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Gramado, sábado, 7 de agosto de 2010

Jornal oficial do 38o Festival de Cinema de Gramado l Ano 5 l No 17 l Distribuição gratuita Foto Mauricio Mussi / PressPhoto

Bróder! abre as portas de Gramado

ENTREVISTA

PROGRAMAÇÃO

RECONHECIMENTO

José Carlos Avellar destaca filmes fora de competição

Tudo que vai acontecer durante o festival

Os homenageados da 38a edição

Página 4

Página central

Páginas 8 e 10


Diário do Festival

Gramado, 7 de agosto de 2010

FESTIVAL

Direção Geral Flávio Difini Leite flavio@novapauta.com.br Av. Taquara, 98 conj. 504 Fone/fax (51) 3024-0677 Porto Alegre - RS CEP 90460-210 www.novapauta.com.br

Ano 5, no 17 – 7/8/2010 Fotos de Gabriela Di Bella/Press Photo

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Jornal oficial do 38º Festival de Cinema de Gramado Distribuição gratuita Publisher Flávio Difini Leite Editor Gustavo Faraon gustavo@novapauta.com.br Reportagem Katiana Ribeiro Luciana Thomé Vicente Fonseca Planejamento gráfico Kraskin Comunicação Diagramação Vinícius Kraskin Taciana Pessetto Impressão Pioneiro – Grupo RBS

Comercialização

Gerente Comercial Alberto Miranda comercial@classimarketing.com.br Para anunciar ligue (51) 3024-0337 (51) 9246-0703 Os artigos assinados não representam necessariamente a opinião do jornal e são de responsabilidade dos autores.

Orquestra da Unisinos se apresentou na abertura do evento

A festa do cinema já começou

N

o final da tarde desta sexta-feira, 6, a Rua Coberta foi palco da solenidade de abertura do Festival de Cinema de Gramado. Sob o frio rigoroso típico desta época do ano na serra gaúcha, o evento começou às 17h30, com um pequeno atraso de 30 minutos, e transcorreu por aproximadamente uma hora. A Orquestra da Unisinos encantou o público presente com trilhas sonoras de filmes nacionais e estrangeiros. O entorno do tapete vermelho não chegou ficar lotado, uma vez que a movimentação de pessoas na cidade só aumenta na noite de sexta e no decorrer do final de semana. Outro fator que parece não ter agradado aos moradores e visitantes foi o alto valor da consumação cobrada pelos bares e restaurantes da badalada rua gramadense, entre R$ 100 e R$ 200 por mesa. Antes da apresentação musical, as autoridades de Gramado fizeram discursos para celebrar a 38ª edição do evento. Participaram da cerimônia o presidente do festival, Alemir Coletto, o secretário de Cultura do RS, César Prestes, representando a governadora Yeda Crusius, o prefeito de Gramado, Nestor Tissot, o se-

Presidente Alemir Coletto deu as boas-vindas à 38ª edição do festival

cretário municipal do Turismo, Gilberto Tomasini, e o vice-prefeito Luia Barbacovi. Entre os artistas que marcaram presença, destacam-se o ator Paulo César Pereio, que será homenageado com o Troféu Oscarito deste ano, Leonardo Machado, designado para ser o apresentador desta edição, e as atrizes conhecidas dos palcos gaúchos, Sandra

Dani e Araci Esteves, entre outros. Também estiveram presentes os representantes de todos os patrocinadores do festival: Oi, Petrobras, Stella Artois, Kia Motors, Banrisul e Correios. O filme exibido na noite de abertura, no Palácio do Festivais, foi Bróder!, de Jeferson De, que compete na mostra de longas nacionais. Na

sequência, teve sessão de Enquanto a Noite Não Chega, de Beto Souza, que também integra a mostra competitiva. Neste sábado, 7, serão realizadas as exibições dos filmes integrantes da mostra panorâmica, e das mostras e atividades paralelas promovidas na Expogramado e no Centro Municipal de Cultura. À noite, haverá sessões de mais dois filmes em concorrentes aos Kikitos: o uruguaio de Ojos Bien Abiertos: Un Viaje por la Sudámerica de Hoy, de Gonzalo Arijon, e180º, do diretor carioca Eduardo Vaisman. Este ano, o evento tem acréscimo de dois dias e maior oferta de filmes disponíveis. A programação se estenderá até o dia 14, sábado, quando serão entregues os Kikitos para os vencedores. O encerramento ficará a cargo de Ex-Isto, de Cao Guimarães, e terá ainda a exibição especial de 5 x Favela: Agora por Nós Mesmos, de Cacá Diegues. Serão sete concorrentes nas mostras competitivas de longas nacionais, sete na de longas estrangeiros, 16 curtas na competição nacional e 12 na mostra gaúcha. Assim como nas quatro últimas edições, a curadoria dos filmes permanece nas mãos do crítico de cinema José Carlos Avellar e do cineasta Sérgio Sanz.


Gramado, 7 de agosto de 2010

Diário do Festival

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HISTÓRIA

38 anos dedicados à sétima arte

U

O bom humor do Kikito O Kikito, estatueta símbolo e prêmio do Festival de Gramado, foi criado pela artista Elisabeth Rosenfeld por volta de 1966. Antes de ser "adotado" pelo Festival, o Kikito tornouse símbolo da cidade de Gramado. No final de 1970, o então presidente do Instituto Nacional do Cinema (INC), Ricardo Cravo Albim, sugeriu que a estatueta fosse utilizada como troféu máximo de festivais de cinema. Como troféu do evento, o Kikito mede 33cm de altura e foi confeccionado em madeira de imbuia até o ano de 1989. A partir de 1990, passou a ser feito de bronze. A estatueta risonha é conhecida como o símbolo do bom humor. Desde a sua criação, o Kikito tem sido confeccionado pelo escultor Orival da Silva Marques, o "Xixo", que trabalhava com Elisabeth Rosenfeld nos primeiros anos do festival. Elisabeth morreu em 24 de janeiro de 1980.

Reprodução

Silvia Zorzanello e Osmar Meletti, em 1973, apresentando o 1º Festival de Cinema de Gramado

pano-americanos. Foi realizada a primeira edição internacional, passando a se chamar Festival de Gramado – Cinema Iberoamericano. Retornou ao seu nome original em 2007, porém seguindo com mostras competitivas de cinema brasileiro e estrangeiro, já que é permitida a participação de produções que não somente de países latinos. Ao longo da história do festival, centenas de longas e

curtas foram levadas ao público, contribuindo para a divulgação, discussão, crítica e incentivo à criação cinematográfica nacional e do exterior. Diretores, roteiristas, atores, atrizes, entre outros profissionais da sétima arte, tiveram seu trabalho reconhecido com os Kikitos dourados, além de homenagens especiais com os troféus Oscarito e Eduardo Abelin, e o Kikito de Cristal. Vai Trabalhar, Vagabundo (Hu-

go Carvana, 1973), Pra Frente, Brasil (Roberto Farias, 1982), Ilha das Flores (Jorge Furtado, 1989), E no Meio Passa um Trem (Fernando Meirelles e Nando Olival, 1998) são algumas das obras que se consagraram na grande festa do cinema. Paralelo à premiação, o desfile de celebridades televisivas no tapete vermelho é uma constante em Gramado, sempre atraindo muita atenção dos visitantes da cidade.

Edison Vara/Press Photo

m dos mais prestigiados eventos culturais do país, o Festival de Cinema de Gramado foi criado a partir das mostras promovidas durante a Festa das Hortênsias, entre 1969 e 1971. O lançamento da primeira edição, realizada de 10 a 14 de janeiro de 1973, apontou Toda Nudez Será Castigada, de Arnaldo Jabor, como melhor filme da mostra competitiva, que também deu a Darlene Glória o título de melhor atriz. Desde então, o festival alterou para sempre a rotina e o perfil de uma outrora pequena e bucólica cidade da serra gaúcha. Nas últimas três décadas, Gramado vem exibindo o melhor da produção cinematográfica nacional em meio ao glamour do tapete vermelho que leva ao Palácio dos Festivais. Inicialmente, o evento ocorria no verão, depois no outono e, a partir dos anos 1990, no mês de agosto. Sua origem coincide com o período da ditadura do governo Médici. O jornalista e crítico de cinema Hiron Goidanich, conhecido como Goida, lembra que o Festival de Gramado driblou a falta de liberdade de expressão da época. “Era um espaço para debates e polêmicas, com exibição de filmes censurados, como Iracema: Uma Transa Amazônica”. O longa-metragem de 1976, de Jorge Bodanzky e Orlando Senna, ficou proibido durante seis anos porque mostrava os problemas que a construção da rodovia Transamazônica traria para a região: desmatamento, queimadas, trabalho escravo, prostituição infantil. Até mesmo o Festival de Brasília foi interrompido por intervenção da ditadura militar entre 1972 e 1974. Gramado surgiu nesse vácuo e se caracterizou como um festival aberto e democrático. Com o aprimoramento das discussões sobre arte e cultura, o evento conquistou o título de um dos maiores do gênero no Brasil durante os anos 1980, status que mantém até os dias de hoje. Em 1992, frente às dificuldades da indústria cinematográfica brasileira, passou a dialogar com os vizinhos his-


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Diário do Festival

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ENTREVISTA

Por um festival além da competição de filmes

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elo quinto ano consecutivo na curadoria ao lado do cineasta Sérgio Sanz, o crítico de cinema José Carlos Avellar é um dos responsáveis pelo desenvolvimento recente do Festival de Gramado. Nesta entrevista, ele fala sobre o aumento do número de dias do evento, a expansão das mostras paralelas e os diálogos que ocorrem entre o cinema de ficção e documental que competem nas mesmas categorias.

Creio que não. Essa é uma questão que nós discutimos muito. Houve um momento em que chegamos a pensar na colocação de todos os documentários em uma competição separada dos filmes de ficção. Eu tenho a impressão de que hoje em dia, com um certo esfumaçamento da fronteira entre documentário e ficção, você precisa colocar os dois juntos. Vários dos documentários que nós vamos apresentar têm inseridos dentro dele elementos de ficção e vice-versa. E tenho impressão de que a colocação de um ao lado do outro ajuda. Eu acho que há efetivamente um diálogo entre os dois gêneros. Creio que eles estão reciprocamente se estimulando. Um ajuda o outro. Eu acho que, no momento, a contribuição do documentário para a ficção é mais forte, mas isso não é duradouro.

Desde que você e o Sérgio Sanz entraram na curadoria, têm se preocupado em aumentar as mostras paralelas... Claro, um festival não deve ser feito apenas para privilegiar o filme que sai vencedor da competição. Esse filme recebe um destaque, mas é preciso que todos os filmes que estejam dentro do programa recebam também um destaque, uma apresentação, alguma coisa que possa chamar a atenção para eles, porque o que acontece num festival é que os filmes interagem. Um deles estimula, explica, discute com o outro. No ano passado, quando ventilada a possibilidade de mais dias para o festival, você falou que não se aumenta festival com mais dias, mas com mais salas. Evidente. Existe um projeto da cidade de construir um con-

Edison Vara/Press Photo

Quais as principais as novidades do festival deste ano em relação ao ano passado que merecem destaque? O que a gente está apresentando esse ano como uma coisa que não existia ano passado é a criação de um prêmio para os filmes exibidos na mostra panorâmica que nós fazemos na parte da tarde. Esses filmes vão receber um prêmio dado por um júri de estudantes de cinema. É um deslocamento para uma sessão do festival que reúne filmes que são tão significativos quanto os que estão na competição, mas que não estavam conseguindo uma visibilidade maior porque as pessoas costumam ver um festival como uma espécie de campeonato de filmes.

Para o curador José Carlos Avellar, filmes da mostra paralela também merecem atenção especial por parte do público

junto de salas ao lado do cinema já existente, de modo que você possa ter uma programação mais intensa. Não é o nosso papel, mas em reuniões, quando nós estamos com a decisão dos títulos que vão ser selecionados, essa questão retorna porque nós temos poucas salas. Nós temos uma sala e alguns cinemas de complemento. Na verdade, um festival deveria oferecer ao lado dessa programação que nós oferecemos a possibilidade de que um produtor levasse os seus filmes e estabelecesse ali um mercado ou um show prévio. Por exemplo, nós procuramos selecionar para o festival um cinema autoral. Mas existem produções de características das mais variadas, e é possível que o filme não-autoral possa ser apresentado num mercado, num es-

paço paralelo, numa mostra dentro do programa geral do festival, mesmo que seja para o público especializado. Essas coisas eu acho que o complementariam. Me parece que o aumento que se fez dos dias do festival não é uma coisa negativa. Eu acho que se chegou a uma medida bem razoável. Eu tenho a impressão que o festival estava desperdiçando um dos momentos que em geral é onde as pessoas correm para ver filme, que é o fim de semana. Os documentários continuam sendo a maioria dos filmes inscritos? Continuam. A gente encontra em toda América Latina e em boa parte da Europa um crescimento considerável da produção filmes documentários.

De documentários dirigidos a salas de cinema, não à televisão. E é uma impressão pessoal minha que o documentário está sendo muito praticado como um espaço de criação mais livre do que os modelos de ficção já conhecidos. Eu acho que a ficção está buscando outras formas de composição cinematográfica e que pra isso o documentário se mostra um exemplo importante, significativo, estimulante, que chama atenção para como se pode inventar novas fórmulas de ficção. E isso eu vejo na Argentina, no México, na Colômbia, no Peru, na Venezuela e no Paraguai, que estão produzindo muitos filmes documentários. Seria o caso de separar os documentários dos filmes de ficção na mostra competitiva?

O Troféu Eduardo Abelin para a Ana Carolina Soares de certa maneira representa uma homenagem para todas as mulheres cineastas que vêm se destacando no Brasil? Eu acho que a Ana Carolina começou antes delas. Não é que tenha sido apenas ela a fazer filmes ou que tenha sido a primeira a fazer filmes, mas na história do cinema brasileiro foi uma diretora que impôs um estilo muito pessoal. O cinema da Ana Carolina joga todo tempo entre imagens visuais e imagens verbais, nos títulos, nos diálogos. Ela joga muito com uma fala poética que não é necessariamente uma fala coloquial. O último filme dela foi sobre um poeta, não esqueçamos, sobre Gregório de Mattos. Basta lembrar os títulos. Mar de Rosas. Sonho de Valsa. Das Tripas Coração. São todas imagens verbais muito fortes pertencentes ao dia-a-dia do brasileiro. Acho que o prêmio dela se justifica especialmente pela tenacidade na invenção de um estilo próprio feminino, mas cinematográfico. Não era só do ponto de vista feminista. Era principalmente por uma mulher se afirmando com um estilo próprio, individual, muito sensível, numa atividade dominantemente masculina.


Diário do Festival

Gramado, 7 de agosto de 2010

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PROGRAMAÇÃO

Tudo que vai acontecer no 38º Festival de Cinema de Gramado

Fotos de divulgação

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Historia de un Día

7/8 – SÁBADO Palácio dos Festivais ■ 10h

– Reprise programação competitiva da noite anterior Mostra Panorâmica ■ 14h – Dois Irmãos, de Daniel Burman – LM Argentina – 105’ ■ 17h – Quebradeiras, de Evaldo Mocarzel – LM Brasil – 71’ Mostra Competitiva ■ 19h - Ojos Bien Abiertos: Un Viaje por la Sudámerica de Hoy, de Gonzalo Arijon – LM Uruguai – 110’ ■ 20h45 – Homenagem a APTC/ABDRS e Fórum dos Festivais ■ 21h – 180º, de Eduardo Vaisman – LM Brasil – 85’ ■ 23h – 5X Favela: Agora Por Nós Mesmos, de Manaíra Carneiro, Wagner Novais, Rodrigo Felha, Cacau Amaral, Luciano Vidigal, Cadu Barcelos, Luciana Bezerra – LM Brasil – 103’

Centro de Eventos – Expogramado ■ 10h

– Exposição do Burle – área de exposição ■ 11h30 – Debates filmes de longametragem concorrentes ■ 14h – Fórum de Políticas Culturais

8/8 – DOMINGO Palácio dos Festivais ■ 10h

– Reprise programação competitiva da noite anterior ■ 14h – A Casa Errada, de Maciel Brum – CM – 25’ Mostra Panorâmica ■ 14h30 – Elvis e Madona, de

La Yuma Marcelo Laffitte – LM Brasil – 105’ Sessão Especial ■ 17h – Chantal Akerman de Cá, de Gustavo Beck e Leonardo Luiz Ferreira – LM Brasil – 61’ Mostra Competitiva ■ 19h – La Vieja de Atrás, de Pablo Meza – LM Argentina – 112’ ■ 20h45 – Homenagem à Silvia Zorzanello ■ 21h – O Último Romance de Balzac, de Geraldo Sarno – LM Brasil – 74’

Centro de Eventos Expogramado ■ 10h – Exposição do Burle – área de exposição ■ 11h30 – Debates filmes de longametragem concorrentes ■ 15h – Apresentação do projeto de preservação da Revista Filme Cultura/ Debate com Gustavo Dahl e críticos de cinema

9/8 – SEGUNDA-FEIRA Palácio dos Festivais ■ 10h

– Reprise programação competitiva da noite anterior Revelando os Brasis ■ 14h - A Dois Passos do Paraíso, de Alan Russel – 15’ Mostra Panorâmica ■ 14h15min – Os Inquilinos, de Sergio Bianchi – LM Brasil – 103’ Mostra Competitiva ■ 17h – Um Lance do Acaso, de Beatriz Taunay – CM – 10’ Pinball, de Ruy Veridiano – CM – 15’ Ninjas, de Dennison Ramalho – CM – 23’ A Minha Alma é Irmã de Deus, de

Luci Alcântara – CM – 18’ Mostra Competitiva ■ 19h – Mi Vida Con Carlos, de German Berger – LM Chile – 83’ ■ 20h45 – Homenagem à Revista do Cinema Brasileiro e Cinédia ■ 21h – Não Se Pode Viver Sem Amor, de Jorge Duran – LM Brasil – 102’

Centro de Eventos Expogramado ■ 10h – Exposição do Burle – área de exposição ■ 11h30 – Debates filmes de longametragem concorrentes ■ 13h30 – Encontro de Secretários Municipais de Cultura: Nova Lei da LIC e sua importância – Coord. Da LIC, Fábio Rosenfeldt/ Modelagem de projeto – Rafael Bali ■ 16h – Cinema, Crítica e Novas Tecnologias – Presidente da ACCIRS – Roger Lerina

Cinema nos Bairros ■ 19h30 – Altos da Viação Férrea: Divã – 93’ ■ 19h30 – Vila do Sol: A Guerra dos Rocha – 77’ ■ 19h30 – Casagrande: O Coração às Vezes Para de Bater – 14’ e Antes que o Mundo Acabe - 97’

Centro Municipal de Cultura ■ 9h

– Mostra Especial: Hochtijd: Um Casamento Pomerano – 40' ■ 14h30 – Mostra Infantil: Xuxa em o Mistério da Feiurinha – 75' ■ 20h – Sessão Especial: Bezerra de Menezes – 75'

Não Se Pode Viver Sem Amor

10/8 – TERÇA-FEIRA

Cinema nos Bairros 9h – Várzea Grande (Centro de Cultura): Antes que o Mundo Acabe – 97’ ■ 19h30 – Jardim: Bezerra de Menezes – 75’ ■

Palácio dos Festivais ■ 10h

– Reprise programação competitiva da noite anterior Revelando os Brasis ■ 14h – Ibiri: Tua Boca Fala Por Nós, de Nilma Teixeira Accioli – CM – 15’ Mostra Panorâmica ■ 14h15min – A Última Estrada da Praia, de Fabiano Souza – LM Brasil – 93’ Mostra Competitiva ■ 17h – Amigos Bizarros de Ricardinho, de Augusto Canani – CM – 20’ Pimenta, de Eduardo Mattos – CM – 13’ Carreto, de Cláudio Marques e Marília Hughes – CM – 12’ Vento, de Marcio Salem – CM – 20’ ■ 18h45min – Homenagem a Péricles Gomide e Natalino Tomasi ■ 19h – Historia de un Dia, de Rosana Matecki – LM Venezuela – 89’ ■ 20h45 – Troféu Oscarito oferecido pela Oi para Paulo César Pereio ■ 21h – O Contestado - Restos Mortais, de Sylvio Back - LM Brasil - 155

Centro de Eventos – Expogramado ■ 10h

– Exposição do Burle – área de exposição ■ 10h – Programação Café e Negócios ■ 10h30 – Debates filmes de curtametragem concorrentes ■ 11h30 – Debates filmes de longametragem concorrentes ■ 14h – Seminário Fundos de Financiamento Audiovisual ■ 14h – Encontro de Negócios ■ 15h – Oficina de Crítica de Cinema

Centro de Eventos – Expogramado

– Mostra Especial: A Guerra dos Rocha – 77' ■ 14h30 – Mostra Infantil: O Coração às Vezes Para de Bater – 14' e A Casa Verde – 72' ■ 20h – Sessão Especial: Maridinho de Luxo – 83'

– Exposição do Burle – área de exposição ■ 10h – Programação Café e Negócios ■ 10h30 – Debates filmes de curtametragem concorrentes ■ 11h30 – Debates filmes de longametragem concorrentes ■ 14h – Seminário de Apresentação da Proposta do VIII Congresso Brasileiro de Cinema ■ 14h – Encontro de Negócios ■ 15h – Oficina de Crítica de Cinema com Ivonete Pinto

11/8 – QUARTA-FEIRA

Cinema nos Bairros

Centro Municipal de Cultura ■ 9h

Palácio dos Festivais ■ 10h

– Reprise programação competitiva da noite anterior Revelando os Brasis ■ 14h – O Paraíso de Maria – 15’ Mostra Panorâmica ■ 14h15 – As Cartas Psicografadas por Chico Xavier, de Cristiana Grumbach – LM Brasil – 105’ Mostra Competitiva ■ 17h – Naiá e A Lua, de Leandro Tadashi – CM – 13’ Um Animal Menor, de Pedro Harres e Marcos Contreras – CM – 20’ Mar Exílio, de Eduardo Morotó – CM 13’ Em Trânsito, de Cavi Borges – CM – 11’ ■ 19h – El Vuelco del Cangrejo, de Oscar Ruiz Navia – LM Colômbia – 95’ ■ 20h45 – Troféu Eduardo Abelin oferecido pela Petrobras para Ana Carolina Teixeira Soares ■ 21h – Ponto Org, de Patricia Moran – LM Brasil – 80’

■ 10h

■ 9h

– Centro: Antes que o Mundo Acabe – 97’ ■ 14h30 – Várzea Grande (Centro de Cultura): As Aventuras de Gui e Estopa – 72’ ■ 19h30 – Várzea Grande: Maridinho de Luxo – 83’ ■ 19h30 – Piratini: A Casa Verde – 72’

Centro Municipal de Cultura ■ 9h

– Mostra Especial: As Melhores Coisas do Mundo – 107’ ■ 14h30 – Mostra Infantil: O Grilo feliz e Os Insetos Gigantes – 82’ ■ 20h – Sessão Especial: É Proibido Fumar – 84’

12/08 – QUINTA-FEIRA Palácio dos Festivais ■ 10h

– Reprise programação competitiva da noite anterior Revelando os Brasis ■ 14h – Talhado, de José Aderivaldo

Silva da Nóbrega – 15’ Mostra Panoramica ■ 14h15 – Terra Deu, Terra Come, de Rodrigo Siqueira – LM Brasil – 88’ Mostra Competitiva ■ 17h – Os Anjos do Meio da Praça, de Alê Camargo & Camila Carrossine – CM – 10’ Haruo Ohara, de Rodrigo Grota – CM – 16’ Ratão, de Santiago Dellape – CM – 20’ Babás, de Consuelo Lins – CM – 20’ ■ 19h – Perpetuum Móbile, de Nicolás Pereda – LM México – 90’ ■ 20h45 – Premiação Mostra Gaúcha – Prêmio Assembléia Legislativa de Cinema ■ 21h – Diário de uma busca, de Flávia Castro – LM Brasil – 105’

Centro de Eventos – Expogramado ■ 10h

– Exposição do Burle – área de exposição ■ 10h30 – Debates filmes de curtametragem concorrentes ■ 11h30 – Debates filmes de longametragem concorrentes ■ 14h – Histórias Curtas Sem Parar – Comemoração 10 anos do Núcleo de Especiais da RBS ■ 15h – Lançamento de Livros (em frente à secretaria)

Cinema nos Bairros ■ 14h

– Centro (Escola Santos Dumontt): O Grilo feliz e os Insetos gigantes – 82’ ■ 19h30 – Prinstrop: Melhores Coisas do Mundo – 107’ ■ 20h – Várzea Grande (Centro de Cultura): É Proibido Fumar – 84’

O Contestado

Centro Municipal de Cultura

Cinema nos Bairros

■ 10h

■ 18h – Três Pinheiros: Casa Verde – 72’

– Mostra Competitiva Gaúcha ■ 14h – Mostra Competitiva Gaúcha ■ 20h – Sessão Especial: Divã – 93’

13/08 – SEXTA-FEIRA Palácio dos Festivais ■ 10h

– Reprise programação competitiva da noite anterior Mostra Panorâmica ■ 14h – Walachai, de Rejane Zilles – LM Brasil – 84’ ■ 17h – 5 + 5 +, de Rodrigo Lamounier – LM Brasil – 52’ Mostra Competitiva ■ 19h – La Yuma, de Florence Jaugey – LM Nicarágua – 91’ ■ 20h45 – Troféu Kikito de Cristal oferecido pelo Ambev para Manuel Martinez Carril ■ 21h – Sessão especial de encerramento: Ex-Isto, de Cao Guimarães – LM Brasil – 86’

Centro de Eventos – Expogramado ■ 10h

– Exposição do Burle – área de exposição ■ 10h30 – Debates filmes de curtametragem concorrentes ■ 11h30 – Debates filmes de longametragem concorrentes ■ 14h – Fórum de Políticas Culturais ■ 14h – Histórias Curtas Sem Parar – Comemoração 10 anos do Núcleo de Especiais da RBS ■ 15h – Debate – O Curta-metragem na Produção Gaúcha/ Promoção – Curso de Realização Audiovisual da Unisinos

■ 18h – Moura: É Proibido Fumar – 84’ ■ 19h30

– Carniel: Bezerra de Menezes – 75’ ■ 19h30 – Centro (Escola Santos Dumont): Divã – 93’

Centro Municipal de Cultura ■ 9h

– Mostra Especial: Orgulho e Tradição – 51’ ■ 14h30 – Mostra Infantil: As Aventuras de Gui e Estopa – 72’ 20h – Sessão Especial: Antes que o Mundo Acabe – 97’

14/8 – SÁBADO Palácio dos Festivais ■ 21h

– Solenidade de Premiação – Entrega dos Kikitos

Centro de Eventos – Expogramado ■ 10h

– Exposição do Burle – área de exposição ■ 11h30 – Debates filmes de longametragem concorrentes ■ 14h – Projeto Videoteca Petrobras 3ª edição/ Exibição do filme Lula, o Filho do Brasil com legenda oculta ■ 15h – Projeto Videoteca Petrobras 3ª edição/ Exibição do filme Lula, o Filho do Brasil com legenda com audiodescrição

Cinema nos Bairros ■ 14h30

– Canela: A Guerra dos Rocha – 77’ ■ 19h30 – Moreira: Xuxa em o Mistério da Feiurinha – 75’

VENDA E INFORMAÇÕES SOBRE OS INGRESSOS A compra dos ingressos pode ser efetuada diretamente no Palácio dos Festivais. O telefone é (54) 3286.1058, Atendimento diário: das 9h às 19h. Também é possível adquirir pelo site do Festival no link http://www.festivaldegramado. net/2010/ingressos.php De sexta-feira (6/8) a terça-feira (10/8), por noite: ■ Plateia R$ 50 ■ Mezanino R$ 30 Quarta-feira (11/8) e quinta-feira (12/8), por noite: ■ Plateia R$ 70 ■ Mezanino R$ 50 Sexta-feira (13/8) ■ Plateia R$ 80 ■ Mezanino R$ 60 Noite de encerramento (sábado, 14/8) ■ Plateia R$ 100 ■ Mezanino R$ 80 Reprises (por manhã) ■ De segunda a sexta-feira: R$ 15 O público pode ainda participar do evento através de programação gratuita que ocorre no Centro de Eventos Expogramado e Centro Municipal de Cultura, além do Cinema nos Bairros. Os filmes de curta-metragem são exibidos no Palácio dos Festivais às 17h com entrada franca.


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Diário do Festival

Gramado, 7 de agosto de 2010

HOMENAGEM

Troféu Eduardo Abelin celebra cinema autoral de Ana Carolina

A

poeta do período colonial no Brasil com imagens que narravam trechos de sua biografia. No elenco, destaques para Waly Salomão, Marília Gabriela e Ruth Escobar. Radicada no Rio de Janeiro, a diretora dedica-se, há alguns anos, à captação e préprodução de obra sobre um épico da história: a primeira missa realizada no Brasil, em 1500. O longa inspira-se na imagem do quadro do pintor brasileiro Victor Meirelles. Fotos de divulgação

autoralidade é uma das características marcantes do trabalho da cineasta Ana Carolina Teixeira Soares. Paulistana, nascida em 1949, ela imprimiu sua marca na filmografia do cinema brasileiro. Na 38ª edição do Festival de Cinema de Gramado, ela será homenageada com o Troféu Eduardo Abelin. Formada em Medicina, e com passagem pela Faculdade de Ciências Sociais, Ana Carolina cursou cinema em São Luiz, e iniciou sua carreira, em 1967, como continuísta de Walter Hugo Khouri em As Amorosas. No início da década de 1970, firmou-se como documentarista em produções de curta e média-metragem como Guerra do Paraguai e Nelson Pereira dos Santos Saúda o Povo e Pede Passagem. Em 1974, fez sua estreia no formato longametragem, com Getúlio Vargas. O filme, que utilizou materiais de arquivo e compôs um retrato do político dos anos 1930 ao

Cineasta paulistana já recebeu um Kikito de melhor direção em Gramado, em 1983, por Das Tripas Coração

seu suicídio em 1953, projetou seu nome no mercado cinematográfico. Três anos depois, Ana Carolina dirigiu Mar de Rosas, sua primeira ficção. O filme foi bem recebido pela crítica e é considerado por muitos sua melhor produção. O longa inicia uma trilogia criada pela di-

retora, que é completada por Das Tripas Coração (1982), que lhe rendeu um Kikito de melhor direção no festival de 1983, e Sonho de Valsa (1987), filmes marcados pelo olhar crítico da condição feminina e pelo trabalho com a linguagem. Nos anos 2000, Ana Carolina consolidou sua excelência

na direção de atores. Em Amélia, abordou a passagem da atriz francesa Sarah Bernhardt pelo Brasil e seu encontro com três mulheres do campo, evidenciando um choque de culturas. Sua produção mais recente, Gregório de Mattos, realizada em 2003, misturou cenas inspiradas nos versos do maior

Filmografia ■ 2003 – Gregório de Mattos ■ 2000 – Amélia ■ 1987 – Sonho de Valsa ■ 1982 – Das Tripas Coração ■ 1977 – Mar de Rosas ■ 1974 – Getúlio Vargas ■ 1970 – Nelson Pereira dos

Santos Saúda o Povo e Pede Passagem (curta-metragem) ■ 1970 – Guerra do Paraguai (curta-metragem) ■ 1968 – Indústria

Reconhecimento ao incentivador do cinema no Uruguai O agraciado com o Kikito de Cristal nesta edição de Gramado é o jornalista, crítico e pesquisador uruguaio Manuel Martínez Carril. Nascido em Montevidéu, em 1938, ele foi, durante muitos anos, dirigente da Cinemateca Uruguaia, reconhecida como uma das mais importantes do mundo e grande responsável pela aproximação e divulgação das produções da América do Sul. Ao longo de 50 anos, as atividades de Carril na área do cinema variaram entre cineclubista, jornalista, crítico de cinema, pesquisador, programador e diretor da Cinemateca Uruguaia. Também foi criador de diversos cursos da cinemateca, nos quais diversos cineastas uruguaios começaram as suas carreiras. Como crítico cinematográfico, escreveu para publicações como os semanários El Sol e Izquierda, e os di-

Manuel Martínez Carril foi, por muitos anos, dirigente da Cinemateca Uruguaia

ários El Popular, Diario de la Mañana e Última Hora. Durante os festivais da cinemateca, Carril sempre destacou as produções gaúchas e brasileiras. O acervo da cinemateca possui filmes realizados desde 1908, reunindo qua-

se a totalidade da memória cinematográfica do Uruguai, além de uma videoteca privada que tem mais de 15 mil títulos. A instituição também foi responsável pela elaboração de centenas de publicações, com críticas, artigos e ensaios sobre

temas como diretores e escolas de cinema. Exemplo latino de qualidade de programação e organização, a Cinemateca recebeu, em 2002, durante o 30º Festival de Cinema de Gramado, um Kikito Especial em homenagem aos 50 anos de sua criação. A atuação de Carril é reconhecida pela comunidade cultural na América do Sul e Europa. Além de participar de congressos e encontros como representante uruguaio, expositor e coordenador, ele atuou como jurado em festivais de cinema no Chile, Argentina, Peru, Espanha e Brasil, incluindo o Festival de Gramado. Carril já recebeu distinções e prêmios de países como França, Chile, Polônia, Itália e Cuba. No Uruguai, recebeu, em dezembro de 2009, o título de cidadão ilustre da cidade de Montevidéu, concedido pela

Intendência Municipal, e prêmios pela sua trajetória na área do cinema entregues pela Associação de Críticos de Cinema do Uruguai e Prêmio ICAU do Instituto de Cinema e Audiovisual do Uruguai.

Distinções recebidas ■ 1990 – Cavaleiro das Artes e das Letras (Governo da França) ■ 1992 – Ordem do Mérito – Medalha Gabriela Mistral (Governo do Chile) ■ 1994 – Reconhecimento ao trabalho no cinema (Vinã del Mar, Chile) ■ 2003 – Ordem do Mérito Cultural (Governo da Polônia) ■ 2006 – Cavaliere, Onoreficenza (Itália) ■ 2007 – Homenagem do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (ICAIC – Cuba) ■ 2010 – Kikito de Cristal do Festival de Cinema de Gramado


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Diário do Festival

Gramado, 7 de agosto de 2010

HOMENAGEM

Troféu Oscarito O Troféu Oscarito, batizado com esse nome em homenagem ao comediante que ajudou a popularizar o nosso cinema, nos anos 1940/50, foi criado para premiar personalidades e entidades marcantes para a cinematografia brasileira. Institucionalizado em 1990, consagrou naquele seu primeiro ano Grande Otelo, companheiro de Oscarito em várias comédias de sucesso produzidas pela Atlântida.

Como surgiu Em 1990, durante uma visita a Brasília, em busca de patrocinadores para o festival daquele ano, Esdras Rubim, coordenador da mostra, e o prefeito Nelson Dinnebier foram recebidos pelo diretor de marketing do Banco do Brasil, que realizava na época uma campanha do cartão de crédito Ourocard. Foi então sugerida a criação de um prêmio especial. Como se tratava de algo que não estava previsto no regulamento do festival, um novo artigo teve que ser adicionado, instituindo e oficializando o prêmio. Para reforçar a campanha Ouro, surgiu o Troféu Oscarito, premiando personalidades e entidades marcantes do cinema brasileiro. Texto extraído do livro Gramado: 35 anos de Cinema Brasileiro, de 2008.

Troféu Oscarito vai para o ator Paulo César Pereio

"O

Kikito é horrível, uma bunda na frente e outra atrás, e o Candango eu dei para uma amiga minha bater no namorado", declarou Paulo César Pereio em entrevista à Playboy em 2006. Quatro anos depois, ele é o escolhido pelo Festival de Cinema de Gramado para receber o Troféu Oscarito, importante distinção concedida pelo conjunto da obra de um ator. Os mais apressados poderiam julgar que se trata de um contra-censo dos organizadores, ou ainda que seria um paradoxo Pereio aceitar a homenagem e aparecer na serra gaúcha como a grande estrela do evento. Mas só pode pensar assim que não o conhece. Paulo César Pereio é, bem da verdade, uma mistura de homem e personagem criado por ele mesmo. Nascido Paulo César de Campos Velho, em 1940, em Alegrete, no interior do Rio Grande do Sul, ganhou o apelido da família e o adotou como sobrenome. Logo cedo, escolheu sair de casa para poder ser ator, atividade que seu pai considerava “coisa de mulherzinha”. Daí em diante, nunca mais se soube como distinguir o intérprete do mito criado em volta dele. Sua carreira conta com mais de uma centena de participações em filmes e talvez outra centena em peças de teatro, sem contar locuções – é hoje um dos locutores preferidos do meio publicitário por conta de sua voz aveludada inconfundível – e outras aparições esporádicas em televisão. Enumerar sua filmografia é passar em revista quase tudo que foi produzido pelo cinema brasileiro nas últimas décadas (veja quadro). Foi dirigido por expoentes nacionais da sétima arte como Glauber Rocha, Arnaldo Jabor, Hugo Carvana, Ruy Guerra e Hector Babenco. Já ganhou dois Kikitos em Gramado e também foi premiado outras duas vezes no Festival de Brasília.

Foto de divulgação

CAUSOS DO GOIDA

Pereio, que será homenageado no 38º Festival de Cinema de Gramado, em Eu Te Amo, filme dirigido por Arnaldo Jabor

De todas as suas manias, que são inúmeras, uma que virou verdadeira marca registrada foi o uso incontido de palavrões. Quase não há frase que não seja pontuada, ao final, por um sonoro “porra”. Mas há outras, muito mais curiosas. Um exemplo: Pereio não carrega com sigo uma carteira (nem pasta, nem bolsa, nem nada). Também acha um absurdo ter que andar com um documento de identidade (afirma ter vivido mais de dez anos sem possuir um). Quando precisa viajar, não leva nada, apenas um documento em um bolso e um cartão de crédito no outro. Afirma que não consegue ter dinheiro, e sempre que ganha uma boa grana acaba se livrando dela na primeira oportunidade, normalmente com prostitutas. Mora no centro de São Paulo e deixa a chave do apartamento aos cuidados do pessoal do boteco ao lado do prédio. Sua vida é organizadamente bagunçada. Um turbilhão mantido com esmero. Por esse jeito apaixonado e incontido de ser talvez passe a sua ótima relação com o cinema e que nunca conseguiu manter com a televisão. A TV exige disciplina, pontualidade e dedicação que Pereio jamais

esteve disposto a oferecer ao que quer que fosse. Passou por três casamentos, e, no mais conhecido deles, esposou uma Cissa Guimarães ainda menor de idade, que lhe daria dois filhos e um recolhimento à pri-

são por falta de pagamento da pensão aos pequenos, anos mais tarde. O único relacionamento sólido e duradouro, e que persiste até hoje, é mesmo o de Pereio com os filmes.

FILMOGRAFIA A filmografia de Pereio é extensa. Somente no IMDB, há 104 registros de participações do ator em produções audiovisuais, seja como ator ou narrador em filmes e programas para a televisão. Além disso, ainda foi produtor associado do longa-metragem Barrela: Escola de Crimes (Marco Antonio Cury, 1990) e escreveu o roteiro de A Penúltima Donzela (Fernando Amaral, 1969). Confira abaixo um breve resumo: ■ 2009 – É Proibido Fumar

■ 1981 – Iracema, uma Transa

■ 2008 – Pereio, Eu te Odeio

Amazônica

■ 2008 – Nossa Vida Não Cabe

■ 1980 – Eu Te Amo

num Opala

■ 1979 – L'uomo della guerra

■ 2007 – O Cheiro do Ralo

possibile

■ 2003 – Harmada

■ 1978 – Assim Era a

■ 2003 – O Homem do Ano

Pornochanchada

■ 1999 – O Viajante

■ 1978 – A Dama do Lotação

■ 1997 – Navalha na Carne

■ 1977 – Chuvas de Verão

■ 1996 – Bahia de Todos os Sambas

■ 1977 – Lúcio Flávio, O Passageiro

■ 1992

– Vagas para Moças de Fino Trato ■ 1990 – Barrela: Escola de Crimes ■ 1989 – Dias Melhores Virão ■ 1986 – Um Filme 100% Brasileiro ■ 1984 – Noite ■ 1982 – Rio Babilônia ■ 1982 – Retrato Falado de uma Mulher sem Pudor ■ 1982 – Bar Esperança, O Último que Fecha

da Agonia ■ 1977 – Se Segura, Malandro ■ 1977 – Vida Vida ■ 1976 – As loucuras de um sedutor ■ 1975 – As Aventuras Amorosas

de um Padeiro ■ 1973 – Vai Trabalhar, Vagabundo ■ 1973 – Sagarana, o Duelo ■ 1972 – Toda Nudez Será Castigada ■ 1967 – Terra em Transe ■ 1963 – Os Fuzis


Gramado, 7 de agosto de 2010

Diário do Festival

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EM DESTAQUE

Revista Voto promove 1º Fórum de Política Cultural

Os vencedores da edição 2009

Foto de divulgação

A realização do 1º Fórum de Política Cultural, nos dias 7 e 13, no prédio da ExpoGramado, promete causar burburinho com a presença dos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), que já préagendaram as datas. Promovido pela Revista Voto em parceria com o Festival de Cinema de Gramado, o evento dará espaço para os candidatos apresentarem suas propostas para a cul-

Gramado Cine Vídeo em carreira solo A partir deste ano, o Gramado Cine Vídeo deixa de ser um evento paralelo e vinculado ao Festival de Cinema e conquista espaço próprio no calendário cultural do sul do país. A 18ª edição da mostra de obras audiovisuais será realizada de 8 a 13 de novembro de 2010. O objetivo é dar mais visibilidade aos produtores universitários e independentes, que muitas vezes ficavam ofuscados com a concorrência do Festival de Cinema. Assim, não haverá mais competição entre os dois eventos, uma vez que as

jetos sociais, além de uma nova categoria para concurso que se chama Meu 1ª Filme Longa-Metragem. Em artigo publicado na primeira edição do Diário do Festival, em 2006, o crítico Goida já sinalizava para necessidade de realizar o Gramado Cine Vídeo separadamente do Festival de Cinema. “Os dois eventos cresceram demais. Têm que ser feitos em datas separadas. Juntos, atrolham a cidade e criam uma confusão de compromissos, festividades e outras inutilidades sociais”.

atividades de ambos ocorriam paralelamente. O Gramado Cine Vídeo foi criado em 1993 e, desde então, se consolidou como um dos mais prestigiados eventos do audiovisual brasileiros. A ampla programação inclui mostras competitivas de vídeos nacionais com a entrega do troféu Galgo Alado, palestras, debates, mostras específicas como Cine Ambiental, Cine Social, o festival de animação Granimado, os festivais de filmes de celular e de vídeos escolares, painéis, oficinas comunitárias, entre outros pro-

tura brasileira. O principal objetivo do fórum é discutir e buscar soluções para as demandas das diversas áreas culturais como cinema, teatro, música, audiovisual. Nomes como o do diretor da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Glauber Piva, de Marta Porto, da X Brasil, e do ator Paulo César Pereio (que será homenageado com o Troféu Oscarito), estão entre os participantes convidados.

Rua Coberta inflacionada

Os turistas foram pegos de surpresa na sexta-feira, durante a abertura do festival. Aqueles que quisessem desfrutar de um lugar nos bares da Rua Coberta para acompanhar a cerimônia de abertura do evento, tiveram que desembolsar de R$ 100 a R$ 200 de consumação mínima por mesa.

Festas agitam a noite da serra Além da programação cinematográfica, a presença das celebridades e as temperaturas baixas, Gramado também é opção para quem deseja cair na balada nos próximos dias. Entre quinta-feira, 12, e domingo, 15, o clima deve esquentar durante o Winter Festival, realizado anualmente no Serrano Resort Convenções & Spa (Av. das Hortênsias, 1480). A 5ª edição do evento reunirá grandes nomes da cena eletrônica, como o DJ Kevin Yost, dos Esta-

dos Unidos, e os alemães Phonique e Solomu. Outra tradicional festa é a Queimando O Filme!, promovida em parceria entre a Rádio Ipanema e Beco Produtora. São duas pistas: uma de rock e outra de electrorock. Está marcada para a noite de encerramento do Festival de Gramado, 14, às 23h, no Vox Music Bar (Av. das Hortências, 4890). Na mesma data, também acontece a Festa Green Valley, na Expogramado (Av. Borges de Medeiros, 4111).

Os atores Miguel Ramos e Clenia Teixeira vieram preparados para as baixas temperaturas

Muito frio, mas sem neve Casaco, touca, luvas e cachecol. Com a precipitação de neve registrada nos últimos dias em algumas cidades da serra gaúcha e catarinense, os visitantes se preparam para o rigoroso inverno em Gramado. De acordo com o Climatempo, neste sábado, 7, e domingo, 8, haverá geada no

início da manhã e sol durante a tarde. A temperatura deve variar entre 7 e 14 graus. No decorrer semana, os dias de sol irão predominar, com poucas ocorrências de chuva. As temperaturas podem variar de 7 até 24 graus. Para a insatisfação de muitos, não há previsão de neve.

Completando 80 anos de trajetória em 2010, a Cinédia será homenageada pelo 38º Festival de Cinema de Gramado. Na segunda-feira, às 20h45, no Palácio do Festivais, haverá exibição de uma obra restaurada que integra o acervo da companhia cinematográfica. Em 15 março de 1930, foi fundada oficialmente por Adhemar Gonzaga (1901-1978). O cineasta estagiou nos estúdios de Hollywood e defendia para o cinema brasileiro padrões estéticos semelhantes aos dos filmes norte-americanos. Nesse sentido, dedicou-se a realizar dramas populares e comédias musicais, que ficaram conhecidas

Foto de divulgação

Gabriela Di Bella/Press Photo

Homenagem aos 80 anos da Cinédia

pela denominação genérica de chanchadas. Produziu mais de 60 títulos, com destaque para O Ébrio (Gilda de Abreu, 1946), e lançou atores como Oscarito, Grande

Otelo e Dercy Gonçalves. Ela se mantém até os dias atuais, servindo, principalmente, à televisão e abrigando precioso arquivo sobre o cinema no Brasil.


Gramado, Sábado, 7 de agosto de 2010

HISTÓRIA

3 de Outubro e Cine Splendid: os primeiros cinemas de Gramado

Reprodução

A

Ilustração da fachada do Cine Splendid, inaugurado em 1936, onde foi também o primeiro cinema da cidade, o 3 de Outubro. A sala permaneceu aberta até 1961

público com valsas. Segundo o livro Era uma Vez... Relatos de Gramado, de Carlos Gilberto Drecksler e Iraci Casagrande Kopee, havia um acordo entre os cinemas da região: os filmes que passassem em Canela no sábado chegavam a Gramado no domingo. Entre as cidades, as latas com os filmes eram transportadas a cavalo, dentro de sacolas de couro. Não apenas o cinema era multifuncional, como também os próprios funcionários, todos da família Pasqual. Além de Ludovino, proprietário, e Cláudio, fundador, vários familiares auxiliavam nas mais diversas tarefas que envolviam o cinema. Itiberê Pasqual, filho de Cláudio, foi um dos que trabalhou no 3 de Outubro: “minha função era a de coringa. Eu projetava o filme na tela, ficava na bilheteria, era porteiro ou fiscal. Fazia de tudo, como todo mundo”, recorda. Em 1936, sete anos após a inauguração, a sala ganhou tela e poltronas novas, além de começar a exibir filmes sonoros. Com isso, seu nome mudou pa-

Foto de Flávio Difini

história do Festival de Gramado começou propriamente em 1969, quando foi realizada uma mostra de cinema durante a Festa das Hortênsias. Prestigiaram o evento celebridades como Eva Wilma e John Herbert, o que deu impulso à segunda edição, em 1971, e, consequentemente, ao primeiro Festival de Cinema, em 1973. Desde lá, o evento é realizado todos os anos, e chega em 2010 à sua 38ª edição sendo considerado um dos principais encontros cinematográficos do continente. Entretanto, a história do cinema na capital nacional da sétima arte começou quatro décadas antes da mostra que trouxe famosos atores brasileiros pela primeira vez à cidade. Se em 1907 Caxias do Sul ganhou a primeira sala de cinema da região serrana, foi no ano de 1929 que Gramado inaugurou o Cine 3 de Outubro, de propriedade de Ludovino Pasqual. A chegada do primeiro cinema coincidiu com uma série de atos importantes para o crescimento de Gramado. Três anos antes, foi inaugurada a Exatoria Estadual no então distrito gramadense, que à época contava com 3,5 mil habitantes. Logo após a fundação do primeiro cinema, veio a abertura de escolas e hospitais. Em 1935, foi lançada a pedra fundamental para a construção da Igreja da Matriz, aberta sete anos depois. Multifuncional, o 3 de Outubro tinha cadeiras removíveis que, ao serem retiradas por Ludovino, transformavam a sala de cinema em um ringue de patinação com rodas. Além disso, servia como palco para apresentações teatrais e de mágicas de grupos vindos de Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Todos os filmes eram mudos. As trilhas sonoras eram desempenhadas por músicos locais, os quais davam uma mostra de suas habilidades antes mesmo de a sessão começar, entretendo o

Local que abrigou o Cine Splendid hoje serve de endereço para o Atelier do Café

ra Cine Splendid. Segundo Itiberê Pasqual, o sucesso do cinema pioneiro gramadense se deve, primordialmente, ao fato de ele ter sido o primeiro polo de divertimento importante da cidade: “a integração com a comunidade era muito grande, não só pelo cinema, mas também pelos bailes que eram rea-

lizados lá no Splendid”. Não é apenas com relação ao entretenimento que a história do Splendid se confunde com a da cidade. Em 15 de dezembro de 1954, o distrito de Gramado tornou-se município. Dois meses depois, o cinema foi palco de uma sessão solene realizada pelos vereadores da cida-

de aos seus precursores. Sete anos depois, porém, o Splendid fechou suas portas em definitivo. Segundo a neta de Cláudio Pasqual, Rejane, o cinema acabou desencadeando um forte processo de integração comunitária que culminou com a fundação do Cine Embaixador. “Na minha opinião, este caminho mais voltado à comunidade foi um dos motivos do fechamento do Splendid. O Embaixador era uma sociedade anônima”, lembra, em contraposição ao estilo familiar de gerenciamento da sala da família Pasqual. Hoje, no local onde funcionou o Cine Splendid por 33 anos, há um prédio de três andares, que sedia uma galeria comercial no piso térreo. Uma das lojas é o Atelier do Café, de Rejane Pasqual, o qual não tem qualquer ligação com o antigo cinema da família, a não ser pela localização (Largo Cláudio Pasqual, nº 55, Loja 1). A pedido dos fundadores, há uma foto antiga que relembra a fachada do Cine Splendid na entrada do edifício.


Diário do festival - 2010