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Luta Antimanicomial grita “Fora, Valencius!”

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Vem aí o Congresso da ULAPSI

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Editorial

Março de 2016

Congresso da Abrasme vem para reforçar a importância da luta

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luto pela morte violenta de Marcus Vinicius, o nosso Matraga, no dia 4 de fevereiro, em solo baiano, pode ser interpretado como um chamado à luta. Suas ideias e sua ação nas entidades da Psicologia são um legado indelével. Hoje, se Psicologia e Direitos Humanos, negritude, questão indígena e questões sociais são temas quase naturalizados – e nem sempre foi assim – é muito devido a ele. Marcus foi um homem de palavras e pensamentos, mas, bem além disso, foi um homem do agir. Sua energia e sua coragem são marcas de um brigador. Nos últimos tempos estava ocupado em defender a democracia que sentia em risco pelos ventos fascistas que sopram. Seu fim trágico nos choca, mas não deve nos amedrontar. Mataram nosso companheiro, condutor histórico do movimento da Luta Antimanicomial, idealizador da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Sistema Conselhos de Psicologia. Ele foi um dos fundadores do Movimento Cuidar da Profissão, cujo lema, Compromisso Social da Psicologia, imprimiu uma marca nas gestões das entidades da Psicologia. Enfim, foi um verdadeiro valente na defesa da igualdade e construção de um outro mundo.

Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme) está nos preparativos finais para o 5º Congresso Brasileiro de Saúde Mental, que acontece de 26 a 28 de maio, na Universidade Paulista (Unip), em São Paulo.

“O Congresso vem em boa hora e em bom lugar. As polêmicas em relação ao programa ‘De Braços Abertos’ e os ataques que sofre põem a cidade de São Paulo no centro do debate”, diz Rogério Giannini, presidente do SinPsi.

Com a temática “Juntos nas diferenças: sonhos, lutas e mobilização social pela reforma psiquiátrica”, o evento vai analisar o atual estágio da luta antimanicomial.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo site até o primeiro dia do Congresso: http://www.congresso2016.abrasme.org.br.

Rua Aimberê, 2053 / CEP 01258-020 /São Paulo - SP Fone (11) 3062-4929 - www.sinpsi.org Jornalista responsável/Ass. de Comunicação: Patricia Ferreira (MtB: 28.192/RJ)

Que a disposição de luta de Matraga siga nos inspirando. Marcus Matraga, presente!

Foto: Arquivo SinPsi

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Agora exigimos o máximo empenho na apuração dos fatos. Queremos justiça! Não podemos aceitar que crimes dessa natureza sigam impunes.

Filiado à: R

CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES

Federação Nacional de Psicologia


Março de 2016

Psicologia contra Valencius Wurch e seu retrocesso anunciado cavam. Eu evacuava na cama. Nem parecia gente”, contou. Após três horas de ato na rua, com sol a pino, representantes do MS receberam militantes para esclarecimentos sobre a reivindicação.

Foto: Arquivo SinPsi

Foto: Arquivo SinPsi

reforma psiquiátrica corre riscos! O comprometimento e a ação de toda a categoria agora, no cenário atual da saúde mental, são necessários. É preciso revogar a nomeação do psiquiatra Valencius Wurch como coordenador de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas, feita pelo ministro da Saúde, Marcelo Castro, em dezembro de 2015.

Foto: Mario Moro

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Símbolo dos manicômios, novo coordenador de Saúde Mental representa ameaça

Usuários produzem cartazes

“Nem parecia gente” O primeiro ato aconteceu dia 18 de dezembro, quando a Frente Antimanicomial de São Paulo fez mobilização em frente ao prédio do Ministério da Saúde (MS) local, à Av. 9 de julho, com cartazes e gritos de “Fora, Valencius!” entoados por trabalhadores, usuários e familiares da rede de atenção psicossocial.

Manifestantes em frente ao prédio do Ministério da Saúde (SP)

Desde então, a Frente Antimanicomial de São Paulo, entidades da saúde mental e movimentos sociais estão cumprindo uma agenda de lutas que engloba audiências públicas, ocupação da sala da coordenação da Saúde Mental, em Brasília, e atos públicos ao dia 18 de cada mês, tomando como mote o 18 de maio, Dia Nacional da Luta Antimanicomial.

No Brasil, ainda há cerca de 30 mil leitos disponibilizados em hospitais psiquiátricos. Mas a reforma psiquiátrica trouxe a Rede Substitutiva, com serviços que garantam a liberdade e a reintegração social.

“Eu era discriminado, chamado de pinguço, não me chamavam para fazer serviços. No CAPs, passei a fazer horta. Eu nem estaria vivo hoje, se tivesse ficado em manicômio. Me amarravam, davam remédio e tran-

“Desde a década de 1990 o coordenador de Saúde Mental é ligado à reforma psiquiátrica antimanicomial”, explicou Moacyr Bertolino, da Frente Antimanicomial. Para o presidente do SinPsi, Rogério Giannini, a nomeação de Valencius representa risco de enfraquecimento da Rede Substitutiva. “A reforma psiquiátrica, de 2001, criou uma série de dispositivos de tratamento em liberdade, fruto de debates de anos, dentro da proposta de atendimento humanizado. Valencius foi um dos articuladores contrários. Parece um movimento orquestrado para abrir possibilidades de privatizações”, sugeriu.

Foto: Moacyr Bertolino

Valencius é ex-diretor do maior manicômio privado da América Latina, a Casa de Saúde Dr. Eiras de Paracambi, no estado do Rio de Janeiro, fechada em 2012, após denúncias sobre torturas, isolamento e outras violações dos Direitos Humanos.

Alcides Alves, após 11 anos de tratamento no CAPs São Mateus, conseguiu recuperar a confiança da família e a autoestima.

Na Av. Paulista, em defesa do tratamento em liberdade

Luta antimanicomial tomando as ruas


Foto: Mario Moro

Março de 2016 tratadas. Ao final, as camisas de força foram incendiadas e os militantes, recebidos para o diálogo.

nandez citou a importância do apoio familiar para o sujeito em sofrimento psíquico.

“Nossa reivindicação foi encaminhada aos secretários da Casa Civil e à Presidência. A Frente Antimanicomial é bem respeitada nas esferas do governo federal. Parece que só o ministro fecha os olhos à importância desse movimento”, frisou Giannini.

“É incrível podermos compartilhar o cuidado e seus desafios com a família, fundamental no apoio e na construção da rede. Essas pessoas fazem a reforma psiquiátrica diariamente. E o grito delas é mais do que legítimo”, afirmou Marília.

Grito legítimo

O ato de 18 de fevereiro também tomou a Av. Paulista e homenageou Marcus Vinicius (ver editorial). A caminhada teve à frente o grupo de teatro Nó de Cegos, composto por trabalhadores e usuários da RAPs São Bernardo do Campo. Jaulas de papelão foram queimadas ao longo do percurso.

Arte em forma de protesto

Gabinete Em 18 de janeiro foi a vez de tomar a Av. Paulista, com concentração no vão livre do Masp. Com participação da Frente Antimanicomial do estado, do Fórum de Saúde Mental do ABC, do grupo cultural Cordão Bibitantã, do BatuCAPs e de trabalhadores de CAPs de diversas cidades, o ato parou em frente ao prédio do gabinete regional da Presidência da República.

Os próximos atos “Fora, Valencius” serão nos dias 18 de março e 18 de abril, na Av. Paulista. As entidades já estão organizando um grande 18 de maio.

Foto: Mario Moro

Foto: Mario Moro

Dirigente do SinPsi e militante da Frente Antimanicomial, Marília Fer-

Em Sorocaba, o ato ocorreu dia 19 de fevereiro, com os integrantes do Levante Popular da Juventude, do SinPsi e do Sindicato dos Metalúrgicos. Os manifestantes, dentre os quais o dirigente do SinPsi Vinicius Saldanha, interditaram a Av. Eugênio Salerno para fazer uma intervenção teatral em repúdio a Valencius.

Psicólogas também levam cartazes

Segundo o psicanalista Antônio Lancetti, o ministro da Saúde parece ter subestimado a força do movimento. “Mas o ato reúne as propriedades de movimentos organizados e ao mesmo tempo se espalha pelas redes sociais. Haverá de dar resultado”, avaliou. A mobilização também contou com encenação teatral de trabalhadores e usuários do CAPs Juventude Santo Amaro: pessoas amarradas em camisas de força eram empurradas e mal-

Performance: incendiando os manicômios

Ocupação em Brasília No dia 14 de janeiro, Brasília foi cenário de mobilização nacional contra Valencius, em ato realizado pelo LoUcupa Brasília em frente ao MS. No mesmo dia, houve audiência com o secretário-executivo da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Azevedo, e diversas entidades, entre elas a Fenapsi, para debater os rumos da Política de Saúde Mental no Brasil.

Ficou decidida a manutenção da ocupação da Coordenação Geral de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do MS, iniciada em dezembro e expandida para a segunda sala do setor. Além disso, a plenária definiu um calendário de ações por todo o País, que vai perdurar o tempo necessário. Foram iniciadas, ainda, as articulações para que o movimento seja atendido na Casa Civil.


Março de 2016

SinPsi apresenta novo site rando a alta no número de acessos via mobile (smartphone, ipad e tablet). Na barra superior, o menu apresenta links e sublinks, que facilitam o início da navegação. No link Para @s Psicólog@s, por exemplo, estão as convenções coletivas em vigor, a tão procurada sessão de classificados e os benefícios a que os associados SinPsi têm direito. Rogério Giannini, presidente do SinPsi, explica o uso do símbolo arroba (@) na grafia desse link. “É para reforçar a neutralidade de gênero. A Psicologia é uma profissão de mulheres em sua maioria. Não faz sentido falarmos sempre no masculino já que a maioria da categoria é formada por mulheres. O arroba no lugar da letra que define o gênero já é comum na Espanha e no meio acadêmico brasileiro, como na USP, UnB e Unicamp”, ressalta. Novo layout permite visualização por smartphones e tablets

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SinPsi começou o ano com foco na informação. Em fevereiro entrou no ar o novo site do sindicato, mais moderno e mais responsivo.

A proposta é oferecer um layout que se encaixe nos mais variados tamanhos de tela dos usuários, conside-

Estão em destaque no site os canais de comunicação do sindicato: o boletim informativo Psicolog@r, disparado semanalmente para mais de 70 mil e-mails; o canal do Youtube SinPsiTV, que traz entrevistas em vídeo e a série Nau dos Insensatos; e a versão digital do PsiComunicando. Acesse www.sinpsi.org e confira a novidade.

Buenos Aires recebe o VI Congresso da ULAPSI, em junho

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Argentina será sede pela primeira vez do Congresso da União Latino-Americana da Psicologia, a ULAPSI. De 8 a 11 de junho acontece a sexta edição do evento, em Buenos Aires. O Congresso é um espaço de encontro regional de caráter acadêmico, científico e profissional, que ocorre a cada dois anos em diferentes países da América Latina e conta com a par-

ticipação de profissionais e estudantes dos países que a integram. O objetivo principal é promover o intercâmbio teórico-prático relevante

ao trabalho psicológico entre os profissionais e estudantes participantes, gerando momentos de reflexão crítica, que propiciem o debate e análise permanente das problemáticas inerentes à Psicologia como ciência e profissão na América Latina e em cada um dos países que conformam a ULAPSI. Para mais informações, mande e-mail para congreso@ulapsi.org.

PsiComunicando Março de 2016  
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