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ENTREVISTA Rosa Cardoso, da Comissão da Verdade, comenta os 50 anos do golpe de 64.

Abril 2014 ● 20ª edição ● Ano VIII Distribuição gratuita ● Venda Proibida

ESPORTE As promessas não cumpridas da Copa

Linha

SOCIAL Iniciativa dos trabalhadores transforma realidade

Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações no Estado de São Paulo www.sintetel.org ● sintetel@sintetel.org.br

21 anos de escuridão Com a derrubada de João Goulart do poder, o Brasil viveu um condenável período ditatorial.

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Institucional

Fique por dentro das novidades do mundo do trabalho A TV Web do Sintetel, batizada de Ponto de Encontro, repercute quinzenalmente acontecimentos relevantes para a categoria de telecomunicações e proporciona o aprofundamento e a reflexão sobre os temas abordados. O trabalhador confere todas as semanas quadros fixos com dicas de cultura, lazer e saúde. Inclusive pode participar e esclarecer alguma dúvida. Tudo isso em um bloco único de 15 minutos. Esse canal de comunicação tem o intuito de ser o ponto de encontro do trabalhador

com o Sindicato de maneira leve e dinâmica. Às sextas-feiras um programa novo é disponibilizado no site www.sintetel.org. É possível ver qualquer programa veiculado, não importa a data, a qualquer momento. Para isso, basta clicar na opção TV Web na página principal do site do Sintetel. Ainda é possível sugerir temas para os programas pelas redes sociais e pelo e-mail sintetel@sintetel.org. Assista e interaja com o Sindicato!

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Índice

Capa 21 anos de escuridão Em 1964, o Brasil tornou-se vítima de uma ditadura. O silêncio imperava. A livre manifestação poderia levar à clandestinidade ou à morte

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Entrevista

“O golpe e a ditadura retrocederam as condições de vida dos brasileiros” A advogada Rosa Maria Cardoso, membro da Comissão Nacional da Verdade, faz um resumo dos trabalhos que a comissão desempenha

Tecnologia Difusão de mentiras Por trás das diversas funções aparentes, o Facebook pode ser uma ferramenta implacável

Esporte Muita promessa e pouca realização Atrasos nas obras da Copa do Mundo trazem incertezas sobre a qualidade do megaevento no Brasil

17 Social Iniciativa Casa Amarela Casa abandonada se torna Ponto de Encontro de trabalhadores da Icomon e espaço de lazer da região

Editorias 4 Editorial 12 Economia 14 Aposentados 24 Comportamento 26 Mulher

28 Dia Internacional da Mulher 29 Aconteceu 30 Cultura 33 Passatempo

Artigos 32 50 anos depois Artigo João Guilherme Vargas Netto

34 Instinto Mulher Filha do Universo Artigo do Leitor Linha direta em revista

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Editorial

Expediente

Lembrar para não esquecer

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Almir Munhoz Presidente do Sindicato

sse é o título de um filme que relata a chacina que marcou a história do Rio de Janeiro e do Brasil. Na madrugada do dia 29 de agosto de 1993, 21 jovens foram brutalmente assassinados na comunidade de Vigário Geral. Remeto-me a este trágico acontecimento para destacar a matéria de capa desta revista que marca os 50 anos do golpe de 1964 e a consequente ditadura em que o Brasil caiu. São acontecimentos como estes que não podem ser esquecidos para que nunca mais ocorram. Foram anos difíceis para todos, sobretudo para o movimento sindical e para a liberdade de expressão. Diferentemente de hoje, os sindicatos não podiam fazer seu trabalho de reivindicação, defesa e am-

pliação de direitos e conquistas dos trabalhadores. Vivíamos sob um regime de exceção. Muitas entidades sindicais passaram por intervenções do governo ditatorial. Naquela época, a única forma dos sindicatos chegarem ao trabalhador era por meio da oferta de serviços como colônia de férias, cabeleireiro, barbeiro, ou seja, pelo assistencialismo. Depois de longos anos de chumbo, em 1979, após ampla mobilização social, o último presidente militar, general João Batista Figueiredo, promulgou a Lei da Anistia. Na luta pela redemocratização do Brasil, em 1984, tivemos o Movimento pelas “Diretas Já!”, do qual participei ativamente reivindicando eleições diretas. A eleição de Tancredo Neves, apesar de indireta, decretou o final da ditadura. Lutamos e vencemos. Viva a democracia!

Mensagem do Leitor Quero parabenizar a todos pelo BELO trabalho da revista. Parabéns a todos os que trabalharam  de forma direta e indireta nessa elaboração! Adilson Zuim, aposentado.

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Linha direta em revista

DIRETORIA DO SINTETEL Presidente: Almir Munhoz

Vice-PresidenteCristiane do Nascimento Diretoria Executiva:Aurea Barrence, Fábio Oliveira da Silva, Gilberto Rodrigues Dourado, José Carlos Guicho, José Clarismunde de O. Aguiar. Diretoria Secretário: Alcides Marin Salles, Cenise Monteiro de Moraes, Leonardo Alves Ribeiro, Marcos Milanez Rodrigues, Maria Edna de Medeiros, Paulo dos Santos e Welton José Araújo. Diretor de Aposentados: Osvaldo Rossato Diretores Regionais: Elísio Rodrigues de Sousa, Eudes José Marques, Jorge Luiz Xavier, José Roberto da Silva, Ismar José Antonio, Genivaldo Aparecido Barrichello e Mauro Cava de Britto. COORDENAÇÃO EDITORIAL Diretor Responsável: Almir Munhoz Jornalista Responsável: Marco Tirelli (MTb 23.187) Redação: Emilio Franco Jr. (MTb 63.311), Marco Tirelli e Cindy Alvares Estagiária: Laura Rachid Diagramação: Agência Uni www.agenciauni.com Fotos: Jota Amaro, André Oliveira (BSB Press) Robson Fonseca e Shutterstock Colaboradores: João Guilherme Vargas Netto, Paulo Rodrigues e Theodora Venckus Capa: DIZ Comunicação Impressão: Gráfica Unisind Ltda. www.unisind.com.br Distribuição: Sintetel Tiragem: 10.000 exemplares Periodicidade: Quadrimestral Linha Direta em Revista é uma publicação do Sindicado dos Trabalhadores em Telecomunicações no Estado de São Paulo | Rua Bento Freitas, 64 | Vila Buarque | 01220-000 | São Paulo SP | 11 3351-8899 www.sintetel.org sintetel@sintetel.org.br SUBSEDES: ABC (11) 4123-8975 Bauru (14) 3231-1616 Campinas (19) 3236-1080 Ribeirão Preto (16) 3610-3015 Santos (13) 3225-2422 São José do Rio Preto (17) 3232-5560 Vale do Paraíba (12) 3939-1620 O Sintetel é filiado à Fenattel (Federação Nacional dos Trabalhadores em Telecomunicações), à UNI (Rede Sindical Internacional) e à Força Sindical. Os artigos publicados nesta revista expressam exclusivamente a opinião de seus autores.


Em busca da verdade Linha Direta entrevistou Rosa Maria Cardoso, integrante da Comissão Nacional da Verdade, criada para apurar violações de Direitos Humanos entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988 por Marco Tirelli

E

xatos 50 anos após o golpe militar e 29 anos do fim do regime ditatorial, Linha Direta traz um apanhado destes momentos históricos. Para falar sobre o tema, a entrevistada desta edição é Rosa

Maria Cardoso da Cunha, advogada, professora universitária e integrante da Comissão Nacional da Verdade (CNV). Criminalista, Rosa Cardoso atuou em defesa de presos políticos no

RJ, SP e no DF. Foi a quarta coordenadora da Comissão Nacional da Verdade, entre maio e agosto de 2013. Na entrevista, ela explica os frutos do trabalho da CNV e as consequências dos “anos de chumbo” na sociedade brasileira. Linha direta em revista

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Foto: Beatriz Arruda/SEESP

Entrevista


Entrevista

Rosa Cardoso: Nossa Comissão surgiu quase 50 anos depois do golpe e 30 após o fim dos governos militares. É notável como a Comissão da Verdade se expandiu mediante o surgimento de mais de 100 comissões em todo o País e 150 comitês por memória, verdade e justiça. Esperamos ainda crescer mais na reta final de nosso mandato. Temos tido também uma presença significativa na mídia. Já começamos a fazer nosso relatório e apresentaremos ao público algumas das nossas conclusões. LD - No início dos trabalhos existiam mais de 140 desaparecidos políticos no País. A Comissão conseguiu elucidar estes casos? RC - Elucidar em termos de comissão da verdade não é somente esclarecer como as pessoas efetivamente morreram ou onde foram enterradas, como faremos em vários casos. Nestes, estamos trabalhando com uma equipe de peritos que examinam laudos necroscópicos, acompanham processos de exumação, reveem autos de resistência, denunciando

O golpe e a ditadura retrocederam as condições de vida dos trabalhadores brasileiros 6

Linha direta em revista

foto: Marcelo Oliveira / ASCOM – CNV

Linha Direta - Qual o balanço que a Sra. faz do trabalho da Comissão Nacional da Verdade desde sua criação em 2011?

Da esquerda para a direita: Rosa Cardoso, Pedro Dallari (atual coordenador), José Carlos Dias, Paulo Sérgio Pinheiro, Maria Rita Kehl e José Paulo Cavalcanti.

farsas dos agentes da repressão e de seus comandos e indicando a forma como as pessoas morreram. Mas fizemos e estamos fazendo audiências públicas, nas quais ouvimos vítimas e testemunhas que também esclarecem como ocorreram a tortura, os desaparecimentos e as mortes. LD - O Chile e a Argentina, por exemplo, também tiveram Comissões da Verdade. Quais as diferenças entre o trabalho realizado naqueles países e o que é feito no Brasil? RC – A nossa não tem a centralidade social que tiveram as comissões da Argentina e do Chile, instaladas ainda quando aquelas sociedades faziam o luto pelos seus filhos e parentes. A comissão argentina trabalhou somente com depoimentos das vítimas. Não indicou o nome dos autores dos fatos. O Chile teve três comissões da verdade e também trabalhou com

estes depoimentos. O Chile não indicou autores. O Peru, El Salvador e o Paraguai o fizeram. Mas na Argentina e no Chile, depois da prisão de Pinochet, houve judicialização dos casos. Nos dois países os julgamentos estão em curso. LD - No decorrer das investigações da Comissão, qual fato ou acontecimento chamou mais a sua atenção? RC - O interesse da mídia em saber o que a Comissão Nacional da Verdade faz, seja para apoiá-la ou para desqualificar a sua atuação. LD - Existe um ramo de investigação na CNV que tenta elucidar a repressão que sofreu o Movimento Sindical. Como este trabalho é realizado? RC - Por intermédio de um Grupo de Trabalho específico, que reúne 10 Centrais do Movimento Sindical e busca esclarecer 11 questões vinculadas à perseguição, prisão,


tortura, desaparecimento e morte de trabalhadores, bem como, a desarticulação do movimento sindical, mediante intervenções nos sindicatos, cassações e intimidação de líderes sindicais. Também investigamos o que a ditadura promoveu em termos de flexibilização da legislação social e sindical, gerando perdas salariais e previdenciárias para a classe trabalhadora, fazendo-a recuar em suas conquistas e criminalizando suas formas de luta. Ressalte-se, por fim, a investigação sobre a parceria e cumplicidade dos empresários na repressão e “arrocho salarial” da classe trabalhadora. LD - Em sua opinião, há arrependimento daqueles que aplicaram o golpe e seus apoiadores ou eles não se arrependeram das práticas utilizadas pela repressão? RC - Eles devem constatar que não têm o respeito da sociedade brasileira, mas tão somente de um pequeno grupo do Clube Militar, que insiste em avaliá-los como heróis tropicais da guerra fria. No entanto, estes heróis da guerra fria negam veementemente o conteúdo de seus comportamentos, ou seja, que torturaram, mataram, sequestraram, ou mesmo que sabiam que isto estava acontecendo. Ainda assim emprestavam apoio ao regime. Percebem que suas práticas foram ilegais, inconstitucionais, avessas à civilização, insustentáveis perante seus filhos e vizinhos. Creio que mesmo sem terem mudado os seus valores identificam que o custo de suas ações ou adesão foi e é maior do que o benefício que tiveram.

LD - Muito se disse no início dos trabalhos da Comissão que seria necessário investigar também a violação, os atentados e assassinatos realizados pelos militantes de esquerda contrários à ditadura. A sra. concorda com essa visão? RC - Todos sabemos que os insurgentes já foram julgados. Os Inquéritos Policial Militar, processos, condenações impostas foram “publicitados”, ocorreram em locais conhecidos como quartéis, departamentos de ordem política e social, auditorias da justiça militar, enfim, esta estória é conhecida. LD - O que a Sra. pensa a respeito da Lei de Anistia? RC - Penso que ela deve ser reinterpretada permitindo-se que o Brasil cumpra os tratados que assinou em matéria de direitos humanos, tanto como a sentença da Corte Interamericana que afirma que autoanistia não vale para crimes de lesa-humanidade, como os ocorridos durante a ditadura. LD - A sra. acredita que a Comissão da Verdade, da forma que foi implantada, já cumpre com os objetivos ou deveria também

A ditadura promoveu a flexibilização da legislação social e sindical, gerando perdas salariais e previdenciárias para a classe trabalhadora

Foto: Marcelo Oliveira/Ascom - CNV

Entrevista

ter o poder de punição? RC - Penso que o poder de investigar e enunciar as conclusões alcançadas não pode se confundir com o poder de julgar. A comissão da verdade não deve funcionar como uma justiça de exceção. Os crimes contra a humanidade praticados no Brasil devem ser julgados por nosso Poder Judiciário. LD - Qual legado a CNV deixará para a história do Brasil? RC - Devemos deixar claro para o País que o arbítrio e a violência de uma ditadura jamais se justificam e que ditaduras não são soluções para a superação de crises sociais. Devemos também reescrever a história que nos atribuíram contar comprovando que o golpe e a ditadura foram construídos a partir de uma usina de mentiras e de fraudes. Hitler, Stálin e Pinochet fizeram assim, toda ditadura faz assim. Leia a entrevista completa em www.sintetel.org/novo/entrevistas.php Linha direta em revista

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Tecnologia

Difusão de mentiras Por trás das diversas funções diretas e aparentes, o Facebook, maior rede social do mundo, pode ser uma ferramenta implacável por Cindy Alvares

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mitir opinião e compartilhar com amigos impressões sobre alguém ou algum fato é algo comum. Entretanto, as redes sociais permitem que isso aconteça com maior repercussão e que os “vereditos” se tornem mais equivocados do que nunca. A recepcionista Cláudia Souza, 36 anos, era casada há 11 anos quando uma suposta foto sua abraçada a um homem mais jovem foi publicada no grupo que a família de seu marido mantinha no Facebook. A postagem, feita por um perfil fake (falso), foi compartilhada e comentada por diversos membros. “Não aparecia o rosto da mulher, mas ela tinha cabelo e corpo parecidos com o meu. Até a roupa era igual a minha”, explica Cláudia. Ela conta que tentou em diversos momentos argumentar que não era ela na foto. Mas, após tomar conhecimento do caso, o marido foi morar com a mãe. 8

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Após uma semana, o mesmo perfil que divulgou a polêmica imagem postou a seguinte mensagem no grupo: “Gente, essa foto é uma mentira. Eu fiz a montagem por brincadeira. Minha intenção não foi ‘causar’. Foi mal”. Porém, nesse meio tempo, o casamento já havia sido desfeito. Em fevereiro de 2014, o Facebook ultrapassou o número de 1,2 bilhão de usuários registrados. De acordo com Leonardo Tristão, diretor-geral da empresa, o Brasil é o 2º país com mais usuários que acessam diariamente o Facebook, ficando atrás somente dos EUA, berço da companhia. São 61 milhões de pessoas que o tempo todo curtem, postam e compartilham imagens, vídeos e ideias, só no Brasil.

Dispersão das informações

O jornalista Alan Gripp, em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo, definiu no que se transformou o Facebook. “Um imenso fórum democrático. Terreno fértil para conclusões precipitadas e intolerantes”. Em menos de 24 horas após a divulgação nos noticiários, a morte de Kaique Augusto Batista, 16 anos, na capital paulista, gerou uma repercussão equivocada. “Meu filho foi brutalmente assassinado por ser gay”, dizia a mãe do jovem. Os facebookeiros "compraram” a causa, fizeram uma manifestação, exigiram a identificação e a punição dos culpados. Quando, na verdade, não se tratava disso. O garoto deixou uma carta de des-


Tecnologia pedida para a mãe e, após o t��rmino de um relacionamento, cometeu o suicídio. Em 1983, muito antes do conceito de rede social ser diretamente relacionado à internet, o teórico da comunicação Ithiel de Sola Pool já previa a maneira superficial pela qual as pessoas absorveriam as informações. “Novas tecnologias midiáticas permitirão que uma informação repercuta em vários canais diferentes. Com essa pluralidade de experiências, a tendência é que as pessoas reflitam menos sobre os fatos”. E assim, sem refletir e precipitadamente, diversas mentiras, que

afetam a vida de outras pessoas, são propagadas sem critério algum na rede. O ator que interpretou o personagem Chaves, Roberto Bolaños, teve uma das pseudomortes mais publicadas no Facebook. O mexicano chegou a publicar em seu perfil no twitter: “Estou recebendo muitas mensagens de luto do Brasil. Quando eu morrer de verdade, ninguém vai acreditar”. Em 2009, a imprensa mundial ouviu a história da belga Kimberley Vlaeminck, com 18 anos na época. Ela virou notícia após “gritar” nas redes sociais que um tatuador tinha desenhado 56 estrelas em seu rosto, em vez das três que “ela pediu”. Várias emissoras de

Proteja-se das

armadilhas

Ter total controle de quem pode ou não visualizar suas informações é imprescindível para quem quer se preservar. Utilizar as ferramentas de privacidade dificulta a queda em armadilhas. No caso de Cláudia, o grupo que teve a imagem publicada era “aberto”, ou seja, qualquer pessoa poderia ser membro, ver as publicações e, inclusive, publicar. Para aqueles que pretendem ter a liberdade de postar algo confidencial aos membros, grupos “fechados”

ou “secretos” são recomendados. A escolha de um “administrador” do grupo também pode ser determinante. Na opção editar configurações do grupo é possível classificar uma pessoa como responsável por avaliar quem entra e o que é postado. Já os atalhos de privacidade permitem o controle de visualização de qualquer tipo de postagem feito por um perfil particular.

TV a procuraram, ela processou o artista e mais tarde admitiu que havia mentido. O tatuador disse ao jornal belga que ele fez o que a cliente pediu. “Meu estúdio nunca mais teve o mesmo movimento”, contou. Essas mentiras espalhadas pela internet são conhecidas como hoax. “Quem emitiu ou repercutiu alguma farsa nas redes, já potencializou algum”, explica Cleber Ruhrer, professor e especialista em social media. O especialista assume que as redes sociais contribuíram para a democratização das informações, mas alerta quanto ao uso. “Não podemos perder o bom senso, nem mesmo no Facebook. A disseminação das informações por esses meios é arriscada e não oferece tempo hábil para desculpas. Buscar informações em diversos lugares é fundamental para se prevenir de equívocos”. Linha direta em revista

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Esporte

Muita promessa e pouca realização Atrasos nas obras da Copa do Mundo trazem incertezas sobre a qualidade do megaevento no Brasil por Laura Rachid

A Arena da Baixada (Curitiba) está prevista para ficar pronta em maio, mas quase ficou de fora do mundial por conta de atrasos

“T

udo estará pronto no prazo e os serviços funcionarão a contento”. Essa afirmação foi feita pelo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, em entrevista à Revista Linha Direta, em abril do ano passado. Após um ano, conclui-se que o ministro se equivocou. 10

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Faltando por volta de 60 dias para o início do Mundial, diversas obras não estavam prontas, como aeroportos e estádios - inclusive o de abertura -, os serviços de telecomunicações não haviam sido instalados, sem contar obras inacabadas de infraestrutura nas cidades-sede. O monotrilho Norte/Centro e o BRT Leste/

Centro, ambos em Manaus, nem sequer saíram do papel. O Brasil recebeu oficialmente a notícia de que seria o País sede da Copa em 2007, ou seja, teve sete anos para se preparar e, mesmo assim, as coisas não saíram como planejado. O presidente da FIFA, Joseph Blatter, criticou. “É o País com mais atrasos


Esporte desde que estou na FIFA [ele entrou em 1975], e foi o que teve mais tempo para se preparar”.

boa parte através de financiamentos com bancos federais, como é o caso do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e da Caixa Econômica Federal.

“O governo sempre afirma que a Copa vai trazer melhorias para o País, mas por que pensar essa aceleração no processo de Em relação aos gastos públicos para transporte e mobilidade só na o megaevento, a Suécia deu um época do evento?” belo exemplo aos nossos governan-

A cutucada é mais do que merecida. Das 56 obras de mobilidade urbana previstas para a Copa, restaram 41 projetos, dos quais muitos ainda estão sendo construídos. Até o início de março, apenas seis projetos tinham sido entregues, como a reforma no Terminal Santa Cândida, em Curitiba, e o corredor de ônibus Arrudas/ Teresa Cristina, em Belo Horizonte, ambas obras de pequeno porte.

to Alegre, também é exemplo de estouro no orçamento. Ele ficou 154% mais caro. Passou de R$130 milhões para R$330 milhões.

O prazo para os estádios estarem prontos era dezembro de 2012, mas apenas dois dos 12 estádios cumpriram o prazo: o Castelão, em Fortaleza, e o Mineirão, em Belo Horizonte. Os seis estádios que não participaram da Copa das Confederações passaram a ter outra data de conclusão, dezembro de 2013, mas nenhum cumpriu o combinado. As Arenas Corinthians, Amazônia e Baixada são os estádios mais atrasados e restando aproximadamente dois meses para a Copa, ainda não foram concluídos.

Outro grande atraso são as instalações dos sistemas de telecomunicações e TI (Tecnologia da Informação). Os sistemas serão os responsáveis para que os celulares e computadores, tanto dos torcedores quanto da imprensa, transmitam dados. A instalação dura, normalmente, 90 dias e só pode ser feita quando o estádio estiver pronto. A Arena da Baixada, em Curitiba, só ficará pronta em maio, ou seja, a equipe terá menos de 30 dias para colocar a mão na massa e garantir a conexão, comprometendo assim a qualidade dos sistemas.

Assim como os prazos não foram cumpridos, os orçamentos seguiram a mesma linha. O investimento inicial para os estádios, segundo a Matriz Responsabilidade (documento que reúne as obras prioritárias do megaevento), era de R$ 6,76 bilhões, mas superou os R$ 8 bilhões. O estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, é o mais caro. O valor inicial era de R$745,3 milhões, mas o custo final foi para R$ 1,566 bilhão. O Beira Rio, estádio sede em Por-

A Arena da Baixada é do Atlético-PR e segundo o presidente do clube, Mauro Celso Petraglia, os atrasos ocorrem porque o governo do Estado do Paraná e a prefeitura de Curitiba demoraram para liberar o dinheiro que financiariam as obras. Para não esquecer O custo total da Copa é de R$26 bilhões (no mínimo), de acordo com a Matriz Responsabilidade. 80% desse montante veio de dinheiro público,

tes. No início do ano, o país resolveu não se candidatar para receber os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, pois o custo seria muito alto e as chances de usar dinheiro público seriam grandes. “Temos outras necessidades, como a construção de mais moradias”, afirmou o primeiro-ministro Fredrik Reinfeldt, ao jornal Dagens Nyheter. Mas por que tanto atraso? Segundo o economista Thiago Calçado, há uma herança histórica que fez o nosso Estado não trabalhar para a sua população e sim a para o interesse dele próprio. “Esses conchavos [aliança entre políticos e empresários] acabam dificultando as obras e tudo fica mais caro. Além do custo da própria obra, você tem o custo do interesse de quem gerencia a obra”. O economista ressalta, ainda, que os estádios não foram construídos para os brasileiros, mas sim para o megaevento. “O governo sempre afirma que a Copa vai trazer melhorias para o País. Por que pensar essa aceleração no processo de transporte e mobilidade só na época do evento? Precisamos começar a entender que as decisões públicas partem do interesse privado e não das necessidades da população”. Linha direta em revista

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Economia

Discurso do caos Economistas, empresários e políticos fazem considerações sobre a economia brasileira e, apesar de críticas pontuais, refutam um quadro catastrófico. por Emilio Franco Jr.

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á um forte discurso nas análises econômicas sobre um possível erro na condução econômica por parte do governo federal. Não é de hoje que economistas pedem a cabeça do ministro da Fazenda Guido Mantega que, mesmo assim, ainda tem muito prestígio junto ao alto escalão do Palácio do Planalto, principalmente com a presidenta Dilma Rousseff.

Considerando-se erros e acertos, é preciso ter calma. Ao menos, é isso que acredita o presidente da mineradora Vale do Rio Doce, Murilo Ferreira. Ele alerta para a contaminação do debate econômico. “Estamos numa disputa eleitoral desde o início de 2013 e isso está atrapalhando o País porque se criou um embate entre grupos políticos”. Quem concorda com essa visão é o economista Luiz Gonzaga Belluzzo. “O debate foi completamente contaminado pela eleição”. Nesta mesma linha de raciocínio está Antonio Maciel Neto, presidente do Grupo CAOA. “O Brasil não está tão bem quanto antes, mas está longe de estar mal”, asse12

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gura. Protagonista de uma polêmica recente com Diogo Minardi, ex-colunista da Revista Veja, a empresária Luiza Trajano, dona da rede varejista Magazine Luiza, também acredita que as análises econômicas estão totalmente contaminadas pelo calendário eleitoral e que as críticas não fazem sentido para a grande maioria da população. “Esse discurso do caos terá que ser adaptado porque só convence os investidores”, acredita. A empresária lembra que o País vive uma situação de quase pleno emprego, com crescimento da renda média do trabalhador. Ela ainda trouxe dados animadores durante o evento Diálogos Capitais – Fórum Brasil. “Temos atualmente o menor nível de endividamento, a inadimplência é mínima”, assegura ao apresentar dados do IDV (Instituto para o Desenvolvimento do Varejo). Negando de vez o dis-

"Temos um bom desempenho no índice de emprego e renda, mas existem indicadores ruins também".

O Ministro da Fazendo tem sofrido ataques pela condução da economia brasileira.

curso de problemas graves na economia, e quase em um tom político, ela conclui: “a população quer saber é de ter emprego e renda”. Mesmo assim, empresários e economistas concordam que cabem críticas ao governo. “Nós realmente temos um bom desempenho no índice de emprego e renda, mas existem indicadores ruins também”, ponderou Murilo Ferreira. Um dos maiores argumentos negativos é a baixa produtividade da indústria. O que acontece, garantem, é que há um abalo entre o setor público e privado. “Temos uma crise de confiança e expectativa,


Economia o problema do Brasil atualmente é político”, defende Eduardo Campos, governador de Pernambuco e pré-candidato à presidência da República. Para Campos, que foi ministro no governo Lula, o desafio maior é melhorar a produtividade e a qualidade de vida que, segundo ele, piorou muito nas grandes cidades apesar do crescimento econômico. Essa percepção negativa da população sobre os centros urbanos e os serviços públicos estabelece, mesmo que de forma involuntária, um contraponto com o discurso da empresária Luiza Trajano. Apesar das constantes críticas, Campos também põe o pé no chão e pondera: “não é o caso de fazermos o discurso do alarmismo”. Mesmo assim, é comum ver análises pessimistas sobre o aumento dos preços e o baixo crescimento do País. “Nossa inflação é desconfortável, mas não há ne-

Glossário Taxa Selic – é a taxa básica de juros que serve como referência para o mercado. Câmbio – é o valor da moeda de um país frente às moedas estrangeiras, como é o caso do Real em relação ao dólar. PIB – Produto Interno Bruto, é a soma de todas as riquezas produzidas por um país em um determinado período.

Economistas como Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo não veem cenário trágico na economia brasileira, mas ressalvam que existem erros.

nhum risco. Tivemos erros, claro, como é o caso do controle de alguns preços, mas não há mesmo cenário trágico”, garante o economista Delfim Netto. Entre estes equívocos, Belluzzo cita a demora no reajuste dos preços dos combustíveis por parte da Petrobrás, até mesmo como um mecanismo para conter a inflação. Delfim Netto também critica certas estratégias adotadas pelo governo para controlar os preços e cita os constantes aumentos na chamada taxa Selic por parte do Banco Central. “O Brasil volta a ter o maior juro real do mundo, além disso, insistimos em usar também o câmbio para controlar a inflação. Isso destrói a indústria”. Delfim acrescenta que o crescimento do País atualmente depende da capacidade de investimento do setor privado. “Se não superarmos a desconfiança do mercado, va-

mos continuar patinando com um PIB baixo”. Para o economista, contudo, não há apocalipse a caminho, mas o governo tem tido dificuldades. Em 2013, a economia mundial registou expansão de 3%. O Brasil, por sua vez, teve um PIB de 2,3%. O crescimento médio nos últimos dez anos, contudo, foi de 3,6%. Nesse período, a inflação estabilizou-se no patamar médio de 5,9% ao ano. Como disse o Nobel de Economia Paul Krugman: “lidar só com números é chato e eles são quase uma peça de ficção científica”. Parece melhor, então, ver como a economia, esteja ela com bons ou maus indicadores, se reflete em qualidade de vida e em uma sociedade mais igual. Vale o esforço para enxergar além dos interesses de investidores e grupos econômicos. Linha direta em revista

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Aposentados

A trajetĂłria de um batalhador Oswaldo Santiago ĂŠ paulistano da gema nascido no famoso bairro boĂŞmio de Vila Madalena, em 20 de fevereiro de 1939 por Marco Tirelli

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Aposentados

O

swaldo Santiago, viúvo do primeiro casamento no qual teve três filhos, também é pai de duas filhas de um relacionamento durante sua viuvez. Atualmente, com 75 anos, é casado há 23 anos com Juliana Figueiredo, com quem teve seu último filho. No início da infância morou na esquina da Rua Wisard com a Girassol. “A Vila, no final da 2ª Guerra Mundial, não tinha ruas pavimentadas, era formada por muitas chácaras”, lembra. Santiago tinha seis anos de idade quando a família se mudou para o Jardim Popular, na zona leste da capital. “Morávamos em um verdadeiro gueto, uma casinha junto da outra. Após alguns anos, éramos em 14 irmãos e hoje tenho 54 sobrinhos.”, conta. Ele conta que, quando criança, ia com seu pai ao Bairro da Barra Funda ajudá-lo a vender bananas. "Quando os trens chegavam atrasados à estação com a carga, os compradores, devido à demora, não queriam mais os cachos maduros. Então diversas pessoas arrematavam a carga e vendiam ao povo a fruta pronta para o consumo”, lembra. Havia uma praça na qual acontecia o comércio e, por isso, foi apelidada de Largo da Banana, ponto de encontro também para os sambas de roda, rodas de capoeira e serestas. Lá, foi fundado por Dionísio Barbosa o primeiro cordão carnavalesco paulista, o Grupo Carnavalesco Barra Funda, formado por membros da população negra que se sentiam excluídos da Festa do Momo. Reorganizado como Camisa Verde por Ino-

cêncio Tobias, o bloco foi perseguido pela polícia política de Vargas, confundido como simpatizante do Partido Integralista, até a alteração do nome para Camisa Verde e Branco. Primeiros empregos Oswaldo lembra que seu primeiro emprego, aos 16 anos, foi no Bairro de Santa Cecília, em uma fábrica de colchões. “O meu serviço era entregar colchões puxando uma carrocinha de duas rodas, serviço difícil que aguentei por mais de um ano”, recorda. Em seguida, Santiago conseguiu emprego de ajudante na Otis Elevadores, na Vila Buarque, mesmo bairro onde se encontra a sede do Sintetel. Entretanto, desanimou de prosseguir na profissão ao presenciar dois acidentes fatais com colegas de trabalho. Seu emprego seguinte foi o de entregador de boletos bancários. “Ganhávamos por produção, ou seja, recebíamos conforme o volume de entrega de documentos e andávamos o dia inteiro”, explica. E foi trabalhando

como entregador que Santiago, certa vez, passou na Rua do Gasômetro e viu uma placa que dizia: “Aguardem o novo jornal, o Notícias Populares”. Aqueles dizeres despertaram a curiosidade de Santiago, que foi saber do que se tratava. “Entrei num boteco para tomar um café e comecei a ouvir a conversa do povo sobre o jornal. Descobri o nome do diretor e, como sou aventureiro, arrisquei uma conversa com ele”, conta. A sorte estava do lado de Santiago, pois sua audácia lhe rendeu um emprego melhor. No dia seguinte, se apresentou ao responsável pela tiragem da publicação. “Trabalhei lá por quase três anos até o jornal ser vendido para o grupo Folha de S.Paulo”, lembra. Santiago se aventurou novamente em uma publicação. “Entrei como chefe de distribuição de um novo jornal chamado Combate Democrático, mas fiquei por pouco tempo, pois o jornal, por falta de dinheiro, não foi para frente”, conta.

Ao lado do governador Franco Montoro na organização do Movimento Negro no Estado de São Paulo Linha direta em revista

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Aposentados Ingresso na Companhia Telefônica Brasileira Certo dia, quando passava pela Rua Sete de Abril, Santiago se deparou com uma enorme fila em frente ao prédio da CTB. “Eu pensei que estavam vendendo telefones e por isso entrei na fila. Após duas horas de espera, já estava dentro do prédio, quando veio um senhor e me perguntou em que eu queria trabalhar”, conta. “Lembro como se fosse hoje. Era 26 de setembro de 1966 e eu estava em busca de um emprego, pois trabalho eu já tinha aos montes”, pontua. Naquele mesmo dia, Oswaldo Santiago fez exames médicos e, no dia seguinte, apresentou sua documentação e foi admitido no cargo de ajudante de cabista. “Eu me apresentei na garagem Universo, na Avenida Celso Garcia, pois era de lá que saiam os carros para fazer os reparos nas ruas e casas”, relembra. Santiago trabalhou na rua menos de um ano. Na época, respondia para um cabista que explorava o seu trabalho, pois dava ordens de forma mal educada. “Certa vez ele me chamou de ‘negão’ e disse que eu era muito lento. Esperei ele subir em uma plataforma de entrada e saída de cabos, quando ele estava lá em cima, eu tirei a escada e disse que ele ficaria lá, pois eu iria embora”, diverte-se. Algumas horas mais tarde, Santiago colocou a escada de volta. “Disse a ele que eu tinha nome e que eu exigia ser tratado com educação. O cabista nunca mais falou comigo e, no dia seguinte, tive que me expli16

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Santiago realiza assembleia no prédio da Telesp (garagem Nações Unidas)

car para o chefe”, conta. Santiago explicou que a única coisa que tinha aprendido naquele período era colocar escada no poste e pegar ferramentas. “O chefe ficou possesso, pois o ajudante tinha que aprender o serviço e então mandou o cabista para a rua sem ajudante nenhum”. Dentro da Companhia, Santiago faz questão de citar aquele que foi o seu mestre, Sebastião Salustiano de Jesus. “Esse camarada era semianalfabeto, mas tinha um incomparável conhecimento em telecomunicações, coisa que muito engenheiro não tinha”, recorda. Depois de aprender o serviço, Santiago foi transferido para um Distribuidor Geral após ser abordado pelo encarregado geral, que gostou da sua atitude profissional. “Depois disso fui promovido a despachante de cabista na estação da rua Benjamin Constant. A partir daí, recebi algumas outras promoções e meu último cargo na empresa foi no setor de Exame de Linhas como assistente na área de engenharia de manutenção da rede". Santiago se aposentou em 1985, mas ficou na empresa até 1989. A vida de sindicalista Tornou-se sócio do Sintetel assim que entrou na empresa. Convidado a participar do Sindicato pelo então presidente Rubens de Biasi (gestão 1969-1981). “Fui delegado sindical,

membro do Conselho Fiscal, diretor adjunto de Finanças e, na gestão de Oswaldo Rossato, entrei para a diretoria executiva como Secretário Geral”, conta. Oswaldo participou de um dos mais importantes momentos do movimento sindical brasileiro. “Eu fiz parte da 1ª Conferência Nacional da Classe Trabalhadora – CONCLAT-, em 1981. Também ajudei a organizar a grande greve de 1985 que marcou a história da nossa categoria”, conta. Santiago atuou pela valorização do trabalhador, no qual organizou o movimento do trabalhador telefônico negro. “O objetivo do movimento era sermos reconhecidos como trabalhadores independente de raça, cor ou credo.”, discursa. Em paralelo às suas atividades, Santiago também atuava na Associação Amigos do Jd. Maria Helena, em Barueri, como fundador e sócio-presidente. Santiago se dedica ao trabalho social e espiritual. “Faço parte do Movimento Apostólico Schoenstatt, segmento da Igreja Católica criado com o objetivo de orientar e renovar forças para viver a fé Católica na vida diária”, explica. Oswaldo congrega na Igreja Católica Matriz do Jaraguá e no Santuário da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt-Jaraguá-SP.


Social

Eles acreditaram, lutaram e transformaram Casa abandonada se torna Ponto de Encontro dos trabalhadores da Icomon e espaço de lazer da região por Laura Rachid

Vista do novo Ponto de Encontro. Os trabalhadores pretendem fazer mais grafites para evitar pichações

“E

ra uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada”. Mais ou menos assim era a “Casa Amarela”, moradia abandonada do Parque Jd. Inocoop (Guarulhos) que, com

a luta dos técnicos de banda larga da Icomon Cumbica/Dutra, foi reformada e há cerca de três anos se tornou Ponto de Encontro dos trabalhadores, biblioteca comunitária, espaço de lazer para idosos e de aulas de capoeira gratuitas.

A casa, ao contrário do que diz a música, na época do abandono tinha teto e tinha algumas coisas, como muita sujeira, pichação, porta arrombada, vidro quebrado, lustres pendurados e um mato gigantesco à sua volta. Com Linha direta em revista

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Social muita força de vontade, os trabalhadores inverteram o jogo. Tudo começou em uma manhã chuvosa, justamente no dia em que os técnicos precisavam se reunir no habitual Ponto de Encontro, localizado na praça da Rua 1 com a Av. Senador Teotônio Vilela, para discutirem assuntos de trabalho. “A praça é ao ar livre e com a chuva resolvemos ir para a “Casa Amarela” porque pelo menos lá teríamos um local fechado para continuar a reunião”, conta Klinger dos Santos Lopes, técnico de banda larga da Icomon e um dos responsáveis pela mobilização. Para a sorte dos trabalhadores, ao chegarem à “Casa Amarela” eles se depararam com uma coordenadora da prefeitura de Guarulhos e, de imediato, tiveram a ideia de tentar negociar com ela para tornar a casa o Ponto

Trabalhadores se reúnem na “Casa Amarela” antes de irem trabalhar

de Encontro deles. Após quatro dias de negociações, com a condição de alguns trabalhadores fazerem parte do Conselho Comunitário da região (que foi aceita pelos funcionários), a prefeitura cedeu o espaço. Desse dia em diante, os trabalhadores colocaram a mão na mas-

Mas o que é um Ponto de Encontro?

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É um local em que os trabalhadores das empresas prestadoras de serviço em telecomunicações se encontram para o supervisor saber o andamento do trabalho, receber relatórios e entregar materiais.

Hoje os trabalhadores ficam expostos ao sol e à chuva nos chamados Ponto de Encontro. “Há Ponto de Encontro em posto de gasolina, boteco, praça, qualquer local fácil de chegar”, explica o técnico de banda larga Klinger dos Santos Lopes.

O problema é que esse local pode ser em qualquer lugar. Em 2004, sem se preocuparem com o bem estar dos trabalhadores, as empresas alegaram que precisavam reduzir os custos e começaram a tirar os funcionários dos centros operacionais.

O Sindicato, por sua vez, é contrário aos pontos de encontros e defende a volta do modelo anterior. “Nós estamos tentando acabar com esta prática, mas as empresas relutam. Queremos mudar esta situação”, declara Almir Munhoz, presidente do Sindicato.

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sa. Os responsáveis pela reforma foram o então supervisor operacional Edvan Rocha, o Klinger, e Paulo dos Santos, atual diretor do Sindicato que, na época, era um dos técnicos. “Eu forneci a tinta, o Klinger pintou e o Edvan organizou para comprar reatores para as lâmpadas”, conta Paulo. Os três, com a ajuda dos demais trabalhadores, pintaram, instalaram Internet, orelhão interno, entre muitas outras coisas, tudo com dinheiro arrecadado por eles. O novo Ponto de Encontro agora tem banheiro, cozinha para fazer café, esquentar marmita e ainda uma TV, tudo que o antigo, na praça, não possuía. “Esse é o verdadeiro Ponto de Encontro. Antes ficávamos em baixo do sol, na chuva, e nem tínhamos banheiro. A melhor coisa que aconteceu foi essa mudança”, desabafa Klinger, que trabalha há 15 anos na empresa e é também diretor de base do Sindicato.


Social

O ponto de encontro da casa amarela é tão diferente dos demais que muita gente não acredita que exista O atual supervisor operacional, William Oliveira, foi transferido da Icomon da Vila Gustavo para a de Cumbica há cerca de um ano, quando a “Casa Amarela” já era o ponto fixo dos trabalhadores. “De cara a coisa que mais gostei na transferência foi o Ponto de Encontro. Aqui tenho facilidade para conversar com os técnicos e a receptividade é bem diferente do que na chuva. O espaço fechado une a equipe”, afirma o supervisor.

Da esquerda para a direita: Paulo dos Santos, Klinger dos Santos Lopes e Leonardo Alves Ribeiro

O Ponto de Encontro da “Casa Amarela” é tão diferente dos demais que muita gente não acredita que ele exista. “Quando o Klinger comentou comigo que eles conseguiram um lugar confortável eu não acreditei. É meio irreal. Resolvi ir lá olhar e achei incrível. É totalmente diferente dos outros Pontos”, revela Leonardo Alves Ribeiro, ex-técnico LP de Dados e atual diretor do Sindicato. Hoje os moradores da região, principalmente aqueles que vivem de frente para a “Casa Amarela”, agradecem aos trabalhadores, pois a ocupação melhorou a vida deles também. É o caso da cabeleireira Regina Aparecida Aviz. “Antes da reforma muita gente ficava usando drogas e transando, chegavam até a invadir a casa pelo telhado para fazerem besteira.

A cabeleireira Regina Aparecida Aviz mora de frente para a “Casa Amarela” e afirma que o Ponto de Encontro trouxe segurança para a região

Com os trabalhadores na casa eles não vêm. Queria que eles ficassem o tempo todo, porque quando eles saem da casa os drogados voltam para o entorno”. A reforma não para. Hoje os trabalhadores querem colocar computa-

dores para a comunidade usar, pintar o chão, fazer mais grafites e adquirir um refil para o filtro de água. Com tanta mudança, o vereador de Guarulhos Moacir de Souza reconheceu, em dezembro de 2013, a “Casa Amarela” como Centro de Referência da Juventude.. Linha direta em revista

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Capa

Mancha histórica

De 1964 a 1985 o Brasil viveu um de seus mais vergonhosos períodos, época em que expressar sua opinião poderia ser também a assinatura da sua sentença de morte

por Emilio Franco Jr. e Marco Tirelli

E

m 31 de março de 1964 tropas do Exército de Juiz de Fora, comandadas pelo general Olímpio Mourão Filho, se deslocaram para o Rio de Janeiro antes do combinado com outros líderes da conspiração e até mesmo antes de outros setores do exército tomarem conheci20

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mento da empreitada. João Goulart, ao saber do cenário que se desenhava, voou para Porto Alegre, encontrou-se com líderes militares da região e também com políticos como Leonel Brizola para avaliar a situação. Dando o golpe como irreversível e

para evitar uma guerra civil, abandonou a presidência, passou dois dias em uma fazenda e, depois, se refugiou no Uruguai. Começava aí um longo período no qual o Brasil mergulhou em uma ditadura que, ao longo de 21 anos, cassou políticos, perseguiu adversários, censurou, torturou e assassinou.


Capa É importante ressaltar que tanto o golpe de 1964 quanto o regime autoritário que se seguiu foram de caráter civil-militar, e não apenas militar. Deve-se destacar a participação de forças políticas e o apoio de grandes grupos econômicos à conspiração contra João Goulart. Para historiadores como Jorge Ferreira e Angela de Castro Gomes, “o golpe pôs fim ao regime democrático e instituiu uma ditadura com ampla participação da sociedade: empresários, meios de comunicação, políticos e setores médios”. Se o golpe foi claramente militar, teve sucesso graças ao amplo apoio civil. Os governadores de São Paulo, Adhemar de Barros, da Guanabara, Carlos Lacerda, e de Minas Gerais, Magalhães Pinto, colocaram suas polícias em ação. O presidente do Congresso, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a Presidência da República quando Goulart ainda estava em território nacional. O Supremo Tribunal Federal omitiu-se. Meios de comunicação celebraram o golpe e a igreja apoiou a Marcha da Família com Deus pela Liberdade execrando um suposto perigo comunista. Assumiu o poder o general Humberto Castelo Branco.

sua própria vida, a situação política nacional já estava abalada. Juscelino Kubitscheck foi eleito em pleito eleitoral direto para o governo seguinte e desenvolveu uma administração que contava com o apoio popular, mas por vários momentos os militares esboçaram um golpe de Estado. O sucessor na presidência foi Jânio Quadros, eleito com enorme apoio dos brasileiros - recebeu a maior quantidade de votos vista até então. A vitória fez com que Jânio planejasse um autogolpe de Estado. Isso quer dizer que, acreditando na hipótese de que o povo o apoiaria sempre, arquitetou um plano de renúncia para voltar ao poder por meio de um pedido amplo de retorno. Algo que ele só aceitaria se lhe fossem dados poderes absolutos. O plano, entretanto, não funcionou e o cargo de presidente acabou ficando disponível para o seu vice, João Goulart.

João Goulart era um jovem que havia aparecido na cena política nacional como Ministro do Trabalho do segundo governo de Getúlio Vargas. Jango, como era chamado, tinha claras aproximações com ideologias de esquerda, o que o fazia ser considerado como uma ameaça pelos mais conservadores. Para piorar, quando Jango recebeu a notícia da renúncia de Jânio Quadros, estava em viagem política na China comunista. Os políticos de direita tentaram de várias formas impedir a posse do vice-presidente, mas Leonel Brizola, cunhado de Jango e governador do Rio Grande do Sul, sustentou o retorno e a posse legítima de João Goulart. O presidente empossado tentou aplicar uma política voltada para as questões sociais. Foi muito combatido pelos direitistas e criticado como uma ameaça comunista. O estopim necessário para explodir um golpe militar se deu quando Brizola e João Goulart fizeram um

O início A decisão de dar um golpe no governo João Goulart por parte dos militares não foi algo repentino, aconteceu como consequência de uma série de fatos políticos acumulados no período republicano após Getúlio Vargas. Quando este presidente resolveu colocar um fim à Linha direta em revista

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Capa para punir arbitrariamente os que fossem inimigos do governo ou como tal considerados.

discurso na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em 13 de março, declarando as reformas de base, lideradas pela reforma agrária.

refa naval para as proximidades de Santos. Como não foi necessária a intervenção, a esquadra retornou ao hemisfério norte.

Nos dias seguintes, os oposicionistas se organizaram e promoveram seis dias depois a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. O movimento de base religiosa tinha como objetivo envolver o povo no combate ao comunismo. Assim, a religião, parte da sociedade e o interesse norte-americano formavam a sustentação que permitiria o golpe militar. O chocante é que uma pesquisa Ibope da época, nunca divulgada e que veio a público recentemente, mostra que 65% dos brasileiros aprovavam o governo de Jango.

O golpe final na democracia Nos anos seguintes, entre 1964 e 1969, por meio dos chamados Atos Institucionais, os militares radicalizaram e deram um golpe dentro do golpe, como definiu o ex-presidente militar Costa e Silva. Na verdade, os Atos Institucionais eram uma maneira de manter na legalidade o domínio dos militares. Sem isso, a constituição de 1946 tornaria irrealizável o regime militar, daí a necessidade de substituí-la por decretos. Foram 17 atos institucionais regulamentados por 104 atos complementares.

Os Estados Unidos passaram a financiar a oposição a Goulart, por meio de organizações como o Ibade (Instituto Brasileiro de Ação Democrática). Com a chegada de Lyndon Johnson ao poder, passou-se à pura incitação ao golpe, que culminou com o envio de uma força-ta-

O Ato Institucional nº 5, AI-5, baixado em 13 de dezembro de 1968, vigorou até dezembro de 1978 e produziu um elenco de ações arbitrárias de efeitos duradouros. Definiu o momento mais duro do regime, dando poder de exceção aos governantes

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Linha direta em revista

O AI-5 autorizava o presidente da República, em caráter excepcional e, portanto sem apreciação judicial, a decretar o recesso do Congresso Nacional; intervir nos estados e municípios; cassar mandatos parlamentares; suspender, por dez anos, os direitos políticos de qualquer cidadão; decretar o confisco de bens considerados ilícitos; e suspender a garantia do habeas-corpus. A justificativa para o AI-5 foi a de que era uma necessidade para atingir os objetivos da revolução, “com vistas a encontrar os meios indispensáveis para a obra de reconstrução econômica, financeira e moral do país”. No mesmo dia, foi decretado o recesso do Congresso Nacional por tempo indeterminado - só em outubro de 1969 o Congresso seria reaberto, para referendar a escolha do general Emílio Garrastazu Médici para a Presidência da República. Ao fim de dezembro de 1968, 11 deputados federais foram cassados. A lista de cassações aumentou no mês de janeiro de 1969, atingindo não só parlamentares, mas até ministros do Supremo Tribunal Federal. O AI-5 não só se impunha como um instrumento de intolerância em um momento de intensa polarização ideológica, como referendava uma concepção de modelo econômico em que o crescimento seria feito com “sangue, suor e lágrimas”.


Capa

A intervenção nos sindicatos As primeiras intervenções se deram nos sindicatos combativos da época, muitos sob a direção de militantes do Partido Comunista Brasileiro, ao lado de outros sindicalistas nacionalistas. O governo via como necessário impedir a reação da classe operária ao golpe. Foram nomeados interventores historicamente ligados aos setores sindicais e de inteligência dos Estados Unidos. Os interventores transformaram os sindicatos (em 1963, haviam conquistado o 13.º salários para todas as categorias profissionais, algo que o Sintetel já havia conseguido sob o nome de “Abono de Natal”) em entidades assistencialistas. Muitos operários que se opunham ao regime foram presos, torturados e alguns assassinados. “O golpe e a ditadura retrocederam as condições de vida dos trabalhadores brasileiros e atrasaram

o seu processo de educação formal e de qualificação profissional. No geral a ditadura ampliou a desigualdade social e atrasou profundamente o processo de modernização de nossas polícias e da segurança pública”, afirma Rosa Maria Cardoso, integrante da Comissão Nacional da Verdade. Um suicídio forjado abala o regime Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), então na ilegalidade, o jornalista Vladimir Herzog, diretor da TV Cultura, foi preso em 24 de outubro de 1975. No dia seguinte, aparece enforcado. Pela versão oficial, suicidou-se. Na verdade, morrera sob tortura. A opinião pública reage com indignação à retomada dos abusos nos porões da ditadura e à onda de prisões de esquerdistas. Um Culto Ecumênico em memória do jornalista, realizado no dia 31 de

outubro de 1975, na Catedral da Sé - dirigido pelo arcebispo católico D. Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o reverendo evangélico Jayme Wright -, reuniu mais de oito mil pessoas. Um dos idealizadores do ato foi o então presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Audálio Dantas. Foi a maior manifestação pública de repúdio ao autoritarismo desde o início da ditadura. O assassinato colocara uma grande questão religiosa. Os judeus não enterram suicidados dentro de seu cemitério, mas fora dele. Assim o enterro de Herzog, dentro do cemitério Israelita, e o respectivo culto, se tornaram atos contra o regime militar. Começava aí o processo que culminaria na redemocratização do País. Jango morreu na Argentina em 1976. Inicialmente apontada como infarto, a causa da morte de João Goulart é investigada até hoje. Linha direta em revista

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Comportamento

Famosos pelas redes sociais Jovens da periferia marcam encontros em shoppings para conhecerem gente nova e ídolos da Internet por Laura Rachid

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.293 seguidores no Facebook . Milhares de páginas na Internet, como “eu amo a Luuh” e “2 famílias da Luh Mattos”. Atriz? Cantora? Não. Luana Mattos, 17 anos, é moradora do bairro Artur Alvim (zona leste da capital) e estudante do ensino médio. Quando o Orkut era a febre do momento, muitos usuários, por a acharem bonita, pegavam suas fotos e faziam outra conta se passando por ela, o chamado “perfil fake” (falso perfil). Foi assim, que aos poucos, Luana passou a ficar conhecida nas redes sociais. “Quando eu fiz o Facebook, o povo que me conhecia por meio de fakes do Orkut passou a me adicionar e falar ‘caramba eu seguia um fake seu, mas agora eu sei que você que é a verdadeira’, e assim foi indo”, explica a estudante. Mas, a maior repercussão veio em 2012, com o Ask.Fm (rede social de perguntas e respostas). “No Ask comecei a fazer vídeos dando conselhos pa24

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ras as meninas. Elas começaram a fazer fã clubes para mim. Inclusive, se for parar para analisar, tenho uns 300”, conta Luana. Só no Ask.Fm, 696.687 pessoas curtem a garota. Luana não é a única a ficar famosa nas redes. Desde junho de 2013, e talvez bem antes, jovens entre 13 e 18 anos se reúnem em shoppings do País para conhecerem os ídolos das redes sociais no chamado “encontro dos admiradores”. O objetivo é conhecer gente nova, tirar fotos e presentear os jovens famosos.

Os admirados são jovens comuns da periferia e cantores de funk que, pela beleza e simpatia, acabaram se destacando nas redes sociais. MC Danadinho, o Daniel de Souza, 18 anos, é um deles. Morador de Guaianases (zona leste da capital), o funqueiro tem cerca de cinco mil amigos no Facebook e mais de 15 mil seguidores na mesma rede. “A gente marca o encontro para os fãs conhecerem a gente. Tiramos fotos com elas e fazemos umas rimas. Já ganhei cartas, corações e todas aquelas coisas que as fãs gostam de presentear”, explica o MC.


Comportamento A partir do ”encontro dos admiradores”, outro evento surgiu nas redes, mas com repercussão bem maior, o “rolezinho”. Tudo começou em 7 de dezembro do ano passado, quando cerca de seis mil adolescentes combinaram de se encontrar pelas redes sociais no estacionamento do shopping Metrô Itaquera para tirar fotos e paquerar. Os seguranças do local impediram a realização do evento no estacionamento e o grupo acabou entrando no shopping. O evento assustou lojistas e clientes. Após queixas de furtos, a polícia foi chamada e um tumulto se formou. Enquanto o “encontro dos admiradores” chega a ter cerca de 300 pessoas, o “rolezinho” ultrapassa os seis mil. “A ideia do ro-

“A gente marca no shopping porque é fácil de chegar, tem lugar pra sentar e todo mundo gosta”, explica MC Danadinho

A ideia do rolezinho é fazer todo mundo conhecer todo mundo lezinho é fazer todo mundo conhecer todo mundo, por isso tem mais gente”, conta MC Danadinho. O funqueiro participou dos três primeiros “rolezinhos” e afirma que a ideia do evento é apenas se divertir, mas que pessoas com outras intenções acabam se infiltrando. Sobre o “encontro dos admiradores” e “rolezinho”, Luana Mattos afirma nunca ter ido. “Tenho muitos admiradores que querem me conhecer e pedem para eu organizar um Encontro, mas eu

Luana Mattos postou essa foto no Facebook no final do ano passado. Até o momento 5.524 pessoas curtiram e 115 pessoas comentaram

não gosto, sou tímida”. Luana trabalhava como vendedora em uma loja do shopping Metrô Itaquera quando os primeiros “rolezinhos” aconteceram. “Eu tinha que ficar na porta da loja chamando os clientes. A galera do rolezinho me reconhecia e ficava gritando meu nome, fazendo bagunça, e até pediam pra tirar foto”. Fora desses encontros, Luana já conheceu algumas admiradoras. “No meu aniversário do ano passado convidei algumas meninas do fã clube e duas apareceram. Foi super legal, fiz muita amizade desse jeito”. E o que a jovem acha de toda essa fama? “Os admiradores tratam os ídolos das redes sociais como se nós fossemos uma atriz super famosa. Só que não somos nada disso. Somos adolescentes, que passamos horas em frente ao computador, dando conselhos, conversando, postando fotos e vídeos e, assim, conquistando as pessoas”. A ideia dos “rolezinhos”, em sua essência, é positiva. Entretanto, no momento em que se desvirtua do seu verdadeiro sentido, que é a diversão e a oportunidade de fazer novas amizades, acaba caindo na vala comum dos atos que desrespeitam o próximo. Os governantes deveriam ver esse fenômeno como um alerta de que nossas grandes cidades são carentes de locais para lazer. Um pouco de sensibilidade e vontade resolveria o problema sem maiores traumas. Linha direta em revista

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Mulher

Ciclo de violências Além da agressão física e sexual, mulheres ainda enfrentam a discriminação no mercado de trabalho por Cindy Alvares

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gado em março pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão do governo. Ele foi realizado com quase quatro mil brasileiros - homens e mulheres - de 212 cidades.

Este foi o resultado de um estudo divul-

O objetivo era avaliar a percepção das famílias acerca das políticas públicas implementadas pelo governo. Mas, gerou protestos em todo o País por ex-

ais de 65% dos brasileiros concordam com a afirmação “mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar”. Já 58,5% acham que "se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros".

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pressar em números um preconceito ainda presente. No mesmo mês, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) comprovou o que já é sentido todos os dias no bolso das trabalhadoras: mulheres seguem ganhando menos, ainda que ocupem funções equivalentes às dos


Mulher homens. Em São Paulo, a diferença salarial chega a 29%. Para a secretária da mulher do Sintetel, Cenise Monteiro, ao cruzar os dados das pesquisas, percebe-se a manifestação do pensamento arcaico que permeia a sociedade brasileira, ainda impregnada de comportamentos essencialmente machistas. “Já ouvi de muitos patrões que ‘a mulher gera mais despesas para empresa, por isso ganha menos’. Uma mentira absurda!”, relatou a dirigente. Mãos atadas Para a representante do Movimento Mulheres em Luta (MML), Letícia Pinho, a mulher ainda é obrigada a conviver com um ciclo de violências que não se resume a física e sexual. “A diferença salarial é um dos pontos de um iceberg muito maior da opressão que as mulheres sofrem historicamente", argumenta. A militante pontua o fraco apoio do governo a políticas públicas que incentivem a ascensão feminina no mercado de trabalho, como o déficit de vagas em creches e escolas para os filhos. De acordo com o Dieese, em todas as regiões do Brasil o nível de escolaridade das mulheres é superior ao dos homens. “Por existir uma consciência das dificuldades que encontrarão, elas enxergam o mercado de trabalho de forma estratégica. Por isso, tendem a estudar mais”, explica a economista Lúcia Garcia. Letícia Pinho defende que de uma forma geral, mesmo estu-

dando mais, os homens que estão nos cargos de chefia duvidam da capacidade delas e também dificultam o crescimento e possíveis promoções. “Receber ordens de uma mulher ainda pode ‘mexer’ com o ego masculino”. Para ela, a vontade de mudar a situação não é o bastante para essas mulheres, pois são obrigadas a conviver com uma série de obstáculos e não encontram apoio em lugar algum. “Em muitos casos, quando se está diante do assédio moral e sexual, rebaixamento salarial e políticas públicas para mulheres insuficientes, fica difícil – se não impossível se tornar chefe de família e deixar de depender de um homem violento”, conclui. A presidenta Dilma Rousseff acredita na necessidade de garantir a aplicação de leis, como a Maria da Penha, que protege mulheres da violência doméstica e familiar. Ela comentou que o “governo e a sociedade devem trabalhar juntos para atacar a violência contra a mulher, dentro e fora dos lares”.

Assédio moral e sexual, rebaixamento salarial e políticas públicas insuficientes impossibilitam que a mulher deixe de depender de um homem violento.

Já para a dirigente Cenise Monteiro, além da punição aos agressores, instrumentos como a educação podem ajudar a formar novas gerações que respeitem os direitos das mulheres. “Uma das formas de se alcançar a diminuição deste fenômeno é a conscientização”, conta. Uma luta do Sintetel Entender que essa é a realidade de muitas trabalhadoras da categoria fez com que o Sindicato realiza-se diversas políticas em combate à violência e à desvalorização da mulher. No início do ano, o encontro “Conversa entre mulheres” reuniu delegadas do Sintetel de todo o estado de São Paulo com objetivo de reforçar a capacitação delas para atuar na base, inclusive para aprender a lidar com as questões de gênero. Outro trabalho voltado às mulheres é a inclusão de uma nova cláusula nas pautas de reivindicações dos Acordos e Convenções Coletivas. Trata-se da responsabilização das empresas em fornecer suporte às funcionárias vítimas de violência doméstica como abono de faltas por consequência de agressão, atendimento psicológico e orientação. “Em muitos casos, a mulher sofre violência, falta ao serviço sem justificativa e acaba demitida. Por esse motivo, estamos focados em, além de oferecer respaldo a essas mulheres, esclarecer para as empresas que isso deve ser levado em consideração”, explica a dirigente Cenise Monteiro. Linha direta em revista

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Dia Internacional da Mulher

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Foto 1 - São Paulo: mesa solene teve a participação de várias mulheres da diretoria e do presidente do Sindicato, Almir Munhoz Foto 2 - Bauru: a secretária da Mulher, Cenise Monteiro, assumiu o cargo pela segunda vez e foi a responsável pelos dois eventos Foto 3 - São Paulo: a comemoração ao Dia Internacional da Mulher reuniu mais de 800 pessoas Foto 4 - São Paulo: a jornalista Mônica Waldvogel mediou bate-papo com quatro trabalhadoras que exercem funções antes consideradas tipicamente masculinas Foto 5 - Bauru: o evento sorteou vários prêmios e o mais esperado, a TV de 42 polegadas ficou para Fabiana Vieira (ao centro), trabalhadora da Tel-Bauru Foto 6 - Bauru: a apresentadora Luciana Meira mediou o debate entre três trabalhadoras: uma empreendedora, uma cabista e uma caminhoneira

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Aconteceu

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Foto 7- Sintetel foi à porta das empresas colher assinaturas para regulamentar a profissão de teleoperador Foto 8 - Presidentes dos Sintteis filiados à Fenattel entregaram ao presidente da federação, Almir Munhoz, as assinaturas para o abaixo-assinado que regulariza a profissão de teleoperador Foto 9 - Almir Munhoz, presidente da Fenattel e do Sintetel, entregou, em 2 de abril, ao deputado Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara dos Deputados, abaixoassinado pela regulamentação da profissão de teleoperador

Foto 10 - Sintetel entregou ao sindicato patronal (Sinstal), em 31 de janeiro, a Pauta de Reivindicações para a Convenção Coletiva 2014/2015 dos trabalhadores das prestadoras de serviço em Telecom Foto 11 - O Sintetel iniciou, em 18 de março, a negociação da Convenção Coletiva das empresas com data-base 1º de abril Foto 12 - Diretores do Sindicato durante a primeira reunião de negociação da Convenção Coletiva das empresas com data-base 1º de abril Linha direta em revista

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Cultura

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Gravidade

CLUBE DE

Quebrando preconceitos Mais famosa premiação do cinema passou por cima de tabus e reconheceu trabalhos com mensagens sérias por Emilio Franco Jr.

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odo ano, a temporada de premiações do cinema joga luz sobre um punhado de produções que, por motivos diversos, agradam críticos e profissionais da indústria do entretenimento. De maneira geral, as histórias das grandes produções do ano são pesadas, sérias e melancólicas. Não há dúvida de que a mais importante delas é a do escravo Solomon Northup, homem negro livre que é sequestrado e enviado para o sul dos Estados Unidos em 1841. 12 Anos de Escravidão, título do filme que retrata a história real de Solomon, quebrou preconceitos ao ser o primeiro longa-metragem escrito, dirigido e com elenco majoritariamente negro a vencer a categoria principal do Oscar. 30

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Parafraseando o próprio Solomon, o diretor Steven McQueen disse, já com a estatueta dourada em mãos. “Todo mundo merece não apenas sobreviver, mas viver”. Sob aplausos de um teatro inteiramente de pé e visivelmente emocionado, completou: “Eu dedico esse prêmio a todos que sofreram com a escravidão e também os 21 milhões de pessoas que ainda sofrem com este mal nos dias de hoje”. Realmente, não é preciso ir longe no tempo, muito menos no mapa, para constatar esse problema. De acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o número de trabalhadores libertados em condições análogas à escravidão chegou a 2.208 no Brasil apenas em 2013. Isso porque se trata de um país com forte legislação trabalhista e com movimento sindi-

cal atuante. Índia, China, Paquistão, Nigéria e Etiópia lideram o ranking de escravidão divulgado pela ONU (Organização das Nações Unidas) ano passado. Só no primeiro país da lista, são 13,9 milhões de trabalhadores explorados. Lupita Nyong’o, atriz queniana de 12 Anos de Escravidão, ficou fortemente emocionada ao ser coroada a melhor coadjuvante do ano por seu papel como uma escrava constantemente abusada e maltratada por um fazendeiro branco. Aliás, o filme chocou a muitos por sua dureza e por não esconder em nenhum momento, em fortes cenas, a violência sofrida pelos negros da época. Em seu discurso, Lupita disse: “Não escapou por mim que a alegria de receber esse prêmio é devido a tanta dor na vida de outros”.


Cultura

COMPRAS DALLAS

Quem também levou o discurso para o lado político foi o cantor e ator Jared Leto, eleito melhor coadjuvante pelo papel de um travesti soropositivo, na década de 1980, em Clube de Compras Dallas. “Isso é para os 36 milhões de pessoas que perderam a batalha para a AIDS e para todas as pessoas que já se sentiram injustiçadas por quem são ou por quem amam. Esta noite eu estou de pé em frente ao mundo por vocês”. Filme de baixo orçamento e distribuição independente, Clube de Compras Dallas surpreendeu pelo bom desempenho nas premiações. O Oscar de ator principal foi parar nas mãos de Matthew Mcconaughey pelo papel de um eletricista homofóbico que também se descobre soropositivo. Ele passa a traficar remédios para o tratamento da doença em uma época na qual a indústria farmacêutica norte-americana fazia pesquisas com drogas novas e tentava criminalizar os remédios importados ilegalmente pelo protagonista.

Diretor Diretor Steven Steven McQueen McQueen e e atriz atriz Lupita Lupita Nyong’o Nyong’o celebram celebram triunfo triunfo de de 12 12 Anos Anos de de Escravidão. Escravidão.

Baseado em histórias reais, estes dois filmes dialogam de forma impressionante com duas ficções científicas também aclamadas na temporada de premiação. Vencedor como melhor roteiro original, ELA vai a um futuro não muito distante para explorar o ser humano, seu isolamento social, o individualismo de nosso tempo e a consequente quebra dos vínculos. Neste cenário, em que o amor parece fabricável, Theodore se apaixona pelo primeiro sistema operacional inteligente desenvolvido pela indústria eletrônica. Batizada de Samantha, a voz, sempre ouvida por meios digitais e nunca vista fisicamente, surge como a alma gêmea do protagonista. “A ideia era criar um futuro bacana para se viver. Nosso mundo está ficando cada vez mais interessante, mas mesmo assim, as pessoas se sentem muito isoladas”, acredita Spike Jonze, diretor do filme. Isolamento e solidão são os desafios da personagem de Sandra Bullo-

ck em Gravidade, um drama existencial espacial recompensando com sete Oscars, incluindo o de melhor direção para o mexicano Alfonso Cuarón. Foi a primeira vez que um latino-americano venceu a categoria. Além disso, o cineasta passou por cima de outro tabu e colocou uma mulher como figura central de uma aventura espacial. “Ainda há na indústria certo preconceito com isso, é esquisito”, confessa Cuarón. O Oscar esse ano se rendeu à arte e barrou qualquer resquício de preconceito. Premiou o papel de um travesti, reconheceu o trabalho de uma equipe majoritariamente negra como o melhor do ano, elegeu uma produção futurista a mais original e bem roteirizada e ainda entregou a maioria dos prêmios a uma ficção científica centrada na figura de uma mulher e comandada por um latino. Um grande avanço comparado às tantas bobagens feitas no ano anterior, quando prevaleceu o discurso norte-americano ufanista. Linha direta em revista

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Artigo

50 anos depois

U

ma efeméride, ou seja, uma data memorável pode suscitar dois tipos de comportamento: o festivo ou o preocupado. Festejamos o aniversário de um ente querido e nos preocupamos lutuosamente com a lembrança de uma perda ou tragédia. Os 50 anos do golpe de 1964 fartamente discutidos em jornais, revistas, endereços eletrônicos, na televisão, no Congresso Nacional e nas escolas, em debates e artigos, nos reforçam a preocupação pela democracia que estamos construindo no Brasil com a Constituição de 1988um bem indispensável. Mais do que a memorialística, as crônicas, mais do que a história com suas imprecisões e achados, deve-se gritar “ditadura nun32

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ca mais”, como o fizeram as centrais sindicais unânimes. Este número de nossa revista participa desta preocupação coletiva e retrata no editorial, na principal matéria e na entrevista da doutora Rosa Cardoso, da Comissão Nacional da Verdade, o que foi a ditadura militar, como se resistiu e se lutou contra ela e o que estamos fazendo para superar sua sombra e sua maldade. Para os mais jovens é sempre bom reafirmar que, além do conjunto da obra que foi brutal e negativo- repressão em massa, censura, fim da estabilidade no emprego, cassações de políticos e dirigentes sindicais, desvirtuamento das eleições, prisões, tortura e morte- a ditadura foi feroz contra os trabalhadores e nos deixou diretamente pelo menos duas heranças malditas: a derrubada dos salários que comprimiu os rendimentos do

trabalho e concentrou rendas e a rotatividade da mão de obra, que dificulta até hoje a organização e luta dos trabalhadores. Começamos a avançar com a recuperação do valor do salário mínimo no enfrentamento da primeira dessas heranças malditas e começamos a tomar consciência dos malefícios da rotatividade e da terceirização, problemas ainda não resolvidos. A grande comemoração do infausto acontecimento de 50 anos atrás deve ser a luta pelo avanço democrático, e em particular para os trabalhadores, a luta pela manutenção da política do salário mínimo e contra a terceirização e a rotatividade da mão de obra. Por João Guilherme Vargas Netto, assessor sindical


Passatempo Curiosidade Como é calculada a idade canina?

PROBLEMAS DE LÓGICA

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Resolva o passatempo, preenchendo o quadro. Coloque S (sim) em todas as afirmações e complete com N (não) os quadrinhos restantes (veja o exemplo). Para isso, use sempre a lógica, a partir das dicas.

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Augusto e outros dois empresários decidiram investir na publicidade de seus negócios. A partir das dicas dadas abaixo, descubra o nome de cada empresário, o tipo de negócio que possui e o meio de comunicação usado na publicidade.

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Para calcular a idade de cada cachorro é preciso levar em consideração sua raça e seu tamanho. Os cachorros de raças pequenas vivem mais tempo do que os cachorros de raças grandes.

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Vale lembrar também que quanto maior o porte do cão, mais rápido ele morre. Portanto, para chegar à idade humana de cães de pequeno porte devemos multiplicar seus anos de vida por 12,5; para cães de porte médio devemos multiplicar por 10,5; e para os cães de grande porte devemos multiplicar por 9.

do fez a publicidade do seu negócio com um carro de som que circula pelo bairro.

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Segundo veterinários, os cães envelhecem mais nos dois primeiros anos de vida. A média mostra que um cachorro com 1 ano de vida, tem cerca de 15 anos na idade humana. Aos 2 anos, ele terá em torno de 23 ou 24 anos.

1. O dono do minimerca-

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Existe uma conta específica para determinar a idade real dos cães na comparação com a idade dos humanos. Muitas pessoas pensam que para descobrir a idade do seu cão basta multiplicar os anos de vida do animal por sete, mas isso não é bem verdade. Cada raça de cão tem o seu próprio tempo de envelhecimento.

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Artigo do leitor

“Instinto Mulher”

Nasci de família pobre, mas não sabia.

Aprendi a conviver com pouco achando que era muito.

Sou mãe, mas ainda não vivi minha adolescência. Sou avó sem saber que cresci.

Imaginei que família fosse um amontoado de pessoas vivendo no mesmo lugar.

Hoje tento ensinar o que não aprendi, e tento aprender tudo aquilo que não vivi.

Não podia falar, por isso não aprendi a ouvir.

Elisete Idalgo – trabalhadora da Vivo-Telefônica de São Paulo

Hoje sou mulher, mas ainda não tive infância.

Filha do Universo Sou filha do Universo! Como as estrelas do Céu. Sou grata e com elas converso, Sobre as dádivas de DEUS!

Me sinto plena, feliz e consciente, Como as flores de um jardim! Sou também flor, antes fui semente, Plantada com amor sem fim! A vida que me prepara Escancara as portas do mundo Para eu me completar! Sigo sem medo do agora Pois é hora De um profundo bem estar! Céu! Terra! Vida! Faço parte de tudo isso! Que bom! Vida, eu vivo! E viver é meu compromisso!. Zilda Coelho – Aposentada – Santo André

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Institucional

Acompanhe as notícias do Sindicato pela internet

Você sabia que o Sintetel conta com diversos canais de informação pela internet? Além da TV Web, o trabalhador da categoria poderá ficar por dentro de todas as novidades de seu interesse pelo site www.sintetel.org, pelo Facebook e pelo Twitter. No site são disponibilizadas

frequentemente notícias sobre as empresas e informações úteis para o dia a dia de todos os que trabalham com telecomunicações.

bos, é possível encontrar um resumo dos principais acontecimentos do setor, além de ser um eficiente meio de interação com o Sindicato.

Já o Facebook e o Twitter, principais redes sociais da atualidade, servem como um canal de atualização rápida e constante. Em am-

Não perca tempo: acesse diariamente o www.sintetel. org, siga-nos no Twitter (@ sintetel) e curta nossa página no Facebook (SintetelBrasil).

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