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Sumário Entrevistas

Especial Mulherio das Letras – Encontro em Natal 1 a 3 de novembro Pág.12

BRASIL Adriana Silva Santiago...................................................................................16 Aldirene Máximo............................................................................................22 Christiane Couve de Murville “Até Quando? O vai e vem”......................25 Christiane Couve de Murville “A Caverna Cristalina”................................34 Claudia Gomes................................................................................................41 Edna Almeida..................................................................................................47 Estela Mares ....................................................................................................52 Farah Serra......................................................................................................57 Gabriela Richena Ferreira.............................................................................62 JackMichel......................................................................................................71 Jeniffer Pereira...............................................................................................76 Júlia C. Marques.............................................................................................79 Lindevânia Martins........................................................................................85 Lucia Vasconcelos..........................................................................................93 Luciane Madrid..............................................................................................97 Maria Teresa C. R. Moreira..........................................................................102 Palmira Heine.................................................................................................106 Rita Queiroz ...................................................................................................110 Rosângela Vieira Rocha................................................................................116 Sandra Regina de Farias...............................................................................122 Sandra Rodrigues..........................................................................................126 Sonia Regina Bischain...................................................................................132 Valeria Borges da Silveira.............................................................................135

Colunas

Participação Especial

Solar de Poetas – José Sepúlveda.....50 Poetas Poveiros – José Sepúlveda....54

Rejane Souza...........................14 Rosa Marques..........................20 Rosana Nicácio........................24 Livros e Mais Livros................29 Inês Bari...................................38 Anita Santana..........................39 Claudia Gomes........................44 Rosa Maria Santos..................60 Edielane Lacerda....................64 Luciana Leopoldino...............75 Elisangela Meira.....................78

Irlen Benchimol.....................................82 Isi Golfetto..............................................88 CASA Projetos Literários....................95 Revista Acadêmica Online..................101 Raquel Lopes........................................105 Fernanda Villas Boas...........................109 Nell Morato...........................................112 Alexandra Vieira de Almeida..............119 Mirian Menezes de Oliveira...............125 Bernadete Bruto....................................128 Jucélia Betinardi Fachini.....................130


DIVULGA ESCRITOR Shirley M. Cavalcante (SMC)

Editora Coordenadora do projeto Divulga Escritor www.divulgaescritor.com http://www.portalliterario.com/ www.revistaacademicaonline.com

Revista Divulga Escritor Revista Literária da Lusofonia Ano VII Nº 41 Edição outubro de 2019 Publicação Bimestral Editora Responsável: Shirley M. Cavalcante DRT: 2664 Imagem capa: Tássio Cruz Diagramação: EstampaPB Para Anunciar smccomunicacao@ hotmail.com 55 – 83 – 9 9121-4094 Para ler edições anteriores acesse www.divulgaescritor.com Os artigos de opinião são de inteira responsabilidade dos colunistas que os assinam, não expressando necessariamente o pensamento da Divulga Escritor. ISSN 2358-0119

Com sucesso, chegamos à 41ª edição, da Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia. Uma edição mais que especial, elaborada exclusivamente por mulheres escritoras, com destaque para o terceiro encontro do Mulherio das Letras a ser realizado, de 1 a 3 de novembro em Natal – RN. Composta por mais de 40 autoras contemporâneas, divulgando os seus livros, por meio de entrevistas, textos em prosa e em versos... LITERATURA! Hoje, a revista Divulga Escritor é uma das principais revistas literárias da lusofonia, com conteúdo exclusivamente literário. O editorial se destaca por sua qualidade e profissionalismo. Distribuída gratuitamente para todos que acessam a internet, a revista tem alcançado um público leitor cada vez maior. Consolidada, vamos rumo a edição 42. Juntos, vamos ler e divulgar a revista literária da lusofonia e apoiar nossos escritores contemporâneos. Muito obrigada, equipe Divulga Escritor, e administradores dos grupos: Obrigada, José Sepúlveda, apoio em Portugal. Obrigada, Amy Dine, apoio em Portugal. Obrigada, Helena Santos, apoio em Portugal. Obrigada, José Lopes da Nave, apoio em Portugal. Obrigada, Rosa Maria Santos, apoio em Portugal. Obrigada, Giuliano de Méroe, apoio no Brasil. Obrigada, Ilka Cristina, apoio no Brasil. Obrigada a cada um dos escritores que participam contribuindo com suas maravilhosas trajetórias literárias, apresentadas nas entrevistas. Obrigada, colunistas, que mantêm o projeto vivo! Muito obrigada por estarmos juntos divulgando literatura, e juntos podermos dizer ao mundo: EU SOU ESCRITOR, EU ESTOU AQUI. Divulga Escritor: revista literária da lusofonia, uma revista elaborada por escritores, com distribuição gratuita para leitores de todo o mundo. Boa leitura!


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Mulherio das Letras

III ENCONTRO NACIONAL MULHERIO DAS LETRAS SERÁ NO RN

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Movimento Mulherio das Letras é novo e foi oficialmente criado em 2017 em João Pessoa/ PB. A nascente ocorreu nos ambientes literários, como a Feira Literária de Paraty, edição de 2016, local em que foram plantadas as primeiras sementes do debate sobre a ausência de mulheres na programação de festivais literários e no mercado editorial e outros meios de comunicação cultural. No entanto, o formato foi provocado pela idealizadora do movimento, a escritora Maria Valéria Rezende, vencedora do Prêmio Jabuti, o mais recente com o livro “Quarenta Dias” (2015). O último romance “Ou-

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tros Cantos” (Ed. Alfaguara, 2016) valeram-lhe o Prêmio Casa de las Américas (Cuba, 2017), o Prêmio São Paulo de Literatura e o terceiro lugar no Prêmio Jabuti 2017. O Mulherio é um Coletivo Feminista Literário, formado por mulheres interessadas na expressão pela palavra escrita ou oral. Coletivo visa à participação ativa da mulher na literatura nacional, mas contempla as áreas socioculturais, artística, economia criativa e a inserção política na sociedade. Atua via partilha de experiências, de informações e discussões feitas de maneira saudável, no grupo nacional e, também, nos encontros presenciais em diversas cidades brasileiras e no Exterior. (Portugal, Paris, Itália e EUA).

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MULHERIO DAS LETRAS DE NÍSIA FLORESTA/ RN A disseminação, aqui, no RN, coube à poeta, ensaísta e produtora cultural, Rejane de Souza ser o canal de circulação do Mulherio. Ela recebeu informações sobre o evento através da amiga, produtora cultural da “Festa das Palavras”, escritora, psicanalítica, a pernambucana, Patrícia Vasconcellos. Em setembro de 2017, Rejane criou o Coletivo em setembro de 2017, inaugurando, assim, o Mulherio das Letras Nísia Floresta/RN. Nessa trilha, há um grupo da literatura potiguar que participou, de forma ativa, das edições: Rejane de Souza, Gilvania Machado, Eliete Marry, Rizolete Fernandes, Jeanne Araújo e Claudete Roseno. No Mulherio das Letras do Guarujá, o RN foi escolhido para sediar o III Encontro, sob a coordenação de Rejane Souza junto à equipe de articulação local das escritoras e poetas po-

tiguares Gilvânia Machado, Eliete Marry, Carla Alves, Neriane, Jucileide Santana, Ana Moura, Lúcia Eneida, Maira Dal’Maz, Nouraide Fernandes Tal articulação conta, ainda, com a colaboração da equipe Mulherio Nacional de outros Estados. O III Encontro Nacional ocorre nos dias 1, 2 e 3 de novembro de 2019, na Cidade da Criança RN, em parceria e apoio do Governo do Estado, na pessoa da Governadora Fátima Bezerra, através da Fundação José Augusto, Secretaria Estadual de Educação do RN, da SECTUR, SETHAS, além do SEBRAE. E o Movimento continua aberto a outras parcerias. O Encontro tem a expectativa de receber mais de 400 mulheres da área de literatura, jornalismo, cultura, economia criativa, artesanato e outros coletivos de todo Brasil e do Mundo.

DESTAQUES NA PROGRAMAÇÃO A programação do III Encontro Nacional do Mulherio, que acontece nos dias 1,2 e 3 de Novembro de 2019 – na Cidade da Criança – em Natal/RN – está com temas bastante provocadores e propício a bons debates do Mulherio. Para despertar a curiosidade dos leitores, vamos conferir alguns deles: 1ª MESA DE DIÁLOGOS TEMA: NÍSIA FLORESTA Uma mulher de múltiplas faces de resistência. PALESTRANTES: Constância Lima Duarte (UFMG) – Regina Simon (UFRN) – Rute Pinheiro (UFRN) – Diva Cunha (esta a confirmar). MEDIADORA – Rizolete Fernandes. MEMÓRIA – Trilhas e veredas do Mulherio das Letras: avanços e desafios – Escritora Maria Valéria Rezende MESA DE DIÁLOGOS: “PRECISAMOS FALAR SOBRE FEMINICÍDIO” no contexto da obra Garotas Mortas, de Selva Almada

PALESTRANTES Promotoras de Justiça Dra: Danielle Fernandes e Dra: Emília Zumba Mediadora: Nouraide Fernandes Rocha de Queiroz – do Projeto LITERATURA E DIREITO. APRESENTAÇÃO CULTURAL “Ventre de Ostra” – Luana Vencerlau Empoderamento, Visibilidade da Mulher no cenário da Dramaturgia - Produção E Autoria : Junior Dalberto. RODAS DE DIÁLOGOS “Literatura, negritudes e intelectualidade: saberes transgressores”. MEDIADORA: Kapitu Nascimento/ RJ. Os Coletivos de Mulheres e suas formas de resistir – MEDIADORAS: Flauzineide Moura – Presidente da ALAMP - Maíra Dal’maz – LEIA MULHERES/Natal. Poesia Marginal e Slams e o Protagonismo das Minorias – MEDIADORA : Jeovania Pinheiro.

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MESA DE DIÁLOGOS As resistentes mulheres indígenas. Palestrante: Tânia Lima (UFRN) OFICINAS * Poesia, Minimalismo e Poetrix - Aila Mag - MG * Todo mundo faz Teatro em sete minutos! - Vanessa Ratton – Guarujá/SP. E muito mais... O Encontro tem um grupo de importantes parceiros e apoiadores: Governo do Estado do RN através da Secretaria de Educação – Fundação José Augusto – Secretaria de Trabalho e Assistência Social – Secretaria das Mulheres e Minorias – Secretaria de Turismo. ABIH – rede de hotéis. Sebrae – Frente Parlamentar da Vereadora Divaneide Basílio – Mandato da vereadora Ana Michelle – Parnamirim, Divulga Escritor – Revista Literária da Lusofonia, e outros.

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA REJANE SOUZA

NÍSIA FLORESTA: ALVISSAREIRA DOS DIREITOS FEMININOS

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m pleno século XXI, e os ideais plantados pela escritora Nísia Floresta, desde o século XIX, são tão atuais e cristalinas como a água. Nísia viveu em uma época onde cabia somente ao gênero masculino o direito à educação e outros bens sociais e culturais. O papel dispensado à mulher era o de cuidar dos filhos, especializar-se em serviços domésticos e zelar pelo bem-estar da família e do marido. Entretanto, Nísia Floresta, nascida no povoado Floresta, antiga Vila Papary- RN, em 1810, quebrou com todos esses paradigmas. De início, tentou seguir a tradição casando aos 13 anos de idade com jovem de conceituada tradição familiar, todavia o traço peculiar de sua personalidade já despontava, nessa fase, quando ela resolve se separar, com pouco tempo

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de casada, e retorna à casa de seus pais. Após a perda do pai, assassinado por motivação política em Olinda- PE, em 1828, ela conhece seu segundo e único amor Manuel Augusto, com quem tem dois filhos Lívia e Augusto. Nísia Floresta dedicou-se a maior parte de seu tempo à educação, às causas sociais e a emancipação da mulher. Essa última sempre foi uma de suas principais preocupações, tendo em vista que, aos 22 anos, publica seu primeiro livro Direito das Mulheres e Injustiças dos Homens, em 1832. Ela era inconformada com a ausência de direitos para a mulher, conforme citação: “Certamente Deus criou as mulheres para um melhor fim, que para trabalhar em vão toda sai vida” (1832). O livro aborda a situação em que as mulheres viviam, em seu tempo, praticamente enclausuradas e recebendo um nível de educação bem diferente ao dos homens. Essa publicação foi marcante para a trajetória de Nísia Floresta na luta pelos direitos das mulheres. Fruto, na verdade, de uma tradução de uma obra inglesa intitulada Vindication of the Rights of Woman, de Mary Wollstonecraft, cuja leitura teve grande influência no pensamento feminista da escritora potiguar. O livro publicado por Nísia constituiu-se em uma obra pioneira no Brasil no que se refere à abordagem do direito das mulheres ao estudo e ao trabalho, além da exigência de que fossem consideradas seres inteligentes e merecedoras de respeito na sociedade. É importante, ainda, destacar que o livro Direito das Mulheres e Injustiças dos Homens elevou a escritora ilustre ao papel de primeira mulher a publicar, no País, uma obra de cunho feminista. Diante disso, jogando um olhar sobre a situação atual da mulher, que além de ter acesso livre à educação em todos os níveis, tem assumido cargos de grande relevância nas áreas legislativas, jurídicas, executivas e privadas, e, mais recentemente, um fato inédito: a entrega do Prêmio Nobel da Paz a três mulheres que lutam pela paz e desigualdades sociais em seus países, não há como deixar de exaltar que os direitos e conquistas sociais que hoje o gênero feminino experimenta se devem à ousadia, à coragem, ao pioneirismo e ao espírito de luta de mulheres, como nossa Nísia Floresta Brasileira Augusta. REJANE SOUZA Natural de Nísia Floresta/RN Graduada em Letras/UFRN Mestra em Literatura Comparada/UFRN Coordenadora geral do Projeto de Formação de leitor em literatura infanto-juvenil – Projeto selecionado pelo Edital do BNB Cultural – BNDES – Governo Federal. Edição 2012. Produtora Cultural da I Feira Literária de Nísia Floresta – I Feira Literária de Nísia Floresta. I FLINÍSIA. Membro titular do Conselho Municipal do Livro, Leitura e Bibliotecas de Natal/RN. Membro da ALAMP – Associação Literária e Artística das Mulheres Potiguares. Membro do Conselho Municipal do Livro, Leitura e Bibliotecas de Natal/RN, 2019. Idealizadora e Coordenadora do Mulherio de Nísia Floresta/RN. Atualmente na coordenação e articulação do III Encontro Nacional do Mulherio das Letras no RN.

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ENTREVISTA

ESCRITORA ADRIANA SILVA SANTIAGO Adriana Silva Santiago nasceu em Carangola-MG, zona da mata mineira, em 17 de março de 1969. Nasceu sonhadora, como autêntica pisciana. Acompanhando a família – o pai trabalhava em banco e sempre era transferido – morou em seis cidades do interior do estado: Carangola, Ipanema, Teófilo Otoni, Bambuí, Patrocínio, Divinópolis. Aos 16 anos chega à capital, Belo Horizonte, onde foi cursar Jornalismo (UNI-BH/1992) e, mais tarde, História (PUC-MINAS). Essa vida de muitas mudanças fez com que Adriana desenvolvesse enorme capacidade de se comunicar, fazer novos amigos, se adaptar a todo ambiente. Em Belo Horizonte se formou, trabalhou em jornais e revistas, inclusive no Jornal Estado de Minas. Paralelamente, lecionou e trabalhou em biblioteca de escola pública municipal, como professora concursada. Há dez anos mora em Três Pontas, sul de Minas Gerais, cuida de seu pequeno sítio de plantação de café, e escreve poesias e crônicas. Participou de várias antologias poéticas, inclusive em Portugal pela editora Hórus. Lançou em 2017 seu primeiro livro de poesias e crônicas: “Mar Revolto”; e agora, em 2019, lança “Flores e Borboletas em meio século de poesia”, em celebração dos seus 50 anos de vida. Por toda sua trajetória, por todas as cidades que passou e com todas atividades que desenvolveu, Adriana Santiago, desde criança, gostava de escrever e seu maior sonho era publicar suas poesias e histórias, sonho que agora vem se concretizando. Boa Leitura!

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Em versos, literatura que salva e liberta

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Adriana Silva Santiago, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Conte-nos o que a motivou a ter gosto pela arte de escrever poesias? Adriana Santiago - Desde criança meu pai gostava de me contar histórias. Principalmente na hora de dormir. Acredito que esse nosso hábito, entre pai e filha, tenha me despertado o gosto pela leitura e escrita. Na verdade era

uma troca, ele me contava histórias e eu as completava e, outras vezes as inventava também. Foi um bom exercício. Cresci inventando histórias e ouvindo poesia. Meu pai adorava poesia. Tão logo aprendi a escrever, coloquei as histórias e poesias que criava no papel. O que mais a encanta na arte poética? Adriana Santiago - O trabalho com as palavras. A busca incessante pela precisão de cada palavra aplicada em seu devido lugar e, mesmo assim, e ainda bem que assim o seja, essa colocação ter um significado ou muitos, de acor-

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do com a subjetividade do leitor. Escrever poesia é mexer na casinha, no subconsciente das pessoas, despertando emoções diversas, provocando sensações. A arte tem poder transformador. Isso me encanta. Em que momento se sentiu preparada para publicar seu primeiro livro solo “Mar Revolto” – Poesias e Crônicas? Adriana Santiago - Sempre estive preparada. Ou melhor, sempre quis muito, sonhei muito em publicar meus poemas. Desde criança, acredite! Em 2017 17


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encontrei a oportunidade. Talvez nem fosse o momento ideal tendo em vista a turbulência pela qual passava. Tinha acabado de perder meu marido. Ficar viúva é muito doloroso. Uma dor inexplicável. Assim saiu Mar Revolto, o que o próprio nome indica, um turbilhão de sentimentos vividos naquele momento foi para o papel. Deu certo. É um livro intenso. Apresente-nos esta obra Adriana Santiago - Sobre Mar Revolto já falei o bastante. Quero agora focar no meu novo livro: “Flores e Borboletas em meio século de poesia”, que lanço este ano. O lançamento em São Paulo será dia 10 de agosto. “Flores e Borboletas” é uma comemoração aos meus 50 anos de vida, uma celebração, um agradecimento. Ao mesmo tempo é um resgate, um olhar ao passado a fim de fechar um ciclo e inaugurar outro, seguir em frente. Minha vida foi e é muito intensa. Sentimentos fortes, rica experiência existencial. Quis celebrar tamanha riqueza e intensidade dos 50 anos bem vividos, entre alegrias e dores, publicando este livro. Para mim é uma jóia, pérola que resgato do meu íntimo e desnudo em versos. Como foi a escolha do título para “Flores e Borboletas em meio século de poesia”? Adriana Santiago - Um poema, na página 62, define bem o título. Basicamente está ligado à beleza e transformações. É preciso ler. Além deste poema, destaco “O Canto das Avós”, belíssimo; “Lamas Gerais no Brumado”, um grito de desabafo e alerta; “1969”, homenageando o ano em que nasci; dentre tantos outros poemas que ficaram lindos! Amo todos. Como filhos. O livro ficou muito belo. Apresente-nos um dos textos publicados nesta obra literária.

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Amor Infinito Amor é sopro Curva Vento no rosto Estrada a percorrer sonhos. Amor é Música Sentimento que não se cerca Só cabe Dentro de porta aberta. Amor é Luz Sombra, corpo Seguro porto Onde dorme a dor. Amor é tudo Isso e muito mais Grande tão, forte intenso Lindo, livre, imenso. Voa Traz, saudade se faz Materializa-se Abraço teu. Sabemos que cada texto, tem um pouco da história de cada autora. Comente sobre o momento de criação deste texto. Adriana Santiago - Momento de paixão. Paixão física, corpo, sede de abraço, atração incontrolável, química da pele. Paixão que caminha ao lado do amor, admiração, querer bem infinito. Isso é lindo! O amor, é, sem dúvida, o motor que nos move, que nos faz sair do chão, que nos arranca do comodismo ou acomodação. Gosto de coisas intensas, fortes. Gosto de botar gasolina e atear fogo.

tiago; facebook literário: Viverde Poesia; meu e-mail: asilvasantiago@yahoo. com.br. Quais os seus principais objetivos como escritora? Adriana Santiago - Meu objetivo é escrever. Com fama ou sem fama, com sucesso ou sem sucesso, continuarei escrevendo sempre. Amo escrever. Para mim é como respirar. Além disso, escrever passou a ser minha atividade principal. Eu me reinventei na escrita. A literatura me salvou. E escrever é libertador. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Adriana Silva Santiago. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Adriana Santiago - Espero que leiam e gostem de meus livros. Que tenham certeza de que são escritos com a alma. E que busco encontrar as palavras e encaixá-las da maneira que melhor descrevam ou apresentem os sentimentos: amor, paixão, saudade, dor, gratidão. Faço essa “pescaria” de palavras com todo o cuidado, em processo minuciosamente estudado, na tentativa de passar, com maior precisão possível, a percepção poética que me habita a pele.

Onde podemos comprar seus livros? Adriana Santiago - Meus livros podem ser encontrados na Livraria Asabeça (www.asabeca.com.br); Amazon, Martins Fontes. Ou diretamente comigo. Meu facebook: Adriana Silva San-

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA PORTUGUESA ROSA MARQUES

UM JOVEM OUSADO Antes de ser santo, Martinho foi um jovem militar, que serviu na Guarda Imperial. Porém este valoroso soldado, filho da antiga cidade de Sabaria, não vivia feliz. Há muito que no seu peito albergava terrível inquietude. Atento à sociedade do seu tempo, entristecia-o as injustiças… caridade aos pobres fazia! Durante as longas jornadas, amiúde, abstraía-se dos companheiros, e meditava. Magoava-o o luxo ostentado pela alta nobreza, em absurdo contraste com a extrema pobreza… daqueles que arduamente trabalhavam e, no entanto, pelos ásperos caminhos da vida, rotos, descalços, com fome e frio penavam. Considerava as ricas vestes, o nobre calçado que o protegia e aos outros condiscípulos, e em silêncio sofria… desprezava aquela vida de fausto e opulência. Nas suas preces clamava aos céus, os numerosos deuses do Olimpo interrogava…Porque viviam escravizados e tão pobres… os homens que sem descanso labutavam para sustentar e manter a luxúria dos nobres? Todavia em vão! As suas palavras perdiam-se

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no etéreo espaço. Inescrutáveis, os deuses de seus pais e avós permaneciam calados…cegos e surdos a qualquer dúvida ou razão humana. Contudo, além de valente cavaleiro, Martinho era um jovem ousado e persistiu na mudança que almejava… sobretudo uma sociedade mais justa. Pensando numa forma de ajudar os mais desprotegidos, fez-se monge, renegou os deuses pagãos e seguiu a religião do homem justo e humilde de Nazaré, que na sua breve passagem pela Terra, afirmara serem os homens iguais… irmãos, e por isso, deveriam ser tratados sem distinção. Identificando-se com este ideal, Martinho dedicou-se a espalhar a sua doutrina, a pregar a sua fé. Viveu com simplicidade e desprendimento, fazendo o bem, conquistou honras e muitos seguidores com o seu exemplo. Pela sua generosidade…São Martinho, tornou-se querido do povo, e hoje, um pouco por todo o mundo, é venerado com devoção. Acredita-se, que a abundância que emana da terra, as fartas colheitas… não seriam tão prósperas sem a sua ajuda e protecção.

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UMA CARTA PARA CRISTINE Olá Cris, eu sou o Vicente e queria dizer-te que tu és a minha querida mana e que eu gosto muito de ti. Por favor, não demores! Vem logo... para brincarmos juntos. Hoje, a mamã abriu a gaveta grande da cómoda que está no quarto, onde ela guarda as roupas que comprou para ti. Do que eu mais gostei foi dos sapatinhos, com laços de fita brilhante e de cor rosa. Eu nunca tinha visto uns sapatos tão pequeninos e a mamã deixou-me pegar neles; depois, voltou a guardá-los na gaveta com todo o cuidado. Penso que vão ficar bem nos teus pés, e que tu vás gostar muito deles... e também da t-shirt da Minnie e da blusa com rendas, que tem o teu nome, Cristine, bordado na parte da frente, mas a mamã disse que vamos chamar-te Cris. Faz muito tempo já que o papá e a mamã disseram que eu teria uma mana, e às vezes eu fico a imaginar como será o teu rosto. A mamã diz que tu serás a bebé mais linda do mundo. Perguntei à avó porque é que tu demoras tanto a chegar e ela respondeu que tu virás com a Primavera... e já não falta muito tempo. Que eu devia ser paciente e aprender a esperar. Então, Cris, eu penso que tu serás bonita como uma flor da Primavera, como um girassol que vi no jardim, quando fomos passear no domingo, o papá, a mamã e eu. Sim, querida mana, tu serás linda e sorridente como aquele girassol que eu vi no jardim, e vou gostar sempre de ti. Quero também que tu conheças o Tico, o nosso gato, que encontrámos na rua durante as últimas férias. Vou contar-te como tudo aconteceu. Um dia à tarde, quando voltávamos da praia, ouvimos miar num terreno coberto de mato, junto ao estacionamento onde o papá deixou o carro. A mamã limpava a areia dos meus pés, antes de entrarmos no carro do papá, quando ouvimos: «Miauu... miauu... miauu... miauu...» – É um gato! – Gritei. Ele miava cada vez mais alto e parecia bastante aflito; depois, foi saindo do meio dos arbustos e dos silvados e vimos que era um gatinho amarelo e branco, todo sujo e assustado.

– Meu Deus! – Exclamou a mamã. – Não deve comer há imenso tempo... Está muito magro e esfomeado... Eu disse: – Se calhar, perdeu-se e não sabe voltar sozinho para casa. O papá foi buscá-lo e disse logo que fora abandonado. Que alguém o deixara ali, certa- mente... pois era ainda muito pequeno para chegar tão longe pelos seus próprios pés, e não havia casas perto dali. Ao pegar nele, o papá viu também que estava ferido numa patinha; por isso, tinha difi- culdade em andar. Eu disse que queria o gatinho para mim. A mamã respondeu que íamos levá-lo para a nossa casa e tratar dele. Como podes imaginar, Cris, eu fiquei muito feliz! Como não tínhamos comida própria para gatos em casa, o papá foi ao supermercado comprar. A mamã deu-lhe um pouco de leite e bocadinhos pequeninos de queijo, e ele de-vorou tudo num instante. Depois, a mamã limpou-lhe o pêlo e os olhinhos, fez-lhe um cura- tivo na patinha e disse que ele ia ficar bem; e eu ajudei a mamã a segurar o gatinho enquanto ela fazia o curativo. O Tico ficou mais calmo e já não miava... Ah, a mamã disse que podíamos chamá-lo de Tico. Já passaram alguns meses. Agora, o Tico está enorme... Ele gosta de ficar no meu quarto enquanto eu faço os deveres da escola, e às vezes dorme em cima da minha cama. Cris, tu também podes ficar no meu quarto, e brincar com os meus brinquedos. Podes ver o meu novo livro de histórias, que a avó deu-me de presente no Natal. Tem a forma de um castelo e muitas imagens bonitas e coloridas. Eu gosto muito dele. Dentro do castelo vive uma princesa chamada Cindy, que tem cabelo louro e comprido e gosta dos animais que habitam no castelo: um cão, um gato e um cavalo. No castelo vivem ainda o rei e a rainha, que são os pais da princesa Cindy, e alguns escudeiros. Querida mana, todos esperamos ansiosos a tua chegada... a mamã, o papá, a avó e eu, que sou o teu mano que te ama muito. Vicente

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ENTREVISTA

ESCRITORA ALDIRENE MÁXIMO Graduada em Letras e pós graduada em Psicopedagogia. Amo literatura desde a infância. Tenho alguns livros solos publicados. Atualmente tenho me dedicado à organização de antologias. Pois dessa maneira consigo incentivar novos autores a acreditarem em seus talentos e sonhos. Boa Leitura!

O livro procura inverter a perspectiva, frequentemente implícita em muitas obras, da vida humana em função dos sentimentos, mostrando estes como algo que existe em função do homem e não o contrário.” Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Aldirene Máximo, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto pela arte de escrever? Aldirene Máximo - Acredito que seja mesmo dom Divino. Pois desde quando aprendi a ler e a escrever me vejo escrevendo. Durante a infância, meu pai narrava histórias para mim e para meus irmãos, na hora de dormir. Meu irmão mais velho me incentivava a ler gibi e nas aulas de produção de texto eu me via escritora. Após o texto escritora, assinava como autora e dizia que seria escritora quando crescesse. Durante a adolescência, participei de um concurso literário na escola e ganhei em primeiro lugar. A partir daquele dia eu senti o desejo de escrever um livro. Escrevi vários até aqui. Embora já tenha publicado al22

guns, ainda tenho vários prontos para publicar em breve. Em que momento pensou em trabalhar editando antologias? Aldirene Máximo - Após concluir a graduação em Letras, pensei. Só não sabia como seria esse processo. Até que o destino me apresentou a Jullie, minha amiga e juntas encaramos esse desafio. Até o momento já organizei e revisei 5 projetos. Como surgiu o projeto antológico “Elas e as Letras”? Aldirene Máximo - Era um sonho antigo da Jullie. E conforme fomos amadurecendo nesse caminho, ela me convidou para organizarmos juntas. Digo sempre que esse é o maior presente que ganhei da vida nesses últimos meses. Pois além do aprendizado que esse projeto trouxe, conheci muitas mulheres talentosas que me inspiram muito a cada dia. Amadureci muito como escritora e como ser humano.

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Quais os principais objetivos do projeto? Aldirene Máximo - Dar voz às mulheres. Há muito o que ser dito, há muito o que ser escrito. Dar força, e coragem à elas. Esse projeto representa a sororidade, pois o objetivo principal é andarmos de mãos dadas, sempre! Após publicação, surgiu o “Elas e as letras – Diversidade e Resistência”, o que diferencia um projeto do outro? Aldirene Máximo - Elas e as LetrasDiversidade e Resistência é o livro 2 dessa linda coletânea. Diversidade e Resistência porque acreditamos na força da palavra e queremos que a arte resista. Há muitas surpresas nesse projeto que ainda não posso revelar. Rsrs. Apresente-nos “Elas e as Letras” Aldirene Máximo - É um presente que ganhei da vida. São 58 vozes femininas que nos encantam. O mais interessante é que esse projeto foi organizado e desenvolvido virtualmente, através das redes sociais. O livro 1 atingiu 7 países.

Não tem como não se emocionar. O livro 2 também tem seu encanto. Quando abrimos a seleção, as vagas foram preenchidas em um prazo menor do que esperávamos. O que mais a encantou neste projeto? Aldirene Máximo - A união das mulheres. A força que cada uma carrega. Onde podemos comprar os livros? https://www.livrariaversejar.com.br/ Esta é uma edição especial para o Mulherio das Letras. Você que é um membro ativo, participativo, conte-nos, como você vê a literatura feminina. Aldirene Máximo - Embora já tenhamos alcançado um grande espaço, acredito que ainda há muito caminho a percorrer. E estarmos unidas faz toda a diferença! Fico muito grata quando vejo iniciativas de algumas participantes do grupo e consigo participar. Por exemplo: a #LivrariaMulherioDasLetras, que ajuda as escritoras a divulgar

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e vender seus livros. Outro exemplo foi a participação do projeto Elas e as Letras na FLIP 2019. Tivemos a oportunidade de divulgar e vender o livro sem eu precisar ir ao evento. Consegui o apoio de algumas escritoras presentes no projeto, que me representaram muito bem! Admiro a união que existe entre nós. Algumas integrantes do grupo, conheço há tão pouco tempo, mas a amizade já criou raiz. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Aldirene Máximo. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Aldirene Máximo - Apoie autoras nacionais! Leia, divulgue, indique o livro! _________________ Divulga Escritor: Unindo Você ao Mundo através da Literatura. https://www.facebook.com/ DivulgaEscritor/ www.divulgaescritor.com

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA ROSANA NICÁCIO

A

TRANSFORMAÇÃO

vida é uma universidade incrível, repleta de conhecimentos, experiências e você realmente aprende quando se permite mergulhar por inteiro em cada disciplina e cursá-la com maestria. Em algumas você será aprovado(a) com louvor, já em outras será necessário repetir de ano para um melhor aprimoramento. Vivemos de abertura e fechamento de ciclos. Alguns perduram por muito tempo, outros apenas um curto intervalo de tempo e, por falar nele, sempre ouvi e vivenciei que ele passa muito rápido e, ultimamente, parece que até mais acelerado. Às vezes me pego a pensar e refletir com relação a ele (o tempo), como ele passa lento, quando estamos enfermos em um leito de hospital, em clínicas médicas ou na ansiedade, aguardando respostas e resoluções as quais estamos esperando. Mas, esse mesmo tempo passa tão rápido quando estamos entre amigos, familiares, celebrando, sorrindo, nos divertindo, parece voar. Tudo isso porque o momento é salutar, agradável, memorável, leve e prazeroso. Chego a constatar que desaprendemos a valorizar o tempo presente, a valorizá-lo de forma significativa, produtiva e feliz. Sou crédula que se tem solução, mas precisa de transformação dos nossos pensamentos e sentimentos 24

do que realmente faz a vida valer a pena. Sempre gostei de vivenciar o presente intensamente. Atualmente estou passando e me permitindo a inúmeras transformações em vários aspectos da minha vida, desapegando do passado, deixando dele apenas as coisas boas vividas e os aprendizados adquiridos. Hoje quero o que é de valor que a traça e nem a ferrugem corrói, não criando expectativas com o futuro, nem com as pessoas, mas não abrindo mão de criar perspectivas de um futuro melhor, com pessoas melhores não do que as outras, mas melhores com e para os outras. A vida passa rápido e não adianta reclamar, pois não vai resolver, precisamos é saber bem viver. Tenho aprendido muito com o envelhecimento dos meus pais e dar o real valor ao que realmente é valoroso: saúde, um bom papo, fazer e ser presente, valorizar o outro nas suas qualidades e imperfeições, aceitar que a sua verdade, nem sempre é a verdade do outro e que não tem quem está certo ou quem está errado, existe é a opinião de cada um, diante do seu estado de conhecimento, maturidade e consciência. É falar asneira, sorrir à toa e estar de boa e viver o aqui e agora, pois ao deitar à noite poder refletir no que fez de bom, o que poderia fazer melhor e diferente para fazer a diferença no mundo e na vida de alguém

e na própria vida. Viva bem a vida!!! Sonhe, planeje, realize, tenha perspectiva, mas não crie expectativa, pois a única certeza é que tudo na vida nasce, cresce, morre e nesse ínterim, precisamos nos transformar, dar uma nova forma a nossa existência, com significado, sendo leve, saudáveis em corpo, mente e espírito. O corpo requer cuidados e o nosso invólucro, que precisa ser preservado durante a nossa existência, e se temos saúde, por que negligenciamos com ela? Ingerindo o que não se deve, cultuando em excesso alguns maus hábitos, lembrando que nada em excesso é benéfico, muitas vezes abrimos mão de cuidar da saúde e depois vai ser necessário cuidar da doença. Assim como o corpo, a mente requer cuidados diários, os nossos pensamentos e sentimentos é que ditam os acontecimentos. Portanto pense no bem, sinta-se bem, faça o bem e você estará bem também. Transforme-se!!!

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Rosana Nicácio Consultora em Desenvolvimento Humano e é gente que gosta de gente e ser agente de transformação em sua vida e na vida das pessoas. Site: www.rosananicacio.com.br Instagram: @rosana.nicacio


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ENTREVISTA

ESCRITORA CHRISTIANE COUVE DE MURVILLE Graduada, mestre e doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo, com especialização em psicodrama e orientação profissional, Christiane Isabelle Couve de Murville dedicou a sua carreira ao atendimento psicológico individual e grupal de crianças, jovens e adultos, oferecendo oficinas de teatro espontâneo em contextos variados. Também é bacharel em Ciência da Computação pela USP e sua dissertação de mestrado foi publicada pela editora Casa do Psicólogo. Morou sempre no Brasil, apesar da dupla nacionalidade, brasileira e francesa. Publicou a trilogia “A Caverna Cristalina” e a novela “A vida como ela é”, em português e francês, além de livros e artigos acadêmicos. Tem experiência artística em escultura, desenho, pintura, cerâmica e faz as ilustrações de seus livros. Boa Leitura!

De forma lúdica e divertida, proponho ver a vida de um modo diferente, considerando a eventual possibilidade de o mundo não ser apenas o que captamos com nossos cinco sentidos habituais e convidando o leitor a imaginar planos vibracionais ou dimensões mais sutis compondo a realidade.”

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A francesa e brasileira Christiane Couve de Murville apresenta ‘Até Quando?’

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Christiane Couve de Murville, muito nos honra com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos o que a motivou a escrever o romance “Até quando”? Christiane Couve de Murville - O que me motiva a escrever é a vontade de compartilhar algumas ideias e reflexões que considero interessantes e capazes de ampliar horizontes, inspirando as pessoas a buscarem realidades mais alegres, leves e luminosas para todos.   Composto de dois volumes, “Até quando? O Vai e vem” volume 1, já é sucesso internacional. Apresente-nos a obra. Christiane Couve de Murville -  Quantas vezes repetimos situações já experimentadas, voltamos a visitar locais bem conhecidos, descobrimos parentes novos ou cruzamos com gente que não lembramos ao certo quando e onde já encontramos? Quem nunca caiu em esquemas de pensamentos repetitivos ou em algum registro emocional capaz de o aprisionar em alguma realidade particular? Este romance ficcional conta a aventura de João e de sua família, quando passam exaustivamente por inúmeras dessas situações em suas experiências na Terra, vivendo ora momentos de grande alegria e prazer, ora de extremo sofrimento e decepção, visitando tanto cenários infernais como paradisíacos. Mas até quando continuarão eles reeditando inúmeras experiências já vividas, repetindo comportamentos eventualmente pouco saudáveis, retornando a lugares já bem conhecidos e oscilando de hu-

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mor? Em seu íntimo, cada qual quer provar o seu valor, mostrar a todos e convencer a si mesmo de que é uma pessoa honrada e virtuosa. Qual o momento, enquanto escrevia o enredo, que mais a marcou? Christiane Couve de Murville -  Um momento que considero marcante é quando João morre e, a seguir, se percebe em seu armazém de memórias, local à margem do mundo terreno, onde ele encontra registros de tudo que fez ou não, das confusões nas quais se envolveu, mas também de quem ele é de verdade, de seu potencial. Ele sente que precisa retornar à Terra para esclarecer equívocos e ajeitar situações que ficaram mal resolvidas. Necessita projetar novos episódios em sua vida e reeditar outros já vividos, até conseguir sentir-se satisfeito consigo mesmo, com o coração tranquilo e a consciência apaziguada, tendo realizado o seu potencial de vida. No entanto, estariam João e sua família presos em projeções pessoais? Como fazer, então, para se livrarem de padrões repetitivos, formatações e condicionamentos diversos criados por eles mesmos e o coletivo no qual todos estão mergulhados e encontrarem a liberdade?   Em que momento você chegou à conclusão que o romance seria composto de dois volumes? Christiane Couve de Murville - Entendi que a obra deveria ser apresentada em dois volumes quando observei que a história que estava escrevendo compunha-se de duas partes bem diferentes uma da outra. A primeira explora diversas situações, sensações e

cenários que João encontra no mundo, descrevendo algumas de suas idas e vindas entre a Terra e seu salão mnêmico sem, no entanto, que ele tenha clareza do que realmente lhe acontece. Já na segunda parte, João começa a se perguntar sobre o mundo que o rodeia e decide se libertar do esquema repetitivo no qual se percebe aprisionado. Quais critérios foram utilizados para escolha do Título? Christiane Couve de Murville -  O título surgiu naturalmente como uma decorrência da história, pois remete diretamente ao que acontece com João e sua família em suas idas e vindas entre seus armazéns mnêmicos e o plano de manifestação no mundo terreno.   Qual a mensagem que deseja transmitir ao leitor, por meio do enredo que compõe esta obra literária? Christiane Couve de Murville -  De forma lúdica e divertida, proponho ver a vida de um modo diferente, considerando a eventual possibilidade de o mundo não ser apenas o que captamos com nossos cinco sentidos habituais e convidando o leitor a imaginar planos vibracionais ou dimensões mais sutis compondo a realidade. Depois de ler o “Até quando? O vai e vem”, uma blogueira literária parceira disse que ficou imaginando e se perguntando se a vida poderia ser mesmo assim, com diversas experiências terrenas acontecendo no tempo e cada qual tentando realizar seu potencial de vida e arrumar eventuais erros cometidos no passado, até se sentir em paz, com o coração leve e a consciência tranquila.

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O que vamos encontrar no volume dois de “Até quando?”? Christiane Couve de Murville -  No volume dois, João percebe que a turma que ele encontra em suas inúmeras aventuras terrenas é sempre a mesma. Ele começa a ter vislumbres de experiências antigas, pois o efeito

das águas do esquecimento que ele teve que sistematicamente tomar para acalmar suas lembranças incômodas começa a se diluir. João desconfia que ele e sua família estão presos em esquemas emocionais e padrões de comportamentos e pensamentos repetitivos que contribuem para a formatação

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do mundo que ele encontra à sua volta. Mas ele quer se libertar dos condicionamentos e das formatações diversas que o mantém enroscado nesse vai e vem aparentemente interminável. Christiane, você é bem participativa em eventos, participou de feiras in-

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ternacionais, quais foram as recentes participações? Christiane Couve de Murville - Estive na França, apresentando os meus livros no Instituto Cultural Franco Brasileiro Alter´Brasilis, em Paris. Depois fui à Suíça, onde participei do Salon du Livre et de la Presse de Genève, no stand da Cultive Art Littérature et Solidarité. Também ofereci uma palestra no Lyceum Club Internacional de Genève sobre as «Maravilhas da Chapada Diamantina» e a trilogia “A Caverna Cristalina” que acontece nessa região.   Como vem sendo a receptividade do autor brasileiro nestes eventos? Christiane Couve de Murville -  O leitor europeu tem interesse por obras de autores estrangeiros e por tudo que se relaciona ao Brasil e à cultura brasileira. A trilogia “A Caverna Cristalina” chama especialmente a atenção das pessoas, não apenas pela sua trama que entrelaça passado, presente e futuro, mas também pela sua ambientação na Chapada Diamantina, retomando as lendas e crenças locais e a história da região, desde o apogeu da mineração do ouro e dos diamantes até os dias de hoje. Até saiu uma nota sobre meus livros na página de cultura do jornal “Le Dauphiné Libéré” e fui convidada a participar de uma entrevista na RFI, Rádio França internacional, com o jornalista Élcio Ramalho. Também fiquei muito contente com o apoio recebido por autoridades locais como, por exemplo, a Embaixada Brasileira em Paris, que divulgou o evento no Alter`Brasilis, e a consulesa do Brasil em Genebra que veio pessoalmente prestigiar a presença de diversos autores brasileiros na feira de livros em Genebra.

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Conte-nos, sobre o lançamento do livro, se também será publicado em francês e para quando podemos esperar a parte 2 do “Até quando?”. Christiane Couve de Murville –  O lançamento do “Até quando? O vai e vem”, parte 1, aconteceu em 2018, na Livraria Martins Fontes Paulista, em São Paulo. O livro já foi traduzido para o francês e espero em breve publicá-lo na França. Quanto à parte 2, “Até quando? A prisão”, também está pronta. Tenho somente mais algumas ilustrações a fazer, estou caprichando nos desenhos, haverá uma ilustração no final de cada capítulo como na parte 1. Acredito que no final deste ano ou no início de 2020, o “Até quando? A prisão” estará à disposição dos leitores.   Onde podemos comprar o seu livro? Christiane Couve de Murville -  O “Até quando? O vai e vem” encontra-se na Livraria Martins Fontes Paulista, Av. Paulista, 509, em São Paulo, e no site da editora Chiado.   Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o romance “Até quando?” da autora Christiane Couve de Murville. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos em sua opinião o que cada leitor pode fazer para ajudar a vencermos os desafios encontrados no mercado literário brasileiro? Christiane Couve de Murville - Creio que o leitor deve sempre buscar o que o encanta e o faz se sentir bem, mais leve e em paz consigo mesmo. Entendo que, quando lemos um livro, entramos no universo que nos é apresentado pelo autor. Assim como devemos

ser cuidadosos ao escolhermos os alimentos que ingerimos, que podem contribuir ou não à nossa saúde, da mesma forma é importante ficarmos atentos ao que escolhemos para alimentar o nosso mundo mental, ainda mais considerando que, talvez, o que pensamos ou onde colocamos a nossa atenção influencie poderosamente na realidade que encontramos à nossa volta. Agradeço muitíssimo a oportunidade de participar dessa entrevista e de apresentar o “Até quando? O vai e vem”, aos leitores da Revista Divulga Escritor.

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM A LIVROS E MAIS LIVROS

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oi durante o processo de amadurecimento na carreira literária que a escritora Téia Camargo constatou que enfrentava as mesmas dificuldades que muitos outros autores para impulsionar a venda de seus livros. Desta forma, a autora vislumbrou a criação de uma plataforma colaborativa de autores, na qual cada um pudesse colocar à venda suas publicações e ao mesmo tempo divulgar o trabalho de outros, unindo esforços no melhor estilo “juntos somos mais fortes”. Surgiu assim a livrosemaislivros. com.br, um site de venda de obras autorais, facilitador da visibilidade do trabalho daqueles que se tornam parceiros por adesão e que têm o desejo de estender a comercialização de suas obras a públicos que não alcançariam sozinhos. O site aceita quaisquer tipos de publicações: romances, crônicas, acadêmicos, poemas, etc., o próprio autor pode fazer o cadastro, inserir suas publicações, decidir o valor de venda, ge-

renciar o estoque e receber aviso quando a venda é realizada. Hoje a plataforma tem um custo mensal de R$15,00 para cobrir as despesas de administração e mais 5% sobre a venda de cada livro, valor este revertido para incrementar a publicidade. O autor-parceiro ao receber o aviso de venda fica responsável pela remessa do livro ao leitor que o adquiriu, recebendo o valor da venda após quinze dias úteis, já descontado o percentual pactuado. Trata-se de um projeto originário de um sonho, executado sem patrocínio e custeado apenas com recursos próprios. Em fase de ampliação e consolidação, a livrosemaislivros.com.br está captando novos autores-parceiros que estejam interessados numa alternativa de venda de suas obras, sem burocracia, com liberdade para lançamento de seus títulos e dividindo de forma econômica os custos da propaganda que atende a toda a coletividade. O site conta com a supervisão de

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um escritório especializado em Direito Digital que elaborou termos de uso e política de privacidade em consonância com a legislação pertinente além de manter controle sobre as atividades. A mais recente conquista da plataforma é a participação na Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro, de 30 de agosto a 8 de setembro de 2019, no Pavilhão do Riocentro, em um estande localizado no Pavilhão Verde, Rua P. Os escritores que se associarem a este novo conceito de comércio de livros até o dia 22 de agosto 2019 poderão usufruir do espaço por duas horas gratuitas, em dias consecutivos ou alternados, para lançamento de livro ou sessão de autógrafo, sujeitas à disponibilidade na grade de horários. Para mais informações, visite a livrosemaislivros.com.br Conheça e acompanhe o projeto pelas redes sociais: Facebook: Livros e Mais Livros Instagram: @livrosemais.livros

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ENTREVISTA

ESCRITORA CHRISTIANE COUVE DE MURVILLE Graduada, mestre e doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo, com especialização em psicodrama e orientação profissional, Christiane Isabelle Couve de Murville dedicou sua carreira ao atendimento psicológico individual e grupal de crianças, jovens e adultos, oferecendo oficinas de teatro espontâneo em contextos variados. Bacharel em Ciência da Computação pela USP, sua dissertação de mestrado foi publicada pela editora Casa do Psicólogo. Morou sempre no Brasil, apesar da dupla nacionalidade brasileira e francesa. Publicou a trilogia “A Caverna Cristalina” e a novela “A vida como ela é”, no Brasil e na França, além de livros e artigos acadêmicos. Tem experiência artística em escultura, desenho, pintura e cerâmica e faz as ilustrações de seus livros. Boa Leitura!

Além da aventura, da ficção e do conteúdo histórico apresentado, a trilogia também revela um lado espiritual, que vai se tornando mais evidente ao longo da história, promovendo reflexões sobre o mundo onde vivemos e o que estamos fazendo aqui.”

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Chapada Diamantina é destaque literário internacional Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Christiane Couve de Murville, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos, como surgiu inspiração para escrever a trilogia “A Caverna Cristalina”? Christiane Couve de Murville - A trilogia “A Caverna Cristalina” surgiu da vontade de compartilhar algumas ideias e reflexões que considero interessantes a respeito da vida e do mundo no qual vivemos. Por meio de uma leitura agradável e fluida, imaginei proporcionar aos meus leitores momentos de descontração, inspirando-os a buscar realidades

mais alegres, leves e vibrantes, contribuindo de algum modo para tornar o nosso mundo mais luminoso. Apresente-nos a trilogia. Christiane Couve de Murville - Trata-se de um romance de aventura e ficção que conta a história de um grupo de pesquisadores que vivem experiências de portais dimensionais em uma caverna cristalina, situada na Chapada Diamantina, na Bahia. A formação geológica do local, o poço de águas transparentes no centro, a janela no alto e os efeitos acústicos e luminosos que invadem o ambiente cristalino ocasionam viagens no tempo, levando

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a turma ao passado do vilarejo de Igatu. Nessas idas e vindas no tempo, são sempre as mesmas pessoas se reencontrando nas diferentes realidades visitadas. Passado, presente, futuro, morte e renascimento se entrelaçam, conferindo à vida uma nova dimensão, trazendo à tona um mundo invisível, muitas vezes desconsiderado ou esquecido, e convidando o leitor a considerar diversas realidades possíveis coexistindo. De que forma se apresenta o enredo em cada trama que compõe a trilogia?   “A Caverna Cristalina – Uma 35


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aventura no tempo” - Acompanhando as aventuras dos viajantes do tempo da Chapada Diamantina, o leitor descobre a história da região, desde o apogeu da extração do ouro e dos diamantes, passando pela decadência da mineração, até os dias de hoje. Houve um tempo em que Xique-Xique de Igatu chegou a ter 10 mil habitantes, cassinos, cabarés e bairros de escravos na periferia. Hoje, Igatu é um povoado de aproximadamente 400 habitantes que vive essencialmente do turismo. Ao se deparar com cenários absolutamente estranhos e, em alguns casos, até mesmo hostis, a turma que se percebe no passado de Igatu terá que encontrar um meio de retornar ao seu tempo, para a realidade de onde veio.   “A Caverna Cristalina – O desafio do labirinto” -  Inveja, incompreensão, medo e curiosidade se espalham entre os habitantes da região, e a situação se tumultua com o surgimento de movimentos contrários à realização dos experimentos na caverna cristalina, tornando ainda mais desafiadora e instigante a aventura na Chapada Diamantina. Uma velha mina de ouro e diamantes abandonada, cuja entrada secreta se dá por uma cachoeira, torna-se um refúgio seguro para aqueles que anseiam por desvendar os mistérios dessas idas e vindas no tempo. Porém, eles terão que explorar os corredores da velha mina, que esconde um

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labirinto cheio de surpresas, para reencontrar o caminho de volta para a caverna cristalina e o portal de saída da realidade na qual se encontram. “A Caverna Cristalina – Capturados no tempo” -    Não se trata mais de ir ao passado ou futuro de Igatu, mas de lidar com realidades alternativas possíveis coexistindo no tempo. Ora a turma se percebe em um mundo onde tudo acontece de forma mais lenta, ora em outro mais acelerado, ou ainda onde não parece haver distâncias a percorrer ou separação entre uns e outros. A sensação de passagem de tempo varia conforme a realidade visitada, sendo que esta última ganha evidência em função das intenções, dos sentimentos e pensamentos emitidos. As emoções experimentadas a cada instante e as escolhas feitas abrem novos caminhos e realidades possíveis, levando alguns a se perguntarem se seria possível fugir de realidades sofridas e se bandear para um mundo alternativo mais de acordo com suas expectativas e seus sonhos particulares. Percebendo-se capturado no tempo, cada integrante do grupo dos viajantes da Chapada Diamantina terá que descobrir como se libertar de suas projeções pessoais e dos mundos paralelos.

Quais os principais personagens que compõem “A Caverna Cristalina”? Christiane Couve de Murville -  Sa-

muel é um professor universitário, biólogo e historiador, que coordena um grupo de estudos transdisciplinares. Integram o grupo o engenheiro Eli, a psicóloga Sofia, o veterinário Tobias, as estudantes Isa, Theodora e Hannah, Victor, da área de informática, e sua namorada, Flora. Também participam dos estudos o geólogo Dan, sua esposa arquiteta e seus filhos Benjamin e Rafaela. Em Igatu, a turma encontra Noel, o supervisor do Parque Nacional da Chapada Diamantina, o índio Ibiajara, o pajé Acauã, o Sr. Alvino, funcionário da pousada, dona Mathilda, da casa de especialidades regionais, entre outros. São muitos personagens e cada um ganha evidência conforme os desafios que se apresentam. De que forma eles se apresentam em cada volume da trilogia? Christiane Couve de Murville - Cada personagem tem suas características e seus interesses particulares, e passa por provas que os estimulam a refletir sobre a vida, suas escolhas e sua visão de mundo. Ao longo dos experimentos realizados na caverna cristalina, o leitor acompanha o desenvolvimento dos personagens que são constantemente chamados a lidar com diferentes realidades acontecendo simultaneamente e até mesmo, eventualmente, a gerenciar a possibilidade de topar com um sósia seu em alguma realidade alternativa visitada.   Qual a mensagem que deseja transmitir ao leitor pelo enredo que envolve a trama?

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Christiane Couve de Murville - Além da aventura, da ficção e do conteúdo histórico apresentado, a trilogia também revela um lado espiritual, que vai se tornando mais evidente ao longo da história, promovendo reflexões sobre o mundo onde vivemos e o que estamos fazendo aqui. Considerando que tudo é vibração e que há uma parcela enorme da realidade que escapa à percepção humana, existiriam diferentes mundos imbricados acontecendo em faixas vibracionais distintas? Estaríamos condicionados a perceber apenas uma fatia específica da realidade, momentaneamente sintonizada e eleita como real e única? Será que podemos pensar em termos de níveis de percepção e consciência da realidade ou de diferentes planos emocionais e/ou vibracionais de manifestação? O que, de fato, é sonho ou realidade, tendo em vista a qualidade efêmera e mutante de toda realidade vivida, sensível a cada intenção, pensamento ou sentimento emitido? Seríamos nós os capturados no tempo?   Quais os principais desafios para a escrita de “A Caverna Cristalina”? Christiane Couve de Murville -  Circulei durante vários anos no meio universitário, participando de grupos de estudos, de pesquisas e produzindo textos acadêmicos. Nunca havia escrito um romance, de modo que foi um grande desafio me lançar no projeto da trilogia “A Caverna Cristalina”. Eu tinha uma ideia dos temas que gostaria de abordar, mas não tinha os personagens e o enredo definidos. Mas logo percebi

que, assim que escrevia um capítulo, a ideia para o próximo aparecia. Assim foi surgindo a história dos viajantes do tempo da Chapada Diamantina, cujo desfecho também só descobri no fim desse processo, ao escrever o último capítulo! Onde podemos comprar os seus livros?   Chiado Editora  https://www.chiadoeditora.com/autores/christiane-de-murville

dade e ficção, leva muitos leitores a se perguntarem se a história não poderia mesmo ser de verdade. Minha mensagem para todos: tenham coragem de ouvir e seguir seus corações, de dizer não a tudo que os afasta de si e os impede de serem vocês mesmos. Respeitem os outros e a si mesmos. Busquem o que os faz se sentirem mais leves, livres e em paz consigo mesmos. Sejam felizes e aproveitem suas aventuras no tempo para ser luz.

Livraria Martins Fontes Paulista https://www.martinsfontespaulista. com.br/busca/3/0/0/MaisVendidos/ Decrescente/20/1////a-caverna-cristalina.aspx Livraria Cultura https://www.livrariacultura.com.br/ busca;_lcid=2cuyxIVAhOy1zoQrR9yUKDm6-OThnXfSfcy4sPCmDskI2Sel18U6!-1373902084?N=0&Ntk=AutoComplete&Ntt=caverna+cristalina   Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Christiane Couve de Murville. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Christiane Couve de Murville - Agradeço muitíssimo a oportunidade de apresentar aos leitores da Revista Divulga Escritor a trilogia “A Caverna Cristalina” que, no limiar entre reali-

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA INÊS BARI

“INESPLICANDO”, EM DUPLA COMEMORAÇÃO!

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escritora e palestrante Inês Bari, paulistana, autora da Chiado Editora, marcou presença na Bienal Internacional do Rio de Janeito, neste último mês de agosto. Foi uma comemoração em dose dupla! Primeiramente, o lançamento mais que especial do seu livro Inesplicando na maior festa literária do país. Junto com esse evento, a felicidade de ter alcançado mais de 120 mil visualizações no seu Blog “Inesplicando”. O livro, é a alma gêmea do Blog. E traz as 50 crônicas mais visualizadas pelos leitores. São crônicas leves e breves do cotidiano, em um texto ritmado, quase poético. Fácil e gostoso de ler... Outra novidade: agora na versão web do http://inesplicando.blogspot.com/ , um link para a compra do livro, direto com a livraria Martins Fontes! Ficou mais fácil adquirir!

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA ANITA SANTANA

Mulheres

Somos muitas Mas insistem em dizer Que não, que é muita conversa. -Também fizeram por merecer Despem o corpo pelas ruas! Somos muitas Mas os socos e pontapés São ameaças silenciadas, esquecidas Por vezes algumas dão o grito De socorro e alardeiam! -Mas elas só estão querendo aparecer! Somos muitas As estatísticas até demonstram Maços de cabelos grudados nos dedos Toda brutalidade esmagando a alma Enquanto o corpo já nem sente -Chego em casa e a comida não tá pronta! Somos muitas Carregando na cara marcas de desamor Nas palavras repetidas, bem intencionadas. -Feia, buRRa, prostituta, dê graças a Deus Eu estar com você – A lavagem é boa, acreditamos.

Mulher madura

Ainda sinto o gosto Olhos ressaqueados Pela água sagada Do mar agitando o corpo Reboliço do tempo Solta o canto e o pranto São dias quentes e frios Navegando pelas veias Em correntes altas e baixas. Viro menina, quero espernear Esquecer os anos Cair no colo e desaguar. A cada passagem Sou encharcada de sonhos Inconstâncias e desilusões, Mas é só um tempo nublado Uma nuvem necessária E passageira pra caminhadas Seguras em permanente Estado de ebulição.

Somos muitas Mas podemos ser mais Unidas contra tudo que nos subtrai.

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ENTREVISTA

ESCRITORA CLÁUDIA GOMES Cláudia Gomes, soteropolitana, poetisa, pesquisadora e professora do ensino básico das redes municipal e estadual. Radicada em Feira de Santana, Bahia, desenvolveu o amor às letras desde adolescente. Mestra em Letras pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB – Campus V). Graduada em Letras Vernáculas (UEFS). Especializada em Língua Portuguesa (UEFS) e em Gestão Escolar (UFBA). Tem três filhos os quais foram criados ouvindo poesias e músicas de grandes mestres da nossa música brasileira. Busca inspiração nas coisas simples da vida, nos sentimentos que brotam do seu ser. É mulher de sonhos, mas que, através das leituras, conseguiu realizar-se em sua plenitude. Boa Leitura!

Esse poema é o meu fazer poético, pois para mim, o momento da escrita é mágico e único, é revelador, e mesmo que eu finja uma dor (ou alegria), ela, com certeza, está em algum pedacinho do meu ser e me inspira no ato da escrita.” Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Cláudia Gomes, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto pela arte de escrever? Claúdia Gomes - Gostaria, antes de tudo, agradecer a oportunidade de fa-

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lar um pouco sobre o meu trabalho, sobre a minha escrita para essa revista tão importante. Uma honra para mim. Lembro-me que, ainda no Ensino Fundamental, deveria ter uns catorze anos, gostava de “inventar” histórias românticas e as escrevia em um caderno pequeno. Escrevia à mão aquelas mais de cinquenta páginas em branco. Quando eu terminava, eu oferecia às minhas amigas para que pudessem 41


DIVULGA ESCRITOR ler. Elas sempre gostavam daquelas histórias e isso foi crescendo em mim. No entanto, eram as poesias que mais me fascinavam. Sempre escrevi versos nos meus cadernos escolares, alguns de autores consagrados, outros, de autoria. Assim, escolhi o curso de Letras justamente porque queria ser escritora, porque queria tirar dos cadernos amarelados meus delírios em versos. Em que momento se sentiu preparada para publicar o seu primeiro livro solo? Claúdia Gomes - Sempre digo que, às vezes, só precisamos estar no lugar certo. Foi durante o curso de Mestrado que fui incentivada pela minha orientadora a publicar. Tive a oportunidade de escrever e ler para a minha turma poemas que surgiam de algum momento nosso, como o poema “As tranças de Bebel” cuja inspiração foi um relato de vida de uma colega de curso, após discussão sobre racismo. Para suprir o estresse durante esse período, eu escrevia e escrevia sobre tudo. Publiquei seis poemas na Antologia Cadernos Negros 39, foi minha primeira publicação, em 2016. Ano seguinte, foquei em Catadora de Versos e o lancei em 2018. Apresente-nos “Catadora de Versos” (sinopse) Claúdia Gomes - “Catadora de Versos” é um livro de poesias com as mais variadas temáticas. Alguns poemas inspirados em versos que fui catando através das leituras que fazia. Poetas como Conceição Evaristo, Sacolinha, Miriam Alves, Lima Barreto, Carolina Maria de Jesus e tantos outros foram os percursores dessa escritora eu vos fala. São 108 páginas de devaneios e sensibilidade. No final da obra, há algumas páginas em branco para eu os leitores também possam catar os versos que mais lhe tocaram. A orelha do livro foi escrita pelo escritor Ademiro Alves, Sacolinha, de Suzano, São Paulo. Ele foi fundamental em minhas leituras sobre a literatura marginal. Já a apresentação foi escrita pela Profª. Drª. Rosemere Ferreira da Silva, pesquisadora da literatura afro-brasileira e maior incentivadora para o nascimento dessa obra. Deixe para nossos leitores um dos 42

textos poéticos publicados na obra Síndrome de Estocolmo Porque a poesia me raptou Para um lugar Bem perto de mim. E fez de mim Sua refém. E como refém Fui rebelde Não a rejeitei. Pelo contrário Pelo inverso Pelos versos Foi por ela Que me apaixonei. E lutei Lutei com todas as minhas forças E a suguei. E a usei. E a senti... Essa síndrome Tão rara em mim Possuiu-me E me mudou. Sou refém E gosto disso! Não importa a posição Sou sua E sempre serei. Sou sua, poesia, Estou aqui... Amarre-me em seus versos E juntos iremos seguir. Pois sou refém De sua linguagem De seus suspiros Às vezes poéticos Às vezes não, Mas estou presa Às metáforas que me oferece Aos paradoxos que me enlouquem E me desnudam Tiram-me o fôlego das etiquetas Que rotulam Que excluem Que silenciam! Sou sua refém, poesia E para ti serei eternamente Enquanto minhas mãos Marcarem a sua voz em mim, Sou sua Sua refém Refém Efém Fém Em MIM.

Sabemos que cada texto tem um pedacinho da autora. Conte-nos, sobre a criação deste texto. Claúdia Gomes - “Síndrome de Estocolmo” é um poema que revela como fui conquistada pelo fazer poético. Gostar de escrever, gostar de poesia é lutar com as palavras, e é uma luta vã como dizia Drummond. Sinto-me “raptada” e como o próprio título diz pelo raptor me apaixonei. Esse poema é o meu fazer poético, pois para mim, o momento da escrita é mágico e único, é revelador, e mesmo que eu finja uma dor (ou alegria), ela, com certeza, está em algum pedacinho do meu ser e me inspira no ato da escrita Onde podemos comprar o seu livro? Claúdia Gomes - Catadora de Versos pode ser adquirido pelo e-mail rical_ fsa@yyahoo.com.br ou pelo Instagram claudia_gomes_poeta Agridoce Loja de Colaborativa (Av. João Durval Carneiro nº2881, Feira de Santana, Bahia. Quais os seus principais objetivos como escritora? Claúdia Gomes - Primeiramente ter voz na sociedade, e a escrita literária nos permite isso. Escrever meus sonhos, minhas lutas e conquistas como mulher solteira que criou três filhos praticamente sozinha com um salário de professora de escola básica, devanear, abordar nossa sociedade e mostrá-la através do texto poético e principalmente ter com quem conversar, pois a literatura é uma amiga, uma companheira inseparável. Também tenho a escrita como lazer, pois me sinto extremamente feliz ao escrever. Você trabalha com pesquisa em literatura afro-brasileira. O que mais tem chamado a sua atenção ao realizar este trabalho? Apresente-nos este projeto. Claúdia Gomes - O foco principal em minhas aulas sempre foi envolver diretamente os educandos no universo literário. No entanto, nas turmas do EF II, as atividades com as literaturas não aconteciam de forma satisfatória. Mesmo havendo projetos de leitura, muitos educandos chegam ao 9º (nono) ano

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DIVULGA ESCRITOR com algumas dificuldades de compreensão e/ou com desinteresse pela leitura. Temas como amor, bullying e drogas são os mais trabalhados em sala de aula. Entretanto, esses temas, muitas vezes, não retratavam as experiências de vida dos educandos e, por isso, as leituras não adquiriam significados mais satisfatórios para eles. Assim, foi a partir desses problemas que comecei a me questionar se o que levava para a sala de aula condiziam com a vida dos adolescentes. De que maneira o trabalho com as literaturas podia representar os educandos de forma significativa e efetiva, levando-os a refletirem sobre quem são e o que querem do mundo? Como elevar a autoestima dos meus educandos por meio da literatura? E as personagens das histórias poderiam ser reais? Pensando na Lei 10.639/2003(BRASIL, 1996), lancei para meus alunos o Projeto “Enleituramento do texto afro-brasileiro: experiências com os contos dos Cadernos Negros em sala de aula”. Através desse projeto, o texto afro-brasileiro em sala de aula foi um fio condutor de ideias construídas e desenvolvidas ao trabalharmos com seis contos da série Cadernos Negros. A cada conto lido, reflexão, troca de experiências, analogias com suas vivências, produção. É evidente que a Literatura afro-brasileira vem revelando mudanças significativas quanto aos temas abordados, apresentando textos que possibilitam discussões acerca de gênero, raça, cultura e, principalmente, aceitação e formação da identidade, do sentimento de pertencimento de um povo que foi historicamente silenciado. Ao lado dos cânones, da literatura já consagrada, insiro a Literatura Afro-brasileira em todas as minhas turmas. Está é uma edição especial para o Mulherio das Letras. Você que é um membro ativo, participativo, conte-nos, como você vê a literatura feminina. Claúdia Gomes - A literatura feminina é a voz que ecoa na literatura brasileira, mas sabemos que nem sempre nós, mulheres, tivemos espaço nesse campo. Quando falo sobre a literatura feminina, penso sempre em Carolina Maria de Jesus que teve tudo para ser

excluída socialmente, mas que acreditou que tinha muito para falar e falou. Para mim, ao lado de outras grandes mulheres escritoras como Conceição Evaristo, Cristiane Sobral, Miriam Alves, Adélia Prado, Clarice Lispector dentre outras, ela é um ícone da nossa literatura. Aproveito aqui a oportunidade para falar sobre a antologia Mulher Poesia, pela editora Cogito, de Salvador. Aqui, vozes femininas são reveladas e ganham espaços, discutimos sobre temas variados, sobre o que nos inquietam. Damos vez a nossa voz. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Cláudia Gomes. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

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Claúdia Gomes - Como escritora e professora de Literatura sempre digo que a leitura nos transporta, não só para as estrelas da nossa imaginação, mas nos transporta para dentro de nós mesmos, revelando-nos. Ler é empoderar-se, é enleiturar-se de ideias, e nos possibilita desalienar-se de um mundo que, na maioria das vezes, é excludente. Portanto, desenvolver o hábito da leitura é antes de tudo, um ato de amor com você mesmo, pois ela é uma oportunidade ímpar de sair do lugarcomum para um lugar onde o sujeito se encontre e se reencontre. Desde já, agradeço essa oportunidade ímpar. _________________ Divulga Escritor: Unindo Você ao Mundo através da Literatura. https://www.facebook.com/ DivulgaEscritor/ www.divulgaescritor.com

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA CLÁUDIA GOMES

Cláudia Gomes é catadora de versos, tem a poesia como sua amiga inseparável. Escrever é, antes de tudo para ela, ter um encontro com as tantas vozes que habitam em seu ser. Poetiza sobre os mais variados temas. É professora do ensino básico na cidade de Feira de Santana, Bahia. Ser escritora é eternizar emoções e possibilitar aos leitores o devaneio e a fuga do ostracismo, para ela. Abaixo, seguem uma carta poética e um poema publicados neste ano.

Meu passado mais bonito, Meu amor, faz tanto tempo que não ouço sua voz nem leio suas palavras nos pergaminhos amarelados pelo tempo! Faz tempo! Faz tempo que busco coragem para saber notícias suas. Precisei sonhar, de novo, com você, para que o medo, esse vilão de quem ama, eu pudesse enfrentar. Faz tempo que você partiu no meio daquela triste noite. Lembro-me de que o céu que avistava através da janela do nosso quarto perdeu o brilho. As estrelas acompanharam minha tristeza... A lua chorou como eu chorei. Antes daquela noite, agradecia fielmente a Deus por ser a mulher mais feliz do mundo. Você me fazia sorrir como ninguém mais. Sabe, depois de um dia cansativo de trabalho, eu ainda conseguia sorrir, pois sabia que em seus braços buscaria a energia necessária para a minha luta diária. Com você eu sorria demais, abraçava demais, beijava demais... demais tudo! Mas e agora? Não consigo apagar o desejo que ainda há em mim... o desejo de ter você e dar continuidade ao que deixamos para trás. Meu amor, você é meu passado mais bonito. Ficamos juntos o tempo necessário para transformar nossa pai-

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xão em desejo, nosso desejo em amor. Sim, é amor o que senti e o que sinto por você. Abri mão da minha felicidade para ver você feliz, em outros braços. Não consegui lutar, talvez essa distância que separa nossos corpos, fosse minha maior rival. Hoje, depois de uma década, resolvi parar o tempo, o meu tempo, para saber o que esses olhos lindos estão vendo, o que essas mãos macias estão tocando... só queria saber. Talvez seja essa minha amiga solidão que fica me incentivando a ir em busca. Mas buscar o quê? Às vezes, quando tenho coragem de ouvir as músicas que marcaram nossa história, eu choro. Sim, choro como “choram as rosas” quando estas ferem com seus espinhos quem elas amam... Às vezes, agimos sem pensar e ferimos quem mais amamos. Sei que você não queria ser como esses espinhos, sei que me amou e que foi feliz ao meu lado. Isso me conforta, mas mesmo assim, pergunto-me todos os dias: por que partiu sem olhar para trás? Sabe do que mais tenho saudade? De você me chamando de “vida” e dos seus beijos. Situações tão corriqueiras, mas tão verdadeiras. Quando você olhava no fundo dos meus olhos, eu sentia o tempo parar. Acredito que ele ainda para quando revivo tudo isso em minhas lembranças.

Ah, amor, minhas lembranças, nossas lembranças são inesquecíveis. Sei que o tempo está passando, mas meus olhos continuam os mesmos, o mesmo brilho quando vejo você, em fotografias. Mas sabe de uma coisa? Agradeço todos os dias pela sua vida, pois se não fosse você, nunca conheceria o amor verdadeiro. Nunca saberia o que é andar de mãos dadas, de ler recadinhos nos espelhos ou na porta da geladeira, de tomar café na cama sem ser feriado ou final de semana! Foi você, meu amor, que me proporcionou as lembranças mais lindas. Portanto, como não querer saber como você está? Quando puder, assim que puder, releia essa carta, pois em cada palavra, em cada linha e pausa, tem amor para você. Meu amor, nunca se esqueça de que estarei aqui, sempre aqui esperando-o de braços abertos. Só não demore muito, pois a vida é breve... Com todo meu amor, Sua eterna amada.

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(Cláudia Gomes. Carta publicada no livro “Além do Amor” pela editora Darda, 2019)


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Meu Nordeste, minha Bahia O verão no meu nordeste vai além da Estação Sol ardente Chuva fina que molha o cabelo da menina que toca violão. Praia cheia de turista buscando diversão descanso, cor e alegria onde eu moro por opção. Meu nordeste é prazeroso tem festa palmeiras e flores colorindo os jardins do meu singelo portão. Na Bahia, onde moro Tem nordestino arretado Levanta com o cantar do galo

Para deixar preparada A vinda de quem precisa Ver natureza viva Ventos beijando os rostos Cheiros perfumando as mãos. Meu nordeste tem as cores Que a bordadeira tece Para deixar mais lindo Os tons da tela da vida Que se chama coração. Meu nordeste, Minha Bahia Faz do país uma alegria De paz, amor e ilusão! (Cláudia Gomes, Antologia O Construtor de amigos, 2019)

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ENTREVISTA

ESCRITORA EDNA ALMEIDA Edna Santos Almeida nasceu em 20/06/1968 em InhambupeBa. Graduada em Letras com Inglês pela UNEB-Universidade do Estado da Bahia. Pós-Graduada em Planejamento Educacional pela Universidade Salgado de Oliveira. Professora, poeta e escritora. Publicou “Caminhando entre as flores” em 2016 que recebeu homenagem de 3 escolas estaduais Há um livro de poemas a caminho de editoração intitulado’Á flor D’pele. Participou das Tardes Amadianas na UNEB, é membro da casa do poeta e da Câmara de Literatura de Alagoinhas. È instapoeta e membro do Mulherio das Letras. Selecionada no concurso Dolores Duram, com o poema “Loucos soltos”. Participou de saraus: Boi Encantado, dos ventos e Sarau no Centro de Referência de Apóio à mulher. ( CRAM).Seu mais novo livro “Olhos de Lince” registra 23 países visitados. Boa Leitura!

Que as palavras possam nos acessar e trazer maiores percepção pra nossa vida, ainda estando presas ao papel. Que sirva cada leitura como conhecimento de si, descoberta de novas formas de pensar sobre algo, nunca como algo finito por estar registrado, mas que possa aguçar a cada leitura.”

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‘Olhos de Lince’ - renovando a cultura por meio da leitura Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Edna Santos Almeida, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto pela arte de escrever? Edna Almeida - Eu colecionava diários, capa de veludo, jeans, couro, plastificada com desenhos, a excitação de ter um cadeado e ter sigilos e ter que esconder dos irmãos que os roubavam. E o primeiro amor platônico na escola e a escrita de versos na efervescência da adolescência. Lembro que na oitava série, escrevi 15 redações para os colegas sobre “meus quinze anos”. Escrever é latente, me arrebata, de forma que já queimei panelas, passei do ponto de ônibus, já escrevi andando na rua e já parei só pra escrever, quando já podia ir embora. Despertava a amante da palavra no domingo, sem lembrar das horas, até que alguém gritava: Oh mãe, cadê o café? Em que momento se sentiu preparada para publicar o seu primeiro livro solo? Edna Almeida - Em 2016 saia o primeiro rebento, após ter escrito 250 poemas e ter que adequá-los ao livro desejado. Você sente quando é hora de publicar, não há medos sobre o que escreveu, sobre agradar, há você. Como o primeiro beijo, é agora! Selecionar filhos é coisa difícil ás mães, mas leio hoje e não mudaria nada. A capa é um feitiço! Tinha 48 anos, era hora de guardar compartilhando. Pessoas telefonavam-me expressando a emoção que

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sentiam ao degustá-lo. Isso é totalmente humano e encorajador... Apresente-nos “Caminhando entre as flores” Edna Almeida - Uma coletânea poética que traduz experiências, sentimentos, desejos de uma mulher divorciada, mãe, trabalhadora, como tantas outras na nossa contemporaneidade. As flores, são as pessoas que marcam nossas vidas. Há um olhar singular a cerca da arte, onde o labor é prazeroso. E os poemas exploram inúmeras temáticas (o celular, a Aids, o existencialismo, os amores, o inconsciente, a busca da felicidade interior, de ser quem é, o que ama...) numa linguagem simples, acessível e cheia de emoção que encanta sem perder o bonde da história. Um espelho romântico e realístico de 100 poemas que inquieta as almas que apreciam a beleza da palavra. Após “Caminhando entre as flores” surge “Olhos de Lince” como foi a escolha do título para está obra. Edna Almeida - Olhos de lince era a forma como um homem, se apresentava num site de relacionamentos. Pesquisei o termo “lince” e vi que era um olhar especial, profundo e pensei: perfeito! Olhar de quem vê na distância! E a distância era a matéria, a ousadia de ir a um lugar longe de casa, ver algo novo. Apresente-nos “Olhos de Lince” Edna Almeida - É um livro álbum recheado de imagens, lembranças e homenagem ás pessoas encontradas no caminho, um registro de

blog, um trabalho de pesquisa de aproximadamente quarenta sites de blogueiros de viagem, de informativos e dicas de viagens, ele estimula e desafia você a sair do sofá, a ser corajoso mesmo com medo e expõe roteiros de viagens, poemas sobre vôos, lugares, sensações, sinestesias, epifânias de viagens. Há uma prosa poética em seu seio como o desejo de voltar pra casa, como alguém que foi tomar um ar. A capa lembra um álbum de fotos mesmo... a gente ganha alma nova e o livro é esse ir e vir, num voltar entusiasmado pra quem amamos.

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organizar. Gosto de lidar com os gêneros, isso deve ser originário do trabalho com em sala de aula. Embora saiba que meu cantinho mais gostoso, é sem dúvida a poética, os poemas, estes estão no sangue. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Edna Santos Almeida. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

O que mais a encanta nesta obra literária? Edna Almeida - A trajetória. A poesia contida nos céus de aprendizagem dos lugares, pessoas, a natureza. O conhecimento das culturas, da arte. Há um aglutinado de emoções e experiências numa linguagem agradável, simples e com senso de humor. Para quando está previsto o lançamento? Edna Almeida - Em meados de novembro.

Onde podemos comprar o seu livro? Edna Almeida - Pelo meu email, de-edna @hotmail.com, pelo whatsapp 75 99979-4856 Ainda não pensei na livraria que posso deixá-lo.

Edna Almeida - Que ao pegar um livro, especulem e percebam de que forma a mensagem os presenteia, porque assim como as pessoas, os livros ali quietos, só precisam serem abertos e com certeza não chegam ás nossas mãos por acaso. Que a poesia seja pão, fermento fresco, sem fazer mal. Que as palavras possam nos acessar e trazer maiores percepção pra nossa vida, ainda estando presas ao papel. Que sirva cada leitura como conhecimento de si, descoberta de novas formas de pensar sobre algo, nunca como algo finito por estar registrado, mas que possa aguçar a cada leitura.

Quais os seus próximos projetos literários? Edna Almeida - Após o lançamento de à Flor d” Pele(poesias) , terei um livro de crônicas. tenho escrito crônicas poéticas, lido e gostado delas. Já tem uma bela quantidade de risadas e imagens me esperando pra

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Antes que…

Minha mãe…

Antes que a noite escureça o meu olhar, o dia vire noite, a noite vire dia, a madrugada me vista de melancolia e o tempo se vá embora, dispo-me da ambição de te querer para sempre, porque basta-me ter-te hoje e agora…

São tantas as palavras que tenho para te dizer… embargadas no peito e acorrentadas num sentimento que não consigo descrever. Como dizer minha mãe quanto por mim és amada é o mesmo que dizer a um filho o quanto a mãe o ama.

antes que chegue o outono e as folhas caiam ao chão, cobrindo a alma de tristeza, deixo que o amor seja a beleza que enfeita o coração…

Minha mãe… mãe querida… que sejam longos teus dias… porque nesta minha vida que tanto tem sido ferida tu és minha âncora e minha alegria.

antes que a luz do meu olhar perca o brilho da mocidade, se torne cinzento e apagado e a memória já não tenha presente nem passado, quero sentir contigo, o sabor, dos momentos de felicidade…

Quantas vezes ainda sinto querer o teu colo onde as minhas mágoas possa embalar e fazer do teu carinho o meu solo por onde ando, neste meu caminhar.

e antes que a memória, me apague teu nome da mente, quero olhar-te bem fundo e guardar cada segundo da nossa história…eternamente!

Teus cabelos brancos me comovem anos de sabedoria são e o brilho dos teus olhos me movem a dizer-te: mãezinha… amo-te de todo o meu coração… Teresa Costa

Porque choram os meus olhos? Porque choram os meus olhos se ainda há sol ao amanhecer luas cheias a fazer-me sonhar, o céu povoado de estrelas e por do sol ao anoitecer? Porque choram os meus olhos se ainda há brilho no teu olhar ternura nos teus beijos saciando os meus desejos quando dizes, me amar? Ah!...se os meus olhos não vissem a dor que há no mundo,

Teresa Costa

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DIVULGA ESCRITOR o ódio tomando conta dos homens, que matam a troco de nada, como se só eles existissem e a sua ambição descontrolada… se os meus olhos não vissem crianças mendigando o pão, idosos dormindo na rua fazendo da calçada colchão e usando por candeeiro, a lua… então…minhas lágrimas se secariam, meu coração sorriria à vida e meus olhos teriam do mundo e dos homens, outra visão… Teresa Costa

Cruzando o céu da liberdade Entre o céu da liberdade Voa um pássaro Trazendo uma mensagem Do teu amor para mim, Entre o céu e o infinito Voa um desejo de te ter De te amar para sempre Meu amor, sem limites Entre o mar e o vento Junta-se toda a saudade Que está em nossos corações Entre a bruma e o sol Corre o calor do nosso amor Entre as flores e as abelhas Encontra-se o mais Doce sabor da alegria Entre as pedras e a água Esconde-se um segredo que leva A felicidade que é o nosso amor Catarina Dinis Pinto

Amor nascido de amar Amor nascido de amar Palavra agridoce Que só conheci quando me cruzei em ti… E todos os planos se alteraram As rotas desorientaram-se

Tal como o meu coração Só eu sei o sabor desse teu beijo envenenado Só eu escutei as promessas de amor Navegamos um no outro E ancoramos no nosso paraíso Terra divina e quente Ruas tão fáceis de caminhar Onde a luz repleta e cheia entrava No amanhecer das almas Despias meus medos e receios Sem a pressa que o tempo tem Entre os lençóis da paixão Catarina Dinis Pinto

A lua vazia… No céu uma lua vazia, Ausente da sua rotina… Tal como eu… Ausente de tudo Envolta em pensamentos De desejos loucos e profanos De um amor proibido, Fechado em teus lábios, Selado em nossas almas. Desata-me deste sofrimento Ama-me assim em silêncio Catarina Dinis Pinto

Essência de mulher Fruto do divino Mistério do universo Que caminha por trilhos De selva e de tronos… Mil facetas, mil seres Contidos num só… Só tu mulher… sabes ser Mulher… A Mulher que é rara e comum A Mulher que é mortal e transcendente… Catarina Dinis Pinto

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ENTREVISTA

ESCRITORA ESTELA MARES Estela Mares é professora aposentada e escritora. Atuou nas áreas de Educação Infantil, no Curso Fundamental e no atual Ensino Médio. Na área administrativa, ocupou vários cargos: Secretária da Câmara de Vereadores, Dirigente Escolar, Secretária da Educação do Município, Secretária de Empresa Rural ANCARBA (já extinta) e Coordenadora de Educação Ambiental. Fundou o Colégio Durval Alves da Costa – CDAC (em sociedade), o Clube da terceira idade: Viva a Vida, realizou a 1ª. Exposição Histórica de Fotos de Inhambupe, compôs o hino ao Colégio Estadual Mário Costa Filho e outros trabalhos culturais e educativos como escrever e dirigir peças teatrais e trabalhos com jovens, sempre na região de Inhambupe. Possui um acervo autoral de poesias, mensagens, peças teatrais algumas delas já divulgadas e apresentadas. Defende e enaltece a educação como maior prioridade e melhor caminho para um futuro promissor. Boa Leitura! Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Que a leitura é responsável pela aquisição de conhecimento, pela cultura; ler nos faz bem, nos enriquece, nos faz crescer e viajar no tempo e no espaço. Agradeço a Revista Divulga Escritor que me proporcionou esta oportunidade de divulgar meu trabalho, como também meu nome como escritora.”

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Escritora Estela Mares Silva da Costa é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a escrever aos 54 anos? Estela Mares - Ainda estudante, já gostava de escrever. Iniciei escrevendo sobre o aparecimento de Inhambupe – município localizado no agreste baiano a 167,5 Km da capital Salvador com 45.000 habitantes, aproximadamente -, cidade pouco divulgada e com uma história curiosa. Sendo Secretária da Educação na época, achava necessário que os cidadãos inhambupenses, principalmente professores e alunos, conhecessem como nasceu e a evolução da sua terra natal. Entretanto, em dado momento, a grande preocupação com meus filhos que entravam na fase da adolescência, me fez deixar de lado o que escrevia sobre minha cidade para iniciar a escrita do meu primeiro livro “Essa juventude do século XX”. Na oportunidade, coloquei

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no papel minhas angústias, o que sentia naquele momento, aliviando assim, minha preocupação.

livro serviu de fonte de pesquisa e, em momentos diferentes, de subsídio para algumas citações, enriquecendo e completando vários assuntos, apesar de que o documentário é um trabalho complexo e requer grandes pesquisas em vários livros, principalmente os antigos e o Livros de Tombo da Igreja Matriz de Inhambupe.

Foi relembrar algumas histórias do passado, sobretudo, contar a ida de minha mãe para São Paulo, a triste viagem para pagar uma promessa na cidade de Candeias - Bahia e escrever a respeito do Rio Inhambupe, antes caudaloso, hoje assoreado, abandonado e poluído. Como surgiu “Histórias que atravessam o tempo – Uma trajetória de superação”? Estela Mares - Surgiu pela grande necessidade de expor meus sentimentos como alegria, tristeza, dificuldade, realização, riso e choro, fracasso e vitória, ou seja, minhas verdades, vivenciadas em momentos diversificados da minha existência. São histórias baseadas em fatos reais que abordam acontecimentos desde a minha adolescência até os dias atuais. Tais relatos foram escritos em crônicas, com o objetivo de demonstrar que é possível superar as adversidades impostas pela vida. Apresente-nos a obra, sinopse. Estela Mares - Histórias que atravessam o tempo – Uma trajetória de superação é escrito em crônicas, algumas delas engraçadas outras nem tanto. Este livro narra fatos do passado e do presente, cujos temas passam pela educação, amor, saudade e amizade, sentimentos que mexem com o coração. Dessa forma, a autora descreve casos da época da sua adolescência, da sua vida adulta transcorridos em sua cidade natal, Inhambupe – Bahia. Essas histórias expõem as vitórias e conquistas ao longo da vida conseguidas com trabalho, coragem e amor. O que mais a marcou enquanto escrevia o livro? Estela Mares - Foi relembrar algumas histórias do passado, sobretudo, contar

a ida de minha mãe para São Paulo, a triste viagem para pagar uma promessa na cidade de Candeias - Bahia e escrever a respeito do Rio Inhambupe, antes caudaloso, hoje assoreado, abandonado e poluído. Além de “Histórias que atravessam o tempo – Uma trajetória de superação”, você tem publicado outras obras literárias, apresente-nos os títulos. Estela Mares Essa juventude do século XX – 1989 Evolução histórica de Inhambupe - 1993 O lado bom da vida – 1997 História da Paróquia do Divino Espírito Santo: “Lembrança de Inhambupe” – 2007 Histórias que atravessam o tempo – Uma trajetória de superação - 2012 Você participou como pesquisadora de um documentário sobre os 300 anos da paróquia de Inhambupe – BA, que está sendo editado pela igreja local. Seu livro História da Paróquia do Divino Espírito Santo: “Lembrança de Inhambupe”, tem alguma relação com este documentário? Comente sobre estes trabalhos realizados. Estela Mares - Sim, tem. O referido

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Onde podemos comprar os seus livros? Estela Mares - Meus livros são vendidos em minha residência ou a domicílio, em virtude da cidade não contar com livraria. Espero, em breve, colocá-los à venda em espaços apropriados a fim de divulgá-los. Quais os seus próximos projetos literários? Estela Mares - Estou em fase de correção do próximo livro que é a 2ª. edição que completa o livro “Evolução histórica de Inhambupe”, lançado em 1993. A nova versão traz fatos inéditos, bem como outros acontecimentos não citados e agora pesquisados, esclarecendo alguns pontos que ficaram obscuros na 1ª edição. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Estela Mares Silva da Costa. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Estela Mares - Que a leitura é responsável pela aquisição de conhecimento, pela cultura; ler nos faz bem, nos enriquece, nos faz crescer e viajar no tempo e no espaço. Agradeço a Revista Divulga Escritor que me proporcionou esta oportunidade de divulgar meu trabalho, como também meu nome como escritora. _________________ Divulga Escritor: Unindo Você ao Mundo através da Literatura. https://www.facebook.com/ DivulgaEscritor/ www.divulgaescritor.com

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A VIDA É UM DIAMANTE

VIDA ILUMINADA

Se a vida é um diamante, é realmente importante. tentar pô-lo brilhante e suas arestas limar. Pois ele vem por lapidar.

Com novelos dourados de esperança, bordei o meu caminho com confiança. Mas foram os raios prateados de luar, que o meu destino, quiseram iluminar. A minha vida ficou assim iluminada e minha alma se rendeu emocionada. Com pétalas melosas tiradas das flores, tingi minha vida com brilhantes cores.

Se a vida é um diamante faço à vida uma surpresa. limo as arestas da alegria, e embrulho já a tristeza. e nos momentos penosos coloco sorrisos luminosos

Pintei os momentos mais marcantes, aqueles feitos de pequenos instantes. Sou feita de murmúrios silenciosos. Silêncios pacíficos e harmoniosos.

Se a vida é um diamante o destino não pode atrapalhar. tenho duas medidas a tomar O despertador da vida regular e a bússola do destino orientar. Novos caminhos irei assim traçar. para minha alma em paz estar

Acorrentei então todos os meus medos. Destranquei o cofre de meus segredos. Esses medos não mais me paralisaram. Os segredos não mais me aprisionaram. Aurora Maria Martins

Se a vida é um diamante há que viver em segurança Ter na vida plena confiança. Atar o laço da Esperança e, desatar o nó da desconfiança

“Anjos com nós” Como fresca brisa num anoitecer Alguém me sussurrou aqui ao ouvido Olhei para o lado queria perceber Não havia ninguém, só mesmo um sonido.

Aurora Maria Martins

Um dia há muito tempo, bem longe daqui Não me senti bem, e estava só eu Mas chegou alguém, nem me apercebi Pôs-me a mão no ombro, e desapareceu! 54

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Senti-me melhor e segui meu caminho Mas esse momento nunca vou esquecer Ninguém neste mundo caminha sozinho Há alguém com nós que ajuda a vencer!

Navego pelo sonho, a fantasia E guardo para mim um só desejo: Viver junto de ti, que bom seria Sentir o teu abraço, um longo beijo.

Nas horas difíceis que por vezes aparece São alguns momentos de grande aflição Chamo por alguém em forma de prece E sinto logo alívio no meu coração!

Um dia também tu hás de ser meu, Por isso, não te escondas, vem a mim E então meu coração será só teu, E tu então serás só meu, enfim.

Maria José

Rosa Maria Santos

“Um abraço” Um abraço pode aliviar qualquer dor Trazer cores de arco íris na escuridade Pode quebrar dificuldades de idiomas Transforma dias escuros em claridade... Um abraço consegue tranquilizar a alma É num desses abraços onde quero morar Leva-me nas asas dos teus braços amor Não importa o tempo que precise de esperar... Um abraço dá-nos uma razão para sorrir Seca as lágrimas de dor duma despedida Também nos transmite uma nova esperança Esse abraço que fica em nós para toda a vida... Maria José

Ao Luar Lua eterna, és ilusão dos amantes, Provocas-me desejos noite escura, Chegas oculta e logo de rompante Suspiro, sinto ânsias de loucura. Bem cedo, o teu luar tão feiticeiro, Envolve-me num antro de ternura Com versos simples, sorriso matreiro Que logo invadem minha alma pura. O brilho teu que olho com encanto, Provoca sensações em meu olhar E logo, seduzida, com espanto, Começo a soletrar o verbo amar. No teu luar, um puro encantamento, Se faz sentir por todo o universo, E surges com magia e num momento Tu és meu pensamento mais perverso!

Sabor a mar Abraço-te, ó mar do meu silêncio, No areal dourado, penso em ti, E ao ver tal plenitude, sigo e penso Nas lágrimas amargas que verti.

No teu luar, uma história de amor, De perdições, qual noite de magia E nesse caminhar, com tal fulgor, Me sinto a navegar até ser dia.

Minha alma, ei-la inundada de saudade Quando a ti venho e a vida me sorri Percorro toda a areia em liberdade E esqueço o sofrimento que senti. Caminho no silêncio ao fim da tarde Entre azul celeste e o verde mar Pedindo a boa sorte que me guarde Durante este meu longo caminhar.

Quando o luar vier, se aqui voltar, De nosso esse fulgor quero sentir, E hei de nos teus raios me encontrar, Sentir-me assim feliz e a sorrir. Rosa Maria Santos

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ENTREVISTA

ESCRITORA FARAH SERRA Farah Serra é uma brasileira que há sete anos vive em Gênova, na Itália. Ela é autora do livro técnico Fator Humano da Qualidade em Empresas Hoteleiras, impresso pela editora Qualitymark, em 2002; do conto “Peito de mãe” veiculado na Coletânea Outono Literário – Mulherio Europa Em Verso E Prosa, publicado pela editora Fafalag, em 2018; do conto “Boneca, Não!” na Coletânea #NemUmaAMenos, publicado pela editora Versejar, em 2019. Cooperou na revisão da coleção de livros infantis “Tudo Mudo de Lugar” de Fernanda Zechinatto, publicado pela editora Rafhá, em 2014; e é coautora da autobiografia “O futuro me esperava” de Jeane Pereira, a ser lançado a breve.

Boa Leitura!

A riqueza das histórias recebidas. A confirmação daquilo que ansiava em mostrar desde o início, de que a vida diária daquelas que ousam se desconstruir para, por conseguinte, se reconstruir é história.”

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Histórias de mulheres brasileiras que se reinventaram pelo mundo Escritora Farah Serra, é um prazer contarmos com uma a sua participação na revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto pela arte de escrever? Farah Serra - Olá, sou eu quem agradeço a oportunidade! Sempre gostei de ler e escrever. Desde pequena tinha meus diários, na adolescência esboçava alguns contos. Em minha vida acadêmica e profissional, sempre que pude, optei por trabalhos teóricos, que envolviam pesquisas acadêmicas. No fim, deu-se que a própria vida me levou a isso. De repente peguei um desvio e, sem querer, cai em um declive. Sem saber o que fazer, me agarrei a minha paixão, a escrita. Como surgiu “Fator humano da qualidade em empresas hoteleiras”? Farah Serra - Na faculdade resolvi aprofundar a minha pesquisa na importância da gestão de recursos humanos em empresas prestadoras de serviços. Neste trabalho reforcei a magnitude das pessoas no sucesso do negócio. O meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) foi eleito entre os melhores do 1º Prêmio FGV – EBAPE/ EMBRATUR para Monografias e Estudos de Casos do Setor de Turismo, Hotelaria e Entretenimento, sendo publicado em 2005 pela editora Qualitymark. Hoje integra referencias bibliográfica de cursos e concursos do setor. Apresente-nos a obra? Farah Serra - No livro “Fator Humano da Qualidade em Empresas Hoteleiras”, abordei dois pontos principais: Qualidade e Capital Humano. Sabe-se que, em serviços, a percepção do cliente ante a qualidade é vital. Os clientes estão em busca de satisfação de suas necessidades pontuais (comer, dormir...) e os colaboradores são intermediários destes processos, uma vez que entram em contato com os clientes

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nos chamados: ‘momentos da verdade’. Nestes momentos, os funcionários poderiam ser encarados como a encarnação do conceito abstrato de empresa (marca) em uma figura tangível (funcionário). Ou seja, cada colaborador é a empresa, na mente do freguês. De tal modo, em empresas prestadoras de serviços, não se pode pular dos funcio-

nários (o início do processo) para os clientes (o final). Em 2019, estás lançando “Coletânea Reedificações – Histórias de mulheres brasileiras que se reinventaram pelo mundo.” Quais os principais objetivos a serem alcançados por meio da edição desta coletânea?

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Farah Serra - Esse projeto visa construir algo além de uma leitura prazerosa e incentivadora, objetiva reunir, em torno desse livro, mulheres que tenham interesse em compartilhar vivências comuns de afeto, trabalho, família, vida. Pretende-se ainda que a Coletânea Reedificações assuma um papel quase social, fazendo com que o leitor, de uma forma despreocupada e de auto identificação, encontre personagens, observe pessoas, faça considerações, avalie o seu mundo, se reconecte com a sua essência de tal sorte que melhore a si mesmo e aumente a sua qualidade de vida. Apresente-nos a obra Farah Serra - A coletânea Reedificações - Histórias de mulheres brasileiras que se reinventaram pelo mundo, é sobre mulheres que acreditam em si mesmas, que vivem os seus sonhos e os fazem, de um modo ou de outro, acontecer. A coletânea teve a coordenação e organização de Farah Serra e conta com 33 escritoras. Trinta e três mulheres brasileiras que em algum momento de suas trajetórias precisaram se reinventar perante as imperfeições da vida. Como se deu a sua produção? Farah Serra - A produção da coletânea Reedificações contou com o apoio de muita gente. A editora Fafalag, da Fátima Nascimento, também é independente, então não tínhamos todos os recursos necessários para a produção do livro. Nessa situação me vi diante de um desafio e comecei a buscar meios para a sua realização. Assim fechei algumas permutas, optei pela autopublicação – no entanto, a editora Fafalag continuou responsável pela coordenação editorial, e criei uma campanha de financiamento coletivo para a produção e pré venda de 200 exemplares. Seria deste jeito que realizaria a coletânea, com amor, parceira, rede de pessoas. Essa estratégia deu certo? Você con-

seguiu parceiros para minimizar os custos da produção do livro? Farah Serra - Sim, assim foi. Firmei uma parceria com a Carolina Machado, do Revisão para quê?, para fazer a revisão. Contei com a ajuda da minha amiga Carla Dipasquale para fazer a ilustração da capa. Fechei com Impact Hub São Paulo, In-Finita e SOS Ação Mulher e Família para nos apoiar na divulgação do livro, pré e pós publicação. Além de importantes apoios na divulgação da campanha de financiamento coletivo, a saber: Grupo Guerreiras Empreendedoras pelo Mundo, Livraria Sabiá, Organização Leve, Plataforma Geni, Plataforma Mães Mundo Afora e da Revista Do outro lado do mundo. Como foi a realização da campanha de financiamento coletivo? A meta foi atingida? Farah Serra - Em paralelo aos apoios, com todo o suporte e ajuda das escritoras da coletânea, a campanha “Tudo ou Nada” foi lançada em uma plataforma de financiamento coletivo. Em 40 dias arrecadamos um montante de R$ 23.188,00. Com 182 apoios, realizados por 166 pessoas, superarmos em 15% a meta de R$ 20.072,00.

O que mais chamou a sua atenção enquanto editava “Coletânea Reedificações – Histórias de mulheres brasileiras que se reinventaram pelo mundo.” Farah Serra - A riqueza das histórias recebidas. A confirmação daquilo que ansiava em mostrar desde o início, de que a vida diária daquelas que ousam se desconstruir para, por conseguinte, se reconstruir é história. Outro fato que chamou minha atenção foi como o processo de escrita é importante para compreensão da nossa própria vida, ao mesmo tempo, em que é muito difícil manter a concisão quando falamos de nós mesmos, pois escrever é um infinito questionar-se. Esta foi sem dúvida a maior lamúria das escritoras, colocar em 6500 caracteres com espaços suas reedificações.

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Onde podemos comprar os seus livros?

Farah Serra - O livro estará disponível em versões Ebook e impressa no Kindle Direct Publishing, da Amazon e no Clube de Autores. Quais os seus principais objetivos como escritora? Farah Serra - Uh! Que pergunta difícil. Acredito que seja compartilhar histórias, aprendizados, experiências, que emocionam e que nos ajudem a acreditar, a não parar, a viver. Está é uma edição especial para o Mulherio das Letras. Você que é membro ativo, participativo, conte-nos, como você vê a literatura feminina? Farah Serra - Sim, sou membro, mas atuo mais ativamente no Mulherio das Letras Europa. Tento ao máximo contribuir e participar das atividades que por ali pipocam. Já recebi a autorização ao Mulherio das Letras e muito em breve, assim que terminar a correria da coletânea, criarei o coletivo Mulherio das Letras Itália. Vejo a literatura feminina como força, expressão, voz, vida. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Farah Serra. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Farah Serra - Escrever é um bem necessário, é uma terapia, pois não só nos ajuda a compreender a vida, como o mundo que nos rodeia. Escrever libera emoções, esclarece confusões, amadurece pensamentos. Afirma nossa visão de mundo e quem somos. Escrever é um ato de amor-próprio. É libertador. _________________ Divulga Escritor: Unindo Você ao Mundo através da Literatura. https://www.facebook.com/ DivulgaEscritor/ www.divulgaescritor.com

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA ROSA MARIA SANTOS

Naquele dia, o mar… Mais uma vez, Maria Laura olhava o mar revolto, aquele mar que um dia lhe levou pai, irmão e seu cunhado, todos num só dia. Maria Laura ali estava, à espera de ver o irmão voltar, quiçá, arrastado por uma daquelas ondas de quando era criança e os dois brincavam, ao entardecer, naquele vaivém, no quebrar do mar.

tos, recordava o tempo que já lá vai, num tempo bem mais fácil de suportar, em que a vida então lhes sorria. O marulhar das águas trazia até ela tão boas recordações, ouvia ainda o riso das pessoas pela praia, as gaivotas a grasnar naquele esvoaçar tão louco, quanta saudade! - Minha mãe… – deixou escapar, como se ela ali estivesse presente Olá, pai, dá-me um abraço… Aqueles apelos surdos e sem sentido faziam-na chorar.

Saudades do irmão. Era ele que a protegia a cada instante, de tudo e de todos.

- Quanta saudade que sinto, pai… O nosso João António, não veio contigo…

- Maria Laura! – ouviu chamar. Absorta nos seus pensamentos, quase nem deu por isso. Era o Quinito, o seu primo adorado.

As lágrimas escorriam-lhe agora em desvario pelo seu rosto. Nos lábios, sentia já o sabor salgado de cada uma.

- Então, prima, de novo aqui? O mar não vai trazer de volta o João António, bem sabes.

Perdida ainda nos seus pensamentos, parecia ouvir a mãe que lhe dizia:

Em casa, andam preocupados contigo. Não gostam de te ver aqui magoada, a alimentar um sonho que não se pode mais realizar.

- Filha, o João António anda por aí.

Maria Laura quase não o ouvia. Estava absorta nos seus pensamen-

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- O João António e o pai saíram de casa sem me avisar. – lamentou-se. E continuou naquele diálogo surdo: - Filha, sabes que dia é amanhã?

- Como posso esquecer? É o dia do meu aniversário. - Então, o que pensas que o João António e o pai foram fazer? - Não sei. Não queres dizer-me? - Pois é, certamente foram comprar-te uma prendinha de aniversário. O pai arranjou um trabalhinho extra lá nas docas e sentiu vontade de comprar um presente para ti. - Ele sempre me deu presentes lindos. - Se ele pudesse, dar-te-ia os melhores presentes do mundo. Mas este é para ele um presente especial. Lá foi juntando algum dinheirinho como pode e pronto, foi com o João António à procura. - Não era preciso, mãe, uma prendinha simples dada com carinho, como sempre o fez, era suficiente. Gosto muito de todas as prendinhas que me deu. Guardo-as com muito carinho, quase com devoção, mãe. Lembras-te? O ano passado deu-me este colar de beijinhos, beijinhos que apanhou na praia e na faina e foi juntando. É tão lindo! Trago-o sempre ao pescoço.

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- Eu sei, Maria Laura. Sei também quanta dedicação tens por ele e o João António. Mas agora, precisas esquecer, sair com os teus outros irmãos e amigos. - Tu bem sabes o quanto gosto de todos os meus outros irmãos. Mas o João António… - Sim, Maria Laura, entendo. De repente, olha à volta e grita, recordando aquele dia da partida: - Pai, não vás embora, fica comigo. Preciso tanto de ti! Na sua angústia, sente uma mão tocar-lhe no ombro. Era Quinito. Estendeu-lhe os braços e disse: - Vem para casa, Maria Laura, estão preocupados contigo. - Como era bom ver o João António aparecer no meio das ondas! - Eu sei, prima, mas está a ficar frio aqui. No estado em que te encontras, não podes correr o risco duma gripe, agora. - Como gostava que o João António soubesse que o meu primeiro filho vai ter o seu nome! - Iria ficar feliz, bem sei. Mas vem comigo, vou levar-te para casa. E confia. Um dia vais voltar a vê-lo, correndo para ti, para te enlaçar no mais forte abraço, confia!

Haja alegria Em cada alvorecer, um despertar, Um novo dia pode acontecer, De novo o sol que brilha sobre o mar Na natureza tudo a renascer. No horizonte, promessas de paz, No céu, de novo as harpas a tocar, Será que o mundo há de ser capaz O nosso sonho vai concretizar? Em cada olhar há réstias de esperança Em cada rosto nota-se um sorriso O amanhã será de confiança Trazendo para nós o que é preciso. Dançam as ninfas lá no rio Tejo Como que a agradecer ao Deus do mundo Como isto é bom, meu Deus, que privilégio, A paz, a união, o amor profundo! Em toda a parte, estende a tua mão E vive este sabor a liberdade Assim, vai até Deus em oração Por permitir viver em liberdade.

Desejo A lava incandescente de fulgor Em chamas, jorra dentro do meu peito, Momentos de paixão, de grande amor No seio deste meu amor perfeito.

Na Primavera vivo o renascer Que faz vibrar o amor dentro de mim E em êxtase procuro o alvorecer Do nosso novo encontro, flor jasmim.

Desejos já maduros deste Outono Que causam no meu peito um arrepio Entrego-me em teus braços, sem retorno, E vivo o nosso amor em desvario.

Quer seja no inverno, ou primavera, Bem sei que tudo pode acontecer, A vida não é mais que uma quimera Que quero cada dia ver nascer.

O estio se reveste em fantasia E faz em mim viver todo o meu sonho Mas logo se dissipa a euforia E sinto o novo dia mais tristonho.

Rosa Maria Santos

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ENTREVISTA

ESCRITORA GABRIELA RICHENA FERREIRA Gabriela Richena Ferreira é psicóloga, poeta e escritora. Nascida em Piracicaba, interior de São Paulo, em novembro de 1992. Gabriela, uma criança tímida, sempre apresentou um grande amor pelos livros, que dentre todas as possibilidades fantásticas, foram suas melhores companhias desde a pré-escola. No final da infância, surgiram o amor pela escrita e também pela psicologia, que ressignificaram completamente sua vida. Agora, para ela é impossível pensar numa vida sem palavras, pois segundo ela, só existimos através delas. Formou-se pela PUC-Campinas, faz Pós-graduação em Neuropsicologia no Hospital Israelita Albert Einstein e é uma estudante assídua da psicanálise. Atualmente, trabalha com a sua clínica e tem projetos para iniciar um grupo terapêutico para pessoas com transtornos alimentares. Seu primeiro livro “Alma Desnuda”, um livro de poesias que traziam o mais profundo da vida da autora, foi publicado em maio de 2018.

Boa Leitura!

A obra consiste em 40 poemas, que falam sobre a vida, a morte, a verdade, o desejo, a mulher e sem dúvidas também sobre mim, de uma forma forte, mas também doce.”

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Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Gabriela Richena Ferreira, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto pela arte poética? Gabriela Richena - Desde muito pequena gostava de ler, tinha muito incentivo, afinal nasci numa casa repleta de livros e até meu nome veio de um livro - do Jorge Amado, porém eu não tinha um gênero favorito. Foi quando comecei a escrever que fui percebendo que a maneira pela qual me expressava melhor era a poesia, pois nela cabia toda minha leveza e intensidade. A partir desse momento comecei a ser uma leitora voraz de poesia, afinal descobri nela meu motivo e meu sentido. Em que momento se sentiu preparada para publicar “Alma Desnuda”? Gabriela Richena - As poesias estavam prontas a bastante tempo, mas eu me sentia insegura, muito exposta. Acredito que a publicação teve muita a ver com a minha maturidade emocional e também com sentir me mulher e me apropriar disso. Eu estava pronta para me entregar para outras pessoas, independentemente de como aquilo fosse ser interpretado. Apresente-nos a obra Gabriela Richena - A obra consiste em 40 poemas, que falam sobre a vida, a morte, a verdade, o desejo, a mulher e sem dúvidas também sobre mim, de uma forma forte, mas também doce. O que mais a encanta nesta obra literária Gabriela Richena - A pureza e a leveza que traz, mesmo sendo intensa. Apresente-nos um dos textos publicados em “Alma Desnuda”

momento serviam para tentar diminuir a dor e substituir a automutilação. Onde podemos comprar o seu livro? Gabriela Richena - Meu livro pode ser comprado pelo site da editora e diretamente comigo (meu e-mail é garichena@hotmail.com).

XXV “A dor da doença me dilacerou A ponto de meu sangue Correr em minhas mãos Tão simples quanto água da chuva Via naquele rubor minha salvação Na verdade, a expiação dos males Era como se quisesse salvar minha alma De um passado obscuro A dor no corpo por instantes Roubava a dor de minha alma E me trazia tranquilidade no coração Mas a ferida do corpo cicatriza Enquanto a da alma pulsa Com o tempo, rei supremo Aprendi a cortar as linhas Com minhas reminiscências Jorrava agora, poema Que mais que sangue, É alma transbordante, Porém ainda, dor.”

Quais os seus principais objetivos como escritora? Gabriela Richena - Ainda tenho minhas dúvidas quando a isso, porque eu não sei existir sem escrever, mas acredito que gostaria que as pessoas se inspirassem, principalmente as mulheres. Gostaria que elas percebessem que podem bancar seu desejo e chegar onde querem. O que a escrita representa para você? Gabriela Richena - A escrita é minha salvação, não sei viver sem, somos imbricadas, realmente eu não seria nada sem ela. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Gabriela Richena Ferreira. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Gabriela Richena - É basicamente isso, parece bobo, mas não é tão simples: Não tenha medo de ser você. É isso que te torna especial.

Sabemos que cada texto tem um pouco do autor. Comente sobre o momento de criação deste texto Gabriela Richena - Meus textos sempre carregam muito de mim, quando eu escrevi esse texto eu estava em um momento de muita tristeza e angústia, em uma crise de depressão, onde não via o sentido da vida. As palavras nesse

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA E ARTISTA PLÁSTICA EDIELANE LACERDA

A PROFESSORA ENCANTADA ANA NÃO LEMBRAVA MUITO BEM COMO FOI PARAR NA ESCOLA, MAS AGORA QUE ESTAVA LÁ NÃO QUERIA SAIR. AMAVA A SUA ESCOLA, SEUS AMIGOS, AS PROFESSORAS, A DIRETORA,. ERA ESPERTA, MUITO ESPERTA, CAPRICHOSA E FALANTE. HAVIA, PORÉM UM PROBLEMA QUE INCOMODAVA ANINHA, COMO A CHAMAVAM. ELA ERA TÃO MAGRINHA E APESAR SE TER PELE BRANCA, SEUS CABELOS ERAM TÃO ENROLADINHOS, TÃO DIFÍCEIS DE PENTEAR. ALGUMAS CRIANÇAS A APELIDARAM DE PANTERA COR DE ROSA, POR CAUSA DE SUA MAGREZA. NÃO HAVIA COMO DISFARÇAR, POIS TODOS USAVAM O MESMO UNIFORME E AS PERNINHAS DE ANA PARECIAM DOIS PALITOS DE DENTE. ELA USAVA CAMISA BRANCA, SAIA PREGUEADA AZUL MARINHO, MEIAS BRANCAS E CONGA. SUA MÃE FAZIA CACHINHOS EM SEUS CABELOS E COLOCAVA FITAS LARGAS E COLORIDAS. UM DIA A PROFESSORA CÉLIA PERCEBEU QUE ANINHA ESTAVA DESANIMADA E FOI CONVERSAR COM ELA: ___ OI ANA, O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM VOCÊ, ESTÁ TRISTE? ___ SIM PROFESSORA, MINHAS AMIGAS ME CHAMAM DE PANTERA COR DE ROSA PORQUE SOU MAGRINHA E DIZEM QUE MEU CABELO É BOMBRIL. UMA LÁGRIMA CAIU DE SEUS OLHOS.

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___ A PROFESSORA PEGOU SUAS PEQUENAS MÃOS, ELA ESTAVA NO PRIMEIRO ANO, E DISSE: ___ HUM, PANTERA COR DE ROSA? VOCÊ NÃO ACHA QUE COR DE ROSA É UMA COR MUITO LINDA? ___ ACHO, EU AMO COR DE ROSA. ___ E A PANTERA COR DE ROSA, NÃO É ENGRAÇADA E INTELIGENTE? ___ NÃO HAVIA PENSADO NISTO PROFESSORA? ___ TEM OUTRA COISA, VOCÊ JÁ PERCEBEU COMO AS CRIANÇAS GOSTAM DOS DESENHOS DELA? ___ É VERDADE. ANINHA ENTÃO SORRIU, AO QUE A PROFESSORA ACRESCENTOU: ___ ENTÃO NÃO TEMOS PROBLEMAS E FORAM PARA A SALA DE AULA. A PROFESSORA CÉLIA ERA MUITO ESPECIAL. AQUELE DIA IRIAM APRENDER SOBRE UMAS TAIS VOGAIS. SENTARAM-SE E ENTÃO NOTARAM UNS DESENHOS NO QUADRO DE GIZ. CINCO PERSONAGENS. A PROFESSORA COMEÇOU A NARRAR: ___ ERA UMA VEZ CINCO AMIGUINHAS, QUE ESTAVAM SEPARADAS NO MEIO DE OUTRAS LETRAS, QUE ENCONTRAVAM-SE NUM CONJUNTO DE LETRAS CHAMADO ALFABETO. ESSAS AMIGUINHAS TINHAM UM NOME, VOGAIS. UM DIA AS VOGAIS DECIDIRAM ENCONTRAR-SE. OLHEM PARA O QUADRO, ESTA REDONDINHA COM UMA TRANCINHA É O A, EU VOU CHAMA-LA

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DE ANA. É ESPERTA E ESTUDIOSA. ESTE É O E, UM PEIXINHO, ÊNIO, QUE SEMPRE ESTÁ NA BEIRA DO RIO PARA BRINCAR COM AS AMIGAS, O I É O IVO, QUE MORA EM UM SÍTIO E SEMPRE QUE PERGUNTAM ALGUMA COISA PARA ELE, RESPONDE IIIIIII... NÃO SEI SE VOU PODER. O OTO É A VOGAL O, UM MENINO QUE GOSTA DE USAR BONÉ E DE LIVROS E A ULI É O U, MORENA CHARMOSA QUE USA DUAS TRANCINHAS. QUANDO AS VOGAIS SE ENCONTRAM, ANDAM DE MÃOS DADAS E POR ISSO FORMAM PEQUENAS PALAVRAS QUE CHAMAMOS DE ENCONTROS VOCÁLICOS. ASSIM TEMOS AS VOGAIS A, E, I, O, U OU PODEMOS LEMBRAR DELAS FAZENDO AMIZADE COM ANA, ÊNIO, IVO, OTO E ULI. CERTA VEZ ANA RESOVEU TOMAR SORVETE COM A ULI, OU O A COM O U, QUANDO DERAM AS MÃOS FORMARAM O LATIDO DO CACHORRO AU, AU, AU... AS CRIANÇAS DERAM RISADAS E A PROFESSORA CÉLIA COLOCOU ANA E ULI DE MÃOS DADAS NO QUADRO E PEDIU QUE SEUS ALUNOS FIZESSEM OUTROS ENCONTROS DAS AMIGUINHAS VOGAIS.

FOI UMA HISTÓRIA MUITO DIVERTIDA E UM JOGO JÓIA. A CRIANÇADA FORMOU GRITOS DE DOR, DE CUMPRIMENTO, DE CHAMADA DE ATENÇÃO E MUITAS OUTRAS PALAVRINHAS COMO: AI! OI! EI! UI! EIA! UAI! IOIÔ. ALÉM DOS DESENHOS A PROFESSORA TROUXE FANTOCHES DA ANA, ÊNIO, IVI, OTO E ULI. CANTOU DONA ARANHA E OUTRAS CANÇÕES. ESSA PROFESSORA É MESMO UMA FADA. ALÉM DE RESOVER O CONFLITO DE ANA, AINDA ALEGROU A TARDE DE TODOS. QUANDO ANA VAI DORMIR LEMBRA DE SEUS CABELOS LISOS E NEGROS, ENROLADOS PARA BAIXO EM CORTE CHANEL, SEU SORRISO QUE DEIXAM A MOSTRA OS DENTES PERFEITOS E BRANQUINHOS, O ROSTO ROSADO, OS OLHOS BRILHANTES. SUA VOZ É MACIA E BONDOSA, MAS NÃO A IRRITEM SE NÃO ELA PODE FICAR MUITO TRISTE. AMANHÃ, ANA VAI LEVAR UMA MAÇA BEM VERMELHA E UMA ROSA, CO DE ROSA PARA AGRADECER A PROFESSORA POR SER TÃO COMPREENSIVA.

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA E ARTISTA PLÁSTICA EDIELANE LACERDA

QUANDO AS PÉTALAS CAEM

EM QUASE TODOS OS LUGARES, NO MUNDO EXISTEM JARDINS, UNS MAIORES OUTROS MENORES, COLORIDOS E PERFUMADOS. HAVIA UM JARDIM EM UMA CIDADE DO INTERIOR DO PARANÁ, NO SUL DO BRASIL. ESTA REGIÃO É FAMOSA POR TER LINDOS JARDINS. NESTE JARDIM ENCONTRAVAM-SE FLORES DE DIVERSAS ESPÉCIES COMO ROSAS, LÍRIOS, JASMINS, MARGARIDAS E UM MARAVILHOSO GIRASSOL. O GIRASSOL TEM ESSE NOME PORQUE SUAS PÉTALAS ACOMPANHAM A LUZ DO SOL. TODAS AS FLORES O INVEJAVAM POR ISSO, MAS MOSTRAVAM-SE AMIGAS PORQUE QUERIAM FICAR PERTO DO GIRASSOL PARA VER A MAGIA DO GIRO DA FLOR ACOMPANHANDO O SOL. UM DIA O GIRASSOL COMEÇOU A MURCHAR E SUAS PÉTALAS, UMA A UMA FORAM CAINDO. A MARGARIDA UMA FLOR AMÁVEL DO JARDIM PERGUNTOU: __ O QUE ESTÁ ACONTECENDO, QUERIDO GIRASSOL? ELE RESPONDEU: __ MINHAS PÉTALAS ESTÃO CAINDO E EU ESTOU MURCHANDO, ACREDITO QUE VOU TOMBAR POR TERRA E NÃO CONSEGUIREI MAIS LEVANTAR E SEGUIR MEU AMIGO SOL. A MARGARIDA FICOU TRISTE E PREOCUPADA E PENSOU EM FAZER ALGO PARA AJUDAR SEU AMIGO GIRASSOL. O JARDINEIRO QUE CUIDAVA DAQUELE JARDIM, TAMBÉM NOTOU QUE ALGO ESTAVA ERRADO COM SEU GIRASSOL E FOI ATÉ A AGROPECUÁRIA PARA COMPRAR REMÉDIOS, ADUBOS PARA COLOCAR NO GIRASSOL, MAS AS FLORES NÃO SABIAM. ENFIM CAÍRAM TODAS AS PÉTALAS DO GIRASSOL E ELE FICOU CARECA. AS FLORES DO JARDIM COMEÇARAM A CAÇOAR DELE, RIAM E SE AFASTAVAM DIZENDO: __ QUE FLOR HORROROSA E ESTRANHA SE TORNOU ESTE GIRASSOL. O GIRASSOL FOI ESTRISTECENDO CADA DIA MAIS ENTÃO CURVOU-SE E CHOROU A SUA DOR. A DOCE MARGARIDA, ENTÃO TEVE UMA IDÉIA. CHAMOU SUAS IRMÃS E PEDIU UMA PÉTALA PARA

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CADA UMA, ASSIM ELA CONSEGUIU MUITAS PÉTALAS BRANCAS, AMARELAS E ALARANJADAS. COM ESTAS PÉTALAS ELA FEZ UM LINDO CHAPÉU COLORIDO PARA O GIRASSOL E COLOCOU EM CIMA DE SEU MIOLO. O GIRASSOL QUE ESTAVA DORMINDO, ACORDOU COM O TOQUE DA MARGARIDA E LEVANTOU-SE. AO LEVANTAR-SE SUA IMAGEM REFLETIU EM UM LAGO QUE PASSAVA ENTRE AS FLORES E ELE ALEGROU-SE AO PERCEBER COMO HAVIA FICADO LINDO COM AQUELE CHAPÉU TÃO ESPECIAL. O GIRASSOL SORRIU E AGRADECEU A MARGARIDA. AS OUTRAS FLORES FORAM SE APROXIMANDO E O COMENTÁRIO FOI UM SÓ: __ QUE LINDAS PÉTALAS TEM ESTE GIRASSOL, NÓS TAMBÉM QUEREMOS FICAR COLORIDAS ASSIM. __ O JARDINEIRO VOLTOU DA CIDADE E COLOCOU DURANTE ALGUNS DIAS REMÉDIOS E ADUBOS NO GIRASSOL E LOGO ELE FOI SE RECUPERANDO, FICANDO FORTE E ALEGRE. DEPOIS DE ALGUNS DIAS SENDO A ATRAÇÃO DO JARDIM O GIRASSOL NOTOU QUE NOVAS PÉTALAS SURGIAM DEBAIXO DO CHAPÉU E MUITO MAIS COMPRIDAS, COM CORES MAIS VIBRANTES. DE REPENTE SENTIU UM MOVIMENTO EM SI, ERAM AS NOVAS PÉTALAS, ACOMPANHANDO O BRILHO DO SOL. A PEQUENA MARGARIDA PERCEBEU E ELA E SUAS IRMÃS FESTEJARAM COM O GIRASSOL A SUA RECUPERAÇÃO. AS OUTRAS FLORES DO JARDIM SENTIRAM-SE ENVERGONHADAS, PORQUE QUALQUER UMA DELAS PODERIA PERDER AS SUAS PÉTALAS SE UMA PRAGA AS ATINGISSE. PEDIRAM PERDÃO AO GIRASSOL E ELOGIARAM A ATITUDE DA MARGARIDA QUE NÃO ABANDONOU O GIRASSOL NOS MOMENTOS MAIS DIFÍCEIS PORQUE PASSOU. O GIRASSOL DE ALMA GENEROSA, PERDOOU AS FLORES DO JARDIM E AGORA SERVE DE EXEMPLO PARA TODAS QUE PASSAM POR ALGUMA DIFICULDADE, POIS SÃO NAS HORAS MAIS DIFÍCEIS QUE PERCEBEMOS QUEM SÃO OS VERDADEIROS AMIGOS.

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Artes da artista plรกstica Edielane Lacerda

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA E ARTISTA PLÁSTICA EDIELANE LACERDA

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA E ARTISTA PLÁSTICA EDIELANE LACERDA

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ESCRITORA JACKMICHEL A ESCRITORA 2 EM 1 JackMichel é o primeiro grupo literário da literatura mundial, composto por duas escritoras: Jaqueline e Micheline Ramos. São irmãs e nasceram em Belém – PA (Brasil). O tema de sua obra é variado visto que têm livros escritos nos gêneros ficção, poesia, romance, fábula e conto de fadas. Publicações: Arco-JesusÍris (Chiado Editora, 2015), LSD Lua, 1 Anjo MacDermot, Sorvete de Pizza Mentolado x Torpedo Tomate, Ovo (Drago Editorial, 2016), Papatiparapapá (Editora Illuminare, 2017), Sixties, Tim O Menino do Mundo de Lata (Helvetia Edições, 2017), Anotações Da Lagarta Papinha, O Príncipe Milho (Editora Leia Livros, 2018) e Lobistratusdilapirulobis (Editora Illuminare, 2019). É associada em ACIMA (Associazione Culturale Internazionale Mandala), LITERARTE (Associação Internacional de Escritores e Artistas), AMCL (Academia Mundial de Cultura e Literatura), UBE (União Brasileira de Escritores) e Movimiento Poetas del Mundo. Seus contos e poemas constam em antologias internacionais bilíngues. Também foi destaque em diversos jornais e revistas on-line de literatura, artes e cultura. Participou de salões literários na Europa e no Brasil. Conquistou o Prêmio Talentos HelvéticosBrasileiros IV, o 3º lugar no Concurso Cultive de Literatura “Prix ALALS de Littérature” e no I concurso literário da Casa Brasil Liechtenstein e o 1° lugar no II Festival de Poesia de Lisboa. Seu slogan é “A Escritora 2 Em 1.

Boa Leitura!

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Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora JackMichel é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Conte-nos, como surgiu “JackMichel – a escritora 2 em 1”? JackMichel - O primeiro grupo da literatura mundial surgiu por acaso, da necessidade de juntar textos. Quando eu, Michel, comecei rascunhar meus primeiros manuscritos, Jack minha irmã e parceira literária, já pegava na pena. Anos depois, haja vista termos acumulado muito material escrito, decidimos unir os calhamaços. Daí tivemos o timing certo para mover esse meio estático da literatura convencional, composto por autores individuais: dar vida a uma terceira pessoa, JackMichel, cujo slogan é “A Escritora 2 em 1”. Quais os principais desafios em escrever em parceria? JackMichel - Coadunar o know-how técnico e criativo de ambas; bem como o critério utilizado para a elaboração da escrita unindo as cotas de texto a posteriori. Como vocês vem superando estes desafios?

JackMichel - Sendo JackMichel sic et simpliciter. Com razão, Fernando Pessoa disse “Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo.”

JackMichel, vocês hoje possuem vários livros publicados. Conte-nos, qual o livro que demorou mais tempo para ser escrito e publicado? Apresente-nos a obra.

JackMichel - Lobistratusdilapirulobis demorou 2 anos para ser concluído porque tivemos de recompor os 18 contos que haviam sido destruídos. Sinopse: Diferente das obras que a precederam, Lobistratusdilapirulobis mostra-se completamente contrária aos conceitos formais e rígidos da literatura clássica e aos conceitos do gênero nar72

rativo. Para o orbe das belas-letras é possível um ror de textos atingir um alto nível de excelência apenas com o estímulo do estro poético, sendo necessário analisar os aspectos comportamentais e interdisciplinares envolvidos. Como dito alhures, a escrita nada mais é do que a forma que um autor interage com o ambiente do qual faz parte e é justamente disso que a arte ficcional trata. Portanto podemos considerar que os 18 contos que compõem este livro nos trouxe uma nova concepção e um novo enfoque acerca das teorias interpretativas, ampliando ainda mais os espaços da mente de pessoas. Qual o livro que demorou menos tempo para ser escrito e publicado? O que as motivou a escrever de forma mais intensa que os demais livros escritos? Apresente-nos a obra.

JackMichel - Arco-Jesus-Íris foi escrito em apenas um mês, e, não houve previsão para isso. Sinopse: Na colorida época do Flower Power Satanás decide visitar o arco-íris psicodélico de Jesus Cristo e, lá chegando, o louro e jovem Jesus hippie, vestindo calça boca-de-sino e jaqueta jeans, conta a ele como faz para fazer o bem vencer o mal e o leva a conhecer os 7 círculos de seu arco-íris, que são 7 círculos de cores diferentes: no Círculo Violeta ele encontra Sharon Tate e Charles Manson, bem como as demais pessoas envolvidas no caso Tate... no Círculo Anil ele encontra Mao TséTung e os chineses massacrados durante a Revolução Cultural... no Círculo Azul ele encontra Heinrich Himmler e os prisioneiros mortos nos campos de concentração nazistas... no Círculo Verde ele encontra a Talidomida e algumas crianças deformadas pela pílula... no Círculo Amarelo ele encontra Jim Morrison e as entidades

indígenas que o levaram a morte... no Círculo Alaranjado ele encontra Oscar Wilde e os responsáveis por sua tragédia particular... no Círculo Vermelho ele encontra Thomas Blanton e as vítimas do atentado de uma igreja batista em 15 de setembro de1963. Após constatar que o mal realmente não existe naquele paraíso, Satã vai e conta ao mundo que é tempo de Paz e Amor. O que mais a atrai na arte de escrever a duas mãos?

JackMichel - Ver que, ao término do trabalho, não se detecta quais enxertos foram feitos por mim ou por Jack tão coesos são o rigor da forma e a estética literária. Uma mescla perfeita, tal qual o queijo com a goiabada. Vocês pensam em escrever livros solo? JackMichel - Absolutamente. Essa é uma hipótese descartada. Apresente-nos os títulos e livros publicados com seus respectivos segmentos.

JackMichel - Arco-Jesus-Íris: Na colorida época do Flower Power Satanás decide visitar o arco-íris psicodélico de Jesus Cristo e, lá chegando, descobre algo que jamais poderia supor em sua vida: o Bem venceu o Mal. Uma lição de amor. LSD Lua: Após tomar LSD J. Jack Jack virou, do dia para a noite, o Astronauta dos Desregramentos e foi parar na lua de sua cabeça. Neste ambiente lisérgico ele viu coisas que nunca pensara ver. E esta “viagem” durou apenas um dia, o dia 20 de julho de 1969, o dia em que o homem pisou na lua. 1 Anjo MacDermot: Um cara é atropelado por um caminhão. E após ficar dias á beira de uma es-

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trada, enfim, é socorrido por 1 Anjo MacDermot, que o leva para o Mundo do Incenso Colorido. Neste paraíso artificial, ele passa a viver e a ser feliz... mas, perde tudo, quando descobre a verdadeira identidade desse anjo.

feliz feiticeiro feito de fitas de papel, que os convida a fazer Viagens do Por Aí. Então, os dois vão ensinando coisas sobre a Guerra do Vietnã a Clarenvaldo que passa a procurar uma fórmula anti-guerra que torne o mundo feliz.

Sorvete de Pizza Mentolado x Torpedo Tomate: No um do um de nenhum existe o alto País do Isopor que sempre vai rumo ao nada, que é tudo. Neste lugar mágico, um imenso sorvete e um descomunal torpedo encontram Clarenvaldo, o

Ovo: Londres da década de 60. Na Pensão Blue Direction reside Bunny Babb, um estudante da Universidade de  Cambridge. Ele adorava ovos. Mas ele não os adorava simplesmente por possuírem a forma elíptica e, sim, porque um dia deixara cair e quebrar um ovo na cozinha da casa de seus pais e

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não esquecera mais aquele fato. Para resolver seu trauma de infância ele tem uma sessão de psicanálise com o Dr. Freud e, enfim, passa a ter uma vida normal.

Papatiparapapá: A presente obra tem por objetivo elaborar uma miscelânea de escritos artísticos fundamentais, mais além daqueles expressamente enumerados no catálogo formal de uma literatura. O livro é composto por sessenta poesias infantis, contendo ainda as obrigatórias dedicatória e citação. 73


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Sixties: Nos anos 60’s se desenvolveu uma noção de movimento social avançada pelas teorias da mobilização de recursos, do processo político e de novos movimentos sociais focados nas transformações da consciência, dos valores e do comportamento. Sixties traz 80 poemas cujos tem por meta retratar os bastidores desses anos deitando-os num divã de terapia para tratar suas anomalias patogênicas e íntimas, pois para compreender a psicologia de algo não basta ouvir suas palavras, é preciso entender seu pensamento. Tim, O Menino do Mundo de Lata: Domingo sempre foi um dia especial para Tim, pois ele corria até o quintal de sua casa e lá despejava o seu imenso saco cheio dos mais diversos tipos de latas. Toda vez que brincava com suas muitas latas enfileiradas, ele pensava em ir a um tal Mundo de Lata, lugar criado por ele mesmo, onde tudo e todos tinham o corpo, a cabeça, o coração de lata, e eram muito felizes. E assim, certo domingo, algo magnífico aconteceu! Anotações Da Lagarta Papinha: Papinha é uma lagarta dissímil das demais haja vista anotar seu dia a dia num diário, cujo é este livro. Ela embasou seu dileto caderno de anotações nos sete dias da semana e nos horários da manhã, tarde e noite. Da Segunda-Feira até o Domingo, vai preenchendo as páginas com todas as minudências de seu cotidiano de inseto da ordem Lepidoptera.

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O Príncipe Milho: No próspero e feliz principado de Milharal tudo é harmonioso. A imensa população de milhos vive despreocupadamente pois teve a boa sorte de possuir um governante magnânimo, o príncipe Milho Emiliano. O soberano mora no rico Palácio de Fubá e possui dois fiéis conselheiros: Milano e Mileto. São eles que decidem sobre o rumo da vida palaciana e, também, sobre o destino de seu príncipe. E foi pensando na felicidade do príncipe que eles decidiram que Milho precisa se casar o mais depressa possível.

Lobistratusdilapirulobis: Diferente das obras que a precederam, Lobistratusdilapirulobis mostra-se completamente contrária aos conceitos formais e rígidos da literatura clássica e aos conceitos do gênero narrativo. Para o orbe das belas-letras é possível um ror de textos atingir um alto nível de excelência apenas com o estímulo do estro poético, sendo necessário analisar os aspectos comportamentais e interdisciplinares envolvidos. Portanto podemos considerar que os 18 contos que compõem este livro nos trouxe uma nova concepção e um novo enfoque acerca das teorias interpretativas, ampliando ainda mais os espaços da mente de pessoas. Onde podemos comprar os seus livros?

De que forma a família influencia na carreira JackMichel? JackMichel - De modo geral. JackMichel é membro da AMCL (Academia Mundial de Cultura e Literatura) e ocupa a cadeira 31, tendo como patrono o cantor Mario Reis. Porque esta escolha?

JackMichel - Chegaram a dizer que “o Mario Reis não se mistura”. Isso é bem verdade! Com interpretações inovadoras e refinadas ele levou elegância ao batuque e fez história na música brasileira. Em outras palavras, Mario mudou a forma de cantar no Brasil e não há dúvidas de que ele é o maior cantor que já passou por este país. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora JackMichel. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

JackMichel - Não é de minha autoria, mas vou deixar aqui: “Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como o corpo que não come.” (Victor Hugo) Visite nosso site:

Website Oficial da JackMichel A Escritora 2 Em 1  https://www.websiteoficialjackmichelaescritora2em1.com/

https://www.livrariadragoeditorial. com/ http://helvetiaeditions.com/product-category/loja/ https://www.leia-livros.com/loja-livros

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA LUCIANA LEOPOLDINO

Luciana Leopoldino

SINOPSE A vida é feita de momentos. Momentos bons as vezes são perdidos no tempo. Momentos tristes são guardados a sete chaves no coração. Com isso, deixamos de viver a preciosidade de novos momentos. Momentos bons devem ser lembrados. Momentos tristes devem ser chorados. Isso é viver. O livro “Espelho Da Vida” são fragmentos de vida a ser lembrado. Composto por uma ínfima junção de palavras, formando poemas alegres e tristes como são os momentos da vida. Ao encontrar esta poesia momentos serão reencontrados em sua vida. Venha olhar neste espelho e enxergar seus momentos. Contatos para compra: Site da editora https://www.eviseu.com/pt/livros/813/espelho-da-vida/ Facebook https://www.facebook.com/lucianaleopoldinoescritora/ Whatsapp 43 9 9664 0698

Luciana Terezinha Leopoldino De Oliveira Dos Santos nasceu em Nova Cantú, PR, e atualmente reside em Arapongas. Luciana é casada e mãe de dois filhos. É formada em Letras pela Unicesumar, possui especialização em preparação e revisão de texto e produção editorial, pela UNIL. Em 2014, publicou seu 1º livro de forma independente A História de Joaquim, Em Cada Batalha Vencida uma Lição de Vida. Em 2016, lançou o 2º, pela Chiado Editora Porque Somos Todos Diferentes. Em 2017 lançou seu 3º livro pela Editora Autografia Um Diálogo Com Deus, Da Depressão À Cura. A autora ainda conta com participações em várias antologias.

As Estações Da Minha Vida Que caiam todas as folhas, Que venha o inverno da minha vida! E com as folhas se vão Toda ilusão perdida. Sou mulher, madura, De malas prontas para a partida.

Não cultivo somente flores, Para em primavera viver. Sou verão que queima a pele, Como sol forte ao entardecer. Sou mulher, segura, Daquelas que suporta sofrer.

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Raramente sou outono, Com doçura angelical. Deixando o tempo levar de mim, Minha energia vital, Eu resisto, sou mulher, Venha inverno, não podes ser tão mal!

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ENTREVISTA

ESCRITORA JENIFFER PEREIRA Jeniffer Pereira, nascida em 1996 no estado do Rio de Janeiro, é estudante de enfermagem na Escola de Enfermagem Anna Nery (UFRJ). Desde pequena é apaixonada por histórias, o que contribuiu para que descobrisse sua vocação para a escrita, que no início se revelou em pequenos textos, depois peças teatrais, para finalmente levá-la à produção de seu primeiro romance, Lílian, uma história inspirada em fatos. Boa Leitura!

É possível sentir Lílian como a vontade de uma senhora de reviver sua adolescência e, ao mesmo tempo, a vontade de uma criança de crescer e descobrir o mundo”.

Romance inspirado em fatos reais é sucesso internacional Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Jeniffer Pereira, é um prazer contamos com a sua participação na revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto pela leitura? Jeniffer Pereira - Primeiro gostaria de deixar registrado meu agradecimento pela oportunidade de fazer parte desta edição. E respondendo a pergunta... Não foi “o que” necessariamente e sim “quem”, minha mãe. Ela sempre contava histórias para que eu dormisse, e depois que aprendi a ler – ainda no jardim de infância – ela começou a comprar gibis e livros infantis, desde então o amor pela leitura foi só crescendo cada vez mais.

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Você sempre gostou de escrever? Conte-nos, o que a inspirou a ter gosto pela arte de escrever? Jeniffer Pereira - Sim, sempre! Aprendi a ler e escrever muito nova, entre meus cinco, seis anos, mais ou menos, e além do incentivo dos meus pais eu estudava em uma escola que incentivava muito esse processo, tanto que havia uma feira anual em que vendíamos pequenos livros criados por nós, alunos. Era completamente feito a mão, da escrita até as ilustrações. Vou confessar que não me lembro muito bem qual foi meu primeiro livro, sei que era algo que envolvia uma cachorra de três patas e que foram todos vendidos antes dos meus pais terem a chance de comprar um exemplar.

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Em que momento surgiu inspiração para escrita de seu primeiro romance “Lílian”? Jeniffer Pereira - (risos) Surgiu de uma briga. Um amigo, ex-namorado, teve a audácia de me dizer que nunca havia vivido um amor de verdade, como aquele dos livros de romance que líamos. Obviamente eu discordei, discutimos, e eu escrevi o livro para mostra-lo que ele estava errado. Como foi se desenvolvendo a escrita do enredo que compõe a trama? Jeniffer Pereira - Levei três dias para escrever a obra completa, eu tinha os diários que escrevia na época... As emoções e as lembranças junto com um pouco de criatividade fizeram o restante do trabalho. Apresente-nos “Lílian” (sinopse) Jeniffer Pereira - Inspirado em fatos, Lílian conta a história de uma jovem que vive na inconstância de decidir entre a ousadia de viver um amor sem barreiras e os limites que gostaria de impor a esse mesmo amor. Transitando entre amores alheios e as decepções que eles desencadeiam, a jovem usufruirá dos aprendizados que acumulou para viver seu relacionamento com Erick. É possível sentir Lílian como a vontade de uma senhora de reviver sua adolescência e, ao mesmo tempo, a vontade de uma criança de crescer e descobrir o mundo. Ainda assim, Lílian não pode ser resumido em uma sinopse, tampouco em um verbete, ele é o inconsciente de cada um, vivido por um só. Somos todos um pedaço dele, mesmo assim ele é único. Em que cidade se desenvolve o enredo? Jeniffer Pereira - Na cidade do Rio de Janeiro. O que mais a encanta em “Lílian”? Jeniffer Pereira - Difícil dizer, acho que se fosse para falar da personagem principal “Lílian” seria o amadurecimento dela por entre as páginas... A diferença dela do primeiro namorado

para o primeiro grande amor e como ela consegue ir crescendo com todos os obstáculos que encontra e criando seus próprios valores acima do que ela já trás de bagagem. Porém, do livro de uma forma geral, pensando bem, seria a delicadeza e a facilidade de como ele é capaz de trazer os nossos sentimentos à tona, nossas recordações... Ainda não encontrei alguém que quando terminou de lê-lo, não tenha virado para mim e tenha dito “Nossa! Tal acontecimento me fez lembrar-me de quando aconteceu tal fato na minha vida” e tenha começado a contar uma parte de suas próprias memórias para mim. Então, talvez seja isso, o que mais me encanta em “Lílian” seria o quanto ele é capaz de tocar o íntimo das pessoas. Onde podemos comprar o seu livro Jeniffer Pereira - “Lílian” pode ser adquirido no formato físico no site da Editora Coerência (https://ed-coerencia.lojaintegrada.com.br/lilian). Quais os seus principais objetivos como escritora? Jeniffer Pereira - Passar uma mensagem. Acho que de todo e qualquer escritor na verdade. Se você leu um livro e não aprendeu ou refletiu nada com ele, aquele escritor falhou. Eu, especificamente com “Lílian”, busquei mostrar o quanto a família pode influenciar nas suas decisões e escolhas, o quanto molda o que somos... As diferenças entre os relacionamentos, principalmente quando somos adolescentes e todas as emoções estão à flor da pele. E, talvez o mais importante, que o amor existe, em intensidades diferentes, formas diferentes, mas que não se deve desistir e sim lutar sempre por quem realmente importa para nós.

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Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Jeniffer Pereira. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Jeniffer Pereira - Conheça quem você é verdadeiramente, não desista dos seus sonhos ou de fazer o que quer pelo que outros dizem que é o melhor para você. Nesta vida somos instantes, então não perca os seus vivendo os de outras pessoas. E se me permite mais um; lute por quem você ama, mostre que se importa! Como diria “Lílian”: “Onde e com quem você quer estar amanhã? Arrisque-se!”. _________________ Divulga Escritor: Unindo Você ao Mundo através da Literatura. https://www.facebook.com/ DivulgaEscritor/ www.divulgaescritor.com

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA ELISANGELA MEIRA

Que poder exerce a poesia sobre nossos sentidos e sentimentos? 10 passos poéticos para ser feliz, da escritora Elisangela Meira, publicado pela Editora Coerência em 2019 (81 páginas), nos conduz por um caminho que nos conecta com a poesia e com as expressões da autora. Como ressalta Elisangela na nota, que precede os textos poéticos: “O fato é que, dentro de nós, reside um desejo de comunhão com o universo, com as pessoas, com os seres vivos, com a natureza... Esta é a nossa essência: seres feitos para vivem em comunhão!” Dividido em dez partes (os dez passos) nós passamos pela conexão com a fé, o acréscimo de amor no cotidiano, o uso da criatividade como meio de transformação, a busca pelo autoconhecimento, a necessidade de ouvirmos o nosso coração, a cura que advém do perdão, a eternidade, a harmonia, a reavaliação dos relacionamentos, a preservação do que há de mais puro no coração. As poesias de Elisangela Meira versam, dentro dessas esferas, sobre muitos assuntos. Fala sobre o tempo, sobre os prazeres secretos, sobre a insônia que nos assola e até sobre um casal num baile. A poesia pode ser prece e “Que minha certeza não te assuste”, um rio que pode ser visto através de um olhar e pode ser mar. E, claro, poder ser livro (“os irmãos que não tive”). A poesia pode ainda ser semente, renúncia, desejo inocente, muro, revelação, hiato, espectro, inspiração, revelação ou miragem. A poesia pode ser tudo isso e pode ser parte disso.

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Nos textos da poetisa vamos sentindo cada palavra, cada verso, se formando e tocando em algum sentimento nosso, apresentando-nos alguma ou várias coisas que nos lembram algum momento. 0 passos poéticos para ser feliz é um livro curto, fácil de ler e que, em suas poesias, revela-se ora simples, ora profundo e que expressa que “tudo tem sentido, razão de ser”. A trajetória que nós, leitores, fazemos pelos dez passos propostos na obra nos leva por um caminho que não é fácil de explicar, é preciso sentir. Esse sentimento de algo intangível e muito particular que se sente ao ler um poema, é tarefa árdua para ser expresso em poucas palavras. No entanto, o que vale mencionar é que cada um dos textos produzirá em você um sentimento distinto.

As metáforas que se apresentam na poesia merecem ser lidas com calma, com gentileza, com carinho, para que possamos perceber a sutileza que há no verso. Como exemplo da sutileza e das possibilidades que se abrem, cito trecho de O Muro, em que temos: “Sou frágil criança A olhar o doce. Não esqueço as promessas, Sejam ou não sinceras.” Note que daí um leque de vertentes que surge da interpretação. Quantas não são as vezes em que nós, mesmo com nossa fragilidade, desejamos algo que está distante? Esquecemos aquilo que prometemos a nós ou que nos prometeram? Por meio de cada um dos poemas presentes na obra você pode debruçar-se e refletir sobre. As poesias são datadas de diferentes períodos. Há textos escritos em 2006 ou 1993, ou ainda outros que não estão datados (o que nos leva a crer que foram escritos em datas mais próximas ao da publicação que ocorrem em 2019). Não importa, posto que se revelam atemporais. Recomendo para quem gosta de uma boa poesia e que se deixar levar pelo poder de encantamento que as palavras exercem. (Disponível em https://tomoliterario.blogsp ot.com/2019/08/ 10-passos-poeticos-para-ser-feliz.html?showComment=1565201155567 #c5614985664071413411)

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ESCRITORA JÚLIA MARQUES

Júlia Marques é escritora em tempo integral e estudante de Direito nas horas vagas. Essa, com certeza, é a frase que melhor a define. Paulistana, leitora compulsiva e viciada em músicas e em chocolate, encontrou na escrita sua vocação, seu porto seguro., Seu primeiro romance, Depois do Fim, foi publicado em formato digital na Amazon, e o segundo, Imperfeito Olhar, foi publicado pela Editora Coerência. Boa Leitura!

Escrever é meu sonho. A escrita é a melhor parte de mim, a parte que escolhi para mostrar ao mundo. Por isso, quando penso nos meus objetivos, a primeira coisa que me vem a cabeça é ser lida.“

Imperfeito Olhar – uma única escolha não tem que pautar sua vida inteira Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Julia C. Marques é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a escrever um romance? Júlia Marques - é engraçado pensar no exato momento em que decidi que queria escrever um livro. Ou mesmo no segundo

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em que decidi que me tornar escritora era o que eu mais queria para a minha vida. A verdade é que escrevo desde sempre, desde que me entendo por gente. Sempre gostei de criar histórias, de imaginar diálogos e situações. No fim, uma coisa foi puxando a outra, e quando me dei conta

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já estava aqui, imersa em minhas palavras e histórias, sempre com a cabeça no mundo da lua. Para a maior parte dos meus livros, os publicados e o que ainda o serão um dia, a inspiração veio da minha outra grande paixão: a música. Cada um deles tem uma trilha sonora que me ajudou a pensar nos personagens e desenvolver a trama. Apresente-nos “Imperfeito Olhar” Júlia Marques - Imperfeito Olhar é o meu segundo livro publicado, e saiu pela Editora Coerência. A protagonista é a Anastácia Adans, uma garota que tem um passado difícil e aprendeu desde cedo que a vida não é lá muito justa. Ela aprendeu a sobreviver, a viver o melhor que pudesse, mas as circunstâncias duras em que o destino a colocou a fizeram tomar caminhos que não são muito bem vistos, endurecendo seu coração e a tornando fechada para a vida. Durante a execução do que era para ser apenas mais um trabalho, ela conhece Alec Sanders e sua família, e conforme o tempo passa e a convivência aumenta, Anastácia começa a questionar muito de suas escolhas de vida, começa a se perguntar se quer mesmo continuar seguindo por aquele caminho. Essencialmente, Imperfeito Olhar é um livro sobre escolhas, sobre o poder que aquilo que escolhemos tem no caminho que trilhamos. É uma história sobre as cores misturadas da vida, sobre como cada uma das nossas escolhas importa e que, em alguns momentos, aquilo que iremos decidir não reflete apenas em nós mesmos. Qual o momento da passagem da trama que mais a marcou, quando escrevia o livro? Júlia Marques - Muitos dos momentos desse livro me marcaram, porque algumas partes dele tratam de perda e violência, sobre as partes mais duras e

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complicadas da vida. Mas em um contexto geral, algo que me marcou muito nessa história foi o desabrochar da protagonista. Foi ver Anastácia sair de sua própria concha e voltar a encarar o mundo de frente, sem medo de se

machucar ou de arriscar a tentar algo novo. Ela aprendeu muito durante essa jornada, e no fim, eu aprendi junto com ela. Tirei a lição de que em alguns momentos não importa o quão difícil as coisas estejam, a vida ainda tem coisas bonitas para mostrar.

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Como foi a escolha do título? Júlia Marques - O título foi escolhido com base em uma característica física da Anastácia, que é portadora de heterocromia. Ela possui os olhos de cores distintas, e no fim isso reflete o modo como ela enxerga o mundo a sua volta e a forma como enxerga a si mesma: fragmentada e imperfeita. O que mais a encanta em “Imperfeito Olhar”? Júlia Marques - Quando eu aceitei o desafio da minha própria cabeça e resolvi escrever esse livro, o que eu queria era passar a mensagem de que não existe perfeição quando se trata de ser humano. Que não existe o definitivo, mas apenas o mutável. O que mais me encanta em Imperfeito Olhar é justamente isso: o fato de que nada é perfeito ou eterno, que as coisas sempre mudam e que as pessoas mudam com elas. O fato de que dificuldades não significam impossibilidades, e que uma única escolha não tem que pautar a sua vida inteira. Cite três motivos para ler está obra literária? Júlia Marques - Bom, vamos lá, três motivos, embora eu tenha uma grande dificuldade de escolher coisas favoritas, rsrs.

1. Imperfeito Olhar é uma história de superação, em certa medida. Uma história sobre como não importa o quão ruim as coisas tenham sido, elas ainda podem ser boas. 2. Amor familiar. Uma das coisas que eu mais me orgulho nesse livro é a relação existente entre Alec, a mãe dele, Lilian Elizabeth, e o filho dele, o pequeno Kalel. Esses três são o tipo de família que se ama e se apoia de forma incondicio-

nal, e eu tenho certeza que a relação deles irá encantar quem escolher dar uma chance para essa história. 3. Romance. Apesar de todos os outros temas que essa história aborda. Imperfeito Olhar é uma história sobre o poder do amor, sobre como ele pode ser transformador e servir como espelho para que, antes de olharmos para os outros, olhemos para nós mesmos e as nossas próprias atitudes. Qual o cenário, espaço geográfico escolhido para a trama? Júlia Marques - Imperfeito Olhar se passa em uma cidade praiana, no litoral dos Estados Unidos. É uma cidade de médio porte, com casas e jardins bonitos, na qual o ponto forte é o mar de águas cristalinas.

exatamente como eu faço com o mundo particular que guardo nas estantes do meu próprio quarto. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Julia C. Marques. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Júlia Marques - Não desistam dos seus sonhos, por mais clichê que isso possa soar. Acredite, esse é o melhor conselho que eu posso dar. Não permita que a estrela se apague, sim? Acredite em você, acredite na melhor versão de si mesmo que você pode ser, e não tenha medo dos erros. Eles não são tudo, são apenas uma pequena parte de tudo que você pode ser, de tudo que pode ver. Se arrisque a viver cada dia com uma nova oportunidade, e lembre-se: qualquer escolha, por menor que seja, é importante.

Onde podemos comprar o seu livro? Júlia Marques - Imperfeito Olhar está a venda no site da Editora Coerência (link: http://editoracoerencia.com.br/ livros/imperfeito-olhar/) ou diretamente comigo, por direct no instagram (@juhcostha). Quais os seus principais objetivos como escritora? Júlia Marques - Escrever é meu sonho. A escrita é a melhor parte de mim, a parte que escolhi para mostrar ao mundo. Por isso, quando penso nos meus objetivos, a primeira coisa que me vem a cabeça é ser lida. É esse o meu objetivo primordial: que as minhas histórias cheguem nas pessoas. Que as minhas palavras encontrem abrigo em outros corações que não apenas o meu. Esse é o meu sonho: conseguir fazer da escrita a minha vida por completo, escrever histórias que encontrarão abrigos e estantes, que serão lidas e relidas,

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA IRLEN BENCHIMOL

Amazonense, Irlen Benchimol, apresenta ‘O Reino dos Encantados’

A mais nova coleção da autora amazonense Irlen Benchimol, de Os Piratinhas do Bem, traz novos personagens numa trama que dá ênfase a assuntos como preservação da natureza e limpeza dos rios. É o pano de fundo de histórias com um misto de amor e aventura entre um príncipe tucuxi chamado Yank e uma bota cor-de-rosa chamada Luara, vindos de reinos diferentes do subterrâneo do encontro das águas. Neste primeiro livro começa uma batalha contra as diferenças entre o reino dos Salvadores (dos botos cor-de-rosa) e o reino dos tucuxis. É uma aventura que conta com muitos personagens incríveis, como o peixe-bibliotecário Dom Bodó, a sucuri Juliet, o rei Rudá, a botinha Ayu, entre outros. Todos à espera da concretização de uma profecia que determina o surgimento de um novo reino onde todo mundo poderá ser o que realmente é, livre de qualquer tipo de preconceitos! Um mundo onde todas as diferenças são aceitas conhecido como o Reino dos Encantados!

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A Autora

lrlen Leal Benchimol nasceu na cidade de Manaus, estado do Amazonas. É servidora pública do Tribunal de Justiça do Amazonas, formada em Direito, pós-graduada em Direito Processual Penal com Curso de Aperfeiçoamento pela Escola da Magistratura do Amazonas. É membro da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infanto-Juvenil (AEILIJ), da Associação Brasileira de Escritores e Poetas Pan-Amazônicos (ABEPPA) e da Associação de Escritores do Amazonas (ASSEAM). Seu trabalho mais famoso é a coleção Os Piratinhas do Bem, que já conta com três volumes: Os Piratinhas do Bem Navegando pela Amazônia, Os Piratinhas do Bem no Mundo da Imaginação e Os Piratinhas do Bem no Mundo das Diferenças. Suas obras são direcionadas aos públicos infantil e infanto-juvenil, bem como para todos que queiram compartilhar da experiência de ser um Piratinha do Bem. Tem como principal inspiração seu Filho Ilan, que inspirou o capitão de mesmo nome na turma dos Piratinhas. Lançou em outubro de 2017, sua segunda coleção: Por Trás do Pôr-do-Sol - Os Anjos e Seus Amores. Poetisa, compositora, amante das artes e da natureza são outros aspectos de seu talento. Seu lema pessoal é “sem amor nada tem valor”. Seus livros tratam sobre preservação da natureza, inclusão, solidariedade, respeito, amizade e lealdade com lições de amor para vida toda.

Confirma algumas das ilustrações de O REINO DOS ENCANTADOS

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ESCRITORA LINDEVÂNIA MARTINS Lindevania Martins é graduada em Direito com Mestrado em Cultura e Sociedade (UFMA). Defensora pública atuando no Núcleo Especializado de Defesa da Mulher e População LGBT. Poeta e contista. Primeiro lugar por duas vezes consecutivas no Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís, categoria contos. Possui contos e poemas publicados em mais de 20 antologias nacionais e internacionais, bem como revistas. Autora dos livros de contos “Anônimos” (Prefeitura de São Luís, 2003), “Zona de Desconforto” (Editora Benfazeja, 2018)e “Longe de Mim” (Sangre Editorial, 2019). Escreve nos blogs Catálogo de Indisciplinas e Bookfilia. Boa Leitura!

Tive a felicidade de ouvir de muitos leitores que eles se identificaram com essas histórias e que isso fez com que eles se vissem de novas formas, se apropriando da força sentida nas narrativas.”

Defensora pública apresenta ‘Zona de Desconforto’ Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Lindevania Martins, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Conte-nos, o que mais a encanta nos contos.

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Lindevania Martins - Essa questão do encantamento na escrita, em especial nos contos, é algo sobre o que tenho pensado muito. Se a vida não tem sentido, o texto ficcional exige de quem escreve uma intenção, um projeto

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definido. Então, às vezes me parece que escrever é uma forma de dominar e controlar aquilo sobre o que não se tem domínio ou controle. Uma forma de conferir sentido aquilo que nem é conhecido e nem é coerente. O conto, por ser uma forma breve, permite que eu exercite melhor essas disposições, reinvente as histórias e os contextos que me desagradaram, como um agente ordenador e ás vezes até vingativo, longe das impotências que frequentemente caem sobre nós no dia a dia. Em que momento se sentiu preparada para publicar o seu primeiro livro solo. Lindevania Martins - Nunca senti. Por isso tive que submeter meu primeiro livro solo, que foi “Anônimos”, à um concurso literário. Buscava validação. Quando fui premiada, o que consistia em recebimento de um valor em dinheiro e publicação de centenas de exemplares do livro sem qualquer ônus financeiro para mim, comecei a pensar que talvez não fosse tão ruim. Isso foi bom porque me motivou para continuar a escrevendo. Apresente-nos “Anônimos”? Lindevania Martins - “Anônimos” consiste em uma coleção de 18 contos escritos durante vários anos, com ânimos diversos. Há desde narrativas solares e poéticas até contos mais crus, marcados pela violência que atravessa nossos dias. Exemplos do que acabo de mencionar são os contos “Pescaria”, que acompanha dois irmãos brincando de pescar com a avó em um dia bucólico, e “Veia”, no qual um casal de amantes comete um assassinato apenas para que exista uma ligação terrível entre eles, que nunca será desfeita. Dezesseis anos, após ter publicado “Anônimos”, surge “Zona de Desconforto”. O que os diferencia. Lindevania Martins - Maturidade. Em “Anônimos”, havia mais experimentação, cada narrativa se passando em universos muito diferentes. Sendo meu primeiro livro solo a ser publicado, ainda estava em busca do “meu 86

modo” de narrar. Em “Zona de Desconforto”, possuo uma linguagem mais trabalhada e desenvolvo temas que possuem grande afinidade entre si. Os contos possuem mais unidade e creio que já encontro a minha dicção, assumindo minhas singularidades. Essas diferenças são o reflexo da passagem do tempo em mim: já não sou mais a mesma pessoa e me sinto mais confortável na minha pele hoje do que quando era mais jovem. Apresente-nos “Zona de Desconforto”

Lindevania Martins - São oito contos cuja tônica é a rebelião contra certos padrões, o que nem sempre é fácil e que pode ter consequências muito graves. Costumo dizer que meus personagens, em “Zona de Desconforto” - que é um livro muito centrado nas mulheres embora também tenha personagens masculinos fortes, se encontram em áreas de fronteira, percorrendo os limites entre dever e desejo, entre o certo e o errado, com uma vontade profunda de liberdade. São seres que caminham por espaços hostis, cientes dos perigos

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to”, queria que os leitores conhecessem modos de vida que geralmente não se encontram nas narrativas tradicionais. Queria que eles pudessem acessar essas pessoas de papel de dentro: de dentro das suas mentes, das suas fantasias e das suas obsessões. Espero ter conseguido. Soube que temos livro novo no prelo, a ser lançado ainda em 2019. Apresente-nos um pouco do seu novo projeto literário. Lindevania Martins - O livro novo se chama “Longe Mim” e deve ser lançado em agosto próximo. Trata-se de um conto longo que venceu um concurso promovido pela OAB Nacional. Possui protagonistas mulheres fortes e determinadas que, sem querer, se envolvem em um crime. Onde podemos comprar os seus livros Lindevania Martins - Zona de Desconforto pode ser comprado pela internet, nas Lojas Americanas, Amazon, Submarino, etc. Link para Lojas Americanas: encurtador.com.br/DKTZ6 Mas todos os três livros também pode ser encomendados diretamente comigo, pelo e-mail zdesconfortolivro@ gmail.com

que correm e da necessidade de não se render a eles. Tive a felicidade de ouvir de muitos leitores que eles se identificaram com essas histórias e que isso fez com que eles se vissem de novas formas, se apropriando da força sentida nas narrativas. Quais os principais objetivos a serem alcançados por meio da leitura desta obra literária. Lindevania Martins - Quem escreve tem seus objetivos e eles podem se realizar ou não. Em “Zona de Desconfor-

Quais seus principais objetivos a serem alcançados por meio da literatura. Lindevania Martins - Acho que sempre li e escrevi para compreender: compreender o mundo em que vivemos, o significado que podemos dar a nossas vidas e as nossas alianças com os outros seres humanos. Escrever, em especial, me faz compartilhar essas inquietações com outras pessoas e tem me feito aprender muito através das devolutivas que recebo dos leitores. Então, meus principais objetivos são: ser lida, estabelecendo esse diálogo com os leitores, e alcançar algum tipo de entendimento.

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Está é uma edição especial para o Mulherio das Letras. Você que é um membro ativo, participativo, conte-nos, como você vê a literatura feminina. Lindevania Martins - A literatura de autoria de mulheres constitui um universo extremamente rico e que precisa ser mais explorado e conhecido. Vejo com muito otimismo as nossas perspectivas. As mulheres escritoras estão engajadas em suas ações e projetos, conscientes de que ainda não alcançamos a igualdade de gênero, inclusive no campo literário, conscientes de que temos um longo caminho a percorrer, mas que já conseguimos mudanças culturais significativas que tem permitido às mulheres voz e reconhecimento. Grupos de leitores, em especial de leitoras, estão mais atentos à produção das mulheres, bem como profissionais ligados à cadeias de livros. E isso inclui pensar de modo interseccional para que se valorize também a diferença entre as mulheres, com visibilidade para a produção das mulheres negras, periféricas, lésbicas, trans, indígenas, etc. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Lindevania Martins. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Lindevania Martins - Agradeço a entrevista e parabenizo a Revista Divulga Escritor por esse espaço literário. Ás leitoras e aos leitores, peço que busquem as obras das mulheres nas livrarias, nas bibliotecas e que cobrem nos eventos a nossa representação.

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA ISI GOLFETTO

Desce e arrasa! Uma mulher que pensa, incomoda... uma mulher que escreve, assusta... uma mulher que lê, é perigosa... uma mulher que vai lá e faz, aterroriza... mas, uma mulher que conhece o seu valor... essa é invencível!

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Toda mulher tem um valor inestimável.

Muitas mulheres parece que já nasceram brilhando... outras trabalharam muito para conquistar essa personalidade. Infelizmente, muitas perderam a noção do seu valor por se abaterem em momentos difíceis e acreditando que merecem menos, pouco a pouco o pó da desilusão foi encobrindo o seu brilho. Para redescobrir o próprio valor é necessário tirar essa poeira, ter um olhar carinhoso para si mesma, fazer as pazes com as suas fragilidades e valorizar as suas qualidades. É compreender que não é preciso ser perfeita para viver perfeitamente confortável consigo mesma. Ser essa mulher de valor é mudar a forma de pensar, é criar a sua realidade não importa o tamanho do desafio, é trabalhar duro para conquistar e viver seus sonhos, é ter atitude, é ter amor e respeito por quem você é. Algumas atitudes a impulsionam em suas decisões, moldam o seu comportamento e influenciam a seleção dos seus hábitos que destacam o seu valor e realçam o seu brilho. Inspire-se! A questão não é quem vai me deixar... é quem vai me impedir! Personalidade marcante. Uma mulher que conhece o seu valor é incrivelmente confiante, carismática, e seu senso de humor e charme valorizam ainda mais o seu brilho. Dona do seu destino, julga a si mesmo com as suas métricas e não se deixa influenciar pela opinião alheia. Compete consigo mesma todos os dias e se desafia a ser sempre melhor. Se coloca em primeiro lugar, não

por ser egoísta ou arrogante, mas por conhecer o seu valor. Reconhece as suas fragilidades, mas não se intimida diante dos obstáculos. Valoriza as suas qualidades e a sua capacidade de realização. Transmite confiança na maneira de falar e graça na sua expressão corporal. Coloca paixão em tudo o que faz e seu semblante se ilumina quando fala dos seus ideais. Sabe muito bem quem ela é, e o que quer. Eficiente e estratégica na maneira de fazer as coisas, se destaca em tudo e deixa a sua marca não importa a sua área de atuação. Busca o equilíbrio entre insistir e recuar. Não força uma situação, mas não deixa tudo a cargo do destino. Não é só aparência, é a essência. Não é só pesos e medidas, é qualidade de vida. Boa aparência. Uma mulher que se valoriza cuida da sua aparência porque é um reflexo do seu interior. Ela sabe, contudo, que a aparência não é tudo e que a verdadeira beleza está além da aparência refletida no espelho, de pesos e medidas, da maquiagem ou das roupas e acessórios de marca. Cuida da saúde. Se alimenta de maneira saudável, se distancia dos vícios, se exercita, dorme bem e está em dia com a sua revisão médica. Reconhece que adquirir bons hábitos é indispensável, mas desistir dos hábitos que drenam a sua força mental é essencial. Assumir riscos é se dar a chance de viver seus sonhos. Assume riscos. Uma mulher que conhece o seu valor sabe que o risco maior não é cometer erros, mas nunca

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chegar a cometê-los por não ter a coragem de tentar. Encara os riscos como um desafio - o que eu faria se não tivesse medo de arriscar? Essa reflexão lhe dá coragem para se concentrar no resultado positivo e esquecer o medo de errar. Ela sabe que assumir riscos pode ser uma tarefa assustadora, por outro lado evitar de correr riscos não é sinônimo de estar mais segura. Arriscar nem sempre é garantia de sucesso. Falhas acontecem. Por esta razão, é preciso prever as possíveis falhas e encontrar meios de contorná-las. Fracasso e sucesso andam de mãos dadas. Arriscar é focar no positivo, fracassar é se esconder das oportunidades por medo de tentar. Cultiva as próprias flores ao invés de esperar recebê-las. Cultiva seus relacionamentos. Uma mulher que sabe o seu valor busca por um relacionamento afetivo saudável e cultiva-o para que floresça. Ama-se primeiro. Decide como merece ser tratada começando pela maneira como ela própria se respeita e se trata. Sabe muito bem o que quer. Investe no relacionamento. Valoriza seu companheiro. Busca sintonia entre eles para que exista alegria no amor e felicidade entre os dois. Ela não permanece em uma relação em que não haja reciprocidade, nem fica presa a relacionamentos negativos. Quem não sabe o que quer, perde o que tem. É responsável por suas emoções. Não entrega a própria felicidade nas mãos de outra pessoa e nem a responsabiliza pela forma como se sente. Sabe estar sozinha. Aprecia a sua própria companhia. É essencial saber equilibrar sonhos, amor e ganhos. Se um deles 89


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se desequilibrar você pode desabar. Equilibra vida pessoal e profissional. Uma mulher que reconhece o valor que tem sabe que a vida é muito mais do que apenas trabalhar. Ela busca meios de equilibrar essa equação trabalho-vida. Reconhece as exigências da vida pessoal e profissional e investe no que dá valor a sua vida e faz o que precisa para ser uma pessoa inteira. Expressa gratidão por sua vida e a vida das pessoas ao seu redor e faz com que elas também reconheçam o quanto são valiosas. Dedica tempo para as pessoas que são a razão de momentos inesquecíveis. Se envolve em atividades que a tornam feliz e realizada. Tem prioridades e não se distrai com os intermináveis passeios pelas redes sociais ou pequenos dramas. Sabe que a sua lista de coisas a fazer nunca será concluída. Assim, abri mão de certas metas e delega tarefas e responsabilidades para ter mais produtividade. Gerencia seu tempo com sabedoria. Tempo é dinheiro e se não usar sabiamente alguém vai. É consciente de que não há realização financeira-profissional que compensem uma vida fisicamente doente, emocionalmente instável e sem o prazer de viver. Problemas são oportunidades para mostrar o que sabe e aprender o que precisa. Tem consciência de que não sabe tudo. Uma mulher que conhece o seu valor sabe que há sempre coisas novas para aprender e todo mundo é  capaz de ensinar alguma coisa. Reconhece os seus erros sem fazer drama. Avalia seus pontos fortes e fraquezas e procura melhorar.

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Enfrenta os seus medos dando pequenos passos até ganhar confiança e fazer o que antes parecia impossível. É positiva. Não foca no problema, mas procura a solução. Desculpas atrapalham os resultados. Não importa as circunstâncias, ela sabe que na vida ou você dá desculpas ou obtém resultados, nunca os dois. Sabe dizer não. Se permite fazer o que quer. Não por ser egoísta, mas porque não faz nada somente para agradar. Você atrai as coisas certas quando tem a noção de quem você é. E você, qual é o seu valor? Não saber ou não reconhecer o próprio valor é correr o risco de não viver todo o seu potencial, mas o pior é nada fazer para mudar. Ninguém nunca fez a diferença sendo igual ao outro. Não tente se encaixar... você nasceu para se destacar. Silencie o ruído a sua volta, ouça a sua voz interior, descubra o seu valor e viva suas conquistas! Dê um novo significado para o que você faz... como você se vê... para quem você é como pessoa ou como profissional. Invista um tempo no autoconhecimento. Conhecer a sua essência vai ajudar você a superar os próprios limites e colocar a sua energia na conquista dessa pessoa de valor que está aí dentro de você! Descubra o quanto você é incrível! Isi Golfetto é Escritora Motivacional. Formada em Pedagogia, Isi teve uma carreira bem-sucedida e movimentada lecionando inglês, sendo Orientadora Educacional, Palestrante e Coaching. Desde 2010 Isi dedica o seu tempo a escrever para o blog Bate-Papo com Estilo e duas páginas do Fb Equilíbrio Sentimental, para Mulheres Incríveis e Bate-papo com Estilo, para inspirar e motivar o seu dia.

Fabergé e os Ovos de Páscoa Imperial Quando mentes brilhantes, paixão e talentos se unem... espere por uma obra-prima! Primor, beleza, exuberância, luxo, glamour, ostentação… estes adjetivos figuram entre os atributos quando o objetivo é tentar descrever os magníficos Ovos Fabergé. Mais conhecido por sua coleção de Ovos de Páscoa Imperial, criados exclusivamente para os últimos czares russos, Fabergé alcançou o ápice da excelência com essas joias nas décadas douradas entre 1885 e 1917. A fascinante história dos ovos Fabergé, marcados pelo luxo e pela tragédia, pode ser recontada através dos 52 ovos de Páscoa, um legado cultural deixado por Fabergé para a humanidade que até hoje encanta o mundo. Obras-primas minuciosamente confeccionadas com ouro, pedras preciosas e outros materiais nobres, essas joias se destacam entre os objetos mais valiosos do mundo, avaliados em milhões de dólares. Obras-primas que sobreviveram ao catastrófico fim de uma dinastia. A Tradição dos Ovos de Páscoa A Páscoa era uma data muito especial no calendário da Igreja Ortodoxa Russa. As pessoas se cumprimentavam com 3 beijinhos, recordavam a ressurreição de Cristo que simbolizava uma nova vida e o renascer da esperança. Seguindo a tradição, amigos e parentes se presenteavam com ovos de aves. Entre as pessoas do povo esses ovos eram decorados, pintados à mão, enquanto que os membros da família real e os nobres da corte adaptaram o costume e passaram a dar joias como presentes. Até que o czar Alexander III conheceu o joalheiro Fabergé e decidiu inovar.

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Quem foi Fabergé Peter Carl Fabergé foi um joalheiro russo de origem franco-dinamarquesa. Nasceu em maio de 1846, em São Petersburgo. Filho de Gustav Fabergé, aos 24 anos, herdou o negócio de joias que seu pai havia estabelecido naquela cidade, em 1842. Fabergé foi um dos maiores joalheiros de todos os tempos. Ficou famoso pela extraordinária qualidade e beleza de seus trabalhos, em especial pelos exuberantes Ovos de Páscoa Imperial recheados de lindas e delicadas surpresas. Ganhou reputação internacional, sendo altamente considerado por colecionadores em todo o mundo. Sua Preparação Profissional Fabergé estudou nas melhores escolas de São Petersburgo e passava longas horas na oficina aprendendo os fundamentos da fabricação de joias com o funcionário sênior de seu pai, o mestre finlandês Hiskias Pendin. Mais tarde, teve a oportunidade de ampliar e aprimorar seus conhecimentos na Inglaterra, França, Alemanha e Itália. Visitou joalherias desses países, adquiriu novas técnicas e aprendeu a desenvolver projetos que combinassem o artesanato tradicional com toques criativos. Fabergé procurava inspiração nas obras dos grandes mestres europeus. O Hermitage, o grande museu anexo ao

Palácio de Inverno de São Petersburgo, abrigava tesouros das gerações anteriores de czares. Em 1867, o museu recebeu itens de joias antigas descobertas durante as escavações arqueológicas e precisava de alguém para consertá-las e avaliar seus materiais. Fabergé se ofereceu e trabalhou lá sem ser remunerado. Em 1882, foi convidado a participar em uma exposição em Moscou, em virtude do trabalho que havia realizado no Museu Hermitage. Dentre as peças que ajudou a restaurar estavam joias gregas que datavam do século IV a.C., encontradas em Kerch, na costa do Mar Negro. Fabergé obteve permissão para copiá-las e incorporar a seus projetos, tornando-as o foco de sua exibição na exposição. Foi uma decisão inspirada. Fabergé pode mostrar a sua criatividade de joalheiro em uma tradição tão antiga que nenhum russo poderia deixar de ficar impressionado. A revista Niva, que cobria o evento, destacou: O Sr Fabergé abre uma nova era na arte da joalheria. Sua Majestade honrou Fabergé comprando um par de abotoaduras com imagens de cigarras que, segundo a crença da Grécia Antiga trazem sorte. Assim, Fabergé teve seu primeiro grande avanço - o reconhecimento da família imperial. Contudo, por um longo tempo continuou sendo mais um

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entre os tantos fornecedores da corte russa. O tempo não para, muito menos a criatividade de Fabergé. O conhecimento que Fabergé havia adquirido na Europa e no Hermitage foram inspiradores e decisivos em sua carreira. Estava determinado a fazer peças de joalheria que fossem muito mais do que a soma de suas partes. Ele queria elevar o design e o artesanato acima de meros materiais. Certa vez ele disse: coisas caras pouco me interessam se o valor for meramente o número de diamantes ou pérolas que o objeto possui. Fabergé criou peças de joias que outros joalheiros não foram capazes. Seu talento, sensibilidade, criatividade, delicadeza, dedicação, esmero e paixão aliados às horas de estudo, pesquisa e muito trabalho elevaram Fabergé ao topo da excelência em joias. Os Ovos e a Inspiração para as Criações. A célebre coleção de 52 Ovos Imperiais produzidas por Fabergé e seus excelentes ourives datam do final do século XIX e início do século XX. No início Fabergé e sua equipe não faziam ideia de que as suas criações se tornariam uma tradição na família imperial e seriam consideradas verdadeiras obras de arte. Em 1885 o primeiro ovo foi criado para celebrar o 20º aniversário de casamento do czar Alexander III e sua esposa, a czarina Marie Feodorovna. Exteriormente parecia um simples ovo de ouro esmaltado, mas ao abri-lo revelava-se uma gema de ouro que continha em seu interior uma galinha, que por sua vez continha um pingente de rubi e uma réplica em diamante da coroa imperial. Diante do sucesso desse presente, o czar passou a encomendar um ovo por ano a Fabergé para presentear a sua esposa. O czar deu liberdade a Fabergé para o design dos ovos. A única recomendação era que o ovo deveria ser único e conter uma pequena surpresa. Com grande criatividade e muito talento técnico, Fabergé superava a 91


DIVULGA ESCRITOR cada ano o desafio na criação das joias. O trabalho era tão minucioso que cada peça levava um ano ou mais para ser produzida por uma equipe formada pelos melhores artesãos da época, que trabalhavam em segredo. O tema mudava todo ano. Fabergé buscava inspiração em fatos da própria família do czar ((por conhecer as preferências de quem receberia a joia, Fabergé personalizava cada peça tornando os ovos ainda mais fascinantes e desejados), nas conquistas da dinastia Romanov e em eventos temáticos da história da própria Rússia. Não por acaso Fabergé se tornou o joalheiro do czar. Os primeiros dez ovos produzidos foram presentes de Alexander III à sua esposa, Marie Feodorovna. Após a sua morte, seu filho o czar Nicholas II, continuou a tradição e passou a oferecer um ovo por ano à sua esposa, a czarina Alexandra Feodorovna e outro à sua mãe. Três décadas de história por trás dessas joias que se encerrou com a abdicação do czar Nicholas II. Símbolos que brilharam em tempos de glória e se tornaram sobreviventes após o trágico destino de uma dinastia que desapareceu. Símbolos que ironicamente se tornaram a suprema arte da joalheria mundial. Onde estão os Ovos Fabergé hoje. Com o brutal assassinato do czar Nicholas II juntamente com a sua família, em 1918, os bens dos palácios Romanov foram confiscados pelos bolcheviques. Alguns ovos desapareceram durante os vários saques ocorridos nos palácios, mas a maioria dos ovos Fabergé, juntamente com as joias, ouro, prata e ícones imperiais foram inventariados, embalados em caixas e levados para o Arsenal do Kremlin, por ordem de Lênin que desejava preservar a herança cultural da Rússia e lá ficaram esquecidos. Quando Stalin chegou ao poder esses tesouros foram descobertos e o legado imperial russo começou a ser vendido para apoiar o novo governo bolchevique e financiar seus planos econômicos. Mesmo correndo o risco de serem executados, alguns curadores do Kremlin esconderam muitas peças valiosas.

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Infelizmente, da coleção dos ovos imperiais, seis continuam desaparecidos, alguns pertencem a colecionadores privados e outros exemplares podem ser admirados em museus na Rússia e nos Estados Unidos. *Saiba mais sobre os Ovos Imperiais. Os Ovos Fabergé, o fascínio e a disputa pelos colecionadores Muito mais do que apenas símbolos de luxo e opulência os famosos ovos de Páscoa Imperial são obras-primas de valor inestimável e disputados por colecionadores em todo o mundo. Admirados pela perfeição e considerados expoentes da arte joalheira, o fascínio despertado pelos ovos Fabergé deve-se à sua raridade, exclusividade, confecção artesanal impecável e primorosa e preciosidade dos materiais com uma combinação de esmalte, metais e pedras preciosas aliados a perfeição e a beleza exuberante de cada joia que escondiam surpresas e miniaturas, além de toda história e mistério no entorno dessas peças. Os ovos Fabergé são a perfeita combinação de todos esses atributos e elementos, não para menos que o seu valor chega a dezenas de milhões de dólares. O Winter Egg, confeccionado em 1913, é um dos ovos mais caros produzidos por Fabergé. Feito de cristal finíssimo e com mais de 3000 diamantes, ficava em uma base que parecia gelo derretido. Sua surpresa era uma cesta de platina com flores feitas de quartzo branco, ouro, jade e outros materiais preciosos. Em 2002, o Winter Egg foi vendido pela casa de leilões Christie´s em Nova York por US$ 9,6 milhões (cerca de R$ 19 milhões). A Casa Fabergé hoje Após o assassinato da família Romanov, a Casa de Fabergé foi nacionalizada pelos bolcheviques e seus bens confiscados. Temendo pela segurança da sua família Fabergé fugiu para a Suíça. Todo o seu mundo desabou e dois anos depois, o coração do maior joalheiro que a história conheceu, parou. Em 1951 a família perdeu o direito de produzir e comercializar peças com o

nome Fabergé, recuperando esse direito apenas em 2007. A marca foi relançada em 2009 sob o comando de Tatiana e Sarah Fabergé, bisnetas do joelheiro. Hoje está presente em Londres, Nova York, Dubai e Hong Kong e representada na França, Alemanha e Itália. As joias atuais são inspiradas nas antigas criações do joalheiro e muitas delas incluem detalhes em formato oval, em referência ou reverência às obras de arte que escreveram o nome Fabergé para sempre na história mundial da alta joalheria. Peter Carl Fabergé, a lenda em seu próprio tempo A única maneira de fazer algo grandioso é ter paixão pelo que faz. O trabalho de Fabergé sempre despertou fascínio. Apesar de ter sido considerado, por vários críticos, como o joalheiro de um regime decadente e autocrático, hoje Fabergé é reconhecido por seus estudos adicionais nos campos da história e influência artística. Seu lugar na história da arte é o de um artista-joalheiro excepcionalmente criativo, com notável habilidade empreendedora. Fabergé era o artesão supremo de sua época, quem sabe de todas as épocas. Como designer mestre da corte imperial russa, ele criou obras de arte requintadas, tão raras e engenhosas em seu design que sua fama se espalhou pelo mundo. Peter Carl Fabergé se tornou uma lenda em seu próprio tempo. Vídeo - Ovos Fabergé. Conheça a beleza dos Ovos Fabergé e se encante com as suas surpresas! PDF. Conheça mais... a data de produção dos ovos, a descrição do material, a sua localização atual. Isi Golfetto é Escritora Motivacional. Formada em Pedagogia, Isi teve uma carreira bem-sucedida e movimentada lecionando inglês, sendo Orientadora Educacional, Palestrante e Coaching. Desde 2010 Isi dedica o seu tempo a escrever para o blog Bate-Papo com Estilo e duas páginas - Equilíbrio Sentimental, para Mulheres Incríveis e Bate-papo com Estilo, para inspirar e motivar o seu dia.

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ESCRITORA LÚCIA VASCONCELOS Lúcia Vasconcelos nasceu em Cipó, Bahia em 1946. Tem 04 filhos e 08 netos. Mora no Rio de Janeiro e aos 70 anos publicou seu primeiro livro pela Scortecci Editora “Poetizando aos 70..”. Participou do Concurso Nacional Novos Poetas (2016), Editora Vivara. Também tomou parte na Antologia de Poesias, Contos e Crônicas (Scortecci Editora 2016) e na Edição Comemorativa de Aniversário, Scortecci 35 anos (2017). Em 2018, publicou seu segundo livro “Encantamento de Viver Poesias e Crônicas”, (Scortecci Editora). Está participando pela mesma Editora, da Antologia O Construtor de Amigos.

Boa Leitura!

Esse livro tem, realmente, me proporcionado muitas alegrias. Falo da capacidade de nos reinventar e do sentimento mais transformador que existe, o amor. São 45 poemas e 32 crônicas distribuídos em 123 páginas.”

Poetizando aos 70 com a escritora Lúcia Vasconcelos Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Lúcia Vasconcelos, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto pela arte de escrever? Lúcia Vasconcelos - Sempre gostei de ler e escrevia algumas coisas, mas só comecei a mostrar minhas poesias há pouco. Pouco antes de completar 70 anos, escrevi com mais www.divulgaescritor.com | outubro de 2019

entusiasmo, já pensando em publicar um livro. Assim nasceu o “Poetizando aos 70...” Como se sentiu ao publicar o seu primeiro livro solo “Poetizando aos 70”? Lúcia Vasconcelos - Senti-me muito feliz! Foi um momento importante da minha vida. Percebi que não existe idade certa para começar algo novo. 93


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Apresente-nos “Poetizando aos 70” Lúcia Vasconcelos - É um livro em que consegui uma mistura de realidade, pois faço homenagens a pessoas queridas e inspirações poéticas. São 115 páginas e um total de 89 poemas. Em 2018, publicou o seu segundo livro “Encantamento de viver poesias e crônicas”. Apresente-nos a obra. Lúcia Vasconcelos - Esse livro tem, realmente, me proporcionado muitas alegrias. Falo da capacidade de nos reinventar e do sentimento mais transformador que existe, o amor. São 45 poemas e 32 crônicas distribuídos em 123 páginas. O que mais a atrai nesta obra poética? Lúcia Vasconcelos - O que mais me atrai é justamente poder espalhar sentimentos positivos. O amor que fortalece e agrega. Encanto-me com a vida! Tocar o coração das pessoas com meus escritos é a melhor recompensa. Apresente-nos um dos textos poéticos, publicado nesta obra literária. VIVER Viver sem ternura, Amor ou poesia Causa danos irreversíveis... Suprime do olhar a candura! Não desejo um coração Endurecido, perverso, Magoado ou sofrido; Quero-o repleto de paixão! Não adio sorrisos, Vida não se prorroga. Abraços evitam enganos, Transformam corações indecisos. Felicidade é anseio Da alma de sonhadores? Procrastinar alegria, Estado de devaneio! Desacostumo do desamor, Indecisões, injustiças, Desintegração de amizades, Da vida ser espectador.

momento de criação deste texto. Lúcia Vasconcelos - Logo depois do lançamento do meu primeiro livro, estava lendo alguma coisa e, de repente, uma frase pessimista chamou-me a atenção. Comecei a escrever e surgiu o primeiro poema do “Encantamento de Viver...” Onde podemos comprar os seus livros? Lúcia Vasconcelos - Livraria Virtual Asabeça Martins Fontes Diretamente comigo, por meio do Facebook (Maria Lúcia R. Vasconcelos)

Sabemos que cada texto tem um pedacinho da autora. Comente sobre o

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algumas ideias amadurecendo para o próximo livro. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Lucia Vasconcelos. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Lúcia Vasconcelos - Todos nós temos uma força interior. A capacidade de nos reinventar quando tudo parece incerto. A vida é um milagre que não pode ser desperdiçado!

Quais os seus principais objetivos como escritora? Lúcia Vasconcelos - Continuar escrevendo enquanto Deus permitir. Tenho

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL COM CASA PROJETOS LITERÁRIOS

Jovens escritoras do Norte/Nordeste rompem as barreiras da distância e apresentam seus livros para os leitores da revista Divulga Escritor As escritoras Mayanna Velame de Manaus/AM e Marcela Franca de Petrolina/PE irão lançar nos próximos meses seus primeiros livros. Autoras agenciadas pela CASA Projetos Literários, o 1º escritório de agenciamento literário do Nordeste, Mayanna lançará o seu livro de poemas Português Amoroso, inspirado pela Gramática e pela Poesia enquanto Marcela Franca nos apresenta Scamonis - o outro lado de mim romance onde a vida marinha e os oceanos serão defendidos por uma jovem bailarina que se transforma em sereia. Vamos conhecer mais sobre essas duas novas e talentosas escritoras da nossa literatura.

Escritora Marcela Franca A escritora pernambucana Marcela Franca nasceu na cidade de Recife-PE, mas se mudou para Petrolina-PE ainda na infância, onde reside até hoje. Formou-se em Odontologia pela Faculdade de Odontologia de Caruaru – FOC e se especializou em Odontopediatria. Não é bailarina profissional, mas escolheu se dedicar ao ballet por amor a dança. Além do ballet, sua paixão pela vida marinha a inspirou a escrever o seu primeiro livro: Scamonis – o outro lado de mim um romance repleto de aventura e mistérios em um reino subaquático de belezas naturais e encantadoras, e com protagonistas cheios de personalidade e vitalidade! Amante da natureza e da vida marinha, a autora se dedicou em estudos e pesquisas de campo para trazer informações realistas e atualizadas para a história, propondo-se a realizar palestras em escolas e eventos literários para o público apresentando “Scamonis” e falando sobre a importância de se preservá-la. Scamonis será lançado ainda em 2019 pelo Selo NOVACASA – selo editorial da CASA Projetos Literários. Suas palavras encantam jovens e adultos ou qualquer leitor que goste de ser surpreendido. É para quem ama ler e sempre tem um livro de romance ou fantasia na cabeceira. Marcela conecta pessoas e palavras, real e invenção. Tem como maior missão entregar uma vida leve, cheia de cor e criatividade. Para se conectar com Marcela Franca acesse suas redes sociais: Site oficial: www.escritoramarcelafranca.com.br Instagram: @escritoramarcelafranca Facebook: @escritoramarcelafranca

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Escritora Mayanna Velame Mayanna Velame nasceu em Manaus em 1983. É formada em Letras – Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Amazonas. É cronista do jornal Comunicação Regional de Aparecida do Norte. Escreve periodicamente contos, crônicas e poemas para os sites literários: Recanto das Letras e Texto de Garagem. A considerar a Língua Portuguesa como personagem central, Português Amoroso é o primeiro livro da Mayanna Velame. Constituído de cem poemas, que celebram em seus versos, temáticas de cunho gramatical, além de permitir referências de algumas obras literárias e seus respectivos autores e poetas. A linguagem concisa, repleta de humor e trocadilhos foi pensada para que os versos possam alcançar não apenas o entendimento de seu leitor, mas assim como também, na compreensão da mensagem e principalmente, na recriação idealizada pela imaginação, de quem permeia pelas veredas do mundo poético das letras. Com a intenção de tornar a leitura mais prazerosa e o ensino da Língua Portuguesa mais tateável e lúdico, Português Amoroso não é exclusivamente uma proposta didática e pedagógica. Mas sobretudo, uma perspectiva de convidar leitores iniciantes ou proficientes, professores, pais, estudantes e todos aqueles que amorosamente desejam viver, de braços dados com a Língua que nos acolhe. Para se conectar com Mayanna Velame acesse suas redes sociais: Site oficial: www.casaprojetosliterarios.com.br/mayannavelame Instagram: @portugues_amoroso Facebook: @portuguesamoroso

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ESCRITORA LUCIANE MADRID Nascida em São Paulo, mudou-se para Minas em 1983 para fazer faculdade de Letras e por Minas ficou. Filha e neta de escritores, conviveu com o mundo das artes e literatura desde cedo. Começou a escrever poemas ainda criança. Participou de vários concursos literários, a partir de 1986, conquistando alguns prêmios. Levou a literatura paralelamente ao trabalho na Caixa por 28 anos. Aposentouse do emprego formal em 2017 e desde então tem se dedicado a escrita e ao estudo das letras tempo integral. Além de poesias, escreve contos, crônicas, teatro e letras de músicas. Participa de projetos voluntários de incentivo à leitura. Leciona Escrita e Literatura no projeto Convivarte. Mora em Varginha MG, é divorciada e tem duas filhas.  Boa Leitura!

O leitor pode se identificar com cada personagem e isso é um estímulo ao exercício da empatia. Acho que este é o principal objetivo de minhas historias: mostrar o quanto somos diversos e quão diversa é a vida de cada um.”

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Apresentamos ‘Encontros em contos’ Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Luciane Madrid Cesar, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto por contos? Luciane Madrid - Obrigada a revista pelo convite. Eu comecei a escrever contos para participar de concursos literários. Antes só escrevia poesias e crônicas. Gostei de criar histórias curtas e acho que também gostaram das minhas histórias porque fui premiada algumas vezes nesses concursos. O que a inspirou a escrever “Encontros em Contos”? Luciane Madrid - Considerando o sucesso que consegui nos concursos de contos, achei que seria uma boa ideia juntá-los em livro. Nem todos os contos do livro participaram de concursos, mas a maioria. Apresente-nos a obra (sinopse) Luciane Madrid - “Encontros em contos” contém histórias de pessoas comuns, seu problemas e alegrias cotidianas. Cada história procura apresentar uma situação que pode ser vivida por qualquer um de nós ou por pessoas a nossa volta. Momentos cômicos, outros nem tanto. Há a história da mãe adolescente, do homem que se apaixonou por uma voz, de uma promessa a ser cumprida, das rosas misteriosas deixadas a porta de uma casa... São temas variados, envolvendo personagens de diversas idades e classes sociais. Quais os principais objetivos a serem alcançados por meio da leitura desta obra literária?

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Luciane Madrid - Meus personagens são pessoas comuns, não são príncipes ou princesas. O cenário é esta nossa sociedade cheia de imperfeições. O leitor pode se identificar com cada personagem e isso é um estímulo ao exercício da empatia. Acho que este é o principal objetivo de minhas historias: mostrar o quanto somos diversos e quão diversa é a vida de cada um. A quem indica leitura Luciane Madrid - Tenho recebido feedback positivo de todos os tipos de leitores mas acredito que o publico que mais vai se identificar com as histórias são as pessoas que já viveram um pouco mais, adultos a partir de 40 anos. Embora, como eu disse, agrade também muita gente mais nova... Além de “Encontros em Contos” você tem publicado um livro de poesia e um infantil, apresente-nos as obras. Café com poesia – Este foi meu Primeiro livro publicado, reunindo poesias diversas que fiz ao longo dos anos. Gosto de poesias com ritmo, não necessariamente com rimas tradicionais. Os temas são bem variados. Gato Camaleão – Meu primeiro livro infantil publicado, nasceu de um livrinho de poesias infantis que fiz com encadernação artesanal para presentear as crianças da família e amigos. É a historinha de um gato que muda de cor conforme o ambiente ou a rima, levando a uma analogia sutil com a ideia

de adaptar -se Sem, contudo, perder a essência. Onde podemos comprar os seus livros Luciane Madrid - “Encontros em contos” e “Café com Poesia” estão na Amazon.com em livro físico e e-book “Gato camaleão” pode ser adquirido no site da livraria Asabeça ou na minha pagina @tendadaescritora no Instagram Apresente-nos os seus projetos de leitura Luciane Madrid - No projeto “Bagagem Literaria Biblioteca livre” eu disponibilizo livros de literatura para adultos e crianças em malas que ficam expostas em feiras de artesanato e outros eventos em minha cidade. Ali as pessoas podem escolher livros para levar e ler, podem trazer livros para doar... o único compromisso é manter o livro circulando. Se não der tempo de devolver, devem emprestar a alguém. O projeto é baseado em um que acontece no Paraná, bibliotecas livres. Outro projeto para incentivo à leitura é feito com mulheres grávidas pelo projeto Afeto, que atende futuras mamães de baixa renda. O objetivo é estimular a leitura para os bebês ainda na barriga, continuando depois enquanto a criança cresce. No kit que é doado aos recém nascidos, além das roupinhas e fraldas, vai um livro infantil. É há ainda a leitura na pediatria do hospital, parte das atividades do grupo de humanização Risoterapeutas. Está é uma edição especial para o

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Mulherio das Letras. Você que é um membro ativo, participativo, conte-nos, como você vê a literatura feminina. Luciane Madrid - A mulher está ampliando seu espaço na literatura, mostrando sua cara. Sempre fizemos parte das letras, mas não nos era dada a voz livre. Ou nos escondíamos sob pseudônimos ou tínhamos que escrever só sobre assuntos “de mulher” . Mas aos poucos fomos ganhando nosso espaço. Os primeiros clubes de leitura foram criados por mulheres que não eram aceitas nos clubes de discussão de política masculinos. Somos guerreiras e nossa voz vai se elevando a cada dia. Grupos como o Mulherio são essenciais para que essa força se multiplique. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Luciane Madrid Cesar. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Luciane Madrid - A leitura é a melhor forma de promover a evolução do pensamento e precisamos lutar para que as novas gerações tenham acesso e interesse em ler. Agradeço a revista e a Shirley pela oportunidade de falar de literatura e parabenizo a todos pela qualidade desse trabalho.

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL REVISTA ACADÊMICA ONLINE

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Revista Acadêmica On-line, é um veículo de comunicação direcionado a divulgar textos literários e acadêmicos, filosóficos, artísticos e de atividades profissionais, de amplo interesse, com a finalidade de interligar os povos e compartilhar seus saberes, mantendo contato e intercâmbio com centros de pesquisa, nacionais e estrangeiros. Nossa Revista destina-se a pesquisadores independentes, professores, graduandos, mestrandos, doutorandos, profissionais liberais (áreas de Administração, Economia, Direito, Educação, etc.), que pretendam divulgar seus artigos, periódicos, estudos de casos e textos de reflexão teórica-conceitual. Demais estudiosos e profissionais não abrangidos pela descrição básica, poderão ser admitidos, mediante parecer da Administração Editorial da Revista Acadêmica Online. Nossa missão é contribuir para a circulação dos saberes humanos lato sensu, mediante a divulgação de trabalhos de pesquisa, análises teóricas, documentos, notas e resenhas bibliográficas que possam subsidiar as atividades científicas - teórica e prática -  em organizações públicas e privadas.  A equipe propõe-se a publicar artigos científicos de pesquisadores – professores ou alunos – brasileiros, servindo como um espaço para comunicação de ideias entre os grupos de estudiosos e seus respectivos campos. Dispõem-se, também, a publicar resenhas e monografias, dissertações, teses e ensaios teóricos. Um dos focos deste veículo é divulgar o trabalho acadêmico, para um maior número de leitores interessados em literatura especializada; somos uma revista acadêmica com finalidade

de difusão do conhecimento acadêmico. A periodicidade de nossas edições são bimestrais. O periódico comporta publicação em diversas categorias de trabalhos como: Artigos, Antologias, Notas de Pesquisa, Resenhas, Ensaios Teóricos, Monografias, Dissertações e Teses. Não haverá limite de páginas para essas categorias. A Revista Acadêmica On-line, no entanto, somente aceitará trabalhos que mencionem as fontes utilizadas em pesquisa, independentemente do veículo: livros, artigos, teses, revistas científicas, sites de pesquisa na internet e veículos multimídia. Os trabalhos, quanto à formatação, deverão respeitar as especificações técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (tipo e tamanho de fonte; espaçamento entre linhas, margens e parágrafos; citação; tabelas; gráficos; notas de rodapé e Referências Bibliográficas).

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Para enviar seu trabalho a Revista Acadêmica On-line, o autor deverá acessar o site www.revistaacademicaonline.com, verificar qual é a categoria correspondente, e entrar em contato via e-mail no endereço:  editorial@ revistaacademicaonline.com Para determinados casos, quando houver necessidade de mais esclarecimentos, os textos poderão ser encaminhados no endereçamento eletrônico destacado no parágrafo acima. Os artigos são revisados pelo corpo editorial nos aspectos ortográfico-gramaticais e quanto à estrutura. Um artigo, no mínimo, deve incluir obrigatoriamente: Resumo, Introdução, Desenvolvimento (desdobramento do tema em seções ou capítulos), Conclusão e Referências Bibliográficas. Preferencialmente, no Resumo, sugerimos que os autores descrevam sucintamente do que se trata a pesquisa, mencionando os objetivos, o que se pretende demostrar ou refletir e qual foi a metodologia adotada. 101


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ENTREVISTA

ESCRITORA MARIA TEREZA C. R. MOREIRA Maria Teresa C. R. Moreira, pedagoga formada pela Unicamp, ganhou concursos na infância e publicou artigos na vida adulta em revistas religiosas. Publicou o livro “Como educar e ser feliz” em 1993 pela editora Raboni, o livro de poesias “50 Tons da Menopausa” em 2017 ( parte da Biblioteca do Memorial da América Latina), e o “50 Faces da Menopausa “ em 2019. Tem poesias publicadas em inúmeras mídias e em coletâneas. Autora selecionada para a obra “100 Melhores Poetas Lusófonos Contemporâneos - 2018” e para o prêmio “Destaque Poético 2018”. Faz parte da ALG (Academia de Letras de Goiás) e da AMCL (Academia Mundial de Cultura e Literatura - cadeira 2). Integra o coletivo Mulherio das Letras. Boa Leitura!

Ambos contém cinquenta poemas que buscam refletir a realidade profunda e desafiadora da maturidade, não apenas da Menopausa em si mas também da carga de experiências, sentimentos e mudanças que acontecem concomitantemente na vida da mulher nesta fase da vida.”

Menopausa é destaque em versos na literatura contemporânea Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Maria Teresa C. R. Moreira, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Conte-nos o que mais a atrai nos textos poéticos? Maria Teresa - Primeiramente, é uma alegria e um privilégio participar desta edição tão espe102

cial desta revista! Muito grata! Sobre o que mais me atrai nos textos poéticos, para colocar em poucas palavras, é a capacidade que estes textos têm de dizer o indizível, o impensado, o sentido mas não refletido, o inexprimível, o que queríamos dizer mas não sabíamos como, o que vemos ou sentimos mas não processamos, a Vida enfim! Tudo isso de uma forma única, bela, inquietante, desacomodante, criadora!

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O que a escrita representa para você? Maria Teresa - A escrita, para mim, representa a própria força criadora da vida! De todos os seres vivos, costumo dizer que a Palavra foi entregue somente a nós, seres humanos...! De modo que a escrita é nossa maneira única de ser, de registrar e expressar, de transbordar e comunicar, de pensar e constr uir...!!

A paciência, pobrezinha, encolheu O tesão, assustado, mudou-se. Desconheço os passos desse ritmo. E trabalho para lutar, também para ceder. Percebo que há dois fluxos: O do Tempo, implacável. O da Vida, elegível. Escolho a Vida!

O que diferencia “50 Tons da Menopausa” de “50 Faces da Menopausa”? Maria Teresa - Que bom que perguntou! Ambos contém cinquenta poemas que buscam refletir a realidade profunda e desafiadora da maturidade, não apenas da Menopausa em si mas também da carga de experiências, sentimentos e mudanças que acontecem concomitantemente na vida da mulher nesta fase da vida. O que há de diferente entre os dois livros é que eles refletem o processo pelo qual eu própria passei e passamos todas nesta vivência. O primeiro livro, “50 Tons”, traz a carga da entrada nesta fase, o desconforto, a “desinstalação”, a dor, os aprendizados do primeiro momento. O segundo já reflete um avanço poético e vivencial, uma certa familiaridade, um início de reconciliação se podemos dizer, embora ainda haja tanto o que percorrer...! Como foi a escolha dos títulos para estas obras poéticas? Maria Teresa - Terei que voltar um pouco atrás para responder...! Eu sempre escrevi, desde muito nova, porém somente comecei a escrever Poesia justamente no anseio de trabalhar e refletir sobre minha turbulenta e dolorosa entrada na menopausa. Ao perceber que várias outras mulheres também sofrem, mais ou menos, de forma semelhante e ao mesmo tempo notando que pouco temos oportunidade de conversar e externar sobre este momento, senti a necessidade de compartilhar

meus poemas, minha experiência. Foi neste cenário que surgiu este título leve, quase divertido e muito certeiro: 50 Tons da Menopausa! O 50 Faces foi uma consequência, ou melhor dizendo, uma sequência quase natural. Apresente-nos um dos textos publicados em “50 Tons de Menopausa”. Maria Teresa - Com muito prazer! ESTRANHAMENTO Quem é essa na foto, no espelho? Eu nunca fui assim… Quem é essa, que reage estranhamente? Eu não sou assim… Mas começo a entender, lentamente A grande lição desse tempo - Algo que eu supunha natural No entanto, nem tanto…! Entendo que é tempo de aprender Aprender muito, lições exigentes Da ação do tempo e da vida No corpo, mente e espírito! Sim, esse corpo já não é Aquele previsível amigo; A cabeça não é mais A conhecida companheira…!

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Sabemos que cada texto tem um pouco da autora. Comente sobre o momento de criação do texto. Maria Teresa - Talvez um dos processos mais difíceis para mim foi exatamente este estranhamento de mim mesma. Quem, afinal, sou eu, agora que já não reconheço tantos sinais que me pareciam tão eu...! As marcas no corpo refletem outras mudanças mais profundas que me causaram muito estranhamento, muita até insegurança. Foi quase um perder o chão, mas o chão de mim mesma...! Percebo que esta também é uma questão para muitas outras mulheres, por isso o escolhi. Apresente-nos um dos textos publicados em “50 Faces da Menopausa”. Maria Teresa - Interessante que encontrei mais dificuldade para escolher apenas um...! Eis o que escolhi: MEUS CABELOS Meus cabelos contam História de mim Expressam o que levo Dentro Os levo como sinto Mesmo sem saber… Ora curtos, ora ondulados Franja, luzes Agora, brancos De verdade De transparência De história De Vida! Gosto dos meus cabelos Brancos

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Que não disfarço mais Que não escondo. Assumo e me divirto Porque vejo que o que não veem Outros! Cabelo de avó Cabelo de gente Cabelo de mulher Cabelo meu Que herdei sem escolher E que assumo Meu! Cabelo que fala Para quem sabe ler Porque falam pra mim E não para os outros Necessariamente…! Cabelo grisalho de vida Grisalho de bens e de faltas Grisalho de lutas interiores Grisalho de sede de crescer Grisalho de aprendizados E de paixões E de lágrimas Grisalho de silêncios E de cantorias Grisalho de mim! Amo meus cabelos brancos! Comente o por que da escolha deste texto, o que ele representa para você. Maria Teresa - Este poema representa exatamente este “abraçar “ acolhedoramente as mudanças, as riquezas e desafios deste momento tão rico da vida! Encontrar sentido, alegria e leveza para viver este meu momento! Onde podemos comprar os seus livros Maria Teresa - Ambos estão na Amazon.com.br e na Livraria do Mulherio ou diretamente comigo. O 50 Faces da Menopausa também pode ser encontrado no site da Editora Hope.

nina. Maria Teresa - Penso que é inegável que tanto o olhar quanto a expressão feminina têm características muito especiais, criadoras, uterinas se posso colocar assim. É uma contribuição inigualável e fundamental não apenas para a literatura, mas para a cultura como um todo! Se historicamente não nos foi dado o espaço que nos cabe, lutando linda e sonoramente o estamos conquistando!

Esta é uma edição especial para o Mulherio das Letras. Você que é um membro ativo, participativo, conte-nos, como você vê a literatura femi-

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Maria Teresa C. R. Mreira. Agradecemos sua parti-

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cipação na Revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Maria Teresa - Agradeço com todo meu ser esta oportunidade de dar-me a conhecer, este espaço de divulgação e acolhimento! Muito grata!! A mensagem que quero deixar é a herança que desejo e trabalho para que fique depois de mim.

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA RAQUEL LOPES

DESPETALAR (Raquel Lopes)

Site: https://raquelpoeta.wixsite.com/website Raquel Lopes da Silva, nascida em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, Brasil, sempre se interessou pela literatura, música e artesanatos. Começou a escrever seus poemas e pensamentos aos trinta anos de idade em janeiro de 2018, inspirada e incentivada pela escrita de seu conterrâneo e amigo, o escritor Inaldo Tenório de Moura Cavalcanti, autor de contos e romances.

Despetalei E ainda não acordei No nosso dia Despetalei E hoje me calei A escolher qualquer alegria Dominicana O galho transita Na quinta avenida Provinciana Despetalei E não causei Nenhum dano A esconder Meu plano: - ter você Somente para mim. Despetalei em ti.

É estudante de filosofia e autodidata pela escola da vida. Também têm participações em outras editoras no Brasil e em Portugal, concursos de poesia e eventos literários. Têm livros em e-book publicados na Amazon. É acadêmica de número 233 na Academia de Artes, Ciências e Letras do Brasil e em Academias virtuais. Também é membro da UBE.

(Do livro 10 Cânticos Alegres, publicado em ebook na Amazon.com.br)

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ENTREVISTA

ESCRITORA PALMIRA HEINE Palmira Heine é escritora, professora universitária, poetisa. Além de uma vasta obra acadêmica, é autora de diversos livros infantis dentre os quais se destacam: O pontinho desapontado, O reino todo amarelo, O autor é você, Amendoim, a tartaruguinha encantada, O lápis mágico, Uma amizade no mundo dos números, Posso contar um conto?, Chapeuzinho no Pelô, Mila, a pequena sementinha e o Sonho de Ritinha. Possui textos, poemas e contos publicados em diversas antologias nacionais e internacionais, sendo também organizadora da Antologia Contos de Fadas Contemporâneos da Darda Editora e Gotas Poéticas, também da referida editora. Também é autora dos livros de poemas intitulados A poesia da Língua, Poemas em pequenas doses, Poesilina. É membro da Confraria Poética Feminina, do Coletivo de autoras de literatura infantil e infantojuvenil da Bahia, do Mulherio das Letras. É mãe amorosa de duas lindas crianças e adora escrever para o público mirim.

Boa Leitura!

O livro fala sobre a importância de criar laços, mas também sobre todo o processo de transformação da semente em flor. Esse processo pode ser um pouco doloroso inicialmente, mas para ser flor, ele é necessário.”

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Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Palmira Heine, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Conte-nos, em que momento decidiu dedicar-se a escrita da literatura infantil? Palmira Heine - Escrevi o meu primeiro livro infantil aos dezenove anos (Mais de 20 anos atrás) naquela época, não havia tanta facilidade de publicação de um livro de forma independente. Esse primeiro livro tinha ilustrações simples em preto e branco e era uma edição bastante modesta. Anos se passaram, me dediquei à vida acadêmica (mestrado e doutorado) e deixei um pouco a literatura de lado, até que um dia, ela me chamou e me interpelou a voltar a escrever. Retomei as atividades depois de me tornar mãe. Com a inspiração proveniente das minhas experiências com meus filhos, retomei a escrita de livros infantis e hoje tenho onze livros publicados. Como surgiu “Mila, a pequena sementinha”? Palmira Heine - Mila surgiu a partir de uma reflexão trazida por minha pequena filha que um dia afirmou que nunca queria crescer e sempre queria ser criança para nunca parar de brincar. Pensando nisso, surgiu a ideia e inspiração de falar de uma pequena semente que não queria criar raízes pois adorava brincar e viajar nas barbas do vento, até que descobriu estar se tornando uma linda flor amarela. Qual a mensagem que deseja transmitir por meio da leitura desta obra literária? Palmira Heine - O livro fala sobre a importância de criar laços, mas também sobre todo o processo de transformação da semente em flor. Esse processo pode ser um pouco doloroso inicialmente, mas para ser flor, ele é necessário. Além de Mila, você tem outros livros voltados para o público infantil. Apresente-nos as obras publicadas. -O pontinho desapontado - a história

de um ponto final que queria se tornar uma vírgula, -O reino todo amarelo- A história de um reino todo colorido que se torna todo amarelo após a chegada de um rei que não suportava as cores - O autor é você- livro em que a criança é levada a construir seu próprio livro a partir de pistas deixadas pela autora no decorrer das páginas - Amendoim, a tartaruguinha encantada- História de uma tartaruga marinha que ficou presa numa embalagem plástica, tendo ficado, por isso, com o corpo em foram de amendoim - O lápis mágico- História de uma menina chamada Maria que um dia encontra um lápis mágico. Com ele, tudo o que ela desenhava se tornava realidade. A menina começa a desenhar sem

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parar, e a ter tudo o que quisesse. O livro trata da tensão entre o ter e o ser, de forma metafórica. - A dieta maluca das Letras- Um dia, após assistir no jornal das letrinhas a uma reportagem sobre alimentação saudável, as letras E e O resolvem fazer uma dieta, mas o I cozinheiro vai gerar a maior confusão. - Chapeuzinho no Pelô- Reconto da história de Chapeuzinho vermelho. A menina chega a Salvador juntamente com a mamãe e a vovozinha, mas é seguida por Dom Lobão, o irmão do famoso Lobo mau. Junto com o capoeirisita Zeca Poeira, eles vão viver uma aventura regada a dendê. - Posso Contar um conto?- Livro com pequenos contos destinados ao público infantojuvenil tratando de diversos temas.

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- O sonho de Ritinha- Livro que conta a história de uma menina que sonhava em se banhar no mar, mas sua mãe não deixava por considerar o mar traiçoeiro. No entanto, pela janela da casa onde morava, Ritinha conversava com um barquinho que via todos os dias cortando as águas do mar que apreciava pela sua janela, contando a ele seu sonho. Além da literatura infantil você escreve poesias. Apresente-nos “Poesilina” Palmira Heine - Poesilina é um livro de poemas que faz uma paródia com um remédio. A poesilina deve ser consumida sempre que houver vazio na alma, sem moderação. Como foi a escolha do titulo para esta obra literária. Palmira Heine - A escolha do título é uma intertextualidade com o nome penicilina, antibiótico utilizado para combater infecções bacterianas diversas. A paródia com o nome do remédio se dá porque a poesia é um remédio para a alma. Apresente-nos um dos textos publicados nesta obra. Palmira Heine - A obra é composta por micropoemas (como cápsulas), como o colocado a seguir: Verso mole em alma dura, tanto invade até que cura (Palmira Heine) Sabemos que cada texto tem um pedacinho do autor, comente sobre o momento de criação deste texto. Palmira Heine - O momento da criação envolve vivências e impressões do autor e isso, muitas vezes, reflete um transbordar da alma de quem escreve. Onde podemos comprar os seus livros? Palmira Heine - Podem adquiri-los na lojinha https://asasdaleitura.loja2.com. br/ e na Amazon

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Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Palmira Heine. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Palmira Heine - Eu que agradeço a oportunidade. Para os leitores digo

que procurem prestigiar autores nacionais, que possuem obras de qualidade mas não têm ainda projeção na grande mídia.

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL FERNANDA VILLAS BOAS

ESCULTURAS VERBAIS DANÇANTES

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or que poesia? Qual a necessidade de escrevê-la? A pergunta é simples, mas a resposta complexa. Há construções poéticas de variada ordem, embora possam ser sintetizadas, sem grande aprofundamento, em racionais ou emotivas. Neste forno, vamos dizer assim, Fernanda Villas Boas forja os seus poemas. São labaredas que vêm das profundezas da alma e se querem esculturas verbais dançantes, em primeiro ato no espaço mental e, em segundo, no suporte físico onde se materializa. Os poemas, construídos a partir de intenso exercício subjetivo, ganham mundo como a dor de vários partos. Há suor, há lágrimas, há uivos lancinantes, há sangue em metáforas de vida. Os poemas nascem, nela, para que os sentimentos de si e das dores do mundo não caiam no vazio do esquecimento. Nascem, os poemas, como antídotos à ideia de morte, de finitude. E é assim, de fôlego em fôlego, que a poeta constrói o seu universo poético; um universo que segue em expansão nas entranhas da linguagem, quer sob o crivo da norma gramatical, quer não. E é aqui, no parto (ou construção) dos versos livres, que reside o termômetro da afetividade que a revela em suas múltiplas faces: o amor, o ciúme, a raiva, a insegurança, o temor, a piedade, a esperança... Os poemas de Fernanda Villas Boas tratam desses temas, cujas metáforas vão do ar ao fogo, da água à terra, porque esses elementos são o magma de noites dentro de outras noites e de dias rachados ao meio pelos raios da paixão. Sem mascarar o seu modo de ser e de estar no mundo, a poeta não poupa energia ao se expor diante do olhar do outro. E o que são os outros senão ela própria em suas diversas versões? Respostas? Bem, as respostas as encontraremos no corpo do seu novo rebento: “Alma lasciva”. Cláudio Leal Cacau – poeta, jornalista, compositor e artista plástico.

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ENTREVISTA

ESCRITORA RITA QUEIROZ Rita Queiroz é professora universitária, poeta, escritora. Nascida na Bahia de todos os Santos, na terra de Nosso Senhor do Bonfim, com o Sol em Leão, aos 22 dias do mês de agosto. Tímida na infância e na adolescência, vem desde sempre ressignificando sua vida através da palavra. Graduada em Letras, misturou o verbo e os textos manuscritos no Mestrado e no Doutorado através de pesquisas em acervos públicos e privados, movendose apaixonadamente por tantas histórias de épocas pretéritas que ainda hoje se fazem presentes. Vida e verbo, visceralmente, tingem o/s papel/is desta baiana, leonina, amante do verso que a faz inteira. Assim, as dores se fizeram palavras e as cicatrizes, risos. Construindo, reconstruindo e se deslocando em espaços possíveis e imaginários, espera sempre tocar outras almas com sua poesia e sua docência. Boa Leitura!

Chegando ao meu destino, a Universidade Estadual de Feira de Santana, participei de um evento e depois, sozinha na minha sala de trabalho, escrevi o poema.”

Erotismo e poesia são destaques em livros da autora Rita Queiroz Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Rita Queiroz, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto por textos poéticos? Rita Queiroz - Sempre gostei muito de ler, desde a infância. Lia de tudo: histórias em quadrinhos, fotonovelas, romances. A Poesia sempre me fascinou. Ler os textos poéticos de Cecília Meireles (minha poeta favorita), Vinícius de Moraes, Oswald de Andrade, João Cabral de Melo Neto, entre os brasileiros, Florbela Espanca, Soror Juana Inés de la Cruz, Pablo Neruda, dentre os estrangeiros, fez com que me apaixonasse e pensasse em escrever poesia. 110

Em que momento se sentiu preparada para publicar “Confissões de Afrodite”? Rita Queiroz - “Confissões de Afrodite” nasceu desde 2016. Fui escrevendo e guardando, aí outros projetos passaram à frente, como “Canibalismos”, composto por 152 microtextos de temática erótico-amorosa, cujos primeiros textos publiquei no Facebook; “O Canto da borboleta”, composto por 75 poemas de cunho mais intimista, nos quais falo muito sobre a efemeridade, o abandono, a perda de um grande amor; “Colheitas”, composto por 30 poemas, cuja publicação se deve ao fato de ter ganho o concurso da Editora Darda na coletânea “Saudade e poesia”; livros publicados em 2017 e 2018. “Confissões de Afrodite” seria enviado para um concurso em 2018, mas como não tinha o número de páginas exigido, continuou no arquivo digital. Agora, em 2019, resolvi enviá-lo para a Editora Penalux.

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Apresente-nos a obra Rita Queiroz - “Confissões de Afrodite” reúne 70 poemas de temática erótico-amorosa, nos quais há um diálogo constante entre o eu lírico e os sentidos humanos, provocando sensações táteis, olfativas, gustativas, visuais e auditivas, as quais mostram os desejos mais contidos. Textos que refletem uma leveza do fazer poético, mas tão explosivos quanto um vulcão ou um cálice de vinho.

submarino.com.br/…/548909…/ cinzas-de-fazer-fenix - Amazon: https://www.amazon.com.br/gp/ site-directory Os livros Nas teias de Eros volumes 1 e 2, Colheitas, Ciranda, cirandinha: vamos brincar com poesia? e Bahia, terra de luz e amor foram publicados pela Editora Darda e estão disponíveis no seguinte endereço: Livraria Darda: https://www.dardalivraria. com.br/

Apresente um dos textos poéticos publicados nesta obra literária. Rita Queiroz Amálgama

Cravo meus dentes em tua pele Tatuo minhas iniciais Me desenho em tua alma E me ofereço em sacrifício Para que teu canto Me poetize Me alforrie. Desejo teu corpo, tua mente, teu sopro... E nos sonhos mais loucos Me perco no tempo E os dias são noites E o mar, lua E nós, sementes de sol encrustadas nas pedras a brotarem suspiros eternizados no vento. (QUEIROZ, Rita. Confissões de Afrodite. Guaratinguetá-SP: Penalux, 2019. p. 13)

Comente sobre o momento da criação deste texto Rita Queiroz - Lembro perfeitamente o dia que escrevi esse texto. Em outubro de 2016, viajava de Cachoeira para Feira de Santana (ambas cidades da Bahia), e ia pensando em alguns versos. Chegando ao meu destino, a Universidade Estadual de Feira de Santana, participei de um evento e depois, sozinha na minha sala de trabalho, escrevi o poema. Depois enviei para um grupo no whatsapp e os amigos começaram a analisar o texto. Não pude acompanhar as discussões no grupo porque estava

ao volante, só tomei conhecimento ao chegar em casa. A receptividade foi positiva e isso me motivou a seguir escrevendo. Além de “Confissões de Afrodite” você tem outros livros publicados. Apresente-nos o título e segmento. Rita Queiroz - Canibalismos, O canto da borboleta, Colheitas e Ciranda, cirandinha: vamos brincar com poesia? Os três primeiros, já os apresentei na resposta à questão 2. Ciranda, cirandinha: vamos brincar com poesia? é o meu primeiro livro destinado ao público infantil. Composto por 13 poemas que retratam a minha infância e a infância de meus sobrinhos, ligados ao universo dos jogos eletrônicos. São poemas que falo sobre animais, circo, praia, casa de vovó. Além desses, organizei três antologias: Confraria poética feminina, volumes 1 e 2; Nas teias de Eros, volumes 1 e 2 e Bahia, terra de luz e amor. Onde podemos comprar os seus livros? Rita Queiroz - Confraria poética feminina volumes 1 e 2, Canibalismos, O canto da borboleta e Confissões de Afrodite foram publicados pela Editora Penalux, estando disponíveis nos seguintes endereços: Loja virtual da Editora Penalux: https://www.editorapenalux.com.br/loja/cinzas-de-fazer-fenix - Submarino: https://www.

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Quais os seus próximos projetos literários. Rita Queiroz - Mais livros infantis, tanto em versos quanto em prosa. Um livro de haicais. Outro livro de poemas intimistas. Está é uma edição especial para o Mulherio das Letras. Você que é um membro ativo, participativo, conte-nos, como você vê a literatura feminina. Rita Queiroz - Vejo a literatura feminina em um crescente. Em 2018, várias autoras ganharam prêmios literários importantes, tanto nacionalmente quanto internacionalmente. Tem crescido também a participação feminina em antologias e em feiras literárias. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Rita Queiroz. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Rita Queiroz - A mensagem que deixo é que leia mais, principalmente leia mais mulheres, elas estão cada vez melhores e sem o rótulo: “escrevem tão bem quanto um homem”. Agradeço a oportunidade dada pela Revista Divulga Escritor em poder mostra o meu trabalho. _________________ Divulga Escritor: Unindo Você ao Mundo através da Literatura. https://www.facebook.com/ DivulgaEscritor/ www.divulgaescritor.com

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA NELL MORATO

ACONTECEU COMIGO…

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ão costumo divulgar assuntos pessoais, porém, esse é da máxima importância para nós mulheres e deve ser divido, compartilhado e comentado. Aguardava com ansiedade o exame anatomopatológico dos nódulos removidos das minhas mamas… e ontem recebi a notícia, que classifiquei como “mais ou menos”. Em outubro de 2018, num exame clínico de rotina, minha médica percebeu que na mama direita havia um nódulo. Solicitou uma mamografia, que foi feita no final de outubro, nas duas mamas. O resultado apresentava: na mama direita, um nódulo classificado na categoria 4 na Tabela BIRADS, que vai até 6. E, na mama esquerda, nódulos benignos = calcificações. O BIRADS é um manual de padronização que permite analisar as características das lesões mamárias (cistos, nódulos, calcificações) e estimar o risco de ser cancêr de mama. Fui encaminhada para o Hospital Santa Rita, do complexo da Santa Casa, o melhor em oncologia. A médica solicitou novos exames, que confirmaram

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as calcificações nas duas mamas. Marcado então, cirurgia para remoção dos nódulos e realização de biópsia. Não posso esquecer de mencionar, que eram dois nódulos na mama D e um na mama E. Precisei fazer um tal de agulhamento, que significa: Mapear e localizar os nódulos a serem removidos com o auxílio do mamógrafo. Isto é, o nódulo é localizado pelas imagens, a mama é anestesiada e introduzido um fio de metal até o referido nódulo, com a ajuda do monitor. Quando da remoção, os médicos podem acessar diretamente o local, fazendo um pequeno corte ao redor do fio de metal. Imaginem como era antigamente, sem a tecnologia atual… Ontem recebi o resultado da biópsia, o exame anatomopatológico. Os dois nódulos da mama D eram calcificações benignas. Porém, o da mama E é um carcinoma ou um pré-câncer. Esse “um” da mama esquerda, estava escondido e não aparecia na mamografia. A médica que realizou a ecomamária encontrou uma certa dificuldade para expor o nódulo para que fosse “fotografado pelo mamógrafo e assim foi feito.

Estava lá, escondido, silencioso, sonso, como todos os carcinomas… No que ele se transformaria? Não podemos saber. Em nada ou no decorrer do tempo, mudaria a sua classificação tornando-se agressivo e invadindo os ductos mamários… O hospital fará parte da minha vida daqui para a frente, pois há necessidade de acompanhamento, e talvez medicamentos e não está descartada nova cirurgia para remover resíduos. Aguardando reavaliação da biópsia. “CARCINOMA DUCTAL IN SITU O carcinoma ductal in situ, também conhecido como carcinoma intraductal, é considerado não invasivo ou câncer de mama pré-invasivo. A diferença entre o carcinoma ductal in situ e carcinoma invasivo é que as células não se disseminaram através dos ductos para o tecido mamário adjacente. O carcinoma ductal in situ é considerado um pré-câncer, pois em alguns casos pode se tornar um câncer invasivo. Isso significa que ao longo do tempo, o carcinoma ductal in situ pode se disseminar. No entanto, atualmente não há como identificar quais cânceres se tornaram invasivos (ou não). Portanto, todas as mulheres com carcinoma ductal in situ devem ser tratadas. Cerca de 20% dos novos casos de câncer de mama serão de carcinoma ductal in situ. Quase todas as mulheres diagnosticadas neste estágio da doença podem ser curadas.” No início, pretendia remover as mamas, achando que com isso estava tudo resolvido. Não é bem assim. No meu diagnóstico, não precisarei fazer quimioterapia, mas terei que fazer radioterapia e o carcinoma não compartilha metástases. Como disse acima, notícia mais ou menos. Quimioterapia é invasiva e os medicamentos usados

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destroem também, as células saudáveis. Já a radioterapia, que o médico indicou 25 seções, em cinco semanas, de segunda a sexta-feira – fim de semana é livre, para que o corpo se recupere da exposição à radiação – provoca apenas cansaço, além das possíveis lesões tópicas na pele exposta. Mudei a maneira de pensar. E só tenho certeza, que jamais farei uma cirurgia ou qualquer procedimento invasivo, para corrigir defeito meramente estético. Jamais! Encontrei uma mulher do interior do RS, que tratou um câncer e depois de dez anos… voltou. Então, precisou remover a mama. Se lá atrás ela tivesse

optado em remover, teria evitado um novo câncer… porém, foram dez longos anos, uma década, que ela viveu bem, com saúde e com as mamas intactas. Sem contar que ainda é uma mulher jovem, nos seus quarenta anos, acredito. Faz toda a diferença. Na próxima consulta com a Oncologia, receberei a receita do medicamento que vai me acompanhar por cinco anos. Que será incorporado ao meu dia a dia, evitando que eu tenha recaídas. Esse nódulo não chegou a se instalar, estava lá perdido, procurando “fazer a sua casinha”, quem sabe criar uma família, enviando convites (me-

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tástases) aos amigos, para viverem juntos na minha mama esquerda. Tive sorte? Talvez! Então, eu tive sorte? Não se trata de sorte ou azar. Trata-se de prevenção! Estava lendo uma reportagem no Caderno Vida, do Jornal Zero Hora, de 11 de agosto, com o título “Câncer: Antes do Diagnóstico”, que fala sobre o número crescente de casos, e os médicos apostam em medidas preventivas para evitar a doença. Matéria assinada pela jornalista Camila Kosachenko. “Os números são preocupantes: para o biênio 2018-2019 estimam-se mais de 600 mil novos casos de câncer no Brasil, segundo o Instituto Na-

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cional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca). As notícias são ainda piores quando são projetados os próximos anos. Projeta-se quer, em 2030, os casos da doença dobrem em todo o mundo, na comparação com o que existe atualmente.” “Há causas para o câncer que não conseguimos prevenir, como alterações genéticas ou mutações celulares. Mas há uma série de fatores que são modificáveis, que entram como prevenção. São eles: evitar a obesidade, praticar exercícios físicos, ter uma alimentação saudável, com frutas e verduras, fugir das bebidas alcoólicas e combater o tabagismo, que está relacionado a uma infinidade de tumores, não só de pulmão – explicou a oncologista Ana Gelatti.” “Tão ou mais importante do que o diagnóstico precoce é a educação da população em relação à saúde como um todo. Além de impactante, custa bem menos do que um tratamento de última geração.”

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“Ao mesmo tempo em que você educa o paciente, você precisa ter recursos disponíveis. Não adianta dizer para as pessoas fazerem a mamografia se elas vão chegar à Unidade Básica de Saúde e não encontrar esse serviço disponível. É necessário educar e ter um sistema que responda à demanda. Isso é fundamental para fazer diagnóstico precoce de câncer no Brasil.” A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda a mamografia anual a partir dos 40 anos. Pacientes com casos de câncer de mama e/ou ovário na família (mãe, irmã ou filha) precisam iniciar o rastreamento mais cedo, conforme orientação médica. Já o Ministério da Saúde recomenda mamografia de rastreamento para mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos.”

necologista. Prevenção salva vidas, salva mamas, que podem alimentar uma criança, alimentar a autoestima e até mesmo a libido… E como diz a mastologista Maira, que também é presidente voluntária da Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama): “Os pacientes têm de ser seus próprios defensores e precisam conhecer sua doença. Eles necessitam buscar apoio e cobrar dos médicos informação. Mas pode-se questionar: isso é responsabilidade do paciente? Sim. Infelizmente a gente não pode contar que o sistema de saúde esteja preocupado comigo. Estamos em uma realidade na qual só tem chance de cura quem procura ajuda rápida e não se conforma de ficar nas filas esperando.”

Eu penso que a mamografia deve ser feita a partir dos 35 anos. Deve ser incorporada à consulta anual com gi-

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Nell Morato 12/06/2019 e 24/08/2019


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ENTREVISTA

ESCRITORA ROSÂNGELA VIEIRA ROCHA Rosângela Vieira Rocha é mineira de Inhapim e mudou-se para Brasília em 1968. Jornalista, escritora e professora aposentada do Departamento de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da UnB, advogada e Mestre em Comunicação Social pela ECA/USP. Atualmente, ministra oficinas de texto, oficinas literárias e palestras. Boa Leitura!

É um tema do maior interesse para jovens e pessoas maduras que tentam encontrar parceiros amorosos através da internet. Fiz um estudo muito aprofundando do perfil dessas pessoas tóxicas, de como agem, como é o comportamento padrão delas. Não se trata de um livro didático, é uma história de ficção, mas com base em pesquisas reais.”

‘Nenhum espelho reflete seu rosto’ da autora Rosangela Vieira Rocha Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Rosângela Vieira Rocha, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto pela arte de escrever? Rosangela Rocha - Nasci numa cidadezinha do interior de Minas, Inhapim, onde não havia livrarias e, na época, nem sequer bibliotecas. Eu fazia parte de uma turma de meninas e moças que adoravam ler. Era difícil o acesso aos livros e por isso líamos de tudo. Quando alguém da cidade ia à capital ou a alguma cidade maior, geralmente para tratamento de saúde, encomendávamos um livro. Um único exemplar, pois tínhamos poucos recursos. Era lido por vinte, trinta meninas. Eu era a mais nova do grupo, e geralmente lia depois de todas. Ia quase todos os dias à casa de quem estava lendo, para saber se já havia terminado. Uma ansiedade só. Por acaso, chegou-me às mãos 116

um livro que adorei, que li com grande prazer e autêntico deslumbramento. Qual não foi minha tristeza quando vi que faltavam as trinta últimas páginas do romance. Comecei a chorar, queria saber o final – eu tinha nove anos, na época. Fiquei traumatizada, muito doída mesmo. Tratava-se de Orgulho e preconceito, de Jane Austen. Nunca poderia imaginar, na época, que a escritora inglesa era uma das maiores escritoras de todos os tempos. Quando vim para Brasília estudar, aos catorze anos, comprei cinco exemplares. Releio Orgulho e preconceito pelo menos uma vez por ano. É o livro da minha vida. Do gosto de ler passei rapidamente ao gosto pela escrita. Minhas composições – na época não dizíamos redações – começaram a ser elogiadas por professores e fui tomando gosto pela escrita. Muitas moças da cidade pediam que eu escrevesse cartas terminando e reatando namoros. Meu pai achava muita graça, ele tinha um senso de humor esplêndido e me estimulava. Em que momento se sentiu preparada para publicar o seu primeiro livro impresso?

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Rosangela Rocha - No meu entendimento, não existe propriamente um momento em que a pessoa se sinta preparada para publicar. Creio que o acaso tem um papel preponderante nesse fato. No meu caso, por exemplo, comecei pelo romance – só mais tarde publiquei um livro de contos, apenas um, até hoje. Os originais desse romance, ou dessa novela, foram rejeitados por várias editoras. Nos anos oitenta, não existia essa facilidade para publicar, dependíamos sempre das respostas das grandes editoras, que nunca chegavam ou quando chegavam, meses depois, diziam quase que invariavelmente que o livro era bom, mas não se enquadrava na linha editorial. Ou seja: a negativa de praxe. Os candidatos a escritores iam colecionando essas frustrações e tudo era muito difícil. Resolvi escrever um segundo romance, Véspera de lua, com o qual dei mais sorte, pois recebeu o Prêmio Nacional de Literatura Editora UFMG 1988 – um prêmio importante na época – e foi publicado em 1990. É uma história de vanguarda, que trata de menstruação e homossexualismo feminino, quando nem existia a sigla TPM. Um livro sobre temas tabus. Rio das pedras, o primeiro, só foi publicado vinte anos depois de escrito, em 2002, quando obteve a Bolsa Brasília de Produção Literária na categoria na novela, um concurso promovido pela Secretaria de Cultura do Governo do DF. Você tem um vasto e significativo acervo literário. Como se organiza para escrever em diferentes segmentos? Rosangela Rocha - Como mencionado antes, fiquei doze anos sem publicar, por causa das dificuldades editoriais e por necessidades do cotidiano. Mudei de cidade, dava aulas em duas faculdades diferentes e resolvi fazer a graduação em Direito (minha primeira graduação foi em Comunicação, habilitação em Jornalismo), embora já tivesse o título de Mestre pela ECA/USP. Foi um período de luta pela sobrevivência, eu não tinha tempo para absolutamente nada. Depois da publicação de Rio das Pedras, não parei mais de

escrever. Minha vida profissional estava organizada, eu tinha conseguido me transferir para a Universidade de Brasília, onde anos mais tarde me aposentei como professora da Faculdade de Comunicação. Os dois fatos ocorreram praticamente juntos: minha volta para Brasília – morei oito anos em Salvador – e a premiação de Rio das Pedras. De novo, a vida me abria, digamos, o caminho da escrita, que parecia perdido para mim. Não concordo com o clichê de que a vida seja feita de escolhas. Creio que escolhemos poucas vezes. Tudo é sempre feito dentro do possível, dentro do que temos à frente. As circunstâncias têm um papel muito importante. Em 2005 publiquei um livro de contos intitulado Pupilas Ovais, que foi muito bem recebido. Posteriormente me juntei a um grupo de autores de Brasília, que hoje é o Instituto Casa de Autores. Participei do grupo alguns anos e nesse período quis experimentar a escrita para crianças. Publiquei sete livros infanto-juvenis. Em 2009 lancei meu terceiro romance, Fome de Rosas, cuja personagem principal é uma adolescente que sofre de anorexia e bulimia. Os temas que me atraem, tanto na literatura infantojuvenil como na de adultos são aqueles que causam sofrimento e danos às pessoas, que falam de uma ferida, de uma falha, de uma falta na sociedade. Meus temas se situam quase que invariavelmente nessa direção. O que a inspirou a escrever o romance “Nenhum espelho reflete seu rosto”? Rosangela Rocha - Há tempos me interesso pelo tema das relações amorosas virtuais. Ouvi de várias alunas, ex-alunas e amigas da minha faixa etária casos muito tristes sobre esse assunto. Comecei a procurar vídeos, fui me aprofundando no estudo e acabei nos livros de psicanálise. A internet é um campo muito fértil para aproveitadores de todo gênero, não apenas no aspecto econômico. É claro que os novos aparatos tecnológicos não inventaram essas pessoas, que sempre existiram, mas a possibilidade de manutenção do anonimato dá margem a muitos tipos de

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fraude. Um só indivíduo pode ter vinte, trinta, dezenas de perfis nas redes sociais e nos sites de namoro. Isso dá margem a uma série de equívocos e enganos que acarretam muito sofrimento aos outros. Os chamados “psicopatas integrados”, que trabalham como todo mundo e são aparentemente pessoas sérias, que podem ser nossos parentes, nossos vizinhos, nossos companheiros, têm um potencial de destruição enorme, justamente porque nos parecem acima de qualquer suspeita e por isso não desconfiamos deles. Posam de ótimas pessoas, são pais, chefes, e, no entanto, não possuem nenhuma capacidade de empatia, sendo altamente nocivos. Constituem os chamados “predadores” sociais. Mantêm uma imagem de príncipes, mas não passam de sapos. Agem sempre na surdina, só mostram as máscaras que lhes interessam naquele momento, com determinada pessoa. Mudam de cara como quem troca de roupa. Apresente-nos a obra (sinopse) Rosangela Rocha - O romance foi construído em dois tempos, com capítulos que vão se alternando entre o passado e o futuro. Sucintamente, é a história de uma joalheira de quarenta anos cujo sonho é ser designer de joias. Ela herdou o ofício do pai e é apaixonada pela arte da joalheria. A narrativa começa quando ela – que se chama Helen – recebe um telefonema de um psiquiatra desconhecido, de uma cidade distante, que lhe pede informações sobre Ivan Hernández, um argentino com quem sua paciente atual teria se envolvido. Como não consegue acesso à paciente, que se encontra internada em sua clínica, mas se recusa a falar e, tendo descoberto que Helen conhece o indivíduo, ele lhe pede que ela conte a história do seu relacionamento com Ivan. Hesitante, mas disposta a ajudar, Helen narra, através de e-mails, a história do seu relacionamento com o homem de quem se afastou há dois anos. Assim, o leitor acompanha a narrativa de Helen e sua luta para mostrar a primeira coleção de joias desenhadas por ela, que tem paixão por pedras precio-

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DIVULGA ESCRITOR sas e a arte da joalheria, de modo geral. O que mais a encanta no enredo que compõe a obra? Rosangela Rocha - Modéstia à parte, o livro me parece necessário, por sua atualidade. É um tema do maior interesse para jovens e pessoas maduras que tentam encontrar parceiros amorosos através da internet. Fiz um estudo muito aprofundando do perfil dessas pessoas tóxicas, de como agem, como é o comportamento padrão delas. Não se trata de um livro didático, é uma história de ficção, mas com base em pesquisas reais. A partir do conceito de narcisismo de Freud, orientei meus estudos para descobrir como agem os perversos, de modo geral. Perversos no sentido psicanalítico, isso é, que veem ao revés, que agem ao contrário do senso comum. Antes de “Nenhum espelho reflete seu rosto” você escreveu “O indizível sentido do amor”. Apresente-nos este outro romance Rosangela Rocha - O livro conta de história de José, um ex-militante político, preso durante a ditadura militar. Ele morre aos sessenta e seis anos e sua viúva, que sou eu, autora e narradora, tenta levantar informações sobre esse período de sua vida, quando não o conhecia, ainda. Fomos casados durante trinta e cinco anos, mas ele era muito reservado e não gostava de mencionar aquele período negro da história do país. É um livro sobre luto e perda, com a ditadura militar ao fundo. Utilizei fatos comprováveis em arquivos, inclusive, com elementos ficcionais. É uma história de amor, no sentido amplo do termo. De forma estrutural, temporal. O que diferencia um romance do outro? Rosangela Rocha - Não sei se entendi direito a pergunta. Acho que são histórias muito diferentes. Talvez tenham semelhanças de estrutura, mas os te-

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mas são diametralmente opostos. O indizível sentido do amor é uma história da bondade e do valor imensurável desse sentimento; já em Nenhum espelho reflete seu rosto, o leitor se depara com a figura de um vilão asqueroso, sem empatia, que abusa psicológica e moralmente de suas vítimas. Onde podemos comprar os seus livros? Rosangela Rocha - A maneira mais fácil de aquisição é comigo, no facebook ou através do e-mail rosavi@uol.com. br Como os livros são publicados por editoras diferentes, basta me contatar. O indizível sentido do amor pode ser encontrado no site da editora Patuá www.patuaeditora.com.br e Nenhum espelho reflete seu rosto no site da editora Arribaçã www.arribacaeditora. com.br Está é uma edição especial para o Mulherio das Letras. Você que é um membro ativo, participativo, conte-nos, como você vê o Mulherio das Letras. Rosangela Rocha - O Mulherio das Letras foi um divisor de águas na literatura nacional. É um movimento

agregador, estimulante, cujos frutos concretos já podemos ver, por meio do significativo número de coletâneas que o próprio Mulherio publicou e no aumento das publicações individuais das mulheres, além de várias outras atividades como palestras, mesas-redondas, oficinas. Como é um movimento nacional, em vários estados as escritoras se organizaram, com o mínimo possível de burocracia, mas com muito trabalho. Creio que veio para ficar, não há mais como voltar atrás. Nem a própria escritora Maria Valéria Rezende, que conversava despretensiosamente na FLIP com duas ou três autoras quando a ideia surgiu, poderia imaginar que o Movimento teria esse êxito. A literatura de autoria feminina nunca mais será a mesma no Brasil. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Rosangela Vieira Rocha. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Rosangela Rocha - Ler é o máximo, ler é uma festa. A leitura pode curar almas machucadas ou pelo menos diminuir suas dores; a leitura é diversão, conhecimento, aprimoramento da sensibilidade. É uma maneira de abrir os olhos para o mundo, um jeito diferente de ver. Sem a leitura somos muito mais pobres e mais brutos. A leitura nos humaniza, pois, através da empatia com as personagens podemos crescer. Basta pensar que Freud utilizou muito a literatura na sua magistral elaboração dos conceitos psicanalíticos. Não é à toa que se diz que os poetas são profetas porque veem além, veem à frente do seu tempo.

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA ALEXANDRA VIEIRA DE ALMEIDA Doutora em Literatura Comparada (UERJ)

A reunião dos saberes e a literariedade em Nenhum espelho reflete seu rosto, de Rosângela Vieira Rocha

O

novo romance de Rosângela Vieira Rocha, Nenhum espelho reflete seu rosto (Arribaçã, 2019), alia a análise profunda da psicologia humana à literariedade da narrativa. O livro começa com um telefonema de um psiquiatra e psicanalista que solicita a ajuda da narradora-personagem Helen, dona de uma joalheria. O médico pede que Helen relate a ele dados sobre sua relação com Ivan Hernández com quem sua paciente também se relacionou. A paciente que não pode ser mencionada, por ser uma figura pública, passou por uma experiência de choque, traumática com relação a esse argentino e vive num estado de mutismo e imobilidade, caracterizando-se pela petrificação e chegando ao estado de mineralidade frente a fatos impactantes que a acometeram em sua relação com Ivan. Cabe à Helen o papel de intervir na situação para que a paciente retorne ao seu estágio de humanidade e convivência social. Só que Helen vai ter que arrancar

intensas feridas que foram cicatrizadas com o tempo, após um rearranjo na sua vida. Ela aceita a tarefa e vai relatar por meio de e-mails, numa espécie de “monólogo epistolar eletrônico” sua vivência com esse ser que é descrito por seu narcisismo perverso, ou seja, “invertido”. Logo no início do romance somos levados pelo aspecto misterioso e enigmático do romance. Rosângela Vieira Rocha cria expectativas no leitor a ponto de ele tocar a esfinge para que ele decifre suas incógnitas, pois senão, será devorado pelo monstro fabuloso. Não sabemos de antemão o que aconteceu com essas duas mulheres, mas cabe à força literária de Rosângela desatar ao longo do livro, com surpresas e fatos inusitados, o nó górdio desse processo de mutilação dos eus, praticado por Ivan, o vilão da história. Percorremos as dobras de sua narrativa e nos adentramos nos movimentos desse mar de dentro, que mostra ondas desiguais e não monótonas. Seu romance tem um ritmo firme que acompanha o olhar

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do leitor o tempo todo. Somos levados pelo universo da psicologia das personagens e aí reside a grande força nesse romance excepcional, pois a partir do poder da literatura mais rica e diversa podemos conhecer a psique humana. O seu livro é uma verdadeira aula sobre o comportamento humano. E não é disso que a literatura sobrevive? Das relações humanas entre os seres, criando-se um Humanismo presente nas suas páginas magistrais? Benedito Nunes, no seu belíssimo livro, que faz uma leitura sobre a obra de Clarice Lispector, O drama da linguagem, define a literatura clariciana como “autodilacerante”, penetrada pelo “problema do ser e do dizer”. E para isso, Rosângela utiliza com grande proeza e maestria a narração com focalização interna, que segundo Genette, é “quando o narrador conta através do que sabe e vê o personagem”. Temos aqui uma narração em primeira pessoa, em que a narradora-personagem Helen narra os fatos e é ao mesmo tempo personagem da história e é ca-

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA ALEXANDRA VIEIRA DE ALMEIDA

raterizada por sua extrema atividade e mobilidade ao longo do livro, vendo as personagens com seu olhar pessoalizado. A sua trama é intrigante e nos envolve na sua malha dramática, pois o livro já começa com a tensão inicial, sendo uma obra tensa e densa. O trabalho da joalheria da narradora-personagem vem de seu interesse desde os 11 anos, aprendendo o serviço com o pai. E Rosângela fia belamente mais uma rede de saberes e artes. Além da psicologia e da literatura, ela arquiteta uma relação brilhante entre a arte das joias e a arte do literário que são próximas. O trabalho minucioso com a joalheria é o artefato do grande escritor que tem de lapidar com esmero seu livro. Tanto num quanto no outro, reconhecemos a dimensão perfeita das combinações possíveis e seu universo de diversidade. Rosângela é perfeita na sua narrativa, ao conjugar as partes num todo harmonioso e preciso. No Dicionário de símbolos dos grandes mestres Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, temos a origem e o significado de joia: “Pierre Guiraud salienta (GUI, 171) que as palavras bijou (joia) e joyau (gema) derivam ambas do vocábulo joie (fr. arc.: joia; fr. mod.: alegria, júbilo, contentamento etc) que é um substantivo formado do verbo francês jouir (gozar, desfrutar, fruir etc)”. A partir de um processo de lapidação do material bruto, encontramos o refinamento e o burilar de um trabalho de grande paciência e dedicação como é o trabalho de escritura de Rosângela, que utilizou de um grande processo de pesquisa sobre os saberes variados que encontramos no seu livro, como a ourivesaria, o cinema, a música, a literatura etc com suas intertextualidades sobre o passado. Helen mesma adquire sua independência, pois é ela que desenha suas joias: “Aprendi, por necessidade, a desenhar o que agrada as pessoas atual-

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mente.” A mãe de Helen não via com agrado esse seu interesse por joias, diferentemente de seu pai. E, como filha única, sua mãe tinha outras aspirações para Helen. A mãe dela tem o gosto por livros, pela leitura e é de extrema beleza a descrição de sua mãe lendo com os pés na água. Assim, seu livro percorre, ao mesmo tempo, a beleza e o lirismo de certas passagens com a perversidade na sua convivência com Ivan, o argentino que ela conheceu nas redes sociais. O livro se divide numa cabeça bifronte, pois Helen narra seu passado com Ivan e suas viagens para Buenos Aires e outras localidades da América Latina e o tempo presente, na sua preocupação em lançar suas joias desenhadas por ela numa coleção que será exibida futuramente para que ela obtenha o reconhecimento merecido. O livro é dividido pelos e-mails em vários capítulos para o Dr. Jorge Campos, alternados com a narração em outros capítulos, seguindo uma sequência: e-mail X narrativa presente. No total são 23 e-mails, que culminam numa revelação analítica surpreendente. Há um processo de desmineralização na vida de Helen, que passa da brutalidade e agressividade das situações para a suavidade do desmantelamento do passado. A natureza bruta ganha contornos de arte e cultura, lapidando seu ser e fugindo dos perigos da vida com Ivan. As relações fragmentadas vão adquirindo leveza e harmonia, após uma tempestade de ódio e insensatez. É preciso juntar as peças isoladas, formando um todo compreensível para sua experiência com relação ao mundo. Aqui os traumas e as fragilidades humanas são expostos sem nenhuma intimidação. A continuidade familiar (pai e filha) se dá no processo de reconstrução da persona a partir do seu trabalho na sua própria joalheria. A morte de seus pais num acidente é uma experiência traumática. Ela vai

reviver o trauma a partir de Ivan, um narcisista nato. Com Ivan, Helen só tem contato com as máscaras dele. As digressões, em meio à trama com o psiquiatra, vão se desenvolvendo e, assim, temos contato com a origem do seu trabalho e conhecimentos. A autora consegue despertar, magnificamente, a curiosidade do leitor, criando várias expectativas e surpresas ao longo do livro, que não tem nada de previsível. Ao contrário, a imprevisibilidade é sua arma mais literária, criando-se, assim, lacunas, vazios, que serão preenchidos pelo leitor inteligente e perspicaz. Ela sabe criar como ninguém um ambiente, um clima de suspense. Há também um choque e um paradoxo admirável entre o universo das joias e a violência de Ivan, produzindo-se os deslocamentos positivos na narrativa. Temos a sabedoria das joias, uma aprendizagem no seu livro para o leitor. O conhecimento que ela tem das pedras preciosas é fantástico, revelando sua origem e simbolismos. O conhecimento das gemas é algo concreto, que é levado, belamente, para o campo do ser, do abstrato e simbólico. Esse universo contrasta com o mundo de Ivan, que não revela nenhuma beleza e delicadeza, só o mundo narcísico de um mal que acomete nossa civilização. A ilusão da Eco-Helen com relação ao Ivan-Narciso é de negação do afeto, que a leva ao mundo de desolação. O narcisismo perverso é o oposto do reflexo no espelho num processo de autoconhecimento. Ivan não se conhece, não se reflete seu rosto numa escolha voluntariosa pela persona. A máscara cobre todos os espelhos da introspecção e espiritualidade. Vejamos o que diz Thomas Bulfinch sobre a relação entre a ninfa Eco e Narciso: “A ninfa viu Narciso, um belo jovem, que perseguia a caça na montanha. Apaixonou-se por ele e seguiu-lhe os passos. Quando desejava dirigir-lhe a palavra,

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dizer-lhe frases gentis e conquistar-lhe o afeto! Isso estava fora de seu poder, contudo”. Ao contrário da Eco mítica, que se transforma em rochedo, se mineralizando, Helen se transforma numa Eco emancipada que tem voz e poder. A desmineralização das mulheres é de extrema beleza em sua obra. É preciso lapidar a pedra bruta em joia rara e vivaz, que tem viço, vida. Os e-mails numerados para o médico por Helen demonstram grande capacidade de ordenação, uma organização em meio ao caos da vida: “Meu primeiro contato com Ivan Hernández deu-se virtualmente, através de uma rede social”. Inicialmente, Ivan não revela nenhuma patologia a partir das mensagens e telefonemas. Mas no processo de convivência física entre os dois, percebemos as ambiguidades dele, que se mostra gentil e grosseiro ao mesmo tempo. Ele é um “lago profundo e intrigante”, tanto para Helen como para o leitor. Helen faz sua leitura dele. Nós fazemos a nossa e cabe ao psiquiatra e psicanalista ser outro leitor dentro do romance, mas que não tem voz e contestação pela proposta inicial da narradora-personagem, que queria fazer nos e-mails, as cartas digitais, um monólogo e não um diálogo. Além dessas histórias, temos enredos paralelos, com personagens secundários, como caixinhas dentro de caixinhas. O romance, por sua complexidade, apresenta vários focos e histórias, com outras miudezas e assuntos. Sua obra apresenta avanços e recuos. As confissões de Helen revelam o caráter confessional da obra por meio de cartas digitais, mas que não apresentam confrontos com Dr. Jorge Campos, para que nenhum preconceito venha à tona. Ivan tecia muitos elogios à Helen, mas ela tem gastos financeiros com ele, praticamente o bancando em tudo, o que é um disparate. Ivan a considerava “inteligente, culta e bem-informada”,

como uma mulher de esquerda poderia ser. É forte a sua “psicologização da linguagem”, a força das personagens sem máscaras e com máscaras, ora escondendo ou revelando suas personas. Mas isso não quer dizer que o literário fique de fora, pois é exatamente a relação riquíssima entre a psicologia e a literatura, que cria a literariedade de seu livro, que por meio de outro saber faz florescer a verdadeira literatura em toda a sua dinamicidade e transdisciplinaridade. A sutileza na linguagem de Ivan é seu esconderijo. O avestruz esconde sua cabeça na areia e podemos perceber o quanto nossa percepção é falha num primeiro momento. O processo de autorreflexão de Helen não se dá num primeiro momento, só no tempo presente ela é capaz de analisar profundamente a questão. A linguagem interiorizada no livro nos apresenta a carne de dentro com toda sua umidade e feridas. É implícita em sua linguagem a arte da joalheria como a arte de escrever bem o romance, o que Rosângela Vieira Rocha faz de forma excepcional. Ela faz uma análise minuciosa da psicologia dos gestos, das vestimentas, do olhar, das conversas, das palavras, toda uma gama complexa de elementos que combinados formam um conjunto a ser dissecado com precisão cirúrgica. No início, Helen tem um encantamento. Depois, com o tempo, ela passa por um processo de estranhamento. O diferente, o estranho e o que foge à normalidade afloram na vida de Helen, causando reações impactantes em sua vida. No livro, temos a análise minuciosa do interior das pessoas e também do ambiente a partir das viagens. Também somos levados a belos pontos turísticos no romance. Temos também, no seu livro, o diálogo entre a ausência e a presença. Como a ausência do ser (o virtual) nos engana, revelando, que na presença física, nos deparamos com outro universo. Há um duelo, um cho-

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que, entre esses elementos. Ivan tem “estranhas reações e súbitas mudanças de humor”. Encontramos o mundo inusitado na sua narrativa. Como o inorgânico e o orgânico se misturam, pois temos as similaridades entre a arte das joias e as atitudes humanas, dando vigor às pedras num processo de animação dos objetos. O universo das joias adquire um movimento próprio em sua narrativa, em que a joia simboliza a parte pelo todo, a metonímia do próprio processo de criação de seu romance. O sentido simbólico e esotérico também é enaltecido, nos mostrando uma personagem mística. Assim, podemos perceber a valorização do sagrado, como encontramos nas obras do grandioso Jung. Rosângela até cita um trecho de Jung, apresentando também o teor ensaístico de seu romance: “Jung considerava o anel o símbolo perfeito, cuja forma circular supõe o infinito”. Portanto, os olhares de ontem e o de hoje de Helen são diferenciados. Com seu olhar crítico presente, ela consegue analisar a situação com o distanciamento necessário no tempo. Tanto ela quanto Ivan tinham ritmos e tempos diferentes. Não se sintonizavam, de verdade: “Eu via tudo isso de maneira bem menos clara do que a descrita agora”. Ou ainda: “Eu deveria ter prestado mais atenção às minhas percepções”. O olhar clínico de Helen nos mostra o “narcisismo perverso” e a “toxidade” daquela relação imatura. Ele tecia a presa num jogo de teia de aranha. Assim, vários saberes são revelados na obra de Rosângela que confeccionou uma joia ímpar e belíssima para os olhares atentos do leitor, um livro que não quer se calar, mas apresentar toda a sua riqueza e potencialidade de uma exímia escritora que nos leva a novas leituras sobre a psique humana num romance tão atual e pleno de significados.

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ENTREVISTA

ESCRITORA SANDRA REGINA DE FARIAS Sandra Regina de Farias graduou-se em Letras. Apaixonada pela história de Portugal, cursou o Mestrado e o Doutorado em literatura portuguesa, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de janeiro, PUC- Rio. Ainda em suas primeiras aulas no Mestrado, a professora Cleonice Berardinelli apresentou-lhe a obra de Miguel Torga. Foi amor à primeira vista. Aceitou o convite do autor, entrou em sua Arca de Noé, e seguiu adiante. Torga sempre esteve presente, em seu coração, como um farol a guiar o caminho, a conduzir o fio. Hoje, tem o orgulho de publicar o livro “ Arca de Noé: De volta para casa”. Em sua jornada profissional, atuou como Coordenadora do Curso de Letras em algumas das mais renomadas instituições de Ensino Superior do Estado Rio de Janeiro, dentre elas, a Universidade Salgado de Oliveira, o Centro Universitário da Cidade – UniverCidade-, e a Universidade Gama Filho. Exerce há mais de vinte anos o magistério. Atualmente integra o corpo docente da Associação Carioca de Ensino Superior, Unicarioca. Boa Leitura!

Elas comungam o fato de serem senhoras de si e de seu destino. São mulheres simples, com uma rica vida interior. São mulheres fortes que trazem no corpo a marca da terra. Mulheres sem maquiagem, donas de um comportamento ético absoluto, balizado pela generosidade e pela grandeza de alma. Torga nos deixa um caminho para o essencial empodaramento feminino.”

Autor português, Miguel Torga, é homenageado em literatura brasileira Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Sandra Regina de Farias, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a escrever “ Arca de Noé : De volta para casa”? 122

Sandra Farias - O que me motivou a escrever este livro foi o desejo de compartilhar o que “eu vejo”, como leitora, em Miguel Torga. Para mim, a obra de Torga precisa ser relida com urgência no século XXI. O seu texto é precioso porque aponta caminhos essenciais para homem do agora.

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Torga sonhou a Montanha. E sonhar a Montanha, que é um ambiente sólido e rústico, é um convite a uma reflexão profunda sobre a realidade. Vivemos numa temporalidade complexa, marcada por relações dissolventes. O mundo contemporâneo está se dissolvendo, mergulhado na busca incessante da rapidez. Tudo é rápido, fugaz e superficial. O dilúvio está ai... E Torga é um escritor visionário que constrói uma Arca de Noé, convergindo, pelo procedimento textual da interioridade, para muito além do espaço geográfico em que se situa e para além do seu tempo. Torga nos convida ao silêncio e a simplicidade... ao que é permanente e verdadeiro em nós mesmos...ao enraizamento. É hora de nos voltarmos para o nosso interior, para a terra, e procurarmos as nossas raízes. Em que momento começou sua admiração pelo autor Miguel Torga? Sandra Farias - A minha admiração por Miguel Torga começou ainda quando fazia o meu Mestrado em Literatura Portuguesa, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro ( PUC-RIO). Nas aulas da Professora Cleonice Berardinelli, me apaixonei pelo mundo criado por Torga. Mas o ponto crucial, para mim, foi quando descobri, em pesquisa, que o Livro “ Bichos” transcendia a aparente simplicidade apresentada em cada conto. O que me despertou a curiosidade foi que em Bichos são apresentadas catorze histórias. E catorze também são as regiões visitadas pelo autor em sua peregrinação por Portugal – uma ViaSacra que reedita na literatura as catorze estações de uma paixão humana pela terra portuguesa. A Via-Sacra, ao que deixam ver as filigranas textuais, é por terra e Torga é essa “nau” – “Arca de Noé” que reintegra, no espaço literário, o homem ao “aconchego da origem”. Nosso objetivo, então, foi a averiguação de possíveis correlações que se estabeleçam entre as regiões portuguesas descritas em Portugal, livro de Viagem, e Bichos, livro de contos. Na verdade, um livro movimenta o outro, um deseja o outro, no sentido da estética deleuziana; o que torna a escritura de Torga

complexa , singular e contemporânea. E, além disso, vamos encontrar indícios da Arca de Noé em todos os livros de Torga; o que nos leva a crer que a Arca é o Leitmotiv da obra. Através do imaginário da Arca este escritor aponta um caminho para a pátria portuguesa, e também sugere a imperiosidade de uma tomada de consciência para a humanidade. Pensar a Arca é mergulhar no que há de mais visceral no nosso processo de autoconhecimento. O que pode nos salvar é a busca de nós mesmos e da nossa origem. E isso exige a vontade da investigação, da verdade, da lealdade, do amor a nós mesmos e ao próximo e à natureza. Valores éticos. Apresente-nos a obra (sinopse) Sandra Farias - O livro “ Arca de Noé : De volta para casa” é um estudo da obra de Miguel Torga. Pesquisamos os livros “Bichos”, “ Portugal”, “ Contos da Montanha”, “ Novos Contos da Montanha”, “Vindima”. E trechos da “ Criação do Mundo” e de alguns “Diários”. Nos textos de Torga, três unidades de sentido interagem e convergem para uma única entidade discursiva: o fascínio pela terra (discurso mítico), o desejo da liberdade (discurso sociológico) e o sentido da transcendência (discurso contra-teológico). Para organizar a análise, na primeira etapa do nosso livro, focalizamos a entidade mítica. A segunda etapa permite que se vislumbre a entidade sociológica. A terceira etapa aborda questões pertinentes à influência existencialista na obra e ao conflito com Deus. Mas estas três componentes discursivas atuam em conjunto, constituindo, em cada conto, um mesmo quadro, numa única realidade. Uma componente não pode ser entendida sem a outra. O nosso objetivo é que o leitor encontre no livro “ Arca de Noé : De volta para casa” uma leitura que facilite a compreensão da obra de Miguel Torga. Numa linguagem leve, simples e acessível é indicado para alunos ingressantes no Curso de Letras, para estudantes de outros cursos e também para todas as pessoas que estão à procura de si mesmas... “de volta para casa”.

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O que mais chamou a sua atenção enquanto escrevia o livro? Sandra Farias - O olhar da criança. Em Torga, o olhar da criança é o lugar onde tudo recomeça. Em Jesus, por exemplo, conto de Bichos, é a criança- um menino campesino chamado Jesus- que, em meio ao sofrimento e a aridez da terra, surpreende os pais, cansados, dizendo que “ sabe um ninho”. Ele descobre, no topo de uma árvore, um ninho de pintassilgo e retira de lá um ovo. O ninho é o espetáculo do renascimento. É da experiência de saber o ninho que a nova vida brota. “ Saber o ninho” é um ato da “vontade”, mas da “vontade” una e indizível de quem cumpre a sua Via-Sacra, mantendo o olhar da criança. Mas enquanto escrevia o livro, descobri também algo muito instigante: o empoderamento da Mulher em Torga. Há uma tríade de mulheres na obra deste escritor que nos encanta: Madalena, Maria Lionça e Mariana. Elas comungam o fato de serem senhoras de si e de seu destino. São mulheres simples, com uma rica vida interior. São mulheres fortes que trazem no corpo a marca da terra. Mulheres sem maquiagem, donas de um comportamento ético absoluto, balizado pela generosidade e pela grandeza de alma. Torga nos deixa um caminho para o essencial empodaramento feminino. O que o leitor pode esperar ao ler “ Arca de Noé: De volta para casa”? Sandra Farias - O livro “ Arca de Noé: De volta para casa” pretende aprofundar e atualizar a leitura da obra de Miguel Torga, por consideramos a reflexão sobre os seus textos de extrema relevância na época contemporânea. Tencionamos mostrar que a simplicidade do mundo criado por Torga, o seu universo ficcional, indica a necessidade de nos voltarmos, no agora, para o simples da existência. Uma existência que só faz sentido na verdade de uma vida pautada em valores éticos sólidos, que não se deixa quebrantar por imagens forjadas e mascaramentos sociais e políticos que dissolvem as relações humanas, tornando-as líquidas. Uma vida ética que só é possível pela 123


DIVULGA ESCRITOR consciência plena do si mesmo, pelo respeito ao outro, pelo respeito à natureza, pelo respeito à terra e à cosmogonia. Torga fez a si mesmo um geógrafo. Ele percorreu terras, e não apenas falou sobre elas. Os seus textos são o retrato da lealdade das suas vivências como homem, cidadão português, escritor e médico. Ele investigou a cultura de seu povo, visitou lugares, viveu o processo de conhecimento na sua própria carne. E as suas personagens, bichos e homens e mulheres campesinos, de pouca fala, apontam, ainda, para a necessidade absoluta do silêncio, em tempos em que as palavras estão se esvaindo, palavras gastas em terras emersas, perdidas no barulho da contemporaneidade. Resuma o livro em duas palavras Sandra Farias - Consciência e Humanidade. Onde podemos comprar o livro? Sandra Farias - O livro está à venda no site da Editora Chiado Books (www. chiadobooks.com) e nas grandes livrarias de Portugal e do Brasil. Seu foco de estudo é a literatura portuguesa. O que, até então, em sua opinião, a diferencia da literatura brasileira? Sandra Farias - A literatura é a expressão humana e cultural de um povo. O texto literário reflete o modo de ver e sentir do homem em determinado momento da sua historicidade, apontando para a sua futuridade. Ora, a história de Portugal é comovente. E é comovente porque o homem português apostou na grandeza de seu futuro. Destemidamente arriscou-se, embalado em seu sonho narcisista de conquistas. Embarcou para terras estrangeiras e estranhas. Viajou, descobriu mundos novos... Acertou muitas vezes e errou outras tantas. Mas teve a coragem de se olhar no espelho e voltar para casa. De mergulhar em suas próprias entranhas e refazer os seus caminhos. Perdeu a si mesmo... para se encontrar logo ali. A literatura portuguesa é fundada num

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ria para permanecer no mundo, porque se quer perene. A ideia de perenidade remete à universalidade do texto literário. Somos todos diferentes, mas somos todos iguais porque somos homens e mulheres em busca da nossa terra prometida. E a literatura, de certa forma, é essa terra prometida. Através do texto literário, somos conduzidos, pela força da palavra poética, ao mais profundo de nós mesmos, ampliamos a nossa consciência da realidade e realizamos novas conexões, nos apoderamos das nossas palavras, da nossa verdadeira face, e, somente então, nos “empoderamos” enquanto sujeitos. Nesse sentido, a literatura tem a missão ser um farol a iluminar o caminhar do homem em sua aventura de viver...na sua trajetória pessoal e coletiva. processo apaixonante de autognose. Da procura da pérola escondida dentro da ostra... na profundidade das águas do rio Tejo. Sobre essa literatura, Torga tem uma fala muito interessante. O escritor nos deixa a seguinte lição amorosa e passional: “Temos de conhecer a nossa terra. Mas conhecê-la por dentro, sem preocupações históricas, arqueológicas, políticas ou outras. Conhecê-la como se conhece a mulher que se ama, com quem se dorme e com quem se repartem as alegrias e as tristezas. Saber como são diferentes as suas feições em cada fase do ano, e em cada momento de ternura e de raiva. Ver-lhe a nudez do corpo quando se despe sequiosa de amor, e olhá-la coberta dos lutos da viuvez. Ser por ela quando o merece, dando-lhes todos os carinhos humanos, e ser contra ela quando é preciso dizer-lhes verdades duras.” O que as aproxima? Sandra Farias - Eu diria que o sentido da humanidade é o que nos aproxima. O homem escreve para compreender a si mesmo enquanto ente humano. Escreve, num determinado tempo e espaço da sua existência, escreve a sua pátria, os seus caminhos e descaminhos, as suas dores, os seus anseios, os seus amores.... Escreve a sua histó-

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Sandra Regina de Farias. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Sandra Farias - Revisitar a dinâmica da obra de Miguel Torga, em tempos Pós-Modernos, em que o homem está se diluindo em relações aparentes e virtuais, horizontais e líquidas, nos move novamente para o espaço e tempo de meditação propostos no movimento ético da Arca rumo, quem sabe, a solidez de uma terra absolutamente humana, fértil de intimidade e prenhe do verdadeiro sentido da vida. Desejo que o Livro “ Arca de Noé : De volta para casa” seja um convite à releitura da obra de Torga e que possa prestar a sua contribuição, sendo também uma singela homenagem a este consagrado escritor da Literatura Portuguesa.

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA MIRIAN MENEZES DE OLIVEIRA

SOBRE A PRIMAVERA

S

ou grata à mamãe por muitas coisas, principalmente, pela vida, mas dessa vez darei destaque a um fato pequenino, que muitos sentimentos trouxeram à tona e que, com certeza, ocupa um espaço privilegiado na lista de agradecimentos. Em um desses dias, na intimidade do lar, decidimos mexer no “museu pessoal”: separar antigos papéis, rever escritos, consultar folhas dobradas e amareladas. Surpresa fiquei com o que mamãe me apresentou: desenhos antigos, datados de 1972. Para facilitar a vida do leitor, destaco que tinha cinco anos, na época! Por que mamãe guardou desenhos tão antigos? A única coisa que sei é que Mãe é um ser extraordinário: uma mulher com muitos poderes e grandes intuições! De qualquer forma, aqueles ra-

biscos eram valiosos para ela e, hoje, resgatam um pedacinho de mim e me instigam a viagens interiores. Lembro-me, com detalhes, dos momentos em que me posicionava no canto da sala, curvada sobre a mesinha, pintando e rabiscando papéis, na “primavera” da vida. Sentada numa cadeira, ficava ela: mamãe poderosa, fazendo crochê, para “vender para fora” e aprendendo corte e costura por correspondência. Ela viria a ser uma grande costureira! Costureira, mesmo! Não, estilista! Sempre foi lutadora e não poderia ter me ensinado outra coisa a não ser: LUTAR! _ Dê papéis para ela e lápis de cor, quando ela quiser! Quem sabe aprende a escrever logo! – dizia papai. Mamãe ouvia, pensava a respeito daquilo e me deixava brincar com aquele material. Dizia que, se tivesse sorte, iria logo para o Jardim de Infância.

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Eu ganhava os papéis para desenhar e, hoje, tenho a gostosa surpresa de rever os rabiscos da essência primeira, do criadouro de ideias futuras. Gostava de desenhar flores, árvores, natureza, pessoas de mãos dadas... Não sei qual era o objetivo da época, mas sinto que algo nascido há tantos anos (há muitas décadas), continua crescendo e frutificando em meu coração. Amo a natureza! Ainda acredito nas pessoas! Não consigo desistir dos sonhos! Muito interessantes todas estas metáforas de infância: primavera... jardim! Pensando por essa lógica, muitas primaveras se passaram e, por maiores que tenham sido os percalços vividos, ainda sentimos o perfume das flores e nos damos as mãos... nós duas (mãe e filha), amigas! Mais amigas do que nunca! 125


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ENTREVISTA

ESCRITORA SANDRA RODRIGUES Sandra Maria Sampaio Rodrigues, de Caucaia - CE, reside em São Paulo desde 1971, artista plástica, ilustradora, capista. Vivencia a natureza e a alma humana em poemas, contos, crônicas e infantis. 2018- coletâneas nas editoras Versejar, Darda editora, Uny editora, ed. Clube dos autores, UBE/SP, Fênis da Revista Cultural eis-FLUÊCIA, ed. In-Finita . 2019 na Compose Edições Literárias. Livro solo infantil “Falabella a borboleta azul e Gina formiguinha, ed. Scortecci, ilustrações infantisMulherio das Letras, outros para 2020. Boa Leitura!

Que minha pequena contribuição toque corações; pois a escrita é tudo isso, tocar com emoção, educar, trazer novos conhecimentos, capacidade de raciocínio, autoajuda, te levar a sonhar, viajar. Procure o que lhe preencha a vida. Seja feliz!”

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Sandra Rodrigues, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Conte-nos, o que a motivou a escrever literatura infantil?  Sandra Rodrigues - O prazer é todo meu. Descobri o universo infantil quando precisei parar de trabalhar para cuidar de meus filhos, brincava e oferecia

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materiais de artes, nesse meio tempo trabalhei como oficineira para crianças em recreação de férias e voluntáriada em duas ONGS também como oficineira, levando junto meu filho menor e sempre envolvida com arte. Como surgiu inspiração para “Falabella  a borboleta azul e Gina Formiguinha”?  Sandra Rodrigues - Sou amante da natureza, mantenho um jardim com

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muitas flores e borboletas, e num belo dia eis que observo atentamente o universo dos insetos e lá estava nossa amiga Falabella e sua amiguinha Gina Apresente-nos a obra Sandra Rodrigues - É a história de duas criaturinhas bem diferentes uma da outra. Diferentes na forma de viver, em seus hábitos, desafios e a visão que tem do mundo ao seu redor. Criaturinhas que encontramos em nosso quintal, em meio as flores de nosso jardim. Necessárias e importantes na natureza!   Falabella  a borboleta azul –    Uma bela borboleta azul, recém saída de seu casulo, pronta pra desafiar sua outra fase da vida Gina Formiguinha –  Um formiguinha reclamona que gostaria de ter ficado em casa dormindo, em vez de trabalhar. Qual a mensagem que deseja transmitir por meio da leitura de seu livro?  Sandra Rodrigues - Deixar nossas crianças curiosas quanto a natureza e o que ela nos oferece todos os dias em várias formas, situações e diferenças de realidades. Mostrar nos dias ensolarados, nublados, também nos dias chuvosos o quanto é encantador e no mundo dos insetos onde tudo acontece. O que mais a atrai na literatura infantil?  Sandra Rodrigues - A fantasia. A liberdade em sonhar e ser verdadeiro e assim contar histórias. Você mesma trabalha na ilustração de seus livros, ou seja, além de escritora você é ilustradora, comente como surgiu a habilidade para a arte gráfica.  Sandra Rodrigues - Desde muito jovem desenho, pinto, amo arte.. Escrevo a quase o mesmo tempo que desenho. Em 2018 publiquei meu primeiro livro infantil e resolvi ilustrálo, dai foi um pulo para ilustradora. Onde podemos comprar os seus livros? Sandra Rodrigues https:// w w w. a m e r i c a n a s . c o m . b r /

produto/56067388/falabella-aborboleta-azul-e-gina-formiguinha? h t t p s : / / w w w. a m a z o n . c o m . b r / Falab ella-B orb oleta-Azul-GinaFormiguinha/dp/8536658207 Livraria Asabeça Quais os seus principais objetivos como escritora?  Sandra Rodrigues - Com uma pequena parcela, espero incentivar crianças e jovens a lerem mais, deixar minha mensagem sobre a natureza, muitas nem se dão conta existir. Alcançar leitores com pensamentos semelhantes aos meus e conquistar outros novos. Passar o bem atravez da escrita. Caminhos vastos a seguir!   Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Sandra Rodrigues. Agradecemos sua participação  na

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Revista Divulga Escritor  – especial Mulherio das Letras. Que mensagem você deixa para nossos leitores?  Sandra Rodrigues - Que minha pequena contribuição toque corações; pois a escrita é tudo isso, tocar com emoção, educar, trazer novos conhecimentos, capacidade de raciocínio, autoajuda, te levar a sonhar, viajar. Procure o que lhe preencha a vida. Seja feliz! Gratidão pela participação.

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA BERNADETE BRUTO

INJUSTA MENTE

MORRE UMA VIZINHA

PARA QUE JULGAR, O QUE ME ENTREGA OS OUTROS? SEJA NO PRETÉRIO PERFEITO OU NO PRESENTE TÃO IMPERFEITO SE NO FINAL DAS CONTAS TUDO SERÁ DESFEITO? O MOMENTO SEMPRE É PERFEITO EU É QUE NÃO ENTENDO DIREITO

AS PESSOAS MORREM UM DIA NUM REPENTE SOMEM DA VISÃO SEM DEXIAR PISTA SEM FAZER ALARDE SEM DIZER ADEUS AOS OUTROS E AOS SEUS SÚBITO SOMEM DA VISTA NUNCA DO CORAÇÃO.

DE POETAS E POESIA PESSOAS DE BEM

QUANTAS PESSOAS BONDOZAS ESSE MUNDO TEM HÁ AS MALDOZAS TAMBÉM ATRÁS DE TUDO QUE LHE CONVÉM PEGANDO OS OUTROS COMO REFÉM IMPORTA É CIRCULAR ENTRE AQUELAS DE BONDADE A SUA NATUREZA DE UMA TAMANHA GRANDEZA NO FAZER O BEM. E VIVER NESSA INTEIREZA.

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CONTINUA ASSIM ESCRITA LEVE NA SUA SERVENTIA SE ESPALHA E ENTREGA AQUILO QUE O OUTRO NÃO VIA E INFLUENCIA É PARA ISSO QUE SERVE TUA POESIA

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RESPOSTA À INGRATIDÃO

SE A GRATIDÃO SE INSTALOU SIMPLESMENTE NO CORAÇÃO TODO SANTO DIA BATE A MINHA PORTA POUCO ME IMPORTA A INCONSISTENTE INCOMPREENSÃO DA MENTE SEMPRE DOENTE PERAMBULANDO NA MINHA HORTA RASTEJANDO PELO CHÃO COMIGO NÃO INGRATIDÃO!

DELE POBRE CIDADÃO SEM DESTAQUE NA CIDADE RESTOU APENAS UMA MARCA NO CHÃO... ACIDENTE DE PERCURSO NA VIDA NA CONTRAMÃO

CASA DO ESPINHEIRO

TUDO MUDA

QUANDO A GENTE PENSA NO DEFINITIVO VEM A TERRA TOMA CONTA DE TUDO E ENTERRA OCUPA SEU ESPAÇO DE TERRA ANTES TÃO CONCRETO E NEM SOBRA NADA DEPOIS QUE A CHUVA LAVA

ACOSTUMADA

MORTE NA ESTRADA

AQUELA CASA DERRUBADA RUIU POR TERRA EM MIM PERMANCE INTACTA INEIRAMENTE APESAR DO TEMPO CADA COMODO INDESTRUTÍVEL RECORDAÇÃO FLORIDA COMO O SEU JARDIM

DIFERENTE MENTE

O COSTUME É COMO A MENTE A GUIAR UM CARRO CEGAMENTE QUANDO SE VÊ SE NÃO REPROGRAMAR A GENTE NEM SENTE! FOI PARAR NUM LIGAR TOTALMENTE DIFERENTE

JÁ TEVE UMA VIDA COMO ESTA QUE SE DEPARA PELA FRENTE ENQUADRADA HOJE PENSA FELIZMENTE ! TEVE A OPORTUNIDADE NOVA CHANCE DE FAZER DIFERENTE

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ENTREVISTA

ESCRITORA SONIA REGINA BISCHAIN SONIA BISCHAIN, mora na periferia de São Paulo, distrito Brasilândia, é escritora, fotógrafa e designer gráfica. Participa de movimentos culturais e saraus literários em São Paulo. É uma das organizadoras do Sarau da Brasa desde o seu início, em 2008, que acontece na Vila Brasilândia. Participou em diversas Antologias, como: Saraus (portugues/espanhol) e Brasil Periférica, compiladas por Lucía Tennina; Antologia Mulherio das Letras Portugal (In-Finita). Antologia Mulherio pela paz (português/inglês), lançada na Alemanha. Participou em eventos literários no Brasil e no exterior, entre eles: III Jornada de Crítica Literária: Literatura e Ditaduras, promovida pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura da Universidade de Brasília, 2018, palestrando sobre o tema: “A Periferia vista pelas margens, vozes da periferia e a ditadura”; Simpósio Internacional, organizado pelos Prof. Dr. Leonardo Tonus e Prof. Dr. Ricardo Barberena: (l’attente/ en attente: figurations du contemporain”), Universite ParisSorbonne, com o poema Travessia; e, Journes dtudes internationales littrature et dictatures, falando sobre seu romance Nem Tudo é silêncio, na Universidade Sorbonne Nouvelle.

Boa Leitura!

Olhares que devoram sonhos”, são delicadas histórias de narrativas intensas e emocionantes, que nos alimentam de belezas, esperanças e sonhos, é poesia que acalanta em tempos sombrios.

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Sensibilidade lírica é destaque em “Olhares que devoram sonhos” Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Sonia Bischain, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto pela arte de escrever? Sonia Bischain - Além da minha paixão pelos livros, leitora desde a minha pré-adolescência, muito nova, arriscava a escrever alguns versinhos e pequenas histórias. Na minha adolescência e juventude participei das lutas por melhorias no Bairro onde moro, um bairro carente da periferia de São Paulo, acredito que me tornei escritora por me preocupar com a preservação da memória dessas lutas, ou seja, minha literatura carrega minhas memórias, e, também, na minha intenção de registrar a vivência dessa população, crio personagens fictícios, mas que, muitas vezes, retratam uma situação histórica real. O que a inspirou a escrever “Olhares que devoram sonhos”? Sonia Bischain - Primeiramente, o meu amor pelo lugar onde moro. Um lugar que, comumente, é lembrado nos meios de comunicação pelos seus muitos problemas (violência, drogas, enchentes, desmoronamentos). Contar as histórias de nossa dura realidade, sim, mas, principalmente, contar também as histórias singelas de infância, as histórias de solidariedade entre nós, as histórias de resistência; as histórias de indignação diante das injustiças; as histórias de conquistas e de esperanças deste povo. Histórias contadas por nós mesmos.

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Apresente-nos a obra Sonia Bischain - “Olhares que devoram sonhos” é um livro sobre o tempo. Tempo que às vezes parece se arrastar preguiçosamente, quase inofensivo. Tempo que, outras vezes, atropela o que está à frente. E se é sobre o tempo, inevitavelmente, é sobre o seu poder de simplesmente passar. São textos cheios de excertos poéticos e plásticos. Uma boa mistura de ficção e biografia, memória e invenção. Uma mediação entre a verdade e a mentira, reforçando um imaginário da memória infantil, que mesmo em situações sérias faz brotar alegria, provoca sorrisos, rememora uma vida de bairro, com tragédias e perdas, misturadas com graça. Nestas histórias, o lugar não é lugar, tão e somente; é sentimento, vivência trazida à narrativa com a maior cautela possível, onde a autora parece perseguir a ideia de “fabricar o sensível” sem deixar de tensionar a matéria bruta da experiência vivida, e assim constituir um mundo de afetos na narrativa, um mundo que é seu e nosso; que é real e que é de ficção, que habita as fissuras que existem entre a fantasia e o existente. Por que ler “Olhares que devoram sonhos”? Sonia Bischain - “Olhares que devoram sonhos”, são delicadas histórias de narrativas intensas e emocionantes, que nos alimentam de belezas, esperanças e sonhos, é poesia que acalanta em tempos sombrios. Resuma o conto em duas palavras: Sonia Bischain - SENSIBILIDADE LÍRICA Além desta obra, quais livros tens publicado? Sonia Bischain - Viandante, Labirintos entressonhos (Romance - Círculo

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Contínuo Editorial); Rua de Trás (poesia - ed. autor); Nem Tudo é Silêncio (Romance - ed. autor); Vale dos Atalhos (Romance - Ed. Sundermann); e coautora do livro de fotografia Cultura daqui, olhares da Brasa. Onde podemos comprar os seus livros? Sonia Bischain - com a autora: soniabischain@hotmail.com; www.facebook.com/soniabischain. Com a editora: http://www.11editora. com.br/ Você já participou de vários eventos literários. Conte-nos, qual o evento que mais chamou a sua atenção? Comente. Sonia Bischain - Cada evento literário que participei teve a sua importância, costumo dizer que a literatura foi a responsável por me levar a muitos lugares onde jamais imaginei que chegaria. Foi muito importante ter estado na Universidade de Sorbonne, em Paris, falando sobre o meu livro Nem tudo é silêncio para professores e alunos doutorandos em literatura, mas foi igualmente emocionante, estar em Chorrochó, uma cidadezinha no sertão da Bahia, compartilhando versos, trocando experiências, conhecendo e aprendendo um pouco sobre a magia da oralidade daquela gente simples, talentosa, de tradição cordelista e do repente.

tado nos últimos anos. Somos editoras, escritoras, ilustradoras, diagramadoras e estamos conquistando leitores. É uma grande vitória, especialmente para as mulheres negras, para as mulheres das periferias das grandes cidades. Num segmento que enfrenta grandes dificuldades, o mercado editorial, em meio a fortes crises econômicas, somos mulheres de luta, ampliando espaços de participação e fazendo ouvir as suas vozes. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Sonia Bischain. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Sonia Bischain - O hábito da leitura acalanta os sentidos, abre horizontes, amplia os sonhos, nos leva a muitos lugares inimagináveis, nos faz rir (mas também chorar), e nos mostra toda a força e essência da nossa humanidade. Por isso, leiam mais, apoiem a nossa literatura, divulguem. Em agradecimento, presenteamos com nossas palavras cheias de realidade e fantasias, porque “nem só de pão vive o homem”, e nós, mulheres, queremos mais.

Está é uma edição especial para o Mulherio das Letras. Você que é membro ativo, participativo, conte-nos, como você vê a literatura feminina. Sonia Bischain - Num país onde, segundo pesquisas, a maioria dos escritores são homens brancos de classe média ou alta, é com imensa alegria que tenho acompanhado a produção de literatura feminina. Essa só tem aumen-

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PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ESCRITORA JUCÉLIA BETINARDI FACHINI

Tudo na vida vale a pena

Deus nos deu a vida, para ser bem vivida, a nossa existência é através dela é que tudo na vida vale a pena. Passamos por várias tribulações onde nos encontramos muitas vezes sem saída, mas quando nos valorizamos mais observamos que podemos sim enfrentarmos todos os nossos problemas, pois a nossa e existência é um dom de Deus, que ele nos dá forças para vivermos bem e com ele tudo podemos. Assim sempre superaremos tudo o que tivermos que superar, encontrando a felicidade plena!!

A esperança

Todo indivíduo tem sempre um objetivo em sua vida, e ele nunca deve perder a esperança de alcança-los. Ao planejar algo, ficamos ansiosos para ver logo o resultado final, imaginando sempre um final feliz. Por essa razão é importante termos paciência e sempre persistir naquilo que queremos. Por outro lado, as pessoas que já perderam a esperança não correm atrás de suas metas e acabam estagnadas no tempo, sem saber o fazer. Ao agir com otimismo, acabamos cumprindo nossos deveres sem muito esforço. Pois o otimismo é esperança que nunca cessa, o que torna todas as coisas possíveis. Portanto, nunca devemos deixar que a tristeza bata à nossa porta, evitando que a esperança vá embora.

Jucélia Betinardi Fachini, é natural de Curitiba-PR, nascida no dia 20 de dezembro de 1964 em uma família de origem italiana. Se formou técnica em química, e nas horas vagas gosta muito de pintar, ouvir música e principalmente de escrever. É casada e mãe de dois filhos. Participou da coletânea “Memórias e Passagens de um Tempo” da editora Scortecci, “Conexão III” da Nogue Editora e também participa de revistas literárias online. Participou da Antologia Coreto, e da Conexão V, da Nogue Editora.

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ENTREVISTA

ESCRITORA VALÉRIA BORGES DA SILVEIRA Valeria Borges da Silveira Formação: Administração-habilitação em Comércio Exterior. Especializações: Direito e Gestão Empresarial; Gestão, Orientação e Supervisão Escolar; Gestão Cultural; Gestão de Eventos; Gestão em Projetos Turísticos e; Credenciamento em Jornalismo. Atuações: Itaipu Binacional (1992-1994); Fiep (1995-1999); Diretora/ Coordenadora Faculdades do Paraná (1999-2008); Diretora de Turismo da Lapa-Pr (2005-06); Secretária de Cultura e Turismo da Lapa-Pr (2009-2012). Escritora, Poetisa e palestrante. Coordenadora da UTIL – Universidade da Terceira Idade da Lapa. Diretora Santa Barbara Produções (desde 2013). Presidente Associação Literária Lapeana. Presidente do Instituto Borges da Silveira. Diretora Cultura ACCUR – Academia de Cultura de Curitiba. Coordenadora Cultural Instituto Histórico e Cultural da Lapa. Membro Centro de Letras Paraná, Academia Paranaense da Poesia, Centro Paranaense Feminino de Cultura, Academia Feminina de Letras do Paraná, Academia de Letras e Artes de Pato Branco. Livros publicados: Rastos, Tantos Eus e Reticências – de poesias. Livro “Lapa Tropas e Tropeiros – Caminhos da História” (coautoria Maria Ines Borges da Silveira). E participação e organização de diversas coletâneas. Boa Leitura!

Dividir experiências, relatar vivências e sentimentos. “... E as palavras correm soltas no papel... nem perfeitas, nem eternas, nem mesmo algo mais absoluto. Sou isca de minha própria vida, palavra.”

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Cidade da Lapa no Paraná é destaque histórico e literário

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Valéria Borges da Silveira, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Conte-nos, o que a motivou a escrever um livro sobre a cidade da Lapa, no Paraná, em parceria com a sua mãe, a escritora Maria Inês Pierin Borges da Silveira? Valéria Borges - Minha família – tanto materna quanto paterna – tem suas origens na cidade da Lapa-Pr. E pensando em uma boa divulgação da cidade eu e minha mãe pesquisamos sobre a história da Lapa, o “ontem” e o “hoje” e resolvemos escrever o livro “Lapa Tropas e Tropeiros – Caminhos da História”. Esse livro foi publicado em 2006 e teve sua segunda edição em versão bilíngue em 2009. Apresente-nos “Lapa Tropas e Tropeiros – Caminhos da História”? Valéria Borges - Um livro que contempla a história da Lapa-Pr como um todo, desde sua origem, fundadores, 136

centro histórico, etc. Falando um pouco sobre a cidade da Lapa-Pr – uma cidade histórica, que contempla vários tipos de turismo – desde o turismo místico (com a Gruta do Monge), religioso (com as festas de Santo Antonio – padroeiro da cidade e São Benedito, além das tradicionais exposições de “tapetes de Corpus Christie”), de lazer (pousadas rurais), histórico-cultural (centro histórico contempla 14 quarteirões tombados pelo patrimônio histórico). Além de ter uma importância muito grande pela participação na Revolução Federalista em 1894. E o livro contempla fotos belíssimas da cidade. Uma cidade que vale a pena conhecer. Além desta obra literária, você tem publicado 3 livros de poesias, apresente-nos seus livros poéticos. Rastos – Retrata na sua maior parte o amor na sua plenitude, amor à natureza, amor à família, amor a Deus, amor amizade, amor inacabado, amor sofrido, amor sublime, amor apaixonado, enfim amor vivido em todos os sentidos. As poesias foram intercaladas

com fotos minhas e de pessoas e passagens importantes da minha vida. Esse livro retrata meus momentos de maior sensibilidade, onde busco transcrever o sentimento que vem “da alma”, por isso, com certeza esse livro retrata um pouco de mim. Tantos Eus – Apresentação pela autora: Conta histórias... de momentos, de pessoas, de lugares, de vivências... Tantas fases! Um livro que retrata sensibilidade e meu sentimento de amor à vida... Algumas poesias fazem voltar ao passado, outras fazem sorrir ou chorar... São poesias de hoje e de ontem, que nos levam a recordar, sonhar, a amar...O livro tem ilustração de uma amiga artista plástica. Reticências – Apresentação com o significado de “Reticências” – Três pontinhos que insistem em dizer que nada acabou, que algo sempre está por vir! A vida se faz assim! Nada pronto, nada definido. Tudo sempre em construção. Tanta coisa ainda por fazer... Vivo assim... Numa eterna reticência... Para

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que colocar ponto final? O que seria de nós sem a expectativa de continuação? Nesse livro constam poesias escritas em diversas fases e algumas também em homenagens a outros autores e personalidades de renome nacional. Você está com dois livros em andamento, apresente-nos os seus novos projetos literários. Valéria Borges - Estou organizando um livro de textos de minha autoria, uma espécie de coletânea de textos que escrevo desde 2000. Esses textos abordam temas sócio-culturais, educacionais, históricos, de direitos humanos e motivacionais. Pretendo publicar esse livro no segundo semestre de 2019. Além desse livro estou escrevendo um outro livro sobre “fatos e causos tragicômicos e/ou hilários” desde minha infância. É um livro que abordará um lado um tanto humorístico de “Valéria” - que apenas algumas pessoas conhecem. Você já organizou várias antologias. Qual a que mais marcou. Comente o por que. Valéria Borges - Desde 2014 participo da organização de antologias. Onde vários autores participam. E o intuito maior é o resgate cultural no sentido de “contar as histórias e vivências” para ciência e conhecimento das gerações futuras. Estou na organização da sexta antologia juntamente com a equipe da Diretoria da Associação Literária Lapeana – da qual sou atualmente Presidente. Contudo creio que a que mais marcou foi a antologia “Cada Conto um Ponto” – que foi organizada somente por mim e foi o início de todo esse trabalho de resgate cultural, com o objetivo de valorizar e exaltar a memória através do registro de casos e fatos pessoais e de relevância histórica. Onde podemos comprar os seus livros? Valéria Borges - Livrarias Cultura – Curitiba-Pr. Livrarias Letra – Pato Branco-Pr. E site: www.livroseciavaleriaborges.com.br

Quais os seus principais objetivos como escritora? Valéria Borges - Dividir experiências, relatar vivências e sentimentos. “... E as palavras correm soltas no papel... nem perfeitas, nem eternas, nem mesmo algo mais absoluto. Sou isca de minha própria vida, palavra.” (“Apenas Palavras” – orelha do Livro Tantos eus – de minha autoria).

cipação na Revista Divulga Escritor – especial Mulherio das Letras. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Valéria Borges - Costumo falar que “onde há uma vontade há um caminho” e procuro levar para minha vida o lema “acreditar em um sonho é apenas o início de uma caminhada de sucesso”. _________________ Divulga Escritor: Unindo Você ao Mundo através da Literatura. https://www.facebook.com/ DivulgaEscritor/ www.divulgaescritor.com

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Valéria Borges da Silveira. Agradecemos sua parti-

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Nossa Marca por todo o mundo!

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41ª Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia  

Vamos juntos unindo Você ao Mundo através da Literatura. AQUI, O DESTAQUE É VOCÊ. Participe da próxima edição, contato editorial: sm...

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