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Sumário

Entrevistas

BEATRIZ H. RAMOS AMARAL Entre a tradição literária e a invenção, o florescer da linguagem Pág.12

Colunas Poetas Poveiros – José Sepúlveda....40 Solar de Poetas – José Sepúlveda.....42

Emivaldo Alves................................................................................................34 Gabriel Gouvêa...............................................................................................38 Hercules Honorato.........................................................................................44 Jorge Anderson Silva......................................................................................50 José Ney Lanças...........................................................................................54 Luciane Monteiro...........................................................................................60 Magdaluce do Socorro Ribeiro.....................................................................66 Margarida Maria de Souza..............................................................................70 Nay Lisboa........................................................................................................76 Nel Macena......................................................................................................79 Pedro Veroneze...............................................................................................84 SÉrgio Pohlmann...........................................................................................90

Participação Especial Rosa Marques..............................................................................................33 Fabiane Linhares..........................................................................................37 Rosa Maria Santos......................................................................................48 Lindevânia Martins.....................................................................................52 Rejane Luci....................................................................................................58 Cleusa Margarida........................................................................................59 Vitor Reis de Melo......................................................................................64 Niraildes Ferreira........................................................................................69 Edel Sanches...............................................................................................72 Marília Cairo................................................................................................73 Tito Laraya....................................................................................................78 Cigano Romani............................................................................................81 Jorge Barbosa Filho.....................................................................................82 Christiane Couve de Murville....................................................................87 José Venâncio de Resende...................................................................88


DIVULGA ESCRITOR Shirley M. Cavalcante (SMC)

Editora Coordenadora do projeto Divulga Escritor www.divulgaescritor.com http://www.portalliterario.com/ www.revistaacademicaonline.com

Revista Divulga Escritor Revista Literária da Lusofonia Ano VII Nº 43 Edição abril de 2020 Publicação Bimestral Editora Responsável: Shirley M. Cavalcante DRT: 2664 Imagem capa: Tássio Cruz Diagramação: EstampaPB Para Anunciar smccomunicacao@ hotmail.com 55 – 83 – 9 9121-4094 Para ler edições anteriores acesse www.divulgaescritor.com Os artigos de opinião são de inteira responsabilidade dos colunistas que os assinam, não expressando necessariamente o pensamento da Divulga Escritor. ISSN 2358-0119

Com sucesso, chegamos à 43ª edição, da Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia. Em destaque de capa temos a escritora Beatriz H. Ramos Amaral. Composta por mais de 30 autores contemporâneas, divulgando os seus livros, por meio de entrevistas, textos em prosa e em versos... LITERATURA! Hoje, a revista Divulga Escritor é uma das principais revistas literárias da lusofonia, com conteúdo exclusivamente literário. O editorial se destaca por sua qualidade e profissionalismo. Distribuída gratuitamente para todos que acessam a internet, a revista tem alcançado um público leitor cada vez maior. Consolidada, vamos rumo a edição 44. Juntos, vamos ler e divulgar a revista literária da lusofonia e apoiar nossos escritores contemporâneos. Muito obrigada, equipe Divulga Escritor, e administradores dos grupos: Obrigada, José Sepúlveda, apoio em Portugal. Obrigada, Amy Dine, apoio em Portugal. Obrigada, Helena Santos, apoio em Portugal. Obrigada, José Lopes da Nave, apoio em Portugal. Obrigada, Rosa Maria Santos, apoio em Portugal. Obrigada, Giuliano de Méroe, apoio no Brasil. Obrigada, Ilka Cristina, apoio no Brasil. Obrigada a cada um dos escritores que participam contribuindo com suas maravilhosas trajetórias literárias, apresentadas nas entrevistas. Obrigada, colunistas, que mantêm o projeto vivo! Muito obrigada por estarmos juntos divulgando literatura, e juntos podermos dizer ao mundo: EU SOU ESCRITOR, EU ESTOU AQUI. Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia, uma revista elaborada por escritores, com distribuição gratuita, para leitores de todo o mundo. Boa leitura!


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BEATRIZ H. RAMOS AMARALL

Entre a tradição literária e a invenção, o florescer da linguagem Escritora, poeta, ensaísta e musicista nascida em São Paulo, é Mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), também formada em Direito pela USP e em Música pela FASM. Já publicou 15 livros até o momento – e outros 3 estão a caminho, além de novas edições de alguns já esgotados. Recentemente, publicou seu primeiro livro em Portugal, em editora de Lisboa. O AVESSO DO ARQUIPÉLAGO (2019, poemas, Ed. In-Finita Lisboa) é seu décimo-quinto livro e já foi apresentado pela autora na capital portuguesa na Livraria Barata, na Fundação Casa de Macau, no Salão do Livro de Portugal e no Zénite Bar Galeria, e também no Arquipélago dos Açores, na Ilha Terceira, no Festival Outono Vivo – de literatura e arte. O AVESSO DO ARQUIPÉLAGO em breve será lançado no Brasil. Mas já tem resenhas e ensaios críticos publicados na Revista CALIBAN (Lisboa), no Portal Literário In-Comunidade (Porto), bem como na GERMINA – Revista de Literatura e Arte, no Jornal Literário Linguagem Viva. Beatriz H. R. Amaral já faz palestras em Portugal desde 2011. Já apresentou suas obras na Casa Camilo Castelo Branco, em São Miguel de Seide e também na Casa da Escrita e na

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Galeria Santa Clara, em Coimbra no ano de 2014. Participou no ano passado do Salão do Livro de Lisboa. Beatriz acaba de receber dois prêmios, um na Assembleia Legislativa de São Paulo – o Prêmio Magnífico – Melhores do Ano 2019 – e o outro, no Rio de Janeiro, o Prêmio LITERATURA 2019, concedido a seu livro PEIXE PAPIRO (2018, poemas, Grupo Editorial Scortecci), como o Melhor Livro de Poesia do Ano, no âmbito da lusofonia. O prêmio tem a Curadoria da ZL Books e a sua entrega às várias categorias agraciadas ocorreu na última semana de Janeiro de 2020, em cerimônia no Belmond Copacabana Palace. A vocação literária de Beatriz se manifestou na infância. Alfabetizou-se precocemente sozinha em casa, antes de ir para o colégio e, aos 6 anos de idade, já a caminho do 2º.ano primário, no Colégio Nossa Senhora do Sion, começou a escrever histórias, criar personagens e encenar as peças que escrevia em casa. Aos 12 anos, já fazia poesia e, aos 15, escreveu seu primeiro livro, o romance “Desencontro”, que foi publicado pela Editora do Escritor em 1980, com orelhas do poeta, contista e romancista Luz e Silva.

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Escrito em primeira pessoa e narrando os intensos conflitos psicológicos do protagonista desde a juventude até a maturidade, “Desencontro” agradou colégios de São Paulo, que o adotaram para interpretação e análise literária de alunos adolescentes por vários anos. Em razão disso, a autora foi convidada a fazer várias palestras, debatendo com os jovens estudantes, o conteúdo de sua obra. Seguiram-se muitos outros livros, em gêneros literários diversos: contos, poesia, teoria e crítica literária, ensaio biográfico – sobre a trajetória estética da cantora Cássia Eller (livro em razão do qual Beatriz concedeu entrevistas à Globo News e a jornais impressos de todo o país – e até mesmo um volume jurídico (Beatriz foi Promotora de Justiça e Procuradora de Justiça por mais de três décadas em São Paulo). Entre seus livros, destacam-se “Encadeamentos” (poesia, 1988, Massao Ohno Ed.), “Primeira Lua” (haicais, 1990, escrito em colaboração com Elza A. Ramos Amaral, contendo 17 haicais de cada uma, Massao Ohno Ed.), “Poema sine praevia lege” (1993, poesia, Massao Ohno Editor – finalista do Prêmio JABUTI de Poesia da CBL – Câmara Brasileira do Livro), “Planagem” (poesia reunida, 1998, Massao Ohno Editor), “Cássia Eller – canção na voz do fogo” (ensaio biográfico, 2002, Escrituras Ed., com poema inédito de Arnaldo Antunes na quarta-capa), “Alquimia dos Círculos” (2003, poemas, Escrituras), “Luas de Júpiter” (poemas, 2007, Anome), “Ressonâncias” (CD de poesia, 2010, voz e sitar indiano, Beatriz H. R. Amaral e Alberto Marsicano, com poemas de dois livros de Beatriz e também poemas de Haroldo de Campos), “A Transmutação Metalinguística na Poética de Edgard Braga” (2013, crítica literária, coleção Estudos Literários, volume 43, Ateliê Editorial, com prefácios de Augusto de Campos, Olga de Sá e Maria José Palo), “Os Fios do Anagrama” (contos, 2016, 1ª.edição e 2ª.edição em 14

2018, RG Editores, Prêmio LITERATURA 2017 ZL Books), “ESCRITOS JURÍDICOS E MEMÓRIAS” (pareceres, artigos, teses jurídicas, 2016, RG Editores), PEIXE PAPIRO (poesia, 2018, Grupo Editorial Scortecci, Prêmio LITERATURA 2019 ZL Books), “O AVESSO DO ARQUIPÉLAGO” (poesia, 2019, In-Finita Lisboa). Existem algumas particularidades com relação a cada um desses livros – que merecem um breve registro.

ENCADEAMENTOS, de 1988, é o

terceiro livro da autora e reúne parte de sua poesia produzida entre 1984 e 1988. O título alude – de modo polissêmico – aos encadeamentos de acordes e ao enjabement. Alguns dos micropoemas foram escritos enquanto Beatriz estava em suas aulas de Harmonia, quando cursava a Faculdade de Música. É o primeiro de seus livros publicado pelo prestigiado editor Massao Ohno, que acabou editando quatro de seus livros e se tornando seu amigo. A capa de ENCADEAMENTOS é de autoria da própria Beatriz, que concebeu uma pauta musical com clave de sol e letras de tipos antigos soltas pelo pentagrama. As cores da capa, sobretudo o emprego de vermelho nas letras, foi uma sugestão de Massao Ohno, um verdadeiro artista gráfico, que viria a se transformar num mito – sobre o qual acaba de ser publicado um livro-arte, escrito por José Armando Pereira da Silva, editado pela Ateliê Editorial. O livro ENCADEAMENTOS foi levado casualmente à PUC de São Paulo por uma Mestranda do Curso de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica e acabou se tornando objeto de estudos de vários artigos e se converteu também no objeto da dissertação de mestrado da Dra. Anna Luiza Campanhã de Camargo Arruda Bauer, intitulada “Dos rascunhos à obra editada: um itinerário poético”. www.divulgaescritor.com | abril | 2020

A dissertação foi defendida em 1993, numa época em que a Crítica Genética estava dando seus primeiros passos no Brasil, trazida que foi por Cecília Salles e Phillipe Willemart. Foi uma das primeiras dissertações sobre obra de poeta brasileira na área da Crítica Genética (Crítica em Processo). E vários artigos foram escritos sobre a poesia de Beatriz, sendo publicados em revistas literárias especializadas, entre elas a Revista Manuscrítica.

PRIMEIRA LUA é um volume es-

crito por duas autoras, Beatriz Amaral e Elza Amaral (sua mãe), também escritora. Coincidentemente, cada uma das autoras estavam a escrever muitos haicais naquele período, sem que a outra soubesse. Numa viagem de final de ano, mãe e filha conversaram e contaram sobre sua produção e, repentinamente, surgiu a ideia do projeto. Beatriz foi quem selecionou os haicais: 17 de cada uma. Elza batizou o livro. E o editor, Massao Ohno, feliz com o livro, deu a ele um tratamento estético belíssimo, muito delicado. A capa é uma xilogravura de nome Luar em Kobe , do artista Goyo Hashiguti. Massao Ohno também sugeriu às autoras inserir entre grupos de haicais sumiês de Masao Okinaga. O resultado ficou muito belo e o livro foi resenhado em vários veículos de imprensa, inclusive no Caderno de Sábado do Jornal da Tarde, por Luiz Carlos Lisboa, em revistas de cultura oriental. Além dos lançamentos do livro ocorridos no MIS - Museu da Imagem do Som, em São Paulo, surgiu convite para sessão de autógrafos em Campinas e várias entrevistas ocorreram.

POEMA SINE PRAEVIA LEGE, de 1993, tornou-se finalista

do Prêmio Jabuti de 1994. É o quinto livro da autora e o terceiro editado por Massao Ohno. Sua capa é uma obra da artista plástica Nina Moraes.


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ENCADEAMENTOS, PRIMEIRA LUA e POEMA SINE PRAEVIA LEGE são os três de tamanho diferenciado. São quadrados pequenos, um pouquinho maiores do que o tamanho de um CD, com capas sofisticadas e trazem uma poesia diferenciada, por isso, logo se esgotaram e acabaram ficando com uma aura “cult”. Foram os três selecionados e expostos numa homenagem a Massao Ohno realizada na Biblioteca Mário de Andrade, pertencem ao acervo da Biblioteca e estão com as suas capas reproduzidas abrindo um capítulo muito especial do livro “Massao Ohno, Editor”, de José Armando Pereira. Junto a eles, em página própria, está o livro PLANAGEM, lançado por Beatriz em 1998 e que é um volume de poesia reunida da autora – de 1983 a 1998.

PLANAGEM

reúne os três livros anteriores de poesia e dois conjuntos de inéditos – ECLIPSE e BEQUADROS E MELISMAS – e também reúne vários textos críticos escritos sobre a obra de Beatriz, o que facilita, para o leitor e para o pesquisador, o alcance de sua linguagem, a compreensão de seu trabalho. São textos de Fábio Lucas, Maria Cecília de Salles Freire César, Anna Luiza Campanhã de Camargo Arruda Bauer e Régis Salado, este extraído da Revista GENESIS, de Paris, que abordara os estudos feitos sobre o livro ENCADEAMENTOS, no âmbito dos estudos de Crítica Genética. Outro destaque deve der dado ao livro “ A Transmutação Metalinguística na Poética de Edgard Braga”, livro de Beatriz publicado pela Ateliê Editorial em Abril de 2013 e que é resultado da dissertação de mestrado da autora, defendida em Junho de 2005, no Programa de Estudos Pós-Graduados em Literatura e Crítica Literária na PUC (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Nestes anos que transcorreram a defesa de

tese – muito elogiada na PUC e imediatamente recomendada pela Banca Examinadora para publicação, Beatriz construiu caderno de imagens, com a reprodução colorida de todas as capas de todos os livros publicados por Edgard Braga, bem como alguns de seus poemas visuais. Outra novidade que Beatriz incorporou ao livro foi um anexo com um ensaio do compositor Sílvio Ferraz, que musicou poemas visuais e caligráficos de Edgard Braga - os tatoemas. Este ensaio se faz acompanhar por partituras e relatos de Silvio sobre seu processo criativo com os poemas de Braga. Beatriz considerou importantíssima a produção deste anexo a seu livro.

A TRANSMUTAÇÃO METALINGUÍSTICA DE EDGARD BRAGA tem prefácios

do poeta, tradutor, ensaísta e crítico AUGUSTO DE CAMPOS e também das professoras de literatura e ensaístas Olga de Sá e Maria José Palo. Outras curiosidades a serem lembradas: no primeiro lançamento do livro, na Livraria da Vila da Alameda Lorena, Beatriz teve a alegria de contar com a presença de Augusto de Campos, de Cid Campos, músico, compositor e do músico e escritor Alberto Marsicano que, juntamente com ela, disseram palavras sobre Braga e fizeram a oralização de poemas de Braga. Augusto de Campos e Cid Campos fizeram a oralização de poemas verbais e de poemas visuais e, num deles, LIMITE DO OLHO, atuaram em duo. Algo fascinante. O citarista Alberto Marsicano interpretou ragas indianos acompanhando Beatriz em sua leitura de poemas de Braga. Lançado o livro, a TV Cultura esteve presente no lançamento. O conceituado crítico literário Manuel da Costa Pinto entrevistou Beatriz e também Augusto. E parte da leitura dos poemas foi filmada e exibida no Programa Metrópolis, revista cultural diária da TV Cultura.

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Beatriz deu várias entrevistas a jornais de outros estados e até foi capa de caderno cultural de alguns, como por exemplo, no Gazeta de Alagoas, de Maceió, cidade natal de Edgard Braga. Beatriz também foi responsável pela idealização e coordenação – anos antes, em 1997 – da SEMANA EDGARD BRAGA: CEM ANOS, que celebrou, na Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, precisamente na Biblioteca Mário de Andrade, o centenário de Edgard Braga. Neste evento, Beatriz reuniu Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Arnaldo Antunes, Tadeu Jungle, Walter Silveira, Lenora de Barros e Omar Khouri, em duas noites com medas literárias, performances e oralizações poéticas. Beatriz também convidou João Spinelli, crítico de artes visuais e professor, para ser o curador de uma exposição de poemas de Edgard Braga, que foi realizada no saguão da Biblioteca Mário de Andrade. Jornais de São Paulo e da Região Nordeste, Revista CULT, Revista Triplo V, em Portugal, Revista Archivos Del Sur, na Argentina, Jornal Literário Linguagem Viva, Germina – Revista de Literatura e Arte, Portal Literário Musa Rara foram alguns dos veículos de comunicação que saíram à frente, na cobertura do lançamento deste livro de Beatriz. Embora Beatriz já tivesse começado a escrever resenhas e críticas literárias e prefácios desde 1995, fazendo-o até o momento, pode-se considerar que 2013 foi um ano marcante em sua trajetória literária, pois houve um especial reconhecimento a seu trabalho crítico. Os instrumentos críticos que ela utilizou, o suporte teórico de seus estudos são da teoria literária e da crítica, mas também vieram aos estudos elementos e conceitos extraídos da Crítica Genética, sobretudo na análise dos poemas caligráficos de Edgard Braga e na fixação o gesto criador do poeta.


DIVULGA ESCRITOR Em razão desse êxito, Beatriz recebeu convite da Casa das Rosas para realizar lá uma homenagem a Edgard Braga e autografar seu livro no sábado de um final de semana de aniversário da Casa, em dezembro de 2013. A escritora idealizou o VÍDEO-SARAU BRAGA-LUME, autografou seu livro e reuniu um extraordinário conjunto de poetas e artista interessados na obra de Braga – Arnaldo Antunes, Cid Campos, Tadeu Jungle, Lucio Agra e Omar Khouri. Também coordenou e participou de uma mesa com o poeta português Ernesto de Melo e Castro e Omar Khouri. E apresentou Fábio Vietnica, com Videopoesia com obras de Braga projetadas em “mapping”. Foi uma belíssima noite, com um público muito numeroso e interessado esteticamente no trabalho. Na Casa das Rosas, Beatriz H. Ramos Amaral também coordenou homenagens à escritora e jornalista Elza A. Ramos Amaral e ao jornalista, escritor e tradutor Rodolfo Konder, ambas em 2014. Já havia realizado anteriormente, a convite da Secretaria Municipal da Cultura outros ciclos de literatura e cultura. Em 1994, para marcar os 50 anos da estreia literária de Clarice Lispector (publicação do romance “Perto do Coração Selvagem”), Beatriz idealizou r coordenou a SEMANA CLARICE LISPECTOR, que consistiu em cinco dias de Mesas de Debates Literários, com a participação de especialistas entre os quais Olga de Sá, Nádia Batella Gotlib, Berta Waldman, Micclelle Bourjea, Luiz Antônio Mousinho Magalhães, Roberto Correa dos Santos, Nelly Novaes Coelho, Olga Borelli, Suzana Amaral, José Antônio Garcia, Benjamim Abdalla Jr., João Manuel dos Santos Cunha, entre outros. Além dos debates, Beatriz criou um conceito multimídia para a Semana e providenciou a exibição dos filmes A HORA DA ESTRELA e O CORPO, com debates com seus realizadores, Suzana Amaral e José Antônio Garcia. Também organizou uma exposição, na Biblioteca Mário de Andrade, de fotos de Clarice Lispector, fragmentos literários de várias de suas obras e

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também reproduções fotográficas de todas as telas pintadas por Clarice Lispector. As fotografias são de Tatiana Constant e haviam sido publicadas em jornal, mas eram ainda desconhecidas do público. Beatriz cuidou sozinha de muitos detalhes e o sucesso do evento fez com que a Secretaria lhe enviasse uma calorosa carta de agradecimentos e também a convidasse para novos projetos. Em 1996, Beatriz H. Ramos Amaral coordenou o Projeto POESIA 96, que reuniu, por seis meses, em 3 mesas semanais, poetas e críticos literários de todo o Brasil, entre os quais Décio Pignatari, Alice Ruiz, Moacir Amâncio, Frederico Barbosa, Manoel de Barros, Arnaldo Antunes, Carlos Ávila, Waly Salomão, Antonio Fernando Di Franceschi, Sergio de Castro Pinto, entre outros. Em 1997, Beatriz também criou e coordenou o evento intersemiótico Visualidades, Sonoridades, Movimentos da Poética Contemporânea, em que convidou, para discutir as relações de transdução entre as linguagens Cid Campos, Nina Moraes, Arnaldo Antunes, Joel Pizzini, Cecília Almeida Salles, José Geraldo Couto, Mirian Schnaiderman, Walter Silveira, Alice Ruiz, Péricles Cavalcanti, Alberto Marsicano, Lívio Tragtenberg. Foi um trabalho riquíssimo no plano estético e de pensamento crítico e atraiu uma plateia especial. Nesta mesma época, Beatriz havia sido eleita Secretária-Geral da UBE-SP. O crítico e ensaísta e professor Fábio Lucas era o Presidente da entidade. Por insistência dos presidentes que vieram a seguir , entre eles Claudio Willer, Henrique Alves e Levi Ferrari, Beatriz foi membro da Diretoria da UBE por dez anos – de 1995 a 2004. A escritora, portanto, sempre exerceu um papel muito dinâmico e ativo na literatura e na cultura em São Paulo. Tem feito palestras, conferências, ministrado cursos e escrito muitas resenhas e ensaios críticos, bem como prefácios para livros em poesia e prosa. Já publicou artigos, resenhas, estudos, poemas, contos e ensaios na Folha de São Paulo, Folhinha, Jornal O Escritor, Revista da Academia de

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Letras de São Paulo, Blog do Estadão (Jornal O Estado de São Paulo), GERMINA – Revista de Literatura e Arte, Portal MUSA RARA, Revista Archivos Del Sur (Buenos Aires), Revista da Biblioteca Mário de Andrade, Revista CALIBAN (Lisboa), Revista Mallarmargens, Revista O Escritor (UBE), Revista ÂNGULO, Separatas da UBE, Revista do Clube da Poesia, Revista EUTOMIA (Recife, UFPE), Revista In-Comunidade (Porto), Revista ALMA AZUL – de artes e ideias (Coimbra), Jornal Linguagem Viva, Revista MPD Dialógico, Gazeta da Poesia Inédita (Lisboa), Revista Zunái, Portal CONJUR, Revista da APMP, Revista JUSTITIA, REVISTA DOS TRIBUNAIS, Blocos, Revista Jurídica (RS), Revista Forum de Ciências Criminais (Belo Horizonte), Boletim da ESMP, Jornal Rascunho (Curitiba), Revista Guará (Goiânia), Nanico – revista literária, Mulheres Emergentes, Revista Dimensão. Beatriz já participou de muitas dezenas de coletâneas de poesia e conto no Brasil, na Argentina, em Portugal, na Itália. Tem poemas e contos traduzidos para o francês, espanhol, italiano. E já teve obras resenhadas na Itália, na Alemanha, na Argentina e em Portugal. Recebeu os seguintes Prêmios Literários: PREMIO INTERNATIONALE DI POESIA FRANCESCO DE MICHELLE, em Caserta, Itália, em 2006 PREMIO MULHERES QUE TECEM O MUNDO – 2016 PREMIO DE EXCELÊNCIA EM LITERATURA – 2016 PREMIO DA UNIÃO CULTURAL – 2017 PREMIO E TROFÉU LITERATURA 2017 – contos PREMIO MAGNÍFICO MELHORES DO ANO 2019 PREMIO E TROFÉU LITERATURA – poesia Foi finalista do Prêmio JABUTI de poesia 1994 Foi finalista do Prêmio ANPOLL 2008 (a ANPOLL seleciona as dez melhores teses e dissertações defendidas em todas as universidades brasileiras. ANPOLL - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística)


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LIVROS DE BEATRIZ H. RAMOS AMARAL ENCADEAMENTOS poemas, 1988, Massao Ohno Ed. A capa é um desenho da própria autora, Beatriz H. R. Amaral; Este é o livro que se tornou, anos depois, objeto de estudos da dissertação de mestrado da Dra. Anna Luiza C. Camargo Arruda Bauer

PRIMEIRA LUA haicais, 1990, Massao Ohno Ed., escrito em colaboração com Elza A. Ramos Amaral A capa é uma xilogravura de Goyo Hashiguti intitulada "Luar em Kobe"; “Sei de espaços em branco – átimos entre cores – onde se diz: luz, transluz, vis-a-vis. No pouso do pincel, o silêncio ecoa uma letra, que cintila, púrpura. Flui por entre ilhas e olhos e migra, qual giz. Grafema, brilho sobre o galho desnudo, outra vez hai/kai (sem palavras) – a imagem da pétala na mira da página. A trilha ressurge. Origem. Ciclo. E a pupila (mix), qual rota? Esta única harpa, em que vibram os séculos dos séculos ao sol” www.divulgaescritor.com | abril | 2020

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POEMA SINE PRAEVIA LEGE 1993, poemas, Massao Ohno Editor Apresentação Dra. Maria Cecília de S. Freire César Capa: Arte de Nina Moraes Este livro foi finalista do Prêmio JABUTI, da CBL.

PLANAGEM 1998, poesia reunida, Massao Ohno Editor. A capa é a obra "Composição em Vermelho", do artista plástico Arcangelo Ianelli. Este livro é o primeiro a reunir a poesia de 4 livros anteriores da autora, conjugados a dois conjuntos de inéditos ELIPSE e BEQUADROS & MELISMAS. É um volume de 372 páginas e o primeiro a reunir vários textos críticos sobre a obra poética da autora: textos dos críticos Fábio Lucas, Anna Luiza C. de Camargo Arruda Bauer, Maria Cecília de Salles Freire César e Régis Salado - esta publicada em francês, como no original, pois foi extraída da Revista Genesis n.3, revista francesa.

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CÁSSIA ELLER - CANÇÃO NA VOZ DO FOGO. 2002, ensaio biográfico, Escrituras Editora. A capa é a reprodução de uma imagem de Cássia feita pelo extraordinário fotógrafo carioca Milton Montenegro, que BEATRIZ AMARAL entrevistou no Rio de Janeiro. A escritora BEATRIZ AMARAL é a autora do primeiro livro sobre a trajetória estética da cantora CÁSSIA ELLER. Trata-se de um ensaio biográfico, no qual a escritora contextualiza o percurso artístico da intérprete. Valendo-se de seus conhecimentos literários e musicais, BEATRIZ faz uma análise das letras e também das melodias das canções gravadas por Cássia. O trabalho de pesquisa de BEATRIZ foi intenso, pesquisa fonográfica imensa, arquivos dos principais jornais e também muitas e muitas entrevistas que ela fez com os músicos Arnaldo Antunes, Luiz Brasil, Nando Reis, Péricles Cavalcanti, Tamima Brasil. Em razão desse livro, BEATRIZ concedeu entrevistas aos principais jornais do país, em São Paulo, Rio, Salvador, Vitória, Fortaleza, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, etc

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LUAS DE JÚPITER 2007, poemas, Anome. Poema-prefácio de Alberto Marsicano. Posfácio de Luís Serguilha.

ALQUIMIA DOS CÍRCULOS 2003, poesia, Escrituras Ed. BEATRIZ reúne neste livro poemas escritos entre 1999 e 2003. O livro tem prefácio do escritor e jornalista RODOLFO KONDER. O posfácio é um ensaio literário de DANIELA BRAGA, crítica portuguesa - publicado na revista literária TERCEIRA MARGEM, editada pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em Portugal. A capa do livro é uma aquarela de IVANI RANIERI.

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CD de poemas de BEATRIZ AMARAL Voz: Beatriz Amaral. Sitar indiano: Alberto Marsicano. Gravação, mixagem e masterização: Cid Campos. A capa é da artista plastica Nina Moraes. Os poemas do disco são 26 de Beatriz Amaral e 2 de Haroldo de Campos. O lançamento em 2010 do CD Ressonâncias se deu na Casa das Rosas, na HORA H - evento anual que homenageia Haroldo de Campos.

A TRANSMUTAÇÃO METALINGUÍSTICA NA POÉTICA DE EDGARD BRAGA 2013, crítica literária, Ateliê Editorial. O volume é o n.43 da coleção ESTUDOS LITERÁRIOS da editora. O livro é resultado de pesquisas da vida inteira da escritora - que conviveu por mais de duas décadas com o poeta brasileiro Edgard Braga (1897-1985), bem como é resultado de sua dissertação de Mestrado em Crítica Literária defendida em 2005 na PUC. Há 3 prefácios: de Augusto de Campos, de Olga de Sá e de Maria José Paulo.

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ENTREVISTA

BEATRIZ H. RAMOS AMARAL BEATRIZ H. RAMOS AMARAL, paulistana, é poeta, contista, ensaísta, musicista e crítica literária. Estreou em Literatura aos 19 anos e já publicou 15 livros em gêneros literários diversos - romance, conto, poesia, ensaio, crítica e teoria literária e jurídico. É formada em Direito pela USP Universidade de São Paulo (1983), premiada como melhor aluna do curso na especialização Direito Penal e Criminologia. Formada em Música pela FASM (1985). Mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP (2005). Coordenou projetos literários na Secretaria Municipal de Cultura entre 1994 e 1997, no Centro Cultural São Paulo, na Biblioteca Mário de Andrade e em Casas de Cultura. Também coordenou projetos na Casa das Rosas - Secretaria de Estado da Cultura. Ingressou no Ministério Público do Estado de São Paulo em janeiro de 1986, por concurso de provas e títulos e foi Promotora de Justiça e Procuradora de Justiça por três décadas, de 1986 a 2016. Foi eleita membro do Órgão Especial do Colégio de Procuradores, que é um dos órgãos da Administração Superior do MPSP. Foi Secretária Geral da UBE-SP e diretora da entidade entre 1996 e 2005, nas gestões de Fábio Lucas, Henrique L. Alves, Cláudio Willer e Levi Ferrari. Participou de dezenas de coletâneas poéticas no Brasil e também nos Estados Unidos, na França e em Portugal. Teve livros analisados e resenhados na Itália, na Alemanha, em Portugal, na França e na Argentina. Atualmente é Diretora do Departamento Cultural da APMP, Diretora do MPD, integra a REBRA - Rede de Escritoras Brasileiras. Desde 1995 até o presente momento, tem publicado resenhas, artigos, contos, ensaios em jornais de literatura e em revistas de cultura e arte, entre os quais Revista Ângulo, Suplemento Literário de Minas Gerais, A Cigarra, Nanico, O Escritor, Dimensão, Germina, Eutomia, Mallarmargens, Archivos Del Sur, Folha de São Paulo, Revista da Biblioteca Mário de Andrade, Revista da Academia Paulista de Letras, Revista Caliban (Lisboa), Gazeta da Poesia Inédita (Lisboa), Portal Musa Rara, Revista In-Comunidade (Porto), Jornal Mundo Lusíada, entre outras.. Tem realizados palestras no Brasil e em Portugal desde 2011 sobre sua própria produção literária e a respeito da trajetória do poeta Edgard Braga. Boa Leitura!

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Busca de sentido para a vida é abordado em ‘O Avesso do Arquipélago’ Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Beatriz H. Ramos Amaral, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto pela arte de escrever? Beatriz Amaral - Escrevo desde os 6 anos de idade, praticamente desde que me alfabetizei. Começar a escrever, ainda criança, foi algo muito natural, para mim. Sempre li muito. Ganhava livros, lia e relia, era boa leitora, ficava fascinada com a possibilidade de criar mundos, criar e construir minhas próprias histórias e minhas próprias personagens. E, principalmente, criar enredos. Eu observava uma cena na praia, por exemplo e imaginava uma história a partir dela. Escrevia muitas histórias. A partir dos 12 anos, também passei a escrever poemas, sempre atenta a musicalidade, ao ritmo e a busca da singularidade de minha própria linguagem. Percebemos que escreves diferentes estilos e temáticas. Como foi surgindo esta diversificação na escrita? Beatriz Amaral - Realmente, penso que o estilo seja basicamente o mesmo: busca de concisão da linguagem, musicalidade evidente (melopeia, para utilizar a expressão de Ezra Pound), emprego de metalinguagem, busca existencial, perquirindo o âmago das coisas, resistência contra as superficialidades e frivolidades da vida contemporânea, algumas intervenções na sintaxe convencional, o gosto pelo insólito. O que tem variado são os gêneros literários, pois surgem projetos, nascem projetos que necessitam de realização num ou noutro gênero, na poesia, na narrativa, no ensaio. Então, tenho escrito em vários gêneros, com predominância da poesia.

Quais critérios foram utilizados para seleção dos textos poéticos publicados em “O Avesso do Arquipélago”? Beatriz Amaral - É um livro de salto interior, de busca, de muita interiorização. Os poemas que o compõem foram escritos na mesma época, a partir de um projeto delineado há cerca de um ano. A maior parte dos poemas foi escrita em 2019. E, ao mesmo tempo em que mergulha nos temas do tempo, da noite, da existência, dos começos e dos avessos, o livro procura manter uma linguagem bastante leve, como se fosse chamber music - música de câmara. Um dos primeiros poemas do livro é dedicado ao extraordinário poeta, ensaísta, crítico e mestre português Ernesto de Melo e Castro, que é meu muito querido amigo e que reside em São Paulo.

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Como foi a escolha do título para obra? Beatriz Amaral - Meus títulos nascem espontaneamente durante a construção da obra e com este livro não foi diferente. O título brotou a partir de um dos poemas, que se chama Avesso. Brotou mais ou menos na metade do percurso da escritura. Penso num conjunto de ilhas-poemas a dançar ou a se deslocar numa imensa partitura, vida, universo, da qual se destaca um arquipélago de conexões e fios de existência. Ilhas são estrelas, sílabas, notas musicais. Elementos de construção. Apresente-nos a obra (sinopse) Beatriz Amaral - O AVESSO DO ARQUIPÉLAGO é meu décimo-quinto livro e o primeiro publicado em Portugal. Ele é composto por um conjunto de cinquenta poemas ge-


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ralmente de breve extensão e sua temática principal é a busca de sentido para a vida. Há nele momentos irônicos e outros mais líricos. A linguagem é bastante concisa. É uma edição da In-Finita Lisboa. O prefácio é de Renata Antunes e também há textos críticos de Reynaldo Barreto M. e Castro, David Pereira, Cecília Almeida Salles, Daniela Braga. A capa é de Júlia Mayrinck, criada a partir de um mandala multicolorido construído por mim. No primeiro lançamento em Lisboa, na Livraria Barata / Leya, foram feitas magníficas apresentações do livro pelos premiados e grandes escritores portugueses João Rasteiro e João Morgado. Apresente-nos um dos textos publicados em “O Avesso do Arquipélago” AVESSO No avesso do arquipélago existem mosaicos e ilhas brasões e miniaturas no avesso das fagulhas a lenta história de pérolas entre fugazes semínimas que adentram teus compassos existem frações de lúcido silêncio no avesso da avenida existe outra avenida mais larga e bem mais densa no avesso do que é imenso existe a inexistência Beatriz H. Ramos Amaral Sabemos que cada texto tem um pedacinho da autora. Comente sobre o momento da criação de um dos poemas. Beatriz Amaral - O poema “Circulo de Sol para Massao Ohno” tem uma origem que considero digna de registro. É dedicado ao meu querido editor Massao Ohno, que foi quem mais me editou. Ele publicou qua24

tro livros meus: Encadeamentos, em 1988, Primeira Lua em 1990, Poema sine praevia lege em 1993 (finalista do Prêmio Jabuti) e Planagem em 1998 (um convite dele para o meu primeiro conjunto de poesia reunida e um marco na minha produção. Ele era um grande editor, um artista, um verdadeiro artista gráfico e que se tornou meu amigo querido. Ético, amigo, luz imensa vinda do Oriente que iluminou São Paulo e a poesia brasileira. O poema o celebra. Sabemos que estás realizando um conjunto de eventos em Portugal, para divulgação do livro. Quais os principais eventos que estás a participar? Beatriz Amaral - Na verdade, comecei a fazer palestras aqui em 2011. Estive em 2014 fazendo uma série de palestras em Coimbra e uma delas, em especial, na Casa da Escrita. Estive também realizando palestras ao lado de minha mãe, a poeta brasileira Elza A. Ramos Amaral, num Encontro Internacional de Poetas de Língua Portuguesa coordenado por Luís Serguilha, na Casa de Camilo Castelo Branco, em São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão. Transitei muito pelo Porto, cidade que adoro. A partir de 2018, intensificaram-se as conexões e realizei uma série de palestras jurídicas num Seminário na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, participei de Salões do Livro, participei do I Mulherio das Letras Portugal em março de 2019 do Salão do Livro, em Junho. Experiências muito gratificantes que acabaram culminando com convites para publicar aqui. E meu décimo-quinto livro, “O Avesso do Arquipélago”, é uma bela edição da In-Finita Lisboa. Fui convidada para autografá-lo na tradicional LIVRARIA BARATA no dia 25 e o lançamento foi uma grande alegria, pois fui brindada por textos de apresentação realmente magníficos dos escritores portugueses João Morgado e João Rasteiro. Um presente para a minha poesia. Autograwww.divulgaescritor.com | abril | 2020

fei também no Zénite Bar Galeria, na Fundação Casa de Macau, no Salão do Livro, em Lisboa e no Arquipélago de Açores, pois fui convidada para lançar o livro no Festival OUTONO VIVO, de arte e literatura (o maior da região). Fiz palestra com leituras e fui apresentada pela poeta Carla Félix. Onde podemos comprar o seu livro? Beatriz Amaral - Em Portugal, pode ser comprado na LIVRARIA BARATA ou diretamente com a In-Finita Editora, pelo endereço infinita. lisboa@gmail.com . No Brasil, por enquanto, na Livraria Zaccara, em São Paulo, ou comigo, pelo e-mail beatrizhramaral@uol.com.br Haverá 2a.edição em breve. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Beatriz H. Ramos Amaral. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Beatriz Amaral - A mensagem que deixo é que sejamos todos sempre bons leitores – dos clássicos e dos nossos contemporâneos, valorizemos a literatura. Sem leitores não surgem escritores. E que sejamos sempre íntegros e fiéis a nossos projetos. Coerência, integridade e persistência são boas companheiras do escritor, do inventor, do artista, do criador em geral. Gratíssima pela entrevista e pelo diálogo. LISBOA, ABRIL/2020, BEATRIZ H. RAMOS AMARAL Site Oficial: www.beatrizhramaral. com.br

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DIVULGA ESCRITOR Crítica

A POESIA DE BEATRIZ H. RAMOS AMARAL: REDES E INTERLOCUÇÕES Cecilia Almeida Salles Os amantes da poesia aprendem com o tempo de exposição às imagens poéticas que estas são responsáveis por inesgotáveis associações. Devaneios tão bachalerianos! A construção de tais imagens está no poder de colocar palavras lado a lado sem a possibilidade do leitor prever o que vem a seguir. É o que sentimos, por exemplo, em “a mão extrai fuligem/das sílabas” no poema A lápis de Beatriz Amaral. O que marca a singularidade de cada poeta é a natureza de suas imagens, ou seja, seu campo de exploração. Por outro lado, o que caracteriza o leitor de um poeta é como o lê – o que o atrai. Isto é que me leva à pergunta: qual é a investigação poética de Beatriz que tanto nos atrai em Peixe Papiro? Para mim, é instigante vivenciar suas afirmações como “tudo é espiral neste começo” ou suas indagações como na “hipótese de concha e tempo” ou em seu pedido “que a luz teça a hipótese da silaba”. Hipóteses poéticas que são experimentadas por meio de seu labor com a palavra, em complexas e belas homenagens à língua como “no portal de anáforas um guia de vírgulas enrubesce a língua”. A poesia de Beatriz fala também de interlocuções responsáveis pela extremamente densa trama de sua rede de criação sob a forma de citações como em Latência “na cauda de um /compasso, em seu lance de dados”, além das belas homenagens a Olga Savary, Augusto de Campos e Haroldo de Campos, seus tão respeitados amigos. Ao mesmo tempo, não dá para deixar de acompanhar com atenção o modo como a poeta se relaciona com a natureza. Convivemos com a poesia tirada dos musgos, mares, riachos, lagos e peixes. Na “pera escrita sem moldura como fruta”, vivemos sensações semelhantes à potência da estaticidade das frutas com moldura de Paul Cézanne. Enquanto que no lindo poema sobre a Matéria, Beatriz Amaral vive a incansável busca pela essência, que me fez lembrar a angústia de Alberto Giacometti diante de suas limitações em seu modo de conhecer o mundo: a total impossibilidade de ver algo como se nunca tivesse visto antes. Cabe a você leitor de “Peixe Papiro”, encontrar seu caminho em meio a esses poemas tão intensos e cativantes. Cecilia Almeida Salles Professora Titular da PUC-SP, leciona no Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica e é coordenadora do Centro de Estudos de Crítica Genética, autora de “Redes de Criaçäo”, “Criação em Processo” www.divulgaescritor.com | abril | 2020

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Crítica

FIOS E DESAFIOS DO ANAGRAMA Carlos Ávila “A surpresa das sílabas agudas. O instantâneo dos centavos – o tilintar das moedas na pequena lata de chá. A palavra se despe de sons e desperta. Pleno de silêncio, o verbo mostra a espessura da pausa. O calor da frase é o êxtase de um vulcão. Que expele anagramas em brasas, o tempo todo.” – fragmento de “Clusters”, conto-canto de Beatriz Ramos Amaral no seu criativo “Os fios do anagrama” (SP, RG Editores, 2016), livro que não se acomoda aos padrões mediano-convencionais dos meros “contadores de história”. Beatriz (poeta-ensaísta-musicista) não narra apenas. Seus textos evidenciam preocupação com a linguagem e com a estrutura, ímpeto experimental. Daí, o feliz (e equilibrado) encontro, no seu livro, de conto e canto, como assinalado acima – ou seja, de fabulação e linguagem, numa autora com plena consciência da evolução de formas na prosa (as profundas transformações que este gênero sofreu, a partir do século 20 – remember as obras de Proust, Joyce, Kafka, Borges etc., ou ainda do nosso mais importante ficcionista, Guimarães Rosa, poeta da prosa, em nada a dever aos outros citados aqui, em termos de criatividade). Os textos de Beatriz (talvez a desgastada palavra conto não dê conta de definir sua instigante escritura) “são pulsações rítmico-fônicas, prenhes de efeitos líricos e imagens plásticas” – como observa, certeiramente, Maria Cecília de Salles Freire César (Mestre em Comunicação e Semiótica – PUC-SP e Doutora em Estudos Comparados – USP) no seu prefácio. “Se o poema explora e potencializa o branco no papel, o silêncio e a palavra, a prosa enreda o leitor no dese26

nho labiríntico da frase”, acrescenta Maria Cecília. Chamaram minha atenção, particularmente, “Valladolid” – bela e breve prosa geopoética, na qual se percorrem frases como se percorrem os bairros (Vadillos, Delicias, San Isidro etc.) da cidade espanhola, trazendo à lembrança as Impressiones y paisajes de Lorca; “Os fios do anagrama”, que dá título ao volume, onde personagens de nome anagramático – Laerte e Arlete (“tão gêmeos” quanto os mitológicos Castor e Pólux) – “habitam casas geminadas de um bairro onírico e ruminam problemas psicoemocionais inusitados”; “Pas de deux”, dança do intelecto e da intuição entre as palavras, “fragmentada dança”, espécie de coreo-grafia (se isto é possível); e “Clusters” – acorde verbal-sonoro formado por palavras consecutivas, não narração: “o calor da frase é o êxtase de um vulcão”. Também “Polifonia” – tragicômica “torre de Babel de uma linha cruzada telefônica”, como bem definiu Maria Cecília na sua introdução; “Portal de anáforas”, onde a repetição da mesma palavra ou grupo de palavras no princípio dos parágrafos forma um “idioma das vertigens” que des/ orienta o leitor-navegante; “Tarde em www.divulgaescritor.com | abril | 2020

Algiz”, conto que enreda e surpreende aquele que o lê – vai de uma leitura de runa a uma possível ruína; e “Móbile” – palavras como móbiles (evocação verbal de Calder?) suspensos por fios que se movem com as correntes de ar: “o texto como a porta de uma sala eventual, na concretude habitada pelos signos, vozes, pela visceral emissão das vogais”. Ainda se destacam os contos “Bequadro” – onde há algo de realismo mágico –uma espécie de “acidente” musical-vivencial, no qual se rasgam “páginas em pedaços pequenos de dimensões similares” (bequadradinhos?); “Un ballo in maschera” – narrativa rápida e aflita, apenas alguns fatos antes dos atos da ópera, no corre-corre do dia, onde um guarda-chuva vermelho surge como na famosa gravura de Goeldi, “contrastando com o tom cinzento do dia”; “Filatelia”, título que rima com diplomacia e com a aposentadoria do Dr. Gregório – embaixador que “arruma as gavetas”, apressado, premido pela mulher que o espera para jantar e pela “navalha da memória”; e, finalmente, “Círculos”, quase poema em prosa, borgiano, que perpassa, memorialisticamente, “a transmutação das formas circulares”. Boa surpresa, sem dúvida, no panorama literário.

Carlos Ávila é poeta, crítico, jornalista e ensaísta, autor de "Poesia Pensada", entre outros livros

OS FIOS DO ANAGRAMA, contos, RG Editores, 2ª. Edição, R$35,00 Pedidos: por telefone (011) 32308676, 3106-6275 ou por e-mail: pedidos@rgeditores.com.br ou rgeditores@rgeditores.com.br


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Na linha do tempo com Beatriz H. Ramos Amaral

MASSAO OHNO e BEATRIZ AMARAL no lançamento de PRIMEIRA LUA, no MIS Museu da Imagem e do Som, São Paulo, 28/ Novembro/1990 Foto: Roberto Vilela

BEATRIZ AMARAL recebe o extraordinário AUGUSTO DE CAMPOS e LYGIA DE AZEREDO CAMPOS, no lançamento de seu livro "LUAS DE JÚPITER" , em setembro de 2007, na Livraria Pulsional, SPaulo Foto: Petrônio Cinque

BEATRIZ AMARAL e o PRÊMIO LITERATURA 2017, outorgado a seu livro OS FIOS DO ANAGRAMA como melhor livro de contos do ano pela ZL Books FOTO: Argel do Vale Filho

As duas autoras de PRIMEIRA LUA , BEATRIZ AMARAL e ELZA RAMOS AMARAL, autografando no MIS - Museu da Imagem e do Som, SPaulo Foto: Roberto Vilela

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Em maio de 1981, a primeira entrevista de BEATRIZ AMARAL para a TV Cultura, TV Cultura, sobre seu primeiro livro, o romance "Desencontro". A entrevista é exibida no programa PANORAMA. Beatriz tinha somente 20 anos, na época Foto: INTERFOTO Prod

BEATRIZ AMARAL recebe o cineasta GUILHERME FERREIRA LISBOA NETO no lançamento de seu quinto livro, "POEMA SINE PRAEVIA LEGE", em maio de 1993, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional Avenida Paulista Foto: Roberto Vilela

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BEATRIZ H. R. AMARAL recebe o extraordinário HAROLDO DE CAMPOS no lançamento do quarto livro da autora, "PRIMEIRA LUA". Local: MIS Museu da Imagem e do Som, 1990 Data - novembro de 1990 Foto: Roberto Vilela

BEATRIZ AMARAL recebe o Prof. DALMO DALLARI no lançamento de seu primeiro livro. Maio de 1981 Local: Sesc Carmo Foto: INTERFOTO

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BEATRIZ AMARAL recebe o Prof. JOSÉ AFONSO DA SILVA no lançamento de seu primeiro livro, no Sesc Carmo. Maio, 1981 Foto: INTERFOTO

BEATRIZ AMARAL recebe o cineasta AUGUSTO SEVÁ no lançanento de A TRANSMUTAÇÃO METALINGUÍSTICA NA POÉTICA DE EDGARD BRAGA. Maio, 2013, Livraria da Vila, Alameda Lorena Foto: Petrônio Cinque

BEATRIZ AMARAL autografando seu primeiro livro para ELZA RAMOS AMARAL, sua mãe, em Maio de 1981, no SESC Carmo Foto: INTERFOTO

BEATRIZ H. RAMOS AMARAL lançando seu segundo livro no Sesc Pompeia, em 26.Outubro de 1983. Estava no 5o. ano de Faculdade e tinha 21 anos. Foto: INTERFOTO

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BEATRIZ AMARAL recebe Dr. PLÍNIO ANDRADE JR., no lançamento de "ESCRITOS JURÍDICOS E MEMÓRIAS", em maio de 2019. Sede da APMP Foto: Argel do Valle Filho

BEATRIZ recebe o escritor e jornalista RODOLFO KONDER, no lançamento de LUAS DE JÚPITER. Setembro de 2007, Livraria Pulsional Foto: Petrônio Cinque

BEATRIZ AMARAL recebe a Dra. CECÍLIA ALMEIDA SALLES no lançamento de seu livro PEIXE PAPIRO - este livro foi premiado com o Troféu LITERATURA 2019, que a autora acaba de receber Data da foto: dezembro 2018 Foto: Argel do Valle Filho

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BEATRIZ AMARAL autografa seu novíssimo livro, O AVESSO DO ARQUIPÉLAGO, em Lisboa, na Livraria Barata, para o amigo poeta português JORGE VICENTE. Outubro de 2019. Foto: RUTE NUNES

Beatriz ao lado do extraordinário poeta, crítico e mestre português ERNESTO DE MELO E CASTRO Foto: INTERFOTO

BEATRIZ AMARAL recebendo a premiada escritora portuguesa TEOLINDA GERSÃO no lançamento de O AVESSO DO ARQUIPÉLAGO em Lisboa Foto: Petrônio Cinque

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DIVULGA ESCRITOR DIVULGA ESCRITOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM A ESCRITORA ROSA MARQUES

VESTIDA DE OUTONO

Vestida de Outono, a cidade move-se… Monumental… deslumbrante… Sob os reflexos de ouro, que lhe dão Ainda mais encanto… Um toque de magia. Porém, tudo passa… Tudo modifica a cada instante…

AMAZÓNIA

Uma obscura névoa emerge Além montanhas… Além fronteiras… Além mundo…

Ao fim do dia, a música invade As ruas estreitas e mais antigas da cidade Entoa nas paredes altas dos prédios Entra na alma dos visitantes… Enxames vindos de todas as direcções.

Mensageira de maus presságios Agiganta-se… Mancha de negro o azul do céu Puro e divinal.

Das árvores sublimes… admiráveis Tombam as folhas caprichosas e… Apressadas, rolam pelas ruas da cidade Perdem-se pelas praças e jardins…

Incrédulo, o mundo assiste… Perplexo, chora… lamenta… Ciente, que depois da destruição Daquela que era única… Da distinta e majestosa floresta… No Planeta, nada mais será igual…

PRIMAVERA

É expansão de cores Nos prados, nos jardins Abrindo em mil tons As flores! É rumor de pétalas Pássaros e alegre canto É teu sorriso Afastando meu pranto! É louvor, é oração De toda a Natureza Em êxtase, em exclamação!

Graciosas, dançam nas avenidas Ao sabor da brisa da tarde! (Barcelona, Outubro de 2016) Publicado na antologia, Brisas de Outono, 2019

É ver as varandas A encherem-se de vaidade Os vasos coloridos espalhando Alegria pelas ruas da cidade! É brisa agreste Na tarde que de repente Se fez sombria! É encontro na esplanada Amigo que chega… Trazendo com ele alegria! Publicado na antologia «A Primavera dos Sorrisos», 2017

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ENTREVISTA

ESCRITOR EMIVALDO ALVES Emivaldo Alves é jornalista, fotógrafo, músico e escritor tocantinense radicalizado em Brasília/DF. É autor do livro “Vidas que se encontram”. Trabalhou como Assessor de imprensa na Secretaria de Governo do Distrito Federal e como repórter no Jornal Tribuna Rural. É graduado em comunicação social pelo Centro Universitário Unieuro. Começou a atuação profissional como estagiário na Radiobrás, hoje Empresa Brasil de Comunicação (TV PÚBLICA), onde desempenhou várias funções. Além do livro, Vidas que se Encontram, o autor escreveu mais 22 obras, dentre elas: O Melhor Presente, Dilemas de Uma Paixão, Para Sempre, Atrás da Montanha, Sem Limites para Sonhar, Toda Prova de Amor. Boa Leitura!

O livro trabalha a questão da autoconfiança, determinação, esperança e superação. Por outro lado, a vida só passa a ter sentido quando conseguimos enxergar pequenos sinais, muitas vezes imperceptível o aprendizado necessário, pois, poucos são os que aceitam.”

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Baseado em fatos reais apresentamos ‘Vidas que se encontram’ Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritor Emivaldo Alves, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, em que momento decidiu escrever “Vidas que se encontram”? Emivaldo Alves - Em 2004 um amigo viajou de férias com sua namorada para Tailândia, de acordo com seus relatos foi uma experiência desafiadora para ambos. Quando ele contou os relatos dramáticos em que vivera eu pensei: Essa história é fascinante. Então decidi escrever o livro, baseado nessa história, o que não foi uma tarefa fácil, foram horas de conversa e anotações em minha velha agenda. Tive que jogar toda emoção na dramaticidade na história, e nesse caso o autor acaba sofrendo junto com o personagem, foi uma experiência rica para mim. Quais os principais personagens da trama? Emivaldo Alves - Na primeira parte vamos encontrar Tyller Fergison, Harry Carlt, Nikky e Amy. Na Segunda, além do Tylller e Harry temos Kim e Rebecca. Quais os principais desafios em escrever um livro com enredo, baseado em fatos reais? Emivaldo Alves - São os mais diversos que o leitor possa imaginar, primeiramente porque você não é a testemunha ocular, isso impossibilita de usar recursos visuais e outros necessários, e depois porque precisa dar autenticidade a história que é trazer o mais próximo do real. Por vezes é necessário ter que usar a criatividade para dar sustentabilidade à trama. O que mais o encanta em “Vidas que se encontram”? Emivaldo Alves - É a maneira como os

acontecimentos vão se desenrolando, o próprio personagem jamais pensaria que as coisas fossem acontecer daquela maneira. Tyller Fergison estava indo com seu amigo gozar suas merecidas

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como de fato tinha planejado, e por outro lado fazia planos para toda uma vida, mas o inesperado bate à sua porta e o que era para ser lazer e descanso transforma-se em pesadelo.


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Apresente-nos o cenário geográfico em que se desenvolve a trama. Emivaldo Alves - Tudo começa em Milsbroung na Inglaterra, terra natal de Tyller, nosso personagem principal, depois Tailândia onde de fato desenrola toda trama e por fim, termina com o final feliz de nosso personagem em Denver, EUA. Qual a mensagem que deseja transmitir ao leitor por meio da leitura do livro? Emivaldo Alves - O livro traz uma mensagem inspiradora, já que na maioria das vezes, não conseguimos entender o sentido da vida e o que ela quer nos dizer ou mostrar. Geralmente temos mais perguntas do que respostas. O livro trabalha a questão da autoconfiança, determinação, esperança e superação. Por outro lado, a vida só passa a ter sentido quando conseguimos enxergar pequenos sinais, muitas vezes imperceptível o aprendizado necessário, pois, poucos são os que aceitam. Apresente-nos a obra (sinopse) Emivaldo Alves - Vidas que se Encontram é o livro com o qual o leitor facilmente se envolve, porque traz um relato linear dos acontecimentos, bem como algumas reflexões as quais não compreendemos e, para as quais, muitas vezes, não encontramos respostas. É possível que alguns se identifiquem com a história, no entanto, para outros não passa de meros acontecimentos do acaso. O livro retrata esse dilema de forma bem clara quando, Tyller Fergison, se encontra envolvido nesse universo, mesmo sem saber que viveria um grande drama em sua vida. Para algumas perguntas nunca encontraremos respos-

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tas, mesmo que tentemos entender. Em “Vidas que se Encontram”, Tyller teve que usar de muito esforço, criatividade e limitações para superar todos os desafios que surgiram ao longo daquelas férias. Longe de casa e tendo que enfrentar as mais diversas privações, precisou lutar para sobreviver, além de ter de administrar o aspecto psicológico para manter o equilíbrio e finalmente conseguir sair daquela situação trágica. Na medida em que os dias se passavam, as dificuldades aumentavam e as chances de sobrevivência eram remotas. E para completar, uma garota cruza o seu caminho para levá-lo de volta ao aconchego de sua família. E assim, surge uma nova perspectiva de vida para Tyller, que traz na alma mais que as marcas do sofrimento, como resultado de uma experiência vivenciada de forma inexplicável. Então, sua vida passa a ganhar outro sentido aos seus olhos e ele começa a vislumbrar, em pequenos detalhes, às vezes, imperceptíveis, todo aprendizado que aquela experiência dramática lhe oportunizou, abrindo-lhe portas para um futuro promissor. Descreva o livro em duas palavras Emivaldo Alves - Vidas Que Se Encontram é um livro que nos traz uma reflexão muito interessante sobre o verdadeiro sentido da vida e se há motivos para certas coisas acontecerem ou se tudo não passa de obras do acaso. Por outro lado, é um livro inspirador, porque fala da superação vivida pelo personagem diante das adversidades encontradas ao longo se sua experiência vivida ali no lugar, e por fim, traz um pouco de drama, suspense, sucesso, realização e aventura. É um livro indicado para todas as idades. Vidas

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Que Se Encontram está disponível para venda no site da Amazon e pode ser baixado em sua versão digital clicando: https://www.amazon.com.br/ VIDAS-QUE-SE-ENCONTRAM-Edi%C3%A7%C3%A3o-ebook/dp/ B07WPG3TTJ Quais os seus principais objetivos como escritor? Emivaldo Alves - Participar dos eventos literários no Brasil e conseguir uma editora que possa lançar o livro no mercado internacional, além é claro, da possibilidade que a obras venha tornar-se roteiro de filme. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Emivaldo Alves. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Emivaldo Alves - Que ao ler o livro você seja impactado (a) e que ele possa lhe trazer experiências incríveis em sua vida e ao mesmo tempo possa lhe transmitir sabedoria e autoconfiança em sua jornada. Aos leitores os meus sinceros agradecimentos, pois, são vocês que fazem parte desse universo literário. Acompanhe o autor pelas redes sociais: Facebook: @emivaldoalvesescritor - Instagram: @emivaldoescritor - Twitter: @emivaldo_alves Email: emivaldoalmeida@gmail.com

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Fabiane Linhares, poetisa brasileira , nascida em 8 de Junho de 1982.Possuidora de um caráter literário permeado das redes metafísicas, com o eu exposto da face e as letras que dizem a tudo que levanta . A escritora dita no dizer, o encanto que renasce a palavra, força e coragem ao que resgata, e um intenso sentir ao leve flutuar de uma saudade , em suas poesia as palavras riscam a continuidade.

ALVA FLOR

DESCORTINO

Rogo entre o escurecido Fundo da vida que esconde, A flor alva contorcida, Que abriu-se a instância Vivida. Peço ao divino, Que o contraste Não afaste mudo, Para o não nascer, Para enfim morrer E novamente abrir Os olhos no céu do claro Abrigo de tudo que se também será. O nascimento da beleza, flor Da certeza, nos dias A clareza dos triunfos Das manhãs, enfeites do Tempo de toda Abertura, que surgiu Da valsa dançada De toda esperança, Invasão da abastança Com início sem fim De uma vida.

Descortino o oculto, Que aberto ao teu corpo Restringe a liberdade Na verdade que não mente, No grito da paz que enfrenta. Abro o espaço na prece De uma voz sincera. Alguma escuridão não Impera, há uma Força Entre os dedos que tocam Meu íntimo. No recôndito, o silêncio Não continua, é Descoberto... O equilíbrio no ponto Da aceitação de um tempo Da revelação. No mundo, pisamos No evento da vida, no Paradeiro do amor, Que enche-se e esvazia-se Em contrastes nos minutos. Desce o Céu em tempo de hora, Muda o pensar e o agir Explode a forma muda... És fala na ação. Rege-se o texto Num corpo que move-se, Toca no efeito além de si... A realidade pisa em outro caminho.

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ENTREVISTA

ESCRITOR GABRIEL GOUVÊA Carioca de 30 anos formado em Relações Internacionais pela UFRJ, que sempre teve a leitura como um de seus hobbies favoritos, em especial os livros de fantasia e aventura. Gabriel descobriu que escrever também era uma paixão e, por isso, agora se dedica em suas próprias obras. Boa Leitura!

O Brasil é um país onde a leitura é pouco valorizada e difundida, então sempre que puder dar uma força para alguém que está começando a ler o faça. Indique livros, comente, divulgue e nunca desmotive alguém só por não estar lendo clássicos. As pessoas têm de começar por algum lugar.”

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O que era para ser uma história de terror se tornou em fantasia e aventura Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritor Gabriel Gouvêa, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. O que mais o atrai nos livros de fantasia e aventura? Gabriel Gouvêa - Acho que é a ideia de poder visitar outros mundos e possibilidades diferentes do cotidiano. Quando você se identifica com a história é sempre uma coisa muito especial. Por exemplo, quando comecei a ler Harry Potter tinha mais ou menos a mesma idade do protagonista, então você se envolve e fica se perguntando se a sua carta para Hogwarts vai chegar também.

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Como surgiu inspiração para “A Guardiã – A Caverna de Cristal”? Gabriel Gouvêa - Não foi uma inspiração ou algo que apareceu no nada, eu comecei a escrever e a história foi aparecendo aos poucos. Na verdade, eu não faço nem ideia de quantas vezes mudei a história. Desde cortes de capítulos até mudanças de personagens. Mas no início tinha planejado escrever uma história de terror. Apresente-nos a obra Gabriel Gouvêa - Aos 14 anos, Ishtar teve sua vida - e toda a sua noção de realidade – com-


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pletamente modificadas. Já não bastassem os acontecimentos estranhos em sua vida desde o seu último aniversário, um inesperado ataque de um monstro levou-a ao convite que mudaria a sua vida: tornar-se estudante no Colégio dos Guardiões, onde poderia desenvolver poderes incríveis que nem ela mesma sabia possuir. Vivendo agora em uma cidade estranha, onde acaba conhecendo seres de dimensões paralelas, ela terá de aprender a lidar com seus poderes e essa nova realidade, contando com a ajuda dos amigos que fará nessa jornada de aprendizado. O que mais chamou a sua atenção enquanto escrevia o enredo que compõe a trama? Gabriel Gouvêa - Eu li em algum lugar uma vez que um escritor nasce sempre que um leitor não encontra uma história que gostaria de ler. No caso eu me diverti muito escrevendo e depois relendo o que havia feito. Mas acho que posso destacar a possibilidade de escrever sobre várias culturas e espécies diferentes se encontrando. Qual o cenário, espaço geográfico escolhido para compor o enredo? Gabriel Gouvêa - Seria o mundo atual, porém a maior parte da história se passa em uma dimensão paralela a nossa. Quais os principais objetivos a serem alcançados por meio da leitura de “A Guardiã – A Caverna de Cristal” Gabriel Gouvêa - Acho que seria o lidar com o diferente e aceitar essas diferenças e aprender a lidar com os seus medos. Descreva o livro em duas palavras Gabriel Gouvêa - Aventura entre Culturas. Onde podemos comprar o livro? Gabriel Gouvêa - O ebook pode ser comprado na Amazon: https://amzn. to/2V51VI0 - O livro físico no site da editora: https://www.edfross.com/product-page/a-guardia-caverna-de-cristal

Comente sobre os seus principais projetos literários. Gabriel Gouvêa - No momento estou escrevendo a continuação do primeiro livro. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Gabriel Gouvêa. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Gabriel Gouvêa - O Brasil é um país onde a leitura é pouco valorizada e difun-

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dida, então sempre que puder dar uma força para alguém que está começando a ler o faça. Indique livros, comente, divulgue e nunca desmotive alguém só por não estar lendo clássicos. As pessoas têm de começar por algum lugar.

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José Sepúlveda

BOM DIA POESIA MÃE Mãe.. Já escreveram um bilião de vezes sobre ti Mesmo assim nunca seriam suficientes para mim Deixaste- me, não querias eu sei, e nunca te esqueci Não há nem nunca haverá ninguém tão doce assim.. Mãe.. Sinto o teu perfume de rosas na minha almofada Vejo-te nos meus sonhos, quando eu era uma menina Abraço-te então bem apertadinha a mim, fico calada És mãe o maior amor do meu mundo, mulher divina.. Não é porque hoje se celebra o teu dia que eu te amo Porque existes no meu coração e alma todo o tempo Hoje mãe, é só um dia que acontece uma vez no ano Mãe celebra-se, ama-se, e venera-se a todo o momento.. Maria José

Poesia é como o vento Nasce das folhas caídas Arrastadas pelo tempo Tem a força da tempestade Que se forma num momento. Poesia é pensada pelos poetas Que vivem em sofrimento Entregam a alma ao pensamento Às nuvens, à chuva ao Sol À natureza, a uma simples flor. Poesia é réstia do amor perdido Da tristeza, do vazio, da dor Do tormento no coração De uma grande desilusão! Poesia é um desabafo da mente É um pensar semi inconsciente São palavras atiradas ao vento Às vezes vazias, cheias de lamento. É um acordar com lágrimas na almofada Pela solidão da noite mal dormida É encontrar-se perdida! Maria José

SONATA AO LUAR Na pauta melodiosa do meu coração eu compus a mais bela canção uma sonata de amor ao luar com os acordes da alma vibrar ao sabor do vento ousei dançar.

Numa balada do amor sem medida me deliciei ao luar enternecida todo o meu corpo então estremeceu e ao fascínio da musica se rendeu. a cada forte batida do coração crescia o calor da minha emoção.

Meus dedos pelas teclas deslizaram As cordas da alma se incendiaram. Em labaredas poéticas me extasiei Com som dos acordes me emocionei No silêncio da noite me envolvi e num lençol de poesia adormeci Aurora Maria Martins

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DIVULGA ESCRITOR MELODIA POÉTICA DA VIDA

TAROUCA

Canto à alegria, que me delicia. Canto à magia que me fantasia. Canto à energia que me contagia. E, nesta euforia eu faço poesia.

No matutino alvor da madrugada, Respiro a brisa fresca da manhã Procuro ao longe a lua iluminada E todo esse conforto que nos dá.

Canto à amizade que me delicia. Canto ao amor que me acaricia. Canto à harmonia que se anuncia. E, nesta cantoria eu faço poesia.

Perscruto o extenso manto luxuriante Do Vale do Varosa que, feliz, Nos conta aquela história, esfuziante, Do seu dileto herói, Egas Moniz.

Canto ao sol que me dá energia Canto à lua que a terra alumia Canto ao vento que me arrepia E, com esta energia, faço poesia

Sinto o murmúrio desse rio infindo Que desce da colina. Como é lindo Ouvir cantar o melro, a cotovia.

Canto ao mar que meu olhar aprecia Canto às nuvens com toda a simpatia. Canto à bela natureza que me delicia E, com muita alegria eu faço poesia Canto à paz que a terra beneficia canto à liberdade que não asfixia Canto à nossa enfraquecida democracia mesmo assim, continuo a fazer poesia Aurora Maria Martins

POETA Ei-lo sentado. O seu olhar profundo Percorre todo o espaço ao seu redor; E vai à descoberta do seu mundo, Aonde abunda inspiração e cor. O génio se faz Arte. Num momento, A pena se desdobra, se recria! Mergulha na raiz do pensamento E o verbo se transforma em poesia. O seu poema cresce! Verso a verso, Refina-se do modo mais diverso, Até que atinge a sua perfeição.

Tarouca, nos teus braços me deleito, Deixa que sinta dentro do meu peito O gozo dessa paz, dessa harmonia! José Sepúlveda

UM MAR DE FLORES São rosas senhor, são rosas, Que se encontram no jardim, Fragrâncias harmoniosas, Malmequeres e jasmim. Quantas rosas encarnadas Dadas com amor, paixão, Tão belas e perfumadas, Enlevo do coração. Rosas com tons de alegria, Pétalas aveludadas Que, quer de noite ou de dia, São por todos almejadas. Os caminhos têm espinhos Como estas rosas em flor Mas envoltas em carinhos, Nos caminhos do amor.

E o poeta chora! Num instante, Sentado na poltrona, triunfante, Mergulha no silêncio, em oração.

Rosas de rara beleza Que a natureza nos deu E com sua singeleza Se fazem altar do céu.

José Sepúlveda

Rosa Maria Santos

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O MEU ÚLTIMO SONHO Gotículas de orvalho p’la manhã Flutuam no jardim da minha mente, São versos com o gosto de hortelã Que fazem minha alma transparente. Na madrugada, o sol se abriu agora, São raios envolventes de poesia Que surgem ao romper da bela aurora E enchem o meu peito de energia. Qual verso soletrado com fulgor, Rejubilando em plena liberdade, Essência perfumada, rosa em flor, Vagueando pelas ruas da cidade. Existe em cada sonho uma esperança, Caminho que nos leva à eternidade, Momento de alegria, de bonança, Um hino de louvor, felicidade. Rosa Maria Santos

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José Sepúlveda

ALÉM, O INFINITO

MULHER

Se fores junto ao mar, tenta abraçá-lo Com todo o teu carinho e a sorrir Pega um dedal e tenta esvaziá-lo E vê que nunca o hás de conseguir!

Andava pelas ruas da amargura, Correndo, percorrendo cada estrada E vagueava só p’la noite escura Em busca da ternura que faltava.

Sentado ali na praia, vai seguindo As ondas nessa eterna melopeia, E tenta no areal imenso, infindo, Contar-lhe grão a grão os grãos de areia...

E perguntava aquela criatura À sua impura alma o que falhava Para viver assim com tanta agrura Sem ter amor, carinho, sem ter nada.

E quando o sol começa a declinar E se aconchega nesse imenso mar Enchendo o espaço de alegria e cor,

E nessa solidão, sem paz, sem norte, Chorava amargamente a triste sorte Que a vida, sua madrasta, lhe outorgou.

Tenta contar no céu, no espaço lindo Miríades de estrelas que, luzindo, No infinito mostram seu esplendor!

E olhando o céu, na sua imensidão, Pediu a Deus lhe desse o seu perdão E luz pró seu caminho... E, só, chorou!

MUSA

SER PAI

Eu quero ouvir os sons, essa harmonia Que a musa com seus versos te cantou, Eu quero ouvir o tom e a melodia Cantados quando a vida te entregou!

Não chega ser só pai, há que aprender A ser um companheiro e um amigo E ensinar a arte de saber Com esse olhar humilde de um mendigo.

Ó areais sem fim, que dor sentia Quando, abraçada a vós, se confessou! Falai-me, por favor, da nostalgia Que um dia a luz do dia lhe outorgou!

Ser pai é partilhar tudo o que temos E entregar-se de alma e coração Desinteressadamente sem sabermos Se um dia vamos ter o galardão.

Eu quero acreditar: Toda a tristeza São laivos de amargor e de incerteza Que quando, ó mar, trouxer em seu clamor

Ser pai é ter um ombro disponível Em todos os momentos, ser sensível Ao sofrimento e à vida à nossa frente.

Tu vais querer findar essa agonia E vai raiar por fim um novo dia Em que ela encontrará seu grande amor!

Ouvir atentamente o nosso filho, Não vê-lo como fosse um empecilho, Mas tê-lo em nosso olhar constantemente!

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ENTREVISTA

ESCRITOR HERCULES HONORATO Hercules Guimarães Honorato, oficial da reserva da Marinha do Brasil e Chefe da Divisão de Assuntos Psicossociais da Escola Superior de Guerra (ESG), Rio de Janeiro, Brasil; Doutor e Mestre em Política e Estratégia Marítimas pela Escola de Guerra Naval (Sistema de Ensino Naval); Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia pela Escola Superior de Guerra; Mestre em Educação pela Universidade Estácio de Sá; Especialista em Gestão Internacional e MBA em Logística pelo Instituto COPPEAD de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Docência do Ensino Superior pelo Instituto “A Vez do Mestre” da Universidade Cândido Mendes; e Bacharel em Ciências Navais com habilitação em Administração pela Escola Naval, ano de conclusão 1982. Autor do livro: “Relato de uma experiência acadêmica: o ‘eu’ professor-pesquisador”.

Comecei a pesquisar e a escrever sobre Boa Leitura! diversos temas ligados principalmente Marinha do Brasil, por Dr. Hercules à educação, primeiramente para Guimarães Honorato aprender, e depois para divulgar o que era realizado e o que tisfeito. Ao me retirar do serviço Por Shirley M. Cavalcante (SMC) existia na Marinha do ativo, resolvi seguir meu sonho e começar a trilhar o caminho para Escritor Prof. Hercules GuimaBrasil, com o lócus na rães Honorato, é um prazer con- ser um professor. Neste trajeto, Escola Naval.” tarmos com a sua participação na desde 2012 até os dias atuais, pude revista Divulga Escritor. Conte-nos, em que momento se sentiu preparado para escrever “Relato de uma experiência acadêmica: o “eu” professor pesquisador”? Hercules Honorato - Minha formação inicial e a pós-graduação foi no campo da administração, onde pude exercer minha profissão como Oficial da Marinha do Brasil por 32 anos, porém não estava sa-

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escrever 34 artigos publicados e, atualmente, tenho outros quatro artigos aguardando publicação, já aprovados. No final de 2019, resolvi colocar essa minha experiência como professor e pesquisador da Escola Naval, instituição de ensino superior militar da Marinha do Brasil, e da Escola Superior de Guerra, em livros, por isso o volume I, lançado em novembro de


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2019, e o volume II, previsto para meados deste ano será lançado. Gosto de escrever, ler, pesquisar, aprender, ensinar e o livro é o caminho para divulgar o que realizei como professor e pesquisador desde 2012. Descreva alguns tópicos apresentados no sumário da obra Hercules Honorato - O livro reúne 15 dos meus artigos mais citados e que considero os mais completos nos aspectos acadêmicos, sendo o foco o Sistema de Ensino Naval. Apresentei uma política pública educacional de formação técnica pelo estudo do Projeto Soldado Cidadão. Em dois artigos, apresentei a política de inclusão de gênero na Escola Naval quando, em 2014, recebemos as primeiras 12 alunas mulheres e a formatura delas em 2017. Uma experiência muito compensadora foi a utilização de portfólio na avaliação superior, um tema pouco explorado. Posso afirmar que sou o único pesquisador que trata do tema da migração de jovens estrangeiros para a formação superior militar. Em dois artigos pude expor como foram construídas por mim as duas disciplinas que entraram no currículo da Escola Naval, a saber: Metodologia da Pesquisa e Introdução à Logística Naval. Por último, apresento um artigo que escrevi em 2015, por solicitação do Instituto de Docentes do Magistério Militar, que comemorava 100 anos de sua criação, que tratava de um período da história da docência na Marinha, quando então os oficiais prestavam concurso público e se tornavam professores, entrando para o Quadro do Magistério que foi extinto em 1985. Porém, com esse meu artigo, foi iniciado o processo de recriação desse quadro, que culminou com o Quadro do Magistério Naval, iniciado em 2018. Ao ler a apresentação encaminhada, alguns momentos chamaram a atenção. Entre eles, conte-nos, como é dar aula para mais de 400 alunos em um ano? Hercules Honorato - Como disse, implantei duas disciplinas na Escola Naval, a de Metodologia da Pesquisa

(MTP) em 2014 para todo o quarto ano do curso e Introdução à Logística Naval (ILN) em 2016, esta para todo o terceiro ano. Assim, ao iniciarmos o ano letivo de 2016, como professor dessas duas disciplinas, o número de discentes era de 408, sendo 186 do último ano e 222 do terceiro ano. Foi um aprendizado, onde pude realizar verdadeiramente o sonho do professor de sala de aula. Pude introduzir algumas estratégias aprendidas sobre metodologias ativas, como a sala de aula invertida e a aprendizagem baseada em problemas. O maior desafio foi na época das avaliações, pois tínhamos a obrigação de aferir graus para testes e provas. Como não me utilizo de questões diretas, para as avaliações dos conteúdos da disciplina de ILN, no lugar do teste utilizei o trabalho em grupo. Foram cerca de 40 trabalhos para corrigir. A prova não tinha questões diretas, era toda escrita. Também não eram aceitas repostas decoradas. O aluno (Aspirante) tinha que redigir o seu próprio entendimento em relação ao que foi perguntado. Na disciplina de MTP, os Trabalhos de Conclusão de Curso eram todos corrigidos por mim, que tinha que avaliar a formatação e a verificação de plágio, enquanto os orientadores eram os responsáveis pela nota de conteúdo e pela participação como orientado do aluno. Em suma, setembro e outubro eram meses de trabalho docente “hercúleo”. Comente sobre o que mais o marcou enquanto estudava com a sua mãe, como colega de classe, juntamente com o seu irmão, no primário? Hercules Honorato - Na década de 1970, não havia a Educação de Jovens e Adultos e a nossa população, em grande medida, era analfabeta, principalmente para o pessoal do interior, da zona rural. Minha mãe não pode estudar adequadamente, interrompendo seus estudos no terceiro ano do ensino primário da época. Começou a costurar aos 13 anos. Com a vinda para o Rio de Janeiro, ela não deixou de sonhar em ter uma formação, uma escolaridade. Como sua cliente nas lides da costura, ela tinha a Dona Helena, diretora

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do Instituto Cristo Rei, onde eu e meu irmão fazíamos o primário. Sendo essa uma instituição particular, onde um filho tinha a mensalidade paga com as costuras e o outro era, vamos chamar, de graça, uma caridade da diretora. Aproveitando essa oportunidade, minha mãe recomeçou a estudar no próprio instituto, onde terminou o primário, depois fez o segundo grau parando no vestibular. À propósito, perguntei hoje, aproveitando da sua pergunta qual curso ela pensava em fazer, ao que ela respondeu “psicologia, para ajudar as pessoas”. Minha mãe está com 85 anos e, para terminar, permita-me apresentar a epígrafe que introduz o meu livro e que sintetiza todo o meu pensamento: “A minha mãe Maria José por me ensinar o caminho dos livros e do crescimento pessoal pelo trabalho.” Apresente-nos a obra Hercules Honorato - São quinze dos meus artigos escritos desde 2012 e que tratam dos seguintes temas: políticas públicas educacionais, formação docente, currículo, avaliação, inclusão de gênero, migração estudantil, interdisciplinaridade, educação a distância, história do magistério militar da Marinha, gestão educacional e liderança. Um ponto a comentar sobre o segundo artigo, que trata da Liderança do Diretor Escolar. Este que já foi citado mais de 60 vezes em teses, dissertações, artigos científicos. Faz parte do curso de gestores educacionais das Secretarias de Educação dos estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, além de ter seu reconhecimento em duas revistas estrangeiras, uma americana e outra russa. O que mais o marcou enquanto escrevia “Relato de uma experiência acadêmica”? Hercules Honorato - O sentimento de poder disponibilizar para quem desejar as minhas pesquisas, experiências e vida acadêmica. Destaco que a ideia também seria motivar os futuros pesquisadores, escritores e professores, a conhecer uma metodologia que desenvolvi durante as leituras de livros, teses,


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dissertações e artigos qualificados, que foram importantes e estruturantes nos meus artigos. Afirmo que não é uma receita de bolo, mas realmente um caminho de autoria na busca constante da qualidade acadêmica. Acredito que os meus artigos desvelam isso. O que diferencia o volume I do volume II, a ser publicado até julho de 2020? Hercules Honorato - Excelente pergunta, muito obrigado. Minha linha de pesquisa no campo da educação é a de Políticas Públicas Educacionais. Porém, como comecei tarde para me tornar um professor-pesquisador e tendo um corpo docente e discente na Escola Naval que poderiam, junto comigo, realizar estudos que fizessem a ligação entre o acadêmico teórico e o prático, via Sistema de Ensino Naval, elaborei o volume I, é focado nas experiências e pesquisas realizadas durante o meu período como professor na Escola Naval. O volume II, tem o seu caminhar no período em que passei na Escola Superior de Guerra, onde o tema educação e defesa se tornaram mais importantes, sem esquecer que também retorno às minhas origens como administrador, onde trabalhei os temas como cultura, clima e valores organizacionais, gestão do conhecimento, ética entre outros. Quais os principais objetivos a serem alcançados por meio da escrita da obra? Hercules Honorato - Comecei a pesquisar e a escrever sobre diversos temas ligados principalmente à educação, primeiramente para aprender, e depois para divulgar o que era realizado e o que existia na Marinha do Brasil, com o lócus na Escola Naval. O meu objetivo sempre foi apresentar o que é realizado na área de formação docente e discente na Marinha, bem como a avaliação e as disciplinas que foram por mim construídas para que todos, academia ou não, soubessem que temos qualidade no que fazemos e que o nosso ensino-aprendizagem tem o respaldo de um currículo atual e que 46

forma os nossos futuros oficiais, estes que também são cidadãos participantes ativos de nossa sociedade. O que gostaria de informar a quem vai ler a obra? Hercules Honorato - Naturalmente, que comecem pela apresentação, pois nela poderão entender o porquê do livro e o porquê dos artigos. A partir desse ponto, dentro de cada necessidade do futuro leitor, navegar pelos artigos independentes da sequência numérica das páginas. Peço que atentem para a sequência da elaboração escrita dos artigos e, em especial, como são introduzidos os temas, desenvolvimento e as considerações finais. A quem indica leitura? Hercules Honorato - A todos que desejam conhecer o Sistema de Ensino Naval da Marinha do Brasil e para aqueles que transitam pelo campo da educação, pois são apresentadas diversas experiências realizadas com sucesso na avaliação, no currículo, na formação docente e discente, na inter-

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disciplinaridade, mas sempre com um quadro teórico no estado da arte e dentro da temática estudada. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Prof. Hercules Guimarães Honorato. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Hercules Honorato - Aos meus futuros leitores, espero que gostem do livro e dos seus artigos e, caso queiram dialogar, estarei sempre pronto a atender, ouvir e aprender. Agradeço a oportunidade de me apresentar e expor meu livro. Concluo com uma frase que ouvia do meu professor de Filosofia da Educação: “o saber tem que ter sabor”, e eu complemento: “tem que ter amor”.

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DIVULGA ESCRITOR DIVULGA ESCRITOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM A ESCRITORA ROSA MARIA SANTOS

A

história passa-se numa pequena aldeia, na periferia da cidade de Braga e desenrola-se numa humilde casa de chão térreo, paredes caiadas de branco, com uma única janela virada para a estrada principal, mesmo ao lado da porta de saída para a rua. Na parte traseira tinha a cozinha e uma pequena porta que dava para o terraço e quintal, aonde se podiam encontrar algumas árvores de fruto, um pequeno jardim e uma horta bem cuidada.

FRANCISCA,

A AVÓ QUE VIA NO ESCURO

Ao longe, ouvia-se já o repicar o sino da Igreja que, de hora a hora, indicava a toda a aldeia o tempo que lentamente passava. Na casinha, vivia uma família constituída por sete pessoas: os pais, quatro lindas filhas e a avó, a matriarca, de nome Francisca, senhora de meia idade, que perdera a visão havia anos duma forma estranha, sem qualquer motivo aparente. Naqueles invernos frios e chuvosos, as crianças ficavam em casa, impedidas de poderem brincar no quintal. Fazia frio e os progenitores tinham receio que viessem adoecer. Se isso acontecesse, seria um problema, os tempos eram difíceis e as dificuldades eram imensas. Maria, então com cinco anos, olhava a destreza da avó, a sair do quarto e dirigir-se ligeiramente para a cozinha, como se fosse ainda jovem e cheia de genica. Ali, numa rotina diária, perto do meio dia, ia para junto da lareira e ali se sentava num tosco banquinho de madeira, para se aquecer e preparar a sua parca merenda de todos os dias. Levava a mão ao bolso da sua escura saia rodada, tirava um punhado de batatas, novas e pequenas, e colocava-as sobre as brasas. - Abençoadas – pensava – são elas que vão dando algum alento à nossa vida. Ali, junto do braseiro, ouvia o crepitar das brasas que ia atiçando com o abanador de palha já negro pelo calor, para que elas se mantivessem vivas. As batatas, em contacto com o calor, bem depressa se mostravam assadas, apetitosas, convidando a que ainda quentinhas fossem saboreadas. Então, retirava-os para o lado, dava-lhes um pequeno murro, e ei-las, prontas a serem ingeridas. Descascava-as mesmo ali e ia-as comendo uma a uma.

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Que belo pitéu! Maria era a sua companheira neste ritual, com quem partilhava aquilo que para si era uma saborosa iguaria. A mente da menina não parava de se questionar. Como podia a avó, que era cega, fazer tudo aquilo tão descontraidamente? Saber onde encontrar as batatas, acender a lareira, assá-las, retirá-las do fogo… e como as descascava com destreza, até as olhava com cuidado, como se tivesse uma visão normal. Um dia, ganhou coragem e perguntou-lhe: - Como consegues fazer tudo isto, avó?

- Vês estas mãos? - Sim, avó, vejo, sim. - Pois é, elas são os meus olhos. - Mas como, avozinha? Como podem elas ser os teus olhos? Elas não veem! Deixa-me olhá-las, deixas? Logo, a avó Francisca colocou as suas mãos ao nível do olhar de Maria. Esta segurou-as com carinho e tateou os seus dedos. - Que belas, avó, como são lindas as tuas mãos!

- É a necessidade, Maria, a necessidade permite-nos ir onde às vezes não parece ser possível.

- Sabes, netinha, não preciso ter olhos nas mãos. Olha-as bem, parecem em tudo iguais às tuas.

Cada amanhecer, Francisca cumpria esse ritual. Saía do minúsculo quarto em terra batida e atravessava a casa. Uma vez ou outra tateava com as mãos a velha parede caiada, com a cor já negra pelo tempo. Naquele dia, Maria, logo que a viu sair do quarto, correu em sua direção e perguntou:

Agora, Maria virava-as, de um lado, do outro. Depois, exclamou:

- Queres ajuda, avó? Vem, eu levo-te à cozinha – disse, estendendo a mão.

E, num gesto repentino, ergue as mãos da avó e beija-as com carinho.

A avó sorriu e respondeu com voz suave e doce: - Obrigada, querida netinha, já estou habituada! - Mas, avozinha, podes cair! Para ti é sempre noite, nem a candeia te vale, avó. A doce velhinha virou-se para a neta, como se estivesse a vê-la, e disse: - Vou contar-te um segredo.

- É isso, avó, as tuas mãos parecem mesmo iguais às minhas. Não têm olhos. São elas que te ajudam a caminhar sem cair?

- As tuas mãos são as mais lindas mãos que já vi, avó. Quem me dera entender como, quase por magia, se transformaram nos teus olhos. Estão tão gastas pelo tempo! Gastas porque todos os dias as arrastas pelas paredes para te segurares, para não caíres, para que vejas… sim, elas são os teus olhos. Segura as minhas tão pequeninas mãos, eu levo-te, vem, avó! E lá foram atravessando a humilde casa.

Maria sorriu. Será que ia ser hoje que iria perceber como a avó conseguia ver no escuro? Ela bem que tentava, por vezes, discretamente, calcorrear a casa com os olhos fechados. Mas não conseguia. Logo, se esbarrava contra tudo o que encontrava pela frente. Só podia ser isso, a avó tinha um segredo que a ninguém revelava. - Segredo? Conta, sim, conta-me, avó. - Mas antes, vais prometer-me que não o contas a ninguém! - Prometo, sim, não irei contá-lo nem à minha gatinha tão querida. Conta, avó. Lançou um largo olhar ao redor e disse baixinho: - Podes falar, não há ninguém por aqui. Logo, a avó se baixou e estendeu as suas mãos para ele:

Com carinho, Francisca delicadamente largou as mãos da netinha, afaga o seu rosto e diz: - És um anjo, Maria, o anjo que conduz a minha vida. O teu rosto é tão delicado, tão belo! Vais tornar-te numa linda mulher, tenho a certeza. Vá, senta-te aqui ao meu lado. Quero ensinar-te uma coisa. - Sim, avozinha, conta. - Quando perdemos o sentido das cores que vivem em nós, as nossas mãos começam a ouvir, os ouvidos a entender melhor tudo o que se passa ao redor. São eles que nos ajudam a sentir aquilo a que antes não dávamos atenção. É isso, sim, passamos a ver, só que de uma forma diferente. - Sabes, avozinha, és a mais encantadora de todos os seres. Conta, avó, conta a história! - Conto sim. Era uma vez…

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ENTREVISTA

ESCRITOR JORGE ANDERSON SILVA Jorge Anderson Silva, nasceu na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, no dia 13 de março de 1967. É o filho primogênito de: Jorge de Oliveira Silva e Maria Lavarini Silva. Estudou durante 15 anos na AMR (Associação Mineira de Reabilitação), devida a sua deficiência física,(falta de coordenação motora). Desde a adolescência iniciouse a prática de escrever, compondo várias canções e formando inúmeras parcerias com outros compositores, até surgir a ideia de escrever o seu primeiro Romance. Em 1988, candidatou-se a um cargo de vereador no município de Bonfim MG, onde frequenta desde a infância. Em 1998, participou do extinto programa “Concurso de Paródias”, produzido pelo SBT, ficando em 1º Lugar. Atualmente é aposentado e dedica boa parte do seu tempo à literatura.

O que mais me chamou a atenção no desenrolar da história, foi a maneira em que nos evolvemos com cada um dos personagens criados por nós mesmo. A gente ama um, detesta o outro, cuida, mata e às vezes até duvidamos da nossa própria criação. A nossa mente é realmente surpreendente.”

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Boa Leitura!

Desvendando ‘O Segredo da Pedra Azul’ Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritor Jorge Anderson Silva, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que o motivou a ter gosto por romances? Jorge Silva - Primeiramente, quero agradecer a oportunidade de estar divulgando o meu primeiro trabalho aqui na Revista Divulga Escritor. Eu sempre gostei muito de ler e sempre tive vontade de escrever. Comecei pelas poesias e letras de músicas, em parcerias com outros compositores. Um dia, brincando em uma velha máquina de escrever, eu iniciei uma his-

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tória. As ideias fluíam e ficou impossível continuar naquela velha máquina. Isso ocorreu no ano de 1998, quando começaram a surgir os primeiros computadores domésticos, com um custo muito elevado. Foi quando tive a ideia de me escrever no extinto programa “Concurso de Paródias”, SBT. Eu fiquei em primeiro lugar com uma paródia da música “Carinhoso”, ganhei um prêmio em dinheiro e comprei o meu primeiro computador, concluindo meu livro em 1999, e vindo a publica-lo somente em fevereiro de 2011 pela Editora Protexto. Foi a realização de um grande sonho. Quanto ao gosto por romances, é o que eu mais gosto deler, talvez seja o que tenha me incentivado.


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O que o inspirou a escrever “O Segredo da Pedra Azul”? Jorge Silva - É quase impossível descrever o que mais me inspirou, mas um fato muito interessante, me chamou muito a atenção, durante o processo de criação. A gente apaixona pelos personagens e torce para que tudo dê certo com eles. Assim como torcemos também para que cada vilão da história pague pelos seus erros. Creio que, se nós escritores pudermos passar um pouco de justiça nesse mundo tão cruel em que vivemos, através de nossas histórias, já é um grande objetivo alcançado. Apresente-nos a obra O SEGREDO DA PEDRA AZUL - 2a. Edição Uma História. Um Sonho. Uma Vontade. Pudera a vida ser como um conto, onde, como o Criador, manuseamos cada um dos nossos personagens. Inventamos um mundo. Criamos pessoas e escrevemos o destino de cada uma delas. Neste meu primeiro livro, conto a trajetória de um humilde jovem que se vê obrigado a deixar o seu lar, para tentar a sorte em outro lugar. Levado pelo destino, ele desembarca na pequena cidade de Aldeia Dourada e começa a trabalhar em uma fazenda, como um simples empregado. Com o passar do tempo, ganha inteiramente a confiança do seu patrão, ajudando-o a desvendar inúmeros segredos do seu passado, mas, nada seria tão fascinante como “O Segredo da Pedra Azul”. O que mais chamou a sua atenção enquanto escrevia o livro? Jorge Silva - O que mais me chamou a atenção no desenrolar da história, foi a maneira em que nos evolvemos com cada um dos personagens criados por nós mesmo. A gente ama um, detesta o outro, cuida, mata e às vezes até duvidamos da nossa própria criação. A nossa mente é realmente surpreendente. Além de romance, costumas escrever em outros segmentos?

Jorge Silva - Já escrevi crônicas para um site e gosto muito de escrever poesias. Um livro de poesias faz parte dos meus projetos. Qual a mensagem que deseja transmitir por meio da leitura de “O Segredo da Pedra Azul”? Jorge Silva - Eu nasci com um problema físico, ocasionado pelo cordão umbilical, o que me causou a falta de coordenação motora. Mas nunca deixei me abater por isso graças a meu pai e minha mãe, que sempre me apoiaram e incentivaram, e a Deus, principalmente. Eu sempre fui e sou uma pessoa muito feliz e procuro aproveitar cada momento da vida. Essa minha esperança e otimismo, juntamente com a minha fé, é o que pretendo transmitir em meu livro “O Segredo da Pedra Azul”. Onde podemos comprar o seu livro? Jorge Silva - Meu livro encontra-se à venda exclusivamente no site de editora: www.protexto.com.br O que a escrita representa para você? Jorge Silva - Nossa... a escrita hoje em minha vida representa quase tudo, pois, não saberia mais viver sem exerce-la. Quais os seus próximos projetos literários? Jorge Silva - Eu já estou com um novo livro (Romance), bem adiantado. Creio que dentro de um mês, talvez, eu o finalizo. E pretendo publicar um livro de poesias.

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Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Jorge Anderson Silva. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Jorge Silva - Eu gostaria primeiramente de agradecer a toda a equipe da Revista Divulga Escritor e recomendar a todos aqueles que apreciam uma boa leitura a embarcarem nessa história e se apaixonar também, ao desvendar “O Segredo da Pedra Azul”. Muito obrigado a todos e que Deus abençoe a cada um de vocês. _________________ Divulga Escritor: Unindo Você ao Mundo através da Literatura. https://www.facebook.com/DivulgaEscritor/ www.divulgaescritor.com


DIVULGA ESCRITOR DIVULGA ESCRITOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM A ESCRITORA LINDEVÂNIA MARTINS

UMA ATRAENTE ZONA DE DESCONFORTO *Rizolete Fernandes Zona de Desconforto é lugar do qual todos querem distância, certo? Errado! Essa a que vou aqui me referir, não. Ela guarda no sóbrio invólucro atraente conteúdo, capaz de prender quem nele mergulha por horas, dias a fio, até sua total fruição. E só então cogitar de emersão. Estou falando de um livro com título homônimo ao que inicia essa frase, que se encontra nas prateleiras das livrarias físicas e virtuais desde o ano de 2018. Sim. Zona de Desconforto nomeia livro da autora maranhense Lindevania Martins, publicado em 2018, após inclusão entre os cinco livros vencedores do I Concurso Literário Benfazeja. Trata-se do segundo livro no gênero da escritora, antecedido que foi por Anônimos, ganhador do Concurso Literário Cidade de São Luís em 2003. Lindevania também escreve poemas que, junto com seu trabalho em prosa, já se espalham por antologias no Brasil inteiro. A escritora Lindevania Martins é bacharel em Direito, mestra em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal do Maranhão e atualmente defensora pública, com atuação na defesa da mulher e da população LGBT. Na trajetória, também atuou como delegada de polícia.

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Em Zona de Desconforto, a autora reuniu oito contos com temática abrangente, que desenvolve ora em poucas - quatro, ora em mais de vinte páginas. Estilo leve, enxuto, linguagem atual. Não se encontrará na escrita de Lindevania chavões e fórmulas repisadas. Suas histórias prendem leitoras e leitores iniciantes ou de longa estrada, porque construídas com argúcia, criatividade e - vale o destaque - expressas na dicção feminina que volta a caracterizar a produção literária da nova geração de escritoras. Os temas trabalhados dialogam com o afazer profissional da autora. Quando enfoca a exploração da mão de obra infantil das meninas por famílias bem situadas no contexto socioeconômico, no conto que dá título ao livro; no muito atual crime de sequestro de uma mulher por seu marido, em Tudo Vermelho; no eterno conflito entre pais e filhos, como lemos em Querida Mamãe e Retrato de Família; ou nas inevitáveis ciladas que espreitam os trios amorosos, observadas em O Número Perfeito e O Flagrante. Ainda há aqueles mais introspectivos, que visitam a dimensão psicológica e as dores existenciais da mulher, como em A parede de Vidro e Virulência. Aspectos psicológicos pontuam vários contos. Qualquer tema eleito, embora saibamos todos desde muito explorados pelos ancestrais do ofício, seja pela zelosa carpintaria conferida, seja pelo toque pessoal que lhe imprime, Lindevania Martins o transforma em conto singular. Em Tudo Vermelho, por exemplo, temos a mulher em cativeiro às escuras, na companhia de alguém que nomina “o homem”. A princípio ignorante de quem a sequestrou, aos poucos a trama vai se revelando: o companheiro de esconderijo é seu próprio irmão, que organizou o delito em parceria com uma terceira pessoa próxima dos dois, pessoa esta que mais adiante se apresenta para materializar a extorsão. As exigências feitas à mulher são revoltantes, mas se consumam. O final configura uma volta por cima de todo inesperada, descrita em tão sutis nuances que cogitamos de concepção

mental e expressão de um modo feminino de sentir e dizer. Por questão de espaço, sirvo só mais um aperitivo: o saboroso O Flagrante. Aqui, temos o recorrente “flagra” dado pelo marido na mulher, à cama com seu melhor amigo. Ele está revoltado, mas usa a racionalidade que lhe é peculiar. A partir daí, a autora estrutura o texto contrapondo uma tensão que, próxima ao limite, leva a pensar no pior e que, ao invés, é sucedida por reações surpreendentes, inusitadas, no entanto factíveis. E dá-se uma sucessão de momentos tensão-alívio, até o desfecho, que não revelo aqui. O tema da traição entre casais, com toda sua densidade e suspense ineren-

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te, no engenho da autora, também enseja o cômico. Abordagem inovadora, posto que sem o usual recurso à litigiosa separação, nem à violenta fórmula do jorro de sangue. Como a dizer que a vida e suas dores podem, sim, ter as cores leves das tintas da imaginação da escritora Lindevania Martins.

Link para compra: Amazon - Submarino https://www.submarino.com.br/produto/64199058 (*) Rizolete Fernandes é escritora, poeta e socióloga potiguar. Autora, entre outras obras, de “Tecelãs”.


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ENTREVISTA

ESCRITOR JOSÉ NEY LANÇAS José Ney Lanças foi executivo do sistema Coca-Cola, e é empresário, palestrante, consultor, autor escritor, tendo trabalhado em vários países e ocupado cargos na alta direção das empresas pelas quais passou. Formado em Engenharia Mecânica, tem 61 anos e começou sua carreira como estagiário, chegando a ser Diretor para a América Latina, período que residiu em Miami, EUA. O que o levou a crescer na carreira foi sua capacidade de adaptarse, sua curiosidade e interesse em aprender, e sua criatividade nata e amor pelo que faz. Dessas características somadas, aliadas a seu gosto de escrever, nasceu o livro de ficção atual, misturando história real e sua vasta experiência do negócio, que é o “7X Sabor de Emoção - a fórmula secreta finalmente revelada”. Palestrante experimentado, rodou o país falando de seus projetos, livros e iniciativas, e está pronto para uma nova jornada de compartilhamento de seu atual sucesso.

Poder contar a história, revelar um pouco do mundo secreto da empresa e seus meandros, também me encanta bastante, porque sei do interesse e curiosidade das pessoas com algo tão próximo do diaa-dia de milhões de pessoas do mundo todo.”

Boa Leitura!

Coca-Cola – “7X Sabor de Emoção – A fórmula secreta finalmente revelada” Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritor José Ney Lanças, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que o motivou a escrever “7X Sabor de Emoção – A fórmula secreta finalmente revelada”? J. N. Lanças - Penso que foi minha paixão pela Coca-Cola, pela empresa, pela marca e pelo produto, ícone de gerações, símbolo de uma época que, acredito, não volte mais. Não se faz mais Coca-Cola como se fazia antes, 54

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do ponto de vista romântico, onde as experiências eram vividas “na raça”, com o que se tinha à mão, sem muita “especialização”. Hoje a empresa tem excelentes profissionais, formados e com MBA, mas sem a identidade com a empresa de minha época, e da época que veio antes da minha. Então quis contar um pouco dessa época, e fazer uma revisita na história da companhia, seus personagens, segredos e ameaças das quais sempre foi vítima. E eu vivi muito dessas coisas, pelo período que passei trabalhando no sistema e pelo que li depois.


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Quais os principais objetivos a serem alcançados por meio da publicação do livro? J. N. Lanças - Entreter os leitores. Como se trata de uma ficção, um thriller com bastante ação, aventura e romance, a expectativa é que seja bem aceito, seja lido e que as pessoas gostem do enredo, da trama, dos personagens. E isso tem acontecido, para minha alegria, já que alguns leitores com quem tenho contato, tem me dado um feedback bastante positivo, tido uma experiência gostosa e podido absorver bastante daquilo que eu quis contar. Como mistura ficção com história real, é gostoso ver despertar a curiosidade do leitor, em tentar descobrir o que é fato e o que é criação minha. E também pra contar, uma vez mais, a história dessa fantástica marca, presente em 99% do planeta. Apresente-nos os principais personagens que compõe a trama. J. N. Lanças - Eu vou focar somente no personagem “brasileiro”, porque os demais vão surgindo à medida que a trama se desenvolve, e eu prefiro que os leitores tenham o prazer de descobri-los quando se depararem com eles. Contar isso, agora, seria um spoiler que eu não gostaria de falar. Mas o Thomas é um executivo da empresa, brasileiro, que é treinado para gerir crises, e sem prever ou esperar, acaba sendo convocado para ajudar a enfrentar a maior crise da história da empresa. Como ele é treinado para tal, e tem experiência do negócio, tem chances de sucesso, desde que seja astuto, rápido e eficaz suficientemente para isso, além da ajuda “extra” que irá ter para solucionar o problema que a empresa enfrenta. Comente sobre os principais desafios para escrita de um romance, envolvendo uma marca tão conhecida como é a Coca-Cola. J. N. Lanças - Penso que nada que possa envolver uma marca tão icônica pode ser feito de maneira superficial, despretensiosa ou pouco profissional.

Minha vantagem é minha experiência vivida dentro da empresa, aliada à minha curiosidade sobre o tema. Eu passei por todas as áreas do negócio, viajei por inúmeros países aprendendo da operação, li muitos livros sobre o tema, assisti documentários, reportagens e entrevistas sobre, e tudo isso me deu mais do que bagagem para escrever sobre ela. Além disso, a história da bebida é fantástica por si só, é rica, cheia de mistérios, personagens que parecem emergir de clássicos hollywoodianos, e isso já é argumento de sobra para se criar um bom romance. Minha parte foi juntar isso e dar uns toques naquilo que eu precisava criar, para apimentar ainda mais o enredo. Apresente-nos a obra J. N. Lanças - A história da Coca-Cola contada de uma maneira nunca vista, num thriller saboroso como só a bebida mais famosa do mundo consegue ser. Misturando fatos históricos e verdadeiros a outros ficcionais, e personagens reais com outros criados para o livro, a ação, romance e a aventura são garantias de entretenimento certo. Fatos estranhos acontecem em várias partes do mundo. Pessoas aparentando serem vítimas de algum tipo de contaminação dão entrada em hospitais, sem que se saiba o que está ocasionando o problema. E na sede mundial de uma multinacional, os principais executivos dessa companhia sabem exatamente o que está acontecendo, mas estão de mãos amarradas, o que os impede de solucionar o problema, por mais que quisessem. Para piorar a situação, uma grande festa para comemorar o centésimo aniversário da empresa e da primeira venda realizada de seu produto principal, está chegando. A data, que deveria ser festiva, traz com ela uma situação nada boa: é o prazo limite que os causadores das contaminações deram aos executivos da empresa, para que pagassem uma quantia exorbitante em troca de cessarem as contaminações. O palco da festa está sendo montado há meses, e tudo precisa continuar até que o caso seja resolvido. Para deixar a si-

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tuação ainda mais complicada, caso não receba a quantia solicitada, o extorquidor também promete revelar o maior segredo industrial do mundo, guardado a 100 anos: a fórmula secreta da Coca-Cola. Com a polícia mantida fora do caso, por exigência do extorquidor, e a imprensa afastada, para que não houvesse uma histeria coletiva mundial e que levaria a empresa à falência, os executivos buscam correr contra o tempo, ao mesmo tempo que encontram ajuda de onde menos se podia esperar. História da clássica e centenária empresa, aventura, ação, suspense, romance, assassinatos, perseguições e a tão famosa fórmula secreta revelada, são os ingredientes desse thriller. O que mais o encanta em “7X Sabor de Emoção – A fórmula secreta finalmente revelada”? J. N. Lanças - Como escritor, o que mais encanta é poder “parir” uma obra que, se tudo correr bem, estará nas mãos dos mais ilustres desconhecidos leitores, em várias partes do mundo e em várias línguas (eu publiquei em Espanhol e logo virá em Inglês também). Poder contar a história, revelar um pouco do mundo secreto da empresa e seus meandros, também me encanta bastante, porque sei do interesse e curiosidade das pessoas com algo tão próximo do dia-a-dia de milhões de pessoas do mundo todo. Então, poder dar mais gás a esse assunto, trazendo a minha versão dos fatos, sob minha perspectiva, é uma delícia. Receber os feedbacks dos leitores, como comentei em alguma pergunta anterior, também nos faz felizes. Onde podemos comprar o livro? J. N. Lanças - Primeiramente na Editora Fross, depois na Amazon e outras plataformas de vendas online. Ainda não estamos nas principais livrarias, livreiros etc, mas espero que logo esteja disponível nesse canal de vendas também. Espero que essa entrevista ajude, inclusive, o que desde já torço bastante, e agradeço.


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Além de escritor, você é palestrante, apresente algumas temáticas abordadas em suas palestras. J. N. Lanças – Página no Linkedin https://lnkd.in/dtapxMv Podem ser visualizadas o link, acima. Minhas palestras abordam, como não poderiam deixar de ser, o tema Coca-Cola, onde falo bastante de marketing, publicidade, administração e segredos do sucesso dessa empresa com 134 anos. Também falo de Superação, desafios, resiliência e outros temas relacionados à carreira e sucesso. Para os jovens, falo de escolha de carreira, estudo, oportunidades de trabalho e ajudo na fase de decisão, numa fase bem difícil pela qual passam os jovens e adolescentes. Mais técnica um pouco, falo de Desenvolvimento Estratégico e Organizacional, como forma de otimizar os processos das empresas, para que sejam mais eficientes e lucrativas. Dentro desse leque de opções, são mais de 200 temas que podem ser abordados, de acordo com o interesse do contratante e do público alvo. Quem desejar, como fazer para contratar uma palestra? J. N. Lanças - Pode entrar em contato comigo no jneypl@gmail.com. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor José Ney Lanças. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? J. N. Lanças - Leiam, porque não há melhor forma de conhecer o mundo, a natureza humana e nossa história nesse planeta, do que a leitura. Não importa o formato ou o veículo, o momento ou a ocasião, mas leiam. Poesia, romance, história, ficção ou memórias, não importa o gênero, mas leiam. A CULTURA é o maior bem que podemos adquirir, coisa que ninguém pode roubar, e a 56

cultura pode vir através dos bilhões de títulos publicados no mundo. Um país de leitores é muito mais equilibrado, sensível e igual para todos. Há livros para todos, muitos deles gratuitos, o que não nos dá o direito de falar que “ler custa caro”. Pessoas cultas conseguem ver a beleza nas pequenas coisas, e a leitura é o melhor caminho para se obter essa condição. www.divulgaescritor.com | abril | 2020

Obrigado pela oportunidade e espero que tenham muito sucesso. Abraços.

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AUTORA – Rejane Luci Silva da Costa Knoth Professora e escritora Graduada em Letras Vernáculas com Inglês Especialista em Educação Infantil Pós-Graduada em Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa Mestre em Letras e-mail: reluknoth@yahoo.com.br

REFLEXO Somos reflexo de quê? Do mundo em que vivemos cheio de possibilidades? Ou do mundo em que sobrevivemos repleto de atrocidades? Da família em que nascemos que nos ensina a bondade? Ou da família com a qual residimos reprodutora da medíocre sociedade? Das pessoas com quem partilhamos e cultivamos a lealdade? Ou das pessoas com quem somos obrigados a conviver com falsidade? Somos reflexo de quê? Da religião que professamos nossa fé com sinceridade? Ou da religião que nos impõem a propagar distinções e desigualdade? Do que aprendemos na escola com uma determinada finalidade? Ou do que a escola faltou ensinar com propriedade? Do que refletimos em nossas leituras com espontaneidade? Ou do que decoramos nos livros didáticos para cumprir uma necessidade? Somos reflexo de quê? Do pensamento filosófico que apreendemos para posteridade? Ou do pensamento filosófico que empregamos de acordo com a nossa necessidade? Da solidão, quando avaliamos verdadeiramente o que é prioridade? Ou da solidão, que nos castiga, quando descobrimos quem é quem de verdade? Do que acreditamos que o espelho não reflete da nossa essência? Ou do que o espelho consegue refletir através do tempo da nossa aparência? Pois é, somos reflexo de quê?

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O AMOR BATE A PORTA O amor bate à porta, pelas ruas ele brada. Suas palavras são agradáveis como um favo de mel, São doces para a alma e trazem cura para os ossos. Pois ele é mais proveitoso do que a prata, e dá mais lucro do que o ouro. Quando entrar no teu coração te conservará. O amor odeia o mal, a soberba e a arrogância. Habita no coração dos simples e os enchem de tesouros. Tesouros que o ladrão não pode roubar a traça e a ferrugem não podem destruir, porque estão guardados dentro do coração. O amor é como um projétil, quando atinge o alvo é capaz de fazer uma verdadeira reforma fazendo cessar as guerras. O amor nunca falha. O amor é o sentimento mais sublime do mundo, envolvente, que nos faz acreditar, nos dá forças para lutar e traz paz ao coração. Qual o lírio entre os espinhos, tal é o amor entre os conflitos. Em meio às adversidades traz esperança e paciência. O amor não faz mal ao próximo, antes em tudo agrada a todos, não buscando o seu próprio proveito, mas o de muitos. O amor nos ensina que a falta de perdão nos causa tristeza, mas na longanimidade teremos vida. Como contristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, e possuindo tudo. Só o amor é capaz de unir os corações, e nos faz servirmos uns aos outros pelo amor.

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ENTREVISTA

ESCRITORA LUCIANE MONTEIRO LUCIANE MARTINS MONTEIRO é natural de Paranaguá, residente em Curitiba. Graduada em Letras pela PUC/PR, pós-graduada em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira pelo CEFET/PR e em Ensino de Jovens e Adultos pela Faculdade São Braz. Professora concursada, atualmente leciona inglês para alunos do Ensino Médio no Colégio Estadual São Pedro Apóstolo. Participou das antologias Pó&Teias 1 e 2, com o Grupo de Escritores Glória Kirinus e da Antologia Conto Brasil, pela Editora Trevo. Lançou, como escritora independente, o e-book “Estela Becker, solitária e intensa” e o livro “História de uma vida: Memórias de Dona Nilce”, ambos pelo site KDP Amazon. É autora do livro de contos “Taça Escarlate”, da editora Inverso. Boa Leitura!

O livro trabalha o universo feminino, retratando os anseios e desassossegos da mulher. Aborda a carência, a ausência de si mesmo, infertilidade, fins e recomeços, entre outros temas. É uma homenagem a todas, não apenas as que se superam, mas as que ficam pelo caminho ou se refugiam em devaneios.”

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Universo feminino entre contos em ‘Taça escarlate’ Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Luciane Monteiro, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto pela arte de escrever? Luciane Monteiro - Sempre gostei de ler romances. Ficava tão empolgada que cheguei a passar uma noite em claro para finalizar a leitura. Foi daí que comecei a criar minhas próprias histórias, pois queria eu mesma definir o andamento e o final das tramas. Meu primeiro romance foi escrito aos treze anos e, desde então, não parei mais de criar narrativas e poesias. Claro que eram textos despretensiosos que eu mostrava apenas para minhas sobrinhas e amigas (leitoras fieis desde então). Foi a partir da faculdade de Letras que passei a aprimorar os textos e ver o potencial que eles tinham para serem publicados. Quanto mais eu lia grandes escritores na faculdade, mais eu escrevia e mais me apaixonava pela arte de escrever. Então me aproximei de outros autores, participei do Grupo de Escritores Glória Kirinus, na BBPR, e lançamos juntos duas antologias, que foram minhas primeiras experiências com publicação. Como surgiu “Taça Escarlate”? Luciane Monteiro - Taça Escarlate vem sendo construído há muitos anos a partir de textos onde exploro a subjetividade e as angústias do ser humano. Para reunir em livros, separei de um lado os personagens masculinos e de outro os femininos. O livro foi tomando forma, ganhou novo título, perdeu alguns textos, ganhou outros, sempre explorando a fundo a instigante capacidade da mulher de sentir tudo de forma tão intensa. Não foi fácil publicar, muitas vezes desisti do sonho de escrever, engavetei o livro, desengavetei, guardei novamente. Então, voltei a sonhar de novo, pois, como menciono

no livro, lá da gaveta minhas personagens pediam para criar asas e chegar até o leitor. E aí está o Taça Escarlate, ganhando novas moradas e, espero, causando alguma inquietação. Quais temáticas estão sendo abordadas na obra? Luciane Monteiro - O livro trabalha o universo feminino, retratando os anseios e desassossegos da mulher. Aborda a carência, a ausência de si mesmo, infertilidade, fins e recomeços, entre outros temas. É uma homenagem a todas, não apenas as que se superam, mas as que ficam pelo caminho ou se refugiam em devaneios. Sempre admirei a força feminina e fui inspirada por mulheres fortes, como minha mãe e minhas irmãs, que são exemplo de persistência para mim. Acho que a mulher é irrepreensível em sua capacidade de temperar força e feminilidade, porém elas são diferentes e cada uma é uma história, cada uma enfrenta seus dissabores de maneiras diferentes. Então, a ideia é que minhas personagens causem sentimentos diversos. admiração, enternecimento ou mesmo repulsa. Até a reação do leitor é interessante de analisar! Apresente-nos o livro Luciane Monteiro - O livro traz contos que retratam os anseios da mulher, suas buscas, batalhas e descobertas. São almas femininas que se expõem em cada narrativa; umas desfalecem enquanto outras se libertam e alcançam sua plenitude. São trinta contos onde o real e o psicológico se fundem, sempre com uma pincelada de devaneio e encantamento. A história é, muitas vezes, o pano de fundo para explorar a mente agitada da mulher, suas aflições. Algumas revelam momentos de descoberta da força interior, do “eu-selvagem”, outros trazem histórias tocantes de perdas ou “resgates”: da alma, da força, de um amor. Mas o amor que mais conta aqui é o amor próprio, uma sutil desco-

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berta que muitas não fazem, pois nem todas conseguem ouvir esse chamado interior para uma vida plena. Quais critérios foram utilizados para escolha do título? Luciane Monteiro - Tendo em vista que a cor escarlate está reiteradamente associada à mulher, que é a conexão temática das narrativas, a “taça” faz referência ao conteúdo do livro, onde se beberá muito do universo feminino. Além disso, há ainda a correlação com a flor “taça escarlate”, bonita e venenosa, usada medicinalmente pelos índios no trato do aparelho reprodutor feminino. E não é intrigante como temos a capacidade de nos curar ou nos envenenar com nossa força interior, dependendo do direcionamento que damos a ela? E, por fim, tudo isso se unindo ao elemento surpresa de um título que desperte a curiosidade no leitor. Quais os principais desafios para escrita de “Taça Escarlate”? Luciane Monteiro - Escrever é sempre um desafio para mim, embora seja minha paixão. Isso porque eu estou constantemente reescrevendo, modificando e demoro a me convencer de que a obra está pronta. Uma vez cheguei a ficar entre os dez primeiros lugares num concurso nacional com esse livro, o que não foi suficiente para acreditar no potencial dele, já que não ficou entre os que iriam para a publicação. Por isso foi um desafio para mim desengavetar a obra, mexer de novo, revisar, encarar os editores, ouvir opiniões. Seguir meu instinto e colocá-lo no mercado literário. Mas ao final, ele ficou lindo, registrando para sempre as mulheres que criei para retratar um pouco de todas. Além desta obra você tem mais duas obras publicadas. Apresente-nos as obras publicadas. “Estela Becker, solitária e intensa” foi uma experiência que eu fiz para aprender a explorar o formato e-book. Conta a história de uma cantora à procura do amor, indo


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a dois extremos, um romance que dá ibope e uma história sem futuro, quando ela, cansada de desilusões, decide radicalizar. É um romance leve e despretensioso, onde a história é mais uma vez o pano de fundo para retratar a busca da mulher por um crescimento pessoal. Embora alguns não compreendam o final, ele só revela o amadurecimento da personagem que, ao longo da trama, tem como propósito mostrar que o amor não pode ser encontrado no outro se não existir em si mesmo. O enredo não revela apenas histórias de amor, mas uma forma de amar a si mesma, retrata o caminho percorrido por uma estrela da música para descobrir sua própria essência. “História de uma vida: Memórias de Dona Nilce” é um livro que fala sobre o ciclo da vida, esse mistério que tanto nos intriga. Ele reúne as lembranças de uma mulher que foi uma inspiração para a família, um exemplo de vitalidade e vontade de viver. Minha mãe adorava reviver suas histórias e um dia eu lhe disse que elas dariam um livro. Levei a ideia tão a sério que fiz um totalmente artesanal como presente para ela. Depois que ela se foi, familiares e amigos queriam uma versão também, foi aí que surgiu o livro impresso revisado e atualizado, compartilhando suas histórias tristes e engraçadas, suas lutas e, principalmente, a forma intensa com que amou a vida e aos seus. Onde podemos comprar os seus livros? Luciane Monteiro - “Taça escarlate” pode ser adquirido online pelo site da Editora Inverso, Lojas Americanas, Submarino e Shoptime. Em lojas físicas, na Livraria da Vila Shopping Batel e na Livraria Curitiba do Shopping Estação. Também pode ser adquirido à pronta-entrega comigo, contatando pela minha página “Subjetiva”, no Facebook ou Instagram. “Estela Becker” e “História de uma vida” estão disponíveis no site da Amazon, sendo o primeiro apenas em formato e-book. Ainda há a antologia Conto Brasil Vol.3, disponível no site da Editora Trevo, da qual eu participo com um conto.

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Quais os seus próximos projetos literários? Luciane Monteiro - Tenho muitos projetos literários! E como alguns leitores vinham me pedindo a publicação de um romance, um deles, “A última tempestade”, já está finalizado, com data de lançamento prevista para 08/03 desse ano. A sessão de autógrafos será dia 02/04 na Livraria Curitiba. Trata-se de um romance que aborda violência doméstica, física e psicológica, tema bem pertinente à triste realidade que vivemos hoje em dia com o gritante número de feminicídios. Contudo, o foco deste livro não é apenas a violência doméstica, mas a esperança e persistência em um recomeço. Tenho ainda um livro de contos com uma temática bem diferente do Taça Escarlate. São textos de humor mais ácido, focando dessa vez nas mazelas do ser humano, mas de uma forma leve e divertida. Além, é claro, do livro de contos com os personagens masculinos para não deixar os homens de lado, pois gosto de explorar o psicológico deles também! Também em processo de análise tenho outra narrativa, bem mais leve, Nas Montanhas de Monte Verde, atendendo ao meu público que adora romances. E, apenas para constar, também estou revisando meus livros para o público infantil. Afinal, www.divulgaescritor.com | abril | 2020

sempre me encantei por essas histórias e criei algumas para divertir minha filha e meus sobrinhos. Contudo, acredito que divertiriam outras crianças também. Enfim, são muitos projetos, pois minha paixão por escrever é quase compulsiva! Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Luciane Monteiro. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Luciane Monteiro - Primeiramente, que leiam muito!!! Leiam meus livros, leiam outros autores, dividam essa paixão para que resista à época de domínio das tecnologias. Em segundo lugar, quero agradecer a todos que têm me acompanhado, estando presentes de maneira tão carinhosa em eventos ou na internet, ou com mensagens carinhosas. Quero convidar a todos para me acompanhar na página Subjetiva no Facebook e Instagram, curtirem os textos, enviarem mensagens. Vou adorar trocar ideias com cada um, lembrando que adoro ouvir histórias! _________________ Divulga Escritor: Unindo Você ao Mundo através da Literatura. https://www.facebook.com/DivulgaEscritor/ www.divulgaescritor.com


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EU QUERO SER SEU ALUNO PRA SEMPRE Meu Mestre, Hoje eu não quero abrir o livro Hoje eu não quero abrir o caderno Porque se o fizer: A aula vai acabar E eu terei que ir embora. Pra sempre (...), pra sempre (...) E eu não quero que isso aconteça Eu quero ser seu aluno pra sempre. Mas, eu vim aqui pra ti dizer O quanto eu aprendi sobre a vida E lhe dizer: O quanto eu amo você Meu mestre   Obrigado, muito obrigado Por me ensinar muito além da Matemática Muito além de somar ou dividir de multiplicar ou subtrair Sempre me ensinou sobre a vida Só hoje eu percebi E a vida nunca me deixou ti esquecer E a vida a cada dia que passa me ensinou a ti amar.   Meu Mestre, Sei que o Governo não ti paga bem Sei que a estrutura é muito aquém E que a Sociedade ti ver como ninguém Eu não, Eu ti amo Sempre me ensinou: O que podia o que queria O que era seu assunto O que não queria E o que era o seu trabalho foi muito além.   A todos o s Mestres que passaram pela minha vida! Eu os respeito, os admiro, os amo Pra sempre (...), pra sempre (...). * homenagem ao Professor Mauro Lima, do Colégio Pedro Álvares Cabral, em SJM, RJ. 64

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1º de Maio. Para que não saibam o outro lado da História. “Irá chegar a altura em que o nosso silêncio será mais poderoso do que as vozes que vocês enforcam hoje”: Adolph Fischer. Infelizmente, a ignorância e a mentira ainda é o maior meio de dominação. E somente um lado tem o direito de falar. E já se comemoram pouco o Dia do Trabalho que é Mundial. Entretanto, ninguém fala da sua origem, até porque História é chato, bom mesmo é aprender Português e Matemática. São as Ciências mais basilares da Educação. Segundo Fran Fernández a década de 1886, no EUA foi muito caudalosa e propícia a greves por direitos trabalhistas. Aquela simples ideias de Patrão e Empregado. Todavia, isso começou a tomar proporções de um tsunami no qual não se podia mais conter. A greve de Chicago em 1º de Maio era apenas por horas de trabalho. Em Chicago residia Anarquistas-Alemães Operários que liderava essa greve. Ali, então era um ponto umbilical e sensível. Algumas cidades se somavam a essas como: Pittsburg, Washington, Boston, Nova Iorque, Baltimore. Os Resultados das greves foram redução das 10 horas de trabalho para 8 horas, sem cortes no salário. Esse fenômeno atingiu alguns ranchos e fazendas espalhados pelo país. Em meio aos protestos muito sangue de trabalhadores foi derramado pelo caminho para hoje chegarmos aqui. Assim, a grande oposição trabalhadora ferveu contra a Dominação Elitista. O Jornal Arbeiter-Zeitung de August Spies, de Albert Parsons, The Alarm. Outros nomes do operariado não podem ser esquecido como: William Holmes, Lucy E. Parsons, Sara E. Ames, William Patterson, James D. Taylor. A Bomba de 4 de Maio de Haymarket. O Movimento Anarquista convocou protesto por meio de um folheto, e o contexto já era de efervescência. August Spies, Parsons e Samuel Field. E no fim do discurso ocorrem dois fenômenos quase que ao mesmo tempo: é lançada uma bomba e polícia começa a dispersa a multidão que tinha todo o tipo de pessoas de crianças a idosos de baixo de pauladas. Pois, o Movimento era pacífico. No fim, o fruto disso foi os líderes dom movimento foram presos alguns condenados morte, um cometeu suicídio. Segundo o Jornal A Ideia de 1902 descobriram algumas coisas importantes disso. Primeiro: segundo o Governador de Illinóis John Altegeld, “a bomba que matou o policial foi atirada por alguém por vingança pessoal e que o Promotor nunca descobriu que atirou” (A IDEIA, 1902, ano 1º, 01 p.). Segundo:para “Altegeld não tinha como ligar o cidadão que a bomba ao movimento como fez o Juiz Gary” (A IDEIA, 1902, ano 1º, 01 p.). Terceiro: Oito pessoas foram condenadas segundo Elites somente para satisfazê-la. Quarto: Segundo o John Altegeld, a Burguesia comprou cada dos 12 Jurados com R$2.000 reais. Quando John P. Altegeld releu o processo identificou toda essa nojeira. O que ele pode fazer ele fez. Os três sobreviventes que restaram ele os libertou. Isso não foi inventado por mim, isso já é História muito tempo.

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ENTREVISTA

ESCRITORA MAGDALUCE RIBEIRO Magdaluce do Socorro Barbosa Ribeiro nasceu em Belém (PA), atualmente residente em Manaus (AM), lugar que a acolheu ainda criança. Formou-se em pedagogia na Faculdade Martha Falcão. Desenvolve trabalhos como contadora de história em escolas, bibliotecas e praças. É professora, escritora, poetisa, contadora de história, artesã, artista plástica e ilustradora. Lançou recentemente a obra “A Borboleta de Luz” voltada para o público infantil com a publicação independente. Ilustrou alguns livros de escritores amazonenses: Vovô João da escritora Nel Macena; Imagens para a alma do escritor Eder Vasconcelos. Cursou durante um período artes plástica no Liceu de Artes. No momento atuando como professora da educação infantil, acreditando que a partir do contato direto com as crianças desperta em si inspirações para suas histórias. Os projetos que desenvolve são, em grande parte, para o público infantil.

Boa Leitura!

Deparamos com fatos inevitáveis de transformações no decorrer da vida, e a obra A Borboleta de Luz traz de forma delicada e simbólica a aceitação da partida de pessoas queridas.”

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‘A Borboleta de Luz’ e a aceitação da partida de pessoas queridas Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Magdaluce Ribeiro, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto pela literatura infantil? Magdaluce Ribeiro - Quando iniciei na profissão como professora da educação infantil, percebi que o meio mais emocionante e carinhoso de se cativar uma criança era pela leitura de histórias que encantam e fazem a imaginação ir além das palavras. A leitura é como um portal que se abre na imaginação do leitor infantil permitindo ser livre no pensar. E foi a partir dessa convivência com crianças, que sentia cada vez mais o gosto pela literatura infantil. O que a inspirou a escrever “A Borboleta de Luz”? Magdaluce Ribeiro - O momento mais delicado da minha vida foi o processo de partida da minha mãe. Despertando em mim a necessidade de expressar meus sentimentos de amor e gratidão. Apresente-nos a obra Magdaluce Ribeiro - Uma homenagem em forma de poema, a uma mulher impressionante e forte como uma lagarta ao mesmo tempo bela e extraordinária como uma borboleta. Toda mudança envolve dor, Dona Lagarta sabia disso, entretanto sua metamorfose era inevitável. Um poema sobre a luz de uma borboleta, e a saudade que deixou nos caminhos que trilhou. Lili Dantas O que mais a encanta nas contações de história? Magdaluce Ribeiro - Ver a troca de sentimentos e emoções da contadora e das crianças. Apresentar esse recurso prazeroso para que a criança chegue até o livro. E ver seus olhinhos brilharem com envolvimento na história e dizer a frase que me deixa muito feliz “conte de novo!”. Qual a mensagem que deseja trans-

mitir ao leitor por meio de “A Borboleta de Luz”? Magdaluce Ribeiro - Deparamos com fatos inevitáveis de transformações no decorrer da vida, e a obra A Borboleta de Luz traz de forma delicada e simbólica a aceitação da partida de pessoas queridas. Onde podemos comprar o seu livro? Magdaluce Ribeiro – vendas pelo whatsapp (92) 993120408 ou pelo e-mail magdaluce35@hotmail.com Além de textos voltado para o público infantil, gostas de escrever em outros segmentos? (se sim, quais) Magdaluce Ribeiro - Sim. Poemas e roteiro de peças infantis. Quais os seus principais projetos literários? Magdaluce Ribeiro - Continuar escrevendo para o público infantil e fazer parceria com músicos tornando a palavra escrita, também cantada. Pensas em publicar novos livros?

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Magdaluce Ribeiro - Sim. Já possuo outras obras esperando para serem lançadas no tempo certo. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Magdaluce Ribeiro. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Magdaluce Ribeiro - Que a leitura de belas histórias os tornem pessoas criativas, inteligentes capazes de mudar para melhor seus sentimentos e visão de mundo. Que o hábito de ler seja estimulado por pais e educadores de escolas. Levando a compreender a vida, e superando os desafios através da leitura de um bom livro. A leitura nos leva a liberdade. _________________ Divulga Escritor: Unindo Você ao Mundo através da Literatura. https://www.facebook.com/DivulgaEscritor/ www.divulgaescritor.com


DIVULGA ESCRITOR DIVULGA ESCRITOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM A ESCRITORA NIRAILDES FERREIRA

QUEM SOU EU E O QUE SOU A vida me trouxe ao longo do tempo Prazer e lamento, angústias e alento. Quem sou eu? E o que sou? Trilhando por muitos caminhos Repleto de idas e vindas Em Estações de chegada e de partida. Nas minhas inquietações me pergunto: Estou certo de para onde vou? Por alguns reconhecido Por vezes, até esquecido. Espero um dia ter cumprido O chamado ao qual fui submetido Será que sou mesmo o que sou? Esta é uma profissão para poucos. Exige muito estudo e reflexão, Garra e dedicação, Paixão e até compaixão. Será que estou pronto? Claro que não! Estou em eterna construção.

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Gratidão a ELE: O Mestre de todos os mestres! Por ter me escolhido Em meio a tanta balbúrdia E a tamanho alarido. Para exercer esse sublime ofício, Depois de tantas inquietações Posso finalmente responder A primeira de todas as perguntas Que fiz a mim e a você: Quem sou eu e o que sou? Eu sou alguém que nunca foge à luta Eu sou um professor! Niraildes Ferreira Souza Licenciatura Plena em Pedagogia Especialização em Psicopedagogia Clínica Orientação Vocacional/Profissional Professora de Pós Graduação

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DIVULGA ESCRITOR DIVULGA ESCRITOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM A ESCRITORA MÁRCIA VILLAÇA DA ROSA

Márcia Villaça da Rosa, 51 anos, solteira, é formada em Comunicação Social - Jornalismo - PUC, e em Letras - Português - USP. Atualmente está fazendo pós-graduação em Língua e Literatura Inglesa à distancia na UNIP (pólo Jundiaí). Autora de obras como Santa Clara (editora Nelpa, 2015), Sacre Coeur (editora Essencial, 2017) e Whitehaven (editora Matarazzo, 2019), a autora procura trabalhar com a linguagem escrita para, artisticamente, questionar, olvidar e transformar a realidade social, econômica, política e cultural que a cerceia. "A poesia de Márcia Rosa se insere em uma tradição de grandes poetas, na medida em que dialoga com eles, homenageando-os ou apenas retomando seus pensamento e idéias", declara a professora de Língua e Literatura Francesa - USP -, Daniela Callipo. Autores como Lord Byron, Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud e Fiodor Dostoievski, entre outros nomes de relevância no cenário literário, figuram entre os prediletos da autora. "No livro Whitehaven tive a oportunidade de fazer uma incursão literária pela escola ultrarromantica preconizada pelo autor inglês George Gordon Byron, ícone de geração artística conhecida como ' spleen' - a qual tem como temática a melancolia, o tédio e o escapismo da realidade", afirma Márcia Rosa. "A poesia de Márcia presenteia o público com a arte de versejar - é no contato com a dor, a catarse, o colapso da civilização moderna que ela procura elementos para desenvolver seu trabalho", segundo o tradutor e professor Elói Alves. Como sugere no poema "Rebelde Sem Causa", "... a poesia é o espelho d'alma... a palavra em mutação, transformação, construção... cada letra um grão de areia nos olhos irritadiços e marejados das gentes...", troveja a artista. Intuitiva e intimista, a autora pretende no ano de 2020 participar de novas coletâneas literárias ( como as promovidas pela editora Scortecci), investigar espaços e roteiros literários, como a Maison Balzac (situada em Paris) e Hauteville House (local em que o escritor e político francês Victor Hugo residiu em tempos conflituosos, situado na Inglaterra).

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ENTREVISTA

ESCRITORA MARGARIDA MARIA DE SOUZA Margarida Maria de Souza, serrinhense baiana, filha de Seu Pereira e D. Raquel reside em Salvador há 18 anos. Aposentada da UNEB, foi Funcionaria da Prefeitura Municipal, Professora concursada no CILNB há 12 anos; professoras de Literatura Infantil e língua Portuguesa no Colégio Senhora Sant’Anna; de Contabilidade Pública no Colégio Sir Alexander Fleming e Colégio de Alagoinhas; Funcionária da Prefeitura M. de Alagoinhas 12 anos e Contadora da Câmara Municipal 18 anos. Cursou Letras Vernáculas com Habilitação em Literaturas na UNEB (interrompendo-o). Premiada no Concurso de Contos promovido pela FFPA|UNEBLIVROS PUBLICADOS: Pedaços de Mim - Prosa; Alma Menina –Poesia; Memorias Entrelaçadas autobiográfico; Milena romance. Participa das Antologias Cumplicidade de Movimentos Antologia, Antologia Poética de Cidades Brasileiras e Dicionário de Escritores Contemporâneos da Bahia. Membro Fundadora da Casa do Poeta de Alagoinhas-CASPAL, Membro Efetivo da Academia de Letras e Artes de Alagoinhas – ALADA E Membro nº 133 da União Baiana de Escritores-UBESC.

Buscar do íntimo tudo que sinto e vejo. Talvez não tenha uma resposta razoável porque meu maior objetivo é ver divulgado os sentimentos que me assolam nos momentos de tristeza, alegria, dor e saudade.”

Boa Leitura!

‘Coisas da Vida’ - Em cada texto, um pouco de si Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Margarida Maria de Souza, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, em que momento se sentiu preparada para publicar “Coisas da Vida”? Margarida Souza - A Antologia Poética “Coisas da Vida” nasceu da ne-

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cessidade de reunir momentos que nasceram em mim em determinados momentos e situações diferentes como: reflexão, solidão, tristeza, alegria adicionando a acontecimentos reais, vividos e ou vivenciados por mim. Apresente-nos “Coisas da Vida” Margarida Souza - Apresenta 3 Contos; 30 Poesias; 3 Crônicas; 15 Prosas


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poéticas. Algumas mensagens que não identifiquei seu gênero como: Monologando com o papai, A Estrela Dalva, A Voz interior e Meus Quinze Anos, por me parecer com Solilóquio. O que mais a atrai nos textos poéticos? Margarida Souza - O sentimento emanado por eles para que me faça expor. Apresente-nos um dos textos publicados no livroAretusa Margarida Souza - Além no alto da montanha, sentada na imensidão daquelas pedreiras, está a doce e suave Aretusa!Sua imaginação flutua por sobre a imensidão de toda floresta que é coberta pelas suaves brisas das noites enluaradas! Deste céu que se torna mais azul aparecem mil desenhos representativos no estrelato natural que lhe é peculiar; E ela tão bela, meiga e amável se delicia ao contemplar e poder distinguir as coisas belas da vida! Sua imagem se balança nas águas cristalinas da cascata que nesse momento em sua frente, jorra na correnteza que se expande ai, formando o Rio. Como parece ser feliz?! Em que circunstancias se dá esta felicidade? Será que a felicidade realmente existe em seu mundo ou foi mera ilusão, simplesmente fantasia?! Por que naquela noite Aretusa procurava a contemplação da sua própria solidão através da natureza? Oh! Sim! Seu mundo estaria realmente cruzando aqueles horizontes que se pareciam fechado para muitos! Como escolhera este lugar?! Ah! A certeza que a felicidade por certo estaria em qualquer lugar, levou o destino, àquele local, a fim de encontrar-se consigo! Lá tudo era quedo, era silencio e melancolia! Os ruídos da noite eram contemplados com tanta tranquilidade, que a cada minuto que para si era silencio, tornava-se mais enfático para os animais, que parecendo contentar-se com aquela visita inesperada, elevavam gritos, ruídos, chilros enquanto dos seus lábios frases exclamativas respondiam

aos pequenos seres que lhe rodeiam. A Lua brilhante encandecia cada vez mais seus olhares enamorados que mais pareciam duas pérolas soltas ao mar! Tudo em seu redor adquiria mais brilho, mais vida e com mais vida resplandecia mais amor! Sua doce e meiga voz soltava murmúrios que só a natureza poderia traduzir diante da fragilidade com que eram pronunciadas as palavras! Oh! Que lindo!... Sabemos que cada texto tem um pedacinho da autora. Comente sobre o momento de criação deste texto. Margarida Souza - Em cada texto sinto um pedaço de mim escondido no meu íntimo com vontade de gritar: “ sou eu”! O que a escrita representa para você? Margarida Souza - Um desabafo! Um consolo! Um grito de explosão! Um conforto! Uma saída Onde podemos comprar o seu livro? Margarida Souza - Já fiz lançamento de alguns, como Pedaços de Mim, Alma Menina e Memórias Entrelaçadas em que algumas vendas aconteceram naqueles momentos. O romance Milena e Memórias Entrelaçadas ainda mantenho-os em casa. Alma Menina esgotou entre doações e algumas vendas.

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Quais os seus principais objetivos como escritora? Margarida Souza - Buscar do íntimo tudo que sinto e vejo. Talvez não tenha uma resposta razoável porque meu maior objetivo é ver divulgado os sentimentos que me assolam nos momentos de tristeza, alegria, dor e saudade. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Margarida Maria de Souza. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Margarida Souza - Desejo que os leitores que tomarem conhecimento desta entrevista tenham a oportunidade de poder divulgar também seus conhecimentos, através de trabalhos literários, espalhando sentimentos que somem aos que hoje são divulgados por vocês, com a sensibilidade de poder auxiliar no que for necessário.

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DIVULGA ESCRITOR DIVULGA ESCRITOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM A ESCRITORA EDEL SANCHES

O MERGULHO Meus sentimentos estão em pedaços Cada pedaço sofre, À medida que a areia vai cobrindo, Esse amor que foi arrancado, Com bulbo, raiz e tudo a mais. Os sentimentos estão em pedaços, Vão sendo cobertos por essa areia, Até não ter mais nada. Só restando o som de vento. Dissipando areia. Porque agora estão em pedaços. Estão mortos. Morte é o sentimento. À espera de um novo nascimento. Nascimento é o sofrimento à espera. À espera não do vento cobrindo com a areia, Mas da brisa Que alcança um rosto Dando malejo nas ondas Que cobrem o mar. As ondas que levam e trazem. As ondas que acalmam. Iluminadas por uma luz intensa. Mergulhada no mar. Onde a gaivota segue em direção a essa luz E se lança de cabeça no mar profundo. Sem medo de se machucar. Encontrando a sua subsistência. E saindo para dar a volta. Em torno da luz intensa. Indo de encontro, ao pôr-do-sol

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DIVULGA ESCRITOR DIVULGA ESCRITOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM A ESCRITORA MARILIA CAIRO

O SONHO DE LAVÍNIA

E

la perguntou de súbito: quem é o pai do bebê que vi na fotografia? Ele respondeu no início eu não tinha certeza…mas depois descobri que é meu filho mesmo. É meu filho mesmo. Ela parou. Sentiu por um momento como se o tempo e o espaço estivessem confusos, desfocados. Ele, parece que não sentia empatia pela confusão dela, pelo seu desespero. A expressão dele era divertida, até. Era como se ela tivesse levado muito tempo para constatar o óbvio. Mas em seu entendimento não era assim. Para ela, viviam um amor, eles tinham uma conexão profunda e rara. Ela fazia planos para o futuro, idealizava como seriam as suas vidas em diversas etapas. E, apesar dos problemas que enfrentavam, por nenhum momento ela pensou que não era verdadeiro, que a história na verdade era outra. Os seus pensamentos começaram a importunar: Como é possível? Onde eu havia estado todo esse tempo, que não percebi nada do que acontecia? Será que eu já havia enxergado, mas me neguei a aceitar? Ela não sabia. E aquilo a deixava incrédula e confusa, duvidando de si mesma. Olhou para ele com uma expressão de raiva e mágoa, como que pedindo uma explicação. Mas ele não se importou, seguiu o caminho normalmente. Então o rancor explodiu em seu peito e ela protestou com lágrimas nos olhos: “o que você fez?” Ele se incomodou, não gostou de ela o estar irritando e criando uma cena, passou a trata-la com desdém. E o que ela deduzia da sua atitude era que, pois bem, ele não estava preocupado. Parecia que ele havia conseguido usufruir até onde pôde o que tinham, e, que agora, já não importava mais.

Agora ostentava no semblante uma espécie de riso cínico, e era como se ela pudesse adivinhar os seus pensamentos: “você fez com que eu agisse assim”. Ela insistiu, o segurou cobrando uma explicação, ele a desprendeu do seu braço e a empurrou. A bolsa dela tombou no asfalto e alguns de seus pertences se espalharam. A bolsinha de maquiagem, os remédios para alergia, o bloquinho de notas, as faturas a pagar. Sentiu pena de si mesma. Sentiu-se pequena e ridícula, com suas ideias de uma vida esplendorosa no futuro e suas playlists de Pink Floyd e Beatles. Como havia chegado àquele momento em sua vida? Olhou num relance para instantes da sua existência, como que pelo retrovisor de um carro em movimento, e soube que não havia se tornada a pessoa que um dia havia ardentemente desejado. Ela renunciou à seus sonhos. Ela apostou um preço alto. E perdeu. Como a esperada explicação dele não viera, assim como não viera um conforto ou agrado qualquer, pensou por um momento que o problema podia ser mesmo dela, da sua inabilidade de se relacionar. Ela estava pondo tudo a perder, mais uma vez. Tinham viajado para passar o feriado prolongado numa cidadezinha do interior de Minas, que costumavam visitar, e tudo deveria transcorrer bem. Ela deveria relevar certos problemas corriqueiros, se quisesse ser feliz. Afinal, por muito tempo o seu casamento havia sido assim. Renúncias e desculpas. Não obstante, por algum motivo, agora parecia diferente, como se ela houvesse despertado momentaneamente de um poderoso devaneio. Surgira uma pequena epifania, uma estreita janela em sua alma pela qual ela pudesse

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finalmente saltar e fugir. Era como se ela o estivesse enxergando pela primeira vez. Perscrutava a pessoa com a qual havia se casado, mas ela estava ali? Realmente existira um dia? Agora parecia claro que os abusos emocionais eram frequentes e que ela relevava, na expectativa de que tudo melhoraria. Mas o ciclo nunca teria fim, ela finalmente entendeu. Se ele era tão bom como muitos diziam, por que, afinal, ela se sentia tão mal? Atordoada com suas emoções, ela recolheu apressadamente os objetos do chão, recolocando-os na bolsa, virou-se e saiu descendo a rua sozinha, à passos largos. A calçada era enladeirada, com buracos no asfalto e poças de água da chuva. Crianças pequenas brincavam na rua, descalças. O lugar era simples e não muito movimentado. Ela pensou que precisava ir para casa, e então lembrou da sua mãe, e no que ela diria quando lhe contasse. Achou até que ela iria minimizar a situação mais uma vez, como sempre fazia. E lhe daria algum conselho para manter o casamento. Ela nunca entendera a sua mãe nesse aspecto. Nunca entendera os seus motivos. Ela, sempre fiel e se esforçando. Ele, sempre com crises de humor e mudanças de planos. Sofria mas no fim se rendia; casamento é sacrifício, diziam muitos. E assim ela seguia com concessões dilacerantes e infinitas. Sentiu uma pontada de ressentimento, e pensar nisso aumentou a sua sensação de solidão. Até passou novamente pelos seus pensamentos: “Será que estou vendo com clareza? Estou exagerando?” E outra voz interna parecia responder: “Está evidente que ele não se importa!”. Ela tentava manter o foco e agir racionalmente, e rápido. À essa altura ela já havia deixado a sua mala encostada no portão de aço de um ponto comercial, à alguns metros atrás. Se voltou para buscar e viu que

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ele a olhava com uma fisionomia irônica, como se já soubesse que ela vacilaria da decisão de ir embora. Seu relacionamento com ele, sobretudo nos últimos dois anos, quando ter conseguindo conquista-la já não era mais uma novidade, foi minando a sua autoestima, a deixando insegura. Já estava se tornando extenuante. Ela queria ele. Mas também queria a si mesma. Visceralmente. Muitas vezes tinha até saudade de si mesma. De quem já fora um dia. Olhava fotos da garota de anos atrás e por vezes achava que era outra pessoa. Ela tinha um sentimento de insatisfação que aumentava cada vez mais. Uma sensação de que estava negligenciando-se de alguma forma, de que precisava mudar, retomar o comando da sua própria vida. Mas, se em principio ela sabia exatamente o que fazer, agir era muito mais doloroso. Ela não conseguia sair do lugar, era como se estivesse com a alma anestesiada. O medo de ficar sozinha. De estar percebendo as situações de forma equivocada. Do julgamento dos outros. Ela não sabia ao certo, não conseguia depreender a complexidade dos seus sentimentos. Era um paradoxo inexorável e delirante do qual nunca conseguira se desvencilhar. Via-se dando voltas no mesmo lugar, perdida, inconformada. Queria romper com o padrão negativo, de sofrimento, de sentir que não estava no controle, como se algo ou alguém estivesse. Mas quem? O que era? O que estava acontecendo? Ela se questionava. Vacilando entre ficar e ir embora, ela o ignorou e continuou seguindo até a mala. Arrastou uma delas num gesto brusco e desceu a rua novamente. Ele havia iniciado uma conversa com um conhecido que passava. Os dois riam, falavam alto, gesticulavam, pareciam animados. Num ímpeto de perplexidade, ela virou para ele e o olhou com uma expressão ao mesmo

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tempo vazia e decidida. Ele devolveu com ar debochado, como que sugerindo que ela estivesse comportando-se como alguém totalmente desacreditado. Você precisa progredir, você precisa amadurecer, era o que ele sempre dizia. A mesma história se repetia irremediavelmente, enquanto ela sucumbia em silêncio. Ela sentiu então uma necessidade enorme de ser acolhida, de voltar para o lugar no qual a reconheceriam, a acariciariam, fosse esse lugar qual fosse. Onde era? Onde era o seu lugar? Para onde ela deveria ir para que lhe dissessem que não, que ela não era inadequada, que ela foi sincera, que ela sangrou violentamente de tanto se doar?? Queria voltar para o seu lugar, como se tivesse se distanciado muito dele, e por muito tempo. Mas não sabia como poderia voltar, e nem onde era esse lugar.

Sobre o autor Marília Cairo é natural de Porto Seguro/ Bahia, mas mudou-se com sua família para Salvador ainda com meses de vida. Se formou em Produção Cultural em 2009 e em Jornalismo em 2014, pela Universidade Federal da Bahia. Mãe e profissional, atualmente também publica textos no Blogueiras Feministas. O universo das palavras é o seu lugar de paz e transformação. Escrever é uma maneira de reviver os acontecimentos, de brindar à vida, de ver por outro ângulo, de expurgar o que ficou acumulado das experiências vividas. Uma aventura...


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ENTREVISTA

ESCRITORA NAY LISBOA Uma história de amor, contada por uma menina chamada Nay Lisboa, que acredita em sonhos mágicos. Uma menina que acredita que tudo é possível, até o impossível é possível, quando não desistimos de sonhar. Predestinados é uma história que nos envolve e nos causa surpresas, a cada capítulo que se desvenda através das páginas cuidadosamente escritas por Nay. Angela, uma menina diferente, que vive em seu mundo paralelo, assim como tantas adolescentes. Percebe-se perdida, quando o amor se apresenta através de um menino que acaba de se mudar para a sua rua, esse mesmo amor vai mudar sua vida completamente.

Será que um simples mortal pode salvar a vida de deuses? Num romance cheio de suspense, mistério, fantasia, e trilhas complicadas. Ângela e Demétrio vão lhe mostrar se o amor é realmente capaz de salvar alguém, ou não!”

Boa Leitura!

Predestinados – Talvez a única forma de cura seja o amor Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Nay Lisboa, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto pela arte de escrever? Nay Lisboa - Primeiramente eu quem agradeço por estar participando da revista Divulga escritor, obrigado pela honra de conceder esta entrevista. Enfim, escrever para mim é como respirar portanto o gosto pela arte se deu pelo instinto de sobrevivência aos 9 anos de idade. Escrever para mim é uma forma de libertar-me de meus conflitos e usar de minha escrita para ajudar ou-

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tras pessoas que se sentem aprisionadas por algo. O poder de fazer alguém viajar por universos desconhecidos, refletir em algo e quem sabe mudar pensamentos é algo completamente prazeroso e é isso que me motiva todos os dias. Em que momento se sentiu preparada para publicar “Predestinados - Talvez a única forma de cura seja o amor”? Nay Lisboa - Nunca. Mas havia uma necessidade em mim que se tornou maior do que os meus medos, e eu percebi que precisava mostrar mais de mim para o mundo. Foi quando entrei em grupos de escritores e a Editora Fross me encontrou.


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O que a inspirou na escrita do enredo que compõe a trama? Nay Lisboa - Eu costumo dizer que eu não escrevo histórias, elas se apresentam para mim. Eu apenas sento e deixo que meus dedos digitem ou escrevam o que sinto. Essa história especificamente eu sonhei com uma parte um dia, sentei e deixei que fosse surgindo um enredo. Quanto tempo do inicio da escrita a publicação do livro? Nay Lisboa - Menos de seis meses acredito eu, já havia outros livros escritos mas escolhi que publicaria o mais recente, portanto publiquei assim que finalizei. Apresente-nos a obra Nay Lisboa - Ele? Um simples mortal que sempre se sentiu deslocado de tudo e de todos... Ela? Uma garota confusa; estranha, diferente e prestes a se descobrir uma Deusa suprem!. A vida reservou surpresas tanto para ela quanto pra ele. Ele com seu charme descaradamente encantador sempre acreditou existir algo mais, ela com sua vida virada do avesso; que nunca acreditou que merecia amar alguém, vai descobrir o amor em quem menos esperou! Juntos; vão lutar pela vida um do outro, pelo amor recém descoberto, mas será mesmo que esse amor avassalador e intenso é capaz de superar sacrifícios, obstáculos além do mundo natural? Será que um simples mortal pode salvar a vida de deuses? Num romance cheio de suspense, mistério, fantasia, e trilhas complicadas. Ângela e Demétrio vão lhe mostrar se o amor é realmente capaz de salvar alguém, ou não! A quem indica leitura? Nay Lisboa - A todos que gostam de romances hots e fantasia, em especial para pessoas que gostam de viajar em universos únicos e envolventes. Qual o momento que mais a marcou enquanto escrevia “Predestinados Talvez a única forma de cura seja o amor” Nay Lisboa - O momento em que eu

percebi que não havia apenas uma historia, haviam reflexões que eram partes de mim e eu queria passar para o publico. O momento mais precioso para mim foi quando li o final, eu não planejei que saísse como saiu e isso me surpreendeu demais. Onde podemos comprar o seu livro? Nay Lisboa - No site: www.edfross.com ou nos sites de livrarias como: Americanas, Amazon, Submarino. Tem também no clube dos autores, Na Amazon KDP, no Skoob e etc. Quais os seus próximos projetos literários? Nay Lisboa - Tenho seis livros escritos esperando para serem publicados, e vários projetos em desenvolvimento. Eu não paro de escrever assim como não paro de respirar. Então; fiquei atentos as novidades que estão por vir.

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Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Nay Lisboa. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Nay Lisboa - Eu é quem agradeço novamente a oportunidade, e peço que leiam com carinho o livro Predestinados, e nunca deixem de ler porque ler é liberdade, é viajar, se identificar, ler é viver e nada melhor do que viver para sentir diversas emoções num mesmo momento e viajar para universos que só os livros são capazes de nos oferecer.

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DIVULGA DIVULGA ESCRITOR ESCRITOR DIVULGA ESCRITOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM A ESCRITOR TITO LARAYA

A SANTÍSSIMA TRINDADE e São Tomas de Aquino Sou católico! A religião que sigo é cheia de dogmas, questão de fé que tem que ser aceitas, jamais discutidas, mas mesmo assim muitas vezes tentaram explicá-las, sem bom resultado. Um dos casos é o da Santíssima Trindade, que resume a serem três pessoas em um só Deus, de igual valor e tamanho, Deus Pai, Jesus Cristo e o Espírito Santo. Esse é um dogma plenamente aceito, e tem como nome Santíssima Trindade, mas não impediu a doutores da igreja tentassem explicá-lo sem grande mérito. Conta a estória que São Tomas de Aquino ao escrever a Suma Teológica, uma das obras mais importantes de Filosofia e Teologia, como um dos pilares do Catolicismo, tentava resolver esse dogma. Até que um dia passeando na praia viu um menino que havia cavado um pequeno buraco na areia, e com um dedal carregava um pouco de água do mar até o buraco, depois vinha e colocava mais. São Tomas indignado com aquilo, abandonou seus pensamentos e perguntou a criança o que ela pretendia com aquilo. A criança respondeu: ---Pretendo colocar a água do oceano neste buraco! O que de pronto São Tomás respondeu: 78

---Mas isto é impossível! ---É mais fácil eu conseguir meu intento do que o senhor resolver o dilema que está a meditar. ---O que me dizes? ---Explicar a Santíssima Trindade! Estudei em colégio de religiosos e esta estória nos era contada pelos padres, mas não me impediu, de estudar, e meditar minha vida inteira para resolver o problema. Afinal quem resolvesse isto saberia a verdadeira forma de Deus.

A FORMA DE DEUS Existem diversas religiões advindas do mesmo tronco, o judaísmo. Eu faço parte de uma delas o Catolicismo. O que diferencia uma da outra é a pessoa da Santíssima Trindade que resolvem adorar, os judeus têm como veneração Jeová, Deus Pai, os católicos, Jesus Cristo, Deus Filho, e os evangélicos ao Espírito Santo, e assim vai... Não é capazes de ver que o Deus é o mesmo, somente a forma com que se apresenta é diversa, e com isto modifica a importância da ordem dos ensinamentos da Bíblia, como se fossem divindades distintas, quando é uma só. Com isso e em função disto, cria-se a cizânia, discussão, e não a paz entre as religiões, como já houve até guerras no passado, perseguições, e há nos tempos atuais uma incompreensão. Na verdade o homem sempre será homem e o que ele busca é o poder, e utiliza, ou cria pequenas diferenças, para criar a desunião, segundo Maquiavel, à melhor forma de governar é dividir, e é assim como vários governam o mundo de hoje. Portanto dirimir dúvidas, buscar o conhecimento não interessa muito a muitos, por isso tanta desunião pela mesma razão! Mais uma vez, conhecendo disto, www.divulgaescritor.com | abril | 2020

me pensar e meditar, e pesquisar para conseguir um mundo mais pacífico, uma sociedade em que se viva melhor, sem me importar com mazelas, e os problemas criados pelo homem.

JESUS E O PECADO A fé cristã reza em mais um dogma, que Jesus nasceu e morreu sem pecado. Acontece, no entanto, que foi condenado a morte pelos judeus por um pecado “de se fazer passar por Deus”. Este é um ponto que esbarra em outro dogma do cristianismo, Jesus era Deus, e como tal a segunda pessoa da Santíssima Trindade, e como Deus pode cometer um ato que desagrade, desrespeite ou ofenda a si próprio? A argumentação que vem logo a seguir é que ele cometeu então o suicídio, outro pecado grave. Jesus era um homem e seu sacrifício era a morte com humilhação injustamente envolvida, e disto perdoará quem fez, por que o perdão é a forma de se obter a paz. Fato que faz na cruz! Com isso a sua filosofia máxima que é a do amor e do perdão se abrange a todos. Na sua morte no calvário se fez noite! Todos pensaram que ele tinha se ido, por pouco tempo, e levado consigo os pecados do mundo. Já os cristãos vêem esta segunda forma como a correta. Jesus perdoou a todos e pregou o perdão a todos, só ensinou a alguns como forma de viver, mas na verdade é a melhor forma de viver. Assim fortalece seu laço e a divindade então conhecida Deus Pai, e uma prova disto é que ressuscita e envia o espírito santo, ou o espírito paráclito, ou a alma de Deus aos homens, para que ilumine a quem quisesse ser iluminado e merecesse. Prova, comprova de todas as formas na sua morte sua condição de Deus.


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ENTREVISTA

ESCRITORA NEL MACENA Nelcélia Macena Guimarães, nasceu em Careiro Castanho/AM, atualmente reside em Manaus/AM. Ouviu da mãe as primeiras histórias: bíblicas, contos clássicos, lendas amazônicas, dentre outros. Mas foi com a experiência na sala de aula que começou a fazer os primeiros registros de histórias infantis. Desenvolve trabalhos como Contadora de Histórias emescolas, orfanatos, hospitais, bibliotecas, dentre outros e Capelâ Infantil. É professora, escritora, poetisa, membro da AEPOCAM (Associação de Poetas e Escritores Careirenses), membro da ALCAMA (Academia de Letras e Culturas da Amazônia), co-autora na Antologia Lugares de Memória pela Editora IGM. Lançou recentemente um livro para o público infantil com o tema “Vovô João” pela Editora Palavra da Terra.

“O contato constante com os avós tem efeito positivo na vida das crianças, é uma relação que vai gerar fortes lembranças para os pequenos e para o futuro, é um amor extraordinário que se carrega no peito por toda a vida, um amor que está sempre pronto para ser compartilhado.”

Boa Leitura!

Nel Macena apresenta ‘Vovô João’ Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Nelcélia Macena Guimarães, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a escrever um livro? Nel Macena - Eu tive contato com os livros desde a mais tenra idade e me foi apresentado de uma forma espetacular. Minha mãe era professora e me oportunizou esse mundo mágico e encantado da leitura. Depois, tornei-me professora e comecei a contar histórias também; elas sempre me fascinaram e é um instrumento poderoso de instrução e educação, além de ser uma oportunidade para formar leitores. Em dado momento trabalhando em sala de aula alguns temas procurava uma hiswww.divulgaescritor.com | abril | 2020

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tória que se encaixasse, porém quando não encontrava escrevia uma de acordo com aquilo que queria transmitir para a minha classe. Então, resolvi compartilhar com outros leitores e/ou professores pensando no quanto poderia contribuir na formação delas, marcando toda uma geração, transmitindo o lado da leitura que envolve, encanta, traz satisfação e gratificação. O que a escrita representa para você? Como vem se desenvolvendo a escrita em sua carreira literária? Nel Macena - A possibilidade de expansão de mensagens para além do tempo e espaço. É a porta de entrada para a cultura, saber tecnológico, científico, dentre outros. Faz com que a mente flua, deixando o pensamento no papel e traz uma expectativa de troca


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de informações e conhecimentos. Se for ensinada de forma correta não vai se tornar um processo maçante, mecânico e sem propósito. Desde sempre ouvia meus professores dizerem que só se aprende escrever escrevendo, então não tem sido diferente, a escrita na minha carreira literária é processual, tenho aprendido a escrever o que eu estou escrevendo, aprendendo a ler as minhas próprias histórias, ouvindo a opinião de outros autores e adquirindo uma postura diante desse aprendizado. Em outras palavras a escrita só vai fluir escrevendo, dialogando, ouvindo, desenvolvendo técnicas e incorporando esse aprendizado no dia a dia. Apresente-nos “Vovô João” Nel Macena - Abraço, carinho, atenção, é sempre bom, principalmente quando é dos avós, por ser tão acolhedor e envolvente. A narradora desse livro conta em detalhes esse momento mágico que é a relação dela com os avós repleto de ternura, lealdade, doçura, carinho e amizade. Se quiser, não deixe de ler este livro, que trata com tanta graça e sensibilidade da relação afetiva entre os netos e os avós. O que mais a encanta em “Vovô João”? Nel Macena - Apesar do vovô relatado no livro ser de mais idade do que os avós atuais, ele era divertido e participativo na vida dos netos e o que mais encanta é essa relação de reciprocidade, de ternura, lealdade e atenção. O fato de ele dedicar um tempo para brincar com os netos é o ponto mais alto da narrativa, percebe-se um forte vínculo e um enorme benefício em forma de bem-estar emocional e psicológico. Qual a mensagem que deseja transmitir ao leitor por meio da leitura do livro? Nel Macena - O contato constante com os avós tem efeito positivo na vida das crianças, é uma relação que vai gerar fortes lembranças para os pequenos e para o futuro, é um amor extraordinário que se carrega no peito por toda a vida, um amor que está sempre pronto para ser compartilhado. Sabemos que o envolvimento dos netos com os avós aumenta o desempenho escolar, a auto-estima, a inteligência emocional e a fazer e manter amigos. É uma opor-

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tunidade para receber e dar carinho, ambos são beneficiados, um momento de aprendizado, de fazer com que os pequenos respeitem os idosos, que também é dever dos netos cuidar, amar e colaborar na velhice dos avós. Onde podemos comprar o seu livro? Nel Macena - Compras pelo WhatsApp (92) 993756251 ou pelo e-mail nelcelia_20@hotmail.com Pensas em escrever novos livros? Comente, quais os seus principais objetivos a serem alcançados como escritora. Nel Macena - Vou continuar escrevendo livros para as crianças por que quero alcançá-las com a minha mensagem, algo que possa marcar o coração de cada uma. Quero contribuir para que diferentes habilidades sejam afloradas por meio da literatura, entre elas a linguagem, contribuindo para a ampliação do vocabulário, incentivando a criatividade e a vivência do mundo do faz de conta. É uma atividade pela qual a criança pode conhecer diferentes formas de falar,viver, pensar e agir, além de um universo de valores, costumes e comportamentos de sua e de outras culturas situadas em tempos e espaços diversos do seu, além de estimular a escrita. Você é contadora de histórias, comente sobre sua experiência com este trabalho. Quem desejar convidar você para um evento como contadora de história, como deve fazer? Nel Macena - É muito emocionante toda vez que faço uma hora do conto, www.divulgaescritor.com | abril | 2020

você sente que está passando algo de bom para alguém, isso é muito realizador. Virou paixão a partir do momento em que eu contava a história e via nos olhos das crianças que eu estava sendo útil. É um momento oportuno para a troca de ideias criativas, sonhos e fantasias. Eu sinto como se fosse uma criança também, me coloco junto delas trocando ideias, discutindo a história, contamos e representamos juntos. Para convite é só entrar em contato pelo WatsApp (092) 993756251. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Nelcélia Macena Guimarães. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Nel Macena - O ato de ler é reconhecido por muitos como algo indispensável para as crianças. É de suma importância que pais e educadores apresentem a leitura para a criança, criando o desfio de conhecer o livro resultando em querer saber mais sobre o que aprende. Com as fantasias nas histórias, é possível extrair da criança a imaginação do que está descrito e não escrito. Toda criança ao ouvir ou ler histórias vai além das letras. Nesse sentido, que possamos oportunizar nossas crianças dando-lhes acesso à literatura. _________________ Divulga Escritor: Unindo Você ao Mundo através da Literatura. https://www.facebook.com/DivulgaEscritor/ www.divulgaescritor.com


DIVULGA ESCRITOR DIVULGA ESCRITOR PARTICIPAĂ‡ĂƒO ESPECIAL COM A ESCRITOR CIGANO ROMANI

A Dama Do Vento Quisera eu ser o vento forte Para bailar no seu cabelo Roubar sua atenção E sentir seu cheiro Quisera eu ser a brisa da manhã Para tocar seu rosto Acariciar sua pele macia E te deixar feliz O resto do dia Eu quisera ser um vendaval Para levantar o seu vestido Descobrir os seus segredos E guardar comigo

Se um livro vocĂŞ fosse Que livro seria HistĂłria policial Romance ou poesia A capa do seu livro Me ajude a descrever Certamente irresistĂ­vel Suplicando para ler Abrindo suas pĂĄginas Tocando com meus dedos Passeando em suas linhas Desvelando seus segredos Lendo cada palavra Como se estivesse no CĂŠu Ou uma abelha entre as flores Produzindo seu mel Se fosse de poesia Iria me inspirar Sairia suspirando Sedento para te conquistar

Eu quisera ser um vento fino Num dia de frio Soprar bem mansinho na sua nuca E lhe provocar arrepio Quisera eu numa noite fresca Com todo luar Com vocĂŞ sozinha Poder te abraçar Num dia de sol De muito calor Soprar o seu corpo Refrescar vocĂŞ Com todo amor Quisera eu poder te cobrir Poder descobrir VocĂŞ ao relento Ser vocĂŞ a Ăşnica E verdadeira dama do vento đ&#x;?€đ&#x;?€đ&#x;?€đ&#x;?€đ&#x;?€đ&#x;?€đ&#x;?€đ&#x;?€đ&#x;?€đ&#x;?€đ&#x;?€đ&#x;?€đ&#x;?€đ&#x;?€đ&#x;?€ Don Romani Em 23/11/18 https://www.facebook.com/caminhandocomapoesia Direitos autorais reservados

Ha como seria bom Descobrir suas escolhas Passar o dia com vocĂŞ Mergulhado em suas folhas Cigano Romani em 25/01/2020 https://www.facebook.com/caminhandocomapoesia Direitos autorais reservadosÂŽ www.divulgaescritor.com | abril | 2020

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DIVULGA ESCRITOR DIVULGA ESCRITOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM O ESCRITOR JORGE BARBOSA FILHO

Jorge Barbosa Filho (Jorge do Irajá) Nascido no Rio de Janeiro em 23 de maio de 1960 no bairro do Rio Comprido. Viveu no subúrbio, bairro do Irajá até 1984, onde com 9 anos já rabiscava os primeiros poemas. Com 18 anos o primeiro livro de poemas “Poesia ou Crime Quase Perfeito”, Ed. do Autor. no Rio. Em São Paulo”, lançou “Mais”, Ed.do Autor, em 1985. Depois em Florianópolis, “Mequetrefes”, Ed. do Autor,1990. Todos encontram-se em lugares incertos e não sabidos, pois foram perdidos e/ou roubados. Já em Curitiba, trabalhou como Produtor e Angariador de Apoios Culturais para a Rádio Educativa do Paraná, 1997/1999 e escreveu na Revista Ideias com a coluna literária “Diversos” nos anos de 2007/08. Formou-se em Licenciatura/Português em 2003. Lecionou em diversos colégios de Curitiba e Região Metropolitana, além de ministrar, palestras e Oficinas de Criação e Sensibilização Poética para as Secretarias de Educação e Cultura, Biblioteca Pública do Paraná, Colégios Particulares e no SESC-PR, na capital e no interior. Contribuiu na implantação do circuito de recitais em Curitiba. Nesta cidade, lançou “Buquês de Alfafas” pela Editora Kafka Edições Baratas em 2005 e “Ópera 44”, Ed. Do Autor, com o artista plástico Paulo Pisano em 2006. Relançamento do livro “Buquês de Alfafa”, Ed. Do Autor, Rio de Janeiro – 2012 a 2016; e “Transcendência Zero” pela Kotter Editorial – Curitiba, já na Parnaíba, Piauí. Mora atualmente na Parnaíba cantando blues e sambas na varanda em finais de semana. Trabalha como Captador de Eventos e realiza Oficinas de Criação e Sensibilização Poética, Oficinais para Professores de Educação e outros, além de recitais performáticos.

Contatos: jorgebarbosafilho@yahoo.com.br Facebook - Jorge Barbosa Filho Myspace - jorgedoiraja/myspace Telefones: (86) 98120-4604 - Vivo/ Whatsapp e (86) 3322-1236 – Fixo.

Samba golfadas de fantasia despindo a lucidez... escolas-de-samba percorrendo as minhas veias, a chuva de prazer... e a certeza de um céu constelado de bucetas mulatas rebolando úmidas em minhas línguas seios em sensual desespero escorrendo em meu peito como morros e favelas. piratas saqueando o ouro de minhas palavras e as enterrando sem mapas em algum canto de tantos carnavais. sons e visões da negritude... um pierrot decreta cambaleante 82

a eterna quarta-feira de cinzas... e um ser... um ser fantasiado de cachorro, lambe a minha cara: não foi cultura e nem raça, foi coca-cola com cachaça!

Impessoais (prelúdio às metáforas das trevas) eu... eu se fosse, apenas eu, não creria em nada, em ninguém,

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nem em você muito menos em mim. eu... enfim que me perdi nos disfarces de meus nomes nos antônimos de meus vultos nos heterônimos de meus vulgos. eu que fui inteiro pelas metades, nos quartos de meus amores...


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comi pelas beiras ceias nefastas. vivi secretos escândalos impessoais. guardei tudo e cerquei-me de velas para sublimar sutis encantos. cobri-me de jornais para parecer morto e santo furiosamente manso! provei as melhores mulheres e poemas que quis, que fiz que me quiseram, me nasceram, me viveram e me morreram. quando fingi tanto o que não quis e o que não fiz, portanto: a matéria prima que fundei no meu fim anima-me em muitos pra onde me mudo por minutos fortuitos nestas criaturas no escuro de tudo que procuro... quero mais magias além das tabacarias do opiário geral do insano cotidiano, ou também, da reta final de um poema tamanho... quero pelo menos para mais além das garrafas de gim dos candomblés dos mouros Djins shaitans caóticos e místicos shazans a orar católico no final dos versos

em charmes dos lordes, bandidos e banidos, parricidas delfins... quero arrombar aruba e os caribes de carybé! quero chegar assim em mim, por fim, pois creio que no teu marasmo mora o meu ateu sarcasmo, encarnado, não à louca possibilidade, mas à impossibilidade sã no mal-estar, de ser certo pelo avesso ao contrário do direito de permanecer quieto e vasto, como um mote infinito fincado no peito do tempo nas esquinas de cada verso de nada sabendo se encontro meu ladrão ou minha polícia... ad hoc ad aeternum! doe-me refletir-me do presente que não me curo, pois o passado arrebata-me em espelhos de estilhaços futuros. adoro tantos deuses que seria um pecado escolher apenas um que em prece peço. deus que dança deus inúmeral, irracional imaterial, irreal e ele é minha imagem, semelhança na dança fraternal... sou assim para além de poetas das mais pessoas. onde estará o resto

destas pessoas que sumiram em multidões de pessoas numa pessoa? que encanto levaram? desabaram cenários? inauguraram hálitos? novas ambiências? absurdas reticências de pobres espetáculos na má fé da boa vontade? aonde estão as pessoas que se foram de mim?

O cu do mundo durmo de pau duro e sonho.

flambo em fumos e fósforos meu ouroboros...

acordo de pau duro e vivo.

como o meu rabo para prosseguir.

vivo todos os dias de pau duro e vamos...

como meu rastro para ser feliz.

mesmo com noites mal dormidas, amo...

e como, tenho dito, ainda vivo...

mesmo com dias mal vividos, ando...

todos os dias de pau duro e juro, trabalho duro essa vida de cu

sendo todo dividido, insisto.

e fundo, enfim, meu cu do mundo em mim.

sendo todo fodido, existo e vivo todos os dias duro, eu juro, duro! por mais uns instantes, expando...

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por mais humilhante, ainda canto...

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ENTREVISTA

ESCRITOR PEDRO VERONEZE Pedro Veroneze é escritor, poeta, romancista e roteirista. Também carioca nascido em 2001 e começou a produzir seus textos aos 12 anos de idade. Reside atualmente na região serrana do Rj; Nova Friburgo. Na cidade, exerce, como acadêmico, sua função ao Anexo Jovem da Academia Friburguense de Letras, empossado a cadeira 7A. Há dois anos publicou sua primeira obra na Editora a qual ajudou a fundar, The Pandemic, por Editora Fross. Dois anos depois, publicará, no primeiro semestre de 2020, seu segundo livro, Entre Cactos e Balões. Para conhecer mais do autor, basta seguir seu perfil pessoal; @pedroveronezeoliveira

Boa Leitura!

O terror me faz sentir. Fico alerta, prestando atenção, e o mais importante, com medo. E eu sou um tanto assustado; o que torna ainda mais divertido. O terror me faz sentir. E se eu leio, vejo, ouço, faço e não sinto; esse é um terror para mim, um que não provar.”

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O egoísmo - é ele quem está lentamente envenenando o mundo Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritor Pedro Veroneze, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que o motivou a escrever “The Pandemic”? Pedro Veroneze - Bom, para te ser sincero, é uma pergunta bem difícil para mim. Hoje estou no time 18. Publiquei The Pandemic com 16 anos. Comecei-o a escrever por volta dos 13. E apesar de novo, já é de agora minha memória lesar meus pensamentos. Mas basicamente; empatia, criatividade e uma vontade de escrever, eu acho. As pessoas, escritores em especial, costumam muito romantizar a questão de um projeto literário. Sobre aquilo que o incentivou e tudo mais. Para mim, é tudo balela para ganhar a mídia. A criatividade não é um dom, isso é bobagem poética. Diria para você como cerne de minha questão; minha linda, chata, assustadora e divertida imaginação criativa. Tudo que faço na vida vem dela. O que mais o atrai nos textos de terror? Pedro Veroneze - O que mais me atrai nos textos de terror é o terror, eu acho. Eu sei que é redundante, mas quando vejo um filme ou série, quando leio um livro, quero sentir aquilo. Participar, torcer; ou até quase nunca, chorar. Afinal, os sentimentos são nossos sentinelas na vida. O terror me faz sentir. Fico alerta, prestando atenção, e o mais importante, com medo. E eu sou um tanto assustado; o que torna ainda mais divertido. O terror me faz sentir. E se eu leio, vejo, ouço, faço e não sinto; esse é um terror para mim, um que não provar. Apresente-nos a obra Pedro Veroneze - Meu livro fala sobre pessoas. Sobre pessoas, suas decisões e suas relações. Se ambienta a noroes-

te dos Estados Unidos em alguns frios condados por lá. Um vírus começou a se espalhar rápido. Em breve, se tornaria uma Pandemia. Eles acham que pode ter vindo do leste europeu. Terrorismo. Ou quem sabe as geleiras derretidas pelo aquecimento global liberaram um vírus pré-histórico. Ou é um castigo de Deus a nossos pecados. Ou um flagelo do Diabo. Os seres-humanos são crentes; pois mesmo que não é, crê em não crer. Motoqueiros se matam em suas irmandades de gangues, soldados protegem e desertam, adolescentes ficam felizes em dizer, foda-se a escola. E os doentes e necessitados passam dificuldade, não há mais o médico do hospital nem o psicólogo para tratar a TDI. Será que as pessoas podem realmente viver sozinhas e afastadas? O egoísmo. É ele quem está lentamente envenenando o mundo. E isso é a verdadeira Pandemia. Qual o momento que mais chamou a sua atenção, enquanto escrevia “The Pandemic” Pedro Veroneze - Certamente quando percebi sua semelhança a vida. Inicialmente, não era um projeto meu transforma-lo num compacto livro. Eu escrevia um capítulo inteiro, ou algumas páginas quando estava triste; vem as reflexões. Ou quando estava engraçadinho ou bêbado no brilho e nasce Seth e outros. Ou romântico quando pensava em certos alguéns. Ou com um puta medo de um filme ou por sensação, simplesmente. Havia centenas dessas cenas. Daí, eu com todo esse material, conheci um engenheiro e arquiteto que me ajudou a projetar a casa. Fui o pedreiro, morador e o empreiteiro que supriu os materiais, mas foi ele que me disse onde subir parede e onde colocar as janelas. Devo muito ao meu editor, sócio e amigo Antonio Carlos Frossard. Editora chefe da para sempre minha Editora, Fross.

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Qual a mensagem que deseja transmitir ao leitor, por meio da leitura de “The Pandemic”? Pedro Veroneze - Quero que as pessoas tenham empatia. Não simplesmente ter, mas agir. Você que sentiu pena do cara pedindo esmola, da mulher sendo agredida ou de qualquer merda acontecendo e não fez nada, é igual a quem ignorou. Não o façam, as pessoas estão vazias por conta disso. E a chuva só chora. E eu chovo. Deu alguma merda, seja empático. Não há mistério no tratar o outro como gostaria de ser tratado, ceder ao outro aquilo que gostaria que lhe fosse cedido caso necessitasse. Se não fossemos amparados por leis, pais, autoridades, responsabilidades; o que faria para sobreviver? E não me venha dizer que sabe. O cínico só saberá quando posto a prova. O livro evoca isso. Sobreviver, o que é? Como é? Eu concordo com Supertramp. A felicidade só se é real quando se é compartilhada. E a vida é nada mais que um intervalo de tempo entre duas datas. E o que você decide fazer entre elas. As pessoas são fadadas à escolhas, só a morte não há possui. Então viva. Viva e viva.Viva La Vida. Resuma o livro em duas palavras Pedro Veroneze - Preciso de três. Comicamente trágico e divertido. Onde podemos comprar o seu livro? Pedro Veroneze - Sinceramente, não sei te responder. Mas pesquise-o. E parecerá os sites. Contudo, o site da Editora Fross, onde o mesmo nasceu, é minha indicação pessoal, além de mim, é claro. Entre em contato via phoveroneze@gmail.com. Ou me chame no instagram e de quebra também conheçam mais dos meus trabalhos; @ pedroveronezeoliveira.


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Quais os seus principais objetivos a serem alcançados na área literária? Pedro Veroneze - Quero que as pessoas com minha escrita fujam para o mundo delas. Saiam e corram dessas conversas mundanas com pessoas que não tem nada a acrescentar. Como acredito em uma crença compartilhada por um dos meus personagens na minha próxima publicação, acredito que todos possuem seu universo particular. E os universos possuem planetas. Quero ser a passagem de ida a esse lugar. Se distraia, ria, chore. Ou não. Mas é melhor quando tudo isso se junta. Acredite. Melhora 100\100 na experiência. Espero que as toque e as faça pensar na importância que dão as coisas insignificantes, enquanto distraio. Tu leu isso? Já ganhei meu dia, noite, tarde ou madruga. Soube que já tem livro no prelo. Apresente-nos o seu novo lançamento literário. Pedro Veroneze - Meu próximo lançamento é um romance chamado Entre Cactos e Balões. Agora nesse primeiro semestre de 2020. O título já é autoexplicativo. Um cacto nunca poderia ficar com um balão sem fode-lo com um abraço. E o balão, um ser livre para voar alto e por onde bem entender não poderia ficar com um cacto preso a um vaso ou deserto, enraizado a um lugar. O livro evoca essa metáfora. Também fala sobre pessoas e suas relações. Mas sem pano de fundo, censura ou licitude. Ele é seco no que tem que ser e umedecido quando necessário. Um fodido jovem filho de uma rica família advinda da política novaiorquina tenta sobrevive aos trapos se virando no brooklin, lugar onde a mãe, cresceu, enriqueceu e morreu. Seus irmãos ficam com o pai para ter regalias que só o dinheiro paga. Uma merda acontece quando se envolve com outro delinquente filho de uma patrulha policial há algumas gerações. Depois de cruzar alguns estados, se veem encurralados a se mudarem de país; para assim, descobrir o que realmente a vida tem a oferecer entre duas datas. Para conhecer o pouco do muito grande mundo.

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Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Pedro Veroneze. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Pedro Veroneze - Bom; se perdeu tempo comigo agora, tem meus sinceros agradecimentos. Estou em débito com vocês, leitores. Nada seria dos escritores sem vocês, considerem-se importantes. E quem conseguir, acorde antes do sol nascer, coe um café, há mais coi-

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sas que são pessoais nesse café. Sente na varanda e olhe o sol nascer. Ele brilha suficientemente lindo sem nós. E preste atenção nas estrelas, elas te dirão, sobre o inferno ou e o céu. Fique ligado na minha próxima publicação. E em todo torno de The Pandemic. Nada ali é há mais ou por acaso. Como a vida. _________________ Divulga Escritor: Unindo Você ao Mundo através da Literatura. https://www.facebook.com/DivulgaEscritor/ www.divulgaescritor.com


DIVULGA ESCRITOR DIVULGA ESCRITOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM A ESCRITORA CHRISTIANE COUVE DE MURVILLE

Maturidade Emocional Deu briga de família! Titia brigou com o cunhado, que por sua vez acusou o sobrinho, que reclamou do primo, que falou da avó e, assim por diante, cada um foi colocando para fora suas mágoas e seus descontentamentos. Os adolescentes opinaram sobre uns e outros e as crianças começaram a gritar! Um horror! Todo mundo ficou irritado, nervoso, saiu batendo porta e de cara amarrada. Mas logo as crianças voltaram a brincar como se nada tivesse acontecido. Em seguida, os jovens foram tratar de assuntos que lhes eram mais interessantes. Um ou outro parente também não se demorou em deixar de lado o episódio desagradável. Porém, uma semana depois, vovó continuava desgostosa com a história da briga em família. O cunhado também passou um tempão remoendo a discussão e alguns primos ficaram meses sem se falar! Quanto à titia, até hoje, quando relembra o evento fatídico, transforma-se completamente. Ressentimentos voltam a aflorar. Ela não se conforma com o que aconteceu, continua muito sentida. É interessante observar como alguns entram em batalhas, lutam ferozmente, e no dia seguinte recobram o equilíbrio, estão em paz. Não ficam com pensamentos negativos lhes rondando o espírito, triturando a mente, roubando o sono e a tranquilidade! Já outros têm dificuldade em acolher seus irmãos como são e em perdoar aos outros e a si mesmos. Acham que as coisas deveriam ser de outro jeito, estão apegados à parcela da realidade e ao ponto de vista que enxergam e

querem manter a qualquer custo. Quanto tempo cada um fica refém de energias desagradáveis, que afetam ações, pensamentos, emoções e impedem de caminhar levemente? Teria maturidade emocional alguma relação com a capacidade de se recompor, retornar ao eixo, limpar-se de pensamentos recorrentes insistentes, deixar de lado desavenças, abrir mão de uma realidade pessoal passageira e recobrar a alegria das crianças?

Abacaxi Rei Que abacaxi!, exclamou Zézinho, inconformado com o problema difícil que tinha que resolver. Mas não havia jeito. Teria que descascar o abacaxi, e sozinho, pois ninguém queria saber de nada ou de tratar de assuntos chatos. Enquanto rosnava descontente, na fruteira, o abacaxi silencioso mantinha sua postura imponente, sobressaindo entre as demais frutas que se encontravam ao seu lado. Ele era um rei, tinha coroa. E estava maduro. Sua vestimenta vistosa tendia ao dourado, indicando que estava pronto para oferecer o melhor de si. Além do mais, o seu perfume não deixava dúvida, era agradável, gentil e doce como mel. Ele estava mesmo pronto para ser Rei. Pois, além da aura luminosa e da coroa na cabeça, também era humilde. Ficava na fruteira com todo mundo e não reclamava da vida. Para ser rei, tem que ser humilde, senão como enxergar os outros? Afinal, reis de verdade ocupam o último lugar, se colocam como o menor de todos e tudo que fazem é para que os outros sejam felizes e retomem consciência. Levam todos à volta deles a também se comportarem como Reis. Isso é que é ser chique de verdade! Zézinho olhou para a fruteira e endireitou a postura. Não reclamou mais e foi cuidar do assunto que tinha que resolver.

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Dia Especial O cozinheiro estava de muito mau humor aquele dia. Havia brigado com a mulher, tinha um monte de contas a pagar, o salário era justo e ele andava com uma dor de cabeça insuportável. Nada na vida parecia dar certo! Enquanto preparava os pratos para os fregueses, remoía suas infelicidades. Mas ele não era o único insatisfeito naquele restaurante. O garçom também estava irritado. Quanto cliente arrogante para servir! Sem contar que suas pernas doíam de tanto ficar em pé. Quando a comida chegou na mesa, ao reparar na cara amarrada do garçom que servia os pratos e intuindo o ambiente pesado na cozinha, Mariquinha teve vontade de ir embora. Não comeria aquela comida impregnada do mau humor do cozinheiro e do garçom! Sabia muito bem que os alimentos continham água, absorviam a energia das pessoas que os preparavam e serviam. Também percebendo o clima que rolava no restaurante, Florisvaldo disse: — Vamos rezar para abençoar a comida! Estava convencido de sua conexão com o princípio divino que rege o universo. Visualizou, então, uma luz brilhante e radiante purificando e santificando o alimento. E sua crença era tão forte, que lhe permitia abençoar e receber os benefícios de uma alimentação saudável, impregnada de boas vibrações. Florisvaldo ainda completou: — Somos luz, vibração, música! E nos tornamos mais poderosos quando em estado de alegria. Nós é que fazemos o dia, ou a refeição, especial!


DIVULGA ESCRITOR DIVULGA ESCRITOR PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM O ESCRITOR JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

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esende (norte de Portugal), ilha de Santa Maria (Açores), Lagoa Dourada, Resende Costa e Nova Resende (Minas Gerais), Cidade de Praia (Cabo Verde) e Cabanas de Viriato (Portugal). O que estes locais têm em comum? Por ter fortes vínculos com a grande e influente família Resende, fazem parte da “viagem” que José Venâncio de Resende propõe no livro “Cidades e Resendes” e que acaba de ser publicado pela Chiado Editora, com sede em Lisboa. O livro reúne uma coletânea de reportagens publicadas no Jornal das Lajes, de Resende Costa, desde 2014. A viagem parte do Mosteiro de Santa Maria de Cárquere, fundado por D. Egas Moniz, o primeiro detentor da “Honra de Resende”, concedida pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, pelos seus relevantes serviços à criação do Estado-Nação português. A capela funerária deste mosteiro guarda as arcas tumulares dos primeiros detentores da Honra de Resende, por sucessão e herança: Vasco Martins de Resende, o trovador; Gil Vasques de Resende; Martim Vasques de Resende; e Vasco Martins de Resende. Ao longo da viagem, é possível conhecer aspectos históricos, culturais e econômicos não apenas da Vila de Resende, portuguesa, como também das demais cidades abordadas no livro. Também é possível saber a diferença entre os Resendes que vieram para Minas Gerais, no início do século 18, e o conde de Resende que foi enviado, como vice-rei, ao Rio de Janeiro para executar a sentença judicial de condenação de Tiradentes e demais integrantes da Inconfidência Mineira, inclusive os Resende Costa (pai e filho). O livro transita pela ilha de Santa Maria, nos Açores, de onde saiu João de Resende Costa, o primeiro Resende a desembarcar no Brasil, mais precisamente em Lagoa Dourada, que na época pertencia a Prados. Também coloca luz na região onde os Resendes se instalaram, destacando o primeiro solar da família; o estudo de DNA dos restos mortais de José de Resende Costa (pai) e novas informações sobre a origem do nome de Resende Costa. O livro acompanha os inconfidentes pai e fi-

UM LIVRO DE “VIAGEM” POR CIDADES RESENDENSES, EM PORTUGAL, BRASIL E ÁFRICA 88

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lho ao exílio na África, pormenorizando a descendência de José de Resende Costa (filho) no Cabo Verde. Descendência esta que, posteriormente, se espalhou por Angola e Portugal continental. Na quinta parte, denominada “Rosalvo Pinto”, o autor faz uma homenagem ao professor e escritor, um dos maiores especialistas do Brasil nos inconfidentes José de Resende Costa (pai e filho). Para isso, publica uma coletânea de artigos de Rosalvo no Jornal das Lajes, em que aborda temas relacionados com as cidades resendenses. Um dos fios condutores desta história, embora não explicitamente, é o tear manual de madeira – exposto no Museu Municipal de Resende em Portugal – mas que continua sendo utilizado por cooperativa e associação de mulheres na ilha de Santa Maria, para produzir colchas (mantas), tapetes e outros produtos artesanais a partir de retalhos de tecidos usados e novos. Este mesmo tear é um dos responsáveis pelo dinamismo da economia de Resende Costa, nas mãos de milhares de pequenos empreendedores artesanais. Na parte final, o livro traz uma síntese da “viagem” através de fotos. A obra tem duas apresentações, escritas pelo jornalista e professor Guilherme Rezende - aposentado da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) - e pelo padre, escritor e historiador Joaquim Correia Duarte, o maior especialista dos Resendes em Portugal. “Este livro reflete onde Venâncio esteve nos últimos anos. Constitui uma sinfonia de discursos ancorada nos múltiplos sentidos da palavra Resende: cidade, família, religião, Arte, História, política, viagem, romance, genealogia”, resume Guilherme Rezende. “Tal qual um construtor de utopias, lá vai ele a articular dados e personagens reais para apresentar um novo mundo de desejos e esperanças. Uma nação meia brasileira, meia africana, meia portuguesa, muito açoriana”, acrescenta. “O livro revela-se como um manancial infindo de conhecimentos, de natureza geográfica, etnológica, histórica e genealógica, onde podemos beber com prazer e abundância a frescura da verdade e o gosto da sabedoria”, diz Joaquim Correia Duarte. “Foi o seu autor que me fez viajar daqui, de Resende de Portugal, para Resende Costa, do Brasil, por caminhos que não conhecia e por trilhos que nem sequer imaginava”, complementa.

Link para compra Chiado: https://www.chiadoeditora.com/livraria/cidades-e-resendes-uma-viagem-por-portugal-continental-arquipelago-dos-acores-minas-gerais-e-cabo-verde Livraria Florence https://www.livrariaflorence.com.br/produto/livro-cidades-e-resendes-de-resende-1-edicao-197350

Desafios Na “Carta de Lisboa”, publicada no Jornal das Lajes (28.11.2019), o autor levanta três questões presentes neste livro. Uma delas é como tirar do papel o acordo de cidades-irmãs (ou geminadas) entre Resende Costa e Vila do Porto, firmado em 2018. O autor reafirma a opinião do jornalista Domingos Barbosa, editor do Jornal O Baluarte de Santa Maria, para quem as lideranças políticas precisam agir para dar sequência a este acordo. “O impulso ao intercâmbio histórico-cultural entre os dois municípios certamente gerará frutos.” Outra questão é o pouco conhecimento da origem dos Resendes dos Açores. “Sabemos que emigraram do continente. Com o auxílio do historiador e genealogista José de Almeida Mello, de Ponta Delgada, chegamos ao casal Francisco Curvello e Felipa Faleiro de Resendes, do final do século XVI. Francisco era neto de Antônio Curvello, mestre catalão que foi enviado a Santa Maria pelo Infante D. Henrique, para introduzir na ilha a cana-de-açúcar e seu processamento. Resta saber a origem de Felipa, daí a necessidade de novas pesquisas.” Em suas pesquisas genealógicas, o professor Guilherme Rezende avançou a partir deste ponto. “Verificando a questão da lacuna entre os Resende do continente e os primeiros que aparecem nos Açores, particularmente Filipa Reszendes Vaz Faleiro, “descobri algumas pistas, inclusive uma que relaciona os Reszendes açorianos e João Afonso Pimentel, Conde de Benavente. Na outra ponta, surgiu uma possibilidade de encontrar um caminho, através de Maria de Resende, irmã de Vasco Martins de Resende, o último dos Senhores de Resende, no século XV, antes do título passar a ser ostentado pelos Castro, indevidamente.” Por fim, José Venâncio diz esperar que seja colocada em movimento sua proposta (na introdução do livro) de criação de uma rede de cidades resendenses. “Algo simples, sem burocracia e grandes custos, a começar por um espaço, a ser inserido nos portais de prefeituras e câmaras municipais, com informações básicas (breve histórico de cada município, agenda anual dos principais eventos e informações de hoteis, restaurantes, transporte etc.).”

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ENTREVISTA

ESCRITOR SÉRGIO POHLMANN Sérgio Pohlmann é profissional da área da TI desde o século passado, atuando em Segurança da Informação, GDPR e LGPD, com várias certificações internacionais de Segurança, como a CISSP, C|CISO, CEH, ISO 27000. Professor e palestrante universitário em várias universidades e eventos internacionais do Mercosul. Atualmente, profissional da LGPD Ninja, atua coo consultor e auditor em projetos de implementação da LGPD em empresas. Desenvolveu o primeiro Framework para a implementação da GPS no Brasil, além de escrever o LGPD Ninja, um livro que constitui referência fundamental sobre o assunto LGPD no país. Boa Leitura!

O cidadão que não conheça seus direitos, garantidos pela LGPD, não saberá como limitar a exposição de seus dados, tendo maiores riscos de segurança e de divulgação de informações pessoais.”

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LGPD Ninja - Entendendo e implementando a Lei Geral de Proteção de Dados na Empresa Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritor Sérgio Antônio Pohlmann, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, em que momento a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) chamou a sua atenção para ser foco de suas pesquisas, chegando a publicar um livro sobre a Lei? Sérgio Pohlmann - Alguns anos atrás, em um curso na área de segurança da informação, tomei conhecimento sobre a GDPR, a Regulamentação sobre privacidade que está funcionando na Europa. Me interessei pelo tema. Optei por realizar alguns cursos e formações sobre Proteção de Dados. Naquele momento pensei que o Brasil teria algo parecido, e tais conhecimentos seriam úteis, no futuro. Quando, no ano 2018, houve a publicação da LGPD, resultou muito fácil entende-la, dados os conhecimentos anteriores sobre a GDPR. E ai, justamente, surgiu a possibilidade de dedicar-se plenamente à área, começando pela redação do livro. Apresente-nos “LGPD Ninja - Entendendo e implementando a Lei Geral de Proteção de Dados na Empresa.” Sérgio Pohlmann - O livro foi escrito para ser uma referência e uma obra de constante consulta para quem se interessa pela LGPD. Desde os conhecimentos básicos sobre a Lei, até os aspectos mais avançados e complexos, são apresentados, além de cobrir, também, a parte relativa à implementação da LGPD nas empresas, independentemente do tamanho delas.

Quais os principais assuntos que estão sendo abordados na obra? Apresente-nos os principais destaques do Sumário. Sérgio Pohlmann - Na primeira parte, “Entendendo a Lei”, são apresentadas, não só a LGPD, mas as Leis anteriores que a fundamentam, os conceitos que permitem e sustentam a Proteção de Dados no Brasil e no mundo, os diversos atores que fazem parte da aplicação da LGPD, as punições cabíveis por incumprimento, e, até mesmo, uma comparação entre a LGPD e a GDPR. Na segunda parte do livro, denominada “Implementando a LGPD”, é apresentado o framework LGPD Ninja, que consiste em um fluxo de trabalho que permite uma sequência lógica funcional e organizada para a implementação da Lei nas empresas, composto de metodologias para a obtenção dos dados necessários à adequação, para a elaboração dos relatórios e documentos exigidos pela Lei, definição de atividades e responsabilidades para cada setor de uma empresa que esteja adequando-se à LGPD, além de muitos exemplos práticos. Também são apresentados cálculos de riscos relativos à LGPD e à continuidade do negócio. Comente sobre os principais desafios para escrita do livro Sérgio Pohlmann - O maior desafio foi conseguir plasmar em papel o desejo inicial de apresentar uma obra que pudesse ser lida por qualquer público. Vindo da área da Segurança da Informação, não queria entregar ao publico, um livro excessivamente técnico

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ou limitado a um público específico, mas sim, uma obra que pudesse transcender, servindo de referência para qualquer pessoa interessada na LGPD, independentemente de sua área de conhecimento ou domínio. Quais os principais objetivos a serem alcançados por meio da publicação de “LGPD Ninja - Entendendo e implementando a Lei Geral de Proteção de Dados na Empresa.” Sérgio Pohlmann - Compartilhar os conhecimentos adquiridos ao longo destes anos, para que a LGPD possa ser melhor compreendida, tornar conhecido o framework explicado no livro, e que o livro seja uma referência sobre a implementação da Lei, no país. A quem indica leitura? Sérgio Pohlmann - A qualquer pessoa que deseje entender mais sobre a proteção à privacidade dos dados, sobre a LGPD, e a implementação da mesma em empresas de qualquer porte. Quais os principais riscos de quem não tem muito conhecimento sobre a Lei? Sérgio Pohlmann - Hoje, a maioria genérica de nossos dados pessoais estão expostos e comercializados na internet. O cidadão que não conheça seus direitos, garantidos pela LGPD, não saberá como limitar a exposição de seus dados, tendo maiores riscos de segurança e de divulgação de informações pessoais. Desde o ponto de vista das empresas, a falta do conhecimento sobre a LGPD pode expor a empresa à multas, danos morais, perdas de mercado, e


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riscos de exploração de vulnerabilidades relativas à proteção de dados pessoais, por profissionais mal intencionados ou pela concorrência. Onde podemos comprar o livro? Sérgio Pohlmann - O livro está sendo comercializado no site da editora (www.edfross.com), além de vários parceiros da mesma, como as principais magazines de comércio de livros físicos e eletrônicos disponíveis em internet (amazon, submarino, saraiva, clube do leitor, entre tantas outras). https://www.edfross.com/productpage/lgpd-ninja Quem desejar uma orientação sua, uma palestra sobre o tema, como deve proceder? Sérgio Pohlmann - Pode entrar em contato com a empresa LGPD Ninja, através da página http://www.lgpd.ninja, ou enviando e-mail diretamente ao endereço comercial@lgpdninja.com. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Sérgio Antônio Pohlmann. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Sérgio Pohlmann - A adesão do Brasil aos processos de proteção aos dados pessoais, já aceitos e adotados em mais de 120 países, faz com que possamos resgatar alguns conceitos e valores relativos à nossa privacidade e à segurança de nossas informações. A globalização e os tratados de comércio internacionais, de óbvio interesse para nosso país, passarão a exigir a reciprocidade no tratamento de dados pessoais, e a implementação da LGPD nos abre as portas para participar com maior desenvoltura, neste processo. A implementação da LGPD é um marco que deve mudar a cultura sobre a privacidade dos dados. Não só nas empresas, mas através do próprio cidadão, que, ao dar-se conta dos abusos que nossas informações vem sofrendo nas últimas décadas, por conta do mercado, pode, 92

finalmente, exercer seu direito de exigir maior controle, melhores processos, e maior privacidade, enfim. Dentro deste contexto, a LGPD será um marco de proteção à privacidade do cidadão, ao mesmo tempo que será um diferencial competitivo para as empresas que se se adequarem à mesma. Mais do que preocupar-se por uma multa, as empresas devem preocupar-se por esta mudança cultural, onde o respeito e o www.divulgaescritor.com | abril | 2020

cuidado com o dado pessoal e a privacidade do cliente, passa a ser parte fundamental das operações corporativas.

_________________ Divulga Escritor: Unindo Você ao Mundo através da Literatura. https://www.facebook.com/DivulgaEscritor/ www.divulgaescritor.com


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CONCURSO DE TEXTOS ANÔNIMOS – Do 1º ao 5º 1º LUGAR

2º LUGAR

ETERNOS DIAS

Através da janela

Foram eternos dias a distanciar nossas vidas. Nossos corpos, separados, recriaram seus instintos, circunspectos, mesclados a um proscênio fosco atuamos como se nunca houvéssemos nos encontrado, nos tocado, nos provado, nos revelado, determinados, sob um céu ordinário.

Vejo através da janela O nascer do sol a cada amanhecer Vejo através dela Famílias despertando para mais um dia

Foram eternos dias a desamarrar nossos destinos, a silenciar nossos gritos em nossa cama. E a cada noite eu os ouvia, nesta cama agora vazia, nossos fôlegos sob esta mesma lua. Tua saliva e tua secreção a corromperem todos os hinos onde agora só restam demônios. Foram eternos dias apagando nossos nomes, o céu de tua boca, abrigo do falo insistente, agora apenas um vácuo inconstante. Tantos foram os nós nunca desfeitos, éramos anjos tentando saciar nossas fomes, tentando iludir a dor persistente. Foram eternos dias que escreveram nossa história, a tua voz persiste ainda na noite escura. A tua falta ocupa o espaço do ambiente, doce ausência em minha memória, amargo sabor neste dia que se inicia. Nossas vitórias, nossas derrotas são um perjúrio. Foram eternos dias que fecharam minhas feridas, estancaram o sangue à minha revelia nas avenidas do meu infortúnio, entre os meus clamores sem sentido. Bardo errante sem rumo imerso em delírios, pecados e loucura. Foram eternos dias a consolidar nossos receios entre os credos de tua púbis sob esta sombra nua. Nossa intimidade subverteu nossa lua renegando a inexistente paz de nossa teia, do que passou a se chamar presente em nossas faces somente a negrura.

Pássaros cantam no silêncio da alvorada Enquanto o café fumega na xícara E um sorriso surge De uma mensagem recebida Vejo através da janela O sol ascendendo no horizonte Antes céu negro infinito Agora azul anil com tons de púrpura O relógio desperta O chão está escorregadio A respiração condensa-se no ar O vento esvoaça os cabelos O dia começa através da janela Aline Duarte 002CTA2019

3º LUGAR Sirva-me a Semente do Amanhã A semente da verdade, a semente do amanhã... Já caminhando para a velhice um senhor de apenas oitenta anos, sentou-se a beira de um rio, e como nunca fizera, sentiu um frio, e um arrepio que dominava toda sua mente, com as lembranças de um belo jovem sonhador. Ele gostava muito de comer uvas. Admirando-as, ficava muito feliz ao ver as pequenas sementinhas crescendo no vinhedo e dando lindos cachos, toda a sua grande riqueza. Adormeceu, num lugar lindo, onde o sol, as estrelas, o vento e o amor reinavam soberanos...

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Amor para dar frutos e espalhar perfumes, que há muitos beneficiam, necessita ser semeado no coração das outras pessoas. Temos a capacidade de transformar o deserto em que o mundo está se tornando, num imenso oásis de paz, amor, humildade e beleza, cada um fazendo a sua parte. Não podia evitar as lágrimas, e viu-se quando foi lançada à terra aquela sementinha e, regada com o amor que dedicou a tal tarefa para lhe render bons frutos e muito dinheiro, junto com todo o seu poder. Mas, esqueceu-se de plantar uma só semente, a semente do amanhã, o amor ao próximo e a si mesmo com boas obras. Era capitalista e egoísta! E ouviu uma voz bem suave ao longe... E, sem saber quem era, olhou confuso... - Acho que morri... Será mesmo, meu Deus! - O que me serves, homem? - Qual o teu legado? O senhor, todo atordoado, parou por uns instantes e sem palavras nada respondeu àquele moço tão jovem e belo. - Fiz da minha vida um rio de grandeza, tenho bens e não devo a ninguém... Isso não é tudo? - Tenho vários empregados que cumprem minhas ordens e me servem. Egoísta, sorriu o senhor, se achando o mais importante de todos e tudo, mais reservado, secreto e misterioso, crescia também, trazendo até o núcleo central, grandeza e superioridade. Disse a voz de paz e cheia de amor: - Servi-me a verdade - Servi- me a alegria - Servi-me as suas preces de gratidão e não os seus pedidos - Servi- me um culto e sirva os carentes, pobres e necessitados. - Sirva- me a Semente do Amanhã. Mais atordoado ficou e, percebeu a chegada de um enviado de Deus, para regenerar aquela pobre alma... A do senhor João! - Aqui está a verdade das sementes que me haveis oferecido: - Pedidos e mais pedidos, sem graças e confissões, disse ele, esboçando um leve sorriso. Tem livros com poucas páginas, e, porém, uma falta! - O senhor acha mesmo que estas sementes vão germinar na beira da estrada? Irei dar a você uma segunda chance, disse o enviado de Deus, dou continuidade à vida, mas, tem uma só condição: - Semeando o amor, a amizade, o entusiasmo e a alegria. Não se esqueça da doce paz, da lealdade, da fidelidade, da igualdade, da solidariedade, enfim, descubra o que tens que me apresentar quando tu voltares. Nesse instante, ouviu risos de criança, e viu muitas flores... A paisagem colorida, perfumada e linda!

- Deixe a sua marca, a beleza para a contemplação e a felicidade das pessoas, lembre-se o hoje é semente do amanhã, usando a fé como luz para teus olhos. Pensou, suspirou, mas continuou andando num jardim maravilhoso, só que ele tinha um medo, um preconceito que ninguém sabia, tinha medo do escuro e se achava feio... E não gostando nadinha do sabor amargo que sentiu naquela hora, conversando com o enviado de Deus, era preciso mudar, tomar uma decisão para voltar. E o chamou de um jeito doce. Mas não se mexeu. Quanto mais ele andava, para mais longe o escuro ia... Precisava ser rápido, pois estavam faltando poucos minutos para voltar ou ficar de vez. Basta ter o coração bem alegre que a alegria de dentro deixa a gente bonita por fora, entendeu e de repente voltou a respirar, correu e bem cansado, disse aos seus empregados: - Morri e Voltei! Todos muito assustados e sem entender, apenas balançaram a cabeça, pois temiam o seu dono, porém percebeu que havia algo diferente e especial em seu modo de olhar e falar, estava mais iluminado e com amor. Uma fisionomia jovial e refletida de luminosidade. - Vamos dar uma festa e cada um de vocês terá quer dizer que semente quer para plantar. Preparem-se e venham com seus embornais para levar suas sementes. E assim todos se retiraram para se preparar para a grande festa da noite... E eles conversavam entre si... É, ele conseguiu essa alegria, estava fazendo todo aquele pessoal ficar feliz!!! - Esse pano xadrez, que bonito Dona Maria. - Verdade, senhor Paulo - João aproxime-se e venha na cozinha. E cada um levou seu embornal para receber as sementes, as famílias bem vestidas, e o céu iluminava toda a varanda da sede com belas estrelas, os animais faziam seus ruídos, todos em festa. Incentive-as a manterem a cabeça firme e o coração aquecido! - Aproximem-se!! Começou a chamar pelo nome, cada um de sua fazenda, e a família, parecia sem fim... - Uma surpresa para mim? Onde? - Dona Minhoca - Ah! Eu me lembro! Veio o tio Paulo, o tio João, a tia Josefina. - Que maravilha! - Mas existem outras saudades: De um passeio gostoso, de uma viagem, de uma festa, de um amigo, de uma amiga, de um parente que mora longe... A estrelinha sorriu. Bem baixinho, no seu ouvido: – Preciso te contar um segredo: Eu acho que já entendi... Agora já sei o que é saudade! Decifrar, interpretar, decodificar, compreender, analisar, imaginar! Nada como se perder

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no universo encantado dos livros, nossa história, escrita por Deus. E todos levaram em seu embornal as sementes do amanhã que são: - A paz e o amor - A sabedoria - O sonho com a fé - Um mundo melhor e mais humilde - O adulto é a própria semente - A criança é a Semente do Amanhã - Semear valores e colher conhecimentos - O perdão

5º LUGAR

E assim, João se regenerou, sendo um bom e amável homem, onde a riqueza não mais influenciava os seus sentimentos, que se tornaram brancos e um coração generoso e bondoso para os necessitados. Devemos ser A Semente Do amanhã com boas ações.

Choro da Terra Lágrimas escorrendo Em profundo lamento Pela vida que sai

Regiane Lima 028CTA2019

Choro da Terra Marrom e horrendo Fruto, alimento E a alma humana decai...

Choro da Terra (uma reflexão por Brumadinho). Comoção que explode Em intenso pesar Terra chora Pelos poros afora Todo seu amargar

Paisagem de Cimento

Choro da Terra Violência, descaso Caminhando passo a passo Em busca da destruição...

Haviam flores naquele canteiro, os galhos das árvores o vento balançava, a poluição tomou o bosque inteiro, está tão diferente de como eu me lembrava.

Choro da Terra Pela ausência do amor Insensível à dor Doentes corações...

Hoje a paisagem é feita de cimento, prédios altos e feios monumentos, a beleza agora, só em meu pensamento.

Choro da Terra Cruel, lamacento Provocando talvez Arrependimento Pela vida de muitos irmãos...

4º LUGAR

Caminho triste, achando que tudo acabou, mas existe verde na paisagem cinza, uma planta insistente no cimento brotou. Aquele verde era a vida, lutando dia a dia para crescer, como nós na luta diária, a esperança nunca devemos perder.

Choro da Terra Em total desalinho Chora o Brasil, Chora Brumadinho... Carlos Poeta 013CTA2019

Ana Rosenrot 016CTA2019

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CONCURSO JUVENIL DE TEXTOS – Do 1º ao 5º 1º Lugar Temos Que Ser Fortes Às vezes penso que... Somos como uma planta Temos estágios na nossa vida, Temos partes que mudamos E como as plantas, temos que ser cuidadas Somos frágeis E a tristeza é enorme quando nos esquecem Mas temos que ser fortes e resistir à dor Mas diferentes das plantas, temos que Aprender a cuidar de nós mesmos, E temos que triplicar as nossas forças E mostrar no mundo que somos mais fortes! 085CJT2019 / Amanda Alves (11) / Turma 621 / EMEF Vereador Cléo dos Santos de Alvorada-RS / Prof. Cláudia Buck

O que o menino queria? Por que maltratava a irmã daquela forma? O motivo desconheço. Então, para a minha surpresa, a irmã para de andar, olha o irmão, segura a sua mãozinha que lhe batia, leva-a à sua boca e beija-a ternamente. O garotinho repousa sua cabeça no peito da irmã e para de chorar. Os dois continuam a sua caminhada. O carinho dessa irmã fez meu coração pesar. Minha alma desceu ao fundo do poço. Seria eu capaz de armar a minha irmã com esse mesmo amor? Não tenho sido impaciente com ela? Uma menina de apenas quatro anos de idade. Cuidar dela sempre foi um fardo. Quando ela vai crescer e eu poder ter o tempo livre só para mim? Em meio a esta aflição exame de consciência, o meu celular toca. É mamãe. Quer saber se tudo está bem. Se Beatriz e eu almoçamos.se ela está brincando. O que eu estou fazendo. Amor de mãe pelos filhos. Então pergunto-lhes se posso levar a Bia para tomar sorvete na Amarena e leva-la para brincar no parquinho do balneário. Ela admirada e alegre com o meu pedido, responde: “Claro que sim, meu filho!” Aquele gesto da adolescente fez-me abrir os olhos, amar, cuidar da minha irmã, como nunca cuidei 071CJT013 / Miguel Nascimento Teodoro (13) / 8º Ano B / Cidade de Águas de Santa Bárbara – SP

2º Lugar Nova visão, novo sentimento, nova atitude É manhã. Levanto da minha aconchegante cama e vou até o banheiro. Lavo o rosto e escovo os dentes. Dirijo-me à cozinha para preparar uma xícara de café. O corpo está acordado, o espírito, só com o café. Assim tenho a certeza de que terei um bom dia. Embora eu não tenha aula hoje, por ser um dia de reunião pedagógica extraordinária na minha escola, minha irmãzinha está na creche. Mamãe a deixará lá cedo. Ao meio dia teria que buscá-la e cuidar dela. Então quero aproveitar, ao máximo, esta manhã. Vou à varanda de casa, que fica no segundo andar, de onde posso apreciar as árvores, as flores, o canto dos diversos pássaros, afinal o lugar onde moro é repleto de natureza. Recebo no rosto uma brisa leve, que me faz recordar as últimas férias: a descida da serra passando por túneis até chegar ao litoral. Esta lembrança é rapidamente interrompida ao ver uma garota, com seus, aparentemente, 15, 16 anos, com um irmãozinho no colo que chorava e com sua mãozinha socava o ombro da irmã. 100

3º Lugar Eu e Minha Lágrima no Rosto Queria suicidar-me no meu próprio sentimento. Forte, né? Mas pensei se valeria a pena deixar de sonhar e ser apenas lembrança. Sonhar ou esquecer que um dia, o “dia foi dia”. Mas qual motivo me levou a querer cometer o suicídio? – Amor... Ah! Quando me lembro da raiva de eu mesma, sorte ou azar? Quem pode me dizer? Lágrimas que molham meu rosto.... Nem há lenço para enxugar! Um anjo ou um ser humano, quem pode me salvar? Já nem sei. Só sabia que já tinha ido ou tinha desistido da tentativa. Um pássaro? – À cada minuto uma miragem. (Estou quase sem ar). Viver na luz ou continuar sendo perseguida na escuridão. Como queria ver pela última vez aqueles olhos azulados! É, mas a única coisa que vejo desde que aqui cheguei é a escuridão, cada vez mais e mais querendo se aproximar. Será que só haverá escuridão daqui por diante? Estou morrendo por dentro e já não encontro sequer compaixão e só me resta minha própria solidão. (O ar cada vez mais indo embora).

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Que sentimento cruel me faz ficar apaixonada e apaixonada hoje estou. Indecisa. Como poderei detê-la? Sinto a tontura, em seguida o desmaio. Ao acordar, com os olhos ainda embaçados, me deparo com a luz, mas como pode haver luz no meio da escuridão profunda? Será que a luz que eu vejo me quer? Vou tentar me esconder. Mas em minha frente, vejo um labirinto. Será que devo ir ou continuar aqui? Como não tenho nada a perder se entrar, vou tentar. Tomara que eu encontre a saída.... Entrei, como sempre em um labirinto, caminhos que não dão a lugar algum. Continuando, de repente uma luz pisca, eu me assusto e pergunto: Quem está aí? O silêncio é a resposta... O caminhar me levou a exaustão; sinto sede; onde encontro água para beber? Naquele mesmo momento ouço um sussurro. Será que estou no céu, no céu com as estrelas? Deus irá me perdoar? Sou um anjo com asas, mas em mim não há nada, será miragem? Continuo a ouvir sussurros, agora com clareza chamando meu nome. Mas não vejo ninguém. Será um pesadelo ou o fim da minha vida? Uma voz diz: -- “Eu abençoo ou perdoo”. Não ouço direito, mas alguém tenta me falar. Às vezes ligo para o que os outros dizem, mas nesse momento a vontade era gigante de saber o que queriam comigo. Dúvida que me destrói. Será que os anjos da morte irão me mostrar o caminho ou eu mesma terei que me encontrar? – Sinto-me sozinha com tantas perguntas... É. Mas chegou a hora do meu juízo final. Agora as verdades veem à tona. Deus irá me perdoar? 061CJT2019 / Jéssica Santos Melo Jesus / Projeto Arco-Íris – Jauá

4º Lugar O Amanhã O hoje é efetivamente Gênese do amanhã, claramente O eficaz plantei insistentemente, Seu fruto eu aguardo ansiosamente Com essa obra obterei, consequentemente O ilustre gratificante Como cultivei o eficaz adorado Já apostei no ilícito, desaprovado Muitos tentam, é praticando E com o desfecho não agrada Destino pendente, idolatrado Infelizmente, rei do pecado! Por vocês, nem imaginado. Já quando esperei o esperado, Fui desamparado Me levantei da queda, desconfortante. Resultado da semente foi impressionante! Acertar no alvo devo, igual o melhor atacante, Futuro reluzente. Melhor amante Quando eu estava no fundo do poço Foi marcante Sai da escuridão Semelhante a uma guerra foi complicação Graças a Deus, irmão! Fiquei perplexo! Mais não foi mole não! Minha escalada ao Everest da decisão Hoje arara azul, dela faço o compartilhamento Expressando grande emoção. 010CJT2019 / José / Fundação Casa Três Rios

5º Lugar A Magia dos Livros Em um lindo e humilde vilarejo, onde tudo era coberto de neve, as crianças mal podiam sair para brincar e não havia nada que as alegrasse e as fizessem felizes. E foi nesse cotidiano monótono, que

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certo dia chegou uma nova família e, dentre seus membros havia uma menina com idade entre 8 e 9 anos, que vivia sempre acompanhada por um livro de histórias e um ursinho. Acima da casinha de boneca onde a menina sentava para ler com seu ursinho, surgia uma fresta de luz, o que fez com que um grupo de crianças se dirigissem até lá, para matar a curiosidade e indagar o que fazia todos os dias naquele lugar. Ela explicou: Acontece que leio para o meu ursinho, imaginando uma plateia que ame livros tanto quanto eu. Depois desse dia, algumas crianças se juntavam à menina. À medida que o número de crianças aumentava, a fresta de luz também ia aumentando, e, ao redor da casinha, surgiam flores lindas! E o que chamava mais atenção é, que devido ao clima, seria difícil imaginar a possibilidade de haver flores tão lindas quanto aquelas. Os pais das crianças, encantados com a transformação do lugar começaram a ir ler também. A casa de boneca ficou pequena, então mudaram para a sala de casa, com isto a fresta de luz aumentava e mais flores nasciam. E, em pouco tempo, todos os moradores do vilarejo queriam ler. Então, construíram uma sede, onde todos, encantados e apaixonados pela leitura, se reuniam. E no vilarejo, que antes era coberto de neve e dominado pela monotonia, agora havia um sol a brilhar, lindas flores e pássaros por todos os lados. Também a alegria estampada no rosto das pessoas, com sorrisos mais reluzentes ao fim de cada reunião, cuja pauta principal era a leitura. Olhos brilharam ao verem surgir uma biblioteca e esta ser cuidada como se cuida de flores no jardim. Muito felizes e agradecidos pelo gesto de uma criança, que, com um livro e um ursinho, de forma tão inocente, trouxera um motivo de alegria e união, apresentando o prazer da leitura e da literatura à comunidade, antes triste e pacata... 046CJT2019 / Iara Reis / Projeto Arco-Íris – Jauá

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DIVULGA ESCRITOR OBRIGADA A TODOS ESCRITORES QUE FAZEM DO DIVULGA ESCRITOR O MAIOR PROJETO DE DIVULGAÇÃO LITERÁRIA DA LUSOFONIA

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43ª Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia  

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