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Juventude sindicalista em encontro internacional

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Categoria mobilizada pelo programa De Braços Abertos

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Copa da Inclusão tem equipe tetracampeã A Copa da Inclusão é marca da reforma psiquiátrica brasileira. Na cerimônia de encerramento da XV edição do evento, em setembro, o psicólogo, membro da Frente Antimanicomial de SP e mentor da Copa, Ed Otsuka, reafirmou ser esse o grande momento em que a voz do usuário ecoa de verdade. “Direitos são reafirmados e resgatados. É a luta antimanicomial sendo concretizada. E esses 15 anos de Copa da Inclusão foram sustentados pelos usuários, que sempre exigem a realização do evento”, afirma. Primeiro lugar no futsal infantil, o Projeto Quixote há 20 anos acolhe crianças e adolescentes usuários de saúde mental, bem como alunos da região da Vila Mariana e menores em situação de vulnerabilidade, que chegam pelo Serviço de Proteção a Vítimas de Violência.

Foto: Mario Moro

Dezembro de 2016

Barulho e comemoração na festa do maior evento de saúde mental da América Latina

“Nossa vitória vale como reconhecimento de um longo trabalho. A Copa dá uma possibilidade de interação e visibilidade incríveis. As crianças trabalham o pertencimento”, avalia o psicólogo do projeto, João Vítor Aquino. A equipe que mais se destacou foi a do CAPs São Matheus. Além de ter se consagrado tetracampeã no Futsal Chave de Ouro, ainda levou o troféu Melhor Torcida. O usuário Danilo Soares, 23 anos, lateral do time tetra, falou sobre a importância do esporte em sua vida

Rua Aimberê, 2053 / CEP 01258-020 /São Paulo - SP Fone (11) 3062-4929 - www.sinpsi.org Jornalista responsável/Ass. de Comunicação: Patricia Ferreira (MtB: 28.192/RJ)

e na de muitos colegas do CAPs: “Esporte tira as pessoas das ruas, livra da violência, das drogas. Tenho muito orgulho de estar aqui. O esporte, para mim, significa deixar as drogas de lado. Sou muito incentivado a parar”, comenta. O CAPs Jardim Ângela ficou com o Troféu Inclusão, pela compreensão do que é o espaço da Copa, pelo comprometimento físico e emocional dos participantes.

Filiado à: R

CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES

Federação Nacional de Psicologia


Dezembro de 2016

Encontro do ISP, no Paraguai, Editorial fortalece luta da juventude

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inalmente, chega ao fim este fatídico 2016. Como em 1964, tivemos um Golpe de Estado, com ataque aos direitos da classe trabalhadora, revestido de narrativa de reconstrução do Brasil. O discurso neoliberal projeta um País que ajuste seu modelo fiscal, para corresponder aos anseios do mercado financeiro, tendo o corte de investimentos em políticas sociais como mal necessário.

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Jovens sindicalistas mobilizando Brasil e Cone Sul

e 12 a 14/10 aconteceu, em Atyrá, no Paraguai, o Encontro do Comitê de Jovens do Cone Sul e do Brasil, da Internacional dos Serviços Públicos (ISP), com o objetivo de avaliar e projetar ações. Participaram os Comitês Nacionais da Juventude (CNJ) de cada país, sendo que os da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai formam o Comitê de Jovens do Cone Sul, configurando uma sub-região, e o Brasil se configura, ao mesmo tempo, como CNJ e também como sub-região. Durante os três dias, as delegações compartilharam experiências de organização sindical, a realidade dos serviços públicos de cada país, as conjun-

turas políticas nacionais e regionais, estabelecendo relações sobre os impactos desses fatores para a juventude. Membro do ISP, o diretor do SinPsi Vinicius Saldanha acredita que a aproximação entre países fortalece a luta por justiça social na oferta de serviços públicos de qualidade. “Enfrentamos sérias ameaças aos serviços públicos, pois há desdobramentos de um projeto global de capitalização, com as privatizações, a supremacia do poder financeiro em detrimento da soberania dos países, os cortes nos orçamentos para as políticas públicas e a retirada de direitos trabalhistas”, avalia o dirigente do SinPsi.

Fatalmente, um Golpe contra os direitos trabalhistas, como consta na pauta do “governo” atual, que traz proposta de revisão do SUS, cortes no Ciência Sem Fronteiras, a volta do primeiro damismo na Assistência Social e – a grande ameaça – os esforços para a aprovação da PEC 55, que quer congelar os investimentos públicos por 20 anos. Quando o assunto é trabalho, a narrativa é a de que os direitos são obstáculos para um país economicamente viável. Ganhou força a criminalização da luta, por meio da perseguição contra os movimentos sindical e social, como no caso das ocupações estudantis. Essa conjuntura traz impactos ao trabalhador e à trabalhadora psicólog@, tanto nas condições de trabalho quanto nas de acesso aos serviços públicos. Há, também, sérias implicações para o projeto de uma Psicologia para tod@s, dado o avanço do discurso de ódio e do fundamentalismo religioso, obstáculos na luta contra o machismo, a homofobia, o racismo, a patologização e a medicalização da sociedade. Recentemente, Mujica disse que “há de se ter coragem de voltar a começar, sempre. Os únicos derrotados são os que desistem”. Então, que venha 2017 e sigamos!

Vinicius Saldanha debate as ameaças aos serviços públicos

Boas Festas!


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Nova Frente vai enfrentar desmonte

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o dia 17/9 foi lançada a Frente Estadual em Defesa do SUAS e da Seguridade Social, na Alesp. O evento fez parte do 16º Encontro Estadual de Trabalhadoras e Trabalhadores da Assistência Social de SP, organizado pelo Fórum Estadual de Trabalhadoras e Trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social de SP, o FETSuas-SP. Representando o SinPsi, estiveram a presidenta Fernanda Magano e os diretores Douglas Vincentin, Aline Martins, Vinicius Saldanha e Cinthia Vilas Boas. “Precisamos garantir as políticas públicas de saúde, Assistência Social e Previdência, todas em risco na atual conjuntura. É urgente enfrentar os desmontes das políticas neste momento”, afirmou Fernanda.

Da esquerda para a direita, os diretores do SinPsi Vinícius, Cinthia, Fernanda, Aline e Douglas

O “Fica SUAS e Fora, Temer” foi o primeiro ato público da Frente, dia 18/9, incorporado ao grande ato “Fora, Temer”, na Av. Paulista.

Com apoio do SinPsi, encontro de estudantes psis aborda negritude Foto: Maélli Arali

Em um país onde mais de 50% da população é negra, é no mínimo curioso pensar que temas como racismo raramente são discutidos em sala de aula.

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XXIX ENEP debateu a subjetividades que o racismo reproduz

e 14 a 21/8, ocorreu o XXIX Encontro Nacional de Estudantes de Psicologia (ENEP), na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Com o tema “Psicologias para quem? A negritude revolucionando as práticas psis: O Recôncavo convida à ressignificação”, o evento teve apoio do SinPsi. “Vivemos o genocídio silencioso da população negra em um país onde o

racismo é um dado estrutural. Existe uma negação, um silenciamento e uma invisibilidade do racismo e da violência gerada por ele. Ir para a Bahia, onde a maioria da população é negra, discutir sobre a negritude em um encontro nacional, me mobilizou. Racismo produz subjetividades e causa sofrimento psíquico”, disse Eduarda Rodrigues, do 8º período das Faculdades Integradas de Ourinhos (FIO).

“É importante que nós compreendamos e ocupemos os lugares políticos da profissão, para lutarmos pela Psicologia que defendemos: com um real compromisso social e não hegemônica”, afirmou Gabriela Silva, do 6º ano da UFSCar. A parceria com o sindicato foi positiva no sentido de divulgar a importância do posicionamento político para estudantes que não têm contato com o movimento estudantil – e que muitas vezes só têm o CRP como referência profissional. “Na graduação há uma alienação sobre o entendimento do que é sindicato e o que é conselho. No imaginário de muitos estudantes essas duas instituições são uma só”, criticou Eduarda. Na plenária final, foi anunciada a criação do Coletivo Kilombo Sakhu Sheti, para discutir e interseccionalizar as pautas da negritude, tendo um olhar menos eurocêntrico para a profissão.


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Outubro Rosa: ‘Minha luta ainda continua’

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Cristiane e os percalços de conviver com o câncer de mama

câncer de mama é o que mais mata mulheres no Brasil, depois do câncer de pele não-melanoma. São 25% de novos casos por ano. A dirigente do SinPsi Cristiane Carneiro, psicóloga de trânsito, foi diagnosticada há um ano com a doença e deu seu depoimento por ocasião do Outubro Rosa. “Descobri um caroço no seio em um dia qualquer, num toque despretensioso. Uma vez levantada a suspeita, vieram mamografia, mastologista, oncologista, cirurgiões. Tudo de maneira rápida, o que me possibilitou o tratamento e a retirada de dois tumores malignos na mesma mama. Não é fácil receber a notícia do diagnóstico positivo e aceitar a forma de tratamento. A ideia é não desanimar, pois o foco é a cura! Encarei bem o que estava por vir.

Fiz mastectomia total – a retirada de todo o seio. Ganhava eu um novo corpo. E acredito que fazer a reconstrução seja a melhor opção. O implante ajuda muito na recuperação da autoestima. Apesar de eu não ter tido os efeitos colaterais de enjoo e de ter retornado parcialmente às atividades, a quimioterapia foi a parte mais difícil desde o diagnóstico. Pela queda do cabelo e da sobrancelha, pela perda do paladar e do sono, além de um cansaço indescritível. Cada dia era uma novidade. Num dia eu acordava com a visão turva, no outro com neuropatia das extremidades (perda da sensibilidade nas pontas dos dedos dos pés e das mãos). Há dias em que as pernas estão fracas e pesadas. Em outros momentos, sofríveis para o paladar e com perda de saliva. O espelho, nesse momento, não é tão agradável, já que, sem cabelos e sem

sobrancelhas, muitas vezes não me reconheço no rosto que vejo. Lenços e chapéus se tornam armas indispensáveis nesse momento. Para quem está em tratamento de câncer, a imunidade do organismo fica tão baixa, que contato com pessoas doentes pode ser um perigo. Então, passei a fazer uma triagem das visitas: gripados nem pensar, locais com muita aglomeração de gente também não, e por aí foi. Consequentemente, a vida social fica comprometida. Mas é uma alegria quase que infantil quando posso retornar aos espaços públicos. Vale pensar que é possível lidar tranquilamente com toda a situação, desde que se mude a perspectiva de vida e de ritmo. Agora eu só vou até onde é possível. Minha luta ainda continua.”


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Em defesa do Programa De Braços Abertos

usuária Benedita de Souza falou em nome dos colegas. Muito emocionada, agradeceu pelos cuidados. “Que nunca na vida acabe esse projeto, que continue ajudando todo mundo”, disse ela, para logo sair do palco aos prantos, tapando o rosto com as duas mãos. Manifesto

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Antonio Lancetti fala a favor da política de redução de danos

o dia 29/11, o teatro TUCA foi palco de ato em defesa do programa De Braços Abertos (DBA), ameaçado de ser encerrado pelo prefeito eleito João Doria. Promovido pela Frente Estadual Antimanicomial de SP (Feasp), o evento contou com psicólog@s, assistentes sociais, usuários e trabalhadores do programa, promotores, defensores públicos, acadêmicos e representantes de organizações civis nacionais e internacionais.

tar para trás, já foi demonstrado que não funciona”, disse Antonio Lancetti, psicanalista e consultor do programa. No palco, ao lado de personalidades como o ex-ministro da Saúde Arthur Chioro e o economista Paul Singer, a

Antes da eleição, em setembro, aconteceu na sede do SinPsi o lançamento do manifesto “Defesa do Programa De Braços Abertos, do Cuidado em Liberdade e da Democracia”, assinado pela Feasp, CUT-SP, pelo Levante Popular da Juventude, Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), Rede de Médicos e Médicas Populares e pelo SinPsi.

Criado na gestão Haddad, o DBA inovou o modo de lidar com os usuários de crack da região da Luz, com abordagem fundamentada no princípio da redução de danos e não mais na lógica da internação compulsória. E, com mais de três anos de atividades, o DBA já é referência mundial. “É o único programa eficaz que se inventou para a maior cena de uso da América Latina. E se eles quiserem vol-

Manifesto: Juntos em defesa de um programa que já é referência

ConTran faz manobra contra psicólog@s do trânsito

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SinPsi repudia orientação do Conselho Nacional de Trânsito (ConTran), que torna a avaliação psicológica obrigatória para adição ou mudança de categoria da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) APENAS se a atividade pretendida for remunerada. Antes, a avaliação ocorria em todo caso de adição ou mudança de categoria, independente da finalidade do condutor.

Como a mudança reduz a amplitude do trabalho d@ psicólog@, o SinPsi pede sua revogação (leia a nota de repúdio na íntegra no site do sindicato: www.sinpsi.org). No dia 25/10, diretoras do SinPsi se reuniram com o departamento jurídico para analisar e tomar providências sobre a pauta. Os advogados vão elaborar caminhos alternativos que venham a valorizar @s profissionais perit@s em trânsito.


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Foto: Roberto Parizotti

Enfrentamento do temerário marca cerimônia de posse da nova diretoria do SinPsi

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Nova diretoria do sindicato: por uma Psicologia que atue como espaço de luta

o dia 28/10 tomou posse a diretoria do SinPsi “Um Sindicato para Cuidar”, eleita para o triênio 2016-2019.

Estiveram presentes o presidente da CUT/SP, Douglas Izzo; o presidente da Confederação Nacional de Trabalhadores da Seguridade Social (CNTSS), Sandro Alex de Oliveira; a vice-presidenta da Federação Nacional dos Psicólogos (Fenapsi), Shirlene Queiroz; o presidente do CRP, Aristeu Bartelli; o presidente eleito do CFP, Rogério Giannini; e Dulce Xavier, representando a Secretaria Municipal de Mulheres de São Paulo. “Essa entidade é estratégica para a Psicologia no Brasil, para o movimento sindical. A partir de agora vocês são psicólog@s sindicalistas. Precisam entender o que foi o suor e sangue de tanta gente para conseguir ter o direito a um sindicato”,

disse Giannini, em fala de despedida, emocionado. Izzo destacou a conjuntura atual, de agenda com reforma da previdência, com flexibilização da CLT, de promoção da terceirzação do trabalho. “Fernanda está assumindo o cargo em um momento de ataques e retrocessos para a classe trabalhadora, de um governo que não passou pelo crivo do voto popular”, analisou. A segunda mesa da cerimônia contou com o novo secretário de Administração e Finanças, Vinícius Saldanha; a nova secretária de Políticas Sociais, Cinthia Vilas Boas; e a presidenta empossada, Fernanda Magano. “Essa não é apenas uma cerimônia de posse, mas um encontro para

reafirmar nosso compromisso com os movimentos da Psicologia, reafirmar a parceria com o sistema conselhos e com as demais entidades aqui presentes”, disse Vinícius. “Chego com a expectativa de fazer presença em diversas frentes para a valorização d@ profissional. Fortalecer a luta por saúde, educação, segurança, diversidades, questões de gênero, questões raciais”, exaltou Cinthia. Fernanda encerrou as falas: “O sindicato tem uma história de 43 anos. Participou da construção da lei que regulamentou a Psicologia neste país e formou grupo de resistência à ditadura militar”, relembrou. O novo corpo diretor é formado por 12 psicólogas e dois psicólogos, reforçando a importância da representatividade feminina na categoria.

Jornal psicomunicando dezembro 16  
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