54ª Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia

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Sumário ENTREVISTAS Brasil Candido Rodriguez...........................................................................................35 Cláudio Manoel de Almeida..........................................................................42 Eduardo Maciel...............................................................................................51 Jacira Fagundes..............................................................................................55 Karol Artiolli..................................................................................................66 Lilian Pedro....................................................................................................74 Marisol F..........................................................................................................80 Roberta Pereira...............................................................................................88

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL De jornaleiro a Juiz e Escritor Dr. Osmar Gomes dos Santos Do Estado do Maranhão, Brasil, para o mundo

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Magna Aspásia...........................................................................................26 Antologia Amigos.....................................................................................27 Vera Eunice e Tetê.....................................................................................30 Angeli Rose................................................................................................38 Vivian Lemos.............................................................................................40 Jordhan Lessa............................................................................................41 Beatriz Meching.......................................................................................46 Claudia Coelho.........................................................................................47 Lucas Villela..............................................................................................53 Rosana Nicácio..........................................................................................54 Rosa Marques............................................................................................59 Marisa Luciana Alves...............................................................................60 Rosa Maria Santos...................................................................................61 Christiane Couve de Murville.................................................................69 Fabiana Barbosa........................................................................................76 Eliana Machado........................................................................................82 Edimilson Eufrásio...................................................................................85 Neide Santana...........................................................................................91 Tito Mellão Laraya...................................................................................92

COLUNAS Solar de Poetas..........................................................................................32 Poetas Poveiros.........................................................................................70


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Shirley M. Cavalcante

Revista Divulga Escritor Revista Literária da Lusofonia Ano VII Nº 54 Edição agosto de 2022 Publicação Bimestral Editora Responsável: Shirley M. Cavalcante DRT: 2664 Diagramação: EstampaPB Para Anunciar smccomunicacao@ hotmail.com 55 – 83 – 996161090 Para ler edições anteriores acesse www.divulgaescritor.com Os artigos de opinião são de inteira responsabilidade dos colunistas que os assinam, não expressando necessariamente o pensamento da Divulga Escritor. ISSN 2358-0119

Editora e Coordenadora do projeto Divulga Escritor

Com grande honra apresentamos a edição de N.54 da Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia. Nesta edição, temos como destaque de capa, Dr. Osmar Gomes dos Santos, apresentando a sua brilhante carreira literária e profissional. Composta por mais de 30 escritores contemporâneos, divulgando os seus livros, por meio de entrevistas, textos em prosa e em versos... LITERATURA! Hoje, a revista Divulga Escritor é uma das principais revistas literárias da lusofonia, com conteúdo exclusivamente literário. O editorial se destaca por sua qualidade e profissionalismo. Distribuída gratuitamente para todos que acessam a internet, a revista tem alcançado um público leitor cada vez maior. Consolidada, vamos rumo a edição 55. Juntos, vamos ler e divulgar a revista literária da lusofonia e apoiar nossos escritores contemporâneos. Muito obrigada, equipe Divulga Escritor, e administradores dos grupos: Obrigada, José Sepúlveda, apoio em Portugal. Obrigada, Amy Dine, apoio em Portugal. Obrigada, Rosa Maria Santos, apoio em Portugal. Obrigada, Manso Preto, director do Minho Digital, apoio em Portugal Obrigada, Ilka Cristina, apoio no Brasil. Obrigada, Nell Morato, apoio no Brasil. Obrigada, Evandro, do Blog Atraentemente, apoio no Brasil. Obrigada a cada um dos escritores que participam contribuindo com suas maravilhosas trajetórias literárias, apresentadas nas entrevistas. Obrigada, a todos participantes, que mantêm o projeto vivo! Muito obrigada por estarmos juntos divulgando literatura, e juntos podermos dizer ao mundo: EU SOU ESCRITOR, EU ESTOU AQUI. Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia, uma revista, colaborativa, elaborada por escritores, com distribuição gratuita, para leitores de todo o mundo.


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Divulga Escritor Por Shirley Cavalcante (SMC)

Você Escritor Que pensa em publicar Não importa em que área atue Editor no momento de selecionar Vai escolher os livros melhores De comercializar. Leve em consideração que o Editor Na hora de editar Vai escolher os autores Que divulgam melhor o seu trabalho Para então os seus livros, A publicação financiar.

O gestor de uma empresa, Na hora de aceitar, O convite do escritor Para o seu livro apoiar, Os colaboradores comprar, Vai logo no Google, facebook, Informações do escritor coletar.

Você Escritor, Não deixe de divulgar, Entrevistas, resenhas, Artigos, textos, apresentações... Divulgar, divulgar, divulgar... Mais uma dica Literária,

Agora vamos lhe dá, Ter foco no público-alvo, É sempre um bom caminho, a realizar, Pois, assim selecionarás empresas, eventos... Identificarás os gestores, Com foco e determinação, O apoio você irá encontrar, Com palestras o livro apresentar.

Por isso escritor,

Quanto mais e melhor divulgar, O seu trabalho literário, Maior chance de sucesso terás, E a sua carreira literária alavancar.

Vem para o projeto Divulga Escritor O seu livro divulgar, Entrevistas realizar, Textos apresentar, Amigos novos encontrar. Te esperamos para juntos Cada vitória comemorar! Vem com a Equipe Divulga Escritor, Que estará sempre por aqui, para juntos te divulgar!

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Sobre a “Divulga Escritor – Revista Literária da Lusofonia” por Dra. Alexandra Vieira de Almeida

Alexandra Vieira de Almeida Escritora e Doutora em Literatura Comparada (UERJ) Link para acesso a edição da revista com destaque para matéria de capa com a Dra. Alexandra https://issuu.com/smc5/docs/40_divulga_ escritor_revista_literar

O que dizer de uma revista que tem poucos anos de vida e já é um sucesso, tanto nacional quanto internacionalmente? Estamos falando da Divulga Escritor, uma Revista que enobrece a literatura lusófona. Nascida em 2013, tendo Shirley M. Cavalcante como jornalista e coordenadora deste projeto múltiplo e eficaz, o periódico tem se destacado por seu estilo ímpar e inovador. Prezando a qualidade e o profissionalismo, a Revista é um polo aglutinador que se expande para novos horizontes, trazendo à tona novos talentos e projetos voltados para o mercado editorial.

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O que dizer de uma revista que tem poucos anos de vida e já é um sucesso, tanto nacional quanto internacionalmente? Estamos falando da Divulga Escritor, uma Revista que enobrece a literatura lusófona. Nascida em 2013, tendo Shirley M. Cavalcante como jornalista e coordenadora deste projeto múltiplo e eficaz, o periódico tem se destacado por seu estilo ímpar e inovador. Prezando a qualidade e o profissionalismo, a Revista é um polo aglutinador que se expande para novos horizontes, trazendo à tona novos talentos e projetos voltados para o mercado editorial. A Revista desde seu nascimento preza pela elaboração de entrevistas especializadas, tendo como princípio conhecer, de antemão, o perfil do entrevistado. Assim, se torna mais pleno o domínio do foco almejado, com entrevistas bem elaboradas e questionadoras que revelam a beleza e especificidade do escritor divulgado. O foco divulgacional de cada profissional apresentado é conduzido com mestria pelas mãos eficientes de Shirley M Cavalcante, que com seu dom criativo e reflexivo, leva os entrevistados a se adentrarem no terreno de sua própria obra de modo magistral. A jornalista conhece como ninguém o domínio da palavra exata e essencial, não deixando nada a desejar aos grandes entrevistadores da grande mídia. Mas não só de entrevistas que a Revista se vale para divulgar a verdadeira literatura. A Revista também divulga textos literários, tanto no gênero prosa, como no gênero da poesia. Assim, podemos encontrar um leque diversificado de textos, como artigos, contos, crônicas, e poemas, sendo apresentados em todas as edições da Revista. Ela não tem patrocínio. Como então ela sobrevive em meio às dificuldades e crises em que vivemos, sem nenhum apoio das grandes empresas ou veículos de divulgação ou do próprio Estado? Ela se vivifica por um retorno colaborativo, pela união, pela fraternidade entre os participantes da revista. Todos colaboram para que a revista aconteça e apareça na mídia, com grande sucesso. E qual o grande retorno disto? A Revista é inteiramente gratuita. Isso mesmo. Para todos que acessam a internet, ela está disponível e bela como sempre, enobrecendo o trabalho destes profissionais admiráveis com grande destreza e importância. A Revista tem ampla divulgação em várias mídias, além de diversos apoios quando se fala em trabalhos personalizados por edição. Todas as edições da Divulga Escritor podem ser acessadas de forma gratuita. Este é o grande diferencial do periódico, uma publicação que se vale de sua maior importância em toda a lusofonia. Portanto, Shirley M. Cavalcante é uma desbravadora de mares infinitos, trazendo à público a força e a garra de uma mulher que não para e oferece um trabalho de extrema qualidade e confiança. A jornalista é um exemplo para todos aqueles que querem alcançar o reconhecimento de um trabalho perfeito e inigualável. A Revista Divulga Escritor tem verdadeiramente uma máxima importância, sendo a maior revista literária da lusofonia, divulgada e apreciada amplamente, tendo muitos seguidores. Vivas à Shirley M Cavalvante e seu trabalho esplendoroso.

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Link para última edição da revista, a de N.46 no ISSUU https://issuu.com/smc5/docs/46__divulga_escritor_revista_literaria_da_lusofoni Outras edições no ISSUU https://issuu.com/smc5 Serviços Links para acesso gratuito a todas edições publicadas Revista: Site da Revista http://www.divulgaescritor.com/revista/ Recanto das Letras - em PDF http://www.recantodasletras.com.br/ autor_textos.php?id=185182&categoria=M&lista=ultimas Almanaque Literário http://www.almanaqueliterario.com/revista-literaria-da-lusofonia Quem desejar participar é só encaminhar email para nosso editorial informando o que deseja divulgar na revista, apresentaremos proposta. smccomunicacao@hotmail.com Não temos a revista impressa. Valores para participar da Revista • Valor da página para PF - 50 reais ou 13 Euros (publicação de textos em versos e em prosa, como conto, crônicas.) • Valor da página para PJ - 300 reais ou 70 Euros • Valor para publicação de entrevista - 100 reais ou 25 Euros • Capa - Negociação individual. Promoção Divulgação de livro, sinopse, juntamente com imagem de capa do livro, R$30,00(trinta reais). Aguardamos seu contato!


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Homenagem a Isidro Sousa – In Memoriam “Com o avanço das tecnologias, passamos a conhecer muitas pessoas de forma virtual, e principalmente a tê-los como amigos. Isidro Sousa é uma destas pessoas, que mesmo sem conhecê-lo pessoalmente marcou, deixou saudades... obrigada por todo o apoio e amizade. Saudades eternas.” Shirley Cavalcante Editora Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia.


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Homenagem a Margot Weide - In Memoriam “Descobri tardiamente que tinha nos deixado, linda Margot. Agradecemos por todo o seu apoio e participação. Agradecemos por seu legado literário, que fica para gerações. . Saudades eternas.” Shirley Cavalcante Editora Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia.


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De jornaleiro a Juiz e Escritor Dr. Osmar Gomes dos Santos Do Estado do Maranhão, Brasil, para o mundo

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OS TEMPOS DE CRIANÇA Por Osmar Gomes dos Santos

Paro, penso, reflito... sinto saudades! Saudades de um tempo descompromissado, da distância dos problemas corriqueiros de uma vida que parecia longe de nos alcançar. A falta de comida, de uma roupa, ou mesmo a pouca perspectiva eram preocupações para os adultos. Não que a escassez não maltratasse, claro que sim, afinal, a fome dói tanto quanto o chamado soco na boca do estômago. Mas éramos acostumados e a aparente falta de insumos não trazia tanta indignação, a propósito, com exceção da comida, não se pode sentir falta daquilo que nunca teve. Mas ainda sobre sentir falta, posso dizer que hoje, ao me apanhar nas lembranças devaneias, mesmo diante de um conforto maior que a vida me trouxe, nada nos faltava de verdade. Paradoxal sensação me aperta o peito, dá um nó na garganta e me angustia de tal forma que minha compreensão não é capaz de alcançar. Se por um lado alcancei algum bem material em minha trajetória, por outro, percebo que muito do pouco que tinha já não está ao alcance, nem mesmo é capaz de comparar com as cifras disponíveis em algum saldo bancário. O que foi já não volta. As lições do acordar cedo, sair para a lida, plantar, colher, caçar, pescar. O ritual da colheita e da quebra do babaçu, cujas amêndoas extraídas foram moeda de troca que abastecia nossa mesa. A vida campesina, à beira dos alagados-campos e lagos, traz o sossego e a sintonia com a natureza que agora só alcanço com minhas memórias.

A natureza era sempre mãe, sempre oferecendo uma alternativa para a vida se reinventar. A pescaria era realizada de forma artesanal, na pequena canoa, no socó ou até mesmo à mão, quando vasta imensidão de água se transformava em pequenas e enlameadas poças. O chão frio coberto com um teto de palha, contrastava com o entusiasmo de aprender e não tirava a alegria de ter a oportunidade de estudar a tabuada. Não tinha farda, não tinha me- renda e o mesmo lápis se multiplicava em pequenos pedaços para vários alunos. Caderno, cartilha do abc, borracha, entre outros itens eram coisas das quais pouco se sabia. Depois da aula, a alegria corria solta. A bola, feita de restos de panos embalados em uma meia velha, sempre aguardava escondida na moita de capim atrás do gol. E lá estávamos a correr. O estômago podia estar vazio, mas o rosto transbordava de uma alegria sem igual. Imaginação te faz ver a alegria em um pedaço de pau que virava um taco, uma lata era um carrinho, uma corda amarrada em um galho balançava a adrenalina pulsante dentro do peito. A folha da bananeira virava um cavalo, que nos conduzia a até a beira de um riacho para os desafios de salto do alto de galho sobre as margens. Levávamos horas a fio nessas estripulias. Sinto saudade daqueles brinquedos nada convencionais, hoje sequer poderiam ser classificados como instrumento de diversão. Não havia tempo para o sofrimento, a lamentação, a tristeza. Na roça, há pelo menos duas coisas que se

aprende cedo: uma é trabalhar, a outra é inventar a própria infância. O balanço da rede, muitas vezes furada, abraçava e guarnecia da noite fria, por vezes até dois franzinos corpos, cansados da exaustão de um dia cheio de peripécias. Cama não havia, móveis tampouco e o remédio era aquele da sabedoria popular. Mas era difícil cair doente. As viagens de canoa, casco e lancha de madeiras era uma atração à parte, ainda que aquelas pequenas, entre um povoado e outro, pegando o vento frio no rosto, que enxergava adiante, altivo, um mundo misterioso que à frente convidava para ser desvendado. A saudade que dói e aperta me traz a estranha sensação de que hoje aquela etapa de vida faz muito mais falta a mim, homem feito, do que a escassez fazia àquele frágil e franzino ser. A vida tem dessas peças, que nos pegam sorrateiramente. Eis a constatação que podemos ter tudo na vida, que podemos conquistar alta posição, que podemos driblar situações, fingir para o outro, querer enganar o mundo. Só não podemos fugir de nós mesmos, de nossas memórias, que nos levam à particular profundeza de nosso âmago, lá onde dorme aquilo que aprendemos a chamar de saudade. Mas, sem ela, nada disso seria possível, nem mesmo alimentar a saudade. Minha mãe, dona Maria Gomes dos Santos, a senhora foi e, aos seus 93 anos de vida, continua sendo a mais fervorosa, combatente, altiva e digna mulher que a vida me proporcionou conhecer depois de ser gerado em seu próprio ventre. Obrigado, MAMÃE!


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JOVEM ADVOGADO Por Osmar Gomes dos Santos

Quem me acompanha conhece um pouco da minha trajetória de vida, cuja história se confunde com a de milhares de maranhenses que até os dias atuais deixam suas cidades para buscar vida melhor na capital, porém não é sobre essa fase que me reporto nesta crônica. Dos vários ofícios que tive, fui advogado por um bom período. Inicialmente, militei na esfera criminal, percorrendo os corredores acanhados do Fórum Desembargador Sarney Costa, obra suntuosa para a época, mas que hoje é carinhosamente chamado de “Forinho”. Eu era um jovem advogado. Havia acabado de concluir o curso de Direito na Universidade Federal do Maranhão – UFMA, em dezembro de 1986. A carteira da Ordem dos Advogados, a qual ostentava com orgulho, recebi em março de 1987. Nesse período, pude observar o quanto é tormentoso o caminhar inicial para um advogado. Lembro-me muito bem quando fui pela primeira vez ao Fórum Desembargador Sarney Costa despachar um processo com o juiz presidente do feito. Assim que cheguei, não demorou, fui anunciado, entrei e o cumprimentei. Tratei do assunto com um magistrado gélido, indiferente à dor do outro e pouco interessado no cumprimento do seu ofício. Estava de cabeça baixa e assim permaneceu até a minha saída. Nada pronunciou, sequer um gesto, muito menos um olhar.

Saí do gabinete atordoado. Naquele dia, fui embora do Fórum sem entender nada e com uma vontade enorme de desistir dessa profissão. Já casado, com esposa e filho para sustentar, familiares também pobres, que tinham em mim a porta da esperança, refleti bastante sobre que decisão tomar. Decidi que essa teria sido a senha para que eu continuasse e seguir firme nessa bela e honrosa profissão, afinal de contas, foi Deus quem me permitiu esse avanço. O que seria uma cabeça baixa para quem tinha certeza de que a vida lhe virou as costas? De mais longe eu já tinha vindo! Sob outros contextos, posso dizer que não guardo apenas episódios tristes dessa caminhada. No exercício das minhas atividades tive também outras boas experiências e exemplos que deram sustentação para seguir e aplicar, inclusive nos dias de hoje. Após algumas andanças advocatícias entre diversas unidades fui aprovado em seletivo para trabalhar como advogado da maior Instituição Financeira da América Latina: o Banco Bradesco S/A, na qual dez meses após ingressar fui conduzido ao cargo de Advogado-Chefe do Departamento Jurídico da Regional Maranhão e Piauí. Agora nos escritórios, mas ainda envolto nas papeladas, atuava na área do contencioso, responsável pela defesa de todo o grupo financeiro de empresas do conglomerado Bradesco. Não havia a tão comum especialização dos dias atuais, razão

pela qual eu laborava nas áreas trabalhista, cível e criminal. Tenho boas lembranças, como uma bastante especial, que marcou o início da minha caminhada na instituição. Foi na Justiça do Trabalho, em Bacabal, na recém inaugurada Junta de Conciliação e Julgamento. A unidade era presidida pelo juiz ANTERO, um cearense que merece ter o nome escrito com todas as letras maiúsculas. Tinha acabado de assumir o cargo de advogado do Bradesco, era uma segunda-feira; já na quarta estava eu em minha primeira audiência na região do Mearim. A missão era desafiadora, afinal estava comigo a responsabilidade de defender a maior instituição financeira privada da América Latina. Tremia mais que “vara verde” diante de um advogado experiente, que defendia os interesses dos reclamantes. Sendo isto percebido pelo magistrado, ele tratou de fazer uma pausa e se dirigiu a mim: – Doutor Osmar, vejo que você está em início de carreira, pelo aparente nervosíssimo, isso é natural, fique tranquilo e não se preocupe. Esta audiência é para tentar uma conciliação, inclusive, já tendo as partes proposto um acordo justo diante do caso. Doutor ANTERO retomou a audiência e se dirigiu à parte autora na tentativa de buscar o aceite dos termos do acordo, sendo prontamente atendido pelos reclamantes. Selamos ali um acordo, prontamente homologado. Saí dali com mais um aprendizado. O meu compor-


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tamento foi de humildade. Imediatamente agradeci pelo gesto de humanidade e pelo ensinamento que serviu de norte para toda minha vida profissional. Mesma atenção e tratamento que carrego até hoje para com todos que à minha porta batem. As portas de meu Gabinete estão abertas para todo(a)e qualquer advogado(a),com especial atenção para os jovens. Mas também para cada José, Maria, João, Ribamar.

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“Meu” espaço não é “meu” se não “público” antes de tudo. Qualidades que trago dessa longa jornada da vida, que exige enxergar o outro com respeito e simplicidade. Ouvir a dor de quem fala; prestar os esclarecimentos devidos e orientar quando cabe, sem jamais comprometer a imparcialidade do Juízo. Certa vez fui incitado a dar um conselho aos jovens advogados, por oportunidade deste espaço, estendo

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um pouco mais em minhas recomendações: estudem muito o conteúdo de seus processos; todos os procedimentos de um ato processual, a exemplo de uma audiência de Instrução e Julgamento; compreendam o requerimento e a tomada de depoimentos pessoais das partes e das testemunhas. Da mesma forma, o ato de testemunhar; de intimar; o dever de apresentação da testemunha em banca, seja a audiência presencial ou virtual. Analisem previamente quais são os pontos controvertidos da demanda e qual o debate que realmente interessa para o deslinde da causa; vejam o momento da arguição da contradita e quem deve ser contraditada e estejam sempre preparados para a eventual alegação oral, preferindo os memoriais para melhor defesa do seu constituinte. Por fim, sigam com cabeça erguida e com determinação diante das adversidades que a caminhada poderá lhes impor. Poderão existir cabeças baixas, assim como ouvidos desatentos, ou até mesmo a indiferença. O que jamais poderá existir de sua parte, jovem advogado, é a sua indiferença para com a causa que lhe foi confiada. *Juiz de Direito da Comarca da Ilha de São Luís.Membro das Academias Ludovicense de Letras; Maranhense de Letras Jurídicas e Matinhense de Ciências, Artes e Letras.


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A EFEMERIDADE DO PODER Por Osmar Gomes dos Santos

A efemeridade está ligada a uma condição temporal passageira, breve e repentina. A depender do ângulo de vista, a própria vida pode ser tomada como efêmera, curta como um leve sopro. Mas ao mesmo tempo pode ser intensa, para àqueles que são mansos de coração e que se colocam em condição ainda menor diante da grandiosidade Divina. Ainda que, não se queira crer na espiritualidade, ela traz antes de tudo um modo de vida pleno em sabedoria. Na contramão do humilde está o arrogante, o pedante. Não à toa há um provérbio profundo que diz claramente que a “soberba precede a ruína e a altivez do espírito a queda”. Neste contexto, lembrarás com certeza de algum exemplo próximo a você. O desenvolvimento do ser humano só foi possível, em diversos aspectos, quando este passou a viver em sociedade. Muito tempo depois, a organização social em torno do estado-nação foi tomada como condição necessária para regular as relações. Assim, o funcionamento desse aparato institucional, que agora se mostra gigante e que regula a vida de milhões, bilhões de pessoas, se encontra devidamente aparelhado. E possui as ferramentas capazes de garantir o compassado ritmo do tique-taque social. Normas, limites, regramentos – formais ou informais – estão calcados em atos legalmente constituídos ou em valores moralmente edificados na relação com os comuns. Os ordenamentos estatais servem

como balizadores que mantêm a sociedade em equilíbrio. Ou, pelo menos, deveria. No entanto, homem é homem e suas atitudes nem sempre são tão nobres quanto a de seu Criador.

Nesse sentido, investido em posição de poder, alguns são capazes de cometer delírios e desventuras sob o argumento de que está a governar. Um ditado popular diz que “Deus não deu asas para cobra”. A


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compreensão se dá pelo fato de seu grau de periculosidade e sua peçonha que a depender da espécie, pode ser mortal. Mas, tal qual, ou mesmo pior, pode ser um homem de pouca ou nenhuma virtude com

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poderes em sua “caneta”. Nas mãos deste, o poder é como um veneno. Tomado por ele, deixa-se contaminar a alma e fica cego diante dos fins colimados. Investido na nobre e representativa posição estatal, desvirtua sua função, escolhe seus alvos e persegue-os sob os mais diversos pretextos. Pode confundir público com o privado e tomar para si aquilo que não lhe convém. Pode subtrair a esperança daquela mesma sociedade que na sua investidura prometeu defender. Por menor que seja a compreensão de um indivíduo, dito gente comum, sem a carcaça do poder, é razoável pensar o quão contraditória são essas posições tomadas por alguns poucos. Lembrei-me de um “desenho” que passava na Globo, lá pela década de 1990, no qual um príncipe desembainhava sua espada e invocava os poderes de “Grayskull”. A diferença é que o príncipe Adam (He-Man), que não é aquele de Maquiavel, usava sua espada para o bem. Contrariamente, há os que utilizam sua “caneta” para atender a interesses escusos, que não compactuam com o Estado Democrático de Direito. Há, ressalto que não é o poder algo ruim, empregados corretamente, seus efeitos se fazem refletir no bem-estar, na produção de justiça e na felicidade de todos e todas. Todavia, há os que escolhem se apoderar do mesmo para produzir o mal e atingir outrem. Um tanto quanto místico que sou, por acreditar que somos uma fagulha em um emaranhado de mistérios e forças que regem o que

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chamamos de “mundo”, acredito que há uma máxima universal que devolve, na mesma moeda, aquilo que emanamos. A escolha do que receberá de volta, se o bem ou o mal, cabe a cada um no seu arbítrio. No entanto, convém reforçar sempre que o investido de ente estatal, que veste o manto da coletividade e interesse público, não deve seguir seu arbítrio, e, da mesma forma, precisa utilizar o repelente da moral e humildade que afaste para longe a “mosca azul”. Quando estava a rascunhar estas poucas palavras alguém me questionou: por que não colocar o título em um sentido mais direto? Algo do tipo “o poder é efêmero”. Com humildade, parei e refleti um pouco sobre a decisão previamente já tomada, para verificar se não poderia eu estar equivocado. Então, devolvi, de forma sóbria, ao meu interlocutor: É simples. O poder neste caso não é efêmero. Ele é poder desde os primórdios. Atravessou gerações e agora repousa sobre alguém, que amanhã já não o terá. O poder permanece, segue seu ciclo. É algo que transcende a nossa insignificância. A única coisa efêmera na relação com ele é a nossa condição mesquinha em não saber lidar com o mesmo. A resistência é necessária para combater a intolerância dos perseguidores efêmeros do suposto poder. Quem resiste, quem não se acovarda, jamais envergonhará seus filhos e netos. *Juiz de Direito da Comarca da Ilha de São Luís.Membro das Academias Ludovicense de Letras; Maranhense de Letras Jurídicas e Matinhense de Ciências, Artes e Letras.


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PREFÁCIO DO LIVRO “JANELAS PARA O COTIDIANO” DO AUTOR OSMAR GOMES DOS SANTOS Por Magna Aspásia Fontenelle

Sinto-me honrada em prefaciar a magnifica obra intitulada “Janelas para o Cotidiano” do juiz-escritor, cronista, Osmar Gomes dos Santos. Conquanto não esteja perante um iniciante, mas de um experiente escritor, visto que ele possui várias publicações em jornais maranhenses e livros de cunho jurídicos, poéticos dentre outros. Heráclito, pensador grego, afirmou que nossa existência é formada por contínuas contradições humanas. O livro “Janelas para o Cotidiano” tem esse viés de fazer emergir os detalhes das vivências diárias de nossa sociedade e, por meio delas, o autor nos convida a divisar o mundo como ele. O palavrear é uma das expressões dos sentimentos do mundo, como bem falou Luiz Vaz de Camões, em um de seus poemas que a contradição e também a possibili-


DIVULGA ESCRITOR dade de quebras de paradigmas fazem parte da vida humana. “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Mudam-se o ser, Mudam-se a confiança; Todo mundo é composto de mudanças. Tomando as mudanças sempre novas qualidades, assim, nos abaliza o autor sobre o cenário em que vivemos de mudanças e reflexões.” A obra é composta de 56 crônicas escritas em 230 páginas, que descortinam o cotidiano brasileiro e mundial e seus motes. Os conteúdos transitam entre o presente, pretérito e futuro, ligando conceitos com citações, teorias, legislações, vivências sociais e do próprio autor. Na crônica “CAJARI, ALEGRA-TE” o autor, com todo seu bairrismo, não esquece sua terra natal e a homenageia, assim é o sertanejo, deixa o sertão, mas jamais o sertão sai de suas entranhas. Khalil Gibran, em seu poema o “Amor”, nos fala: “quando o amor o chamar, siga-o, ainda que suas maneiras sejam duras e íngremes; e quando as asas dele o abraçarem, renda-se a ele, em- bora a espada escondida dentro de suas penas possam o ferir. Ainda que a voz dele possa despedaçar os seus sonhos, como o vento frio do norte devasta o jardim florido”, assim fez Osmar, em suas andaduras da vida, segui-o e o cantou nos bancos da Praça Gonçalves Dias em São Luís–MA para sua amada Maria Félix tão bem expressado no texto “A vida é Efêmera o Amor, Jamais”. Risos e lágrimas fazem parte da vida, pois a dualidade do sentimento, como sol e chuva, verdade e mentira, emudecem--se diante das perguntas sem respostas e se revelam no texto “As Múltiplas Faces do Sorriso”. O viver de Osmar como profissional do direito se apresenta no texto “A

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Justiça que o Povo Precisa”, de maneira ética, interpondo valores, conceitos, leis, sem perder a candura poética. O verde chora e a água, com todo seu esplendor, amolece a pedra que cai, ceifando vidas, trazendo dor. A ação humana, por vezes gananciosa, não cuidou com desvelo da natureza como bem nos fala Osmar no texto “A Tragédia Anunciada”, tornando-nos algozes de nós mesmos. O texto “Pane no Sistema” nos conecta com o mundo globalizado contemporâneo, nos tornando dependente dos gigabytes, que repentinamente parou e ficamos incomunicáveis num caos internetês sem rumo. Miramos o horizonte perdidos e reconhecemos a fragilidade da máquina diante da imensidão da obra do arquiteto do universo e percebemos a falta do calor humano. A interação entre sujeito e contexto social desagua na história de forma coletiva, situando-se no exterior, na vivência que modela a sociedade. A linguagem utilizada é culta, com traços da diversidade cultural, linguística brasileira, que nos levam a embarcar na nau literária de Osmar para navegarmos na sua leitura deleite. A intelectualidade personificada do autor tem os traços mar- cantes de sua trajetória de vida, desde sua infância de luta pela sobrevivência, perpassando pela juventude, os bancos escolares, o vocabulário culto, a formação acadêmica na área jurídica até a magistratura, o doutoramento e o mestrado internacional, sem perder a candura e a humildade, o respeito pela família e pelos seus valores. Dr. Osmar Gomes dos Santos é um vencedor! Com muita doçura recomendo a leitura da obra “Janelas para o Cotidiano” do juiz-escritor-cronista, Osmar Gomes dos Santos, aqui narrada de forma leve, maviosa e consciente do cotidiano social brasileiro e mundial, com o senso de justiça, liberdade, zelo e amor pelas letras. Leiam-no, tenham-o em sua biblioteca!

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Magna Aspásia Fontenelle, natural de Carolina–MA residente em Uberaba-MG, professora, consultora educacional, tradutora, escritora, pesquisadora (UFTM-CNPq), graduada em Letras. Mestre na área da Educação-Espanha; Dra. em Filosofia Universica Philosophos Immortalem - Ph.I. Dra. Honoris Causa em Literatura (DRA.h.c.), autora e coautora de vários artigos científicos, livros, coletâneas, antologias e revistas publicados em periódicos nacionais e (inter)nacionais. Membro Fundadora Imortal e presidente da Academia de Letras do Brasil Seccional Uberaba-MG. Membro fundadora da Academia Alternativa Pegasiane Brasil. Delegada Cultural da FEBACLA-RJ para o Triângulo Mineiro. Agraciada com várias honrarias (inter) nacionais.


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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

A ESCRITORA MAGNA ASPÁSIA FONTENELLE

Escritor! Ser escritor é ter Nobreza de alma, Essência angelical. É sentir o cheiro Da relva molhada Pela brisa Matinal. É ouvir o assobio Do vento Indicando sua direção. É o balançar Das folhas das Árvores num compasso Harmonioso. É sonhar acordado. Esperançar. É enebriar- se Com O canto das ninfas Crisálidas Na fonte dos desejos. É escrever no Pergaminho da vida Sua história, Colorindo-a Com os raios multi cores Do Arco Íris. É nascente, Poente. União

Dos piscos solares Que fundem-se No horizonte. É o revoar Dos pássaros O canto do colibri Voo rasante da Águia que atravessa O firmamento. Nuvens Que caminham lentamente No céu azul anil. Lua Que ilumina o viver. Pureza da infância é, Ter um compasso que mede a distância Entre o coração e Uma flor Uma boneca, Um sapo como aluno, Um galo cantor, Um cavalo falante É ser sonhador. ******

Amor meu... O frio da madrugada Atravessa meu corpo Que geme No vento frio Sedento de ti. Um grito fica preso Na minha garganta Busco te amor meu!!!.... Não te encontro Ando pelas ruas Iluminadas pelo, o Brilho da lua e não te Te vejo... Por onde andas? Uma lágrima cai, Silenciosa, triste... Relembrando a vida de outrora Onde a lua dançava para nós Inebriando-nos com a seus Raios perfumados Como se fossem uma flor! Desabrochando... Busco te amor meu!!... Onde estás?

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EM DESTAQUE ANTOLOGIA AMIGOS VOL. 2

Autoras e Organizadoras da Antologia: Jacqueline Souza e Shirlei Pio

A Antologia Amigos aconteceu de um jeito peculiar e dentro de um contexto igualmente inusitado. Em 2020, as autoras, Shirlei Pio e a Jacqueline Souza, ganharam uma publicação de presente. Decidiram na ocasião, convidar amigos para compartilhar a publicação e assim nasceu a primeira antologia. O objetivo, desde o início, é a promoção e o incentivo da leitura e da escrita de escritores experientes e iniciantes. O resultado foi lindo, mas não foram só flores. O que as organizadoras da antologia não contavam era que todo esse movimento se daria dentro de um cenário de epidemia. Foram muitos os receios, os medos e as incertezas. Mas todos os obstáculos superados. Diante dos vários relatos, elas afirmam sem exagero que a escrita realizou a sua contribuição para a manutenção da saúde mental de muitos, nesse período.


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Autores Participantes: Andréa, Vagner, Maria Cristina,Alexandre, Tera, Graziela, marcelo, Josinete, Sandra, Mara, Eliane, Márcia, Vera Lúcia.

Autores Participantes: Eliana, Tania, Marcedlo. Sueli, Iudi, Marai Gorete, Marieledes, Anelyse, Iza, Belzair, Katia, Marcos, Pamella, Tiago.

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O caminho reto e simples que elas haviam planejado, com uma tarde de autógrafos não pode acontecer. Então, surgiu a questão: “como lançar um livro nestas condições?” Mais uma vez se reinventaram e todo o trabalho foi desenvolvido de maneira on-line. Tendo acontecido um total de 24 lives com os autores que desejaram participar. A Antologia Amigos volume 2 iniciou em 2021, com lançamento previsto para julho 2022, na Bienal do Livro de São Paulo e um pré-lançamento no Florisbela Restaurante. Foi mais um momento de emoção, pessoas tirando seus textos da gaveta para publicar. É assim que mais uma vez, contaram com a participação de escritores estreantes, escritores juvenis, escritores consagrados e com direito a participação especial da escritora Vera Eunice de Jesus (filha da autora Carolina Maria de Jesus), abrilhantando ainda mais esse trabalho, contando-nos as suas memórias sobre sua mãe. Tê-la participando deste trabalho, significou além de uma honra, também uma maneira de homenagear a grande escritora brasileira Carolina Maria de Jesus. Todas as histórias que compõem este trabalho trazem marcas de um período histórico da humanidade, foram quase dois anos de isolamento social. As pessoas buscando alternativas internas para lidar com todos os traumas referentes a um presente, ou passado, muitas vezes não tão distantes, e o pior de tudo foi a sensação constante de incerteza quanto ao futuro. Foram muitas perdas, muitas marcas, momentos de reflexão profunda. Muitos pararam e se depararam com situações adormecidas que vieram à tona, mas que de alguma maneira se resolveram, tendo a escrita auxiliado nesse processo. É nesse contexto que as histórias que compõem esta coletânea, resultaram nesta obra. Que pode ser definida como um lugar em que é permitido chorar, sorrir, se emocionar, valorizar a vida, fazer pensar, fazer ler e pensar em escrever.


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Autores Participantes: Giulia, Fernanda, João Francisco e Manuela.

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL

VERA EUNICE (FILHA DA CAROLINA MARIA DE JESUS) E TETÊ (IN MEMORIAM)

A artista plástica, capista e autora Tania Martins Barbosa Teixeira, também conhecida como Tuka Martins, teve algumas de suas obras selecionadas em centros culturais na Espanha e Itália. Dentre elas, a tela que deu origem a capa da ANTOLOGIA AMIGOS. A exposição da tela original da capa e a venda das réplicas, ocorreu no Florisbela Restaurante no dia 02/07/2022, em São Paulo. O lançamento da Antologia Amigos vol. 2, foi na Bienal do Livro de São Paulo, Anhembi, no stand da Editorial Casa, na tarde do dia 09/07/2022.

O livro encontra-se disponível em: - Instagram: galeriataniamartins - linktr.ee/galeriataniamartins - Site editora Editorial Casa. https://editorialcasa.com.br/.../antologia-de-contos-e.../

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José Sepúlveda

Junto ao Mar Olhava aquele espelho à minha frente; E ali sentado, inerte, eu via a água Batendo, rebatendo numa frágua E as gotas se espargindo, suavemente…

Anseio Eu quero ouvir os sons, essa harmonia Que um dia com seus versos te cantou, Eu quero ouvir o tom e a melodia Cantados quando a vida te entregou! Ó areais sem fim, que dor sentia Quando, abraçada a vós, se confessou! Falai-me, por favor, da nostalgia Que nesse dia a dor lhe outorgou! Eu quero acreditar: Toda a tristeza São laivos de amargor e de incerteza Que quando a ti trouxer em seu clamor Tu vais, ó mar, findar essa agonia E vai raiar por fim um novo dia Em que ela encontrará seu grande amor!

E enquanto caminhava ali, silente, Eu partilhava aquele gozo ou mágoa… E toda essa magia, agora trago-a Gravada no meu peito, ternamente… Depois, sentei-me ouvindo a melopeia Das ondas e as gaivotas pela areia Naquela sinfonia de encantar… E, ali fiquei por tempos infinitos Perdido entre a magia desses gritos, Ouvindo os sons aflitos do meu mar…

Sereia Azul Sereia Azul, dulçor dos meus encantos, Sulco os recantos deste imenso mar, Desfaço-me em poemas, doces cantos, Na esperança de algum dia te encontrar E nesse caminhar, livre de prantos, Mergulho nas carícias desse olhar E perco-me nas ondas, rastos santos, Dos teus cabelos lindos a brilhar Deixa voar o sonho, a fantasia, Permite-me viver essa utopia Que em ti, Sereia, pude reencontrar Que desde que caíste no meu peito No afago dos teus seios me deleito E aguardo, na esperança de te amar

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Pôr-do-Sol O mar está sereno. Pela areia, Gaivotas mil brincando ao desafio… É fim da tarde e já a maré cheia Se diluiu por entre o penedio… O sol ameno já não se incendeia Naquele mar infindo… e já sorrio Ao contemplar aquela bola cheia Que vai beijando o mar num desvario… E, quando chega a hora, o sol se esconde Lá longe, no infinito e até onde Meus olhos não se cansam de alcançar… Momentos lindos, de magia, encanto, Ver esse sol cobrir-se com seu manto De espuma, envolto nesse imenso mar…

Junto ao mar Voai, esvoaçai, lindas gaivotas, Voai a minha volta com prazer, Trazei-me a minha paz em suaves notas E deem alegria ao meu viver E nas vossas canções tão sãs, devotas, Eu sinta paz, ouvindo esse cantar E dentre as melodias, notas soltas, Encontre em mim vontade de as cantar As águas mil se estendem sobre a praia E o mar sereno quase que desmaia No areal sem fim à minha frente E oiço a encantadora melodia Que cantas para mim durante o dia Num suave levitar, puro, silente!

Um Mar de Poemas Como um corcel, cavalga pela praia Em ondas de prazer e alegria Ele, saltita, solta-se, desmaia E dá-lhe um longo abraço… e a acaricia E espalha os seus segredos pela areia Beijando-a… Como brincam à porfia Em mananciais de afetos! E se enleia Num rodopio, pleno de magia Ouvi bramar seu forte pensamento E vê de que chegado esse momento, Com sentimento, entrega com fervor Um mar de poemas, puro, terno, infindo, Tão cheio de candura, lindo, lindo, Em suaves melodias…, doce amor!

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EM DESTAQUE

LIVRO EM DESTAQUE “MEU BARCO” DO AUTOR JOSÉ SEPÚLVEDA 1 - Há uma teoria assente em que o soneto, género literário específico do campo poético, terá sido inventado por Jacomo da Lentini, poeta siciliano e imperial de Frederico II, aparecendo no Palácio como uma espécie de canção ou de letra escrita para música, possuindo uma oitava e dois tercetos, com melodias diferentes. Muito embora, outras fontes atribuam tal invenção a outros poetas, maioritariamente provençais, a sua difusão se tenha dado indubitavelmente através dos poetas italianos. Acresce dizer que o número de linhas e a disposição rimas permaneceu variável até que o poeta Guittone d´Arezzo apareceu como o primeiro a adotar e aderir definitivamente àquilo que seria reconhecido como a melhor forma de expressão de uma emoção isolada, pensamento ou ideia.

2 - Vem este curto apontamento a propósito do meu querido amigo e grande poeta José Sepúlveda solicitar a minha modesta opinião sobre o seu novo livro de poesia a que dá o assertivo título “Meu Barco”. São 74 belíssimos poemas, na forma de soneto, encimados por outras tantas imagens de leveza e beleza bíblica que se estendem ao longo das 170 páginas que lhe dão assento e divididos por seis subtítulos que li e reli com muito agrado, não apenas porque moldado por “características muito pessoais” como o próprio

autor assim nos confessa mas, antes de tudo e sobre tudo, porque o seu «Barco» é, doravante, oráculo de oração em que José Sepúlveda nos mostra haver uma sentida e profunda religiosidade na poesia que ora nos oferece. 3 - Por esta linha de conta, como podemos observar em todo pano poético deste “Meu Barco”, há uma evocação ao sagrado, evidente também por um cristalino lirismo, em que o autor sobe à grande tribuna e, enquanto homem de fé, constrói o seu altar para nele oferecer os valores intrínsecos sempre assentes no poema oração e na serenidade de um pedido ao seu Senhor. Como nesta 1ª quadra do poema intitulado: ENSINA O MENINO «Ensina o teu menino com carinho No bom trajeto no qual deve andar E em toda a sua vida, o seu caminho, os passos do seu Mestre vai pisar.» Por outro lado, o que encontramos na obra de José Sepúlveda é a exigência da métrica e o ponteado da rima, o preciso lugar onde coloca a palavra, carateres que lhe oferecem uma musicalidade rítmica a transbordar de cor e de expressividade. Mas o que mais importa neste volume em apreço, como em outras obras suas, é uma singularidade da escrita, uma clara harmonia na versificação e uma perfeição que diríamos obstinada. A importância de um hino ao amor (e à sua fé) viaja agora pela palavra em constante e corrido diálogo, tendo em linha de conta a clareza de um discurso emergente, e leve, assente numa linguagem anelante e tipificada na vocação e na prece, a par de um olhar ponderado e atento nas escolhas temáticas que lhe dão nome e que lhe dão vida. Por conseguinte, a página branca que sempre apaixonou e foi convite para homem é, sem dúvida, o palco sagrado, e quase único, onde os poetas depositam confissões e emoções, momentos íntimos, sendo o texto poético o resultado visível dessa confissão. Álvaro de Oliveira


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Entrevista com o Escritor

Candido Rodriguez

Candido Rodriguez, nascido no Brasil, filho de imigrantes espanhóis, formado em Filosofia pela Universidade Cruzeiro do Sul. Apaixonado por Astronomia e Ufologia, começou a questionar este mundo ainda muito jovem, desde pequeno é levado a lugares e a viver determinadas situações no mundo extrafísica. Autor do livro “Brevidade -A Evolução é uma Fatalidade”, lançamento pela Editora Albatroz.

Boa leitura!

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Esta leitura é indicada para pessoas que de alguma forma, em algum momento de suas vidas, questionaram a Brevidade desta vida e seu real objetivo na criação. Tudo isso, sempre buscando uma visão Universalista e acima das religiões, que tanto limitam a pensamento humano.”

Escritor Candido Rodriguez, é um prazer contarmos com a sua participação na Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia. Conte-nos, o que o inspirou a escrever “Brevidade: a evolução é uma fatalidade”? Candido Rodriguez - Desde pequeno, com o falecimento prematuro de meu Pai, com apenas 41 anos de idade, sempre questionei a Brevidade da vida neste Planeta e seu real objetivo com relação a Criação. Já adulto, após uma forte experiência espiritual, em um sonho lúcido, fui levado por mentores extrafísicas a locais e situações, onde pude ter uma pequenina amostra da dinâmica desta vida neste Planeta e seus reais objetivos dentro de uma visão Espiritualista Universalista. O livro relata está visão e questionamentos na busca de entendimento.


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Logo que teve a ideia começou a escrever? Quanto tempo demorou para escrita, até a publicação do livro? Candido Rodriguez - Não! Do início da escrita até a publicação do livro foram 3 anos. Apresente-nos a obra Candido Rodriguez - Trata-se de uma Crônica Espiritualista. Um relato de experiências fora do corpo, sem ligação com qualquer tipo de religião. Uma visão Universalista, buscando o raciocínio lógico para questão profundas sobre a vida, a morte e o tempo que nos é concedido neste Planeta. Qual a mensagem que deseja transmitir por meio de “Brevidade: a evolução é uma fatalidade” Candido Rodriguez - Estimular o pensamento crítico, exercendo a lógica humana, para a correta compreensão desta vida e a possível eternidade do espírito, tão desejada por todos. Busco neste livro uma visão Universalista da Espiritualidade, acima das religiões. Quais critérios foram utilizados para escolha do título? Candido Rodriguez - A escolha do título foi com o intuito de criar algum tipo de pensamento crítico, para despertar o interesse na leitura do livro O que mais o atrai na obra? Candido Rodriguez - O que mais me atrai nesta obra é a leveza com que trato assuntos tão duros e difíceis de se debater. A quem indica leitura? Candido Rodriguez - Esta leitura é indicada para pessoas que de alguma forma, em algum momento de suas vidas, questionaram a Brevida-


DIVULGA ESCRITOR de desta vida e seu real objetivo na criação. Tudo isso, sempre buscando uma visão Universalista e acima das religiões, que tanto limitam a pensamento humano. Onde podemos comprar o seu livro? Candido Rodriguez - Meu livro pode ser encontrado no Site da Editora Albatroz, e no Amazon, tanto em formato físico quanto em E-book. Quais os seus próximos projetos literários? Candido Rodriguez - Estou finalizando meu segundo Livro, um conto de ficção, que se passa em duas épocas destintas, mas que se interligam para a compreensão do todo. Sempre em busca da Universalidade do espírito acima das religiões. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Candido Rodriguez. Agradecemos sua participação na Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Candido Rodriguez - A mensagem que busco e quero passar em meus Livros, é que possamos questionar esta vida de forma inteligente e sem revolta. Onde as perguntas bem formuladas sejam mais importantes, no caminho da verdadeira compreensão, pois quando compreendemos, o caminho para a paz interior se torna uma realidade. Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da literatura Quer ser entrevistado? Entre em contato com nosso editorial, apresentaremos proposta. Contato: smccomunicacao@hotmail.com

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM A ESCRITORA ANGELI ROSE

Angeli Rose é carioca(RJ),Presidente do Instituto Internacional Cultura Em Movimento (IICEM) e fundadora e Coordenadora do Coletivo Mulheres Artistas(CMA). Depois de uma breve temporada em Lisboa ,antes da Pandemia, Angeli Rose mergulhou na composição de PEDRAS DESLIZANTES,sua coletânea de poemas autorais. São quase 80 poemas, prefaciados por Cecy Campos, escritora e Presidente da Academia Juizforense de Letras(MG); e orelha e 4a. capa da poetisa catarinense,Presidente da Academia Militar de Letras de Santa Catarina, Edenice Fraga(SC); e capa da artista plástica Gabriela Lopes(MG). Duas amigas e mulheres que inspiram. A obra foi organizada no ano passado e contém poemas inéditos e poemas publicados nos últimos 3 anos em antologia nacionais e internacionais. Os temas são variados e vão desde questões mais pontuais sociologicamente até temas com tratamento mais filosófico. Quem desejar adquirir a obra dessa escritora independente, é só entrar em contato com a mesma pelo email angeliroseescritora@gmail. com Receberá o livro autografado. Vale conferir!

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

A ESCRITORA E TERAPEUTA VIVIAN LEMOS

Coragem Toda a história da humanidade nos levou para um lugar de desconexão com o coração, que podemos chamar também de intuição. A palavra coragem vem do latim onde "Cor" significa coração e "agem" agir, ou seja, agir pelo coração. Preenchemos nosso tempo com muitos afazeres, trabalhos, estudos, responsabilidades. Guiamos nossa vida de forma geral pela mente e razão, não dando espaço para ouvir o nosso coração. Você já se perguntou o porque você faz o que faz no trabalho? O que te faz feliz? Quem é você? O que você gosta? Quais são as suas habilidades inatas? O que você gostaria realmente de está fazendo? É preciso silenciar a mente para ouvir a partir do seu coração as respostas para essas perguntas, meditação e contato com a natureza ajudam muito nesse processo.

Nos colocamos constantemente em situações que não queremos e que nos fazem mal e permanecemos na zona de conforto (que não é confortável) por medo do desconhecido. Mas ter coragem não significa a ausência do medo, significa agir pelo coração apesar do medo. É normal sentirmos medo do desconhecido, medo de não conseguir ou de algo dar errado, mas te garanto que seguir o seu coração só pode te levar para um lugar melhor do que você possa estar hoje. É importante ressaltar que isso não significa que será fácil e que não terá desafios, mas agindo a partir do seu coração você estará alinhado com o fluxo da vida, sendo feliz, fazendo o que quer e sendo quem você é! Porque afinal de contas, a vida é sobre o caminho e não sobre o fim (chegada).

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

O ESCRITOR E PALESTRANTE JORDHAN LESSA

Aos nossos velhos Como é envelhecer nessa sociedade majoritariamente cisheteronormativa? Diria que não é fácil, mas ainda é melhor do que a outra opção. Considerando que somos a única espécie vivente que sabe que seu tempo é finito e que começamos a morrer no dia em que fomos concebidos, envelhecer é um privilégio que poderia ser mais bem aproveitado se os velhos e velhas em nosso país fossem vistos como pessoas que guardam histórias, memórias e experiências que ajudam a entender o presente. Os mais velhos do meu país chamado Brasil se tornam obsoletos e sem valia com toda a bagagem que os anos lhe deram. Essa é a realidade dos velhos e velhas cis e trans, mas para nós há sempre algo a mais, sempre uma dor e um choro acrescentado numa existência que nunca, ou quase nunca, é tranquila. Ser trans no país que bate o recorde de assassinatos LGBTQIA+ já não é nada fácil, ser trans e velho representa resistência por mais tempo e exige outras estratégias para continuar a existir. São tantas as dúvidas que envelhecer se torna outra grande batalha, exigindo a descoberta de reservas de força para lutar, quando o único desejo deveria ser viver um pouco em paz na vida que nos resta.” Esse texto faz parte do capítulo 22 - “Lutando para envelhecer e ser reconhecido como se é” e pode ser encontrado na última obra publicada “Diversidade e Inclusão e Suas Dimensões” (2022, Ed. Literare Books) na qual Jordhan Lessa, 55 anos, homem transgênero, pai, avô, escritor e palestrante sobre Diversidade Humanizada é um dos coautores que compõe o time de 44 estrelas reconhecidas mundialmente pelas ações em prol da diversidade e inclusão.

Jordhan Lessa, homem transgênero, sobrevivente, 50+, pai e avô. Estudioso de Gênero, Sexualidade e Direitos Humanos, Autor de três livros: • Eu Trans a Alça da bolsa, relatos de um transexual (2017, Ed. Metanoia) • Quem Somos (2020, e-book independente) • Missão Vencer (2021, Ed. Proverbo) Palestrante Motivacional de Superação Diversidade Humanizada - Membro fundador da Liga Transmasculina Carioca João W Nery, - Membro da RENOSP - Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública LGBTI+, - Coordenador Estadual RJ do IBRAT - Instituto Brasileiro de Transmasculinidades, - Conselheiro Municipal LGBTQIA+ de Maricá - Membro fundador do Instituto Cultural Povo do Livro de Maricá - ICPLM - Servidor público Guarda Municipal, cocriador do programa GM Sem Preconceito, - Graduando de Serviço Social. Em 2015 participou do programa Encontros da Fátima Bernardes, por Amor & Sexo (2017 e 2018) Canal Saúde (2017) Programa Roberto Canázio (Rádio Globo) Balanço Geral (Record) Liberdade de Gênero (GNT 2017) Fantástico (2019) Edição das 18h (Globo News 2019) Globo News (Argentina) e mídia holandesa: https://www.oneworld.nl/lezen/seks-gender/lhbti/langzaam-vooruit-voor-transgender-mensen-in-brazilie/


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Entrevista com o Escritor

Cláudio Manoel de Almeida Cláudio Manoel de Almeida nasceu em abril de 1976 e é natural de Brasília. Apaixonado por mitologia, história, filosofia e pela vida, ele se dedica à poesia e a criar mundos fantásticos. Atualmente, ele trabalha em 3 livros e os gêneros literários aos quais ele se dedica são Fantasia, Ficção Científica, Poesia, Ficção Policial, Drama e Teatro.

Boa leitura!

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Por exemplo, em Gaian – o Reinício eu falo muito sobre o perigo do ódio e o que ele pode fazer. Também há mensagens sobre a sabedoria, a força de vontade, o desejo, a humildade, a manipulação, a maldade, a evolução e outros assuntos.”

Escritor Cláudio Manoel de Almeida, é um prazer contarmos com a sua participação na Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia. Conte-nos, como se deu o início e desenvolvimento da escrita em sua carreira literária? Cláudio Manoel - Olá, Shirley e equipe da Divulga Escritor. É um prazer imenso estar participando da entrevista. A minha carreira literária se iniciou em 09/2005 numa tarde seca com um por do sol escarlate. A partir daquele momento, minha vida mudou por completo e eu passei a me dedicar a literatura, especificamente ao gênero Fantasia, o que resultou no meu primeiro livro. Durante esse tempo de criação, eu comecei a investir em Ficção Científica e Poesia e novos textos surgiram. Já em relação ao processo de desenvolvimento da escrita ele ocorreu e ocorre de maneira regular e quase constante. É um aperfeiçoamento de como colocar as ideias, de como melhorá-las, de como você pode criar.


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Em que momento se sentiu preparado para publicar o seu primeiro livro solo? Cláudio Manoel - Refletindo sobre a pergunta, um ano me vem à mente: 2014. Hoje percebo que, apesar de eu ter concluído antes meu primeiro livro em sentido estrutural (eu o terminei em 2010), ele não estava pronto em um sentido mais profundo, mais complexo. As opiniões de algumas pessoas sobre o livro e a minha capacidade de analisar e compreender essas opiniões foram de extrema valia, pois o texto original do meu primeiro livro precisa de certas correções. É um aperfeiçoamento muito, muito sutil e que tornou o texto todo melhor. Apresente-nos a obra Claúdio Manoel - O nome do meu primeiro livro publicado é “Gaian – o Reinício”. Ele é uma Fantasia que se passa em Gaian, um mundo que eu crie e que está localizado em um ponto do nosso universo. Sinopse: Gaian - o Reinício é uma fantasia épica e narrará os últimos acontecimentos da 7ª Era daquele mundo que revelaram o nascimento de uma guerra, a queda do grandioso Reino do Norte e o reaparecimento dos guerreiros sagrados, um grupo de combatentes destinado a combater o mal que trará, a cada povo de Gaian, desespero, dor, pavor e morte e deseja acima de tudo a destruição. Quais escolhas devem ser feitas? O que importará mais? A força ou a sabedoria? Quais serão os caminhos dos guerreiros sagrados diante dos desafios? Haverá ainda espaço nas almas para a esperança? Seja bem-vindo(a) a Gaian - o Reinício. Um livro sobre per-

das, poder, pureza, vingança, aprendizado, medo e sobretudo crescimento. Um livro onde o passado, o presente e o futuro se encontrarão para formar o destino. Para adquirir o livro, basta acessar o seguinte link: https://claudio-manoel-almeida.blogspot. com/p/onde-comprar.html. Vimos que além desta obra, tens alguns livros publicados, apresente-nos as obras publicadas. Cláudio Manoel - Meus outros livros publicados são Gaian – Luz e Escuridão e Poesia da Alma. O primeiro é a continuação de Gaian – o Reinício e o segundo é a minha primeira aventura no campo dos versos.

Sinopses: Gaian - Luz e Escuridão é uma fantasia épica e a continuação de Gaian – o Reinício. Ele narrará o ápice da Grande Terceira Guerra em Gaian que revelará o maior desafio do bravo povo bárbaro, elos ancestrais e poderosos, os mistérios do passado de Gaian e terríveis forças que se erguerão das sombras e desejarão apenas o poder absoluto. Os outros guerreiros sagrados serão encontrados? O que aconteceu a Heim e o órfão de Fayrnor? Quais são os destinos de Arffek, Brisrar e Ulthigar? A vingança e ódio prevalecerão sobre a sabedoria e a compreensão? A esperança e o amor serão os ideais para salvar Gaian ou se perderão nas sendas da eternidade?


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Seja bem-vindo(a) a Gaian - Luz e Escuridão. Um livro sobre disciplina, vilania, heroísmo, pavor, evolução, fúria e sobretudo força. Um livro onde o passado, o presente e o futuro se unirão para formar o destino. Poesia da Alma é um livro sobre os sonhos, sobre as descobertas, sobre os questionamentos, sobre a dor, sobre o amor, sobre todos os dons que impulsionam e formam a vida. Para adquirir Gaian – Luz e Escuridão, basta acessar o seguinte link: https://claudio-manoel-almeida.blogspot.com/p/onde-comprar.html. Poesia da Alma foi retirado da venda no site da Amazon por motivo de revisão, mas ele retornará em breve e constará no link acima. Quais os seus próximos projetos literários? Cláudio Manoel - Eu acabei de concluir dois livros. Eles são a Era do Caos, uma ficção científica que se passa no Brasil, e 100 Haikais à Eternidade, um livro de poemas. Ambos os livros serão lançados inicialmente na Amazon no formato ebook e eu estou avaliando lançar uma campanha no Catarse para cada um deles para ter a versão física. Eu também estou me dedicando a dois livros: Gaian – os Destinos de um Mundo, a continuação de Gaian – Luz e Escuridão. Eu pretendo lançá-lo no início do ano que vem. O outro é um livro de poemas que se chama Versos ao Crepúsculo, mas ainda não sei quando ocorrerá o lançamento. O que o inspirou a escrever a Saga do Destino? Cláudio Manoel - As grandes inspirações para eu criar e escrever a

Saga do Destino (uma série de 9 livros da qual Gaian – o Reinício e Gaian – Luz e Escuridão fazem parte) foi o Senhor do Anéis e o Silmarillion de J.R.R. Tolkien e a Trilogia Fundação de Isaac Asimov. Contudo, logo outros livros surgi-

ram como inspiração. Posso citar vários livros de Joseph Campbell, Vidas Secas de Graciliano Ramos, Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis, Guerra dos Tronos de George Martin e The Witcher do Andrzej Sapkowski.


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Com relação a Saga, quais as mensagens que deseja transmitir por meio do enredo das obras a serem publicadas. Cláudio Manoel - As mensagens que eu quero transmitir são coisas relacionadas a nós seres humanos, mas que nos afetam tremendamente. Por exemplo, em Gaian – o Reinício eu falo muito sobre o perigo do ódio e o que ele pode fazer. Também há mensagens sobre a sabedoria, a força de vontade, o desejo, a humildade, a manipulação, a maldade, a evolução e outros assuntos. Tudo isso é muito aprofundado em Gaian – Luz e Escuridão e até novos temas surgem. Eu acho importante falar sobre esses

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assuntos, pois a nossa própria história, a mais recente e a mais antiga, está repleta de temas relevantes. Como vem administrando a escrita e o trabalho? Quais os horários que costuma escrever. Cláudio Manoel - Eu procuro escrever todos os dias. Meu horário é a partir das 16h durante a semana. Nos fins de semana, eu não tenho horário definido. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Cláudio Manoel de Almeida. Agradecemos sua participação na Divulga Es-

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critor: Revista Literária da Lusofonia. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Cláudio Manoel - Muito obrigado pela oportunidade, Shirley e equipe do Divulga Escritor. A mensagem que deixo para os leitores é a seguinte: acreditem em si mesmos e em seus sonhos, mas se planejem para realizá-los. Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da literatura Quer ser entrevistado? Entre em contato com nosso editorial, apresentaremos proposta. Contato: smccomunicacao@hotmail.com


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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

A ESCRITORA BEATRIZ MECKING

Beatriz Mecking (Maria Beatriz Costa Mecking) , natural de Pelotas/ RS, cursou Letras na UCPel. Mestra em Teoria Literária pela PUC/RS, aposentouse como professora do departamento de Letras da UFPel. Publicou quatro obras: Tempo de Renascer (contos), Histórias do Cotidiano (contos), Os passos de Júlia (novela) e Curtas Histórias (minicontos). Tem participado de várias coletâneas. É membro efetivo da Academia Sul-Brasileira de Letras - ASBL e da Academia Internacional de Artes e Letras SulLourenciana-AIL. Como acadêmica correspondente, participa da Academia Internacional de Letras, Artes e Ciências ALPAS 21.

A AVOZINHA No dia em que o coração dela falhou, ficou sem chão, bem isso. Sempre batia em sua casa, e ela nunca o decepcionava: uma fruta, um pãozinho, uma moeda – se não tivesse à mão algo para comer – qualquer coisa sempre lhe oferecia, mas o que mais o impressionava era o sorriso de pura bondade. Em suma, sentia-se acolhido. Agora, via que esvaziavam a casa, num movimento de vaivém durante todo o dia. Apertava-lhe o peito ver aquilo, e não poder mais encontrar a sua amiga. Até a sua mãe, que nunca dispunha de muito tempo, ocupada em trabalhar para terem comida em casa – o que estava muito difícil – até a sua mãe tinha olhado bem para ele e perguntado o que havia. Não disse nada, ela insistiu, perguntando se não tinha aprontado algo. E ele terminou falando, a sua avozinha tinha morrido. “Que Deus a tenha”, murmurou ela, sabia da existência da velhinha, ele já havia contado sobre ela. Passava pela casa bonita quando a mãe lhe pedia para fazer algum mandalete. E, num desses dias, viu que enchiam um caminhão com móveis e pertences variados. Pôs-se a observar. Um homem com cabelos quase brancos, que dava instrução aos rapazes da mudança, dirigiu-se a ele: “Queres ajudar, guri?” Estranhando, ele assentiu com a cabeça. “Vem cá, junta esses brinquedos.” E mostrou-lhe, no fundo da casa, uma peça cheia de coisas. Entregou-lhe um pacote de sacos grandes, ao que ele perguntou: “De quem são esses brinquedos?” “De meus filhos, quando eram pequenos, menores do que tu.” Foi juntando os objetos, era uma forma de prestar um serviço para aquela senhorinha de quem tanto gostava. Ficou um bom tempo ocupado, até que se deu conta: “Tenho que ir para a escola.” “Ótimo”, respondeu o homem. “Tu não és um daqueles meninos que a minha mãe ajudava?” “Sou, ela era muito boa para mim.” “Então, vem cá.” Conduziu-o até o fundo do pátio e parou diante de uma bicicleta, apoiada em uma árvore: “Tens uma?” Ele, surpreso: “Não tenho não senhor.” “Essa bike estava esperando por um dono. É um presente da minha mãe para um amiguinho.” Deu-lhe uns trocados para comprar comida e entregou-lhe oficialmente o presente. Felicidade igual nunca tinha vivido.

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

A ESCRITORA CLAUDIA COELHO

Claudia Coelho apresenta: Projeto Brasil e Brasileiros Conhecer para amar e respeitar

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

A ESCRITORA CLAUDIA COELHO

OS CAMINHOS DO PROJETO: BRASIL E BRASILEIROS – CONHECER PARA AMAR E RESPEITAR

Este projeto começou há sete anos, quando a ideia de levar a literatura infantil para crianças carentes e crianças da região agrícola da cidade surgiu. Como a falta de informação e o incentivo a projetos é escasso em nossa cidade, (ou pelo menos era), demoramos muito a tomar conhecimento da Lei de Incentivo Fiscal, a Lei Rouanet. E entre muito estudo e questionamentos, montamos o projeto e colocamos para rodar. Não foi nada fácil. A cidade não estava aberta a esse tipo de atuação. Os empresários eram de pouco ou nenhum acesso, e os primeiros três anos de tentativa foram para o ralo. Refizemos o projeto, reestruturamos e recomeçamos a saga. As equipes se refizeram, e algumas pessoas desistiram pelo caminho. Não era fácil. Por muitas vezes tivemos que

nadar conta a corrente. Foram muitas lágrimas. E depois de um tempo, quase um milagre, conhecemos pessoas que acreditaram no projeto e então uma nova fase se abriu. Foram mais de três anos para captar o equivalente a metade do valor previsto no projeto. E assim, tivemos o consentimento para a execução. Com muita pesquisa e priorizando os artistas locais, o comércio local e os serviços locais, conseguimos produzir o suficiente para iniciarmos as apresentações. Segundo o projeto, inicialmente, seriam atendidas 500 crianças para as oficinas de contação de histórias, e o recebimento dos livros, e os outros livros seriam distribuídos para as bibliotecas e escolas, mas sem as oficinas. Conseguimos bater a meta

das 500 crianças no primeiro mês e dobramos esse número, graças a dedicação e muito voluntariado da equipe. Atualmente, mais de mil crianças foram atendidas, e no fim de julho teremos a distribuição para as bibliotecas das escolas, entidades filantrópicas e outros. O projeto também contou com livros em Braille e Áudio book que também serão distribuídos. O projeto termina sua execução na data limite, 30 de julho, onde contará com a última apresentação aberta a comunidade, na Casa de Cultura Adolpho Bloch, será certamente um sábado de muita emoção. Também estarão presentes os intérpretes de Libras, completando assim a acessibilidade e o cuidado com portadores de necessidades especiais.


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A EQUIPE Autora: Cláudia Coelho de Meneses Professora com 28 anos de magistério, atriz, escritora com livros publicados desde 2004. Também atua com produção cultural, como feiras de artes e festivais. Formada em Letras, na modalidade português - inglês e suas literaturas, na UNIVERSO e com cursos de especialização em áreas da Educação e da Produção Cultural, Doutora Honoris Causa pela FEBRAICA. Faz parte da ATL - Academia Teresopolitana de Letras (Teresópolis - RJ), onde é Presidente neste biênio (julho 2022 à julho 2024), faz parte da ABARS - Academia de Belas Artes do Rio Grande do Sul, da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia-RJ e do Núcleo Accademico Italiano di Scienze, Lettere e Arti. E ocupa atualmente a vice-presidência do Fórum de Cultura de Teresópolis. Tem sete livros publicados e participações em algumas antologias e coletâneas pelo Brasil. Dirige o Jornal Alecrim, veiculado na Região Serrana do Rio de Janeiro em formato impresso e online, é apresentadora do programa de TV – VITRINE – veiculado na Teresópolis TV e na Nossa TV, exibidos em Teresópolis e região. Premiada em editais de Cultura no município de Teresópolis e no Estado do Rio de Janeiro, com contação de histórias e literatura infantil, e aprovada em leis de incentivo estaduais e federais.

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Ilustração: Cláudia Coelho Livros em Braille: e Bianca Mattos O único material que não conNas ilustrações utilizamos uma forma diferente para cada livro. No livro Potiara, utilizamos os desenhos da autora e os leitores podem colorir as imagens, o que abriu possibilidades para que os professores das escolas pudessem também trabalhar com o livro em sala de aula, abordando não só o tema da história, mas também a criatividade e coordenação motora dos alunos; Já no livro Akuan o Peixinho Curioso, o livro foi colorido, e as personagens confeccionadas em feltro pela artesã Bianca Mattos, um trabalho de fotografia realizado por Cláudia Coelho e Taiane Pinheiro que resultou na valorização do artesanato local e na criação de um livro muito especial.

Impressão e Jornal Alecrim

Revisão:

Em um trabalho conjunto e personalizado com a autora, ilustradora e equipe, o Jornal e Editora Alecrim assumiu a produção dos três mil livros, após muita pesquisa de preço e negociação, pois ficou claro que, com o valor captado não conseguiríamos cumprir 100% do objeto. Contudo, após muitas reuniões e pesquisas com diversos fornecedores, conseguimos produzir 100% do total previsto, alcançando a meta do projeto. Foi um conjunto de voluntariado e de muita boa vontade em realizar o projeto, mesmo que para isso, os valores praticados fossem abaixo das tabelas.

seguimos produzir com fornecedores da cidade, pois não existia esse serviço em Teresópolis, conseguimos em uma empresa em São Paulo, que nos forneceu com muito capricho e carinho os livros para que pudéssemos atender às crianças com necessidades visuais.

Intérpretes de Libras: Instituto Adapt O instituto Adapt nos forneceu os intérpretes de Libras que acompanharam as apresentações na Casa de Cultura, nas oficinas de contação que aconteceram lá. Com muito carinho e engajamento, fizeram um ótimo trabalho e estarão presentes na apresentação final.

Áudio book: Álan Magalhães Produzido pelo Álan Barbosa Magalhães, o áudio book ganhou roupagem e musicalização, o que foi um ganho a mais para o projeto. Incluído na equipe o músico Álan Magalhães trouxe seu talento e sua colaboração, doando músicas para a história do Akuan, o peixinho curioso, juntamente com Vanessa Oliveira que também doou composições para a história. A dupla veio acrescentar e colorir ainda mais a contação de histórias. Foram produzidos cerca de 100CDs de áudio book distribuídos nas escolas e comunidades da região.


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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

A ESCRITORA CLAUDIA COELHO

Oficinas de contação de história: Sandra Souza Dias e Bianca Mattos Além das Oficineiras Regentes, Sandra Dias e Bianca Mattos, o projeto contou com um trabalho conjunto e colaborativo onde todos os participantes da equipe trabalharam juntos: A autora Cláudia Coelho narrou as histórias, as auxiliares de produção e secretaria, Vanessa Oliveira, Jessica Arita e Marlene Macedo auxiliaram as oficineiras Sandra e Bianca, na apresentação com fantoches e na atividade artística com os alunos, Álan Magalhães participou com a musicalidade e as canções que abrilhantaram as apresentações e Vitor Dias e Ramon Pozes ficaram com a filmagem e fotografia. Nos Bastidores Daniel Firme e Taiane Pinheiro cuidaram da parte virtual, mídias de internet e propaganda auxiliando os assessores de imprensa que fizeram com que notícias sobre o projeto chegasse a outras cidades e até países como Portugal, por exemplo. Na Coordenação, a autora Cláudia Coelho fez os trâmites e a Produtora Sandra Dias cuidou dos demais detalhes técnicos.

Fotografia, filmagem, divulgação: Daniel Firme, Taiane Pinheiro, Ramon Pozes e Vyctor Dias Uma equipe que reuniu vários talentos, e que, por conta da baixa captação, não poderíamos contratar muitas pessoas diferentes, essa equipe deu o máximo de si, independente de verba ou contratação de serviços, o que também ocorreu com todos que trabalharam no projeto. E através do site criado para divulgar os resultados e ações, o instagram da autora que também foi usado para a divulgação do projeto e as demais redes sociais, o projeto foi amplamente trabalhado e divulgado com mais de duas mil fotos e filmagens diversas, onde foram alocadas na TV loca, Teresópolis TV, em parceria com a autora, totalizando três meses de divulgação e trabalho intenso.

Contabilidade: CUPT CONTABILIDADE Com muito carinho e muita atenção a equipe da Cupt Contabilidade nos prestou o serviço de assistência e regularização de pagamentos e notas fiscais, para que tudo possa ter transparência e seriedade.

Assistência Jurídica: Guilherme Maia O Dr. Guilherme Maia ficou responsável pela análise dos contratos e demais segmentos necessários ao bom andamento do projeto. Nesse sentido, só temos a agradecer aos doadores que contribuíram para a realização do projeto, e ao Regina Supermercados pelo patrocínio, agradecer a todos que auxiliaram o desenvolvimento de cada etapa, desde a sua construção. Fica a esperança de podermos continuar com o projeto, já que pretendemos refazer o pedido através da Lei de Incentivo, contudo, a resistência dos empresários ainda é grande e esperamos que com todo esse movimento eles possam se sensibilizar e abraçar mais os projetos culturais. Sem a ajuda e a participação dos empresários fica cada vez mais difícil levar a cultura aos locais mais distantes e que precisam de atenção. No mais, agradecemos a todos que acreditaram nesse processo. Saiba mais através das nossas redes: INSTAGRAM: @claudiacoelhoautora instagram.com/claudiacoelhoautora FACEBOOK: https://www.facebook.com/claudiamenesesautora SITES: https://projetoculturalclaudiacoelho.blogspot.com/ https://www.jornalalecrim.com/ EMAIL: claudinhacmeneses@ yahoo.com.br


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Entrevista com o Escritor

Eduardo Maciel

Eduardo Maciel é gestor cultural e um artista plural. Cantor, compositor, intérprete de samba-enredo, Diretor Executivo da GRESE Império da Tijuca, artista circense com malabares de fita, fotógrafo, diretor de fotografia, fiscal de set de filmagem audiovisual (locações externas), escritor contista e poeta sonetista. Também colunista das revistas Kuruma'tá e The Wolf Bard. Além disso, Eduardo Maciel é dramaturgo e roteirista de teatro.

Boa leitura!

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritor Eduardo Maciel, é um prazer contarmos com a sua participação na Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia. Conte-nos, o que mais o atrai nos contos? Eduardo Maciel - O prazer é todo meu! O que me atrai nos contos em prosa é mesmo que me atrai nos sonetos, na poesia: o caráter conciso para se contar uma história.

O texto veio primeiro. Aliás, por ter sido inspirado em fatos reais, o conto já estava escrito, mesmo sem título, antes mesmo de eu saber sobre a antologia. E pela característica do edital, o adaptei para estar no livro. A última coisa foi o título.”

O que o inspirou a escrever “Defumador”? Eduardo Maciel - O que me inspirou a escrever Defumador foi a junção de uma trama inspirada em fatos reais adaptada para conversar com o edital pra antologia. Apresente-nos o conto Eduardo Maciel - O conto narra os encontros e desencontros de uma família brasileira em torno da interação com uma cigana, Madame Gris, numa tenda em um parque de diversões nos EUA, durante a década de 80. O que veio primeiro o título ou o texto? Comente sobre a criação da trama. Eduardo Maciel - O texto veio primeiro. Aliás, por ter sido inspirado em fatos reais, o conto já estava escrito, mesmo sem título, antes mesmo de eu saber sobre a antologia. E pela característica do edital, o adaptei para estar no livro. A última coisa foi o título.


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tos será lançado ainda em 2022, e será o mais intimista da série. Se chamará SonetEDU e estará disponível em formato físico, ebook e áudio book.

Quais critérios foram utilizados para escolha do título? Eduardo Maciel - A escolha do título foi determinada pelo conteúdo pedido para a antologia. Defumadores combinam com essa ideia de esoterismo. E na história o defumador é elemento preponderante.

Como você vê a literatura Nacional? Quais os principais desafios que encontra, neste cenário contemporâneo? Eduardo Maciel - Infelizmente, vejo a literatura nacional pedindo socorro, assim como todas as linguagens da arte. Me vejo e vejo meus colegas como parte da resistência, mas tenho esperança no futuro! Um país que não lê está fadado a um destino bem cruel, e isso me deixa muito desconfortável.

Onde podemos comprar o livro, que faz parte da coletânea “Noturno”? Eduardo Maciel - Em plataformas digitais e também diretamente comigo, em @ eduardomacielartes (com mimos extra). Apresente-nos a coletânea Eduardo Maciel - Todos os contos da antologia circundam a seguinte premissa: o ano é 1985. Estados Unidos. É noite de Halloween e os habitantes daquela pequena cidade do interior procuram um pouco de diversão com o parque itinerante, que estava lotado especialmente naquele dia. O cheiro de pipoca e algodão-doce e os sons dos brinquedos se misturam aos gritos e risos de todos aqueles reunidos em torno de diversão, e você se aproxima de uma enigmática tenda cigana. O tecido listrado atrai o olhar. Você não se lembra de ter reparado nela ali antes. Então, surge um homem chamando a quem passa do lado de fora. Um cigano alto, esbelto, de cabelos bem negros e longos, presos por uma bandana. As roupas muito coloridas parecem combinar de forma incomum em meio às cores e brilhos do parque, mas sua lábia não passa despercebida.

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— Aproximem-se! Aproximem-se, senhoras e senhores! Não é uma noite absurdamente esplêndida? Os astros, vejam os astros! A posição das estrelas, dos planetas, o que elas dizem sobre você? Madame Gris sabe de tudo! Você ainda tem dúvidas? Venham, meus amigos, se aproximem da tenda! Deixem que Madame Gris toque o fundo de suas almas... Mas o pagamento... o pagamento é adiantado... Quais os seus próximos projetos literários, pensas em publicar um livro solo? Eduardo Maciel - Meu quinto livro solo da série literária de sone-

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Eduardo Maciel. Agradecemos sua participação na Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Eduardo Maciel - Eu que agradeço pela oportunidade e minha mensagem para os leitores é: não deixem que nada os desviem dos livros, pois eles são fonte de conhecimento, identidade e poder. Poder de verdade. Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da literatura Quer ser entrevistado? Entre em contato com nosso editorial, apresentaremos proposta. Contato: smccomunicacao@hotmail.com


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O ESCRITOR E PALESTRANTE LUCAS VILLELA

Lucas Villela é amante do comportamento humano, e de tudo que envolve está ciência. Terapeuta, escritor, hipnoterapeuta, analista comportamental, psicoterapeuta, com diversas diplomações em hipnose, psicanálise, neurociência, micro expressões, filosofia, esportes (ex-treinador e coordenador técnico de futebol), incluindo certificação internacional e membro do Royle Institute of Hypnotherapy and Psychotherapy, além da Mindcare Organisation,ltda.

Livro: Ame você Como você está se sentindo hoje? Qual foi a última vez que você realmente parou para refletir sobre a sua vida? Se você olhar para si mesmo, o que vê? O que sente? Se entender é se cuidar. É algo com que grande parte das pessoas não se preocupa. Com as inúmeras exigências externas que a vida lhes impõe, dominando seus dias, isso fica em segundo, terceiro ou até décimo plano. E a vida vai passando como um estalar de dedos, muitas vezes sem foco, sem rumo... Neste livro, vamos percorrer uma jornada para te ajudar, aprimorar e fortalecer, passando por temas fundamentais da nossa existência e mostrando-lhe de maneira bem objetiva e leve como se cuidar e se amar vai mudar por completo toda a sua vida! Se cuidar. Se amar. Um dia de cada vez! O livro que está transformando vidas. Adquira seu livro através do site do autor ou pela Bendita Editorial: www.lucasvillela.com.br www.benditaeditorial.com.br

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A ESCRITORA E PALESTRANTE ROSANA NICÁCIO

Rosana Nicácio Graduada em Formação de Executivos pela Unp e Pós-Graduada em Gestão de Pessoas pela mesma instituição e diversos cursos de extensão por instituições disruptivas. Durante sua trajetória profissional em regime CLT, liderou equipes de 20 até 1500 funcionários, transitando pelos segmentos de Comércio e Serviços. Atua como Mentora na área de Gente e Gestão. No tempo livre, gosta de assistir filmes, séries e de um bom café com prosa.

DESENVOLVENDO O HUMANO CORPORATIVO Diante de todo um cenário epidemiológico, iniciado em meados de fevereiro de 2020, muita coisa mudou e se transformou dentro e fora de nós, assim como no mundo corporativo. O que aprendemos? O que nos impactou? Como enxergamos hoje a vida em todos os seus âmbitos? São questionamentos que só você, diante das experiências vividas, poderá responder, refletir e agir ou não, mediante as suas emoções e sentimentos. A única certeza que eu tenho, diante de uma visão holística e preditiva é de um mundo de incertezas que caberá a cada ser pensar e repensar a vida pessoal, profissional e corporativa de uma forma diferente, fazendo a diferença de forma positiva na vida das pessoas, proporcionando uma cadeia de valor, desde o estratégico da empresa, servindo de exemplo em comportamento e coerência no que se fala e o que se pratica, passando pelo tácito e operacional, envolvendo fornecedores e chegando até ao cliente e retroalimentando essa cadeia. Sendo humilde o suficiente e consciente que todos precisamos uns dos outros, que querer tirar vantagem em cima do outro alguém não lhe fará bem. Pelo contrário, tornará seu bem vulnerável pelas mãos de outro alguém, capaz de trocar seu produto ou serviço e propagar um desserviço. Portanto, sugiro você recomeçar de forma íntegra e diferente, desenvolvendo-se e desenvolvendo a sua corporação (corpo e coração), propiciando sentimento de pertencimento, escuta ativa, abertura para contribuição de soluções de feedback construtivo, objetivando contribuir na desenvoltura do outro, na sua melhoria como pessoa e profissional e na certeza que durante o seu tempo de permanência na empresa, possa dizer: valeu muito a pena. Coletividade, cooperação, cocriação, só nesse sentimento de ajuda mútua, que todos sairão ganhando e com uma sustentabilidade para superação de desafios que daqui para frente será uma constância, mas juntos seremos sempre mais fortes. Humanizar para Crescer Rosana Nicácio Mentora de Gente e Gestão


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Entrevista com a Escritora

Jacira Fagundes

Adentrar a mente criativa dos personagens, muitas vezes bem próximas das mentes humanas, sem se darem ao conhecimento, é meu ponto de estudo e pesquisa.”

Jacira Fagundes é escritora e ministra oficinas literárias desde 2007. Coordenou grupo na Editora Metamorfose, Porto Alegre/RS de 2016 a 2020, finalizadas com organização de coletâneas anuais. Soma 19 publicações entre livros para a infância, novelas, crônicas, contos e minicontos. Para o leitor infantil e juvenil, soma dez obras desde 2005 incluindo duas obras em Braille pela Fundação Dorina Nowill. Fez sua inserção na literatura fantástica com o livro juvenil “O quadro na parede” e lançou em 2016 “O Legado – as fantásticas histórias de J. Corellon”, uma nova história que dá sequência à anterior. Desenvolve oficinas de mediação de leitura em escolas e Feiras do Livro em diversos municípios do RS. Atualmente tesoureira da Associação Ligia Averbuck junto ao Instituto Estadual do Livro, reconduzida desde 2019; coordenou a Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil – AEILIJ - no biênio 2011/2012; foi Vice Presidente Administrativa da Associação Gaúcha de Escritores – AGES em 2015/2016. É jurada em concursos literários, entre eles, jurada no Desafio Literário, programação do IEL na 62ª Feira do Livro de Porto Alegre, representando a AGES e o Concurso Minuano, do IEL, anos 2020 a 2022.

Boa leitura!


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Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Jacira Fagundes, é um prazer contarmos com a sua participação na Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia. Conte-nos, como se deu o início e desenvolvimento da escrita em sua carreira literária? Jacira Fagundes - O início ao qual me senti atraída pela escrita literária deu-se ainda na fase da adolescência. Naquele período escrevi algumas poesias perdidas no tempo e passei a ler autores nacionais – Érico Veríssimo, Jorge Amado e outros. A escrita formal voltada à literatura ocorreu na fase adulta, com casamento e filhos. Comecei com a frequência na Oficina Literária de Luiz Antonio Assis Brasil, na PUC em 1992. Foram 2 semestres de verdadeiro aprendizado, culminando com 3 contos publicados na coletânea “Contos de Oficina 9”, da PUC. Parti para inscrição em concursos, e tive a satisfação de ser premiada e integrar a coletânea resultante do “Prêmio Revelações Literárias Nova Prova” com o conto “Noite fria de vigília”, em 2002. Em 2005 publiquei o primeiro livro solo, infantil – “Um desafio para Manoel”. Em 2007, lancei a novela “Dois no espelho”, a saga de uma família onde doenças – física, mental e emocional – se misturam de forma trágica. Este livro se encontra em segunda edição. O livro de contos “No limite dos sentidos”, com 23 contos selecionados só foi sair em 2009. Neste, retorna o conto premiado, com algumas alterações devido ao conjunto. A partir daí não parei mais. Vieram livros em diferentes gêneros – crônica, miniconto, infanto-juvenis, e a organização de coletâneas de contos de alunos de oficina ministrada por mim.

O que a inspirou a escrever a saga sobre Alice? Logo de início já sabia que iria ser composta por uma trilogia? Jacira Fagundes - Desde sempre gostei de histórias de terror, principalmente daquelas que abordam fatos inexplicáveis que acontecem com as pessoas comuns. Fui uma das fundadoras de um grupo intitulado “Confraria Reinações”, que criou um concurso que premiava autores de literatura fantástica, com publicações anuais. Era vedada a participação de fundadores. Aí cresceu

a vontade de escrever histórias de terror. Escolhi a protagonista Alice que é adotada aos 3 anos, mas tem uma história muito comprometida e peculiar com os pais adotivos. É neste relacionamento familiar, e a partir daí, que começa a aparecer o gênero fantástico. Pretendia, a princípio, contar apenas uma história. A ideia de saga veio depois. Apresente-nos a trilogia Jacira Fagundes - Em “O quadro na parede”, publicação em 2012, Alice é uma garota de 12 anos, mei-


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ga e obediente. E sensitiva. Muito amada pelos pais adotivos, ela sente este amor balançar quando tem início a espera do irmãozinho. Foi numa sessão de magia branca, presentes Alice e a mãe, que aconteceu a promessa de que um anjo receberia a incumbência de trazer o novo irmãozinho. A foto de um bebê, após passada por rituais e entregue à mãe, é fixada numa linda moldura e pendurada na parede do quarto de Alice. Ela e o bebê da foto passam a se comunicar, a princípio com sorrisos e palavras carinhosas. Após o nascimento de Gabriel, o bebê da foto passa a ter ciúmes do recém-chegado e fará tudo para destruí-lo. A garota precisa impedir que o mal aconteça, mas também tem a incumbência de proteger o bebê da foto de qualquer ameaça, conforme promessa à sacerdotisa na sessão de magia. E só Alice conhecerá as verdadeiras intenções do bebê que a observa do quadro na parede. O segundo volume da trilogia – “O Legado – as fantásticas história de J. Corellon”, foi publicado em 2016 pela Editora Metamorfose -Porto Alegre. Seis anos se passaram, Alice está com 18 anos. Ela recebe um telefonema da Diretora da Casa – Lar dos Pequeninos, onde viveu por três anos antes da adoção, comunicando a morte de Seu Jorge – fotógrafo da Casa-Lar, seu mestre e protetor no pouco tempo em que compartilhou de sua presença no Lar. Abalada, ela passa os dias com a estranha sensação de que o velho seu Jorge ainda teria algo a lhe dizer. Este pressentimento se confirma ao saber que ele lhe deixou todos seus pertences no armário do orfanato como herança. Alice descobre entre os objetos uma série de relatos fantásticos e aterrorizantes que revelam o passado

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do amigo e o seu legado. E ainda o pedido de que a garota publique as histórias fantásticas reveladas nos sete cadernos que ele jura ter vivido na realidade. Alice escolhe 1 conto de cada um dos cadernos e os publica em livro para conhecimento da humanidade. Ainda sem título Estamos em 2021, cinco anos se passaram. A história segue agora

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com uma jovem Alice, após conhecer histórias macabras da vida de Seu Jorge, ou J. Corellon como veio a saber após sua morte. O que dá para adiantar da história em fase de construção, é que a jovem fará uma escalada à Serra da Canastra, onde tudo começou. Nesta escalada, Alice pretende encontrar respostas quanto a sua ancestralidade. Nada comparável a pais biológicos ou


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algo semelhante. Toda a escalada de Alice tem por base o contato com os rituais da mitologia africana. E é para lá, conhecedora das artes deixadas às filhas de Iansã, que ela vai se dirigir. E não ficará, por muito tempo, sozinha nesta busca. O que mais encanta na trilogia? Jacira Fagundes - A oportunidade de chegar aos extremos no uso do imaginário, como nos mostra Rosa Montero em sua obra “A louca da casa”. Adentrar a mente criativa dos personagens, muitas vezes bem próximas das mentes humanas, sem se darem ao conhecimento, é meu ponto de estudo e pesquisa. A quem indica a leitura? Jacira Fagundes - Primeiramente aos adolescentes e jovens apreciadores da fantasia e do tema que envolve o terror psicológico. E aos nem tão jovens, porque o imaginário costuma levar o leitor a mares nunca dantes navegados. Você tem um lindo e belo acervo literário composto por mais de 15 livros publicados. Onde podemos comprar seus livros? Jacira Fagundes - As vendas acontecem diretamente comigo, através dos meus contatos. Meus emails: jamafag@terra.com.br ou jfagundescritora@gmail.com . Ou ainda pelo contato pelo site: http:// www.jacirafagundes.com.br. Também por Messenger ou whats (51) 999547383 Apresente-nos as oficinas que realiza nas escolas. Jacira Fagundes - São duas modali-

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dades à escolha da escola: Mediação de leitura a partir de leitura compartilhada de livros de minha autoria. E oficinas de minicontos em geral e de terror para os maiores. Além destas, recentemente realizei oficina de ilustração com meu novo infanto-juvenil “Pinta uma história pra mim”, onde o leitor é convidado a ilustrador. Também dou oficinas regularmente para interessados em escrita criativa. Este ano formei o Grupo de Produção Literária com 10 alunas. 8.Quem desejar, como deve fazer para contratar seu importante trabalho educacional realizado por meio da literatura? Entrar através dos endereços que deixei acima relacionados. Sempre terei o maior prazer em contribuir com palestras ou oficinas. No meu site, as oficinas para escolas estão detalhadas. Quais os seus próximos projetos literários? Jacira Fagundes - No momento, tenho intercalado a continuidade da história de Alice em seu 3º ato, com uma narrativa longa que vem sendo escrita e recebendo paradas há aproximadamente 5 anos. Acontece em Porto Alegre, nos anos 70, de quando entra o Plano Diretor com a finalidade de urbanização. Ao invadir um pouco mais o Guaíba, irá fazer a demolição da parte feia e pobre da cidade, na maioria de habitantes provenientes dos Açores. Ficará apenas a Ponte dos Açorianos, e sem utilidade. A narrativa traz a luta de pequenos proprietários tentando preservar suas propriedades e os contratos não muito lícitos

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acordados com o governo paralelo. Será a segunda narrativa que retrato cenas da minha Porto Alegre. Em” Dois no Espelho”, os personagens transitam pelo centro de POA. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Jacira Fagundes. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Jacira Fagundes - Os livros sempre trouxeram e continuarão trazendo aprendizados de vida aos que despertarem para a leitura. A palavra escrita nos faz refletir a realidade e sonhar, e depois do sonho, quem sabe, despertar para uma realidade melhor para a humanidade. É a minha mensagem. É lá que a história envolvendo seus pais, seu Jorge, o bebê do quadro na parede, e a própria Alice, terá um final que ainda só tenho ideias quanto às revelações, dependendo de estudo mais consistente.

Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da literatura Quer ser entrevistado? Entre em contato com nosso editorial, apresentaremos proposta. Contato: smccomunicacao@hotmail.com


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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

A ESCRITORA ROSA MARQUES

PRISIONEIROS DO PROGRESSO

ALEPPO Quanta tristeza, quanta mágoa? Quanta alma ferida… Na absurda destruição! Fruto da ignorância dos homens Que homens não são Antes seres abjectos… ignóbeis Que em nome de crenças inúteis Matam inocentes… Destroem a paz, incitam à violência Aniquilam e derrubam uma Nação. Pelas ruas, crianças à deriva Misturadas com os destroços Bonitos rostos, tristes, perdidas… Olhar surpreso, sem nada compreender Ainda sem nada saber… Das discórdias dos homens Nem a razão de tanto sofrer

ETERNA MÁGOA É sempre esta solidão Do tamanho do mundo Penetrando na alma Deixando um vazio Obscuro e profundo… Uma eterna mágoa Sem razão aparente Que aumenta a cada dia e… Vai tomando conta da gente!

Deslumbrado com o grau de desenvolvimento que já conseguiu atingir O homem não «sabe», não quer mais parar… Egocêntrico, cada vez mais sedento de explorar… de modificar… Numa sede crescente de progredir… mesmo consciente de que está a destruir… Um desenvolvimento exagerado… está a deixar o Planeta esgotado De seus recursos naturais… Mesmo perante as evidências… e sofrendo as consequências… O homem extrai do Planeta… mais… sempre e cada vez mais… O mercado está superlotado de produtos supérfluos… Que são fruto de um crescimento sem controlo, Prejudicial a todos nós… a toda a Humanidade… Produtos químicos poluem e envenenam as águas… Dos rios e nascentes… dos mares… contaminam o solo… As árvores mutiladas estão tristes, sacrificadas ao progresso… E, devido à enorme poluição, muitas já em extinção! As flores exageradamente modificadas… Os frutos adulterados pelos químicos perderam o sabor… Para o homem actual, o importante é rentabilizar… ganhar… Ganhar sempre mais dinheiro… louca ambição… Que nem por isso faz mais feliz… Cercado de produtos que não usa nem precisa…sufocado pela poluição… O tempo passa… e o homem do século XXI finge que não vê… Ignora a trágica situação… Que herança deixará aos seus filhos… às novas gerações? Um Planeta doente… danificado… efeito estufa… lamentáveis condições… É urgente parar esta forma errada de pensar e de agir… Sensibilizar o homem para importância… para o valor da NATUREZA Para que dignifique e valorize a sua parte espiritual… Tão descurada nos últimos anos… e por isso a causa de tanto mal… É urgente tomar medidas para reverter a situação… reparar os danos… Progresso SIM… Com equilíbrio, «conta, peso e medida» Progresso NÂO… Quando os danos são maiores que os benefícios Quando o preço a pagar é a própria vida… e do Planeta a destruição.


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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

A ESCRITORA MARISA LUCIANA ALVES

Apenas Instantes “A Felicidade existe apenas na imaginação”. Mozart. Marisa Luciana Alves nasceu em 1976, em Vinhais (Bragança, Portugal). Professora desde 1999, é licenciada em Português-Inglês e Mestre em Literatura Portuguesa. Associada da Academia de Letras de Trás-os-Montes desde 2018, foi a vencedora do 3.º Concurso Literário “Receitas Secretas” da Papel D’Arroz Editora (2014). Descobriu a escrita casualmente, apesar de escrever, desde tenra idade, nos papéis mais improváveis. Gosta de estar rodeada da Natureza, a sua grande inspiração na escrita. É autora de 6 livros e coautora de 40 coletâneas. Participa em revistas digitais com os seus textos (poemas, ensaios, contos e crítica literária) e orienta sessões de escrita criativa nas escolas onde leciona.

Há palavras que são como o próprio sonho, palavras que norteiam uma vida inteira, que nos impulsionam a avançar. “Felicidade” é uma delas. As pessoas passam o tempo à procura de alcançar a Felicidade, como se fosse o pote de ouro no fim do arco-íris; ela é a motivação para seguir em frente, apesar dos infortúnios e das derrotas que são obrigadas a enfrentar. Deve pautar-se a vida à procura dela? Ou será melhor viver como as folhas arrastadas pelas águas límpidas do rio? Cada um terá sobre isto o seu livre-arbítrio. A Felicidade difere de pessoa para pessoa, porque depende de gostos e sonhos. Se para uns ter Felicidade é ser economicamente abastado e ter património, um bom carro, uma casa grande, para outros é conseguir um bom emprego ou terminar um curso superior. Para alguns, é casar com a pessoa amada ou ter saúde. E há ainda aqueles para quem ser feliz se resume a ter paz de espírito. Quantas vezes procuramos, anos a fio, a dita Felicidade e ao alcançá-la parece-nos que não era bem aquilo que pensávamos? O fim do curso, afinal, não era o que achávamos; a casa que compramos não se tornou na zona de conforto que tanto almejamos e a saúde, por vezes, falta. Nem sempre tomamos na vida as melhores opções. Somos socialmente educados, quiçá obrigados, a cumprir parâmetros e conveniências sociais, muitas vezes para sermos aceites pelos que nos rodeiam. Com o passar do tempo, percebemos que a Felicidade não surge daquilo que os outros querem para nós, mas do que cada um quer para

si. Por isso, ela não assume igual importância para todos. Muitas pessoas chegam ao final da vida sem sequer terem pensado no que era a Felicidade e se ela fez ou não parte do seu percurso terrestre. Algumas procuram-na insistentemente no futuro. Outras, percebem tardiamente que talvez já tivessem passado por ela sem lhe notar a importância. Será, então, que a palavra “Felicidade” faz sentido? A meu ver, não existe “A Felicidade”, existem, sim, pequenos instantes de Felicidade. A vida é um abrir e fechar de constantes parenteses, que pelo entremeio vai tendo fruições de Felicidade, que podem ser mais longos ou mais curtos, mas apenas isso. Por esse motivo, não creio que se possa ser sempre triste nem feliz o tempo todo. Para mim, ser feliz é ser livre. É ter a liberdade de escolher o que me parece melhor, de recusar o que não quero, de deixar ir o que não faz mais sentido na minha vida. Vivo, por isso, um dia de cada vez, a pequenos sorvos, como se bebesse um café apreciado por um ávido amante de cafeína. Acordar a cada dia já é motivo de Felicidade. Sou grata por isso e, qual crisálida, vou arrastando-me, almejando ser, um dia, borboleta. No final da meta da minha vida terei encontrado a Felicidade? Tê-la-ei alcançado com plenitude? Não sei. Nem isso me tira o sono. Quando a Morte me abraçar para com ela ter a última dança, olharei para o trilho da minha vida e terei a certeza de que fiz o que quis, naquilo que foram apenas instantes de Felicidade.


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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

A ESCRITORA ROSA MARIA SANTOS

Pedaços de mim Sinto saudades dos tempos de criança, quando ainda pouco entendia da vida, mas em que pensava entender tudo ao meu redor. O primeiro dia na escola, um de muitos outros que teria pela frente, ficou-me gravado na memória e aí se mantém como se fosse hoje. - Maria, Maria, - chamava minha mãe - acorda, hoje é o teu primeiro dia de aulas, toca de levantar ou ainda chegas atrasada à escola! E ficas logo marcada como a atrasada! Não é isso que queres, pois não? Uma vez mais, lá andava ela com aquela barriga enorme, à espera de um novo rebento que haveria de chegar em breve e este mundo tão estranho. E lá ia eu com os meus sete tenros anos de idade, com as minhas duas pequenas tranças loiras arruivadas, uns olhos enormes cor de avelã, e aquele narizito arrebitado que ajudava a disfarçar aquela mão-cheia de sardas espalhadas pelo rosto esbranquiçado e sensível. Eu era a terceira filha de um casal trabalhador que vivia em condições modestas numa casa simples na pequena aldeia de Dume,

no concelho de Braga, para mim, o verdadeiro berço da nossa nacionalidade. Eram tempos difíceis, mas que os meus pais enfrentavam com coragem e determinação. Como estava entusiasmada nesse dia, ansiosa por conhecer outras crianças como eu, poder brincar e aprender, como gostava de esfolhear o meu livro que fui conhecendo cada dia melhor. Livro da Primeira Classe, tão simples, tão atrativo! Nesses tempos, os manuais escolares eram guardados de um ano para o outro, à espera de serem utilizados por um outro elemento da família. Para que como eu, o abraçasse com o mesmo carinho, pois naquelas poucas páginas continha um novo mundo à nossa espera. Tempos de descoberta que prevaleceram ao longo de todos estes anos. De sacola às costas, naquela manhã de sete de outubro, lá ia eu rua fora, cantarolando, de mão dada à minha mãe. Era outono, o tempo era agora frio, chuvoso, o vento entranhava-se através do casaco de malha fino que a minha mãe tinha tricotado para mim e subia-me pe-

las pernitas despidas de meia calça, bafejando os soquetes de cor branca e os sapatos de verniz pretos, feitos pelo meu pai, que exercia a profissão de sapateiro num horário pós-laboral. Apesar do frio, eu não cabia em mim de contente. Pelo caminho foram-se juntando a nós algumas amigas, primeiro, Maria Armanda, a seguir, a Rosa Maria e por fim a Maria Luísa. E lá seguimos todo o caminho tagarelaram em direção à escola. Nossas mães caminhavam um pouco atrás, aproveitando para dois dedos de conversa. A ansiedade era grande. Afinal, era a primeira vez que íamos enfrentar esse novo mundo cheio de incógnitas. Quando chegámos, entrei na sala confiante. E tinha motivos para isso. Já sabia escrever o abecedário, dizer de cor o a e i o u que minha mãe, com tanta dedicação me tinha ensinado, enquanto se ocupava a ajudar as minhas duas irmãs mais velhas a fazer os trabalhos de casa. A escola era um velho prédio de condições precárias, coberto de telha portuguesa já gasta, algumas delas em vidro, para dar mais clari-


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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

A ESCRITORA ROSA MARIA SANTOS

dade. As paredes das salas de aulas eram velhas, as janelas de madeira rangiam quando batidas pelo vento, a secretária da professora e as carteiras dos alunos estavam já gastas pelo tempo. Nada disso, porém, me roubava o sorriso que tinha estampado no rosto nem o tom arroxeado dos lábios causado pelo frio faziam diminuir a sua frescura e beleza. Logo que entrei na sala, deparei com o gigantesco quadro em lousa, que tinha em baixo uma espécie de suporte onde eram colocados os paus brancos de giz que serviam para escrever no mesmo quadro, bem como um apagador. Acima do quadro, na parede, lá estava um crucifixo ladeado por dois grandes quadros com fotografias do Presidente da República Presidente do Concelho, o velho ditador. Como estava curiosa em conhecer a professora! Tinham-me falado já duma velha professora com alguma idade que era antipática e rabugenta e não se coibia de usar a palmatória de madeira sempre que lhe apetecia. Mas isso não me incomodava. Estava ali para aprender a ler e a escrever, de modo a conseguir seguir os passos da minha irmã mais velha que lia tão bem o livro da quarta classe. Eram momentos de prazer os que vivia quando a ouvia ler as histórias que o meu pai requisitava junto da biblioteca ambulante da Gulbenkian que de quando em quando passava lá na aldeia, às vezes, duas vezes no mesmo mês, ou mesmo quando os trazia da Biblioteca Municipal. Eram contos e contos de fadas e princesas. Entre todos eles, havia uma que me fascinava, o

Ali Babá e os quarenta ladrões, história que passado algum tempo eu já sabia de cor e salteado, de tanto a ter ouvido, à luz daquele candeeiro de petróleo, antes de nos acomodarmos como podíamos naquela enorme cama onde dormia com mais duas irmãs, no quarto mesmo ao lado do da avó Francisca, a nossa tão saudosa contadora de histórias. Tantas recordações! Já dentro da sala de aulas, a professora fazia a chamada dos alunos, recorrendo àquele enorme livro de ponto e nomeando um a um por ordem alfabética. E lá estava eu cheia de ansiedade à espera de ouvir chamar o meu nome que parecia nunca mais chegar. Finalmente, chegou a minha vez. Educadamente, disse presente e dei os bons dias à professora que sorriu ao deparar-se com o meu narizito arrebitado, o que me fez corar. - Bom dia, senhora professora. - disse, com uma voz meiga e sorridente. Agora, sentia-me ali como se fora uma pequena princesa, embrulhada no meu vestidinho rodado, com mangas em balão, cor pérola, com uns pespontos da mesma cor em linha de seda. Era um lindo vestido, na verdade, Fora costurado pela minha mãe para a minha irmã mais velha, para o dia da sua primeira comunhão. Depois, passara para a outra irmã e por último para mim. Não que o vestido fosse muito usado pelas suas irmãs, unicamente fora usado por elas no dia da primeira comunhão. Depois, foi embrulhado em papel pardo e guardado no baú, à espera do dia da minha comunhão e após essa data apenas usado em ocasiões especiais.

O primeiro dia de aulas era um dia muito especial. - Bom dia meninas, dirijam-se ordenadamente, pela mesmo ordem que vos chamei para as carteiras do lado da janela. Quando todos elas estiverem ocupadas, dirijam-se às filas do meio e só depois ocupem as da fila ao lado da porta de saída. Com ordem, entendem? Nada de barulhos nem atropelos. Portem-se bem e vão gostar de estar aqui. Já são umas mulherzinhas e estão em muito boa idade de aprender a ler e a escrever. Discretamente, a professora fechou a porta que logo rangeu, fazendo lembrar o ruido de quando íamos à nora do Sr. Manuel Joaquim, um vizinho que morava mesmo ao nosso lado, para encher uns cântaros de água do poço para ser usada lá em casa. E voltou: - Vou ser a vossa professora durante os próximos quatro anos. Sou a professora Maria e comigo vão aprender métodos de bom comportamento, como ler e escrever e muitas coisas mais. Não gosto de falatórios dentro da sala de aulas e quero os trabalhos bem feitos na vossa lousa. Se quiserem, poderão ver-me como uma espécie de mãe para todas vós, aqui dentro destas quatro paredes. Gosto de pontualidade. Idas aos lavabos, só mesmo durante o período de recreio. Os trabalhos que vos der para fazerem em casa, são para serem bem feitos. Quero- vos ver sempre bem penteadas e asseadas, não quero meninas descalças, nem com cabelos maltratados. Entenderam? Agora que me apresentei, vou perguntar às


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minhas novas alunas quem de vós já sabe ler ou escrever. Alguma das meninas já frequentou antes a primeira classe? Duas das alunas, algo tímidas, levantaram as mãos. - Como te chamas, ó tu que estás na carteira da direita. Então, uma menina franzina, com duas tranças mal feitas, de cabemos ruivos, levantou-se e timidamente disse: - Maria do Céu, senhora professora. - Então, Maria do Céu, porque ficaste retida na primeira classe? - Senhora professora, tinha que tomar conta do meu irmão mais novo e não podia vir a escola! - O quê? Que pais são esses para pensarem que a escola não é importante para a filha? - Não sei responder, Senhora Professora. – respondeu, corando de medo – Só posso acrescentar que lá em casa, muitas vezes, ouço os meus pais a conversar sobre isso: - Escola é só para os ricos, para nós pobres é perda de tempo. Depois não é a escrita que vai colocar no prato quando for grande e tiver filhos. Ouve bem, mulher, de uma vez por todas, deixa de sonhar em ter uma filha doutora. Filha de pobre não pode ter essas manias, foi feita para trabalhar no campo ou para servir na casa dos mais ricos. - Mas, homem de Deus, escuta o que te digo, não gostavas que a tua filha fosse professora, andar bem vestida e na aldeia dizerem, quando vai a passar: “Que grandeza, vê lá tu Manel, não tens orgulho da tua filha?” - Deixa-te de fricotes Gertrudes, cá por mim, quero é vê-la casada

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com o filho do nosso compadre, com um rancho de filhos, e com o sustento que provier do trabalhinho deles. Queres melhor futuro que esse? - A minha mãe ficava triste, com olhar pesaroso e… - Não contes mais nada, Maria do Céu. não quero ouvir mais nada! Que raio de futuro o teu pai quer para ti? Tanta ignorância! No fim da aula vais levar um recado para o teu pai vir amanhã sem falta falar comigo. – e de si para si - Rico futuro a espera com um pai desses, coitada. - Tu, da fila da esquerda, como te chamas? - Josefa Milheiro - responde uma pequena trigueira, de cabelo tão amarelo que pareciam duas espigas maduras a brilhar ao sol, narizito pontiagudo e com olhos tão azuis que mais pereciam dois faróis de carro a brilhar no meio da escuridão, levantando-se tão precipitadamente que quase arrastava consigo a carteira, causando desequilíbrio da colega a seu lado. - Cruzes miúda! – acorreu a professora - Parece que estás habituada a puxar o gado, com toda essa força, quando te levantas! - “De manhã é que se começa o dia”. Pelo menos, é o que oiço dizer todos os dias o meu pai e a minha avó Jaquina – responde, enquanto a professora a olha espantada. - Não me digas que és daquelas crianças que pela manhã matam o bicho ou come sopas de cavalo cansado! – sorriu. - A senhora professora deve querer dizer sopas de vinho, cá na aldeia é assim que lhe chamam. E até são bem boas, dão tal força que a senhora professora nem imagina. É

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só a senhora professora experimentar e vai ver como fica cheia de genica para o dia inteiro. Onde as fazem muito bem, é na venda da Ti Rosa do Pipo. Não é que eu as tenha provado, mas no outro dia ouvi um dos trabalhadores, colega do meu pai, dizer: “Ó pá, queres boas sopas de vinho. Vai à Ti Rosa do Pipo. Não te digo, aquelas sopas de vinho, quando ingeridas, nem o caminho sabemos de volta para casa, dão cá uma pedalado dos diabos. - Cambada de ignorantes vivem nesta Aldeia! – retorqui a professora – Então essa gente não sabe que as bebidas alcoólicas fazem? - Isso la, não sei. O que sei é que as minhas já cá cantam desde as cinco horas da manhã, quando o meu paizinho me chamou e disse: - Josefa, ó Josefa, levanta-te, o teu mata-bicho está na mesa da cozinha. Toca a comer depressa para ires ordenhar a vaca do tio Miguel. A danada da toura, só te deixa a ti chegar a ela. Tens que te despachar. Hoje é o primeiro dia de aulas. Não é que isso te vá servir de alguma coisa, mas o melhor é ires à apresentação, para que não venham para aqui chatear. Depois, logo se vê, não precisas disso para nada. - Isso é o que vamos ver! – interrompeu a professora – Agora começo a entender os motivos porque muitas meninas ficam para trás no primeiro ano. Com pais assim, não é de admirar. E a tua mãe o que diz? Ela não quer que aprendas a ler e a escrever? - A minha mãe ou se cala, ou recebe em troca uma bofetada que até anda de lado. Lá em casa, só a minha avó Jaquina pode falar, mais


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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

A ESCRITORA ROSA MARIA SANTOS

ninguém tem voto na matéria. Sabe, senhora professora? Tenho pena da minha mãe, tantas vezes a ouço chorar de noite, depois que nos deitamos. De dia, é uma mulher conformada e resignada à sua sorte. Tem os afazeres domésticos à sua conta e cumpre-os sem qualquer tipo de resistência. À noite, quando todos já estão prestes a dormir, ela para de chorar. Uma coisa lhe digo, senhora professora, a minha mãe é a primeira a levantar-se e a última a deitar-se, sempre! Quando eu crescer e tiver a minha casa, vou levar a minha mãe comigo e assim ela poderá descansar um pouco. A vida dela é muito dura. Ela não gosta que eu coma as tais sopas de vinho, mas a minha avó diz que é para eu crescer forte, que uma mulher de trabalho tem que se alimentar bem. E diz-me que olhe para a minha mãe que é uma mulher fraca e pouco trabalhadora. Pobre da minha mãe, trabalha como uma escrava, e depois, nas palavras da minha avó, pouco ou nada faz. “São os desígnios de Deus”, diz-me com as lágrimas a correr-lhe pela face. Minha querida filha, gostava tanto que o teu futuro fosse diferente do meu, mas infelizmente o teu futuro está traçado - acrescenta. Mas juro, senhora professora! Um dia hei de ser gente, ser alguém, e levar a minha mãezinha comigo seja para onde for! A professora dirigiu-se lentamente para ela, passou-lhe a mão pela cabeça e disse-lhe: - Posso te pedir uma coisa, Josefa? - Pode sim, senhora professora, se for uma coisa que eu possa fazer. - Quero pedir-te que deixes de comer essas sopas de vinho que a tua

avó e o teu pai te dão cada manhã. - Vou tentar, sim, embora saiba que vou arranjar sarilhos lá em casa. - É preferível isso do que acabares por ficar doente, quem sabe, morrer. É isso que queres para ti? - Não, quero ser forte como o touro do Ti Delfim. Sabe que o magano do touro cobre aquele vaquedo todo do Tio Toino? Passa o dia todo a correr de um lado para o outro. O tio Alfredo, irmão do Ti Toino, passa o tempo todo a dizer: «aquele touro tem uma vida que qualquer homem da terra gostaria de ter». Logo de seguida, o Tio Toino responde: « só mesmo tu para dizeres esse disparate. Até parece que não te chega a galderice dessa vida mundana que levas. Sabes o que eu acho? Pois se não sabes, ficas a saber: Está na altura de casares e assentares, a velhice não tarda por aí e depois não tens ninguém para te aquecer os pés.” A professora estava boquiaberta com tudo o que estava a ouvir da boca da pequenita Josefa. E perguntou: - Que idade tens pequena? - Tenho oito anos e meio. - Oito anos e meio e já tão vivida? Nem tenho palavras para descrever aquilo que sinto neste momento. No fim da aula vais levar um bilhetinho para o teu pai e a tua avó Jaquina amanhã de manhã virem aqui falar comigo. Quanto a ti, pensa lá como queiras mas não voltas a comer essas tais sopas de vinho ou lá o que for, para não acabares com uma precoce cirrose nesse fígado. - Está bem, senhora professora, vou fazer de conta que me dói muito a barriga e não copo as sopas de vinho. - Isso mesmo! – respondeu –

Determinação é o que precisas ter, menina – disse regressando à sua secretária. - Algumas das meninas presentes nesta sala de aulas sabe ler? – pergunta, enquanto caminhava entre as filas de carteiras. - Eu! – respondi, levantando a mão no ar – Eu já sei ler algumas coisas. - Ótimo! – respondeu com um sorriso - Pelo menos, tenho uma aluna que já lê alguma coisa. Então, vamos ver o que já aprendeste. Que texto gostavas de ler para nós? Na verdade, apenas me lembrava do titulo e da pagina daquele texto que de tanto ler, já sabia de cor. - Podes começar a ler. - Levantei-me cheia de orgulho e comecei a recitar o texto, sem sequer olhar para o livro. De repente, sente a mão da professora a esbofeteá-la, ao mesmo tempo que com palavras ásperas, dizia. - Estás a gozar comigo? Como te chamas? - Rosa Maria – disse, sem que conseguisse evitar o choro – Vou dizer ao meu pai que me esbofeteou. - Isso não é ler nem é nada – ripostou – Se não sabias ler, calavas-te. - É, sim! – repetiu – Eu sei ler. A Professora estava agora arrependida daquele imposto repentino. Num gesto de desculpas, tentava agora acalmar-me, ao ver-me chorar copiosamente. Esse gesto tinha-me mesmo ofendido. Realmente, não fora esse o dia que tinha imaginado para registar para a vida como o primeiro dia de aulas. Começaram assim as aventuras para uma vida cheia de imprevistos que ao longo do tempo me ensinaram a viver.


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EM DESTAQUE

LIVRO “ANA CLARA, EM TEMPOS DE PANDEMIA” DA AURORA ROSA MARIA SANTOS

Ana Clara era uma menina frágil que frequentava a sua escola, onde tinha muitos amigos. A Festa da primavera aproximava-se e como todos os anos faziam, os alunos estavam empolgados na recolha de flores e verduras para preparar os seus enfeitas. Mas, de repente, quando saiam ao campo para recolher as flores, Ana Clara é acometida por uma alergia que a levou a hospital. Preocupados, os amigos e a professora acompanharam a evolução da sua doença que não estava nada bem. Com o passar do tempo e os cuidados médicos, Ana Clara volta à escola, mas agora com uma máscara no seu frágil rosto. As férias da Páscoa aproximavam-se quando, inesperadamente, chega a notícia: As aulas

vão ser interrompidas. Um vírus estranho surgiu e provocou uma pandemia. Um elevado número de Países estava a ser severamente afetado. As aulas são interrompidas, os alunos e professores, como quase toda a população, foram confinados nos seus lares. Os pais de Ana Clara resolvem assim refugiar-se na herdade dos avós, numa aldeia retirada e onde o recato se fazia sentir. Ali, Ana Clara, todos eles, estariam protegidos. O tempo passa, com a adaptação ao novo lugar a se transformar em constantes descobertas e aventuras. Os diálogos com os avós, o convívio com os animais da quinta, transformam o lugar numa espécie de paraíso que todos usufruem com agrado, longe da pandemia. Rosa Maria Santos


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Entrevista com a Escritora

Karol Artiolli

Me chamo Karol Artiolli, tenho 35 anos e moro em Campinas, no interior de São Paulo. Consegui evitar tudo que fosse interessante para chamar a atenção em uma vida, mas sempre gostei de histórias fantásticas e mitologias, me aperfeiçoando em quase todas elas, principalmente na Grego/Romana. Nem preciso dizer que eu era ótima em redação na escola, mas minha aula favorita era história. Sempre adorei saber os acontecimentos da nossa humanidade e seus mitos. Meus hobbys favoritos são: viajar, para conhecer os lugares que nossos ancestrais passaram e deixaram suas marcas em templos e construções incríveis; e videogame, o qual aguça muito minha criatividade.

Boa leitura!

Ele conta a história de um príncipe herdeiro de uma longa dinastia, ungida pelos próprios deuses antigos, do reino de Mansum, Ériko Alek, que na adolescência lhe é revelado uma profecia de um destino cruel e tenta fugir de sua sina.”


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Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Karol, Artiolli, é um prazer contarmos com a sua participação na Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia. Conte-nos, como se deu o início e desenvolvimento da escrita em sua carreira literária? Karol Artiolli - Quando criança tinha fascinação por textos e escritas narradas em primeira pessoa, como é o caso de “Dom Casmurro”, um monólogo dramático, atraente e instigante. Segui a linha de Machado de Assis em meus pequenos poemas e histórias (que até hoje conservo em minha humilde biblioteca), tenho inclusive dois livros (não publicados) que eu faço uma singela homenagem ao nosso Dom brasileiro. Com o passar do tempo – durante as minhas inúmeras pesquisas sobre mitologias -, a ficção épica encontrou o meu caminho em “O Senhor dos Anéis”. Então minha narrativa hoje assemelha-se ao tom fantástico de Tolkien, mas a considero sombria, com um toque de “George R.R. Martin”. Em que momento se sentiu preparada para publicar "O Destino da Espada - A saga de Ériko Alek"? Karol Artiolli - Era apenas para ser mais uma das minhas inúmeras histórias que comecei, lapidei e deixei guardadas, mas tive a ideia de entregar as primeiras páginas para um “leitor beta”, que no caso é meu primo Guilherme Costa, um apreciador desse tipo de história. A reação dele me motivou a continuar e me superar. Quando terminei, o li mais uma centena de vezes e assim que a história estava com o desfecho que eu queria, me senti preparada a

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mostrá-lo ao mundo e resolvi arriscar e entregá-lo para a Editora Drago (como um teste incialmente) e, para minha surpresa, foi aprovado com parabenizações. O que a inspirou a escrever a trama? Karol Artiolli - Tudo começou como um ideal de ficção em 2017. Eu tinha os personagens e tinha até um final, mas não tinha o começo e nem o meio. Assim o escrevi e deixei para lá. Então, em meados de 2018, eu tive um sonho (literalmente um sonho) e nele um homem corajoso estava enfrentando uma ameaça para salvar a vida da esposa grávida e de seu filho em um mundo mágico. Foi então que deu início a jornada do meu herói. A propósito, são meus sonhos que mais me inspiram. Eu sonho, acordo e o escrevo em um papel para dar início a uma nova história. Apresente-nos "O Destino da Espada - A saga de Ériko Alek" Karol Artiolli - Ele conta a história de um príncipe herdeiro de uma longa dinastia, ungida pelos próprios deuses antigos, do reino de Mansum, Ériko Alek, que na adolescência lhe é revelado uma profecia de um destino cruel e tenta fugir de sua sina. Assim que escapa, conhece a jovem Leja de Uchizar e se apaixona perdidamente. Ela lhe presenteia com uma gravidez precoce, mas o bebê viria antes, colocando a vida dela em risco. Na tentativa de salvá-los, ele parte do vilarejo de Tayma para encontrar os construtores - que ele acredita terem sobrevivido a guerra de Naslaa - em busca da

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magia de transmogrificação. Essa magia pode mudar as coisas, dando a elas outros aspectos, outra origem e para Ériko, ela poderia mudar o destino de sua amada e de seu filho. Mas ele não voltará, pelo menos não a tempo, pois sua jornada começará quando seus olhos, cinzas como diamante, chamará a atenção. Neste caminho tomará posse de uma espada poderosa que sabe quem ele realmente é. A verdade pode ser excruciante, mas ainda é a verdade. O que veio primeiro o título ou o enredo que compõe a trama? Karol Artiolli - O enredo. Quais as principais temáticas estão sendo abordadas na obra? Karol Artiolli - Descrença em sua própria força, teimosia diante de uma ambição (para o bem ou para o mal), egoísmo inerente aos humanos, acreditar em quem não deveria, traição, fazer amizade com quem você achou que devia odiar em decorrência de um ensinamento arcaico, o fato de você nem sempre saber quem realmente é em uma vida cercada de ilusões, mentiras e maus tratos. A quem indica leitura? Karol Artiolli - Para todos, claro! Mas principalmente para quem gosta de fantasia no mesmo estilo de George R. R. Martin (essa não é tão complexa como as dele, mas está ali). Onde podemos comprar o seu livro? Karol Artiolli - No site da própria


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editora, Drago editorial, na Amazon, livraria Travessa, livraria Leitura e em mais alguns sites de e-commerce, como Mercado Livre, Casas Bahia etc. Como concilia vida pessoal, profissional, com a escrita? Karol Artiolli - Por sorte eu tenho uma vida tranquila e bem estruturada, proporcionada pelo meu marido Alessandro Artiolli. Então não é nada complicado me dedicar integralmente a escrita e aos estudos neste sentido. Quais os seus próximos projetos literários? Karol Artiolli - Estou finalizando o segundo livro da trilogia “O Destino da Espada”, começarei o terceiro em breve e ainda tenho mais dois em mente, seguindo a linha fantástica. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Karol Artiolli. Agradecemos sua participação na Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Karol Artiolli - Eu demorei muito para acreditar em mim mesma, sofri por não me encontrar neste mundo, não sabia quem era e nem o que fazer da vida, achava não pertencer a lugar algum. Quando finalmente resolvi seguir o que eu realmente amo e sei fazer, me dedicando a isso por inteira, foi uma felicidade que não pude medir em palavras. Portanto, caros leitores, se você se

sentir um peixinho fora d’água em um oceano de regras e repressões, lembre-se que talvez você só precise fazer o que ama e o que quer, se dedicar a isso e estudar muito. E, então, parar de dar importância ao que os outros acreditam que seja o certo. Siga o seu caminho!

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

A ESCRITORA CHRISTIANE COUVE DE MURVILLE

Questão de território ou de etiqueta? Christiane Couve de Murville é doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo, com especialização em psicodrama e orientação profissional, e também bacharel em Ciência da Computação pela USP. Publicou a trilogia “A Caverna Cristalina”, o “A vida como ela é” e a série “Até Quando?”, no Brasil e na França, “O Pequeno Príncipe visita a Chapada Diamantina” e “Colorindo com o Pequeno Príncipe a Chapada Diamantina”, além de livros e artigos acadêmicos. Tem experiência artística em escultura, desenho e pintura e faz as ilustrações de seus livros. Site: https://www. cmurville.com.br/ Instagram : @ christianemurville

Os elefantes viviam em paz no território deles, quando um carrinho de turistas apareceu. Gazes tóxicos fedidos saíam do escapamento do veículo e o motor barulhento afugentava os passarinhos. A turma no carro falava alto, dava gargalhadas, destoando completamente do ambiente de natureza intocada no qual se aventurava. Os elefantes ficaram incomodados. Um deles, grande e forte, talvez o responsável por cuidar dos demais, logo mostrou seu descontentamento. Apareceu bravo na frente dos turistas, guinchou, balançou as orelhas, ergueu a trompa. Deixou claro: era para o carrinho intrometido ir embora. Os turistas acharam graça do elefante irritado, deram risada e um deles chegou a caçoar do animal, considerando-o exibido. Ninguém de fato enxergava os elefantes ou percebia o que acontecia com eles. Os turistas não estavam preocupados com os bichos e tampouco se os estavam incomodando. Queriam tirar fotos para mostrar aos amigos e provar o quão perto haviam chegado daqueles animais enormes. Só pensavam em se divertir e levar uma recordação do passeio. Percebendo que os intrusos continuavam ali, o elefantão voltou a ameaçar. Desta vez, foi mais vigoroso, chegou perto do carro, tinha que afugentar de vez a turma mal-educada que só pensava em si e era incapaz de ver outros seres, quem diria então respeitá-los.

Os turistas estremeceram. A euforia inicial de estarem em território de elefantes deu lugar a risadas nervosas e fisionomias tensas. Imagine se o bicho resolvesse atacar de verdade?! Os intrusos suavam frio, exalavam medo, não conseguiam controlar as emoções. Mas haviam pago caro por aquele safari. Tinham direito de estar ali! Não dariam meia volta ou bola para algum animal mais nervoso e apegado ao seu território. Porém os elefantes não podiam deixar o mundo deles ser contaminado por turistas desrespeitosos. Tinham que proteger as fêmeas e os pequeninos. E quando o elefantão voltou a aparecer, estava absolutamente irado e veio acompanhando de seus irmãos! O susto foi tanto que os turistas aterrorizados rapidamente deram marcha a ré com o carro. Mesmo a contragosto, tiveram que abortar o passeio. Não queriam ser pisoteados por elefantes furiosos. Mas a verdade é que não tinham permissão para permanecer em santuário sagrado, não tinham a etiqueta para isso. E, depois que se foram, ainda sobrou no chão bituca de cigarro e papelzinho de bala, que talvez sem perceber, por falta de cuidado, ou displicência mesmo, algum dos visitantes mal-educados havia deixado para trás! Quem tem a devida etiqueta para entrar e sair dos lugares, mantendo-os sempre preservados e limpinhos, sem deixar lixo para trás? Como conviver com seres puros e inocentes, sendo desrespeitoso, inconveniente ou barulhento? É necessário ser chique para visitar elefantes. Nada de pensamentos ego-centrados fedidos, olhares intrometidos ou emoções descontroladas. Elefantes não querem saber de lixo na casa deles!


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José Sepúlveda

Luar de Agosto Luar de agosto, a eterna melopeia De sons e de zumbidos pelo ar, Insetos a voar na noite cheia, Os ralos e os grilos a cantar! Nas noites de verão, depois da ceia, Com tempo soalheiro e ao luar, Em grupo, os amigos lá da aldeia Se juntam pela rua a conversar... Momentos de convívio, tempos ledos, Ali bem perto as nuvens de morcegos Esvoaçando em seu estranho rito... E no calor de noites tão singelas Olhávamos a lua, um céu de estrelas, Gesto de amor do Deus do infinito! José Sepúlveda

Olhar

Memórias

Olhei p’ra ti co’aquele olhar profundo Que só um ser amante sabe ter E vi-me de repente no teu mundo Tão cheio de incertezas, desprazer.

Amor, o dia corre fugazmente, O sol se esconde e, apaixonadamente, Esta ansiedade corre para mim E faz secar as rosas do jardim.

Senti depois o teu pensar fecundo Saído desses lábios de mulher: Peregrinei sozinho, furibundo, Tentando desventrar esse teu ser.

Os cheiros, as fragâncias de mil flores Já não as sinto e as suas lindas cores São pétalas caídas pelo chão, Tal qual a dor de um frágil coração.

E agora, mergulhado no teu peito Tão cheio de carinho, tão perfeito, Procuro enrijecer essa amizade

Escuto passos lentos pela rua, Minha alma permanece agora nua E os passos que se ouvem dessa gente São lentos e me deixam indiferente.

E nesta caminhada vou seguindo Envolto neste sonho, porque é lindo E traz-nos paz, amor, serenidade. José Sepúlveda

Por dentro da janela olho no espaço, As aves a voar sem embaraço, As lindas melodias pelo ar Me levam peregrina a teu olhar. Quando entardece, a nostalgia chega E o meu destino alguma coisa o leva Por sonhos já vividos, mas em vão No circuito triste de paixão. Rosa Maria Santos


DIVULGA ESCRITOR Hoje procurei a minha estrela! Hoje… procurei a minha estrela para que me falasse de ti e refletisse o brilho do teu olhar… mas nada vi neste meu incessante procurar… nem uma única estrela… encontrei sim o negrume da noite e a chuva a cair… mas nada me fez sentir… senti-me despida de todo o sentido da vida… procurei em cada gota de chuva uma história… uma razão… uma vitória… mas não encontrei não… apenas…uma longínqua memória de um outro “eu”. Hoje…até a minha estrela se perdeu… amanhã…quem sabe voltará a brilhar, como o teu olhar no meu… Teresa Costa 2.1.2014

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Cruzando o céu da liberdade Cruzando o céu da liberdade Entre o céu da liberdade Voa um pássaro Trazendo uma mensagem Do teu amor para mim, Entre o céu e o infinito Voa um desejo de te ter De te amar para sempre Meu amor, sem limites Entre o mar e o vento Junta-se toda a saudade Que está em nossos corações Entre a bruma e o sol Corre o calor do nosso amor Entre as flores e as abelhas Encontra-se o mais Doce sabor da alegria Entre as pedras e a água Esconde-se um segredo que leva A felicidade que é o nosso amor (1995) Catarina Dinis Pinto

Partiste Um dia te amei muito, meu amor, Eras a água fresca que caía, Olhei o teu rosto que p’ra mim sorria Com doce olhar, tão cheio de fulgor. Quando chegaste, junto a mim ficaste, Como era bom ouvir o teu falar! Quanta alegria nesse teu olhar Nos dias a que a mim tu te entregaste. E quando me atingiste o coração, Irradiava luz deste meu ser, Desejos de ao amor corresponder Co’a força do meu peito. Que ilusão! Meu mundo desabou. Partiste. E agora, Caí em mim e então triste chorei, A embarcação segura que encontrei Já naufragou, partiste, foste embora! Rosa Maria Santos

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DIVULGA ESCRITOR A vida... No crepitar da lenha consumida pelo fogo como uma angustia que no peito aperta corrói... troca as voltas como num jogo de vida que se perde e cala... deserta. Semblante carregado... mas genuíno aparentando o que é metafisicamente buscando o puro no todo absoluto na essência de si transcendentemente. Não demonstra o que a alma não sente nem finge um sorriso só para agradar porque a razão quer que a cabeça pense na realidade que a Alma quer demonstrar. E o fogo arde, com o ardor que queima no âmago do sentir do que há de provir não querendo ser uma simples teima mesmo que levemos a vida a sorrir.

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" És total distância" Foste o sol na minha Primavera Pássaro alegre na minha janela Foste meu luar cada madrugada Sonho de felicidade na almofada.. Foste chuva fluente no meu olhar Vento tempestuoso no meu mar Por vezes saudade na minha mão Foste um diamante no meu coração !.. Foste o vazio imenso na minha alma Que tentei preencher com tanta calma Foste o cravo sorridente no meu jardim És agora total distância dentro de mim!.. Maria José 17/06/2018

Ilda Ruivo

O AMOR POR ENTRE A NÉVOA DA MANHÃ Fiz da névoa do dia a urgência de desejar o sol.. As nuvens pairam no ar... Nada vem ao meu encontro... O tempo tornou-se pesado... As noites são longas e frias... Se eu morresse esta noite, levaria, como recordação interminável, o teu abraço, o teu beijo e o teu corpo no desejo incontido de te amar... Esta noite seremos a raiz suprema que florescerá num tronco de raízes novas e profundas a germinar o amor por entre a névoa da manhã. MARY HORTA 05-02-2018

CORRER O FADO Vagueiam noite fora, madrugada Sonhos, desencantos, enclausurados Segredos pelas frias sombras do nada… Clareia o sol, vem o dia!... Assustados Fantasmas, sonhos, medos, tudo é nada!... Segredos, desencantos condenados Voam, batem as asas em revoada Procuram refúgio sob os telhados Das solidões nevoentas assombradas. Esperam pelas noites da lua cheia Seres errantes uivando, pelas quebradas Há sortes, há gritos de almas penadas… Pesado é o sono de todos na aldeia E nascem límpidas as alvoradas José Pedro Marques

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Entrevista com a Escritora

Lilian Pedro

Lilian Pedro da Silva Bastos é professora formada em Português/Literatura, viúva, tia de Louíse Pedro Barros e Pedro da Costa Lima. Os seus primeiros poemas foram escritos na adolescência e guardados até bem pouco tempo. Todavia a prática da leitura e do encantamento pela poesia se intensificou durante o curso de licenciatura onde ficava embevecida com os poemas de Fernando Pessoa. Aprovada em concurso público por três vezes. Em 1992 ingressou na rede Estadual de Educação. Pós-graduada em psicopedagogia pode, ainda mais, elaborar projetos que incentivariam o prazer pela leitura.

Boa leitura!

Poetisa Lilian Pedro lança seu primeiro livro de poemas Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Suspiros de Mulher é uma coletânea de poemas escritos em instantes da vida experimentados por mim. Uma voz aprisionada precisando se libertar.”

Escritora Lilian Pedro, é um prazer contarmos com a sua participação na Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia. Conte-nos, o que mais a atrai nos textos poéticos? Lilian Pedro - Nos textos poéticos, sinto-me atraída pelo lirismo. Há, também, o questionamento que fazemos diante de algumas situações que surgem em nossa trajetória, as quais não as entendemos. Sem contar com o jogo de palavras que é muito sedutor.

Em que momento se sentiu preparada para publicar “Suspiros de Mulher”? Lilian Pedro - No momento em que me senti mais plena com a minha essência e com maior disponibilidade de tempo à dedicação da realização de um sonho que se iniciou na adolescência. Apresente-nos a obra Lilian Pedro - Suspiros de Mulher é uma coletânea de poemas escritos


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da Rede Pública, a resposta ao trabalho foi muito gratificante. Acho importante falar e levar este projeto pra todas as escolas. Um resgate de uma criação artística de cada um.

em instantes da vida experimentados por mim. Uma voz aprisionada precisando se libertar. Além de uma minibiografia, agradecimentos e homenagens encontramos 71 poemas com várias abordagens que envolve o ser humano. Apresente-nos um dos textos publicados em “Suspiros de Mulher” Poema - Incapaz Manhã cinzenta, / A chuva cai / E, com ela, / O som de seu bailado. / Olho o horizonte e / Uma claridade / Surge sobre as águas. / Fraca, mas reluzente. / Solitariamente, / Alguns pássaros sobrevoam. / A brisa constante e fria / Chega em minha face e / As ondas esperam. / Azadamente, / Deitam-se sobre a areia. / Ali, simplesmente olho e / Não vejo nada. Apenas estagnada /Contemplo a beleza / Do Universo /Na certeza de que não temos / O controle de nada. Sabemos que cada texto contém um pouco do autor, quer seja de conhecimentos, momento, sentimentos... comente sobre o momento de criação deste texto. Lilian Pedro - Sim, porque falo com o coração e as vezes sentimos diversos tipos de emoção que não sabemos como trabalhar com ela. Os momentos de criação foram vários, por exemplo: dando aula, dirigindo, correndo na orla, ou contemplando a Natureza, senti-la e aprecia-la pra mim uma riqueza incalculável. Tivemos conhecimentos sobre os saraus, o que a motivou a organi-

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Onde podemos comprar o seu livro? Lilian Pedro - O livro digital Suspiros de Mulher encontra-se amazon Kindle (EbooK) ou o leitor pode encomendar a versão física pelo instagram @ suspirosdemulher.livro Quais os seus próximos projetos literários? Lilian Pedro - A produção de outros exemplares, participação de palestras e levar esse projeto as escolas como trabalho voluntário.

zar está dinâmica na escola onde trabalha? Lilian Pedro - Sim, durante uma aula de produção textual (redação), os alunos do nono ano estavam muito dispersos. Esta atitude me incomodava e através da janela avistei o mar e, em um momento de inspiração, os convidei para contemplar aquela beleza infinda e ai começar a colocar no papel o que eles percebiam, sentiam. E tudo começou, o sarau era o ponto culminante do projeto criado por mim. Era algo novo para os alunos e eles se envolviam com esta atividade artística. Já pensou em levar este projeto a outras escolas? Como vem sendo está experiência. Lilian Pedro - Sim, levei pra três escolas em que trabalhei, e apesar da grande dificuldade dos alunos

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Lilian Pedro. Agradecemos sua participação na Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Lilian Pedro - A mensagem que eu deixo é a mesma que sempre disse aos meus diversos alunos e que trago comigo. Viva cada momento, pois é único, acreditando sempre que o Universo conspira a nosso favor, porque, em nosso íntimo, somos Amor. Obrigada pelo carinho e Muito Amor a todos! Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da literatura Quer ser entrevistado? Entre em contato com nosso editorial, apresentaremos proposta. Contato: smccomunicacao@hotmail.com


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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

A ESCRITORA E PALESTRANTE FABIANA BARBOSA

Dicas da Fabiana Barbosa Fabiana Ferreira Barbosa é Escritora, Psicanalista, Parapsicóloga, Analista Junguiana, Psicoterapeuta Holística, Hipnoterapeuta, Master Practitioner em Programação Neurolinguística, Palestrante e Consultora de Treinamentos Empresariais. Nasceu em 20 de outubro de 1968. Filha de Adilson Barbosa dos Santos e Marlene Ferreira Barbosa. Foi batizada na Igreja Divino Pai Eterno em Trindade-GO. Desde criança já mostrava interesse pela escrita, leitura e adorava conversar sobre diversos assuntos, alguns fora de sua compreensão. Sempre foi muito questionadora, observadora, interessada, estudiosa, participativa, dedicada, otimista, sonhadora, interativa e adorava ter amigos. Na infância gostava muito de ler as obras de Monteiro Lobato. Adorava assistir o Sítio do Pica-Pau Amarelo, era o seu programa predileto, procurava não perder nenhum capítulo. Na adolescência se interessou por temas de livros relacionados a mente humana, um dos seus livros favoritos foi O Poder do Subconsciente com Dr. Joseph Murphy, Ph.D. Estudou nas cidades de Morrinhos-GO, Goiânia-GO, Brasília-DF, Rio de Janeiro-RJ e São Paulo-SP.

Trajetória consolidada na área profissional de Recursos Humanos, com experiência no desenvolvimento de atividades na prestação de consultoria em recrutamento, seleção, treinamento e desenvolvimento, projetos, processos, educação corporativa, qualidade de vida, cultura e clima organizacional. É pós graduada em Psicologia Junguiana, formada em nível superior em Gestão de Negócios e Empreendimentos com Ênfase em Gestão de Pessoas. Bacharela em Administração. Formação livre em Psicanálise Clínica e Psicoterapia Holística. Recebeu em 2010, o Título de Acadêmica Benemérita da Academia de Letras de Taguatinga do Distrito Federal. Em 2010 recebeu o Título de Moção de Louvor da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Possui registro de psicanalista e é associada à ANPC – Associação Nacional de Psicanálise Clínica desde 2005/atual. Possui diversos cursos de aprimoramento profissional que merecem destaque, tais como: Parapsicologia (UNB); Estudos da Inteligência Parapsíquica (UNB); Hipnose Condicionativa (INSTITUTO BRASILEIRO DE HIPNOLOGIA); Hipnose Clínica (IMTA

– INTERNATIONAL MIND TRAINING ACADEMY); Master Practitioner em Programação Neolinguística (ACTIUS); Gestão da Inteligência Emocional (UNEB); Departamento Pessoal (APTC); Avaliação de Desempenho: fundamentos e métodos (ASSERT); Formação de Facilitadores para Educação Corporativa - EAD - Ensino à Distância (GEAP); Oratória Emocional & Expressão Verbal (ORATÓRIA EMOCIONAL); Motivação e Liderança (UNIEURO); Sustentabilidade aplicada aos negócios: orientações para o Gestor (FGV). Em 2005, fundou o Instituto Fabiana Barbosa de Desenvolvimento Profissional e Consultoria Ltda. Nome fantasia de Instituto Polimento do Ser. Presta serviços de consultora de treinamentos empresariais. Ministra treinamentos, cursos, palestras, workshops, vivências abertas e in company. Participou de diversos eventos como: feiras de livros, fóruns, congressos, conferências e workshops. Como prestadora de serviços, obteve satisfação de 97% dos clientes, com elaboração de material didático, apostilas, certificados para os cursos, workshops, palestras, vivências e treinamentos empresariais.


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Destacamos ainda a produção e publicação do seu DVD “O Segredo do Sucesso”, volume 01 e 02, expostos em diversos eventos culturais, que merecem destaque: Academia de Letras de Taguatinga do Distrito Federal; Sindicato dos Escritores de Brasília-DF; 1ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura no Distrito Federal em 2012 e 31ª Edição da Feira do Livro de Brasília/2013. É colunista e possui diversos artigos em vários sites de comunicação, empreendedorismo, jornalismo e notícias. Participou de várias entrevistas na televisão, rádios, jornais e revistas desde 2005 até os dias atuais. Atualmente, reside em Brasília, casada e mãe de dois filhos. Obras Publicadas: “O Segredo do Sucesso” – DVD volume 01 (2005) e volume 02 (2012); Artigos: “A importância da Inteligência Emocional; Entenda como funciona o nosso corpo através da linguagem corporal; O Segredo do Sucesso com Recursos da PNL – Programação Neolinguística; Você é tímido ou extrovertido; A Importância da Risoterapia; Você se sente competente? Reprograme sua mente; 5 Passos para a preparação emocional; A vida espiritual no mundo dos conflitos; Como obter o máximo de seu potencial e ser um candidato bem sucedido a uma vaga de emprego”. Site: www.polimentodoser.com.br Instagram: @fabiana.barbosa16 E-mail: polimento.do.ser@gmail.com

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COMO OBTER O MÁXIMO DO SEU POTENCIAL E SER UM CANDIDATO BEM SUCEDIDO A UMA VAGA DE EMPREGO Por Fabiana Barbosa: psicanalista, analista junguiana, parapsicóloga, hipnoterapeuta, psicoterapeuta holística, master practitioner em programação neurolinguística, palestrante, escritora e consultora de treinamentos empresariais. A motivação do indivíduo vai além de ganhar uma ótima remuneração, benefícios e elogios. A motivação ocorre quando é determinado à pessoa a ação que ela deve executar, bem como a recompensa que ela receberá por essa ação. A satisfação e motivação extrapolam os limites do que uma pessoa pode fazer, ter ou simplesmente “SER”. Inicialmente, para você “TER” é necessário entender que precisa “SER” e, então, poderá “FAZER” algo para atingir o seu objetivo. Parece complicado, mas no ambiente de trabalho precisamos ser felizes com o que somos, ou seja, nossas experiências, conhecimentos, autoconhecimento, autoestima, autoconfiança, buscando melhorias contínuas de si próprio, focando sempre nas soluções. Apesar da importância da busca contínua para o aperfeiçoamento com novos recursos, superando as

adversidades, conflitos e problemas de toda ordem, não deve haver uma preocupação exagerada em apenas “TER” diplomas, aparentando o que na verdade não são. É importante qualificar-se e ter experiências, mas sem esquecer-se de que é preciso “SER” responsável, ético, sincero, organizado, criativo, pontual e motivado no local de trabalho. O indivíduo precisa aprender a trilhar o caminho da felicidade pessoal e agregar benefícios diversos passando-os para o ambiente no qual se encontra. Em uma organização, almejamos um bom ambiente de trabalho para que fortaleçamos os relacionamentos sociais, esperando ser valorizados por um trabalho dignificante, onde reconheçam nossos dons, criatividade, habilidades, responsabilidades etc. Claro que tudo isso é válido e muito bom para o nosso trabalho. Porém, devemos nos conscientizar de que como seres humanos precisamos lidar com outras pessoas e nisso reside o segredo do sucesso ou fracasso em qualquer situação. As condições de trabalho geram impactos sobre a produção, influências que podem criar um es-


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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

A ESCRITORA E PALESTRANTE FABIANA BARBOSA

pírito motivacional ou não. Outro fator importante é levar em consideração os conflitos domésticos que este colaborador está inserido, pois podem afetar o seu desempenho e trazer limitações às suas atividades profissionais. Um bom líder é capaz de ouvir e compreender as limitações de cada membro de sua equipe. Sabe que a empatia, flexibilidade, criatividade, resiliência, proatividade e foco andam de mãos dadas. Promove motivação de sua equipe para trabalho com aperfeiçoamento dos serviços prestados em busca de melhoria contínua. Contar com uma equipe qualificada e motivada é um dos grandes desafios que um bom líder irá encontrar e será um diferencial em um mercado cada vez mais competitivo. O aprendizado em equipe está relacionado com satisfação de fatores ligados às condições de trabalho, à política de recursos humanos, à supervisão de um líder, relacionamentos saudáveis com os colegas e o próprio ambiente de trabalho. O resultado será surpreendente quando existir empatia e inteligência emocional impactando positivamente as condições físicas, psicológicas e emocionais destes colaboradores. O objetivo deste artigo é apresentar dicas para você poder participar de um processo seletivo em alguma organização, poder corresponder às expectativas quanto às qualificações, habilidades, experiências, conhecimentos técnicos e assegurar a eficácia da entrevista. A sua participação no processo seletivo, depende do seu entendimento de que a organização busca maneiras de medir o desempenho dos seus candidatos a fim de estabelecer metas e prazos e saber se o indivíduo se saiu bem em determinada atividade particular, como também, saber trabalhar em equipe. É preciso avaliar detalhadamente a aplicação dos critérios que serão adotados para chegar ao objetivo do processo seletivo. O momento do processo seletivo pode dizer muito mais sobre você do que uma folha de papel, dinâmicas criativas e informações. Para não correr o risco de perder a vaga, mesmo tendo as qualificações e um ótimo currículo.

Confira algumas dicas para uma entrevista de sucesso: o Chegue com antecedência ao horário combinado. o Tenha em mente a razão pela qual você quer essa vaga de emprego. o Não deixe o sucesso subir à sua cabeça caso sinta à vontade em compartilhar às suas experiências, vivências pessoais e profissionais. o Cuide da sua aparência, use roupas discretas, limpas, bem passadas e com poucos acessórios. o Cuidado com o excesso de maquiagem, joias, bijuterias, roupas muito curtas ou muito decotadas. Prefira acessórios com cores neutras. Cuide bem dos cabelos, sem exageros no penteado. o Mantenha a calma na hora da entrevista. Demonstre segurança nas respostas. Evite olhar para os lados ou para o relógio, foque o seu olhar nos olhos do entrevistador, pois agindo assim, demonstrará autoconfiança. o Sinceridade e objetividade nas respostas compatíveis com as informações prestadas em seu currículo. o Demonstre um rosto alegre e sereno, pois ele é o seu cartão de visitas. o Fale com clareza, interesse, entusiasmo, mas seja natural. o Cuidado com erros gramaticais, vícios de linguagem e uso de gírias. o Demonstre que está atualizado, bem informado com a solicitação da vaga e cultura or-


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ganizacional. Antes da entrevista pesquise sobre a empresa, missão, visão e valores. Informe-se sobre os assuntos relacionados com o cargo que a empresa oferece. Agindo dessa forma, demonstrará interesse pela vaga, apresentando um diferencial dos demais candidatos. o Jamais fale mal dos antigos empregos, líderes, colegas de trabalho ou qualquer fator negativo das organizações onde prestou serviços. Em muitos momentos o silêncio é um grande amigo. o Responda sua pretensão salarial e limitações de horário, se for questionado. o Torne o diálogo interessante, evitando respostas como “SIM” ou “NÃO”, mas desenvolva de forma criativa e com naturalidade o seu ponto de vista. o Evite assuntos polêmicos como religião, futebol e política partidária. o Se for fumante, evite fumar durante a entrevista. o Não masque chiclete ou balas durante a entrevista. o Desligue o celular ou coloque no modo silencioso. o O nosso corpo fala em silêncio, faça sua comunicação verbal ser condizente com as expressões corporais. o Se tiver poder de barganha, não abuse de sua posição, esteja preparado para responder com confiança, mas sem orgulho e ostentação. Demonstre flexibilidade e humildade. o Seja firme, mostre que está disposto a fazer acordos, inclusive salariais, horários etc. o O olhar forte e firme revelam confiança. o Postura ereta indica motivação. A primeira impressão é a que fica. o Nervosismo não significa insegurança, ao passo que ausência de ansiedade pode revelar excesso de autoconfiança. Procure relaxar e seja natural. o Em resumo, o equilíbrio emocional é o segredo do sucesso de sua entrevista.

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Todos podem causar boa impressão em uma entrevista de emprego, não importa o lado da mesa em que você esteja sentado no ambiente. Quando você se candidata a uma vaga de emprego, você deve ter em mente que precisa ter uma boa apresentação. Lembre-se: você é a marca do seu marketing pessoal, ou seja, o seu cartão de visita. Nunca perca uma oportunidade, mas avalie os riscos antes de fazer as suas escolhas. Boa sorte e acredite que você é um candidato de sucesso, nunca desista de seus objetivos e sonhos. Persista. Sempre avante!

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA Robbins, Stephen P., 1943. Comportamento organizacional. Stephen P. Robbins; tradução técnica Reinaldo Marcondes. 11. Ed. - São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. Se você gostou desta matéria, envie sua mensagem e faça um comentário a respeito. E-mail: polimento.do.ser@gmail. com SITE: www.polimentodoser. com.br INSTAGRAM: @fabiana.barbosa16


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Entrevista com a Escritora

Marisol F.

Sobre a autora: Marisol F. é de Curitiba e estudou Ciências Biológicas na PUC-PR. Começou a carreira artística na Dança e deu início a carreira literária com o lançamento de Ícaro, um suspense psicológico. Também é autora de Dança Comigo? e O Canto do Cisne, obras em que explora o universo da perícia criminal. Em 2020 foi premiada na categoria romance, com o texto Encontro das Águas, pela Secretaria de Cultura do Paraná, e na categoria crônica, pela Fundação Cultural de Curitiba. Em 2022, lançará uma coletânea na Feira Literária Internacional de Paraty, em que é indicada ao prêmio de melhor crônica. Marisol é patrocinada pela Sanepar, a companhia de saneamento do estado do Paraná.

Boa leitura!

Suspense para quem lê, drama para quem vive Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Erro judicial comove leitores da ficção “O canto do Cisne”, romance psicológico ambientado em Curitiba O drama vivido pelas vítimas do sistema judiciário do Brasil virou suspense no romance psicológico da escritora paranaense Marisol F. O Canto do Cisne gira em torno de um mistério dos anos 1990 nunca solucionado: o assassinato da linda, jovem e rica Grace, encontrada morta na casa de praia da família. Passados 27 anos, a história se mistura com as investigações de outro crime brutal. Desta vez, a jovem Thalita Medeiros é asfixiada no Parque Barigui, em Curitiba. Quem investiga a morte da garota para encontrar o verdadeiro assassino é o advogado

Alexandre Lobo Neto, filho de Grace. O objetivo dele é inocentar Hugo, preso injustamente pela morte de Thalita há dois anos. Enquanto se envolve neste caso, a dor por nunca ter descoberto quem matou a própria mãe ressurge no peito do advogado. Decidido a solucionar os dos crimes, ele levará o leitor até as profundezas da mente humana. O título faz referência à lenda do cisne branco, que emite um longo e melancólico suspiro na hora da morte. No enredo, Grace é comparada a animais belíssimos de serem admirados, mas que não devem ser retirados do ambiente natural. Ela foi feita para ser admirada e viver em liberdade, não para viver em cativeiro. Essa foi a primeira impressão que tive sobre ela e por isso achei inadequada a escolha de seu pai. É isso... Sua mãe era um cisne, um lindo cisne, que de uma hora para outra foi aprisionado. E ela sentia falta de seu próprio ambiente, ela sentia falta da água, não conseguia sobreviver em um ambiente que


setembro, na Biblioteca Pública. E outro a nível nacional, na FLIP, em Paraty.

não era o dela. E um dia, isso começou a ficar evidente. (O Canto do Cisne, p. 97) A gélida capital paranaense é o cenário deste suspense. Detalhadas descrições do Parque Barigui, ruas e bairros da cidade contextualizam o leitor na história. Além de O Canto do Cisne, Marisol também é autora de Dança Comigo? e Ícaro, inspirado em uma lenta da mitologia e ambientado na serra gaúcha. FICHA TÉCNICA: Título: O Canto do Cisne Autora: Marisol F. Número de páginas: 139 ISBN: 978-85-473-1784-3 Formato: 15 x 21 cm Preço: R$ 47,00 Link de venda: Amazon

Escritora Marisol F., é um prazer contarmos com a sua participação na Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia. Conte-nos, como se deu o início e desenvolvimento da escrita em sua carreira literária? Marisol F. - O prazer é todo meu. Minha carreira é obra do acaso. Eu tinha uma carreira dança, mas um infortúnio tirou de cena a bailarina, e surgiu a escritora. Eu escrevo ficção e textos técnicos, ligados a ecologia e meio ambiente. O que a inspirou a escrever “O Canto do Cisne”? Marisol F. - O Canto do Cisne é um texto sobre perícia criminal, que fala dos efeitos colaterais de um crime. É a tragédia de pessoas que são acusadas injustamente de um delito. Eu quis contar os bastidores de uma

Onde podemos comprar o seu livro? Marisol F. - Pode ser encontrado na Amazon e em todas as redes livreiras. Também poderá ser adquirido gratuitamente, nos eventos que estarão acontecendo proximamente. Esse é um projeto patrocinado pela SANEPAR, com apoio do Ministério da Cultura e Governo do Paraná. Como é um projeto incentivado, 3 mil exemplares serão distribuídos ao público em geral, sem custo. tragédia, os efeitos que um crime produz nas pessoas que estão ligadas a vítima. Quais temáticas estão sendo abordadas por meio do enredo que compõe a trama? Marisol F. - Perícia Criminal. Qual a mensagem que deseja transmitir por meio da leitura desta obra literária? Marisol F. - Que um crime precisa ser investigado e julgado a partir de provas técnicas, e não de teorias subjetivas. É muito fácil errar, e muito fácil condenar um inocente. O que mais a atrai nos suspenses? Marisol F. - Eu gosto de leituras que me mantém presa até a última página. Tramas que me impedem de largar o livro. Comente sobre o lançamento de “O Canto do Cisne” Marisol F. - Será feito um lançamento em Curitiba, em agosto ou

Quais seus próximos projetos literários? Marisol F. - Estarei participando da FLIP, em novembro, e tenho 4 títulos inéditos a serem lançados. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Marisol F.. Agradecemos sua participação na Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Marisol F. - Leiam muito. Conheçam as novidades do mercado. Tem muita coisa boa e muita gente boa, por aí. E, nunca esqueçam, que o Brasil produziu Machado de Assis.

Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da literatura Quer ser entrevistado? Entre em contato com nosso editorial, apresentaremos proposta. Contato: smccomunicacao@hotmail.com


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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

A ESCRITORA ELIANA MACHADO

Instagram: https://www.instagram.com/ escritoramachado/ Página web: http://www.machadoeliana. com.br Página Facebook: Escritora Eliana Machado E-mail: meugema@hotmail.com Outras informações: https://pt.wikipedia.org/ wiki/Eliana_Machado

Eliana Machado é escritora, poetisa, tradutora, editora, doutora em literaturas, pintora e professora de idiomas em Mônaco. Nasceu no Brasil, morou na Espanha e vive na França desde 1994. Formou-se em Línguas e Literaturas (espanhol, português e russo) na Universidade de São Paulo e doutorou-se em Literatura Espanhola na Universidade Nice Sophia-Antipolis. Passou no concurso público francês e tornou-se professora de espanhol e francês. Leciona espanhol em Mônaco. Possui 8 títulos publicados em 4 idiomas. O primeiro volume de sua saga de ficção científica, Brasil: aventura interior, foi publicado no Brasil; na Espanha pela editora barcelonesa Terra Ignota, em 2021, com o título Los Elegidos, <urlr.me/5JF9n>; e também nos Estados Unidos pela editora Underline Publishing, em maio de 2022, com o título Os Abelhudos: cuidadores do universo, <https://urlz.fr/iRhN>. Este primeiro volume recebeu em 2017 o Prêmio de Melhor Romance - Talentos Helvéticos Brasileiros III (Suíça). Em 2021 publicou o segundo tomo, Alétheia : uma viagem no tempo, <urlr.me/nD4xY>. Recebeu numerosos reconhecimentos literários entre os quais o Prêmio Excelência Literária da União Hispanomundial de Escritores (UHE) e o prêmio de Melhor Autor Estrangeiro da Union Internationale de la Presse Francophone (UPF) de Mônaco. Em 2021, fez sua primera exposição de pinturas durante o “Festival de Outono Artes e Poesia” no Castelo de Solliès-Pont, na França e, em 2022, durante os meses de junho e julho no “Atelier 27”, em Grasse. Participou do projeto ARTSHOUT : Artists for Peace, em maio, expondo na “Galeria do Circolo Italiano San Paolo” e, em julho, na “Espacio Gallery” de Londres.

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OBRAS POESIA:

Blanco en el blanco (Brasil, Scortecci, 2010), Locus brasilis (Peru, Ed. Mesa Redonda, 2012, prólogo de Raúl Zurita, <https://urlz.fr/iRim>), Succès Intimes (França, Les Éditions des Trois Rivages, prólogo de Inès Nagadef, 2014, <https:// urlz.fr/iRiD>), Hommage poétique à César Vallejo/Homenaje poético a César Vallejo (França, Les Éditions des Trois Rivages, 2015, <https:// urlz.fr/iRiH>), À queima-roupa (Brasil, RG Editores, 2016, <https://urlz.fr/iRiJ>), prólogo de Carlos Garrido Chalén.

PROSA:

Contos: Siete cuentos brasileños/Seven Brazilian short tales, em edição bilíngue espanhol-inglês (USA, Ovejita de Papel, prólogo de Juan Navidad, 2015, <https://urlz.fr/iRi6>, e Brasil, Scortecci, 2016); Sete contos brasileiros (Brasil, Scortecci, 2016).

Áudio contos:

Youtube (Escritora Eliana Machado): O Curupira – Rex, o Peixe-Sáurio – Prisma – Nephila Maculata – Sobrosso: <https://www.youtube.com/channel/ UCR888apNg3aSRY_0uBfFt9Q> O Besouro Hércules: <https://www.youtube.com/watch?v=wnh03NGSqPI&t=15s>

Pinturas:

algumas visualizações disponíveis em Instagram ou Facebook

Romance de ficção científica (Saga)

Volume 1: Brasil: aventura interior (Brasil, Scortecci, 2016; Peru, Ed. San Marcos, 2017, <https://urlz.fr/htXW> e edição Kindle 2021: <https://urlz.fr/iRjo>; Os Abelhudos: cuidadores do universo, Estados Unidos, Underline Publishing, maio de 2022, <https://urlz.fr/ iRiP>). Volume 2: Alétheia: uma viagem no tempo (Edição Kindle, Amazon, 2021 e RG Editores, Brasil, maio de 2022, <https://urlz.fr/iRjk >).

Dicionário:

Dictionnaire français-espagnol de l’hôtellerie-restauration, RG Editores, Brasil, 402 pages, 2020 e Les Éditions des Trois Rivages, França, 2020 (<https://urlz.fr/iRj6>).

Tradução:

Em co-tradução com Vitalie Lemerre - Editora Hubert Nyssen Editeur, Actes Sud, Arles, França. Da escritora Patrícia Melo: • 2020 - Gog Magog, 160 p. • 2017 - Feu Follet, 336 p. Do escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza: • 2008 - Une Fenêtre à Copacabana (título original Uma Janela em Copacabana), 287 p. • 2006 - Joyeux Anniversaire, Gabriel (título original Vento Sudoeste), 292 p. • 2005 - Objets Trouvés (título original Achados e Perdidos), 303 p. • 2004 - Le Silence de la pluie (título original O Silêncio da chuva), 290 p.


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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

A ESCRITORA ELIANA MACHADO

DEZ POR CENTO, de Eliana Machado Há uma teoria que circula por certas esferas de pessoas curiosas segundo a qual os seres humanos utilizam somente 10% do seu cérebro. Talvez fôssemos menos estúpidos se usássemos algumas unidades suplementares. Não acredito em casualidades. Veja só. Esta semana estava buscando algo nas estantes virtuais quando me deparei com um livro publicado em 2021. Trata-se de um romance policial de um jornalista e escritor francês. Por que não dizer com todas as letras o seu nome? Pois bem, o autor se chama Nicolas Beuglet e seu livro, Le dernier message. As narrativas policiais não me atraem. Poderia ser porque os 10% do meu cérebro estariam ocupados por relatos fantásticos? Sem embargo, o que me chamou a atenção nesse livro foi que, ao ler a sinopse, percebi que havia um certo teor científico, o que me interessava. Decidi então comprá-lo, em edição de bolso, que é mais barata, e oferecê-lo como presente de casamento ao devorador de livros que tenho em casa. Dessa forma, ele leria o livro e me faria um comentário sobre a parte que me importava. Sem dúvida, alguns leitores estarão ruminando que sou sovina, mas não é verdade. Havíamos pactuado que não trocaríamos presentes este ano. Mas essa informação o leitor não conhecia. Viu como uma frase isolada pode ser interpretada erroneamente? Mas... sigamos com

a nossa história dos humilhantes 10%. Digo humilhantes porque algumas das pessoas que sustentam a utilização dessa porcentagem do cérebro afirmam que há entidades extraterrestres que se servem dos 100% da sua. Mas isso é farinha de outro saco e que vamos deixar para outra ocasião. Você já se perguntou de onde vem essa cifra dos 10%? Pois é, eu ouvi essa história várias vezes e achava que a razão para essa limitada utilização estava em algum bloqueio no nosso DNA. Então, como eu disse, não creio em coincidências, no entanto, ainda esta semana, deparei-me com outro site na internet, essa estante virtual que mencionei antes, e descobri de onde vem essa cifra. Estudos científicos recentes sobre o cérebro demonstraram que somente 10% dele se compõem de neurônios e os 90% restantes da sua massa são compostos de uma matéria de enchimento ou de suporte: as células gliais. Então, de acordo com essa teoria, utilizamos só o que existe no cérebro, os 10% de neurônios, que são na realidade a totalidade do que existe, ou seja, os famosos 100%. Entretanto, uma grande maioria de nós tem um acesso parcial a essa capacidade por simples “deliberação”. O que nos faz desperdiçar as possibilidades de sermos brilhantes? Entre outros fatores, a reprodução de certos esquemas, a repetição de determinadas atividades. Imagine um percurso que você faz regular-

mente. O meu seria do trabalho à casa e da casa ao trabalho. Faz anos que pego sempre a mesma estrada para ir trabalhar e voltar para casa. Às vezes, quando estou dirigindo, tenho a impressão de estar em modo piloto automático porque parece que o carro se desloca sozinho enquanto o meu pensamento vagueia por outras paragens. Isso se chama hábito, rotina. São esquemas repetidos, que não me permitem ativar outros “caminhos cerebrais”, e, agindo assim, estou simplesmente negligenciando várias das funcionalidades da minha massa cinzenta. É uma questão de pura lógica. Se você repete as mesmas ações, não vai precisar de muita capacidade cerebral; com um pouco já é suficiente. Assim sendo, se você quiser utilizar mais, será necessário fabricar novos hábitos para criar novas conexões cerebrais. Mudar de caminho, por exemplo. Isso otimizará e ativará outras zonas do seu cérebro, o que terá um impacto sobre a sua vida cotidiana.


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O ESCRITOR E POETA EDIMILSON EUFRÁSIO

O autor tem 52 anos de idade, natural de Americana/SP. É jornalista, radialista e escritor, membro titular e atual presidente da Academia Jahuense de Letras. Edimilson Eufrásio é autor das obras: Lágrimas de Poeta; Regressando além das Letras; Uma vez Poeta, eternamente Poeta e, o mais recente, Para toda à Vida. Como autor, recebeu Menções Honrosas nos anos de 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006 pelo Clube de Letras de Barra Bonita/SP e ainda, recebeu Menção Honrosa em 2014, pelo IV Prêmio Cultural Ronald Golias de São Carlos/SP. E em 16/11/2017, conquistou o 1º Lugar do VIII Festival Pérolas da Literatura promovido pela Prefeitura do Guarujá/SP. “Trata-se de poesia, amor, cumplicidade, sentimento e busca. O público alvo é todo aquele boêmio, sonhador, fingidor, que sonha, acredita, se ilude, viaja nas emoções e nas sensações do amor que é para toda a vida.”

“SENTIR EMOÇÕES NÃO É PRIVILÉGIO DE NINGUÉM, PORÉM, TRADUZI-LAS COM ENCANTO E BELEZA, É O QUE SE CHAMA ARTE”. Edimilson Eufrásio - “A Essência dos meus escritos, vai ao encontro do meu EU, a minha verdadeira identidade. A busca constante é incessante, o amor que nos envolve é infinitamente essencial para a evolução da alma” Edimilson Eufrásio - Meu objetivo é o de, através das obras, alcançar a grande massa de leitores identificados com a poesia, transmitir a mensagem de forma autêntica e, cada vez mais, conseguir atingir todo mercado interno brasileiro e o dos países de língua portuguesa. Quero ocupar meu espaço nos corações lusófonos. Edimilson Eufrásio - Desejo que a poesia seja uma constante em sua vida e em seu coração. Que você tenha tido o privilégio de amar ou ser amado, ao menos uma vez e possa dizer que valeu a pena não ter desistido do amor. Que a poesia faça magia na sua vida, transformando-a a cada dia. Que essa energia, que vai além da vida, permita sentir esse amor verdadeiro e infinito, que nos faz melhor dia após dia.

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

O ESCRITOR E POETA EDIMILSON EUFRÁSIO

Resumo das obras publicadas pelo autor Lágrimas de Poeta – Essa foi a minha primeira obra, lançada em 2005, destaca a imortalidade do poeta e a essência de sua espiritualidade, o amor em sua plenitude. Regressando além das Letras – Lançada em 2007, preenche poeticamente o sentimento daqueles que buscam respostas à vida após a morte. Regressando significa voltar para – e de – onde saímos e ao além porque acredito na pluralidade de planetas e nos variados graus de evolução. Uma vez Poeta, eternamente Poeta – Lançada em 2011, é reflexão breve do que se passou e a projeção para o futuro. Destaca o brilho da mente do poeta que consegue ver belezas em pequenas coisas e tão simples na arte de Ser. “Não há limite para o amor sentido em sua plenitude e não há medida para o amor prometido há gerações”. Para toda à Vida – Obra lançada em 2018, está cravada em palavras de eternidade, de amizade entre almas, selada pelo amor e não esse raso e carnal, mas o suprassumo do termo no significado maior. O poeta através do fenômeno da bilocação, consegue pôr no papel o seu sentimento real e puro daquele momento mágico.

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Edimilson Eufrásio - Um neorromântico Pós-moderno “EDIMILSON EUFRÁSIO CRIOU UM NOVO ESTILO DE LITERATURA, UMA NOVA ESCOLA: O PÓS-MODERNISMO NEORROMÂNTICO“. (Autor Eduardo Jablonski). •Participou das Antologias e Coletâneas: “Mosaico”, “Retratos de Mãe”, “Olhos d’ Alma”, “Vozes Escritas”, " A Ponte" e Além das Letras, pelo Clube de Letras de Barra Bonita; Poesia Livre 2018 - Concurso Nacional Novos Poetas; Literatura de Outono - Editora Jogo de Palavras; O Silêncio das Palavras - Editora Scortecci; Concurso Nacional Novos Poetas, Prêmio Sarau Brasil 2018 - Editora Vivara; Coletanêa Poem'Art de Lisboa/Portugal em 2019; Antologia Delirios de Verão de Portugal, Singularidade das Palavras lançada pela Editora Scortecci e Poesia sem Rota em 2019; Antologia Longe de Casa Contos e Crônicas de Imigrantes Lusófonos em 2020; Antologia Contos e Poesias Selecionados para o 6º Encontro Internacional Lusófono; Antologia "Poesia na Varanda", lançada em 2020 pela Editora Archangelus; Antologia Versoterapia do Recanto das Letras 2020; Participação da obra "Um amor feito tatuagem" da escritora Alcidéa Miguel; Participação na

Antologia "Verso e Prosa" - Poesia na Escola da Editora Palavra e Arte; Participação da Antologia "Poemas da Cidade" - Esperançar para a vida transformar -lancada em dezembro de 2020, pela Editora Copacesso de Santo André/SP.; Antologia Paixão, da Editora Delicata em 2021 e Participação na Coletânea de Crônicas ALAPG - Pandemia e Resiliência 2021; Participação na Antologia Literária da Academia Bauruense de letras lançada em julho de 2022. • Edimilson Eufrásio - Um neorromântico Pós-Moderno - Edimilson Eufrásio criou um novo estilo de literatura, uma nova escola: o pós-modernismo neorromântico. (autor da obra Eduardo Jablonski). O mestre em Literatura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Eduardo Jablonski lançou a obra “EDIMILSON EUFRÁSIO, UM NEORROMÂNTICO PÓS-MODERNO”, que se trata de uma crítica literária sobre os livros do poeta Edimilson Eufrásio. A obra publicada pela EPA Editora, contém ainda depoimentos de amigos e personalidades do mundo literário e o que chamou atenção, foi a comparação feita pelo autor entre a literatura do poeta Edimilson Eufrásio com a Álvares de Azevedo, poeta paulista do século XIX, definido como um romântico de raiz, que escreveu dentro dos ditames da escola romântica da segunda geração.

Todas as minhas obras têm, praticamente, o mesmos estilo e proposta: Do começo ao fim, a Obra é só poesia. Os textos são narrados com linguagem que permite transcender ao real e ao imaginário. É uma mistura de poesia, poemas, textos poéticos e crônicas. A obra "Para toda à vida", a quarta da carreira do autor, é, antes de mais, uma homenagem à sensibilidade daqueles que gostam da poesia de qualidade. https://www.youtube.com/watch?v=OI1r8ajxXY4 https://www.facebook.com/edimilson.eufrasio/ http://edimilsoneufrasio.com.br/ epaeditora@uol.com.br (14) 3646-3271 e ou (14) 996043131 whatsApp


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Entrevista com a editora da Afeto,

Roberta Pereira

Somos uma empresa especializada em publicações literárias, organização e divulgação de lançamentos, autores e suas obras. Nascida do desejo de entregar ao escritor exatamente aquilo que ele almeja, a Afeto Editora comporta uma rede de apoio para que todos os sonhos literários sejam realizados.

Boa leitura!

Por isso nosso diferencial será o foco na qualidade do atendimento, da impressão e da edição. Teremos também o suporte de imprensa para os autores que quiserem ver a divulgação de suas obras na grande imprensa.”

Afeto Editora – todo o cuidado e carinho que o autor e sua obra merecem! Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Prezado editora Roberta Pereira, é um prazer contarmos com a sua participação nesta seção especial de entrevista, divulgando as Editoras. Conte-nos o que a motivou a trabalhar com edição de livros? Roberta Pereira - Trabalho no mercado editorial desde o início dos anos 2000. Comecei a trabalhar na Editora Muiraquitã, casa editorial mais antiga da cidade de Niterói. Lá, durante

quase 15 anos, aprendi tudo sobre mercado editorial e todo o universo que este trabalho engloba. Além disso, lá nasceu a Roberta escritora, mais precisamente em 2013. Sou imensamente grata a Labouré Lima, editora responsável pela Muiraquitã, boa parte da profissional que sou hoje devo a ela. Em 2015 nasceu a Gaia Comunicação, empresa de Assessoria de Comunicação especializada em cultura. De lá pra cá eu alimentei o desejo de

ter minha própria editora e unir meus conhecimentos nessa área, para entregar o melhor aos meus autores. Em 2022, meu parceiro Nilton Oliveira me apresentou seu projeto “opoetafetado", espaço virtual onde fazedores de cultura e produtores se unem para crescer e produzir juntos. Dentro deste projeto existia a Afeto Editora. Desta forma, fui convidada por ele para fazer parte desse sonho lindo! Não pensei duas vezes e aceitei o desafio! Hoje a Gaia Comunicação é parceira do pro-


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jeto opoetafetado, além disso ela cresceu e se tornou o Grupo Gaia, para comportar o selo da Afeto Editora.

Como você vê o mercado literário Nacional? Roberta Pereira - Saturado, porém sem muita qualidade. O universo digital trouxe muita inovação e muita facilidade, porém toda essa “facilidade” tem um ônus, e normalmente ele chega no livro mal construído, mal escrito, mal editado ou mal impresso. Infelizmente é o que mais vemos hoje em dia. Mas eu acredito que exista uma luz no fim do túnel para aqueles que estejam em busca de qualidade. E a Afeto Editora nasceu exatamente para isso!

Que segmentos literários são editados pela Editora Afeto? Estamos nascendo ainda. Mas nossa ideia é agregar todos os segmentos, não nos prenderemos a um específico. Nosso foco será a qualidade, seja em que categoria o livro se encaixar. Quais os principais objetivos e diferenciais da Afeto? Roberta Pereira - O mercado editorial de hoje é muito dinâmico e de fácil acesso, no entanto, vejo que falta muito cuidado e qualidade, na produção de algumas obras que tenho visto. Por isso nosso diferencial será o foco na qualidade do atendimento, da impressão e da edição. Teremos também o suporte de imprensa para os autores que quiserem ver a divulgação de suas obras na grande imprensa. Além disso, em uma parceria com a UmLivro, nossos autores terão a oportunidade de ter seus livros físicos sendo distribuídos nas maiores marketplaces nacionais. De forma resumida, que cuidados o escritor deve tomar antes de encaminhar um livro para análise do editorial de uma Editora? Roberta Pereira - O principal é registrar sua obra antes de entregá-la para avaliação. Hoje em dia esse processo é completamente virtual e relativamente fácil. Basta entrar no site da Câmara Brasileira do Livro (cbl. org.br), se cadastrar e seguir o passo a passo para registrar sua obra. Você trabalha como assessora de Imprensa. Conte-nos, como a sua experiência com a Imprensa pode e vai ajudá-la nesta nova jornada?

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Roberta Pereira - Ao me formar em jornalismo, em 2010, meu foco sempre foi essa vertente. E, como sempre trabalhei com cultura, foi natural o processo de especialização na área. Desde sempre trabalho com escritores, por ser minha área. A ideia é dar todo o suporte da Gaia Assessoria de Comunicação aos autores que quiserem ter suas obras divulgadas na imprensa. Onde podemos conhecer e comprar os livros editados pela Editora? Roberta Pereira - Estamos construindo nossas redes. Por enquanto temos @afetoeditora no instagram e no facebook. Mas logo, logo o site www.afetoeditora.com.br estará no ar com muitas novidades! O autor que desejar como deve fazer para encaminhar o original de seu livro para análise de publicação. Roberta Pereira - O autor que quiser conhecer nosso modelo de negócios, pode entrar em contato conosco através do e-mail afetoeditora@gmail.com ou através de nossas mídias @afetoeditora

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a Editora Afeto. Agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor. Conte-nos em sua opinião o que o leitor, pode fazer para ajudar a vencermos os desafios encontrados no mercado literário brasileiro? Roberta Pereira - Estudem, pesquisem, pratiquem escrita, sempre! Ser um escritor não é apenas escrever algo, é escrever algo com qualidade ou com o suporte profissional para tal. Se tornar um autor, com sua obra publicada, também segue o mesmo conceito, não aceite nada menos do que o melhor para você e sua obra. Gratidão pelo espaço. É sempre maravilhoso poder partilhar com vocês neste espaço incrível!

Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da literatura Quer ser entrevistado? Entre em contato com nosso editorial, apresentaremos proposta. Contato: smccomunicacao@hotmail.com


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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

A ESCRITORA NEIDE SANTANA

Sobre a Autora: Neide Santana é natural de Maceió-Al. Moradora de Ponta Negra (Máricá) desde 1974, Neide é escreve diversos gêneros literários. Sua obra de estreia no universo literário foi o livro de poemas “Rascunhos de Poesias“, agora a autora se aventura na literatura infantil e lança, em 2022 “Minha Amiga Zunzum”. Além disso ela é membro da Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB), Membro da União Brasileira de Trovadores (UBT), Sócia-fundadora do Instituto Cultural Povo do Livro de Maricá, Membro do Fórum Cultural de Maricá e Conselheira Suplente de Literatura/Biblioteca do Conselho de Políticas Públicas Municipal de Maricá.

Minha Amiga Zumzum Uma abelhinha, muito simpática, que adora conversar, apresenta seu dia a dia, sua família e como vivem as abelhinhas. Esta é a história da Zumzum, seus pais e seus irmãos. Muito esperta, Zumzum convida seus leitores a conhecerem um pouco sobre a natureza, sobre amor, família e amizade, além de instigar o pequeno leitor a trazer ainda mais vida para sua historinha, ao colorir suas ilustrações. A obra, escrita pela autora Neide Santana, é ilustrada por Ricardo Goulart e marca o nascimento oficial da Afeto Editora, selo do grupo Gaia Comunicação. Sobre o Ilustrador Ricardo Goulart de Oliveira, nasceu no ano de 1961 em São Gonçalo / RJ e cresceu em meio a lápis e papéis, sempre curioso sobre a arte do desenho. Desenhista, ilustrador, chargista e caricaturista, já ilustrou diversos livros, H.Qs, jornais e revistas em seus 30 anos de carreira. Ao longo de sua trajetória abraçou a arte da animação. Ministra oficinas de Desenho, H.Q. e Arte Digital para crianças, adolescente e adultos. Apaixonado pela arte do desenho, Goulart como é conhecido, faz da sua vida uma História Ilustrada. http://ricardogoulartdesenhos.blogspot.com/

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM

O ESCRITOR TITO MELLÃO LARAYA

O NÃO SER Será que existe só verdade? Pois até mentindo temos que viver Existem os dilemas da senilidade. O dia a dia nos leva a ter. E ainda queremos apenas ser Quando trabalhamos com as inverdades O dia a dia do viver E os sonhos que temos da realidade O não ser não é a negação do ser Mas a antitese da mediocridade Que nos leva a ilusões do querer ter E sabemos que não são só de inverdades Os sonhos que nos cansamos de ter Mas uma forma de realidade É tão fácil falar essas mediocridades Pois até rimando sei escrever Mas tem o dia a dia da senilidade As ilusões que queremos ter Os sonhos da pouca idade E a vontade que queremos ter De um dia apenas ser Por isso o não ser É um retrato da realidade EXPLICAÇÃO Os meus textos não terão uma sequência lógica no tema, isto porque meu livro se chama: Eu sou assim... Nós somos três coisas: o que verdadeiramente somos, que vamos tentar descobrir, o que os outros acham de mim, e o que eu acho que sou. Vou procurar suprir esta desigualdade com textos diferentes, em sequência lógica, espero que apreciem. Isto é o escrever impressionista, nunca uso o preto nos meus raciocínios da certeza final, mas as cores que levam à sensibilidade e à discussão. Obrigado

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TITO Freud já dizia que o melhor personagem de um escritor é ele mesmo, então em cada livro que escrevo e que escrevi, há um pouco de mim, ou muito conforme a leitura de quem o faz. Esse livro é então um resumo, sem o ser de tudo que fui, sou e do que serei. As dúvidas são para mim, elementos de criação. O meu escrever nasce na dúvida e se desenrola numa incansável busca pela certeza e a verdade. Vou escrevendo, pondo no papel pedaços de mim numa incansável procura pela verdade absoluta, é o que minha alma atormentada por dúvida pede. E vou divagando, pensando, e preencho folhas de ilusão e algumas verdades meramente transitórias. Aí descubro que a única verdade absoluta é a existência de Deus, o resto todo é transitório. Um homem descobriu que da ponta dos seus dedos nascia a vida. Ele pensou muito para descobrir isto, e viu que seu coração nascia nas coisas que criava, sejam elas pinturas, poesia, enfim tudo o que criava, aí descobriu a magia da criação, por a alma em tudo o que se faz. No começo sofreu muito, pois as críticas a sua arte, soavam-lhe como uma crítica a si mesmo. Depois tornou-se feliz, porque podia ser verdadeiramente ele nos momentos de sua vida, e criar uma continuação de si mesmo.

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no dia que vai nascer de novo, e transbordar de alegria. Não penso em chorar, ou qualquer forma destrutiva ao ser, mas em rezar e agradecer a Deus pela minha existência, por mais um dia, enfim pela vida. Tanta gente que sofre sem razão, já fui assim, hoje apenas agradeço e valorizo os dons recebidos. Amém

Ai se eu tivesse um desejo nesta noite de verão, de mulheres, carinho, compreensão ou dinheiro, ai se eu ;vesse um desejo, penso não só em uma, mas todas as coisas do mundo, pois desejo não posso ter, pois não é verão. As noites não são mais mornas, pois não é verão, são frescas como as noites de outono são. Não tenho mais desejos e frustrações pelo não ter, mas calma e tranquilidade, tenho só desejo de escrever, não de frustações mas do escrever por escrever. O meu escrever estava calado há tanto tempo, que agora se desembestou a falar, e a ideia de todo falar da frustração que não existe, mas da minha vontade de me comunicar, flui como um vulcão a soltar fogo, este fogo que me consome algumas vezes, agora me ajuda a criar. Pois me sinto realizado e isto basta, como as noites que não são mornas e mal dormidas, mas frescas e descansadas e do meu ser brota uma alegria enorme, pensando

Hoje me perguntaram sobre o que são minhas novas linhas, ainda não sei, pois apenas escrevo o que meu coração manda. Não tenho intenção de argumentar, nem de provar nada, mas espero que quem leia o que escrevo, veja e sinta que a felicidade é possível, basta querer e basta lutar para isso acontecer. O médico contou-me hoje que tenho muitos anos de vida, muitas páginas para preencher com ideias, muitas horas para me divertir refletindo. Bem vinda a vida, meus pesadelos acabaram-se. Encaro com alegria as folhas em branco na minha frente, é como minha vida se apresenta agora, muitas folhas em branco para viver com palavras minhas. O dia nasce na minha janela, e a vida flui nas minhas veias, a frase “já não quero mais a morte, tenho muito o que viver” ecoa dentro de mim. Quem sabe... o futuro a Deus pertence, mas estamos nós a plantar no presente os alicerces do futuro. Queria contar a alegre notícia a meus pais, mas eles morreram, mas hoje ao caminhar de manhã depois de cumprimentar o dia, o cosmo


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com uma atitude de respeito a todos, fez com que ele brilhasse, minha respiração vai ser inspirar amor e esperança, e deixar a vida fluir no meu corpo. Bom dia O dia morre, hoje é sexta feira, termina uma semana de vitórias pessoais que ninguém vai ver, só eu vou me sentir melhor, e isso para mim basta. Há muitas lutas ingratas que são só para os outros satisfação. Estas páginas são vitórias minhas neste dia de outono, são pedras com as quais vou construindo meu castelo mental, meu livro. Há tantos que lutam para ser ou parecer ser o que não são, e tem satisfação com isso. Eu vou vendo, meditando e escrevendo, do fruto do meu raciocínio algo nascerá, mais um livro, que talvez ninguém leia, mas construí algo, criei um livro e isso me alegra. Alguns lerão, entenderão as palavras e acharão que é fácil fazê-lo, e depois darão desculpas porque não o fazem. Eu, mudo no meu canto, vou preenchendo folhas de papel, que talvez daí nasça outro livro, e isso me satisfaz. Acordo de madrugada, neste outono, com as janelas entreabertas da minha sala, vejo as primeiras luzes do sol virem brincar com o meu escrever. É o dia que nasce para mim e me transborda de alegria. A cidade acorda preguiçosa, aos poucos, e eu, esfuziante de alegria, ponho-me a escrever essas linhas. Quem nunca viu o nascer do dia não sabe da beleza que o mundo guarda para si, e que Deus nos mostra todo dia. Quero cumprimentar a todos, mas dormem, pois meu ser transborda de alegria com a beleza do mundo. Só sei fazer o sinal da cruz, agradecer e escrever. Bom dia a todos.

Há pessoas que não veem beleza no nascer ou pôr do sol, apenas acham graça na cor do dinheiro, não amam a Deus nos seus grandes feitos que é a vida, depois criticam aos outros por ter fé e amor a Deus e à vida. O formalismo da lei esquecendo os ensinamentos de Jesus e utilizando palavras do Mestre para justificar apenas os lucros, são a sua solução de vida. Cada um é cada um, eu sou feliz porque consigo ver a beleza da vida, já os outros se pensam diferente de mim, eu entendo, não existem dois dedos iguais na mesma mão. Eu escrevo, o que eles fazem é problema deles. Comecei a pensar assim quando vi que a morte é certa, como a vida também. Quando morrer terei deixado páginas de palavras que tem vida e não morte. O dia repousa nas palavras que eu escrevo, já é noite. Dormi um pouco e agora escrevo para voltar a descansar. Junto com o dia que repousa, todas as expectativas do dia que se foi repousam juntos, esperando o grande milagre do amanhecer, onde volto a escrever sobre o dia de domingo que acorda, e deixo para trás as frustrações e provocações do sábado que se foi. Boa noite Bom dia, dia, hoje você nasceu mais belo e antes, neste dia de outono. Deus mostra para mim sua face, sempre. Alguns querem ver outros desprezam, eu sou feliz porque vejo

a beleza da vida e posso dizer: Bom dia. Escrever páginas que talvez ninguém leia, mas é aonde sou mais verdadeiro. Como é bom não se importar com os outros algum tempo e expor isso. Nem que sejam palavras escritas. Sou um derrotado, mas não me sinto assim, tenho paz. As dificuldades que vierem vamos enfrentar, nem que seja para perder de novo e o lucro seja apenas palavras escritas. Bom dia: dia. Não sou ninguém, a única certeza comigo é de ser ninguém, e trago comigo todos os sonhos que existem no mundo. Por isso escrevo, porque preencher com uma caneta folhas de papel, não precisa de muito, e posso contar o meu amanhecer, e a tristeza do meu anoitecer, como faço agora, e é destas folhas, lotadas de ideias e de palavras, que pretendo ser alguém. Esta é a razão do meu escrever. Foi no banco da Faculdade de Direito que aprendi a escrever, e, caminhando por seus corredores, que aprendi a pensar da forma que me deu inspiração. O que me deu inspiração, um dia crítica, e hoje me garante o nome de poeta. Devo a minha sensibilidade e as críticas ao meu ser, sempre pensativo, às vezes escrevendo, sorvendo tudo o que há nesta vida, e transmitindo em palavras escritas, todo o meu ser. Bom dia, hoje ao acordar não vi uma luz no céu, só a noite escura da madrugada mostrava-me uma visão do mundo, nenhuma luz, nenhuma esperança, só a madrugada escura adentrava minha sala, fui parabenizado ontem por ser o sucessor da literatura na minha Faculdade, me disseram que eu escrevi


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sobre tudo, hoje escrevo ao nascer e amanhecer do dia. O mistério do dia guarda em si revelações, então vamos a elas durante o dia. Agora descanso mais um pouco, com café da manhã tomado, esperando o correr do dia que apenas me transborde de inspiração. Na fazenda, era nessa hora que se ordenhava as vacas, e eu ia à mangueira com a minha caneca tomar meu leite, esta é a razão pela qual acordo cedo, e me alimento de madrugada, força do hábito. Foi aí que aprendi a ver a beleza do nascer do dia, não é só no parto que a vida nasce, mas todo dia Deus reserva este milagre e espetáculo para nós. Por que escrevo sobre o nascer do dia e ao anoitecer, é como o milagre da vida brota em mim, talvez uma fotografia mostre o que vejo melhor, mas não o que sinto. Confio na minha caneta e no meu escrever para traçar um retrato da minha alma, sou escritor, não fotógrafo. Talvez ao lerem minhas palavras cada uma delas lusco fusco diferente, e distinto do meu. Esta é a magia de minhas palavras, ao descrever a vida, crio uma nova existência para quem me lê. Por isso sou poeta, com os pés no chão e a cabeça cheia de sonhos e recordações. Este sou eu! Onde o torpor e a alegria do amanhecer me acompanham todo o dia, e com a alegria da madrugada vou vivendo o dia. Não uma euforia, mas uma alegria maior, existencial, de caminho percorrido, de dia feito e cheio de esperança para o futuro vindouro. Da janela da minha sala, aonde nasce o dia para mim, ficava imaginando o mundo na rua, como as pessoas se portavam ao nascer e pôr

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do sol, se para elas tinham a mesma importância que tinha para mim, nisso o interfone toca. É o rapaz da portaria me avisando que minhas compras haviam chegado. Desci, só vi as compras e a portaria, o entregador já tinha ido. Meu mundo, como desde o começo da pandemia, se resume aos limites de onde moro, nada mais! A minha caneta e o meu papel é o meu vínculo com o mundo, tanto o exterior como o interior; e destes escritos vou construindo a minha realidade; esta de ideias que estampo no papel e que afugentam a minha solidão. É a tênue linha entre a loucura e o equilíbrio, e é nela que me seguro todos os dias com muita força. Já sei pelos jornais que não sou só, mas em muitos lares, em muitos países vive-se a mesma situação. A minha vida me sorri, espero que a de todos seja igual, guardando suas características. É no outono e inverno que nasce a literatura, por causa do isolamento, e como as estações mudam conforme os países, temos produção sempre. Hoje estamos em um dia quente de outono, guardo comigo a frustação de não ter dado certo, meus sonhos são o contrário disto. Vamos ver se ainda acredito em sonhos. Vamos continuar fazendo o que sei fazer que é escrever. Quem sabe alguém leia minhas palavras um dia. Segundo o diretor da minha Faculdade eu já sou reconhecido, mas faz ressalvas. Ser verdadeiro leva a ressalvas. Vou descansar mais cedo hoje, e amanhã acordarei melhor quem sabe... Ontem sonhei com um dia melhor que viria, mas foi sonho, por hora resta-me lutar para transformá-lo em realidade.

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Hoje acordei com a disposição e vontade de lutar, já é um bom começo, e acreditar em um mundo melhor, isto é fé. Os planos do passado transformar em realidade para o futuro. Não existe solução mágica sem luta, para o que queremos temos que lutar, assim venceremos. Eu hoje fui cumprimentado que eu havia conseguido a imortalidade pelas coisas que eu fiz, que eu escrevi, eu havia conseguido isto. Havia sonhado com isso esta madrugada antes disto acontecer e estar eufórico a escrever estas linhas, para guardar sempre este momento. Ontem me deram tâmaras, vieram sem as sementes, quem me deu achou que estava me dando um presente maior, mas olhei aquelas frutas frustrado, pois o fascínio de procurar um ozinho em cada semente se perdeu. Aprendi desde cedo que na fuga de Jesus para o Egito, junto com Nossa Senhora e São José, encontraram em um oásis uma tamareira carregada, ao que Maria exclama ó, e marcou a partir daquela data todas as sementes de tâmara com um pequeno ó Desde pequeno conheço esta história e desde pouca idade procuro a marca nas sementes, e sempre acho para me fascinar. A alegria da vida está nas pequenas coisas, não no dinheiro, ou isto que pregam ser bom, mas uma recordação infantil traz-nos muitas alegrias. E o sonho de ver um milagre, também! Os milagres da vida estão aí, em qualquer canto basta observar, ter sonhos que irá encontrá-los. Na minha sala sempre tem uma flor, é uma promessa de vida nova que olho todo dia, e a flor marca, como a história que contei me marcou, por isso cultivo a beleza, e a alegria, me faz bem, me tira da matéria, me transporta para o espiritual que também sou eu.


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Escrevo tudo isso depois do almoço, no outono, Mario Vargas Llosa disse que é necessário haver o inverno para ter literatura, e a mim é necessário haver esperança para as palavras brotarem, e os primeiros raios de sol batem em minha mesa, trazendo o sonho de um mundo melhor. Carreguei muito tempo a pecha de louco ser por escrever, prefiro ser e ser feliz a deixar meus filhos, meus livros, que me conduzirão para a eternidade. Freud dizia que o homem tem filhos na procura de ser imortal, eu escrevo, e é assim que sou. Meus pais me fizeram sensível, e não sabiam que era um presente de Deus, e eu agradeço todo dia isto. Sou feliz, não sorridente, mas feliz, e isto é que importa. Me perguntaram se eu estava me sentindo bem, e apenas disse: Voltei a escrever, estou bem. Voltei a escrever, depois de muito tempo parado, estou feliz! Assim como uma criança precisa de nove meses de gestação, meus livros são escritos todos a mão e passam por uma longa gestação, e a alegria que a mãe tem após o parto, sinto a cada página escrita, por isso os tenho como meus e sinto ciúmes deles. É um trabalho artesanal! Tudo o que vale a pena na vida é construído aos poucos, com capricho, com sangue, suor e lágrimas, para valer a pena, como foi a Inglaterra após a guerra. A felicidade também é assim, não a euforia de algum tempo, felicidade é mais profunda, é razão de vida, é argumento final, existencial. Escrevo para ser feliz, vem da alma. Comecei a escrever este livro há cinquenta anos atrás, o escrevi por partes e o reescrevi por inteiro agora, ou, melhor ainda, estou reescrevendo.

1 Meus heróis eram diferentes, como Fernando Pessoa e José Régio, alvo de críticas e até hoje são grandes, assim sou eu, mais um átomo que se animou a ler os dois e resolver a escrever. Tenho livros em várias bibliotecas no mundo, mas sou eu, o Tito, que escreve no Brasil, e está em Portugal e no resto do mundo, posso andar na rua incólume, sou pobre e apenas um escritor, a antítese dos valores de hoje, minha fonte de inspiração, Jesus Cristo. Não ser é a história do anti-herói, não do comum, mas daquele que acreditou em si, a duras penas. 2 Eu nasci para ser o que sou, escritor. Fui fazer a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, porque lá era berço dos escritores, e eu queria ser um. Quando Cervantes escreveu um livro sobre seu anti-herói, Dom Quixote de La Mancha, não esperava as punições e perseguições, mas o livro mais lido no mundo depois da Bíblia é este. A figura do anti-herói perdedor acompanha a imaginação como exemplo de vida, mas todos preferem o outro lado da moeda. Religiões foram criadas, ideologias também, na tentativa de distorcer a sabedoria do ser, e criar uma interpretação mais amena sobre a História, conforme o gosto da época, e de quem criou. Um dia, e já era noite, chegando a casa dos meus pais, onde eu vivia, vejo uma luz no jardim, e uma voz que me chamava pelo nome: TITO. Olhei, eu havia voltado de uma internação por dar uma interpretação diferente do julgamento

de Jesus, e vejo a imagem de Jesus Cristo que brilhava, e me convida a pregar. Eu pensei, não Senhor, não posso pregar, meu sistema nervoso não me ajuda, e já não tenho mais crédito. Então escreva, disse-me Ele, e eu comecei a escrever os meus livros, e divulgá-los pelo mundo, não tinha dinheiro e minhas edições foram pequenas, e as editoras, assim que esgotassem, punham a máquina para rodar e faziam mais livros. Assim me tornei escritor do que escrevo. Sabia desde o começo que não ia ser fácil, e hoje tenho livros no mundo inteiro, que logicamente não me deram dinheiro, mas acho que cumpri a minha missão, mas só resolvi contar a história, neste meu derradeiro livro, que comecei naquela época. Muitos não gostaram e me puniram, mas já estava esperando por isso. Resolvi, então, contar o fato neste livro, entre outras coisas, agora está feito. 3 A humanidade respeita aqueles que lutaram por um ideal, admira as pessoas que foram anti-heróis, pois guardaram em si a beleza de ser homem, de ser o que são. Espero ter honrado a Deus e a mim, ao escrever essas linhas, que foram escritas em um dia. Partilho o meu segredo com todos, sem medo, com um pouco de receio, mas já está feito. A única coisa que não me tiraram foi a arte de escrever, o que agora faço, esperando o pior. A visão me pediu para ser um pregador, eu acho que sou um pregador, pois meus livros estão distribuídos em bibliotecas do mundo inteiro; e as coisas de Deus devem se revestir da gratuidade, assim qualquer um pode ter acesso.


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