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CENA

Ano XV - Número 20 Janeiro/Fevereiro 2012

APROVADO

Pesquisa revela que profissionais da saúde recebem nota 8,2 da população brasileira


índice

janeiro/fevereiro 2012

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EDITORIAL CARTA DO LEITOR ESPECIAL Pesquisa CNI/Ibope na saúde

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PERSONAGEM DA SAÚDE A arte de Jaqueline Stahl

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SAÚDE/COMPORTAMENTO A superação de desafios

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SAÚDE/COMPORTAMENTO Etiqueta na internet

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SAÚDE/BEM-ESTAR Autismo e arteterapia

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MEIO AMBIENTE Arborização urbana

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TURISMO A poesia de Itapira

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ATUALIDADE Tablets na educação

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CURIOSIDADES A sabedoria dos origamis

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CULTURA Teatro de rua

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MODA Sapatos, a escolha certa

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BELEZA Transformação

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CADERNO VIP Ofisaec

50

FATOS E FOTOS Indaiatuba janeiro/fevereiro 2012 - EM CENA - 3


editorial

Pesquisa mostra que população valoriza os profissionais da saúde Tem pelo menos duas décadas que a principal bandeira de luta dos sindicatos que representam os trabalhadores da saúde é o reconhecimento público desta categoria. Historicamente, relegados a um segundo plano, estes trabalhadores sempre amargaram as consequências dramáticas que acompanham os indivíduos, ou no caso, os profissionais estigmatizados pela sociedade. No caso dos profissionais da saúde, isso se traduzia em condições precárias de trabalho, falta de equipamentos básicos, longas jornadas de trabalho e, claro, baixos salários. Como o processo evolutivo passa pela mudança cultural que acompanha casos como esse, a batalha é longa e os resultados não chegam tão rápido quanto deveriam ou mereceriam. Garantir horários de trabalho adequados foi um dos passos desta luta que colocaram fim a estafantes jornadas de até 16 horas diárias. Assim também foi para garantir condições menos insalubres para se trabalhar ou melhorias salariais e investimentos educacionais que aperfeiçoassem o profissional, contribuindo para a sua ascensão como indivíduo. Mas tudo isso não cumpria com a necessidade premente de fazer com que a sociedade reconhecesse que atrás dos cuidados com sua saúde estava uma legião de trabalhadores dedicados e que trabalhava diuturnamente à cabeceira de seus leitos ou em ações preventivas para a manutenção da saúde. Os resultados deste movimento incansável e ininterrupto foram aparecendo devagar, com avanços sendo registrados aqui ou acolá. Resultados mais positivos foram registrados no Estado de São Paulo, onde os

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sindicatos representativos dos trabalhadores do setor conseguiram a aprovação do 12 de maio, como o Dia do Trabalhador da Saúde, expediente que se multiplicou por algumas dezenas de municípios que também aprovaram lei, destinando este dia para homenagear os trabalhadores da saúde e repensar o sistema que é oferecido para a população. E nesse longo e tortuoso caminho é a primeira vez que uma pesquisa científica traz dados tão animadores, como a aprovação, por parte da população, do trabalho executado pelos profissionais da saúde da rede privada. O povo brasileiro aprova a conduta e o desempenho desses trabalhadores e numa escada de 0 a 10, concede a eles, nota 8,2, em média. Esta avaliação foi conquistada depois de muitas lutas, depois de vencer os percalços que diariamente são colocados como entraves a evolução e melhoria do sistema de saúde. Essa mesma população, que aprova o profissional da saúde, desaprova o serviço que lhe é oferecido. No total, 61% dos entrevistados consideraram os serviços ruins ou péssimos. Sinal de que ainda há muito para melhorar, seja aprimorando a qualidade dos serviços, dos equipamentos, da infraestrutura de atendimento ou, e principalmente, a remuneração dada para aqueles que são os responsáveis diretos pela saúde da população, os profissionais da saúde. E no dia em que houver esse reconhecimento de fato da importância desses trabalhadores, poderemos realmente comemorar a evolução do sistema de saúde brasileiro.

Edison Laércio de Oliveira Presidente


expediente - carta do leitor

“Gosto muito da revista Em Cena, pois acho que ela traz matérias bem interessantes para o nosso dia a dia e com uma leitura simples e objetiva. Tenho acesso a ela por uma amiga que trabalha em hospital e sempre que tem uma edição nova ela me traz. Gostei da entrevista com Lázaro Ramos e achei interessante saber que antes de ser ator ele trabalhou na área da saúde. Quero deixar registrado que a revista é muito interessante e deveria sair em tempo menor para que nós, leitores, possamos usufruir da boa leitura que ela nos oferece e parabenizar a equipe que a produz.” Maria Ap. Zoré – Campinas “Espera em consultório faz a gente folhear uma série de revistas e gostei da forma como a revista Em Cena traz as reportagens: clara, divertida, bonita, leve e com assuntos que interessam a todos, seja de qual profissão for. Gostei muito da reportagem sobre obesidade. Sempre notei que pessoas que trabalham à noite começam a engordar; elas não se preocupam em fazer uma alimentação balanceada e nem têm horário certo para suas refeições e acaba comendo qualquer coisa e no final acabam se prejudicando e aumentando de peso sem perceber.” – Carlos A.B. da Silva – Campinas

“Eu sempre tive medo de dirigir, mas depois de ler a matéria na Em Cena, fiquei entusiasmada e vou procurar um profissional que me ajude a perder o medo. Afinal, um carro faz com que a gente ganhe tempo e faça mais coisas do que normalmente se faz. Parabéns pela iniciativa da reportagem; tenho certeza de que ajudou muita gente que se encontra no mesmo caso que eu.” – Fátima Campos de A. Pinto

“Final das sacolas de plástico. Excelente reportagem. Sou a favor de acabar com estas sacolas que só servem para poluir o nosso Planeta. Antigamente quando se ia ao supermercado, as embalagens eram de papel, por que não pensar nisso? As indústrias de sacolinhas plásticas devem se preocupar e fazâ-las com algum material que não polua o meio ambiente e nem leve tanto tempo para se decompor. E a população também deve contribuir, levando sua sacola na hora da compra. Temos que ter consciência e manter nosso Planeta habitável para as futuras gerações. Desabafei! Parabéns pela iniciativa da reportagem.” Lúcia Corte - Araras “Fico espantado com a qualidade da revista Em Cena, que a cada edição traz assuntos mais e mais interessantes, com abordagem inteligente e diferenciada. As matérias desta edição, como a de Cordel ou Medo de Dirigir superaram as minhas espectativas. Com a revista Em Cena cada espera em consultórios se torna uma oportunidade de se ter uma excelente leitura.” Bruno Dias - Vinhedo

Sua opinião ou sugestão é muito importante! Correspondências para esta seção: Por e-mail: srodrigues@sinsaude.org.br ou domma@domma.com.br Por carta: Rua Duque de Caxias, 368, Centro, CEP 13015-310 – Campinas/SP

EXPEDIENTE Esta é uma publicação do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Campinas (Sinsaúde) Site: www.sinsaude.org.br E-mail: sinsaude@sinsaude.org.br Presidente: Edison Laércio de Oliveira Diretora de Comunicação: Sofia Rodrigues do Nascimento Redação e criação: DOMMA Comunicação Integrada

Jornalista responsável: Sirlene Nogueira (Mtb 15.114) Redação: Ana Carolina Barros (Mtb 58.939), Daniella Almeida (Mtb 4.352), Mariana Dorigatti (Mtb 60.431), Sirlene Nogueira (Mtb 15.114) e Vera Bison (Mtb 12.391) Projeto gráfico: Javé Capa e editoração: Felipe Teixeira Fotografia: Ari Ferreira Arte final: Felipe Teixeira e Caio Capela Tiragem: 22 mil exemplares

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especial - saúde

Foto: Arquivo Sinsaúde

Valorização do profissional da saúde é revelada em pesquisa CNI/Ibope

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saúde no Brasil vai mal. Para mais da metade da população, os serviços de saúde pública são ‘ruim’ ou ‘péssimo’. O que salva a situação ainda é o esforço e a dedicação dos profissionais que atuam no setor. É o que aponta pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), divulgada neste começo de ano. A informação que massageou o ego dos profissionais da saúde saiu de uma comparação entre hospitais

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públicos e privados, feita pela pesquisa. Foi pedido aos entrevistados que dessem uma nota para os trabalhadores que atuam no setor da saúde, dividindo os mesmos em públicos e privados. Os que estão nos setores privado e filantrópico foram melhor avaliados e receberam, em média, nota 8,2, numa escala de 0 a 10, enquanto para os profissionais de hospitais do setor público foi dada a nota média de 6,3. Nessa pesquisa foram entrevistadas 2.002 pessoas acima de 16 anos, no período de 16 a 20 de


dar esta cultura, mas os governos não ajudam muito, pois setembro de 2011, e a margem de erro é de dois pontos suas políticas em muito pouco abrangem a qualidade percentuais. A auxiliar em enfermagem e diretora de do atendimento à população, o que deve Comunicação do Sinsaúde Campinas e ser feito com investimentos em pessoal”, Região, Sofia Rodrigues do Nascimento, resume Mengatti. reporta a impressão que a informação Nos últimos anos coube às entidades causou na categoria. “Os trabalhadores sindicais o papel que seria do governo, o ficaram felizes. Pela primeira vez vemos, de educar os profissionais para a área da de maneira mais palpável, que o nosso saúde, opina Edison Laércio de Oliveira, trabalho é valorizado pela população, presidente do Sinsaúde Campinas e Região apesar das inúmeras deficiências existene da Federação dos Trabalhadores da Saúde tes no sistema de saúde, como falta de do Estado de São Paulo. A Federação profissionais para atender à demanda e representa aproximadamente 450 mil trafalta de investimentos na qualificação dos Sofia Rodrigues do Nascimento Diretora de Comunicação do balhadores no Estado e teve papel pioneiro trabalhadores.” Sinsaúde Campinas e Região no quesito educação profissional no setor Atualmente, no Brasil, os investimentos da saúde. Sua diretoria teve a ousadia em saúde são canalizados para equipamende enfrentar as regras e normas governamentais para tos e obras de infraestrutura e muito pouco para a formaimplantar o Projeto Educação na Saúde (PES), em 1996, ção dos profissionais que atuam na área e são os grandes que formou perto de 20 mil auxiliares de enfermagem responsáveis pelos cuidados com a saúde da população. no Estado, utilizando recursos do Fundo de Amparo ao Prova disso são as conhecidas emendas parlamentares ao Trabalhador (FAT). Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) do governo. Depois de quatro anos, o programa não foi renovado, Normalmente usadas para enviar dinheiro a projetos lomas as entidades sindicais paulistas passaram a investir cais, na maioria das vezes, as emendas financiam obras de em novos projetos educacionais e com resultados bem infraestrutura, como melhoria de estradas ou construção satisfatórios. Hoje existem perto de dez escolas mantide pontes, escolas e hospitais. das pelas entidades sindicais paulistas e somente o ISI, “Existem restrições legais da aplicação desses recursos mantido pelo Sinsaúde Campinas e Região, desde 2006 em formação de mão de obra ou aperfeiçoamento projá formou 7 mil trabalhadores em cursos variados, dentre fissional, então, via de regra, os deputados apresentam eles, técnico de enfermagem, complementação para as emendas que vão beneficiar, no caso do setor da área auxiliares, informática, cursos de atualização e aperfeiçoda saúde, os hospitais, que, por sua vez, somente podem amento, e curso de pós-graduação para enfermeiros. usar os recursos em equipamentos e melhorias estruturais”, explica a vice-presidente do Sinsaúde Campinas e População quer saúde administrada pelo setor Região e diretora executiva do Instituto de Saúde Inteprivado grada (ISI), Leide Mengatti. (Saiba mais sobre o ISI no “A iniciativa privada passou o governo”, sentencia Edibox da página 10). son de Oliveira, que acredita que os trabaCom isso, passa a ser comum ver lhadores é que sustentam o sistema de saúde hospitais promovendo obras de melhoria no Brasil. A pesquisa CNI/Ibope aponta que e ampliação de sua estrutura, abertura 61% da população brasileira considera o de novas alas e notícias sobre aquisição serviço público de saúde no País “péssimo” de equipamentos modernos, que, sem ou “ruim”. No quesito qualidade de atendidúvida, acrescentam qualidade aos servimento, os hospitais públicos obtiveram nota ços. Mas, na outra ponta, os estabelecimédia geral de 5,7 e os hospitais privados de mentos de saúde, principalmente os dos 8,1, numa escala de 0 a 10. setores privado e filantrópico, acumulam O mesmo resultado pode ser observapassivos trabalhistas incalculáveis e fado quando os profissionais são avaliados. zem investimentos ínfimos na melhoria Edison Laércio de Oliveira Presidente do Trabalhadores de hospitais públicos consedo conhecimento dos seus profissionais. Sinsaúde Campinas e Região guiram nota média geral de 6,3, enquanto “Trabalhamos demasiadamente para mu-

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especial - saúde

Foto: Arquivo Sinsaúde

os de hospitais privados de 8,2. “Isto mostra que é macas nos corredores, pessoas que varam a madrunecessária uma política específica de educação para gada à espera de uma consulta ou a ineficiência os trabalhadores, pois independente dos resultados de um sistema no qual uma cirurgia de obesidade serem mais favoráveis para o setor privado, são os pode chegar a uma espera de 15 anos. É o que profissionais da saúde que carregam a saúde nas declarou no site ‘Terra’ o chefe do Serviço de costas”, assegura Oliveira, que daria aos mesmos Cirurgia de Obesidade da Unicamp e presidente nota 10 pelas condições adversas em que atuam. da Comissão Científica da Sociedade Brasileira de “Os profissionais da saúde têm um comportamento Obesidade, José Carlos Pareja. “No Hospital de assertivo, esforçam-se para fazer o meClínicas da Universidade Estadual de lhor e quase fazem milagres”, exalta. Campinas (Unicamp) pode demorar Os números que colocam o setor de 12 a 15 anos. Temos cerca de privado à frente do público ressaltam 1.600 pessoas na fila e fazemos, em as informações que mais chamaram a média, quatro cirurgias por semaatenção na pesquisa CNI/Ibope. Por na”, afirma. Segundo o médico, para exemplo, 63% dos entrevistados acreagilizar o atendimento aos pacientes ditam que a transferência da gestão que procuram a Unicamp, eles são dos hospitais públicos para a iniciatiencaminhados para outros centros va privada melhoraria a qualidade do de referência, como o Hospital dos atendimento. Um índice ainda maior Fornecedores de Cana de Piracicaba Leide Mengatti da população brasileira, 85% dos e o Hospital de Base de São José do Vice-presidente do Sinsaúde Campinas e Região entrevistados, avalia que a situação Rio Preto, ambos no Estado de São da saúde no País não avançou nos Paulo, mas ainda assim insuficienúltimos três anos. tes para atender à demanda. E não E não avançou mesmo. Diariamente, a imprené para menos que a demora no atendimento foi sa mostra os descasos existentes na saúde pública, indicada por 55% da população brasileira como um como, por exemplo, pacientes sendo tratados em dos principais problemas do sistema de saúde em

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sua cidade. Baixa remuneração dos serviços e salários revela descaso Foto: Arquivo Sinsaúde A avaliação do brasileiro, relativa à qualidade do sistema público de saúde, é tanto pior quanto maior a renda familiar ou o grau de instrução, mostrou a pesquisa CNI, o que explica o crescimento dos planos de saúde em 2011. Dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) registram que o primeiro semestre de 2011 encerrou apontando crescimento nos números do mercado de planos de saúde.

Houve um acréscimo de 7,6% no número de pessoas com planos de saúde neste período em comparação à mesma época de 2010, o que equivale a 46,6 milhões de beneficiários em todo o País. O mercado de planos de saúde movimentou cerca de R$ 38 bilhões, uma elevação de 13%. Enquanto isso, os hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) amargam tabelas defasadas e falta de investimentos. Estudo elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que nos dois últimos anos a maior parte das despesas da administração pública com bens e serviços de saúde foi com o atendimento público (66,4% do total).

RETRATOS DA SOCIEDADE BRASILEIRA: SAÚDE PÚBLICA

Comparação entre hospitais públicos e privados

aumentar os impostos para se conseguir mais recursos para investir na área da saúde.

(Principais resultados da pesquisa CNI/Ibope - janeiro 2012)

• 96% da população brasileira já utilizou algum serviço em hospitais públicos ou privados.

Situação da saúde pública no Brasil

• 64% da população utilizou algum serviço de saúde em hospitais nos últimos 12 meses.

Políticas e ações • 57% da população brasileira considera o aumento no número de médicos como uma das principais medidas para melhorar o serviço médico na rede pública.

• Hospitais públicos obtêm nota média geral de 5,7 e os hospitais privados de 8,1, em uma escala de 0 a 10. • Profissionais de hospitais públicos obtêm nota média geral de 6,3, enquanto os de hospitais privados de 8,2, em uma escala de 0 a 10. Principal problema do sistema público de saúde • 55% da população brasileira considera a demora no atendimento como o principal problema do sistema público de saúde em sua cidade.

• 61% da população brasileira considera o serviço público de saúde no País “péssimo” ou “ruim”. • 54% da população brasileira considera o serviço público de saúde em sua cidade “péssimo” ou “ruim”. • 85% dos entrevistados não perceberam avanços no sistema público de saúde no País nos últimos três anos.

Políticas e ações para melhorar o sistema público de saúde no País Recursos para a saúde • 95% dos entrevistados reconhecem a importância e a necessidade de se destinar mais recursos para a saúde. • 82% dos brasileiros defendem que os recursos adicionais podem ser conseguidos se o governo acabar com a corrupção. • Apenas 4% acreditam que se faz necessário

• 95% dos brasileiros concordam, total ou parcialmente, que o governo tem a obrigação de oferecer serviços de saúde gratuitos a toda a população. • 71% da população brasileira concorda, total ou parcialmente, que as políticas preventivas são mais importantes que a construção de hospitais para melhorar a saúde da população. • 63% dos brasileiros concordam, total ou parcialmente, que a transferência da gestão dos hospitais públicos para o setor privado melhoraria o atendimento aos pacientes. • 84% dos entrevistados concordam, total ou parcialmente, que a venda de medicamentos só deve ser permitida com a apresentação e retenção de receita médica. • 82% da população brasileira concorda, total ou parcialmente, que o medicamento genérico é tão bom quanto o de marca. • 80% dos entrevistados concordam, total ou parcialmente, que o parto normal é melhor que a cesariana. (Para ver a íntegra da pesquisa acesse www.cni.org.br ou www.sinsaude.or.br)

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especial - saúde

ISI O Instituto de Saúde Integrada (ISI) é uma organização não governamental, mantido pelo Sinsaúde Campinas e Região, que tem como objetivo oferecer aos trabalhadores da saúde e à população em geral ações culturais, cursos de formação e aperfeiçoamento profissional. Desde sua fundação, em 2006, o ISI já formou mais de 7 mil profissionais da área da saúde e, atualmente, oferece cursos técnicos em radiologia, farmácia, enfermagem e de desenvolvimento profissional, além de pós-graduação e especialização técnica. Isto é resultado de uma parceria de sucesso desenvolvida pelo Sinsaúde com 40 instituições de saúde, entre

clínicas e hospitais. O ISI está instalado numa das alas das dependências da Santa Casa de Campinas, na Rua Barreto Leme, 1.552, prédio este que foi tombado pelos Conselhos de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico de Campinas (Condepac) e do Estado de São Paulo. A edificação abrigou também, entre as décadas de 1960 e 1980, a primeira Faculdade de Medicina da Unicamp e Enfermagem da PUC. Ao longo de cinco anos de existência, o Sinsaúde e o ISI vem recuperando o prédio histórico, dando uso à edificação de acordo com suas origens e tradições históricas, culturais, educacionais e sociais. Com investimentos de R$ 3,8 milhões, em novembro de 2010 foi comemorada a conclusão de fachadas, detalhes, portas

Os hospitais credenciados que prestam assistência suplementar ao SUS receberam do governo apenas 10,8% de investimento no mesmo período. A discrepância entre os valores investidos e os gastos necessários para um atendimento de qualidade aos cidadãos brasileiros deixa clara a necessidade de maior atenção ao processo de distribuição de recursos, visando atingir uma remuneração compatível para os hospitais que atendem ao SUS. A pesquisa CNI/Ibope mostra que 95% da população acredita que são necessários mais recursos para a área e 82% pensam que estes recursos podem ser conseguidos se o governo acabar com a corrupção. Pelo grau de dependência ou por ser imperioso nos ditames das políticas públicas, o certo é que empresários, provedorias e diretorias de estabeleciFoto: Arquivo Sinsaúde

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e da mandala. Atualmente, estão em fase de conclusão as obras de recuperação, restauração e adequação do anfiteatro que abrigará o Centro Cultural do instituto. Até janeiro de 2012, em obras de recuperação do ISI, o Sinsaúde investiu R$ 6.660.589,76. No interior do edifício, por sua vez, os trabalhos de restauração acompanharam as obras de adequação dos espaços, onde estão implantadas 10 salas de aula, dois laboratórios de informática, um laboratório de enfermagem, um laboratório de farmácia e uma biblioteca. Para tanto, o Sinsaúde detém o comodato de uso e restauro do prédio até o ano de 2028. Mais informações sobre o ISI, acesse: http://www.isicampinas.org.br

mentos de saúde no Brasil usam esta realidade para nortear a administração do setor. E quando entra em debate o quesito salário, a choradeira é geral. “O problema é que como uma parcela dos hospitais realmente depende do governo para sobreviver, a situação se alastra como nas grandes epidemias. Todos choram juntos e trabalham para nivelar por baixo os rendimentos dos profissionais da saúde”, reclama Edison Laércio de Oliveira, presidente do Sinsaúde Campinas e da Federação Paulista da Saúde. Para ele, com a ascensão da classe C, o setor de saúde particular está em crescimento e os trabalhadores prometem cobrar a sua parte na campanha salarial deste ano. “Eles sustentam e dão qualidade ao atendimento à saúde da população. Por isso, precisam ser mais valorizados, o que deve ser feito por meio da melhoria dos salários.”


personagem da saúde - jaqueline stahl

Uma questão de superação

F

azer mosaicos com os mais diversos motivos e coloração e também pintar quadros que transmitem uma sensação de tranquilidade, com cores vibrantes e composições ousadas, criando graciosos temas com elementos compostos do cubismo são atividades que Jaqueline Stahl concilia com o trabalho na farmácia do Hospital Santa Gertrudes, de Cosmópolis, e o curso de Radiologia à noite. Além do seu próprio estilo de pintar, que é o surrealismo, focando sempre cores vivas e calmantes, ela busca inspiração nas obras do artista plástico pernambucano Romero Brito. Telas dividem espaço, em seu ateliê, com o artesanato em mosaicos. Estes hobbies já foram o seu sustento e a razão para superar os problemas de saúde da filha Agatha que, ainda bebê, foi diagnosticada com tetralogia Defallot (defeito cardíaco congênito com quatro malformações). Diante da doença da filha, Jaqueline deixou o emprego para se dedicar com exclusividade aos seus cuidados. Nas idas e vindas de hospital, em virtude das várias cirurgias que a filha teve que se submeter, ela procurava alguma atividade para ocupar a mente e ajudar o marido na renda da família. “Eu queria algo que me desse prazer, me fizesse sentir útil e proporcionasse renda ao mesmo tempo. Enquanto não descobria uma atividade, comecei a desenhar e pintar e, ao mesmo tempo, fazer peças com mosaicos para me distrair”, conta ela. O que ela não sabia era que o dom pelas artes plásticas, que ficou adormecido na infância, aflorou. Com traços ainda rudimentares e sem noção de perspectivas em seus desenhos, foi em busca de cursos, tanto de mosaico quanto de pintura em tela para se aperfeiçoar e decidiu montar um pequeno ateliê. “As obras foram tomando formas e prosperaram, me dando

subsídio financeiro com as vendas, principalmente as peças em mosaicos”, destaca. Hoje, com o trabalho de seis horas na farmácia do hospital e terminando o curso de Radiologia à noite, o tempo livre para se dedicar às artes plásticas é curto. Mas mesmo assim não para de desenvolver sua criatividade. “No processo de criação, a gente pesquisa a própria emoção, desenvolve percepções, imaginação e raciocínio e organiza pensamentos, sentimentos e sensações, transportando-nos para um mundo só da gente”, diz. Dom pelas artes aos 6 anos Desde criança, por volta dos 6 anos, descobriu que seu forte era desenhar e pintar e fazia isso incansavelmente. Não tinha noção do que realmente queria produzir. “Só sabia que queria criar e brincar de desenhar e colorir”, lembra. Na medida em que o tempo passou, o lado artístico foi crescendo na mesma proporção em que o interesse pelos estudos foi diminuindo. Não tinha paciência de ficar em sala de aula, perdia a concentração, mas se esforçou para terminar o segundo grau. Até que, já adulta, descobriu que o desinteresse pelo estudo e afinidade com a arte era em virtude da dislexia. “O disléxico sempre procura o lado artístico; é o seu perfil”, reflete ela, acreditando que foi este o motivo que a fez desistir de tentar uma faculdade. O problema é genético e foi herdado pelo filho, Felipe, 17 anos. “Nos dias de hoje, a ciência está tão avançada que você consegue controlar esta disfunção e ter uma qualidade de vida melhor”, explica ela. “Quando eu era adolescente, pessoas com dislexia eram tratadas como preguiçosas, pois a doença não era tão difundida. Hoje, meu filho faz acompanhamento com fonoaudiólogo e psicólogo e a disfunção é totalmente controlada”, pontua. janeiro/fevereiro 2012 - EM CENA - 11


saúde/comportamento

É preciso romper barreiras para alcançar o

Sucesso

Acreditar em si, superar desafios, persistir nos objetivos. Independente dos outros, o verdadeiro sucesso está na forma de como você se sente diante de suas realizações. Se a sensação for de dever cumprido, pode ter certeza de que você chegou lá!

U

ma das principais palavras que poderiam definir sucesso seria realização. E são nos eixos pessoal e profissional que a sociedade se dedica diariamente para a construção da vida, com o objetivo de atingir esta meta. Nos detalhes dessa estrutura muita gente já se reconhece como bem-sucedida. Leandra Migotto Certeza é uma destas pessoas. Ela tem 96 cm de altura e deficiência física, em decorrência da osteogenesis imperfecta, doença conhecida como ossos de vidro ou ossos de cristal. Ainda na barriga da mãe, teve várias fraturas por causa da fragilidade óssea e pela deficiência de colágeno. Quando criança, em virtude da doença ser desconhecida, os médicos afirmavam que a menina não sobreviveria. Mas ela lutou pela vida e venceu. Apesar de só conseguir dar os primeiros passos aos 5 anos e, dois anos depois, parar repentinamente já foi uma vitória. Nesse tempo, a pequena Leandra estudou em um colégio onde ela e outras crianças com necessidades especiais entravam pela porta dos fundos, ficavam em um pátio escondidas Leandra Migotto Certeza Jornalista e ativista em Direitos e eram separadas dos outros alunos Humanos das Pessoas com Deficiência por uma grade de ferro. 12 - EM CENA - janeiro/fevereiro 2012

“Confesso que não sei explicar o motivo racional pelo qual nasci com tanta força de vontade de viver, ser feliz e buscar o meu sucesso, mesmo tendo consciência da minha deficiência e de todas as limitações externas e internas, principalmente, da diferença estética, que sempre me trouxe dificuldade de lidar com a discriminação das pessoas”, avalia Leandra. Segundo ela, foi na adolescência que a situação ficou ainda mais complicada. O que mais a marcou, neste período, foi quando os meninos da sua idade viravam o rosto para não beijá-la. A jornalista também se recorda de que teve que ouvir de uma ginecologista, com um livro de anatomia aberto, que a medicina não poderia fazer nada pelo seu corpo. “É claro que ainda passo (agora até mais) por momentos de crise, dor, desânimo, tristeza e até um pouco de desespero. Mas não sei explicar o porquê nunca me entreguei completamente e sempre busquei enfrentar as barreiras, superando os meus próprios preconceiGleicy Viana tos, além de gostar de viver Publicitária e aproveitar as coisas mais


simples da vida.” Sul, firmou-se no mercado com êxito. “Para mim, sucesso é Não abrindo mão de ser feliz, Leandra se obstinou a pensar sempre em novas formas de fazer valer a pena a vida, conquistar seus objetivos, independente do que os outros independente das situações e, principalmente, saber agir e se falassem. E o sucesso foi certo: aos 14 anos voltou a andar posicionar profissionalmente”, pontua. com ajuda de muletas e até aprendeu a nadar, Segundo o escritor e palestrante internacioganhando medalhas com o esporte; viajou nal na área de autoconhecimento Lair Ribeiro, sozinha para o Peru e carregou muita mochila em seu livro “O sucesso não ocorre por acaso”, nas viagens que fez. Formada em jornalismo, a receita para ser uma pessoa realizada possui conquistou a editoria de duas importantes seis ingredientes: melhoria na autoimagem, revistas especializadas em inclusão social para boa comunicação; ter metas, atitudes positivas, portadores com deficiência: ‘Ciranda da dedicação ao que faz e ser ambiciosa. Ele afirma Inclusão’ e ‘Revista Sentidos’. Seu trabalho que o sucesso não acontece por acaso, depende nas duas publicações lhe rendeu dois prêmios, da forma como as pessoas organizam seus pensendo um na Colômbia, no Concurso de samentos para concretizar aquilo que querem. Periodismo y Comunicación Sociedad para É seguindo essa lógica que a enfermeira Lair Ribeiro Todos, da Associación Capital Humano; e ouGiovana Wilcesky percebe suas conquistas diPalestrante na área de autoconhecimento tro no Peru, no Sexto Congresso Internacional árias. Trabalhou por sete anos como técnica de Prazeres Dês-Organizados Corpos, Direitos e enfermagem e, gradativamente, por meio dos Culturas em Transformação. estudos, possui até graduação. “Tudo comeHoje é consultora e palestrante em empreçou quando eu era voluntária num hospital e sas e escolas, é ativista em Direitos Humanos cuidava das crianças de lá. Foi neste momento das Pessoas com Deficiência, coordena um que senti minha vocação e corri atrás de estudar projeto sobre a sexualidade das pessoas com e me especializar. Hoje, acho que posso dizer deficiência e já viveu lindas histórias de amor. que tenho sucesso, pois tudo o que eu planejava “Continuar vivendo em meio ao desafio se concretizou. No meu dia a dia, acho que um trágico e gostoso de todos os dias é o que sigdos meus maiores sucessos é quando vejo que nifica o verdadeiro sucesso para mim”, afirma um paciente recebeu alta e ele me agradece peLeandra. los cuidados que tive com ele, enquanto estava Giovana Wilcesky Quem também enfrentou desafios para internado”, destaca Giovana. Enfermeira conquistar o sucesso foi a publicitária Gleicy Já, para a técnica de enfermagem Alzenir Viana. Há quatro anos, ela resolveu largar Camargo, acreditar sempre em si mesma é tudo, inclusive a sociedade numa empresa importante para alcançar o sucesso, porém não de comunicação visual, no Recife (PE), a qualquer custo. “Não vale a pena, por exempara desvendar o mercado publicitário no plo, perder a saúde para alcançar o sucesso. O Rio Grande do Sul (RS). Por não conhecer essencial é ter um bom relacionamento com a ninguém da área neste Estado, ela afirma que família e com os colegas de trabalho, vivenciar várias portas se fecharam, mas que, por persismomentos de lazer e também estar em paz com tência e determinação, conquistou o espaço. seu espírito”, acredita. “Para não ficar parada, fiz até um curso de Seja materialmente ou espiritualmente, para mecânica, que não tinha nada a ver comigo; se sentir realizado é preciso empenho diário nos horários vagos, visitava empresas do meu naquilo que se faz bem. “É acreditar sempre Alzenir Camargo Técnica de enfermagem ramo, inclusive a pé, porque meu dinheiro que você pode atingir seus objetivos, aproveitar já estava no limite. As pessoas me olhavam as oportunidades e também correr riscos. É na com certo despeito, mas, acho que minha autenticidade e renovação diária destes conceitos que você pode e deve criar segurança naquilo que falava fez com que as coisas aconteo caminho do seu próprio sucesso”, finaliza Alzenir. cessem, até que virei gerente de marketing numa empresa Serviço: de comunicação visual rio-grandense”, revela a publicitária. Leandra Migotto: http://leandramigottocerteza.blogspot.com/ e http://fantasiascaleidoscopicas.blogspot.com/ Atualmente, Gleicy está em São Paulo e trabalha como Lair Ribeiro: http://www.lairribeiro.com.br/ gerente comercial em outra empresa do ramo e que, de forma parecida com o que aconteceu no Rio Grande do janeiro/fevereiro 2012 - EM CENA - 13


saúde/comportamento - netiqueta

Etiqueta

nas redes sociais

Os perfis das redes sociais podem ser verdadeiras armadilhas para conseguir ou manter um emprego, por isso conheça as regras da netiqueta

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ara quem pensa que as redes sociais são apenas um meio de diversão, no qual é possível se conectar com as pessoas, postar comentários e aderir a comunidades, está muito enganado. Estes espaços digitais ultimamente têm sido utilizados também como fonte de avaliação para selecionar candidatos ou para as empresas avaliarem seus colaboradores. É isto mesmo. Com esta tendência é cada vez mais necessário que as pessoas se preocupem com o que escrevem no Facebook ou Linkedin, por exemplo, pois pode representar um fator negativo para o empregador. E diante desta situação, faz toda a diferença seguir algumas regrinhas de “netiqueta”, um conjunto de normas de comportamento na internet para não ficar com a imagem comprometida e até perder uma oportunidade de emprego. As também chamadas mídias sociais ganham inúmeros recursos e, por isso, tornam-se cada vez mais presentes no cotidiano da população. Segundo pesquisa divulgada, em 2010, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos 73 milhões de brasileiros que tinham acesso à internet, 90% usavam estas redes. Nestes espaços digitais, a liberdade de expressão pode ser a grande armadilha, principalmente quando se trata da vida profissional. Muito se engana quem pensa Ana Vaz Consultora de Imagem que suas postagens não podem Pessoal e Etiqueta

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ser lidas por um superior, colega de trabalho ou amigo e, por esta razão, é essencial ter bom senso e não colocar tudo o que quer na página. “Nos últimos tempos, temos convivido on-line, o que facilita a comunicação. Apesar das pessoas terem a sensação de escrever algo pessoal, transmitindo tudo o que lhes vêm à cabeça, este é um espaço público e, por isso, devemos saber como nos comportar. É neste contexto que se aplicam as regras da netiqueta”, explica a consultora de Imagem Pessoal e Etiqueta, Ana Vaz. O diretor da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação (Esamc) e coach profissional (aquele que ajuda o cliente a atingir seus objetivos), Ricardo Nakai, lembra que outro problema é que as pessoas não diferenciam, nas redes, o lado profissional do pessoal e, sem critério de como agir com uma miscelânea tão grande de grupos de amigos, isto pode se tornar um transtorno se não tiver bom senso nas postagens. “É possível ter na rede de amigos pessoas que você nunca viu, encontrar amigos de infância, familiares afastados, paqueras, colegas de trabalho, chefes e até uma proposta para mudar de emprego. Tudo no mesmo lugar,”, explica. Ele ainda aconselha que é preciso ser legítimo sem excessos, como, por exemplo, nos álbuns onde é possível colocar a foto das férias na praia, mas não é preciso mostrar imagens apelativas; ou a foto da festa de final de ano, não escolha aquela que possa causar uma má impressão.


Tendência nas empresas Uma pesquisa feita por uma das maiores consultorias de recrutamento de pessoal do mundo, com 210 executivos brasileiros, mostrou que 83% deles acreditam que o perfil dos candidatos nas redes sociais influencia na hora de fazer uma avaliação do profissional. Mas para Fabiano Kawano, gerente da Divisão de Engenharia, da Robert Half, empresa de recrutamento especializado, este não é um fator de desclassificação, pois cada caso é diferente. “Assim, como a internet e nos demais sites, as redes sociais são mais uma forma de captação ou um acelerador no processo seletivo, ou seja, a ferramenta é outra maneira de avaliar o candidato. Um fator negativo representa um ponto de atenção e não uma desclassificação, que também pode ser revertido por alguma decisão positiva do candidato no seu perfil ou durante a entrevista,” diz. De acordo com ele, as mídias mais utilizadas para recrutamento são: em primeiro lugar o Linkedin, em segundo o Facebook e em terceiro o Twitter. “Para contatos profissionais, o Linkedin é o mais usado, representando, em 2011, um total de 4 milhões de usuários no Brasil e 120 milhões no mundo.” O coach profissional, Ricardo Nakai, confirma esta

tendência ao destacar que “o grande desafio do profissional que está recrutando pessoas para determinada vaga é o de tentar conhecê-las ao máximo e projetar as características de personalidade do candidato às competências necessárias para desempenhar o cargo. Identificar hábitos, interesses e motivações que podem ser facilmente percebidos numa rede social ajuda no processo de adequação entre a vaga e o candidato”, pontua ele. Brasil segue influência das redes sociais Outra pesquisa, realizada pela Robert Half, empresa de recruta

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saúde/comportamento - netiqueta

mento especializado, que ouviu 2.525 profis“Escrevo praticamente 24 horas, exceto durante sionais em 10 países, entre abril e maio deste ano, as horas de sono. Mesmo em eventos, nos bares constatou que o Brasil e a Itália são nações em com amigos, procuro postar fotos e comentários que os empregadores são mais influenciados pelas sobre estes lugares”, conta ele. redes sociais na hora da contratação. Segundo Zaglia, a 100% Vídeo O levantamento mostrou que 44% se preocupa com o que é escrito nas das companhias brasileiras usam redes sociais vinculdas à empresa, por as redes para avaliar candidatos e isso impõe regras para postagens. Esta colaboradores e que 39% falam com mesma preocupação é compartilhada o candidato antes de decidir sobre a pelo funcionário, que, em suas páginas contratação. Também foi apontado pessoais, fica atento ao que escreve, que 17% das empresas brasileiras justamente para preservar sua imagem. não deixariam de contratar um “Se eu estivesse desempregado, poscandidato com ótimo currículo em taria as mensagens da mesma forma; virtude de alguma informação negatenho um limite para expor a minha Ricardo Nakai tiva ou foto inadequada no perfil do intimidade, um limite que permito Diretor da Esamc e coach profissional Facebook, Twitter ou Orkut. expor a minha vida nas redes sociais. Esses dados demonstram que as E, claro, que, agindo desta maneira, companhias estão atentas ao universo on-line. É não deixo de ser quem eu sou, apenas porque sou comum as empresas monitorarem tudo o que diz empregado de uma empresa ou porque eu mesmo respeito a elas na web, que, por sua vez, passou a controlo as redes sociais.” ser uma estratégia de negócios. Por isso é natural identificar quando um dos seus colaboradores se Manual de conduta manifesta na internet. E apesar de não divulgar, na internet muitas delas monitoram seus empregados nestes Também mostra espaços e, dependendo do que for escrito, pode ser uma tendência ser considerado um descaso com o trabalho e até as empresas criarem levar à demissão. normas de comUm exemplo de como se deve tomar cuidaportamento do com o que é postado nas redes sociais foi a demissão do diretor comercial da Locaweb, Alex Glikas, em 2010. Isto aconteceu porque ele ofendeu o São Paulo Futebol Clube no Twitter, após uma partida contra o Corinthians, time que ele torce. O motivo para esta ação é que a empresa patrocina o clube paulista. “É importante esclarecer que nem todos os casos geram demissão, isto depende da política da empresa e da gravidade de cada caso; a maioria das empresas aplica advertência”, explica Fabiano Kawano, da Robert Half. Em contrapartida, há quem use constantemente as redes sem nenhum problema. O gerente de Conteúdo e consultor de Cinema, da Locadora100% Vídeo, Reginaldo Zaglia, além dos seus perfis pessoais nas redes ainda alimenta o perfil da empresa no Facebook, Twitter e Orkut.

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para evitar os excessos dos funcionários no ambiente on-line. As pessoas tendem a ficar à vontade na internet, sem perceber que se trata de um espaço público, onde não há sigilo nas informações e o nome da empresa pode ser facilmente vinculado ao do usuário da rede. Fabiano Kawano De acordo com Ana Vaz, Gerente da Divisão de consultora de Imagem PesEngenharia da Robert Half soal e Etiqueta, as pessoas não sabem usar corretamente esses meios. “É preciso autocontrole para não se expor, treinar a impulsividade de escrever tudo o que pensa e não se tornar vítima do que publicou, sem ter consciência do que é escrito na página. Por este motivo é tão importante uma orientação ou manual de etiqueta para a web”, aconselha a profissional. Diante do desconhecimento dos funcionários sobre

os efeitos de uma publicação inconsequente, algumas organizações procuram ajuda profissional e estão estabelecendo um manual de conduta para a internet, direcionado a seus colaboradores. É cada vez mais frequente a inclusão do tema em palestras sobre etiqueta empresarial e também Reginaldo Zaglia a contratação de profissionais Gerente de Conteúdo e consultor para falar sobre o assunto, de Cinema da 100% Vídeo que é novo e muitas pessoas ainda não sabem exatamente o seu poder de facilitar ou dificultar as carreiras. Exigência de mercado Apesar de todos esses cuidados é importante ter um perfil nas redes sociais, principalmente no Linkedin, tanto para quem está empregado quanto para os desempregados. “Hoje, o carro-chefe das redes de relacionamento profissionais é o Linkedin, mas é importante ter um perfil e sempre atualizá-lo. Quem não participa destas redes perde oportunidade, pois os headhunter (profissional que busca profissionais com perfis preestabelecidos para preencher cargo nas empresas) estão sempre de olho nestes espaços. Esta pode ser a oportunidade de mudar a carreira”, explica Fabiano Kawano, gerente da Robert Half. Como ter perfil adequado na rede social *A primeira providência é separar o perfil profissional do pessoal e, assim, ter mais liberdade com os amigos, se desejar. Mas, para isso, é preciso tomar alguns cuidados, como não mencionar a empresa onde trabalha, tanto no perfil quanto nas postagens e fazer uso das ferramentas de segurança e privacidade para restringir os acessos. *A foto do perfil deve ser escolhida de acordo com o objetivo. Se você pretende estabelecer um contato profissional, a imagem deve ser mais formal; se for um perfil pessoal, a imagem pode ser mais informal. As fotos do álbum também devem ser escolhidas cuidadosamente para que não haja exposição desnecessária que afete a sua imagem. *O e-mail para contato deve ser formal, contendo o nome da pessoa. É errado manter um endereço com um nome extravagante. *Fique atento à forma como interage na rede. Procure se relacionar positivamente e escrever conteúdos consistentes. Isto pode ser de grande valia durante uma avaliação.

*Tenha cuidado com as referências, no caso do Linkedin. Se não conhece a pessoa, não indique. *Enfim, seja mais criterioso e pense em tudo o que for comentar e postar nas redes.

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saúde/bem-estar

Eduardo, Gustavo e Mônica Bernal

Autismo

Apesar de muitos anos de estudo, o autismo ainda é desconhecido pela sociedade, seja pela diversidade de características ou pela falta de informação

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uando se fala em autismo, uma parcela significativa da sociedade logo imagina aquela pessoa isolada, introspectiva, que fica balançando o corpo em movimentos repetitivos, como se vivesse em um mundo particular e não interagisse com as pessoas a sua volta. Essa visão, que ainda persiste nos dias de hoje, deixa claro que o autismo está longe de ser compreendido pela maioria das pessoas, que não sabe que se trata de um transtorno do desenvolvimento e pode ser definido pelo comprometimento da chamada tríade, ou seja, das três áreas nobres do desenvolvimento humano: a comunicação, a in-

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teração social e a imaginação. Estes três campos, quando afetados simultaneamente, criam um quadro que compromete o aprendizado e traz consequências em todo o desenvolvimento, mas isto pode ter vários níveis, visto que o autismo se manifesta de diferentes formas. O transtorno de espectro autista, como é denominado atualmente, foi descrito pela primeira vez em 1943 pelo psiquiatra austríaco Leo Kanner. Hoje, estima-se que a cada 118 nascimentos, vem ao mundo uma criança com a doença. De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Autismo (Abra), Marisa Furia Silva, no Brasil deve haver em torno de 1.8 milhão de casos e a


grande maioria ainda sem diagnóstico.

crianças e jovens com dificuldades psicopedagógicas, comportamentais e psicomotoras, explica que, apesar de a arteterapia ser um campo bem extenso, é importante Descobrindo o autismo esclarecer o grau de comprometimento do autista e seu Mônica Rocha Bernal e Edumomento, visto que um é muito diferente do outro e o ardo Bernal são pais de Gustavo, trabalho será diferenciado para cada caso. que tem 10 anos e diagnóstico de “Atendo um autista que tem fixação por rasgar papel; autismo. Até 1 ano e meio, ele se se dependesse dele só trabalharíamos com mosaicos, pois desenvolveu normalele rasgaria tudo e depois colaria, porém mente, tendo apenas também utilizo a técnica de contar histórias menos horas de sono com máscaras de materiais resistentes e que as outras crianças. livros de pano. Os que se expressam através Após esta idade, seu da agressividade, utilizo massinha e argila desenvolvimento deu para trabalhar suas energias e acalmá-los uma estacionada e ele mais; já em outros, trabalho com desenhos, começou a apresenpinturas, colagens e materiais reciclados”, tar dificuldades de exemplifica a profissional, que acredita no adaptação na escola. papel transformador da arteterapia na vida Foi aí que os pais daqueles que têm tido oportunidade de procuraram especiavivenciá-la, transformando-os em pessoas Marisa Furia Silva Presidente da Abra listas que detectaram confiantes, capazes e descobridoras de seus componentes autistas potenciais. no desenvolvimento do filho. Era “Como a grande dificuldade do autista é se comunítido que havia um transtorno de desenvolvimento, nicar, a linguagem não-verbal da arteterapia torna-se mas o diagnóstico veio só aos 5 anos. um fluir das expressões de suas emoções e dificulda“No começo foi um choque, você pensa ‘onde foi que des, sendo assim um meio de fortes vivências, capazes eu errei?’, mas depois vem aquela motivação para saber de demonstrar aspectos da sua realidade, podendo mais sobre a doença e buscar os melhores profissionais”, transformá-la.” explica Mônica. Atualmente, Gustavo frequenta uma Preconceito clínica-escola, onde recebe estimulação O total desconhecimento da sociedade global em todas as áreas, que o deixa mais com relação à doença ainda é um fator confiante, interativo e centrado em suas que implica preconceito sofrido pelos tarefas. autistas e seus familiares, como explica “Ele é muito carinhoso, adora abraçar; Mônica Bernal, mãe de Gustavo. é muito sensível e percebe o estado emo“Devido à espontaneidade dele, muitas cional das pessoas a sua volta. Tem como vezes ele grita no meio do shopping e fica características do autismo o isolamento, a muito agitado, então as pessoas olham dificuldade de linguagem, a espontaneidade espantadas, pensando que a mãe não deu e a hiperatividade”, conta a mãe. educação para a criança. Elas simplesmente julgam e não param para pensar Tratamento no porquê do comportamento diferente. O tratamento para o autismo e outros Faço um apelo para que as pessoas evitem transtornos de desenvolvimento se dá por estimulação julgar as outras pelas aparências. Se alguém não tem constante, ou seja, terapias nas mais variadas áreas, como um comportamento adequado, não sabemos qual é acompanhamento psicológico, terapia ocupacional, o motivo disso e não podemos tirar nossas próprias arteterapia, entre outras. conclusões. Devemos desenvolver a compreensão e a A psicóloga Roberta Burlamaqui, que trabalha com tolerância, principalmente com as pessoas diferentes

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meio ambiente - arborização

Cidades

mais verdes A arborização urbana traz benefícios em todos os aspectos: embeleza e valoriza a cidade, além de proporcionar melhor qualidade de vida para as pessoas

E

m praças e parques arborizados de pequenas cidades ainda é comum encontrar pessoas que mantêm a tradição de se encontrar em meio à natureza para reunir os amigos, fofocar e jogar conversa fora. Há ainda os idosos que jogam cartas nos parques e observam o movimento nos bancos das praças, sentindo a brisa suave do clima ameno. Sem falar nos casais apaixonados que namoram debaixo de árvores, marcando suas iniciais nos robustos troncos. E tem também famílias que programam piqueniques na grama sob as grandes espécies, que as protegem do sol e amenizam ainda mais o clima. Todas essas tradições, que revelam a har-

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monia de viver em meio à natureza, mostram a importância da arborização urbana, visto que, com o crescimento das cidades sem planejamento, as áreas verdes foram substituídas pelas construções e os centros urbanos são hoje caracterizados pela pavimentação e edificações. No Brasil, as estimativas mostram José Rodrigues M. Filho que 70% da populaEngenheiro agrônomo ção vive nos grandes


Atenção na hora de arborizar calçadas Raiz – plantas de raízes superficiais e muito vigorosas são péssimas escolhas para o plantio em calçadas. As raízes podem arrebentar o calçamento, estourar tubulações e danificar a estrutura da casa. Resistência dos galhos – as árvores de crescimento rápido possuem galhos frágeis, que podem ser quebrados facilmente pelos ventos e chuvas e, por sua vez, ocasionar acidentes.

Queda de folhas – para não ter que varrer sua calçada muitas vezes, procure escolher espécies cujas folhas não caem em determinada época do ano. Sombreamento – se você desejar uma boa sombra para a sua rua, utilize espécies com copa densa e ampla. Frutos - muitas pessoas já tiveram a infelicidade de ter o vidro do carro quebrado por uma manga que caiu de um pé plantado na calçada, por isso é bom pensar antes de plantar.

centros, sendo necessário um planejamento de arborização e revitalização dos municípios, sobretudo nas grandes cidades e regiões metropolitanas, que foram engolidas pelas edificações e sofrem com a poluição. De acordo com o engenheiro agrônomo José Rodrigues Magalhães Filho, a arborização urbana é de suma importância para que se tenha melhor qualidade de vida no município, sendo útil em todos os aspectos. “Podemos citar a melhora na qualidade do ar, uma vez que as plantas absorvem o gás carbônico eliminado pelos carros; a redução do impacto das chuvas, que ajudam a reter mais a água no solo, reduzindo as enxurradas; a diminuição da temperatura do local, visto que as árvores refrescam o ambiente pela grande quantidade de água transpirada pelas folhas; fornecimento de sombra para pedestres e veículos, além de melhorar o efeito estético da região.” O Departamento de Parques e Jardins (DPJ), da Prefeitura Municipal de Campinas, gerencia parques, jardins e bosques da cidade, promovendo a conservação, a partir de ações que visam à manutenção destas áreas, com foco na preservação das espécies e manutenção das características ambientais. De acordo com o DPJ, para realizar o plantio ou a reposição de árvores e arbustos em área urbana é necessário um planejamento, que leva em consideração as condições do ambiente, a largura das calçadas e ruas, fiação aérea e subterrânea, além das características de cada espécie. Este último fator é, inclusive, alvo de irregularidade por parte dos moradores, que fazem plantio nas calçadas sem ter informações sobre a variedade da planta e depois, quando elas crescem, acabam gerando problemas, invadindo casas e estourando calçadas. Em consequência disso, ocorre, na

Clima – algumas plantas de clima frio não se desenvolvem bem em climas quentes e vice-versa. Toxidez – algumas plantas são muito tóxicas, além de atraentes para as crianças. Portanto, evite seu plantio. Obstrução de passagem – não utilizar espécies que possuam galhos muito baixos ou que sejam arbustivas, pois elas, além de não produzirem sombreamento, atrapalham a passagem nas calçadas.

maioria das vezes, a poda irregular das árvores, que é o maior problema enfrentado pelo Departamento de Parques e Jardins. O que falta é a população se conscientizar da importância da preservação das espécies de árvores, procurando especialistas para o plantio e a poda, além de valorizar a arborização urbana, tendo em vista sua importância para a sociedade. “Uma cidade bem arborizada é muito valorizada por turistas e agradável para os moradores do município, que têm o privilégio de viver em harmonia com a natureza, ainda que estejam em grandes centros urbanos”, finaliza o agrônomo José Rodrigues Magalhães Filho.

Por suas características, o ipê-amarelo é uma boa opção de arborização de calçadas

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turismo

Parque Juca Mulato

Palco de batalhas históricas, berço de um célebre poeta e município reconhecido pela área de psiquiatria. Tudo isto está em

Itapira L

ocalizada a 173 quilômetros da capital paulista, a cidade de Itapira coleciona riquezas históricas em seus 191 anos de existência, além de ser referência na área da saúde mental. Atualmente, com mais de 68 mil habitantes, o município já foi palco de um dos mais marcantes momentos da Revolução Constitucionalista de 1932, durante os combates entre as tropas paulista e mineira. Os soldados revolucionários, entre eles diversos itapirenses, resistiram bravamente ao avanço dos

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invasores em glorioso momento de defesa dos ideais democráticos. Outro orgulho da cidade é o de ter sido o berço do poeta Menotti Del Picchia, que se mudou para Itapira aos 5 anos, onde começou como agricultor e se formou em Direito; criou o jornal político ‘O Grito’ e escreveu vários poemas, entre eles ‘Moisés’ e ‘Juca Mulato’. Em 1924, criou o Movimento Verdamarelo, de tendência nacionalista e publicou vários romances, livros de ensaios e de crônicas.


Confira algumas das atrações turísticas em Itapira Asa-delta A 1.240 metros de altitude, no alto do Morro do Cruzeiro, um dos mais belos locais da região, está a única plataforma de voo livre do Estado de São Paulo, homologada pelo Departamento de Aviação Civil (DAC), do Ministério da Aeronáutica. Ela sedia, regularmente, campeonatos de voo livre e encontros de radioamadoristas.

sala de pesquisas, um auditório e área para exposições.

Barão / Eleutério Os bairros Barão Ataliba Nogueira e Eleutério são pontos históricos de Itapira e exemplo das tradições culturais do município. Construções do início do século passado mostram a riqueza da cidade. A Igreja de São José, a Praça da Vila Barão de Ataliba Nogueira, o coreto e a Igreja da Vila de Eleutério são algumas das construções históricas.

Morro do Gravi - Revolução Constitucionalista de 1932 Localizado na estrada velha Itapira-Mogi Mirim, é um ponto histórico que foi palco de batalha. Possui monumento em homenagem aos combatentes. Um dos mais marcantes momentos da Revolução de 1932 aconteceu em Itapira, durante os combates entre as tropas paulista e mineira.

Casa da Cultura A Casa da Cultura João Torrecillas Filho abriga a Biblioteca Municipal Mário da Fonseca Filho,

Parque Juca Mulato Em homenagem ao poema de Menotti Del Picchia, o Parque Juca Mulato é uma das

Casa Menotti Del Picchia Inaugurada em 1987 em homenagem ao poeta, a Casa Menotti Del Picchia, localizada no Parque Juca Mulato, abriga significativo acervo literário, artístico e pessoal do escritor, assim como o mobiliário de seu escritório.

principais atrações turísticas da cidade. Possui vista panorâmica de boa parte da cidade e das montanhas do sul de Minas Gerais e do circuito das águas. Museu de História Natural Hortêncio Pereira da Silva Júnior Situado em frente o Parque Juca Mulato, o museu é pioneiro na região, despertando grande interesse da população, em especial, dos estudantes, que têm nele uma fonte viva de conhecimento e pesquisa. O acervo conta com uma coleção entomológica de mil espécies, coleção em via úmida (órgãos e fetos de animais), crânios e esqueletos. Museu Municipal Histórico e Pedagógico “Comendador Virgolino de Oliveira” Instalado desde 1972 no interior do Parque Juca Mulato, o museu possui um variado acervo cultural com peças, pinacoteca, livros, documentos históricos, entre eles da Revolução Constitucionalista de 1932.

Conhecida como a “cidade dos loucos”, Itapira possui três grandes hospitais psiquiátricos: Clínica de Repouso Santa Fé, Clínica Cristália e , Instituto Bairral de Psiquiatria. Este último é um dos maiores, em tamanho, de todas as Américas e do mundo. Devido a isso, a cidade é conhecida como polo do tratamento psiquiátrico, reunindo os maiores profissionais da área nas três instituições.

Museu de História Natural

Instituto Bairral

Casa Menotti Del Picchia

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atualidade - educação

Tablets Aprendizado na ponta dos dedos

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pesar de os tablets já fazerem parte Na linha dos que apoiam o uso desses apado cotidiano de muitas pessoas, relhos em salas de aula, está Ricardo Falco, agora o Brasil entra oficialmente na diretor do Colégio Integral, unidade Cambuí, era desta nova tecnologia, que está em Campinas. Esta é a primeira escola no cada vez mais presente em lares, ambientes Brasil que está trabalhando com um projeto de trabalho e salas de aula. Com a aprovação pedagógico voltado para a tecnologia. Desde da Medida Provisória nº 534/11, que reduz a o começo de 2011, 35 alunos das turmas de zero o Programa de Integração pré-vestibular receberam um Ipad Social (PIS) e a Contribuição (tablet da Apple) cada, para usar para Financiamento da Segurinas salas de aula, em casa, ou em dade Social (Cofins) incidentes qualquer lugar que desejarem. sobre a venda destes dispositivos Em 2012, cerca de mil alunos produzidos no Brasil, a redução de todas as turmas também recebeno preço final ao consumidor rão o aparelho, que, de acordo pode ser de 31%, segundo esticom o diretor, trouxe benefícios mativa do Ministério das Comue incentivo para os que já estão nicações. usando. De acordo com projeções do “Eu percebi a facilidade que eles Instituto de Pesquisas Gartner, têm de acessar as informações em Ricardo Falco Diretor do Colégio Integral as vendas desses equipamentos tempo real e o incentivo à leitura, em todo o mundo devem saltar visto que utilizam muitos aplicade 18 milhões (registrados no ano passado) tivos de jornais e revistas. A aula também se para 108 milhões em 2012. torna mais dinâmica e interessante com a imO impacto dos tablets, no entanto, está plementação das novas tecnologias”, explica indo além dos recursos para acessar a inFalco. ternet, ver vídeos, ouvir música, receber e A economia também é outro ponto posienviar e-mails; organizar fotos, jogar games, tivo para o uso dos tablets na educação, visto ler livros eletrônicos e revistas. que os alunos não fazem mais uso das aposSão versáteis e, portanto, estão tilas e, desta forma, utilizam menos papel, e, influenciando vários setores, portanto, contribuem com o meio ambiente e inclusive o educacional. com a saúde. “Aquelas mochilas pesadas, com

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Tablets nas escolas públicas O ministro da Educação, Fernando Haddad, durante palestra a editores de livros escolares na 15ª Bienal do Livro anunciou que vai distribuir tablets nas escolas públicas a partir de 2012. O objetivo, segundo o ministro, é universalizar o acesso dos alunos à tecnologia. De acordo com Haddad, o Ministério da Educação (MEC) está em processo de transformação, sendo que, agora, com os tablets, será dado um grande salto. Para tanto,

é necessário tomar decisões de maneira a fortalecer a indústria, os autores e as editoras para que não haja um problema de sustentabilidade com a questão da pirataria. Haddad não soube precisar o volume de aparelhos que será comprado pelo MEC, mas disse que estaria na casa de “centenas de milhares”. Ele destacou que a iniciativa está sendo executada em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

muitos livros e apostilas, que prejudicavam a coluna dos estudantes, não vão mais existir”, completa o diretor do Colégio Integral. Tablet aumenta o rendimento em sala de aula Uma pesquisa encomendada pela Abilene Christian University (ACU), no Texas, Estados Unidos, constatou que o rendimento dos alunos que usam o dispositivo móvel, no caso o Ipad, aumentou 25% em relação aos que usam o método convencional de lápis e papel nas anotações. Além da melhoria no rendimento, os pesquisadores também informaram que na realização de um curso on-line o aproveitamen-

to foi de 95% com o uso do tablet da Apple.

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curiosidade - arte oriental

Origami Muito mais do que simples dobraduras de papel, o origami é uma prática milenar que reflete a riqueza da cultura oriental

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delicadeza, elegância e sensibilidade dos costumes orientais aos poucos se incorporam ao nosso dia a dia, trazendo benefícios de equilíbrio interior com práticas milenares, como yoga, artes marciais, meditação, entre outras. Neste cenário também está inserido o origami, que é a arte de dobrar papel para transformar em objetos decorativos. A palavra japonesa é composta por dois caracteres. O primeiro, ori, significa dobrar; o segundo, kami, significa papel. O origami surgiu durante o período Heian (794-1185), como um divertimento das classes altas, as únicas que podiam comprar papel, um artigo de luxo, na época. Alguns modelos foram introduzidos em cerimônias religiosas e eram usados como presentes e em diplomas, dobrados de forma especial. A democratização da arte japonesa surge durante o período Tokugawa (1603-1867). Época em que surgem os primeiros livros sobre o assunto. Hoje, pessoas de todo o mundo se dedicam a essa técnica de várias formas, tanto no desenvolvimento de figuras cada vez mais complexas, como no estudo matemático das diversas dobras. Na vida de Adriana Suzuki, o origami foi apresentado pelo seu avô paterno quando ela tinha 9 anos. Com o passar do tempo, foi aprimorando suas técnicas com a ajuda de livros, revistas e viagens e, há dois Adriana Suzuki Origamista anos, a

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profissional, que é formada em odontologia, tem como foco profissional os origamis. “Descobri um nicho na área de eventos, casamentos, festas, que antes não era tão explorado com origamis. Eles dão um toque de autenticidade, além de serem completamente artesanais e possuírem significados especiais, por isso, eu quis fazer com que eles ganhassem destaque nas datas especiais e estou feliz com a repercussão”, conta. Por dobrar diariamente, os origamis promovem a Adriana o bem-estar e trabalham com a coordenação motora. Para ela, isto é de suma importância, pois toda energia positiva é aplicada na dobradura. “Trabalhar com os origamis é sublime. É voltar a minha essência, manter meu avô querido sempre comigo, reencontrar amigos, conhecer pessoas incríveis e encantadoras; enfim, é poder trabalhar com a alma e o coração em momentos especiais.” Tsuru O símbolo do origami japonês é o tsuru (garça), que significa boa sorte, felicidade e saúde.


Monumento da Paz das Crianças, no Parque da Paz de Hiroshima

Inicialmente, tinha apenas a função decorativa, mas há tempos é associado às orações, sendo oferecido nos templos, juntamente com pedidos de proteção. Tudo isso devido à historia de Sadako, uma menina japonesa que foi uma das vítimas da bomba em Hiroshima, em 1945. Dez anos após o ataque, com 12 anos, ela começou a sentir os efeitos da bomba atômica, até que foi diagnosticada com leucemia. Quando Sadako estava no hospital, um amigo lhe levou alguns papéis coloridos e dobrou um tsuru, dizendo que ele tinha o poder de conceder desejos e que se uma pessoa dobrar mil tsurus e fizer o seu pedido a cada um deles, este será atendido. Ela, então, começou a fazer e pedir para se curar, porém a sua doença se agravava a cada dia. A menina começou, então, a pedir pela paz mundial. Dobrou 964 até 25 de outubro de 1955, data em que morreu. Seus amigos dobraram o restante a tempo do seu funeral, mas eles

também desejavam pedir por todas as crianças que estavam para morrer, em consequência da explosão da bomba atômica. Os amigos de Sadako formaram um clube e começaram a angariar dinheiro para um monumento. Em 5 de maio de 1958 inauguraram o Monumento da Paz das Crianças, no Parque da Paz de Hiroshima. Todos os anos, no Dia da Paz, 6 de agosto, são enviados tsurus, provenientes de todo o mundo, para o parque. Atualmente, nas festas de ano novo, casamento, nascimento e outras comemorações festivas, a figura do tsuru está presente nos enfeites ou nas embalagens de presentes. (Veja, ao lado, como fazer um tsuru). Fonte: Adriana Suzuki E-mail: adrimsuzuki@hotmail.com http://blog.adrianasuzuki.com.br

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cultura - arte circense

Christian Mathias, da Trupe Além da Lona

Mambembe Expressão artística utiliza o circo e o teatro de rua para conquistar plateias por onde passa

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m algum momento da sua vida você já deparou com um artista em uma praça, rua ou em um parque fazendo alguma apresentação que lhe remeta ao circo? Então, com certeza, você conhece a arte mambembe, ou seja, um tipo de apresentação cultural que mistura circo e teatro de rua em suas manifestações. Também conhecida como comédia dell’art, ela pode ser representada por palhaços, Trupe Além da Lona

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malabaristas, poetas, cantores, atores, músicos, dentre vários outros tipos de artistas populares. Reconhecida por seu formato itinerante, esta manifestação artística é uma das mais antigas da sociedade. Surgiu no século 12, durante a Idade Média, na Europa, quando os denominados saltimbancos fugiam da repressão da Igreja e sentiram a necessidade de formar novos públicos em oposição à arte erudita medieval. Eles se apresentavam por onde passavam com suas carroças e palcos improvisados e, assim, divertiam a população local, representando o cotidiano da época. No Brasil, a expressão “mambembe” surgiu entre os séculos 17 e 18, quando a comédia se firmou como gênero dramatúrgico brasileiro. Seus maiores representantes, no período, foram Martins Pena, considerado o fundador da comédia de costumes; França Júnior e Arthur Azevedo, também no mesmo segmento. Já, os escritores românticos Gonçalves Dias e José de Alencar seguiram na dramaturgia.


Hoje, os espetáculos mambembes podem ser reconhecidos em peças teatrais, circos, performances e improvisos artísticos realizados em qualquer lugar. Por ter esta característica popular, facilmente os artistas conquistam plateias, porém espaço e reconhecimento profissional ainda são as principais dificuldades que a categoria enfrenta para desenvolver seu trabalho. Para o ator Christian Mathias, que coordena, em Campinas, a Trupe Além da Lona - grupo que trabalha com arte circense, teatro e poesia em todo o Brasil -, é preciso que o governo invista mais em iniciativas que apoie a cultura popular. “A arte mambembe é uma vivência maravilhosa, pois, além de levar cultura àqueles que, muitas vezes, não têm a oportunidade de ir às salas de teatro ou mesmo aos circos para ver um espetáculo, evidencia a função do artista de rua. Por tudo isso, e muito mais, é preciso que haja políticas públicas nesta área, como, por exemplo, a liberdade do uso de espaços públicos para apresentações dos grupos”, destaca. Christian e sua trupe estão na batalha há 10 anos entretendo o público com performances de pirofagia (cospe-fogo), malabarismo, equilíbrio em cilindros, corda bamba, monociclo, acrobacias, pantomimas e brincadeira com palhaços. Apesar de ser tipicamente composto de artistas mambembes e também enfrentar a falta de apoio, o grupo já se apresenta em teatros, escolas, shoppings e instituições corporativas. “Não abandonaremos a rua jamais. Ela é essencialmente nosso espaço de atuação, mas somos um grupo de circo aberto para todas as possibilidades de trabalho”, explica o ator. Lugares muito comuns, possíveis de ver a arte mambembe, são os sinais de trânsito. Quem pensa que é moleza ficar o dia inteiro nos faróis, tendo que se apresentar em menos de dois minutos e ainda tentar ser remunerado por isso, está muito enganado. Este é o caso do palhaço malabarista Fábio

de Brito Viana, que faz suas performances nos semáforos do bairro do Bosque, em Campinas. Fábio, que tem apenas um dos braços e é casado e pai de duas filhas, revela que um colega o ensinou a fazer malabarismo com bolinhas na época em que vendia bananas na rua. “Meu amigo falou que fazer isso dava uns trocadinhos a mais, porque chamava muito a atenção das pessoas e aí me ensinou. Mas, mesmo caracterizado de palhaço, tem gente que acha que o que fazemos é vagabundagem e não entende que isso é o nosso ‘ganha-pão’. Uma assistente social até já me levou em um circo, mas lá só levei chá de cadeira e nada aconteceu. No dia a dia, outra grande dificuldade é com os ‘guardinhas’ da prefeitura que nos tratam como se fôssemos fazer algum mal, mas é totalmente o contrário do que eles pensam: a arte é minha única possibilidade de não parar de trabalhar e também de não cair na marginalização”, explica o malabarista. O ator e teatrólogo Rubens José Souza Brito, em uma pesquisa sobre a contribuição do teatro mambembe para a sociedade, afirma que, neste tipo de arte, as apresentações nos campos social, cultural, artístico e político do Brasil são mais evidenciadas. Isto porque elas seguem o conceito do estudioso francês Patrice Pavis, que destaca o teatro de rua como a “vontade de abandonar o Fábio de Brito Viana recinto teatral e levar manifestação a um público que, geralmente, não assiste a este tipo de espetáculo e que por isso produz um impacto sociopolítico direto, que propõe a seus expectadores fazer uma interpretação cultural do meio social que os cerca”. O ator Vinícius Vieira, quando integrou o projeto Turma do Fonfon, no Recife, caracterizava-se de palhaço e instruía a população sobre educação no trânsito nos semáforos de ruas e aveniVinícius Vieira, da das da cidade, diz que todo e qualquer Turma do Fonfon artista é movido por sonhos, mas que passada esta etapa de ‘encantamento’ da profissão permanece a possibilidade de refletir sobre o contexto social, ensaiar mudanças para a realidade, provocar questionamentos, despertar sentimentos e, é claro, se divertir. “A pessoa que tem contato com a arte, seja ela qual for, com certeza, terá um olhar diferente sobre si e será mais crítico perante o mundo, principalmente quando depara com a arte mambembe”, finaliza.

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moda

Sapatos Aprenda a escolher o modelo ideal para o seu tipo de pé e alie a beleza ao conforto

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ue mulher nunca sonhou em possuir uma as adeptas do salto alto, o ideal é fazer alongamento coleção de sapatos? Ter a satisfação de abrir constante no Aquiles e, de preferência, intercalar entre o closet e ver centenas de pares, de todos os salto alto e baixo para evitar esta situação”, aconselha. modelos, cores, texturas, formatos e saltos? Preserve ao máximo a saúde dos pés, pois sempre Eis o desejo de consumo de todas elas! há resposta para tudo o que se faz. Atitudes simples Esse é um assunto que reflete, e muito, colaboram para redução de problemas a personalidade feminina. Quando se olha futuros nos pés e na coluna. “O uso para os pés de uma mulher, de uma forma incorreto do sapato é fator determinante ou de outra, sabe-se se ela é confiante, se para algumas doenças, pois um osso na é romântica, se é despojada, se é retraída. posição viciada por muito tempo pode Enfim, sapatos dizem muito. Por isso escausar uma deformidade irreversível”, teja atenta aos modelos que você compra, pontua o ortopedista. porque, na maioria das vezes, eles refletem o que você é. Sapatos masculinos Mas na hora de comprar lembre-se de Diferentemente das mulheres, que sapato bonito e da moda não significa sapatos para homens não parecem que seja confortável e ideal para os seus ser um tema que desperte curiosiAndre Felipe Ninomiya Ortopedista pés. Por isso, o bom senso deve falar mais dade. Afinal, eles não são loucos alto. Não escolha só pela beleza, mas tampor sapatos como elas, certo? bém pelo conforto que vai proporcionar. Afinal, por Errado. Muitos homens também têm mais lindos que os calçados sejam, não são tão preciosos este sonho de consumo e não quanto à certeza de que é possível evitar sérios probledispensam uma boa mas e até prejudicar a coluna. “Durante a caminhada, a quantidade no força gerada nos pés (articulações, ligamentos e tendões) closet, dos mais é a maior entre todas as articulações de carga (joelho, variados modelos quadril e coluna) e um sapato desconfortável pode caue cores. Mas na sar bolhas, calos, deformidades ósseas e, principalmente hora de escolher, dor”, diz o ortopedista, Andre Felipe Ninomiya. “Uma a dúvida sempre orientação importante é comprar os sapatos no final da aparece. Qual o tarde ou à noite, quando o fluxo sanguíneo já está normelhor modelo? mal e os pés tendem a estar mais inchados”, completa. Mulheres, cuidado! O uso do salto alto modifica o centro de gravidade do corpo, alterando as forças que passam através dessas articulações e, o uso frequente, com o passar dos anos, pode contribuir para atrofiamento do músculo da panturrilha. “Com o tendão de Aquiles contraído, aumenta-se a força do peso na parte da frente dos pés, ocasionando a síndrome dolorosa do antepé (metatarsalgia)”, explica o ortopedista Andre Felipe. “Para

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Qual o seu tipo de pé? Para adquirir o calçado correto, conheça seus pés e saiba o que é ideal para seu conforto. Especialistas dão algumas dicas que devem ser observadas na hora da compra. Pé com o peito alto Certo - sapatos com o peito mais aberto, como escarpin, sapatilha e rasteirinha. Errado - tamancos de madeira e sapatos com tiras no peito, que apertam!

botinhas de verão. Errado - peep toes, sandálias gladiador e modelos plataforma. Evite deixar a lateral do pé à mostra!

Dedos longos Certo - calçados fechados de forro macio e bico mais largo, que não esmague os dedos. Errado - rasteirinhas, peep toes, sandálias gladiador e modelos de bico fino, que destacam os dedos.

Pé chato Certo - sapatos de salto médio (deixe os mais altos para usar só em festas). Errado - calçados sem salto, como rasteirinhas e tênis sem amortecimento. Pé chato precisa de um saltinho.

Joanete Certo - modelos abertos, com bico quadrado ou arredondado. Errado - bico fino, além de machucar, piora o problema.

Varizes Certo - calçados com salto de até 2 cm, que ajudam na circulação. Errado - sapatos com salto bem alto ou sem salto, como as rasteirinhas, pioram as varizes.

Calos Certo - modelos de bico quadrado e que não fiquem raspando no calo. Errado - sapatos de bico fino, sem forro ou com tirinhas de ‘pegam’.

Pé gordinho Certo - opte por um modelo mais fechado no peito do pé, como as

que é mais formal? O que é mais esportivo? O sapato deve ser justo no pé? Será que vai “lacear” com o tempo? Para o ortopedista Andre Felipe Ninomiya, a primeira observação é o conforto e o que melhor se adapta a cada tipo de pé, desde o primeiro momento que se calça, lembrando que mais importante que o material do calçado ou seu tamanho é o tipo de solado. Solados flexíveis, tipo rasteirinhas, proporcionam uso maior das articulações dos pés e prejudica sua biomecânica. “O calçado nunca deve ser justo e nem muito folgado. Se a pessoa não apresentar deformidade óssea, os números maiores podem causar fricção na pele devido à movimentação do pé no calçado e, principalmente, a alteração biomecânica da marcha. Esta regra vale tanto para os homens quanto para as mulheres”, esclarece ele. Os clássicos Os sapatos masculinos evoluem de forma mais lenta que os femininos. Alguns dos modelos que se usam hoje surgiram no século 17 e sofreram poucas modificações, mas isto não quer dizer que

eles pararam no tempo. Os corpos do calçado se alongam, as biqueiras ganham formas, ora mais arredondadas, ora mais quadradas e, com o auxílio da tecnologia, eles se tornam mais leves e confortáveis, mas, ainda assim, a base do design segue as linhas clássicas. Modernos e despojados O verão exige tênis, sapatos e chinelos confortáveis e que tenham a cara da estação, mas os ‘valetes’ do verão 2012 são as alpargatas (sapatilha masculina), os tênis iate, os top siders, os mocassins e os docksides. O chinelo já é o protagonista de todo verão, há modelos desde os mais tradicionais até os mais despojados, com estampas descoladas. Opções com tira de couro e cores, como o marrom e o preto, são para homens mais formais e que preferem modelos mais clássicos. Para os que gostam de deixar o look mais divertido e descontraído, os chinelos coloridos e com estampas podem ser a opção certa. As sandálias havaianas têm modelos e cores que podem agradar os gostos mais refinados e estão cada vez mais arrojadas. Entretanto, no verão nem sempre é possível sair de chinelo. Em certos lugares e ocasiões, mesmo que informais, não dá para usar sandálias e o jeito é um calçado fechado. As opções para os dias e as noites de calor são as alpargatas, os tênis iate (ou slip on) e os top siders, que ficam bem com bermudas, shorts e calças. Os iates e as alpargatas não sairão de moda tão cedo e são perfeitos para o verão 2012. Por não ter cadarços, estes modelos permitem mais conforto aos pés, além de ser bastante leves. Os top siders são modelos um pouco mais formais, porém não menos estilosos. Podem ser usados com camisas e há opções de cores mais tradicionais, como o preto e o marrom e outras mais vivas, como vermelho e azul. Fonte: Andre Felipe Ninomiya - site: andreninomiya.com

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beleza - transformação

Cabelos luminosos a harmonia da cor com o tom da pele

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ual mulher que, ao olhar a capa de uma revista de moda, não se encanta com a beleza da modelo da capa e gostaria de ficar tão bela quanto ela? Mas o que estas mulheres invejadas têm de tão especial? O cabeleireiro, claro. Porque na realidade, o cabelo sem cuidados não tem nada de especial. A diferença é o corte, a hidratação, o movimento, o brilho, a cor que mais se harmoniza com o

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tom de pele... Pensando nisso, o Sinsaúde abriu espaço na revista Em Cena para as mulheres que trabalham na área da saúde ter o prazer de ficar tão bonitas quanto as modelos de uma capa de revista feminina e o cabeleireiro Sylvio Alduino, do Loft Hair, aceitou, mais uma vez, o convite para proporcionar um novo visual em Ana Regina de Oliveira Lopes, que trabalha na Recepção do Centro Infantil Boldrini, em Campinas. Segundo o profissional, que faz a cabeça das mulheres, a escolha de um corte de cabelo que proporcione movimento, brilho e uma coloração que condiz com o tom de pele são as grandes estrelas de uma transformação, que servirá para compor um novo look. Para promover este efeito em Ana Regina, ele fez luzes, tonalizou e realizou um corte básico, reto na base, com as pontas repicadas, isto é, um chanel carret. “Esta combinação valoriza o rosto de uma mulher e eleva sua autoestima, tornando-a mais segura de si ao ver surgir diante do espelho uma ‘nova’ mulher”, explica Sylvio, destacando que o verão pede cabelos mais claros. Foi o que aconteceu com Ana Regina, que,


PARTICIPE Se você quer participar da coluna Transformação, entre em contato com a Diretoria de Comunicação do Sinsaúde pelo e-mail: srodrigues@sinsaude.org.br ou escreva para Rua Duque de Caxias, 368 Centro - Campinas/SP - CEP 13015-310.

não sabendo mais como cuidar dos seus cabelos, escreveu para a revista Em Cena para participar da coluna ‘Transformação’. “Eu estava com minha autoestima baixa e precisava dar uma repaginada no meu visual e nada melhor que receber um presente deste nesta época e poder compartilhar das festas de final de ano com amigos e família e apresentar meu novo visual”, diz ela. (A produção de Ana Regina foi feita em dezembro). Para compor o look e finalizar o trabalho, Deivid Betoni, que integra a equipe do Loft Hair, delineou a sobrancelha, realçando-a com rena e Sylvio completou com uma maquiagem leve, que pode ser usada tanto para o trabalho quanto para ir a uma ‘balada’ com os amigos. A profissional da saúde terminou o dia radiante e agradecida por ter de volta sua autoestima elevada. “Só tenho a agradecer a equipe do salão pelo carinho e por me fazer tão feliz numa fase em que eu estava muito pra baixo e também ao Sinsaúde por me proporcionar esta oportunidade”, finaliza Ana Regina. Sylvio Alduino - Loft Hair Rua Fernando de Andrade Jr, 271 Jd. Conceição - Sousas - Campinas/ SP - Fone (19) 3258-9013 www.sylvioalduino.com.br

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saúde em fatos e fotos

Indaiatuba

A

cada edição da revista Em Cena, o Sinsaúde Campinas e Região presta uma homenagem aos trabalhadores de sua base de representação que acreditaram e depositaram sua confiança no Sindicato, empenhando-se em suas lutas e conquistas para que a entidade ultrapassasse as barreiras do tempo e garantisse uma imagem forte e positiva por mais de sete décadas. Os homenageados nesta edição são os profissionais dos mais variados setores (Apoio, Administração e Enfermagem), que atuam nos estabelecimentos de saúde de Indaiatuba, integrando uma só equipe quando o assunto é dar qualidade de vida aos pacientes. São trabalhadores que lutam para ter seu trabalho reconhecido e respeitado pela sociedade e não medem esforços para isso. Nas edições anteriores tiveram destaque, nesta coluna, os trabalhadores das cidades que compõem a base de Tupã, Araraquara, Americana, Amparo, Atibaia, Dracena, Araras e Itapira e Espírito Santo do Pinhal que, assim como Indaiatuba, são formadas por profissionais que acreditam no Sinsaúde e apoiam seu trabalho. Cada profissional, independente do trabalho que exerce, enfrenta desafios diários para salvar vidas e luta para vencê-los. Entre ganhos e perdas, dores e alegrias, os trabalhadores da saúde de Indaiatuba e região se mostram capazes de enfrentar os problemas impostos no dia a dia pela profissão. Homenageá-los nesta página é uma forma de agradecer a dedicação e o esforço em proporcionar o bem-estar às pessoas que necessitam de seus cuidados.

Hospital Augusto de Oliveira Camargo

Santa Ignês

Clínica Sayão

Hospital Augusto de Oliveira Camargo

Instituto Indaiá

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Santa Ignês


sinsaúde - diretoria

SINSAÚDE CAMPINAS E REGIÃO - Diretoria Efetiva Presidente: Edison Laércio de Oliveira Vice-presidente: Leide Mengatti Secretário-geral: Pedro Alberto Tolentino Tesoureiro-geral: Carlos Alberto Cairos 1º secretário: Osvaldo Ferreira de Souza 1ª tesoureira: Beatriz Campos de Paula Diretora social: Maria Aparecida dos Santos Diretora de Patrimônio: Vicentina da Silva Melo André Diretor de Esportes e Lazer: Peter Douglas Sawinski da Silva Diretora de Ass. Culturais: Maria de Lourdes Carvalho Cruz Diretora de Orientação Sindical: Débora C. R. Azevedo Diretora de Comunicação: Sofia Rodrigues do Nascimento Diretor de Assuntos Jurídicos: Anselmo Eduardo Bianco

Sede Central

Itapira: Rua da Penha, 318, bairro São Vicente Fone (19) 3863-0950 E-mail: ssitapira@sinsaude.org.br Presidente: Ademir Aparecido Nani Secretária: Isilda Grassi Cola Choqueta Tesoureira: Roseli Aparecida Silva Garcia Suplente: Ed Marcelo Pracchias

Rua Duque de Caxias, 368 - Centro CEP 13.015-310 - Campinas - SP Fone (19) 3739-4277 Site: www.sinsaude.org.br E-mail: sinsaude@sinsaude.org.br

Subsedes Americana: Rua Padre Epifânio Estevam, 510 Centro Fone (19) 3462-1680 E-mail: ssamericana@sinsaude.org.br Presidente: Carlos Roberto Resende Figueiredo Tesoureiro: João Carlos da Silva Secretário: Otoniel Pereira de Matos Suplente: Edézio Millo Amparo: Rua Washington Luís, 165 Fone (19) 3807-5225 E-mail: ssamparo@sinsaude.org.br Secretária: Vanessa Godoy Campos Suplente: Juliana Guilherme Araraquara: Avenida Prudente de Morais, 872 Fone (16) 3335-1218 E-mail: ssararaquara@sinsaude.org.br Presidente: Antônio Aparecido dos Santos Tesoureiro: Vladimir Sarandi Neto Secretária: Claudete Aparecida Defavere Suplente: Rui Aparecido Orrico da Silva Araras: Rua Presidente Roosevelt, 110 Jardim Belvedere - Fone (19) 3541-8032 E-mail: ssararas@sinsaude.org.br Presidente: Tereza Aparecida Mendes Tesoureiro: Manoel Antônio de Campos Suplente: Carlos César Poletti Dracena: Avenida Expedicionários, 1.509 Fone (18) 3821-5392 E-mail: ssdracena@sinsaude.org.br Presidente: José Sérgio de Freitas Tesoureira: Nilza Pereira Gomes Azevedo Secretária: Regina Pereira da Silva Suplente: Jesus Gomes da Silva

Diretoria Suplente: Alex Brás Cassimiro, Edson Eugênio, Gilvan Pereira de Lima, Ivani da Silva Braga, João de Fátima, José Carlos Marciano de Souza, Luiz Ribeiro da Silva, Márcia Regina Limiro, Maria Neves, Paulo Sérgio Pereira da Silva Conselho Fiscal Efetivo: José Ricardo Dona, Maria Rosa Carvalho, Vicentina Natalina Rodrigues Conselho Fiscal Suplente: Aparecida Bernadete Soares Sales, Márcia Regina Lima Alves Delegados representantes da Federação - Efetivos José Augusto de Sousa e Moacir Pizano Delegados representantes da Federação - Suplentes Antonio Luiz dos Santos e Olavo Sabino de Carvalho

Itu: Rua Benjamin Constant, 357, Centro Fone (11) 4013-2956 Diretor responsável: Carlos Alberto Cairos Tesoureira: Renata Cristina Botino Martins Suplente: Adriana Oliveira Souza Fernandes Jundiaí: Rua Rangel Pestana, 1.344 Fone (11) 4586-6655 E-mail: ssjundiai@sinsaude.org.br Presidente: Anéres Fernandes de Matos Secretária: Marilza de Fátima Gonçalves Servilha Suplente: Daniela Aparecida da Silva Calegari Limeira: Rua Piauí, 957, Vila Cláudia Fone (19) 3441-3473 E-mail: sslimeira@sinsaude.org.br Diretor Responsável: José Ricardo Doná Secretária: Neusa Artigozo Tesoureiro: Gilson Aparecido Furlan Marília: Rua Amazonas, 80, bairro Marília Fone (14) 3413-1147 E-mail: ssmarilia@sinsaude.org.br Presidente: Aristeu Carriel Secretária: Cleuza Teodoro de Paula Tesoureiro: Cláudio de Oliveira Silva Suplente: Roberto Carlos Turola São João da Boa Vista: Praça da Catedral, 98, sala 10, Centro - Fone (19) 3631-3676 E-mail: sssaojoao@sinsaude.org.br Presidente: Paulo Gonçalves Diretor: José Ricardo Doná

Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Campinas Site: www.sinsaude.org.br E-mail: sinsaude@sinsaude.org.br Presidente: Edison Laércio de Oliveira Diretora de Comunicação: Sofia Rodrigues do Nascimento

Secretária: Damaris Bertuqui Cavinatti Suplente: Maria Madalena Ribeiro da Cruz Tupã: Rua Caingangs, 401, Centro Fones (14) 3496-1936 / 3491-5005 E-mail: sstupa@sinsaude.org.br Presidente: Orides Sávio Vivi Tesoureira: Ivanilde da Silva Suplente: Cosme José de Oliveira Postos de Atendimento Atibaia: Rua José Bim, 349/1º andar/sala 2 Fone (11) 4412-4428 E-mail: ssatibaia@sinsaude.org.br Diretora responsável: Vicentina da Silva Melo André Bragança Paulista: Rua Cel. Assis Gonçalves, 605 - Fone (11) 3404-4277 Diretora responsável: Vicentina da Silva Melo André Espírito Santo do Pinhal: Praça Rio Branco, 161, Centro Fone (19) 3651-4135 E-mail: sspinhal@sinsaude.org.br Diretor responsável: Paulo Gonçalves Garça: Rua José Augusto Escobar, 345 - Centro Fone (14) 3471-0103 Diretor responsável: Aristeu Carriel Indaiatuba: Rua Osvaldo Cruz, 69, Centro Fone (19) 3825-0755 E-mail: ssindaiatuba@sinsaude.org.br Diretor responsável: Carlos Alberto Cairos Mogi Guaçu: Avenida 9 de Abril, 288, Centro - Fone (19) 3818-4442 E-mail: ssmogiguacu@sinsaude.org.br Diretora responsável: Isilda Grassi Cola Choqueta

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