DIVULGA ESCRITOR
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM A ESCRITORA CHRISTIANE C. MURVILLE
PERFEIÇÃO
ÁRVORE DE NATAL
Foram me buscar no quartinho dos fundos e me acomodaram na sala de visitas, em local de destaque. Enfeitaram-me com luzinhas, bolas e fitas coloridas. Botinhas de Natal e pacotes diversos espalhavam-se ao meu redor. Eu estava feliz. Voltava a desempenhar a função de oferecer luz, alegria e esperança sem esperar nada em troca, acolhendo todas as pessoas igualmente sem emitir qualquer julgamento. Era momento de confraternização, de troca de presentes, de perdoar e de deixar de lado desentendimentos. Depois da festa, me desmontaram e retornei ao quartinho dos fundos. Permaneceria ali um ano adormecida e esquecida. Porém eu podia ficar bem tranquila. Minhas irmãs continuavam doando seus frutos sem esperar recompensa, acolhiam os pássaros em dia de tempestade e ofereciam sombra aos que procuravam um pouco de frescor e de tranquilidade em meio à correria do dia a dia. Eram exemplo de força e integridade. Desempenhavam o papel delas mesmo em ambientes hostis e em dias conturbados. Proporcionavam luz, alegria, esperança e vitalidade a todos os seres. O espírito natalino continuaria vivo. E para sintonizá-lo, bastava aproximar-se de uma árvore, sentir o universo pulsando em seu interior e fazer como ela; oferecer o melhor de si para a vida seguir florescendo para todos.
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Plantei algumas sementes na terra; de beterraba, alface, rabanete, tomate e abobrinha. Reguei com carinho. Para minha surpresa, já no dia seguinte, brotinhos de rabanete começaram a aparecer. Depois, foi a vez das alfaces, das beterrabas, dos tomates e das abobrinhas darem o ar da graça. Eu cuidava e conversa diariamente com meus amigos na horta. Cresceram lindos. Eu estava maravilhada. Que coisa mágica! Daquelas sementinhas, do sol, da água e da terra, surgiram todas essas maravilhas, verdadeiros presentes da natureza! E que espantoso reparar que eram praticamente somente água. Uma borboleta pousou sobre um tomate. Que linda borboleta! Suas asas coloridas exibiam desenhos impecavelmente organizados, segundo os padrões da geometria sagrada. Passarinhos também sobrevoavam a horta, eram igualmente perfeitos. Quanta beleza e perfeição! Eu me via em um mundo mágico onde as plantas, os animais, a água, o vento, o sol, as flores, a terra e os insetos tinham vida e pareciam se comunicar entre si. Tudo era consciência e vida na perfeição. E nós, humanos, no meio disso tudo? Quantas vezes nos achamos imperfeitos, reclamamos da vida, sofremos porque as coisas não são como gostaríamos que fosse ou achamos que deveria ser? Mas por que somente nós não seríamos perfeitos?! Finalmente, compreendi que nunca saímos do paraíso, só deixamos de percebê-lo!
ÁGUA
Estou em tudo; nos homens, nos animais, nas plantas, nos insetos, nas árvores, na terra, nos mares e no céu. Vivo em todas as células e no coração de todos os seres. Sou vida, sagrada e humilde! Alguns me associam às emoções, ao choro ou à alegria. Outros dizem que sou um portal para mundos de leveza e saúde ou de sofrimento e doença. Pois quando minha estrutura cristalina está impecável, promovo limpeza, lavo feridas e mato a sede. Mas quando estou imunda, tudo à minha volta morre, causo doenças e dores de barriga terríveis. Guardo a memória das informações que impregnam em mim. Sou muito sensível! Mas quantas coisas jogam em mim! Garrafinhas e saquinhos plásticos, metais pesados, lixo de todos os tipos. Tem ainda gente que me amaldiçoa, me recobrindo com pensamentos e sentimentos sujos e egoístas. Pessimismo também me deixa triste. Aí, perco a beleza, a leveza, a pureza e fico muito fedida. E se me sujarem demais, não consigo me reciclar. Gostaria que só me envolvessem com boas vibrações de alegria, amor, gratidão e compaixão. Fico perfumada, quando me abençoam. Sou simplesmente vibração, mais ou menos intensa e luminosa, conforme as memórias que carrego. Não julgo. Apenas observo o mundo de contrastes, onde me apresento ora doce, calma, leve ou clara, ora ácida, revolta, pesada ou turva. Será que as pessoas sabem o quanto sou importante para elas? Por que me tratam tão mal, me sujam? Afinal, todo mundo aprecia quando me apresento leve e purinha. Sem mim, não há vida. Preciso ser bem cuidada e preservada para continuar exibindo uma estrutura cristalina majestosa e permitir à vida florescer, promovendo saúde e vitalidade para todos os seres. Você me ajuda?
www.divulgaescritor.com | dezembro de 2019