumento de 50% no download de jogos depois que houve a redução de tarifas do uso da rede GPRS (de dados), o que mostra a grande sensibilidade do mercado a preços. O serviço Mundo Oi chegou a 100 mil downloads de vídeos por mês.

Fotos: arquivo

Publicidade Um assunto delicado presente ao seminário foi a publicidade no celular. No Brasil a modalidade é praticamente inexistente, e há uma forte restrição a ela, principalmente por medo de acabar desagradando o assinante, que pode se sentir invadido pelas mensagens. Para falar da experiência internacional com o tema, TELA VIVA trouxe Scott Sargentina, da Telecom New Zealand, que mostrou como a Nova Zelândia explora o celular como ferramenta de marketing. Segundo ele, o potencial de retorno deste tipo de ação é impressionante e a única restrição é que sejam respeitados alguns limites. O primeiro e mais importante é a permissão do usuário. “Sem ela, nada deve ser feito”, diz. Em seguida, a ação deve estar combinada com uma estratégia de marketing conjunta com outras mídias, deve dar ao usuário a sensação de que ele está ganhando alguma coisa (valor) e deve funcionar como uma forma de entretenimento também. Respeitada essa fórmula, o resultado do casamento entre publicidade e celular é imenso, diz. O envio de mensagens interativas é uma das formas mais comuns praticadas na Nova Zelândia e em todos os países onde o uso do celular como ferramenta de marketing é intenso. Apresentando a visão brasileira, João Pedro Serra, da SupportComm destacou que o celular é hoje uma mídia muito poderosa para que se atinja as classes menos favorecidas. “Hoje, 44% da base de usuários no Brasil está na classe C, que não tem acesso a outras mídias

“Serviços não-voz já representam 5% das receitas da operadora” Roger Solé, da Vivo

como jornais, revistas, Internet e TV paga”, afirmou. Para Serra, pela possibilidade de interação e pela possibilidade de se saber informações precisas sobre o uso e localização do assinante de celular, a publicidade móvel é a maior mídia existente. “Mas parece que no Brasil as operadoras ainda não acordaram para esse problema.” Serra estima que hoje, da base total de assinantes de celular, 42 milhões já saibam ler uma mensagem de texto e 23 milhões saibam ler e enviar uma mensagem, abrindo possibilidade para interatividade. As razões principais colocadas para a dificuldade do uso do celular como mídia são o desconhecimento do potencial de retorno, o medo de que a privacidade das pessoas esteja sendo invadida, a falta de criatividade e cases de expressão no Brasil. Na platéia, fontes bem informadas sobre o mercado publicitário especularam com um outro fator de insucesso dessas ações: não existe ainda um modelo adequado de remuneração das agências, como existe com as mídias tradicionais, baseado fundamentalmente em comissão de venda. Com isso, as agências não se sentem estimuladas a usar o celular como forma de fazer publicidade. Modelo O modelo de negócios do tráfego de conteúdos também foi tema de debates no evento. O modelo mais comum é o revenue sharing, ou seja, a operadora repassa ao provedor de conteúdo uma porcentagem, negociada caso a caso, da receita recebida com o download. Mas com a chegada de serviços como o vídeo essa conta fica mais complicada. Além disso,

“Muitos produtores não pensam no celular na hora de formatar seus conteúdos” Marco Quatorze, da Claro

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na visão dos detentores de conteúdos “premium”, esse modelo nem sempre é interessante. Muitos questionam, por exemplo, se a receita da operadora com o tráfego (ou seja, com os minutos em que o usuário fica conectado - e paga por isso) também não deveria ser compartilhada, quando se oferece um conteúdo que gera milhões de acessos. Muitos provedores de conteúdo também se queixam, em “off”, de que muitas vezes não são apropriadamente remunerados, e que não têm acesso ao sistema de medição de acesso das teles, que não é auditado. Outra discussão é sobre quem deve pagar a conta da promoção dos conteúdos. Muitos provedores oferecem seus conteúdos às operadoras no sistema chamado de “white label”, ou seja, a operadora comercializa os aplicativos com sua própria marca, e banca a divulgação disso dentro de seu pacote de comunicação. Mas este modelo, segundo algumas teles, está se saturando, e agora elas querem que os provedores também arquem com a promoção de suas marcas próprias. Marco Quatorze, da Claro, alertou que faltam no Brasil provedores dispostos a investir em marcas próprias. “No México há 44 integradoras anunciando seus conteúdos para celular nas revistas para jovens. No Brasil, conta-se nos dedos de uma mão”, afirmou. Segundo ele, as empresas querem entrar no guarda-chuva de serviços das operadoras (“white label”), mas nem sempre há espaço nas teles e capacidade de divulgação, para todos os conteúdos ofertados. Ele também fez críticas aos provedores de conteúdo que se esquecem da mídia celular na hora de formatar seus produtos, e que às vezes se perdem oportunidades, porque um conteúdo (filme, música etc) não foi adequadamente formatado para as especificidades das redes móveis. Criticou também o pouco aproveitamento que é feito com o cross-

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( tela viva móvel ) media, a promoção de um mesmo conteúdo em diferentes meios. Em relação aos provedores internacionais de conteúdo que provêm serviços no Brasil, Quatorze afirmou que eles querem oferecer às operadoras plataformas completas, mas que isso as teles celulares já têm, e não há interesse. “Eles têm que oferecer conteúdo”, disse. Também se queixou da falta de presença e suporte local destes provedores. Outro problema é que muitas vezes estas empresas detêm grande número de direitos de músicas e clipes, mas sem validade para o Brasil. “O lado bom (dos estrangeiros) é que eles têm uma grande cultura de cross-media e muita qualidade de conteúdo”, concluiu. Internacional Além do mercado nacional, formado basicamente por quatro grandes operadoras, as produtoras de conteúdo para celular trabalham em um ambiente já bastante globalizado. A mineira Takenet, por exemplo, principal fornecedor de ringtones do país, conta , além de sua sede em Belo Horizonte, com escritórios em São Paulo, Santiago (Chile), México e dois nos EUA. Faz ainda venda para a Europa, China e Japão, inclusive de conteúdos ligados à imagem do Brasil, como música, paisagem e mulheres. Segundo Cesar Frantz, diretor da SupportCom, a entrada de provedores estrangeiros no país trouxe um estímulo ao desenvolvimento e à qualidade, mas principalmente abriu a portas do mercado internacional para o Brasil, em uma via de duas mãos. “Depois que começamos as parceria internacionais, nosso crescimento foi muito rápido, da ordem de 20% a 30% ao mês”, afirmou. Uma dificuldade enfrentada pelos grupo estrangeiros que atuam no Brasil ainda são os custos. Segundo Lucas Longo, da mobileStream, provedora instalada no Brasil há cerca de três

“Celular tem potencial para publicidade, mas cliente tem que autorizar”

que o usuário do celular está fazendo uma execução pública quando usa uma música como toque de campainha. A questão fica mais grave quando entram em cena os truetones, que são trechos da própria gravação da música original, e não uma reprodução eletrônica feita para o celular. “Há três anos, quando não havia receita nesse mercado, ninguém pedia nada. Basta o dinheiro começar a entrar que aparecem novas taxas”, reclamou Omarson Costa, gerente de divisão de parcerias e desenvolvimento de negócios da Vivo, referindo-se ao Ecad. O gerente nacional de arrecadação do Ecad, Antero Salgado, defendeu seu ponto de vista: “A música é um grande negócio hoje para as operadoras, mas têm que ser para os artistas também. O direito autoral é devido. Isso não é uma invenção do Ecad, nem do Brasil”. Salgado entende que seria justo recolher um percentual de aproximadamente 7% da receita dos ringtones pelo direito de execução pública. Segundo ele, o difícil é definir quem vai pagar: se as operadoras ou os integradores. Silvia Gandelman, advogada especializada em direitos autorais e sócia da editora Copyrights, discorda que deva ser cobrado o direito por execução pública no caso dos ringtones: “Quando o usuário faz um download, é uma venda privada, não uma execução pública”. O Ecad tem se esforçado para dialogar com as operadoras e as integradoras para se chegar a um acordo. Porém, o mais provável é que a disputa termine na Justiça. A proposta do Ecad é que se pague 7,5% do valor do download para truetones e 5% para tons polifônicos e monofônicos a título de direitos autorais para execução pública. Diante dos números do mercado de ringtones, não é de se estranhar toda essa briga. De acordo com dados apresentados por Filipe Rosa, diretor geral da Mobile Fun no Brasil, em 2005 os ringtones representarão no mundo todo 10% da receita do setor de música. Isso significará cerca de US$ 3 bilhões.

Scott Sargentina, da Telecom New Zealand

meses, enquanto na Europa ou EUA paga-se uma taxa de aproximadamente US$ 10 a US$ 15 pelo armazenamento de uma música no servidor (para fazer um ringtone), no Brasil o detentor dos direitos pede cerca de US$ 100 por música. Por outro lado, ele observa que o Brasil tem algumas peculiaridades culturais interessantes. É um dos poucos mercados em que o conteúdo nacional é mais consumido que o estrangeiro. Também é um mercado de early adopters (pessoas que gostam e adotam rapidamente novas tecnologias) e de uma cultura extrovertida, em que a pessoas gostam de se mostrar, através por exemplo de ringtones diferenciados. Ecad Uma das maiores polêmicas do seminário foi a discussão sobre a cobrança de direitos de execução sobre os ringtones, que têm receita aproximada de R$ 300 milhões por ano no Brasil. Explica-se: as operadoras e os integradores já pagam aos autores das músicas o direito de distribuição, pela venda dos trechos. Agora, o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) quer cobrar também o direito de execução, por entender

Provedores se associam Os provedores e integradores de conteúdos para serviços móveis formaram uma associação, atualmente em fase de regularização, com o objetivo inicial de criar uma auto-regulamentação para o mercado de serviços de valor adicionado. A AESCA (Associação das Empresas de Serviços e Conteúdo Agregado) foi formada há cerca de quatro meses e é presidida por Sergio Ociolo, do SBT. A regulamentação do mercado de serviços de valor adicionado foi defendida durante o II Tela Viva Móvel por Cesar Frantz, diretor da SupportComm. Segundo ele, o mercado está sentindo necessidade de regras mais claras para poder fazer um melhor planejamento estratégico.

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( making of )

por Lizandra de Almeida

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Fotos: Divulgação

O comercial que virou clipe E m grandes produções de Hollywood, nas quais o produtor tem a palavra final sobre os filmes, está ficando comum aparecerem as “versões do diretor”, ou seja, montagens diferentes da versão que o espectador já viu na telona. Muitas vezes, essas versões são mais longas, com trechos que foram cortados pela montagem original. Na propaganda, quando isso acontece, em geral o resultado não passa de versões de um minuto e meio, no máximo dois. Na propaganda das sandálias Rider, o diretor Sérgio Cuevas extrapolou: sua “versão do diretor” tinha quatro minutos. Mais inusitado: foi aprovada pela agência e pelo cliente. O megacomercial foi exibido durante a entrega dos prêmios do Video Music Brasil 2004 (VMB), na MTV. Há um bom tempo, os filmes da campanha de Rider combinam imagens do produto em uso, geralmente em cenas de aventura e natureza, com uma música brasileira conhecida interpretada por outra banda. Neste caso, a música é “Vamos Fugir”, de Gilberto Gil, cantada pelo Skank. O briefing da agência pedia imagens que representassem as diversas paisagens do Brasil. A pré-produção consumiu cerca de 20 dias. Enquanto parte da equipe saía em busca dos cenários, outra parte selecionava o casting. A equipe de produção de locação se valeu de escuna, jipe, barco, carros especiais e trike, um tipo de ultraleve que serviu para captar imagens aéreas. Devido à diversidade das paisagens solicitada, o diretor de produção participou da pesquisa de locação. “Muitas vezes a produção de locação traz coisas maravilhosas, mas em lugares que dificultam demais a produção. Preferimos mandar o diretor de produção para ter certeza de que os locais eram viáveis”, explica o coordenador de produção Giba Rodrigues. A pesquisa revelou que dois lugares

Filme da Rider ganhou “versão do diretor” de quatro minutos, e foi exibida­ durante o VMB.

poderiam condensar a diversidade de cenários exigida: Cabo Frio e Brotas. Nos dois locais, foi possível encontrar paisagens de trilha, praia, cachoeira, rio, mato, dunas... O casting, por sua vez, precisava selecionar modelos ou atores que tivessem a disponibilidade de viajar por cerca de dez dias, sem que isso encarecesse demais a produção. Foram selecionadas 15 pessoas, algumas modelos e outras que têm intimidade com os esportes. “A idéia era mostrar um grupo de amigos viajando pelo Brasil e praticando os mais diferentes tipos de esportes”, conta Giba. “Como estaríamos fora de São Paulo, precisaríamos de uma equipe enxuta e ágil, 34

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mas que conseguisse dar a infra-estrutura necessária. Então contratamos um consultor para cada esporte e trabalhamos com pessoal local também.” A equipe ‘enxuta’, no fim, acabou tendo cerca de 25 pessoas, fora o pessoal local. Havia praticantes reais ou consultores para surf, trike, rafting, cannoning, arborismo, tirolesa, sand board, kite surf e mergulho. Com tantas práticas diferentes, a equipe de figurino teve de viajar com cerca de 1,2 mil peças de roupas, para serem usadas nas seis diárias. A equipe de fotografia contou com dois fotógrafos, um deles especializado em esportes, e três câmeras, sendo duas subaquáticas. Três tipos de negativo foram usados, sendo que uma das câmeras subaquáticas precisava de negativo com dupla perfuração, importado. Alguns ângulos inusitados foram obtidos com a colocação das câmeras no mastro de um veleiro, em asa delta ou no trike. Com tantas cenas, de tantos esportes e tantas paisagens, o material era suficiente para cobrir o tempo todo da música. Então, o que era para ser um comercial virou um clipe. Outras versões de um minuto e 30 segundos também foram ao ar.

ficha técnica Cliente Grendene Produto Rider Agência W/Brasil Dir. de Criação Washington Olivetto e Gabriel Zellmeister Criação Rodrigo Leão Produtora SFilmes Direção Sérgio Cuevas Fotografia Lito Mendes da Rocha e Silvestre Camp Dir. de Produção Alexandre Pierro Dir. de Arte Thays Leite Prod. de Som YB


Agitação

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epois de dez anos sem anunciar na TV, a vodca Orloff volta com força à mídia. A primeira ação foi a veiculação de um filme cheio de efeitos e com uma produção bem complicada. O filme mostra uma turma se divertindo numa boate. Até que tudo começa a rodar e conforme a câmera se afasta, percebemos que a ‘galera’ está dentro de uma coqueteleira. Como as pessoas teriam de “voar” dentro da coqueteleira, simulando os movimentos de rotação, o casting foi escolhido pela intimidade dos atores com o circo. As pessoas foram filmadas de duas formas: ou amarradas em cordas com roldanas, que eram manipuladas para que eles subissem, descessem e “voassem” de um lado para o outro, ou sobre uma rampa construída em estúdio, que se movimentava para que as pessoas rolassem até o chão. As filmagens se dividiram entre o estúdio da Cine e algumas locações. O bar e a danceteria foram construídos no estúdio e as imagens foram captadas em etapas. Para iluminar as cenas da boate, a produtora utilizou um programa de computador usado em casas noturnas, que permite reproduzir de forma idêntica a seqüência de luz em cada cenário. Nas cenas paradas dentro da coqueteleira-boate, as pessoas foram filmadas no cenário sem a iluminação de boate. Então as luzes foram filmadas sozinhas, com a programação do computador. Para as cenas da coqueteleira em agitação, foi preciso captar em separado os cenários e os atores. Primeiro foram filmados os cenários vazios e sem a iluminação especial. Depois os atores foram filmados com a movimentação de cena em fundo de recorte. “Filmamos a luz separada para não atrapalhar os recortes”, explica Rodolfo Patrocínio, diretor de efeitos especiais da Digital 21. A parte mais trabalhosa dessas cenas, para a equipe

Atores de circo “voam” dentro da coqueteleira no filme da vodca Orloff.

de computação gráfica, foi a rotoscopia para apagar as cordas e outros recursos de filmagem. Os cenários foram montados com materiais especiais para absorver os impactos. As paredes prateadas, na verdade, são colchões com capitonê. Para preparar as cenas para pósprodução, a equipe da Digital 21 utilizou o Fire para a rotoscopia, e o Combustion e o Flame para os recortes e reconstrução de fundos. A pós-produção foi então dividida em três núcleos de atividades para trabalhar os efeitos do filme: composição, motion design e 3D. A composição tratou de aplicar as pessoas sobre o cenário, para encher a festa. No Flame, as pessoas “voando” foram aplicadas em ângulos diferentes, para que pudessem ser rotacionadas à vontade, sangrando no quadro se necessário. A composição aplicou todos os elementos em perspectiva, depois o cenário no fundo e por cima as luzes especiais, para dar volume. Depois disso pronto, as imagens sofreram distorções e correção de cores para um tom azulado. T e l a

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Na hora em que a câmera se afasta, atravessa as paredes da coqueteleira. Aí entrou em ação a equipe do 3D, que criou uma malha de alumínio que simula as moléculas do material. A seqüência é dividida em três movimentos de câmera principais: o primeiro sai do rosto dos atores na boate e chega à parede da coqueteleira, o segundo atravessa o metal e o terceiro abre até abranger todo o bar.

ficha técnica Cliente Produto Agência Dir. de Criação Produtora Dir. de Cena Dir. de Efeitos Fotografia Dir. de Arte Finalização

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Pernod Ricard vodca Orloff Ogilvy Adriana Cury e Virgílio Cine e Digital 21 Ferré Rodolfo Patrocínio Jean Benoit Ana Mara Abreu Digital 21


( legislação)

por Fernando Lauterjung e Samuel Possebon

f e r n a n d o @ t e l a v i v a . c o m . b r

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s a m u c a @ p a y t v . c o m . b r

Ancinav do B Proposta alternativa à agência “salva” a TV e, curiosamente, as telecomunicações. Discussão deve se prolongar até 2005.

da cadeia produtiva cinematográfica, incluindo representantes das grandes empresas brasileiras e estrangeiras atuantes no Brasil. O documento foi assinado pelos diretores de cinema Aníbal Massaini, Paulo Thiago e Roberto Farias (Globo); pelos produtores Diler Trindade, Leonardo Monteiro de Barros (Conspiração Filmes), Luiz Carlos Barreto e Zelito Viana; pelos distribuidores Bruno Wainer (Lumière), Jorge Peregrino (UIP), Cesar Pereira da Silva (UIP), Marco Aurélio Marcondes (MA Marcon­ des/Europa Filmes), Wilson Feitosa (Europa Filmes) e Rodrigo Saturnino Braga (Columbia); pelos exibidores Luiz Severiano Ribeiro (Grupo Severiano Ribeiro) e Valmir Fernandes (Cinemark); pelo setor prestador de serviços e de infra-estrutura Wilson Borges (Cinegrafika); e ainda de Carlos Eduardo Rodrigues, da Globofilmes. 36

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Trata-se de uma proposta paralela que atende plenamente aos interesses das emissoras de TV, já que tira delas qualquer possibilidade de controle por parte do MinC, do Conselho Superior do Cinema e do Audiovisual (CSCAV) e da Ancinav. Todo o Título II da proposta do Ministério da Cultura, que regulava a exploração da atividade audiovisual por empresas de telecomunicações e radiodifusão, foi excluído e também não há mais a proposta de cobrar 4% da verba publicitária para TV a título de Condecine. Pelo contra-projeto a nova agência não é, portanto, algo que vá muito além do que faz a Ancine hoje. A proposta também atende aos exibidores e distribuidores, os principais afetados pela pesada taxação das

ilustração j. vicente mendonça

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s debates em torno do projeto da Ancinav avançaram signi­ ficativamente em outubro, mas é cada vez menos provável que o texto seja enviado ao Congresso Nacional em 2004. O mais provável é que o texto seja lapidado nos próximos meses para dar lugar às idéias que estão sendo apresentadas. Algumas mudanças são certas, como a redução de 4% para 3% do percentual cobrado como Condecine dos investimentos em publicidade de televisão, ou o fim da taxa de 10% sobre ingressos de cinema ou ainda a criação de uma taxa sobre a venda de TVs, DVDs, videocassetes e celulares com capacidade audiovisual. Sobre esses pontos, o martelo estava praticamente batido no fechamento desta edição. Mas há muitas mudanças sendo colocadas ao MinC. Foram mais de 400 propostas na consulta pública. Algumas delas com grande peso, como o projeto alternativo entregue em outubro, assinado por nomes importantes da cadeia audiovisual nacional e que teve ativa e significativa participação da Globo em sua elaboração. É esse também o projeto alternativo pedido pelo ministro Gilberto Gil ao cineasta Luiz Carlos Barreto como contribuição ao debate. O projeto apresentado pretende, na verdade, substituir o texto proposto pelo Ministério da Cultura, já que é um texto completo, com 103 artigos e anexos. É importante destacar que o texto, apesar da visível contribuição da Globo, conta com assinaturas de profissionais de todos os elos


FOTOS: ARQUIVO

cópias proposta pelo Ministério da Cultura. É proposta no documento a exclusão da Condecine sobre venda de ingressos de cinema e sobre locação de home videos e não há mais a progressão nos valores da Condecine por total de cópias. Os longas pagariam, pela proposta entregue, sempre R$ 3 mil, independente do total de cópias. O contra-projeto vai na contra mão do que defende o MinC, que é a regulação do setor para garantir seu crescimento, e deixa com o governo apenas a função de fiscalizar a fomentar os setores cinematográfico e audiovisual. No que se refere aos princípios fundamentais do projeto de lei, o projeto do MinC deixa claro que a regulação das atividades cinematográficas e audiovisuais é essencial para garantir o desenvolvimento e a preservação de patrimônio cultural. Já o contraprojeto defende que a promoção do desenvolvimento das atividades cinematográficas e audiovisuais é o que garante esse fortalecimento e a preservação. Pelo texto a poderosa Ancinav proposta pelo MinC tornase um órgão fiscalizador.

organização a regulação e a fiscalização dessas atividades), o projeto sugerido pelos signatários propõe que os dois órgãos tenham a função de promover o desenvolvimento das atividades cinematográfica e audiovisual. Ou seja, nem o Conselho, nem a Ancinav teriam o poder de regular a exploração do mercado audiovisual. A proposta enxuga ainda outras atribuições da futura Ancinav, tirando da agência qualquer tipo de controle de concentração sobre a televisão, elimina a taxação das salas de cinema, locação de filmes, contratação de publicidade para TV, e não inclui a necessidade de formalização de um pacto para que a produção audiovisual independente tenha espaço na televisão. Como órgão fiscalizador, a Ancinav também seria mais fraca do que defende o MinC, já que teria poder de punição bem menor (a maior multa passa a ser de R$ 2 milhões, contra R$ 25 milhões propostos pelo MinC). A proposta suprimiu ainda os artigos que falavam em combate à concentração ou abuso de poder econômico na exploração da atividade audiovisual ou em zelo aos princípios constitucionais da Comunicação Social. Ou seja, não será a Ancinav a zelar pelo cumprimento das obrigações da Constituição. Ainda, a Ancinav não pode mais pedir documentos às empresas. Chama a atenção na proposta das personalidades do setor a completa ausência de um responsável pela regulação do cinema e do audiovisual. Pela proposta, nem o Ministério da Cultura teria o poder regulador, ficando com ele a elaboração de propostas

voltadas ao subsídio das políticas para desenvolvimento do cinema e do audiovisual; a instituição de programas de fomento; a promoção de obras brasileiras em festivais nacionais e internacionais; a promoção e o apoio a ações de difusão, preservação e recuperação das obras cinematográficas e de outros conteúdos audiovisuais brasileiros, assim como à pesquisa, à formação e à qualificação profissional; e representar o Brasil em organismos e eventos cinematográficos e audiovisuais internacionais.

E a TV? Não tocando na televisão, a proposta acaba deixando também o audiovisual de fora. Ou pelo menos o setor passa a ser menosprezado. É aí que faz falta entre os signatários e criadores do contra-projeto representantes da produção independente para a TV. Além da retirada do Título II do Livro II, que tratava da exploração de atividades cinematográficas e audiovisuais nos serviços de telecomunicações, incluindo-se aí a radiodifusão, e o fim da taxação sobre a publicidade, a proposta Poder limitado não faz referência à questão Enquanto no projeto do MinC da regionalização da produção o CSCAV e a Agência Nacional nem traz obrigações de cotas de do Cinema e do Audiovisual têm produção independente (ainda que como princípio fundamental a livremente pactuadas) na TV. Por organização da exploração de outro lado, pela proposta entregue, atividades cinematográficas e anunciantes que investirem em audiovisuais (incluindo-se nessa publicidade de obras audiovisuais independentes podem ter abatimento de até 4% do valor devido no Imposto de Renda, um mecanismo semelhante ao da Lei Rouanet que beneficiaria também a televisão comercial. Ainda no tocante à radiodifusão, a ausência de regras para o setor de telecomunicações gerou curiosidade. Não O contra-projeto foi assinado por representantes dos produtores, distribuidores e exibidores de cinema, há nenhuma blindagem como Luiz Carlos Barreto, Diler Trindade, Marco Aurélio Marcondes e Leonardo Monteiro de Barros. T e l a

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( legislação) contra a entrada das teles no setor audiovisual, o principal medo da Globo, manifestado publicamente. A explicação extra-oficial para esse paradoxo, vinda de uma fonte que participou da elaboração do documento, é a seguinte: legislar sobre a presença das empresas de telecomunicações no mercado audiovisual é, de alguma maneira, legitimar que essas empresas teriam o direito a prestar serviços de comunicação social. As TVs em geral, e a Globo especificamente, entendem que a Constituição não permite a empresas de telecomunicações a exploração da comunicação social. Portanto, o melhor é nem tocar no assunto em lei. Por isso, o contraprojeto alternativo entregue ao MinC não fala nada sobre isso. O bombardeio contra a entrada das teles no setor audiovisual deve vir depois, com o argumento da inconstitucionalidade.

recursos da própria indústria”. Entre os signatários do projeto, acredita-se que a relação entre cinema e TV deve crescer naturalmente, com o fomento da indústria, não com imposições. “Além disso, avaliamos que se a futura agência for muito grande, ela vai acabar deixando o cinema de lado, o que é ruim para a atividade”, diz a fonte. A proposta alternativa para o projeto de lei que cria a Ancinav traz também um amplo conjunto de sugestões para novas fontes de receita e de formas de

Dentre as propostas recebidas pelo MinC está o fim da arrecadação de tributos na cadeia de produção, distribuição e exibição de obras audiovisuais, inclusive na importação de equipamentos. Também foi proposto o uso de arrecadação das loterias e do Fundo de Universalização das Telecomunicações. Outra sugestão é de se alocar recursos do próprio orçamento da União.

Aumento de arrecadação A proposta de um setor auto-sustentável não agradou aos radiodifusores, exibidores e distribuidores, que seriam os maiores afetados com as pesadas taxas criadas, que seriam reinvestidas nos diversos elos da cadeia produtiva do cinema e do audiovisual. Alguns produtores ouvidos por TELA VIVA também não se mostram favoráveis à auto-sustentabilidade através da criação de taxas. Têm medo de ver o re-investimento, coordenado pelo governo, ir na sua grande maioria para pequenos produtores, e ainda de enfrentar um encolhimento do mercado exibidor nacional. Para um dos signatários, “não faz sentido tirar recursos da exibição, que vem mostrando crescimento, para re-investir de maneira menos eficiente”. Outra fonte diz que “o projeto deve buscar incentivar, fomentar a indústria, com fontes externas de financiamento e não com

desoneração do mercado de cinema e audiovisual. Propõe-se, por exemplo, mudanças nas leis de incentivo para que as empresas tributadas pelo lucro presumido tenham incentivos fiscais ao investirem em obras audiovisuais nacionais. Também se propõe que a arrecadação das loterias ao Fundo Nacional da Cultura sejam destinados também ao mercado audiovisual. Outra idéia é aproveitar a legislação que permite a realização de concursos e sorteios com cobrança para que se inclua nesses mecanismos o financiamento de obras audiovisuais, e não apenas ações 38

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filantrópicas. O grupo propôs o fim da arrecadação de tributos na cadeia de produção, distribuição e exibição de obras audiovisuais, especialmente o fim de ICMS, IPI e Imposto de Importação sobre equipamentos e insumos, fim do ISS, PIS e Cofins sobre a produção de filmes, fim do PIS e da Cofins sobre o licenciamento e exibição (nesse caso também se pede a isenção de ISS), isenção de IPI, ICMS, PIS e Cofins sobre a comercialização de home videos e fim do IR sobre vendas no exterior. Uma das propostas também defendida é a criação do ticket cultural (como são os ticket alimentação), dando vantagens tributárias a empresas que os adotarem. Outra proposta é criar uma dotação orçamentária para o Funcinav e também reverter parte dos recursos do Fundo Nacional de Universalização das Telecomunicações (Fust, que já soma mais de R$ 3,5 bilhões) para a produção audiovisual. Por fim, entre as propostas colocadas ao MinC para aumentar a arrecadação está a cobrança de Condecine sobre a venda de aparelhos de DVD, televisão, home-theaters, videocassetes e congêneres. Alguns dos signatários do contra-projeto acreditam que essa contribuição deverá ser analisada com “maior cuidado” pelo MinC, principalmente pela importância desses profissionais no mercado. “O grupo é representativo no ‘PIB’ do cinema nacional; esperamos que o MinC leve isso em conta”, disse um dos signatários. “Em 50 anos de regulamentação específica para o cinema, é a primeira vez que temos um projeto que reflete um entendimento de todas as áreas do setor”, defende outra fonte. O fato é que as contribuições já começaram a surtir efeito. Em reunião do grupo de representantes da sociedade civil do Conselho Superior de Cinema para discutir o


projeto do MinC, decidiu-se levar adiante a proposta de cobrança da Condecine sobre a venda de aparelhos eletro­ eletrônicos e foi incluída ainda a taxa sobre aparelhos de telefone celular com capacidade para serviços audiovisuais. A proposta que ficou decidida é cobrar uma taxa de 2% sobre a comercialização desses aparelhos. Outra decisão foi a de cobrar Condecine (2%) sobre serviços audiovisuais no celular. A idéia ainda precisa passar pelo crivo do Conselho Superior de Cinema e do Ministério da Fazenda, e segundo fontes do MinC, será discutida com os representantes das indústrias afetadas. As taxações idealizadas visam a compensar as taxações sobre a publicidade para televisão e serviços de telecomunicações. Isso porque o grupo civil do CSC proporá uma taxa de 3%, contra os 4% propostos pelo MinC. Também decidiu-se não mais cobrar Condecine sobre a venda de ingressos para cinema, cujo percentual era de 10%. Além disso, a reunião da ala civil do Conselho Superior de Cinema decidiu propor outras mudanças significativas no texto do projeto de criação da Ancinav. A mais importante é que todas as propostas de regulamento que saírem da nova agência terão como

Grupo “civil” do Conselho Superior de Cinema sugeriu cobrar a Condecine sobre a venda de aparelhos eletrônicos. A cobrança de contribuição sobre a bilheteria de cinema foi descartada. Já a taxação sobre a publicidade para televisão e serviços de telecomunicações foi mantida pelo Conselho, mas caiu de 4% para 3%.

base a legislação vigente e passarão, necessariamente, pelo Conselho Superior de Cinema, que encaminhará ao presidente da República. A decisão é uma resposta às críticas, sobretudo do setor de televisão, de que a Ancinav teria um cheque em branco para criar regras se o texto fosse mantido da forma como estava. A mudança possibilitou o

consenso dentro da ala civil do CSC, de modo que foi mantida a abrangência da agência para todo o setor audiovisual, do cinema às telecomunicações. Quanto ao Título II do Livro III da proposta do MinC, que era “Da exploração da atividade audiovisual nos serviços de telecomunicações” e havia sido suprimida no contraprojeto, passará a ser “Da exploração da atividade audiovisual nos serviços de radiodifusão”. As referências às empresas de telecomunicações não foram retiradas, mas a simples mudança no título deixou as TVs mais tranqüilas, já que antes temiam ser entendidas como empresas de telecomunicações. Outra mudança importante foi a flexibilização da cobrança de Condecine em cima do número de cópias de um filme. A crítica era que filmes de mais de 200 cópias pagariam R$ 600 mil como Condecine. Na reunião decidiu-se derrubar esse valor e estabelecer uma progressão mais suave. Filmes com mais de 150 e menos de 300 cópias pagarão R$ 40 mil. Filmes com mais de 30 cópias e menos de 400 pagarão R$ 60 mil. E filmes com mais de 400 cópias pagarão R$ 80 mil. Mas nada ainda é definitivo, e o resultado provavelmente só será conhecido em 2005.


( artigo)

por Bruno Wainer*

foto: Divulgação

A verdadeira revolução na política do audiovisual

* Bruno Wainer é sócio-diretor da distribuidora Lumiére.

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mercado brasileiro de cinema está em forte expansão. No ano 2000, foram vendidos 68 milhões de ingressos. Em 2004 se venderão 120 milhões de ingressos, quase o dobro, em apenas cinco anos. Como o cinema brasileiro se insere neste contexto? Segundo dados disponíveis, em 2000, 2001 e 2002, o cinema brasileiro ocupou por volta de 10% de um mercado em ascensão. Em 2003, houve um salto espetacular para 20% de ocupação, com 20 milhões de ingressos vendidos. Em 2004, porém, enquanto projeta-se uma expansão de 20% nas vendas de ingressos, o filme nacional venderá 13 milhões de tickets, uma queda de 35% em relação a 2003, ocupando por volta de 11% a 12% do mercado. Porque isso aconteceu? 2003 foi um ano excepcional? Se foi, baseado nos dados dos últimos cinco anos, então o cinema brasileiro estará limitado a ocupar não mais que 12% do mercado, a não ser em anos excepcionais? A resposta é sim, se a política para o setor continuar se apoiando apenas na Lei do Audiovisual, que delega às chamadas companhias majors o papel praticamente exclusivo na distribuição do filme brasileiro. Antes de tudo, é bom que se reconheça que foi esta lei que permitiu o ressurgimento do filme brasileiro após a política de terra arrasada praticada pelo governo Collor. Por outro lado, o fato limitador do crescimento da participação da produção nacional está contido exatamente aí. Por quê? O artigo 3º da Lei do Audiovisual, que permite que as companhias distribuidoras convertam 70% do imposto devido pela remessa de royalties gerados pela 40

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exploração dos filmes estrangeiros no País em recursos para a produção de filmes brasileiros, foi feito para dar às majors papel de destaque na distribuição do filme nacional, pois são elas que dominam a distribuição de filmes estrangeiros no Brasil, logo são elas que tem capacidade de gerar esses recursos em escala constante. E por que essa política limita a expansão do filme brasileiro no seu próprio mercado? O diagnóstico baseia-se em uma simples equação aritmética: o número de filmes distribuídos, versus o número de salas de cinema disponíveis, versus o número de semanas anuais de exploração. Vamos à demonstração. São cinco as majors: Columbia, Buena Vista, Fox, Warner e UIP. Estas empresas, além de explorar os grandes blockbusters, ou absorveram as principais empresas independentes ou criaram seu próprio braço independente. A Buena Vista comprou a Miramax, a Warner comprou a New Line, a Columbia criou a Sony Classic, a Fox criou a Fox Searchligth, a UIP fechou acordo preferencial com a Focus. A conseqüência dessa política é uma imensa concentração de títulos nas mãos das majors. Dos cerca de 250 títulos distribuídos anualmente no Brasil, pelo menos 200 estão nas mãos destas cinco companhias. Se dividirmos estes títulos grosseiramente entre elas, serão 40 filmes por ano para cada companhia, o que dá uma média alucinante de um lançamento a cada nove dias, por companhia. Diante desse quadro, quantos filmes brasileiros as majors estão


aptas a distribuir anualmente? Se analisarmos a quantidade de filmes brasileiros distribuídos pelas majors desde 2000, veremos que esse número nunca passou dos 20 por ano, o que dá uma média de apenas quatro filmes por companhia. Continuando a análise, é entre esses 20 filmes que estão os cerca de oito títulos que concentram anualmente 95% das vendas de ingressos. Se atentarmos para o fato de que, desde 2002, um desses filmes é distribuído por empresa distribuidora nacional, a média é de menos de dois filmes por major. É simples assim. E por que as distribuidoras nacionais lançam ainda menos filmes que as majors? Por pura e simples falta de mecanismo de investimento. Conclusão: enquanto as distribuidoras majors, com a renúncia fiscal concedida através do Artigo 3º da Lei do Audiovisual, forem as únicas a terem capacidade de investimento

Enquanto as majors, através do Artigo 3º, forem as únicas com capacidade de investimento na produção, nosso cinema terá chegado ao seu teto de ocupação.

na produção de filmes brasileiros, garantindo para si a distribuição, nosso cinema terá chegado ao seu teto de ocupação. Para que a ocupação do mercado pelo filme brasileiro possa crescer de fato, é preciso criar alternativas de distribuição, capitalizando empresas distribuidoras nacionais, para que essas possam também investir na produção e distribuição de filmes brasileiros e, com isso, não só disputar com as

majors o melhor da produção nacional, como também ter um papel ativo na multiplicação de projetos com real capacidade de obtenção de resultados comerciais positivos. Por último, um dado importante. Segundo informações do mercado, investiu-se em 2004 cerca de R$ 40 milhões em filmes brasileiros através do Artigo 3º. Se o Ministério da Cultura, ao invés de propor medidas tão polêmicas, contidas na proposta da criação da Ancinav, simplesmente dispusesse R$ 40 milhões para fomento das distribuidoras nacionais, estariam criadas as condições para, num primeiro momento, dobrar o número de filmes com capacidade de ocupação de mercado, e teoricamente dobrar também o número de ingressos vendidos. Já seria uma verdadeira revolução na política audiovisual. E o que é melhor, com a benção de todos os segmentos da indústria.


( festival )

por Fernando Lauterjung

f e r n a n d o @ t e l a v i v a . c o m . b r

Rio debate o cinema Evento reúne governo, produtores, distribuidores, exibidores, técnicos e artistas em sete dias de discussões.

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m 15 dias, o Festival do Rio exibiu 347 filmes de todos os continentes, entre eles 48 brasileiros. Desde filmes que entraram ou entrarão no circuito comercial nacional — como “Má Educação”, de Pedro Almodóvar, e “Kill Bill 2”, de Quentin Tarantino — até mostras diferenciadas, como a de Bollywood (pólo do cinema indiano que é o maior produtor mundial de cinema) e do cinema sul-africano. O festival se consolida ainda como um importante espaço para debate político, mercadológico e artístico do cinema nacional. Foram 28 mesas, em sete dias de debates, sobre os mais diferentes temas, tais como pirataria, tecnologia, distribuição, mercados latinos, moda no cinema e política audiovisual brasileira, entre outros. Entre os temas políticos, o que se destacou e criou mais polêmica foi o prêmio adicional de renda. Em primeiro lugar, porque não contou com a presença de nenhum representante do Ministério da Cultura. A ausência foi duramente criticada por participantes da mesa e da platéia. Valmir Fernandes, presidente da Cinemark no Brasil, disse que “não ter ninguém do MinC (no debate) é um desrespeito ao setor e à Ancine. E ainda dizem que ouvem todo o setor”. A falta do ministério foi sentida por se tratar de um tema abordado tanto na MP 2.228-1, que criou a Ancine, quanto no anteprojeto de lei da Ancinav, escrito pelo MinC. O prêmio visa criar uma linha de fomento automático voltado a produtores, distribuidores e exibidores, conforme a performance de cada Fotos: arquivo

filme no mercado. Na introdução ao debate, o presidente da Ancine, Gustavo Dahl, justificou a inexistência do prêmio adicional de renda aos entraves na implantação da agência. “Após três anos, o órgão ainda está em implantação”, disse. Dahl lembrou que, qualquer que seja o futuro da agência, o prêmio adicional de renda será instituído. Disse ainda que os recursos para criar o prêmio só aparecerão após as discussões com o setor, “quando soubermos o que queremos. Não dá para ‘botar’ o prêmio no orçamento antes de definirmos do que se trata”, afirmou. No debate, Gustavo Dahl lembrou que, por enquanto, só existem fomentos seletivos para a indústria audiovisual, como a Lei do Audiovisual e a Lei Rouanet. Para ele, falta o investimento direto do governo e ainda um mecanismo de fomento

“Adicional de renda será instituido, mas só após as discussões com o setor.” Gustavo Dahl, da Ancine

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automático. “O fomento seletivo já está esgotado”, afirmou. O ponto mais polêmico em relação à distribuição do prêmio adicional de renda foi a falta de consenso sobre quais etapas do cinema devem receber o recurso. O produtor Diler Trindade lembrou que a participação do produtor na bilheteria dos filmes gira em torno de apenas 12%, e que muitos produtores trabalham hoje apenas pela remuneração na produção. Para ele, “o prêmio é a maneira de forçar o produtor a se preocupar com os resultados de seus filmes”. Da platéia, Bruno Wainer, da distribuidora Lumière, argumentou que a Lei do Audiovisual privilegia o distribuidor estrangeiro, não havendo um mecanismo voltado ao distribuidor nacional. “Se também pudéssemos (os distribuidores brasileiros) ter R$ 40 milhões para investir no cinema nacional, dobraríamos a produção anual.” E completou: “Não quero dinheiro para o P&A (lançamento), mas para investir na produção. O risco do lançamento é o meu negócio”.


Já Valmir Fernandes disse que as regras deveriam valer para os três setores (produção, distribuição e exibição). “Os exibidores poderiam re-investir em salas em localidades específicas ou em salas dedicadas à exibição de filmes brasileiros.” André Sturm, da Pandora Filmes, afirmou que o prêmio pode ser usado tanto na produção quanto na distribuição, amortecendo o risco nessas áreas. Mas, para ele, não faz sentido premiar a exibição. “O exibidor exibe se tem público. Se não tiver, não será exibido.” Tecnologia A convergência das tecnologias foi tema de um dos debates do seminário. Para David Tamés, do Center for Digital Imaging Arts da Universidade de Boston, a convergência só é possível se forem criados padrões. Para ele, os padrões são necessários para que haja interoperabilidade entre os diferentes dispositivos e suportes de mídia. “O telefone, por exemplo, pode ser de diferentes marcas e modelos, mas só porque a rede de telefonia trabalha com padrões bem definidos”, sintetizou. Tamés defende que o conteúdo na Internet permaneça desregulamen­

“Prêmio pode amortecer o risco na produção e na distribuição.”

aspectos sociais e políticos da nova tecnologia. Luiz Gonzaga de Luca, diretor de relações institucionais do Grupo Severiano Ribeiro, explicou que a meta da exibição digital seria aumentar o público de cinema a partir do barateamento dos custos de exibição. Fábio Lima, diretor operacional da Rain Network Cinema Digital, apresentou as razões econômicas para a implementação do sistema nos países mais pobres como fator dominante para a conversão das salas analógicas. Segundo ele, nos EUA a substituição total seria complicada, já que o país tem 35 mil salas, enquanto o Brasil tem cerca de 1,7 mil salas. Além disso, para Lima, o cinema digital favorece muito mais os produtores independentes do que os grandes estúdios. E também possibilita a volta do cinema para o interior e periferias, pela drástica redução de custos para o exibidor através de um mecanismo que substitui o empréstimo das cópias pela venda do número de sessões. Isto favoreceria a diversificação dos filmes (podendo alcançar um público maior) e a retirada de cartaz dos filmes com baixa bilheteria sem maiores prejuízos. Neste sistema, estima-se um custo inicial para o exibidor de R$ 24,00 por sessão.

André Sturm, da Pandora

tado, pois só assim a rede pode se manter forte. Ele explica que a Internet não é para distribuição multiponto como o broadcast e nem ponto-a-ponto como muitos defendem. “Por permitir a criação de grupos, a Internet pode ter distribuição ponto-aponto ou multiponto simultaneamente”, explica, citando o acadêmico norteamericano David Reed. Assim, ao se regular o conteúdo, estaria se regulando o próprio usuário, que perderia interesse na Internet. O acadêmico acredita que, mesmo a Internet competindo com outros meios fortemente regulados, ela não mataria esses meios. “Só a convergência vai evidenciar as divergências entre as mídias”, explica. Quanto ao modelo de negócios para manter várias mídias audiovisuais, Tamés diz que “só as forças de mercado definirão”. A exibição digital de cinema também foi debatida no evento. O painel tentou focar mais os

“Meta do cinema digital tem que ser de aumentar o público.”

Luiz Gonzaga de Luca, da Severiano Ribeiro

Fotos: DIVULGAÇÃO

Vencedores do Festival do Rio 2004 Première Brasil

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Júri oficial: n “ Contra Todos”, de Roberto Moreira, melhor longa de ficção; n “ Estamira”, de Marcos Prado, melhor documentário; n “ Quero Ser Jack White”, de Charly Braun, e o documentário “O Jaqueirão do Zeca”, de Denise Moraes e Ricardo Bravo, melhores curtas;

Prêmio da Associação Brasileira de Documentarista e Curta-metragista do Rio de Janeiro (ABD e C)

L úcia Murat, troféu de melhor direção por “Quase Dois Irmãos”; nF  lávio Bauraqui, melhor ator (“Quase Dois Irmãos”); n “ Quase Dois Irmãos”, melhor filme latinoamericano pela Federação Internacional de Jornalistas de Cinema (Fipresci); nS  ilvia Lourenço, melhor atriz (“Contra Todos”); n “ Soldado de Deus”, de Sérgio Sanz, Prêmio Especial do Júri.

Júri popular: n “ Vida de Menina”, de Helena Solberg, melhor longa-metragem de ficção; n “ Fábio Fabuloso”, de Antonio Ricardo, Pedro Cezar e Ricardo Bocão, melhor documentário; n “ Nada a Declarar”, de Gustavo Acioli, melhor curta. “Vida de Menina”, de Helena Solberg (no detalhe), foi escolhido como melhor longa pelo júri popular.

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“ O Jaqueirão do Zeca”, de Denise Moraes e Ricardo Bravo; e menção honrosa a “O Artista Contra o Caba do Mal”, de Halder Gomes.

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( festival) Já Caren Addis, diretora executiva da Motion Pictures Association (MPA) no Brasil, defendeu a constituição de um padrão internacional para a tecnologia e a qualidade do cinema digital. Ela defende o padrão que vem sendo desenvolvido pela SMPTE (sociedade americana dos engenheiros de cinema e televisão). Esse padrão norte-americano duplica a qualidade da película 35 mm. Cinema: mídia publicitária Publicitários e executivos de marketing e da indústria cinematográfica discutiram no evento o uso das salas de exibição como mídia publicitária. O debate evidenciou a falta de sintonia entre anunciantes, publicitários e exibidores. André Porto

“O cinema digital favorece mais os independentes que os grandes estúdios.” Fábio Lima, da Rain Networks

Alegre, da Promocine, empresa ligada ao Grupo Severiano Ribeiro, afirmou que o circuito de salas tem um limite para veiculação comercial. “Não são todas as minhas salas (as do Grupo Severiano Ribeiro) que são viáveis para a publicidade”, disse, lembrando que em algumas cidades e regiões o mercado publicitário ainda é incipiente. “Não adianta querer convencer o mercado publicitário. O limite é real”, completou. Já Ricardo Monteiro, da Procter & Gamble, afirmou que o público de cinema no Brasil é maior que o de TV por assinatura e, com a retomada do cinema nacional, foi possível atingir as classes mais populares,

“algo imprescindível para grande parte dos anunciantes”. Mas reclamou da falta de dados sobre o setor. “Sabemos o impacto (o número de espectadores atingidos pela campanha), mas isso não é o mais importante”, afirmou, argumentando que ainda falta saber qual a reação do público à campanha e quantos vão consumir o produto anunciado após o término da seção. “Precisamos atingir o target certo”, completou. O executivo cobrou ainda do setor exibidor o levantamento e a distribuição desses dados junto aos anunciantes. André Porto Alegre respondeu que não cabe ao setor de exibição “financiar” as campanhas publicitárias. Adriana Cacace, do Cinemark, lembrou que o business dos exibidores não é a publicidade. “Nosso core-business é a venda de ingressos, a publicidade é apenas uma oportunidade de receita”, disse.


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por Júlia Zillig

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Produtoras apostam no DVD Segmento musical promete ser a mola propulsora do serviço de autoração.

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ome vídeo, vídeos institucionais, treinamentos empresariais, entretenimento e publicidade têm sido os segmentos mais explorados pelas produtoras quando o assunto é autoração de DVDs. Das pequenas às grandes produtoras, muitas já estão envolvidas nesta nova atividade, que começou a mostrar sinais de crescimento e um grande potencial a ser explorado, prometendo ser uma boa oportunidade de negócio. Os Estados Unidos movimentam um grande volume de autoração de DVDs, devido ao seu forte mercado de entretenimento, composto por grandes produtoras e empresas voltadas para produção de filmes, shows, entre outros. O Brasil já começa a pontuar suas tendências neste sentido, mostrando que o mercado musical poder ser a mola propulsora para este crescimento. A finalizadora EstudiosMega é uma das que está investindo em autoração. Em 2001, montou seu departamento específico para esse trabalho e adquiriu novos equipamentos. Segundo Claudia de Ávila, responsável pela área de Projetos Especiais, essa atividade está sendo feita há vários anos no Brasil. Mas somente agora ela está mais delineada. “Na verdade, a autoração de DVDs é feita há pelo menos seis anos no mercado brasileiro e com isso algumas tendências já se consolidaram. As empresas que se destacaram neste segmento dividem um volume de negócios com as produtoras, finalizadoras e também com as fábricas de replicação de DVDs.”

de vender músicas formalmente. O setor publicitário ainda está testando o DVD como alternativa, pois atualmente utiliza a Internet como uma forma barata e rápida para apresentar, por exemplo, um portfólio de produtos”, diz. “Shows, clipes, acústicos, videokês. Tudo em música torna-se um bom DVD. Além disso, a produção pode ser local, o que aumenta ainda mais o número de lançamentos e automaticamente o volume de autoração”, complementa Claudia. Para fazer a autoração, o Mega utiliza o software Sonic Solutions, voltado especificamente para programação. “Para as outras etapas, contamos com variados equipamentos de edição e computação gráfica, segundo as necessidades do cliente”, diz Claudia. O sucesso do trabalho de Claudia explica que autoração de DVDs A autoração de DVDs agregar o serviço de no exterior é atribuído representa cerca de 5% por Claudia ao autoração ao portfólio dos EstudiosMega foi uma do volume de negócios material e produção das principais razões que dos EstudiosMega. local. “Avaliamos levou a empresa a buscar que os mercados este tipo de trabalho. “Esse processo foi externos mais promissores em quase que natural. Prestamos serviços termos de autoração estão ligados para todas as grandes distribuidoras e diretamente à quantidade de material produtoras de cinema e home vídeo, além e conteúdo produzido internamente. de boa parte das gravadoras. Portanto, Muitas produtoras e distribuidoras era importante que pudéssemos oferecer internacionais de filmes, ou mesmo esse serviço para nossos clientes.” Hoje musicais, já finalizam os templates a autoração representa cerca de 5% do necessários para autorações feitas volume total de negócios movimentado para outros países.” pelo Mega. Na visão da executiva, a A empresa autora DVDs para os concorrência deve aumentar nos segmentos de publicidade, entretenimento próximos anos, em virtude do baixo e musical. No entanto, Claudia avalia este investimento para quem já tem último como o mais promissor. “Nossa uma infra-estrutura voltada para pósafinidade maior é com o mercado musical. produção e finalização. É uma área em franca transformação, “Com o avanço tecnológico e que tem no DVD uma nova maneira conseqüentemente o barateamento 46

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fotos: Divulgação

dos preços, a concorrência deve acredita que este segmento abre muitas aumentar, mais ou menos o que vem oportunidades para a autoração. “Os DVDs acontecendo com o mercado de áudio. ganham muita importância no nicho de O que faz a diferença é a criatividade dos comunicação corporativa. Assim como vem designers e a solução que é possível dar ao acontecendo no setor de home vídeo, em cliente”, explica. grande parte devido ao barateamento dos Utilizando recursos já inseridos no players, a popularidade dessa mídia também sistema de produção da empresa, foi tem crescido no âmbito corporativo. Muitos possível fazer a autoração de DVDs sem laptops atuais têm o driver para reprodução grandes investimentos. “Havia uma de DVD e potencializam a comunicação do margem de lucro maior por haver menos cliente com seus diversos públicos. O DVD, fornecedores disponíveis. Mas para os neste caso, garante que o produto do cliente EstudiosMega, a receita vem de uma série seja exposto da melhor forma, agregando de soluções que damos ao cliente, como, valor tecnológico e refletindo modernidade por exemplo, a correção à sua marca”, avalia de cor, a codificação de Strauss. áudio, edição e efeitos.” Para fazer a autoração Uma outra área que de DVDs, Strauss afirma está sendo amplamente que hoje é possível trabalhada pelo Mega utilizar somente um em termos de autoração PC, desde que possua de DVDs é a de cinema. a configuração mínima “Estamos trabalhando adequada e respeite os este ano mais fortemente limites de qualidade. “Com nesse mercado, visando a democratização da principalmente o nosso tecnologia, os hardwares “O DVD permite tirar cliente de cinema, o e softwares ficaram os trabalhos da ilha com produtor nacional, mais acessíveis.” qualidade máxima que já tem o filme nos O executivo da TV1 diz e estender este valor EstudiosMega. Para eles, ao cliente.” que o trabalho de autoração Leo Strauss, da TV1 hoje faz parte de projetos estamos oferecendo uma série de vantagens em grandes desenvolvidos autorar o seu filme na mesma época em que pela empresa. “Ele está inserido dentro de o finaliza internamente.” trabalhos maiores, desde a produção de um vídeo, até um plano de comu­nicação inte­ Comunicação corporativa grada, e envolve outras áreas da produtora.” Apostando na autoração de DVDs como uma nova ferramenta a favor da Segmento musical comunicação corporativa, a TV1 resolveu Considerada uma atividade importante investir neste segmento e acompanhar as para o trabalho de pós-produção, a tendências do mercado. “O DVD tem como autoração de DVDs também já está sendo característica principal a qualidade de áudio feita pelo grupo Academia. O primeiro e vídeo. A possibilidade de tirar os trabalhos trabalho foi feito em 2001, ao produzir o da ilha de edição com qualidade máxima primeiro DVD do cantor Djavan. A produtora e estender este valor ao cliente se tornou está buscando a diversificação de sua área real com este recurso. Essa mudança no de atuação e produzindo conteúdo para mercado justificou parte do investimento todos os segmentos e gêneros. “A produção em equipamentos high-end de captação para a mídia DVD é uma realidade; portanto, e finalização. Em alguns casos, a fita VHS é inevitável investir em autoração”, explica passou a ser uma mídia de transporte e Paulo Schmidt, sócio e produtor executivo. aprovação de trabalhos em andamento De acordo com Schmidt, a área musical junto aos clientes”, explica Leo Strauss, é o segmento com maior demanda diretor de arte e coordenador da área de de volume de autoração de DVDs. A projetos interativos da produtora. Academia está produzindo conteúdo para Focada no mercado empresarial, a TV1 DVDs musicais, teatro e documentários. 48 • T e l a

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Crescimento dos filmes nacionais também abre bom mercado para a autoração musicais, teatro e documentários. Para realizar este trabalho, a produtora trabalha com soluções de custo relativamente baixo, como o Apple Studio DVD Pro, que pode ser rodado em qualquer Macintosh G5. “Com um pequeno investimento em placas de captura de vídeo e áudio em formato digital e sem compressão, é possível criar uma estação de autoração. Este aplicativo tem custo baixo e nos dá suporte interno e tem compatibilidade com nossos equipamentos de edição, como o FinalCut Pro HD”, complementa Schmidt. A autoração de DVDs responde ainda somente por 1% do volume de negócios da empresa. Mas Schmidt explica o motivo: “A nossa proposta é oferecer aos clientes uma produção

completa, que englobe a produção, captação, finalização e autoração. Ele acaba fazendo parte do pacote total”. Ele avalia que o mercado brasileiro tem se mostrado bastante promissor em autoração de DVDs. “Além da técnica, a autoração de DVDs exige talento para criar ferramentas de acesso cada vez mais avançadas. Neste aspecto, o profissional brasileiro é bastante

diferenciado.” A área musical também é apontada por Schmidt como a mais importante para o setor de autoração. “Nasce um produto que está substituindo rapidamente os CDs, alternativa que reduz sensivelmente a pirataria. Será a grande usuária de DVDs.” A produtora montou um novo espaço, o Estúdio Academia, voltado para a gravação de DVDs musicais. “É um projeto inédito, que vai oferecer às gravadoras e aos artistas em geral um formato de produção de DVD bastante diferenciado. Primeiro, conta com o nosso casting de diretores. Segundo, pela estrutura de produção e pós-produção; e terceiro, pelo custo acessível”, conta o diretor. Criatividade Há mais de três anos fazendo autoração de DVDs, a TeleImage fez

diversos investimentos para ingressar nesta área. Ao total, foram US$ 500 mil em equipamentos exclusivos e serviços diferenciados para alavancar a atividade na produtora. “A produção de conteúdo vem crescendo de forma vertiginosa, juntamente com o DVD no Brasil. O volume de vendas desse tipo de serviço está cada vez maior no mundo inteiro, sendo o mercado musical hoje o mais forte, juntamente com as minisséries e filmes, que também mostram grande potencial para este segmento”, afirma Patrick Siaretta, CEO da TeleImage. “A autoração é bem mais barata no Brasil do que nos outros países. Trabalhamos com conteúdos delicados. Existem muitas empresas ‘fundo de quintal’ trabalhando com isso, mas sem se preocupar com a qualidade. Fazem DVDs autorados que parecem tirados de VHS”, questiona Siaretta. Contabilizando cerca de 5% no volume total de negócios da TeleImage, a autoração de DVDs promete uma expectativa de crescimento para a empresa, entre 30% e 35%, apesar dos valores dos trabalhos de autoração de DVDs não serem tão altos. “Mesmo assim, vislumbramos a abertura de novos caminhos para a TeleImage através deste trabalho”, enfatiza Siaretta.


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por Fernando Lauterjung

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Leitura dinâmica

A fabricante de equipamentos de movimento de câmera Mattedi lançou um novo teleprompter LCD: o modelo TP-LCD/M. O equipamento pesa 7 kg e é composto de chassi com adaptador de altura para qualquer modelo de câmera de vídeo, um monitor de cristal líquido de 15” com proteção em acrílico cristal, espelho semi-reflexivo de 2mm, cabo de 10m para extensão de monitor e contrapeso de 4kg.O produto vem ainda com um software de inversão de imagem, com editor de texto em português para Windows que pode importar textos e fontes de diversos softwares. A velocidade de exibição de texto é ajustável através de operação por teclado e mouse. Para completar, o equipamento pode vir com uma coluna pneumática com dolly, que atinge até 1,42 m na altura máxima e 1,19 m na altura mínima. O conjunto pode mover-se em ângulos de 360º no Pan e cerca de 30º no Tilt. Vem ainda com estojo com acabamento interno em espuma de densidade 33mm, alça retrátil tipo mala de viagem, roda embutida de 3”, canto chato, dobradiça tipo piano e fecho embutido.O teleprompter conta com garantia de um ano por defeito de fabricação e assistência técnica permanente.

Teleprompter LCD e coluna pneumática, da Mattedi: tec­nologia nacional.

Iluminação quente

Gravação mais rápida

A Arri lança em novembro o novo equipamento de iluminação Arri X Ceramic 250. O equipamento usa a nova lâmpada Ceramic ST 250 HR, da Philips, baseada em filamento de tungstênio com luz de 3200K. O equipamento proporciona uma iluminação semelhante à de uma lâmpada de halogênio de 1K, mas consumindo um quarto da força. Além disso, a nova luminária dissipa menos calor do que uma luminária equivalente baseada em halogêneo, permitindo que a lâmpada seja tocada pelo operador mesmo após várias horas de operação. A Arri X Ceramic 250 tem design baseado Arri X Ceramic 250: baixo consumo e nos outros equipamentos pouco calor. da série Arri X, mas inclue o starter para ser ligada diretamente à corrente elétrica. O equipamento consome 250W e pode trabalhar com correntes entre 90V a 265V, com vida útil 4000 horas.

O crescimento do mercado de autoração de DVDs alavancou o lançamento de novas ferramentas para a gravação dos discos. A BenQ lançou no Brasil o drive interno DW1600A, para gravação de DVD com velocidade de 16X. O equipamento, que grava também CD a 40X, pode gravar até 16 horas de vídeo padrão VHS ou 4 horas de MPEG-2 no padrão DVD em apenas um disco, enquanto mantém a compatibilidade do disco com todos os tocadores de vídeo DVD ou DVD-ROM. O DW1600A traz ainda capacidade de armazenamento de dados de GB e o software QVideo 2.0, para transferir vídeo digital à mídia DVD sem a necessidade BenQ e Pioneer lançaram de passar pelos processos de captura e gravadores de DVD mais rápidos e com maior gravação. A regravação de DVD é feita em capacidade de 4X. O equipamento trabalha em plataforma armazenamento. Windows e é vendido a R$ 899,00 no Brasil. Já a Pioneer lançou o dois novos gravadores de DVD DVR-A08XL (indicado para o uso do consumidor final) e o DVR-108 (recomendado aos mercado profissional). Os dois modelos podem gravar em velocidade de 16x16 em mídias DVD-R ou +R e também contam com tecnologia dual layer de 4X, que grava 8,5 GB na mesma face do disco. Os dois gravadores também contam com suporte tanto para mídia DVD-R quanto para DVD-RW, assim como em +R e +RW.O modelo profissional DVR108 vem acompanhado do Pinnacle Studio 8 em Português, o Ulead DVD MovieFactory 3.5 Disc Creator e o Ulead Video Studio 8.0SE, entre outros.

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Servidor inteligente A Pinnacle lançou no mês de outubro o novo servidor de produção ao vivo ThunderMX. O equipamento é baseado na tecnologia Inflexion, que suporta vários formatos de vídeo, incluindo o MXF. O formato permite uma integração rápida com o gerador de caracteres Pinnacle Deko e o sistema de edição Liquid, além de outros equipamentos baseados no formato. O servidor contar com até três canais de gravação e reprodução, suportando vídeo, quatro canais de áudio e imagens still. O ThunderMX também conta com uma segunda camada para imagens still ou logos animados, que pode ser usada para a inserção da marca do canal. As imagens usadas na segunda camada podem ser reposicionadas e redimensionadas sem usar um canal adicional do servidor. O servidor inclui ainda uma interface amigável e o gerenciador de conteúdo suporta procuras simultâneas no arquivo de conteúdo.

Thunder MX, da Pinnacle: tecnologia Inflexion com suporte a multi-formatos.

Universo 3D

Outra ferramenta, a Skin Wrap Deformer, permite animar com maior fa­ci­lidade personagens com texturas com­plexas de pele ou roupas. Para ga­ rantir o gerenciamento de reações cau­ sadas pela interação entre personagens e objetos, o 3ds max ganhou uma ferramenta: o Reaction Manager. A Discreet não esqueceu do crescente mercado de jogos, incorporando a ferramenta Mobile Gaming Development Tools que pode exportar animações para o formato JSR 184.

A Discreet já começou a distribuir a mais nova versão do 3ds max, software de modelação, animação e renderização 3D. Já na sétima versão, o software ganhou várias melhorias para otimizar o trabalho dos cerca de 280 mil animadores usuários do programa na produção de cinema, TV e jogos. Essa versão é, segundo a empresa, a que apresenta maior estabilidade e, principalmente, maior performance. Entre as novidades no software está o uso da tecnologia Normal Mapping, que foi desenvolvida para a indústria de fabricação de video games e garante maior fidelidade de detalhes nas imagens ao usar modelos formatados por polígonos pequenos em mapas de polígonos de alta-definição. Outra novidade é o uso da mais tecnologia mental ray 3.3, que permite maior integração do software com o harware de vídeo compatível, proporcionando melhor gerenciamento da memória de vídeo e, por conseqüência, maior velocidade. O 3ds max vem ainda com o software Character Studio integrado, garantindo a possibilidade de criar animações avançadas de personagens e objetos animados. Já a ferramenta Edit Poly Modifier traz à solução 3D maior velocidade na criação, edição e animação de objetos com estrutura de polígonos complexas. T e l a

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O 3ds max 7 apresenta maior estabilidade e performance.

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( agenda ) > OUTUBRO

30 Hot Docs. Fim do período de inscrições para o festival canadense de documentário. O evento acontece de 22 de abril a 1 de maio de 2005. Internet: www.hotdocs.ca. 30 Festival do Minuto. Fim do período de inscrições para o festival. São Paulo, SP. E-mail: 1minuto@uol.com.br. Internet: www.uol.com.br/minuto. 30 XIII Festival de Cinema e Vídeo de Santa Fé. Fim do prazo de inscrições para o evento na cidade de Santa Fé, Argentina, que acontece de 22 a 28 de novembro. Podem participar curtas e médias-metragens argentinos e latino-americanos, de até 58 minutos. Ficha de inscrição e mais informações com o Instituto Superior de Cinema e Artes Audiovisuais de Santa Fé no site www.santafe.gov.ar/cultura/organis/ inst_cine.htm.

> NOVEMBRO

6 a 11 Festival de Cinema Vídeo e Dcine de Curitiba O Festival este ano gira em torno do tema “Cinema, uma Indústria atrás da Política Pública e Contrapartida Social”. Serão exibidos 65 curtas na Mostra Competitiva, entre ficção e documentário, além da mostra não competitiva de longas-metragens. Mais informações no site www.aproducoes.com.br. 9 a 13 Primeiro Plano 2004 - Festival de Cinema de Juiz de Fora. O festival mineiro exibe curtas-metragens de realizadores estreantes e conta com oficinas, encontros, debates e eventos sociais. O evento já exibiu, desde sua primeira edição em 2002, 161 filmes, entre eles brasileiros e latino-americanos, dos quais 55 deste total em caráter de competição. Mais informações no site www.primeiroplano.art.br. 22 a 28 IX Festival Nacional de Vídeo - A Imagem em 5 Minutos. Salvador, BA. Tel.: (71) 328-8100. E-mail: dimas@funceb.ba.gov.br. Internet: www.5minutos.ba.gov.br. 23 a 30 37º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O festival promove ainda este ano, em parceria com a Brazilian Cinema Promotion, o Grupo Novo de Cinema e TV e a Apex, o II Mercado do Filme Brasileiro. Segundo a organização, o evento contará com a presença de cerca de 30 distribuidores internacionais. Serão aceitas as inscrições em todas as categorias (longa, curta ou média-metragens) e gêneros (ficção, documentário e animação) de filmes finalizados em 35 mm, 16 mm, beta SP e suportes digitais, desde tenham sido produzidos a partir de 2002. A inscrição é gratuita e o prazo termina em 8 de novembro de 2004. O regulamento completo e a ficha de inscrição estão disponíveis no site www.braziliancinema.com.

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Revista Tela Viva - 143 - Outubro 2004  
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