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INFORMATIVO DO SINDICATO DOS PROFESSORES DE CAXIAS DO SUL

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APRESENTAÇÃO

EXPEDIENTE

PÓ DE GIZ

Presença - 1° Semestre /2015 Publicação do Sindicato dos Professores de Caxias do Sul Sinpro/Caxias

VISITE O SINPRO Endereço: Av. Júlio de Castilhos, n° 81 Salas 901/902 - Ed. Village Avenida Bairro Nossa Senhora de Lourdes

LIGUE PARA O SINPRO Fone: (54) 3228.6763 Fax: (54) 3222.0734

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ACESSE O SITE www.sinprocaxias.com.br

CONHEÇA A EQUIPE Coordenação: Secretaria de Comunicação do Sinpro Coordenadora: Olga Neri de Campos Lima Edição: VOXMIDIA - (54) 3028.7479 Jornalista responsável: Rose Brogliato - MTB11004/RS Revisão: Lisiane Zago - MTB 12375/RS Colunista desta edição: Paulo Luiz Zugno

DETALHES TÉCNICOS Tiragem: 1.400 exemplares Impressão: Lorigraf Papel reciclado

Editorial

Tempos sombrios O primeiro semestre de 2015 não foi de águas serenas para o Sinpro/Caxias. O sindicato empenhou-se no processo de negociação com o Sinepe/RS, como em todos os anos, buscando garantir e ampliar conquistas. Encontrou o sindicato patronal dividido e as mesmas disputas de sempre com ameaça de supressão de direitos. Ao mesmo tempo, uma avalanche de problemas de natureza política e econômica surgiram na cena nacional, exigindo o posicionamento da entidade sindical. O mais grave dos problemas veio da Câmara dos Deputados, e mais precisamente do seu presidente, Eduardo Cunha, responsável por desenterrar o Projeto de Lei 4330, da Terceirização, que há muito estava tramitando na Câmara Federal e representa um lastimável retrocesso nos direitos dos trabalhadores do país. Frente a isso, o Sinpro/Caxias participou de diversos encontros e movimentos, mantendo-se alinhado com as lutas dos trabalhadores e da educação. São tempos sombrios que podemos enfrentar com informação e unidade. Para sair das sombras à luz, publicamos uma entrevista exclusiva com o criador do personagem de tirinhas Armandinho e uma matéria sobre experiências alternativas de educação. Boa leitura! A Diretoria


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CATEGORIA

INFORMAÇÕES

CONVÊNIOS

Mais vantagem para os associados O Sinpro/Caxias realizou novos convênios para proporcionar vantagens aos professores associados. Para usufruir dos benefícios, é necessário apresentar a carteirinha de sócio. Veja as últimas parcerias do Sinpro/Caxias:

- AMOH Lounge Wear – vestuário e acessórios Parcelamentos sem juros ou descontos de até 15%.

LAZER

Cinema com desconto

Veja no site os detalhes de todos os convênios disponíveis.

- POSTO CENTRAL Desconto de R$ 8,41% (para pagamento em dinheiro ou com cartão de crédito).

FORMAÇÃO

Novos livros

Mediante convênio com a rede de cinemas GNC, professores associados ao Sinpro/Caxias têm desconto na compra de ingressos. A promoção é válida para os cinemas GNC de Caxias do Sul (Shopping Iguatemi), cinemas GNC de Porto Alegre (no Shopping Praia de Belas, Moinhos Shopping, Lindóia Shopping e Bourbon Assis Brasil) e no cinema GNC de Novo Hamburgo (Novo Shopping), para qualquer sala ou sessão, inclusive lançamentos, sábados, domingos ou feriados (com exceção de 3D). O ingresso pode ser retirado na sede do Sinpro/Caxias (Av. Júlio de Castilhos, nº 81, salas 901 e 902) por R$ 14,00, com pagamento em dinheiro para a tesouraria do sindicato. Cada sócio tem direito a até 10 ingressos por mês.

O Sinpro/Caxias está constantemente renovando o acervo da Biblioteca. Para aproveitar o empréstimo de livros, compareça pessoalmente na sede do Sinpro/Caxias e apresente a carteirinha de associado(a). Livros e periódicos podem ficar com o(a) professor(a) por até qunze dias, com possibilidade de renovação por três vezes. Consulte o acervo no site e escolha. Se tiver sugestões para a Biblioteca, comunique o sindicato.

CULTURA

Adivinhe O espetáculo do Dia do Professor vai trazer alegria, acrobacia, fantasia e cor. CONFRATERNIZAÇÃO

Almoço dos Professores O dia 5 de julho marca o Almoço dos Professores 2015, no Salão da comunidade de São Romédio. Professores associados tiveram direito a um ingresso gratuito. A atração principal do já tradicional evento sempre foi a gastronomia italiana, mas os professores associados

também são beneficiados com sorteio de brindes e outras atrações. Além da celebração de amizade entre colegas, o Sinpro/Caxias aproveita o encontro para atualizar a categoria sobre as atividades sindicais e reforçar o direito dos docentes ao descanso e ao lazer.

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A Campanha Salarial 2015 do Sinpro/Caxias foi centrada nas principais reivindicações (algumas históricas), dos professores, como mostra a peça gráfica acima. As negociações ocorreram em duas câmaras, educação básica e educação superior. O resultado do processo está disponível no site do Sinpro/Caxias: as duas Convenções Coletivas entre o Sinpro/Caxias e o Sinepe/RS. Os principais itens foram divulgados por meio de um folheto também disponível no site. Ficou garantido o reajuste salarial de 7,68% (INPC do período), retroativo a março, e reajuste do reembolso-creche para R$ 210,00. De forma inédita no país, a Convenção Coletiva de Trabalho 2015 da Educação Básica (educação infantil, fundamental e média) estabelece a limitação de alunos por turma. Outra novidade na Convenção da Educação Básica é a aproximação dos valores horaaula da educação infantil e dos anos iniciais em relação aos anos finais do ensino fundamental, reduzindo a diferença em 20%, com pagamento em duas parcelas: agosto/2015 e janeiro/2016.

SINDICAL

CAMPANHA SALARIAL 2015

FOTO IGOR SPEROTTO - ASCOM SINPRO/RS

No dia 10 de março o Sinpro/Caxias entregou a pauta de reivindicações ao Sinepe/RS

No dia 5 de maio, após sete encontros, as negociações foram encerradas

As negociações entre o Sinpro/Caxias e o Sinepe/RS iniciaram no dia 10 de março, com a entrega da pauta de reivindicações. No dia 7 de abril, o Sinepe/RS chamou uma reunião com os diretores das instituições de ensino com o objetivo de realizar uma consulta sobre as reivindicações dos professores. Para sensibilizar os diretores e a sociedade em relação à pauta dos professores, o Sinpro/Caxias, em conjunto com os outros sindicatos de professores, publica o apedido Escolas podem corrigir uma injustiça, no jornal Zero Hora. O texto reforçava as expectativas dos professores em relação à equiparação salarial no ensino fundamental, entre outras reivindicações. No dia 5 de maio, as negociações foram

encerradas. O Sinepe/RS levou para a assembleia patronal os itens resultantes. No dia 6 de maio, uma assembleia convocada pelo Sinpro/Caxias aprovou a proposta para as Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) da educação básica e da educação superior. COLETIVO – A campanha salarial e as negociações foram realizadas em conjunto pelos oito sindicatos do ensino privado do Rio Grande do Sul (três de professores e cinco de funcionários), organizados junto à federação FeteeSul. O ensino privado gaúcho conta com mais de 28 mil professores, que atuam da educação infantil à educação superior, e mais de 11 mil funcionários em 924 instituições de ensino.


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PATRONAL E DEMISSÕES

SINDICAL

Rotatividade alta Comunitárias querem um sindicato próprio As Instituições de Educação Superior Comunitárias (Ices), ligadas ao Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas (Comung), estão se organizando com a intenção de criar um sindicato patronal das mantenedoras das instituições comunitárias do Rio Grande do Sul, representando escolas e universidades. Isso significaria uma dissidência do Sinepe/RS, sindicato que atualmente representa todas as instituições de ensino privado gaúchas. A comissão representando as Ices (integrada por representantes da UPF, Unijuí, Unicruz, UCS e Feevale) justifica a iniciativa invocando a promulgação e a regulamentação da Lei nº 12.881/2013 (que instituiu o marco regulatório das instituições comunitárias de educação superior) que, no seu entendimento, constituiria uma nova categoria econômica. No início do ano, houve uma tentativa de estabelecer um processo de negociação próprio com os sindicatos dos trabalhadores, objetivando um acordo coletivo de trabalho. Naquele momento, o Sinpro/Caxias e demais sindicatos optaram por manter apenas a negociação com o Sinepe/RS, cumprindo o compromisso de zelar pelas Convenções Coletivas de Trabalho (CCTs), patrimônio de direitos dos professores e funcionários do ensino privado, conquistadas ao longo de muitos anos de negociação. Aprovadas as Convenções Coletivas 2015/2016, os sindicatos realizaram negociações com os representantes das instituições comunitárias e de instituições sem fins lucrativos, dissidentes do Sinepe/RS. O grupo buscava um instrumento normativo próprio, mas foi consensuada a possibilidade de realização de dois acordos coletivos, com a manutenção do conteúdo das Convenções Coletivas de Trabalho 2015 – educação básica e superior. A reivindicação desse segmento patronal prende-se ao fato de não considerar-se mais representado pelo Sinepe/RS e estar empenhado na organização de uma representação sindical própria.

FOTO JAIR MOTTA

A rotatividade na categoria continua alta, prejudicando a qualidade de ensino. Todos os anos, o Sinpro/Caxias divulga o Ranking de Demissões, mostrando as instituições que mais tiveram demissões e pedidos de desligamentos. Para uma correta análise dos dados, é importante observar o número de docentes do quadro total, que varia conforme o tamanho de cada instituição. Em Caxias do Sul, 267 professores foram demitidos das instituições privadas de ensino no ano de 2014. Além disso, 216 pediram demissão, somando 483 professores afastados do seu emprego, 25% a mais do que no ano de 2013. Investimentos em medidas que incentivem o professor a permanecer na profissão e na instituição de ensino poderiam evitar as demissões e pedidos de desligamento.

Ranking Demissões - 2014 PEDIDO DE DEMISSÃO

DEMISSÃO

UCS

20

39

FTEC

23

37

FSG

24

23

LA SALLE

08

12

MUTIRÃO MASTER

05

12

CAMINHO DO SABER

08

11

MADRE IMILDA

07

10

MUTIRÃO OBJETIVO

10

10

FAC. AMÉRICA LATINA

03

10

FTSG

02

10

CURSÃO

05

09

INST. TEC. BRASIL

14

09

SÃO JOÃO BATISTA

04

08

MURIALDO

10

07

EDIFICARE

09

06

FLEMING

02

05

FAC. IDEAU

05

05

SÃO CARLOS

02

05

INSTITUIÇÃO

Foram citadas as instituições que realizaram mais de cinco demissões em 2014.


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MOVIMENTO

EVENTOS

Sinpro/Caxias: alinhado com as lutas dos trabalhadores e da educação No primeiro semestre de 2015, o Sinpro/Caxias esteve representado em diversos encontros de formação e organização política em defesa dos trabalhadores e da educação.

FOTOS ROSE BROGLIATO

DIVULGAÇÃO CEREST/SERRA

Reunião sobre a saúde dos professores

O Sinpro/Caxias realizou reunião com o Centro de Referência Especializado em Saúde do Trabalhador (CEREST/Serra) para articular ações de conscientização sobre a saúde dos docentes, especialmente sobre Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho (DORT), estresse e distúrbios de voz. Nos próximos meses, o CEREST/Serra entrará em contato com instituições de ensino para abordar aspectos físicos vinculados à normalização estadual, nacional e internacional. O sindicato apresentou ao CEREST os relatórios de ações desenvolvidas nos últimos anos em relação à saúde dos professores, como pesquisas, reportagens e o livro Professor no Limite, da advogada Deise Vilma Webber.

III Seminário de Comunicação da Contee Foi realizado no dia 10 de abril, em Belo Horizonte, com o objetivo de analisar os espaços de comunicação das entidades sindicais e a utilização das ferramentas virtuais, além da relação entre a comunicação da Contee e das entidades filiadas. Contou com a brilhante participação de Altamiro Borges, que falou sobre Sindicalismo e Mídia. No encontro foi lançada a campanha “Professor é professor, diferentes mas iguais”, que divulgou a necessidade de equiparação salarial na educação básica.

2º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação Nos dias 10 a 12 de abril, lideranças, profissionais da comunicação e sindicalistas estiveram em Belo Horizonte para discutir a democratização da mídia. Na abertura, foi discutido o cenário internacional e os dilemas do Brasil para enfrentar a regulação democrática e para garantir a liberdade de expressão. Palestrantes de diversos países expuseram a sua opinião sobre a luta por uma comunicação mais democrática na América Latina. A internet como um direito de todos foi outro importante tema analisado. No final do encontro, foram elencadas estratégias de lutas em relação ao Projeto de Lei da Mídia Democrática.


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MOVIMENTO

EVENTOS

7 FOTO DIVULGAÇÃO

Ato contra a terceirização no 1º de Maio Uma delegação do Sinpro/Caxias participou do Ato Estadual contra o PL 4330 no dia 1º de maio - Dia do Trabalhador. O evento foi realizado na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, com manifestação de lideranças sindicais e show com diversas atrações musicais.

Entre a ética e a ideologia O Sinpro/Caxias apoiou a promoção do evento: Por uma refundação do conceito de comunicação - entre a ética e a ideologia, realizado no dia 19 de junho à noite, no UCS Cinema. Aberto ao público, o evento trouxe a palestra de Pedrinho Guareschi, professor da UFRGS, pós-doutor em Ciências Sociais e Mídia e Política, documentário com Veníncio de Lima e bate-papo com a professora Branca Sólio. DIVULGAÇÃO

Sinpro/Caxias integra Comitê contrário à Redução da Idade Penal O Sindicato dos Professores de Caxias do Sul (Sinpro/Caxias) está integrando o Comitê contrário à Redução da Maioridade Penal do município de Caxias do Sul, lançado oficialmente no dia 13 de junho. O Comitê atua para a conscientização da sociedade sobre o tema. Para isso, foram traçadas estratégias coletivas de mobilização, como “blitze” nas praças, exibição de documentários, debates e festivais culturais. O Comitê atua também na sensibilização de parlamentares e lideranças políticas, religiosas e comunitárias. Em meio a tantos argumentos vazios favoráveis à redução da maioridade penal, suscitados em grande escala por interesses político-partidários e pela mídia geradora da constante sensação de impunidade à medida que se coloca a serviço da exposição da violência, o Comitê propõe a ampliação e a apropriação do debate acerca da redução da maioridade penal para a comunidade caxiense.

Debates regionais

A implementação do Plano Nacional da Educação no Rio Grande do Sul foi tema de seminário no dia 27 de junho, em Canoas, com a participação do Sinpro/Caxias. A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), integrante da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados propôs o debate. Foi o primeiro de uma série de debates regionais envolvendo a implementação do PNE no RS. Os participantes do encontro debateram sobre o Acesso à educação básica e regime colaborativo, Financiamento da educação básica e superior, Formação e valorização dos professores e Currículo escolar.


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ESPECIAL

OUTRO MODELO É POSSÍVEL?

Educação: não há apenas um modelo...

O professor Seymour Papert, um dos fundadores do laboratório de inteligência artificial do MIT (Massachussetts Institute of Technology), foi o responsável, no final da década de 60, pelo desenvolvimento da linguagem Logo, na época um grande avanço para o uso da informática na educação. Papert sempre foi um questionador da escola tradicional. Há 50 anos, Papert já dizia que toda criança deveria ter um computador em sala de aula. As teorias dele pareciam absurdas... Há uma história contada por Papert: pesquisadores viajaram para um futuro distante. Quando lá chegaram, para grande surpresa deles, o único ambiente reconhecido foi o de uma sala de aula que permanecia imutável, apesar do tempo transcorrido. Ele se referia principalmente ao mobiliário e ao uso da tecnologia. Mas, se a abordagem fosse também sobre a hierarquia, a estrutura educacional, os currículos... o que teria mudado?

O que mudou, com o passar do tempo, desde o surgimento da escola como a conhecemos, de origem medieval? Ainda que muitos aspectos continuem os mesmos, há inúmeras tentativas de fazer diferente. Essas experiências podem ser consideradas distantes? Não é a realidade. Está aí o projeto da Cidade Escola-Ayni, de Guaporé. O Projeto Âncora, em Cotia (SP). O documentário “Quando sinto que já sei”, que mostra experiências alternativas de educação em sete cidades brasileiras. A Rede Educação Viva (Reevo) que apresenta um mapa construído colaborativamente com a pretensão de refletir as diversas e múltiplas iniciativas de educação alternativa em todo o mundo. E muitos outros casos que uma simples pesquisa na internet pode revelar. Sim, existem outras possibilidades que os professores, mesmo os que acreditam no modelo de educação tradicional, devem, pelo menos, conhecer.


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ESPECIAL

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OUTRO MODELO É POSSÍVEL?

Uma escola para inspirar e encorajar A pequena cidade vizinha de Guaporé, de 25 mil habitantes, está buscando se tornar uma referência em escola alternativa FOTOS ROSE BROGLIATO

Há alguns anos, Thiago Berto vendeu os pertences que possuía e foi morar no Butão. Entusiasta da educação, aos poucos começou a perceber a existência de modelos educacionais diferentes dos padrões brasileiros. Mergulhando gradativamente no tema, viajou por muitos países e conheceu mais de 40 exemplos de escolas diferentes. Depois, voltou à cidade do coração, Guaporé (ele é natural de Porto Alegre), e convenceu lideranças a apoiar um ousado projeto: uma escola alternativa. Recebendo em comodato um terreno no centro da cidade para instalação da estrutura principal da escola, Thiago começou a disseminar a ideia de forma mais ampla e se dedica a palestrar, demonstrando a proposta: “Queremos uma escola modelo que inspire e encoraje outros grupos, comunidades e o poder público a adotar novos programas pedagógicos na rede de ensino”, explica Thiago. Ele propõe um espaço sem classes, sem salas de aula, sem divisão de turmas, sem provas, sem exames, sem competição. Com oficinas de música, teatro, circo e artesanato, com horta e jardim. Com liberdade e afetividade. E diz que qualquer escola poderia ter uma realidade assim, pois isso está previsto na Lei de Diretrizes e Bases de 1986.

Com a Cidade Escola-Ayni, ele afirma que Guaporé pode vir a se tornar o centro de um fluxo de pesquisadores interessados em educação alternativa: “Pretendemos construir a Ayni em Guaporé, cidade em que cresci, mas será apenas uma semente. Queremos que sirva de inspiração para todo o Brasil.” Ayni significa “compartilhar” na língua inca, o quéchua. É uma homenagem à Aldea Yanapay, na cidade peruana de Cusco, principal escola livre que inspirou Thiago Berto.

DIVULGAÇÃO

Projeto da Cidade Escola-Ayni

Público lotou auditório da UCS em Guaporé para conhecer a experiência


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ESPECIAL

OUTRO MODELO É POSSÍVEL?

O Brasil é o futuro da educação “Eu conheço mil propostas de escolas alternativas no mundo, mais de 200 no Brasil”, afirma o fundador da Escola da Ponte FOTO VERA DAMIAN

No dia 28 de maio, a proposta da Cidade Escola-Ayni foi apresentada no Núcleo Universitário da UCS, em Guaporé, para uma plateia lotada de educadores, autoridades e pais. O encontro contou com a presença de uma referência mundial em educação, José Pacheco, o fundador da Escola da Ponte, de Portugal. Ele conversou sobre sua perspectiva e sua experiência com novos modelos de educação. Do alto dos seus 64 anos, José Pacheco se intitula o “mais antigo sindicalista de Portugal”. Começou a “palestra” pedindo: “Qual é a primeira pergunta?” A partir daí as perguntas não pararam de surgir e um rico fluxo de ideias se estabeleceu. A Escola da Ponte foi criada há quase 40 anos. É uma instituição pública de ensino localizada em Portugal, no distrito do Porto. Nessa escola, os alunos não são divididos em classes nem em anos de escolaridade. Portadores de necessidades especiais dividem o espaço com os outros alunos. A biblioteca é o centro. Os alunos e os “orientadores educativos” são responsáveis pelo funcionamento da escola. O objetivo é que os educandos conquistem autonomia, compreendendo o porquê e o para que estudar.

Lá não há séries, ciclos, turmas, anos, manuais, testes e aulas. Os alunos se agrupam de acordo com os interesses comuns para desenvolver projetos de pesquisa. Há também os estudos individuais, depois compartilhados com os colegas. Os estudantes podem recorrer a qualquer professor para solicitar suas respostas. Se eles não conseguem responder, os encaminham a um especialista.

Para Pacheco, hoje “aposentado” e acompanhando projetos alternativos de educação no Brasil, a Ponte é uma inspiração, um projeto que vai muito além de escola. Questionado sobre a maior dificuldade enfrentada para implantar a escola, respondeu: “A grande dificuldade que enfrentamos é a cultura de professor convencional.” Explicou que o professor é o único profissional que faz o estágio antes da formação, pois quando entra na escola, aos seis anos, já está vivenciando o ambiente de educação. Quando chega na sala de aula como docente, vai reproduzir o que vivenciou: “O modo como o professor aprende é o modo como o professor ensina.” Sobre a contradição entre a proposta da Escola da Ponte e o pensamento predo-

DIVULGAÇÃO

Projeto Âncora, em Cotia (SP), uma das propostas acompanhadas por Pacheco


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ESPECIAL

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OUTRO MODELO É POSSÍVEL?

PARA APROFUNDAR Diziam: “Ah! Você é jovem, por isso é utópico. Mas hoje eu sou velho e continuo utópico!” “Eu fui um FOFO (Formador de Formador) até descobrir que ‘formar’ é impossível, mas ‘transformar’ é necessário.”

www.fundacaoayni.org

O site da Cidade Escola-Ayni, que será implantada em Guaporé, está em construção, mas traz dados de contato e conduz para a página do Facebook, que traz relatos sobre o projeto.

“O professor transmite aquilo que é. Onde não há uma pessoa, não se pode colocar um professor.” “Devemos acender uma lanterna e não amaldiçoar a escuridão.”

www.yanapay.facipub.com

O site do projeto Yanapay, em Cusco no Peru, que Thiago Berto visitou e que o motivou a criar a Escola Ayni.

www.escoladaponte.pt

O site da Escola da Ponte, de Portugal, traz toda a história e o cotidiano da escola, além de teses e artigos sobre a instituição.

FOTO ROSE BROGLIATO

www.projetoancora.org.br

minante de educação como mercadoria e alunos como clientes, Pacheco afirmou que a ideia não é confrontar a corrente mercadológica, porque as duas realidades coexistem. “Eu conheço mil propostas de escolas alternativas no mundo, mais de 200 no Brasil.” É a possibilidade de uma escola pública de altíssima qualidade e que constrói outra realidade, o protótipo de um outro modelo de sociedade. Somos 7 bilhões de habitantes em um mundo que mal suporta cinco, outro modelo de convivência é fundamental. Pacheco afirma que o Brasil é o futuro da educação, tem tudo o que precisa para melhorar. “Eu nunca vi professores que ganham tão mal e que fazem tão bem!”, diz ele, concluindo que o brasileiro tem a síndrome do vira-lata, pois o que vem de fora é considerado bom, enquanto o que existe no país não é valorizado. “O Brasil tem alguns dos melhores cientistas do mundo! Lauro de Oliveira Lima, por exemplo,

foi um educador maravilhoso que, pela primeira vez no mundo, falou de comunidades de aprendizagem em dois livros que recomendo, Escola Secundária Moderna* e Escola de Comunidade**. Isso em 1967! Trinta anos antes dos outros livros que falam de educação em comunidade. Porém, nenhuma faculdade tem esses livros. Castelo Branco o mandou prender e dispersou os livros. A mesma coisa aconteceu com tanta gente boa. E a primeira comunidade de aprendizagem do mundo foi aqui no Brasil, em São Paulo”, destaca Pacheco.

Você concorda? Discorda? Envie a sua opinião ou artigo para sinpro@sinprocaxias.com.br

O site do Projeto Âncora, em Cotia (SP), acompanhado por José Pacheco, traz muita informação sobre a metodologia da escola.

ww.reevo.org

O site da Rede de Edicação Viva (Reevo) traz um mapa construído de forma colaborativa que busca mostrar diversas e múltiplas iniciativas de educação alternativa em todo o mundo.

www.quandosintoquejasei.com.br

Site do documentário “Quando sinto que já sei”, que registra práticas educacionais inovadoras que estão ocorrendo pelo Brasil.


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INFORMAÇÃO

JURÍDICO FEDERAÇÃO

Fator previdenciário pode ser excluído do cálculo da aposentadoria dos professores FOTO ARQUIVO FETEESUL

A Justiça Federal confirmou que professores do Ensino Fundamental não precisam se submeter às regras do fator previdenciário no cálculo da aposentadoria. A Turma Nacional de Uniformização (TNU) da Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais, no Espírito Santo, determinou que os docentes têm esse direito por lei que trata do benefício especial (25 anos de contribuição para mulheres e 30 para homens). Com o fator, que leva em conta a expectativa de vida dos trabalhadores, o

benefício têm perda de até 40% na hora. Ao acolher pedido de revisão de uma professora, a TNU condenou o INSS a excluir o fator do cálculo do benefício. A docente também tem direito a receber os atrasados. De acordo com o relator do processo na TNU, juiz federal João Batista Lazzari, a Constituição garante aposentadoria ao professor com redução do tempo devido à especificidade da atividade profissional. O objetivo é protegê-los do desgaste físico e mental, livrando o professor de prejuízo à saúde.

ATENDIMENTO DA ASSESSORIA JURÍDICA NO SINPRO/CAXIAS Os professores sócios do sindicato podem ser atendidos pelos assessores jurídicos na sede do Sinpro/Caxias, sem custo. Para isso, é necessário agendar com antecedência pelo telefone (54) 3228.6763. Os atendimentos são realizados nas terças e quintas-feiras, das 16 às 18 horas, pelo advogado Erci Marcos Sabedot.

A assessoria jurídica do Sinpro/Caxias informa que os professores associados ao sindicato podem usufruir de descontos nos atendimentos jurídicos, independentemente de se tratarem de causas trabalhistas.

Assessoria Jurídica do Sinpro/Caxias

Deise Vilma Webber OAB/RS 55.237

Novo site

Por meio do novo site, a federação integra as informações dos sindicatos da base, além de trazer notícias e agendas do movimento dos trabalhadores em geral. Acesse e verifique: www.feteesul.org.br

Comunicação

No dia 9 de julho, a federação promove o Seminário de Comunicação Sindical, quando será apresentado o Plano de Ações de Comunicação da FeteeSul. Além disso, serão debatidos temas como redes sociais e tendências da comunicação.

Não ao PL 43430

DESCONTOS

Erci Marcos Sabedot OAB/RS 25.906

Valdir Kinn Coordenador Geral da FeteeSul

Centro Comercial Luna Rua Os 18 do Forte, 422 Sala 507 - 5° andar Fone/fax: (54) 3223.6764 E-mail: emsabedot@via-rs.net

A FeteeSul está comprometida com as lutas contra o PL da Terceirização, participando dos movimentos que têm sido realizados em oposição ao projeto e alimentando os sindicatos com informações sobre o tema.

A Federação dos Trabalhadores de Estabelecimento de Ensino do Rio Grande do Sul (FeteeSul), foi fundada em 1985 e reúne oito sindicatos de trabalhadores do ensino privado, entre eles, o Sinpro/Caxias. A FeteeSul é filiada à CUT e à Contee e tem o papel de articular políticas e ações conjuntas entre os sindicatos da sua base, como a campanha salarial.


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DIREITOS

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AÇÕES JUDICIAIS

“Escola sem partido” – volta da censura? A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) emitiu nota manifestando repúdio ao Projeto de Lei 867/15 (PL da Mordaça), do deputado Izalci (PSDB-DF). Intitulado “Escola sem Partido”, o Projeto propõe uma censura ao professor em sala de aula. O PL é baseado no ideário de uma ONG de mesmo nome – Escola Sem Partido – que, segundo o próprio site, luta pela “descontaminação e desmonopolização política e ideológica das escolas”. O coordenador da tal ONG, Miguel

Nagib, diz que “a maioria [dos alunos], vítimas dos militantes disfarçados de professores, nem sequer tinha condições de reconhecer que parte do ensino era ideologicamente orientada pelo pensamento de esquerda”. Aliás, em maio, o Sinepe/RS teve a infeliz ideia de promover uma palestra de Miguel Nagib (Ideologia nas escolas: o abuso da liberdade de ensinar) no Seminário de Diretores. “Os professores são, sim, militantes em sala de aula” – afirma André Barreto, jornalista do Sinpro/DF no artigo PL propõe volta da censura às salas de aula – “Mas não de um partido político ou de determinado ideário. São militantes das vertentes democráticas de Paulo Freire.

‘Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão’, dizia ele.” Em artigo publicado no jornal Correio do Povo (16/06) o professor e coordenador da Secretaria-Geral da Contee conclui: “Iniciativas como estas, propagadas pela ONG Escola Sem Partido, são atrasadas e descontextualizadas do Brasil contemporâneo, onde a democracia, a liberdade e a cidadania devem ser os referenciais da sociedade. Já a nota de repúdio da Contee diz que “é uma verdadeira afronta à Constituição, à LDB e ao compromisso com uma educação verdadeiramente democrática a proposta contida do Projeto de Lei 867/2015.”

ACOMPANHE O SINPRO Os temas abordados nessa edição do Presença também estão no site do Sinpro/Caxias: www.sinprocaxias.com.br Acessando, os professores podem aprofundar os assuntos com matérias mais completas, links para assuntos relacionados e muito mais informação. O site traz ainda informações sobre sindicalização, convênios, o acervo completo da biblioteca e links para instituições de todo o mundo. O Sinpro/Caxias também mantém perfis no Facebook, no Twitter e no Linkedin, basta procurar por “Sinpro Caxias do Sul”. Além de ficar por dentro do que acontece no cotidiano da categoria, acompanhar essas redes sociais permite interagir com o sindicato e com os colegas, fortalecendo os laços solidários e de troca de informações entre os professores.


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ENTREVISTA

O CRIADOR DO ARMANDINHO

Humor e verdade

Armandinho é um garotinho de cabelo azul com uma personalidade forte e respostas certeiras que cativa pela objetividade e pela visão de mundo que exprime. A inspiração e o talento de Alexandre Beck deram vida ao personagem de tirinhas que conquistou o público com traços leves e palavras que motivam a valorização das verdades simples do cotidiano com uma genialidade que rende risadas. Beck sempre desenhou. Quando criança, amava desenhar e, mesmo durante o curso de Agronomia, nunca abandonou o tempo para as ilustrações. Desenhava para o jornal da universidade e ali descobriu o potencial que têm os desenhos. Quando surgiu o curso de Publicidade, na região de Florianópolis em que morava, ele entendeu que pode-

ria ser um caminho para usar o desenho como trabalho. Ele sempre tentou entender as coisas e costumava questionar e pensar em caminhos diferentes e isso o levou a criar o Armandinho: “A forma como funciona nossa sociedade sempre me pareceu estranha. E essa ‘curiosidade’, por assim dizer, eu trago até hoje. As primeiras tiras que fiz traziam esse questionamento. Quando comecei a fazer tiras para jornal, com outros personagens e, posteriormente, nas tiras do Armandinho, isso se manteve. Sob esse olhar, talvez o Armandinho tenha nascido muito antes de aparecer nos jornais ou internet”, conta. Como o Armandinho é conhecido no Facebook, espaço em que todos atuam como audiência e, ao mesmo tempo, geram conteúdo, Alexandre entende que é fundamental perceber a real importância das informações que são disponibilizadas e ainda ter critérios para fazer a seleção dos conteúdos que serão trabalhados. “De minha parte, como ‘fornecedor de conteúdo’, procuro ser responsável e avaliar sempre o que faço. Sem o devido cuidado, facilmente cometemos erros. E

Entrevista exclusiva do criador do Armandinho para o Presença - Por Lisiane Zago

erros acontecem, por mais cuidado que tenhamos”, relata. O personagem Armandinho iniciou em jornal impresso, mas ganhou vida nas redes sociais, cativou as pessoas, e hoje já existe em exemplares impressos, mas a ideia de ser transformado em livro sempre existiu. Alexandre conta que já tinha material suficiente, mas nenhuma editora mostrou interesse. Com a Fan Page no Facebook, isso mudou: “Pude ter contato direto com um público interessado nos livros e resolvi fazer isso por minha conta. Hoje são seis livros do Armandinho”, revela. Alexandre é o próprio editor no Brasil, mas uma editora de São Paulo, a Matrix, faz a distribuição nacional e há distribuição também em Portugal. Vivendo hoje em Santa Maria, o ilustrador catarinense dá voz ao personagem para se posicionar diante das injustiças e defende que, como cidadão, tem uma responsabilidade com a sociedade: “Não apenas com os meus próximos, mas com todos. Combater injustiças, seja com quem for, deveria ser uma atitude de todos e seria menos difícil se fosse assim. O Armandinho muitas vezes fala por mim”. Ele conta que sempre fez as tiras que gostaria de ler, das coisas que gosta, no tom de piada que agrada a ele e sobre os temas que julga importante pensar ou discutir: “Nunca foi meu objetivo – e nem será – fazer tiras para agradar um público. Pretendo continuar criando tiras (enquanto isso me fizer bem), publicando em jornal (enquanto permitirem) e fazendo meus livros. Basicamente só”, finaliza.

ESTOU AO LADO DE VOCÊS

“Combater injustiças, seja com quem for, deveria ser uma atitude de todos e seria menos difícil se fosse assim. O Armandinho muitas vezes fala por mim” Alexandre Beck, o criador do Armandinho

As tiras do Armandinho têm servido para reflexão em sala de aula, por iniciativa de alguns docentes. E muitas delas questionam aspectos da educação e da condição dos professores. A precarização da profissão, a sobrecarga de trabalho e as condições da educação são alguns dos desafios que os professores enfrentam no dia a dia. Alexandre resume: “É um absurdo enorme; uma tremenda falta de educação, em todos os sentidos”. É a realidade. Para os professores que se dedicam no dia a dia ao ensino, ele deixa um recado motivador: “Estou ao lado de vocês”.


FOTO DOUGLAS TRANCOSO

INFORMATIVO DO SINDICATO DOS PROFESSORES DE CAXIAS DO SUL

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Penúltima Página PAULO LUIZ ZUGNO

GAIA ESTÁ FURIOSA A humanidade sempre conviveu com fenômenos da natureza (terremotos, tsunamis, tempestades, enchentes, estiagens, vulcões, etc.). A lenda da Arca de Noé é um exemplo disso. Todas as culturas antigas procuravam explicar os fenômenos naturais tentando encontrar suas causas. Como essas culturas não dispunham dos recursos científicos e tecnológicos que hoje existem, a mitologia foi a solução encontrada. Todas as culturas antigas têm sua mitologia. Mitologia é um conjunto de contos, ou narrativas com personagens que exercem funções diversas. Entre essas estruturas culturais, destaca-se a mitologia grega que criou, com imaginação fértil, uma sociedade composta de deuses, deusas, heróis e vilões com funções específicas, com uma organização semelhante à das sociedades humanas, ou seja, antropomórfica. Os deuses (e deusas) têm qualidades e defeitos como os humanos. Amam, odeiam, traem, são solidários, roubam, lutam pelo poder e pelo ouro, assassinam, exatamente como os homens. Nesse emaranhado de personagens, de tramas, de cambalachos e toma-lá-dá-cá oportunistas, desenvolve-se a história humana. O ponto de partida do universo é O CAOS. Como na Bíblia, antes da intervenção divina, não havia distinção entre luz e trevas, entre dia e noite, entre terra e água. Inexplicavelmente, na mitologia grega, surge o primeiro personagem com identidade própria: GAIA (GUÉ, que depois foi vertido para TERRA; os termos Geologia, Geometria e Geografia são derivados diretos da língua grega. GAIA era uma deusa, a deusa TERRA. Era um ser vivo, racional, cuja função era reproduzir outros seres. O reprodutor era Urano (o Céu) que ficava constantemente sobre Gaia, cobrindo-a e gerando novas proles. O problema que angustiava Gaia era que Urano não permitia que ela parisse porque, apegado ao poder, temia que seus filhos, se tivessem liberdade, destroná-lo

-iam. Essa situação chegou a um ponto crítico: Gaia, não suportando mais carregar tantos filhos na barriga, revoltou-se e, arrancando um pedaço de seu corpo, transformou-o em ferro com o qual fez uma grande foice dentada. Seu plano era livrar-se de Urano castrando-o. Para tanto, reuniu seus filhos para saber qual deles se disporia a executar o plano. Todos se negaram, exceto Cronos que, instruído pela mãe, atacou Urano de surpresa e, com a foice, castrou-o e jogou sua genitália no mar. A partir disso, a história do mundo começou a mudar... Gaia passou a ter autonomia. Se aceitarmos que a Terra (Gaia) é um ser vivo, talvez possamos compreender um pouco o sentido das catástrofes naturais: quando é agredida ou ferida, Gaia reage. E não há dúvida de que, em nome do “progresso” e do “desenvolvimento”, Gaia está sendo submetida a inúmeras agressões. Se Gaia não é molestada, em tempo relativamente curto as feridas são curadas. As florestas revivem, as águas retornam, a fauna e a flora voltam a crescer, o mundo entra em harmonia. A resposta de Gaia às agressões é furiosa: são terremotos, tsunamis, intempéries, vulcões, que deixam destruição e inúmeras mortes... como vemos quase diariamente.

Se aceitarmos que a Terra (Gaia) é um ser vivo, talvez possamos compreender um pouco o sentido das catástrofes naturais


REFLEXÃO

TERCEIRIZAÇÃO: CATÁSTROFE PARA A EDUCAÇÃO Trabalhadores pedem rejeição do projeto que regulamenta terceirizações Representantes de centrais sindicais, federações, sindicatos e de movimentos de defesa dos trabalhadores lotaram o Teatro Dante Barone na Assembleia Legislativa, na tarde do dia 25 de junho, para acompanhar a audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, presidida pelo senador Paulo Paim (PT/RS), que discutiu o projeto de lei que regulamenta a terceirização. O Sinpro/ Caxias também esteve representado. O Rio Grande do Sul é o quarto Estado a sediar o debate, que será realizado nas 26 unidades da federação, antes de ser apreciado pelos senadores. “É a maior audiência que realizamos até agora. Posso dizer com convicção que, se depender do Rio Grande do Sul, este projetinho malandro e mal-intencionado não passará”, afirmou Paim, que também é relator da matéria na Comissão de Direitos Humanos, uma das quatro que examina a matéria. Ele antecipou que seu parecer será pela rejeição integral da proposta. Revelou, ainda, que apresentará no Senado projeto de lei, defendido pelo Fórum Nacional Contra a Terceirização Precarizante, que melhora as condições de trabalho dos 2 milhões de brasileiros que já são regidos pelo regime de terceirização. O presidente da Assembleia Legislativa, Edson Brum (PMDB), na abertura da audiência, leu a Carta dos Deputados Estaduais à Bancada Federal Gaúcha, subscrita por 43 parlamentares de diversos partidos, condenando o processo de terceirização das atividades fins das empresas, como prevê a proposta já aprovada pela Câmara dos Deputados e agora em tramitação no Senado. O documento afirma que “travestido de modernização, o projeto rasga direitos instituídos em 1943 com a Consolidação das Leis Trabalhistas e fere convenções internacionais das quais o Brasil é signatário.”

Os sindicalistas estão convictos de que a terceirização acaba com direitos trabalhistas, reduz salários, aumenta a jornada de trabalho e expõe os trabalhadores a mais riscos de acidentes. Em um vídeo da Associação Nacional dos Juízes do Trabalho (Anamatra), exibido durante a audiência, os atores Osmar Prado, Dira Paes e Bete Mendes alertam que a precarização “pode acobertar o trabalho escravo e infantil” e “transformar o trabalho numa mercadoria vendida por intermediários que lucram com isto”.

Leia mais textos sobre o tema no site: www.sinprocaxias.com.br

Conforme Guilherme Perez Cabral, advogado especialista em direito educacional, doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito, trazer a terceirização para o trabalho na escola é “o último degrau da degradação do que poderia ter sido a educação. É a selvageria do capital”. Ele afirma que significa a possibilidade de terceirizar a docência: “A escola não precisa mais de seus professores. Não emprega mais. Chega de corpo docente. Chega de comunidade escolar. Contratemos empresas prestadoras de serviços terceirizados de aulas de física, de química, de história. É mais viável economicamente. Mais lucrativo.” E conclui: “Falar em favor da terceirização é assumir uma posição em defesa do lucro.” Gilson Reis, presidente do Sinpro/Minas, afirma que na educação privada, a aprovação do projeto de terceirização poderá representar um profundo retrocesso, com a perda de vários direitos conquistados ao longo do tempo pelos professores. FOTOS ROSE BROGLIATO

Presença - Primeiro Semestre 2015  

Informativo do Sindicato dos Professores de Caxias do Sul

Presença - Primeiro Semestre 2015  

Informativo do Sindicato dos Professores de Caxias do Sul

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