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INFORMATIVO DO SINDICATO DOS PROFESSORES DE CAXIAS DO SUL

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APRESENTAÇÃO PÓ DE GIZ

EXPEDIENTE Presença - Dezembro/2013

MUITO JUSTO!

Publicação do Sindicato dos Professores de Caxias do Sul Sinpro/Caxias

VISITE O SINPRO Endereço: Av. Júlio de Castilhos, n° 81 Salas 901/902 - Ed. Village Avenida Bairro Nossa Senhora de Lourdes

Em 2014, desejamos:

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- mais tempo para descanso e lazer; - remuneração do trabalho 

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Ass.: Professores

Editorial

Uma questão de consciência

www.sinprocaxias.com.br

CONHEÇA A EQUIPE Coordenação: Secretaria de Comunicação do Sinpro Coordenadora: Olga Neri de Campos Lima Edição: VOXMIDIA Jornalista responsável: Rose Brogliato - MTB 11004/RS Revisão: Lisiane Zago - MTB 12375/RS Colunista: Paulo Luiz Zugno

DETALHES TÉCNICOS Tiragem: 1.400 exemplares Impressão: Lorigraf Papel reciclado

“A ação sindical só pode existir a partir de um mínimo de coletividade”, afirma o entrevistado desta edição, o educador social Emilio Gennari. Essa frase de Emilio talvez seja um dos pilares da existência do Sinpro/Caxias. O sindicato só existe no coletivo e ao mesmo tempo é uma ferramenta que alimenta o sentido de coletividade, tão ameaçado atualmente. As campanhas que o Sinpro/Caxias desenvolveu no segundo semestre trabalharam a consciência, enquanto categoria, grupo que partilha as mesmas vivências e problemas e que é responsável por buscar em conjunto as soluções. No Dia do Professor, a sociedade, através de diversas lideranças, foi convidada a se posicionar sobre a importância dos professores. A Semana da Consciência Profissional questionou as condições de trabalho. O show da banda Nenhum de Nós, os incentivos à confraternização e cultura, tudo isso mostrou que temos a obrigação de ser bons profissionais, mas não somos somente isso. Somos pessoas, merecemos uma vida além da instituição de ensino, merecemos ser donos do nosso tempo. Boa leitura, um excelente Ano Novo. A Diretoria


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CATEGORIA

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INFORMAÇÕES

NEGOCIAÇÃO SALARIAL

Sinpro/Caxias entrega pauta ao Sinepe FOTO CÉSAR FRAGA/COMUNICAÇÃO SINPRO/RS

O Sinpro/Caxias entregou, no dia 5 de novembro, a pauta preliminar das reivindicações de 2014 ao Sinepe/RS com pedido formal de início das negociações. A entrega foi feita em Porto Alegre, em conjunto com os outros sindicatos de professores do ensino privado gaúcho e a FeteeSul. O sindicato considera o segundo semestre como o momento mais adequado para o início das tratativas, pois é nesse período que as instituições de ensino fazem seu planejamento e definem seus custos para o próximo ano. A antecipação das negociações é uma proposição antiga da categoria. Os principais pontos da pauta preliminar são: aumento real de salário, limitação do número de alunos por turma, medidas de proteção à saúde dos professores e regulamentação do trabalho extraclasse, equiparação dos valores hora/aula na educação básica e construção conjunta do calendário letivo.

ASSOCIADOS

Reajuste na mensalidade de sócio ORIA S S E ASS ICA JURÍD S ÊNIO V N O C TOS EVEN ÃO AÇ FORM

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A partir de janeiro de 2014, a mensalidade de professor(a) associado(a) ao sindicato vai mudar. Depois de muitos anos sem alteração, foi avaliada a necessidade de um pequeno reajuste gradativo, para continuar mantendo todos os benefícios que a categoria tem hoje. Uma assembleia, amplamente convocada, respalda a decisão. COMO FICA: A partir de JANEIRO de 2014, o professor associado terá descontado diretamente na sua folha de pagamento 50% do valor de uma hora-aula, como mensalidade. A partir de JANEIRO de 2015, o professor associado terá descontado diretamente na sua folha de pagamento 75% do valor de uma hora-aula, como mensalidade. Caso o valor de 50% ou 75% da hora-aula seja menor do que R$ 5,00, este será o valor da mensalidade do associado.

Observação: O desconto em folha é autorizado através da assinatura do professor(a) no momento da sindicalização. SINDICALIZADO TEM VANTAGENS Confira, no site do Sinpro/Caxias, todas as vantagens dos professores sindicalizados, como assessoria jurídica, acompanhamento de rescisão contratual, atividades de formação, convênios para descontos em serviços de saúde e comércio, promoções culturais, confraternização, brindes personalizados, informações sobre educação e direitos. O sindicalizados contribuem com o fortalecimento das lutas da categoria, ajudando o sindicato a conquistar melhores condições de trabalho e salário, além da luta pela educação e por uma vida mais justa e feliz para todos, em conjunto com as outras entidades de organização social.


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MOVIMENTO

FETEESUL

FOTO ARQUIVO FETEESUL

A Federação dos Trabalhadores de Estabelecimento de Ensino do Rio Grande do Sul (FeteeSul), foi fundada em 1985 e reúne oito sindicatos de trabalhadores do ensino privado, entre eles, o Sinpro/Caxias. A FeteeSul é filiada à CUT e à Contee e tem o papel de articular políticas e ações conjuntas entre os sindicatos da sua base, como a campanha salarial.

Valdir Kinn Coordenador Geral da FeteeSul

Buscando a desconexão Os sindicatos ligados à FeteeSul realizaram, em outubro, ações de valorização profissional, participando da Campanha Domingo de Greve, promovida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) em todo o Brasil. Foi um momento importante para apresentar à comunidade escolar e à sociedade um dos temas principais das nossas reivindicações, a necessidade de desconexão do trabalho nos finais de semana. Motivou o debate sobre as condições de trabalho e a remuneração das atividades extraclasse.

Campanha Salarial 2014 As estratégias para a campanha salarial de 2014 já estão na ordem do dia dos sindicatos da base da FeteeSul. Com a entrega da pauta preliminar de reivindicações ao Sinepe, em outubro, a federação inicia concretamente o processo de negociação, que passa agora pela elaboração da pauta definitiva e completa em assembleias de cada entidade sindical. No sábado, dia 30 de novembro, a federação e os sindicatos se reuniram para acompanhar uma apresentação do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre o panorama econômico brasileiro, gaúcho e do ensino privado. Há indicativos positivos desse cenário. O PIB gaúcho deve apresentar crescimento acima da média do país e o número de matrículas nas instituições de ensino tem aumentado. São projeções que precisam ser confirmadas, por isso os estudos continuam até a data das negociações. No encontro do dia 30, os dirigentes também discutiram sobre as ações para recomposição dos índices de reajustes nos depósitos do FGTS e a sustentabilidade das entidades sindicais.

Mobilizações pelos direitos A FeteeSul tem participado diretamente das mobilizações convocadas pela Central Única dos Trabalhadores. Acompanhe: FATOR PREVIDENCIÁRIO A classe trabalhadora luta contra o fator previdenciário desde as gestões Fernando Henrique Cardoso, que criou e instituiu o mecanismo. No governo Lula, um processo de negociação tentou chegar a uma alternativa, que era o fator 85/95, mas a proposta não avançou. O fator previdenciário pode diminuir em até 30% o valor de aposentadoria dos homens e em 45% a das mulheres. No dia 12 de novembro, a FeteeSul participou de mobilizações em Porto Alegre contra o fator previdenciário, acompanhando os movimentos em outras cidades do país. PISO REGIONAL Em 19 de novembro, a FeteeSul participou de uma mobilização em Porto Alegre em defesa do piso regional (salário mínimo no RS). As entidades sindicais reivindicam que o piso regional seja mantido e reajustado acima dos índices inflacionários, considerando a perspectiva de crescimento do PIB gaúcho. TAXA DE JUROS E IMPOSTO DE RENDA Na terça-feira, dia 26 de novembro, a FeteeSul participou de mobilização em Brasília, pelo fim do fator previdenciário, pela redução das taxas de juros e pela reconstrução da tabela do imposto de renda. A atual tabela do imposto de renda tem uma variação de faixa pequena, com taxas altas para quem tem salário baixo e taxas baixas para quem tem altas rendas. É preciso a construção de uma tabela progressiva, que cobre mais de quem ganha mais e menos de quem ganha menos.


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SAÚDE

FOTO TAFER FOTOGRAFIAS

Professores refletem sobre a saúde no trabalho Com o tema “O mal-estar do docente na educação pública”, o Sindiserv promoveu o 3º Seminário dos Profissionais de Educação, nos dias 27 e 28 de setembro, no auditório da FSG. No encontro foram debatidos a Síndrome de Burnout, o assédio moral e as relações de trabalho na escola, assuntos de interesse dos servidores municipais que atuam na educação, mas também pertinentes aos professores de todas as áreas.

SOFRIMENTO PSÍQUICO

A psicóloga Maria da Graça Correa Jacques falou no seminário sobre “O sofrimento psíquico do professor”. Militante da saúde do trabalhador, a especialista lembrou que os marcos dessa área são resultado de um processo histórico de lutas. Ela discorreu sobre o sentido do trabalho, que define as pessoas e determina o modo de ser e viver a partir da identidade profissional: “O trabalho é uma atividade de transformação da natureza, portador de significado,” destacou. Nos séculos XVIII e XIX, o sofrimento no trabalho se refletia no corpo, pois a atividade era braçal. A partir do século XX, o perfil do adoecimento muda, passando a ser psíquico em profissionais de serviços e que se dedicam a trabalhos intelectuais, como os professores. Para Maria da Graça, os transtornos psíquicos têm uma cul-

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SEMINÁRIO COMUNITÁRIAS

pa associada, pois geralmente os diagnósticos não estão corretos e adequados ao que acontece com os trabalhadores. Os professores, classificados como cuidadores, segundo ela, são diagnosticados com depressão, mas muitas vezes é Burnout (Síndrome do Esgotamento Profissional): “É diferente de stress, já que o professor está envolvido afetivamente, então se desgasta ou desiste: se queima”. Essa síndrome inicia com a exaustão emocional, que é uma porta de entrada para o stress, e evolui para a despersonalização e distanciamento. O trabalho passa a ser feito mecanicamente, com baixo envolvimento pessoal, sentimento de incompetência e insucesso.

SUPORTE EMOCIONAL E SOCIAL

“Diante de todos os efeitos prejudiciais, o professor se mantém na profissão pela realização pessoal no trabalho”, afirmou Maria da Graça, recomendando que seja oferecido aos docentes suporte emocional e social. No final do encontro, a coordenadora de comunicação do Sinpro/Caxias, Olga Neri de Campos Lima, entregou para a psicóloga o livro Professor no Limite - verdades inconvenientes sobre o exercício da profissão, publicado pelo sindicato. Maria da Graça elogiou a iniciativa do Sinpro/Caxias em dar visibilidade ao tema.

Aprovado projeto de lei das Comunitárias Após dois anos de tramitação e, sem emendas, foi aprovado em outubro o Projeto de Lei das Instituições Comunitárias de Educação Superior – Ices (PL 7.639/2010) pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal. Esta foi a última etapa pela qual passou o texto, que segue para sanção da presidente Dilma Rousseff. O PL das Comunitárias é um dos temas recorrentes no Fórum pela Gestão Democrática das Instituições Comunitárias, que teve sua 6ª Reunião Plenária no dia 28 de setembro, em Caxias do Sul. Para o Fórum, que nunca manifestou divergência com a essência do PL, faltou sensibilidade por parte dos parlamentares para alguns aspectos que aperfeiçoariam o projeto, pois nenhuma proposta de emenda foi contemplada, ficando excluídos os pontos ligados à democratização das instituições e o compromisso com princípios básicos como impessoalidade, publicidade e economicidade.

FOTO DIVULGAÇÃO

O reitor da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e presidente da Associação Brasileira de Universidades Comunitárias (Abruc), Vilmar Thomé, afirma que a principal inovação do projeto é o reconhecimento das comunitárias como instituições diferenciadas das empresas privadas. Segundo ele, as instituições deverão ampliar a oferta de ações de assistência à população na proporção dos recursos obtidos do poder público. Se o projeto for sancionado pela presidência, caberá ao Ministério da Educação fornecer os certificados de qualificação das Ices. Com informações da Ascom/Sinpro/RS


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LHO CONSCIÊNCIA A B A TO CATEGORIA R O N T PROFISSIONAL E H E L M BA AD AN ECI G A S C O R S R O D E T A H EC O Ade trabalho DE O D EONexcesso AL R T A B A B A G O O R T R RO é um dos S I M principais T P A I E C E C R R I E E D problemas enfrentados O SScategoria dos A SOBR ECARGA CANSO D NTO ADO PROFEpela B TR professores do S E E R E O D B M D ensino privado. Com o acirramento à I O A S C S O G S E O I A R O F M A O D O da concorrência entre as instituições A IT R IO EC O DIRE IMENTO ESSOR P O SOBR L ASSÉdeDensino, com a H L falta de limites de A H B F C A L A E O alunos por turma e o incremento ADO SSÃO PR E TRABA DIO MOR ADO TR TO os docentes I de novas tecnologias, E R É R I I D S E D a enfrentar jornadas de PROF ECARGA ORAL AS REMUN LAZER passaram EXmais elásticas. S A trabalho muito O O OR de corrigir avaliações e SOBRSSÉDIO M LHO Nà IREITO A RAS HAlém D A BA A preparar aulas em prazo curto, EXT R S T A R precisam postar conteúdos nos sites HO

Sindicato se une ao movimento nacional de valorização profissional O dia 20 de outubro, domingo, foi marcado por manifestação de professores do ensino privado em várias regiões do país. Lançada pela Confederação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), a campanha Domingo de Greve Nacional denuncia o excesso de trabalho a que os professores são submetidos fora da carga horária contratada, realizado à noite, nos finais de semana e feriados. A mobilização contou, entre outras cidades, com manifestações em Maceió (AL), Campinas (SP), Brasília (DF), Juiz de Fora (MG), Chapecó, Xanxerê, São Miguel do Oeste, Itajaí (SC) e em Porto Alegre (RS). O Domingo de Greve Nacional foi inspirado no Domingo de Greve realizado pelos sindicatos dos professores do ensino privado gaúcho em 2011, que teve ampla repercussão.

O Sinpro/Caxias se integrou à campanha realizando a Semana da Consciência Profissional, esclarecendo os professores sobre o combate ao trabalho extraclasse sem remuneração. No dia 19 de outubro, o sindicato promoveu o show com a banda Nenhum de Nós, como opção de lazer e cultura em contraposição a trabalhar nos finais de semana. O debate, a denúncia pública e demais ações dos sindicato já estão sinalizando uma pequena mudança na cultura. O envio da Notificação Recomendatória (NR) pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), em 2011, alertando para o direito ao descanso dos professores, fez com que muitas instituições de ensino passassem a ser mais comedidas no encaminhamento de demandas extraclasse. Com informações da Ascom/Sinpro/RS e fotos do Portal da Contee, de Pernambuco e São Paulo

das instituições, responder e-mails em qualquer horário, lançar notas e informações no sistema e realizar inúmeras atividades burocráticas online. Tudo isso fora da carga horária contratada, inclusive nos finais de semana. O Sinpro/Caxias alerta: - não aceite como normal o trabalho extraclasse sem remuneração; - registre o seu trabalho extraclasse (veja planilha e orientações no site do sindicato).

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Valorizando a categoria Alimentar a identidade dos professores enquanto categoria é um dos desafios do Sinpro/Caxias. Em outubro, o sindicato entregou aos associados um vale-jantar ou vale-livro, para incentivar a confraternização e a cultura. Os docentes também receberam uma agenda permanente e caneta personalizadas. Em breve, os professores associados receberão uma camiseta com o mote da campanha de valorização deste ano.


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DIREITOS

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ASSESSORIA JURÍDICA

NOTA SOBRE PERDAS DO FGTS Na imprensa nacional e nas redes sociais circula a informação de que os trabalhadores brasileiros tiveram perdas na correção dos valores do FGTS. Existe um entendimento majoritário, entre os advogados brasileiros, de que a remuneração das contas vinculadas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) sofreu uma defasagem na correção, desde 1999. Neste período, os recolhimentos ao FGTS foram corrigidos pela Taxa Referencial (TR), em percentual inferior à inflação oficial do país. Essa posição ainda não é compartilhada pelo Poder Judiciário, pois, até o mês de novembro de 2013, nenhuma ação havia obtido êxito em última instância, ou seja, não existiam decisões sobre o tema na esfera dos Tribunais Superiores. O departamento jurídico do Sinpro/Caxias do Sul conclui que todos os professores que tiveram carteira assinada,

entre janeiro de 1999 até a data atual, têm direito a ajuizar ações pedindo o pagamento dessas diferenças entre os valores pagos e os devidos. Os advogados informam que é uma ação de conhecimento, ou seja, de reconhecimento de um direito, sendo que não há condições de garantir o seu sucesso absoluto. Alertam ainda que, em caso de improcedência do processo, é possível que os autores arquem com custas judiciais e honorários aos advogados da Caixa Econômica Federal e da União. Assim, o Sinpro/Caxias, por meio da assessoria jurídica, ajuizará ações individuais para todos os professores da rede privada de ensino de Caxias do Sul que tiverem interesse. Quem quiser ingressar com a ação, deve levar ao sindicato, em horário comercial, os documentos necessários, conforme orientação publicada no site www.sinprocaxias.com.br, até 28 de fevereiro de 2014.

Ação trabalhista do Sinpro/Caxias garante direitos para professora Uma professora de instituição de ensino de Caxias do Sul, demitida sem justa causa após 16 anos de trabalho, recorreu à Justiça por meio da assessoria jurídica do Sinpro/Caxias, buscando reparar distorções na sua relação trabalhista. A sétima turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região determinou que a professora receba indenização por assédio moral, diferenças salariais relativas à redução de carga horária e ainda um ano de salário e reflexos por ter desenvolvido depressão decorrente das condições de trabalho.

ASSÉDIO MORAL A professora relatou que era tratada de maneira diferente dos colegas, foi ignorada e isolada pela direção, sofreu pressão psicológica para aprovação de alunos e coação para rever notas e frequências, inclusive por telefone. Disse que seu atos eram desfeitos pela direção, que impedia assim o livre exercício da profissão, foi humilhada e constrangida. Tais situações foram confirmadas por colegas que prestaram depoimento como testemunhas.

A escola foi condenada a pagar R$ 10 mil de indenização por dano moral decorrente de assédio moral.

DEPRESSÃO COMO “DOENÇA PROFISSIONAL”

A professora desenvolveu um quadro depressivo devido às condições que vivenciava na escola. A Justiça reconheceu o fato e determinou que fosse caracterizado como doença profissional, equiparada a acidente de trabalho. Assim, ainda que a professora não tenha se afastado do trabalho por mais de 15 dias em decorrência da doença, teve assegurada a garantia de emprego, ou seja, estabilidade, não podendo ser prejudicada pela omissão da empresa em emitir a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho). O item II da Súmula nº 378 do Tribunal Superior do Trabalho diz que são pressupostos para a concessão de estabilidade o afastamento superior a 15 dias e o recebimento do auxílio-doença acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença profissio-

nal que guarde relação de causalidade com a execução do contrato de emprego, como é o caso da professora. Assim, a Justiça poderia determinar a reintegração ao emprego, porém, diante da situação de assédio moral retratada, a opção foi a indenização. A professora recebeu um ano a mais de salário e encargos decorrentes.

REDUÇÃO DA CARGA HORÁRIA Em alguns dos seus anos de trabalho, a professora teve a carga horária reduzida. A Convenção Coletiva de Trabalho não permite a redução, a não ser em hipóteses bem definidas, que não se configuravam. De forma coerente, a Justiça determinou o pagamento das diferenças salariais motivadas pela redução de carga horária, com todos os reflexos relacionados, como férias e FGTS.


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EDUCAÇÃO

CAMPANHA DIA DO PROFESSOR

A importância dos professores na história de vida das pessoas FOTO ARQUIVO PESSOAL

Guilherme Vieira, empresário de tecnologia

Há alguns anos, o Sinpro/Caxias chama a atenção da sociedade no mês de outubro, quando é comemorado o Dia do Professor, com campanhas sobre as condições de trabalho da categoria. Em 2013, a direção do sindicato avaliou a necessidade de enfatizar a valorização do professor. Considerando os protestos que têm ocorrido no país, a falta de credibilidade nas instituições e o crescente avanço do preconceito e da violência, decidiu reforçar os valores positivos. A campanha retornou ao mais básico: o papel fundamental do professor na história de vida de cada um. O Sinpro/Caxias convidou lideranças da cidade para opinar. Depoimentos geraram peças que foram compartilhadas nas redes sociais e anúncios veiculados em emissoras de rádio. Ao mesmo tempo, o Sinpro/Caxias promoveu a exposição de faixas nas ruas em frente às escolas, com o tema da campanha. O Presença publica os depoimentos completos das lideranças para que os professores sintam-se incentivados a continuar a justa luta pela valorização, traduzida também em melhores salários e condições de trabalho. O Sinpro/Caxias agradece a todos que participaram e ao apoio da imprensa na divulgação.

“Tive a sorte de ter diversos ótimos professores desde o ensino fundamental, mas destaco quatro deles que, coincidentemente, foram professores de Matemática. A principal, professora Nilva, na minha 5ª série na escola São Vitor, me fez ter certeza desde aquela época que o meu futuro seria nas Ciências Exatas, pelo modo lógico pelo qual ela explicava e exemplificava cada assunto. Até hoje, consigo lembrar dos fundamentos que ela ensinou e de como nos direcionava para ser autodidatas. Ela queria que entendêssemos como as coisas funcionam e não somente decorássemos fórmulas. Considero a profissão de professor importante justamente porque é a base para qualquer evolução que busquemos. Professores têm a possibilidade de direcionar os alunos pelos caminhos corretos, permitindo, assim, que os próximos passos sejam mais seguros.”

FOTO LUIZ CHAVES

“Diversos professores marcaram a minha trajetória. Um dos mais especiais cruzou o meu caminho durante a Graduação. Estávamos em prova prática, tínhamos apenas uma chance para realizar uma escultura em um dente, com o tempo máximo de 30 minutos. Na angústia do prazo, não consegui fazê-lo da maneira como deveria. Ao perceber que não iria conseguir realizar o procedimento, pedi ao professor para reparar o erro, imaginando que ele diria não. Mas as palavras dele foram: ‘Tudo na vida tem solução, menos a morte’. Essa frase marcou e incentivou-me a jamais desistir. Todas as profissões são belas e têm o seu valor, mas, sem dúvida, sem os professores, seus conhecimentos e incentivos, não conseguiríamos ser quem somos e chegar onde estamos. É uma profissão que merece respeito, valorização e, principalmente, reconhecimento. Depois da família os professores são a base de tudo.”

Giovana Crosa, dentista, especialista em Ortodontia, Rainha da Festa Nacional da Uva 2014

FOTO DENISE BOFF

Cecilia Milicich Seibel, designer e pesquisadora de Moda

“Uma professora que jamais sairá de minha memória é a Conceição Figueredo, de História. Quando explicava algum acontecimento, nos fazia guardar todo o material embaixo da classe e tínhamos que escutar com muita atenção, assim ela contava o evento com tantos detalhes, formas, cores e cheiros que sentíamos como se pudéssemos voltar no tempo e viver o fato histórico. Ela me instigou a conhecer o passado para entender o presente. Ser professor é compartilhar conhecimentos, é transmitir saberes historicamente produzidos pela humanidade, é desafiar os alunos para irem além do que aparece como limite, criando o novo.”

“Tudo o que sou, devo a um professor: Padre Lino Webber, que liderou um movimento para que São José dos Ausentes tivesse o Ginásio (antigas séries finais do Ensino Fundamental). Caso contrário, eu não teria como seguir os estudos naquela época. Depois do Ginásio, com muito esforço, concluí o 2º grau em Bom Jesus e me formei em Direito pela UCS. A profissão de professor é muito importante, pois a Educação é a base de tudo e tem prioridade no nosso Governo. No entanto, é preciso deixar claro que professor não é pai nem mãe. Professor passa conhecimento, e por isso tem um papel tão nobre. Educação quem deve dar é a família, em casa.”

FOTO ANDREIA COPINI

Alceu Barbosa Velho, prefeito de Caxias do Sul


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EDUCAÇÃO

FOTO ARQUIVO PESSOAL

FOTO ARQUIVO PESSOAL

Jaime Bettega, Frei Capuchinho

“A professora Terezinha Tissot Delagustini foi a professora que me alfabetizou. Ela foi mais do que professora. Mostrou novos horizontes de vida, com valores eternos. A bondade em acender o fogo no fogão a lenha, no inverno, para nos aquecer, ficará para sempre na lembrança. A bondade da professora foi o ‘conteúdo’ que marcou nossa trajetória. Enquanto houver professores, o mundo poderá contar com o combustível da esperança. A interação entre professor e aluno possibilita qualidade à relação humana e estabelece vínculos que favorecem a aprendizagem. O mundo precisa de professores para entender que viver vale a pena.” FOTO ARQUIVO PESSOAL

“Todos os professores que tive foram pilares essenciais para minha formação, tanto pessoal, quanto profissional. O professor é, sem dúvida, a principal peça na livre produção do saber na sociedade.”

Pepe Vargas, ministro do Desenvolvimento Agrário e médico

FOTO ARQUIVO PESSOAL

Laís Bordin, atleta de Handebol FOTO JÚLIO SOARES - OBJETIVA

FOTO ARQUIVO PESSOAL

“Existiu uma professora chamada Helenice, no segundo grau, lá em Uruguaiana, que enxergou nos meus precários escritinhos adolescentes algo de interessante. Me deu um baita empurrão. Sou filho de professor, às vezes até me meto a dar algumas aulas. A função do professor constitui uma das bases do processo civilizatório. Transmitir conhecimento e potencializar habilidades é imprescindível para a vida em sociedade e para nos afastarmos da barbárie.”

“A professora Jandira Lorandi Formolo me ajudou a gostar de aprender. Ela me ensinou até o que não tinha obrigação. Me acolheu em sala de aula e me ensinou, mesmo sem eu ter idade para estar na turma. Com isso, me incentivou e deu condições para que continuasse os estudos. Exemplos assim mostram que professor é um profissional indispensável para o desenvolvimento da sociedade e para a humanização da vida. Nós, educadores, precisamos reconhecer mais o valor do nosso trabalho, nosso ideal e nossa esperança.”

“Lembro muito do professor Valentim Lazzaroto, do primeiro ano do ginásio. Além de ser um ótimo professor, era uma pessoa compreensiva com os alunos, entendia a rebeldia natural da idade, era amigo e demonstrava respeito a todos. Qualidades que acredito serem fundamentais nesta profissão. Ele era um exemplo, por isso minha homenagem a todos os professores na lembrança dele.”

“Com 10 anos, surgiu o interesse pelo esporte. Lembro que o professor me incentivou e me iniciou no Handebol. Agora sou atleta profissional, treino todos os dias e participei de mundiais e pan-americanos pela Seleção Brasileira. Os professores são fundamentais para ajudar a construir um futuro profissional realizador.”

Rafael Bueno, vereador

Marco de Menezes, escritor e médico

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CAMPANHA DIA DO PROFESSOR

FOTO ARQUIVO PESSOAL

Marisa Formolo, deputada estadual

Zulmar Neves, advogado

“Vários professores marcaram minha vida e foram paradigmas pessoais e profissionais. A mais marcante, no entanto, foi uma professora do 3º ano primário, Dona Lili, na época já uma senhora idosa. Muitas vezes, após a escola, eu ia para a casa dela onde depois meu pai me buscava. Nós conversávamos muito e ela tinha um carinho e cuidado comigo atípico. Muito tempo depois, já adulto, fiquei a pensar o porquê da relação e conclui que nós nos ajudávamos na época, fazendo companhia um ao outro, e ela, além disso, revisando minhas aulas. Foi com ela que aprendi a gostar (e muito) de flores e jardins... Penso que o professor, em determinada fase da vida, é a pessoa mais importante. No meu tempo, éramos educados para respeitar os professores como se fossem os substitutos imediatos dos pais que, com eles, forjavam a nossa estrutura ética, moral, cultural e de educação.”


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SINDICATO

FORMAÇÃO EMÍLIO GENNARI

Descobrindo a caixa de ferramentas

FOTOS SIMONE RAMME

Nos dias 13 e 14 de setembro, o Sinpro/Caxias promoveu um encontro de formação para a diretoria, com Emilio Gennari. Graduado em Teologia com pós-graduação em Ciências Sociais pela Unicamp, Gennari trabalha como educador há mais de 22 anos no Núcleo de Educação Popular – 13 de Maio, de São Paulo. Ele vem contribuindo para uma melhor formação e atuação no cotidiano dos locais de trabalho e organização dos trabalhadores por todo o Brasil e concedeu uma breve entrevista para o Presença, além de disponibilizar vários de seus artigos para consulta. Presença: O que você desenvolve nas ações de formação com as entidades sindicais? Gennari: Debatemos sobre a caixa de ferramentas que pode ser utilizada para avaliar e atuar no cotidiano do movimento sindical. Antes da abertura política no Brasil, ou seja, até meados dos anos 80, a maioria dos sindicatos estava na mão de “pelegos” que não faziam nada e se perpetuavam no poder. Nesse período, ir ao sindicato era quase sinônimo de ser demitido, pois os próprios dirigentes sindicais “deduravam” quem reclamava. Depois, novas diretorias assumiram os sindicatos e tiveram que decidir sobre dilemas como: o que fazer com o assistencialismo? Ser combativo se tornou sinônimo de resolver problemas, os idealistas viraram bombeiros. Quando analisamos a história do movimento sindical, vemos posições que são assumidas porque não há outra saída. Na década de 80, o grau de indignação da sociedade brasileira estava acen-

tuado, havia um vazio que os sindicatos preenchiam. As direções sindicais eram parte dos trabalhadores, estavam próximas da realidade, sabiam fazer aflorar a indignação.

O desafio de manter a representação de todas as empresas, ainda que pequenas, a necessidade de liberar dirigentes sindicais que acabaram se afastando da realidade do local de trabalho, o processo de burocratização e a ausência de formação de base destruíram muito daquele sentido inicial. Presença: Como você vê o sindicalismo no Brasil hoje?

É necessário perceber que, sem submissão, não há assédio possível.

Gennari: No momento, temos uma pressão do cenário econômico-corporativo. O profissional está sempre de passagem, sempre buscando evoluir. Assim, não é da categoria, está na categoria. Os trabalhadores incorporaram que precisam estar sempre prontos a se adaptar às mudanças, se encaixar em um molde que muda, então não ficam indignados, não lutam. Os locais de trabalho, por exemplo, geralmente têm uma longa lista de anomalias, mas isso é considerado normal. O trabalhador pensa que, se ele não se adequar, outro pode ocupar o seu lugar. Isso acirra o sofrimento no trabalho


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SINDICATO e traz no seu bojo a ideia de isolamento. O maior problema do século é a solidão. Em vez de guerras, suicídios. A ação sindical fica prejudicada, pois só existe a partir de um mínimo sentido de coletividade. Presença: Como essa realidade de isolamento e passividade pode ser transformada? Gennari: As pessoas precisam começar a dizer não. Alguém deve dizer que “o rei está nu”. É necessário perceber que, sem submissão, não há assédio possível. Os sindicatos têm que conhecer profundamente a categoria. Os trabalhadores precisam ver os problemas como problemas. A doença profissional, por exemplo, não pode ser encarada como uma fraqueza pessoal, mas como manifestação individual de um problema que é coletivo. Os trabalhadores têm que perceber que a solução depende deles. A empre-

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FORMAÇÃO EMÍLIO GENNARI

sa até resolverá, mas de acordo com os seus interesses. As pessoas precisam se envolver, assumir responsabilidades, avaliar consequências. Precisam se indignar e fugir da linguagem asséptica dos empregadores (essa que deixa de registrar acidentes e doenças de trabalho dos professores porque “pega mal” para a escola, por exemplo). Presença: O que os sindicatos podem fazer para recuperar o sentido de coletividade? Gennari: O sindicato deve semear laços de amizade e confiança, ser visto como quem não desiste, é corajoso, persistente, vai além e está na defesa do trabalhador sempre. Precisa ser capaz de dialogar com o trabalhador construindo dúvidas. Isso não é fácil e não é uma tradição sindical que conhecemos.

Leia no site do Sinpro/Caxias os artigos de Emilio Gennari: - Fracasso escolar – acidente ou construção social - Da alienação à depressão - Mídia e conformismo - Sindicato e organização de base: histórias, dilemas e desafios

Os locais de trabalho geralmente têm uma longa lista de anomalias, mas isso é considerado normal.

Sinpro/Caxias divulga realidade dos professores na imprensa No mês de outubro, a realidade dos professores teve destaque na imprensa caxiense. Isso é fundamental para conquistar apoio para as revindicações, tanto das comunidades escolares como da sociedade. Entre as entrevistas concedidas para emissoras de rádio, televisões, jornais e sites, integrantes da diretoria participaram do programa Rede de Olhares, na UCS TV, abordando o corte das verbas para as APAES e as dificuldades das escolas e professores em promover a inclusão.

FOTOS EMILI BORDIN


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CULTURA

SHOW NENHUM DE NÓS

Salve, simpatia! FOTOS SIMONE RAMME

Carinhosos e simpáticos, os músicos da banda Nenhum de Nós conquistaram a plateia no espetáculo apresentado no dia 19 de outubro, no UCS Teatro. Os professores aplaudiram, cantaram junto, suspiraram, “viajaram no túnel do tempo” e no final quase transformaram os espaços do teatro em uma enorme pista de dança. “Esse é o público mais qualificado que poderíamos ter”, afirmou o vocalista Thedy Corrêa, no camarim antes do show. No palco, foi mais explícito ainda: “Vocês não sabem como a gente se sente honrado, esse convite nos encheu de orgulho.” Thedy contou que a banda nasceu na escola, pois os músicos eram colegas. “Preparamos um repertório bem bacana, espero que vocês gostem e esteja à altura da importância de vocês”. Além da excelente qualidade musical, o ambiente mágico se completou com as imagens do telão, trazendo grafismos, flores, frases e cenas criativas e marcantes. Acordeon e gaita de boca enriqueceram os arranjos. No final do show, mais um recado direto: “Nossa profunda admiração, do fundo do coração. Se tem heróis nesse país, são vocês, professores. Ao pessoal da organização, nota dez com estrelinha.” Depois ainda sobrou energia para fotografar com uma extensa fila de fãs. Em resumo: FOI SHOW!

Equipe do Sinpro/Caxias se dedicou à organização do evento. Os preparativos iniciam com meses de antecedência e culminam com o cuidado em todos os detalhes no dia do show.

Em clima descontraído, a Diretoria do Sinpro/Caxias, todos professores atuantes em instituições de ensino, aproveitou os momentos antes do show para o registro da recepção dos músicos


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CULTURA

SHOW NENHUM DE NÓS

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Isabel Gaio é professora de Português no Santo Antônio e levou o noivo para assistir o show. Ela gosta das atividades culturais que o Sinpro/Caxias promove.

Ao centro, Daniel Toss, professor do curso de Engenharia da UCS, com Carine Zanol, da Escola Infantil São José, Marisa Canuto, Ivete Cecconi e amigos.

QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA

Neusila Pohlmann Rocha, do Murialdo, levou as filhas e achou maravilhoso. “Cantamos até não poder mais, é bom para a alma”, declarou.

Doralice Polly, do São João Batista, curtiu com a filha também professora, Sabrina Polly, do São José, a simpatia dos músicos e as lindas letras das canções. Elas mostram o folheto distribuído pelo Sinpro/ Caxias, sobre a Semana da Consciência Profissional.

As amigas Margarete Camassola, Adriane Andreeta Carla Cecconi e Janete Angonese, do La Salle, adoraram o show.

O show do Nenhum de Nós, além de homenagem do Sinpro/Caxias pela passagem do Dia do Professor, integrou a programação da Semana da Consciência Profissional. O sindicato participou do movimento nacional Domingo de Greve, que propôs que os professores não trabalhassem no dia 20 de outubro para denunciar a carga de trabalho extraclasse e sem remuneração. Questionados sobre o assunto, os professores presentes ao show disseram que geralmente têm trabalho nos finais de semana e que deveria ser remunerado. Relataram que o seu tempo de descanso e lazer é limitado. Muitos professores procuraram a assessoria de comunicação do Sinpro/ Caxias posteriormente solicitando que o seu nome e foto fossem retirados dos depoimentos, por medo de represálias. Mas, que tempos são esses em que pairam ameaças à liberdade de expressão dos professores?


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EVENTOS

ADVOGADOS/CONSIND ASSÉDIO MORAL FOTO CONTEE

Advogados trabalhistas se encontram no Conat FOTO ARQUIVO PESSOAL

O advogado Erci Sabedot, da assessoria jurídica do Sinpro/Caxias, participou do 5º Encontro Nacional de Advogados Trabalhistas (Conat), no Rio de Janeiro, entre 9 e 12 de outubro. Em sua 35º edição, o Conat reuniu mais

de 800 profissionais, entre advogados, juízes e ministros do trabalho e dirigentes de entidades sindicais. Os principais temas do encontro, evocados em palestras, debates e oficinas, foram a competência da Justiça do Trabalho e as complementações de aposentadorias e a efetividade dos direitos sociais após a Constituição Federal de 1988. A ministra do Tribunal Superior do Trabalho, Dra. Delaide Arantes, manifestou-se sobre os direitos dos docentes e recebeu de Sabedot o livro Professor no Limite – verdades inconvenientes sobre o exercício da profissão, de autoria da advogada Deise Vilma Webber, publicado pelo Sinpro/Caxias em 2012.

Falar sobre assédio é o melhor jeito de combater

A realização do I Seminário da Serra Gaúcha Sobre Assédio Moral no Trabalho, nos dias 28 e 29 de novembro em Caxias do Sul, possibilitou o debate envolvendo os conceitos, os danos e os exemplos de assédio nas relações de trabalho. Juntos e de forma democrática, empregadores, trabalhadores e entidades puderam compreender melhor o tema e passam agora a trabalhar em propostas de ações concretas para coibir o assédio dentro das organizações.

Segundo a médica Margarida Barreto, uma das palestrantes, “é preciso que os gestores avaliem as práticas discriminatórias, entendam os processos que fazem durar as injustiças e depois disso, procurem estabelecer um plano de ação e monitoramento. Isso deve fazer parte das normas de política de gestão das empresas”, assinalou. O desembargador federal do Trabalho, José Felipe Ledur, afirmou: “O que está acontecendo neste Seminário hoje, com a presença dos sindicatos dos empregadores e trabalhadores, é um marco para o desenvolvimento de uma sociedade democrática”.

Sinpro/Caxias participa do XVI Consind As professoras Nádia Pinto Bento Alves, Liliane Viero, Cristiane Guazzelli Boschi, Marili Vergani Libardi e Anelise Cecília Casara, da diretoria do Sinpro/Caxias, representaram a entidade no XVI Consind da Contee. O Conselho Sindical reúne as entidades filiadas à Confederação dos Trabalhadores em Educação e foi realizado de 25 a 27 de outubro, em Salvador/BA. O Consind faz parte das ações democráticas que asseguram a participação e avaliação das políticas de forma coletiva. O tema desta 16ª edição foi “Valorização profissional dos(as) trabalhadores(as) em educação: contra a terceirização nas escolas e pelo direito ao descanso”. Inseridas nesse debate, foram avaliadas as ações desenvolvidas pelas entidades filiadas e pela Confederação na Campanha Nacional de Valorização, incluindo o Domingo de Greve, que teve o objetivo de denunciar o excesso de atividade extraclasse. Veja todas as informações sobre o XVI Consind no site da Contee: www.contee.org.br

A escrivã do Poder Judiciário, Geovana Zamperetti Nicoletto, apontou as mazelas do sistema. “Vivenciamos um modelo de trabalho no limite, com muita demanda e poucos profissionais para executar, isso gera um sofrimento muito grande”, revelou. Entre as propostas de prevenção e contenção ao assédio moral surgidas no debate, estão a criação de um manual de boas práticas no ambiente de trabalho, trei-

namentos, construção de um novo perfil das chefias e lideranças, mais respeito na organização do serviço público e ações de humanização nas empresas. A promoção do Seminário foi do Fórum Permanente de Saúde e Segurança no Trabalho (SST) de Caxias do Sul, composto por várias entidades patronais e de trabalhadores. O Fórum se reúne novamente em janeiro, para dar continuidade às ações.


FOTO DOUGLAS TRANCOSO

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Penúltima Página PAULO LUIZ ZUGNO

ESPIONAGEM Uma discussão global sobre o tema “espionagem” está, há algum tempo, ocupando grandes espaços em todos os canais da mídia, em todos os países. Que a espionagem é uma prática comum na história da humanidade qualquer um sabe. Os inimigos procuram tomar conhecimento, mutuamente, das respectivas forças e fraquezas, a fim de planejar suas estratégias de ataque e defesa, tendo como objetivo a vitória. Antes da era cibernética, a espionagem era praticada por agentes especializados infiltrados nos redutos inimigos. Tais agentes procuravam descobrir segredos estratégicos sobre armamentos, planos de ataque e defesa, pontos vulneráveis, etc., e repassavam as informações aos seus governos. Havia também os espiões mercenários, profissionais que traíam seus países em troca de pagamento. Tudo isso era feito com linguagem cifrada, para garantir o segredo. Essa forma de espionar está superada. A era eletrônica abriu um novo campo de espionagem. Agora é possível acumular milhões de informações que permitem aos governos saber praticamente tudo, até mesmo coisas de foro íntimo das pessoas. O Grande Irmão criado por George Orwell em seu livro 1984 não é mais uma obra de ficção: é uma realidade que não se limita a governos totalitários; tornou-se uma invasão praticada também por governos considerados democráticos ou que alardeiam ser paladinos da democracia. O alvo principal das denúncias de espionagem são os EUA, mas devemos deixar claro que eles não são os únicos. São, com certeza, a nação que detém a tecnologia mais avançada, mas outros países como China, Inglaterra e Rússia também praticam espionagem. Há vários aspectos que interessam de modo particular à espionagem: a) Interesses industriais/comerciais. Importantes agentes de comunicação como, por exemplo, a insuspeita Rede Globo denunciaram espionagem praticada pelo Canadá contra o Ministério de Minas e Energia e contra a Petrobrás, para obter informações sobre o pré-sal e também sobre a área de mineração. É sabido que o Canadá é um forte concorrente do Brasil na área de mineração. Qual seria o interesse do Canadá em bisbilhotar o que o Brasil está fazendo nessa área? b) Terrorismo. O combate ao terrorismo é o tema ao qual os EUA dedicam grande atenção, principalmente após o atentado contra as torres gêmeas do World Trade Center em setembro de 2001. Esse atentado provou que os EUA não estão

imunes a ataques de destruição e formou na consciência coletiva dos americanos o medo generalizado, que beira à paranoia, de que a qualquer momento podem ocorrer ataques semelhantes. O governo americano se utiliza desse medo para agir conforme interesses que nem sempre são vinculados às questões de defesa. c) A vida privada dos cidadãos. Esse é, talvez, o ponto mais delicado da questão da espionagem. O cidadão, sabendo que pode estar sendo espionado quando envia um e-mail, quando usa o telefone convencional ou o celular, sente-se acuado e, naturalmente, se fecha. É claro que a grande maioria das pessoas não tem consciência do perigo que corre e, portanto, usa os meios de comunicação eletrônica não pensando no perigo da espionagem. A denúncia de que o celular da presidente Dilma tinha sido espionado pelos EUA gerou uma crise diplomática que acabou por fazer com que fosse cancelada a visita da presidente brasileira aos EUA. Não ocorreu um rompimento formal de relações entre os dois países, mas, sem dúvida, houve um estremecimento e a formação de um clima de desconfiança. E isso impacta as relações comerciais, por exemplo, o que pode resultar em prejuízo, principalmente para os países economicamente mais fracos. O cidadão comum, o cidadão que não ocupa posição de destaque no contexto social é um ser indefeso e não tem como preservar sua privacidade. Assim, pode ser vítima de invasão de sua vida particular, o que representa uma ação contrária à ética e à sua liberdade. Quanto mais generalizada a prática da espionagem, mais inseguro será o mundo. Caberia à ONU estabelecer marcos regulatórios para o uso da tecnologia que serve para espionar. Mas é uma ilusão esperar que isso aconteça enquanto o poder de decisão da ONU continuar nas mãos do atual Conselho de Segurança.

O cidadão comum, o cidadão que não ocupa posição de destaque no contexto social é um ser indefeso e não tem como preservar sua privacidade.


PESQUISA PESQUISA

ESPECIAL ELEIÇÕES 2012

Uma pesquisa realizada pelo Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS) diretamente com os docentes, entre 15 e 18 de outubro, avaliou a percepção sobre o excesso de atividades realizadas fora da carga horária contratada. Foram 1.016 professores entrevistados, de diferentes áreas de ensino, em todo o Estado.

TRABALHO EXTRACLASSE X DIREITO AO DESCANSO PROFESSORES QUE RECEBEM SOLICITAÇÕES FREQUENTES DE TAREFAS EXTRACLASSE POR PARTE DAS DIREÇÕES

56,1%

PROFESSORES QUE SE SENTEM CANSADOS COM O EXCESSO DE ATIVIDADES EXTRACLASSE IMPOSTO PELAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO

57%

PROFESSORES QUE REALIZAM TAREFAS EXTRACLASSE NOS FINAIS DE SEMANA, EM HORÁRIOS QUE SERIAM DE DESCANSO E LAZER COM A FAMÍLIA

55,3%

PROFESSORES QUE, MESMO CANSADOS, NÃO SE SENTEM EM CONDIÇÕES DE NEGAR TAREFAS SOLICITADAS PELA DIREÇÃO

73%*

dos que responderam * 73% afirmativamente na questão anterior.

A luta pelo direito ao descanso e pela remuneração do trabalho extraclasse já vem de muitos anos. Em 2009, o Sinpro/Caxias realizou pesquisa sobre a questão com uma amostragem de professores caxienses. Naquela época, 85% dos entrevistados já trabalhavam duas ou mais horas por dia em atividades extraclasse, principalmente na preparação de aulas e correção de provas. A pesquisa deve ser refeita em breve. E você, já contabilizou o tempo gasto nessas atividades?

Presença DEZ/2013  
Presença DEZ/2013  

Informativo do Sindicato dos Professores de Caxias do Sul

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